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terça-feira, 19 de julho de 2011

Análise do Draft da NFL - AFC East


Fala "Não" pro Marcell Dareus pra você ver o que acontece

Finalmente!! Sim, não é uma ilusão, estamos realmente falando do Draft da NFL!! Para quem não lembra, o Draft da NFL aconteceu num momento importante da NBA e com o lockout ainda pronto pra durar mais algum tempo, então deixamos o coitado um pouco de lado para falar da NBA - playoffs!! - e adiamos pra quando estivessemos mais perto do fim do lockout. Eu até queria fazer isso junto com a Free Agency, mas se a gente não começar agora isso não fica pronto nunca. Então, sem mais delongas, começamos a análisar, time por time, o Draft de 2011 da NFL, começando pelos times da AFC East.



New England Patriots
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 17th pick: Nate Soldier, OL, Colorado
2nd round, 33rd pick: Ras-I Dowling, CB, Virginia
2nd round, 56th pick: Shane Vereen, RB, California
3rd round, 73rd pick: Stevan Ridley, RB, LSU
3rd round, 74th pick: Ryan Mallett, QB, Arkansas
5th round, 138th pick, Marcus Cannon, OL, TCU
5th round, 159th pick, Lee Smith, TE, Marshall
6th round, 194th pick, Markell Carter, LB, Central Arkansas
7th round, 219th pick, Malcolm Williams, DB, TCU

Análise: Existe um motivo pro Patriots ser o time que melhor Drafta da NFL, e ele se chama Bill Belichick. Todo mundo sabe que eu adoro o Belichick e acho ele um ótimo técnico e um dos melhores da Liga, mas quando o assunto é conseguir bons jogadores e manipular as escolhas do Draft com trocas pequenas, ele é disparado o melhor. O Patriots não só conseguiu Draftar bons jogadores, como também conseguiu uma escolha de primeira rodada em 2012 vinda do Saints com sua mania de trocar sempre por escolhas de primeiras rodadas futuras, que quando chegam a hora de serem usadas são novamente trocadas (Boatos de que o objetivo oculto do Patriots é ter toda a primeira rodada do Draft 2018).

Mas além de conseguir mais escolhas futuras rumo ao seu objetivo megalômano, o time também conseguiu fortificar sua linha ofensiva draftando o Nate Soldier. Soldier é daqueles tackles que tem um jogo bom o suficiente pra ser um titular quando chega mas tem o potencial de ser um Pro Bowler, e mesmo se não chegar a isso e ficar no meio termo entre os dois já está ótimo. A grande pedra no sapato do Patriots é o New York Jets, e o Jets venceu o Patriots nos últimos playoffs porque conseguiu usar seus esquemas de blitz pra colocar pressão contínua no Tom Brady. Não só isso, o Brady tem problemas sérios no joelho, então quanto menos sacks ele levar melhor. Por falar em Brady, a escolha do Ryan Mallett pra mim foi uma das melhores desse Draft, o caso do jogador certo no lugar certo. O Brady ainda joga uns cinco anos em alto nível se não tiver nenhuma lesão séria, mas o Mallett está pronto pra assumir o lugar dele. Era um talento de primeira rodada com problemas de atitude e um jogo um tanto cru para jogar com os profissionais. Agora ele terá muitos anos para aprender com o melhor QB da Liga na atualidade (Desculpe Peyton Manning, a tocha foi passada) e sob a batuda do Bill Belichick, que tem um histórico de desenvolver jovens talentos e não vai deixar sua cabeça problemática atrapalhar seu jogo. Quando o Brady pendurar as chuteiras, o Patriots já pode ter outro grande QB pronto pra assumir.

E se tratando de defesa, o Ras-I Dowling é minha aposta pra ser o novo Devin McCourty. Pra quem não acompanhou, o McCourty foi um CB draftado pelo Patriots na segunda rodada e foi possivelmente o segundo melhor calouro defensivo de 2010 (O primeiro começa com S e joga no Lions), superando todas as espectativas e solidificando uma defesa antes frágil. O Ras, além de ter o nome mais estranho desse Draft, é um CB que tinha tudo pra ser um dos melhores do Draft se não fossem muitas lesões ao longo do seu último ano no College. O Patriots pode se dar ao luxo de apostar na saúde do moleque, porque se ele ficar saudável ele é um dos três melhores CBs desse Draft.

 O que eu não gostei e impediu a nota A+ do time, no entanto, também tem a ver com defesa. Apesar dos problemas na secundária, a grande fraqueza na defesa do Pats foi o pass rush. A enorme dificuldade de chegar até os QBs adversários causou ainda mais problemas para uma secundária inexperiente, e todo mundo esperava um DE ou OLB chegando via Draft. Mas nenhum chegou, e o Pats agora vai ter que se virar com o que tem e com a Free Agency. Eles podiam ter apostado no Da'Quan Bowers, que apesar das lesões pode ser um dos melhores jogadores desse Draft, e que caiu até o meio da segunda rodada. Mas do jeito que ficou está bom, porque o time do Patriots já está jovem, montado e agora só precisa de algumas peças para encaixar. Faltam duas (Um bom WR principal e um pass rusher), mas o time parece ainda melhor do que ano passado e é meu favorito pro título.


Buffallo Bills
Nota: B-
Escolhas:
1st round, 3rd pick: Marcell Dareus, DT, Alabama
2nd round, 34th pick: Aaron Williams, CB, Texas
3rd round, 68th pick: Kelvin Sheppard, LB, LSU
4th round, 100th pick: Da'Norris Searcy, S, North Carolina
4th round, 122nd pick, Chris Hairston, OL, Clemson
5th round, 133rd pick, Johnny White, RB, North Carolina
6th round, 169th pick, Chris White, LB, Miss. State
7th round, 206h pick, Justin Rogers, CB, Richmond
7th round, 245th pick, Michael Jasper, DT, Bethen (TN)

Análise: Difícil criticar um time que sai com talvez a escolha mais segura de todo o Draft, o DT Marcell Dareus, que eu teria escolhido em primeiro se fosse o Panthers. Ele é um cara pronto pra entrar e jogar, tem um ótimo físico e locomoção e se eu desse apelidos para os jogadores o dele com certeza seria "âncora", ele é perfeito pra ser um DT nos profissionais.

Mas tirando ele, o draft foi apenas mediano. Eu gosto bastante do Aaron Williams e do Kelvin Sheppard, dois jogadores que tem condições de entrar e jogarem desde o começo, estão prontos pra NFL e são sólidos, mas nenhum dos dois parece que vai evoluir em nada além disso. São escolhas um tanto seguras demais pra um time que precisa sair do buraco. Talvez valesse a pena ter apostado em um QB ou em jogadores mais completos, que teriam condições de evoluirem em algo mais. Parece que pegaram dois jogadores que se dariam melhor em times já montados que precisassem de uma ou outra adição, o que definitivamente não é a situação do Bills. O time precisa montar uma base, talvez fosse a hora de ter pego jogadores que poderiam virar algo mais, como o Colin Kepaernick ou o Bowers, ainda que a um risco maior. Mas serviu pra melhorar o time - ainda é o pior da divisão - e conseguiram um Franchise DT no Dareus, então não foi de todo ruim.



Miami Dolphins
Nota: B
Escolhas:
1st round, 15th pick: Mike Pouncey, OG, Florida
2nd round, 62nd pick: Daniel Thomas, RB, Kansas State
4th round, 111th pick, Edmond Gates, WR, Abilene Christian
6th round, 174th pick, Charles Clay , TE, Tulsa
7th round, 231st pick, Frank Kearse , DT, Alabama A&M
7th round, 235th pick, Jimmy Wilson, DB, Montana

Análise: Eu amo times que entram no Draft com um plano específico e cumprem ele até o final. A defesa do Miami Dolphins não era perfeita, mas o diagnóstico do Tony Sparano - a meu ver, muito correto - era de que o time não precisava melhorar a defesa para vencer, e sim melhorar o ataque. A defesa tem o Cameron Wake, tem o Vontae Davis e consegue segurar a onda, ainda que não vá ganhar muitos jogos sozinha como a do Steelers ou a do Jets. Mas o ataque foi o calcanhar de Aquiles, e o time tinha como prioridade reforçar o jogo terrestre, a força do time nos anos anteriores e que foi uma desgraça em 2010. Tanto o Ronnie Brown como o Ricky Williams, dois corredores ágeis e velozes, vão ser Free Agents e o time só deve manter um deles. Para reforçar então o jogo terrestre, pegaram um Guard, o Mike Pouncey, irmão gêmeo do Maurkice Pouncey, do Steelers. O Maurkice foi um tremendo jogador pro Steelers, protegeu o QB muito bem e ainda abriu muitos espaços pras corridas, foi um achado espetacular. O irmão é gêmeo e também parece muito bom, se ele conseguir fazer no Dolphins o que o irmão fez no Steelers já ta ótimo pro RB que renovar. Além disso, pegaram o Daniel Thomas, um RB mais de força pra complementar tanto Brown como Williams, quem ficar.

Arrumado esse problema, foram pro outro: alvos. O time tem o Brandon Marshall, que quando quer é excelente, mas sentiu demais a falta de outros alvos. O TE Anthony Fasano quebra um galho e o Davone Bess tem seus bons momentos, mas muitas vezes só tinha o Marshall pra receber. O Edmond Gates pode ser um sólido playmaker devido à sua velocidade e explosão, o que vai abrir espaço para o Fasano e o Charles Clay de TE, o Bess e suas rotas saindo do slot, mais curtas, e pro astro do ataque que é o Marshall.

Engraçado que o time reforçou as áreas deficiantes do seu ataque, mas não procurou reforçar seu QB. O Chad Henne foi muito contestado ano passado e não jogou bem, mas pelo visto a aposta do time é que com um jogo terrestre consistente e mais alvos ele consiga ser mais eficiente. Ou então eles vão buscar o Kevin Kolb assim que abrir pra trocas, também pode ser. No geral, usou bem as poucas escolhas que tinha e reforçou seu ataque como tinha planejado, resta ver se o diagnóstico foi correto ou não.


