Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O verão de Nova York, parte I (Knicks)


Eu realmente tava evitando esse texto, mas foram duas discussōes tão fortes da offseason da NBA que eu acabei decidindo que não podia deixar passar. Então vamos falar agora da offseason dos dois times de New York, o Knicks e o recém-mudado para o Brooklyn, o Nets (esse deve ser mais curto).

O Knicks foi um time que teve um 2011/2012 muitíssimo complicado. O time começou mal sua primeira temporada com Carmelo Anthony, o técnico Mike D’Anthony não conseguiu fazer o time render, e o Knicks parecia destinado ao fracasso mesmo com a chegada de Tyson Chander (E a ressureição da defesa do Knicks). Quando Melo e Amare Stoudamire se machucaram, parecia que a temporada do time estava condenada de vez e que o Knicks seria um time de loteria. Até que surgiu Jeremy Lin, jogador não draftado que ganhava o mínimo da Liga (e dormia no sofá da casa do Landry Fields), emendou uma sequência louca de double-doubles e jogos com mais de 20 pontos e 10 assistências, colocou vida no time do Knicks e comandou uma virada incrível no momento da equipe, ganhando a internet e a mídia de forma assustadora e virando o fenômeno Linsanity. Quando Melo e Amare voltaram, o técnico D’Anthony não conseguiu fazer o time achar o seu melhor equilíbrio com Lin, Melo e Amare, e acabou saindo. Logo depois, Lin estourou o menisco e o Knicks teve que jogar com Baron Davis de armador, ficando com um ataque estagnado e sem nenhuma variação ofensiva, levando a uma derrota fácil nas mãos do Heat nos playoffs.

Portanto, não era de surpreender que uma das principais histórias envolvendo o Knicks na offseason fosse a do Free Agent (restrito) Jeremy Lin. Desde o começo, ambos os lados foram bem diretos: Lin disse que queria voltar pra NY, Mike Woodson disse que contava com o chinês pra ser seu armador titular, e a direção do Knicks disse que era para Lin ir para o mercado e achar o melhor contrato possível, e que então o Knicks igualaria essa oferta. Parecia bom para todos os lados, certo? Bom, acabou que o Rockets ofereceu ao Lin 25 milhōes or 3 anos, o Knicks optou por não igualar, e de repente a Linsanity em New York chegou ao fim. O que diabos aconteceu?

Acho que essa saída do Lin acabou sendo um choque pela maneira como aconteceu e pelo que ele representava pra NY. Lin tinha sido o cara que salvou a temporada 2012 do Knicks, deu ao time vida nova, deu à torcida um ídolo e chamou atenção do mundo inteiro, e claro, da China. O fato do time ter o primeiro chinês (eu sei que ele nasceu em Palo Alto, mas ele é chinês e ponto) desde Yao Ming a vingar na NBA atraiu para o Knicks todo o enorme mercado chinês, e acreditem, isso quer dizer muita coisa em termos econômicos. Os chineses adoram basquete, eles são os malucos que criaram um canal de TV só pra passar os jogos do Bucks porque tinha um chinês jogando lá! Desde que surgiu a Linsanity, o valor de mercado do Knicks subiu em 600 milhōes de dólares (!!!!) e ganhou ainda mais exposição na mídia. Ou seja, mesmo fora de quadra, Jeremy Lin era excelente para se ter no time.

Mas quando Lin assinou o contrato com o Rockets, de repente o Knicks parou de cortejar sua mina de ouro. James Dolan, dono do time, alegou que teria que pagar muitas multas por estar acima do teto salarial se cobrisse a oferta, e disse que Lin “traiu” o Knicks ao assinar um contrato que lhe pagava 15 milhōes no terceiro ano de contrato, o que faria o Knicks ficar com uma situação salarial muito delicada, pois já tem os contratos monstrous de Amare, Melo e Chandler. Disse que Lin tinha traído a franquia que lhe tinha dado uma chance quando ninguém mais lhe queria, e que não precisavam dele por lá.

Ok, eu não preciso falar pra ninguém o quanto isso é ridículo, certo? A parte financeira especialmente, pois o retorno financeiro em termos de marketing, açōes e pelo mercado chines já compensam qualquer multa por estar acima do teto salarial (especialmente porque Dolan NUNCA ligou de gastar dinheiro e pagar salários absurdos com o Knicks – ele é o cara que pagou 90 milhōes por Eddy Curry e Jerome Jones, for Christ sake!). A segunda parte é ainda pior: O Knicks não tinha dito para o Lin procurar o melhor contrato pra ele, que o Knicks iria igualar? Não sei se ninguém percebeu, mas o Knicks nunca ofereceu ao Lin um contrato! Esperavam o que? O Rockets fez a melhor proposta, esperou que o Knicks igualasse, só que isso nunca aconteceu. Essa cartada da “lealdade” do Dolan foi ainda mais patética: O Knicks nunca deu ao Lin essa “chance” por pena de um jogador não draftado e sem emprego, o Knicks foi atrás dele porque precisava de armadores! Acabou dando certo, Lin jogou muito acima do seu contrato de 450 mil patacas, e esperava ser pago de acordo nesse contrato. Como voce pode esperar que um jogador que tava dormindo no sofá da casa de um amigo fosse recusar um contrato gordo que lhe ofereciam, especialmente quando seu time tinha dito que iria igualar qualquer proposta??

A verdade? Dolan não reassinou com Lin por motivos exclusivamente pessoais e infantis. Dolan ficou enciumado pela atenção que Lin recebeu da mídia e da torcida, ficou bravo quando Lin contratou um diretor de imagem diferente do que ele e boa parte do Knicks usava (aparentemente isso significa que ele não mostrou lealdade ao time, segundo Dolan... E não, não é brincadeira), e não ligou a minima pro resto. Foi uma decisão totalmente motivada por questōes pessoais e infantis que não tinham nada a ver com basquete, porque ele realmente se sentiu traído que Lin assinou uma oferta com o Rockets, contratou um diretor de imagem próprio, e não ficou abanando o rabo pro dono do time como ele gosta que as pessoas façam. Dolan é o mesmo cara que teve a chance de trazer Phil Jackson pra ser técnico do time esse ano – ele mesmo se ofereceu – mas recusou porque chou que Jackson palpitava demais nos movimentos da direção, preferindo o infinitamente pior  Mike Woodson como técnico, que obedece cegamente tudo que Dolan fala.

Agora vamos aos fatos que envolvem basquete. Dolan já tinha trazido dois armadores mesmo antes de Lin assinar o contrato com o Rockets: O idoso Jason Kidd e o jogador mais odiado de Portland, Ray Felton, que teve uma boa passagem pelo clube em 2011 mas nunca mais fez nada de útil e teve um péssimo 2012, acima do peso, desinteressado e emputecendo a torcida dos times pelos quais passou. Já Lin era um bom armador, muito bom atacando a cesta, com bom arremesso e bom passe, mas abaixo da média defensivamente e que cometia um número alto de desperdícios de bola. E mais importante, por melhor que Lin tenha sido no Knicks, ele jogou apenas 22 jogos, uma amostra pequena demais pra poder dar um parecer definitivo.

E aqui está o grande erro que muitas pessoas (em especial torcedores do Knicks em estado de negação) estão cometendo: Elas estão confundindo “Jeremy Lin não é o novo Chris Paul e ainda tem muito a provar na NBA” (dois fatos inegáveis) com “O Knicks é um time melhor com Felton e Kidd”. Fica realmente difícil de avaliar Lin depois de só 22 jogos, não sabemos o que ele ainda vai melhorar e o que ali não vai se manter. O que eu posso falar que vi é que ele é um jogador muito inteligente, excelente no pick and roll (seja passando ou atacando a cesta), e que joga com muita intensidade, tem alguma dificuldade na defesa e teve um alto índice de turnovers (indice que esteve entre os maiores da NBA... Logo entre Steve Nash e Rajon Rondo, dois dos melhores playmakers da NBA. So there!). Acho que no melhor cenário ele vai ser um titular de alto nível (mas não de elite), e no pior vai ser um bom jogador para vir o banco, criar cestas pra si mesmo e pros outros, e mudar o ritmo da partida (um JJ Barea bem melhorado). Vale 8 milhōes por ano dentro de quadra? Pra mim, sim. Mas não podemos saber até ele ter mais tempo de jogo.

E como eu disse, acabou se confundindo essa incerteza em torno de Lin com o fato (irreal) de que o Knicks estaria melhor sem ele. Kidd foi um dos melhores armadores da história da NBA, mas já faz uns bons anos que ele não está jogando em alto nível, ele não tem mais físico pra conduzir o ataque e criar problemas para defesa ou pra defender jogadores mais rápidos, e hoje vive basicamente de sua inteligência no jogo (impar) e de um bom (mas não ótimo) arremesso de longa distância, o que é pouco pro que o Knicks precisa. Já Felton a gente não sabe o que esperar, pode ser o bom jogador de 2011, mas está vindo de uma temporada pavorosa e fora de forma, incapaz de arremessar ou conduzir o ataque, dificil imaginar ele assumindo um papel como o de Lin ano passado.

E o Knicks acabou caindo em um lugar perigoso na NBA sem Jeremy Lin. Na NBA, é extremamente difícil ir longe se você não tiver no ataque uma de três coisas: Um armador que crie arremessos para o time, boa movimentação de bola, ou um jogador que force ajustes da defesa (como dobras) e use isso para achar companheiros livres (Com duas exceçōes - Pistons de 2004, a eternal exceção da NBA de uma era de pouco talento onde defesas mandavam, e o Celtics de 2008 que contava com uma defesa histórica e três Hall of Famers no ataque). Por exemplo, o Heat de 2012 tinha Lebron fazendo o terceiro. O Mavs de 2011 tinha a excelente movimentação de bola, bem como os Lakers de 2009/2010. O Spurs quatro vezes campeão combinava a excelente movimentação de bola com o Tim Duncan atraindo marcaçōes duplas e distribuindo o jogo perfeitamente do garrafão. E o Knicks não tem nenhuma dessas três coisas. A rotação de bola do time desde a saída do Mike D’Anthony é bem fraca, e Carmelo não é tão eficiente forçando ajustes da defesa e usando isso pra distribuir o jogo. Se o time for incapaz de desenvolver alguma dessas duas coisas, o time precisaria de um armador capaz  de criar arremessos para todos pra fazer o ataque engrenar. Só que agora o time jogou fora a sua única chance de ter em 2012 um jogador capaz de fazer esse papel.  Não admira que o ataque do Knicks seja tão estagnado sem Lin, não é mesmo?

