Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Denver Broncos

"E ai o passe caiu, e a mulher dele botou a culpa em mim..."


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North, os previews da NFC North, os da AFC South e agora também os da NFC South, e agora entramos na reta final dessa série com os previews da AFC West, começando pelo forte Denver Broncos. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Denver Broncos

2012 Record: 13-3
Ataque ajustado: 2nd
Defesa ajustada: 5th


Uma coisa que me ficou bem clara pesquisando para fazer essa série de previews - e já foram 24 tirando esse - é que existe um grande desequilíbrio de forças na NFL atualmente: a NFC é muito, mas muito mais forte do que a AFC. Não só porque eu espero que seja assim em 2013, mas também porque foi assim em 2012: dos 12 piores times em eficiência ajustada (per Football Outsiders), incríveis 10 jogavam na AFC e apenas dois (Eagles e Cardinals) jogavam na NFC. Da mesma forma, entre os 16 melhores times da liga, apenas cinco eram da AFC, e apenas três apareciam no Top10: o campeão Ravens (8th), o eterno Patriots (3rd), e a "novidade" Broncos (2nd).

O Broncos na verdade foi um daqueles bons casos que queimam nossa língua. Ao longo da última offseason, eu critiquei a diretoria por dar um contrato tão grande (tanto em duração como valor) para um QB de 36 anos vindo de um ano parado e cinco cirurgias e tratamento com células tronco no pescoço e que já tinha apresentado sinais de decadência em sua última temporada como profissional. Meu problema era menos com a contratação (o contrato oferecia algumas proteções e Peyton Manning obviamente é um QB de elite quando joga) e mais pelo fato do Broncos ter buscado remontar boa parte da sua equipe e playbook em torno das características de Manning, o tipo de jogada de alto risco e alta recompensa que renderia um bom ano caso seu QB ficasse 100% durante a temporada inteira e que praticamente destruiria sua temporada no caso de uma lesão... e de novo, ele estava vindo de uma offseason com cinco cirurgias no pescoço aos 36 anos. 

No final, o Broncos assumiu o risco e o resultado foi o melhor possível: Manning voltou sem sentir a ausência, jogou num nível quase obsceno, foi eleito o MVP entre jogadores que não foram criados em laboratório por cientistas durante o governo Reagan (ou seja, ficou em segundo depois do Adrian Peterson), e o time de Denver foi praticamente um furacão que atropelou todo mundo: foi o primeiro na AFC em eficiência, com o segundo melhor ataque (atrás do Pats) e a segunda melhor defesa (atrás de Houston) da conferência, terminando com o melhor record e fechando a temporada com incríveis 11 vitórias consecutivas. Então sim, esse foi um que eu errei feio, Manning ficou saudável e me fez comer as palavras, e eu não poderia ter gostado mais: poucos QBs são tão legais de se ver jogar como ele, e a liga é melhor quando Peyton Manning está em campo. É bom ter o número 18 de volta.

(Manning também é capitão do meu All-Time "Não parece, mas ele é um cara extremamente bem humorado" na frente de Tim Duncan. Clique aqui e aqui se não acredita. Ele é simplesmente awesome.)

E a transformação de Denver em uma potência ofensiva sob a batuta de um Manning saudável não foi exatamente uma surpresa. Desde 2006 (ano do seu título com o Colts), os times de Peyton terminaram 1st, 2nd, 5th, 6th e 6th, terminando no Top5 pelo ar cinco anos seguidos. Com Tim Tebow no comando, o Broncos era uma força que buscava correr com a bola, minimizar os erros e passar o mínimo possível, mas para 2012 esse ataque se reinventou como um grupo que jogava em alta velocidade, era extremamente explosivo pelo ar e simplesmente parou de ser um grupo que buscava ser sólido o suficiente para ser um grupo que engolia e dominava seus adversários. O ataque terrestre, força que carregou nas costas o time um ano antes, caiu para um abaixo da média 15th e o ataque aéreo explodiu para o segundo melhor da NFL. Manning liderou a liga em QBR (84.1), Demaryius Thomas e Eric Decker explodiram para mais de 1000 jardas cada e esse ataque foi basicamente um furacão varrendo todo mundo no caminho.

O que é interessante notar é que não foi fácil assim desde o começo. Durante os primeiros cinco jogos (duas vitórias e três derrotas), o time teve algumas dificuldades, em particular Manning. Talvez por ainda estar sacudindo a ferrugem depois de tanto tempo sem jogar, talvez por ainda estar sentindo algum efeito da lesão, talvez por estar se adaptando a um novo playbook e novos companheiros, ou mesmo (e essa é a minha opinião) porque estava tentando fazer as mesmas coisas que fazia dois anos antes mas seu corpo não estava acompanhando, seu braço não tinha a mesma força nas bolas longas, ele não conseguia acompanhar lateralmente o jogo na mesma velocidade com seu pescoço e tudo mais. Provavelmente um pouco disso tudo junto. Mas é por isso que Peyton Manning é um dos melhores QBs de todos os tempos: ele se adapta a qualquer time, situação ou afins. Em parte seu corpo foi recuperando os hábitos da NFL, mas na maior parte Manning percebeu o que ele ainda podia e o que não podia mais fazer, e mudou seu estilo de jogo: menos bombas, mais passes em velocidade pelo meio, mais checkdowns quando a pressão chegava. Enquanto o corpo envelhece e os jogadores perdem seu físico e seus reflexos, tem algo que não se perde, que é seu cérebro - e Manning é o QB mais inteligente talvez de todos os tempos. Ele usou isso para maximizar cada oportunidade e situação conforme seu corpo, braço e pescoço pós-cirurgias lhe permitiam, e ele praticamente transformou seu jogo sutilmente para voltar a ser aquele jogador espetacular de antes apesar de todas as limitações. Mais do que a sequência de 11 vitórias ou o record de 13-3, para mim esse foi o feito mais impressionante da temporada 2012 do Denver Broncos.

