Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador Houston Texans. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Houston Texans. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte II)


Meu QB favorito da classe, Bridgewater interessa muito a 4 dos times de hoje


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

-------------------------------------------------------------------------

Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. A Parte I - falando de Dolphins, Jets, Ravens, Steelers e Bills - já está no ar desde quarta feira, e agora vamos para a Parte II.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Cleveland Browns

Se tivessem me perguntado em Agosto do ano passado - ou mesmo lá para Outubro - qual era o time ruim que tinha o futuro mais promissor, eu teria dito Cleveland Browns. Jimmy Haslam, dono do time, finalmente tinha demitido sua incompetente e bagunçada gestão anterior e se comprometido com um projeto de gestão estável e moderna a longo prazo, contratando Joe Banner para CEO e Mike Lombardi para GM, duas figuras muito respeitadas ao redor da liga, para comandar essa reconstrução. De técnico novo, diretoria nova e rumos novos, o time ainda tinha uma boa base de talento na sua equipe, deveria ter uma escolha alta em um Draft profundo (check!) e ainda conseguiu assaltar o Colts conseguindo mais uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. Então a combinação de "nova e competente diretoria + escolha alta de draft + escolha extra de primeira rodada + base jovem e talentosa + toneladas de espaço salarial" parecia perfeito para um time que queria enfim sair do fundo do poço.

Bom, essa esperança durou menos de um ano. Hoje, oito meses depois, eu fico me perguntando se exista uma organização mais disfuncional que essa na NFL, decidindo enfim que fica entre Browns e Dolphins (com o Cowboys em terceiro). 

As cartas de "comprometimento a longo prazo", "paciência" e "continuidade" com o novo técnico Rod Chudzkinski foram para o saco antes até do final da temporada, com Chud sendo demitido na Semana 17 algumas horas antes do Sunday Night Football. Os motivos alegados não-oficialmente indicavam dois motivos para a separação: primeiro, que apesar da boa posição no Draft a diretoria esperava mais vitórias da equipe, e segundo que os jogadores não estariam satisfeitos ou não respeitariam Chud. Mas muitos concluíram que era uma tentativa desesperada de Banner e Lombardi para satisfazer Haslam, que não tinha gostado da temporada da equipe, e essa teoria ganhou força quando os próprios Banner e Lombardi foram demitidos pouco depois. E um abraço para o "projeto estável e paciente de longo prazo".

E claro, o time sofreu as consequências. Apesar de ser uma posição em teoria atraente, o Browns teve um trabalho imenso para achar gente que quisesse ocupar as vagas. Nenhum técnico bem cotado de College ou um bom coordenador na NFL vai querer deixar um cargo estável e bem sucedido para ir até um time onde ele não faz idéia do que esperar, sem estabilidade no emprego e a mercê de um dono incompetente. A dificuldade da equipe de repor essas vagas mostra o quão malvista é a organização nos círculos da NFL, e enquanto o Browns não parar de demitir pessoas a torto e a direito para satisfazer seu dono e se comprometer com algo sério e estável - a imagem que quiseram passar em 2013 e que agora ninguém mais está comprando - vai ser difícil a organização dar a volta por cima.

Mas ok, vamos falar do que acontece dentro de campo. Supondo que todos esses problemas de bastidores se resolvam, quem herdar as cadeiras de Lombardi e Chud vai ter uma situação promissora e um tanto desafiadora nas mãos. O Browns é um time recheado de talentos, especialmente na defesa: a linha defensiva com Phil Taylor, John Hughes e mesmo o especialista em corridas Ahtyba Rubin foi muito bem em 2013, Jabaal Sheard vem de um ótimo ano, e Joe Haden e TJ Ward (free agent, mas que deve ficar na equipe) estão entre os melhores CBs e safeties (respectivamente) da NFL. A defesa não foi tão bem assim em 2013, foi apenas um pouco acima da média, mas o talento está ai para fazer grandes coisas quando seus buracos forem tapados: o time não tem pass rush além de Sheard (embora a evolução de Barkevious Mingo e um ano a mais de Paul Kruger possam resolver a questão), a cobertura pelo meio (tanto passe contra corridas) foi muito ruim e vai ficar ainda pior sem o veterano D'Quell Jackson, e a secundária ainda depende demais de Haden e Ward resolverem tudo sozinhos pela falta de ajuda na cobertura. Mas com um cap space que chega a 62M e um caminhão de escolhas de draft - além de suas próprias escolhas, todas altas dentro da rodada (incluindo a 4th overall) o time ainda tem uma 1st round e uma 4th round extras do Colts, e uma 3rd round extra do Steelers - não faltam meios para reparar pelo menos parte desses problemas e tornar essa unidade em uma defesa muito boa.

Mas o problema (ok, um dos) dessa mudança repentina de diretoria é que não sabemos mais qual a direção que a franquia quer tomar. A gestão de Lombardi e Banner deixou claro seu objetivo primário: conseguir um Franchise QB para Cleveland, de preferência pelo profundo draft de 2014 (que ficou menos profundo desde então sem Marcus Mariota, mas enfim), e com a 4th pick e tantas escolhas extras, o time estava em uma ótima posição para realizar seu objetivo. Mas agora que mudou a diretoria, ninguém sabe o que esperar. Será que o time vai manter seu objetivo original, usando sua 4th pick em um dos três QBs mais bem cotados da classe (Bridgewater, Bortles ou Manziel) ou mesmo trocar para subir no draft e escolher o QB específico que eles querem? Será que usarão essa escolha em outra posição (Sammy Watkins?) e tentarão resolver o problema do QB em rodadas futuras? É difícil dizer. O que eu sei com certeza é que o time tem uma excelente linha ofensiva (especialmente se renovar com Alex Mack), dois alvos espetaculares em Jordan Cameron e Josh Gordon, mas precisa urgentemente de um quarterback que possa fazer uso de tudo isso. Um RB e mais alvos são importantes, mas o QB é a peça central que falta para esse ataque.

O problema é que, infelizmente, talvez tudo isso tão promissor dentro de campo signifique muito pouco se os problemas no topo da organização continuarem. Quando uma franquia é muito ruim por muito tempo, muitas vezes não é por acaso...


Tennessee Titans

Como eu sou um ser humano extremamente vingativo, me permitam um parágrafo antes de ir para o que interessa. Ano passado, no preview sobre o Titans, um leitor chamado Diego veio reclamar de forma muito pouco educada do que eu escrevi, ressaltando que "ainda bem que ninguém entra nesse blog". Ele reclamou da minha crítica a decisão do Titans de draftar o Jake Locker, ressaltando que era o QB do futuro do time, reclamou da minha crítica a contratação do Shonn Greene falando que foi uma boa contratação para decolar o ataque terrestre do Titans, e que o Titans ia ser um time bom que estava em ascensão. Depois de terminar 20th em DVOA, de ver a diretoria demitir o técnico, supostamente declinar a player option do contrato de Locker (ainda não oficialmente), Shonn Green não chegar a 300 jardas ou 3.8 YPC, o ataque terrestre continuar medíocre, Chris Johnson estar a beira de ser dispensado, e tudo mais... yeah. So there.

Enfim, Tennessee Titans. Apesar da temporada medíocre, a boa noticia é que o time tem uma base boa de talento em mãos. Depois de investir pesado no ataque nessa última offseason (com sucesso parcial), o time tem uma sólida linha ofensiva, ancorada por Andy Levitre e Michael Roos do lado esquerdo e, apesar da temporada ruim de novato de Chance Warmack (7 sacks e 26 hurries, números muito ruins para um Guard), ele é calouro e o Titans acha (eu concordo) que ele vai melhorar e se tornar um sólido jogador. Eles também tem um grupo de WRs interessante, com Kendall Wright e o promissor Justin Hunter, e Nate Washington saindo de um 2013 muito produtivo. Em outras palavras, parece o cenário ideal para um QB se desenvolver, especialmente considerando que o Titans focou seus esforços nos últimos anos para priorizar o ataque terrestre na força bruta, abrindo assim espaços para o QB. Só tem um problema.

Os RBs da equipe foram atrozes em 2013. Tanto Chris Johnson como Shonn Greene jogaram atrás de uma sólida linha ofensiva, mas ambos tiveram temporadas muito ruins, com ambos ficando abaixo das 4.0 jardas por corrida. Com Greene já tendo se provado ao longo da carreira um jogador mediano e Chris Johnson provavelmente sendo dispensado ainda essa offseason (o que abriria 6M na folha salarial da equipe), a busca do time por essa identidade ground-and-pound parece ter que começar de novo, em uma classe de RBs particularmente fraca no draft. 

