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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - Times de playoff

As preocupações de Sherman e do Seahawks na offseason


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a duas semanas. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Então vamos começar hoje com o primeiro grupo: os 12 times que foram aos playoffs em 2013 e que esperam dar um passo a mais em 2014.

Os times de playoffs


Seattle Seahawks

Quer dizer... eles ACABARAM de vencer o Super Bowl, anotando em New Jersey 5 pontos a mais do que o time sofreu em TODOS os jogos de playoffs somados. Acredito que a preocupação com 2014 não esteja tão alta nos lados de Washington. Ainda mais que lá a maconha é legalizada.

Além disso, para repetir em 2014, o Seattle está muito bem posicionado. Graças ao fato de que muitos dos seus principais jogadores (Russell Wilson, Etan Thomas, Richard Sherman, Bruce Irvin, Bobby Wagner, etc) ainda estão em contratos de calouros que pagam um vigésimo do que esses caras mereceriam no mercado pelas suas performances, o Seahawks é um time que tem bastante espaço salarial indo para a offseason. E um dos segredos do Seattle nos últimos dois anos tem sido aproveitar  esse espaço extra na folha salarial para ir na free agency em busca de jogadores veteranos em contratos curtos, como fez esse ano com Cliff Avril e Michael Bennett. Então não só a base do time é ótima, eles tem totais condições de irem no mercado e saírem de lá com veteranos competentes (minha aposta para 2014: Jared Allen) que se encaixem na equipe e mantenham o ótimo nível dos antecessores. Não é a toa que Seattle é o grande favorito em Vegas a vencer o Super Bowl XLIX.

As questões mais complicadas para Seattle são duas. Em primeiro lugar, o time tem alguns free agents relevantes, inclusive Golden Tate e principalmente Michael Bennett. Bennett em especial teve um 2013 espetacular, foi o terceiro melhor jogador dessa defesa, e vai exigir um contrato longo e caro. Então cabe a Seattle decidir o que fazer, e não é a pior das decisões: renovar com seu melhor WR de 2013 e um dos melhores DEs da NFL, ou deixar os dois saírem e usar suas toneladas de espaço salarial para trazer substitutos baratos em contratos curtos? Eu aposto no segundo, especialmente porque chegamos no segundo "problema de Seattle". A consequência de ter uma tonelada de grandes jovens talentos em contrato de calouro é que esses contratos favoráveis não duram para sempre. Em 2015, diversos desses (inclusive Sherman, Thomas e Wilson) irão exigir um novo contrato que os pague de acordo com seu valor real, e talvez seja impossível acomodar todos esses novos milionários no teto salarial da equipe. Então o Seattle pode optar por, ao invés de usar seu espaço salarial para trazer novos jogadores, usá-lo para reconstruir o contrato de Sherman e Thomas em um novo e longo contrato com foco no primeiro ano, aproveitando assim o espaço salarial atual para absorver o grosso do contrato desses dois, e assim deixando a situação mais controlada para 2015 quando Wilson, Irvin e outros devem receber o mesmo tratamento. De qualquer forma, é apenas uma forma de antecipar a offseason de 2015, e considerando a combinação de ótimo núcleo e espaço salarial, Seattle é o favorito a ser o primeiro bi-campeão do Super Bowl desde 2004.


Denver Broncos

O Denver Broncos, basicamente, é um time apostando uma corrida contra o tempo. Eles possuem um dos cinco maiores QBs da história da NFL no seu elenco, montaram um ataque excepcional ao seu redor para maximizar suas habilidades nessa etapa da sua carreira, e possuem bastante talento do outro lado da bola para fazer desse um time equilibrado e sólido. E considerando como Peyton Manning continua batendo recordes aos 37 anos, eles possuem totais condições de serem campeões no presente.

Mas a questão é que a cada ano que passa, Manning fica mais velho e mais perto da aposentadoria, que sinceramente ninguém sabe quando pode acontecer (seu contrato vai até 2016, mas anualmente ele faz exames delicados no pescoço que passou por quatro cirurgias). Então esse é um time voltado justamente para vencer agora, e tem feito isso bem. São dois anos seguidos com a melhor campanha da AFC, e um Super Bowl desde que Manning chegou ao Colorado. Muita gente vai correr para apontar a vergonha que passou no Super Bowl, mas foi contra um time superior de Seattle estando sem Ryan Clady e Von Miller (dois dos seus seis melhores jogadores). Se o time continuar chegando perto, uma hora os fatores vão alinhar a seu favor e o título vai chegar.

O problema é que o teto salarial está apertando e Von Miller está prestes a receber um contrato mastodôntico, e então a não ser que Denver consiga algo muito criativo em termos salariais, eles terão que abrir mão de um dos seus dois principais free agents (Knowshow Moreno também é FA, mas me parece muito mais fácil substituir sua produção a um custo baixo). Dominique-Rodgers Cromartie, um dos CBs mais underrateds da temporada 2013 da NFL, e Eric Decker, com suas 1300 jardas e 11 TDs, foram duas peças essenciais para a ótima campanha do Broncos na temporada, mas parece bastante improvável que ambos consigam ser encaixados no salary cap de Denver quando os dois certamente exigirão um contrato bem lucrativo. Cabe a Denver escolher qual dos dois manter. Eu pessoalmente me inclino por Cromartie: a defesa de Denver é mais frágil que o ataque, os outros dois CBs de Denver não passam confiança para 2014 (Champ Bailey está velho e lidando com lesões, e Tony Carter vindo de um ACL rompido), e basicamente me parece que um CB acima da média é mais importante para Denver nesse momento que um WR. Decker é ótimo e teve um grande 2013, mas o time já tem Julius Thomas, Demaryus Thomas e Wes Welker no ataque aéreo, é mais fácil substituir um cara que já seria sua terceira ou quarta opção no ataque do que o melhor jogador da sua secundária. Mas essa é a vida do Denver agora: fazer seus ajustes a cada offseason, tentar resolver as carências, e dar a bola nas mãos de Peyton Manning em busca de um título.


San Francisco 49ers

Possivelmente o time mais underrated em 2013, o Niners pela terceira vez seguida chegou extremamente perto de seu objetivo e não conseguiu levantar o caneco. Em 2011, o time esteve a três fumbles e uma colisão entre dois DBs indo atrás da mesma interceptação de ir ao Super Bowl. Em 2012, o time esteve a uns 8 passes milagrosos de Joe Flacco e uma falta não marcada do título. E em 2013,  o time esteve a 22 segundos de vencer o Seahawks (o melhor time de 2013) em Seattle (o mais difícil estádio para se jogar na NFL) se não fosse uma jogada espetacular de um jogador espetacular (no caso, Sherman). Então por mais triste que seja sempre chegar perto e nunca conseguir, o lado bom é que se durante três anos, mudando diversas peças importantes do seu time (e inclusive seu QB) seu time continua um dos mais fortes e competitivos da NFL, é porque você tem feito algo certo.

2013 foi uma temporada complicada para San Francisco. Seu melhor WR se machucou na preseason, demorou 11 jogos para voltar, e não esteve a 100% quando voltou. Chris Culliver rompeu o ACL na pré-temporada. Aldon Smith e Patrick Willis, dois dos melhores defensores da NFL, tiveram seus problemas ao longo do ano por questões de saúde. Bruce Miller, um dos jogadores mais importantes taticamente do ataque, machucou na véspera dos playoffs. A questão não é a quantidade de lesões, e sim como todas elas pareceram atingir justamente os problemas do time: o ataque sem Michael Crabtree demorou demais para estabelecer o playbook que queria e teve pouco tempo para entrosar; a saída de Culliver na secundária tirou do time talvez seu melhor CB em 2012; e uma defesa que mudou muitas peças importantes demorou para engrenar sem Smith e Willis. E eles ainda terminaram 12-4  e quase foram ao Super Bowl, então motivos para otimismo não faltam.

Mas diferente dos times citados anteriormente, San Fran tem mais buracos para adereçar nessa offseason, e ainda tem o mesmo problema que o Seahawks vai ter em 2015: descobrir uma forma de dar a todos seus jogadores chave em contrato de calouro (Crabtree, Colin Kaepernick e Aldon Smith, principalmente) sem estourar o teto salarial. A diretoria já tinha se antecipado a isso e os contratos de diversos jogadores importantes (Willis, NaVorro Bowman, Vernon Davis e Joe Staley) já estão entrando na sua fase mais barata, dando alívio salarial, mas não vai ser fácil manter esses caras dentro do cap E adereçar seus principais problemas. Carlos Rogers provavelmente vai ser cortado, salvando 6M em salários, mas mesmo com esses jogadores e suas situações contratuais sob controle, ainda vai sobrar pouco espaço para trazer a ajuda de WR que o time precisa (a não ser que Anquan Boldin fique a um valor mais baixo) e reforçar a secundária. Então o time vai ter que ser criativo com suas dispensas e trocas, ou ainda melhor, apostar no draft. San Francisco tem cinco escolhas entre as três primeiras rodadas do draft e é um forte candidato a algumas trocas na noite do draft para subir e pegar jogadores de maior nível, e o time tem feito um excelente trabalho achando jogadores no draft. Então não tenho dúvida de que essa vai ser a rota favorita do time para tapar os buracos da equipe.

Em geral, muita gente tem tentado overreact e descartar SF, mas é pura besteira. 2013 foi cheio dessas. O ataque era um grande problema que estava segurando o time... até que o melhor WR do time voltou e o ataque decolou na reta final da temporada. Colin Kaepernick não era um QB de verdade (mesmo com QBR acima de Wilson e Cam Newton)... até ele ter números espetaculares com Crabtree e ser o melhor jogador em campo nas duas vitórias de pós-temporada da equipe. O ataque decepcionou anotando apenas 16 pontos contra Seattle... até o melhor ataque da NFL anotar 8. Então sinceramente, descartem esse time por sua própria conta e risco.


New England Patriots

É extremamente difícil colocar a temporada 2013 do Patriots em contexto. Por um lado, foi uma temporada em que tudo deu errado e New England conseguiu sair muito bem mesmo assim. O time viu Sebastian Vollmer, Rob Gronkowski, Jerod Mayo, Vince Wilfork e seu reserva Tom Kelly, e Brandon Spikes irem parar no IR, seis dos principais jogadores de um time cujo sucesso recente vinha da sua capacidade de colocar um monte de jogadores aleatórios ou de menor expressão em um esquema ancorado por grandes talentos, e fazer isso funcionar a perfeição (isso sem contar que Aqib Talib, ótimo no começo da temporada, se machucou e não foi o mesmo o resto do ano). Em 2013 isso não foi possível, e mesmo assim New England conseguiu se sair bem com uma 2nd seed e o quarto melhor ataque da temporada.

Por outro lado, é difícil não olhar para 2013 como uma temporada perdida em um time que também briga com o relógio enquanto tenta aproveitar os últimos anos da carreira de outro QB lendário. Tom Brady ainda é um ótimo QB, mas seus números tem caído nos últimos anos e ele tem começado a dar alguns sinais de declínio nessa idade. Isso pode indicar que a janela de New England com Brady está se fechando, e cada ano é importante para aproveitar seu futuro Hall of Famer. Então um ano como 2013, que foi basicamente perdido por conta das lesões, é um problema para New England.

Claro, para 2014, o primeiro passo do Patriots rumo a uma temporada de sucesso vai ser um pouco de regressão para a média. É extremamente improvável que o time sofra novamente com tantas lesões para tantos jogadores importantes, e isso sozinho já seria suficiente para o time retomar a estabilidade, com Wilfork na linha de frente e Mayo ancorando o miolo, mais um Rob Gronkowski saudável (sim, eu sei que Gronk é injury prone, mas não da para atribuir sua lesão de 2013 a isso de forma alguma). A saúde que faltou em 2013 pode ser suficiente para fazer New England novamente um candidato em 2014, especialmente com Bill Belichick e Brady por lá.

