Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os pontos importantes da semana na NFL - Week 1

"Você ganha um touchdown! Você ganha um touchdown!!
Todo mundo ganha um touchdown!!"


Como vocês provavelmente sabem, essa é minha primeira vez escrevendo periodicamente para um grande portal como o Esporte Interativo. Eu preciso cumprir uma certa cota semanal, e como é a minha primeira vez fazendo isso, eu não tenho nenhum tipo de formato de post que eu costume usar. Então essas próximas semanas serão basicamente um período de testes, com um determinado formato semanal para falar de NFL (e MLB/NBA, eventualmente), então vamos experimentar com esse formato, ver o que está funcionando, o que não está, e o que está faltando. E para isso vou contar também com a opinião de vocês, leitores, sobre o que mudar, o que manter, o que melhorar, novos formatos de post que achem interessantes, e por ai vai. 

Esse é o primeiro que eu tive interesse em botar em prática, uma passagem pelos pontos importantes e pelos momentos mais relevantes dessa rodada. Eu queria deixar BEM claro o seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Por exemplo, todo mundo sabe que Peyton Manning foi espetacular com seus 7 TDs, eu não preciso te falar isso. Mas eu estou interessado em olhar para aquele jogo entre dois candidatos aos playoffs e olhar onde que aconteceram os acertos e erros de cada time para chegar nesse placar tão desequilibrado, porque isso vai ser importante para o big picture da NFL ao longo do ano. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum. Vamos fazer alguns testes também, ver como fica melhor, e ajustando conforme for indo. Mas não fique irritado porque seu time não apareceu aqui, ou porque eu não falei de um jogo particularmente divertido (Chargers-Houston, por exemplo), é só porque esses jogos não tiveram algum ponto de análise ou comentário mais interessante. Btw, essa coluna está ficando para terça feira para poder incluir o jogo de segunda a noite, mas conforme as coisas forem indo, pode passar de volta para segunda.

Outra coisa importante para se lembrar é que foi apenas a primeira semana. Qualquer conclusão tirada agora provavelmente vai estar errada: a amostra é muito pequena, o viés é enorme, não sabemos o que é performance e o que é outlier, e por ai vai. Então tirar conclusões agora é um enorme erro. O que é muito mais construtivo é pegar algumas questões anteriores a temporada, ver como elas se saíram pontualmente, e parar por ai. Tirar conclusões a partir de uma amostra tão ridiculamente pequena é um enorme erro.

Dito isso, vamos começar nosso experimento com o melhor jogo do dia...

O mestre do disfarce


Se você me perguntar dos meus personagens favoritos, em qualquer tipo de mídia, eu provavelmente vou passar um tempo desnecessariamente alto pensando em uma resposta boa para te dar. E um dos nomes que vai aparecer no meio do meu Top10 - provavelmente até Top5 - é o de Hiruma Yoichi, um dos protagonistas de um mangá de futebol americano chamado Eyeshield 21 (para quem gosta do gênero, recomendo a leitura), o quarterback do time principal. O Hiruma é tão legal porque ele é o perfeito underdog: ele não nasceu com um físico privilegiado ou com um talento fora do comum, ele é um bom jogador mas não espetacular, só que ele compensa isso com uma habilidade incrível para enganar e manipular os adversários. Ele está sempre um passo adiante de todo mundo, sempre manipulando os procedimentos para causar as impressões desejadas e guardando as cartas para jogar no momento certo. Hiruma é considerado o rei da enganação e da missdirection, e sua marca registrada são as jogadas ou estratégias que vão contarias a toda lógica ou senso comum, simplesmente porque ninguém espera que isso aconteça - e quando as pessoas já começam a esperar esse tipo de comportamento, ele já está um passo a frente de qualquer maneira e volta a usar as táticas simples e fáceis. Mais do que qualquer outra coisa, essa acaba sendo a identidade que o time adota: tricky plays, muita confusão, o time contra o qual você não pode abaixar sua guarda por um segundo sequer.

Se você está procurando um Hiruma na NFL, não precisa olhar mais longe do que Jim Harbaugh, Head Coach do San Francisco 49ers. Se existe hoje um técnico que adora confundir os adversários e parece estar um passo a frente de todo mundo, é o ex-QB do Colts. Volte comigo para 2012 por um minuto. O 49ers tinha acabado de vencer um jogo espetacular contra o New England Patriots e praticamente garantido um título de divisão e a folga na primeira rodada. Os dois últimos jogos eram secundários, já que a equipe pouco tinha a ganhar com eles, já que o Falcons não seria alcançado e as chances da equipe ser ultrapassada também eram pequenas. Então o que Jim Harbaugh fez foi simples: ele mudou o playbook da equipe para esses dois últimos jogos, tirando praticamente todas as jogadas de option ou da formação pistol. A equipe jogou então com metade do seu playbook naquelas duas últimas partidas como uma isca para seu adversário de primeira rodada nos playoffs. Quando Green Bay Packers - seu eventual adversário - foi estudar filme do 49ers para preparar sua defesa para o confronto, eles não viram nenhuma jogada de pistol ou de option nos filmes e não se prepararam para enfrentar esse tipo de jogada. O resultado foi que o 49ers baseou todo seu ataque justamente em torno da formação pistol, e Colin Kaepernick usou as options para correr 181 jardas naquela partida, recorde para um QB na história da NFL. O ataque do Niners queimou a defesa para 579 jardas e 45 pontos, Kaepernick pareceu a encarnação do Bo Jackson no Tecmo Bowl, e o Packers foi eliminado dos playoffs de forma humilhante.

Durante a offseason, Green Bay fez de sua missão de vida parar o option, especialmente quando Packers-Niners foi anunciado como abertura da temporada. A equipe enviou seus técnicos e assistentes para diversas faculdades para estudar melhor o read option e como defender QBs móveis, com a história mais famosa sendo a visita da comissão técnica de GB a Texas A&M para estudar o read option com Johnny Manziel. Eles draftaram focando justamente em parar esse tipo de jogada. Todo seu plano de jogo foi focado em torno de como parar o jogo terrestre do seu adversário, afinal era óbvio que o Niners iria usar sua maior força contra a fraqueza de Green Bay, ao invés de usar sua fraqueza (seu corpo de recebedores duvidoso) contra a maior força do Packers (uma das melhores e mais profundas secund árias da NFL). Mas quando o jogo começou, foi exatamente o que ninguém esperava que aconteceu: o 49ers usou a option apenas sete vezes para manter a defesa honesta, manteve Kaepernick dentro do pocket, e simplesmente destruiu a secundária adversária com seus passes, passando para 412 jardas e 3 TDs rumo a vitória aproveitando a atenção extra dedicada ao jogo terrestre. Quando o Packers achou que tinha achado a forma de defender o ataque do 49ers, Jim Harbaugh já estava um passo a frente e modificou todo o esquema de jogo: Green Bay passou a offseason inteira se preparando para defender o jogo terrestre, e Harbaugh montou todo seu esquema ofensivo em torno do ataque aéreo, e pegou todo mundo desprevinido. E essa capacidade de Harbaugh de estar sempre um passo a frente e de planejar para cada situação melhor do que quase qualquer técnico da NFL é o que faz do 49ers um time tão perigoso. Assim como Hiruma Yoichi era, nas palavras de seu rival, o ás escondido de seu time.

Faço minhas as palavras do grande Bill Barnwell: quando você acha que tem as respostas, Jim Harbaugh muda as perguntas.

O dilema dos quarterbacks móveis


Colin Kaepernick e Robert Griffin receberam muita atenção ano passado como constituindo, junto de Russell Wilson e Cam Newton, um novo tipo de quarterback que estava mudando a cara da NFL. Essa nova leva de quarterbacks móveis, hiperatléticos e que destruíam defesas correndo ou fazendo jogadas de options foi considerada por muitos um marco no esporte, que estaria caminhando em uma direção que favoreceria esse tipo de jogador. A chegada do read option foi o grande assunto envolvendo Griffin e Kaepernick, e depois que Kap correu para 181 jardas nos playoffs, a internet praticamente explodiu. Durante essa offseason, praticamente todos os times e analistas táticos do esporte se dedicaram a explorar o read option, encontrar maneiras de pará-lo e tudo mais. Em mais de um preview sobre o Washington e principalmente o 49ers, eu li que eles não alcançariam o mesmo sucesso em 2013 porque a NFL estava ficando mais esperta e preparada contra esse tipo de jogada, então não teria mais o efeito surpresa.

O que as pessoas constantemente esquecem é que Griffin e Kaepernick não são apenas extremamente atléticos e excelentes corredores: eles também são passadores extremamente preciso e com braços muito fortes. Eles são capazes de criar estrago nas jogadas de option e de correr para bons ganhos, mas o que faz deles dois dos melhores jovens QBs da NFL é a habilidade de ambos com seus braços. Kap completou 63% de seus passes em 2012 para um NFL-high 8.3 jardas por passe (e isso sem sequer ter treinado UMA vez entre os titulares até assumir o time) e RG3 completou 65.5% dos seus com 8.1 jardas por passe. Por algum motivo, muitas pessoas desconsideraram ambos como apenas corredores, e esqueceram do resto.

Isso esteve bastante evidente essa rodada. Como já dissemos, Harbaugh soltou Kaepernick em cima da secundária do Packers, desmembrando e dissecando essa defesa para 412 jardas, 3 TDs e nenhuma interceptação. 353 de suas jardas vieram em passes de dentro do pocket, e ele completou quase 70% de seus passes na partida, um excelente lembrete para todos que esquecem da capacidade de seu braço direito. Algo me diz que coordenadores defensivos não cometerão esse erro de novo.

