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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Prêmios e previsões da temporada 2015 da NFL

E o prêmio de pior jogada de 2015 vai para... (Gif do genial Dave Rappoccio)


Para quem não lembra, no começo do ano eu fiz um post com minhas muitas previsões embasadas para a temporada 2015 da NFL E uma coluna para o Spin Bet com minhas apostas de Vegas para a temporada. Então antes de partir para nossa tradicional coluna distribuindo os prêmios individuais do futebol americano - sabe, os velhos MVP, Offensive Player of the Year e por ai vai - vamos dar uma olhada em como eu me sai nos meus palpites da preseason.


Palpites da preseason

O Time Que É o Grande Candidato A Regressão: Detroit Lions

Bem, o Lions de 2014 terminou 11-5, mas com uma tabela fácil (9th mais fácil da NFL) e com 9-7 de Pythagorean Expectation, um famoso sinal de regressão. Além disso, o time perdeu dois dos seus principais jogadores da sua maior força (a defesa), Ndamukong Suh e Nick Farley (e, pra piorar, DeAndre Levy teve uma lesão não muito bem esclarecida na preseason e acabou perdendo a temporada toda). Era um alvo fácil para regredir em 2015. Dito e feito, Detroit regrediu dos dois lados da bola, sofreu defensiva e ofensivamente com as perdas que teve, e terminou o ano com um decepcionante (mas previsível) 7-9 que está alinhado com sua Pyt Expectation. Então começamos bem.

(Minha menção honrosa da coluna? Arizona Cardinals. Vamos fingir que isso nunca aconteceu?)


O Time Que Promete Explodir Mas Decepciona: Miami Dolphins

I'm on fire!!

Antes da temporada começar, eu citei que apesar da bombástica contratação de Ndamukong Suh o Dolphins não me passava confiança. Para justificar esse ponto, argumentei que o time estava comprometendo muito dinheiro para um jogador só, sendo que a equipe ainda tinha muitos buracos a serem tapados (e não teriam mais cap para corrigir isso com o contrato monstruoso de Suh ocupando tanto espaço), comprometendo a profundidade da equipe. Também citei que a famosa "evolução" de Ryan Tannehill em 2014 tinha sido bastante overrated, mais devido a um novo esquema tático que a  uma evolução do jogador, e que não deveríamos esperar uma explosão do jovem QB em 2015.

Bem... bingo! Apesar da inconsistência, Suh teve uma temporada dominante, mas isso não foi suficiente para impulsionar uma defesa que simplesmente carecia de talento atrás de sua nova estrela, especialmente depois que Cameron Wake foi parar no IR. Tannehill também me fez parecer um profeta, regredindo em todas as áreas do jogo e tendo uma desastrosa temporada, terminando o ano com QBR de 43 (32nd entre 37 QBs qualificados). Foi um ano jogado fora: o técnico caiu logo no começo do ano, o GM seguiu antes do fim da temporada, e agora parece que o próprio Tannehill pode deixar o time em breve (a informação que chega é que essa decisão estará nas mãos do novo técnico, o que não é exatamente um voto de confiança para o QB). Eu apostei contra o time, mas não esperava esse desastre.

Vale citar também que eu acertei também na minha menção honrosa, o Buffalo Bills, mas por motivos bem diferentes do que eu imaginava. Achei que o fator limitante seria o ataque liderado por Tyrod Taylor, mas bizarramente o Bills teve um dos melhores ataques da liga (#9 na NFL), Taylor foi uma revelação (63.7%, 8.0 Y/A, 20 TDs, 6 interceptações, 67.84 QBR) e o que derrubou o time foi justamente sua famosa defesa, que terminou como #2 da liga ano passado mas despencou para #24 nessa temporada depois de se juntar a um HC que é uma das melhores mentes defensivas da história da NBA. Extremamente bizarro. 


O Jogador Desconhecido Que Explode No Lugar Certo: Joseph Randle

Esse foi um grande fiasco. Apostei no Randle por confiar na linha ofensiva de Dallas, que poderia fazer um RB decente ter números de estrela e ganhar algumas ligas de fantasy. Mas não deu nada certo: Romo se machucou (e afundou o ataque de Dallas junto), Randle teve apenas 73 corridas em 6 jogos para 313 jardas (fracas 4.1 jardas por corrida), batalhou problemas extra-campo antes de ser dispensado na semana 7 e agora acaba a temporada sem time. Funhé.


Jogador Subvalorizado Que Estoura Na Situação Certa: DeAndre Hopkins

Já fazia um ano que Hopkins era um dos melhores WRs da NFL, mas por ainda dividir alvos com o futuro Hall of Famer Andre Johnson (e por jogar no fraco Texans) pouca gente prestava atenção no quão incrível Hopkins estava se tornando. Sem Johnson, Hopkins finalmente explodiu e recebeu a atenção nacional que merecia já faz um ano: 111 recepções (#3 na NFL), 1521 jardas (idem), 11 Touchdowns (#7 na NFL) e algumas das recepções mais incríveis da temporada. E isso tudo passando a temporada recebendo passes do verdadeiro festival que foi a posição de QB do Texans: Brian Hoyer, Ryan Mallett, TJ Yates, Brandon Weeden e BJ Daniels (eu juro que não inventei esse nome) chegaram a jogar atrás do Center por Houston essa temporada. Imagina o quão bom esse cara poderia ser com um QB de verdade. Considerando essa seleção de QBs, é possível argumentar que Hopkins na verdade foi o melhor WR de 2015 apesar dos números piores que Antonio Brown e Julio Jones (hold that thought...). Talvez não seja eu a fazê-lo, mas o argumento existe. Regardless, foi uma temporada fantástica que enfim colocou Hopkins no mapa do fã casual de NFL. E já era hora!


A Grande Contratação Que Fracassa: Julius Thomas

Eu juro por tudo que é sagrado que eu tinha DeMarco Murray como minha aposta nessa seção até a revisão final da coluna, mas não tive os culhões para ir até o fim apostando no fracasso do ex-RB de Dallas. Me chutei o ano todo por isso. Pelo menos acertei a menção honrosa citando outra contratação do Chip Kelly que deu errado, Byron Maxwell, que recebeu 50M de dólares para ser o CB #1 da equipe e cedeu um rating de 100.3 para QBs que lançaram na sua direção. Obrigado pelos alvos fáceis, Chip. 

Sobre Julius Thomas, basicamente aconteceu o que eu esperava dele: um jogador totalmente unidimensional que não bloqueia, não move as correntes e só serve basicamente como alvo na end zone. 46 recepções para 455 jardas não são desprezíveis para um TE, mas também não valem um contrato de 46M em nenhum lugar do mundo para um jogador que não contribui em outras áreas. Por outro lado, Thomas pegou 5 TDs, então ele cumpriu parte do papel pelo qual está sendo pago, ainda que o Jaguars possivelmente esperasse algo mais próximo dos 12 que teve de média nos últimos anos em Denver. Não foi totalmente inútil, mas por 46M por ano, é muito pouco. Não sei o que o time esperava de diferente com essa contratação, para ser sincero.


O Jovem Time Que Explode de Produção: Minnesota Vikings

Essa foi a aposta mais divertida de acompanhar ao longo do ano. No começo da temporada, tirando uma derrota para San Francisco que fica mais inexplicável a cada dia que passa, o Vikings parecia que me faria parecer esperto, ganhando vários jogos e liderando a divisão... mas eu não estava satisfeito, porque assistindo aos jogos parecia bem claro que o time não estava JOGANDO tão bem assim, não estava produzindo como eu esperava em quadra. Sempre defendi que número de vitórias na temporada é um critério fraco pra avaliar nível de jogo de um time. O time estava ganhando, mas não jogando bem.

Dai passou um ponto da temporada onde o calendário do Viks apertou, o time começou a perder mais jogos... mas eu estava absolutamente feliz porque finalmente Minny estava jogando como eu esperava. Mesmo com múltiplas lesões a alguns dos seus melhores jogadores (Harrison Smith, Anthony Barr, Linval Joseph, Adrian Peterson), o time evoluiu dos dois lados da bola, Bridgewater voltou a parecer o Franchise QB do final do ano passado (65.3% de aproveitamento, 7.2 Y/A, 62.71 QBR na temporada sem receber NENHUMA atenção da mídia apesar de não ter um bom grupo de WRs ou uma linha ofensiva decente), e o time subiu de 27th DVOA para 11th ao final da temporada. Eventualmente, Minnesota venceu Green Bay na semana 17 para conquistar seu primeiro título da divisão desde 2009, coroando sua temporada. Mas, mais importante para mim, estão jogando como o jovem time em ascensão que eu queria ver desde Agosto.


O Nome Grande Que Cai Em Um Time Novo: LeSean McCoy

Difícil dar um parecer sobre essa. Eu esperava que McCoy caísse em Buffalo atrás de uma linha ofensiva que vinha sabotando seus próprios RBs e sem um QB competente para abrir espaços, jogando em um esquema ofensivo que não jogava a favor das suas forças. E não foi bem o que aconteceu - ainda que ninguém vá dizer que McCoy teve um grande ano, difícil dizer que ele foi um fracasso completo. O maior problema de Shady foram as lesões, perdendo 4 jogos e vários outros snaps, dividindo mais toques do que o antecipado e em geral não participando tanto do ataque quanto em Philly. No final, terminou com 12 jogos, 895 jardas corridas e 292 recebidas, além de medianas 4.4 jardas por corrida com 5 TDs e 2 fumbles. Não foi um destaque, mas também não foi um desastre depois de um começo que parecia indicar nessa direção. McCoy caiu de fato de produção, mas não tanto quanto eu esperava, e parte disso veio de lesões... e por outro lado, ele provavelmente foi pior na temporada que Karlos Williams atrás da mesma linha ofensiva. Então meio certo para mim.


Então foram cinco acertos, um erro grosseiro, e um meio certo. Estou bem satisfeito com meu desempenho, afinal. Vamos passar rapidamente pelas apostas de Vegas antes de ir para os prêmios da temporada...


Baltimore Ravens vencendo a divisão (2.5)

Meu pior erro da temporada - o Ravens foi a maior decepção de 2015, o Bengals um dos melhores times, e o Steelers chega nos playoffs milagrosamente apesar de uma temporada marcada por lesões. Não tem nem o que falar aqui.


New England Patriots vencendo a divisão (1.5)

Absurdo (e duplamente em retrospecto dado como a temporada acabou) pensar que o Patriots vencendo a divisão pagava mais em Agosto/Setembro do que Colts, Seattle ou o Packers vencendo as suas, embora fosse a mais segura das quatro apostas. So there. Eu entendo que o fenômeno Deflategate tenha influenciado aqui, mas uma vez que a suspensão de Tom Brady foi revertida, não deveria ter nenhuma margem para dúvida de que essa divisão já tinha dono. De novo. Aposta mais fácil da temporada.


Carolina Panthers vencendo a divisão (3.75)

Bizarramente, eu confiava no Saints vencendo a divisão, mas a diferença nas odds (3.75 para o Panthers, menos de 2.8 para Falcons e Saints) me fez acreditar que valeria mais a pena apostar no Panthers e sua defesa do que nos adversários. A defesa do Panthers fez valer minha aposta... só que dai o ataque também, e Cam Newton jogou como um MVP, e de repente o Panthers estava 14-0 e caminhando para uma temporada invicta. E eu vou fingir de agora em diante que apostando neles significava que eu acreditava desde o começo. E vocês também, se alguém perguntar.


Minnesota Vikings vencendo a divisão (8.0)
Green Bay Packers #1, Minnesota #2 na NFC South (3.6)

Hell yeah baby!!

Essa era uma aposta dupla - eu achava que Green Bay levava a divisão, mas achava que seria apertado o suficiente sem Jordy Nelson para os 8 para 1 de Minny valerem a pena. E para quem não via chance do Packers perder, tinha a segunda parte que te garantia um retorno mais seguro. Ao total, eu tinha 99% de certeza que uma delas estaria certa salvo um desastre, então apostando nas duas você tinha quase certeza de lucro. Com Minny e Green Bay se enfrentando na semana 17 valendo a divisão, de repente é a semana mais divertida da minha vida de apostador, com um payoff de 8 para 1 na linha e a certeza de ganhar no final. E Minnesota me vindicou vencendo a divisão com estilo. So there!


Tom Brady para MVP (19.0)

Eu odeio apostar em prêmios individuais por ser tão imprevisível (que tinha Cam Newton e Carson Palmer disputando o MVP na Semena 17?!), mas a 19 para 1 e revertida sua suspensão o payoff era grande demais para não valer a pena. E durante algum tempo parecia que eu tiraria a sorte grande nessa. Dai Gronk e Edelman machucaram, o Patriots caiu, o Panthers não e Cam Newton continuou elevando seu jogo. Uma pena, foi uma boa aposta, mas só um milagre salva.


Mark Ingram liderando a liga em jardas terrestres (41.0)

É, essa foi péssima. Era só uma aposta long-shot pelas odds. Mas Ingram terminou o ano no IR e com 769 jardas na temporada, o que passou bem longe de fazer valer minha aposta.

O que mais me irrita é ver que Ingram teve 4.6 jardas por corrida - número maior que Adrian Peterson, que lidera a liga pelo chão - e sonhar que Ingram teria uma chance se a defesa do Saints não fosse uma vergonha histórica e o time tivesse o tempo todo que jogar atrás no placar. E se Mark Ingram não tivesse pernas de papiê-machê. Ou é o que eu digo para mim mesmo. 


DeAndre Hopkins liderando a liga em jardas recebidas (23.0)

Hopkins terminou o ano em terceiro apesar do souflé de mediocridade que foi a posição de QB da sua equipe, e possivelmente teria vencido a aposta se a) Brian Hoyer não se machuca e b) Julio Jones e Antonio Brown não fossem marcianos. Acontece. A 23 para 1 achei uma ótima aposta mesmo já sabendo de antemão das dificuldades de quarterback da equipe.


Resultado final
Apostados: U$ 180,00
Retorno: U$ 375,00
Saldo: U$ 195,00

Obrigado, Minnesota!

