Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A evolução das defesas na NFL

Richard Dent faz uma ótima demonstração de 
como a defesa deve jogar sob as novas regras



Desculpem a inatividade recente, a ressaca pós-Super Bowl ainda não passou e o nosso Mailbag não está recebendo perguntas suficientes pra justificar um post até agora. Enquanto esperamos mais perguntas (Vamos, galera, não desanimem agora, mandem seus emails para tmwarning@hotmail.com!), vamos falar um pouco sobre a evolução das defesas na NFL.

Alguns aqui talvez se lembrem de um post que fizemos já faz algum tempo sobre a evolução do jogo aéreo na NFL. Nesse post, nós comentamos sobre como as regras que surgiram ao longo dos anos - em especial de 2004 pra frente - tiveram o efeito de facilitar em muito o jogo aéreo na NFL. Isso causou, é claro, um grande direcionamento do jogo na NFL para o ar, e os Quarterbacks e os ataques passaram a ter um peso muito maior do que tinham até então. Isso também fez com que os números dos Quarterbacks e Wide Receivers pós-2004 explodissem se comparado aos números anteriores, e em nossa mania de querer comparar tudo em números sem pensar no que está por trás deles, acabávamos olhando pra números extremamente inflados e exaltando as estatísticas dos jogadores de hoje como sendo superiores às dos jogadores de 20 anos atrás. As 5300 jardas do Drew Brees em 2011 foram incríveis, claro, mas nós olhamos pro número 5300 em absoluto, esquecendo que conseguir 5300 jardas hoje é muito mais fácil do que conseguir 5000 trinta anos atrás. O jogo muda, as regras mudam, e nós esquecemos disso, continuamos tratando os números como se significassem a mesma coisa em qualquer época.

Mas voltando ao tópico principal, as mudanças que o jogo aéreo sofreu ao longo dos anos, e em especial na década de 2000, determinaram como os ataques iam jogar, deram ênfase ao jogo aéreo, colocaram o jogo terrestre em segundo plano e tornaram a NFL numa Liga onde o jogo terrestre é o que da o tom do jogo, e onde eé cada vez mais difícil vencer sem um grande QB. Mas hoje, vamos olhar o lado contrário da questão, e analisar como as defesas na NFL ficaram com essas mudanças nas regras e no jogo, e qual o panorama pras defesas da NFL nos próximos anos.

Para quem não leu ou não lembra desse post e está com preguiça de clicar no link acima, um breve resumo. Ao longo dos anos - e em especial na década de 2000 - a NFL começou a mudar algumas regras e instituir algumas regras novas visando incentivar o jogo aéreo na NFL. Os principais motivos para essa mudança foi a mentalidade defensiva que dominou a NFL no começo da década e levava a muitos jogos lentos e de placares baixos, com defesas dominando os ataques. Isso se deu, em parte, por uma certa entresafra de grandes Quarterbacks na Liga. A geração anterior (Troy Aikman, Dan Marino, Joe Montana, Steve Young, John Elway, Jim Kelly, etc) estava saindo de cena e a nova geração (Tom Brady, Peyton Manning, Ben Roethlisberger, Drew Brees, etc) ainda não tinha aparecido o suficiente para dominar o cenário da NFL. Ainda que tivéssemos Brett Favre e Kurt Warner destruindo recordes diariamente, era muito pouco frente ao maior cenário da Liga. Tirando o extremamente ofensivo Rams (The Greatest Show on Turf), que foi campeão do Super Bowl em 1999, quem aparecia em peso eram as defesas. O Ravens de 2000 (Trent Dilfer de Quarterback), o Patriots de 2001 (Um Tom Brady burocrático e eficiente de QB, mas secundário a uma grande defesa), o Bucs de 2002 e até mesmo o Pats de 2003 eram todos times que tinham uma grande defesa e um ataque medíocre, em geral que contava com um forte jogo terrestre mas que tinha como grande âncora sua defesa. As defesas de Ravens e Bucs, em particular, estão entre as maiores de todos os tempos. Os jogos truncados, defensivos e de poucos pontos começaram a dominar o cenário da NFL, e a Liga decidiu mudar as regras pra aumentar o poder dos ataques.

