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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte I)


"A gente que fez toda essa bagunça no Dolphins, Richie?"
"Não sei você mas eu não paguei 34M pro Ellerbe nem 60M pro Wallace"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. Parte II, espero, sai sexta ou sábado.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Miami Dolphins

Yeah… Sobre o Dolphins… Bom, pelo menos ninguém pode negar que eles tiveram um 2013 interessante. Ainda que dificilmente divertido: o escândalo Martin-Incognito, duas derrotas seguidas para Bills e Jets quando uma vitória simples os colocava nos playoffs, e tudo de complicado e bagunçado que aconteceu entre a diretoria e o técnico nesses meses dão um tom melancólico para a temporada 2013 de Miami. 

A sorte do Dolphins é que eles jogam na fraquíssima AFC, então os playoffs ficam muito mais próximos do que estariam normalmente para um time como o Dolphins. Então considerando que a diretoria está focada em chegar na pós-temporada o quanto antes, e que tanto a diretoria como o técnico estão urgentemente precisando de algum sucesso para compensar todos os problemas e calar as críticas (bem como se manter no emprego), é razoável imaginar que o objetivo do time é dar o próximo passo rumo a pós temporada.

O problema com esse plano é que o Dolphins… não é um time bom. Eles não são horríveis, mas são fracos: terminaram o ano 23th em DVOA, 18th em ataque e 17th em defesa. O time apresenta enormes buracos, também, dos dois lados da bola: a linha ofensiva é uma desgraça, os recebedores não foram produtivos mesmo com o milionário Mike Wallace, e a defesa terrestre foi a quarta pior da NFL, basicamente. Então o time tem muito a reforçar, e muito chão antes de se tornar um bom time.

A vantagem é que o Dolphins tem bastante espaço salarial vago para ir atrás de free agents, quase 40M no momento, mas esse valor ainda depende de algumas decisões. Os DTs Randy Starts e Paul Solari são free agents, assim como o CB Brent Grimes e outros jogadores menores (Chris Clemons e Nolan Carroll, para citar dois), então se o time optar por manter pelo menos alguns desses jogadores (Starks e Grimes, em particular, foram dois dos melhores defensores da equipe em 2014 e não deveriam sair do time). Então com alguns desses jogadores possivelmente renovando ou recebendo a Franchise Tag, o cap disponível para trazer reforços cai bastante.

Com o que sobrar, espero que a prioridade da equipe seja reforçar a linha ofensiva. Brandon Albert está no mercado, e já expressou interesse anteriormente na equipe. Uma linha ofensiva competente também é crucial para aumentar as chances de Ryan Tanehill continuar se desenvolvendo bem, e o desenvolvimento de Tanehill é um dos principais pontos para tornar o Dolphins um bom time. O time já perdeu profundidade no último draft com a burrice de subir para pegar Dion Jordan (apagado na sua temporada de calouro), então a margem de erro está menor agora, e não vai ser possível reforçar todas as áreas da equipe de uma vez. Mas considerando que na AFC o Dolphins não está tão longe dos playoffs, esperem que o time invista pesado em dois linemen ofensivos e um pouco mais de bife na defesa para pelo menos tapar os buracos mais urgentes e tentar trazer estabilidade para o time.


New York Jets

Eis o que eu escrevi sobre o Jets em Agosto:

"O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. (...) Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular"

Bom, o resultado foi exatamente o que eu previa, mas não o processo. A defesa realmente se manteve muito forte, terminando como a 11th melhor da temporada e a melhor defesa terrestre do ano, mesmo com sua secundária tendo muitos problemas. Mas o ataque... esse nada deu certo. O ataque terrestre melhorou um pouco mas continuou fraco, e o ataque aéreo do time foi uma desgraça sem tamanho, com Geno Smith chegando a ir para o banco em favor de Matt Simms e ser comparado a Mark Sanchez. Mesmo com uma melhora nos últimos três jogos que salvou Geno Smith desse patamar horrível, a temporada do calouro (e dos QBs do time) em geral foi muito abaixo dessa "contribuição mediana de QB" que eu supunha, e a verdade é que o record final de 8-8 do time esconde um Pythagorean Wins de 5.5 vitórias, impulsionado por um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Então o Jets não está tão perto dos playoffs como parece.

O principal e maior problema é simples: na NFL atual, é possível vencer jogos com um QB mediano se o resto do seu time colaborar (Andy Dalton, Joe Flacco, Alex Smith em 2011, etc), mas é muito difícil vencer se seu QB é ruim, e é nesse patamar que o Jets se encontra atualmente. A equipe foi a duas finais de conferências seguidas porque tinham uma defesa espetacular, um forte jogo terrestre e seu QB conseguiu ficar longe de erros e produzir nas horas pontuais, mas já faz três anos que a descrição do quarterback da equipe não inclui nenhuma dessas coisas. Mark Sanchez foi horrível nos seus dois últimos anos como titular, e apesar de alguns flashes, Geno Smith também teve uma temporada de calouro muito ruim (12 TDs, 21 interceptações, 8 fumbles, 35 QBR). É difícil imaginar o Jets dando a volta por cima sem resolver essa situação de QB e achar pelo menos um profissional competente para conduzir a equipe. Mark Sanchez DEFINITIVAMENTE não é esse cara, e a questão é se Geno Smith pode se desenvolver até esse ponto. Se não, o melhor jeito é se livrar de Sanchez (mais disso em um segundo) e achar outro QB - talvez nessa ótima safra dos próximos dois drafts - para desenvolver.

A boa notícia para o Jets é que eles possuem uma excelente base na defesa e uma boa quantidade de espaço salarial. A linha defesiva do Jets com Muhamad Wilkinson, Damon Harrison e o DROY Sheldon Richardson é possivelmente a melhor da NFL, e é mais fácil montar uma defesa quando sua base é tão dominante. A secundária foi um fracasso em 2013 e o time sentiu falta de pass rush, os dois problemas que o time precisa adereçar nessa offseason, mas a equipe possui os meios para isso. O cap space do time roda em torno de 25M sem nenhum free agent importante para retornar, mas a verdade é que o time pode mais do que dobrar esse espaço se dispensar seus jogadores mais caros. Mark Sanchez, Santonio Holmes e Antonio Cromartie, se dispensados, economizariam 28M na folha salarial da equipe, e com um espaço de mais de 50M livres. Holmes é quase uma certeza que vai ser dispensado; Sanchez só não será se a equipe ainda achar que ele pode integrar um time vencedor, e se acham, estão loucos; e Cromartie é mais difícil porque tem um histórico bom como CB mesmo depois de um 2013 atroz.

Mas mesmo que apenas Sanchez e Holmes sejam dispensados, é a deixa que o time precisa para se reforçar na free agent com jogadores jovens em contratos focados no primeiro ano, de forma a não atulhar a folha para as próximas temporadas. Um contrato longo para um jogador com Alterraun Verner me parece o ideal para a equipe enquanto espera Dee Miliner se recuperar do decepcionante 2013, e essa dupla pode ser dominante por muitos anos. Um pass rusher como Michael Bennett também se encaixaria bem na equipe, embora um linebacker me pareça mais adequado. O time também tem alguns buracos na linha ofensiva, mas é um draft extremamente profundo em OLs e esse problema pode ser resolvido na segunda ou terceira rodada enquanto um pass rusher como Khalil Mack seria o ideal na primeira rodada. O Jets ainda está um pouco longe dos playoffs e precisa resolver seu problema de QB se quiser sonhar com sucesso, mas com uma boa base, bom número de escolhas em um draft profundo nas suas maiores necessidades, e toneladas de espaço salarial, pelo menos a equipe se encontra em boa posição para remontar sua base para os próximos anos.


Buffalo Bills

O Bills é um time interessante que muito pouca gente da atenção. Eles terminaram 6-10 ano passado com uma Pythagorean Expectation de 7-9 mesmo recebendo produção muito ruim de seus QBs e com seu "QB do futuro" perdendo sete jogos por lesão. Eles fizeram isso porque sua defesa, que ninguém deu muita atenção, terminou o ano como a quarta melhor da NFL em DVOA e contou com um grupo extremamente variado e dominante para tal: Marcell Dareus e Kyle Williams foram uma das duplas de linha defensiva mais destrutivas da liga, Mario Williams enfim proveu o pass rush que o time precisava com ajuda do surpreendente Jerry Hughes, Kiko Alonso solidificou muito bem o meio da defesa, e Jairus Byrd é um dos melhores safeties da NFL quando saudável... e isso antes de lembrar o quanto lesões afetaram a secundária desse time, tirando jogadores como Byrd e Stephen Gilmore do time por bastante tempo. Byrd é um free agent que pode voltar ao time, e se for o caso, a base desse time está pronta para 2014 e isso sem contar mais saúde para Gilmore e a evolução de seus jovens talentos. Mesmo com alguma regressão natural esperada para 2014, não temos motivos para acreditar que a defesa vá parar de ser uma potência.

O problema é que onde a defesa solidifica a equipe, o ataque age na direção contrária. Buffalo teve o oitavo pior ataque da NFL, uma decepção para um time que usou uma escolha de primeira rodada em um QB e contava com a dupla Fred Jackson e CJ Spiller. Mesmo com o segundo anista Cordy Glenn emergindo como um LT de elite, a falta de talento ficou clara nesse ataque: apenas Steve Johnson e Jackson tiveram temporadas acima da média, e muitos jogadores bem cotados como CJ Spillman, Robert Woods e Scott Chandler foram grandes decepções, e o time sentiu muito a perda de Andy Levitte. E claro, existe o problema do QB: o Bills, estupidamente, usou uma escolha de primeira rodada em EJ Manuel no último draft com a esperança que Manuel fosse o quarterback do futuro do time, só para Manuel ter uma temporada decepcionante marcada por lesões e incompetência (59% nos passes, 6.4 Y/A, 11 TDs contra 9 INTs e 6 fumbles). QBR da a Manuel um rating de 42, um número bem fraco, enquanto ProFootball Focus o coloca como o terceiro pior QB qualificado de 2013 (na frente de Geno Smith e Chad Henne). E embora seja possível argumentar que uma temporada marcada por lesões tenha atrapalhado tanto seu rendimento como adaptação a NFL, o fato é que as questões irão continuar em torno de Manuel,  e é em torno dele que o sucesso da equipe irá rodar.

