Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A importância de não começar 0-2 na NFL

Tom Coughlin não entendeu nada desse post


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Um tema bastante comum quando passamos as duas primeiras semanas da NFL, é que você vai ler bastante por ai seja no twitter, em sites, blogs ou tudo mais, é sobre o que significa para um time começar 0-2 (ou, as vezes, 2-0). Por algum motivo, essa marca de 0-2 virou um "padrão" para separar times de playoffs dos times que estarão fora da briga. Claro, isso não vem sem algum padr ão histórico: desde 1990, quando a NFL expandiu sua pós-temporada para o formato de 12 times que conhecemos hoje, apenas 11.6% dos times que começam a temporada 0-2 conseguem chegar aos playoffs. É um número baixo e que levanta preocupações, especialmente em uma temporada tão curta como a da NFL. Eu nunca entendi porque exatamente essa marca de 0-2 que foi "escolhida" - talvez porque 0-3 já seja um poço grande demais - mas fato é que ela é bastante usada por ai, todo santo começo de temporada. Esse ano, tivemos oito times que começaram o ano 0-2: Giants, Panthers, Browns, Jaguars, Vikings, Steelers, Bucs e Redskins. Então seu início com duas derrotas parece indicar, em um primeiro momento, que esses times já estão praticamente eliminados da briga.

Então, considerando o destaque que esse começo 0-2 recebe por ai, eu decidi fazer minhas próprias pesquisas no assunto e tirar minhas próprias conclusões sobre o que significa exatamente começar 0-2, e ver se descobrimos alguma coisa interessante no processo. Esse post é sobre os resultados da minha pesquisa, minhas conclusões e rápidas análises de cada caso de times da temporada.

Para isso, recorri a base de dados (e excelente mecanismo de pesquisa) do excelente Pro-Football Reference. A amostra usada foi a minha favorita quando tratamos de NFL, ou seja, a partir de 2005 e até hoje. Eu gosto particularmente dessa amostra porque, embora não seja a maior, 2005 foi quando a maior parte das regras que a NFL mudou para favorecer os jogos aéreo começou a valer. Ainda demorou alguns anos de adaptação para chegar no festival de jardas aéreas que vemos hoje, mas isso começou com as regras que passaram a valer em 2005, foi quando o jogo começou a se aproximar mais do que vemos hoje, e por isso é uma amostra que eu acho que apresenta maior relevância quando olhamos para o jogo de hoje do que se olhássemos uma amostra dos anos 90, por exemplo.

Então com ajuda do PFR, descobri que 69 times (e mais 8 em 2013) desde 2005 começaram a temporada 0-2 (a lista completa eu vou colocar nos comentários para quem se interessar). Desses 69 times, apenas 5 deles conseguiram chegar aos playoffs, um índice de aproveitamento de apenas 7.25%. Para piorar, dos últimos 30 times que começaram a temporada com duas derrotas, nem um deles conseguiu chegar na pós-temporada, algo que realmente não é animador para os oito times que ainda buscam sua primeira vitória.

A primeira coisa que eu acho interessante reparar é que esse índice de "aproveitamento" de 7.25% é consideravelmente inferior ao de 11.6% que obtemos se pegamos todos os anos desde 1990 (22 times de 190). Embora isso possa ser resultado em parte de uma amostra pequena, não acredito que seja o caso: se pegarmos apenas os times 0-2 entre 1990 e 2004 (ou seja, logo antes das novas regras), obtemos que 14.05% desses times chegaram aos playoffs, uma taxa quase duas vezes maior do que os 7.25% desde então. Ainda que uma parte disso possa ser atribuído a uma amostra pequena, e outra parte a um aumento no número de times, mas as duas ainda não são suficientes para explicar tamanha diferença. Seria interessante fazer uma pesquisa mais aprofundada nesse sentido e ver exatamente o que motivou essa mudança grande, mas por enquanto, eu tenho uma teoria: as novas regras relativas ao jogo aéreo criaram uma distorção muito grande em relação a posição de quarterback. O QB sempre foi o jogador mais importante de uma equipe, mas seu impacto era muito mais limitado antigamente, como comprovam os anéis de campeão de Trent Dilfer e Brad Johnson no começo da década passada. Ter um grande QB sempre foi um enorme ativo para qualquer equipe, mas seu impacto no jogo era menor (comparativamente falando, claro) em relação ao resto do time, defesa, jogo terrestre e etc. Hoje, só um QB sozinho com um time medíocre já é capaz de garantir umas 10 vitórias para sua equipe porque ele tem muito mais liberdade para impactar o jogo. Então hoje em dia, a diferença entre ter um Aaron Rodgers e ter um Christian Ponder - independente do resto do time - causa um impacto muito, mas MUITO maior do que causava nos anos 90. Então hoje, a maioria das vagas de playoffs são dominadas por times com bons ou grandes QBs, e a natureza atual do esporte onde o QB impacta muito mais cada jogo torna muito mais difícil para que um time com QB assim perca dois jogos seguidos dessa maneira. Ou seja, se você perdeu os dois primeiros jogos, boa chance é que não tenha um grande QB, e os times que tem são hoje em dia muito mais fortes candidatos a chegarem aos offs. Essa pelo menos é minha teoria para explicar tamanha diferença.