New York Jets
Nota: B-
Escolhas:
1st round, 30th pick: Muhammad Wilkerson , DT, Temple
3rd round, 94th pick: Kenrick Ellis, DL, Hampton
4th round, 126th pick, Bilal Powell , RB, Louisville
5th round, 153rd pick, Jeremy Kerley, WR, TCU
7th round, 208th pick, Greg McElroy , QB, Alabama
7th round, 227th pick, Scotty McKnight , WR, Colorado

Análise: O Jets tem um time sólido e bem montado, e usou relativamente bem as poucas e baixas escolhas que tinha. Gastou as duas primeiras em dois bons jogadores pra linha defensiva, talvez nenhum deles vá ser titular (eu aposto que o Muhammad Wilkerson vá ser até que bastante utilizado) mas os dois adicionam alguma profundidade à posição, um tanto carente quando o Kris Jenkins se machucou ano passado. Mas como o Jenkins vai voltar, acho meio exagero gastar duas escolhas com a posição. Até entendo, mas eu pegaria um OLB ou um DE pra melhorar o pass rush. O Jets ganha seus jogos colocando pressão nos QBs, graças aos esquemas insanos do Rex Ryan. Quanto mais gente, melhor pros esquemas, e portanto acho um OLB mais importante do que outro DL. Não que o Ryan não possa usar um DL enorme como o Kendrick Ellis, mas eu acho que um OLB era mais urgente.

Além disso, o time buscou dois WRs porque Braylon Edwards e Santonio Holmes são Free Agents e dificilmente os dois vão renovar, provavelmente só um deles ou até nenhum dos dois. Nenhum dos dois parece que vai conseguir ser grande coisa sem um QB de elite, o que o Mark Sanchez não é, mas os dois podem jogar como retornadores e o Jeremy Kerley parece uma opção interessante pro slot caso o Jericho Cotchery tenha que jogar mais longe da linha de scrimmage.

No geral, foi conservador com suas escolhas e procurou corrigir falhas no time. O Jets já tem sua base montada, então o que vier é praticamente lucro. Não são jogadores que vão causar grande impacto, mas podem ter sua utilidade.

Atualização: Segundo o twitter do Adam Shefter, um dos mais importantes ligados à NFL, o Kris Jenkins está pra anunciar a aposentadoria. Se for confirmado, aí a ideia do Jets de draftar dois defensive tackles faz mais sentido. Ainda falta um outro jogador pra dar mais opções de blitz, que poderia ter vindo por exemplo no lugar do Bilal (vamos poupar vocês dos trocadilhos) Powell, mas aí a nota do Jets sobe para B, já que cobrir o miolo da linha vira a prioridade do time.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Os calouros da temporada 2011 da NFL

Enquanto não soluciono meus problemas de falta de tempo e falta de um computador (pelo menos um deles será resolvido até o final do mês com certeza, o que já deve melhorar), além de pedir perdão de joelhos aos leitores, o que nós vamos fazer será simples: Analisar os jogadores que foram calouros na temporada 2011 da NFL.

Pra quem não lembra, algum tempo atrás nós fizemos uma análise de como se sairam os Quarterbacks calouros da NFL, comparando o que se falava deles antes do Draft com como eles se saíram e as habilidades que edmonstraram. Falamos de Cam Newton, Andy Dalton e companhia. Quando esse post saiu, muitas pessoas nos pediram posts semelhantes para calouros de diferentes posições. Por fim, depois de muita enrolação e muita dificuldade pra postar, vamos fazer um post com vários calouros de posições diferentes, separados pela expectativa antes do Draft e do dia do Draft em si. Vamos a isto que não sei quando tempo ainda tenho pra escrever. Chega logo, fim do mês!! Prometo que quando chegar, eu volto a postar decentemente. Tenham paciência!


As certezas do dia do Draft
Von Miller, OLB, 2nd pick (1st round), Denver Broncos (8-8)
Antes do Draft, muita gente falava que o Von Miller era o melhor jogador do Draft. Atlético e explosivo, tinha tudo pra ser um grande OLB numa defesa 3-4, usando sua velocidade e explosão pra vir pela lateral e contornar os jogadores de linha ofensiva. Muita gente comparou ele ao Demarcus Ware, dominante OLB do Cowboys, mas pra mim essa avaliação era muito errada. Ware é um jogador muito forte, que usa seu corpo e força física como sua principal arma pra destruir as defesas, enquanto Miller é um jogador muito mais magro, mas bem mais rápido e que ia usar sua velocidade e agilidade pra conseguir colocar pressão.

O Broncos Draftou o Miller com a secunda escolha contra minha vontade (Pra mim um DT permitiria que o time jogasse com uma defesa 3-4, liberando o Elvis Dumervil pra jogar de OLB,onde ele rende mais). Pra mim era mais importante draftar o Marcell Dareus. Mas o Broncos pegou o Miller e teve que viver com os altos e baixos da decisão.

O alto é que, no final das contas, o Miller era ainda melhor do que se supunha. Extremamente rápido e explosivo como anunciado, ele realmente foi uma força pressionando o Quarterback como esperado (11,5 sacks apesar de ter jogado alguns jogos com uma lesão na mão), mas mais do que isso, ele mostrou um jogo muito completo que logo se tornou o pilar defensivo da equipe. Ele mostrou boa cobertura nas jogadas de passe mas, mais importante ainda pra um time que não tinha uma linha defensiva dominante (leia-se muito ruim) , ele foi um monstro contra o jogo terrestre, parou todo mundo que tentasse correr pela lateral, deu tackle atras de tackle antes da linha de scrimmage e foi o líder da defesa.

O lado negativo é que pelo fato dele ser um OLB e não um DT, o time não tinha condições de montar uma linha defensiva forte o suficiente pra defesa jogar na formação 3-4, que pra mim maximiza o poder de fogo da dupla Dumervil-Miller. Com isso, o time teve que jogar na formação 4-3, com o Dumervil de DE, o que não faz com que ele seja desperdiçado mas também não é onde ele rende mais. O Miller até se virou muito bem como OLB nesse esquema, demonstrou suas habilidades contra o jogo terrestre, mas essa dupla numa formação 3-4 seria algo de outro planeta. Mas pra isso acontecer, o Broncos precisa antes de mais nada de algo que lembre uma linha defensiva, consequencia de ter passado o Dareus. Mas eles não ligam, o Miller é um grande jogador, que ancorou uma defesa que jogou muito bem apesar das limitações óbvias e ele realmente era o melhor jogador defensivo desse Draft.


"Forças especiais... GINYU!!"


Marcell Dareus, DT, 3rd pick (1st Round), Buffalo Bills (6-10)
Cotado por muitos como a possível primeira escolha do Draft antes do Panthers decidir pelo Cam Newton, o Marcell Dareus caiu até a terceira escolha, e o Bills decidiu pegar o melhor jogador disponível. O Dareus era um DT muito grande e forte, com um bom motor e movimentação, e que eu chamei de "âncora" pela sua capacidade de ancorar uma linha defensiva, ocupar bloqueadores e causar problemas pelo miolo da defesa.

O problema pro Bills é que o melhor jogador do time, Kyle Williams, tem exatamente essas características, e ninguém vai tirar o Williams da sua posição no miolo da linha defensiva do Bills. O que o Bills tentou fazer, portanto, foi adaptar o Dareus ao esquema, colocando ele pra jogar muitas vezes na lateral da linha de DE. Ele não jogou mal, seu tamanho foi valioso tapando buracos e as vezes funcionando pra vencer adversários mais fracos e forçar o QB a se livrar da bola. Mas a verdade é que ele também não esteve tão confortável jogando um pouco fora de posição. Seu enorme tamanho é uma vantagem muito maior no miolo da defesa do que na lateral, ele claramente se mostrou um pouco perdido numa posição onde não tinha jogado antes.

Ao longo do tempo ele até mostrou adaptação e usou seu bom motor pra dominar alguns jogos, mas ele mostrou que é um jogador dominante mesmo quando o Williams machucou e o Dareus jogou no lugar dele no meio da linha. Ai sim seu motor e tamanho fizeram a diferença e ele conseguiu se mostrar um defensor dominante. Acho que a ideia do Bills é continuar insistindo na dupla e tentar desenvolver o Dareus jogando mais pelas laterais da linha como um DE no esquema 3-4. Acho que ele até vai render bem na função, ele teve bons momentos e tem talento de sobra, mas definitivamente não é onde ele rende mais. Mas como o Kyle Williams vive machucando, talvez seja bom ter ele na sombra pra assumir a função. E fato é que a defesa do Bills foi muito melhor quando os dois estavam saudáveis...

AJ Green vai dar um beijinho de amigo na bola


AJ Green, WR, 4th pick (1st Round), Cincinnati Bengals (9-7)
AJ Green era considerado o melhor WR do Draft, hands down. Atleticismo, boas mãos, velocidade, altura, salto, controle do corpo e precisão das rotas. Agora podemos dizer é que ele é ainda melhor do que anunciado.

Jogadores com o pacote físico do Green não são raros. O raro é encontrar alguém que além disso tudo saiba usar essas ferramentas e tenha uma cabeça que favoreça o desenvolvimento desse jogo. O Dez Bryant, por exemplo, é muito bom em termos físicos e sabe tirar vantagem dos WRs, mas não tem cabeça e nem inteligência dentro de campo (suas rotas são muito malfeitas). Mas o Green é um jogador extremamente completo, e um dos motivos do Andy Dalton ter jogado com tanto conforto nesse ano de calouro - faz toda a diferença ter um WR que você possa confiar em cobertura dupla E em terceiras descidas. Pra mim, o Green foi o segundo melhor calouro ofensivo do ano atrás do Cam Newton, mas dentro da sua posição talvez ele seja ainda mais dominante. A NFL não viu seis WRs melhores que Green em 2011. E tem tudo pra ser um dos jogadores mais dominantes da Liga nos próximos anos.

