Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A evolução das defesas na NFL

Richard Dent faz uma ótima demonstração de 
como a defesa deve jogar sob as novas regras



Desculpem a inatividade recente, a ressaca pós-Super Bowl ainda não passou e o nosso Mailbag não está recebendo perguntas suficientes pra justificar um post até agora. Enquanto esperamos mais perguntas (Vamos, galera, não desanimem agora, mandem seus emails para tmwarning@hotmail.com!), vamos falar um pouco sobre a evolução das defesas na NFL.

Alguns aqui talvez se lembrem de um post que fizemos já faz algum tempo sobre a evolução do jogo aéreo na NFL. Nesse post, nós comentamos sobre como as regras que surgiram ao longo dos anos - em especial de 2004 pra frente - tiveram o efeito de facilitar em muito o jogo aéreo na NFL. Isso causou, é claro, um grande direcionamento do jogo na NFL para o ar, e os Quarterbacks e os ataques passaram a ter um peso muito maior do que tinham até então. Isso também fez com que os números dos Quarterbacks e Wide Receivers pós-2004 explodissem se comparado aos números anteriores, e em nossa mania de querer comparar tudo em números sem pensar no que está por trás deles, acabávamos olhando pra números extremamente inflados e exaltando as estatísticas dos jogadores de hoje como sendo superiores às dos jogadores de 20 anos atrás. As 5300 jardas do Drew Brees em 2011 foram incríveis, claro, mas nós olhamos pro número 5300 em absoluto, esquecendo que conseguir 5300 jardas hoje é muito mais fácil do que conseguir 5000 trinta anos atrás. O jogo muda, as regras mudam, e nós esquecemos disso, continuamos tratando os números como se significassem a mesma coisa em qualquer época.

Mas voltando ao tópico principal, as mudanças que o jogo aéreo sofreu ao longo dos anos, e em especial na década de 2000, determinaram como os ataques iam jogar, deram ênfase ao jogo aéreo, colocaram o jogo terrestre em segundo plano e tornaram a NFL numa Liga onde o jogo terrestre é o que da o tom do jogo, e onde eé cada vez mais difícil vencer sem um grande QB. Mas hoje, vamos olhar o lado contrário da questão, e analisar como as defesas na NFL ficaram com essas mudanças nas regras e no jogo, e qual o panorama pras defesas da NFL nos próximos anos.

Para quem não leu ou não lembra desse post e está com preguiça de clicar no link acima, um breve resumo. Ao longo dos anos - e em especial na década de 2000 - a NFL começou a mudar algumas regras e instituir algumas regras novas visando incentivar o jogo aéreo na NFL. Os principais motivos para essa mudança foi a mentalidade defensiva que dominou a NFL no começo da década e levava a muitos jogos lentos e de placares baixos, com defesas dominando os ataques. Isso se deu, em parte, por uma certa entresafra de grandes Quarterbacks na Liga. A geração anterior (Troy Aikman, Dan Marino, Joe Montana, Steve Young, John Elway, Jim Kelly, etc) estava saindo de cena e a nova geração (Tom Brady, Peyton Manning, Ben Roethlisberger, Drew Brees, etc) ainda não tinha aparecido o suficiente para dominar o cenário da NFL. Ainda que tivéssemos Brett Favre e Kurt Warner destruindo recordes diariamente, era muito pouco frente ao maior cenário da Liga. Tirando o extremamente ofensivo Rams (The Greatest Show on Turf), que foi campeão do Super Bowl em 1999, quem aparecia em peso eram as defesas. O Ravens de 2000 (Trent Dilfer de Quarterback), o Patriots de 2001 (Um Tom Brady burocrático e eficiente de QB, mas secundário a uma grande defesa), o Bucs de 2002 e até mesmo o Pats de 2003 eram todos times que tinham uma grande defesa e um ataque medíocre, em geral que contava com um forte jogo terrestre mas que tinha como grande âncora sua defesa. As defesas de Ravens e Bucs, em particular, estão entre as maiores de todos os tempos. Os jogos truncados, defensivos e de poucos pontos começaram a dominar o cenário da NFL, e a Liga decidiu mudar as regras pra aumentar o poder dos ataques.