Não é a toa que desde 2004 os campeões do Super Bowl tiveram como QBs titulares Brees, Brady (Em 2004 pela primeira vez assumindo uma posição central no time), Manning, Aaron Rodgers, Eli Manning e Big Ben, depois de ver um Brady pirralho e burocrático, Trent Dilfer e Brad Johnson ganhando Super Bowls no começo da década. As novas regras restringiram e muito o que a defesa podia fazer - não podiam mais acertar jogadores com o capacete, não podiam mais atingir jogadores na área da cabeça, não podiam mais encostar nos recebedores, não podiam derrubar QBs abaixo da cintura... Ou seja, na década de 80/90 a defesa tinha muito mais recursos tanto pra marcar os recebedores adversários como para atacar o QB como para dar tackles. Agora os defensores estão muito mais limitados, o jogo aéreo domina a NFL e estatísticas de passe e recepções são quebradas diariamente. A NFL pode justificar essas regras dizendo que estão protegendo a saúde dos jogadores, o que até é verdade em algum nível, mas o verdadeiro motivo era aumentar os placares, tornar os jogos mais abertos e, na avaliação deles, mais atraentes para o público.

Uma vez que o principal impacto dessas mudanças foi o incentivo ao jogo aéreo, era de se esperar que o caminho para o sucesso das defesas fosse fortalecer a defesa contra o passe. Formações Nickel (com um cornerback extra), melhores safetys e cornerbacks, estratégias de cobertura complexas... Esse parecia, no primeiro momento, ser o caminho de sucesso para defesas. Se você conseguisse montar uma grande secundária e limitar o jogo terrestre, os adversários seriam obrigados a recorrer ao jogo terrestre mais e mais. No começo, após as mudanças, esse realmente foi o foco das defesas, fortalecer a secundária em busca de uma chance de lutar contra os ataques aéreos, agora fortalecidos pelas regras. Mas com o tempo, e cada vez mais, se percebe que o caminho para o sucesso das defesas na NFL não é a secundária, ou a defesa aérea, e sim o pass rush, ou a capacidade da defesa de pressionar o Quarterback.

Claro que se você tiver uma grande secundária você vai ter uma vantagem. A secundária do Jets, com Darrelle Revis e Antonio Cromartie (vindo de ótima temporada depois de uma temporada inicial medíocre), com certeza inibiu passes contra o time de NY. Também ter safetys capazes de forçar interceptações como Ed Reed continuam colocando pressão no QB e fazendo eles pensarem duas vezes antes de passar a bola em profundidade (O que é um efeito lógico, se o índice de interceptações de um QB fica constante e ele começa a passar a bola mais vezes por jogo, o número de interceptações tende a aumentar - o que explica o aumento em interceptações recente). Grandes jogadores e secundárias bem montadas vão ter seu efeito, em qualquer época. Se você tiver a oportunidade de montar uma grande secundária, tem que montar.

O que acontece é que não é todo time que que é capaz de montar uma secundária com tanto impacto. Não estamos em uma era de boom em jogadores de secundária, temos vários bons jogadores mas não em número excessivo, que fosse suficiente para dar à maioria dos times da Liga uma unidade capaz de alterar jogos por conta própria. A grande maioria dos times tem que se contentar em ter uma secundária mediana, sem jogadores de nível All-Pro como Ravens, Jets e Steelers. Isso se dá também pelo fato de que a secundária teve uma redução no seu papel. Em 2002, uma dupla determinada dupla de Cornerbacks teria mais impacto no jogo do que em 2011, onde as regras são desenhadas para que eles justamente tenham menos impacto. Pra que um cornerback médio hoje impacte o jogo da mesma forma que um cornerback médio impactava o jogo em 2002, o cornerback médio de hoje precisa ser consideravelmente superior do que o cornerback médio de 2002. Como não estamos tendo um grande aumento no nível dos jogadores da secundária desde então, o número de jogadores capazes de impactar o jogo da secundária caiu em muito, e poucos times tem esse luxo.

No começo, a solução parecia uma enorme disputa entre os times para ver quem pagava mais a esses jogadores. No entanto, a solução que foi encontrada era muito mais barata e acessível: Se você não pode marcar os recebedores de forma a impedir que o QB tenha um alvo para o passe, você tem que impedir que o Quarterback passe, derrubando ele antes que ele lance - ou pelo menos causando pressão o suficiente para que ele não tenha tempo e calma de achar seus recebedores. Ou seja, os times decidiram que a melhor forma de combater o ataque aéreo não era na secundária,  sim com o pass rush, pressionando o QB antes do passe.

De certa forma, isso faz todo o sentido do mundo. Não importa se a sua secundária é boa ou não, ela recebeu muitas limitaçōes e pode fazer muito pouco pra evitar que o recebedor tenha uma posição favorável em campo, logo logo vão proibir os defensores sequer de tocar na bola. Com tantas restriçōes, é muito difícil manter um jogador do ataque sob controle por muito tempo, e se tiver tempo, cedo ou tarde alguém vai conseguir abrir espaço. O truque então é diminuir cada vez mais esse tempo. Os jogadores que pressionam o QB também receberam restriçōes ao longo do tempo, especialmente limitando o quanto do Quarterback eles podem visar, mas essas restriçōes são bem menores do que as restriçōes que os jogadores da secundária tem.

