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segunda-feira, 5 de maio de 2014

NFL Mock Draft 1.0

Teddy Bridgewater e todos os seus "problemas", segundo os scouts (imagem: SB Nation)


Yeah, eu sei, nossa cobertura do Draft NFL deixou bastante a desejar, assim como nossa cobertura de NFL em geral nos últimos tempos. É uma mistura de falta de tempo, dedicação a outros projetos (como o nosso excelente Especial MLB, imperdível!) e offseason, que apresenta algo interessante a cada quinzena só. 

Mas agora o Draft está chegando, e quem me conhece sabe que é uma das minhas épocas favoritas da NFL, uma noite onde tudo pode mudar para uma franquia e que gera todo tipo de discussões e "e se?" por anos a fim. Para as franquias ruins, o risco é enorme e talvez a única chance real (no ano) de se salvar e começar algo de bom, e um erro (Jamarcus Russell? Sam Bradford?) pode atrasar uma franquia por anos a fio, enquanto outros times podem dar enormes saltos em seu desenvolvimento achando uma estrela onde ninguém esperava (JJ Watt, Russell Wilson). A imprevisibilidade e alta importância desse dia tornam o Draft um dos eventos mais interessantes dos esportes americanos.

Por isso eu não posso deixá-lo passar, e é hora de começar a falar um pouco mais sobre o assunto. E que forma melhor e mais dinâmica do que fazer meu próprio Mock Draft? Vamos escolha a escolha para falar um pouco sobre as necessidades de cada time, as possibilidades de troca, e quais são os prospectos que mais se destacam até o momento. 

Antes de começar, no entanto, alguns esclarecimentos apenas sobre a forma como eu decidi montar o meu Mock Draft:

a) Cada time escolhe na sua escolha. Em outras palavras, nada de trocas nesse Mock Draft. Esse é, na verdade, o maior problema de 90% dos Mock Draft: trocas acontecem o tempo todo na hora do vamos ver, e muito frequentemente são trocas que ninguém esperava e alteram totalmente o panorama da rodada. Com elas são imprevisíveis, eu vou evitar fazê-las no meu MD e seguir normalmente - embora, claro, vá apontar algumas escolhas que possam ser alvos de troca e/ou times que podem decidir subir.

b) Eu me preocupei menos com acertar a ordem ou os jogadores selecionados, e mais em deixar claro quais as possíveis abordagens e cenários de cada time em cada escolha. Muitas vezes times terão múltiplos cenários, e embora eu vá escolher um, não necessariamente será o da equipe - eu só quero mesmo é ponderar as possibilidades. Por isso o resultado vai ficar um pouco estranho as vezes - para entender o que eu quero dizer, sem spoilers, leiam os comentários ao final do Mock Draft.

c) Muitos Mock Drafts usam "inside information", ou seja, pegam boatos ou notícias de times e usam isso como base para montar as escolhas, porque tal time gosta mais do jogador X do que a média, etc. Eu não faço isso por dois motivos: primeiro, porque não tenho muito acesso a esse tipo de informação, e segundo porque das que caem na imprensa, 70% são falsas ou imprecisas. Então eu estou apenas me guiando pelas necessidades gerais de cada time, as abordagens de cada time ao longo dos anos, e os jogadores disponíveis no mercado. Não que eu vá ignorar a forma como a mídia e os scouts em geral veem o valor dos jogadores, claro, mas com alguma parcimônia.


Não esqueçam que tem algumas considerações a mais depois do Mock Draft, e espero que aproveitem.


Mock Draft da NFL 2014


1st pick - Houston Texans
Jadeveon Clowney, DE, South Carolina
Muitas pessoas estão dizendo ultimamente que o Texans estaria tentando trocar essa escolha, o que faz algum sentido considerando a quantidade de necessidades imediatas da equipe, o seu alto valor por conta da presença de um jogador como Clowney, e o fato de que Clowney não é a maior necessidade do Texans e que parece cedo demais para escolher um QB. Se uma troca será realizada é outra história, embora eu ache difícil, em parte porque jogadores como Clowney não aparecem todo ano.

Se o Texans mantiver a escolha, acho improvável que peguem um jogador que não seja o DE de South Carolina. Alguns dizem que Clowney é um once-in-a-generation player, um jogador que só aparece uma vez por geração. Eu discordo um pouco, acho que Clowney é um TALENTO que só aparece uma vez a cada geração, especialmente em termos físicos, mas se ele vai conseguir usar isso para se tornar o jogador que todos esperam ainda é uma questão. Mas o potencial dele é grande demais para deixar passar, e não faz sentido o time escolher em primeiro e não escolher o melhor jogador. Uma dupla Clowney-Watt seria o terror da NFL pela próxima década, e a segunda rodada é razoavelmente profunda em QBs para Texans achar o seu.


2nd pick - Saint Louis Rams (via Washington Redskins)
Greg Robinson, OT, Auburn
Um QB aqui seria uma boa opção, mas como o time se recusa a seguir em frente em relação ao Sam Bradford... não deve ser o caso. Mas o Rams também precisa urgente de ajuda na sua linha ofensiva, e Greg Robinson assumiu a ponta como o melhor da posição no Draft depois do combine. Ele não é o jogador mais técnico ou completo, mas é fisicamente dominante e vai oferecer a Zac Stacey um bom companheiro para desenvolver as corridas que tanto funcionaram na segunda metade da temporada passada.

O Rams ainda está preso ao contrato de Jake Long, que só pode ser cortado a partir de 2015 (e que foi até muito bem em 2013), mas isso não é problema. Robinson pode começar sua carreira do lado direito, e como ainda precisa treinar sua técnica, parece até melhor para ele passar um ano se desenvolvendo em uma linha mais estável antes de (eventualmente) passar para o lado esquerdo. Um bom encaixe. Sobre o problema de QB, bom... espere algumas escolhas.


3rd pick - Jacksonville Jaguars
Sammy Watkins, WR, Clemson
O Jaguars precisa urgentemente de um QB, é verdade, mas também precisa de ajuda em todas as posições e sabe que não está próximo ainda de brigar por um título, então acho que não vão ter pressa em resolver esse problema - especialmente com o segundo "nível" de QBs sendo razoavelmente atraente - e devem se concentrar em pegar o máximo possível de talento no momento. Uma troca para alguém que queira subir está em jogo, embora com Clowney fora acho que teria menor quantidade de interessados.

A decisão fica então entre Khalil Mack e Sammy Watkins, os dois melhores jogadores disponíveis, e qualquer um dos dois parece ser uma escolha possível aqui (com um QB correndo por fora). Mack é um versátil OLB que poderia casar bem com o HC Gus Bradley, um ex-coordenador defensivo, mas fico com Watkins: ele é o melhor prospecto WR em anos, e com o futuro de Justin Blackmon no ar (muitos dizem que ele não deve jogar essa temporada, e talvez não jogar mais pelo Jaguars) o time tem lugar para um WR ultra-atlético e refinado. Ele solidifica a posição e da ao Jaguars um alvo para seu futuro QB se desenvolver (o Lions fez o mesmo com Megatron), e como eu disse, é o melhor jogador disponível.


4th pick - Cleveland Browns
Johnny Manziel, QB, Texas A&M
Esse talvez seja o pior cenário possível para o Browns. Clowney saiu logo de cara, Sammy Watkins não está mais disponível, e de longe o melhor jogador que sobrou é Khalil Mack... que joga em uma posição que o Browns já tem Paul Kruger com um contrato milionário e a escolha #6 de 2013, Barkevious Mingo. Nesse cenário (sem Watkins), o Browns provavelmente iria tentar trocar a escolha para descer algumas posições com um time em busca de Mack (Falcons seria um candidato).

Se escolhesse aqui, a escolha provavelmente ficaria entre dois jogadores de Texas A&M. Manziel é o QB que o time tanto procura e que era reconhecidamente o foco da antiga diretoria, e Jake Matthews provavelmente é a escolha mais "segura", um jogador mais desenvolvido que pode solidificar o lado direito da linha (Joe Thomas não vai a lugar nenhum do lado esquerdo). Matthews tem caído ultimamente nas avaliações, e a linha ofensiva do time foi uma das melhores bloqueando para o passe em 2013 (a especialidade de Matthews), então acho que o time resolve seu problema de QB escolhendo Manziel.

O cenário ideal para o Browns provavelmente seria Watkins caindo até essa escolha, e depois usar sua segunda escolha de primeira rodada para tentar subir um pouco e escolher um QB que tivesse caído, ou mesmo escolhido alguém da segunda "classe" de QBs do draft. Mas Manziel é considerado o melhor QB pelos olheiros desse ano (eu discordo veementemente, eu acho que é Bridgewater) e, sem uma alternativa melhor, o Browns pode aproveitar a chance.

Mas quero deixar claro que é provavelmente um cenário que o Browns iria querer evitar, já que tem boas chances de conseguir usar sua segunda escolha de primeira rodada para subir e pegar um bom QB, e provavelmente Watkins seria o jogador que eles prefeririam.


5th pick - Oakland Raiders
Khalil Mack, OLB, Buffalo
O Raiders é outro time que tem tantas necessidades e precisa tanto de jogadores talentosos que ficaria satisfeito escolhendo o melhor jogador disponível ou com uma troca por mais escolhas de Draft. O melhor jogador disponível é Mack, então não tem porque Oakland, mantendo a escolha, ir atrás de outro jogador. Um QB seria interessante, mas eles já pegaram Matt Schaub para tapar o buraco por um tempo, e com Bridgewater tão desvalorizado provavelmente não gastarão uma escolha tão alta e com um jogador tão bom disponível.