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Bem, essas foram minhas apostas das preseason. Digamos que eu mandei bem até. E agora, sem mais enrolar, vamos passar para os prêmios individuais da temporada 2015 da NFL. Como sempre, vamos deixar de fora Coach of the Year porque eu detesto esse prêmio, mas se quiserem discutir nos comentários se o vencedor deveria ser Ron Rivera ou Bruce Arians, fiquem a vontade.

Prêmios individuais para a temporada 2015 da NFL


Comeback Player of the Year: Eric Berry

É, eu sei que esse é um prêmio extremamente subjetivo, que tem diversas interpretações, que cada um pode usar seus próprios critérios... que seja. Só saiba que, se Eric Berry não ganhar esse prêmio depois de vencer um câncer e voltar para ser um dos melhores safeties da NFL em 2015, nós cometemos um erro e é isso.


Defensive Rookie of the Year: Leonard Williams

Não foi a melhor corrida para Defensive Rookie of the Year que eu já vi. Ao final do ano, pelo menos tínhamos dois bons candidatos ao prêmio, mas a profundidade da disputa deixou um pouco a desejar. Bons jogadores, alguns com bons números, mas poucas performances dominantes. Ou vai ver eu que fiquei mal acostumado depois da classe com Kahlil Mack, Aaron Donald e Chris Borland ano passado (btw, dois desses ainda aparecerão nessa coluna. Fiquem ligados!). Pode ser isso.

Entre os calouros defensivos, quem mais chamou a atenção foi o CB Marcus Peters, de Kansas City, que quase gerou uma revolução nas minhas menções no twitter quando deixei ele de fora do prêmio. Peters chamou a atenção principalmente por liderar a liga em interceptações (com 8) e TDs defensivos (2), o tipo de jogador que faz jogadas espetaculares, aparece bastante nos highlights da rodada e atrai o olhar dos fãs, ao ponto que foi o único calouro defensivo a ir para o Pro Bowl (Todd Gurley e Tyler Lockett os outros). Mas eu tenho minhas dúvidas sobre Peters: o calouro sem dúvida foi um fator no jogo aéreo, jogando de forma muito agressiva nas linhas de passe... mas até demais. Sua agressividade gerou interceptações e touchdowns, mas também tirou Peters de posição vezes demais, tornando-o o tipo de jogador tudo-ou-nada, ou chegava na bola pra cortar o passe ou tomava uma big play nas costas. Pelo tanto que ele trouxe para o time, ele também teve um custo alto: ele foi o segundo CB que mais cedeu TDs (8) e jardas (939) na temporada, e o sétimo com mais faltas (9). Para ser justo, Peters melhorou bastante nisso ao longo do ano, mas avaliando o total, sua temporada não foi tão impressionante quando pareceu à primeira vista apesar de todo seu talento.

Se estamos discutindo CBs calouros, eu prefiro a temporada de Ronald Darby (Bills), que não se destacou tanto em interceptações ou jogadas de efeito, mas teve um impacto muito mais sólido e consistente ao longo da temporada, marcando WRs tops, cedendo poucas jardas (apenas 6.2 jardas por passe lançado na sua direção, mesma marca do candidato a DPOY Tyrann Mathieu), segurando QBs a um rating de 78 e cometendo pouquíssimos erros no processo - foi simplesmente uma temporada mais eficiente, que agregou mais o time do que o estilo 8-ou-80 do Peters. Avaliar CBs depende muito de assistir aos jogos, e assistir Peters e Darby foram duas experiências muito divertidas (e diferentes) ao longo do ano, mas a impressão que eu tive é que Darby simplesmente foi melhor ao longo do ano. Isso não quer dizer que ele seja um jogador melhor, ou que será um jogador melhor, mas se estamos avaliando 2015, Darby foi superior. Ele é meu segundo colocado no ballot com méritos.

Mas meu voto vai para Leonard Williams, o DE do Jets que bizarramente caiu para #6 no Draft apesar de ser considerado amplamente o melhor jogador do recrutamento. Desde o primeiro dia Williams foi uma força no interior da linha do Jets, alguém que comanda (e desmonta) marcações duplas e é um mastodonte contra o jogo terrestre, conseguindo "stops" em quase 10% das jogadas de corrida e atrapalhando sei lá quantas outras, alguém que raramente é movido fora de posição e fecha espaços mesmo quando não está fazendo o tackle... e se não fosse o suficiente, Williams ainda totalizou 4 sacks, 19 hits e 27 knockdowns na temporada (ou seja, 50 jogadas de pressão), excelentes números para um DE 3-4. É o tipo de impacto dual e consistente que você espera de uma estrela na linha defensiva. No final, ele foi o calouro que mais impacto teve em 2015, e por isso ele é meu DROY.

Ballot: 1. Leonard Williams; 2. Ronald Darby; 3. Marcus Peters; 4. Henry Anderson; 5. Arik Armstead.




Offensive Rookie of the Year: Amari Cooper

Desde cedo, essa competição se desenhou como uma disputa de dois homens entre Amari Copper (WR, Raiders) e Todd Gurley (RB, Rams), e ambos tiveram grandes momentos e algumas questões ao longo da temporada suficiente para fazer argumentos nas duas direções.

Gurley provavelmente teria meu voto se jogasse a temporada completa, mas perdeu efetivamente quatro jogos por conta de lesões, o que diminui seu impacto total na temporada. O calouro ainda teve uma grande temporada, com 1106 jardas (#3 na NFL, ainda que em um ano notavelmente fraco para RBs) e 10 touchdowns, digna de vencer esse prêmio. Ainda assim, apesar de tudo, o calouro mostrou bastante inconsistência no ano: nos seus primeiros quatro jogos completos, Gurley totalizou 566 jardas em 88 corridas, uma fantástica média de 142 por jogo e 6.4 por corrida onde foi o melhor RB da liga... e em seguida emendou uma péssima sequência de 5 jogos onde totalizou menos de metade disso, 280 jardas em 79 corridas (52 jardas por jogo e 3.3 por corrida). Terminou o ano alternando grandes momentos (140 jardas contra Detroit), péssimos momentos (48 jardas em 21 corridas contra Tampa Bay) e momentos pouco expressivos (83 jardas em 19 corridas contra Seattle). Foi uma temporada cheia de altos e baixos, com um bom resultado final. Os altos (e foram muito altos) acabaram marcando mais do que os baixos, e por isso a percepção da temporada do Gurley provavelmente acabou um pooouco alta demais em relação ao que foi de fato.

Cooper também teve seus altos e baixos na temporada, embora seja mais fácil identificá-los ao longo do ano. Nos seus primeiros 9 jogos, Cooper pegou 4 touchdowns e teve média de 86 jardas recebidas por jogo. Nos últimos 7, foram 2 touchdowns e 48 jardas de média. Parte disso veio do fato de Carr ainda estar mais confortável com o veterano Michael Crabtree (que liderou o time em passes lançados na sua direção), e parte disso veio de Carr perdendo gás ao longo da temporada, mas Cooper também não se destacou tanto assim nessa reta final. Then again, para um calouro uma linha de 72-1070-6 (recepções, jardas e TDs) é bastante impressionante, o tipo de impacto consistente que abre os olhos, e isso sem contar as jogadas que Cooper fez que poucos WRs da NFL conseguiriam (tirando Hopkins, não sei se teve outro WR que fez mais recepções contestadas do que Cooper no ano) e sua habilidade tão importante para o jogo de Oakland de arrancar jardas depois da recepção (383 YAC na temporada, 13th melhor marca da NFL).

Ainda assim, a inconsistência e os baixos de Cooper (que liderou a liga em drops, mas não aparece nem no Top15 de jardas perdidas com eles) e Gurley (4 jogos perdidos) foram suficientes para abrir a disputa para outros competidores - como Rawls, Karlos Williams, TJ Yeldon, Steffon Diggs e o resto do meu ballot - além dessa dupla. No final, nenhum deles dominou o suficiente para superar o impacto explosivo de Gurley e a solidez da temporada de Cooper, mas criou uma conversa que parecia não existir dois meses atrás.

Eu estou perfeitamente tranquilo se você preferir dar o prêmio para o teto enorme de Gurley ao invés do impacto mais completo, consistente de Cooper ao longo do ano. Mas o WR de Oakland tem meu voto pela totalidade da sua temporada.

Ballot: 1. Amari Cooper; 2. Todd Gurley; 3. Tyler Lockett; 4. Jameis Winston; 5. David Johnson.


Defensive Player of the Year: JJ Watt

Talvez porque JJ Watt jogou três jogos com uma proteção na mão quebrada (nos quais não teve o impacto sobrenatural costumeiro), ou talvez por esse ter sido um ano excepcional em termos de temporadas defensivas fora de série, mas pela primeira vez em três anos (sim, três. É um absurdo Watt não ter ganho em 2013) Watt tem competição séria e forte pelo prêmio de defensor do ano. Na verdade, essa é a melhor disputa pelo DPOY que eu lembro da história recente da NFL. Quando Josh Norman, Tyrann Mathieu e Luke Keuchly tendo temporadas fantásticas como é o caso não entram nem no Top3, você sabe que tem algo especial nas mãos.

Eu acabei deixando Kahlil Mack (que terminou o ano com incríveis 18 sacks, 8 hits, 58 hurries e ótima defesa terrestre, atestando novamente para o quão absurdo foi esse ano) em terceiro lugar, e minha decisão final acabou ficando entre dois jogadores: Aaron Donald e JJ Watt.

Ambos possuem um bom caso a ser feito a seu favor. Então vamos fazê-los.

O caso para JJ Watt: Colocando de forma simples, JJ Watt é o jogador mais destrutivo da NFL na atualidade. Não sei se muita gente chega perto, na verdade. Mesmo jogando três jogos com uma freaking mão quebrada (lembro que a ESPN soltou uma matéria chamada "Impacto de Watt diminui jogando com mão quebrada" e meu amigo Pedro, um torcedor fanático do Pats que tem passado 90% do tempo bêbado durante intercâmbio na Bélgica , me mandou o link da matéria simplesmente com a frase "NO FUCKING SHIT!!!"), Watt ainda terminou o ano liderando a NFL inteira em sacks (18), hits (34), derrubadas de QBs (51, 14 a mais que o segundo colocado) e pressões totais (89, 7 a mais que o segundo colocado), e isso enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador da NFL em uma base diária. E talvez por chamar tanta atenção como pass rusher, mas as pessoas ignoram que Watt também é um dos melhores defensores terrestres da liga, totalizando mais tackles atrás da linha de scrimmage do que qualquer outro jogador da NFL e ainda derrubando 8 passes na linha de scrimmage durante a temporada (você não vai acreditar, mas Watt também liderou a liga nesse quesito). Mesmo sendo talvez sua mais fraca temporada individual em 4 anos - resultado de uma flutuação normal, a chegada de novos playmakers no time, esquemas táticos cada vez mais desenhados para minimizar seu impacto, mais marcações duplas e triplas e, de novo, três jogos com a droga de uma mão quebrada  - Watt ainda teve mais impacto do que qualquer outro jogador defensivo da liga.

O caso para Aaron Donald: Donald foi a mais dominante força de interior da NFL esse ano, alguém que rotineiramente enfrentou dobras e ocupou bloqueadores para seus companheiros e AINDA conseguia ter um enorme impacto direto em cada rodada, liderando todos os defensores de interior com 51 "stops" (paradas?) no jogo terrestre. Como todos os bons DTs da liga, Donald é o tipo de jogador que afeta o jogo mesmo quando não está envolvido diretamente na jogada, causando o colapso do pocket, fechando espaços e liberando seus companheiros. Vendo os vídeos, é incrível como Donald faz todos os companheiros melhores, e em muitas das jogadas de sack do resto da linha defensiva você percebe que foi porque o camisa 99 estava abrindo um espaço ou puxando bloqueadores extras para os colegas. E apesar disso, Donald AINDA terminou o ano com 11 sacks, 26 hits e 43 hurries na temporada, números incríveis para um DT. Essas 80 pressões totais foram a quarta melhor marca de TODA a NFL, atrás apenas de Mack (82), Von Miller (82) e  Watt (89). A diferença é que todos esses são jogadores que jogam na ponta da linha (até Watt), enquanto que Donald faz isso como um jogador de interior, o que é ainda mais difícil. E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões. Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada.

Então por que ir com Watt sobre Donald? Por um motivo simples que é impossível de capturar diretamente em estatísticas: Watt é o único jogador defensivo que eu já vi que faz times mudarem TODO seu playbook ofensivo. Todos os times fazem ajustes no seu plano de jogo para minimizar o impacto dos principais adversários, claro, mas não lembro de ter visto algum defensor que faz ataques mudarem totalmente seu plano de jogo só para neutralizar um cara. Apesar disso, Watt ainda teve todo o impacto que teve e isso antes de considerar todo o efeito dominó que você gera quando um cara sozinho muda toda a forma de jogar do adversário.

Eu compararia Watt nesse sentido com Stephen Curry: Curry é um jogador fenomenal que causa enorme impacto direto no jogo - 30 pontos, 6 assistências, enorme eficiência, ótimos passes, etc - mas seu impacto real em quadra é muito maior do que isso porque os adversários são obrigados a mudar COMPLETAMENTE sua forma de jogar para defendê-lo, abrindo assim espaços que o resto do time e facilitando o jogo para todo mundo. Watt é igual: ele é tão único e tão dominante que força os adversários a irem a extremos muito maiores para tentar neutralizar seu impacto, ao ponto de que isso acaba criando todo tipo de espaços ou aberturas que eleva o nível do resto do time. Então Watt teve o maior impacto direto em campo e ainda foi quem mais forçou mudanças e ajustes dos adversários para ajudar o resto da equipe. Esqueça ser o DPOY, um prêmio que ele poderia estar vencendo pela quarta vez consecutiva em cinco anos de NFL - é hora de citar Watt como um dos maiores defensores da história do esporte.

Ballot: 1. JJ Watt; 2. Aaron Donald; 3. Kahlil Mack; 4. Josh Norman; 5. Luke Keuchly.


Offensive Player of the Year: Antonio Brown

Eu só tenho uma regra quanto a esse prêmio: o vencedor não pode ser alguém da mesma posição do que o MVP. Então como nosso MVP é um QB - droga, dei spoiler do final da coluna - vamos deixar quarterbacks de fora desse prêmio. E se as disputas por Offensive e Defensive Rookie of the Year não foram as melhores, as disputas por Defensive e Offensive Player of the Year (e MVP também) estão mais do que compensando.

