Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mailbag: Semana 16

"É simples... nós matamos o Batman. Quer dizer, o Mike Shanahan"



Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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No que é, eu espero, a última semana dessa loucura de vida que está me tirando todo o tempo e energia para escrever aqui tanto quanto eu gostaria, vamos ficar com os dois posts mais simples desse blog: o mailbag hoje, e os palpites amanhã. Semana que vem retomamos com a cobertura pronta para os playoffs, inclusive um breakdown da minha votação final ao Pro Bowl. Então não percam as esperanças, que cedo ou tarde vamos retomar nossa cobertura habitual, especialmente conforme os playoffs se aproxima. 

Então por enquanto ficamos com o simples mesmo, o mailbag. Em tempo: para nosso próximo Mailbag, o tema será, naturalmente, os playoffs. Então para a próxima semana, darei preferência aos que citam tópicos mais relevantes no momento, como times, confrontos ou jogadores que estão nos playoffs, relações com playoffs anteriores, ou mesmo prêmios de final de ano. Outros tópicos, inclusive Draft e times já eliminados, serão comentados em outro mailbag, então peço que mandem emails mais "atuais" dessa vez, excepcionalmente.

Então vamos ao mailbag. Lembrando que esses são emails reais de leitores reais.


Quando a temporada começou eu sabia que o RGIII e o Kaep iam encontrar muitass dificuldades, por conta da tal regressão dos sophmores e por conta de problemas com seus times com desfalques, lesões e outras coisas. No caso do RGIII, sua própria lesão.
Mas me parece que o RGIII não veio evoluindo com o decorrer da temporada. Não olhei nenhuma estatística, estou falando de uma maneira burra baseado apenas na observação durante os jogos. Achei que ele fosse começar com muitas dificuldades e vir evoluindo aos poucos, mas não vejo isso. Com o Colin Kaep achei que ocorreria algo semelhante. Time completo mesmo do Niners só vamos ver agora, mas nas rodadas recentes ele já tinha um time muito bom nas mãos e parece que ainda tá meio travado. Sempre apostei no Niners pro SB, mas o time nunca engrenou e se tornou a avalanche que eu pensei. Estou escrevendo antes do jogo com o Seahawks, então quando for publicado - se for - pode ficar claro que eu falei besteira, mas também podem aumentar as preocupações.
Não falando sobre 49ers e Redskins, mas falando sobre RGIII e Colin Kaepernick, podemos ter reais esperanças de mais dois grandes QBs na liga em breve? Claro que não passa de especulação, mesmo que bem fundada, mas temos indicadores confiáveis que terão uma ótima temporada ano que vem? - Danilo Vilas Boas


Bom, vamos em partes. Primeiro, RG3.

Em 2013, Griffin teve dois problemas. O primeiro, obviamente, é a tão polêmica questão da lesão. Romper um ligamento nunca é fácil, e pessoas respondem de formas diferentes ao tratamento - Adrian Peterson retornou em altíssimo nível em nove meses, Derrick Rose precisou de 15 e mesmo assim não estava recuperado quando voltou. No caso de Griffin, ele rompeu o ligamento em Janeiro, e o Redskins (e o próprio RG3) logo começaram uma enorme campanha de mídia falando sobre como RG3 estava recuperando bem, era a melhor recuperação de todos os tempos (só esse link já justificaria uma demissão do Mike Shanahan), que estaria totalmente pronto para o começo da temporada, que ele iria calar todos os críticos, e por ai vai (em retrospecto, uma das piores jogadas de mídia da NFL nessa temporada). Mas quando a temporada começou, ficou bem claro que RG3 estava longe de estar saudável. Ele parecia um passo mais lento, algo relevante quando uma de suas principais características era sua velocidade que lhe permitia escapar da pressão e fazer algo acontecer com suas pernas.  Além disso, seja por questões psicológicas ou físicas, Griffin não conseguia plantar a perna no chão de forma firme na hora dos passes, sempre lançando com o pé no ar ou com um pequeno salto na perna de apoio (algo que afeta enormemente precisão e toque que o QB coloca na bola. A pior coisa para um passador é não plantar a perna na hora do passe). Com o tempo, conforme foi ficando mais claro que Griffin não estava perto de saudável e que não estava sendo favorável a ele estar jogando - ainda mais atrás de uma OL que lhe rendeu muitas pancadas - ao ponto de que até seus adversários expressaram preocupação e disseram que ele não deveria estar jogando. Por fim, Griffin foi para o banco, em parte porque queriam poupá-lo, em parte porque queriam testar e/ou exibir Kirk Cousins para possíveis compradores, em parte porque nada em Washington funciona.

Então é difícil não considerar a questão da lesão quando falamos de RG3, e isso serve como uma "desculpa" para toda sua temporada. Espera-se que ele esteja melhor em 2014, e é aí que vamos poder julgar o camisa 10 de forma decente. Mas mais preocupante do que isso, tem um outro fator em jogo por trás da temporada ruim de RG3. Na sua temporada de calouro, Shanahan preparou para o Redskins um playbook ofensivo muito mais simplificado e baseado no ataque que RG3 usava em Baylor, cheio de movimentações, read options, e jogadas fora do pocket em alta velocidade. Era uma forma de manter  Griffin em sua zona de conforto mudando da NCAA para a NFL, e facilitar sua transição e adaptação a um jogo um pouco diferente (e Griffin brilhou nesse esquema). Para 2013, talvez porque era o plano o tempo todo, e provavelmente para poupar Griffin e evitar expor seu Franchise QB a todo tipo de contato forte e desnecessário quando sai do pocket, o time mudou seu playbook para algo muito mais tradicional, com mais jogadas no pocket e menos corridas (incluindo bootlegs). E o fato é que Griffin teve muito mais dificuldade a se adaptar a esse playbook do que era esperado, teve dificuldades com sua leitura quando enfrentou defesas mais montadas (que não precisavam se desmontar para correr atrás dele) e, em parte por causa do problema com o pé de apoio já citado, sua precisão deixou muito a desejar dentro do pocket. Essa segunda preocupa um pouco mais até do que sua saúde, na verdade. Mas eu prefiro ver uma temporada inteira de RG3 antes de tirar conclusões.

Sobre Colin Kaepernick, embora tenha ficado claro que ele não é exatamente o QB que foi em 2012, eu acho que sua temporada está sendo extremamente exagerada em termos negativos - basta olhar para seu sólido QBR, 67.9, e lembrar que esse número é melhor que o de caras como Russell Wilson (64.9) e Andrew Luck (61.6). Isso faz sentido considerando que, embora Kap tenha mostrado algumas fraquezas e tenha ficado claro que ele ainda não é um projeto finalizado (embora muito talentoso), o camisa 7 foi vítima de todo tipo de adversidade que não estava ligada a ele. A começar pelas lesões: Michael Crabtree, um dos melhores WRs da NFL no final da temporada passada, machucou o tendão de Aquiles e perdeu grande parte da temporada. Mario Manningham, que rompeu o ACL temporada passada, demorou para voltar também. E o time não possuía outras alternativas válidas de WRs, o que basicamente deixou Kap com apenas duas opções de passe decentes, o recém-chegado Anquan Boldin e o excelente e underrated Vernon Davis - o que naturalmente torna muito mais fácil para as defesas tirar suas armas. Não é uma coincidência que os três piores jogos de Kaepernick na temporada vieram nos três jogos que Davis não jogou ou se machucou, tirando sua melhor arma de profundidade que encurta defesas e permitindo marcações triplas em Boldin e deixando Kap sem opções de passe. Considerando que ele é um QB que ainda as vezes tem alguns problemas com as terceiras ou quartas leituras de uma jogada, ter que passar para caras como Kyle Williams e Marlon Moore foi um pesadelo, ainda mais considerando que esses dois não conseguiam qualquer tipo de separação. Considerando o jogo terrestre muito inconsistente do time na temporada, Kap se viu repetidamente em condições de 3rd and long, algo difícil que fica ainda pior quando a defesa só precisa marcar um ou dois jogadores - não é a toa que Kaepernick é terceiro QB cujos passes, em média, viajaram a maior distância na temporada (10.2 jardas). Então considerando que mesmo com todas essas dificuldades o Niners tem o sétimo melhor ataque aéreo da temporada em DVOA (e isso sem considerar que Kap é um dos melhores QBs corredores da NFL)... não parece que a temporada de Kaepernick está tão ruim mais, não é mesmo? Claro, ele mostrou que não está tão completo que nem pareceu ano passado e algumas de suas dificuldades (toque colocado na bola na meia distância e leitura de defesas, principalmente), mas suas dificuldades tem sido enormemente exageradas.

