Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Pittsburgh Steelers

"Bater ou Correr em Pittsburgh", estrelando Brett Kiesel e LaMarr Woodley


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East e os previews da NFC East para a temporada 2013 da NFL, começamos a falar da AFC North pelo atual campeão, Baltimore Ravens. Agora é a hora de continuar a falar de seu maior rival, o Pittsburgh Steelers. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Pittsburgh Steelers

2012 Record: 8-8
Ataque ajustado: 19th
Defesa ajustada: 13th


Olha só, é mais um time da AFC North com um histórico de sucesso nos últimos 10 anos e que passa por uma reformulação de sua defesa veterana! Mas como no caso do Steelers essa reformulação não aconteceu logo depois de um título do Super Bowl, ela não atraiu tanta atenção nem tantas críticas como a do seu maior rival. Além do mais, o Steelers vem de uma temporada sem playoffs, onde lidou com diversas lesões em jogadores importantes. Embora seja engraçado que essa narrativa pudesse facilmente ser aplicada ao Ravens caso tivesse ficado fora dos playoffs (e ai muitas pessoas estariam elogiando a coragem do GM Ozzie Newsome ao invés de criticar quando decidiu desmontar um elenco velho e cheio de lesões e que ocupava grande espaço salarial) - especialmente considerando que o Pythagorean Expectations dos dois times foi bem próximo (9.2 contra 8.6) - o fato é que assim como defendi o que o Ravens fez quando remodelou sua defesa, também concordo plenamente que era hora do Steelers tentar buscar uma nova fase. Aproveitando que para a torcida é muito mais fácil justificar isso depois de uma temporada 8-8 do que um título, a diretoria do Steelers seguiu em frente com seu plano.

Da última vez que o Steelers foi ao Super Bowl (2010, quando perderam para o Packers), a defesa titular da equipe era: Ziggy Hood, Brett Keisel, Casey Hampton na linha; LaMarr Woodley, James Farrior, Lawrence Timmons e James Harrison entre os LBs; e Ike Taylor, Bryant McFadden,  Troy Polamalu e Ryan Clark na secundária. Voltando ao último título do Steelers em 2008, a defesa titular tinha nove desses 11 jogadores, com Larry Foote no lugar de Timmons e Aaron Smith no lugar de Hood, mas fora isso, era a mesma defesa, a mesa comissão técnica, o mesmo esquema de jogo e basicamente tudo igual. Voltando ainda mais para 2005, o primeiro título da Franquia desde os anos 70, notamos que Keisel, Hampton, Aaron Smith, Polamalu, Taylor, Foote, Farrior, James Harrison e McFadden estavam todos constituindo a espinha dorsal dessa defesa mais uma vez. E, novamente, com o mesmo coordenador defensivo (Dick LeBeau), as mesmas estratégias e formações e tudo mais que se manteve desde então. Portanto, não estou cometendo nenhum exagero ao falar que um dos grandes trunfos da defesa que foi (junto da do Ravens) a melhor da NFL ao longo destes últimos 10 anos foi uma enorme estabilidade desse lado da quadra.

Esse é um fator mais underrated do que se imagina. Olhando a trajetória de sucesso do Steelers ao longo dos últimos oito anos, é fácil reparar que seu grande motivador foi sempre uma forte e agressiva defesa. Não que seu ataque fosse como o do Jaguars e que ganhasse só as custas de uma defesa excepcional, mas a defesa sempre foi o grande trunfo da equipe e ela que estabelecia o tom dentro de campo. E nesses oito anos, muito pouca coisa mudou na defesa. O coordenador defensivo foi sempre o mesmo, LeBeau. O esquema que ele usa é o mesmo, com pequenos ajustes para se adaptar melhor a algumas características dos jogadores que tem em mãos, mas essencialmente é um esquema com as mesmas bases, fundamentos e que exige os mesmos tipos de jogadores continuamente. E claro, o Steelers fez um excelente trabalho ao longo desses anos em manter seu núcleo intacto, o que torna a implementação desse esquema muito mais fácil ao longo dos anos. Assustadores sete jogadores importantes no título de 2005 estavam presente na última ida da franquia ao Super Bowl cinco anos depois.

Uma das vantagens disso é que, com um esquema já estabelecido e suas principais peças a postos, a equipe sempre soube exatamente do que ela precisava em termos de jogador e que tipo de jogador procurar. Quando o Steelers precisava de um jogador - digamos, um OLB - eles já sabiam exatamente as características que precisavam achar, e então ao invés de ir atrás dos melhores ou mais valiosos da posição no começo do Draft, eles podiam se dar ao luxo de esperar até as rodadas do meio para ir atrás de um jogador menos cotado mas com as características que eles sabiam que eram as necessárias para a equipe. Sabendo que não precisavam que o garoto fosse uma estrela, eles pegavam um cara com as características e o treinavam e desenvolviam para fazer essa função extremamente bem e pronto, sem se preocupar se o jogador seria um craque ou coisa assim. Não coincidentemente, o Steelers foi um dos melhores times achando bons talentos defensivos fora da primeira rodada. Desde 2005, foram Bryant McFadden, Anthony Smith (2006), LaMarr Woodley e William Gay (2007), Ryan Mundy (2008), Keenan Lewis (2009), Curtis Brown e Chris Carter (2011), um aproveitamento incrivelmente grande quando lembramos que ainda tiveram bons jogadores de primeira rodada ai no meio. Essa capacidade de achar encaixes perfeitos ao seu sistema e desenvolvê-los foi crucial para Pittsburgh, e se eles foram reconhecidos como um dos melhores times trabalhando jovens jogadores na defesa ao longo dos últimos anos, podem ter certeza de que isso tudo contribuiu de forma crucial.

