Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte I)


"A gente que fez toda essa bagunça no Dolphins, Richie?"
"Não sei você mas eu não paguei 34M pro Ellerbe nem 60M pro Wallace"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. Parte II, espero, sai sexta ou sábado.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Miami Dolphins

Yeah… Sobre o Dolphins… Bom, pelo menos ninguém pode negar que eles tiveram um 2013 interessante. Ainda que dificilmente divertido: o escândalo Martin-Incognito, duas derrotas seguidas para Bills e Jets quando uma vitória simples os colocava nos playoffs, e tudo de complicado e bagunçado que aconteceu entre a diretoria e o técnico nesses meses dão um tom melancólico para a temporada 2013 de Miami. 

A sorte do Dolphins é que eles jogam na fraquíssima AFC, então os playoffs ficam muito mais próximos do que estariam normalmente para um time como o Dolphins. Então considerando que a diretoria está focada em chegar na pós-temporada o quanto antes, e que tanto a diretoria como o técnico estão urgentemente precisando de algum sucesso para compensar todos os problemas e calar as críticas (bem como se manter no emprego), é razoável imaginar que o objetivo do time é dar o próximo passo rumo a pós temporada.

O problema com esse plano é que o Dolphins… não é um time bom. Eles não são horríveis, mas são fracos: terminaram o ano 23th em DVOA, 18th em ataque e 17th em defesa. O time apresenta enormes buracos, também, dos dois lados da bola: a linha ofensiva é uma desgraça, os recebedores não foram produtivos mesmo com o milionário Mike Wallace, e a defesa terrestre foi a quarta pior da NFL, basicamente. Então o time tem muito a reforçar, e muito chão antes de se tornar um bom time.

A vantagem é que o Dolphins tem bastante espaço salarial vago para ir atrás de free agents, quase 40M no momento, mas esse valor ainda depende de algumas decisões. Os DTs Randy Starts e Paul Solari são free agents, assim como o CB Brent Grimes e outros jogadores menores (Chris Clemons e Nolan Carroll, para citar dois), então se o time optar por manter pelo menos alguns desses jogadores (Starks e Grimes, em particular, foram dois dos melhores defensores da equipe em 2014 e não deveriam sair do time). Então com alguns desses jogadores possivelmente renovando ou recebendo a Franchise Tag, o cap disponível para trazer reforços cai bastante.

Com o que sobrar, espero que a prioridade da equipe seja reforçar a linha ofensiva. Brandon Albert está no mercado, e já expressou interesse anteriormente na equipe. Uma linha ofensiva competente também é crucial para aumentar as chances de Ryan Tanehill continuar se desenvolvendo bem, e o desenvolvimento de Tanehill é um dos principais pontos para tornar o Dolphins um bom time. O time já perdeu profundidade no último draft com a burrice de subir para pegar Dion Jordan (apagado na sua temporada de calouro), então a margem de erro está menor agora, e não vai ser possível reforçar todas as áreas da equipe de uma vez. Mas considerando que na AFC o Dolphins não está tão longe dos playoffs, esperem que o time invista pesado em dois linemen ofensivos e um pouco mais de bife na defesa para pelo menos tapar os buracos mais urgentes e tentar trazer estabilidade para o time.


New York Jets

Eis o que eu escrevi sobre o Jets em Agosto:

"O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. (...) Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular"

Bom, o resultado foi exatamente o que eu previa, mas não o processo. A defesa realmente se manteve muito forte, terminando como a 11th melhor da temporada e a melhor defesa terrestre do ano, mesmo com sua secundária tendo muitos problemas. Mas o ataque... esse nada deu certo. O ataque terrestre melhorou um pouco mas continuou fraco, e o ataque aéreo do time foi uma desgraça sem tamanho, com Geno Smith chegando a ir para o banco em favor de Matt Simms e ser comparado a Mark Sanchez. Mesmo com uma melhora nos últimos três jogos que salvou Geno Smith desse patamar horrível, a temporada do calouro (e dos QBs do time) em geral foi muito abaixo dessa "contribuição mediana de QB" que eu supunha, e a verdade é que o record final de 8-8 do time esconde um Pythagorean Wins de 5.5 vitórias, impulsionado por um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Então o Jets não está tão perto dos playoffs como parece.

O principal e maior problema é simples: na NFL atual, é possível vencer jogos com um QB mediano se o resto do seu time colaborar (Andy Dalton, Joe Flacco, Alex Smith em 2011, etc), mas é muito difícil vencer se seu QB é ruim, e é nesse patamar que o Jets se encontra atualmente. A equipe foi a duas finais de conferências seguidas porque tinham uma defesa espetacular, um forte jogo terrestre e seu QB conseguiu ficar longe de erros e produzir nas horas pontuais, mas já faz três anos que a descrição do quarterback da equipe não inclui nenhuma dessas coisas. Mark Sanchez foi horrível nos seus dois últimos anos como titular, e apesar de alguns flashes, Geno Smith também teve uma temporada de calouro muito ruim (12 TDs, 21 interceptações, 8 fumbles, 35 QBR). É difícil imaginar o Jets dando a volta por cima sem resolver essa situação de QB e achar pelo menos um profissional competente para conduzir a equipe. Mark Sanchez DEFINITIVAMENTE não é esse cara, e a questão é se Geno Smith pode se desenvolver até esse ponto. Se não, o melhor jeito é se livrar de Sanchez (mais disso em um segundo) e achar outro QB - talvez nessa ótima safra dos próximos dois drafts - para desenvolver.

A boa notícia para o Jets é que eles possuem uma excelente base na defesa e uma boa quantidade de espaço salarial. A linha defesiva do Jets com Muhamad Wilkinson, Damon Harrison e o DROY Sheldon Richardson é possivelmente a melhor da NFL, e é mais fácil montar uma defesa quando sua base é tão dominante. A secundária foi um fracasso em 2013 e o time sentiu falta de pass rush, os dois problemas que o time precisa adereçar nessa offseason, mas a equipe possui os meios para isso. O cap space do time roda em torno de 25M sem nenhum free agent importante para retornar, mas a verdade é que o time pode mais do que dobrar esse espaço se dispensar seus jogadores mais caros. Mark Sanchez, Santonio Holmes e Antonio Cromartie, se dispensados, economizariam 28M na folha salarial da equipe, e com um espaço de mais de 50M livres. Holmes é quase uma certeza que vai ser dispensado; Sanchez só não será se a equipe ainda achar que ele pode integrar um time vencedor, e se acham, estão loucos; e Cromartie é mais difícil porque tem um histórico bom como CB mesmo depois de um 2013 atroz.

Mas mesmo que apenas Sanchez e Holmes sejam dispensados, é a deixa que o time precisa para se reforçar na free agent com jogadores jovens em contratos focados no primeiro ano, de forma a não atulhar a folha para as próximas temporadas. Um contrato longo para um jogador com Alterraun Verner me parece o ideal para a equipe enquanto espera Dee Miliner se recuperar do decepcionante 2013, e essa dupla pode ser dominante por muitos anos. Um pass rusher como Michael Bennett também se encaixaria bem na equipe, embora um linebacker me pareça mais adequado. O time também tem alguns buracos na linha ofensiva, mas é um draft extremamente profundo em OLs e esse problema pode ser resolvido na segunda ou terceira rodada enquanto um pass rusher como Khalil Mack seria o ideal na primeira rodada. O Jets ainda está um pouco longe dos playoffs e precisa resolver seu problema de QB se quiser sonhar com sucesso, mas com uma boa base, bom número de escolhas em um draft profundo nas suas maiores necessidades, e toneladas de espaço salarial, pelo menos a equipe se encontra em boa posição para remontar sua base para os próximos anos.


Buffalo Bills

O Bills é um time interessante que muito pouca gente da atenção. Eles terminaram 6-10 ano passado com uma Pythagorean Expectation de 7-9 mesmo recebendo produção muito ruim de seus QBs e com seu "QB do futuro" perdendo sete jogos por lesão. Eles fizeram isso porque sua defesa, que ninguém deu muita atenção, terminou o ano como a quarta melhor da NFL em DVOA e contou com um grupo extremamente variado e dominante para tal: Marcell Dareus e Kyle Williams foram uma das duplas de linha defensiva mais destrutivas da liga, Mario Williams enfim proveu o pass rush que o time precisava com ajuda do surpreendente Jerry Hughes, Kiko Alonso solidificou muito bem o meio da defesa, e Jairus Byrd é um dos melhores safeties da NFL quando saudável... e isso antes de lembrar o quanto lesões afetaram a secundária desse time, tirando jogadores como Byrd e Stephen Gilmore do time por bastante tempo. Byrd é um free agent que pode voltar ao time, e se for o caso, a base desse time está pronta para 2014 e isso sem contar mais saúde para Gilmore e a evolução de seus jovens talentos. Mesmo com alguma regressão natural esperada para 2014, não temos motivos para acreditar que a defesa vá parar de ser uma potência.

O problema é que onde a defesa solidifica a equipe, o ataque age na direção contrária. Buffalo teve o oitavo pior ataque da NFL, uma decepção para um time que usou uma escolha de primeira rodada em um QB e contava com a dupla Fred Jackson e CJ Spiller. Mesmo com o segundo anista Cordy Glenn emergindo como um LT de elite, a falta de talento ficou clara nesse ataque: apenas Steve Johnson e Jackson tiveram temporadas acima da média, e muitos jogadores bem cotados como CJ Spillman, Robert Woods e Scott Chandler foram grandes decepções, e o time sentiu muito a perda de Andy Levitte. E claro, existe o problema do QB: o Bills, estupidamente, usou uma escolha de primeira rodada em EJ Manuel no último draft com a esperança que Manuel fosse o quarterback do futuro do time, só para Manuel ter uma temporada decepcionante marcada por lesões e incompetência (59% nos passes, 6.4 Y/A, 11 TDs contra 9 INTs e 6 fumbles). QBR da a Manuel um rating de 42, um número bem fraco, enquanto ProFootball Focus o coloca como o terceiro pior QB qualificado de 2013 (na frente de Geno Smith e Chad Henne). E embora seja possível argumentar que uma temporada marcada por lesões tenha atrapalhado tanto seu rendimento como adaptação a NFL, o fato é que as questões irão continuar em torno de Manuel,  e é em torno dele que o sucesso da equipe irá rodar.

