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sábado, 29 de abril de 2017

Prêmios da Temporada 2016/17 da NBA - Parte III

A tranquilidade no olhar de quem ganhou um prêmio no TM Warning


Se você está chegando agora: sim, o Two-Minute Warning está de volta!!

E é hora de fechar de vez nossa cobertura da temporada regular 2017 da NBA antes de mergulhar de vez nos playoffs - que aliás estão ótimos. Tirando as duas varridas (e uma delas, de Cleveland, bem mais difícil do que parece pelo placar final) e mais OKC-Houston, todas as séries dessa primeira rodada estiveram empatadas em 2-2 em algum momento. Então não falta assunto. Mas, antes de entrarmos de cabeça nisso, primeiro vamos terminar a cobertura prometida dos Prêmios de Fim de Ano da NBA.

Para quem perdeu, nós começamos essa cobertura falando dos prêmios individuais da temporada da NBA. Ou seja, foi uma coluna inteira discutindo os seis prêmios individuais do basquete: Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player... e claro, a tão discutida e debatida disputa pelo prêmio de MVP.  Simplesmente não me foi possível não dar meus palpites e minha visão em uma questão tão debatida, e foram 8.000 palavras explicando meu ponto de vista.

Depois, semana passada, falamos dos Times Ideias da Temporada - ou seja, os três First Teams All-NBA, os dois All-Defense Teams, e os dois All-Rookie Teams, uma visão geral sobre a temporada no formato desses prêmios.

Então nossa cobertura acaba hoje, com a terceira parte desse Especial: hora de falar dos prêmios "alternativos" da temporada.

Ou seja, esses são prêmios que realmente não existem. Mas isso não me parece um motivo bom o suficiente para não falarmos a respeito deles. Qual o problema de criar mais uns prêmios e gerar mais uns debates instrutivos e/ou divertidos? Não é exatamente uma grande novidade. Meu site favorito, o Bola Presa, tem seus próprios prêmios alternativos de temporada, e outro dos meus escritores favoritos, Bill Simmons, também já deu suas próprias sugestões de prêmios "novos" para a NBA.

Então é hora de criar os meus próprios. Vamos ver quem vence cada um deles - e aliás, estou totalmente aberto a sugestões para novos prêmios alternativos. É só deixar nos comentários.

Parte I: Prêmios individuais da temporada
Parte II: Times ideais da temporada
Parte III: Prêmios alternativos

Let's rock.


Drazen Petrovic Award - Melhor Jogador Estrangeiro



Um dos prêmios criados pelo Bill Simmons, o Drazen Petrovic Award foi concebido pelo Simmons como um prêmio para homenagear o melhor jogador europeu da temporada e, ao mesmo tempo, honrar a memória de um dos pioneiros no influxo de jogadores estrangeiros, o genial Drazen Petrovic, jogador de Blazers e Nets que faleceu cedo demais em um acidente de carro (para quem tiver interesse, recomendo o documentário Once Brothers, da série 30-for-30 na ESPN).

O Drazen Petrovic Award que eu roubei adaptei é um pouco diferente: hoje a NBA tem uma diversidade muito maior para limitar essa premiação (criada em 2005) a apenas jogadores estrangeiros europeus. A NBA é uma liga global: temos jogadores asiáticos, africanos, sulamericanos, central-americanos, Australianos, Neozelandeses... para honrar essa diversidade e esse momento, o prêmio Drazen Petrovic do TM Warning não premiará apenas o melhor Europeu, e sim o melhor jogador que não seja dos Estados Unidos.

E sim, eu sei que isso abre margem a todo tipo de polêmica e interpretação: Kyrie Irving nasceu na Austrália, mas joga pela seleção dos Estados Unidos. Ele é qualificado para o prêmio? Então eu criei um critério muito simples: é elegível para o prêmio quem eu achar que é. O prêmio é meu, o site também, então eu que mando. Me processem.

E o legal desse prêmio é que, com a globalização da NBA, nós hoje temos um volume maior do que nunca de bons jogadores estrangeiros, incluindo algumas verdadeiras estrelas para assumir a tocha deixada por caras como Steve Nash e Dirk Nowitzki (dadas as devidas proporções, claro). Dois jogadores entraram no meu 2nd Team All-NBA (Giannis e Gobert), e um terceiro (Marc Gasol) entrou no 3rd Team. Goran Dragic poderia facilmente ter entrado em um ano menos competitivo. Karl Anthony Towns e Jokic são duas das mais jovens e promissoras estrelas da liga. Andrew Wiggins ainda é um jovem de enorme talento, e Embiid vai dominar a NBA se um dia conseguir ficar saudável. E isso sem falar nos jogadores que podem não ser estrelas, mas são jogadores titulares de bom nível, como Tristan Thompson, Ricky Rubio, Danilo Gallinari, Steven Adams, Al Horford; ou mesmo jovens talentos promissores, como Buddy Hield, Jamal Murray e Dario Saric. O futuro do Drazen Petrovic Award promete.

E se Nash e Nowitzki dominaram o Petrovic pela década passada, e a década de 2010 já viu mais competitividade (com vitórias de caras como Tony Parker, Marc Gasol e Joakim Noah), parece que estamos vendo o surgimento de outro cara para dominar esse prêmio por anos em Giannis Antetokounmpo. Eu já falei demais sobre o grego nas colunas passadas, então não vou me prolongar demais no assunto, mas sua emergência como uma estrela foi um dos assuntos mais interessantes do ano, e embora o Drazen Petrovic seja um prêmio de temporada regular, Giannis está tendo também um grande destaque na pós temporada. É possível que essa ascensão meteórica de Antetokounmpo acabe tornando esse prêmio redundante para os próximos anos, mas por enquanto o grego aparece como a melhor opção em um ano absurdamente forte para esse prêmio.

Ballot final: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Rudy Gobert; 3. Marc Gasol; 4. Karl-Anthony Towns; 5. Nikola Jokic.



Steve Nash Award - Jogador Mais Divertido




Outro dos prêmios alternativos criados pelo Bill Simmons foi o Doc J Award para o jogador mais empolgante da temporada, homenagem ao lendário Julius Erving, famoso por suas enterradas e por ser de longe o jogador que as pessoas mais queriam assistir na NBA (e na ABA também).No entanto, depois de pensar a respeito, eu decidi mudar esse prêmio de "Jogador Mais Empolgante" (ou exciting, no original) para "Jogador Mais Divertido". Nessa época de internet, redes sociais, Twitter, GIFs e Vines (RIP), tudo que é "Excitante" ou "Empolgante" vai parar muito rápido na nossa frente e é repetido dezenas de vezes. Qualquer enterrada, game-winner, jogada de efeito ou algo assim já fica muito exposta, então não tem muito sentido realmente dar um prêmio e escrever uma coluna a respeito.

Então eu mudei um pouco e coloquei o prêmio para o jogador mais divertido, por um motivo parecido: se ficou fácil demais para nós vermos as jogadas mais empolgantes no dia a dia, esse excesso de exposição, a facilidade de ver todos os jogos ao mesmo tempo e o fácil acesso a dados e estatísticas, acabou ficando menos significativo a totalidade do jogo de um jogador. E isso inclui a experiência de assistir aquele jogador: Steve Nash dava passes fabulosos que iam parar em qualquer vídeo de highlights, sem dúvida, mas não é só por isso que ele é meu jogador favorito. Seu jogo envolvia todo tipo de inteligência em quadra, visão de jogo, velocidade, movimentação de bola, e um monte de coisas que faziam de assistir cada minuto dele em quadra uma experiência divertida. Então eu preferi adaptar esse prêmio - e elogiar meu jogador favorito no processo.

Esse ano, Russell Westbrook é um bom exemplo do que diferencia o Doc J Award do Steve Nash Award. Se o prêmio fosse o Doc J, Westbrook seria o único candidato possível. Ninguém nessa temporada consegue igualá-lo no quesito "jogador mais empolgante": sua enterradas fantásticas, jogadas impossíveis, números impossíveis, suas sequências de total dominação, os jogos absurdos nos quartos períodos para virar partidas quase sozinho, tudo isso fez de Westbrook o jogador mais polarizador da temporada e aquele que mais nos fez mudar de canal para assistir algum momento empolgante. Ninguém esse ano evocou mais esse sentimento de "Meu deus eu preciso ver isso!" do que ele.

Mas ao mesmo tempo, eu não realmente achava divertido assistir Westbrook jogar. Em meio a todos os momentos absurdos, jogadas fantásticas, enterradas impossíveis e demonstrações sobre-humanas da sua capacidade atlética, tinha um número absurdamente grande de jogadas estagnadas, arremessos forçados, muitos lances de um único jogador driblando sem propósito, e por ai vai. E assistindo aos jogos, esses lances são a maioria, de forma que a experiência de assistir aos melhores momentos de Westbrook era fantástica, mas assisti-lo jogar consistentemente não era nem de longe tão divertido. Essa é a vantagem dos highlights: eles tiram a parte ruim e nos deixam apenas com a parte boa, que é o que a grande maioria dos fãs de esportes quer ver. Mas a minha ideia nesse prêmio não é essa: é premiar o pacote completo.

Esse prêmio então vai para o novo queridinho da NBA, Nikola Jokic. Jokic é um dos melhores passadores da NBA, e sem dúvida é a parte do seu jogo que mais chama atenção e aparece em todos os highlights. Sério, olha esse vídeo...



E esse...



Ai ai...

Onde estávamos? Ah sim, Nikola Jokic. Embora seus passes realmente sejam a cereja do bolo e ponto alto dos jogos de Denver, assistir Jokic é uma experiência muito boa do começo ao fim porque existe muito mais acontecendo do que só isso. Suas habilidades de passe abrem um novo mundo de possibilidade para Jokic e para o resto do time -  de repente todo mundo está correndo em transição, fazendo o passe extra, jogando fora da bola SABENDO que caso se desmarque o passe virá (o exato oposto do que via com OKC as vezes, por exemplo). Parte do jogo de um jogador é como ele afeta seus companheiros, e Jokic se tornou o maestro de uma fantástica sinfonia que foi o melhor ataque da NBA depois que o sérvio virou titular.

E a verdade é que tem algo em Jokic que eu adorava em Manu Ginobili em outros tempos: tudo no seu jogo parece um pouco diferente do resto. Até a jogada mais simples - uma bandeja, um corte para a cesta - parece acontecer de forma diferente, em um ritmo diferente dos demais. Suas mudanças de decisões em frações de segundo NO MEIO DA JOGADA, suas bandejas e passes, seu hábito de pegar a bola e fazer a jogada toda com uma mão só que já ganhou comparações a um jogador de Polo Aquático. As vezes parece até que o cérebro de Jokic funciona mais rápido que seu corpo, e acaba causando alguma descoordenação... até que você percebe que isso também abriu um ângulo que ninguém mais enxergava para uma bandeja com uma mão só. Eu adoro assistir esses jogadores - eu vejo basquete faz mais de 13 anos, e adoro quando aparece alguém que me faz perceber que ainda existem coisas novas para se descobrir na quadra de basquete. Para mim, não houve jogador mais divertido de assistir em 2016/17 que Nikola Jokic.


Ballot final: 1. Nikola Jokic; 2. Giannis Antetokounmpo; 3. Isaiah Thomas; 4. John Wall; 5. Ricky Rubio.



League Pass Award - Time mais divertido



Se temos um prêmio para o jogador divertido, nada mais justo que para o time mais divertido também tenha. Qual é o time que mais da gosto assistir? Qual é aquele time que é garantia no seu League Pass todas as vezes que ta em quadra? 

Infelizmente, no entanto, aqui não vamos ter novidade: o atual bicampeão do prêmio, o Golden State Warriors, leva esse ano de novo.

Se Golden State levar o título esse ano, eu prometo escrever uma coluna muito mais detalhada e indo muito mais a fundo a esse respeito, mas assistir a Golden State esse ano foi uma experiência fantástica por dois motivos diferentes. Um, claro, é nível de jogo. Eles são simplesmente bons demais. Objetivamente, o time é tão bom quanto, senão melhor, que o que ganhou 73 jogos ano passado (o saldo de pontos foi melhor, inclusive). Eles perderam profundidade, mas adicionaram um dos 3 melhores jogadores da NBA e ficaram mais versáteis. E além da excelência, que sempre é divertida, Golden State joga em um estilo particularmente divertido, muito veloz, inteligente, cheio de passes, jogadas de efeito, trocas de posição e simplesmente um excesso de grandes jogadores.

Mas esse é um aspecto, curiosamente, que Golden State foi inferior ao que foi nas últimas duas temporadas. Seu estilo esse ano foi, embora ainda criativo e brilhante, um pouco mais pragmático e eficiente - algo bom do ponto de vista prático, mas perdendo em entretenimento. Entretanto, Golden State também passou esse ano por difíceis adaptações e mudanças para lidar com sua nova superestrela, e ISSO foi uma parte muito divertida da sua temporada. Tanto na parte de adaptação, como depois de adaptado ver Golden State mudando facilmente entre esses diferentes estilos, isso propiciou uma diversão única essa temporada, e ver esse tipo de coisa sendo feita por jogadores do nível de Klay, Curry, KD, Draymond, Iguodala e cia foi um prazer especial para um nerd de basquete que nem eu.

Foi mal para o resto da NBA, mas não existe nada tão divertido quanto GSW nos seus melhores dias.

(Ps. Miami Heat foi #2 do meu ballot e acabou caindo por causa da primeira metade da temporada, que foi muito ruim. Mas contando apenas a segunda? #2 fácil).