Mas se essa transformação ofensiva da equipe não foi exatamente uma surpresa, a da defesa foi. O grupo foi relativamente bem em 2012, 18th overall (o ataque foi 23rd, por isso o "relativamente") e contava com alguns jogadores muito promissores como Elvis Dumervil e Von Miller. Mas eu realmente não esperava que pulasse para quinta melhor da liga em apenas uma temporada. Em parte isso aconteceu por alguns fatores externos (já chegaremos nele, mas não tem nada a ver com fumbles dessa vez) e em parte porque Von Miller evoluiu em um dos melhores jogadores da NFL e foi uma força do começo ao fim, Dumervil teve outra temporada de Dumervil, e o resto encaixou no lugar com alguns jovens jogadores surgindo e alguns veteranos mantendo o nível. Derek Wolfe, calouro, foi importantíssimo na linha defensiva, o veteraníssimo Keith Brooking tapou muito bem o buraco no meio da defesa jogando de MLB, e Champ Bailey continuou sendo eficiente como sempre apesar da idade. Foi uma daquelas temporadas onde tudo se encaixa no lugar certo, tudo funciona as mil maravilhas, tudo caminha na direção certa e o resultado é excelente.

E se as coisas pararem de se encaixar? Essa é a questão que o Broncos enfrenta para 2013. Ofensivamente, eu não vejo motivos para preocupação, pelo menos enquanto Manning continuar saudável (e por enquanto eu lhe darei o benefício da dúvida): a base do ano passado, e a equipe ainda adicionou um dos melhores WRs da liga em Wes Welker. Ainda que seja possível imaginar que Welker não vá continuar tão produtivo como em New England, onde jogava em um esquema tático baseado amplamente nos seus talentos e no seu entrosamento de outro mundo com Tom Brady nas option routes, mas não vejo porque a adição de um jogador tão talentoso iria deixar de reforçar esse ataque, especialmente com outro Hall of Famer no comando. Welker deve assumir as funções de slot e permitir a Eric Decker jogar de forma mais variada nesse ataque, e na pior das hipóteses vira um ataque mais variado e mais difícil de ser marcado. Na melhor, Denver chega a três receivers com mais de 1000 jardas pela primeira vez desde 2008 (Cardinals) e esse ataque sobe mais um nível. Mas o potencial desse ataque é maior do que o do ano passado, e isso quer dizer muita coisa considerando quão bom ele foi em 2012.

A defesa é o problema para a sequência. Como eu disse, 2012 foi o ano que tudo se encaixou perfeitamente: seus dois melhores jogadores foram a base para essa defesa (Miller e Dumervil), alguns jogadores jovens (Rahim Moore, Derek Wolfe) apareceram para complementar algumas deficiências, e veteranos como Keith Brooking e Champ Bailey jogaram em altíssimo nível para fechar o grupo. Foi um elenco bem completo e que tinha bons jogadores em todas as posições, com alguns jogadores fora de série causando maior estrago e forçando ajustes e os demais se aproveitando disso. Mas teve mais uma coisa que foi a favor do Broncos, como nota o grande Bill Barnwell: essa defesa ficou incrivelmente saudável em 2012, acima do "normal" considerando a enorme variação e imprevisibilidade de lesões ano a ano. Na verdade, per Football Outsiders, nenhuma defesa foi mais "sortuda" em 2012 em termos de lesões, com os 11 titulares da defesa perdendo apenas 11 jogos no total. Saúde é uma variável infelizmente muito volúvel de ano a ano, e podiamos esperar que as coisas não seriam tão boas assim em 2013 para o Broncos.

Na verdade, o primeiro e talvez mais significativo caso de perda nessa defesa não teve nada a ver com lesões, que foi a saída de Elvis Dumervil. Depois de 11 sacks em 2012, a diretoria de Denver quis renegociar e diminuir seu contrato por considerar os valores muito altos e que estariam dificultando a negociação de novos reforços. Dumervil não gostou da situação e isso se arrastou até o dia final para as negociações, onde Denver poderia cortar o jogador caso a renegociação não acontecesse. De última hora, o DE decidiu que aceitava, e então seu agente tinha que mandar um fax para o Broncos e para a NFL confirmando a renegociação... só que a besta quadrada não conseguiu usar direito um fax e acabou não enviando a tempo o fax, e então o Broncos optou por cortar Dumervil e seu salário. Questões salariais a parte, o impacto disso é enorme dentro de campo: Dumervil foi crucial para atrair marcações duplas e evitar que toda hora a defesa dobrasse a marcação em Von Miller, sem falar na pressão colocada nos QBs adversários, e substituí-lo simplesmente não vai ser possível. Denver apostou em Shaun Phillips, do rival Chargers, um bom pass rusher mas que passou toda sua carreira jogando de OLB em um esquema 3-4, e que agora - aos 32 anos - vai ter que fazer a conversão para um DE. Phillips é bom, mas não é uma conversão fácil agora que sua habilidade atlética está decaindo, e não consigo ver como ele vá suprir a ausência de Dumervil. Perder seu segundo melhor jogador é um grave golpe para qualquer defesa.