Essa foto é legal demais pra virar piadinha


Patrick Peterson, CB, 5th pick (1st Round), Arizona Cardinals (8-8)
No ambiente do Draft, temos vários termos diferentes pra designar como um jogador correspondeu em relação às expectativas. Temos os clássicos "bust" ou "steal", mas também temos outro como "late bloomers" (alguém que demora pra atingir seu potencial) ou "stud". Mas precisamos de um termo novo pra determinar jogadores que entram na Liga com enormes expectativas, nunca as atingem, mas também não são fracassos (Pense num Emeka Okafor se você gostar de NBA ou até mesmo na versão 2011 do Alex Smith).

Claro que usar esse termo ainda inexistente pra determinar o Patrick Peterson é um tremendo exagero, afinal ele acabou de terminar o seu primeiro ano na Liga e mostrou potencial pra ser um tremendo jogador. Mas serviria pra descrever como foi seu primeiro ano na NFL muito bem: Chegou com pinta de ser um grande craque desde o começo, o novo Darrelle Revis, o melhor jogador do Draft para muitos (Inclusive pra mim)... Mas começou devagar, tomou muita canseira dos WRs no profissional, e acabou tendo muita gente da mídia falando que ele era muito inferior ao que tinha sido anunciado (porque, afinal, a mídia nunca exagera). Mas com o tempo sua habilidade motora fora de série, sua habilidade na antecipação e capacidade geral para jogar na cobertura nos fizeram lembrar que ele é muito bom e que é simplesmente muito dificil fazer a transição entre ser Cornerback no College e nos profissionais, é raro ver jogadores que já entram e tem sucesso na posição. Ao longo da temporada o Peterson acostumou muito bem à sua posição nos profissionais, conseguiu boas partidas e, ainda que não tenha sido dentro de campo o jogador que muita gente achou que ele ia ser logo de cara, ele mostrou que tem tudo pra vir a ser nas próximas temporadas.

A função que realmente fez o Peterson se destacar, no entanto, não foi a de Cornerback, e sim a de Punt Returner. O Peterson, ao longo do ano, retornou quatro punts pra TD (recorde da NFL empatado com Devin Hester), sendo todos de 80 jardas ou mais (recorde da NFL). Ainda que jogar duas vezes contra o Rams faça esses números subirem (foram dois deles contra o Rams), é uma performance impressionante para um calouro, que o levou ao Pro Bowl. Grande talento, grande potencial. Apesar de não ter mostrado o que esperávemos até agora, tem tudo pra ser um jogador tão bom quanto o anunciado.



As apostas

Antes de virar jogador, Julio Jones estrelou o papel de Predador no cinema


Julio Jones, WR, 6th Pick (1st Round), Atlanta Falcons (10-6)
O Julio Jones, ainda que fosse amplamente considerado o segundo melhor WR do Draft e um talento top10, foi uma aposta que saiu muito cara para o Falcons. O time de Atlanta trocou duas escolhas de primeira rodada (2011 e 2012), uma de segunda rodada (2011) e duas de quarta rodada (2011 e 2012) pela sexta escolha do Draft de 2011 com o Browns, pra poder pegar o Julio Jones. Ainda que caro, na época, o investimento do Falcons fez sentido: O time tinha saído de uma excelente campanha em 2010 mesmo com seu melhor defensor (John Abraham) machucado, mas que tinha esbarrado nos playoffs na sua falta de um segundo playmaker pra complementar o Roddy White no ataque - o Packers dobrou a marcação em White, forçou Matt Ryan a lançar para os demais recebedores... E o ataque do Falcons se autodestruiu. Por esse motivo, um WR tão promissor como Jones parecia a única coisa entre o Falcons e um time ainda melhor, com ainda mais chances de título que no ano anterior.

Bom, as coisas não foram bem assim para o Falcons em 2011 - Matt Ryan não conseguiu duplicar o sucesso de 2010, a defesa não jogou bem, e várias falhas do time que não tinham aparecido em 2010 foram escancaradas. O Falcons sobreviveu e foi aos playoffs graças a uma tabela muito fácil, mas claramente não jogou bem e foi massacrado pelo Giants nos playoffs anotando apenas dois pontos. Sim, um safety.

A culpa não foi, claro, do Julio Jones. Jones teve alguns jogos excepcionais e outros relativamente apagados. Uma boa parte da sua falta de produtividade em algumas partidas se deveu à temporada fraca do Ryan e da linha ofensiva do time. Mas o Jones também mostrou que as comparações com o AJ Green antes do Draft eram exageradas. Ele mostrou grande velocidade e agilidade, disparava pelo campo sempre que conseguia segurar uma bola, um dos melhores WRs da NFL em jardas após a recepção, mas também mostrou um lado mais cru: Suas rotas não eram tão precisas, ele não tinha grande antecipação e nem era o tipo de jogador que consegue cavar um espaço no meio de uma marcação apertada ou até dupla (como o AJ Green faz parecer fácil, por exemplo). Mas o motivo da troca não ter dado tão certo foi o próprio time do falcons que não estava tão pronto como a gente imaginava, não o Jones jogando mal de alguma maneira. Existem poucos WRs mais explosivos na Liga.

Adoro quando alguém da esses abraços de corpo inteiro 
no comissário no Draft. O melhor? Darius Miles,
 é claro! Mas depois vem essa do Epke Udoh!


Aldon Smith, OLB, 7th Pick (1st Round), San Francisco 49ers (13-3)
Todo Draft tem pelo menos um jogador que, quando é escolhido, deixa todo mundo pensando algo como "Espera, esse cara não foi escolhido uma rodada antes?" ou "Quem diabos é esse cara??", e nesse Draft foi o Aldon Smith. Smith era cotado como muitos pra sair lá pela 14ª, 18ª escolha, e para alguns não sairia nem na primeira rodada. ~Quando o Niners escolheu ele com a sétima escolha, o sentimento geral era que o Jim Harbaugh tinha surtado no seu primeiro Draft, pegando um jogador muito acima do seu verdadeiro valor com jogadores melhores disponíveis. Uma temporada espetacular e 14 sacks depois... Ahn... É, ele é bom.

Os scouting reports sobre o Smith geralmente concordavam em algumas coisas: Um jogador muito forte e atlético, bastante explosivo, mas que não sabia usar as mãos muito bem, e que precisaria de algum tempo pra se adaptar a jogar como OLB numa defesa 3-4, ao invés de DE numa defesa 4-3 como estava acostumado (São funções parecidas, mas diferentes. A principal diferença possivelmente é que um OLB numa defesa 3-4 começa a jogada de pé, e não com a mão apoiada no chão. Pode parecer pouco, mas faz muita diferença pro impulso inicial), além de que ainda lhe faltavam habilidades mais gerais para a posição de OLB. Mas o que se viu foi um jogador extremamente explosivo, com um excelente motor e que não teve absolutamente nenhuma dificuldade pra sair de uma postura levantada, que sabe usar as mãos com maestria e que nunca desiste de perseguir o adversário numa jogada. Se ele ainda tem algumas deficiências pra se tornar um jogador completo pra posição, ele compensa sendo um dos melhores pass rushers de TODA a NFL. Conseguiu 14 sacks (A apenas meio sack de empatar o recorde de calouros do Jevon Kearse) mesmo jogando apenas algumas descidas por campanha, e sendo titular apenas quando o Ahmad Brooks se machucou.

No final, teve muita discussão sobre quem merecia ser o Defensive Rookie of The Year, entre Miller e Smith. Miller é mais completo, não só é um ótimo pass rusher como também sabe jogar na cobertura e é absolutamente devastador contra o jogo terrestre. Do outro lado, o Smith ainda deixa a desejar na cobertura e não tem ainda experiência pra ser forte contrao jogo terrestre, ele é um jogador mais unidimensional que o Miller... Mas nessa sua dimensão ele é um dos melhores do mundo e, como pass rusher puro, muito melhor até mesmo que o Miller. No que ele faz, ele é o melhor. Já o Miller faz tudo e, por jogar nas três descidas (por causa do seu jogo mais completo), impacta o time de formas mais variadas e em mais jogadas. Os dois melhores calouros defensivos do Draft sem dúvida, e Smith acabou sendo um jogador muito melhor do que esperado.


Os steals do Draft

Brooks Reed, DE/OLB, 42nd Pick (2nd Round), Houston Texans (10-6)
Eu podia comentar do DE JJ Watt, Draftado pelo Texans em 11th Overall e que é um excelente jogador - muito forte, consegue dar voltas tanto por dentro como por fora da linha e sempre parece aparecer quando o time precisa de uma jogada defensiva - mas quem me chamou a atenção mesmo foi o Brooks Reed, draftado na segunda rodada e com muito menos pompa que o Watt, mas que jogou ainda melhor. Quando o Mario Williams machucou, o Reed foi quem tapou o buraco jogando de OLB e DE, anotou seis sacks até o final da temporada, correu por três, executou todo o trabalho sujo pra facilitar a vida do Brian Cushing e do Watt, e foi o principal responsável por tapar o buraco deixado pelo Pro Bowler. Talvez o que tenha feito tanto sucesso foi a combinação dos dois: JJ Watt e Reed, o Watt pelo meio com sua força e o Reed com sua versatilidade. Não é um steal tão grande assim, mas jogou mais do que seu status no Draft indicava. Grande achado.


DeMarco Murray, RB, 71st Pick (3rd Round), Dallas Cowboys (8-8)
Eu sempre digo que avaliar Running Backs é a tarefa mais ingrata da história do Draft. O College é muito melhor pra RBs, que enfrentam jogadores mais fracos e lentos, que jogam menos fechados que na NFL, e é muito dificil separar que talento vai ser levado pro nível da NFL e qual não vai ser. Por exemplo, entre os melhores RBs da NFL temos jogadores draftados no top 5 (Adrian Peterson) e jogadores não Draftados (Arian Foster). Temos muitos jogadores chegando com pompa na Liga, draftados com escolhas altas, que somem na Liga (CJ Spiller), e outros que chegam como resíduo e que se destacam (LeGarret Blount, Fred Jackson). Se avaliar talentos saindo do College é uma ciência muito inexata, avaliar RBs é a mais inexata de todas elas.