Mas infelizmente, isso não pode durar para sempre. Desde 2005, eis a colocação final, ano a ano, da defesa de Pittsburgh (sempre em números ajustados): 3rd (título), 9th, 3rd, 1st (título), 9th, 1st (Super Bowl), 7th, 13th. Primeira coisa óbvia a ser constatada é a correlação entre uma grande defesa e o Super Bowl, inclusive nas duas temporadas onde o time acabou com a melhor defesa da competição foram dois anos de título da AFC. Segundo, que as vezes acontecia da defesa do time ter um ano pior, caindo duas vezes para 9th. Mas talvez mais importante, o fato de que embora tivesse acontecido duas vezes da equipe ter um ano atípico (como já vimos, isso pode acontecer por diversos fatores aleatórios e fora do controle da equipe, como azar com fumbles, lesões, etc), isso nunca se manteve por mais de uma temporada, com a defesa logo se recuperando e retomando seus níveis anteriores. Isso não aconteceu em 2012: depois de uma queda em 2011, a defesa caiu ainda mais, saindo do Top10 pela primeira vez desde 2003 e com o núcleo da sua defesa parecendo ter 400 anos de idade. E não foi apenas nos números, quem quer que tenha visto o Steelers jogar essa temporada foi uma defesa que parecia um passo mais lenta, com muito menos energia do que estamos acostumados. Os números corroboram o que estamos vendo em campo, e como eu disse, a diretoria provavelmente concluiu que essa fórmula de estabilidade, pelo menos com esse núcleo, tinha chegado ao seu limite.

Na verdade, as coisas não foram horríveis na defesa em 2012. 13th é uma posição respeitável (6 posições acima do campeão Ravens, por exemplo) e é muito possível ser campeão com a 13th melhor defesa da competição se você tem um sólido ataque (Falcons estava em 12th virtualmente empatado com Pittsburgh nos números e New England estava abaixo em 15th, por exemplo). Um dos problemas foi que o ataque não foi sólido em 2012 (já chegamos lá), mas a diretoria provavelmente observou o declínio dessa defesa e de alguns de seus jogadores chave (especialmente James Harrison e Troy Polamalu) e concluiu que se fosse manter a mesma abordagem, confiar nas suas estrelas e procurar apenas os complementos com as características necessárias ao esquema de LeBeau, a tendência era que o grupo continuasse caindo de produção cada vez mais com o tempo, então quanto antes começasse a remontar sua defesa, melhor.

As primeiras causalidades vieram logo: Hampton, James Harrison, Bryant McFadden e James Farrior foram dispensados, com o último se aposentando logo depois. Keisel deve perder algum espaço com sua produção caindo e o jovem Cam Heyward por lá. LaMarr Woodley continua por lá e pela idade ainda tem muita gasolina (28 anos), mas viu sua produtividade despencar ano passado sem Harrison para atrair a atenção de todas as defesas, com seus sacks caindo de 9 para 4 e seus tackles de 28 para 27 apesar de ter jogado três jogos a mais em 2012 . Troy Polamalu ainda está na equipe, mas não consegue ficar saudável e o time já prepara para a vida sem talvez seu melhor defensor (quando saudável). Mas talvez a melhor idéia de como o Steelers está preparando uma vida nova seja essa: entre 2004 e 2012, a maior força da defesa do Steelers foi seu espetacular grupo de linebackers. Entre esse período, o Steelers pegou exatamente UM LB com uma escolha alta de Draft, Timmons em 2007 (Woodley era DE e converteu futuramente), por conta de tudo que já foi dito sobre ter um grupo no lugar, não precisar de estrelas e poder ir atrás de role players com as características certas, guardando as escolhas mais altas para outras posições. Em 2013, a escolha de primeira rodada da equipe foi Jarvis Jones, um excelente OLB de Georgia. Eles não teriam feito isso em 2010; em 2013 eles não tiveram outra escolha porque precisavam urgente de um OLB dominante para fazer essa defesa retomar seu padrão, e por isso pegaram o melhor disponível.