Então o caminho do Bills parece bem claro: tendo investido uma 1st round pick e seu futuro em Manuel, eles tem que fazer de tudo para cercá-lo com as melhores condições possíveis para seu desenvolvimento e seu sucesso. O time tem escolhas altas e se (quando?) Kevin Kolb for dispensado o espaço salarial da equipe pode chegar a quase 30M. Embora uma boa parte desses 30M iriam para um possível novo contrato com Jairus Byrd, o time precisa usar o resto para dar a Manuel melhores armas. JAckson e Spiller não vão a lugar nenhum, mas a linha ofensiva precisa de reforços além de Glenn, especialmente no meio se quiserem dar nova vida a esse ataque terrestre. O time também tem investido recentemente em WRs - além do veterano Johnson, Woods e Marquise Goodwin são jogadores jovens que o time vê com bons olhos - mas um alvo como Sammy Watkins ou Mike Evans poderia ser extremamente valioso no desenvolvimento do seu QB (Watkins é o melhor dos dois e encaixa melhor na equipe, mas não deve sobrar na primeira rodada). Em resumo, o ataque sofre com talento além de seus RBs e Glenn, e é isso que o time precisa focar com seu espaço salarial e altas escolhas de draft. Por sorte o time tem uma defesa que não exige tanta atenção (talvez um CB veterano como Dunta Robinson), então as energias podem se voltar para o desenvolvimento do seu franchise QB. Se o ataque terrestre engrenar e Manuel conseguir ser competente, é um time que pode dar muito trabalho com essa defesa em alguns anos.


Baltimore Ravens

Quando eu fiz o preview do Ravens, eu passei 80% do tempo elogiando Ozzie "awesome" Newsome e falando sobre como ele tinha sido inteligente nessa offseason ao não se precipitar em manter seus jogadores a preços absurdos (Paul Kruger foi sólido mas não espetacular em Cleveland, e Dannell Ellerbe foi um dos maiores fracassos dessa última offseason em Miami), ter paciência, e remontar sua equipe com jogadores a salários muito mais razoáveis e desinflacionados, com um grupo defensivo que acabou sendo ainda melhor que o de 2012. Mas eu também destaquei que os recursos de Newsome estavam limitados pelo novo salário de Joe Flacco, e que isso diminuia em muito a sua margem de manobra e acabou custando ao time alguns jogadores importantes, especialmente Anquan Boldin (btw, obrigado por isso, Newsome!). 

Esse novamente vai ser o tema dessa offseason para o Baltimore Ravens: espaço salarial. Reassinando e reestruturando o contrato de Terrell Suggs, o time conseguiu abrir 24M em espaço salarial no momento, um montante que seria bom se não fosse pelo fato de que o time tem um número imenso de free agents importantes prontos para deixar a equipe e que, se o time quisesse manter, teria que dispensar bastante dinheiro para isso e 24M não seria suficiente. A defesa foi muito sólida em 2013, mas em parte pelas excelentes contribuições de James Ihedigbo, Corey Graham e Daryl Smith, e os três estão no mercado buscando um enorme contrato. Ofensivamente, de longe o melhor jogador da equipe foi Eugene Monroe... que também é FA, e o LT com certeza vai exigir um contrato enorme nessa offseason. Dennis Pitta (fez imensa falta em 2013), Michael Oher (fraco em 2013, mas um bom jogador) e Jacoby Jones também podem deixar a equipe. Então 24M vai ser muito pouco para renovar com esses jogadores, achar novos talentos E assinar com suas escolhas de draft. Boa sorte, Ozzie.

Newsome é um dos melhores GMs da NFL avaliando talentos e sabendo exatamente o valor de cada jogador e cada contrato, então não esperem que ele saia renovando com todo mundo de cara. Ele gostaria de manter alguns desses jogadores (imagino que Graham e Monroe sejam as prioridades), sem dúvida, mas não vai morder a isca se algum time desesperado oferecer um valor muito exagerado, como aconteceu com Kruger e Ellerbe ano passado. Se for o caso, Newsome provavelmente deixa sair e vai tentar manipular o mercado como de costume para tentar achar uma barganha de fim de feira. Com o cap tão atulhado, é a alternativa que sobra ao time, e vai ser assim até o final do contrato de Joe Flacco (ou pelo menos uma reestruturação). 

Tirando a parte salarial, o foco do Ravens deve ser reforçar seu ataque para voltar aos playoffs - eles não atulharam a folha salarial e pagaram 120M para um QB MVP do Super Bowl para entrar em reconstrução. Para isso, eles precisam urgentemente reforçar o ataque: a saída de Boldin e a lesão de Pitta expuseram a falta de um bom grupo de WRs (em particular, a falta de um possession WR capaz de conversões curtas no meio da galera, a especialidade de Boldin), a linha ofensiva regrediu ferozmente e foi possivelmente o pior grupo de toda a liga, o ataque terrestre FOI o pior da liga e basicamente uma piada, e Joe Flacco teve sua pior temporada como profissional. Então é, foi um ano horrível para esse ataque. O problema mesmo é que são problemas e buracos demais, e não existe uma solução simples para um time com tão pouca flexibilidade salarial. Os problemas na offseason de RAy Rice podem deixar o time sem RB, mesmo que Monroe renove ainda faltam outros três lugares na linha ofensiva (MArshall Yanda é o outro lugar garantido), e o time precisa urgente de tight ends E WRs para reforçar esse grupo. A equipe não vai conseguir adereçar tudo isso pelo draft (ainda que a linha ofensiva deva ser a grande prioridade em um ano profundo) muito menos pela free agency sem espaço salarial, então Newsome vai ter que fazer sua mágica para conseguir jogadores decentes para essas posições sem gastar dinheiro ou escolhas altas. Não vai ser fácil.


Pittsburgh Steelers

O Steelers de 2013 foi basicamente um time medíocre: um grande QB e um grande WR carregaram o ataque nas costas, mas o time terminou o ano 12th em ataque, 20th em defesa, e 15th em DVOA geral. Para um time que passava por um período de reformulação (especialmente na defesa) depois da idade bater na porta, não foi de todo um ano ruim, e o time ficou a dois erros grosseiros de arbitragem a favor do Chargers (contra o Chiefs na última rodada) de ir para os playoffs mesmo assim. Então foi um ano positivo, e o Steelers gostaria de aproveitar esse bom começo para embalar nos próximos anos.

O problema é que o Steelers também esbarra no problema salarial. Hoje, o time está 6M ACIMA do salary cap, então o time precisa cortar salários só para chegar no patamar aceitável. Isso não é tão difícil de se resolver - é só cortar Levi Brown, por exemplo, e cortar Ike Taylor liberaria mais 7M - mas também precisa lembrar que tem o draft vindo ai (e os calouros exigirão novos contratos) e o time tem alguns free agents importantes por renovar (ou não), incluindo Emmanuel Sanders, Ziggy Hood (esse com certeza sai, vem muito mal nos últimos anos), Brett Keisel e Ryan Clark. Isso limita o que o Steelers pode fazer nessa offseason para reforçar seu time e acelerar o processo de reformulação.

Hoje, o Steelers parece ter dois problemas. O primeiro, como sempre, é a linha ofensiva. A OL foi até competente esse ano bloqueando para o passe, mas continua muito ruim bloqueando para a corrida, o que também atrapalha o desenvolvimento do calouro Le'Veon Bell. Alguma regressão também é esperada, então é uma área que o time deveria focar nessa offseason - embora, é claro, a volta de Maurkice "Free Hernandez" Pouncey e uma temporada saudável de David DeCastro ajudariam bastante já. O outro problema é a defesa em geral. Ela não é horrível em nada, mas também é abaixo da média em tudo: a defesa terrestre é fraca, o pass rush é inconsistente, e a cobertura... bem, vocês sabem. O time tem sobrevivido defensivamente principalmente por conta de boas performances de grandes jogadores (Troy Polamalu, LaMarr Woodley, Cam Heyward, William Gay, etc), mas ainda tem muitas posições de necessidade (mais CBs, um novo MLB e um pass rusher na linha defensiva são as principais) e não vai conseguir adereçar todas elas nessa offseason, embora algumas sejam mais simples de se resolver via draft com uma excelente equipe de desenvolvimento. 

Hoje, o Steelers é um time com boa base que tenta reformular, mas esbarra nos contratos grandes de outrora. A equipe ainda possui um excelente QB e uma base muito sólida, o que com alguma saúde e alguma sorte pode ser suficiente para manter o time competitivo. Mas para continuar essa reconstrução, vai precisar de mais flexibilidade salarial, e mais alguns acertos no Draft não seriam uma má idéia. Larry Foote voltando de lesão e um ano a mais para Jarvis Jones podem ser boas soluções internas para alguns dos problemas dessa defesa, também. Então mesmo que o time dificilmente consiga se reforçar muito nessa offseason, eu tenho algum otimismo quanto ao futuro no curto prazo do Steelers. É um sólido time.


PARTE II SAI EM BREVE!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Palpites para a semana 5 da NFL

Phil Taylor ajudando o Goku a fazer a Genki Dama


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Para ver uma enorme análise sobre os principais prêmios da MLB (junto com minha escolha para cada), clique aqui

Para os pontos importantes da semana 4 da NFL, nossa coluna de terça feira, clique aqui

Para uma coluna sobre o Kansas City Chiefs e sua temporada impressionante, clique aqui

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Mais uma semana chegando ao fim, mais uma rodada de palpites. E preciso falar, esse não está sendo meu ano até aqui nos palpites. Depois de ganhar os dois pick'em que eu participei ano passado, esse ano está sendo um fiasco, brigando só para me manter acima de 50% (especialmente contra o spread) e tendo dificuldades para conseguir os 10 acertos semanais que dão pontos extras no NFL.com. Então esses palpites são tudo menos confiáveis e, como sempre foram, mais uma forma de passar rapidamente por cada jogo e cada time do que outra coisa.

Como algumas pessoas ainda me perguntam sobre esse "spread", uma explicação rápida: é um tipo de aposta no qual os times possuem uma margem pela qual ele tem que ganhar (ou, no caso do time adversário, uma margem que ele pode perder). Então se ontem a noite a linha era Pats (-11.5), significa que eu posso apostar em Pats a -11.5 ou Jets a +11.5 - ou seja, adicione 11.5 ao total de pontos do Jets (ou subtraia do total de pontos do Pats) e ve quem ganharia esse jogo. Basicamente, o -11.5 indica que se eu escolher o Pats, ele precisa ganhar por mais de 11 pontos, e se eu escolher o Jets (+11.5), ele pode perder por até 11. Então vamos as apostas, e como sempre, time da casa em caixa alta.