E lá está DeMarco Murray, pouco comentado antes do Draft, que sai na terceira rodada pra um time que tem Felix Jones e Tashard Choice. Murray ficou o banco, jogou pouco e quase não se destacou, até que o Jones estourou o joelho e Murray começou de titular na sétima semana. O resultado? 253 jardas e um recorde da história do Cowboys. Nos jogos seguintes, Murray continuou destruindo tudo e todos: Foram 74 jardas (em 8 carregadas, absurdas 9.3 jardas por carregada) na semana seguinte, depois 140 e 136 antes de acalmar o fogo, especialmente quando voltou o Felix Jones de lesão. Quando ele finalmente machucou o pé e perdeu o resto da temporada, todo mundo já estava pensando "Que diabos, como nós deixamos passar esse cara??". Mas eu já disse, avaliar RBs é dificílimo. Eu acho mais absurdo ainda ninguém ter pego o Arian Foster, mas enfim.

O problema é que as vezes é difícil cravar alguma coisa sobre um calouro que jogou pra valer só cinco jogos, destruiu em três, foi bom em um, mediano em outro, e depois estourou o pé. Ele pode ser realmente um monstro nível Arian Foster, mas tem muita pouca amostra pra poder falar com certeza, e precisamos também ver como ele vai render quando as defesas começarem a se ajustar a ele (Corte para Jeremy Lin concordando com a cabeça). Mas pelo que mostrou até agora, pelo menos, vale o entusiasmo, porque ele quebrou o recorde de jardas pra um jogo da Franquia que teve Emmit Smith e Tony Dorset (e o recorde do Eric Dickerson pra mais jardas de um calouro nos primeiros jogos como titular). A companhia, pelo menos, é muito boa. Vamos ver como ele volta depois dessa lesão que acabou com sua temporada, dessa vez como titular desde a offseason.


Os não Draftados


Doug Baldwin, WR, Seattle Seahawks (7-9)
Apenas um jogador calouro não draftado, na história da NFL, liderou seu time em jardas recebidas e recepções na temporada, e foi o Doug Baldwin, do Seahawks. E ele fez isso jogando com o Tarvaris Jackson, é incrível que ele tenha conseguido receber bolas. Não é exatamente comum, mas também não é uma grande raridade quando algum jogador não draftado se destaca (Arian Foster, Miles Austin, LeGarrett Blount... Kurt Warner...). O Baldwin acabou aproveitando muito bem a chance, se destacou como um alvo grande e atlético e se destacou num ataque meio confuso, mas que tinha outros recebedores consagrados (Zach Miller, Sidney Rice) e outros promissores (Golden Tate). Agora que o Matt Flynn chegou (Post sobre isso ainda essa semana se tudo der certo - leia-se se meu computador funcionar) o Baldwin pode se tornar um alvo mais importante pro time, porque... sabe... o Flynn sabe lançar a bola pra frente.


Sterling Moore, CB, Oakland Raiders/New England Patriots
Sterling Moore teve um único momento relevante na sua temporada de calouro. Que foi tirar das mãos de manteiga do Lee Evans o passe que resultaria num touchdown do Ravens nos segundos finais da Final da AFC e que teria dado a vitória ao Ravens, levando o time de Baltimore ao Super Bowl (onde eles teriam a chance de fazer uma das maiores justiças da história da NFL: O Baltimore Ravens ganhando um título em Indianapolis, a cidade que roubou o Baltimore Colts). Ao invés disso, Evans não segurou a bola e Moore derrubou a bola o chão, Billy Cundiff  errou um FG tosco e o Patriots foi pro Super Bowl.

E sim, o fato do Patriots estar contando com um calouro não Draftado na jogada mais importante da temporada resume o que você precisa saber sobre o Patriots de 2011. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC North


"Ãããããã.... Não sei"


Faltam apenas três divisões da NFL pra gente discutir e analisar aqui, e hoje a gente diminui o número pra dois falando da NFC North, uma das divisões mais interessantes da Liga e que possui o atual campeão e um dos times jovens mais divertidos e promissores da Liga, o Lions. Além disso, o time tem uma franquia em decadência que busca se reerguer, o Vikings, e uma Franquia que chegou na Final da NFC ano passado e que quer provar que não foi apenas um golpe de sorte, o Bears. Vamos ver agora como esses times sairam do Draft.

(O Blogger zuou pela milésima vez o meu post sobre a NFC South. Prometo que arrumo isso outra hora, desculpem o transtorno.)

Detroit Lions
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 13th pick:  Nick Fairley, DT, Auburn
2nd round, 44th pick: Titus Young, WR, Boise State
2nd round, 57th pick: Mikel Leshoure, RB, Illinois
5th round, 157th pick, Doug Hogue, OLB, Syracuse
7th round, 209th pick, Johnny Culbreath, OT, South Carolina State
 
Análise: O Lions é um dos meus times preferidos da NFL no momento, porque ele é um time cheio de jogadores jovens, extremamente talentosos e o que é mais importante, o time continua evoluindo e pegando novos talentos. Seguindo essa diretriz, o time não teve vergonha de pegar o Nick Fairley quando ele sobrou até a 13th pick. Alguns times seguem a estratégia de pegar o melhor jogador disponível naquela escolha. O Lions pode ter pego o melhor jogador disponível em todo o Draft!
 
Claro que não é fácil assim, senão ele teria saido lá em cima. O Fairley é talentoso pra cacete, tem tudo pra ser um monstro no miolo da linha defensiva e talvez, em puro talento, seja o melhor jogador do Draft. Mas ele tem problemas fora de campo, alguns dizem que ele não é muito esforçado e portanto o medo de selecionar um Albert Haynesworth que mais daria problemas do que soluções fez muitas pessoas desistirem dele. Sorte do Lions, que aproveitou e pegou o cara pra quem sabe formar com o Ndamukong Suh a melhor linha defensiva da NFL pelos próximos 15 anos. Eu acho que a escolha foi boa porque o Fairley vai jogar na linha junto com dois líderes de personalidade forte, o Kyle Vanden Bosch e o próprio Suh, e se existem dois jogadores capazes de manter o Fairley na linha são esses dois. Eu acho que o ambiente é propício, o talento é imenso e tem tudo pra dar certo até demais. Esse tipo de jogador precisa estar junto de alguém capaz de mantê-los na linha, e no Lions ele terá.
 
Outra coisa que eu adorei no Draft do Lions é que eles não disperdiçaram nenhuma escolha. Na segunda rodada, duas escolhas para o ataque, o Titus Young, que caiu bastante no Draft porque acham que ele é baixo demais pra posição (O Steve Smith do Panthers também teve que ouvir isso, e deu no que deu) mas que é muito bom e jogando com o Calvin Johnson vai se destacar, e o Mikel Leshoure, que é um tremendo RB pra combinar sua força com a explosão do Jahvid Best pra dar ao Lions uma bela dupla de RBs. O time também apostou no Johnny Culbreath, que é meio cru mas que é enorme e tem muita força e potencial, pra uma sétima rodada é uma aposta muito interessante, risco quase zero e com possibilidade de achar um bom Left Tackle.
 
O problema do Draft fica por conta da secundária, que não recebeu nenhum jogador que faça melhorar essa área. Mas se o Fairley der certo a pressão só da linha defensiva do Lions já vai ser tão abusiva que alivia pro resto do time, então o time fez muito bem ao ir com o Fairley. O time mais interessante da Liga.
 
 
 
Chicago Bears
Nota: C+
Escolhas:
1st round, 29th pick:  Gabe Carimi, OT, Wisconsin
2nd round, 53rd pick: Stephen Paea, DT, Oregon State
3rd round, 93rd pick: Chris Conte, DB, California
5th round, 160th pick, Nathan Enderle, QB, Idaho
6th round, 195th pick, J.T. Thomas, OLB, West Virginia
 
Análise: O Bears conseguiu um jogador importante pra área mais carente do time, a linha ofensiva, e adicionou um sólido DT pra sua fortíssima linha de frente na defesa. Se é assim, porque a nota baixa?
 
A nota que eu dei pro Bears não foi pelo talento e pelos jogadores que eles conseguiram. O talento do Gabe Carimi é real, ele melhora a fraquíssima linha ofensiva do Bears (que ainda perdeu o Olin Kreutz, C seis vezes Pro Bowler), e o Stephen Paea é um cara enorme, bateu o recorde de repetições no combine e vai ser um jogador importante na linha defensiva. O Bears é um time melhor com esses dois no elenco, sem dúvida, ambos provavelmente vão ser titulares logo de cara em busca de um título. Meu problema com o Bears é a abordagem do time no Draft. O Paea é um bom jogador, ok, ele melhora a defesa do Bears, mas o impacto marginal de adicionar um defensor na já fortíssima linha de frente do Bears é muito menor do que o impacto marginal de adicionar alguém de uma área carente do time. O Bears não tem nenhum recebedor acima da média agora que trocou o Greg Olsen e a secundária só não é uma peneira porque seria desrespeito com a peneira. Não tenho dúvidas de que adicionar um jogador nessas áreas teria um impacto marginal muito maior do que um DT.
 
Além disso, o Bears pra mim jogou fora suas outras três escolhas do Draft. O Chris Conte é esforçado pra burro, o que sempre é bom, mas foi escolhido umas três rodadas acima do que deveria, e as outras duas escolhas foram jogadas no lixo, dois jogadores que provavelmente nunca vão adicionar em nada na Franquia. O Paea vai ser útil e a adição do Carimi é muito boa, mas o Bears saiu com um Draft muito abaixo do que podia ter conseguido.
 
