Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte I)


"A gente que fez toda essa bagunça no Dolphins, Richie?"
"Não sei você mas eu não paguei 34M pro Ellerbe nem 60M pro Wallace"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. Parte II, espero, sai sexta ou sábado.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Miami Dolphins

Yeah… Sobre o Dolphins… Bom, pelo menos ninguém pode negar que eles tiveram um 2013 interessante. Ainda que dificilmente divertido: o escândalo Martin-Incognito, duas derrotas seguidas para Bills e Jets quando uma vitória simples os colocava nos playoffs, e tudo de complicado e bagunçado que aconteceu entre a diretoria e o técnico nesses meses dão um tom melancólico para a temporada 2013 de Miami. 

A sorte do Dolphins é que eles jogam na fraquíssima AFC, então os playoffs ficam muito mais próximos do que estariam normalmente para um time como o Dolphins. Então considerando que a diretoria está focada em chegar na pós-temporada o quanto antes, e que tanto a diretoria como o técnico estão urgentemente precisando de algum sucesso para compensar todos os problemas e calar as críticas (bem como se manter no emprego), é razoável imaginar que o objetivo do time é dar o próximo passo rumo a pós temporada.

O problema com esse plano é que o Dolphins… não é um time bom. Eles não são horríveis, mas são fracos: terminaram o ano 23th em DVOA, 18th em ataque e 17th em defesa. O time apresenta enormes buracos, também, dos dois lados da bola: a linha ofensiva é uma desgraça, os recebedores não foram produtivos mesmo com o milionário Mike Wallace, e a defesa terrestre foi a quarta pior da NFL, basicamente. Então o time tem muito a reforçar, e muito chão antes de se tornar um bom time.

A vantagem é que o Dolphins tem bastante espaço salarial vago para ir atrás de free agents, quase 40M no momento, mas esse valor ainda depende de algumas decisões. Os DTs Randy Starts e Paul Solari são free agents, assim como o CB Brent Grimes e outros jogadores menores (Chris Clemons e Nolan Carroll, para citar dois), então se o time optar por manter pelo menos alguns desses jogadores (Starks e Grimes, em particular, foram dois dos melhores defensores da equipe em 2014 e não deveriam sair do time). Então com alguns desses jogadores possivelmente renovando ou recebendo a Franchise Tag, o cap disponível para trazer reforços cai bastante.

Com o que sobrar, espero que a prioridade da equipe seja reforçar a linha ofensiva. Brandon Albert está no mercado, e já expressou interesse anteriormente na equipe. Uma linha ofensiva competente também é crucial para aumentar as chances de Ryan Tanehill continuar se desenvolvendo bem, e o desenvolvimento de Tanehill é um dos principais pontos para tornar o Dolphins um bom time. O time já perdeu profundidade no último draft com a burrice de subir para pegar Dion Jordan (apagado na sua temporada de calouro), então a margem de erro está menor agora, e não vai ser possível reforçar todas as áreas da equipe de uma vez. Mas considerando que na AFC o Dolphins não está tão longe dos playoffs, esperem que o time invista pesado em dois linemen ofensivos e um pouco mais de bife na defesa para pelo menos tapar os buracos mais urgentes e tentar trazer estabilidade para o time.


New York Jets

Eis o que eu escrevi sobre o Jets em Agosto:

"O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. (...) Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular"

Bom, o resultado foi exatamente o que eu previa, mas não o processo. A defesa realmente se manteve muito forte, terminando como a 11th melhor da temporada e a melhor defesa terrestre do ano, mesmo com sua secundária tendo muitos problemas. Mas o ataque... esse nada deu certo. O ataque terrestre melhorou um pouco mas continuou fraco, e o ataque aéreo do time foi uma desgraça sem tamanho, com Geno Smith chegando a ir para o banco em favor de Matt Simms e ser comparado a Mark Sanchez. Mesmo com uma melhora nos últimos três jogos que salvou Geno Smith desse patamar horrível, a temporada do calouro (e dos QBs do time) em geral foi muito abaixo dessa "contribuição mediana de QB" que eu supunha, e a verdade é que o record final de 8-8 do time esconde um Pythagorean Wins de 5.5 vitórias, impulsionado por um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Então o Jets não está tão perto dos playoffs como parece.

O principal e maior problema é simples: na NFL atual, é possível vencer jogos com um QB mediano se o resto do seu time colaborar (Andy Dalton, Joe Flacco, Alex Smith em 2011, etc), mas é muito difícil vencer se seu QB é ruim, e é nesse patamar que o Jets se encontra atualmente. A equipe foi a duas finais de conferências seguidas porque tinham uma defesa espetacular, um forte jogo terrestre e seu QB conseguiu ficar longe de erros e produzir nas horas pontuais, mas já faz três anos que a descrição do quarterback da equipe não inclui nenhuma dessas coisas. Mark Sanchez foi horrível nos seus dois últimos anos como titular, e apesar de alguns flashes, Geno Smith também teve uma temporada de calouro muito ruim (12 TDs, 21 interceptações, 8 fumbles, 35 QBR). É difícil imaginar o Jets dando a volta por cima sem resolver essa situação de QB e achar pelo menos um profissional competente para conduzir a equipe. Mark Sanchez DEFINITIVAMENTE não é esse cara, e a questão é se Geno Smith pode se desenvolver até esse ponto. Se não, o melhor jeito é se livrar de Sanchez (mais disso em um segundo) e achar outro QB - talvez nessa ótima safra dos próximos dois drafts - para desenvolver.

A boa notícia para o Jets é que eles possuem uma excelente base na defesa e uma boa quantidade de espaço salarial. A linha defesiva do Jets com Muhamad Wilkinson, Damon Harrison e o DROY Sheldon Richardson é possivelmente a melhor da NFL, e é mais fácil montar uma defesa quando sua base é tão dominante. A secundária foi um fracasso em 2013 e o time sentiu falta de pass rush, os dois problemas que o time precisa adereçar nessa offseason, mas a equipe possui os meios para isso. O cap space do time roda em torno de 25M sem nenhum free agent importante para retornar, mas a verdade é que o time pode mais do que dobrar esse espaço se dispensar seus jogadores mais caros. Mark Sanchez, Santonio Holmes e Antonio Cromartie, se dispensados, economizariam 28M na folha salarial da equipe, e com um espaço de mais de 50M livres. Holmes é quase uma certeza que vai ser dispensado; Sanchez só não será se a equipe ainda achar que ele pode integrar um time vencedor, e se acham, estão loucos; e Cromartie é mais difícil porque tem um histórico bom como CB mesmo depois de um 2013 atroz.

Mas mesmo que apenas Sanchez e Holmes sejam dispensados, é a deixa que o time precisa para se reforçar na free agent com jogadores jovens em contratos focados no primeiro ano, de forma a não atulhar a folha para as próximas temporadas. Um contrato longo para um jogador com Alterraun Verner me parece o ideal para a equipe enquanto espera Dee Miliner se recuperar do decepcionante 2013, e essa dupla pode ser dominante por muitos anos. Um pass rusher como Michael Bennett também se encaixaria bem na equipe, embora um linebacker me pareça mais adequado. O time também tem alguns buracos na linha ofensiva, mas é um draft extremamente profundo em OLs e esse problema pode ser resolvido na segunda ou terceira rodada enquanto um pass rusher como Khalil Mack seria o ideal na primeira rodada. O Jets ainda está um pouco longe dos playoffs e precisa resolver seu problema de QB se quiser sonhar com sucesso, mas com uma boa base, bom número de escolhas em um draft profundo nas suas maiores necessidades, e toneladas de espaço salarial, pelo menos a equipe se encontra em boa posição para remontar sua base para os próximos anos.


Buffalo Bills

O Bills é um time interessante que muito pouca gente da atenção. Eles terminaram 6-10 ano passado com uma Pythagorean Expectation de 7-9 mesmo recebendo produção muito ruim de seus QBs e com seu "QB do futuro" perdendo sete jogos por lesão. Eles fizeram isso porque sua defesa, que ninguém deu muita atenção, terminou o ano como a quarta melhor da NFL em DVOA e contou com um grupo extremamente variado e dominante para tal: Marcell Dareus e Kyle Williams foram uma das duplas de linha defensiva mais destrutivas da liga, Mario Williams enfim proveu o pass rush que o time precisava com ajuda do surpreendente Jerry Hughes, Kiko Alonso solidificou muito bem o meio da defesa, e Jairus Byrd é um dos melhores safeties da NFL quando saudável... e isso antes de lembrar o quanto lesões afetaram a secundária desse time, tirando jogadores como Byrd e Stephen Gilmore do time por bastante tempo. Byrd é um free agent que pode voltar ao time, e se for o caso, a base desse time está pronta para 2014 e isso sem contar mais saúde para Gilmore e a evolução de seus jovens talentos. Mesmo com alguma regressão natural esperada para 2014, não temos motivos para acreditar que a defesa vá parar de ser uma potência.