Com QBs fora da jogada, nos viramos para dois WRs que tiveram temporadas históricas - Antonio Brown e Julio Jones - e uma zebra que corre por fora, DeAndre Hopkins. E isso sem falar em jogadores como Allen Robinson, Adrian Peterson (líder em jardas terrestres), Doug Martin (que a meu ver foi  melhor que AP esse ano) e Rob Gronkowski (que um dia vencerá esse prêmio se jogar uma temporada completa, nenhum jogador ofensivo não-QB tem tanto impacto quanto ele em campo) que poderiam muito bem merecer esse prêmio em uma temporada mais "normal". Acontece que o que Jones e Brown fizeram esse ano está em outro nível.

Eu já falei de DeAndre Hopkins, e como sua temporada foi ainda mais espetacular do que parece a primeira vista: ele foi terceiro em recepções e jardas na temporada apesar de jogar com QBs muito inferiores do que Brown e Jones; de Brian Hoyer ter se machucado (e O'Brien ter surtado com as trocas na posição) e forçado o pobre Hopkins a receber passes de TJ Yates, BJ Daniels, Brandon Weeden e Ryan Mallett; e de jogar em um ataque menos focado no jogo aéreo (56,7% das jogadas do time foram passes) do que Falcons  (59,7%) e Steelers (60,3%). Como eu disse, existe um argumento a ser feito que considerando todos esses fatores - em especial a questão da diferença brutal de qualidade nos QBs envolvidos - a temporada de Hopkins foi ainda mais impressionante do que as de Brown e Jones.

Aprofundando esse ponto: QBs de Houston completaram 57.8% de seus passes no ano para 6.6 jardas por passe e QBR de 58.3. QBs de Pittsburgh completaram 66.3% de seus passes, com 8.2 Y/A e 67.5 de QBR, e os de Atlanta tiveram 66%, 7.4 Y/A e 61.5 QBR. Então foi uma diferença muito significante. É impossível dizer com certeza como os números de Hopkins ficariam com os QBs que seus concorrentes tiveram, mas pegando as jardas por passe (7.9) e o aproveitamento (57.8%) em passes para Hopkins e aplicando a diferença dos quarterbacks de cada time, podemos estimar os seguintes números (só fixando, essa relação é obviamente não linear e isso que estamos fazendo um exercício totalmente hipotético):

Hopkins com os QBs do Falcons: 127 catches para 1705 jardas

Hopkins com os QBs do Steelers: 127 catches para 1889 jardas (líder da NFL)

Então segundo nosso exercício, se Hopkins tivesse jogado com os QBs do Steelers teria liderado a liga em jardas aéreas e chegado a 9 recepções de empatar JJ/Brown, e isso antes de considerar o aumento no percentual de passes lançados e o aumento nos touchdowns recebidos. Nada mau. Nada mau mesmo.

Claro, isso ainda é uma situação totalmente hipotética feita para ilustrar a diferença entre os QBs abaixo da média do Texans e os QBs de elite (mesmo contando os jogos perdidos por Big Ben) do Steelers. No final, por mais que eu quisesse, eu não consegui colocar Hopkins acima de Jones e Brown. Então DeAndre fica com uma menção muito honrosa e o terceiro lugar, mas eu queria antes esclarecer essa questão para mostrar o quão fantástica foi a temporada de Hopkins e como ela estava sendo menos apreciada do que deveria por comparação.

Então isso nos leva à discussão final: Julio Jones ou Antonio Brown?

É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante.

Com os números tão absurdamente próximos, ficou realmente difícil escolher um. Jones teve mais jardas, enquanto que Brown teve mais TDs (10 a 8), aproveitamento (71.5% a 70.6%) mas também jogou com um QB bastante superior ao longo do ano... mas com três jogos de Vick/Landry Jones. No final, eu estava basicamente procurando nitpicks para me ajudar a decidir, coisas como "Julio Jones teve menos faltas" e "QBs foram interceptados 8 vezes lançando para Brown".

Enfim, eu decidi deixar de lado a parte objetiva e deixar minha intuição responder a essa pergunta, aquela resposta que você pode não definir mas que seu cérebro subconscientemente achou através de 15 anos de conhecimentos acumulados de NFL. Apesar de alguns acharem por eu gostar de usar números e critérios objetivos na avaliação de jogadores eu não assisto aos jogos, a verdade é que eu assisto MUITA NFL - não só os jogos, como os vídeos depois e as fitas All-22 - e sempre tento juntar o lado numérico E a avaliação visual dos jogadores. Mas o problema é, objetivamente (tanto pelos números como pela avaliação de assistir aos jogos), eu simplesmente acho que não teve uma diferença significativa entre os dois jogadores nessa temporada para decidir entre eles.

Ao invés disso, então, recorri ao meu feeling. Como eu disse, eu assisti a muitos jogos de futebol americano no ano, e muito tanto de JJ como de Brown. E quando eu assistia, qual deles me parecia mais consistente? Qual deles mais me fez ficar surpreso com uma jogada impossível? Qual deles mais vezes me chamou a atenção com uma rota fantástica para abrir espaço? Qual deles me fez pensar mais vezes "Essa defesa está perfeita mas ainda não tem a menor chance de pará-lo"? Em resumo, enquanto eu assistia os dois jogando, qual deles simplesmente me passou o sentimento de ser mais impossível de parar, mais dominante?

Foi Antonio Brown. Por um fio, a largura de uma folha de papel... mas foi.

Ballot: 1. Antonio Brown; 2. Julio Jones; 3. DeAndre Hopkins; 4. Rob Gronkowski; 5. Doug Martin.


Most Valuable Player: Carson Palmer

Antes de chegar no debate Carson Palmer vs Cam Newton, queria fazer uma menção honrosa a dois jogadores que mereceriam demais o MVP em um outro ano e que ajudaram a fazer dessa uma das melhores corridas pelo MVP dos últimos tempos: Tom Brady e Russell Wilson.

Tom Brady parecia uma certeza para esse prêmio até mais ou menos a metade da temporada, quando New England estava invicto e Cam Newton ainda não tinha escalado o nível de seu jogo (e o Panthers ainda não parecia caminhar para um 16-0). Dai Rob Gronkowski machucou, Julian Edelman machucou, Dion Lewis machucou, LeGarrett Blount machucou, metade da linha ofensiva e seus reservas machucaram, o Patriots perdeu alguns jogos e todo mundo percebeu que Cam Newton estava tendo uma temporada história em meio a um time que podia terminar invicto. Por essas e outras Tom Brady não vai - e não deveria -ganhar novamente o MVP, mas isso não significa que o QB do Patriots não tenha tido uma temporada fantástica: 36 TDs e 1.1% de interceptações foram as melhores marcas da temporada, e Brady completou 64.4% de seus passes a 7.6 jardas por passe rumo a 4770 jardas totais, terceira melhor marca do ano. E fez tudo isso apesar de todas as múltiplas lesões, um medíocre jogo terrestre e todos os problemas extra-campo dos últimos meses (suspensão, Deflategate, os problemas no casamento/Nannygate, etc). Brady acabou "vitimado" por lesões, uma história mais atraente (importante na hora de decidir o MVP, mesmo que eu não goste disso) e uma competição particularmente fora de série em 2015 para acabar caindo fora da disputa pelo prêmio, mas sua temporada ainda assim foi espetacular.

(Interessante observar que Brady, apesar das lesões e dos drops, por outro lado teve "sorte" com seus WRs em 2015 em um quesito em particular: eles conseguiram cerca de 200 jardas após a recepção ACIMA da média para o tipo de recepções que eles faziam - ou YAC projetado. Você ve as recepções do time, onde foram feitas, com que velocidade, quanto tempo do snap, etc e calcula qual a média "normal" de YAC nesse tipo de recepção, e a partir disso consegue ver se um QB está sendo mais ou menos ajudado por seus WRs no quesito. E caso você queira usar a carta do "Brady é particularmente preciso e por isso leva a mais YAC de seus recebedores", vale citar para os dois anos que essa estatística existe antes de 2015 Brady teve 14 YAC acima da média "padrão"... somados. Acho isso interessante.)

Russell Wilson é outro com um 2015 espetacular que merece ser lembrado. Em particular, sua segunda metade da temporada: em 8 jogos, foram 25 touchdowns contra 2 interceptações (!!!), 67% de aproveitamento a 8.6 jardas por passe, além de liderar a liga em QBR por uma boa margem. Mesmo considerando a competição consideravelmente fraca dessa segunda metade (tirando uma semana 17 que não valia nada, Russell só enfrentou três defesas não horríveis nesse período: seus dois piores jogos - Arizona e Saint Louis - em duas derrotas, e a terceira foi uma defesa de Minnesota sem seus TRÊS melhores jogadores) ainda é uma das melhores sequências estatísticas por um QB na HISTÓRIA do esporte. Russell terminou o ano com os seguintes números: 68.1% (#3 na NFL), 8.3 Y/A, 34 TDs para 8 INTs e um QBR de 74.9 que foi o quarto melhor da temporada, e isso sem contar sua contribuição como corredor e o fato de ter jogado atrás de uma linha ofensiva horrível boa parte do ano. E se estamos discutindo a parte de "Mais Valioso" do prêmio, vale citar que Seattle enfim decolou quando Lynch (e depois Rawls) se machucou e o time colocou as chaves do ataque nas mãos de Wilson.

Insano pensar que Brady e Russell não ficaram no meu Top2 para MVP essa temporada. Mas esses lugares pertencem a Cam Newton e Carson Palmer.

Agora, eu sei que Newton muito provavelmente vai levar o MVP dessa temporada. Ele é a história "sexy" do ano, o talentosíssimo e chamativo (e, sejamos honestos, alguém que sofreu muitas críticas injustas por uma parte... ahn... retrógrada da mídia e dos fãs) jovem que deu um salto de produção, chamou a responsabilidade, jogou muita bola e liderou um ataque com um bando de anônimos para a melhor campanha da temporada. Além disso, a melhor forma de Newton na temporada aconteceu mais próximo da reta final, o que é injustamente relevante: o prêmio de MVP é para a temporada toda, mas querendo ou não nossas memórias mais frescas acabam pesando mais na hora de tomar decisões e fazer julgamentos.

E quero deixar claro que, se Newton ganhar, terá sido absolutamente merecido. Em nenhum momento eu não votar em Newton significa que ele não deveria ganhar, que não tenha tido um grande ano ou que não seja um grande jogador. Simplesmente significa que tem alguém que eu acho que merece marginalmente mais do que ele, e nesse ano tão ridiculamente forte na disputa pelo prêmio de MVP, a distância entre Palmer e Newton (e, honestamente, o resto do meu Top4) para mim é tão pequena que você pode mexer como quiser entre esses 4 que eu não vou reclamar. Essa é a beleza de uma temporada como essa (que eu francamente achei bem fraca em termos gerais): você tem múltiplos jogadores que podem ganhar o prêmio de MVP merecidamente.

Então vamos lá, Palmer e Newton. Deixando de lado performances individuais por um instante (chegaremos lá), o principal motivo que tem Newton como o MVP quase inquestionável no momento é que ele joga no suposto melhor time da liga por uma boa margem, um time que acabou com a melhor campanha (15-1) e que chegou muito perto de terminar invicto.

Esse argumento está errado por dois motivos: primeiro, porque é idiota você dar crédito a um jogador de algo que ele não fez ou influenciou, e portanto ao usar o argumento do "melhor time" você estaria dando crédito (ou, se eles fossem ruins, demérito) a Newton (ou qualquer outro) - um cara que joga apenas os snaps ofensivos da equipe - pelo que seus colegas fizeram em jogadas defensivas e de special teams das quais Newton não participou. E segundo porque o Panthers muito possivelmente sequer foi o melhor time da NFL, ou pelo menos não o foi de forma significativa e conclusiva para esse argumento funcionar.

Sim, Carolina terminou com a melhor campanha da NFL, mas vitórias são uma forma muito primitiva de medir o nível de jogo de um time. Aplicando métodos mais confiáveis, você começa a enxergar as coisas de maneira diferente. Carolina terminou o ano com Pythagorean Expectation - uma estimativa do número "real" de vitórias de um time a partir do seu nível de jogo - de 12-4, o mesmo número do Arizona Cardinals. Além disso, Carolina foi bastante beneficiado pela tabela: nenhum time enfrentou uma tabela mais fácil na temporada 2015 da NFL. Por isso que DVOA - uma medida do Football Outsiders que ajusta a atuação de uma equipe pelos adversários enfrentados - tem Carolina como o quarto melhor time da NFL em 2015, enquanto que Arizona - que enfrentou uma tabela mediana - tem o terceiro melhor DVOA da liga. São números menos "palpáveis", mas são exemplos de evidências existentes que apontam que Carolina não é o melhor time da NFL, ou que pelo menos não o é por uma diferença significativa.

Além disso, tem aquela velha questão de que um time não é composto só pelo quarterback, e sim por outros 52 jogadores além dele. E mesmo que o QB tenha mais participação do que qualquer outro jogador em campo, é difícil dar crédito a ele pela performance da defesa, por exemplo. E no caso do Panthers, embora o ataque seja ótimo, sua verdadeira força é a defesa que terminou #2 na NFL em DVOA, uma força da natureza que inclusive colocou dois jogadores no meu Top5 para Defensive Player of the Year (Norman e Keuchly). Então já que a defesa teve mais a ver com o Panthers sendo uma potência que o ataque (que também foi ótimo, #8 da NFL), eu quero saber o seguinte: qual o mérito de Cam Newton no Panthers ter Norman, Keuchly, Thomas Davis, Kawann Short e companhia para criar uma defesa Top3 da NFL? Nenhum. E exatamente por isso é idiota dar crédito a ele e contabilizar isso na hora de decidir por um MVP. Por mais que eu entenda que "Jogador Mais Valioso" seja diferente de "Melhor Jogador" e por isso é impossível separar totalmente performance coletiva da individual na mente dos votantes, me parece preguiçoso você incluir a performance total da equipe sem nenhuma distinção do que foi ou não influenciado por aquele jogador.