Ballot final: 1. Golden State Warriors; 2. Washington Wizards; 3. Denver Nuggets; 4. Houston Rockets; 5. Miami Heat


LVP - O Jogador Menos Valioso

Brincadeira, brincadeira!

O engraçado desse prêmio é que quando eu falo no Jogador Menos Valioso, as pessoas confundem com "pior jogador da NBA" e começam a falar jogadores do fundo do banco que raramente entram em quadra. Mas você não pode ser o jogador menos valioso se não está entrando em quadra e efetivamente atrapalhando seu time: muita gente gosta de falar mal do Kyle Singler, por exemplo, e realmente ele não é muito bom. Mas Singler só jogou em 32 jogos e 385 minutos, sendo a maioria deles garbage time - quanto ele realmente prejudicou OKC nesse tempo? Bem pouco. Então eu não quero um jogador ruim, eu quero um jogador que tenha genuinamente prejudicado seu time na temporada por existir, seja por jogar mal, seja por forçar alguma mudança coletiva da sua equipe que foi custosa.

E o vencedor desse prêmio, para mim,  não pode ser outro senão Andre Drummond. 

Isso pode parecer estranho para um jogador que teve média de 13.2 pontos e 13.6 rebotes por jogo, com 1.1 toco e 1.5 roubos de bola, e 53 FG%. Mas assistir a Drummond era o exato oposto do que os números superficiais indicam. Em seu quinto ano de NBA, o pivô parece ter involuido de forma impressionante. Drummond ainda vai pegar um monte de rebotes e ter seus jogos de 20 pontos, 20 rebotes, mas seu jogo simplesmente estagnou e começou a contagiar todo seu time. Sua defesa é simplesmente um desastre: apesar de todo seu tamanho, força e capacidade atlética, Drummond é um dos piores defensores da NBA inteira, inclusive sendo 54th entre 59 defensores qualificados em proteção de aro. É um festival de posicionamento errado, más decisões, leituras ruins que fazem de Drummond ser uma âncora defensiva em um significado muito mais literal do que Detroit gostaria.

Ofensivamente, sua falta de jogo ofensivo também começa a cobrar seu preço conforme times ficam cada vez mais conhecedores de como defendê-lo. Drummond não consegue fazer nada além de pegar a rebotes ofensivos e dar enterradas: não tem jogo de costas para a cesta, não é um bom passador, não ataca o aro batendo bola, não arremessa, e mesmo quando pega a bola mais longe do aro tem dificuldade de botar a bola no chão e tomar uma decisão. E mesmo quando está perto do aro, sua falta de lance livre (38.6%) faz com que seja uma opção muito fácil descer a mão em Drummond e enviá-lo para a linha do lance livre.

Parte disso é culpa do elenco ao seu redor, mas do jeito que está hoje, Drummond não contribui em nenhum dos lados da quadra em bom nível, e o time ao seu redor sente isso. Sua falta de contribuição defensiva faz Detroit ter uma hemorragia de pontos quando está em quadra (108.4 Defensive Rating), e ofensivamente o time também fica estagnado, esperando o pick and roll entre dois jogadores limitados (Drummond e Reggie Jackson) render alguma coisa, e congestionando o garrafão para o resto da equipe quando o ataque não passa por ele. Não é a toa que Detroit foi um horroroso -6.3 por 100 posses de bola com seu pivô em quadra, e um ótimo +4.6 sem ele. Drummond ainda é jovem e pode evoluir, mas esse ano não sei se teve algum jogador que mais prejudicou seu time na NBA.

(Menção honrosa para Dwight Howard, que jogou bem pelo Hawks esse ano e por isso não é elegível para o prêmio, mas parece sempre afundar seus times por onde passa nos últimos anos. Será coincidência que o Rockets voltou a ser um dos melhores da NBA quando ele saiu?)

Ballot final: 1. Andre Drummond; 2. Joakim Noah; 3. Jeff Green 4. Emmanuel Mudiay; 5. Brandon Knight.


Prêmios Relâmpago

Aqueles prêmios que não são suficientes para serem regulares de todas as temporadas, mas fazem sentido para a temporada 2017 da NBA. Se fizerem sentido e/ou sucesso, podem acabar virando prêmios regulares - essa ainda é uma lista em desenvolvimento. Aceito sugestões!

Pior tank da temporada: Los Angeles Lakers

Los Angeles começou o ano até que bem, com uma campanha de 10-10 nos primeiros 20 jogos com um núcleo jovem, um estilo de jogar que imitava o Warriors, um banco muito divertido, e Lou Williams fazendo coisas de Lou Williams. Até que tudo caiu por terra: lesões atrapalharam toda a rotação de Luke Walton, os times começaram a aprender a forma de enfrentar o time, e a boa e velha regressão para a média atingiu com força. Los Angeles imediatamente perdeu 14 dos próximos 17 jogos e se tornou o pior time da NBA (terminaram o ano com o pior Net Rating da liga).

Mas isso não era uma coisa ruim: o Lakers não ia para os playoffs mesmo, e sua escolha de Draft esse ano é apenas protegida Top3. Ou seja, se o Lakers não tiver uma das 3 primeiras escolhas do Draft, essa escolha vai para Philadelphia. E para piorar, se essa escolha for para Phily, o Lakers TAMBÉM perde sua escolha de primeira rodada de 2019 para o Magic, por conta da troca do Dwight Howard em 2012. Então era fundamental para o futuro do Lakers ser ruim e ficar com uma campanha que permitisse ao time ter uma das maiores chances de manter essa escolha na hora do sorteio.

E parecia estar tudo dando certo: Los Angeles chegou na reta final da temporada com a segunda pior campanha da NBA (obrigado, Nets!), e uma chance de 55% de manter sua escolha de Draft... até que o time venceu 5 dos seus últimos 6 jogos da temporada naquele momento do ano onde ninguém está mais realmente jogando a sério, passou o Suns na classificação, e viu suas chances de manter as escolhas despencar para 46%. E foi hilário, porque o Lakers tentou de tudo para continuar perdendo: colocou os veteranos de férias mais cedo, colocou os principais garotos no banco, criou lesões, usou os jogadores mais obscuros, contratou jogadores sem time... e não adiantou, o fundo do banco do Lakers continuou ganhando jogos enquanto os torcedores se descabelavam. Se Los Angeles perder suas escolhas, esses seis jogos podem assombrar os fãs do Lakers por muitos anos.


Time que mais decepcionou na temporada: Minnesota Timberwolves

Em retrospecto, a culpa pode ter sido mais nossa por termos colocado expectativas erradas em cima desse time. Era um time jovem demais, com um técnico novo cujo estilo (e eu falei isso na época) não era um encaixe muito fácil, profundidade questionável e jogadores ainda um tanto quanto unidimensionais.

Ainda assim, Towns dominou como calouro, Kris Dunn era um calouro muito bem cotado, Wiggins uma ótima segunda estrela, e Thibodeau um técnico renomado. Muita gente tinha Minnesota chegando nos playoffs, e até mesmo ganhando 50 jogos. E logo ficou bem claro que não seria o caso, porque absolutamente nada deu certo nesse time. A defesa foi uma peneira, Towns não conseguiu realmente canalizar seus talentos para o time, e o elenco logo mostrou suas limitações. Minnesota acabou ganhando 31 jogos na temporada, e vai para mais uma loteria. 

Ainda que seja exagerado cobrar demais de um time tão jovem (e Minnesota TEVE uma grande sequência na temporada onde mostrou um pouco do seu potencial, logo depois do ASG), e mais uma peça da melhor loteria dos últimos 10 anos seja algo bom, a verdade é que a essa altura todo mundo esperava ver algo a mais desse núcleo. A falta de evolução não preocupa, mas incomoda. Mesmo que nossas expectativas tenham sido um problema, elas vinham de algum lugar, e Minnesota mais uma vez falhou em cumpri-las.


Maior desastre da temporada: New York Knicks e Sacramento Kings 

Nosso primeiro prêmio dividido. Eu preciso explicar essa? 


Melhor história da temporada: Milwaukee Bucks

Eu pensei em dar esse prêmio para o Westbrook e o Thunder, por terem se mantido vivos mesmo perdendo Durant e possivelmente faturando um prêmio de MVP no processo. Mas o Bucks também merece crédito: depois de perder seu segundo melhor jogador, Khris Middleton, antes da temporada começar, todo mundo deu Milwaukee por morto e declarou que seria um ano perdido para a franquia. 

Mas Giannis deu um salto de produção, algumas novas adições pareceram encaixar, John Henson começou bem o ano, Malcolm Brogdon se mostrou uma ótima escolha... e mais importante, Jabari Parker começou a parecer a estrela que todos esperavam quando foi escolhido no Draft, e logo emergiu como o segundo melhor jogador do time. Milwaukee começou o ano muito bem, e parecia que afinal das contas o time teria algo a fazer esse ano, garantindo seu lugar no meião do Leste.

Então Jabari Parker machucou o joelho e ficaria de fora o resto da temporada, no que parecia a segunda sentença de morte para o Bucks na mesma temporada... só que dai Middleton voltou jogando em altíssimo nível, Giannis deu um salto de "grande jogador" para "futura superestrela", Greg Monroe se reinventou como um sólido defensor e ótimo jogador de banco, o promissor mas cru Thon Maker teve bastante sucesso entrando como titular, e o Buck fez uma corrida final improvável para saltar da nona posição no Leste até fechar o ano em sexto e garantir uma vaga nos playoffs.

Milwaukee acabou perdendo em 6 para Toronto e se despediu dos playoffs, mas acho que nenhum time sai desse ano com mais otimismo que o Bucks: a temporada e os playoffs oficializaram Giannis como a próxima grande superestrela da NBA, e com um Jabari Parker saudável e a volta de Middleton, mas a evolução de jovens talentos como Thon Maker, e uma diretoria cada vez mais competente na hora de tomar suas decisões, o futuro desse time é extremamente brilhante.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Prêmios da temporada 2016 da NBA

Curry comemora ao saber do voto do TMW para MVP


Mais uma temporada da NBA chegou ao fim, e com estilo: Golden State quebrou o recorde de mais vitórias em uma temporada (73-9) e tenta completar a temporada mais vitoriosa da história da NBA; San Antonio teve uma própria temporada histórica, igualou o recorde de vitórias em casa do Celtics de 1986 (40-1) e continua o eterno legado de Duncan e Pop; e Kobe Bryant fez sua emocionante e histórica despedida em Utah. Uma temporada para se lembrar.

Mas ela acabou, e enquanto esperamos o começo dos playoffs, enfim chegou aquele tão esperado momento: é hora de distribuir os prêmios de fim de temporada para a NBA.

Como eu e o Vinicius já falamos amplamente dos prêmios individuais na edição 9 do nosso Hack a Cast, e eu já expliquei em muitos mais detalhes a maior parte desses votos, eu vou passar mais rapidamente por estes, falar apenas de alguns pontos que ficaram faltando ou de eventuais mudanças, e então me aprofundar mais nos times All-NBA que não foram comentados anteriormente.

Vale lembrar também que saiu eu e o Vinicius já fizemos a Edição #10 do Hack a Cast, com o preview de todas as séries de playoff! 

Então sentem, relaxem, sigam o Hack a Cast no seu aplicativo de podcasts favorito, e aproveitem a coluna.


Most Valuable Player: Steph Curry

De novo: esse prêmio deveria ser unânime. Não será, porque SEMPRE tem alguém que quer aparecer. Assim como Jordan não ganhou unanimemente em 1996, assim como LeBron não foi unânime em 2013, e por ai vai. Mais um motivo pelo qual esses votos deveriam ser públicos: se você faz um voto tão imbecil assim, todo mundo tem que saber quem você é. Curry se tornou o primeiro membro da história do 50-40-90 club (pra quem arremessa 50% de quadra, 45% de três e 90% nos lances livres) a ter média de 30 pontos por jogo, e fez isso chutando 50-45-90 (só Nash, entre jogadores qualificados, teve números assim antes)! Curry acertou 400 bolas de três em uma temporada, quando ninguém nunca antes tinha chegado em 300. E ele é o melhor jogador da NBA E o melhor jogador do time que acabou de bater o recorde de vitórias da história da NBA. Então tem isso.

Regardless, esse foi de longe o prêmio que a gente mais discutiu no podcast, por isso só queria falar de um último aspecto.

A maior parte da estranheza do meu ballot veio de eu ter colocado Russell Westbrook na frente de Kevin Durant. Em parte, existe uma dificuldade natural de você julgar o MVP de dois jogadores no mesmo time - se ambos são "Mais valiosos", então nenhum é, certo? Faz parte da natureza idiota desse prêmio, e é uma dificuldade a ser contornada. 

Então sim, Kevin Durant é um jogador melhor que Westbrook. O motivo para eu ter votado no armador primeiro e no ala depois é simples: esquema tático. Esse ano, pela primeira vez, o Thunder mudou seu ataque para tornar Westbrook, e não KD, o centro do ataque e o seu organizador (escrevi sobre isso nessa coluna). E por causa disso eu vejo Westbrook como tendo sido um pouco mais importante para a totalidade do que o Thunder fez nessa temporada, controlando a bola, criando e facilitando para seus companheiros. Sem Westbrook, eles poderiam ter mantido KD como centro do ataque e continuado eficientes? Possível. Mas não o fizeram. E por isso eu tenho Westbrook rankeado um pouquínho acima para MVP, embora admitindo que Durant é o melhor jogador do time.