Isso chega, também, associado a uma certa abundância de jogadores da posição na NFL, o que facilita a vida dos times. Pelas limitaçōes que a regra oferece, pressionar o QB já é relativamente mais vantajoso do que jogar só com a cobertura e dar tempo ao QB adversário, e além disso atualmente o mercado tem muito mais jogadores de qualidade para jogarem na linha defensiva do que jogadores de secundária, o que torna montar um bom pass rush bem mais acessível do que montar uma boa secundária tanto em termos de quantidade quanto em termos financeiros. Pensem que só no último Draft tivemos Von Miller, Aldon Smith e JJ Watt, três pass rushers de altíssima qualidade que já estão jogando num nível entre os mais altos da posição.

Isso explica também a popularização crescente da defesa 3-4 nos últimos anos depois da defesa 4-3 ter dominado por tanto tempo a NFL (Pra saber mais sobre as defesas 3-4 e 4-3, recomendo esse post do nosso Especial NFL destinado às defesas). A defesa 3-4 é uma defesa que é muito mais agressiva, na sua forma padrão ela envia um homem a mais do que a 4-3 e permite variaçōes mais criativas para a blitz. Em outras palavras, é uma defesa que sacrifica um pouco da cobertura para colocar mais pressão no Quarterback. Ela naão era muito usada até as novas regras, quando elas começaram a se popularizar e estão em grande parte das defesas de sucesso da NFL (Steelers, 49ers, Ravens, Packers versão 2010, Jets, Washington Redskins e Houston Texans). Por ser uma defesa que coloca mais ênfase no pass rush, ela é a defesa ideal para enfrentar a situação atual do jogo aéreo, e embora qual defesa usar dependa muito dos jogadores que você tem, o fato dela ser uma defesa mais agressiva tem sido o principal motivo dela ter voltado a ganhar popularidade nos últimos anos.

Dois times de sucesso em 2011 nos mostraram como a secundária não precisa ser uma unidade forte, desde que sua defesa tenha outros fatores. No caso do Packers, a secundária era uma droga em termos de jardas, foi uma das piores da NFL e todo mundo conseguia produzir em quantidade. Mas ela compensava isso forçando turnovers e ganhando posses de bola extra para o time, então o Packers não se importava. Ter uma secundária sólida está cada vez mais difícil, então os times deixam de se preocupar com isso em alguma medida para usar sua defesa de outras formas. O que causou a queda do Packers foi a dificuldade da sua defesa de pressionar o Quarterback usando sua linha de frente, tirando o Clay Matthews. O outro exemplo é o campeão Giants, que tinha uma secundária fraca e desfalcada por lesōes mas cuja defesa era absolutamente dominante graças à sua capacidade de pressionar o Quarterback. Aaron Rodgers e Tom Brady, dois dos três melhores QBs saudáveis da NFL na atualidade, tiveram muitos problemas pra jogar contra essa defesa porque eles não tinham tempo para pensar ou para aguardar seus recebedores se desmarcassem, logo que eles recuavam para o passe eles precisava fugir de alguém ou apressar a jogada para evitar um sack.

O grande Bill Parcels já dizia: Quando você faz o QB deixar de olhar a secundária (onde estão seus recebedores) e passa a olhar a linha de scrimmage (de onde está vindo a pressão), você ganhou o jogo. E é pura verdade, quando um QB olha pra linha de scrimmage antes de soltar o passe ele está condenado, ele perde um tempo precioso, para de ter controle sobre as  movimentaçōes da defesa e do ataque e quando ele finalmente olha para a secundária precisa gastar mais tempo ainda para avaliar a situação, o que pode levar a um passe apressado e a um turnover. Sem falar que com sacks você queima jogadas do ataque e aumenta a distância das descidas.

O pass rush sempre foi parte importante de uma defesa, e jogadores como Derrick Thomas e Lawrence Taylor sempre foram diferenciais nos times que jogaram. Como eu sempre digo, grandes jogadores vão fazer diferença não importa em que era jogarem, e o pass rush sempre foi um componente importante das defesas, assim como a secundária, a defesa terrestre e tudo mais. Só que as novas regras estão dificultando ainda mais as coisas para a defesa, e a forma que tem se mostrado eficiente pra combater os fortes ataques aéreos até agora eé aumentar a pressão, tirar o QB da zona de conforto e não deixar o jogo aéreo estabelecer seu ritmo. Essa sempre foi uma opção pra defesas ao longo do tempo, ao lado de muita outras, que ficavam a crédito do pessoal envolvido, dos coordenadores e técnicos, etc. Mas com as novas regras - associado a uma certa abundância de pass rushers de qualidade - está tornando essa opção cada vez mais vantajosa se comparado com as outras. Cada vez mais os times estão menos preocupados com sua secundária e mais preocupados com a pressão que são capazes de colocar no QB adversário. Essa foi a forma encontrada pelos times de combater os ataques ajudados pelas regras. E essa é a tendência para as defesas da NFL daqui pra frente, especialmente com jogadores como Jason Pierre-Paul, Von Miller e Aldon Smith surgindo a cada ano. Cada vez mais, enquanto o ataque se direciona para o ar, as defesas se direcionam para o chão para combatê-los. Como não podem atacar o adversário no terreno onde elas levam vantagem, elas buscaram uma nova forma.