Analisando apenas a parte do jogo influenciada por Newton e Palmer - o ataque - a balança começa a pesar para o lado do Cardinals. Carolina teve uma ótima temporada ofensiva, terminando #8 em DVOA, só que o Cardinals terminou #4 no mesmo quesito. O Expected Points do Pro-Football Reference coloca Arizona como o melhor ataque da NFL, enquanto o do Panthers aparece em sexto. Em outras palavras, coletivamente a área comandada por Palmer foi MELHOR do que a comanda por Newton. Tem MUITOS motivos para eleger Newton como seu MVP, mas seu argumento passar por ele jogar pelo melhor time da Liga e que quase acabou 16-0 você está simplesmente errado.

Eliminados esses fatores externos e desmontado o mito de que Newton merece ganhar pela campanha do Panthers na temporada (de novo, tem muitos motivos pelos quais Cam merece ganhar o MVP, mas esse não é um deles), hora de avaliar a performance individual de Cam e Palmer para ver quem foi o melhor dos dois.

Como passador, Newton fez enormes avanços nesse ano, foi destrutivo durante períodos da temporada e mostrou uma evolução enorme mesmo ao longo do ano, mas ainda não esteve no nível de Carson Palmer: Cam terminou o ano completando 59.7% dos seus passes a 7.7 jardas por passe, com 35 TDs (7.7% dos seus passes, melhor marca da liga) e 10 TDs, e esses números não mostram a evolução de Newton ajustando jogadas, lendo defesas e otimizado chamadas, tirando o máximo de um underrated mas limitado corpo de recebedores e tudo mais. Mas Palmer teve a melhor temporada de um passador na NFL em 2015: 63.7%, 8.7 jardas por passe (melhor marca da NFL por uma boa margem), 35 TDs, 11 ints e algumas das mais bonitas bolas longas da NFL em 2015. E mesmo isso não conta toda a história, seus ajustes fantásticos e capacidade incrível de antecipar pressão e tomar as decisões corretas em alta velocidade antes que chegasse a pressão. Jogando atrás de uma das piores linhas ofensivas da NFL, Palmer era forçado a sempre antecipar a pressão, controlar uma opção curta, manter um olho na linha e outro na secundária, e tomar decisões em alta velocidade para evitar a pressão... e ele AINDA liderou a NFL em jardas por passe, jardas por passe completo E tomou apenas 25 sacks. Isso é surreal, e mostra o nível de dificuldade do que Palmer teve que fazer na temporada. Por isso que as métricas avançadas que incorporam esse tipo de situação amam Palmer ainda mais do que seus já ótimos números superficiais, liderando a NFL com folga em QBR (82.2, 5.3 pontos na frente do #2) e PFF Rating (57.3, 7 pontos na frente). É o tipo de coisa que não aparece facilmente nos números superficiais ou se você só assistiu ao jogador algumas vezes no ano, mas que foi crucial para elevar o ataque do Cardinals.

Vale mencionar também que o ataque aéreo liderado por Palmer é também o terceiro melhor da NFL, enquanto o liderado por Cam é o nono. O maior argumento pró-Newton nesse sentido é que ele teve que lidar com um grupo fraco de recebedores enquanto que Palmer teve talvez o melhor da NFL, o que é verdade até certo ponto (o grupo de WRs do Panthers jogou bem melhor do que você teria esperado no papel, e Greg Olsen é um dos melhores TEs da liga). Mas também tem que computar que Newton jogou atrás da terceira melhor linha ofensiva da liga, enquanto Palmer jogou atrás da quarta pior. No final das contas, as estatísticas básicas, as avançadas e o teste visual todas dizem a mesma coisa: Newton teve um ótimo ano como passador, um dos melhores da liga, mas Palmer foi absolutamente fora de série e em outro nível em relação aos seus companheiros de profissão.

Claro, o problema é que é impossível capturar o impacto de Newton olhando só sua atuação como passador, porque nenhum outro QB tem tanto impacto no jogo com as pernas. E mesmo assim, olhar "apenas" para suas 636 jardas e 10 touchdowns (coisa pra cacete) não dão idéia da dimensão total do seu impacto nessa frente. Newton vai correr, anotar TDs e acumular jardas com as pernas sim, mas é mais que isso: com o físico de um linebacker, Newton é a mais devastadora força de curta distância que a NFL tem na atualidade.

Em 2015, Cam Newton converteu com as pernas 30 de 36 oportunidades de conversões de 3 jardas ou menos (83%) e 26 de 30 (82%) em conversões de duas jardas a menos, inclusive ridículas 21 de 24 conversões de terceiras ou quartas descidas descidas para 5 jardas ou menos e ainda mais patéticas 17 de 18 tentativas de terceira ou quarta descidas para 2 jardas ou menos. Newton é simplesmente rápido, grande, forte e agressivo demais para ser parado nessas situações, e isso é o que levou o Panthers a terminar alguns dos mais absurdos números nessas situações: 80 de 93 oportunidades de conversões de 3 ou menos jardas (86%) e 68 de 71 conversões (96%) de duas jardas ou menos, inclusive 28 de 33 em terceiras/quartas descidas. E pior, o ataque do Panthers é CONSTRUÍDO em torno dessas conversões curtas, mantendo o time em campo e estendendo campanhas o suficiente para Newton conseguir a abertura que gosta e fazer suas jogadas explosivas. É como um jogador de poker que vai conduzindo o jogo, fazendo pequenas apostas aqui e ali, se mostrando e mantendo mantendo vivo tempo o suficiente para conseguir a mão que quer... e dai ele faz sua jogada e acaba com a mesa. Muito do sucesso do Panthers vem das conversões curtas, e elas dependem diretamente do quão bom Newton é nessas situações de conversões de curta distância.

E isso antes de considerar como essa característica de Newton faz dele uma ameaça correndo quando não existe uma boa opção de passe, ou sua capacidade de usar as pernas para fugir da pressão e estender as jogadas. Eu sei que já usei a analogia, mas que seja: assim como a presença de Ray Allen em quadra correndo por screens fazia todo mundo defender o seu time diferente, as pernas de Newton fazem o adversário sempre ter que contar com uma ameaça a mais na hora de defender, mantém os defensores mais preocupados com ele e não com os companheiros, faz os adversários jogarem com um jogador de "spy", e por ai vai. Além de correr com a bola, a simples ameaça disso abre espaços e faz a vida dos seus colegas mais fáceis - em particular Jonathan Stewart. Então Newton não só comanda o nono espaço melhor ataque aéreo da NFL, mas também é parte integral do sexto melhor ataque terrestre da liga.

Então Carson Palmer foi um passador consideravelmente superior que Cam Newton, mas Newton adiciona um valor pelo chão que Palmer não tem esperança de igualar. Esse valor adicionado com as pernas e com a ameaça de suas corridas é suficiente para compensar a diferença pelo ar? Hmm... eu não sei. Não da pra saber com certeza, não existe fórmula mágica, e no fundo é como dizer se 10 maçãs e 5 bananas são melhores que 10 maçãs. Depende muito dos critérios que você usar e da sua opinião pessoal.

Para nos ajudar, podemos recorrer a algumas métricas avançadas que incorporam ambos os impactos feitos por um QB, pelo ar e pelo chão. Nenhuma métrica no futebol americano vai algum dia servir como uma medida perfeita, capaz de compactar tudo que um jogador faz em um único número inquestionável, mas ainda oferecem informações valiosas que podem servir de guia para nos ajudar a compreender algo tão complexo. Então tem quatro métricas no mundo do futebol americano que servem para englobar tanto corridas como passes (bem como outros fatores) e que possuem uma boa base teórica e estatística por trás: QBR, DVOA, EPA e PFF Rating.

Entre eles, eu pessoalmente preferi usar EPA porque ele é o que mais claramente separa os dois impactos, então podemos comparar as diferenças com mais clareza. QBR (EPA na verdade é um componente do QBR) e DVOA também computam ambos separadamente, claro, mas em escalas diferentes e nos mostram só o resultado final (que computa ambos), e PFF Rating é uma variável mais subjetiva. Então vamos focar em EPA por enquanto (mas não se preocupem, falaremos de todos).

EPA significa Expected Points Added - em resumo, quantos pontos no total um jogador adicionou ao seu time ao longo da temporada em um determinado quesito. Então se Alex Smith tem 52.8 de EPA em passes, isso significa que ele sozinho (desconsiderando o que foi resultado de outros jogadores, WRs, linha ofensiva, etc) gerou 52.8 pontos para seu ataque no total (já descontados, por exemplo, os pontos que ele "tirou" da defesa com interceptações). É bom por colocar já todo o impacto em uma unidade comum e fácil de entender, corridas geradas, para comparar diferentes fatores.

Então como EPA coloca as proezas de Palmer e Newton em perspectiva essa temporada? Da seguinte maneira: Palmer gerou 101.3 corridas como passador, enquanto que Newton gerou 70.4. Eu esperava que a diferença fosse um pouco menor (embora por ser uma estatística contábil os 40 passes a mais que Palmer lançou ajudem a aumentar a diferença), mas não foge muito do que eu esperava, o jogador do Cardinals com uma significativa margem (ajustando pela quantidade de passes, Palmer lidera a NFL com folga no quesito com uma exceção - Big Ben, que perdeu 4 jogos).

No entanto, considerando EPA correndo com a bola, Newton tem a vantagem, como esperado: 17.5 corridas geradas, contra 2.1 de Carson Palmer. Os números são menores do que os de passe por um motivo óbvio: passes geram muito mais jardas e pontos (tanto no sentido literal quanto no analítico) do que passar a bola, algo que é ainda mais verdade na NFL de hoje onde os ataques aéreos tem ampla supremacia. Só ver que Newton gerou 3837 jardas com o braço, e só 636 com as pernas, uma diferença enorme. Por isso que, logicamente, corridas geram menos pontos em termos de EPA do que passes (e sim, EPA ajusta por situação de jogo, então esses 17.5 já estão computando suas conversões de quartas descidas).

Somando tudo, chegamos ao total nesses dois fundamentos: 103.4 para Carson Palmer contra 87.9, ainda uma boa diferença. No total (que também considera sacks e faltas), Palmer acaba com vantagem ainda maior, 100.2 (melhor marca da NFL por uma boa margem) contra 73.2 de Cam. No final, o que faz a diferença foi justamente o fato de que a área onde Palmer é consideravelmente melhor (jogo aéreo) tem um impacto extremamente maior no jogo do que a área onde Newton tem grande supremacia. Mesmo considerando que esse EPA não considera o impacto passivo de Newton (abrindo espaços simplesmente pela sua presença), a diferença ainda é significativa o suficiente para dar a vantagem para Carson Palmer.

As outras métricas seguem a mesma linha, principalmente pela diferença em impacto entre jogo aéreo e terrestre. DVOA (e sua variável cumulativa, DYAR) dizem que apesar de Newton ter sido o melhor QB gerando valor com as pernas, esse valor ainda é suficiente para tirar apenas 20% da diferença entre Palmer e Cam pelo ar (DVOA ajusta por calendário, o que tem maior impacto já que o Panthers teve a tabela mais fácil da liga). PFF Rating da uma vantagem pelo ar ao camisa 3 de 55.6 a 25.9 (que não se enganem é uma excelente nota), com Newton levando vantagem pelo chão de 14.5 a -0.2 - no final, Palmer tem a vantagem por 57.1 (melhor marca da NFL por muito) a 41.1 (terceira melhor da liga). E o QB do Cardinals também tem a vantagem sobre Cam (e o resto da NFL) em QBR, terminando o ano com um brilhante 82.2, contra 66.1 do rival. E se você quiser olhar pelo pelo lado macro, DVOA diz que o ataque aéreo do Cardinals sozinho já produziu mais valor (ajustado pelo calendário) do que o ataque aéreo e terrestre do Panthers JUNTO.

De novo, não tem nenhum problema se você quiser dar seu voto para Cam Newton: ele foi dominante e brilhante o ano todo, comandou um dos melhores times da liga e teve um enorme impacto direto E indireto no seu time. Se for o MVP, como é provável, terá sido merecido. Mas na minha avaliação, Carson Palmer foi um jogador melhor, e ganha meu voto para MVP.


Ballot: 1. Carson Palmer; 2. Cam Newton; 3. Russell Wilson; 4. Tom Brady; 5. Drew Brees

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Distribuindo prêmios para a NFL - 2014

Run, JJ, Run!!!


A temporada da NFL chegou ao fim, e nós chegamos aos playoffs. Eu sei, eu sei, a cobertura do TMW tem estado... deficiente, pra dizer o mínimo. Bom, foi por uma boa causa, embora uma que talvez só seja sentida daqui a uns meses. Vocês saberão do que se trata quando chegar a hora.

Como eu não queria pegar o bonde andando e cair de paraquedas no meio de análises complexas - até porque não tenho acompanhado em tantos detalhes como gostaria essas duas últimas semanas, por motivos profissionais e pessoais - não vou falar aqui de playoffs ainda. Naturalmente, vocês podem todos acompanhar meus comentários pelo twitter (www.twitter.com/tmwarning) ou pelo facebook (TM Warning), onde eu falo disso o tempo todo. Vocês também podem acompanhar meus palpites (e o de vários outros) pelo blog The Playoffs

Mas antes eu queria falar sobre um último tema da temporada regular: prêmios. Todo ano, é quase tradição aqui fazer minhas escolhas para os principais prêmios (e outros não tão principais assim) da temporada e justificá-las, e esse ano não vai ser diferente. Lembrando que, no fundo, isso é uma questão de opinião - eu tenho a minha e farei questão de justificá-las, porque todas são profundamente pensadas e pesadas, mas você pode ter uma diferente. 

Então sem enrolações, vamos ver quem teria meu voto para os principais prêmios da temporada (e mais uns outros): Comeback Player of the Year, Coach of the Year, Offensive e Defensive Rookie of the Year, Offensive e Defensive Player of the Year, e MVP. E mais alguns outros que eu criei, mais pro final.