Então o caminho do Bills parece bem claro: tendo investido uma 1st round pick e seu futuro em Manuel, eles tem que fazer de tudo para cercá-lo com as melhores condições possíveis para seu desenvolvimento e seu sucesso. O time tem escolhas altas e se (quando?) Kevin Kolb for dispensado o espaço salarial da equipe pode chegar a quase 30M. Embora uma boa parte desses 30M iriam para um possível novo contrato com Jairus Byrd, o time precisa usar o resto para dar a Manuel melhores armas. JAckson e Spiller não vão a lugar nenhum, mas a linha ofensiva precisa de reforços além de Glenn, especialmente no meio se quiserem dar nova vida a esse ataque terrestre. O time também tem investido recentemente em WRs - além do veterano Johnson, Woods e Marquise Goodwin são jogadores jovens que o time vê com bons olhos - mas um alvo como Sammy Watkins ou Mike Evans poderia ser extremamente valioso no desenvolvimento do seu QB (Watkins é o melhor dos dois e encaixa melhor na equipe, mas não deve sobrar na primeira rodada). Em resumo, o ataque sofre com talento além de seus RBs e Glenn, e é isso que o time precisa focar com seu espaço salarial e altas escolhas de draft. Por sorte o time tem uma defesa que não exige tanta atenção (talvez um CB veterano como Dunta Robinson), então as energias podem se voltar para o desenvolvimento do seu franchise QB. Se o ataque terrestre engrenar e Manuel conseguir ser competente, é um time que pode dar muito trabalho com essa defesa em alguns anos.


Baltimore Ravens

Quando eu fiz o preview do Ravens, eu passei 80% do tempo elogiando Ozzie "awesome" Newsome e falando sobre como ele tinha sido inteligente nessa offseason ao não se precipitar em manter seus jogadores a preços absurdos (Paul Kruger foi sólido mas não espetacular em Cleveland, e Dannell Ellerbe foi um dos maiores fracassos dessa última offseason em Miami), ter paciência, e remontar sua equipe com jogadores a salários muito mais razoáveis e desinflacionados, com um grupo defensivo que acabou sendo ainda melhor que o de 2012. Mas eu também destaquei que os recursos de Newsome estavam limitados pelo novo salário de Joe Flacco, e que isso diminuia em muito a sua margem de manobra e acabou custando ao time alguns jogadores importantes, especialmente Anquan Boldin (btw, obrigado por isso, Newsome!). 

Esse novamente vai ser o tema dessa offseason para o Baltimore Ravens: espaço salarial. Reassinando e reestruturando o contrato de Terrell Suggs, o time conseguiu abrir 24M em espaço salarial no momento, um montante que seria bom se não fosse pelo fato de que o time tem um número imenso de free agents importantes prontos para deixar a equipe e que, se o time quisesse manter, teria que dispensar bastante dinheiro para isso e 24M não seria suficiente. A defesa foi muito sólida em 2013, mas em parte pelas excelentes contribuições de James Ihedigbo, Corey Graham e Daryl Smith, e os três estão no mercado buscando um enorme contrato. Ofensivamente, de longe o melhor jogador da equipe foi Eugene Monroe... que também é FA, e o LT com certeza vai exigir um contrato enorme nessa offseason. Dennis Pitta (fez imensa falta em 2013), Michael Oher (fraco em 2013, mas um bom jogador) e Jacoby Jones também podem deixar a equipe. Então 24M vai ser muito pouco para renovar com esses jogadores, achar novos talentos E assinar com suas escolhas de draft. Boa sorte, Ozzie.

Newsome é um dos melhores GMs da NFL avaliando talentos e sabendo exatamente o valor de cada jogador e cada contrato, então não esperem que ele saia renovando com todo mundo de cara. Ele gostaria de manter alguns desses jogadores (imagino que Graham e Monroe sejam as prioridades), sem dúvida, mas não vai morder a isca se algum time desesperado oferecer um valor muito exagerado, como aconteceu com Kruger e Ellerbe ano passado. Se for o caso, Newsome provavelmente deixa sair e vai tentar manipular o mercado como de costume para tentar achar uma barganha de fim de feira. Com o cap tão atulhado, é a alternativa que sobra ao time, e vai ser assim até o final do contrato de Joe Flacco (ou pelo menos uma reestruturação). 

Tirando a parte salarial, o foco do Ravens deve ser reforçar seu ataque para voltar aos playoffs - eles não atulharam a folha salarial e pagaram 120M para um QB MVP do Super Bowl para entrar em reconstrução. Para isso, eles precisam urgentemente reforçar o ataque: a saída de Boldin e a lesão de Pitta expuseram a falta de um bom grupo de WRs (em particular, a falta de um possession WR capaz de conversões curtas no meio da galera, a especialidade de Boldin), a linha ofensiva regrediu ferozmente e foi possivelmente o pior grupo de toda a liga, o ataque terrestre FOI o pior da liga e basicamente uma piada, e Joe Flacco teve sua pior temporada como profissional. Então é, foi um ano horrível para esse ataque. O problema mesmo é que são problemas e buracos demais, e não existe uma solução simples para um time com tão pouca flexibilidade salarial. Os problemas na offseason de RAy Rice podem deixar o time sem RB, mesmo que Monroe renove ainda faltam outros três lugares na linha ofensiva (MArshall Yanda é o outro lugar garantido), e o time precisa urgente de tight ends E WRs para reforçar esse grupo. A equipe não vai conseguir adereçar tudo isso pelo draft (ainda que a linha ofensiva deva ser a grande prioridade em um ano profundo) muito menos pela free agency sem espaço salarial, então Newsome vai ter que fazer sua mágica para conseguir jogadores decentes para essas posições sem gastar dinheiro ou escolhas altas. Não vai ser fácil.


Pittsburgh Steelers

O Steelers de 2013 foi basicamente um time medíocre: um grande QB e um grande WR carregaram o ataque nas costas, mas o time terminou o ano 12th em ataque, 20th em defesa, e 15th em DVOA geral. Para um time que passava por um período de reformulação (especialmente na defesa) depois da idade bater na porta, não foi de todo um ano ruim, e o time ficou a dois erros grosseiros de arbitragem a favor do Chargers (contra o Chiefs na última rodada) de ir para os playoffs mesmo assim. Então foi um ano positivo, e o Steelers gostaria de aproveitar esse bom começo para embalar nos próximos anos.

O problema é que o Steelers também esbarra no problema salarial. Hoje, o time está 6M ACIMA do salary cap, então o time precisa cortar salários só para chegar no patamar aceitável. Isso não é tão difícil de se resolver - é só cortar Levi Brown, por exemplo, e cortar Ike Taylor liberaria mais 7M - mas também precisa lembrar que tem o draft vindo ai (e os calouros exigirão novos contratos) e o time tem alguns free agents importantes por renovar (ou não), incluindo Emmanuel Sanders, Ziggy Hood (esse com certeza sai, vem muito mal nos últimos anos), Brett Keisel e Ryan Clark. Isso limita o que o Steelers pode fazer nessa offseason para reforçar seu time e acelerar o processo de reformulação.

Hoje, o Steelers parece ter dois problemas. O primeiro, como sempre, é a linha ofensiva. A OL foi até competente esse ano bloqueando para o passe, mas continua muito ruim bloqueando para a corrida, o que também atrapalha o desenvolvimento do calouro Le'Veon Bell. Alguma regressão também é esperada, então é uma área que o time deveria focar nessa offseason - embora, é claro, a volta de Maurkice "Free Hernandez" Pouncey e uma temporada saudável de David DeCastro ajudariam bastante já. O outro problema é a defesa em geral. Ela não é horrível em nada, mas também é abaixo da média em tudo: a defesa terrestre é fraca, o pass rush é inconsistente, e a cobertura... bem, vocês sabem. O time tem sobrevivido defensivamente principalmente por conta de boas performances de grandes jogadores (Troy Polamalu, LaMarr Woodley, Cam Heyward, William Gay, etc), mas ainda tem muitas posições de necessidade (mais CBs, um novo MLB e um pass rusher na linha defensiva são as principais) e não vai conseguir adereçar todas elas nessa offseason, embora algumas sejam mais simples de se resolver via draft com uma excelente equipe de desenvolvimento. 

Hoje, o Steelers é um time com boa base que tenta reformular, mas esbarra nos contratos grandes de outrora. A equipe ainda possui um excelente QB e uma base muito sólida, o que com alguma saúde e alguma sorte pode ser suficiente para manter o time competitivo. Mas para continuar essa reconstrução, vai precisar de mais flexibilidade salarial, e mais alguns acertos no Draft não seriam uma má idéia. Larry Foote voltando de lesão e um ano a mais para Jarvis Jones podem ser boas soluções internas para alguns dos problemas dessa defesa, também. Então mesmo que o time dificilmente consiga se reforçar muito nessa offseason, eu tenho algum otimismo quanto ao futuro no curto prazo do Steelers. É um sólido time.


PARTE II SAI EM BREVE!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Recolhendo os cacos da semana 16: o que ainda está aberto?

Jason Garrett ainda está tentando entender esse negócio de desempate


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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A semana 16, penúltima dessa maluca temporada, agora é história. Ou quase - 49ers e Falcons ainda se enfrentam hoje a noite, no último Monday Night Football da temporada e último jogo de temporada regular do histórico Candlestick Park. E não só foi uma rodada extremamente divertida como também, sendo tão próxima dos playoffs, serviu para definir alguns cenários envolvendo a pós temporada, e manter outros tantos em aberto (até mesmo abrir alguns). Então hoje, eu queria deixar tudo tão claro quanto possível: o que já foi definido na NFL, o que está em aberto... e mais importante e mais complicado, os cenários possíveis para a Semana 17 envolvendo cada vaga em disputa. 