Eles também perderam outras peças relativamente importantes, em especial entre seu grupo de linebackers: Brooking saiu da equipe e deve se aposentar e Joe Mays levou seu salário e problemas extra-campo para Houston, deixando a equipe sem nenhum MLB. A equipe também perdeu Tracy Porter, que teve um papel importante como nickel corner em 2012 e que foi para Oakland (embora tenha trazido Dominique Rodgers-Cromartie para seu lugar, então não é exatamente um grande problema). Algumas peças importantes estão de saída, e isso é problemático.

Mas como esperado, as lesões voltaram para assombrar a equipe, e com tudo. Stewart Bradley, o MLB mais provável para ganhar a vaga na posição mais carente da equipe (depois das saídas de Mays e Brooking), quebrou o pulso e vai perder diversas semanas da temporada regular, deixando a posição ainda mais fraca. Depois foi a vez do veterano Bailey e do menino Wolfe de sofrerem suas lesões, com Bailey machucando seu tornozelo e Wolfe sofrendo uma lesão assustadora na coluna. A lesão de Wolfe pareceu não ter sido tão ruim como poderia, mas ainda foi uma lesão gravíssima e assustadora que vai mantê-lo parado por tempo indeterminado, e Bailey deve perder várias semanas. É difícil frisar o impacto disso no time, mas só digo que é bem grande: Wolfe fez um ótimo trabalho como DE oposto a Dumervil na sua temporada de calouro, e a expectativa era de um salto ainda maior para essa temporada -  especialmente considerando que com a saída de Dumervil, o time precisava ainda mais que Wolfe se estabelecesse como um bom pass rusher para tirar a pressão de Phillips e sua conversão para o esquema 4-3 e atraísse as dobras de marcação para livrar Miller. É uma perda extremamente significativa e o pass rush da equipe vai sofrer como consequência, o que é ainda pior quando consideramos que o melhor jogador dessa secundária - que foi um pouco exposta nos playoffs - está fora por algum tempo. Rodgers-Cromartie também está lidando com sua própria lesão no pé, e então essa secundária - que já era um pouco delicada e que dependia muito do pass rush - pode ser um elo vulnerável no começo da temporada.

E claro, temos o problema de Von Miller, seis jogos suspenso por uso de substâncias proibidas. É importante não confundir com as suspensões de metade do time do Seahawks por PEDs, já que o caso de Miller parece ser maconha e não Aderall. Miller já havia sido pego como calouro por uso de maconha e metanfetaminas, então essa foi sua segunda violação (em tempo: a suspensão inicial de Miller era de quatro jogos, ele decidiu apelar, e foi suspenso seis. Quem são os advogados desse cara?! Winston Payne está envolvido?). Isso significa que não só Miller vai perder esses seis jogos (Ravens, Giants, Raiders, Eagles, Dallas e Jaguars), como uma eventual próxima suspensão será de uma temporada inteira, então é bom Miller se cuidar. Com essa segunda suspensão ele também entra em definitivo (não pode mais sair) dos acompanhados pelo programa de drogas da NFL, então a supervisão vai ser muito mais apertada. Perigoso isso. E claro, não preciso falar exatamente do quanto essa perda é significante, Miller foi provavelmente o melhor e mais importante jogador defensivo de 2012 não chamado "Watt", e ele é fundamental para praticamente tudo que a equipe faz em campo: cobertura em terceiras descidas, jogo terrestre e principalmente colocar pressão no QB, pode escolher, ele está lá causando estragos. Se você está contando, o Denver deve começar a temporada sem seus CINCO melhores jogadores de 2012 (Brooking e Dumervil saíram, Wolfe, Bailey machucados e Miller suspenso), o que indica problemas. E mesmo quando Miller voltar, Dumervil não vai, e ninguém sabe exatamente quando Wolfe e Bailey estarão de volta. Para uma defesa que tudo caiu no lugar ano passado para ficar em quinto, esse ano pode ser a que tudo da errado e ela despenca... e tenho certeza que nenhum torcedor do Broncos esqueceu o que aconteceu nos playoffs (ainda que não de para concluir nada de um jogo só).

E é nesse pé que as coisas estão. Em uma AFC muito fraca, as duas potências (Patriots e Broncos) enfrentam algumas questões importantes quanto ao nível em que jogaram um ano atrás. A diferença é que o Patriots enfrenta essas dúvidas no ataque, e o Broncos na defesa. Uma ocorrência comum na NFL e que pode se aplicar ao Broncos, também, é quando um ataque com alguns elos mais frágeis (secundária, no caso) são "protegidos" por uma força dominante (no caso, pass rush), o fim do segundo pode expor o primeiro de forma que ninguém esperava e que não estava nas contas da própria equipe, e se a falta de Miller, a lesão de Wolfe e a saída de Dumervil tiverem esse efeito de expor a secundária, é algo que a equipe pode ter que mudar todo seu plano de jogo para resolver. No meio da temporada ainda por cima, cheio de lesões, é um cenário preocupante. Ainda que a equipe deva continuar se montando forte no geral, é um ponto fraco desse time.

