Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A ressurreição do Kansas City Chiefs

"Um QB que sabe acertar passes? Tem certeza?"
"Ouvi boatos mas nunca tinha visto um ao vivo em KC"


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Para os pontos importantes da semana 4 da NFL, nossa coluna de terça feira, clique aqui

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Existem poucas coisas no mundo que mudam mais rápido do que a NFL. Muito poucas. A amostra é tão pequena e o jogo tão dependente de pequenos detalhes que jogadores explodem ou deixam de ser eficientes (o mesmo vale para times) sem que a gente perceba, e só perceba quando é tarde demais. Por exemplo, todos sabemos como a NFL está agora em termos de times bons e ruins, times que venceram e times que perderam, e tudo mais. Bom, então vamos dar uma rápida olhada em como a NFL estava um ano atrás, ao final da quarta rodada da temporada regular?

Bom, vejamos... O Saints perdia para o Packers e começava a temporada 0-4... O Titans era massacrado pelo Texans e caia para 1-3... o Cardinals ganhava sua sexta partida seguida (contando a temporada anterior) para começar o ano 4-0... Falcons arrancava uma vitória em casa contra o Panthers na incompetência do Ron Rivera (algumas coisas nunca mudam) para abrir o ano 4-0... o Browns perdia do Ravens para ficar 0-4... o Patriots ganhava do Bills para chegar a 2-2... Seattle perdia do Rams para começar 2-2 e a mídia pedia Matt Flynn de titular e Russell Wilson no banco... e claro, o Kansas City Chiefs perdia em casa para o Chargers e caia para 1-3.

Bom, todos nós sabemos como a temporada terminou para esses times e como a temporada 2013 começou, e é verdadeiramente fascinante imaginar que apenas um ano depois o Falcons estaria começando o ano 1-3, o Saints 4-0, e claro, o Chiefs 4-0 também. Como eu disse, faz parte da natureza da NFL, onde pequenas coisas - que muitas vezes só percebemos quando acontecem - acabam fazendo um mundo de diferença.

E entre todas as grandes mudanças de equipes de 2012 para 2013, nenhuma é mais incrível e ao mesmo tempo menos surpreendente do que a do Kansas City Chiefs, que terminou o ano 2-14 e com a primeira escolha do draft apenas oito meses atrás, e agora está invicto e forte candidato a uma vaga nos playoffs. Então o que exatamente aconteceu entre esses dois pontos para causar tamanha mudança?

Quando eu comecei minha série de previews, cujo foco era procurar em estatísticas diferentes eventuais indicadores de que o record final de uma equipe não refletia o seu verdadeiro nível de performance (usando por exemplo Pythagorean Expectations e jogos decididos por uma posse de bola), o Chiefs era um dos times que mais me interessava e um dos times que eu mais esperava que fosse encontrar um nível de produção que não fosse condizente com seu horrível record final de 2-14. Afinal, apesar da horrível situação de QBs da equipe, o Chiefs ainda contava com seis Pro Bowlers no seu elenco, uma defesa cheia de grandes talentos e um dos melhores RBs da NFL. Não fazia sentido nenhum que a equipe fosse tão ruim tendo tantos jogadores bons. Então eu estava crente que iria encontrar muitos indicadores aleatórios influenciando o record da equipe.

Não foi o caso. Por qualquer métrica usada, o Chiefs foi o time horroroso que pareceu ser: o ataque foi o segundo pior da liga, e a defesa a terceira pior. O time teve a pior eficiência ajustada, o pior saldo de pontos E o menor Pythagorean Wins (2.5) de toda a NFL. Tudo indicava que o time era simplesmente ruim. Mas eu não estava satisfeito com isso, não com tantos grandes talentos dos dois lados da bola na equipe e com o upgrade para Andy Reid e Alex Smith nas posições de HC e QB, respectivamente. Por isso que o preview do Chiefs foi o único que eu ignorei totalmente estatísticas e minhas métricas e fui de acordo com o meu feeling e minha experiência no assunto quando sugeri que seria um bom time e que brigava por uma vaga nos playoffs. Se toda regra tem uma exceção, nesse caso só podia ser o Chiefs.

Agora que a equipe começou o ano 4-0 e com o terceiro melhor saldo de pontos da NFL, posso falar que de fato eu acertei nessa. Ainda assim, é difícil explicar exatamente porque esse time, com apenas algumas poucas mudanças significativas, foi tão ruim em 2012 se o talento estava lá para gerar seis Pro Bowlers. A solução fácil seria atribuir isso ao péssimo desempenho dos QBs da equipe e do ataque que levou para o fundo do poço todo o time, e embora isso tenha uma grande parcela de culpa, não justifica porque a defesa também terminou o ano tão mal mesmo com quatro PBs. Talvez o péssimo desempenho ofensivo tenha desanimado e tirar o esforço dos demais jogadores. Talvez tenha sido apenas uma temporada onde tudo deu errado. Talvez um pouco de todos. Só sei que o talento estava lá, e com a mudança de comando e mesmo de ares lá em Kansas City, era de se esperar que esse talento aflorasse.

A mudança da água para o vinho nesse time começou com a chegada lá do grande (enorme!) Andy Reid. Reid claramente estava com a relação desgastada na Philadelphia, cometendo muitos erros e precisando urgente de uma mudança de ares. Mas ele é também um técnico experiente e inteligente, que sabe como tirar o máximo de seus jogadores. E Reid, desde o primeiro momento, soube exatamente o que ele tinha nas mãos e o que tinha que fazer para o time funcionar. Ele sabia que Alex Smith era um sólido quarterback com um conjunto específico de habilidades, mas que não conseguia desequilibrar jogos sozinho como Drew Brees ou Aaron Rodgers. MAs ele também sabia que, seguindo o manual do Jim Harbaugh em San Francisco, ele tinha as peças exatas para fazer Smith funcionar ao máximo de suas capacidades. Então Andy Reid prosseguiu para montar esse time como uma réplica muito boa do 49ers de 2011 que quase chegou ao Super Bowl.

Os paralelos são bastante precisos nesse aspecto, e é uma tática que tem sido bastante utilizada ultimamente. Alex Smith não tem um braço forte, não tem uma grande precisão nos passes longos e não é particularmente bom acertando passes em janelas apertadas, mas ele é muito bom tomando decisões, cuidando da bola e acertando passes curtos. Ele é um QB pouco explosivo, mas super eficiente. Então para aproveitar ao máximo o que ele sabe fazer e não colocá-lo em situações onde ele seja forçado a fazer o que não é tão bom, é simples: você foca no jogo terrestre e nos passes curtos, você controla o relógio, você move a bola lentamente, encurta as conversões e força a defesa a se preocupar com a corrida para abrir as linhas de passe. É uma forma de manter o ritmo do jogo sob seu controle, ainda que não resulte em muitos pontos.

Claro, a teoria é mais fácil que a prática e para isso você precisa de um conjunto de jogadores bem definidio. Mas a questão é que o Chiefs é um dos times que possuem esse tipo de característica: possuem um RB bom no Jamaal Charles capaz de encurtar as descidas e mover as correntes, e uma boa linha ofensiva. E mais do que isso, Andy Reid tem feito um excelente trabalho usando Alex Smith correndo com a bola tanto em conversões curtas como em jogadas de primeira ou segunda descida. Smith (contando três ajoelhadas) tem 151 jardas e 5 jardas por corrida, e o ataque terrestre como um todo ganha mais do que 4.3 por corrida (tirando ajoelhadas), uma boa marca considerando que o time enfrenta sete ou oito jogadores na linha adversária com frequência. Jamaal Charles já soma mais de 500 jardas (entre corridas e recepções) e 4 TDs, Alex Smith tem sete TDs e cometeu apenas dois turnovers, e o ataque do Chiefs em geral tem cumprido muito bem sua função de evitar turnovers (5.2% das posses terminando em turnovers, terceira melhor marca da NFL) e de aproveitar as suas boas oportunidades (9 TDs contra três turnovers) que eventualmente tiver. O DVOA do Football Outsiders coloca o Chiefs como o 11th melhor da temporada até aqui e ressalta que esse bom número vem justamente da sua capacidade de proteger a bola e converter oportunidades, ainda que tenha dificuldade em campanhas mais longas.

