Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Como avaliar um Draft na NFL

Trent Balkee dizendo: "Come at me bro!!". Só porque ele pode.

Esclarecimento: Essa é uma coluna que eu escrevi um ano atrás, depois do Draft de 2013. Estou repostando a dita cuja aqui simplesmente porque cada palavra dela ainda é extremamente relevante, e trata de um assunto que é sempre muito importante e muito esquecido no pós-Draft, quando todo mundo corre para dar notas e fazer avaliações apressadas.

A coluna original terminava com alguns exemplos dos times que eu achei que tinham se dado bem ou mal no Draft seguindo esses critérios. Eu tirei isso dessa coluna porque dessa vez pretendo escrever uma coluna inteira (na verdade duas, NFC e AFC) separada sobre o assunto, de preferência ainda essa semana.

Se vocês querem ler meu Running Diary do Draft 2014, com todas minhas reações e opiniões pessoais em tempo real, é só clicar aqui. Eu recomendo, está muito bom.

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É muito comum, depois de um Draft (especialmente o da NFL), aparecerem posts falando sobre quem ganhou e quem perdeu o Draft. A premissa é simples: Olhando o talento dos jogadores que foram Draftados, quem "ganhou" foi o time que mais pegou grandes jogadores que vão causar impacto e dominar a NFL, e quem "perdeu" foi o time que usou suas escolhas pra pegar jogadors piores que não vão render. O problema lógico com essa abordagem é simples: Ninguém sabe, dias depois do Draft, quais jogadores vão dar certo e quais não vão. Só podemos usar esse tipo de visão alguns anos depois do Draft em questão, depois de ver os jogadores em seus clubes e o tipo de impacto que tiveram. Por exemplo, se alguém fosse fazer uma história do tipo depois do Draft da NFL de 2000, o Patriots provavelmente não seria citado ou seria citado como um dos "perdedores": Não tendo uma 1st round pick (enviada para o Jets como "compensação" por lhes tirar o técnico, Bill Belichick, no meio do seu contrato), o Pats usou escolhas de segunda e terceira rodada em jogadores duvidosos e não pegaram nenhum daqueles jogadores que eram considerados possiveis "steals". Hoje? Eles foram os grandes vencedores daquele Draft por saírem com Tom Brady da sexta rodada do Draft! E ninguém tinha como saber isso.

Isso acontece por causa de um grande problema quando se trata de esportes: Muitas pessoas preferem julgar as coisas pelo resultado do que pelo processo. Ao invés de avaliar todo o processo, que diz muito mais sobre uma pessoa ou uma ideia, elas preferem decidir se esse processo foi bom ou não com base apenas em ter funcionado no final ou não.

Meu exemplo favorito, é claro, são os Oakland Athletics da era "Moneyball". Para quem perdeu o filme e o livro (heresia!), o Athletics era o time mais pobre da MLB no começo dos anos 2000 mas, usando estatísticas avançadas e contrariando o senso comum (algo ignorado pelos outros 29 times na época), sempre conseguiam ter um dos melhores records da Liga mesmo com a menor folha salarial. Só que como o A's nunca foi campeão, toda a mídia descartava o método de Billy Beane como sendo um fracassado que nunca levaria um time ao sucesso. E dai que esse método tinha feito do Athletics, todo santo ano, o melhor time da Liga por 162 jogos mesmo perdendo seus melhores jogadores todo ano e montando o elenco com jogadores que todos os outros times descartavam? O resultado final - a derrota nos playoffs, em series de cinco jogos onde a variância estatística é absurda - só provava que o método era falho. Alguns anos depois, Theo Epstein remontou o Red Sox com esses mesmos princípios do Athletics e levou o time ao título de 2004... E ai de repente todo o método rejeitado anteriormente passou a ser visto como um sucesso, todos os times adotaram o modelo, e o Red Sox passou a ser visto como o time que tinha feito isso funcionar, embora fosse exatamente o mesmo metodo que levava os A's aos playoffs todo ano.

O problema do Draft é exatamente esse: Todo mundo quer julgar o Draft com base nos resultados, mas ninguém tem como saber exatamente qual vai ser esse resultado, então todo mundo tenta projetá-lo  com base em palpites e suas avaliaçōes anteriores ao Draft, o que é um absurdo porque cada caso é um caso, e o impacto que um time tem sobre um calouro é diferente em cada situação. Não é apenas sobre talento e instrumental: Depende de como o jogador se encaixa em um certo estilo, como uma comissão técnica consegue desenvolver um jogador, como sua personalidade se adapta ao elenco, as oportunidades que ele terá para crescer... É uma infinidade de variáveis que torna isso tão dificil de prever. Então sim, daqui a cinco anos podemos sentar e discutir quem acabou se saindo melhor desse Draft e quem acabou quebrando a cara. Mas agora, dias depois do Draft, a unica coisa que podemos fazer é avaliar o processo pelo qual esses times acabaram com esses jogadores.

Então se você espera que eu diga quais times saíram com jogadores melhores aqui, lamento decepcionar. Se quer meus pensamentos sobre cada jogador e as decisōes dos times em draftá-los, então leia meu Running Diary da primeira rodada do Draft. Lá eu dei meus palpites, disse como cada jogador faz sentido naquela escolha e tudo mais, critiquei alguns por algumas escolhas que eu achei equivocadas, e pronto.

O objetivo desse post  é outro: Explicar quais são as formas de se avaliar o "processo" de um time no Draft, e como um time se coloca numa posição de sucesso. O resultado aqui é basicamente irrelevante, e vamos focar muito menos no "talento" dos jogadores, uma coisa extremamente subjetiva. Por exemplo, eu acho que o Cardinals errou ao Draftar Deone Bucannon na frente de Jimmy Ward, os dois jogam na mesma posição e eu acho Ward simplesmente melhor. Mas essa é apenas uma questão de avaliação, de tentar prever o resultado antes dele acontecer. Então podem ficar tranquilos, NYJ fans, vocês não vão ver o Jets entre os "perdedores" aqui.

Mas bem, vamos a isto: Quais são as formas de se avaliar o processo de um time no dia do Draft?


1. Como o time lidou com o valor de suas escolhas de Draft?

A primeira e mais importante faceta do Draft envolve uma palavra apenas: "Valor". Pense numa escolha de Draft como um ativo. Ela te dá direito a escolher um jogador entre um grupo de jogadores, e quanto antes você escolher, maior será a chance de escolher o cara que é avaliado como o melhor, ou mais valioso. Portanto, a forma como voce usa essas escolhas pra adquirir esse talento faz toda a diferença. O que eu estou falando nao é que você tem sempre que usar suas escolhas pra adquirir o jogador mais valioso disponível, essa é apenas uma abordagem possível e a abordagem depende do caso em questão (já chegaremos lá). O que eu estou falando é que, quando você está no Draft, você tem que maximizar o valor das suas escolhas quando está decidindo o que fazer com cada escolha, seja trocar ou escolher um jogador. 

Pense na seguinte situação. Voltemos ao Draft de 2000, quando Tom Brady entrou na NFL. Brady era avaliado pela Liga como uma escolha de sexta/sétima rodada ou até mesmo não-draftado, aquele QB que voce pega no final do draft pra competir pelo banco. Agora suponha que alguém entrou numa máquina do tempo hoje, voltou pra 2000 e disse ao Bill Belichick "Hey, sabe o garoto Brady? Daqui a 13 anos vão estar discutindo ele contra os maiores QBs de todos os tempos! Você TEM que pegar esse cara!!". Só Belichick sabe disso. Agora me diga: Belichick usa sua escolha de primeira rodada (suponha que ele tivesse uma) pra pegar Brady agora que ele sabe que ele vai ser tão espetacular?

Pense... Pense...

E... Tempo!

NÃO!!! NÃO!!!!!!!! CLARO QUE NÃO!! Porque ele faria isso? Brady está avaliado pela Liga como uma escolha de sexta rodada no máximo, porque ele iria gastar uma escolha de primeira rodada em um jogador que ele pode pegar com uma de quinta ou sexta? Ele tem que usar sua escolha de primeira rodada em um atleta avaliado como tal que ele não seria capaz de pegar mais tarde. Mesmo se ele tiver medo de outro time pegar Brady antes dele na sexta rodada, pode usar uma escolha de quinta ou quarta pra garantir o jogador sem sacrificar o valor das suas escolhas mais altas. E não precisamos nem ir em casos tão extremos: Suponha que um bom time (escolha 25th, digamos) quer pegar um certo jogador cotado como uma escolha de meio de segunda rodada, e não vê nenhum jogador que vale essa 25th pick. Ele pode simplesmente pegar o seu jogador, não é um gap tão absurdo, mas a melhor forma de maximizar o valor dessa escolha seria trocar pra descer no Draft, ainda pegando seu jogador numa posição mais adequada e pegando mais escolhas no processo. É uma forma de transformar a diferença de valor entre o jogador e a escolha (no caso, 25th), que você teria no primeiro caso, em outros ativos.

