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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Prêmios e previsões da temporada 2015 da NFL

E o prêmio de pior jogada de 2015 vai para... (Gif do genial Dave Rappoccio)


Para quem não lembra, no começo do ano eu fiz um post com minhas muitas previsões embasadas para a temporada 2015 da NFL E uma coluna para o Spin Bet com minhas apostas de Vegas para a temporada. Então antes de partir para nossa tradicional coluna distribuindo os prêmios individuais do futebol americano - sabe, os velhos MVP, Offensive Player of the Year e por ai vai - vamos dar uma olhada em como eu me sai nos meus palpites da preseason.


Palpites da preseason

O Time Que É o Grande Candidato A Regressão: Detroit Lions

Bem, o Lions de 2014 terminou 11-5, mas com uma tabela fácil (9th mais fácil da NFL) e com 9-7 de Pythagorean Expectation, um famoso sinal de regressão. Além disso, o time perdeu dois dos seus principais jogadores da sua maior força (a defesa), Ndamukong Suh e Nick Farley (e, pra piorar, DeAndre Levy teve uma lesão não muito bem esclarecida na preseason e acabou perdendo a temporada toda). Era um alvo fácil para regredir em 2015. Dito e feito, Detroit regrediu dos dois lados da bola, sofreu defensiva e ofensivamente com as perdas que teve, e terminou o ano com um decepcionante (mas previsível) 7-9 que está alinhado com sua Pyt Expectation. Então começamos bem.

(Minha menção honrosa da coluna? Arizona Cardinals. Vamos fingir que isso nunca aconteceu?)


O Time Que Promete Explodir Mas Decepciona: Miami Dolphins

I'm on fire!!

Antes da temporada começar, eu citei que apesar da bombástica contratação de Ndamukong Suh o Dolphins não me passava confiança. Para justificar esse ponto, argumentei que o time estava comprometendo muito dinheiro para um jogador só, sendo que a equipe ainda tinha muitos buracos a serem tapados (e não teriam mais cap para corrigir isso com o contrato monstruoso de Suh ocupando tanto espaço), comprometendo a profundidade da equipe. Também citei que a famosa "evolução" de Ryan Tannehill em 2014 tinha sido bastante overrated, mais devido a um novo esquema tático que a  uma evolução do jogador, e que não deveríamos esperar uma explosão do jovem QB em 2015.

Bem... bingo! Apesar da inconsistência, Suh teve uma temporada dominante, mas isso não foi suficiente para impulsionar uma defesa que simplesmente carecia de talento atrás de sua nova estrela, especialmente depois que Cameron Wake foi parar no IR. Tannehill também me fez parecer um profeta, regredindo em todas as áreas do jogo e tendo uma desastrosa temporada, terminando o ano com QBR de 43 (32nd entre 37 QBs qualificados). Foi um ano jogado fora: o técnico caiu logo no começo do ano, o GM seguiu antes do fim da temporada, e agora parece que o próprio Tannehill pode deixar o time em breve (a informação que chega é que essa decisão estará nas mãos do novo técnico, o que não é exatamente um voto de confiança para o QB). Eu apostei contra o time, mas não esperava esse desastre.

Vale citar também que eu acertei também na minha menção honrosa, o Buffalo Bills, mas por motivos bem diferentes do que eu imaginava. Achei que o fator limitante seria o ataque liderado por Tyrod Taylor, mas bizarramente o Bills teve um dos melhores ataques da liga (#9 na NFL), Taylor foi uma revelação (63.7%, 8.0 Y/A, 20 TDs, 6 interceptações, 67.84 QBR) e o que derrubou o time foi justamente sua famosa defesa, que terminou como #2 da liga ano passado mas despencou para #24 nessa temporada depois de se juntar a um HC que é uma das melhores mentes defensivas da história da NBA. Extremamente bizarro. 


O Jogador Desconhecido Que Explode No Lugar Certo: Joseph Randle

Esse foi um grande fiasco. Apostei no Randle por confiar na linha ofensiva de Dallas, que poderia fazer um RB decente ter números de estrela e ganhar algumas ligas de fantasy. Mas não deu nada certo: Romo se machucou (e afundou o ataque de Dallas junto), Randle teve apenas 73 corridas em 6 jogos para 313 jardas (fracas 4.1 jardas por corrida), batalhou problemas extra-campo antes de ser dispensado na semana 7 e agora acaba a temporada sem time. Funhé.


Jogador Subvalorizado Que Estoura Na Situação Certa: DeAndre Hopkins

Já fazia um ano que Hopkins era um dos melhores WRs da NFL, mas por ainda dividir alvos com o futuro Hall of Famer Andre Johnson (e por jogar no fraco Texans) pouca gente prestava atenção no quão incrível Hopkins estava se tornando. Sem Johnson, Hopkins finalmente explodiu e recebeu a atenção nacional que merecia já faz um ano: 111 recepções (#3 na NFL), 1521 jardas (idem), 11 Touchdowns (#7 na NFL) e algumas das recepções mais incríveis da temporada. E isso tudo passando a temporada recebendo passes do verdadeiro festival que foi a posição de QB do Texans: Brian Hoyer, Ryan Mallett, TJ Yates, Brandon Weeden e BJ Daniels (eu juro que não inventei esse nome) chegaram a jogar atrás do Center por Houston essa temporada. Imagina o quão bom esse cara poderia ser com um QB de verdade. Considerando essa seleção de QBs, é possível argumentar que Hopkins na verdade foi o melhor WR de 2015 apesar dos números piores que Antonio Brown e Julio Jones (hold that thought...). Talvez não seja eu a fazê-lo, mas o argumento existe. Regardless, foi uma temporada fantástica que enfim colocou Hopkins no mapa do fã casual de NFL. E já era hora!


A Grande Contratação Que Fracassa: Julius Thomas

Eu juro por tudo que é sagrado que eu tinha DeMarco Murray como minha aposta nessa seção até a revisão final da coluna, mas não tive os culhões para ir até o fim apostando no fracasso do ex-RB de Dallas. Me chutei o ano todo por isso. Pelo menos acertei a menção honrosa citando outra contratação do Chip Kelly que deu errado, Byron Maxwell, que recebeu 50M de dólares para ser o CB #1 da equipe e cedeu um rating de 100.3 para QBs que lançaram na sua direção. Obrigado pelos alvos fáceis, Chip. 

Sobre Julius Thomas, basicamente aconteceu o que eu esperava dele: um jogador totalmente unidimensional que não bloqueia, não move as correntes e só serve basicamente como alvo na end zone. 46 recepções para 455 jardas não são desprezíveis para um TE, mas também não valem um contrato de 46M em nenhum lugar do mundo para um jogador que não contribui em outras áreas. Por outro lado, Thomas pegou 5 TDs, então ele cumpriu parte do papel pelo qual está sendo pago, ainda que o Jaguars possivelmente esperasse algo mais próximo dos 12 que teve de média nos últimos anos em Denver. Não foi totalmente inútil, mas por 46M por ano, é muito pouco. Não sei o que o time esperava de diferente com essa contratação, para ser sincero.


O Jovem Time Que Explode de Produção: Minnesota Vikings

Essa foi a aposta mais divertida de acompanhar ao longo do ano. No começo da temporada, tirando uma derrota para San Francisco que fica mais inexplicável a cada dia que passa, o Vikings parecia que me faria parecer esperto, ganhando vários jogos e liderando a divisão... mas eu não estava satisfeito, porque assistindo aos jogos parecia bem claro que o time não estava JOGANDO tão bem assim, não estava produzindo como eu esperava em quadra. Sempre defendi que número de vitórias na temporada é um critério fraco pra avaliar nível de jogo de um time. O time estava ganhando, mas não jogando bem.

Dai passou um ponto da temporada onde o calendário do Viks apertou, o time começou a perder mais jogos... mas eu estava absolutamente feliz porque finalmente Minny estava jogando como eu esperava. Mesmo com múltiplas lesões a alguns dos seus melhores jogadores (Harrison Smith, Anthony Barr, Linval Joseph, Adrian Peterson), o time evoluiu dos dois lados da bola, Bridgewater voltou a parecer o Franchise QB do final do ano passado (65.3% de aproveitamento, 7.2 Y/A, 62.71 QBR na temporada sem receber NENHUMA atenção da mídia apesar de não ter um bom grupo de WRs ou uma linha ofensiva decente), e o time subiu de 27th DVOA para 11th ao final da temporada. Eventualmente, Minnesota venceu Green Bay na semana 17 para conquistar seu primeiro título da divisão desde 2009, coroando sua temporada. Mas, mais importante para mim, estão jogando como o jovem time em ascensão que eu queria ver desde Agosto.


O Nome Grande Que Cai Em Um Time Novo: LeSean McCoy

Difícil dar um parecer sobre essa. Eu esperava que McCoy caísse em Buffalo atrás de uma linha ofensiva que vinha sabotando seus próprios RBs e sem um QB competente para abrir espaços, jogando em um esquema ofensivo que não jogava a favor das suas forças. E não foi bem o que aconteceu - ainda que ninguém vá dizer que McCoy teve um grande ano, difícil dizer que ele foi um fracasso completo. O maior problema de Shady foram as lesões, perdendo 4 jogos e vários outros snaps, dividindo mais toques do que o antecipado e em geral não participando tanto do ataque quanto em Philly. No final, terminou com 12 jogos, 895 jardas corridas e 292 recebidas, além de medianas 4.4 jardas por corrida com 5 TDs e 2 fumbles. Não foi um destaque, mas também não foi um desastre depois de um começo que parecia indicar nessa direção. McCoy caiu de fato de produção, mas não tanto quanto eu esperava, e parte disso veio de lesões... e por outro lado, ele provavelmente foi pior na temporada que Karlos Williams atrás da mesma linha ofensiva. Então meio certo para mim.


Então foram cinco acertos, um erro grosseiro, e um meio certo. Estou bem satisfeito com meu desempenho, afinal. Vamos passar rapidamente pelas apostas de Vegas antes de ir para os prêmios da temporada...


Baltimore Ravens vencendo a divisão (2.5)

Meu pior erro da temporada - o Ravens foi a maior decepção de 2015, o Bengals um dos melhores times, e o Steelers chega nos playoffs milagrosamente apesar de uma temporada marcada por lesões. Não tem nem o que falar aqui.