O mesmo era válido para Griffin, espetacular tanto como corredor e passador. E enquanto a sua lesão no joelho levantava algumas perguntas sobre como ele iria continuar correndo com a bola - ou mesmo se iria continuar correndo - muitas pessoas perderam a verdadeira questão: o quanto essa lesão vai afetar sua incrível precisão nos passes? Griffin pode continuar com um ótimo QB na NFL se parar de correr, mas não se parar de acertar passes. E ontem isso foi um problema, especialmente no primeiro tempo: RG3 não conseguiu passar a bola quando precisou jogá-la a uma distância maior. Não sou um especialista em mecânica de QB, mas diversas vezes me chamou a atenção a falta de apoio que Griffin colocava na sua perna ou a falta de estabilidade nela durante a pressão (como se Griffin estivesse ansioso por tirá-la logo da grama). Isso pode ser um fator psicológico (medo de uma nova lesão) ou mesmo uma consequência que lhe tirou um pouco da força no apoio, mas foi algo que teve uma consequência visível nos seus passes, sem controle ou sem a firmeza necessária. Claro, pode ter sido uma coisa da primeira semana, muito tempo sem jogar, estava descalibrado, em um dia ruim e tudo mais, é possível. Além disso, Griffin melhorou no segundo tempo e terminou com números decentes, o que sem dúvida é positivo. Mas é uma coisa importante de se monitorar indo para frente, para a temporada 2013 e para a carreira do Rookie of the Year de 2012.

Questões da offseason na abertura da temporada


Tirando Packers e Niners, Ravens vs Broncos era provavelmente um dos jogos mais antecipados da rodada pelos fatores "Maior chance de se encontrarem nos playoffs" e "Nos enfrentamos nos playoffs passados e não gostamos de como terminou". Entre essas duas, outra coisa que eu achei interessante nesse jogo era ver como dois times bons e candidatos ao Super Bowl, mas que entraram na temporada com significativos pontos de interrogação, iriam se comportar em relação a essas falhas enfrentando um bom adversário. Era esperado que elas fossem questões significativas na temporada, e seria interessante ver como isso iria acontecer na primeira rodada. E de fato, o que nós vimos em relação ao ataque do Ravens e a defesa do Broncos foi o que esperávamos ver.

No caso do ataque do Ravens, como eu escrevi no seu preview, a questão era como a equipe iria encarar essa mudança do foco ofensivo, com Joe Flacco assumindo um papel e uma responsabilidade ainda maiores, especialmente sem seu melhor WR de 2012, Anquan Boldin - e posteriormente também Dennis Pitta. As perdas de Boldin e Pitta deixaram Baltimore em uma situação complicada em relação aos seus recebedores, porque foram os dois jogadores de segurança pelo meio do campo durante todo o ano passado, os alvos para quem Flacco olhava quando precisava de uma jogada de segurança ou de alto aproveitamento. Com Boldin em SF e Pitta no departamento médico, o Ravens não possui um jogador para essa função: Ed Dickson não tem o entrosamento e a habilidade para isso, Dallas Clark está velho e não bloqueia nem no twitter, e o melhor WR que sobrou na equipe, Torrey Smith, não tem as características para isso. Smith é um bom jogador, sem dúvida, mas é um jogador de alta velocidade que está no seu melhor quando usado em rotas longas - um tipo de rota que também tira o máximo proveito do braço forte de seu QB. Mas ele não possui o tipo de separação, mãos firmes e força física para dominar o meio do campo como Boldin fazia: usá-lo como um possession WR é ineficiente porque ele não possui as características para executar esse papel e tira o melhor receiver da equipe da sua zona de conforto, mas ao mesmo tempo, o Ravens não tem quem possa fazer essa função. O resultado foi uma zona: quando a equipe conseguiu impor o jogo terrestre, manter a defesa longe de Flacco (mais disso em um segundo), encurtar as descidas e fazer funcionar o jogo de meia distância, o ataque rendeu muito bem e dominou o jogo. Quando a defesa do Broncos apertou e o time começou e enfrentar mais - e mais longas - terceiras descidas, o ataque não teve uma resposta porque não tinha um jogador de confiança para se armar em torno. Não a toa o time terminou apenas 8-22 em terceiras descidas na partida. Então foi um problema já anunciado e que a equipe sentiu na hora de entrar em campo.

A outra incógnita era a defesa do Broncos, que estava jogando sem seus principais jogadores: Von Miller, suspenso, Derek Wolfe e Champ Bailey, machucados. E no começo, foi realmente um desastre: tirando o safety Duke Ihenacho - que foi um monstro o jogo todo - o começo foi desastroso, principalmente porque Denver não conseguiu colocar qualquer tipo de pressão em cima de Joe Flacco. A defesa tentou compensar isso enviando diferentes tipos de blitz, mas mesmo assim não conseguiram chegar no QB, e isso só serviu para tirar ainda mais jogadores da marcação dos passes. Flacco não foi o mesmo QB dos playoffs - eu já tinha avisado - mas foi eficiente quando teve tempo e calma no pocket para castigar a defesa. Isso mudou, principalmente, quando Michael Oher saiu machucado depois de um TD corrido. A saída do RT convidou o Broncos a atacar mais esse lado da linha ofensiva ofensiva, e dessa vez tiveram sucesso: a pressão começou a chegar mais, Flacco teve que ter menos tempo para passar a bola, e ai a falta de bons recebedores no time de Maryland apareceu, colocando o controle do jogo nas mãos do time da casa - e digamos que não atrapalhou Peyton Manning começar a destruir tudo no seu caminho. Mas sem Von Miller e Wolfe, a grande incógnita era justamente a capacidade do time de colocar pressão no QB, e a defesa decepcionou nesse quesito até ver Oher sair machucado. A secundária também foi menos do que eficiente cobrindo os fracos recebedores de Baltimore, então a não ser que Manning decida que vai passar para 7 TDs toda semana, é um problema para esse bom time de Denver.

Em tempo: eu já tinha achado a troca ruim, mas depois de Boldin terminar o dia com 208 jardas, 1 TD e 13 recepções (enquanto os WRs do Ravens totalizaram 15 recepções para 215 jardas e um TD), já podemos oficializar que Boldin por uma escolha de sexta rodada foi a troca mais absurda da temporada?

A revolução será televisionada


Outro ponto de enorme interesse essa rodada era ver como o ataque de Chip Kelly - famoso na NCAA por sua extrema velocidade, altíssimo número de jogadas e características explosivas de maneira geral - iria estrear na NFL com um dos QBs mais dinâmicos da história do jogo e um dos melhores RBs da NFL. E o Eagles não decepcionou: apenas no primeiro tempo de jogo, o Eagles já teve mais jogadas ofensivas do que o Carolina Panthers teve na sua partida inteira contra o Seahawks. O ritmo desse jogo foi realmente uma coisa incrível: toda jogada era imediata, a defesa não tinha tempo de parar, pensar, planejar ou descansar, o ataque era extremamente agressivo - ao ponto que, com uma 4th and 1 na linha de 20 do campo adversário, o ataque simplesmente se montou e executou sua jogada sem hesitar um segundo sequer - e tudo parecia fluir perfeitamente. O jogo chegou a um ponto em que o primeiro quarto acabou - depois de quatro turnovers e muuuita correria - e eu levantei para ir preparar o jantar quando percebi que era só o primeiro quarto, e não o primeiro tempo, que havia terminado. O ritmo alucinante do Eagles claramente pegou o adversário despreparado, e a defesa do Redskins parecia totalmente perdida, sem saber o que fazer ou o que esperar de seu adversário. O primeiro tempo foi não só um massacre, mas um massacre de encher os olhos.

Mas também mostrou o outro lado desse esquema absurdo, que chegou a prejudicar o próprio time. O primeiro que chamou a atenção, ainda no primeiro tempo, foi a falha de comunicação dentro do ataque. Diversas vezes a linha ofensiva se confundiu na hora de determinar seus bloqueios - especialmente em jogadas de passe - e um número um pouco alarmante de vezes Michael Vick viu algum defensor chegando livre na sua fuça. Eu imagino que esse tipo de falha de comunicação seja razoavelmente comum em defesas desse tipo, especialmente para uma equipe que estava fazendo seu primeiro jogo assim (e fora de casa, onde o barulho é bem maior) e cujo QB não é um especialista pré-snap como Tom Brady ou Manning, então não imagino que seja um grande problema. É só algo a se observar. Outro efeito colateral disso foi o cansaço físico de seus jogadores: chegando no segundo tempo, o ataque do Eagles parou de produzir em parte porque cansou e porque seus jogadores não estavam mais acompanhando o ritmo. A defesa ficou mais ligada nas jogadas, entendeu melhor alguns nuances desse esquema novo, mas em grande parte os jogadores simplesmente não tiveram perna para acompanhar 60 minutos desse ritmo. Novamente, foi apenas o primeiro jogo e eles provavelmente vão se acostumar a isso, mas a questão que fica é legítima: em um time com tantos jogadores sujeitos a lesões (Michael Vick, LeSean McCoy, DeSean Jackson, Jason Peters, etc), será que com o tempo isso vai levar a melhor sobre a saúde dos jogadores, ou conseguirão manter o ritmo por 17 rodadas? Fico curioso para ver.