No entanto, algumas dificuldades precisam ser superadas no processo. A defesa foi muito mal em 2013 e isso obviamente teve influência das lesões que Mayo e Wilfork sofreram, mas não justificam tudo. O time ainda não tem pass rush confiável, e perdendo Brandon Spikes o time perde seu melhor LB contra o jogo terrestre (que foi a quinta pior defesa terrestre da NFL, btw, embora obviamente Wilfork vá ajudar). Além disso, a secundária do Patriots pode passar a ser um problema. Apenas Talib e Devin McCourty (espetacular de safety em 2013) foram acima da média na secundária, e Talib pode estar de saída. A situação salarial do Patriots está apertando, e parece que o time vai ter que decidir entre manter Talib ou Julian Edelman. Indepentende de quem for a causalidade, vai custar caro a New England: a perda de Talib vai abrir um buraco imenso na secundária do Patriots (especialmente sem pass rush), e Edelman foi o melhor jogador ofensivo da equipe em 2013 com números Wes Welkerianos, e sua perda vai tirar o alvo de segurança de Brady e o cara que manteve esse ataque vivo sem Gronk. E considerando o espaço salarial apertado, não vai ser nada fácil para New England trazer jogadores para suprir essas carências. O time achou uma identidade ofensiva sólida em torno do jogo terrestre e play actions, e jogando na AFC, não vejo porque o ataque do Pats iria deixar de ser eficiente de uma hora para outra. Mas com Broncos como o chefão da AFC e a ascensão de times como Colts e das potências defensivas da NFC, a margem de erro para o time parece bem pequena nessa offseason.


Carolina Panthers

O Panthers foi uma das histórias mais interessantes de 2013, se transformando em uma potência defensiva e vendo sua "sorte" mudar quando Ron Rivera decidiu que ia passar do técnico mais conservador da NFL para o mais agressivo. Deu tudo certo, o time teve uma temporada espetacular, e por ai vai. Mas ao contrário de muitos times jovens em reconstrução, o Panthers tem que lidar com dois problemas simultaneamente: os buracos na equipe que precisam ser corrigidos, e a falta de teto salarial.

O problema é que o Panthers passou muito rapidamente pela etapa de desconstrução de um time veterano para a montagem do seu time jovem em ascensão. Não que isso seja uma coisa ruim, claro, você sempre quer que seu time vença o quanto antes e perca o mínimo possível. O problema é que isso deixou o time ainda com alguns contratos problemáticos e sufocos salariais do time e da gestão anterior, e isso impede que o time de o próximo passo. O Panthers hoje tem diversas áreas que precisam de reforços: o corpo de recebedores é fraco e precisa de alguém para pegar a tocha de Steve Smith, principalmente, e a secundária precisa de ajuda. O Panthers rende muito quando consegue dominar a linha de scrimmage dos dois lados da bola, mas quando algum time consegue igualar essa pressão, o time perde no backfield: Cam Newton é um grande jogador mas seu potencial é limitado pela falta de WRs capazes de criar separação e manterem jogadas vivas quando Newton precisa usar as pernas para ganhar tempo, e quando a defesa não está criando pressão no QB adversário ela pode ser muito explorada pelo ar (ver: Boldin, Anquan). Foram dois dos principais fatores que levaram ao massacre que foi o segundo tempo de Niners-Panthers nos playoffs, e dois que Carolina precisa adereçar.

Ai entra a questão do teto salarial. Panthers, com seu núcleo jovem, era um grande candidato a ir atrás de um jogador como Hakeem Nicks ou Anterraun Vernum para dar um grande reforço a essas áreas, ou então ir atrás de diversos jogadores de menor nome (Emmanuel Sanders, Dunta Robinson e Donte Whitner, digamos) para complementar os problemas. A questão é que todo o espaço salarial livre do time já deve ser usado para reassinar o espetacular Greg Hardy, e com isso a margem de manobra da equipe diminui muito. Muitos contratos reestruturados e salários "mortos" estão impedindo que o time saia no mercado e resolva seus problemas mesmo com um ou dois veteranos bem colocados, então isso força o time a buscar seus reforços em outras áreas. O draft normalmente seria a principal solução, mas você não vai sair com uma secundária nova e três WRs de elite dele. Então a não ser que o Panthers esteja satisfeito em trazer de volta o time de 2013 e contar com o desenvolvimento de seus jogadores para suprir as carências, eles terão que ficar criativos. Trocar um jogador como Charles Johnson pode ser uma solução interessante (embora eu duvido que exista mercado), mas provavelmente terão que ser mais criativos do que isso para conseguir seu espaço - e isso antes de entrar na questão do novo contrato de Cam Newton, que vira free agent ao final do ano. Então me parece que se o Panthers quiser ser campeão em 2014, esse desenvolvimento terá que vir do que já está na equipe, e não de ajuda externa.


Indianapolis Colts

Apesar de superar de forma prática a regressão que deveria sofrer em 2013, as duas partidas do Colts nos playoffs serviram para mostrar exatamente em que ponto o time se encontra em sua reconstrução, e o que o time tem indo para frente.

Basicamente, o Colts tem o melhor jovem QB de toda a NFL, um cara que provavelmente vai ser o melhor QB da NFL em alguns anos. Ele fez mágica nesses playoffs, e como disse Bill Barnwell, não teve nada mais emocionante nesses playoffs do que quando Andrew Luck fazia um passe para um jogador que não estava na tela. Se eu fosse fazer uma lista dos 10 passes mais lindos ou perfeitos desses playoffs, metade seria de Luck. Enquanto você tiver um QB desse calibre, você vai estar bem na NFL.

O problema é que ficou claro que o Colts não tem muito mais a oferecer, nem um grande time a colocar em torno da sua grande estrela. A verdade é que ao redor do seu franchise QB, é um time bem fraco e limitado: com Reggie Wayne (em final de carreira) machucado, os únicos jogadores ofensivos do time acima da média além de Luck era TY Hilton e talvez Coby Fleener. A linha ofensiva melhorou em relação ao péssimo 2012, mas ainda foi uma unidade abaixo da média cujas deficiências foram mascaradas pela incrível habilidade de Luck de manter jogadas vivas e se livrar da pressão. E a defesa foi absolutamente medíocre em 2013 mesmo contando com o meu candidato a DPOY, Robert Mathis, na temporada da sua carreira - foram apenas três jogadores acima da média em 2013 (Vontae Davis, Jerrell Freeman e Mathis) e apenas um é realmente um jogador de grande impacto. Basicamente, esse foi o Colts nos playoffs: um time incapaz de parar quem quer que fosse, de controlar o jogo no relógio e que dependia de Andrew Luck acertando passes perfeitos para recebedores que não criavam separação para avançar.

Com um QB como Luck e um bom técnico como Chuck Pagano, você tem boas condições de sempre ser competitivo na NFL, mas a verdade é que se o Colts quiser sonhar com o título, vai precisar de um time muito melhor ao redor da sua jovem estrela que isso. Falta ajuda na linha ofensiva, faltam alvos para Luck, e falta praticamente tudo na defesa da equipe. Então o time vai ter que ir atrás desse tipo de ajuda, e não graças ao trabalho recente da diretoria: o time deu dinheiro garantido demais a jogadores medianos como Gosder Cherilus e Jean-Ricky François só porque eram de posições que o time precisava, e trocou sua escolha de primeira rodada por, claro, Trent Richardson. Então apesar de ter bastante espaço salarial, ele não é tão confortável no médio prazo por conta de salários longos (o que diminui as opções da equipe) e o time está sem uma comodidade valiosa para reforçar seu time no draft, o que torna a tarefa do time mais complicada. Esperem que o Colts seja um comprador agressivo nessa free agent (possivelmente com mais gastos exagerados em jogadores na FA por serem upgrades em relação aos jogadores atuais), e torçam para Indianapolis acertar nas rodadas intermediárias do draft, porque Luck me parece pronto para vencer agora e o time ao seu redor não está acompanhando sua evolução. Se o plano do Colts era acelerar sua reconstrução, agora é a hora de dar a Luck o talento que ele precisa para vencer, e duvido que Jim Irsay fique parado - por bem ou por mal (de novo, Trent Richardson).


New Orleans Saints

O Saints é o caso oposto do Colts, mas ainda assim é possível notar um bom número de semelhanças. O Saints também possui um grande QB que sozinho é capaz de ancorar um bom ataque, e um técnico que sabe como maximizar as habilidades de seu quarterback. O time também é todo montado em torno disso: depois que voltou de suspensão, Sean Payton voltou a fazer sua mágica e remontou o ataque de forma espetacular em torno de Drew Brees usando praticamente jogadores menores, dispensados de outros times ou veteranos que já estavam no elenco, de forma que New Orleans terminou o ano com o quinto melhor ataque, principalmente por ter o terceiro melhor ataque aéreo. O problema é o que o time tem a oferecer além de seu QB e o ataque por ele comandado.

Claro, New Orleans é um time melhor que o Colts fora disso - se não fosse, não teria a menor chance de ir aos playoffs em uma hipercompetitiva NFC. A defesa da equipe foi na verdade boa, terminando fora do Top10 por pouco no ano. Kenny Vaccaro teve um grande impacto como calouro, e a secundária segurou bem as pontas durante boa parte da temporada, e isso contribuiu em muito para o bom ano que a equipe teve. Mas a questão é que todo mundo sabia que, mesmo com uma defesa sólida, não ia ser a defesa que iria vencer as partidas para o Saints, era o ataque (nos playoffs, a defesa foi ótima contra Seattle mas perdeu porque o ataque não conseguiu anotar pontos e ainda entregou um TD de presente com um fumble).

Para o Saints, no entanto, a situação é oposta a do Colts porque o time TEM algum complemento ao redor de Brees (embora não tão bom quanto poderia ser), mas que ao invés de trabalhar para aumentar esses complementos, o Saints é um time que ironicamente precisa se desfazer de alguns. O Saints é um dos times que começam a offseason de 2014 ACIMA do teto salarial permitido pela NFL, o que obviamente acarreta em um problema duplo: por um lado, o time não tem condições de trazer novos jogadores para compor as áreas carentes da equipe (e em uma NFC tão ridiculamente forte, a margem de erro dos times é muito menor que na fraca AFC), reforçar seu pass rush, sua defesa terrestre e mesmo sua linha ofensiva, as principais áreas de necessidade. Por outro, o time não só não tem muitas formas de se reforçar estando 13M acima do cap como também vai precisar dar um jeito de descer para o patamar adequado, algo que vai exigir a renúncia a muitos dos free agents da equipe e dispensa de tantos outros jogadores que já estão no time... e isso é ANTES de considerar que o segundo melhor jogador do time, Jimmy Graham, é um free agent que vai exigir um contrato absurdo para continuar em New Orleans. O Saints já anunciou que dispensou os veteranos Jabari Greer, Will Smith e Roman Harper, todos veteranos da conquista de 2009, e também que não vai reassinar com Jonathan Vilma, por tanto tempo um dos pilares dessa defesa. Mais cortes devem vir por ai.

O problema é que mesmo com essas perdas, o time ainda não tem condições de reassinar com Graham (a chave para o 2014 se o time quiser disputar o título), trazer jogadores bons para as posições carentes, dar contratos aos seus calouros, e AINDA ficar abaixo do cap. Isso limita os jogadores que podem chegar, e indica também que outras dispensas ainda podem ou devem ocorrer. O Saints tem feito o possível para vender a idéia de que Graham deve receber a Franchise Tag de tight end, muito mais barata que a de WR e que salvaria ao time preciosos milhões de dólares de espaço salarial, mas essa opção me parece cada vez mais distante. Para manter sua estrela no elenco, o time vai precisar de ainda mais criatividade e mais cortes, o que tornam sua offseason ainda mais turbulenta. Vamos ver se a boa diretoria de NO consegue entrar dentro da taxa salarial e ainda reforçar as áreas carentes do time. Hoje, os prognósticos não parecem muito bons.


