Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 12 da NFL

Dias negros para torcedores do Jets, mas
pelo menos eles sabem rir de si mesmos



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No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Mais uma semana chega ao fim... e holy hell, QUE SEMANA de NFL foi essa. Tivemos vários jogos com implicações importantes para os playoffs, diversas partidas disputadas decididas até o final (Cowboys-Giants, Panthers-Dolphins, Titans-Raiders e meu favorito, Chargers-Chiefs), o duelo dos dois piores times da NFL (Jaguars e Texans, que assumiu o posto depois de perder em casa de Jaguars e Raiders em semanas consecutivas), e um dos melhores jogos da temporada e dos últimos anos de temporada regular (chegaremos nele). Você teve dois QBs famosos pelas famas de amarelão tendo grandes quarto períodos e levando seus times a vitórias importantes. Você teve, basicamente, uma grande rodada de futebol americano. Vamos passar agora por alguns dos pontos interessantes que vimos, começando com...


Tom Brady vs Peyton Manning, Parte XIV


Broncos e Patriots, nosso Sunday Night Football, foi um dos melhores jogos de temporada regular dos últimos tempos. Teve basicamente de tudo: grandes viradas, grandes jogadas, surpresas, fumbles, polêmicas, fumbles, dois dos melhores QBs da sua geração se enfrentando, e para terminar, mais fumbles (sério, foram 11 fumbles. ONZE!!). E como todo jogo bom, apertado, decidido nos detalhes e com tantos interesses e histórias envolvidas, eles deram origem a todo tipo de conclusões estúpidas, falácias e besteiras de modo geral. Então vamos passar rapidamente pelo jogo e ver as conclusões que podemos tirar, e quais as que são exageros viesados.

A primeira coisa que chama a atenção, e eu acho que ainda não citei aqui, foi a quantidade absurda de fumbles que esse jogo teve. Foram ONZE fumbles na partida, três a menos que o recorde da NFL. E claro, como não poderia deixar de ser, foi um deles que decidiu a partida, depois de quatro campanhas sem sucesso em OT, Tony Carter (que pode começar a procurar um novo emprego) acabou encostando na bola de um fumble recuperado pelo Patriots, que chutou o FG e acabou com a vitória. Mas a questão é que, como apontou também o grande Bill Barnwell (que soltou a coluna ontem com esse mesmo ponto), a história do jogo está diretamente atrelada a questão dos fumbles.

Como eu já falei aqui inúmeras vezes, recuperar fumbles é uma questão de sorte: cada time vai recuperar um fumble em média 50% do tempo, uma boa ferramenta para ver se um time foi particularmente azarado ou sortudo durante algum tempo. No caso, dos 11 fumbles, o Patriots recuperou 6 deles e o Broncos 5, então não da para dizer que algum time foi particularmente azarado no quesito. Mas a questão não é se um time foi azarado ou não, foi a forma como essa sorte foi distribuída ao longo desses 11 fumbles que interessa. Porque se prestar atenção, foi o que determinou o caminhar do jogo. Para começar a partida, foram três fumbles do New England Patriots... e todos recuperados por Denver, que usou isso para anotar 17 pontos e abrir seus 24 de vantagem (sem falar, claro, que se as campanhas do Patriots terminavam em fumbles eles não tinham chance de pontuar também). Então o fato de Denver ter começado 3 de 3 recuperando fumbles foi o que impulsionou o começo dominante do time. Depois disso, a reação do Patriots aconteceu... e em parte porque o time recuperou 6 dos 8 fumbles que aconteceram depois na partida, inclusive uma sequência importante no final do primeiro tempo, quando o Patriots sofreu três fumbles consecutivos na mesma campanha e recuperou os três. Se Denver recupera um deles, começaria mais uma campanha no campo de ataque e prestes a anotar outro TD. Da mesma forma, New England acabou recuperando outros dois fumbles de Denver, inclusive um game-changer do Montee Ball (que não voltou mais para o jogo) no segundo tempo e o lance decisivo do Tony Carter em OT, o que ajudou o time a reagir e vencer o jogo. Não que a sorte nos fumbles seja o ÚNICO motivo pelo qual tudo isso aconteceu, pelo qual o Denver abriu vantagem, pelo qual New England reagiu e tudo mais, claro, mas é fácil ver como a distribuição dessa forte é algo determinante na hora de determinar a forma como o jogo flui.

Outro ponto a ser discutido é a forma como as histórias numerosas que já existiam de antemão antes da partida (em especial Brady-Manning), junto a alguns fatores, acabam distorcendo as conclusões e histórias que saem dessa partida de forma injusta. As pessoas gostam de usar um resultado - no caso, a vitória do Patriots e derrota do Broncos - para produzir todo tipo de história. O Patriots venceu porque Tom Brady é melhor e/ou mais clutch que Manning, que perdeu o jogo e portanto CLARAMENTE não é tão bom ou não tão clutch. Ou é o que querem nos passar com base no resultado final, um jogo que esteve empatado em 31 a 31 por três minutos do tempo normal e mais quatro posses de bola da prorrogação, e que foi decidido em um fumble aleatório de um jogador aleatório em uma jogada que não envolveu nenhum dos dois QBs. Não é o resultado desse fumble que vai determinar quem é bom e quem não é, quem é mais clutch e quem não é, e tudo mais. Tom Brady não teve um bom jogo porque Carter teve uma pane mental e sofreu um fumble - Tom Brady teve um grande jogo porque conduziu cinco campanhas excelentes para anotar 31 pontos e empatar um jogo que estava perdendo por 24 no intervalo. E Peyton Manning não deixa de ser clutch, depois de ter feito uma campanha excelente para empatar o jogo nos minutos finais (antes que alguém reclame da falta que voltou atrás uma interceptação, a falta foi bem clara) porque Carter não saiu da frente de um punt. O fato é que foi um jogo muito bom (Denver teve um ótimo primeiro tempo, New England um ótimo segundo tempo) entre duas boas equipes, que ficou empatado por muito tempo e que não foi decidido por uma grande jogada ou um grande erro de um QB no final, e sim por um fumble em uma jogada onde nenhum deles sequer estava em campo.

A maior estupidez, claro, veio de um comentarista da TV brasileira, que disse que "no final, pesou a camisa! Venceu o time que sabe vencer os jogso no final!", uma das maiores besteiras que eu já escutei nos últimos tempos. O jogo foi perfeitamente equilibrado por 12 minutos da prorrogação, ambos os times em condições totais de igualdade, e a vitória acabou sendo decidida por um fumble aleatório de um jogador aleatório... e isso aconteceu por causa da CAMISA que pesou? Por favor! A não ser que ele esteja tentando argumentar que o material da camisa do Patriots é mais leve e teria melhorado a movimentação do jogador para sair da frente da bola (acho improvável!), estou extremamente curioso para saber como um erro individual de um jogador significa algo sobre a camisa dos times, ou sobre como ganhar um jogo porque o adversário cometeu um erro não-forçado diz que seu time "sabe vencer jogos". Esse é só mais um exemplo de conclusões tiradas pelos resultados, narrativas prontas que não tem qualquer base além de um ponto abstrato (no caso, o resultado) influenciado por dezenas de coisas que acabamos ignorando.