Enquanto isso não acontece, pelo menos, é realmente um jogo totalmente diferente de se contemplar e que parece se encaixar perfeitamente nas peças que Kelly encontrou na sua nova equipe. Não sei se vai dar playoffs, mas o Eagles já lidera nosso "League Pass Power Rankings" para a semana 1.

O que faz uma boa arbitragem?


Nessa rodada, a arbitragem que mais chamou a atenção foi, infelizmente, a de Niners-Packers. E isso aconteceu por um incidente complicado: em uma 3rd and 6 na red zone, o ataque do 49ers não conseguiu um passe e Kaepernick tentou levar ele mesmo para o first down, mas saiu pela linha lateral duas jardas antes. Com Kaepernick fora de campo, Clay Matthews deu um tackle voador no pescoço do QB que ele tinha dito que iria "bater com força" e o derrubou no chão, imediatamente levando a uma falta pessoal de 15 jardas. Alguns jogadores do 49ers correram para defender seu QB, em especial Joe Staley, que segurou Matthews pelos pads enquanto dizia algumas verdades na cara dele. Isso, absurdamente, rendeu também uma falta pessoal a Staley (apesar de que foi Matthews que deu dois socos nele e não o contrário), o que significava que as duas faltas iriam se cancelar e o 49ers iria enfrentar uma 4th and 2. Mas os árbitros erraram na interpretação da regra, e deram a San Francisco outra 3rd and 6, que eles imediatamente converteram em um TD. O 49ers venceu a partida, 34 a 28, e o Packers ficou reclamando desse erro do juiz.

Então foi um duplo erro: o juiz errou ao marcar a falta de Staley que gerou a segunda falta, e ele errou ao declarar que as duas faltas canceladas significariam repetir a descida que originou o TD. Então ainda que o resultado correto - 1st and goal da linha de 3 jardas - provavelmente teria um resultado bem semelhante ao final da jogada (o TD), a questão é que você precisa julgar juizes pelo processo e não pelo resultado, e houve um duplo erro nesse caso que chamou a atenção da NFL.

Então com base nesse erro, a NFL e todo mundo assumiu que foi uma má arbitragem na partida. E eu me pergunto se foi mesmo: eu assisti o jogo e, tirando esse lance, a arbitragem sempre teve controle completo da partida. A nova moda na NFL, especialmente entre recebedores, é que toda vez que um certo jogador não consegue pegar uma determinada bola, ele imediatamente vira para um juiz pedindo uma flag. Isso acontece, é claro, porque as regras que a NFL vem implementando desde o começo da década passada limita demais tudo que a defesa pode fazer para evitar o passe - desde marcar recebedores até derrubar o QB - e hoje em dia praticamente qualquer contato com o WR é marcado como falta. E eu odeio isso, porque futebol americano É um esporte de contato. Claro, você vai achar inúmeras situações na NFL onde um jogador de defesa claramente evita que o recebedor adversário chegue em um passe através de um contato ilegal, e nessas jogadas o pass interference deve ser chamado. O que incomoda são as jogadas de contato natural em um esporte físico que é jogado em alta velocidade e que de repente viraram faltas, o que praticamente faz com que um DB não possa chegar a um metro de um recebedor. E se tem um dado que eu gostei muito em SF-GB foi esse: a arbitragem não marcou NENHUMA interferência. Zero.

Então para mim, isso é em alguns aspectos até mais importante do que um juiz que não cometa um erro tão polêmico, mas que estrague o jogo marcando faltas a toda jogada e perca o controle do jogo. A arbitragem no resto da partida de domingo a tarde foi impecável, e é muito mais fácil corrigir um erro de interpretação de regra como esse do que ensinar um juiz a ter um firme comando do jogo e deixá-lo fluir bem sem perder o controle. As pessoas costumam olhar só as grandes coisas coisas, mas o que torna um jogo bem apitado ou mais assistível são as menores - e de preferencia, as que nem notarmos. Então na hora de definir uma boa ou má arbitragem, não se atenha apenas a um lance ou dois e sim preste atenção em como esses juizes estão conduzindo a partida. Se você não os perceber, é porque fizeram um bom trabalho.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - San Francisco 49ers


Um dos 5 melhores momentos da minha vida


Nessa série de previews já falamos de 28 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South, North e West e das NFC East, South e North. Hoje começamos a falar da NFC West. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

San Francisco 49ers

2012 Record: 11-4-1
Ataque ajustado: 5th
Defesa ajustada: 2nd


Se voltarmos um instante para 2010 para olhar o cenário da NFC West em comparação com o resto da NFL, vamos lembrar de como a divisão era lamentável naquele momento. Não foi a toa que o nome NFC West virou sinônimo de piada na NFL: aquela divisão foi vencida por um Seattle Seahawks com record 7-9, a primeira vez na história da liga que um time vence uma divisão com record negativo E a primeira vez que um time com record negativo sediou um jogo de playoffs. Na verdade, aquele Seattle foi provavelmente o pior time da história do universo a sequer ir para os playoffs: um time 7-9 mas com Pythagorean Expectations de 5-5 vitórias e a terceira tabela mais fácil da NFL, aquele foi na verdade o terceiro PIOR time da liga pela estatística de eficiência ajustada do Football Outsiders, de longe a menor classificação para um time de playoffs desde que o Football Outsiders tem esse dado. Na verdade, para se ter uma noção de quão ruim a NFC West, em termos de eficiência ajustada seus quatro times estavam entre os 9 piores de toda a NFL: Cardinals ficou em último depois da aposentadoria do Kurt Warner; Seattle foi o terceiro pior e ainda ganhou um jogo de playoffs; Rams (que terminou 7-9 e perdeu a vaga para o Seahawks na última rodada) ficou em 27th; e o melhor time da divisão foi um 6-10 Niners que ficou em 24th e que mandou o técnico embora faltando duas rodadas. Foi um ano brutal que solidificou a reputação da NFC West como a piada da liga. Três anos depois, você pode fazer um argumento muito sólido que a divisão possui dois dos três melhores times da NFL e é a mais forte da liga. So... Yeah. As coisas mudaram um pouco desde então.

E essa mudança começou pelo San Francisco 49ers. A verdade é que, depois de perder os playoffs todo ano desde 2002 - sem sequer um 8-8 ou melhor entre esse período - por conta de má gestão, más decisões e basicamente uma franquia bagunçada, o time começou a dar a volta por cima em 2009. Antes da temporada, a franquia passou para Jed York, o filho milionário de 28 anos de John York (o antigo dono) e sobrinho do lendário Eddie DeBartolo (dono da equipe na época de ouro), algo que na época parecia uma bomba relógio com um milionário jovem e imaturo assumindo o comando do time e que acabou virando uma das melhores coisas que aconteceram a equipe em anos recentes (não existe na NFL atualmente três donos de times melhores que York). Aquela foi a melhor temporada do 49ers desde 2002, terminando 8-8 mas com o Pythagorean Expectations de 10-6, a quinta melhor defesa da NFL, o melhor ano da carreira de Alex Smith e uma performance defensiva extremamente dominante contra os atuais campeões da NFC Cardinals (um 24-9 no qual o Niners forçou sete turnovers e engoliu Warner e Larry Fitzgerald) que pareciam indicar uma melhora considerável em 2010 e, quem sabe, uma vaga nos playoffs. 

Não aconteceu. A temporada 2010 foi uma enorme decepção, com Mike Singletary ganhando o cinturão de "pior técnico da NFL" e mudando (para pior) quase toda a comissão técnica da equipe, Troy Smith e Alex Smith praticamente se revezando semanalmente na titularidade (algo péssimo para qualquer time) e tudo que podia dar errado, deu. Singletary foi mandado embora faltando ainda dois jogos para acabar o ano, e a "volta por cima" da equipe acabou em fiasco. Ou pelo menos por mais um ano. Naquela offseason, York e Trent Balkee (GM da equipe) foram buscar Jim Harbaugh em Stanford, e fazer um upgrade do pior técnico da NFL para um dos melhores pagou dividendos: o 49ers pulou de 6-10 para 13-3, transformou Alex Smith de "wow, esse cara foi um dos maiores busts da década" para "ganhei o jogo mais espetacular dos últimos anos faltando 7 segundos contra um ótimo time do Saints nos playoffs", ganhou o jogo mais espetacular dos últimos anos (nenhum jogo na minha vida foi melhor do que Saints-49ers em 2011. Nenhum) e chegou muuuuuuito perto do Super Bowl antes de perder na prorrogação para um excelente time do Giants. Um ano depois, com Colin Kaepernick no lugar de Smith, o 49ers repetiu sua boa campanha e esteve a uma falta não marcada e um erro da arbitragem nos segundos finais do Super Bowl de conseguir seu primeiro título em 18 anos. Então sim, foram dois anos bem diferentes do que os torcedores do 49ers estavam acostumados. Ou seja, divertidos. Mas vamos dar uma olhada mais de perto no que realmente funcionou para o Niners nesses dois últimos anos, e nos pontos importantes olhando para frente.

A reviravolta do 49ers começou na verdade alguns anos antes da chegada de Harbaugh, do lado defensivo da bola. Antes mesmo de Jim transformar Alex Smith em um bom QB titular e do ataque explodir de vez sob a batuta de Kaepernick, a defesa de San Fran já dava mostrar de ser um grupo de elite: A defesa terminou como a quinta melhor de 2009 e nono em 2010 apesar de nenhuma ajuda do ataque (más posições de campo, ataques que não precisavam se apressar e ser previsíveis, etc), e foi isso que deu esperanças para os torcedores. Se o Jets conseguiu chegar em duas finais de conferência com Mark Sanchez porque tinha um bom ataque terrestre e uma excelente defesa, porque não o Niners? Enquanto tivessem essa defesa, era possível (eventualmente foi o que aconteceu em 2011, mas chegaremos lá).