Palpites para a semana 5 da NFL

Week 4 Record: 8-7
Week 4 contra o spread: 7-8


BROWNS over Bills
Contra o spread: BROWNS (-3.5) over Bills
Começar a semana acertando um jogo de quinta feira é um bom sinal. E por incrível que pareça, foi um jogo bastante divertido no qual os DOIS QBs titulares saíram machuacdos (embora a lesão de Brian Hoyer pareça a mais séria) e Brandon Weeden duelou com Jeff Tuel até o final. Não exatamente Montana-Marino no Super Bowl XIX, mas mesmo assim o jogo não deixou de entreter e foi decidido apenas nos minutos finais. 

Quem gostou desse jogo provavelmente foi Josh Freeman, dispensado ontem mesmo pelo Tampa Bay Bucs depois que alguém na organização supostamente vazou para a imprensa que Freeman estaria no programa de drogas da NFL. Obviamente isso pegou muito mal e colocou o time sob investigação porque essa lista é confidencial, e enquanto isso certamente vai atrapalhar a vida de Freeman para achar um time, esse jogo pode ter ajudado. EJ Manuel não parece ter uma lesão séria, mas as primeiras impressões sobre Hoyer parecem indicar uma lesão que o tiraria da temporada. Considerando que o Browns pela primeira vez está com um record positivo desde 2007 e que eles lideram a divisão, se o time realmente quiser uma chance de brigar pelos playoffs, vão precisar de um QB melhor do que Brandon Weeden. Freeman está sem time e apreciaria uma chance de ser titular antes da free agency, então se Hoyer for mesmo perder a temporada e Cleveland decidir brigar pelos playoffs, Freeman tem um possível empregador a vista.


Chiefs over TITANS
Contra o spread: Chiefs (-3) over TITANS
Escrevi sobre os dois times essa semana (Chiefs ontem, Titans terça), e em ambos os casos eu ressaltei que o segredo por trás das boas campanhas de ambos tem vindo de seu saldo de turnovers, +9, melhor marca da NFL. Também escrevi que espero que essa boa sorte nesse quesito seja mais sustentável para o Chiefs que para o Titans (89% recuperando fumbles, 0% taxa de intercaptações), já que ele depende menos de fatores fora do seu controle do que seu rival e porque o esquema do Chiefs é construído justamente para viver em cima de turnovers. Então esse confronto direto é um bom lugar para começar a "normalizar" a sorte do Titans, especialmente com Ryan Fitzpatrick no lugar do machucado Jake Locker. Um bom teste para ambos os times se estabelecerem definitivamente como candidatos aos playoffs, btw.


MIAMI over Ravens
Contra o spread: MIAMI (-3) over Ravens
Eu não espero que Joe Flacco lance cinco interceptações toda vez que for jogar fora de casa, mas... hmm... o Ravens não está convencendo nesse começo de ano. Derrota para o Broncos a parte, o time sofreu muito para ganhar do Browns em casa com Trent Richardson e Brandon Weeden e perdeu do Bills semana passada. Isso não necessariamente diz que o Ravens é um time ruim, mas não está convencendo e enfrenta um bom time do Dolphins, em Miami. Ok, Miami foi exposto pelo Saints semana passada, mas isso foi fora de casa e contra um time bem superior a Baltimore. Não vai ser um jogo fácil, mas espero que Miami consiga arrancar essa vitória.

Tangente rápida: depois de um ano e quatro jogos, ainda não consigo decidir o que eu acho de Ryan Tannehill. Ele é um bom QB e tem dado muitas mostras positivas com seu braço, completando um bom número de passes (65%) para um ótimo 7.6 jardas por passe, e em geral tem feitos alguns lançamentos que me fazem voltar o streaming para ver de novo. Mas ao mesmo tempo ele tem dificuldade para ler defesas e é extremamente descuidado com a bola, liderando a NFL com seis fumbles sofridos e lançando mais cinco interceptações, de forma que seu QBR (46.5) está ainda menor do que o da sua temporada de calouro (52.2). Parte disso pode ser culpa da sua péssima linha ofensiva, que o deixou ser sackado 18 vezes (pior marca da NFL), mas essa inconsistência do garoto é um fator preocupante em um time que tem tudo para brigar por vaga nos playoffs, e fica difícil saber se ele é realmente o QB que o Dolphins espera ou não.


RAMS over Jaguars
Contra o spread: Jaguars (+11.5) over RAMS
Eu assisti em primeira mão quinta feira o quanto o Rams está mal essa temporada. Eles não conseguem parar ninguém, Cortland Finnegan parece que acabou de completar seu aniversário de 45 anos, e seu ataque parece estar tão empacado pelo chão quanto pelo ar... e enquanto isso, o time está pagando 15M de doletas para Sam Bradford comandar esse show de horrores. Não exatamente a receita para o sucesso. Ainda assim, eles enfrentam o Jaguars e o Jags tem a (des)honra de ser o pior time da liga na atualidade. Eles são simplesmente horríveis do primeiro ao último jogador e Teddy Bridgewater já deve estar pensando em passar mais um ano na faculdade para não ter que jogar em Jacksonville. Não da para escolher o Jaguars para ganhar, ainda mais fora de casa. Ainda assim, o Jaguars está 0-4 contra o spread tendo recebido mais de 10 pontos em seus últimos dois jogos (e enfrentado o Raiders no outro), e uma hora eles TEM que cobrir esse spread... certo? O Rams me parece um bom adversário para isso, com Justin Blackmon de volta. 


BENGALS over Patriots
Contra o spread: BENGALS (-1) over Patriots
Essa linha é condicional ao status do Rob Gronkowski para o jogo de amanha - em outras palavras, se for confirmado até o jogo se ele joga ou não, essa linha com certeza vai mudar. Por enquanto, fico com o -1 a favor do Bengals, por dois motivos. Primeiro, porque eu acho que Gronk não joga e embora Tom Brady esteja cada vez mais confortável com seus recebedores, eles ainda não são grande coisa. E segundo e mais importante, porque Vince Wilfork está fora da temporada, e ele é de longe o jogador mais importante dessa defesa, a peça em torno da qual todo  o conjunto defensivo do Pats é montado. Sem ele, imagino que a defesa do Pats sofra uma piora considerável e que isso vá atrapalhá-los em um primeiro momento, e fora de casa.

Curiosidade: Semana passada, quando eu escolhi o Falcons para vencer o PAts em casa, um torcedor do Patriots veio reclamando que em quatro semanas, eu tinha escolhido contra o Patriots quatro vezes. O que é engraçado, considerando que a) eu só escrevi essa coluna três vezes e b) eu escolhi o Pats para vencer nas duas primeiras. Torcedor sempre vê o que quer, e em particular os do Patriots (obviamente não todos, mas de longe são os que mais reclamam) gostam de se convencer de que todo mundo que não fica babando em cima da equipe é o Bernard Pollard disfarçado. Então pela bilionésima vez, eu não tenho nada contra nenhum time da NFL, muito menos o seu, e muito menos o Patriots, time de dois dos meus melhores amigos e da minha namorada. 


Seahawks over COLTS
Contra o spread: Seahawks (-3) over COLTS
Essa aposta só acontece por causa da minha regra "nunca aposte contra o melhor time da NFC, especialmente se ele estiver invicto". Ainda assim, está longe de ter sido uma escolha fácil: o Colts vem em uma boa temporada, e o segredo do Hawks é que eles tem sido surpreendentemente medíocres fora de casa: o ataque anotou apenas 25 pontos nos dois jogos fora de casa (tempo regular) combinados, e precisaram de um pick-six de Matt Schaub e duas faltas pessoas em OT para vencer contra o Texans sem Brian Cushing. A defesa tem sido boa, mas o ataque tem sido bem mediano longe do Jaguars - mesmo no jogo que venceram confortavelmente o 49ers, nas três campanhas que resultaram em TDs o time teve mais jardas em faltas do que com seu ataque, e só anotou três pontos antes de Eric Reid sair machucado. Então eu não estou exatamente muito animado escolhendo o Seattle para vencer essa partida, mas me parece outro desses "jogou mal, mas foi o suficiente" fora de casa. Especialmente se Trent Richardson continuar com menos de 3 jardas por corrida.


PACKERS over Lions
Contra o spread: Lions (+7) over PACKERS
O Packers está vindo de uma derrota "tudo que podia dar errado, deu" contra o Bengals, caindo para 1-2 no processo. Enquanto isso, o Lions se estabelece na NFL como uma força a ser considerada e o Bears começa o ano 3-1, o que coloca o Packers com alguma água na bunda mesmo sendo cedo na temporada. Green Bay SABE que precisa vencer aqui para não deixar a diferença acumular em uma NFC North (e NFC em geral) bastante competitiva. A defesa do Packers tem sido vulnerável e eu estou com pena de Rodgers quando sua linha ofensiva tentar - repito, tentar - segura Ndamukong Suh e Nick Fairley durante uma partida inteira. Mas Aaron Rodgers é um dos melhores QBs do mundo e, com esse sentido de urgência e jogando em casa, acho que vai conseguir fazer o suficiente para vencer o jogo. Mas o Lions cobre o spread, muito potencial de garbage time e de um jogo feio cheio de sacks.


Saints over BEARS
Contra o spread: Saints (even) over BEARS
Aqui o spread é exatamente zero, então não é simplesmente apostar em quem ganha e quem perde. Minhas preocupações escolhendo o Saints, em ordem: jogo fora de casa; Bears provavelmente é um time melhor do que todos que o Saints enfrentou na temporada; a defesa do Saints tem sido horrível contra o jogo terrestre, cedendo um NFL-high 5.5 jardas por corrida, e Matt Forte é um monstro; e me parece o tipo de jogo que pode ser decidido por turnovers (e eu odiaria apostar contra a defesa de Chicago nesse quesito). Ainda assim, eu confio mais em New Orleans porque eles possuem Jimmy Graham (Chicago não tem ninguém com as características para sonhar em marcar Graham) e Drew Brees junto de uma secundária surpreendentemente boa. E porque Jay Cutler pareceu voltar ao normal semana passada contra Detroit, lançando mais interceptações do que seria saudável. Ainda assim, um bom candidato a melhor jogo da rodada.


