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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - New Orleans Saints

A defesa do Saints - e os torcedores - adorariam fazer isso com Goodell



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North, os previews da NFC North, e agora os da AFC South, começamos a falar da NFC South pelo interessante Atlanta Falcons. Agora é a vez do campeão de 2009, New Orleans Saints. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

New Orleans Saints

2012 Record: 7-9
Ataque ajustado: 9th
Defesa ajustada: 32nd


Provavelmente não tem nada mais difícil na NFL, hoje e sempre, do que determinar o impacto que um técnico tem sobre um time quando entra, sai ou se ausenta. Na verdade, esse é um dos meus problemas com o prêmio de técnico do ano: como medir exatamente o quanto um certo técnico foi valioso para um time, especialmente quando ele está lá ano a ano sendo valioso? Isso é mais fácil quando tem um outro parâmetro para comparação (um outro técnico entrando ou perdendo o lugar para ele, por exemplo) e mesmo assim ainda é muito difícil porque é extremamente difícil separar onde acaba a influência do técnico e onde começam as mudanças do elenco, os fatores aleatórios (que temos analisado por aqui) e pontos fora da curva. Por exemplo, esse ano o Coach of the Year foi dado para Chuck Pagano e Bruce Arians, do Colts, por terem levado o 2-14 Colts a 11-5 e uma vaga nos playoffs, um feito impressionante. Mas quanto disso foi efeito das chegadas de Pagano e Arians? A incrível sorte da equipe em 2012 e a chegada daquele cara chamado Andrew Luck provavelmente não tiveram também muito a ver com isso, até mais a ver? O impacto de Pagano e Arians no lugar de Jim Caldwell foi maior do que impacto estável de Jim Harbaugh e Bill Belichick em seus respectivos times, com a diferença que esses últimos não conseguimos analisar pois estavam lá ano passado já? (Para mim não, Jim e Bill são melhores). Não sabemos, e não temos como saber.

O que não quer dizer que mudanças de técnicos não tenham impacto. Peguem meu 49ers, por exemplo, quando seu técnico era o horrível Mike Singletary. Em 2009, a equipe terminou uma boa e extremamente azarada temporada que deixou um gosto amargo na boca porque todos sabiam que era um time que merecia ir aos playoffs, um 10-6 Pythagorean Expectation que acabou ficando como um record de 8-8 por causa de um record 2-6 em jogos decididos por uma posse de bola. A defesa era espetacular (Top5), o time parecia estar se encontrando, o time teve alguns jogos marcantes (em particular um 24-9 contra o atual campeão da NFC Cardinals que foi a melhor performance defensiva que eu já vi na vida, forçando 7 turnovers), e tudo indicava que o primeiro ano completo de Mike Singletary (que assumiu no final da temporada 2009) seria o ano da redenção.

Não aconteceu. Singletary foi o pior técnico que eu vi na minha vida e fez tudo errado, mudando frequentemente de quarterbacks e não dando qualquer confiança ou entrosamento para nenhum, trocando de coordenador ofensivo, usando um playbook muito malfeito, se mostrando incapaz de planejar um esquema de jogo em torno das forças e fraquezas de seus jogadores (pior ainda, tentando adaptar seus jogadores ao esquema de jogo pré-determinado), e basicamente sendo horrível em tudo que fez. A equipe caiu para 6-10 (com PE de 7-9, nenhum consolo), a quebra de expectativas foi absurda, e Singletary foi demitido antes do final da temporada. Na offseason, a equipe inteligentemente foi atrás de Jim Harbaugh... e tudo mudou. Foi como largar a Mara Maravilha e começar a namorar a Mila Kunis: Jim mudou a cultura da equipe, controlou cada aspecto da franquia junto do GM Trent Balkee, fez boas contratações e ajustes, montou um playbook genial em torno de Alex Smith, e levou o time a 13-3 em uma temporada embora fosse basicamente o mesmo que em 2010 (mais Aldon Smith). Se existisse algo como WAR para técnicos da NFL (podiamos nomear de Wins Above Singletary, ou WAS), o de Jim provavelmente seria o mais alto da história da NFL em 2011. Em 2012 ele pegou esse mesmo time e levou um passo a frente com Colin Kaepernick, mas como a base de comparação era um espetacular ano anterior dele mesmo, ninguém prestou atenção (o mesmo motivo de Jerry Sloan, Greg Popovich e Phil Jackson combinarem para menos de cinco prêmios de Coach of the Year na NBA).

E essa é a parte difícil de avaliar o Saints, que caiu de 13-3 para 7-9 no ano que seu técnico Sean Payton foi suspenso por causa do "Bountygate". Quanto exatamente disso foi influência da saída de Payton - um dos cinco melhores técnicos da NFL, sem dúvida - e quanto foi uma piora real e orgânica de seu time? Payton está de volta esse ano, então essa é uma discussão importante e central para podermos avaliar o que esperar da equipe para 2013. Então vamos ver exatamente o que mudou, ano a ano, e tentar separar o que a volta do Payton deve mudar e o que deve continuar ruim. Começamos com a seguite tabela:



(Só para lembrar: todos os números são ajustados, e os percentuais indicam quão superior (ou inferior) um time foi em relação a média da Liga. No caso de defesas, quantos pontos a mais cedeu, então quanto mais negativo, melhor).

Incluí na tabela 2010 também para dar uma amostra melhor da equipe com Sean Payton para evitar pontos fora da curva (embora 2010 tenha sido sim um ponto fora da curva ofensivamente, para pior). Acho que não preciso destacar como a queda da equipe de 2011 para 2012 foi brutal. Não apenas em termos de record (e mesmo assim, seis vitórias de diferença é muita coisa), mas em praticamente tudo. O ataque despencou (especialmente pelo chão, mas também pelo ar), a defesa continuou o declínio pelo qual já vinha passando e isso tudo se refletiu na imensa e absurda queda de eficiência da equipe. Isso tudo pode ser visto nos dados acima. A questão agora é tentar separar um pouco do que deve continuar para o ano que vem e do que deve voltar.

Se você for observador e entendeu bem algumas das estatísticas que temos usado nesses previews, talvez tenha pensado o seguinte: "Espera, se Drew Brees e o Saints não tem um histórico sustentável de vencer jogos decididos por uma posse de bola e superar sua Pythagorean Expectation (e não tem mesmo), a diferença entre os dois times foi de apenas quatro vitórias, não poderiamos atribuir isso a enfrentar um calendário MUITO mais forte? Talvez não tudo, mas uma boa parte?". Se você pensou isso, meus parabéns, está indo pelo caminho certo. Um time 12-4 (em PE) cair para 8-8 (de novo em PE) apenas com um calendário mais difícil é bem improvável, mas certamente podia motivar uma parte disso aliada aos fatores normais da saída do Payton, sem dúvida. Infelizmente, tem um outro fator que me faz crer que não é o caso: o Saints de 2012 foi o quinto time mais sortudo da Liga recuperando fumbles, com 61.3%, mas o de 2011 foi um dos piores da década nesse aspecto, recuperando 24.3%, um número absurdamente baixo. Considerando o impacto dessa enorme mudança de azar para sorte no seu record e saldo de pontos, da para concluir que ainda tem muito mais a explicar do que somente a mudança no calendário.

Embora, é claro, a mudança na dificuldade da tabela seja um fator que deva ser levado em conta. Os números de ataque, defesa e eficiência acima são todos ajustados por adversário, mas ainda teve um impacto sem dúvida na qualidade de jogo da equipe em geral e sobre seu saldo de pontos/Pythagorean Expectations. Um outro ponto interessante a ser levado em consideração é que esses números refletem a eficiência da equipe em relação a média da NFL, mas a liga foi mais forte em 2012 do que em 2011 (especialmente ofensivamente) com a explosão de times como Seattle, Washington, Indianapolis e até San Francisco e seus novos QBs, bem como a volta de Peyton Manning. A chegada de basicamente CINCO novos QBs de alto nível na NFL sem dúvida colocou a barra bem mais alto do que um ano antes, e portanto é natural que os números ofensivos do Saints em relação a média da liga sejam muito menos dominantes(vale citar que SF, Redskins, Seahawks e Broncos foram quatro dos times que passaram NO em ataque nessa temporada). Então isso ajudou em relação aos números acima, sem dúvida.

Mas isso ainda deixa muito a ser explicado. Chequem por um instante os números de Drew Brees em 2011 e 2012:

2011: 468/657, 71.2%, 5476 jardas (recorde da NFL), 46 TDs, 14 INTs, 8.3 Y/A, 84.01 QBR
2012: 422/670, 63.0%, 5177 jardas, 43 TDs, 19 INTs, 7.7 Y/A, 67.87 QBR

Mesmo com a diferença de força no calendário, ainda é uma diferença significativa, certo? E embora a temporada de 2011 tenha sido a melhor de Brees, não é como se fosse uma aberração: ele tinha liderado a NFL em aproveitamento dois anos seguidos antes de 201, suas jardas por passe foram ainda maiores em 2009 (8.5), e suas taxas de TDs e interceptações também já foram maiores em 2009. Então 2011 foi uma grande temporada com uma grande carga de trabalho, mas não foi uma aberração. 2012 foi muito pior: o aproveitamento foi seu pior desde 2003, e tantos em Y/A, TD% e INT% Brees sofreu um setback para essa temporada. Claro, Brees tem 33 anos, mas Brady e Manning tem mais e estão mantendo seu nível. Embora não seja absurdo supor que a idade esteja começando a alcançar Brees, não é explicação suficiente com apenas uma temporada desse "declínio" logo depois de sua melhor temporada como profissional. 

