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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Philadelphia Eagles

"Então, qual deles que é o nosso quarterback, mesmo?"


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East para a temporada 2013 da NFL, passamos a falar da NFC East, começando pelo atual campeão dela, Washington Redskins, e depois pelo Dallas Cowboys e pelo popular New York Giants. Hoje, vamos terminar a divisão falando da sua maior incógnita, Philadelphia Eagles. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Philadelphia Eagles

2012 Record: 4-12
Ataque ajustado: 25th
Defesa ajustada: 26th


Existe três tipos de times que são extremamente difíceis de se prever de uma temporada para a outra na NFL: times que trocaram o QB entre as temporadas; times com indefinições ou disputas de QBs; e times que jogaram tudo fora e decidiram remodelar desde o começo.

O primeiro é bem simples. O quarterback é o jogador mais importante de um time de futebol americano, sendo que 95% das jogadas ofensivas passam pelas mãos dele, e mais de 50% delas terminam com o QB passando, correndo, tomando sack ou fugindo pela sua vida. É a posição com maior produção individual de qualquer esporte coletivo do mundo, e eu não preciso ir muito longe na história da NFL para mostrar o impacto que grandes QBs têm em determinar quais times são bons ou não ao longo dos anos. Então não é de surpreender que o maior tipo de mudança que um time pode sofrer de um ano a outro é mudar a figura que ocupa a posição mais crucial da equipe. Claro, cada caso é um caso e existem dezenas de fatores que influenciam no sucesso ou não de um QB dentro de um time, mas é justamente isso que torna tão difícil imaginar de antemão como o encaixe QB-time vai funcionar em casos de mudanças. Isso é flagrantemente óbvio quando esse QB novo é um calouro sem nenhuma amostra na NFL para saber como ele vai render em uma Liga diferente (em relação a NCAA), mas também acontece com veteranos (exemplo, Carson Palmer indo para o Cardinals): ele vai para um time novo, com um esquema tático diferente, forças e fraquezas diferentes e que vai pedir coisas diferentes. Como projetar o sucesso (ou falta dele) passado nesse novo time? Ele será mais eficiente por ter melhores WRs e uma OL mais sólida? Será que será menos eficiente porque seu novo time irá pedir que ele lance mais bolas sem o auxílio de um jogo terrestre que abra as defesas? Será que esse novo esquema tático vai ressaltar alguma qualidade ou fraqueza do seu jogo que ninguém tenha percebido? É uma tremenda incógnita, e por isso é dificílimo de se projetar a mudança que isso pode causar ano a ano.

(Isso é ainda mais válido por um simples fato: grandes QBs raramente trocam de times por troca ou Free Agency, é um acontecimento muito raro. Tom Brady ou Peyton Manning seriam geniais no Dolphins, no Rams, no meu ex-time de flag ou onde estão de fato - embora obviamente se adaptariam de formas diferentes a situações diferentes - mas eles muito dificilmente gerarão esse tipo de dúvida por raramente trocariam de time. Os QBs que mudam de time são geralmente veteranos medianos, jogadores sem grande história de sucesso ou jogadores jovens que ainda não se provaram na NFL.)

O segundo, de certa forma, é uma variação do primeiro. A dúvida entre dois QBs diferentes não só trás as mesmas dúvidas levantadas anteriormente, mas também levanta (especialmente no caso de QBs com características diferentes, o que normalmente é o caso) questões sobre qual será a abordagem dessa equipe numa dada temporada. Pense no 49ers se tivesse na dúvida entre Colin Kaepernick e Alex Smith como exemplo: os dois tem características diferentes. Smith é um cara menos móvel que gosta de passar de dentro do pocket, tem melhor aproveitamento mas menos explosão, enquanto Kaepernick tem muito mais força no braço e é um QB mais produtivo num ataque de alta velocidade. Ainda que o 49ers seria um grande time com qualquer um dos dois, a escolha mudaria radicalmente o estilo de jogo da equipe: se escolhesse Smith, o time provavelmente iria se focar em um estilo de jogo mais lento, controlando o relógio e vencendo as batalhas dos turnovers, o que explora as forças (controle de jogo, precisão) do seu QB e esconde suas falhas (falta de força, principalmente). Se escolhessem Kaepernick, o time provavelmente iria jogar num ritmo mais rápido, com mais jogadas de option e usando o ataque como o determinador do seu ritmo de jogo (e não a defesa). Então essa decisão não afeta apenas a posição e o jogo aéreo, e sim toda a estratégia da equipe, e por isso é complicado avaliar um time quando a decisão ainda não está tomada.

A terceira é, talvez, a mais rara de todas na NFL. Reconstruir tudo é mais difícil que na NBA ou na MLB pelo número de jogadores relevantes que um time de futebol americano necessita, e ainda mais considerando que a mobilidade de jogadores (especialmente em trocas) é muito menor na NFL que em qualquer outra Liga. São poucos os times que chegam naquele ponto em que podem se livrar de mais de metade do time, mudar o técnico e toda a comissão, e basicamente recomeçar um projeto novo. Recentemente, eu consigo pensar em dois que fizeram isso, e um deles (Lions) foi menos por opção e mais por necessidade, pois o time estava ruim demais e não precisavam se desfazer de muita coisa. E embora aqui seja uma coisa muito caso a caso, os motivos que levam a incertezas aqui são mais do que óbvios: ninguém sabe os jogadores que jogarão juntos, como eles jogarão juntos, qual vai ser a abordagem tática, como o time vai se adaptar aos testes ao longo do ano, e por ai vai.

E é por isso que é tão difícil prever ou saber o que esperar do Eagles para 2013. A equipe se encaixa nos dois últimos critérios de incerteza dos quais falamos e, dependendo do resultado da disputa entre os QBs da equipe, podemos ter um time que se encaixa nos três critérios, e justamente por causa disso não tem um time mais difícil de prever para a temporada que vem na NFL. Mas vamos devagar, caso a caso, para tentar achar os pontos principais dessa confusão toda.

Para entender essa reconstrução pela qual o Eagles está passando, vamos voltar um pouco no tempo para a temporada 2010, quando a equipe terminou 10-6 e ganhou a divisão pela última vez. Depois de trocar Donovan McNabb, o titular da equipe por quase 10 anos, o técnico Andy Reid deu o comando do time para um QB jovem e com poucos jogos no currículo, mas que tinha mostrado algo promissor nesses poucos jogos - Kevin Kolb. Mas quando Kolb se machucou, Reid teve que recorrer ao seu QB reserva que tinha passado dois anos na cadeia, Michael Vick. Apesar das óbvias desconfianças, Vick teve em 2010 a melhor temporada da sua carreira: em apenas 12 jogos, ele teve 63% de aproveitamento, com 250 jardas aéreas por jogo, 21 TDs contra apenas 6 interceptações, sem falar nas 56 jardas terrestre por jogo com mais 9 TDs. Vick terminou a temporada com o quarto melhor rating da NFL (100.2, o melhor da sua carreira) e quinto em QBR (68.2), e apesar de uma derrota na primeira rodada dos playoffs para o eventual campeão Packers, tudo parecia muito bem encaminhado na Philadelphia.

Na offseason o Eagles decidiu que, tendo o terceiro melhor ataque da Liga em 2010 e projetando uma temporada inteira de Michael Vick a la Steve Young, decidiu reforçar a defesa, e o fez agressivamente. Trouxe o que era considerado o melhor Free Agent da temporada, Nnamdi Asomugha, por anos o melhor CB da NFL, e trouxe também o segundo maior prêmio da FA, o pass rusher Jason Babin, além do valorizado DT Cullen Jenkins. Além disso, o time trocou Kolb para o Cardinals em troca de mais um CB All-Star (Dominique Rodgers-Cromartie), e juntando aos All-Stars que sua defesa já tinha (particularmente Trent Cole e Asante Samuel), a franquia montou o que seus próprios jogadores chamaram de "Dream Team", o que projetava ser um dos melhores times da Liga em 2011.

Não aconteceu. Michael Vick regrediu como era esperado, o resto do ataque não conseguiu manter o ritmo sem seu QB produzindo a níveis estelares, e o ataque caiu para o oitavo melhor da NFL. A defesa, apesar de suas três novas estrelas, continuou sendo apenas a 11th melhor da Liga, e o time viu seu record cair para 8-8 no que foi considerado um enorme fiasco. Mas na verdade, o problema não foi o Eagles sendo um time ruim. Na verdade, o Eagles foi um time igualmente bom mas muito mais azarado, terminando com o mesmo Pythagorean Expectation do ano passado (10-6) e um record absurdo de 2-5 em jogos decididos por uma posse de bola apesar de um calendário que passou do 20th mais difícil para o 10th mais difícil da Liga. O problema mesmo foi a questão da percepção, sobre como o time que deveria dar um grande salto com suas grandes contratações não evoluiu em nada e ainda viu seu record cair e tirá-lo dos playoffs. Mesmo que não houvesse grandes motivos para pânico, a questão expectativas vs realidade (e o record bruto do time) fizeram a diretoria e a mídia entrarem num modo de ataque para cima da equipe, e ai tudo foi ladeira abaixo.