Não é a toa que desde 2004 os campeões do Super Bowl tiveram como QBs titulares Brees, Brady (Em 2004 pela primeira vez assumindo uma posição central no time), Manning, Aaron Rodgers, Eli Manning e Big Ben, depois de ver um Brady pirralho e burocrático, Trent Dilfer e Brad Johnson ganhando Super Bowls no começo da década. As novas regras restringiram e muito o que a defesa podia fazer - não podiam mais acertar jogadores com o capacete, não podiam mais atingir jogadores na área da cabeça, não podiam mais encostar nos recebedores, não podiam derrubar QBs abaixo da cintura... Ou seja, na década de 80/90 a defesa tinha muito mais recursos tanto pra marcar os recebedores adversários como para atacar o QB como para dar tackles. Agora os defensores estão muito mais limitados, o jogo aéreo domina a NFL e estatísticas de passe e recepções são quebradas diariamente. A NFL pode justificar essas regras dizendo que estão protegendo a saúde dos jogadores, o que até é verdade em algum nível, mas o verdadeiro motivo era aumentar os placares, tornar os jogos mais abertos e, na avaliação deles, mais atraentes para o público.

Uma vez que o principal impacto dessas mudanças foi o incentivo ao jogo aéreo, era de se esperar que o caminho para o sucesso das defesas fosse fortalecer a defesa contra o passe. Formações Nickel (com um cornerback extra), melhores safetys e cornerbacks, estratégias de cobertura complexas... Esse parecia, no primeiro momento, ser o caminho de sucesso para defesas. Se você conseguisse montar uma grande secundária e limitar o jogo terrestre, os adversários seriam obrigados a recorrer ao jogo terrestre mais e mais. No começo, após as mudanças, esse realmente foi o foco das defesas, fortalecer a secundária em busca de uma chance de lutar contra os ataques aéreos, agora fortalecidos pelas regras. Mas com o tempo, e cada vez mais, se percebe que o caminho para o sucesso das defesas na NFL não é a secundária, ou a defesa aérea, e sim o pass rush, ou a capacidade da defesa de pressionar o Quarterback.

Claro que se você tiver uma grande secundária você vai ter uma vantagem. A secundária do Jets, com Darrelle Revis e Antonio Cromartie (vindo de ótima temporada depois de uma temporada inicial medíocre), com certeza inibiu passes contra o time de NY. Também ter safetys capazes de forçar interceptações como Ed Reed continuam colocando pressão no QB e fazendo eles pensarem duas vezes antes de passar a bola em profundidade (O que é um efeito lógico, se o índice de interceptações de um QB fica constante e ele começa a passar a bola mais vezes por jogo, o número de interceptações tende a aumentar - o que explica o aumento em interceptações recente). Grandes jogadores e secundárias bem montadas vão ter seu efeito, em qualquer época. Se você tiver a oportunidade de montar uma grande secundária, tem que montar.

O que acontece é que não é todo time que que é capaz de montar uma secundária com tanto impacto. Não estamos em uma era de boom em jogadores de secundária, temos vários bons jogadores mas não em número excessivo, que fosse suficiente para dar à maioria dos times da Liga uma unidade capaz de alterar jogos por conta própria. A grande maioria dos times tem que se contentar em ter uma secundária mediana, sem jogadores de nível All-Pro como Ravens, Jets e Steelers. Isso se dá também pelo fato de que a secundária teve uma redução no seu papel. Em 2002, uma dupla determinada dupla de Cornerbacks teria mais impacto no jogo do que em 2011, onde as regras são desenhadas para que eles justamente tenham menos impacto. Pra que um cornerback médio hoje impacte o jogo da mesma forma que um cornerback médio impactava o jogo em 2002, o cornerback médio de hoje precisa ser consideravelmente superior do que o cornerback médio de 2002. Como não estamos tendo um grande aumento no nível dos jogadores da secundária desde então, o número de jogadores capazes de impactar o jogo da secundária caiu em muito, e poucos times tem esse luxo.

No começo, a solução parecia uma enorme disputa entre os times para ver quem pagava mais a esses jogadores. No entanto, a solução que foi encontrada era muito mais barata e acessível: Se você não pode marcar os recebedores de forma a impedir que o QB tenha um alvo para o passe, você tem que impedir que o Quarterback passe, derrubando ele antes que ele lance - ou pelo menos causando pressão o suficiente para que ele não tenha tempo e calma de achar seus recebedores. Ou seja, os times decidiram que a melhor forma de combater o ataque aéreo não era na secundária,  sim com o pass rush, pressionando o QB antes do passe.