6th pick - Atlanta Falcons
Jake Matthews, OT, Texas A&M
Atlanta é um dos times mais citados quando o assunto é trocas pela escolha #1 do Draft, e o motivo disso é simples: eles precisam urgentemente de jogadores que consigam pressionar o QB. Por isso eles querem tanto Clowney, e por isso ficaria muito surpreso se eles pelo menos não expressassem interesse nas escolhas de Jaguars e Browns em busca de Mack, se ele cair (Falcons subindo para #3, pegando Mack, dai Watkins caindo para o Browns é um cenário interessante).

Mas sem Clowney ou Mack na #6, e com Anthony Barr não sendo tão bom para justificar essa escolha, o Falcons vai atrás de resolver seu OUTRO grande problema: proteger Matt Ryan. O Falcons foi o terceiro pior time de 2013 protegendo o QB, e Sam Baker não pode continuar do lado esquerdo da linha. Matthews lhes da uma opção muito sólida de LT ou RT (ele joga em ambas) que vai ajudar Ryan a ficar de pé no pocket, e é um bom prêmio de consolação.


7th pick - Tampa Bay Buccaneers
Mike Evans, WR, Texas A&M
Tampa investiu muito nessa offseason na sua defesa, dando grandes contratos a bons jogadores e remontando a unidade a semelhança do esquema que Lovie Smith usava em Chicago. Agora o que falta é o ataque, e com o segundanista Mike Glennon vindo de uma boa temporada e a chegada de um  QB veterano em Josh McCown, é hora do Bucs oferecer algumas armas para esses jogadores. Mike Evans certamente qualifica, um WR muito forte e atlético que seria um bom complemento a Vincent Jackson e daria a quem quer que seja o QB titular da equipe boas opções no jogo aéreo. Me parece uma escolha fácil.


8th pick - Minnesota Vikings
Blake Bortles, QB, UCF
Eu quero deixar bem claro: eu não gosto de Bortles, e odeio essa escolha. Para mim tem poucas coisas mais ridículas na NFL nos últimos anos do que essa campanha de desvalorização do Teddy Bridgewater, que é para mim de longe o melhor QB dessa classe e que começou a perder valor sem nenhum motivo cabível... enquanto um jogador mais velho e sem chegar perto do histórico de produção de Bridgewater na NCAA como Bortles subiu alucinadamente só por ter um "corpo perfeito para jogar de QB na NFL", o mesmo tipo de besteira que faz jogadores como Blaine Lannister Gabbert saírem nas primeiras escolhas. Bridgewater é o melhor QB desse draft.

Então é uma batalha pela minha consciência, que sabe que Bridgewater é o melhor jogador, e tentar ser fiel ao que todo mundo tem colocado (inclusive times, segundo alguns), que é Bortles como um QB com mais "potencial" e portanto melhor prospect. Então vamos ficar com o segundo, mas com dois parágrafos antes de explicação.

A idéia aqui é simples: Minny montou um bom ataque, com o melhor RB da NFL e bons alvos, mas falta a peça central que é o QB. Muita gente ve Bortles como um projeto de uma futura estrela, e considerando que o time tem uma opção para deixar Bortles treinando em segundo plano algum tempo (Matt Cassell), me parece um bom time para pegar um QB cru, deixá-lo treinando um ano, e depois colocar seu ataque para produzir. Minnesota com certeza vai olhar também para alguns jogadores defensivos, em especial CJ Mosley e Anthony Barr, mas acho que a idéia de passar um jogador tão bem cotado como Bortles não vai agradar, e e ele será a escolha.


9th pick - Buffalo Bills
Eric Ebron, TE, North Carolina
Buffalo iria gostar de ver Mike Evans caindo até aqui, já que a defesa do time é muito sólida e, tendo investido em EJ Manuel como seu QB do futuro, seria importante dar a ele o máximo possível de armas para continuar se desenvolvendo. Sem Evans ou Watkins, Ebron parece um bom caminho, um TE extremamente dinâmico que daria a uma jogada de segurança para Manuel e que tem a versatilidade para jogar de WR ou mais longe da linha em formações com dois TEs. Parece a escolha lógica aqui.


10th pick - Detroit Lions
Justin Gilbert, CB, Oklahoma State
Tirando os problemas de inconsistência, lesões e falta de um técnico competente, o grande problema do Lions em 2013 foram seus cornerbacks: Chris Houston decepcionou, e tirando Rashean Matthis ninguém fez bem esse papel, sobrecarregando os bons safeties da equipe. Agora Detroit tem a chance de resolver esse problema trazendo o melhor CB do draft, um excelente encaixe em todos os sentidos.

Detroit também pode se sentir tentado em subir para pegar Mike Evans, que daria um bom complemento a Megatron e Golden Tate, mas se ficar por aqui (e Evans não cair), Gilbert seria a escolha lógica.


11th pick - Tennessee Titans
Anthony Barr, OLB, UCLA
Tennessee pode ir em muitas direções diferentes com essa escolha. Os dias de Jake Locker parecem estar chegando ao fim em Tennessee, então um QB aqui faria muito sentido, especialmente com Bridgewater ainda disponível. Não descartem essa hipótese.

Se não for o caso, Titans vai tentar resolver a questão da sua defesa, e tem vários caminhos para isso. Um CB para compensar a perda de Anterraun Verner seria uma opção, e um MLB com Mosley também cairia bem na equipe. Mas Barr parece ser a opção que mais faz sentido: o Titans deixou muito a desejar criando pressão em 2013 fora de Jurrell Casey, e com a possível transição para uma defesa 3-4 em 2014, eles precisam de um OLB que ataque o QB mais do que nunca. Barr é uma boa opção com alto potencial, e apesar de ser cru, Tennessee tem feito um bom trabalho desenvolvendo defensores nos últimos anos então isso não deve assustar a franquia.


12th pick - New York Giants
Taylor Lewan, OT, Michigan
Para mim, essa é a escolha crítica dessa primeira rodada. Nenhuma escolha é tão propícia a uma troca: o Giants não tem um caminho claro a seguir com essa escolha, e tem buracos demais para resolver em pouco tempo, então trocar por múltiplas escolhas faria todo o sentido. Ela também é um ponto crítico, com Bridgewater ainda disponível, para diversos times em busca de um QB que queiram trocar para subir e garantir o ex-QB de Louisville, ou mesmo para times abaixo que queiram subir para garantir um jogador especifico. Vale a pena ficar de olho.

Para o Giants, tem três diferentes caminhos a seguir: eles podem reforçar sua linha ofensiva, a pior da NFL em 2013; podem reforçar sua linha defensiva com o bom Aaron Donald; ou pegar CJ Mosley e enfim resolver o problema do MLB do time. Para mim fica entre Donald e um lineman ofensivo, e por fim deu preferencia ao segundo por conta do nível abismal que o grupo mostrou em 2013, mas acho que o time pode ir em qualquer direção aqui. Lewan solidifica a lateral da linha ofensiva e libera Justin Pugh para usar sua versatilidade em outras posições, algo crucial se o Giants quiser dar a volta por cima em 2014. Mas ainda acho que essa escolha não será de NY na hora de decidir.


13th pick - Saint Louis Rams
Ha Ha Clinton-Dix, FS, Alabama
Outra escolha que serviria muito bem a um time que quisesse subir e pegar Bridgewater. Mas ai fica a pergunta: porque o RAMS não escolhe Bridgewater?! Faria todo o sentido, resolvia o problema de QB e colocava o time enfim como um dos candidatos aos playoffs. Mas se fosse assim, porque não dispensaram logo Bradford quando puderam e seu contrato era não-garantido? Provavelmente porque não querem desistir dele ainda, e por isso acho que não pegam Bridgewater. Eu pessoalmente faria isso sem pensar duas vezes, e tenho certeza que vai ser uma opção se Teddy realmente estiver aqui.

Mas não acho que o Rams fará isso, eles gostam demais de Bradford. Então devem olhar para a defesa, e a necessidade de um safety para o esquema agressivo de Gregg Williams junto da oportunidade de pegar Dix ou Calvin Pryor (os dois melhores do draft) deve levar o time nessa direção. Ai é basicamente uma decisão entre qual dos dois cada um acha melhor. Eu prefiro Dix, o líder do Draft em força nominal, mas poderia facilmente ser Pryor também. Os dois encaixam muito bem nessa escolha.

(Meu estagiário do departamento de trocadilhos infames adiciona que mal pode esperar para ver Clinton-Dix e Fletcher Cox jogando juntos. Ok, foi infame. Vamos em frente)


14th pick - Chicago Bears
Calvin Pryor, FS, Louisville
Com um bom ataque em posição, é hora do Bears olhar para o outro lado e resolver o problema da defesa. O time gastou bastante na offseason para reforçar esse lado da bola também, e agora pode se dar ao luxo de ser exigente com essa escolha. As opções para o Bears são semelhantes as do Giants: Donald, Mosley, mas no caso de Chicago um safety também seria boa opção. Donald é o melhor deles, a meu ver, mas Chicago investiu demais na linha defensiva e tem mais jogadores do que posições no time, então não devem adicionar mais um DT a mistura. Fica entre Mosley - o MLB que o time não tem desde a aposentadoria de Urlacher e que poderia tapar o buraco da pior defesa terrestre de 2013 - e Pryor (um reforço muito necessário para uma fraca secundária). Qualquer um dos dois pode ser a escolha.

Fiquei com Pryor porque Chicago já usou uma escolha alta (segunda rodada) em um MLB em 2013 E trouxe de volta DJ Williams, enquanto que para jogar de safety o time só tem a combinação de Ryan Mundy e MD Jennings, que deve agradar muito menos ao time. Então Pryor seria o escolhido, até porque o time sabe que a secundária está cada vez mais velha e precisa de algum dinamismo por lá.