Muitas pessoas associam uma reconstrução (ou remodelação, talvez mais apropriado no caso) a uma piora grande em desempenho, mas eu não sei se será o caso. As vezes, o veterano que está sendo substituído estava sendo tão improdutivo e mantendo seu lugar por nome que a simples troca dele por um jogador diferente já possa dar um boost na equipe. Da mesma forma, trocar alguns jogadores mais velhos e lentos por jogadores sem a mesma técnica, mas com mais energia e atleticismo pode causar uma mudança no padrão e compensar de certa forma essa piora. Então mesmo que seja de se esperar uma regressão da defesa no curto prazo, eu não acho que vá despencara de 13th para 22nd, por exemplo. Existe bastante incerteza sobre como as novas peças vão se encaixar no esquema de LeBeau, se alguma delas vai evoluir na estrela que atrai a atenção dos ataques e permite que o resto da defesa encaixe nos seus respectivos lugares (como Harrison e Polamalu faziam), quais as melhores combinações, se LeBeau vai ter que fazer pequenos ajustes para cobrir novas falhas... Basicamente, a questão aqui é que essa mudança trás muita incerteza, mas não necessariamente uma grande piora. Alguma queda deve ser esperada para 2013, especialmente em virtude de um calendário mais forte, mas muitos desses jogadores já estavam contribuindo muito menos do que antes e se tem um time que sabe desenvolver talentos na defesa, é o Steelers. Então no médio prazo, essa reconstrução vai ser bem lembrada. No curto prazo, talvez precise de paciência.

Mas como eu disse antes, o grande problema de Pittsburgh esse ano foi o ataque, por conta de três fatores diferentes. Como os dois últimos estão relacionados, vamos falar primeiro sobre o jogo aéreo da equipe, e os problemas de Ben Roethlisberger. No papel, o Steelers deveria ter um grande ataque, ou pelo menos um bom. Tem um dos melhores quarterbacks da NFL em Big Ben, e tinha um bom trio de WRs com Emmanuel Sanders, Mike Wallace e Antonio Brown, jogadores jovens e muito explosivos, sem falar em uma dupla interessante de TEs (o bom recebedor Heath Miller e o bom bloqueador Matt Spaeth). Mas não foi bem assim, em parte devido a Brown e principalmente Wallace sofrerem com quedas de produção (Wallace, em particular, regrediu grosseiramente, não conseguiu passar das 850 jardas depois de somar mais de somar 2400 nas duas temporadas anteriores e teve seu pior aproveitamento em recepções com 54%), um dos motivos pelos quais Pittsburgh não fez muito esforços para segurar Wallace na Free Agency. Mas talvez mais importante, especialmente indo para frente, está o fato de que Big Ben simplesmente não consegue ficar saudável uma temporada. Em 2012, ele perdeu três jogos (duas derrotas) por lesão e passou tantos outros limitado, e não joga uma temporada completa desde o título de 2008. Ainda que lesões sejam muitas vezes aleatórias de um ano para outro, o histórico de Big Ben já chama a atenção e é mais do que significativo, especialmente considerando seu estilo muito físico, sempre saindo do pocket, improvisando e levando trombadas atrás de uma linha ofensiva medíocre já faz alguns anos. Ben tem perdido quase dois jogos por temporada desde que entrou na NFL, e não tem motivos para acreditar que isso vá mudar agora que ele passou dos 30 anos. Então enquanto Ben ainda seja um dos melhores QBs da NFL, a perda de seu melhor WR e seu histórico de lesões colocam uma limitação importante em cima de um ataque que teria que carregar sua defesa por uma temporada.

Os outros dois problemas estão relacionados a esse e entre si, e embora tenham sido problemas muito maiores em 2012, também tem melhor perspectiva para o futuro. Em resumo, o jogo terrestre da equipe foi horrível temporada passada, o segundo pior ataque terrestre da NFL depois do patético ataque do Cardinals. E além de ser patético, ele também foi de longe o ataque que mais entregou a bola de presente, com os RBs da equipe combinando para 12 e o ataque como um todo combinando para 33, segunda pior marca da NFL inteira atrás apenas do Eagles. Mas ao contrário do Eagles, eles não podem usar a carta do "tivemos um aproveitamento recuperando fumbles entre os piores da NFL nos últimos anos!" porque o Steelers na verdade teve um aproveitamento de 51%. Eles simplesmente sofreram fumbles demais mesmo e isso voltou para assombrar a equipe.

Mas além do problema incrível dos fumbles, o ataque terrestre simplesmente foi uma droga em si mesmo. Apenas um RB do elenco inteiro (e o time usou cinco) teve aproveitamento de jardas por corrida de 4.0 ou superior, e foi Johnathan Dwyer - um jogador com tantos fumbles como touchdowns -com um 4.0 exato. A média da equipe foi de 3.7 jardas por carregada, e a segunda corrida mais longa de toda a temporada do Steelers foi de 31 jardas por um QB terceiro reserva de 33 anos. A linha ofensiva da equipe foi, per Football Outsiders, a sexta pior da Liga bloqueando corridas e apenas três times da NFL inteira tiveram um pior aproveitamento em jardas por corrida. Então sim, foi uma desgraça que precisa melhorar para 2013 se o ataque como um todo quiser voltar a ser bom (espcialmente porque todos já devem saber a esse ponto que quanto pior seu ataque terrestre, mais atenção a defesa adversária coloca no jogo aéreo e torna a vida do QB mais difícil).

