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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte II)


Meu QB favorito da classe, Bridgewater interessa muito a 4 dos times de hoje


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. A Parte I - falando de Dolphins, Jets, Ravens, Steelers e Bills - já está no ar desde quarta feira, e agora vamos para a Parte II.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Cleveland Browns

Se tivessem me perguntado em Agosto do ano passado - ou mesmo lá para Outubro - qual era o time ruim que tinha o futuro mais promissor, eu teria dito Cleveland Browns. Jimmy Haslam, dono do time, finalmente tinha demitido sua incompetente e bagunçada gestão anterior e se comprometido com um projeto de gestão estável e moderna a longo prazo, contratando Joe Banner para CEO e Mike Lombardi para GM, duas figuras muito respeitadas ao redor da liga, para comandar essa reconstrução. De técnico novo, diretoria nova e rumos novos, o time ainda tinha uma boa base de talento na sua equipe, deveria ter uma escolha alta em um Draft profundo (check!) e ainda conseguiu assaltar o Colts conseguindo mais uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. Então a combinação de "nova e competente diretoria + escolha alta de draft + escolha extra de primeira rodada + base jovem e talentosa + toneladas de espaço salarial" parecia perfeito para um time que queria enfim sair do fundo do poço.

Bom, essa esperança durou menos de um ano. Hoje, oito meses depois, eu fico me perguntando se exista uma organização mais disfuncional que essa na NFL, decidindo enfim que fica entre Browns e Dolphins (com o Cowboys em terceiro). 

As cartas de "comprometimento a longo prazo", "paciência" e "continuidade" com o novo técnico Rod Chudzkinski foram para o saco antes até do final da temporada, com Chud sendo demitido na Semana 17 algumas horas antes do Sunday Night Football. Os motivos alegados não-oficialmente indicavam dois motivos para a separação: primeiro, que apesar da boa posição no Draft a diretoria esperava mais vitórias da equipe, e segundo que os jogadores não estariam satisfeitos ou não respeitariam Chud. Mas muitos concluíram que era uma tentativa desesperada de Banner e Lombardi para satisfazer Haslam, que não tinha gostado da temporada da equipe, e essa teoria ganhou força quando os próprios Banner e Lombardi foram demitidos pouco depois. E um abraço para o "projeto estável e paciente de longo prazo".

E claro, o time sofreu as consequências. Apesar de ser uma posição em teoria atraente, o Browns teve um trabalho imenso para achar gente que quisesse ocupar as vagas. Nenhum técnico bem cotado de College ou um bom coordenador na NFL vai querer deixar um cargo estável e bem sucedido para ir até um time onde ele não faz idéia do que esperar, sem estabilidade no emprego e a mercê de um dono incompetente. A dificuldade da equipe de repor essas vagas mostra o quão malvista é a organização nos círculos da NFL, e enquanto o Browns não parar de demitir pessoas a torto e a direito para satisfazer seu dono e se comprometer com algo sério e estável - a imagem que quiseram passar em 2013 e que agora ninguém mais está comprando - vai ser difícil a organização dar a volta por cima.

Mas ok, vamos falar do que acontece dentro de campo. Supondo que todos esses problemas de bastidores se resolvam, quem herdar as cadeiras de Lombardi e Chud vai ter uma situação promissora e um tanto desafiadora nas mãos. O Browns é um time recheado de talentos, especialmente na defesa: a linha defensiva com Phil Taylor, John Hughes e mesmo o especialista em corridas Ahtyba Rubin foi muito bem em 2013, Jabaal Sheard vem de um ótimo ano, e Joe Haden e TJ Ward (free agent, mas que deve ficar na equipe) estão entre os melhores CBs e safeties (respectivamente) da NFL. A defesa não foi tão bem assim em 2013, foi apenas um pouco acima da média, mas o talento está ai para fazer grandes coisas quando seus buracos forem tapados: o time não tem pass rush além de Sheard (embora a evolução de Barkevious Mingo e um ano a mais de Paul Kruger possam resolver a questão), a cobertura pelo meio (tanto passe contra corridas) foi muito ruim e vai ficar ainda pior sem o veterano D'Quell Jackson, e a secundária ainda depende demais de Haden e Ward resolverem tudo sozinhos pela falta de ajuda na cobertura. Mas com um cap space que chega a 62M e um caminhão de escolhas de draft - além de suas próprias escolhas, todas altas dentro da rodada (incluindo a 4th overall) o time ainda tem uma 1st round e uma 4th round extras do Colts, e uma 3rd round extra do Steelers - não faltam meios para reparar pelo menos parte desses problemas e tornar essa unidade em uma defesa muito boa.

Mas o problema (ok, um dos) dessa mudança repentina de diretoria é que não sabemos mais qual a direção que a franquia quer tomar. A gestão de Lombardi e Banner deixou claro seu objetivo primário: conseguir um Franchise QB para Cleveland, de preferência pelo profundo draft de 2014 (que ficou menos profundo desde então sem Marcus Mariota, mas enfim), e com a 4th pick e tantas escolhas extras, o time estava em uma ótima posição para realizar seu objetivo. Mas agora que mudou a diretoria, ninguém sabe o que esperar. Será que o time vai manter seu objetivo original, usando sua 4th pick em um dos três QBs mais bem cotados da classe (Bridgewater, Bortles ou Manziel) ou mesmo trocar para subir no draft e escolher o QB específico que eles querem? Será que usarão essa escolha em outra posição (Sammy Watkins?) e tentarão resolver o problema do QB em rodadas futuras? É difícil dizer. O que eu sei com certeza é que o time tem uma excelente linha ofensiva (especialmente se renovar com Alex Mack), dois alvos espetaculares em Jordan Cameron e Josh Gordon, mas precisa urgentemente de um quarterback que possa fazer uso de tudo isso. Um RB e mais alvos são importantes, mas o QB é a peça central que falta para esse ataque.

O problema é que, infelizmente, talvez tudo isso tão promissor dentro de campo signifique muito pouco se os problemas no topo da organização continuarem. Quando uma franquia é muito ruim por muito tempo, muitas vezes não é por acaso...


Tennessee Titans

Como eu sou um ser humano extremamente vingativo, me permitam um parágrafo antes de ir para o que interessa. Ano passado, no preview sobre o Titans, um leitor chamado Diego veio reclamar de forma muito pouco educada do que eu escrevi, ressaltando que "ainda bem que ninguém entra nesse blog". Ele reclamou da minha crítica a decisão do Titans de draftar o Jake Locker, ressaltando que era o QB do futuro do time, reclamou da minha crítica a contratação do Shonn Greene falando que foi uma boa contratação para decolar o ataque terrestre do Titans, e que o Titans ia ser um time bom que estava em ascensão. Depois de terminar 20th em DVOA, de ver a diretoria demitir o técnico, supostamente declinar a player option do contrato de Locker (ainda não oficialmente), Shonn Green não chegar a 300 jardas ou 3.8 YPC, o ataque terrestre continuar medíocre, Chris Johnson estar a beira de ser dispensado, e tudo mais... yeah. So there.

Enfim, Tennessee Titans. Apesar da temporada medíocre, a boa noticia é que o time tem uma base boa de talento em mãos. Depois de investir pesado no ataque nessa última offseason (com sucesso parcial), o time tem uma sólida linha ofensiva, ancorada por Andy Levitre e Michael Roos do lado esquerdo e, apesar da temporada ruim de novato de Chance Warmack (7 sacks e 26 hurries, números muito ruins para um Guard), ele é calouro e o Titans acha (eu concordo) que ele vai melhorar e se tornar um sólido jogador. Eles também tem um grupo de WRs interessante, com Kendall Wright e o promissor Justin Hunter, e Nate Washington saindo de um 2013 muito produtivo. Em outras palavras, parece o cenário ideal para um QB se desenvolver, especialmente considerando que o Titans focou seus esforços nos últimos anos para priorizar o ataque terrestre na força bruta, abrindo assim espaços para o QB. Só tem um problema.

Os RBs da equipe foram atrozes em 2013. Tanto Chris Johnson como Shonn Greene jogaram atrás de uma sólida linha ofensiva, mas ambos tiveram temporadas muito ruins, com ambos ficando abaixo das 4.0 jardas por corrida. Com Greene já tendo se provado ao longo da carreira um jogador mediano e Chris Johnson provavelmente sendo dispensado ainda essa offseason (o que abriria 6M na folha salarial da equipe), a busca do time por essa identidade ground-and-pound parece ter que começar de novo, em uma classe de RBs particularmente fraca no draft. 

E o Titans também tem uma decisão importante para fazer em relação a sua situação de QB. Jake Locker é o atual titular da equipe e foi (dependendo de para onde você olhar) um QB mediano ou um pouco acima da média em 2013, que jogou apenas 7 jogos por lesões e nunca jogou uma temporada inteira na carreira. Locker tem uma player option de 13M para 2015, e uma decisão precisa ser feita até Maio por parte do Titans, mas todos os sinais e reports indicam que o time vai recusar essa opção, e portanto Locker vai ter em 2014 seu último ano de contrato. Claro que nada impede que o time traga o QB de volta como free agent, mas não é exatamente um grande voto de confiança no garoto, e com um técnico novo e uma diretoria impaciente, é bem possível que 2014 seja sua última chance, e não estranhem se o Titans já começar a procurar um plano B nesse draft mesmo.

(Em tempo: porque diabos o Titans, que tem um grande ponto de interrogação na posição de QB, trouxe Ken Whisenhunt para ser técnico, um inteligente coordenador ofensivo que também é o pior técnico da história recente da NFL desenvolvendo jovens QBs?!)