Por falar nisso, não caiam no conto de que o Knicks não funcionava com Lin e Melo jogando juntos. Sim, o Knicks nunca achou a melhor forma de usar os dois juntos em quadra, mas a verdade é que com os dois juntos em quadra e sem Amare, o time tinha um point diferential de +14 por 48 minutos, uma excelente marca. Sim, a amostra é pequena, mas isso mostra que pelo menos durante esse tempo, os dois funcionaram bem juntos em quadra (especialmente porque Lin fazia de Chandler uma poderosa arma no pick and roll e isso abria muito pro Melo). O que matava mesmo era quando o Amare entrava em quadra, que dai o PD caia pra +2,4 por 48 minutos. Yikes!!

A verdade é que essa história em torno do Lin ser “infiel” e de que ele ainda tem muito o que provar, que o contrato prejudicava o Knicks no teto salarial, etc e tal, evitava que todo mundo olhasse pro verdadeiro elefante na sala, o contrato monstruoso do Amare Stoudamire. Estamos falando de um contrato de 100 milhōes por 5 anos pra um jogador que tem joelhos tão ferrados que o time foi incapaz de colocar um seguro neles quando assinou seu contrato, um jogador que sempre foi um defensor e reboteiro muito fraco, e que ofensivamente sempre teve excelentes numerous… Até que lembramos que ele passou sua carreira quase inteira recebendo passes açucarados do Steve Nash, foi incapaz de coexistir ofensivamente com o Shaq (não que eu o culpe por isso) ocupando o garrafão, e que só voltou a demolir todo mundo ofensivamente em 2010 quando o time voltou a jogar na velocidade e com o Nash controlando o ataque no pick and roll. Amare nunca deveria ter ganho um contrato de 100 milhōes que não viesse com o Nash de brinde, e agora ele é um jogador que ninguém aceitaria numa troca pelo seu contrato, um jogador que assassina a eficiência ofensiva do time toda vez que entra em quadra (e não contribui positivamente com rebotes ou defesa), que mata o salary cap da equipe e que sempre se machuca porque, de novo, seus joelhos estão tão ferrados que não puderam nem ser assegurados!! O cenário ideal seria um Amare vindo do banco pra fazer um pick and roll com um armador de alto nível (Nash e Lin seria perfeito, Lin de titular, Nash vindo com Amare do banco) cercado por role players e arremessadores de longe, mas isso não vai acontecer. Ao invés disso Amare vai continuar no ataque, empatando a movimentação de bola, trombando com Chandler no garrafão e matando o teto salarial da equipe. E depois o salário de 8 Mi do Lin que era o problema, né?

Então sim, o Lin ainda tinha muito a provar. Sim, 8 Mi é um salário alto e que atrapalharia o cap do Knicks (embora isso seja um bilhão de vezes mais culpa do Amare e seu salário-assalto, mas whatever). Mas você também perdeu sua maior chance de tirar a estagnação ofensiva da equipe, um jogador que rendia um dinheiro absurdo fora de quadra pra equipe (acreditem, não foi por acaso que ele foi pro unico time que sabe exatamente o tamanho da vantagem de explorar o mercado internacional por ter tido Yao) e que fez as açōes do Knicks caírem 60M só por causa da possibilidade dele sair do time quando assinou o primeiro contrato com o Rockets. O Knicks ainda tem uma defesa muito boa, um dos melhores pontuadores da Liga no Melo e um elenco profundo, não é um time pra loteria ou que deva perder os playoffs… Mas isso não quer dizer que o Knicks esteja pronto pra bater de frente com os melhores times do Leste, simplesmente porque ele não tem um padrão ofensivo eficiente pela falta de um bom armador, boa movimentação de bola ou um jogador que force ajustes da defesa e faça o ataque funcionar em torno disso. A chance do Knicks de ter isso era caso Lin repetisse as atuaçōes de 2012. Ao invés disso, o Knicks perdeu essa chance e deve voltar a ter o mesmo problema do ano passado, um ataque que não tem uma segunda opção ao Melo e que não consegue envolver os demais jogadores.

A verdade é que para 2013, o Knicks tinha muito mais chances de título com Lin do que sem ele, e for a de quadra ganhava muito mais dinheiro com ele (foi a camisa mais vendida da temporada, por exemplo). E ele queria ficar, mas o ego e as babaquices de Dolan fizeram o time perder essa chance. E vale citar também que o técnico Mike Woodson nunca foi um grande técnico ofensivamente capaz de dar movimentação de bola ao ataque (uma das fontes desse problema no time), mas Phil Jackson era um dos melhores da história nisso… E Jackson não é técnico do Knicks porque Dolan não quis um técnico influente, preferindo um pau mandado. Então Dolan e seu ego custaram ao Knicks a chance de ter um bom armador controlando o ataque E/OU um técnico capaz de implementar ao time a movimentação de bola que tanto precisa. Muito obrigado, James Dolan. Se eu fosse torcedor do Knicks, começaria a preparer as desculpas pra mudar pro Nets – ninguém merece um dono tão incompetente (corte para os torcedores do Suns concordando freneticamente).

Por fim, um aspecto da saída do Lin que acabou muito underrated aqui no Brasil, mas foi um tópico importante nos EUA: Os torcedores do Knicks. Lin não era só um bom armador, ele era um dos grandes ídolos da torcida do Knicks. Eu acabei ligando para meu amigo Ian (americano de New York, nascido e criado por lá, torcedor do Knicks há muito tempo e a unica pessoa que eu conheço que tem - ou que admite que tem - uma camisa do Latrell Sprewell) via skype pra perguntar o que ela achava disso, como torcedor. A resposta dele, em tradução livre e tirando os  “man…” do final de cada frase:

“Eu, e provavelmente a grande parte dos torcedores do Knicks, nos sentimos traídos quando vimos que Dolan não quis manter Lin depois de ter prometido que o faria. Foi um choque coletivo, um tapa na cara dessa fanbase. A cidade parecia de luto do basquete. Não é pelo que Lin significava dentro de quadra… Era pro que ele significava pra todos nós que torcemos pelo time, que acompanhamos esse time durante tantos anos e aguentamos muita incompetência e jogadores pouco carismáticos ao longo do tempo. Lin era o nosso jogador. Eu sei que Carmelo é o nosso Franchise Player e nosso melhor jogador, e vamos aonde ele nos levar… Mas Melo foi criado no Nuggets. Nós só o trouxemos para NY. Lin era nosso desde o começo. Ele surgiu aqui, tinha orgulho em ser um Knick e de jogar no MSG enquanto assistíamos. E ele conectava com a torcida de uma forma que Melo ou Stoud (Quem diabos chama o Amare de Stoud??) nunca seriam capazes. Ele trouxe o interesse de volta pro time, ao ponto de que os ingressos subiram de preço no seu terceiro jogo e ninguém ligou de pagar o extra. Não nos importávamos, nós só queriamos estar lá para ver Lin e o Knicks. E agora esse jogador saiu daqui por causa do mesmo dono incompetente que tem nos torturado há anos. Alguns jogadores simplesmente conectam com a torcida de uma forma diferente, especial. Alguns de nós esperam a vida toda por um jogador assim. Pros torcedores do seu Celtics, é o Pierce. Pro Yankees, é o Alex Rodriguez (Ok, ok, essa talvez ele não tenha falado, eu só queria colocar aqui). E pros torcedores do  Knicks, era Jeremy Lin. E ele se foi.”

(Se eu fosse tão direto assim, vocês teriam acabado esse post 15 minutos atrás)

Ta aí pra vocês de um torcedor do Knicks direto de New York. E ele está certo em uma coisa: Alguns jogadores REALMENTE conectam com a torcida de uma forma diferente dos outros. E não era difícil ver que a relação deles com Lin era diferente. Talvez não no nivel Bernard King ou Willis Reed… Mas sem dúvida diferenciada. Um jogador esforçado, que todo mundo tinha descartado e deu a volta por cima, e que tinha genuino orgulho de ser um Knick. Você nunca quer ver um jogador assim jogando para outro time, com outro uniforme, especialmente quando foi por uma decisão do seu próprio time… E especialmente quando foi por um motivo idiota. O time do Knicks vai sentir falta de Jeremy Lin dentro de quadra, mas talvez quem mais vá sentir vai ser a torcida do Knicks. Depois de anos de má gestão, fracassos e jogadores pouco carismáticos, o Knicks montou um bom time, e pegou um raio numa garrafa com Jeremy Lin, a peça que faltava pra esse time dentro de campo e o jogador carismático e divertido que a torcida queria e precisava fora dele pra voltar a conectar com o time. E deixou esse jogador sair sem nenhum esforço para mantê-lo. E depois se perguntam porque os torcedores do Knicks odeiam James Dolan.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Voltando de viagem

Pois é, estou de volta de viagem. Mas infelizmente, ainda não estou em condiçōes normais para escrever um texto coerente com começo, meio, fim e 5000 palavras que de alguma forma tentem fazer sentido. Então vamos apelar e mandar apenas os bullet points de costume, pra não deixar passar em branco a quantidade de coisa que eu perdi enquanto estive fora. Assim que possivel, retomamos a programação normal. Ou quase, não sei se falar de times de basquete enfrentando aliens pode ser chamada de "normal".


- Primeiro, o mais recente, a derrota da seleção brasileira de basquete pros EUA segunda a noite, 80 a 69. Sinceramente, muita gente fez tempestade em copo d'água com esse jogo. Por exemplo, se o jogo realmente valesse alguma coisa, vocês acham que o Magnano teria deixado o Raulzinho tanto tempo em quadra no segundo quarto (os minutos que definiram a mudança de panorama do jogo)? Claro que não. Mas em um amistoso, o importante era que o Raulzinho apanhasse um pouco e ganhasse experiência jogando contra os melhores. Uma vitória ontem não teria ajudado em nada pras Olimpiadas, talvez desse confiança mas deixaria os americanos mais motivados. Uma derrota ontem na qual pudemos ver nossas fraquezas, nossas forças, o que precisamos evoluir, uma derrota que servisse pro time ganhar manha, experiência e motivação definitivamente pode ajudar a equipe no longo prazo. Nenhum adversário melhor que os EUA pra mostrarem nossas deficiências. O amistoso cumpriu perfeitamente a função que o Magnano queria.


- Holy smokes, tem alguma coisa que grite a incompetência dos GMs da NBA mais do que a Free Agency? Depois que o último CBA incluiu a cláusula da "Anistia" - que permitia ao time dispensar um jogador, tirando-o do seu plantel e da sua folha salarial, desde que continuasse pagando o salário do seu contrato - vocês já pararam pra observais que boa parte dos jogadores anistiados tiveram seus contratos assinados na temporada imediatamente anterior ao lockout? Travis Outlaw, Brandon Haywood, Andray Blatche, Josh Childress, Darko Milicic, Luis Scola (Ok, esse foi pra abrir espaço salarial, perdoável porque vale o que ganhava)... Todos eles assinaram contratos antes da temporada 2010. E olha que ainda existem muitos debates acerca de jogadores como Carlos Boozer. Em resumo, o CBA deu aos GMs a chance de se livrar de um contrato estúpido, e boa parte deles estão se livrando de contratos que foram assinados na temporada anterior!! E depois se perguntam porque tivemos um lockout...