Claro que isso depende de outra questão: A avaliação de jogadores. O importante nesse caso não é o verdadeiro valor do jogador (algo impossível de medir), mas o valor que é atribuído ao jogador antes do Draft por analistas, especialistas e pelos times. Nem todo time vai avaliar os jogadores igual, mas hoje em dia na era da informação, os times em geral tem avaliaçōes bastante próximas, sem grandes desvios. Voltando pra questão do Cardinals, Bucannon e Ward tinham um valor semelhante pra escolha 27 do Cards, nenhum deveria cair muito mais. Era apenas uma questão de avaliação. A liga em geral avaliava Ward como melhor, o Cards avaliou Bucannon como melhor (ou mais adequado ao seu time)... Mas ambos avaliavam os dois jogadores como sendo um talento de valor semelhante no Draft. Por isso mesmo que haja algumas diferenças - que tende a aumentar nas rodadas posteriores - em geral a variação não é tão grande. 

E no final, essa é simplesmente a face mais importante do Draft. Cada pick carrega um certo valor, que decresce conforme a escolha vai sendo mais tardia. Conseguir usar bem o valor dessas picks, seja na hora de escolher um jogador ou de fazer uma troca por outras picks, o importante é sempre maximizar o valor das escolhas que você tem na mão. E como voces vão reparar, mesmo as categorias abaixo envolvem o valor que voce tira das suas escolhas também, só que de outras formas.


2. Como os jogadores escolhidos se encaixam no time?

No fundo, isso esta intimamente relacionado à questão do valor, mas mais específica. O item anterior envolve o valor absoluto dos jogadores mas ainda mais das escolhas, em maximizar o valor de cada escolha na hora de tomar decisōes. Essa envolve uma outra simples verdade: Assim como um objeto não tem o mesmo valor pra cada pessoa, o valor de cada jogador não é igual para todos os times. 

Isso acontece por uma variedade de motivos. O primeiro, e mais obvio, é que os times jogam de formas diferentes, com estilos diferentes e com playbooks diferentes. Portanto, cada time vai precisar de jogadores com características que se encaixem no que o time vai usar em campo. Por exemplo, se eu jogo com uma defesa 4-3 como base, eu posso até draftar um OLB cuja força é ir atrás do QB, mas esse tipo de jogador vai ter menos valor pra mim do que pra um time que jogue em uma defesa 3-4, por exemplo. Ou de forma mais sutil, se meu ataque é baseado mais fortemente no jogo terrestre do que no jogo aéreo (pense 49ers com Alex Smith), um OG ou um OT mais veloz e mais eficiente na corrida tem mais valor do que pra um time como Patriots onde o trabalho da OL é proteger o QB na maior parte do tempo. 

Uma outra forma de se pensar em valor relativo é a seguinte: Alguns times simplesmente sabem desenvolver jogadores melhores do que outros em dadas posiçōes. Pense na defesa do Steelers: Eles tem o mesmo DC faz anos, e jogam com o mesmo esquema faz um tempão. Eles sabem exatamente o que precisam nos seus jogadores de defesa e por isso tem mais facilidade que qualquer outro time da Liga desenvolvendo esses jogadores, em especial seus LBs. Portanto, pra um LB pego na terceira rodada do Draft, ele tem muito mais chance de se desenvolver em um bom jogador no Steelers, seus técnicos excelentes e seu esquema consolidado,  do que qualquer outro time que tente pegá-lo mais pra frente. Por esse motivo, o Steelers sabe que pode pegar um OLB mais pra frente e desenvolvê-lo, então não precisa usar suas escolhas mais altas - e mais valiosas - pegando jogadores dessa posição com tanta frequência, podendo dedicá-las a jogadores de outras posiçōes que o time não desenvolva tão bem sabendo que pode conseguir um bom OLB em outro momento do Draft.

Então esse tipo de encaixe importa. Valor não depende apenas da escolha que está sendo usada, mas do encaixe do jogador com o time. Um jogador tem maior valor relativo pra um time se ele se encaixar melhor no seu estilo de jogo (o que não quer dizer que um time não vá pegar um grande talento cujo instrumental não seja o mais perfeito ao seu estilo, claro), e um time eficiente em certas áreas pode usar isso pra buscar maior valor em áreas deficientes. Combinar isso com o valor de cada escolha é uma constante em times que draftam bem (Steelers, Ravens, etc).


3. Como a abordagem do time no Draft impacta na situação atual do time?

De novo, valor é algo relativo. A chave do Draft é maximizar o valor de cada escolha que você tem, mas cada time tenta fazer isso seguindo uma estratégia diferente baseado em uma necessidade diferente. A ideia do Draft é que não apenas ela trás valor na forma de jogadores, mas duas outras coisas: Jogadores baratos (contrato de calouro) e jogadores jovens (portanto você pode desenvolvê-los). A segunda parte, nesse caso, é um pouco mais importante: Jogadores não saem do Draft prontos, eles passam por um processo de alguns anos de adaptação e desenvolvimento. E até por uma questão estatística, quanto mais jogadores você tiver, maior a chance de um deles virar um bom titular mesmo vindo de rodadas mais tardias. Pra um time ruim e com vários buracos, é interessante ter o maior número possível de escolhas pra ter maior numero de chances de conseguir bons jogadores. Da mesma forma, pra um time mais pronto e com poucos buracos, as vezes vale a pena sacrificar algumas escolhas de Draft, subir posiçōes e pegar um jogador mais pronto e explosivo pra ajudar em uma área chave do seu time.

Um bom exemplo recente é o do Atlanta Falcons. Dois anos atrás, o Falcons tinha um bom time: Boa linha, bom QB, boa defesa. Era um time bem completo que tinha apenas um buraco grande: O time precisava de outro WR. Com um bom numero de picks no Draft, o Falcons decidiu trocar uma cacetada de escolhass (duas 1st round, duas second, uma 4th) pela sexta escolha do Draft (Browns) e pegar o WR Julio Jones. Em um vácuo, o valor das escolhas que o Falcons enviou para o Browns valiam mais do que a que eles receberam em troca. Mas pra um time tão lotado e com poucas falhas como o Falcons, o valor marginal de Julio Jones (ou seja, o valor que a adição do jogador adiciona ao conjunto) era maior do que o valor marginal que eles iriam conseguir adicionando cinco outros jogadores inferiores que não encaixassem tão bem no time como JJ. E para o Browns, cheio de buracos no time, o valor adicional desse monte de escolhas de Draft, jogadores que cobrem mais funçōes no time, compensava a perda de uma possível estrela. Tudo depende da situação.

Claro, você não pode ser cego e fazer as coisas sem pensar. Um time ruim pode trocar todas suas escolhas altas por dezenas de escolhas baixas, e pode sair com um monte de bom role players disso, mas vai perder a chance de adicionar jogadores mais garantidos e com maior potencial. Da mesma forma, um time não pode trocar suas 7 escolhas por uma só lá no alto, o risco eé alto demais de uma lesão ou um bust acabar com um ano. Entao tudo depende de achar o equilíbrio certo e a estratégia certa pra otimizar o valor para seu time.


4. Como o Draft supriu as necessidades do time?

O último ponto pode parecer óbvio - e de certa forma é - e está intimamente ligado aos outros três pontos: Praticamente todo time tem alguma posição de necessidade, alguma posição deficiente que precisa ser adereçada, e o Draft é muitas vezes a ferramenta perfeita pra isso já que a essa altura, um bom numero de Free Agents já saiu do mercado. Então, a lógica diz que você deve usar o Draft, de alguma forma, pra suprir essas necessidades ou se arriscar a ir pra temporada com essa falha.

Esse ponto aparece aqui por ultimo porque ele é o mais simples, mais fácil de se ver, e justamente por isso é o que mais GMs retardados usam como o ponto principal, quando na verdade ele deve sempre estar sujeito aos três primeiros pontos. O pior pecado que um GM pode cometer com regularidade no Draft é ficar cego pelas necessidades do time e ignorar os outros três pontos cruciais, e pegar cegamente um jogador que ele precisa.

Por exemplo, pegue o San Francisco 49ers. Ano passado eles trocaram uma escolha de terceira rodada pra subir na primeira rodada e pegar um FS, Eric Reid, que tapava a maior necessidade do time no lugar do Free Agent Dashon Goldson. Em termos de valor, as picks que o 49ers perdeu são 20% mais valiosas (de acordo com Football Perspective) do que a que eles receberam. Só que ai entra o contexto: O 49ers tinha 13 escolhas de Draft e um elenco recheado de tal modo que teria pouco espaços pra muitos calouros, então fazia todo o sentido pra equipe subir no Draft (conforme dito no item anterior) e pegar o jogador que seria o melhor encaixe no seu time. Se um time tipo Raiders fizesse isso, eu iria rir da cara deles. Entao tudo depende de contexto.