New England Patriots vencendo a divisão (1.5)

Absurdo (e duplamente em retrospecto dado como a temporada acabou) pensar que o Patriots vencendo a divisão pagava mais em Agosto/Setembro do que Colts, Seattle ou o Packers vencendo as suas, embora fosse a mais segura das quatro apostas. So there. Eu entendo que o fenômeno Deflategate tenha influenciado aqui, mas uma vez que a suspensão de Tom Brady foi revertida, não deveria ter nenhuma margem para dúvida de que essa divisão já tinha dono. De novo. Aposta mais fácil da temporada.


Carolina Panthers vencendo a divisão (3.75)

Bizarramente, eu confiava no Saints vencendo a divisão, mas a diferença nas odds (3.75 para o Panthers, menos de 2.8 para Falcons e Saints) me fez acreditar que valeria mais a pena apostar no Panthers e sua defesa do que nos adversários. A defesa do Panthers fez valer minha aposta... só que dai o ataque também, e Cam Newton jogou como um MVP, e de repente o Panthers estava 14-0 e caminhando para uma temporada invicta. E eu vou fingir de agora em diante que apostando neles significava que eu acreditava desde o começo. E vocês também, se alguém perguntar.


Minnesota Vikings vencendo a divisão (8.0)
Green Bay Packers #1, Minnesota #2 na NFC South (3.6)

Hell yeah baby!!

Essa era uma aposta dupla - eu achava que Green Bay levava a divisão, mas achava que seria apertado o suficiente sem Jordy Nelson para os 8 para 1 de Minny valerem a pena. E para quem não via chance do Packers perder, tinha a segunda parte que te garantia um retorno mais seguro. Ao total, eu tinha 99% de certeza que uma delas estaria certa salvo um desastre, então apostando nas duas você tinha quase certeza de lucro. Com Minny e Green Bay se enfrentando na semana 17 valendo a divisão, de repente é a semana mais divertida da minha vida de apostador, com um payoff de 8 para 1 na linha e a certeza de ganhar no final. E Minnesota me vindicou vencendo a divisão com estilo. So there!


Tom Brady para MVP (19.0)

Eu odeio apostar em prêmios individuais por ser tão imprevisível (que tinha Cam Newton e Carson Palmer disputando o MVP na Semena 17?!), mas a 19 para 1 e revertida sua suspensão o payoff era grande demais para não valer a pena. E durante algum tempo parecia que eu tiraria a sorte grande nessa. Dai Gronk e Edelman machucaram, o Patriots caiu, o Panthers não e Cam Newton continuou elevando seu jogo. Uma pena, foi uma boa aposta, mas só um milagre salva.


Mark Ingram liderando a liga em jardas terrestres (41.0)

É, essa foi péssima. Era só uma aposta long-shot pelas odds. Mas Ingram terminou o ano no IR e com 769 jardas na temporada, o que passou bem longe de fazer valer minha aposta.

O que mais me irrita é ver que Ingram teve 4.6 jardas por corrida - número maior que Adrian Peterson, que lidera a liga pelo chão - e sonhar que Ingram teria uma chance se a defesa do Saints não fosse uma vergonha histórica e o time tivesse o tempo todo que jogar atrás no placar. E se Mark Ingram não tivesse pernas de papiê-machê. Ou é o que eu digo para mim mesmo. 


DeAndre Hopkins liderando a liga em jardas recebidas (23.0)

Hopkins terminou o ano em terceiro apesar do souflé de mediocridade que foi a posição de QB da sua equipe, e possivelmente teria vencido a aposta se a) Brian Hoyer não se machuca e b) Julio Jones e Antonio Brown não fossem marcianos. Acontece. A 23 para 1 achei uma ótima aposta mesmo já sabendo de antemão das dificuldades de quarterback da equipe.


Resultado final
Apostados: U$ 180,00
Retorno: U$ 375,00
Saldo: U$ 195,00

Obrigado, Minnesota!

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Bem, essas foram minhas apostas das preseason. Digamos que eu mandei bem até. E agora, sem mais enrolar, vamos passar para os prêmios individuais da temporada 2015 da NFL. Como sempre, vamos deixar de fora Coach of the Year porque eu detesto esse prêmio, mas se quiserem discutir nos comentários se o vencedor deveria ser Ron Rivera ou Bruce Arians, fiquem a vontade.

Prêmios individuais para a temporada 2015 da NFL


Comeback Player of the Year: Eric Berry

É, eu sei que esse é um prêmio extremamente subjetivo, que tem diversas interpretações, que cada um pode usar seus próprios critérios... que seja. Só saiba que, se Eric Berry não ganhar esse prêmio depois de vencer um câncer e voltar para ser um dos melhores safeties da NFL em 2015, nós cometemos um erro e é isso.


Defensive Rookie of the Year: Leonard Williams

Não foi a melhor corrida para Defensive Rookie of the Year que eu já vi. Ao final do ano, pelo menos tínhamos dois bons candidatos ao prêmio, mas a profundidade da disputa deixou um pouco a desejar. Bons jogadores, alguns com bons números, mas poucas performances dominantes. Ou vai ver eu que fiquei mal acostumado depois da classe com Kahlil Mack, Aaron Donald e Chris Borland ano passado (btw, dois desses ainda aparecerão nessa coluna. Fiquem ligados!). Pode ser isso.

Entre os calouros defensivos, quem mais chamou a atenção foi o CB Marcus Peters, de Kansas City, que quase gerou uma revolução nas minhas menções no twitter quando deixei ele de fora do prêmio. Peters chamou a atenção principalmente por liderar a liga em interceptações (com 8) e TDs defensivos (2), o tipo de jogador que faz jogadas espetaculares, aparece bastante nos highlights da rodada e atrai o olhar dos fãs, ao ponto que foi o único calouro defensivo a ir para o Pro Bowl (Todd Gurley e Tyler Lockett os outros). Mas eu tenho minhas dúvidas sobre Peters: o calouro sem dúvida foi um fator no jogo aéreo, jogando de forma muito agressiva nas linhas de passe... mas até demais. Sua agressividade gerou interceptações e touchdowns, mas também tirou Peters de posição vezes demais, tornando-o o tipo de jogador tudo-ou-nada, ou chegava na bola pra cortar o passe ou tomava uma big play nas costas. Pelo tanto que ele trouxe para o time, ele também teve um custo alto: ele foi o segundo CB que mais cedeu TDs (8) e jardas (939) na temporada, e o sétimo com mais faltas (9). Para ser justo, Peters melhorou bastante nisso ao longo do ano, mas avaliando o total, sua temporada não foi tão impressionante quando pareceu à primeira vista apesar de todo seu talento.

Se estamos discutindo CBs calouros, eu prefiro a temporada de Ronald Darby (Bills), que não se destacou tanto em interceptações ou jogadas de efeito, mas teve um impacto muito mais sólido e consistente ao longo da temporada, marcando WRs tops, cedendo poucas jardas (apenas 6.2 jardas por passe lançado na sua direção, mesma marca do candidato a DPOY Tyrann Mathieu), segurando QBs a um rating de 78 e cometendo pouquíssimos erros no processo - foi simplesmente uma temporada mais eficiente, que agregou mais o time do que o estilo 8-ou-80 do Peters. Avaliar CBs depende muito de assistir aos jogos, e assistir Peters e Darby foram duas experiências muito divertidas (e diferentes) ao longo do ano, mas a impressão que eu tive é que Darby simplesmente foi melhor ao longo do ano. Isso não quer dizer que ele seja um jogador melhor, ou que será um jogador melhor, mas se estamos avaliando 2015, Darby foi superior. Ele é meu segundo colocado no ballot com méritos.

Mas meu voto vai para Leonard Williams, o DE do Jets que bizarramente caiu para #6 no Draft apesar de ser considerado amplamente o melhor jogador do recrutamento. Desde o primeiro dia Williams foi uma força no interior da linha do Jets, alguém que comanda (e desmonta) marcações duplas e é um mastodonte contra o jogo terrestre, conseguindo "stops" em quase 10% das jogadas de corrida e atrapalhando sei lá quantas outras, alguém que raramente é movido fora de posição e fecha espaços mesmo quando não está fazendo o tackle... e se não fosse o suficiente, Williams ainda totalizou 4 sacks, 19 hits e 27 knockdowns na temporada (ou seja, 50 jogadas de pressão), excelentes números para um DE 3-4. É o tipo de impacto dual e consistente que você espera de uma estrela na linha defensiva. No final, ele foi o calouro que mais impacto teve em 2015, e por isso ele é meu DROY.

Ballot: 1. Leonard Williams; 2. Ronald Darby; 3. Marcus Peters; 4. Henry Anderson; 5. Arik Armstead.




Offensive Rookie of the Year: Amari Cooper

Desde cedo, essa competição se desenhou como uma disputa de dois homens entre Amari Copper (WR, Raiders) e Todd Gurley (RB, Rams), e ambos tiveram grandes momentos e algumas questões ao longo da temporada suficiente para fazer argumentos nas duas direções.

Gurley provavelmente teria meu voto se jogasse a temporada completa, mas perdeu efetivamente quatro jogos por conta de lesões, o que diminui seu impacto total na temporada. O calouro ainda teve uma grande temporada, com 1106 jardas (#3 na NFL, ainda que em um ano notavelmente fraco para RBs) e 10 touchdowns, digna de vencer esse prêmio. Ainda assim, apesar de tudo, o calouro mostrou bastante inconsistência no ano: nos seus primeiros quatro jogos completos, Gurley totalizou 566 jardas em 88 corridas, uma fantástica média de 142 por jogo e 6.4 por corrida onde foi o melhor RB da liga... e em seguida emendou uma péssima sequência de 5 jogos onde totalizou menos de metade disso, 280 jardas em 79 corridas (52 jardas por jogo e 3.3 por corrida). Terminou o ano alternando grandes momentos (140 jardas contra Detroit), péssimos momentos (48 jardas em 21 corridas contra Tampa Bay) e momentos pouco expressivos (83 jardas em 19 corridas contra Seattle). Foi uma temporada cheia de altos e baixos, com um bom resultado final. Os altos (e foram muito altos) acabaram marcando mais do que os baixos, e por isso a percepção da temporada do Gurley provavelmente acabou um pooouco alta demais em relação ao que foi de fato.