Comeback Player of the Year: Rolando McClain

Sejamos sinceros, esse é um prêmio um tanto quanto estúpido. Não que não seja legal celebrar jogadores que, de alguma forma, deram a volta por cima em suas carreiras. O estúpido é tentar pesar esses jogadores e essas situações uma contra a outra para decidir quem foi o "Cara que deu a volta por cima do ano". Isso é ainda mais ridículo quando se considera que estamos falando da NFL, uma liga cujo jogo envolve mastodontes de 150kg correndo e pulando uns em cima dos outros. Lesões são o lugar-comum da NFL, então todo ano você tem uns 40 jogadores diferentes importantes voltando de uma lesão séria. É uma amostra enorme de jogadores.

Além disso, outro problema é como você deve votar nesse prêmio, como escolher o vencedor dentro dessa amostra enorme. Seu voto deve ir para quem? Para quem superou a maior adversidade? Para quem jogou melhor em 2014 entre todos os que superaram algum tipo de adversidade? Para o que fez maior diferença em um time melhor? Ou só para o que tem a história mais interessante? Alguma combinação deles? Todos os prêmios individuais sofrem de alguma ambiguidade, mas esse talvez seja a pior de todas.

Então vira muito algo individual. Cada um que crie seu próprio critério e escolha um jogador de acordo com isso (razão número 294 de porquê esse prêmio devia ser abolido). E esse ano - como todos os anos, já que lesões são o lugar-comum da NFL - temos uma boa variedade de jogadores que merecia esse prêmio se escolhidos: Jeremy Maclin, Maurkice Pouncey, Justin Forsett (meu segundo colocado), James Harrison, Jay Ratliff - para citar alguns. 

Mas meu vencedor é Rolando McClain, por uma enorme combinação de fatores: ele foi um dos melhores jogadores em sua posição na temporada; ele teve um papel importantíssimo em um bom time; ele chamou bastante atenção ao longo do ano com suas jogadas... e em grande parte porque ele quem superou a maior e mais bizarra adversidade entre todos esses citados.

A verdade é que, doze meses atrás, Rolando McClain estava fora da NFL. Draftado em 2010 pelo Raiders com uma escolha de primeira rodada, McClain era um talentosos mas problemático que nunca correspondeu ao hype dentro de campo e gerou problemas suficientes fora dele para que Oakland o dispensasse durante a temporada 2012. Ele assinou um contrato não-garantido com Baltimore antes de decidir que não estava mais em condições de continuar jogando futebol americano profissional, e decidiu se aposentar dos campos. Voltou para Alabama para terminar sua graduação, e ficou longe do esporte profissional por um ano, sem lugar na liga nem interesse em voltar. Eventualmente manifestou seu interesse em participar dos treinos de offseason do Ravens mas foi dispensado, e acabou assinando um contrato não-garantido com o Cowboys para voltar a NFL.

Ele foi um grande sucesso desde então. Longe de problemas (a não ser lesões), McClain brilhou para uma defesa que desesperadamente precisava de ajuda (e estaria sem Sean Lee a temporada toda), com duas impressionantes interceptações no começo do ano e sendo uma força contra o jogo terrestre. McClain conseguiu "Stops" - quando ele é responsável por interromper o avanço do jogador - em 15% das jogadas terrestres nas quais esteve envolvido, a segunda maior marca da liga atrás de Chris Borland (com 21,3%) e confortavelmente na frente do terceiro, Luke Kuechly (com 12.9%). Mesmo perdendo três jogos, foi o melhor ou segundo melhor jogador da defesa do Cowboys essa temporada. 

Então McClain tem meu voto porque é quem melhor combina fatores favoráveis ao prêmio, alguém que estava literalmente fora do esporte e voltou para atuar em alto nível para um time que desesperadamente precisava disso.

Ballot hipotético: 1. Rolando McClain; 2. Justin Forsett; 3. Maurkice Pouncey.


Coach of the Year: Bruce Arians

Esse é, de longe, o prêmio que eu mais odeio na NFL e em qualquer outro esporte. É o supremo prêmio de resultados sobre processo. É muito difícil perceber que técnico é o melhor e faz o melhor trabalho ano a ano, especialmente se ele está fazendo esse trabalho a mais tempo. Então como é difícil discernir que técnico tem o maior impacto isolado, os votantes geralmente voltam suas atenções para o time que mudaram de técnico e sofreram grandes melhoras no processo - cegamente creditando tal evolução ao novo técnico, e não quaisquer outras mudanças do processo. 

Então normalmente eu estaria apenas reclamando do prêmio e passando por ele rapidamente. Mas esse ano, existe um técnico que realmente merece esse prêmio, e ele é Bruce Arians. O trabalho que ele fez para manter junto um time do Cardinals em decomposição esse ano - ganhando 11 jogos e uma vaga nos playoffs no processo - foi fantástico, e merece ser reconhecido.

A verdade é que o Cardinals não foi tão bom como seu record (11-5) parece indicar. Mesmo antes da lesão de Carson Palmer, eles tinham diversos indicadores mostrando que esse record enganava: seu Pythagorean Wins era de um time 8-8 (4-1 em jogos decididos por até 7 pontos, e 5-1 em jogos decididos por oito), e DVOA coloca o Cardinals como apenas o 22nd melhor time da NFL na temporada. Embora sejam fatores sutis, o fato é que Arizona não era a máquina que muitos times imaginavam mesmo quando estava ganhando vários jogos.

Mesmo admitindo que não era um time tão bom assim e que teve muita sorte, o que o grupo de Arians fez esse ano ainda foi impressionante. DEZ dos jogos do time foram iniciados por Ryan Lindley ou Drew Stanton de QB, e eu não preciso dizer sobre como isso é algo péssimo para qualquer time absolutamente incapaz de correr com a bola (3.3 jardas por corrida, pior marca da liga). A defesa também sofreu imensamente desde o ano passado. Em 2013, o Cardinals e sua sufocante defesa contou com as performances de Darnell Dockett, Karlos Dansby, John Abraham, Daryl Washington, Jeremiah Bell e Tyrann Mathieu rumo a terminar a temporada como a segunda melhor defesa do ano, mas esse ano não tinham mais nada disso - Bell aposentou, Dockett e Washington perderam a temporada com suspensões, Abraham e Dansby saíram antes da temporada, e mesmo Mathieu começou apenas 6 jogos na temporada por conta de lesões. Essa é uma quantidade impressionante de problemas para um time que sequer foi aos playoffs em 2013 e não contou com nenhum enorme reforço tirando Jared Veldheer.

Então é verdade, o Cards não era tão bom assim. Ms a verdade é que eles não deveriam nem ter sido bons NESSE ponto, considerando os QBs que jogaram 60% dos snaps para Arizona, a falta de um jogo terrestre, e as enormes perdas na defesa. Que esse time chegasse a 8-8 (como seu Pythagorean Record) já é um milagre enorme, especialmente lembrando que eles jogam na divisão mais forte da NFL e tiveram o terceiro calendário mais difícil de toda a NFL. Bruce Arians fez magia com o que tinha, e colocou a equipe em uma situação que, com meia dúzia de golpes de sorte, poderia arrancar uma vaga nos playoffs. Ele merece esse prêmio.

Ballot hipotético: 1. Bruce Arians. 2. Bill Belichick. 3. Mike Zimmer


Defensive Rookie of the Year: Aaron Donald

Esse prêmio teria sido de Chris Borland se ele tivesse jogado mais do que oito jogos na temporada, mas a presença de Patrick Willis, um começo lento e uma lesão tiraram dele os jogos que precisaria para garantir o prêmio. Ele teria sido uma escolha merecida, e até certo ponto "fácil": Borland é o tipo de jogador que simplesmente chama a atenção. Ele está sempre fazendo jogadas espetaculares, acumulando números incríveis, e jogando em altissimo nível na posição que seu time perdeu não um, mas DOIS All-Pro MLBs (que, aliás, foram os dois melhores de 2013 pelo rating da PFF). Um bom exemplo: Chris Borland liderou todos os LBs da MLB em "Stops" no jogo terrestre, conseguindo um em 21.3% (!!!!) dos seus snaps de jogadas terrestres. O atual Defensive Player of the Year, Luke Kuechly, foi terceiro entre os MLBs com... 12.9%. A  diferença entre Borland (#1) e Kuechly (#3) é quase a mesma entre Kuechly (#3) e AJ Hawk (#56). Ele teria sido uma escolha válida.

Mas ele jogou apenas 8 jogos completos, então é difícil votar nele quando outros jogadores foram tão dominantes quanto, mas jogando mais snaps e mais jogos. Então meu voto fica entre os dois monstros da primeira metade da primeira rodada, Kahlil Mack e Aaron Donald. Depois de muito pensar, fico com Donald, um monstro no interior da linha defensiva de Saint Louis e uma força destrutiva tanto contra a corrida como contra o passe. Ele terminou o ano com 9 sacks (segundo melhor entre DTs) e 29 QB hurries (sexto melhor), e só Kyle Williams, Ndamukong Suh e Gerald McCoy afetaram diretamente mais jogadas de passe (Sacks, hits, hurries e passes desviados) que Donald. Ele terminou quarto entre DTs em Stop% e sexto em produtividade no pass rush, e terminou o ano como o DT mais bem rankeado pelas notas da Pro Football Focus (cometeu apenas duas faltas o ano todo também). E ele fez tudo isso apesar de enfrentar marcações duplas quase toda jogada.

Mack foi um monstro na temporada contra a corrida, somou 40 QB Hurries e terminou o ano como o jogador mais bem rankeado da SUA posição, então não é uma disputa fácil. Mas para mim a constante presença e efeito nos ataques que Donald teve ao longo do ano faz dele um pouco melhor, e merecedor desse prêmio.

Ballot hipotético: 1. Aaron Donald; 2. Kahlil Mack. 3. Chris Borland; 4. CJ Mosley; 5. Anthony Barr


Offensive Rookie of the Year: Odell Beckham Jr

De longe o voto mais fácil de todo essa lista. 

Apesar de ter jogado em apenas 12 partidas (e sido titular em 11) por conta de uma lesão no começo do ano, OBJ terminou o ano décimo em jardas recebidas, nono em recepção e quarto em touchdowns na temporada inteira. Se pegarmos suas estatísticas na temporada (91 recepções, 1305 jardas e 12 touchdowns) e projetarmos seus números para uma temporada completa (16 jogos), ele "terminaria" a temporada com ridículas 121 recepções para 1740 jardas e 16 touchdowns (a primeira ficaria em segundo, e as outras duas liderariam a liga). Ele também recebeu 70% das bolas lançadas na sua direção, um número ridículo para um WR que recebe tantas bolas longas. Você pode muito bem fazer um argumento de que Beckham foi um dos quatro melhores WRs da temporada (junto de Dez Bryant, Jordy Nelson e Antonio Brown), e mesmo com três jogos a menos, a diferença dele para seu competidor mais próximo pelo prêmio entre WRs (Mike Evans) é significativa - 23 recepções e 250 jardas. Oh, talvez você tenha ouvido falar também, mas ele também teve uma recepção legalzinha.




Então sim, é bem fácil dar o prêmio para Odell Beckham Jr. Ele foi espetacular e extremamente dominante quando esteve em campo, e foi de longe o calouro mais memorável da temporada.

O quanto jogar com um bom QB ajudou Odell Beckham Jr em relação aos seus companheiros? Bastante. Eli Manning teve talvez sua melhor temporada como profissional, e foi um QB bem acima da média, enquanto Mike Evans e Sammy Watkins ficaram presos recebendo passes de caras como Mike Glennon, Josh McCown, EJ Manuel e Kyle Orton. Mas ainda assim, tem vários WRs - não só calouros, no geral - que jogam com QBs bem melhores que Eli Manning e mesmo assim não conseguem esses números de vídeo game que OBJ teve. Em uma espetacular classe de WRs que tem tudo para ser uma das melhores da história da NFL, Beckham ficou consideravelmente acima da sua competição como o melhor da temporada. 

A classe de WRs calouros foi, de longe, a que mais recebeu atenção (merecida) da mídia e dos torcedores, mas não quer dizer que tenha sido a única a se destacar na temporada. Outros jogadores de outras posições também merecem destaque.

Os QBs de 2014 - bastante celebrados antes o Draft - foram em certa medida uma decepção. Blake Bortles (vou evitar criticar mais o coitado do que já fiz) foi um fracasso homérico, com quase duas vezes mais turnovers (21) que touchdowns (11) e, em QBR, foi o segundo pior QB da temporada entre os 44 com pelo menos 100 passes lançados (21.3 - apenas EJ Manuel foi pior); Johnny Manziel chamou muito mais atenção pelos problemas extra-campo que pelo que fez dentro deles; e Derek Carr, apesar dos 21 TDs, completou apenas 58% dos seus passes a 5.5 jardas por passe (pior marca da NFL). Não que todo eles sejam fracassos sem salvação, claro, mas para quem esperava mais da classe no curto prazo foi uma decepção. A exceção foi nosso salvador, Teddy "Footballgame" Bridgewater, que foi o melhor QB dessa classe durante dois anos antes do Draft para, na hora do vamos ver, vários "olheiros anônimos" ficarem procurando motivos estúpidos para criticá-lo. Bridgewater caiu até a #32, o Vikings ficou com o steal do Draft, e não tem qualquer duvida que atualmente ele é muito melhor que Manziel e Bortles. A lição, como sempre: "olheiros anônimos" são muito, muito burros.

Talvez por ter pegado fogo só na segunda metade da temporada, talvez porque isso aconteceu em um time irrelevante, talvez porque todo mundo estava babando demais nos WRs para se importar, mas a verdade é que Bridgewater teve uma temporada incrível que não recebeu a devida atenção. Apesar de estar recebendo pouquíssima ajuda de seus companheiros - o Vikings teve a sexta pior OL protegendo o passe e um grupo horrível de WRs (Cordarelle Patterson, que recebeu 49% dos passes lançados na sua direção e teve 384 jardas, foi o segundo WR mais usado do time) - Bridge terminou o ano com 64.4% de passes completados e 7.1 jardas por passe, e esses números ainda não traduzem o quão bom ele foi na reta final da temporada. Nos últimos sete jogos do ano, Bridge completou 68.2% dos seus passes para 7.8 jardas por passe com 12 TDs e 7 interceptações, sendo que três delas foram desviadas por seus próprios WRs. De acordo com o rating da PFF, nessas sete semanas apenas Rodgers e Drew Brees geraram mais valor para suas equipes que Teddy. Bridgewater também terminou o ano acertando 75.3% de seus passes (!!!) quando sob pressão, a melhor marca da NFL desde pelo menos 2008 (quando essa estatística passou a existir) e algo fundamental para sobreviver atrás de uma péssima linha ofensiva. Foi uma performance espetacular do camisa 5, e deixa poucas dúvidas de quem era no final das contas o melhor QB do Draft.