Pense de outra forma: Na média, os times avaliam os jogadores de forma semelhante antes do Draft. Alguns avaliam certos jogadores melhor, outros pior, mas na média - ainda mais hoje em dia nessa época de tanto acesso à informação - a avaliação é semelhante pros 30 clubes. Então porque os mesmos times e GMs sempre saem do Draft melhores do que a média dos times enquanto outros sempre parecem sair mal do Draft?? Porque os GMs/técnicos inteligentes (Bill Belichick, Trent Balkee, John Schneider, Ozzie Newsome, etc) sabem muito bem como trabalhar o valor no dia do Draft ao invés de simplesmente ir cegamente atrás dos bons jogadores ou que cobrem as necessidades, enquanto os outros não pensam dessa forma e só pegam os jogadores que querem independente da possibilidade de extrair maior valor da situação. E por isso essa categoria, ainda que importante, é apenas a quarta.


Então essas são as quatro melhores formas de se avaliar um Draft. Os times inteligentes sabem como lidar com todas essas faces do Draft e extrair o maior proveito deles no dia do Draft em si, apesar de toda a incerteza em relação aos resultados, enquanto times burros escolhem punters na terceira rodada porque "prefere escolher um titular do que um reserva com a 3rd rounder" (FYI, esse time tinha Blaine Gabbert de QB e passou Russell Wilson pra pegar esse punter). Obviamente, a chave é equilibrio. Não existe uma resposta certa e cada situação exige uma resposta diferente, e os capazes de juntar esses conceitos nessa resposta são os que tem sucesso. E acreditem, é bem fácil enxergar ano a ano quais são os times que acertam e erram na noite do Draft. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte II)


"Pega essa flag e enfia no...!!!!"


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro. Tivemos a Parte I com os times das NFC East e South. Agora é hora de falar dos cinco times restantes.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte II)


Chicago Bears

A grande história dessa offseason para o Bears foi a renovação de contrato de Jay Cutler, um contrato de 7 anos e 126M. Muita gente - corretamente - achou que era um contrato absurdo tanto em duração como em valor para um QB de 31 anos (em Abril) que tem dificuldade ficando saudável e que nunca foi muita coisa em Chicago desde que foi adquirido de Denver. Ele é um sólido QB em geral, mas é instável, nunca fez nada para justificar um contrato que lhe pague mais que os de Matt Ryan, Peyton Manning ou Ben Roethlisberger... e talvez mais importante, o Bears vem de uma temporada na qual Cutler foi substituido (quando machucado) por um veterano de 34 anos que não era titular na NFL desde 2004, e conseguiu com ele produção igual ou superior da que Cutler proporcionou em meio a um ataque muito completo. Então o contrato realmente foi causa para questionamentos.

Embora o contrato seja questionável, o fato é que o Bears o montou muito bem. A duração e o valor do contrato enganam um pouco a primeira vista: embora o contrato seja de 7 anos e 126 milhões, só os primeiros três anos (e os 54M de salário base desses três anos) são garantidos, sem nenhum tipo de bônus. Em outras palavras, embora o Bears esteja totalmente preso a ele e seus salários imensos pelos próximos três anos, depois disso o time já pode cortar o QB sem nenhum custo adicional ou dinheiro morto no salary cap, então não é como se o time fosse ficar preso a Cutler por esses sete anos. Ainda que me pareça demais pagar 18M anualmente (a anualidade do contrato dele não é igual para os três anos, mas essa é a média) para um QB como Cutler quando você consegue produção igual ou melhor de um QB mediano como Josh McCown, o fato é que o contrato foi bem estruturado e oferece opções para Chicago, que manda uma mensagem clara de que acredita que Cutler seja sua melhor chance de sucesso no curto (e talvez médio) prazo.

Mas por melhor estruturado que seja o contrato para proteger a folha salarial futura de Chicago, o fato é que pelo menos por três anos, o time vai ter um contrato imenso entupindo sua folha salarial. O que, claro, gera para Chicago um problema semelhante ao que Joe Flacco gera para o Ravens: deixa o time sem flexibilidade salarial para a free agency. Hoje, Chicago tem apenas 8M livres para contratar jogadores e renovar com os seus, e se quiser aumentar esse valor vai ter que dispensar Julius Pepper (10M), vindo de temporada decepcionante, Lance Briggs (5M, mas foi o melhor defensor de Chicago em 2013 mesmo perdendo metade dos jogos) e/ou Earl Bennett (2.5M).

O problema, como vocês talvez tenham reparado, é que dois desses jogadores - e mais os quatro principais free agents do time, Henry Melton, Charles Tillman, Landon Cohen e Major Wright - são todos jogadores da defesa, e pior, a defesa de Chicago foi um enorme fiasco em 2013. Parte disso foram as lesões - jogadores como Melton, Briggs, Stephen Paea e DJ Williams perderam bastante tempo machucados, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que Briggs foi o único defensor acima da média de Chicago em 2013, e que o time tem uma TOTAL falta de talento em todas as posições. Se Briggs for mesmo dispensado para abrir espaço salarial, quem sobra de defensor que tem lugar garantido na equipe? Jay Ratliff vai jogar de DT com seu contrato recém-assinado e o time espera que ele possa render perto do que rendeu no Cowboys, mas é uma aposta grande; Stephen Paea é um sólido titular quando saudável, o que não foi em 2013 (nem saudável, nem sólido titular quando jogou) e deve fazer a dupla de DT; Tim Jennings tem um contrato longo e caro e deve ser o CB titular, mas apesar das interceptações ele é mediano no máximo... quem mais? Quem vai cobrir o meio do campo com Briggs e DJ Williams fora? Quem vai pressionar o QB sem Julius Peppers (que foi mal nisso em 2013, mas para ser sincero, ninguém foi bem além de Landon Cohen, e ele mesmo foi apenas ok)? Quem vai jogar na secundária? Por conta de lesões, dispensas, idade e aposentadorias, Chicago não ficou com alguns buracos na defesa, a defesa inteira é um buraco!

Então mesmo que Chicago consiga liberar esses 25M de folha salarial com todas as dispensas, ainda vão ter muito trabalho para montar uma defesa competente. O principal alvo do time parece ser Michael Bennett, vindo de uma temporada espetacular com Seattle e que seria tudo que Peppers não foi em 2013, mas tamb ém ocuparia sozinho uns 8-9M dessa folha salarial, e ele não vai resolver todos os problemas. Chicago tem tudo para ser um time bastante ativo em busca de defensores nessa free agency, e se quiserem ir aos playoffs com Cutler, precisam de jogadores de impacto o quanto antes. 


Detroit Lions

A ex-garantia nos playoffs da NFL que virou piada perdendo 6 de seus 7 últimos jogos na temporada fez a coisa que todo mundo estava louco para vê-los fazendo: demitiu o péssimo técnico Jim Schwartz, um dos fatores que mais estava atrapalhando um bom time (Detroit terminou 7-9 com Pythagorean Wins de 8.5-7.5, segundo ano consecutivo que o time termina a pelo menos 1.5 vitórias atrás do que devia). Ok, o substituto que eles acharam foi o fraquíssimo Jim Caldwell, que me parece uma pequena overcorrection: depois do fracasso do ultra-descontrolado Schwartz, foram atrás de Caldwell, que não esboça nenhuma emoção sob nenhuma circunstância e parece estar eternamente preso em uma expressão de coitado. Mas estou fugindo da questão: o time corretamente se livrou de um de seus maiores problemas, mas depois de ser recusado por Ken Whisenhunt e não ter sucesso com Lovie Smith, foi atrás de um técnico muito fraco, que não é o ideal para um time com talento que tem repetidamente acabado abaixo do que deveria. 

A boa notícia para o Detroit é que o time tem uma base excepcionalmente talentosa em mãos, dos dois lados da bola. O Lions tem sido o melhor time da NFL nos últimos anos desenvolvendo jogadores de linha ofensiva, com uma das melhores da NFL pelo segundo ano consecutivo mesmo perdendo dois titulares entre 2012 e 2013, e o guard calouro Larry Warford pode ser o melhor calouro de 2013 que ninguém conhece. Eles tem um bom QB (ainda que inconsistente) em Matt Stafford (btw, para so que acham que Stafford é um caso perdido, ele é só 4 meses mais velho que Ryan Tannehill), e o melhor WR da NFL em Calvin Johnson, e começaram a ter algum sucesso correndo com a bola em 2013, algo que deve ser uma parte maior de seu ataque para 2014. Defensivamente, o time sai de um bom 2013 com uma das melhores bases jovens da NFL: Ndamukong Suh e Nick Fairley podem formar a melhor dupla de DTs da NFL, Ziggy Ansah mostrou muito potencial como calouro apesar de cru e deve assumir a titularidade, Stephen Tulloch e DeAndre Levy solidificaram o meio da defesa, e Glover Quin jogou muito bem no seu primeiro ano em Detroit. O time tem problemas, claro, mas poucos tem uma base tão talentosa na NFL dos dois lados da bola, muito menos tão jovem como essa.