O Titans também esbarra em outra questão, a salarial. O time tem apenas 13M de espaço salarial para 2014, e embora esse número possa chegar a 19M caso CJ seja mesmo dispensado, ainda é pouco considerando que um dos melhores defensores da equipe, Alterraun Verner, é um free agent que vai exigir muita grana no mercado. A defesa do Titans melhorou em 2013 mas ainda terminou 19th em DVOA e 22nd em DVOA ajustado, e agora pode perder dois dos seus melhores jogadores em Verner e Bernard Pollard - e se quiser mantê-los, vai ter que gastar grande parte desse espaço salarial escasso. Considerando que a defesa dependeu DEMAIS de Jurell Casey em 2013 e dificilmente ele vai manter o nível para 2014, o time precisa reforçar o resto das posições se quiser ter chances de continuar evoluindo, e perder seu melhor jovem CB em Verner não ajudaria. E mesmo assim, essa é só a segunda decisão mais importante do time em 2014.


Jacksonville Jaguars

Ah, a tristeza... Pelo segundo ano consecutivo, o Jaguars terminou como um dos dois piores times da NFL em DVOA, e sua Pythagorean Expectation de 3-13 é ainda pior do que seu pobre record de 4-12. E o Jaguars é mais um time preso em uma reconstrução que não acaba nunca.

Um bom exemplo do que faz o Jaguas tão ruim é esse: apesar da falta incrível de talento, o Jaguars tinha 42M do seu salary cap em 2013 comprometido com jogadores que sequer estavam na equipe, consequências de contratos péssimos e gestões incompetentes. Então se vamos começar as boas notícias, é por aqui: esse ano, todo esse dinheiro morto finalmente saiu da folha salarial, o que deixou o time com cap space de verdade, de quase 56M. O dinheiro morto do cap em 2014 é de apenas 6M, e embora esse número deva subir se o time dispensar Marcedes Lewis (3M de dinheiro morto, 5.5M de espaço) ou Uche Nwaneri (2M dinheiro morto, 4M espaço), o Jaguars agora vai ter legítimo espaço para contratar free agents e remontar sua equipe como se deve. Considere esse o primeiro passo, saindo do fundo do poço rumo a algo melhor.

Claro, dinheiro na free agency não é tudo - uma parte dos problemas do Jaguars e todo esse dinheiro morto no cap era justamente gastar dinheiro mal na FA - e o time tem buracos demais para resolver só com contratações, mas é um começo. A verdade é que o Jaguars não tem uma solução, é um time que tem talento de menos e bagagem demais, então precisa começar do zero, passo por passo. E flexibilidade salarial e a terceira escolha no draft não são lugares ruins para começar.

Ofensivamente nada no Jaguars se salva - os únicos jogadores acima da média no time em 2013 foram Cecil Shorts e Justin Blackmon, os dois WRs, e Blackmon foi suspenso pelo ano todo depois de falhar teste para drogas - mas pelo menos agora o time tem a chance de recomeçar, e recomeçar com um QB de verdade. Com a 3rd pick do Draft, o time tem a chance de escolher um dos três melhores QBs dessa classe, e talvez até mesmo ser a primeira equipe a escolher um QB caso Houston decida por Clowney. A busca por um Franchise QB tem sido um problema em Jacksonville, um problema que envolveu gastar uma escolha top10 em Blaine Gabbert (não que eu culpe o Jags por isso, ele era considerado o segundo melhor QB do draft e acharam ele um steal em 10th). E considerando que o time tem excelentes chances de sair dessa primeira rodada com Bridgewater ou Manziel (Bortles definitivamente está na conversa também, mas acho que ele parece demais o Gabbert para o Jags ficar confortável), acho que não vão deixar passar a chance. Para começar um capítulo novo (novo dono, novo GM e novo técnico), nada melhor do que um bom QB.

Fora isso, o Jags não tem muito que esperar em 2014 que não seja outra escolha alta de draft. O time até tem arrumado alguns jogadores interessantes nos drafts dos últimos anos - Shorts e Blackmon são bons jogadores, Luke Joeckel vai ter a chance de jogar na sua posição de origem em 2014, Dwayne Gratz teve ótima temporada de calouro e Johnathan Cypren mostrou algum potencial - e vai precisar continuar acertando e investindo no draft nos próximos anos se quiser montar um time vencedor. E acima de tudo, de paciência. De muuuuita paciência.


Houston Texans

A temporada do Texans em 2013 foi, para mim, a coisa mais inexplicável da temporada. Depois de dois ou três anos de candidato ao Super Bowl, o time chegou em 2013, ganhou dois jogos... e perdeu 14 seguidos, terminando com o terceiro pior DVOA e pior record da temporada. Seus QBs foram um problema magistral, tudo deu errado, e o Texans acabou aproveitando isso para garantir a 1st pick nesse draft extremamente interessante.

A pergunta que fica é essa: existe motivo para pânico no Texans? Para mim, não. Sim, a temporada 2013 foi um desastre, mas temos evidências de sobra de que anos outliers em que tudo acontece no pior cenário possível não necessariamente significam que seu time precise ser desconstruído (ver: Red Sox, Boston). Para mim esse foi o ano do Texans, e não só por ter terminado a temporada 2 vitórias baixo da sua Pythagorean Expectations e pelo óbvio potencial de regressão positiva desse time, eu estou otimista que podem dar a volta por cima em 2014.

Para começar, o time ainda tem uma sólida defesa que conta com o melhor defensor da NFL (JJ Watt) e diversos jogadores bons como Jonathan Joseph, Brian Cushing (quando saudável), e Antonio Smith (mais dele em um minuto), o que é um bom núcleo. A defesa caiu ao longo da temporada por conta de lesões, diversos jogadores jogando muito abaixo do que poderiam (principalmente Brooks Reed), falta de interesse e nenhuma contribuição dos LBs depois que Cushing machucou, mas com algum sangue novo, saúde e alguns reforços pontuais (mais regressão positiva) tem tudo para voltar a ser dominante. Ofensivamente o time se afundou na péssima atuação dos QBs e também em lesões, mas o time ainda conta com um fantástico núcleo da linha ofensiva (Duane Brown, Chris Myers e Brandon Brooks), uma boa dupla de WRs (DeAndre Hopkins e Andre Johnson) e, quando saudável, um bom TE em Owen Daniels. Então a base está em seu lugar, e esse foi um time extremamente sólido por dois ou três anos que manteve a maior parte do núcleo. Não vejo porque de repente todo mundo desaprenderia a jogar. É só encaixar novas peças aonde precisa.

Claro, isso também não significa que vai ser fácil. O principal obstáculo é a questão salarial: o Texans está apenas 9M acima do salary cap, e isso lembrando que Antonio Smith é um free agent e vai exigir um salário alto. O Texans já manifestou desejo de trazer Smith de volta, mas isso vai exigir todo tipo de mudanças no salary cap, e não está fácil criar espaço nessa folha salarial. Os maiores candidatos a dispensa não resolvem o problema porque são jogadores que ou carregam um cap hit alto em caso de dispensa (10.5M do Matt Schaub, 7.5M do Arian Foster, 3M do Whitney Mercillus) ou são jogadores cujo contrato é pequeno demais para ter grande impacto (TJ Yates 600 mil, Brian McCain 900 mil, Derek Newton 1.3M). O time sempre pode pedir para algum jogador como Andre Johnson (16M em 2014) reestruturar seu contrato ou dar a jogadores como Owen Daniels (6M, 4.5 de economia se for cortado), Danieal Manning (idem) ou Kareem Jackson (4.5M salário, 3M economia) um ultimato para aceitar uma redução salarial ou serem dispensados depois de temporadas decepcionantes. Mas entre tudo isso vai ser difícil imaginar o Texans liberando uma grande quantidade de espaço salarial, e o dinheiro (que da para chegar a uns 20M dispensado alguns titulares e mantendo outros) seria principalmente usado para reassinar com Smith e alguns outros FAs menores e garantir o dinheiro das escolhas de Draft. E considerando os buracos que a equipe tem hoje - faltam dois jogadores na linha ofensiva além de Brown/Myers/Brooks, o time pode precisar de um TE novo, o pass rush depende demais de Watt e precisa de mais um componente (especialmente porque Mercillus foi um tremendo bust), a secundária precisa de reforços, e os safeties foram uma desgraça desde que Glover Quin saiu - é difícil ver o time adereçando todos esses problemas de uma vez, seja internaemente ou não.

A vantagem para o Texans é ter a 1st pick do Draft, e com ela eles podem ir em duas direções diferentes. A primeira era resolver seu grande problema atual, e selecionar um QB, seja ele Manziel, Bortles ou Bridgewater. Matt Schaub vem piorando vertiginosamente desde sua lesão em 2011, e não parece ter condições de continuar jogando bem depois de um PÉSSIMO 2013, e Case Keenum não convenceu muito como a solução para a equipe, então substituir essa posição extremaemente carente por um sólido QB jovem pode ser o upgrade que colocará o time de volta na briga pelos playoffs e dar a perspectiva para o futuro que eles procuram. A outra direção é pegar a aberração Jadeveon Clowney, colocar ele do lado o posto a JJ Watt e ter a dupla defensiva mais dominante da NFL nos últimos anos, o que deve resolver boa parte dos problemas de pass rush da defesa e dar uma perspectiva muito melhor para esse grupo em 2014. O problema desse último caminho é que ele ainda deixa a incógnita na posição mais importante do jogo, então a não ser que o time esteja contando com Keenum ou Schaub para segurar a barra no curto prazo, eles terão que resolver esse problema ainda esse ano, talvez aproveitando a profundidade para pegar um jogador como Zach Mettenberger na segunda rodada. Não existe uma direção certa, mas a decisão de como usar essa 1st pick é o que vai determinar quando a equipe voltará a disputar vaga nos playoffs e qual a direção futura da franquia.