Mas quando você monta seu ataque dessa forma, para ser conservador, tomar conta da bola, evitar turnovers e basicamente converter oportunidades, você não pode esperar que seja seu ataque a vencer jogos para você. É basicamente admitir que seu ataque não conseguiria (ou não seria eficiente o suficiente) jogar em um esquema de profundidade e alto volume, e montar uma forma de esconder essa dificuldade para valorizar aspectos mais conservadores do jogo. Não tem nada errado com isso, é claro - na verdade, acho inteligente quando um técnico reconhece as limitações do seu time e consegue efetivamente esconder isso enquanto explora os seus pontos fortes, é o que faz de um bom técnico um bom técnico. Mas para isso funcionar, você vai precisar de uma outra força no seu time: uma defesa que consiga manter os jogos favoráveis aos placares baixos do ataque, que force turnovers e boas posições de campo para o ataque aproveitar, e que possa vencer jogos uma vez ou outra quando o ataque não funcionar. Ou seja, você precisa de uma defesa dominante que compense e complemente esse ataque conservador.

E nessas quatro semanas, é exatamente o que essa defesa tem sido. Além de ser rankeada como a terceira melhor defesa pelo Football Outsiders (ajustada), a defesa do Chiefs é a segunda que menos cedeu pontos na temporada, nona melhor cedendo jardas e terceira melhor forçando turnovers. Apenas 14.8% das posses de bola adversárisa resultam em turnovers contra essa defesa, a melhor marca da NFL por uma considerável margem, enquanto que ela força turnovers em 20.4% das posses - quinta melhor marca. A defesa tem sido surpreendentemente ruim contra corridas, cedendo 5.4 jardas por corrida (segunda pior marca da liga), mas apresenta a melhor secundária, segurando o adversário a apenas 4.5 jardas por jogada de passe (de longe a melhor marca). 

O segredo para essa defesa, pelo menos até aqui, tem sido seu pass rush: em quatro semanas, nenhuma defesa conseguiu anotar mais sacks (18) e teve mais situações de pressão ou hits do que a linha de frente de Kansas City. A dupla de OLBs do time, Tamba Hali e Justin Houston, em particular, tem sido letal: Hali sempre foi um grande rusher, com temporadas de 14.5 e 12.5 sacks na sua carreira, e esse ano teve mais um começo bom de temporada com 3 sacks nos primeiros quatro jogos, mas a grande surpresa do ano tem sido Houston, que já tinha sido bom em 2012 (10 sacks e uma vaga no Pro Bowl) mas que explodiu em 2013 com 7.5 (!!) sacks em quatro jogos, incluindo um fumble forçado e 9.5 tackles atrás da linha de scrimmage (contando sacks). Esses dois sozinhos somam mais sacks do que 15 times da NFL e mais sacks do que Bears e Giants SOMADOS. Esses números provavelmente não vão continuar assim um ano inteiro, mas é o suficiente para que esse pass rush seja reconhecido como uma força que desestabiliza quarterbacks e força times a ajustarem para sair da sua zona de conforto. Outro jogador que explodiu em 2013 e tem sido fundamental para esse bom começo é o NT Dontari Poe, uma escolha de primeira rodada que decepcionou em 2012 mas que já soma 3.5 sacks em 2013 como um NT de uma defesa 3-4!!! Poe tem sido uma das forças mais destrutivas da NFL pelo meio essa temporada, não só forçando sacks como obrigando ajudes e até mesmo marcações triplas em cima do gradalhão. Então a defesa do time já era boa, com a secundária trazendo Dunta Robinson e Sean Smith para reforçar um grupo já forte que contava com Eric Berry e Brandon Flowers e mais Derrick Johnson e Tamba Hali na frente, e só de se livrar do que quer que já estivesse a atrasando em 2012 já seria o suficiente para fazer dessa uma defesa muito sólida... mas dai Houston e Poe explodiram e colocaram esse grupo um patamar ou dois acima. Não é a toa que os adversários enfrentando o Chiefs tem apenas 53% de aproveitamento nos passes (terceira melhor marca da NFL), um NFL-worst 5.9 jardas por passe (não por jogadas de passe, note bem) e 4.8 jardas ajustadas por passe (segunda melhor). É um pesadelo ter que passar contra esse time.

Claro, não é apenas a questão do ataque mediano, mas eficiente, e da defesa destrutiva. Depende de diversos outros fatores que pouco são observados, mas estão diretamente ligado a capacidade do time de integrar essas duas coisas, funcionar como conjunto e executar seu plano de jogo. E a primeira e talvez mais importante dessas é a questão da posição de campo. Como um time de futebol americano, naturalmente, você quer que seu ataque comece suas campanhas o mais próximo possível da end zone adversária (menos caminho a percorrer para anotar pontos) e que as campanhas de seus adversários comecem o mais longe possível da sua. Isso pode parecer uma questão de special teams (capacidade de retornar chutes, bons punters, etc) e de certa forma é, mas não apenas: depende diretamente da estratégia e da forma como um time atua. Isso envolve tomada de decisões em diversas situações (por exemplo, o chiefs é mais provável que vá para o punt em uma 4th and 4 na linha de 38 do adversário do que o Packers ou Broncos) e também toda sua filosofia de jogo, já que evitar turnovers ofensivos e conseguir forçá-los na defesa é uma forma de conseguir uma vantagem no quesito. Em particular, para um time como o Chiefs que usa essa estratégia de um ataque eficiente mas com dificuldades para longas campanhas e uma defesa absurdamente dominante que é uma ameaça para forçar turnovers a todo instante, a posição de campo é crucial: você quer seu ataque tendo que andar o mínimo possível para anotar pontos já que ele não se da bem em longas campanhas, e você quer oferecer a sua defesa o maior espaço possível para fazer sua mágica e forçar os turnovers que, por sua vez, darão ao ataque boa posição de campo para anotar pontos. É por isso que o Chiefs é um time que não é tão agressivo ofensivamente e não se incomoda em chutar punts quando seu ataque estagna em uma campanha, porque assim eles oferecem boa posição de campo a defesa para conseguir uma eliminação rápida do ataque ou um turnover, e dai o ataque receberá novamente a bola em uma boa posição. Então posição de campo é um ingrediente crucial para o estilo de jogo de KC, e até agora, eles tem sido extremamente  eficientes com isso: as suas campanhas ofensivas começam em média na linha de 37.5 jardas do seu próprio campo, e as suas campanhas defensivas começam com o adversário em sua linha de 20.3 jardas... e ambas as marcas lideram a NFL por uma LARGA margem. Nunca neglicencie o efeito disso sobre uma partida e um time.