Detroit tem, como todo time nessas condições, alguns buracos atrapalhando o time. No ataque, o grande problema é a falta de complemento a Megatron. Nenhum - NENHUM - WR do time foi sequer "competente" em 2013, e aliado isso a falta de um bom TE, deixa Stafford e Megatron como a mais manjada combinação de passe da NFL. Claro que ela ainda funciona, mas esse ataque iria ser extremamente mais assustador se o time tivesse outro bom WR e um bom TE para atrair atenções da defesa ou se beneficiar da marcação extra (e por "extra" leiam "tripla") que as defesas dedicam a Megatron. Defensivamente, o grande problema tem sido a secundária. O time é extremamente forte na frente, mas Louis Delmas é FA e só sobra Glover Quinn como um bom jogador nessa unidade, depois que Chris Houston decepcionou em 2013. 

Detroit tem o suficiente para brigar pelos playoffs imediatamente, se Jim Caldwell conseguir ser sequer competente (e mesmo não gostando de Caldwell, acho que ele não vai ser tão prejudicial como Schartz), mas o time precisa adereçar esses problemas se quer continuar crescendo. O time tem apenas 10M em salary cap, o que prejudica consideravelmente suas pretensões, e embora deva receber algum alívio nisso quando Suh finalizar seu novo contrato, dificilmente terá condições de ser um time ativo na FA. Minha expectativa é que o time tente resolver seu problema ofensivo no Draft - um draft extremamente forte em WRs do qual o time pode facilmente sair com Mike Evans ou Marquise Lee da primeira rodada - e tente adicionar alguns veteranos baratos na defesa de menor impacto enquanto esperam um 2015 mais favorável salarialmente (o mercado de CBs está muito bom, e tem alguns jogadores de menor expressão ou mais veteranos que seriam interessantes como um complemento). A margem de manobra é pequena, mas a recompensa pode ser muito grande.


Minnesota Vikings

Esse é complicado. Vamos começar da declaração recente de Adrian Peterson de que com Michael Vick de QB, o time estaria indo aos playoffs. Mas vamos mudar um pouco, passando de "Michael Vick" para "um bom QB" (que não necessariamente é o caso de Vick, mas nunca se sabe), porque esse tem sido o grande problema do Vikings desde que Brett Favre aposentou: Christian Ponder foi um bust, ninguém mais rendeu, e embora Matt Cassell tenha sido competente ano passado e tenha renovado seu contrato, acho que todo mundo sabe que ele não é o cara que vai resolver as coisas por lá.

A primeira pergunta é, um QB teria condições boas de jogo em Minny, com um bom elenco de apoio? A verdade é que teria. Em 2013, o time teve uma sólida e jovem linha ofensiva que estará de volta, e embora ela ainda seja melhor correndo do que protegendo o QB, ela também se mostrou promissora nesse sentido, com quatro OL (mais um TE e um FB) tendo notas positivas em pass protection em 2013. O QB também contaria com a presença de um dos melhores RBs da liga em Adrian Peterson, um cara capaz de ser o foco do ataque, encurtar descidas, abrir a defesa e tornar MUITO mais fácil a vida em play actions pelo mundo (em 2013, as defesas consistentemente colocavam 8 ou 9 jogadores na linha para segurar AP apenas deixando ENORMES espaços para um QB aproveitar... que não foram aproveitados pela falta de um QB). E por fim, o time conta com um corpo interessante de WRs, com Greg Jennings, Cordarelle Patterson e o interessante Jairus Wright (e Jerome Simpson também, se voltar, mas acho difícil), além de uma dupla de TEs (Kyle Rudolph e John Carlson) que mostrou ser promissora tanto bloqueando como recebendo. Falta aquele WR de segurança pelo meio, e um TE mais dominante (ao invés de dois acima da média) seria ótimo, mas é uma boa base para um QB ser colocado, seja ele Vick ou qualquer outro.

E defensivamente, será que ela consegue segurar? Bom, isso é um problema bem maior, porque a defesa foi bem mal em 2013 e não apresenta muitos sinais de melhora. O melhor defensor do time em 2013 (Kevin Williams) e o jogador mais dominante individualmente (Jared Allen) não devem voltar, e isso é um problema para uma defesa que foi a sexta pior da NFL em 2013 em DVOA e pior em pontos cedidos. O time inteligentemente renovou com o promissor Everson Griffen (embora a um valor absurdo), Harrison Smith deve ajudar com uma temporada inteira saudável e Xavier Rhodes se mostrou interessante como calouro, e embora Shariff Floyd tenha decepcionado, a saida de Williams deve abrir mais espaço para ele ser titular e se desenvolver... Mas ainda falta muito para essa defesa conseguir lidar com as potências da NFC. O time precisa de mais pass rush além de Griffen e Brian Robison (sim, Robison), Chad Greenway foi muito mal em 2013 jogando fora de posição, e a secundária ainda precisa de muitos reforços antes de sequer ser considerada "decente" (quarta pior em 2013). Além disso, acho que o impacto da saída de Williams e Allen vai ser mais sentida do que parecem a princípio, com Griffen e Robison não tendo mais os espaços gerados pela marcação dupla no camisa 69 e Williams deixando de existir como o pilar da defesa ocupando dois bloqueadores. A boa notícia é que o time tem muito espaço salarial - 40M antes de contar os salários de Griffen e Cassell, o que deve deixar uns 26M sobrando - e essa é uma free agency interessante do lado defensivo da bola. Esperem um bom DE (Micahel Johnson?) e um CB ou mesmo safety (Aqib Talib? TJ Ward?) sendo os principais alvos do time, mas mesmo assim, essa defesa ainda me parece algum tempo distante de ser a defesa de um candidato ao título na forte NFC, QB novo ou não.

Então acho que Peterson, embora não totalmente absurdo, não esteja tão certo achando que só um QB é o que falta para o time decolar. O ataque sem dúvida tem potencial para ser bom com um upgrade na posição, mas a defesa não vai acompanhar de imediato. O que, para mim, não é um problema, considerando que a defesa tem alguns talentos jovens de base mas precisa de muita coisa nova por cima, e o ataque é composto principalmente de jogadores jovens e veteranos com contratos que ainda duram bastante. Vencer agora seria ótimo, mas não é como se Minny tivesse um núcleo veterano e caro que precise vencer logo para não desperdiçar alguns bons jogadores. Se algum time tem uma base que pode esperar, é Minny.

Claro, ainda tem o problema do QB a ser resolvido, e tenho certeza que o Vikings quer vê-lo resolvido o quanto antes, porque é o que falta para o ataque do time se acertar. Minnesota tem a 8th escolha do próximo draft, e adoraria que um jogador do trio Manziel-Bridgewater-Bortles sobrasse para eles nessa escolha. A chance é real: quatro times na frente do Minnesota tem necessidade de QB, mas o Texans parece estar avaliando o mercado de veteranos e tem boas chances de escolher Jadeveon Clowney, e se ele não escolher, o Jaguars pega. Aliás, o Jaguars é um time interessante, que renovou com Chad Henne e talvez não esteja tão desesperado atrás de um QB, e é possível que ou eles ou o Raiders optem pelo caminho de "escolher o melhor jogador disponível independente de posição", que pode significar Sammy Watkins. É uma aposta que um dos três QBs caia até a 8th pick, mas é possível, e caso não aconteça, o time já mostrou que não tem nenhum pudor de trocar muitas escolhas valiosas para subir no draft para pegar quem eles querem, então podem muito bem entrar no final da primeira rodada com uma troca para pegar Jimmy Garopollo ou Zach Mettenberger. Mas vai ser interessante ver como o time resolver esse problema, ou mesmo SE direciona recursos demais a isso no momento com Cassell de volta ganhando 5M por ano.


Arizona Cardinals

Como o dono de um dos meus twitters favoritos e uma das interações mais legais da internet, Neal Kendrick (torcedor do Seahawks) disse, você poderia fazer um excelente argumento que no final da temporada o Cardinals era o terceiro melhor time da NFC depois de Seattle e San Francisco. Você pode concordar ou não com a afirmação, mas definitivamente pode fazer um argumento: Arizona teve a segunda melhor defesa da temporada regular, achou um ataque dinâmico em volta do RB calouro Andre Ellington e sua dupla espetacular de WRs titulares (Larry Fitzgerald e Michael Floyd) e foi 7-1 entre as semanas 8 e 16 (incluindo uma vitória sobre o Seahawks EM Seattle) para chegar na semana 17 ainda com chances de playoffs, mesmo enfrentando um dos três calendários mais difíceis da temporada.

Ironicamente, os dois fatores que seguraram o time em 2013 foram seu QB, e seu técnico. Bruce Arians recebeu muitos elogios por seu trabalho como técnico em Arizona e até consideração para Coach of the Year, e ele fez muitas coisas boas, mas uma das mais inexplicáveis foi manter Rashard Mendenhall de RB titular com suas 3.2 jardas por corrida e absolutamente se recusar a usar o muito mais explosivo Ellington (5.5 jardas por corrida e um dos RBs mais dinâmicos da temporada recebendo passes). Até entendo ter um RB mais "tradicional" para mover as correntes e usar o mais dinâmico Ellington em situações não convencionais, mas essa lógica passa a ser ridícula quando seu RB "convencional" é um dos piores da NFL. E em termos de QB, quando seu QB titular é um veterano de 34 anos que foi trocado 2x nos últimos três anos depois de se recusar a jogar pelo seu time da época, e ele lança 22 interceptações... isso é um problema.