Então acho que Kaepernick vai ficar bem. Ele é talentoso, é extremamente dedicado, e tem um técnico que fez Alex Smith liderar a NFL em QBR para lhe ensinar. O time agora está quase completo, Crabtree está de volta, e ele tem jogado bem desde então. Seu desenvolvimento ainda tem que continuar para ele chegar aonde esperávamos que chegasse depois do ano passado, mas não tem motivos para acreditar que ele vá ser um fracasso ou um bust. Griffin é uma questão mais delicada, porque eu sinceramente tenho minhas dúvidas de que ele algum dia voltará a ser o jogador de 2012, talvez porque essa temporada pode ter sido um outlier, afinal de contas. Mas eu não sei quanto sua explosão e, principalmente, confiança como corredor foram afetadas, e suas dificuldades na conversão para um passador mais tradicional mostram que talvez ele precise dessas habilidades com as pernas para manter o nível de sucesso que esperamos dele. Então o futuro dele mais parece mais complicado. Ainda assim, é cedo para descartar Robert Griffin III: ele jogou essa temporada claramente machucado, e sua temporada passada mostra que talento não falta. Vamos dar mais tempo para ele antes de tirar conclusões.


Eu indiquei o seu site a um amigo meu que me enviou uma pergunta, como eu sabia responder eu enviei a resposta abaixo. Se você gostar, você poderia publicar, no seu próximo artigo, com o meu nome e com o seu enfim, como você preferir. Veja abaixo se você gostou. Aproveito para te perguntar o que o Pittsburgh Steelers precisa fazer para voltar a ser o grande time que chegou a três Super Bowls nos anos 2000, pois atualmente não está bem, e o que falta para o calouro Le’ Veon Bell ser um dos melhores se não o melhor running back da NFL? - Antonio Carlos Moraes


Vou colocar a pergunta do amigo e a resposta do Antonio Carlos abaixo com os meus comentários, mas primeiro respondendo essa pergunta. O Steelers precisa, principalmente, arrumar a defesa. A defesa foi a força que impulsionou o Steelers a esses três Super Bowls, mas ficou velha e passou por uma reformulação, de forma que hoje ocupa apenas a 20th colocação na NFL. Mas talvez mais importante, o time precisa de estabilidade. Hoje, o time passa por um processo de reformulação: aqueles times que dominaram a NFL atingiram seu limite, e o time começøu a desconstruir aquele núcleo para construir um novo. Esse processo ainda está acontecendo, e acho que vai ser difícil o time se estabelecer como o juggernault que era de forma consistente até que ele tenha acabado ou pelo menos se adiantado bastante. Big Ben ainda tem lenha para queimar por alguns anos e o ataque aéreo do time tem dado sinais de vida, mas não sei se o resto do time vai estar pronto a tempo de ainda aproveitar isso tudo. Paciência é a palavra de ordem da vez.

Sobre o Le'Veon Bell, eu odeio tirar conclusões com amostras pequenas e em apenas um ano, mas pelo visto vai precisar de muita bomba para isso. Sua linha ofensiva não tem ajudado muito, e certamente vai ter vida mais fácil quando todo mundo lá ficar saudável, mas a temporada de Bell tem sido horrível. Ele tem média de 3.3 jardas por corrida, a quinta pior marca entre os 54 jogadores da NFL que tiveram pelo menos 70 corridas, e isso tem sido um dos motivos pelos quais o Steelers tem o quarto pior ataque terrestre da NFL. Não que ele não possa vir a ser um bom RB, precisamos vê-lo jogando mais para saber, mas por enquanto parece que ele vai ter muito chão até se tornar um dos melhores RBs da NFL.

Enfim, abaixo reproduzo a pergunta do amigo do Antonio Carlos e a sua resposta, com meus comentários entre parênteses.



Quais as melhores torcidas? No sentido daquelas que tem mais adeptos, enchem mais os estádios, mais apoiam, que cantam mais forte, que tem mais músicas etc., enfim, segundo os critérios que usamos para avaliar as torcidas de futebol, em razão dos quais dizemos que a do Boca e a do Borussia, por exemplo, são torcidas fortes. 

            A rivalidade entre Chicago x Green Bay é a mais antiga, pelo fato dos times existirem antes da criação da NFL e por serem muito antigos! Mas há outras rivalidades históricas como Pittsburgh Steelers x Cleveland Brows, mas hoje o principal rival dos Steelers é o Baltimore Ravens, há muitos times que deixaram de existir e há muitos outros relativamente novos como Jacksonville Jaguars, Carolina Panthers, Baltimore Ravens, Houston Texans etc.

(As rivalidades da NFL possuem um componente bastante volúvel também. Algumas são históricas, mas muitas se formam de acordo com o momento: 49ers e Seattle não davam a mínima um para o outro 10 anos atrás, hoje são a mais feroz rivalidade da NFL. Muitas rivalidades também foram refeitas ou iniciadas em 2002, quando a NFL remontou suas divisões para chegar nas oito que temos hoje, agrupando alguns times que nunca tiveram contato e, portanto, motivos para rivalidades)

A sua pergunta é uma ótima ideia. Vou enviá-la para esse cara responder, mas já posso te adiantar algumas coisas.
Esse ano, a torcida do Seattle Seahawks bateu o recorde de torcida mais barulhenta, de todos os esportes existentes, de todo o mundo! O sócio do Bill Gates, na Microsoft, é o dono do Seahawks e quando ele mandou construir o estádio, ele pediu para que toda a arquitetura do estádio fosse feita para que o barulho fosse direcionado para dentro do campo. O Seattle não perde a quase dois anos dentro de casa! Será que tudo isso faz diferença? Claro que sim! A população de Seattle ama os esportes como um todo e estão pedindo a volta do Seattle Supersonics da NBA, quem se lembra de Gary Payton e companhia contra o Chicago Bulls do Michael Jordan?

(A torcida de Seattle, de fato, é conhecida por ser uma das mais fanáticas dos EUA, não importan o esporte - o Seattle Sounders, da MLB, lidera a MLB todo ano em venda de ingressos e lotou o estádio em CADA UM DOS SEUS JOGOS... desde que foi criado! Btw, fica a pergunta: porque mais pessoas não tiveram a idéia de fazer um estádio que, hmm, de fato serve para atrapalhar o adversário?)

Semanas depois foi a vez da torcida do Kansas City Chiefs bater o recorde, desde então a torcida do Seattle vem tentando bater o recorde novamente. O Green Bay Packers não tem dono. Esse time é de uma cidade de pouco mais de 100.000 habitantes e a sua população é a dona do time. Os “cabeças de queijo” são fanáticos. Alguns dos times mais populares da NFL são Dallas Comboys (o mais popular de todos e com um estádio belíssimo para 100 mil pessoas que sempre fica lotado!), New York Giants, New England Patriots, Pittsburgh Steelers, Chicago Bears, San Francisco 49ers etc. A torcida do Buffalo Bills é completamente louca pelo time, apesar de terem sido quatro vezes vice-campeões! A torcida do Oakland Raiders se veste como se tivesse indo para um show de rock, procure fotos dessa fanática torcida no Google. No último Superbowl do Oakland a diretoria organizou um show com a famosa banda Mettalica para “aquecer” a torcida antes do jogo, os Raiders acabaram perdendo para os Buccaneers. Todos esses times que eu citei, sem exceção, lotam todos os jogos.

(Concordo com praticamente tudo aqui. Kansas City, Green Bay e Oakland certamente precisam ser citados quando falamos de torcidas fanáticas. Eu citaria também Philadelphia e Steelers, dois times que tem uma forte relação com a cidade e que possuem uma torcida quase doente - o que no caso do Eagles, as vezes não é uma coisa boa. Mas precisam ser lembrados.)

            Enfim, todas as torcidas da NFL lotam os estádios e são apaixonadas pelos seus times, mas há exceções. Os times da Flórida - Miami Dolphins, Tampa Bay Buccaneers e Jacksonville Jaguars - sofrem para lotar os estádios e é muito fácil encontrar ingressos baratos para os seus jogos, ao contrário do futebol americano universitário que é muito popular na Flórida e vários dos melhores jogadores da história da NFL foram revelados pelas universidades da Flórida.
            Enfim, de todos os esportes americanos não há nenhum em que há tantas torcidas que lotem os estádios e que apoiem tanto o time, como o futebol americano.

(Amém! A resposta foi bem completa, acho que não existe muito a acrescentar. Parabéns!)



Quem você acha que leva a NFC North ?
Você já explicou como é feito o calendário da NFL no ultimo mailbag. Mas como é definido o mando de campo nas 16 semanas ? Qual critério é utilizado ? - Ramon Brandão


Bom, naturalmente, o mando de campo é definido com base no equilíbrio. Então lembrando, um time via enfrentar:
- Duas vezes cada outro time da sua divisão, totalizando seis jogos
- Os quatro times de uma outra divisão da sua conferência, totalizando quatro jogos
- Os quatro times de uma outra divisão da conferência oposta, totalizando quatro jogos
- Dois outros times da sua conferência que terminaram o ano anterior na mesma colocação, dentro da respectiva divisão, que o time em questão, totalizando dois jogos

Considerando que todos esses "grupos" são números de jogos pares, a idéia é que dentro de cada o time jogue tantos jogos dentro como fora de casa. Então nos jogos dentro da divisão, naturalmente cada time tem mando em um dos dois jogos contra cada time. Nos jogos contra outras divisões, serão sempre dois jogos em casa e dois fora, e nos dois dois jogos do critério final, um acontece em casa e outro fora. Então a idéia é essa, mas saber qual jogo exatamente vai ser fora ou dentro, acredito que seja por sorteio respeitando esse critério.