Claro, eu não quero aqui tirar o mérito do Patriots pela sua brilhante recuperação, ou falar que o Broncos foi o melhor time ou mereceu vencer nem nada do tipo (como alguns torcedores do Patriots tentaram se convencer que era o caso, porque eles adoram fazer isso). Eu só estou dizendo que não é inteligente justificar tudo com base no resultado. Pense da seguinte maneira: e se fosse Julian Edelman que sofresse um fumble desses em um retorno de punt, Broncos recuperasse e chutasse o FG da vitória? Isso faria a recuperação do time e o segundo tempo de Tom Brady menos impressionante, ou aumentaria o valor da campanha final de Manning no tempo normal? Mas é óbvio que não! O jogo teria sido rigorosamente o mesmo, só que com um erro individual do outro lado e, portanto, outro resultado final. Mas as mesmas pessoas que tiram essas conclusões iriam correr para apontar a "clutchness" de Manning ao conduzir aquela campanha final no tempo normal, e apontar que Brady teve três campanhas para vencer a partida e não conseguiu passar do meio de campo em nenhuma para mostrar que ele não é. E claro, o jogo teria sido rigorosamente igual, com um resultado diferente. Se o jogo foi igual, então qual seria o motivo de mudar a narrativa dos jogadores envolvidos? Nenhum. Então não fiquem se atendo a narrativas prontas com base nos resultados, e sim se foquem no processo que levou a isso.

Uma outra decisão que levantou muita estupidez no twitter e por ai afora foi a decisão do Bill Belichick, em OT, de optar por não começar com a bola para jogar a favor do vento. Pela milésima vez eu preciso bater nessa tecla: você NÃO pode e NÃO deve julgar uma decisão com base no resultado. O técnico que toma a decisão não é um vidente e não sabe qual vai ser o resultado - o Broncos poderia anotar um TD logo na primeira campanha e tornar o vento inútil, o Broncos poderia errar um FG por causa do vento e dar a vitória a New England, ou poderia acontecer o que aconteceu de fato, não ter nenhuma influência no resultado - então tudo que ele pode e deve fazer é analisar as probabilidades e tomar a decisão que da ao seu time a melhor chance de vencer. E eis porque eu achei a decisão tão interessante: não temos nenhum tipo de amostra indicando qual é a decisão que melhora as chances da equipe de vencer o jogo. É tudo uma questão de analisar o que você perde (dar a bola primeiro ao melhor ataque da NFL, com chance de anotar o TD, antes de você tê-la, e possivelmente dando a eles mais posses do que você) e o que você ganha (algumas jardas de posição de campo em punts, aumentar seu FG range e diminuir o do adversário), e concluir o que você acha ser maior. Não tem nenhum estudo, prova ou amostra indicando qual é melhor, então não tem uma decisão certa ou errada. E no final, acabou sendo totalmente irrelevante: o vento não fez nenhuma diferença, o número de posses de bola de cada time não fez nenhuma diferença, e o jogo foi decidido em um erro individual. Claro que isso não evitou um monte de gente, no primeiro punt do Broncos em OT, de chamar Belichick de "gênio", porque aparentemente ele SABIA que o Broncos não iria pontuar na primeira campanha, ou então porque foi culpa do vento que o WR do time cometeu uma falta em uma terceira descida que teria gerado uma 4th and inches. Tem gente que vai tentar distorcer o que aconteceu falando que foi o vento que fez bater a bola no Carter (e não as leis da física, que dizem que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento e que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço) porque o padrão é sempre esse, distorcer os fatos para caber nas conclusões. O fato é que foi uma decisão interessante que não teve nenhum resultado, positivo ou negativo. Não precisamos procurar chifre em cabeça de cavalo.

Então tirando tudo isso, o que PODEMOS concluir do jogo? Basicamente não muito que não soubéssemos de antemão antes da partida. Que a defesa do Broncos depende muito do seu pass rush chegando no QB, senão é muito vulnerável na secundária a bons passes e pode ser explorada (um dos fatores cruciais no segundo tempo? A linha ofensiva do Pats começou a dar tempo para Brady no pocket); que a defesa do Patriots, com seus dois DTs titulares no IR, tem imensas dificuldades em parar o jogo terrestre e que depende muito de Aqib Talib para fazer a secundária funcionar (ele foi bem essa semana, mal na semana passada, e o resultado no resto da defesa é claro); que o ataque do Broncos é muito poderoso e que pode te vencer de diferentes maneiras (mais de 200 jardas terrestres); que Manning-Brady é uma das melhores rivalidades da NFL e promessa de grande jogo... isso tudo a gente já sabia. Acho que o principal ponto de dúvida era ver como o ataque do Patriots iria funcionar, e problema com fumbles a parte, ele jogou muito bem, com jogadores como Edelman e Kembrel Thompkins aparecendo muito bem e Rob Gronkowski cada vez mais em forma. Acho que esse foi o principal ponto positivo para qualquer um dos times. Fora isso, um grande jogo entre dois bons times e dois grandes QBs. Não precisamos ficar achando muito mais do que isso para ter valido a pena.

O eterno dilema de QBs em New York


A vida de um torcedor do New York Jets não tem sido fácil nos últimos anos. Desde que aquele time com defesa fantástica e ataque suspeito improvavelmente chegou a duas finais consecutivas em 2009 e 2010, o time tem brigado para voltar a relevância e tem esbarrado em um grande problema: Quarterbacks. Mark Sanchez, o QB do time durante esse tempo, acabou involuindo em um dos piores QBs da NFL, uma piada generalizada ao redor da NFL, e todo mundo dizia que o time não iria longe enquanto não mudasse o jogador que ocupava essa posição. Afinal de contas, qualquer coisa seria um upgrade sobre Mark Sanchez, o QB do Buttfumble, o pior titular da NFL. Certo?

Bom, esse ano, o time draftou um QB cru na segunda rodada (Geno Smith) e o colocou como seu titular depois que Mark Sanchez sofreu uma lesão grave na pré temporada, eventualmente perdendo o ano todo. Então, considerando que o time está 5-6 e brigando por uma vaga nos playoffs, quanto melhor tem sido o desempenho de Smith como QB da Gang Green?

2012 Mark Sanchez (15 jogos): 246/453, 54.3%, 2883 jardas, 13 TDs (2.9%), 18 interceptações (4%), 6.4 jardas por passe, 23.37 QBR, 34 sacks, 14 fumbles

Aikes! Acho que eu não preciso explicar porque esses números são absolutamente horríveis - não tem um único número que se salve ai no meio, nenhum. Bom, e Geno Smith?

2013 Geno Smith (11 jogos): 175/317, 55.2%, 2227, 8 TDs (2.5%), 18 interceptações (5.7%), 7.0 jardas por passe, 23.36 QBR, 37 sacks, 9 fumbles.

Surpreendentemente parecidos, certo? Mark Sanchez pode até ter sido um passador MELHOR que Geno Smith considerando essas duas temporadas (embora, para ser justo, Geno tem 178 jardas terrestres e 3 TDs). A verdade é que, mesmo sem Sanchez, o ataque continua a mesma droga e o problema continua sendo o mesmo, a péssima produção da posição de QB. Geno Smith tem mais potencial, é mais jovem e era considerado muito cru (então é de se esperar que tenha mais a evoluir no curto prazo), então entendo porque o time possa preferir ele indo para frente, mas quando você está sendo ameaçado de ir para o banco por MATT SIMMS com seu time 5-6 e empatado por uma briga no wild card... quer dizer, é porque as coisas estão ruins. Nem Mark Sanchez em 2012 conseguiu o QBR que Smith conseguiu duas semanas atrás de 0.7 (embora para ser justo, o  QBR só foi incorporar "Buttfumble" como um critério após Sanchez se machucar... e Sanchez teve um 0.3 como calouro).