Cooper também teve seus altos e baixos na temporada, embora seja mais fácil identificá-los ao longo do ano. Nos seus primeiros 9 jogos, Cooper pegou 4 touchdowns e teve média de 86 jardas recebidas por jogo. Nos últimos 7, foram 2 touchdowns e 48 jardas de média. Parte disso veio do fato de Carr ainda estar mais confortável com o veterano Michael Crabtree (que liderou o time em passes lançados na sua direção), e parte disso veio de Carr perdendo gás ao longo da temporada, mas Cooper também não se destacou tanto assim nessa reta final. Then again, para um calouro uma linha de 72-1070-6 (recepções, jardas e TDs) é bastante impressionante, o tipo de impacto consistente que abre os olhos, e isso sem contar as jogadas que Cooper fez que poucos WRs da NFL conseguiriam (tirando Hopkins, não sei se teve outro WR que fez mais recepções contestadas do que Cooper no ano) e sua habilidade tão importante para o jogo de Oakland de arrancar jardas depois da recepção (383 YAC na temporada, 13th melhor marca da NFL).

Ainda assim, a inconsistência e os baixos de Cooper (que liderou a liga em drops, mas não aparece nem no Top15 de jardas perdidas com eles) e Gurley (4 jogos perdidos) foram suficientes para abrir a disputa para outros competidores - como Rawls, Karlos Williams, TJ Yeldon, Steffon Diggs e o resto do meu ballot - além dessa dupla. No final, nenhum deles dominou o suficiente para superar o impacto explosivo de Gurley e a solidez da temporada de Cooper, mas criou uma conversa que parecia não existir dois meses atrás.

Eu estou perfeitamente tranquilo se você preferir dar o prêmio para o teto enorme de Gurley ao invés do impacto mais completo, consistente de Cooper ao longo do ano. Mas o WR de Oakland tem meu voto pela totalidade da sua temporada.

Ballot: 1. Amari Cooper; 2. Todd Gurley; 3. Tyler Lockett; 4. Jameis Winston; 5. David Johnson.


Defensive Player of the Year: JJ Watt

Talvez porque JJ Watt jogou três jogos com uma proteção na mão quebrada (nos quais não teve o impacto sobrenatural costumeiro), ou talvez por esse ter sido um ano excepcional em termos de temporadas defensivas fora de série, mas pela primeira vez em três anos (sim, três. É um absurdo Watt não ter ganho em 2013) Watt tem competição séria e forte pelo prêmio de defensor do ano. Na verdade, essa é a melhor disputa pelo DPOY que eu lembro da história recente da NFL. Quando Josh Norman, Tyrann Mathieu e Luke Keuchly tendo temporadas fantásticas como é o caso não entram nem no Top3, você sabe que tem algo especial nas mãos.

Eu acabei deixando Kahlil Mack (que terminou o ano com incríveis 18 sacks, 8 hits, 58 hurries e ótima defesa terrestre, atestando novamente para o quão absurdo foi esse ano) em terceiro lugar, e minha decisão final acabou ficando entre dois jogadores: Aaron Donald e JJ Watt.

Ambos possuem um bom caso a ser feito a seu favor. Então vamos fazê-los.

O caso para JJ Watt: Colocando de forma simples, JJ Watt é o jogador mais destrutivo da NFL na atualidade. Não sei se muita gente chega perto, na verdade. Mesmo jogando três jogos com uma freaking mão quebrada (lembro que a ESPN soltou uma matéria chamada "Impacto de Watt diminui jogando com mão quebrada" e meu amigo Pedro, um torcedor fanático do Pats que tem passado 90% do tempo bêbado durante intercâmbio na Bélgica , me mandou o link da matéria simplesmente com a frase "NO FUCKING SHIT!!!"), Watt ainda terminou o ano liderando a NFL inteira em sacks (18), hits (34), derrubadas de QBs (51, 14 a mais que o segundo colocado) e pressões totais (89, 7 a mais que o segundo colocado), e isso enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador da NFL em uma base diária. E talvez por chamar tanta atenção como pass rusher, mas as pessoas ignoram que Watt também é um dos melhores defensores terrestres da liga, totalizando mais tackles atrás da linha de scrimmage do que qualquer outro jogador da NFL e ainda derrubando 8 passes na linha de scrimmage durante a temporada (você não vai acreditar, mas Watt também liderou a liga nesse quesito). Mesmo sendo talvez sua mais fraca temporada individual em 4 anos - resultado de uma flutuação normal, a chegada de novos playmakers no time, esquemas táticos cada vez mais desenhados para minimizar seu impacto, mais marcações duplas e triplas e, de novo, três jogos com a droga de uma mão quebrada  - Watt ainda teve mais impacto do que qualquer outro jogador defensivo da liga.

O caso para Aaron Donald: Donald foi a mais dominante força de interior da NFL esse ano, alguém que rotineiramente enfrentou dobras e ocupou bloqueadores para seus companheiros e AINDA conseguia ter um enorme impacto direto em cada rodada, liderando todos os defensores de interior com 51 "stops" (paradas?) no jogo terrestre. Como todos os bons DTs da liga, Donald é o tipo de jogador que afeta o jogo mesmo quando não está envolvido diretamente na jogada, causando o colapso do pocket, fechando espaços e liberando seus companheiros. Vendo os vídeos, é incrível como Donald faz todos os companheiros melhores, e em muitas das jogadas de sack do resto da linha defensiva você percebe que foi porque o camisa 99 estava abrindo um espaço ou puxando bloqueadores extras para os colegas. E apesar disso, Donald AINDA terminou o ano com 11 sacks, 26 hits e 43 hurries na temporada, números incríveis para um DT. Essas 80 pressões totais foram a quarta melhor marca de TODA a NFL, atrás apenas de Mack (82), Von Miller (82) e  Watt (89). A diferença é que todos esses são jogadores que jogam na ponta da linha (até Watt), enquanto que Donald faz isso como um jogador de interior, o que é ainda mais difícil. E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões. Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada.

Então por que ir com Watt sobre Donald? Por um motivo simples que é impossível de capturar diretamente em estatísticas: Watt é o único jogador defensivo que eu já vi que faz times mudarem TODO seu playbook ofensivo. Todos os times fazem ajustes no seu plano de jogo para minimizar o impacto dos principais adversários, claro, mas não lembro de ter visto algum defensor que faz ataques mudarem totalmente seu plano de jogo só para neutralizar um cara. Apesar disso, Watt ainda teve todo o impacto que teve e isso antes de considerar todo o efeito dominó que você gera quando um cara sozinho muda toda a forma de jogar do adversário.

Eu compararia Watt nesse sentido com Stephen Curry: Curry é um jogador fenomenal que causa enorme impacto direto no jogo - 30 pontos, 6 assistências, enorme eficiência, ótimos passes, etc - mas seu impacto real em quadra é muito maior do que isso porque os adversários são obrigados a mudar COMPLETAMENTE sua forma de jogar para defendê-lo, abrindo assim espaços que o resto do time e facilitando o jogo para todo mundo. Watt é igual: ele é tão único e tão dominante que força os adversários a irem a extremos muito maiores para tentar neutralizar seu impacto, ao ponto de que isso acaba criando todo tipo de espaços ou aberturas que eleva o nível do resto do time. Então Watt teve o maior impacto direto em campo e ainda foi quem mais forçou mudanças e ajustes dos adversários para ajudar o resto da equipe. Esqueça ser o DPOY, um prêmio que ele poderia estar vencendo pela quarta vez consecutiva em cinco anos de NFL - é hora de citar Watt como um dos maiores defensores da história do esporte.

Ballot: 1. JJ Watt; 2. Aaron Donald; 3. Kahlil Mack; 4. Josh Norman; 5. Luke Keuchly.


Offensive Player of the Year: Antonio Brown

Eu só tenho uma regra quanto a esse prêmio: o vencedor não pode ser alguém da mesma posição do que o MVP. Então como nosso MVP é um QB - droga, dei spoiler do final da coluna - vamos deixar quarterbacks de fora desse prêmio. E se as disputas por Offensive e Defensive Rookie of the Year não foram as melhores, as disputas por Defensive e Offensive Player of the Year (e MVP também) estão mais do que compensando.

Com QBs fora da jogada, nos viramos para dois WRs que tiveram temporadas históricas - Antonio Brown e Julio Jones - e uma zebra que corre por fora, DeAndre Hopkins. E isso sem falar em jogadores como Allen Robinson, Adrian Peterson (líder em jardas terrestres), Doug Martin (que a meu ver foi  melhor que AP esse ano) e Rob Gronkowski (que um dia vencerá esse prêmio se jogar uma temporada completa, nenhum jogador ofensivo não-QB tem tanto impacto quanto ele em campo) que poderiam muito bem merecer esse prêmio em uma temporada mais "normal". Acontece que o que Jones e Brown fizeram esse ano está em outro nível.

Eu já falei de DeAndre Hopkins, e como sua temporada foi ainda mais espetacular do que parece a primeira vista: ele foi terceiro em recepções e jardas na temporada apesar de jogar com QBs muito inferiores do que Brown e Jones; de Brian Hoyer ter se machucado (e O'Brien ter surtado com as trocas na posição) e forçado o pobre Hopkins a receber passes de TJ Yates, BJ Daniels, Brandon Weeden e Ryan Mallett; e de jogar em um ataque menos focado no jogo aéreo (56,7% das jogadas do time foram passes) do que Falcons  (59,7%) e Steelers (60,3%). Como eu disse, existe um argumento a ser feito que considerando todos esses fatores - em especial a questão da diferença brutal de qualidade nos QBs envolvidos - a temporada de Hopkins foi ainda mais impressionante do que as de Brown e Jones.