E por fim, temos uma questão mais complicada: turnovers. Quando eu escrevi terça sobre o Titans, eu disse que o segredo por trás do seu bom começo de temporada era seu saldo de turnovers de +9, algo que era absolutamente insustentável já que era motivado por uma taxa de recuperação de fumbles de 89% e pelo fato de que seu time ainda não tinha lançado uma interceptação, dois fatores extremamente prováveis a sofrerem regressão indo para frente. Bom, o  Chiefs também é um time que tem beneficiado demais dos turnovers: seu saldo de +9 lidera a NFL junto com o Titans, resultado de 12 takeaways da defesa contra apenas 3 turnovers do ataque. E como esperado, isso também envolve alguma sorte: o Chiefs tem recuperado 71% dos fumbles, terceira melhor marca da liga. Então o normal seria concluir que, assim como o Titans, o Chiefs está sujeito a uma regressão nesse quesito. E não deixa de ser verdade: é impossível que a equipe continue recuperando 71% de seus fumbles, e quando isso regredir, o total de turnovers da equipe também vai regredir. 

Mas a equipe de Kansas City tem uma chance melhor de continuar se dando bem no quesito do que a de Nashville por dois motivos. Primeiro, porque esse bom começo e esse saldo de +9 dependem muito menos de sorte e de fatores absurdos do que seus adversários da AFC. No caso do Titans, isso está vindo de dois fatores absolutamente insustentáveis: recuperação de 89% de seus fumbles e taxa de interceptações de 0% por parte de seus QBs (inclusive duas interceptações dropadas), dois dados que contrariam todas as evidências histórias e que estão sujeitos a violentas regressões que afetarão mais fortemente o seu time do que o Chiefs, que deve diminuir esse saldo mas de um patamar muito menor (entre 71% e 89% tem uma GRANDE diferença) e cujo QB não está tendo particular sorte ou um número estranho ou insustentável com interceptações - então a regressão tende a ser mais fraca em cima do Chiefs. E segundo, porque a batalha dos tunovers é uma consequência direta do plano de jogo da equipe: o ataque do Chiefs é FEITO para segurar a bola e evitar turnovers, composta de passes curtos e seguros que diminuem a chance de uma interceptação, e ainda por cima com o QB que melhor evita turnovers em toda a NFL desde que assumiu a titularidade em 2010. Da mesma forma, a defesa do Chiefs é uma das melhores da liga e extremamente agressiva em busca desses turnovers, então eles vão recuperar mais fumbles (mesmo quando o 71% nivelar) porque eles vão simplesmente forçar mais fumbles do que os outros times. Não que todos os times da liga não busquem também evitar turnovers e produzir os seus, mas no caso do Chiefs, todo o plano de jogo é voltado para essa finalidade, então me parece algo muito mais natural que KC tenha +9 de saldo do que um outro time que não coloque tanta ênfase nesse aspecto do jogo. Eles tem dado alguma sorte, mas também tem executado muito bem seu plano de jogo. E no fundo, é isso que tem feito a grande diferença na equipe, dos dois lados da bola. Não vejo motivo para que o Chiefs não continue sua temporada mágica rumo a uma vaga nos playoffs.


Palpite para o jogo de quinta a noite


BROWNS over Bills
Contra o spread: BROWNS (-3.5) over Bills
Então depois de começar o ano 0-2 e trocar seu (supostamente, porque ele tem sido medíocre a sua carreira inteira) melhor jogador ofensivo E colocar seu QB reserva para jogar, o time está 2-0, venceu supostamente o melhor time da sua divisão no Bengals, e agora lidera a AFC North (empatado, mas enfim). Alias, inesperadamente esse jogo que tinha tudo para ser um fiasco no papel acabou sendo uma disputa entre dois times 2-2 que de repente sonham com uma vaga nos playoffs! Quem teria imaginado no começo da temporada. Enfim, minha aposta vai para o Browns porque eles tem me impressionado bastante desde que trocaram Trent Richardson (a ponto de me fazer questionar se, no final das contas, ele era mais responsável por aquele ataque ruim do que imaginávamos), tem jogado com muita intensidade e jogam em frente a uma torcida que não comemora nada faz seis anos, e enfrentam um Bills que não tem jogado bem fora de casa, joga sem metade da secundária e que quase conseguiram perder do Ravens mesmo com Joe Flacco lançando cinco interceptações. A boa defesa do Browns me parece favorecida por esse jogo ser numa quinta a noite também. Agora se me dão licença, tenho que subir na Cleveland Browns Bandwagon. Volto amanhã.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - San Francisco 49ers


Um dos 5 melhores momentos da minha vida


Nessa série de previews já falamos de 28 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South, North e West e das NFC East, South e North. Hoje começamos a falar da NFC West. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

San Francisco 49ers

2012 Record: 11-4-1
Ataque ajustado: 5th
Defesa ajustada: 2nd


Se voltarmos um instante para 2010 para olhar o cenário da NFC West em comparação com o resto da NFL, vamos lembrar de como a divisão era lamentável naquele momento. Não foi a toa que o nome NFC West virou sinônimo de piada na NFL: aquela divisão foi vencida por um Seattle Seahawks com record 7-9, a primeira vez na história da liga que um time vence uma divisão com record negativo E a primeira vez que um time com record negativo sediou um jogo de playoffs. Na verdade, aquele Seattle foi provavelmente o pior time da história do universo a sequer ir para os playoffs: um time 7-9 mas com Pythagorean Expectations de 5-5 vitórias e a terceira tabela mais fácil da NFL, aquele foi na verdade o terceiro PIOR time da liga pela estatística de eficiência ajustada do Football Outsiders, de longe a menor classificação para um time de playoffs desde que o Football Outsiders tem esse dado. Na verdade, para se ter uma noção de quão ruim a NFC West, em termos de eficiência ajustada seus quatro times estavam entre os 9 piores de toda a NFL: Cardinals ficou em último depois da aposentadoria do Kurt Warner; Seattle foi o terceiro pior e ainda ganhou um jogo de playoffs; Rams (que terminou 7-9 e perdeu a vaga para o Seahawks na última rodada) ficou em 27th; e o melhor time da divisão foi um 6-10 Niners que ficou em 24th e que mandou o técnico embora faltando duas rodadas. Foi um ano brutal que solidificou a reputação da NFC West como a piada da liga. Três anos depois, você pode fazer um argumento muito sólido que a divisão possui dois dos três melhores times da NFL e é a mais forte da liga. So... Yeah. As coisas mudaram um pouco desde então.

E essa mudança começou pelo San Francisco 49ers. A verdade é que, depois de perder os playoffs todo ano desde 2002 - sem sequer um 8-8 ou melhor entre esse período - por conta de má gestão, más decisões e basicamente uma franquia bagunçada, o time começou a dar a volta por cima em 2009. Antes da temporada, a franquia passou para Jed York, o filho milionário de 28 anos de John York (o antigo dono) e sobrinho do lendário Eddie DeBartolo (dono da equipe na época de ouro), algo que na época parecia uma bomba relógio com um milionário jovem e imaturo assumindo o comando do time e que acabou virando uma das melhores coisas que aconteceram a equipe em anos recentes (não existe na NFL atualmente três donos de times melhores que York). Aquela foi a melhor temporada do 49ers desde 2002, terminando 8-8 mas com o Pythagorean Expectations de 10-6, a quinta melhor defesa da NFL, o melhor ano da carreira de Alex Smith e uma performance defensiva extremamente dominante contra os atuais campeões da NFC Cardinals (um 24-9 no qual o Niners forçou sete turnovers e engoliu Warner e Larry Fitzgerald) que pareciam indicar uma melhora considerável em 2010 e, quem sabe, uma vaga nos playoffs. 