O lado positivo é que existem alguns fatores que indicam que sim, o ataque terrestre pode (ou deve) melhorar. Primeiro de tudo, a equipe correu para trocar seu RB titular, deixando Rashard Mendenhall sair na Free Agency e trazendo LaRod Stephens-Howling (a maior força nominal da NFL). Não que a troca em si vá mudar a vida da equipe, Howling vem de uma temporada muito ruim (embora, em defesa dele, o Cardinals de 2012 tivesse uma das piores OLs da história da NFL) em 2012. Mas também teve uma temporada assim Mendenhall, que apesar de passar das 1000 jardas duas temporadas seguidas só uma vez na carreira teve um aproveitamento por corrida acima de 4.0 (em 2009) e que vinha de uma temporada decadente em 2011 e muitas lesões em 2012, enquanto Howling é muito mais barato e permitiu ao time criar espaço salarial para manter Emmanuel Sanders apesar do interesse do Patriots. O que eu acho interessante de Howling é que ele é de um estilo diferente de Dwyer e do calouro Le'Veon Bell (que devem disputar o cargo de principal RB da equipe), um jogador mais explosivo e change-of-pace com a bola nas mãos, não com a mesma força para abrir buracos na linha mas melhor recebendo passes e trabalhando com um campo aberto (funciona muito bem de retornador, também). Eu acho isso interessante porque o maior problema da linha ofensiva do Steelers não foi na linha de scrimmage e sim no segundo nível (os linebackers), então Howling é uma aposta interessante para funcionar como o RB alternativo do time atrás de Dwyer e Bell (pense em Darren Sproles). Também tem o fato, menor mas importante, de que a taxa de fumbles dos running backs da equipe esteve em níveis absurdamente altos em 2012 e deve regredir para níveis mais normais em 2013.

O terceiro e talvez mais importante ponto positivo aqui provavelmente é a questão da saúde. Não de Big Ben, acho que todo mundo já desistiu de ver ele saudável por uma temporada inteira, mas sim da linha ofensiva. Ano passado, a equipe viu suas duas primeiras escolhas de Draft - o guard David DeCastro e o RT Mike Adams - perderem combinados mais de 17 jogos combinados (incluindo DeCastro perdendo os 11 primeiros e todo o training camp), sendo que DeCastro era esperado para ser o G titular do time desde a primeira semana e Adams deveria brigar pela titularidade na sua posição. DeCastro e Adams devem voltar agora para a temporada 2013, e considerando o fiasco que foi sua linha ofensiva temporada passada, é de se esperar uma melhora significativa dessa unidade, especialmente contra o jogo corrido (especialidade de DeCastro, considerado o melhor guard de sua classe). Então esse pouco mais de saúde na linha ofensiva e um pouco de regressão devem ser o suficiente para tirar o jogo terrestre da equipe do fundo do poço, especialmente considerando que esse mesmo grupo foi o sexto melhor da NFL em 2011. Não espero que suba tão alto, mas é de se esperar que no mínimo melhore em relação a esse nível, e podemos esperar que isso tenha um impacto importante também em um jogo aéreo que precisa de alguma ajuda depois de perder Wallace. Btw, inteligente manobra da equipe indo atrás de Bruce Gradkowski, um sólido QB reserva para Big Ben que não afunde a equipe quando inevitavelmente o titular se machucar.

Em resumo, o Steelers é um time que viu necessidade de remodelar sua defesa, mas ao contrário do Ravens, não tinha o teto salarial para trazer de fora alguns substitutos de forma a manter o nível. Eu não espero uma queda brutal desse lado da bola porque muitos dos veteranos estavam produzindo menos do que o esperado e sangue novo pode ajudar muito essa defesa velha, mas é de se esperar um período de adaptação aos novos jogadores e uma regressão nesse sentido, especialmente porque boa parte dessa remodelação terá que vir de dentro da própria equipe. A comissão técnica sempre foi excelente desenvolvendo talentos, então não existe muito motivo para pânico, só a aceitação natural nos esportes de que até mesmo as unidades de maior sucesso precisam passar por reformulações. Do outro lado, o jogo terrestre do Steelers deve ser consideravelmente melhor em 2013 depois do fiasco da temporada passada, mas com a perda de Mike Wallace e as dúvidas de sempre sobre a saúde de Big Ben, não espero que essa melhora no jogo terrestre seja suficiente para colocar o ataque num patamar onde seja capaz de carregar sua defesa por 16 jogos em um calendário mais difícil. Outra temporada 8-8 seria a hipótese mais provável em 2013 (com teto um pouco maior caso Big Ben jogue com menos lesões), embora como seja o caso de qualquer time com tantas mudanças, as muitas incógnitas (especialmente na defesa) possam balançar esse número para qualquer um dos lados em uma divisão muito em aberto. Esperem um Steelers forte em 2014 depois de um 2013 de adaptação.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Jogador de ataque, de defesa e melhor técnico do ano