Eagles over GIANTS
Contra o spread: Eagles (+1) over GIANTS
Racionalmente, esse seria o jogo perfeito para o Giants curar sua zica e finalmente vencer um jogo. Joga em casa, contra um rival de divisão que também não está bem no campeonato e acabou de tomar uma surra do Broncos, que tem tido dificuldades nas últimas semanas. A defesa do Eagles é uma das piores da NFL e me parece o cenário ideal para Eli Manning e o ataque terrestre engrenarem. Ainda assim, eu não consigo apostar no Giants porque o ataque do Eagles tem sido muito bom na temporada apesar de tudo, e a defesa de NY não tem sido exatamente dominante nesse começo de ano. Ou seja, pelas características de ambos os times (especialmente do ataque do Eagles e sua velocidade), eu espero que esse jogo acabe virando um duelo de ataques de alta velocidade, e nesse caso acho que o Eagles leva vantagem porque está mais acostumado a esses jogos e porque isso significa um jogo de mais erros, o grande ponto fraco do Giants até aqui. A chave é o jogo terrestre: se o Giants conseguir se impor pelo chão e controlar o relógio, ele pode manter o jogo fora da zona de conforto do Eagles e ter a vantagem. Mas ainda precisa provar que consegue com essa linha ofensiva.


Panthers over CARDINALS
Contra o spread: Panthers (-2) over CARDINALS
Lembra quando eu escrevi uma seção inteira falando sobre como o Ron Rivera era um estategista ofensivo horrível que absolutamente se recusava a tentar quartas descidas mesmo tendo Cam Newton, e isso custava ao seu time algumas vitórias? Bom, uma semana depois contra o NY Giants, ele fez exatamente isso: em uma 4th and 1 no campo adversário, ele alinhou seu ataque e Cam Newton correu facilmente para uma first down. Bom, eu fiquei feliz, significava que Rivera tinha aprendido com seus erros e entendido a forma de maximizar os seus talentos, certo? Bom, aparentemente, não: quando questionado sobre a jogada depois, Rivera disse que só tinha chamado a corrida porque achou que ainda era a terceira descida e não a quarta, e que se tivesse percebido teria chamado o chute. Funhé. Um abraço para o "aprendeu com seus erros".

Ainda assim, o Panthers vem de uma boa vitória e de uma semana de folga. A defesa tem sido bastante sólida em 2013 e o ataque do Cardinals tem sido muito ruim, especialmente pelo chão. Além disso, o time acabou de trocar seu tackle titular (Levi Brown) por uma escolha de draft, o que faz de Carson Palmer um alvo muito fácil para a forte pressão imposta pela defesa de Carolina. Eu simplesmente não gosto desse matchup e acho o Panthers uma equipe melhor, mesmo jogando fora de casa.


Chargers over RAIDERS
Contra o spread: Chargers (-4) over RAIDERS
Esse jogo na verdade vai ser um falso segundo SNF, já que por conta do jogo do Oakland Athletics que vai acontecer mais cedo no Oakland Colisseum, a partida começará meia noite e meia no horário de Brasília. Garanto que eu não estarei assistindo a esse jogo. Considerando que Oakland não consegue nem construir um segundo estádio para separar baseball de futebol americano, não é a toa que o Raiders, no meu Franchise no Madden 25, se mudou para Cidade do México, virou o Mexico City Diablos, e joga em um estádio chamado "The Fire Pit". True story.

O Raiders é um time ruim mas divertido, enquanto o Chargers é melhor do que o esperado que poderia tranquilamente estar 4-0 com um pouco de azar (perdeu por causa de uma pick six milagrosa nos minutos finais contra o Texans e viu seu CB deixar cair uma interceptação de Jake Locker que selaria a vitória contra o  Titans), com Phillip Rivers jogando muito bem atrás de uma surpreendente linha ofensiva. Acho que essa é uma tendência que tem tudo para continuar contra um fraco time do Raiders. Estou até surpreso que a linha não é maior, na verdade.


Broncos over COWBOYS
Contra o spread: Broncos (-7.5) over COWBOYS
Eu acho o Cowboys um bom time que tem tudo para chegar aos playoffs nessa divisão horrível. Mas não tem a menor probabilidade de eu apostar contra o Broncos nesse momento.


49ERS over Texans
Contra o spread: 49ERS (-6) over Texans
Eu passei um tempo desnecessariamente grande assistindo vídeos dos últimos jogos do 49ers essa temporada tentando descobrir o problema da equipe... e eu acho que consegui. Quando Alex Smith era o QB do time, Jim Harbaugh inteligentemente concluiu que sua dificuldade em lançar bolas difíceis em profundidade seria um fator limitante para esse ataque, então construiu um ataque que fazia o oposto, esmagava adversários com corridas e a pura força física da equipe, atraindo defesas e encurtando descidas. Quando Colin KAepernick assumiu a titularidade, seu braço forte e preciso deram ao Niners outra dimensão no ataque, a dos passes, permitindo maior foco no jogo aéreo, que funcionou muito bem até o fim da temporada. O problema foi que para começar a temporada 2013, o ataque continuou tentando usar os passes que funcionaram tão bem ano passado com Kap, mas agora o time enfrentava outro fator limitante: seu corpo de WRs. É muito fácil marcar um time de um WR só como Anquan Boldin (especialmente com Vernon Davis machucado como esteve nos últimos três jogos), e os demais jogadores simplesmente são incapazes de criar separação. O jogo aéreo que funcionou ano passado não era mais possível na mesma eficiência com os jogadores atuais do elenco (ou pelo menos enquanto Manningham não volta). Então a jogada inteligente que Harbaugh fez foi aceitar essa nova limitação (possivelmente temporária) do seu ataque e retomar o playbook conservador, baseado em muita corrida e situações mais faceis de passe. E deu resultados.

Enquanto isso, eu tenho minhas dúvida se o Texans realmente é um time tão bom assim. Matt Schaub está tendo a pior temporada da sua carreira e dessa vez o ataque terrestre não está conseguindo compensar, com Arian Foster tendo apenas 3.8 jardas por corrida. A defesa ainda é muito boa e JJ Watt lidera minha corrida pessoal para Defensive Player of the Year, mas vai precisar de mais do que isso para vencer jogos consistentemente. Apesar da derrota semana passada, fruto do pior passe dos últimos meses, o fato é que as duas vitórias do Texans foram em jogos que podiam facilmente ter perdido: uma campanha milagrosa contra o Titans para empatar o jogo (depois que o Titans não conseguiu matar o jogo correndo com a bola), e um apagão incrível do time do Chargers. Não está me parecendo o juggernault que foi outrora, especialmente em um jogo fora de casa.


FALCONS over Jets
Contra o spread: FALCONS (-10) over Jets 
Repita comigo: Geno Smith, fora de casa, em um estádio fechado... Geno Smith, fora de casa, estádio fechado... Geno Smith, fora de casa, estádio fechado... Geno Smith, fora de casa, estádio fechado...

Por falar em Geno "Turnover Machine" Smith, o quão ruim é essa disputa pelo Rookie of the Year? Tem que ser uma das piores na história recente da NFL, certo? Geno Smith e EJ Manuel (mais turnovers do que TDs, 42 QBR) seriam os favoritos pela posição, mas estão tendo anos abaixo do esperado. WRs mais bem cotados como Tavon Austin e Cordarelle Patterson não conseguem produzir em campo. Eddy Lacy e Le'Veon Bell estão lidando com lesões. Tyler Eifert ainda não conseguiu ter um impacto. Os três melhores OTs do Draft estão decepcionando. Quem sobra? Smith e Manuel provavelmente são os melhores candidatos nesse momento porque são QBs, com DeAndre Hopkins, Giovani Bernard e eventualmente Bell (voltou muito bem na semana passada) correndo por fora. Esse tipo de prêmio, claro, geralmente é decidido mais para o final da temporada, então tem muito chão, mas quão ruim deve ser uma disputa para Geno Smith ser o atual favorito?



2013' Record: 28-19
2013' contra o spread: 21-26

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Preview 2013 - Buffalo Bills

Essa foto é tão massa que não precisa de legenda




Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Continuando nossa série de preview para a temporada 2013 da NFL, que começou com o New England Patriots e o Miami Dolphins, hoje é dia de falar de outro time da AFC East, uma das grandes decepções da NFL no ano passsado, Buffalo Bills. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Buffalo Bills

2012 Record: 6-10
Ataque ajustado: 20th
Defesa ajustada: 27th


Em praticamente qualquer esporte que você possa imaginar, e especialmente em futebol americano por conta do seu calendário curto e altamente sujeito a acasos, um dos maiores problemas que você vai encontrar é a questão das expectativas. Expectativas podem ser criadas por uma variedade enorme de motivos (especialmente agora que temos twitter!), mas independente deles, o que importa no final é como a performance de fato de um time corresponde as expectativas nele colocadas antes da temporada. E quando essa performance não corresponde as expectativas iniciais por qualquer motivo que seja - uma lesão chave, uma peça problemática, questões extra-campo, simples azar, etc - é quando todo mundo entra em pânico.

Essa foi, de certa forma, a história para o Bills ano passado. O time de 2011 era um time fraco, com alguns pontos interessantes mas dezenas de problemas ao longo de uma temporada que viu a equipe terminar com um record de 6-10 (sustentado pela sua Pythagorean Expectation). No entanto, também era um time jovem e com alguns jogadores interessantes, e a equipe se mostrou bastante ativa antes da temporada, draftando bem e, principalmente, trazendo o melhor jogador disponível na Free Agency em Mario Williams. Williams, um dos melhores DEs da NFL, iria se juntar ao All-Pro Kyle Williams e a terceira escolha de Draft em 2011 Marcell Dareus para formar o que deveria ser a melhor linha defensiva da NFL, o carro chefe de uma nova defesa (que contou também com as novas adições de Stephen Gilmore, CB calouro, e o LB Nick Barnett) que prometia muito. Com alguns jogadores ofensivos interessantes surgindo, parecia que o time ia dar um salto em 2012. Em Agosto, a "Buffalo Bills Bandwagon" estava a todo vapor, e eu mesmo estava entre os que viam o time brigando por uma vaga nos playoffs.