- Por falar nisso, parece que a última moda agora é ir atrás de armadores que você mesmo já dispensou ou trocou. O Suns, que trocou Goran Dragic junto de uma escolha de primeira rodada por Aaron Brooks, agora correu pra oferecer pro esloveno 30 milhōes em 4 anos, sendo que podiam ter ficado com ele E uma escolha de primeira rodada de Draft. O Rockets, que dispensou Jeremy Lin ano passado quando o David Stern vetou a troca de Chris Paul-para-o-Lakers, agora ofereceu um contrato de três anos, 25 milhōes pro chinês. Alias, o próprio Rockets estava correndo atrás de Brooks, que acabou indo pra Sacramento. Ah sim, o Knicks também trouxe de volta Ray Felton, que tinha sido mandado embora na troca por Carmelo Anthony. Haja arrependimento, não? Só faltava o Deron Williams correndo pra voltar pra Utah também. Alias, imagina se ano que vem o Chris Paul decide voltar pra New Orleans? Paul, Austin Rivers, Eric Gordon, Anthony Davis e uma boa escolha de Draft? Ou ate mesmo trocando Eric Gordon por Paul George? Wow... Vamos parar por aqui antes que eu me empolgue demais.


- Aliás, outra moda dessa Free Agency tem sido os Restricted Free Agents. A quantidade de debates rolando (ou que já rolaram) sobre os contratos oferecidos pra esses caras, e se os times deviam aceitar ou não, foram mais extensivos que qualquer debate do tipo que eu lembre recentemente. Tivemos Omer Asik e sua proposta do Rockets de 3 anos, 25 milhōes que o Bulls vai ter problemas financeiros caso decida igualar (eu não igualaria - gostei do contrato, mas o Bulls precisa manter Luol Deng a todo custo). Tivemos o Wolves oferecendo a casa (4 anos, 46 milhoes) pro Nicolas Batum, oferta que o Blazers deve igualar (e tem razão nisso). O Suns ofereceu um contrato máximo pro Eric Gordon, que o Hornets igualou sem pensar duas vezes (realmente, era uma decisão fácil). O Knicks não igualou a proposta por Lin feita pelo Rockets (mais no proximo paragrafo). Tivemos o Pacers igualando o contrato absurdo que o Blazres ofereceu pro Roy Hibbert (Essa é dificil, nao sei dizer se eu teria igualado ou não). O Raptors oferecendo 3 anos, 19 milhōes pro Landry Fields pra evitar que o time de NY fosse atrás do Steve Nash. Enfim, foi uma orquestra de contratos absurdos e times se vendo em dificuldades para igualar todos. Acho que foi a forma do mercado reagir a uma classe de Free Agents irrestritos bem fraca...


- Um minuto de silêncio para todos os torcedores do Knicks que viram mais um show de incompetência do Jim Dolan essa offseason. Perder Lin para o Rockets por birra - sério, foi o principal motivo - sendo que ele gerou 600 milhōes pro Knicks ano passado foi a cereja no topo do bolo. A simples noticia de que o Lin PODERIA sair do Knicks fez as açōes do time de NY despencarem (50 milhōes em um dia). O Knicks não manteve Lin porque acharam que houve "falta de lealdade" do chinês por assinar a oferta qualificatoria com o Rockets e usaram a desculpa do salário alto para um jogador que jogou apenas 25 jogos ano passado, quando o principal motivo foi birra do Dolan com ele porque ele contratou um agente de imagem sem perguntar pro Knicks antes (Ele era Free Agent!) e porque ele assinou a proposta com o Rockets quando o Knicks - surpresa! - não tinha oferecido pra ele nenhum contrato e tinha assinado com Jason Kidd e Ray Felton, e o Dolan ainda chegou a dizer que achava o Felton tão bom quanto ou melhor que o Lin. E agora Lin foi pro unico time que sabe o verdadeiro impacto financeiro de ter uma estrela chinesa no seu time. Ache algo nesse parágrafo que faça sentido.


- Já comentei ali em cima de como os armadores tiveram um papel ativo nessa Free Agency, mas temos ainda dois exemplos que ficaram de fora: Nash, e Kyle Lowry. Depois de perder Dragic, o Rockets acabou investindo em Lin e trocando Lowry por uma escolha de primeira rodada do Raptors. Eu achei uma troca bem legal pra ambos os lados: Dificilmente o Raptors vai conseguir um grande armador no próximo Draft, e Lowry é um dos melhores da NBA, ainda jovem, vai encaixar bem nesse time. Do outro lado, com Lin chegando o time não precisava do insatisfeito Lowry, e conseguiu uma escolha valiosa que pode ser envolvida em alguma troca, ou então trazer um bom jogador temporada que vem pro grupo.

A segunda foi mais dificil... Afinal, naão é todo dia que meu jogador preferido de todos os tempos vai pro maior rival do meu Celtics. Agora minha vontade de ver o Lakers perdendo vai bater de frente com minha vontade de ver o Nash sendo campeão... Se eu tiver um derrame durante os playoffs por causa do Lakers, vocês já sabem o motivo. Não acho que o Nash era o armador perfeito pro Lakers, mas com certeza vai ajudar. Já faz algum tempo que o Kobe não é mais aquele jogador atlético que tinha facilidade em criar o seu espaço pras jogadas, hoje ele é mais eficiente se movimentando sem a bola e recebendo a redonda nos lugares onde ele tem melhor aproveitamento, onde pode dar um ou dois dribles e finalizar sem precisar ganhar muito espaço. PRa ele jogar assim, faltava um armador competente, e se ele aceitar mais esse papel e deixar Nash controlando mais a bola e tomando as decisōes, acho que o time do Lakers só tem a melhorar. O mesmo vale pro garrafão, o Lakers tem um dos melhores da Liga, mas faltava alguém capaz de acioná-lo em boas posiçōes perto da cesta, o que o Nash deve ajudar. Uma boa escolha tanto pra Nash como pro Lakers. Agora com licença, vou colocar fogo na minha camisa do Nash. Comigo dentro.


- Por falar em contratos absurdos, queria ressaltar dois fatos relativos aos times de New York. Primeiro, o Knicks: Sabia que o Knicks tem 64 milhōes garantidos em salários para a temporada 2014/2015... Com apenas quatro jogadores (Kidd, Melo, Amare Stoudamire e Tyson Chandler)? Na verdade, o que assassinou o Knicks salarialmente foi o contrato de 5 anos, 100 milhōes que ofereceram para o Amare em 2010... Sabe, o jogador que não conseguiu colocar um seguro nos seus joelhos de tão ferrados que já estavam e que vinha de cinco temporadas recebendo passes do Nash? Bom, a vida naão é tão fácil sem o canadense. Amare nunca repetiu as grandes atuaçōes dos tempos de Suns, teve dificuldade para se encaixar em qualquer esquema que o Knicks jogasse, teve muitos problemas de saúde, e agora seu contrato está assassinando o Knicks. Hell yeah, Nash, acabou com mais uma franquia! Jogadores como Amare, Shawn Marion, Leandrinho, Boris Diaw, Jason Richardson, Quentin Richardson, Channing Frye, Marcin Gortat e companhia deviam ter uma cláusula nos contratos que assinaram depois de jogar com o canadense que revertesse 60% do seu salário pra uma conta do Nash na Suiça.


- Agora, o mais legal: Gerald Wallace, que renovou com o Nets por 4 anos, 40 milhōes, é o titular do Nets que menos ganha em salário anual. So there!


- Não, é sério! Deron Williams ganha 18 milhōes, Joe Johnson ganha 22, Kris Humphries ganhará 12 milhōes, e Brook Lopez ganha 15 milhōes em um contrato máximo. Eu não estou pronto pra viver num mundo onde o Brook Lopez ganha um salário máximo... (Eu tinha outras coisas pra falar sobre o Nets, mas merece um post separado).


- Abriram as apostas de Vegas para o título do Super Bowl de 2013. O favorito? Meu 49ers, é claro, porque aparentemente isso faz algum sentido. Vegas, baby!! Embora eu preferisse quando ninguem acreditava na gente. Oh well...


- Foi mal pelo post esquisito, ainda nao estou 100% desde que voltei. Ainda hoje tem um podcast saindo, então fiquem ligados. Até a proxima!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um chinês em New York

"A resposta da questão 22-b era um!!"


O New York Knicks é, como se sabe, uma franquia muito tradicional na NBA. Joga num dos maiores mercados dos EUA, é o time que mais ganha dinheiro na Liga, uma das franquias mais valiosas da NBA, tem o ginásio mais bolado de lá e uma das torcidas mais fanáticas. Ou seja, é um time tradicional e importante e que tem tudo pra ser um time vencedor como o time mais vencedor da cidade (E dos esportes americanos), o Yankees.

Mas toda essa tradição e dinheiro do Knicks não tem se traduzido em títulos. Ao longo dos ultimos anos, o Knicks tem sido o time que mais ganhou dinheiro mas também o que mais gastou - e o pior, gastou com jogadores como Eddy Curry e Stephon Marbury. Um fracasso em termos de administração e gestão, o Knicks dos últimos anos acumulou fracassos e frustraçōes na Liga, nunca foi realmente competitivo desde o começo da década passada. Pra mudar isso, a Franquia apostou no que ela tem de melhor - que definitivamente não é a administração. Ou seja, apostou na cidade de New York, no dinheiro que jogar nesse enorme mercado dá e no quanto ele é atrativo para os jogadores: Trouxe por uma fortuna na Free Agency o Amare Stoudamire depois que Lebron James e Dwyane Wade recusaram a oferta, e trouxe o Carmelo Anthony quando ele forçou a saída do mercado pequeno que era o Nuggets em Denver. Tudo bem, o Knicks pagou caro pelo Melo e o Nuggets se reconstruiu e montou um grande time jovem e coletivo, mas conseguiu seu objetivo: Juntou duas superestrelas e limpou espaço pra contratar mais uma, no caso o armador Chris Paul, que poderia terminar seu contrato no final dessa temporada e sair de New Orleans.

Bom, a gente sabe o que aconteceu depois: O Chris Paul foi trocado para o Lakers numa troca que também envolveu o Rockets. Com o Paul (sonho de consumo do Knicks) fora da jogada, o time de NY usou o seu espaço salarial pra assinar o Free Agent Tyson Chandler pra ser a âncora defensiva de um time que não sabia o que era defesa. Quando o David Stern decidiu explodir a Liga e ferrar de vez Lakers e especialmente o Rockets (Mais sobre isso daqui a pouco) vetando a troca do CP3 para o Lakers, o contrato do Chandler já estava assinado e o Knicks não podia mais voltar atrás pra manter o teto salarial aberto pro Paul. Assim, o Knicks teve que se contentar com o núcleo de Melo, Amare e Chandler.

