Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 12 da NFL

Dias negros para torcedores do Jets, mas
pelo menos eles sabem rir de si mesmos



Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Mais uma semana chega ao fim... e holy hell, QUE SEMANA de NFL foi essa. Tivemos vários jogos com implicações importantes para os playoffs, diversas partidas disputadas decididas até o final (Cowboys-Giants, Panthers-Dolphins, Titans-Raiders e meu favorito, Chargers-Chiefs), o duelo dos dois piores times da NFL (Jaguars e Texans, que assumiu o posto depois de perder em casa de Jaguars e Raiders em semanas consecutivas), e um dos melhores jogos da temporada e dos últimos anos de temporada regular (chegaremos nele). Você teve dois QBs famosos pelas famas de amarelão tendo grandes quarto períodos e levando seus times a vitórias importantes. Você teve, basicamente, uma grande rodada de futebol americano. Vamos passar agora por alguns dos pontos interessantes que vimos, começando com...


Tom Brady vs Peyton Manning, Parte XIV


Broncos e Patriots, nosso Sunday Night Football, foi um dos melhores jogos de temporada regular dos últimos tempos. Teve basicamente de tudo: grandes viradas, grandes jogadas, surpresas, fumbles, polêmicas, fumbles, dois dos melhores QBs da sua geração se enfrentando, e para terminar, mais fumbles (sério, foram 11 fumbles. ONZE!!). E como todo jogo bom, apertado, decidido nos detalhes e com tantos interesses e histórias envolvidas, eles deram origem a todo tipo de conclusões estúpidas, falácias e besteiras de modo geral. Então vamos passar rapidamente pelo jogo e ver as conclusões que podemos tirar, e quais as que são exageros viesados.

A primeira coisa que chama a atenção, e eu acho que ainda não citei aqui, foi a quantidade absurda de fumbles que esse jogo teve. Foram ONZE fumbles na partida, três a menos que o recorde da NFL. E claro, como não poderia deixar de ser, foi um deles que decidiu a partida, depois de quatro campanhas sem sucesso em OT, Tony Carter (que pode começar a procurar um novo emprego) acabou encostando na bola de um fumble recuperado pelo Patriots, que chutou o FG e acabou com a vitória. Mas a questão é que, como apontou também o grande Bill Barnwell (que soltou a coluna ontem com esse mesmo ponto), a história do jogo está diretamente atrelada a questão dos fumbles.

Como eu já falei aqui inúmeras vezes, recuperar fumbles é uma questão de sorte: cada time vai recuperar um fumble em média 50% do tempo, uma boa ferramenta para ver se um time foi particularmente azarado ou sortudo durante algum tempo. No caso, dos 11 fumbles, o Patriots recuperou 6 deles e o Broncos 5, então não da para dizer que algum time foi particularmente azarado no quesito. Mas a questão não é se um time foi azarado ou não, foi a forma como essa sorte foi distribuída ao longo desses 11 fumbles que interessa. Porque se prestar atenção, foi o que determinou o caminhar do jogo. Para começar a partida, foram três fumbles do New England Patriots... e todos recuperados por Denver, que usou isso para anotar 17 pontos e abrir seus 24 de vantagem (sem falar, claro, que se as campanhas do Patriots terminavam em fumbles eles não tinham chance de pontuar também). Então o fato de Denver ter começado 3 de 3 recuperando fumbles foi o que impulsionou o começo dominante do time. Depois disso, a reação do Patriots aconteceu... e em parte porque o time recuperou 6 dos 8 fumbles que aconteceram depois na partida, inclusive uma sequência importante no final do primeiro tempo, quando o Patriots sofreu três fumbles consecutivos na mesma campanha e recuperou os três. Se Denver recupera um deles, começaria mais uma campanha no campo de ataque e prestes a anotar outro TD. Da mesma forma, New England acabou recuperando outros dois fumbles de Denver, inclusive um game-changer do Montee Ball (que não voltou mais para o jogo) no segundo tempo e o lance decisivo do Tony Carter em OT, o que ajudou o time a reagir e vencer o jogo. Não que a sorte nos fumbles seja o ÚNICO motivo pelo qual tudo isso aconteceu, pelo qual o Denver abriu vantagem, pelo qual New England reagiu e tudo mais, claro, mas é fácil ver como a distribuição dessa forte é algo determinante na hora de determinar a forma como o jogo flui.

Outro ponto a ser discutido é a forma como as histórias numerosas que já existiam de antemão antes da partida (em especial Brady-Manning), junto a alguns fatores, acabam distorcendo as conclusões e histórias que saem dessa partida de forma injusta. As pessoas gostam de usar um resultado - no caso, a vitória do Patriots e derrota do Broncos - para produzir todo tipo de história. O Patriots venceu porque Tom Brady é melhor e/ou mais clutch que Manning, que perdeu o jogo e portanto CLARAMENTE não é tão bom ou não tão clutch. Ou é o que querem nos passar com base no resultado final, um jogo que esteve empatado em 31 a 31 por três minutos do tempo normal e mais quatro posses de bola da prorrogação, e que foi decidido em um fumble aleatório de um jogador aleatório em uma jogada que não envolveu nenhum dos dois QBs. Não é o resultado desse fumble que vai determinar quem é bom e quem não é, quem é mais clutch e quem não é, e tudo mais. Tom Brady não teve um bom jogo porque Carter teve uma pane mental e sofreu um fumble - Tom Brady teve um grande jogo porque conduziu cinco campanhas excelentes para anotar 31 pontos e empatar um jogo que estava perdendo por 24 no intervalo. E Peyton Manning não deixa de ser clutch, depois de ter feito uma campanha excelente para empatar o jogo nos minutos finais (antes que alguém reclame da falta que voltou atrás uma interceptação, a falta foi bem clara) porque Carter não saiu da frente de um punt. O fato é que foi um jogo muito bom (Denver teve um ótimo primeiro tempo, New England um ótimo segundo tempo) entre duas boas equipes, que ficou empatado por muito tempo e que não foi decidido por uma grande jogada ou um grande erro de um QB no final, e sim por um fumble em uma jogada onde nenhum deles sequer estava em campo.

A maior estupidez, claro, veio de um comentarista da TV brasileira, que disse que "no final, pesou a camisa! Venceu o time que sabe vencer os jogso no final!", uma das maiores besteiras que eu já escutei nos últimos tempos. O jogo foi perfeitamente equilibrado por 12 minutos da prorrogação, ambos os times em condições totais de igualdade, e a vitória acabou sendo decidida por um fumble aleatório de um jogador aleatório... e isso aconteceu por causa da CAMISA que pesou? Por favor! A não ser que ele esteja tentando argumentar que o material da camisa do Patriots é mais leve e teria melhorado a movimentação do jogador para sair da frente da bola (acho improvável!), estou extremamente curioso para saber como um erro individual de um jogador significa algo sobre a camisa dos times, ou sobre como ganhar um jogo porque o adversário cometeu um erro não-forçado diz que seu time "sabe vencer jogos". Esse é só mais um exemplo de conclusões tiradas pelos resultados, narrativas prontas que não tem qualquer base além de um ponto abstrato (no caso, o resultado) influenciado por dezenas de coisas que acabamos ignorando.

Claro, eu não quero aqui tirar o mérito do Patriots pela sua brilhante recuperação, ou falar que o Broncos foi o melhor time ou mereceu vencer nem nada do tipo (como alguns torcedores do Patriots tentaram se convencer que era o caso, porque eles adoram fazer isso). Eu só estou dizendo que não é inteligente justificar tudo com base no resultado. Pense da seguinte maneira: e se fosse Julian Edelman que sofresse um fumble desses em um retorno de punt, Broncos recuperasse e chutasse o FG da vitória? Isso faria a recuperação do time e o segundo tempo de Tom Brady menos impressionante, ou aumentaria o valor da campanha final de Manning no tempo normal? Mas é óbvio que não! O jogo teria sido rigorosamente o mesmo, só que com um erro individual do outro lado e, portanto, outro resultado final. Mas as mesmas pessoas que tiram essas conclusões iriam correr para apontar a "clutchness" de Manning ao conduzir aquela campanha final no tempo normal, e apontar que Brady teve três campanhas para vencer a partida e não conseguiu passar do meio de campo em nenhuma para mostrar que ele não é. E claro, o jogo teria sido rigorosamente igual, com um resultado diferente. Se o jogo foi igual, então qual seria o motivo de mudar a narrativa dos jogadores envolvidos? Nenhum. Então não fiquem se atendo a narrativas prontas com base nos resultados, e sim se foquem no processo que levou a isso.