 
 
Green Bay Packers
Nota: B
Escolhas:
1st round, 32nd pick:  Derek Sherrod, OT, Mississippi State
2nd round, 64th pick: Randall Cobb, WR, Kentucky
3rd round, 96th pick: Alexander Green, RB, Hawaii
4th round, 131st pick: Davon House, CB, New Mexico State
5th round, 141st pick, D.J. Williams, TE, Arkansas
6th round, 179th pick, Caleb Schlauderaff, OG, Utah
6th round, 186th pick, D.J. Smith, OLB, Appalachian State
6th round, 197th pick, Rick Elmore, DE, Arizona
7th round, 218th pick, Ryan Taylor, TE, North Carolina
7th round, 233rd pick, Lawrence Guy, DT, Arizona State

Análise: O Packers está naquela posição invejável onde seu time já está muito bem montado, e por isso o time pode se dar ao luxo de arriscar um pouco nas suas escolhas, pegar projetos de prazo maior e simplesmente fazer o que quer. Não tem grandes escolhas, então o custo é baixo, e a recompensa as vezes pode ser maior sem a pressão por resultados. O que não impediu o Packers de endereçar algumas áreas carentes do seu time, reforçar outras já boas e ainda pegar bons jogadores com um bom futuro.
 
Por exemplo, o time pegou o Derek Sherrod, um Left Tackle com muito talento e potencial, mas que precisa de rodagem e experiencia antes de entrar e jogar. Provavelmente não vai entrar e jogar essa temporada muito, adiciona alguma profundidade para a posição mas dificilmente vai roubar a posição do Chad Clifton, que jogou bem em 2010 e ainda é o dono da posição. Mas o Clifton já tem 36 anos e não vai jogar mais muito tempo, e o Packers vai treinando o Sherrod pra entrar e assumir a posição daqui a algum tempo. A falta de necessidade de resultados imediatos faz com que o Packers possa gastar sua escolha e seu tempo para treinar tranquilamente o potencial desse jogador.
 
E por outro lado, o time pode gastar duas escolhas em Randall Cobb e Alexander Green, dois jogadores de ataque que deve contribuir desde já, o Cobb deve aproveitar e ganhar minutos com o fim de carreira do Donald Driver conforme o veterano for caindo de produção, enquanto o Green é um bom Third Down back, algo que o Packers não tem depois da saída do Brandon Jackson.
 
Entre jogadores pro futuro e jogadores pro agora, o Packers fez um ótimo trabalho em adicionar talento ao time. Usou bem as escolhas que tinha, e continuou draftando bem. Depois ainda perguntam porque o Packers está no topo da Liga.
 
 
 
Minnesota Vikings
Nota: C-
Escolhas:
1st round, 12th pick:  Christian Ponder, QB, Florida State
2nd round, 43rd pick: Kyle Rudolph, TE, Notre Dame
4th round, 106th pick: Christian Ballard, DL, Iowa
5th round, 139th pick, Brandon Burton, CB, Utah
6th round, 168th pick, DeMarcus Love, OT, Arkansas
6th round, 170th pick, Mistral Raymond, DB, South Florida
6th round, 172nd pick, Brandon Fusco, OG, Slippery Rock
6th round, 200th pick, Ross Homan, OLB, Ohio State
7th round, 215th pick, D’Aundre Reed, DE, Arizona
7th round, 236th pick, Stephen Burton, WR, West Texas A&M
 
Análise: Fiasco. Essa é a palavra que resume o Draft do Vikings. Não que eu ache que ele foi 100% horrível, mas ele foi um desastre em termos de planejamento e execução. Toda vez que você gasta uma escolha do top15 num Draft fraco de QBs num QB que dificilmente está entre os cinco melhores dessa classe no papel (Se estiver está em quinto) é porque você esta fazendo alguma coisa errado. E muito errado.
 
Não que o Vikings não tenha saido com bons jogadores, eu pessoalmente adoro o Kyle Rudolph e o Christian Ballard, e o time ainda deu azar de não ter uma escolha de terceira rodada. Mas o Draft foi uma bagunça completa, e o Vikings foi o resumo desse Draft: Quando, numa classe de QBs fraca, você vê quatro QBs saindo na primeira rodada, é porque o desespero está batendo forte. Tudo bem, vários times estavam precisando desesperadamente de QBs e o fato da Free Agency não ter acontecido deixou os times ainda mais preocupados sobre o que poderiam conseguir (ou não conseguir, no caso). O Vikings foi a personificação desse desespero e gastou sua 12ª escolha em um QB que não deveria nem ter saido na primeira rodada.
 
Claro, pode ser que de certo. O Christian Ponder tem bons intangíveis, é habilidoso, atlético e pode desenvolver bem sob a tutela do Donovan McNabb (Lembrando que quando Draftaram não tinham garantias de que poderiam pegar um QB desses. Se soubessem, talvez nem tivesse Draftado o Ponder...) em uns dois anos, o que seria o melhor cenário para o time. Agora, supondo que isso aconteça (melhor cenário, repito), o que o Vikings está fazendo é basicamente condenando o Adrian Peterson a ir embora do time assim que tiver a chance. Ele não vai querer disperdiçar seus melhores anos jogando num time fraco que ainda está preocupado em desenvolver o seu QB jovem, inexperiente e de alto risco. O time também não se ajudou, o Rudolph é um ótimo jogador mas o time já tem o Visante Shiancoe pra jogar de TE, será que dadas as condições do time não valeria mais ter apostado em um OT? Mesmo o Ballard também é um projeto pro futuro, já que o paredão Williams ainda ta de pé e o calouro provavelmente só vai jogar com regularidade daqui a um tempo. Se o Vikings estava tão desesperado por um QB deveria ter trocado pra subir no Draft e pego um cara pronto como o Blaine Gabbert. Pegar um QB que não merece a 12th pick e que ainda vai provavelmente fazer você perder seu melhor jogador dos últimos 13 anos? Mau negócio!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC South


Sim, Cam Newton, você vai jogar NESSE time


Finalmente chegamos ao final da nossa análise do Draft. Sim, ela foi longa, extensa e os textos foram ainda mais longos e extensos (Acho que ninguém aqui tinha esperanças do contrário), mas a NFC South realmente vai ser a última. Na verdade era pra ter sido a NFC West, só que como vocês talvez lembrem o blogger avacalhou duas vezes meu post sobre a NFC South, de forma que decidi deletar o 'post' antigo e começar outro do zero. Mas tudo bem, vamos ver afinal o que teve de tão interessante na NFC South, que não foi pouco.



Carolina Panthers
Nota: C+
Escolhas:
1st round, 1st pick:  Cam Newton, QB, Auburn
3rd round, 65th pick: Terrell McClain, DT, South Florida
3rd round, 97th pick: Sione Fua, DT, Stanford
4th round, 98th pick: Brandon Hogan, CB, West Virginia
5th round, 132nd pick, Kealoha Pilares, WR, Hawaii
6th round, 166th pick, Lawrence Wilson, LB, Connecticut
6th round, 203rd pick, Zachary Williams, C, Washington State
7th round, 244th pick, Lee Ziemba, OT, Auburn
Análise: Finalmente o time com a primeira escolha em todo o Draft, Carolina Panthers. Com essa escolha, o Panthers podia seguir por vários caminhos, mas acabou seguindo a primeira regra não escrita do Draft da NFL: Nunca deixar passar um Franchise Quarterback. O Panthers não tinha um, e quis usar sua primeira escolha pra pegar o seu Franchise QB no Cam Newton. A pergunta que fica aqui, portanto, é simples: O Cam Newton é realmente um Franchise QB?

Essa pergunta a gente não pode responder de cara, pelo menos não até ele ter algum tempo de Liga. O Cam Newton não é um jogador polido e refinado com o Sam Bradford ou até mesmo o Andrew Luck, ele é um jogador muito talentoso, tem um físico incrível e tem potencial saindo pelo teto, mas que ainda é um pouco cru demais e que tem algumas questões quanto à sua personalidade e sua dedicação. Existem muitos jogadores que entram assim na NFL que dão errado, cheios de talento e potencial mas muito crus que não se dedicam o suficiente, não treinam, não tem uma boa ética de trabalho, nunca desenvolvem suas habilidades e não dão em nada, talvez o melhor exemplo disso seja o Jamarcus Russell. Eu acho que o Newton parece mais o Vince Young que o Jamarcão, o que não é uma boa comparação se você olhar os resultados. O Young era incrível no College, muito talentoso, na NFL teve algum sucesso porque era muito bom, mas brigou com técnico, não treinou tanto quanto devia, nunca foi o líder que deveria ser e agora é um reserva no Eagles. O Cam Newton tem chance de seguir por esse caminho, está longe de ser um cara confiável e eu acho que ele não valia uma primeira escolha de Draft. O time precisa desesperadamente reforçar o miolo da sua defesa (e da sua linha defensiva), tanto que pegou dois DTs nas rodadas seguintes, podia facilmente ter pego o Marcell Dareus, uma escolha mil vezes mais segura.

Ainda assim, o time também pode ter se dado bem no Draft. Existem também vários QBs com essas características que acabaram evoluindo e dando muito certo na Liga, se tornando jogadores de destaque e etc. O Newton pode dar certo, pode realizar seu potencial e ser um Franchise QB, e aí o Panthers vai ter feito a escolha certa. A gente realmente só vai poder dar nota pra essa escolha quando ver o que o Newton vai fazer nos profissionais. Tudo que a gente pode fazer agora é palpitar sobre se o risco que o Panthers assumiu gastando sua escolha numero 1 no Cam Newton valeu a pena. Pra mim, não valia a pena, e por isso a nota baixa. Pode me fazer queimar a lingua em uns dois anos...