Aprofundando esse ponto: QBs de Houston completaram 57.8% de seus passes no ano para 6.6 jardas por passe e QBR de 58.3. QBs de Pittsburgh completaram 66.3% de seus passes, com 8.2 Y/A e 67.5 de QBR, e os de Atlanta tiveram 66%, 7.4 Y/A e 61.5 QBR. Então foi uma diferença muito significante. É impossível dizer com certeza como os números de Hopkins ficariam com os QBs que seus concorrentes tiveram, mas pegando as jardas por passe (7.9) e o aproveitamento (57.8%) em passes para Hopkins e aplicando a diferença dos quarterbacks de cada time, podemos estimar os seguintes números (só fixando, essa relação é obviamente não linear e isso que estamos fazendo um exercício totalmente hipotético):

Hopkins com os QBs do Falcons: 127 catches para 1705 jardas

Hopkins com os QBs do Steelers: 127 catches para 1889 jardas (líder da NFL)

Então segundo nosso exercício, se Hopkins tivesse jogado com os QBs do Steelers teria liderado a liga em jardas aéreas e chegado a 9 recepções de empatar JJ/Brown, e isso antes de considerar o aumento no percentual de passes lançados e o aumento nos touchdowns recebidos. Nada mau. Nada mau mesmo.

Claro, isso ainda é uma situação totalmente hipotética feita para ilustrar a diferença entre os QBs abaixo da média do Texans e os QBs de elite (mesmo contando os jogos perdidos por Big Ben) do Steelers. No final, por mais que eu quisesse, eu não consegui colocar Hopkins acima de Jones e Brown. Então DeAndre fica com uma menção muito honrosa e o terceiro lugar, mas eu queria antes esclarecer essa questão para mostrar o quão fantástica foi a temporada de Hopkins e como ela estava sendo menos apreciada do que deveria por comparação.

Então isso nos leva à discussão final: Julio Jones ou Antonio Brown?

É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante.

Com os números tão absurdamente próximos, ficou realmente difícil escolher um. Jones teve mais jardas, enquanto que Brown teve mais TDs (10 a 8), aproveitamento (71.5% a 70.6%) mas também jogou com um QB bastante superior ao longo do ano... mas com três jogos de Vick/Landry Jones. No final, eu estava basicamente procurando nitpicks para me ajudar a decidir, coisas como "Julio Jones teve menos faltas" e "QBs foram interceptados 8 vezes lançando para Brown".

Enfim, eu decidi deixar de lado a parte objetiva e deixar minha intuição responder a essa pergunta, aquela resposta que você pode não definir mas que seu cérebro subconscientemente achou através de 15 anos de conhecimentos acumulados de NFL. Apesar de alguns acharem por eu gostar de usar números e critérios objetivos na avaliação de jogadores eu não assisto aos jogos, a verdade é que eu assisto MUITA NFL - não só os jogos, como os vídeos depois e as fitas All-22 - e sempre tento juntar o lado numérico E a avaliação visual dos jogadores. Mas o problema é, objetivamente (tanto pelos números como pela avaliação de assistir aos jogos), eu simplesmente acho que não teve uma diferença significativa entre os dois jogadores nessa temporada para decidir entre eles.

Ao invés disso, então, recorri ao meu feeling. Como eu disse, eu assisti a muitos jogos de futebol americano no ano, e muito tanto de JJ como de Brown. E quando eu assistia, qual deles me parecia mais consistente? Qual deles mais me fez ficar surpreso com uma jogada impossível? Qual deles mais vezes me chamou a atenção com uma rota fantástica para abrir espaço? Qual deles me fez pensar mais vezes "Essa defesa está perfeita mas ainda não tem a menor chance de pará-lo"? Em resumo, enquanto eu assistia os dois jogando, qual deles simplesmente me passou o sentimento de ser mais impossível de parar, mais dominante?

Foi Antonio Brown. Por um fio, a largura de uma folha de papel... mas foi.

Ballot: 1. Antonio Brown; 2. Julio Jones; 3. DeAndre Hopkins; 4. Rob Gronkowski; 5. Doug Martin.


Most Valuable Player: Carson Palmer

Antes de chegar no debate Carson Palmer vs Cam Newton, queria fazer uma menção honrosa a dois jogadores que mereceriam demais o MVP em um outro ano e que ajudaram a fazer dessa uma das melhores corridas pelo MVP dos últimos tempos: Tom Brady e Russell Wilson.

Tom Brady parecia uma certeza para esse prêmio até mais ou menos a metade da temporada, quando New England estava invicto e Cam Newton ainda não tinha escalado o nível de seu jogo (e o Panthers ainda não parecia caminhar para um 16-0). Dai Rob Gronkowski machucou, Julian Edelman machucou, Dion Lewis machucou, LeGarrett Blount machucou, metade da linha ofensiva e seus reservas machucaram, o Patriots perdeu alguns jogos e todo mundo percebeu que Cam Newton estava tendo uma temporada história em meio a um time que podia terminar invicto. Por essas e outras Tom Brady não vai - e não deveria -ganhar novamente o MVP, mas isso não significa que o QB do Patriots não tenha tido uma temporada fantástica: 36 TDs e 1.1% de interceptações foram as melhores marcas da temporada, e Brady completou 64.4% de seus passes a 7.6 jardas por passe rumo a 4770 jardas totais, terceira melhor marca do ano. E fez tudo isso apesar de todas as múltiplas lesões, um medíocre jogo terrestre e todos os problemas extra-campo dos últimos meses (suspensão, Deflategate, os problemas no casamento/Nannygate, etc). Brady acabou "vitimado" por lesões, uma história mais atraente (importante na hora de decidir o MVP, mesmo que eu não goste disso) e uma competição particularmente fora de série em 2015 para acabar caindo fora da disputa pelo prêmio, mas sua temporada ainda assim foi espetacular.

(Interessante observar que Brady, apesar das lesões e dos drops, por outro lado teve "sorte" com seus WRs em 2015 em um quesito em particular: eles conseguiram cerca de 200 jardas após a recepção ACIMA da média para o tipo de recepções que eles faziam - ou YAC projetado. Você ve as recepções do time, onde foram feitas, com que velocidade, quanto tempo do snap, etc e calcula qual a média "normal" de YAC nesse tipo de recepção, e a partir disso consegue ver se um QB está sendo mais ou menos ajudado por seus WRs no quesito. E caso você queira usar a carta do "Brady é particularmente preciso e por isso leva a mais YAC de seus recebedores", vale citar para os dois anos que essa estatística existe antes de 2015 Brady teve 14 YAC acima da média "padrão"... somados. Acho isso interessante.)

Russell Wilson é outro com um 2015 espetacular que merece ser lembrado. Em particular, sua segunda metade da temporada: em 8 jogos, foram 25 touchdowns contra 2 interceptações (!!!), 67% de aproveitamento a 8.6 jardas por passe, além de liderar a liga em QBR por uma boa margem. Mesmo considerando a competição consideravelmente fraca dessa segunda metade (tirando uma semana 17 que não valia nada, Russell só enfrentou três defesas não horríveis nesse período: seus dois piores jogos - Arizona e Saint Louis - em duas derrotas, e a terceira foi uma defesa de Minnesota sem seus TRÊS melhores jogadores) ainda é uma das melhores sequências estatísticas por um QB na HISTÓRIA do esporte. Russell terminou o ano com os seguintes números: 68.1% (#3 na NFL), 8.3 Y/A, 34 TDs para 8 INTs e um QBR de 74.9 que foi o quarto melhor da temporada, e isso sem contar sua contribuição como corredor e o fato de ter jogado atrás de uma linha ofensiva horrível boa parte do ano. E se estamos discutindo a parte de "Mais Valioso" do prêmio, vale citar que Seattle enfim decolou quando Lynch (e depois Rawls) se machucou e o time colocou as chaves do ataque nas mãos de Wilson.

Insano pensar que Brady e Russell não ficaram no meu Top2 para MVP essa temporada. Mas esses lugares pertencem a Cam Newton e Carson Palmer.

Agora, eu sei que Newton muito provavelmente vai levar o MVP dessa temporada. Ele é a história "sexy" do ano, o talentosíssimo e chamativo (e, sejamos honestos, alguém que sofreu muitas críticas injustas por uma parte... ahn... retrógrada da mídia e dos fãs) jovem que deu um salto de produção, chamou a responsabilidade, jogou muita bola e liderou um ataque com um bando de anônimos para a melhor campanha da temporada. Além disso, a melhor forma de Newton na temporada aconteceu mais próximo da reta final, o que é injustamente relevante: o prêmio de MVP é para a temporada toda, mas querendo ou não nossas memórias mais frescas acabam pesando mais na hora de tomar decisões e fazer julgamentos.

E quero deixar claro que, se Newton ganhar, terá sido absolutamente merecido. Em nenhum momento eu não votar em Newton significa que ele não deveria ganhar, que não tenha tido um grande ano ou que não seja um grande jogador. Simplesmente significa que tem alguém que eu acho que merece marginalmente mais do que ele, e nesse ano tão ridiculamente forte na disputa pelo prêmio de MVP, a distância entre Palmer e Newton (e, honestamente, o resto do meu Top4) para mim é tão pequena que você pode mexer como quiser entre esses 4 que eu não vou reclamar. Essa é a beleza de uma temporada como essa (que eu francamente achei bem fraca em termos gerais): você tem múltiplos jogadores que podem ganhar o prêmio de MVP merecidamente.

Então vamos lá, Palmer e Newton. Deixando de lado performances individuais por um instante (chegaremos lá), o principal motivo que tem Newton como o MVP quase inquestionável no momento é que ele joga no suposto melhor time da liga por uma boa margem, um time que acabou com a melhor campanha (15-1) e que chegou muito perto de terminar invicto.

Esse argumento está errado por dois motivos: primeiro, porque é idiota você dar crédito a um jogador de algo que ele não fez ou influenciou, e portanto ao usar o argumento do "melhor time" você estaria dando crédito (ou, se eles fossem ruins, demérito) a Newton (ou qualquer outro) - um cara que joga apenas os snaps ofensivos da equipe - pelo que seus colegas fizeram em jogadas defensivas e de special teams das quais Newton não participou. E segundo porque o Panthers muito possivelmente sequer foi o melhor time da NFL, ou pelo menos não o foi de forma significativa e conclusiva para esse argumento funcionar.