Sobre a NFC North, eu achava que seria o Lions... ai eles perderam 4 de 5 jogos e agora caíram para terceiro. Então eu não me arrisco a quebrar a cara de novo... mas que parece que tudo está conspirando para ser Green Bay, parece. Depende de Aaron Rodgers, pelo visto.


Knowshon Moreno.. Pra valer ou tá jogando isso por causa do Big Manning?

Torço pro Eagles, e gosto de ver o LeSean McCoy esculachando a turma de RBs do draft dele hahaha! - Tiago Rotava


Um pouco dos dois... mas um pouco mais tendendo para o segundo. É absurdo falar que um jogador que está chegando nas 1000 jardas com 4.2 jardas por corrida, 500 jardas recebidas e 12 TDs não está jogando bem e fazendo por merecer, e Moreno está tendo a melhor temporada de sua jovem carreira. Mas é difícil não considerar o impacto que Manning tem nesses números. É o exato oposto do Adrian Peterson em Minnesota: todo mundo sabe que a corrida de Minny é sua principal (e praticamente única) arma, então todo mundo coloca oito homens na linha de frente para tirar os espaços de Peterson. No caso do Broncos, é o contrário: todo mundo sabe que você vai enfrentar um dos melhores QBs de todos os tempos e o melhor ataque aéreo da NFL, então os times direcionam muito mais recursos para a secundária e para o pass rush, diminuindo a quantidade de bife na linha defensiva e abrindo espaços para as corridas, especialmente porque o Broncos tem sido muito bom usando handoffs surpresa (draws, delayed handoffs, etc) para pegar as defesas desprevenidas e porque Manning é um mago lendo defesas e mudando jogadas. Espaços não estão faltando para ele.

Coloque da seguinte maneira: Moreno está jogando bem por seus méritos, mas nenhum RB em 2013 teve uma situação mais confortável e favorável do que ele.


meu nome é Ari e estou aprendendo a gostar desse esporte "diferente" que é o futebol americano, apesar de pouco tempo ja tenho meu time de coração "NEW YORK GIANTS", sempre que, no passado, ouvia falar desse esporte via de uma forma errada sem graça ou mesmo sem interesse, hoje vejo de uma forma bem diferente e ja até consigo reconhecer qdo é falta ou não. - Ari Kovalczkow​ski

Tirando o fato do Ari ter vencido o concurso de força nominal do TMW, eu acho legal quando pessoas entram aqui procurando conhecer mais sobre o esporte. Ainda existe bastante preconceito com relação ao futebol americano aqui no Brasil, muita gente vê como um esporte violento ou só de pancadas, e não ajuda que a própria mídia "tradicional" pinta o futebol americano dessa maneira - a UOL, por exemplo, só tem manchetes de futebol americano (que não vem de blog, porque eles tem dois bons) quando se trata do "Marido da Gisele" ou da Lingerie Bowl. Mas o esporte vem crescendo, a ESPN tem feito um trabalho excelente com o futebol americano, e cada vez mais pessoas entram aqui ou mandam emails querendo se aprofundar no assunto e conhecer o jogo de verdade. Fico bem feliz, porque esse foi um dos meus objetivos quando eu criei o Two-Minute Warning. E que o esporte continue a crescer!


Boa tarde Vitor Camargo, 

Estou sentindo falta dos posts no seu blog do esporte interativo, eles eram os mais completos comentários da NFL aqui no Brasil.(se não me engano o último foi em 30/nov)

Eu acompanhava tudo diariamente e ficava ansioso esperando as próximas postagens.

Está fazendo muita falta mesmo. - Thomas Araujo, Natal, RN


Fico feliz em saber que o pessoal sente falta, por motivos totalmente egocêntricos. Infelizmente esse Dezembro não está nem um pouco fácil, muita correria e muita coisa para fazer, que estão me tirando o tempo não só de sentar e escrever mas também de pesquisar, ver mais vídeos, compilar estatísticas... basicamente, tudo que eu acho importante para poder falar direito do esporte. Graças a Deus tudo isso termina essa sexta feira, então acredito eu que começando segunda que vem - a tempo dos playoffs!! - já vamos retomar o ritmo normal, ou tão normal quanto for possível.

Peço realmente desculpas, sei que é legal ter uma consistência e um ritmo fixo para o pessoal que não tem tanto tempo para ficar procurando as coisas. Infelizmente é difícil as vezes conciliar as duas coisas, a vida normal, estudos e trabalho com o blog que não me rende um tostão. A partir da semana que vem as coisas ficam mais fáceis e espero que eu retome o ritmo de três posts por semana com mais análise. O Esporte Interativo também não tem ajudado muito, diversas postagens recentes que eu mandei para eles não foram publicadas. Provavelmente por falta de comunicação, porque mudou o meu editor, mas agora nos playoffs vou ficar mais no pé deles e vou aumentar o meu ritmo também. Espero que tenhamos uma cobertura bem sólida dos playoffs, no final das contas. Obrigado e continue acompanhando o TMW e o EI!


Outra questão para o mailbag: De onde vieram os nomes das franquias? Alguns são automaticamente entendidos, como o Dallas Cowboys (o cowboy é um grande símbolo do Texas). Outros entendemos com um pouco mais de conhecimento da história e cultura americanas, como o Pittsburgh Steelers (Pittsburgh é a capital americana do aço), ou o Houston Texans (aparentemente óbvio e sem criatividade, mas quando se conhece a história dos texanos faz muito sentido ver uma franquia com esse nome). New England tem uma ligação muito forte com a luta pela independência americana, então faz sentido que o time da região se chame Patriots. No caso de outros nomes de franquia não vejo uma ligação aparente da franquia com o nome, e talvez seja necessário uma pesquisa profunda. Os vikings chegaram a Minessota? Havia corsários em Oakland? Em algum momento na história do planeta houve leões em Detroit? Posso acreditar que haja ursos em Illinois, especialmente em Chicago, mas eles são tão importantes assim na região?
Acredito que alguns nomes são a tentativa de escolher algo imponente pra amedrontar (se é que alguém tem medo de nome) os adversários.

O que podemos dizer sobre as origens dos nomes das franquias? - Danilo Vilas Boas


Eu comecei a responder esse email até perceber que isso renderia um post inteiro, e provavelmente um bem divertido. Então não vou me aprofundar demais no tema, vou guardar para uma coluna inteira que provavelmente farei na offseason, e que seria uma leitura mais divertida e completa do que eu respondendo aqui.

Mas para não deixar a pergunta sem resposta, um escopo geral: na maior parte das vezes, os nomes das franquias se encaixam em três categorias. Ou possuem uma relação com a cidade e sua história (como alguns dos que você citou); ou possuem uma relação com outro time ou organização da cidade; ou então não possuem nenhuma relação direta e foram escolhidos apenas por serem cool ou intimidadores - muitas vezes escolhidos por votações populars.

No primeiro caso, você já deu alguns exemplos interessantes. Eu poderia citar mais um que você perguntou, o Minnesota Vikings. O time não tem esse nome por causa de uma relação direta da cidade com vikings, e sim porque Minnesota (e arredores) é uma região dos EUA que tem um grande número de pessoas e comunidades de origem escandinava, onde o viking é um símbolo cultural, e o nome do time faz uma homenagem/referência a isso.

O segundo caso envolve uma história mais interessante da NFL, embora você possa achar exemplos em outros esportes: o New Jersey Nets tem esse nome para rimar com os outros dois times "secundários" de NY, o Mets e o Jets, por exemplo. Quando a NFL estava apenas surgindo e procurando ganhar popularidade no cenário esportivo americano, e os times precisavam criar uma identificação com suas torcidas para montar uma base de torcedores, a solução a que muitos donos de times recorreram foi a de nomear suas franquias com o mesmo nome dos times locais de baseball, criando assim uma identificação com as bases de fãs locais que acompanhavam o baseball - na época o esporte mais popular dos EUA. Um grande número de times da época recorreu a isso: o Pittsburgh Steelers começou como Pittsburgh Pirates, o Arizona Cardinals originalmente jogava em Saint Louis e era o segundo Saint Louis Cardinals, e mesmo o New York Giants se chama assim por causa do antigo New York Giants (hoje San Francisco Giants) da MLB. Muitos dos times que se nomearam como times de baseball eventualmente mudaram seus nomes posteriormente, embora a relação ainda exista em muitos casos. Um exemplo é o Chicago Bears, que chama assim por causa do Chicago Cubs, time local de baseball (Cub, para quem não sabe, significa filhote e o mascote do Cubs é um filhote de urso).