Uma outra decisão que levantou muita estupidez no twitter e por ai afora foi a decisão do Bill Belichick, em OT, de optar por não começar com a bola para jogar a favor do vento. Pela milésima vez eu preciso bater nessa tecla: você NÃO pode e NÃO deve julgar uma decisão com base no resultado. O técnico que toma a decisão não é um vidente e não sabe qual vai ser o resultado - o Broncos poderia anotar um TD logo na primeira campanha e tornar o vento inútil, o Broncos poderia errar um FG por causa do vento e dar a vitória a New England, ou poderia acontecer o que aconteceu de fato, não ter nenhuma influência no resultado - então tudo que ele pode e deve fazer é analisar as probabilidades e tomar a decisão que da ao seu time a melhor chance de vencer. E eis porque eu achei a decisão tão interessante: não temos nenhum tipo de amostra indicando qual é a decisão que melhora as chances da equipe de vencer o jogo. É tudo uma questão de analisar o que você perde (dar a bola primeiro ao melhor ataque da NFL, com chance de anotar o TD, antes de você tê-la, e possivelmente dando a eles mais posses do que você) e o que você ganha (algumas jardas de posição de campo em punts, aumentar seu FG range e diminuir o do adversário), e concluir o que você acha ser maior. Não tem nenhum estudo, prova ou amostra indicando qual é melhor, então não tem uma decisão certa ou errada. E no final, acabou sendo totalmente irrelevante: o vento não fez nenhuma diferença, o número de posses de bola de cada time não fez nenhuma diferença, e o jogo foi decidido em um erro individual. Claro que isso não evitou um monte de gente, no primeiro punt do Broncos em OT, de chamar Belichick de "gênio", porque aparentemente ele SABIA que o Broncos não iria pontuar na primeira campanha, ou então porque foi culpa do vento que o WR do time cometeu uma falta em uma terceira descida que teria gerado uma 4th and inches. Tem gente que vai tentar distorcer o que aconteceu falando que foi o vento que fez bater a bola no Carter (e não as leis da física, que dizem que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento e que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço) porque o padrão é sempre esse, distorcer os fatos para caber nas conclusões. O fato é que foi uma decisão interessante que não teve nenhum resultado, positivo ou negativo. Não precisamos procurar chifre em cabeça de cavalo.

Então tirando tudo isso, o que PODEMOS concluir do jogo? Basicamente não muito que não soubéssemos de antemão antes da partida. Que a defesa do Broncos depende muito do seu pass rush chegando no QB, senão é muito vulnerável na secundária a bons passes e pode ser explorada (um dos fatores cruciais no segundo tempo? A linha ofensiva do Pats começou a dar tempo para Brady no pocket); que a defesa do Patriots, com seus dois DTs titulares no IR, tem imensas dificuldades em parar o jogo terrestre e que depende muito de Aqib Talib para fazer a secundária funcionar (ele foi bem essa semana, mal na semana passada, e o resultado no resto da defesa é claro); que o ataque do Broncos é muito poderoso e que pode te vencer de diferentes maneiras (mais de 200 jardas terrestres); que Manning-Brady é uma das melhores rivalidades da NFL e promessa de grande jogo... isso tudo a gente já sabia. Acho que o principal ponto de dúvida era ver como o ataque do Patriots iria funcionar, e problema com fumbles a parte, ele jogou muito bem, com jogadores como Edelman e Kembrel Thompkins aparecendo muito bem e Rob Gronkowski cada vez mais em forma. Acho que esse foi o principal ponto positivo para qualquer um dos times. Fora isso, um grande jogo entre dois bons times e dois grandes QBs. Não precisamos ficar achando muito mais do que isso para ter valido a pena.

O eterno dilema de QBs em New York


A vida de um torcedor do New York Jets não tem sido fácil nos últimos anos. Desde que aquele time com defesa fantástica e ataque suspeito improvavelmente chegou a duas finais consecutivas em 2009 e 2010, o time tem brigado para voltar a relevância e tem esbarrado em um grande problema: Quarterbacks. Mark Sanchez, o QB do time durante esse tempo, acabou involuindo em um dos piores QBs da NFL, uma piada generalizada ao redor da NFL, e todo mundo dizia que o time não iria longe enquanto não mudasse o jogador que ocupava essa posição. Afinal de contas, qualquer coisa seria um upgrade sobre Mark Sanchez, o QB do Buttfumble, o pior titular da NFL. Certo?

Bom, esse ano, o time draftou um QB cru na segunda rodada (Geno Smith) e o colocou como seu titular depois que Mark Sanchez sofreu uma lesão grave na pré temporada, eventualmente perdendo o ano todo. Então, considerando que o time está 5-6 e brigando por uma vaga nos playoffs, quanto melhor tem sido o desempenho de Smith como QB da Gang Green?

2012 Mark Sanchez (15 jogos): 246/453, 54.3%, 2883 jardas, 13 TDs (2.9%), 18 interceptações (4%), 6.4 jardas por passe, 23.37 QBR, 34 sacks, 14 fumbles

Aikes! Acho que eu não preciso explicar porque esses números são absolutamente horríveis - não tem um único número que se salve ai no meio, nenhum. Bom, e Geno Smith?

2013 Geno Smith (11 jogos): 175/317, 55.2%, 2227, 8 TDs (2.5%), 18 interceptações (5.7%), 7.0 jardas por passe, 23.36 QBR, 37 sacks, 9 fumbles.

Surpreendentemente parecidos, certo? Mark Sanchez pode até ter sido um passador MELHOR que Geno Smith considerando essas duas temporadas (embora, para ser justo, Geno tem 178 jardas terrestres e 3 TDs). A verdade é que, mesmo sem Sanchez, o ataque continua a mesma droga e o problema continua sendo o mesmo, a péssima produção da posição de QB. Geno Smith tem mais potencial, é mais jovem e era considerado muito cru (então é de se esperar que tenha mais a evoluir no curto prazo), então entendo porque o time possa preferir ele indo para frente, mas quando você está sendo ameaçado de ir para o banco por MATT SIMMS com seu time 5-6 e empatado por uma briga no wild card... quer dizer, é porque as coisas estão ruins. Nem Mark Sanchez em 2012 conseguiu o QBR que Smith conseguiu duas semanas atrás de 0.7 (embora para ser justo, o  QBR só foi incorporar "Buttfumble" como um critério após Sanchez se machucar... e Sanchez teve um 0.3 como calouro).

O fato é que o Jets é um time bem ruim esse ano. Seu saldo de pontos é o terceiro pior de toda a NFL depois do Jaguars, e a Pythagorean Expectations da equipe é de um time abaixo de 3-8. DVOA coloca o time como o 24th melhor da NFL graças a uma defesa Top5, mas com o segundo pior ataque. E no centro disso tudo está Geno, que continua com a tradição Mark Sancheziada da equipe - e isso sem entrar no mérito de que nas últimas quatro semanas, Geno tem um QBR de 4 (!!!). Nenhum QB no período tem menos de 20, via ESPN Stats & Info. Na verdade, se você SOMAR o QBR dele nessas quatro semanas, não passa de 23. Então se você tinha esperanças que o Jets ia sair do buraco agora porque tinha um QB de verdade no lugar do desastre que era Mark Sanchez... melhor pensar de novo.

Os dois amarelões da NFL


Tirando Manning-Brady, esse não foi um bom domingo para quem gosta de exagerar nas narrativas prontas, pré-determinadas e totalmente fora da realidade sobre algum time ou jogador. Isso porque dois QBs que são frequentemente chamados de amarelões ou então criticados por serem incapazes de vencer jogos no final conseguiram levar seus times a duas vitórias cruciais - adivinhe! - nos momentos finais de suas partidas. Tony Romo conseguiu uma campanha de FG para vencer os rivais de divisão Giants e recolocar o Cowboys no topo da divis ão, e Philip Rivers conseguiu anotar 41 pontos e um TD de virada no minuto final contra a melhor defesa da AFC em uma partida crucial para os sonhos do Chargers na temporada. Era uma vez quando os dois eram os grandes amarelões da NFL.

Olhando mais a fundo, é fácil ver que isso de "clutchness" é besteira nesses casos. Apesar do Cowboys ter tido um monte de tiros no pé em jogos apertados essa temporada, é difícil colocar demais a culpa nele. O jogo mais emblemático desses foi contra o Broncos, com o jogo empatado em 48 a 48 quando Romo lançou uma interceptação que deu a vitória a Denver, mas já escrevi muito sobre porque é viesado colocar a culpa da derrota no colo de Romo, que teve 500 jardas e jogou praticamente sozinho para manter o time na partida até aquele ponto. A outra derrota apertada que gerou muitas críticas foi contra o Lions, outra incrível, e na qual é impossível colocar a culpa em Romo: o Cowboys tinha 99% de chance de vitória até seu lineman cometer uma falta besta que parou o relógio e deu ao Lions 40 segundos a mais, e a defesa se implodiu na campanha final de Detroit, difícil ver aonde Romo tem alguma culpa. Na verdade, o Cowboys tem três jogos decididos por uma posse de bola ou menos na temporada e em dois desses Romo que conduziu a campanha da vitória nos segundos finais. Btw, nas últimas três temporadas Romo tem 11 campanhas decisivas no quarto período ou OT para vencer jogos, maior marca da NFL. Mas sabe, amarelão demais esse Romo.

Enquanto isso, Philip Rivers também recebeu críticas (em parte por causa da derrota na semana 1 para o Texans, mas essas fora merecidas) por ser a causa que faz o Chargers ser tão ruins em jogos decididos no final ou apertados. Claro, Rivers lidera a NFL com três viradas no quarto período ou OT e é segundo em campanhas para vencer o jogo em 4th/OT na temporada, mas isso não cansa as pessoas de apontarem para as dificuldades do Chargers em vencer jogos apertados como sendo culpa dele. Ele foi responsável contra o Texans, de fato, mas é difícil ver aonde ele teve culpa nas partidas contra Washington Redskins e Tennessee Titans: a defesa foi totalmente não inexistente no primeiro (inclusive tomando um TD na primeira campanha de OT) e dando o imenso azar do TD de Danny Woodhead ser revertido para uma 1st and goal na linha de 1 jarda, ver o jogo terrestre falhar duas vezes, e seu técnico decidir estupidamente chutar um FG ao invés de tentar converter a jogada; e na segunda precisou de uma campanha milagrosa da virada de Jake Locker nos segundos finais que ainda teve uma interceptação que teria matado o jogo sendo derrubada pelo defensor do Chargers completamente livre. Hmm, como isso é culpa dele mesmo? Isso sem falar que ele é segundo da NFL entre QBs qualificados em QBR atrás de Peyton Manning. Então se você quer jogar a carta do "Philip Rivers é amarelão e não sabe vencer jogos", ela simplesmente não é verdade.