O problema é que onde a defesa solidifica a equipe, o ataque age na direção contrária. Buffalo teve o oitavo pior ataque da NFL, uma decepção para um time que usou uma escolha de primeira rodada em um QB e contava com a dupla Fred Jackson e CJ Spiller. Mesmo com o segundo anista Cordy Glenn emergindo como um LT de elite, a falta de talento ficou clara nesse ataque: apenas Steve Johnson e Jackson tiveram temporadas acima da média, e muitos jogadores bem cotados como CJ Spillman, Robert Woods e Scott Chandler foram grandes decepções, e o time sentiu muito a perda de Andy Levitte. E claro, existe o problema do QB: o Bills, estupidamente, usou uma escolha de primeira rodada em EJ Manuel no último draft com a esperança que Manuel fosse o quarterback do futuro do time, só para Manuel ter uma temporada decepcionante marcada por lesões e incompetência (59% nos passes, 6.4 Y/A, 11 TDs contra 9 INTs e 6 fumbles). QBR da a Manuel um rating de 42, um número bem fraco, enquanto ProFootball Focus o coloca como o terceiro pior QB qualificado de 2013 (na frente de Geno Smith e Chad Henne). E embora seja possível argumentar que uma temporada marcada por lesões tenha atrapalhado tanto seu rendimento como adaptação a NFL, o fato é que as questões irão continuar em torno de Manuel,  e é em torno dele que o sucesso da equipe irá rodar.

Então o caminho do Bills parece bem claro: tendo investido uma 1st round pick e seu futuro em Manuel, eles tem que fazer de tudo para cercá-lo com as melhores condições possíveis para seu desenvolvimento e seu sucesso. O time tem escolhas altas e se (quando?) Kevin Kolb for dispensado o espaço salarial da equipe pode chegar a quase 30M. Embora uma boa parte desses 30M iriam para um possível novo contrato com Jairus Byrd, o time precisa usar o resto para dar a Manuel melhores armas. JAckson e Spiller não vão a lugar nenhum, mas a linha ofensiva precisa de reforços além de Glenn, especialmente no meio se quiserem dar nova vida a esse ataque terrestre. O time também tem investido recentemente em WRs - além do veterano Johnson, Woods e Marquise Goodwin são jogadores jovens que o time vê com bons olhos - mas um alvo como Sammy Watkins ou Mike Evans poderia ser extremamente valioso no desenvolvimento do seu QB (Watkins é o melhor dos dois e encaixa melhor na equipe, mas não deve sobrar na primeira rodada). Em resumo, o ataque sofre com talento além de seus RBs e Glenn, e é isso que o time precisa focar com seu espaço salarial e altas escolhas de draft. Por sorte o time tem uma defesa que não exige tanta atenção (talvez um CB veterano como Dunta Robinson), então as energias podem se voltar para o desenvolvimento do seu franchise QB. Se o ataque terrestre engrenar e Manuel conseguir ser competente, é um time que pode dar muito trabalho com essa defesa em alguns anos.


Baltimore Ravens

Quando eu fiz o preview do Ravens, eu passei 80% do tempo elogiando Ozzie "awesome" Newsome e falando sobre como ele tinha sido inteligente nessa offseason ao não se precipitar em manter seus jogadores a preços absurdos (Paul Kruger foi sólido mas não espetacular em Cleveland, e Dannell Ellerbe foi um dos maiores fracassos dessa última offseason em Miami), ter paciência, e remontar sua equipe com jogadores a salários muito mais razoáveis e desinflacionados, com um grupo defensivo que acabou sendo ainda melhor que o de 2012. Mas eu também destaquei que os recursos de Newsome estavam limitados pelo novo salário de Joe Flacco, e que isso diminuia em muito a sua margem de manobra e acabou custando ao time alguns jogadores importantes, especialmente Anquan Boldin (btw, obrigado por isso, Newsome!). 

Esse novamente vai ser o tema dessa offseason para o Baltimore Ravens: espaço salarial. Reassinando e reestruturando o contrato de Terrell Suggs, o time conseguiu abrir 24M em espaço salarial no momento, um montante que seria bom se não fosse pelo fato de que o time tem um número imenso de free agents importantes prontos para deixar a equipe e que, se o time quisesse manter, teria que dispensar bastante dinheiro para isso e 24M não seria suficiente. A defesa foi muito sólida em 2013, mas em parte pelas excelentes contribuições de James Ihedigbo, Corey Graham e Daryl Smith, e os três estão no mercado buscando um enorme contrato. Ofensivamente, de longe o melhor jogador da equipe foi Eugene Monroe... que também é FA, e o LT com certeza vai exigir um contrato enorme nessa offseason. Dennis Pitta (fez imensa falta em 2013), Michael Oher (fraco em 2013, mas um bom jogador) e Jacoby Jones também podem deixar a equipe. Então 24M vai ser muito pouco para renovar com esses jogadores, achar novos talentos E assinar com suas escolhas de draft. Boa sorte, Ozzie.

Newsome é um dos melhores GMs da NFL avaliando talentos e sabendo exatamente o valor de cada jogador e cada contrato, então não esperem que ele saia renovando com todo mundo de cara. Ele gostaria de manter alguns desses jogadores (imagino que Graham e Monroe sejam as prioridades), sem dúvida, mas não vai morder a isca se algum time desesperado oferecer um valor muito exagerado, como aconteceu com Kruger e Ellerbe ano passado. Se for o caso, Newsome provavelmente deixa sair e vai tentar manipular o mercado como de costume para tentar achar uma barganha de fim de feira. Com o cap tão atulhado, é a alternativa que sobra ao time, e vai ser assim até o final do contrato de Joe Flacco (ou pelo menos uma reestruturação). 

Tirando a parte salarial, o foco do Ravens deve ser reforçar seu ataque para voltar aos playoffs - eles não atulharam a folha salarial e pagaram 120M para um QB MVP do Super Bowl para entrar em reconstrução. Para isso, eles precisam urgentemente reforçar o ataque: a saída de Boldin e a lesão de Pitta expuseram a falta de um bom grupo de WRs (em particular, a falta de um possession WR capaz de conversões curtas no meio da galera, a especialidade de Boldin), a linha ofensiva regrediu ferozmente e foi possivelmente o pior grupo de toda a liga, o ataque terrestre FOI o pior da liga e basicamente uma piada, e Joe Flacco teve sua pior temporada como profissional. Então é, foi um ano horrível para esse ataque. O problema mesmo é que são problemas e buracos demais, e não existe uma solução simples para um time com tão pouca flexibilidade salarial. Os problemas na offseason de RAy Rice podem deixar o time sem RB, mesmo que Monroe renove ainda faltam outros três lugares na linha ofensiva (MArshall Yanda é o outro lugar garantido), e o time precisa urgente de tight ends E WRs para reforçar esse grupo. A equipe não vai conseguir adereçar tudo isso pelo draft (ainda que a linha ofensiva deva ser a grande prioridade em um ano profundo) muito menos pela free agency sem espaço salarial, então Newsome vai ter que fazer sua mágica para conseguir jogadores decentes para essas posições sem gastar dinheiro ou escolhas altas. Não vai ser fácil.


Pittsburgh Steelers

O Steelers de 2013 foi basicamente um time medíocre: um grande QB e um grande WR carregaram o ataque nas costas, mas o time terminou o ano 12th em ataque, 20th em defesa, e 15th em DVOA geral. Para um time que passava por um período de reformulação (especialmente na defesa) depois da idade bater na porta, não foi de todo um ano ruim, e o time ficou a dois erros grosseiros de arbitragem a favor do Chargers (contra o Chiefs na última rodada) de ir para os playoffs mesmo assim. Então foi um ano positivo, e o Steelers gostaria de aproveitar esse bom começo para embalar nos próximos anos.

O problema é que o Steelers também esbarra no problema salarial. Hoje, o time está 6M ACIMA do salary cap, então o time precisa cortar salários só para chegar no patamar aceitável. Isso não é tão difícil de se resolver - é só cortar Levi Brown, por exemplo, e cortar Ike Taylor liberaria mais 7M - mas também precisa lembrar que tem o draft vindo ai (e os calouros exigirão novos contratos) e o time tem alguns free agents importantes por renovar (ou não), incluindo Emmanuel Sanders, Ziggy Hood (esse com certeza sai, vem muito mal nos últimos anos), Brett Keisel e Ryan Clark. Isso limita o que o Steelers pode fazer nessa offseason para reforçar seu time e acelerar o processo de reformulação.

Hoje, o Steelers parece ter dois problemas. O primeiro, como sempre, é a linha ofensiva. A OL foi até competente esse ano bloqueando para o passe, mas continua muito ruim bloqueando para a corrida, o que também atrapalha o desenvolvimento do calouro Le'Veon Bell. Alguma regressão também é esperada, então é uma área que o time deveria focar nessa offseason - embora, é claro, a volta de Maurkice "Free Hernandez" Pouncey e uma temporada saudável de David DeCastro ajudariam bastante já. O outro problema é a defesa em geral. Ela não é horrível em nada, mas também é abaixo da média em tudo: a defesa terrestre é fraca, o pass rush é inconsistente, e a cobertura... bem, vocês sabem. O time tem sobrevivido defensivamente principalmente por conta de boas performances de grandes jogadores (Troy Polamalu, LaMarr Woodley, Cam Heyward, William Gay, etc), mas ainda tem muitas posições de necessidade (mais CBs, um novo MLB e um pass rusher na linha defensiva são as principais) e não vai conseguir adereçar todas elas nessa offseason, embora algumas sejam mais simples de se resolver via draft com uma excelente equipe de desenvolvimento. 