A temporada 2012 do Eagles foi a típica temporada "tudo que pode dar errado, vai dar errado". Apesar de ser o melhor jogador da secundária da equipe em 2011, Asante Samuel reclamou de ficar no banco e foi imediatamente trocado. A diretoria entrou em pânico e demitiu o coordenador defensivo Juan Castillo apesar de números sólidos da defesa, e tudo foi para o inferno a partir desse ponto, com Asomugha e Cromartie saindo do papel ao qual estavam acostumados e rendendo muito pouco, Jason Babin e Trent Cole tendo um ano horrível (8,5 sacks entre os dois... juntos!), e basicamente do o resto da defesa sendo horrível. Uma defesa do mesmo nível de antes (11th) antes da demissão de Castillo, a equipe terminou com a sétima pior defesa da temporada e a PIOR de toda a NFL pelos números ponderados (que atribuem maior valor aos jogos quanto mais perto do fim da temporada). Do outro lado, o ataque foi um problema por conta das lesões que sofreu e pelos enormes problemas de Vick. O camisa 7 teve a pior temporada de toda sua carreira em QBR, jogando apenas 10 jogos e sofrendo um incrível número de 11 fumbles nesses 10 jogos (contra apenas um TD terrestre), sendo um número enorme deles na red zone. Além disso, os principais backs da equipe (DeSean Jackson e LeSean McCoy) combinaram para perder 10 jogos e, talvez ainda mais importante, apenas um dos principais jogadores de linha ofensiva de 2010 E 2011 juntos conseguiu jogar mais de 13 jogos na temporada (Evan Mathis), com todos os outros (inclusive seus melhores jogadores em Jason Peters e Todd Herremmans) sofrendo lesões que os tiraram da temporada. A combinação disso tudo foi desastrosa, com o time terminando 4-12 e sem nenhum consolo analítico (a Pythagorean Expectation da equipe foi exatamente de 4-12 e o time venceu metade dos jogos decididos por uma posse de bola) além do fato que todos os torcedores do Eagles vieram correndo adivinhar quando comecei essa série, que a equipe foi a quarta pior de toda a NFL recuperando fumbles (36%). Se em 2011 era possível ter esperanças por conta do azar da equipe, em 2012 o time foi um dos piores da NFL por qualquer métrica disponível aos seres humanos.

Entre a decepção de 2011 e o fracasso retumbante de 2012, os cabeças da franquia decidiram que era hora de jogar tudo para o alto, fingir um ataque cardíaco e seguir em outra direção. A equipe demitiu o técnico Andy Reid, no comando da equipe há 14 anos, e toda sua comissão técnica para começar do zero. Para isso, trouxe da NCAA Chip Kelly, um HC sem experiência na NFL mas famoso por seus ataques altamente explosivos e criativos, considerado uma das mentes ofensivas mais interessantes do futebol americano. A direção também não perdeu tempo em se livrar de quase toda sua problemática defesa, com quase todos os principais jogadores (Asomugha, Cromartie, Babin, Jenkins, Jarred Page, entre outros) sendo dispensados e poupando apenas Cole e Nate Allen, entre os principais jogadores que acompanharam a franquia nesses anos. E apesar do ataque não ter passado por grandes mudanças de pessoal, ainda deve passar por mudanças enormes dentro de campo por mudar do ataque de Andy Reid para o de Kelly.

Então foi assim que o Eagles chegou até aqui, e é a partir disso que devem seguir em frente para reconstruir um time que chegou a um Super Bowl (2004) e mais quatro finais de conferência (2001, 2002, 2003, 2008) sob o comando de Reid. Então dentro do possível, o que podemos esperar ou tirar dessa que deve ser uma radical mudança na franquia?

Em primeiro lugar, eu acho que existe pouco interesse na defesa do time para 2013 do ponto de vista analítico. Kelly é um técnico de mentalidade ofensiva e temos pouca amostra do que seus coordenadores defensivos devem implementar desse lado da quadra. Com números razoáveis em 2012 e a chegada do bom NT Isaac Sopoaga para ocupar bloqueadores, a expectativa é que a defesa terrestre do time continue sendo uma unidade decente indo para frente, mas mais do que isso é muito difícil analisar porque grande parte da defesa do time vai ser composta de garotos com pouca rodagem, jogadores que tinham pouco espaço em outros clubes, e algumas peças que já estavam na equipe mas tiveram rendimentos muito pouco convincentes em 2012. Ainda que seja interessante ver como a nova comissão técnica lida com esse grupo, ainda é uma incógnita grande e não devemos esperar grandes coisas da defesa para 2012.

O ataque é um caso a parte. Não foi um grupo que sofreu grandes cortes desde a temporada passada, o que claramente indica que a diretoria e a nova comissão técnica estão satisfeitos com as peças que têm nas mãos e acha que esses são os jogadores que podem funcionar no esquema de Kelly. O time trouxe ainda duas adições espetaculares via Draft (Draft esse que eu elogiei amplamente) em Lane Johnson e Zach Ertz (chegaremos lá) e conta com um excelente núcleo (quando saudável) desse lado da bola, e Kelly vai ter bastante material para trabalhar. Então deixando de lado a questão do QB por enquanto, vamos ver o que podemos esperar dessa unidade.

A primeira coisa que chama a atenção vendo Chip Kelly quando era técnico de Oregon é que seus ataques gostam de jogar em grande velocidade. Seja correndo ou em jogadas aéreas, é um esquema com muita movimentação, improviso e que se beneficia de jogadores rápidos e explosivos. Isso encaixa bem com o que ele tem, com LeSean McCoy sendo um dos melhores RBs da Liga e DeSean Jackson sendo um dos jogadores mais explosivos de toda a NFL. Na verdade, eu sempre achei que Jackson era um pouco mal utilizado com Reid: o ex-técnico sempre explorou muito bem sua velocidade nas rotas longas, mas achava que sendo um dos retornadores mais dinâmicos da Liga, o Eagles pecava ao não criar tantas jogadas que dessem a bola para Jax em espaços abertos próximos a linha de scrimmage, onde ele poderia causar estragos com a bola nas mãos (pense Percy Harvin). Com Kelly, isso deve ser uma arma mais usada, especialmente agora que o time trouxe Lane Johnson, um dos OTs mais atléticos que eu já vi e que é perfeito para esse estilo de passe curtos e lateral que exige um tackle de grande mobilidade para acompanhar os corredores perto da linha. Ertz também é um encaixe interessante, é um TE muito atlético cujo potencial recebendo passes é enorme, criando missmatches por conta do seu tamanho e velocidade, outro bom encaixe para um ataque dinâmico e explosivo. Com um pouco mais de sorte com lesões (especialmente com a linha ofensiva), Kelly deve ter um prato cheio para implementar seu estilo, combinando jogadores mais veteranos e completos como Peters e Herremans, mais sólidos na proteção, com a explosão dos jovens Johnson e Danny Watkins. O fato da equipe não possuir um recebedor "possession" de meia distância deve ser disfarçado pelo melhor uso das rotas curtas em velocidade de Jax e Jeremy Maclin, ou então do uso de seus dois TEs pelo meio estilo Patriots com a velocidade de Jackson abrindo a defesa nas rotas longas. Então em geral, devemos esperar um ataque muito mais dinâmico e explosivo que em 2012, e só Deus sabe as invenções que Kelly vai conseguir tirar com um ataque tão variado (de novo, supondo que o pessoal fique saudável) e com tantos jogadores interessantes.

A grande dúvida aqui, claro, é quem vai ser o quarterback da equipe. O Eagles entra no training camp com três opções possíveis: Vick, Nick Foles, ou o calouro Matt Barkley. Cada uma faz sentido, e cada uma pode levar o ataque do time numa direção diferente.

Começando por Michael Vick, que terminou a temporada passada no banco mas parece o candidato com mais chances de ficar com a vaga. Um dos pontos mais interessantes, caso Vick seja nomeado o titular, para mim é a forma como ele deve ser usado. Reid sempre tentou adequar o camisa 7 ao papel de passador de pocket, com sua velocidade e explosão sendo mais usada com improviso do que como algo planejado. Em 2010 deu certo, Vick foi um dos melhores pocket passers da NFL, mas desde então sua falta de precisão e sua falta de paciência para ler defesas causou boa parte de suas regressões como passador, e essa frustração contribuiu para o grande número de turnovers do QB pois ele parecia ficar desconfortável no pocket e corria para qualquer lado sem pensar quando um passe fácil não aparecia. Com Kelly, isso deve ser diferente. Em Oregon, ele sempre mostrou muita criatividade usando quarterbacks móveis e atléticos em jogadas desenhadas para tirar vantagem desses atributos, ao invés de tentar adaptar seus QBs ao estilo de pocket passer. Acho que esse é o ingrediente crucial aqui e que deve fazer Vick começar a temporada como titular: Chip Kelly sabe usar QBs móveis e atléticos como tal, sabe que se for para usar Vick como um pocket passer ele tem opções melhores, e a explosão e velocidade lateral do quarterback se encaixa muito bem no esquema rápido e de muita movimentação que é a preferência do novo técnico. Os problemas dele para esse esquema são claros, pois Vick não tem a mesma precisão nos passes curtos e médios em velocidade e não é o melhor jogador do mundo tomando decisões rápidas, mas pelo menos no curto prazo ele é quem oferece o maior potencial para esse ataque por causa de suas pernas.

No entanto, Barkley e Foles oferecem algo que Vick não pode, que é um possível QB para o futuro. Vick tem 33 anos e, por conta do seu estilo que depende demais do seu físico, está se aproximando do final da sua carreira e dificilmente teria gasolina para ser um QB por anos a fio para essa equipe. Isso não acontece com os outros dois, já que Foles tem 24 e Barkley 22 anos. Então embora Vick ofereça um potencial maior no curto prazo para esse ataque explosivo, se o foco da franquia for já começar um processo de adaptação para o futuro, a posição pode cair nas mãos de um dos mais novos.

É difícil julgar Foles pelo que vimos ano passado dele, afinal foi um ataque muito machucado e disfuncional  durante boa parte da temporada. Ele certamente não se destacou muito nos seis jogos que foi titular, mostrando um braço forte mas pouca precisão e pouca mobilidade fora do pocket (dois ingredientes importantes para o esquema ofensivo de Kelly) e um QBR abaixo de 50. Mas ainda era um QB calouro, sem uma linha ofensiva e com DeSean Jackson e LeSean McCoy batalhando lesões, de forma que é realmente difícil usar o pouco que vimos dele ano passado como uma sólida base de análise. Eu não acho que o instrumental de Foles seja tão impressionante assim, mas caso se destaque no training camp, acho possível que roube a vaga por ser uma versão mais jovem do que Vick e com potencial maior por conta do seu braço do que Barkley.