Não aconteceu. A temporada 2010 foi uma enorme decepção, com Mike Singletary ganhando o cinturão de "pior técnico da NFL" e mudando (para pior) quase toda a comissão técnica da equipe, Troy Smith e Alex Smith praticamente se revezando semanalmente na titularidade (algo péssimo para qualquer time) e tudo que podia dar errado, deu. Singletary foi mandado embora faltando ainda dois jogos para acabar o ano, e a "volta por cima" da equipe acabou em fiasco. Ou pelo menos por mais um ano. Naquela offseason, York e Trent Balkee (GM da equipe) foram buscar Jim Harbaugh em Stanford, e fazer um upgrade do pior técnico da NFL para um dos melhores pagou dividendos: o 49ers pulou de 6-10 para 13-3, transformou Alex Smith de "wow, esse cara foi um dos maiores busts da década" para "ganhei o jogo mais espetacular dos últimos anos faltando 7 segundos contra um ótimo time do Saints nos playoffs", ganhou o jogo mais espetacular dos últimos anos (nenhum jogo na minha vida foi melhor do que Saints-49ers em 2011. Nenhum) e chegou muuuuuuito perto do Super Bowl antes de perder na prorrogação para um excelente time do Giants. Um ano depois, com Colin Kaepernick no lugar de Smith, o 49ers repetiu sua boa campanha e esteve a uma falta não marcada e um erro da arbitragem nos segundos finais do Super Bowl de conseguir seu primeiro título em 18 anos. Então sim, foram dois anos bem diferentes do que os torcedores do 49ers estavam acostumados. Ou seja, divertidos. Mas vamos dar uma olhada mais de perto no que realmente funcionou para o Niners nesses dois últimos anos, e nos pontos importantes olhando para frente.

A reviravolta do 49ers começou na verdade alguns anos antes da chegada de Harbaugh, do lado defensivo da bola. Antes mesmo de Jim transformar Alex Smith em um bom QB titular e do ataque explodir de vez sob a batuta de Kaepernick, a defesa de San Fran já dava mostrar de ser um grupo de elite: A defesa terminou como a quinta melhor de 2009 e nono em 2010 apesar de nenhuma ajuda do ataque (más posições de campo, ataques que não precisavam se apressar e ser previsíveis, etc), e foi isso que deu esperanças para os torcedores. Se o Jets conseguiu chegar em duas finais de conferência com Mark Sanchez porque tinha um bom ataque terrestre e uma excelente defesa, porque não o Niners? Enquanto tivessem essa defesa, era possível (eventualmente foi o que aconteceu em 2011, mas chegaremos lá).

E a questão da defesa do 49ers não é que era apenas uma defesa boa, mas era uma defesa que intimidava. Extremamente física, com bons jogadores dando tackles e uma mentalidade de atingir os adversários com o máximo de força permitida pelas regras, é o tipo de defesa que ninguém gostava de enfrentar sabendo que ia tomar pancada toda vez que tocasse na bola, que sua linha ofensiva ia ser empurrada como um monte de sacos de areia, e que ia passar o jogo todo brigando para conseguir cada jarda. Era uma defesa cujo atrito desgastava qualquer ataque, fisica e psicologicamente, e isso acabou constituindo a identidade que o time quis montar. Não apenas na defesa, mas como um todo: um time mais forte e mais rápido do que qualquer outro, que joga mais fisicamente do que todos os demais.

Nos dois anos depois da chegada de Harbaugh, as coisas não mudaram: a defesa continuou sendo o grande ponto forte da equipe, 3rd em 2011 e 2nd em 2012, e com uma mesma abordagem: uma linha de frente dominante, intransponível contra corridas, e o resto encaixando em volta. A diferença é que, pela primeira vez com um técnico capaz de controlar o ataque e jogar de acordo com as forças e fraquezas de Alex Smith, a defesa começou a se ver numa situação privilegiada: com um ataque que evitava turnovers quase fanaticamente e com um dos melhores punters da NFL em Andy Lee, nenhuma defesa de 2011 viu os adversários começarem suas campanhas com pior posição de campo. A responsabilidade continuava alta, de levar nas costas um ataque eficiente mas pouco produtivo, mas pelo menos agora podia fazer isso com mais tempo, sem precisar enfrentar adversários que tinham o controle do placar e com posições de campo favoráveis. Não a toa a defesa subiu mais um nível, liderou a liga em turnovers forçados e foi a grande força por trás da excelente campanha de 13-3 da equipe. Em 2012, ainda mais do mesmo: os turnovers forçados caíram pois, como já disse aqui algumas vezes, uma temporada em nível muito alto nesse quesito costuma indicar regressão (Olá, Chicago!), mas não importou: ainda foi o segundo melhor grupo de toda a NFL depois do Bears, e mesmo com alguns problemas mais para o final do ano, ainda foi uma potência.

Para 2013, a defesa apresenta algumas questões interessantes: a equipe perdeu seu All-Pro (absurdo, mas enfim) safety Dashon Goldson para Tampa, seu NT Isaac Sopoaga para o Eagles, seu reserva para o Colts, e seu nickel corner Chris Culliver para um ACL. Em particular os dois primeiros deveriam ser sentidos, afinal eram jogadores titulares de alto nível, mas eu me pergunto se seria esse mesmo o caso. Uma vez, meu escritor favorito (Bill Simmons) criou uma Ringo Starr Theory, que diz que você não pode avaliar corretamente role players quando estão jogando com um jogador ou um grupo transcendental que eleva o nível de todo mundo. Parte de mim pergunta se não seria esse o caso com essa defesa do 49ers, especialmente considerando que todos os jogadores titulares desde 2009 que saíram da equipe pioraram consideravelmente em seus novos times: Nate Clemens saiu da equipe em 2010, e agora é um reserva no Bengals; Aubrayo Franklin era considerado o melhor NT da NFL quando saiu do time em 2011, foi para o Saints e nunca mais jogou em alto nível; Takeo Spikes quase foi ao Pro Bowl em 2010, um ano depois mal conseguia ser titular no Chargers e agora está sem time. Você não vai achar um único jogador importante da defesa do Niners que tenha saído no período e tenha tido o mesmo sucesso fora. Fato é que é mil vezes mais fácil se destacar e jogar em alto nível quando você está cercado de franchise players e Pro Bowlers executando diversas funções, forçando o ataque adversário a se ajustar e onde você pode focar em apenas algumas menores funções. Um safety que joga em Miami provavelmente vai ter maior responsabilidade contra o jogo terrestre do que um que joga em San Francisco com os dois melhores MLBs da NFL patrulhando o meio, permitindo que se foque na cobertura e nas interceptações, por exemplo. O mesmo é válido para um NT que tem Justin Smith do lado ocupando quinze bloqueadores, e por ai vai. Por isso eu acho que se preocupar demais com essas perdas é uma besteira, e esse foi o motivo que levou o 49ers a não se preocupar demais com essas perdas. Assim como um dos segredos da defesa do Steelers nos últimos anos foi sua capacidade de saber exatamente o que precisa de seus role players ao redor de um brilhante núcleo, o mesmo vale para o 49ers da atualidade. 