15th pick - Pittsburgh Steelers
Darqueze Dennard, CB, Michigan State
Steelers precisa continuar a reconstruir sua defesa, e se eles podem esperar que a evolução de Jarvis Jones resolva o problema do pass rush, eles precisam de alguém para fortificar uma secundária que não recebeu nenhuma ajuda além da de Troy Polamalu e um pouco de William Gay. Dennard parece o encaixe ideal a esse ponto: um jogador muito físico capaz de atacar WRs na linha de scrimmage e muito necessário em uma divisão com Josh Gordon e AJ Green. Um WR aqui também pode ser uma opção com a perda de Emmanuel Sanders, mas com a profundidade do draft e as chegadas de Heyward-Bey e Lance Moore, não deve ser prioridade.


16th pick - Dallas Cowboys
Aaron Donald, DT, Pittsburgh
Se Giants e Bears (os dois mais interessados) passarem Aaron Donald, o Cowboys vai dar uma festa no dia do Draft. Com as saidas de Jason Hatcher e Demarcus Ware, a linha de frente do Cowoboys está algo entre como "frágil" e "genuinamente atroz", e considerando que foram os dois melhores jogadores de 2013 em uma das piores defesas da NFL... eles precisam de ajuda. Dallas deve ir atrás do melhor jogador defensivo disponível nessa escolha, e Donald não só é esse jogador como também reforça uma área de imensa necessidade para a equipe. Se ele cair até aqui, não tem o que pensar.


17th pick - Baltimore Ravens
Zack Martin, OL, Notre Dame
Baltimore ficaria extasiado se um dos FS (Pryor e Clinton-Dix) caissem até aqui, e sendo o time com mais escolhas compensatórias do Draft, não seria de surpreender se trocassem para subir e garantir um deles ou mesmo outro jogador. Se não, ai fica mais complicado. Baltimore sempre gostou de ir no melhor jogador disponível, e o melhor disponível aqui seria CJ Mosley, MLB de Alabama. O Ravens trouxe de volta seu ILB titular Daryl Smith, mas Mosley daria uma boa dupla.

Mas a defesa do time já foi sólida em 2013, e embora o Ravens goste de escolher só com base no talento, eles não são burros e sabem o quanto a linha ofensiva foi um problema, e o quanto precisam melhorar. Então Martin aparece como uma boa opção para o Ravens, um OT muito talentoso que mostrou que pode jogar no interior da linha também, uma versatilidade que vai ser muito bem vinda em Baltimore. Mosley ou um WR estão em jogo aqui, mas Martin é um ótimo jogador e resolve um problema maior.


18th pick - New York Jets
Odell Beckham Jr, WR, LSU
O Jets é outro time que pode dar uma olhada em CJ Mosley (francamente, todos nessa região podem), ou mesmo em um cornerback. Mas tendo trazido Michael Vick e ainda apostando no desenvolvimento de Geno Smith, faria ainda mais sentido continuar a dar armas para esse ataque, tão fraco nos últimos anos, florescer. Beckham Jr é um jogador muito dinâmico com a bola nas mãos que complementaria muito bem o recém-chegado Eric Decker por anos a fio, e é um grande valor a essa altura do draft.


19th pick - Miami Dolphins
CJ Mosley, MLB, Alabama
Dolphins precisa, urgentemente, melhorar sua linha ofensiva, e essa é a prioridade. Eles adorariam que Zack Martin caísse, e seriam fortes candidatos a trocar para subir caso achassem que suas chances de ficar com um dos quatro principais OTs desse Draft fossem baixas - como aconteceu aqui de fato. As opções não são muito numerosas, mas poderiam tentar uma troca com o Giants na #12 para pegar Lewan.

Mas se ficarem sem Lewan ou Martin, ai essa escolha se torna interessante. Não tem mais nenhum OL digno dessa escolha, e essa é a grande necessidade do time. Eles podem tentar escolher Cyrus Kouandjio, o melhor OT disponível, mas seria um desperdício de valor a esse ponto. Uma troca para descer um pouco faria mais sentido, onde poderiam pegar Kouandjio de acordo com seu valor e ainda ganhar escolhas extras no processo, e a escolha 19 se tornaria extremamente atraente se Bridgewater ainda estivesse disponível (como é o caso) ou mesmo se não estivesse.

Mas ainda tem uma outra alternativa interessante, caso não tenham coragem de pegar Kouandjio e não consigam uma troca. Miami sente falta de uma presença no meio da defesa faz muito bem, e pegaram Dannell Ellerbe na última offseason (estupidamente) em uma tentativa fracassada de resolver o problema. Mosley poderia ser a alternativa, o melhor MLB desse Draft e um jogador que iria melhorar em muito tanto a cobertura como os tackles do meio da defesa, liberando o resto dos jogadores. Ele também é o melhor jogador disponível, além de resolver um problema.


20th pick - Arizona Cardinals
Teddy Bridgewater, QB, Louisville
Quero deixar claro o seguinte: eu não ACHO que Bridgewater vai cair até aqui. Se ele começar a cair dessa maneira, algum time esperto do final da primeira rodada ou começo da segunda (Jaguars, Texans, talvez Bengals ou Chiefs, ou mesmo Browns caso não tenham pego Manziel na #4) vai aproveitar a chance para subir no draft antes desse ponto para pegar o ex-Cardinal (Dolphins na 19th, especialmente sem Zack Martin, seria o lugar perfeito). Acho difícil que de fato ele chegue até esse ponto.

Mas se acontecer, será que o Cardinals não cede a tentação? Eu acho que sim, e faria muito sentido. A defesa da equipe é excelente, e o ataque tem diversas boas peças, com dois excelentes WRs e um RB emergente. Ano passado eles foram um dos melhores times da NFL apesar de ter produção no máximo mediana do seu QB, um jogador já no final da carreira e inconsistente. Com um time tão completo e sem um OL de destaque sobrando, não tem porque o Cardinals passar a chance de pegar um Franchise QB que, como eu já disse mil vezes, é o melhor desse draft. Eles podem olhar para um CB ou um pass rusher, mas nessa escolha nenhum tem o valor ou o impacto que Bridgewater teria, um grande upgrade sobre Carson Palmer não só em 2014 como para o futuro. Em uma divisão que tem Colin Kaepernick e Russell Wilson, é a chance do Cardinals achar um jogador a altura. Eu adoro essa possível escolha.


21st pick - Green Bay Packers
Ryan Shazier, OLB, Ohio State
Essa é difícil pela falta de uma opção clara para Green Bay. Linha ofensiva faria mais sentido, mas não tem nenhum bom OT que tenha sobrado para essa escolha. Eles teriam adorado CJ Mosley sobrando aqui e poderiam morder a isca se o Dolphins tentar trocar a escolha #19, já que precisam muito solidificar o miolo da defesa. Entre as opções que sobraram, eles podem tentar um DT (já que a situação com BJ Raji parece complicada), ou reforçar o ataque com um WR ou TE. A defesa, tão ruim em 2013, deve ter prioridade, então com bons CBs e sem safeties bons disponíveis, a escolha fica entre um OLB para complementar Clay Matthews (e lhe dar um descanso), um DT para o eventual lugar de Raji, ou um DE. Entre esses fiquei com o OLB por uma série de motivos, especialmente profundidade e falta de uma opção melhor. Shazier tem subido muito no conceito dos olheiros ultimamente e tem a versatilidade que ajudaria muito um time do Packers que tem sentido falta de opções. Timmy Jernigan também é uma boa opção para um time que gosta de ir no melhor jogador disponível.


22nd pick - Philadelphia Eagles
Brandin Cooks, WR, Oregon State
Philadelphia seria um ótimo candidato a pegar um cornerback ou pass rusher nessa escolha, mas depois de ter dispensado DeSean Jackson, um WR deve ser a prioridade da equipe - embora Kyle Fuller, Louis Nix ou Dee Ford também fizesse sentido aqui.

Entre os WRs, os melhores podem estar fora de alcance, mas tem opções muito interessantes a escolher. Se o time optar por um jogador maior e mais forte, tem Kevin Benjamin, se quiserem um mais rápido, tem Marquise Lee, e um mais completo e explosivo seria Brandin Cooks. Depende muito do que estiverem procurando nesse jogador. Eu fiquei com Cooks em parte porque ele parece ser o melhor e mais equilibrado dos três, e em parte porque ele é o que mais se parece com DeSean Jackson em características, podendo se adaptar melhor ao lugar. Mas é uma escolha em aberto.


23rd pick - Kansas City Chiefs
Marquise Lee, WR, USC
Kansas City de repente tem uma enorme necessidade no meio da sua linha ofensiva, o que talvez os faça ir atrás de Xavier Su'a-Filo (isso que é nome!). Mas eles não possuem escolha de segunda rodada para aproveitar melhor a profundidade de WRs desse draft, e achar mais jogadores para Alex Smith é uma urgência. Benjamin ou Lee podem sair aqui. Lee ganha uma leve vantagem por ser um jogador melhor e mais explosivo, que causa estragos com a bola nas mãos.

Alguns tem sugerido que o Chiefs pode ir atrás de um QB com essa escolha (Jimmy Garopollo ou Derek Carr) uma vez que a renovação com Alex Smith não parece bem encaminhada. Mas acho difícil: eles já não tem a escolha de segunda rodada por causa de um QB, e sempre podem ir atrás de um no profundo Draft de 2015. A não ser que algo como Bridgewater caindo até aqui aconteça, o Chiefs não vai pensar nesse caminho.


24th pick - Cincinnati Bengals
Ha'Shede Hageman, DT, Minnesota
O Bengals poderia olhar para um CB, mas com tantos já no elenco (Leon Hall, Terrence Newman, Pacman Jones e Dre Kirkpatrick) não me parece uma prioridade. É verdade que o Bengals tem um time tão completo e profundo que pode se dar ao luxo de pegar o jogador que mais lhes interessar, mas com a saída de Michael Johnson, Hageman se torna uma opção ainda mais interessante. Ele é versátil o suficiente para jogar tanto dentro da linha como na lateral, uma presença física muito atlética capaz de solidificar a defesa ou atacar o QB. Essa versatilidade vai ser muito valiosa na excelente defesa de Cincy, e apesar das dúvidas que Hageman enfrenta sobre seu desenvolvimento, Cincinatti tem sido o melhor time da NFL desenvolvendo talentos na linha defensiva e seria o melhor lugar para transformar Hageman no monstro que ele pode ser um dia.


