Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador regras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador regras. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mailbag 1.0 - Mailbag Practice

Então finalmente chegou o grande dia, nosso primeiro (E talvez último, vai saber...) Mailbag. Recebemos alguns emails (A maior parte depois que eu reclamei no twitter que não chegaram emails, mas enfim, deixa eu comemorar em paz!) e acho que já da pra fazer a primeira edição do nosso Mailbag, apelidado carinhosamente de Mailbag Practice. Não é tão grande, é a primeira vez, espero fazer outros maiores no futuro... Só Practice. Se você não sabe do que eu estou falando, corra ao youtube para ver uma das entrevistas mais bizarras de todos os tempos! E depois clique aqui pra ver o Charlie Sheen quotando essa entrevista numa das melhores frases dos últimos tempos.

Em geral, eu gostei do resultado, muitas perguntas interessantes e alguns comentarios divertidos. Daqui pra frente, vou deixar o Mailbag sempre aberto, sempre que quiserem mandem emails para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" e as perguntas/comentários/etc que quiserem, e sempre que atingirmos um bom número eu venho e faço outro Mailbag. Certos eventos podem gerar Mailbags especiais, mas ai eu eu aviso. Por enquanto, continuem mandando os emails que sempre que a caixa encher a gente vem e esvazia. 

Agradecendo a todos que participaram do Mailbag e convidando a todos os leitores a mandarem seus emails para os próximos, vamos ao que interessa. Só lembrando que esses são emails de verdade de leitores de verdade.


No Superbowl o Brady recebu a bola do Snap na sua Endzone e foi considerado infração e 2 pontos pro Giants, eu não entendi o por quê? ja tinha visto o QB ser "Sacado" na sua Endzone e nesse caso os 2 pontos foram pro time adversário agora essa do Superbowl não entendi, que regra é essa? - Fabiano Dantas

Quando o Quarterback ou qualquer outro jogador do ataque é derrubado dentro de sua própria End Zone, isso configura um safety, ou seja, a defesa ganha dois pontos e recebe a posse de bola de volta. É o caso do QB sendo sackado dentro da End Zone, o Giants ganharia dois pontos e receberia a bola.

Também existe uma falta no futebol americano que chama "Intentional Grounding". Essa falta é para impedir que o QB, prestes a ser sackado, simplesmente jogue a bola para ninguém e evite perder jardas. Para que o Quarterback jogue a bola fora de forma "legal", o passe tem que ir para perto de algum recebedor (não necessariamente tem que ser para o jogador receber o passe, mas tem que ter pelo menos algum jogador de ataque que possa receber a bola na área em que o passe foi feito) OU o Quarterback pode jogar a bola para algum lugar onde não tenha nenhum jogador desde que ele tenha saido do pocket (Uma zona imaginária logo atrás da linha de scrimmage, entre os cinco jogadores de linha ofensiva - Na imagem abaixo, é a área dentro das duas linhas vermelhas) e a bola passe por cima da linha de scrimmage (onde começou a jogada) antes de tocar no chão. Caso o QB se livre da bola e não tenha nenhuma dessas duas condições, acontece a falta e o time perde 15 jardas e a descida.


O que aconteceu no Super Bowl foi que o Tom Brady cometeu a falta de Intentional Grounding (no caso, ele estava dentro do pocket e jogou a bola para um lugar onde não tinha nenhum jogador de ataque) dentro da sua própria linha de 15 jardas - ou seja, não tinha 15 jardas pra ele recuar como punição pela falta. Quando isso acontece, a falta resulta na marcação de um Safety, e como em qualquer safety a defesa ganha dois pontos e a posse de bola.

Não é toda falta que resulta num safety caso o time não tenha jardas para perder. Geralmente, uma falta nessas situações faz o time recuar metade da distância para o End Zone. Que eu me lembre, apenas Intentional Groundings e Holdings podem virar Safetys nessas condições. Pra quem lembra, no Super Bowl de 2008, aconteceu algo semelhante, um Holding na linha de 4 jardas do Steelers resultou num safety a favor do Cardinals.


Outra coisa, não se vc sabe, mas como são arranjados os times nas divisões? por que pela lógica seriam os times de cidades mais próximas certo,? mas por exemplo o Cowboys está na NFC East com 3 times do leste é meio sem lógica né. - Fabiano Dantas

É um pouco complicado. Os times são organizados dentro da divisão por uma forma meio arbitrária que envolve dois fatores: Minimização das distâncias (Cada time enfrenta os outros da sua divisão duas vezes, então quanto mais próximos forem menos terão de viajar, o que é importante) e história. Os times não surgiram todos juntos, alguns estavam na Liga antes de outros, o que significa que existem rivalidades antigas que ninguém gostaria de desfazer. Dallas e New York ficam a uma distância considerável, mas a rivalidade entre Cowboys e Giants ninguém quer separar os dois, a rivalidade deles é mais importante. Mas por exemplo, a divisão do meu 49ers até alguns anos atrás era Rams, Saints e Bucs. Como a rivalidade de Niners e Rams com Saints e Bucs não eram significantes, não teve nenhum problema em separá-los por questões de logística, organizando novas divisões com distâncias menores.

O que é importante você lembre que os times são organizados em divisões dentro das conferências, e a questão das conferências muitas vezes é mais antiga do que essa logística. Muitos anos atrás, os EUA tinha duas Ligas de futebol americano, a NFL e a AFL. Quando elas decidiram se fundir, os times da NFL se tornaram os times da NFC e os da AFL viraram os times da AFC dentro da nova Liga unificada (Pra saber melhor a história das duas Ligas, recomendo esse post sobre a história do esporte nos EUA do nosso Especial NFL). Os times que surgiram depois não tinham esse vínculo histórico, mas times como Giants e Jets - que já existiam na época do The Merger e pertenciam à NFL e à AFL, respectivamente - acabaram ficando na conferência relativa às suas Ligas, o motivo de porque os dois times de NY pertencem a conferências diferentes. 

Ok, estou on fire pra explicar coisas hoje, vamos aproveitar pra responder à sequência de dúvidas do meu amigo Ricardo "Mugen" Venturelli sobre o Draft.


Vou fazer umas perguntas sobre o draft. Algumas perguntas dependem de respostas anteriores, então fiz algumas suposições de como eu acho que é (se a suposição estiver errada, ignore a pergunta). Vamos lá:
-Quantos jogadores um time pode escolher normalmente (tirando casos que um time troca uma escolha (numa rodada melhor) por duas escolhas (em rodadas mais avançadas)?

Um time, no padrão, tem 7 escolhas de Draft, uma em cada uma das sete rodadas. Claro que ele é livre pra trocar o que ele quiser pra ganhar mais ou menos escolhas, mas mesmo se não trocar nada, ele pode acabar saindo com mais escolhas. Além das 32 escolhas por rodada, o Draft da NFL tem mais 32 escolhas que são as Compensatory Picks, ou escolhas compensatórias. Eu não sei o critério exato usado nessas escolhas compensatórias, mas elas variam da terceira até a sétima rodada e são dadas a times que perderam mais do que ganharam na última Free Agency. Ou seja, se um time perdeu três jogadores caros e assinou só um barato, ela vai ganhar uma ou mais Compensatory Pick pra, como o nome diz, "compensar" a perda. 

Uma vez que essas Compensatory Picks são distribuídas, se tiver faltando um certo número de escolhas pra atingir as 32, elas viram Supplemental Compensatory Picks, ou escolhas compensatórias complementares. Essas escolhas funcionam como o começo de uma oitava rodada de Draft. Se faltarem oito escolhas compensatórias, os oito times de pior campanha (ou os oito que começam Draftando a cada rodada) ganham essas oito escolhas em ordem, que começam após o final da sétima rodada. Se não tiver nenhuma escolha compensatória e sobrarem 32 escolhas, cada time ganha uma escolha no final do Draft. Se forem distribuídas as 32 escolhas compensatórias, então ninguém ganha escolhas compensatórias complementares.

Em resumo: Um time terá sempre 7 escolhas de Draft (Se não tiver trocado elas anteriormente), mas pode ganhar mais escolhas dependendo do quanto o time perdeu na última Free Agency (não há nenhuma "punição" pra quem ganhou mais do que perde) e do quanto sobrar uma vez distribuídas as escolhas compensatórias.


-Os times podem escolher qualquer jogador universitario ou estes devem se candidatar para o Draft? Caso eles tenham que se candidatar, eles podem fazer isso em qualquer um dos (quatro) anos da universidade ou só no último?

Não, qualquer jogador que vá entrar na NFL tem que se declarar para o Draft, e só então ele será Draftado.   Para se declarar para o Draft, o jogador tem que ter terminado o colegial há pelo menos três anos. Isso significa que o jogador não precisa necessariamente ir para uma universidade e jogar três anos antes de se candidatar, ele pode passar um ano fazendo um mochilão pela Ásia, jogar dois anos na Faculdade e dai já se declarar para o Draft mesmo só tendo ficado dois anos no College. 

Claro que todo jogador que quer chegar na NFL sabe que o caminho é muito difícil, e é muito difícil para um cara que não saiu do College pra uma universidade ser Draftado, então esse normalmente é o caminho. Além disso, é muito mais fácil os olheiros da NFL terem confiança num jogador que eles viram jogar bem dois anos do que só um, por exemplo. No caso da NBA (que o jogador tem que esperar um ano depois do colegial pra ir pro Draft), alguns jogadores até preferem ir jogar na Europa antes de ir pro Draft, mas como o futebol americano não tem uma opção de tanto destaque e tão lucrativa, a faculdade é praticamente obrigatória se você quer chegar à NFL.

O tempo antes de se candidatar, portanto, é no mínimo três anos, mas varia de jogador a jogador. Tem jogador que se acha pronto e quer sair logo depois dos três anos, tem jogador que prefere ganhar um ano a mais de experiência ou acha que pode render mais no ano seguinte e assim melhorar seu valor no Draft, etc. Varia muito de caso pra caso.


-Caso seja em qualquer ano, vamos imaginar um jogador em seu segundo ano de universidade se candidata para o Draft, mas nenhum time escolhe ele, ele pode voltar a jogar na universidade (uma vez que ele só disputou duas de quatro temporadas)?