Um dia vou entender a mania de querermos atribuir esse papel de amarelão a todo mundo, mas por enquanto, espero que pelo menos quem leia isso comece a olhar mais o que acontece por trás das óbvias aparências e da fanfarra da mídia e dos fãs antes de ficar rotulando jogadores.

Playoffs e jogos importantes dessa semana


Agora que tudo embolou de vez na AFC, já que meu "melhor e mais louco cenário possível" de fato aconteceu. Tanto Broncos como Chiefs perderam suas partidas, o que deu origem a um dos melhores jogos dessa semana porque ambos os times continuam embolados na primeira posição. Patriots continua cada vez mais líder da AFC East. Redskins e Giants foram praticamente chutados da briga pela NFC East depois de derrotas, e agora Dallas e Philaldephia Eagles estão brigando lado a lado pela vaga.

Mas o que fez dessa semana tão interessante foram os wild cards, bem como os times que NÃO ganharam. Começando pelo Wild Card da AFC, a maluquice que eu previ semana passada de fato aconteceu: com Jets e Dolphins perdendo, e Steelers, Ravens, Titans e Chargers vencendo seus respectivos jogos, agora a segunda vaga do Wild Card para a AFC envolve um empate entre SEIS times diferentes (esses seis já citados), com mais Browns, Bills e Raiders apenas um jogo atrás da vaga. Ou seja, são NOVE times que estão a uma vitória de distância da vaga aos playoffs, esquentando ainda mais a briga. 

Na NFC, Lions e Bears perderam seus jogos e as chances de cada um de disparar na ponta da divisão, mas foram ajudados pelo empate (!!) do Packers com Minnesota, o que mantém a divisão ainda mais em aberto do que antes. E na briga pelo Wild Card da NFC, Niners e Cardinals foram os únicos a vencer suas respectivas partidas, abrindo um jogo de vantagem sobre seus competidores mais próximos (Eagles/Cowboys, Bears/Lions e 1.5 jogos sobre o Packers). Então com Broncos, Chiefs, Patriots, Saints, Seahawks e TALVEZ Bengals e Colts já com vagas garantidas nos playoffs, as vagas que sobram são essas: último wild card da AFC, a NFC East, NFC North e os dois wild cards da NFC, com mais disputas por vagas na AFC West e na NFC South.

Dentro desse contexto, quais então os jogos mais importantes da semana? Bem... 


Green Bay at Detroit, Thursday, 12:30 PM ET
E já começamos com um duelo direto dentro da divisão. O Packers está dessa vez apenas meio jogo atrás de Detroit (ou um jogo atrás com vantagem no critério de desempate, se preferir), e com Aaron Rodgers voltando aos treinos visando a semana 13 para uma volta aos gramados, esse é um jogo importante não só para passar a frente do rival (e eventualmente assumir a liderança caso o Bears perca para o Vikings) como para impedir que os adversários abram vantagem demais para os jogos decisivos da temporada, que o time deve contar com Rodgers. Não é como se uma vitória garantisse o título da divisão e uma derrota o enterrasse de vez, mas uma vitória aqui coloca o time em ótima posição com Rodgers voltando e jogo contra Bears ainda pela frente, e uma derrota pode colocar o time precisando de duas vitórias a mais que seus DOIS rivais na divisão. Então é um jogo que fará uma diferença considerável na briga pela NFC North.

Btw, vale destacar que no primeiro confronto entre os dois no Lambeau Field, o Detroit jogou sem Calvin Johnson, inativo algumas horas antes do jogo começar e que causou a linha de Vegas em aumentar SEIS pontos. Então agora é a vez do Packers ir a campo sem seu melhor jogador. Must-watch, ainda mais porque é quinta em horário bom para todo mundo no Brasil (15:30 de Brasília) e sempre da para dar aquele migué no trabalho por uma boa causa.


Pittsburgh at Baltimore, Thursday, 8:30 PM ET
Os critérios para desempatar empates de SEIS são confusos e complicados demais, então não vou entrar no mérito do que vai significar no ponto de vista direto da vaga uma vitória nesse confronto. O que eu sei e posso afirmar com certeza é o seguinte: esse é um duelo envolvendo uma das maiores, mais físicas e mais emocionais rivalidades da NFL nos últimos 10 anos, e que vale uma vantagem direta na briga por uma posição comum de disputa entre ambos os times com ainda o bonus de derrubar seu maior rival dessa disputa. Fica melhor do que isso? Eu sinceramente não sei. Sei que esse é outro dos muitos jogos obrigatórios de assistir dessa semana e que pode ser decisivo para daqui a cinco semanas.


Tennessee at Indianapolis, Sunday, 1:00 PM ET
Esse jogo não só envolve dois times em busca dos playoffs, como também representa a última chance do Titans de sonhar com o título da divisão. Atualmente o time se encontra apenas dois jogos atrás do Colts na briga pela AFC South, mas uma derrota aqui praticamente acaba com os sonhos da equipe: a diferença abriria para três vitórias e o Colts ainda teria a vantagem nos critérios de desempate, o que significa que para vencer a AFC South o Titans teria que vencer seus quatro jogos e torcer para o Colts perder esses últimos quatro jogos. Praticamente impossível. Claro, não é só por isso que o Titans precisa dessa vitória urgente: o time atualmente é o detentor da última vaga do Wild Card da AFC, então uma derrota aqui vai derrubar o time uma vitória dessa briga de seis times, e acho que não preciso  explicar porque é muito mais difícil recuperar essa dianteira quando você precisa que cinco outros times percam e não só um ou dois. Então para o Colts é a chance de carimbar seu passaporte aos playoffs, e para o Titans é um jogo ainda mais importante. Titans perdeu o último jogo entre ambos por 3 pontos em casa, mas o Colts vem de derrotas humilhantes para Rams e Cardinals e não tem sido exatamente um juggernault nas últimas semanas. 


Denver at Kansas City, Sunday, 4:25 PM ET
Possivelmente o jogo da semana. Ambos os times estão 9-2, ambos os times vem de derrotas... e hmm, ambos os times também estão disputando diretamente o título da divisão E a 1st seed da AFC. Quem vencer a disputa (não o jogo de domingo, a disputa até o final) ganha a 1st seed e mando de campo, quem perder cai para a 5th. Considerável o que está em jogo nesse caso entre dois dos três melhores times da AFC.

O interesse direto na partida é maior por parte de Kansas City do que Denver. Embora obviamente quem perder vai estar em desvantagem na disputa, no caso de Denver eles possuem um consolo: eles possuem vantagem nos critérios de desempate. Então mesmo que percam o jogo e caiam uma vitória atrás de KC, eles só precisam vencer um jogo a mais nos quatro restantes para reassumir a ponta. Se Kansas City perder, perde de vez o critério do desempate e precisa de DUAS vitórias a mais que Denver nas quatro semanas restantes, o que é mais improvável. Então jogando em casa ainda, essa vitória é obrigatória para KC e importante para Denver, o que promete um jogão entre o melhor ataque e a melhor (mas surpreendentemente vulnerável essa semana) defesa da AFC.


Outros dois jogos importantes também envolvem duelos diretos pelo Wild Card: Jets e Dolphins (ambos 5-6 empatados no WC da AFC e rivais de divisão) e Cardinals-Eagles. O primeiro é um jogo simplesmente ruim, e o segundo - que talvez ganhe destaque no quesito "melhor jogo em termos de qualidade" com o duelo entre o on-fire Nick Foles e a excelente defesa de Arizona - não é tãaao interessante assim pelo conflito de interesses porque parecem estar envolvidos em duas brigas distintas, com Arizona sonhando com o wild card e Philadephia tendo como caminho mais curto aos playoffs o título da divisão. Então o interesse direto no duelo diminui, mas ainda é um bom jogo que merece ser visto. Muito futebol bom vindo por ai essa semana. Uma boa semana para ser fã de NFL. Aliás, mais uma.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - New York Jets

"Toma, esconde isso aqui do Mark Sanchez antes que ele chegue!"



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Continuando nossa série de preview para a temporada 2013 da NFL, que começou com o New England Patriots, o Miami Dolphins e o Buffalo Bills, hoje é dia de falar de outro time do último time da AFC East, uma das grandes piadas da NFL, New York Jets. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

New York Jets

2012 Record: 6-10
Ataque ajustado: 30th
Defesa ajustada: 9th


Se você quer uma prova de que os deuses do futebol americano são malucos e que em poucos esportes as coisas mudam mais rápido do que nesse, não precisa olhar mais longe do que a maior fonte de risadas maldosas da NFL, o New York Jets. Volte comigo para a temporada 2009 da NFL, quando o Jets teve uma das melhores temporadas de sua história recente. Depois de precisar derrotar um time misto do Cincinatti Bengals na última rodada para chegar aos playoffs (via Wild Card), a equipe chocou todo mundo ao vencer Bengals e Chargers antes de perder para o Colts na Final de Conferência em um jogo bastante disputado. Com um Pythagorean Expectations que superava em muito seu número de vitórias (11.5-4.5 contra 9-7), era de se esperar uma melhora da equipe para 2010 e outra chegada forte. E foi o que aconteceu: o Jets terminou 11-5 e foi aos playoffs, apesar de algumas derrotas doloridas para seu grande rival, New England Patriots. Mas nos playoffs, o time de New York aprontou de novo, derrotando os Colts de Peyton Manning e os Patriots de Tom Brady em jogos consecutivos para chegar a sua segunda Final de Conferência consecutiva. Mesmo perdendo esse jogo para o Steelers (em um jogo onde tiveram perto de conseguir a vitória), o saldo de duas temporadas seguidas chegando aonde chegaram foi muito positivo, ainda mais com um quarterback segundo-anista, então as expectativas para a equipe eram altas para o futuro. Eles tinham o melhor jogador defensivo da NFL, um dos melhores técnicos, um forte jogo terrestre, e tudo parecia bom para a franquia.