A outra explicação possível seria uma saída de jogadores importantes do ataque, o que foi um pouco mas também não tanto o caso. Robert Meachem saiu mas era dispensável, sua saída facilmente foi suprida pelo aumento das repetições de Lance Moore quando Meachem foi ser um bust em San Diego. A saída de Carl Nicks é outra história. Nicks e Jahri Evans formavam provavelmente a melhor dupla de guards da NFL em 2011, sendo os dois All-Pros aquele ano. Em 2012, Nicks levou seu talento para a Flórida para jogar no Bucs, e embora seu substituto tenha se saído ok, ele não era Carl Nicks. Se quer procurar o principal motivo pela queda do bom jogo terrestre da equipe, não precisa procurar mais: a linha ofensiva do time foi a melhor correndo com a bola em 2011, e sem Nicks caiu para uma boa e acima da média, mas nem de longe tão dominante 11th melhor (embora ainda fosse muito boa em corridas de força, 3rd overall). Mas quanto ao impacto disso no jogo aéreo e na queda de produção de Brees, ainda não foi um grande motivador. A piora no jogo terrestre sem dúvida foi um fator, mas nenhuma defesa entra para enfrentar o Saints planejando sobre como parar Mark Ingram e Pierre Thomas, o foco é todo no jogo aéreo, então provavelmente não foi um fator tão grande. E quanto a proteção ao QB, a linha do Saints continuou como uma das melhores da NFL (3rd para 6th) mesmo com a saída de Evans, então a saída de seu Pro-Bowl Guard provavelmente teve um impacto consideravelmente maior na queda no jogo terrestre do que no jogo aéreo.

Então a queda no jogo terrestre pode ser explicada, mas a do jogo aéreo não. Alguma queda era normal depois dos patamares altíssimos de 2011 e do reforço no calendário, mas ainda não faz sentido. E é aqui que Payton supostamente faz mais falta: no jogo aéreo. Payton é um excelente pensador ofensivo, um cara que sabe muito bem planejar para adversários, chamar jogadas, ler defesas e trabalhar em sintonia com Brees. Ele sabe adaptar o playbook em conjunto com seu QB, ele sabe quando seu time deve ou não usar um certo tipo de formação... basicamente, ele tem um controle incrível sobre seu ataque, o tipo de controle que só vem quando você tem um grande técnico ofensivo com uma fundação estável por um longo período de tempo. E enquanto é muito fácil colocar a culpa de tudo de ruim que aconteceu no Saints em 2012 em cima da ausência de seu técnico, eis aqui um ponto onde eu acho que Payton foi realmente o que fez a diferença. Não estou dizendo que o Saints teria tido um ataque tão bom quanto em 2011 com um calendário consideravelmente mais difícil e alguma regressão natural de um patamar absurdo para Brees (especialmente em relação a média da Liga, que subiu bastante em 2012), mas acredito que teria sido melhor e mais eficiente pelo ar. 

A defesa é um problema diferente. Payton é daqueles técnicos que gostam de estar envolvidos em tudo que se passa, desde ataque a special teams, mas ele não é exatamente um estrategista defensivo que planeja e toma conta de sua defesa. Ele sempre deixou esse trabalho mais para seus coordenadores, sem se envolver pessoalmente. Por isso acho que dificilmente a volta de Payton vá resultar no retorno de uma boa defesa. Até porque a defesa já vinha caindo consideravelmente desde o título de 2009, de 10th para 28th para 32nd, muito antes de Payton ser afastado. Muitos motivos levaram a isso, entre eles os principais sendo o envelhecimento e perda de alguns jogadores, e uma queda no volume de turnovers forçados. Em particular, quem despencou mesmo foi a secundária desde as lesões e subsequente aposentadoria do Darren Sharper. Em parte porque Roman Harper está envelhecendo em anos de cachorro, em parte porque a linha de frente parou de conseguir colocar boa pressão nos adversários (Will Smith nunca explodiu como se esperava, o meio da linha não conseguiu os mesmos resultados de 2010, Sedrick Ellis teve 6 sacks em 2010 e 0.5 sacks nos dois últimos anos somados...) e em parte porque a saída de Tracy Porter foi mais sentida do que o esperado, mas o fato é que essa declínio não é algo pontual ou inesperado. A defesa do Saints comprometeu dinheiro demais para alguns poucos jogadores (em particular Smith) na esperança de que estourassem, mas nunca aconteceu e a defesa se viu presa a jogadores medianos e com pouca flexibilidade para achar novas peças de elite.

Para o ano que vem, as coisas vão mudar um pouco... o que não quer dizer que vão melhorar. O Saints trouxe Rob Ryan de Dallas para ser coordenador defensivo, e Ryan já avisou que vai mudar a defesa para uma formação base 3-4. Isso é sempre difícil de projetar ano a ano porque envolve uma mudança muito grande na forma como o time vai defender, como ele vai se adaptar, e como essa nova defesa vai explorar as forças do grupo. Mas Ryan - que não tem feito bons trabalhos em Dallas e já devia ter saído faz muito tempo, vale citar - vai ter muito trabalho para lidar com uma defesa que não só estava acostumada demais ao 4-3 como, francamente, não tem muito talento, como suas campanhas ruins na defesa tem indicado. A equipe investiu pesado na secundária, draftando Kenny Vaccaro na primeira rodada para misericordiosamente substituir Roman Harper, e trouxe o bom Kennan Lewis e Jim Leonhard, muito bom alguns anos atrás mas que caiu devido a lesões (ainda pode ser uma adição interessantes). Então alguma coisa melhor deve ser esse ano.

Mas a equipe perdeu Ellis, e eu tenho dúvidas de como esse elenco vai se adaptar ao esquema 3-4 de Ryan: o melhor jogador defensivo da equipe (tirando Jonathan Vilma, que alias operou o joelho) provavelmente é o DE Cameron Jordan, que teve 8 sacks em 2012, mas será que ele vai conseguir colocar tanta pressão no QB jogando de DE em uma defesa 3-4, enfrentando bloqueadores maiores e mais marcações duplas? Será que Will Smith, aos 32 anos de idade, vai conseguir manter alguma da sua decadente produção fazendo a conversão para OLB? Será que Jordan vai conseguir ser produtivo sem um OLB de impacto ou um NT capaz de exigir marcações duplas? Será que seus calouros de terceira rodada de 2012 e 2013 (os dois disputando a vaga de NT titular) darão conta do recado? A falta de OLBs confiáveis e de ofício e o fato de que agora você está colocando seu melhor pass rusher mais para o interior da linha (sem um NT que tenha se mostrado até agora sólido) podem anular boa parte do impacto da maior agressividade desse esquema, deixando a defesa ainda mais exposta. Claro, é difícil demais saber com certeza qual vai ser o impacto dessa mudança, pode ser que vários jogadores surjam ou se descubram em novas funções, mas até ver algo assim na prática, eu estou cético. Os dois melhores pass rushers de um time que já tem dificuldade para pressionar o QB estão mudando de posição, e um deles tem 32 anos. A equipe não tem - ou pelo menos não mostrou que tem - as peças para jogar nesse esquema, então enquanto essa mudança pode ter sido feita pensando no futuro e nas peças que eventualmente chegarão, eu ainda não acho que vá ser um bom ano para esse grupo. Apesar das melhorias na secundária - consideráveis - ainda acho que vai ser um grupo melhor do que ano passado, mas ainda ruim.

Então enquanto é muito fácil fechar os olhos e atribuir todos os problemas da equipe a saída do Sean Payton - e não se enganem, teve impacto sim - o fato é que o Saints foi pior em 2012 por uma série de diversos motivos que tem pouco ou nada a ver com Payton, como sua defesa, a perda de Nicks e por ai vai. O maior efeito que, pelo que vimos, pode ser sentido em campo da saída de Payton foi principalmente no ataque aéreo, um efeito que não é pequeno considerando que é o carro chefe da equipe e conta com seu melhor jogador, mas a queda do Saints pode ser atribuída a muitos outros motivos, como um calendário muito mais forte, a perda de Nicks e Porter, o envelhecimento de uma defesa que já era ruim para começar e alguma regressão. Então sim, a volta de Payton vai reforçar o time: o ataque vai evoluir, o time vai chegar maior preparado, e presença de um técnico como ele via dar mais tranquilidade e estabilidade a equipe. Mas Payton não vai transformar Will Smith em Von Miller ou Malcolm Jenkins em Ed Reed, e Payton não vai jogar de LG para a equipe. A saída de Payton obscureceu o fato de que o Saints de 2012 era um time pior que o Saints de 2011, e para falar a verdade, é possível que o de 2013 seja ainda pior considerando a saída do ótimo Jermon Bushrod, o LT que protegia o lado cego de Brees, e as mudanças na defesa. O Saints vai evoluir por diversas das razões que falamos aqui: o impacto de Payton no jogo aéreo (e no ataque em geral), uma provável melhora de Brees, regressão contra sua Pythagorean Expectation, as melhoras na secundária e tudo mais, mas eles ainda enfrentam o terceiro calendário mais forte da liga em 2013, ainda tiveram sorte em 2012 com fumbles, ainda devem ter uma defesa ruim (embora com potencial de melhora na secundária, é uma incógnita demais no 3-4) e perderam dois dos seus três melhores linemans.