No presente momento, considerando as 15 primeiras semanas e os resultados, já confirmamos o seguinte:

  • O Denver Broncos garantiu essa semana o título da AFC West, com a vitória sobre o Texans e a derrota do Chiefs que deixou o Broncos um jogo na frente do rival com vantagem no critério de desempate (venceu ambos os jogos contra Kansas City).
  • Denver também garantiu uma folga na primeira rodada dos playoffs com essa vitória. Atualmente detentor da 1st seed da AFC, apenas New England pode igualar as 12 vitórias de Denver entre os demais campeões de divisão da AFC, então o Broncos não pode cair mais do que para a 2nd seed.
  • Por falar em Kansas City, o Chiefs já está fixado na 5th seed da AFC, tendo que jogar a primeira partida dos playoffs fora de casa. O time não tem mais como alcançar o Denver no topo da AFC West, tendo que se contentar com o Wild Card, mas nenhum time que compete pela segunda vaga de WC pode alcançar as 11 vitórias da equipe.
  • O New England Patriots também garantiu o título da AFC East, sem mesmo entrar em campo. A derrota de Miami manteve a diferença entre os times em duas vitórias (New England eventualmente aumentou para três vencendo sua partida), e nenhum time na divisão pode chegar perto das 11 vitórias do Patriots.
  • O Cincinnati Bengals foi o último campeão de divisão da AFC a garantir sua coroa, garantindo o título da AFC North com sua vitória e a derrota do Baltimore Ravens para New England posteriormente. Com isso, Cincinnati abre dois jogos de vantagem sobre o segundo colocado da divisão com uma rodada apenas por jogar.
  • O último campeão de divisão da AFC é o que já estava garantido a mais tempo, o Indianapolis Colts. O Colts garantiu essa vaga já há algumas semanas, já que o único outro time bom da divisão (Tennessee Titans) tinha uma grande vantagem para tirar E desvantagem no confronto direto.
  • Na NFC, o Seattle Seahawks foi o primeiro time a garantir vaga nos playoffs. O único time de fora que ainda briga por uma vaga no Wild Card é o Arizona Cardinals a 10-5, então não tem como o Seahawks (12-3) ser alcançado e ficar de fora da pós-temporada.
  • O Carolina Panthers se tornou o segundo time da NFC a garantir vaga nos playoffs, vencendo o duelo contra o Saints. O time chegou a 11-4 na temporada, então ainda poderia ser alcançado pelo Arizona Cardinals em uma sequência complicada: Panthers perdendo, Saints vencendo, 49ers vencendo essa rodada, e Cardinals vencendo San Francisco semana que vem. Esse "pior cenário", no entanto, geraria um empate triplo entre SF, Panthers e Cardinals pelas duas vagas do Wild Card. Mas pelas regras de desempate, não pode ter um empate triplo que envolva dois times da mesma divisão, você precisa fazer um confronto direto entre ambos para eliminar o pior dos dois antes de prosseguir. E nesse cenário, San Franciso eliminaria Arizona e Panthers ainda ficaria com uma vaga de Wild Card. Então Carolina já se garantiu na pós-temporada.
  • O San Francisco 49ers pode garantir sua vaga até o final da rodada caso vença o Atlanta Falcons hoje a noite, ficando um jogo a frente do Arizona Cardinals mas com um record dentro da divisão (4-1 contra 2-3) que não pode ser alcançado pelo rival.

Se você está contando, isso significa que enquanto a AFC já garantiu seus quatro campeões de divisões e cinco times de playoffs - com apenas a 6th seed em aberto, e a ordem das quatro primeiras para ser determinada - a NFC não garantiu sequer um campeão de divisão, e apenas dois times já garantiram sua vaga nos playoffs. E ainda assim, esses dois times que hoje estão com a 1st e 2nd seeds ainda podem acabar com as 5th e 6th seeds ao final da semana 17. Então considerando os times que ainda brigam por essas vagas restantes, temos incríveis ONZE times brigando pelas cinco vagas que ainda sobram na NFL.

Por isso achei interessante escrever esse post. Queria esclarecer exatamente o que ainda está em jogo, quem briga pelo que na última rodada, quais são os jogos que ainda podem ter impacto grande nos playoffs, e mais importante, quais jogos você precisa torcer ou secar para seu time se dar bem. E por fim, esclarecer de uma vez por todas a complicadíssima situação da última vaga do Wild Card, uma situação tão esquisita que eu cheguei a divulgar ontem no twitter que o Miami Dolphins, e não o Baltimore Ravens, era o atual dono da 6th seed da NFL antes mesmo que a própria NFL atualizasse no seu site. Mas vamos passar então por todas as vagas relevantes que ainda estão em disputa nas duas conferências, passo a passo, explicando os cenários relevantes para cada uma na semana 17.

Em tempo, eu escrevi algumas semanas atrás um guia sobre como fazer desempates na NFL, seja entre dois times, seja entre três ou mais. Se estiver confuso ou quiser mais clareza sobre como funcionam esses desempates, vale a leitura.


Vagas em disputa na AFC


First seed

A disputa pela 1st seed da AFC e mando de campo ao longo dos playoffs é uma disputa entre dois times. O atual detentor da vaga é o Denver Broncos, que a 12-3 tem a melhor campanha da AFC. O Broncos, como já foi dito, já garantiu folga na primeira rodada - o 3rd seed atual, Bengals, tem "apenas" 10 vitórias e portanto não tem como alcançar o Broncos no primeiro lugar. Assim, a briga fica apenas entre o Broncos e a 2nd seed, New England Patriots. Denver tem uma vitória a mais, mas New England tem a vantagem no critério de desempate por causa do confronto direto. Ou seja, o Broncos só precisa de uma vitória sobre o fraco Raiders para garantir sua posição como melhor time da AFC. Para que o Patriots roube a posição, precisaria vencer o Buffalo Bills em casa E torcer por uma derrota de Denver. Qualquer outra combinação de resultados - ambos vencendo, ambos perdendo, ou qualquer um dos dois empatando - é suficiente para o Broncos terminar a temporada como a 1st seed.


Folga na primeira rodada

Como dito, o Denver Broncos já garantiu essa folga: mesmo que perca a 1st seed para New England com uma derrota, não pode ser alcançado por mais ninguém. Então considerando que uma das duas folgas de primeira rodada da AFC já está garantida, os três campeões de divisão restantes brigam pela outra.

Hoje, New England tem o controle dessa vaga - são 11 vitórias para o Pats, enquanto Bengals e Colts tem 10 cada. Uma vitória da equipe garante no mínimo a 2nd seed, e ai Bengals (que recebe Ravens) e Colts (que recebe Jaguars) brigam apenas para ser o time que não vai enfrentar o Chiefs na primeira rodada dos playoffs (chegaremos lá). No entanto, se o Patriots perder - o que permite que Bengals e Colts igualem seu total de vitórias - ai a disputa fica mais interessante. Tanto Colts como Bengals tem a vantagem em um desempate direto com New England (Bengals porque venceu o Patriots na temporada, Colts porque tem melhor record dentro da conferência), então caso Patriots e outro desses dois times percam e o outro vença, o que venceu garante a 2nd seed e derruba New England para #3 (e o outro time que perdeu fica com a #4). Se New England perder e ambos vencerem, ai temos um empate triplo entre Pats, Bengals e Colts. A primeira regra do desempate sempre é o confronto direto, e nisso Bengals tem a vantagem: venceu Pats e Colts já nessa temporada, então ficaria com a 2nd seed. Colts e Pats então teriam que fazer um desempate direto, e Colts tem a vantagem para a 3rd seed, derrubando NE para a 4th. Então múltiplos cenários podendo acontecer aqui, mas apenas New England controla seu destino.


O time que não enfrenta o Chiefs

Ou seja, quem garante a #3 seed e pode enfrentar o time que tanto lutou para classificar na 6th seed, ao invés de receber o 11-4 Chiefs que vai ter Justin Houston de volta. Isso já ficou implícito no tópico anterior, mas vai depender de uma combinação de resultados para ser determinada. Hoje esse time é o Bengals, que está 10-5 e venceu Colts no confronto direto. Mas ele ainda vai depender de se algum time conseguir passar New England e ficar com sua folga na primeira semana. Se os três times que podem ficar com a vaga - New England, Colts e Bengals - todos vencerem ou perderem, o atual detentor (Cincy) fica com a 3rd seed. Se New England vencer, o Bengals só não fica com a vaga em caso de derrota e vitória de Indianapolis. As combinações ficam mais complicadas se o Patriots perder, pois dai qualquer um dos três times pode ficar com a vaga. Perdendo Patriots e Colts OU Bengals, o time que venceu sua partida entra na 2nd seed e o Patriots escorrega para a 3rd seed, fugindo do Chiefs. E se New England perder e tanto Colts como BEngals vencerem, Cincinnati sobe para a 2nd seed e Colts "herda" a 3rd seed, empurrando o Chiefs para Foxborough para enfrentar o Patriots.


6th seed e última vaga do Wild Card

Ok, essa aqui vai dar trabalho. Então coloque um pouco de suco com gelo em um copo antes de prosseguir. E recomendo que se querem entender tudo, deem uma olhada nos detalhes dos critérios de desempate citados aqui. Eu espero.

De volta? Ok, ótimo. O cenário da briga pelo segundo WC da AFC é uma das coisas mais complicadas que eu já vi na NFL, e causou bastante estranheza essa semana pelo seguinte motivo: Baltimore e Miami, antes da rodada, estavam empatados em 8-6 e o Ravens estava levando a vaga. Domingo, Ravens e Miami perderam, Chargers venceu e empatou com eles em 8-7... e a vaga passou a ser de Miami.