 A NFL decidiu novamente inovar em seu formato. Dessa vez foi algo até bem simples e que é bem difícil você dizer se foi um erro, um acerto ou qualquer coisa do tipo, afinal é uma coisa bem simples. Agora os premiados da temporada são anunciados na semana entre o Pro Bowl e o Super Bowl. São sete prêmios, e eu falei um pouco de cada um deles junto com meu voto pra cada um deles nesse post aqui, mas vale relembrar quais são os prêmios: Técnico do ano, jogador ofensivo do ano, jogador defensivo do ano, comeback player of the year (Que é meio intraduzível, mas algo como 'jogador que deu a volta por cima do ano', que fica feio pra caramba e eu prefiro deixar no original), calouro ofensivo do ano, calouro defensivo do ano e MVP, o jogador mais valioso. Até agora já foram anunciados cinco, e amanhã devem ser anunciados o MVP e o Comeback Player pra fechar os sete prêmios. Como eu já falei bastante dos dois times que tão no Super Bowl e a gente ta esperando ansiosamente que chegue logo o grande dia, vou falar hoje e amanhã dos prêmios que forem saindo. Ah, como de costume, eu errei a maioria com esse meu pé frio.

Todos se rendem ao charme das madeixas de Troy Polamalu

Defensive Player of the Year (Jogador defensivo do ano)

Dos 50 votos disponíveis pra decidir o jogador de defesa do ano, 40 foram para jogadores que estarão em campo domingo disputando o Super Bowl. E melhor, foram 40 para apenas três jogadores. Mas no final, quem ganhou o prêmio foi o Troy Polamalu, com 17 votos, terminando logo à frente do Clay Matthews com 15. James Harrison fecha o trio com oito votos. Coincidência ou não, o fato é que os jogadores considerados os melhores defensores da pós temporada são os destaques defensivos dos dois times que chegaram ao Super Bowl, sendo que o quarto e o quinto colocados (Julius Peppers e Brian Urlatchers) são do Bears, que quase eliminou o Packers na final de conferência. Pros que acham que é só coincidência, eu estou preparando um post sobre o assunto, mas fica a dica que os quatro finalistas da NFL essa temporada (Jets, Bears, Packs, Steelers) eram os donos de quatro das seis melhores defesas da NFL.

Mas o Polamalu foi, indiscutivelmente, uma peça importantíssima do Steelers em toda sua temporada. O mais impressionante é que a gente vê o que ele faz, as interceptações, os sacks, tackles e tudo mais, são estatísticas mensuráveis e impressionantes, mas o mais assustador dele é o impacto que não pode ser medido. Quem viu os jogos do Steelers ano passado viu que a defesa de Pittsburgh era extremamente diferente com ele dentro e fora de campo. Quando ele está em campo, a defesa do Steelers é excelente, pressiona o QB, da sacks, força turnovers e não da espaço pra ninguém conseguir jogar. Quando ele foi forçado ano passado a perder vários jogos por causa de lesão, a defesa foi totalmente destruída por times como Raiders e Chiefs (Uma desgraça ano passado), sofreu demais em todos os aspectos, pass rush, defesa terrestre, secundária, e perdeu jogos contra esses times que no final fizeram muita falta e deixou o time, recém campeão do Super Bowl, fora da pós temporada. Pra quem gosta de números, dos 39 jogos que o Polamalu jogou nas últimas três temporadas, o Steelers ganhou 31. Dos 13 que ele não jogou, o Steelers ganhou seis. O cara é um jogador extremamente completo, é um dos melhores da Liga reconhecendo as jogadas na linha de scrimmage, é muito atlético e super inteligente, sabe exatamente onde estar em cada jogada e até por causa disso ele é um jogador que influencia tanto a defesa como um todo, a defesa sabe que a função que ele vai executar está em boas mãos e por isso pode se concentrar em outras áreas. Mas mais que outra coisa, o Polamalu é muito bom fazendo grandes jogadas nas horas certas, forçando turnovers, dando sacks e tudo mais. Nesse mix que eu achei dele de 2010 da pra ver bem isso. Um prêmio muito merecido, como da pra ver no mix ele foi responsável por várias vitórias da equipe, inclusive contra o rival de divisão Ravens.




 
"O que, eu ganhei mais um prêmio??"

Offensive Player of the Year (Jogador ofensivo do ano)