Algumas menções honrosas: Paul Millsap, Kemba Walker, Al Horford, Gordon Heyward, Paul George, James Harden.

Ballot (Top10): 1. Steph Curry; 2. LeBron James; 3. Kawhi Leonard; 4. Russell Westbrook; 5. Chris Paul; 6. Kevin Durant; 7. Kyle Lowry; 8. Damian Lillard; 9. Draymond Green; 10. Isaiah Thomas.


Defensive Player of the Year: Kawhi Leonard

Esse eu mudei um pouco em relação ao que eu falei no podcast. No Hack, eu citei seis jogadores: Kawhi e Dray os indiscutíveis 1-2;  a dupla Gobert/Favors que eu mudei entre #3, #4 e #6 ao longo do podcast; Millsap, #4; e Tim Duncan, #5. 

E entre as menções honrosas, eu citei Avery Bradley, que fez um trabalho fantástico esse ano em Boston, defendendo (e dominando) três posições para a quarta melhor defesa da temporada. Na verdade, eu tinha Bradley no meu Top5 antes das etapas finais, e deixei o SG de Boston de fora por achar que era meu lado torcedor falando mais alto e que não era uma decisão válida.

Mas desde então eu tive mais tempo para pensar e reavaliar essas escolhas, bem como consultar outros especialistas e pegar mais opiniões. E eu percebi que não, escolher Bradley não era fruto de clubismo: ele fez por merecer, e foi de fato um dos melhores defensores da temporada. Então ele volta para onde estava originalmente, #4 no meu ballot. E se você quer ver mais de perto os motivos que fizeram de Bradley um dos melhores defensores da temporada, recomendo fortemente essa genial coluna do ótimo Scott Rafferty.

Infelizmente, isso derrubou Duncan do meu ballot, o que é uma grande pena porque pouquíssimos jogadores foram tão bons defensivamente em um nível por-minutos. O único motivo para ter colocado Duncan fora foram os minutos: Duncan perdeu 22 jogos e jogou apenas 1500 minutos, 400 a menos do que Derrick Favors, meu #5, e Rudy Gobert, meu #7. Acabei dando a margem para Favors pelo maior papel que foi forçado a assumir ao longo do ano, sua versatilidade e maiores minutos que o pivô do Spurs, mas isso de forma alguma apaga o que Duncan fez nessa temporada fantástica. Aos 39 anos, ele continua um dos melhores defensores da liga e é parte fundamental do que o Spurs faz, dentro e fora de quadra.

Por fim, acabei colocando Millsap #3, porque realmente não da para deixar Millsap - que foi um fantástico defensor o ano todo, lider da segunda melhor defesa da liga, versátil e dominante - atrás de jogadores que tiveram 20 jogos e 800 minutos a menos. Foi um erro grave meu que corrijo aqui no meu ballot final.

Então nossa ordem ficou: Kawhi, Dray, Millsap, Bradley e Favors. Com meus eternos perdões a Duncan, eu gostei do resultado final. Algumas menção honrosas: Paul George, Tim Duncan, Rudy Gobert.

Ballot: 1. Kawhi Leonard; 2. Draymond Green; 3. Paul Millsap; 4. Avery Bradley; 5. Derrick Favors.


Rookie of the Year: Karl-Anthony Towns

Vou guardar a maior parte do que eu penso para os All-Rookie Teams, e já falamos muito desse prêmio no podcast, mas queria deixar isso claro: Towns deveria ser unânime. Ele não é o melhor calouro, já é um dos melhores JOGADORES da posição na NBA. Ele é fantástico.

Ballot: 1. Karl-Anthony Towns; 2. Kristaps Porzingis; 3. Nikola Jokic; 4. Justise Winslow; 5. Myles Turner.


6th Man of The Year: Andre Iguodala

No podcast, eu disse que votava em Jamal Crawford em quinto para 6th Man of the Year porque não queria causar uma revolta, mas que eu preferia Ed Davis pelo melhor impacto all-around em um time que dependia mais dele.

Bom, quer saber? Ed Davis entra no meu ballot oficial. Adeus, Crawford. Me processem!

Eu sei que esse prêmio acaba geralmente indo para o jogador que vem do banco, arremessa muito e faz muitos pontos, mas eu acho um jeito idiota de dar esse prêmio. Para mim, é um prêmio para o jogador que vindo do banco mais contribuiu em geral para seu time, da forma como tiver sido. Por isso votei em Iguodala, alguém que não só tem enormes contribuições defensivas e como ballhandler, mas que também é essencial para a identidade versátil e de small ball do Warriors. As estatísticas de Iggy podem não saltar aos olhos, mas seu impacto é imenso no melhor time da NBA.

O caso para tirar Crawford da lista é simples: apesar do alto número de pontos e highlights, ele é um jogador extremamente ineficiente (40 FG%) que dobra como um dos piores defensores da NBA, alguém que literalmente entra só para arremessar a vontade e que pouco contribui em outras áreas. Seus números parecem bons, mas não é difícil ver que as vezes Crawford prejudica tanto quanto ajuda seu time, especialmente na defesa. Por isso prefiro valorizar jogadores mais completos e que tem um impacto coletivo maior como Patrick Patterson e Ed Davis. Qualquer um desses dois faria muito mais falta aos seus respectivos times em caso de lesão do que caras como Crawford.

Embora seja um prêmio que eu não goste, o 6MOY pode ser bastante instrutivo quando trás a tona esse debate, o impacto real de um jogador contra o impacto que acham que ele tem. Algumas menções honrosas: Crawford, Tristan Thompson, Enes Kanter.

Ballot: 1. Andre Iguodala; 2. Evan Turner; 3. Patrick Patterson; 4. Will Barton; 5, Ed Davis


Most Improved Player: Stephen Curry

Em geral, minha política para esse prêmio é não votar em jogadores nos seus três primeiros anos de NBA -  afinal, para jogadores tão jovens é totalmente esperado que mostrem evolução. Mas McCollum e Giannis mostraram muita evolução, e não eram escolhas tão altas assim. Eu estava na dúvida sobre o que fazer com eles até lembrar que esse é o prêmio mais idiota da NBA e eu não deveria perder tempo com ele. Então entram os dois e ponto.

Sobre Manhimi, sua evolução provavelmente foi a mais "real", e não apenas um aumento de minutos e responsabilidade: antes um pivô brucutu que não sabia fazer muitas coisas, esse ano Manhimi foi a ótima âncora de garrafão do Pacers, fazendo passes difíceis, leituras inteligentes em alta velocidade e mostrando um muito evoluído jogo de meia distãncia. Foi realmente impressionante, um jogador que realmente mudou sua skill set, e merece ser reconhecido.

Mas meu voto ainda é de Curry, por um simples motivo: é muito mais difícil evoluir quando você já é talvez o melhor jogador da NBA e o MVP. Marginalmente, a evolução é muito mais difícil. Curry fez exatamente isso, e por isso tem meu voto. 

Ballot: 1. Stephen Curry; 2. CJ McCollum; 3. Jae Crowder; 4. Ian Manhimi; 5. Giannis Antetokounmpo; 6. Draymond Green.


Coach of the Year: Brad Stevens

Para os preguiçosos que NÃO ouvirão o podcast, eu tenho duas regras para o prêmio esse ano:

1. Greg Popovich é o melhor técnico da NBA. Ponto. Ninguém é melhor mantendo um time junto, fazendo ajustes e vencendo jogos. Ele deveria ganhar todo ano. Então, por esse motivo, eu parei completamente de considerá-lo nos meus ballots. Ele será o Coach of the Year de fato todo ano, então eu o considerarei como hour concour para efeitos de discussão.

2. Eu não faço ideia do que fazer com Steve Kerr e Luke Walton. Cada um foi técnico por só metade da temporada, de um time que não perde nada com um ou outro, mas que por outro lado pode ter sido o melhor da história da temporada regular da NBA. Então, como não sei o que fazer aqui, vou deixar os dois de fora da lista e incluí-los nessa nota para admirar a temporada fantástica que ambos tiveram no comando do melhor time da NBA.

Ditos esses dois pontos, o fato desse prêmio é que qualquer um dos três primeiros dessa lista seria um merecedor do título. Stevens, Stotts e Clifford todos fizeram trabalhos magníficos com times limitados, tiveram grandes campanhas, superaram as expectativas e foram dos melhores da liga fazendo ajustes diariamente e adaptando a diversas situações. Meu voto por Stevens possivelmente tem um ligeiro viés de Boston - afinal, eu vi quase todos os jogos de Boston no ano e acompanhei mais de perto o seu trabalho - mas também é o técnico do melhor time dos três. Mas qualquer um deles teria sido uma ótima opção.

Menção válida também para Carlisle, que ano sim, ano não ta lá tirando 40 vitórias e uma vaga nos playoffs de times cada vez mais limitados de Dallas. Você poderia cercar Dirk de quatro blogueiros brasileiros que Carlisle ainda arrancaria uma vaga nos playoffs. Ele é um gênio.

Casey também teve ótimo trabalho, mas cai para quinto pela força dos outros candidatos e por eu ter achado que sua abordagem na reta final da temporada vai custar ao time nos playoffs.

Ballot: 1. Brad Stevens; 2. Terry Stotts; 3. Steve Clifford; 4. Rick Carlisle; 5. Dwayne Casey.


Teams All-NBA

1st Team: Stephen Curry, Russell Westbrook, LeBron James, Kawhi Leonard, Draymond Green

2nd Team: Kyle Lowry, CP3, Kevin Durant, Paul Millsap, Al Horford

3rd Team: Damian Lillard, James Harden, Paul George, LaMarcus Aldridge, DeAndre Jordan


A NBA recentemente liberou que os votantes de times All-NBA votassem em Draymond Green como um Center, o que me evitou do extremo incômodo de derrubá-lo para o 2nd Team All NBA e ter que colocar Horford ou Jordan no 1st Team - ambos bons jogadores, mas não de 1st Team All NBA.

O problema é que as opções de costume não estavam disponíveis: Cousins perdeu muito tempo, jogou em segunda marcha (especialmente na defesa) durante muito tempo, e foi um dos grandes responsáveis pelo caos que foi o Kings dessa temporada; e Marc Gasol perdeu a maior parte do ano machucado. Então colocando Green de Center - onde ele jogou durante boa parte da temporada, inclusive na famosa Lineup of Death, a mais devastadora da NBA moderna (Curry, Klay, Iggy, Barnes e Draymond) - resolve os dois problemas: achar um Center para o 1st Team All-NBA, e achar um lugar para Draymond Green (um dos dois melhores defensores da NBA, 14-9-7 de médias, quase tão importante quanto Steph Curry para um time que acabou de vencer 73 jogos) no 1st Team All-NBA que ele merece.

Mas, infelizmente, não teve gambiarra posicional que me salvasse da cruel decisão de deixar de fora do 1st Team um do trio LeBron, Kawhi e Durant, já que o time só nos permite 2 Forwards,

No final, eu decidi por deixar Durant de fora, com dor no coração. LeBron foi meu #2 para MVP e é para mim o segundo melhor jogador da liga com uma boa margem ainda, mas entre Kawhi e Durant foi uma briga boa. Eu acho KD o melhor jogador dos dois, mais capaz de carregar diariamente um time como alpha dog, mas na totalidade do ano, eu acho que Leonard foi ligeiramente melhor pelo seu impacto imenso nos dois lados da quadra por um time superior, enquanto o fantástico Durant ainda teve alguma adaptação de dividir cada vez mais as chaves do ataque com Westbrook. Mas, realmente, é uma decisão marginal, e mais uma questão de opinião. Não tem como ir errado nela.

Então Durant acabou escorregando para o 2nd Team All-NBA junto de Paul, Lowry (#5 e #7 no meu ballot para MVP, respectivamente) e Paul Millsap, que foi #3 na minha votação para melhor defensor da temporada e foi meu último corte no ballot para MVP. 

No terceiro time, junto de Lillard (#8 para MVP), Paul George (penúltimo corte antes de Millsap) e Aldridge (excelente impacto dos dois lados da quadra para um time que venceu 67 jogos), eu coloquei James Harden ao invés de Isaiah Thomas, que foi #10 no meu ballot para MVP.

Por mais estranho que isso pareça, eu achei uma conclusão válida. Meu argumento para Isaiah na corrida para MVP se baseava no conceito de "Mais valioso": o ataque inteiro de Boston era baseado em uma quebra inicial da defesa, e Isaiah era praticamente o único jogador do time capaz de fazer isso, o que significa que toda a responsabilidade de iniciar as ações ofensivas do time dependiam do baixinho, fazendo dele um jogador extremamente valioso para o Celtics. Mas individualmente, Harden ainda é superior. Sua candidatura a jogador "mais valioso" cai por conta da falta de vontade e fraca liderança, que acaba tendo um efeito dominó pelo plantel, mas também é preciso ver o outro lado da moeda: Harden jogou minutos sobre humanos (liderou a NBA com 3125 no ano) e é o único jogador de criar no ataque de Houston, o que significa que ele teve que criar o tempo todo (e por mais tempo que qualquer outro) para que seu time pudesse sequer sobreviver. De certa forma, da até uma certa justificada em sua falta de dedicação e energia na defesa e nos contra ataques. Harden tem sua culpa na temporada abismal de Houston, mas também foi alguém que segurou as potnas muitas vezes, teve 29-7.5-6 de médias e precisou fazer muito mais do que seria ideal pedir dele. Achei que mereceu a última vaga.

