Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Pontos de destaque dos times da NBA, parte I - O pessimista

O verdadeiro MVP dessa coluna


Para quem não sabe, alguns anos atrás eu sofri um sério acidente envolvendo um DeLorean, um cavaleiro medieval, uma cruz de maçaranduba (o relatório da polícia diz mogno, mas eu discordo) e uma jacuzzi. O trauma me deixou com sérios problemas psicológicos, e entre eles está o surgimento de duas novas personalidades alternativas: Jean, a otimista; e Javert, a pessimista. 

Normalmente as duas ficam controladas, mas como quinta feira foi o Thanksgiving americano e não tivemos nenhum jogo de NBA sequer, meu sistema nervoso central decidiu se desligar por algumas horas e deixar os dois tomarem conta. Então eu fiz um pedido para cada um dos dois: para que escrevessem uma coluna cada um destacando algum ponto específico de cada um dos 30 times da NBA nesse começo de ano. Então Javert escreveu uma coluna destacando um ponto negativo ou de preocupação para cada time; enquanto Jean escreveu uma coluna destacando um ponto positivo de cada um.

Publico hoje a coluna pessimista com os pontos negativos de cada time escrita pelo Javert; e semana que vem publico a coluna otimista, com os pontos positivos, escrita pelo Jean.



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Ah, o começo de temporada regular! Aquele momento mágico de otimismo que serve principalmente para criar expectativas irrealistas. Tudo que está indo bem é uma "nova norma". Tudo que está indo mal "vai melhorar/regredir com o tempo". Se seu time é ruim, você sonha com o próximo Ben Simmons te esperando no topo do Draft. Se seu time é mediano, você se apega à evolução de algum jogador e à temporada fora da realidade de alguns times acima para achar que seu time vai aos playoffs. E se seu time é bom, talvez esse seja enfim o ano que ele vai disputar uma vaga nas Finais! 

Nós tentamos tanto discernir o que é real do que é fumaça, mas a verdade é que apesar dos nossos melhores esforços, só quem tem essas respostas é o Tempo. E o Tempo em geral gosta de nos decepcionar e de dar um soco no estômago. Então vamos passar por cada um dos 30 times da NBA e destacar, nesse começo de ano, o que está dando de errado e pode ser um ponto de preocupação para o futuro desses times, nesse ano e além.


Atlanta Hawks

O Hawks entrou nessa temporada para perder, e até agora eles tem sido muito bons nisso - nenhum time na NBA tem uma campanha pior. Então tecnicamente para o Hawks, ser ruim é bom.

Mas eu vou dizer o seguinte: Dwayne Dedmon liderando um time em rebotes é tenso. Espera, ele ta chutando 50% de três pontos? E liderando o time em tocos?

Bom, isso explica muita coisa, eu acho.

Já que pro Hawks ser o pior possível é o melhor, porque eles querem uma escolha alta de Draft, eu vou apenas apontar que eles ainda tem 75% de chance de não ter a escolha #1 do Draft mesmo se tiverem a pior campanha, e que um dos melhores jogadores da próxima classe (Michael Porter Jr) acabou de anunciar que vai perder a temporada com uma cirurgia nas costas. Então tem isso.


Boston Celtics

Apesar de ter a melhor defesa (e a melhor campanha) da NBA, Boston tem um problema do outro lado da quadra. Depois de 19 jogos, o Celtics tem apenas o 20th melhor ataque da NBA, que deveria ser sua grande força esse ano. Com toda a confiança que o time tem no esquema do genial Brad Stevens para mover a bola e ganhar o jogo com passes, Boston é apenas 15th na NBA em passes por jogo, e 20th em aproveitamento nas bolas de 3 pontos. Em consequência, durante sua sequência de 16 vitórias seguidas o time se viu diversas vezes precisando virar diferenças de 12, 15, 18 pontos devido ao ataque passar longos períodos apagado. Dessa vez foi possível, mas se colocar repetidamente nessa situação é uma receita para o desastre.

E sim, parte disso vem de perder Gordon Hayward tão cedo e ter que incorporar novas peças no time e num esquema ajustado. Mas ainda assim, é hoje um fator limitante para o Celtics e que tem colocado o time em situações adversas, e se permanecer durante o ano pode limitar muito o que esse time pode fazer nos playoffs.


Brooklyn Nets

Brooklyn
ainda não tem escolhas de Draft, o que por si só já é o maior problema. Mas é um time que está pensando em primeiro arrumar uma fundação e implementar o esquema de jogo, para depois encontrar as peças a serem encaixadas.

O problema é que as duas peças mais importantes para isso estão machucadas: Jeremy Lin está fora do ano todo por lesão, e D'Angelo Russell parece que vai perder um tempo considerável. E essa segunda é particularmente problemática para o Nets: sem escolhas de Draft, o Nets precisa achar jogadores com potencial onde puder, e Russell foi o que caiu no colo deles no momento. Eles precisam ao máximo desenvolver Russell, ver como ele se encaixa no sistema, ver o que tem ou não nas mãos para poder fazer seus planos para o futuro. Com D'Angelo machucado, eles não conseguirão fazer nenhuma dessas coisas no momento, o que torna essa temporada ainda menos produtiva para o futuro da equipe.

Se é que é possível atrasar ainda mais uma reconstrução que não parece ter fim no horizonte, essa lesão fez exatamente isso. Pelo menos tempo não falta pro Nets...


Charlotte Hornets

Sabe quem é muito bom? Kemba Walker.

Sabe quem é muito, muito, muito ruim? O time do Hornets quando Kemba Walker não está jogando.

Nos 599 minutos que Kemba Walker ficou em quadra pelo Hornets, o time tem um Net Rating (saldo de pontos a cada 100 posses de bola) de +9.8, o que estaria LOGO atrás do Rockets como a terceira melhor marca de toda a NBA. Mas com Kemba Walker no banco, o Hornets está -20.0 de Net Rating (!!!!!), o que é basicamente tão ruim quanto o pior time da NBA (Kings) e o terceiro pior (Bulls) SOMADOS.

Parte disso é Kemba Walker sendo incrível e impossível de substituir nesse esquema tático do Hornets. E parte disso é o banco de reserva do time que me deixou até sem palavras. O seu reserva deveria ser Michael Carter-Williams, mas MCW passou boa parte do tempo machucado (e é ruim mesmo quando saudável); Batum, que muitas vezes fazia as funções de armar o jogo com Kemba no banco, voltou agora de lesão e está longe de 100%... o Hornets chegou a usar JULYAN STONE de PG reserva até este se machucar, e Malik Monk passou boa parte do ano improvisado na posição 1 para tentar impedir a hemorragia que é quando Kemba senta. Prefiro assistir o ataque do Bulls do que o ataque do Hornets quando Kemba não joga, o que diz tudo.