Eu não acho que seria o caso por um simples motivo: Barkley é ainda mais novo e tem um instrumental mais adequado ao esquema que o Eagles deve implementar essa temporada. Ainda que ele não tenha um braço tão forte como o de Foles ou Vick (o que certamente tira uma dinâmica importante do ataque aéreo da equipe nas ultimas temporadas), ele é quem melhor apresenta a mistura de habilidade atlética, precisão, velocidade e capacidade de ler as jogadas e as defesas. Apesar de ser um calouro, Barkley jogou quatro anos em USC com um playbook muito próximo do estilo da NFL e sempre se destacou chamando jogadas, lendo defesas e basicamente jogando como um QB pronto para a NFL. Apesar de ser principalmente um pocket passer, ele tem uma mobilidade e velocidade muito boa e que pode usar para provocar o tipo de mudanças na defesa que Kelly gosta, saindo do pocket e fazendo jogadas em velocidade enquanto a defesa se desmonta. Sua precisão na curta e média distância provavelmente é a melhor entre os três quarterbacks do elenco, e embora ele talvez não tenha o potencial de Foles por conta dos passes longos, eu acho que ele a opção mais sólida do elenco, alguém mais pronto que Foles, com o instrumental adequado ao esquema de seu novo técnico e com mais perspectiva de futuro que Vick. Ainda que seu impacto seja um pouco limitado pela falta de força no braço, eu continuo achando esse um aspecto um pouco overrated para alguém que acabou de entrar na Liga. Afinal, o maior QB da história da NFL, Joe Montana, caiu para o final da terceira rodada porque todos julgavam que seu braço era fraco demais para jogar na NFL. So yeah, scouts eram incompetentes desde 1979. Sem querer comparar os dois jogadores diretamentes, claro, mas quando você tem um calouro experiente, inteligente e completo como Barkley, você não pode descartá-lo só por causa de um pequeno problema como esse.

Esse é o dilema de QBs que o Eagles, agora, enfrenta. Acho difícil arriscar um palpite concreto agora porque tudo depende muito de como esses jogadores irão render no training camp e se adaptar ao longo da pré-temporada ao novo playbook da equipe. Eu pessoalmente acho que Vick seria o candidato mais provável nesse momento porque oferece a esse ataque um potencial maior, mas é muito fácil imaginar o time indo em outra direção e entregando as chaves a alguém mais novo. Só que vindo de uma temporada decepcionante e um fiasco magistral, a equipe parece ansiosa por algum resultado imediato, e Vick é quem provavelmente oferece a melhor chance disso.

Então, em resumo, o que mais sabemos do Eagles é que está muito difícil saber alguma coisa de verdade do que esperar para 2013. O técnico mudou, toda a comissão técnica mudou, as posturas da equipe mudaram de cima a baixo. A defesa foi quase inteira reformulada, e o ataque deve passar por uma mudança bem grande de estilo de jogo. Ninguém sequer sabe quem vai ser o QB da equipe! Então sim, é em difícil saber o que esperar desse grupo. O que a gente sabe é que a defesa deve continuar sendo bem fraca enquanto passa por uma grande reformulação, ainda que a mudança de coordenador e a saida de alguns veteranos improdutivos possa ajudar esse grupo a voltar ao bom caminho. O ataque ainda depende demais da saúde de seus jogadores (vários dos quais já se mostraram propensos a lesões), de uma indefinição de QB que pode jogar a franquia em praticamente três direções diferentes e basicamente de como alguns jogadores vão se adaptar a um esquema novo no ataque. Ainda que essa unidade deva estar consideravelmente melhor que em 2012, a falta de talento na defesa, as múltiplas incertezas dos dois lados do campo e as prováveis adaptações que terão de ser feitas ao longo da temporada me fazem achar que o Eagles não deve passar de uma temporada 6-10 ou algo semelhante. Mas considerando tudo que a franquia fez desde o ano passado - a troca de técnicos, contratar um dos melhores da NCAA em Chip Kelly, a manutenção das peças certas, um excelente Draft - são bons sinais de que o time da Philadelphia está no caminho certo para reconstruir o que foi um dos principais times dos anos 2000.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - New York Giants

A cara do Eli Manning nessa foto dispensa legendas



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East para a temporada 2013 da NFL, passamos a falar da NFC East, começando pelo atual campeão dela, Washington Redskins, e depois pelo Dallas Cowboys. Hoje, vamos continuar falando da divisão com o mais recente campeão da NFC, New York Giants. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

New York Giants

2012 Record: 9-7
Ataque ajustado: 7th
Defesa ajustada: 16th


Isso vai ser mais aprofundado quando falarmos sobre o Baltimore Ravens, mas basicamente, sucesso na pós-temporada significa muito pouco ou quase nada sobre um time em comparação a temporada regular como um todo. A amostra é muito pequena (especialmente porque cada rodada tem apenas um jogo) e esses três jogos dependem muito de sorte, acaso e de um times que simplesmente pegam fogo na hora certa, como foi o caso do Giants em 2011. Mas na hora de avaliar o verdadeiro nível de um time em uma temporada e indo para frente, uma amostra de 16 jogos significa muito mais do que os três ou quatro finais, e são nesses que temos que nos basear ano a ano, por mais que um monte de torcedores do Ravens estejam tentando me matar nesse momento. Claro, isso não é definitivo, é possível que haja uma mudança importante (uma mudança de QB logo antes dos playoffs, a volta de um jogador machucado, etc) que cause uma evolução sustentável, mas são casos raros e, em geral, sucesso ou fracasso nos playoffs diz muito pouco sobre o futuro da franquia.

Digo isso porque, após a temporada 2011, era possível esperar uma regressão da equipe, cujo Pythagorean Expectations foi um pouco abaixo de 8-8 e que terminou a temporada 5-3 em jogos decididos por uma posse de bola. Ainda que muitas pessoas esperassem uma temporada espetacular em 2012 por conta da performance do time nos playoffs e da volta dos muitos jogadores que perderam parte da temporada por lesão, eu lembro especificamente de ter apostado em um 9-7 para o Giants ao final da temporada seguinte por conta desse potencial de regressão da equipe ("cancelado" pela volta dos seus jogadores, mantendo o record em 9-7). Então sim, as vezes eu acerto.

Mas acontece que temos também o outro lado da moeda: o Giants foi um time muito melhor em 2012 do que 2011 e que ficou abaixo do seu rendimento em termos de record. Uma série de fatores (já iremos para eles), entre eles o mais óbvio de jogadores ficando saudáveis, impulsionou a equipe a ser o sétimo melhor time da NFL em eficiência (per Football Outsiders) e terminar com um Pythagorean Expectations de 10-6 (oitavo melhor da NFL quando consideramos os decimais). Então se em 2011 a equipe de NY terminou acima da sua produção e alguma redução fosse esperada, em 2012 aconteceu o contrário.

A primeira causa, como já foi dita, foram as lesões da equipe em 2011 que deram uma trégua em 2012. Prince Amukamara, a escolha de primeira rodada da equipe, perdeu 6 jogos e jogou intermitantemente nos outros 10; jovens WRs Ramses Barden e Domenik Hixon perderam quase 20 jogos combinados; o melhor CB do time, Terrell Thomas, perdeu a temporada; Osi Umenyora perdeu quatro jogos e esteve limitado em vários outros; Justin Tuck perdeu cinco jogos; William Beaty e seu reserva, Adam Koetz, perderam 22 jogos... Entre outros jogadores menores. Em resumo, mesmo antes da temporada começar o time já estava sem seu CB titular, seu terceiro CB, dois dos melhores DEs da NFC, e por ai vai. Especialmente na defesa, o time estava bastante magro em termos de perder alguns dos seus melhores jogadores (ou vê-los produzir de forma limitada) ou então por perder quase toda sua profundidade em certas posições. Então assim como foi dito no caso das lesões do Cowboys, era esperado que esse azar de ter todas as lesões acontecendo ao mesmo tempo não se repetisse.

O maior afetado em 2011 pelas lesões foi a defesa. Eles perderam dois dos seus três principais CBs para começar a temporada (Amukamara eventualmente voltou perto dos playoffs, mas não a 100%) e dois dos seus reservas ao longo dela e a dupla titular de DEs do que foi a terceira melhor defesa de 2010 (Umenyora e Tuck) perdeu diversos jogos. E talvez mais importante, isso aconteceu logo antes da temporada começar, o que não deu ao time uma offseason inteira para modificar seus esquemas e treinar novas formações com tempo para corrigir seus problemas, isso tudo teve que ser feito durante a temporada mesmo. Não surpreende então que a defesa do time tenha tido tantos problemas ao longo do ano desse lado da bola, terminando com apenas a 19th melhor defesa da temporada. Nos playoffs, essa defesa deu um grande salto de produção principalmente por causa da sua linha defensiva e da atuação miraculosa de Jason Pierre-Paul, mas aqueles números não voltaram a se repetir numa amostra de jogos maior em 2012.

Mas ainda que as lesões tenham regredido para um patamar mais normal, e a defesa tenha melhorado como consequência, não foram elas que determinaram a considerável melhora do time para 2012. A melhora não foi tão grande assim (de 19th para 16th melhor, principalmente motivada por uma melhora na secundária e no pass rush) e o time sofreu bastante contra o jogo terrestre ao longo do ano. Mesmo com seu trio do inferno de DEs saudável (Pierre-Paul, Tuck e Mathis Kiwanuka), o meio da sua linha defensiva não conseguiu fazer um bom trabalho ocupando bloqueadores e tirando as marcações duplas desses jogadores mais destrutivos. Então mesmo que uma pequena evolução tenha se mostrado, não foi ela que impulsionou a melhora da equipe.