Hoje, o Steelers é um time com boa base que tenta reformular, mas esbarra nos contratos grandes de outrora. A equipe ainda possui um excelente QB e uma base muito sólida, o que com alguma saúde e alguma sorte pode ser suficiente para manter o time competitivo. Mas para continuar essa reconstrução, vai precisar de mais flexibilidade salarial, e mais alguns acertos no Draft não seriam uma má idéia. Larry Foote voltando de lesão e um ano a mais para Jarvis Jones podem ser boas soluções internas para alguns dos problemas dessa defesa, também. Então mesmo que o time dificilmente consiga se reforçar muito nessa offseason, eu tenho algum otimismo quanto ao futuro no curto prazo do Steelers. É um sólido time.


PARTE II SAI EM BREVE!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 12 da NFL

Dias negros para torcedores do Jets, mas
pelo menos eles sabem rir de si mesmos



Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Mais uma semana chega ao fim... e holy hell, QUE SEMANA de NFL foi essa. Tivemos vários jogos com implicações importantes para os playoffs, diversas partidas disputadas decididas até o final (Cowboys-Giants, Panthers-Dolphins, Titans-Raiders e meu favorito, Chargers-Chiefs), o duelo dos dois piores times da NFL (Jaguars e Texans, que assumiu o posto depois de perder em casa de Jaguars e Raiders em semanas consecutivas), e um dos melhores jogos da temporada e dos últimos anos de temporada regular (chegaremos nele). Você teve dois QBs famosos pelas famas de amarelão tendo grandes quarto períodos e levando seus times a vitórias importantes. Você teve, basicamente, uma grande rodada de futebol americano. Vamos passar agora por alguns dos pontos interessantes que vimos, começando com...


Tom Brady vs Peyton Manning, Parte XIV


Broncos e Patriots, nosso Sunday Night Football, foi um dos melhores jogos de temporada regular dos últimos tempos. Teve basicamente de tudo: grandes viradas, grandes jogadas, surpresas, fumbles, polêmicas, fumbles, dois dos melhores QBs da sua geração se enfrentando, e para terminar, mais fumbles (sério, foram 11 fumbles. ONZE!!). E como todo jogo bom, apertado, decidido nos detalhes e com tantos interesses e histórias envolvidas, eles deram origem a todo tipo de conclusões estúpidas, falácias e besteiras de modo geral. Então vamos passar rapidamente pelo jogo e ver as conclusões que podemos tirar, e quais as que são exageros viesados.

A primeira coisa que chama a atenção, e eu acho que ainda não citei aqui, foi a quantidade absurda de fumbles que esse jogo teve. Foram ONZE fumbles na partida, três a menos que o recorde da NFL. E claro, como não poderia deixar de ser, foi um deles que decidiu a partida, depois de quatro campanhas sem sucesso em OT, Tony Carter (que pode começar a procurar um novo emprego) acabou encostando na bola de um fumble recuperado pelo Patriots, que chutou o FG e acabou com a vitória. Mas a questão é que, como apontou também o grande Bill Barnwell (que soltou a coluna ontem com esse mesmo ponto), a história do jogo está diretamente atrelada a questão dos fumbles.

Como eu já falei aqui inúmeras vezes, recuperar fumbles é uma questão de sorte: cada time vai recuperar um fumble em média 50% do tempo, uma boa ferramenta para ver se um time foi particularmente azarado ou sortudo durante algum tempo. No caso, dos 11 fumbles, o Patriots recuperou 6 deles e o Broncos 5, então não da para dizer que algum time foi particularmente azarado no quesito. Mas a questão não é se um time foi azarado ou não, foi a forma como essa sorte foi distribuída ao longo desses 11 fumbles que interessa. Porque se prestar atenção, foi o que determinou o caminhar do jogo. Para começar a partida, foram três fumbles do New England Patriots... e todos recuperados por Denver, que usou isso para anotar 17 pontos e abrir seus 24 de vantagem (sem falar, claro, que se as campanhas do Patriots terminavam em fumbles eles não tinham chance de pontuar também). Então o fato de Denver ter começado 3 de 3 recuperando fumbles foi o que impulsionou o começo dominante do time. Depois disso, a reação do Patriots aconteceu... e em parte porque o time recuperou 6 dos 8 fumbles que aconteceram depois na partida, inclusive uma sequência importante no final do primeiro tempo, quando o Patriots sofreu três fumbles consecutivos na mesma campanha e recuperou os três. Se Denver recupera um deles, começaria mais uma campanha no campo de ataque e prestes a anotar outro TD. Da mesma forma, New England acabou recuperando outros dois fumbles de Denver, inclusive um game-changer do Montee Ball (que não voltou mais para o jogo) no segundo tempo e o lance decisivo do Tony Carter em OT, o que ajudou o time a reagir e vencer o jogo. Não que a sorte nos fumbles seja o ÚNICO motivo pelo qual tudo isso aconteceu, pelo qual o Denver abriu vantagem, pelo qual New England reagiu e tudo mais, claro, mas é fácil ver como a distribuição dessa forte é algo determinante na hora de determinar a forma como o jogo flui.

Outro ponto a ser discutido é a forma como as histórias numerosas que já existiam de antemão antes da partida (em especial Brady-Manning), junto a alguns fatores, acabam distorcendo as conclusões e histórias que saem dessa partida de forma injusta. As pessoas gostam de usar um resultado - no caso, a vitória do Patriots e derrota do Broncos - para produzir todo tipo de história. O Patriots venceu porque Tom Brady é melhor e/ou mais clutch que Manning, que perdeu o jogo e portanto CLARAMENTE não é tão bom ou não tão clutch. Ou é o que querem nos passar com base no resultado final, um jogo que esteve empatado em 31 a 31 por três minutos do tempo normal e mais quatro posses de bola da prorrogação, e que foi decidido em um fumble aleatório de um jogador aleatório em uma jogada que não envolveu nenhum dos dois QBs. Não é o resultado desse fumble que vai determinar quem é bom e quem não é, quem é mais clutch e quem não é, e tudo mais. Tom Brady não teve um bom jogo porque Carter teve uma pane mental e sofreu um fumble - Tom Brady teve um grande jogo porque conduziu cinco campanhas excelentes para anotar 31 pontos e empatar um jogo que estava perdendo por 24 no intervalo. E Peyton Manning não deixa de ser clutch, depois de ter feito uma campanha excelente para empatar o jogo nos minutos finais (antes que alguém reclame da falta que voltou atrás uma interceptação, a falta foi bem clara) porque Carter não saiu da frente de um punt. O fato é que foi um jogo muito bom (Denver teve um ótimo primeiro tempo, New England um ótimo segundo tempo) entre duas boas equipes, que ficou empatado por muito tempo e que não foi decidido por uma grande jogada ou um grande erro de um QB no final, e sim por um fumble em uma jogada onde nenhum deles sequer estava em campo.

A maior estupidez, claro, veio de um comentarista da TV brasileira, que disse que "no final, pesou a camisa! Venceu o time que sabe vencer os jogso no final!", uma das maiores besteiras que eu já escutei nos últimos tempos. O jogo foi perfeitamente equilibrado por 12 minutos da prorrogação, ambos os times em condições totais de igualdade, e a vitória acabou sendo decidida por um fumble aleatório de um jogador aleatório... e isso aconteceu por causa da CAMISA que pesou? Por favor! A não ser que ele esteja tentando argumentar que o material da camisa do Patriots é mais leve e teria melhorado a movimentação do jogador para sair da frente da bola (acho improvável!), estou extremamente curioso para saber como um erro individual de um jogador significa algo sobre a camisa dos times, ou sobre como ganhar um jogo porque o adversário cometeu um erro não-forçado diz que seu time "sabe vencer jogos". Esse é só mais um exemplo de conclusões tiradas pelos resultados, narrativas prontas que não tem qualquer base além de um ponto abstrato (no caso, o resultado) influenciado por dezenas de coisas que acabamos ignorando.

Claro, eu não quero aqui tirar o mérito do Patriots pela sua brilhante recuperação, ou falar que o Broncos foi o melhor time ou mereceu vencer nem nada do tipo (como alguns torcedores do Patriots tentaram se convencer que era o caso, porque eles adoram fazer isso). Eu só estou dizendo que não é inteligente justificar tudo com base no resultado. Pense da seguinte maneira: e se fosse Julian Edelman que sofresse um fumble desses em um retorno de punt, Broncos recuperasse e chutasse o FG da vitória? Isso faria a recuperação do time e o segundo tempo de Tom Brady menos impressionante, ou aumentaria o valor da campanha final de Manning no tempo normal? Mas é óbvio que não! O jogo teria sido rigorosamente o mesmo, só que com um erro individual do outro lado e, portanto, outro resultado final. Mas as mesmas pessoas que tiram essas conclusões iriam correr para apontar a "clutchness" de Manning ao conduzir aquela campanha final no tempo normal, e apontar que Brady teve três campanhas para vencer a partida e não conseguiu passar do meio de campo em nenhuma para mostrar que ele não é. E claro, o jogo teria sido rigorosamente igual, com um resultado diferente. Se o jogo foi igual, então qual seria o motivo de mudar a narrativa dos jogadores envolvidos? Nenhum. Então não fiquem se atendo a narrativas prontas com base nos resultados, e sim se foquem no processo que levou a isso.