De certa forma, isso faz todo o sentido do mundo. Não importa se a sua secundária é boa ou não, ela recebeu muitas limitaçōes e pode fazer muito pouco pra evitar que o recebedor tenha uma posição favorável em campo, logo logo vão proibir os defensores sequer de tocar na bola. Com tantas restriçōes, é muito difícil manter um jogador do ataque sob controle por muito tempo, e se tiver tempo, cedo ou tarde alguém vai conseguir abrir espaço. O truque então é diminuir cada vez mais esse tempo. Os jogadores que pressionam o QB também receberam restriçōes ao longo do tempo, especialmente limitando o quanto do Quarterback eles podem visar, mas essas restriçōes são bem menores do que as restriçōes que os jogadores da secundária tem.

Isso chega, também, associado a uma certa abundância de jogadores da posição na NFL, o que facilita a vida dos times. Pelas limitaçōes que a regra oferece, pressionar o QB já é relativamente mais vantajoso do que jogar só com a cobertura e dar tempo ao QB adversário, e além disso atualmente o mercado tem muito mais jogadores de qualidade para jogarem na linha defensiva do que jogadores de secundária, o que torna montar um bom pass rush bem mais acessível do que montar uma boa secundária tanto em termos de quantidade quanto em termos financeiros. Pensem que só no último Draft tivemos Von Miller, Aldon Smith e JJ Watt, três pass rushers de altíssima qualidade que já estão jogando num nível entre os mais altos da posição.

Isso explica também a popularização crescente da defesa 3-4 nos últimos anos depois da defesa 4-3 ter dominado por tanto tempo a NFL (Pra saber mais sobre as defesas 3-4 e 4-3, recomendo esse post do nosso Especial NFL destinado às defesas). A defesa 3-4 é uma defesa que é muito mais agressiva, na sua forma padrão ela envia um homem a mais do que a 4-3 e permite variaçōes mais criativas para a blitz. Em outras palavras, é uma defesa que sacrifica um pouco da cobertura para colocar mais pressão no Quarterback. Ela naão era muito usada até as novas regras, quando elas começaram a se popularizar e estão em grande parte das defesas de sucesso da NFL (Steelers, 49ers, Ravens, Packers versão 2010, Jets, Washington Redskins e Houston Texans). Por ser uma defesa que coloca mais ênfase no pass rush, ela é a defesa ideal para enfrentar a situação atual do jogo aéreo, e embora qual defesa usar dependa muito dos jogadores que você tem, o fato dela ser uma defesa mais agressiva tem sido o principal motivo dela ter voltado a ganhar popularidade nos últimos anos.

Dois times de sucesso em 2011 nos mostraram como a secundária não precisa ser uma unidade forte, desde que sua defesa tenha outros fatores. No caso do Packers, a secundária era uma droga em termos de jardas, foi uma das piores da NFL e todo mundo conseguia produzir em quantidade. Mas ela compensava isso forçando turnovers e ganhando posses de bola extra para o time, então o Packers não se importava. Ter uma secundária sólida está cada vez mais difícil, então os times deixam de se preocupar com isso em alguma medida para usar sua defesa de outras formas. O que causou a queda do Packers foi a dificuldade da sua defesa de pressionar o Quarterback usando sua linha de frente, tirando o Clay Matthews. O outro exemplo é o campeão Giants, que tinha uma secundária fraca e desfalcada por lesōes mas cuja defesa era absolutamente dominante graças à sua capacidade de pressionar o Quarterback. Aaron Rodgers e Tom Brady, dois dos três melhores QBs saudáveis da NFL na atualidade, tiveram muitos problemas pra jogar contra essa defesa porque eles não tinham tempo para pensar ou para aguardar seus recebedores se desmarcassem, logo que eles recuavam para o passe eles precisava fugir de alguém ou apressar a jogada para evitar um sack.

O grande Bill Parcels já dizia: Quando você faz o QB deixar de olhar a secundária (onde estão seus recebedores) e passa a olhar a linha de scrimmage (de onde está vindo a pressão), você ganhou o jogo. E é pura verdade, quando um QB olha pra linha de scrimmage antes de soltar o passe ele está condenado, ele perde um tempo precioso, para de ter controle sobre as  movimentaçōes da defesa e do ataque e quando ele finalmente olha para a secundária precisa gastar mais tempo ainda para avaliar a situação, o que pode levar a um passe apressado e a um turnover. Sem falar que com sacks você queima jogadas do ataque e aumenta a distância das descidas.