Não pode. Uma vez que o jogador se declarou elegível para o Draft e não foi Draftado, ele se torna um Free Agent e não pode retornar ao College, porque ele oficializou sua transição do esporte amador (o College) pro profissional. Eu confesso que não gosto muito dessa regra, pra mim um FA não draftado deveria poder voltar ao College porque afinal faria mais bem que mal deixar o cara completar seu estudo, mas...


-Os contratos (em termos de anos e de dinheiro) são iguais para todos os jogadores escolhidos no Draft, ou variam de time para time, ou de rodada para rodada, ou ainda de jogador para jogador?

Os contratos não são fixos nem tabelados, mas funcionam da seguinte maneira. Após o Draft, uma parcela do Salary Cap (o teto salarial) de cada time fica destinado apenas para assinar os jogadores que o time Draftou. O tamanho dessa parcela varia de acordo com o número e o "valor" das escolhas, então quanto mais escolhas você tiver e mais cedo elas acontecerem no Draft, maior será o tamanho do seu Cap que você vai ter disponível para assinar seus calouros. Desde que você não ultrapasse essa parte do seu teto salarial, você está livre pra negociar os contratos com seus jogadores draftados. Normalmente o contrato dos jogadores segue um padrão baseado na posição dos jogadores e em que posição eles foram Draftados, mas isso não é absoluto, e esse espaço do Cap serve justamente pra time e jogador negociarem.

Espero ter respondido às suas dúvidas, mas se você quiser uma visão mais geral pode ler um texto meio antigo nosso comentando um pouco como funciona o Draft e o esporte universitário.


Agora outra pergunta que não tem relação ao Draft.
Vamos supor que o time A tenha marcado um TD e vai para a tentativa de conversão de 2 pontos. Então eles vão correr com a bola (ou tentar um passe) e acaba ocorrendo um fumble (ou uma interceptção). Um jogador do time B recupera a bola, ele pode correr até a end zone adversário e marcar um TD ou não? Lembrando que é na tentativa de conversão de 2 ponto. - Ricardo "Mugen' Venturelli

Não na NFL. Na NFL, quando numa conversão de dois pontos resulta num fumble recuperado pela defesa ou numa interceptação, a jogada imediatamente acaba ali, a conversão falha e o time que anotou o TD chuta o Kickoff pra recomeçar a partida. 

Na NCAA e na Canadian Football League, por exemplo, é diferente. Lá, se você consegue um fumble ou interceptação na conversão de dois pontos e leva a bola até a End Zone adversária, o seu time que ganha os dois pontos da conversão, e ai o time que anotou o TD e falhou na conversão chuta o kickoff pra reiniciar o jogo normalmente.




como é decidido quem usa a camisa titular e a reserva? - Vinicius Moletta


Nos jogos normais (Pré-temporada, temporada regular e playoffs), o time que tem o mando de campo escolhe com qual camisa joga. Normalmente ele joga com a camisa titular e o adversário joga com a reserva, mas ele pode optar por jogar com a reserva e aí o adversário é forçado a usar a titular. 


No Super Bowl, que não tem mando de campo, funciona um esquema de revezamento. Num ano, o representante da NFC que usa a camisa titular, no ano seguinte é o da AFC, e por aí vai. O time que vai usar a camisa titular no Super Bowl pelo revezamento não pode optar por usar a reserva na sua vez, por exemplo - tenho certeza que o Pats teria feito isso no último Super Bowl, os uniformes em 2007 foram iguais. Em 2007, quem usou a titular foi o Pats, da AFC. Em 2008, foi o Cardinals da NFC. Em 2009, o Colts da AFC. 2010, Packers, e por aí vai. Ano que vem, o campeão da NFC vai usar a camisa titular no Super Bowl.



Equipe (lol) do Two-Minute Warning - Eduardo MS

Isso certamente não era uma pergunta ou um comentário, era mais a introdução do email, mas só pra comentar que esses dias o Celo falou comigo e disse que ia postar no blog. Depois o blog fica sem posts uma semana e ninguém entende porque. Porque EU ainda acredito quando ele fala isso, hein??


Gostaria que explicasse ao mundo sobre as variações cabulosas do Rugby, como o Futebol Gaélico e o "Aussie rules". 

Comente sobre o incidente do cachorro que invadiu um jogo entre seleções e participou de várias jogadas empurrando a bola, no video a seguir. - Eduardo MS


Nunca tinha ouvido falar, mas parece um rugby misturado com futebol. Pra quem ficou curioso, acho que o vídeo é bem auto explicativo. Acho que esse entra na categoria de esportes mais bizarros que eu já vi na vida... 

E o cachorro já pode jogar no meio de campo do Palmeiras e ainda virar ídolo da torcida.


Por curiosidade, caso tivesse a possibilidade de atuar ativamente na NFL, com um cargo como o de OC, DC ou comentarista da NFL.com, qual escolheria, qual time (se aplicável) treinaria/escrotizaria e porque?

Acho que eu adoraria ser comentarista da NFL.com, imagina ganhar dinheiro pra fazer o que eu faço toda semana aqui no blog de graça? E acho que, sem maldade, eu entendo mais de NFL do que o Jason Smith. Qualquer um entende, na verdade, até o cachorro do vídeo ai em cima. 

Mas acho que se eu tivesse a chance de trabalhar na comissão técnica de algum time, eu seria Coordenador Ofensivo. Ser Head Coach significa agregar todas as funções, coordenar todos os setores do time e, mais importante, lidar com jogadores e técnicos de diferentes personalidades, gostos e estilos, saber deixar todos felizes, manter o grupo unido... enfim, acho que envolve muito mais compreensão e tato do que eu conseguiria cuidar. Mas ser OC envolve muito menos manejo humano e mais tática, trabalhar um estilo ofensivo, playbook, formações, e deixar o controle humano dos jogadores com o HC... Ai sim, seria um trabalho que me atrairia bem mais. Se pudesse escolher, gostaria de trabalhar num time com um bom QB... Acho que o time mais divertido de ser HC deve ser um time como o Saints, que tem uma boa linha ofensiva que lhe permite as mais diversas formações de passe, treinar um time sem uma boa linha ofensiva significa que suas jogadas tem que ter uma válvula de escape pro QB e isso cria uma tendência no seu playbook. Saints ou Texans (QB não tão bom mas com ótimo RB) seriam as duas mais divertidas.


Ultima pergunta: Qual é o esporte mais bizarro que conhece, sem citar o Tazer Football League ou algo assim. - Eduardo MS

Olha, esse que você nos apresentou realmente entra na conversa. E olha que eu já pratiquei quase todos os tipos de esporte que eu conheço, futebol, futsal, futebol de areia, volei, tenis, basquete, baseball, futebol americano, rugby, hockey, ping pong, bocha (sério!)... Mas acho que o posto de esporte mais bizarro fica com o Lacrosse, que aliás é o esporte nacional Canadense - acho que todo mundo imaginava que era o Hockey, inclusive eu antes do intercâmbio.

Imagine um jogo no qual você joga uma bola pros seus companheiros usando algo que lembra uma rede de caçar borboleta mais dura e está sujeito a acertar seus adversários "acidentalmente" com essas redes a qualquer momento... Sem falar que você pode dar cabeçadas e trombadas gerais nos adversários a vontade para tirá-los do caminho e afins. Se isso não é bizarro o suficiente pra você, então eu realmente recomendo o Taser Ball pra você. E uma terapia.


Alias, ultima pergunta: Comente sobre a instinta XFL, e fale sobre o q a NFL poderia usar deles  - Eduardo MS

Primeiro e mais importante, "instinta" me doeu.

Segundo, pra quem não sabe, a XFL foi uma tentativa de criar, em 2001, uma Liga de futebol americano "alternativa" à NFL. No caso, logo após o término da NFL, aquele período cruel quando ficamos sem futebol americano por SETE SÓLIDOS MESES.


Mas é, não deu certo por vários motivos, o primeiro e mais importante é que a gente ja´aprendeu ao longo de muito tempo que ninguém gosta de futebol americano  profissional que não seja o da NFL, várias Ligas alternativas já surgiram ao longo dos anos (a maior e mais importante foi a USFL, na década de 80, que tirou da NFL vários prospects importantes saindos do College e onde jogaram, antes de ir pra NFL, Jim Kelly e Steve Young, por exemplo, e rendeu um excelente documentário da série 30 for 30 da ESPN chamado "Small Potatoes: Who Killed the USFL?" que mostra como a USFL se manteve bem enquanto foi uma Liga secundária, mas que se destruiu quando tentou mudar da primavera para o outono para competir diretamente com a NFL). Além disso, a XFL foi fundada por caras ligados às lutas livres americanas (não estilo MMA de hoje, e sim aqueles Wrestlings combinados, o que fez a Liga ficar com fama de combinada e falsa.


O que a gente pode levar da XFL? Que os EUA não tem espaço pra outra Liga de futebol americano, especialmente se for mal organizada. A USFL, que era extremamente bem organizada, durou alguns poucos anos (tudo bem, porque seu fundador morreu e o idiota do Donald Trump decidiu mudar a Liga pra competir com a NFL, mas enfim...).


Ah sim, a XFL também não tinha coin toss pra começar um jogo, cada time colocava um jogador na linha de 30 jardas, a bola ficava na linha de 50 jardas, o juiz apitava... E o time do jogador que saisse com a bola primeiro ganhava o cara ou coroa. Isso podia existir na NFL. Malditos conservadores...




Comecei a acompanhar a NFL esse ano, torcendo para o 49ers, mas ainda não decidi direito. Como vocês acabaram escolhendo seus times? - Nathan de Castro


Bom, eu torço pro 49ers por uma combinação de fatores. Primeiro, porque meu pai torcia para o 49ers, então desde pequeno eu uso roupas do Niners, escuto falar do Joe Montana e afins. Meu pai torce pro Niners porque morou algum tempo nos EUA - o que lhe deu o amor pelo esporte -, porque o time usava na época um uniforme vermelho, branco e preto e meu pai é sãopaulino fanático desde que nasceu, e porque quando ele começou a acompanhar mais o esporte era a época do Montana sendo Deus em San Francisco. Quando eu fui crescendo, fui baixando vídeos de jogos famosos e de Super Bowls antigos de um site já falecido, e de longe os dois jogadores que mais me impressionaram foram o Montana e o Jerry Rice. Então somado à minha pré-disposição em gostar do time pela influência desde a infância (Tem um video meu com dois anos lançando uma bola de foot e gritando "Touchdown, Steve Young!"), essa admiração pelos dois foi o que me fez torcer pro Niners.