Falar no diabo...


Chicago Bulls

O Bulls quer ser ruim, e eles são. Mas meu Deus, o ataque precisava ser TANTO? Toda vez que o patrão começa a assistir o ataque deles, os olhos começam a sangrar e ele perde o controle por alguns minutos. O Bulls tem o pior ataque da NBA com um Offensive Rating (pontos marcados por 100 posses de bola) de 94.4 - desde a fusão entre NBA e ABA, apenas QUATRO times na minha base de dados anotaram menos pontos por posse de bola, e ironicamente 2 deles são Bulls: 1999 Bulls (ano depois de Jordan aposentar e Pippen sair); 2000 Bulls (a sequência); 1977 Nets; e 2003 Nuggets (um dos piores times da história da NBA). Considerando a explosão ofensiva da NBA de hoje, esse ataque ajustado do Bulls pode muito bem ser o pior da história da NBA.

Talvez um pouco disso melhore com Zach LaVine (e talvez não), mas realmente é difícil assistir esse time jogar no momento. Apenas dois jogadores que jogaram 10+ jogos estão arremessando acima de 43% (Lopez e Felicio), os armadores são um desastre (embora Kris Dunn esteja mostrando alguns flashes, mas mais nada), e Markannen é o único raio de luz nesse mar de tijolos.

E de alguma forma, alguém vai achar uma maneira de colocar a culpa no Fred Hoiberg, eu acho até que foi pra isso que ele foi contratado.


Cleveland Cavaliers

Existe quatro etapas que são inevitáveis no inferno astral que é a conferência Leste dos anos 2010:

a) Se animar com o começo do ano e achar que o Leste está ficando mais forte;
b) Se animar com o quão bom o Raptors parece depois de algumas mudanças;
c) Se preocupar com Cleveland não parecer tão bem;
d) Ter todas as nossas esperanças sobre os pontos a, b e c destruídas.

Então sim, não vamos nos empolgar com o c de novo.

Dito isso, eu preciso falar do elefante na sala, que é a defesa de Cleveland - atualmente a PIOR de toda a NBA, pior que Suns, Mavs, Kings... pode escolher. Mesmo nas suas vitórias, a defesa do Cavs ainda é uma peneira que não consegue segurar ninguém. Claro, isso aconteceu também no final do ano passado (e cobrou seu preço nas Finais), então as pessoas insistem que não tem motivo pra se preocupar - nós já vimos isso antes. Quando chegar nos jogos importantes o Cavs vai aumentar o nível de esforço, se importar com defesa, e vai ficar bem

Mas não é verdade: nós não vimos ESSE time fazer essa "virada de chave" defensiva antes. Não vimos esse Cavs que depende de minutos de Derrick Rose, Dwyane Wade, Jeff Green, Isaiah Thomas (eventualmente) e Korver (todos defensores horrorosos a essa altura da carreira) e ainda está um ano mais velho em relação a 2017. Esse time é bem diferente dos times dos últimos anos, e foi uma mudança pra jogadores piores defensivamente e mais velhos. Esforço sem dúvida ajuda, mas nenhum esforço vai transformar esses jogadores todos em bons defensores da noite para o dia.

Além disso, mesmo ano passado - quando a defesa do Cavs despencou pós-ASG - Cleveland pelo menos mostrou uma defesa na média da NBA nos três primeiros meses da temporada. Depois ficou péssima, mas eles TINHAM mostrado em algum momento "Olha, nós conseguimos defender nesse nível aqui", uma referência para você se basear. Esse novo time do Cavs não fez isso em nenhum momento. É uma situação BEM diferente da dos últimos anos.

Isso faz diferença? No Leste, provavelmente não com Hayward machucado. Nenhum time deve ter força para bater de frente com Lebron. Mas o objetivo do Cavs não é ganhar o Leste - de novo - é ganhar uma Final de NBA, e para sonhar em vencer GSW vai precisar mostrar uma defesa bem mais forte do que isso - uma que é inteiramente válido questionar se o time conseguirá com tantos defensores ruins ganhando minutos importantes.


Dallas Mavericks

O que diabos aconteceu com Nerlens Noel? O jovem pivô do Sixers foi adquirido por troca ano passado em um negócio bastante elogiado para Dallas - Noel deveria ser o jogador de garrafão que faltava ao time, capaz de ancorar a defesa e alguém para rolar até o aro com força nos pick and rolls e finalizar pontes aéreas. Noel era talentoso e cheio de potencial, parecia um ótimo encaixe.

Menos de um ano depois (com o Mavs oferecendo um contrato de 72M a Noel nesse meio tempo, recusado), Noel tem 12 minutos por jogo de média, com 4 pontos e 4 rebotes por jogo, e está atrás na rotação de Maxi Kleber, Dwight Powell e recentemente até Salah Mejri. Em um time horroroso do Mavs, Noel é DE LONGE com quem o Mavs tem pior desempenho: com Noel em quadra, o Mavs tem Net Rating de -22.7 (EU DISSE, MENOS VINTE E DOIS PONTO SETE!), contra -3,8 com ele no banco.

Não sei se foi o carnaval do seu contrato na offseason que fez ele cair na não tão boas graças em Dallas, se sua personalidade imprevisível e irregular causou atritos com o espartano técnico Rick Carlisle, ou se seu estilo de jogo na hora de entrar em quadra simplesmente não casou com o resto da equipe, mas é bizarro ver um jogador talentos como Noel sofrer para ganhar minutos em um dos piores times da liga.

Lembra quando Noel recusou aquele contrato de 72 milhões de dólares de Dallas? Tenho certeza que ele não vai esquecer tão cedo.


Denver Nuggets

Olhando de longe, o Nuggets teve vários acertos pequenos na forma de ir montando seu elenco ao redor de Jokic. Mas chegando mais de perto, você começa a perceber que a montagem não faz tanto sentido assim, com excesso de algumas peças e falta de outras: Faried é bom demais para jogar só 11 minutos por jogo, e Juancho Hernangomez certamente também merecia mais que 11, mas ambos jogam na posição mais cheia do time; Wilson Chandler rende mais como PF que com SF, mas não tem outras opções para jogar na 3 e opções demais para a 4, então Chandler está jogando não tão bem como SF titular; e por ai vai.

E em nenhum lugar isso é mais claro que na posição de armador. Depois de trocar Jameer Nelson, o time ficou com dois armadores nos jovens Jamal Murray e Emmanuel Mudiay. Mudiay com o arremsso que tem mostrado é um jogador de rotação, e Murray sem dúvida mostrou vários flashes do que pode vir a ser ao longo do ano. Individualmente, são jogadores decentes, mas colocando em quadra, eles começam a virar um problema. Murray não é armador de origem, tem dificuldades criando o jogo e iniciando o ataque, e Mudiay nunca realmente evoluiu no tipo de playmaker que times procuram na posição 1. Em teoria, isso não tinha problema: Jokic seria o armador de fato do time e é por ele que começariam os ataques, então você podia se contentar em ter um jogador bom na posição 1 mesmo que não fosse um armador de origem.