O pass rush sempre foi parte importante de uma defesa, e jogadores como Derrick Thomas e Lawrence Taylor sempre foram diferenciais nos times que jogaram. Como eu sempre digo, grandes jogadores vão fazer diferença não importa em que era jogarem, e o pass rush sempre foi um componente importante das defesas, assim como a secundária, a defesa terrestre e tudo mais. Só que as novas regras estão dificultando ainda mais as coisas para a defesa, e a forma que tem se mostrado eficiente pra combater os fortes ataques aéreos até agora eé aumentar a pressão, tirar o QB da zona de conforto e não deixar o jogo aéreo estabelecer seu ritmo. Essa sempre foi uma opção pra defesas ao longo do tempo, ao lado de muita outras, que ficavam a crédito do pessoal envolvido, dos coordenadores e técnicos, etc. Mas com as novas regras - associado a uma certa abundância de pass rushers de qualidade - está tornando essa opção cada vez mais vantajosa se comparado com as outras. Cada vez mais os times estão menos preocupados com sua secundária e mais preocupados com a pressão que são capazes de colocar no QB adversário. Essa foi a forma encontrada pelos times de combater os ataques ajudados pelas regras. E essa é a tendência para as defesas da NFL daqui pra frente, especialmente com jogadores como Jason Pierre-Paul, Von Miller e Aldon Smith surgindo a cada ano. Cada vez mais, enquanto o ataque se direciona para o ar, as defesas se direcionam para o chão para combatê-los. Como não podem atacar o adversário no terreno onde elas levam vantagem, elas buscaram uma nova forma.

E até agora, está dando resultados: O Steelers de 2008, o Packers de 2010 e o Giants de 2011 eram times cujo principal foco defensivo era a pressão. O 49ers de 2011 ressurgiu atrás de uma defesa com uma boa secundária mas com uma linha de frente espetacular. O Ravens se manteve um Juggernault defensivo ao longo dos anos porque tem sido constantemente capaz de pressionar o QB e vencer a batalha das linhas. Times como Broncos, com defesas medianas, se mantiveram competitivos porque eram capazes de colocar pressão sem recorrer a blitz suicidas. Então por mais que as novas regras tenham direcionado o jogo pro ar, por mais que elas favoreçam os ataques e gerem estatísticas muito infladas para os QBs que nós insistamos em comparar sem lembrar de como o jogo tem mudado, é um erro pensar que com as novas regras só dos ataques vivem a NFL. As defesas também estão em constante adaptação pra poderem ter uma chance mesmo com as mudanças de regras. E os resultados estão bem na nossa frente.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A evolução (?) do jogo aéreo na NFL

Os números estão deixando cada vez mais difícil 
de lembrar de como esses caras eram bons...


Uma das histórias mais populares do começo da temporada era que essa temporada ia ser o "Ano do Quarterback". Mesmo agora, algumas pessoas ainda insistem que esse é o tal Ano do Quarterback. Eu ainda me pergunto como é possível alguém argumentar isso com seriedade quando tinhamos Mark Sanchez, Luke McClown, Tarvaris Jackson e Matt Moore como titulares na Liga. Tudo bem, eu entendo que depois da entresafra de talento na posição que tivemos no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 realmente é muito bom ver tantos QBs talentosos na Liga ao mesmo tempo, mas não precisamos exagerar. Sempre que eu pergunto porque as pessoas acham isso, elas respondem duas coisas, sendo elas 

a) Quando foi a última vez que tivemos tantos Quarterbacks de alto nível na Liga ao mesmo tempo??

b) Nós temos cinco ou seis QBs que podem quebrar o recorde de jardas aéreas pra uma única temporada, temos batidos recordes de jardas aéreas e de recepções, TDs pelo ar, grandes times são determinados por grandes Quarterbacks, nunca a Liga registrou tantas viradas em quartos períodos, temos QB Ratings e aproveitamentos superiores a quase todas as outras temporadas da NFL, é claro que cada vez mais temos grandes Quarterbacks surgindo e preenchendo o espaço na Liga.

Passando pelo ponto a (Razoável depois da queda de talento do fim de 90-começo de 2000), chegamos ao ponto b. E o ponto b é exatamente o problema. Numa época onde temos tantas formas diferentes para medir os jogadores por números, métricas avançadas e estamos viciados em Fantasy Football, as estatísticas começam a ter um valor muito maior. Você pode não assistir a uma partida de alguém, mas se olhar suas estatísticas vai falar "Hmm, esse cara é bom" ou "Hmm, esse cara fede". Não tem nada de errado em se fazer isso, estatísticas estão aí justamente para isso, mas o que a gente tem que ter é critério pra saber usar essas estatísticas da maneira certa. O problema é que as estatísticas as vezes sofrem distorções por algum fator, um dos motivos pelos quais é tão difícil comparar jogadores de diferentes épocas. O jogo no qual Jim Brown reescreveu os recordes de corridas é diferente do jogo onde Emitt Smith fez o mesmo. Não devemos olhar simplesmente para os números, e sim para tudo que estava em volta deles. Por isso chegou a hora de fazer isso para Quarterbacks e resolver de uma vez por todas a questão.