Como o prêmio de MVP é praticamente uma certeza, eu confesso que não gostei desse prêmio. Na verdade, eu tenho uma certa raiva desse prêmio. O prêmio de MVP é dado, geralmente, pra um jogador de ataque. Em toda a história do prêmio, apenas duas vezes o vencedor foi um jogador de defesa, e uma um kicker (sim, um kicker!), e nas outras vezes o vencedor foi um jogador de ataque. Ta bom que o prêmio de MVP é um prêmio que não tem muito critério e teoricamente premiaria o jogador mais 'valioso' e não o 'melhor', mas de certa forma o MVP acaba sendo o jogador de ataque que jogou melhor e traduziu isso em vitórias. Como muitas vezes o vencedor é um QB, e um grande QB eventualmente vai traduzir grandes jogos em vitórias, o MVP acabaria sendo também o jogador ofensivo do ano. Existem exceções, claro, ano passado o MVP foi o Peyton Manning e o jogador ofensivo foi o RB que correu pra mais de duas mil jardas e triturou o recorde da Liga pra jardas totais de scrimmage (correndo e recebendo), Chris Johnson. Mas em geral, o melhor jogador ofensivo e o MVP são a mesma pessoa, na prática. Por isso, as vezes, os que votam nesse prêmio escolhem jogadores de outras posições que não o QB, ou então outro QB que não o MVP. Ninguém nega que o melhor jogador ofensivo da temporada foi o Tom Brady, ele destruiu tudo e todos, mas mesmo assim ele só teve 21 dos 50 votos possíveis, e embora eu não tenha gostado dele ter ganho (se ganhar mesmo o MVP, claro) pelo menos mais da metade dos votantes achou que esse prêmio não devia ir para quem ia ganhar o outro. Eu pessoalmente acho que esse prêmio não poderia ser dado pro mesmo cara que o MVP, como por exemplo em 2008, quando o MVP foi o Manning e o Offensive Player o Drew Brees. Se o Brees foi o melhor jogador ofensivo, porque não foi o MVP? Porque o Manning teve uma campanha melhor? Não faz sentido. Se é pra dar esse e o MVP pra mesma pessoa, porque não elimina logo um dos dois prêmios?

Mas, de toda forma, o Offensive Player of the Year foi o Tom Brady, que realmente foi o melhor jogador ofensivo da temporada. 14 vitórias e duas derrotas com um time recheado de calouros e novatos, ele liderou um ataque cheio de jogadores novos, velhos, voltando de lesão e tudo mais pra ser o ataque mais assustador da NFL e massacrou times que comprovaram sua força nos playoffs, como Steelers e Jets. Não vou esgotar tudo que tenho pra falar dele aqui, até porque já falei bastante naquele link ali em cima e vou falar mais quando ele for MVP. Por isso deixo ai um vídeo com vários lances da temporada do Patriots. E, só para deixar claro, eu nunca achei que não foi merecido o Tom Brady ser eleito o melhor jogador ofensivo da temporada, porque ele foi. Só acho que, já que ele vai ganhar o MVP, esse prêmio poderia ser dado pra outra pessoa.




Rex Ryan está revoltado que o Belichick ganhou mais um prêmio e ele não

Coach of the Year (Técnico do ano)
Antes de falar mais sobre isso, eu quero deixar duas coisas claras. Primeiro, se eu tivesse um voto nesse prêmio, eu não teria votado no vencedor, que foi o Bill Belichick. Segundo, isso não quer dizer que eu ache que o prêmio não foi merecido. Pronto, agora posso falar com calma.

O Bill Belichick, eu disse aqui o ano todo, fez um trabalho incrível no Patriots, foi o grande responsável pela arrancada inicial do Patriots, reformulou um time de forma brilhante, é um gênio, dos maiores técnicos da história da NFL e coloquei nesse link lá de cima sobre meus palpites que se ele ganhasse ia ser muito merecido (Embora, com meu costumeiro pé frio, tenha dito que ele não ia ganhar). Eu apenas votaria no Raheem Morris porque, como eu sempre insisto, esse prêmio é muito subjetivo e não tem um critério definido, cada um pode usar o seu, e usando o meu eu acho que o que o Morris fez é mais impressionante e mais digno de prêmio do que o Belichick fez. Os dois foram incríveis de formas diferentes, um remontando muito bem um time em torno do MVP e levando esse time aos playoffs com a melhor campanha, e o outro elevou o nível de um time em plena reconstrução ao ponto de eles quase chegarem aos playoffs. Cada um pode valorizar um deles, e ai cada um escolhe o seu. Por isso, a eleição do Belichick não foi nem remotamente injusta.

Aparentemente mais gente achou que o feito do Belichick, montar um time cheio de moleques e de jogadores mais experientes em baixa em torno de um pilar central, Brady, de forma a fazer o time seguir ganhando de forma dominante depois de perder a grande maioria de um time que foi dominante ao longo de toda a década, mais difícil, que revelou mais habilidade e por ai vai. Eu pessoalmente fiquei impressionado com o fato de um time que está no meio de um processo de claríssima reconstrução, um time que já foi campeão essa década (2002), que ficou velho demais, que provou que o time velho não iria a lugar nenhum em 2008 quando perdeu os últimos quatro jogos e ficou fora dos playoffs, jogou tudo fora e começou de novo em 2009 e de repente começa a jogar bem demais, se acertar como uma luva, desenvolver os jogadores numa velocidade impressionante e de repente só não ir para os playoffs - tirando a vaga do Packers - porque perdeu em casa pro Lions. Verdade que perder em casa pro Lions é uma prova de imaturidade, o time claramente ficou nervoso, mas esse time não era pra brigar por playoffs por mais uns dois ou três anos. E isso foi sensacional, se esse time seguir nesse ritmo, vai ser um time muito forte na década que estamos entrando. Por isso, o técnico do Tampa Bay Buccaneerss teria meu voto. Mas, repito, foi um prêmio justo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pittsburgh Steelers