Mas deixando as teorias de lado e voltando aos dados. Uma coisa que também sempre achei curioso é que não existe motivo para duas derrotas nos primeiros jogos serem mais significativas do que derrotas nos dois últimos, ou em dois jogos aleatórios no meio da temporada. Ainda assim, apenas 7.25% dos times que começam 0-2 chegam aos playoffs, enquanto que 32.5% dos times da NFL inteira vão aos playoffs. Essa diferença representa mais do que somente o buraco que um time 0-2 tem que subir para chegar nos playoffs (afinal, tem que ganhar o mesmo número de jogos dos adversários com menos partidas para tal), ela representa um viés de seleção: nossa amostra composta por times nessa situação vai, naturalmente, incluir uma tonelada de times que perderam os primeiros jogos simplesmente porque são times ruins! Obviamente isso não significa que só porque um time começou 0-2 ele é um time ruim, mas nossa amostra de times nessa situação vai incluir na sua maioria times que perderam os dois jogos porque estão entre os piores da liga, e times assim raramente vão para os playoffs mesmo. Então esses 7.25% acontecem menos por causa da desvantagem de começar com duas derrotas e muito mais porque grande parte dos times que começam assim simplesmente eram ruins desde o começo e continuarão a ser ruins durante a temporada.

As evidências empíricas parecem indicar nessa direção: times que começam 0-2 terminaram o ano em média com 5.2 vitórias, o que mostra que sim, times que começam 0-2 chegam nos playoffs porque em geral eles são ruins mesmo. Para pegar um nível mais preciso de performance, peguei também a Pythagorean Expectations dessas equipes, e ela também deu um resultado parecido: 5.7 Pythagorean Wins em média para os times que começam o ano com duas derrotas. Sim, a diferença é explicável, mas também aponta na mesma direção, que na média esses times são ruins mesmo.

Pensando um pouco mais no caso atual - ou seja, como podemos ter uma noção de que os times atualmente 0-2 são ruins ou não, tem ou não uma chance de dar a volta por cima - a questão era como ter uma noção, após apenas duas semanas, de como avaliar se um time é (ou é esperado que seja) bom ou não. A melhor forma que me ocorreu foi simples, pegar o record do ano anterior como parâmetro. Obviamente esse método não é perfeito, times mudam consideravelmente de um ano para outro, com drafts, free agency, lesões, evoluções ou regressões de jogadores e contra a média, etc. Mas ainda assim, é a melhor forma que me ocorreu, e pegando os records um ano antes de cada um desses 69 times, minha expectativa era algum indicador de que na média esses times já fossem de certa forma fracos. E eu não me decepcionei: entre esses 69 times, a média do ano anterior foi de menos de 7 vitórias (7.1, para ser preciso) e 6.9 de Pythagorean Wins. Então considerando que essa amostra ainda conta com alguns times como 2011 Colts e 2010 Vikings que sofreram quedas brutais depois de perder seu Franchise QB mas que foram muito bem um ano antes, é possível ver uma relação se formando - de fato, a correlação entre o record ruim desses times em um dado ano e seu Pythagorean no ano anterior é positiva e significativo, de quase 33% (.327). 

Uma vez que estabelecemos alguns pontos para mostrar que de fato, o maior inimigo dos times 0-2 que querem chegar nos playoffs geralmente são esses próprios times, vamos dar uma olhada nas equipes que conseguiram chegar nos playoffs. Elas são as seguintes: Chargers de 2008; Chiefs de 2006; Vikings de 2008; Dolphins de 2008; e Giants de 2007. Com uma exceção, da qual falaremos mais tarde, o que chama a atenção nos outros quatro times é que eles foram todos bons no ano anterior: todos terminaram 50% ou acima, e três deles possuíam Pythagorean Expectations bem altos (11.3, 10 e 9.5, com o quarto no 8-8). Com exceção da nossa... bem, da nossa exceção, nenhum desses quatro times passou por grandes ou profundas mudanças no seu time ou no seu QB: todos foram bons times um ano antes e que acabaram sendo novamente bons o suficiente para arrancar uma vaga nos playoffs, em geral com ajuda de alguma sorte: tirando o Chargers (que ficou duas vitórias abaixo da sua PE), todos superaram sua Pythagorean Wins por até 2.2 vitórias (embora essas 2.2 vitórias sejam do nosso time "execeção". Já chegaremos nele). E desses quatro times, nenhum sofreu uma grande reviravolta do ano anterior em termos de performance: dois deles evoluíram em duas vitórias, mas ambas foram mais em termos além do seu controle, já que suas Pythagorean Wins subiram em apenas 0.3 e 0.8. Na verdade, dois desses quatro times até perderam vitórias de um ano para outro (1 e 3, 1.1 e 1.5 em termos Pythagoreans respectivamente), mas eram bons o suficiente para se manter com um número de vitórias que lhes garantiu playoffs. Então isso de certa forma corrobora as conclusões anteriores: times 0-2 perdem os playoffs na média porque são ruins e foram ruins antes, e portanto a maior esperança que seu time pode ter depois de um começo desses é vir de um histórico recente de sucessos que, caso não tenha acontecido nenhuma grande mudança de um ano a outro, indicam que seu time ainda é bom o suficiente para dar a volta por cima depois desse começo.