De uma maneira meio bizarra, o Chandler cumpriu seu papel de tornar um time que não se interessava por defesa em um time capaz de apertar no lado defensivo e contar com um ataque eficiente para vencer alguns jogos. A defesa do time não é do nível de Heat ou Bulls, claro, mas está muito longe de ser uma peneira e está entre as 10 melhores da Liga, em boa parte por causa do Chandler. Ele cumpriu perfeitamente seu papel de quando foi contratado, e o time do Knicks tinha eliminado seu grande problema de 2011. Mas curiosamente, o grande problema do Knicks se tornou o ataque. O ataque  da equipe, que deveria se apoiar amplamente no talento individual da dupla Melo/Amare, passou a ser estático, previsível, sem movimentação de bola e a viver de jogadas forçadas das suas duas estrelas. Não tinha espaçamento em quadra, não tinha uma tática definida, era basicamente tocar pras estrelas e esperar elas resolverem sozinhas. 

Isso acabou caindo como culpa do técnico Mike D'Anthony, em parte justificadamente e em parte não. O Mike D'Anthony é um técnico limitado que teve muito sucesso com o Phoenix Suns de 2005-2006, o famoso Suns dos "Sete segundos ou menos", que corria como se a vida dependesse disso, jogava na velocidade, arremessava muito de três pontos e confiava no gênio do Steve Nash pra distribuir a bola e manter o ataque funcionando. O problema do D'Anthony é justamente a sua dependência desse esquema de jogo, um esquema de correria, passes rápidos e que depende muito de um armador capaz de infiltrar. Ele só sabe jogar esse estilo, um estilo de muito espaçamento, velocidade e que depende de um armador que distribua o jogo e ataque o aro. Com as peças pra jogar no seu estilo, ele o faz muito bem, mas não tem a capacidade de se adaptar a outros estilos de jogo, ou adaptar o seu estilo aos jogadores com características diferentes - caso do Knicks. O problema é justamente pedir pro D'Anthony fazer isso, jogar com jogadores totalmente opostos ao esquema tático que ele sabe. Ele tentou adaptar os jogadores ao estilo, tentou mudar o estilo pra se adaptar aos jogadores, e não funcionou, o ataque continuava uma droga estática e o Knicks começou a perder, perder e parecer uma droga que não ia a lugar nenhum. Quando Amare se ausentou por causa da morte do irmão e o Melo saiu machucado, parecia que o Knicks estava condenado à mediocridade.

Foi ai que o Knicks achou ouro em um armador chinês, formado em economia em Harvard chamado Jeremy Lin. Se voceê tiver interesse na história mais detalhada do Lin, o Bola Presa fez um post a respeito nas Summer Leagues da temporada passada, muito antes dele ficar famoso, então é bem legal ver a história dele antes de ficar famoso. Mas resumidamente, ele é um chinês (ainda que tenha nascido na Califórnia, os pais são chineses) que ficou conhecido por jogar como armador por Harvard - sim, essa Harvard mesmo, da Ivy League. Ele jogou muito bem no College, chegou a disputar o prêmio de melhor armador da NCAA e levou Harvard a uma boa colocação, mas não foi Draftado. Apareceu bem nas Summer Leagues daquele ano, onde humilhou o John Wall, e ganhou um contrato com o Warriors, onde não teve chance nenhuma, passou o ano na D-League e acabou dispensado. Esse ano, começou no Rockets, foi dispensado quando a troca do CP3 foi cancelada e acabou indo parar no Knicks. Quando estava para ser dispensado novamente, teve a chance de jogar numa partida vindo do banco, e anotou 25 pontos. No jogo seguinte foi titular, destruiu o espaço tempo, jogou como o armador que o D'Anthony sempre quis pro seu esquema tático, foi espetacular e não saiu mais do time.

O Lin acabou virando um fenômeno em duas frentes, dentro e fora de quadra. Fora de quadra, chamou a atenção por diversas coisas na sua história: o fato de ter vindo de um College como Harvard, de ser chinês, e de ser um jogador totalmente desconhecido que chegou na NBA quebrando recorde atrás de recorde, pontuando e assistindo feito doido, fazendo o time do Knicks funcionar como uma equipe de verdade. Ninguém entendia como um jogador tão bom (o que ficou claro depois de dois ou três jogos, que ele não era simplesmente fogo de palha, e sim um jogador realmente talentoso) podia não ter sido draftado, passado uma temporada inteira na D-League, ter sido dispensado por dois times sem ninguém ter percebido que ele era na verdade muito bom!! A NBA já teve casos de bons jogadores não Draftados, mas não com esse nível de talento nem depois de ter passado um ano inteiro na D-League. Ele também virou um fenômeno de mídia e acabou muito comparado com o Tim Tebow, Quarterback do Denver Broncos.

Sinceramente, essa é uma das piores comparaçōes esportivas de todos os tempos, incluindo aí quando compararam o Adam Morrisson com o Larry Bird. O Tebow e o Lin são dois jogadores religiosos, dois fenômenos de mídia carismáticos... E pronto, acabou o que eles tem em comum! De resto, eles são dois jogadores bastante opostos, e os motivos da enorme atenção da mídia que eles atraem também são: Tebow foi um dos maiores jogadores de College Football de todos os tempos mas claramente não chegou na NFL com as ferramentas necessárias pra jogar nos profissionais. Foi draftado alto com base nas esperanças e expectativas que trazia do College, e mesmo não estando no nível de jogo da NFL, acabou titular e continuou ganhando jogo atrás de jogo de forma absurda e na pura raça, porque em termos de habilidades ele ainda não está num nível acima da média. O mais impressionante do fenômeno Tebowmania era que o Tebow era um QB mediano que continuava ganhando com as poucas armas que lhe restavam. O Lin é exatamente o oposto: Carreira desconhecida do grande público no College, nenhuma expectativa no Draft (tanto que não foi Draftado), apareceu pra Liga do nada porque tem muito talento pra jogar entre os profissionais e foi uma surpresa tão grande porque ele era bom demais e ninguém conhecia ele, foi só ele ganhar uma chance que explodiu. Ou seja, são histórias totalmente diferentes e jogadores totalmente diferentes, a comparação é bem ruinzinha. 

Se querem comparar o fenômeno Linsanity a alguma coisa, comparem à Fernandomania, do arremessador Fernando Valenzuela. Pra quem não conhece, Fernando Valenzuera foi um arremessador mexicano que apareceu no Los Angeles Dodgers no começo de uma bela temporada como titular, era bom pra cacete e tomou a Liga de assalto, foi um fenômeno de mídia que apareceu do nada e representava uma minoria nos EUA (os mexicanos no caso, como os asiáticos para Lin) e que fez todo mundo ficar se perguntando "De onde surgiu esse cara??". A mesma história, jogadores muito talentosos que surgiram do nada, sem nenhuma expectativa, e que de repente começaram a jogar muito. A diferença básica entre os dois foi mais contextual do que outra coisa: Fernando era um jogador melhor do que Lin (ganhou o prêmio de melhor arremessador de TODA a NL como calouro) e porque baseball em 1984 era mais importante pros EUA do que basquete em 2012, mas as situaçōes são muito parecidas. Muito mais do que com Tebow.

Mas dentro de quadra, o impacto do Lin foi enorme, justamente porque ele é o armador no qual todo o esquema tático do Mike D'Anthony se baseia, um armador com bons passes, inteligência e que sabe infiltrar e criar espaço. Foi só o Lin começar a jogar que tudo no Knicks caiu no seu lugar mesmo sem Melo e Amare: Ele começou a conseguir muitos pontos vindos de infiltração, trabalhou no pick and roll muito bem com o Chandler (que consegue seus pontos no ataque com um armador decente), os arremessadores do time se espalharam pelo perímetro, o Chandler começou a pegar rebote ofensivo atrás de rebote ofensivo... Tudo isso faz parte do esquema do D'Anthony, só que agora que estava começando a funcionar porque tinha alguém pra atacar a cesta, abrir os espaços no qual o Mike gosta de trabalhar e distribuir o jogo para quem estivesse livre quando a marcação reagisse às infiltraçōes do Lin. Finalmente o Knicks pode implementar o jogo que seu técnico queria desde o começo, o Steve Novak começou a receber as bolas que ele precisava pra acertar tudo de longe, os rebotes ofensivos cairam na mão do Chandler, e o time pontuou no garrafão com seu armador.

A dúvida que ficava, portanto, era como os astros do time Amare e Melo - e depois a contratação chinesa do time no JR Smith - iam se encaixar nesse time, como suas características iam combinar com a do armador chinês e da forma de jogar que o seu técnico tanto gosta. O Amare, de certa forma, era o menor dos problemas: Ele sempre foi um jogador que se beneficiou do pick and roll com o Nash em Phoenix e que está no seu melhor finalizando de frente pra cesta recebendo um bom passe. No seu primeiro jogo voltando dos problemas familiares, ele finalizou cinco bolas saindo de pick and roll - ele tinha média de uma finalização dessas por temporada. Esse pick and roll ainda não é uma jogada de conforto do time (as vezes passam tempo demais sem usar) e as vezes parece que o Chandler no garrafão ocupa um espaço que o Amare gostaria de ter livre pra atacar a cesta - o que resulta em alguns arremessos bobos de meia distância - mas com um pouco de entrosamento e prática o Knicks provavelmente vai começar a fazer isso com mais naturalidade. O Lin fez muito bem os pick and rolls com o Chandler, e o Amare é um finalizador muito melhor que o Chandler, logo ele deve assumir o papel nessas jogadas e o Chandler deve fazer um papel mais de segurar o rebote ofensivo. De certa forma ele realmente ocupa um espaço que o Amare gosta de usar, mas isso pode ser contornado de diferentes maneiras: O Chandler pode continuar fazendo o pick and roll com o Amare se posicionando pra um arremesso de meia distância, ou então o Chandler pode se afastar um pouco do aro quando o PnR acontecer pra buscar o rebote vindo de fora. Ou seja, a jogada está lá e o D'Anthony trabalhou muito bem com ela em Phoenix, não vejo ele tendo muitos problemas pra adaptar essa jogada da melhor forma possível para o seu time.