O fato é que o Jets é um time bem ruim esse ano. Seu saldo de pontos é o terceiro pior de toda a NFL depois do Jaguars, e a Pythagorean Expectations da equipe é de um time abaixo de 3-8. DVOA coloca o time como o 24th melhor da NFL graças a uma defesa Top5, mas com o segundo pior ataque. E no centro disso tudo está Geno, que continua com a tradição Mark Sancheziada da equipe - e isso sem entrar no mérito de que nas últimas quatro semanas, Geno tem um QBR de 4 (!!!). Nenhum QB no período tem menos de 20, via ESPN Stats & Info. Na verdade, se você SOMAR o QBR dele nessas quatro semanas, não passa de 23. Então se você tinha esperanças que o Jets ia sair do buraco agora porque tinha um QB de verdade no lugar do desastre que era Mark Sanchez... melhor pensar de novo.

Os dois amarelões da NFL


Tirando Manning-Brady, esse não foi um bom domingo para quem gosta de exagerar nas narrativas prontas, pré-determinadas e totalmente fora da realidade sobre algum time ou jogador. Isso porque dois QBs que são frequentemente chamados de amarelões ou então criticados por serem incapazes de vencer jogos no final conseguiram levar seus times a duas vitórias cruciais - adivinhe! - nos momentos finais de suas partidas. Tony Romo conseguiu uma campanha de FG para vencer os rivais de divisão Giants e recolocar o Cowboys no topo da divis ão, e Philip Rivers conseguiu anotar 41 pontos e um TD de virada no minuto final contra a melhor defesa da AFC em uma partida crucial para os sonhos do Chargers na temporada. Era uma vez quando os dois eram os grandes amarelões da NFL.

Olhando mais a fundo, é fácil ver que isso de "clutchness" é besteira nesses casos. Apesar do Cowboys ter tido um monte de tiros no pé em jogos apertados essa temporada, é difícil colocar demais a culpa nele. O jogo mais emblemático desses foi contra o Broncos, com o jogo empatado em 48 a 48 quando Romo lançou uma interceptação que deu a vitória a Denver, mas já escrevi muito sobre porque é viesado colocar a culpa da derrota no colo de Romo, que teve 500 jardas e jogou praticamente sozinho para manter o time na partida até aquele ponto. A outra derrota apertada que gerou muitas críticas foi contra o Lions, outra incrível, e na qual é impossível colocar a culpa em Romo: o Cowboys tinha 99% de chance de vitória até seu lineman cometer uma falta besta que parou o relógio e deu ao Lions 40 segundos a mais, e a defesa se implodiu na campanha final de Detroit, difícil ver aonde Romo tem alguma culpa. Na verdade, o Cowboys tem três jogos decididos por uma posse de bola ou menos na temporada e em dois desses Romo que conduziu a campanha da vitória nos segundos finais. Btw, nas últimas três temporadas Romo tem 11 campanhas decisivas no quarto período ou OT para vencer jogos, maior marca da NFL. Mas sabe, amarelão demais esse Romo.

Enquanto isso, Philip Rivers também recebeu críticas (em parte por causa da derrota na semana 1 para o Texans, mas essas fora merecidas) por ser a causa que faz o Chargers ser tão ruins em jogos decididos no final ou apertados. Claro, Rivers lidera a NFL com três viradas no quarto período ou OT e é segundo em campanhas para vencer o jogo em 4th/OT na temporada, mas isso não cansa as pessoas de apontarem para as dificuldades do Chargers em vencer jogos apertados como sendo culpa dele. Ele foi responsável contra o Texans, de fato, mas é difícil ver aonde ele teve culpa nas partidas contra Washington Redskins e Tennessee Titans: a defesa foi totalmente não inexistente no primeiro (inclusive tomando um TD na primeira campanha de OT) e dando o imenso azar do TD de Danny Woodhead ser revertido para uma 1st and goal na linha de 1 jarda, ver o jogo terrestre falhar duas vezes, e seu técnico decidir estupidamente chutar um FG ao invés de tentar converter a jogada; e na segunda precisou de uma campanha milagrosa da virada de Jake Locker nos segundos finais que ainda teve uma interceptação que teria matado o jogo sendo derrubada pelo defensor do Chargers completamente livre. Hmm, como isso é culpa dele mesmo? Isso sem falar que ele é segundo da NFL entre QBs qualificados em QBR atrás de Peyton Manning. Então se você quer jogar a carta do "Philip Rivers é amarelão e não sabe vencer jogos", ela simplesmente não é verdade.

Um dia vou entender a mania de querermos atribuir esse papel de amarelão a todo mundo, mas por enquanto, espero que pelo menos quem leia isso comece a olhar mais o que acontece por trás das óbvias aparências e da fanfarra da mídia e dos fãs antes de ficar rotulando jogadores.

Playoffs e jogos importantes dessa semana


Agora que tudo embolou de vez na AFC, já que meu "melhor e mais louco cenário possível" de fato aconteceu. Tanto Broncos como Chiefs perderam suas partidas, o que deu origem a um dos melhores jogos dessa semana porque ambos os times continuam embolados na primeira posição. Patriots continua cada vez mais líder da AFC East. Redskins e Giants foram praticamente chutados da briga pela NFC East depois de derrotas, e agora Dallas e Philaldephia Eagles estão brigando lado a lado pela vaga.

Mas o que fez dessa semana tão interessante foram os wild cards, bem como os times que NÃO ganharam. Começando pelo Wild Card da AFC, a maluquice que eu previ semana passada de fato aconteceu: com Jets e Dolphins perdendo, e Steelers, Ravens, Titans e Chargers vencendo seus respectivos jogos, agora a segunda vaga do Wild Card para a AFC envolve um empate entre SEIS times diferentes (esses seis já citados), com mais Browns, Bills e Raiders apenas um jogo atrás da vaga. Ou seja, são NOVE times que estão a uma vitória de distância da vaga aos playoffs, esquentando ainda mais a briga. 

Na NFC, Lions e Bears perderam seus jogos e as chances de cada um de disparar na ponta da divisão, mas foram ajudados pelo empate (!!) do Packers com Minnesota, o que mantém a divisão ainda mais em aberto do que antes. E na briga pelo Wild Card da NFC, Niners e Cardinals foram os únicos a vencer suas respectivas partidas, abrindo um jogo de vantagem sobre seus competidores mais próximos (Eagles/Cowboys, Bears/Lions e 1.5 jogos sobre o Packers). Então com Broncos, Chiefs, Patriots, Saints, Seahawks e TALVEZ Bengals e Colts já com vagas garantidas nos playoffs, as vagas que sobram são essas: último wild card da AFC, a NFC East, NFC North e os dois wild cards da NFC, com mais disputas por vagas na AFC West e na NFC South.

Dentro desse contexto, quais então os jogos mais importantes da semana? Bem... 


Green Bay at Detroit, Thursday, 12:30 PM ET
E já começamos com um duelo direto dentro da divisão. O Packers está dessa vez apenas meio jogo atrás de Detroit (ou um jogo atrás com vantagem no critério de desempate, se preferir), e com Aaron Rodgers voltando aos treinos visando a semana 13 para uma volta aos gramados, esse é um jogo importante não só para passar a frente do rival (e eventualmente assumir a liderança caso o Bears perca para o Vikings) como para impedir que os adversários abram vantagem demais para os jogos decisivos da temporada, que o time deve contar com Rodgers. Não é como se uma vitória garantisse o título da divisão e uma derrota o enterrasse de vez, mas uma vitória aqui coloca o time em ótima posição com Rodgers voltando e jogo contra Bears ainda pela frente, e uma derrota pode colocar o time precisando de duas vitórias a mais que seus DOIS rivais na divisão. Então é um jogo que fará uma diferença considerável na briga pela NFC North.