E sim, esse núcleo é brilhante. Eles possuem um dos melhores corpos de linebackers da história recente da NFL (me diga o último time dos últimos 20 anos a possuir três 1st Team All-Pro LBs e um 2nd Team. Você não vai conseguir) e possuem bons playmakers em posições chaves. A chegada de Nnamdi Asomugha (impressionante até aqui, ainda que a preseason não sirva para avaliar jogadores de fato) reforça uma secundária que foi suspeita em alguns momentos mas que conta com bons jogadores e deve ganhar um boost com a chegada do calouro Eric Reid. Mas sinceramente, o fato é que essa defesa consegue fazer de tudo sem ter que mudar de formações ou usar esquemas complexos: a linha de frente do seu esquema 3-4 é destrutiva o suficiente para colocar pressão no QB com pouca ou nenhuma ajuda de blitzes e não precisa de praticamente nenhuma ajuda extra para segurar as corridas adversárias, o que permite aos jogadores da secundária manterem suas funções sem precisar correr para ajudas. A secundária é um pouco mais suspeita, com alguns jogadores irregulares como Donte Whitney e Carlos Rodgers, mas ainda se beneficia enormemente do bom pash rush da equipe e principalmente das terceiras descidas longas que costuma enfrentar, já que os adversários não conseguem encurtá-las com boas corridas. Em um ano que eu (que vi todos os jogos da equipe) achei que a secundária não foi bem, ela ainda foi a 6th melhor ajustada da NFL (em parte por causa do calendário ridiculamente forte, terceiro pior da NFL). É a área de preocupação da equipe, mas enquanto a pressão continuar chegando, essa defesa vai continuar sendo uma força a ser reconhecida. Não tem porque isso mudar em 2013.

O ataque que é o ponto de interesse. No primeiro ano de Jim Harbaugh, o HC tentou estabelecer no 49ers o estilo de jogo que tinha dado certo no Jets nos dois anos anteriores: um time baseado em uma defesa extremamente potente, que forçava muitos turnovers, e um ataque conservador que corria muito com a bola, controlava o relógio, minimizava os erros, ganhava os duelos em termos de posição de campo e protegia seu QB titular. É basicamente um esquema extremamente conservador que tenta vencer a batalha por atrito, contando com sua defesa dominante e seu ataque conservador e eficiente. Apenas o Denver Broncos de Tim Tebow correu mais com a bola do que o Niners em 2011, e nenhum time foi melhor evitando turnovers. Junte a isso uma defesa que forçou mais turnovers que qualquer outra e um dos melhores técnicos da NFL (e a tabela mais fácil da liga) e o Niners terminou o ano 13-3, ganhou um jogo histórico do Saints na primeira rodada e esteve a dois fumbles de special teams de chegar ao Super Bowl. Em 2012, Alex Smith evoluiu muito e o ataque do 49ers estava entre os melhores da liga, embora ainda fosse essencialmente o mesmo ataque correr primeiro, correr segundo e passar depois. Até que Alex Smith se machucou durante uma partida contra o Rams, e Harbaugh colocou Kaepernick de titular.

A decisão de Jim Harbaugh de manter Kaepernick como seu titular e colocar no banco Alex Smith - 4th em QBR, 4th em produtividade por jogo na NFL até aquele ponto - tem que ser uma das mais corajosas dos últimos anos. Você tem um QB perfeitamente confiável, que conhece o playbook, tem funcionado muito bem sob seu comando e que evoluiu em relação ao "game manager" do ano anterior para um jogador que realmente ganhava jogos, e tem que decidir se o mantém ou se arrisca no moleque que ele mesmo chamou de "o melhor jogador do draft" antes do draft de 2011 e que escolheu a dedo para ser o QB do futuro da franquia, um jogador que entrou muito bem enquanto Smith não pode jogar e que parecia dar uma dimensão nova ao ataque do time com sua explosão física e passes profundos. Era uma decisão entre ir no seguro e no que estava dando certo, ou ir na direção mais arriscada e que tinha maior potencial futuro. Não tinha realmente uma decisão certa, era escolher uma e saber que iria responder pelos resultados. Harbaugh escolheu Kaepernick por um simples motivo: o ex-QB de Nevada oferecia a equipe uma chance maior de vencer. Como já insistimos um bilhão de vezes, o resultado de apenas um jogo tem muito de aleatório e é influenciado por diversos fatores, mas dentro deles, Jim acreditava que teria uma chance melhor de vencer com ele do que com Smith. E sabemos que é impossível fazer o jogo do "e se Smith tivesse jogado, teriam chegado ao Super Bowl?" para saber como as coisas seriam em outro cenário, então só posso dar minha opinião pessoal: de forma alguma o 49ers teria vencido um duelo de ataques contra Green Bay sem Kaepernick.

A manutenção de Kaepernick levanta algumas questões interessantes para o futuro da equipe. Se com Smith no comando o esperado era um ataque conservador e ultra-eficiente mas com potencial limitado, com Kaepernick isso muda totalmente de figura. O 49ers ainda tem todos os elementos de um grande ataque terrestre (3rd overall em 2012 com Kaepernick jogando menos de metade dos jogos) em um excelente grupo de RBs (liderado pelo underrated Frank Gore) e uma linha ofensiva de elite que está na conversa para ser a melhor da NFL. Junte a isso um dos melhores QBs correndo com a bola do mundo e que tem experiência jogando no option, e não existe nenhum motivo para acreditar que esse ataque terrestre espetacular do 49ers (terceiro na liga em jardas por corrida, segundo considerando apenas RBs) vá desacelerar em 2013. Na verdade, com aquele jogo de 181 jardas terrestres de Kaepernick queimado no cérebro de cada coordenador defensivo do planeta, o potencial desse ataque terrestre é ainda mais absurdo porque ele agora possui uma arma a mais para manter defesas confusas, então é muito possível (e talvez até provável) que o Niners continue sendo um ataque cuja principal força é o jogo terrestre.

A questão é que Kaepernick adiciona uma nova dimensão no jogo aérea. Se Smith era um QB conservador, Kaepernick é o exato oposto, um quarterback explosivo correndo com a bola que também possui um braço espetacular nos passes, impressionando tanto pela precisão como pela força. Contando apenas sua participação na temporada regular (vale citar que quebrou alguns muitos recordes nos playoffs), Kaepernick terminou a temporada terceiro em QBR, terceiro em produtividade ajustada (por jogo) e teria liderado a liga em jardas por passe se qualificasse para as estatísticas. Então o camisa 7 não é apenas um bom corredor, ele é um excelente passador, e o 49ers esteve muito confortável com ele comandando um ataque mais explosivo em 2012 apesar de não ter tido UMA jogada nos treinos como titular até a lesão de Smith. Mesmo assim o Niners terminou com o quinto melhor ataque aéreo (e geral) da NFL, então eu não consigo imaginar realmente qual será o potencial total desse ataque com uma temporada inteira de Kaepernick depois de uma offseason inteira como titular. Basta dizer que o potencial é muito maior do que com Alex Smith, e eu digo isso com dor no coração porque não existe maior fã do camisa 11 do que eu.

O ataque enfrenta apenas duas dúvidas. A primeira é sobre regressão: sim, Kaepernick foi fantástico em 2012, mas em uma amostra muito pequena. Será que esse é realmente seu nível, ou ele vai sofrer uma regressão enfrentando defesas mais preparadas e em uma amostra maior e mais considerável? É uma dúvida legítima e eu não tenho nenhum tipo de comentário contra ou a favor esse argumento, a única forma de saber é esperar uma amostra maior, mas Colin terá a seu favor o fato de poder contar com um ataque que vai muito além dele para não ser tão exposto logo cedo. Acho que esse é um problema menor, embora a dúvida seja real.