Uma outra decisão que levantou muita estupidez no twitter e por ai afora foi a decisão do Bill Belichick, em OT, de optar por não começar com a bola para jogar a favor do vento. Pela milésima vez eu preciso bater nessa tecla: você NÃO pode e NÃO deve julgar uma decisão com base no resultado. O técnico que toma a decisão não é um vidente e não sabe qual vai ser o resultado - o Broncos poderia anotar um TD logo na primeira campanha e tornar o vento inútil, o Broncos poderia errar um FG por causa do vento e dar a vitória a New England, ou poderia acontecer o que aconteceu de fato, não ter nenhuma influência no resultado - então tudo que ele pode e deve fazer é analisar as probabilidades e tomar a decisão que da ao seu time a melhor chance de vencer. E eis porque eu achei a decisão tão interessante: não temos nenhum tipo de amostra indicando qual é a decisão que melhora as chances da equipe de vencer o jogo. É tudo uma questão de analisar o que você perde (dar a bola primeiro ao melhor ataque da NFL, com chance de anotar o TD, antes de você tê-la, e possivelmente dando a eles mais posses do que você) e o que você ganha (algumas jardas de posição de campo em punts, aumentar seu FG range e diminuir o do adversário), e concluir o que você acha ser maior. Não tem nenhum estudo, prova ou amostra indicando qual é melhor, então não tem uma decisão certa ou errada. E no final, acabou sendo totalmente irrelevante: o vento não fez nenhuma diferença, o número de posses de bola de cada time não fez nenhuma diferença, e o jogo foi decidido em um erro individual. Claro que isso não evitou um monte de gente, no primeiro punt do Broncos em OT, de chamar Belichick de "gênio", porque aparentemente ele SABIA que o Broncos não iria pontuar na primeira campanha, ou então porque foi culpa do vento que o WR do time cometeu uma falta em uma terceira descida que teria gerado uma 4th and inches. Tem gente que vai tentar distorcer o que aconteceu falando que foi o vento que fez bater a bola no Carter (e não as leis da física, que dizem que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento e que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço) porque o padrão é sempre esse, distorcer os fatos para caber nas conclusões. O fato é que foi uma decisão interessante que não teve nenhum resultado, positivo ou negativo. Não precisamos procurar chifre em cabeça de cavalo.

Então tirando tudo isso, o que PODEMOS concluir do jogo? Basicamente não muito que não soubéssemos de antemão antes da partida. Que a defesa do Broncos depende muito do seu pass rush chegando no QB, senão é muito vulnerável na secundária a bons passes e pode ser explorada (um dos fatores cruciais no segundo tempo? A linha ofensiva do Pats começou a dar tempo para Brady no pocket); que a defesa do Patriots, com seus dois DTs titulares no IR, tem imensas dificuldades em parar o jogo terrestre e que depende muito de Aqib Talib para fazer a secundária funcionar (ele foi bem essa semana, mal na semana passada, e o resultado no resto da defesa é claro); que o ataque do Broncos é muito poderoso e que pode te vencer de diferentes maneiras (mais de 200 jardas terrestres); que Manning-Brady é uma das melhores rivalidades da NFL e promessa de grande jogo... isso tudo a gente já sabia. Acho que o principal ponto de dúvida era ver como o ataque do Patriots iria funcionar, e problema com fumbles a parte, ele jogou muito bem, com jogadores como Edelman e Kembrel Thompkins aparecendo muito bem e Rob Gronkowski cada vez mais em forma. Acho que esse foi o principal ponto positivo para qualquer um dos times. Fora isso, um grande jogo entre dois bons times e dois grandes QBs. Não precisamos ficar achando muito mais do que isso para ter valido a pena.

O eterno dilema de QBs em New York


A vida de um torcedor do New York Jets não tem sido fácil nos últimos anos. Desde que aquele time com defesa fantástica e ataque suspeito improvavelmente chegou a duas finais consecutivas em 2009 e 2010, o time tem brigado para voltar a relevância e tem esbarrado em um grande problema: Quarterbacks. Mark Sanchez, o QB do time durante esse tempo, acabou involuindo em um dos piores QBs da NFL, uma piada generalizada ao redor da NFL, e todo mundo dizia que o time não iria longe enquanto não mudasse o jogador que ocupava essa posição. Afinal de contas, qualquer coisa seria um upgrade sobre Mark Sanchez, o QB do Buttfumble, o pior titular da NFL. Certo?

Bom, esse ano, o time draftou um QB cru na segunda rodada (Geno Smith) e o colocou como seu titular depois que Mark Sanchez sofreu uma lesão grave na pré temporada, eventualmente perdendo o ano todo. Então, considerando que o time está 5-6 e brigando por uma vaga nos playoffs, quanto melhor tem sido o desempenho de Smith como QB da Gang Green?

2012 Mark Sanchez (15 jogos): 246/453, 54.3%, 2883 jardas, 13 TDs (2.9%), 18 interceptações (4%), 6.4 jardas por passe, 23.37 QBR, 34 sacks, 14 fumbles

Aikes! Acho que eu não preciso explicar porque esses números são absolutamente horríveis - não tem um único número que se salve ai no meio, nenhum. Bom, e Geno Smith?

2013 Geno Smith (11 jogos): 175/317, 55.2%, 2227, 8 TDs (2.5%), 18 interceptações (5.7%), 7.0 jardas por passe, 23.36 QBR, 37 sacks, 9 fumbles.

Surpreendentemente parecidos, certo? Mark Sanchez pode até ter sido um passador MELHOR que Geno Smith considerando essas duas temporadas (embora, para ser justo, Geno tem 178 jardas terrestres e 3 TDs). A verdade é que, mesmo sem Sanchez, o ataque continua a mesma droga e o problema continua sendo o mesmo, a péssima produção da posição de QB. Geno Smith tem mais potencial, é mais jovem e era considerado muito cru (então é de se esperar que tenha mais a evoluir no curto prazo), então entendo porque o time possa preferir ele indo para frente, mas quando você está sendo ameaçado de ir para o banco por MATT SIMMS com seu time 5-6 e empatado por uma briga no wild card... quer dizer, é porque as coisas estão ruins. Nem Mark Sanchez em 2012 conseguiu o QBR que Smith conseguiu duas semanas atrás de 0.7 (embora para ser justo, o  QBR só foi incorporar "Buttfumble" como um critério após Sanchez se machucar... e Sanchez teve um 0.3 como calouro).

O fato é que o Jets é um time bem ruim esse ano. Seu saldo de pontos é o terceiro pior de toda a NFL depois do Jaguars, e a Pythagorean Expectations da equipe é de um time abaixo de 3-8. DVOA coloca o time como o 24th melhor da NFL graças a uma defesa Top5, mas com o segundo pior ataque. E no centro disso tudo está Geno, que continua com a tradição Mark Sancheziada da equipe - e isso sem entrar no mérito de que nas últimas quatro semanas, Geno tem um QBR de 4 (!!!). Nenhum QB no período tem menos de 20, via ESPN Stats & Info. Na verdade, se você SOMAR o QBR dele nessas quatro semanas, não passa de 23. Então se você tinha esperanças que o Jets ia sair do buraco agora porque tinha um QB de verdade no lugar do desastre que era Mark Sanchez... melhor pensar de novo.

Os dois amarelões da NFL


Tirando Manning-Brady, esse não foi um bom domingo para quem gosta de exagerar nas narrativas prontas, pré-determinadas e totalmente fora da realidade sobre algum time ou jogador. Isso porque dois QBs que são frequentemente chamados de amarelões ou então criticados por serem incapazes de vencer jogos no final conseguiram levar seus times a duas vitórias cruciais - adivinhe! - nos momentos finais de suas partidas. Tony Romo conseguiu uma campanha de FG para vencer os rivais de divisão Giants e recolocar o Cowboys no topo da divis ão, e Philip Rivers conseguiu anotar 41 pontos e um TD de virada no minuto final contra a melhor defesa da AFC em uma partida crucial para os sonhos do Chargers na temporada. Era uma vez quando os dois eram os grandes amarelões da NFL.

Olhando mais a fundo, é fácil ver que isso de "clutchness" é besteira nesses casos. Apesar do Cowboys ter tido um monte de tiros no pé em jogos apertados essa temporada, é difícil colocar demais a culpa nele. O jogo mais emblemático desses foi contra o Broncos, com o jogo empatado em 48 a 48 quando Romo lançou uma interceptação que deu a vitória a Denver, mas já escrevi muito sobre porque é viesado colocar a culpa da derrota no colo de Romo, que teve 500 jardas e jogou praticamente sozinho para manter o time na partida até aquele ponto. A outra derrota apertada que gerou muitas críticas foi contra o Lions, outra incrível, e na qual é impossível colocar a culpa em Romo: o Cowboys tinha 99% de chance de vitória até seu lineman cometer uma falta besta que parou o relógio e deu ao Lions 40 segundos a mais, e a defesa se implodiu na campanha final de Detroit, difícil ver aonde Romo tem alguma culpa. Na verdade, o Cowboys tem três jogos decididos por uma posse de bola ou menos na temporada e em dois desses Romo que conduziu a campanha da vitória nos segundos finais. Btw, nas últimas três temporadas Romo tem 11 campanhas decisivas no quarto período ou OT para vencer jogos, maior marca da NFL. Mas sabe, amarelão demais esse Romo.