O que aconteceu foi o seguinte: antes da semana 16, Miami e Baltimore eram os únicos times empatados em 8-6. Nesse caso, o primeiro critério de desempate era o confronto direto, e como Ravens venceu Miami na temporada regular, ficava com a vaga. No entanto, ambos perderam e San Diego venceu, o que gerou um empate triplo entre os times com 8-7, e os critérios de desempate para empates triplos são um pouco diferentes. Nesse cenário, o primeiro critério de desempate ainda é o confronto direto, mas ele só funciona caso algum time tenha vencido ou perdido para os outros dois - o que não era aplicável, considerando que Chargers e Ravens não se enfrentaram, e Miami venceu um e perdeu para o outro. Então passamos ao segundo critério de desempate, vitórias dentro da conferência. Nesse quesito, Miami está 7-4, Baltimore 6-5 e San Diego 5-6, então Miami fica com a vaga a partir do empate triplo.

(Nota: algumas pessoas e twitters por ai, erroneamente, disseram que a vaga era de Baltimore porque teria vencido Miami, que venceu San Diego, dando então ao Ravens vantagem no confronto direto. Mas a regra não funciona assim, não existe transitoriedade do confronto direto, só é válido se um time varrer todos os outros).

Então temos os seguintes times a considerar para a última vaga do WC:

- Miami Dolphins, 8-7, vs Jets
- Baltimore Ravens, 8-7, at Bengals
- San Diego Chargers, 8-7, vs Chiefs
- Pittsburgh Steelers, 7-8, vs Browns
- New York Jets, 7-8, at Dolphins

O Jets não disputa a última vaga, já está eliminado desde a semana passada, mas ele ainda é relevante por critérios malucos de desempate. Então agora temos que considerar um cenário muito maluco: nenhum dos times da AFC depende apenas de si mesmo para garantir vaga nos playoffs. Miami, mesmo ganhando, precisa que Ravens perca ou San Diego vença. Baltimore precisa que Miami ou San Diego perca (tem vantagem no desempate mano-a-mano contra ambos). E San Diego precisa que os outros dois percam além de vencer seu jogo. Isso nos deixa com uma infinidade de cenários possíveis, mas como eu sou um cara muito aplicado, vamos listar todos aqui:


  • Se Ravens, Dolphins e Chargers vencerem todos seus respectivos jogos, nada muda e Miami se classifica: o empate triplo persiste, o confronto direto não leva a nada, e o Dolphins teria o melhor record na conferência com 8-4.
  • Se apenas um desses três times vencer seus jogos, então obviamente ele vai levar a vaga para casa, pois chegará a 9-7 enquanto os demais competidores pelo WC ficam em 8-8.
  • Se Ravens e Dolphins vencerem e Chargers perder, os dois primeiros chegam a 9-7 e Baltimore se classifica pois tem vantagem no desempate direto (por ter vencido o jogo entre ambos).
  • Se Ravens e Chargers vencerem e Dolphins perder, os dois primeiros chegam a 9-7 e Baltimore se classifica pois tem vantagem no desempate direto (melhor record dentro da conferência, 7-5 contra 6-6).
  • Se Chargers e Dolphins vencerem e Ravens perder, os dois primeiros chegam a 9-7 e Miami se classifica pois tem vantagem no desempate direto (venceu o jogo entre ambos).
Caso os três times percam e ninguém chegue a 9-7, os cenários ficam ainda mais complicados porque dois outros times ainda podem chegar a 8-8 (e o Jets com certeza vai chegar pois teria vencido Miami nessa situação) e ai teremos não mais empates duplos ou triplos, mas empates quádruplos ou quíntuplos. Nesse caso, teremos dois cenários possíveis:

  • Ravens, Chargers e Dolphins perdem, Jets vence (Dolphins), e Pittsburgh vence. Nesse caso, temos os cinco times 8-8 e precisamos trabalhar em um desempate mais complicado. O primeiro passo é eliminar os times que sejam da mesma divisão através de um desempate direto: nesse caso, Jets elimina Dolphins porque tem melhor record dentro da divisão (3-3 contra 2-4), e Pittsburgh elimina Baltimore pelo mesmo motivo (4-2 contra 3-3). Ficamos então com um empate triplo entre Steelers, Chargers e Jets. Como ninguém ai tem vantagem ou desvantagem no confronto direto, passamos aos records dentro da conferência, e Steelers tem vantagem com seu 6-6 contra o 5-7 de Jets e Chargers. Portanto, Steelers fica com a vaga para os playoffs.
  • Ravens, Chargers, Dolphins e Steelers perdem, e Jets vence. Então ficamos com um empate quádruplo entre Ravens, Chargers, Dolphins e Jets. Como já vimos, Jets elimina Dolphins e ficamos com um empate triplo entre Ravens, Chargers e Jets. Ninguém tendo vantagem no confronto direto passamos ao record dentro da AFC, e Ravens tem 6-6 contra 5-7 de Jets e Chargers. Então Ravens fica com a vaga aos playoffs.
Esses são todos os cenários possíveis envolvendo o Wild Card da AFC para a Semana 17. Eu optei por fazer dessa maneira para deixar mais claro o processo envolvido nos desempates e facilitar a compreensão do leitor. Mas se você é apenas um torcedor desses times que está se lixando para processo e só quer torcer para seu time classificar, ofereço a você logo abaixo uma simplificação, listando o que precisa acontecer para cada time classificar:

Ravens: Classifica se vencer sua partida e Miami ou San Diego perderem seus jogos (ou ambos). Também se classifica se perder seu jogo, desde que Miami, San Diego e Pittsburgh também percam os seus.
Miami: Classifica se vencer seu jogo e San Diego também, independende de outros resultados. Também classifica se vencer seu jogo e Baltimore perder. 
Chargers: Classifica se vencer seu jogo, e Dolphins e Ravens perderem os seus.
Steelers: Classifica se vencer seu jogo e Ravens, Dolphins e Chargers perderem os seus.


Vagas em disputa da NFC


NFC West

O Seattle, a 12-3 e detentor da 1st seed da NFC atualmente, não pode mais ser derrubado para a 2nd seed por ninguém, seja Saints, Panthers ou quem quer que seja. A 2nd seed, Panthers, ainda pode atingir suas 12 vitórias, mas como foi derrotado no confronto direto logo na primeira semana, não vai ficar a frente do Seahawks. Mas ainda tem uma forma pela qual o Seattle pode cair na NFC, e é perdendo o título de divisão para o San Francisco 49ers.

San Francisco é o time que pode derrubar Seattle da 1st seed para a 5th seed com alguma ajuda da sorte. Essa ajuda já começou, na verdade: San Francisco precisava que Arizona vencesse Seattle fora de casa essa semana. Agora o Hawks caiu para 12-3, enquanto que o Niners está 10-4 antes de jogar contra o Atlanta Falcons no Monday Night de hoje. Uma vitória hoje colocaria San Fran com os mesmos 11-4 de Carolina e com a chance de empatar o record do Seahawks com uma vitória sobre o Cardinals na semana 17 e uma derrota dos rivais para o Rams. Mas ao contrário do Panthers, o Niners tem uma vantagem sobre Seattle nos critérios de desempate: os dois times dividiram a série na temporada regular (cada time venceu em casa), mas San Fran tem 4-1 de record dentro da divisão (Seattle tem 3-2). Então se ambos empatarem em record (de novo, possível se SF vencer hoje e domingo que vem, e Seattle perder na semana 17) o time de Jim Harbaugh iria assumir o topo da divisão e derrubar seus rivais para o Wild Card.


NFC South

Apesar da vitória de Carolina sobre New Orleans ontem que colocou os Panthers na liderança da divisão (11-4 contra 10-5 do rival), essa divisão ainda pode ser vencida por qualquer um dos dois times. Naturalmente, Carolina só depende de uma vitória na última semana sobre o Falcons (em Atlanta) para garantir o título da divisão, mas caso perca e New Orleans vença seu jogo contra o Bucs (em casa), ambos os times ficam 11-5 mas o Saints leva a divisão por estar 5-1 dentro da divisão (contra 4-2 do rival).


NFC East

Não tem como ficar muito mais fácil do que isso: Eagles está 9-6, Cowboys está 8-7 e tem a vantagem do desempate. E os times se enfrentam em Dallas na Semana 17 (Sunday Night, btw), o que significa que quem vencer vai aos playoffs, e quem perder volta para casa. Como ficar melhor?!


NFC North

Basicamente a mesma situação da NFC East: Chicago está 8-7, Green Bay está 7-7-1, e ambos os times se enfrentam em Chicago na Semana 17 nas mesmas condições - o vencedor vai aos playoffs, o perdedor vai para casa.


Vagas do Wild Card

Com uma vitória hoje a noite, San Francisco garante sua vaga nos playoffs, e considerando o cenário da NFC West, garante que ou SF ou Seattle terão a primeira das vagas no WC. Isso deixaria o Cardinals olhando de fora para a única vaga que resta, e podendo ultrapassar apenas o Saints para chegar aos playoffs (Carolina pode se classificar como wild card e não campeão de divisão, mas não pode ser ultrapassado por Arizona. Leia lá em cima para os detalhes). Nesse cenário, o Saints controlaria seu destino - só precisa vencer Tampa Bay para se classificar - enquanto Arizona, por ter desvantagem no confronto direto, precisaria vencer seu jogo E torcer por um tropeço de New Orleans para ficar com a vaga.

Se o Niners perder hoje a noite, fica mais complicado. Para começar, New Orleans fica praticamente classificado. Digo "praticamente" porque ainda seria possível perder seu jogo e SF e Arizona empatarem, classificando ambos os times da NFC West com 10-5-1... mas considerando o quão raros são empates na NFL, acho que esse cenário é bem improvável. SF e Arizona se enfrentando significa que o vencedor se classificaria com 11-5, enquanto o perdedor ficaria com 10-6 e estaria eliminado mesmo com a derrota de New Orleans (que venceu ambos os times ao longo da temporada). Então tirando o cenário maluco do empate, o Saints estaria garantido nos playoffs e SF e Arizona decidiriam em um confronto direto quem fica com a vaga final.