Acho que não tem muito segredo para nós que não moramos nos EUA, lá geralmente se torce para o time da cidade e/ou o time dos pais. No meu caso, a influência do meu pai foi bem importante, mas se não tiver algo assim o jeito é ir assistindo e acompanhando e desenvolver naturalmente, ou então esperar acontecer um momento que te marque. Por exemplo, eu torço pro Red Sox por causa de um jogo que eu vi que o time perdia de 7 a 1 na oitava entrada, e a torcida não parava de cantar, de gritar e de apoiar. O time começou a reagir, a torcida continuou cantando, até que o Sox venceu por 8 a 7. Isso me marcou tanto - a torcida, os jogadores, tudo - que eu comecei a torcer pro Sox.




Conheci o futebol americano mais profundamente graças a uma mangá chamado "Eyeshield 21", que, apesar de toda a fantasia, me fez me interessar pelo esporte e querer saber mais. Quais mídias vocês acham que podem ajudar a trazer fãs para o FA, além da televisão e tal? - Nathan de Castro


Eu sou suspeito pra falar, porque eu ADORO Eyeshield 21. E o pior é que, tirando algumas excessões, Eyeshield 21 não é tão fantasioso assim, a grande parte das "técnicas" dos jogadores existem de verdade, e só aparecem de uma forma mais estilizada e com um nome pomposo. 


Claro, não é todo mundo que gosta do estilo de história e leitura de um mangá, mas pra quem gosta eu recomendo muito Eyeshield 21, a história se desenvolve de um jeito muito legal, os personagens são extremamente bem trabalhados e um dos personagens principais (Hiruma) é o personagem mais legal que eu já vi em toda minha vida. E claro, os jogos de futebol americano são muito bons. Pra quem gostar do estilo, eu recomendo.


Acho que a melhor mídia sempre vai ser a TV, a ESPN tem feito um grande trabalho trazendo o futebol americano pra cá e tudo mais. Mas conheço gente que começou a se interessar e eventualmente acompanhar o esporte por causa de filmes (Any Given Sunday, Blind Side), livros (Blind Side, The Elmira Express, etc), mangás (Eyeshield 21). Acho que enquanto essas coisas continuarem saindo com qualidade na mídia, eventualmente vão vir pro Brasil e atingir uma parte da população. Mas o melhor, a meu ver, ainda são os video games. Acho que na geração atual, os video games - Madden, em especial - são a melhor forma de apresentar o esporte. Não só é divertido, é uma ótima forma de se conhecer mais as posições do jogo, as formações e tudo mais. E claro, a internet, é muito fácil hoje achar na net bons blogs brasileiros com informações e opiniões sobre o esporte. Eu tento fazer minha parte, nosso Especial NFL está sempre ai pra quem quiser, mas tem muitos outros que também fazem um trabalho parecido. O esporte já está quase atingindo no Brasil um nível de alimentar o próprio crescimento, o que é ótimo. Acho que de certa forma tudo isso que está ajudando o esporte no país.




1. Se você fosse montar um time de Foot, como seria a escalação? Utilizando jogadores da última temporada da NFL. - Daniela


Hmm, com base na última temporada da NFL e minha opinião geral sobre os jogadores, meu time pra jogar UMA temporada (ou seja, sem pensar em potencial a médio/longo prazo) seria:


Linha ofensiva: Jason Peters, Jake Long (OT), Jahri Evans, Logan Mankins (OG), Nick Mangold (C).
Ataque: Tom Brady (QB), Adrian Peterson (RB), Larry Fitzgerald, Calvin Johnson e Wes Welker (WRs), Vernon Davis (TE), Vontae Leach (FB).


Defesa 3-4: Jared Allen, Haloti Ngata (DE), Justin Smith (DT), Terrell Suggs, Jason Pierre-Paul (OLB), Patrick Willis, Brian Cushing (ILB), Darrelle Revis, Jonathan Joseph (CB), Ed Reed e Troy Polamalu (S).

Special Teams: Andy Lee (P), Sebastian Janikowski (K), Devin Hester (Retornador)

Esclarecimentos rápidos: Ainda acho Tom Brady o melhor QB da NFL, Adrian Peterson é o melhor RB jogando num ataque horrível, Vernon Davis é um bloqueador melhor que Jimmy Graham e Rob Gronkowsky e tão bom quanto recebendo (só que joga com um QB pior). Gronk e Navorro Bowman tiveram um 2011 espetacular, mas foi só um ano, preciso ver mais antes de colocar eles no meu time. Terrell Suggs e Jason Pierre-Paul merecem mais a vaga do que Demarcus Ware nesse momento.


2. Qual seria sua reação se você visse o "João Montanha"? 


Eu provavelmente me ajoelharia na frente dele e começaria a fazer reverências. Sério. Montana e Rice são inigualáveis tanto como meus jogadores como meus ídolos no esporte. Meu sonho é ter uma camisa autografada pelos dois enquadrada na parede do meu quarto. Não estou brincando. Acho que as reverências ganham por pouco. Não queiram saber quais as outras opções.




3. O que acha do Madden? Porque eu particularmente sou péssima. O NBA é mais jogo (tu dun pss)


Pra mim, Madden 2008 pra computador foi o melhor jogo de esportes já feito na história da humanidade, mas a partir de 2009 pararam de lançar Madden pra computador e focaram nas plataformas (antes que alguém diga que da pra jogar Madden no computador de n maneiras diferentes, pegue Madden 2008 pra Wii, PS3/xBox, e computador. Jogue os três. NÃO é o mesmo jogo, os três são bastante diferentes, e o de computador é infinitamente melhor). Desde então, tenho jogado no Play3, e gosto bastante do jogo. Nunca chegou no nível Madden 2008, mas é um excelente jogo, tanto em termos de jogabilidade como de conteúdo (a única coisa que falta pra mim é uma Seção como "Jogos históricos' com times antigos e tal, que nem o NBA 2k12) e tem melhorado ao longo do tempo. Só que perdeu o posto de "melhor jogo de esportes" pra NBA 2k desde que parou de fazer as versões pra computador.




4. O que acha de Foo Fighters no próximo SuperBowl? É a sua aposta para o ano que vem ou não? Quem você gostaria de ver tocar por lá?


Eu acho que FF é a melhor pedida. É a banda mais popular da atualidade, a música deles é muito boa, e eles são carismáticos - sem falar que gostam de inventar, o que é perfeito para o Super Bowl. Faz tempo que não temos uma banda boa e popular no auge do sucesso tocando no Super Bowl, e Foo Fighters tem todas as qualificações necessárias. Dificilmente eles repetirão um cantor single esse ano, e já faz algum tempo desde o último show de rock por lá... Então acho que sim, é o meu favorito antecipado pro show do ano que vem. 


Meu sonho pra tocar lá seria a formação clássica do Pink Floyd, é claro, mas como o Richard Wright já morreu, aceito que coloquem o Paul McCartney pra fazer o papel de pianista/tecladista. Acho que se juntar os três vivos (Roger Waters, Nick Mason, David Gilmour) já está ótimo, seria um sonho. Paul + Floyd, aliás, é a abertura das olimpíadas de Londres. Eu mato por um ingresso pra essa abertura...




5. Por último, gostaria que mandasse um beijo para o Wilfork, meu queridinho. - Daniela


Minha pegunta favorita do Mailbag, porque eu realmente imaginei por um segundo eu indo tirar satisfação com o Vince Wilfork, e passei os próximos cinco minutos caindo na risada. Sim, ela é a minha namorada Patriota... E ela é apaixonada pelo Wilfork desde aquele Pats e Chargers que ele interceptou um passe e saiu correndo com uma animação tão genuína que foi comovente. Maldito gorducho, eu ainda tinha esperanças quanto ao Niners pra ela...




Gostaria de saber o que você acha que será dos patriots após esse fracasso, as projeções do patriots para o draft, quais seriam as possíveis saidas ou chegadas de jogadores, futuro do Ochocinco, etc - Everton Dalcin


Bom, primeiro de tudo, o Pats é um time que tem uma base montada. Brady, Welker, Gronk, Aaron Hernandez, Jarod Mayo, Devin McCourty e Vince Wilfork, todos devem continuar na equipe. O contrato do Benjarvus Green-Ellis ta terminando, mas o Pats já está em busca de uma renovação. Não acho que o time deva perder ninguém significante no final da temporada (a não ser que você conte o Ochocinco) e a perspectiva é de que o time mais se reforce do que perca jogadores.


O Pats tem duas escolhas de primeira rodada no Draft (Provavelmente vão trocar essas escolhas porque o Bill Belichick tem essa tara estranha) e devem ir atrás de jogadores pra defesa ou de WRs, o único confiável do time é o Wes Welker e como o jogo contra o Giants mostrou, o time tem uma certa falta de Wideouts. Na Free Agency, o problema é que tem uma regra que limita aas contratações dos times top4, que diz que o time só pode adquirir em jogadores o que ele perder. Como tem poucos jogadores de peso saindo, eles ficam limitados a jogadores mais baratos, não terão condições de arrumar algum FA de impacto. O Brandon Lloyd - que é acessível se aceitar um contrato menor - já disse que quer ir pra lá, por exemplo. Acho que caia como uma luva, mas o agente dele tem péssimas relações com o Patriots. É tudo especulação, mas considerando que o time tem duas escolhas de primeira rodada, não deve perder ninguém importante, seus jogadores jovens vão ter um ano a mais pra melhorar e ainda é capaz de achar algum jogador útil subvalorizado na Free Agency - tipo o Lloyd, saindo de péssima temporada - é difícil imaginar que o time não vá ser pelo menos tão bom quanto esse ano. 