O JR Smih é um caso particular, mas também não deve apresentar problemas. O JR Smith é o famoso arremessador de três sem cérebro, tem talento pra cacete mas não tem cabeça e prefere ficar forçando bolas de três até alguém se enfezar com ele. Ou seja, típico jogador pra vir do banco e encher de bolas de três, as vezes elas caem e outras não, mas como é exatamente isso que ele faz - e foi contratado pra fazer - é mais uma questão de controlar os minutos dele do que de encaixá-lo em esquema tático, porque ele não segue nenhum. Acho que vai acabar beneficiado pelo maior espaçamento, mas ai vai continuar com seu joguinho de chutar de longe, e o Mike D'Anthony que se vire pra controlar os minutos do JR e usar ele e sua porralouquice de uma forma benéfica à equipe.

Enfim, chegamos no problema: O grande astro do time, Carmelo Anthony. O Melo é um jogador espetacular, ofensivamente provavelmente é o jogador mais completo de toda a NBA e é um dos melhores fechadores da Liga. Ele  arremessa de dois, de três, infiltra, bate lances livres, joga de costas pra cesta, na transição... Enfim, uma força ofensiva. Mas o Melo também sempre foi um jogador que gosta de segurar a bola, criar o próprio arremesso e as vezes arremessa demais e sem critério. A melhor fase do Carmelo na sua carreira foi no Nuggets exatamente quando o time trouxe um armador pra tomar conta da equipe, no caso o Chauncey Billups. Isso foi muito importante pro time e pro Melo porque o Billups é um armador calmo e pensador que controlava o jogo e fazia as bolas chegarem no Melo nas horas certas pra ele partir pra cima e pontuar alucinadamente. Inclusive, na minha avaliação, é o melhor tipo de jogador pra acompanhar o Melo, alguém que pense o jogo e acione o Melo nas horas certas pra ele funcionar como o pontuador nato que é mas sem atrapalhar o esquema de jogo e a rotação de bola da equipe. E bom, armador calmo, pensador e que cadencia o jogo? Por melhor que ele seja, é o oposto do que o Lin faz de melhor, que é atacar a cesta, acelerar o ataque e abrir espaços na defesa. O Lin é um jogador inteligente, mas não é um armador pensador (E o Knicks nem quer que ele seja, ele é muito mais útil sendo desse jeito!) e nem tem a função de acionar os companheiros na melhor posição, pelo contrário, ele ataca a cesta o mais rápido que puder sempre controlando a bola. E isso - e essa é a minha preocupação - é algo que conflito diretamente com o estilo do Melo e o estilo que ele mais rende.

A questão é que o time do Knicks rende melhor com o Lin atacando a cesta, fazendo pick and rolls e abrindo a defesa para os arremessos, mas o seu melhor jogador rende melhor controlando a bola ou com um armador que controle o ritmo ofensivo e distribua o jogo com calma. Como o Knicks não tem um armador assim no elenco, o time tem duas opçōes pra integrar o Carmelo e o novo esquema de jogo. A primeira é buscar um balanço entre as duas formas de jogar, jogar uma parte do tempo com o estilo do D'Anthony e com o Lin controlando a bola, e outra parte com o Melo jogando mais individualmente controlando o jogo. Claro que isso exigiria do Lin um maior controle do jogo e uma qualidade mais pensadora pra saber quando deixar o Melo jogar sozinho e quando acionar o ataque de velocidade da equipe.

Eu não gosto dessa opção por dois motivos. Primeiro, porque você estaá abandonando o estilo de jogo que seu time e seu técnico sabem e gostam de usar, o esquema que o time mais é eficiente, só pra integrar um jogador, especialmente com dois estilos tão diferentes. Um técnico como Phil Jackson poderia eficientemente achar uma maneira de jogar que combinasse as duas coisas, mas não confio que o D'Anthony consiga o mesmo. Além disso, você estaria pedindo para seu armador ser um jogador que ele não é, e jogar de uma forma muito mais pensadora e cadenciada, o que ele não está acostumado a fazer.

A outra opção, mais interessante, é reinventar um pouco o estilo de jogo do Melo. O Melo está acostumado a criar seu arremesso e jogar com a bola na mão, mas ele é um jogador inteligente e excelente finalizador, portanto a ideia seria usar mais o Melo jogando fora da bola e se posicionando para receber passes e finalizar as jogadas. O Melo já jogou assim na seleção americana e teve muito sucesso, e assim o Knicks pode continuar deixando a bola nas mãos do Lin (Que precisa tomar mais conta dela, ele perde demais a bola durante o drible) enquanto o Carmelo trabalha pra se posicionar pra receber a bola numa posição onde ele possa partir direto pra finalização sem precisar desacelerar o ataque ou parar a rotação da bola. O Lin é um bom passador saindo do drible pra achar os jogadores mais bem posicionados, então o Melo pode simplesmente se colocar numa boa posição pra receber esse passe. De certa forma é reinventar o estilo de jogo do Melo porque ele está acostumado a jogar com a bola na mão e criar seu arremesso, mas ele também já mostrou que tem inteligência pra se posicionar em quadra e trabalhar como um pontuador que joga sem a bola na mão, como já mostrou na seleção. E como o esquema do Knicks com o Lin livre pra infiltrar abre muito espaço pros arremessadores se espalharem pela quadra, o Melo vai ter bastante espaço pra se movimentar enquanto o Lin trabalha no pick and roll.

Aliás, isso significa que o D'Anthony vai ter que ficar criativo nas escalaçōes, porque se o Lin trabalhar no PnR com o Chandler e o Melo e algum outro se posicionarem pra receber a bola pra arremessos, não faz sentido o Amare também ficar posicionado apenas como um arremessador de meia distância, e quando o Amare for o homem do pick and roll o Chandler vai ter que jogar mais afastado do aro pra não congestionar o garrafão, mas como o pivô não tem um bom arremesso as defesas provavelmente vão deixar ele pegar a bola livre longe do aro pra congestionar o garrafão. Ou seja, Amare e Chandler podem jogar juntos em alguns momentos, mas se o Melo se adaptar à sua função de pontuador sem a bola o time ficaria mais eficiente com só um dos dois em quadra. Ai fica a critério da criatividade do D'Anthony usar os dois em situaçōes separadas pra aproveitar melhor cada um deles (até acho que pela sua capacidade de forçar double teams o Amare jogaria melhor com o Baron Davis e o JR Smith vindo do banco).

Quanto ao Lin, ele foi o cara que deu cara nova ao time, ele tem talento pra burro e deve continuar executando essa função que ele executa hoje, que é tão importante pro esquema de jogo da equipe. O Lin tem fraquezas (Não defende ninguém, conforme ficou claro no jogo contra o Nets - um dos motivos de porque é tão interessante o Iman Shumpert jogando com o Lin e se encarregando de marcar o jogador mais perigoso do perímetro - comete muitos turnovers principalmente porque a bola fica muito solta durante seu drible e muitas vezes ele perde controle da bola, e algumas limitaçōes como por exemplo o drible pro lado esquerdo - não é que ele não consiga ou não saiba, mas ele claramente fica menos confortável, o Heat forçou ele o jogo todo a ir pro lado esquerdo e ele teve uma partida horrorosa cheia de turnovers). De certa forma, algumas delas são erros comuns de jogadores que estão na NBA há tão pouco tempo e com o tempo  de jogo e treino ele deve melhorar, especialmente nos turnovers e na mania que as vezes ele tem de colocar uma jogada na cabeça e insistir nela até o fim, mesmo que no meio do caminho uma opção melhor apareça. Mas o moleque é talentoso pra burro, muito rápido, tem bom arremesso, é inteligente dentro de quadra e é excelente finalizando no garrafão mesmo sofrendo contato. Ele tem bom passe, boa visão de jogo e trabalha bem no pick and roll. Ou seja, não só as ferramentas pra ter sucesso na NBA como exatamente o que um armador precisa ter pra virar um monstro no esquema do Mike D'Anthony.

Aliás, um comentário rápido: O Lin está em seu segundo ano na Liga e é praticamente um calouro, mas vale lembrar que o Lin vai fazer 24 anos essa temporada, mais velho do que Derrick Rose, Russell Westbrook e Kevin Durant.

Aliás, sabe o que é engraçado - ou trágico? O Houston não tinha a intenção de dispensar o Lin, a idéia do Rockets era trocar o Goran Dragic (que iria pro Hornets na troca do CP3) e o Lin ficar como reserva do Kyle Lowry. Quando a troca foi vetada, o Rockets ficou com quatro armadores - Lowry, Dragic, Lin e Flynn (que era mais valioso pro Rockets pelo seu valor de troca), sendo que todos menos o Lin tinham contratos garantidos - e ai teve que mandar o Lin embora. Ou seja, se a troca não tivesse sido vetada, o Lin nunca teria saido do Rockets e possivelmente estaria destruindo tudo e todos por lá ao invés de NY. O Rockets teria Pau Gasol e provavelmente teria assinado com o Nenê (que dizem que iria pra lá se eles conseguissem um outro jogador de garrafão), e ficaria com um time de Lowry, Courtney Lee, Chandler Parsons, Gasol e Nenê, e um banco com Lin, Marcus Morris, Chase Buddinger, Patrick Petterson e algum Free Agent para a posição 2. Ao invés disso o time perdeu Lin, não assinou com Nenê e ficou sem seu All Star no Gasol... Tudo por causa do veto do David Stern, que podemos afirmar que destruiu a temporada do Rockets e salvou a temporada do Knicks de ir pro buraco. Ah sim, adivinhem quem tem a escolha de primeira rodada do Knicks esse ano? Bingo! O sangue do Rockets está em suas mãos, Stern!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mailbag 1.0 - Mailbag Practice

Então finalmente chegou o grande dia, nosso primeiro (E talvez último, vai saber...) Mailbag. Recebemos alguns emails (A maior parte depois que eu reclamei no twitter que não chegaram emails, mas enfim, deixa eu comemorar em paz!) e acho que já da pra fazer a primeira edição do nosso Mailbag, apelidado carinhosamente de Mailbag Practice. Não é tão grande, é a primeira vez, espero fazer outros maiores no futuro... Só Practice. Se você não sabe do que eu estou falando, corra ao youtube para ver uma das entrevistas mais bizarras de todos os tempos! E depois clique aqui pra ver o Charlie Sheen quotando essa entrevista numa das melhores frases dos últimos tempos.

Em geral, eu gostei do resultado, muitas perguntas interessantes e alguns comentarios divertidos. Daqui pra frente, vou deixar o Mailbag sempre aberto, sempre que quiserem mandem emails para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" e as perguntas/comentários/etc que quiserem, e sempre que atingirmos um bom número eu venho e faço outro Mailbag. Certos eventos podem gerar Mailbags especiais, mas ai eu eu aviso. Por enquanto, continuem mandando os emails que sempre que a caixa encher a gente vem e esvazia. 

Agradecendo a todos que participaram do Mailbag e convidando a todos os leitores a mandarem seus emails para os próximos, vamos ao que interessa. Só lembrando que esses são emails de verdade de leitores de verdade.