Enquanto isso, Philip Rivers também recebeu críticas (em parte por causa da derrota na semana 1 para o Texans, mas essas fora merecidas) por ser a causa que faz o Chargers ser tão ruins em jogos decididos no final ou apertados. Claro, Rivers lidera a NFL com três viradas no quarto período ou OT e é segundo em campanhas para vencer o jogo em 4th/OT na temporada, mas isso não cansa as pessoas de apontarem para as dificuldades do Chargers em vencer jogos apertados como sendo culpa dele. Ele foi responsável contra o Texans, de fato, mas é difícil ver aonde ele teve culpa nas partidas contra Washington Redskins e Tennessee Titans: a defesa foi totalmente não inexistente no primeiro (inclusive tomando um TD na primeira campanha de OT) e dando o imenso azar do TD de Danny Woodhead ser revertido para uma 1st and goal na linha de 1 jarda, ver o jogo terrestre falhar duas vezes, e seu técnico decidir estupidamente chutar um FG ao invés de tentar converter a jogada; e na segunda precisou de uma campanha milagrosa da virada de Jake Locker nos segundos finais que ainda teve uma interceptação que teria matado o jogo sendo derrubada pelo defensor do Chargers completamente livre. Hmm, como isso é culpa dele mesmo? Isso sem falar que ele é segundo da NFL entre QBs qualificados em QBR atrás de Peyton Manning. Então se você quer jogar a carta do "Philip Rivers é amarelão e não sabe vencer jogos", ela simplesmente não é verdade.

Um dia vou entender a mania de querermos atribuir esse papel de amarelão a todo mundo, mas por enquanto, espero que pelo menos quem leia isso comece a olhar mais o que acontece por trás das óbvias aparências e da fanfarra da mídia e dos fãs antes de ficar rotulando jogadores.

Playoffs e jogos importantes dessa semana


Agora que tudo embolou de vez na AFC, já que meu "melhor e mais louco cenário possível" de fato aconteceu. Tanto Broncos como Chiefs perderam suas partidas, o que deu origem a um dos melhores jogos dessa semana porque ambos os times continuam embolados na primeira posição. Patriots continua cada vez mais líder da AFC East. Redskins e Giants foram praticamente chutados da briga pela NFC East depois de derrotas, e agora Dallas e Philaldephia Eagles estão brigando lado a lado pela vaga.

Mas o que fez dessa semana tão interessante foram os wild cards, bem como os times que NÃO ganharam. Começando pelo Wild Card da AFC, a maluquice que eu previ semana passada de fato aconteceu: com Jets e Dolphins perdendo, e Steelers, Ravens, Titans e Chargers vencendo seus respectivos jogos, agora a segunda vaga do Wild Card para a AFC envolve um empate entre SEIS times diferentes (esses seis já citados), com mais Browns, Bills e Raiders apenas um jogo atrás da vaga. Ou seja, são NOVE times que estão a uma vitória de distância da vaga aos playoffs, esquentando ainda mais a briga. 

Na NFC, Lions e Bears perderam seus jogos e as chances de cada um de disparar na ponta da divisão, mas foram ajudados pelo empate (!!) do Packers com Minnesota, o que mantém a divisão ainda mais em aberto do que antes. E na briga pelo Wild Card da NFC, Niners e Cardinals foram os únicos a vencer suas respectivas partidas, abrindo um jogo de vantagem sobre seus competidores mais próximos (Eagles/Cowboys, Bears/Lions e 1.5 jogos sobre o Packers). Então com Broncos, Chiefs, Patriots, Saints, Seahawks e TALVEZ Bengals e Colts já com vagas garantidas nos playoffs, as vagas que sobram são essas: último wild card da AFC, a NFC East, NFC North e os dois wild cards da NFC, com mais disputas por vagas na AFC West e na NFC South.

Dentro desse contexto, quais então os jogos mais importantes da semana? Bem... 


Green Bay at Detroit, Thursday, 12:30 PM ET
E já começamos com um duelo direto dentro da divisão. O Packers está dessa vez apenas meio jogo atrás de Detroit (ou um jogo atrás com vantagem no critério de desempate, se preferir), e com Aaron Rodgers voltando aos treinos visando a semana 13 para uma volta aos gramados, esse é um jogo importante não só para passar a frente do rival (e eventualmente assumir a liderança caso o Bears perca para o Vikings) como para impedir que os adversários abram vantagem demais para os jogos decisivos da temporada, que o time deve contar com Rodgers. Não é como se uma vitória garantisse o título da divisão e uma derrota o enterrasse de vez, mas uma vitória aqui coloca o time em ótima posição com Rodgers voltando e jogo contra Bears ainda pela frente, e uma derrota pode colocar o time precisando de duas vitórias a mais que seus DOIS rivais na divisão. Então é um jogo que fará uma diferença considerável na briga pela NFC North.

Btw, vale destacar que no primeiro confronto entre os dois no Lambeau Field, o Detroit jogou sem Calvin Johnson, inativo algumas horas antes do jogo começar e que causou a linha de Vegas em aumentar SEIS pontos. Então agora é a vez do Packers ir a campo sem seu melhor jogador. Must-watch, ainda mais porque é quinta em horário bom para todo mundo no Brasil (15:30 de Brasília) e sempre da para dar aquele migué no trabalho por uma boa causa.


Pittsburgh at Baltimore, Thursday, 8:30 PM ET
Os critérios para desempatar empates de SEIS são confusos e complicados demais, então não vou entrar no mérito do que vai significar no ponto de vista direto da vaga uma vitória nesse confronto. O que eu sei e posso afirmar com certeza é o seguinte: esse é um duelo envolvendo uma das maiores, mais físicas e mais emocionais rivalidades da NFL nos últimos 10 anos, e que vale uma vantagem direta na briga por uma posição comum de disputa entre ambos os times com ainda o bonus de derrubar seu maior rival dessa disputa. Fica melhor do que isso? Eu sinceramente não sei. Sei que esse é outro dos muitos jogos obrigatórios de assistir dessa semana e que pode ser decisivo para daqui a cinco semanas.


Tennessee at Indianapolis, Sunday, 1:00 PM ET
Esse jogo não só envolve dois times em busca dos playoffs, como também representa a última chance do Titans de sonhar com o título da divisão. Atualmente o time se encontra apenas dois jogos atrás do Colts na briga pela AFC South, mas uma derrota aqui praticamente acaba com os sonhos da equipe: a diferença abriria para três vitórias e o Colts ainda teria a vantagem nos critérios de desempate, o que significa que para vencer a AFC South o Titans teria que vencer seus quatro jogos e torcer para o Colts perder esses últimos quatro jogos. Praticamente impossível. Claro, não é só por isso que o Titans precisa dessa vitória urgente: o time atualmente é o detentor da última vaga do Wild Card da AFC, então uma derrota aqui vai derrubar o time uma vitória dessa briga de seis times, e acho que não preciso  explicar porque é muito mais difícil recuperar essa dianteira quando você precisa que cinco outros times percam e não só um ou dois. Então para o Colts é a chance de carimbar seu passaporte aos playoffs, e para o Titans é um jogo ainda mais importante. Titans perdeu o último jogo entre ambos por 3 pontos em casa, mas o Colts vem de derrotas humilhantes para Rams e Cardinals e não tem sido exatamente um juggernault nas últimas semanas. 


Denver at Kansas City, Sunday, 4:25 PM ET
Possivelmente o jogo da semana. Ambos os times estão 9-2, ambos os times vem de derrotas... e hmm, ambos os times também estão disputando diretamente o título da divisão E a 1st seed da AFC. Quem vencer a disputa (não o jogo de domingo, a disputa até o final) ganha a 1st seed e mando de campo, quem perder cai para a 5th. Considerável o que está em jogo nesse caso entre dois dos três melhores times da AFC.

O interesse direto na partida é maior por parte de Kansas City do que Denver. Embora obviamente quem perder vai estar em desvantagem na disputa, no caso de Denver eles possuem um consolo: eles possuem vantagem nos critérios de desempate. Então mesmo que percam o jogo e caiam uma vitória atrás de KC, eles só precisam vencer um jogo a mais nos quatro restantes para reassumir a ponta. Se Kansas City perder, perde de vez o critério do desempate e precisa de DUAS vitórias a mais que Denver nas quatro semanas restantes, o que é mais improvável. Então jogando em casa ainda, essa vitória é obrigatória para KC e importante para Denver, o que promete um jogão entre o melhor ataque e a melhor (mas surpreendentemente vulnerável essa semana) defesa da AFC.


Outros dois jogos importantes também envolvem duelos diretos pelo Wild Card: Jets e Dolphins (ambos 5-6 empatados no WC da AFC e rivais de divisão) e Cardinals-Eagles. O primeiro é um jogo simplesmente ruim, e o segundo - que talvez ganhe destaque no quesito "melhor jogo em termos de qualidade" com o duelo entre o on-fire Nick Foles e a excelente defesa de Arizona - não é tãaao interessante assim pelo conflito de interesses porque parecem estar envolvidos em duas brigas distintas, com Arizona sonhando com o wild card e Philadephia tendo como caminho mais curto aos playoffs o título da divisão. Então o interesse direto no duelo diminui, mas ainda é um bom jogo que merece ser visto. Muito futebol bom vindo por ai essa semana. Uma boa semana para ser fã de NFL. Aliás, mais uma.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Nunca exagere na reação a primeira rodada!

Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!!