Com a volta de Payton e Brees dando a volta por cima, eles podem chegar a 9-7? Sem dúvida. 10-6? Talvez... mas eu já não sei. E esse é o problema: não da para saber se o efeito de Payton é apenas o que identificamos no jogo aéreo ou se tem mais escondido por todo o resto que não se reflete em estatísticas.  Existem motivos concretos para a defesa ter piorado e para o jogo terrestre ter piorado, mas quanto exatamente? Não sei. Não temos como medir o impacto de um técnico ano a ano. Por isso essa talvez seja a previsão mais difícil de todos os 32 previews, e por isso não gosto do meu 9-7 para o Saints. Acho que abaixo de 8-8 não vai ficar, eles ainda tem Brees e Payton é um dos melhores técnicos da Liga, mas considerando a perda de Bushrod, a falta de reforços e a tabela ridiculamente forte (em uma divisão que promete ser ridiculamente forte)... eu não me sinto confortável projetando 10-6 ou playoffs. Então fico com 9-7 com uma vitória de margem de erro (mais inclinado para 10-6) porque é impossível apostar contra um QB de elite, mas com peso na consciência. E se Sean Payton voltar para calar minha boca, que seja!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A volta das férias e pensamentos sobre os playoffs

Sim, caros leitores, voltei das minhas férias. Peço desculpas por ter sumido nesse momento tão crucial da NFL, mas era a única época que eu tinha. Espero que todos vocês voltem a acompanhar o blog agora.

Como fiquei fora durante duas malditas rodadas de playoffs, vou deixar aqui todas as minhas impressões sobre essas duas rodadas.


San Francisco 49ers
E é claro que o meu time tinha que ser o primeiro da lista. E eu ainda sinto um desgosto imenso de pensar naquele jogo e naqueles dois f... f... naquelas duas jogadas que nos custaram uma vaga no Super Bowl, meu sonho desde pequeno, e me fizeram passar duas horas deitado de cara pra baixo no chão choramingando ocasionalmente pra avisar aos companheiros de quarto que ainda estava vivo.

Ainda assim, a primeira coisa quando eu penso na temporada 2011 do Niners que eu sinto é orgulho. Orgulho de ter visto uma das reviravoltas mais espetaculares da história da Liga, um time que de 6-10 e muitos problemas em 2010 terminou 13-3 e que teria ido ao Super Bowl não fossem dois erros individuais. Alex Smith teve uma temporada que seria digna de Comeback Player of the Year se não fossem as 5000 jardas do Matthew Stafford, e a defesa do time - que já era muito boa - emergiu como uma superpotência digna das grandes defesas que Ravens e Steelers tiveram ao longo da década. Ver meu time voltando a ser competitivo foi sensacional.

Além disso, o Niners chegou perto... Ah, tão perto. Primeiro, venceu o New Orleans Saints - o melhor time da NFL - em um jogo de proporções épicas que merece ser reprisado por toda a eternidade junto dos grandes clássicos de todos os tempos. Quatro Touchdowns no final da partida - incluindo a The Catch III (The Grab, como Vernon Davis a chamou) - foi pra tirar o fôlego de qualquer um, e aquele TD a oito segundos do final vindo de dois jogadores que tanto tinham sofrido como símbolos de uma franquia em queda- Smith e Davis - seguido do choro do próprio Davis enquanto era abraçado pelos companheiros, um dos momentos mais sinceros de toda a temporada, com certeza entrará para a galeria de grandes TDs da história da Liga. No fundo, aquele jogo valeu por qualquer coisa que pudesse acontecer nessa temporada. Eu, você e qualquer outro que tenhamos assistido ao jogo... Nós NUNCA vamos esquecer aquilo, talvez nunca vejamos algo assim novamente. É o tipo de jogo que você leva pro resto da sua vida. Eu vou contar aos meus filhos que assisti àquilo.

Alias, curioso que eu acreditava que, se o Niners fosse perder nesses playoffs, seria porque seu Quarterback se chama Alex Smith. Não foi o caso, não só ele superou Drew Brees na primeira rodada com quatro Touchdowns (Leia essa frase de novo. Os maias avisaram) como jogou, na pior das hipóteses, de igual pra igual com Eli Manning na final de conferência. Tudo bem, ele não teve uma grande partida (Eli também não teve), os dois Quarterbacks acabaram sendo dominados pelos pass rushes dos adversários e passaram a olhar pra linha de scrimmage ao invés da secundária, o que os tirou do jogo por longos períodos de tempo, mas o Niners não perdeu aquele jogo por causa de Smith. Não fosse os dois fumbles, o Niners provavelmente teria segurado o placar em 14 a 10 já que as duas defesas estavam comendo os ataques com farinha e nas últimas três campanhas de cada time os coordenadores ofensivos já começavam a chamar jogadas quando sua defesa ainda estava jogando a terceira descida, tamanha a confiança.

Aliás, o futuro do Niners é tão bom quanto um time que tem uma defesa dominante e jovem pode ter, mesmo que seu ataque não seja grandes coisas. A linha ofensiva do time é jovem e tem melhorado (se evitar lesões tem tudo pra ser uma unidade dominante com mais um ano e uma offseason), o jogo terrestre continua firme e forte e o time já provou que pode ganhar na NFL com Alex Smith de Quarterback. Aliás, essa é a grande questão pra 2012 nesse time do Niners: Como virá Alex Smith em 2012? Em uma temporada sob o comando de Jim Harbaugh (que só não ganhará o prêmio de "Melhor Temporada de um Técnico Calouro na História da NFL" porque esse prêmio não existe - E não venham me falar do Colts de 2009 nem do Niners de 89, esses times tinham Peyton Manning e Joe Montana. Harbaugh tinha Alex Smith) - uma temporada que nem offseason não teve - Smith passou de "âncora da Franquia' pra "Sou capaz de anotar quatro TDs e vencer o melhor time da NFL em um jogo de playoffs", ainda que sofra de muita inconsistência. As vezes é capaz de jogar como um Franchise QB, outras parece que não acerta nada (Pelo menos também não entrega o jogo). A questão da temporada 2012 do Niners - porque Smith VAI voltar - é simples: Ele atingiu seu limite, ou ainda tem espaço pra crescer? Tem como melhorar sua leitura (as vezes limitada), acelerar sua tomada de decisões (segura demais a bola) e melhorar sua consistência de um modo geral pra se tornar um QB cada vez mais sólido (ao longo da temporada ele já teve uma grande evolução, especialmente em bolas em profundidade) ou ele vai continuar sendo como está agora? Se continuar como está agora, ótimo, o Niners já mostrou que é competitivo. Se ele continuar melhorando? Lucro!! Mal posso esperar, pelo menos até que o calendário brutal de 2012 me atinja (Saints, Packers, Patriots, Lions, Bears...) me atinja e eu tenha que recorrer aos antidepressivos.


Baltimore Ravens
Assim como o Niners fez com Kyle Williams, o Ravens deu um show de classe com o Field Goal errado do Billy Cundiff - que alias não foi pra mim o responsável pelo erro mais grave daquele quarto período e sim o Lee Evans, que deixou o TD da vitória cair dentro da End Zone. Ao contrário do que o Eagles fez com o David Akers ano passado quando ele errou dois FGs que poderiam ter dado ao seu time a vitória sobre o Packers nos playoffs (Eu contei um pouco da história do David Akers num post recente, sobre como sua filha havia sido diagnosticada com câncer dias antes dessa partida), os técnicos e jogadores do Ravens logo partiram em defesa do seu Kicker, que errou o FG de 32 jardas que levaria o jogo à prorrogação. Se o Ravens não podia falar que jogou melhor (caso do Niners), também em nenhum momento o Ravens foi inferior na partida, jogou de igual pra igual e também só perdeu por dois erros individuais. Muita gente esperava que os veteranos da defesa do Ravens - Ed Reed, Ray Lewis, Terrell Suggs - fossem reclamar dessa derrota, mas não. Muito pelo contrário, correram em defesa do Cundiff, deram a ele o seu voto de confiança, lembrando mais uma vez que um time ganha junto e perde junto. Chega a ser engraçado como num esporte tão coletivo, onde cada jogada depende tanto do esforço de pessoas que nem tocam na bola, seja tão importante o erro individual. Cundiff errou, Evans errou, e o Ravens perdeu. E nem por um momento os veteranos da equipe tentaram colocar a culpa no seu Kicker. Uma atitude de trabalho em equipe pra mostrar que, mesmo em um mar de fãs furiosos e ameaças aos dois jogadores (Cundiff e Williams) que poderiam ter custado a seus times uma vaga no Super Bowl, ainda tem gente que se preocupa em abraçar os companheiros.