E a questão da defesa do 49ers não é que era apenas uma defesa boa, mas era uma defesa que intimidava. Extremamente física, com bons jogadores dando tackles e uma mentalidade de atingir os adversários com o máximo de força permitida pelas regras, é o tipo de defesa que ninguém gostava de enfrentar sabendo que ia tomar pancada toda vez que tocasse na bola, que sua linha ofensiva ia ser empurrada como um monte de sacos de areia, e que ia passar o jogo todo brigando para conseguir cada jarda. Era uma defesa cujo atrito desgastava qualquer ataque, fisica e psicologicamente, e isso acabou constituindo a identidade que o time quis montar. Não apenas na defesa, mas como um todo: um time mais forte e mais rápido do que qualquer outro, que joga mais fisicamente do que todos os demais.

Nos dois anos depois da chegada de Harbaugh, as coisas não mudaram: a defesa continuou sendo o grande ponto forte da equipe, 3rd em 2011 e 2nd em 2012, e com uma mesma abordagem: uma linha de frente dominante, intransponível contra corridas, e o resto encaixando em volta. A diferença é que, pela primeira vez com um técnico capaz de controlar o ataque e jogar de acordo com as forças e fraquezas de Alex Smith, a defesa começou a se ver numa situação privilegiada: com um ataque que evitava turnovers quase fanaticamente e com um dos melhores punters da NFL em Andy Lee, nenhuma defesa de 2011 viu os adversários começarem suas campanhas com pior posição de campo. A responsabilidade continuava alta, de levar nas costas um ataque eficiente mas pouco produtivo, mas pelo menos agora podia fazer isso com mais tempo, sem precisar enfrentar adversários que tinham o controle do placar e com posições de campo favoráveis. Não a toa a defesa subiu mais um nível, liderou a liga em turnovers forçados e foi a grande força por trás da excelente campanha de 13-3 da equipe. Em 2012, ainda mais do mesmo: os turnovers forçados caíram pois, como já disse aqui algumas vezes, uma temporada em nível muito alto nesse quesito costuma indicar regressão (Olá, Chicago!), mas não importou: ainda foi o segundo melhor grupo de toda a NFL depois do Bears, e mesmo com alguns problemas mais para o final do ano, ainda foi uma potência.

Para 2013, a defesa apresenta algumas questões interessantes: a equipe perdeu seu All-Pro (absurdo, mas enfim) safety Dashon Goldson para Tampa, seu NT Isaac Sopoaga para o Eagles, seu reserva para o Colts, e seu nickel corner Chris Culliver para um ACL. Em particular os dois primeiros deveriam ser sentidos, afinal eram jogadores titulares de alto nível, mas eu me pergunto se seria esse mesmo o caso. Uma vez, meu escritor favorito (Bill Simmons) criou uma Ringo Starr Theory, que diz que você não pode avaliar corretamente role players quando estão jogando com um jogador ou um grupo transcendental que eleva o nível de todo mundo. Parte de mim pergunta se não seria esse o caso com essa defesa do 49ers, especialmente considerando que todos os jogadores titulares desde 2009 que saíram da equipe pioraram consideravelmente em seus novos times: Nate Clemens saiu da equipe em 2010, e agora é um reserva no Bengals; Aubrayo Franklin era considerado o melhor NT da NFL quando saiu do time em 2011, foi para o Saints e nunca mais jogou em alto nível; Takeo Spikes quase foi ao Pro Bowl em 2010, um ano depois mal conseguia ser titular no Chargers e agora está sem time. Você não vai achar um único jogador importante da defesa do Niners que tenha saído no período e tenha tido o mesmo sucesso fora. Fato é que é mil vezes mais fácil se destacar e jogar em alto nível quando você está cercado de franchise players e Pro Bowlers executando diversas funções, forçando o ataque adversário a se ajustar e onde você pode focar em apenas algumas menores funções. Um safety que joga em Miami provavelmente vai ter maior responsabilidade contra o jogo terrestre do que um que joga em San Francisco com os dois melhores MLBs da NFL patrulhando o meio, permitindo que se foque na cobertura e nas interceptações, por exemplo. O mesmo é válido para um NT que tem Justin Smith do lado ocupando quinze bloqueadores, e por ai vai. Por isso eu acho que se preocupar demais com essas perdas é uma besteira, e esse foi o motivo que levou o 49ers a não se preocupar demais com essas perdas. Assim como um dos segredos da defesa do Steelers nos últimos anos foi sua capacidade de saber exatamente o que precisa de seus role players ao redor de um brilhante núcleo, o mesmo vale para o 49ers da atualidade. 

E sim, esse núcleo é brilhante. Eles possuem um dos melhores corpos de linebackers da história recente da NFL (me diga o último time dos últimos 20 anos a possuir três 1st Team All-Pro LBs e um 2nd Team. Você não vai conseguir) e possuem bons playmakers em posições chaves. A chegada de Nnamdi Asomugha (impressionante até aqui, ainda que a preseason não sirva para avaliar jogadores de fato) reforça uma secundária que foi suspeita em alguns momentos mas que conta com bons jogadores e deve ganhar um boost com a chegada do calouro Eric Reid. Mas sinceramente, o fato é que essa defesa consegue fazer de tudo sem ter que mudar de formações ou usar esquemas complexos: a linha de frente do seu esquema 3-4 é destrutiva o suficiente para colocar pressão no QB com pouca ou nenhuma ajuda de blitzes e não precisa de praticamente nenhuma ajuda extra para segurar as corridas adversárias, o que permite aos jogadores da secundária manterem suas funções sem precisar correr para ajudas. A secundária é um pouco mais suspeita, com alguns jogadores irregulares como Donte Whitney e Carlos Rodgers, mas ainda se beneficia enormemente do bom pash rush da equipe e principalmente das terceiras descidas longas que costuma enfrentar, já que os adversários não conseguem encurtá-las com boas corridas. Em um ano que eu (que vi todos os jogos da equipe) achei que a secundária não foi bem, ela ainda foi a 6th melhor ajustada da NFL (em parte por causa do calendário ridiculamente forte, terceiro pior da NFL). É a área de preocupação da equipe, mas enquanto a pressão continuar chegando, essa defesa vai continuar sendo uma força a ser reconhecida. Não tem porque isso mudar em 2013.

O ataque que é o ponto de interesse. No primeiro ano de Jim Harbaugh, o HC tentou estabelecer no 49ers o estilo de jogo que tinha dado certo no Jets nos dois anos anteriores: um time baseado em uma defesa extremamente potente, que forçava muitos turnovers, e um ataque conservador que corria muito com a bola, controlava o relógio, minimizava os erros, ganhava os duelos em termos de posição de campo e protegia seu QB titular. É basicamente um esquema extremamente conservador que tenta vencer a batalha por atrito, contando com sua defesa dominante e seu ataque conservador e eficiente. Apenas o Denver Broncos de Tim Tebow correu mais com a bola do que o Niners em 2011, e nenhum time foi melhor evitando turnovers. Junte a isso uma defesa que forçou mais turnovers que qualquer outra e um dos melhores técnicos da NFL (e a tabela mais fácil da liga) e o Niners terminou o ano 13-3, ganhou um jogo histórico do Saints na primeira rodada e esteve a dois fumbles de special teams de chegar ao Super Bowl. Em 2012, Alex Smith evoluiu muito e o ataque do 49ers estava entre os melhores da liga, embora ainda fosse essencialmente o mesmo ataque correr primeiro, correr segundo e passar depois. Até que Alex Smith se machucou durante uma partida contra o Rams, e Harbaugh colocou Kaepernick de titular.

A decisão de Jim Harbaugh de manter Kaepernick como seu titular e colocar no banco Alex Smith - 4th em QBR, 4th em produtividade por jogo na NFL até aquele ponto - tem que ser uma das mais corajosas dos últimos anos. Você tem um QB perfeitamente confiável, que conhece o playbook, tem funcionado muito bem sob seu comando e que evoluiu em relação ao "game manager" do ano anterior para um jogador que realmente ganhava jogos, e tem que decidir se o mantém ou se arrisca no moleque que ele mesmo chamou de "o melhor jogador do draft" antes do draft de 2011 e que escolheu a dedo para ser o QB do futuro da franquia, um jogador que entrou muito bem enquanto Smith não pode jogar e que parecia dar uma dimensão nova ao ataque do time com sua explosão física e passes profundos. Era uma decisão entre ir no seguro e no que estava dando certo, ou ir na direção mais arriscada e que tinha maior potencial futuro. Não tinha realmente uma decisão certa, era escolher uma e saber que iria responder pelos resultados. Harbaugh escolheu Kaepernick por um simples motivo: o ex-QB de Nevada oferecia a equipe uma chance maior de vencer. Como já insistimos um bilhão de vezes, o resultado de apenas um jogo tem muito de aleatório e é influenciado por diversos fatores, mas dentro deles, Jim acreditava que teria uma chance melhor de vencer com ele do que com Smith. E sabemos que é impossível fazer o jogo do "e se Smith tivesse jogado, teriam chegado ao Super Bowl?" para saber como as coisas seriam em outro cenário, então só posso dar minha opinião pessoal: de forma alguma o 49ers teria vencido um duelo de ataques contra Green Bay sem Kaepernick.