Na prática, não funcionou assim. Times vieram para 2017/18 muito mais preparados para Jokic, e os espaços para seus passes deixaram de existir em tamanha abundância (Millsap jogando no garrafão também ajudou a apertar os espaços). A facilidade com que o time rodava seu ataque em 2017 não existia mais, e quando a jogada estagnava e as linhas de passe não abriam para Jokic, o time sentia falta demais de um armador que iniciasse um novo ataque, quebrasse a primeira linha de defesa, e colocasse uma jogada em movimento. Nem Murray nem Mudiay são (hoje) esse tipo de jogador, e foi ai que a falta de Jameer Nelson (dispensado para abrir espaço para Richard Jefferson) começou a complicar a vida de Denver. Nelson não é um craque, mas é um armador inteligente que conhece o playbook, e é capaz de jogar como armador de ofício e comandar um ataque - isso era importante para o Nuggets quando o ataque não conseguia se iniciar organicamente, e seria ainda mais nesse ano de dificuldades. Sem Millsap - machucado e fora indefinidamente - isso pode pesar ainda mais.


Detroit Pistons

Uma das poucas coisas negativas do que tem sido um ótimo começo de temporada para Detroit: já está chegando a hora de desistir de Stanley Johnson?

Escolha #8 do Draft de 2015, a verdade é que já estamos no Ano 3 de Stanley Johnson e o ala ainda não mostrou absolutamente nada para nos convencer de que ele terá um futuro na NBA. Depois de passar praticamente seus dois primeiros anos inteiros vindo do banco com um jogador "em desenvolvimento", esse ano Johnson ganhou a vaga de titular em um time que surpreendentemente está brigando forte pelos playoffs no Leste, mas não está mostrando qualquer evolução ou ajudando seu time a ganhar jogos.

No seu terceiro ano de NBA, Johnson não parece ter nenhuma habilidade definida em nível de NBA. Não é um bom pontuador, não consegue arremessar de fora (37% FG, 30% 3PT na carreira), sua defesa nunca evoluiu com esperado, não é bom passador, não é um bom reboteiro... e para piora, o Pistons é HORRÍVEL quando Stanley está em quadra: -6.2 de Net Rating (saldo de pontos por 100 posses de bola), que seria próximo à quarta pior marca de toda a NBA (Suns) e é de longe a pior marca do time. Um problema grave quando ele é seu quarto jogador mais utilizado. Se a falta de evolução continuar, é difícil imaginar Johnson continuando em Detroit por muito tempo.


Golden State Warriors

Yeah, eu não vou cair nessa. Eles podem ter a preguiça que quiserem (e estão com muita) que ainda lideram a NBA em Net Rating, RPI, tem o melhor ataque e a sétima melhor defesa da NBA, e fizeram tudo isso enfrentando o calendário mais difícil de toda a liga. Nope, estou fora. Não vou cair nessa cilada.


Houston Rockets

Chris Paul
enfim voltou de lesão e voltou jogando bem, com médias de 14 pontos e 9 assistências em 26 minutos por jogo, depois de uma lesão que o deixou de fora da NBA durante quase um mês. Mas apesar das boas performances, a dúvida fica: o quanto o Rockets pode contar com a saúde de Chris Paul?

O ataque do Rockets vai demolir times na temporada regular com James Harden, em especial times que tentem e não consigam igualar Houston no volume de ataque. Já vimos isso ano passado, e nesse ano sem Paul. Mas o Spurs expôs as limitações disso nos playoffs ao longo da série, relevando o quanto Harden não é suficiente sozinho para fazer o ataque funcionar e segurando o barba a duas das piores performances da história dos playoffs SEM Kawhi Leonard. Se Houston quer sonhar com o título, eles precisam de Chris Paul saudável e funcionando como uma segunda opção para iniciar o ataque, para evitar que as defesas voltem a sufocar Harden sem se preocupar com outras criações. O que é uma dúvida razoável: Chris Paul terá 33 anos nos playoffs, com múltiplas lesões e cirurgias no currículo, e só uma temporada completa desde 2012. O quanto Houston vai conseguir contar com o armador em Maio?


Indiana Pacers

Em Myles Turner, o Pacers tinha sua estrela do futuro depois de trocar Paul George. E em Domatas Sabonis, que começou o ano muito bem, o Pacers tinha mais um jovem talento em quem apostava para ser um pilar da sua pseudo-reconstrução. Com Sabonis e Oladipo jogando bem, a troca de Paul George parece bem melhor, embora a preocupação continue: Indiana parece ser um time sólido mas sem grandes ativos para o futuro, bom o bastante para brigar no fundão do Leste e mais nada. Estão apostando no desenvolvimento interno, ou em achar novamente ouro no meio do Draft, se querem sair dessa posição.

Mas o mais preocupante a médio prazo é se Turner e Sabonis, duas peças chave para seu futuro, podem ou não jogar juntos. Os melhores momentos de Sabonis vieram jogando como pivô, dentro do garrafão, quando Turner se machucou e perdeu alguns jogos. Desde a volta de Turner, Sabonis tem vindo principalmente do banco e viu seus números caírem em um papel menor, e os dois não são um encaixe tão bom jogando juntos: ambos tem habilidade para sair do garrafão, mas Sabonis em particular rende muito mais dentro dele ofensivamente, e os dois jogando juntos fecham demais as linhas de infiltração para Oladipo e Darren Collison. Defensivamente, ambos jogam melhor no garrafão - Sabonis controlando rebotes, Turner protegendo o aro - mas um deles precisa ficar no perímetro perseguindo jogadores mais velozes quando jogam juntos. Por isso os minutos dos dois juntos tem sido um desastre épico para o Pacers: quando SAbonis e Turner dividem a quadra, o Pacers tem Net Rating de -7.6, que seria uma das 5 piores marcas da NBA.

Os dois ainda são jovens e Indiana vai experimentar ao máximo usar os dois juntos. Considerando que são duas das poucas peças de médio/longo prazo que o Pacers tem, e dada a aposta que o time fez no desenvolvimento interno, é crucial para o futuro que Sabonis e Turner possam jogar juntos em quadra. Hoje, no entanto, os primeiros sinais não são encorajadores, e até aqui Indiana tem preferido separar os dois, focando mais no resultado do que no desenvolvimento.