O problema do Ravens é que, ao contrário do Niners que é um time muito jovem em franca ascensão, o Ravens é um time velho que vê seu tempo acabando a cada temporada que passa. Não que o Ravens esteja estacionado ou decadente - pelo contrário, nessa temporada finalmente vimos uma evolução do Joe Flacco, que jogou muito bem nos playoffs, e o ataque continua se reforçando: Ray Rice melhora a cada temporada, e o jogo aéreo se torna mais perigoso com a melhora do Flacco e o aumento dos alvos só ajudou o time. O Ravens é um time melhor do que era ano passado, e que por sua vez era um time melhor do que ano retrasado. Não é como se o Ravens fosse caindo de qualidade ano após ano, é um time com muitos jogadores jovens que ainda estão se desenvolvendo e que tem adicionado boas peças à equipe. O problema do time é outro, a idade (e a saúde) da sua defesa. Ed Reed, tradicionalmente, sempre se machuca e já beira os 34 anos, e o líder dentro e fora de campo do time, Ray Lewis, já está para fazer 37 anos e beira a aposentadoria. Por mais que o time tenha bons jogadores que ainda são jovens (Haloti Ngata, Suggs) o time ainda depende muito da sua forte defesa, e sua forte defesa ainda depende desses dois futuros Hall of Famers que já estão perto da aposentadoria. Eles continuam adiando essa aposentadoria para tentar uma última corrida ao título, e a cada ano que passa é um ano mais perto do final da carreira dessas duas lendas vivas.

Se eu acho que o que o Ravens será reduzido a um time fraco sem os dois? Não, acho que a defesa tem jogadores bons o suficiente pra manter um bom nível. Mas sem dúvida o time perde em poder defensivo e deixa de ser um juggernault defensivo pra ser uma boa defesa, mas não espetacular (Nunca se sabe, podem conseguir alguem bom pro lugar deles, mas ainda será difícil). Sem falar que o time perderá os seus dois principais líderes dentro e fora de campo. Isso significa que o ataque terá que assumir um papel muito mais importante pra levar o time pra frente, em especial no quesito liderança (o que vai cair nos ombros do Flacco, e por mais que eu ache ele um bom QB, ele nunca me passou confiança como lider), e eu não sei se o ataque vai ter condições de levar o time pra frente se não tiver ancorado por uma feroz defesa, como é o caso. Acho que essa janela de título imediato ainda fica aberta mais uma ou duas temporadas ao Ravens, depois disso - quando Reed e Lewis sairem - o time deve passar por uma pequena reformulação, embora dificilmente total, o time tem talento demais pra isso e sabe que está perto de um título. A um Evans ou a um Cundiff de distância.


New Orleans Saints e Green Bay Packers
Os dois melhores times da NFL, os dois times mais ferozes da Liga, os dois melhores ataques da NFL... Ambos caíram na primeira rodada dos playoffs, o Packers inclusive levando uma surra em casa. Drew Brees e Aaron Rodgers, os dois melhores QBs da temporada regular (embora eu ainda sustente que o melhor QB da NFL na atualidade seja Tom Brady), foram superados por Alex Smith e Eli Manning, e as defesas de Niners e Giants se provaram superiores às de Saints e Packers. O confronto tão esperado nunca aconteceu, e embora eu não quisesse ver o Niners perdendo, eu confesso que gostaria de ver essa partida.

O Packers jogou um jogo que deveria ser um shootout, com a fraca defesa do Packers e a fraca secundária do Giants. O Packers até tentou, e viu o Giants marcar 37 pontos (O que, sabe, configura um shootout), mas não conseguiu chegar perto de produzir o suficiente. O forte ataque do Packers acabou caindo frente à defesa do Giants, em especial a linha defensiva. O Giants dominou totalmente a fraca linha ofensiva de Green Bay, o Giants não teve vergonha de mandar blitz atrás de blitz e Rodgers cansou de comer grama, ao ponto que ele não conseguia mais manter os olhos na secundária com confiança na sua agilidade e seu scramble, ele só tinha olhos para a linha defensiva. Como já disse, quando você faz um QB parar de olhar a secundária (onde estão seus recebedores) para olhar a linha defensiva (pra evitar a pressão), você tem o controle do jogo (era exatamente esse o controle do jogo que o 49ers tinha quando Williams sofreu o primeiro fumble, e foi isso também que evitou que os dois QBs jogassem na prorrogação no mesmo jogo). A linha de frente fenomenal do Giants de Justin Tuck, Osi Umenyora e Jason Pierre-Paul entrou na cabeça de Rodgers desde o começo e evitou que o excelente QB do Packers jogasse confortável. Com o ataque controlado, a defesa do Packers foi presa fácil para o explosivo ataque de New York.

Já o Saints, que enfrentava um adversário com defesa feroz e fortíssima, conseguiu seu objetivo - isto é, levar o jogo a um placar alto. Anotou 32 pontos contra a melhor defesa da NFL (cortesia de dois TDs longos no final da partida) e, mesmo tendo passado boa parte do jogo sob controle de uma defesa extremamente feroz e agressiva que forçou cinco (!!) turnovers, conseguiu conter os avanços do Niners, não deixou esses turnovers virarem TDs durante boa parte da partida e se colocou, com os 32 pontos, em ótima situação para vencer um time cujo ataque tinha sido questionável em boa parte da temporada. A defesa do Saints é bem fraca e isso sem dúvida atrapalhou a equipe, mas não dava pra adivinhar que ia baixar o Montana no Alex Smith e ele ia conduzir duas campanhas impecáveis em tão pouco tempo pra vencer o Saints. Por mais bizarro que isso fosse, o Saints enfrentou um time que, se tirassemos os dois QBs da equação, era razoavelmente mais forte... E perdeu porque o QB do Niners jogou melhor que o seu próprio - sabe, aquele que quebrou o recorde do Dan Marino de jardas em uma temporada.

No final, esses dois times com ataque explosivos foram derrotados por maneiras diferentes, mas o que importa é que os dois estão em casa. Ano que vem é outro ano, mais uma offseason, e quem sabe o que vai acontecer com eles. Só posso dizer que estou muito ansioso pra ver Rodgers e Brees - dois QBs extremamente orgulhosos e competitivos - jogando temporada que vem com sangue nos olhos. Brees enfrenta o Niners e, se não me engano, Rodgers enfrenta o Giants durante a temporada regular. Assim como mal posso esperar pra ver o Tom Brady jogando contra o Giants no Super Bowl como se a vida dele dependesse disso...

(pausa)

Oh meu Deus, o que eu vou fazer durante esses sete meses sem NFL???


A mídia esportiva é um pé no saco
De certa forma, eu faço parte da mídia (eu acho), mas não consigo deixar de achar a mídia esportiva um tremendo saco sensacionalista em 95% dos casos. Vocês ficam putos com os sensacionalismos da mídia brasileira com o campeonato brasileiro? Eu também, mas lá fora não é diferente. No começo e meio da temporada, quando o Packers de Aaron Rodgers estava atropelando todos os times fracos e medios no seu caminho e caminhando para uma temporada invicta, o Rodgers foi chamado na imprensa de "o melhor Quarterback de todos os tempos" e disseram que ele e o Packers estavam tendo "a melhor temporada de todos os tempos" ou então que eram "o melhor time de todos os tempos". Típico sensacionalismo: O Packers estava jogando muito bem, claro, mas sua defesa estava fraca, o time tinha várias fraquezas e sua tabela era muito mais tranquila do que a do Patriots de 2007, por exemplo.

Depois, quando o Packers desacelerou e perdeu a invencibilidade, o Drew Brees engatou a sexta marcha, teve um final de temporada espetacular e caminhou para destruir o recorde do Dan Marino de jardas. De repente ele era "o melhor QB da NFL' e estava tendo "a melhor temporada de todos os tempos" no lugar do Rodgers. E eu sei que já repeti um milhão de vezes, inclusive deixei isso bem claro no epílogo da temporada, mas passar pra 5300 jardas hoje em dia é muito, mas muito mais fácil do que passar para 5000 jardas em 1984, quando Marino estabeleceu sua marca. As temporadas de Brees e Rodgers foram espetaculares, nenhuma dúvida quanto a isso, mas o que Marino fez era impossível. Já comentei aqui sobre como a evolução das regras na NFL favoreceu o jogo aéreo: Quando Marino jogou, a defesa podia fazer de tudo pra parar os recebedores e atingir o QB onde bem entendesse. Agora? Não podem atingir 80% do corpo do QB, não podem encostar nos recebedores... É muito mais fácil.