Quais podem ser as grandes movimentações de jogadores entre os demais times e as opiniões sobre os jogos das equipes para a temporada 2012, parece que o seu 49ers pegou uma tabela nada fácil hein! - Everton Dalcin


E esse é o motivo pelo qual eu estou morrendo de medo pela temporada 2012 da NFL - Meu Niners vai enfrentar Patriots, Packers, Saints, Bears, Lions e Jets, de longe uma tabela mais difícil do que a desse ano passado. Deve ganhar a divisão porque tirando Patriots, todos da NFC West enfrentam os mesmos times, mas dificilmente ganha mando de campo pros playoffs. O Niners em casa é um dos melhores times da Liga e pode ganhar de qualquer um, mas fora de casa... Eu não tenho a mesma confiança. Nem de longe. 


Acho que a principal história da offseason deve ser aonde irá o Peyton Manning. Acho difícil ele ficar em Indianapolis, e provavelmente ele vai escolher pra onde ir. A melhor escolha pra ele seria o Niners, mas acho que o Niners vai insistir com o Alex Smith, que melhorou muito ao longo da temporada passada. Nesse caso, Jets e Redskins são os principais alvos do Manning. Pra mim o melhor time pra ele ir é o Titans, faz sentido total pros dois (um time que pode virar um candidato ao título com um grande QB se adicionar uma ou duas peças, e o time ganha um titular pra disputar titulos e um mentor pro Jake Locker pros próximos anos) mas dificilmente vai acontecer. O Dolphins provavelmente vai ir atrás do Matt Flynn na Free Agency, e acho que a tendência da offseason vai ser jogadores jovens renovando e os velhos (Brandon Lloyd, Reggie Wayne...) mudando de time.





Gostaria de saber qual o contrato de Jeremy Lin com o New York Knicks. Qual a duração dele, e se há alguma possibilidade de Linsanity sair dos Knicks para tentar um título em algum contender mais forte. - Christopher Chow



Só um ano, mas eu duvido MUITO que o Knicks não de um jeito de estender esse contrato assim que tiver a chance. O meu post sobre o Jeremy Lin vai ser o próximo, mas já adianto que ele é um bom jogador e que tem a característica que esse time do Knicks precisa, então ele é valioso demais pro Knicks perder. Só precisa ver como fica a questão salarial. Do lado do Lin, eu duvido que ele saia, se o Knicks pagar: O Knicks pode pagar mais que os outros, ele é grato ao Knicks por ter dado uma chance a ele e é muito amigo do Landry Fields (Tava morando no sofá dele). Dificilmente ele vai sair disso tudo se não tiver uma grande vantagem em outro quesito. Financeira não vai ser. E será que existe algum contender que possa assinar ele? Miami está muito acima do cap, Bulls não precisa dele, Thunder também não tem o estilo de pagar bilhões por free agents, o Dallas vai contratar o Deron Williams no final do ano e dificilmente o Lakers vai abrir o espaço salarial pra isso se não trocar Gasol ou Bynum, e se o fizer o alvo deles vai ser o Dwight Howard (que aliás acho que não sai de Orlando). Então não tem nenhum motivo pro Lin sair, ele e o Knicks são o melhor casamento pros dois.






E esse é o fim do nosso primeiro Mailbag. Espero que tenham gostado, se tiver chegando emails a gente continua e faz mais. Mandem novos emails, que a gente continua!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A evolução das defesas na NFL

Richard Dent faz uma ótima demonstração de 
como a defesa deve jogar sob as novas regras



Desculpem a inatividade recente, a ressaca pós-Super Bowl ainda não passou e o nosso Mailbag não está recebendo perguntas suficientes pra justificar um post até agora. Enquanto esperamos mais perguntas (Vamos, galera, não desanimem agora, mandem seus emails para tmwarning@hotmail.com!), vamos falar um pouco sobre a evolução das defesas na NFL.

Alguns aqui talvez se lembrem de um post que fizemos já faz algum tempo sobre a evolução do jogo aéreo na NFL. Nesse post, nós comentamos sobre como as regras que surgiram ao longo dos anos - em especial de 2004 pra frente - tiveram o efeito de facilitar em muito o jogo aéreo na NFL. Isso causou, é claro, um grande direcionamento do jogo na NFL para o ar, e os Quarterbacks e os ataques passaram a ter um peso muito maior do que tinham até então. Isso também fez com que os números dos Quarterbacks e Wide Receivers pós-2004 explodissem se comparado aos números anteriores, e em nossa mania de querer comparar tudo em números sem pensar no que está por trás deles, acabávamos olhando pra números extremamente inflados e exaltando as estatísticas dos jogadores de hoje como sendo superiores às dos jogadores de 20 anos atrás. As 5300 jardas do Drew Brees em 2011 foram incríveis, claro, mas nós olhamos pro número 5300 em absoluto, esquecendo que conseguir 5300 jardas hoje é muito mais fácil do que conseguir 5000 trinta anos atrás. O jogo muda, as regras mudam, e nós esquecemos disso, continuamos tratando os números como se significassem a mesma coisa em qualquer época.

Mas voltando ao tópico principal, as mudanças que o jogo aéreo sofreu ao longo dos anos, e em especial na década de 2000, determinaram como os ataques iam jogar, deram ênfase ao jogo aéreo, colocaram o jogo terrestre em segundo plano e tornaram a NFL numa Liga onde o jogo terrestre é o que da o tom do jogo, e onde eé cada vez mais difícil vencer sem um grande QB. Mas hoje, vamos olhar o lado contrário da questão, e analisar como as defesas na NFL ficaram com essas mudanças nas regras e no jogo, e qual o panorama pras defesas da NFL nos próximos anos.

Para quem não leu ou não lembra desse post e está com preguiça de clicar no link acima, um breve resumo. Ao longo dos anos - e em especial na década de 2000 - a NFL começou a mudar algumas regras e instituir algumas regras novas visando incentivar o jogo aéreo na NFL. Os principais motivos para essa mudança foi a mentalidade defensiva que dominou a NFL no começo da década e levava a muitos jogos lentos e de placares baixos, com defesas dominando os ataques. Isso se deu, em parte, por uma certa entresafra de grandes Quarterbacks na Liga. A geração anterior (Troy Aikman, Dan Marino, Joe Montana, Steve Young, John Elway, Jim Kelly, etc) estava saindo de cena e a nova geração (Tom Brady, Peyton Manning, Ben Roethlisberger, Drew Brees, etc) ainda não tinha aparecido o suficiente para dominar o cenário da NFL. Ainda que tivéssemos Brett Favre e Kurt Warner destruindo recordes diariamente, era muito pouco frente ao maior cenário da Liga. Tirando o extremamente ofensivo Rams (The Greatest Show on Turf), que foi campeão do Super Bowl em 1999, quem aparecia em peso eram as defesas. O Ravens de 2000 (Trent Dilfer de Quarterback), o Patriots de 2001 (Um Tom Brady burocrático e eficiente de QB, mas secundário a uma grande defesa), o Bucs de 2002 e até mesmo o Pats de 2003 eram todos times que tinham uma grande defesa e um ataque medíocre, em geral que contava com um forte jogo terrestre mas que tinha como grande âncora sua defesa. As defesas de Ravens e Bucs, em particular, estão entre as maiores de todos os tempos. Os jogos truncados, defensivos e de poucos pontos começaram a dominar o cenário da NFL, e a Liga decidiu mudar as regras pra aumentar o poder dos ataques.

Não é a toa que desde 2004 os campeões do Super Bowl tiveram como QBs titulares Brees, Brady (Em 2004 pela primeira vez assumindo uma posição central no time), Manning, Aaron Rodgers, Eli Manning e Big Ben, depois de ver um Brady pirralho e burocrático, Trent Dilfer e Brad Johnson ganhando Super Bowls no começo da década. As novas regras restringiram e muito o que a defesa podia fazer - não podiam mais acertar jogadores com o capacete, não podiam mais atingir jogadores na área da cabeça, não podiam mais encostar nos recebedores, não podiam derrubar QBs abaixo da cintura... Ou seja, na década de 80/90 a defesa tinha muito mais recursos tanto pra marcar os recebedores adversários como para atacar o QB como para dar tackles. Agora os defensores estão muito mais limitados, o jogo aéreo domina a NFL e estatísticas de passe e recepções são quebradas diariamente. A NFL pode justificar essas regras dizendo que estão protegendo a saúde dos jogadores, o que até é verdade em algum nível, mas o verdadeiro motivo era aumentar os placares, tornar os jogos mais abertos e, na avaliação deles, mais atraentes para o público.

Uma vez que o principal impacto dessas mudanças foi o incentivo ao jogo aéreo, era de se esperar que o caminho para o sucesso das defesas fosse fortalecer a defesa contra o passe. Formações Nickel (com um cornerback extra), melhores safetys e cornerbacks, estratégias de cobertura complexas... Esse parecia, no primeiro momento, ser o caminho de sucesso para defesas. Se você conseguisse montar uma grande secundária e limitar o jogo terrestre, os adversários seriam obrigados a recorrer ao jogo terrestre mais e mais. No começo, após as mudanças, esse realmente foi o foco das defesas, fortalecer a secundária em busca de uma chance de lutar contra os ataques aéreos, agora fortalecidos pelas regras. Mas com o tempo, e cada vez mais, se percebe que o caminho para o sucesso das defesas na NFL não é a secundária, ou a defesa aérea, e sim o pass rush, ou a capacidade da defesa de pressionar o Quarterback.

Claro que se você tiver uma grande secundária você vai ter uma vantagem. A secundária do Jets, com Darrelle Revis e Antonio Cromartie (vindo de ótima temporada depois de uma temporada inicial medíocre), com certeza inibiu passes contra o time de NY. Também ter safetys capazes de forçar interceptações como Ed Reed continuam colocando pressão no QB e fazendo eles pensarem duas vezes antes de passar a bola em profundidade (O que é um efeito lógico, se o índice de interceptações de um QB fica constante e ele começa a passar a bola mais vezes por jogo, o número de interceptações tende a aumentar - o que explica o aumento em interceptações recente). Grandes jogadores e secundárias bem montadas vão ter seu efeito, em qualquer época. Se você tiver a oportunidade de montar uma grande secundária, tem que montar.