Sim, Carolina terminou com a melhor campanha da NFL, mas vitórias são uma forma muito primitiva de medir o nível de jogo de um time. Aplicando métodos mais confiáveis, você começa a enxergar as coisas de maneira diferente. Carolina terminou o ano com Pythagorean Expectation - uma estimativa do número "real" de vitórias de um time a partir do seu nível de jogo - de 12-4, o mesmo número do Arizona Cardinals. Além disso, Carolina foi bastante beneficiado pela tabela: nenhum time enfrentou uma tabela mais fácil na temporada 2015 da NFL. Por isso que DVOA - uma medida do Football Outsiders que ajusta a atuação de uma equipe pelos adversários enfrentados - tem Carolina como o quarto melhor time da NFL em 2015, enquanto que Arizona - que enfrentou uma tabela mediana - tem o terceiro melhor DVOA da liga. São números menos "palpáveis", mas são exemplos de evidências existentes que apontam que Carolina não é o melhor time da NFL, ou que pelo menos não o é por uma diferença significativa.

Além disso, tem aquela velha questão de que um time não é composto só pelo quarterback, e sim por outros 52 jogadores além dele. E mesmo que o QB tenha mais participação do que qualquer outro jogador em campo, é difícil dar crédito a ele pela performance da defesa, por exemplo. E no caso do Panthers, embora o ataque seja ótimo, sua verdadeira força é a defesa que terminou #2 na NFL em DVOA, uma força da natureza que inclusive colocou dois jogadores no meu Top5 para Defensive Player of the Year (Norman e Keuchly). Então já que a defesa teve mais a ver com o Panthers sendo uma potência que o ataque (que também foi ótimo, #8 da NFL), eu quero saber o seguinte: qual o mérito de Cam Newton no Panthers ter Norman, Keuchly, Thomas Davis, Kawann Short e companhia para criar uma defesa Top3 da NFL? Nenhum. E exatamente por isso é idiota dar crédito a ele e contabilizar isso na hora de decidir por um MVP. Por mais que eu entenda que "Jogador Mais Valioso" seja diferente de "Melhor Jogador" e por isso é impossível separar totalmente performance coletiva da individual na mente dos votantes, me parece preguiçoso você incluir a performance total da equipe sem nenhuma distinção do que foi ou não influenciado por aquele jogador.

Analisando apenas a parte do jogo influenciada por Newton e Palmer - o ataque - a balança começa a pesar para o lado do Cardinals. Carolina teve uma ótima temporada ofensiva, terminando #8 em DVOA, só que o Cardinals terminou #4 no mesmo quesito. O Expected Points do Pro-Football Reference coloca Arizona como o melhor ataque da NFL, enquanto o do Panthers aparece em sexto. Em outras palavras, coletivamente a área comandada por Palmer foi MELHOR do que a comanda por Newton. Tem MUITOS motivos para eleger Newton como seu MVP, mas seu argumento passar por ele jogar pelo melhor time da Liga e que quase acabou 16-0 você está simplesmente errado.

Eliminados esses fatores externos e desmontado o mito de que Newton merece ganhar pela campanha do Panthers na temporada (de novo, tem muitos motivos pelos quais Cam merece ganhar o MVP, mas esse não é um deles), hora de avaliar a performance individual de Cam e Palmer para ver quem foi o melhor dos dois.

Como passador, Newton fez enormes avanços nesse ano, foi destrutivo durante períodos da temporada e mostrou uma evolução enorme mesmo ao longo do ano, mas ainda não esteve no nível de Carson Palmer: Cam terminou o ano completando 59.7% dos seus passes a 7.7 jardas por passe, com 35 TDs (7.7% dos seus passes, melhor marca da liga) e 10 TDs, e esses números não mostram a evolução de Newton ajustando jogadas, lendo defesas e otimizado chamadas, tirando o máximo de um underrated mas limitado corpo de recebedores e tudo mais. Mas Palmer teve a melhor temporada de um passador na NFL em 2015: 63.7%, 8.7 jardas por passe (melhor marca da NFL por uma boa margem), 35 TDs, 11 ints e algumas das mais bonitas bolas longas da NFL em 2015. E mesmo isso não conta toda a história, seus ajustes fantásticos e capacidade incrível de antecipar pressão e tomar as decisões corretas em alta velocidade antes que chegasse a pressão. Jogando atrás de uma das piores linhas ofensivas da NFL, Palmer era forçado a sempre antecipar a pressão, controlar uma opção curta, manter um olho na linha e outro na secundária, e tomar decisões em alta velocidade para evitar a pressão... e ele AINDA liderou a NFL em jardas por passe, jardas por passe completo E tomou apenas 25 sacks. Isso é surreal, e mostra o nível de dificuldade do que Palmer teve que fazer na temporada. Por isso que as métricas avançadas que incorporam esse tipo de situação amam Palmer ainda mais do que seus já ótimos números superficiais, liderando a NFL com folga em QBR (82.2, 5.3 pontos na frente do #2) e PFF Rating (57.3, 7 pontos na frente). É o tipo de coisa que não aparece facilmente nos números superficiais ou se você só assistiu ao jogador algumas vezes no ano, mas que foi crucial para elevar o ataque do Cardinals.

Vale mencionar também que o ataque aéreo liderado por Palmer é também o terceiro melhor da NFL, enquanto o liderado por Cam é o nono. O maior argumento pró-Newton nesse sentido é que ele teve que lidar com um grupo fraco de recebedores enquanto que Palmer teve talvez o melhor da NFL, o que é verdade até certo ponto (o grupo de WRs do Panthers jogou bem melhor do que você teria esperado no papel, e Greg Olsen é um dos melhores TEs da liga). Mas também tem que computar que Newton jogou atrás da terceira melhor linha ofensiva da liga, enquanto Palmer jogou atrás da quarta pior. No final das contas, as estatísticas básicas, as avançadas e o teste visual todas dizem a mesma coisa: Newton teve um ótimo ano como passador, um dos melhores da liga, mas Palmer foi absolutamente fora de série e em outro nível em relação aos seus companheiros de profissão.

Claro, o problema é que é impossível capturar o impacto de Newton olhando só sua atuação como passador, porque nenhum outro QB tem tanto impacto no jogo com as pernas. E mesmo assim, olhar "apenas" para suas 636 jardas e 10 touchdowns (coisa pra cacete) não dão idéia da dimensão total do seu impacto nessa frente. Newton vai correr, anotar TDs e acumular jardas com as pernas sim, mas é mais que isso: com o físico de um linebacker, Newton é a mais devastadora força de curta distância que a NFL tem na atualidade.

Em 2015, Cam Newton converteu com as pernas 30 de 36 oportunidades de conversões de 3 jardas ou menos (83%) e 26 de 30 (82%) em conversões de duas jardas a menos, inclusive ridículas 21 de 24 conversões de terceiras ou quartas descidas descidas para 5 jardas ou menos e ainda mais patéticas 17 de 18 tentativas de terceira ou quarta descidas para 2 jardas ou menos. Newton é simplesmente rápido, grande, forte e agressivo demais para ser parado nessas situações, e isso é o que levou o Panthers a terminar alguns dos mais absurdos números nessas situações: 80 de 93 oportunidades de conversões de 3 ou menos jardas (86%) e 68 de 71 conversões (96%) de duas jardas ou menos, inclusive 28 de 33 em terceiras/quartas descidas. E pior, o ataque do Panthers é CONSTRUÍDO em torno dessas conversões curtas, mantendo o time em campo e estendendo campanhas o suficiente para Newton conseguir a abertura que gosta e fazer suas jogadas explosivas. É como um jogador de poker que vai conduzindo o jogo, fazendo pequenas apostas aqui e ali, se mostrando e mantendo mantendo vivo tempo o suficiente para conseguir a mão que quer... e dai ele faz sua jogada e acaba com a mesa. Muito do sucesso do Panthers vem das conversões curtas, e elas dependem diretamente do quão bom Newton é nessas situações de conversões de curta distância.

E isso antes de considerar como essa característica de Newton faz dele uma ameaça correndo quando não existe uma boa opção de passe, ou sua capacidade de usar as pernas para fugir da pressão e estender as jogadas. Eu sei que já usei a analogia, mas que seja: assim como a presença de Ray Allen em quadra correndo por screens fazia todo mundo defender o seu time diferente, as pernas de Newton fazem o adversário sempre ter que contar com uma ameaça a mais na hora de defender, mantém os defensores mais preocupados com ele e não com os companheiros, faz os adversários jogarem com um jogador de "spy", e por ai vai. Além de correr com a bola, a simples ameaça disso abre espaços e faz a vida dos seus colegas mais fáceis - em particular Jonathan Stewart. Então Newton não só comanda o nono espaço melhor ataque aéreo da NFL, mas também é parte integral do sexto melhor ataque terrestre da liga.

Então Carson Palmer foi um passador consideravelmente superior que Cam Newton, mas Newton adiciona um valor pelo chão que Palmer não tem esperança de igualar. Esse valor adicionado com as pernas e com a ameaça de suas corridas é suficiente para compensar a diferença pelo ar? Hmm... eu não sei. Não da pra saber com certeza, não existe fórmula mágica, e no fundo é como dizer se 10 maçãs e 5 bananas são melhores que 10 maçãs. Depende muito dos critérios que você usar e da sua opinião pessoal.

Para nos ajudar, podemos recorrer a algumas métricas avançadas que incorporam ambos os impactos feitos por um QB, pelo ar e pelo chão. Nenhuma métrica no futebol americano vai algum dia servir como uma medida perfeita, capaz de compactar tudo que um jogador faz em um único número inquestionável, mas ainda oferecem informações valiosas que podem servir de guia para nos ajudar a compreender algo tão complexo. Então tem quatro métricas no mundo do futebol americano que servem para englobar tanto corridas como passes (bem como outros fatores) e que possuem uma boa base teórica e estatística por trás: QBR, DVOA, EPA e PFF Rating.

Entre eles, eu pessoalmente preferi usar EPA porque ele é o que mais claramente separa os dois impactos, então podemos comparar as diferenças com mais clareza. QBR (EPA na verdade é um componente do QBR) e DVOA também computam ambos separadamente, claro, mas em escalas diferentes e nos mostram só o resultado final (que computa ambos), e PFF Rating é uma variável mais subjetiva. Então vamos focar em EPA por enquanto (mas não se preocupem, falaremos de todos).