O lado bom é que Denver ainda deve ter um dos melhores, senão o melhor, ataque da liga desde que Manning fique saudável. Esse ataque deve ser ainda melhor do que em 2012 com a chegada de Welker e se tem uma coisa que sabemos é que na NFL é possível ir longe com uma defesa mediana ou fraca desde que seu ataque seja destruidor, e esse promete ser. As métricas comuns também ajudam o Broncos, pois o time terminou 13-3 com um Pythagorean de 12-4 e 0-2 em jogos decididos por uma posse de bola, e como falamos no primeiro post de todos, o único time da história da NFL a consistentemente superar sua Pythagorean Expectations por tempo suficiente foi o Colts de Manning, então nada indicaria uma regressão nesse sentido - o Broncos foi na verdade um time até bem azarado com fumbles, recuperando apenas 37.5% deles. Ainda teve um fator que ajudou bastante a equipe, já que o Broncos enfrentou o segundo mais fácil de toda a liga em 2012 (atrás apenas do Colts)... mas considerando que jogam na divisão mais fraca da NFL, eles ainda projetam para ter um calendário extremamente fácil (naturalmente que na prática sempre difere das projeções, mas enfim, é o que temos agora). A defesa deve piorar consideravelmente, especialmente nesses primeiros jogos, mas isso é uma preocupação maior para quando os playoffs chegarem do que quando a equipe estiver esmagando os Raiders em novembro. Você pode ser campeão com uma defesa fraca se Peyton Manning é o seu QB, e considerando que seu ataque estará ainda melhor, a defesa preocupa mas não é algo intransponível. É fácil então apostar em algo como 12 vitórias desse time novamente, e em uma AFC que parece fraca e sem grandes times, o Broncos emerge como o grande favorito. O que não garante nada até porque o time, como já foi dito, tem algumas falhas importantes na defesa... mas já é alguma coisa. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diário do Super Bowl XLVI

"Nos encontramos de novo, meu velho..."



Num dos Super Bowls mais interessantes dos últimos anos - sério, você não acha um Super Bowl com mais histórias, motivações e significado de revanche do que esse tão facilmente - eu achei que não era a hora de ver esse jogo sozinho. Meu pai está em depressão desde a final da NFC, e assistir ao Super Bowl sozinho pela primeira vez desde 2001 não estava nos meus planos. Por isso chamei meus amigos torcedores do Patriots, Rai e Pedro, e minha namorada (também uma patriota - não sei onde eu errei) para assistirem ao jogo lá em casa. E, pra tentar uma coisa nova, mantive um diário do segundo tempo do jogo.

Antes, um pequeno esclarecimento: Eu abordei extensivamente (de verdade, acho que foi um dos maiores posts que eu já escrevi na vida) no meu último post o significado profundo desse jogo. Não era só um jogo pelo título, pelo menos pro New England Patriots - era pessoal, era a chance de conseguir vingança, era a chance de tentar amenizar a maior derrota da história da franquia. Aquilo continua valendo: Ganhe quem ganhar, tudo que está lá ainda é verdade. O Patriots, que está ganhando de 10 a 9 no intervalo, sabe que é uma chance única de se vingar da derrota de 2007, e Tom Brady e Bill Belichick sabem o que esse título -  e esse jogo - significam para seu legado na NFL. As duas maiores duplas técnico/QB da história (Bill Walsh/Joe Montana e Don Shula/Dan Marino) não ganharam quatro Super Bowls. Se eles vencerem esse jogo, mesmo a mancha negra (que nunca vai sumir) da derrota no Super Bowl XLII não vai ser tão forte como argumento. Todos os fãs de esporte sabem: Nem todos os campeonatos são iguais, nem todos tem o mesmo sabor nem o mesmo valor. Uma vitória hoje não vai compensar a derrota de 2008... Mas vai ter um sabor diferente do que se fosse, por exemplo, contra o Saints. O Patriots sabe disso, é só ver as trombadas, é só ver a energia e a disposição. O jogo está totalmente aberto porque o Giants soube aproveitar o erro do Pats e porque o Tom Brady demorou pra acordar. E está esquentando!

Mas tudo que eu tinha pra falar sobre o significado desse jogo foi no post abaixo (linkado acima).  Agora vamos ao diário...

Halftime: Show da Madonna a todo vapor. Aparentemente tem duas mulheres com ela que eu deveria conhecer. Os patriotas da mesa estão surpresos que eu nunca ouvi falar em nenhuma das duas. Procurei na Wikipedia e aparentemente o nome de uma delas é M.I.A... Mas você fala como se não tivessem pontos, Mia, e os pontos só estão lá porque... são legais? Preciso de uma bebida pra começar o segundo tempo...

Em tempo, parece que essa tal de MIA fez um gesto obsceno com a mão e agora virou o maior centro de atenções do Show do Intervalo. Eu acho uma frescura: Se Colts e Jaguars podem se enfrentar em plena luz do dia sem ninguém achar obsceno, então não vejo porque um simples dedo do meio seria tão pior. At all.


Halftime: Você pode não gostar da Madonna ou da seleção dos shows que eles fazem pro intervalo do Super Bowl, ou pode até achar que o show em particular foi um saco (o do ano passado foi bem fraquinho, por exemplo)... Mas não da pra deixar de achar a produção muito bem feita. Muito bem feita, a montagem é feita numa velocidade alucinante, luzes e efeitos visuais pra todo lado... E a cena do estádio apagado só com as luzes do palco e dos celulares é de arrepiar. Estou ficando animado, e olha que nem começou o terceiro quarto.

3rd Quarter - 15:00: Pedro está entrando na sua fase bipolar. Desde o começo do jogo ele já passou de "Nós vamos tomar uma surra!" pra "Vamos devolver a derrota de 2008!!", voltou pra "Ah não, intentional Grounding, ele não está bem!!", passou por "Estamos no Super Bowl e você não!!" e agora voltou pra "Tom Brady é o melhor Quarterback de todos os tempos, vamos ganhar!!". Se o Giants ganhar esse jogo, ele não vai ter um momento mais de paz na vida. Vou pessoalmente garantir isso.