Apenas dois anos depois, o Jets é uma das maiores piadas da Liga, um time que joga no maior mercado da NFL e tem uma das torcidas mais fanáticas mas que passa o ano afundado em controvérsias, brigas, superexposição na mídia e fracassos dentro de campo. O time que chegou tão perto do Super Bowl dois anos seguidos se dissolveu e deixou no lugar um dos grupos mais desfuncionais que eu lembro de ter visto em mais de uma década de futebol americano. Mas afinal, o que deu errado para um time ir de candidato ao título a vergonha da nação em dois anos?

Lembra no preview sobre o Patriots que eu falei sobre como o sucesso continuado da equipe ao longo da década não veio da capacidade do time de fazer funcionar seu modelo de muito ataque/defesa decente, mas sim da sua capacidade de se adaptar ao que tinha nas mãos e as mudanças que a Liga sofreu ao longo dos anos? A queda do Jets se deveu a exatamente o contrário: o time foi muito bom quando Rex Ryan chegou a New York porque implementou um esquema baseado em uma defesa fortíssima, que forçava muitos turnovers, e um ataque que controlava o relógio, conseguia muitas jardas terrestres, encurtava primeiras descidas e "protegia" seu quarterback permitindo a ele trabalhar em conversões curtas e no play action. Quando o time sentiu dificuldades de executar esse modelo, quando sua defesa não era mais tão dominante, seu jogo terrestre tão seguro e o time precisou de mais ataque (em especial aéreo) o time não teve a capacidade de se adaptar ou de contornar essas dificuldades, e por isso o time sofreu essa queda brutal.

Os números corroboram essa visão. Em 2009 e 2010 combinados, o Jets teve a melhor defesa da NFL (1st em 2009, 5th em 2010, 1st combinando os dois anos), uma unidade que forçava muitos turnovers (+1 e +9 em turnover diferential, respectivamente, mesmo tendo Mark Sanchez de QB) e que era o ponto focal do time. Nesse mesmo período, o ataque do time manteve seu perfil de pouca velocidade, pouca produção, mas um forte jogo terrestre: foi apenas o 22nd melhor ataque em 2009 e o 16th melhor em 2010, mas foram o 11th melhor e o 5th melhor ataque terrestre, respectivamente (o ataque terrestre em 2009 só pegou fogo no final da temporada). Mesmo que seu ataque fosse um tanto incapaz de ganhar jogos por conta própria, era o suficiente para manter o saldo de turnovers positivo e ganhar os jogos de placares baixos proporcionados por sua excelente defesa.

Em 2011, as coisas deram uma guinada em outra direção. Embora a defesa continuasse como uma força espetacular (segunda melhor da NFL), o ataque terrestre do time sofreu uma queda brutal depois que o Jets achou uma boa ideia entregar o ataque terrestre da equipe nas mãos do Shonne Greene. Não ajudou o fato de que a troca de RT e a lesão do Nick Mangold tenham enfraquecido consideravelmente a linha ofensiva da equipe, mas o fato é que o jogo terrestre do time despencou de produtividade entre 2010 e 2011, caindo para apenas o 18th melhor da Liga e com Shonne Greene tendo muito problemas na temporada. Mesmo com uma defesa excelente que cedeu poucos pontos e roubou muitas bolas, para ganhar jogos você ainda precisa marcar pontos do outro lado da quadra para sair com a vitória. E para isso, dessa vez o time não contou com um ataque terrestre que encurtasse descidas e preservasse o QB, então precisou contar com Mark Sanchez assumindo um papel maior na equipe, lançando mais e em conversões maiores, contra defesas mais equipadas para parar o passe do que a corrida. O resultado foi o esperado: Sanchez teve muitos problemas para produzir nessas condições (37th melhor da NFL) em QBR, o ataque foi uma droga (21st da NFL) e produziu muitos turnovers, o time acabou com saldo negativo em TOs (-3), e mesmo com aquela excelente defesa o time perdeu os playoffs. Então o time foi ótimo quando conseguiu impor seu estilo de ataque e jogo terrestre/ataque conservador, mas quando precisou de produção ofensiva sem o jogo terrestre, Mark Sanchez não deu conta do recado.

Mas bom, o que tudo isso significa para as esperanças do time em 2013? Quais as esperanças do time de reproduzir seu modelo bem sucedido de 2009 e 2010 e voltar aos playoffs?

O ponto de partida aqui é saber se a defesa do Jets vai ser capaz de retornar a sua melhor forma e, mesmo que não seja aquela máquina de 2009-2011, se pelo menos vai ser uma unidade capaz de manter os placares baixos e forçar alguns turnovers para deixar seu ataque com menos responsabilidades. E aqui, pelo menos, o Jets tem algum motivo de otimismo. Ano passado, o Jets jogou a temporada inteira sem seu melhor jogador em Darrelle Revis, o jogador base no qual toda a defesa do time era montada e para quem o time não tinha um reserva além de Antonio Cromartie... E mesmo assim, a defesa terminou como a nona melhor de toda a NFL na temporada. Esse ano, como Revis saiu, muita gente vê a defesa da equipe caindo por terra, mas eu acho que a realidade é bem diferente. Ano passado o time substituiu Revis por ninguém e ainda teve a nona melhor defesa da Liga, mas esse ano vai ter o bom calouro Dee Milliner (de quem eu gosto bastante) para o lugar dele. Além disso, o Jets corretamente identificou um problema da sua defesa: muitos dos jogadores que foram importantes em 2009 e 2010 estavam ficando velhos e decadentes, sua produção caindo (ver: Scott, Bart). Nessa offseason a equipe fez o possível para se livrar de alguns desses jogadores e substituí-los por novas peças, uma medida underrated mais importante: a produção desses jogadores pode ser substituída em boa parte, mas isso limpa a folha salarial da equipe, da chance para alguns jogadores mais jovens de crescerem e também da a unidade aquele ar de "novas caras" que o time precisava urgente. Rex Ryan ainda é um gênio defensivo, aquela unidade que terminou em nono ano passado teve as adições importantes de dois calouros de primeira rodada que cobrem duas necessidades urgentes (Milliner na secundária, Sheldon Richardson na linha defensiva junto da estrela Muhammad Wilkinson), o time se livrou de algumas peças defeituosas e velhas, e alguns jovens talentos (como Wilkinson e Quinton Coples) terão mais tempo para evoluirem. Mesmo que não seja aquela unidade destrutiva de 2009 e 2010, ainda tem tudo para ser uma defesa Top5 com um pouco de sorte e adaptação rápida dos calouros, com boas perspectivas de futuro.

Do outro lado da bola, o Jets parece determinado a retomar sua diretriz de jogo terrestre como carro chefe da equipe. Embora sua linha ofensiva tivesse sido ainda boa contra o jogo terrestre em 2012 (quinta melhor em jogadas de corrida, per Football Outsiders), o time ainda foi atrás de três jogadores (dois guards e um tackle) para ela no Draft, em parte para reforçar o jogo terrestre e em parte porque ela foi muito ruim protegendo o passe. Mas talvez mais importante, o Jets trocou para trazer um novo running back a equipe. Finalmente desistindo do fraco Shonne Greene, um fracasso como RB principal da equipe nesses dois últimos anos, a equipe foi atrás de um substituto e trocou por Chris Ivory, um RB que tem números muito interessantes (5.4 jardas por tentativa ano passado, 5.1 na carreira) mas que teve pouco espaço no grupo muito cheio de RBs de New Orleans. Considerando que Shonne Greene não conseguiu passar das 3.9 jardas por tentativa em 2012 e que Ivory está saindo de uma linha ofensiva mediana para uma boa (pelo menos correndo com a bola), acho possível imaginar uma evolução do jogo terrestre da equipe (21st em 2012) para a temporada que vem mesmo esperando para ver se os números de Ivory devem piorar com um aumento da carga de trabalho.

Tem um outro ponto de interesse que pode indicar, também, uma possível regressão positiva do Jets para essa temporada. Embora as estatísticas que usamos até aqui indiquem que a temporada do Jets foi exatamente o que pareceu ser (Pythagorean Expectation de 6-10, 4-4 em jogos decididos por uma posse de bola e 53% de fumbles recuperados), o número que salta aos olhos nessa temporada foi o saldo de turnovers da equipe, um ridículo -14 que foi a quarta pior marca da NFL na temporada. Ainda que isso não possa ser atribuído a um azar com fumbles, a história parece estar do lado do time de New York: na história da NFL, esse patamar de turnovers dificilmente se repete por um período significativo de time. Talvez em parte porque um time que chega a esse número tenha a tendência de substituir metade do seu ataque em um piscar de olhos, mas fato é que, em média, times nesse patamar em saldo de turnovers costumam sofrer, na média, uma regressão para perto do -1 de saldo na temporada seguinte. Ainda que seja uma estatística muito menos precisa do que as que costumamos usar, é algo que pode indicar otimismo para o Jets.