25th - San Diego Chargers
Kyle Fuller, CB, Virginia Tech
Acho que para San Diego o Draft não tem muito mistério. Eles precisam urgentemente de um bom cornerback, o grande problema atual da equipe, e esse Draft tem ótimos talentos de topo na posição. Então é uma questão de pegar o melhor disponível, Fuller ou Verrett. Verrett parece mais adequado para o estilo de jogo de San Diego, enquanto Fuller é considerado o melhor dos dois pelo seu físico. Não acho que San Diego tenha como errar nessa decisão.


26th pick - Cleveland Browns (Via Indianapolis Colts)
Bradley Roby, CB, Ohio State
O principal motivo pelo qual eu imagino que o cenário desse Mock Draft - Sammy Watkins não sobrando para o Browns na #4, nenhuma outra boa opção, incapaz de conseguir uma troca para descer e pegando Manziel  - é o pesadelo para Cleveland: eles devem ter boas condições de conseguir um bom QB mais tarde no Draft, seja usando essa troca como uma plataforma para subir e pegar Bridgewater, ou esperando até aqui e escolhendo Derek Carr ou Jimmy Garopollo. O cenário ideal seria Watkins na #4, dai subir dessa escolha para pegar Bridgewater (na 12th, 13th ou 19th escolhas, possivelmente). Mas ele não aconteceu aqui, e não adianta chorar pelo que já foi.

Então o Browns pode ir atrás de um WR - ainda sobrou Cody Lattimer ou Kevin Benjamin - para fazer par com Gordon, ou podem olhar para a defesa e seu principal problema, a cobertura. Um par para Joe Haden é uma necessidade urgente, e como já disse, esse Draft tem um excelente Top5 de CBs. Roby é uma boa escolha para ajudar essa defesa emergente a dar o próximo passo.


27th pick - New Orleans Saints
Dee Ford, DE, Auburn
O Saints precisa de playmakers na frente da defesa para complementar sua estelar dupla de safeties, e jogadores capazes de pressionar o QB são a necessidade mais urgente do momento. Kony Early e Dee Ford são os melhores pass rushers que sobraram, e qualquer um pode ser a escolha de New Orleans. Fico com Ford por ser menos cru do que Early, e acho que o Saints vai favorecer resultados imediatos enquanto Drew Brees ainda joga.


28th pick - Carolina Panthers
Morgan Moses, OT, Virginia
Até algum tempo atrás, essa era uma escolha óbvia por um WR capaz de segurar passes e correr rotas - eles tem exatamente zero jogadores assim no elenco hoje. Mas Jordan Gross se aposentou, e de repente o Panthers tem um imenso buraco do lado esquerdo da linha de Carolina que precisa ser adereçado a todo custo. Como WR tem maior profundidade, resolver essa questão parece um pouco mais urgente. Cyrus Kouandjio é o melhor tackle disponível, mas não projeta como um LT ao longo da carreira, então o time pode ir atrás do sólido veterano Morgan Moses para o papel. CB e WR ainda são grandes necessidades, mas essa é a mais urgente.


29th pick - New England Patriots
Louis Nix, DT, Notre Dame
Hageman seria o encaixe perfeito aqui, mas ele não sobrou para New England no nosso Mock Draft, então eles precisam ir em outra direção. A linha defensiva foi um fiasco em 2013 e precisa de reforços, com Louis Nix e Timmy Jernigan sendo os favoritos. Nix parece mais adequado para ser o reserva imediato de Vince Wilfork e jogar junto em formações mistas, e é importante para New England buscar um substituto já que a situação do Wilfork parece pouco confiável.  Um TE também estaria em jogo aqui, mas acho que New England consegue achar um na segunda rodada.


30th pick - San Francisco 49ers
Jason Verrett, CB, LSU
Quero deixar claro o seguinte: eu acho EXTREMAMENTE improvável que o 49ers escolha aqui na primeira rodada. O Niners tem um time extremamente profundo e talentoso com poucos espaços, e ao mesmo tempo tem duas escolhas de segunda rodada, três de segunda, e diversas das rodadas tardias. Não tem espaço para tudo isso no elenco, então é muito provável que San Fran use algumas dessas escolhas para subir no Draft e buscar jogadores de maior impacto, como fez ano passado.

San Francisco tem duas necessidades maiores, CB e WR (OLB corre por fora dependendo da situação do Aldon Smith, mas como o time exerceu sua opção para 2015, a situação parece menos extrema), mas teria aqui a chance de pegar o último dos cinco grandes CBs do Draft, enquanto sabe que terá como pegar WRs mais para frente. Verrett é considerado por muitos o melhor CB do Draft, caindo por causa da sua altura "inadequada" para a posição, mas SF tem o atleticismo e físico para compensar esse problema e Verrett é um monstro. Acho muito provável que SF tente subir para pegá-lo perto da escolha 20th, então se ele cair até aqui, Trent Balkee vai estar se dando high-fives na noite do Draft.


31st pick - Denver Broncos
Xavier Su'a-Filo, OG, UCLA
Denver melhorou tanto sua equipe na Free Agency, e preencheu tantos buracos, que é difícil dizer aonde eles devem gastar essa escolha. Eu vejo duas direções possíveis, embora na verdade eles possam fazer o que bem entenderem: reforçar a linha ofensiva, ou buscar mais um pass rusher. Talvez seja uma questão de quem eles valorizam mais, e mesmo Timmy Jernigan pode pintar aqui se o Broncos achar que o miolo da defesa tem prioridade. Mas Filo é o melhor Guard dessa classe, e o Broncos pode usar um bom OG do outro lado a Louis Vasquez. Kony Early também é um candidato a esse lugar se o Broncos preferir um DE pass rusher, e até algum RB pode aparecer aqui se o Broncos achar que Montee Ball não é a solução.


32nd pick - Seattle Seahawks
Joel Bitonio, OL, Nevada
Eles são os campeões e podem fazer o que bem entenderem com essa escolha sem nenhuma repercussão. Alguma incerteza sobre seus WRs (especialmente se Percy Harvin machucar de novo, sempre um risco) pode empurrar o time na direção de um, ou podem pegar mais um pass rusher para a linha defensiva voltar a ser profunda como antes. Mas acho que a fraqueza do time é a linha ofensiva, que já era fraca em 2014 e deve piorar com algumas perdas, inclusive do brasileiro Breno Giacomini. Nesse contexto, Bitonio é uma boa adição, um jogador versátil que pode jogar tanto dentro como fora da linha, dando aos campeões flexibilidade e profundidade em caso de lesões. Mas sinceramente, qualquer coisa pode acontecer aqui.


Considerações finais

1) Eu já disse mas é bom frisar: a idéia aqui não é acertar as escolhas que cada time fará, mas sim analisar alguns cenários que cada time pode vir a enfrentar na noite do Draft. Todo tipo de movimentação acontece na hora de decidir para mudar esse panorama: times vão trocar para subir ou descer, alguns jogadores podem fazer uma escolha diferente ou imprevisível e mudar a forma como os encaixes acontecem, alguns jogadores podem inexplicavelmente cair (acontece todo ano) e algum time vai surpreender tirando um jogador que ninguém esperava. Tentem pensar menos em que jogador saiu para o seu time, e mais no processo de tomada de decisão e nas possibilidades levantadas.

2) Sempre é importante ficar de olho nos jogadores que caem muito. Nesse Mock Draft os principais foram Bridgewater e Mosley, mas na hora H não funciona assim. Um dos motivos pelos quais Bridgewater caiu para o Cardinals na #20 foi porque o bloco anterior (13-19) era de times sem interesse em um QB, mas é muito possível que algum outro time entre ai no meio para interromper essa queda. E se um time subisse, por exemplo, para #12 pegar Teddy, toda a dinâmica muda: Lewan cai para o Ravens na #17, Martin para o Dolphins na #19, Mosley para Green Bay na #21, e Shazier pode alterar o panorama de diversas escolhas mais para o final. Alguns jogadores que acabaram caindo além do que eu esperava e que podem sair antes incluem Bridgewater, Odell Beckham Jr, Mosley e Timmy Jernigan.

3) Um fator decisivo nesse Draft, especialmente nas primeiras escolhas, será como os QBs saem. É assim todo ano, e é impossível prever com exatidão. Em 2011, muita gente achava que só tinha dois QBs de primeira rodada, Newton e Gabbert, com TALVEZ Jake Locker entrando no final da rodada (eu tinha ele saindo na 25th) - acabaram saindo quatro nas primeiras 10 escolhas e seis nas primeiras 34, mudando todo o rumo do Draft (e destruindo o destino de algumas franquias no processo). É possível que uma corrida cedo rumo a QBs (Texans, Jaguars, Browns, Raiders, talvez Bucs, Vikings, todos tem necessidades na posição) aconteça, ou que então os times fiquem com medo, desistam de pegar QB nas primeiras escolhas, e aconteça uma corrida no final da primeira rodada. É algo imprevisível e que, por bem ou mal, acaba definido os Drafts. Eu pessoalmente espero três ou quatro QBs saindo na primeira rodada, com algum time do começo da segunda rodada subindo para o final da primeira tentando achar Carr ou Garopollo.