Oakland Raiders

Pense em um viciado em drogas pesadas. Ele passou um longo período escravo do vício, desperdiçando seus anos. Enfim ele percebe o problema, e passa por um difícil e sofrido processo de desintoxicação e reabilitação. Por fim, livre do seu problema, ele parte para novos horizontes e recuperar o tempo perdido.

Essa é basicamente a história do Oakland Raiders nos últimos anos. Um dono meio maluco e uma série de GMs incompetentes prenderam o time a uma série de contratos ruins e times medíocres da qual estavam impossibilitados de escapar e mantiveram o time por tanto tempo na mediocridade, só que ao invés de admitir o problema e procurar resolvê-lo, tentaram consertar com mais contratos e drafts ruins e decisões equivocadas, que se tornaram uma bola de neve e mantiveram o time refém dessa mania. Atualmente, o Raiders está passando pela fase de desintoxicação: eles ainda estão em processo de se libertar de todos os jogadores e contratos horríveis que sobraram e limpar seu salary cap. Por fim, concluído isso, o Raiders pode pensar em se reerguer como a franquia importante que é e tentar voltar a ser relevante.

E acho que nada ilustra melhor esse processo de "desintoxicação" do Raiders melhor do que o seguinte dado: ao final de 2013, o Raiders tinha 55.6M do seu salary cap destinado para jogadores ativos na sua equipe... e 56M para jogadores que não jogavam mais pelo Raiders (incluindo Carson Palmer, que não só ocupava 9M da sua folha salarial para jogar pelo Cardinals como custou uma escolha de primeira rodada e uma de segunda). Esse ano esse dinheiro morto cai para apenas 9M, e nenhum desse dinheiro será carregado para 2015 (por enquanto). Então literalmente, o Raiders está tentando se livrar ainda do desastre e das péssimas condições deixadas pelos anos anteriores da franquia.

Feito isso, o Raiders está basicamente na condição do Jaguars, problemas demais para resolver com pouco tempo, mas pelo menos uma escolha boa no draft, uma folha salarial limpa e a chance de um novo começo. Ao contrário dos Jaguars, no entanto, o Raiders não tem um caminho claro até um QB, que seria a primeira peça da reconstrução. Jaguars, Browns e Texans, os três escolhem antes do Raiders, e todos eles possuem necessidades na posição, e portanto o Big Three de QBs pode estar fora do draft antes de chegar a vez do Raiders. Se acontecer, é fácil: escolher o melhor jogador disponível (seja ele Sammy Watkins, Jadeveon Clowney ou Greg Robinson) e esperar o resto do time encaixar em torno disso nos próximos anos. Se algum dos três cair, acho possível que o Raiders se sinta tentado pela ideia de finalmente arrumar um bom QB (algo que o time não tem desde... Rich Gannon?), mas não acho que o time precise ter pressa. Não existe uma saída rápida do buraco para o Raiders mesmo com um bom QB, e é melhor pegar uma certeza do que arriscar em um QB que eles não tem tanta confiança. Eles também podem gastar algum dinheiro para manter alguns dos seus melhores free agents (em particular LaMarr Houston), embora não ache que isso vá acontecer - o caminho do Raiders para o sucesso não é tão curto assim, e acho que a diretoria já teve o suficiente de pagar demais para jogadores que não devia e sofrer com as consequências. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Oakland Raiders

"Não acredito, o Raiders anotou um touchdown!!"



Nessa série de previews já falamos de 26 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South e North e das NFC East, South e North, mais o Denver Broncos, o San Diego Chargers e o Kansas City Chiefs. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Oakland Raiders

2012 Record: 4-12
Ataque ajustado: 23rd
Defesa ajustada: 29th


Meu amigo Carlos essa semana veio me perguntar se eu achava que a situação do Raiders era semelhante a do Oakland Athletics no começo da década, e se para "salvar" a equipe seria necessário algum plano outside-the-box como o Moneyball. A pergunta dele se motivava em parte também pela questão financeira, já que o Raiders ainda divide seu estádio com o Athletics e nunca ganharia da cidade o tipo de ajuda financeira para um estádio novo que o Jaguars conseguiu, por exemplo. Então ele queria saber se essa consistente má fase do Raiders - a equipe não possui um record acima de 50% desde 2002 - teria algo a ver com alguma "desvantagem" financeira ou competitiva como no caso do Athletics.

Infelizmente não é o caso do Raiders, simplesmente porque não é o caso da NFL. Claro que em qualquer liga teremos times mais ricos ou menos ricos (a equipe nunca teria condições de construir um estádio de mais de 1 bilhão de patacas de uma hora para outra como o Cowboys fez, por exemplo), mas na NFL essa importância é minimizada, mais do que em qualquer outra liga do mundo: com um hard cap que vale igualmente para todos os times e, mais importante, com um sistema de redistribuição de renda (em termos de patrocínios ou cota de televisão) que garante a todos os times da liga dinheiro suficiente para cobrir os gastos com salários e afins, times ricos não possuem nenhum tipo de vantagem na hora de contratar jogadores em relação a times menos ricos, os dois podem oferecer os mesmos contratos com os mesmos limites e ambos possuem garantias de dinheiro da NFL para cobrir esses valores. Não existe nenhuma desvantagem competitiva por parte do Raiders como era o caso do Athletics, um time pobre jogando em uma liga sem teto salarial, sem limites em termos de contratos e sem nenhum tipo de redistribuição de renda. No caso dos A's, a única chance de ser competitivo para a equipe era desenvolver um conhecimento que nenhum outro time tinha para conseguir jogadores baratos. No caso do Raiders, isso sem dúvida ajudaria, mas não é o motivo pelo qual o time está nesse buraco faz tanto tempo. O motivo disso é pura e simples incompetência e má gestão. 

Vamos voltar alguns anos, para a época que o falecido Al Davis ainda era vivo e tomava todas as decisões (algo comum nessas ligas, btw: um dono de time que toma algumas boas decisões e acerta boa parte delas por um tempo, cresce demais o ego e começa a querer tomar todas as decisões sozinho mesmo quando elas param de funcionar). Mais especificamente, para o draft de 2009. O Raiders possuía a 7th pick daquele ano, e precisava urgente de um bom WR. Para sorte da equipe, esse foi um dos drafts com maior profundidade dos últimos anos, com uma dupla espetacular na frente (Michael Crabtree e Percy Harvin) e jogadores como Jeremy Maclin, Kenny Britt e Hakeem Nicks saindo na primeira rodada. Crabtree era o consenso de melhor WR - talvez melhor jogador - daquela classe, então não havia a menor dúvida de que ele sairia para Oakland (se não fosse pego antes). Ou era o que 99% das pessoas acreditavam. Al Davis tinha uma tara esquisita por jogadores velozes (o Raiders pegou o jogador com melhor tempo na corrida de 40 jardas por quatro anos seguidos, se não me engano), e nos workouts, o melhor tempo de 40y foi de um WR chamado Darrius Heyward-Bey, razoavelmente bem cotado mas nunca na classe de Crabtree/Harvin (esse último acabou caindo um pouco pelas lesões). Davis não se importou, ele queria o jogador rápido e pegou Bey antes de qualquer outro WR sair (com Crabtree caindo no colo do 49ers). Bey foi um bust e já está fora do time depois de ser dispensado, Crabtree e Harvin se tornaram dois dos melhores jovens WRs da NFL, e o Raiders saiu de mãos abanando desse draft.

Em 2010, o Raiders tinha a 8th pick e decidiu ir atrás de um MLB chamado Rolando McClain. McClain era bem cotado saindo do College, um jogador muito talentoso com problemas de comportamento/extra-campo que era considerado um jogador de alto risco, alta recompensa. O Raiders não precisava exatamente de um MLB na equipe (o que pra mim foi a prova de como foi uma escolha estúpida), mas decidiu pegar McClain. Três anos depois o jogador não está mais na NFL por conta de seus problemas extra-campo. Alguns jogadores que foram pegos com as picks seguintes aquele ano: CJ Spiller, Anthony Davis, Earl Thomas, Jason Pierre-Paul, Mike Iupati, Sean Weatherspoon. Mas espera, fica pior: um ano depois, vendo seu QB titular Jason Campbell basicamente ter mais um ano fraco (47.2 QBR), a equipe decidiu trocar não uma, mas DUAS escolhas altas de draft (uma de primeira e uma de segunda rodada, um absurdo) por um QB que estava afastado da sua própria equipe e já havia ameaçado se aposentar caso não fosse trocado e que não tinha uma boa temporada em quatro anos, Carson Palmer. Claro que o Raiders trocou uma escolha de primeira e segunda rodada por esse cara, que não foi horrível mas também não foi nada demais com um time fraco e dois anos depois foi - surpresa! - trocado por uma escolha de sexta rodada para o Cardinals. Boa forma de maximizar seus ativos, viu Raiders? 