A manutenção de Kaepernick levanta algumas questões interessantes para o futuro da equipe. Se com Smith no comando o esperado era um ataque conservador e ultra-eficiente mas com potencial limitado, com Kaepernick isso muda totalmente de figura. O 49ers ainda tem todos os elementos de um grande ataque terrestre (3rd overall em 2012 com Kaepernick jogando menos de metade dos jogos) em um excelente grupo de RBs (liderado pelo underrated Frank Gore) e uma linha ofensiva de elite que está na conversa para ser a melhor da NFL. Junte a isso um dos melhores QBs correndo com a bola do mundo e que tem experiência jogando no option, e não existe nenhum motivo para acreditar que esse ataque terrestre espetacular do 49ers (terceiro na liga em jardas por corrida, segundo considerando apenas RBs) vá desacelerar em 2013. Na verdade, com aquele jogo de 181 jardas terrestres de Kaepernick queimado no cérebro de cada coordenador defensivo do planeta, o potencial desse ataque terrestre é ainda mais absurdo porque ele agora possui uma arma a mais para manter defesas confusas, então é muito possível (e talvez até provável) que o Niners continue sendo um ataque cuja principal força é o jogo terrestre.

A questão é que Kaepernick adiciona uma nova dimensão no jogo aérea. Se Smith era um QB conservador, Kaepernick é o exato oposto, um quarterback explosivo correndo com a bola que também possui um braço espetacular nos passes, impressionando tanto pela precisão como pela força. Contando apenas sua participação na temporada regular (vale citar que quebrou alguns muitos recordes nos playoffs), Kaepernick terminou a temporada terceiro em QBR, terceiro em produtividade ajustada (por jogo) e teria liderado a liga em jardas por passe se qualificasse para as estatísticas. Então o camisa 7 não é apenas um bom corredor, ele é um excelente passador, e o 49ers esteve muito confortável com ele comandando um ataque mais explosivo em 2012 apesar de não ter tido UMA jogada nos treinos como titular até a lesão de Smith. Mesmo assim o Niners terminou com o quinto melhor ataque aéreo (e geral) da NFL, então eu não consigo imaginar realmente qual será o potencial total desse ataque com uma temporada inteira de Kaepernick depois de uma offseason inteira como titular. Basta dizer que o potencial é muito maior do que com Alex Smith, e eu digo isso com dor no coração porque não existe maior fã do camisa 11 do que eu.

O ataque enfrenta apenas duas dúvidas. A primeira é sobre regressão: sim, Kaepernick foi fantástico em 2012, mas em uma amostra muito pequena. Será que esse é realmente seu nível, ou ele vai sofrer uma regressão enfrentando defesas mais preparadas e em uma amostra maior e mais considerável? É uma dúvida legítima e eu não tenho nenhum tipo de comentário contra ou a favor esse argumento, a única forma de saber é esperar uma amostra maior, mas Colin terá a seu favor o fato de poder contar com um ataque que vai muito além dele para não ser tão exposto logo cedo. Acho que esse é um problema menor, embora a dúvida seja real.

O segundo é mais problemático. O melhor WR da equipe, Michael Crabtree, sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles e deve perder a maior parte da temporada (e não deve jogar 100% até 2014). Depois que Kaepernick assumiu o comando (inclusive playoffs), Crabtree foi o melhor WR da liga não apelidado "Megatron" e seus números projetados para 16 jogos com Kaepernick seriam de 100-1460-15 (recepções, jardas e TDs para quem não entende), que são espetaculares mesmo antes de lembrarmos que a tabela do 49ers nesse período foi particularmente insana em dificuldade. Mas se preferem algo mais prático, o camisa 15 era de longe o melhor WR desse elenco e, embora a chegada de Anquan Boldin vá ajudar consideravelmente a suprir essa carência na posição, ele não é Crabtree e isso deixa a maior fraqueza do time ainda mais problemática. Tirando Boldin, os outros WRs do elenco estão machucados (Crabtree, Mario Manningham), possuem pouca experiência (Quinton Patton) ou ainda precisam se provar na liga (Kyle Williams, Jon Baldwin, Marlon Moore, Lavelle Hawkins), então é um grupo sem nenhum outro recebedor confiável e com uma profundiddade questionável. O 49ers vai tentar compensar isso com um dos melhores TEs da NFL (Vernon Davis) e outro TE interessante no calouro Vance McDonald, mas para um time que contava em dar um salto com seu jogo aéreo, essa questão dos WRs pode ser um limitante importante. Os WRs da equipe na verdade foram muito bem na pré-temporada, mas isso não quer dizer que vá funcionar na temporada regular, são situações totalmente diferentes. Mas pode servir de consolo. Isso não quer dizer que o ataque não vá ser muito forte esse ano, ele ainda deve ser melhor que o bom ataque de 2013, mas limita um pouco o potencial.

E no final, é por isso tudo que o 49ers é um dos melhores e mais perigosos times da NFL. Sua força se baseia em uma excelente defesa E em um ótimo ataque que deve continuar em ascensão com uma temporada inteira de Kaepernick. Seu ataque pode tanto colocar em funcionamento seu excelente jogo terrestre como pode (ou espera-se que possa) vencer adversários pelo ar no volume de ataque. Apesar de algumas mudanças importantes (em especial, perder Goldson) ainda é provavelmente o time mais completo de toda a NFL, e talvez essa seja sua maior força: é um time que pode e possui os jogadores para jogar de qualquer forma ou com ênfase em qualquer estilo, e que tem talvez a melhor comissão técnica da liga para mexer os pauzinhos quando necessário. E no fundo, toda vez que penso que o 49ers possa ficar de fora dos playoffs (e é possível nessa NFC ridiculamente forte), eu lembro de que eles possuem um dos três melhores técnicos da NFL, um cara que ficou duas semanas (as duas últimas da temporada regular) sem usar nenhuma jogada de option ou pistol para tirá-la dos vídeos de estudo de Green Bay e surpreender o Packers nos playoffs (todo mundo viu o resultado), e que tirou do bolso um potencial Franchise QB quando ninguém esperava. O Niners tem uma das melhores defesas da NFL, pode ter um dos melhores ataques da NFL, e um dos três melhores técnicos na NFL. Mesmo com um calendário difícil, não consigo colocar esse time ganhando menos que 11 jogos. É talento demais. O 49ers passou de piada da liga a candidato ao título em dois anos, e não existe nenhum motivo para acreditar que irão parar por ai.

sábado, 19 de novembro de 2011

A volta por cima de Alex Smith


Eu nunca achei que fosse dizer isso, mas poucos QBs
estão jogando melhor que Alex Smith nessa temporada


Eu não preciso relembrar todo mundo do fracasso que foram as primeiras seis temporadas da carreira do Alex Smith, desde que foi Draftado em primeiro no Draft de 2005, 23 posições acima de um cara chamado Aaron Rodgers. Foram anos jogando mal, anos com lesões nos ombros e broncas de técnicos. Anos recebendo grandes expectativas nos ombros e, quando não conseguiu atingí-las, fogo da imprensa, fogo dos técnicos, fogo de jogadores. O fato dele ter sido escolhido na frente de um dos melhores QBs da NFL não ajudou sua causa, todo mundo sente que ele deveria ter sido MELHOR por ter sido escolhido antes. Uma primeira escolha de Draft é uma chance da Franquia recomeçar a reconstruir, ainda mais com um Quarterback, e errar nessa escolha é algo que faz sua franquia retroceder no tempo. O fato de que o 49ers não teve nenhuma temporada relevante desde esse Draft é uma consequência direta do fato de que seu QB, 1st pick overall, nunca correspondeu ao investimento e nunca serviu de pilar para uma reconstrução. Smith foi um "bust" nas suas primeiras temporadas e o time sentiu o peso.

Eu já falei dos fatores que levaram Smith a ser um bust. Assim como Aaron Rodgers, Smith era um QB que saiu do College bastante cru. Mas ao contrário de Rodgers, que foi para um time extremamente bem montado, pra ficar aprendendo tranquilamente no banco por vários anos, com um ótimo técnico e um Hall of Famer te ensinando os fundamentos sem nenhuma pressão até que você estivesse finalmente pronto pra assumir a função, o melhor cenário possível, Smith foi parar no pior possível: Foi para um time extremamente ruim, sem linha ofensiva ou alvos decentes pra ajudar sua vida, entrou de titular desde o primeiro dia mesmo não estando pronto, levou nas costas a pressão de reconstruir a Franquia de Joe Montana e Steve Young, jogava para um técnico muito fraco, nunca teve ninguém que lhe ensinasse a jogar e, como se não bastasse, nunca teve NINGUÉM para lhe treinar e lhe ensinar os fundamentos, seja um outro QB ou um técnico que entendesse do assunto. Ele praticamente teve que entrar e jogar sem desenvolver nenhum tipo de fundamento com a pressão de levar sozinho um time muito fraco pra vitória, e não ajudou o fato de que ele teve seis coordenadores ofensivos diferentes nos seis primeiros anos da sua carreira. Ele nunca teve tempo de parar e aprender um playbook e desenvolver o estilo de um coordenador porque, a cada ano, vinha um novo. Ou seja, toda a conjuntura em volta dele gritava "Fracasso, fracasso!" desde o momento que ele foi draftado. Ele nunca teve a chance de se desenvolver durante os anos mais importantes da sua carreira, nunca teve com quem aprender e não teve ajuda dos companheiros durante muito tempo.