Los Angeles Clippers

Esse time poderia ser bom. Realmente poderia, naquele "no cenário onde as coisas dão certo". Mas isso também era predicado na saúde de Pat Beverly, Blake Griffin e Danilo Gallinari, três jogadores que perdem em média 20 jogos por ano - cada. Com Milos Teodosic indefinidamente fora com problemas no pé, as lesões de Beverly e Gallinari acabaram com qualquer rotação do time, que usou como titulares Sindarius Thornwell e Wes Johnson. Não foi o "pior cenário possível" pro Clippers porque Griffin pelo menos está inteiro, mas 9 derrotas seguidas depois, o Clippers está despedaçado e bem para trás na briga do Oeste.

Com Beverly fora da temporada, se isso persistir, é bem capaz do Clippers trocar DeAndre Jordan (que deve virar free agent ao final do ano) e tentar pensar no seu futuro - especialmente se Griffin também acabar machucando. É uma pena, um time com potencial mas que dependia da saúde, e a saúde não esteve lá. Se bem que é o Clippers, a gente deveria ter imaginado.


Los Angeles Lakers

Vamos tirar isso logo da frente: Lonzo Ball tem sido bem ruim como jogador de NBA. Não quer dizer que ele vá continuar sendo, não quer dizer que é um bust, não quer dizer que não tenha futuro. Mas ele tem sido ruim, independente do que o stat-pading do Lakers possa tentar maquiar.

As pessoas gostam de focar os problemas no arremesso de Lonzo (25% de 3pts), mas os problemas vão muito além - Lonzo também está chutando 43% nos lances livres e 36% em bolas de dois pontos. É muito mais fácil na NBA para os times transformarem Lonzo mais em pontuador que passador, e Lonzo não tem o drible para abrir espaços, ou a explosão passar pelos marcadores e finalizar perto do aro. Ele depende quase que única e exclusivamente de seu arremesso torto de três, que até caiu na NCAA mas sempre foi uma enorme incógnita na NBA.

E até as assistências de Lonzo - o calouro tem média de 7 por jogo - parecem um pouco vazias quando se para e assiste os jogos. Algumas delas são lindas, em passes criativos e difíceis que abrem o jogo para todo mundo, e ninguém duvida que Lonzo é um grande passador. Mas muitas ainda são passes laterais ou "fáceis" que a defesa está cedendo por opção, em um ataque que já estagnou ou então para uma opção secundária - não é a toa que o ataque do Lakers é uma atrocidade da natureza. Não tem jeito prático de "medir" o quão vazios algumas dessas assistências parecem ser, mas vale dizer que Los Angeles tem o quarto pior ataque da NBA inteira (enfrentando o quinto calendário mais fácil da liga). Lonzo Ball, aliás, tem o segudo pior Offensive Win Shares da NBA INTEIRA no momento.

E embora seja fácil apontar o dedo para o falastrão LaVar Ball, quem merece mais críticas é o Lakers. Não só o Lakers contribuiu absurdamente para aumentar a expectativa em torno de Lonzo, como também construiu seu plano inteiro em torno de Lonzo sendo uma estrela logo de cara para "validar" o discurso e o time para o resto da NBA, o que é estúpido e insano. Lonzo precisava jogar bem, ser uma estrela, ser o foco das atenções, etc, e isso significava que ele não podia falhar. Colocaram o calouro no fogo, não deixando ele passar pelo processo normal de alguém da sua idade que chega à NBA com sérias falhas no seu jogo. Não é a toa que o Lakers está deixando Lonzo jogando em garbage time para tentar melhorar seus números.

Se a vida fosse um video-game, eu adoraria dar reset e deixar Lonzo recomeçar sua temporada sem a pressão e o foco que o Lakers colocou na sua cabeça, e pudesse ser um calouro em paz. Mas ela não é, então vamos torcer para que seja apenas um inicio ruim para o calouro, e que seu futuro pareça melhor do que seu arremesso.


Memphis Grizzlies

Mike Conley e Marc Gasol
eram como Dirk e Carlisle - enquanto estiverem juntos, o time vai ser competitivo e brigar por playoffs ancorando um bando de jogadores desconhecidos ou "recuperados" por Memphis. E parecia que seria o caso de novo: O time começou o ano 7-4 com vitórias sobre Warriors e Rockets (x2), Marc Gasol parecia rejuvenescido dos dois lados da quadra, Chandler Parsons e Tyreke Evans (chutando de três!!) pareciam bem vindos do banco, e Memphis parecia que ia de novo superar as expectativas.

Então Mike Conley machucou, e tudo foi por água abaixo: a magia negra de Memphis não é suficiente para sobreviver sem um dos seus dois pilares. São cinco derrotas consecutivas sem Conley (e 6 no total), e de repente Memphis aparenta a idade e o time está jogando com Mario Chalmers ou Andrew Harrison no lugar de Mike Conley. Memphis sempre escapou com caras como Jarrell Martin ou James Ennis de titular, mas isso com Conley e Gasol. Sem uma de suas estrelas, parece que acabou o fôlego desse time. E se acabou, olha, foi uma sequência e tanto.


Miami Heat

A cada dia, 2017 Dion Waiters parece mais uma ilusão. Waiters teve o melhor ano da carreira em Miami ano passado impulsionado por um aumento brutal no seu arremesso de três pontos, acertando 39.5% das suas bolas longas (de longe a melhor marca da carreira). Essa temporada - e seu papel na ótima segunda metade do ano do Heat - lhe renderam um contrato de 4 anos, 52 milhões.

E agora Waiters está voltando a ser uma abóbora. Waiters continua anotando 15.9 pontos por jogo de média, mas dessa vez com mais minutos, maior usagem, e muito menor eficiência. Seu aproveitamento nas bolas de três voltou para 32.6% (próximo de onde estava antes de 2017) e Waiters está tentando compensar isso com mais infiltrações e arremessos ruins, o que não está dando certo. Seus turnovers subiram, seu eFG% voltou para fraquíssimos 46.2%, e seu PER é o segundo pior da carreira.

Sem Waiters jogando em alto nível de novo, vai ser difícil para Miami atingir suas ambições na temporada em um Leste surpreendente, e pode ser que o time tenha continuado sua tendência recente de entupir sua folha salarial com contratos que não levam o time a lugar nenhum.


Milwaukee Bucks

A gente tem certeza de que Jason Kidd é um bom técnico? Ele certamente fez um bom trabalho desenvolvendo a molecada (em especial Giannis), mas o time parece ter se estagnado como coletivo em um momento que a evolução tem que vir de dentro, com a folha salarial lotada.

Entre Giannis, Brogdon, Middleton, Bledsoe, Henson e Snell, o time tem seis jogadores que defensivamente ficam entre "ótimo" e "sólido". Não falta talento defensivo em Milwaukee, e coletivamente não existe time no planeta que chegue perto do coletivo de envergadura e alcance que esse time tenha. É inadmissível que esse time seja 21st em defesa apenas na temporada, mas Kidd insiste em implementar uma defesa pressão ultra-agressiva que deu resultados no seu primeiro ano (2nd na NBA) mas foi 22nd, 19th e 21st (esse ano) desde então. Apenas dois times cedem mais FTs para os adversários, e nenhum cede melhor aproveitamento nas bolas de 3.