A nossa exceção aqui é o Dolphins de 2008, um time que vinha de uma campanha 1-15 um ano antes e que milagrosamente venceu 11 jogos e a divisão em 2008. Embora ele contrarie um pouco a nossa tentativa de explicar o "nível" de um time no começo de um ano olhando para sua campanha recente, ele também não deixa de ser um caso interessante. Antes de mais nada, essa reviravolta de 10 vitórias foi um pouco enganosa: o time 1-15 de 2007 terminou 4-12 em Pythagorean Wins, então uma boa parte nada mais era do que regressão a média normal. Além disso, as 11 vitórias também enganam, já que o time teve uma Pythagorean Expectations de 8.8 vitórias. Então eles realmente tiveram uma influência enorme de fatores externos. Também vale citar que, depois de perder 24 jogos combinados em 2007, Ricky Williams e Ronnie Brown jogaram todos os jogos possíveis em 2008, combinando para mais de 1600 jardas com Brown indo inclusive ao Pro Bowl. Mas talvez mais importante, eles fizeram um upgrade IMENSO de QB: depois de uma temporada inteira de Cleo Lemon, Trent Green e John Beck na posição, eles trouxeram Chad Pennington para 2008 e ele logo teve a melhor temporada da sua carreira, com um QBR de 78 e uma vaga no Pro Bowl. Então uma parte dessa grande melhora do Dolphins foi atribuida a fatores externos, e a outra foi devido a uma imensa melhora em posições chave, especialmente seu QB. Ainda que seja a exceção e não a regra, é um caso que vale a pena ter em mente quando olhamos para times 0-2 pois trás alguns fatores que podem se repetir, especialmente a evolução de QB (vale citar: desses 69 times, entre os que mais evoluiram em termos de vitórias de um ano a outro estão esse Dolphins, o Rams quando Sam Bradford chegou, o Panthers quando Cam Newton chegou, e o Detroit Lions na primeira temporada saudável de Matt Stafford).

Ainda assim, eu concordo que "ir aos playoffs" é um parâmetro um tanto quanto ruim porque envolve uma grande influência de fatores externos, como competição na divisão ou na conferência de um dado ano. Esse Chargers, ainda que com um Pythagorean Wins de 10.2, terminou o ano 8-8 e só foi aos playoffs porque jogava em uma divisão horrível, por exemplo. Ao mesmo tempo, outros bons times podem ter ficado de fora dos playoffs por conta de uma divisão mais forte ou mesmo por caso de azar em relação a seu nível real de performance. Então ao invés de pegar times que foram aos playoffs, vamos ver aqueles que terminaram com 9 vitórias ou mais nessa mesma temporada. Nesse caso, temos seis times obedecendo a esse critério dentro da nossa amostra (8.7%): os quatro primeiros foram aos playoffs (11, 10, 10 e 9 vitórias), e dois deles (05' Chargers e 05' Vikings) não foram apesar das 9 vitórias. Novamente com a exceção do nosso querido 08' Dolphins, os outros cinco times obedecem ao critério do ano anterior: todos terminaram com 8 vitórias ou mais e com Pythagorean Expectations acima de 8, inclusive um 11.2, um 10 e um 9.5. A PE de nenhum desses cinco (não-Dolphins) não subiu ou caiu mais do que 1.5 vitórias em relação a PE do ano anterior, inclusive. 

E se usarmos, ao invés do record final, o número de Pythagorean Wins da equipe em um dado ano, para eliminar fatores como sorte ou azar (ou em geral, fatores externos)? Nesse caso temos sete (10.1%)  com 8.5 ou acima (e quatro acima de 9), inclusive nossos cinco times de playoffs. Os dois times que não foram aos offs são o 9-win Chargers de 2005 (10.7 PE) e um 8-win Eagles (9.2 PE) de 2007, e novamente temos seis deles com boas campanhas um ano antes: todos com 8 vitórias ou mais e 8 ou mais Pythagorean Wins, inclusive cinco a 9.5 ou acima (e um 8 cravado) - tirando, é claro, nosso Dolphins. Mais evidência apontando na direção de que a melhor forma de conseguir um bom ano quando você começa 0-2 é ter sido bom um ano antes.

O que, é claro, não quer dizer que um bom ano anterior garante que você vá sair bem desse começo desastroso. Na nossa amostra, temos 22 times que terminaram o ano anterior com Pythagorean Expectations acima de 8.5: esses times ganharam apenas 6.2 (6.7 PE) em média na temporada que começaram 0-2, e embora seja uma vitória inteira de média acima da média geral desses times, ainda não é uma boa marca (os times que tiveram PE um ano antes de 8.5 ou menos e começaram 0-2 o ano seguinte ganharam em média 4.7 jogos com uma PE de 5.1). Então vir de uma sólida temporada te da, naturalmente, uma perspectiva muito melhor de futuro do que um time ruim que veio de uma temporada ruim, mas sozinho não garante nada para você.