15:00: Meu pai chega, assiste cinco minutos e avisa que vai dormir. Isso nunca aconteceria se o Niners tivesse terminado o ano 6-10. As vezes, chegar perto e falhar dói muito mais do que nem chegar.

14:54: Uma recepção do Chad Ochocinco!! Se isso não é um bom sinal para o Patriots, eu não sei o que é!! Rai prevê que ele será o responsável pelo TD do título. Eu achava que ele só não tinha sido cortado do time pra tirar as atenções do Tom Brady no Media Day.

11:25: Pela terceira vez em quatro jogadas, o Pats joga no seu eficiente esquema No Huddle, que por algum motivo eles abandonaram até aqui na partida. O resultado? Touchdown para Aaron Hernandez, 11 jardas. Eu acabei de ver Tom Brady completar 16 passes seguidos em duas campanhas (uma de 94 jardas) para dois Touchdowns? É claro que sim!! Aquele Safety do começo da partida ficou totalmente pra trás, Brady está com cara de quem está totalmente focado. Não tem ninguém melhor que ele na NFL atualmente. Num jogo que pode determinar o resto do seu legado na NFL, acabar de vez com a discussão de "Melhor QB da sua geração" e colocar de vez Brady entre os maiores QBs da história, nada melhor do que jogar como vem jogando nessas duas últimas campanhas. Patriots 17 a 9.

Em tempo, Everaldo Marques avisa que os 16 passes consecutivos de Brady são um recorde do Super Bowl, e que ele quebrou os recordes anteriores do Joe Montana de passes completos consecutivos, passes completos e jardas em um Super Bowl, ignorando que Brady joga uma era que facilita muito mais o passe e jogou um Super Bowl a mais. Pedro e o Rai imediatamente jogam os recordes na minha cara e falam que Brady é muito melhor que Montana... O melhor QB a pisar nessa Terra e meu maior ídolo no esporte. Estou começando a torcer pelo Giants. Falta pouco...

6:47: Uma boa campanha do Giants acaba só com um Field Goal pra trazer a diferença de volta pra cinco pontos. A campanha do Giants funcionou enquanto o time jogou pelo chão e encurtou as conversōes, mas terminou com três passes seguidos e isso matou o ataque do time. Eu já tinha avisado que o Giants ia precisar correr com a bola mesmo que a linha defensiva do Patriots esteja em boa fase, e estava dando resultados na campanha. A diferença está um pouco grande demais pra jogar contra esse Brady pegando fogo. Do meu lado, Pedro fala que a diferença de dois pontos vai ser o que causará a derrota do Patriots. Ele ta mais instável que a defesa do Patriots. Prevejo um ataque cardíaco até o final do quarto.


6:37: Jason Pierre-Paul sai do campo aparentemente machucado. Não parece grave, mas é um jogador importante demais pra não causar preocupação. Vamos ver se volta...

6:12: Brady erra seu primeiro passe nos últimos 17 que tentou, depois a campanha do Patriots acaba com um sack de Justin Tuck. Tuck está jogando muito bem hoje, já forçou um safety hoje e tem sido a força mais destrutiva da defesa do Giants hoje. Sack gigante aqui pra quebrar o ótimo momento do Patriots e recuperar a bola pro Giants. Ele ainda vai ter um momento importante nesse jogo. Só esperem pra ver.

5:01: Hakeem Nicks sofre um fumble após um passe curto, mas Jarod Mayo passa reto pela bola e ela sobre limpa pra dois jogadores do Giants recuperarem. O comentarista americano lembra que no Super Bowl XLII o Giants recuperou seus três fumbles. Ouch. O que sobrava de vida nos meus companheiros de Super Bowl acabou de sofrer um grande golpe.

2:33: Acabou a cerveja. Mais um grande golpe. Vamos ver se H2OH faz o papel.

2:33: Não faz. E a pizza também está acabando. Isso vai ficar feio...

1:14: Rob Ninkovich - um dos melhores jogadores da defesa do Patriots nas últimas semanas e hoje a noite também - chega em Eli Manning pra um sack dentro da Red Zone do Patriots, possivelmente impedindo um Touchdown. O Field Goal mantém a diferença em uma posse de bola, só que agora são só dois pontos. A defesa do Patriots tem se segurado bem nas horas críticas. Hora do ataque aparecer.

4th Quarter - 14:31: A pressão de Tuck, sempre ele, chega em Brady. Ele foge do primeiro sack, foge do segundo, sai do pocket, tem caminho livre pela frente... E lança uma bomba pro Rob Gronkowski. A bola viaja, viaja, viaja... E é interceptada pelo LB Chase Blackburn, que pulou na frente do Rob Gronkowski.

Nem sei por onde começar a falar dessa jogada. Primeiro, foi a segunda bomba precipitada do Brady no jogo hoje - o intentional grounding foi a primeira. Ele saiu do pocket (onde ele é muito mais eficiente do que fora), estava em movimento lateral (mais difícil de acertar um passe longo porque tem menos apoio) e tinha caminho livre. A jogada também era uma primeira descida, e se ele corresse podia ter ganho cinco jardas. Não tinha porque ele tentar esse passe - Gronkowski até conseguiu uma boa separação e um passe preciso aqui significava TD, mas a chance de acertar esse passe nessa situação era bem pequena. Foi uma má decisão, um passe precipitado - talvez excesso de confiança no próprio braço - e a bola volta junto com o momento do jogo para o Giants. Boa interceptação de Blackburn, também.