Mas claro que, quando Brees e Rodgers perderam nos playoffs, e Brady foi ao Super Bowl com a chance de ganhar seu quarto Super Bowl e se igualar a Montana e Terry Bradshaw (Esquecendo totalmente que nos dois primeiros SBs - talvez até três primeiros SBs - da Franquia Brady era secundário a uma formidável defesa e que sua tarefa consistia em evitar erros e ser eficiente), de repente Brady era o melhor de todos os tempos e bla bla bla, esquecendo totalmente que números de títulos não são exatamente um indicador de qualidade - o segundo melhor QB da história nunca foi campeão (Marino), enquanto Trent Dilfer - que é muito melhor comentarista que jogador - tem o seu anel. Quando vamos parar com essa mania de sensacionalismo, lembrando que as coisas mudam com o tempo, e que existem coisas além de números? Precisamos mesmo tentar elevar os jogadores de agora a esses patamares ridiculos só para que eles pareçam melhores? O que eles estão fazendo diante dos nossos olhos - independentemente de ser ou não o que a imprensa tenta passar - não é mais suficiente, eles precisam superar tudo que veio antes senão não ficaremos satisfeitos? Eu odeio isso, odeio como isso nos leva ao eterno debate sem solução que impede que aproveitemos o que temos para ver agora. Eu não ligo se Montana e Marino eram melhores que Brees e Rodgers, tudo que me interessa é ver esses dois se enfrentando com sangue nos olhos nos playoffs do ano que vem!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Divisional Round - Sábado

Ao invés de dividir entre NFC e AFC, dessa vez vamos pelo dia, porque eu não tenho garantia que consigo postar até sábado de manhã sobre Niners e Saints E Broncos e Pats. E bom, sábado vai ser o melhor dia dessa rodada mesmo, então vamos falar longamente sobre esses dois jogos, e contar uma história sobre essa temporada que é uma das melhores mas foi quase totalmente ignorada pela mídia. E sim, envolve o Niners. Não, não é sobre o Alex Smith. Vai lendo que você vai descobrir...


A tradicional encarada do UFC antes das batalhas


Denver Broncos at New England Patriots
Teeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeboooooooooooooooooooow!!

Todo mundo (eu inclusive) descartou o Broncos contra o Steelers. O Tim Tebow e o resto do time vinha de três jogos ruins, o Steelers mesmo baleado ainda é um bom time, e todo mundo achava que contra aquela defesa os lançamentos erráticos do Tebow não teriam chance. 316 jardas, 3 TDs e uma vitória depois, o Broncos vai a New England enfrentar não a melhor defesa, mas o melhor ataque da AFC. Pra quem não lembra, quando o Broncos enfrentou o Bears na temporada regular, todo mundo disse "Tebowmania vai parar contra a melhor defesa que ele enfrentou!". E claro, o Broncos ganhou. No jogo seguinte, disseram que era a vez dela parar contra o melhor ataque que tinha enfrentado. E foi o que aconteceu, embora seja bom frisar que o Broncos perdeu o controle daquele jogo quando o Willis McGahee machucou, e que o ataque do Broncos ajudou o Pats com três fumbles.

Então é, o Patriots é favorito. O Broncos mostrou que pode vencer uma grande defesa, e o Patriots está muito longe de ter uma grande defesa. Na verdade, ela é uma das piores da Liga e está sem seu melhor pass rusher que fez a diferença no primeiro encontro entre os times, antes de machucar (Andre Carter). O Broncos tem condições de fazer 25 pontos nesse time do Patriots, especialmente se evitar turnovers, controlar o relógio e usar tudo que aprendeu do jogo contra o Steelers: Não se limitar a duas corridas e um passe, não ser tão previsível, passar também em primeiras e segundas descidas, não passar só do play action mas também do Shotgun pra evitar problemas com a linha ofensiva (Aqui depende de como a linha tiver jogando contra um time do Patriots que não tem pass rush. Se ela tiver bem, trabalhar no play action é bom, mas se a pressão tiver chegando fácil, o play action para de funcionar e ai o Shotgun tem que aparecer) e, claro, correr com a bola. A defesa terrestre do Pats não é horrorosa, mas também não é grandes coisas, e a secundária é simplesmente pavorosa. Se o mesmo Tebow que venceu o Steelers aparecer, ele tem tudo pra comer a secundária do Pats com farinha naqueles lançamentos longos. 

Mas questão é que não adianta marcar 28 pontos se você tomar 30. A defesa do Pats é uma vergonha, mas o ataque é excepcional, e se a defesa do Broncos não conseguir parar Tom Brady e companhia, eles não vão vencer o jogo. O grande trunfo do Broncos na temporada defensivamente tem sido o pass rush, e pra quem não lembra, Von Miller e Elvis Dumervil não conseguiram encostar no Brady no primeiro jogo. A linha ofensiva do Pats jogou muito bem, manteve o Brady com tempo no pocket e ai ele dissecou a defesa do Broncos. Se Denver quiser ter uma chance de vencer, ele tem que conseguir se impor defensivamente, e pra isso tem que começar pressionando o QB. O Broncos tem bons LBs e alguns bons jogadores na secundária, mas não a ponto de conseguir parar Wes Welker, Aaron Hernandez e Rob Gronkowsky (Sendo acionados por Brady, claro) só com a cobertura. Não podem dar espaço, o Safety tem que tar fungando no pescoço do Gronk, mas se der tempo os passes e os TDs vão acontecer. Eu disse que a pressão do Broncos tava ficando previsível pela falta de bife da linha defensiva da equipe, que tornava a pressão pela lateral de Miller/Elvis muito previsível, e foi por causa disso que esse rush não funcionou na primeira partida. Contra o Steelers eles aproveitaram de uma linha ofensiva frágil pra passar pro cima no muque e até conseguiram colocar pressão pelo meio em algumas jogadas mais elaboradas, mas a linha ofensiva do Patriots é melhor e não vai ser tão fácil conseguir isso.

Eu gosto das chances do Broncos contra a defesa do Pats, e se conseguir forçar o jogo terrestre pra controlar o relógio, pode forçar o jogo a um placar baixo. A condição necessária para isso, no entanto, é conseguir TDs pra não cair atrás no placar. Se o Broncos não conseguir, pode tentar partir pra cima, mas a condição continua: Tem que dar um jeito de desacelerar o ataque, especialmente se conseguir forçar turnovers. Tirar o Brady do pocket, pressionar os WRs na linha de scrimmage pra ganhar tempo e  chegar no QB é essencial pra que o ataque do Broncos consiga acompanhar. Eu não confio nessa capacidade, e é por isso que eu ainda acho que o Pats vá ganhar um jogo de pontuação alta. O que não quer dizer que não vá ser um jogo interessante. Eu estou muito curioso rpa ver como a defesa do Pats vai encarar o Broncos, se o Broncos vai voltar ao seu ataque medroso ou se vai continuar dando liberdade ao Tebow. Estou louco pra ver como vão ser as reações aos dois ataques, e se o Brady vai continuar jogando com sangue nos olhos por causa do adversário. No primeiro jogo entre os dois, Tebow encarou como mais um jogo (Como um sophomore em seu primeiro ano como titular devia), mas para Brady era pessoal... Ele TINHA que vencer Tebow.

E claro, tem um outro motivo para assistirmos a esse jogo. Tim Tebow. Você pode gostar ou pode não gostar dele, mas não da pra negar que ele é o atleta mais polarizador da NFL em muito tempo. CAda jogo dele é um evento, você quer assistir, ver o que está acontecendo dentro de campo, ver ele se dando bem, ver ele se dando mal... É divertidíssimo torcer pro Tebow porque ele é exatamente o tipo de herói que queremos ver: Um jogador que tinha tudo jogando contra pra dar certo na NFL, mas que continua tentando, continua treinando e continua buscando evoluir, que nunca desiste e faz o que for necessário pra equipe vencer. Ele está determinado a dar certo, e eu confio muito mais num jogador que chegou sem as habilidades necessarias mas que tem essa força de vontade do que num jogador talentoso que não se interessa em melhorar. Ver esse tipo de jogador é muito bom, porque nos lembra que qualquer um pode dar certo se tentar. Ele está fazendo isso contra os melhores. Não tem como não querer assistir Tebow jogando. Torcer pra ele é divertido demais. Você sabe disso. Você sabe que sábado estará assistindo ele jogando - seja torcendo contra ou a favor.

O que o David Akers está fazendo aqui? Você já vai descobrir


New Orleans Saints at San Francisco 49ers
Não importa o resultado desse jogo, a temporada 2011 do 49ers já foi histórica. Não tanto pelo que mostrou dentro de campo, mas pela reviravolta nos rumos da franquia com a chegada de um novo técnico e pela forma que isso aconteceu, transformando o que antes era uma zona em um time que, clichês a parte, lembra uma grande familia. O segredo do Niners não é só sua defesa, e sim a forma como o time passou a encarar os jogos. Eles começaram a competir de verdade, acreditar em tudo que seu técnico pregava e encaravam cada jogo como uma decisão. Ninguém se preocupava com seus números, e sim com a equipe. Não lembro de nenhum time recentemente sofrendo uma mudança de postura e personalidade tão grande, com uma exceção... E sim, são os Broncos de 2011. TEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOW!!