E no final, é difícil achar algo que não deu errado na temporada do Bills. O record de 6-10 foi extremamente decepcionante para quem esperava o time lá em cima na tabela, e fica ainda pior quando analisamos os detalhes da temporada. A suposta defesa da equipe, tão intimidadora antes da temporada, acabou se mostrando uma das piores unidades de toda a NFL, foi a quinta pior de toda a Liga em 2012. Sua assustadora linha defensiva com dois All-Pros e um terceiro-anista muito promissor? Oitava pior da Liga na temporada (de acordo com o estudo da Football Outsiders), ruim tanto contra a corrida como indo atrás do quarterback. E o ataque, embora tenha tido seus pontos de interesse (no caso, um forte jogo terrestre com CJ Spiller e Fred Jackson que foi o nono melhor da NFL mesmo perdendo Jackson por lesão na metade da temporada), foi um desastre pelo ar e encerrou de vez o período de Ryan Fitzpatrick como QB da equipe. Ao final da temporada, se recuperando de um fracasso quando esperavam um sucesso, o time decidiu se mexer e ir atrás da peça que eles consideravam a que faltava para a equipe e a maior necessidade do time: um quarterback.

Olha, eu não acho que esses momentos de "Ok, deu tudo errado, vamos mudar algo de forma radical!" totalmente ruins. Especialmente vindo de uma temporada onde a questão realidade vs expectativas foi tão decepcionante como a do Bills. Eu só acho que essas mudanças e essas realizações tem que vir acompanhadas de calma e ponderação, e a pior coisa que um time pode fazer é desenvolver uma visão em túnel (tunnel vision, no original) para esses problemas, esquecer de todo o resto e achar que mudando esses poucos fatores vai resolver todo o resto. É preciso avaliar o mercado, ver se tem essa peça disponível, se o valor de mercado no momento está dentro das realidades do time... E precisa ter calma caso tudo isso não esteja favorável, esperar o momento certo para maximizar as oportunidades. E o Bills não fez isso, na minha opinião, eles pularam na primeira chance de achar um quarterback que apareceu negligenciando o resto!

Pense da seguinte maneira: o quarterback do time, Fitzpatrick, teve um ano ruim em 2012. Ele foi apenas o 27th melhor QB da NFL (em 39) em QBR com 46, exagerou nos turnovers e foi de forma geral um menos nessa equipe enquanto ganhava um salário muito alto. O Bills precisava fazer um upgrade em quarterback e se livrar de Fitzpatrick por conta do seu contrato, então não foi errado o time ir atrás de um novo jogador para a posição (uma mudança de técnico também era importante, mas um passo de cada vez). O problema era outro: esse ano foi um ano ruim no mercado para quarterbacks. Tanto na Free Agency, como no Draft, como no mercado de trocas, eram poucos os quarterbacks disponíveis que valiam a aposta para um time sem espaço salarial como o Bills, e o melhor deles (Alex Smith) custaria ao time uma escolha alta de Draft. O mercado era ruim e faltava QBs disponíveis, então o Bills tinha que ser inteligente para procurar o seu jogador sem comprometer o valor dos ativos que o o time possuía. E foi exatamente o contrário do que eles fizeram: eles pularam em cima do primeiro QB possível na primeira rodada do Draft, recrutando EJ Manuel (expliquei extensamente porque isso era uma ideia horrível nesse post) ignorando totalmente o valor que ele e sua escolha de Draft possuía. Foi uma péssima manobra em termos estratégicos, ainda que Manuel seja um bom jogador.

No entanto, quando analisamos o que o Bills tem que melhorar, o elefante branco na sala é a defesa. Pode se esperar uma melhora da defesa simplesmente porque tem muito talento para passar um segundo ano em branco, mas 27th da NFL é algo que vai afundar seu time qualquer temporada. Os linebackers se mostraram muito deficientes ano passado, e mesmo a secundária vai precisar de muita ajuda, especialmente se a pressão no QB adversário continuar tão fraca. Ainda que QB fosse uma área que necessitasse urgente de uma melhora, será que era a mais importante nesse aspecto a ponto de sacrificar uma escolha de primeira rodada num jogador que deveria cair até a terceira? Eu não creio.

E enquanto isso acontecia, outros problemas chegavam para o Bills nas outras áreas. O melhor jogador do ataque do time e chave do bom jogo terrestre da equipe, o OG Andy Levitre, virou um Free Agent e o time de Buffalo não fez grandes esforços para mantê-lo na equipe, permitindo que ele fosse para Tennessee, enfraquecendo muito o que foi o único ponto positivo da equipe em 2012. Além disso, o melhor jogador da secundária da equipe, Jairus Byrd, está ausente dos treinamentos da equipe enquanto pede um novo contrato muito mais alto do que o seu de calouro, um contrato que a equipe não parece muito afim de lhe dar tendo em vista a complicada situação salarial da equipe. Ainda que Byrd deva acabar jogando a temporada, o Bills pode estar correndo o risco de perder seu melhor jogador da linha ofensiva E da secundária enquanto busca desesperadamente um QB mediano no Draft. Nenhum QB desse Draft será capaz de compensar tantas fraquezas na equipe, e isso antes de comentar de problemas como a falta de boas opções de passe depois do Stevie Johnson.

O que, claro, não quer dizer que o Bills não tenha alguns pontos que indiquem uma melhora em 2013. Assim como o  Dolphins, o time de Buffalo teve uma Pythagorean Expectation de acordo com seu record de 6-10, mas teve uma performance negativa em jogos decididos por uma posse de bola com 2-4. Além disso, o time teve o quinto pior saldo de turnovers de toda a NFL com -13, um número motivado pelo fato de que o Bills teve o PIOR aproveitamento de toda a Liga recuperando fumbles em 2012, recuperando apenas 30,6% das bolas que tocaram o chão (sendo que o time foi um dos melhores de 2011 com 60%). Juntando isso ao fato de que, como já foi dito, o time tem talento demais para passar duas temporadas em branco na sua linha defensiva (especialmente se for verdade que Mario Williams jogou a temporada passada machucado), existem diversos pontos indicando uma possível melhora do Bills partindo de dentro do próprio elenco.

E, claro, EJ Manuel chega para (possivelmente) assumir a posição de titular da equipe. Deixando de lado a estupidez que foi gastar sua escolha de primeira rodada com um QB que não tinha esse valor (sendo que o time já tinha Kevin Kolb para tapar o buraco no elenco) em um dos piores Drafts da posição nos últimos anos, o que isso significa dentro de campo é a esperança de uma grande melhora em relação a um QB como  Fitzpatrick. É sempre difícil avaliar o impacto que um calouro terá na NFL de imediato, especialmente um QB cru como Manuel, então essa é a parte mais difícil de avaliar para a temporada que vem. Sim, ele possivelmente será melhor que Fitzpatrick, embora eu não tenha tanta certeza disso. Não, ele provavelmente não será um jogador de impacto como Russell Wilson ou Robert Griffin. O que exatamente esperar dele?

Repartindo a diferença e dando a ele uma temporada semelhante a do Ryan Tannehill em Miami ano passado, onde isso deixa o Bills? Eles deram um upgrade na posição mais importante do jogo, mas ainda não foi um upgrade massivo. Enquanto isso, eles perderam um dos seus melhores jogadores do ataque, o que sem dúvida vai afetar muito seu jogo terrestre (lembrando que o Bills pegou Manuel porque queria usar ele correndo em options... ops!) que foi a melhor coisa da equipe em 2012, e podem ver seu melhor jogador da secundária perder alguns jogos também. Mesmo com os indicadores que indicam uma possível melhora da equipe a partir de fatores internos, eu tenho sérias dúvidas se o time será melhor em 2013 do que em 2012. Em geral, acho que outra temporada 6-10 é a hipótese mais provável, embora isso esteja atrelado demais ao desempenho do EJ Manuel esse ano. Se ele for o novo Russell Wilson, o Bills vai ter seu futuro garantido e provavelmente vai acabar 8-8 ou acima. Se ele for um fracasso e pouco acrescentar a equipe em relação ao Fitzpatrick... Bom, ai o Bills vai lamentar a fraca offseason que teve e por ter gasto tanto custo de oportunidade para pegar um QB que nunca deveria ter sido pego onde foi. Mas pelo menos, dessa vez a equipe entra na temporada sem nenhuma expectativa para destruir de forma negativa.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Vencedores e perdedores do Draft... Do jeito certo

Descubra o que faz de Ozzie "Awesome" Newsome
 um dos melhores GMs em termos de Draft


É muito comum, depois de um Draft (especialmente o da NFL), aparecerem posts falando sobre quem ganhou e quem perdeu o Draft. A premissa é simples: Olhando o talento dos jogadores que foram Draftados, quem "ganhou" foi o time que mais pegou grandes jogadores que vão causar impacto e dominar a NFL, e quem "perdeu" foi o time que usou suas escolhas pra pegar jogadors piores que não vão render. O problema lógico com essa abordagem é simples: Ninguém sabe, dias depois do Draft, quais jogadores vão dar certo e quais não vão. Só podemos usar esse tipo de visão alguns anos depois do Draft em questão, depois de ver os jogadores em seus clubes e o tipo de impacto que tiveram. Por exemplo, se alguém fosse fazer uma história do tipo depois do Draft da NFL de 2000, o Patriots provavelmente não seria citado ou seria citado como um dos "perdedores": Não tendo uma 1st round pick (enviada pro Jets como "compensação" por lhes tirar o técnico, Bill Belichick, no meio do seu contrato), o Pats usou escolhas de segunda e terceira rodada em jogadores duvidosos e não pegaram nenhum daqueles jogadores que eram considerados possiveis "steals". Hoje? Eles foram os grandes vencedores daquele Draft por saírem com Tom Brady da sexta rodada do Draft! E ninguém tinha como saber isso.

Isso acontece por causa de um grande problema quando se trata de esportes: Muitas pessoas preferem julgar as coisas pelo resultado do que pelo processo. Ao invés de avaliar todo o processo, que diz muito mais sobre uma pessoa ou uma ideia, elas preferem decidir se esse processo foi bom ou não com base apenas em ter funcionado no final ou não.

Meu exemplo favorito, é claro, são os Oakland Athletics da era "Moneyball". Pra quem perdeu o filme e o livro (heresia!), o Athletics era o time mais pobre da MLB no começo dos anos 2000 mas, usando estatísticas avançadas e contrariando o senso comum (algo ignorado pelos outros 29 times na época), sempre conseguiam ter um dos melhores records da Liga mesmo com a menor folha salarial. Só que como o A's nunca foi campeão, toda a mídia descartava o método de Billy Beane como sendo um fracassado que nunca levaria um time ao sucesso. E dai que esse método tinha feito do Athletics, todo santo ano, o melhor time da Liga por 162 jogos mesmo perdendo seus melhores jogadores todo ano e montando o elenco com jogadores que todos os outros times descartavam? O resultado final - a derrota nos playoffs, em series de cinco jogos onde a variância estatística é absurda - só provava que o método era falho. Alguns anos depois, Theo Epstein remontou o Red Sox com esses mesmos princípios do Athletics e levou o time ao título de 2004... E ai de repente todo o método rejeitado anteriormente passou a ser visto como um sucesso, todos os times adotaram o modelo, e o Red Sox passou a ser visto como o time que tinha feito isso funcionar, embora fosse exatamente o mesmo metodo que levava os A's aos playoffs todo ano.