Também preciso lembrar uma pequena verdade: Essa bola não seria interceptada se Gronk estivesse 100%. Ele mal tentou pular. Dificilmente ele conseguiria agarrar um passe tão atrás, mas pelo menos iria brigar pela bola o suficiente pra Blackburn - um jogador que não intercepta passes - não conseguir domínio da bola. Um pulo, os braços levantados pra atrapalhar o jogador do Giants e brigar pela bola, e aquele passe ruim cai na grama sem maiores consequências.

Em tempo: muita gente disse que Gronk não deveria jogar se não estivesse 100% - o que ele claramente está e todo mundo sabe que não estaria desde o jogo contra o Ravens. Mas eu entendo ele. É que nem o Kevin McHale jogando com o pé quebrado os playoffs de 1987, o que acabou com o resto da sua carreira:, o que ele diz até hoje que faria de novo Você não sabe se algum dia terá essa chance novamente, pode ser sua ultima chance de estar nessa situacão, num bom time, brigando por um título. E se você tem a chance, você tem que aproveitar ao máximo, você tem que fazer tudo o possível pra que ela se realize. Gronk não estava 100%, mas ele TINHA que jogar. Ele era extremamente importante pro time, que perdia muito - e perdeu - sem sua explosão, sua movimentação. Ele sabia disso, e fez o que tinha que fazer - jogar. O Pats tem uma desculpa em caso de derrota bem aí, porque foi uma grande perda - ele acabava de vir da melhor temporada estatisticamente de um TE na história (numa era que favorece o passe e, especialmente, Tight Ends, claro - por isso o estatisticamente). Mas nunca questionei sua presença em campo.

Aliás, o comentarista americano, com seu incrível talento para matar patriotas, acaba de lembrar que o responsável pela lesão do Gronkowski foi o mesmo Bernard Pollard que estourou o joelho de Brady em 2008 e o de Wes Welker em 2009. Yeekes! Qual é a chance do Jets oferecer um contrato de 8 milhōes de dólares ao Pollard no fim do ano? E para esse comentarista?

14:31: Pedro manda eu desligar o notebook porque está dando azar. Got it.

14:12: Brandon Spikes força o fumble de Ahmad Bradshaw... E é  imediatamente recuperado pelo Guard de NY. Giants está 5-0 em fumbles recuperados contra New England nos dois Super Bowls. É preciso comentar que fumbles recuperados é uma estatística que gira em torno da sorte - ou seja, dos 50% de aproveitamento pra cada lado. Historicamente, times que recuperam mais de 50% dos seus fumbles sofrem regressōes em relação à media invariavelmente, por isso é uma medida que pode indicar sorte quando há desequilíbrio nos números. O Giants está 5-0 contra o Pats em Super Bowls e acabou de ficar 7-0 em fumbles recuperados nos três últimos jogos. Por mais que o Giants seja um grande time, não da pra deixar de notar que esses dados estão gritando "SORTE" nos nossos ouvidos. O único fumble que o Pats recuperou foi anulado pela falta mais idiota do jogo (12 homens na defesa).

14:12: O Giants acabou de gastar seu primeiro tempo nessa prorrogação um pouco cedo demais. Com o jogo tão apertado, poupar os tempos para um momento decisivo é crucial. Não precisava ter gasto esse agora.

9:35: Numa 2nd and 5, o Giants gasta seu segundo tempo, só nessa campanha, pra evitar um Delay of Game. Péssimo controle dos tempos pelo Giants, você não pode gastar num jogo tão apertado contra um QB tão bom como Brady seus tempos dessa forma e ficar sem nenhum pra ter a opção de controlar o relógio no final. Eu acho que prefiro a falta de 5 jardas e ficar com os dois tempos. Horrível a opção.

9:35: Kevin Boothe faz minha noite ao cometer um False Start... O que quer dizer que o Giants vai enfrentar numa 3rd and 10 do mesmo jeito e o Giants acabou de gastar um tempo a toa. Parece castigo. Pedro diz que é um mal sinal, mas eu acho que qualquer coisa a essa altura do campeonato está valendo. A sala está num silêncio assustador.

9:35: O Giants não converte a descida e é obrigado a ir pro Punt. Terrível a campanha do Giants quando lembramos que ela comeu dois tempos e não conseguiu nem um Field Goal.

5:22: Conversão importante pro Patriots aqui numa 3rd and 3 (Quatro jardas pro Hernandez). Pats vai gastando bem o relógio, avançando bem no campo e já está perto do Field Goal. Duas ou três primeiras descidas provavelmente matam o jogo, especialmente se o jogo terrestre funcionar. Um TD acaba de vez com o Giants. Mas ainda faltam cinco minutos, e o Pats ainda está na linha de 43.

4:06: Ouch! Brady descola um passe longo pra um Wes Welker livre, que gira o corpo mas deixa a bola escapar!! Já sei qual vai ser o crucificado do jogo se o Giants conseguir a virada.

Olhando o replay, era uma bola agarrável e Welker não pode deixar escapar essa chance num Super Bowl, mas a culpa não é só dele. Welker conseguiu boa separação, mas tinha cortado pra dentro do campo, enquanto o passe foi pro lado de fora, obrigou Welker (um WR de agilidade e rotas curtas que não é um grande jogador recebendo bolas altas ou em profundidade e não tem grande impulsão) a girar todo o corpo e saltar pra tentar agarrar a bola. Brady não costuma errar passes assim, ainda mais pro WR livre dessa maneira, mas essa bola foi do lado errado e um pouco forte demais. Ele normalmente não erra esses passes, e Welker geralmente pega essas bolas ainda que seja bem difícil. Algo parece errado.