Por fim, times como o Raiders não possuem nenhuma relação muito significativa com a cidade. É apenas um nome bad ass que foi escolhido em eleição popular, embora pouca gente saiba que originalmente o nome da Franquia era Oakland Señores (eu acho isso hilário por algum motivo). Não é incomum ter nomes escolhidos em votação popular que TAMBÉM tem uma relação com algum dos dois primeiros motivos, mas as vezes eles são escolhidos assim simplesmente por serem estilosos. Mas prometo fazer um post inteiro sobre isso chegando a offseason, é um assunto bem interessante.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os pontos importantes da semana na NFL - Week 1

"Você ganha um touchdown! Você ganha um touchdown!!
Todo mundo ganha um touchdown!!"


Como vocês provavelmente sabem, essa é minha primeira vez escrevendo periodicamente para um grande portal como o Esporte Interativo. Eu preciso cumprir uma certa cota semanal, e como é a minha primeira vez fazendo isso, eu não tenho nenhum tipo de formato de post que eu costume usar. Então essas próximas semanas serão basicamente um período de testes, com um determinado formato semanal para falar de NFL (e MLB/NBA, eventualmente), então vamos experimentar com esse formato, ver o que está funcionando, o que não está, e o que está faltando. E para isso vou contar também com a opinião de vocês, leitores, sobre o que mudar, o que manter, o que melhorar, novos formatos de post que achem interessantes, e por ai vai. 

Esse é o primeiro que eu tive interesse em botar em prática, uma passagem pelos pontos importantes e pelos momentos mais relevantes dessa rodada. Eu queria deixar BEM claro o seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Por exemplo, todo mundo sabe que Peyton Manning foi espetacular com seus 7 TDs, eu não preciso te falar isso. Mas eu estou interessado em olhar para aquele jogo entre dois candidatos aos playoffs e olhar onde que aconteceram os acertos e erros de cada time para chegar nesse placar tão desequilibrado, porque isso vai ser importante para o big picture da NFL ao longo do ano. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum. Vamos fazer alguns testes também, ver como fica melhor, e ajustando conforme for indo. Mas não fique irritado porque seu time não apareceu aqui, ou porque eu não falei de um jogo particularmente divertido (Chargers-Houston, por exemplo), é só porque esses jogos não tiveram algum ponto de análise ou comentário mais interessante. Btw, essa coluna está ficando para terça feira para poder incluir o jogo de segunda a noite, mas conforme as coisas forem indo, pode passar de volta para segunda.

Outra coisa importante para se lembrar é que foi apenas a primeira semana. Qualquer conclusão tirada agora provavelmente vai estar errada: a amostra é muito pequena, o viés é enorme, não sabemos o que é performance e o que é outlier, e por ai vai. Então tirar conclusões agora é um enorme erro. O que é muito mais construtivo é pegar algumas questões anteriores a temporada, ver como elas se saíram pontualmente, e parar por ai. Tirar conclusões a partir de uma amostra tão ridiculamente pequena é um enorme erro.

Dito isso, vamos começar nosso experimento com o melhor jogo do dia...

O mestre do disfarce


Se você me perguntar dos meus personagens favoritos, em qualquer tipo de mídia, eu provavelmente vou passar um tempo desnecessariamente alto pensando em uma resposta boa para te dar. E um dos nomes que vai aparecer no meio do meu Top10 - provavelmente até Top5 - é o de Hiruma Yoichi, um dos protagonistas de um mangá de futebol americano chamado Eyeshield 21 (para quem gosta do gênero, recomendo a leitura), o quarterback do time principal. O Hiruma é tão legal porque ele é o perfeito underdog: ele não nasceu com um físico privilegiado ou com um talento fora do comum, ele é um bom jogador mas não espetacular, só que ele compensa isso com uma habilidade incrível para enganar e manipular os adversários. Ele está sempre um passo adiante de todo mundo, sempre manipulando os procedimentos para causar as impressões desejadas e guardando as cartas para jogar no momento certo. Hiruma é considerado o rei da enganação e da missdirection, e sua marca registrada são as jogadas ou estratégias que vão contarias a toda lógica ou senso comum, simplesmente porque ninguém espera que isso aconteça - e quando as pessoas já começam a esperar esse tipo de comportamento, ele já está um passo a frente de qualquer maneira e volta a usar as táticas simples e fáceis. Mais do que qualquer outra coisa, essa acaba sendo a identidade que o time adota: tricky plays, muita confusão, o time contra o qual você não pode abaixar sua guarda por um segundo sequer.

Se você está procurando um Hiruma na NFL, não precisa olhar mais longe do que Jim Harbaugh, Head Coach do San Francisco 49ers. Se existe hoje um técnico que adora confundir os adversários e parece estar um passo a frente de todo mundo, é o ex-QB do Colts. Volte comigo para 2012 por um minuto. O 49ers tinha acabado de vencer um jogo espetacular contra o New England Patriots e praticamente garantido um título de divisão e a folga na primeira rodada. Os dois últimos jogos eram secundários, já que a equipe pouco tinha a ganhar com eles, já que o Falcons não seria alcançado e as chances da equipe ser ultrapassada também eram pequenas. Então o que Jim Harbaugh fez foi simples: ele mudou o playbook da equipe para esses dois últimos jogos, tirando praticamente todas as jogadas de option ou da formação pistol. A equipe jogou então com metade do seu playbook naquelas duas últimas partidas como uma isca para seu adversário de primeira rodada nos playoffs. Quando Green Bay Packers - seu eventual adversário - foi estudar filme do 49ers para preparar sua defesa para o confronto, eles não viram nenhuma jogada de pistol ou de option nos filmes e não se prepararam para enfrentar esse tipo de jogada. O resultado foi que o 49ers baseou todo seu ataque justamente em torno da formação pistol, e Colin Kaepernick usou as options para correr 181 jardas naquela partida, recorde para um QB na história da NFL. O ataque do Niners queimou a defesa para 579 jardas e 45 pontos, Kaepernick pareceu a encarnação do Bo Jackson no Tecmo Bowl, e o Packers foi eliminado dos playoffs de forma humilhante.

Durante a offseason, Green Bay fez de sua missão de vida parar o option, especialmente quando Packers-Niners foi anunciado como abertura da temporada. A equipe enviou seus técnicos e assistentes para diversas faculdades para estudar melhor o read option e como defender QBs móveis, com a história mais famosa sendo a visita da comissão técnica de GB a Texas A&M para estudar o read option com Johnny Manziel. Eles draftaram focando justamente em parar esse tipo de jogada. Todo seu plano de jogo foi focado em torno de como parar o jogo terrestre do seu adversário, afinal era óbvio que o Niners iria usar sua maior força contra a fraqueza de Green Bay, ao invés de usar sua fraqueza (seu corpo de recebedores duvidoso) contra a maior força do Packers (uma das melhores e mais profundas secund árias da NFL). Mas quando o jogo começou, foi exatamente o que ninguém esperava que aconteceu: o 49ers usou a option apenas sete vezes para manter a defesa honesta, manteve Kaepernick dentro do pocket, e simplesmente destruiu a secundária adversária com seus passes, passando para 412 jardas e 3 TDs rumo a vitória aproveitando a atenção extra dedicada ao jogo terrestre. Quando o Packers achou que tinha achado a forma de defender o ataque do 49ers, Jim Harbaugh já estava um passo a frente e modificou todo o esquema de jogo: Green Bay passou a offseason inteira se preparando para defender o jogo terrestre, e Harbaugh montou todo seu esquema ofensivo em torno do ataque aéreo, e pegou todo mundo desprevinido. E essa capacidade de Harbaugh de estar sempre um passo a frente e de planejar para cada situação melhor do que quase qualquer técnico da NFL é o que faz do 49ers um time tão perigoso. Assim como Hiruma Yoichi era, nas palavras de seu rival, o ás escondido de seu time.

Faço minhas as palavras do grande Bill Barnwell: quando você acha que tem as respostas, Jim Harbaugh muda as perguntas.

O dilema dos quarterbacks móveis


Colin Kaepernick e Robert Griffin receberam muita atenção ano passado como constituindo, junto de Russell Wilson e Cam Newton, um novo tipo de quarterback que estava mudando a cara da NFL. Essa nova leva de quarterbacks móveis, hiperatléticos e que destruíam defesas correndo ou fazendo jogadas de options foi considerada por muitos um marco no esporte, que estaria caminhando em uma direção que favoreceria esse tipo de jogador. A chegada do read option foi o grande assunto envolvendo Griffin e Kaepernick, e depois que Kap correu para 181 jardas nos playoffs, a internet praticamente explodiu. Durante essa offseason, praticamente todos os times e analistas táticos do esporte se dedicaram a explorar o read option, encontrar maneiras de pará-lo e tudo mais. Em mais de um preview sobre o Washington e principalmente o 49ers, eu li que eles não alcançariam o mesmo sucesso em 2013 porque a NFL estava ficando mais esperta e preparada contra esse tipo de jogada, então não teria mais o efeito surpresa.