Quanto aos pivôs, depois de Green no 1st Team All NBA, eu tive três nomes para as últimas duas vagas: Al Horford, provavelmente o melhor Center all-around da temporada; DeAndre Jordan, cuja defesa se tornou tão overrated que fez as pessoas esquecerem do quão destrutivo o pivô é ofensivamente cortando na direção do aro; e o calouro, Karl-Anthony Towns, que teve 19-10 de média, arremessou de meia distância e de três, e já é um bom defensor.

No final, eu acabei optando pelo maior impacto em times bons de Horford e DeAndre. É mais fácil jogar em times ruins e com mais liberdade, mas para manter a mesma atuação se mantendo fiel a um esquema de jogo mais consolidado e precisando desse impacto para vencer jogos é mais difícil e merece mais créditos. Horford acabou ficando no 2nd Team (junto de Millsap foram os pilares da segunda melhor defesa da temporada, além de ser um dos mais completos jogadores de garrafão ofensivamente da NBA, capaz de jogar perto e longe da cesta, passar e arremessar), e DeAndre e suas enterradas ficaram no 3rd Team. Por mais que eu quisesse valorizar a temporada incrível de Towns, essa me pareceu a montagem mais justa dos times. 

Cortes finais e mais difíceis: Isaiah Thomas; Klay Thompson; Kemba Walker; John Wall; Gordon Heyward; Jimmy Butler; Derrick Favors; Anthony Davis; Andre Drummond; DeMarcus Cousins; Tim Duncan; Hassan Whitesite.


Teams All-Defense

1st Team: Ricky Rubio; Avery Bradley; Kawhi Leonard; Paul Millsap, Draymond Green

2nd Team: Chris Paul, Jimmy Butler, Paul George, Derrick Favors, Tim Duncan


Eu já falei bastante em outros momentos - em especial no podcast - sobre 4 dos 5 membros do 1st Team All-Defense: Bradley, Kawhi, Millsap e Draymond Green, todos no meu Top5 para Defensive Player of the Year. Então vamos falar do quinto membro: Ricky Rubio.

Até hoje, Rubio continua criminalmente underrated, especialmente na defesa. Talvez por ele ser branco, europeu e pouco atlético, mas as pessoas parecem ter algum bloqueio para enxergar o defensor incrível que Rubio é. A verdade é que o espanhol talvez seja o melhor PG defensivo da NBA quando saudável, um defensor extremamente físico e inteligente que consegue acompanhar mesmo os mais velozes armadores da NBA. Rubio usa sua inteligência e capacidade de antecipação para ficar um passo à frente do ataque, sempre chegando na hora ou até antecipado nos lugares certos, atrapalhando os ataques e conseguindo diversos roubos de bola no processo. Já passou da hora de Rubio ser reconhecido por sua fantástica defesa.

No 2nd Team temos defensores mais chamativos: Butler e George são consagrados defensores de perímetro; Favors o último membro do meu ballot para DPOY; e Duncan é só um dos melhores defensores da história da NBA que consegue manter um altíssimo nível mesmo aos 39 anos e ainda é a âncora interior da melhor defesa da temporada e uma das melhores da história. Paul é um exemplo de jogador que entrou no time ano passado baseado em reputação e não em produção, já que sua temporada defensiva deixou a desejar em 2015, mas voltou a jogar em altíssimo nível desse lado da quadra em 2016 e poderia até mesmo ter um argumento para desbancar Rubio do 1st Team.

A posição de guard, inclusive, foi a mais difícil (além de decidir entre Duncan e Gobert para 2nd Team Center). Tony Allen teve um ano irregular e perdeu jogos, mas ainda é um dos 3 melhores defensores de perímetro da  NBA quando joga a 100%;  Kentavious Caldwell-Pope emergiu essa temporada como um dos melhores guards defendendo PGs da liga; e Marcus Smart é uma mistura de um pitbull com uma bola de boliche. Todos eles poderiam ter roubado a vaga de Paul nesse 2nd Team All Defense, mas no final optei pelo maior impacto cumulativo e consistente de CP3. Todos seriam boas opções.

Ausências mais difíceis: Marcus Smart; Tony Allen; Kentavious Caldwell-Pope; Jae Crowder; Al Horford; Rudy Gobert.


Teams All-Rookie

1st Team: Justise Winslow; Myles Turner; Nikola Jokic; Kristaps Porzingis; Karl-Anthony Towns

2nd Team: Emmanuel Mudiay; D'Angelo Russell; Devin Booker; Jahlil Okafor; Willie Cauley-Stein


Se você quer saber se seu amigo acompanha NBA de verdade e/ou entende alguma coisa de basquete, pergunte pra ele casualmente se Nikola Jokic deveria entrar no 1st Team All-Rookie. Se a resposta for não - ou até se ela demorar para vir, na verdade - então você sabe que esse seu amigo não está acompanhando NBA assim tão de perto. Jokic teve um ano fantástico, e não só é um no-brainer para 1st Team como o europeu tem até mesmo um caso para roubar o #2 de Porzingis, embora não serei eu a fazê-lo. Mas Jokic - que caiu para a segunda rodada do Draft por "falta de atleticismo" - se mostrou o pivô perfeito para a NBA moderna, um grandalhão capaz de proteger o aro (adversários tiveram o mesmo aproveitamento arremessando perto do aro contra Jokic que contra Towns) e defender em alto nível (compensando a falta de atleticismo com mobilidade e inteligência) e espaçar a quadra no ataque: bom arremessador com alcance até a linha dos 3Pt, passador de elite para seu tamanho, extremamente versátil. Não é coincidência que Denver foi um time -7.5/100 posses com o sérvio no banco, e +1.2/100 posses com ele em quadra. Jokic foi um monstro em 2016 e, talvez pelo preconceito com calouros europeus, talvez por jogar em um esquecido time do Nuggets, não recebeu o reconhecimento que merecia do grande público.

Sobre Towns, eu já falei bastante no podcast e na coluna: sua combinação de defesa, tamanho, arremesso, capacidade de atacar o aro e passe é única e faz dele um dos ativos mais valiosos da NBA. Não é exagero dizer que Towns talvez já seja um dos 20, 25 melhores jogadores da liga hoje.

Porzingis é outro no-brainer, embora tenha acabado sendo ligeiramente overrated pela mídia, em parte por jogar em New York. Sua defesa, mobilidade e versatilidade foram ainda superiores ao que esperávamos, mas seu arremesso de fora não mostrou a evolução esperada, e sua produtividade foi caindo ao longo do ano. Não é nenhum problema para um calouro, claro, e seu ano ainda foi excelente e o potencial é de ser uma estrela na NBA, mas sempre é importante lembrar de ter calma.

Esses três eram as escolhas óbvias, que não podem faltar em nenhum time digno de nota.

Depois desses, ainda faltavam dois lugares, e é quando entramos naquele interessante e difícil debate: como valorizar devidamente jogadores em situações tão extremas e diferentes? Por um lado, você tem jogadores como Devin Booker, que tem números melhores e maior destaque individual, mas por jogarem em times ruins e sem nenhuma aspiração, que tem liberdade para fazerem o que bem entenderem. Por outro, tem jogadores como Justise Winslow, que não tem os números e muito menos liberdade para produzirem individualmente, mas que tem que se adaptar a um esquema mais "sério" e jogar não com liberdade, mas se adaptando e produzindo dentro de um esquema específico voltado para vencer jogos.

Eu pessoalmente valorizo mais o segundo: vários calouros talentosos tem condições de postar números impressionantes se deixados livres para produzir e errar sem compromisso, mas conseguir produzir (para si e para o time) dentro de um contexto específico, contribuindo para um time vencedor em busca de resultados, é muito mais difícil. Por isso que minhas duas últimas vagas no 1st Team All-Rookie foram para Myles Turner e Justise Winslow, dois calouros com números individuais apenas sólidos mas que tiveram enorme impacto dos dois lados da quadra e foram cruciais para dois times de playoffs na temporada (para mais detalhes, escutem o podcast).

E isso não é para diminuir Booker, que teve uma boa temporada e mostrou um jogo de pick and roll muito mais avançado do que se esperava, e que não teve a chance de mostrar em Kentucky (embora, para ser justo, sua defesa foi péssima). Nos seus últimos 22 jogos, Booker teve médias de 21 pontos e 5 assistências. Bastante impressionante mesmo considerando os 4 turnovers e 18 arremessos por jogo. É só que é mais fácil fazer isso em um time como Phoenix, que já tinha desistido da temproada e não tinha intenção de ganhar jogos mais, o que permitiu a Booker fazer o que bem entendesse.

Mudiay foi uma decisão difícil, pois a produção do armador do Nuggets deixou a desejar: seu arremesso foi péssimo (36.4 FG%) e foram 3.2 turnovers por jogo para alguém que as vezes pareceu genuinamente perdido. Ainda assim, Mudiay ganha o benefício da dúvida por um motivo semelhante a Winslow e Turner: desde o primeiro dia, Mudiay teve que aguentar uma responsabilidade enorme e conduzir o show para um time que estava seriamente tentando vencer jogos e mudar a cultura. Mudiay não tinha a liberdade de errar como outros, ele precisava jogar para o time e produzir resultados coletivos, e dado esse cenário ele foi até bastante produtivo.

Outro armador difícil de julgar é D'Angelo Russell, especialmente depois do escândalo envolvendo ter vazado um áudio no qual Nick Young confessou ter traído sua esposa/noiva (sim, eu estou por fora das fofocas do mundo da NBA). Seus pontos altos na temporada foram ótimos, mas os baixos também foram bastante baixos, e sua temporada provavelmente ficará mais marcada pelos problemas com o técnico e Young do que pela sua produção. Ao mesmo tempo, no entanto, eu sinto que precisamos dar um desconto a Russell, que se encontrava na pior situação possível: seu técnico era o pior da história recente da NBA, jogando junto de vários outros ballhandlers em um elenco fraquíssimo, por uma franquia incompetente que estava mais interessada em promover a despedida de Kobe do que em desenvolver algo semelhante a um time. Era uma situação sem saída, e dadas as circunstâncias, Russell até que jogou muito bem.

Okafor também é um caso difícil, tendo perdido boa parte da temporada, se envolvido em problemas extra campo, perdido totalmente sua habilidade nos passes e mostrado talvez a pior defesa de qualquer jogador que eu vi na temporada. Then again, sua capacidade de pontuar é incrível, sua média de pontos foi a segunda melhor entre calouros, e existe um limite para as coisas que um homem consegue fazer jogando no desastre que foi o Sixers desse ano. Considerando a total falta de espaçamento, ajuda ofensiva e defensiva, falta de um armador puro para ajudar a conseguir bons arremessos, os 17.5 pontos por jogo em 50.8 FG% de Okafor parecem quase milagres.

A última vaga então ficou entre alguns bons jogadores que tiveram menos espaço no ano: Willie Cauley-Stein, Josh Richardson (infelizmente não teve os minutos), Trey Lyles (demorou para ganhar espaço, inconsistente na defesa), Frank Kaminsky e mais alguns. No final, acabei optando por Stein, que também teve que superar uma péssima situação (um Kings extremamente disfuncional com um técnico mais interessado em atrapalhar que ajudar) para brilhar, especialmente na defesa, onde ele é surreal. Mas qualquer um seria uma opção válida nessa última vaga. Simplesmente uma classe fantástica de calouros.



Ausências mais difíceis: Trey Lyles, Frank Kaminsky, Josh Richardson, TJ McConnell, Bobby Portis.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Hack a Cast #9 - Prêmios da temporada 2016




Tem podcast novo no Two-Minute Warning, e esse com uma novidade importante!

Agora o Hack a Cast possui uma página no Soundcloud, de onde você poderá acessar (por enquanto ainda não) todos os podcasts que gravamos!

Isso significa que, a partir de amanhã, você também poderá baixar todos os nossos podcasts a partir do iTunes ou do seu aplicativo de podcasts favorito.

Foi um passo novo que demos com o nosso Hack a Cast para torná-lo mais profissional e facilitar o acesso de vocês, ouvintes, melhorando a experiência de vocês. Então curta e assine o Hack a Cast, que deve ter conteúdo novo semanalmente até o fim da temporada!!

(Update: O Hack a Cast já está disponível no aplicativo WeCast. Caso você use alguma aplicativo que até terça não tenha nosso podcast, nos avise!)

Nessa Edição #9 do Hack a Cast, eu e o Vinicius discutimos as últimas brigas restantes por posição na temporada, as implicações delas para os playoffs, e claro, terminamos falando dos prêmios individuais da temporada 2016 da NBA: MVP, Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, 6th Man of the Year, Coach of the Year e Most Improved Player.

Escute e não esqueça de assinar o Hack a Cast!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Prêmios e previsões da temporada 2015 da NFL

E o prêmio de pior jogada de 2015 vai para... (Gif do genial Dave Rappoccio)


Para quem não lembra, no começo do ano eu fiz um post com minhas muitas previsões embasadas para a temporada 2015 da NFL E uma coluna para o Spin Bet com minhas apostas de Vegas para a temporada. Então antes de partir para nossa tradicional coluna distribuindo os prêmios individuais do futebol americano - sabe, os velhos MVP, Offensive Player of the Year e por ai vai - vamos dar uma olhada em como eu me sai nos meus palpites da preseason.