Agora nós sabemos o resultado da mistura do Hines Ward com o Troy Polamalu

O Pittsburgh Steelers é a franquia mais vitoriosa da história da NFL, ou pelo menos o é na Era Super Bowl, contabilizando seis títulos, um a mais que Cowboys e 49ers. Desses seis títulos, dois vieram na última década, em 2005 e 2008. O Steelers tem sido um dos grandes times da AFC nessa década, junto com Patriots e Colts, e não só chegou a esses dois Super Bowls como chegou a uma castanhada de finais de conferência e quase sempre aos playoffs. Curiosamente, aliás, nas duas vezes que não foi aos playoffs foi justamente quando tinha acabado de ser campeão, em 2006 e 2009. Mas o que mais impressiona nessa dominação do Steelers ao longo da década é a defesa que o time tem. Desde o time de 2005, que tinha como astros no ataque Jerome Betts em fim de carreira, o RB mais forte que eu vi jogar, e o Willie Parker, além de contar com o Hines Ward e dois jogadores muito jovens, Ben Roethlisberger e Heath Miller, o time tinha como principal âncora a defesa, liderada por Troy Polamalu, James Farrior e Joey Porter. Era uma defesa sufocante, que vivia dando sacks e forçando turnovers, colocando pressão no QB adversário e colocando seu jovem QB em boas situações de campo. Foi assim que o time se tornou o primeiro time da história a ser 6th seed (Pior time do wild card a se classificar) nos playoffs e ser campeão do Super Bowl. Em 2008, mais do mesmo: classificando com uma defesa fortíssima e tendo o Defensive Player of the Year do ano, James Harrison, o Steelers forçou com aquela defesa sufocante seu caminho até o Super Bowl contra o Cardinals. Apesar de ter sido um jogo ofensivo de ambos os lados, a jogada que definiu a partida veio na defesa, e justamente de Harrison, que interceptou um passe dentro da end zone de Kurt Warner no final do primeiro tempo pra levar pra touchdown do outro lado, uma jogada de no mínimo 10 pontos e que fez toda a diferença no final, e também foi o retorno de TD mais longo da história do Super Bowl.

A situação, esse ano, também é muito parecida. O Steelers também conta com o atual Defensive Player of the Year, Troy Polamalu, e também com o terceiro colocado na votação, Harrison, além de possuir a melhor defesa da temporada regular e que tem sido excelente nos playoffs, uma defesa que coloca muita pressão no QB adversário, da sacks, força turnovers e é ótima colocando o ataque em boas posições de campo. E o ataque, embora secundário, é uma unidade bem forte, com um jogo terrestre liderado pelo Rashard Mendenhall e com o Big Ben controlando o jogo nas horas decisivas. O time perdeu seu melhor WR de 2008, o MVP do Super Bowl Santonio Holmes, mas achou no Mike Wallace um ótimo substituto, rápido, inteligente e excelente em abrir espaços rapidamente. O Hines Ward ta mais velho, é verdade, mas ainda é um excelente WR, o jogador de confiança do Ben e que ainda é muito bom achando espaços pelo meio e bloqueando para corridas ou jardas após a recepção. É uma unidade que conta com a incrível mobilidade e inteligência do Big Ben Roethlisberger e com seu braço de canhão pra conseguir mesclar bolas longas com jogadas curtas, corridas que controlam o relógio e mantém o jogo com o placar baixo, como eles fizeram tão bem contra o Jets no primeiro tempo.

Acontece que o adversário é, novamente, um time muito parecido com o  Steelers. Não tão parecido como o Baltimore Ravens, eles parecem cópias roxas e amarelas um do outro, é incrível, mas ainda assim são dois times que tem como âncora uma excelente defesa, que coloca muita pressão no quarterback e que tem um ataque competente pra ganhar as partidas. Analisando mais de perto, percebemos várias pequenas diferenças, mas a silhueta é a mesma: uma defesa fortíssima, mais de um jogador que é capaz de desequilibrar uma partida a qualquer momento (Clay Matthews também ficou em segundo na votação pra Defensive Player of the Year, Charles Woodson ganhou ano passado) que lidera e um ataque que também é capaz de colocar pontos no placar rapidamente pra depois segurar a vantagem. A diferença principal é que enquanto o Steelers usa seu ataque como um complemento pra sua defesa, pra colocar pontos no placar e ai segurar o ataque adversário na sua defesa e administrar o relógio quando tiver a bola, o Packers usa os dois de forma cooperativa, ele pontua rapidamente, abre o placar, usa sua defesa pra forçar turnovers ou chutes rápidos, usa seu poder de fogo pra pontuar novamente, e ai você vai colocando o adversário num buraco do qual ele vão ter que escapar jogando com mais pressa e unidimensionalmente, tornando-se ai uma presa mais fácil pra forte defesa de Green Bay. 