O que as pessoas constantemente esquecem é que Griffin e Kaepernick não são apenas extremamente atléticos e excelentes corredores: eles também são passadores extremamente preciso e com braços muito fortes. Eles são capazes de criar estrago nas jogadas de option e de correr para bons ganhos, mas o que faz deles dois dos melhores jovens QBs da NFL é a habilidade de ambos com seus braços. Kap completou 63% de seus passes em 2012 para um NFL-high 8.3 jardas por passe (e isso sem sequer ter treinado UMA vez entre os titulares até assumir o time) e RG3 completou 65.5% dos seus com 8.1 jardas por passe. Por algum motivo, muitas pessoas desconsideraram ambos como apenas corredores, e esqueceram do resto.

Isso esteve bastante evidente essa rodada. Como já dissemos, Harbaugh soltou Kaepernick em cima da secundária do Packers, desmembrando e dissecando essa defesa para 412 jardas, 3 TDs e nenhuma interceptação. 353 de suas jardas vieram em passes de dentro do pocket, e ele completou quase 70% de seus passes na partida, um excelente lembrete para todos que esquecem da capacidade de seu braço direito. Algo me diz que coordenadores defensivos não cometerão esse erro de novo.

O mesmo era válido para Griffin, espetacular tanto como corredor e passador. E enquanto a sua lesão no joelho levantava algumas perguntas sobre como ele iria continuar correndo com a bola - ou mesmo se iria continuar correndo - muitas pessoas perderam a verdadeira questão: o quanto essa lesão vai afetar sua incrível precisão nos passes? Griffin pode continuar com um ótimo QB na NFL se parar de correr, mas não se parar de acertar passes. E ontem isso foi um problema, especialmente no primeiro tempo: RG3 não conseguiu passar a bola quando precisou jogá-la a uma distância maior. Não sou um especialista em mecânica de QB, mas diversas vezes me chamou a atenção a falta de apoio que Griffin colocava na sua perna ou a falta de estabilidade nela durante a pressão (como se Griffin estivesse ansioso por tirá-la logo da grama). Isso pode ser um fator psicológico (medo de uma nova lesão) ou mesmo uma consequência que lhe tirou um pouco da força no apoio, mas foi algo que teve uma consequência visível nos seus passes, sem controle ou sem a firmeza necessária. Claro, pode ter sido uma coisa da primeira semana, muito tempo sem jogar, estava descalibrado, em um dia ruim e tudo mais, é possível. Além disso, Griffin melhorou no segundo tempo e terminou com números decentes, o que sem dúvida é positivo. Mas é uma coisa importante de se monitorar indo para frente, para a temporada 2013 e para a carreira do Rookie of the Year de 2012.

Questões da offseason na abertura da temporada


Tirando Packers e Niners, Ravens vs Broncos era provavelmente um dos jogos mais antecipados da rodada pelos fatores "Maior chance de se encontrarem nos playoffs" e "Nos enfrentamos nos playoffs passados e não gostamos de como terminou". Entre essas duas, outra coisa que eu achei interessante nesse jogo era ver como dois times bons e candidatos ao Super Bowl, mas que entraram na temporada com significativos pontos de interrogação, iriam se comportar em relação a essas falhas enfrentando um bom adversário. Era esperado que elas fossem questões significativas na temporada, e seria interessante ver como isso iria acontecer na primeira rodada. E de fato, o que nós vimos em relação ao ataque do Ravens e a defesa do Broncos foi o que esperávamos ver.

No caso do ataque do Ravens, como eu escrevi no seu preview, a questão era como a equipe iria encarar essa mudança do foco ofensivo, com Joe Flacco assumindo um papel e uma responsabilidade ainda maiores, especialmente sem seu melhor WR de 2012, Anquan Boldin - e posteriormente também Dennis Pitta. As perdas de Boldin e Pitta deixaram Baltimore em uma situação complicada em relação aos seus recebedores, porque foram os dois jogadores de segurança pelo meio do campo durante todo o ano passado, os alvos para quem Flacco olhava quando precisava de uma jogada de segurança ou de alto aproveitamento. Com Boldin em SF e Pitta no departamento médico, o Ravens não possui um jogador para essa função: Ed Dickson não tem o entrosamento e a habilidade para isso, Dallas Clark está velho e não bloqueia nem no twitter, e o melhor WR que sobrou na equipe, Torrey Smith, não tem as características para isso. Smith é um bom jogador, sem dúvida, mas é um jogador de alta velocidade que está no seu melhor quando usado em rotas longas - um tipo de rota que também tira o máximo proveito do braço forte de seu QB. Mas ele não possui o tipo de separação, mãos firmes e força física para dominar o meio do campo como Boldin fazia: usá-lo como um possession WR é ineficiente porque ele não possui as características para executar esse papel e tira o melhor receiver da equipe da sua zona de conforto, mas ao mesmo tempo, o Ravens não tem quem possa fazer essa função. O resultado foi uma zona: quando a equipe conseguiu impor o jogo terrestre, manter a defesa longe de Flacco (mais disso em um segundo), encurtar as descidas e fazer funcionar o jogo de meia distância, o ataque rendeu muito bem e dominou o jogo. Quando a defesa do Broncos apertou e o time começou e enfrentar mais - e mais longas - terceiras descidas, o ataque não teve uma resposta porque não tinha um jogador de confiança para se armar em torno. Não a toa o time terminou apenas 8-22 em terceiras descidas na partida. Então foi um problema já anunciado e que a equipe sentiu na hora de entrar em campo.

A outra incógnita era a defesa do Broncos, que estava jogando sem seus principais jogadores: Von Miller, suspenso, Derek Wolfe e Champ Bailey, machucados. E no começo, foi realmente um desastre: tirando o safety Duke Ihenacho - que foi um monstro o jogo todo - o começo foi desastroso, principalmente porque Denver não conseguiu colocar qualquer tipo de pressão em cima de Joe Flacco. A defesa tentou compensar isso enviando diferentes tipos de blitz, mas mesmo assim não conseguiram chegar no QB, e isso só serviu para tirar ainda mais jogadores da marcação dos passes. Flacco não foi o mesmo QB dos playoffs - eu já tinha avisado - mas foi eficiente quando teve tempo e calma no pocket para castigar a defesa. Isso mudou, principalmente, quando Michael Oher saiu machucado depois de um TD corrido. A saída do RT convidou o Broncos a atacar mais esse lado da linha ofensiva ofensiva, e dessa vez tiveram sucesso: a pressão começou a chegar mais, Flacco teve que ter menos tempo para passar a bola, e ai a falta de bons recebedores no time de Maryland apareceu, colocando o controle do jogo nas mãos do time da casa - e digamos que não atrapalhou Peyton Manning começar a destruir tudo no seu caminho. Mas sem Von Miller e Wolfe, a grande incógnita era justamente a capacidade do time de colocar pressão no QB, e a defesa decepcionou nesse quesito até ver Oher sair machucado. A secundária também foi menos do que eficiente cobrindo os fracos recebedores de Baltimore, então a não ser que Manning decida que vai passar para 7 TDs toda semana, é um problema para esse bom time de Denver.

Em tempo: eu já tinha achado a troca ruim, mas depois de Boldin terminar o dia com 208 jardas, 1 TD e 13 recepções (enquanto os WRs do Ravens totalizaram 15 recepções para 215 jardas e um TD), já podemos oficializar que Boldin por uma escolha de sexta rodada foi a troca mais absurda da temporada?

A revolução será televisionada


Outro ponto de enorme interesse essa rodada era ver como o ataque de Chip Kelly - famoso na NCAA por sua extrema velocidade, altíssimo número de jogadas e características explosivas de maneira geral - iria estrear na NFL com um dos QBs mais dinâmicos da história do jogo e um dos melhores RBs da NFL. E o Eagles não decepcionou: apenas no primeiro tempo de jogo, o Eagles já teve mais jogadas ofensivas do que o Carolina Panthers teve na sua partida inteira contra o Seahawks. O ritmo desse jogo foi realmente uma coisa incrível: toda jogada era imediata, a defesa não tinha tempo de parar, pensar, planejar ou descansar, o ataque era extremamente agressivo - ao ponto que, com uma 4th and 1 na linha de 20 do campo adversário, o ataque simplesmente se montou e executou sua jogada sem hesitar um segundo sequer - e tudo parecia fluir perfeitamente. O jogo chegou a um ponto em que o primeiro quarto acabou - depois de quatro turnovers e muuuita correria - e eu levantei para ir preparar o jantar quando percebi que era só o primeiro quarto, e não o primeiro tempo, que havia terminado. O ritmo alucinante do Eagles claramente pegou o adversário despreparado, e a defesa do Redskins parecia totalmente perdida, sem saber o que fazer ou o que esperar de seu adversário. O primeiro tempo foi não só um massacre, mas um massacre de encher os olhos.