Fato é que Carson Palmer não foi horrível em 2013, mas certamente não foi bom. 24 TDs, 22 interceptações e mais altos e baixos do que uma temporada de Dexter, ele foi basicamente um QB médio e muito inconsistente (sério, vejam seus game logs: ele teve seus melhores jogos contra Atlanta, Jacksonville, Indy, Tennessee e Saint Louis e os piores contra Carolina, San Francisco, New Orleans e principalmente Seattle). Ele continua no time para 2014 (cortar Palmer custaria ao time quase 7M em dead money, embora salve 5M do salary cap), e é uma incógnita em qual direção Arizona vai se mover. Enquanto Palmer for o titular do time, ele provavelmente vai continuar sendo esse cara mediano de alto risco, e é difícil imaginar esse time dando um grande salto de produtividade, mas Arizona não parece em uma situação ideal para resolver essa questão agora. O mercado de QBs hoje é basicamente composto de veteranos medianos (eles não precisam de outro) ou jovens sem experiência com preçøs inflacionados (btw, NINGUÉM vai pagar uma 2nd round pick por Kirk Cousins ou Ryan Mallett) e dificilmente um dos três principais QBs do draft sobraria para o Cards. E enquanto me parece o time ideal para pegar um QB mais cru na segunda ou terceira rodada e deixá-lo um ano desenvolvendo atrás de Palmer, é difícil imaginar que Palmer não vá ser o titular do time em 2013.

Isso limita o potencial ofensivo do time, mas é favorável a tentar resolver o problema de forma arriscada e extremamente cara (AKA trocar por Kirk Cousins ou Mallett, ou trocar mundos e fundos para subir no draft e tentar um QB melhor). Enquanto isso, o time deve direcionar seus 22M de cap space e escolhas de draft para resolver o outro enorme problema da equipe: linha ofensiva. O Cardinals teve uma das três piores OLs da NFL em 2013, com NENHUM dos seus lineman terminando o ano com uma nota positiva (per ProFootballFocus). O mercado de LTs está muito interessante (Eugene Monroe, Brandon Albert ou Jared Veldheer seriam ótimas adições), e embora só um LT não iria salvar essa péssima linha ofensiva, é um bom começo. Um desses jogadores ainda iria deixar um bom espaço salarial, e o time poderia pegar jogadores a custos menores ou mesmo no draft para pelo menos completar os cinco titulares que precisa. Uma linha competente pode significar mais tempo e calma para Palmer no pocket, e isso pode ajudar bastante mesmo que o time não arrume um QB novo.

O Cards tem outras áreas de necessidade - um outro safety, um pass rusher e um TE quebra-galho sendo as principais - mas o time consegue se virar bem com o que tem e jogadores baratos nessas posições. QB não deve mudar, então vamos ver se o Cards mergulha de cabeça no mercado para transformar sua linha e tentar derrubar Niners e/ou Seahawks.


Saint Louis Rams

Por mais que seja irônico dizer isso sobre um time 7-9 que nem chegou perto de ir aos playoffs, o Rams foi o grande vencedor da NFL entre os times que não foram aos playoffs. E eles devem isso a Robert Griffin.

Quando o Redskins trocou para subir no draft e pegar RG3, parte do pacote que foi para Saint Louis foi a 1st pick deles em 2013. E com RG3 jogando muito mal e o Redskins terminando como o segundo pior time da liga, isso significa que o Rams agora tem a 2nd overall pick do draft além da sua própria, e um núcleo muito interessante que deu um passo a frente em 2013 (você não pode culpar o Rams por jogar na NFC West). Por isso podemos falar que o Rams se deu muito bem saindo de 2013 apesar do pouco espaço salarial (10M).

Os planos para a 2nd pick do Rams é o que vai determinar a direção da sua offseason. É uma posição que pode dar ao Rams o offensive tackle que eles tanto querem (Greg Robinson sendo o principal candidato, mas não durma em Jake Matthews) para reforçar sua eternamente problemática linha ofensiva e dar ao recém-descoberto Zac Stacey um companheiro para lhe abrir o caminho nas corridas, mas também é uma posição de alto valor em um draft com um jogador como Jadeveon Clowney ou seus três QBs "principais". Não sei exatamente qual seria o mercado por essa pick, mas se Clowney passar de Houston vai ter muito time de olho em uma troca, ou mesmo times intermediários (Vikings, principalmente) buscando subir para garantir seu QB, então o Rams pode trocá-la, acumular ativos como tem feito e ir atrás de uma maior variedade de talentos. É difícil dizer realmente porque acho que nem o Rams sabe, eles vão seguir a correnteza e decidir o que é mais vantajoso na hora, mas é o foco dessa offseason.

O Rams não é um time muito completo em termos de talento, mas eles defintivamente tem jogadores de muito potencial - futuro ou presente. Ofensivamente, com um sólido tackle (acho que é o que eles pegarão, com a 2nd pick ou trocando para descer), Jake Long e os decentes guards da equipe (especialmente se Roger Saffold voltar, e deveria) o time parece ter uma linha ofensiva estabelecida, e Zac Stacey mostrou muita promessa como um RB titular ano passado. Tavon Austin foi uma grande decepção como WR, mas se mostrou extremamente dinâmico com a bola nas mãos e um ataque criativo pode fazer bom uso dessa habilidade, embora para um QB ele não seja tão útil como alvo confiável. E defensivamente, Robert Quinn explodiu como um dos melhores defensores da NFL e sólido candidato a DPOY, e com Chris Long e Kendall Langford o Rams parece estável com uma das melhores linhas da liga. Mas fora isso, o time ainda enfrenta questões: a não ser que Austin evolua muito como WR puro nessa offseason, o time continua sem alvos confiáveis para seu QB, e embora uma evolução de Alec Ogletree e um 2014 melhor de James Laurinaitis possam solidificar um pouco o miolo da defesa (uma aposta, btw, já tem dois anos que Laurinaitis não vem bem), a secundária ainda é um enorme problema se Janoris Jenkins continuar sem mostrar evolução alguma. 

Por isso não vejo como um problema que o time tenha não decidido mudar de rumo com um QB novo, dispensando o caro e improdutivo Sam Bradford. O time fez um ótimo trabalho acumulando ativos e jovens jogadores, e está em posição de adicionar pelo menos mais dois na primeira rodada esse ano, mas ainda não tem o time completo para disputar a fortíssima NFC West. O time faz bem em não ter pressa, e a não ser que o time veja algum QB sobrando na 2nd pick que acredite que venha a ser um franchise QB, o time deve continuar juntando seus talentos jovens até achar o jogador certo. E sendo assim, as vezes vale mais a pena um último ano para ver se Sam Bradford desponta de vez do que se apressar e draftar um QB só para competir logo quando o resto do seu time não está pronto. Não que o Rams não seja HOJE um sólido time, competitivo e dando trabalho para os fortes da NFL, mas não sei o quanto seu teto estaria limitado hoje pela falta de WRs e de secundária - dois problemas que será difícil adereçar sem o cap space hoje. Não é fácil ter paciência na NFL, mas o Rams tem feito um bom trabalho misturando paciência para acumular ativos com um time sólido dentro de campo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Preview NFL 2013 - Arizona Cardinals


Só estando livre assim para os QBs acertarem o passe


Nessa série de previews já falamos de 31 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South, North e West e das NFC East, South e North, mais o San Francisco 49ers, Seattle Seahawks e Saint Louis Rams. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Arizona Cardinals

2012 Record: 5-11
Ataque ajustado: 32nd
Defesa ajustada: 6th


Quase por milagre, chegamos ao final da nossa série de previews ainda antes do começo da temporada regular. E fechamos com chave de... chave de fenda, porque é hora de falar do Arizona Cardinals e seu ataque "espetacular".

Em parte, eu sinto alguma pena do Cardinals, especialmente depois daqueles times sensacionais de 2008 e 2009 com Kurt Warner e Larry Fitzgerald. Eles eram os times mais divertidos de se assistir da NFL, times explosivos liderados por dois talentos excepcionais que pareciam as zebras no começo e que quando o jogo acabava, deixavam todos com aquela cara de "alguém anotou a placa?!". O melhor exemplo provavelmente foi o lendário duelo com o Packers de Aaron Rodgers no Wild Card de 2009, que acabou 51 a 45 em OT com Rodgers e Warner combinando para 800 jardas e 9 TDs (não foi um erro de digitação), mas então foram derrotados pelos eventuais campeões Saints, Warner se aposentou, Cardinals fez uma troca ousada por Kevin Kolb para substituí-lo... e o resto todo mundo sabe como acabou.