EPA significa Expected Points Added - em resumo, quantos pontos no total um jogador adicionou ao seu time ao longo da temporada em um determinado quesito. Então se Alex Smith tem 52.8 de EPA em passes, isso significa que ele sozinho (desconsiderando o que foi resultado de outros jogadores, WRs, linha ofensiva, etc) gerou 52.8 pontos para seu ataque no total (já descontados, por exemplo, os pontos que ele "tirou" da defesa com interceptações). É bom por colocar já todo o impacto em uma unidade comum e fácil de entender, corridas geradas, para comparar diferentes fatores.

Então como EPA coloca as proezas de Palmer e Newton em perspectiva essa temporada? Da seguinte maneira: Palmer gerou 101.3 corridas como passador, enquanto que Newton gerou 70.4. Eu esperava que a diferença fosse um pouco menor (embora por ser uma estatística contábil os 40 passes a mais que Palmer lançou ajudem a aumentar a diferença), mas não foge muito do que eu esperava, o jogador do Cardinals com uma significativa margem (ajustando pela quantidade de passes, Palmer lidera a NFL com folga no quesito com uma exceção - Big Ben, que perdeu 4 jogos).

No entanto, considerando EPA correndo com a bola, Newton tem a vantagem, como esperado: 17.5 corridas geradas, contra 2.1 de Carson Palmer. Os números são menores do que os de passe por um motivo óbvio: passes geram muito mais jardas e pontos (tanto no sentido literal quanto no analítico) do que passar a bola, algo que é ainda mais verdade na NFL de hoje onde os ataques aéreos tem ampla supremacia. Só ver que Newton gerou 3837 jardas com o braço, e só 636 com as pernas, uma diferença enorme. Por isso que, logicamente, corridas geram menos pontos em termos de EPA do que passes (e sim, EPA ajusta por situação de jogo, então esses 17.5 já estão computando suas conversões de quartas descidas).

Somando tudo, chegamos ao total nesses dois fundamentos: 103.4 para Carson Palmer contra 87.9, ainda uma boa diferença. No total (que também considera sacks e faltas), Palmer acaba com vantagem ainda maior, 100.2 (melhor marca da NFL por uma boa margem) contra 73.2 de Cam. No final, o que faz a diferença foi justamente o fato de que a área onde Palmer é consideravelmente melhor (jogo aéreo) tem um impacto extremamente maior no jogo do que a área onde Newton tem grande supremacia. Mesmo considerando que esse EPA não considera o impacto passivo de Newton (abrindo espaços simplesmente pela sua presença), a diferença ainda é significativa o suficiente para dar a vantagem para Carson Palmer.

As outras métricas seguem a mesma linha, principalmente pela diferença em impacto entre jogo aéreo e terrestre. DVOA (e sua variável cumulativa, DYAR) dizem que apesar de Newton ter sido o melhor QB gerando valor com as pernas, esse valor ainda é suficiente para tirar apenas 20% da diferença entre Palmer e Cam pelo ar (DVOA ajusta por calendário, o que tem maior impacto já que o Panthers teve a tabela mais fácil da liga). PFF Rating da uma vantagem pelo ar ao camisa 3 de 55.6 a 25.9 (que não se enganem é uma excelente nota), com Newton levando vantagem pelo chão de 14.5 a -0.2 - no final, Palmer tem a vantagem por 57.1 (melhor marca da NFL por muito) a 41.1 (terceira melhor da liga). E o QB do Cardinals também tem a vantagem sobre Cam (e o resto da NFL) em QBR, terminando o ano com um brilhante 82.2, contra 66.1 do rival. E se você quiser olhar pelo pelo lado macro, DVOA diz que o ataque aéreo do Cardinals sozinho já produziu mais valor (ajustado pelo calendário) do que o ataque aéreo e terrestre do Panthers JUNTO.

De novo, não tem nenhum problema se você quiser dar seu voto para Cam Newton: ele foi dominante e brilhante o ano todo, comandou um dos melhores times da liga e teve um enorme impacto direto E indireto no seu time. Se for o MVP, como é provável, terá sido merecido. Mas na minha avaliação, Carson Palmer foi um jogador melhor, e ganha meu voto para MVP.


Ballot: 1. Carson Palmer; 2. Cam Newton; 3. Russell Wilson; 4. Tom Brady; 5. Drew Brees

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Oakland Raiders

"Não acredito, o Raiders anotou um touchdown!!"



Nessa série de previews já falamos de 26 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South e North e das NFC East, South e North, mais o Denver Broncos, o San Diego Chargers e o Kansas City Chiefs. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Oakland Raiders

2012 Record: 4-12
Ataque ajustado: 23rd
Defesa ajustada: 29th


Meu amigo Carlos essa semana veio me perguntar se eu achava que a situação do Raiders era semelhante a do Oakland Athletics no começo da década, e se para "salvar" a equipe seria necessário algum plano outside-the-box como o Moneyball. A pergunta dele se motivava em parte também pela questão financeira, já que o Raiders ainda divide seu estádio com o Athletics e nunca ganharia da cidade o tipo de ajuda financeira para um estádio novo que o Jaguars conseguiu, por exemplo. Então ele queria saber se essa consistente má fase do Raiders - a equipe não possui um record acima de 50% desde 2002 - teria algo a ver com alguma "desvantagem" financeira ou competitiva como no caso do Athletics.

Infelizmente não é o caso do Raiders, simplesmente porque não é o caso da NFL. Claro que em qualquer liga teremos times mais ricos ou menos ricos (a equipe nunca teria condições de construir um estádio de mais de 1 bilhão de patacas de uma hora para outra como o Cowboys fez, por exemplo), mas na NFL essa importância é minimizada, mais do que em qualquer outra liga do mundo: com um hard cap que vale igualmente para todos os times e, mais importante, com um sistema de redistribuição de renda (em termos de patrocínios ou cota de televisão) que garante a todos os times da liga dinheiro suficiente para cobrir os gastos com salários e afins, times ricos não possuem nenhum tipo de vantagem na hora de contratar jogadores em relação a times menos ricos, os dois podem oferecer os mesmos contratos com os mesmos limites e ambos possuem garantias de dinheiro da NFL para cobrir esses valores. Não existe nenhuma desvantagem competitiva por parte do Raiders como era o caso do Athletics, um time pobre jogando em uma liga sem teto salarial, sem limites em termos de contratos e sem nenhum tipo de redistribuição de renda. No caso dos A's, a única chance de ser competitivo para a equipe era desenvolver um conhecimento que nenhum outro time tinha para conseguir jogadores baratos. No caso do Raiders, isso sem dúvida ajudaria, mas não é o motivo pelo qual o time está nesse buraco faz tanto tempo. O motivo disso é pura e simples incompetência e má gestão. 

Vamos voltar alguns anos, para a época que o falecido Al Davis ainda era vivo e tomava todas as decisões (algo comum nessas ligas, btw: um dono de time que toma algumas boas decisões e acerta boa parte delas por um tempo, cresce demais o ego e começa a querer tomar todas as decisões sozinho mesmo quando elas param de funcionar). Mais especificamente, para o draft de 2009. O Raiders possuía a 7th pick daquele ano, e precisava urgente de um bom WR. Para sorte da equipe, esse foi um dos drafts com maior profundidade dos últimos anos, com uma dupla espetacular na frente (Michael Crabtree e Percy Harvin) e jogadores como Jeremy Maclin, Kenny Britt e Hakeem Nicks saindo na primeira rodada. Crabtree era o consenso de melhor WR - talvez melhor jogador - daquela classe, então não havia a menor dúvida de que ele sairia para Oakland (se não fosse pego antes). Ou era o que 99% das pessoas acreditavam. Al Davis tinha uma tara esquisita por jogadores velozes (o Raiders pegou o jogador com melhor tempo na corrida de 40 jardas por quatro anos seguidos, se não me engano), e nos workouts, o melhor tempo de 40y foi de um WR chamado Darrius Heyward-Bey, razoavelmente bem cotado mas nunca na classe de Crabtree/Harvin (esse último acabou caindo um pouco pelas lesões). Davis não se importou, ele queria o jogador rápido e pegou Bey antes de qualquer outro WR sair (com Crabtree caindo no colo do 49ers). Bey foi um bust e já está fora do time depois de ser dispensado, Crabtree e Harvin se tornaram dois dos melhores jovens WRs da NFL, e o Raiders saiu de mãos abanando desse draft.

Em 2010, o Raiders tinha a 8th pick e decidiu ir atrás de um MLB chamado Rolando McClain. McClain era bem cotado saindo do College, um jogador muito talentoso com problemas de comportamento/extra-campo que era considerado um jogador de alto risco, alta recompensa. O Raiders não precisava exatamente de um MLB na equipe (o que pra mim foi a prova de como foi uma escolha estúpida), mas decidiu pegar McClain. Três anos depois o jogador não está mais na NFL por conta de seus problemas extra-campo. Alguns jogadores que foram pegos com as picks seguintes aquele ano: CJ Spiller, Anthony Davis, Earl Thomas, Jason Pierre-Paul, Mike Iupati, Sean Weatherspoon. Mas espera, fica pior: um ano depois, vendo seu QB titular Jason Campbell basicamente ter mais um ano fraco (47.2 QBR), a equipe decidiu trocar não uma, mas DUAS escolhas altas de draft (uma de primeira e uma de segunda rodada, um absurdo) por um QB que estava afastado da sua própria equipe e já havia ameaçado se aposentar caso não fosse trocado e que não tinha uma boa temporada em quatro anos, Carson Palmer. Claro que o Raiders trocou uma escolha de primeira e segunda rodada por esse cara, que não foi horrível mas também não foi nada demais com um time fraco e dois anos depois foi - surpresa! - trocado por uma escolha de sexta rodada para o Cardinals. Boa forma de maximizar seus ativos, viu Raiders? 