Atlanta Falcons
Nota: B
Escolhas:
1st round, 6th pick:  Julio Jones, WR, Alabama
3rd round, 91st pick: Akeem Dent, LB, Georgia
5th round, 145th pick, Jacquizz Rodgers, RB, Oregon State
6th round, 192nd pick, Matt Bosher, K, Miami
7th round, 210th pick, Andrew Jackson, OG, Fresno State
7th round, 230th pick,  Cliff Matthews, DE, South Carolina 

Análise: O Falcons é o típico time que foi bem na temporada passada, tem um time completo, bem montado, e que por conta da sua boa campanha não tem escolhas altas de Draft. Mas ao invés de usar suas escolhas de forma segura para reforçar o elenco, o Falcons preferiu arriscar e realizar uma troca bombástica: Trocou suas escolhas de primeira, segunda e quarta rodadas desse ano, mais as de primeira e quarta rodadas do ano que vem com o Browns pela escolha de primeira rodada deles, a sexta no geral, e draftar o WR Julio Jones.

O Falcons arriscou bastante e teve que pagar um preço alto por isso, cinco escolhas é bastante coisa. O Falcons foi um bom time, muito arrumado, mas que tem algumas deficiencias, como a secundária e o pass rush, além do problema com a profundidade do grupo de WRs. Cinco escolhas - sendo duas de primeira rodada - é muita coisa, da pra pegar jogadores titulares que entrariam e melhorariam várias áreas carentes desse time, trocar a chance de corrigir todas as fraquezas do time por uma escolha alta é um grande risco, ainda mais com a Free Agency sendo posterior ao Draft. Mas nesse caso em particular, eu achei que foi um risco muito bom.

O Falcons teve um problema sério com seus WRs na temporada passada. O ataque era muito bom, tem um QB jovem e promissor, um dos melhores WRs da Liga, um RB fora de série e o melhor TE da história da Liga (Velho, mas tudo bem), mas o ataque esbarrou na falta de outro WR pra tirar a pressão do Roddy White. O time perdeu a chance de adicionar alguns role players, mas a recompensa foi um tremendo WR, explosivo, atlético e que tem tudo pra ser um excelente nº2 pra tirar a pressão do Roddy White e do Tony Gonzales nas rotas curtas. O preço foi muito alto, sim, mas o Falcons entendeu que podia ser um time muito mais forte se elevasse seu ataque a um outro nível e confiasse na sua defesa do que se simplesmente colocasse alguns role players, corrigisse as falhas em menor nível e esperasse alguns anos até que seus jogadores tenham se desenvolvido. O time sabe que pode ganhar agora e quer ganhar agora, e eu achei que nessa perspectiva valeu o risco da escolha do Julio Jones.

Além disso, o Akeem Dent também é um jogador pronto pra entrar e jogar, que tem um bom físico e ainda pode se desenvolver mais. Ele vai trazer mais profundidade e atleticismo pro corpo de linebackers do time, é um híbrido que faz bem as duas funções e provavelmente vai ter espaço no time. O time arriscou e se saiu muito bem, nesse caso valeu a aposta.



New Orleans Saints
Nota: A
Escolhas:
1st round, 24th pick:  Cameron Jordan, DE, California
1st round, 28th pick:  Mark Ingram, RB, Alabama
3rd round, 72nd pick: Martez Wilson, LB Illinois
3rd round, 88th pick: Johnny Patrick, CB, Louisville
7th round, 226th pick, Greg Romeus, DE, Pittsburgh
7th round, 243th pick, Nate Bussey, LB, Illinois
 
Análise: Numa divisão onde os outros times decidiram apostar nesse Draft, o Saints não foi excessão. Ainda que não tenha sido uma aposta tão alta nem tão arriscada, o Saints trocou sua escolha de segunda rodada desse ano e a de primeira rodada de 2012 com o Patriots por uma das suas escolhas de primeira rodada, e com ela pegou o Mark Ingram. O preço foi relativamente alto, praticamente uma escolha de segunda rodada, mas o Saints não se importou, e fez bem. A abordagem do Saints é simples, o time sabe que vários dos seus jogadores importantes - em especial o Darren Sharper, que possivelmente vai retornar essa Free Agency, e o Drew Brees, MVP do Super Bowl - estão ficando velhos e caminhando para o final da carreira. Ainda jogam em alto nível, mas talvez a janela para um título do Saints com esse grupo esteja fechando. O Saints então quer trazer o máximo possível de talento (de preferência talento pronto pra contribuir desde já) o quanto antes pra aproveitar enquanto essa geração ainda está jogando em alto nível.
 
Por isso uma escolha de primeira rodada no ano que vem não preocupa o Saints, que adicionou ao elenco um RB vencedor do Heissman Trophy pronto pra entrar e jogar. O Mark Ingram é um excelente jogador, muito bom em achar um espaço pequeno e atravessar na força e velocidade, vai complementar bem o veloz Pierre Thomas no backcourt de New Orleans. É o tipo de corredor forçudo que funciona muito bem achando espaços e que vai tornar o backcourt do Saints ainda mais forte. E o Cameron Jordan, escolha de primeira rodada do próprio Saints, foi uma tremenda sorte, porque não era pra ter caído até aqui. O Jordan era um talento top 15, alguns diziam até top 10, e acabou passando por todo mundo e chegou no Saints. Não só ele era o melhor jogador disponível como vai melhorar muito o deficiente pass rush do Saints, ele é muito forte e difícil de conter vindo da lateral, muito técnico e atlético ao mesmo tempo, dificílimo de conter. Ele é bom e lapidado o suficiente pra entrar e jogar, e provavelmente vai do lado da nova aquisição do time, Aubrayo Franklin.
 
Pra melhorar, o Saints ainda achou na terceira rodada dois jogadores que deveriam ter saido antes e que, talvez por oferecerem mais uma melhora imediata do que um potencial maior de crescimento, caíram até a terceira rodada. O Martez Wilson é um LB híbrido que marca pela sua versatilidade e pela sua postura agressiva dentro de campo, vai poder ser usado de duzentas maneiras diferentes no esquema criativo de defesa do Saints. Apesar de não ser uma posição carente, o jogador trás versatilidade e profundidade à defesa. Caso parecido com o Johnny Patrick, ainda que ele tenha potencial a médio prazo e ainda possa aperfeiçoar suas habilidades eu não duvido que ele acabe conseguindo a vaga de nickel corner até o final do ano. Talvez não seja o jogador imediato que o Saints queria, mas com certeza é um bom jogador que vai contribuir pra esse time. Boa troca, boa abordagem, ótimo Draft.
 
 
 
Tampa Bay Buccaneers
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 20th pick:  Adrian Clayborn, DE, Iowa
2nd round, 51st pick: Da’Quan Bowers, DE, Clemson
3rd round, 84th pick: Mason Foster, OLB, Washington
4th round, 104th pick: Luke Stocker, TE, Tennessee
5th round, 151st pick, Ahmad Black, SS, Florida
6th round, 187th pick, Allen Bradford, RB, USC 
7th round, 222nd pick, Anthony Gaitor, DB, Florida International
7th round, 238th pick, Daniel Hardy, TE, Idaho
 
Análise: Com o resto da divisão arriscando, apostando e pegando bons jogadores, vocês realmente não achavam que o Bucs ia ficar de fora, né? O Raheem Morris continua com sua abordagem arrojada no Draft e seu comprometimento de transformar o Bucs numa potência defensiva, como foi no começo da década. Mas o tipo de risco que o Bucs assumiu foi diferente dos seus companheiros de divisão, que assumiram riscos com trocas arrojadas e usando escolhas altíssimas para draftar jogadores com alto potencial e capacidade de realização questionável. O Bucs arriscou no tipo de jogadores que ele escolheu. Tanto o Adrian Clayborn como o Da'Quan Bowers são jogadores com muito talento, mas que caíram consideravelmente no Draft por questões médicas, dúvidas sobre a capacidade dos dois de se manterem saudáveis.
 
O Bucs tem um núcleo jovem e extremamente promissor, mas a defesa ainda tem um problema sério, que são os sacks. Com o miolo da linha defensiva fixado no Draft do ano passado com os ótimos Brian Price e Gerald McCoy, nada mais natural que o Bucs ir atrás de DEs para completar a linha e aumentar a pressão que o time é capaz de colocar no QB adversário. O Clayborn e o Bowers são DEs que se encaixam perfeitamente no esquema do time, vão ser titulares desde o primeiro dia e ainda tem capacidade de se tornarem grandes jogadores na posição, o Clayborn tem tudo pra ser um jogador de dois dígitos em sacks jogando no esquema Tampa 2 e é tremendamente explosivo, e com o resto da linha defensiva como está (Price, Bowers e McCoy) o Bucs pode se encontrar naquela ótima situação de colocar pressão no QB adversário sem ter que recorrer a blitzes. O caso do Bowers é ainda mais impressionante, ele era cotado como um jogador Top 5 no Draft (Muitos colocavam ele como o melhor jogador ou a primeira escolha) mas uma lesão grave no joelho e dúvidas sobre a possibilidade de uma nova lesão fizeram com que o valor dele despencasse bizarramente, alguns até diziam que ele não conseguiria jogar futebol americano por mais que uns poucos anos. O Bucs apostou  na capacidade dos dois de ficarem saudáveis, mas os dois são talentosíssimos e se ficarem saudáveis o Bucs possivelmente vai sair desse Draft como o grande vencedor e com uma das melhores linhas defensivas da Liga.
 
O Bucs também, muito pro meu agrado porque eu gosto do time, também conseguiu achar bons valores mais tarde no Draft. O Mason Foster devia ter saido na segunda rodada, também é um pass rusher (OLB) que joga dos dois lados e tem condições de ser titular desde o começo, ele tem boa mobilidade e boa visão pra reconhecer jogadas e cobrir o jogo terrestre. Além disso, eu adoro o Ahmad Black, ele era o melhor jogador disponível e embora ainda não tenha condições de entrar e jogar de titular vai adicionar profundidade à unidade, tem tudo pra evoluir num bom jogador e pode acabar ajudando em algumas formações de nickel ou Cover 3. Eu não duvidaria do time que achou o Cody Grimm na sétima rodada do ano passado por essa mesma abordagem.
 