Mas como o grande Bill Barnwell, da Grantland, muito bem observou, na média os times não tem um QB como Mark Sanchez. Embora eu tenha feito o possível para não citar o nome dele explicitamente, a sombra dele está por todo o texto. O alto número de turnovers da equipe, a necessidade de um jogo terrestre que escondesse ao máximo o quarterback e o permitisse jogar apenas em conversões mais fáceis, a incapacidade do time de jogar de forma explosiva no ataque, e principalmente a brutal queda de produção (e o aumento de turnovers) do ataque da equipe quando este precisou mais do jogo aéreo. Embora draftado no alto da primeira rodada em 2009, o fato é que Sanchez sempre foi um jogador medíocre cuja incapacidade de produzir qualquer tipo de valor acima da média tem sido o grande problema desse time ao longo desses últimos anos. O Jets era capaz de esconder Sanchez em 2009 e 2010, mas não em 2011 e 2012. Mas o fato de que ele sempre foi medíocre: em 2009, seu QBR foi de 31.6 (33rd entre 46 jogadores); em 2010 subiu para sua melhor marca da carreira, 48.2 (22nd entre 46) no seu melhor time; em 2011 caiu novamente para 33.6 (37th de 47); e ano passado atingiu seu fundo do poço com 23.4 (37th de 38 QBs) e a jogada mais ridícula da história da NFL. Então por melhor que seja a defesa do time, e mesmo que o jogo terrestre melhore em relação ao ano passado, o Jets ainda vai precisar do seu QB produzindo alguma coisa (mesmo que não dominando) acima do básico para brigar pelos playoffs em 2013 a não ser que a defesa volte a ser a melhor da NFL e um ataque terrestre Top5 (o que é improvável mesmo que ambas as áreas devam melhorar). Então enquanto a franquia precisar de alguma produção de quarterback, e o time tiver Mark Sanchez lá, o time não vai a lugar nenhum.

Então na verdade, as pretensões do Jets para 2013 passam pelo QB. O time deve ter novamente uma defesa muito boa e seu jogo terrestre deve melhorar, dando ao ataque algum alívio. Ainda assim, o Jets sofre com falta de talento no seu ataque (os WRs devem melhorar com a volta de Santonio Holmes e mais um ano de Stephen Hill, mas o time não tem um TE confiável e a linha ofensiva foi a terceira pior protegendo o QB em 2012) e por isso vai precisar compensar com produção da principal posição do futebol americano. A escolha da equipe se resume, basicamente, a insistir em Mark Sanchez (que nunca melhorou em quatro anos de Liga e é, a essa altura, um jogador muito abaixo da média) ou apostar no calouro Geno Smith, que mostrou toda sua imaturidade na semana do Draft mas que era cotado por muitos como o melhor QB disponível. Eu acredito que o Jets deva ir com Smith por um simples motivo: se forem com Mark Sanchez, eles já sabem o que vão receber dento de campo e sabem que isso não levará o time a lugar nenhum, enquanto com Smith é possível que recebam também essa produção decepcionante e prejudicial, mas também é possível que recebam uma mediana ou superior... E talvez um QB jogando a um nível mediano ou superior possa ser suficiente pro time voltar aos playoffs atrás de uma boa defesa.

Então, em resumo, é bem difícil projetar o Jets para 2013 pelo mesmo problema do Buffalo Bills, incerteza com um QB calouro do qual não sabemos o que esperar. O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. Mas com a AFC East mais aberta do que tem estado em muitos anos, o Jets tem que arriscar para tentar conseguir essa vaga nos playoffs. Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular, o que significa que com um pouco de sorte e/ou uma produção acima do esperado da posição o time pode muito bem chegar a algo como 9-7 ou 10-6 e ir aos playoffs nessa temporada. Eu não apostaria nisso, apostaria no Jets tendo uma temporada mediana mas mais promissora que do ano passado, mas é um time interessante de se observar e que deve, pelo menos, recuperar um pouco do orgulho perdido em 2012. Mas para isso, o time precisa urgentemente guardar o orgulho na gaveta, admitir que errou com Sanchez, e seguir em outra direção. Se fizer isso, não garante playoffs nem nada, mas pelo menos permite ao time deixar pra trás um capítulo patético de sua existência e seguir em frente. E se Geno Smith mostrar alguns flashes do jogador que se esperava antes do Draft, pode dar ao Jets algo que eles perderam nos ultimos dois anos, uma esperança para o futuro da equipe que não envolva Mark Sanchez.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Resumo da Final de Conferência: AFC

Velocidade cinco na dança do créu pro Jets


New York Jets 19 vs 24 Pittsburgh Steelers
O preview desse jogo pode ser lido aqui

Vocês provavelmente ainda lembram do jogo entre Steelers e Ravens da semana passada. O Ravens teve um primeiro tempo destruidor, a defesa jogou muito bem, forçou fumbles e gerou pontos ou boas posições de campo pro ataque. O Steelers não conseguiu impor seu jogo, não controlou o relógio, sua linha ofensiva foi vencida com facilidade, sofreu vários fumbles bestas. No segundo tempo, o Ravens foi incapaz de segurar a bola, deu vários turnovers de presente, o Steelers fez tudo certo, jogou direitinho e saiu com a vitória. Um tempo foi o reflexo do outro, e eu meti o pau no Ravens por ter sido tão inconstante ao longo do jogo. Mas acontece que dessa vez, quem fez isso foi o Steelers - e isso quase custou aos metaleiros o título da conferência.

O Steelers entrou com uma proposta simples: Controlar o jogo e o relógio quando estivesse no ataque, jogar de forma curta e eficiente, não dar a chance de turnovers e correr bem com a bola. E na defesa, colocar pressão no Mark Sanchez, parar o jogo terrestre e forçar o QB do Jets a lançar a bola. E pra provar que estava muito afim de cumprir isso à risca, o Steelers abriu o jogo com uma campanha de QUINZE jogadas e que durou NOVE minutos, consistindo basicamente de corridas e passes curtos. A jogada mais longa da campanha foi de 12 jardas, e foi uma corrida do próprio Big Ben Roethlisberger. E, mais importante, terminou em um touchdown. Num jogo de defesas fortes, não se pode desperdiçar campanhas e chances. O Steelers fez tudo que se propôs a fazer no ataque, e marcou seu TD. Mas pagou um preço alto: Maurkice Pouncey, seu Center calouro e muito bom, que melhorou demais essa defesa, lesionou seriamente a perna, teve que sair, não voltou e preocupa pro Super Bowl.

Na defesa, o Steelers também não deu espaço pro Jets: Fechou a linha de frente, parou o jogo terrestre e forçou o Sanchez a ganhar o jogo com o braço, o que naturalmente não deu certo, e ainda menos certo com a pressão que recebeu da defesa de Pittsburgh. A defesa do Jets até conseguiu impedir mais um TD do Steelres na campanha seguinte interceptando o Big Ben numa 4th and 1 no seu campo de defesa, mas a bola logo voltou pros metaleiros e o jogo terrestre do Steelers posicionou o field goal do Shaun Suisham.

Mas o ataque do Jets continuou fraco, conforme o Steelers continuou abusando do fraco QB de NY. E o jogo terrestre do Steelers continuou funcionando até demais. Quando a bola não ia pelo chão, a pressão do Jets fazia o Big Ben sair do pocket e passar correndo, e todo mundo sabe que assim ele acerta. A defesa do Jets, por melhor que fosse, não estava conseguindo segurar um Rashard Mendenhall inspirado e um Big Ben cuja habilidade de sair do pocket era a arma perfeita contra as blitzes do Jets. E assim Big Ben anotou o décimo sétimo ponto do Steleers num TD terrestre. O Steelers abriu ainda mais o placar quando uma blitz do safety Ikey Taylor forçou um fumble do Sanchez, que o William Gay retornou pra touchdown. Recuperando a bola, o Jets conseguiu apenas um field goal nos segundos finais. 24 a 3 era o placar no intervalo.

Touchdown com direito a moonwalk

A história do primeiro tempo foi simples e, de certa forma, chata. O Steelers jogou um jogo perfeito, tanto em sua tática e estratégia como na sua execução dentro de campo. O Steelers conseguiu tudo a que se propôs, controlou o relógio, estabeleceu o jogo terrestre (Mendenhall teve mais de 90 jardas só no primeiro tempo) e converteu as chances que teve. Deixou o ataque do Jets sentado, impediu que o Jets estabelecesse o jogo terrestre pra administrar conversões mais curtas com sua forte defesa, conseguiu forçar turnovers que renderam pontos e colocou o jogo nas mãos do Mark Sanchez, que não levou o Jets a lugar nenhum. O Jets estava totalmente dentro do jogo que o Steelers os tinha colocado, e não parecia conseguir encontrar uma saída. Muitas pessoas, inclusive eu, acharam que o jogo estava acabado.

Mas a surpresa foi geral quando, voltando do intervalo, o Mark Sanchez acerta dois passes fantásticos em seqüência, de 16 e 45 jardas, pro ex-Steelers Santonio Holmes, que no segundo aproveitou o passe perfeito pra queimar a cobertura do Ikey Taylor e entrar na end zone totalmente livre. A defesa do Steelers vacilou, e o Sanchez leu perfeitamente a defesa pra conectar um lindo passe. E quando o Steelers voltou pro ataque, nada parecia dar certo: O jogo terrestre não conseguiu explodir como antes, os recebedores estavam sempre muito bem cobertos e a pressão começou a apertar o Big Ben pra dentro do pocket, impedindo-o de sair e passar correndo como ele gosta. O próprio Big Ben parecia errar mais passes do que nunca, e embora o time tenha chegado até o campo de ataque depois de uma falta muito azarada num punt que deu 15 jardas e uma primeira descida de graça pro Steelers, o Big Ben forçou um passe desnecessário e sofreu sua segunda interceptação. Duas posses de bola pro Jets depois (Entre elas uma campanha do Steelers que terminou com dois sacks e uma corrida pra -3 jardas, em seqüência), a campanha de New York foi exatamente o que o Steelers fez com eles no começo da partida: 17 jogadas e oito minutos, cheia de passes curtos e jogadas de corrida eficientes. Sanchez acertou bons passes, errou alguns, mas o Shonne Greene acordou pro jogo e levou o time nas costas nessa campanha. Mas ela teve uma diferença pra campanha inicial do Steelers: Não terminou num touchdown. Terminou numa tentativa fracassada de converter uma 4th and 1 na linha de uma jarda.