Palpites da preseason

O Time Que É o Grande Candidato A Regressão: Detroit Lions

Bem, o Lions de 2014 terminou 11-5, mas com uma tabela fácil (9th mais fácil da NFL) e com 9-7 de Pythagorean Expectation, um famoso sinal de regressão. Além disso, o time perdeu dois dos seus principais jogadores da sua maior força (a defesa), Ndamukong Suh e Nick Farley (e, pra piorar, DeAndre Levy teve uma lesão não muito bem esclarecida na preseason e acabou perdendo a temporada toda). Era um alvo fácil para regredir em 2015. Dito e feito, Detroit regrediu dos dois lados da bola, sofreu defensiva e ofensivamente com as perdas que teve, e terminou o ano com um decepcionante (mas previsível) 7-9 que está alinhado com sua Pyt Expectation. Então começamos bem.

(Minha menção honrosa da coluna? Arizona Cardinals. Vamos fingir que isso nunca aconteceu?)


O Time Que Promete Explodir Mas Decepciona: Miami Dolphins

I'm on fire!!

Antes da temporada começar, eu citei que apesar da bombástica contratação de Ndamukong Suh o Dolphins não me passava confiança. Para justificar esse ponto, argumentei que o time estava comprometendo muito dinheiro para um jogador só, sendo que a equipe ainda tinha muitos buracos a serem tapados (e não teriam mais cap para corrigir isso com o contrato monstruoso de Suh ocupando tanto espaço), comprometendo a profundidade da equipe. Também citei que a famosa "evolução" de Ryan Tannehill em 2014 tinha sido bastante overrated, mais devido a um novo esquema tático que a  uma evolução do jogador, e que não deveríamos esperar uma explosão do jovem QB em 2015.

Bem... bingo! Apesar da inconsistência, Suh teve uma temporada dominante, mas isso não foi suficiente para impulsionar uma defesa que simplesmente carecia de talento atrás de sua nova estrela, especialmente depois que Cameron Wake foi parar no IR. Tannehill também me fez parecer um profeta, regredindo em todas as áreas do jogo e tendo uma desastrosa temporada, terminando o ano com QBR de 43 (32nd entre 37 QBs qualificados). Foi um ano jogado fora: o técnico caiu logo no começo do ano, o GM seguiu antes do fim da temporada, e agora parece que o próprio Tannehill pode deixar o time em breve (a informação que chega é que essa decisão estará nas mãos do novo técnico, o que não é exatamente um voto de confiança para o QB). Eu apostei contra o time, mas não esperava esse desastre.

Vale citar também que eu acertei também na minha menção honrosa, o Buffalo Bills, mas por motivos bem diferentes do que eu imaginava. Achei que o fator limitante seria o ataque liderado por Tyrod Taylor, mas bizarramente o Bills teve um dos melhores ataques da liga (#9 na NFL), Taylor foi uma revelação (63.7%, 8.0 Y/A, 20 TDs, 6 interceptações, 67.84 QBR) e o que derrubou o time foi justamente sua famosa defesa, que terminou como #2 da liga ano passado mas despencou para #24 nessa temporada depois de se juntar a um HC que é uma das melhores mentes defensivas da história da NBA. Extremamente bizarro. 


O Jogador Desconhecido Que Explode No Lugar Certo: Joseph Randle

Esse foi um grande fiasco. Apostei no Randle por confiar na linha ofensiva de Dallas, que poderia fazer um RB decente ter números de estrela e ganhar algumas ligas de fantasy. Mas não deu nada certo: Romo se machucou (e afundou o ataque de Dallas junto), Randle teve apenas 73 corridas em 6 jogos para 313 jardas (fracas 4.1 jardas por corrida), batalhou problemas extra-campo antes de ser dispensado na semana 7 e agora acaba a temporada sem time. Funhé.


Jogador Subvalorizado Que Estoura Na Situação Certa: DeAndre Hopkins

Já fazia um ano que Hopkins era um dos melhores WRs da NFL, mas por ainda dividir alvos com o futuro Hall of Famer Andre Johnson (e por jogar no fraco Texans) pouca gente prestava atenção no quão incrível Hopkins estava se tornando. Sem Johnson, Hopkins finalmente explodiu e recebeu a atenção nacional que merecia já faz um ano: 111 recepções (#3 na NFL), 1521 jardas (idem), 11 Touchdowns (#7 na NFL) e algumas das recepções mais incríveis da temporada. E isso tudo passando a temporada recebendo passes do verdadeiro festival que foi a posição de QB do Texans: Brian Hoyer, Ryan Mallett, TJ Yates, Brandon Weeden e BJ Daniels (eu juro que não inventei esse nome) chegaram a jogar atrás do Center por Houston essa temporada. Imagina o quão bom esse cara poderia ser com um QB de verdade. Considerando essa seleção de QBs, é possível argumentar que Hopkins na verdade foi o melhor WR de 2015 apesar dos números piores que Antonio Brown e Julio Jones (hold that thought...). Talvez não seja eu a fazê-lo, mas o argumento existe. Regardless, foi uma temporada fantástica que enfim colocou Hopkins no mapa do fã casual de NFL. E já era hora!


A Grande Contratação Que Fracassa: Julius Thomas

Eu juro por tudo que é sagrado que eu tinha DeMarco Murray como minha aposta nessa seção até a revisão final da coluna, mas não tive os culhões para ir até o fim apostando no fracasso do ex-RB de Dallas. Me chutei o ano todo por isso. Pelo menos acertei a menção honrosa citando outra contratação do Chip Kelly que deu errado, Byron Maxwell, que recebeu 50M de dólares para ser o CB #1 da equipe e cedeu um rating de 100.3 para QBs que lançaram na sua direção. Obrigado pelos alvos fáceis, Chip. 

Sobre Julius Thomas, basicamente aconteceu o que eu esperava dele: um jogador totalmente unidimensional que não bloqueia, não move as correntes e só serve basicamente como alvo na end zone. 46 recepções para 455 jardas não são desprezíveis para um TE, mas também não valem um contrato de 46M em nenhum lugar do mundo para um jogador que não contribui em outras áreas. Por outro lado, Thomas pegou 5 TDs, então ele cumpriu parte do papel pelo qual está sendo pago, ainda que o Jaguars possivelmente esperasse algo mais próximo dos 12 que teve de média nos últimos anos em Denver. Não foi totalmente inútil, mas por 46M por ano, é muito pouco. Não sei o que o time esperava de diferente com essa contratação, para ser sincero.


O Jovem Time Que Explode de Produção: Minnesota Vikings

Essa foi a aposta mais divertida de acompanhar ao longo do ano. No começo da temporada, tirando uma derrota para San Francisco que fica mais inexplicável a cada dia que passa, o Vikings parecia que me faria parecer esperto, ganhando vários jogos e liderando a divisão... mas eu não estava satisfeito, porque assistindo aos jogos parecia bem claro que o time não estava JOGANDO tão bem assim, não estava produzindo como eu esperava em quadra. Sempre defendi que número de vitórias na temporada é um critério fraco pra avaliar nível de jogo de um time. O time estava ganhando, mas não jogando bem.

Dai passou um ponto da temporada onde o calendário do Viks apertou, o time começou a perder mais jogos... mas eu estava absolutamente feliz porque finalmente Minny estava jogando como eu esperava. Mesmo com múltiplas lesões a alguns dos seus melhores jogadores (Harrison Smith, Anthony Barr, Linval Joseph, Adrian Peterson), o time evoluiu dos dois lados da bola, Bridgewater voltou a parecer o Franchise QB do final do ano passado (65.3% de aproveitamento, 7.2 Y/A, 62.71 QBR na temporada sem receber NENHUMA atenção da mídia apesar de não ter um bom grupo de WRs ou uma linha ofensiva decente), e o time subiu de 27th DVOA para 11th ao final da temporada. Eventualmente, Minnesota venceu Green Bay na semana 17 para conquistar seu primeiro título da divisão desde 2009, coroando sua temporada. Mas, mais importante para mim, estão jogando como o jovem time em ascensão que eu queria ver desde Agosto.


O Nome Grande Que Cai Em Um Time Novo: LeSean McCoy

Difícil dar um parecer sobre essa. Eu esperava que McCoy caísse em Buffalo atrás de uma linha ofensiva que vinha sabotando seus próprios RBs e sem um QB competente para abrir espaços, jogando em um esquema ofensivo que não jogava a favor das suas forças. E não foi bem o que aconteceu - ainda que ninguém vá dizer que McCoy teve um grande ano, difícil dizer que ele foi um fracasso completo. O maior problema de Shady foram as lesões, perdendo 4 jogos e vários outros snaps, dividindo mais toques do que o antecipado e em geral não participando tanto do ataque quanto em Philly. No final, terminou com 12 jogos, 895 jardas corridas e 292 recebidas, além de medianas 4.4 jardas por corrida com 5 TDs e 2 fumbles. Não foi um destaque, mas também não foi um desastre depois de um começo que parecia indicar nessa direção. McCoy caiu de fato de produção, mas não tanto quanto eu esperava, e parte disso veio de lesões... e por outro lado, ele provavelmente foi pior na temporada que Karlos Williams atrás da mesma linha ofensiva. Então meio certo para mim.


Então foram cinco acertos, um erro grosseiro, e um meio certo. Estou bem satisfeito com meu desempenho, afinal. Vamos passar rapidamente pelas apostas de Vegas antes de ir para os prêmios da temporada...


Baltimore Ravens vencendo a divisão (2.5)

Meu pior erro da temporada - o Ravens foi a maior decepção de 2015, o Bengals um dos melhores times, e o Steelers chega nos playoffs milagrosamente apesar de uma temporada marcada por lesões. Não tem nem o que falar aqui.


New England Patriots vencendo a divisão (1.5)

Absurdo (e duplamente em retrospecto dado como a temporada acabou) pensar que o Patriots vencendo a divisão pagava mais em Agosto/Setembro do que Colts, Seattle ou o Packers vencendo as suas, embora fosse a mais segura das quatro apostas. So there. Eu entendo que o fenômeno Deflategate tenha influenciado aqui, mas uma vez que a suspensão de Tom Brady foi revertida, não deveria ter nenhuma margem para dúvida de que essa divisão já tinha dono. De novo. Aposta mais fácil da temporada.


Carolina Panthers vencendo a divisão (3.75)

Bizarramente, eu confiava no Saints vencendo a divisão, mas a diferença nas odds (3.75 para o Panthers, menos de 2.8 para Falcons e Saints) me fez acreditar que valeria mais a pena apostar no Panthers e sua defesa do que nos adversários. A defesa do Panthers fez valer minha aposta... só que dai o ataque também, e Cam Newton jogou como um MVP, e de repente o Panthers estava 14-0 e caminhando para uma temporada invicta. E eu vou fingir de agora em diante que apostando neles significava que eu acreditava desde o começo. E vocês também, se alguém perguntar.


Minnesota Vikings vencendo a divisão (8.0)
Green Bay Packers #1, Minnesota #2 na NFC South (3.6)

Hell yeah baby!!

Essa era uma aposta dupla - eu achava que Green Bay levava a divisão, mas achava que seria apertado o suficiente sem Jordy Nelson para os 8 para 1 de Minny valerem a pena. E para quem não via chance do Packers perder, tinha a segunda parte que te garantia um retorno mais seguro. Ao total, eu tinha 99% de certeza que uma delas estaria certa salvo um desastre, então apostando nas duas você tinha quase certeza de lucro. Com Minny e Green Bay se enfrentando na semana 17 valendo a divisão, de repente é a semana mais divertida da minha vida de apostador, com um payoff de 8 para 1 na linha e a certeza de ganhar no final. E Minnesota me vindicou vencendo a divisão com estilo. So there!


Tom Brady para MVP (19.0)

Eu odeio apostar em prêmios individuais por ser tão imprevisível (que tinha Cam Newton e Carson Palmer disputando o MVP na Semena 17?!), mas a 19 para 1 e revertida sua suspensão o payoff era grande demais para não valer a pena. E durante algum tempo parecia que eu tiraria a sorte grande nessa. Dai Gronk e Edelman machucaram, o Patriots caiu, o Panthers não e Cam Newton continuou elevando seu jogo. Uma pena, foi uma boa aposta, mas só um milagre salva.


Mark Ingram liderando a liga em jardas terrestres (41.0)

É, essa foi péssima. Era só uma aposta long-shot pelas odds. Mas Ingram terminou o ano no IR e com 769 jardas na temporada, o que passou bem longe de fazer valer minha aposta.

O que mais me irrita é ver que Ingram teve 4.6 jardas por corrida - número maior que Adrian Peterson, que lidera a liga pelo chão - e sonhar que Ingram teria uma chance se a defesa do Saints não fosse uma vergonha histórica e o time tivesse o tempo todo que jogar atrás no placar. E se Mark Ingram não tivesse pernas de papiê-machê. Ou é o que eu digo para mim mesmo. 


DeAndre Hopkins liderando a liga em jardas recebidas (23.0)

Hopkins terminou o ano em terceiro apesar do souflé de mediocridade que foi a posição de QB da sua equipe, e possivelmente teria vencido a aposta se a) Brian Hoyer não se machuca e b) Julio Jones e Antonio Brown não fossem marcianos. Acontece. A 23 para 1 achei uma ótima aposta mesmo já sabendo de antemão das dificuldades de quarterback da equipe.


Resultado final
Apostados: U$ 180,00
Retorno: U$ 375,00
Saldo: U$ 195,00

Obrigado, Minnesota!

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Bem, essas foram minhas apostas das preseason. Digamos que eu mandei bem até. E agora, sem mais enrolar, vamos passar para os prêmios individuais da temporada 2015 da NFL. Como sempre, vamos deixar de fora Coach of the Year porque eu detesto esse prêmio, mas se quiserem discutir nos comentários se o vencedor deveria ser Ron Rivera ou Bruce Arians, fiquem a vontade.