E o Titans também tem uma decisão importante para fazer em relação a sua situação de QB. Jake Locker é o atual titular da equipe e foi (dependendo de para onde você olhar) um QB mediano ou um pouco acima da média em 2013, que jogou apenas 7 jogos por lesões e nunca jogou uma temporada inteira na carreira. Locker tem uma player option de 13M para 2015, e uma decisão precisa ser feita até Maio por parte do Titans, mas todos os sinais e reports indicam que o time vai recusar essa opção, e portanto Locker vai ter em 2014 seu último ano de contrato. Claro que nada impede que o time traga o QB de volta como free agent, mas não é exatamente um grande voto de confiança no garoto, e com um técnico novo e uma diretoria impaciente, é bem possível que 2014 seja sua última chance, e não estranhem se o Titans já começar a procurar um plano B nesse draft mesmo.

(Em tempo: porque diabos o Titans, que tem um grande ponto de interrogação na posição de QB, trouxe Ken Whisenhunt para ser técnico, um inteligente coordenador ofensivo que também é o pior técnico da história recente da NFL desenvolvendo jovens QBs?!)

O Titans também esbarra em outra questão, a salarial. O time tem apenas 13M de espaço salarial para 2014, e embora esse número possa chegar a 19M caso CJ seja mesmo dispensado, ainda é pouco considerando que um dos melhores defensores da equipe, Alterraun Verner, é um free agent que vai exigir muita grana no mercado. A defesa do Titans melhorou em 2013 mas ainda terminou 19th em DVOA e 22nd em DVOA ajustado, e agora pode perder dois dos seus melhores jogadores em Verner e Bernard Pollard - e se quiser mantê-los, vai ter que gastar grande parte desse espaço salarial escasso. Considerando que a defesa dependeu DEMAIS de Jurell Casey em 2013 e dificilmente ele vai manter o nível para 2014, o time precisa reforçar o resto das posições se quiser ter chances de continuar evoluindo, e perder seu melhor jovem CB em Verner não ajudaria. E mesmo assim, essa é só a segunda decisão mais importante do time em 2014.


Jacksonville Jaguars

Ah, a tristeza... Pelo segundo ano consecutivo, o Jaguars terminou como um dos dois piores times da NFL em DVOA, e sua Pythagorean Expectation de 3-13 é ainda pior do que seu pobre record de 4-12. E o Jaguars é mais um time preso em uma reconstrução que não acaba nunca.

Um bom exemplo do que faz o Jaguas tão ruim é esse: apesar da falta incrível de talento, o Jaguars tinha 42M do seu salary cap em 2013 comprometido com jogadores que sequer estavam na equipe, consequências de contratos péssimos e gestões incompetentes. Então se vamos começar as boas notícias, é por aqui: esse ano, todo esse dinheiro morto finalmente saiu da folha salarial, o que deixou o time com cap space de verdade, de quase 56M. O dinheiro morto do cap em 2014 é de apenas 6M, e embora esse número deva subir se o time dispensar Marcedes Lewis (3M de dinheiro morto, 5.5M de espaço) ou Uche Nwaneri (2M dinheiro morto, 4M espaço), o Jaguars agora vai ter legítimo espaço para contratar free agents e remontar sua equipe como se deve. Considere esse o primeiro passo, saindo do fundo do poço rumo a algo melhor.

Claro, dinheiro na free agency não é tudo - uma parte dos problemas do Jaguars e todo esse dinheiro morto no cap era justamente gastar dinheiro mal na FA - e o time tem buracos demais para resolver só com contratações, mas é um começo. A verdade é que o Jaguars não tem uma solução, é um time que tem talento de menos e bagagem demais, então precisa começar do zero, passo por passo. E flexibilidade salarial e a terceira escolha no draft não são lugares ruins para começar.

Ofensivamente nada no Jaguars se salva - os únicos jogadores acima da média no time em 2013 foram Cecil Shorts e Justin Blackmon, os dois WRs, e Blackmon foi suspenso pelo ano todo depois de falhar teste para drogas - mas pelo menos agora o time tem a chance de recomeçar, e recomeçar com um QB de verdade. Com a 3rd pick do Draft, o time tem a chance de escolher um dos três melhores QBs dessa classe, e talvez até mesmo ser a primeira equipe a escolher um QB caso Houston decida por Clowney. A busca por um Franchise QB tem sido um problema em Jacksonville, um problema que envolveu gastar uma escolha top10 em Blaine Gabbert (não que eu culpe o Jags por isso, ele era considerado o segundo melhor QB do draft e acharam ele um steal em 10th). E considerando que o time tem excelentes chances de sair dessa primeira rodada com Bridgewater ou Manziel (Bortles definitivamente está na conversa também, mas acho que ele parece demais o Gabbert para o Jags ficar confortável), acho que não vão deixar passar a chance. Para começar um capítulo novo (novo dono, novo GM e novo técnico), nada melhor do que um bom QB.

Fora isso, o Jags não tem muito que esperar em 2014 que não seja outra escolha alta de draft. O time até tem arrumado alguns jogadores interessantes nos drafts dos últimos anos - Shorts e Blackmon são bons jogadores, Luke Joeckel vai ter a chance de jogar na sua posição de origem em 2014, Dwayne Gratz teve ótima temporada de calouro e Johnathan Cypren mostrou algum potencial - e vai precisar continuar acertando e investindo no draft nos próximos anos se quiser montar um time vencedor. E acima de tudo, de paciência. De muuuuita paciência.


Houston Texans

A temporada do Texans em 2013 foi, para mim, a coisa mais inexplicável da temporada. Depois de dois ou três anos de candidato ao Super Bowl, o time chegou em 2013, ganhou dois jogos... e perdeu 14 seguidos, terminando com o terceiro pior DVOA e pior record da temporada. Seus QBs foram um problema magistral, tudo deu errado, e o Texans acabou aproveitando isso para garantir a 1st pick nesse draft extremamente interessante.

A pergunta que fica é essa: existe motivo para pânico no Texans? Para mim, não. Sim, a temporada 2013 foi um desastre, mas temos evidências de sobra de que anos outliers em que tudo acontece no pior cenário possível não necessariamente significam que seu time precise ser desconstruído (ver: Red Sox, Boston). Para mim esse foi o ano do Texans, e não só por ter terminado a temporada 2 vitórias baixo da sua Pythagorean Expectations e pelo óbvio potencial de regressão positiva desse time, eu estou otimista que podem dar a volta por cima em 2014.

Para começar, o time ainda tem uma sólida defesa que conta com o melhor defensor da NFL (JJ Watt) e diversos jogadores bons como Jonathan Joseph, Brian Cushing (quando saudável), e Antonio Smith (mais dele em um minuto), o que é um bom núcleo. A defesa caiu ao longo da temporada por conta de lesões, diversos jogadores jogando muito abaixo do que poderiam (principalmente Brooks Reed), falta de interesse e nenhuma contribuição dos LBs depois que Cushing machucou, mas com algum sangue novo, saúde e alguns reforços pontuais (mais regressão positiva) tem tudo para voltar a ser dominante. Ofensivamente o time se afundou na péssima atuação dos QBs e também em lesões, mas o time ainda conta com um fantástico núcleo da linha ofensiva (Duane Brown, Chris Myers e Brandon Brooks), uma boa dupla de WRs (DeAndre Hopkins e Andre Johnson) e, quando saudável, um bom TE em Owen Daniels. Então a base está em seu lugar, e esse foi um time extremamente sólido por dois ou três anos que manteve a maior parte do núcleo. Não vejo porque de repente todo mundo desaprenderia a jogar. É só encaixar novas peças aonde precisa.

Claro, isso também não significa que vai ser fácil. O principal obstáculo é a questão salarial: o Texans está apenas 9M acima do salary cap, e isso lembrando que Antonio Smith é um free agent e vai exigir um salário alto. O Texans já manifestou desejo de trazer Smith de volta, mas isso vai exigir todo tipo de mudanças no salary cap, e não está fácil criar espaço nessa folha salarial. Os maiores candidatos a dispensa não resolvem o problema porque são jogadores que ou carregam um cap hit alto em caso de dispensa (10.5M do Matt Schaub, 7.5M do Arian Foster, 3M do Whitney Mercillus) ou são jogadores cujo contrato é pequeno demais para ter grande impacto (TJ Yates 600 mil, Brian McCain 900 mil, Derek Newton 1.3M). O time sempre pode pedir para algum jogador como Andre Johnson (16M em 2014) reestruturar seu contrato ou dar a jogadores como Owen Daniels (6M, 4.5 de economia se for cortado), Danieal Manning (idem) ou Kareem Jackson (4.5M salário, 3M economia) um ultimato para aceitar uma redução salarial ou serem dispensados depois de temporadas decepcionantes. Mas entre tudo isso vai ser difícil imaginar o Texans liberando uma grande quantidade de espaço salarial, e o dinheiro (que da para chegar a uns 20M dispensado alguns titulares e mantendo outros) seria principalmente usado para reassinar com Smith e alguns outros FAs menores e garantir o dinheiro das escolhas de Draft. E considerando os buracos que a equipe tem hoje - faltam dois jogadores na linha ofensiva além de Brown/Myers/Brooks, o time pode precisar de um TE novo, o pass rush depende demais de Watt e precisa de mais um componente (especialmente porque Mercillus foi um tremendo bust), a secundária precisa de reforços, e os safeties foram uma desgraça desde que Glover Quin saiu - é difícil ver o time adereçando todos esses problemas de uma vez, seja internaemente ou não.