Btw, vale destacar que no primeiro confronto entre os dois no Lambeau Field, o Detroit jogou sem Calvin Johnson, inativo algumas horas antes do jogo começar e que causou a linha de Vegas em aumentar SEIS pontos. Então agora é a vez do Packers ir a campo sem seu melhor jogador. Must-watch, ainda mais porque é quinta em horário bom para todo mundo no Brasil (15:30 de Brasília) e sempre da para dar aquele migué no trabalho por uma boa causa.


Pittsburgh at Baltimore, Thursday, 8:30 PM ET
Os critérios para desempatar empates de SEIS são confusos e complicados demais, então não vou entrar no mérito do que vai significar no ponto de vista direto da vaga uma vitória nesse confronto. O que eu sei e posso afirmar com certeza é o seguinte: esse é um duelo envolvendo uma das maiores, mais físicas e mais emocionais rivalidades da NFL nos últimos 10 anos, e que vale uma vantagem direta na briga por uma posição comum de disputa entre ambos os times com ainda o bonus de derrubar seu maior rival dessa disputa. Fica melhor do que isso? Eu sinceramente não sei. Sei que esse é outro dos muitos jogos obrigatórios de assistir dessa semana e que pode ser decisivo para daqui a cinco semanas.


Tennessee at Indianapolis, Sunday, 1:00 PM ET
Esse jogo não só envolve dois times em busca dos playoffs, como também representa a última chance do Titans de sonhar com o título da divisão. Atualmente o time se encontra apenas dois jogos atrás do Colts na briga pela AFC South, mas uma derrota aqui praticamente acaba com os sonhos da equipe: a diferença abriria para três vitórias e o Colts ainda teria a vantagem nos critérios de desempate, o que significa que para vencer a AFC South o Titans teria que vencer seus quatro jogos e torcer para o Colts perder esses últimos quatro jogos. Praticamente impossível. Claro, não é só por isso que o Titans precisa dessa vitória urgente: o time atualmente é o detentor da última vaga do Wild Card da AFC, então uma derrota aqui vai derrubar o time uma vitória dessa briga de seis times, e acho que não preciso  explicar porque é muito mais difícil recuperar essa dianteira quando você precisa que cinco outros times percam e não só um ou dois. Então para o Colts é a chance de carimbar seu passaporte aos playoffs, e para o Titans é um jogo ainda mais importante. Titans perdeu o último jogo entre ambos por 3 pontos em casa, mas o Colts vem de derrotas humilhantes para Rams e Cardinals e não tem sido exatamente um juggernault nas últimas semanas. 


Denver at Kansas City, Sunday, 4:25 PM ET
Possivelmente o jogo da semana. Ambos os times estão 9-2, ambos os times vem de derrotas... e hmm, ambos os times também estão disputando diretamente o título da divisão E a 1st seed da AFC. Quem vencer a disputa (não o jogo de domingo, a disputa até o final) ganha a 1st seed e mando de campo, quem perder cai para a 5th. Considerável o que está em jogo nesse caso entre dois dos três melhores times da AFC.

O interesse direto na partida é maior por parte de Kansas City do que Denver. Embora obviamente quem perder vai estar em desvantagem na disputa, no caso de Denver eles possuem um consolo: eles possuem vantagem nos critérios de desempate. Então mesmo que percam o jogo e caiam uma vitória atrás de KC, eles só precisam vencer um jogo a mais nos quatro restantes para reassumir a ponta. Se Kansas City perder, perde de vez o critério do desempate e precisa de DUAS vitórias a mais que Denver nas quatro semanas restantes, o que é mais improvável. Então jogando em casa ainda, essa vitória é obrigatória para KC e importante para Denver, o que promete um jogão entre o melhor ataque e a melhor (mas surpreendentemente vulnerável essa semana) defesa da AFC.


Outros dois jogos importantes também envolvem duelos diretos pelo Wild Card: Jets e Dolphins (ambos 5-6 empatados no WC da AFC e rivais de divisão) e Cardinals-Eagles. O primeiro é um jogo simplesmente ruim, e o segundo - que talvez ganhe destaque no quesito "melhor jogo em termos de qualidade" com o duelo entre o on-fire Nick Foles e a excelente defesa de Arizona - não é tãaao interessante assim pelo conflito de interesses porque parecem estar envolvidos em duas brigas distintas, com Arizona sonhando com o wild card e Philadephia tendo como caminho mais curto aos playoffs o título da divisão. Então o interesse direto no duelo diminui, mas ainda é um bom jogo que merece ser visto. Muito futebol bom vindo por ai essa semana. Uma boa semana para ser fã de NFL. Aliás, mais uma.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Prêmios de meio de temporada


"Eu ganhei O QUE?!"


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!

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Aproveitando que chegamos na "metade" da temporada (ou tão metade quanto uma temporada com número ímpar de rodadas pode ter, considerando que todos os times já jogaram pelo menos 8 de seus 16 jogos), achei que era uma boa hora para fazer uma pausa e ver em que pontos estamos da temporada, e quais são os times que se destacam ou não até aqui. Por isso fizemos dois posts quilométricos comentando sobre todos os times da AFC e outro com todos os times da NFC. Então para terminar essa sequência de meio de temporada, vamos ver até aqui quais jogadores receberiam meu voto hipotético para os principais prêmios da temporada: MVP, Offensive Player of the Year, Defensive Player of the Year, Offensive Rookie of the Year, Defensive Rookie of the Year e Comeback Player of the Year. Deixarei Coach of the Year de fora só porque é o prêmio mais subjetivo e inútil do mundo.

Depois disso, vamos aos palpites da rodada na forma condensada das últimas semanas, coluna que vai sair um pouco mais tarde ou amanhã cedo, excepcionalmente. Mas primeiro os prêmios!



Most Valuable Player - Peyton Manning

Para mim essa disputa é menos apertada do que parece a primeira vista, com um bom número de jogadores merecendo entrar na conversa para vencer esse prêmio. Andrew Luck, em particular, é um jogador que tem feito milagres com muito menos talento ao seu redor do que Manning. Mas no final do dia, é difícil não dar esse prêmio ao QB do Broncos quando consideramos que ele está tendo uma das melhores temporadas da sua carreira: 71.2%, 2919 jardas, 29 TDs contra apenas 6 interceptações, 8.8 jardas por passe e um QBR de 84.17. Jardas, TDs, jardas por passe e QBR, todas essas são as melhores marcas na NFL, e seu aproveitamento é o segundo atrás apenas de Phillip Rivers (72.2%). Ele é o melhor QB de 2013, e é o melhor jogador naquele que é talvez o melhor time da NFL e um dos melhores ataques da história da liga depois de 8 jogos (desde 1970, nenhum time anotou mais pontos nos primeiros 8 jogos do que o Broncos desse ano). E ele é um dos melhores QBs da história da NFL que está tendo, aos 37 anos, uma das melhores temporadas da sua carreira: lembrando que as regras tem mudado em anos recentes para favorecer o QB, mas Manning está com a melhor marca da carreira em aproveitamento (71.2%) e taxa de interceptações (1.8%), e a segunda melhor marca em jardas por passe (8.8) e TD% (8.7%). Então esse prêmio é dele para perder.