First seed e folga na primeira rodada

O vencedor da NFC East não pode terminar o ano acima de 10-6 e o da NFC North não passaria de 9-7, então considerando que Seattle e Carolina já estão respectivamente 12-3 e 11-4, as duas primeiras seeds e folga na primeira rodada já estão garantidas para os campeões da NFC South e da NFC West. O que interessa, portanto, é a ordem.

Se Seattle vencer a NFC West por qualquer motivo que seja - porque venceu seu último jogo ou porque SF não venceu um de seus dois restantes - então ele já tem a 1st seed garantida (de novo, só Carolina poderia empatar seu record com 12 vitórias mas tem desvantagem no confronto direto) e o vencedor da NFC South ficaria com a 2nd seed.

A questão só começa a ficar interessante se SF vencer a NFC West (e portanto venceu seus dois últimos jogos e Seattle perdeu o seu), derrubando Seattle para a 5th seed. Nesse cenário, SF terminaria o ano 12-4, e portanto para determinar a ordem das duas primeiras seeds precisariamos saber quem venceu a NFC South. Se Carolina venceu sua partida, e portanto a divisão com 12-4, o Panthers ficaria com a 1st seed e SF com a 2nd, pois tem vantagem no confronto direto. Se Carolina vencer a divisão com 11-5 (ou seja, perdeu na semana 17 mas Saints também) ou se New Orleans levar o título da South (pelos cenários já descritos), então SF garante a 1st seed e qualquer um dos dois que vença a NFC South fica com a 2nd seed.


3rd e 4th seeds

Como os campeões das divisões South e West já tem garantidas as duas melhores seeds, as duas intermediárias ficam para os vencedores das divisões North e East. Quais ficam com quem, vai depender de quem vencer cada uma. Temos três questões a serem consideradas. Primeiro, se Philadelphia vencer a NFC East, ele automaticamente garante a 3rd seed, já que nenhum time da NFC North poderia igualar seu record de 10-6 (ficando com a 4th). Segundo, se o Packers vencer a NFC North, ele automaticamente fica com a 4th seed, já que nenhum time que possa vencer a East teria um record inferior ao seu 8-7-1. Por fim, se Cowboys vencer a East E o Bears vencer a North, então Chicago fica com a 3rd seed e Dallas com a 4th, pois ambos teriam o mesmo record (9-7) mas Chicago tem vantagem no confronto direto.


Espero que tenha ficado tudo claro, ou pelo menos tão claro quanto possível nessas regras malucas. Qualquer dúvida, por favor coloquem nos comentários que tentarei responder. E boa sorte a todos na Semana 17, espero que nos encontremos nos playoffs!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Pittsburgh Steelers

"Bater ou Correr em Pittsburgh", estrelando Brett Kiesel e LaMarr Woodley


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East e os previews da NFC East para a temporada 2013 da NFL, começamos a falar da AFC North pelo atual campeão, Baltimore Ravens. Agora é a hora de continuar a falar de seu maior rival, o Pittsburgh Steelers. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Pittsburgh Steelers

2012 Record: 8-8
Ataque ajustado: 19th
Defesa ajustada: 13th


Olha só, é mais um time da AFC North com um histórico de sucesso nos últimos 10 anos e que passa por uma reformulação de sua defesa veterana! Mas como no caso do Steelers essa reformulação não aconteceu logo depois de um título do Super Bowl, ela não atraiu tanta atenção nem tantas críticas como a do seu maior rival. Além do mais, o Steelers vem de uma temporada sem playoffs, onde lidou com diversas lesões em jogadores importantes. Embora seja engraçado que essa narrativa pudesse facilmente ser aplicada ao Ravens caso tivesse ficado fora dos playoffs (e ai muitas pessoas estariam elogiando a coragem do GM Ozzie Newsome ao invés de criticar quando decidiu desmontar um elenco velho e cheio de lesões e que ocupava grande espaço salarial) - especialmente considerando que o Pythagorean Expectations dos dois times foi bem próximo (9.2 contra 8.6) - o fato é que assim como defendi o que o Ravens fez quando remodelou sua defesa, também concordo plenamente que era hora do Steelers tentar buscar uma nova fase. Aproveitando que para a torcida é muito mais fácil justificar isso depois de uma temporada 8-8 do que um título, a diretoria do Steelers seguiu em frente com seu plano.

Da última vez que o Steelers foi ao Super Bowl (2010, quando perderam para o Packers), a defesa titular da equipe era: Ziggy Hood, Brett Keisel, Casey Hampton na linha; LaMarr Woodley, James Farrior, Lawrence Timmons e James Harrison entre os LBs; e Ike Taylor, Bryant McFadden,  Troy Polamalu e Ryan Clark na secundária. Voltando ao último título do Steelers em 2008, a defesa titular tinha nove desses 11 jogadores, com Larry Foote no lugar de Timmons e Aaron Smith no lugar de Hood, mas fora isso, era a mesma defesa, a mesa comissão técnica, o mesmo esquema de jogo e basicamente tudo igual. Voltando ainda mais para 2005, o primeiro título da Franquia desde os anos 70, notamos que Keisel, Hampton, Aaron Smith, Polamalu, Taylor, Foote, Farrior, James Harrison e McFadden estavam todos constituindo a espinha dorsal dessa defesa mais uma vez. E, novamente, com o mesmo coordenador defensivo (Dick LeBeau), as mesmas estratégias e formações e tudo mais que se manteve desde então. Portanto, não estou cometendo nenhum exagero ao falar que um dos grandes trunfos da defesa que foi (junto da do Ravens) a melhor da NFL ao longo destes últimos 10 anos foi uma enorme estabilidade desse lado da quadra.

Esse é um fator mais underrated do que se imagina. Olhando a trajetória de sucesso do Steelers ao longo dos últimos oito anos, é fácil reparar que seu grande motivador foi sempre uma forte e agressiva defesa. Não que seu ataque fosse como o do Jaguars e que ganhasse só as custas de uma defesa excepcional, mas a defesa sempre foi o grande trunfo da equipe e ela que estabelecia o tom dentro de campo. E nesses oito anos, muito pouca coisa mudou na defesa. O coordenador defensivo foi sempre o mesmo, LeBeau. O esquema que ele usa é o mesmo, com pequenos ajustes para se adaptar melhor a algumas características dos jogadores que tem em mãos, mas essencialmente é um esquema com as mesmas bases, fundamentos e que exige os mesmos tipos de jogadores continuamente. E claro, o Steelers fez um excelente trabalho ao longo desses anos em manter seu núcleo intacto, o que torna a implementação desse esquema muito mais fácil ao longo dos anos. Assustadores sete jogadores importantes no título de 2005 estavam presente na última ida da franquia ao Super Bowl cinco anos depois.

Uma das vantagens disso é que, com um esquema já estabelecido e suas principais peças a postos, a equipe sempre soube exatamente do que ela precisava em termos de jogador e que tipo de jogador procurar. Quando o Steelers precisava de um jogador - digamos, um OLB - eles já sabiam exatamente as características que precisavam achar, e então ao invés de ir atrás dos melhores ou mais valiosos da posição no começo do Draft, eles podiam se dar ao luxo de esperar até as rodadas do meio para ir atrás de um jogador menos cotado mas com as características que eles sabiam que eram as necessárias para a equipe. Sabendo que não precisavam que o garoto fosse uma estrela, eles pegavam um cara com as características e o treinavam e desenvolviam para fazer essa função extremamente bem e pronto, sem se preocupar se o jogador seria um craque ou coisa assim. Não coincidentemente, o Steelers foi um dos melhores times achando bons talentos defensivos fora da primeira rodada. Desde 2005, foram Bryant McFadden, Anthony Smith (2006), LaMarr Woodley e William Gay (2007), Ryan Mundy (2008), Keenan Lewis (2009), Curtis Brown e Chris Carter (2011), um aproveitamento incrivelmente grande quando lembramos que ainda tiveram bons jogadores de primeira rodada ai no meio. Essa capacidade de achar encaixes perfeitos ao seu sistema e desenvolvê-los foi crucial para Pittsburgh, e se eles foram reconhecidos como um dos melhores times trabalhando jovens jogadores na defesa ao longo dos últimos anos, podem ter certeza de que isso tudo contribuiu de forma crucial.

Mas infelizmente, isso não pode durar para sempre. Desde 2005, eis a colocação final, ano a ano, da defesa de Pittsburgh (sempre em números ajustados): 3rd (título), 9th, 3rd, 1st (título), 9th, 1st (Super Bowl), 7th, 13th. Primeira coisa óbvia a ser constatada é a correlação entre uma grande defesa e o Super Bowl, inclusive nas duas temporadas onde o time acabou com a melhor defesa da competição foram dois anos de título da AFC. Segundo, que as vezes acontecia da defesa do time ter um ano pior, caindo duas vezes para 9th. Mas talvez mais importante, o fato de que embora tivesse acontecido duas vezes da equipe ter um ano atípico (como já vimos, isso pode acontecer por diversos fatores aleatórios e fora do controle da equipe, como azar com fumbles, lesões, etc), isso nunca se manteve por mais de uma temporada, com a defesa logo se recuperando e retomando seus níveis anteriores. Isso não aconteceu em 2012: depois de uma queda em 2011, a defesa caiu ainda mais, saindo do Top10 pela primeira vez desde 2003 e com o núcleo da sua defesa parecendo ter 400 anos de idade. E não foi apenas nos números, quem quer que tenha visto o Steelers jogar essa temporada foi uma defesa que parecia um passo mais lenta, com muito menos energia do que estamos acostumados. Os números corroboram o que estamos vendo em campo, e como eu disse, a diretoria provavelmente concluiu que essa fórmula de estabilidade, pelo menos com esse núcleo, tinha chegado ao seu limite.