O que acontece é que não é todo time que que é capaz de montar uma secundária com tanto impacto. Não estamos em uma era de boom em jogadores de secundária, temos vários bons jogadores mas não em número excessivo, que fosse suficiente para dar à maioria dos times da Liga uma unidade capaz de alterar jogos por conta própria. A grande maioria dos times tem que se contentar em ter uma secundária mediana, sem jogadores de nível All-Pro como Ravens, Jets e Steelers. Isso se dá também pelo fato de que a secundária teve uma redução no seu papel. Em 2002, uma dupla determinada dupla de Cornerbacks teria mais impacto no jogo do que em 2011, onde as regras são desenhadas para que eles justamente tenham menos impacto. Pra que um cornerback médio hoje impacte o jogo da mesma forma que um cornerback médio impactava o jogo em 2002, o cornerback médio de hoje precisa ser consideravelmente superior do que o cornerback médio de 2002. Como não estamos tendo um grande aumento no nível dos jogadores da secundária desde então, o número de jogadores capazes de impactar o jogo da secundária caiu em muito, e poucos times tem esse luxo.

No começo, a solução parecia uma enorme disputa entre os times para ver quem pagava mais a esses jogadores. No entanto, a solução que foi encontrada era muito mais barata e acessível: Se você não pode marcar os recebedores de forma a impedir que o QB tenha um alvo para o passe, você tem que impedir que o Quarterback passe, derrubando ele antes que ele lance - ou pelo menos causando pressão o suficiente para que ele não tenha tempo e calma de achar seus recebedores. Ou seja, os times decidiram que a melhor forma de combater o ataque aéreo não era na secundária,  sim com o pass rush, pressionando o QB antes do passe.

De certa forma, isso faz todo o sentido do mundo. Não importa se a sua secundária é boa ou não, ela recebeu muitas limitaçōes e pode fazer muito pouco pra evitar que o recebedor tenha uma posição favorável em campo, logo logo vão proibir os defensores sequer de tocar na bola. Com tantas restriçōes, é muito difícil manter um jogador do ataque sob controle por muito tempo, e se tiver tempo, cedo ou tarde alguém vai conseguir abrir espaço. O truque então é diminuir cada vez mais esse tempo. Os jogadores que pressionam o QB também receberam restriçōes ao longo do tempo, especialmente limitando o quanto do Quarterback eles podem visar, mas essas restriçōes são bem menores do que as restriçōes que os jogadores da secundária tem.

Isso chega, também, associado a uma certa abundância de jogadores da posição na NFL, o que facilita a vida dos times. Pelas limitaçōes que a regra oferece, pressionar o QB já é relativamente mais vantajoso do que jogar só com a cobertura e dar tempo ao QB adversário, e além disso atualmente o mercado tem muito mais jogadores de qualidade para jogarem na linha defensiva do que jogadores de secundária, o que torna montar um bom pass rush bem mais acessível do que montar uma boa secundária tanto em termos de quantidade quanto em termos financeiros. Pensem que só no último Draft tivemos Von Miller, Aldon Smith e JJ Watt, três pass rushers de altíssima qualidade que já estão jogando num nível entre os mais altos da posição.

Isso explica também a popularização crescente da defesa 3-4 nos últimos anos depois da defesa 4-3 ter dominado por tanto tempo a NFL (Pra saber mais sobre as defesas 3-4 e 4-3, recomendo esse post do nosso Especial NFL destinado às defesas). A defesa 3-4 é uma defesa que é muito mais agressiva, na sua forma padrão ela envia um homem a mais do que a 4-3 e permite variaçōes mais criativas para a blitz. Em outras palavras, é uma defesa que sacrifica um pouco da cobertura para colocar mais pressão no Quarterback. Ela naão era muito usada até as novas regras, quando elas começaram a se popularizar e estão em grande parte das defesas de sucesso da NFL (Steelers, 49ers, Ravens, Packers versão 2010, Jets, Washington Redskins e Houston Texans). Por ser uma defesa que coloca mais ênfase no pass rush, ela é a defesa ideal para enfrentar a situação atual do jogo aéreo, e embora qual defesa usar dependa muito dos jogadores que você tem, o fato dela ser uma defesa mais agressiva tem sido o principal motivo dela ter voltado a ganhar popularidade nos últimos anos.

Dois times de sucesso em 2011 nos mostraram como a secundária não precisa ser uma unidade forte, desde que sua defesa tenha outros fatores. No caso do Packers, a secundária era uma droga em termos de jardas, foi uma das piores da NFL e todo mundo conseguia produzir em quantidade. Mas ela compensava isso forçando turnovers e ganhando posses de bola extra para o time, então o Packers não se importava. Ter uma secundária sólida está cada vez mais difícil, então os times deixam de se preocupar com isso em alguma medida para usar sua defesa de outras formas. O que causou a queda do Packers foi a dificuldade da sua defesa de pressionar o Quarterback usando sua linha de frente, tirando o Clay Matthews. O outro exemplo é o campeão Giants, que tinha uma secundária fraca e desfalcada por lesōes mas cuja defesa era absolutamente dominante graças à sua capacidade de pressionar o Quarterback. Aaron Rodgers e Tom Brady, dois dos três melhores QBs saudáveis da NFL na atualidade, tiveram muitos problemas pra jogar contra essa defesa porque eles não tinham tempo para pensar ou para aguardar seus recebedores se desmarcassem, logo que eles recuavam para o passe eles precisava fugir de alguém ou apressar a jogada para evitar um sack.

O grande Bill Parcels já dizia: Quando você faz o QB deixar de olhar a secundária (onde estão seus recebedores) e passa a olhar a linha de scrimmage (de onde está vindo a pressão), você ganhou o jogo. E é pura verdade, quando um QB olha pra linha de scrimmage antes de soltar o passe ele está condenado, ele perde um tempo precioso, para de ter controle sobre as  movimentaçōes da defesa e do ataque e quando ele finalmente olha para a secundária precisa gastar mais tempo ainda para avaliar a situação, o que pode levar a um passe apressado e a um turnover. Sem falar que com sacks você queima jogadas do ataque e aumenta a distância das descidas.

O pass rush sempre foi parte importante de uma defesa, e jogadores como Derrick Thomas e Lawrence Taylor sempre foram diferenciais nos times que jogaram. Como eu sempre digo, grandes jogadores vão fazer diferença não importa em que era jogarem, e o pass rush sempre foi um componente importante das defesas, assim como a secundária, a defesa terrestre e tudo mais. Só que as novas regras estão dificultando ainda mais as coisas para a defesa, e a forma que tem se mostrado eficiente pra combater os fortes ataques aéreos até agora eé aumentar a pressão, tirar o QB da zona de conforto e não deixar o jogo aéreo estabelecer seu ritmo. Essa sempre foi uma opção pra defesas ao longo do tempo, ao lado de muita outras, que ficavam a crédito do pessoal envolvido, dos coordenadores e técnicos, etc. Mas com as novas regras - associado a uma certa abundância de pass rushers de qualidade - está tornando essa opção cada vez mais vantajosa se comparado com as outras. Cada vez mais os times estão menos preocupados com sua secundária e mais preocupados com a pressão que são capazes de colocar no QB adversário. Essa foi a forma encontrada pelos times de combater os ataques ajudados pelas regras. E essa é a tendência para as defesas da NFL daqui pra frente, especialmente com jogadores como Jason Pierre-Paul, Von Miller e Aldon Smith surgindo a cada ano. Cada vez mais, enquanto o ataque se direciona para o ar, as defesas se direcionam para o chão para combatê-los. Como não podem atacar o adversário no terreno onde elas levam vantagem, elas buscaram uma nova forma.

E até agora, está dando resultados: O Steelers de 2008, o Packers de 2010 e o Giants de 2011 eram times cujo principal foco defensivo era a pressão. O 49ers de 2011 ressurgiu atrás de uma defesa com uma boa secundária mas com uma linha de frente espetacular. O Ravens se manteve um Juggernault defensivo ao longo dos anos porque tem sido constantemente capaz de pressionar o QB e vencer a batalha das linhas. Times como Broncos, com defesas medianas, se mantiveram competitivos porque eram capazes de colocar pressão sem recorrer a blitz suicidas. Então por mais que as novas regras tenham direcionado o jogo pro ar, por mais que elas favoreçam os ataques e gerem estatísticas muito infladas para os QBs que nós insistamos em comparar sem lembrar de como o jogo tem mudado, é um erro pensar que com as novas regras só dos ataques vivem a NFL. As defesas também estão em constante adaptação pra poderem ter uma chance mesmo com as mudanças de regras. E os resultados estão bem na nossa frente.

domingo, 4 de setembro de 2011

Especial NFL - O Jogo

Finalmente chegamos na quinta e mais aguardada parte do nosso Especial NFL. Depois de termos explciado o que exatamente é esse especial, termos contado um pouco mais sobre a história do futebol americano e depois comentamos mais sobre o esporte e a Liga nos dias de hoje, junto com a estrutura financeira e administrativa da NFL, e explicado de forma específica qual é o papel de cada uma das posições de ataque e o papel de cada uma das posições de defesa de um jogo de futebol americano, finalmente chegou a hora de falarmos do talvez mais importante: O jogo em si.

Nós estamos finalmente chegando ao final do nosso Especial, teoricamente só temos mais um post, mas vocês ainda podem mandar ainda sugestões ou dúvidas para nosso email tmwarning@hotmail.com ou para nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem!

Como já virou rotina, antes de começar a explicar o jogo em si eu queria deixar algumas coisas claras. Quem não leu os posts sobre as posições de ataque e as posições de defesa (Nossos dois últimos posts, os links estão logo aí em cima), eu recomendo fortemente que leia. Como vamos explicar o jogo em si agora, vou assumir que tudo que eu expliquei anteriormente é do conhecimento de quem ler esse texto, e portanto vou explicar o jogo dessa forma. No caso de alguma dúvida sobre as posições, é só deixar um comentário lá mesmo ou aqui que a gente responde assim que der.