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Quem leu a nossa coluna de terça feira sobre alguns pontos de interesse da primeira rodada da NFL, provavelmente lembra que agora que estamos com maiores responsabilidades nesse blog, estamos procurando um padrão mais ou menos fixo semanal para falar da NFL. Terça feira ficamos com uma visão geral de alguns pontos importantes da rodada, e sexta provavelmente vamos voltar com nossos palpites para a semana, uma forma rápida de passar por todos os times e comentar alguns pontos menores que não valiam a pena ser citados de forma mais extensa. Isso ainda está na fase de testes, estamos usando o modelo para ver a reação das pessoas, se acham satisfatório, se acham que fica faltando alguma coisa, e por ai vai.

O de quinta feira, inicialmente, era para ser meu post de análise: pegar um tema e fazer uma análise aprofundada dele. O problema é que não da para fazer uma análise sem dados, e uma semana não oferece dado ALGUM para qualquer tipo de análise decente (sim, eu usei a palavra análise quatro vezes - agora cinco - em menos de um parágrafo. O momento exigia). Então já que para podermos fazer dessa coluna uma regular, com um certo padrão, vamos ter que esperar mais dados se acumularem e mais rodadas serem jogadas, queria aproveitar esse espaço hoje para falar do que eu costumo chamar de Overreaction Week.

Overreaction Week


Overreaction Week é o nome que eu dou, carinhosamente, a semana que se segue a primeira rodada da NFL, simplesmente porque é nessa semana onde todo mundo perde a cabeça e começa a tirar conclusões que chamar de "precipitadas" é um elogio. Todo mundo assiste aos jogos e usa os resultados como sendo um retrato fiel da temporada de cada time, ou de para onde os times estão se movendo em relação ao ano anterior.

O processo é, na verdade, bastante simples. Passamos sete longos e duros meses esperando sem NFL, apenas lembrando da temporada anterior e sonhando com a próxima. Passamos esses meses especulando, prevendo, palpitando e imaginando como cada time virá para um novo ano, com novos jogadores e tudo mais. Criamos, na nossa própria cabeça ou colocando num blog para todos os torcedores te xingarem depois, expectativas ou projeções para 32 diferentes times. E ai quando chega na primeira rodada, um time acaba se comportando - ou até mesmo o resultado acaba sendo - totalmente diferente do que você tinha imaginado na cabeça, e então você corre para substituir todo aquela imagem cuidadosa e gradual que você tinha lapitado por sete meses com base no resultado de um único jogo. E durante toda a semana, você passa a acreditar que aquele é de fato a verdade daquela equipe na temporada. Por isso, Overreaction Week, a semana que você passa com uma idéia exagerada de uma equipe baseada em apenas um jogo.

Os problemas óbvios com isso são os mesmos que estamos comentando desde que começamos nossa série de previews: um jogo é uma amostra extremamente limitada e viesada. Um time pode estar simplesmente em um dia bom, ou seu adversário em um dia ruim, ou vice versa. Um time pode dar azar ou sorte em uma série de pequenas jogadas (Dallas recuperando os cinco fumbles do jogo, alguém?), pode enfrentar um matchup que seja favorável ou não. Alguns jogadores terão performances totalmente fora da curva, outros vão demorar para engrenar. Alguns jogos são mais difíceis do que outros, e por ai vai. Colocando tudo isso em uma amostra grande o suficiente, essas coisas tendem todas a se normalizar, mas passamos 32 previews mostrando que uma temporada inteira não é uma amostra grande o suficiente. Se 16 jogos em uma temporada inteira as vezes apresenta uma série de fatores enganosos e que precisam ser observados com calma, o que dizer então de um único jogo? Zero.

Todo ano, a primeira rodada nos trás um certo número de overreactions, em geral com times que todos esperavam que fossem muito bons ou muito ruins. Esse ano, o que eu mais tenho visto é relativo ao New England Patriots, um dos eternos grandes times da NFL.

Você conhece a narrativa a esse ponto. New England Patriots, grande time, cinco títulos da AFC nos últimos 12 anos, liderado por um dos grandes técnicos e grandes QBs da história da NFL. Depois de uma offseason que viu seus três melhores recebedores do ano anterior deixarem o time - um foi para Denver, um foi para a cadeia, e um foi para o departamento médico - o Patriots entrou nessa offseason enfrentando algumas questões bastante sérias sobre seu ataque, em particular seu corpo de recebedores. MAs com Tom Brady segurando as rédeas e Bill Belichick no comando, todo mundo ainda botava alta fé na equipe, sempre um dos grandes candidatos ao título. Ou pelo menos era o que todo mundo achava antes da semana um, quando o Patriots foi até Buffalo enfrentar o Bills, um time que sempre tiveram grande sucesso... e quase que não escapam com a vitória. Buffalo chegou no final com o controle do jogo, e New England precisou de uma série de milagres de Tom Brady e Danny Amendola para conseguir sair com uma vitória muito magra por 23 a 21 nos segundos finais da partida. A vitória foi extremamente apertada contra um time ruim com QB calouro, e todo mundo logo correu para decretar o fim de New England. E por mais que eu saiba como quase todos os não torcedores da equipe adoram odiar o Patriots, eu preciso dizer: se você acha que o Pats acabou, você provavelmente nasceu de sete meses.

Primeiro de tudo, existem motivos legítimos para essa dificuldade de New England na primeira partida. Quando olhamos para a offseason do Patriots, vimos que eles passaram por algumas dificuldades: Wes Welker saiu da equipe, Brandon Lloyd não voltou e eventualmente aposentou. Mesmo com a chegada de Amendola, isso deixou a equipe extremamente magra na posição de WRs, algo que naturalmente iria exigir alguns ajustes do plano ofensivo do time. Mas um dos motivos que levou a equipe a observar isso sem fazer maiores movimentos na direção de compensar essas falhas foi o simples fato de que a equipe podia tranquilamente se dar ao luxo de reconstruir esse ataque em torno da sua dupla de tight ends, a melhor da NFL. Tanto Rob Gronkowski como Aaron Hernandez eram dois excelentes jogadores, versáteis e que poderiam executar diversas funções, danto ao Pats uma flexibilidade imensa na hora de montar suas jogadas. Com esses dois e um dos melhores QBs de todos os tempos, não havia urgência para ir atrás de novas peças. Ou pelo menos não tinha, até que o azar resolveu dar um tapa na cara da equipe: Rob Gronkowski precisou fazer mais duas cirurgias na offseason, atrasando seu retorno aos gramados, e Hernandez foi preso por estar ligado a pelo menos três (parece já chegar a cinco) homicídios diferentes, o que o torna o pior ser humano a jogar na NFL nos últimos anos. Em um piscar de olhos, o time se viu sem as duas peças que eram o centro de todo seu plano ofensivo para a nova temporada, com o draft e o grosso da free agency já no passado. E o time teve que se virar nessa situação, sem possuir um bom meio para adquirir novos jogadores.

Você provavelmente já sabe aonde vou com isso: no espaço de dois meses antes da temporada, o time teve que reconstruir praticamente todo seu ataque sem dois dos seus três principais jogadores. Sem condições de se reforçar antes da temporada começar sem se comprometer com trocas ou salários, todo o novo ataque do Patriots passou a usar jogadores em funções que nunca deveriam ter recebido, a contar com jogadores de special teams (Julian Edelman), calouros não draftados (Zach Sudfeld, Kendall Thompkins - que conseguiu a façanha de pegar apenas 4 das 14 bolas lançadas para ele), calouros suspeitos (Aaron Dobson) e caras de nome engraçado (Michael Hoomanawanui). Nenhum desses jogadores deveria estar tendo um papel importante em qualquer time da NFL, muito menos em um que briga pelo título. Ao redor de um bom núcleo, como complementos, tudo bem, mas sendo o foco das atenções? De jeito nenhum. Então quando consideramos isso, e que esse grupo teve que se reinventar DEPOIS dos problemas com Gronk e Hernandez, e que o playbook do Patriots é famoso por ser particularmente complexo... então não tem nenhuma surpresa para esses caras não terem demonstrado um bom futebol, especialmente na primeira semana.

Outra coisa que engana é o resultado final. Um 23-21, especialmente com a virada acontecendo nos minutos finais, implica em um jogo extremamente parelho, onde os dois times trocaram golpes e estiveram pau a pau até o final. Ou seja, implica que o Pats foi igual a um time fraco do Bills. Mas quando olhamos de fato para o jogo e para alguns detalhes, é fácil ver que esse resultado em especial foi motivado por diversos fatores além do controle da equipe. Em particular, precisamos olhar para os turnovers. A primeira vista, não tem nada de absurdo: New England cometeu três, Buffalo dois, e pronto. Mas não é tão simples assim. Primeiro, é importante lembrar como exatamente essas aconteceram, bem como as que deixaram de acontecer. Em particular, três lances chamam a atenção: primeiro, a interceptação de Tom Brady, em uma bola que foi desviada e sobrou nas mãos de um defensor; e depois, os dois turnovers de Buffalo que voltaram atrás, uma interceptação de EJ Manuel (que bateu no chão) e um fumble. Esses são três lances que foram decididos por muito pouco: por alguns centímetros a bola de Manuel não bate no chão, por alguns centímetros o fumble não é validado, e por pouco a bola de Brady não é desviada e vira apenas um passe incompleto. São três lances capitais - três turnovers - que foram decididos por poucos centímetros, e nos três casos a "sorte" foi para o Bills.