No Superbowl o Brady recebu a bola do Snap na sua Endzone e foi considerado infração e 2 pontos pro Giants, eu não entendi o por quê? ja tinha visto o QB ser "Sacado" na sua Endzone e nesse caso os 2 pontos foram pro time adversário agora essa do Superbowl não entendi, que regra é essa? - Fabiano Dantas

Quando o Quarterback ou qualquer outro jogador do ataque é derrubado dentro de sua própria End Zone, isso configura um safety, ou seja, a defesa ganha dois pontos e recebe a posse de bola de volta. É o caso do QB sendo sackado dentro da End Zone, o Giants ganharia dois pontos e receberia a bola.

Também existe uma falta no futebol americano que chama "Intentional Grounding". Essa falta é para impedir que o QB, prestes a ser sackado, simplesmente jogue a bola para ninguém e evite perder jardas. Para que o Quarterback jogue a bola fora de forma "legal", o passe tem que ir para perto de algum recebedor (não necessariamente tem que ser para o jogador receber o passe, mas tem que ter pelo menos algum jogador de ataque que possa receber a bola na área em que o passe foi feito) OU o Quarterback pode jogar a bola para algum lugar onde não tenha nenhum jogador desde que ele tenha saido do pocket (Uma zona imaginária logo atrás da linha de scrimmage, entre os cinco jogadores de linha ofensiva - Na imagem abaixo, é a área dentro das duas linhas vermelhas) e a bola passe por cima da linha de scrimmage (onde começou a jogada) antes de tocar no chão. Caso o QB se livre da bola e não tenha nenhuma dessas duas condições, acontece a falta e o time perde 15 jardas e a descida.


O que aconteceu no Super Bowl foi que o Tom Brady cometeu a falta de Intentional Grounding (no caso, ele estava dentro do pocket e jogou a bola para um lugar onde não tinha nenhum jogador de ataque) dentro da sua própria linha de 15 jardas - ou seja, não tinha 15 jardas pra ele recuar como punição pela falta. Quando isso acontece, a falta resulta na marcação de um Safety, e como em qualquer safety a defesa ganha dois pontos e a posse de bola.

Não é toda falta que resulta num safety caso o time não tenha jardas para perder. Geralmente, uma falta nessas situações faz o time recuar metade da distância para o End Zone. Que eu me lembre, apenas Intentional Groundings e Holdings podem virar Safetys nessas condições. Pra quem lembra, no Super Bowl de 2008, aconteceu algo semelhante, um Holding na linha de 4 jardas do Steelers resultou num safety a favor do Cardinals.


Outra coisa, não se vc sabe, mas como são arranjados os times nas divisões? por que pela lógica seriam os times de cidades mais próximas certo,? mas por exemplo o Cowboys está na NFC East com 3 times do leste é meio sem lógica né. - Fabiano Dantas

É um pouco complicado. Os times são organizados dentro da divisão por uma forma meio arbitrária que envolve dois fatores: Minimização das distâncias (Cada time enfrenta os outros da sua divisão duas vezes, então quanto mais próximos forem menos terão de viajar, o que é importante) e história. Os times não surgiram todos juntos, alguns estavam na Liga antes de outros, o que significa que existem rivalidades antigas que ninguém gostaria de desfazer. Dallas e New York ficam a uma distância considerável, mas a rivalidade entre Cowboys e Giants ninguém quer separar os dois, a rivalidade deles é mais importante. Mas por exemplo, a divisão do meu 49ers até alguns anos atrás era Rams, Saints e Bucs. Como a rivalidade de Niners e Rams com Saints e Bucs não eram significantes, não teve nenhum problema em separá-los por questões de logística, organizando novas divisões com distâncias menores.

O que é importante você lembre que os times são organizados em divisões dentro das conferências, e a questão das conferências muitas vezes é mais antiga do que essa logística. Muitos anos atrás, os EUA tinha duas Ligas de futebol americano, a NFL e a AFL. Quando elas decidiram se fundir, os times da NFL se tornaram os times da NFC e os da AFL viraram os times da AFC dentro da nova Liga unificada (Pra saber melhor a história das duas Ligas, recomendo esse post sobre a história do esporte nos EUA do nosso Especial NFL). Os times que surgiram depois não tinham esse vínculo histórico, mas times como Giants e Jets - que já existiam na época do The Merger e pertenciam à NFL e à AFL, respectivamente - acabaram ficando na conferência relativa às suas Ligas, o motivo de porque os dois times de NY pertencem a conferências diferentes. 

Ok, estou on fire pra explicar coisas hoje, vamos aproveitar pra responder à sequência de dúvidas do meu amigo Ricardo "Mugen" Venturelli sobre o Draft.


Vou fazer umas perguntas sobre o draft. Algumas perguntas dependem de respostas anteriores, então fiz algumas suposições de como eu acho que é (se a suposição estiver errada, ignore a pergunta). Vamos lá:
-Quantos jogadores um time pode escolher normalmente (tirando casos que um time troca uma escolha (numa rodada melhor) por duas escolhas (em rodadas mais avançadas)?

Um time, no padrão, tem 7 escolhas de Draft, uma em cada uma das sete rodadas. Claro que ele é livre pra trocar o que ele quiser pra ganhar mais ou menos escolhas, mas mesmo se não trocar nada, ele pode acabar saindo com mais escolhas. Além das 32 escolhas por rodada, o Draft da NFL tem mais 32 escolhas que são as Compensatory Picks, ou escolhas compensatórias. Eu não sei o critério exato usado nessas escolhas compensatórias, mas elas variam da terceira até a sétima rodada e são dadas a times que perderam mais do que ganharam na última Free Agency. Ou seja, se um time perdeu três jogadores caros e assinou só um barato, ela vai ganhar uma ou mais Compensatory Pick pra, como o nome diz, "compensar" a perda. 

Uma vez que essas Compensatory Picks são distribuídas, se tiver faltando um certo número de escolhas pra atingir as 32, elas viram Supplemental Compensatory Picks, ou escolhas compensatórias complementares. Essas escolhas funcionam como o começo de uma oitava rodada de Draft. Se faltarem oito escolhas compensatórias, os oito times de pior campanha (ou os oito que começam Draftando a cada rodada) ganham essas oito escolhas em ordem, que começam após o final da sétima rodada. Se não tiver nenhuma escolha compensatória e sobrarem 32 escolhas, cada time ganha uma escolha no final do Draft. Se forem distribuídas as 32 escolhas compensatórias, então ninguém ganha escolhas compensatórias complementares.

Em resumo: Um time terá sempre 7 escolhas de Draft (Se não tiver trocado elas anteriormente), mas pode ganhar mais escolhas dependendo do quanto o time perdeu na última Free Agency (não há nenhuma "punição" pra quem ganhou mais do que perde) e do quanto sobrar uma vez distribuídas as escolhas compensatórias.


-Os times podem escolher qualquer jogador universitario ou estes devem se candidatar para o Draft? Caso eles tenham que se candidatar, eles podem fazer isso em qualquer um dos (quatro) anos da universidade ou só no último?

Não, qualquer jogador que vá entrar na NFL tem que se declarar para o Draft, e só então ele será Draftado.   Para se declarar para o Draft, o jogador tem que ter terminado o colegial há pelo menos três anos. Isso significa que o jogador não precisa necessariamente ir para uma universidade e jogar três anos antes de se candidatar, ele pode passar um ano fazendo um mochilão pela Ásia, jogar dois anos na Faculdade e dai já se declarar para o Draft mesmo só tendo ficado dois anos no College. 

Claro que todo jogador que quer chegar na NFL sabe que o caminho é muito difícil, e é muito difícil para um cara que não saiu do College pra uma universidade ser Draftado, então esse normalmente é o caminho. Além disso, é muito mais fácil os olheiros da NFL terem confiança num jogador que eles viram jogar bem dois anos do que só um, por exemplo. No caso da NBA (que o jogador tem que esperar um ano depois do colegial pra ir pro Draft), alguns jogadores até preferem ir jogar na Europa antes de ir pro Draft, mas como o futebol americano não tem uma opção de tanto destaque e tão lucrativa, a faculdade é praticamente obrigatória se você quer chegar à NFL.

O tempo antes de se candidatar, portanto, é no mínimo três anos, mas varia de jogador a jogador. Tem jogador que se acha pronto e quer sair logo depois dos três anos, tem jogador que prefere ganhar um ano a mais de experiência ou acha que pode render mais no ano seguinte e assim melhorar seu valor no Draft, etc. Varia muito de caso pra caso.


-Caso seja em qualquer ano, vamos imaginar um jogador em seu segundo ano de universidade se candidata para o Draft, mas nenhum time escolhe ele, ele pode voltar a jogar na universidade (uma vez que ele só disputou duas de quatro temporadas)?

Não pode. Uma vez que o jogador se declarou elegível para o Draft e não foi Draftado, ele se torna um Free Agent e não pode retornar ao College, porque ele oficializou sua transição do esporte amador (o College) pro profissional. Eu confesso que não gosto muito dessa regra, pra mim um FA não draftado deveria poder voltar ao College porque afinal faria mais bem que mal deixar o cara completar seu estudo, mas...


-Os contratos (em termos de anos e de dinheiro) são iguais para todos os jogadores escolhidos no Draft, ou variam de time para time, ou de rodada para rodada, ou ainda de jogador para jogador?

Os contratos não são fixos nem tabelados, mas funcionam da seguinte maneira. Após o Draft, uma parcela do Salary Cap (o teto salarial) de cada time fica destinado apenas para assinar os jogadores que o time Draftou. O tamanho dessa parcela varia de acordo com o número e o "valor" das escolhas, então quanto mais escolhas você tiver e mais cedo elas acontecerem no Draft, maior será o tamanho do seu Cap que você vai ter disponível para assinar seus calouros. Desde que você não ultrapasse essa parte do seu teto salarial, você está livre pra negociar os contratos com seus jogadores draftados. Normalmente o contrato dos jogadores segue um padrão baseado na posição dos jogadores e em que posição eles foram Draftados, mas isso não é absoluto, e esse espaço do Cap serve justamente pra time e jogador negociarem.

Espero ter respondido às suas dúvidas, mas se você quiser uma visão mais geral pode ler um texto meio antigo nosso comentando um pouco como funciona o Draft e o esporte universitário.


Agora outra pergunta que não tem relação ao Draft.
Vamos supor que o time A tenha marcado um TD e vai para a tentativa de conversão de 2 pontos. Então eles vão correr com a bola (ou tentar um passe) e acaba ocorrendo um fumble (ou uma interceptção). Um jogador do time B recupera a bola, ele pode correr até a end zone adversário e marcar um TD ou não? Lembrando que é na tentativa de conversão de 2 ponto. - Ricardo "Mugen' Venturelli

Não na NFL. Na NFL, quando numa conversão de dois pontos resulta num fumble recuperado pela defesa ou numa interceptação, a jogada imediatamente acaba ali, a conversão falha e o time que anotou o TD chuta o Kickoff pra recomeçar a partida. 