A vantagem para o Texans é ter a 1st pick do Draft, e com ela eles podem ir em duas direções diferentes. A primeira era resolver seu grande problema atual, e selecionar um QB, seja ele Manziel, Bortles ou Bridgewater. Matt Schaub vem piorando vertiginosamente desde sua lesão em 2011, e não parece ter condições de continuar jogando bem depois de um PÉSSIMO 2013, e Case Keenum não convenceu muito como a solução para a equipe, então substituir essa posição extremaemente carente por um sólido QB jovem pode ser o upgrade que colocará o time de volta na briga pelos playoffs e dar a perspectiva para o futuro que eles procuram. A outra direção é pegar a aberração Jadeveon Clowney, colocar ele do lado o posto a JJ Watt e ter a dupla defensiva mais dominante da NFL nos últimos anos, o que deve resolver boa parte dos problemas de pass rush da defesa e dar uma perspectiva muito melhor para esse grupo em 2014. O problema desse último caminho é que ele ainda deixa a incógnita na posição mais importante do jogo, então a não ser que o time esteja contando com Keenum ou Schaub para segurar a barra no curto prazo, eles terão que resolver esse problema ainda esse ano, talvez aproveitando a profundidade para pegar um jogador como Zach Mettenberger na segunda rodada. Não existe uma direção certa, mas a decisão de como usar essa 1st pick é o que vai determinar quando a equipe voltará a disputar vaga nos playoffs e qual a direção futura da franquia.


Oakland Raiders

Pense em um viciado em drogas pesadas. Ele passou um longo período escravo do vício, desperdiçando seus anos. Enfim ele percebe o problema, e passa por um difícil e sofrido processo de desintoxicação e reabilitação. Por fim, livre do seu problema, ele parte para novos horizontes e recuperar o tempo perdido.

Essa é basicamente a história do Oakland Raiders nos últimos anos. Um dono meio maluco e uma série de GMs incompetentes prenderam o time a uma série de contratos ruins e times medíocres da qual estavam impossibilitados de escapar e mantiveram o time por tanto tempo na mediocridade, só que ao invés de admitir o problema e procurar resolvê-lo, tentaram consertar com mais contratos e drafts ruins e decisões equivocadas, que se tornaram uma bola de neve e mantiveram o time refém dessa mania. Atualmente, o Raiders está passando pela fase de desintoxicação: eles ainda estão em processo de se libertar de todos os jogadores e contratos horríveis que sobraram e limpar seu salary cap. Por fim, concluído isso, o Raiders pode pensar em se reerguer como a franquia importante que é e tentar voltar a ser relevante.

E acho que nada ilustra melhor esse processo de "desintoxicação" do Raiders melhor do que o seguinte dado: ao final de 2013, o Raiders tinha 55.6M do seu salary cap destinado para jogadores ativos na sua equipe... e 56M para jogadores que não jogavam mais pelo Raiders (incluindo Carson Palmer, que não só ocupava 9M da sua folha salarial para jogar pelo Cardinals como custou uma escolha de primeira rodada e uma de segunda). Esse ano esse dinheiro morto cai para apenas 9M, e nenhum desse dinheiro será carregado para 2015 (por enquanto). Então literalmente, o Raiders está tentando se livrar ainda do desastre e das péssimas condições deixadas pelos anos anteriores da franquia.

Feito isso, o Raiders está basicamente na condição do Jaguars, problemas demais para resolver com pouco tempo, mas pelo menos uma escolha boa no draft, uma folha salarial limpa e a chance de um novo começo. Ao contrário dos Jaguars, no entanto, o Raiders não tem um caminho claro até um QB, que seria a primeira peça da reconstrução. Jaguars, Browns e Texans, os três escolhem antes do Raiders, e todos eles possuem necessidades na posição, e portanto o Big Three de QBs pode estar fora do draft antes de chegar a vez do Raiders. Se acontecer, é fácil: escolher o melhor jogador disponível (seja ele Sammy Watkins, Jadeveon Clowney ou Greg Robinson) e esperar o resto do time encaixar em torno disso nos próximos anos. Se algum dos três cair, acho possível que o Raiders se sinta tentado pela ideia de finalmente arrumar um bom QB (algo que o time não tem desde... Rich Gannon?), mas não acho que o time precise ter pressa. Não existe uma saída rápida do buraco para o Raiders mesmo com um bom QB, e é melhor pegar uma certeza do que arriscar em um QB que eles não tem tanta confiança. Eles também podem gastar algum dinheiro para manter alguns dos seus melhores free agents (em particular LaMarr Houston), embora não ache que isso vá acontecer - o caminho do Raiders para o sucesso não é tão curto assim, e acho que a diretoria já teve o suficiente de pagar demais para jogadores que não devia e sofrer com as consequências. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 7 da NFL

"E ai para comemorar o novo logo vamos bater alguns recordes negativos da NFL!"



Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!!

---------------------------------------------------------------------------------

Mais uma rodada se passou, mais uma vez vamos abordar, extensamente e nos mínimos detalhes, alguns topicos de interesse que surgiram. Mas antes, um anúncio importante...

Aberta a temporada de mailbags


É com grande prazer que anuncio que estamos abrindo novamente as portas para novos mailbags. Para quem não sabe o que é um mailbag, funciona assim: é uma coluna na qual eu publico emails dos leitores (podem ser perguntas, comentários, whatever) e os respondo, esvaziando minha caixa de entrada, aproveitando para trazer algumas opiniões e comentários interessantes, descontrair um pouco, e interagir com os leitores (minha coisa favorita em ter um blog). É uma forma também de todo mundo participar um pouco, expressar suas opiniões, e aliviar o clima as vezes muito analítico e complicado que fica nessas colunas. Já fizemos uma edição antes um pouco tímida e nunca fizemos de novo, embora as vezes um email interessante inspirasse uma coluna ou algo do tipo. Então agora acho que é um bom momento para tentar de novo, então todo mundo que quiser pode mandar quantos emails quiser para o nosso próximo Mailbag, que deve acontecer quinta que vem.

Se quiser participar, é bem fácil. É só mandar um (ou, na verdade, quantos quiser, não tem limite) email  para "tmwarning@hotmail.com" (de preferência com o título "Mailbag", para facilitar minha vida). No corpo do email é só mandar sua pergunta/comentário/whatever e, se quiser, seu nome e cidade para identificação (opcional). Quinta feira que vem vamos publicar e comentar/responder os melhores aqui e no site do Esporte Interativo, então fiquem ligados.

E vocês podem mandar basicamente o que quiserem no email. Pode ser uma pergunta, uma dúvida ou algo assim, pode ser um comentário interessante, uma opinião, o que vocês quiserem. Pode ser sobre a NFL, pode ser sobre o esporte, pode ser sobre outra liga, sobre um time, sobre um jogador, ou sobre algo que nada tem a ver com nada. Pode ser sobre mim, sobre o blog, sobre algum texto, sobre o que quer que seja - não precisa nem ser sobre esporte desde que seja interessante e/ou engraçado. Vou tentar publicar o máximo possível de emails (dependendo do quanto chegarem), e vou dar preferência com base nos critérios de relevância, interesse da pergunta/questão/comentário e o quanto eu gostar pessoalmente da questão. Já aviso que, obviamente, vou dar preferência aos esportes, mas se tiverem perguntas interessantes de outros assuntos (direta, indireta ou não-relacionados a esportes) também terão seu espaço. Então aproveitem a chance e mandem o que tiverem interesse, quantas vezes quiserem, e veja se sua pergunta aparece quinta feira aqui e no Yahoo. Participem!

As lesões que afetam os quarterbacks


Um dos assuntos que dominou as atenções nas últimas semanas ao redor da NFL foi a quantidade assustadora de lesões a jogadores importantes que aconteceram. Apenas nas últimas semanas vimos Bryan Hoyer, Vince Wilfork, Jerod Mayo, Leon Hall, Reggie Wayne, Sam Bradford, Brian Cushing, Julio Jones, Sean Weatherspoon, Danieal Manning, Ahmad Bradshaw, Dwight Freeney, Ian Williams, Ryan Clady e Russell Okung serem todos colocados no IR, designados para perder toda a temporada por conta de lesões. Jermichael Finley sofreu uma lesão no pescoço que algumas pessoas, espero que overreacting, disseram que poderia encerrar sua carreira. Além disso, diferentes lesões a jogadores como Michael Vick, EJ Manuel, Jay Cutler e MAtt Schaub estão causando todo tipo de mudança em times ao redor da NFL, e essa quantidade - que parece ter se concentrado no mês de Outubro por algum motivo - começa a chamar a atenção.