O que o Steelers tem que fazer, portanto, é impor o seu estilo de jogo e limitar ao máximo o do Packers.  E pra isso ele tem que, antes de tudo, evitar turnovers. A secundária do Packers é excelente em interceptações e o Steelers pode contar ainda a ausência do C calouro Maurkice Pouncey, que tava tendo uma ótima temporada. Além disso, a dupla de tackles do Steelers é a reserva, os titulares ambos lesionados. Ou seja, o Steelers ta jogando praticamente com uma linha ofensiva reserva, e se a titular já não era muito confiável, a atual está totalmente vulnerável ao BJ Raji pelo meio da defesa e ao Matthews pelas laterais. E o Big Ben é excelente fugindo do sacks, mas até ele é humano e tem um limite, e evitar sacks e lançamentos apressados que possam acabar em interceptações é fundamental. A linha ofensiva vai ter que jogar o melhor que puder, dados os desfalques, mas é importantíssimo que o Big Ben se livre rápido da bola. Às vezes ele segura a bola demais esperando os WRs se desmarcarem, porque o time tem vários jogadores que conseguem abrir distância bem rápido, mas nesse jogo é importantíssimo que o Big Ben solte a bola rápido, em rotas curtas, de preferência com os alvos ainda em movimento pra aproveitar a velocidade do Wallace e os bloqueios do Hines Ward. Isso é essencial pra evitar que o Big Ben apanhe mais do que já vem apanhando e acabe soltando a bola ou force o passe e acabe nas mãos da perigosíssima secundária do Packers. Também é importante estabelecer o jogo terrestre, se o Mendenhall correr o que correu contra o Jets será ótimo, porque como eu já disse o Steelers gosta de usar o ataque pra pontuar lentamente e controlar o relógio pra deixar sua defesa fazendo o trabalho sujo, e usando ele com mais força quando necessário, e pra isso é importante que o jogo terrestre funcione. Mas o próprio Mendenhall vai ter trabalho, ele que vem sofrendo com fumbles já faz algum tempo, é fundamental que ele tome cuidado e segure a bola. Executando esses dois com eficiência, o Steelers já faz uma parte do que se propõe: Controlar a bola, evitar turnovers e avançar lentamente pra converter pontos e contar com sua defesa.

O problema é que o ataque do Packers é infernal e o Aaron Rodgers é um dos melhores QBs do mundo. A defesa do Steelers é excelente, conta com um número enorme de grandes jogadores, e é excelente em todas as áreas do jogo, mas parar o Aaron Rodgers é algo impossível. O Steelers vai, lógico, evitar ao máximo levar pontos, tentar fazer o que puder pra parar o QB de Green Bay e forçar turnovers, mas pontos vão acontecer. O Packers não tem um jogo terrestre confiável, mas sua linha ofensiva tem jogado bem nesses playoffs e é melhor do que a desfalcada linha do Steelers. É ai que a defesa do Steelers vai jogar, colocando pressão de todos os lados possíveis, forçar o Rodgers a ficar no pocket ao invés de fazer o bootleg e tentar caçar ao máximo o QB de Green Bay pra deixar ele preocupado e desconfortável dentro do pocket. Nesses playoffs foi a única coisa que deu resultado, e foi o que limitou a produção dele contra o Bears, com o Jullius Peppers fungando na nuca dele o jogo todo. E o que da certo, você tenta imitar. Não é só uma questão de sackar o Rodgers sempre, você tem que fazer ele ter medo, se preocupar com a pressão, não conseguir se concentrar no passe tão bem como gostaria, e pra isso você tem que constantemente colocar alguém pra forçar um deslocamento ou apressar o seu passe. É um jogo onde as linhas vão ter um papel fundamental, e como a linha ofensiva do Steelers deve vir mais desfalcada e fraca do que no resto dos playoffs, a linha defensiva vai ter que equilibrar essa balança, também parando a corrida, mas mais do que tudo impedir que o Rodgers entre no seu modo assassino, porque ai ninguém consegue segurar.

Mas caso o plano não funcione tão bem, ou até se funcionar na medida do possível, o Rodgers e o ataque do Packers vai conseguir anotar pontos, vários pontos, e ai o ataque do Steelers, além de proteger a bola, vai ter que correr atrás. De nada adianta você controlar o relógio se a cada posse de bola você anota três pontos e o adversário anota sete. Por isso que o Steelers tem que evitar ao máximo que a vantagem do Packers se abra, porque ai você vai ter que começar a acelerar o ataque, jogar mais pesado pelo ar, e vai tornar o Big Ben um alvo muito mais fácil pro sistema criativo de blitzes do Dom Capers, e jogar dessa forma contra a defesa do Packers é pedir pra perder o jogo. Por isso o ataque do Steelers vai ter que se preparar pra jogar de forma mais agressiva, pra campanhas sem se preocupar com relógio ou outra coisa alem do touchdown. Você não pode abandonar o jogo terrestre, mas você tem que contar com a inteligência do Big Ben pra achar, quando tiver tempo pra isso, um passe longo, uma corrida pela lateral ou até um passe na velocidade pro Mendenhall quando a defesa não tiver esperando. O time tem que estar pronto pra variar seu repertório antes que a situação chegue num ponto crítico, controlar o relógio mas não pode perder a chance pra uma jogada longa quando a oportunidade aparecer. O problema é saber identificar essas situações, e saber diferenciar das situações onde jogar com segurança, passes curtos e rápidos ou corridas. E ai, está nas suas mãos, Big Ben. De certa forma, você é a chave da partida para o Steelers.