A aposta na saúde dos DEs é delicada, mas o time adicionou uma quantidade absurda de talento com escolhas moderadas. O time podia ter ido atrás de outro WR, o Luke Stocker pode se desenvolver num bom alvo mas deve ter papel primário como bloqueador, mas seguiu a sua política de pegar o melhor jogador disponível e pegou bons valores. Apostou como todos da sua divisão, mas talvez tenha sido a melhor de todas no quesito risco/benefício, ainda que não seja a aposta mais segura.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os calouros, oito meses depois...

Como costumamos dizer, é muito difícil avaliar um QB quando ele está saindo do College. São dois mundos totalmente diferentes e o tipo de jogo da NFL é totalmente diferente da NCAA. Por isso, sucesso em um deles não necessariamente quer dizer sucesso no outro, enquanto temos QBs como Tim Teb... Droga, QBs como Troy Smith ganhando Heisman Trophys e sem emprego na NFL e temos QBs draftados na sexta rodada sendo MVPs da NFL (Talvez o nome de Tom Brady seja familiar). O jogo da NCAA geralmente oferece ao QB  mais tempo, um jogo mais físico, defesas menos agressivas e nele um fundamento pra QBs é a habilidade de sair do pocket e correr com a bola ou passá-la em movimento, enquanto na NFL ele tem que conseguir ler defesas, passar com precisão dentro do pocket e estar preparado para uma defesa mais física, muito mais rápida e que consegue cobrir distâncias com facilidade. Como os WRs na NCAA conseguem geralmente mais espaço, muita precisão não é chave, mas na NFL é.

A grande maioria dos analistas no College avalia os QBs com base em dois critérios principais: Número de jogos jogados no College e porcentagem de passes completos. Como eu sempre digo, estatísticas dependem das circunstâncias, então não adianta acertar 75% dos passes se eles são todos de cinco jardas. Mas a grosso modo, essas são as duas varáveis principais, e existe até algumas estatísticas que levam elas em conta para achar um "Rating" para os QBs. Mas além disso, existe uma infinidade de fatores que também são considerados: O quanto ele está pronto pra jogar, seu potencial a longo prazo, força do seu braço, adequação do seu estilo de jogo ao time, capacidade de ler defesas e chamar jogadas e, por fim, o chamado "intangíveis" (Recomendo esse post que trata sobre o assunto logo no primeiro jogo). Antes do Draft, os jogadores são avaliados de acordo com os critérios que cada time acha relevante e acabamos traçando "perfis" dos jogadores. Agora, oito meses e 10 rodadas depois, vamos dar uma olhada em como estão esses QBs e se eles corresponderam às expectativas (Por ordem de escolha, com os records atualizado até a semana 11).


"Ao infinito e além!"

Cam Newton, 1st pick (1st round), Carolina Panthers (2-8)

Cam Newton foi a primeira escolha de todo o Draft e chegou desacreditados por muitos (Eu!) pra ser escolhido tão alto. Newton se deu muito bem na NCAA com sua habilidade de correr com a bola e seu braço forte, e todo mundo sabia que seu potencial saia pelo teto de tão grande caso pudesse desenvolver na totalidade suas habilidades. O problema é que ele sempre deu mostras de ter alguns problemas de comportamento, nunca foi o jogador mais esforçado do mundo fora de campo e sempre confiou demais nas suas habilidades naturais, as vezes desdenhando da necessidade de treino. Essa trilha geralmente é um caminho para o fracasso na NFL: Muitos jogadores (especialmente QBs, a posição mais difícil da NFL) chegam na NFL do Draft com toneladas de potencial, mas com uma má atitude. Esses jogadores muitas vezes não treinam com tanto afinco, deixam de desenvolver suas habilidades ao fazerem essa transição tão difícil porque não gostam de treinar ou porque confiam que são bons o suficiente, não viram líderes dentro do elenco e descobrem que as habilidades que antes funcionavam não eram suficientes para a Liga. As vezes, tarde demais. É o caso de jogadores como JaMarcus Russell ou, uma comparação melhor a meu ver, Vince Young, que chegou muito bem, foi Calouro do Ano e capa do Madden, mas se afundou em problemas pessoais, não aceitava erros, nunca foi um líder no time e agora é reserva do Eagles. O talento estava lá, o potencial também, mas também estava lá um ingrediente para jogar tudo isso pela janela, e por isso sua escolha foi bem arriscada.

Até agora, ele está mostrando o que esperávamos dele, mas também está mostrando muito mais. Chegou na Liga causando estrago, passando pra 400 jardas e 3 TDs, correndo com a bola e ressuscitando a carreira do Steve Smith. Mostrou seu braço forte, mostrou que seus treinos na offseason com outros QBs (um bom sinal) deram resultado, ele muitas vezes mostrou grande precisão e compensou com as pernas a falta de habilidade dos seus bloqueadores. Mesmo incapaz de levar seu time a vitórias (E vamos e venhamos, o time é muito ruim, ainda mais sem o Jon Beason), suas habilidades, seus números (O que sempre é perigoso, ainda mais hoje em dia...) e seu estilo de jogo eletrizante logo chamaram a atenção de todo mundo que gostava de NFL. Ou seja, deu mostras do seu grande talento e deixou todo mundo babando e com gosto de quero mais.

O que era, desde o começo, o problema! Um grande talento que poderia ser desperdiçado caso não soubesse evoluir seu jogo, lidar com as derrotas que inevitavelmente vêm com um time fraco, lidar com o mundo de diferentes experiências de sucesso e fracasso que você inevitavelmente vai enfrentar jogando na NFL. Lidar com tudo isso não é fácil, e a imaturidade ou cabeça fraca de um jogador talentoso pode acabar com sua carreira. Por mais que sua espetacular produção tenha surpreendido todo mundo e sido até mais do que nós esperávemos conseguir logo de cara mesmo com o talento dele (Ele tem decaído de produção nas últimas rodadas, mas isso é normal, os times começam a se armar pra pará-lo cada vez mais), e ele mostrou que está mais pronto que imaginávamos. Mas o script de antes do Draft ainda está valendo. Vimos seu incrível talento e seu potencial, mas ainda estamos por ver como ele vai lidar com tudo que está por vir, se vai continuar treinando e evoluindo seu jogo, se vai saber lidar com as diferentes facetas de ser um jogador da NFL e consolidar seu talento de uma vez por todas. A forma como se portou após a derrota para o Falcons, quando jogou muito mal, é um bom indicador positivo: Não desanimou, deu a volta por cima e teve um grande jogo na semana seguinte. Se ele conseguir continuar assim e nunca desistir, esse cara vai longe. Agora, estou convencido de que o Panthers fez a escolha certa no Draft.


"O que? Oitava escolha? Tem certeza que foi da primeira rodada?"

Jake Locker, 8th pick (1st round), Tennessee Titans (5-5)


Ao contrário de todos os outros QBs selecionados na primeira rodada, Jake Locker teve uma vantagem logo de cara: Ele foi o único selecionado pra um time com a conjuntura adequada para deixá-lo treinar e evoluir sem precisar entrar em quadra. Eu preciso falar que sempre gostei muito do Jake Locker no College e sempre achei que ele ia ser um baita Quarterback na NFL. Se tivesse saído do College em 2010, provavelmente teria disputado com o Sam Bradford a primeira escolha do Draft (e ganho), de tão grande que era o hype em cima dele e de tão bem que ele vinha jogando. Mas ele preferiu voltar para sua temporada de Senior em Washington, onde ele sofreu uma lesão no começo do ano e jogou o resto da temporada machucado, tendo uma temporada mais fraca e perdendo muito valor no Draft. Pra mim, ele tinha muito valor, e uma temporada machucada onde ainda assim levou seu time a um Bowl pra mim é porque ela tem algum valor. Mas muitas pessoas diziam que ele não iria se dar bem na NFL porque não era um grande passador de dentro do pocket, não tinha a precisão adequada. Tudo isso com base nesse último ano.

De certa forma, eu até concordava, pelo menos no curto prazo. Sua falta de precisão provavelmente iria atrapalhar seu jogo no começo e o ideal para ele seria achar um time que já tivesse um QB veterano para ser o titular, onde ele poderia treinar na reserva sem a pressão e com um mentor mais velho que lhe ensinasse os fundamentos. O Titans não tinha isso, mas a diretoria de lá foi bastante competente: Logo assinou com o veterano (e meu QB favorito uns anos atrás antes das lesões) Matt Hasselback e deu ao careca a titularidade da equipe. Pra mim isso foi perfeito pro calouro porque era exatamente do que ele precisava, e assim Locker ficou a temporada quase inteira fora das quadras, se preparando e melhorando seus fundamentos, desenvolvendo seu talento. O problema disso é que não tivemos muitas chances de vê-lo em quadra para avaliar o que ele tem pra oferecer, tirando no jogo contra o Falcons. Quando Hasselback machucou e o calouro entrou, ele anotou dois TDs e quase liderou seu time à vitória numa ótima partida, deixando os torcedores otimistas. Um pouco de experiência deve ter feito bem a ele, mas eu acho que ainda não está na hora dele. Se Matt estiver saudável, provavelmente vai voltar a ser titular. Eu só posso dizer que o Titans está fazendo tudo certo nesse quesito e que o Locker tem tudo pra ser um grande QB daqui a alguns anos.


O melhor cosplay de Encantado de toda a NFL

Blaine Gabbert, 10th pick (1st round), Jacksonville Jaguars


Ao contrário do Jake Locker, que foi Draftado por um time de excelente conjuntura pra ele se desenvolver, Blaine Gabbert caiu na situação diametralmente oposta, num time que teve um dos piores planejamentos que eu vi em muito tempo. O time trocou sua 16ª escolha com o Redskins pela 10ª pra poder pegar o Gabbert, que disputava com o Newton o posto de "Melhor QB do Draft" antes do dito cujo. Eu nunca me convenci que o Gabbert merecia isso, mas achei que ele podia ser um bom QB com algum treino. Um dos problemas com essa classe de Quarterbacks é que eram poucos aqueles que estavam prontos pra entrar e jogar, e embora tivéssemos vários jogadores com potencial (Palavra perigosa...) não são todos os jogadores que conseguem realizar seu potencial na NFL, um dos motivos pra essa classe de QBs ter sido tão desacreditada. O Gabbert tinha talento e com treino poderia ser um sólido QB titular (Nunca achei que ele poderia chegar a ser um QB de elite, mas sempre achei que podia ser um bom jogador).