Ofensivamente, Giannis evoluiu num Demogorgon capaz de carregar o time nas costas, mas as jogadas ofensivas do time são muito pobres, com pouca movimentação, pouca variação, e que frequentemente cai na famosa jogada "Toca pro Giannis e espera ele fazer mágica". É muito pouco para um time com tanto talento e que precisa começar a mostrar logo alguma evolução para sua superestrela. Talvez Kidd seja o Mark Jackson desse Bucks: o técnico que coloca ordem na casa e desenvolve a molecada, mas que precisa ir embora se o time quiser atingir um novo patamar.


Minnesota Timberwolves

Em que ponto nós começamos a realmente nos preocupar com a capacidade do Wolves em defender? Thibodeau chegou em Minnesota como grande mestre defensivo, e a péssima performance defensiva de Minny em 2017 foi atribuida a uma falta de familiaridade dos jogadores com o sistema, e ainda o desenvolvimento por vir. Mas no ano 2, esses problemas continuam e não parecem que vão melhorar, apesar da chegada de Jimmy Butler e Taj Gibson, dois ótimos defensores.

A defesa de Minny ainda é a oitava pior da NBA, e quem está atrás é exatamente quem você esperaria: os 7 piores times da NBA inteira, mais o Cavs. Wiggins e Towns continuam sendo péssimos defensores, tanto em interesse em defender como em capacidade, apesar de toda sua capacidade atlética. Ainda são jovens, e é só o segundo ano, mas o relógio já começou a contar para esse time (e Towns/Wiggins), e se esse time sonha em realmente brigar por algo na NBA, vai precisar fazer melhor que isso desse lado da quadra.

Também vale notar que, apesar da campanha de 11-7, seu Net Rating é um pouquíssimo convincente +0.3, bom para 17th melhor apenas da NBA. Esse time não é tão bom quanto parece.


New Orleans Pelicans

O Pelicans contratou Josh Smith.

Não, sério, ELES CONTRATARAM JOSH SMITH!!!

Smith jogou 12 minutos, fez 2 pontos, teve Net Rating em quadra de -26.2, e foi dispensado. E o Pelicans ficou um pouco mais apertado salarialmente por causa disso.

Mesmo quando o Pelicans está bem, eles não conseguem não ser uma piada.


New York Knicks

O que diabos aconteceu com Willy Hernangomez? Como calouro em 2017, Hernangomez teve média de 18 minutos por jogo e mostrou alguma promessa, terminando o ano com uma ótima sequência de 12 pontos e 9 rebotes por jogo em 24 minutos para terminar o ano. Claro que não era um Franchise Player como seu amigo Porzingis, mas parecia uma possibilidade de se desenvolver em um role player útil para o futuro.

Agora estamos 17 jogos dentro da temporada 2018, e Hernagomez jogou em apenas 9 partidas, colecionou vários DNP - Coach decision, e tem média de apenas 8 minutos por jogo quando realmente chega a entrar em quadra. Ele está afundado atrás da rotação atrás de Kanter, O'Quinn e até Porzingis jogando de C - e isso com Joakim Noah ainda fora do time. É verdade que o Knicks está surpreendentemente bem na temporada, e caras como Kanter e O'Quinn ajudam mais o time a vencer jogos no curto prazo (o que, diga-se de passagem, não se aplica a Noah mais), mas a médio prazo Hernangomez pode ter mais valor para o Knicks, nem que seja como moeda de troca. E não vai ser afundado no banco que Hernangomez vai chegar lá.


Oklahoma City Thunder

Antes da boa vitória de quarta contra um sonolento Warriors, Oklahoma City estava péssimos 7-9 na temporada apesar de enfrentar o terceiro calendário mais FÁCIL da NBA inteira. E embora a vitória sobre GSW seja impressionante, ela não pode nos distrair dos enormes problemas em volta de OKC nesse momento.

Em particular, o ataque é pífio, o décimo pior da NBA inteira. Westbrook está arremessando 40% de quadra, e o encaixe entre suas três estrelas está previsvelmente sendo bem difícil. O Thunder é capaz de algumas jogadas desenhadas bem bonitas, que usam o talento das suas três estrelas, mas no momento que a defesa consegue quebrar a ação inicial, o time não tem muita capacidade de adaptar e vira um show (de horrores) de isolações. Suas três estrelas são jogadores bem individualistas (Nota. Se você é daqueles que acham que dar várias assistências significa não ser individualista, você possivelmente não entende de basquete) que estão acostumados a decidir tudo sozinhos, e nenhuma delas tem um QI de basquete particularmente grande para se adaptar a situações. O time tem sido péssimo nos finais de jogos, e essa estagnação ofensiva (e excesso de chutes de meia distância) é grande parte do motivo.

Talento leva um time longe, e OKC deve melhorar ao longo do ano com mais entrosamento e rodagem, mas hoje o fato do time ser 21st em BPI diz muito sobre a dificuldade que esse time está encontrando para encaixar as peças, e começam a surgir dúvidas se esse time vai realmente conseguir alcançar todo seu potencial.


Orlando Magic

Uma das tradições mais antigas da Conferência Leste, que data de um pouco antes do Natal, é Elfrid Payton em Abril. Todo ano parece que Payton tem uma temporada fraca e/ou decepcionante, mas chega na reta final da temporada e Elfrid Payton começa a jogar bem, ter um impacto real, números melhoram, a expectativa cresce para o ano seguinte... e o ano seguinte repete a mesma fórmula.

Ano passado não foi diferente. Payton terminou o ano com boas atuações, tendo média de 14 pontos, 7 rebotes e 9 assistências nos seus últimos 21 jogos e chutando 52% de quadra. É sempre difícil dizer nessa época do ano o que realmente é uma melhora do jogador e o quanto é por enfrentar adversários menos motivados, usando mais reservas e tal, mas no caso de Payton rolou alguma animação para 2017/18.

Mas o armador perdeu o começo do ano com lesões enquanto seu reserva DJ Augustin comandava Orlando em um começo de ano surpreendente, e desde que Payton voltou ele tem sido... não muito bom. 8 pontos, 7 assistências, 3 rebotes e 3 turnovers por jogo e sua defesa despencou de um penhasco. Os turnovers aumentaram consideravelmente, o arremesso e a finalização voltou a sumir, e a eficiência afundou. Desde que Payton voltou ao Magic da sua última lesão, Orlando está 0-5, e no ano estão 3-6 com Payton no alinhamento. Parte disso pode ser a lesão ainda afetando, parte é amostra pequena, e parte não é culpa de Payton (ele simplesmente não é o estilo de jogador que esse time precisa), mas já está na hora do camisa 2 mostrar algo mais do que só bons números contra times em ritmo de férias.