4:00: Brady acha Deion Branch cortando pelo meio da defesa numa crucial 3rd and 11 que pode dar a direção definitiva da partida, mas o passe sai muito atrás e Branch não consegue agarrar a bola. Patriots vai ter que chutar. Não era um passe fácil, mas teve tempo e Branch estava com uma boa separação, era só colocar o passe num lugar acessível. Não foi o caso. Brady errou dois passes cruciais em sequência, e o Giants tem a bola com o melhor 4th Quarter QB da Liga pronto pra virar esse jogo.

3:46: A ESPN brasileira passa comerciais e uma imagem distante do campo enquanto Eli Manning acha seu Wide Receiver num passe espetacular de 38 jardas pro Mario Manningham. Quando a ESPN finalmente mostra a jogada, eu não consigo acreditar em como foi por pouco: Por meio centímetro o pé dele teria encostado fora, por uma polegada a bola não passa pelos defensores, por um centímetro ele consegue o controle da bola. Essa jogada vai ser lembrada como a versão 2012 da catch do David Tyree, mas aquela foi uma jogada de raça e sorte, e essa uma jogada de habilidade (e um pouco de sorte). Começo crucial aqui pro Giants. Ninguém respira na sala. O Patriots desafiou a jogada, e acho que vai perder um tempo valioso com isso. Não importa, o desafio tem que ser feito. Daqui, parece que a recepção foi perfeita, mas nunca se sabe com as zebras.

3:46: As zebras confirmam a recepção. Jogada genial do Eli Manning e grande controle do herói improvável, Manningham. Lá vem o Giants...

1:09: O Giants já tem esse jogo virado: 1st and 7 na linha de 7 jarda, grande campanha do Eli Manning e do Hakeem Knicks. O Giants corre com Bradshaw, que pouco ganha, mas não importa. O FG dificilmente não vai entrar, o Patriots acabou de pedir o seu segundo tempo... O que significa que mais duas jogadas terrestres e um FG vão resultar em um ponto de vantagem e cerca de 20 segundos a um Patriots sem timeouts.

Aliás, o Patriots perdeu uma grande chance de tomar um TD aqui. Não, estou falando sério (eu propus a ideia aqui e depois de uma primeira rodada de "Nada a ver!!" e "Ta maluco??", todo mundo parou um segundo e viu que era a única solução), o Patriots tinha que forçar um TD aqui nem que pegassem o Bradshaw no colo e jogassem ele na End Zone. Isso agora virou um jogo de xadrez: Se o Giants chuta o FG na 4th down, o Pats tem 20 segundos pra chutar um FG, que é quase impossível. Mas se o time toma o TD, o Pats é obrigado a responder com outro TD... Mas terá 1 minuto e 2 tempos pra pedir com Tom Brady. Aqui, o Pats estaá em enorme desvantagem, então tem que jogar com porcentagens, e tomar esse TD da ao Patriots muito mais chances de reagir do que um FG. Porque, então, o Pats não tomou esse TD?

1:04: Ai está, a defesa do Patriots abre e Bradshaw anota um TD depois de quase ajoelhar na linha de 1 jarda. A pergunta é, porque o Pats não fez isso na jogada anterior?? Teria preservado um tempo importantíssimo!! Ao invés disso, o Pats gastou cinco segundos e um tempo pra fazer a mesma coisa que deveria ter feito na jogada anterior. Que erro besta!!

Aliás, por falar em erro besta, porque o Bradshaw entrou na End Zone? Ele estava livre, não tinha ninguém pra empurrá-lo e ajoelhar ali era muito melhor pro seu time do que o TD, como eu já expliquei antes. A vontade de anotar um TD num Super Bowl é enorme, claro, mas isso acabou de dar ao Pats uma ultima chance! Deixa o orgulho de lado e ajoelha, Bradshaw!

Aliás, pior ainda... Porque o Giants sequer está tentando correr? Porque o Eli Manning não ajoelhou três vezes antes do FG? Era a melhor coisa a se fazer, correr com a bola não só da ao Pats a chance de tomar o TD e receber a bola de volta com algum tempo como também tem a chance de sofrer um fumble (Bradshaw não é o cara que melhor toma conta da bola). Não tem porque correr com a bola, você se arrisca a perder um fumble ou anotar um TD. Porque o Giants não está ajoelhando??

1:09: O Giants tenta a conversão de dois pontos mais inútil da história da NFL. 6 pontos ou 5 pontos são exatamente a mesma coisa a essa altura, nenhum Kicker vai errar esse Extra Point em caso de TD. Vou chamar essa decisão de "Efeito Billy Cundiff".

1:04: Minha namorada está tão nervosa como qualquer torcedor do Pats nessa sala. Acabei de entender que vou torcer pro Pats até o fim. Incrível como ela acabou gostando tanto de NFL em apenas um ano e está torcendo e sofrendo tanto nesse final. Nunca achei que fosse achar uma garota que gosta de futebol americano, futebol E basquete desse jeito. Acho que não ficarei solteiro por muito tempo...

0:48: Depois de dois drops, Justin Tuck chega em Brady e da um Sack que praticamente mata as chances do Patriots!! O time de New England perde 6 jardas e seu último tempo. Que jogo do Justin Tuck, ele fez de tudo: Forçou safetys, parou o jogo corrido, pressionou o QB e conseguiu dois sacks importantíssimos, um matando o momento do Patriots no terceiro período e outro agora pra colocar um duro golpe nas chances de virada do Patriots. Se o Giants ganhar o MVP provavelmente será Manning, mas pra mim o Tuck foi o verdadeiro MVP do Giants.