Ainda assim, eu tinha começado esse texto com um "vamos falar da vergonha que foi o Cardinals", mas achei injusto na última hora. Não me entenda errado, algumas coisas nesse time foram vergonhosas sim, no caso o ataque. Mas ainda assim, isso seria uma injustiça imensa com a defesa do Cardinals, e precisa ser levado em conta alguns fatores atenuantes, principalmente o calendário. Mas toda vez que um time termina a temporada como o segundo pior time em eficiência ajustada da NFL na frente apenas do 2-14 Chiefs, é porque tem algo errado - muito errado - com ele.

Ontem, eu disse que é praticamente um pré-requisito obrigatório para jogar na NFC West ter uma defesa dominante, com os quatro times da divisão estando entre as sete melhores defesas da NFL. Naturalmente, o Cardinals não é a exceção: a defesa do Cards terminou o ano como a sexta melhor da liga inteira, o que é impressionante considerando a falta de ajuda que o ataque lhe deu, o que significava más posições de campo, pouco controle no relógio (ou seja, a defesa tinha que ficar tempo demais em campo e se cansar mais) e adversários que podiam ser conservadores e jogar com calma pois  estavam sempre na frente no placar e confiantes que o ataque de Arizona não iria causar estragos. É incrível então que essa defesa tenha conseguido sobreviver ao ano inteiro sem começar nenhuma briga no vestiário, muito mais terminado como uma unidade de elite e sexta melhor da NFL. 

Mas como vocês já devem ter imaginado, se você foi um time horrível que terminou com a segunda pior eficiência da liga e ainda teve uma defesa de elite, o time só pode ter tido um ataque historicamente ruim. E para a surpresa de ninguém, sim, o Arizona Cardinals teve um ataque historicamente ruim que envergonhou praticamente todo o estado do Arizona e sozinho foi responsável por tirar o Diamondbacks dos playoffs da MLB. Na verdade, usando os dados do excelente Football Outsiders para ataques ponderados, o ataque do Cardinals de 2012 foi o pior desde o do 49ers de 2005, um time historicamente ruim cujo QB titular (rookie Alex Smith) passou para 1 TD e 11 interceptações (de novo, não foi erro de digitação). Então a pergunta relevante é: como diabos o Cardinals conseguiu ter uma defesa tão boa, e como tiveram um ataque tão ruim capaz de cancelar quase todo o bom efeito dessa defesa?

Para começar, alguns dados desse ataque: em toda a NFL, o Cardinals foi o pior time - de longe - controlando o relógio, com suas campanhas durando em média apenas 2:15 cada. Isso pode e deve ser atribuído ao enorme número de 3-and-outs desse ataque: nenhum time teve mais, e nenhum time teve menos jogadas por campanha ofensiva (5.0) ou gerou menos jardas por campanha (20.1, mais do que quatro jardas a menos que o segundo pior Jaguars) do que esse. Junte todos esses fatores e não assusta saber que nenhum time na liga inteira gerou menos pontos por campanha ofensiva do que o patético 1.1 gerados pelo ataque do Cardinals, com apenas 22% de suas campanhas ofensivas terminando em touchdowns (adivinhe: pior marca da liga). E o que talvez seja ainda mais trágico do que isso é o fato de que o ataque teve esse nível horroroso e patético mesmo começando suas campanhas com a sexta melhor posição de campo entre todos os times, fruto de uma fortíssima defesa e bom special teams. E mesmo assim, o resultado ofensivo foi esse show de horrores. Vale citar também que nenhum time totalizou menos jardas do que as 4209 da equipe, apenas três cometeram mais turnovers que seus 34, e apenas o ataque do Jets lidera o Cardinals no quesito "mais ataques cardíacos provocados" (ok, esse último pode não ser bem verdade).

Achar as causas para tamanha futilidade é muito simples: é só olhar para qualquer lugar, e você vai achar uma causa. O jogo terrestre era patético. A linha ofensiva era uma ofensa ao esporte. Os quarterbacks não deviam estar nem sequer ser permitidos dentro de um estádio de futebol americano. E ai você percebe que a causa principal desse ataque horrível era simplesmente que o time não tinha bons jogadores tirando Michael Floyd e Larry Fitzgerald. O jogo terrestre simplesmente não funcionou o ano inteiro, por dois motivos: a linha ofensiva horrível era absolutamente incapaz de abrir espaços (Football Outsiders a coloca como a pior - por uma margem absurda - em jogadas de corrida), e os RBs da equipe não tinham a velocidade ou explosão suficiente para aproveitar os pequenos espaços que tinham ou mesmo para abrir espaços com força. Não a toa o Cardinals acabou com a pior marca da NFL em jardas por corrida com um ridículo 3.4 e o pior jogo terrestre da liga, por DVOA, jardas por jogo ou qualquer métrica que você queira usar. E pelo ar, as coisas não ficam muito melhores: dos 39 QBs qualificados que tentaram 100 passes ou mais, Mark Sanchez ficou em 37th em QBR com um ridículo 23.4. Os dois que conseguiram ser ainda pior? Os dois QBs do Cardinals na temporada 2012, John Skelton (13.9) e Ryan Lindley (9.8 - meu computador tentou explodir ao calcular isso). Holy sh... Quanta mediocridade em um só lugar!! É claro que parte desses problemas com QB vieram dessa horrível linha ofensiva, mas ainda assim... Ryan Lindley e John Skelton? Junto com Kevin Kolb (uma das raras trocas da NFL que deu abismalmente errado para todo mundo envolvido), os QBs de Arizona combinaram para 11 TDs e 21 interceptações, 5.6 jardas por passe, e um ataque aéreo atroz que faz alguns times da CFL parecerem o Patriots de 2007. Então não é difícil ver aonde tudo deu errado.

O Cardinals era um time que provavelmente teria ganho mais otimismo nessa espaço algumas semanas atrás, porque realmente tinha feito investimentos para sair desse patamar assustadoramente horrível. Sua linha ofensiva tinha sofrido um upgrade significativo, com a chegada de Eric Winston (ex-Texans), a perspectiva de uma temporada inteira de Levi Brown (que machucou antes da temporada passada começar) e, talvez mais importante, o draft do excelente guard Jonathan Cooper, que eu elogiei como o melhor guard a entrar na NFL anos. Atrás de essa reforçada linha ofensiva, o Cardinals também vinha com novas peças importantes, com um novo quarterback em Carson Palmer e um novo RB em Rashard Mendenhall. Nenhum desses - tirando Cooper - seria um jogador brilhante que mudaria o destino da franquia, mas em comparação ao que a equipe ofereceu ano passado, todos seriam uma melhora: Palmer não é relevante na NFL já faz alguns anos e teve um QBR de 44 ano passado com Oakland, mas ele tem um braço forte e sabe jogar uma bola para cima, o que já é melhor do que qualquer QB do time desde Warner ofereceu para seus bons recebedores, e alguém precisa enfim tirar vantagem de Larry Fitzgerald nessa equipe; Mendenhall era um RB de qualidade um ou dois anos atrás, perdeu espaço por conta de lesões mas que ainda é superior ao que o time podia oferecer; e se colocar eu e o meu editor Marcelo para jogar na linha ofensiva do Cardinals, acho que ela já ficaria melhor, então algum reforço Winston e Brown vão dar.

O problema foi que Cooper quebrou a perna, uma lesão bastante problemática para linemen e que o Cardinals, não querendo arriscar, logo o colocou no IR, o que significa que não deve jogar esse ano. Isso é um problema significativo, porque muito do que a equipe procurava ofensivamente para esse ano passava pelo calouro que eles esperava que pudesse entrar e produzir em nível Pro Bowl logo de cara. Winston e Brown vão ajudar, mas nenhum é exatamente uma força física dominante, e Arizona estava contando com Cooper pelo meio para abrir caminho para um jogo terrestre revitalizado. A saida de Cooper também deixa o meio dessa linha ofensiva simplesmente horroroso, sem nenhum outro jogador sequer decente, então Levi e Winston terão que se desdobrar ainda mais para conseguir proteger Palmer, e eu duvido que consigam sem nenhuma ajuda. Isso significa uma perda enorme para o jogo terrestre, e significa que a vida de Palmer vai envolver muito mais corridas para escapar de recebedores do que ele gostaria. Isso limita consideravelmente o tamanho dessa melhora - seria um time muito melhor se o jogo terrestre pudesse se estabelecer e Palmer trabalhasse com mais tempo e no play action - mas sugerir que esse ataque ja não deva ser consideravelmente melhor do que o de 2012 é um absurdo. Não que isso signifique muito, mas se a defesa continuar sendo esse grupo de elite, pelo menos o ataque não vai mais afundar tanto assim.