Carrinho é falta, Arnaldo!

Normalmente, desperdiçar tempo e uma chance assim perdendo a partida seria péssimo. O jogo estava 24 a 10 ainda, e o Steelers tinha a bola com pouco mais de sete minutos no relógio. Mas o segundo tempo era realmente do Jets e não do Steelers. O center que entrou no lugar do Pouncey errou o snap, que bateu na própria perna, e caiu no chão pra um fumble. Big Ben recuperou o fumble e vitou o pior, mas ainda contou com safety, e o Jets recebeu a bola. O Jets recebeu a bola e, em cinco minutos, anotou mais um TD em ótima campanha do Mark Sanchez. 24 a 19, 3 minutos no relógio. E ai o Rex Ryan, que tinha arriscado naquela quarta descida, não quis arriscar. O Jets estava dominando o jogo dos dois lados da bola no segundo tempo, a defesa tava perfeita parando o jogo terrestre, o Big Ben não tava tendo liberdade pra passar e também estava perdendo ritmo sentado no banco tanto tempo, e a pressão estava chegando nele de todos os lados. A defesa do Jets tava muito superior e o Rex Ryan, com três tempos pra pedir, decidiu confiar na sua defesa, esperar ela recuperar a bola e entregar pro Sanchez, que fez um ótimo segundo tempo, virar a partida. O Steelers correu com o Mendenhall, que não avançou nada na primeira tentativa. E ai acho que o Mike Tomlin caiu na real. Na segunda, ele não tentou correr. Ao invés disso, deu a bola na mão do Big Ben. A melhor decisão que ele tomou na partida. O Big Ben, sob pressão, simplesmente não erra. Um segundo tempo muito fraco, mas quando chegou na hora de decidir, de escapar da pressão e fazer um passe certo pro first down, ele foi perfeito. Fez isso uma vez, 14 jardas. Depois de mais duas corridas do Mendenhall pra não ganhar nada, faltando 2 minutos, uma terceira descida crucial. A bola foi pro Big Ben novamente. E, saindo do pocket, correndo, contra o movimento do corpo, fugindo da blitz, descolou um passe preciso, absolutamente perfeito, que caiu nas mãos do alvo pra primeira descida e pra vitória do Steelers. Se você tem uma conversão importante no fim da partida, talvez não tenha um QB melhor que o Big Bem hoje, fim.

O segundo tempo foi exatamente o oposto do primeiro, com o Jets fazendo tudo que o Steelers tinha feito antes. E deu certo, só não deu certo por três motivos. Primeiro, por causa da enorme vantagem que o Steelers abriu no primeiro tempo. Segundo, por causa do tempo, o 'fazer tudo certo' pro Jets envolvia correr muito com a bola, mas isso gastou o relógio mais do que convinha a eles. E por fim, o fato do outro lado ter um QB que é mortal quando chega no fim da partida, e de ter optado por não fazer o onside kick e devolver a bola na mão do Big Ben. O Steelers apagou completamente e teve uma inversão de papéis tão ridícula no segundo tempo que não da pra deixar de notar. E o Mark Sanchez teve um ótimo segundo tempo, um segundo tempo que merece que eu abaixe a cabeça dessa vez e admita que ele jogou muito, ainda que por um tempo insuficiente. É até chato, porque eu gosto de analisar a fundo o que levou cada time a fazer cada coisa, a errar e acertar aqui, mas nesse jogo foi ridículo de simples: Foi a mesma coisa que deu certo e errado pros dois, simplesmente cada um em um tempo. E o Steelers tem que parar com essas oscilações, porque no Super Bowl vai pegar um Packers que, se vacilar, vai engolir Pittsburgh. Tem uma defesa tão boa quanto, senão melhor, um QB de altíssimo nível e um ótimo grupo de recebedores, além de ser um time muito consistente. Perigoso pro Steelers, se começar a oscilar. Mas como tem duas semanas inteiras pra se preocupar com isso, ainda é hora de comemorar ao invés de se desesperar. E, claro, de tirar aquela casquinha do adversário.




domingo, 23 de janeiro de 2011

Preview: New York Jets at Pittsburgh Steelers

James Harrison quer descobrir se o sangue do Mark Sanchez é verde

Quando duas das melhores defesas da NFL (talvez até mesmo as duas melhores) se enfrentam, geralmente a gente pensa em jogos de placares baixo. Não é a toa, claro, se você tem duas unidades fortíssimas evitando os pontos e duas unidades não tão boas tentando marcar os pontos. Mas as vezes a gente se surpreende, como no jogo entre Steelers e Ravens. Porque as defesas são tão boas e forçam tantos turnovers que pro ataque pontuar é fácil. O Ravens marcou 24 pontos tendo só 160 jardas totais no jogo todo, fruto de vários turnovers de sua defesa. Mas a gente não pode esperar tanto isso nessa partida simplesmente porque a defesa do Jets  não é tão boa forçando turnovers quanto a defesa do Ravens. Portanto, é mais fácil imaginar um jogo de placar baixo, apertado, com os dois QBs tomando pressão o jogo todo e os jogos terrestres tendo dificuldade pra se estabelecerem. E num jogo tomado por tanta defesa, pra ganhar a chave é produzir melhor no ataque, aproveitar as chances que sua defesa criar e não desperdiçar a bola, evitar turnovers e faltas e tentar ganhar jardas aos poucos, sem desperdiçar chances.

As chaves da partida para o Steelers:
O Steelers tem uma enorme vantagem sobre os outros dois adversários do Jets essa temporada, a sua defesa. Tanto Patriots como Colts tinham uma defesa muito fraca, uma unidade inconsistente, e que o Jets conseguiu lidar com relativo sucesso com base no seu jogo terrestre e deixando o Mark Sanchez lançar só bolas curtas ou bolas pegando a defesa despreparada pra um passe longo, principalmente play actions. Nenhum dos dois conseguiu pressionar o Sanchez direito, deu tempo pra ele pensar e sobreviveram bem mais na incompetência do garoto que no talento de suas defesas e na capacidade delas de pararem o ataque do Jets, alem de terem sido bem exploradas pelo forte jogo terrestre do Jets. Eram times que viviam pelos seus fortes ataques, ataques que combinaram atuações fracas (A do Patriots muito mais abaixo da media do que a do Colts) e atuações fantásticas da defesa do Jets, e ai não conseguiram pontuar tanto, a defesa não conseguiu segurar muito, e o Jets saiu vencedor porque nesse esporte conhecido como futebol americano ganha quem tem mais pontos, simples assim. Mas o Steelers não só tem uma defesa mais forte que a dos outros dois - até porque não é algo difícil - como tem uma defesa fortíssima, pra mim a melhor da NFL, e não vai dar um segundo de sossego pro ataque do Sanchez. E é exatamente isso que eles tem que explorar, a vantagem que eles tem quando o ataque do Jets está em campo: Eles tem que ser agressivos, contar com sua fortíssima linha de frente pra segurar o jogo terrestre do Jets e colocar pressão demais no Mark Sanchez, o que nem o Pats nem o Colts conseguiu fazer direito. O Sanchez tem que ficar em situações de passe e, nessas situações, ter que se preocupar mais com o James Harrison fungando no seu pescoço do que no lançamento. O Sanchez é ruim, mas com tempo ele vai completar seus passes, até porque conta com bons alvos. O Steelers tem que pressionar ao máximo o Sanchez e o jogo terrestre pra tornar o ataque não só unidimensional e previsível mas também porque é a melhor forma de forçar turnovers, através de sacks (o Sanchez não protege bem a bola, e não adianta muito proteger a bola se é o Harrison que vai te acertar) e fazendo o Sanchez forçar os passes. E como eu já disse, produzir turnovers é a melhor forma de colocar seu ataque numa situação de pontuar. E acho que uma trombada dessas ajuda a produzir uns fumbles:


O Steelers também tem que fazer exatamente o oposto no ataque: Proteger o QB, estabelecer o jogo terrestre, e proteger a bola. De certa forma, o time tem que fazer exatamente o que fez contra o Ravens, colocar pressão, parar o jogo corrido, jogar curto no ataque, ter paciência, gastar o relógio e aproveitar os turnovers. A diferença é que o Steelers deve ter mais facilidade pra parar o ataque do Jets, simplesmente porque o jogo terrestre é uma preocupação com o Troy Polamalu voando na secundária pro Jets e era uma arma possível pro Ravens antes do Joe Flacco amarelar feio e errar toda vez que tocava na bola. Mas no ataque são dois times parecidos e o Steelers tem que enfrentar como fez de forma eficiente no segundo tempo contra o Ravens: passes curtos, estabelecer o jogo terrestre nem que seja pra conversões curtas, e soltar o braço quando o Ben Roethlisberger, que é um QB muito inteligente, perceber que tem espaço. O  Mike Wallace, que pra mim é um dos WRs mais underrateds e com o cabelo mais feio da NFL, vai ter que aparecer bastante com sua velocidade pelo meio, principalmente se o Darrelle Revis tiver sucesso em parar o Hines Ward. E o Big Ben também vai ter que usar e abusar da sua melhor característica, que é a capacidade de render em altíssimo nível saindo do pocket e sob pressão. Com essa mobilidade e esse talento bizarro de jogar melhor com gente pendurada no pescoço dele, ele é capaz de evitar as blitzes do Jets por algum tempo correndo e saindo do pocket, comprando um tempo importantíssimo pra um time com uma linha ofensiva esburacada, e é um QB absolutamente fantástico quando tem gente pendurada no pescoço dele, é como se ele jogasse melhor assim (E ele joga!) e portanto essa habilidade de comprar tempo é muito perigosa pro Jets e uma arma que o Steelers pode usar com sucesso pra abrir a defesa do Jets e, claro, evitar sacks.