O problema do Draft é exatamente esse: Todo mundo quer julgar o Draft com base nos resultados, mas ninguém tem como saber exatamente qual vai ser esse resultado, então todo mundo tenta projetá-lo  com base em palpites e suas avaliaçōes anteriores ao Draft, o que é um absurdo porque cada caso é um caso, e o impacto que um time tem sobre um calouro é diferente em cada situação. Não é apenas sobre talento e instrumental: Depende de como o jogador se encaixa em um certo estilo, como uma comissão técnica consegue desenvolver um jogador, como sua personalidade se adapta ao elenco... É uma infinidade de variáveis que torna isso tão dificil de prever. Então sim, daqui a cinco anos podemos sentar e discutir quem acabou se saindo melhor desse Draft e quem acabou quebrando a cara. Mas agora, dias depois do Draft, a unica coisa que podemos fazer é avaliar o processo pelo qual esses times acabaram com esses jogadores.

Então se você espera que eu diga quais times saíram com jogadores melhores aqui, lamento decepcionar. Se quer meus pensamentos sobre cada jogador e as decisōes dos times em draftá-los, então leia meu Running Diary da primeira rodada do Draft. Lá eu dei meus palpites, disse como cada jogador faz sentido naquela escolha e tudo mais, critiquei alguns por algumas escolhas que eu achei equivocadas, e pronto.

O objetivo desse post (pra encerrar de vez minha cobertura do Draft) é outro: Explicar quais são as formas de se avaliar o "processo" de um time no Draft, e como um time se coloca numa posição de sucesso. O resultado aqui é basicamente irrelevante, e vamos focar muito menos no "talento" dos jogadores, uma coisa extremamente subjetiva. Por exemplo, eu acho que o Jets errou ao Draftar Richardson na frente de Lotulelei, os dois jogam na mesma posição e eu acho Lotulelei simplesmente melhor. Mas essa é apenas uma questão de avaliação, de tentar prever o resultado antes dele acontecer. Então podem ficar tranquilos, NYJ fans, vocês não vão ver o Jets entre os "perdedores" aqui. E no final de tudo isso, vou usar esses "métodos" pra falar quais times eu avaliei como positivos e negativos nesse Draft.

Mas bem, vamos a isto: Quais são as formas de se avaliar o processo de um time no dia do Draft?


1. Como o time lidou com o valor de suas escolhas de Draft?

A primeira e mais importante faceta do Draft envolve uma palavra apenas: "Valor". Pense numa escolha de Draft como um ativo. Ela te dá direito a escolher um jogador entre um grupo de jogadores, e quanto antes você escolher, maior será a chance de escolher o cara que é avaliado como o melhor, ou mais valioso. Portanto, a forma como voce usa essas escolhas pra adquirir esse talento faz toda a diferença. O que eu estou falando nao é que você tem sempre que usar suas escolhas pra adquirir o jogador mais valioso disponível, essa é apenas uma abordagem possível e a abordagem depende do caso em questão (já chegaremos lá). O que eu estou falando é que, quando você está no Draft, você tem que maximizar o valor das suas escolhas quando está decidindo o que fazer com cada escolha, seja trocar ou escolher um jogador. 

Pense na seguinte situação. Voltemos ao Draft de 2000, quando Tom Brady entrou na NFL. Brady era avaliado pela Liga como uma escolha de sexta/sétima rodada ou até mesmo não-draftado, aquele QB que voce pega no final do draft pra competir pelo banco. Agora suponha que alguém entrou numa máquina do tempo hoje, voltou pra 2000 e disse ao Bill Belichick "Hey, sabe o garoto Brady? Daqui a 13 anos vão estar discutindo ele contra os maiores QBs de todos os tempos! Você TEM que pegar ele!". Agora me diga: Belichick usa sua escolha de primeira rodada (suponha que ele tivesse uma) pra pegar Brady agora que ele sabe que ele vai ser tão espetacular?

Pense... Pense...

E... Tempo!

NÃO!!! NÃO!!!!!!!! CLARO QUE NÃO!! Porque ele faria isso? Brady está avaliado pela Liga como uma escolha de sexta rodada no máximo, porque ele iria gastar uma escolha de primeira rodada em um jogador que ele pode pegar com uma de quinta ou sexta? Ele tem que usar sua escolha de primeira rodada em um atleta avaliado como tal que ele não seria capaz de pegar mais tarde. Mesmo se ele tiver medo de outro time pegar Brady antes dele na sexta rodada, pode usar uma escolha de quinta ou quarta pra garantir o jogador sem sacrificar o valor das suas escolhas mais altas. E não precisamos nem ir em casos tão extremos: Suponha que um bom time (escolha 25th, digamos) quer pegar um certo jogador cotado como uma escolha de meio de segunda rodada, e não vê nenhum jogador que vale essa 25th pick. Ele pode simplesmente pegar o seu jogador, não é um gap tão absurdo, mas a melhor forma de maximizar o valor dessa escolha seria trocar pra descer no Draft, ainda pegando seu jogador numa posição mais adequada e pegando mais escolhas no processo.

Claro que isso depende de outra questão: A avaliação de jogadores. O importante nesse caso não é o verdadeiro valor do jogador (algo impossível de medir), mas o valor que é atribuído ao jogador antes do Draft por analistas, especialistas e pelos times. Nem todo time vai avaliar os jogadores igual, mas hoje em dia na era da informação, os times em geral tem avaliaçōes bastante próximas, sem grandes desvios. Voltando pra questão do Jets, Richardson e Lotulelei tinham um valor semelhante pra 13th pick do Jets, nenhum deveria cair muito mais. Era apenas uma questão de avaliação. A liga em geral avaliava Lotulelei como melhor, o Jets avaliou Richardson como melhor... Mas ambos avaliavam os dois jogadores como sendo um talento de valor semelhante no Draft. Por isso mesmo que hajam algumas diferenças - que tende a aumentar nas rodadas posteriores - em geral a variação não é tão grande. 

E no final, essa é simplesmente a face mais importante do Draft. Cada pick carrega um certo valor, que decresce conforme a escolha vai sendo mais tardia. Conseguir usar bem o valor dessas picks, seja na hora de escolher um jogador ou de fazer uma troca por outras picks, o importante é sempre maximizar o valor das escolhas que você tem na mão. E como voces vão reparar, mesmo as categorias abaixo envolvem o valor que voce tira das suas escolhas também, só que de outras formas.


2. Como os jogadores escolhidos se encaixam no time?

No fundo, isso esta intimamente relacionado à questão do valor, mas mais específica. O item anterior envolve o valor absoluto dos jogadores mas ainda mais das escolhas, em maximizar o valor de cada escolha na hora de tomar decisōes. Essa envolve uma outra simples verdade: Assim como um objeto nã otem o mesmo valor pra cada pessoa, o valor de cada jogador não é igual para todos os times. 

Isso acontece por uma variedade de motivos. O primeiro, e mais obvio, é que os times jogam de formas diferentes, com estilos diferentes e com playbooks diferentes. Portanto, cada time vai precisar de jogadores com características que se encaixem no que o time vai usar em campo. Por exemplo, se eu jogo com uma defesa 4-3 como base, eu posso até draftar um OLB cuja força é ir atrás do QB, mas esse tipo de jogador vai ter menos valor pra mim do que pra um time que jogue em uma defesa 3-4, por exemplo. Ou de forma mais sutil, se meu ataque é baseado mais fortemente no jogo terrestre do que no jogo aéreo (pense 49ers com Alex Smith), um OG ou um OT mais veloz e mais eficiente na corrida tem  mais valor do que pra um time como Patriots onde o trabalho da OL é proteger o QB na maior parte do tempo. 

Uma outra forma de se pensar em valor relativo é a seguinte: Alguns times simplesmente sabem desenvolver jogadores melhores do que outros em dadas posiçōes. Pense na defesa do Steelers: Eles tem o mesmo DC faz anos, e jogam com o mesmo esquema faz um tempão. Eles sabem exatamente o que precisam nos seus jogadores de defesa e por isso tem mais facilidade que qualquer outro time da Liga desenvolvendo esses jogadores, em especial seus OLBs. Portanto, pra um OLB pego na terceira rodada do Draft, ele tem muito mais chance de se desenvolver em um bom jogador no Steelers, seus técnicos excelentes e seu esquema consolidado,  do que qualquer outro time que tente pegá-lo mais pra frente. Por esse motivo, o Steelers sabe que pode pegar um OLB mais pra frente e desenvolvê-lo, então não precisa usar  suas escolhas mais altas - e mais valiosas - pegando jogadores dessa posição com tanta frequência, podendo dedicá-las a jogadores de outras posiçōes que o time não desenvolva tão bem sabendo que pode conseguir um bom OLB em outro momento do Draft.

Então esse tipo de encaixe importa. Valor não depende apenas da escolha que está sendo usada, mas do encaixe do jogador com o time. Um jogador tem maior valor relativo pra um time se ele se encaixar melhor no seu estilo de jogo (o que não quer dizer que um time não vá pegar um grande talento cujo instrumental não seja o mais perfeito ao seu estilo, though), e um time eficiente em certas áreas pode usar isso pra buscar maior valor em áreas deficientes. Combinar isso com o valor de cada escolha é uma constante em times que draftam bem (Steelers, Ravens, etc).


3. Como a abordagem do time no Draft impacta na situação atual do time?

De novo, valor é algo relativo. A chave do Draft é maximizar o valor de cada escolha que você tem, mas cada time tenta fazer isso seguindo uma estratégia diferente baseado em uma necessidade diferente. A ideia do Draft é que não apenas ela trás valor na forma de jogadores, mas duas outras coisas: Jogadores baratos (contrato de calouro) e jogadores jovens (portanto você pode desenvolvê-los). A segunda parte, nesse caso, é um pouco mais importante: Jogadores não saem do Draft prontos, eles passam por um processo de alguns anos de adaptação e desenvolvimento. E até por uma questão estatística, quanto mais jogadores você tiver, maior a chance de um deles virar um bom titular mesmo vindo de rodadas mais tardias. Pra um time ruim e com vários buracos, é interessante ter o maior número possível de escolhas pra ter maior numero de chances de conseguir bons jogadores. Da mesma forma, pra um time mais pronto e com poucos buracos, as vezes vale a pena sacrificar algumas escolhas de Draft, subir posiçōes e pegar um jogador mais pronto e explosivo pra ajudar em uma área chave do seu time.