Philadelphia 76ers

Não quero chutar cavalo morto, mas o que fazer de Markelle Fultz a essa altura? A situação bizarra do calouro expôs novamente não só a incrível incompetência da gestão Colangelo lidando com lesões, como nos deixa em dúvidas sobre se o Sixers fez um erro monumental ao trocar por um calouro que talvez não vá render em quadra tão cedo.

Primeiro foi o lance livre bizarro de Fultz na pré-temporada, que fez o Sixers falar que aquilo era uma coisa fora da curva, pontual, e para não se preocupar. Então começaram os jogos pra valer e Fultz não só continuou batendo lances livres bizarros, como se recusando a arremessar de fora do garrafão. Eventualmente, Fultz e seu agente culparam os problemas em uma lesão no ombro, que o GM do Sixers veio a público desmentir e falar que o problema era psicológico. Funhé.

MAS ESPERA, tem mais! Depois dessa briga bizarra e pública, o Sixers anunciou que Fultz perderia 3 jogos por conta dessa lesão no ombro, o que é bizarríssimo depois de tudo. Esses 3 dias viraram logo 3 semanas conforme a "misteriosa" lesão no ombro ia se agravando ou confirmando, o que só fez o amadorismo do Sixers ficar mais evidente. Foi então que vídeos de Fultz arremessando com a mão esquerda apareceram na internet, o que só tornou a situação ainda pior.

Fultz é talentoso demais pra ficar eternamente mal, mas todo esse processo deve gerar muito mais desconforto que o normal em um torcedor do Sixers. Com Ben Simmons se estabelecendo de vez como PG de fato do time, a bizarra situação de Fultz e Jayson Tatum (escolhido com a escolha #3 original* de Philly) sendo um monstro em Boston, é impossível não pensar se Philadelphia não cometeu um erro grosseiro ao pegar o jogador errado - e ainda trocar uma valiosa escolha futura de Draft para isso.

*via Kings


Phoenix Suns

É difícil para o Suns ficar pior do que os seus primeiros três jogos (três derrotas por combinados 90 pontos, incluindo a maior derrota do opening day da história da NBA em casa) seguidos da demissão do seu técnico (sério, três jogos? Por que ele durou até a temporada então?). O time do Suns do Earl Watson (esses 3 jogos) esse ano foi uma das piores e mais vergonhosas coisas que eu já vi na NBA, um time sem vontade nenhuma que não rodava marcações e não se esforçava NADA em qualquer situação.

As coisas parecem melhores desde então sob Jay Triano, mas a falta de evolução dos jovens de garrafão do time ainda preocupa. Dragan Bender enfim começou a mostrar flashes (especialmente na defesa) depois da forma criminosa como foi usado por Watson, mas ainda não está sendo usado da melhor forma possível e sendo excessivamente deslocado de função para acomodar Alex Len, Tyson Chandler e agora Greg Monroe; e eu ainda não estou convencido de que Marquese Chriss saiba jogar basquete de verdade apesar de toda a capacidade atlética. Ainda são muito jovens, mas o Suns parece que ainda não entrou no nível de all-in que precisa para dar o espaço na função/posição certa para Chriss e Bender... e não seria nada mal se Josh Jackson mostrasse mais até agora, embora também esteja jogando um pouco fora de posição para acomodar o bom mas limitado TJ Warren. A rotação é uma bagunça, e isso tem cobrado seu preço do desenvolvimento dos jogadores.


Portland Trail Blazers

Lembra quando Nurkic chegou em Portland ano passado e Nurkic foi o catalizador de uma corrida as playoffs com médias de 15 pontos, 10.4 rebotes, 3 assistências, 2 tocos e 8 bundas chutadas por jogo? Esses eram bons dias. Até aqui, a pergunta que ficava ('Nurkic é capaz de manter essa produção no médio prazo?") está sendo respondida com não: Nurkic ainda tem seus 14 pontos por jogo de média, mas todos os seus outros números caíram, e seu nivel de energia e vontade (uma interrogação em Denver e um ponto positivo ano passado em Portland) caiu consideravelmente. Dos 8 jogadores do Blazers com 240 ou mais minutos jogados no ano, Nurkic tem o segundo pior Net Rating.

Isso não quer dizer que Nurkic tenha sido totalmente ruim esse ano - seus números ainda são decentes, e é parte de uma surpreendentemente boa defesa de Portland (embora, verdade seja dita, também é parte de um igualmente surpreendente ataque ruim). Mas para os torcedores do Blazers que esperavam que Nurkic pudesse repetir sua forma excelente de 2017, 2018 Nurkic está parecendo um pouco demais o do Nuggets para o meu gosto, e essa versão de 2018 - ainda que decente - não parece ser um foundational player como foi o caso ano passado - e isso no momento que o Blazers vai ter que decidir se vai abrir o cofre (e aumentar sua já cheia folha salarial) ou não para manter o bósnio.


Sacramento Kings

Nenhum time tem  Net Rating pior que o Kings nessa temporada. Nenhum. E é óbvio que o Kings (finalmente!!) está pensando no amanhã, e o começo de De'Aaron Fox (seu principal ativo) está sendo bastante encorajador. Mas fora isso, é difícil achar outra coisa que esteja dando muito certo pensando no começo do ano.

Verdade que as contratações de Zach Randolph, George Hill e Vince Carter é menos sobre sua produção em quadra e mais sobre liderança e cultura, e isso não é fácil de medir ou avaliar no dia a dia. Mas de modo geral, está difícil realmente achar que alguma das contratações está fazendo muito por esse time: George Hill em geral parede o jogador mais desinteressado da NBA não chamado Eric Bledsoe (e jogando muito mal), Zach Randolph está liderando o time inteiro em arremessos apesar de ser apenas o sexto jogador com mais minutos, e os dois tem o pior Net Rating em todo o time. As derrotas e o péssimo basquete continuam, e os veteranos não estão ajudando.

E o pior é que mesmo os jovens não parecem estar se desenvolvendo tão bem assim. Buddy Hield (que já vai fazer 24 anos) regrediu depois do bom começo em Sacramento ano passado e tem média de apenas 11 pontos em 23 minutos por jogo; Malachi Richardson ainda não está pronto para jogar na NBA; Willie-Cauley Stein tem o terceiro pior Net Rating do time (embora esteja mostrando alguns flashes); e o aparentemente promissor Skal Labissiere não consegue mais de 18 minutos por jogo e parece ter involuído em quase todos os quesitos em relação ao seu bom final de ano. Sacramento ainda tem tempo, mas Stein e Hield já tem 24 anos, e Richardson 22 - já está na hora de vermos mais deles do que somente flashes, e a performance dos veteranos não tem ajudado.