A primeira e mais importante coisa que temos que lembrar é o seguinte: Um esporte não é algo parado no tempo. Ele evolui, se modifica, adiciona coisas novas e tira coisas antigas. O futebol americano não é excessão, ele está sempre se adaptando a novos tempos e novas situações. E cada vez mais, a NFL está se modificando na direção de uma Liga de ataques aéreos e de Quarterbacks. Está cada vez mais fácil para se jogar na posição e conseguir grandes números, e por isso as estatísticas dos QBs de hoje ficam tão mais inchadas. As 5000 jardas do Dan Marino foram um feito absurdo em 1984, mas em 2011, 2012 esse número pode ser facilmente atingido por uns quatro Quarterbacks diferentes. O que a gente tem que entender é que conseguir jardas e TDs pelo ar é muito mais fácil e portanto tem um peso muito menor hoje em dia. Mas mesmo assim, as pessoas olham os números como coisas absolutas independentemente da situação onde foram conseguidas.

Claro que essa mudança não aconteceu de uma hora pra outra. Elas foram graduais, com uma série de pequenas mudanças que foram acumulando. Em comparação com a década de 80/começo dos anos 90 (A Era de Ouro dos Quarterbacks da NFL), hoje em dia os Quarterbacks tem uma série de vantagens. Por exemplo:

a) Hoje em dia os defensores só podem encostar nos recebedores na linha de scrimmage, qualquer tipo de contato na secundária é falta. Isso limita enormemente o que os defensores podem fazer para evitar que os recebedores consigam as recepções, tudo que os DBs de antes podiam fazer para terem alguma vantagem agora é falta, o que naturalmente ajuda em muito o ataque aéreo. A única coisa que falta proibir são as interceptações - não duvidem, ainda podemos chegar lá, estamos no caminho.
b) Os QBs estão muito menos vulneráveis a pressões e ataques da defesa, eles não podem ser atingidos acima do pescoço ou abaixo da cintura, o que torna muito mais difícil para um defensor conseguir um sack, o que favorece todos os QBs mas especialmente os QBs que tem como característica sair do pocket.
c) A gota d'água, no final, foram as mudanças relativas a novas regras protegendo concussões. Agora você pode mandar seus WRs e TEs pelo meio trocentas vezes sabendo que eles não podem receber pancadas mais fortes com o capacete. Antes você tinha que tomar cuidado, mas agora os WRs podem receber 20 passes sem sofrerem nenhum tipo de punição física por isso. Por isso o Wes Welker está tendo uma temporada tão boa, por melhor que ele seja. Ele é um WR ágil que gosta de jogar em rotas curtas pelo meio, as rotas que mais levam trombadas. Antes ele estaria em coma depois de um jogo de 16 recepções (e 16 pancadas na cabeça), agora você pode fazer isso normalmente e ainda ver ele jogar a temporada toda. É como se fosse um jogador de videogame, mas isso só foi possível na vida real nessa temporada.

Existe mais vários outros exemplos, mas esses são os mais importantes. Nisso tudo vocês podem ver como ao longo do tempo o jogo foi cada vez mais se tornando atraente ao passe. Agora você não se machuca tanto porque leva pancadas mais fracas, pode se livrar mais rápido da bola sem se preocupar com defensores físicos,  sabe que seus recebedores tem muito mais condições de se livrarem da marcação, pode jogar com o mesmo Wide Receiver trocentas vezes sem se preocupar com ele se lesionando, e cada vez mais os ataques deixam de jogar pelo chão para se dedicarem ao jogo aéreo. Quem pode culpá-los, se é tão mais fácil passar do que correr?