4) Críticas, comentários e opiniões são sempre bem vindos, desde que com educação. Se não concorda com a escolha ou o raciocínio de algum time ou escolha, mostre porque você discorda e aponte meus erros ou falhas. Bom Draft a todos!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte II)


Meu QB favorito da classe, Bridgewater interessa muito a 4 dos times de hoje


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. A Parte I - falando de Dolphins, Jets, Ravens, Steelers e Bills - já está no ar desde quarta feira, e agora vamos para a Parte II.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Cleveland Browns

Se tivessem me perguntado em Agosto do ano passado - ou mesmo lá para Outubro - qual era o time ruim que tinha o futuro mais promissor, eu teria dito Cleveland Browns. Jimmy Haslam, dono do time, finalmente tinha demitido sua incompetente e bagunçada gestão anterior e se comprometido com um projeto de gestão estável e moderna a longo prazo, contratando Joe Banner para CEO e Mike Lombardi para GM, duas figuras muito respeitadas ao redor da liga, para comandar essa reconstrução. De técnico novo, diretoria nova e rumos novos, o time ainda tinha uma boa base de talento na sua equipe, deveria ter uma escolha alta em um Draft profundo (check!) e ainda conseguiu assaltar o Colts conseguindo mais uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. Então a combinação de "nova e competente diretoria + escolha alta de draft + escolha extra de primeira rodada + base jovem e talentosa + toneladas de espaço salarial" parecia perfeito para um time que queria enfim sair do fundo do poço.

Bom, essa esperança durou menos de um ano. Hoje, oito meses depois, eu fico me perguntando se exista uma organização mais disfuncional que essa na NFL, decidindo enfim que fica entre Browns e Dolphins (com o Cowboys em terceiro). 

As cartas de "comprometimento a longo prazo", "paciência" e "continuidade" com o novo técnico Rod Chudzkinski foram para o saco antes até do final da temporada, com Chud sendo demitido na Semana 17 algumas horas antes do Sunday Night Football. Os motivos alegados não-oficialmente indicavam dois motivos para a separação: primeiro, que apesar da boa posição no Draft a diretoria esperava mais vitórias da equipe, e segundo que os jogadores não estariam satisfeitos ou não respeitariam Chud. Mas muitos concluíram que era uma tentativa desesperada de Banner e Lombardi para satisfazer Haslam, que não tinha gostado da temporada da equipe, e essa teoria ganhou força quando os próprios Banner e Lombardi foram demitidos pouco depois. E um abraço para o "projeto estável e paciente de longo prazo".

E claro, o time sofreu as consequências. Apesar de ser uma posição em teoria atraente, o Browns teve um trabalho imenso para achar gente que quisesse ocupar as vagas. Nenhum técnico bem cotado de College ou um bom coordenador na NFL vai querer deixar um cargo estável e bem sucedido para ir até um time onde ele não faz idéia do que esperar, sem estabilidade no emprego e a mercê de um dono incompetente. A dificuldade da equipe de repor essas vagas mostra o quão malvista é a organização nos círculos da NFL, e enquanto o Browns não parar de demitir pessoas a torto e a direito para satisfazer seu dono e se comprometer com algo sério e estável - a imagem que quiseram passar em 2013 e que agora ninguém mais está comprando - vai ser difícil a organização dar a volta por cima.

Mas ok, vamos falar do que acontece dentro de campo. Supondo que todos esses problemas de bastidores se resolvam, quem herdar as cadeiras de Lombardi e Chud vai ter uma situação promissora e um tanto desafiadora nas mãos. O Browns é um time recheado de talentos, especialmente na defesa: a linha defensiva com Phil Taylor, John Hughes e mesmo o especialista em corridas Ahtyba Rubin foi muito bem em 2013, Jabaal Sheard vem de um ótimo ano, e Joe Haden e TJ Ward (free agent, mas que deve ficar na equipe) estão entre os melhores CBs e safeties (respectivamente) da NFL. A defesa não foi tão bem assim em 2013, foi apenas um pouco acima da média, mas o talento está ai para fazer grandes coisas quando seus buracos forem tapados: o time não tem pass rush além de Sheard (embora a evolução de Barkevious Mingo e um ano a mais de Paul Kruger possam resolver a questão), a cobertura pelo meio (tanto passe contra corridas) foi muito ruim e vai ficar ainda pior sem o veterano D'Quell Jackson, e a secundária ainda depende demais de Haden e Ward resolverem tudo sozinhos pela falta de ajuda na cobertura. Mas com um cap space que chega a 62M e um caminhão de escolhas de draft - além de suas próprias escolhas, todas altas dentro da rodada (incluindo a 4th overall) o time ainda tem uma 1st round e uma 4th round extras do Colts, e uma 3rd round extra do Steelers - não faltam meios para reparar pelo menos parte desses problemas e tornar essa unidade em uma defesa muito boa.

Mas o problema (ok, um dos) dessa mudança repentina de diretoria é que não sabemos mais qual a direção que a franquia quer tomar. A gestão de Lombardi e Banner deixou claro seu objetivo primário: conseguir um Franchise QB para Cleveland, de preferência pelo profundo draft de 2014 (que ficou menos profundo desde então sem Marcus Mariota, mas enfim), e com a 4th pick e tantas escolhas extras, o time estava em uma ótima posição para realizar seu objetivo. Mas agora que mudou a diretoria, ninguém sabe o que esperar. Será que o time vai manter seu objetivo original, usando sua 4th pick em um dos três QBs mais bem cotados da classe (Bridgewater, Bortles ou Manziel) ou mesmo trocar para subir no draft e escolher o QB específico que eles querem? Será que usarão essa escolha em outra posição (Sammy Watkins?) e tentarão resolver o problema do QB em rodadas futuras? É difícil dizer. O que eu sei com certeza é que o time tem uma excelente linha ofensiva (especialmente se renovar com Alex Mack), dois alvos espetaculares em Jordan Cameron e Josh Gordon, mas precisa urgentemente de um quarterback que possa fazer uso de tudo isso. Um RB e mais alvos são importantes, mas o QB é a peça central que falta para esse ataque.

O problema é que, infelizmente, talvez tudo isso tão promissor dentro de campo signifique muito pouco se os problemas no topo da organização continuarem. Quando uma franquia é muito ruim por muito tempo, muitas vezes não é por acaso...


Tennessee Titans

Como eu sou um ser humano extremamente vingativo, me permitam um parágrafo antes de ir para o que interessa. Ano passado, no preview sobre o Titans, um leitor chamado Diego veio reclamar de forma muito pouco educada do que eu escrevi, ressaltando que "ainda bem que ninguém entra nesse blog". Ele reclamou da minha crítica a decisão do Titans de draftar o Jake Locker, ressaltando que era o QB do futuro do time, reclamou da minha crítica a contratação do Shonn Greene falando que foi uma boa contratação para decolar o ataque terrestre do Titans, e que o Titans ia ser um time bom que estava em ascensão. Depois de terminar 20th em DVOA, de ver a diretoria demitir o técnico, supostamente declinar a player option do contrato de Locker (ainda não oficialmente), Shonn Green não chegar a 300 jardas ou 3.8 YPC, o ataque terrestre continuar medíocre, Chris Johnson estar a beira de ser dispensado, e tudo mais... yeah. So there.

Enfim, Tennessee Titans. Apesar da temporada medíocre, a boa noticia é que o time tem uma base boa de talento em mãos. Depois de investir pesado no ataque nessa última offseason (com sucesso parcial), o time tem uma sólida linha ofensiva, ancorada por Andy Levitre e Michael Roos do lado esquerdo e, apesar da temporada ruim de novato de Chance Warmack (7 sacks e 26 hurries, números muito ruins para um Guard), ele é calouro e o Titans acha (eu concordo) que ele vai melhorar e se tornar um sólido jogador. Eles também tem um grupo de WRs interessante, com Kendall Wright e o promissor Justin Hunter, e Nate Washington saindo de um 2013 muito produtivo. Em outras palavras, parece o cenário ideal para um QB se desenvolver, especialmente considerando que o Titans focou seus esforços nos últimos anos para priorizar o ataque terrestre na força bruta, abrindo assim espaços para o QB. Só tem um problema.

Os RBs da equipe foram atrozes em 2013. Tanto Chris Johnson como Shonn Greene jogaram atrás de uma sólida linha ofensiva, mas ambos tiveram temporadas muito ruins, com ambos ficando abaixo das 4.0 jardas por corrida. Com Greene já tendo se provado ao longo da carreira um jogador mediano e Chris Johnson provavelmente sendo dispensado ainda essa offseason (o que abriria 6M na folha salarial da equipe), a busca do time por essa identidade ground-and-pound parece ter que começar de novo, em uma classe de RBs particularmente fraca no draft. 

E o Titans também tem uma decisão importante para fazer em relação a sua situação de QB. Jake Locker é o atual titular da equipe e foi (dependendo de para onde você olhar) um QB mediano ou um pouco acima da média em 2013, que jogou apenas 7 jogos por lesões e nunca jogou uma temporada inteira na carreira. Locker tem uma player option de 13M para 2015, e uma decisão precisa ser feita até Maio por parte do Titans, mas todos os sinais e reports indicam que o time vai recusar essa opção, e portanto Locker vai ter em 2014 seu último ano de contrato. Claro que nada impede que o time traga o QB de volta como free agent, mas não é exatamente um grande voto de confiança no garoto, e com um técnico novo e uma diretoria impaciente, é bem possível que 2014 seja sua última chance, e não estranhem se o Titans já começar a procurar um plano B nesse draft mesmo.

(Em tempo: porque diabos o Titans, que tem um grande ponto de interrogação na posição de QB, trouxe Ken Whisenhunt para ser técnico, um inteligente coordenador ofensivo que também é o pior técnico da história recente da NFL desenvolvendo jovens QBs?!)