Na verdade, essa melhora veio do outro lado. Mais especificamente, o ataque da equipe mostrou uma evolução grande por parte do seu jogo terrestre, que passou de um vergonhoso 19th melhor em 2011 para um impressionante quinto melhor em 2012. E isso se deveu a duas causas. A primeira foi uma melhora considerável na linha ofensiva. Em parte por alguns jogadores importantes que voltaram de lesão (Adam Koetz perdeu a temporada, William Beaty se machucou na nona semana), em parte pela chegada de David Bass, e outra simplesmente porque jogadores que já estavam no elenco simplesmente ganharam mais espaço e tempo de jogo e superaram as produções dos anos anteriores, mas o fato é que a linha ofensiva do Giants passou de uma das piores da temporada abrindo espaços perto da linha de scrimmage para uma das melhores, o que da mais espaço para RBs explosivos passarem pela primeira linha de contato. E essa é a secunda causa de melhora da equipe, o fato de que o Giants deu um grande salto em termos de running back. Tirando o fato de que Ahmad Brashaw teve uma temporada 2011 cheia de lesões e mesmo quando jogou esteve limitado, boa parte dessa melhora aconteceu porque Tom Coughlin tirou grande parte dos toques de jogadores muito ineficientes como Brandon Jacobs, DJ Ware e a versão lesionada do Bradshaw e distribuiu entre talentos mais jovens e explosivos como Andre Brown e principalmente o calouro David Wilson (os dois com médias de jardas por corrida acima de 5.0), o que facilitou o trabalho desse ataque. Com Bradshaw fora da jogada e Brown e Wilson jogando atrás do que se espera que seja uma OL igualmente eficiente, a tendência é que esse ataque terrestre seja ainda melhor em 2013.

O último motivo pelo qual o Giants foi melhor em 2012 do que em 2011 foi o calendário. A equipe teve o quarto schedule mais difícil quando foi campeão, e esse número caiu para o décimo mais forte em 2012. O esperado pelos números desse ano é que continue caindo para ser apenas o nono mais fácil de 2013, então a equipe também tem isso trabalhando a seu favor.

O problema do Giants nessa offseason, no entanto, foi semelhante ao do Cowboys. A equipe tinha uma folha salarial muito alta, próxima do teto, e vários jogadores importantes que precisavam de novos contratos, em especial Victor Cruz. Essa situação é bastante delicada, porque força o time a se livrar de alguns jogadores do elenco para abrir esse espaço salarial, e a basicamente escolher quais jogadores ele quer manter e quais não devem ser perseguidos (as vezes isso da errado, mas esperemos o Ravens). Então o Giants acabou dedicando a maior parte dessa folha salarial a um eventual acordo com Cruz (que acabou acontecendo), mas para isso teve que abrir mão de renovar com Chase Blackburn (melhor LB do time), Martellus Bennett (TE titular, 55-626-5* e um papel importante como bloqueador), Umenyora (esse ninguém se importou muito), Kenny Phillips (FS titular), Chris Canty (DT titular) e dispensar seu segundo melhor LB eM Michael Boley. Mesmo que o Giants tenha trazido algumas peças para o lugar de toda essa galera (Ryan Mundy para FS, Aaron Ross para CB, Cullen Jenkins para DT são os mais importantes) o saldo final ainda é negativo. Eu não estou dizendo que o Giants foi mal nessa offseason, acho que eles fizeram um trabalho muito bom dada a situação que tinham nas mãos e conseguiram repor algumas das peças, mas quando um time perde sua boa dupla de LBs, seu único TE confiável e seu titular no miolo da defesa, você deve esperar uma piora para o ano que vem. Especialmente quando sua defesa terrestre está com problemas, perder seu DT e dois LBs não é um bom prognóstico.

Claro, isso vai depender muito de como se comportam os jogadores que entrarem nessas vagas. Seja Jenkins (talentoso, mas nunca rendeu o que se esperava entre Saints e Eagles) no lugar de Canty ou quem quer que substitua Blackburn (na minha opinião a maior perda) e Boley, esses jogadores podem acabar igualando a sua produção ou sendo um enorme downgrade, a gente não sabe. É possível argumentar que se a defesa terrestre do time foi tão ruim em 2012, talvez os jogadores responsáveis (e Canty, Boley e Blackburn se enquadram nisso) não foram tão bons assim como se imagina, e então talvez seja mais fácil substituí-los internamente a um custo muito menor. E é um bom ponto! A questão é que não temos como saber até eles entrarem em quadra, mas pelo menos no papel, o Giants perdeu mais talento do que ganhou (embora eu tenha gostado muito da volta do Ross, vai dar a secundária a profundidade que eles precisavam), então se espera uma piora defensiva. Não enorme, mas uma piada.

Ofensivamente, embora seja claro que Bennett represente uma perda considerável no jogo aéreo da equipe, eu acho que a questão é o quanto isso vai afetar o jogo terrestre do time. Ainda que seja difícil calcular exatamente o impacto que a chegada de Bennett teve nisso, a chegada dele foi um dos fatores que coincidiu (junto com outros já citados) com a grande evolução do jogo terrestre (e dos bloqueadores em geral, per Football Outsiders) da equipe. Então embora seja difícil afirmar que a saída dele teria esse efeito, é uma dúvida. Ainda assim, a saida de Bradshaw e o maior espaço para os mais jovens e explosivos Brown e Wilson devem ter um efeito positivo sobre esse jogo terrestre, então a maior preocupação do Giants mesmo desse lado deva ser a busca por um TE para o jogo aéreo. Ainda assim, o ataque não deve ser um problema: eles tem um sólido jogo terrestre, um dos melhores corpos de recebedores do mundo (Wilson em particular é um upgrade imenso sobre Bradshaw recebendo passes) e um QB muito capaz em Eli Manning, o que deve manter o ataque como um dos melhores da NFL (7th em 2011 e 2012).

Manning, aliás, é um ponto interessante de discussão. Ele foi muito mais eficiente em 2012 que em 2011 (67.4 QBR, 10th na NFL) e teve um bom ano, mas também viu sua produção por jogo cair (embora ainda seja a 13th maior da NFL) e também o valor do ataque aéreo da equipe na temporada (4th para 11th). Claro, uma boa parte disso se deve ao fato de que o Giants investiu muito mais pesado no ataque terrestre e as jogadas de corrida ocuparam uma porcentagem muito maior das jogadas do time em relação a 2011. Mas também temos que levar em conta que o ataque do time (a defesa também, mas em menor escala) piorou consideravelmente ao longo da temporada, especialmente o ataque aéreo na segunda metade da temporada (em que o Giants terminou 3-6). O sétimo melhor da temporada, esse número cai para 11th quando usamos os dados ponderados do Football Outsiders (um número que atribui maior peso a um jogo quanto mais tarde ele aconteceu), e embora isso possa ser atribuído a diversos fatores (lesão do Andre Brown, uma tabela consideravelmente mais forte), fato é que os números ajustados da equipe também caíram pelo ar. Eu não digo isso para falar que Manning é um QB ruim ou que teve um ano bom (eu acho Eli um ótimo QB e que teve um sólido 2012), mas ele sofreu algumas oscilações ao longo do ano que podem ser tanto uma preocupação para 2013 como um sinal de que uma estabilidade maior dele possa significar uma evolução ainda maior em um ataque que já foi muito bom em 2012.

Considerando tudo isso, o Giants ainda tem potencial de playoffs em 2012. A defesa deve sofrer um pouco com suas perdas, mas ainda tem um pass rush muito poderoso (que, na minha opinião, deveria ter sido melhor em 2012) e trouxe algumas peças interessantes, de modo que esse enfraquecimento deva ser de certa forma amenizado por isso. O ataque continua forte como sempre, e embora a saída de Bennett levante algumas dúvidas sem um substituto na equipe, Brown e Wilson assumindo o jogo terrestre em tempo integral deva melhorar ainda mais esse ataque, de forma que é razoável assumir que o ataque continue forte. Então embora o Giants de 2013 projete como um time um pouco inferior ao de 2012, o da temporada passada ainda foi um 10-win team (pelas Pythagorean Expectations que tanto amamos) e a equipe deve ter um calendário muito mais fácil nessa temporada, de forma que um 10-6 ou 9-7 e uma vaga nos playoffs pareça ser um resultado adequado para esse time. Embora esse número possa variar de acordo com o que foi dito de Eli, para mais ou para menos, acho uma previsão sólida de um time que sabe melhor que qualquer outro na NFL que, uma vez nos playoffs, todo mundo tem chance de título.


*Pra quem não está acostumado a essa terminologia, isso representa recepções, jardas recebidas, e touchdowns. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Dallas Cowboys


Ware e Spencer correm para abraçar seu amigo


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Depois de terminar a série de previews da AFC East para a temporada 2013 da NFL, começamos ontem a falar da NFC East, começando pelo atual campeão dela, Washington Redskins. Hoje, vamos continuar falando da divisão com um dos times mais populares no Brasil, o Dallas Cowboys. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Dallas Cowboys

2012 Record: 8-8
Ataque ajustado: 11th
Defesa ajustada: 23rd


Desde 2008, quando eu apostei no Dallas para ser campeão do Super Bowl antes da temporada e me lasquei faltando uns quatro jogos ainda para terminar a temporada regular, o Cowboys parece ser um time que sempre chega na temporada com bom potencial e boas expectativas, e dai falha em alcançá-las. E mesmo assim, isso pode ser traçado desde 2006, quando o time perdeu nos playoffs porque Tony Romo não dominou o snap para um game-winning field goal nos segundos finais da partida contra o Seahawks, uma das jogadas mais bizarras da sua carreira. Em 2007, a equipe terminou a temporada como a melhor da NFC mas foi derrotada em casa pelo Giants na semifinal de conferência. E desde então, apesar de um bom time, um grande estádio, uma torcida fanática e as melhores cheerleaders da NFL, o time viveu com apenas uma aparição nos playoffs (2009, perdendo para um superior time do Vikings por 34 a 3) e diversas temporadas decepcionantes.