Mas também mostrou o outro lado desse esquema absurdo, que chegou a prejudicar o próprio time. O primeiro que chamou a atenção, ainda no primeiro tempo, foi a falha de comunicação dentro do ataque. Diversas vezes a linha ofensiva se confundiu na hora de determinar seus bloqueios - especialmente em jogadas de passe - e um número um pouco alarmante de vezes Michael Vick viu algum defensor chegando livre na sua fuça. Eu imagino que esse tipo de falha de comunicação seja razoavelmente comum em defesas desse tipo, especialmente para uma equipe que estava fazendo seu primeiro jogo assim (e fora de casa, onde o barulho é bem maior) e cujo QB não é um especialista pré-snap como Tom Brady ou Manning, então não imagino que seja um grande problema. É só algo a se observar. Outro efeito colateral disso foi o cansaço físico de seus jogadores: chegando no segundo tempo, o ataque do Eagles parou de produzir em parte porque cansou e porque seus jogadores não estavam mais acompanhando o ritmo. A defesa ficou mais ligada nas jogadas, entendeu melhor alguns nuances desse esquema novo, mas em grande parte os jogadores simplesmente não tiveram perna para acompanhar 60 minutos desse ritmo. Novamente, foi apenas o primeiro jogo e eles provavelmente vão se acostumar a isso, mas a questão que fica é legítima: em um time com tantos jogadores sujeitos a lesões (Michael Vick, LeSean McCoy, DeSean Jackson, Jason Peters, etc), será que com o tempo isso vai levar a melhor sobre a saúde dos jogadores, ou conseguirão manter o ritmo por 17 rodadas? Fico curioso para ver.

Enquanto isso não acontece, pelo menos, é realmente um jogo totalmente diferente de se contemplar e que parece se encaixar perfeitamente nas peças que Kelly encontrou na sua nova equipe. Não sei se vai dar playoffs, mas o Eagles já lidera nosso "League Pass Power Rankings" para a semana 1.

O que faz uma boa arbitragem?


Nessa rodada, a arbitragem que mais chamou a atenção foi, infelizmente, a de Niners-Packers. E isso aconteceu por um incidente complicado: em uma 3rd and 6 na red zone, o ataque do 49ers não conseguiu um passe e Kaepernick tentou levar ele mesmo para o first down, mas saiu pela linha lateral duas jardas antes. Com Kaepernick fora de campo, Clay Matthews deu um tackle voador no pescoço do QB que ele tinha dito que iria "bater com força" e o derrubou no chão, imediatamente levando a uma falta pessoal de 15 jardas. Alguns jogadores do 49ers correram para defender seu QB, em especial Joe Staley, que segurou Matthews pelos pads enquanto dizia algumas verdades na cara dele. Isso, absurdamente, rendeu também uma falta pessoal a Staley (apesar de que foi Matthews que deu dois socos nele e não o contrário), o que significava que as duas faltas iriam se cancelar e o 49ers iria enfrentar uma 4th and 2. Mas os árbitros erraram na interpretação da regra, e deram a San Francisco outra 3rd and 6, que eles imediatamente converteram em um TD. O 49ers venceu a partida, 34 a 28, e o Packers ficou reclamando desse erro do juiz.

Então foi um duplo erro: o juiz errou ao marcar a falta de Staley que gerou a segunda falta, e ele errou ao declarar que as duas faltas canceladas significariam repetir a descida que originou o TD. Então ainda que o resultado correto - 1st and goal da linha de 3 jardas - provavelmente teria um resultado bem semelhante ao final da jogada (o TD), a questão é que você precisa julgar juizes pelo processo e não pelo resultado, e houve um duplo erro nesse caso que chamou a atenção da NFL.

Então com base nesse erro, a NFL e todo mundo assumiu que foi uma má arbitragem na partida. E eu me pergunto se foi mesmo: eu assisti o jogo e, tirando esse lance, a arbitragem sempre teve controle completo da partida. A nova moda na NFL, especialmente entre recebedores, é que toda vez que um certo jogador não consegue pegar uma determinada bola, ele imediatamente vira para um juiz pedindo uma flag. Isso acontece, é claro, porque as regras que a NFL vem implementando desde o começo da década passada limita demais tudo que a defesa pode fazer para evitar o passe - desde marcar recebedores até derrubar o QB - e hoje em dia praticamente qualquer contato com o WR é marcado como falta. E eu odeio isso, porque futebol americano É um esporte de contato. Claro, você vai achar inúmeras situações na NFL onde um jogador de defesa claramente evita que o recebedor adversário chegue em um passe através de um contato ilegal, e nessas jogadas o pass interference deve ser chamado. O que incomoda são as jogadas de contato natural em um esporte físico que é jogado em alta velocidade e que de repente viraram faltas, o que praticamente faz com que um DB não possa chegar a um metro de um recebedor. E se tem um dado que eu gostei muito em SF-GB foi esse: a arbitragem não marcou NENHUMA interferência. Zero.

Então para mim, isso é em alguns aspectos até mais importante do que um juiz que não cometa um erro tão polêmico, mas que estrague o jogo marcando faltas a toda jogada e perca o controle do jogo. A arbitragem no resto da partida de domingo a tarde foi impecável, e é muito mais fácil corrigir um erro de interpretação de regra como esse do que ensinar um juiz a ter um firme comando do jogo e deixá-lo fluir bem sem perder o controle. As pessoas costumam olhar só as grandes coisas coisas, mas o que torna um jogo bem apitado ou mais assistível são as menores - e de preferencia, as que nem notarmos. Então na hora de definir uma boa ou má arbitragem, não se atenha apenas a um lance ou dois e sim preste atenção em como esses juizes estão conduzindo a partida. Se você não os perceber, é porque fizeram um bom trabalho.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - San Francisco 49ers


Um dos 5 melhores momentos da minha vida


Nessa série de previews já falamos de 28 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South, North e West e das NFC East, South e North. Hoje começamos a falar da NFC West. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

San Francisco 49ers

2012 Record: 11-4-1
Ataque ajustado: 5th
Defesa ajustada: 2nd


Se voltarmos um instante para 2010 para olhar o cenário da NFC West em comparação com o resto da NFL, vamos lembrar de como a divisão era lamentável naquele momento. Não foi a toa que o nome NFC West virou sinônimo de piada na NFL: aquela divisão foi vencida por um Seattle Seahawks com record 7-9, a primeira vez na história da liga que um time vence uma divisão com record negativo E a primeira vez que um time com record negativo sediou um jogo de playoffs. Na verdade, aquele Seattle foi provavelmente o pior time da história do universo a sequer ir para os playoffs: um time 7-9 mas com Pythagorean Expectations de 5-5 vitórias e a terceira tabela mais fácil da NFL, aquele foi na verdade o terceiro PIOR time da liga pela estatística de eficiência ajustada do Football Outsiders, de longe a menor classificação para um time de playoffs desde que o Football Outsiders tem esse dado. Na verdade, para se ter uma noção de quão ruim a NFC West, em termos de eficiência ajustada seus quatro times estavam entre os 9 piores de toda a NFL: Cardinals ficou em último depois da aposentadoria do Kurt Warner; Seattle foi o terceiro pior e ainda ganhou um jogo de playoffs; Rams (que terminou 7-9 e perdeu a vaga para o Seahawks na última rodada) ficou em 27th; e o melhor time da divisão foi um 6-10 Niners que ficou em 24th e que mandou o técnico embora faltando duas rodadas. Foi um ano brutal que solidificou a reputação da NFC West como a piada da liga. Três anos depois, você pode fazer um argumento muito sólido que a divisão possui dois dos três melhores times da NFL e é a mais forte da liga. So... Yeah. As coisas mudaram um pouco desde então.

E essa mudança começou pelo San Francisco 49ers. A verdade é que, depois de perder os playoffs todo ano desde 2002 - sem sequer um 8-8 ou melhor entre esse período - por conta de má gestão, más decisões e basicamente uma franquia bagunçada, o time começou a dar a volta por cima em 2009. Antes da temporada, a franquia passou para Jed York, o filho milionário de 28 anos de John York (o antigo dono) e sobrinho do lendário Eddie DeBartolo (dono da equipe na época de ouro), algo que na época parecia uma bomba relógio com um milionário jovem e imaturo assumindo o comando do time e que acabou virando uma das melhores coisas que aconteceram a equipe em anos recentes (não existe na NFL atualmente três donos de times melhores que York). Aquela foi a melhor temporada do 49ers desde 2002, terminando 8-8 mas com o Pythagorean Expectations de 10-6, a quinta melhor defesa da NFL, o melhor ano da carreira de Alex Smith e uma performance defensiva extremamente dominante contra os atuais campeões da NFC Cardinals (um 24-9 no qual o Niners forçou sete turnovers e engoliu Warner e Larry Fitzgerald) que pareciam indicar uma melhora considerável em 2010 e, quem sabe, uma vaga nos playoffs. 