Também, para melhor ilustrar o que eu vou explicar, deixo aqui um diagrama do campo de jogo em si.

Diagrama 1: O Campo de Futebol Americano


Sobre esse campo, alguns esclarecimentos:
- As regiões em vermelho e azul são as chamadas End Zones. No futebol americano, o Touchdown acontece quando um time leva a bola até a End Zone do time adversário. Vamos explicar isso com calma, mas só avisando que o objetivo do jogo é levar a bola até a End Zone do adversário.

- Como eu já deixei implícito acima, sempre que eu me referir à "End Zone" ou ao "campo" de algum time, é o que ele defende, sempre. Quando eu digo "O time X está no campo do adversário" quer dizer que ele está na metade do campo que o outro time defende.

- Como vocês devem ter reparado, o campo de futebol americano (tirando as End Zones) tem 100 jardas, todas elas marcadas. Cada End Zone tem mais 10 jardas de comprimento. Essa marcação para cada jarda será muito importante mais pra frente.

- Quando eu falar "A jogada começou da linha de tantas jardas", eu quero dizer que o Snap foi feito com a bola naquela linha. Como o snap é feito para trás, naturalmente a bola vai voltar um pouco na jogada, especialmente nos chutes que vocês já verão.

- Colocado exatamente no final de cada End Zone (logo depois que ela acaba) aquele famoso Y gigante, que eu chamarei aqui de Goal Posts, que é por onde os times podem chutar a bola em algumas ocasiões. Novamente, vou explicar mais na frente, mas por enquanto basta lembrarem que ele fica logo após o término da End Zone.

Agora vocês já sabem das posições de ataque e defesa, e do campo de jogo em si. Estamos prontos para o principal do dia.


O Jogo

Para começar o jogo, primeiro se decide num emocionante cara ou coroa que time começa com a bola. O time que ganhou pode escolher entre chutar ou receber (ou então escolher o campo). O time que começar recebendo naturalmente vai começar chutando no segundo tempo. O jogo de futebol americano tem quatro quartos de 15 minutos cada, sendo que o relógio para sempre que o jogador que estiver com a bola sair de campo ou então tivermos um passe incompleto. A posse de bola só vai mudar automaticamente no final do segundo quarto. Quando passamos do primeiro pro segundo e do terceiro para o quarto quartos, não temos nenhuma realocação da posse de bola.

O jogo efetivamente começa com um Kickoff, ou seja, o time que não começa (escolheu chutar) com a posse de bola vai pedir ao seu Kicker (K, o jogador encarregado dos chutes do time, que você vai ver muito ao longo desse post) que chute a bola da linha de 35 jardas do seu campo até o outro lado do campo. O time que vai ter a posse da bola vai ter um jogador, chamado de Kickoff Returner (KR, que geralmente é um WR, S ou CB, ou seja, algum jogador rápido), posicionado no fundo do seu campo esperando a bola que vai ser chutada. Quando essa bola for chutada, ela provavelmente vai ser chutada o mais longe possível para o campo do adversário, e então o KR vai ser o encarregado de pegar o chute quando ele for cair (normalmente próximo da sua própria End Zone) e aí ele tem duas opções: Primeiro, se ele receber a bola dentro da própria End Zone, ele pode optar por não tentar fazer nada e ajoelhar, o que configura um "Touchback" e aí esse time irá começar sua campanha ofensiva da sua linha de 20 jardas. Segundo, ele pode segurar a bola e correr em direção à End Zone adversária, e aí seus companheiros de time vão ter a função de bloquear os jogadores adversários para abrir espaço para o KR correr. Se ele conseguir chegar até a End Zone, temos um Touchdown, caso não consiga a campanha ofensiva vai começar do ponto em que ele foi derrubado. (Um parênteses aqui: Até o final da temporada passada, o Kickoff era dado da linha de 30 jardas, o que fazia com que os Retornadores (KR) pegassem a bola numa condição melhor de correr. Com a nova regra das 35 jardas, o número de touchbacks aumentou e o número de jogadas caiu bastante). Vejam abaixo um Kickoff no qual o KR optou por fazer o retorno e conseguiu o Touchdown em pleno Super Bowl. Se ele fosse derrubado em algum momento, a jogada seguinte começaria daquele ponto.



Reparem no vídeo que, depois que o Touchdown foi anotado, o time ganhou seis pontos e chutou uma bola da linha de duas jardas para anotar um sétimo ponto. O que acontece é o seguinte: O Touchdown SEMPRE vale seis pontos, mas além dos pontos você tem a chance de fazer um Extra Point, no qual você vai ter uma única jogada começando da linha de duas jardas (ou seja, muito próximo da linha da End Zone novamente) e pode fazer duas coisas: Primeiro e muito mais comum, você pode chutar a bola lá dentro para conseguir um ponto extra, totalizando sete. É de longe a mais comum, e o que acontece é que uma vez feito o snap alguém vai pegar a bola e colocar no chão para o Kicker (de novo ele) chutar a bola entre os Goal Posts, e se a bola passar no meio dele, é válido o chamad Extra Point. A segunda alternativa e muito menos comum é que você pode usar essa jogada como uma jogada normal (Passe ou corrida) para tentar colocar a bola novamente dentro da End Zone. Se você conseguir, você ganha dois pontos ao invés de um (e não tem a chance de chutar depois), totalizando oito. É mais raro porque é mais difícil, é muito mais prático ficar com o um ponto do chute que tem um aproveitamento infinitamente maior, geralmente só se usa essa Two-Point Conversion em jogos apertados nos momentos importantes da partida. Esclarecido isso, voltamos ao jogo.

Se o Touchdown acontecer - e isso vai se repetir toda vez que algum time pontuar, exceto por Safetys, que vamos explicar mais tarde - o time que pontuou vai fazer um novo Kickoff, e aí tudo que eu disse acima vai se repetir, só que quem vai estar recebendo o Kickoff para um eventual retorno dessa vez vai ser o time que sofreu os pontos.

Quando tivermos um Touchback ou então um retornador for derrubado, digamos, na linha de 20 jardas (mas pode ser em qualquer outra), começa uma nova série ofensiva para o time em posse de bola. O time então tem quatro jogadas para avançar 10 jardas. Ou seja, nessas quatro jogadas, o time tem que conseguir avançar 10 jardas no campo, anotar o chamado First Down. Quando o time consegue avançar 10 jardas e anotar um First Down, o time vai ganhar mais quatro jogadas para avançar 10 jardas do lugar onde parou a jogada anterior. Por exemplo, a primeira jogada será uma 1st and 10, o que significa que é a primeira tentativa (das quatro) e ele precisa avançar 10 jardas. Suponhamos que a primeira jogada seja uma corrida e o corredor ganha três jardas. Nesse caso, a jogada seguinte será uma 2nd (indicando que é a segunda tentativa das quatro) and 7 (o número de jardas restantes para completar as 10). Se nessa jogada o Quarterback acerta um passe de 10 jardas, então a jogada seguinte será uma nova 1st and 10 começando do ponto onde a última jogada acabou. Uma jogada vai acabar com um passe incompleto encostando no chão, com um turnover (Vamos explicar mais abaixo) ou então quando o jogador que está em posse da bola encosta alguma parte do corpo entre o joelho e o cotovelo no chão.


Como eu já disse quando falei das posições de ataque, cada jogada vai ser combinada antes pelo técnico, o Quarterback e os demais jogadores de ataque. Esse time pode chamar uma jogada de corrida ou de passe (Novamente vou deixar as Tricky Plays pro final), com o objetivo de ganhar essas 10 jardas. Na jogada de corrida, após o Snap, o Quarterback pode correr ele mesmo ou, mais comum, deixar a bola para o Running Back, fazendo o chamado Hand Off (Que é quando o QB coloca a bola nas mãos do RB que está vindo correndo de trás) e então ele será encarregado de correr. Ou então o Quarterback irá receber o Snap, andar alguns passos para trás e escanear o campo à procura de um alvo livre. Geralmente nas jogadas desenhadas de passe, a jogada é desenhada para um certo Wide Receiver receber a bola, mas os outros também devem seguir suas rotas não só para confundir a defesa mas também para dar a opção de um outro passe caso o WR designado esteja marcardo. O trabalho do QB, então, é identificar qual é a melhor opção de passe e realizar esse passe com precisão, de forma que a bola chegue ao seu alvo sem risco de ser interceptada pela defesa e sem tocar no chão, porque quando um passe toca no chão ele é dado como incompleto e a jogada acaba. Naturalmente ele pode ser um passe de três jardas ou um passe de oitenta, vai depender dos jogadores, da ousadia do técnico e também da jogada. Numa 1st and 10 você pode tentar um passe de cinco jardas porque terá mais duas tentativas para uma distância mais curta, mas numa 3rd and 13 você precisa desesperadamente de jardas, então o passe terá que ser mais longo.

Reparem como na jogada abaixo, numa 3rd and 18 (o que é muita coisa), como o ataque tem que recorrer a um passe longo e a defesa, sabendo disso, mantém oito jogadores no fundo do campo (e mesmo assim o passe é completo).




 
Aliás, queria aproveitar pra esclarecer uma questão acerca dos passes no futebol americano. Em cada jogada, o ataque tem direito a realizar um único passe para a frente. Ele pode ser executado por qualquer jogador (exceto um da linha ofensiva), mas para que ele possa acontecer naturalmente não pode ter acontecido nenhum outro passe para a frente na mesma jogada E a bola não pode ter ultrapassado a Linha de Scrimmage, que é a linha do campo onde a jogada começou. Se a bola não atravessou essa linha, o time ainda pode realizar um passe para a frente não importa quanto tempo se passou desde o início da jogada. Além disso, um time pode realizar quantos passes laterais ou para trás o time quiser, como no Rugby, tanto antes como depois da linha de Scrimmage, não importa, o número é ilimitado. Pra melhor ilustrar, reparem na Tricky Play abaixa: O Patriots realiza dois passes para trás (ou para o lado) antes de passar da linha de scrimmage, portanto o Tom Brady fica livre para acertar o passe longo.