(O maior vencedor disso tudo? Provavelmente Fitzgerald, que vai jogar com um QB semi-respeitável pela primeira vez em quatro anos. E meu time de fantasy, do qual ele é titular, também)

A defesa, como eu já disse, foi incrível em 2012: Daryl Washington explodiu e teve o melhor ano da sua carreira (com nove sacks, um número absurdo para um MLB), Patrick Petterson evoluiu no cornerback de elite que todos esperavam, a secundária contou com grande produção dos veteranos William Gay, Kerry Rhodes e Adrian Wilson para terminar como a segunda melhor de toda a liga, e basicamente tudo encaixou no lugar certo para eles. Esse grupo contou com alguns jogadores fora de série - Washington, Petterson, Calais Campbell, Darnell Docket - e mais um bom conjunto de role players veteranos - Gay, Rhodes, Wilson - para ter uma temporada realmente espetacular. Alguns papeis ainda precisavam ser preenchidos - em especial, melhorar o grupo de linebackers ao redor de Washington - mas a fundação estava pronta.

E a equipe conseguiu: trouxe dois bons OLBs (Lorenzo Alexander, saindo de um carrer-year, e John Abraham, que vai ter muito mais espaço do que em Atlanta com Dockett e Campbell na linha de frente) e trouxe de volta Karlos Dansby para compor o meio dessa defesa. Foram adições muito boas e nas posições mais carentes do time, que provavelmente colocariam essa defesa um nível acima. O problema é que assim como chegaram alguns veteranos muito sólidos para completar esse grupo, os veteranos muito sólidos que completaram o grupo ano passado foram todos embora: Rhodes, Gay e Wilson estão fora da cidade, e agora o Cardinals está tentando tapar esses buracos com alguns journeymen muito pouco comprovados como Javier Arenas e Yeremiah Bell. O wild card provavelmente é como Tyrann Mathieu vai se comportar e render essa temporada, mas ainda é um ponto de interrogação. Mathieu é dinâmico e atlético suficiente para causar um impacto, mas sempre foi indisciplinado, baixo e teve alguns problemas na cobertura, então as dúvidas existem. Vale citar também que Daryl Washington está suspenso pelos primeiros quatro jogos da equipe, o que deve ter um impacto bem negativo na franquia.

E em resumo, é de se esperar que a defesa continue muito sólida contra corridas e até melhore sua pressão com Abraham por lá, mas a principal força dessa defesa em 2012 - sua espetacular secundária - não existe mais. Então ainda que continue com grandes talentos - em especial Peterson - esse grupo está basicamente se reinventando entre uma temporada e outra, o que geralmente é um problema. Eles ainda devem ser muito bons defensivamente, mas quão muito bons vai depender de como essa defesa aérea vai segurar sem os bons jogadores do ano passado, e é um risco. Mas o ataque vai ser melhor - em parte porque pior não tem como ser, mas enfim - ainda que seu potencial seja limitado pelo fato de que Cooper está machucado e PAlmer não é um grande QB. Mas com uma tabela mais fácil do que o corredor da morte de 2012 (tabela mais difícil da NFL por uma boa margem) - ainda que seja difícil mesmo assim - e um ataque que pode passar de "historicamente atroz" para "abaix o da média", o Cardinals tem tudo para ser um time decente em 2013. Calendário muito difícil e essas questões sobre sua defesa ainda são um problema que me fazem colocar o Cardinals apenas a 6 ou 7 vitórias, mas se essa defesa conseguir manter o nível e a intensidade com suas novas contratações, é um time que vai dar muito trabalho em 2013, ainda que dificilmente vá ter cacife para desbancar Niners ou Seahawks. Mesmo assim, um 2013 melhor do que 2012 está ao alcance da equipe.

sábado, 8 de outubro de 2011

Os times - NFC West

Finalmente acabamos com esse post o nosso especial dos times. Eu sei, demorou pra cacete e eu peço desculpas a todos por isso, mas provas, trabalhos e emprego novo realmente quebram as pernas. Agora a gente pode voltar a fazer os posts de costume, que nem o que vai sair amanhã. Mas antes vamos falar da divisão mais fraca da NFL, a NFC West (E no final do post, meus palpites pra Tigers e Rangers).

Porque a NFC West é a divisão mais fraca da Liga? Bom, tirando o fato de que ano passado o seu campeão Seattle Seahawks terminou com só sete vitórias, a NFC West também está totalmente aberta e nivelada por baixo: Nela, um dos times é claramente o melhor (49ers), mas um time tem o melhor Quarterback (Rams), e outro time tem o melhor jogador (Cardinals, por bem pouco). Mas até aqui, um time tem se destacado como claramente melhor na hora de vencer partidas.


"Outta my way, bitch!"

San Francisco 49ers (6-10)
O San Francisco 49ers é o meu time na NFL, é o time que eu mais amo em qualquer esporte que não seja o futebol, é o time que eu mais acompanho, mais conheço e mais entendo. Esse tópico poderiam ser 500 palavras ou 5000 - então vamos poupar vocês e encurtar isso aqui.

O 49ers não era, no começo do ano, o favorito a ganhar a divisão. Pelo contrário, muita gente colocava o 49ers como candidato à pior campanha da Liga e ao Andrew Luck. Isso se deu em parte porque em 2010 o 49ers tinha um time claramente superior ao resto da divisão, mas tropeçou nas próprias pernas, errou demais, seu técnico era horroroso e o QB, Alex Smith, machucou e quando esteve saudável foi extremamente errático (As vezes parecia genial, outras parecia que ainda era um calouro inexperiente). O time foi vergonhoso, trocou de QB várias vezes ao longo do ano e ao final da temporada não só perdeu vários jogadores importantes da defesa (Takeo Spikes, Nate Clements, Aubrayo Franklin) como também chamou de volta Smith para continuar como seu QB titular. Para piorar, o seu técnico novo teve apenas três semanas para trabalhar com o time - e mais importante, com Smith - e implementar o seu novo trabalho, tempo extremamente insuficiente para um técnico conseguir implementar grandes mudanças.

Agora, na quarta temporada, a temporada do 49ers parece de redenção e o técnico Jim Harbaugh está sendo, de longe, a segunda melhor adição de QUALQUER time nessa offseason (Só perde para aquele vovô do Titans que está passando pra 300 jardas e 2 TDs mesmo sem seu melhor WR e com um RB sem vontade). Em apenas seis semanas, a mentalidade do time é completamente outra: O time está jogando com confiança e com vontade, a postura derrotada que reinou ano passado depois de duas rodadas (ambas derrotas) não existe mais, e o time todo está focado nos seus jogos. A perda dos jogadores defensivos está sendo muito pouco sentida porque ela deu espaços para outros jogadores do elenco brilharem: Ray McDonald (DE) está tendo uma excelente temporada, o NT Isaac Sopoaga está sendo espetacular, o MLB segundo-anista NaVorro Bowman vai ser uma estrela na Liga e é até aqui o steal do Draft do ano passado, Ahmad Brooks está tendo um salto incrível de produtividade e o calouro Aldon Smith (Muito contestado quando foi escolhido) está sendo um dos três melhroes calouros defensivos da temporada.

Mas mais importante, foi o trabalho de Harbaugh (Ex-QB da NFL) com Alex Smith. Smith parece outro QB desde que começou a treinar com o novo técnico: Está muito mais confiante, cometendo menos erros, e está tendo confiança para lançar a bola mais fundo (Seu grande problema nos últimos anos). Apesar do playbook do 49ers ainda estar um pouco conservador com passes, quando o time precisou correr atrás do resultado (contra o Eagles), Harbaugh depositou sua confiança em Smith para vencer o jogo passando e deu certo - o 49ers saiu com a vitória em um jogo apertado. O time está 3-1, está claramente acima de qualquer outro time da NFC West, tem o melhor elenco da divisão, está com uma das melhores defesas da Liga e - por incrível que pareça - tem o QB que melhor está jogando na divisão! Vai durar? Eu não sei, ninguém pode dizer. Mas só a forma como Harbaugh transformou a mentalidade do time numa mentalidade vencedora e vem tirando o melhor de um QB que sempre teve o talento mas nunca teve uma conjuntura favorável, já torna ele pra mim uma adição espetacular para o 49ers. Depois de nove anos, esse time tem tudo para voltar aos playoffs. Estou apostando nisso - como torcedor, e também como um blogueiro do esporte. Ok, talvez mais como torcedor. Domingo teremos um bom teste: se o 49ers ganhar do Bucs, então fica provado que o 49ers é um time de verdade. Um time 4-1 com mais cinco jogos contra Rams, Cardinals e Seahawks termina no mínimo com oito vitórias - mais do que suficiente pra ganhar essa divisão.


Max Hall, John Skelton e Derek Anderson.
Um resumo da temporada 2010 do Cardinals


Arizona Cardinals (5-11)
O Cardinals foi um favorito dos fãs durante os anos 2008/2009 com seu ataque absurdo, liderado pelo brilhante Kurt Warner. Mas depois de uma derrota no Super Bowl  em 2008 e a aposentadoria do Warner em 2009, o time afundou com QBs como Derek Anderson e John Skelton tentando levar o time pra frente - e não conseguiram, o que fez o time ir buscar outro QB pra comandar o show.