San Diego Chargers

Entre todos os times citados até agora, o Chargers provavelmente é quem mais olhou para a temporada 2013 como uma grata e grande surpresa. Niners, Patriots, Broncos e Seahawks começaram o ano como os favoritos ao Super Bowl. Colts e Panthers possivelmente não esperavam uma temporada como essa, mas eram jovens times em ascensão que esperavam chegar nesse ponto em breve. O Saints esperava se reerguer com a volta de seu técnico. Ainda que nem todos começassem o ano como candidatos a chegar até esse ponto - eu tinha apenas os quatro primeiros chegando aos playoffs nos meus palpites - todos eram times cujo caminho indicava, cedo ou tarde, uma trajetória semelhante.

O Chargers era diferente. Depois de dois anos consecutivos muito abaixo do esperado, a expectativa era de que o time fosse passar por uma pequena reformulação. Philip Rivers vinha de duas péssimas temporadas e parecia questão de tempo até deixar de ser titular, os jovens talento da equipe não vinham contribuindo como esperado, a linha ofensiva era um desastre da natureza, e em uma divisão com o juggernault Broncos e o promissor Chiefs, não vi ninguém no começo do ano achando que o Chargers iria conseguir sequer brigar por playoffs. A idéia era reformulação, e que talvez o próximo bom time do Chargers tivesse outro QB e outra base. Por isso a temporada 2013 foi uma surpresa tão grande: não era para o Chargers dar essa volta por cima e sair vencendo jogos quando tudo indicava que o time estava acabado. Philip Rivers se recuperou de dois péssimos anos para ser o segundo melhor QB de 2013, a linha ofensiva mudou da água para o vinho com algumas contratações inteligentes, Ryan Matthews finalmente ficou saudável e teve a temporada que todo mundo cobrava dele (1255 jardas, 7 TDs, 4.4 YPC), Antonio Gates finalmente conseguiu jogar em alto nível de novo, Keenan Allen teve uma das melhores temporadas de um WR calouro na memória recente da NFL, e tudo se encaixou para que esse ataque funcionasse as mil maravilhas e acabasse o ano como o terceiro melhor da NFL e com uma vaga nos playoffs.

Esse sucesso recente, especialmente de um ataque que foi tão bom mesmo contando com tantos desfalques e lesões no começo do ano, provavelmente muda um pouco o foco do time para o curto prazo. Claro, a reconstrução não vai parar por aqui: a defesa foi uma atrocidade durante boa parte da temporada 2013 (embora para ser justo tenha melhorado na reta final e tenha ido bem nos playoffs), e o time ainda está bastante próximo do teto salarial (algumas estimativas colocam o time apenas 1.5M abaixo do limite). Então até para tornar mais viável a questão financeira do time, a idéia é que o time caminhe em direção a um núcleo mais jovem, como um processo comum de reconstrução. A diferença é que agora a diretoria deve focar esse rejuvenescimento da equipe em torno de um núcleo competente e pronto para ganhar jogos agora (especialmente se Philip Rivers mantiver o nível) ao invés de através de um processo de desconstrução do elenco.

Então para continuar essa reformulação, a defesa deve ser o foco. Rivers está garantido por um bom tempo ainda, Matthews e Allen são jogadores bons, jovens e baratos e alguns jogadores estão voltando de lesão que não atuaram em 2013. A linha ofensiva se deu muito bem com DJ Flucker e alguns veteranos e deve trazer algum sangue novo, mas o maior problema do time foi mesmo sua defesa, que foi a pior da NFL durante toda a temporada e terminou justamente como a 32nd de toda a liga. Então eu espero que seja o foco do time, especialmente no draft (já que a FA não me parece uma boa opção). O time precisa pelo menos conseguir estabilizar sua defesa em um nível médio na NFL, e eu espero que o time vá pesado atrás desses jogadores no draft. O time encerrou razoavelmente bem na defesa o ano, então a expectativa é que possam construir em cima disso. Um pass rusher, mais um pouco de bife na linha defensiva e um novo cornerback titular me parecem as maiores necessidades da equipe, e esse é um draft bem profundo nas duas primeiras, então o Chargers parece estar em boa situação. Resta ver se o time conseguirá resolver suas questões salariais primeiro.


Philadelphia Eagles
Eu já escrevi isso antes, mas entre os quatro times que perderam na rodada de wild card, três deles não tem grandes motivos para se sentirem tristes. Claro, ninguém quer perder nos playoffs, especialmente de forma apertada, mas em geral são times que estão na trajetória certa.

Em nenhum time isso fica mais evidente que no Eagles. Ano passado, o time era uma zona, tentando juntar os cacos do fracassado "Dream Team", cheio de contratos caros, passando vergonha e acabando em último lugar na NFC East. Na última offseason, o time se livrou de tudo isso, praticamente recomeçando do zero com um novo técnico, Chip Kelly... e não poderia ter funcionado mais. Kelly fez o ataque voar em 2013 mesmo com todas as dúvidas sobre seus QBs (2nd melhor ataque), Nick Foles emergiu como um sólido QB titular, LeSean McCoy e DeSean Jackson brilharam, e o Eagles ganhou a divisão e foi aos playoffs. Então um ano depois do time decidir explodir tudo e recomeçar, o time ganhou 10 jogos e foi aos offs. Parece bom para mim.

E felizmente para o Eagles, as coisas não param por ai. Philadelphia tem uma ótima combinação indo em frente, com um time jovem e uma folha salarial livre de contratos absurdos. Isso dá ao time grande flexibilidade, pois pode ir no mercado atrás de grandes jogadores e ainda tem dinheiro para começar a reestruturar ou renovar alguns contratos dos seus jogadores mais jovens. É uma situação excelente.

Claro, uma consequência de uma reconstrução tão rápida é que o time tem muitos buracos a serem adereçados. A defesa em particular não foi bem em 2013 (embora tenha melhorado próximo ao final da temporada), e com vários veteranos de saída nos dois últimos anos, deve passar por uma renovação grande. O time achou alguns jovens talentos como Brandon Boykins (espetacular na segunda metade da temporada) e Cedric Thorton, mas ainda precisa reforçar principalmente a sua defesa aérea - nenhum jogador tirando Boykins foi bem na cobertura em 2013, especialmente os linebackers, e quando você combina as duas principais áreas de dificuldade da defesa em 2013 - o pass rush e a cobertura - o resultado normalmente é uma peneira pelo ar... e foi o que aconteceu.

Então o Eagles deve ter dois focos. Refinar seu já muito explosivo ataque, principalmente no que tange a QB. Nick Foles foi espetacular na segunda metade da temporada, mas é possível que seja um candidato a alguma regressão, ou então que Chip Kelly conclua que foi mais mérito do sistema que do jogador, e que um QB novo poderia levar esse time a novas alturas (btw, isso é só especulação, e duvido que para 2014. Não vejo nada além de uma lesão tirando a titularidade de Foles). E principalmente, dar um jeito nessa defesa. A secundária precisa de ajuda, e o grupo de linebackers do time foi bom contra a corrida, mas atroz contra o passe - apenas quatro times foram piores contra TEs e slot WRs pelo meio do campo. Então essa deve ser a direção da equipe, e embora a linha defensiva tenha sido boa em 2013, esperem um novo DE por lá essa temporada para ajudar na pressão. Com um grande técnico, um grande ataque, boas escolhas de draft e uma tonelada de espaço salarial, não sei se existe um time que seja mais candidato a dar um salto entre 2013 e 2014 nesse grupo.


Kansas City Chiefs

O Chiefs é outro time que deu um salto enorme em 2013, passando de pior time da NFL aos playoffs graças a uma mudança de técnico e de QB. Mas ao contrário do Eagles, que tem uma força definida (seu ataque) e uma clara fraqueza (a defesa), o balanceado Chiefs tem mais dúvidas sobre quais áreas merecem maior atenção.

Em 2013, pelo menos no começo, a história do time era sobre sua fortíssima defesa e seu ataque conservador. E de fato, era assim que o time vencia, nas costas de Jamaal Charles, sua defesa forçando toneladas de turnovers, e posições de campo. Acontece que isso, de forma improvável, se reverteu ao longo do ano: Alex Smith ficou mais a vontade, Charles explodiu de vez, e o ataque teve que se virar para compensar uma defesa frágil e pouco explosiva. Contra o Broncos o time perdeu mesmo com 28 pontos do ataque, e nos playoffs foi a defesa que cedeu 45 pontos para o Colts conseguir a virada depois do ataque abrir uma larga vantagem (nas últimas sete semanas, foram jogos de 38, 28, 45, 56 e 44 pontos e só um abaixo de 24). Então mesmo que no papel o ataque seja a área frágil da equipe, esse final de temporada e a performance surpreendentemente fraca da defesa deixam alguma dúvida no ar.

Claro, o ataque ainda vai ser a prioridade. Alex Smith se firmou definitivamente como o titular, e Jamaal Charles foi o melhor RB de 2013, mas isso não vai impedir o Chiefs de reforçar o grupo ao seu redor. O time precisa principalmente melhorar os alvos da equipe: tirando Dwayne Bowe, o time não tem nenhum recebedor acima da média, e considerando o quanto Alex Smith gosta de passes curtos e precisos, um jogador mais explosivo nos moldes de um Tavon Austin ou Percy Harvin (o tipo de jogador que pode causar estrago DEPOIS da recepção) seria fundamental para elevar ainda mais o nível desse ataque. Um tight end também iria ajudar muito, especialmente considerando o estrago que Alex Smith fazia com Vernon Davis em SF e o que conseguiu fazer com o limitado Anthony Fasano.

Mas o maior problema desse ataque é a linha ofensiva. Os dois melhores linemen do time em 2013 são free agents, e tanto Branden Albert como Geoff Schwartz não devem retornar em 2014 por questões salariais. Schwartz foi substituido de forma competente por Jon Asamoah quando machucou, então não me parece um problema, mas Albert é um dos melhores LTs da NFL e não possui um substituto com rodagem. O substituto natural seria Eric Fisher, 1st pick do draft passado que não jogou bem fora da sua posição de origem em 2013, e que esperam que renda mais voltando ao lado esquerdo da linha. Mas para um time que depende tanto do jogo terrestre, preocupa tanta incerteza na linha, e portanto é provável que o time queira reforçar o resto do quinteto para não deixar dúvidas.

Com tantos buracos no ataque, a defesa deve mesmo ficar em segundo plano, mas isso não significa que o time não tenha problemas. O time precisa repor a produção de Tyson Jackson na linha defensiva, e a secundária precisa urgentemente de ajuda, seja um novo CB (Dunta Robinson foi dispensado por questões salariais) um um novo safety para jogar ao lado de Eric Berry (ou ambos). A prioridade no momento me parece ser a secundária, embora a volta de Justin Houston de OLB vá ajudar bastante. O problema é que os recursos da equipe são um tanto quanto limitados - uma escolha de segunda rodada vai para San Francisco, e o espaço salarial da equipe, embora exista, não seja imenso. O time deve conseguir um CB no mercado a preços razoáveis e deveria ir atrás de Emmanuel Sanders, que não deve sair muito caro, mas vai ter que confiar na sua capacidade de continuar achando talentos no draft para conseguir tapar esse monte de buracos criados. Resta ver se conseguirão ou não.


Green Bay Packers

Foi basicamente uma temporada direto do inferno para o Packers. Clay MAtthews machucou e perdeu mais de metade dos jogos, Colin Kaepernick apareceu duas vezes no caminho do time, Aaron Rodgers perdeu jogos e seus reservas eram Seneca Wallace, Matt Flynn e Scott Tolzien, Casey Heyward rompeu o ligamento, Randall Cobb perdeu grande parte da temporada... e de alguma forma o Packers ainda venceu a divisão e chegou perto de vencer San Francisco nos playoffs. Obrigado, Lions.