Na NCAA e na Canadian Football League, por exemplo, é diferente. Lá, se você consegue um fumble ou interceptação na conversão de dois pontos e leva a bola até a End Zone adversária, o seu time que ganha os dois pontos da conversão, e ai o time que anotou o TD e falhou na conversão chuta o kickoff pra reiniciar o jogo normalmente.




como é decidido quem usa a camisa titular e a reserva? - Vinicius Moletta


Nos jogos normais (Pré-temporada, temporada regular e playoffs), o time que tem o mando de campo escolhe com qual camisa joga. Normalmente ele joga com a camisa titular e o adversário joga com a reserva, mas ele pode optar por jogar com a reserva e aí o adversário é forçado a usar a titular. 


No Super Bowl, que não tem mando de campo, funciona um esquema de revezamento. Num ano, o representante da NFC que usa a camisa titular, no ano seguinte é o da AFC, e por aí vai. O time que vai usar a camisa titular no Super Bowl pelo revezamento não pode optar por usar a reserva na sua vez, por exemplo - tenho certeza que o Pats teria feito isso no último Super Bowl, os uniformes em 2007 foram iguais. Em 2007, quem usou a titular foi o Pats, da AFC. Em 2008, foi o Cardinals da NFC. Em 2009, o Colts da AFC. 2010, Packers, e por aí vai. Ano que vem, o campeão da NFC vai usar a camisa titular no Super Bowl.



Equipe (lol) do Two-Minute Warning - Eduardo MS

Isso certamente não era uma pergunta ou um comentário, era mais a introdução do email, mas só pra comentar que esses dias o Celo falou comigo e disse que ia postar no blog. Depois o blog fica sem posts uma semana e ninguém entende porque. Porque EU ainda acredito quando ele fala isso, hein??


Gostaria que explicasse ao mundo sobre as variações cabulosas do Rugby, como o Futebol Gaélico e o "Aussie rules". 

Comente sobre o incidente do cachorro que invadiu um jogo entre seleções e participou de várias jogadas empurrando a bola, no video a seguir. - Eduardo MS


Nunca tinha ouvido falar, mas parece um rugby misturado com futebol. Pra quem ficou curioso, acho que o vídeo é bem auto explicativo. Acho que esse entra na categoria de esportes mais bizarros que eu já vi na vida... 

E o cachorro já pode jogar no meio de campo do Palmeiras e ainda virar ídolo da torcida.


Por curiosidade, caso tivesse a possibilidade de atuar ativamente na NFL, com um cargo como o de OC, DC ou comentarista da NFL.com, qual escolheria, qual time (se aplicável) treinaria/escrotizaria e porque?

Acho que eu adoraria ser comentarista da NFL.com, imagina ganhar dinheiro pra fazer o que eu faço toda semana aqui no blog de graça? E acho que, sem maldade, eu entendo mais de NFL do que o Jason Smith. Qualquer um entende, na verdade, até o cachorro do vídeo ai em cima. 

Mas acho que se eu tivesse a chance de trabalhar na comissão técnica de algum time, eu seria Coordenador Ofensivo. Ser Head Coach significa agregar todas as funções, coordenar todos os setores do time e, mais importante, lidar com jogadores e técnicos de diferentes personalidades, gostos e estilos, saber deixar todos felizes, manter o grupo unido... enfim, acho que envolve muito mais compreensão e tato do que eu conseguiria cuidar. Mas ser OC envolve muito menos manejo humano e mais tática, trabalhar um estilo ofensivo, playbook, formações, e deixar o controle humano dos jogadores com o HC... Ai sim, seria um trabalho que me atrairia bem mais. Se pudesse escolher, gostaria de trabalhar num time com um bom QB... Acho que o time mais divertido de ser HC deve ser um time como o Saints, que tem uma boa linha ofensiva que lhe permite as mais diversas formações de passe, treinar um time sem uma boa linha ofensiva significa que suas jogadas tem que ter uma válvula de escape pro QB e isso cria uma tendência no seu playbook. Saints ou Texans (QB não tão bom mas com ótimo RB) seriam as duas mais divertidas.


Ultima pergunta: Qual é o esporte mais bizarro que conhece, sem citar o Tazer Football League ou algo assim. - Eduardo MS

Olha, esse que você nos apresentou realmente entra na conversa. E olha que eu já pratiquei quase todos os tipos de esporte que eu conheço, futebol, futsal, futebol de areia, volei, tenis, basquete, baseball, futebol americano, rugby, hockey, ping pong, bocha (sério!)... Mas acho que o posto de esporte mais bizarro fica com o Lacrosse, que aliás é o esporte nacional Canadense - acho que todo mundo imaginava que era o Hockey, inclusive eu antes do intercâmbio.

Imagine um jogo no qual você joga uma bola pros seus companheiros usando algo que lembra uma rede de caçar borboleta mais dura e está sujeito a acertar seus adversários "acidentalmente" com essas redes a qualquer momento... Sem falar que você pode dar cabeçadas e trombadas gerais nos adversários a vontade para tirá-los do caminho e afins. Se isso não é bizarro o suficiente pra você, então eu realmente recomendo o Taser Ball pra você. E uma terapia.


Alias, ultima pergunta: Comente sobre a instinta XFL, e fale sobre o q a NFL poderia usar deles  - Eduardo MS

Primeiro e mais importante, "instinta" me doeu.

Segundo, pra quem não sabe, a XFL foi uma tentativa de criar, em 2001, uma Liga de futebol americano "alternativa" à NFL. No caso, logo após o término da NFL, aquele período cruel quando ficamos sem futebol americano por SETE SÓLIDOS MESES.


Mas é, não deu certo por vários motivos, o primeiro e mais importante é que a gente ja´aprendeu ao longo de muito tempo que ninguém gosta de futebol americano  profissional que não seja o da NFL, várias Ligas alternativas já surgiram ao longo dos anos (a maior e mais importante foi a USFL, na década de 80, que tirou da NFL vários prospects importantes saindos do College e onde jogaram, antes de ir pra NFL, Jim Kelly e Steve Young, por exemplo, e rendeu um excelente documentário da série 30 for 30 da ESPN chamado "Small Potatoes: Who Killed the USFL?" que mostra como a USFL se manteve bem enquanto foi uma Liga secundária, mas que se destruiu quando tentou mudar da primavera para o outono para competir diretamente com a NFL). Além disso, a XFL foi fundada por caras ligados às lutas livres americanas (não estilo MMA de hoje, e sim aqueles Wrestlings combinados, o que fez a Liga ficar com fama de combinada e falsa.


O que a gente pode levar da XFL? Que os EUA não tem espaço pra outra Liga de futebol americano, especialmente se for mal organizada. A USFL, que era extremamente bem organizada, durou alguns poucos anos (tudo bem, porque seu fundador morreu e o idiota do Donald Trump decidiu mudar a Liga pra competir com a NFL, mas enfim...).


Ah sim, a XFL também não tinha coin toss pra começar um jogo, cada time colocava um jogador na linha de 30 jardas, a bola ficava na linha de 50 jardas, o juiz apitava... E o time do jogador que saisse com a bola primeiro ganhava o cara ou coroa. Isso podia existir na NFL. Malditos conservadores...




Comecei a acompanhar a NFL esse ano, torcendo para o 49ers, mas ainda não decidi direito. Como vocês acabaram escolhendo seus times? - Nathan de Castro


Bom, eu torço pro 49ers por uma combinação de fatores. Primeiro, porque meu pai torcia para o 49ers, então desde pequeno eu uso roupas do Niners, escuto falar do Joe Montana e afins. Meu pai torce pro Niners porque morou algum tempo nos EUA - o que lhe deu o amor pelo esporte -, porque o time usava na época um uniforme vermelho, branco e preto e meu pai é sãopaulino fanático desde que nasceu, e porque quando ele começou a acompanhar mais o esporte era a época do Montana sendo Deus em San Francisco. Quando eu fui crescendo, fui baixando vídeos de jogos famosos e de Super Bowls antigos de um site já falecido, e de longe os dois jogadores que mais me impressionaram foram o Montana e o Jerry Rice. Então somado à minha pré-disposição em gostar do time pela influência desde a infância (Tem um video meu com dois anos lançando uma bola de foot e gritando "Touchdown, Steve Young!"), essa admiração pelos dois foi o que me fez torcer pro Niners.


Acho que não tem muito segredo para nós que não moramos nos EUA, lá geralmente se torce para o time da cidade e/ou o time dos pais. No meu caso, a influência do meu pai foi bem importante, mas se não tiver algo assim o jeito é ir assistindo e acompanhando e desenvolver naturalmente, ou então esperar acontecer um momento que te marque. Por exemplo, eu torço pro Red Sox por causa de um jogo que eu vi que o time perdia de 7 a 1 na oitava entrada, e a torcida não parava de cantar, de gritar e de apoiar. O time começou a reagir, a torcida continuou cantando, até que o Sox venceu por 8 a 7. Isso me marcou tanto - a torcida, os jogadores, tudo - que eu comecei a torcer pro Sox.




Conheci o futebol americano mais profundamente graças a uma mangá chamado "Eyeshield 21", que, apesar de toda a fantasia, me fez me interessar pelo esporte e querer saber mais. Quais mídias vocês acham que podem ajudar a trazer fãs para o FA, além da televisão e tal? - Nathan de Castro


Eu sou suspeito pra falar, porque eu ADORO Eyeshield 21. E o pior é que, tirando algumas excessões, Eyeshield 21 não é tão fantasioso assim, a grande parte das "técnicas" dos jogadores existem de verdade, e só aparecem de uma forma mais estilizada e com um nome pomposo. 


Claro, não é todo mundo que gosta do estilo de história e leitura de um mangá, mas pra quem gosta eu recomendo muito Eyeshield 21, a história se desenvolve de um jeito muito legal, os personagens são extremamente bem trabalhados e um dos personagens principais (Hiruma) é o personagem mais legal que eu já vi em toda minha vida. E claro, os jogos de futebol americano são muito bons. Pra quem gostar do estilo, eu recomendo.