Na offseason, Cardinals  fez barulho na NFL quando trocou um CB All-Pro, algumas escolhas de Draft e suas meias pelo QB reserva do Eagles, Kevin Kolb. Eu achei que a contratação era boa, mas o negócio foi péssimo: Trataram Kolb como um jogador comprovadamente capaz de se tornar um Franchise QB e pagaram por ele como tal, mas Kolb foi titular apenas cinco vezes na vida e era mais uma aposta pelos flashes de brilhantismo do que por algo que tivesse sido demonstrado de forma consistente. Eu já abordei bastante esse assunto, mas em resumo, eu achava Kolb o jogador certo para o time mas que veio a um preço absurdamente alto que poderia matar o Cardinals. Dito e feito, o time está uma desgraça: Kolb tem jogado bem, mas não muito, e apesar de flashes ainda comete muitos turnovers (Em parte pelo seu péssimo habito de lançar a bola apoiado no pé de trás). Com um WR como Larry Fitzgerald (Que pra mim perdeu o título de melhor da Liga pro Calvin Johnson, mas ainda é um jogador espetacular e que deve ir parar no Hall da Fama), qualquer QB mediano vai ser capaz de causar estrago, mas Kolb precisa produzir mais com o resto do seu time. A volta do RB Beannie Wells e seus três TDs contra o Giants foi muito boa pro time, mas Kolb precisa jogar melhor. O ataque sofria pela falta de alvos bons além do Fitz, e isso também tem atrapalhado, mas dado o que foi pago por Kolb, ele precisa jogar muito mais.

A defesa também tem sido um bagaço durante essa temporada. O time perdeu muitos jogadores pra Free Agency recentemente, e ainda fez o favor de mandar Dominique Rodgers-Cromartie pro Eagles, e mesmo com a ainda boa secundária no papel de Adrian Wilson, Kerry Rhodes e Patrick Peterson, essa unidade do time ainda é um buraco só que cede muitas jardas aéreas e está tendo dificuldade de produzir turnovers. Darnell Dockett joga sozinho na linha de frente do time, o que o torna um alvo fácil para double teams, e o time simplesmente está sentindo falta de talento na defesa.  É verdade que o time perdeu três jogos apertados, mas foram contra times relativamente fracos: O fraco Seattle Seahawks, os desfalcados Giants e o suspeito Redskins.

O time é horrivel? Não. É um time muito melhor do que era ano passado, Kolb tem na média jogado bem, Beannie Wells saudável é um bom corredor e ainda tem alguns jogadores talentosos na secundária que podem ajudar o time. É o segundo melhor time da divisão, o que não quer dizer muita coisa, já que a divisão fede. Mas o fato é que a não ser que o Cardinals resolva seus problemas na secundária e o Kevin Kolb comece a valer o que foi pago por ele, o Cardinals continua um time fraco e muito inferior ao San Francisco 49ers.


"Quer dizer que a culpa é do nosso camisa 7? Vamos pegar ele na porrada"
Seattle Seahawks (7-9)
No mesmo post acima sobre Kolb e o Cardinals, eu comentei sobre a offseason do Seahawks: Depois de vencer por milagre (E por pura ruindade dos adversários) a divisão em 2010, o time deixou seu melhor jogador ofensivo no Matt Hasselback (Sabe, aquele que ta tendo temporada da MVP nos Titans...) ir embora porque estava satisfeito trazendo o Tarvaris Jackson para ser seu titular, a ponto de nem pegar um Quarterback no Draft com sua escolha de primeira rodada, onde poderia ter pego Ryan Mallett, Andy Dalton (Que está jogando até que bem) ou Colin Kaepernick. E se a gente aprendeu uma coisa recentemente, é que na NFL não se vence mais sem um bom Quarterback, ainda mais depois das mudanças recentes de regra que tivemos (Maior proteção para o Quarterback e, principalmente, a regra das concussões - mas falaremos disso outra hora). O time trouxe dois bons alvos - O TE Zach Miller e o WR Sidney Rice - mas eu questionei o fato de não ter ninguém para lançar para eles.

E até agora, o Seahawks realmente fez tudo errado. O Jackson tem até bons momentos, jogou bem essa semana por exemplo, mas ele é ruim no geral, péssimo para gerenciar um ataque e é uma ameaça muito maior correndo com a bola do que passando, e as defesas estão absolutamente confortáveis com isso. O Seattle tem o quarto pior ataque em termos de pontos, o pior em jardas, o quinto pior em jardas aéreas e o segundo pior correndo com a bola. Ou seja, o time não ta fazendo nada direito no ataque: Não corre com a bola, e Tarvaris não consegue fazer muito lançando a bola. A defesa do time é mediana, tipo de defesa que pode ser sustentada por um ataque forte mas que não vai ganhar jogos sozinha forçando turnovers e segurando o adversário a poucos pontos. Não ajuda a defesa, também, o fato do ataque cometer muitos turnovers e não controlar o relógio. Ou seja, o erro de deixar o Hasselback sair foi fatal, e o Seahawks é um time mediocre ao extremo, sem um ataque capaz de fazer muito. Mesmo numa divisão fraca, não vejo o Seahawks passando na frente de Cardinals ou 49ers.


Você sabe que está mal quando alguém começa a trocar socos com o juiz

 
Saint Louis Rams (7-9)
Depois de quase ganhar a divisão em 2010 e parecer um time de futebol americano de verdade (O que já tava bom, considerando essa divisão ano passado), o Rams regrediu tudo de novo: O bom Sam Bradford, calouro do ano em 2010, está no meio da sua Sophomore Slump (A maldição que afeta QBs em seu segundo ano - pergunte ao Matt Ryan) e está sofrendo absurdos com a falta de alvos decentes (O melhor deles, Danny Amendoala, está fora da temporada) e de um jogo terrestre (O ótimo Steven Jackson machucou e continua fora). Sem esses dois jogadores importantes, o Rams está confiando no seu talentoso QB pra levar o time pra frente -  e ele está falhando. Não que ele seja ruim, ele foi muito bem (pra um calouro) ano passado e tem talento de verdade, mas ele ainda não é capaz de levar um ataque pra frente sem um jogo terrestre e sem alvos confiáveis (Nem todos são Peyton Manning). O time precisa dele pro ataque funcionar, mas ele sozinho não vai ser capaz de fazer isso. Simples.

Mas o problema do Rams (ou o maior deles) não é o ataque, é a defesa. Depois de um 2010 que teve jogadores como Chris Long e James Laurantinis se destacando e fazendo muita gente acreditar que essa defesa estava no caminho certo, a defesa regrediu de vez: Tem de longe o pior ataque terrestre da Liga (170 jardas cedidas por jogo!) e a defesa aérea só não está pior colocada (13ª melhor) porque todo mundo fica jogando mais pelo chão do que pelo ar, porque tirando o Quentin Mikell a secundária também não está passando confiança. Se a defesa terrestre conseguisse manter os adversários cautelosos pelo chão, a secundária talvez pudesse dar melhor conta dos passes, mas sem isso a secundária não tem conseguido ajudar em nada. A defesa terrestre tem que melhorar, mas eu não vejo o ataque dando a volta por cima a não ser que haja um grande salto de qualidade do Bradford ou que o Jackson volte com força. Candidato a pior time da pior divisão da NFL. Que honra.



Extra: Palpites para a ALCS, Tigers vs Rangers
Já falei tudo que tinha pra falar sobre as forças e fraquezas dos times no post sobre as ALDS, então fica aqui só meu palpite para a série.

O Tigers é um bom time, que eliminou o Yankees mesmo tendo 17 corridas contra 28 do Yankees. O Tigers venceu porque ganhou os jogos apertados - ou seja, ganhou com seus arremessadores, sabendo que não tinha um ataque tão potente quanto o Yankees. Já o Rangers ganhou do Rays com seu ataque e sua capacidade de anotar corridas. Mas a verdade é que, completo, o Texas é um time de playoffs melhor do que o Yankees. Não tem um ás do calibre de CC Sabathia, mas tem uma rotação muito mais sólida e completa, e tem um ataque igualmente explosivo, ainda que mais dependente de Adrian Beltre e Josh Hamilton do que o Yankees é de qualquer dois jogadores do seu elenco - daí o "completo".

Os dois tem chances, claro, mas eu acho o Rangers um time mais completo - o Justin Verlander ainda não trouxe pros playoffs seu melhor jogo da temporada regular, e a parte de trás da rotação do Rangers é mais completa, e tem um ataque melhor. Se - SE - o Justin Verlander achar seu jogo, e eu torcesse para o Rangers, eu estaria MORRENDO de medo de chuva no jogo dois, três ou quatro, que permitiria ao Verlander arremessar três jogos nessa série. Mas isso é um grande "SE", e o Texans é um time mais descansado. Eu acho que o ataque do RAngers vai levar a melhor nessa série: Se o Rangers não tem um ás do nível do Cliff Lee arremessando, ele tem um ataque maispotente com o Beltre. Minha aposta vai pro Texas. Rangers em seis.