Como tem sido a norma desde que foram campeões em 2010, o Packers viveu pelo seu ataque e a defesa não foi capaz de acompanhar. Com o Offensive Rookie of the Year Eddie Lacy a bordo, o Packers agora tem um dos melhores combos QB/WR da NFL, e Jordy Nelson provavelmente foi o WR mais underrated de 2013. Mesmo com seis jogos de Wallace, Flynn e Tolzien, o Packers ainda terminou com o nono melhor ataque da NFL, e não tenho dúvidas de que com Rodgers estaria no Top5. Por outro lado, a defesa foi a segunda pior da temporada. Adivinhem onde o Packers deve concentrar seus esforços essa offseason??

A verdade é que Green Bay tem algumas decisões importantes a tomar. Por um lado, o time tem muitos free agents: no ataque os principais são James Jones e Jermichael Finley, e na defesa o time está perdendo seus três DT (Johnny Jolly, BJ Raji e Ryan Pickett) e dois importantes defensive backs (MD Jennings e Sam Shields). Por outro, o time tem uma quantidade razoável de cap space para gastar como parecer mais adequado ao time. A defesa deve ser prioridade, mas também me parece mais difícil de arrumar: a secundária ainda tem Tramon Williams, a volta de Heyward e o bom Micah Hyde, mas ainda foi abaixo da média em 2013 e precisa de mais ajuda, especialmente um safety. A linha defensiva provavelmente vai continuar com Raji, não tem nada que salve nessa linha de frente: os linebackers foram horríveis tanto na cobertura como no jogo terrestre como no pass rush, e os muitos jogadores para a função que o time trouxe usando escolhas altas de draft não engrenaram. Mesmo se Clay Matthews finalmente ficar saudável, tem coisa demais que o time precisa: outro pass rusher, pelo menos um MLB que seja capaz de acompanhar um TE e cobrir sua área do campo, e mais bife para a linha defensiva que seja capaz de executar alguma função decentemente. Então tem um buraco imenso ai que mesmo com bom cap o time não vai ser capaz de preencher.

Isso pode levar o time a focar do outro lado da quadra, esperando que ter um dos melhores QBs da NFL e um ataque devastador possa levar o time longe de novo. Embora o ataque tenha seus problemas (faltou WRs quando Cobb e Jones machucaram, e a linha ofensiva é um desastre), eles são menores e podem ser mais mascarados pela presença de um jogador fora de série dando as ordens. O time não vai com tudo atrás de um WR tendo Nelson e Cobb (e dificilmente irá dar muito dinheiro para Jones ser seu WR #3), especialmente com o sucesso que o time tem tido achando WRs no draft, e pode investir um pouco mais pesado em um novo tackle e um guard para fazer a vida de Lacy e Rodgers mais confortável. Com o que sobrar, devem atacar a defesa, e para sua sorte não faltam jogadores de linha nessa free agency - embora seja difícil dizer quais o time vai estar disposto a pagar. Com o histórico do Packers de não ir atrás de free agents, esperem um time bastante agitado na noite do draft.


Cincinnati Bengals

Eu falei antes, e defendo de novo, que entre os quatro times que foram eliminados na rodada de WC dos playoffs, o Bengals é quem menos deve estar satisfeito. Mesmo com uma temporada que viu Leon Hall e Geno Atkins se machucarem e perderem o resto da temporada, foi um final decepcionante para um time que todo ano promete e não cumpre. Então vamos começar com as boas notícias: Hall e Atkins devem estar de volta para 2014, fazendo do Bengals um dos times com base mais completa e talentosa da NFL... e uma TONELADA de espaço salarial.  Nada mau, certo?

Esse espaço salarial depende, claro, do DE Michael Johnson. Johnson é um free agent saindo de uma temporada espetacular, e que certamente vai ganhar um salário imenso em 2014. O Bengals tem o espaço salarial para trazer Johnson de volta ou mesmo usar a franchise tag no jogador, mas a organização acabou de comprometer muito dinheiro com Carlos Dunlap e Geno Atkins, e não me parece que o Bengals iria gostar de ter seus três jogadores mais caros sendo de posições tão semelhantes. O time tem tido muito sucesso achando DLs no draft, e possivelmente será mais vantajoso para a equipe achar e desenvolver 80% do jogador que Johnson era dessa maneira do que pagar 20 vezes mais para Johnson continuar na equipe, especialmente considerando dois potenciais free agents de 2015, que agora podem negociar uma extensão e que tornam a situação salarial do time tão interessante: AJ Green, e Andy Dalton.

AJ Green é simples: ele vai receber um contrato mastodôntico, seja hoje ou daqui a um ano, Cincy nunca vai deixá-lo ir embora. Já Dalton é um problema diferente. Embora seja um QB mediano ou até mesmo acima da média as vezes, ele não é muito mais do que isso e as vezes parece verdadeiramente medíocre. Embora tenha melhorado um pouco em 2013 com alvos cada vez melhores, Dalton ainda é basicamente o que tem sido sua carreira toda: um QB sólido que pode vencer com um grande time ao seu redor, mas dificilmente vá vencer grandes times sozinho. E embora a amostra seja pequena e eu ache inútil exagerar na reação com apenas três anos de carreira, muitos apontam para seus péssimos números em playoffs (um TD, seis interceptações, três derrotas decepcionantes) como uma prova de que ele não vai ser o tipo de jogador que levaria o time ao Super Bowl. A verdade é que ninguém sabe exatamente o quanto Dalton tem a oferecer e o quanto ele estaria segurando um potencial candidato ao Super Bowl, nem mesmo Cincy, então até eles descobrirem me parece muito improvável que se comprometam com o QB com um contrato longo. Eles muito provavelmente vão deixar Dalton jogar esse último ano, ver o processo e o resultado, e tomar uma decisão em 2015. Ent ão considerando que Dalton não deve ganhar um novo contrato até 2015, que o time tem bastante espaço salarial, e que Green está elegível para uma extensão... os cenários da equipe são muito interessantes.

O primeiro seria assinar logo com AJ Green uma extensão salarial, mas acho que o time não deve ter pressa. Assinar logo o contrato daria ao time a possibilidade de estruturá-lo de antemão da forma como fosse mais conveniente, mas isso pode ser feito ao longo da temporada, não existe motivo para pressa. Eles sabem que o contrato será finalizado em algum ponto, e a questão é o que fazer com o resto desse espaço salarial. Sem Johnson na folha de pagamentos, o time também não deve ter grande problemas mesmo que Dalton e Green tenham que reassinar juntos ao final da temporada, então cabe a grande pergunta: o que eles devem fazer com o espaço salarial restante? E a melhor resposta é contratar o máximo possível de bons jogadores, especialmente vindo de temporadas complicadas, em contratos de um ano (o modelo do Seahawks, inclusive). Esses jogadores não estarão mais no cap em 2015 quando os contratos de Green e talvez Dalton aumentarem, e eles aumentam as chances de sucesso no curto prazo da equipe. E se o time eventualmente decidir não renovar com Dalton, eles sempre podem renovar com os jogadores que já estão na equipe para continuarem no time enquanto procuram outra solução para QB. Me parece o mais razoável.

A questão ai seria quem buscar, pois o Bengals tem um dos times mais completos da NFL. O que não significa que o time não possa se beneficiar de upgrades em certas áreas: o time ainda precisa de um bom safety, e alguma profundidade para CB não seria de todo ruim com Leon Hall voltando de lesão. Um DE como Jared Allen, em contrato de um ano, seria ótimo para manter o nível de Johnson e suavizar a transição para o próximo jogador da posição. Um WR como Anquan Boldin também seria ótima companhia para Green no ataque e pode ajudar esse time a deslanchar. Não é tão fácil achar um bom encaixe em contratos curtos que ainda sejam um upgrade nesse time tão completo, mas não é um problema ruim para se ter. Na "pior" das hipóteses, o time pode assinar um free agent mais de topo (Michael Bennett?) a um contrato extremamente concentrado no primeiro ano, de forma a absorver o maior impacto salarial em 2014 e deixar a folha ainda estável para o futuro. Não me parece nada mau.



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Algumas considerações sobre a rodada de Wild Card

Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


"Captain Luck, ao resgate!"



No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Primeira rodada dos playoffs já está no passado, e me parece uma boa hora para passar rapidamente por alguns tópicos interessantes ou relevantes que se apresentaram nesse último final de semana de excelente futebol americano - deixando os comentários sobre os jogos do próximo final de semana para outra ocasião. Passando rapidamente por dois esclarecimentos...


Ausência forçada

Infelizmente, estando fora do país nas últimas semanas, não foi possível fazer uma cobertura decente da rodada de Wild Card. Eu até consegui acesso suficiente a internet para colocar meus palpites para a semana 17, mas depois disso não tive a oportunidade, e por isso só agora, de volta, que eu vou conseguir retomar o ritmo dos playoffs da NFL. Vamos ver se conseguimos manter o ritmo até o Super Bowl.

A outra coisa é a ausência do prometido Mailbag. Essa tem uma causa mais simples: não recebemos emails suficiente. Apenas duas pessoas mandaram perguntas, então ele foi adiado para outra ocasião - uma ocasião na qual teremos um número razoável de questões para responder e debater.

Então vamos tentar tirar o tempo perdido em relação a essa rodada de WC, começando com....


A verdade indubitável sobre os playoffs da NFL

Eu repito isso sempre que tenho a chance, e cada vez mais é verdade: nos playoffs, qualquer time que chega pode ser campeão. A natureza muito volúvel do jogo e a amostra extremamente pequena dos playoffs faz com que o nível de incerteza seja enorme, e com essa amostra pequena o impacto de diversas coisas pequenas (um quique diferente de bola em um fumble, vento que atrapalha um FG, um drop, etc) assume uma importância muito maior. Por esse motivo eu digo que qualquer time que chega aos playoffs pode ser, de fato, campeão. Não quero dizer, claro, que cada time tem chances iguais de ser campeão quando chegamos nos playoffs - quanto melhor o time, maiores as chances dele ganhar, já que esse tipo de coisa tende a ser aleatória. Mas em geral, ou pelo menos tem sido o caso nos últimos ano, tem vencido não o melhor time mas o time que pega fogo na hora certa e/ou da alguns golpes de sorte.

Se não acredita, é só fazer uma retrospectiva: em 2012, Ravens era o terceiro melhor time da AFC, mas Joe Flacco e Anquan Boldin pegaram fogo na hora certa, o time deu uma meia dúzia de golpes de sorte (a furada do Rahim Moore, a lesão de Aqib Talib, e a falta não marcada na end zone no Super Bowl) para chegar ao título - um ano depois, o time sequer foi aos playoffs. Em 2011, o Giants se tornou o primeiro time 9-7 a vencer o Super Bowl E o primeiro time com saldo de pontos negativos a vencer o Super Bowl, principalmente porque sua linha defensiva teve uma performance dominante (que nunca mais replicou), porque o time recuperou sete fumbles seguidos e porque Kyle Williams retornou alguns punts - eles não foram aos playoffs desde então. O Packers de 2010 só foi aos playoffs porque o Bucs perdeu em casa, em OT, para o Lions sem Matt Stafford na semana 16. Em 2009, o melhor time da NFC de fato venceu o Super Bowl (o Saints começou o ano 13-0 antes de perder as três últimas), mas um em quatro anos não é exatamente uma grande vantagem para os "melhores times da NFL". Você entendeu o sentido: ser bom é muito importante, mas muitas vezes quem vai ganhar o título é aquele time que ficou saudável na hora decisiva, viu alguns fumbles ou erros individuais acontecerem a seu favor, e que aproveitou melhor essas chances. É o eterno "better to be lucky than to be good", ou em um português morfético, é melhor ter sorte do que ser bom.

Um bom exemplo dessa postura nesse final de semana de Wild Card foi o jogo entre Chiefs e Colts. Antes da partida, era difícil dizer qual era exatamente o melhor time, embora muitas métricas colocassem Kansas City como o melhor dos dois. KC teve 0.5 vitórias a mais em termos de Pythagorean Wins, e DVOA colocasse o Chiefs como o sétimo melhor time da temporada regular, enquanto o Colts foi apenas o 13th. Mesmo considerando o final de temporada ruim de Kansas City usando DVOA ajustado, o time ainda se mantém como o nono melhor da NFL, enquanto o Colts cai para 21st.