O segundo é mais problemático. O melhor WR da equipe, Michael Crabtree, sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles e deve perder a maior parte da temporada (e não deve jogar 100% até 2014). Depois que Kaepernick assumiu o comando (inclusive playoffs), Crabtree foi o melhor WR da liga não apelidado "Megatron" e seus números projetados para 16 jogos com Kaepernick seriam de 100-1460-15 (recepções, jardas e TDs para quem não entende), que são espetaculares mesmo antes de lembrarmos que a tabela do 49ers nesse período foi particularmente insana em dificuldade. Mas se preferem algo mais prático, o camisa 15 era de longe o melhor WR desse elenco e, embora a chegada de Anquan Boldin vá ajudar consideravelmente a suprir essa carência na posição, ele não é Crabtree e isso deixa a maior fraqueza do time ainda mais problemática. Tirando Boldin, os outros WRs do elenco estão machucados (Crabtree, Mario Manningham), possuem pouca experiência (Quinton Patton) ou ainda precisam se provar na liga (Kyle Williams, Jon Baldwin, Marlon Moore, Lavelle Hawkins), então é um grupo sem nenhum outro recebedor confiável e com uma profundiddade questionável. O 49ers vai tentar compensar isso com um dos melhores TEs da NFL (Vernon Davis) e outro TE interessante no calouro Vance McDonald, mas para um time que contava em dar um salto com seu jogo aéreo, essa questão dos WRs pode ser um limitante importante. Os WRs da equipe na verdade foram muito bem na pré-temporada, mas isso não quer dizer que vá funcionar na temporada regular, são situações totalmente diferentes. Mas pode servir de consolo. Isso não quer dizer que o ataque não vá ser muito forte esse ano, ele ainda deve ser melhor que o bom ataque de 2013, mas limita um pouco o potencial.

E no final, é por isso tudo que o 49ers é um dos melhores e mais perigosos times da NFL. Sua força se baseia em uma excelente defesa E em um ótimo ataque que deve continuar em ascensão com uma temporada inteira de Kaepernick. Seu ataque pode tanto colocar em funcionamento seu excelente jogo terrestre como pode (ou espera-se que possa) vencer adversários pelo ar no volume de ataque. Apesar de algumas mudanças importantes (em especial, perder Goldson) ainda é provavelmente o time mais completo de toda a NFL, e talvez essa seja sua maior força: é um time que pode e possui os jogadores para jogar de qualquer forma ou com ênfase em qualquer estilo, e que tem talvez a melhor comissão técnica da liga para mexer os pauzinhos quando necessário. E no fundo, toda vez que penso que o 49ers possa ficar de fora dos playoffs (e é possível nessa NFC ridiculamente forte), eu lembro de que eles possuem um dos três melhores técnicos da NFL, um cara que ficou duas semanas (as duas últimas da temporada regular) sem usar nenhuma jogada de option ou pistol para tirá-la dos vídeos de estudo de Green Bay e surpreender o Packers nos playoffs (todo mundo viu o resultado), e que tirou do bolso um potencial Franchise QB quando ninguém esperava. O Niners tem uma das melhores defesas da NFL, pode ter um dos melhores ataques da NFL, e um dos três melhores técnicos na NFL. Mesmo com um calendário difícil, não consigo colocar esse time ganhando menos que 11 jogos. É talento demais. O 49ers passou de piada da liga a candidato ao título em dois anos, e não existe nenhum motivo para acreditar que irão parar por ai.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Kansas City Chiefs


Cassell apontando para onde jogou seu último passe


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Nessa série de previews já falamos de 26 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South e North e das NFC East, South e North, mais o Denver Broncos e o San Diego Chargers. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Kansas City Chiefs

2012 Record: 2-14
Ataque ajustado: 31st
Defesa ajustada: 30th


Caso ninguém tenha percebido ainda, muitas vezes eu aproveito esses previews para dissertar sobre alguns temas relacionados ao time, mas que não influenciam diretamente a temporada 2013 - eles simplesmente são interessantes. Falamos um pouco sobre como times inteligentes se comportam na offseason quando falamos do Ravens, falamos sobre porque times ruins continuam ruins quando falamos do Jaguars, dissertamos sobre regressão de outliers quando falamos do Vikings, sobre dúvidas com quarterbacks quando falamos do Eagles... e por aí vai. São todos relacionados o suficiente aos times para justificarem estar aqui, mas ao mesmo tempo são oportunidades para dissertar e explicar alguns temas que sempre se repetem na NFL e que portanto precisam ser explicados. No caso do Chiefs, a troca de QBs que a equipe fez na offseason é uma excelente deixa para explicar mais sobre o draft, e porque existe tanta incerteza nesse evento tão importante.

Hoje em dia, as pessoas adoram julgar qualquer tipo de coisa pelo resultado. Se o resultado foi bom, então tal time fez o certo, e se o resultado foi ruim, é porque a decisão tomada foi errada e a culpa é de quem a tomou. Essa visão é comum hoje, mas extremamente limitada, porque existe um milhão de variáveis influenciando diretamente o resultado que estão além do controle (ou dentro do controle, mas não relacionadas a questão inicial) da equipe, do técnico ou do GM que tomou tal decisão. Por isso é muito mais importante avaliar o processo de tomada de decisão antes de olhar para o resultado... o que claro, todo mundo ignora, já que concluir tudo a partir do resultado é mil vezes mais fácil. E o draft não é exceção: nós julgamos praticamente tudo só pelo resultado que eles geram (e as vezes esse resultado É motivado por boas decisões e excelente avaliação de jogadores mesmo) quando nem sempre é a melhor forma. O 49ers escolher Colin Kaepernick na segunda rodada não foi um acaso, ele era o alvo da equipe desde o começo, só que Trent Balkee entende que ele precisa maximizar o valor de cada escolha ao invés de pular logo no jogador que ele quer, então esperou até a segunda rodada para subir algumas picks e atingir seu alvo. Da mesma forma, não podemos culpar o Jaguars por escolher Blaine Gabbert apesar do garoto não ter dado certo (ainda) na NFL: Gabbert era considerado um QB top naquele draft, o Jaguars precisava de um QB e portanto a decisão fez sentido. Deu errado, mas foi uma boa decisão. Heck, eu até escrevi um post inteiro sobre como avaliar um draft pelo processo e não pelos resultados.

Aonde eu quero chegar com isso? No novo quarterback do Kansas City Chiefs, Alex Smith, primeira escolha do draft em 2005. Smith sempre foi universalmente reconhecido como um bust antes da sua temporada 2011 por ter sido a primeira escolha do draft e nunca ter sido um Franchise QB... ou mesmo um bom QB até a chegada de Jim Harbaugh. E para piorar a vida de Smith, 23 escolhas depois o Green Bay Packers selecionou Aaron Rodgers, que acabou virando o melhor QB da NFL na atualidade, o que deu ainda mais crédito para o argumento de "o Niners errou feio escolhendo Smith ao invés de Rodgers". Afinal, o resultado foi esse: Alex Smith não foi um bom jogador por seis anos e Rodgers virou o melhor da NFL. E isso que importa. Certo?

Bom, para responder a essa pergunta, vamos voltar para 2005. O 49ers tinha a primeira escolha do draft e precisava desesperadamente de um QB, só que nesse draft não havia nenhum consenso sobre qual seria o melhor jogador. Dois QBs se destacaram como os dois melhores desse ano, Smith e Rodgers, mas nenhum era cotado como melhor que o outro e era uma decisão pessoal. Mas o péssimo HC de SF, Mike Nolan, decidiu que queria Smith porque Rodgers tinha uma personalidade mais forte e ele não queria outro jogador para tirar a liderança dele sobre o elenco (caso você esteja se perguntando, sim, esse é uma motivação horrível para escolher um jogador com a 1st pick e não a toa Nolan não achou outro emprego de HC depois). Então o Niners pegou Smith e Rodgers (nativo da Califórnia e torcedor do 49ers desde pequeno) caiu para o Packers na 24th pick. E ai está a parte que todo mundo ignora: um jogador pego no Draft não é um produto finalizado. Ele ainda tem que passar por diversas adaptações, aprender um esquema tático, e encaixar em um time totalmente novo, e isso nem sempre acontece igual para todos os jogadores. E isso importa muito.