Então a conclusão que podemos chegar depois de todo esse passeio pelos dados é de que o baixo índice de sucesso nos playoffs de times 0-2 não é por causa do record em si, e sim porque times ruins tem muito mais probabilidades de começarem assim do que times bons, então isso naturalmente faz com que os times presentes nessa amostra sejam majoritariamente os piores da temporada. Se o seu time começou 0-2, pode ser um sinal de que ele seja um dos times ruins de um dado ano, mas também não é uma garantia: alguns times podem ter particular azar nesses jogos, alguns podem enfrentar um começo de calendário mais forte do que outros, alguns podem ter jogadores retornando de lesão nas semanas seguintes, e por ai vai. Temos inclusive alguns exemplos de times que começaram assim mas tiveram boas conclusões de anos, seja terminando com 9 ou mais de Pythagorean Wins ou mesmo chegando aos playoffs - uma minoria, mas temos casos. E a não ser em casos especiais com grandes mudanças de pessoal como no caso do Dolphins de 2008, o melhor indicador de otimismo é mesmo olhar para os números da temporada anterior e procurar a performance dessa equipe. 

Para terminar, vamos dar uma olhada então nos oito times que começaram a temporada 2013 com um 0-2 e ver mais ou menos aonde cada um deles se encaixa nesses números. Só para deixar claro, a idéia aqui é olhar menos para o que eu acredito pessoalmente de cada time e do seu nível de jogo e mais para o que os números dessa pesquisa nos mostram, e aonde eles parecem se encaixar.

  • Cleveland Browns e Jacksonville Jaguars são praticamente dois que ninguém tem motivos para acreditar nada, pelos números ou não. Ambos foram ruins em 2012 (5/6.2 e 2/3.4 em vitórias/Pythagorean Wins, respectivamente) e ambos parecem muito ruins agora, especialmente considerando que o Browns acabou de trocar seu RB ex-3rd pick do draft por uma escolha futura. Nenhum motivo para acreditar em uma vaga para qualquer um desses dois, os dois foram mal em 2012 e nenhum passou por uma evolução nessa offseason significativa.
  • Carolina Panthers é o outro time desses oito além da minha "exceção" do ano que terminou 2012 com 8 vitórias ou menos e 8 ou menos de Pythagorean Wins, e mesmo assim foi próximo: 7/7.9, respectivamente. Ainda que eu tenha escrito ontem sobre os problemas que levam o Panthers a diminuirem suas chances de vitória (último ponto), eles ainda perderam dois jogos decididos no final e nos detalhes. Seus números de 2012 não indicam um grande time (apesar de indicar um sólido) e entre os times que começaram 0-2 depois de terminar o ano anterior com Pythagorean Wins entre 7 e 8, apenas um chegou aos playoffs: o 2007 Giants, que ironicamente acabou sendo campeão do Super Bowl. O Panthers tem até aqui o segundo melhor saldo de pontos (logo, PE) em 2013 desses oito times, e se eles jogassem na AFC e com um técnico melhor, eu possivelmente estaria mais otimista, mas pode ser o sleeper desse octeto. 
  • O Pittsburgh Steelers também seria um candidato interessante, tendo terminado 2012 com um Pythagorean Wins de 8.6 (quarto melhor entre esses times) e jogando na conferência mais fraca. Mas considerando todas as perdas que sofreu nessa offseason e nesse começo de ano (com Larry Foote e principalmente Maurkice Pouncey fora da temporada), me parece uma regressão bem grande a caminho da equipe. Na verdade,  nenhum time que terminou a temporada anterior 8-8 e começou 0-2 conseguiu terminar o ano com Pythagorean Wins acima de 7.2.
  • Minnesota Vikings e Washington Redskins seriam, no papel, dois dos fortes candidatos a enganar esse começo de 0-2: os dois ganharam 10 jogos em 2012 e tiveram PE de 8.8 e 9.1, respectivamente, fatores que como vimos são quase pré-requisitos para um time que quer dar a volta por cima. Então eles definitivamente não podem ser descartados. Ainda assim, me pergunto se não são o tipo de time que sofreu uma piora numa posição chave em relação ano passado: 2013 RG3 me parece (sem querer overreact a duas semanas) uma considerável piora em relação a 2012 tanto fisica e técnicamente como no que a comissão técnica parece disposta a deixar ele fazer, e Adrian Peterson é extremamente improvável que repita as 2000 jardas de 2012. Considerando que esses foram os dois principais fatores que colocaram esse time tão alto um ano atrás, são dois fortes candidatos a regressão.
  • Da única vez desde 2005 que o New York Giants começou a temporada 0-2 eles ganharam o título, então podem começar a encomendar o anel. Mas falando sério, o Giants aqui é provavelmente o maior candidato a dar a volta por cima: foi o melhor de todos esses times em 2012 com 10 Pythagorean Wins, joga na divisão mais fácil da conferência e, a não ser que David Wilson seja realmente o Anticristo do fantasy e não possa pegar as chaves do carro sem sofrer um fumble, é um time que não parece apresentar nenhuma grande piora em posição chave para o ano anterior. Três dos quatro times não-Dolphins que começaram 0-2 e foram aos playoffs tiveram números "anteriores" bem parecidos com os do Giants, e me parece irreal que eles continuem sofrendo turnovers nessa proporção. Essa aqui é a melhor aposta para playoffs do grupo.
  • E por fim, o Tampa Bay Bucs é a minha exceção do ano. Isso acontece por dois motivos: primeiro, porque apesar de ainda ter Josh Freeman de QB e tudo mais, foi um time que adicionou dois All-Pros na sua defesa e isso pode muito bem contar como "evolução grotescamente forte em uma posição chave". E segundo e mais importante, porque entre esses oito times, ele é de longe o time que MENOS deveria estar 0-2, com uma Pythagorean Expectations de 0.9-1.1. Se 0-2 é um indicador de que seu time pode ser simplesmente ruim, então o Bucs parece escapar disso mais do que os outros dessa lista. Entre os outros 76 times que começaram 0-2 desde 2005 (incluindo os desse ano) - e na verdade, incluindo todos os outros 197 times desde 1990 - apenas um outro começou o ano 0-2 com um saldo de pontos de apenas -3: o Chargers de 2008, que acabou o ano indo aos playoffs com 8-8 (e um Pythagorean Wins de 10.2, vale citar). Então eles estão em boa companhia, ainda que eu me pergunte se seja realmente azar e não algo mais. Esse é provavelmente, depois do Giants, o maior candidato a terminar o ano bem, até porque seu Pythagorean em 2012 foi de 8 vitórias.