Mas o 49ers conseguiu se reconstruir e montar um bom time mesmo assim. O time achou bons talentos no Draft como Frank Gore, Vernon Davis e Patrick Willis, e em 2009 tinha montado um bom conjunto, com uma defesa muito forte e bons talentos no ataque. A incógnita sempre foi a posição de Quarterback, e naquele ano Smith começou no banco em favor do Shaun Hill. Mas Hill não foi bem, e Smith assumiu a posição na metade do campeonato, tendo uma grande segunda metade e colocando esperanças novamente na torcida de que ele pudesse, enfim, realizar seu potencial. Mas a temporada 2010 começou com Smith de titular e ele não foi bem, sendo mandado para o banco diversas vezes. Ao final da temporada, um Free Agent, todo mundo acreditava que Smith sairia de San Francisco e que o time ficaria aliviado em se livrar desse grande bust.

A história de Smith começou a mudar quando o 49ers contratou o então técnico de Stanford, Jim Harbaugh, que disse que tencionava reassinar com o malfadado QB ao final do lockout. Smith, por sua vez, deixou claro que gostaria de voltar para jogar com Harbaugh, um ex-QB com mentalidade ofensiva. Alex podia nunca ter dado certo como Quarterback, mas uma coisa ele sempre foi: dedicado. Foi para ele que Harbaugh confiou o playbook do time durante um breve intervalo no lockout, e foi ele que se encarregou de organizar treinos entre os jogadores do 49ers, foi ele que ensinou o playbook aos jogadores e, em resumo, foi ele quem tomou controle do grupo nesse lockout. Ao fim do contrato, o esperado, Smith reassinou com o time e foi nomeado o QB titular.

A verdade é que muita gente achava que o 49ers estava louco de continuar apostando no seu famoso bust, mas Harbaugh sabia o que estava fazendo. Desde que Smith chegou na NFL, ele foi o ÚNICO que desenvolveu um novo playbook que usasse ao máximo os pontos fracos do seu QB e minimizasse seus defeitos. O 49ers começou a temporada com o padrão que seu novo técnico queria implementar: Um time que ganhasse com uma forte defesa que gera turnovers e com boas posições de campo por causa dessa defesa e dos seus especialistas. No ataque, correr muito com a bola e evitar turnovers. Um time feito rpa ganhar de um a zero com gol de pênalti, mas que ganhava. E Alex Smith de repente se viu em um novo ataque, que não exigia que ele controlasse a bola, fizesse grandes lançamentos e produzisse em grande escala, apenas que cuidasse bem da bola, evitasse turnovers, controlasse o ataque do huddle e eventualmente fizesse alguns passes fáceis.

Mas não foi só isso. Desde o primeiro jogo uma coisa chamou a minha atenção. Smith estava jogando diferente. Estava segurando melhor a bola quando corria (sofria muitos fumbles quando sofria o sack). Ele estava plantando os dois pés pra jogar, ao invés de passar só apoiando o de trás. Estava se deslocando do pocket com os olhos na secundária. Ou seja, ele tinha melhorado em fundamentos, o que ele não tinha quando entrou na Liga e que nunca teve quem o ensinasse. Mas agora lá estava ele, usando todos esses fundamentos pra implementar o ataque do Jim Harbaugh. Essa foi a primeira diferença pro Smith ao ter um ex-QB como técnico: Ele teve alguém pra lhe ensinar o básico, ensinar fundamentos, passar experiência. Era a primeira vez que ele tinha isso na carreira, e ele conseguiu usar isso pra evoluir seu jogo nos básicos.

Aliás, um erro comum as vezes acontece em achar que a tarefa de um QB é só lançar a bola. Exige muito mais que isso, exige liderança, controle do grupo e confiança. Muita gente fala que Smith só começou a evoluir com Harbaugh, mas a verdade é que pra mim um jogador que mesmo sem contrato chama seus companheiros, organiza treinos, ensina o playbook e é o responsável por manter o time unido está mostrando uma enorme liderança e maturidade. Muito do sucesso do 49ers se deve ao entrosamento e ao fato do grupo estar extremamente unido, entre si e em torno do seu técnico, e muito disso se deve ao jogador que foi lá durante o lockout e manteve todo mundo junto e treinando. Essa é a mentalidade do Jim Harbaugh, mas enquanto estavamos no lockout, quem passou essa mensagem foi Alex Smith. Desde o começo isso foi fundamental para o sucesso do time e foi consequencia direta da liderança e iniciativa de Smith. Por isso todo o time confiava nele mesmo com seus problemas dentro de campo. Ele tinha o grupo na mão, o que facilitou em muito o trabalho do Harbaugh, e serviu pra aumentar o nível de confiança entre os dois.

O 49ers então ficou com o rótulo de um time que joga pelo chão, explorando sua defesa e seu jogo de especialistas e cujo QB só tem como tarefa manejar o ataque, chamar jogadas e evitar turnovers, nunca produzir em escala. Foi aí que o Alex Smith recebeu o rótulo ser um "Game manager", ou alguém que só "gerencia" o jogo, ao invés de ser um Quarterback, já que ele não jogava como os outros QBs - isso é, produzindo, lançando e conseguindo 300 jardas e 3 TDs nessa era que é a mais convidativa a passes desde a criação da NFL - e sim apenas sendo cauteloso e, em outras palavras, "não perdendo" a partida através de turnovers ou más decisões. Muita gente disse que Harbaugh estava "escondendo" Smith dentro do ataque pra evitar que ele colocasse tudo a perder. Outras disseram (e com essas eu concordava) que o Niners era um bom time mas que não iria longe nos playoffs porque eventualmente iria enfrentar uma situação onde teria que colocar a bola no ar (Seja porque a defesa parou Frank Gore, ou porque o time está atrás no placar e precisa pontuar em quantidade), e então ele iria depender que o plano de jogo passasse por Alex Smith com mais frequencia, e aí o time abandonaria o estilo de jogo que estava confortável e a equipe não aguentaria. Mesmo que eu achasse que "Game manager" era muito pouco pro que o Smith fazia e representava na equipe, eu também achava que o papel dele era limitado e que quando o ataque precisasse passar por ele, ele não iria produzir.

Até que chegou a semana 10 e o jogo contra o New York Giants, um time com o melhor pass rush da Liga e uma forte defesa terrestre. Todo mundo sabia que o Giants iria vir com um plano de jogo para a defesa: Colocar 8 homens na frente para parar Frank Gore. Pra piorar, Gore estava com uma lesão no joelho antes do jogo e, embora fosse liberado para jogar, estava claramente incomodado pela lesão. E quando o Niners pegou a bola atrás no placar 3-0, o que nós vimos não foi um Frank Gore baleado correndo em toda jogada, e sim um Alex Smith lançando a bola em virtualmente todas as jogadas!! E não só lançando a bola, mas lançando bem e com confiança mesmo tendo que conseguir os first downs sozinho pela falta de jogo terrestre que encurtasse as conversões. Depois de três séries ofensivas, não tinha mais como se enganar. O plano ofensivo do 49ers era jogar com o Alex Smith o tempo todo! Simplesmente o técnico Harbaugh confiou no seu QB pra ser o centro do ataque em um confronto onde o jogo aéreo era mais importante que o terrestre, mostrando a mesma confiança que mostrou desde o começo do ano que seu QB fizesse a coisa certa para ajudar o seu time a vencer. E Smith jogou muito bem, completou 19 de 30 passes pra 224 jardas, 1 TD e uma interceptação, e essa interceptação foi num passe perfeito que Ted Ginn não segurou, bateu no seu capacete e subiu pra fácil interceptação do Corey Webster numa jogada que deveria ter sido de 10 jardas e que colocaria o Niners na beira da End Zone. Ele controlou o jogo, levou seu ataque a pontuar bastante contra uma ótima defesa e teve um excelente jogo no seu primeiro grande teste levando esse ataque por conta própria.

Estão vendo o erro no raciocínio de todos nós? O plano de jogo do Harbaugh  não é de simplesmente correr com a bola e esconder o seu QB. O plano de jogo dele é de jogar da forma que o time tenha mais chance de sucesso! Se isso significa correr com a bola 40 vezes por jogo e cuidar bem da bola pelo ar pra maximizar suas chances no ataque, que seja. Se for necessário passar a bola e correr só 10 vezes, então é isso que o time vai fazer pra vencer! Não são só os jogadores que tem plena confiança na decisão do seu técnico, é o seu técnico que tem total confiança nos seus jogadores, que eles vão corresponder ao que foi planejado anteriormente. Nas primeiras semanas, a melhor chance do time vencer vinha do jogo terrestre e do QB segurando pouco a bola. Mas quando o time enfrentou um adversário preparado pra parar o jogo terrestre, ele não hesitou um segundo sequer em colocar a bola nas mãos do Alex Smith pra que ele ganhasse o jogo e liderasse o time à vitória. E foi exatamente o que ele fez numa ótima partida contra talvez o melhor pass rush da Liga. O 49ers marcou 27 pontos e saiu com a vitória liderados por ele.