Na verdade, as coisas não foram horríveis na defesa em 2012. 13th é uma posição respeitável (6 posições acima do campeão Ravens, por exemplo) e é muito possível ser campeão com a 13th melhor defesa da competição se você tem um sólido ataque (Falcons estava em 12th virtualmente empatado com Pittsburgh nos números e New England estava abaixo em 15th, por exemplo). Um dos problemas foi que o ataque não foi sólido em 2012 (já chegamos lá), mas a diretoria provavelmente observou o declínio dessa defesa e de alguns de seus jogadores chave (especialmente James Harrison e Troy Polamalu) e concluiu que se fosse manter a mesma abordagem, confiar nas suas estrelas e procurar apenas os complementos com as características necessárias ao esquema de LeBeau, a tendência era que o grupo continuasse caindo de produção cada vez mais com o tempo, então quanto antes começasse a remontar sua defesa, melhor.

As primeiras causalidades vieram logo: Hampton, James Harrison, Bryant McFadden e James Farrior foram dispensados, com o último se aposentando logo depois. Keisel deve perder algum espaço com sua produção caindo e o jovem Cam Heyward por lá. LaMarr Woodley continua por lá e pela idade ainda tem muita gasolina (28 anos), mas viu sua produtividade despencar ano passado sem Harrison para atrair a atenção de todas as defesas, com seus sacks caindo de 9 para 4 e seus tackles de 28 para 27 apesar de ter jogado três jogos a mais em 2012 . Troy Polamalu ainda está na equipe, mas não consegue ficar saudável e o time já prepara para a vida sem talvez seu melhor defensor (quando saudável). Mas talvez a melhor idéia de como o Steelers está preparando uma vida nova seja essa: entre 2004 e 2012, a maior força da defesa do Steelers foi seu espetacular grupo de linebackers. Entre esse período, o Steelers pegou exatamente UM LB com uma escolha alta de Draft, Timmons em 2007 (Woodley era DE e converteu futuramente), por conta de tudo que já foi dito sobre ter um grupo no lugar, não precisar de estrelas e poder ir atrás de role players com as características certas, guardando as escolhas mais altas para outras posições. Em 2013, a escolha de primeira rodada da equipe foi Jarvis Jones, um excelente OLB de Georgia. Eles não teriam feito isso em 2010; em 2013 eles não tiveram outra escolha porque precisavam urgente de um OLB dominante para fazer essa defesa retomar seu padrão, e por isso pegaram o melhor disponível.

Muitas pessoas associam uma reconstrução (ou remodelação, talvez mais apropriado no caso) a uma piora grande em desempenho, mas eu não sei se será o caso. As vezes, o veterano que está sendo substituído estava sendo tão improdutivo e mantendo seu lugar por nome que a simples troca dele por um jogador diferente já possa dar um boost na equipe. Da mesma forma, trocar alguns jogadores mais velhos e lentos por jogadores sem a mesma técnica, mas com mais energia e atleticismo pode causar uma mudança no padrão e compensar de certa forma essa piora. Então mesmo que seja de se esperar uma regressão da defesa no curto prazo, eu não acho que vá despencara de 13th para 22nd, por exemplo. Existe bastante incerteza sobre como as novas peças vão se encaixar no esquema de LeBeau, se alguma delas vai evoluir na estrela que atrai a atenção dos ataques e permite que o resto da defesa encaixe nos seus respectivos lugares (como Harrison e Polamalu faziam), quais as melhores combinações, se LeBeau vai ter que fazer pequenos ajustes para cobrir novas falhas... Basicamente, a questão aqui é que essa mudança trás muita incerteza, mas não necessariamente uma grande piora. Alguma queda deve ser esperada para 2013, especialmente em virtude de um calendário mais forte, mas muitos desses jogadores já estavam contribuindo muito menos do que antes e se tem um time que sabe desenvolver talentos na defesa, é o Steelers. Então no médio prazo, essa reconstrução vai ser bem lembrada. No curto prazo, talvez precise de paciência.

Mas como eu disse antes, o grande problema de Pittsburgh esse ano foi o ataque, por conta de três fatores diferentes. Como os dois últimos estão relacionados, vamos falar primeiro sobre o jogo aéreo da equipe, e os problemas de Ben Roethlisberger. No papel, o Steelers deveria ter um grande ataque, ou pelo menos um bom. Tem um dos melhores quarterbacks da NFL em Big Ben, e tinha um bom trio de WRs com Emmanuel Sanders, Mike Wallace e Antonio Brown, jogadores jovens e muito explosivos, sem falar em uma dupla interessante de TEs (o bom recebedor Heath Miller e o bom bloqueador Matt Spaeth). Mas não foi bem assim, em parte devido a Brown e principalmente Wallace sofrerem com quedas de produção (Wallace, em particular, regrediu grosseiramente, não conseguiu passar das 850 jardas depois de somar mais de somar 2400 nas duas temporadas anteriores e teve seu pior aproveitamento em recepções com 54%), um dos motivos pelos quais Pittsburgh não fez muito esforços para segurar Wallace na Free Agency. Mas talvez mais importante, especialmente indo para frente, está o fato de que Big Ben simplesmente não consegue ficar saudável uma temporada. Em 2012, ele perdeu três jogos (duas derrotas) por lesão e passou tantos outros limitado, e não joga uma temporada completa desde o título de 2008. Ainda que lesões sejam muitas vezes aleatórias de um ano para outro, o histórico de Big Ben já chama a atenção e é mais do que significativo, especialmente considerando seu estilo muito físico, sempre saindo do pocket, improvisando e levando trombadas atrás de uma linha ofensiva medíocre já faz alguns anos. Ben tem perdido quase dois jogos por temporada desde que entrou na NFL, e não tem motivos para acreditar que isso vá mudar agora que ele passou dos 30 anos. Então enquanto Ben ainda seja um dos melhores QBs da NFL, a perda de seu melhor WR e seu histórico de lesões colocam uma limitação importante em cima de um ataque que teria que carregar sua defesa por uma temporada.

Os outros dois problemas estão relacionados a esse e entre si, e embora tenham sido problemas muito maiores em 2012, também tem melhor perspectiva para o futuro. Em resumo, o jogo terrestre da equipe foi horrível temporada passada, o segundo pior ataque terrestre da NFL depois do patético ataque do Cardinals. E além de ser patético, ele também foi de longe o ataque que mais entregou a bola de presente, com os RBs da equipe combinando para 12 e o ataque como um todo combinando para 33, segunda pior marca da NFL inteira atrás apenas do Eagles. Mas ao contrário do Eagles, eles não podem usar a carta do "tivemos um aproveitamento recuperando fumbles entre os piores da NFL nos últimos anos!" porque o Steelers na verdade teve um aproveitamento de 51%. Eles simplesmente sofreram fumbles demais mesmo e isso voltou para assombrar a equipe.

Mas além do problema incrível dos fumbles, o ataque terrestre simplesmente foi uma droga em si mesmo. Apenas um RB do elenco inteiro (e o time usou cinco) teve aproveitamento de jardas por corrida de 4.0 ou superior, e foi Johnathan Dwyer - um jogador com tantos fumbles como touchdowns -com um 4.0 exato. A média da equipe foi de 3.7 jardas por carregada, e a segunda corrida mais longa de toda a temporada do Steelers foi de 31 jardas por um QB terceiro reserva de 33 anos. A linha ofensiva da equipe foi, per Football Outsiders, a sexta pior da Liga bloqueando corridas e apenas três times da NFL inteira tiveram um pior aproveitamento em jardas por corrida. Então sim, foi uma desgraça que precisa melhorar para 2013 se o ataque como um todo quiser voltar a ser bom (espcialmente porque todos já devem saber a esse ponto que quanto pior seu ataque terrestre, mais atenção a defesa adversária coloca no jogo aéreo e torna a vida do QB mais difícil).

O lado positivo é que existem alguns fatores que indicam que sim, o ataque terrestre pode (ou deve) melhorar. Primeiro de tudo, a equipe correu para trocar seu RB titular, deixando Rashard Mendenhall sair na Free Agency e trazendo LaRod Stephens-Howling (a maior força nominal da NFL). Não que a troca em si vá mudar a vida da equipe, Howling vem de uma temporada muito ruim (embora, em defesa dele, o Cardinals de 2012 tivesse uma das piores OLs da história da NFL) em 2012. Mas também teve uma temporada assim Mendenhall, que apesar de passar das 1000 jardas duas temporadas seguidas só uma vez na carreira teve um aproveitamento por corrida acima de 4.0 (em 2009) e que vinha de uma temporada decadente em 2011 e muitas lesões em 2012, enquanto Howling é muito mais barato e permitiu ao time criar espaço salarial para manter Emmanuel Sanders apesar do interesse do Patriots. O que eu acho interessante de Howling é que ele é de um estilo diferente de Dwyer e do calouro Le'Veon Bell (que devem disputar o cargo de principal RB da equipe), um jogador mais explosivo e change-of-pace com a bola nas mãos, não com a mesma força para abrir buracos na linha mas melhor recebendo passes e trabalhando com um campo aberto (funciona muito bem de retornador, também). Eu acho isso interessante porque o maior problema da linha ofensiva do Steelers não foi na linha de scrimmage e sim no segundo nível (os linebackers), então Howling é uma aposta interessante para funcionar como o RB alternativo do time atrás de Dwyer e Bell (pense em Darren Sproles). Também tem o fato, menor mas importante, de que a taxa de fumbles dos running backs da equipe esteve em níveis absurdamente altos em 2012 e deve regredir para níveis mais normais em 2013.