O jogo, como todo mundo já sabe, terminou com o Colts vencendo por 45 a 44 depois de estar perdendo por 38 a 10, a segunda maior virada da história dos playoffs. Em um jogo decidido por tão pouco e com tantos grandes momentos decisivos, e com tantos pontos, realmente é o mais equilibrado que você chega. E ai você lembra que o Chiefs perdeu seu melhor jogador (Jamaal Charles) na sua primeira corrida da partida, que o time perdeu um dos melhores CBs da NFL (Brandon Flowers) quando o Colts começou sua reação, que Donnie Avery (segundo WR favorito de Alex Smith na temporada) saiu machucado, e que até mesmo Justin Houston não terminou a partida... e começa a pensar que o Colts não deveria ter saído com a vitória em condições normais.

E não deveria mesmo. Isso NUNCA é uma ciência exata, mas em um jogo de um ponto tão apertado como esse, é difícil imaginar que não faria diferença um Charles ou um Flowers saudável. Charles era um candidato a MVP que foi, de longe, o não-QB mais valioso de toda a NFL, um jogador responsável por 32% da produção ofensiva da sua equipe (de longe a maior marca da liga) - quão diferente teria sido o jogo com ele naquele segundo tempo, quando o time tinha uma grande vantagem e iria ficar extremamente satisfeito correndo com a bola ou fazendo checkdowns para gastar tempo e avançar passo a passo? Ao invés disso, Charles estava fora, Knile Davis saiu machucado, e o time não teve confiança para jogar nas costas de Cyrus Gray pelo chão para gastar o relógio. Charles foi segundo colocado em muitas listas para MVP por ai - eu acredito que sua saúde teria feito pelo menos alguma diferença no jogo. O mesmo para Flowers, que embora tenha saído quando o Colts já reagia, é razoável imaginar que teria feito alguma diferença em relação ao seu substituto Dunta Robinson, que tomou bola nas costas o jogo todo. Se ambos os times jogassem toda a partida com os mesmos jogadores que a começaram, Kansas City provavelmente teria ganho.

Mas não jogaram, e KC não venceu. Colts superou algumas perdas próprias, Andrew Luck lembrou no segundo tempo que é um enviado dos céus para completar viradas espetaculares na NFL, e o time jogou com muita raça para completar essa virada espetacular. Porque na NFL, não adianta ser só bom. Você tem que ser bom E dar sorte.


Ter um bom quarterback ajuda

Um dos lugares-comuns dos playoffs diz que as duas pessoas mais importantes em um time na pós-temporada são o quarterback e o técnico. Em geral eu odeio lugares-comum porque eles são uma forma de simplificar as coisas e não pensar sobre elas, o que gera todo tipo de preconceito e erro típico de quem tem preguiça de olhar as coisas direto. Mas esse lugar comum, em particular, é um que eu concordo até certo ponto. Claro, você não PRECISA de um grande QB para vencer - Eli Manning, Joe Flacco e Mark Sanchez tem mais Super Bowls e um record melhor nos playoffs nos últimos 8 anos do que Drew Brees, Tom Brady e Peyton Manning. Futebol é um jogo de 53 jogadores, não de um, e se você tem um grande QB e o resto do seu time é uma droga, você vai continuar não vencendo nada.

O que isso quer dizer, entretanto, é que ter o QB superior te da uma grande vantagem em relação ao seu adversário. Pelo menos nessa primeira rodada de WC, quatro times tinham um QB claramente superior ao adversário: Colts com Luck, Saints com Brees, Packers com Aaron Rodgers, e San Diego com Philip Rivers. Três desses eram considerados zebras em suas partidas... mas três desses quatro times com o QB superior saíram com a vitória. A única excessão foi o Packers, que perdeu do San Francisco 49ers em parte porque Colin Kaepernick vira uma mistura de Joe Montana, Steve Young e Obi-Wan Kenobi quando enfrenta seu time de infância (são três jogos contra GB, 3-0 com 300 jardas aéreas e 100 jardas terrestres de média), e mesmo assim o Niners precisou de uma campanha espetacular nos minutos finais em um jogo onde a grande diferença foram as defesas. SF tem uma linha ofensiva melhor, uma defesa mil vezes melhores, melhores STs, Colin Kaepernick foi o melhor jogador em campo... e mesmo assim foi uma partida extremamente difícil decidida no segundo final.

Um bom exemplo disso foi, de novo, Colts e Chiefs. Nessa partida, se você for olhar estatisticamente, Luck não foi o melhor QB - ele teve dois turnovers a mais que Alex Smith, que teve um jogo brilhante com mais de 400 jardas e 4 TDs. Se for para olhar no vácuo, o Colts venceu mesmo com Luck não sendo o melhor QB da partida. Mas vai ver os highlights daquele jogo, e veja o que Luck precisou fazer no segundo tempo para vencer. Quantos QBs da NFL seriam capazes de fazer isso? Quantos QBs seriam capazes de fazer, bem... isso? Com certeza não Alex Smith, e mais 90% da liga. Luck pode não ter sido o melhor QB ao longo do jogo todo, mas são pouquíssimos os jogadores que seriam capazes de virar esse jogo no segundo tempo como ele fez. Se o QB fosse 1% inferior a Andrw Luck, o Colts não vence a partida.

Então você nunca vai querer descartar os times com grandes QBs. As regras estão DEMAIS em favor deles, e temos QBs particularmente grandes nessa pós-temporada. O Patriots está sem Rob Gronkowski e Sebastian Vollmer no ataque, sem Vince Wilfork, Jerod Mayo e Brandon Spikes na defesa... mas você vai mesmo apostar contra Tom Brady em casa? Claro, o problema agora é que - principalmente na AFC - nós estamos tendo um overload de bons QBs sobrando. Os quatro times da AFC apresentam Pro-Bowl QBs: Peyton Manning (que acabou de obliterar todos os recordes da NFL e vai ser o MVP) enfrenta Philip Rivers (o segundo melhor QB da temporada regular), e Tom Brady (que de alguma forma manteve o ataque funcionando com Julian Edelman como seu principal alvo) recebe Andrew Luck (o melhor jovem QB da NFL e... bem, vocês VIRAM o que ele fez semana passada). Manning e Brady são ainda os melhores QBs dos confrontos, mas a diferença não é tão grande assim mais, e as duas "zebras" possuem dois excelentes QBs próprios que podem pegar fogo e definir o confronto.

Curiosamente, se na AFC temos três grandes QBs veteranos e uma jovem estrela, na NFC temos o contrário. Russell Wilson, Kaepernick e Cam Newton representam a nova geração, enquanto Drew Brees é o veterano e futuro Hall of Famer do grupo. Claro, o Saints não vai ser favorito só por ter o melhor QB - na verdade são zebras por oito pontos - porque Seattle tem um ótimo ataque, defesa espetacular e tudo que você espera do time mais completo da NFC. Mas considerando a diferença que um QB do nível de Brees pode ter em um único jogo, bem, eu também não seria louco de descartar New Orleans nessa partida.


O destino dos times eliminados

Entre os quatro times que depois do final de semana passada assistem os playoffs pela TV, a verdade é que com uma exceção, os times não tem tantos motivos para se sentirem deprimidos ou entrarem em depressão por causa das derrotas. Claro, considerando a natureza imprevisível da NFL e o quão apertados e decididos em detalhes foram os jogos do Wild Card, obviamente que todos eles prefeririam muito ter ganho e continuado na disputa. Mas tirando o Bengals, os outros três times todos tem motivos para estar otimistas e não se sentirem afetados demais pela eliminação.

Dois desses times, Eagles e Chiefs, são times que começaram a se reconstruir nessa temporada depois de um 2012 decepcionante. Trouxeram novos técnicos, mudaram seus elencos, e começaram de novo depois de ambos terminarem na lanterna de suas divisões. E o resultado foi um sucesso: KC venceu 11 jogos depois de só vencer dois um ano antes, Philadelphia venceu a sua divisão e teve o segundo melhor ataque da NFL, e ambos tiveram grande sucesso em seu primeiro ano sob o novo regime. A defesa de KC acabou não aguentando nos playoffs (com ajuda de múltiplas lesões) e o ataque de Philly foi superado por um ataque liderado por um futuro HoF, mas considerando que era apenas o primeiro ano do processo de cada time, acho que vão terminar o ano com a conclusão de que foi um ano extremamente satisfatório. Kansas conseguiu se restabelecer como um time de verdade, e embora diversas lesões tenham afetado demais o time no final do ano e nos playoffs, eles tem talento demais na defesa e Alex Smith se estabeleceu como o QB do futuro da franquia depois de um excelente final de ano. O mesmo vale para Philadelphia: Chip Kelly foi brilhante comandando a equipe e impondo seu ataque veloz, que foi o segundo melhor da NFL mesmo sem ter todas as peças ideais. A defesa jovem foi muito inconsistente ao longo do ano, e o ataque teve seus momentos difíceis, mas considerando que Kelly ainda não teve tempo de reunir os jogadores que deseja ou de entrosar seu time no seu complicado esquema ofensivo, a temporada foi um enorme sucesso: ele provou que seu esquema ofensivo funciona na NFL e conseguiu fazer Nick Foles parecer John Elway. Daqui para frente é questão de reforçar a defesa, achar as peças ofensivas, e correr para o abraço. Lógico que ambos prefeririam um título, mas o saldo foi extremamente satisfatório e o caminho de ambos parece positivo para 2014.

Green Bay não pode falar que está se reconstruindo como os dois, mas considerando as circunstâncias, GB me parece satisfeito (com alguma razão) por ter chegado aonde chegou. Durante a temporada regular, eles perderam o seu melhor jogador, Aaron Rodgers, por SETE jogos. Durante esses sete jogos, seus titulares forem Seneca Wallace, Scott Tolzien, e Matt Flynn. Detroit E Chicago ultrapassaram GB nesse tempo e dependiam das próprias forças para ganharem a NFC North. De alguma forma Detroit perdeu cinco dos seus últimos seis jogos, e Chicago foi incompetente o suficiente para Rodgers voltar ainda a tempo de vencer a divisão. E mesmo que estivesse com Rodgers quando foram derrotados pelo Niners nos playoffs, eles sabiam que era uma tarefa difícil: sua defesa estava sem Casey Heyward e Clay Matthews, e diversos outros jogadores importantes estavam ou machucados ou jogando no sacrifício. Considerando que teriam que jogar sem tantos jogadores importantes o resto do ano, que possivelmente Rodgers ainda não estava 100%, e que foi preciso um pequeno milagre e MUITA incompetência dos rivais só para o Packers chegar na pós-temporada... acho que não tem tanto motivo para tristeza. Eles chegaram mais longe do que deviam com um time esburacado e sem seu melhor jogador, e foram derrubados por um time superior.

O caso do Bengals é um pouco diferente. Sim, eles tiveram múltiplas lesões - na verdade, eles perderam seu melhor jogador de secundária (Leon Hall) E seu melhor jogador defensivo (Geno Atkins) na metade da temporada - mas a temporada acaba como uma decepção muito maior. Mesmo sem Atkins e Hall, a defesa do time se manteve estável, e o ataque - no qual o time investiu recentemente escolhas altíssimas para trazer Gio Bernard, Tyler Eifert, AJ Green e Jermaine Gresham - deveria ter produzido melhor. Ai o time chega nos playoffs contra um inferior time do Chargers, em casa (onde o time estava  8-0)... e apanha de 27-10 com Andy Dalton lançando duas interceptações. Depois de gastar seis escolhas de primeira ou segunda rodada nos últimos quatro anos para fazer esse ataque se tornar um dos melhores da NFL, o time ainda não conseguiu produzir mais do que 10 pontos (e três turnovers) contra a pior defesa da NFL? Não é nada satisfatório. Green Bay e Bengals perderam diversos jogadores por lesão e não eram o time que poderiam ser, mas pelo menos Green Bay sabe que overachieved em uma pool de times muito mais forte, que foi derrotado nos detalhes por um time superior quando estava destruído por lesões, e que enquanto Aaron Rodgers estiver lá, eles vão continuar chegando. Bengals  chegou aos playoffs com tranquilidade contra adversários fracos, foi derrotado com propriedade por um time inferior, viu seu ataque se desmontar e levantou ainda mais questões sobre sua situação de quarterbacks. Ainda que saibam que poderia ter sido diferente com o time saudável, ainda foi uma atuação decepcionante em uma situação que eram os francos favoritos. Eles precisam decidir logo sobre o futuro de Dalton, que mais uma vez foi muito mal nos playoffs (agora são três jogos, um TD e seis interceptações) e tem que fazer isso com um novo coordenador ofensivo. Não tem nada de bom saindo para o Bengals desses playoffs, nenhum consolo nem nada. Só mais dúvidas.