No draft de 2011, o Raiders não tinha uma escolha de primeira rodada porque a tinha enviado para o Patriots pelo DT Richard Seymour, um excelente jogador que foi inútil no meio de um time tão ruim. Aquela pick virou Nate Soldier, um dos melhores jovens LTs da NFL. No de 2012, a 1st pick da equipe foi de Cincinnati pela estúpida troca de Palmer um ano antes, que virou Dre Kirkpatrick. A equipe também não tinha uma escolha de segunda rodada porque a trocou com New England por escolhas na terceira e quarta rodada, onde não tinha escolhas próprias: a terceira foi usada no Draft Complementar (vá direto ao último parágrafo para saber o que é isso) de 2011 para pegar o QB Terrelle Pryor, e a de quarta rodada foi trocada por Jason Campbell alguns anos antes (o mesmo QB que fez o time pensar "não aguento mais esse cara, vamos trocar duas escolhas altas por Carson Palmer!"). Nenhum dos dois jogadores selecionados com essas escolhas tiveram qualquer impacto até agora. Mas em 2012 a equipe trocou de GM (e Al Davis morreu um pouco antes), e em 2013 finalmente teve um bom draft, embora ainda sentisse os efeitos das más decisões de gestões anteriores (em especial a falta de uma escolha própria de segunda rodada, também com o Bengals - acabou virando o RB Giovani Bernard).

Finalmente o Raiders decidiu ir em uma nova direção com uma nova diretoria (Reggie McKenzie já era GM ano passado mas só agora ganhou pleno controle da equipe), mas não vai ser nada fácil. Eu imagino o Mark Davis (dono da equipe) chegando todo otimista no primeiro dia de training camp, olhando para os jogadores em campo e indo chorar no vestiário de desgosto. Entre os únicos bons jogadores da equipe, os que sobraram são Darren McFadden (muito bom RB quando saudável, o que nunca está), Jared Veldheer (melhor OL da equipe, pode perder toda a temporada com lesão), Marcel Reece (um bom FB mas que nunca vai fazer nada sozinho), Denarius Moore (um WR rápido e explosivo que idealmente seria o terceiro ou quarto WR em um bom time), Lamarr Houston (promissor, 4.5 sacks em 2012 como DE em uma defesa 3-4) e Charles Woodson (ídolo da equipe, mas já tem 36 anos vindo de uma temporada ruim em um bom time). Sério, são esses ai. McKenzie dispensou os outros jogadores da equipe que poderiam ser considerado "bons", mandando embora Richard Seymour, Michael Huff, Tommy Kelly, Bey e McClain, o que deixou a equipe ainda mais fraca. Não que eu o culpe o GM por um segundo: ele fez o que tinha que fazer para recomeçar, abrindo todo o espaço salarial que podia e se livrando de veteranos caros que não estariam por perto no próximo bom time da equipe. Foi a decisão certa visando o futuro, mas que vai deixar o time ainda pior para 2013. Eles já foram um time muito ruim em 2012 (4-12 sustentado pela sua Pythagorean Expectation, record em jogos decididos por uma posse de bola e sem nenhum grande indicador a favor de uma regressão positiva da equipe) e agora devem ser ainda pior em 2013, e se o ataque ajustado da equipe não foi tão abismal assim, é porque nenhum time da NFL produziu mais em garbage time (Carson Palmer foi titular do meu Garbage Time All-Stars de 2012). Então sim, a equipe foi horrível, e ainda se livrou de boa parte dos seus jogadores mais produtivos. Deve ser horrível novamente em 2013.

E ai eu pergunto... isso é uma coisa ruim? Para mim não. Pense no Oakland como um cara drogado por anos que entra em recuperação. Isso não vai acontecer de uma hora para outra, ele precisa primeiro limpar seu corpo da droga, se manter limpo por algumas semanas, passar a primeira fase de abstinência com um bom acompanhamento médico e conseguir se endireitar antes de sair por ai procurando empregos bem remunerados e tudo mais, certo? Para o Raiders não é diferente: em uma franquia tão destruída e poluída por anos de má gestão, essas temporadas 2012/2013 foram o primeiro passo na desintoxicação da franquia, se livrando dos seus contratos mais nocivos e jogadores que não correspondiam ao seu salário, abrindo espaço salarial e basicamente recomeçando a franquia quase do zero. Na NFL é muito difícil passar logo de uma fase horrível marcada por drafts ruins e contratos ainda piores para os playoffs, o Raiders precisava primeiro se livrar disso tudo para poder seguir em frente. E o preço a pagar vai ser mais um ano muito fraco.

Mas ai você lembra que o próximo draft possui duas excelentes comodidades: um possível franchise QB em Teddy Bridgewater e aquele que tem sido chamado de "o melhor defensor a sair do College nos últimos 10 anos", pass rusher Jadeveon Clowney (esse cara aqui). O Raiders pode ter perdido a loteria Andrew Luck/Robert Griffin, mas Bridgewater/Clowney é um bom prêmio de consolação, e não tem time na NFL em melhores condições de levar para casa um desses dois do que Oakland. Se você vai ser ruim por uma temporada, que pelo menos tenha um bom prêmio te esperando no final, não é mesmo? E se você já vai ser ruim essa temporada de qualquer jeito, porque não ser um pouco pior e aumentar suas chances de levar para casa o melhor prêmio? O Raiders precisa de tempo para colocar ordem na casa, e Clowney/Bridgewater é um bom ponto de partida.

E tem também a questão do QB em Oakland. A disputa atualmente está entre três jogadores: Matt Flynn, o cara que passou para 510 jardas e 5 TDs em um jogo por Green Bay mas mofou no banco de Seattle ano passado; Tyler Wilson, calouro de Arkansas; e Terrelle Pryor, o atlético e corredor QB de Ohio State que pouco fez em dois anos de profissional para nos convencer de que vai ser um bom titular. A verdade é que nenhum dos três é realmente uma boa opção no curto ou no médio prazo, embora nunca de para ter certeza de fato com jogadores que nunca realmente tiveram oportunidades na NFL (especialmente um calouro como Wilson). A vaga parecia garantida para Flynn, mas o ex-QB de Green Bay e Seattle teve problemas em seus jogos de pré-temporada e agora deve ficar parado uma semana com uma lesão no braço, abrindo as portas para Pryor ficar com a vaga (baseado em uma boa atuação em um segundo tempo de pré-temporada contra a defesa reserva de Chicago). Parte de mim pergunta se a idéia de Pryor ficar com QB é menos pela sua produção real para 2013 e mais por ser um prospect de alto risco e alta recompensa: se o alto risco prevalecer, ótimo, o time vai ser ruim e pegar uma escolha alta de draft. Se a alta recompensa falar mais alto, o Raiders pode ter achado seu QB do futuro e se dedicar a Clowney ou outro jogador não-QB de alto nível no draft. Para mim parece um win-win, e é por isso - não a lesão de Flynn, não o bom segundo tempo contra Chicago - que Pryor vai acabar sendo o titular para começar a temporada.

De novo, o que não é um problema. O time 4-12 de 2012 deve voltar ainda mais fraco, em uma divisão mais forte, e sem perspectivas imediatas de melhora por estatísticas que temos usado. Apenas Kansas City, Titans e Jaguars foram piores em 2012 (per Football Outsiders), e tanto Chiefs como Jaguars devem melhorar esse ano. McFadden é uma aposta para ficar saudável a essa altura, a incerteza com QB é grande e não devemos esperar muito de nenhum deles, e o corpo de recebedores está pior do que nunca. A defesa pode melhorar um pouco com as chegadas de Tracy Porter e Woodson, mas está ainda muito longe de se tornar uma defesa sequer decente, especialmente se DJ Hayden perder tempo machucado como se cogita. Sinceramente, é difícil ver como esse seria um time melhor em 2013 do que foi em 2012 a não ser que um QB exploda, e embora ele não tenha sido exatamente bom, Palmer pelo menos foi um jogador produtivo. Considerando que já foi um time muito ruim em 2012, não vai ser exatamente um ano divertido para torcedores do Raiders. Mas se existe um consolo aqui, é esse: pelo menos antes o Raiders era ruim atulhado de contratos ruins, jogadores caros e sem perspectiva de futuro. Agora ele é ruim com bastante espaço salarial, perspectiva de boas escolhas de draft e um futuro. E isso faz toda a diferença.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Duas longas semanas

Al Davis com certeza aprovaria a troca por Carson Palmer


Não se pode dizer que o Oakland Raiders tenha sido um time relevante nos útlimos anos na NFL. Desde que o Rich Gannon jogou sua última temporada saudável em 2002, o time foi incapaz de montar uma equipe de sucesso, e esbarrou entre muitas outras coisas na sua incapacidade de achar um novo Quarterback pra equipe e seus sucessivos fracassos no Draft. Quando juntamos essas coisas, lembramos que o Raiders foi o responsável pela maior piada da NFL na década de 2000, quando draftou Jamarcus Russell, o QB que foi um dos piores de todos os tempos e que, três anos depois, estava fora da Liga. E olha que desde Gannon, os QBs titulares que já passaram pelo Raiders incluiram Daunte Culpepper, Kerry Collins, Josh McCown, Charlie Frye, Jason Campbell, Bruce Bradkowsky (Até gostaria dele se ele ficasse saudável), Aaron Brooks e até mesmo o saudoso Marques Tuiasosopo (cruz credo!), mas nenhum deles chegou perto sequer de ser um QB para levar o Raiders para a frente (E nem um deles foi o terror que Russell foi).

A verdade é que desde 2002 e do famoso Tuck Rule Game, o Raiders passou a ser um time figurante na Liga. O time tentou sucessivamente sair desse buraco, mas muitas vezes acabou voltando ao esquecimento. A NFL tem um formato que da esperanças para os times que ficam fora dos playoffs, mas o Raiders passou nove anos sem ser relevante na NFL. Nessa temporada, a situação não estava diferente. O Raiders era um time mediocre ao extremo, bom o suficiente para vencer os times fracos da Liga mas nem de longe forte o suficiente para assustar as potências da NFL, o típico time que não vai ter uma temporada tão ruim pra pegar os principais jogadores no Draft mas não vai ser boa o suficiente para algo maior. Essa era a temporada do Raiders até o sábado antes da semana 5 da NFL.

Mas no sábado antes da semana cinco, começou uma série de eventos que acabou sacudindo o time, com a morte do seu dono Al Davis. Quem assiste NFL a pouco tempo provavelmente vai lembrar do Davis como um péssimo dono e GM, que insistia nos mesmos erros e que foi um responsável direto por manter seu time irrelevante por anos a fio. Mas quem acompanha NFL há mais tempo vai lembrar da época que o Al Davis era um dos donos mais revolucionários da Liga, que montava times extremamente competitivos e ferozes que sempre estavam disputando alguma coisa na NFL, que sempre assumia grandes riscos para conseguir grandes recompensas. Ele sempre foi uma espécie de tirano na Franquia e era extremamente difícil de jogar para ele, mas Davis também era excelente avaliando talentos, costurando acordos e montando times muito físicos. Se nos últimos anos sua personalidade difícil e teimosia levaram o Raiders a amargarem momentos difíceis, essas mesmas características montaram grandes times.