Essa vitória também serviu pra derrubar de uma vez por todas o rótulo de "Game manager" que deram para o Smith. Essa atuação, que provavelmente foi a melhor dele na temporada contra um adversário tão difícil, ele mostrou que não está lá só pra jogar fácil, e que tem total capacidade de tomar controle do ataque quando for a melhor coisa a fazer. Se ele foi o melhor QB na partida? Não, Eli Manning fez alguns arremessos que ele dificilmente conseguiria igualar. Ele provavelmente nunca vai justificar ter sido uma 1st overall pick e muito menos ter sido escolhido na frente do Aaron Rodgers. Mas o que ele provou pra todo mundo de uma vez por todas nesse jogo difícil e muito importante, com seu melhor jogador ofensivo machucado, foi que o 49ers não está ganhando jogos apesar de Smith, e sim ganhando jogos com ele. Mostrou que não é que o time não tenha confiança na sua capacidade, e sim que o time estava jogando jogos onde ele não precisou aparecer. Mas o time precisou dele e ele retribuiu em alto nível. Você consegue achar vários QBs que estão produzindo mais que ele na temporada, mas vai achar poucos que tem sido tão eficientes e que estão contribuindo tanto com o sucesso do time através de decisões inteligentes e controle. Porque na verdade, o 49ers não precisa de um QB que produza, e sim de um QB que possa vencer jogos da maneira que seu time exija. Seja tomando o ataque nas mãos e produzindo, seja aceitando ficar em segundo plano por oito semanas. No fundo, essa é a maior qualidade de Smith, ele sabe o que ele precisa fazer pro time vencer e está disposto a fazer qualquer coisa por isso. Ele não precisa lançar a bola 30 vezes todo jogo desde que seu time continua ganhando. Essa mesma humildade e determinação que ele mostrou quando reuniu seus companheiros para treinar na offseason, que assumiu ao treinar desde o básico com Harbaugh e  em ensinar ao QB calouro Colin Kaepernick o que ele aprendeu mesmo que um dia ele venha a tirar sua vaga de titular. Era isso que Harbaugh esperava do seu Quarterback, e é isso que Smith tem dado ao time.

Se ele é um QB capaz de levar o 49ers ao Super Bowl, eu não sei. Se ele é um QB de elite na Liga, provavelmente não. O que eu sei é que ele é um QB que mesmo tendo sido declarado um bust, sofrido todo o tipo de pressão da imprensa e dos torcedores e passado por péssimos momentos na carreira, ele nunca parou de treinar, de buscar evoluir e de buscar a vitória. Essa determinação que fez ele voltar ao 49ers e que fez ele cair nas graças do novo técnico. E depois de tantos anos com uma conjuntura extremamente desfavorável, ele finalmente caiu na conjuntura certa, com um ex-QB que possa lhe ensinar o básico e ajudar a evoluir seu jogo, em um time cheio de outras armas e que não precisa que ele seja genial todo santo jogo. E ele tem sido um excelente jogador pro time, ajudado o time a vencer 8-1. De uma vez por todas, ele deixou de ser um bust pro 49ers e se tornou um ativo para o time, porque muito do sucesso do 49ers nessa temporada vem dele, seja pelo que ele fez durante a offseason, seja pelo que ele tem feito dentro de campo. Ainda não sabemos até onde esse time pode ir, mas a verdade é que depois da semana 10 sabemos que esse time pode ir mais longe do que imaginávamos, porque Alex Smith pode ir mais longe do que imaginávamos. No final, ele acabou se tornando um bust entre os busts e, enfim, achou seu lugar na Liga. Se Tim Tebow nos ensinou uma lição nessa temporada é que competitividade e determinação podem ganhar jogos. E essa é a qualidade que o 49ers tem mais do que qualquer outro time na Liga. Começando pelo seu QB que nunca desistiu e que conseguiu dar a volta por cima. E está levando seu time com ele.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pensamentos rápidos da semana 6 da NFL

Já que nosso post de pensamentos rápidos foi aprovado pela maioria dos leitores que respondeu à "enquete" no twitter (Ainda aceitamos votos!), voltamos com ele pra semana 6 da NFL. O post realmente impotante e profundo vai ficar pra amanhã, mas ele virá, não se preocupem. Enquanto isso, fiquem com as rapidinhas da semana seis da NFL.


Chris Cooley já está se preparando para a "Era John Beck"

 
Carolina Panthers 17 at 34 Atlanta Falcons
O Falcons conseguiu sair do buraco com uma convincente vitória sobre o Panthers, que pela primeira vez viu Cam Newton tendo um jogo péssimo, não passando para nenhum TD (Correu para um) e sofrendo três interceptações. Aliás, engraçado reparar que por mais que o Cam Newton esteja sendo um calouro sensação, jogando muito bem e fazendo todo mundo pensar "Porque eu não draftei ele no meu time de fantasy?", o Panthers não consegue traduzir isso em vitórias. O jogo terrestre ainda não se encontrou e a defesa está sem seu melhor jogador no MLB Jon Beason, mas o Panthers também tem que contar com o fato de que parte de suas derrotas se devem a jogadas ruins do seu QB. Na verdade, o Panthers conseguiu o que queria: Um Franchise QB (Talento ele tem de sobra, vamos ver se desenvolve), que ainda precisa amadurecer e pegar experiência. Quanto pior o time for agora, melhor será a escolha no próximo Draft. Os maus resultados virão, mas o Panthers não tem que se preocupar com isso por enquanto, ele conseguiu o que queria.

Já o Falcons ganhou de um adversário fraco, em casa, o que não é muita coisa. Se não fosse a lesão do Michael Vick na semana dois, o Falcons estaria 2-4, que nem de longe é um record respeitável, mesmo com um calendário relativamente difícil. A secundária do Falcons (que foi bem) ainda é horrível e o ataque não achou seu ritmo. 



Indianapolis Colts 17 at 27 Cincinnati Bengals
O Bengals foi um time que fez tudo errado (Pegou um QB no desespero mesmo sem a estrutura adequada), mas conseguiu se colocar de volta nos trilhos porque sempre existe um desesperado na NFL, que lhe paga possivelmente duas escolhas de primeira rodada (!!!) por um Quarterback que não estava nem no seu elenco. Agradeçam ao Raiders, torcedores do Bengals (E agradeçam aos céus pela mudança de ideia do Mike Brown. Manter o Carson Palmer na aposentadoria era mais satisfatório porque o QB deu as costas ao time, mas ele não valia nada para o time lá, extremamente mais proveitoso trocar o cara por ativos para seu futuro. Mesmo que não aparecesse um idiota como o Raiders oferecendo duas escolhas de primeira rodada, o time deveria trocar ele ainda esse ano pela melhor oferta disponível - tinham várias - antes que o valor dele caisse a zero).



San Francisco 49ers 25 at 17 Detroit Lions
A briga no final da partida entre o técnico Jim Harbaugh do 49ers e o técnico Jim Schwartz do Lions acabou desviando as atenções do que foi uma excelente vitória para o Niners. Em um jogo contra um time reconhecidamente forte e com um ataque explosivo, jogando ainda fora de casa num Dome extremamente barulhento e difícil de jogar (ainda mais com um time imaturo e cheio de jogadoers inexperiêntes), o 49ers saiu com uma apertada vitória graças à sua defesa, que desmontou completamente o poderoso ataque do Lions. O time cometeu 15 faltas, sua linha ofensiva (com seu melhor jogador machucado) foi completamente dominada pela linha ofensiva do Lions e Alex Smith não jogou bem, mas mesmo com todos esses problemas o time ainda saiu com sua terceira vitória de virada fora de casa na temporada. Se o time - com muito espaço para evoluir e sem seu segundo melhor Wide Receiver - consegue vencer um time tão forte num estádio tão difícil sem jogar seu melhor jogo, é porque esse time é pra valer. Uma pena que a briga entre os técnicos tenha desviado a atenção desse fato.

Aliás, eu não consigo deixar de comparar essa briga com a briga que aconteceu no jogo 6 das Finais da NBA. Não porque foram parecidas (não foram), mas sim porque os comentaristas da ESPN (Americana e brasileira) transmitiram e comentaram as brigas trezentas vezes e não conseguiram identificar porque elas começaram (Para quem não lembra, o DeShawn Stevenson e o Udonis Haslem brigaram depois que o Haslem fez um sinal de três pontos com a mão depois de uma bola de três e trombou de propósito no Stevenson, mas ele fez isso porque antes o Stevenson acertou uma bola de três pra fazer 40-28 pro Mavs e fez esse sinal de três pontos com a mão na frente do banco do Heat. Quando o Heat virou o jogo com uma bola de três, Haslem fez o mesmo, cortando o Stevenson e indo até o banco do Dallas). O problema não foi o aperto de mão forte ou o tapa nas costas, e sim porque o Schwartz (Que passou o jogo todo xingando e provocando Harbaugh, apesar de ninguém comentar esse fato) ficou puto porque o Harbaugh saiu pulando e comemorando quando conseguiu a vitória como o Jim Schwartz sempre faz quando ganha. Schwartz sempre sai pulando e comemorando feito um maluco quando seu time consegue a vitória, e ficou bravo porque outro técnico fez a mesma coisa quando ganhou do time dele.

A comemoração do Harbaugh foi exagerada? Sim, um pouco, mas NADA justifica a reação do Schwartz. Ele estava frustrado porque seu time perdeu, mas mesmo se Harbaugh tivesse xingado até a 15ª geração da mãe dele, nada justificaria. O próprio Schwartz vive provocando os adversários que estão perto da lateral, porque quando alguém o provoca ele sai querendo briga e falando em "quebra de protocolo"? Por favor... Intensidade é uma coisa importante, que Schwartz trouxe para os mornos Lions quando chegou. Mas descontrole é outra totalmente diferente, e que pode ter impactos muito desastrosos em times jovens como o do Lions (Antes que alguém negue, eu acompanhei 16 rodadas de Mike Singletary, eu sei do que eu estou falando).