Por fim, o fato de jogarem na posição mais anônima da NFL impediu que recebessem muitas honras, mas dois dos melhores calouros de 2014 passaram a temporada dominando o interior de linhas ofensivas de forma impressionante. Joel Bitonio foi o LG titular do Browns, e Zack Martin o RG titular do Cowboys, e ambos tiveram temporadas absolutamente dominantes: em 32 jogos, os dois COMBINARAM para ceder um sack e 5 QB hits TOTAIS, estiveram entre os guards mais importantes contra o jogo terrestre e ajudaram a ancorar duas das melhores linhas ofensivas do esporte. A posição em que jogam não ajuda, mas em termos de dominância dentro da posição, provavelmente foram os dois melhores calouros tirando OBJ.

Foi uma classe realmente incrível para calouros ofensivos, e depois do #1, vocês podem mudar a ordem do meu ballot a vontade e ainda chegar em algo totalmente válido.

Ballot hipotético: 1. Odell Beckham Jr; 2. Teddy Bridgewater; 3. Zack Martin; 4. Mike Evans; 5. Joel Bitonio.
Hon. mention: Jeremy Hill.



Defensive Player of the Year: Justin Houston

Meu eterno problema com o "X Player of the Year": ele é ridículo quando você também tem o MVP para entregar. No caso dos jogadores de defesa, isso não é um problema porque é raríssimo um defensor ganhar o MVP, mas no caso dos jogadores de ataque, fica complicado. Se você foi o MVP e NÃO foi o melhor jogador pelo menos da sua posição, então você muito provavelmente não deveria ter sido o MVP. Então pra que criar um prêmio redundante, que vai premiar alguém duas vezes? Por isso eu longamente defendo que quem ganha o prêmio de MVP não deveria ser permitido ganhar também o respectivo "Player of the Year". Na verdade, no caso dos jogadores de ataque, eu vou um passo além: acho que o Offensive Player of the Year é o melhor jogador que NÃO era da posição do ganhador do MVP. Se Aaron Rodgers ganhar o MVP, então ele foi o melhor QB e pronto, é estúpido dar o "Offensive Player of the Year" para outro QB se Rodgers foi melhor, e é ainda mais dar duas vezes o prêmio para Rodgers. Então se ele ganha o MVP, e o prêmio vai para o melhor não-QB de ataque da temporada. É a única forma de tornar esse prêmio relevante (outra solução seria abolir os "Player of the Year" e dar logo um MVP ofensivo e um MVP defensivo).

Então sim, é extremamente óbvio quem foi o melhor defensor de 2014. Isso não é discutível. JJ Watt é #1 no meu ballot. Mas como aqui no TM Warning ele também ganha o MVP (chegaremos lá), então o Defensive Player of the Year vai para meu #2, que é Justin Houston.

Houston teve provavelmente a temporada menos comentada que um jogador que terminou com 22 sacks já teve na história, embora o fato dele ter chegado a esse número com 4 sacks na última semana provavelmente tenha algo a ver com isso. Mas vai mais além de ter chegado a meio sack do recorde histórico de Michael Strahan (22.5 sacks). Houston foi a força (humana) mais destrutiva da NFL em 2014, e por uma confortável margem. Além de seus 22 sacks, que lideraram a NFL, ele também teve 8 QB hits e 50 (!!) QB Hurries. Isso é um monte de jogadas de passe que ele influenciou positivamente. Ele totalizou 85 jogadas de pressão na temporada, que é 13 a mais do que qualquer outro jogador (tirando obviamente Watt, que liderou a categoria) teve no ano (72 de Ryan Kerrigan e Michael Bennett). Se a NFL é uma liga que cada vez mais valoriza o passe, então ter um jogador capaz de influenciar esse enorme número de jogadas de passe é um ativo valiosíssimo. E Houston foi o melhor não-JJ da NFL fazendo isso no ano inteiro.

E não é como se Houston fosse um pass rusher unidimensional que só ataca o QB e pronto. Ele também teve 50 stops totais (melhor entre 3-4 OLBs) e 22 stops contra o jogo terrestre (4th entre OLBs), e fez tudo isso sem cometer nenhuma falta na temporada e atraindo mais faltas do que qualquer outro pass rusher. Ele destruiu times em jogadas terrestres e de passe, aterrorizou quarterbacks o ano todo e, no final, teve o maior impacto defensivo do que qualquer outro ser humano normal teve nessa temporada. Com Watt fora da jogada, ele é meu DPOY.

Ballot hipotético: 1. JJ Watt; 2. Justin Houston; 3. Ndamukong Suh; 4. Von Miller; 5. Vontae DAvis.
Hon. mention: Cameron Wake; Terrell Suggs; Calais Campbell; Luke Kuechly; Chris Harris Jr.


Offensive Player of the Year: Aaron Rodgers

Antes de começar a falar de como Rodgers foi o melhor jogador de ataque da temporada, apresento a vocês dois QBs:

QB A: 69.9% de aproveitamento, 8.5 jardas por passe, 7.8 TD%; 113.2 rating; 82.75 QBR (liderou a NFL em todos esses quesitos)
QB B: 65.5% de aproveitamento, 8.4 jardas por passe, 7.3 TD%, 112.2 rating; 82.64 QBR

Muito boas temporadas, não? Ambos são excelentes QBs, ambos venceram 12 partidas para suas equipes, e ambos contam com a ajuda de um bom RB e de um dos três melhores WRs da temporada. 

Os mais observadores provavelmente já perceberam que são os números de Aaron Rodgers e Tony Romo. Então ainda que Rodgers tenha sido o melhor quarterback da temporada, Romo chegou bem perto de seus números, e é mais do que hora de reconhecer o que ele tem feito e...

Espera, você está me dizendo que na verdade Romo é o QB A?! O que liderou a NFL em aproveitamento, jardas por passe, TD%, rating e QBR, e ainda teve cinco viradas em quartos períodos (líder da NFL)?! Oh, boy... ai sim, fomos surpreendidos novamente. 

Isso quer dizer que Romo foi o melhor QB de 2014? Não necessariamente. Enquanto é um mito ridículo (que muitas pessoas querem propagar para fazer seus argumentos parecerem mais fortes) que Rodgers não tem muita ajuda em Green Bay - ele tem uma linha ofensiva muito underrated, uma excelente dupla de WRs e um ótimo RB - é fácil ver que Romo também tem muita ajuda em Dallas, e mesmo mais. Ele jogou com o líder em jardas terrestres da NFL, também conta com duas espetaculares armas (Dez e Witten) e, talvez mais importante, contou com a melhor linha ofensiva da NFL inteira. Nenhum QB teve mais tempo no pocket do que Tony Romo nessa temporada, e isso sem dúvida é uma grande vantagem. Além disso, tem o fato de que, no plano ofensivo de Dallas, Romo era "secundário" ao ataque terrestre - os QBs de Dallas deram 476 passes contra 508 corridas - e portanto, no plano de jogo geral, Romo acaba tendo menos impacto que Rodgers (os QBs de Green Bay deram 536 passes contra 435 corridas). Esse é o principal motivo pelo qual Romo deu 100 passes a menos na temporada do que o camisa 12 do Packers. Some a isso a questão do calendário - Green Bay enfrentou um calendário mediano, 18h na NFL, enquanto que Dallas enfrentou o segundo mais fácil - e o resultado é que, em contexto, a performance e influência total de Rodgers supera a de Romo. Por pouco, mas supera. Rodgers simplesmente precisou fazer mais esse ano.

E isso não é para demérito de Tony Romo, que foi fantástico a temporada inteira e terminou o ano liderando todas as categorias estatísticas relevantes para QB exceto INT% (Rodgers foi o #1) e DVOA (foi #2 atrás de Rodgers). Embora eu coloque Rodgers na frente dele pelos motivos que já expliquei, Romo foi tão bom quanto Rodgers e claramente o segundo melhor QB da temporada. E é mais do que hora de parar com o ridículo mito (em geral propagado por pessoas que só querem causar polêmica) de que Tony Romo é um problema para o Cowboys - ele tem sido um ótimo QB por anos a fio preso em um time horrível que exige demais dele. Com um bom jogo terrestre e uma ótima linha ofensiva pela primeira vez em anos, Romo teve uma temporada fantástica, pau a pau com o provável MVP da NFL. Outros QBs tiveram anos muito bons - Big Ben e Tom Brady vem a mente - mas Rodgers e Romo, em 2014, estiveram um patamar acima de todos os demais.

Entre os não-QBs, o primeiro nome que vem a mente provavelmente é DeMarco Murray, que liderou a liga em jardas terrestres (com incríveis 1845) e passou boa parte da temporada ameaçando quebrar a marca das 2000, antes de desacelerar na segunda metade da temporada. Ele terminou com quase 500 jardas a mais que o segundo colocado (LeVeon Bell com 1261), então a diferença total foi considerável.

Ainda assim, eu não estou muito convencido de que a temporada de Murray foi tão boa quanto parece. Sua produção total certamente superou todos os demais, mas essa maior produção veio principalmente de uma carga de trabalho muito superior: Murray correu com a bola 90 vezes mais do que o segundo colocado em corridas (LeSean McCoy), 102 vezes mais que LeVeon Bell e 112 vezes mais do que Marshawn Lynch. E enquanto ele merece bastante crédito por manter a eficiência em uma carga tão grande de trabalho, não é como se tivesse feito seu trabalho com uma eficiência muito superior a concorrência: suas 4.7 jardas por corrida são virtualmente idênticas as marcas de Bell e Lynch, e fica atrás de RBs como Justin Forsett (5.4), Jamaal Charles (5.0) e Arian Foster (4.8). Além disso, também tem o fato de que DeMarco Murray joga atrás da melhor linha ofensiva da NFL, uma unidade que abriu mais buracos e grandes espaços do que qualquer outro no jogo terrestre tirando, talvez, a do Packers. Embora seja difícil dizer com certeza o quanto do desempenho de um corredor é mérito dele ou da linha ofensiva, não é difícil ver que Murray teve mais "ajuda" nesse quesito do praticamente todos os outros grandes corredores da NFL. Murray teve, em média, 2.3 jardas por corrida ANTES do primeiro contato, enquanto Marshawn Lynch, por exemplo, teve 1.6 e Arian Foster teve 2.0. Então somando todos os fatores, a temporada de Murray não parece mais tão espetacular. Sim, ele teve uma produção total maior do que qualquer outro RB (e não foi por muito - em jardas totais ele está apenas 46 a frente de Bell), mas ela não veio dele ter sido particularmente mais dominante que os outros por corrida, e sim porque o Cowboys simplesmente fez ele correr mais do que outros RBs - e isso antes de considerar que ele teve mais ajuda da sua linha ofensiva nessas corridas do que qualquer um. Então embora Murray tenha sido o RB que mais produziu em 2014, ele não foi tão individualmente dominante para merecer entrar nesse prêmio sobre jogadores que tiveram um ano superior, e é discutível sequer se foi o melhor RB da temporada.

Se quer achar o melhor não-QB ofensivo de 2014, então é para Antonio Brown que você precisa olhar. O WR liderou a NFL em jardas e recepções, e foi segundo em touchdowns - por uma boa margem. Suas 129 recepções foram 18 a mais do que o segundo colocado (Demaryus Thomas) e 80 jardas a mais. Aliás, suas 129 recepções não foram só de longe a melhor marca da temporada - é a melhor marca dos últimos 12 anos e a segunda melhor marca da história da NBA. E não é como se ele tivesse acumulado passes fáceis perto da linha de scrimmage - apenas 7 jogadores na NFL inteira tiveram mais recepções em passes de 20+ jardas, e ele converteu 48% dos passes longos lançados na sua direção em recepções, a quarta melhor marca da NFL entre recebedores com pelo menos 25 alvos em tais passes. Brown também aparece como terceiro jogador entre WRs com mais jardas após a recepção e, talvez mais incrível para um jogador tão usado (e tão usado em jogadas longas), ele teve uma recepção em 71.6% das bolas lançadas na sua direção - a sexta melhor marca entre WRs com mais de 80 passes lançados na sua direção, e entre os 10 jogadores com mais passes direcionados da NFL, o que mais se aproxima do aproveitamento de Brown é Jordy Nelson... que tem 64.7%. Some a isso suas habilidades retornando punts - ele foi o quarto retornador com mais jardas em 2014, com um TD - e a verdade é que foi uma das mais impressionantes temporadas de um WR nos últimos anos.

Para fechar, um outro não-QB merece consideração para o prêmio. Não pelo que produziu individualmente, mas porque seu efeito no resto do ataque de seu time é incrível. Rob Gronkowski, a primeira vista, teve apenas uma boa temporada - uma linha de 82 recepções, 1124 jardas e 12 TDs, uma slash line muito boa para um TE, mas não espetacular. Ai você lembra que Gronk, que perdeu o final da temporada 2013 por conta de uma lesão grave no joelho, começou o ano bastante limitado pela sua equipe. Ele foi titular em apenas 10 jogos, e nos primeiros quatro jogos da equipe jogou apenas 60% dos snaps, não sendo usado como o centro do ataque da equipe. Isso mudou depois da surra que o Pats levou do Chiefs na semana 4 - Gronk jogou 85% dos snaps na semana seguinte e voltou a ser o TE em tempo integral do time. E ai você começa a observar o impacto que essa mudança - de jogador complementar, sendo poupado, para centro do ataque - teve no ataque como um todo. Eis os números para o ataque do Patriots entre as semanas 1-4 e as 11 semanas que Gronkowski jogou a 100% (não considerando o jogo da semana 17 contra o Bills, no qual Gronk foi poupado):



E a diferença nos números de Tom Brady...