Acho que a melhor mídia sempre vai ser a TV, a ESPN tem feito um grande trabalho trazendo o futebol americano pra cá e tudo mais. Mas conheço gente que começou a se interessar e eventualmente acompanhar o esporte por causa de filmes (Any Given Sunday, Blind Side), livros (Blind Side, The Elmira Express, etc), mangás (Eyeshield 21). Acho que enquanto essas coisas continuarem saindo com qualidade na mídia, eventualmente vão vir pro Brasil e atingir uma parte da população. Mas o melhor, a meu ver, ainda são os video games. Acho que na geração atual, os video games - Madden, em especial - são a melhor forma de apresentar o esporte. Não só é divertido, é uma ótima forma de se conhecer mais as posições do jogo, as formações e tudo mais. E claro, a internet, é muito fácil hoje achar na net bons blogs brasileiros com informações e opiniões sobre o esporte. Eu tento fazer minha parte, nosso Especial NFL está sempre ai pra quem quiser, mas tem muitos outros que também fazem um trabalho parecido. O esporte já está quase atingindo no Brasil um nível de alimentar o próprio crescimento, o que é ótimo. Acho que de certa forma tudo isso que está ajudando o esporte no país.




1. Se você fosse montar um time de Foot, como seria a escalação? Utilizando jogadores da última temporada da NFL. - Daniela


Hmm, com base na última temporada da NFL e minha opinião geral sobre os jogadores, meu time pra jogar UMA temporada (ou seja, sem pensar em potencial a médio/longo prazo) seria:


Linha ofensiva: Jason Peters, Jake Long (OT), Jahri Evans, Logan Mankins (OG), Nick Mangold (C).
Ataque: Tom Brady (QB), Adrian Peterson (RB), Larry Fitzgerald, Calvin Johnson e Wes Welker (WRs), Vernon Davis (TE), Vontae Leach (FB).


Defesa 3-4: Jared Allen, Haloti Ngata (DE), Justin Smith (DT), Terrell Suggs, Jason Pierre-Paul (OLB), Patrick Willis, Brian Cushing (ILB), Darrelle Revis, Jonathan Joseph (CB), Ed Reed e Troy Polamalu (S).

Special Teams: Andy Lee (P), Sebastian Janikowski (K), Devin Hester (Retornador)

Esclarecimentos rápidos: Ainda acho Tom Brady o melhor QB da NFL, Adrian Peterson é o melhor RB jogando num ataque horrível, Vernon Davis é um bloqueador melhor que Jimmy Graham e Rob Gronkowsky e tão bom quanto recebendo (só que joga com um QB pior). Gronk e Navorro Bowman tiveram um 2011 espetacular, mas foi só um ano, preciso ver mais antes de colocar eles no meu time. Terrell Suggs e Jason Pierre-Paul merecem mais a vaga do que Demarcus Ware nesse momento.


2. Qual seria sua reação se você visse o "João Montanha"? 


Eu provavelmente me ajoelharia na frente dele e começaria a fazer reverências. Sério. Montana e Rice são inigualáveis tanto como meus jogadores como meus ídolos no esporte. Meu sonho é ter uma camisa autografada pelos dois enquadrada na parede do meu quarto. Não estou brincando. Acho que as reverências ganham por pouco. Não queiram saber quais as outras opções.




3. O que acha do Madden? Porque eu particularmente sou péssima. O NBA é mais jogo (tu dun pss)


Pra mim, Madden 2008 pra computador foi o melhor jogo de esportes já feito na história da humanidade, mas a partir de 2009 pararam de lançar Madden pra computador e focaram nas plataformas (antes que alguém diga que da pra jogar Madden no computador de n maneiras diferentes, pegue Madden 2008 pra Wii, PS3/xBox, e computador. Jogue os três. NÃO é o mesmo jogo, os três são bastante diferentes, e o de computador é infinitamente melhor). Desde então, tenho jogado no Play3, e gosto bastante do jogo. Nunca chegou no nível Madden 2008, mas é um excelente jogo, tanto em termos de jogabilidade como de conteúdo (a única coisa que falta pra mim é uma Seção como "Jogos históricos' com times antigos e tal, que nem o NBA 2k12) e tem melhorado ao longo do tempo. Só que perdeu o posto de "melhor jogo de esportes" pra NBA 2k desde que parou de fazer as versões pra computador.




4. O que acha de Foo Fighters no próximo SuperBowl? É a sua aposta para o ano que vem ou não? Quem você gostaria de ver tocar por lá?


Eu acho que FF é a melhor pedida. É a banda mais popular da atualidade, a música deles é muito boa, e eles são carismáticos - sem falar que gostam de inventar, o que é perfeito para o Super Bowl. Faz tempo que não temos uma banda boa e popular no auge do sucesso tocando no Super Bowl, e Foo Fighters tem todas as qualificações necessárias. Dificilmente eles repetirão um cantor single esse ano, e já faz algum tempo desde o último show de rock por lá... Então acho que sim, é o meu favorito antecipado pro show do ano que vem. 


Meu sonho pra tocar lá seria a formação clássica do Pink Floyd, é claro, mas como o Richard Wright já morreu, aceito que coloquem o Paul McCartney pra fazer o papel de pianista/tecladista. Acho que se juntar os três vivos (Roger Waters, Nick Mason, David Gilmour) já está ótimo, seria um sonho. Paul + Floyd, aliás, é a abertura das olimpíadas de Londres. Eu mato por um ingresso pra essa abertura...




5. Por último, gostaria que mandasse um beijo para o Wilfork, meu queridinho. - Daniela


Minha pegunta favorita do Mailbag, porque eu realmente imaginei por um segundo eu indo tirar satisfação com o Vince Wilfork, e passei os próximos cinco minutos caindo na risada. Sim, ela é a minha namorada Patriota... E ela é apaixonada pelo Wilfork desde aquele Pats e Chargers que ele interceptou um passe e saiu correndo com uma animação tão genuína que foi comovente. Maldito gorducho, eu ainda tinha esperanças quanto ao Niners pra ela...




Gostaria de saber o que você acha que será dos patriots após esse fracasso, as projeções do patriots para o draft, quais seriam as possíveis saidas ou chegadas de jogadores, futuro do Ochocinco, etc - Everton Dalcin


Bom, primeiro de tudo, o Pats é um time que tem uma base montada. Brady, Welker, Gronk, Aaron Hernandez, Jarod Mayo, Devin McCourty e Vince Wilfork, todos devem continuar na equipe. O contrato do Benjarvus Green-Ellis ta terminando, mas o Pats já está em busca de uma renovação. Não acho que o time deva perder ninguém significante no final da temporada (a não ser que você conte o Ochocinco) e a perspectiva é de que o time mais se reforce do que perca jogadores.


O Pats tem duas escolhas de primeira rodada no Draft (Provavelmente vão trocar essas escolhas porque o Bill Belichick tem essa tara estranha) e devem ir atrás de jogadores pra defesa ou de WRs, o único confiável do time é o Wes Welker e como o jogo contra o Giants mostrou, o time tem uma certa falta de Wideouts. Na Free Agency, o problema é que tem uma regra que limita aas contratações dos times top4, que diz que o time só pode adquirir em jogadores o que ele perder. Como tem poucos jogadores de peso saindo, eles ficam limitados a jogadores mais baratos, não terão condições de arrumar algum FA de impacto. O Brandon Lloyd - que é acessível se aceitar um contrato menor - já disse que quer ir pra lá, por exemplo. Acho que caia como uma luva, mas o agente dele tem péssimas relações com o Patriots. É tudo especulação, mas considerando que o time tem duas escolhas de primeira rodada, não deve perder ninguém importante, seus jogadores jovens vão ter um ano a mais pra melhorar e ainda é capaz de achar algum jogador útil subvalorizado na Free Agency - tipo o Lloyd, saindo de péssima temporada - é difícil imaginar que o time não vá ser pelo menos tão bom quanto esse ano. 



Quais podem ser as grandes movimentações de jogadores entre os demais times e as opiniões sobre os jogos das equipes para a temporada 2012, parece que o seu 49ers pegou uma tabela nada fácil hein! - Everton Dalcin


E esse é o motivo pelo qual eu estou morrendo de medo pela temporada 2012 da NFL - Meu Niners vai enfrentar Patriots, Packers, Saints, Bears, Lions e Jets, de longe uma tabela mais difícil do que a desse ano passado. Deve ganhar a divisão porque tirando Patriots, todos da NFC West enfrentam os mesmos times, mas dificilmente ganha mando de campo pros playoffs. O Niners em casa é um dos melhores times da Liga e pode ganhar de qualquer um, mas fora de casa... Eu não tenho a mesma confiança. Nem de longe. 


Acho que a principal história da offseason deve ser aonde irá o Peyton Manning. Acho difícil ele ficar em Indianapolis, e provavelmente ele vai escolher pra onde ir. A melhor escolha pra ele seria o Niners, mas acho que o Niners vai insistir com o Alex Smith, que melhorou muito ao longo da temporada passada. Nesse caso, Jets e Redskins são os principais alvos do Manning. Pra mim o melhor time pra ele ir é o Titans, faz sentido total pros dois (um time que pode virar um candidato ao título com um grande QB se adicionar uma ou duas peças, e o time ganha um titular pra disputar titulos e um mentor pro Jake Locker pros próximos anos) mas dificilmente vai acontecer. O Dolphins provavelmente vai ir atrás do Matt Flynn na Free Agency, e acho que a tendência da offseason vai ser jogadores jovens renovando e os velhos (Brandon Lloyd, Reggie Wayne...) mudando de time.





Gostaria de saber qual o contrato de Jeremy Lin com o New York Knicks. Qual a duração dele, e se há alguma possibilidade de Linsanity sair dos Knicks para tentar um título em algum contender mais forte. - Christopher Chow



Só um ano, mas eu duvido MUITO que o Knicks não de um jeito de estender esse contrato assim que tiver a chance. O meu post sobre o Jeremy Lin vai ser o próximo, mas já adianto que ele é um bom jogador e que tem a característica que esse time do Knicks precisa, então ele é valioso demais pro Knicks perder. Só precisa ver como fica a questão salarial. Do lado do Lin, eu duvido que ele saia, se o Knicks pagar: O Knicks pode pagar mais que os outros, ele é grato ao Knicks por ter dado uma chance a ele e é muito amigo do Landry Fields (Tava morando no sofá dele). Dificilmente ele vai sair disso tudo se não tiver uma grande vantagem em outro quesito. Financeira não vai ser. E será que existe algum contender que possa assinar ele? Miami está muito acima do cap, Bulls não precisa dele, Thunder também não tem o estilo de pagar bilhões por free agents, o Dallas vai contratar o Deron Williams no final do ano e dificilmente o Lakers vai abrir o espaço salarial pra isso se não trocar Gasol ou Bynum, e se o fizer o alvo deles vai ser o Dwight Howard (que aliás acho que não sai de Orlando). Então não tem nenhum motivo pro Lin sair, ele e o Knicks são o melhor casamento pros dois.






E esse é o fim do nosso primeiro Mailbag. Espero que tenham gostado, se tiver chegando emails a gente continua e faz mais. Mandem novos emails, que a gente continua!