E até agora, está dando resultados: O Steelers de 2008, o Packers de 2010 e o Giants de 2011 eram times cujo principal foco defensivo era a pressão. O 49ers de 2011 ressurgiu atrás de uma defesa com uma boa secundária mas com uma linha de frente espetacular. O Ravens se manteve um Juggernault defensivo ao longo dos anos porque tem sido constantemente capaz de pressionar o QB e vencer a batalha das linhas. Times como Broncos, com defesas medianas, se mantiveram competitivos porque eram capazes de colocar pressão sem recorrer a blitz suicidas. Então por mais que as novas regras tenham direcionado o jogo pro ar, por mais que elas favoreçam os ataques e gerem estatísticas muito infladas para os QBs que nós insistamos em comparar sem lembrar de como o jogo tem mudado, é um erro pensar que com as novas regras só dos ataques vivem a NFL. As defesas também estão em constante adaptação pra poderem ter uma chance mesmo com as mudanças de regras. E os resultados estão bem na nossa frente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Especial NFL - Os Jogadores de Defesa

Essa é a quarta parte do nosso Especial NFL. Eu já expliquei o que exatamente é esse especial, um especial que vai explicar um pouco mais da NFL e do futebol americano para quem não conhece ou conhece pouco. Já pedi também ajuda para divulgação, pedi a todos que soubessem de alguém interessado para que espalhassem sobre o Especial. Nós começamos o Especial falando sobre a história do futebol americano e depois comentamos mais sobre o esporte e a Liga nos dias de hoje, junto com a estrutura financeira e administrativa da NFL. Depois, começamos a explicar melhor o que acontece dentro de campo quando falamos da função de cada uma das posições de ataque. Agora vamos continuar falando de posições, mas vamos falar sobre posições de defesa.

Nos próximos dias vamos continuar desenvolvendo o Especial explicando o funcionamento do jogo em si, e mais formas de acompanhar o esporte em diversas mídias, mas estamos abertos a sugestões e palpites, que vocês podem enviar para nosso email tmwarning@hotmail.com ou no nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem.

Aproveitando para pedir desculpas pela demora para soltar esse post, mas infelizmente o tempo foi muito curto nos últimos dias e só agora ele pode sair com a qualidade que a gente queria.



 
Antes de começar a falar de fato sobre as posições defensivas, queria esclarecer algumas coisas. Primeiro, recomendo a todos que leiam antes o nosso post sobre as posições de ataque, porque as posições de defesa se baseiam nelas e eu vou tar o tempo todo comentando as posições de defesa de acordo com o que eu disse sobre o ataque.

Segundo, quando eu comentei sobre as posições de ataque, eu disse que numa jogada todo o ataque é combinado antes - o tipo de jogada, a formação, a movimentação dos jogadores e tudo mais. Tudo é combinado, cronometrado e executado até que algo obrigue algum tipo de improvisação ou mudança de planos. Na defesa, você também vai combinar a formação antes: O tipo de blitz (Quando algum jogador abandona sua posição original na defesa para ir atrás do QB adversário), o tipo de cobertura, quem vai enfrentar quem no mano a mano, etc. No entanto, a defesa está posicionada pra reagir a uma jogada que ela não sabe qual vai ser! Ela pode ter uma ideia pela formação usada, pelo momento do jogo, estudando os padrões do adversário e tudo mais, mas ela smepre vai ter que estar montada e preparada para enfrentar qualquer tipo de jogada. O jogo de defesa da NFL - ao contrário do ataque - se baseia muito mais em reação do que outra coisa. Não a toa existe uma velha brincadeira do futebol americano, que dizem que para se jogar no ataque o importante é ser preciso, capaz de executar uma estratégia e uma movimentação ao pé da letra, enquanto na defesa o importante são seus instintos pra reagir ao que você vai encontrar pela frente.