Palpite para o Thursday Night Football


Chiefs over EAGLES

De certa forma, esse é o confronto entre a força irresistível contra o objetivo que não pode ser movido. O Eagles é o time que joga em extrema velocidade ofensivamente e gosta de jogos de inúmeras posses de bola, vencendo os adversários no volume de ataque. Enquanto isso, enfrentam um time do Chiefs que é exatamente o oposto, gosta de jogar devagar, controlar o relógio e maximizar cada posse de bola. Duas filosofias de ataque exatamente opostas, e acho que o Chiefs vai ter mais sucesso implementando a sua: o ataque do Eagles vai tentar fazer valer seu esquema ofensivo contra uma excelente defesa de Kansas, enquanto o do Chiefs vai ter que fazer o mesmo contra uma bem fraca defesa da Philadelphia. Então acho que esse jogo é um matchup favorável a um time muito bom do Chiefs
Contra o spread: Chiefs (+3.5) over EAGLES

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Obtendo um retrato perfeito

Nada mais justo que o Deus das Sabermetrics estar olhando esse post de cima


Quando alguém está tentando fazer um preview da NFL, especialmente se for pra algum time, a fórmula pra isso em geral segue um padrão bastante simples. Primeiro se pega a atuação do time na ultima temporada (no caso em questão, a temporada 2012) e analisa o quão boa a equipe foi, olhando o seu record, pontos feitos e cedidos por jogo, etc. Com isso se chega em um ponto de partida pra onde começar sua analise, aonde o time estava ao final da temporada anterior. Em seguida, se olha o que mudou no time de um ano pro outro: Se trouxe bons calouros, se assinou Free Agents de impacto, se perdeu jogadores importantes, eventuais trocas, se um time cheio de jovens talentos teve mais um ano pra se desenvolverem - e se usa isto pra ver se um time "melhorou" ou "piorou" de um ano pro outro. Aí, aproveitando-se do "ponto de partida" anterior (no caso, o record do time na temporada anterior), usa-se a "melhora" ou "piora" da equipe pra ajustar o record, e pronto, você tem sua previsão pra temporada seguinte. Ou seja, se um time cheio de calouros acaba 8-8 na temporada e pro ano seguinte consegue um bom FA e boas picks de Draft, esperamos que ele acabe lá pros 10-6. Não é perfeito, mas é assim que sempre fizemos e é o que funciona. 

Ou pelo menos era o que nós achávamos.

Quando nos anos 90/2000 Bill James (E depois o Oakland Athletics) revolucionou o baseball usando suas estatísticas avançadas (ou Sabermetrics - escrevi um post extenso sobre o assunto, pra quem tiver curiosidade), mudança retratada no excelente livro/bom filme Moneyball, era apenas uma questão de tempo para que esse tipo de abordagem analítica avançada espirrasse para os outro esportes americanos.  E embora seja impossível medir qualquer outro esporte tão perfeitamente como o baseball (um esporte individual disfarçado de esporte coletivo com uma base amostral de 162 jogos onde TUDO pode ser dividido em numeros), isso levou muitos estudiosos a olhar mais de perto alguns dados e analisar de forma mais profunda a validade de certas "certezas" que existiam no mundo da NFL ou da NBA. E isso trouxe alguns resultados muito interessantes.

Focando na NFL, em particular, uma das certezas antigas que foram jogadas pela janela é a noção de que os numeros finais de uma temporada sejam um bom indicativo de quão bom é aquele time e de onde ele se encontra naquele momento. Pense da seguinte maneira: A NFL tem uma temporada extremamente curta, apenas 16 jogos. O pressuposto básico de qualquer estatística é que para ela ter valor analitico (ou simplesmente ser significativa) é que ela tenha uma base amostral grande o suficiente para cancelar os desvios, vieses e outliers de cada amostra. Uma temporada de 16 jogos apenas não serve a esse propósito, especialmente quando falamos de records: A influencia do acaso ou da sorte em apenas 16 jogos é muito grande e dificilmente serve como uma indicação da qualidade de um time, de modo que nos atermos muito firmemente a apenas um record bruto anterior é besteira. Da mesma forma, um time enfrenta apenas 13 de 32 times durante uma temporada regular, o que obviamente gera um viés muito grande: Alguns times enfrentarão adversários muito melhores ou piores que outros (o Denver Broncos ano passado teve seis jogos contra Raiders, Chargers e Chiefs, enquanto o Cardinals enfrentou seis contra 49ers, Seahawks e Rams, por exemplo). Então ainda que coisas como o numero de vitórias de um time e seus numeros de ataque e defesa sejam um ponto de partida, eles estão na maioria das vezes longe de serem um retrato adequado da qualidade de um time.