Mas esse prêmio não está garantido ainda, por melhor que Manning esteja jogando. Ainda tem muitos jogadores por ai que estão na disputa, e podem dar trabalho principalmente porque são jogadores que estão fazendo muito com um time e companheiros muito inferiores. Andrew Luck, o QB do único time a derrotar o Broncos até aqui, é o melhor jogador de um time muito inferior ao Broncos que ainda se encontra 6-2; Phillip Rivers, 2nd da NFL em QBR, ainda tem duas chances para derrotar Manning e está fazendo milagres com um time uma defesa que tem sido muito fraca (embora com algum azar em fumbles) e perdendo seus dois melhores WRs no começo da temporada; e Jamaal Charles, de quem vamos falar mais daqui a pouco mas é o melhor jogador ofensivo do único time invicto da NFL (e que pode tirar o título de divisão do Broncos) - três jogadores que tem sido cruciais em bons times fazendo isso com muito menos do que o camisa 18 tem em Denver (o melhor conjunto de recebedores da NFL). Nenhum deles consegue estar na frente de Peyton Manning nesse momento, mas todos estão perto o suficiente para assumir o comando com um deslize do QB do Broncos. E considerando que Manning tem parecido mais mortal nos últimos três jogos - 5 interceptações, menos de 8 jardas por passe - e a dificuldade que jogadores com as características finesse de Manning enfrentam em climas cada vez mais frios, um pouco de deslize nessa reta final do calendário (quando ele fica bem mais difícil, btw) pode ser suficiente para colocar outro jogador na frente por essa corrida. Mas por enquanto, Manning ainda reina supremo.

Menções honrosas: Andrew Luck seria meu candidato 1B nesse momento, está fazendo milagres com um time muito inferior e é sem dúvida o jogador mais valioso (do ponto de vista de valor total, presente e futuro) na NFL; Philip Rivers seria um forte candidato se sua defesa não estivesse tão mal; Jamaal Charles... wait for it...


Offensive Player of the Year - Jamaal Charles

Eu não gosto desse prêmio por causa da sua óbvia redundância com o prêmio de MVP. O MVP é um QB 90% das vezes, e se ele foi o melhor QB, então ele foi o melhor jogador ofensivo porque ele tem uma importância maior do que qualquer outro jogador em campo. Simples assim. Desde 2004 (quando começaram a mudar as regras em favor do jogo aéreo), 7 dos 9 vencedores do prêmio de MVP também levaram para casa o OPOY (Drew Brees em 2008 e Chris Johnson em 2009 as exceções), e sempre me pareceu um pouco idiota isso de dar dois prêmios para o mesmo jogador que premiam exatamente a mesma coisa. Então eu tenho minhas próprias soluções: ou acabamos de vez com o OPOY (e ficamos com um Offensive e um Defensive MVP), ou então mudamos as regras do OPOY. Minha sugestão é simples: você não pode votar para OPOY em um jogador da mesma posição que você votou para MVP. Assim esse prêmio passa a ser relevante, deixa de ser o "Poor man MVP"que ninguém liga, e ainda é uma forma de valorizar os não-QBs que tiveram uma temporada espetacular. Todos vencem. Me dêem um motivo para essa mudança de regra não acontecer.

Portanto, se eu votei em Manning para MVP, eu preciso escolher um não QB para o prêmio... Jamaal Charles. A primeira vista, as credenciais de Charles como RB são boas mas não espetaculares: 725 jardas e 6 TDs, 4.3 jardas por corrida. Mas adicionando seu papel como recebedor, fica um pouco melhor: 389 jardas recebidas, 8.3 jardas por recepção e 2 TDs, totalizando 1114 jardas de scrimage (melhor marca da NFL) e 8 TDs. Então os números de Charles são na verdade muito bons, mas não é isso que faz dele o melhor e mais importante jogador ofensivo da NFL, é seu papel no ataque do Chiefs. Ele é a alma e o ponto focal de todo o ataque da equipe, um time que confia na sua defesa e protege seu QB de lançamentos difíceis, e para isso ele precisa que Charles faça absolutamente de tudo: corra com a bola para encurtar descidas e controlar o relógio, funcionar como a principal válvula de escape no jogo aéreo, e basicamente carregue o time nas costas. O Chiefs se baseia na sua excelente defesa para vencer jogos e não no seu ataque, mas quando o ataque precisa aparecer, é sempre nas costas de Charles, enfrentando defesas que SABEM que ele tem esse papel... e ele continua carregando o único time invicto da NFL nas costas.

Se não acredita, vejam isso: o Chiefs na temporada tem 2856 jardas totais de ataque... e Charles é responsável por 39% delas, de longe o maior número da NFL nessa temporada. 39% do ataque! Como não achar que Charles é o melhor jogador ofensivo da temporada? Ele carrega um fardo maior do que talvez qualquer outro jogador, enfrentando defesas que sabem disso, e ainda lidera a NFL em jardas totais e carregou o ataque do Chiefs vezes suficientes para o time ainda estar invicto. Sob minha regra de não-QBs, Charles é o OPOY dessa primeira metade da temporada.

Mençoes honrosas: Calvin Johnson, que ainda é o melhor WR da NFL e teve um dos mais espetaculares jogos de um WR dos últimos anos; Jimmy Graham mesmo machucado ainda é um monstro; Adrian Peterson, que é #2 da NFL em jardas mesmo já tendo sua bye week e enfrentando 8 jogadores na linha para pará-lo todo jogo; e LeSean McCoy, #2 da NFL em jardas totais e peça central de um ataque que já teve três QBs titulares.


Defensive Player of the Year - JJ Watt

O grande problema de Watt é, na verdade, que ano passado ele teve uma das melhores temporadas de um defensor na história da NFL, e que portanto qualquer coisa menor do que isso iria qualificar sua temporada como "abaixo do esperado". E é o que está acontecendo: JJ Watt tem mais "disruptions" (ou seja, jogadas de passe que ele atrapalhou com pressão, atingindo o QB ou sacks) do que qualquer outro jogador na NFL mesmo com "apenas" 5.5 sacks, então a narrativa de que ele não está mais pressionando o QB simplesmente não é verdade. Ele também é a mais dominante força contra o jogo terrestre hoje na NFL, com mais hits e mais tackles for loss (13) do que qualquer outro jogador na liga. Então considerando que nenhum jogador afetou tantas jogadas de passe (pelo menos entre pass rushers) e nenhum outro foi tão dominante contra o jogo terrestre, eu sinceramente não sei o que falta para você ser o melhor defensor da NFL (btw, ele já desviou 4 passes na linha de scrimage também). JJ Watt não está sendo Lawrence Taylor 2.0 esse ano como foi ano passado, mas ele ainda está sendo o melhor jogador defensivo da liga. E isso é bom o suficiente para mim.

Eu acho que Watt não vai vencer porque as pessoas não olham tanto para esses detalhes, vão olhar seus sacks e passes desviados abaixo da marca de 2012 e concluir que ele está tendo um ano ruim. Mas ele tem meu voto por enquanto.