E assim como quando comentamos sobre o ataque, nós também vamos ter vários tipos diferentes de formação: Nickel, Dime, etc, que eu vou comentar mais pro final. No entanto, existem duas estratégias básicas para a montagem de defesas, ao contrário da NFL que podemos tomar a I como ponto de partida para todas as outras. Na defesa, as formações vão variar a partir dos esquemas 3-4 e 4-3, e em cada uma delas algumas posições terão um papel diferente. Por isso vamos explicar o papel dos defensores em cada uma das defesas. A gente sabe que é confuso, mas hoje em dia mais ou menos metade da Liga usa uma defeas 3-4 e a outra metade uma 4-3, então é importante explicar as duas. Rapidamente:

Diagrama 1: Defesa 4-3

A defesa 4-3 tem esse nome por causa da sua linha de frente, que possui quatro jogadores na linha defensiva (calma, vamos explicar daqui a pouco) e três Linebackers logo atrás. A defesa 4-3 é a defesa mais tradicional da NFL, mais equilibrada, e que em geral é uma defesa mais "conservadora".

Diagrama 2: Defesa 3-4

A defesa 3-4, por sua vez, tem três jogadores na linha defensiva e quatro Linebackers, logo 3-4. Ela é uma formação que tem ganho espaço mais recentemente, e é uma defesa mais agressiva em relação a atacar o Quarterback. Sua formação mais versátil permite esquemas mais variados de blitz, mas mesmo na sua formação "padrão' ela já é mais agressiva, mas vamos explicar mais abaixo. Quando formos explicar algumas posições, vamos indicar especificamente qual a função em cada defesa. Nas outras, a função é a mesma independentemente da formação. Mas tenham sempre em mente que cada uma tem suas diferenças (para enxergar melhor o posicionamento defensivo, talvez fosse melhor comparar com as imagens do post anterior).

Linha defensiva
A linha defensiva é a primeira parede da defesa, composta pelos Defensive Tackles (DT) e pelos Defensive Ends (DE). Ela vai ficar, naturalmente, de frente para a linha ofensiva do time adversário. A função dela é dupla: Primeiro, evitar o jogo terrestre. No caso de uma jogada corrida do ataque, os jogadores da linha ofensiva terão como função abrir caminho para que o RB passe. Portanto, a função da linha defensiva nesse caso é justamente impedir que a linha ofensiva consiga abrir muito espaço, seja fechando diretamente no corredor e derrubando ele logo no começo ou então mantendo os bloqueadores ocupados para que os outros jogadores da defesa tenham caminho livre para derrubar o jogador. No caso de jogada aérea, os jogadores da linha ofensiva tem que simplesmente chegar no QB adversário e derrubá-lo antes que ele lance a bola, o chamado Sack. Mas vamos esclarecer melhor falando de cada posição:

Defensive Tackle (DT)/Nose Tackle (NT): Pra esclarecer a mudança de nome, Nose Tackle é o nome que se dá ao Defensive Tackle em uma formação 3-4. Os jogadores dessa posição costumam ser os mais pesados e mais fortes de toda a Liga, já que dependem muito da sua capacidade de derrubar os adversários e manter posição. Na defesa 4-3, que conta com dois DTs, a função é mais ou menos a que eu expliquei acima. Evitar a abertura de espaços para o jogo corrido, dar tackles se possível e tentar chegar ao QB o mais rapidamente possível para que ele não tenha tempo de pensar e achar um alvo. Claro que depende muito do estilo e da habilidade do jogador, tem jogadores que são especialistas em ficar segurando os bloqueadores e evitando que eles abram espaços e tem alguns (geralmente os melhores DTs) que tem força e velocidade suficiente para romper o bloqueio da linha ofensiva e chegar ao QB com mais velocidade (Veja um bom exemplo nesse sack do genial Ndamukong Suh).

Na defesa 3-4, o então Nose Tackle tem uma função muito mais simples e única: Ocupar dois jogadores da linha ofensiva. Sim, parece idiota, mas é uma função extremamente importante: ele tem que ser um jogador grande e forte o suficiente pra exigir que a linha ofensiva dobre a marcação nele, o que libera seus companheiros de time. Como na defesa 3-4 padrão você tem cinco jogadores indo pra cima do QB (Três da linha defensiva e dois OLBs, que já explicaremos), ter um jogador que ocupa dois marcadores faz com que a defesa tenha um jogador sem marcação para atacar o QB. De qualquer forma, ele manter dois bloqueadores ocupados já favorece em muito uma defesa agressiva como a 3-4.