Agora o Niners enfrenta o Saints no maior desafio do time da temporada. Não se deixem enganar pelos que dizem que o Niners só foi 13-3 porque teve um calendário fácil, though. O Niners enfrentou Eagles, Bengals, Giants, Lions, Cowboys, Ravens e Steelers, e mesmo Cardinals e Seahawks se tornaram ao longo da temporada times difíceis de se vencer em casa. Mas a verdade é que nenhum desses times era de longe tão perigoso como o Saints. Nenhum time está tão embalado e nenhum time tem um QB tão bom (Tirando talvez Packers e Patriots, mas nem Brady nem Aaron Rodgers estão jogando no nível do Drew Brees atualmente) que nem o Saints nesse momento. Vai ser o confronto do melhor ataque da Liga contra a melhor defesa da Liga. E desnecessário falar que vai vencer o time que conseguir impor suas forças sobre os outros. O Niners não vai vencer marcando 35 pontos, e nem o Saints vai vencer com uma performance espetacular da sua defesa. 

A questão é ao contrário do Lions, o 49ers tem exatamente as peças para jogar o jogo seguro contra o Saints. Mais importante até é o fato de que esse é exatamente o estilo de jogo que o 49ers mais se sente confortável e vem colocando em prática a temporada toda. Correr com a bola, controlar o relógio, evitar turnovers, manter seu ataque em campo (e o adversário quieto no banco) e usar sua sufocante defesa e incríveis special teams pra conseguir turnovers e boas posições de campo. É um time que consegue pressionar o QB muito bem sem recorrer a blitzes e que não compromete na cobertura, e mais importante, um time que consegue forçar turnovers muito bem, e o ataque do Niners depende um pouco mais deles do que gostaria. Esse estilo de jogo é excelente pra vencer ataques explosivos de grandes QBs como o do Saints, mas tem um porém: Isso quer dizer que o 49ers não pode viver só de Field Goals. Esse estilo de jogo depende de um placar apertado, mas se o Niners começar a anotar FGs e o Saints responder com TDs, esse estilo de jogo joga contra o time. E você não pode dar chance pro Saints, dois TDs em duas posses de bola e o Niners já vai ter que correr atrás no placar. O estilo de jogo implementado só te leva até algum lugar - você ainda precisa executá-lo eficientemente. Isso significa não só evitar turnovers (o que o Niners faz com perfeição) como converter na Red Zone, e também segurar o ataque do Saints. Vai ajudar muito o Niners caso o Frank Gore esteja saudável, o que ele não está desde a vitória sobre o Giants.

O Saints tem que fazer exatamente o contrário: Se conseguir evitar um TD no começo e conseguir anotar pontos pra abrir vantagem, o 49ers vai ter que começar a abrir o jogo e correr atrás do placar, abandonando seu estilo de jogo e jogando pro Saints. Não que a vida do Niners vá ser fácil, a linha ofensiva do Saints tem jogado muito bem e Bress... Bem, ele é Bress, ponto. Na defesa, o Saints vai tentar forçar turnovers, mas o mais importanet é deixar o ataque do Niners se contentando com Field Goals. O ataque do Niners é eficiente e disciplinado, não comete turnovers, mas tem dificuldade para converter na Red Zone. Se a defesa conseguir limitar o Niners a isso, o seu ataque pode ser mais do que suficiente. Algumas pressões criativas - especialidade do Saints - e especialmente parar o jogo terrestre podem colocar o time em conversões longas, o que o Niners não sabe fazer bem.

A questão é que a secundária do Niners é o calcanhar de Aquiles da equipe, especialmente nos passes longos. E é isso que o Saints tem que explorar. Do jeito que o Brees ta jogando, é difícil imaginar que Darren Sproles, Jimmy Graham E Marques Colston vão passar em braco. Pelo menos um tem que aparecer, certo? Explorar as formações shotguns pra forçar o Niners a usar pacotes nickel e colocar o Colston pra jogar em cima do bom calouro Chris Culliver e tirar um dos LBs do Niners de campo pra aliviar a pressão no Brees. O Saints não vai conseguir correr com a bola, mas tem que tentar as vezes pra manter a defesa honesta mesmo que não de em nada. Pra vencer, tem que passar 50 vezes, a linha tem que fazer um bom trabalho e manter o jogo bem distribuido. E, acima de tudo, anotar TDs quando tiver a chance pra abrir a diferença. A defesa do Niners é espetacular, mas Brees também está jogando em nivel monstruoso e a verdade é que atualmente as regras favorecem mais os QBs.

Então o Saints é favorito. Ok, é verdade, talvez no fundo eu também ache que eles vão vencer o jogo. Mas considere o seguinte: O Niners tem dois MLB All-Pros pra colocar de frente com Graham e Sproles, e o Donte Whitner tem jogado bem na cobertura de tight ends. O Saints não vai ter seu eficiente jogo terrestre funcionando se tudo correr como esperado. E o Saints está jogando fora de casa (onde é invencível), num estádio aberto, em grama natural... Ou seja, em uma conjuntura que favorece muito mais o Niners. Vale lembrar que o Niners tem média de pontos maior em casa do que o Saints fora do Superdome... E o Saints nunca enfrentou uma defesa desse calibre, sem falar que perdeu pra Rams e Bucs fora de casa na temporada. Claro, o Saints é um time totalmente diferente do começo da temporada, está extremamente embalado e tem o melhor QB da NFL nesse momento. Não é a toa que eles são favoritos. Mas nada está ganho, tem muitos fatores que podem mudar esse jogo...



Tangente do dia: David Akers
E aí está a melhor história ignorada pela mídia da temporada 2011 da NFL!! O que me surpreende, porque é o tipo de história que a mídia adora sobre um jogador no fundo do poço que da a volta por cima.

Pra começar, a entrada do Akers na NFL já foi uma volta por cima. Depois de se formar na universidade, ele não encontrou emprego na NFL. Chegou a trabalhar em outros empregos, depois tentou a vida como kicker na Liga Européia, onde quase morreu com uma infecção gravíssima. Quando se recuperou, ainda sem muitas perspectivas de futuro, o então técnico de Special Teams do Philadelphia Eagles foi até lá e ofereceu a ele um contrato para jogar no Eagles, que ele aceitou imediatamente. O nome desse técnico? John Harbaugh, atual técnico do Ravens.

Depois disso, Akers teve uma extremamente bem sucedida carreira de Kicker na NFL, em 12 anos com o Philadelphia Eagles. Ele foi um dos melhores e mais consistentes kickers que eu vi jogar, ganhou bastante dinheiro, chegou a Super Bowls e viveu grandes momentos. A vida dele começou a desabar, no entanto, na semana do Wild Card Weekend, quando sua filha de apenas seis anos foi diagnosticada com um tumor maligno no ovário. A vida de Akers já estava bastante complicada por causa de um problema financeiro, já que o fundo onde ele havia investido grande parte do seu dinheiro (na casa dos milhões) foi envolvido em um Ponzi Scheme. O responsável pelo Ponzi foi preso e está cumprindo uma sentença de 17 anos de cadeia, mas Akers nunca mais viu o dinheiro que havia investido.

Foi com essa cabeça que ele foi jogar o Wild Card, Eagles contra Packers. Pra quem não lembra, o Packers venceu aquele jogo por cinco pontos, e Akers errou dois FGs que teriam eventualmente dado a vitória ao Eagles. Ao final do jogo, os companheiros de equipe - inclusive o técnico Andy Reid - colocaram a culpa no veterano Kicker, e a Franquia logo disse que iria pegar um Kicker no próximo Draft (o que ela fez). Ao final da temporada, Akers estava quase falido, tinha sido dispensado pelo time que ele tinha jogado nos últimos 12 anos e  sua filha estava correndo risco de vida.

Foi então que Akers recebeu uma ligação de outro Harbaugh, o irmão de John e atual técnico do Niners, Jim Harbaugh. Ele disse que queria um Kicker veterano para substituir o lesionado Joe Nedney, e o Niners ofereceu a ele um contrato de 3 anos, 9 milhões. Akers aceitou, e em 2011 ele teve uma das melhores temporadas para um Kicker em todos os tempos. Ele quebrou o recorde da Liga para Field Goals e para pontos marcados, e foi responsável por boa parte do ataque dos 13-3 Niners. Sua filha, depois de uma complicada cirurgia, está curada do seu tumor, que foi removido completamente. Se não é a típica história de superação que a mídia adora, eu não sei o que é. Akers foi eleito o melhor kicker da temporada (All-Pro), foi ao All Star Game, teve essa temporada espetacular e está num time que, ele mesmo disse, sempre o apoiou. E o Niners depende muito dele, então os dois acabaram dando muito mais certo do que o Eagles... Sabe, o time que perdeu do Niners por um ponto depois de ver seu Kicker calouro errar dois FGs e com Akers chutando o Extra Point da vitória - uma vitória que eventualmente custou ao Eagles uma vaga nos playoffs.