So... Hmm... Yeah.

Claro, é difícil atribuir toda essa enorme mudança a só um jogador, mas o timing desse salto não é coincidência. O efeito que Gronk tem no ataque de New England é espetacular. Rápido e atlético demais para ser coberto por linebackers, forte e grande demais para ser marcado por defensive backs, a presença de Gronk em campo faz toda a defesa se dobrar na sua direção, sempre cautelosa e precisando designar dois jogadores na sua direção geral - o que, naturalmente, abre muito mais espaço para o jogo terrestre e, principalmente, linhas de passe para os WRs de um time que não tem grandes jogadores capazes de criar separação. Então seus números individuais são bons (e ficam ainda mais impressionantes quando você lembra que ele só foi titular em 10 jogos), mas o impacto que Gronk teve no resto do seu time foi ainda mais impressionante e o que o coloca na disputa por esse prêmio.

Ballot hipotético: 1. Aaron Rodgers; 2. Tony Romo; 3. Antonio Brown; 4. Rob Gronkowski; 5. DeMarco Murray
Menção honrosa: LeVeon Bell; Marshawn Lynch.


Most Valuable Player: JJ Watt

Para mim, hoje, existe algo que é indiscutível.

JJ Watt é o melhor jogador da NFL.

De novo, eu não acho que isso é passível de debate. A NFL tem muitos bons defensores na atualidade, mas a diferença entre Watt e os próximos "melhores defensores da NFL" é realmente absurda, e muito maior do que a diferença entre os melhores jogadores ofensivos da NFL, de qualquer outra posição. Watt é possivelmente o defensor mais individualmente dominante da NFL desde Lawrence Taylor, amplamente considerado o maior de todos os tempos.

O problema, claro, é que o prêmio não é para o melhor jogador - é para o jogador "mais valioso", seja lá o que isso quer dizer. Porque, hmm, ninguém realmente sabe o que isso quer dizer. É ambíguo, e a NFL não tem nenhuma intenção de esclarecer como deveriamos pensar esse prêmio. Eles QUEREM que tenha ambiguidade, quer que as pessoas discutam e criem suas teorias, e escrevam colunas sobre isso. Quanto mais difícil for decidir, mais as pessoas conversarão sobre isso, e é o que a liga quer. E é essa distinção - entre melhor e mais valioso - que cria uma brecha para que o melhor jogador da NFL não ganhe o prêmio de MVP.

Então como o melhor jogador da NFL não é o mais valioso? Os argumentos contra Watt, e a favor de Aaron Rodgers, se baseiam em dois pontos. Dois pontos que não são desprovidos de valor, claro, mas que acabam sendo usados como algo mais definitivo do que deveriam.

1 - O Quarterback é mais valioso do que os outros jogadores do time

Ou seja, a questão do valor posicional. Que não deixa de ser um fato - em um jogo de futebol americano, o quarterback É a posição mais valiosa, a que mais tem chance de impactar um jogo. 95% das jogadas da partida passam pelas mãos de um QB, afinal de contas, e não tem um ato mais individual para se ganhar ou perder jardas na NFL que o passe.

Mas sugerir que só por jogar em uma posição mais importante um jogador não é automaticamente mais valioso do que outro. Depende muito do quanto cada um fez dentro da sua situação. Um RB que corre 100 vezes tem mais chance de impactar uma temporada do que um que corre 50 vezes, mas não quer dizer que o RB1 foi mais valioso - se o segundo tem 5.0 YPC e o primeiro 2.0, então o impacto total do primeiro será consideravelmente maior. O mesmo vale para a posição: o QB tem mais chances e maior impacto no jogo do que um DE, mas a diferença entre Watt e qualquer outro defensor da liga é um abismo MUITO maior do que Rodgers e os outros QBs de elite da NFL.

Esse argumento também pode se virar facilmente - se o valor total de Rodgers é maior que o de Watt porque Rodgers joga em uma posição mais valiosa, então quer dizer que a maior parte do seu valor vem da sua posição, e não do jogador? Se Watt e Rodgers tem um impacto semelhante, mas grande parte do impacto de Rodgers vem em jogar em uma certa posição, então Watt tem muito mais mérito porque atingiu esse impacto sem a "ajuda" de jogar em uma posição que está acima do resto.

Além disso, em termos de posição, o pass rusher tende a ser um pouco underrated. Se o QB é a posição mais importante do jogo, então a segunda mais importante, logicamente, é aquela que atrapalha ao máximo o  QB adversário. E esse é de longe JJ Watt. Um QB sem pressão vai completar muito mais passes do que um sem pressão, então um DE que como JJ Watt coloca pressão muito consistentemente - e MUITO mais frequentemente do que qualquer outro defensor na NFL - tem um impacto incrível de tornar QBs bons em medíocres. Para ilustrar esse ponto, eu queria pegar alguns exemplos de QBs médios na NFL e mostrar a diferença entre quando eles tem pressão e eles não tem pressão. Perguntando para meus seguidores no twitter quem são os QBs mais "médios" da NFL, os mais citados foram Alex Smith, Andy Dalton, Ryan Tannehil e Matt Stafford. Então olhem o quadro abaixo...



Yep, a diferença é considerável. É a diferença entre 2014 Drew Brees (69.2%, 7.5 Y/A, 1.9 TD/INT Ratio, 97 Rating) e 2010 Blaine Gabbert (50.8%, 5.4 Y/A, 1.1 TD/INT, 65.4 Rating). Então considerando que Watt é um pass rusher que pressiona QBs com uma frequência absurda em relação aos demais defensores da NFL (seu rating como pass rusher, via PFF, foi de +91.9. O segundo melhor, Justin Houston, teve +37.0...), e que o time dele não tem NENHUM outro pass rusher acima da média, então um jogador que praticamente sozinho é capaz de transformar QBs de Brees a Gabbert tem um impacto imenso em qualquer partida. E como eu disse, a diferença entre Watt e o resto dos defensores da NFL é MUITO maior que a entre Rodgers e os demais QBs.


2 - O time de Rodgers foi aos playoffs e o de Watt não

Eu entendo a necessidade do argumento da campanha. Mais VALIOSO implica em valor, então você não vai votar em um cara que participou de uma temporada sem valor algum. O problema é que "playoffs" não só é um parâmetro arbitrário, como também (especialmente quando usado como "sim ou não" para eliminar os jogadores do prêmio) ignora totalmente as circunstâncias ao redor da classificação ou não para os playoffs.

No caso do Texans, o time terminou 9-7 a temporada (um ano depois de um 2-14) e só não foi aos playoffs porque, na última semana, o Ravens ganhou do Browns liderado por Connor Shaw como QB (com uma virada no segundo tempo). Então você está me dizendo que o que torna a temporada individual de JJ Watt mais ou menos valiosa é se, em um jogo totalmente independente, o Ravens consegue ou não vencer o Browns com seu terceiro QB reserva?? Esse é o grande motivo pro Watt não ser MVP? Eu sinceramente espero que todo mundo perceba o absurdo desse argumento.

Além disso, tem a questão do time. Nenhum jogador vai para os playoffs sozinho - tem outros 54 jogadores no time que tem seu impacto nisso. Rodgers teve uma temporada fantástica e foi o jogador mais importante do Packers e seu 1st-round bye, sem dúvidas, mas ele também jogou com uma defesa acima da média que terminou o ano como a 14h melhor da NFL (e 9th em turnovers forçados),  enquanto o ataque do Texans terminou 23rd em DVOA e teve que se virar com Ryan Fitzpatrick e Case Keenum de QBs o ano todo. E mesmo no ataque, Rodgers esteve cercado por grandes jogadores - Eddie Lacy, a melhor dupla de WRs da NFL, uma linha ofensiva que teve ótimo ano - enquanto que JJ Watt teve no máximo UM companheiro acima da média esse ano na defesa (mais sobre isso em um segundo). Rodgers teve um impacto enorme, mas os resultados finais do Packers também se devem a um excelente time ao seu redor, enquanto Watt teve pouquissima ajuda para ficar de fora dos playoffs em uma virada esquisita do Ravens contra o terceiro QB do Browns.


A verdade, no entanto, é outra. A verdade é que Rodgers muito provavelmente vai ganhar o MVP simplesmente porque não temos como medir o impacto de JJ Watt de forma a comparar os dois. Embora não seja uma coisa 100% precisa, podemos ter uma noção do que Rodgers fez esse ano para seu time - as jardas, o aproveitamento, touchdowns, interceptações, QBR, conversões de terceiras descidas, etc - enquanto para Watt temos que nos basear apenas em estatísticas fragmentadas como sacks, tackles for loss, e semelhantes. Se JJ Watt, no começo de uma jogada, é bloqueado por três jogadores, passa pelo meios dos três e força o QB a sair do pocket para evitar ser pressionado - e no processo encontra um defensor que não foi bloqueado por causa da atenção extra dada a Watt, que atinge o QB enquanto ele lança, e a bola fica pendurada para um defensor interceptar... como a jogada é registrada? O defensor é registrado como um QB hit, o defensor com uma interceptação, e Watt com nada... mesmo a jogada só tendo possível graças a ele, que atraiu bloqueadores (permitindo que seu companheiro chegue livre no QB rapidamente) e forçou o QB a sair do pocket na direção desse segundo defensor. A jogada aconteceu graças a ele mas ele não foi creditado. E por isso é tão difícil medir o impacto total de Watt. É mais FÁCIL votar em Aaron Rodgers, porque nós podemos ver o impacto total dele.

Futebol americano não é como baseball, onde cada jogada acontece em uma situação quase isolada (o duelo rebatedor vs arremessador) e toda jogada pode ser medida independentemente de forma a creditar os envolvidos no lance. Mas tem um site que tenta fazer exatamente isso, chamado Pro Football Focus. O PFF mede o impacto total de cada jogador em cada lance separadamente - não só o impacto no RESULTADO, mas em todo o processo. Se JJ Watt atravessa rapidamente pelo meio dos bloqueios e da um sack em um QB que ainda está fazendo o dropback, ele recebe muitos créditos por isso. Mas se em uma jogada Watt ocupa três bloqueadores e abre espaço para um companheiro livre dar o sack... ele ainda vai ganhar muitos créditos pelo espaço que criou para o companheiros (independente da jogada acabar em sack ou não). Claro que não é uma abordagem 100% exata, mas é um parâmetro interessante para avaliar defensores e jogadores de linha. Segundo os ratings da PFF, JJ Watt terminou o ano com +107.3, a melhor marca da história do site. O segundo melhor defensor foi Von Miller... com +54. Então JJ Watt foi DUAS VEZES mais impactante do que o segundo melhor defensor da NFL? Inacreditável. E by the way, Rodgers foi um +40, embora os ratings da PFF não incluam um ajuste de posição.

Mas claro, essa é só uma forma imprecisa de avaliar. Eu entendo se você preferir votar em Rodgers, e acho que Rodgers é uma escolha válida, vindo de um ano fantástico. Eu acredito que o MVP foi Watt, mas a questão é que eu não tenho como provar isso. No final, só posso argumentar o meu lado. E é isso que eu farei.

Tirando da minha expertise - anos e anos assistindo e analisando NFL, além das dezenas e até centenas de horas que eu passo assistindo, estudando e analisando a NFL - que eu posso insistir que você deveria confiar, eu pensei em uma forma de tentar ilustrar de forma prática porque Watt foi o jogador mais valioso da NFL além do que já fiz. É totalmente impreciso, especulativo e até opinativo, mas é o que nos resta.

Deixa eu começar com um fato: a defesa do Texans foi #6 em DVOA. Sexta melhor defesa do ano. É uma marca excelente, mas fica mais ridícula quando eu te perguntar qual o segundo melhor jogador defensivo do time. Se você pensou em Brian Cushing, o nome mais famoso, você está bem frio porque Cushing teve uma temporada bem ruim depois de múltiplas lesões. Jadeveon Clowney não jogou nem 150 snaps por conta de lesões. O Texans não teve UM outro defensor defensor realmente bom essa temporada - o segundo melhor provavelmente foi um DB, Kareem Jackson ou Jonathan Joseph, mas nenhum foi realmente bom esse ano. Usando o rating do PFF de novo, o Texans teve ZERO defensores com rating acima de +10 (!!!!) além de JJ Watt, com todos os outros defensores fora o meu MVP totalizando -57.5 de rating. É surreal que esse time tenha conseguido terminar 6th overall, não? JJ Watt fez isso praticamente sozinho. Se você trocasse JJ Watt com um outro DE mediano - digamos, Ricky Jean-François, que teve +0.3 de Rating - a defesa do Texans seria HORRÍVEL, algo como uma das oito piores da NFL. Então JJ Watt sozinho foi a diferença entre, digamos, a defesa do Texans ser a 25h melhor (o que, via PFF, ela seria com essa troca) e ser a #6 melhor. Da última vez que eu vi, o jogo é 50% pontuar e 50% impedir que os outros pontuem. Então defesa e ataque tem o mesmo peso. Se um QB sozinho é a diferença entre o 24h ataque e o 6th ataque da liga sem nenhuma ajuda ao seu redor, ele é o MVP (Peyton Manning em 2009, alguém?), mas se um defensor é essa diferença, ele não pode ganhar porque não é um QB? Porque foi essa a diferença do time com JJ Watt e sem JJ Watt.