Claro, uma parte dessas lesões são explicáveis pela natureza do jogo ou simplesmente fruto do azar. Não é esse o ponto. Futebol americano é um esporte jogado em alta velocidade, por jogadores muito grandes e pesados, e com muito contato físico - para um jogador cair no lugar errado, de forma errada, ser atingido em um ponto vulnerável e tudo mais em toda essa correria e altíssima velocidade é muito fácil, e só precisa de um OL de 140kg caindo sobre sua perna para acabar com seu ano. Da mesma forma, com as novas mudanças que a NFL está impondo para diminuir as concussões também levam a muitos tipos de lesões: agora que os defensores não podem mais visar a cabeça ou a parte superior do corpo de seus alvos, a alternativa que lhes resta para dar tackles é atingir a perna dos WRs, e com jogadores muito fortes se jogando nas suas pernas a alta velocidade, tudo que precisa é de um pouco de azar, de um pé preso na grama ou de um salto mal calculado para seu joelho ir para o inferno. Isso tudo, infelizmente, faz parte do jogo.

No momento, eu estou muito mais interessado no efeito do que nas causas. A questão é que nas últimas duas semanas, um número muito grande de QBs se viu vítimas de lesões, e considerando que o quarterback é de longe a posição mais importante para qualquer time no curto ou médio prazo, as consequências também são maiores mesmo não se tratando de um QB de elite (embora meu editor jure que o Jay Cutler é Top15). Normalmente, isso talvez não tivesse tanta repercuss ão - apenas consequências para os times para substituí-los e pronto - mas acontece que estamos em um momento particularmente interessante para qualquer discussão envolvendo quarterbacks por uma série de motivos:

  • Primeiro, porque estamos em um ponto da história da NFL onde, devido as grandes mudanças de regras que vem ocorrendo nos últimos 10 anos para proteger QBs e WRs e incentivar ao máximo o jogo aéreo, quarterbacks hoje são mais importantes do que nunca. Claro que ter um QB de elite não te garante um título e que é impossível vencer sem ter um desses no seu time - os dois últimos Super Bowls foram vencidos por Eli Manning e Joe Flacco, inclusive - mas ter um QB de elite no seu time hoje faz uma diferença muito maior do que 20 anos atrás por conta dessas regras que incentivam o passe: Tom Brady não fica fora dos playoffs (saudável) desde 2002, e Peyton Manning desde 2001. Drew Brees não foi ano passado mas antes disso foi por três anos seguidos, e Aaron Rodgers não perde a pós temporada desde seu primeiro ano como titular, para dar alguns exemplo. Ter um QB desse nível, hoje, te da uma chance muito maior de chegar aos playoffs do que em qualquer ponto na história da NFL.
  • Segundo, porque a classe 2014 de QBs no draft é considerada uma das melhores e mais profundas em algum tempo, um draft que oferece um legítimo franchise quarterback em Teddy Bridgewater e possui mais um grande número de jogadores muito interessantes para sair na primeira ou na segunda rodada - um mock draft que eu cheguei a ver faz algumas semanas tinha QUATRO QBs saindo nas primeiras cinco escolhas (e mais Johnny Manziel na oitava). Então mesmo que quem fez esse mock draft estivesse fumando alguma coisa no processo, o ponto fica: o que não falta em 2014 são prospects interessantes na posição.
  • E terceiro, porque desde que o novo CBA controlou o salário dado a calouros, achar um bom jogador no draft significa que você vai ter quatro anos desse jogador a um preço extremamente baixo. Ao invés de pagar 86M para um jogador que não lançou uma bola sequer na NFL como fez o Rams com Sam Bradford (última 1st pick do velho CBA), times agora podem prender seu QB calouro por quatro anos por menos de 20M se ele sair no topo da primeira rodada - um jogador como Russell Wilson custa ao Seahawks cerca de 1.5M pelo ano passado, esse e os próximos dois. Um bom QB em contrato de calouro é um dos maiores ativos que um time pode ter nesse momento. 
Em outras palavras, esse é o momento perfeito para times começarem seus questionamentos relacionados a QBs caso não tenham uma situação sob controle nesse aspecto. E um aspecto que sempre vai levantar um questionamento é uma lesão no seu titular, especialmente se ele tiver algum fator (e muitos tem) que inspire dúvidas sobre seu futuro. Então com quatro times (Texans, Bears, Rams e Eagles) vendo seus QBs se machucarem e colocarem seu futuro em dúvida, isso levanta algumas possibilidades interessantes com 2014 em mente (Cleveland e Buffalo já foram cobertos aqui)

Philadelphia Eagles

O Eagles é o menos surpreendente de todos esses, porque antes da temporada a grande questão já era sobre qual dos três QBs do elenco seria o titular... e se algum deles seria o QB para Chip Kelly carregar para o futuro na equipe, com a resposta mais comum sendo "nenhum". Michael Vick acabou sendo o titular do time para começar o ano, e os resultados foram mistos: o time ganhou 2 jogos e perdeu 3 com ele no comando (com uma dessas vitórias sendo com Nick Foles entrando no meio da partida) atrás de um bom ataque. Quando Vick se machucou, Foles entrou bem e assumiu a titularidade pelos dois jogos seguintes, tendo uma partida muito sólida contra o Buccaneers e depois tendo um jogo horrível contra o Cowboys, saindo machucado com uma concussão para a entrada do terceiro QB do time, o calouro Matt Barkley... que lançou três interceptações para terminar de perder a partida. Agora o status de Foles para semana que vem está no ar, e com Vick voltando de lesão, ressurgem as questões sobre qual deve ser o titular da equipe.

A vantagem para o Eagles é que uma das perguntas - qual é a solução a médio prazo? - já está respondida desde o começo do ano, e não é nenhum deles. Kelly teve um ano para avaliar diferentes jogadores, ver se algum dos três apresentava as características certas para seu ataque, mas duvido muito que ele tenha visto alguma coisa ao longo da temporada que tenha mudado o que todo mundo já acreditava antes da temporada começar. O ataque de Kelly é complexo e envolve um QB capaz de executar diferentes tipos de jogadas - corridas, passes longos, etc - mas ainda mais importante, precisa de um QB capaz de fazer leituras e tomar decisões com grande rapidez. O segredo desse ataque é colocar diferentes jogadas possíveis dentro de uma mesma formação - um passe pelo meio, um handoff atrasado, uma corrida com o QB, um passe longo, etc - que vão forçar a defesa a reagir de formas diferentes e transformando a defesa em um cobertor curto, e portanto cabe ao QB fazer a leitura de qual dessas jogadas a defesa está deixando desmarcada e colocar a bola lá nessa fração de segundos. Infelizmente, esse jogador não existe no elenco do Eagles hoje - é só assistir meia hora de vídeos desse ataque para ver a quantidade de jogadas na qual o QB forçou sua primeira leitura da jogada (independente do resultado) com uma outra alternativa muito mais favorável se abrindo que teria sido mais vantajosa em caso de uma leitura mais rápida ou mais correta. Nem Foles nem Vick conseguem fazer esse tipo de leitura, e Barkley ainda é uma incógnita sem experiência na NFL. Se Kelly quer maximizar o potencial de seu ataque ao longo da sua estadia em Philly, ele precisa de um QB que não está lá no momento.

Sobre a questão de quem deve ser o titular indo para a frente, deveria ser Vick quando ele estiver saudável. Vick não é e nunca foi conhecido por tomar boas e decisões e fazer boas leituras de jogo, e isso tem atrapalhado o ataque do Eagles, mas ele pelo menos tem feito um bom trabalho simplesmente fazendo coisas acontecerem. Suas interceptações estão sob controle (1.5%, ótima marca) e, apesar dos três fumbles, ele tem compensado isso sendo o QB mais valioso correndo com a bola por uma boa margem, a frente de Andrew Luck e Russell Wilson mesmo tendo tido dois jogos a menos. Seu QBR de 65 é o 10th entre QBs, e Football Outsiders coloca Vick como o 14th passador mais produtivo (ajustado) da NFL, e isso é antes de somar seu valor como corredor. Sua dificuldade tomando decisões prejudica a equipe, mas sua capacidade de correr com a bola facilmente oferece uma dimensão ainda mais preocupante para as defesas que enfrentam o Eagles. E quanto ao seu record de 2-3 como titular, não consigo ver porque a culpa seria de Vick: nesses cinco jogos, a horrível defesa da equipe tomou 159 pontos, quase 32 por jogo, enquanto o ataque anotou sólidos 135 no período - Philadelphia na verdade tem o segundo melhor ataque ajustado da NFL. Então falar que o problema do time é Vick ou o ataque de Kelly simplesmente não é verdade, e enquanto é um fato que o camisa 7 não é o jogador ideal para fazer esse esquema funcionar a todo vapor, ele é quem da ao time atualmente a melhor chance de vencer, como seu QBR indica. Kelly sabe disso, e por isso Vick deve jogar se estiver saudável. 

Houston Texans

Mas se o Eagles era a questão mais fácil para a posição, os outros três times são muito mais complexos. O Texans, em particular, é o que apresenta maior dificuldade na hora de tomar uma decisão. 