As chaves da partida para o Jets:
Eu pessoalmente não gosto do Jets, acho o Jets um time fraco no geral, um time que engana com uma boa defesa as muitas falhas que tem. Também não gosto do Jets pessoalmente, talvez porque acho o Rex Ryan um tremendo pentelho. Mas não da pra negar que seja um time muito interessante.

O Jets desse ano é um time de restolhos, um time que juntou varios jogadores que ninguém mais queria ao redor da Liga, jogadores que por alguma razão eram desacreditados ou cotados como causadores de problemas. Foi assim que o time conseguiu, a preço de banana, jogadores como Braylon Edwards, que deixou a galera em Cleveland louca da vida de dando deixar cair bolas e com seus problemas fora de campo, Antonio Cromartie e Santonio Holmes, outros dois jogadores que apesar de muito bons tinham problemas extra-campo demais pro gosto dos seus times, foram trocados também antes que pudessem soletrar ‘Roethlisberger’. E o Ladainian Tomlinson, que foi um dos maiores RBs de todos os tempos mas que estava muito mal em San Diego, foi o principal desses, foi o melhor corredor do seu forte ataque terrestre e tem jogado muito bem nessa temporada. O LT não funcionava mais em San Diego, e a saída dele foi boa pros dois, ele teve a chance de recomeçar em outro lugar e o Chargers pode recomeçar com outro RB, sem a pressão que ter o LT no time trazia. E o Jets trouxe todos esses jogadores, velhos, desacreditados ou encrenqueiros, e o Rex Ryan transformou todos eles em um time, um time unido e com vontade de vencer. Eu sempre critico o joguinho psicológico, a provocação explicita que o Rex Ryan adora fazer antes de cada jogo, todo aquele trash talk que tanto irrita a gente, mas com o tempo isso virou uma identidade pro time, a identidade de um time que quer superar todo mundo, que quer mostrar pra todo mundo que eles são os melhores, e que combina perfeitamente com o grupo que o Ryan montou. Eu acho o Ryan um pentelho, mas eu tiro o chapéu pro que ele anda fazendo como técnico em New York. E essa união, essa gana dos jogadores tem sido a maior arma do time. O time joga do começo ao fim como se fosse o ultimo jogo da vida, cada jogador se supera dentro de campo pra fazer o possível pro time como um todo funcionar. O que venceu um Patriots que, apesar de muito melhor, entrou sonolento, desconcentrado, e muitas vezes ficou perdido em campo. O Jets é um time chato, mas muito interessante.

Mas claro que isso não vai fazer o time ganhar sozinho. E o time tem ganho porque conta com uma defesa excepcional e tem como técnico um dos melhores coordenadores defensivos que já pisou nesse Planeta. A defesa do Jets (Apesar de ter contado com uma partida do ataque do Patriots bem abaixo do que ele pode render) tem sido quase perfeita nesses playoffs, tem colocado pressão no QB com varias blitzes elaboradas, a especialidade do Ryan, viu o Darrelle Revis jogar como um monstro de novo, viu a linha defensiva formar uma parede, e viu o time colher os frutos com boas vitórias fora de casa. E se o time conseguiu parar Peyton Manning e Tom Brady, não vejo porque não pode parar o Ben Roethlisberger. O Big Ben tem um elenco de apoio melhor que o do Manning, que só tinha de confiavel o Reggie Wayne, que foi anulado de forma perfeita pelo Revis, e precisa entrar em campo mais ligado do que o Brady, alem de ter uma característica muito perigosa pra essa defesa que os outros não tinham: ele é excelente saindo do pocket. Eu falei ali em cima de como ele é ótimo usando as pernas pra ganhar tempo e ainda melhor fazendo passes com gente fungando no seu cangote. E portanto o Jets não só tem que ir pra blitz, mas tem que ser muito eficiente nela: O Big Ben é um QB muito forte e que quebra muitos tackles, o Jets tem que dar a pancada nele direito, de forma que ele não tenha como fugir. E melhor ainda se conseguir trazer a pressão pra dentro do pocket, cercar o Big Ben de forma que ele tenha que ficar dentro do pocket, sem tempo como é a função de qualquer blitz, claro, mas sem poder sair do pocket, ganhar tempo e passar em movimento. Conter essa movimentação lateral do Big Ben é tão importante quanto colocar uma boa pressão nele. O Jets também deve explorar a pouca opção de recebedores, caso o Hines Ward - a jogada de segurança do Big Ben - esteja sendo anulada pelo Darrelle Revis. O Wallace é ótimo, mas sozinho não vai resolver nada contra uma secundária forte e o Antonio Cromartie se tiver inspirado, então usar a secundária nas bltizes pode ser bom não só como blitz mas também pra confundir o Big Ben. E tem que tomar cuidado com os passes longos, embora o Ben tenha provado que é capaz de viver de passes curtos contra o Ravens, ele ainda tem uma das melhores - pra mim A melhor agora que o Brett Favre ja era- bomba da NFL, então um descuido da defesa do Jets pode resultar num ganho de 50 jardas.

O problema do Jets realmente vive no ataque. E é essencial, mais do que nunca, que o Jets consiga correr eficientemente. Pelo meio, pelas pontas, de trenzinho, não importa, o Jets tem que conseguir usar seu jogo terrestre. A secundária do Steelers é extremamente forte e vai comer vivo o Mark Sanchez se o Jets não conseguir impor sua força pelo chão e conseguir conversões mais curtas pro Sanchez tentar. O Sanchez pode conseguir descolar um passe mais longo caso a defesa do Steelers esteja focada na corrida, mas pra isso a defesa vai ter que se preocupar com ela a ponto de colocar o Polamalu mais próximo da zona de scrimmage freqüentemente. E o Sanchez tem que tomar decisões inteligentes com a bola na mão. Jogar a bola fora ao invés de forçar um passe quando estiver sob pressão, saber quando soltar a bola e tentar fugir ou quando é pra engolir o sack, e principalmente cuidar bem da bola. Turnovers sempre são destrutivos pra um time, mas eles tem um peso ainda maior quando o jogo é uma batalha entre dois times com defesas fortes, como eu não canso de afirmar jogo após jogo nesses playoffs. Um turnovers geralmente impede que você marque pontos ou coloca o adversário numa boa posição de campo pra anotar os dele, e desperdiçar oportunidades e ceder pontos fáceis pro adversário é o que ferra um time num jogo entre boas defesas.

Palpite: O Steelers vai para o Super Bowl pela milésima vez, porque o ataque do Jets vai ter problemas contra a defesa do Steelers e o Sanchez raramente é capaz de ganhar jogos por conta própria.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O que a gente ve e o que a gente acha

Braylon Edwards sentiu a derrota

Novamente peço desculpas pela semana anterior. Como eu expliquei varias vezes, era semana de provas na faculdade e eu nao tive tempo pra postar direito. O Celo ta sem pc e por isso acabamos ficando varios dias sem posts. Hoje eu ia postar mais cedo, mas só consegui chegar em casa agora devido ao trânsito e a um Play Station 3. Agora vamos retomar o ritmo e tentar recuperar tambem o tempo perdido.

Logo quando eu criei o blog, a temporada da NFL ja tinha começado, e eu postei analises sobre cada time da Liga e o que eu esperava pra temporada. Quando eu falei sobre o Jets, apesar de ter dado uma nota alta pro time, eu disse que eu estava muito desconfiado sobre o Jets, que eu tinha minhas duvidas tanto sobre o ataque como a defesa, e que embora nao pudesse ser descartado como um time forte na AFC, eu nao tinha muita fé. Pra alguns amigos eu cheguei afalar que achava que o Jets seria a decepção da temporada ao perder os playoffs.

Quando começou a temporada, parecia que eu estava enganado: O Jets estava ganhando, inclusive uma vitória importante sobre o Patriots na segunda rodada onde forçou Tom Brady ao seu pior jogo na temporada. E eu continuava com um pé atrás. Falava que eu achava que era fogo de palha, que o time nao era consistente, que ia perder folego, etc. Mas la estava o Jets, ganhando, com Ladainian Tomlinson rejuvenescido, Mark Sanchez ganahndo jogos no final da partiad e Santonio Holmes levando fazendo grandes jogadas nos momentos decisivos das partidas, o que ja lhe rendeu um MVP do Super Bowl. A defesa estava forte como de costume e Rex Ryan mostrava cada vez mais que é um ótimo técnico. E eu continuava la, reclamando, falando que ue nao acreditava no Jets.

Eu nao acreditava no Jets, primeiro, porque nao acreditava no Mark Sanchez. Ele tem algum talento, mas pelo que eu vi dele ano passado eu nao acreditava que ele pudesse ser um jogador a fazer a diferença. Ano passado Sanchez teve boas partidas nos playoffs, mas porque ele jogava apenas passes de segurança, bolas curtas, e com as defesas adversarias altamente preocupadas em parar o imparavel jogo terrestre do Jets. Eu vi ele jogar e, embora claramente houvesse espaço pro calouro crescer, eu nao via nele o talento pra ser um QB de elite na Liga. Titular sim, mas não de elite. Eu tambem achava que o jogo terrestre ia sofrer uma perda consideravel com a saida de Alan Faneca e Thomas Jones e que o LT, ainda que pudesse carregar a bola e funcionar em terceiras descidas, nao tinha mais a gasolina no tanque pra ser o monstro que ele era no Chargers. O jogo terrestre tinha sido o pilar do ataque ano passado e graças a ele que Sanchez conseguiu ter espaço pra jogar bem, e Thomas Jones tinha sido o principal jogador do ataque, sem duvida.