(O que não quer dizer que o Bengals seja um time horrível que deve se reconstruir do zero, a defesa ainda é excelente e o time tem pouquíssimos buracos. Mas esse tipo de atuação é exatamente o que você não pode ficar satisfeito de ver em um time nessa situação)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Aonde cada time se encontra na metade da temporada (Parte II)

Rodgers vai ter tempo de sobra para concentrar no mustache agora



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Ao final da nona semana da NFL, chegamos em um ponto interessante: o momento que mais se aproxima, na NFL, da metade da temporada. Claro que, como a temporada tem 17 semanas, não existe realmente um ponto que seja a "metade", mas eu gosto da semana 9 porque é o primeiro momento na temporada onde cada um dos 32 times jogou pelo menos 8 vezes. Alguns poucos jogaram 9, mas não é o importante - o importante é que todos os times já chegaram pelo menos na metade das suas temporadas regulares, e então já começamos a ter uma visão mais clara do que cada time representa no cenário da NFL. Ent ão ao invés de fazer nossa habitual passagem pela rodada destacando os pontos mais interessantes, vamos fazer um giro pelos 32 times da NFL e vamos separar aquilo que nós sabemos sobre eles, a essa altura, e quais as questões que eles enfrentam indo para frente. Alguns, como vocês vão ver, já tem um papel claro na temporada... outros, nem tanto. Só para deixar claro que os times estão ordenados de acordo com as divisões, e não por qualquer critério.

Ontem, começamos com os 16 times da AFC. Hoje então é dia de falar dos times da NFC.


Dallas Cowboys

Quem teria imaginado, antes da temporada, que a NFC East ia ser a divisão mais fraca da NFL? Nenhum líder de divisão tem um record pior do que os 5-4 do Cowboys, e a única outra divisão com todos os times (tirando o líder) abaixo de 50% é a AFC North. Giants e Redskins tem se recuperado nas últimas semanas e o Eagles vem de uma boa partida contra o Raiders, então pode perder essa honra duvidosa nas próximas semanas, mas... por enquanto ainda é a pior divisão.

Sobre o Cowboys, eu preciso admitir, eu realmente gosto muito desse time. Algumas derrotas traumáticas, uma boa dose de azar e as eternas narrativas pré-determinadas que sempre parecem circular em torno desse time escondem o que na verdade é um bom time de futebol americano por trás: a Pythagorean Expectations do time é de 6-3, eles jogaram pau-a-pau com o melhor ataque da NFL antes de perder nos segundos finais para o Denver Broncos mesmo anotando 48 pontos, e eles estão a uma ou duas jogadas (em particular aquele holding do Tyron Smith contra o Detroit) de estar 6-3 ou 7-2 e serem os claros favoritos para vencer a divisão. A defesa está um pouco complicada com as lesões de Demarcus Ware e Anthony Spencer, mas o ataque está muito bem e Tony Romo está jogando talvez o melhor futebol americano da sua carreira. É um time muito sólido que tem tudo para chegar aos playoffs... até porque é possível que o campeão dessa divisão não precise ganhar mais que 8 jogos. Então tem isso.

Outra coisa a favor do Cowboys são os critérios de desempate. Atualmente, Dallas está um jogo na frente do segundo colocado da divisão Eagles (5-4 contra 4-5) mas Dallas tem uma enorme vantagem nos critérios de desempate: a equipe venceu os seus três jogos contra os adversários diretos dentro da divisão, o que pode ser importante caso haja um empate no final da temporada. O primeiro critério de desempate é o confronto direto e depois é o record dentro da divisão, e como Cowboys tem vitórias sobre os três outros times, está com uma boa vantagem em ambos os critérios - todos os outros times da divisão tem pelo menos duas derrotas dentro da NFC East enquanto Dallas está 3-0. Então em uma divisão apertada que pode chegar no final do ano com todo mundo 8-8, é uma vantagem considerável para os sonhos de playoffs do Cowboys.


Philadelphia Eagles

Por mais que muita gente adore atribuir os jogos ruins do Eagles - em particular os dois jogos consecutivos sem um TD de ataque antes da explosão contra o Raiders - ao ataque de Chip Kelly "não funcionar nos profissionais" ou alguma variação dessa besteira, o motivo pelo qual o time do Eagles as vezes fica estagnado no ataque é muito mais simples: o time não possui um grande QB. Michael Vick não tem as características ideais para jogar nesse esquema, mas vinha jogando bem e antes de sua lesão o Eagles tinha o segundo melhor ataque (em DVOA) da NFL. Depois de dois jogos muito ruins Nick Foles explodiu para 7 TDs contra a fraca defesa do Raiders, mas ele também não é o QB que o time precisa. O fato é que essa pessoa não está no elenco hoje, e portanto não tem como tirar o máximo desse ataque extremamente bem esquematizado hoje. Esse é o fator limitante para o Eagles nessa temporada e certamente o primeiro tópico que Kelly vai tentar resolver para o ano que vem.

Para 2013, aonde a temporada vai depende do quanto Foles (ou quem quer que seja o QB titular, que por enquanto é do Foles mesmo) vai conseguir render nesse esquema indo para frente. É possível que sua performance histórica contra o Raiders seja fruto de um bom jovem QB entendendo melhor o complicado sistema ofensivo do time contra uma defesa ruim, ou pode ser só um outlier contra uma defesa ruim também. Mas considerando o quão ruim é a defesa do Eagles, se o time quiser chegar nos playoffs, vai precisar da produção do ataque em altíssimo nível, e isso depende de Foles reproduzir ou não alguma coisa semelhante ao seu jogo contra Oakland. E se ele não conseguir, pode ter certeza que um QB vai sair para o Eagles no próximo draft.


New York Giants

Com duas vitórias seguidas, o Giants parece estar evoluindo e aos poucos deixando para trás aquele patamar horrível das primeiras partidas. Parte disso é resultado normal de alguns fatores além do seu controle regredindo para a média, parte disso é porque a linha ofensiva do time melhorou um pouco e tem dado mais tempo para Eli Manning lançar... e francamente, porque o time enfrentou dois adversários muito fracos e aproveitou a chance. Faz parte. 

Ainda é cedo para descartar o Giants, especialmente em uma divisão que eu acabei de dizer que pode ser vencida com um 8-8 ou 9-7 de record. Ano passado, o Redskins estava 3-6 antes de vencer sete seguidas, então ainda tem muito tempo para algo semelhante acontecer. Ainda assim, é improvável: a tabela do Giants ainda envolve jogos contra Lions, Chargers e Seahawks (e Packers, mas provavelmente sem Aaron Rodgers), sem falar nos confrontos dentro da divisão. Além disso, o time não tem sido bom o suficiente o ano inteiro: é o terceiro pior da NFL em DVOA, e o ataque terrestre ainda não existe. A chance está aberta, mas me parece muito pequena.

Talvez ainda mais preocupante para o Giants seja a enorme queda de produção de alguns jogadores que antes eram considerados os pilares para o futuro da equipe. Especificamente, Jason Pierre-Paul - que deveria tomar a liga de assalto como o próximo grande DE - não parece ter se recuperado das suas lesões nas costas, e em campo é apenas uma sobra do que era. A expectativa era que ele melhorasse ao longo do ano, mas não aconteceu, e agora essa é uma questão que o time precisa adereçar para o futuro. Hakeem Nicks, outro jogador que parecia ser uma solução a longo prazo, caiu enormemente de produção e não deve ficar para 2014. Então para um time que parecia ter uma base estabelecida para o futuro, isso ainda é mais preocupante do que o fracasso em 2013.


Washington Redskins

Outro time ruim de futebol americano, mas que tem evoluido nas últimas semanas e ainda sonha com uma vaga nos playoffs por jogar na NFC East!

O maior problema do Redskins no momento passa por aquele que antes era o grande salvador de Washington, o QB Robert Griffin. O fato é que Griffin não tem sido o mesmo depois de romper os ligamentos do joelho nos playoffs: seu aproveitamento nos passes caiu brutalmente (65.3% para 60.2%), as jardas por passe caíram para 7.2 (de 8.2, melhor marca da NFL em 2012) e seu TD/INT Ratio, antes de 4:1, agora está em 1:1, com 9 TDs e 9 INTs. Para ficar ainda pior, Griffin não se recuperou como corredor, ainda sem nenhum TD correstre mas liderando a liga entre QBs com 9 fumbles sofridos. Seu QBR de 42.2 o coloca em 26th entre 39 QBs qualificados. Isso é bem ruim.

Claro, é muito possível que tudo isso seja apenas um jogador que dependia muito do seu físico voltando de uma lesão grave, mas tem mais por trás. Em uma tentativa de poupar o corpo do seu QB, o Redskins decidiu que ia modificar o playbook do ano anterior - baseado muito mais em read options, bootlegs e jogadas que em geral tiravam RG3 do pocket e desmontavam defesas (mas o deixavam vulnerável a tackles), semelhante ao que ele usava na NCAA - para um mais convencional, com mais passes seguros do pocket. E RG3 não está se adaptando tão bem assim a esse novo estilo de jogo, cometendo muitos erros e com alguma dificuldade de ler as jogadas. É muita ingenuidade achar que RG3 só era bom por causa desse playbook e que não vai conseguir se adaptar nunca a esse novo estilo, talento ele tem de sobra, mas não é uma adaptação fácil mesmo para os melhores QBs, ainda mais um que não está fisicamente 100% ainda. 

Mas não é como se RG3 estivesse sozinho afundando o time - o jogo terrestre voltou a funcionar e o ataque está mais ou menos na média da NFL. A defesa, por outro lado, é a unidade mais frágil: Brian Orakpo nunca explodiu no pass rusher que se esperava e, apesar de Ryan Kerrigan continuar sendo um excelente jogador, o resto da defesa parece que regrediu depois de jogar acima do seu normal um ano atrás. Não é possível vencer na NFL com um ataque mediano e uma peneira de defesa, e a não ser que o time retome o ataque arrasador de 2012 - capaz de compensar a fraca defesa - não há muito a esperar desse time para 2013. E vale lembrar, o time não tem 1st round pick ano que vem.


Green Bay Packers

Perder seu QB titular já é ruim o suficiente. Perder seu QB titular quando ele é um dos cinco melhores da NFL é ainda pior. E tudo isso quando seu melhor jogador defensivo (Clay Matthews) está fora por tempo indeterminado com uma lesão no dedão (mais seu segundo melhor WR)... bom, é de acabar com qualquer time.

Antes da lesão de Aaron Rodgers, o Packers era um time estranhamente subestimado ao redor da NFL. Em parte porque algumas de suas vitórias não estavam sendo tão convincentes, mas não tinha nenhum motivo de fato para não acreditar que esse era um time de elite que poderia brigar com os Saints ou Seahawks da vida: eles possuiam um QB de extrema elite em Rodgers, um corpo de recebedores diversificado e completo (ainda que Randall Cobb esteja fora por mais algum tempo) e uma arma que o time não possuía até esse ano, um jogo terrestre muito competente baseado no excelente calouro Eddie Lacy. Mesmo depois de um jogo sem Aaron Rodgers, Green Bay ainda é o segundo melhor ataque da NFL depois do Broncos. Mesmo que a defesa tenha surpreendentemente sido uma das piores da temporada até aqui, a volta de Clay Matthews e um ataque tão explosivo deveria ser suficiente para fazer de Green Bay um forte candidatos ao título dessa temporada.