Depois de um começo genuinamente muito ruim para a temporada - incluindo um recorde da NFL, quatro jogos seguidos com uma pick six - Matt Schaub vinha em um jogo razoável contra o Saint Louis Rams quando se machucou e foi substituído pelo seu reserva, TJ Yates. A torcida, por incrível que pareça, aplaudiu e torceu para a lesão de Schaub... sendo castigados pouco depois quando Yates lançou sua própria pick six. Karma is a bitch. Mas com Yates não sendo a resposta para nada e Schaub ainda fora, o time acabou dando a oportunidade de jogar contra o Chiefs para o terceiro QB do time, Case Keenum, um calouro redshirt (entrou na liga em 2012 mas não jogou) não draftado de Houston. Keenum teve um jogo decente mas com muitos erros, completando 15/25 passes para 275 jardas e um TD, mas também sofreu cinco sacks e dois fumbles, terminando a partida com um QBR de 35. Com uma semana de bye pela frente (o que pode significar uma semana a mais para Schaub voltar ou uma semana a mais para integrar Keenum ao playbook) e Keenum tendo mostrado alguns bons lançamentos contra uma das melhores defesas da NFL, é de se perguntar qual vai ser o curso do Texans indo em frente.

A questão chave aqui é o quanto o Texans acredita que Schaub possa dar a volta por cima e retomar seus melhores anos. Apesar de nunca ter sido elite, Schaub era um QB muito bom alguns anos atrás, liderando a NFL em jardas em 2009. Entre 2009 e 2011 (antes da lesão), Schaub completou mais de 64% de seus passes para 8 jardas por passe, 4.7 TD% e 2.3 Int%, números bastante respeitáveis (além de um QBR perto de 65). Depois da lesão que encerrou sua temporada em 2011, seus números despencaram: seu aproveitamento permanece o mesmo, mas perdeu mais quase uma jarda por passe (7.1 atualmente), viu seus TDs despencarem para 3.6% e suas interceptações para 2.9%, números bastante ruins como seu QBR abaixo dos 50 indica. Então relacionado ou não, o fato é que desde a lesão Schaub não tem sido o mesmo jogador, então existe uma legítima questão sobre se ele consegue ou não voltar a produzir naquele nível de antes, que junto da boa defesa do time e um jogo terrestre consistente (não tem sido em 2013, mas pode vir a ser com mais saúde e alguns novos jogadores na linha ofensiva) voltaria a produzir um candidato ao título. A resposta para essa questão é a chave para o Texans e sua situação de QB para o futuro. Se o Texans acreditar que Schaub pode se recuperar - ele vai ter 33 anos em 2014, btw - então faz sentido ficar com o jogador por mais um tempo, esperar 2014 chegar e Brian Cushing/Danieal Manning voltarem (quem sabe até Ed Reed saudável), dar uma remodelada na linha ofensiva e fazer uma nova tentativa no esquema defesa forte e ataque coadjuvante e estável. Se acharem que não vale o risco? Bom, agora eles tem algumas alternativas pela frente.

O QBR de Keenum foi ruim essa semana por causa do seu fumble que acabou com as chances de uma virada e os cinco sacks sofridos, mas o que ele mostrou contra uma boa defesa do Chiefs deve ter agradado ao pessoal de Houston. Keenum teve diversos bons passes, saiu muito bem do pocket (as vezes demais, mas com o tempo melhora) para estender jogadas ou criar novos ângulos de passe (algo que Schaub não faz atualmente) e manteve a defesa honesta por vezes, conectando com diversos bons passes longos, mostrando porque a diretoria gostava tanto dele antes da temporada. Keenum acabou não sendo draftado por uma situação parecida com a de Russell Wilson - baixo demais para o jogo, principalmente - mas tem mostrado algumas armas interessantes. Claro que um jogo não é amostra nenhuma, mas oferece uma opção interessante ao time. 

Caso concluam que Schaub merece mais tempo para tentar voltar ao seu velho jogo, então não tem segredo: ele vai voltar a ser titular assim que estiver saudável, com Keenum ganhando a reserva na frente de Yates. Mas caso decidam pelo contrário, e Schaub tenha perdido sua janela na equipe, então o time tem duas opções para o futuro: ou o QB de 2014 é Keenum, ou ele não está no time hoje e o time precisa ir buscá-lo em outro lugar (draft ou free agency). Nesse caso, isso levanta um cenário interessante: se Schaub não for mais ser o titular, o time poderia escalar Keenum até o final da temporada (que já parece perdida, ainda mais agora que Arian Foster e Ben Tate também machucaram) para terem uma amostra melhor do que eles tem no garoto antes de tomar uma decisão. Um jogo não diz nada sobre um jogador, mas os outros 9 jogos que Keenum teria entre agora e o final do ano (mais esse contra o Chiefs) já oferecem uma amostra muito maior e mais confiável do que eles possuem no garoto. Ao final da temporada, com um bom conhecimento do verdadeiro nível do garoto, eles poderiam tomar a decisão de insistir com ele uma temporada inteira ou se precisam procurar seu futuro em outro lugar (talvez até trocando Schaub ainda essa temporada por uma escolha de draft). Não acho que seja o mais provável que aconteça, mas é uma possibilidade interessante aberta pela lesão de Schaub e a boa partida do calouro.

Chicago Bears

A questão do Chicago Bears é diferente. Ao contrário de Schaub, Jay Cutler não vinha em uma temporada ruim: 64.9% de aproveitamento nos passes para 7.4 jardas por passe, 5.3% de TD% e 31 Int% e um QBR de 66.3 - seu aproveitamento é a melhor marca da carreira, seus 7.4 Y/A é sua segunda melhor marca desde que chegou a Chicago, e tanto seu TD% e seu QBR são seus melhores números como um Chicago Bear. Protegido por uma linha ofensiva melhor e com um esquema ofensivo que explora muito melhor a boa opção de checkdown da equipe (Matt Forte) - sem falar na chegada de Martellus Bennett e a evolução e Alshton Jeffery - Cutler tem esse ano o melhor grupo ao seu redor e estava tendo sua melhor temporada na carreira em Illinois, e seu record de 4-2 os colocava entre os candidatos a uma vaga de wild card ou até um título de divisão. Então Cutler se machucou na virilha, podendo perder até seis semanas da temporada, a defesa tomou 45 pontos do fraco Redskins, e agora os prognósticos da equipe parecem muito menos favoráveis para o resto do ano.

Ao contrário de Houston, Chicago não tem um reserva interessante que intriga a equipe com seu potencial: o reserva de Cutler é Luke McCown, um QB de 34 anos que não tem sido mais que um reserva durante toda a carreira e que não ameaça a titularidade de ninguém. O problema aqui é que Cutler é um free agent ao final da temporada, e com alguns bons flashes ao longo da sua carreira e bons números em Denver (e eventualmente em Chicago), ele provavelmente vai conseguir um contrato bem gordo no mercado, seja do Bears ou de outro time. Provavelmente não chegando nos valores Romo/Flacco/Ryan que nos acostumamos nessa offseason, mas espero algo na casa dos 80/90M, e a questão é se o Bears estaria disposto a pagar esse valor considerando que o time já está em uma complicada situação salarial (embora tenha a opção de cortar 18M de salário mandando Julius Peppers embora ao final do ano). A lesão é um fator que pode ser decisivo, nesse cenário, por dois motivos: primeiro, porque com Cutler fora mais seis jogos (aproximadamente), isso vai reduzir consideravelmente a chance do time chegar longe com o camisa 6. Isso pode parecer pouca coisa, mas não é: uma temporada boa, na qual o QB jogou bem e o time foi longe, vai sempre aumentar em muito o interesse da equipe em reassinar com esse jogador em relação a uma temporada 8-8 e uma volta para casa cedo. Os GMs sempre terão uma visão viesada para as performances recentes de um jogador, por isso é tão importante esses "contract years" -  o ano final dos contratos que, por bem ou mal, acabam sendo a base para os futuros contratos desses jogadores. Uma temporada 11-5 chegando na segunda rodada dos playoffs sempre vai te valorizar mais do que uma temporada 8-8, então a redução drástica da chance de sucesso do Bears esse ano com essa lesão vai afetar essa possível renovação. A outra questão é de saúde: Cutler tem sido um pouco vulnerável a lesões (ou pelo menos tem sido visto como sendo) nos anos recentes, e isso preocupa na hora de assinar um QB de 30 anos para um contrato longo e caro. Em 2010, Cutler se machucou na final de conferência contra o Packers em um jogo onde o Bears teve boas chances de surpreender os eventuais campeões; em 2011, Cutler perdeu os últimos sete jogos da temporada e acabou com o que era até aquele ponto uma sólida temporada da equipe; e agora ele sofre uma nova lesão que vai tirá-lo da equipe por algum tempo. Ainda que possa ser injusto dizer por causa disso que Cutler é injury prone (todas as lesões foram coisas diferentes, então é como se fosse uma lesão crônica recorrente), o que importa nesses momentos é a percepção, e o Bears estaria muito menos inclinado a pagar o dinheiro alto que Cutler vai pedir se acreditar que ele não ficará saudável conforme a idade avança.