Mas talvez ainda mais importante, a chave para entender porque o resultado final parece pior do que foi de fato foram os dois fumbles de Buffalo. O primeiro aconteceu com Stevan Ridley: o Patriots estava em field goal range quando Ridley sofreu um fumble, que foi retornado para touchdown. Eu já disse isso antes, mas para relembrar, é importante ter em mente o quanto isso depende de sorte: recuperar um fumble (com todos os fatores incluidos) depende muito mais de sorte do que de habilidade - a chance é 50/50 - e transformar um turnover em touchdown também é algo que depende muito mais do acaso do que da capacidade de um time. Então considerando que esse evento sozinho gerou uma diferença de 10 pontos - o FG que o Pats deixou de fazer, mais os sete do TD - é uma diferença considerável num jogo tão apertado, não? E ai chegamos ao segundo fumble: um snap equivocado em um 4th and 1 na linha do goal desenhado para ser Brady pegando a bola e indo em frente. Nas últimas 19 vezes que o Patriots executou essa jogada específica, o time e Brady converteram 18 dessas. 18-19!! Mas dessa vez, por acaso, o snap falhou, Buffalo recuperou, e evitou tomar sete pontos. Então é verdade que Buffalo recuperou apenas 3 dos 5 fumbles do jogo, não sendo particularmente sortudo nesse aspecto. Mas quando consideramos as situações específicas de cada fumble - um retornado para TD, outro salvando um TD que tinha 94.7% de chance de acontecer - eles representaram basicamente um swing direto de 17 pontos. Como esse 23-21 parece agora? O Patriots mostrou problemas e não jogou particularmente bem, mas o resultado final dificilmente mostra a história do jogo e dos times.

Isso não é para dizer que o Patriots não tem problemas: possui vários. Seu RB mais completo, Shane Vereen, está fora por pelo menos 10 rodadas; Danny Amendola deve ficar machucado por mais 2 a 6 semanas; Gronk ainda não tem data para voltar; e já cobrimos a tremenda falta de bons alvos ofensivos anteriormente - eu sei que alguns jogadores não draftados acabam dando certo na NFL (Arian Foster, Miles Austin, Kurt Warner), mas em geral, eles não foram draftados por um motivo. Então esses problemas são bastante reais, e diminuem um pouco do favoritismo de New England na divisão e na conferência. Mas se olhando para apenas esse primeiro jogo, com todos esses fatores, você correu para descartar o Patriots em 2013, é melhor pensar de novo. Um bom conselho de regra geral para a primeira semana.

Palpite para o jogo de quinta feira a noite


PATRIOTS over Jets
Por tudo que foi coberto acima, mais o fato de que o Pats joga em casa, que é o primeiro jogo noturno, o primeiro jogo fora de casa E o primeiro jogo televisionado nacionalmente de Geno Smith... e mais algumas coisas que ficam para a coluna de amanhã. Mas...
Contra o spread: Jets (+11.5) over PATRIOTS - Essa linha está um pouco alta demais para mim, Pats está sem três dos seus quatro melhores jogadores ofensivos, seu melhor WR ativo pegou apenas 4 de 14 passes semana passada, seu segundo melhor WR ativo viveu quaes toda sua carreira nos special teams, e o Jets é melhor do que algumas pessoas pensam. Essa linha está alta demais.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - New York Jets

"Toma, esconde isso aqui do Mark Sanchez antes que ele chegue!"



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Continuando nossa série de preview para a temporada 2013 da NFL, que começou com o New England Patriots, o Miami Dolphins e o Buffalo Billshoje é dia de falar de outro time do último time da AFC East, uma das grandes piadas da NFL, New York Jets. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

New York Jets

2012 Record: 6-10
Ataque ajustado: 30th
Defesa ajustada: 9th


Se você quer uma prova de que os deuses do futebol americano são malucos e que em poucos esportes as coisas mudam mais rápido do que nesse, não precisa olhar mais longe do que a maior fonte de risadas maldosas da NFL, o New York Jets. Volte comigo para a temporada 2009 da NFL, quando o Jets teve uma das melhores temporadas de sua história recente. Depois de precisar derrotar um time misto do Cincinatti Bengals na última rodada para chegar aos playoffs (via Wild Card), a equipe chocou todo mundo ao vencer Bengals e Chargers antes de perder para o Colts na Final de Conferência em um jogo bastante disputado. Com um Pythagorean Expectations que superava em muito seu número de vitórias (11.5-4.5 contra 9-7), era de se esperar uma melhora da equipe para 2010 e outra chegada forte. E foi o que aconteceu: o Jets terminou 11-5 e foi aos playoffs, apesar de algumas derrotas doloridas para seu grande rival, New England Patriots. Mas nos playoffs, o time de New York aprontou de novo, derrotando os Colts de Peyton Manning e os Patriots de Tom Brady em jogos consecutivos para chegar a sua segunda Final de Conferência consecutiva. Mesmo perdendo esse jogo para o Steelers (em um jogo onde tiveram perto de conseguir a vitória), o saldo de duas temporadas seguidas chegando aonde chegaram foi muito positivo, ainda mais com um quarterback segundo-anista, então as expectativas para a equipe eram altas para o futuro. Eles tinham o melhor jogador defensivo da NFL, um dos melhores técnicos, um forte jogo terrestre, e tudo parecia bom para a franquia.

Apenas dois anos depois, o Jets é uma das maiores piadas da Liga, um time que joga no maior mercado da NFL e tem uma das torcidas mais fanáticas mas que passa o ano afundado em controvérsias, brigas, superexposição na mídia e fracassos dentro de campo. O time que chegou tão perto do Super Bowl dois anos seguidos se dissolveu e deixou no lugar um dos grupos mais desfuncionais que eu lembro de ter visto em mais de uma década de futebol americano. Mas afinal, o que deu errado para um time ir de candidato ao título a vergonha da nação em dois anos?

Lembra no preview sobre o Patriots que eu falei sobre como o sucesso continuado da equipe ao longo da década não veio da capacidade do time de fazer funcionar seu modelo de muito ataque/defesa decente, mas sim da sua capacidade de se adaptar ao que tinha nas mãos e as mudanças que a Liga sofreu ao longo dos anos? A queda do Jets se deveu a exatamente o contrário: o time foi muito bom quando Rex Ryan chegou a New York porque implementou um esquema baseado em uma defesa fortíssima, que forçava muitos turnovers, e um ataque que controlava o relógio, conseguia muitas jardas terrestres, encurtava primeiras descidas e "protegia" seu quarterback permitindo a ele trabalhar em conversões curtas e no play action. Quando o time sentiu dificuldades de executar esse modelo, quando sua defesa não era mais tão dominante, seu jogo terrestre tão seguro e o time precisou de mais ataque (em especial aéreo) o time não teve a capacidade de se adaptar ou de contornar essas dificuldades, e por isso o time sofreu essa queda brutal.

Os números corroboram essa visão. Em 2009 e 2010 combinados, o Jets teve a melhor defesa da NFL (1st em 2009, 5th em 2010, 1st combinando os dois anos), uma unidade que forçava muitos turnovers (+1 e +9 em turnover diferential, respectivamente, mesmo tendo Mark Sanchez de QB) e que era o ponto focal do time. Nesse mesmo período, o ataque do time manteve seu perfil de pouca velocidade, pouca produção, mas um forte jogo terrestre: foi apenas o 22nd melhor ataque em 2009 e o 16th melhor em 2010, mas foram o 11th melhor e o 5th melhor ataque terrestre, respectivamente (o ataque terrestre em 2009 só pegou fogo no final da temporada). Mesmo que seu ataque fosse um tanto incapaz de ganhar jogos por conta própria, era o suficiente para manter o saldo de turnovers positivo e ganhar os jogos de placares baixos proporcionados por sua excelente defesa.

Em 2011, as coisas deram uma guinada em outra direção. Embora a defesa continuasse como uma força espetacular (segunda melhor da NFL), o ataque terrestre do time sofreu uma queda brutal depois que o Jets achou uma boa ideia entregar o ataque terrestre da equipe nas mãos do Shonne Greene. Não ajudou o fato de que a troca de RT e a lesão do Nick Mangold tenham enfraquecido consideravelmente a linha ofensiva da equipe, mas o fato é que o jogo terrestre do time despencou de produtividade entre 2010 e 2011, caindo para apenas o 18th melhor da Liga e com Shonne Greene tendo muito problemas na temporada. Mesmo com uma defesa excelente que cedeu poucos pontos e roubou muitas bolas, para ganhar jogos você ainda precisa marcar pontos do outro lado da quadra para sair com a vitória. E para isso, dessa vez o time não contou com um ataque terrestre que encurtasse descidas e preservasse o QB, então precisou contar com Mark Sanchez assumindo um papel maior na equipe, lançando mais e em conversões maiores, contra defesas mais equipadas para parar o passe do que a corrida. O resultado foi o esperado: Sanchez teve muitos problemas para produzir nessas condições (37th melhor da NFL) em QBR, o ataque foi uma droga (21st da NFL) e produziu muitos turnovers, o time acabou com saldo negativo em TOs (-3), e mesmo com aquela excelente defesa o time perdeu os playoffs. Então o time foi ótimo quando conseguiu impor seu estilo de ataque e jogo terrestre/ataque conservador, mas quando precisou de produção ofensiva sem o jogo terrestre, Mark Sanchez não deu conta do recado.