Nessas temporadas decepcionantes, aliás, o padrão parece ser sempre o mesmo: um bom começo, chegando na reta final da temporada em boa posição de ir para a pós-temporada, e algumas derrotas decisivas nas partidas finais terminaram por tirar o Dallas dos playoffs. Em 2008, a equipe começou 8-4 antes de perder três das quatro partidas decisivas. Em 2011, o Dallas estava 7-4 e perdeu quatro dos último cinco jogos. Em 2012, estavam 8-6, perderam em casa para o Saints, depois perderam o jogo final decisivo para o Redskins quando uma vitória os colocaria nos playoffs. Tudo isso, aliado a falta de sucesso na pós-temporada (apenas uma vitória desde 2006), serviu para criar a ideia hoje muito conhecida e difundida de que o Cowboys é um time amarelão e que não ganha os jogos importantes.

Acho que eu não preciso dizer para vocês que isso é um mito. Por algum motivo, temos uma vontade irresistível de dar rótulos para tudo e para todos no esporte, especialmente se isso for depreciativo para alguém, e isso acontece com o Dallas, onde toda essa falta de sucesso acabou encontrando a explicação mais fácil e superficial possível. Mas depois de seis posts explicando longa e demoradamente como amostras de poucos jogos estão sujeitas a enormes flutuações e acasos, como elas tem pouco valor estatístico e como tem dezenas de fatores que influenciam o record dos times nesses casos, eu espero que tenhamos mostrado o suficiente que não existe nenhum tipo de fator mostrando que o Cowboys seja de fato amarelão ou incompetente. E dai que na reta final de 2008 (aqueles quatro jogos) o Dallas enfrentou dois melhores times da NFL (Steelers e Ravens), mais um superior time do Eagles, recuperando apenas 30% dos fumbles totais desses jogos (foram três dos quatro finalistas de conferência, btw)? E quem vai reparar que em 2011 eles perderam dois jogos por uma posse de bola nos cinco finais, e terminaram perdendo fora de casa para os eventuais campeões? E em 2012, onde a temporada foi decidida num jogo fora de casa, contra um time superior do Redskins? O que importa que nessas três sequências decisivas o Dallas perdeu todos os quatro jogos que teve decididos por uma posse de bola? As pessoas só se preocupam com os resultados, e não com os processos que levam a eles, e por isso que o rótulo de "time amarelão" pegou.

Dito isso, e apesar do fato de que não existe qualquer estatística que comprove que o Dallas não consiga produzir normalmente em jogos decisivos, é fato também que a franquia recentemente tem falhado ao cumprir as expectativas colocadas na equipe antes das temporadas. E embora, é claro, isso possa ser sempre um problema com as expectativas sendo irrealistas, também é possível identificar alguns fatores que tem atrapalhado uma equipe cheia de talento a produzir no nível que podem.

O primeiro problema, e talvez o maior de todos, seja o que eu chamo de "Síndrome de New York". Quem acompanha o NY Knicks e até mesmo o NY Jets (Giants ta salvo por enquanto porque ganhou dois Super Bowls) sabe que jogar em um mercado grande e rico para uma torcida fanática tem seus problemas: a torcida e a diretoria sempre espera mais produção, a mídia cai matando todo fracasso possível, as expectativas estão sempre lá em cima, e isso tudo forma uma pressão muito grande em cima dos atlétas. Dallas não é um mercado tão grande, mas tem um dono bilionário, enorme torcida e muita atenção da mídia. E isso é piorado pelo dono da equipe, Jerry Jones. Jones é um bilionário apaixonado por NFL que comprou um time para vê-lo vencer, e portanto está sempre injetando seu dinheiro no que puder, contratações, estádio novo, etc. Não a toa eu o chamo de "Mark Cuban da NFL", mas Jones tem um problema: ele não só quer vencer como quer construir ele o time, quer mandar e desmandar no time, e sempre que alguma coisa da errada ele corre para achar um bode espiatório e mudar alguma coisa. Jones sempre acha que ele faria tudo melhor do que todo mundo, criticando abertamente as decisões de seus técnicos e simplesmente criando um clima ruim na equipe e muita confusão.

Um bom exemplo de como Jones afeta diretamente a situação da comissão técnica da equipe é a história do atual técnico do time, Jason Garrett. Garrett era coordenador ofensivo da equipe em 2010, e quando Wade Phillips foi demitido, Garrett assumiu as funções de técnico e coordenador ofensivo para 2011. Depois de uma campanha de 8-8 e perder os playoffs (já comentamos dela acima), Jones se declarou insatisfeito com o trabalho de Garrett e contratou um novo coordenador ofensivo para a equipe, com Garrett mantendo as funções de técnico. Durante a temporada 2012, Jones criticou a chamada de jogadas de seu técnico, e ao final da temporada, anunciou que para 2013 ele não chamaria mais as jogadas, quem o faria seria o coordenador ofensivo Bill Callahan. Juntando esse circo a constante interferência de Jones nas decisões técnicas da equipe e a falta de estabilidade e sequência que esses técnicos tem que aguentar, e não me surpreende que os head coaches de Dallas tenham tido problemas nos empregos. Eu achava Phillips um HC muito ruim, e não acho Garrett bom, mas me pergunto se é possível ter sucesso no emprego com Jones reclamando, interferindo e mudando tudo que você faz. E na NFL, falta de consistência na comissão técnica é uma coisa que atrapalha demais a equipe a desenvolver.

Então isso é um problema. O outro é que nossos indicadores não apontam uma grande melhora esperada para 2012: o Pythagorean Expectation do time foi bem próximo de seu record (7.5 vitórias) e eles foram acima do esperado com um 7-5 (!!) em jogos decididos por uma posse de bola. A taxa de recuperação de fumble da equipe foi próxima da média (48,5%), também. Então juntando um time mediano em 2012, sem grandes indicadores de mudança, com um dono que não para de interferir no trabalho da comissão técnica e com nenhuma contratação de impacto junto de um Draft bem fraquinho (pegaram um C que devia cair para terceira rodada do Draft ao invés de ir atrás da grande necessidade do time e pegar um safety como Matt Elam), e é difícil se sentir tão otimista assim com o Cowboys.

A parte otimista fica por conta de dois fatores. O primeiro é o calendário. Depois de ter o sétimo calendário mais difícil de 2012, o Cowboys projeta para ter o sétimo mais fácil de 2013, então é um ponto positivo. O segundo fica por conta das lesões: Dallas tem um elenco cheio de grandes jogadores, mas com alguma falta de profundidade, e essa dependência dos seus melhores jogadores torna a equipe muito vulnerável a lesões a esses jogadores. Foi o que aconteceu em 2012: Bruce Carter perdeu os últimos seis jogos, Sean Lee perdeu os últimos 10, Jay Ratliff perdeu os últimos três e jogou a segunda metade da temporada baleado, DeMarco Murray perdeu seis jogos e jogou o resto machucado. Foi um festival de lesões nos jogadores chaves da equipe, especialmente mais para o final da temporada, onde as estatísticas da equipe pioraram. Mesmo que alguns desses jogadores (em especial Murray) já tenham se mostrado propensos a lesões, perder todos eles por tanto tempo e de uma vez só foi realmente um golpe duro que atrapalhou a temporada da equipe.

E tem o seguinte: o Dallas tem muito talento no seu time. Tem um dos melhores NTs da Liga (Ratliff), dois fantásticos LBs (Carter e Lee), dois excelentes DE/OLBs (Demarcus Ware e Spencer), e mesmo a secundária da equipe está bem mais forte com Brandon Carr e Morris Clayborne (embora precise de safeties... Elam cadê?). A defesa foi o grande problema da equipe em 2012, a décima pior da NFL, mas esse grupo tem talento demais para ser tão ruim assim. As lesões atrapalharam em parte, a indefinição tática atrapalhou bastante, mas não é absurdo esperar que com um pouco de saúde esse grupo possa voltar a ser uma boa unidade. Talvez não elite, mas pelo menos melhor do que o fiasco do ano passado. E mesmo que eu não ache Rob Ryan um péssimo coordenador defensivo, eu acho que as constantes mudanças de esquema, as reclamações na mídia e a personalidade forte dele (associada a todos os problemas já citados) contribuiram bastante para agravar o problema, e acho que é um grupo que se beneficiaria de uma mudança de ares.

Ofensivamente, ironicamente, as pessoas adoram atribuir os problemas do Cowboys ao Tony Romo e ao ataque aéreo da equipe. Até entendo que Romo não seja um QB de elite, e que isso frustre alguns torcedores, mas por algum motivo os torcedores adoram atribuir a ele a culpa de todos os problemas do time e todos os "quase" da equipe a ele. Talvez por ter começado sua carreira com aquele fumble bizarro no FG em 2006, talvez por ter ido passar um final de semana com a Jessica Simpson antes dos playoffs de 2007 (o que pegou mal), talvez porque ele tem alguns casos de errar em momentos cruciais das partidas (embora seus números gerais em situações apertadas de fim de jogo sejam bem próximos dos seus normais), ou talvez simplesmente porque é muito fácil culpar o QB quando as coisas dão errado na NFL. Mas o fato é que Romo é um Quarterback muito bom: ele foi o sexto melhor QB da NFL em 2012 em produção total, nono em produção por jogo, e 13th em QBR. Um pouco mais de maturidade e evolução por parte do talentosíssimo Dez Bryant e mais saúde do Miles Austin realmente ajudam ou ajudariam, mas Romo fez um trabalho muito bom em 2012. Embora o ataque da equipe tenha ficado em 11th na NFL, o ataque aéreo da equipe foi o sétimo melhor da Liga (atrás das potências Patriots, Broncos, 49ers, Packers, Seattle e mais o Redskins) inteira. Então mesmo que Romo não seja Aaron Rodgers, como a torcida adoraria que fosse, colocar a culpa dos problemas do time nele é um absurdo: Romo é um QB muito bom que tem produzido bem acima da média da NFL, e com boa eficiência mesmo com pouca ajuda do jogo terrestre (já chegaremos lá), e ele mereceu a extensão que recebeu quando lembramos que QBs menos provados já ganharam mais (embora a duração me incomode). E se você acha que o time perde porque ele não produz nos momentos chaves, lembre de Peyton Manning nos playoffs. Sim, ele perdeu o jogo porque lançou uma interceptação, mas só chegou a aquele ponto por causa da defesa que foi repetidamente queimada e do seu safety que cometeu um erro crucial nos segundos finais (e do seu técnico bundão que quis ajoelhar com 40 segundos, 3 tempos para pedir e Peyton Freaking Manning de QB). Culpar o QB sozinho pelas derrotas em jogos apertados é ridículo.