Esse é o cenário no qual eu acredito que o Bears não estaria seriamente considerando deixar Cutler ir embora se fosse quatro anos atrás ou quatro anos para o futuro: Cutler é um QB sólido que agora está jogando junto dos melhores coadjuvantes que teve em algum tempo, Marc Trestman está desenvolvendo um bom repertório com o jogador, e sua boa atuação em 2013 provavelmente lhe renderia um contrato com a equipe que poderia virar um albatroz em uns dois anos. Mas considerando que essa renovação aconteceria nas vésperas de uma draft class extremamente profunda em QBs e quando os times ainda estão aprendendo as melhores formas de lidar com o novo CBA (com "QB em contrato de calouro" sendo um dos ativos mais importantes da NFL), ela deixa de ser uma certeza. Essa lesão prejudica a última chance de Cutler de mostrar ao time que ele pode ser "o cara" em Chicago e levar o time aos playoffs mais uma vez, e considerando o medo de novas lesões e o quanto um QB de 31 anos (em 2014) iria entupir seu teto salarial já apertado pelos próximos anos, pode levar a diretoria da franquia a arriscar em um novo jogador com um salário controlado pelos próximos quatro anos. Cutler provavelmente foi o grande perdedor aqui, embora ainda ache que algum time no mercado (Cardinals, talvez?) vá pagar os 80M ou mais que ele pedirá.

Saint Louis Rams

Esse era o mais previsível de todos, talvez, e a lesão de Sam Bradford - fora da temporada - só agiliza o processo. Bradford e o Rams na verdade foram vítimas de um CBA que saiu de controle, onde os internos estavam controlando o asilo e deram poder demais para os jovens que acabavam de chegar na NFL. O lockout e a greve dos jogadores de 2011 aconteceram mais por conta de divisões de receita entre times e jogadores e nunca foi de fato um risco a não-realização da temporada (ou mesmo de parte dela), mas entre as coisas que precisavam de fato ser arrumadas (e foram) estava a parte relativa ao salário dos calouros, que estavam ganhando dinheiro demais logo de cara e que, no caso de uma lesão ou um bust, entupiam o teto de um time por quase seis anos. Pense que Bradford, última 1st pick sob o velho CBA, ganhou um contrato de 6 anos e 86M (com 50M garantidos), enquanto que a primeira 1st pick do novo CBA (Cam Newton) assinou um de 4 anos e 22M (totalmente garantidos) - quase 1/3 do contrato de Bradford. Então em relação aos times com QBs de drafts recentes - Newton, Colin Kaepernick, Andrew Luck, RG3, Ryan Tannehill, Russell Wilson - o Rams se encontrava (e se encontra) em uma desvantagem, já que é obrigado a comprometer uma parte muito maior de seu salary cap para Bradford.

Por isso eu achei que eles foram burros em não draftar RG3 em 2012 (mesmo que achasse Bradford um grande QB, o contrato era mil vezes menor e muito mais protegido), e por isso cada vez mais Bradford - que não conseguiu corresponder as expectativas de quando foi escolhido 1st overall - começava a se desenhar como um albatroz na folha salarial da equipe. E também por isso o final dessa temporada é um momento tão crítico para o Rams decidir sobre o futuro da franquia em relação a Bradford: o camisa 8 tem mais dois anos e 34 milhões para receber do Rams caso fique no time para o ano que vem, mas se ele for cortado antes da temporada começar, Saint Louis salva quase 10M em seu teto salarial (embora tenha que arcar com o resto do salário) para 2014, algo importante para um time que está ainda longe de alcançar 49ers e Seahawks na NFC West. Então essa é uma decisão importante que vai afetar o futuro da franquia, e precisa ser tomada ao final dessa temporada... e com a amostra de Bradford que o time já tem até agora, que não foi boa (ele é basicamente um QB mediano na NFL, e nenhum jogador assim deveria ganhar 17M por ano), e agora essa lesão significa que Sam não terá mais os últimos jogos da temporada para fazer seu caso e mostrar que ele merece ser o quarterback do time. Agora é um dilema sobre se vale a pena insistir nele mais dois anos pagando 17M por ano, ou desistir do experimento, seguir em frente, e cortar 10M da sua folha salarial no processo.

Vale lembrar que o Rams tem duas escolhas de primeira rodada esse ano que provavelmente estarão na metade de cima do draft, já que eles possuem a sua própria e mais a do Redskins (2-4). Então em um draft profundo, e considerando que o time tem os ativos para ou adereçar outra necessidade imediata (OL?) além do QB ou juntar um pacote para subir de posição e pegar um QB melhor (talvez até a 1st pick, dependendo de quem for o dono dela), não consigo ver o Rams decidindo que prefere pagar um salário maior por dois anos a mais de medíocridade do que a chance de economizar e ainda tentar achar um novo QB do futuro, não com Sam Bradford, e muito menos com Sam Bradford voltando de uma lesão séria como essa. Acho que Bradford lançou seu último passe como um membro do Rams.


Historicamente ruim


Duas semanas atrás, quando o Bill Simmons escreveu uma coluna sobre NFL, ele disse que a expressão "historicamente ruim" tinha se tornado a expressão mais usada da história dos esportes e que era usada para absolutamente tudo hoje em dia - basicamente, como ele mesmo disse, nosso uso dessa expressão está historicamente ruim. Mas se tem um time que merece o uso - e o uso contínuo - dessa expressão, é o nosso time historicamente ruim de 2013... o Jacksonville Jaguars.

Não preciso explicar exatamente porque o Jaguars é tão ruim, todo mundo aqui tem TV/internet e provavelmente já viu cinco minutos desse show de horrores. O time não pontua, o time não consegue segurar os adversários, e muito além de estar 0-7 e longe da sua primeira vitória, o time na verdade perdeu TODOS seus jogos até agora por pelo menos 10 pontos. O time é tão ruim mas tão ruim que virou quase folclórico a essa altura, e ninguém duvida de que seja o pior time da liga na atualidade.

Mas quão ruim o Jaguars realmente é, historicamente? Bom, é o que eu quero saber. Então usando a base de dados do Pro-Football Reference, vamos ver os times desde 1970 - a fusão entre a NFL e a AFL - que foram tão ruins ou piores quanto esse time para começar a temporada.

Primeiro dado que eu procurei foi dos times que, assim como o Jaguars de 2013, conseguiram perder seus primeiros sete jogos por 10 ou mais pontos - jogos de uma posse de bola ainda podem ser atribuídos a alguma falta de sorte, mas 10 pontos em cada um desses sete jogos é um pouco demais, certo? Bom, acontece que o Jaguars conseguiu algo bastante raro com essa façanha: apenas um outro time nesses 43 anos de NFL conseguiu tamanha futilidade, o Houston Oilers de 1984. Aquele time do Oilers terminou o ano 3-13. Outros cinco times além desses dois também tiveram seis derrotas por 10 pontos ou mais nos primeiros sete jogos da temporada: 1971 Buffalo Bills (1-13), 1986 Indianapolis Colts (3-13), 1976 New York Jets  (3-11), 1973 Oilers (1-14), 1972 Eagles (1-12-1). Em outras palavras, apenas um outro time na era post-merger da NFL conseguiu essa façanha, e apenas UM outro apenas conseguiu atingir esse nível em 6 das primeiras 7 partidas desde 1980.

O Jaguars também se destaca na temporada por ter anotado o menor número de pontos e ter cedido o maior número de pontos na temporada até aqui, anotando 76 pontos (10.9 por jogo) e cedendo 222 (31.7 por jogo). Colocando esses números em contexto histórico (sempre desde o merger), os dois aparecem entre os piores números da história da NFL: 76 pontos anotados nos primeiros 7 jogos da equipe é a 28th pior marca desde 1970, e os 222 pontos cedidos formam a 15th pior marca no mesmo período. Ambas marcas muito ruins, mas não as piores, o que deveria oferecer algum consolo, certo? Bom, na verdade não por um simples motivo: nenhum time na história da NFL aparece nas duas listas na frente do Jaguars. Ou seja, nenhum time foi pior anotando pontos E pior cedendo pontos nos primeiros 7 jogos de uma temporada do que Jacksonville essa temporada, o que o coloca novamente em um nível quase único.

Mas já sabemos nesse espaço que vitórias e derrotas não representam o verdadeiro nível de um time, e que na verdade a melhor forma de medir o quão bom (ou, nesse caso, quão ruim) um time é ou foi é olhar para o seu saldo de pontos. Então vamos olhar o saldo de pontos do Jaguars após sete jogos (-146) e comparar com os outros times na nossa amostra. O resultado é realmente impressionante: depois de 7 jogos, nesses 44 anos de história da NFL, apenas UM time conseguiu começar a temporada com um saldo pior do que o Jaguars de 2013. Foi o Saint Louis Rams de 2009, que eventualmente teve a 1st pick e gastou em Sam Bradford. O Jaguars está também empatado em segundo lugar com o Oilers de 1973, que já foi citado anteriormente. Considerando então saldo de pontos como sendo nossa amostra mais precisa, podemos concluir que o Jaguars foi o segundo pior time (empatado) da história da NFL depois de sete jogos (desconsiderando fatores como calendário, claro).