Pense nisso como uma escavação arqueológica. O arqueólogo, durante uma escavação, se depara com uma linda adaga de ouro incrustrada de pedras preciosas. Mas quando ele a encontra, ela está presa a uma camada de rochas, coberta de lodo e diversas outras impurezas. Antes de expô-la num museu, o arqueólogo vai ter que remover ela da rocha, jogar ácido pra derreter o lodo, remover as impurezas e polir a adaga até que ela esteja brilhando, para ai sim enviá-la para uma exposição. Em futebol americano é a mesma coisa: O record e os numeros brutos dos times precisam ser peneirados, estudados e removidas as impurezas para podermos ver o que de importante tiramos daquilo tudo.

Então essa é a minha proposta pra daqui até a temporada regular começar: Usar algumas ferramentas analíticas mais avançadas (algumas são até bem simples, é só saber onde olhar) para analisar os 32 times da NFL, quais devem regredir, quais devem evoluir, quais deram azar e o que esperar que se repita da temporada anterior. E embora tenhamos umas 10 ou mais ferramentas diferentes de análise para esse assunto, vamos nos focar nas cinco que eu acho mais importantes, mais diretas e, pra falar a verdade, mais divertidas. Então vamos conhecer essas ferramentas, e começando amanha vamos falar, um por um, dos 32 times da NFL.


Pythagorean Expectations

O melhor indicador de performance de um time, em uma temporada, que vocês irão encontrar não é o número de vitórias, mas sim a diferença entre os pontos marcados e cedidos. Bill James descobriu isso nos anos 80 quando estudava baseball, e com o tempo se descobriu que isso se aplica a praticamente qualquer esporte, especialmente aqueles com pontuaçōes altas. Como vamos ver daqui a pouco, jogos decididos por poucos pontos normalmente dependem demais de sorte, e por isso goleadas significam mais pra um time do que vitórias apertadas, e logo se comprovou que esse "Point Diferential" era realmente um indicador mais preciso. E já que o PD é um indicador mais preciso do que o numero real de vitórias e derrotas, Bill James criou uma fórmula pra extrair um record win-loss mais preciso de acordo com o Point Diferential de cada time, que representa melhor o verdadeiro nível daquele time ao longo da temporada. A fórmula primitiva de James foi, naturalmente, modificada ao longo dos anos para melhor se adaptar ao futebol americano, mas o princípio ainda é o mesmo. 

A fórmula utiliza a relação Point Diferential/Pontos Totais (Cedidos + Marcados) pra nos dar o número "esperado" de vitórias de um time. Acreditem ou não, mas esse é historicamente um método muito preciso pra se indicar quando um time atua acima das possibilidades ou abaixo, e também um indicador futuro de que um time deve regredir. Isso não importa tanto quando a diferença é de 1 ou 1,5 vitórias, mas a partir de 2 vitórias de diferença já é um sinal importante de que algo deu errado naquela temporada fora do controle do time e que deve se "ajustar" no ano seguinte. Historicamente, apenas UM time consistentemente superou suas Pythagorean Expectations por tempo suficiente pra ser estatisticamente significante: O Colts de Peyton Manning entre 2001 e 2010. Todos os outros sofreram "regressōes" com seu win-lose record em direção às Pythagorean Expectations.

Um exemplo recente? Claro! Em 2011, o Minnesota Vikings terminou a temporada 3-13, o terceiro pior record da Liga. Em 2012, o time deu a volta por cima, terminou 10-6 e foi aos playoffs. Ainda considerando um ano monstro do Adrian Peterson, um começo quente do Christian Ponder (que depois voltou a ser ruim, mas enfim) e boas adiçōes na offseason (em especial Matt Kahil), parece absurdo supor que tenha sido suficiente pra um time ganhar 7 jogos a mais de um ano pra outro, certo? Ai você vê que, pelas Pythagorean Expectations, o 11' Vikings deveria ter terminado 6-10 (já vamos entrar no porquê), era um time muito melhor do que seu 3-13 record indicava, e portanto alguma evolução simplesmente por regressão à média já era esperado. Juntando isso à evolução de alguns jovens jogadores, adiçōes do time e Adrian Peterson sendo um MVP, esse salto de 6-10 pra 9-7 em record esperado faz muito mais sentido (pra quem seguia nosso twitter na época talvez lembre que eu disse que o Vikings ia terminar 9-7 e perder os playoffs por pouco), e também o 10-6 e uma vaga nos playoffs.