San Antonio Spurs

Outro elefante na sala: o que acontece com Kawhi Leonard? Primeiro, era uma lesão de pré-temporada, e ele deveria estar pronto para começar o ano. Depois era uma semana. Depois, vazou um vídeo de Kawhi mal conseguindo subir uma escada para entrar no elevador. Agora, Pop diz que a lesão do Kawhi é algo que ele "nunca viu na sua carreira". Esqueça saber quanto tempo Kawhi ficará fora - a gente nem sabe qual é a lesão.

Eu pessoalmente duvido que Poppovich viria a público dizer algo assim se a lesão realmente fosse tão séria, mas é uma preocupação real. San Antonio conseguiu equilibrar bem seu começo de ano com uma campanha 11-7, mas tem apenas o oitavo melhor Net Rating da NBA e isso contra o sétimo calendário mais fácil - por mais magia negra que o Spurs faça, eles precisam de Kawhi para continuar com a cabeça fora da água no Oeste, e absolutamente precisam dele se querem ter alguma pretensão maior na temporada.


Toronto Raptors

Não tem absolutamente nada errado com Toronto parecendo ótimo e que deu um passo novo durante a temporada regular. Nada vai dar errado ou estagnar nos playoffs, podem confiar!!

Muito se falou sobre o Raptors mudar um pouco seu estilo de jogar baseado mais em isolações, poucas bolas longas e poucos passes. E algumas coisas, de fato, mudaram - depois de serem o quarto time com menos passes por jogo em 2017 e o PIOR da NBA em AST%, Toronto subiu para 18th e 15th na Liga nos dois quesitos, respectivamente.

Mas a derrota para Boston expôs o quão frágil isso ainda é: Toronto jogou o jogo inteiro trocando passes, rodando a bola e parecendo o Novo Raptors, mas chegou no final da partida e o time voltou aos seus velhos hábitos: isolações, arremessos de meia distância errados, ataque estagnado. Parecia um jogo de playoffs. Toronto tem o terceiro melhor ataque da NBA e é um impressionante 15th em AST% (percentual das cestas que vem de uma assistência), mas quando chega o final dos jogos (5 minutos finais, 5 pontos ou menos de diferença) e o time despenca para o 18th melhor ataque e 27th em AST%. Não coincidentemente, o time tem ido mal em crunch time esse ano. É um pouco do Velho Raptors espiando por fora e nos lembrando de que precisamos de cuidado ao empolgar com esse time quando o assunto é pós-temporada.


Utah Jazz

Eu ia falar do sétimo pior ataque da NBA e como um time que tentou fazer de Ricky Rubio seu principal pontuador não pode estar no caminho certo, mas... Rudy Gobert, cara. Essa lesão acaba com o Jazz. Se o time ficar muito para trás antes da volta do francês, pode valer mais a pena para Utah deixar sua estrela no banco, desenvolver a molecada (em especial o promissor Donovan Mitchell) e tentar beliscar mais uma boa escolha no Draft 2018.


Washington Wizards

O problema do Wizards em 2018 parece ser o mesmo de 2017: o banco. Apenas 22nd em Net Rating na NBA, o banco do Wizards tem apenas um jogador confiável (Kelly Oubre), que é muito mais uma peça importante de rotação e menos um jogador para carregar o time durante alguns minutos. Em particular, o Wizards sofre com faltas de opção para a criação de jogadas: Beal até tem mostrado nova aptidão conduzindo o ataque quando Wall está fora, mas tirando isso, as únicas opções na armação vindas do banco são Santoransky (que vai caindo no esquecimento) e Tim Frazier (3 pontos por jogo em 36 FG% apesar de 16 mpg), o que não está ajudando

A verdade é que o time despenca quando Wall ou Beal (ou ambos) estão fora de quadra. Com Beal no banco, o Net Rating do Wizards é de -9.6; com Wall fora, é de -4.1, ambas marcas muito ruins para um time que se enxerga como contender. A lineup mais usada do banco - Frazier, Meeks, Oubre, Mike Scott e Mahinmi - tem um Net Rating de -11.6. A segunda lineup mais usada sem John Wall - o time titular com Frazier no lugar do camisa 2 - tem Net Rating de -7.9. Acho que vocês entenderam a história.

Uma opção seria confiar mais em Beal - que mostrou melhoras como playmaker - para conduzir o ataque com unidades vindas do banco. Beal tem apenas 60 minutos sem Wall em quadra (tirando os jogos que Wall perdeu) e seria interessante ver o Wizards separando mais suas duas estrelas nesse sentido. Mas foi um fator que limitou e custou caro ao Wizards nos playoffs do ano passado, e já começa a se mostrar problemático em 2017/18.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Maldição de Sam Bowie

Quando tudo começou...


Na última quarta feira (15/11), no Staples Center, aconteceu um jogo de NBA entre Sixers e Lakers, dois dos times jovens mais interessantes da NBA. E entre vários motivos pelos quais o confronto gerou antecipação entre fãs e mídia foi o confronto de dois dos calouros com mais hype da temporada: o australiano Ben Simmons, armador (de 2 metros e 10, mas armador) do Sixers e escolha #1 no Draft de 2016, contra Lonzo Ball, armador do Lakers recém-escolhido #2 no Draft.

Mas se Simmons brilhou na partida com 18 pontos, 10 assistências, 9 rebotes e 5 roubos de bola, o mesmo não pode ser dito do muito falado calouro de Los Angeles. Lonzo Ball terminou o jogo com 2 pontos, 2 assistências e 2 turnovers, acertando apenas 1 de 9 arremessos e errando todas as 6 bolas de três pontos que tentou, antes de passar o quarto período inteiro sentado no banco de reservas - pela segunda partida seguida. Nos seus 21 minutos de quadra, o Lakers foi um -18. Nos seus 27 minutos no banco, o Lakers foi +12 em quadra. A partida ruim continuou uma temporada bastante fraca e decepcionante de um dos calouros mais aguardados e comentados dos últimos anos.

(Joel Embiid, diga-se de passagem, anotou 46 pontos, 15 rebotes, 7 assistências e 7 tocos na partida, números que nenhum jogador da história da NBA anotou oficialmente me uma partida).

Claro, catorze jogos não dizem nada sobre a capacidade de Lonzo (ou qualquer outro calouro) de se tornar um grande jogador de NBA. É uma amostra muito pequena, e calouros sempre terão maior demora e dificuldade para se adaptar ao jogo mais rápido e físico da NBA. É muito cedo para falar que Ball não será um bom jogador de basquete. Seu talento é real, e seus passes já são de altíssimo nível - ele provavelmente ficará bem.