Mas bom, o que tudo isso significa para as esperanças do time em 2013? Quais as esperanças do time de reproduzir seu modelo bem sucedido de 2009 e 2010 e voltar aos playoffs?

O ponto de partida aqui é saber se a defesa do Jets vai ser capaz de retornar a sua melhor forma e, mesmo que não seja aquela máquina de 2009-2011, se pelo menos vai ser uma unidade capaz de manter os placares baixos e forçar alguns turnovers para deixar seu ataque com menos responsabilidades. E aqui, pelo menos, o Jets tem algum motivo de otimismo. Ano passado, o Jets jogou a temporada inteira sem seu melhor jogador em Darrelle Revis, o jogador base no qual toda a defesa do time era montada e para quem o time não tinha um reserva além de Antonio Cromartie... E mesmo assim, a defesa terminou como a nona melhor de toda a NFL na temporada. Esse ano, como Revis saiu, muita gente vê a defesa da equipe caindo por terra, mas eu acho que a realidade é bem diferente. Ano passado o time substituiu Revis por ninguém e ainda teve a nona melhor defesa da Liga, mas esse ano vai ter o bom calouro Dee Milliner (de quem eu gosto bastante) para o lugar dele. Além disso, o Jets corretamente identificou um problema da sua defesa: muitos dos jogadores que foram importantes em 2009 e 2010 estavam ficando velhos e decadentes, sua produção caindo (ver: Scott, Bart). Nessa offseason a equipe fez o possível para se livrar de alguns desses jogadores e substituí-los por novas peças, uma medida underrated mais importante: a produção desses jogadores pode ser substituída em boa parte, mas isso limpa a folha salarial da equipe, da chance para alguns jogadores mais jovens de crescerem e também da a unidade aquele ar de "novas caras" que o time precisava urgente. Rex Ryan ainda é um gênio defensivo, aquela unidade que terminou em nono ano passado teve as adições importantes de dois calouros de primeira rodada que cobrem duas necessidades urgentes (Milliner na secundária, Sheldon Richardson na linha defensiva junto da estrela Muhammad Wilkinson), o time se livrou de algumas peças defeituosas e velhas, e alguns jovens talentos (como Wilkinson e Quinton Coples) terão mais tempo para evoluirem. Mesmo que não seja aquela unidade destrutiva de 2009 e 2010, ainda tem tudo para ser uma defesa Top5 com um pouco de sorte e adaptação rápida dos calouros, com boas perspectivas de futuro.

Do outro lado da bola, o Jets parece determinado a retomar sua diretriz de jogo terrestre como carro chefe da equipe. Embora sua linha ofensiva tivesse sido ainda boa contra o jogo terrestre em 2012 (quinta melhor em jogadas de corrida, per Football Outsiders), o time ainda foi atrás de três jogadores (dois guards e um tackle) para ela no Draft, em parte para reforçar o jogo terrestre e em parte porque ela foi muito ruim protegendo o passe. Mas talvez mais importante, o Jets trocou para trazer um novo running back a equipe. Finalmente desistindo do fraco Shonne Greene, um fracasso como RB principal da equipe nesses dois últimos anos, a equipe foi atrás de um substituto e trocou por Chris Ivory, um RB que tem números muito interessantes (5.4 jardas por tentativa ano passado, 5.1 na carreira) mas que teve pouco espaço no grupo muito cheio de RBs de New Orleans. Considerando que Shonne Greene não conseguiu passar das 3.9 jardas por tentativa em 2012 e que Ivory está saindo de uma linha ofensiva mediana para uma boa (pelo menos correndo com a bola), acho possível imaginar uma evolução do jogo terrestre da equipe (21st em 2012) para a temporada que vem mesmo esperando para ver se os números de Ivory devem piorar com um aumento da carga de trabalho.

Tem um outro ponto de interesse que pode indicar, também, uma possível regressão positiva do Jets para essa temporada. Embora as estatísticas que usamos até aqui indiquem que a temporada do Jets foi exatamente o que pareceu ser (Pythagorean Expectation de 6-10, 4-4 em jogos decididos por uma posse de bola e 53% de fumbles recuperados), o número que salta aos olhos nessa temporada foi o saldo de turnovers da equipe, um ridículo -14 que foi a quarta pior marca da NFL na temporada. Ainda que isso não possa ser atribuído a um azar com fumbles, a história parece estar do lado do time de New York: na história da NFL, esse patamar de turnovers dificilmente se repete por um período significativo de time. Talvez em parte porque um time que chega a esse número tenha a tendência de substituir metade do seu ataque em um piscar de olhos, mas fato é que, em média, times nesse patamar em saldo de turnovers costumam sofrer, na média, uma regressão para perto do -1 de saldo na temporada seguinte. Ainda que seja uma estatística muito menos precisa do que as que costumamos usar, é algo que pode indicar otimismo para o Jets.

Mas como o grande Bill Barnwell, da Grantland, muito bem observou, na média os times não tem um QB como Mark Sanchez. Embora eu tenha feito o possível para não citar o nome dele explicitamente, a sombra dele está por todo o texto. O alto número de turnovers da equipe, a necessidade de um jogo terrestre que escondesse ao máximo o quarterback e o permitisse jogar apenas em conversões mais fáceis, a incapacidade do time de jogar de forma explosiva no ataque, e principalmente a brutal queda de produção (e o aumento de turnovers) do ataque da equipe quando este precisou mais do jogo aéreo. Embora draftado no alto da primeira rodada em 2009, o fato é que Sanchez sempre foi um jogador medíocre cuja incapacidade de produzir qualquer tipo de valor acima da média tem sido o grande problema desse time ao longo desses últimos anos. O Jets era capaz de esconder Sanchez em 2009 e 2010, mas não em 2011 e 2012. Mas o fato de que ele sempre foi medíocre: em 2009, seu QBR foi de 31.6 (33rd entre 46 jogadores); em 2010 subiu para sua melhor marca da carreira, 48.2 (22nd entre 46) no seu melhor time; em 2011 caiu novamente para 33.6 (37th de 47); e ano passado atingiu seu fundo do poço com 23.4 (37th de 38 QBs) e a jogada mais ridícula da história da NFL. Então por melhor que seja a defesa do time, e mesmo que o jogo terrestre melhore em relação ao ano passado, o Jets ainda vai precisar do seu QB produzindo alguma coisa (mesmo que não dominando) acima do básico para brigar pelos playoffs em 2013 a não ser que a defesa volte a ser a melhor da NFL e um ataque terrestre Top5 (o que é improvável mesmo que ambas as áreas devam melhorar). Então enquanto a franquia precisar de alguma produção de quarterback, e o time tiver Mark Sanchez lá, o time não vai a lugar nenhum.

Então na verdade, as pretensões do Jets para 2013 passam pelo QB. O time deve ter novamente uma defesa muito boa e seu jogo terrestre deve melhorar, dando ao ataque algum alívio. Ainda assim, o Jets sofre com falta de talento no seu ataque (os WRs devem melhorar com a volta de Santonio Holmes e mais um ano de Stephen Hill, mas o time não tem um TE confiável e a linha ofensiva foi a terceira pior protegendo o QB em 2012) e por isso vai precisar compensar com produção da principal posição do futebol americano. A escolha da equipe se resume, basicamente, a insistir em Mark Sanchez (que nunca melhorou em quatro anos de Liga e é, a essa altura, um jogador muito abaixo da média) ou apostar no calouro Geno Smith, que mostrou toda sua imaturidade na semana do Draft mas que era cotado por muitos como o melhor QB disponível. Eu acredito que o Jets deva ir com Smith por um simples motivo: se forem com Mark Sanchez, eles já sabem o que vão receber dento de campo e sabem que isso não levará o time a lugar nenhum, enquanto com Smith é possível que recebam também essa produção decepcionante e prejudicial, mas também é possível que recebam uma mediana ou superior... E talvez um QB jogando a um nível mediano ou superior possa ser suficiente pro time voltar aos playoffs atrás de uma boa defesa.

Então, em resumo, é bem difícil projetar o Jets para 2013 pelo mesmo problema do Buffalo Bills, incerteza com um QB calouro do qual não sabemos o que esperar. O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. Mas com a AFC East mais aberta do que tem estado em muitos anos, o Jets tem que arriscar para tentar conseguir essa vaga nos playoffs. Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular, o que significa que com um pouco de sorte e/ou uma produção acima do esperado da posição o time pode muito bem chegar a algo como 9-7 ou 10-6 e ir aos playoffs nessa temporada. Eu não apostaria nisso, apostaria no Jets tendo uma temporada mediana mas mais promissora que do ano passado, mas é um time interessante de se observar e que deve, pelo menos, recuperar um pouco do orgulho perdido em 2012. Mas para isso, o time precisa urgentemente guardar o orgulho na gaveta, admitir que errou com Sanchez, e seguir em outra direção. Se fizer isso, não garante playoffs nem nada, mas pelo menos permite ao time deixar pra trás um capítulo patético de sua existência e seguir em frente. E se Geno Smith mostrar alguns flashes do jogador que se esperava antes do Draft, pode dar ao Jets algo que eles perderam nos ultimos dois anos, uma esperança para o futuro da equipe que não envolva Mark Sanchez.