No draft de 2011, o Raiders não tinha uma escolha de primeira rodada porque a tinha enviado para o Patriots pelo DT Richard Seymour, um excelente jogador que foi inútil no meio de um time tão ruim. Aquela pick virou Nate Soldier, um dos melhores jovens LTs da NFL. No de 2012, a 1st pick da equipe foi de Cincinnati pela estúpida troca de Palmer um ano antes, que virou Dre Kirkpatrick. A equipe também não tinha uma escolha de segunda rodada porque a trocou com New England por escolhas na terceira e quarta rodada, onde não tinha escolhas próprias: a terceira foi usada no Draft Complementar (vá direto ao último parágrafo para saber o que é isso) de 2011 para pegar o QB Terrelle Pryor, e a de quarta rodada foi trocada por Jason Campbell alguns anos antes (o mesmo QB que fez o time pensar "não aguento mais esse cara, vamos trocar duas escolhas altas por Carson Palmer!"). Nenhum dos dois jogadores selecionados com essas escolhas tiveram qualquer impacto até agora. Mas em 2012 a equipe trocou de GM (e Al Davis morreu um pouco antes), e em 2013 finalmente teve um bom draft, embora ainda sentisse os efeitos das más decisões de gestões anteriores (em especial a falta de uma escolha própria de segunda rodada, também com o Bengals - acabou virando o RB Giovani Bernard).

Finalmente o Raiders decidiu ir em uma nova direção com uma nova diretoria (Reggie McKenzie já era GM ano passado mas só agora ganhou pleno controle da equipe), mas não vai ser nada fácil. Eu imagino o Mark Davis (dono da equipe) chegando todo otimista no primeiro dia de training camp, olhando para os jogadores em campo e indo chorar no vestiário de desgosto. Entre os únicos bons jogadores da equipe, os que sobraram são Darren McFadden (muito bom RB quando saudável, o que nunca está), Jared Veldheer (melhor OL da equipe, pode perder toda a temporada com lesão), Marcel Reece (um bom FB mas que nunca vai fazer nada sozinho), Denarius Moore (um WR rápido e explosivo que idealmente seria o terceiro ou quarto WR em um bom time), Lamarr Houston (promissor, 4.5 sacks em 2012 como DE em uma defesa 3-4) e Charles Woodson (ídolo da equipe, mas já tem 36 anos vindo de uma temporada ruim em um bom time). Sério, são esses ai. McKenzie dispensou os outros jogadores da equipe que poderiam ser considerado "bons", mandando embora Richard Seymour, Michael Huff, Tommy Kelly, Bey e McClain, o que deixou a equipe ainda mais fraca. Não que eu o culpe o GM por um segundo: ele fez o que tinha que fazer para recomeçar, abrindo todo o espaço salarial que podia e se livrando de veteranos caros que não estariam por perto no próximo bom time da equipe. Foi a decisão certa visando o futuro, mas que vai deixar o time ainda pior para 2013. Eles já foram um time muito ruim em 2012 (4-12 sustentado pela sua Pythagorean Expectation, record em jogos decididos por uma posse de bola e sem nenhum grande indicador a favor de uma regressão positiva da equipe) e agora devem ser ainda pior em 2013, e se o ataque ajustado da equipe não foi tão abismal assim, é porque nenhum time da NFL produziu mais em garbage time (Carson Palmer foi titular do meu Garbage Time All-Stars de 2012). Então sim, a equipe foi horrível, e ainda se livrou de boa parte dos seus jogadores mais produtivos. Deve ser horrível novamente em 2013.

E ai eu pergunto... isso é uma coisa ruim? Para mim não. Pense no Oakland como um cara drogado por anos que entra em recuperação. Isso não vai acontecer de uma hora para outra, ele precisa primeiro limpar seu corpo da droga, se manter limpo por algumas semanas, passar a primeira fase de abstinência com um bom acompanhamento médico e conseguir se endireitar antes de sair por ai procurando empregos bem remunerados e tudo mais, certo? Para o Raiders não é diferente: em uma franquia tão destruída e poluída por anos de má gestão, essas temporadas 2012/2013 foram o primeiro passo na desintoxicação da franquia, se livrando dos seus contratos mais nocivos e jogadores que não correspondiam ao seu salário, abrindo espaço salarial e basicamente recomeçando a franquia quase do zero. Na NFL é muito difícil passar logo de uma fase horrível marcada por drafts ruins e contratos ainda piores para os playoffs, o Raiders precisava primeiro se livrar disso tudo para poder seguir em frente. E o preço a pagar vai ser mais um ano muito fraco.

Mas ai você lembra que o próximo draft possui duas excelentes comodidades: um possível franchise QB em Teddy Bridgewater e aquele que tem sido chamado de "o melhor defensor a sair do College nos últimos 10 anos", pass rusher Jadeveon Clowney (esse cara aqui). O Raiders pode ter perdido a loteria Andrew Luck/Robert Griffin, mas Bridgewater/Clowney é um bom prêmio de consolação, e não tem time na NFL em melhores condições de levar para casa um desses dois do que Oakland. Se você vai ser ruim por uma temporada, que pelo menos tenha um bom prêmio te esperando no final, não é mesmo? E se você já vai ser ruim essa temporada de qualquer jeito, porque não ser um pouco pior e aumentar suas chances de levar para casa o melhor prêmio? O Raiders precisa de tempo para colocar ordem na casa, e Clowney/Bridgewater é um bom ponto de partida.

E tem também a questão do QB em Oakland. A disputa atualmente está entre três jogadores: Matt Flynn, o cara que passou para 510 jardas e 5 TDs em um jogo por Green Bay mas mofou no banco de Seattle ano passado; Tyler Wilson, calouro de Arkansas; e Terrelle Pryor, o atlético e corredor QB de Ohio State que pouco fez em dois anos de profissional para nos convencer de que vai ser um bom titular. A verdade é que nenhum dos três é realmente uma boa opção no curto ou no médio prazo, embora nunca de para ter certeza de fato com jogadores que nunca realmente tiveram oportunidades na NFL (especialmente um calouro como Wilson). A vaga parecia garantida para Flynn, mas o ex-QB de Green Bay e Seattle teve problemas em seus jogos de pré-temporada e agora deve ficar parado uma semana com uma lesão no braço, abrindo as portas para Pryor ficar com a vaga (baseado em uma boa atuação em um segundo tempo de pré-temporada contra a defesa reserva de Chicago). Parte de mim pergunta se a idéia de Pryor ficar com QB é menos pela sua produção real para 2013 e mais por ser um prospect de alto risco e alta recompensa: se o alto risco prevalecer, ótimo, o time vai ser ruim e pegar uma escolha alta de draft. Se a alta recompensa falar mais alto, o Raiders pode ter achado seu QB do futuro e se dedicar a Clowney ou outro jogador não-QB de alto nível no draft. Para mim parece um win-win, e é por isso - não a lesão de Flynn, não o bom segundo tempo contra Chicago - que Pryor vai acabar sendo o titular para começar a temporada.

De novo, o que não é um problema. O time 4-12 de 2012 deve voltar ainda mais fraco, em uma divisão mais forte, e sem perspectivas imediatas de melhora por estatísticas que temos usado. Apenas Kansas City, Titans e Jaguars foram piores em 2012 (per Football Outsiders), e tanto Chiefs como Jaguars devem melhorar esse ano. McFadden é uma aposta para ficar saudável a essa altura, a incerteza com QB é grande e não devemos esperar muito de nenhum deles, e o corpo de recebedores está pior do que nunca. A defesa pode melhorar um pouco com as chegadas de Tracy Porter e Woodson, mas está ainda muito longe de se tornar uma defesa sequer decente, especialmente se DJ Hayden perder tempo machucado como se cogita. Sinceramente, é difícil ver como esse seria um time melhor em 2013 do que foi em 2012 a não ser que um QB exploda, e embora ele não tenha sido exatamente bom, Palmer pelo menos foi um jogador produtivo. Considerando que já foi um time muito ruim em 2012, não vai ser exatamente um ano divertido para torcedores do Raiders. Mas se existe um consolo aqui, é esse: pelo menos antes o Raiders era ruim atulhado de contratos ruins, jogadores caros e sem perspectiva de futuro. Agora ele é ruim com bastante espaço salarial, perspectiva de boas escolhas de draft e um futuro. E isso faz toda a diferença.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Duas longas semanas

Al Davis com certeza aprovaria a troca por Carson Palmer


Não se pode dizer que o Oakland Raiders tenha sido um time relevante nos útlimos anos na NFL. Desde que o Rich Gannon jogou sua última temporada saudável em 2002, o time foi incapaz de montar uma equipe de sucesso, e esbarrou entre muitas outras coisas na sua incapacidade de achar um novo Quarterback pra equipe e seus sucessivos fracassos no Draft. Quando juntamos essas coisas, lembramos que o Raiders foi o responsável pela maior piada da NFL na década de 2000, quando draftou Jamarcus Russell, o QB que foi um dos piores de todos os tempos e que, três anos depois, estava fora da Liga. E olha que desde Gannon, os QBs titulares que já passaram pelo Raiders incluiram Daunte Culpepper, Kerry Collins, Josh McCown, Charlie Frye, Jason Campbell, Bruce Bradkowsky (Até gostaria dele se ele ficasse saudável), Aaron Brooks e até mesmo o saudoso Marques Tuiasosopo (cruz credo!), mas nenhum deles chegou perto sequer de ser um QB para levar o Raiders para a frente (E nem um deles foi o terror que Russell foi).