Jogos decididos por uma posse de bola

Outra descoberta de Bill James sobre baseball que logo se descobriu que era aplicável a qualquer esporte com um bom número de pontos (NFL, NBA, MLB, etc) é que jogos decididos por uma posse de bola ou menos são muito mais aleatórios do que se supōe. Dada a enorme quantidade de pequenas coisas aleatórias que influenciam uma posse de bola, a expectativa é que cada time ganhe cerca de 50% desses jogos, independente de ser um bom time ou não. Embora isso seja um pouco contra intuitivo - um bom time deveria ser capaz de ganhar mais jogos apertados, certo? - isso não se verifica historicamente. Isso não quer dizer que um time não possa ganhar um grande numero de jogos decididos por uma posse de bola um dado ano, mas é muito improvável que ele repita no ano seguinte. Como o grande Bill Barnwell bem apontou, em 2011 Raiders, 49ers, Packers, Saints e Steelers combinaram pra um record de 27-8 em jogos decididos por uma posse de bola. Em 2012, combinaram para 16-16 (e um empate).

Ainda assim, esse número não é exatamente 50% pra todos os times. Assim como no baseball alguns fatores (qualidade do bullpen e SLG% do time) podem influenciar a quantidade esperada de vitórias em jogos decididos assim, no futebol americano isso também ocorre com base em uma única variável: Quarterbacks de elite. Times com Quarterbacks de elite como Tom Brady e Peyton Manning (pra citar dois exemplos modernos) historicamente tem apresentado um pequeeeeeno diferencial positivo em relação ao resto da Liga (que estatisticamente sempre convergem para 50%), então é possível esperar uma atuação um pouco melhor deles. Mas assim como no baseball (ano passado o Orioles teve um dos melhores bullpens da história da MLB e mesmo assim esperava-se que ganhasse apenas 60% desses jogos), isso não quer dizer que seja uma grande mudança em relação ao padrão: Esse número aumenta de 50% pra cerca de 56%, 58%, mas não de forma absurda que signifique que um record de 9-2 em jogos decididos por uma posse de bola seja sustentável mesmo que você tenha Brady como seu QB, por exemplo.

Voltando ao exemplo do Vikings de 2011, eles terminaram o ano 3-13 quando sua Pythagorean Expectation era de 6-10. A principal causa dessa diferença foi que o Vikings deu muito azar em jogos decididos por uma posse de bola apenas, terminando 2-9 nesses jogos, um numero absurdamente deslocado da expectativa de 5.5-5.5 nesse caso. Supondo que o Vikings terminasse com um realista 5-6 nesses jogos, o record deles teria sido de... Wait for it... 6-10 exatamente!! E caso vocês imaginem que esse 2-9 aconteça por ter um QB ruim, em 2012 o Vikings ganhou 5 e perdeu 2 jogos decididos por 7 pontos ou menos rumo a um record de 10-6. So yeah, digamos que funciona.

(Importante: Jogos decididos por oito pontos não contam como uma posse de bola por um simples motivo: Two-point conversions, depois de um TD, acontecem apenas 50% do tempo, então estatisticamente jogos decididos por oito pontos contam com uma posse de bola e meia e não entram nessa estatística).


Força do calendário

Como eu disse anteriormente, dos 31 times restantes da Liga, cada time enfrenta apenas 13 adversários, o que naturalmente gera um viés. Alguns times enfrentarão adversários muito mais fracos do que outros, e em apenas 16 jogos não existe uma amostra grande o suficiente para "normalizar" essa diferença de calendário. Então obviamente alguns times terão vida mais fácil que outros ao longo de uma temporada e isso tem uma influência grande no record final dos times.

Essa é uma questão bem fácil de entender e intuitiva, então não vou perder tempo nela, mas não da pra negar o impacto dessa variável: O Arizona Cardinals terminou o ano 5-11 (sua Pythagorean Expectation foi essa mesmo), mas também teve o calendário mais difícil da NFL em 2012. Com um calendário supostamente mais fácil em 2013, é esperado que o Cardinals tenha uma certa melhora geral. Embora seja dificil dizer se o Cardinals foi um time em 2012 melhor que, digamos, o Colts (que teve o calendário mais fácil), e por isso seja até mesmo desnecessário tentar comparar os dois dessa maneira (embora seja possível), mas é sempre importante observar essa variável do calendário ano a ano.

Uma coisa importante também sobre ela é que é muito dificil dizer se um calendário eé forte ou não no começo do ano. Em geral se usa os numeros dos times no ano anterior pra isso, mas muita coisa pode acontecer e mudar de uma no pro outro, de modo que no final um time possa ter uma vida muito mais fácil do que esperado (ou mais dificil). Ano passado, antes da temporada, o Broncos projetava pra ter um dos calendários mais dificeis da NFL; acabou tendo o segundo mais fácil. Então é mais fácil olhar pra temporada que passou e imaginar uma certa normalização do que prever a força do calendário a seguir.


Ajustando ataque e defesa

Saindo agora um pouco de performance geral da equipe pra numeros específicos de ataque e defesa. Normalmente, quando as pessoas querem ver a performance de uma equipe de um dos lados da quadra, eles olham pra pontos cedidos e pontos anotados por jogo como o melhor indicador. Mas como acabamos de falar, isso é bastante influenciado pelos times enfrentados por essas equipes: Algumas oferecem melhores defesas do que outras, e é muito mais dificil (e requer um ataque muito melhor) pra anotar 30 pontos por jogo enfrentando 49ers e Seahawks do que enfrentando Raiders e Colts, por exemplo. Então se queremos ver o quão bom um time foi no ataque ou na defesa, é preciso levar em conta os times enfrentados por essas equipes acima de tudo.