Tentar chegar à End Zone adversária pode ser com passes e corridas mais curtas ou então bolas longas, não existe um padrão, vai depender muito de inúmeros fatores como momento do jogo, característica dos seus jogadores, características da defesa do adversário, etc. No entanto, existem algumas coisas a serem consideradas. Se o seu time não consegue estabelecer um jogo de corrida decente e só joga pelo ar, uma hora a defesa adversária vai ficar de saco cheio e vai começar a jogar só com Nickel e Dimes contra você. Mesmo que você não tenha um RB de elite no seu time que consiga carregar o seu ataque, você vai precisar em 95% dos casos de estabelecer pelo menos um jogo terrestre decente de forma a não viciar seu ataque, de fazer a defesa se preocupar também em defender pelo chão e abrir mais os espaços aéreos. Da mesma forma, um time que depende só de um grande RB, por melhor que seja, não vai conseguir nada sem um QB que consiga pelo menos completar alguns passes de 10 jardas para manter a defesa esperta, caso contrário a defesa vai colocar nove caras perto da linha e aí não tem RB que consiga se virar. De forma geral, um Quarterback de elite vai conseguir levar nas costas um ataque sem jogo terrestre melhor do que um RB de elite na situação oposta, mas mesmo grandes QBs como Peyton Manning e Tom Brady (Dois futuros Hall of Famers que estão entre os 15 melhores QBs de todos os tempos) tiveram problemas recentemente pela falta de jogo terrestre das suas equipes.

Outra coisa a se considerar é o tempo. Eu disse lá em cima sobre o relógio parar ou não após uma jogada, mas vou explicar direito agora: Eu já citei isso, mas após o fim de uma jogada, o ataque tem exatos 40 segundos para começar a jogada seguinte (pode começar em menos, mas nunca pode passar de 40, senão o time é penalizado). E quando algum jogador tem a posse de bola (Pode ser porque ele pegou a bola para correr, um Quarterback que foi derrubado ou até mesmo um recebedor depois que recebeu o passe) e ele é derrubado dentro do campo, o relógio da partida continua correndo durante esses 40 segundos. No entanto, caso seja tentado um passe e o passe acabe incompleto (tocou no chão antes de alguem segurá-lo), o relógio da partida vai parar e só vai voltar a correr quando a jogada seguinte começar (mas ela ainda deve obedecer o limite de 40 segundos, claro). O fator "relógio", portanto, é muito usado pelos times na hora de montar uma estratégia. Um time que tem uma defesa fraca ou que enfrenta um adversário com um ataque muito forte muitas vezes vai optar por usar mais o jogo terrestre para gastar mais o relógio, de forma que sua defesa fraca ou o forte ataque adversário tenha menos tempo pra ficar em campo, se você abusar das corridas e dos passes curtos e gastar 10 minutos do relógio, são 10 minutos a menos pra uma situação na qual você estaria em desvantagem (defesa fraca ou contra um ataque forte). Também é muito comum vermos, no final das partidas, o time que está na frente no placar usando mais o jogo terrestre e os passes curtos para gastar mais tempo do relógio e terminar a partida mais rapidamente, dando menos tempo para o adversário reagir. Isso tudo vai ser levado em consideração na hora de combinar o estilo de ataque.

E qual vai ser o papel da defesa durante tudo isso que o ataque vai fazer? Naturalmente, a função básica da defesa é impedir que o ataque consiga avançar as 10 jardas e portanto perca a posse de bola. Uma coisa muito importante que eu preciso destacar antes é que o ataque raramente vai utilizar as quatro jogadas que tem direito para tentar avançar as 10 jardas. Pense na seguinte situação: O ataque está começando sua campanha da linha de 20 jardas do seu campo. Depois de três passes incompletos, o time está numa 4th and 10. Se o time tentar converter o First Down nessa jogada e falhar, digamos, com outro passe incompleto, o ataque adversário vai começar sua campanha da linha de 20 jardas do campo de ataque! Quando um time falha uma quarta descida, o adversário começa sua campanha exatamente do ponto onde a última parou, o que obviamente é uma desgraça para o time que perdeu a posse de bola. A alternativa que o time tem na quarta descida (4th Down, ou quarta tentativa), portanto, é dar um Punt. No Punt, um jogador chamado de Punter (P, que tem como dar o Punt sua única função) vai receber um snap longo e chutar a bola em direção ao campo do adversário para afastar a bola o máximo que ele conseguir.

Ao dar um Punt numa quarta descida, o time abdica de usar sua quarta tentativa para conseguir o First Down mas ele impede que o adversário de começar sua campanha numa boa posição de campo, mais perto da End Zone. O Punt, ao contrário do Kickoff, pode ser chutado para fora do campo e aí a campanha ofensiva do outro time começa aonde a bola saiu, mas caso ele fique dentro de campo, o outro time designa um Punt Returner (PR, que geralmente é o mesmo jogador que o Kickoff Returner, ainda que isso não seja sempre) que pode optar por retornar o chute até onde ele conseguir, mais ou menos como no Kickoff. Um bom Punt tem que ficar no ar por muito tempo para dar tempo o suficiente para que o time que chutou a bola consiga chegar perto do PR e impedir assim que ele retorne a bola, fazendo com que ele peça um Fair Catch (Quando o Fair Catch é pedido, nenhum jogador do time que chutou pode encostar no PR, mas ele também perde o direito de tentar o retorno. Será pedido quando ele não tem chances de retornar o Punt e não quer levar uma pancada desnecessária). Veja nesse vídeo como o Punt, faltando 14 segundos pra acabar um jogo empatado, faz o erro de não chutar para fora de campo a bola, da a possibilidade do retorno para o DeSean Jackson e paga o preço (Sem falar que esse punt foi em linha reta, não foi alto, o que deu ao Jackson tempo o suficiente para se recuperar do seu erro).



No ataque, também, um time dificilmente vai converter uma quarta descida. Isso porque ele corre o risco de perder a bola e sair sem nenhum ponto da campanha quando ele tem a opção de chutar um Field Goal. O Field Goal é quando o ataque opta por gastar sua jogada tentando chutar a bola entre os Goal Posts. Nesse caso, o time vai fazer o Snap, alguém vai segurar a bola e o Kicker vai chutar para anotar três pontos se a bola passar entre os Posts. É igual ao Extra Point, só que é numa jogada normal e não depois de um Touchdown, vale três pontos e não um e pode ser de qualquer linha do campo, não da linha de duas jardas. Em geral, um bom Kicker consegue acertar com bom aproveitamento chutes de até 50 jardas (A "distância" do chute será a distância que resta até a End Zone e mais 17 jardas. Se um time tiver a bola na linha de 33 jardas, portanto, o Field Goal será de 50 jardas: 33 que faltam até a End Zone, mais 10 que são o comprimento da própria End Zone, mais 7 que é o quanto a bola recua com o Snap). O Field Goal é uma forma de não sair de uma campanha ofensiva sem pontos mesmo quando se chega numa quarta descida. Caso o Field Goal seja errado, o time perde a posse de bola e o adversário começará sua campanha ofensiva do ponto onde foi realizado o chute. Veja um exemplo de Field Goal de 50 jardas abaixo.



De forma geral, um ataque só irá tentar uma quarta descida se a distância for muito pequena (4th and 1, 4th and inches), e mesmo assim só de vez em quando, ou então se for num momento importante no final da partida, quando o time não pode se dar ao luxo de devolver a bola para o adversário. Tirando essas ocasiões, 99% das vezes os times optarão por um chute nas quartas descidas, e se vai ser um Punt ou um Field Goal vai depender da posição de campo na qual os times se enfrentam.

Voltando agora ao papel da defesa, a defesa vai ter que basicamente impedir o avanço das 10 jardas nas três tentativas para que o ataque seja forçado a chutar a bola, e aí a defesa cumpriu seu papel de recuperar a posse de bola. Para isso, o time vai ter que naturalmente impedir que o adversário avance com a bola, seja parando as corridas como impedindo os passes. Mas uma forma muito importante de impedir um First Down é colocando pressão no Quarterback e conseguindo um Sack. Eu disse quando falei das defesas que alguns jogadores estão encarregados de fazer pressão no QB adversário. Essa pressão é importantíssima para impedir que o Quarterback tenha muito tempo para fazer um passe, se ele tiver tempo demais uma hora alguém vai se desmarcar e ele vai atingir o alvo sem dúvida. A pressão tem que forçar ele a se decidir rapidamente na pior das hipóteses, mas quando possível a pressão tem que chegar até o QB, forçar ele a fugir dos jogadores ou então apressar um passe ruim para se livrar da bola. No melhor caso, o time vai conseguir um Sack, que é quando a defesa derruba o QB antes que ele consiga lançar a bola. Nesse caso, o ataque perde jardas dependendo do lugar onde o QB foi derrubado, pois a jogada seguinte vai começar daquele ponto. As defesas nem sempre vão contar só com o Pass Rush (a pressão no Quarterback) padrão das defesas (Linha defensiva nas defesas 4-3 e também dos OLBs nas defesas 3-4) e muitas vezes vão apelar para Blitzes, que é quando um jogador que não tem como função padrão ir atrás do QB abandona sua posição para fazê-lo, o que muitas vezes vai confundir a defesa. Veja na jogada abaixo como o Cornerback abandona sua posição e consegue atacar o QB com sucesso, roubando a bola e fazendo o Touchdown.



O Sack e as pressões/blitzes são a forma mais básica de se desmontar um ataque, porque vai forçar conversões mais longas. Por exemplo, um sack de oito jardas numa 1st and 10 vai obrigar o ataque a conseguir 18 jardas nas próximas duas tentativas, provavelmente por passe, e aí a defesa vai estar esperando as bolas longas e vai se posicionar melhor pra evitar. No entanto, se a defesa simplesmente evitar conversões de First Downs, o ataque vai chutar a bola e a nova campanha ofensiva vai começar mais perto do seu campo de defesa. Por isso a defesa tem uma outra função, que é a de forçar Turnovers.