Prêmios individuais para a temporada 2015 da NFL


Comeback Player of the Year: Eric Berry

É, eu sei que esse é um prêmio extremamente subjetivo, que tem diversas interpretações, que cada um pode usar seus próprios critérios... que seja. Só saiba que, se Eric Berry não ganhar esse prêmio depois de vencer um câncer e voltar para ser um dos melhores safeties da NFL em 2015, nós cometemos um erro e é isso.


Defensive Rookie of the Year: Leonard Williams

Não foi a melhor corrida para Defensive Rookie of the Year que eu já vi. Ao final do ano, pelo menos tínhamos dois bons candidatos ao prêmio, mas a profundidade da disputa deixou um pouco a desejar. Bons jogadores, alguns com bons números, mas poucas performances dominantes. Ou vai ver eu que fiquei mal acostumado depois da classe com Kahlil Mack, Aaron Donald e Chris Borland ano passado (btw, dois desses ainda aparecerão nessa coluna. Fiquem ligados!). Pode ser isso.

Entre os calouros defensivos, quem mais chamou a atenção foi o CB Marcus Peters, de Kansas City, que quase gerou uma revolução nas minhas menções no twitter quando deixei ele de fora do prêmio. Peters chamou a atenção principalmente por liderar a liga em interceptações (com 8) e TDs defensivos (2), o tipo de jogador que faz jogadas espetaculares, aparece bastante nos highlights da rodada e atrai o olhar dos fãs, ao ponto que foi o único calouro defensivo a ir para o Pro Bowl (Todd Gurley e Tyler Lockett os outros). Mas eu tenho minhas dúvidas sobre Peters: o calouro sem dúvida foi um fator no jogo aéreo, jogando de forma muito agressiva nas linhas de passe... mas até demais. Sua agressividade gerou interceptações e touchdowns, mas também tirou Peters de posição vezes demais, tornando-o o tipo de jogador tudo-ou-nada, ou chegava na bola pra cortar o passe ou tomava uma big play nas costas. Pelo tanto que ele trouxe para o time, ele também teve um custo alto: ele foi o segundo CB que mais cedeu TDs (8) e jardas (939) na temporada, e o sétimo com mais faltas (9). Para ser justo, Peters melhorou bastante nisso ao longo do ano, mas avaliando o total, sua temporada não foi tão impressionante quando pareceu à primeira vista apesar de todo seu talento.

Se estamos discutindo CBs calouros, eu prefiro a temporada de Ronald Darby (Bills), que não se destacou tanto em interceptações ou jogadas de efeito, mas teve um impacto muito mais sólido e consistente ao longo da temporada, marcando WRs tops, cedendo poucas jardas (apenas 6.2 jardas por passe lançado na sua direção, mesma marca do candidato a DPOY Tyrann Mathieu), segurando QBs a um rating de 78 e cometendo pouquíssimos erros no processo - foi simplesmente uma temporada mais eficiente, que agregou mais o time do que o estilo 8-ou-80 do Peters. Avaliar CBs depende muito de assistir aos jogos, e assistir Peters e Darby foram duas experiências muito divertidas (e diferentes) ao longo do ano, mas a impressão que eu tive é que Darby simplesmente foi melhor ao longo do ano. Isso não quer dizer que ele seja um jogador melhor, ou que será um jogador melhor, mas se estamos avaliando 2015, Darby foi superior. Ele é meu segundo colocado no ballot com méritos.

Mas meu voto vai para Leonard Williams, o DE do Jets que bizarramente caiu para #6 no Draft apesar de ser considerado amplamente o melhor jogador do recrutamento. Desde o primeiro dia Williams foi uma força no interior da linha do Jets, alguém que comanda (e desmonta) marcações duplas e é um mastodonte contra o jogo terrestre, conseguindo "stops" em quase 10% das jogadas de corrida e atrapalhando sei lá quantas outras, alguém que raramente é movido fora de posição e fecha espaços mesmo quando não está fazendo o tackle... e se não fosse o suficiente, Williams ainda totalizou 4 sacks, 19 hits e 27 knockdowns na temporada (ou seja, 50 jogadas de pressão), excelentes números para um DE 3-4. É o tipo de impacto dual e consistente que você espera de uma estrela na linha defensiva. No final, ele foi o calouro que mais impacto teve em 2015, e por isso ele é meu DROY.

Ballot: 1. Leonard Williams; 2. Ronald Darby; 3. Marcus Peters; 4. Henry Anderson; 5. Arik Armstead.




Offensive Rookie of the Year: Amari Cooper

Desde cedo, essa competição se desenhou como uma disputa de dois homens entre Amari Copper (WR, Raiders) e Todd Gurley (RB, Rams), e ambos tiveram grandes momentos e algumas questões ao longo da temporada suficiente para fazer argumentos nas duas direções.

Gurley provavelmente teria meu voto se jogasse a temporada completa, mas perdeu efetivamente quatro jogos por conta de lesões, o que diminui seu impacto total na temporada. O calouro ainda teve uma grande temporada, com 1106 jardas (#3 na NFL, ainda que em um ano notavelmente fraco para RBs) e 10 touchdowns, digna de vencer esse prêmio. Ainda assim, apesar de tudo, o calouro mostrou bastante inconsistência no ano: nos seus primeiros quatro jogos completos, Gurley totalizou 566 jardas em 88 corridas, uma fantástica média de 142 por jogo e 6.4 por corrida onde foi o melhor RB da liga... e em seguida emendou uma péssima sequência de 5 jogos onde totalizou menos de metade disso, 280 jardas em 79 corridas (52 jardas por jogo e 3.3 por corrida). Terminou o ano alternando grandes momentos (140 jardas contra Detroit), péssimos momentos (48 jardas em 21 corridas contra Tampa Bay) e momentos pouco expressivos (83 jardas em 19 corridas contra Seattle). Foi uma temporada cheia de altos e baixos, com um bom resultado final. Os altos (e foram muito altos) acabaram marcando mais do que os baixos, e por isso a percepção da temporada do Gurley provavelmente acabou um pooouco alta demais em relação ao que foi de fato.

Cooper também teve seus altos e baixos na temporada, embora seja mais fácil identificá-los ao longo do ano. Nos seus primeiros 9 jogos, Cooper pegou 4 touchdowns e teve média de 86 jardas recebidas por jogo. Nos últimos 7, foram 2 touchdowns e 48 jardas de média. Parte disso veio do fato de Carr ainda estar mais confortável com o veterano Michael Crabtree (que liderou o time em passes lançados na sua direção), e parte disso veio de Carr perdendo gás ao longo da temporada, mas Cooper também não se destacou tanto assim nessa reta final. Then again, para um calouro uma linha de 72-1070-6 (recepções, jardas e TDs) é bastante impressionante, o tipo de impacto consistente que abre os olhos, e isso sem contar as jogadas que Cooper fez que poucos WRs da NFL conseguiriam (tirando Hopkins, não sei se teve outro WR que fez mais recepções contestadas do que Cooper no ano) e sua habilidade tão importante para o jogo de Oakland de arrancar jardas depois da recepção (383 YAC na temporada, 13th melhor marca da NFL).

Ainda assim, a inconsistência e os baixos de Cooper (que liderou a liga em drops, mas não aparece nem no Top15 de jardas perdidas com eles) e Gurley (4 jogos perdidos) foram suficientes para abrir a disputa para outros competidores - como Rawls, Karlos Williams, TJ Yeldon, Steffon Diggs e o resto do meu ballot - além dessa dupla. No final, nenhum deles dominou o suficiente para superar o impacto explosivo de Gurley e a solidez da temporada de Cooper, mas criou uma conversa que parecia não existir dois meses atrás.

Eu estou perfeitamente tranquilo se você preferir dar o prêmio para o teto enorme de Gurley ao invés do impacto mais completo, consistente de Cooper ao longo do ano. Mas o WR de Oakland tem meu voto pela totalidade da sua temporada.

Ballot: 1. Amari Cooper; 2. Todd Gurley; 3. Tyler Lockett; 4. Jameis Winston; 5. David Johnson.


Defensive Player of the Year: JJ Watt

Talvez porque JJ Watt jogou três jogos com uma proteção na mão quebrada (nos quais não teve o impacto sobrenatural costumeiro), ou talvez por esse ter sido um ano excepcional em termos de temporadas defensivas fora de série, mas pela primeira vez em três anos (sim, três. É um absurdo Watt não ter ganho em 2013) Watt tem competição séria e forte pelo prêmio de defensor do ano. Na verdade, essa é a melhor disputa pelo DPOY que eu lembro da história recente da NFL. Quando Josh Norman, Tyrann Mathieu e Luke Keuchly tendo temporadas fantásticas como é o caso não entram nem no Top3, você sabe que tem algo especial nas mãos.

Eu acabei deixando Kahlil Mack (que terminou o ano com incríveis 18 sacks, 8 hits, 58 hurries e ótima defesa terrestre, atestando novamente para o quão absurdo foi esse ano) em terceiro lugar, e minha decisão final acabou ficando entre dois jogadores: Aaron Donald e JJ Watt.

Ambos possuem um bom caso a ser feito a seu favor. Então vamos fazê-los.

O caso para JJ Watt: Colocando de forma simples, JJ Watt é o jogador mais destrutivo da NFL na atualidade. Não sei se muita gente chega perto, na verdade. Mesmo jogando três jogos com uma freaking mão quebrada (lembro que a ESPN soltou uma matéria chamada "Impacto de Watt diminui jogando com mão quebrada" e meu amigo Pedro, um torcedor fanático do Pats que tem passado 90% do tempo bêbado durante intercâmbio na Bélgica , me mandou o link da matéria simplesmente com a frase "NO FUCKING SHIT!!!"), Watt ainda terminou o ano liderando a NFL inteira em sacks (18), hits (34), derrubadas de QBs (51, 14 a mais que o segundo colocado) e pressões totais (89, 7 a mais que o segundo colocado), e isso enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador da NFL em uma base diária. E talvez por chamar tanta atenção como pass rusher, mas as pessoas ignoram que Watt também é um dos melhores defensores terrestres da liga, totalizando mais tackles atrás da linha de scrimmage do que qualquer outro jogador da NFL e ainda derrubando 8 passes na linha de scrimmage durante a temporada (você não vai acreditar, mas Watt também liderou a liga nesse quesito). Mesmo sendo talvez sua mais fraca temporada individual em 4 anos - resultado de uma flutuação normal, a chegada de novos playmakers no time, esquemas táticos cada vez mais desenhados para minimizar seu impacto, mais marcações duplas e triplas e, de novo, três jogos com a droga de uma mão quebrada  - Watt ainda teve mais impacto do que qualquer outro jogador defensivo da liga.

O caso para Aaron Donald: Donald foi a mais dominante força de interior da NFL esse ano, alguém que rotineiramente enfrentou dobras e ocupou bloqueadores para seus companheiros e AINDA conseguia ter um enorme impacto direto em cada rodada, liderando todos os defensores de interior com 51 "stops" (paradas?) no jogo terrestre. Como todos os bons DTs da liga, Donald é o tipo de jogador que afeta o jogo mesmo quando não está envolvido diretamente na jogada, causando o colapso do pocket, fechando espaços e liberando seus companheiros. Vendo os vídeos, é incrível como Donald faz todos os companheiros melhores, e em muitas das jogadas de sack do resto da linha defensiva você percebe que foi porque o camisa 99 estava abrindo um espaço ou puxando bloqueadores extras para os colegas. E apesar disso, Donald AINDA terminou o ano com 11 sacks, 26 hits e 43 hurries na temporada, números incríveis para um DT. Essas 80 pressões totais foram a quarta melhor marca de TODA a NFL, atrás apenas de Mack (82), Von Miller (82) e  Watt (89). A diferença é que todos esses são jogadores que jogam na ponta da linha (até Watt), enquanto que Donald faz isso como um jogador de interior, o que é ainda mais difícil. E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões. Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada.

Então por que ir com Watt sobre Donald? Por um motivo simples que é impossível de capturar diretamente em estatísticas: Watt é o único jogador defensivo que eu já vi que faz times mudarem TODO seu playbook ofensivo. Todos os times fazem ajustes no seu plano de jogo para minimizar o impacto dos principais adversários, claro, mas não lembro de ter visto algum defensor que faz ataques mudarem totalmente seu plano de jogo só para neutralizar um cara. Apesar disso, Watt ainda teve todo o impacto que teve e isso antes de considerar todo o efeito dominó que você gera quando um cara sozinho muda toda a forma de jogar do adversário.

Eu compararia Watt nesse sentido com Stephen Curry: Curry é um jogador fenomenal que causa enorme impacto direto no jogo - 30 pontos, 6 assistências, enorme eficiência, ótimos passes, etc - mas seu impacto real em quadra é muito maior do que isso porque os adversários são obrigados a mudar COMPLETAMENTE sua forma de jogar para defendê-lo, abrindo assim espaços que o resto do time e facilitando o jogo para todo mundo. Watt é igual: ele é tão único e tão dominante que força os adversários a irem a extremos muito maiores para tentar neutralizar seu impacto, ao ponto de que isso acaba criando todo tipo de espaços ou aberturas que eleva o nível do resto do time. Então Watt teve o maior impacto direto em campo e ainda foi quem mais forçou mudanças e ajustes dos adversários para ajudar o resto da equipe. Esqueça ser o DPOY, um prêmio que ele poderia estar vencendo pela quarta vez consecutiva em cinco anos de NFL - é hora de citar Watt como um dos maiores defensores da história do esporte.