O problema do ataque, então, é o jogo terrestre. Foi a nona pior unidade de 2012 e isso se deveu a um conjunto de fatores: Murray perdeu algum tempo machucado (e quando jogou, esteve limitado), o time não teve profundidade em substituí-lo, e a linha ofensiva foi uma das piores da NFL em jogadas de corrida. Murray aqui, em particular, é o que mais preocupa, porque ele já perdeu 10 jogos por lesão em sua curta carreira, e talvez mais importante, a idéia de que ele é um grande RB se deveu apenas a uma temporada em 2011 e mais nada. Como podemos saber se o Murray de 2011 não foi uma aberração e na verdade o nível de 2012 é mais próximo do seu verdadeiro potencial? E se não for o caso, podemos esperar que ele se livre das lesões e jogue uma temporada inteira em alto nível pela primeira vez? 

O problema da linha ofensiva talvez seja ainda pior para o ataque. Ainda que fosse uma unidade muito sólida protegendo o QB, ela mostrou muita dificuldade para bloquear em sincronia, especialmente passando da linha de scrimmage e chegando nos LBs. Talvez a mudança de quem está chamando jogadas ajude um pouco, mas o problema aqui é a situação salarial da equipe. Poucos times estavam tão estourados no teto salarial como o Cowboys, que precisou fazer algumas mudanças nesse sentido só para conseguir acomodar os novatos e ficar abaixo do novo teto. Nesse contexto o time não pode fazer nenhum movimento atrás de um bom OL, o que provavelmente explica porque o time foi com tanta pressa pegar o center Travis Frederick bem antes do que ele era esperado para sair, era a unica chance do time de mehorar esse problema. Mesmo que Frederick entre bem nessa posição (reconhecidamente carente) da equipe, difícil que seja o suficiente para voltar a dar vida a esse jogo terrestre se Murray não estiver no mesmo nível de 2011. O que PODE significar uma melhora é o fato de que a linha do Dallas foi na verdade muito boa forçando passagem pelas linhas adversárias, tendo mais problemas com a segunda linha de defesa dos adversários. Ainda que isso seja, claro, um problema, é um problema que pode ser contornado um pouco se Murray retomar sua explosão anterior, visto que o tempo de exposição aos LBs adversários se torna menor. Mas ainda vai existir muita desconfiança em relação a esse jogo terrestre, e isso só dificulta as coisas para o ataque aéreo e para Tony Romo. Então esse provavelmente é o calcanhar de Aquiles do time, por ora.

Eu adoraria poder dizer aqui que o Dallas vai terminar 10-6 e ir aos playoffs (ou pelo menos Wild Card), que eu acho mais de acordo com o nível de talento que essa equipe tem, mas a desconfiança é grande demais. Foram muitos anos apostando em boas campanhas do Dallas e quebrando a cara, e toda a incerteza e as mudanças na comissão técnica vão cobrar um preço da equipe (que precisa, mais que uma linha ofensiva, que o Jerry Jones pare de se meter tanto nas decisões da equipe dentro de campo). Mas a equipe tem muito talento dos dois lados da bola e um pouco de saúde deve fazer maravilhas por essa defesa, assim como um ano a mais de entrosamento para algumas peças. A chegada de um novo coordenador defensivo pode fazer a defesa demorar para engrenar, mas se o trabalho for bem feito, essa unidade tem tudo para ser um bom grupo a médio prazo. Então apesar de todo o talento e toda a incerteza, eu acredito em uma boa campanha do Dallas acima de 8-8, 9-7 sendo o mais provável mas com potencial para cair ou subir dependendo de diversos fatores. Mas eu ainda não estou pronto para colocar o time nos playoffs, não por causa de Romo, mas por causa do circo que esse time virou nos últimos anos. Pena, porque o talento está ai, e se as peças encaixarem, esse time tem condições de terminar 11-5 e assustar. Mas não aposto nisso. Não ainda.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Washington Redskins

Josh Morgan é atacado por abelhas



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Terminando a série de previesw da AFC East para a temporada 2013 da NFL, é hora de atravessar o país e falar um pouco da NFC East. Hoje, vamos começar com o atual campeão da conferência, o Washington Redskins. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Washington Redskins

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 6th
Defesa ajustada: 17th


Eu já citei isso no preview quando falei de sorte com fumbles, mas não me aprofundei tanto. Mas a temporada 2012 do Washington Redskins foi um estudo de caso muito interessante sobre como todos esses fatores afetam podem afetar um time e causar todo o tipo de flutuação que a primeira vista parecem inexplicáveis, ou mesmo geram uma solução-resposta fraca como "Hey, agora o grupo se uniu!" no twitter. Então embora a primeira vista a temporada do Redskins, que começou 3-6 e terminou 7-0, pareça absurda ou simplesmente um caso de um time que milagrosamente se encontrou e deu um salto no meio da temporada (não que o time não tenha evoluido ao longo do ano, claro, chegaremos lá), podemos olhar uma série de fatores que contribuem para um cenário mais claro do que aconteceu ao longo desses cinco meses.

Sobre o começo 3-6 do Redskins, parte disso era de certa forma esperada. Era um time que tinha passado por uma grande reformulação, que chegava com um quarterback calouro (ainda que espetacular) e adaptando novos jogadores ao esquema tático do gênio louco, Mike Shanahan. Mas mesmo assim, o record negativo chama a atenção, e muita gente logo descartou o Redskins depois disso. Mas olhando de perto, podemos observar alguns pontos interessantes. O primeiro é que o Redskins foi consideravelmente azarado recuperando fumbles: recuperou mais de 80% nas suas três vitórias mas apenas 35% nas suas seis derrotas, o que já por si só era um fator para despertar interesse. Mas mais do que isso, o Redskins foi um time competente que, tirando uma derrota por 27 a 12 para o Steelers, teve um saldo de zero nos outros jogos mesmo tendo perdido cinco deles. Durante esse período, o Redskins perdeu quatro jogos decididos por uma posse de bola e ganhou apenas um, quando o esperado seria ganhar dois ou três. E um terceiro fator que influenciou nisso foi a tabela: durante essa sequência, o Redskins enfrentou a parte mais difícil da sua tabela, com jogos contra Falcons, Steelers (antes das lesões) e Giants fora de casa, por exemplo. Cinco dos seus nove jogos foram fora de casa, inclusive.

Depois da semana de bye da equipe, o time terminou a temporada indo 7-0 e garantindo uma vaga nos playoffs. Não coincidentemente, o Redskins jogou quatro desses sete jogos em casa (inclusive os mais difíceis contra Giants e Ravens) e enfrentou duas vezes o fraquíssimo Eagles e uma o Browns, uma tabela muito mais fácil do que a da primeira parte da temporada. Sua sequência de vitórias, além disso, foi impulsionada também pelo seu record de vitórias em jogos decididos por apenas uma posse de bola, foram quatro e nenhuma derrota durante esses sete jogos. E para fechar com chave de ouro, foi quando a sorte do Washington com fumbles disparou, recuperando mais de 70% deles até o fim da temporada para terminar com a melhor marca da Liga. Então, realmente, não há necessidade de ficar procurando teorias mirabolantes para explicar a montanha russa que foi a temporada 2012 do Redskins.

O que, claro, não quer dizer que não tenha tido uma melhora orgânica na equipe para essa segunda metade de temporada. Como qualquer time recentemente montado (e especialmente um liderado por dois calouros como Robert Griffin e Alfred Morris), o Redskins demorou um pouco para se acertar e funcionar a perfeição dos dois lados da quadra. Isso sem dúvida influenciou nesses números ao longo da temporada, um time que foi evoluindo continuamente desde o primeiro jogo. Os números, também, reafirmam esse fato: em DVOA, a estatística ajustada que temos usado nessa série calculada pelo Football Outsiders, a equipe terminou a temporada 2013 com o sexto melhor ataque e a 17th melhor defesa. Mas se usarmos o DVOA ponderado, um DVOA ajustado dando um valor maior para os jogos mais para o final da temporada (e naturalmente menores para o começo), o ataque da equipe teria sido o quinto melhor e a defesa teria saltado de 17th para 13th melhor unidade. A defesa, inclusive, foi a grande mudança da equipe ao longo do ano, impulsionado em grande parte pelo grande aproveitamento dela (58%) recuperando fumbles.

Mas juntando tudo isso para formar o retrato da temporada 2012 do Washington Redskins, aonde isso coloca o time antes da temporada 2013?

Para começar, o Washington de 2012, na soma das partes, foi um time que acabou melhor do que deveria ter sido de fato. Seu Pythagorean Expectations indica um time 9-7, e seu record em jogos decididos por uma posse de bola foi positivo ao time (5-4, dentro da normalidade). Nenhum desses fatores indica uma grande regressão para 2013, embora indiquem que a equipe tenha overachieved um pouco ano passado. Mas o grande golpe para cima do Redskins foi seu saldo de turnover. A equipe terminou o ano com um saldo de +17, a terceira melhor marca da Liga. Infelizmente para a equipe, historicamente são raríssimos os times que conseguem sustentar esse nível por mais de uma temporada, em particular por que atingir esse patamar envolve uma dose muito grande de sorte que é difícil de se repetir muitas vezes. Esse é o caso do Redskins: a franquia foi de longe o melhor time da Liga em 2012 recuperando fumbles, com uma taxa de recuperação 67,5%. Considerando que esse time foi o mesmo que recuperou um fraco 44% em 2011, é muito razoável se supor que esse valor é insustentável, e uma regressão desse valor para a média de cerca de 50% vai significar uma mudança brutal no que foi talvez a melhor força do time em 2012. Em particular, isso deve afetar em muito o carro-chefe da equipe, seu espetacular ataque, onde recuperaram quase 75% dos seus fumbles - o que significa que o time deveria ter sofrido em média 0,6 fumbles perdidos a mais por jogo. Esse aumento brutal no número esperado de turnovers vai com certeza ter um impacto na equipe indo para frente.