Ainda que a principal função da defesa (impedir pontos e recuperar a posse da bola) seja conseguida impedindo First Downs e forçando chutes, uma boa defesa sempre vai aproveitar as oportunidades para forçar Turnovers. Um Turnover é quando um time perde a posse de bola para o outro, mais ou menos como no basquete. Punts não são considerados Turnovers porque você está fazendo isso de propósito, ainda que seja para evitar uma desgraça maior. A grande vantagem dos Turnovers (Além do fato de que a defesa pode retorná-los para Touchdown) é que eles vão dar a posse de bola à defesa no ponto onde o turnover aconteceu, tirando a oportunidade do ataque de dar um Punt ou até de continuar sua campanha ofensiva que eventualmente faria a próxima posse de bola ofensiva do time começar mais atrás.Existem dois tipos de turnovers que ocorrem nas campanhas ofensivas: Interceptações e fumbles.

Interceptações são simples, que é quando um passe do QB (que obviamente vai ter como alvo algum dos seus recebedores) é pego pela defesa antes que toque no chão. Nesse caso, a posse de bola vai mudar de dono imediatamente após o passe ser pego e então o jogador em posse da bola, antes um defensor, vai tentar correr o máximo possível para o campo de ataque para dar ao seu time uma melhor posição de campo ou até conseguir um Touchdown, e os jogadores que antes eram do ataque agora tem como função derrubar esse jogador para encerrar a jogada. Naturalmente quando isso acontece a posse de bola muda de time e o time que antes estava na defesa, ao final da jogada (Se não for um Touchdown), vai trazer seu ataque para campo. Quando o assunto é interceptação, vale dar mais uma olhada nesse lindo Touchdown do Ed Reed.



O Fumble também é simples, é quando algum jogador que está em posse da bola (um Wide Receiver que agarra um passe só vai estar em posse da bola se ele tiver total controle sobre ela E colocar ambos os pés no campo. Caso ele segure a bola no ar com total controle, mas solte antes de colocar os dois pés, ele nunca teve controle da bola), seja um QB esperando para dar um passe, um RB correndo, um recebedor após receber um passe e até mesmo um defensor após uma interceptação perde o controle da bola e a deixa cair no chão. Quando isso acontece, a bola está viva e é de quem pegar primeiro. Um exemplo prático: Suponha uma 1st and 10 na qual o ataque joga com o Running Back para uma corrida, mas ele sofre um tackle duro e solta a bola, que cai no chão. Se algum jogador do ataque recuperar a bola, a jogada para nesse exato instante (ele não tem a possibilidade de continuar correndo) e o ataque terá uma 2nd Down, dependendo de onde a bola foi recuperada para mais ou menos do que 10 jardas (caso ela seja recuperada depois da marca do First Down, então será uma 1st and 10). No entanto, caso algum jogador da defesa recupere essa bola, aí ele tem o direito de correr até onde ele conseguir e aonde ele for derrubado começará a nova campanha ofensiva do time que recuperou a bola. O Fumble só será um turnover se o time adversário recuperar a posse da bola. Um bom exemplo de fumble está naquele vídeo logo acima do Sack do Antoine Winfield.

A defesa também tem mais uma forma de pontuar mesmo sem o ataque entrar em campo, que é através do chamado Safety. Eu disse que, quando um jogador de ataque é derrubado para acabar uma jogada, a jogada seguinte se inicia daquele ponto. No entanto, se a defesa de alguma forma conseguir derrubar um jogador do ataque dentro da sua própria End Zone desse jogador, acontece um Safety. Nesse caso, o time da defesa ganha dois pontos no placar e o time que antes estava no ataque vai ser obrigado a dar um Punt (não um Kickoff, o que faz com que a bola viaje menos) da linha de 30 jardas do seu campo. Ou seja, ao conseguir o Safety, a defesa vai anotar dois pontos e ainda vai recuperar a posse de bola para uma campanha ofensiva

De certa forma, é isso que acontece em um jogo de futebol americano. Eu sei que é muito confuso explicar, mas acredito que se vocês leram os últimos três posts com atenção, e daí assistirem a um jogo de NFL, vão conseguir entender o que está acontecendo em pouco tempo. Naturalmente isso vai se repetir ao longo de todo o jogo, e situações diferentes (como por exemplo ao final do segundo quarto, quando a posse de bola vai mudar de dono para começar o terceiro) vão exigir adaptações, mas com esse nosso resumo (se é que se pode chamar isso de resumo!) vocês já tem acesso ao básico: First Downs, Turnovers, Touchdowns, Extra Points e Two-Points Conversion, Field Goals, Punts e o funcionamento, de modo geral, de uma partida de futebol americano. Eu só queria esclarecer mais quatro coisas antes de acabar.

Primeiro, cada time tem três pedidos de tempo por tempo. Um pedido de tempo para o jogo e da tempo para o ataque ou a defesa conversarem com calma com seus técnicos e coordenadores e estruturarem melhor suas próximas jogadas, já que eles vão ter muito mais tempo que os 40 segundos normais. Mas mais importante, um pedido de tempo faz o relógio da partida parar. Por exemplo, time X está ganhando do time Y no final da partida e está com a posse de bola. O time X vai correr com a bola três vezes para ter 40 segundos entre cada jogada e assim queimar dois minutos do relógio. No entanto, se após cada jogada o time Y pedir um tempo, o relógio congela e só vai voltar a correr quando a jogada seguinte começar. Ou seja, o time que está perdendo vai evitar perder dois minutos do tempo de jogo pedindo esses tempos. Eles não tem muita importancia com 10 minutos faltando no primeiro quarto, mas nos finais dos dois tempos eles serão muito importantes.

Segundo, cada time tem direito a dois Challenges, ou desafios, por tempo. O Challenge é quando o técnico de um time discorda da marcação dos juizes para uma jogada e pede esse "desafio". Quando ele é pedido, o técnico explica o que ele acha que aconteceu e que os juizes não marcaram e aí os juizes vão analisar o vídeo da jogada para ver se o certo é o que foi marcado ou o que o técnico está pedindo. Se os juizes, analisando o vídeo, concluirem que o pedido do técnico estava certo, a jogada é mudada. Se os juizes não mudarem de ideia, a jogada se mantém e o técnico é penalizado com a perda de um pedido de tempo. Cada técnico só tem dois Challenges por tempo, mas se ele pedir os dois e ambos estiverem corretos, ele ganha um terceiro Challenge para pedir.

Terceiro, queria explicar o que significa Two-Minute Warning, que da nome ao nosso blog. O Two-Minute Warning é um "aviso" que é dado dois minutos antes do final de cada tempo (não quarto, tempo), ou então assim que alguma jogada terminar caso a marca de dois minutos seja atingida durante uma jogada. Quando esse "aviso" acontece, o relógio imediatamente para e dentro desses dois minutos nenhum técnico pode pedir Challenge, mas os juizes tem o poder de analisar em vídeo qualquer jogada que considerarem difícil ou duvidosa. Ele também tem um significado bem simbólico, por serem os minutos decisivos.

E quarto queria explicar um conceito importante e raro que é o do Onside Kick. Imagine que seu time está perdendo por 11 pontos e fez um Touchdown faltando dois minutos e sem tempos para pedir. Primeiro de tudo, você tenta uma Two-Point Conversion. Se você chutar o Extra Point, sua diferença cai para quatro e você ainda precisaria de um Touchdown para ganhar o jogo. Ao tentar uma Two-Point Conversion e dar certo, no entanto, a diferença cai para três pontos e aí com um Field Goal você vai poder empatar o jogo, sem a necessidade do Touchdown. Se falhar, não tem problema, a diferença de cinco pontos não vai ser pior pra você do que a diferença de quatro, ainda vai precisar de um Touchdown. Isso é irrelevante pro conceito de Onside Kick, é só pra ilustrar essa questãod o Extra Point/Two-Point Conversion mesmo. Mas suponha que sua Two-Point deu certo e você está perdendo por 3 pontos apenas. Mas você tem que fazer o Kickoff para recomeçar o jogo, mas com dois minutos e sem tempos para pedir, tudo que seu adversário tem que fazer é ajoelhar com a bola três vezes (o que encerra a jogada e faz o relógio continuar correndo) e esperar esgotar o tempo. Ou seja, você perdeu no momento que a bola cair nas mãos do adversário.

O que você faz então? Simples, um Onside Kick. Num Kickoff, você geralmente chuta a bola o mais longe possível pra que o adversário comece o mais perto que der da sua própria End Zone. No entanto, como nesse caso você absolutamente não pode deixar a bola cair nas mãos do outro time, o que você faz é chutar o kickoff para bem perto dos seus jogadores para que um deles recupere a bola e então o seu time mantém a posse da bola. No entanto, isso é bem difícil de fazer. Primeiro porque nenhum jogador da defesa (o time que está chutando) pode tocar na bola antes de um de ataque antes que a bola viaje 10 jardas, ou seja, passe da marca de 45 jardas. Isso da uma enorme vantagem ao ataque, especialmente se ele já estiver esperando o Onside Kick. Além de muito difícil de se recuperar um Onside Kick, o risco é grande: em caso de falha, o ataque do outro time já vai começar a campanha no seu campo, o que é uma posição muito boa para pelo menos chutar um Field Goal. Veja por exemplo no vídeo abaixo como o Saints faz um Onside Kick sem o Colts esperar, o que deixa o time de Indianapolis confuso e faz com que o Saints consiga recuperar o chute e portanto manter a posse da bola. Quando a defesa adversária já está esperando, é mil vezes mais difícil.



Bom, eu acho que por hoje está bom. Eu sei, é muito confuso num primeiro momento, mas assistindo aos jogos eu acho que vai ficar mais fácil para todo mundo. Se vocês não entenderam alguma coisa, por favor perguntem, por email ou deixando nos comentários. Entender o funcionamento do jogo é um passo importantíssimo para gostar do esporte, e eu quero fazer com que o máximo possível de pessoas consigam, depois de ler ao Especial NFL, possam entender o que está acontecendo no meio dessa aparente bagunça. Espero realmente que isso tenha tornado mais fácil para todos vocês, por mais difícil que seja, assistir a um jogo de futebol americano com consciência total do que está acontecendo lá dentro.

Grande abraço a todos e até o nosso próximo post!