Ballot: 1. JJ Watt; 2. Aaron Donald; 3. Kahlil Mack; 4. Josh Norman; 5. Luke Keuchly.


Offensive Player of the Year: Antonio Brown

Eu só tenho uma regra quanto a esse prêmio: o vencedor não pode ser alguém da mesma posição do que o MVP. Então como nosso MVP é um QB - droga, dei spoiler do final da coluna - vamos deixar quarterbacks de fora desse prêmio. E se as disputas por Offensive e Defensive Rookie of the Year não foram as melhores, as disputas por Defensive e Offensive Player of the Year (e MVP também) estão mais do que compensando.

Com QBs fora da jogada, nos viramos para dois WRs que tiveram temporadas históricas - Antonio Brown e Julio Jones - e uma zebra que corre por fora, DeAndre Hopkins. E isso sem falar em jogadores como Allen Robinson, Adrian Peterson (líder em jardas terrestres), Doug Martin (que a meu ver foi  melhor que AP esse ano) e Rob Gronkowski (que um dia vencerá esse prêmio se jogar uma temporada completa, nenhum jogador ofensivo não-QB tem tanto impacto quanto ele em campo) que poderiam muito bem merecer esse prêmio em uma temporada mais "normal". Acontece que o que Jones e Brown fizeram esse ano está em outro nível.

Eu já falei de DeAndre Hopkins, e como sua temporada foi ainda mais espetacular do que parece a primeira vista: ele foi terceiro em recepções e jardas na temporada apesar de jogar com QBs muito inferiores do que Brown e Jones; de Brian Hoyer ter se machucado (e O'Brien ter surtado com as trocas na posição) e forçado o pobre Hopkins a receber passes de TJ Yates, BJ Daniels, Brandon Weeden e Ryan Mallett; e de jogar em um ataque menos focado no jogo aéreo (56,7% das jogadas do time foram passes) do que Falcons  (59,7%) e Steelers (60,3%). Como eu disse, existe um argumento a ser feito que considerando todos esses fatores - em especial a questão da diferença brutal de qualidade nos QBs envolvidos - a temporada de Hopkins foi ainda mais impressionante do que as de Brown e Jones.

Aprofundando esse ponto: QBs de Houston completaram 57.8% de seus passes no ano para 6.6 jardas por passe e QBR de 58.3. QBs de Pittsburgh completaram 66.3% de seus passes, com 8.2 Y/A e 67.5 de QBR, e os de Atlanta tiveram 66%, 7.4 Y/A e 61.5 QBR. Então foi uma diferença muito significante. É impossível dizer com certeza como os números de Hopkins ficariam com os QBs que seus concorrentes tiveram, mas pegando as jardas por passe (7.9) e o aproveitamento (57.8%) em passes para Hopkins e aplicando a diferença dos quarterbacks de cada time, podemos estimar os seguintes números (só fixando, essa relação é obviamente não linear e isso que estamos fazendo um exercício totalmente hipotético):

Hopkins com os QBs do Falcons: 127 catches para 1705 jardas

Hopkins com os QBs do Steelers: 127 catches para 1889 jardas (líder da NFL)

Então segundo nosso exercício, se Hopkins tivesse jogado com os QBs do Steelers teria liderado a liga em jardas aéreas e chegado a 9 recepções de empatar JJ/Brown, e isso antes de considerar o aumento no percentual de passes lançados e o aumento nos touchdowns recebidos. Nada mau. Nada mau mesmo.

Claro, isso ainda é uma situação totalmente hipotética feita para ilustrar a diferença entre os QBs abaixo da média do Texans e os QBs de elite (mesmo contando os jogos perdidos por Big Ben) do Steelers. No final, por mais que eu quisesse, eu não consegui colocar Hopkins acima de Jones e Brown. Então DeAndre fica com uma menção muito honrosa e o terceiro lugar, mas eu queria antes esclarecer essa questão para mostrar o quão fantástica foi a temporada de Hopkins e como ela estava sendo menos apreciada do que deveria por comparação.

Então isso nos leva à discussão final: Julio Jones ou Antonio Brown?

É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante.

Com os números tão absurdamente próximos, ficou realmente difícil escolher um. Jones teve mais jardas, enquanto que Brown teve mais TDs (10 a 8), aproveitamento (71.5% a 70.6%) mas também jogou com um QB bastante superior ao longo do ano... mas com três jogos de Vick/Landry Jones. No final, eu estava basicamente procurando nitpicks para me ajudar a decidir, coisas como "Julio Jones teve menos faltas" e "QBs foram interceptados 8 vezes lançando para Brown".

Enfim, eu decidi deixar de lado a parte objetiva e deixar minha intuição responder a essa pergunta, aquela resposta que você pode não definir mas que seu cérebro subconscientemente achou através de 15 anos de conhecimentos acumulados de NFL. Apesar de alguns acharem por eu gostar de usar números e critérios objetivos na avaliação de jogadores eu não assisto aos jogos, a verdade é que eu assisto MUITA NFL - não só os jogos, como os vídeos depois e as fitas All-22 - e sempre tento juntar o lado numérico E a avaliação visual dos jogadores. Mas o problema é, objetivamente (tanto pelos números como pela avaliação de assistir aos jogos), eu simplesmente acho que não teve uma diferença significativa entre os dois jogadores nessa temporada para decidir entre eles.

Ao invés disso, então, recorri ao meu feeling. Como eu disse, eu assisti a muitos jogos de futebol americano no ano, e muito tanto de JJ como de Brown. E quando eu assistia, qual deles me parecia mais consistente? Qual deles mais me fez ficar surpreso com uma jogada impossível? Qual deles mais vezes me chamou a atenção com uma rota fantástica para abrir espaço? Qual deles me fez pensar mais vezes "Essa defesa está perfeita mas ainda não tem a menor chance de pará-lo"? Em resumo, enquanto eu assistia os dois jogando, qual deles simplesmente me passou o sentimento de ser mais impossível de parar, mais dominante?

Foi Antonio Brown. Por um fio, a largura de uma folha de papel... mas foi.

Ballot: 1. Antonio Brown; 2. Julio Jones; 3. DeAndre Hopkins; 4. Rob Gronkowski; 5. Doug Martin.


Most Valuable Player: Carson Palmer

Antes de chegar no debate Carson Palmer vs Cam Newton, queria fazer uma menção honrosa a dois jogadores que mereceriam demais o MVP em um outro ano e que ajudaram a fazer dessa uma das melhores corridas pelo MVP dos últimos tempos: Tom Brady e Russell Wilson.

Tom Brady parecia uma certeza para esse prêmio até mais ou menos a metade da temporada, quando New England estava invicto e Cam Newton ainda não tinha escalado o nível de seu jogo (e o Panthers ainda não parecia caminhar para um 16-0). Dai Rob Gronkowski machucou, Julian Edelman machucou, Dion Lewis machucou, LeGarrett Blount machucou, metade da linha ofensiva e seus reservas machucaram, o Patriots perdeu alguns jogos e todo mundo percebeu que Cam Newton estava tendo uma temporada história em meio a um time que podia terminar invicto. Por essas e outras Tom Brady não vai - e não deveria -ganhar novamente o MVP, mas isso não significa que o QB do Patriots não tenha tido uma temporada fantástica: 36 TDs e 1.1% de interceptações foram as melhores marcas da temporada, e Brady completou 64.4% de seus passes a 7.6 jardas por passe rumo a 4770 jardas totais, terceira melhor marca do ano. E fez tudo isso apesar de todas as múltiplas lesões, um medíocre jogo terrestre e todos os problemas extra-campo dos últimos meses (suspensão, Deflategate, os problemas no casamento/Nannygate, etc). Brady acabou "vitimado" por lesões, uma história mais atraente (importante na hora de decidir o MVP, mesmo que eu não goste disso) e uma competição particularmente fora de série em 2015 para acabar caindo fora da disputa pelo prêmio, mas sua temporada ainda assim foi espetacular.

(Interessante observar que Brady, apesar das lesões e dos drops, por outro lado teve "sorte" com seus WRs em 2015 em um quesito em particular: eles conseguiram cerca de 200 jardas após a recepção ACIMA da média para o tipo de recepções que eles faziam - ou YAC projetado. Você ve as recepções do time, onde foram feitas, com que velocidade, quanto tempo do snap, etc e calcula qual a média "normal" de YAC nesse tipo de recepção, e a partir disso consegue ver se um QB está sendo mais ou menos ajudado por seus WRs no quesito. E caso você queira usar a carta do "Brady é particularmente preciso e por isso leva a mais YAC de seus recebedores", vale citar para os dois anos que essa estatística existe antes de 2015 Brady teve 14 YAC acima da média "padrão"... somados. Acho isso interessante.)

Russell Wilson é outro com um 2015 espetacular que merece ser lembrado. Em particular, sua segunda metade da temporada: em 8 jogos, foram 25 touchdowns contra 2 interceptações (!!!), 67% de aproveitamento a 8.6 jardas por passe, além de liderar a liga em QBR por uma boa margem. Mesmo considerando a competição consideravelmente fraca dessa segunda metade (tirando uma semana 17 que não valia nada, Russell só enfrentou três defesas não horríveis nesse período: seus dois piores jogos - Arizona e Saint Louis - em duas derrotas, e a terceira foi uma defesa de Minnesota sem seus TRÊS melhores jogadores) ainda é uma das melhores sequências estatísticas por um QB na HISTÓRIA do esporte. Russell terminou o ano com os seguintes números: 68.1% (#3 na NFL), 8.3 Y/A, 34 TDs para 8 INTs e um QBR de 74.9 que foi o quarto melhor da temporada, e isso sem contar sua contribuição como corredor e o fato de ter jogado atrás de uma linha ofensiva horrível boa parte do ano. E se estamos discutindo a parte de "Mais Valioso" do prêmio, vale citar que Seattle enfim decolou quando Lynch (e depois Rawls) se machucou e o time colocou as chaves do ataque nas mãos de Wilson.

Insano pensar que Brady e Russell não ficaram no meu Top2 para MVP essa temporada. Mas esses lugares pertencem a Cam Newton e Carson Palmer.

Agora, eu sei que Newton muito provavelmente vai levar o MVP dessa temporada. Ele é a história "sexy" do ano, o talentosíssimo e chamativo (e, sejamos honestos, alguém que sofreu muitas críticas injustas por uma parte... ahn... retrógrada da mídia e dos fãs) jovem que deu um salto de produção, chamou a responsabilidade, jogou muita bola e liderou um ataque com um bando de anônimos para a melhor campanha da temporada. Além disso, a melhor forma de Newton na temporada aconteceu mais próximo da reta final, o que é injustamente relevante: o prêmio de MVP é para a temporada toda, mas querendo ou não nossas memórias mais frescas acabam pesando mais na hora de tomar decisões e fazer julgamentos.

E quero deixar claro que, se Newton ganhar, terá sido absolutamente merecido. Em nenhum momento eu não votar em Newton significa que ele não deveria ganhar, que não tenha tido um grande ano ou que não seja um grande jogador. Simplesmente significa que tem alguém que eu acho que merece marginalmente mais do que ele, e nesse ano tão ridiculamente forte na disputa pelo prêmio de MVP, a distância entre Palmer e Newton (e, honestamente, o resto do meu Top4) para mim é tão pequena que você pode mexer como quiser entre esses 4 que eu não vou reclamar. Essa é a beleza de uma temporada como essa (que eu francamente achei bem fraca em termos gerais): você tem múltiplos jogadores que podem ganhar o prêmio de MVP merecidamente.

Então vamos lá, Palmer e Newton. Deixando de lado performances individuais por um instante (chegaremos lá), o principal motivo que tem Newton como o MVP quase inquestionável no momento é que ele joga no suposto melhor time da liga por uma boa margem, um time que acabou com a melhor campanha (15-1) e que chegou muito perto de terminar invicto.

Esse argumento está errado por dois motivos: primeiro, porque é idiota você dar crédito a um jogador de algo que ele não fez ou influenciou, e portanto ao usar o argumento do "melhor time" você estaria dando crédito (ou, se eles fossem ruins, demérito) a Newton (ou qualquer outro) - um cara que joga apenas os snaps ofensivos da equipe - pelo que seus colegas fizeram em jogadas defensivas e de special teams das quais Newton não participou. E segundo porque o Panthers muito possivelmente sequer foi o melhor time da NFL, ou pelo menos não o foi de forma significativa e conclusiva para esse argumento funcionar.

Sim, Carolina terminou com a melhor campanha da NFL, mas vitórias são uma forma muito primitiva de medir o nível de jogo de um time. Aplicando métodos mais confiáveis, você começa a enxergar as coisas de maneira diferente. Carolina terminou o ano com Pythagorean Expectation - uma estimativa do número "real" de vitórias de um time a partir do seu nível de jogo - de 12-4, o mesmo número do Arizona Cardinals. Além disso, Carolina foi bastante beneficiado pela tabela: nenhum time enfrentou uma tabela mais fácil na temporada 2015 da NFL. Por isso que DVOA - uma medida do Football Outsiders que ajusta a atuação de uma equipe pelos adversários enfrentados - tem Carolina como o quarto melhor time da NFL em 2015, enquanto que Arizona - que enfrentou uma tabela mediana - tem o terceiro melhor DVOA da liga. São números menos "palpáveis", mas são exemplos de evidências existentes que apontam que Carolina não é o melhor time da NFL, ou que pelo menos não o é por uma diferença significativa.