O que, claro, não quer dizer que o Redskins esteja fadado a um 3-13 temporada que vem, ou mesmo que seja uma certeza que ele vá piorar. Como sempre acontece com times jovens, isso vai depender muito da evolução esperada da equipe e dos seus jogadores de um ano para outro.

Em particular, o lugar para se observar de maior interesse por essa frente aqui é a defesa. Embora não tenha sido a unidade mais interessante do time na temporada anterior, a defesa do Redskins foi a unidade que mais evoluiu ao longo da temporada, e um dos motivadores por trás da grande evolução da equipe. O que é intrigante para mim é que a defesa do Redskins não é exatamente uma unidade jovem cheia de talentos em desenvolvimento, então é difícil atribuir essa evolução toda da defesa a um grupo que foi maturando conforme o tempo passou. Claro, é um grupo de muitos jogadores que se juntaram recentemente e podem ter encaixado em suas funções - em termos táticos e de entrosamento - ao longo da temporada, mas mesmo assim é difícil achar apenas um motivo para explicar toda essa evolução além de "melhores performances". E sendo assim é difícil saber se devemos esperar que essa melhora continue rumo a temporada seguinte, se foi apenas acaso que deve regredir, ou se ela atingiu seu potencial perto do final da temporada, especialmente perdendo um jogador importante para 2012 como Lorenzo Alexander. O que eu sei com certeza é o seguinte: a defesa de Washington jogou grande parte da temporada passada, incluindo seu bom final de temporada, sem um dos seus melhores jogadores e jovens talentos, o OLB Brian Orakpo, e sem um veterano importante em Adam Carriker. Então mesmo que não exista evidências de uma melhora contínua da defesa para a temporada seguinte, e com a perda de um jogador importante como Alexander, a volta de Orakpo e Carriker pode indicar que a defesa deva pelo menos manter o bom ritmo da temporada passada, ainda que eu ache que dificilmente possa dar um salto para uma unidade de elite.

O problema de verdade desse time está do outro lado do campo, no seu ataque espetacular que foi o sexto melhor da NFL em 2012. Essa máquina ofensiva foi, em grande parte, movida pelo seu fortíssimo ataque terrestre, segundo melhor da NFL e que combinou a explosão e força do RB calouro, Alfred Morris, com a agilidade e capacidade de improviso do seu QB, Griffin. O bom uso que o time fez das jogadas de option e a capacidade dos dois jogadores de conseguirem separação para longos ganhos foi a grande arma do time e serviu para abrir ainda mais o jogo aéreo para o bom RGIII. Mas essa unidade apresenta alguns problemas. O primeiro e mais flagrante já foi discutido, foi a absurda sorte da equipe com fumbles que é extremamente improvável que se repita em 2013. O segundo é a saúde: boa parte dos principais jogadores ofensivos da equipe (Griffin, Pierre Garçon, Trent Williams, Fred Davis, etc) são jogadores com um preocupante histórico de lesões que os torna praticamente incógnitas ao longo de uma temporada longa. Davis perdeu boa parte da temporada passada, Garçon perdeu alguns jogos no meio do ano, e Williams conseguiu ficar saudável a temporada quase inteira. Mas o histórico de lesões desses jogadores é algo que assusta quando tentamos imaginá-los ficando saudáveis uma temporada inteira, e são jogadores chaves para esse ataque de forma que a ausência de um deles por um período longo poderia comprometer o funcionamento do ataque inteiro.

O terceiro e maior problema desse ataque é o joelho de RG3. Griffin é um talento espetacular que teve um 2012 fantástico e é projetado como um dos grandes QBs da NFL nos próximos anos, mas como já dissemos, suas lesões preocupam. Ele perdeu um jogo ano passado por concussão e depois rompeu o ligamento do joelho nos playoffs, duas lesões que são especialmente preocupantes dado seu estilo de jogo. Ainda que sua lesão no joelho esteja progredindo "melhor do que o esperado", "a mais rápida que eu já vi" e "tão boa que parece até que ele está usando PEDs" (os três quotes são reais), um ligamento rompido é uma lesão séria que normalmente tem um tempo de recuperação mais longo do que sete meses (Adrian Peterson demorou menos, Derrick Rose demorou mais, mas na média...). É possível imaginar Griffin perdendo algum tempo da temporada, e mesmo se não perder, fica a pergunta de como ele vai voltar em 2013 e qual será sua contribuição para a equipe. Vai retomar exatamente de onde parou, sem nenhum tipo de perda de ritmo? Será que seu corpo vai permitir que ele continue scrambling? Será que ele vai se ver obrigado a se contar mais ao pocket? Ninguém sabe, e isso também lança dúvida sobre esse ataque por um motivo: se o ataque do time foi forte pelo chão, isso em grande parte se deve ao medo que Griffin causa nas defesas e na atenção que ele atrai. Passando por cima da incerteza se Morris seria capaz de reproduzir sua histórica temporada de calouro, um Griffin baleado, menos móvel seria um golpe importante nesse ataque terrestre (especialmente se Williams voltar a sofrer com lesões) e, portanto, no ataque aéreo que se beneficiava em muito da atenção dedicada pelas defesas ao chão.

Em resumo, o Redskins não deve ser um time ruim em 2013. Eles tem um Franchise QB, um bom técnico e estão vindo de uma boa temporada. Mas diversos fatores, desde saúde a prováveis regressões com fumbles, indicam que o time não foi em 2012 tão bom quanto seu record indica e que deva regredir para um nível menor. E embora seja difícil prever a direção da franquia dos dois lados do campo, a defesa contou em 2012 com performances inesperadas de alguns veteranos que dificilmente devem repetir e o ataque tem suas dúvidas com a saúde de RG3. Então ainda que não seja esperado que o time seja muito pior em 2013 que em 2012, as questões e a grande quantidade de "se" relacionados a esse time - junto da possibilidade natural de regressão da equipe em várias frentes - signficam que o time pode cair para algo como 9-7 ou 8-8 naturalmente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os times - NFC East

Pedindo mais uma vez desculpas pela extrema demora, estamos de volta, dessa vez, falando mais da NFC East, que talvez seja uma das divisões mais interessantes de toda a Liga. E talvez a mais divertida. Porque? Já pararam para pensar que essa divisão tem entre seus quatro times: um dos times mais comentados e hypeados da história da offseason da NFL, um time que todo mundo negligencia porque ele sempre arruma um jeito de entregar os jogos (estou olhando pra você, Tony Romo), e um time que foi horrível nos últimos anos e ainda contratou o Rex Grossman pra Quarterback - e que qualquer um dos quatro pode acabar levando o título da divisão (Desculpem fãs do Giants, mas esse ano não vai)?? Nenhum dos quatro times é confiável de forma alguma e qualquer um dos quatro pode facilmente terminar em último lugar (Aos fãs do Eagles que não acreditam, Vince Young está machucado e o Michael Vick se machuca duas vezes por dia e três aos domingos. Sabem quem assume o time em caso de lesão?). Como não gostar de uma divisão onde a anarquia impera (quando ela não é a NFC West, de longe a pior divisão da Liga)??


Derrubar um marcador usando o traseiro é uma arte perdida

 
Philadephia Eagles (10-6)
Como eu disse, essa divisão tem um dos times mais comentados e hypeados da história das offseasons, e ele é o Philadelphia Eagles. Se você mora num abacaxi no fundo do mar e não sabe do que estou falando, recomendo esse post sobre a equipe, mas basicamente o time saiu da Free Agency pós-lockout com o melhor jogador disponível (O Cornerback Nnamdi Asomugha), o melhor Pass Rusher (Jason Babin), trocou seu QB reserva por um Cornerback top 10 (Dominique Rodgers-Cromartie), pegou outro Wide Receiver que não só já foi um All-Star como foi vice-líder da Liga em recepções e mais uma cacetada de role players talentosos - e isso para um time que era candidato ao título do ano passado.

Isso gerou um hype imenso em torno do time que, convenhamos, seria difícil deles cumprirem (teriam que terminar a temporada 16-0, ganhar o Super Bowl por uma vantagem maior que os 45 pontos do 49ers, ganhar todos os prêmios individuais e descobrirem a cura para o câncer). O Eagles continua sendo um favorito ao título, manteve seu ataque extremamente explosivo de 2010 e juntou muito talento nessa offseason, mas o time tem alguns problemas evidentes que não foram adereçados na offseason. Em outras palavras, a defesa terrestre e a linha ofensiva de uma forma geral. O time tem uma secundária fantástica e um bom pass rush com Babin e Trent Cole, mas a defesa terrestre - especialmente pelo interior da linha defensiva - ainda é muito fraca, e o Rams mostrou isso com o Steven Jackson correndo para mais de 30 jardas no seu Touchdown antes de sair machucado. A defesa, fora isso, é boa porque quando você tem três dos 10 (no máximo 15) melhores cornerbacks, você com certeza não precisa se preocupar muito com passes, ainda mais se tiver dois Pass Rushers de elite. O Asomugha não é um cornerback que aparece muito com interceptações e grandes jogadas, ele é o típico cornerback que você não vê o jogo todo - até perceber que você não ve os jogadores que ele marca também. Pras interceptações o time tem o Cromartie e o Assante Samuel, o que torna lançar a bola contra essa defesa muito perigoso.