Em segundo lugar, eu tinha minhas duvidas quanto a defesa. Alem de Kris Jenkins ter se machucado no começo da temporada, eu tinha duas duvidas com relação a essa defesa. Primeiro, se Darrelle Revis ia conseguir repetir o ano monstruoso que teve em 2009. A defesa aérea do Jets era totalmente baseada no fato de que Revis era capaz de segurar o melhor Wide Receiver do adversário no 1x1, e em torno disso voce estruturava a defesa por zona. Revis foi perfeito nisso ano passado, um dos melhores anos pra um CB que eu vi na vida. E eu achava que ele nao ia ser capaz de reproduzir com tanta excelencia isso. Nao entendam errado, o Revis é um cornerback absurdo, ainda acho ele um dos melhores (senao o melhor) da NFL, só digo que o nivel que ele jogou ano passado foi tao alto que ia ser dificil ele repetir. Alem disso, Kerry Rhodes, ótimo safety, saiu do time pra ir pro Cardinals. Esses dois foram os pilares da secundaria do time e, sem Rhodes e com Revis não tão bom quanto ano passado (ainda excelente), eu queria ver como esse time ia se segurar.

Mas o Jets ia ganhando e algo me chamou a atenção. Eu falo que existem alguns QBs bipolares na NFL (Alex Smith, Brett Favre), capazes de alternar momentos mediocres e geniais varias vezes dentro de um mesmo jogo. O Mark Sanchez estava entrando nessa caracteristica. TEve jogos excelentes, jogos com 3 TDs, levou o time a vencer dois jogos seguidos na prorrogação com atuações sólidas. Mas tambem tinha jogos patéticos, com varias interceptações, poucas conversões de terceira descida e jogando com insegurança. Ele tinha, até ontem, quatro jogos com mais de 100 de rating e quatro com menos de 60. Mas nesses jogos fracos de Sanchez que o jogo terrestre do Jets explodia. LT calou a boca de muita gente que acreditava que ele tava acabado pra NFL e ta tendo uma temporada excepcional. Claro que nao é o mesmo LT que foi MVP do Chargers, o corpo dele nao aguenta, mas se ele conseguir ser esse jogador por 10, 15 jogadas em uma partida, ja está excelente! Ajudado por uma linha ofensiva muito forte no jogo terrestre, LT liderou o Jets a várias vitórias e chegou até a se pensar numa possivel arrancada pra MVP do RB. Mas o desgaste começou a fazer LT cair de produção um pouco e Shonne Greene, que era pra ser o titular mas acabou indo pro banco frente à dominação de LT, começou a ver mais toques na bola, nao só porque ele tambem é bom mas tambem como forma a poupar o Tomlinson. E quando o jogo terrestre não funcionava, o Sanchez e o Holmes principalmente tinham que salvar pelo ar, e assim o Jets seguiu ganhando.

O que eu pensava acerca do time era que o time era inconsistente, devido à incapacidade do Sanchez e do jogo terrestre de jogarem tao bem sempre, um tinha que socorrer os problemas do outro, e que as vitórias eram mais por acaso e sorte do que necessariamente porque o Jets tinha um time pra ser campeão. Mas o que a gente via era o Jets vencendo, o Jets que liderava a AFC, o Jets que era apontado como favorito ao título da conferência por muitos. Por mais que eu pensasse que o Jets era um time instavel e com diversas falhas, o Jets continuava ganhando e cada vez mais o hype em cima do time aumentava. Eu comecei a ser levado a pensar que o que eu via como inconsistencia na verdade era exatamente o oposto: Como o jogo terrestre e o aéreo eram capazes de se complementar, de funcionarem bem juntos, de ter um ataque terrestre tao forte e um ataque aéreo eficiente que, quando um nao está bem, o time usa o outro pra vencer, ancorados pelo ponto forte que era a defesa. Comecei a acreditar nisso e até prometi no blog um post sobre o Jets pra tratarr desse assunto.

No entanto, eu preferi esperar até o fim do Monday Night, por dois simples motivos que me fizeram parar de ser forçado a pensar coisas e me fizeram voltar a abraçar o que eu acreditava, ou pelo menos esperar mais uma prova do contrário. O primeiro é que o Jets, que tinha record 9-2, tinha jogado apenas contra tres times com mais de .500. Patriots, Ravens e Packers, ganhando apenas o primeiro. Todas as outras oito vitórias tinham sido contra times abaixo dessa linha. Ou seja, o estilo bumba-meu-boi do Jets tinha funcionado muito bem pra derrotar equipes fracas, mas pra voce ser levado a sério nos playoffs, voce tem que ganhar dos times fortes, e o Jets não vinha fazendo isso. No entanto, 1-2 não era uma amostra grande o suficiente pra ser levada em consideração e por isso preferi esperar pra ver como o Jets se portava em mais um jogo contra um time forte. Segundo porque eu acreditava que o Jets ia sofrer na defesa. O PAtriots tem o melhor ataque da Liga, Tom Brady é o MVP da temporada até aqui e a media de pontos da equipe era de mais de 30 pontos por jogo. A defesa do Jets era boa, mas como eu tinha repetido como um mantra desde o começo da temporada, Rhodes e Revis iam fazer uma diferença nessa defesa que eu imaginava que tendiam pra baixo. A defesa do Jets, melhor da NFL em jardas totais e aéreas ano passado, agora é apenas a 8ª em jardas totais e amarga a 14ª posição no que diz respeito a jardas aéreas cedidas. E Brady nao ia deixar barato, sendo ultra competitivo como é, aquela derrota no começo da temporada. Eu achava que era muito provavel que o Patriots conseguisse colocar pontos no placar e eu estava curiosissimo pra ver como o ataque do Jets iria reagir ao jogar atrás no placar. Esse jogo seria a prova de fogo pra ver se o que eu pensava era o que eu deveria pensar, ou se o que eu via que era o certo.

E enfim, eu vi o que eu queria ver e, na verdade, esperava ver desde o começo da temporada. O ataque não conseguiu produzir atrás no placar, a defesa aérea foi vulneravel, e os problemas do Jets foram expostos como nunca antes. Nao tem nada de errado em perder pra Tom Brady inspirado, seus 21/29 passes, 326 jardas e 4 TDs foram sensacionais, mas a vulnerabilidade da defesa aérea do Jets foi algo que me impressionou. Com todos os creditos que Brady merece, mas a defesa do Jets foi muito abaixo da temporada passada e exatamente oq ue eu esperava ver desde o começo da temporada. Tudo bem que o Jim Leonhard machucou e fez falta, mas a cobertura dos safetys foi falha, Revis não conseguiu ganhar seus duelos no 1 contra 1 e forçou a defesa a cobrí-lo - e com Brady do outro lado isso foi fatal. A pressão no Mark Sanchez por estar atrás no placar foi péssima para ele, jogou muito mal, nao conseguiu completar nada e ainda teve tres interceptações. O jogo terrestre funcionou razoavelmente bem no começo, mas atrás no placar o Sanchez teve que jogar cada vez mais com seu braço e ai tudo desandou pro Jets, e o Patriots aproveitou pra massacrar, se vingar, amassar, trucidar o Jets e ainda mostrar pra todo mundo que o Patriots ainda está vivo e extremamente ativo, muito obrigado.

Um jogo indica muita coisa? Fato que não. Mas tudo que eu esperava ver no Jets desde o começo da temporada eu vi agora, e a ilusão que as varias vitórias do Jets estavam causando sobre mim diminuiu. As vitórias enganam, mas os fatos ainda estão lá - a inconsistencia do ataque, a secundária mais vulnerável que a do ano passado (são mais de 60 jardas por jogo cedidas a mais que ano passado pelo ar) e até aqui uma dificuldade - principalmente em pontuar - contar times mais fortes. Foi assim contra Ravens e Packers, e agora Patriots. A diferneça nesse ultimo caso foi que alem da enorme dificuldade de pontuar, o Jets tambem foi massacrado na defesa, afinal Tom Brady é melhor que Joe Flacco e Aaron Rodgers juntos, apesar de serem dois ótimos QBs. O que o Jets tem feito até agora, ganahr de times mais fracos com base numa defesa ainda boa e com um ataque terrestre e um jogo aéreo que sao capazes de boas partidas, é o segredo pra ir pros playoffs com um bom record - que é o que o Jets tem feito até agora - mas eu continuo achando, como achava no começo da temporada, que as limitações do time vão impedir que o time brigue seriamente pelo título. Depois de Miami, o Jets pega Steelers e Bears. Vão ser as derradeiras provas de fogo do Jets, pra ver se o time pode dar a volta por cima das limitações que eles tem, apesar de nao terem demonstrado tanto até aqui.

Sobre Tom Brady, ele é um gênio e é o melhor Quarterback da NFL nesse momento. Ele quebrou o recorde do Brett Favre pra mais vitórias consecutivas de um QB em casa (Estabelecido no Packers) e agora soma 27 TDs, 4 Ints, 3029 jardas e o rating de Brady na temporada é de 109.5, um numero incrivelmente alto. É meu favorito a MVP e, enquanto ele conseguir jogar nesse nivel e a linha ofensiva conseguir protegê-lo, o Patriots será favorito ao Super Bowl, sempre. Bill Belichik sabe bem disso. E infelizmente pra ele, Rex Ryan tambem sabe que ele é melhor que o Mark Sanchez.