Essas mudanças tiveram principalmente duas motivações, uma legítima e digna (proteger a saúde dos jogadores) e outra mais obscura (aumentar os pontos das partidas e torná-las mais ofensivas depois que defesas dominaram a NFL no começo da década), mas é inegável que elas tiveram o impacto de redirecionar o jogo para o ar. QBs agora se machucam menos, duram mais e jogam em ataques que rendem mais. Dos cinco maiores QBs dos anos 80/90 (Pra mim os cinco maiors de todos os tempos), Steve Young e Troy Aikman encerraram suas carreiras por conta de concussões (hoje em dia não podemos acertar a cabeça dos QBs, então a chance disso acontecer cai mais e mais, pra sorte do Aaron Rodgers), um por causa de lesões no joelho (Dan Marino, hoje em dia QBs não podem receber tackles abaixo da cintura), e Joe Montana teve sua carreira encerrada quando foi atingido por uma violenta capacetada no seu ombro, que hoje é proibida (Nota: Isso aconteceu em 1990. O 49ers de Montana tinha vencido a NFL em 88, 89 e estava ganhando por 10 pontos do Giants na final de conferência quando ele se lesionou e viu sua carreira acabar e o Giants virar a partida. Não fosse essa jogada, o Niners provavelmente seria campeão aquele ano e talvez nos seguintes, terminando a carreira com pelo menos cinco títulos. Sinto muito, você NUNCA vai conseguir argumentar decentemente que Joe Montana não é o maior QB de todos os tempos). O único que escapou foi John Elway.

Quando olhamos QBs pelo Rating  até o começo da temporada, tirando o primeiro lugar (Steve Young), temos Tony Romo, Phillip Rivers e Matt Schaub no top 10, na frente de dezenas de QBs muito melhores. Isso aconteceu porque eles jogam numa era onde números (afinal, os ratings são baseados neles e somente neles) para QBs são muito mais fáceis, se você for comparar o Rating em relação à época verá que a tendência tem sido o crescimento dos Ratings desde a década de 70. Uma parte disso pode ser explicada pelo boom de talento nos anos 80 e 90, mas no final dos anos 2000 esse crescimento está acontecendo de forma artificial. Não é uma coincidência que todos os Super Bowls pós-2004 foram vencidos por Tom Brady, Peyton e Eli Manning, Drew Brees, Big Ben Roethlisberger e Aaron Rodgers depois que Brad Johnson e Trent Dilfer foram os vencedores em 2000 e 2002. É verdade.

Isso nem de longe quer dizer que devemos deixar de lado nossa geração de grandes QBs (porque esse ponto é verdadeiro), ou que devemos idolatrar os QBs que já passaram e nos afogarmos num mar de nostalgia. Sempre é bom sentir saudade e valorizar o que passou, mas nós não podemos deixar isso impedir que vejamos o que temos de bom agora, e infelizmente é algo que acontece bastante quando temos saudosismo. Meu argumento não é esse. OS anos 80/90 foram incríveis do ponto de vista dos QBs, devemos sempre lembrar disso, mas isso não quer dizer que não tenhamos grandes coisas no momento. Temos grandes QBs da velha geração aproveitando sua longevidade (Brady, Manning, Drew Brees), temos QBs jovens que conquistaram seu espaço na Liga (Big Ben, Rivers, Rodgers) e temos QBs que estão chegando para disputar seu lugar (Cam Newton, Andy Dalton, Andrew Luck... não resisti). Temos mais é que valorizar o que temos nas mãos hoje, mas sem ficarmos comparando com os outros por causa de meras estatísticas. Podemos usar estatísticas para comparar QBs da mesma época, numa mesma temporada, mas usar essas mesmas estatísticas para comparar diferentes épocas é um absurdo. Se o Rodgers passar das 5000 jardas e quebrar o recorde do Marino, isso não quer dizer absolutamente NADA sobre Rodgers em relação a Marino, só quer dizer que ele foi o QB mais prolífico em jardas de 2011. Só.

Ao invés de ficarmos babando nas estatísticas dos QBs dessa temporada e falando como temos mais qualidade na posição do que nunca - o que é uma besteira sem tamanho - o que nós temos que fazer é aprender a olhar o que temos e o que tivemos, e especialmente saber avaliar tudo isso independente de estatísticas. Se Marino tivesse jogado na NFL hoje, talvez tivesse passado das 6 mil jardas, talvez não. São jogadores diferentes, jogando jogos diferentes que produzem números diferentes, e nosso desafio é olhar além desses números, e apreciarmos realmente o quão grandes esses jogadores foram sem ficar pensando que não produziram tantas jardas e ratings como os QBs de hoje. Apreciem pelo que eles foram de verdade, não pelo que fizeram em comparação com números que vemos agora. E nunca deixem a apreciação pelos QBs do passado evitar que vejamos o que temos de bom no momento. Mas vejam além dos números, com consciência crítica de que cada jogador está num contexto diferente, que a gente precisa avaliar o todo pros detalhes fazerem sentido. E por favor, parem de se basear em estatísticas para falar que 2011 é o Ano do Quarterback, que tal jogador é melhor que o outro porque teve mais jardas e tudo mais.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os 100 maiores jogadores de todos os tempos

"E ai, quem é o cara?? Quem é o cara??"