Um exemplo prático: 49ers foi o 11th melhor ataque da NFL ano passado em pontos por jogo, com 24,8 pontos por jogo. O  Bengals foi o 12th melhor ataque, com 24,4 ppg. No entanto, o 49ers enfrentou a sexta tabela mais difícil em termos de defesas, enquanto o Bengals enfrentou a terceira mais fácil. Ajustando esses números pelo agregado das defesas enfrentadas ao longo dos 16 jogos, temos que o 49ers na verdade foi o quinto melhor ataque da NFL em 2012, enquanto que o Bengals foi apenas o 17th melhor ataque da NFL, abaixo da média da Liga.

O reverso também é verdade: Em 2012, o San Diego Chargers teve a 16th melhor defesa da NFL em ppg, cedendo 21,8 pontos por jogo. Cardinals teve a 17th, cedendo 21,5 ppg. No entanto, o Chargers enfrentou adversários com (no agregado) ataques relativamente fracos, enquanto o Cardinals enfrentou uma dieta de Packers, 49ers e Seattle o ano inteiro, de longe o calendário mais difícil que qualquer defesa teve de enfrentar. Quando normalizamos pelas defesas enfrentadas, notamos que o Cardinals teve a sexta melhor defesa de toda a NFL, enquanto o San Diego continuou com um medíocre 18th lugar.

Então sempre é importante, quando vamos falar de ataque e defesa, levar em conta que nem todos enfrentaram os mesmos adversários. Então quando eu falar que o Cardinals na verdade é um time decente ou melhor porque tem uma das melhores defesas da NFL, mesmo tendo a 16th em pontos por jogo, é por causa disso. Sempre tomem cuidado com fatores que influenciam esses números porque alguns deles podem mudar de ano a ano.


Fumbles recuperados

Por fim, chegamos aos fumbles recuperados. Forçar fumbles (na defesa) e evitar fumbles (no ataque) são duas habilidades importantes pra quaisquer jogadores ou times, e se você não acredita, é só assistir Charles Tillman jogando ano a ano pra ver que forçar fumbles é uma arte. Mas uma vez que o fumble está no chão, não tem NADA na história da NFL que indique que recuperar fumbles seja um talento mais do que seja sorte. Ou seja, entre todos os fumbles que um certo time vê acontecerem - dos dois lados da quadra - ele tende a recuperar exatamente metade deles.

Embora seja obviamente uma estatística menos importante que as outras quatro que foram cobertas nesse post, eu acho essa bem divertida por um simples motivo: Ela é muito legal de se acompanhar ao longo da temporada, mesmo numa variedade semana a semana, e ela é sutilmente responsável por diversas tendências interessantes que observamos na NFL.

Exemplo, pegue o Washington Redskins de 2012, que começou a temporada 3-6 antes de ganhar seus últimos sete jogos pra terminar 10-6. Embora seja inegável que o Redskins tenha evoluido ao longo da temporada, especialmente com um calouro de Quarterback, olhando mais de perto percebemos algumas tendências interessantes nessas duas sequencias na temporada. Seu fraco começo (3-6) foi marcado por um record de 1-5 em jogos decididos por uma posse de bola, e não coincidentemente foram jogos nos quais o Redskins recuperou cerca de 30% dos fumbles que aconteceram no jogo. Considerando que fumbles significam uma mudança na posse ou não de bola (ou seja, uma posse a mais pra um dos times), não recuperar 70% dos fumbles é algo que vai dar ao adversário mais posses de bola que você e um jogo e vai influenciar imensamente em um jogo decidido por uma posse. Com o Redskins dando azar nessas recuperaçōes, eles tiveram menos posses do que deveriam e perderam 5 de 6 jogos assim. Na segunda sequencia, as 7 vitórias seguidas, o Redskins foi 4-0 em jogos decididos por uma posse de bola ou mais. Não coincidentemente, durante essas 7 vitórias seguidas o Redskins recuperou 75% dos fumbles que aconteceram. Tirem suas próprias conclusōes.

Então sim, essa variável tem maior interesse pegando jogo a jogo e ao longo da temporada, mas pode ser uma variável importante pra se olhar quando um time depende muito de saldo de turnovers positivo. Em 2011, Tennesse se aproveitou desse saldo (+1) pra ter uma campanha mais respeitável (9-7), recuperando 62% dos fumbles. Em 2012, o time caiu para -4 porque recuperou apenas 31% dos seus fumbles. Washington recuperou apenas 32% dos fumbles em 2011; esse numero subiu pra 58% em 2012. Então embora ela seja de menor importância no grande esquema das coisas, ainda vale a pena prestar alguma atenção nela.


Então essas são as cinco variáveis que eu vou prestar mais atenção quando estiver fazendo o preview que começa amanhã. Alguns times são normais sob a maioria delas, alguns (Colts! Colts!) apresentam algumas aberraçōes que precisam ser destrinchadas pra obter um cenário mais claro de onde esses times se encontram. E vamos ver, juntando com as melhoras e pioras que a offseason trás, quais são os times que devem se preparar pros playoffs esse ano.