O Jaguars draftou ele com a mentalidade certa. O Jaguars tinha uma boa defesa, um bom RB e o David Garrard de QB, era o caso de deixar o Gabbert treinando no banco um pouco antes de dar a ele a posição de titular. Estava tudo certo até o momento que o time dispensou o David Garrard antes da temporada começar, que foi a pior decisão pós-lockout da NFL. O Jaguars tirou seu QB titular, que era bom, e deu o comando do time ao Luke McCown que só está na NFL atualmente porque tem um nome legal. O McCown foi uma droga, o time só perdeu com ele e aí o time fez o que deveria ter evitado desde o começo, colocou o Gabbert no sufoco pra tentar salvar sua temporada. Ou seja, dispensou seu veterano titular que deveria ter sido o mentor do Gabbert, colocou um reserva horrível, que foi pro banco colocar o calouro no fogo aos zero minutos. Gabbert entrou muito cru, sem jogo de pernas, sem algumas noções básicas e jogando com recebedores horríveis e uma péssima linha ofensiva. Tirando o Maurice Jones-Drew, não recebeu nenhum tipo de ajuda. Ou seja, a decisão do time de dispensar o David Garrard foi horrível, acabou com o calouro logo de cara, acabou com a temporada do time e nem sequer serviu pra evoluir sua escolha de primeira rodada!!

Eu ainda não desisti do Gabbert e acho difícil dar um parecer sobre ele enquanto ele não jogar num ataque relativamente decente, com uma linha que lhe de tempo e WRs que se desmarquem e segurem a bola. Ele tem evoluido lentamente desde que assumiu como titular, mas ainda está longe de jogar bem, completa poucos passes, não arrisca bolas longas e as vezes tem problemas com a leitura da defesa. Difícil culpar só ele por isso tudo, a conjuntura que ele pegou foi a pior possível, mas que ele tem sido o QB que menos tem mostrado até aqui é verdade. O Jaguars devia dar um pouco mais de liberdade pra ele nesse final de temporada já que tudo foi pro lixo mesmo, deixar ele tentar passes mais longos e tudo mais. Espero que em 2012 o Jaguars volte com um plano - e um ataque - melhores pra tentar salvar seu investimento.


Christian Ponder encontra um amigo



Christian Ponder, 12th pick (1st round), Minnesota Vikings (2-8)


Eu preciso confessar que nunca coloquei muita fé no Christian Ponder. Achava ele atlético, com uma boa precisão, mas não colocava fé que ele seria capaz de se adaptar totalmente à NFL. Ele tinha alguns problemas de leitura desde o College e muitas vezes colocava a bola ao alcance dos defensores adversários, faltava a ele o controle de bola pra fazer ela passar em coberturas apertadas (Quem viu o primeiro jogo contra o Packers viu isso perfeitamente, suas duas interceptações vindo em passes muito baixos e fracos que ficaram ao alcance do defensor, quando passes mais altos e com mais rotação provavelmente teriam acertados seus alvos). Achei que ele poderia vir a ser um jogador decente, mas nada que justificasse uma 12ª escolha.

Até aqui, isso tem se mostrado correto. Seus problemas de leituras de defesas continuam, seus arremessos continuam sem mostarda e, embora alguns fundamentos como jogo de pés tenham melhorado (já eram bons), ele continua tendo problemas com sua precisão. Ponder é outro QB que se beneficiaria de uma temporada no banco treinando, mas como a experiência Donovan McNabb não deu certo e eles estão loucos pra mostrar pro Adrian Peterson que eles tem condições de oferecer a ele um time competitivo. Ai o Ponder entrou e tem mostrado ao mesmo tempo a habilidade e a precisão (sem falar na habilidade atlética), sua dificuldade de tomar decisõs rapidamente e ler defesas, além dos passes que flutuam demais para o nível da NFL. Algumas coisas ele vai melhorar com a idade e com treino, outras eu acho que simplesmente fazem parte do seu jogo e não vão evoluir. Ainda não acho que valeria uma 12th pick.


Nem bem chegou e nosso querido Red Rifle 
já tem um dos melhores apelidos da NFL

Andy Dalton, 35th pick (2nd round), Cincinnati Bengals (6-4)



Andy Dalton era considerado o Quarterback mais "pronto" desse Draft, ou seja, um jogador cujos fundamentos e habilidades já estavam moldados próximos ao nível da NFL e portanto seria a melhor escolha pra chegar e já entrar de titular, sem necessidade de um período muito longo de adaptação básica pra treinar fundamentos. Por isso foi escolhido pelo Bengals, um time com uma boa defesa e que achava que só estava a um QB (que não fosse o Carson Palmer) de competir. A defesa não é mais tão jovem, então como não queriam esperar um QB que fosse se desenvolver lentamente, acharam melhor escolher o QB que mais estivesse pronto pra entrar e chegar jogando desde o primeiro dia com o excelente AJ Green.

E o Andy Dalton ao mesmo tempo tem obedecido fielmente ao script de antes do Draft e tem surpreendido todo mundo. A análise do Dalton é que ele era um jogador muito polido, que podia entrar e jogar desde o começo, mas que também não tinha muito espaço pra ter grandes evoluções, tirando pequenas cosias (experiência, leitura de defesas, etc) que vem com o tempo ele tinha poucas falhas que poderiam ser corrigidas com treino. Ao mesmo tempo esse grande preparo era o seu ponto forte, porque dava uma opção imediata ao time que o Draftasse, e seu ponto fraco, porque seu potencial era mais limitado que o dos outros, o motivo dele ter caido até a segunda rodada mesmo sendo melhor que o Ponder, por exemplo. Pelo que eu vejo do Dalton, esse é exatamente o caso, um QB muito sólido, com bons fundamentos e muito inteligente que tem pouco espaço para sofrer grandes crescimentos, como é o caso por exemplo do Cam Newton. O que você vê é o que você tem, e pronto.

Na verdade, as vezes esse tipo de escolha até é mais valiosa do que uma escolha de um jogador cru mas com grande potencial. Jogadores assim são uma incógnita, jogadores como Dalton são uma certeza. As vezes os times se deslumbram por esse potencial e pegam um jogador que não lhes da retorno nenhum, como por exemplo o Jamarcus Russell. Claro que depende muito da escolha na qual você se encontra e das outras opções disponíveis, mas as vezes é melhor garantir alguma coisa do que pegar um investimento de alto risco. Eu achei que o Bengals errou ao pegar um QB no Draft ao invés de buscar algum no mercado porque isso garante um compromisso a longo prazo e eu não sei quanto mais essa defesa vai ficar nesse ritmo e junta (Problema que o Raiders solucionou oferecendo duas possíveis escolhas de primeira rodada pelo Carson Palmer, absolutamente TUDO que o Bengals precisava pra fazer sua aposta dar muito certo). Mas a verdade é que o "básico" que o Dalton trouxe acabou sendo ainda melhor do que o esperado. Que ele estava pronto e dificilmente evoluiria a grandes passos a gente sabia, mas não imaginava que ele seria tão bom. Ele as vezes força jogadas e tem muitas interceptações, mas isso é comum pra um primeiro ano, até porque essa parte é exatamente o que ele ainda pode evoluir na NFL. O Dalton ao mesmo tempo acabou saindo exatamente o que se esperava e ao mesmo tempo melhor do que se imaginava.


"Olha como e sei lançar, professor!"


Colin Kaepernick, 36th pick (2nd round), San Francisco 49ers (9-1)


Não há muito a falar do Colin Kaepernick, um Quarterback atlético e com braço forte que chegou totalmente despreparado à NFL depois de jogar no College usando o sistema Pistol, uma variação do Shotgun (Aos torcedores do Chiefs e fãs hardcore de NFL, foi o esquema que o Chiefs usou na reta final de 2008 quando o QB foi o Tyler Thigpen). O Jim Harbaugh gostou do garoto, o 49ers o escolheu e ele tem treinado na sombra do Alex Smith pra de repente ser o Quarterback do futuro. Como ele só jogou dois minutos, é difícil avaliar algo sobre ele. Só sei que eu confio na avaliação do Harbaugh e que vamos ter que esperar pra ver o que vai sair dai.


Ryan Mallett mostra seu lado Heavy Metal


Ryan Mallett, 74th pick (3rd round), New England Patriots (7-3)


Melhor definição que eu li sobre o Ryan Mallett foi o que alguém (desculpe, não lembro quem!) no twitter: "Ele tem o talento do Joe Montana e maturidade de um personagem de Malhação". Claro que as comparações são exageradas, mas foi uma das melhores que eu já vi!! Além disso, ela pega bem a essência do Mallett: Tem muito talento pra ser desenvolvido, tem tudo pra ser um grande jogador mas ainda é muito cru e precisa de treino, mas não gosta de treinar, não leva seus deveres a sério e prefere ficar festando e comemorando do que se dedicar ao seu jogo, além de confiar demais nas suas habilidades. Se o Bill Belichick conseguir colocar ele na linha e ele treinar alguns anos atrás do Tom Brady, ele pode se desenvolver e ser um bom jogador.



Vendo agora, essa classe de novatos acabou gerando alguns bons jogadores e outros interessantes pro futuro. Cam Newton tem tudo pra ser um superstar e o Andy Dalton pode ser um QB de playoffs no time certo (que o Bengals tem tudo pra ser com quatro escolhas de primeira rodada em dois anos), e Ponder e Gabbert ainda tem um potencial interessante. Além disso, Locker, Mallett e Kaepernick ainda podem virar alguma coisa porque estão na melhor situação possível. A descrença dessa classe de novatos vinha do pouco número de QBs prontos e confiáveis, mas pode acabar gerando mais QBs titulares do que qualquer classe dos útlimos cinco anos.