Não é a toa que Akers gosta tanto da familia Harbaugh. Foi John Harbaugh quem o buscou quando estava na pior na Europa, e foi John quem lhe deu um emprego e um time quando esteve ainda pior com sua vida no fim da carreira. Ah, o nome do homem que recrutou Akers quando ele estava saindo do High School pro College? Jack Harbaugh...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Rodada de Wild Card

Em primeiro lugar: TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOOOOOW!!!

Em segundo lugar...

TEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOW!!


E em terceiro lugar....

TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOOOOOW!! (sim, eu sei que o Tebow joga no Broncos não no Dolphins, mas só tenho o capacete do Dolphins e nao tenho camisa de Denver, então usei a do Dan Marino... Um QB quase tão bom quanto o Tebow.)

Ok, agora podemos falar calmamente dessa primeira rodada de playoffs da NFL, a rodada de Wild Card. Ou tão calmamente como alguém pode ficar depois de um épico Steelers e Broncos. TEE... Er.. Calma, ok, vamos em frente.

Essa primeira rodada dos playoffs trouxe um jogo bem fraco, um mediano, um bom e um épico. Vamos em ordem do pior pro melhor. Aliás, curiosidade da semana: Todos os times que jogaram em casa venceram os seus jogos.


New York Giants 24 vs 2 Atlanta Falcons
No pior jogo da rodada, o Giants conseguiu segurar o Falcons a apenas DOIS pontos, vindos de um Safety através de um Intentional Grounding numa jogada besta do Eli Manning. DOIS pontos, dois malditos pontos em um jogo de futebol americano, nem o Colts faria algo pior!! Na verdade esse jogo foi bem feio mesmo, o Giants foi um time superior mas sua vantagem só foi ser aberta no quarto período, até lá estava um jogo com muita defesa e ataques muito medrosos. Pareceu que os ataques estavam com mais medo de errar do que vontade de acertar, eram passes conservadores e medrosos. Acho que num primeiro momento os times estavam apenas cautelosos pra começar o jogo, tentando impor o jogo terrestre, mas com as defesas dominando os ataques - especialmente as linhas defensivas - os ataques ficaram simplesmente medrosos, os QBs pareciam se livrar da bola, ninguém ousou trabalhar do play action, e o jogo ficou numa estagnação muito chata que só foi quebrada quando o Eli Manning, pra fugir de um sack,  correu pra dentro da end zone, e depois jogou a bola pro lado no Intentional Grounding menos convincente dos ultimos anos, pra abrir o placar, 2 a 0... Pro outro time. Com esse placar, o San Francisco Giants ficaria orgulhoso!

O jogo só foi quebrar o marasmo no segundo quarto, quando o Giants voltou com uma nova postura no ataque. O time começou a jogar de forma muito mais física, correndo bastante com a bola... E aí o time percebeu que era capaz de dominar a suspeita linha ofensiva do Falcons e aproveitou até o fim do jogo. O jogo desequilibrou pro Giants quando o time começou a correr com a bola e quando conseguiu grandes avanços da sua dupla de RBs. O Giants dominou ambas as linhas de forma física, torrou o saco do Matt Ryan o jogo todo e não deixou o Falcons correr o jogo inteiro, inclusive parando duas 4th and 1. O Niners já mostrou pra todo mundo que mesmo na NFL de hoje da pra ganhar jogos no estilo old school, dominando fisicamente a linha de scrimmage dos dois lados da bola, e o Giants fez exatamente isso contra o Falcons, e se quiser vencer o Packers semana que vem, tem que continuar com esse jogo físico e descendo a lenha no QB a cada cinco minutos. Jogo bem fraco, o Falcons não fez nada e o Giants ganhou jogando feio. Vai melhorar, vai melhorar...


Houston Texans 31 vs 10 Cincinnati Bengals
Um jogo entre duas boas defesas e dois QBs calouros foi decidido exatamente como o esperado: Jogo terrestre, e turnovers. A defesa do Texans é melhor que a do Bengals, o jogo terrestre também, mas o jogo aéreo do Bengals na temporada regular foi melhor. Mas quando você coloca dois QBs calouros num jogo de pós-temporada, você vai ter dificuldades no jogo aéreo. Não é fácil, envolve muita pressão e nem todo calouro aguenta. O jogo começou bem morno pelo ar graças ao nervosismo do TJ Yates e do Andy Dalton, os dois apressando passes, cometendo erros básicos e sem conseguir dar consistência ao ataque. Mas como o ataque do Bengals depende mais do seu QB do que o Texans atualmente, o Texans teve a chance de dominar o jogo com o Arian Foster jogando bem. Mesmo assim, a defesa do Bengals e alguns flashes do ataque mantiveram o jogo equilibrado em 10 a 10 indo até o intervalo.

Ai o jogo mudou, quando o Andy Dalton foi tentar um ataque Às pressas (graças à imbecilidade dos desafios do técnico Marvin Lewis que tirou dois timeouts do time) dentro do Two-Minute Warning e foi interceptado e retornado pra TD pelo ótimo calouro JJ Watt. Eu tinha dito que a chave do jogo seria o time capaz de evitar turnovers e forçar do adversário, e foi esse jogo o que determinou o resultado do jogo. O Texans foi pro intervalo liderando por 17 a 10 com essa pick-six, mas mais importante, isso acabou com a confiança do Dalton. Quando voltou pro segundo tempo, o calouro estava assustado e nervoso, seus passes foram ainda piores e ele foi presa fácil pra agressiva defesa do Texans. O Texans aproveitou e fez o jogo inteligente, correu muito bem com a bola, evitou entregar a bola de graça pro adversário, e jogou no erro do Bengals. Forçou mais duas interceptações do Dalton, e um TD longo do Andre Johnson e uma corrida do Arian Foster terminaram de definir a partida. O time soube evitar erros e aproveitar os do adversário, e é assim que os jogos entre dois times parelhos são decididos.

O Bengals também ta de boa mesmo com a derrota. A defesa não é exatamente nova, mas também não está nas últimas como a do Ravens ou do Steelers, e o ataque ainda está emergindo. Mais um ano pro Dalton (Que apesar de ter sólidos fundamentos precisa de experiência e familiaridade com o ataque), mais um ano pro AJ Green, duas escolhas de primeira rodada em um excelente Draft... Mais um playmaker no jogo aéreo, um outro cornerback, depth pra safety... E lá vamos nós achar um time bem divertido pros próximos anos.


New Orleans Saints 45 vs 28 Detroit Lions
Quando você está enfrentando um time superior, você tem algumas diretrizes que tem que seguir se quiser vencer. E a regra básica é: Não cometa erros, e aproveite os que o adversário cometer. Um time superior pode ser capaz de vencer mesmo com turnovers, mesmo perdendo chances, mesmo sem forçar turnovers, mas um time inferior tem que fazer tudo que puder pra melhorar suas chances, e isso inclui aproveitar as oportunidades e não dar brechas para o oponente. O Lions soube desde o começo - como eu deixei claro no preview - que não tinha condições nem os jogadores pra fazer o jogo tático contra o Saints (Correr com a bola, controlar o relógio, abrir a defesa, tirar o ritmo do ataque, pressionar o QB pra fora do pocket), então o time de Detroit nem tentou e desde o começo se mostrou disposto a ir ao shootout, o estilo que o Saints mais gosta. Teve a coragem, aceitou bater de frente e apostou alto.

E o pior é que num primeiro momento, a ousadia do Lions foi recompensada. O time pontuou muito bem e, se não controlou o relógio, não permitiu ao Saints assumir o controle do jogo. Sua defesa sofreu com as corridas do Saints e os passes cirúrgicos do Drew Brees, mas continuou pau a pau com o time de New Orleans e começou a chegar no QB. E ai que chegou o problema. O Lions sabia que não ia conseguir parar o Saints, então foi agressivo e apostou nos turnovers. E conseguiu, de fato, forçar dois turnovers. Eu até comentei que se o Lions queria ganhar, tinha que conseguir posses de bola extra (Eu sugeri um onside kick, mas o time forçou dois turnovers), e o Lions conseguiu dois fumbles recuperados. E ai chegamos ao grande problema, que matou o Lions: O Lions não aproveitou esses turnovers. O Lions teve duas posses de bola a mais que o Saints, a chance de abrir 14 pontos de vantagem, a chance de controlar totalmente o jogo e o momento... E nas duas posses de bola seguindo os turnovers, o Lions foi pro punt nas duas, liderando por apenas 4 no intervalo. Na primeira posse de bola do segundo tempo, bola do Saints... Touchdown, Saints na frente. E isso colocou mais pressão ainda no ataque do Lions, e a verdade é que depois disso o Lions não foi mais o mesmo. Não conseguiu pontuar, devolveu a bola pro Saints... Que colocou de novo na End Zone. Tão fácil quanto isso o Saints já havia colocado 10 pontos de vantagem.