O Titans também esbarra em outra questão, a salarial. O time tem apenas 13M de espaço salarial para 2014, e embora esse número possa chegar a 19M caso CJ seja mesmo dispensado, ainda é pouco considerando que um dos melhores defensores da equipe, Alterraun Verner, é um free agent que vai exigir muita grana no mercado. A defesa do Titans melhorou em 2013 mas ainda terminou 19th em DVOA e 22nd em DVOA ajustado, e agora pode perder dois dos seus melhores jogadores em Verner e Bernard Pollard - e se quiser mantê-los, vai ter que gastar grande parte desse espaço salarial escasso. Considerando que a defesa dependeu DEMAIS de Jurell Casey em 2013 e dificilmente ele vai manter o nível para 2014, o time precisa reforçar o resto das posições se quiser ter chances de continuar evoluindo, e perder seu melhor jovem CB em Verner não ajudaria. E mesmo assim, essa é só a segunda decisão mais importante do time em 2014.


Jacksonville Jaguars

Ah, a tristeza... Pelo segundo ano consecutivo, o Jaguars terminou como um dos dois piores times da NFL em DVOA, e sua Pythagorean Expectation de 3-13 é ainda pior do que seu pobre record de 4-12. E o Jaguars é mais um time preso em uma reconstrução que não acaba nunca.

Um bom exemplo do que faz o Jaguas tão ruim é esse: apesar da falta incrível de talento, o Jaguars tinha 42M do seu salary cap em 2013 comprometido com jogadores que sequer estavam na equipe, consequências de contratos péssimos e gestões incompetentes. Então se vamos começar as boas notícias, é por aqui: esse ano, todo esse dinheiro morto finalmente saiu da folha salarial, o que deixou o time com cap space de verdade, de quase 56M. O dinheiro morto do cap em 2014 é de apenas 6M, e embora esse número deva subir se o time dispensar Marcedes Lewis (3M de dinheiro morto, 5.5M de espaço) ou Uche Nwaneri (2M dinheiro morto, 4M espaço), o Jaguars agora vai ter legítimo espaço para contratar free agents e remontar sua equipe como se deve. Considere esse o primeiro passo, saindo do fundo do poço rumo a algo melhor.

Claro, dinheiro na free agency não é tudo - uma parte dos problemas do Jaguars e todo esse dinheiro morto no cap era justamente gastar dinheiro mal na FA - e o time tem buracos demais para resolver só com contratações, mas é um começo. A verdade é que o Jaguars não tem uma solução, é um time que tem talento de menos e bagagem demais, então precisa começar do zero, passo por passo. E flexibilidade salarial e a terceira escolha no draft não são lugares ruins para começar.

Ofensivamente nada no Jaguars se salva - os únicos jogadores acima da média no time em 2013 foram Cecil Shorts e Justin Blackmon, os dois WRs, e Blackmon foi suspenso pelo ano todo depois de falhar teste para drogas - mas pelo menos agora o time tem a chance de recomeçar, e recomeçar com um QB de verdade. Com a 3rd pick do Draft, o time tem a chance de escolher um dos três melhores QBs dessa classe, e talvez até mesmo ser a primeira equipe a escolher um QB caso Houston decida por Clowney. A busca por um Franchise QB tem sido um problema em Jacksonville, um problema que envolveu gastar uma escolha top10 em Blaine Gabbert (não que eu culpe o Jags por isso, ele era considerado o segundo melhor QB do draft e acharam ele um steal em 10th). E considerando que o time tem excelentes chances de sair dessa primeira rodada com Bridgewater ou Manziel (Bortles definitivamente está na conversa também, mas acho que ele parece demais o Gabbert para o Jags ficar confortável), acho que não vão deixar passar a chance. Para começar um capítulo novo (novo dono, novo GM e novo técnico), nada melhor do que um bom QB.

Fora isso, o Jags não tem muito que esperar em 2014 que não seja outra escolha alta de draft. O time até tem arrumado alguns jogadores interessantes nos drafts dos últimos anos - Shorts e Blackmon são bons jogadores, Luke Joeckel vai ter a chance de jogar na sua posição de origem em 2014, Dwayne Gratz teve ótima temporada de calouro e Johnathan Cypren mostrou algum potencial - e vai precisar continuar acertando e investindo no draft nos próximos anos se quiser montar um time vencedor. E acima de tudo, de paciência. De muuuuita paciência.


Houston Texans

A temporada do Texans em 2013 foi, para mim, a coisa mais inexplicável da temporada. Depois de dois ou três anos de candidato ao Super Bowl, o time chegou em 2013, ganhou dois jogos... e perdeu 14 seguidos, terminando com o terceiro pior DVOA e pior record da temporada. Seus QBs foram um problema magistral, tudo deu errado, e o Texans acabou aproveitando isso para garantir a 1st pick nesse draft extremamente interessante.

A pergunta que fica é essa: existe motivo para pânico no Texans? Para mim, não. Sim, a temporada 2013 foi um desastre, mas temos evidências de sobra de que anos outliers em que tudo acontece no pior cenário possível não necessariamente significam que seu time precise ser desconstruído (ver: Red Sox, Boston). Para mim esse foi o ano do Texans, e não só por ter terminado a temporada 2 vitórias baixo da sua Pythagorean Expectations e pelo óbvio potencial de regressão positiva desse time, eu estou otimista que podem dar a volta por cima em 2014.

Para começar, o time ainda tem uma sólida defesa que conta com o melhor defensor da NFL (JJ Watt) e diversos jogadores bons como Jonathan Joseph, Brian Cushing (quando saudável), e Antonio Smith (mais dele em um minuto), o que é um bom núcleo. A defesa caiu ao longo da temporada por conta de lesões, diversos jogadores jogando muito abaixo do que poderiam (principalmente Brooks Reed), falta de interesse e nenhuma contribuição dos LBs depois que Cushing machucou, mas com algum sangue novo, saúde e alguns reforços pontuais (mais regressão positiva) tem tudo para voltar a ser dominante. Ofensivamente o time se afundou na péssima atuação dos QBs e também em lesões, mas o time ainda conta com um fantástico núcleo da linha ofensiva (Duane Brown, Chris Myers e Brandon Brooks), uma boa dupla de WRs (DeAndre Hopkins e Andre Johnson) e, quando saudável, um bom TE em Owen Daniels. Então a base está em seu lugar, e esse foi um time extremamente sólido por dois ou três anos que manteve a maior parte do núcleo. Não vejo porque de repente todo mundo desaprenderia a jogar. É só encaixar novas peças aonde precisa.

Claro, isso também não significa que vai ser fácil. O principal obstáculo é a questão salarial: o Texans está apenas 9M acima do salary cap, e isso lembrando que Antonio Smith é um free agent e vai exigir um salário alto. O Texans já manifestou desejo de trazer Smith de volta, mas isso vai exigir todo tipo de mudanças no salary cap, e não está fácil criar espaço nessa folha salarial. Os maiores candidatos a dispensa não resolvem o problema porque são jogadores que ou carregam um cap hit alto em caso de dispensa (10.5M do Matt Schaub, 7.5M do Arian Foster, 3M do Whitney Mercillus) ou são jogadores cujo contrato é pequeno demais para ter grande impacto (TJ Yates 600 mil, Brian McCain 900 mil, Derek Newton 1.3M). O time sempre pode pedir para algum jogador como Andre Johnson (16M em 2014) reestruturar seu contrato ou dar a jogadores como Owen Daniels (6M, 4.5 de economia se for cortado), Danieal Manning (idem) ou Kareem Jackson (4.5M salário, 3M economia) um ultimato para aceitar uma redução salarial ou serem dispensados depois de temporadas decepcionantes. Mas entre tudo isso vai ser difícil imaginar o Texans liberando uma grande quantidade de espaço salarial, e o dinheiro (que da para chegar a uns 20M dispensado alguns titulares e mantendo outros) seria principalmente usado para reassinar com Smith e alguns outros FAs menores e garantir o dinheiro das escolhas de Draft. E considerando os buracos que a equipe tem hoje - faltam dois jogadores na linha ofensiva além de Brown/Myers/Brooks, o time pode precisar de um TE novo, o pass rush depende demais de Watt e precisa de mais um componente (especialmente porque Mercillus foi um tremendo bust), a secundária precisa de reforços, e os safeties foram uma desgraça desde que Glover Quin saiu - é difícil ver o time adereçando todos esses problemas de uma vez, seja internaemente ou não.

A vantagem para o Texans é ter a 1st pick do Draft, e com ela eles podem ir em duas direções diferentes. A primeira era resolver seu grande problema atual, e selecionar um QB, seja ele Manziel, Bortles ou Bridgewater. Matt Schaub vem piorando vertiginosamente desde sua lesão em 2011, e não parece ter condições de continuar jogando bem depois de um PÉSSIMO 2013, e Case Keenum não convenceu muito como a solução para a equipe, então substituir essa posição extremaemente carente por um sólido QB jovem pode ser o upgrade que colocará o time de volta na briga pelos playoffs e dar a perspectiva para o futuro que eles procuram. A outra direção é pegar a aberração Jadeveon Clowney, colocar ele do lado o posto a JJ Watt e ter a dupla defensiva mais dominante da NFL nos últimos anos, o que deve resolver boa parte dos problemas de pass rush da defesa e dar uma perspectiva muito melhor para esse grupo em 2014. O problema desse último caminho é que ele ainda deixa a incógnita na posição mais importante do jogo, então a não ser que o time esteja contando com Keenum ou Schaub para segurar a barra no curto prazo, eles terão que resolver esse problema ainda esse ano, talvez aproveitando a profundidade para pegar um jogador como Zach Mettenberger na segunda rodada. Não existe uma direção certa, mas a decisão de como usar essa 1st pick é o que vai determinar quando a equipe voltará a disputar vaga nos playoffs e qual a direção futura da franquia.