Outra falha? A linha ofensiva, que frequentemente deixa pressão demais chegar no ótimo Michael Vick e impede que o time tenha um ataque estável, já que o Vick está sempre precisando usar suas pernas para fugir do sack. O lado bom do ataque? O QB mais dinâmico da Liga que é uma dupla ameaça (passando e correndo), o WR mais explosivo do mundo (DeSean Jackson), um excelente jogo terrestre nas costas do LeSean McCoy, um corpo de Wide Receivers de primeira linha... Então é, não é difícil entender porque eles são favoritos. O ataque do Eagles deixa muita gente passar da linha, fato, mas é um ataque que pode a qualquer instante explodir para 80 jardas. Poucos times (Patriots? Packers?) tem ataques mais divertidos de assistir.

Eli Manning está com nojinho


New York Giants (10-6)
Um time que está praticamente fora da briga pelo título da divisão desde antes da temporada começar. O que é uma pena, porque o Giants é um time muito interessante. Um time com uma defesa muito forte e um ataque que é muito bipolar dependendo do dia no qual seu Quarterback Eli Manning se encontra. Se o Eli Manning está num jogo onde suas 25 interceptações (marca do ano passado) aparecem mais, ele é um grande jogador, capaz de dominar jogos passando e liderar seu time às vitórias. No entanto, se o que aparece mais são suas 24 interceptações, o Giants tem problemas. E infelizmente, você nunca sabe qual Eli Manning você vai ter, é como pegar aquele Bubaloo de dois sabores e tentar vencer um jogo de futebol americano com ele. Em 2007, por exemplo, ele foi o PIOR Quarterback da temporada regular com pelo menos 12 jogos, mas nos playoffs jogou demais, foi o melhor Quarterback daquela pós temporada e levou seu time ao título por cima dos até então invictos Patriots.

E essa indefinição assassina o ataque do Giants por longos periodos de tempo. O time tem uma boa dupla de Running Backs com Ahmad Bradshaw e Brandon Jacobs, dois RBs de força, que geralmente são sólidos em quase todos os jogos mas nem sempre são capazes de vencer jogos sozinhos como uma dupla de elite, como DeAngelo Williams e Johnathan Stewart (Oh wait, eles jogam no Panthers, esqueçam a parte sobre ganhar!). O corpo de Wide Receivers do time era boa com a dupla Amani Toomer e Plaxico Burress, mas quando o Toomer aposentou e o Burress foi preso, o time apostou na molecada, em especial no trio Steve Smith, Mario Manningham e Hakeem Nicks, mais o Tight End Kevin Boss. Deu certo por dois anos, mas o time estava muito acima do teto salarial nessa offseason e perdeu Smith para o Eagles. Pior, perdeu Boss para o Raiders, e deixou seu corpo de recebedores (que primava pela profundidade) deficiente. Mas isso tudo só funciona se o Manning jogar bem, ele é capaz de passar pra 350 jardas e 3 TDs num jogo mas também entregar tudo com duas interceptações e um fumble. Como esquecer a temporada 2008, quando o Giants começou o ano pegando fogo, com seis vitórias seguidas e uma grande temporada do Manning, só pra depois perder 8 dos próximos 10 jogos com o Eli entregando jogo após jogo e ficar de fora dos playoffs?

Mas o forte do time - e que permite que o time se mantenha competitivo mesmo com essas oscilações absurdas do seu QB - é a defesa. Uma ótima linha de frente com jogadores como Mathis Kiwanuka e Osi Umenyora, uma sólida secundária, um grupo bem versátil no meio da defesa (que sofreu muito com a aposentadoria do Antonio Pierce, mas achou um grande jogador via Draft no Jason Pierre-Paul) e o time estava pronto para bater de frente com seus adversários. Não era tão dominante como as defesas de Steelers ou Jets, mas era forte, causava muitos turnovers e sempre oferecia ao ataque boas situações para vencer os jogos. O motivo da temporada ter acabado antes de começar para o Giants foi que o time perdeu praticamente a defesa inteira por lesão!! O time perdeu Kiwanuka e Umenyora para as primeiras rodadas, perdeu sua dupla de Cornerbacks titulares para o resto do ano por lesão (e sua escolha de primeira rodada, o Cornerback Prince Amukamara, vai perder pelo menos quatro semanas), perdeu seu MLB para o resto do ano... Ou seja, perdeu quase todo mundo de bom! Quando conseguir se arrumar novamente já vai ter perdido jogos demais para ficar na briga. Um amigo meu torcedor do Giants já disse que está até sonhando com as primeiras escolhas do Draft do ano que vem (aí é exagero, mas tudo bem, compreensível). Mas que eu duvido -e muito - da capacidade do Giants de superar essa maré de azar que começou antes da temporada, eu duvido. A não ser que o Eli Manning pare de oscilar e jogue como o irmão (Peyton Manning, QB do Colts). Ok, exagerei... como o pai já está bom!


Esse negócio de jogar futebol americano da uma fome...


Dallas Cowboys (6-10)
O Cowboys tem um simples obstáculo até o título. Que é o mesmo fator que faz 90% dos times que tem chance de título terem chance de título (os 10% restantes jogam no New Meadowlands Stadium). Ou seja, um bom Quarterback.

O Dallas é um time de um bilhardário desocupado que adora o esporte (E nem começamos a falar do Mavericks ainda!), e portanto o time nunca teve pudor em gastar muito dinheiro para montar grandes times (o que é menos vantagem na NFL do que na NBA, por isso o Mark Cuban realizou seu sonho e o Jerry Jones ainda não). Depois de dominar a década de 90, o Dallas teve bons times e boas chances para levantar o caneco, mas sempre esbarrou em alguma coisa imprevista que ninguém realmente poderia ter previsto. Portanto, o time e seu astro acabaram pegando fama de amarelão, e mesmo com um time forte ninguém bota muita fé na equipe até que provem o contrário (E pela última vez, não estou falando do Mavericks!! Deve ser algo da água da cidade, sei lá!).

O Dallas tem uma defesa muito boa perto da linha de scrimmage, um dos melhores Nose Tackles da Liga no Jay Ratliff e um dos melhores OLBs no Demarcus Ware. Ou seja, você tem garantido um pass rush frequente (pra uma defesa 3-4, mesmo sem o uso intensivo de blitzes) e uma defesa terrestre, em geral, sólida. O problema da defesa do time é que a secundária é esburacada, o time não tem nenhum cornerback ou safety acima da média que ocupe uma parte do campo, que é aliás um dos motivos do time evitar as blitzes que deixam espaços para o passe. Com uma defesa de frente forte e uma fraca secundária, é normal que os adversários tentem jogar mais com o jogo aéreo do que o terrestre, o que vai levar a jogos velozes e de placares elevados. E para ganhar jogos assim, o seu ataque tem que responder à altura, o que invariavemente vai cair na existência de um bom Quarterback. O que, como eu já disse, é um problema.

Mas não do tipo que assola, por exemplo, o meu 49ers, que é a FALTA de um bom Quarterback. O Quarterback do Dallas, Tony Romo, é um bom Quarterback, que em termos de talento provavelmente está no top 10 da Liga. Ele tem uma boa precisão, um braço forte e é o segundo melhor Quarterback de toda a Liga escapando do sack, e é capaz de ganhar jogos sozinhos com ajuda de seu bom corpo de recebedores. O problema do Romo não é falta de talento, e sim falta de cérebro. Ele é daqueles Quarterbacks que é capaz de jogar um jogo inteiro com perfeição e entregar tudo com uma jogada imbecil no final (como fez contra o Jets) ou é capaz de ser horrível um jogo inteiro e de repente pegar fogo no final (como fez contra o 49ers). Ele é uma faca de dois gumes, não pela inconsistência, mas porque ele muitas vezes comete erros estúpidos e infantis que atrapalham o seu time (eles geralmente ocorrem em situações apertadas de jogo). O Bill Simmons até sugeriu que em todo jogo fosse computada a jogada mais imbecil, infantil e idiota e o jogador responsável por ela ganhasse um "Romo", para que pudessemos argumentar ao final da temporada

-"O jogador X é um ótimo Quarterback, teve 25 Touchdowns e 4200 jardas"
- "É, mas liderou a Liga em Romos"

Se o Tony Romo jogar com confiança, calma e evitar erros imbecis, o Dallas pode chegar em Janeiro pensando no título. Se o Tony Romo deixar sua falta de cérebro levar a melhor sobre seu talento, o Dallas pode começar a pensar no Draft do ano que vem.


Santana Moss, o bailarino da NFL

Washington Redskins (6-10)
Se alguém me pedisse para rankear a chance do Redskins se dar bem em 2011 depois do dilema do time na offseason ter sido escolher entre o Rex Grossman (Meu voto para MVP do Super Bowl XL, pena que para o time adversário) e o John Beck (que fez isso aqui), ela provavelmente estaria junto com "Zach Randolph virando um Franchise Player e quase levando o Grizzlies nas costas até as Finais" em primeiro lugar. Mas depois de duas rodadas, eu estou começando - só começando - a levar esse time um pouco mais a sério.

Eu defendo já faz algum tempo que a defesa do Redskins é muito melhor do que parece, cheia de jogadores jovens e talentosos como Brian Orakpo (OLB) e LaRon Landry (S). Só que a defesa ficou tão exposta por causa do patético ataque dos últimos anos que suas estatísticas acabaram afundando e o time tomou kajilhões de pontos porque o ataque sempre perdia a bola em situações complicadas e a defesa não fazia milagres. Mas a defesa continuou se reforçando (estou adorando o Ryan Kerrigan, DE calouro, pelo que vi até agora), trouxe o OJ Atogwe, e só precisava de um ataque decente.

É difícil julgar os resultados do ataque até aqui, especialmente do Grossman. Enfrentou primeiro o Giants e sua secundária extremamente desfalcada, depois a secundária muito fraca do Cardinals, e apesar dos bons números a gente tem que lembrar as circunstâncias em torno disso (e também vale a pena destacar o alto número de interceptações). O ataque tem uns buracos, mas também tem bons jogadores, o time finalmente tem um bom grupo de recebedores, e se o Rex Grossman usar seu fortíssimo braço a favor do seu time e não contra, pode surpreender e arrancar uma vaga de pós temporada. O time não é nem um pouco confiável, mas convenhamos... Quem nessa divisão é?