Um bom exemplo recente é o do Atlanta Falcons. Dois anos atrás, o Falcons tinha um bom time: Boa linha, bom QB, boa defesa. Era um time bem completo que tinha apenas um buraco grande: O time precisava de outro WR. Com um bom numero de picks no Draft, o Falcons decidiu trocar uma cacetada de picks (duas 1st rounds, duas seconds, uma 4th) pela sexta escolha do Draft (Browns) e pegar o WR Julio Jones. Em um vácuo, o valor das escolhas que o Falcons enviou para o Browns valiam mais do que a que eles receberam em troca. Mas pra um time tão lotado e com poucas falhas como o Falcons, o valor marginal de Julio Jones (ou seja, o valor que a adição do jogador adiciona ao conjunto) era maior do que o valor marginal que eles iriam conseguir adicionando cinco outros jogadores inferiores que não encaixassem tão bem no time como JJ. E pro Browns, cheio de buracos no time, o valor adicional desse monte de escolhas de Draft, jogadores que cobrem mais funçōes no time, compensava a perda de uma possível estrela. Tudo depende da situação.

Claro, você não pode ser cego e fazer as coisas sem pensar. Um time ruim pode trocar todas suas escolhas altas por dezenas de escolhas baixas, e pode sair com um monte de bom role players disso, mas vai perder a chance de adicionar jogadores mais garantidos e com maior potencial. Da mesma forma, um time não pode trocar suas 7 escolhas por uma só lá no alto, o risco eé alto demais de uma lesão ou um bust acabar com um ano. Entao tudo depende de achar o equilíbrio certo e a estratégia certa pra otimizar o valor pro seu time.


4. Como o Draft supriu as necessidades do time?

O último ponto pode parecer óbvio - e de certa forma é - e está intimamente ligado aos outros três pontos: Praticamente todo time tem alguma posição de necessidade, alguma posição deficiente que precisa ser adereçada, e o Draft é muitas vezes a ferramenta perfeita pra isso já que a essa altura, um bom numero de Free Agents já saiu do mercado. Então, a lógica diz que você deve usar o Draft, de alguma forma, pra suprir essas necessidades ou se arriscar a ir pra temporada com essa falha.

Esse ponto aparece aqui por ultimo porque ele é o mais simples, mais fácil de se ver, e justamente por isso é o que mais GMs retardados usam como o ponto principal, quando na verdade ele deve sempre estar sujeito aos três primeiros pontos. O pior pecado que um GM pode cometer com regularidade no Draft é ficar cego pelas necessidades do time e ignorar os outros três pontos cruciais, e pegar cegamente um jogador que ele precisa.

Por exemplo, pegue o San Francisco 49ers. Eles trocaram uma escolha de terceira rodada pra subir na primeira rodada e pegar um FS, Eric Reid, que tapava a maior necessidade do time no lugar do Free Agent Dashon Goldson. Em termos de valor, as picks que o 49ers perdeu são 20% mais valiosas (de acordo com Football Outsiders) do que a que eles receberam. Só que ai entra o contexto: O 49ers tinha 13 escolhas de primeira rodada e um elenco recheado de tal modo que teria pouco espaços pra muitos calouros, então fazia todo o sentido pra equipe subir no Draft (conforme dito no item anterior) e pegar o jogador que seria o melhor encaixe no seu time. Se um time tipo Browns fizesse isso, eu iria rir da cara deles. Entao tudo depende de contexto.

Pense de outra forma: Na média, os times avaliam os jogadores de forma semelhante antes do Draft. Alguns avaliam certos jogadores melhor, outros pior, mas na média - ainda mais hoje em dia nessa época de tanto acesso à informação - a avaliação é semelhante pros 30 clubes. Então porque os mesmos times e GMs sempre saem do Draft melhores do que a média dos times enquanto outros sempre parecem sair mal do Draft?? Porque os GMs/técnicos inteligentes (Bill Belichick, Trent Balkee, John Schneider, Ozzie Newsome, etc) sabem muito bem como trabalhar o valor no dia do Draft ao invés de simplesmente ir cegamente atrás dos bons jogadores ou que cobrem as necessidades, enquanto os outros não pensam dessa forma e só pegam os jogadores que querem independente da possibilidade de extrair maior valor da situação. E por isso essa categoria, ainda que importante, é apenas a quarta.


Então essas são as quatro melhores formas de se avaliar um Draft. Os times inteligentes sabem como lidar com todas essas faces do Draft e extrair o maior proveito deles no dia do Draft em si, apesar de toda a incerteza em relação aos resultados, enquanto times burros escolhem punters na terceira rodada porque "prefere escolher um titular do que um reserva com a 3rd rounder" (FYI, esse time tem Blaine Gabbert de QB e passou Russell Wilson pra pegar esse punter). Obviamente, a chave é equilibrio. Não existe uma resposta certa e cada situação exige uma resposta diferente, e os capazes de juntar esses conceitos nessa resposta são os que tem sucesso.

Usando agora esses conceitos, e também pra exemplificar o que eu quero dizer, vamos ver alguns exemplos rápidos de times que mandaram bem e que mandaram mal nesse Draft.


Philadelphia Eagles

Pra mim, o Eagles foi um dos grandes vencedores desse Draft, embora eles tivessem uma certa... "vantagem". O Eagles trocou de técnico ao final da temporada passada, depois de anos jogando sob a batuta de Andy Reid, pra dar o cargo de Head Coach pra Chip Kelly, um técnico vindo da NCAA famoso por seus explosivos esquemas ofensivos como técnico de Oregon. Portanto, essa troca de técnico significou uma mudança drástica de esquema tático: Kelly vai querer implementar seu ataque extremamente veloz e explosivo no lugar do esquema de Reid, e muitos dos jogadores que estão atualmente no elenco do Eagles foram draftados por Reid pra servir aos seus esquemas. E como Kelly vai precisar usar e testar seu esquema na NFL para poder adaptá-lo, ele precisaria de um time capaz de executá-lo em primeiro lugar.

E eis porque eu acho que o Eagles se deu bem: O time conseguiu os jogadores perfeitos no local perfeito para poder usar seu plano ofensivo com liberdade. Em um Draft considerado fraco e com poucos times dispostos a pagar caro pra subir nas primeiras rodadas, o Eagles optou por usar suas escolhas pra arrumar a casa e dar ao Kelly os jogadores pra ele poder implementar seu estilo, ao invés de gastar mais um ano tentando acumular os jogadores. E eles conseguiram os jogadores perfeitos pra isso: Na primeira rodada, pegaram o terceiro melhor OT do Draft, Lane Johnson. Pra mim, Johnson é o terceiro melhor OT desse Draft, mas ai que está: Nenhum era mais perfeito que Johnson pra jogar com esse HC. O estilo de Kelly é baseado em muita velocidade e precisa de jogadores que possam sair da linha e acompanhar bloqueios ao longo da jogada, e a primeira coisa que chama a atenção em Johnson é sua absurda velocidade e capacidade de ao longo de uma jogada. Então era o tipo de jogador que era chave pra esse esquema e que o Eagles pegou pro lugar de sua linha mais velha e menos explosiva. Outro jogador ideal que o Eagles pegou foi o TE Zach Ertz. Hoje em dia, todo ataque da NFL precisa de um TE explosivo, capaz de dar uma opção pelo meio e usando sua velocidade e tamanho pra criar mismatches. Em um ataque como o de Kelly que prioriza a velocidade dos jogadores e gosta de jogar pelo meio da defesa, um TE como Ertz - um missmatch ambulante capaz de se alinhar em qualquer lugar do campo - é um requisito indispensável. Em Johnson e Ertz, o Eagles adquiriu duas peças que são fundamentais pro futuro da Franquia.

Mas o Eagles teve outro grande acerto: Trocar na 4th round pra pegar Matt Barkley. Barkley, ano passado, era cotado como uma escolha de primeira rodada de Draft, possivelmente top10, e a provavel 1st pick de 2013. Esse ano, caiu pra quarta rodada, principalmente por causa de um ano ruim na universidade marcado por lesōes e um time que decepcionou. As duvidas sobre seu braço "fraco" e sua saude o acabaram tornando uma escolha duvidosa pra primeira rodada, mas definitivamente com valor na segunda/terceira como um QB inteligente, acostumado a jogar em um esquema de NFL no College e que poderia ter sucesso na NFL em um ataque que jogasse em torno das suas forças (vale notar: Outro otimo College QB que caiu pra terceira rodada por conta de lesōes e um braço "fraco"? Joe Montana). O Eagles, sem um QB preparado pra 2013, não teve interesse nele no começo, preferiu ir atrás de jogadores diferentes, mas quando ele caiu pra quarta rodada, Kelly foi atrás dele tanto como escolha de valor (Ele é bem mais NFL-ready do que uma escolha de quarta rodada) e porque Barkley PODE vir a ser um bom QB para um time que nao confia no seu titular (Michael Vick). O Eagles joga em um esquema de passes curtos, pensamento rápido e inteligencia na chamada de jogadas na linha de scrimmage, e pelo menos em teoria, Barkley é mais adequado a esse esquema que Vick ou Foles, além de ser um esquema cheio de playmakers onde seu braço "fraco" seria um problema menor. Então pra quarta rodada, o Eagles soube identificar um talento que escorregou demais e que ainda poderia se encaixar bem na equipe, tanto por esquema como pela posição. Excelente pick, excelente abordagem, excelente Draft.


Oakland Raiders

O Raiders, antes do Draft, se tomou de amores pelo CB DJ Hayden. Cotado originalmente como o segundo melhor CB do Draft e uma escolha de meio/fim de primeira rodada, Hayden aparentemente convenceu o Raiders com seus workouts e entrevistas que ele era o terceiro melhor jogador do Draft, depois de Eric Fisher/Luke Joeckel. Como eu disse, isso é uma questão de avaliação: O Raiders avaliou ele como um jogador muito superior ao que o resto da Liga tinha avaliado em termos de talento/encaixe. E não estamos julgando avaliaçōes aqui, e sim processo.