Menções honrosas: Robert Mathis lidera a NFL em sacks com 11.5 e tem sido uma força destrutiva em uma defesa sem outros grandes nomes; Justin Houston tem 11 sacks e seu companheiro de time Tamba Hali tem 9 e 4 fumbles forçados (isso é quase injusto); Sean Lee tem sido espetacular em uma defesa sem grandes talentos de Dallas depois que seu melhor companheiro machucou; Robert Quinn é um monstro que está em segundo em tackles for loss, empatado em primeiro em fumbles forçados e ainda tem 10 sacks, mas ninguém presta atenção por jogar em um time ruim; Richard Sherman e Patrick Peterson tem sido os dois melhores jogadores de secundária da temporada junto com um outro CB de Tampa; e mais uns 10 que merecem estar aqui mas que vou omitir para não ficar longo demais. Acho que esses são os principais.


Offensive Rookie of the Year - Eddie Lacy

Normalmente, em qualquer prêmio ofensivo na NFL que mistura as posições, o QB tem uma grande vantagem em ser OROY. Desde 2004 (o mesmo período que usamos antes), 6 dos 9 Offensive Rookies of the Year foram QBs, e os que não foram (Percy Harvin, Adrian Peterson e Cadillac Williams) tiveram temporadas realmente espetaculares (900 jardas ofensivas e 8 TDs para Harvin, Peterson liderou a NFL com 96 jardas por jogo, e Williams teve mais de 1200 jardas em apenas 14 jogos). Mas esse ano, a questão é que nenhum QB realmente está se destacando para levar o prêmio para casa: Geno Smith tem um QBR de 30.8, 5 INTs a mais que TDs e comanda o segundo pior ataque aéreo da NFL; EJ Manuel tinha um QBR de 42 antes de se machucar e perder parte da temporada; e Mike Glennon, que apesar das 5.7 jardas por passe tem sido estranhamente razoável para o Bucs, não tem a menor chance considerando que seu time parece um poço radioativo. Quando Harvin, Peterson e Williams venceram, na verdade, a falta de um bom QB também foi um tema recorrente: Williams venceu com Alex Smith, Kyle Orton e Jason Campbell como seus concorrentes (e Aaron Rodgers no banco de Brett Favre); Peterson disputou com JaMarcus Russell, Brady Quinn e John Beck; e Percy Harvin por pouco venceu Matt Stafford (que perdeu 6 jogos machucado), Josh Freeman (jogou apenas a segunda metade e teve 8 INTs a mais que TDs) e Mark Sanchez (liderou a NFL em turnovers). Então o terreno parece pronto para um não-QB vencer esse prêmio dessa vez, mesmo que sem uma temporada muito dominante. 

Considerando isso, tem vários jogadores que merecem ganhar esse prêmio, e considerando o quão apertada está essa disputa, tem rodadas demais para alguém disparar com esse prêmio. Por enquanto, eu fico com Eddie Lacy: mesmo perdendo um jogo por lesão, Lacy é o oitavo jogador com mais jardas terrestres na NFL e oitavo em jardas por corrida, e 26th em jardas totais (primeiro entre calouros). Depois de um começo ruim e desde que voltou de lesão, ele tem mais jardas terrestres do que qualquer outro RB da NFL, e ao contrário de outros candidatos ao prêmio, está jogando desde o começo da temporada. Ainda que seja uma corrida em aberto, Lacy parece ter a dianteira.

Menções honrosas: Zac Stacy tem sido brilhante desde que assumiu a vaga de titular no Rams, apesar de estar jogando de titular a pouco tempo; Keenan Allen está a caminho de passar das 1000 jardas recebidas como o principal (e único bom) alvo de Philip Rivers em San Diego; Giovani Bernard e Andre Ellington teriam chances se tivessem sido mais utilizados ao longo do ano; e Geno Smith, porque sempre tem um QB na conversa, especialmente se o Jets for aos playoffs.


Defensive Rookie of The Year - Kiko Alonso

Um mês atrás, parecia que já poderiamos entregar o prêmio antecipadamente para o MLB do Buffalo Bills. Alonso liderava a NFL com facilidade em interceptações com 4, era um dos líderes da NFL em tackles e parecia fazer pelo menos uma jogada espetacular por jogo que chamava a atenção de todo mundo. Alonso simplesmente se destacava mais do que a concorrência e esse prêmio parecia garantido.

Desde então, Alonso esfriou e viu a concorrência encostar. Não que Alonso tenha sido ruim, mas não tem sido de longe aquele jogador incrível e as dúvidas começaram a aparecer sobre se aquilo não teria sido apenas uma aberração. Provavelmente foi um outlier e Alonso regrediu um pouco desde então, mas ele ainda tem jogado muito bem: ele é terceiro entre calouros em tackles solos, quinto em sacks e primeiro em interceptações (primeiro em interceptações entre toda a NFL também, não apenas calouros), sem falar que é o terceiro em toda a liga em tackles totais (89). Ainda que alguns jogadores tenham sido um pouco superiores nas últimas semanas, o conjunto da obra de Alonso ainda o coloca como o calouro defensivo de maior impacto na temporada, sendo o segundo melhor jogador de uma defesa que é rankeada como a 7th melhor em DVOA. 

Mas agora a competição apertou e Alonso perdeu sua folga. Tyrann Mathieu é o tipo de jogador que prende demais a atenção, tem uma história bacana e tem jogado bem o suficiente para ganhar alguns votos (embora suas habilidades como playmaker estejam mascarando suas dificuldades na cobertura), e outros dois safetis (Kenny Vaccaro e Eric Reid) tem sido ainda melhores que Mathieu embora chamem muito menos a atenção. Star Lotulelei e Sheldon Richardson também são dois excelentes jogadores em duas das melhores defesas da NFL que merecem destaque e certamente estão concorrendo ao prêmio. Naturalmente que, com uma corrida tão apertada e com tanto tempo sobrando, o que provavelmente vai definir o vencedor desse prêmio vai ser quem for melhor nessa reta final. Mas por enquanto, o começo de ano de Alonso foi dominante o suficiente para manter sua vantegem sobre os demais. Por ora...

Menções honrosas: Tyrann Mathieu tem vantagem pois joga com talvez os melhores companheiros de equipe entre todos esses (além de uma história de superação muito boa); Eric Reid e Kenny Vaccaro tem recebido menos destaque mas são jogadores ainda melhores que Mathieu; Sheldon Richardson e Star Lotulelei recebem menos atenção por suas posições (DT) mas tem sido absolutamemte dominantes contra o jogo terrestre até aqui.


Comeback Player of the Year - Sean Lee

Eu particularmente não gosto muito desse prêmio porque ele não tem nenhum critério ou diretriz clara: não sei se é para eleger, entre os jogadores que tiveram algum tipo de problema, o melhor deles em 2013 ou se é para ser dado aquele que atingiu o pior momento e conseguiu voltar. Não sei se é para considerar o "comeback" em relação a uma situação difícil, a um certo tempo parado, ou a um ou mais anos jogando em baixo nível. O prêmio não explica nada, e cabe a cada um criar seu critério.

Para mim, Sean Lee é quem satisfaz mais desses critérios. Depois de estourar o joelho na sexta rodada de 2012, Lee voltou esse ano e tem sido uma das forças mais dominantes da NFL: ele é provavelmente o MLB mais completo da liga, com 4 interceptações e liderando a NFL em tackles, sendo a força que solidifica o miolo da defesa do Dallas tanto contra passe como contra corridas - se a temporada acabasse hoje, ele teria meu voto para All-Pro entre os MLB. Então ele passa em praticamente todos os critérios com louvor: ele está jogando em altíssimo nível e passou por uma lesão extremamente difícil, perdeu boa parte da temporada passada, e voltou a jogar. Ele é um vencedor digno desse prêmio através de um determinado critério.