O terceiro e talvez mais importante ponto positivo aqui provavelmente é a questão da saúde. Não de Big Ben, acho que todo mundo já desistiu de ver ele saudável por uma temporada inteira, mas sim da linha ofensiva. Ano passado, a equipe viu suas duas primeiras escolhas de Draft - o guard David DeCastro e o RT Mike Adams - perderem combinados mais de 17 jogos combinados (incluindo DeCastro perdendo os 11 primeiros e todo o training camp), sendo que DeCastro era esperado para ser o G titular do time desde a primeira semana e Adams deveria brigar pela titularidade na sua posição. DeCastro e Adams devem voltar agora para a temporada 2013, e considerando o fiasco que foi sua linha ofensiva temporada passada, é de se esperar uma melhora significativa dessa unidade, especialmente contra o jogo corrido (especialidade de DeCastro, considerado o melhor guard de sua classe). Então esse pouco mais de saúde na linha ofensiva e um pouco de regressão devem ser o suficiente para tirar o jogo terrestre da equipe do fundo do poço, especialmente considerando que esse mesmo grupo foi o sexto melhor da NFL em 2011. Não espero que suba tão alto, mas é de se esperar que no mínimo melhore em relação a esse nível, e podemos esperar que isso tenha um impacto importante também em um jogo aéreo que precisa de alguma ajuda depois de perder Wallace. Btw, inteligente manobra da equipe indo atrás de Bruce Gradkowski, um sólido QB reserva para Big Ben que não afunde a equipe quando inevitavelmente o titular se machucar.

Em resumo, o Steelers é um time que viu necessidade de remodelar sua defesa, mas ao contrário do Ravens, não tinha o teto salarial para trazer de fora alguns substitutos de forma a manter o nível. Eu não espero uma queda brutal desse lado da bola porque muitos dos veteranos estavam produzindo menos do que o esperado e sangue novo pode ajudar muito essa defesa velha, mas é de se esperar um período de adaptação aos novos jogadores e uma regressão nesse sentido, especialmente porque boa parte dessa remodelação terá que vir de dentro da própria equipe. A comissão técnica sempre foi excelente desenvolvendo talentos, então não existe muito motivo para pânico, só a aceitação natural nos esportes de que até mesmo as unidades de maior sucesso precisam passar por reformulações. Do outro lado, o jogo terrestre do Steelers deve ser consideravelmente melhor em 2013 depois do fiasco da temporada passada, mas com a perda de Mike Wallace e as dúvidas de sempre sobre a saúde de Big Ben, não espero que essa melhora no jogo terrestre seja suficiente para colocar o ataque num patamar onde seja capaz de carregar sua defesa por 16 jogos em um calendário mais difícil. Outra temporada 8-8 seria a hipótese mais provável em 2013 (com teto um pouco maior caso Big Ben jogue com menos lesões), embora como seja o caso de qualquer time com tantas mudanças, as muitas incógnitas (especialmente na defesa) possam balançar esse número para qualquer um dos lados em uma divisão muito em aberto. Esperem um Steelers forte em 2014 depois de um 2013 de adaptação.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Rodada de Wild Card

Em primeiro lugar: TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOOOOOW!!!

Em segundo lugar...

TEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOW!!


E em terceiro lugar....

TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOOOOOW!! (sim, eu sei que o Tebow joga no Broncos não no Dolphins, mas só tenho o capacete do Dolphins e nao tenho camisa de Denver, então usei a do Dan Marino... Um QB quase tão bom quanto o Tebow.)

Ok, agora podemos falar calmamente dessa primeira rodada de playoffs da NFL, a rodada de Wild Card. Ou tão calmamente como alguém pode ficar depois de um épico Steelers e Broncos. TEE... Er.. Calma, ok, vamos em frente.

Essa primeira rodada dos playoffs trouxe um jogo bem fraco, um mediano, um bom e um épico. Vamos em ordem do pior pro melhor. Aliás, curiosidade da semana: Todos os times que jogaram em casa venceram os seus jogos.


New York Giants 24 vs 2 Atlanta Falcons
No pior jogo da rodada, o Giants conseguiu segurar o Falcons a apenas DOIS pontos, vindos de um Safety através de um Intentional Grounding numa jogada besta do Eli Manning. DOIS pontos, dois malditos pontos em um jogo de futebol americano, nem o Colts faria algo pior!! Na verdade esse jogo foi bem feio mesmo, o Giants foi um time superior mas sua vantagem só foi ser aberta no quarto período, até lá estava um jogo com muita defesa e ataques muito medrosos. Pareceu que os ataques estavam com mais medo de errar do que vontade de acertar, eram passes conservadores e medrosos. Acho que num primeiro momento os times estavam apenas cautelosos pra começar o jogo, tentando impor o jogo terrestre, mas com as defesas dominando os ataques - especialmente as linhas defensivas - os ataques ficaram simplesmente medrosos, os QBs pareciam se livrar da bola, ninguém ousou trabalhar do play action, e o jogo ficou numa estagnação muito chata que só foi quebrada quando o Eli Manning, pra fugir de um sack,  correu pra dentro da end zone, e depois jogou a bola pro lado no Intentional Grounding menos convincente dos ultimos anos, pra abrir o placar, 2 a 0... Pro outro time. Com esse placar, o San Francisco Giants ficaria orgulhoso!

O jogo só foi quebrar o marasmo no segundo quarto, quando o Giants voltou com uma nova postura no ataque. O time começou a jogar de forma muito mais física, correndo bastante com a bola... E aí o time percebeu que era capaz de dominar a suspeita linha ofensiva do Falcons e aproveitou até o fim do jogo. O jogo desequilibrou pro Giants quando o time começou a correr com a bola e quando conseguiu grandes avanços da sua dupla de RBs. O Giants dominou ambas as linhas de forma física, torrou o saco do Matt Ryan o jogo todo e não deixou o Falcons correr o jogo inteiro, inclusive parando duas 4th and 1. O Niners já mostrou pra todo mundo que mesmo na NFL de hoje da pra ganhar jogos no estilo old school, dominando fisicamente a linha de scrimmage dos dois lados da bola, e o Giants fez exatamente isso contra o Falcons, e se quiser vencer o Packers semana que vem, tem que continuar com esse jogo físico e descendo a lenha no QB a cada cinco minutos. Jogo bem fraco, o Falcons não fez nada e o Giants ganhou jogando feio. Vai melhorar, vai melhorar...


Houston Texans 31 vs 10 Cincinnati Bengals
Um jogo entre duas boas defesas e dois QBs calouros foi decidido exatamente como o esperado: Jogo terrestre, e turnovers. A defesa do Texans é melhor que a do Bengals, o jogo terrestre também, mas o jogo aéreo do Bengals na temporada regular foi melhor. Mas quando você coloca dois QBs calouros num jogo de pós-temporada, você vai ter dificuldades no jogo aéreo. Não é fácil, envolve muita pressão e nem todo calouro aguenta. O jogo começou bem morno pelo ar graças ao nervosismo do TJ Yates e do Andy Dalton, os dois apressando passes, cometendo erros básicos e sem conseguir dar consistência ao ataque. Mas como o ataque do Bengals depende mais do seu QB do que o Texans atualmente, o Texans teve a chance de dominar o jogo com o Arian Foster jogando bem. Mesmo assim, a defesa do Bengals e alguns flashes do ataque mantiveram o jogo equilibrado em 10 a 10 indo até o intervalo.

Ai o jogo mudou, quando o Andy Dalton foi tentar um ataque Às pressas (graças à imbecilidade dos desafios do técnico Marvin Lewis que tirou dois timeouts do time) dentro do Two-Minute Warning e foi interceptado e retornado pra TD pelo ótimo calouro JJ Watt. Eu tinha dito que a chave do jogo seria o time capaz de evitar turnovers e forçar do adversário, e foi esse jogo o que determinou o resultado do jogo. O Texans foi pro intervalo liderando por 17 a 10 com essa pick-six, mas mais importante, isso acabou com a confiança do Dalton. Quando voltou pro segundo tempo, o calouro estava assustado e nervoso, seus passes foram ainda piores e ele foi presa fácil pra agressiva defesa do Texans. O Texans aproveitou e fez o jogo inteligente, correu muito bem com a bola, evitou entregar a bola de graça pro adversário, e jogou no erro do Bengals. Forçou mais duas interceptações do Dalton, e um TD longo do Andre Johnson e uma corrida do Arian Foster terminaram de definir a partida. O time soube evitar erros e aproveitar os do adversário, e é assim que os jogos entre dois times parelhos são decididos.

O Bengals também ta de boa mesmo com a derrota. A defesa não é exatamente nova, mas também não está nas últimas como a do Ravens ou do Steelers, e o ataque ainda está emergindo. Mais um ano pro Dalton (Que apesar de ter sólidos fundamentos precisa de experiência e familiaridade com o ataque), mais um ano pro AJ Green, duas escolhas de primeira rodada em um excelente Draft... Mais um playmaker no jogo aéreo, um outro cornerback, depth pra safety... E lá vamos nós achar um time bem divertido pros próximos anos.


New Orleans Saints 45 vs 28 Detroit Lions
Quando você está enfrentando um time superior, você tem algumas diretrizes que tem que seguir se quiser vencer. E a regra básica é: Não cometa erros, e aproveite os que o adversário cometer. Um time superior pode ser capaz de vencer mesmo com turnovers, mesmo perdendo chances, mesmo sem forçar turnovers, mas um time inferior tem que fazer tudo que puder pra melhorar suas chances, e isso inclui aproveitar as oportunidades e não dar brechas para o oponente. O Lions soube desde o começo - como eu deixei claro no preview - que não tinha condições nem os jogadores pra fazer o jogo tático contra o Saints (Correr com a bola, controlar o relógio, abrir a defesa, tirar o ritmo do ataque, pressionar o QB pra fora do pocket), então o time de Detroit nem tentou e desde o começo se mostrou disposto a ir ao shootout, o estilo que o Saints mais gosta. Teve a coragem, aceitou bater de frente e apostou alto.