A verdade é que desde 2002 e do famoso Tuck Rule Game, o Raiders passou a ser um time figurante na Liga. O time tentou sucessivamente sair desse buraco, mas muitas vezes acabou voltando ao esquecimento. A NFL tem um formato que da esperanças para os times que ficam fora dos playoffs, mas o Raiders passou nove anos sem ser relevante na NFL. Nessa temporada, a situação não estava diferente. O Raiders era um time mediocre ao extremo, bom o suficiente para vencer os times fracos da Liga mas nem de longe forte o suficiente para assustar as potências da NFL, o típico time que não vai ter uma temporada tão ruim pra pegar os principais jogadores no Draft mas não vai ser boa o suficiente para algo maior. Essa era a temporada do Raiders até o sábado antes da semana 5 da NFL.

Mas no sábado antes da semana cinco, começou uma série de eventos que acabou sacudindo o time, com a morte do seu dono Al Davis. Quem assiste NFL a pouco tempo provavelmente vai lembrar do Davis como um péssimo dono e GM, que insistia nos mesmos erros e que foi um responsável direto por manter seu time irrelevante por anos a fio. Mas quem acompanha NFL há mais tempo vai lembrar da época que o Al Davis era um dos donos mais revolucionários da Liga, que montava times extremamente competitivos e ferozes que sempre estavam disputando alguma coisa na NFL, que sempre assumia grandes riscos para conseguir grandes recompensas. Ele sempre foi uma espécie de tirano na Franquia e era extremamente difícil de jogar para ele, mas Davis também era excelente avaliando talentos, costurando acordos e montando times muito físicos. Se nos últimos anos sua personalidade difícil e teimosia levaram o Raiders a amargarem momentos difíceis, essas mesmas características montaram grandes times.

A morte de Davis foi um choque na NFL, mas especialmente para os jogadores do Raiders. Muitos dos jogadores do elenco atual do Raiders estão lá porque foram escolhidos por Davis e, de certa forma, rejeitados pelo resto. Jogadores como Jason Campbell estão lá porque Davis apostou neles mesmo quando ninguém mais na Liga os queria. Ele também - com sua esquisita mania de pegar jogadores rápidos no Draft, ainda que sem nenhuma lógica por trás além dessa - draftou jogadores como Darius Heyward-Bey (escolhido antes de Michael Crabtree e Percy Harvin) e Jacoby Ford, mesmo tendo sido ridicularizado na Liga por suas escolhas. Os jogadores que eram escolhidos por Davis acabavam criando uma certa ligação de lealdade com o agora falecido GM, e sua morte causou um forte impacto nos jogadores. Por isso o jogo da quinta semana contra o Houston tenha, talvez, sido um dos mais emocionantes na temporada até aqui. Jogadores como Ford e Heyward-Bey acabaram sendo fundamentais para vencer um jogo disputado que terminou com uma interceptação do Raiders dentro de sua end zone quando o time estava só com 10 defensores em campo. Ou, como o técnico Hue Jackson (outra escolha de Davis) disse, o time tinha 11 jogadores em campo naquele momento, porque foi a mão de Al Davis que desviou aquela bola.

Ainda na ressaca da perda de Davis, o Raiders jogou (e venceu) o fraco time do Browns na semana seis, mas sofreu uma grande baixa com a lesão do seu QB titular Jason Campbell, que provavelmente ficará de fora o resto da temporada. O reserva Kyle Boller não foi mal, mas não tem condições de levar o time até o final e manter suas chances de playoffs vivas (4-2 com o melhor RB da temporada até aqui no Darren McFadden). Foi então que o time fez algo que deixaria seu falecido dono, famoso pelas jogadas de grande risco que realizava, orgulhoso: Trocou uma escolha de primeira rodada em 2012 e uma condicional em 2013 (De segunda rodada, que virará uma de primeira rodada caso o Raiders vença um jogo de playoff até lá) pelo Carson Palmer, que estava fora do time do Bengals desde que tinha se recusado a voltar para a equipe e exigido uma troca.

Essa troca foi claramente motivada pela lesão do Campbell e pela falta de confiança no Boller. O Palmer, depois de jogar mal em 2010 e se recusar a voltar para a nova temporada, foi afastado do Bengals e exigiu uma troca. Mike Brown, do Bengals, se recusou a trocá-lo, dizendo que se ele não queria jogar pela equipe não deveria esperar nenhum "prêmio". Times como Seahawks tentaram desesperadamente trocar por Palmer, mas Brown se recusou a trocá-lo. Até que chegou a proposta do Raiders, e bingo! Trocado em menos de dez horas!

O que aconteceu pra ele mudar de ideia foi simples. No melhor estilo Poderoso Chefão, o Raiders fez uma oferta que ele não poderia recusar. Por mais que ele quisesse segurar Palmer para sua satisfação, uma escolha de primeira rodada e uma de segunda condicional era bom demais pra se recusar. O Bengals tentou se reconstruir aos trancos e barrancos, mas de forma meio confusa. Duas escolhas altas para os próximos Drafts salvam completamente o processo do Bengals: Agora além de uma boa defesa, um bom QB e um bom WR, o time tem três escolhas de primeira rodada e três de segunda nos próximos três anos. Isso faz toda a diferença do mundo, são dois jogadores de alto nível a mais. As escolhas do Raiders provavelmente não serão top 10, mas serão top 20 muito provavelmente. Já está ótimo!

Para o Raiders, por outro lado, essa aposta do Hue Jackson (Ele que costurou a troca) foi extremamente parecido com o que o Al Davis faria: Pagou um preço muito alto por um jogador de muito talento que tem jogado mal. O preço foi alto demais. Você paga esse preço se é o Peyton Manning sem uma perna (ou sem o pescoço), mas você não paga isso por um QB problemático, de 31 anos, que não jogou bem as últimas três temporadas. O preço foi altíssimo e, o que é mais legal, o Raiders sabe disso! Eles sabem que pagaram demais pelo Palmer, que o Palmer não vale isso tudo. Mas eles fizeram mesmo assim. Fizeram a coisa errada, pagaram um preço absurdo por alguém que não vale, mas eles não ligaram. Al Davis está sorrindo em algum lugar!

Quando eu digo que o time fez errado, é basicamente porque o preço foi alto demais. Mas eles fizeram isso por vários motivos. Primeiro, o Palmer provavelmente é o melhor QB que o time tem desde o Rich Gannon. Ele não só é bem melhor do que o Boller como também é melhor que o Campbell, que sempre será um QB medíocre. Ele já teve temporadas de Pro Bowl e, contando com a ajuda do McFadden em mais uma excelente temporada, ele vai tornar o Raiders um time ainda melhor. Tudo bem, ele vem de três temporadas ruins, por isso é uma enorme, gigantesca aposta, mas se ele jogar bem, ele tem boas chances de levar esse time aos playoffs. O time ainda tem uma defesa fraca, uma secundária horrorosa e uma falta de alvos no ataque, mas o time é capaz de jogadas explosivas e agora tem uma boa combinação de QB/RB. O Chargers é um time melhor dentro da divisão e o Raiders vai ter alguma concorrência pelo Wild Card com Bills, Jets e Titans/Texans, mas agora - muito mais do que quando o QB do time era o Campbell ou, pior, o Boller - o time tem condições reais de ir aos playoffs. O RAiders é um time muito melhor com Palmer do que com Campbell, Boller, Collins, Russell ou provavelmente qualquer QB do Raiders pós-2002.

O Raiders, em resumo, é um time melhor. Um time que pode até brigar por uma vaga nos playoffs. O upgrade na principal posição de um time de futebol americano é uma medida que deve ser feita sempre que possível, 90 vezes em 100 isso vai tornar seu time melhor. Eu entendo as razões que levaram o Raiders a trocar pelo Palmer: Muito talento, a chance dele voltar a ser um Pro Bowler... E o descaso pelos riscos que fez o Al Davis tão famoso. Mas agora, vamos pensar por outro lado. O time trocou duas escolhas bem altas de Draft por um QB de mais de 30 anos, ou seja, mais perto do final da sua carreira. No entanto, ao trocar duas escolhas consecutivas altas de Draft, você está basicamente passando a chance de pegar dois sólidos jogadores que podem jogar pelos próximos 10, 12 anos. O Draft é uma forma de conseguir jogadores para os próximos anos, é uma forma de estocar talento para o futuro. Trocar escolhas de Draft para melhorar seu time é uma forma de prepará-lo para vencer agora, sacrificando de certa forma o futuro. Você faz isso quando tem uma base montada, um time competitivo e quer dar o passo final. Se fosse meu 49ers trocando três escolhas de primeira rodada em 2012, 2013 e 2014 pela primeira escolha do próximo Draft e o Andrew Luck, eu acharia ótimo: O time é extremamente jovem, tem uma excelente defesa, um ótimo jogo terrestre, bons alvos e precisa de um Franchise QB pra se tornar um candidato sério ao título nesse momento. Não tem problema trocar três escolhas de primeira rodada se você já tem a sua base montada e pronta para vencer agora e nos próximos anos.