Usando outros, é possível chegar em outros resultados. Minha segunda opção para esse prêmio era Philip Rivers, que não perdeu nenhum jogo ou sofreu nenhuma lesão, mas que caiu de ser um dos melhores QBs da NFL para um jogador abaixo da média nos dois últimos anos e parecia acabado, só para esse ano voltar a ser um jogador de elite e um dos cinco melhores QBs de 2013 mesmo com um time destruído por lesões. É outro tipo de comeback - um jogador que caiu muito de nível e de repente voltou melhor do que nunca - mas igualmente válido. Tem outros possíveis candidatos, e depende da opção usada, mas por enquanto fico com Lee.

Menções honrosas: Philip Rivers pelos motivos já citados; Terrell Suggs, que rompeu o tendão de Aquiles em 2011, jogou 2012 no sacrifício muito abaixo do que pode, e voltou a ser um grande jogador agora; Alex Smith, que de reserva agora lidera o time invicto da NFL; Jason Peters, outro que rompeu o tendão e voltou a jogar em alto nível; e Terrell Thomas, que perdeu DUAS temporadas por conta de lesões no joelho e de alguma forma conseguiu voltar e jogar em alto nível pelo Giants essa temporada e poderia facilmente ganhar pelo critério "Teve que superar mais coisas para voltar".


MAIS TARDE HOJE OU AMANHÃ CEDO OS PALPITES DA RODADA!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - San Diego Chargers


"It's a BAAAAAALL!"


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Nessa série de previews já falamos de 25 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South e North e das NFC East, South e North, mais o Denver Broncos. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

San Diego Chargers

2012 Record: 7-9
Ataque ajustado: 24th
Defesa ajustada: 18th


Se eu fosse fazer uma lista de grandes times da NFL que escorregaram (ou vão escorregar) pela história e acabar esquecidos, o Chargers da segunda metade dos anos 2000 provavelmente estaria no Top5. Começando desde 2004 (quando Drew Brees era QB), passando por 2006 (14-2 já com Phillip Rivers) e até 2009 (13-3 e favorito ao título da AFC em Vegas), foram seis anos de competição em altíssimo nível e um dos melhores times da NFL todo ano disputando títulos (entre 2004 e 2010, o time terminou apenas uma vez fora do Top10 em eficiência total: 11th em 2009). 

E não é como se fosse uma aberração ano a ano ou um time fraco sendo levado nas costas de um grande QB, era um dos times mais atolados de talento que eu lembro de ter assistido (no Madden 2008, um dos jogos que mais joguei na minha vida, o Chargers era o time com mais jogadores 99 de força no jogo). O ataque tinha um dos melhores RBs da história da NFL em LaDainian Tomlinson e o melhor FB da NFL em Lorenzo Neal, um dos dois melhores TEs em Antonio Gates, um excelente QB em Philip Rivers e uma excelente linha ofensiva que incluia três Pro-Bowlers (Marcus McNeill, Kris Dielman e Nick Hardwick). A defesa também contava com um grupo espetacular, incluindo um grupo imenso de All-Pro/Pro-Bowlers como Jamal Williams, Luis Castillo, Shawne Merriman, Shaun Phillips, Quentin Jammer e Antonio Cromartie (e mais tarde Eric Weddle). Era um time absurdamente lotado de talentos e divertidíssimo de assistir que, infelizmente, vai acabar sumindo historicamente por nunca ter ganho um título ou sequer ter ido a um Super Bowl. Lamentavelmente, a fama de time amarelão que nunca conseguiu ganhar nos playoffs (apesar de tudo que falamos aqui sobre amostras pequenas e o escambau) provavelmente vai ser o que as pessoas lembrarão de um dos melhores times da sua geração.

Para alguém como eu, que cresceu assistindo NFL e acompanhou toda essa trajetória do Chargers conforme ia se envolvendo mais e mais com o esporte (especialmente quando meu time não foi relevante entre 2002 e 2010, situação na qual é comum achar outro time legal para se "apegar"), é triste ver o que aconteceu com o Chargers entre 2011 e 2012, uma grande potência chegando no seu limite e se quebrando a partir daí. E ainda que não foi por conta de uma má gestão, ou de trocas desastrosas que destruíram a equipe, nem nada do tipo: foi um grupo que simplesmente chegou ao seu limite em termos de idade, perdeu alguns jogadores importantes e não conseguiu reposições a altura. LT envelheceu muito rápido chegando aos 30 anos, a carreira de Merriman foi para o saco por conta de lesões, e o resto do grupo - Neal, McNeill, Gates, Williams, Jammer, etc - simplesmente envelheceu e perdeu efetividade, com a maioria se aposentando ou saindo da cidade. É um processo normal, e daquele grupo dominante o único jogador que sobrou foi Rivers, outro que está envelhecendo rápido.

Um dos problemas aqui foi que a diretoria do Chargers optou por não recomeçar e tentar apenas arrumar as peças que iam falhando ou perdendo qualidade, mas não conseguiu fazê-lo: muitos dos free agents trazidos nesses últimos anos fracassaram, em parte porque o núcleo do Chargers não era mais forte o suficiente para poder continuar excelente com jogadores medianos para complementá-los, pelo contrário, precisava de jogadores de impacto maior ao redor para poder continuar produzindo. A equipe também não teve muito sucesso no draft, em parte por azar (Ryan Matthews, que devia substituir LT na equipe, não consegue ficar saudável) e em parte porque alguns jogadores (como Marcus Gilchrist) ainda não renderam os resultados esperados. Não que o time não tenha conseguido alguns bons jogadores, é só que não foi suficiente para adiar essa queda da equipe. Pensando em manter aquele bom time ainda competindo, os últimos anos não trouxeram sucesso, mas quando o foco passa a ser montar um novo time para daqui a pouco, então o Chargers tem conseguido alguns resultados interessantes. Mas chegaremos lá.

Durante esses anos dourados do Chargers - heck, até mesmo em todos os anos dourados do Chargers entre 1980 e 2010 - o ataque foi o ponto focal da equipe, o grande ponto forte em torno do qual San Diego se montou e dominou a liga. Isso é obviamente mais fácil quando você tem um dos melhores RBs de todos os tempos a sua disposição, e LT com certeza teve um papel importante liderando esse ataque durante um bom tempo, mas não foi o único motivo de sucesso do grupo. Mesmo no final da carreira de LT, quando ele decaiu com enorme e triste rapidez (e os números terrestres de SD caíam em queda livre, chegando a um triste 31st em 2009), o ataque se manteve como um dos melhores da NFL por conta de seu ataque aéreo. E se queremos procurar causas para essa perda de competitividade do Chargers nos últimos anos, é por aí que temos que começar.

Durante seu auge, o ataque de San Diego era baseado em um esquema de passes longos que exploravam o forte braço de Rivers e que se utilizava de todos os lados do campo para abrir espaços na defesa. Com WRs rápidos como Vincent Jackson e Chris Chambers, e tendo um TE de elite em Antonio Gates para as recepções garantidas pelo meio da defesa (ou mesmo uma opção fácil de passe em caso de pressão), esse ataque se baseava nos passes em profundidade e em jogadas explosivas seguindo seu estilo ofensivo desde a década de 80, o Air Coryell (o original "West Coast Offense"). E como em todo bom ataque aéreo que foca nas bolas longas, é crucial ter uma boa linha ofensiva que consiga segurar as defesas e ganhar o tempo necessário para os WRs se colocarem em posição de receber essas bombas... e pela maior parte da década, foi o caso do Chargers, cuja unidade liderada por McNeill sempre esteve entre as melhores da liga. Era o pessoal ideal para esse ataque, pois a falta de um WR mais confiável pelo meio era compensada por Gates, e tanto a OL como os WRs eram perfeitos para executar esse estilo de jogo, e o Chargers aproveitou.