Além disso, tem aquela velha questão de que um time não é composto só pelo quarterback, e sim por outros 52 jogadores além dele. E mesmo que o QB tenha mais participação do que qualquer outro jogador em campo, é difícil dar crédito a ele pela performance da defesa, por exemplo. E no caso do Panthers, embora o ataque seja ótimo, sua verdadeira força é a defesa que terminou #2 na NFL em DVOA, uma força da natureza que inclusive colocou dois jogadores no meu Top5 para Defensive Player of the Year (Norman e Keuchly). Então já que a defesa teve mais a ver com o Panthers sendo uma potência que o ataque (que também foi ótimo, #8 da NFL), eu quero saber o seguinte: qual o mérito de Cam Newton no Panthers ter Norman, Keuchly, Thomas Davis, Kawann Short e companhia para criar uma defesa Top3 da NFL? Nenhum. E exatamente por isso é idiota dar crédito a ele e contabilizar isso na hora de decidir por um MVP. Por mais que eu entenda que "Jogador Mais Valioso" seja diferente de "Melhor Jogador" e por isso é impossível separar totalmente performance coletiva da individual na mente dos votantes, me parece preguiçoso você incluir a performance total da equipe sem nenhuma distinção do que foi ou não influenciado por aquele jogador.

Analisando apenas a parte do jogo influenciada por Newton e Palmer - o ataque - a balança começa a pesar para o lado do Cardinals. Carolina teve uma ótima temporada ofensiva, terminando #8 em DVOA, só que o Cardinals terminou #4 no mesmo quesito. O Expected Points do Pro-Football Reference coloca Arizona como o melhor ataque da NFL, enquanto o do Panthers aparece em sexto. Em outras palavras, coletivamente a área comandada por Palmer foi MELHOR do que a comanda por Newton. Tem MUITOS motivos para eleger Newton como seu MVP, mas seu argumento passar por ele jogar pelo melhor time da Liga e que quase acabou 16-0 você está simplesmente errado.

Eliminados esses fatores externos e desmontado o mito de que Newton merece ganhar pela campanha do Panthers na temporada (de novo, tem muitos motivos pelos quais Cam merece ganhar o MVP, mas esse não é um deles), hora de avaliar a performance individual de Cam e Palmer para ver quem foi o melhor dos dois.

Como passador, Newton fez enormes avanços nesse ano, foi destrutivo durante períodos da temporada e mostrou uma evolução enorme mesmo ao longo do ano, mas ainda não esteve no nível de Carson Palmer: Cam terminou o ano completando 59.7% dos seus passes a 7.7 jardas por passe, com 35 TDs (7.7% dos seus passes, melhor marca da liga) e 10 TDs, e esses números não mostram a evolução de Newton ajustando jogadas, lendo defesas e otimizado chamadas, tirando o máximo de um underrated mas limitado corpo de recebedores e tudo mais. Mas Palmer teve a melhor temporada de um passador na NFL em 2015: 63.7%, 8.7 jardas por passe (melhor marca da NFL por uma boa margem), 35 TDs, 11 ints e algumas das mais bonitas bolas longas da NFL em 2015. E mesmo isso não conta toda a história, seus ajustes fantásticos e capacidade incrível de antecipar pressão e tomar as decisões corretas em alta velocidade antes que chegasse a pressão. Jogando atrás de uma das piores linhas ofensivas da NFL, Palmer era forçado a sempre antecipar a pressão, controlar uma opção curta, manter um olho na linha e outro na secundária, e tomar decisões em alta velocidade para evitar a pressão... e ele AINDA liderou a NFL em jardas por passe, jardas por passe completo E tomou apenas 25 sacks. Isso é surreal, e mostra o nível de dificuldade do que Palmer teve que fazer na temporada. Por isso que as métricas avançadas que incorporam esse tipo de situação amam Palmer ainda mais do que seus já ótimos números superficiais, liderando a NFL com folga em QBR (82.2, 5.3 pontos na frente do #2) e PFF Rating (57.3, 7 pontos na frente). É o tipo de coisa que não aparece facilmente nos números superficiais ou se você só assistiu ao jogador algumas vezes no ano, mas que foi crucial para elevar o ataque do Cardinals.

Vale mencionar também que o ataque aéreo liderado por Palmer é também o terceiro melhor da NFL, enquanto o liderado por Cam é o nono. O maior argumento pró-Newton nesse sentido é que ele teve que lidar com um grupo fraco de recebedores enquanto que Palmer teve talvez o melhor da NFL, o que é verdade até certo ponto (o grupo de WRs do Panthers jogou bem melhor do que você teria esperado no papel, e Greg Olsen é um dos melhores TEs da liga). Mas também tem que computar que Newton jogou atrás da terceira melhor linha ofensiva da liga, enquanto Palmer jogou atrás da quarta pior. No final das contas, as estatísticas básicas, as avançadas e o teste visual todas dizem a mesma coisa: Newton teve um ótimo ano como passador, um dos melhores da liga, mas Palmer foi absolutamente fora de série e em outro nível em relação aos seus companheiros de profissão.

Claro, o problema é que é impossível capturar o impacto de Newton olhando só sua atuação como passador, porque nenhum outro QB tem tanto impacto no jogo com as pernas. E mesmo assim, olhar "apenas" para suas 636 jardas e 10 touchdowns (coisa pra cacete) não dão idéia da dimensão total do seu impacto nessa frente. Newton vai correr, anotar TDs e acumular jardas com as pernas sim, mas é mais que isso: com o físico de um linebacker, Newton é a mais devastadora força de curta distância que a NFL tem na atualidade.

Em 2015, Cam Newton converteu com as pernas 30 de 36 oportunidades de conversões de 3 jardas ou menos (83%) e 26 de 30 (82%) em conversões de duas jardas a menos, inclusive ridículas 21 de 24 conversões de terceiras ou quartas descidas descidas para 5 jardas ou menos e ainda mais patéticas 17 de 18 tentativas de terceira ou quarta descidas para 2 jardas ou menos. Newton é simplesmente rápido, grande, forte e agressivo demais para ser parado nessas situações, e isso é o que levou o Panthers a terminar alguns dos mais absurdos números nessas situações: 80 de 93 oportunidades de conversões de 3 ou menos jardas (86%) e 68 de 71 conversões (96%) de duas jardas ou menos, inclusive 28 de 33 em terceiras/quartas descidas. E pior, o ataque do Panthers é CONSTRUÍDO em torno dessas conversões curtas, mantendo o time em campo e estendendo campanhas o suficiente para Newton conseguir a abertura que gosta e fazer suas jogadas explosivas. É como um jogador de poker que vai conduzindo o jogo, fazendo pequenas apostas aqui e ali, se mostrando e mantendo mantendo vivo tempo o suficiente para conseguir a mão que quer... e dai ele faz sua jogada e acaba com a mesa. Muito do sucesso do Panthers vem das conversões curtas, e elas dependem diretamente do quão bom Newton é nessas situações de conversões de curta distância.

E isso antes de considerar como essa característica de Newton faz dele uma ameaça correndo quando não existe uma boa opção de passe, ou sua capacidade de usar as pernas para fugir da pressão e estender as jogadas. Eu sei que já usei a analogia, mas que seja: assim como a presença de Ray Allen em quadra correndo por screens fazia todo mundo defender o seu time diferente, as pernas de Newton fazem o adversário sempre ter que contar com uma ameaça a mais na hora de defender, mantém os defensores mais preocupados com ele e não com os companheiros, faz os adversários jogarem com um jogador de "spy", e por ai vai. Além de correr com a bola, a simples ameaça disso abre espaços e faz a vida dos seus colegas mais fáceis - em particular Jonathan Stewart. Então Newton não só comanda o nono espaço melhor ataque aéreo da NFL, mas também é parte integral do sexto melhor ataque terrestre da liga.

Então Carson Palmer foi um passador consideravelmente superior que Cam Newton, mas Newton adiciona um valor pelo chão que Palmer não tem esperança de igualar. Esse valor adicionado com as pernas e com a ameaça de suas corridas é suficiente para compensar a diferença pelo ar? Hmm... eu não sei. Não da pra saber com certeza, não existe fórmula mágica, e no fundo é como dizer se 10 maçãs e 5 bananas são melhores que 10 maçãs. Depende muito dos critérios que você usar e da sua opinião pessoal.

Para nos ajudar, podemos recorrer a algumas métricas avançadas que incorporam ambos os impactos feitos por um QB, pelo ar e pelo chão. Nenhuma métrica no futebol americano vai algum dia servir como uma medida perfeita, capaz de compactar tudo que um jogador faz em um único número inquestionável, mas ainda oferecem informações valiosas que podem servir de guia para nos ajudar a compreender algo tão complexo. Então tem quatro métricas no mundo do futebol americano que servem para englobar tanto corridas como passes (bem como outros fatores) e que possuem uma boa base teórica e estatística por trás: QBR, DVOA, EPA e PFF Rating.

Entre eles, eu pessoalmente preferi usar EPA porque ele é o que mais claramente separa os dois impactos, então podemos comparar as diferenças com mais clareza. QBR (EPA na verdade é um componente do QBR) e DVOA também computam ambos separadamente, claro, mas em escalas diferentes e nos mostram só o resultado final (que computa ambos), e PFF Rating é uma variável mais subjetiva. Então vamos focar em EPA por enquanto (mas não se preocupem, falaremos de todos).

EPA significa Expected Points Added - em resumo, quantos pontos no total um jogador adicionou ao seu time ao longo da temporada em um determinado quesito. Então se Alex Smith tem 52.8 de EPA em passes, isso significa que ele sozinho (desconsiderando o que foi resultado de outros jogadores, WRs, linha ofensiva, etc) gerou 52.8 pontos para seu ataque no total (já descontados, por exemplo, os pontos que ele "tirou" da defesa com interceptações). É bom por colocar já todo o impacto em uma unidade comum e fácil de entender, corridas geradas, para comparar diferentes fatores.

Então como EPA coloca as proezas de Palmer e Newton em perspectiva essa temporada? Da seguinte maneira: Palmer gerou 101.3 corridas como passador, enquanto que Newton gerou 70.4. Eu esperava que a diferença fosse um pouco menor (embora por ser uma estatística contábil os 40 passes a mais que Palmer lançou ajudem a aumentar a diferença), mas não foge muito do que eu esperava, o jogador do Cardinals com uma significativa margem (ajustando pela quantidade de passes, Palmer lidera a NFL com folga no quesito com uma exceção - Big Ben, que perdeu 4 jogos).

No entanto, considerando EPA correndo com a bola, Newton tem a vantagem, como esperado: 17.5 corridas geradas, contra 2.1 de Carson Palmer. Os números são menores do que os de passe por um motivo óbvio: passes geram muito mais jardas e pontos (tanto no sentido literal quanto no analítico) do que passar a bola, algo que é ainda mais verdade na NFL de hoje onde os ataques aéreos tem ampla supremacia. Só ver que Newton gerou 3837 jardas com o braço, e só 636 com as pernas, uma diferença enorme. Por isso que, logicamente, corridas geram menos pontos em termos de EPA do que passes (e sim, EPA ajusta por situação de jogo, então esses 17.5 já estão computando suas conversões de quartas descidas).

Somando tudo, chegamos ao total nesses dois fundamentos: 103.4 para Carson Palmer contra 87.9, ainda uma boa diferença. No total (que também considera sacks e faltas), Palmer acaba com vantagem ainda maior, 100.2 (melhor marca da NFL por uma boa margem) contra 73.2 de Cam. No final, o que faz a diferença foi justamente o fato de que a área onde Palmer é consideravelmente melhor (jogo aéreo) tem um impacto extremamente maior no jogo do que a área onde Newton tem grande supremacia. Mesmo considerando que esse EPA não considera o impacto passivo de Newton (abrindo espaços simplesmente pela sua presença), a diferença ainda é significativa o suficiente para dar a vantagem para Carson Palmer.

As outras métricas seguem a mesma linha, principalmente pela diferença em impacto entre jogo aéreo e terrestre. DVOA (e sua variável cumulativa, DYAR) dizem que apesar de Newton ter sido o melhor QB gerando valor com as pernas, esse valor ainda é suficiente para tirar apenas 20% da diferença entre Palmer e Cam pelo ar (DVOA ajusta por calendário, o que tem maior impacto já que o Panthers teve a tabela mais fácil da liga). PFF Rating da uma vantagem pelo ar ao camisa 3 de 55.6 a 25.9 (que não se enganem é uma excelente nota), com Newton levando vantagem pelo chão de 14.5 a -0.2 - no final, Palmer tem a vantagem por 57.1 (melhor marca da NFL por muito) a 41.1 (terceira melhor da liga). E o QB do Cardinals também tem a vantagem sobre Cam (e o resto da NFL) em QBR, terminando o ano com um brilhante 82.2, contra 66.1 do rival. E se você quiser olhar pelo pelo lado macro, DVOA diz que o ataque aéreo do Cardinals sozinho já produziu mais valor (ajustado pelo calendário) do que o ataque aéreo e terrestre do Panthers JUNTO.

De novo, não tem nenhum problema se você quiser dar seu voto para Cam Newton: ele foi dominante e brilhante o ano todo, comandou um dos melhores times da liga e teve um enorme impacto direto E indireto no seu time. Se for o MVP, como é provável, terá sido merecido. Mas na minha avaliação, Carson Palmer foi um jogador melhor, e ganha meu voto para MVP.


Ballot: 1. Carson Palmer; 2. Cam Newton; 3. Russell Wilson; 4. Tom Brady; 5. Drew Brees