Defensive End (DE): O Defensive End tem uma função igual na defesa 3-4 e na 4-3, que é de partir pra cima do Quarterback. Eu comentei quando falei sobre a linha ofensiva que a maior parte das pressões vem pela lateral da linha, e isso porque quem geralmente é mais rápido e ágil da linha defensiva (além da força física necessária para enfrentar um lineman) e portanto tem mais perigo de correr até o QB é o Defensive End. A diferença entre o Defensive End na 3-4 e na 4-3 é que na 4-3 ele é a principal fonte de pressão no Quarterback, enquanto que na defesa 3-4 esse papel será dos OLBs (ainda que o DE também tenha um papel fundamental nisso). Naturalmente eles terão como tarefa darem tackles nos jogadores que estiverem eventualmente correndo com a bola, mas a função primária deles é dar a volta e atacar o QB. Um bom exemplo de DE que ataca o QB é o Julius Peppers.


Linebackers
O corpo de Linebackers é a principal defesa contra o jogo terrestre do adversário e costumam ficar logo atrás da linha defensiva. Ainda que a linha defensiva tenha como papel evitar que os bloqueadores do ataque abram espaço, geralmente isso se limita a tirar os bloqueadores do caminho. Nesse caso, aqueles que estão logo atrás - os Linebackers - serão os encarregados de derrubar os corredores. No entanto, eles tem um papel bem mais versátil: Muitas vezes são encarregados de proteger a região atrás da linha ofensiva contra o jogo aéreo (especialmente contra Tight Ends, que não são tão rápidos e geralmente usam rotas mais curtas) e também muitas vezes são envolvidos em blitzes (No esquema 3-4, o OLB tem como função padrão ir atrás do QB). Ainda que sua função principal seja dar tackles e usar da sua força, essa é uma das posições mais versáteis da defesa já que podem assumir muitas funções.


Middle Linebacker (MLB), Inside Linebacker (ILB): Dois nomes para a mesma coisa, novamente vai depender apenas da formação em que eles se encontram, sendo MLB na 4-3 e ILB na 3-4. A função desse jogador vai mudar muito pouco com a mudança de formação, eles são os responsáveis de uma forma geral pelos tackles que vão ocorrer em jogadas curtas (Em especial corridas, mas também passes curtos) e cobertura do miolo da defesa (A área logo atrás da linha de scrimmage, numa distância de no máximo 10 jardas dela) de uma forma geral. A diferença é que na formação 4-3, como só temos um MLB, ele acaba acumulando funções e agindo mais pela área central, enquanto na defesa 3-4 temos dois que costumam se deslocar um pouco mais lateralmente para cobrir áreas maiores. Veja aqui um ótimo exemplo de um Linebacker que identifica a jogada e se antecipa ao corredor para derrubá-lo.

Outside Linebacker (OLB): Esse jogador é, provavelmente, o que mais vai mudar suas funções nas defesas 3-4 e 4-3. Apesar de ser umas das primeiras opções de blitz nas defesas 4-3, a função padrão do OLB é proteger a área atrás da linha de scrimmage, só que nas laterais ao invés do meio. Ele vai ter também que dar muitos tackles e vai cobrir os passes curtos, de certa forma ele funciona como um MLB que joga mais pelos lados do que pelo meio, mas com a função basicamente igual. O que vai mudar vai ser na defesa 3-4, quando você costuma deixar os ILBs tomando conta do território, os OLBs vão ter como função padrão atacar o QB adversário pela lateral da linha defensiva, muitas vezes saindo até de bem perto da sua lateral. Eles são a principal causa de pressão no QB nas defesas 3-4 (Ao contrário das defesas 4-3, que é o Defensive End) e geralmente estão menos encarregados de dar tackles. Veja nesse exemplo como a defesa do Steelers coloca seus dois OLBs praticamente na linha defensiva, e um deles acaba por dar o sack.


Cornerbacks (CB)
Os Cornerbacks tem uma função simples em qualquer defesa, seja 3-4 ou 4-3: Defender contra os passes, marcando os alvos, ou seja, os Wide Receivers (Em alguns casos também Tight Ends, mas geralmente eles serão marcados por Linebackes mesmo. Estão acompanhando?). Se vocês compararem os Diagramas 1 e 2 com as formações ofensivas do último post, vão ver que o Cornerback começa a jogada em frente ao Wide Receiver adversário. O Cornerback pode ter como função na jogada defender o Receiver tanto através de uma marcação individual (Quando o Corner simplesmente gruda no WR e fica seguindo ele pra evitar que ele consiga receber o passe) ou através de uma marcação por zona (quando o jogador fica encarregado de defender os passes em um certo território do campo), mas ele vai ter que defender passes e, se possível, interceptar um passe. Como precisam reagir aos movimentos do adversário e correr muito atrás dos jogadores, geralmente os cornerbacks são jogadores baixos, rápidos e ágeis. Naturalmente eles vão assumir funções diferentes dependendo da jogada, as vezes vemos CBs até indo pra blitz, mas a função primária deles é defender os Wide Receivers do adversário.