0:39: Passe espetacular de Brady na quarta descida para Deion Branch mantém o Pats no jogo!

0:09: O Pats mal chegou ao meio de campo e o tempo está terminando. O Pats tem um ou dois passes pra tentar antes do fim da partida. O primeiro é incompleto. Vamos para a última jogada...

0:00: Foi por pouco, muito pouco!! A bola que pipocou no ar caiu muito perto de um Gronkowski que talvez até tivesse conseguido um mergulho se estivesse em plenas condiçōes, mas o Pats chegou perto de novo, e de novo parou no mesmo Giants!! New York Giants, o campeão do Super Bowl XLVI!

A sala caiu num silêncio mórbido. Um se levanta para ir embora, o outro caminha de cabeça baixa pela sala, e a outra está imóvel. Deve doer muito perder pro Giants uma segunda vez - quando o Niners perdeu a final da NFC, eu sai do meu hotel, andei cinco quilômetros para ir até um 7 Eleven comprar um donuts (estava sem dinheiro) e voltar dando quinhentas voltas pela propriedade. Entendo como se sentem.

O Giants, alheio a isso, festeja. Eli Manning coroou um ano espetacular com outro grande jogo, outro título e, provavelmente, outro MVP. Na TV, alguém pergunta se esse anel já coloca Manning à frente do seu irmão (a sub-história mais ridícula desse Super Bowl). Isso é um exagero sem tamanho, não se mede QBs apenas pelo número de títulos: da mesma forma que o segundo SB do Eli não coloca ele na frente do Peyton Manning, um quarto tiítulo de Brady não colocaria ele junto de Montana, e a falta de um quarto SB não impede que ele esteja acima de Terry Bradshaw. Um QB é muito mais do que um conjunto de títulos e prêmios. Essa comparação idiota acaba nos desviando da temporada sensacional que o irmão mais novo teve, sendo o melhor QB da NFL em quartos períodos, tendo uma grande temporada regular e ganhando seu segundo título, dessa vez de forma incontestável. Ele escreve pela segunda vez seu nome na história da NFL e coloca de vez Eli Manning dentro da elite da NFL atual. Manning não é melhor que o irmão nem que Brady, mas não é só isso que determina um titulo ou uma temporada. O Giants ganhou porque tinha um time melhor que o Patriots e porque Eli Manning jogou seu melhor jogo sob pressão e nos momentos decisivos, enquanto Brady não conseguiu fazê-lo. E ele é o campeão.

Já o Pats sepulta sua chance de vingança contra o Giants num jogo onde o time até foi superior durante toda a partida, mas na hora de decidir sentiu falta da sua jogada de segurança (Gronk), do jogo terrestre pra aliviar seu QB e de um Wideout. As fraquezas do Pats vieram à tona, enquanto a defesa do Giants fez seu papel quando precisou. Alguns drops (especialmente na última campanha), os fumbles não recuperados e alguns passes descalibrados na hora H decidiram esse jogo. O Pats foi superior durante muito tempo, mas não conseguiu decidir. Um time que não era nada espetacular sem seu QB viu Brady ter uma performance boa mas errática e não conseguiu extrair forças do resto do time.

Pela primeira vez, Brady vai enfrentar dúvidas em New England. A franquia que sempre o idolatrou agora olha com desconfiança para seu QB. Um absurdo, claro, mas assim são os esportes. Para quotar um dos melhores filmes de todos os tempos, ou você morre como herói ou vive tempo suficiente para se ver transformar num vilão. Esportes não são diferentes. Brady, pela segunda vez, não conseguiu decidir num Super Bowl, errou alguns passes e seu time perdeu. E ele sabe que perdeu a chance de definir seu legado contra o time que o roubou do seu maior momento em 2008. Essa cicatriz nunca vai sarar, e acabou de ganhar mais profundidade. New England já anda com certa má vontade com seu QB desde que ele se mudou de Boston (NY, depois LA), agora depois de uma derrota no SB... E isso talvez seja bom, porque se existe um QB que é competitivo ao extremo esse é Brady, e ele ganhou mais um motivo para destruir todo mundo e recuperar seu posto no topo da Liga. O Patriots não é um time de Super Bowl, e uma offseason dificilmente será suficiente pra tornar o resto do elenco do Pats melhor, ainda que um ano de experiência e um Draft com duas escolhas na primeira rodada possam fazer muito bem à defesa. Se o Pats quer voltar ano que vem, vai ter que ser nas costas do seu QB, e ele estará motivado. Pros derrotados, a temporada 2012 começa desde já!

Pro Giants ainda não. Alguns meses de comemoração antes de mais nada, depois a realidade de que com o retorno das lesões o time deve estar tão bom quanto em 2012 (deve perder Manningham e Osi Umenyora) pra tentar brigar pelo bi. O Giants foi o time que pegou fogo na hora certa, contou com a sorte, com um grande QB e com uma defesa que era capaz de desmontar o ataque adversário depois de uma temporada cheia de lesões e de ter chegado nos playoffs no sufoco  - exatamente como o Packers de 2010. A formula parece funcionar, quem sou eu para me meter? No final ganhou o melhor time, o time que pressionou melhor o QB (a chave para defender sob as novas regras de passe) e que melhor jogou sob pressão. Esse time foi o Giants, e por isso o Giants é campeão do Super Bowl!