E aqui está porque o Raiders se saiu como um vencedor do Draft: Oakland tinha Hayden como o terceiro melhor jogador do Draft e estava disposto a draftá-lo com a terceira escolha, embora a Liga o avaliasse com um valor inferior. Mas o Raiders, por causa de diversas trocas e más decisōes nos ultimos anos, passou os ultimos Drafts com poucas escolhas altas e até por conta disso fracassou em desenvolver uma boa base de talento jovem pra equipe. Sabendo dessas duas coisas, o Raiders buscou ativamente alguém pra trocar sua 3rd pick da primeira rodada, sabendo que precisava urgentemente de mais escolhas de Draft (de preferencia altas) pra recompor a base de talento do time e conseguiu uma escolha de segunda rodada por descer 9 picks na primeira rodada, uma boa troca que rendeu ao Raiders uma escolha de segunda rodada que o time não tinha e ainda pegar o jogador que queria em uma posição mais adequada. Então o Raiders fez o certo ao identificar o jogador que queria, não se desesperar para pegá-lo, ser paciente, conseguir um maior valor pela sua escolha e conseguir o jogador que queria e as picks que precisava.


San Francisco 49ers

Um caso interessante por ser o oposto do Eagles e Raiders: Um time extremamente cheio de talento, com algumas posiçōes de necessidade mas com um grupo que tem poucos lugares pra calouros. E a abordagem do 49ers foi consistente: Aproveitando-se do numero absurdo de escolhas que o time tinha (13) e sabendo que não teria lugar pra 13 calouros no seu time, o 49ers usou essas escolhas pra subir no Draft e ir atrás dos jogadores que precisava: Trocou uma escolha de 3rd round que não realmente precisava pra ir atrás da unica posição que tinha real urgência (safety), indo atrás do safety que o time melhor tinha rankeado; e depois trocou também escolhas de final de draft (que tinha de sobra) para subir no final das segundas e terceiras rodadas e roubar o TE Vance McDonald (pro lugar de Delanie Walker, Free Agent) e o DT Corey Lemonier, dois jogadores que o time tinha em alta conta e podia se dar ao luxo de gastar picks para adquirir.

A situação estável e completa do 49ers também deu ao time outro luxo: Ir atrás de dois talentos de primeira rodada que cairam por conta de lesōes. "Tank" Carradine era o jogador perfeito pro lugar de Justin Smith na linha do 49ers, um DE físico e excelente pass rusher que era cotado como um dos melhores do Draft antes de estourar o joelho no final da temporada passada. A questão é, o 49ers tem talento e depth suficientes pra pegar esses jogadores e deixá-los treinando e se recuperando até estarem realmente prontos para entrarem. O mesmo aconteceu com Marcus Lattimore, considerado por muitos o melhor RB dos ultimos anos e melhor back desse Draft, que caiu por conta de duas lesōes assustadoras no joelho e dúvidas sobre fragilidade e capacidade de contribuir desde já. Mas com um time com pelo menos três excelentes RBs e muita tranquilidade na posição (e 400 escolhas de Draft), o time pode se dar ao luxo de pegar Lattimore e deixá-lo um ou dois anos treinando e se recuperando com calma antes de ter necessidade de entrar e contribuir. Mesmo se der errado, não perde nada.

Apesar de ter usado com muita inteligencia sua posição pra adotar uma estratégia agressiva, isso não quer dizer que Balkee tenha confundido agressividade com impaciência. Sabendo da absoluta falta de necessidade do time por mais escolhas em 2013, o time aproveitou o desespero do Titans pra conseguir um importante ativo pro futuro, no caso uma escolha de terceira rodada do ano que vem (um draft supostamente profundo), trocando escolhas de segunda rodada (recuando apenas sete posicoes) pra conseguir essa escolha futura. É outra abordagem de Draft que tem a ver com o estado atual da equipe, mas não menos brilhante: Aproveitar suas vantagens pra adquirir o maior valor marginal para a equipe e ativos para o futuro. Saber usar sua posição de força é o que mantém bons times bons.


Buffalo Bills

E aqui chegamos ao grande erro do Draft de 2013: EJ Manuel.

Vamos repassar o que nós aprendemos: O Bills draftar EJ Manuel sobre Geno Smith, Barkley e cia foi uma questão de avaliação. O Bills tem um técnico novo, com um novo esquema e eles acreditaram que Manuel e sua habilidade física pra sair do pocket (embora tenha usado muito pouco option no College) poderia ver a calhar numa NFL que está tendo muito sucesso com o option. Portanto, por ser uma questão de encaixe num esquema novo e adaptação, não podemos criticar o Bills por alguns anos até ver no que isso vai dar (embora eu pessoalmente acho que se era pra pegar um QB pela mobilidade, o Geno servia).

E aqui está o que eu POSSO criticar o Bills: Eles ficaram cegos pela necessidade de um QB e se focaram nisso, ignorando as três primeiras "liçōes" desse post, em especial a primeira. Manuel era cotado como uma escolha de de terceira rodada e olhe lá, o quarto ou quinto melhor QB de uma classe particularmente fraca. Geno Smith, amplamente considerado na NFL o melhor do Draft, só saiu na 39th pick, e o terceiro a sair foi só no meio da terceira rodada (Mike Glennon). Matt Barkley caiu pra quarta rodada. Eu acho que todo mundo já entendeu que o valor do Manuel nao era maior do que uma escolha de final de segunda/terceira ou até quarta rodada. Porque draftar ele no meio da primeira rodada quando não tinha NENHUMA movimentação da Liga em direção a um Quarterback??

O Bills fez a coisa certa da primeira vez, na verdade, descendo da oitava pick do Draft pra pegar uma escolha extra de segunda rodada, um excelente valor aproveitando do desespero do Rams (não critico o Rams por overpay pela pick porque precisavam urgente de um WR e tinha um bom numero de escolhas, btw). Se fosse um time muito sólido em diversas posiçōes essa primeira troca teria sido talvez suficiente, mas num time cheio de necessidades - WR, TE, linha ofensiva, algumas posiçōes de defesa -  o valor da escolha que voce joga no lixo draftando um jogador de terceira rodada na primeira faz muita falta. Pega o melhor jogador disponivel ou então troca pra descer e adquirir multiplas escolhas (ou até mesmo, melhor ainda, uma escolha futura de primeira rodada ou até segunda/terceira), mas não pode jogar fora esse valor todo só porque quer garantir um jogador. Mesmo os melhores e mais recheados time (como o 49ers acima) sabem a hora de ser agressivos e a hora de garantir os melhores ativos para seu time, e o Bills jogou isso pela janela. Pode ser que Manuel seja o novo Russell Wilson e o Bills ganhe cinco Super Bowls, mas de novo, esse seria o resultado. E o pior, eu gostei do Draft do Bills em geral tirando essa pick, mas um time que não é relevante em uns 15 anos não vai melhorar se não explorar o verdadeiro valor dos seus ativos.


Minnesota Vikings

Outro time que fez uma coisa inteligente outra mas jogou um monte de lixo por cima e enterrou no quintal pra crescer uma árvore radioativa.

O Vikings, mesmo vindo de uma ótima temporada e playoffs, não é realmente um grande time do primeiro ao ultimo jogador. Tem bons jogadores, a OL é sólida e tem o melhor RB da NFL desde LT, mas o time perdeu seu melhor WR e o trocou por um bom WR com pernas de vidro, não tem outro WR competente e tem muitos buracos ao longo do plantel. Mas com um bom número de escolhas e duas picks de primeira rodada, o Vikings parecia numa boa posição pra trazer um bom número de jovens jogadores e recompor o elenco, tapando os buracos e trazendo talento jovem pra equipe.

O Viks começou bem o Draft, pegando Shariff Floyd com sua primeira escolha, uma potencial Top5 pick que caiu no Draft devido a problemas de personalidades mas ainda era um ótimo valor pra equipe, sem dúvida o melhor disponível, mesmo não sendo a maior necessidade da equipe. Com sua segunda pick, o time draftou o CB Xavier Rhodes, cotado como fim de primeira/começo de segunda rodada. De novo, nenhum problema aqui. Eu pessoalmente achava que um WR era uma necessidade mais urgente pro Viks, mas nenhum problema pois o Draft tinha boa profundidade de WRs. Podia pegar um na rodada seguinte e ainda ter um bom numero de escolhas pra adicionar a profundidade necessária.

E ai que tudo desandou. Trocando sua escolha de segunda rodada, uma de terceira, uma de quarta E uma de sétima, o Vikings subiu pro final da primeira rodada (29th) pra pegar Cordarelle Patterson, um WR mais cru que praticamente qualquer outro WR do Draft. O que aconteceu foi provavelmente que o time tinha Rhodes bem cotado (acima da 25th pick), ficou surpreso quando ele caiu até sua pick, e achou que valia a pena pegá-lo ali, mas ai o time quis pegar também sua escolha original e trocou tudo que pode pra pegá-lo. O Patriots, um dos times que melhor entende o valor de escolhas de Draft, se aproveitou da situação e aproveitou pra tirar do Vikings tudo que pode: No final, eles acabaram com esse show de escolhas que, segundo o Football Outsiders, vale 60% a mais do que a 29th pick que eles enviaram ao Vikings.

Colocando em perspectiva: Quando um time quer subir no Draft, ele acaba tendo que overpay pela escolha que ele busca na maioria das vezes por ter menor base de negociação. Entre todas as outras trocas nessa primeira rodada, quem mais overpaid por picks foram o Niners (22%) e o Atlanta (28%), dois times que chegaram muito longe ano passado e buscavam peças especificas pra complementar seus times (além de terem um bom número de picks). O Viks pagou mais do que os dois juntos sendo que tem um time muito inferior e com maior necessidade dessas picks de meio de rodada, um exagero inexplicavel ainda mais considerando a boa profundidade de WRs nesse Draft. Falcou jogo de cintura aqui pro Vikings: Tiveram a chance de pegar um jogador que provavelmente tinham rankeado mais alto e o pegaram, mas ai teimaram em pegar o mesmo WR que queriam e pagaram um preço muito caro por isso. Faltou jogo de cintura pra pensar "Ok, perdemos o WR que queriamos ams pegamos alguem que gostavamos mais, agora vamos em busca de outro pro lugar dele". E pros que se perguntam se isso realmente é tão ruim assim, foi essa lógica que fez o Minnesota Timberwolves pegar Jonny Flynn sobre Steph Curry em 2009. So there!