Então quais foram os caminhos de Alex Smith e Aaron Rodgers, uma vez na NFL? Smith foi jogado no fogo logo de cara, sendo o titular em um time horrível que não tinha uma linha para protegê-lo e nem recebedores para ajudá-lo, teve que se virar praticamente sozinho correndo de sacks e acertando recebedores que não se livravam de marcação, nunca teve calma ou estabilidade para desenvolver as partes ainda não desenvolvidas do seu jogo e acabou desenvolvendo alguns hábitos ruins no processo (principalmente arremessar apoiado no pé de trás). Ele nunca teve um bom técnico ou coordenador ofensivo que montasse um ataque em torno de suas forças ou fraquezas, e nunca teve um bom mentor para lhe ensinar os truques do jogo. Ele teve na verdade sete coordenadores ofensivos em sete anos, e portanto nunca teve muito tempo para estudar e se adaptar a um playbook ou estilo de jogo já que era constantemente mudado. O excesso de pancadas atrás dessa horrível linha ofensiva lhe causou lesões no ombro que lhe tiraram um ano e meio de aprendizado e evolução e o obrigou a ficar praticamente parado perdendo tempo que poderia estar usando para evouir. Enquanto isso, A-Rod entrou na situação mais confortável possível: ficou três anos na reserva aperfeiçoando e lapidando seu jogo, acostumando a essa nova realidade e evoluindo e corrigindo seus defeitos como passador. Ele jogou no mesmo playbook durante esses três anos, então sempre soube a perfeição o ataque no qual estava, e passou esses três anos aprendendo com um Hall of Famer de titular que lhe ensinava nos treinos. Quando finalmente assumiu a posição, Rodgers tinha polido suas habilidades ao máximo, dominava totalmente o playbook e entrou em um ataque extremamente bem montado e estável em torno dele. Agora me digam, qual dos QBs teve a maior chance de sucesso? Claro que foi Rodgers. Tudo que aconteceu com Smith foi o pior cenário e com Rodgers, o melhor. E isso está totalmente fora do controle de ambos, mas está totalmente relacionado com o resultado final que vemos hoje. Então sim, Rodgers provavelmente era melhor que Smith desde o começo, mas se o 49ers tivesse pego Rodgers e Smith fosse para o Packers, não existe a menor chance da carreira dos dois ter acabado da mesma forma: Rodgers nunca teria evoluido nesse super QB se tivesse sido jogado na mesma situação que Smith, e atrás de Brett Favre e com paciência e calma para se desenvolver, Smith teria tido uma carreira muito melhor e mais estável. Provavelmente nunca seria o jogador que Rodgers é, mas não seria aquele bust por seis anos. Tudo depende do contexto, e portanto é errado julgar as coisas pelo resultado. Espero ter deixado isso claro.

Mas de volta a Kansas City, a grande preocupação para o Chiefs, nesse primeiro momento, tem a ver exatamente com Smith: qual Alex Smith eles estão recebendo? O Alex Smith entre 2005 e 2010, incapaz de proteger a bola, sem força no braço e que não compensava isso com um bom aproveitamento nos passes e era basicamente um QB nível Matt Cassell (QBR nunca acima de 42.0)... ou o Alex Smith pós-Jim Harbaugh, o quarterback ultra-inteligente que dominava perfeitamente seu esquema ofensivo (voltado para suas forças e fraquezas), controlava o relógio, protegia a bola, ultra-eficiente que tinha o melhor aproveitamento de passes (71%) na NFL antes de se machucar? Sabia que Smith terminou a temporada 2012 com o sétimo maior QBR da liga e 10th em produção por jogo (Kaepernick terminou em terceiro em ambos, btw)? Apesar do óbvio efeito Harbaugh e jogar em um esquema que maximizava seus talentos, Alex Smith foi um excelente QB em 2012, um jogador que executou perfeitamente seu papel e maximizou as chances de sua equipe. Andy Reid, o novo técnico da equipe, claramente acredita que esse segundo Smith é quem está vindo para Kansas City para mandar uma escolha de segunda rodada por ele. O maior salto que um time pode dar de um ano a outro é um upgrade em termos de QB (falamos nisso no preview do Colts), e considerando que os QBs de Kansas ano passado foram Matt Cassell (36.57 de QBR) e Brady Quinn (27.4), Alex Smith já é um belo upgrade.

Mas claro, ele sozinho não vai ser suficiente para tirar Kansas desse buraco 2-14 que, inclusive, é sustentado pela sua Pythagorean Expectations (2.5-13.5) e tendo ido 2-3 em jogos decididos por uma posse de bola. Mas sabe o que é realmente estranho? Eu nunca vi um time tão ruim que nem esse Chiefs que joga com tantos jogadores excelentes!! Eles possuem um dos melhores RBs da liga em Jamaal Charles (quando saudável, mas enfim), uma boa linha ofensiva (que melhora ainda mais com a chegada de Eric Fisher) e um bom WR em Dwyane Bowe. Na defesa é ainda melhor, porque eles tiveram quatro Pro Bowlers e mais um bom número de jogadores jovens como Dontari Poe e Brandon Flowers. Na verdade, o time como um todo teve SEIS Pro Bowlers e mesmo assim foi 2-14 sem nenhum grande indicador de azar (tirando o fato de ter sido o terceiro pior time recuperando fumbles, 33%), como diabos explicar isso? Técnico ruim? Entrosamento? Fatores ocultos? Macumba? Eu não faço a menor idéia.

Talvez por isso esse preview seja tão interessante e tão difícil de escrever. Quando falamos do Lions, apontamos que praticamente todos os fatores possíveis e imagináveis apontavam, estatisticamente, para um 2012 muito abaixo do nível normal da equipe e que tudo indicava uma enorme reviravolta em 2013.  Isso não acontece no caso do Chiefs, onde tanto a PE como record em jogos decididos por uma posse de bola mostram que a equipe foi tão ruim quanto pareceu ser (Chiefs também foi o pior time pela eficiência ajustada do Football Outsiders)! Alguns fatores (chegaremos neles) estatísticos que temos usado realmente indicam alguma evolução, mas na verdade a maior parte da volta por cima que podemos esperar do Chiefs vem do senso comum, de parar e pensar que um time com tanto talento e tanto potencial não possa de forma realista repetir uma performance tão abismal como essa. De certa forma isso contraria um pouco a idéia dessa série, que é partir das estatísticas, mas alguns times sofrem tantas mudanças e dão sinais de serem tão diferentes ano a ano que temos que partir um pouco para a análise tradicional e experiência desses 12 anos de NFL (claro que temos usado também esse tipo de análise, ele é indispensável, mas nesse caso ele é ainda mais marcante). 