Da mesma forma, é fácil ver onde tudo desandou nos últimos dois anos, especialmente 2012. Tudo que fez desse ataque tão especial foi o que fez dele um fiasco recente: os WRs de velocidade começaram a deixar o time (em especial Jackson, que foi para Tampa), idade e lesões tiraram toda a eficiência de Antonio Gates e ele deixou de ser aquela opção ultra-confiável de meia distância (e terceiras descidas), o substituto de LT (Matthews) nunca ficou saudável e o time não achou outra opção, e talvez mais importante, a linha ofensiva da equipe decaiu para um nível horrendo ao ponto de eu ter dito durante a temporada 2012 que "a linha ofensiva do Chargers é a pior protegendo o passe que eu vi em anos, e isso quer dizer alguma coisa" (um mês depois, um estudo do Football Outsiders mostrou que a pior OL da NFL em jogadas de passe foi... wait for it... a de San Diego). E para um ataque que, como já foi dito, era baseado em muitos passes longos e que exigem tempo, a pior coisa que pode acontecer é contar com uma linha ofensiva horrível que não consegue segurar a pressão e força o QB a se livrar da bola muito antes do que ele deveria - especialmente uma equipe como San Diego sem uma boa opção de checkdown como um TE de elite (lamento, Gates) ou um bom slot receiver. Essa destruição da linha ofensiva sem dúvida contribuiu para as recentes performances decepcionantes de Phillip Rivers e do ataque do Chargers, e foi esse o motivo que levou a equipe a ir buscar DJ Fluker no draft e Max Starks em Pittsburgh, de forma a dar algum alívio nesse setor.

Esse nível patético da OL e a falta de bons recebedores é algo que faz questionar em parte o quanto do grande declínio que Phillip Rivers vem sofrendo nos últimos dois anos é realmente uma perda de efetividade do QB, ou se isso pode ser explicado em parte pela queda do nível ao seu redor e o esgotamento de um esquema que tirava o máximo de suas habilidades. A resposta é provavelmente um pouco dos dois: depois de liderar a NFL três anos seguidos (2008-2010) em jardas por passe, Rivers viu seus números no quesito caírem de 8.7 (2010) para 7.9 e depois para 6.8, o que é realmente preocupante. Mas ao mesmo tempo, essa absurda queda da linha ofensiva, o declínio de Gates e a saída dos seus melhores WRs - especialmente junto do fato de que a diretoria pouco ou quase nada fez para repor essas peças - são coisas que chamam muito a atenção, especialmente para um jogador que fez tanto sucesso dentro de um esquema como Rivers. Ele também jogou para um técnico que foi horrível nos últimos anos em Norv Turner, que não soube adaptar o ataque nem tomar boas decisões em campo.  Então enquanto o potencial ofensivo do Chargers seja limitado por uma grande falta de WRs e outro TE além de Antonio Gates, a melhora da sua linha ofensiva e um novo técnico podem ajudar Rivers a voltar a boa forma, então existe motivos para acreditar em uma melhora nesse lado.

Mas se a diretoria negligenciou até certo ponto as necessidades do ataque e observou impotente enquanto o grupo caía de produção, ela certamente fez muito no sentido de reforçar a defesa nos últimos anos. Durante o auge de San Diego nos anos 2000, a defesa não era uma potência, mas era uma unidade bastante sólida. Quando alguns jogadores começaram a sair ou perder efetividade depois da temporada e 2007, a diretoria começou a direcionar seus esforços para esse lado da bola, o que ficou ainda mais evidente em anos recentes: das três escolhas mais altas do Chargers em cada um dos últimos três drafts, sete foram em jogadores de defesa e apenas duas (Fluker e Matthews) em jogadores de ataque (expandindo para quatro anos, foram 9 jogadores de defesa e 3 de ataque). E a verdade é que a equipe montou uma base interessante para esse grupo, que apesar da falta de playmakers que façam sozinhos estragos (pense Von Miller ou JJ Watt) tem achado um bom número de jogadores que realizam todo tipo de função. A linha defensiva parece pronta para o futuro com Corey Liuget (7.5 sacks como DE de uma defesa 3-4) e Kendall Reyes (5.5 sacks como calouro na mesma situação), e a linha defensiva parece bastante sólida com Donald Butler, Manti Te'o, Melvin Ingram e Dwight Freeney, sendo que os três primeiros ainda são bem jovens e tem contratos longos e baratos com a equipe. A secundária é mais problemática, em parte porque Gilchrist ainda não está jogando como esperavam quando o escolheram no draft, mas eles ainda possuem um dos melhores (talvez o melhor) FS da NFL em Eric Weddle.

Esse grupo começou a dar uma boa volta por cima ano passado, quando saiu 29th posição para a 18th em termos de defesas ajustadas, e mais um ano desses jogadores (e a chegada de Te'o) devem solidificar ainda mais esse grupo que é na verdade muito promissor. Se está contando, o Chargers montou uma base com seis titulares jovens e promissores (Liuget, Reyes, Butler, Te'o, Ingram e Weedle), e se pelo menos um desses cinco primeiros conseguir evoluir em uma força considerável para desmontar ataques e provocar dobras na marcação, esse grupo está a apenas um bom CB a virar um grupo muito confiável por anos a fio. Não elite, mas bastante confiável. Potencial não falta, e considerando a boa evolução entre 2011 e 2012, é essa a área que oferece mais otimismo para San Diego. 

Mas a volta por cima ainda provavelmente está alguns anos distante do Chargers. O time mistura um ataque com seu QB veterano, ainda apegando aos velhos tempos, com uma defesa em franca remontagem. Eu espero alguma evolução da equipe para 2013, com uma linha ofensiva reforçada e uma defesa que deve evoluir, mas não o suficiente para recolocar o time como uma força relevante na NFL, especialmente com um ataque sem WR (e com os que tem machucados) e sem um TE confiável e uma linha ofensiva que ainda deve ser abaixo da média (embora repetir o fiasco de 2012 seja difícil). A Pythagorean Expectations da equipe (8-8) e record em jogos decididos por uma posse de bola (1-5) certamente indicam que o time tem espaço para melhorar internamente também, mas vale citar que a equipe enfrentou o terceiro calendário mais fácil da NFL em 2012. Então a equipe deve ser melhor, mas quanto melhor? Acho que outro ano entre 8-8 e 7-9 é o mais provável enquanto a diretoria tenta decidir o que fazer e que caminho seguir, especialmente no ataque: reorganizar o corpo de recebedores e tentar um último hurrah com Philip Rivers, já pensar no próximo ataque para fazer par a essa boa e jovem defesa, ou talvez um meio termo: com essa AFC fraca, é possível imaginar o Chargers arrancando uma vaga de wild card a 9-7 com um pouco de sorte e eventualmente tentando a sorte novamente nos playoffs. Não apostaria minhas fichas, mas não acho impossível, e diria que é no que o GM da equipe está apostando.