Oakland Raiders

Pense em um viciado em drogas pesadas. Ele passou um longo período escravo do vício, desperdiçando seus anos. Enfim ele percebe o problema, e passa por um difícil e sofrido processo de desintoxicação e reabilitação. Por fim, livre do seu problema, ele parte para novos horizontes e recuperar o tempo perdido.

Essa é basicamente a história do Oakland Raiders nos últimos anos. Um dono meio maluco e uma série de GMs incompetentes prenderam o time a uma série de contratos ruins e times medíocres da qual estavam impossibilitados de escapar e mantiveram o time por tanto tempo na mediocridade, só que ao invés de admitir o problema e procurar resolvê-lo, tentaram consertar com mais contratos e drafts ruins e decisões equivocadas, que se tornaram uma bola de neve e mantiveram o time refém dessa mania. Atualmente, o Raiders está passando pela fase de desintoxicação: eles ainda estão em processo de se libertar de todos os jogadores e contratos horríveis que sobraram e limpar seu salary cap. Por fim, concluído isso, o Raiders pode pensar em se reerguer como a franquia importante que é e tentar voltar a ser relevante.

E acho que nada ilustra melhor esse processo de "desintoxicação" do Raiders melhor do que o seguinte dado: ao final de 2013, o Raiders tinha 55.6M do seu salary cap destinado para jogadores ativos na sua equipe... e 56M para jogadores que não jogavam mais pelo Raiders (incluindo Carson Palmer, que não só ocupava 9M da sua folha salarial para jogar pelo Cardinals como custou uma escolha de primeira rodada e uma de segunda). Esse ano esse dinheiro morto cai para apenas 9M, e nenhum desse dinheiro será carregado para 2015 (por enquanto). Então literalmente, o Raiders está tentando se livrar ainda do desastre e das péssimas condições deixadas pelos anos anteriores da franquia.

Feito isso, o Raiders está basicamente na condição do Jaguars, problemas demais para resolver com pouco tempo, mas pelo menos uma escolha boa no draft, uma folha salarial limpa e a chance de um novo começo. Ao contrário dos Jaguars, no entanto, o Raiders não tem um caminho claro até um QB, que seria a primeira peça da reconstrução. Jaguars, Browns e Texans, os três escolhem antes do Raiders, e todos eles possuem necessidades na posição, e portanto o Big Three de QBs pode estar fora do draft antes de chegar a vez do Raiders. Se acontecer, é fácil: escolher o melhor jogador disponível (seja ele Sammy Watkins, Jadeveon Clowney ou Greg Robinson) e esperar o resto do time encaixar em torno disso nos próximos anos. Se algum dos três cair, acho possível que o Raiders se sinta tentado pela ideia de finalmente arrumar um bom QB (algo que o time não tem desde... Rich Gannon?), mas não acho que o time precise ter pressa. Não existe uma saída rápida do buraco para o Raiders mesmo com um bom QB, e é melhor pegar uma certeza do que arriscar em um QB que eles não tem tanta confiança. Eles também podem gastar algum dinheiro para manter alguns dos seus melhores free agents (em particular LaMarr Houston), embora não ache que isso vá acontecer - o caminho do Raiders para o sucesso não é tão curto assim, e acho que a diretoria já teve o suficiente de pagar demais para jogadores que não devia e sofrer com as consequências. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Semana 14 - Mailbag

"Personal foul, number 34, punching the balls. 15 yard penalty... First down"


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Depois de uma semana sem, é hora de esvaziar a caixa de email e trazer de volta o nosso Mailbag para mais essa semana de futebol americano. Então vamos começar.

Lembrando que se você quiser participar e ver seu email lido por aqui, é só enviar um email para "tmwarning@hotmail.com" com o assunto "Mailbag" junto da sua pergunta e seu nome.

Como sempre, esses são emails reais enviados por leitores reais, e podem ter sido reescritos ou editados por questões de padronização.


Vejo muitos times na NFL que precisam de um franchise QB.. mas queria focar nos que podemos considerar os "one QB away from superbowl"..

Não sei se estes entram na sua lista, mas poria Browns, Rams e Bucs.. pelo bom talento que têm em volta e pela total falta de capacidades dos QBs deles - pelo menos os saudáveis (tudo bem que o Glennon tá jogando bem agora.. mas até quando, não é mesmo?).


Apesar da boa classe para essa posição no draft de 2014, na mídia tem saído com mais força os nomes Bridgewater, Mariota e Manziel como os tops. Você acha que algum desses três times subiria com certeza no draft pra garantir um desses três? E qual a chance de Jaguars, Texans e Vikings deixarem passar? - Tiago Rotava



A essa altura, você já deve saber o que eu acho de Super Bowl. Quanto melhor seu time, obviamente maiores suas chances de chegar e vencer o Super Bowl, mas considerando a natureza do jogo e a amostra muito pequena dos playoffs (que da margem a todo tipo de aberração estatística), a verdade é que quase qualquer time que chegue aos playoffs tem chance de chegar ao título com uma combinação de pegar fogo no momento certo e alguma sorte em certas variáveis. A amostra disso é imensa: Ravens 2013 era um time medíocre de temporada regular que pegou fogo na hora certa e teve alguns golpes de sorte a seu favor; 2012 Giants foi campe ão porque seu pass rush ficou imparável nos playoffs e porque o time recuperou algo como 8 de 9 fumbles nos três jogos finais dos playoffs; 2010 Packers não teria sequer ido aos playoffs se o Bucs não perde, em casa e na prorrogação, do Lions sem Matt Stafford; 2007 Giants eu nem preciso comentar. Então é difícil separar "one QB away from SB" de  "um QB distante dos playoffs".

Enfim, dito isso, o Browns é um time que defendi desde o começo do ano que estava a um bom QB de ir aos playoffs consistentemente. A defesa tem suas falhas mas tem grandes talentos (em especial Joe Haden) e é uma unidade bem promissora, e não faltam alvos por lá com Josh Gordon e Jordan Cameron... mas eles não só não conseguem um QB que tire vantagem disso, como não conseguem um QB que seja capaz de ser apenas conservador e evitar erros (a falta de um jogo terrestre não ajuda). O Rams é uma questão mais complicada, porque eles possuem alguns buracos graves na secundária e na linha que um QB só não resolveria, e eles jogam na divisão mais forte da NFL, então não colocaria o Rams entre esses. Sem dúvida um Aaron Rodgers conseguiria levar esse time ao título, mas entre um QB apenas bom/acima da média, não acho que seria o caso.

O Bucs é um caso a parte, porque ele me lembra demais o 49ers de 2010: muito talento, muitos bons jogadores... mas um técnico horrível, problemas com QBs e uma temporada decepcionante. Acho que o Bucs segue a mesma ordem, Mike Glennon tem jogado bem e só me parece ser uma questão de uma temporada onde menos coisas dão errado (MRSA, Doug Martin e Carl Nicks, etc) e de um técnico que cause menos estragos no seu time para o time decolar. Um bom QB ajuda, mas não me parece ser o mais importante no momento (e eu gosto do Glennon).

Outro time que eu citaria nas suas condições é o Jets, que tem uma excelente defesa, um jogo terrestre se achando, alguns alvos interessantes... mas cujos QBs dos últimos anos tem sido historicamente ruins. Eu sei que o Jets fez duas coisas que tornam difíceis ir atrás de mais um QB (ou seja, dar um contrato imenso para um e usar uma escolha alta em outro), mas a situação de QB lá é o que está atrasando um time com potencial muito interessante. Acho que Buffalo também poderia se beneficiar de um QB bom - a defesa é excelente, a linha ofensiva melhorou um pouco, tem RBs interessantes - mas eles acabaram de usar uma escolha alta em EJ Manuel, que mesmo não tendo um bom ano, ainda vai ganhar mais chances para evoluir e eventualmente virar esse QB. E em uma nota mais polêmica, diria que um time que está a um QB de coisas grandes é o Bengals. A defesa (inteira, claro) é espetacular, bons alvos em contratos favoráveis não faltam, o jogo terrestre parece estar bem encaminhado... mas o Andy Dalton é um QB fraco, que não evoluiu em três anos de NFL, e que não consegue um QBR acima de 50. Isso é menos um "O Bengals não pode vencer com Andy Dalton" (afinal, Joe Flacco também é um QB mediano que explodiu uma offseason e foi suficiente) e mais um "o potencial desse time com um QB de verdade seria espetacular". Eles tem o suficiente para vencer agora, mas com um QB de verdade seria bem mais fácil.

E o problema desse draft e dessa classe de QB espetacular é que, de repente, ela não é mais tão impressionante assim. Dos três QBs principais, apenas Bridgewater sobrou: Mariota decidiu voltar para Oregon ano que vem, e Zach Mettenberger de LSU rompeu o ligamento do joelho, o que certamente vai afetar seu status no draft e pode incentivá-lo a voltar para mais um ano na NCAA. Além disso, Manziel ainda não anunciou sua decisão de entrar no draft ou não, então caso volte para Texas A&M, de repente você tem três dos QBs de primeira rodada voltando para a faculdade e uma classe que perdeu toda sua profundidade. Então se continuar nesse caminho, a briga por um Franchise QB se aperta demais e fica MUITO difícil que algum time deixe passar esses caras - mesmo se não precisar ou não quiser, o mais provável é que troquem com algum time querendo subir (Minny, Jaguars e Browns me parecem os mais desesperados por um bom QB e, vale lembrar, o Browns tem duas escolhas de primeira rodada para montar em um pacote pela 1st pick e Bridgewater). Mas acho que no fundo vai depender de como essa classe chegará no draft, essa perda de profundidade e talentos pode aumentar o valor das primeiras escolhas e dos QBs restantes. É esperar para ver.