Não aconteceu. A temporada 2010 foi uma enorme decepção, com Mike Singletary ganhando o cinturão de "pior técnico da NFL" e mudando (para pior) quase toda a comissão técnica da equipe, Troy Smith e Alex Smith praticamente se revezando semanalmente na titularidade (algo péssimo para qualquer time) e tudo que podia dar errado, deu. Singletary foi mandado embora faltando ainda dois jogos para acabar o ano, e a "volta por cima" da equipe acabou em fiasco. Ou pelo menos por mais um ano. Naquela offseason, York e Trent Balkee (GM da equipe) foram buscar Jim Harbaugh em Stanford, e fazer um upgrade do pior técnico da NFL para um dos melhores pagou dividendos: o 49ers pulou de 6-10 para 13-3, transformou Alex Smith de "wow, esse cara foi um dos maiores busts da década" para "ganhei o jogo mais espetacular dos últimos anos faltando 7 segundos contra um ótimo time do Saints nos playoffs", ganhou o jogo mais espetacular dos últimos anos (nenhum jogo na minha vida foi melhor do que Saints-49ers em 2011. Nenhum) e chegou muuuuuuito perto do Super Bowl antes de perder na prorrogação para um excelente time do Giants. Um ano depois, com Colin Kaepernick no lugar de Smith, o 49ers repetiu sua boa campanha e esteve a uma falta não marcada e um erro da arbitragem nos segundos finais do Super Bowl de conseguir seu primeiro título em 18 anos. Então sim, foram dois anos bem diferentes do que os torcedores do 49ers estavam acostumados. Ou seja, divertidos. Mas vamos dar uma olhada mais de perto no que realmente funcionou para o Niners nesses dois últimos anos, e nos pontos importantes olhando para frente.

A reviravolta do 49ers começou na verdade alguns anos antes da chegada de Harbaugh, do lado defensivo da bola. Antes mesmo de Jim transformar Alex Smith em um bom QB titular e do ataque explodir de vez sob a batuta de Kaepernick, a defesa de San Fran já dava mostrar de ser um grupo de elite: A defesa terminou como a quinta melhor de 2009 e nono em 2010 apesar de nenhuma ajuda do ataque (más posições de campo, ataques que não precisavam se apressar e ser previsíveis, etc), e foi isso que deu esperanças para os torcedores. Se o Jets conseguiu chegar em duas finais de conferência com Mark Sanchez porque tinha um bom ataque terrestre e uma excelente defesa, porque não o Niners? Enquanto tivessem essa defesa, era possível (eventualmente foi o que aconteceu em 2011, mas chegaremos lá).

E a questão da defesa do 49ers não é que era apenas uma defesa boa, mas era uma defesa que intimidava. Extremamente física, com bons jogadores dando tackles e uma mentalidade de atingir os adversários com o máximo de força permitida pelas regras, é o tipo de defesa que ninguém gostava de enfrentar sabendo que ia tomar pancada toda vez que tocasse na bola, que sua linha ofensiva ia ser empurrada como um monte de sacos de areia, e que ia passar o jogo todo brigando para conseguir cada jarda. Era uma defesa cujo atrito desgastava qualquer ataque, fisica e psicologicamente, e isso acabou constituindo a identidade que o time quis montar. Não apenas na defesa, mas como um todo: um time mais forte e mais rápido do que qualquer outro, que joga mais fisicamente do que todos os demais.

Nos dois anos depois da chegada de Harbaugh, as coisas não mudaram: a defesa continuou sendo o grande ponto forte da equipe, 3rd em 2011 e 2nd em 2012, e com uma mesma abordagem: uma linha de frente dominante, intransponível contra corridas, e o resto encaixando em volta. A diferença é que, pela primeira vez com um técnico capaz de controlar o ataque e jogar de acordo com as forças e fraquezas de Alex Smith, a defesa começou a se ver numa situação privilegiada: com um ataque que evitava turnovers quase fanaticamente e com um dos melhores punters da NFL em Andy Lee, nenhuma defesa de 2011 viu os adversários começarem suas campanhas com pior posição de campo. A responsabilidade continuava alta, de levar nas costas um ataque eficiente mas pouco produtivo, mas pelo menos agora podia fazer isso com mais tempo, sem precisar enfrentar adversários que tinham o controle do placar e com posições de campo favoráveis. Não a toa a defesa subiu mais um nível, liderou a liga em turnovers forçados e foi a grande força por trás da excelente campanha de 13-3 da equipe. Em 2012, ainda mais do mesmo: os turnovers forçados caíram pois, como já disse aqui algumas vezes, uma temporada em nível muito alto nesse quesito costuma indicar regressão (Olá, Chicago!), mas não importou: ainda foi o segundo melhor grupo de toda a NFL depois do Bears, e mesmo com alguns problemas mais para o final do ano, ainda foi uma potência.

Para 2013, a defesa apresenta algumas questões interessantes: a equipe perdeu seu All-Pro (absurdo, mas enfim) safety Dashon Goldson para Tampa, seu NT Isaac Sopoaga para o Eagles, seu reserva para o Colts, e seu nickel corner Chris Culliver para um ACL. Em particular os dois primeiros deveriam ser sentidos, afinal eram jogadores titulares de alto nível, mas eu me pergunto se seria esse mesmo o caso. Uma vez, meu escritor favorito (Bill Simmons) criou uma Ringo Starr Theory, que diz que você não pode avaliar corretamente role players quando estão jogando com um jogador ou um grupo transcendental que eleva o nível de todo mundo. Parte de mim pergunta se não seria esse o caso com essa defesa do 49ers, especialmente considerando que todos os jogadores titulares desde 2009 que saíram da equipe pioraram consideravelmente em seus novos times: Nate Clemens saiu da equipe em 2010, e agora é um reserva no Bengals; Aubrayo Franklin era considerado o melhor NT da NFL quando saiu do time em 2011, foi para o Saints e nunca mais jogou em alto nível; Takeo Spikes quase foi ao Pro Bowl em 2010, um ano depois mal conseguia ser titular no Chargers e agora está sem time. Você não vai achar um único jogador importante da defesa do Niners que tenha saído no período e tenha tido o mesmo sucesso fora. Fato é que é mil vezes mais fácil se destacar e jogar em alto nível quando você está cercado de franchise players e Pro Bowlers executando diversas funções, forçando o ataque adversário a se ajustar e onde você pode focar em apenas algumas menores funções. Um safety que joga em Miami provavelmente vai ter maior responsabilidade contra o jogo terrestre do que um que joga em San Francisco com os dois melhores MLBs da NFL patrulhando o meio, permitindo que se foque na cobertura e nas interceptações, por exemplo. O mesmo é válido para um NT que tem Justin Smith do lado ocupando quinze bloqueadores, e por ai vai. Por isso eu acho que se preocupar demais com essas perdas é uma besteira, e esse foi o motivo que levou o 49ers a não se preocupar demais com essas perdas. Assim como um dos segredos da defesa do Steelers nos últimos anos foi sua capacidade de saber exatamente o que precisa de seus role players ao redor de um brilhante núcleo, o mesmo vale para o 49ers da atualidade. 

E sim, esse núcleo é brilhante. Eles possuem um dos melhores corpos de linebackers da história recente da NFL (me diga o último time dos últimos 20 anos a possuir três 1st Team All-Pro LBs e um 2nd Team. Você não vai conseguir) e possuem bons playmakers em posições chaves. A chegada de Nnamdi Asomugha (impressionante até aqui, ainda que a preseason não sirva para avaliar jogadores de fato) reforça uma secundária que foi suspeita em alguns momentos mas que conta com bons jogadores e deve ganhar um boost com a chegada do calouro Eric Reid. Mas sinceramente, o fato é que essa defesa consegue fazer de tudo sem ter que mudar de formações ou usar esquemas complexos: a linha de frente do seu esquema 3-4 é destrutiva o suficiente para colocar pressão no QB com pouca ou nenhuma ajuda de blitzes e não precisa de praticamente nenhuma ajuda extra para segurar as corridas adversárias, o que permite aos jogadores da secundária manterem suas funções sem precisar correr para ajudas. A secundária é um pouco mais suspeita, com alguns jogadores irregulares como Donte Whitney e Carlos Rodgers, mas ainda se beneficia enormemente do bom pash rush da equipe e principalmente das terceiras descidas longas que costuma enfrentar, já que os adversários não conseguem encurtá-las com boas corridas. Em um ano que eu (que vi todos os jogos da equipe) achei que a secundária não foi bem, ela ainda foi a 6th melhor ajustada da NFL (em parte por causa do calendário ridiculamente forte, terceiro pior da NFL). É a área de preocupação da equipe, mas enquanto a pressão continuar chegando, essa defesa vai continuar sendo uma força a ser reconhecida. Não tem porque isso mudar em 2013.