E ai o Lions se descontrolou. Teve boas jogadas, anotou Touchdowns, mas você claramente via quem estava com o controle do jogo. O Lions teve a chance de recuperá-lo num dos raríssimos passes ruins do Brees que caiu no colo do defensor do Lions, mas ele deixou uma interceptação que teria mudado o jogo cair no chão. Em seguinda? TD do Saints, é claro. O Saints anotou Touchdowns em TODAS suas posses de bola no segundo tempo, Brees fez o que quis com a defesa e Detroit perdeu o controle. Não é que o Lions não teve chances, o Lions teve várias. Só que o Lions não aproveitou, não conseguiu pontuar nos erros do Saints, não pegou o momento do jogo quando teve a chance, dropou uma interceptação fácil que podia mudar o rumo do jogo. Conseguir posses de bola extra é importantíssimo, mas você precisa converter isso em pontos. Quando você está em desvantagem, tem que aproveitar todas as suas chances. O Lions não aproveitou e viu o Saints controlar o jogo, e aí se descontrolou como o time jovem que é. Não sei se algum time na NFL atualmente tem capacidade de vencer esse time do Saints... E o Lions continua com seu ótimo projeto de reconstrução, precisando melhorar a defesa e o jogo terrestre, mas sabendo que está no caminho certo.


Denver Broncos 29 vs 23 Pittsburgh Steelers 
Não existe um atleta na NFL tão polarizador quanto Tim Tebow. Não sei se já houve, e não sei se ainda teremos algum. Ontem, eu achei que a internet fosse explodir ao final dessa partida. Não, sério mesmo, achei que ia ligar o PC de manhã, abrir o Chrome e encontrar uma foto de uma nuvem de cogumelos. Do TT do Twitter vinte minutos depois do fim da partida, sete tinham algo a ver com o jogo. Duas horas depois, #tebow e #john3:16 ainda estavam no TT. Foi um jogo sensacional, foi uma história sensacional... Foi Tebow Time, de novo e de novo. Quando o Steelers estava posicionado seu FG pra vencer o jogo no final, eu simplesmente ajoelhei Tebowing pra torcer por um time que até esse ano eu nunca tinha gostado! Simplesmente porque é divertido demais torcer pra Timothy Richards Tebow!

Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa clara: Eles não venceram o mesmo Steelers que foi campeão da AFC ano passado, e nem o time que eu achava o melhor da Conferência. O Steelers que eles enfrentaram ontem estava muito baleado: Rashard Mendenhall não jogou, Ryan Clark não jogou, Maurkice Pouncey não jogou, Brett Keisel e Casey Hampton sairam durante o jogo, e Ben Roethlisberger e LaMarr Woodley jogaram machucados e claramente não estavam 100%. Isso foi importante, claro,o que também não tira o mérito do Broncos. Até porque Isaac Redman jogo muitíssimo bem e, apesar do Clark ter feito bastante falta na cobertura do Troy Polamalu (que levou um baile humilhante do Tim Tebow o jogo todo), vale destacar que foi o seu substituto que forçou o fumble do Willis McGahee que quase deu a vitória ao Steelers.

E como eu disse, isso não tira o mérito do Broncos. O Broncos na verdade tem mérito de sobra, tanto no ataque como na defesa. Mesmo com todas as lesões e desfalques o Broncos ainda era o azarão e ainda estava em clara desvantagem. O começo do jogo ilustrou bem essa desvantagem, tanto pelo plantel, como pela falta de ousadia que o John Fox vinha demonstrando, e também pelos problemas do Tebow nos ultimos jogos. O time foi previsível ao extremo com a fórmula correr-correr-passar e o Steelers não teve a menor vergonha na cara de colocar nove jogadores na linha de scrimmage pra parar a corrida. Quando recuperava a bola, o Steelers anotava pontos, ainda que só 3 de cada vez, e parecia que o jogo estava encaminhado pra ser exatamente o esperado: O Broncos derrotado pela sua falta de ousadia e diversidade, o Steelers sendo apenas eficiente e com sua defesa sufocando o Broncos pra não dar a menor chance ao azar.

Até que o Broncos - por milagre - percebeu isso, e fez o óbvio, tentou variar. Ao invés de correr-correr-passar, que a defesa estava sempre prevendo e esmagando, eles chamaram jogadas de passe para o Tebow em segundas descidas (O Broncos teve UM passe na primeira jogada do 1st down no jogo todo. Qual foi? Um TD de 80 jardas...). Era o que o Broncos tinha que fazer mesmo, mas o que pegou todo mundo de surpresa é que os passes do Tebow não foram só decentes, foram excelentes perfeitos, e em duas bombas ele anotou um TD pra virar a partida. O Broncos ganhou confiança, a torcida entrou no jogo e o momento mudou completamente. O Steelers sentiu, a defesa fez seu trabalho e logo recuperou a bola. O resultado? Mais um passe longo do Tebow, mais um acerto perfeito, e mais um TD do Broncos. O Denver fez exatamente o que precisava fazer, variou as jogadas, parou de ser previsível e deixou o Tebow lançar não só em terceiras descidas longas e prevsíveis saindo de um play action, mas colocou o garoto no shotgun e, como o John Elway tinha dito antes do jogo... Pull the trigger (Puxar o gatilho)!

O que ninguém imaginava - e que destruiu completamente o plano de jogo do Steelers - é que ele começou a acertar os passes longos com perfeição. O Steelers aproximou o Polamalu da linha de scrimmage, claramente mais preocupado com o scramble do que com os passes, e contou com a cobertura simples já que o Broncos não tinha grandes WRs, ainda mais com o Eric Decker saindo com uma lesão assustadora na perna. Eles fecharam a corrida - confiantes na corrida do Denver e na incapacidade do Tebow - e basicamente desafiaram o garoto e vencer o jogo com o braço. Mas ele começou a lançar, achar seus recebores em profundidade (lendo perfeitamente o posicionamento avançado dos safeties) e a defesa do Steelers, que estava jogando muito na frente só pra parar a corrida, teve que voltar pra cobrir a secundária, e aí o Broncos voltou a correr e controlar a partida. A impressão que deu é que a defesa do Steelers não sabia mais o que fazer, ela estava enfrentando uma situação que ela nunca teria imaginado, e o Broncos leu perfeitamente a situação, o Tebow lançou perfeitamente as bolas. A defesa do Steelers não sabia mais o que fazer, especialmente porque a linha ofensiva do Broncos - que eu sempre critico e estava jogando sem seu RG titular - teve um jogo espetacular protegendo o Tebow e abrindo pra corrida, desequilibrou o jogo e deu tempo pro Tebow lançar com calma - algo que ele não teve o ano todo.

O Steelers reagiu depois do intervalo e depois de algumas injeções de analgésicos no pé do Big Ben ele começou a jogar muito, achar seus recebedores e colocou o Steelers em condições de empatar o jogo. Mas o Tebow conduziu bem o ataque mesmo sem TDs, e o time se viu com uma vantagem de 7 pontos e com a bola faltando 7 minutos. Gastar o relógio, chutar um FG e ganhar a partida, certo? Mas claro que não seria fácil, com McGahee deixando cair a bola numa jogada onde, se ele cai ao invés de brigar por mais jardas e perder a bola, o Denver teria um 2nd and 2 na linha de 40 jardas do campo de ataque, praticamente matava o jogo. Mas o fumble deu ao Big Ben a chance do empate, e logo depois do Champ Bailey (os dois veteranos que demonstraram que estavam descontentes com Tebow, Bailey e McGahee, foram os dois que quase custaram a vitória ao time) deixou cair uma interceptação na end zone, o Big Ben acertou uma linda bomba e empatou o jogo. O Steelers teve a chance de vencer depois que o Tebow errou um passe relativamente fácil numa 3rd and 8, mas a defesa apareceu com dois sacks, um snap errado do substituto do Pouncey e o jogo foi pra prorrogação. A primeira jogada? O primeiro passe na 1st do Broncos no jogo inteiro que congelou a defesa do Steelers num perfeito play action e Tebow encontrou um Demariyus Thomas (4 recepções, 204 jardas, TD, os números dele poderiam ser mais DeSean Jackson-esques?) livre que pegou a bola em velocidade, derrubou o Ike Taylor e ganhou de todo mundo na corrida pro TD. Perfeito final pro primeiro jogo do Tebow nos playoffs, não?

A diferença do jogo foi que a linha ofensiva do Broncos deu tempo ao Tebow, e o Tebow acertou os passes perfeitos quando precisou. Graças a isso o Denver conseguiu confundir a defesa do Steelers e impor seu jogo. Quanto ao Tebow, primeiro QB a passar das 300 jardas contra o Steelers no ano, acertou três passes de 50 jardas ou mais no jogo (Na temporada inteira o Steelers cedeu seis), teve a maior média por passe completo da história dos playoffs (31.6) e teve o Rating mais alto da história da pós-temporada do Denver Broncos. Nada mau pra quem não seria capaz de lançar a bola na NFL, hein??

TEEEEEEEEEEEEEEEEBOOOOOOOOOOOOOOOOW!!