A lesão de Rodgers muda tudo. Os primeiros exames indicam que o Franchise QB de Green Bay ficará de fora pelo menos três semanas, e em uma divisão onde três times estão empatados no topo com 5-3 (Chicago e Detroit), essas três semanas podem fazer toda a diferença. A sorte do Packers é que são três jogos relativamente fáceis - Eagles, at Giants, Vikings - que o time pode ter esperanças de vencer mesmo sem Rodgers, mas esse é só o começo do problema. Não há nenhuma garantia que Rodgers volta depois de três semanas, pode ser que sim e pode ser que perca o resto da temporada. Então é importante garantir pelo menos duas vitórias nesses jogos sem seu melhor jogador, três derrotas podem tirar o time da briga pelo título de divisão, mas o que vai realmente determinar o futuro de Green Bay na temporada vai ser quando seu QB será capaz de voltar. Sem Rodgers, o time não tem chances nos playoffs.


Chicago Bears

Hey, é outro time que perdeu seu QB por algum tempo e está tendo que se virar com seu reserva! 

Ao contrário de Green Bay, Chicago não depende tanto de seu All-Pro/MVP QB por possuir um time mais completo: a defesa é acima da média (ainda que não a força que foi ano passado), seu jogo terrestre é mais consistente, e a linha ofensiva é melhor simplesmente não sendo um queijo suiço. Por isso que, apesar de Josh McCown ser um downgrade em relação a Jay Cutler, o Bears tem uma boa chance de sobreviver melhor sem seu QB - especialmente se McCown continuar jogando bem como foi o caso dos dois últimos jogos. O que preocupa é a defesa. Apesar da grande sorte no começo da temporada recuperando tantos fumbles, a sorte igualou e a defesa parou de forçar tantos turnovers. O resultado foram 45 pontos do Redskins e 20 do ataque do Packers com Seneca Wallace. A defesa de Chicago ainda é boa forçando turnovers, mas os dois safeties (Chris Conte e Major Wright) regredirem em relação ao ano passado e não é a mesma unidade compacta que não cedia uma jarda de espaço para seus adversários. Mas se Cutler voltar e o ataque continuar jogando nesse alto nível, esse vai ser um time perigoso chegando em Janeiro.

O Bears é um dos três times empatados na liderança da divisão Norte da NFC nesse momento, então ainda tem muita coisa em aberto. Cutler ainda é dúvida para o futuro, alguns dizem que ele já pode voltar domingo e outros que não, então a verdade é que ninguém sabe ao certo. O calendário de Chicago não é particularmente difícil, mas ainda inclui confrontos diretos com Lions (de quem perderam e que ficam em desvantagem no critério de desempate com outra derrota) e Green Bay (em casa, na última rodada). Considerando que Rodgers e Cutler não percam mais tempo do que o esperado, esses dois jogos (mais Green Bay-Detroit) devem definir os times que irão aos playoffs.


Detroit Lions

Bom, antes de mais nada, o Lions tem Megatron. Isso já ajuda demais. Além disso, Matt Stafford está não só saudável como tendo a melhor temporada da sua carreira, completando 62.3% dos seus passes para 7.7 jardas por passe, com melhores marcas da carreira em TD% e Int%. Talvez mais importante, Stafford finalmente está conseguindo se manter produtivo sob pressão: antes da temporada começar, uma das preocupações com Staff era sua mecânica de arremesso, que muitas vezes ao longo da temporada 2012 tinha mudado para um lançamento lateral muito feio e pouco eficiente, e a questão era se isso era por causa da lesão no seu ombro ou só uma mania ruim. Mas até aqui, o QB do Lions tem mantido sua mecânica sob controle e usado esse lançamento lateral para sua vantagem, usando sua maior velocidade para escapar da pressão ou fazer passes mais velozes. A precisão não é ideal, mas tem funcionado bem para evitar a pressão, ganhar tempo e desviar de sacks.. e com Megatron, as vezes não é preciso um arremesso preciso, só colocar a bola no ar perto dele que ele pega. Junte a isso a Reggie Bush, cuja carreira ganhou vida nova em Detroit, e você tem um ataque muito perigoso mesmo com a falta de alvos além de Johnson.

Mas quem vai ditar aonde o Lions vai esse ano é a defesa. As pessoas adoram falar mal do Ndamukong Suh e sobre como ele é um jogador sujo, mas ele é um jogador espetacular que está na conversa para Defensive Player of the Year e lidera uma linha defensiva que tem sido muito boa. A defesa de Detroit, quando inteira, tem sido na verdade muito forte destruindo linhas ofensivas e atacando o QB, mas as lesões a jogadores como Chris Houston, Louis Delmas e Ziggy Ansah tem atrasado esse grupo. Mesmo com todo mundo ele não é elite, mas é bom o suficiente para complementar bem seu ataque. Mas para isso vai precisar que as lesões parem e que Suh continue sendo um monstro.

A situação do time indo aos playoffs é a mesma de Chicago e Packers, na verdade: 5-3 e com um confronto direto contra cada adversário, Detroit pelo menos tem a vantagem de enfrentar a tabela mais fácil entre eles, com jogos contra Vikings, Steelers, Giants e Bucs ainda pela frente. Considerando as incertezas em relação a Cutler e Rodgers, Detroit me parece nesse momento ter a vantagem na briga pelo título da divisão, nem que seja pela sua tabela favorável.


Minnesota Vikings

2012 foi a temporada que deu tudo certo, então 2013 foi a que deu tudo errado. Times lotaram a linha de scrimage para parar Adrian Peterson, e o time não conseguiu achar um QB para fazê-los pagar por isso... e olha que o time tentou três diferentes. Enquanto o ataque caia assustadoramente sem um QB competente, a defesa também regrediu enormemente, viu sua maior força dos últimos anos (a linha defensiva) cair de produção e sofrer para colocar pressão no QB adversario... e quando você junta uma defesa ruim e um ataque ruim, o resultado nunca é bom. Os três calouros que a equipe pegou na primeira rodada - Xavier Rhodes, Cordarelle Paterson e Sharif Floyd - também falharam em causar grande impacto em campo e teriam dificuldades de jogar em times com mais talento (embora Paterson tenha estado muito bem como retornador). 

Como qualquer time sem uma solução de médio prazo como QB, o Vikings termina a temporada pensando no futuro. Com uma escolha alta, o Vikings é uma das principais apostas a irem atrás de um QB nesse draft atulhado de talentos (a não ser no improvável caso de que queiram dar mais uma chance a Christian Ponder). Mas o time que parecia perto do título (erroneamente) ano passado agora é um dos piores times da NFL, e nem o melhor RB da sua geração vai salvar a equipe esse ano. E talvez ano que vem, se o time continuar sofrendo para desenvolver novos jogadores.


Atlanta Falcons

A temporada do Falcons é uma grande surpresa a 2-6, considerando que o time chegou na final da NFC ano passado e que investiu ainda mais para essa temporada. Mas na verdade, isso faz mais sentido do que parece. A estratégia de Atlanta era bastante simples: gastar o máximo de ativos e espaço salarial para formar um pequeno grupo de elite dentro do seu time, sacrificando outras áreas e a profundidade do seu elenco. A idéia era que a força desse grupo de elite - no caso seu ataque - compensasse a fraqueza da sua defesa e outras áreas. E ano passado isso funcionou muito bem: a defesa foi mal, mas o ataque foi espetacular e o time esteve a uma ou duas jogadas diferentes de irem ao Super Bowl. 

Esse ano, tudo deu errado e relevou o lado ruim dessa estratégia. Lesões em Roddy White, Steven Jackson e na linha ofensiva - e depois Julio Jones - tiraram do time sua principal força, e foi quando a falta de profundidade da equipe apareceu. Não só a equipe não tinha jogadores bons na reserva para cobrir esses buracos, como o enfraquecimento do ataque aéreo escancarou os diversos outros problemas da equipe, sua falta de defesa, seu jogo terrestre complicado e por ai vai. Esse é o problema de ter um time muito concentrado em alguns poucos talentos fenômenais, quando um deles se machuca, você fica exposto. Foi o que aconteceu com o Falcons, um time que precisa urgentemente reforçar sua defesa e a profundidade do seu ataque para o ano que vem. Por ora, eles provavelmente vão tentar aproveitar Matt Ryan e Tony Gonzalez para roubar uma vaga milagrosa nos playoffs... mas a 2-6 com uma divisão muito forte, me parece muito difícil.


New Orleans Saints

Esse provavelmente foi o time que mais evoluiu de um ano a outro mudando quase nenhuma peça importante, disputando essa honra com o Colts. Embora "peça importante" apenas dentro de campo, porque Sean Payton está de volta na lateral, e isso certamente tem muito a ver com a evolução do time. O ataque de New Orleans voltou a ser um dos melhores da NFL, misturando corridas, passes longos e todo tipo de jogada, se aproveitando das características de cada jogador de uma forma que poucos consegue (e Payton é um deles). Claro, ajuda ter Drew Brees comandando o seu time, mas mesmo a evolução em relação ao ano passado salta aos olhos. Os jogadores estão sendo mais bem utilizados, e isso maximiza as habilidades do seu QB. Esse ataque voltou a ser assustador, especialmente quando Jimmy Graham voltar a estar saudável.

Mas o que faz do Saints um time extremamente assustador e talvez o time mais "seguro" da NFL é o quão completo ele é. Seu ataque já era esperado que evoluisse com a volta de Payton, mas a defesa foi uma das piores em 2012. Agora ela não é uma das melhores, mas é boa, e isso é o suficiente para solidificar muito a equipe em todos os aspectos. A chegada de jogadores como Kenny Vaccaro, a evolução de Cameron Jordan e a chegada de Rob Ryan tiveram um efeito excelente nessa defesa, de forma que a grande fraqueza da equipe sumiu. E isso que faz deles tão bons: eles não tem falhas. Eles tem uma boa linha ofensiva, um grande QB que comanda um bom jogo aéreo, e um jogo terrestre útil e variado. A defesa é especialmente boa contra o passe, e não comete muitos erros. É um time extremamente completo. Ainda assim, agora o Saints tem concorrência na briga pelo título da divisão, e seu calendário não vai ajudar: ainda recebe 49ers e viaja até Seattle. Mas com dois jogos ainda por jogar contra o Panthers, esses devem ser os jogos a definir a divisão.


Carolina Panthers

Com uma exceção, o Panthers é o time mais quente da NFL no momento: são quatro vitórias seguidas, com uma diferença de 80 pontos nesse perído, 20 por jogo (49ers tem 5 vitórias seguidas a 23 pontos de diferença por jogo). Claro, é difícil usar isso para julgar de fato o quão bom o Panthers é simplesmente porque foram quatro jogos contra times muito ruins (Bucs, Viks e Falcons somam três vitórias totais, e o outro era Saint Louis), mas no fundo, não é essa a tarefa de times bons quando enfrentam times ruins, ganhar deles com tranquilidade? Essas vitórias não dizem tanto assim pelo nível baixo de dificuldade, mas ainda assim eles pelo menos fizeram o esperado de um time superior. Também não está certo descartar tudo isso como irrelevante só porque não foram bons adversários.