Saint Louis Rams 3 at 24 Green Bay Packers
Alguém realmente esperava um resultado diferente? Se o Packers perdesse esse jogo merecia ser eliminado dos playoffs mesmo terminando 15-1 (Eu ainda defendo a existência de uma regra que diz que nenhum time que perdeu pro pior time da Liga pode ir aos playoffs).

Mas o Rams vai ganhar o reforço do Brandon Lloyd (que foi trocado por uma escolha de 5ª rodada pelo Broncos. Excelente estratégia por parte do Broncos, dar o comando do ataque a um QB com pouca experiência em uma situação de extrema pressão e trocar o seu melhor alvo por absolutamente nada. Alguns times merecem passar mais 40 anos sem títulos...) pras próximas rodadas, o que vai ser ótimo pro Sam Bradford continuar se desenvolvendo, mas os problemas do Rams são muito mais profundos do que isso - a defesa e a linha ofensiva, pra começar. Mas já é um bom começo, até porque veio de graça.


Buffalo Bills 24 at 27 New York Giants
O Giants é um bom time extremamente desfalcado. O Bills é um bom time em desenvolvimento, jogando sem seu melhor defensor (Kyle Williams). Foi um dos jogos mais interessantes da rodada, que evidenciou a fragilidade da defesa do Giants (dois TDs de mais de 60 jardas), mas como o Giants soube explorar a ausência do Williams e anotar TDs com o Ahmad Bradshaw a torto e a direito... O Bills tem uma defesa agressiva e que sabe forçar turnovers e um ataque explosivo, mas o time ainda sofre bastante de instabilidade e não tem uma defesa de contenção forte. É um time que tem chances concretas de playoffs, mas que ainda não é um time para incomodar os grandes. Já o Giants está de mansinho, quietinho, chegando ao topo de uma divisão que está muito abaixo das expectativas... Se você usar o argumento certo (Por exemplo que o 49ers de 2011 é melhor do que qualquer time da divisão), você pode argumentar que ela é a pior divisão da NFC (Embora o nível ridículo dos outros três times da West dificulte demais que essa discussão se prolongue de forma lógica e racional).


Jacksonville Jaguars 13 at Pittsburgh Steelers
LaMarr Woodley voltou. Os Steelers sentiram a sua falta. Mantenho a minha tese de que o Steelers é um time extremamente assustador que está tendo um começo lento e com problemas pontuais, que pode explodir se chegar nos playoffs, especialmente se continuar desenvolvendo o jogo terrestre (E também a tese de que o Jaguars está muito mal e é candidato ao Andrew Luck. David Garrard está sorrindo).


Philadelphia Eagles 20 at 13 Washington Redskins
Eu avisei a todos vocês sábado: Nunca apostem contra Rex Grossman numa disputa de turnovers. Foram quatro interceptações do ex-QB do Bears, sendo que o Safety Kurt Coleman recebeu mais passes dele do que qualquer jogador do Redskins. O Eagles mostrou uma nítida evolução defensiva (especialmente na defesa terrestre) e evitou seus turnovers. Tirando aquela patética interceptação do Vince Young, mas a gente releva. 

O Eagles respira na NFC East - com dificuldade, mas respira. Já o Redskins ganhou um problema quando Grossman foi para o banco para a entrada de John Beck. Releia essa frase e tente NÃO sentir pena do Redskins. Grossman não vinha jogando mal (também não estava jogando bem), mas porque ele pouco precisou fazer. Ele se descontrolou muito fácil e mostrou sua antiga falta de precisão. E acreditem, o Beck não vai resolver nada. O Redskins acabou de dar cinquenta passos para trás na busca pelos playoffs. Eu já disse e repito, se você está tendo que escolher entre Beck e Grossman, você está condenado de qualquer jeito. Sorte que a defesa é muito boa e todos os times da divisão estão com problemas.


Houston Texans 14 at 29 Baltimore Ravens
O Ravens não está chamando a atenção - tirando a primeira semana, o time não teve grandes vitórias ou atuações exuberantes. No entanto, o time está bastante sólido (especialmente a defesa) e teria vencido esse jogo mesmo sem anotar touchdowns (Foram cinco Field Goals). Joe Flacco passou pra 300 jardas, Ray Rice correu para 100 e o time limitou Arian Foster a 50 jardas em 14 carregadas (Com as mesmas 14 carregadas o Frank Gore teve 140 jardas, por exemplo). Tudo bem que o Texans é um queijo suiço com tantos desfalques importantes, mas o Ravens está conseguindo se impor nos seus jogos, o que é muito importante. Se eu fosse fazer um Power Rankings hoje, o Ravens estaria em terceiro. Não por brilhantismo, mas por eficiência.

Já o Texans - um time forte e com chances de ser competitivo se não fossem as lesões - só pode sentar e chorar. A volta de Andre Johnson deve impulsionar o time para brigar com o Titans pelo título da divisão, mas o teto do time está comprometido pela falta do Mario Williams. É horrível ter um time competitivo e saber que você vai ter um ano jogado fora por lesões, mas é o que acontece aqui. Mesmo assim, ir aos playoffs pela primeira vez já seria uma vitória para a franquia caçula da NFL.


Cleveland Brown 17 at 24 Oakland Raiders
Esse jogo vai ficar sem comentário por um bom motivo: Amanhã teremos um post inteiro dedicado ao Raiders. 

Aliás, temos dois comentários sobre o Browns: Primeiro, o corpo de recebedores é uma droga. Segundo, a maldição do Madden continua viva por mais um ano. Vamos ao próximo.


Dallas Cowboys 16 at 20 New England Patriots
Um dos jogos mais interessantes no papel acabou sendo um dos mais interessantes (e feios) da rodada. Ao contrário do que eu esperava, não foi um jogo de ataques. Na verdade, os ataques foram muito mal. Foi um jogo de defesas. Os ataques erraram demais desde o começo, e as defesas aproveitaram. O Cowboys cometeu dois turnovers e o Patriots cometeu quatro turnovers, sendo duas interceptações do Tom Brady, que não se sentiu confortável nos primeiros 57 minutos de partida e foi muito atrapalhado pela defesa de Dallas. Por outro lado, a defesa do Patriots, que vinha jogando muito mal, fez um ótimo trabalho e manteve o Patriots no placar apertado apesar dos erros do ataque.

O Dallas chego aos minutos finais da partida com a vantagem no placar, mas o jogo foi decidido por um simples fator: Um time tinha Tony Romo, e o outro Tom Brady. Com a bola em boa posição e a vantagem no placar com pouco mais de três minutos no relógio, o Dallas não teve confiança em Romo - chamou duas jogadas de corrida seguidas, que renderam -3 jardas, e depois de uma false start outra corrida pra devolver a bola pro Tom Brady com mais de dois minutos no relógio. E ele, depois de ter tido um jogo muito fraco, chamou todas as jogadas e conduziu uma excelente campanha que acabou com um passe maravilhoso para o TD da vitória. Eis a diferença entre Tom Brady e Tony Romo: Em um deles, você pode confiar em situações difíceis. No outro, não.


New Orleans Saints 20 vs 26 Tampa Bay Buccaneers
Semana passada, depois do meu Niners enfiar 48 a 3 no Tampa Bay em casa, eu propus algumas perguntas para uns amigos, e uma delas era se o 49ers era um time pra valer na NFC. Eu não me surpreendi que a resposta da maioria foi "não", mas o que me chamou a atenção foi que a principal justificativa foi "eles não venceram nenhum time bom ".

É incrível como as pessoas esquecem que o Tampa Bay Bucs É um time bom. Eles foram dominados por um time melhor e fora de casa, mas isso não quer dizer que o time seja ruim. O time é extremamente jovem e inconsistente, então é normal alguns deslizes. Além disso, o time ainda é muito imaturo e, depois de um começo dominante do 49ers, o time se descontrolou e afundou cada vez mais contra um time que não estava disposto a pegar leve com eles. Então de certa forma essa vitória sobre o Saints nos lembrou de como o Bucs é um time perigoso, especialmente quando o nosso querido JAAAAAAAAAAASH FREEMAN está calibrado. Ele jogou muito bem, conduziu boas campanhas e judiou da secundária do Saints, mesmo sem a ajuda do ótimo LeGarrett Blount. A defesa também foi muito bem e interceptou três vezes Drew Bress (Um problema para o Saints, são oito em seis jogos), inclusive no final do jogo, quando JAAAAASH FREEMAN mostrou que tem culhões pra conseguir duas primeiras descidas e matar o jogo. Quem sabe agora as pessoas lembram que o Bucs é sim um time forte. O Saints vai lembrar...


Minnesota Vikings 10 at 39 Chicago Bears
Alguns times tem o dom de fazer os adversários parecerem melhores. O Cardinals fez isso com o Vikings semana passada, e agora o Vikings passou isso adiante para o Bears. O Bears pareceu um time completíssimo nessa partida: A linha ofensiva foi muito bem, a secundária não deu espaços e o Jay Cutler pareceu imparável. O Celo chegou a me mandar uma mensagem falando que o Bears ia brigar pelo título da divisão! Nunca subestimem o poder de um time solidário. E por falar em times solidários que fazem seus adversários parecerem bons...


Miami Dolphins 6 at 24 New York Jets
Matt Moore, fora de casa, num Monday Night. Tudo que vocês precisam saber sobre esse jogo. Uma boa noite e até amanhã.