Recentemente, a NFL.com fez, com alguns dos seus analistas, uma lista dos 100 maiores jogadores de todos os tempos. Os fãs tiveram a chance de criar sua própria lista dos 100 melhores e, semanalmente, eram divulgavados de 10 em 10 jogadores da lista, começando por baixo. A lista completa pode ser vista aqui. Um amigo meu me perguntou o que eu achava da listagem, então preferi responder aqui no blog. Ia fazer uma nota no Cinco Jardas, mas acho que o tema da margem pra bem mais discussão, e depois de trocar uma ideia com o Marcelo decidi fazer logo um post todo sobre o assunto, com certeza isso da pano pra manga.

Primeiro de tudo, eu acho ridiculo e extremamente dificil comparar jogador de posições diferentes. Na NFL existe uma cacetada de posições diferentes e o futebol americano é o esporte mais especializado do mundo, cada jogador tem uma função completamente diferente, que requer um biotipo e habilidades diferentes, que impactam o jogo de forma diferente. Existem posições parecidas que podem, de certa forma, serem equiparadas se voce fizer um esforço de abstração, como por exemplo wide receivers e tight ends, ou cornerbacks e safetys, mas é absurdo voce querer comparar um quarterback com um linebacker, por exemplo. Ja é dificil o suficiente querer comparar jogadores de uma mesma posição. Tem que se levar em consideração coisas demais, como a época em que jogaram, as caracteristicas do jogo nessa época, o time em que jogaram, as diferenças de estilo e tudo mais. Dependendo do critério que voce utilizar, um jogador pode parecer melhor ou pior, pode-se dar mais ênfase a conquistas ou a números, à influencia no jogo ou à concorrência enfrentada na época em que jogou. Quando faz uma lista juntando tudo, então, o negocio avacalha de vez. Tem que saber a quais posição dar mais ênfase, fica muito mais dificil comparar as diferenças de estilo, o nivel de habilidade (O que tambem ja é subjetivo pra cacete), etc. E vendo essa lista, eu tambem tive outro problema. Eu realmente não entendi qual foi (e nem mesmo se teve!) algum critério nas escolhas, parece que iam escolhendo aleatoriamente os jogadores que eles achavam os melhores, sem nenhuma lógica!

As vezes, parece que deram importancia demais a jogadores mais antigos, muitos até da era pré Super Bowl. Olhando os 10 primeiros lugares, temos tres jogadores que começaram na década de 50 ou antes - Don Hutson é da decada de 30!! Em 14º temos Sammy Baugh, tambem da década de 30. Que critério absurdo acabou colocando Baugh na frente de jogadores como Dan Marino e John Elway?? Só se for idade mesmo. Otto Graham (QB) tambem aparece em 16º! 16º!!! Muitos jogadores antigos na lista acabaram com um lugar bem mais alto do que mereciam, em especial comparados a outros jogadores de sua posição. Em se tratando de jogadores de idades parecidas, parece que novamente não tem lógica alguma. Outra coisa é a distribuição por posição. Na lista tem 19 quarterbacks, mas apenas seis WRs! Somando cornerbacks e safetys, temos 11 apenas, contra 16 running backs. Mesmo assim, o melhor jogador é um WR, e só vamos encontrar um QB em quarto. Voce pode até fixar um critério que possa englobar todas as posições, ou então fixe um critério pra porcaria da posição e depois outros critérios pra dentro dela. Por exemplo, se pra voce o critério pra escolher o melhor da história é aquele jogador que, dentro de sua posição, foi o mais dominante, então o melhor é Jerry Rice. Ou então se voce acha que como o quarterback é a posição mais importante do jogo voce acha que os QBs merecem mais detaques que o resto, o melhor de todos tem que ser o melhor quarterback, pra mim Joe Montana. Se voce acha que mais importante é o que conseguia fazer mais com menos, escolha Barry Sanders. E por ai vai, cada um com seu critério.