Mas o Raiders não tem uma grande base, e nem um time que vá ficar competitivo só com essa troca. A base do Raiders é bem fraca, o melhor jogador defensivo tem 32 anos (Richard Seymour) e no ataque só o McFadden é realmente um jogador em volta do qual você pode reconstruir. O time vai ter só DUAS escolhas no Draft de 2012, e vai perder sua escolha de primeira ou segunda rodada em 2013. O time está perdendo a chance de ganhar dois possíveis titulares pelos próximos 10 anos pra ganhar um Quarterback de 31 anos que deve ter uns três anos bons pela frente, tempo insuficiente para um time sem uma boa base explodir. O Raiders não tem um grande time e não tem uma boa base. Com ou sem Palmer, o Raiders não é um time que vai competir com os grandes esse ano. O time não tem uma boa base pra ser otimista sobre ser competitivo em dois ou três anos, mais ou menos quando o Palmer estiver parando. E quando o Palmer parar, o time vai ficar sem o QB que tanto custou e vai ter deixado de acumular dois valiosos jogadores para o futuro da Franquia. Sacrificar o futuro é uma tática válida quando você tem um presente pra valer. A não ser que o objetivo do Raiders seja simplesmente ir aos playoffs e tudo está bem, essa troca não faz sentido lógico. Pra isso, o Raiders agora tem time. Pra ir pra um Super Bowl, não.

Pode-se argumentar que o Raiders drafta tão mal que é melhor que não tenha suas escolhas altas. Pode-se argumentar que ir aos playoffs (E quem sabe vencer um jogo se enfrentar, por exemplo, o Texans) já é uma vitória para esse time. O que é verdade. Mas Al Davis sempre foi um megalômano. O Raiders sempre teve uma das bases de fãs mais fanáticas da Liga. O Raiders era um time importante, que brigava por títulos. Ir aos playoffs sendo uma vitória pode ser uma realidade, mas é uma derrota para o que Al Davis fez com o Raiders por tanto tempo (tirando, claro, a última década). O Raiders é um time melhor agora, pode até ir aos playoffs, mas vai continuar sem ser relevante pelos próximos anos. Arriscar alto para receber uma recompensa alta é uma coisa, arriscar alto para uma recompensa mediana e possíveis anos de sofrimento é outra. E que, infelizmente, está se tornado a marca registrada do Raiders nos últimos anos, depois de 30 colocando medo em toda a NFL. O Raiders precisava, mais do que nunca, ter a cara do Al Davis dos anos 80. Infelizmente está assumindo a cara do Al Davis dos anos 2000.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Os times - AFC West

Hoje a AFC West, e amanhã se der a NFC West (Se não der sábado no máximo). Finalmente tirando os times do caminho, a gente pode voltar a abordar temas mais interessantes e complexos: Os problemas do Eagles, a supemacia do Packers, os problemas do lockout (meu favorito) e, se eu não me segurar, um post falando sobre o 49ers. Mas hoje vamos ficar com a AFC West e... bem, eu ia falar um pouco de baseball, mas acabei me extendendo. Vai ficar pra outra hora. Talvez domingo... quem sabe?


Isso é o que chamamos de strike


San Diego Chargers (9-7)
As últimas temporadas do Chargers podem ser resumidas no que me disse ano passado um taxista torcedor do Colts, em San Francisco: "I'm not worried about the Chargers. They meltdown.". Ou em bom português, "Eu não tenho medo do Chargers, eles amarelam".

Amarelar é uma palavra forte e que envolve muito mais, mas o que vale aqui é o sentido mais sensível da expressão: O Chargers é um time que não ganha nos playoffs. Aliás, meu paralelo favorito para o Chargers é o Dallas Mavericks pré-2011: Um time muito bem montado, com um jogador que está na elite da Liga (O QB Phillip Rivers) e com um elenco de time de playoffs, só que um time que sempre esbarra no "quase", sempre para uma etapa antes do título. Eu até brincava que, nos anos anteriores, o Chargers tinha uma só função na Liga, ganhar do Indianapolis Colts, time que eles cansaram de vencer nos playoffs (Inclusive num jogo que acabou na prorrogação, 3h da manhã, e que eu assisti na véspera da Fuvest. Sim, eu sou doente) só pra perder no jogo seguinte. Mesmo em anos onde claramente tinha um time superior aos demais, como em 2009, o Chargers tropeçou nas próprias pernas e perdeu um jogo tosco para o Jets, com direito a FGs errados a torto e a direito.

Falar que o Chargers amarela talvez seja um exagero, mas ninguém bota muita fé no Chargers em época de playoffs. Em 2010, por exemplo, o Chargers teve a melhor defesa e o segundo melhor ataque da NFL em jardas, mas terminou 9-7 e fora dos playoffs por dois motivos: O maior de todos, a sua capacidade absurda de ceder touchdowns de retornos, (que continua, já tomaram mais um esse ano) e sua incapacidade de fazer as jogadas nos momentos decisivos das partidas. Quem viu o jogo contra o Patriots essa temporada sabe do que eu falo, um jogo contra uma defesa fraca mas que viu o Rivers errar muitos passes e lançar três incerptações em momentos importantes e que acabaram por determinar a derrota do time de San Diego. Mesmo com três jogos fáceis (Chiefs, Vikings e Dolphins) o Chargers teve seus problemas e chegou a ameaçar perder esses jogos, especialmente por causa de turnovers fora de hora (Rivers tem mais interceptações, 6, que touchdowns, 5).

O Chargers é um time pra brigar pelo título? No papel, sem dúvida. Tem um QB de elite, bons alvos (Especialmente se o ótimo TE Antonio Gates se recuperar da lesão no pé que o atrapalha desde 2009), uma dupla de RBs composta pelo jogador mais explosivo (Ryan Matthews, tendo uma boa temporada depois de um 2010 apagado) e o jogador de força, que excede recebendo passes (Mike Tolbert) e uma linha ofensiva decente. Tem uma boa defesa, cheia de jogadores sólidos que, talvez, sofra com a falta de um playmaker, mas com as defesas esburacadíssimas (mesmo de times que foram bem na defesa em 2010, como o Packers) que estamos vendo pós-lockout o Chargers já tem uma defesa muito acima da média. O problema é que o Rivers está jogando mal e o time depende muito dele ainda. Ano passado ele levou o time nas costas, esteve perto de quebrar o recorde do Dan Marino pra mais jardas em uma temporada e chegou a receber consideração pra MVP, provavelmente receberia alguns votos se não fosse o camisa 12 do Patriots. Mas esse ano ele não está confortável com seus alvos (especialmente pela falta do Gates) e está tomando decisões erradas com uma frequencia alarmantemente alta. A temporada do Chargers depende do Rivers encontrar seu mojo, senão... bem, ainda deve ir para os playoffs nessa divisão horrível, mas vai continuar não assustando ninguém.


"Falta, número 87, carrinho por trás, 15 jardas e um cartão amarelo"


Kansas City Chiefs (10-6)
Vencedor da divisão em 2010, o Chiefs claramente foi um time que foi além do que deveria e era uma aposta popular para o time que iria regredir. Em 2011, quatro jogos (três derrotas) e lesões nos seus dois melhores jogadores depois... erm... pois é.

O Chiefs tinha um núcleo interessante em 2010, com o QB Matt Cassel sendo eficiente (O que bastou), uma defesa arrumada em torno dos jovens e talentosos Eric Berry (Safety), Brandon Flowers (CB) e Tamba Hali (OLB), e um jogo terrestre de outro planeta com a dupla Jamaal Charles (Na conversa pra melhor RB da Liga) e Thomas Jones (Sólido veterano que funciona muito bem como segundo RB). O time também tinha o WR Dwayne Bowe jogando em altíssimo nível e pelo menos parecia que tinha um elenco interessante para começar a reconstrução. O time também trouxe o bom WR Steve Breaston, e tinha esperanças de manter o topo da divisão com o Chargers em posição suspeita.

Mas não conseguiu, e de forma extremamente azarada: O time perdeu antes da temporada começar direito o melhor jogador da sua defesa (Berry) e perdeu na segunda rodada seu melhor jogador de forma geral (Charles). Além disso, Matt Cassel começou o ano machucado e quando jogou foi extremamente mal, muitas interceptações, passes pendurados e erros de calouro que ele não cometia com tanta frequência. A situação piorou sem Charles, quando o ataque passou a depender em excesso do Cassel. Em 2010, ele foi eficiente porque teve um fortíssimo jogo terrestre tirando o peso e a defesa de cima dele, o que lhe permitiu trabalhar no play action e em conversões curtas. Sem isso o Todd Haley tentou forçar demais o braço do Cassel, e... Bem, não deu certo. Sem Berry e Charles para o resto da temporada, o time perdeu seus dois jogadores chave e é um candidato à primeira escolha do Draft. Só talvez seja atrapalhado porque existem times piores na NFL, e porque eu acho que o Haley sabe que se o Chiefs terminar com a primeira escolha e pegar o Andrew Luck, ele não vai mais estar em Kansas pra ser o técnico do moleque.


Esse passe provavelmente foi interceptado...


Oakland Raiders (8-8)
Depois de alguns anos como sendo uma mistura entre um time que não fede nem cheira e uma piada na NFL. Parece contraditório, mas é verdade: Tirando o fato de que o Raiders draftou um dos maiores busts do Draft em todos os tempos com a primeira escolha do Draft de 2007 no Jamarcus Russel, que três anos depois já estava fora da NFL, o Raiders não tem sido nem tão ruim pra ter as primeiras escolhas nem tão bom pra chamar a atenção de alguém, nem uma perspectiva de futuro.