Por fim, qual é exatamente o patamar que o time precisa alcançar para oficialmente levar o cinturão de pior time de todos os tempos? A primeira resposta de muitos provavelmente seria o 0-16 Lions de 2008, mas não me parece ser o caso - aquele time teve o saldo de pontos de um time acima de 3 vitórias, por exemplo. Olhando por saldo de pontos, o cinturão de pior time de todos os tempos pertence a um que dificilmente será superado, o Tampa Bay Buccaneers de 1976, que inclusive perdeu todos os seus jogos. Esse Bucs teve um saldo de -287 pontos, o que é ainda mais impressionante quando lembramos que em 1976 o calendário da NFL tinha apenas 14 jogos... o que nos da -20.5 de saldo de pontos POR JOGO. Entre a era dos 16 jogos, a pior marca é do 2-14 Baltimore Colts de 1981, com -274 de saldo, -17.1 por jogo. São essas marcas que o Jaguars precisa superar para atingir o nível histórico de pior time da era moderna da NFL: -275 ou menos de saldo de pontos para superar o Colts de 1981, ou -329 ou menos de saldo para superar o Bucs de 76 no saldo de pontos. Então se o Jaguars mantiver o ritmo atual até o final da temporada, perdendo todos os 16 jogos pelo mesmo saldo de pontos que tem agora, com quantos ele vai terminar o ano? Com -334, é claro, quebrando ambas as marcas!!! Sua média de 20.9, atualmente, é também a pior da história da NFL (considerando apenas temporadas completas).

Então o Jaguars não é o pior time da história da NFL... ainda. Mas está caminhando para atingir essa duvidosa distinção, confirmando de uma vez por todas que se existe um time que merece ser descrito como "historicamente ruim" na NFL hoje em dia, é o Jacksonville Jaguars.

(Errata: Originalmente eu disse que o pior time em 16 jogos era o Baltimore Ravens de 1981, mas como alguns leitores atentos repararam, isso é impossível: o Ravens só foi criado em 1996, e o time de Baltimore em 1981 era o então Baltimore Colts. Agradeço aos que avisaram, já foi corrigido).

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Houston Texans

A linha ofensiva faz a Dança do Siri em Houston



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North e os previews da NFC North, começamos agora a falar da AFC South pelo seu atual campeão, Houston Texans. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Houston Texans

2012 Record: 12-4
Ataque ajustado: 16th
Defesa ajustada: 3rd


Com uma exceção (Colts), a AFC South era a divisão que eu estava menos ansioso para escrever. Jaguars e Titans são times desinteressantes (embora o Titans seja um pouco mais) e o Texans é um time difícil de escrever. Difícil porque ele é estável, sólido em quase tudo e mudou muito pouco do ano passado para este, nenhuma grande mudança tática ou técnica para analisar seus efeitos. O time desse ano provavelmente será semelhante ao do ano passado em muitas coisas (vamos chegar lá), mas carece de mudanças interessantes. Mas vamos dar uma olhada porque o Texans, infelizmente para seus torcedores, não foi um time tão bom em 2012 como pareceu.

Se o Lions, no texto de ontem, foi um dos times mais azarados da NFL perdendo 73% dos seus jogos decididos por uma posse de bola, estando mais de 2 vitórias abaixo da sua Pythagorean Expectations e praticamente não recuperando nenhum fumble que caiu no chão, o Texans foi o oposto: um dos times mais sortudos e que superou os números na NFL. O 12-4 Texans terminou a temporada com um Pythagorean Expectations de um time 10-6, venceu seus cinco jogos decididos por uma posse de bola e foi o terceiro time com melhor aproveitamento recuperando fumbles (um absurdo 64.1%). Junte a isso o sétimo calendário mais fácil da NFL e então o Texans provavelmente foi um time muito mais "normal" do que se imagina. Sem dúvida um bom time, excelente defesa, mas não tão bom no agregado como pareceu. Pelo Football Outsiders, a eficiência total ajustada do Texans foi de 6,8% (11th), mais próximo  do Panthers (13th) que do Ravens (9th). A tabela da franquia em 2013 não é exatamente os sete infernos, mas enfrenta a NFC West e uma AFC West que deve estar melhor (mais Ravens e Patriots), então não vai ser exatamente um passeio no parque.

Ainda assim, o Texans é um time forte, e se tem alguma coisa que eu martelei durante esses previews todos é que uma vez nos playoffs, tudo pode acontecer. O importante é chegar aos playoffs, e nisso o Texans provavelmente deu sorte de jogar na divisão mais fraca da NFL. Vamos chegar lá no próximo preview, mas o único adversário real da equipe é o Colts, que não é tão bom assim (apesar de ter o melhor QB da divisão) - os outros dois times da divisão foram o segundo e terceiro piores times da NFL, per Football Outsiders e pelo teste visual. Então a equipe tem isso a seu favor.

A outra coisa que Houston tem a seu favor é sua defesa espetacular. Desde que Wade Phillips (um dos piores HCs da sua geração) chegou para ser coordenador defensivo da equipe, a defesa tem tido uma das melhores da NFL: juntando os dois últimos anos, apenas Chicago e San Francisco possuem números melhores que o Texans. O que é ainda mais bizarro considerando que, nos dois anos anteriores a chegada de Phillips, a defesa da equipe foi a segunda pior e a pior da NFL (e a pior juntando os dois anos). Mas fato é que a defesa mudou de grande fraqueza para grande força da equipe:  6th em 2011 (contra 9th do ataque) e 3rd em 2012 (contra 16th do ataque). Claro que atribuir isso apenas a mudança de coordenador é precipitado, a chegada de novos jogadores (sim, JJ Watt) e o crescimento do bom núcleo jovem da equipe certamente contribuiu, mas não lembro da última vez que uma unidade passou de "vergonha nacional" para "Top3 da NFL" em tão pouco tempo.

E claro, não da para falar dessa defesa sem falar de Watt. Depois de uma boa campanha de calouro, Watt explodiu em 2012 para 20.5 sacks (lider da NFL), 69 tackles (lider do time), 16 passes desviados na linha de scrimmage (lider da NFL) sem falar em todas as pressões e atenções extras da defesa que atriu, e basicamente foi a força mais destrutiva da NFL inteira. Levou para casa prêmio de Defensive Player of the Year com folga e foi a alma desse time. É praticamente impossível num esporte tão coletivo onde cada jogador afeta diferentes coisas por jogada medir exatamente qual foi a contribuição individual de um indivíduo, mas posso falar sem nenhum medo que nenhum jogador teve um impacto defensivo tão grande quanto JJ Watt. Ele pressionou QBs, parou a corrida, atraiu dois ou até três defensores e facilitou a vida de todo o resto dessa boa defesa. Adversários que enfrentavam a equipe já se preparavam e mudavam seu esquema pensando em como evitar a pressão, designavam dois jogadores para essa função apenas ou então mudavam seu estilo para passes mais rápidos ou bootlegs que tirassem aquele monstro da frente das linhas de passe. Ele atraia mais bloqueadores e liberava para seus companheiros de pressão como Antonio Smith e Brooks Reed. Em resumo, ele forçava o ataque a se ajustar, se modificar e as vezes abandonar algumas forças para minimizar seu impacto. Não é a toa que a linha defensiva de Houston terminou como a terceira mais forte da NFL (per Football Outsiders) atrás de apenas Chicago e Saint Louis.

Mas não foi só nas costas de Watt que essa defesa foi sólida. 4th overall contra o passe e 5th contra a corrida, é um grupo extremamente completo, desde sua linha defensiva com Smith e Watt, seu corpo de linebackers ancorado por Brian Cushing e Brooks Reed, e sua secundária com Kareem Jackson e Jonathan Joseph. É um grupo bastante jovem que maturou muito nos últimos dois anos e se beneficiou da chegada de Phillips para evoluir em um dos grupos mais sólidos da Liga. E o Texans está naquela posição invejável que eu citei quando falei do Ravens: tendo um excelente grupo, um esquema tático no lugar e as peças principais já montadas que pode substituir as secundárias sem perder o ritmo. A equipe perdeu Connor Barwin para o Eagles, e foi atrás do problemático mas talentoso Joe Mays para dar profundidade a um grupo que sofreu temporada passada quando perdeu Reed e Cushing por lesão (e draftou um cara que eu gosto, Sam Montgomery), por exemplo. E quando o bom e underrated Glover Quin foi para Detroit na Free Agency, o time aproveitou para trazer Ed Reed.