Esse bom momento do Panthers, ao contrário do que muita gente espera com Cam Newton no ataque, começa na defesa. A secundária do time é fraca e cheia de jogadores secundários (perdão, não resisti), mas a linha de frente é um caso a parte. Liderados pelo Defensive Rookie of the Year de 2012 (e brilhante MLB) Luke Kuechly e por um forte candidato ao prêmio desse ano (Star Lotulelei), essa linha de frente está forte na conversa para ser a melhor da NFL. Ela é física demais contra o jogo terrestre e consegue chegar com facilidade no QB, e assim como o 49ers ano passado, ela consegue fazer isso sem dedicar ajuda extra em blitzes, o que permite que mais jogadores fiquem na cobertura para evitar expor sua fraca secundária. Enquanto essa linha de frente continuar dominando ataques, o Panthers vai continuar sendo um time forte... e isso antes de tocar no ataque, que voltou a se reencontrar nos últimos jogos atrás de fortes performances de Cam Newton e um bom jogo terrestre.

O problema do Panthers é que é difícil saber exatamente o quão bom eles são nesse momento. Eles começaram mal o ano e foram humillhados pelo Cardinals antes de sair nessa excelente sequência de quatro jogos, mas considerando o nível dos adversários, não é o suficiente para saber exatamente aonde eles se encontram. Os próximos jogos do Panthers são contra 49ers e Patriots, então depois dessas duas partidas poderemos saber mais sobre exatamente aonde esse time do Panthers se encontra. Uma das incógnitas mais perigosas da NFL.


Tampa Bay Buccaneers

O Bucs me lembra um pouco o Chiefs ano passado. Uma boa defesa cheia de grandes jogadores - Gerald McCoy, Darrelle Revis e LAvonte Davis estariam todos na briga para uma vaga no All-Pro Team a essa altura da temporada - e um ataque horrível, com um técnico pior ainda. No caso do Bucs, a questão ofensiva é menos falta de talento e mais um técnico nocivo: Vincent Jackson, Doug Martin e alguns jogadores bons de linha ofensiva não podem fazer parte de um time tão ruim. Assim como o Chiefs ano passado, outro time cheio de talento que foi muito mal, o Bucs esse ano me parece o tipo de grupo que com o técnico certo e um QB novo e mais estável poderia causar estragos - especialmente quando esse técnico a ser tirado é Greg Schiano, o pior da NFL na atualidade. Não descartem o Bucs tão cedo, especialmente se pegarem Bridgewater ou Mariota no draft que vem e voltarem com um técnico novo.


Seattle Seahawks

Isso pode parecer um pouco nitpicking quando falamos de um time que provavelmente é o melhor da NFC nesse momento, mas o que você acha do Seahawks depende do quanto você desconfia da dificuldade do Seattle em vencer times claramente inferiores nas últimas semanas. Alguns podem dizer que o que importa no final é a vitória, e não deixa de ser verdade, mas também é possível argumentar que o fato do time ter tanta dificuldade vencendo times ruins (Bucs, Rams e Texans) não mostra exatamente muita dominação. Com um pouco mais de azar, o time poderia facilmente estar 6-3 se não fosse a pick-six absurda do Matt Schaub, ou então um cara-ou-coroa contra o Bucs ou o Rams falhando ao entrar na end zone da linha de uma jarda. Por isso seu Pythagorean Expectations coloca o time com 6.5 vitorias, abaixo das 8-1 que o time de fato tem. Então isso pode colocar um pé atrás.

Por outro lado, o Seahawks tem mais credenciais de "melhor time da NFL" do que qualquer outro time tirando talvez Denver (o que não quer dizer que ele seja de fato). Sua defesa tem sido, até esse momento, uma das mais dominantes da NFL, segundo atrás apenas do Chiefs. Em particular, o time possui uma combinação mortal de secundária e pass rush: o pass rush não é perfeito mas não depende de apenas um ou dois jogadores (e portanto mais difícil de ser marcado) e consegue bons resultados, e sua secundária talvez seja a melhor da NFL, com um dos melhores safeties do mundo em Etan Thomas e um dos melhores CBs em Richard Sherman. A defesa é um pouco vulnerável pelo chão - foi assim que Bucs e Rams deram tantos problemas ao time - mas na hora de passar a bola nenhuma defesa oferece um desafio tão grande, seja pela versatilidade e profundidade da sua secundária como pelo seu bom esquema tático que parece maximizar as habilidades de cada jogador. A defesa do Chiefs provavelmente é a mais dominante da NFL nesse momento por sua capacidade de forçar turnovers e tornar a vida de QBs um inferno, mas para segurar um adversário em uma campanha final, não tem unidade mais confiável que a de Seattle.

O problema mesmo é a inconsistência do ataque. Marshawn Lynch voltou a ser humano essa temporada, com suas jardas por corrida caindo de 5 ano passado para 4.3 esse ano (btw, 4.3 ainda é muito bom, 5.0 que é de outro mundo), e principalmente, a linha ofensiva foi destruída por lesões, o que tirou bastante o tempo de Russell Wilson para passar a bola, o que força o QB a improvisar e correr muito mais do que seria o ideal, ao ponto de que ele parece as vezes pensar primeiro em correr e depois em passar - uma vitória para qualquer defesa que o enfrente. Então essa inconsistência - e o fato de que o time só jogou dois jogos dominantes o ano inteiro, contra 49ers e Jaguars, e isso já faz cinco rodadas -  torna difícil dizer que o Seahawks é tão superior aos demais times da NFC. Russell Okung ainda pode retornar essa temporada, e Percy Harvin ainda não estreou depois de machucar novamente o quadril, então não é também como se Seattle estivesse apenas ladeira abaixo. Seahawks é o melhor time da NFC na atualidade, mas isso não quer dizer que vá ser quando chegar Fevereiro.


San Francisco 49ers

Para usar uma das minhas frases favoritas de Eyeshield 21: "Em termos de pedra-papel-tesoura, de alguma forma eles estavam jogando apenas com pedra e tesoura". Foi o que aconteceu com o 49ers, que teve que jogar a primeira metade da temporada apenas com parte de seu elenco. Michael Crabtree estava fora, assim como Mario Manningham, limitando consideravelmente o jogo aéreo da equipe. Defensivamente, Patrick Willis jogava no sacrifício, Aldon Smith se ausentou da equipe e Eric Wright, Tank Carradine e Quinton Dial ainda não estavam saudáveis para entrar. Então o 49ers teve que se virar como pode durante isso, antes de receber todo mundo de volta para a próxima rodada, com exceção de Crabtree que deve voltar daqui a duas semanas. 

O fato é que o Niners fez muito bem mesmo sem tanta gente. O ataque do time é o sexto melhor da NFL em DVOA, e para toda a conversa de sophomore slump, Colin Kaepernick agora é o terceiro melhor QB da NFL em QBR. Nas últimas semanas, o time começou a usar seu playbook de verdade, com Kaepernick correndo para 110 jardas e 3 TDs nas últimas duas semanas e abrindo espaço para o jogo aéreo.. antes de Manningham e Crabtree voltarem para aumentar as opções do jogo aéreo. E enquanto isso, a defesa se manteve bem, com boas atuações dos calouros Corey Lemonier e principalmente o candidato a DROY Eric Reid, uma unidade Top10 mesmo sem um dos melhor pass rusher da NFL. Considerando que, desde as derrotas para Seahawks e Colts, o time está 5-0 ganhando os jogos por em média 23 pontos, é suficiente dizer que o time segurou as pontas muito bem enquanto espera a volta do resto do time.

O teto desse time depende do quanto a chegada desse pessoal vai afetar a equipe. Manningham não é uma estrela e Crabtree não deve estar 100% esse ano, mas ainda assim seriam upgrades em relação aos Kyle Williams e Marlon Moores que o time foi forçado a usar essa temporada, e essa maior variedade no jogo aéreo vai abrir ainda mais os espaços para Vernon Davis e Anquan Boldin, sem falar do jogo terrestre. Do outro lado, Aldon Smith está de volta junto com o resto dos reforços, então ainda que apenas Smith seria um titular entre esses (e Willis saudável, claro), eles adicionam para a rotação e mantém os jogadores mais frescos. Então realmente vai depender do quanto a chegada desses jogadores vai mudar no nível de jogo da equipe. Se adicionarem pouco em relação ao atual, ainda é um time muito bom que apresenta perigo chegando nos playoffs, bem balanceado entre ataque e defesa. Se os recém-chegados conseguirem ter o impacto que se espera deles, esse time pode chegar em Janeiro como o melhor da NFL. Vale a pena acompanhar o que vai acontecer com o time.


Arizona Cardinals

O Cardinals é um time que poderia estar brigando pelos playoffs se jogasse em outra divisão. Apesar de um ataque que conta com o extremamente inconstante Carson Palmer de QB, é um time que conta com uma defesa extraordinária, com o melhor CB da NFL (Patrick Peterson) e que está 4-1 em todos os jogos fora da NFC West, mas 0-3 dentro dela. E a 4-4, é um time que ainda briga pelo Wild Card, apenas 1 jogo atrás de Panthers, Bears e Packers. Não durmam no Cardinals.

O problema do Arizona, claro é que ele possui uma enorme disparidade entre ataque e defesa. Sua defesa é simplesmente dominante em todas as áreas: Tyrann Mathieu entrou muito bem, Peterson é um monstro, Daryl Washington é talvez o MLB mais versátil da NFL, e a linha de frente com Calais Campbell e Darnell Dockett é uma das melhores da NFL. Em resumo, é uma unidade que consegue fazer de tudo, marcar todo tipo de adversário e dominar oponentes - não a toa aparece 1st em DVOA na temporada. Infelizmente, do outro lado da bola, a situação é oposta: apesar de possuir uma ótima dupla de WRs e um RB emergente em Andre Ellington, o time não consegue produzir o suficiente. Palmer tem sido um dos piores QBs titulares da NFL em 2013, incapaz de dar a bola para seus WRs e produzindo interceptações demais (10 TDs, 14 INTs), e por algum motivo o técnico Bruce Arians insistiu demais com Rashard Mendenhall de RB (3.1 YPC) ao invés de usar Ellington (7.7 YPC). O primeiro não vai se resolver durante a temporada, e o Cardinals vai ter que adereçar durante a offseason. O segundo é mais fácil, e se o time conseguir tirar o máximo de Ellington e se focar mais em correr com a bola e usar o play action enquanto confia na sua defesa para boas posições de campo, pode causar barulho na reta final.

Na briga pelo WC, o Cardinals parece estar um nível abaixo dos seus concorrentes (Bears, Lions, Panthers, Saints, 49ers, Seahawks ou Packers), ainda mais tendo que enfrentar Niners e Hawks de novo (mais Colts), mas não pode ser descartado. E quando acabar o ano, pelo amor de deus, procurem um QB no draft ao invés de trocar uma escolha de segunda rodada pelo Nick Foles ou coisa assim.


Saint Louis Rams

Saint Louis é o elo frágil da NFC West, um time que está tendo dificuldade tanto no ataque como na defesa. Na verdade, sua defesa parece seguir o mesmo roteiro dos últimos anos: alguns talentos espetaculares como Robert Quinn, Chris Long e Alec Ogletree presos em um conjunto abaixo do esperado, preso demais a contratos enormes e ineficientes (Cortland Finnegan, alguém?). Como conjunto não tem funcionado porque a secundária não tem funcionado, e o ataque tem sido praticamente atroz -  a única pessoa que se salva é o calouro Zac Stacey, que acabou aparecendo como um bom RB.

Para o Rams, o importante é considerar a sua situação de QB depois da lesão de Sam Bradford. Essa situação eu expliquei em detalhes anteriormente, mas basicamente o time pode optar por cortar Bradford essa offseason e salvar mais de 10M em salary cap, ou então ficar com ele mais dois anos e pagar seu contrato imenso e absurdo na íntegra. Bradford nunca mostrou que pode ser um QB de qualidade na NFL, vinha em um ano ruim, e está preso a um contrato enorme por ter sido a última 1st pick sob o velho CBA, então essa offseason seria a chance do Rams de cortar esse vínculo e seguir em frente. Para ajudar, o time tem duas escolhas altas ano que vem no draft - sua 1st rounder e a do Redskins - então opções não vão faltar. Mas em 2013, não tem muito mais o que esperar desse time.