A morte de Davis foi um choque na NFL, mas especialmente para os jogadores do Raiders. Muitos dos jogadores do elenco atual do Raiders estão lá porque foram escolhidos por Davis e, de certa forma, rejeitados pelo resto. Jogadores como Jason Campbell estão lá porque Davis apostou neles mesmo quando ninguém mais na Liga os queria. Ele também - com sua esquisita mania de pegar jogadores rápidos no Draft, ainda que sem nenhuma lógica por trás além dessa - draftou jogadores como Darius Heyward-Bey (escolhido antes de Michael Crabtree e Percy Harvin) e Jacoby Ford, mesmo tendo sido ridicularizado na Liga por suas escolhas. Os jogadores que eram escolhidos por Davis acabavam criando uma certa ligação de lealdade com o agora falecido GM, e sua morte causou um forte impacto nos jogadores. Por isso o jogo da quinta semana contra o Houston tenha, talvez, sido um dos mais emocionantes na temporada até aqui. Jogadores como Ford e Heyward-Bey acabaram sendo fundamentais para vencer um jogo disputado que terminou com uma interceptação do Raiders dentro de sua end zone quando o time estava só com 10 defensores em campo. Ou, como o técnico Hue Jackson (outra escolha de Davis) disse, o time tinha 11 jogadores em campo naquele momento, porque foi a mão de Al Davis que desviou aquela bola.

Ainda na ressaca da perda de Davis, o Raiders jogou (e venceu) o fraco time do Browns na semana seis, mas sofreu uma grande baixa com a lesão do seu QB titular Jason Campbell, que provavelmente ficará de fora o resto da temporada. O reserva Kyle Boller não foi mal, mas não tem condições de levar o time até o final e manter suas chances de playoffs vivas (4-2 com o melhor RB da temporada até aqui no Darren McFadden). Foi então que o time fez algo que deixaria seu falecido dono, famoso pelas jogadas de grande risco que realizava, orgulhoso: Trocou uma escolha de primeira rodada em 2012 e uma condicional em 2013 (De segunda rodada, que virará uma de primeira rodada caso o Raiders vença um jogo de playoff até lá) pelo Carson Palmer, que estava fora do time do Bengals desde que tinha se recusado a voltar para a equipe e exigido uma troca.

Essa troca foi claramente motivada pela lesão do Campbell e pela falta de confiança no Boller. O Palmer, depois de jogar mal em 2010 e se recusar a voltar para a nova temporada, foi afastado do Bengals e exigiu uma troca. Mike Brown, do Bengals, se recusou a trocá-lo, dizendo que se ele não queria jogar pela equipe não deveria esperar nenhum "prêmio". Times como Seahawks tentaram desesperadamente trocar por Palmer, mas Brown se recusou a trocá-lo. Até que chegou a proposta do Raiders, e bingo! Trocado em menos de dez horas!

O que aconteceu pra ele mudar de ideia foi simples. No melhor estilo Poderoso Chefão, o Raiders fez uma oferta que ele não poderia recusar. Por mais que ele quisesse segurar Palmer para sua satisfação, uma escolha de primeira rodada e uma de segunda condicional era bom demais pra se recusar. O Bengals tentou se reconstruir aos trancos e barrancos, mas de forma meio confusa. Duas escolhas altas para os próximos Drafts salvam completamente o processo do Bengals: Agora além de uma boa defesa, um bom QB e um bom WR, o time tem três escolhas de primeira rodada e três de segunda nos próximos três anos. Isso faz toda a diferença do mundo, são dois jogadores de alto nível a mais. As escolhas do Raiders provavelmente não serão top 10, mas serão top 20 muito provavelmente. Já está ótimo!

Para o Raiders, por outro lado, essa aposta do Hue Jackson (Ele que costurou a troca) foi extremamente parecido com o que o Al Davis faria: Pagou um preço muito alto por um jogador de muito talento que tem jogado mal. O preço foi alto demais. Você paga esse preço se é o Peyton Manning sem uma perna (ou sem o pescoço), mas você não paga isso por um QB problemático, de 31 anos, que não jogou bem as últimas três temporadas. O preço foi altíssimo e, o que é mais legal, o Raiders sabe disso! Eles sabem que pagaram demais pelo Palmer, que o Palmer não vale isso tudo. Mas eles fizeram mesmo assim. Fizeram a coisa errada, pagaram um preço absurdo por alguém que não vale, mas eles não ligaram. Al Davis está sorrindo em algum lugar!

Quando eu digo que o time fez errado, é basicamente porque o preço foi alto demais. Mas eles fizeram isso por vários motivos. Primeiro, o Palmer provavelmente é o melhor QB que o time tem desde o Rich Gannon. Ele não só é bem melhor do que o Boller como também é melhor que o Campbell, que sempre será um QB medíocre. Ele já teve temporadas de Pro Bowl e, contando com a ajuda do McFadden em mais uma excelente temporada, ele vai tornar o Raiders um time ainda melhor. Tudo bem, ele vem de três temporadas ruins, por isso é uma enorme, gigantesca aposta, mas se ele jogar bem, ele tem boas chances de levar esse time aos playoffs. O time ainda tem uma defesa fraca, uma secundária horrorosa e uma falta de alvos no ataque, mas o time é capaz de jogadas explosivas e agora tem uma boa combinação de QB/RB. O Chargers é um time melhor dentro da divisão e o Raiders vai ter alguma concorrência pelo Wild Card com Bills, Jets e Titans/Texans, mas agora - muito mais do que quando o QB do time era o Campbell ou, pior, o Boller - o time tem condições reais de ir aos playoffs. O RAiders é um time muito melhor com Palmer do que com Campbell, Boller, Collins, Russell ou provavelmente qualquer QB do Raiders pós-2002.

O Raiders, em resumo, é um time melhor. Um time que pode até brigar por uma vaga nos playoffs. O upgrade na principal posição de um time de futebol americano é uma medida que deve ser feita sempre que possível, 90 vezes em 100 isso vai tornar seu time melhor. Eu entendo as razões que levaram o Raiders a trocar pelo Palmer: Muito talento, a chance dele voltar a ser um Pro Bowler... E o descaso pelos riscos que fez o Al Davis tão famoso. Mas agora, vamos pensar por outro lado. O time trocou duas escolhas bem altas de Draft por um QB de mais de 30 anos, ou seja, mais perto do final da sua carreira. No entanto, ao trocar duas escolhas consecutivas altas de Draft, você está basicamente passando a chance de pegar dois sólidos jogadores que podem jogar pelos próximos 10, 12 anos. O Draft é uma forma de conseguir jogadores para os próximos anos, é uma forma de estocar talento para o futuro. Trocar escolhas de Draft para melhorar seu time é uma forma de prepará-lo para vencer agora, sacrificando de certa forma o futuro. Você faz isso quando tem uma base montada, um time competitivo e quer dar o passo final. Se fosse meu 49ers trocando três escolhas de primeira rodada em 2012, 2013 e 2014 pela primeira escolha do próximo Draft e o Andrew Luck, eu acharia ótimo: O time é extremamente jovem, tem uma excelente defesa, um ótimo jogo terrestre, bons alvos e precisa de um Franchise QB pra se tornar um candidato sério ao título nesse momento. Não tem problema trocar três escolhas de primeira rodada se você já tem a sua base montada e pronta para vencer agora e nos próximos anos.

Mas o Raiders não tem uma grande base, e nem um time que vá ficar competitivo só com essa troca. A base do Raiders é bem fraca, o melhor jogador defensivo tem 32 anos (Richard Seymour) e no ataque só o McFadden é realmente um jogador em volta do qual você pode reconstruir. O time vai ter só DUAS escolhas no Draft de 2012, e vai perder sua escolha de primeira ou segunda rodada em 2013. O time está perdendo a chance de ganhar dois possíveis titulares pelos próximos 10 anos pra ganhar um Quarterback de 31 anos que deve ter uns três anos bons pela frente, tempo insuficiente para um time sem uma boa base explodir. O Raiders não tem um grande time e não tem uma boa base. Com ou sem Palmer, o Raiders não é um time que vai competir com os grandes esse ano. O time não tem uma boa base pra ser otimista sobre ser competitivo em dois ou três anos, mais ou menos quando o Palmer estiver parando. E quando o Palmer parar, o time vai ficar sem o QB que tanto custou e vai ter deixado de acumular dois valiosos jogadores para o futuro da Franquia. Sacrificar o futuro é uma tática válida quando você tem um presente pra valer. A não ser que o objetivo do Raiders seja simplesmente ir aos playoffs e tudo está bem, essa troca não faz sentido lógico. Pra isso, o Raiders agora tem time. Pra ir pra um Super Bowl, não.

Pode-se argumentar que o Raiders drafta tão mal que é melhor que não tenha suas escolhas altas. Pode-se argumentar que ir aos playoffs (E quem sabe vencer um jogo se enfrentar, por exemplo, o Texans) já é uma vitória para esse time. O que é verdade. Mas Al Davis sempre foi um megalômano. O Raiders sempre teve uma das bases de fãs mais fanáticas da Liga. O Raiders era um time importante, que brigava por títulos. Ir aos playoffs sendo uma vitória pode ser uma realidade, mas é uma derrota para o que Al Davis fez com o Raiders por tanto tempo (tirando, claro, a última década). O Raiders é um time melhor agora, pode até ir aos playoffs, mas vai continuar sem ser relevante pelos próximos anos. Arriscar alto para receber uma recompensa alta é uma coisa, arriscar alto para uma recompensa mediana e possíveis anos de sofrimento é outra. E que, infelizmente, está se tornado a marca registrada do Raiders nos últimos anos, depois de 30 colocando medo em toda a NFL. O Raiders precisava, mais do que nunca, ter a cara do Al Davis dos anos 80. Infelizmente está assumindo a cara do Al Davis dos anos 2000.