Pra dar um exemplo, vejam o Darrelle Revis, famoso por marcar individualmente grandes jogadores e tirá-los totalmente do jogo por não ceder espaços para um passe passar, marcando o Chad Ochocinco. Reparem como ele sempre está colado no Ochocinco, não dando nenhum espaço para ele jogar.


Strong Safety (SS), Free Safety (FS)
Como o nome indica, o Safety é o segurança do time. Ele é a última linha de defesa, e ele vai ser responsável por parar muitas jogadas antes que elas virem touchdowns. Essa é na verdade a própria função do Safety em um time. Seja jogo terrestre ou jogo aéreo, ele vai ter que guardar a área atrás do resto da defesa. Se um jogador passar pelo Safety, isso provavelmente vai ser fatal para a defesa, porque não vai ter ninguém para segurá-lo. Ele tem que ser um jogador versátil capaz de dar tackles, mas também tem que ser rápido para cobrir Wide Receivers e conseguir interceptações (Como o Safety joga a uma distância maior da linha, ele costuma jogar em velocidade, o que lhe favorece para conseguir ir em direção à bola).

A distinção entre Strong e Free Safety é quase supérflua, porque isso não é de forma alguma definitivo e os jogadores costumam jogar nas duas, mas eu acho interessante porque ilustra bem as funções que um Safety tem na partida. O Strong Safety (Que tem esse nome porque joga do lado "Strong", ou seja, o lado que tem o Tight End) geralmente é um pouco maior e mais forte, e costuma jogar mais próximo da linha defensiva para ter a opção de chegar até ela em velocidade para parar um eventual corredor, como o Bob Sanders sabe fazer tão bem.

Já o Free Safety (que tem esse nome porque, se você designar marcações individuais para a defesa, o Free Safety ficaria com o Quarterback, mas como o QB raramente sai do pocket o FS ficaria "Free", livre) costuma ser mais leve e mais rápido, jogando mais atrás e dando maior ênfase ao jogo aéreo, usando sua velocidade para atacar linhas de passe e conseguir coisas lindas como essa. Na verdade o Safety tem que fazer essas duas coisas, tanto atacar o corredor perto da linha como usar sua velocidade para voar pela secundária cortando passes, essa diferenciação é muito superficial, mas fica bom pra ilustrar os muitos deveres de um Safety. Basicamente ele tem que proteger tudo que ameaçe passar pela defesa.



De certa forma, a defesa é muito mais complicada que o ataque. O ataque é algo definido e executado de acordo com o plano. A defesa tem um plano que pode dar certo e se adaptar muito bem ao que o ataque ofereceu mas também pode ir por água abaixo forçando todo mundo a improvisar pra se adaptar, além de complicar nossas vidas com as defesas 3-4 e 4-3. Espero que vocês tenham conseguido entender a diferença, e recomendo que voltem aos Diagramas 1 e 2 e vejam se conseguem enxergar o que eu citei sobre as duas. Na defesa 4-3, o padrão (Claro que vão incluir duzentas blizes, tou falando da formação padrão só) é usar os quatro jogadores da linha pra pressionar o adversário, uma defesa mais conservadora. A defesa 3-4 usa cinco jogadores (três da linha e os dois OLBs) para ir atrás do adversário, o que aumenta o seu poder e chance de sucesso mas também tira um defensor da área de cobertura, o que é mais arriscado. Qual é a base de uma defesa vai depender muito dos jogadores disponíveis e suas características.

Antes de acabarmos (Eu sei que disse que ia falar do Special Teams hoje, mas achei melhor deixar pra próxima) vou falar mais de algumas formações defensivas.

Nickelback

Como vocês podem ver, na defesa Nickelback você tira um jogador da parte da frente (Geralmente é um Middle Linebacker, mas podem ser outros, em especial um DT) para colocar mais um jogador na secundária, o Nickel Back, que pode ser um Safety (como mostra na imagem) ou, mais comum, outro cornerback. É uma defesa que tem como principal função proteger como passe, e portando adiciona mais um jogador da secundária para defender um eventual Wide Receiver extra.

Dime

A defesa Dime é uma defesa mais extrema contra o passe, na qual você troca dois jogadores da linha de frente (geralmente os dois OLBs, mas também pode ser o MLB e um DT) para colocar dois Nickel Backs para defender contra o jogo aéreo.