Eu e o Celo ontem brincamos de analisar essa lista a partir de outro ponto de vista: or posição. Sei que eu disse que é dificil comparar jogadores de uma mesma posição, mas é muito mais lógico do que comparar entre as posições. Assim, tentamos achar uma lógica em alguma coisa separando os jogadores assim, pra pelo menos ver se os analistas escolheram direito essa lista. Começando por cima, pegamos os QBs na lista. Em primeiro está Joe Montana, depois Johnny Unitas, Peyton Manning, Sammy Baugh, Otto Graham, Brett Favre, Tom Brady, John Elway, Dan Marino, Sid Luckman, Roger Staubach, Terry Bradshaw, Bart Starr, Troy Aikman, Steve Young, Norm Van Brocklin (Esse eu ainda acho que é pegadinha), Kurt Warner, Fred Tankerton e Joe Namath. Primeiro queria falar que eu fiquei felicissimo de ver que finalmente alguem deu ao Kurt Warner o reconhecimento que ele merece, apesar de ser uma lista sem muita credibilidade o Warner aparecer ai ja é sinal que alguem sabe que ele merece. Se ele não for pro Hall da Fama, eu com certeza vou ficar muito puto. Depois, ficamos confusos: Porque diabos o Peyton Manning está lá em cima?  Não quero negar o talento de Manning (E nem de nenhum outro na lista, todos excelentes jogadores), adoro ele, um tremendo QB que com certeza está entre os 10 melhores da história. Mas calma ai, terceiro?? Qual foi o critério utilizado pra deixá-lo na frente de jogadores como Dan Marino? O único que eu consigo pensar é número de títulos, o que explica tambem Marino atrás de jogadores como Baugh e Favre. Mas se for assim, porque o Jim Brown (RB) está em segundo lugar?? Ele também nunca ganhou um Super Bowl. Se títulos fossem o mais importante, porque Tom Brady com tres e John Elway com dois estão atrás de Favre e Manning, com um cada? Bom, ja deu pra ver que critério não é bem o forte dessa turma com relação a posições no ranking. E os critérios pra colocá-los no ranking?

Bom, alem de saltar aos olhos a prenseça de Luckman e Brocklin, porque jogadores como Warren Moon e Joe Theissman estão fora dela? Se a questão é influencia no jogo, ja que sao dois jogadores antigos, Moon com certeza vem muito antes dos dois, foi o primeiro QB negro da história. Bom, vamos passar pra lista dos receivers. Rice em primeiro é indiscutivel, mas porque Don Hutson (9) em segundo? Só porque ele é mais velho que minha avó? Ja reclamei varias vezes dessa trela pros jogadores mais velhos, só ver a minha revolta com Baugh, Graham e Luckman na lista acima. Porque os velhos recebem mais valor que os jovens? Foram os pioneiros? Beleza, é um critério, mas então porque voce deixa o Johnny Unitas só em sexto? O cara revolucionou a posição, se isso fosse o maior crtiério da lista ele deveria estar em primeiro! E não entendi porque demorou ate o 65º pra aparecer o próximo, Randy Moss. Uma lista que não tem Terrell Owens, Art Monk e nem Isaac Bruce, e ainda tem Michael Irvin só em 92º geral e 6º entre WRs, não pode ser levada a sério, parei por aqui.

Bom, não vou ficar só reclamando tambem. Eu e o gordinho analisamos posição por posição dessa lista e eu podia ficar aqui apontando incongruencias a semana toda. A lista é furada, a seleção é péssima, a ordenação é ainda pior. Ponto final. Alias, talvez a melhor parte da lista tenha sido a reação do Deion Sanders ao descobrir que não estava no top 10. Mas se a lista é tão furada, porque eu me dei ao trabalho de vir aqui falar disso? Bom, primeiro porque eu queria mostrar como eu acho (e o Celo tambem) que é furado voce tentar comparar os jogadores de todos os tempos, e principalmente de posições diferentes. E isso fica amis dificil se voce não pre estabelece um critério. Mas tambem porque, de certa forma, ficamos com vontade de brincar. Por isso, decidimos criar a primeira listagem completa aqui do Blog. Nops, não vamos fazer um top 100, haja saco (E incoerencia) pra isso. Mas vamos fazer, quando tivermos tempo pra sentar e conversar sobre o assunto e montar juntos essa maldição, uma lista dos 10 melhores da história... por posição. E claro, vamos nos explicar porque, pra nao cair nessa falta de critério que eu passei tanto tempo reclamando. E convido a todos os leitores do Blog a participarem da brincadeira tambem. Não vou prometer datas (Eu não funciono direito assim) mas assim que der a gente começa trazendo a primeira - que ainda nao decidimos se começamos com QBs e vamos até o Safety, por ordem de depth chart, ou se fazemos o caminho inverso. Mas fica ai a promessa de, em breve, fazer nossas listas dos 10 melhores.


Ps. Post light hoje porque cheguei tarde em casa e não tenho tempo pra elaborar muito. Amanha trago o Cinco Jardas pra falar de tudo um pouco e um pouco de tudo. Boa tarde a todos.