Digamos que fizessemos o mesmo com Rodgers. Lembra quando eu disse que Watt teve ZERO companheiros de defesa com Rating acima de +10? Rodgers teve SETE companheiros assim, quatro dos seus linemen, seu RB e seus dois WRs titulares. É uma quantidade considerável de talento - +58.4 tirando Rodgers. Agora vamos trocar Rodgers por, digamos, Alex Smith (que foi o mais citado como sendo um QB mediano e teve QBR de quase 50). Quanto cairia o ataque do Packers? Menos do que se imagina, e bem menos do que cairia a defesa do Texans. O ataque do Chiefs liderado por Alex Smith terminou o ano como o #12 da NFL em DVOA e #15 pelo Pro-Football Reference, e é bem fácil ver a diferença enorme de talento entre os dois ataques. O Chiefs teve talvez a pior coleção de WRs da NFL enquanto o Packers tem talvez a melhor dupla (Cobb e Nelson), e a linha ofensiva do Packers é bastante superior a do Chiefs (Football Outsiders coloca a OL do Packers como aproximadamente a #9 e a do Chiefs como a #18, e PFF coloca Packers em #3 e Chiefs em #22). Em RB parece ter uma queda, mas é menor do que se espera - Charles teve 5.1 YPC contra 4.8 YPC de Eddy Lacy, mas Lacy teve 2.8 jardas depois do contato e Charles 2.5 - e Green Bay na verdade terminou com o sexto melhor ataque terrestre de 2014, uma posição atrás do Chiefs apesar de ser um ataque muito mais orientado para o passe. Então se um ataque muito inferior do Chiefs liderado por Smith conseguiu ser entre #12 e #15 da NFL, é bem razoável supor que trocando Rodgers por esse QB mediano o Packers ainda teria um ataque consideravelmente acima da média, algo entre #8 e #11.  Bem menor.

Então esse é meu argumento arbitrário, imaginativo e impossível de ser provado mas que tenta passar algum resultado prático: tirando a campanha de time (que é afetada por muitas coisas além do controle dos jogadores) e focando apenas no lado da bola influenciado por aquele jogador, o Packers foi uma unidade melhor (#1) do que a do Texans (#6), mas fez isso talvez com a maior coleção de talentos da NFL desse lado da bola, enquanto a defesa do Texans é absolutamente medíocre depois de Watt. Então Watt teve um impacto muito maior para fazer da defesa do Texans boa do que Rodgers, com muito menos ajuda. Obviamente os números acima são aproximações e especulações, mas não é difícil ver a enorme diferença de talento coletivo e o impacto que Watt teve em um time muito inferior. Então é, troque Rodgers por Smith e o Packers não teria um bye, e talvez nem fosse aos playoffs. Mas troque Watt por 90% dos DEs da NFL e o Texans não teria nem sonho de brigar por uma vaga nos playoffs - para efeito de comparação com o exercício de imaginação acima, uma boa comparação seria o Redskins do ano passado, que terminou 23rd em ataque, 21st em defesa e 4-12 de Pythagorean Expectation e 3-13 de record.

No final do dia, JJ Watt teve um impacto no seu time maior do que Aaron Rodgers ou qualquer outro jogador da NFL. Mesmo que eu não possa provar, é nisso que eu acredito.

Ballot hipotético: 1. JJ Watt; 2. Aaron Rodgers; 3. Tony Romo; 4. Rob Gronkowski; 5. Antonio Brown


Bem, com os prêmios oficiais da NFL já resolvidos, hora de alguns prêmios alternativos...

Melhor jogador de 2014 que você não ouviu falar: Chris Harris Jr, CB, Broncos
Runner up: Pernell McPhee, OLB, Ravens
A posição de CB é outra difícil de ver em estatísticas, então as pessoas decidem quem são os melhores principalmente pelo nome. Richard Sherman! Darrelle Revis! E por ai vai. E em termos de consistência, eles provavelmente são mesmos. Mas isolando cada ano, é possível achar CBs que tiveram uma temporada melhor.

Em 2014, esses seriam Chris Harris e Vontae Davis. Davis pra mim foi o melhor CB de 2014, mas todo mundo conhece Davis. Chris Harris eu ficaria surpreso se você tivesse ouvido falar, mas ele foi uma força dominante para a defesa do Broncos essa temporada. Quarterbacks tiveram um rating de 47.8 lançando na direção de Harris em 2014, a segunda melhor marca da NFL, e isso nem diz toda a história do quão dominante ele foi. Harris cedeu .57 jardas por snap na cobertura, quase VINTE pontos a frente do segundo colocado (Sherman, 0.76), e talvez mais importante, sua versatilidade foi chave para a defesa do Broncos: 25% dos snaps de Harris vieram no slot, e ele foi de longe o CB mais dominante cobrindo o slot na temporada, segurando QBs a um rating de 59.8 (mais de 10 abaixo do segundo melhor) e 0.57 jardas por snap, ambas a melhor marca da liga. Isso permitia enorme flexibilidade ao Broncos, tanto alinhar Talib e Harris abertos como podia deslocar Harris para dentro do slot ou até para cobrir TEs. Denver terminou o ano com a quinta melhor defesa aérea da liga, e Harris foi uma grande parte do motivo.

Então parabéns - agora você sabe que talvez o melhor CB de 2014 foi um cara que você deve ter ouvido falar ZERO vezes nas grandes mídias.


Jogador mais decepcionante de 2014 (ataque): Josh Gordon, WR, Browns
Runner up (QBs e calouros não qualificam): Andre Ellington, RB, Cardinals
Josh Gordon foi possivelmente o melhor WR de 2013, liderando a liga em jardas com 1643 (quase 150 a mais que o segundo colocado) e adicionando 9 touchdowns - e isso lembrando que ele perdeu dois jogos suspenso. Então depois dessa temporada onde apareceu como um dos melhores WRs da NFL, todo mundo esperava que Gordon continuasse jogando em altíssimo nível e fosse a principal arma de um novo ataque do Browns comandando por Johnny Manziel.

A temporada de Gordon foi um fiasco antes de começar, pois uma suspensão por uso de drogas (mais uma...) o tirou da temporada 2014. Uma apelação acabou reduzindo sua suspensão para "apenas" 10 jogos, mas foi um enorme setback para um jogador extremamente talentoso com problemas extra-campo. Quando esteve em campo, Gordon não exatamente se destacou - 300 jardas e 24 recepções em 5 jogos - e para piorar esteve envolvido em mais uma polêmica fora de campo, e ainda pior, que também envolveu Manziel e Justin Gilbert, as duas escolhas de primeira rodada do time. Supostamente Manziel e Gilbert teriam perdido um treino (assim como Gordon) por terem ficado até tarde em uma festa na casa do WR. OS detalhes são escassos e contraditórios, então não sabemos ao certo, mas o fato é que os três foram suspensos pelo time para a rodada final e a diretoria parece estar bastante irritada com Gordon, pela sua falta de comprometimento e pela suposta má influência nos demais. Não exatamente o ano que todos esperavam para o talentoso jogador.

Ellington, por outro lado, teve um explosivo 2013 e pareceu um achado no fim do Draft, mas em 2014 assumiu um papel maior na equipe e foi um grande fracasso como RB titular da franquia antes de se machucar.


Jogador mais decepcionante de 2014 (defesa): Patrick Peterson, CB, Cardinaks
Runner up: Michael Johnson, DE, Buccaneers
De novo a questão da dificuldade de avaliar CBs corretamente. Se perguntassem a alguém os melhores CBs da NFL, Peterson provavelmente seria um dos primeiros nomes citados. E não a toa, já que ele tem boas temporadas em seu nome. Mas a verdade é que Peterson - que assinou um enorme contrato de 70M de dólares na offseason - teve um 2014 bastante decepcionante e abaixo do que pode oferecer.

O que chama a atenção em Peterson não é só o quanto os QBs não tinham medo de lançar na sua direção - um passe a cada 6.2 snaps, uma marca acima da média da NFL e bastante alta para um CB de elite - mas também o sucesso que conseguiram nessas tentativas. Quarterbacks lançando na direção de PP tiveram um rating de 97, uma das piores marcas da NFL entre CBs com pelo menos 50% dos snaps na cobertura. Ele até fez um bom trabalho evitando recepções quando na marcação, mas o problema é que permitia muitas jardas após a recepção (17h pior da NFL no quesito) e muitas vezes se encontrava fora de posição para grandes ganhos. Foi uma temporada fraca para Peterson, e embora não tenha sido um ano horroroso, é muito menos do que se esperaria de um dos melhores jovens CBs da NFL entrando em um contrato de 70M.


Pior escolha do Draft até aqui: #3, Jaguars escolhe Blake Bortles
Só porque eu queria lembrar todo mundo que eu avisei que a) essa era uma péssima escolha e b) Bridgewater era de longe o melhor QB dessa classe. So there.


Técnico mais morfético do ano: Jim Caldwell, Lions
Runner ups: Jay Gruden, Redskins
Menção honrosa: Mike Smith, Falcons
Esse prêmio muito bem poderia ser do Gruden. A forma como ele manejou e destruiu totalmente a confiança E o valor de troca de seus DOIS principais quarterbacks - um dos quais foi uma escolha #2 de Draft, Rookie of the Year e custou ao time, entre outras, a escolha #2 DESSE Draft - foi uma obra de arte que eu não sei como ele poderia ter conduzido pior, a não ser que desse uma conferência de imprensa pelado para mostrar uma imagem do Colt McCoy tatuada na virilha enquanto jogava dardos em uma foto do RG3.

Mas o Redskins iria feder anyway, enquanto que Caldwell - o técnico de um bom time do Lions - fez uma diferença consistente (e negativa) em um time que poderia ter sido muito melhor. Eu não sei o quão bom Caldwell é no dia-a-dia do vestiário, mas dentro de campo ele é um dos piores da NFL tomando decisões. Mais notavelmente, Caldwell é talvez o técnico mais covarde e conservador da NFL, alguém que sempre prefere chutar Field Goals seguros ao invés de arriscar pelo maior prêmio do touchdown, nunca tenta conversões de dois pontos fora do óbvio, e simplesmente age da forma mais "não vamos perder" possível, em contraste a um técnico como Belichick que age de forma "vamos fazer o possível para aumentar nossas chances de ganhar". Ele fez isso o ano todo e custou pontos importantes para o Lions (o jogo contra o Falcons em Londres é um ótimo exemplo), e todo torcedor de Detroit sabia que isso poderia ser um enorme problema indo aos playoffs.

Dito e feito, aconteceu. Os torcedores de Detroit podem reclamar (não sem razão) dos juízes, mas a verdade é que o que realmente custou a partida contra o Cowboys nos playoffs foi Caldwell sendo covarde e não tentando um 4th and 1 crucial no quarto período que devolveu a bola a Dallas para vencer o jogo. Já faz alguns anos que eu acho que o Lions é um ótimo time sendo atrasado por um péssimo técnico, e 2014 foi um exemplo muito mais prático disso acontecendo dentro de campo.


Melhor contratação discreta da offseason: Antoine Bethea, Safety, 49ers
Runner up: Henry Melton, DT, Cowboys
Bethea foi contratado sem alarde algum para substituir Donte Whitner como SS de uma das melhores defesas da NFL, e muitas pessoas acharam que era um risco desnecessário. Mas em 2014 Bethea teve talvez sua melhor temporada como profissional, foi talvez o melhor safety da temporada inteira e de longe o melhor jogador de uma secundária que viu seus CBs titulares perderem 22 jogos combinados e ainda terminar como a quinta melhor da NFL em DVOA (e isso antes de lembrar que Aldon Smith perdeu metade da temporada). Bethea foi uma grande parte do motivo pelo qual a defesa de San Francisco continuou como uma das melhores da NFL mesmo em um ano onde jogou a maior parte dos jogos sem seus melhores defensores.

Enquanto isso, o underrated Melton foi discretamente a força motriz por trás de uma defesa do Cowboys que deveria ter sido muito pior do que foi de fato, e peça importante na boa campanha da equipe. Melton chegou sem fanfarra para substituir o excelente Jason Hatcher na linha defensiva, e o time não perdeu nada com a troca, com Melton tendo uma temporada digna de All-Star mas chamando quase nenhuma atenção no processo.


Pior contratação da temporada em 2014: Josh McCown, QB, Bucs
Runner ups: Jayrus Byrd, Safety, Saints; Michael Johnson, DE, Bucs
Foi uma péssima idéia na hora pagar 10M de dólares a Josh McCown, que teve 8 jogos espetaculares para o Bears em 2013 depois de uma carreira inteira sendo apenas um reserva mediano. McCown voltou a ser o que sempre foi essa temporada, com QBR de 35 e rating de 70 e 14 interceptações em 11 péssimos jogos como titular. Ainda que os nossos runner ups tenham sido contratações mais caras e talvez mais desastrosas, eles ainda tem chance de render no resto de seus longos contratos. McCown foi horrível do primeiro ao último segundo.

Não que Byrd e Johnson, talvez os dois principais free agents da temporada, não tenham feito a sua parte. Byrd foi horrível enquanto jogou no que foi a segunda pior defesa da temporada antes de se machucar, e Johnson teve apenas 4 sacks e 9 QB hits na temporada antes de ir para o banco em um time fraco do Bucs. Mas são jogadores com um histórico de serem dos melhores nas suas posições, então é cedo para dizer que foram contratações genuinamente desastrosas no médio prazo.


Least Valuable Player: Trent Richardson, RB, Colts
Runner up: Matt Kalil, OT, Vikings
Não só porque Richardson custou ao Colts uma escolha de primeira rodada nesse Draft, que acabou sendo a #26 (Marcus Smith) e que o Browns usou para subir e pegar MAnziel, mas porque o impacto que ele tem no Colts no dia-a-dia é verdadeiramente impressionante. Indy fez de tudo para dar mais espaço ao muito melhor Ahmad Bradshaw, mas mais uma lesão o tirou da temporada, e lá se foi o Colts insistir em Richardson para tentar tirar QUALQUER valor dessa troca. Desnecessário dizer, não deu certo - Richardson teve apenas 3.3 jardas por corrida (atrás da mesma OL que Bradshaw tinha com seus 4.7 YPC e Dan Herron e seus 4.4 YPC) e continua se provando o RB menos capaz de aproveitar espaços de toda a NFL. Indy finalizou o ano com o quinto pior ataque terrestre da liga graças a ele, e o ataque do Colts (não só o terrestre, como o ataque como um todo) deu um enorme salto quanto o Colts esqueceu a teimosia e mandou Richardson para o banco em favor de Herron. Quando seu time explode ofensivamente porque seu RB que custou uma escolha de primeira rodada foi para o banco em favor de uma escolha de sexta rodada que tinha corrido nove vezes na carreira antes dessa temporada, então tem algo errado ai. Richardson é o LVP da temporada 2014 da NFL.


Agradecimentos especiais ao Carlos Leite pela capa do JJ Watt, e aos meus seguidores do twitter por me ajudar a decidir quem era o QB mais mediano da NFL.