Goal Line Formation

Pra terminar, a defesa extrema contra a corrida, quando você está pertissimo da linha da end zone e quer impedir a todo custo uma corrida pelo meio. Você nesse caso coloca todos os pesadões na linha de frente pra evitar que atravessem pela força, e mantém alguns jogadores de segurança mais atrás caso o ataque tente uma corrida pelo lado ou até um passe. Mas essa função é desenhada principalmente para evitar uma corrida forçada pelo meio para ganhar uma ou duas jardas.


É isso galera, espero que tenha ficado claro. Acho que não ficou porque defesas são muito mais complicadas, mas espero ter contribuido para esclarecer nem que seja um pouco e acho que o resto você acaba adquirindo assistindo às partidas. Vamos voltar no final de semana explicando como funciona o jogo em si e também com vários lugares pra vocês acompanharem as partidas e se integrarem nesse monte de coisa.

Grande abraço e até sábado!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Abaixa! Lá vem os Chiefs!!!

"3-0? Não, fala sério! A gente nunca faria 3-0!"

A temporada regular da NFL começou há quase 1 mês, e, depois das 3 primeiras rodadas, apenas 3 times se mantiveram invictos. Um desses times é o surpreendente Kansas City Chiefs, que, depois de uma campanha pífia na temporada 09/10 (4-12, depois de uma campanha de 2-14 na temporada 08/09), o time começa com 3 vitórias em 3 excelentes atuações, vencendo Chargers, Browns e 49ers. Ok, está certo. O time ainda não teve um grande desafio. Não jogou contra nenhum dos favoritos ao título. Mas suas atuações foram dignas de disputar título de divisão e vaga nos playoffs.

Mas o que causou essa mudança repentina? Ficaram de castigo nas férias? Fizeram macumba?! Pacto com o cão!?!? Claro que não, dã! Tudo tem uma explicação racional, e é pra isso que eu estou aqui. Não. Eu não sou o Padre Quevedo, moleque pentelho!

Para começar, vamos olhar o ataque dos Chiefs. O draft do time do Kansas City Chiefs foi excelente, trazendo o versátil WR Dexter McCluster, para se juntar ao já conhecido Dwayne Bowe, para dar ótimas opções de ataque ao QB, e ex-patriota, Matt Cassel, além do jogo terrestre que, com Jamaal Charles e Thomas Jones, não parece precisar de mais reforços (além do fato de que o novo WR também é um ótimo corredor). Mas talvez o ponto principal dos reforços ofensivos do time do Arrowhead Stadium tenha ficado fora das 4 linhas. Charlie Weis, renomado ex-Head Coach de Notre Dame (já tendo trabalhado como cordenador ofensivo e de RBs nos Patriots, Giants e Jets), assinou como novo coordenador ofensivo do time. E, aparentemente, consertou o que havia de errado com o ataque do time de Kansas City. Para começar, Matt Cassel, pilar de sustentação do ataque (como todo QB), que havia sido interceptado por 16 vezes na temporada passada, só tem 3 intercepções até agora. Ele passou para 16 TD durante toda a temporada. Até agora já são 4. O jogo terrestre também tem sido menos exigido, trazendo mais uma força ofensiva ao time dos Chiefs. Ter as duas opções (jogo aéreo e jogo terrestre) reforça qualquer ataque, por motivos óbvios.

Mas será que o ataque foi o grande ponto de crescimento para o time dos Chiefs? Bom. Talvez não. Mas se não for o ataque, o que é? Dã, só pode ser a defesa, animal! Com a chegada do novo coordenador defensivo Romeo Crennel, a defesa dos Chiefs sofreu uma mudança drástica. O esquema defensivo saiu do 4-3 pro 3-4 (a linha defensiva agora é composta somente por 3 jogadores, 2 DE e 1 NT, dando espaço para 4 LB atrás). É uma defesa mais agressiva e mais forte. Além disso, o draft mais uma vez funcionou. O safety Eric Berry, escolha de primeiro round (5th pick), parece estar já honrando seu contrato de 6 anos, a 10 milhões de dólares por ano, com 17 tackles em 3 jogos. Com isso, o time, que no ano passado cedeu uma média de 388,2 jardas por jogo (3ª pior da liga) e um total de 424 pontos (4ª pior da liga), esse ano está com uma média de 313,0 jardas por jogo (13ª melhor da liga, subindo 17 posições) e apenas 38 pontos nos 3 jogos (2ª melhor da liga, 27 posições acima). Essa inacreditável melhora da defesa é o real motor do time de Kansas City.

Resta agora ver se o time vai funcionar nos grandes jogos. Os Chiefs não jogam na 4ª semana, tendo tempo para descansar para o jogo da 5ª semana, contra um dos favoritos da liga - possivelmente seu primeiro grande teste - o Indianapolis Colts, liderados por Peyton Manning. Façam suas apostas. E fiquem atentos. De repente uma flechada acerta o seu time!