E o pior é que num primeiro momento, a ousadia do Lions foi recompensada. O time pontuou muito bem e, se não controlou o relógio, não permitiu ao Saints assumir o controle do jogo. Sua defesa sofreu com as corridas do Saints e os passes cirúrgicos do Drew Brees, mas continuou pau a pau com o time de New Orleans e começou a chegar no QB. E ai que chegou o problema. O Lions sabia que não ia conseguir parar o Saints, então foi agressivo e apostou nos turnovers. E conseguiu, de fato, forçar dois turnovers. Eu até comentei que se o Lions queria ganhar, tinha que conseguir posses de bola extra (Eu sugeri um onside kick, mas o time forçou dois turnovers), e o Lions conseguiu dois fumbles recuperados. E ai chegamos ao grande problema, que matou o Lions: O Lions não aproveitou esses turnovers. O Lions teve duas posses de bola a mais que o Saints, a chance de abrir 14 pontos de vantagem, a chance de controlar totalmente o jogo e o momento... E nas duas posses de bola seguindo os turnovers, o Lions foi pro punt nas duas, liderando por apenas 4 no intervalo. Na primeira posse de bola do segundo tempo, bola do Saints... Touchdown, Saints na frente. E isso colocou mais pressão ainda no ataque do Lions, e a verdade é que depois disso o Lions não foi mais o mesmo. Não conseguiu pontuar, devolveu a bola pro Saints... Que colocou de novo na End Zone. Tão fácil quanto isso o Saints já havia colocado 10 pontos de vantagem.

E ai o Lions se descontrolou. Teve boas jogadas, anotou Touchdowns, mas você claramente via quem estava com o controle do jogo. O Lions teve a chance de recuperá-lo num dos raríssimos passes ruins do Brees que caiu no colo do defensor do Lions, mas ele deixou uma interceptação que teria mudado o jogo cair no chão. Em seguinda? TD do Saints, é claro. O Saints anotou Touchdowns em TODAS suas posses de bola no segundo tempo, Brees fez o que quis com a defesa e Detroit perdeu o controle. Não é que o Lions não teve chances, o Lions teve várias. Só que o Lions não aproveitou, não conseguiu pontuar nos erros do Saints, não pegou o momento do jogo quando teve a chance, dropou uma interceptação fácil que podia mudar o rumo do jogo. Conseguir posses de bola extra é importantíssimo, mas você precisa converter isso em pontos. Quando você está em desvantagem, tem que aproveitar todas as suas chances. O Lions não aproveitou e viu o Saints controlar o jogo, e aí se descontrolou como o time jovem que é. Não sei se algum time na NFL atualmente tem capacidade de vencer esse time do Saints... E o Lions continua com seu ótimo projeto de reconstrução, precisando melhorar a defesa e o jogo terrestre, mas sabendo que está no caminho certo.


Denver Broncos 29 vs 23 Pittsburgh Steelers 
Não existe um atleta na NFL tão polarizador quanto Tim Tebow. Não sei se já houve, e não sei se ainda teremos algum. Ontem, eu achei que a internet fosse explodir ao final dessa partida. Não, sério mesmo, achei que ia ligar o PC de manhã, abrir o Chrome e encontrar uma foto de uma nuvem de cogumelos. Do TT do Twitter vinte minutos depois do fim da partida, sete tinham algo a ver com o jogo. Duas horas depois, #tebow e #john3:16 ainda estavam no TT. Foi um jogo sensacional, foi uma história sensacional... Foi Tebow Time, de novo e de novo. Quando o Steelers estava posicionado seu FG pra vencer o jogo no final, eu simplesmente ajoelhei Tebowing pra torcer por um time que até esse ano eu nunca tinha gostado! Simplesmente porque é divertido demais torcer pra Timothy Richards Tebow!

Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa clara: Eles não venceram o mesmo Steelers que foi campeão da AFC ano passado, e nem o time que eu achava o melhor da Conferência. O Steelers que eles enfrentaram ontem estava muito baleado: Rashard Mendenhall não jogou, Ryan Clark não jogou, Maurkice Pouncey não jogou, Brett Keisel e Casey Hampton sairam durante o jogo, e Ben Roethlisberger e LaMarr Woodley jogaram machucados e claramente não estavam 100%. Isso foi importante, claro,o que também não tira o mérito do Broncos. Até porque Isaac Redman jogo muitíssimo bem e, apesar do Clark ter feito bastante falta na cobertura do Troy Polamalu (que levou um baile humilhante do Tim Tebow o jogo todo), vale destacar que foi o seu substituto que forçou o fumble do Willis McGahee que quase deu a vitória ao Steelers.

E como eu disse, isso não tira o mérito do Broncos. O Broncos na verdade tem mérito de sobra, tanto no ataque como na defesa. Mesmo com todas as lesões e desfalques o Broncos ainda era o azarão e ainda estava em clara desvantagem. O começo do jogo ilustrou bem essa desvantagem, tanto pelo plantel, como pela falta de ousadia que o John Fox vinha demonstrando, e também pelos problemas do Tebow nos ultimos jogos. O time foi previsível ao extremo com a fórmula correr-correr-passar e o Steelers não teve a menor vergonha na cara de colocar nove jogadores na linha de scrimmage pra parar a corrida. Quando recuperava a bola, o Steelers anotava pontos, ainda que só 3 de cada vez, e parecia que o jogo estava encaminhado pra ser exatamente o esperado: O Broncos derrotado pela sua falta de ousadia e diversidade, o Steelers sendo apenas eficiente e com sua defesa sufocando o Broncos pra não dar a menor chance ao azar.

Até que o Broncos - por milagre - percebeu isso, e fez o óbvio, tentou variar. Ao invés de correr-correr-passar, que a defesa estava sempre prevendo e esmagando, eles chamaram jogadas de passe para o Tebow em segundas descidas (O Broncos teve UM passe na primeira jogada do 1st down no jogo todo. Qual foi? Um TD de 80 jardas...). Era o que o Broncos tinha que fazer mesmo, mas o que pegou todo mundo de surpresa é que os passes do Tebow não foram só decentes, foram excelentes perfeitos, e em duas bombas ele anotou um TD pra virar a partida. O Broncos ganhou confiança, a torcida entrou no jogo e o momento mudou completamente. O Steelers sentiu, a defesa fez seu trabalho e logo recuperou a bola. O resultado? Mais um passe longo do Tebow, mais um acerto perfeito, e mais um TD do Broncos. O Denver fez exatamente o que precisava fazer, variou as jogadas, parou de ser previsível e deixou o Tebow lançar não só em terceiras descidas longas e prevsíveis saindo de um play action, mas colocou o garoto no shotgun e, como o John Elway tinha dito antes do jogo... Pull the trigger (Puxar o gatilho)!

O que ninguém imaginava - e que destruiu completamente o plano de jogo do Steelers - é que ele começou a acertar os passes longos com perfeição. O Steelers aproximou o Polamalu da linha de scrimmage, claramente mais preocupado com o scramble do que com os passes, e contou com a cobertura simples já que o Broncos não tinha grandes WRs, ainda mais com o Eric Decker saindo com uma lesão assustadora na perna. Eles fecharam a corrida - confiantes na corrida do Denver e na incapacidade do Tebow - e basicamente desafiaram o garoto e vencer o jogo com o braço. Mas ele começou a lançar, achar seus recebores em profundidade (lendo perfeitamente o posicionamento avançado dos safeties) e a defesa do Steelers, que estava jogando muito na frente só pra parar a corrida, teve que voltar pra cobrir a secundária, e aí o Broncos voltou a correr e controlar a partida. A impressão que deu é que a defesa do Steelers não sabia mais o que fazer, ela estava enfrentando uma situação que ela nunca teria imaginado, e o Broncos leu perfeitamente a situação, o Tebow lançou perfeitamente as bolas. A defesa do Steelers não sabia mais o que fazer, especialmente porque a linha ofensiva do Broncos - que eu sempre critico e estava jogando sem seu RG titular - teve um jogo espetacular protegendo o Tebow e abrindo pra corrida, desequilibrou o jogo e deu tempo pro Tebow lançar com calma - algo que ele não teve o ano todo.

O Steelers reagiu depois do intervalo e depois de algumas injeções de analgésicos no pé do Big Ben ele começou a jogar muito, achar seus recebedores e colocou o Steelers em condições de empatar o jogo. Mas o Tebow conduziu bem o ataque mesmo sem TDs, e o time se viu com uma vantagem de 7 pontos e com a bola faltando 7 minutos. Gastar o relógio, chutar um FG e ganhar a partida, certo? Mas claro que não seria fácil, com McGahee deixando cair a bola numa jogada onde, se ele cai ao invés de brigar por mais jardas e perder a bola, o Denver teria um 2nd and 2 na linha de 40 jardas do campo de ataque, praticamente matava o jogo. Mas o fumble deu ao Big Ben a chance do empate, e logo depois do Champ Bailey (os dois veteranos que demonstraram que estavam descontentes com Tebow, Bailey e McGahee, foram os dois que quase custaram a vitória ao time) deixou cair uma interceptação na end zone, o Big Ben acertou uma linda bomba e empatou o jogo. O Steelers teve a chance de vencer depois que o Tebow errou um passe relativamente fácil numa 3rd and 8, mas a defesa apareceu com dois sacks, um snap errado do substituto do Pouncey e o jogo foi pra prorrogação. A primeira jogada? O primeiro passe na 1st do Broncos no jogo inteiro que congelou a defesa do Steelers num perfeito play action e Tebow encontrou um Demariyus Thomas (4 recepções, 204 jardas, TD, os números dele poderiam ser mais DeSean Jackson-esques?) livre que pegou a bola em velocidade, derrubou o Ike Taylor e ganhou de todo mundo na corrida pro TD. Perfeito final pro primeiro jogo do Tebow nos playoffs, não?

A diferença do jogo foi que a linha ofensiva do Broncos deu tempo ao Tebow, e o Tebow acertou os passes perfeitos quando precisou. Graças a isso o Denver conseguiu confundir a defesa do Steelers e impor seu jogo. Quanto ao Tebow, primeiro QB a passar das 300 jardas contra o Steelers no ano, acertou três passes de 50 jardas ou mais no jogo (Na temporada inteira o Steelers cedeu seis), teve a maior média por passe completo da história dos playoffs (31.6) e teve o Rating mais alto da história da pós-temporada do Denver Broncos. Nada mau pra quem não seria capaz de lançar a bola na NFL, hein??

TEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOOOOOW!!