Reed é uma peça interessante nessa defesa que não se adequa a norma de "trazemos o jogador com as qualidades que precisamos", o que obviamente não quer dizer que a contratação seja errada ou ruim: você sempre quer aumentar o talento do seu time quando possível. Eu acho Reed interessante porque ele pode tanto aumentar um nível nessa secundária com suas habilidades como pode ser pior do que as pessoas imaginam. Reed é um grande jogador (e tem um dos apelidos mais legais da NFL) e sem dúvida melhor que Quin quando está bem, mas existe uma certa incerteza aqui: Reed está velho e batalhando muitas lesões nesse final de carreira, e acabou de sair de um time onde jogou durante toda sua carreira, o mesmo esquema tático feito para maximizar suas forçar. Agora ele, voltando de lesão e perdendo boa parte da pré-temporada, vai ter que aprender um novo playbook, se adaptar ao esquema de um novo time (e ficar saudável por 16 jogos). É uma aposta considerável, certo? Se ele conseguir ficar saudável e se adaptar bem, ele realmente aumenta o nível dessa secundária e a torna muito mais perigosa com suas habilidades de ir atrás da bola (algo que falta a esse time quando os passes não são desviados pelo Watt), mas também existe uma chance de Reed batalhar com lesões (um tema recorrente na sua carreira recente) e não conseguir ser tão eficiente quanto poderia. Eu não estou questionando a contratação ou falando que foi um erro, só estou dizendo que o impacto provavelmente não vai ser tão grande quanto no papel.

E para ser um pouco mais cínico, o fato é que Texans é um candidato a alguma regressão. Sua incrível sorte com fumbles (mais significativa no ataque, mas ainda grande na defesa) vai regredir, pelo menos, e já é algo significante. Mas a chave aqui é JJ Watt. Não existe nada absurdo em um jogador talentoso dar um salto de produção no seu segundo ano como profissional e Watt já tinha se mostrado muito bom na sua temporada de calouro. O que chama a atenção é o nível no qual ele jogou, algo muito superior ao que a NFL viu em anos. Não duvido nem por um minuto da capacidade de Watt e acho que ele tem tudo para continuar sendo um dos jogadores mais valiosos da Liga, mas a dúvida é se o nível espetacular mostrado em 2012 é seu verdadeiro nível ou um ano "outlier" de um talento especial. A amostra é pequena para dizer porque foram apenas duas temporadas, mas como já vimos no caso de Adrian Peterson, só porque você é muito bom em alguma coisa não quer dizer que não possa ter uma temporada fora da curva. Colocando a questão de outra forma, se 2012 for o verdadeiro nível de Watt e ele mantiver isso pelo resto da carreira, ele provavelmente vai se aposentar como o maior ou segundo maior defensor de todos os tempos. Então vocês entendem minha dúvida, se foi apenas um ano fora da curva de um grande talento, ou se ele realmente realizou toda sua capacidade e o mundo como conhecemos está ferrado. Não temos amostra suficiente para julgar, então só podemos especular. Mas é um grande candidato a alguma regressão, de modo geral, e isso pode afetar um pouco essa defesa.

O ataque é um pouco mais complicado, e não tão dominante. O que não quer dizer que seja ruim, quando você tem uma defesa boa como é o caso. Mas ainda inspira alguns cuidados. 

O principal problema desse ataque é a chamada (ok, eu que inventei faz 40 segundos) "Síndrome de Megatron". Ou seja, a equipe possui um WR fantástico - no caso Andre Johnson - mas o resto de recebedores é fraco e não confiável, de forma que as defesas podem designar marcações mais pesadas para esse jogador mais dominante sem se preocupar com outros jogadores castigando-os. Da mesma forma, a falta de outros bons alvos (especialmente em jogadas de terceira descida) torna esse ataque previsível demais. A falta de variedade é um problema que foi exposto ainda mais quando o bom TE Owen Daniels se machucou e perdeu o resto da temporada regular: Johnson passou das 1500 jardas na temporada e só um outro WR da equipe (Kevin Walter) passou das 500 jardas, e nenhum outro passou de 200. E isso diminui não só a eficiência do jogo aéreo como também de sua estrela em Johnson, que não tem ninguém para atrair a marcação. Esse foi um dos motivos pelos quais eu gostei tanto de Houston ter pego DeAndre Hopkins no Draft: apesar de WR ser uma posição onde a adaptação não costuma ser fácil, pelo menos é um jogador jovem e dinâmico para colocar do lado oposto ao AJ. Mesmo que não vá atrair a defesa (pelo menos no começo) deve se beneficiar do espaço extra e já é um upgrade sobre qualquer coisa que o Texans tenha colocado na posição nos últimos anos. Um upgrade muito necessário para um ataque aéreo que terminou em 14th temporada passada mesmo com o segundo WR mais valioso da NFL (per Football Outsiders).

O ataque terrestre é um pouco mais problemático. Apesar da fama da equipe de ter um "grande" ataque terrestre com Arian Foster, a equipe terminou apenas com o 16th melhor ataque terrestre temporada passada (e 9th na anterior). Em parte porque os números são ajustados por adversário (e o Texans teve um calendário bastante fácil em termos de defesas enfrentadas) e em parte porque a equipe corre muito com a bola: apenas três times o fizeram na temporada inteira, sendo que dois deles (Seattle e Washington) possuem QBs corredores e o outro (Patriots) joga no ritmo mais rápido da Liga. A média de jardas por corrida da equipe também foi apenas mediana (4.1) na Liga. Para uma equipe cujo jogo aéreo dependia tanto de um jogador apenas, o jogo terrestre sempre foi uma ferramenta crucial para balancear as defesas e abrir espaços para o passe (nenhum time usou mais o play action nos últimos dois anos do que o Texans). Por isso o Texans deve continuar correndo primeiro e passando depois mesmo que não seja tão eficiente nisso. É possível que a chegada de Hopkins direcione um pouco mais de atenção para o jogo aéreo, mas o fato de Matt Schaub ser um bom e sólido, mas não espetacular, quarterback titular provavelmente vai fazer com que a equipe evite depender de forma muito pesada do jogo aéreo. Eu gosto de Schaub, acho um bom jogador, mas não acho que tem a capacidade de outros jogadores de manter sua grande eficiência sendo o ponto focal do ataque, passando em grande quantidade e enfrentando defesas voltadas para o jogo aéreo. Mesmo com um ataque terrestre não tão eficiente, é importante manter esse jogo funcionando para dar ao seu QB mais liberdade. Isso provavelmente não vai mudar.

(O melhor resumo que eu li sobre o Matt Schaub, corteria do Grantland: Schaub é um bom QB com sólidos números, mas nenhum time nenhuma vez ficou preocupado ao olhar para o outro lado do campo e ver ele entrando no jogo.)

Mas esse ataque enfrenta duas potenciais questões de regressão. A primeira ja foi citada: o Texans teve uma sorte incrível com fumbles. Isso foi ainda mais marcante no ataque, onde o Texans recuperou 72,3% de seus fumbles (segunda melhor marca da Liga). É verdade que foi uma equipe muito boa na NFL evitando fumbles, o que naturalmente diminui o número de turnovers, mas não vão continuar recupernado tantos assim.

O segundo é um pouco mais complicado, e eu confesso que não faço a menor ideia do tamanho do impacto que isso vai ter. Pode ser bem grande ou pode ser quase zero. Mas fato é que precisa ser levado em consideração o seguinte: nessa offseason, a NFL mudou algumas pequenas regras no jogo, e uma delas diz respeito aos bloqueios na linha de scrimmage, impedindo bloqueios "mergulho" nas pernas de jogadores entre os tackles da linha ofensiva (depois que uma jogada assim rompeu o ACL do Cushing). Isso pode ser particularmente problemático para uma linha ofensiva como a do Texans, cujas jogadas de corrida são baseadas em bloqueios por zona. Não da para saber como os juizes vão começar a chamar mais faltas e se as defesas vão ter que se adaptar, mas se for o caso, é provável que o Texans seja um dos times a mais sentir essa mudança por ser um dos times que mais depende desse bloqueio de zona.

Basicamente, esse é o Texans de 2012... Que não deve ser tão diferente do de 2013. A defesa enfrenta um pequeno potencial de regressão associado ao JJ Watt e as dúvidas se ele consegue continuar com suas atuações sobre-humanas ou se vai voltar a um nível mais humano, mas ainda deve ser uma unidade forte mesmo que aconteça (especialmente com a volta de Brian Cushing). O ataque enfrenta algumas dúvidas com as novas regras de bloqueio, mas não perdeu nenhuma peça importante e adicionou um jogador na sua maior fraqueza, então talvez seja até melhor. O problema é que o Houston de 2012 já era por si só um grande candidato a regressão, superando sua Pythagorean Expectations por valores muito altos, tendo incrível sorte em jogos decididos por uma posse e recuperando fumbles, e com um calendário muito fraco. Só a regressão natural já colocaria a equipe próximo de um time 10-6 ou 9-7, e com uma tabela possivelmente mais forte na prática em 2013, Houston não deve ser nem de longe o time dominante que foi ano passado. Um 9-7 me parece a projeção mais adequada para a equipe no momento considerando o quão pouco mudou do ano passado para esse, o que pode subir para 10-6 dependendo do impacto de Ed Reed e Hawkins e do quanto JJ Watt vai continuar monstruoso ou cair para 8-8 dependendo do quanto Watt e o ataque terrestre sofrerem de setback.