A Free Agency também não ajudou muito o Raiders: O time perdeu seu melhor jogador (CB Nnamdi Asomugha), seu melhor offensive lineman no Robert Gallery, seu melhor recebedor no TE Zach Miller e até o seu melhor QB no Bruce Bradkowsky (Tudo bem que ele não fica três jogos saudável, é quase um Fernandinho da NFL, mas ele é melhor que o Jason Campbell) e só trouxe de relevante outro Tight End no Kevin Boss de bom. O Raiders também não SE ajuda, os seus Drafts nos últimos anos tem sido uma série de fracassos (por exemplo draftar o fraquíssimo Jason Heyward-Bay na frente do Michael Crabtree só porque ele é mais rápido nas 40 jardas), principalmente por causa da tara que o GM Al Davis tem por jogadores rápidos, ao invés de pegar jogadores simplesmente bons (evitarei as piadas, ficam por conta de vocês).

O Raiders só não está totalmente afundado em desgraça porque tem um dos melhores corredores da Liga no Darren McFadden, ainda que seja só questão de tempo para ele machucar. O McFadden é enorme, mas é rápido demais e foi responsável por comer sozinho a tão temida defesa do Jets na farinha. Ele tem sido o grande responsável pela campanha decente do time, mas sozinho ele não vai resolver nada a menos que comece a lançar bolas e jogar de Safety. Com uma defesa no máximo ruim (no máximo) e um Quarterback extremamente mediano, o time não tem sequer uma perspectiva de futuro, e o McFadden sozinho não vai resolver nada. Ou o time começa a draftar e gerenciar seu time de forma decente, ou então vai jogar fora toda a carreira do McFadden enquanto ele sozinho impede que o Raiders tenha as primeiras escolhas do Draft. Esse é um time que eu confesso que não vejo nenhum tipo de solução além da de parar e fazer as coisas direito. O time até usou uma escolha de terceira rodada no Draft suplementar no QB de Ohio State Terrelle Pryor, que no momento está suspenso, mas que pra mim ainda tem muito chão pra querer ser um QB na NFL. Mas também, o que esperar do time que draftou o Jamarcus Russel, pagou 18 milhões de patacas pra ele e depois de três anos mandou o cara embora?


Tim Tebow, depois de passar no vestibular


Denver Broncos
Eu já comentei anteriormente sobre o grande problema do Broncos na atualidade. E por grande problema vocês podem ler "Questão idiota que mais polariza a mídia e os jogadores, sendo que ela não é o maior problema do time dentro de campo". Ou seja, se o Kyle Orton deve continuar de Quarterback do time ou se o Broncos deve dar uma chance para o fenômeno da NCAA Tim Tebow.

Pra quem não leu o post e não sabe do que se trata, é simples. O time draftou, alguns anos atrás, um dos melhores jogadores da história do College Football no QB Tim Tebow, da Flórida. No entanto, Tebow não estava pronto pra NFL e o Broncos fez um projeto horrível para o garoto, alguns até dizem que ele foi dratado mais pra chamar a atenção pro time. Fato é que Tebow tem estado no banco desde então (começou alguns jogos, foi bem em alguns, mais ou menos em outros, mas nenhuma sequência lhe foi dada). O QB titular do time, Orton, é um bom jogador, sólido, mas que nunca vai ser uma estrela. Os torcedores do time, e boa parte da mídia esportiva, questionam se o time não deveria entregar o comando do time para o Tebow, que ainda está um pouco cru para a NFL mas que tem o talento e a chance de se tornar um craque na Liga algum dia. Eu já disse porque acho que a situação é péssima pro Tebow e que forçar ele a jogar agora pode acabar com a carreira dele, mas o argumento também tem razão quando diz que o Tebow tem mais chance de levar a franquia pra frente do que o Orton (Que ainda tem um bom valor de troca).

Mas o fato é que o técnico novo do time, John Fox, não gosta do Tebow e não tem a menor vontade de colocar ele pra jogar. Não sei se é porque ele acha que o garoto não vai dar certo, se é porque o Tebow roubou a namorada dele ou o que seja, mas ele prefere deixar o Tebow atrás do Brady Quinn (que chegou ao time trocado pelo RB Peyton Hillis, adivinha qual desses dois teve um 2010 espetacular e foi capa do Madden 2012?). Se o time não tem planos para o Tebow, deveria trocar logo enquanto ele ainda tem algum valor. Se o time tem planos e ele ficar no banco faz parte dele, ok, mas dado como tudo que o Broncos fez em torno dele deu errado por pura incompetência... Eu torço pelo bem do moleque que ele dê o fora daí o mais rápido possível!!

Por outro lado, a defesa do Broncos tem dois jogadores que podem ser os pilares de uma reconstrução. Von Miller e Elvis Dumervil são dois OLBs extremamente explosivos e rápidos e que são dois dos melhores pass rushers da NFL em defesas 3-4. Ainda que falte um pouco de força física à dupla, sua capacidade de explosão e de atrapalhar o jogo aéreo já faz deles uma força a ser reconhecida. Sozinhos não farão nada, mas é um começo. Mas o Broncos precisa descobrir aonde está e aonde quer ir antes de mais nada. Com o time atual não briga por nada relevante (Uma defesa com dois bons jogadores e vários buracos, um ataque com um QB decente, sem RBs bons e um corpo de recebedores muito fraco), mas mesmo assim ofereceram uma cara extensão de contrato pro veteraníssimo CB Champ Bailey... Vai entender.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - AFC West


E o troféu de GM muso do ano vai para... Al Davis, do Oakland Raiders!


Apenas mais três divisões pra terminar de falar do Draft (já que vou ter que refazer a NFC South mais uma vez), e agora a gente risca mais uma delas pra falar da AFC West. A AFC West é uma divisão de gosto duvidoso (Alguém realmente consegue gostar do time do Raiders, por exemplo?) e que, apesar de ter tido um time competitivo nos últimos anos no Chargers, não tem produzido grandes coisas além dele, o Raiders não ganha nada desde que o Rich Gannon saiu do time (Por "ganhar" não entenda títulos, entenda jogos), o Broncos amarelou por anos a fio na hora de decidir até que ficou com a segunda pior campanha em 2010 e o Chiefs só agora montou um timinho simpático pra fazer a gente assistir os jogos do time. Vamos ver como os times da AFC West, dois dos quais não tem um QB definido pra começar jogando, se saíram nesse Draft.


Denver Broncos
Nota: B+
Escolhas:
1st round, 2nd pick:  Von Miller, OLB, Texas A&M
2nd round, 45th pick: Rahim Moore, FS, UCLA
2nd round, 46th pick: Orlando Franklin, OG, Miami
3rd round, 67th pick: Nate Irving, LB, North Carolina State
4th round, 108th pick: Quinton Carter, DB, Oklahoma
4th round, 129th pick: Julius Thomas, TE, Portland State
6th round, 189th pick, Mike Mohamed, LB, California
7th round, 204th pick, Virgil Green, TE, Nevada
7th round, 247th pick, Jeremy Beal, DE, Oklahoma
 
Análise: O Broncos definitivamente não tem um time tão ruim pra ter a segunda pior escolha do Draft, mas deu muito azar em 2010, com a lesão do Elvis Dumervil. O time virou a página e ta se remontando, seus WRs até foram bem em 2011 e o Demetrius Thomas ainda não mostrou a que veio, e o time tem bons RBs. Portanto, o Broncos priorizou a defesa nesse Draft, a maior fraqueza do time, e pegou o Von Miller, o melhor pass rusher desse Draft, um OLB extremamente atlético e rápido que pode formar com o Dumevil uma das mais fortes duplas de pass rushers da Liga.
 
Eu não questiono nem um pouco o talento do Von Miller e nem que ele valha uma segunda escolha, mas o Broncos perdeu a chance de pegar o Marcell Dareus, que se encaixa muito melhor no time (O pass rush do Broncos foi horrivel em 2010, mas com a volta do Dumervil e um trator no meio da linha defensiva isso mudaria bastante) e no esquema do novo técnico John Fox. O Broncos não tem nenhum DT decente para fazer o esquema funcionar e o time também não pegou ninguém na Free Agent pra esse papel, então essa fraqueza do time vai continuar e pode acabar atrapalhando o futuro da dupla Elvis-Miller. Pra mim não foi a melhor decisão que eles poderiam ter tomado, mas também não da pra errar muito com o Von Miller, pelo que eu vi dele no mínimo vai ser um bom jogador, principalmente se ganhar um pouco mais de músculo.
 
Tirando isso, o time soube escolher bem suas outras escolhas. O Rahim Moore é um ótimo FS, com muito potencial e que não só deve contribuir logo de cara como tem tudo pra evoluir ainda mais jogando junto do Brian Dawkins, e a adição do Orlando Franklin coloca um pouco de músculo no meio da linha ofensiva pra fortalecer o jogo terrestre do time. O time ainda buscou um MLB na terceira rodada pra tapar o buraco deixado atrás da linha de scrimmage, e com a volta do Champ Bayley, do Dawkins de lesão e a entrada do Moore, a secundária não vai ser um problema mais, não fosse a escolha do Miller sobre o Dareus o Draft seria quase perfeito. O maior problema do time no momento não tem nada a ver com o Draft, que é a situação dos QBs. Mas isso a gente vai ter que esperar pra ver.
 