O ataque que é o ponto de interesse. No primeiro ano de Jim Harbaugh, o HC tentou estabelecer no 49ers o estilo de jogo que tinha dado certo no Jets nos dois anos anteriores: um time baseado em uma defesa extremamente potente, que forçava muitos turnovers, e um ataque conservador que corria muito com a bola, controlava o relógio, minimizava os erros, ganhava os duelos em termos de posição de campo e protegia seu QB titular. É basicamente um esquema extremamente conservador que tenta vencer a batalha por atrito, contando com sua defesa dominante e seu ataque conservador e eficiente. Apenas o Denver Broncos de Tim Tebow correu mais com a bola do que o Niners em 2011, e nenhum time foi melhor evitando turnovers. Junte a isso uma defesa que forçou mais turnovers que qualquer outra e um dos melhores técnicos da NFL (e a tabela mais fácil da liga) e o Niners terminou o ano 13-3, ganhou um jogo histórico do Saints na primeira rodada e esteve a dois fumbles de special teams de chegar ao Super Bowl. Em 2012, Alex Smith evoluiu muito e o ataque do 49ers estava entre os melhores da liga, embora ainda fosse essencialmente o mesmo ataque correr primeiro, correr segundo e passar depois. Até que Alex Smith se machucou durante uma partida contra o Rams, e Harbaugh colocou Kaepernick de titular.

A decisão de Jim Harbaugh de manter Kaepernick como seu titular e colocar no banco Alex Smith - 4th em QBR, 4th em produtividade por jogo na NFL até aquele ponto - tem que ser uma das mais corajosas dos últimos anos. Você tem um QB perfeitamente confiável, que conhece o playbook, tem funcionado muito bem sob seu comando e que evoluiu em relação ao "game manager" do ano anterior para um jogador que realmente ganhava jogos, e tem que decidir se o mantém ou se arrisca no moleque que ele mesmo chamou de "o melhor jogador do draft" antes do draft de 2011 e que escolheu a dedo para ser o QB do futuro da franquia, um jogador que entrou muito bem enquanto Smith não pode jogar e que parecia dar uma dimensão nova ao ataque do time com sua explosão física e passes profundos. Era uma decisão entre ir no seguro e no que estava dando certo, ou ir na direção mais arriscada e que tinha maior potencial futuro. Não tinha realmente uma decisão certa, era escolher uma e saber que iria responder pelos resultados. Harbaugh escolheu Kaepernick por um simples motivo: o ex-QB de Nevada oferecia a equipe uma chance maior de vencer. Como já insistimos um bilhão de vezes, o resultado de apenas um jogo tem muito de aleatório e é influenciado por diversos fatores, mas dentro deles, Jim acreditava que teria uma chance melhor de vencer com ele do que com Smith. E sabemos que é impossível fazer o jogo do "e se Smith tivesse jogado, teriam chegado ao Super Bowl?" para saber como as coisas seriam em outro cenário, então só posso dar minha opinião pessoal: de forma alguma o 49ers teria vencido um duelo de ataques contra Green Bay sem Kaepernick.

A manutenção de Kaepernick levanta algumas questões interessantes para o futuro da equipe. Se com Smith no comando o esperado era um ataque conservador e ultra-eficiente mas com potencial limitado, com Kaepernick isso muda totalmente de figura. O 49ers ainda tem todos os elementos de um grande ataque terrestre (3rd overall em 2012 com Kaepernick jogando menos de metade dos jogos) em um excelente grupo de RBs (liderado pelo underrated Frank Gore) e uma linha ofensiva de elite que está na conversa para ser a melhor da NFL. Junte a isso um dos melhores QBs correndo com a bola do mundo e que tem experiência jogando no option, e não existe nenhum motivo para acreditar que esse ataque terrestre espetacular do 49ers (terceiro na liga em jardas por corrida, segundo considerando apenas RBs) vá desacelerar em 2013. Na verdade, com aquele jogo de 181 jardas terrestres de Kaepernick queimado no cérebro de cada coordenador defensivo do planeta, o potencial desse ataque terrestre é ainda mais absurdo porque ele agora possui uma arma a mais para manter defesas confusas, então é muito possível (e talvez até provável) que o Niners continue sendo um ataque cuja principal força é o jogo terrestre.

A questão é que Kaepernick adiciona uma nova dimensão no jogo aérea. Se Smith era um QB conservador, Kaepernick é o exato oposto, um quarterback explosivo correndo com a bola que também possui um braço espetacular nos passes, impressionando tanto pela precisão como pela força. Contando apenas sua participação na temporada regular (vale citar que quebrou alguns muitos recordes nos playoffs), Kaepernick terminou a temporada terceiro em QBR, terceiro em produtividade ajustada (por jogo) e teria liderado a liga em jardas por passe se qualificasse para as estatísticas. Então o camisa 7 não é apenas um bom corredor, ele é um excelente passador, e o 49ers esteve muito confortável com ele comandando um ataque mais explosivo em 2012 apesar de não ter tido UMA jogada nos treinos como titular até a lesão de Smith. Mesmo assim o Niners terminou com o quinto melhor ataque aéreo (e geral) da NFL, então eu não consigo imaginar realmente qual será o potencial total desse ataque com uma temporada inteira de Kaepernick depois de uma offseason inteira como titular. Basta dizer que o potencial é muito maior do que com Alex Smith, e eu digo isso com dor no coração porque não existe maior fã do camisa 11 do que eu.

O ataque enfrenta apenas duas dúvidas. A primeira é sobre regressão: sim, Kaepernick foi fantástico em 2012, mas em uma amostra muito pequena. Será que esse é realmente seu nível, ou ele vai sofrer uma regressão enfrentando defesas mais preparadas e em uma amostra maior e mais considerável? É uma dúvida legítima e eu não tenho nenhum tipo de comentário contra ou a favor esse argumento, a única forma de saber é esperar uma amostra maior, mas Colin terá a seu favor o fato de poder contar com um ataque que vai muito além dele para não ser tão exposto logo cedo. Acho que esse é um problema menor, embora a dúvida seja real.

O segundo é mais problemático. O melhor WR da equipe, Michael Crabtree, sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles e deve perder a maior parte da temporada (e não deve jogar 100% até 2014). Depois que Kaepernick assumiu o comando (inclusive playoffs), Crabtree foi o melhor WR da liga não apelidado "Megatron" e seus números projetados para 16 jogos com Kaepernick seriam de 100-1460-15 (recepções, jardas e TDs para quem não entende), que são espetaculares mesmo antes de lembrarmos que a tabela do 49ers nesse período foi particularmente insana em dificuldade. Mas se preferem algo mais prático, o camisa 15 era de longe o melhor WR desse elenco e, embora a chegada de Anquan Boldin vá ajudar consideravelmente a suprir essa carência na posição, ele não é Crabtree e isso deixa a maior fraqueza do time ainda mais problemática. Tirando Boldin, os outros WRs do elenco estão machucados (Crabtree, Mario Manningham), possuem pouca experiência (Quinton Patton) ou ainda precisam se provar na liga (Kyle Williams, Jon Baldwin, Marlon Moore, Lavelle Hawkins), então é um grupo sem nenhum outro recebedor confiável e com uma profundiddade questionável. O 49ers vai tentar compensar isso com um dos melhores TEs da NFL (Vernon Davis) e outro TE interessante no calouro Vance McDonald, mas para um time que contava em dar um salto com seu jogo aéreo, essa questão dos WRs pode ser um limitante importante. Os WRs da equipe na verdade foram muito bem na pré-temporada, mas isso não quer dizer que vá funcionar na temporada regular, são situações totalmente diferentes. Mas pode servir de consolo. Isso não quer dizer que o ataque não vá ser muito forte esse ano, ele ainda deve ser melhor que o bom ataque de 2013, mas limita um pouco o potencial.

E no final, é por isso tudo que o 49ers é um dos melhores e mais perigosos times da NFL. Sua força se baseia em uma excelente defesa E em um ótimo ataque que deve continuar em ascensão com uma temporada inteira de Kaepernick. Seu ataque pode tanto colocar em funcionamento seu excelente jogo terrestre como pode (ou espera-se que possa) vencer adversários pelo ar no volume de ataque. Apesar de algumas mudanças importantes (em especial, perder Goldson) ainda é provavelmente o time mais completo de toda a NFL, e talvez essa seja sua maior força: é um time que pode e possui os jogadores para jogar de qualquer forma ou com ênfase em qualquer estilo, e que tem talvez a melhor comissão técnica da liga para mexer os pauzinhos quando necessário. E no fundo, toda vez que penso que o 49ers possa ficar de fora dos playoffs (e é possível nessa NFC ridiculamente forte), eu lembro de que eles possuem um dos três melhores técnicos da NFL, um cara que ficou duas semanas (as duas últimas da temporada regular) sem usar nenhuma jogada de option ou pistol para tirá-la dos vídeos de estudo de Green Bay e surpreender o Packers nos playoffs (todo mundo viu o resultado), e que tirou do bolso um potencial Franchise QB quando ninguém esperava. O Niners tem uma das melhores defesas da NFL, pode ter um dos melhores ataques da NFL, e um dos três melhores técnicos na NFL. Mesmo com um calendário difícil, não consigo colocar esse time ganhando menos que 11 jogos. É talento demais. O 49ers passou de piada da liga a candidato ao título em dois anos, e não existe nenhum motivo para acreditar que irão parar por ai.