Primeiro, vamos deixar claro que existe alguns indicadores sim que mostram que o Chiefs vai melhorar para 2013, embora nenhum explique ou justifique como esse time com tanto talento foi tão mal em 2012. Já demos uma amostra do primeiro, que foi o problema dos fumbles: Kansas City foi o terceiro pior time da NFL, recuperando apenas 33% de seus fumbles. A defesa foi particularmente ruim, recuperando apenas cinco o ano inteiro (31%), e isso sem dúvida contribuiu para o saldo de turnovers da equipe de -24, pior marca da liga. Eu acho que não preciso dizer que, historicamente, um patamar tão alto assim é insustentável ano a ano por causa dos fatores que precisam estar em ação para chegar nisso, mas colocando um pouco mais de raciocínio, qual a chance de um ataque com Alex Smith (o QB mais conservador da NFL e o melhor protegendo a bola) gerar 20 interceptações e mais uns oito fumbles em sacks? É impossível que o Chiefs repita essa performance abismal nos turnovers, a equipe vai recuperar muito mais e o ataque vai oferecer muito menos. E só isso já é motivo de muito otimismo. Vale citar também que o Chiefs deve ter talvez a tabela mais fácil de toda a NFL, enfrentando AFC South, NFC East, Bills, Browns, e mais quatro jogos contra Chargers e Raiders. Então razões práticas para otimismo na região nós temos.

Mas a parte teórica é muito, muito maior. Começando pela mudança de técnico, onde o Chiefs mandou embora Romeo Crennel (segundo pior técnico de 2012 pela minha lista na frente de Pat Shurmur) e trouxe o bom Andy Reid da Philadelphia. Eu defendi a saída de Reid do Eagles pelo simples desgaste gerado entre time, técnico e torcida, e para um time que ia recomeçar do zero era melhor fazê-lo com um técnico novo e vida nova (senão os resultados de Reid sempre seriam julgados pelo passado), mas a morsa favorita da NFL ainda é um excelente técnico que também vai se beneficiar enormemente de um novo cenário e um time tão talentoso. É sempre difícil julgar uma troca de técnicos, mas trocar um tão ruim como Crennel por um tão reconhecido como Reid não pode ser ignorado, é um upgrade massivo que com certeza vai se refletir na equipe. O outro upgrade imenso que já comentamos foi de QB: Smith provavelmente não será o QB de elite que foi em 2012 fora do esquema do Niners e longe de Jim Harbaugh, mas ainda assim se for um quarterback "bom" ou mesmo "acima da média", já é uma melhora em relação ao patamar "cataclisma ambulante" de Cassell e Quinn em 2012. Reid também é famoso pelo seu bom trabalho com QBs e tem cobiçado Smith desde seus dias na Pensilvânia, então é de se esperar que pelo menos Smith mantenha um nível acima da média. E "acima da média" já é melhor do que o Chiefs tem de QB desde... hmm... desde... Trent Green em 2005? Yeekes!

A equipe também se reforçou ofensivamente de forma a melhorar as chances de um QB como Smith ter sucesso. Com Jamal Charles saudável e a chegada da primeira escolha do draft, Eric Fisher, o Chiefs deve ter uma boa combinação RB/linha ofensiva para estabelecer o jogo terrestre como foco do ataque da forma que Smith rendeu em SF: conversões mais curtas, muito play action, passes de alto aproveitamento e defesas mais equipadas para parar a corrida. A chegada de Fisher também aumenta a proteção que Smith vai ter, o que sempre é bom. Ainda é cedo para ver como Reid vai usar Smith em KC, mas pelo menos os primeiros sinais indicam que será de forma semelhante ao que o Niners fez: forte ataque terrestre, passes conservadores e muito missdirection. Tenho minhas dúvidas se o corpo de recebedores vai ser bom o suficiente para dar conta sendo que o único bom WR deles (Bowe) é um jogador mais de velocidade (eu gosto de Donnie Avery mas ele precisa ficar saudável), mas qualquer coisa é melhor do que o fiasco histórico do ano passado. Então não sei se o ataque vai ser bom, mas com certeza vai ser bem melhor. 

Mas é na defesa que o potencial é muito maior, apesar do fato de que inexplicavelmente o grupo terminou como a terceira pior de 2013. Realmente, no papel, é um dos grupos com mais talento na NFL: um NT (Poe) que é um candidato forte a explodir indo para seu segundo ano; um grupo de linebackers com três Pro Bowlers (Tampa Bali e Justin Houston - 19.5 sacks combinados em 2012 - pelas pontas e Derrick Johnson pelo meio); e uma secundária com o melhor jovem safety da liga em Eric Berry e um sólido CB em Brandon Flowers. Além disso, a equipe manteve esse núcleo junto e ADICIONOU mais quatro peças importantes, com Mike DeVito na linha defensiva junto a Poe, Akeem Jordan para fazer par com Johnson no meio da defesa (3-4), e DOIS excelentes reforços para a secundária em Dunta Robinson (excelente CB que vai assumir a responsabilidade de defender o melhor WR adversário de Flowers) e mais o Sean Smith do Dolphins para fazer a função de nickel, o que faz a secundária passar de "suspeita" para "transbordando talento". Basicamente a equipe tem um núcleo titular de sete defensores de alto nível e mais pelo menos quatro peças de reposição ou situacionais que poderiam jogar de titular em outros times. Esquecendo por um instante que foi a terceira pior defesa de 2012... bom, é uma ótima defesa, certo? É a mesma base que foi a 13th melhor defesa de 2011 e que só melhorou no papel desde então, adicionando novos e jovens playmakers. Não faz o MENOR sentido que esse grupo tenha sido tão mal quanto foi ano passado, e eu não consigo esperar nada além de uma grande reviravolta para voltar a metade superior da liga, talvez mesmo um Top10 (de novo, 13th melhor dois anos atrás, os jovens jogadores evoluiram consideravelmente, adicionou mais quatro bons playmakers desde então, melhor sorte com fumbles...). Não existe nenhum dado dizendo isso, mas olhe de novo para essa base e para os números de 2011 e é difícil NÃO concluir que 2012 foi uma aberração. A defesa vai dar a volta por cima. Ela tem que dar.

É bem difícil estimar exatamente o quanto isso vai resultar em uma melhora dentro de campo. O Chiefs vai melhorar consideravelmente, mas quanto? Hmm... eu não sei. Eu realmente não sei. O ataque deve melhorar nem que seja um pouco com a chegada de um QB competente e de um bom técnico ofensivo, uma OL mais sólida (não foi exatamente ruim ano passado, mas melhorou) e sem entregar tanto a bola para o adversário com fumbles e interceptações (o índice de interceptacões dos QBs do Chiefs em 2012 foi de 4.2%, o de Alex Smith foi 1.1% em 2011 e menos de 1.5% nos dois últimos combinados), o que vai ser crucial para estabilizar esse ataque horrível do Chiefs. E enquanto isso, a defesa deve dar um enorme salto de produtividade pelos fatores palpáveis e até alguns nem tanto (com menos TOs e um ataque melhor a defesa vai precisar jogar menos e ficar menos cansada, vai enfrentar adversários com pior posição de campo, etc), mas o resultado com certeza vai ser imensamente positivo. Junte a isso o efeito de um novo técnico e de uma tabela que pode muito bem ser a mais fácil da NFL, e eu confesso que me sinto bem otimista quanto a uma volta por cima de Kansas City. Playoffs ainda podem estar um pouco distantes já que o potencial ofensivo é um tanto limitado (a não ser que Smith realmente consiga carregar sua temporada 2012 para Kansas, mas eu acho difícil sem Jim), mas algo como 8-8 ou 7-9 me parece perfeitamente dentro do alcance dessa equipe. E convenhamos, faz mais sentido do que um time com seis ou sete Pro Bowlers terminando 2-14 com o 14th pior saldo de pontos dos últimos 25 anos. No aguardo do que esse time tem a oferecer para a temporada.