Fala Vitor,
Minha questão e sobre a duração dos jogos da NFL, os jogos estão com um ritmo cada vez mais lento. Vamos tomar como exemplo a minha jornada no Thanksgiving ao assistir Cowboys x Raiders.
as 19h30 começou o jogo, assisti o primeiro quarto. depois como o jogo não estava lá essas coisas, fui assistir dois episódios de Breaking Bad, depois tomei banho, jantei, dei uma zapeada na Net e resolvi voltar para o jogo, e para minha surpresa quando voltei ainda estava no 3º Quarto faltando 5 minutos para o término. o jogo foi acabar quase as 23h.
São quase 03h30m de duração, Meu Deus! mais longo que jogos de beisebol.

O que você acha que poderia ser feito para acelerar um pouco o ritmo das partidas? seria um sonho distante um jogo na casa das 02h00m de duração.
e Será que o público americano pensa do mesmo jeito de nós brasileiros que estamos acustumados com o nosso futebol mais dinâmico?

Um abraço. - Fabiano Dantas



Acredite se quiser, mas esse é um tópico de debate nos EUA também, embora eu ache que para eles seja menos incômodo do que para nós - a maior parte dos esportes americanos funciona com várias paradas mesmo, enquanto o nosso futebol acontece direto, então pode ser também uma questão de hábito, como você disse. Mas muitas vezes vejo discussões (mais na NBA que na NFL, mas na NFL também) sobre como tornar os jogos mais dinâmicos e menos demorados.

Uma questão no futebol americano, é que é muito mais difícil controlar esse tempo porque ele não é corrido. O tempo total da partida depende muito de fatores como estilo de jogo de cada time, andamento da partida, e algum acaso. Times que correm muito, fazendo jogadas mais curtas e drives longos, com muitas jogadas, tendem a manter o relógio correndo durante mais tempo e gastando mais tempo dele, de forma que seus jogos são mais curtos do que outros times que passam muito a bola (e acertam poucos deles) e dão muitos punts, pois passes incompletos e punts são jogadas que terminam com o relógio parando (ao contrário de corridas e passes completos). Por isso as vezes temos partidas que demoram cerca de 2h30 (jogos com muitas corridas, muitos passes completos, muitas jogadas curtas, etc) e outras que demoram cerca de 3h30 (muitos punts, passes incompletos e jogadas longas), depende de cada time e do andamento da partida um pouco. É algo complicado de controlar.

Sobre o que poderia ser feito para acelerar o ritmo, acho que a principal ação seria encurtar (ou mesmo removar parte deles) os tempos de televisão que tem o tempo todo. Na NFL, cada time tem três tempos (seis no total do jogo) para pedir, e mais os dois Two-Minute Warnings, que são os momentos de parada de jogo durante uma campanha. Mas além disso, o jogo é cheio de "tempos da televisão", pausas no jogo (geralmente depois de uma mudança de posse de bola) na qual o jogo fica parado por uns cinco minutos para que a televisão possa passar propagandas e afins. Bom, eu odeio esses tempos de televisão - eu entendo que eles são necessários, mas porque tantos? É só cortar meia dúzia desses tempos de televisão, você encurta a duração dos jogos por 30 minutos, aumenta o ritmo das partidas, e torna menos cansativo de assistir. Sim, você perde algum dinheiro, mas e dai?! Você já tem receita de 10 bilhões por ano e é a liga mais lucrativa do mundo, pode fazer isso para tornar o jogo mais divertido e prático de assistir. Pelo menos essa seria minha principal solução para o problema da grande duração dos jogos.

Btw, Jesse Pinkman é o cara. Lembre-se disso.



Tento acompanhar o máximo possível as transmissões dos jogos da NFL, porém por muitas vezes os horários não permitem.
Tenho uma dúvida em relação a última rodada, por que o Denver jogou novamente com o Kansas?
Abraços, até mais. - José Roberto Davilla, Mogi das Cruzes, SP


O Denver jogou pela segunda vez contra Kansas City porque ambos os times são da mesma divisão (AFC West), e cada time joga duas vezes contra os adversários dentro da divisão - uma vez em casa, uma vez fora.

Aproveitando a deixa para explicar como é montado o calendário na NFL, então, ele é montado da seguinte maneira: para começar, cada time vai enfrentar duas vezes cada um dos outros times da sua divisão, uma vez em casa e uma fora. Então já são 6 jogos só nisso. Depois, cada time dessa divisão vai enfrentar uma vez os times de duas outras divisões designadas, uma da AFC e uma da NFC. Qual divisão vai ser enfrentada funciona em um esquema de rotação, de forma que cada divisão enfrenta uma da própria conferência a cada três anos e da outra conferência a cada quatro. Com isso são mais 8 jogos, 14 no total. Ficam faltando dois. Esses dois últimos jogos vão ser contra os dois times, da sua conferência, que acabaram o ano anterior na mesma colocação que o time original dentro de suas divisões (e que naturalmente não pertencem aquela divisão que já vai ser um adversário desde o começo). Então se um time termina em primeiro lugar na sua divisão, ele vai enfrentar outros dois times que terminaram em primeiro lugar. Com isso totalizamos 16 jogos.

Sim, ficou confuso, eu sei. Então um exemplo prático com o Denver Broncos que você citou. Para começar, a AFC West joga entre si duas vezes, então o Broncos tem dois jogos contra Chiefs, Raiders e Chargers. Além disso, dentro da AFC, a divisão da vez para enfrentar a AFC West é a AFC South, então Broncos vai enfrentar uma vez cada time dela, Jaguars, Colts, Texans e Titans. Na NFC, a vez de enfrentar a AFC West é da NFC East, então o Broncos enfrenta Cowboys, Eagles, Redskins e Giants. Por fim, o Broncos terá dois jogos contra os dois times da AFC que terminaram em primeiro nas suas respectivas divisões em 2013 (e que não pertencem a AFC South), o que significa jogos contra Patriots e Ravens. Com isso, totalizamos 16 jogos. Acho que ficou mais fácil entender agora.


Josh Gordon pode ser o próximo Herschel Walker numa possível "The Josh Gordon trade" ?
Ou os Browns irão desistir de trocá-lo e continuar com o grande WR ? - Ramon Brandão


Acho que o grande problema do Gordon era a questão da suspensão. Com mais um teste falhado no controle de substâncias proibidas, ele estaria sujeito a uma suspensão de um ano inteiro e obviamente isso seria péssimo para o Browns, e provavelmente foi isso também que assustou muitos times na trade deadline. Supostamente, o Browns estava escutando propostas mas pedia um jogador jovem MAIS uma escolha de draft (supostamente segunda ou terceira rodada), e acho que esse risco de suspensão foi o que levou os times a não investir no jogador.

Para o Browns, a idéia era simples, eles queriam o máximo de ativos possível para reconstruir sua equipe em torno de um Franchise QB de verdade, e achavam que sua maior chance de conseguir isso era com múltiplas escolhas nesse draft bem profundo. Como não ocorreu, e eles estão em boas condições de conseguir uma escolha alta (ou mesmo sonhar com uma troca de suas duas 1st round picks pela #1 e pegar Bridgewater), e Josh Gordon aparentemente se mostrou um dos melhores WRs da NFL mesmo jogando com QBs como Jason Campbell e Brandon Weeden... eu não sei se faz sentido o time continuar indo atrás de trocas. Se o Browns se enxergar perto do QB que procuram nesse draft, não faz sentido trocar o jogador que está lá para ser o alvo principal dele e ajudar na sua adaptação e que é um dos melhores na sua posição. Considerando que o Gordon ainda é bem jovem e oferece mais dois anos inteiros de controle de time a um custo ridiculamente baixo (menos de 1M por ano), e acho que ta cada vez mais difícil para o Browns aceitar trocar o Gordon. Acho que a única circunstância para eles trocarem Gordon a essa altura seria para dar um salto em direção a um Franchise QB, mas considerando que já estão em boa situação para pegar um, acho que  Gordon não vai a lugar nenhum. Excelente jogador em um excelente contrato. Ele vai fazer algum QB muito feliz em 2014.


Vitor, tenho uma pergunta para o mailbag (nao sei se pode ser feita por aqui): no futebol jogado com os pés, o jogo é ganho no acerto, afinal fazer o gol é mais dificil do que nao fazer. ja no basquete, um ataque tem muito mais chance de pontuar do que nao pontuar. e no futebol americano, é um jogo como o basquete onde se é mais facil pontuar, ou parece mais com o soccer? - Lucas Maia

Eu acho que a diferença crucial entre futebol americano nesses dois esportes que você citou, é que na equação do futebol americano existe uma variável a mais: posição de campo. No basquete e no futebol, você tem todo o campo para jogar e criar, e você pode ir e voltar quase que a vontade, enquanto que no futebol de campo isso não é verdade. A posição de campo acaba sendo uma variável crucial, que pode render ou tirar pontos esperados da equipe quando bem utilizada, então cada campanha ofensiva não se resume apenas ao pontuou-ou-não do basquete ou mesmo ao "conseguiu pontuar em meio a diversas tentativas", mas também ao "garantir que você vai ter uma posição de campo favorável na sua próxima campanha. Então ele provavelmente é um meio termo na situação que você propôs - menos campanhas terminando em pontos que o basquete e mais que o futebol - mas que inclui uma outra variável de sumária importância. Quando você deixa de pontuar no basquete ou futebol, acaba, mas no futebol americano faz uma grande diferença não pontuar na sua linha de 20 jardas ou na de 40 do campo adversário.

Palpite para o jogo de quinta feira


JAGUARS over Texans
Contra o spread: JAGUARS (+3) over Texans
Eu não consigo apostar no Texans a essa altura, e o Jaguars é surpreendentemente um dos times mais quentes das últimas semanas. E talvez mais importante, mas o Texans parece um poooouco interessado demais nesse próximo draft para eu ficar satisfeito, ainda que Gary Kubiak deva estar brigando para manter seu emprego.