 
San Diego Chargers
Nota: B
Escolhas:
1st round, 18th pick:  Corey Liuget, DT, Illinois
2nd round, 50th pick: Marcus Gilchrist, DB, Clemson
2nd round, 61st pick: Jonas Mouton, LB, Michigan
3rd round, 82nd pick: Vincent Brown, WR, San Diego State
3rd round, 89th pick: Shareece Wright, CB, Southern California
6th round, 183rd pick, Jordan Todman, RB, Connecticut
6th round, 201st pick, Steve Schilling, OL, Michigan
7th round, 234th pick, Andrew Gachkar, LB, Missouri
 
Análise: O Chargers foi beneficiado por ter cinco escolhas nas primeiras três rodadas, e o GM AJ Smith seguiu a abordagem que vem usando há anos, com sucesso: Pegar os jogadores que cobrem as necessidades do time. Foi pensando nisso que o time foi atrás do Corey Liuget. O Liuget não é um DT fora de série como o Dareus e o Nick Fairley, mas é um jogador muito sólido e que tem força, velocidade e habiliade pra jogar em mais de uma posição se necessário. A linha defensiva do Chargers ganhou um jogador que eles não tinham e que é vital na defesa five-tech que eles usam, e o Liuget além de ser ótimo parando o jogo terrestre e segurando os bloqueadores também é capaz de usar sua versatilidade no mano a mano pra chegar nos QBs de vez em quando.
 
Melhorada a linha defensiva, o Chargers foi atrás do seu grande problema de 2010, o special teams. O Chargers teve, em 2010, o segundo melhor ataque e a melhor defesa da Liga, mas mesmo assim ficou de fora dos playoffs porque perdeu vários jogos ao sofrer TDs por causa do time de especialistas. Eu até fiz um post na época falando sobre como o Chargers estava sofrendo com os especialistas após perder o Kassim Osgood e como eles poderiam ser importantes, ou pelo menos como estavam fazendo falta pra San Diego. O time então pegou uma cacetada de jogadores (Sério, cinco ou seis) jogadores pensando principalmente em compor novamente o special teams, especialmente o Shareece Wright e o Jonas Mouton.
 
Não que nenhum desses jogadores possa evoluir em um titular regular ou que não tenham pensado além dos special teams, não é isso, o Marcus Gilchrist é um DB híbrido que pode jogar de CB ou Safety e que vai dar versatilidade e profundidade pra secundária do time logo de cara e o Vincent Brown é um ótimo slot receiver que vai ser uma adição importante num time que já tinha um corpo de recebedores fraco ano passado e ainda perdeu alguns WRs pra Free Agency. Os dois tem potencial e podem vir a contribuir para o time titular num futuro não tão distante. Mas o impacto imediato e mais importante - e o principal motivo das escolhas - será nos esburacados especialistas do time. Típico Draft que não tem grandes estrelas ou grandes jogadores de impacto, mas um Draft muito sólido pra reforçar as carências de um time que já é um dos melhores da NFL.
 
 
 
Kansas City Chiefs
Nota: B-
Escolhas:
1st round, 4th pick:  Jonathan Baldwin, WR, Pittsburgh
2nd round, 35th pick: Rodney Hudson, OL, Florida St.
3rd round, 66th pick: Justin Houston, OLB, Georgia
3rd round, 66th pick: Allen Bailey, DL, Miami
4th round, 101st pick: Jalil Brown, DB, Colorado
5th round, 134th pick, Ricky Stanzi, QB, Iowa
5th round, 134th pick, Gabe Miller, OLB, Oregon St.
6th round, 167th pick, Jerrell Powe, DL, Mississippi
7th round, 207th pick, Shane Bannon, RB, Yale
 
Análise: O Chiefs foi um time que talvez tenha ido um pouco mais longe do que deveria, graças ao seu jogo terrestre absurdo e uma defesa emergente. O time sentiu nos playoffs o quanto ainda falta pro time poder brigar em alto nível. Ainda assim, o talento está lá, o núcleo do time (Tirando o Thomas Jones) é bem jovem e muitos jogadores despontaram em 2010. O Chiefs então buscou continuar adicionando talento, e começou por um WR, Jonathan Baldwin. O WR Dwyane Bowe teve um ótimo 2010, mas o Ravens explorou a falta de um outro recebedor decente nos playoffs e limitou o jogo aéreo do Chiefs de forma humilhante. Indo atrás do Baldwin, o Chiefs conseguiu um jogador grande, talentoso e com muito potencial pra ajudar o Bowe no jogo aéreo.
 
Deixando de lado o fato de que o Chiefs já conseguiu isso antes mesmo de assinar com sua escolha de primeira rodada ao pegar o Steve Breaston na Free Agency, já que o fato da Free Agent ser depois do Draft atrapalhou os planos de todo mundo, eu achei que o Chiefs foi um pouco precipitado nessa escolha. Eles conseguiram um jogador pra uma das posições mais carentes (talvez a mais carente) do time, mas eu não gostei da escolha mesmo assim. O Baldwin é talentoso e atlético, mas foi muito inconsistente no College e ainda precisa realizar seu imenso potencial. Tem a habilidade atlética pra ser um grande WR, sem dúvida, mas ainda precisa mostrar que tem mais do que só atleticismo antes de valer uma escolha de primeira rodada.
 
As outras escolhas do Chiefs foram melhores. O Justin Houston talvez tenha sido um pouco arriscado, o talento dele é real, ele é um pass rusher muito explosivo e pode dar muito certo com o Tamba Hali por lá atraindo a marcação, mas é um cara que tem muitos problemas fora de campo, alguns questionam sua dedicação e tudo que você não quer é arrumar um cara problemático quando um dos seus melhores jogadores (Bowe) já é um problema. Mas acho dificil um calouro causar algum tipo de racha no elenco e o talento dele é real, pra terceira rodada foi uma boa aposta. O Rodney Hudson é um jogador do miolo da linha ofensiva que é especialista no jogo terrestre, vai tonar a dupla Jones/Jamaal Charles ainda mais apelativa, e o Allen Bailey é outro que vai encaixar muito bem na five-tech do time, joga nas duas posições da linha defensiva e, embora talvez ainda não consiga entrar e jogar com regularidade, vai adicionar profundidade e versatilidade pra uma área que foi um tanto fraca ano passado.
 
Apesar de ter exagerado um pouco na primeira rodada - a escolha mais importante - o time conseguiu pegar bons jogadores pra posições importantes. Talvez poderia ter pego um DT melhor no começo e se preocupado com o WR depois, mas pelo menos conseguiu tapar as posições de carência imediata do time.
 
 
 
Oakland Raiders
Nota: C+
Escolhas:
2nd round, 48th pick: Stefen Wisniewski, OL, Penn St
3rd round, 81st pick: Demarcus Van Dyke, DB, Miami
3rd round, 92nd pick: Joseph Barksdale, OL, LSU
4th round, 113th pick: Chimdi Chekwa, CB, Ohio St
4th round, 125th pick: Taiwan Jones, RB, Eastern Washington
5th round, 148th pick, Denarius Moore, WR, Tennessee
6th round, 181st pick, Richard Gordon, TE, Miami
7th round, 241st pick, David Ausberry, WR, USC
 
Análise: Existem poucas coisas mais desastrosas pra uma Franquia em reconstrução (ainda mais uma reconstrução capenga como a do Raiders) do que não ter escolhas de primeira rodada. Pior ainda se essa escolha de primeira rodada foi gasta em um veterano que provavelmente não vai estar aí quando você finalmente conseguir montar algo decente. (Pra quem não lembra, o Raiders trocou essa escolha com o Patriots pelo Richard Seymour, um DT boladão que ta com 32 anos).
 
Com um time fraco, sem Quarterback e com poucos jogadores realmente bons, ainda mais depois da saída do Nnamdi Asomugha pro Eagles via Free Agency (Imagina como estaria esse time se o Darren McFadden não tivesse surtado ano passado e tido uma temporada de Pro Bowl?), o Raiders realmente estava numa situação ruim sem essa escolha de primeira rodada. O time tentou se virar com o que tinha, mas... bom... o resultado foi o de costume.
 
Tudo bem, o Stefen Wisniewski tem tudo pra ser um bom jogador, seja jogando de Center no lugar do Samson Satele ou de Guard em qualquer um dos lados, ele tem boa habilidade no bloqueio e a força física pra ser um titular pelos próximos 10 anos, e o Joseph Barksdale é uma boa aposta pra OT, muito forçudo e pouco técnico mas é melhor do que o Raiders tem por lá . Mas o Raiders foi mais uma vez vítima da eterna tara do Al Davis por caras rapidos que não sabem fazer mais muita coisa. Há anos que o Raiders ignora o fato de que no futebol americano você não pode ser apenas rápido, tem que ter muito mais coisa no seu jogo, lembrando que esse é o time que pegou o Jason Heyward-Bey na frente do Michael Crabtree no Draft só porque o Bey tinha um tempo de 40 jardas melhor!!! O Demarcus Van Dyke foi o ápice dessa tara nesse Draft, ele é o cornerback mais rápido no tempo das 40 jardas, mas o tempo dele correndo de costas e girando o corpo é muito abaixo. Ele foi Draftado pura e simplesmente porque faz 4,28 segundos nas 40 jardas, isso é rápido pra burro, mas ele não tem nenhuma das outras qualidades básicas que um cornerback profissional tem que ter. E não pensem que acabou por aí, o time ainda pegou o segundo cornerback com melhor tempo nas 40 jardas, pegou também o WR e o RB com melhor tempo nesse drill!! Tudo bem, algum deles pode desenvolver mais habilidades pra tornar essa velocidade útil, mas é uma forma muito primitiva de draftar!
 
O Raiders tem draftado com base na velocidade pura dos seus jogadores faz muito tempo, e faz muito tempo que o time é horrível. Incrível como o time não aprende com os erros, não fosse o acerto na mosca com o Stefen Wisniewski esse Draft teria sido ainda mais patético.