Ainda assim, existe algo maior e mais preocupante que pode atrapalhar Lonzo na sua trajetória profissional. Ao contrário do que muitos pensam, não é seu arremesso, nem o excesso de hype, e nem seu pai falastrão - e sim uma influência que começou 14 anos antes de Lonzo Ball sequer nascer.

Estou falando, é claro, da Maldição de Sam Bowie.

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, Sam Bowie era um pivô da universidade de Kentucky que foi a segunda escolha do Draft em 1984. Bowie ficou cinco anos em Kentucky (perdendo dois deles por conta de lesões no pé) e, quando foi para o Draft, já era dois anos mais velho do que a grande maioria dos prospectos da época (tinha 23 no seu ano de calouro). Sam era um pivô bem alto e um jogador bastante habilidoso e refinado próximo à cesta quando saudável, mas lesões no pé e na perna (as mesmas da época de Kentucky) acabaram com sua carreira -  Bowie jogou 60 jogos ou mais apenas seis vezes na sua carreira e nunca conseguiu fazer nada demais em quadra. Depois de 11 anos decepcionantes e marcados por lesões, Bowie se aposentou da NBA.

Por si só, a carreira de Bowie não teve nada de especial - um bust talentoso que até jogou bem quando saudável mas foi traído por problemas físicos. Como Sam, tem dezenas de outros jogadores semelhantes na história da liga. O que fez de Bowie diferente - e marcou seu nome de forma infeliz na história da NBA - é que uma escolha depois do Blazers ter pego Bowie, o Chicago Bulls escolheu um tal de Michael Jordan para o seu time. E o resto é história.

(Curiosidade interessante: no Draft de 1984 - em que o Rockets escolheu Hakeem #1, o Blazers pegou Bowie #2 e o Bulls ficou com o grande prêmio no #3 - o Rockets negociou uma troca com o Blazers no qual enviaria seu então Frachise Player, Ralph Sampson, em troca de um calouro de pouca expressão chamado Clyde Drexler e a escolha #2 para pegar Michael Jordan. No final, o Rockets recuou e nunca fez a troca. E foi assim que chegamos tão perto de ver Hakeem, Jordan E Clyde Drexler jogando sua carreira juntos no mesmo time. Durma com essa.)

Mas quando o Blazers passou Jordan para pegar Bowie com a escolha #2 (aliás, uma decisão que a franquia curiosamente reviveu 23 anos depois quando passou Durant para pegar Greg Oden) eles não apenas assinaram seu próprio destino (adivinha quem chutou a bunda do Blazers nas Finais de 1992 e destruiu a confiança do seu Franchise Player no processo?) e mudaram a escala de poder dentro da NBA. Eles também condenaram para sempre o destino da escolha #2 do Draft. Começou assim a Maldição de Sam Bowie.

A escolha #2 do Draft deveria ser um ativo de extremo valor. Ainda que não tão bom quanto a escolha #1 (dã!), onde saem os jogadores que são as absolutas certezas (Hakeem, Duncan, LeBron, Shaq, etc), a escolha #2 ainda coloca qualquer time em uma fantástica posição para escolher seu Franchise Player do futuro, uma posição privilegiada que deveria render grandes frutos para seu time. Escolha #2, pegue um Franchise Player, jogue ele por 12 anos, monte o time ao seu redor, tenha sucesso, aposente sua camisa - quase o mesmo que pensamos sobre a escolha #1.

E no entanto, desde que Bowie foi escolhido, esse não tem sido o caso - a escolha #2 tem sido um local para fracassos, decepções e frustrações. Não necessariamente para os jogadores nela escolhidos, mas para os times que detinham essa escolha. Desde Bowie, praticamente todos os jogadores escolhidos com a escolha #2 foram ou um bust, destruídos por lesões (ou pior...), um jogador decente mas decepcionante (dado sua posição), ou um jogador de sucesso que só se realizou DEPOIS de ser trocado ou deixar o time que o escolheu. Se o objetivo da escolha #2 era achar um Franchise Player, praticamente todas as escolhas deram errado, com duas notáveis exceções - as quais você vai perceber a ironia daqui a alguns parágrafos.

Não acredita em mim? Vamos fazer então uma passada histórica por todos os jogadores selecionados #2 no Draft desde aquela fatídica noite em 1984. Começando com o gerador de Maldição...


1984 Draft: Sam Bowie (Portland Trail Blazers)

Pobre Sam - não é sua culpa que ele tenha sido escolhido na frente do maior jogador da história do basquete.

Com o tempo, essa escolha acabou ganhando uma versão revisionista, com pessoas argumentando que a escolha era válida porque o Blazers precisava desesperadamente de um pivô (falso: eles já tinham Mychal Thompson, escolha #1 de 1978 e um dos melhores defensores da época... ou, como ele é mais conhecido hoje em dia, o pai do Klay), que não precisavam de MJ já tendo o segundo-anista Clyde Drexler (não só a ideia de alguém não precisar de MJ é hilária, mas Drexler como calouro não foi nada demais, tendo média de 7.7 pontos por jogo e não conseguindo vencer Steve Stipanovich, Thurl Bailey e Darrell Walker para o time de calouros do ano), ou mesmo que ninguém sabia que Jordan seria tão bom (ninguém obviamente podia prever "Melhor da história", mas MJ era um calouro EXTREMAMENTE cobiçado. Pelo menos cinco times ofereceram a casa para o Bulls pela pick atrás de Jordan, com o Sixers chegando ao ponto de oferecer Julius Erving direto pela escolha). Mas independente dos motivos que levaram o Blazers a cometer um dos maiores erros da história da NBA, a culpa não é do pobre Sam, que teria sido um sólido pivô titular caso ficasse saudável.

O Blazers até que conseguiu contornar essa escolha montando uma boa fundação e, com a evolução de Clyde, chegando a duas finais de NBA em 1990 e 1992 (esta última perdendo, claro, para Michael Jordan). Mas faz você pensar o que teria sido do Blazers se tivessem conseguido algo de valor com essa escolha.


1985 Draft: Wayman Tisdale (Indiana Pacers)

Tisdale era uma lenda no College que nunca conseguiu corresponder na NBA. Um pontuador talentoso, Tisdale era um defensor e reboteiro bastante fraco que cometia faltas demais, impedindo que ganhasse mais tempo de quadra e reduzindo sua efetividade. Foi trocado pelo Pacers depois de três temporadas decepcionantes para o Kings por Randy Wittman (sim, aquele) e LaSalle Thompson. Teve o seu auge em 1990 por Sacramento, quando teve 22 pontos e 7 rebotes por jogo de média... por um Kings que terminou o ano com horrendos 23-59. Talvez não foi um bust completo - seis anos como titular na NBA, 15 pontos por jogo na carreira - mas foi um jogador bastante fraco e esquecível, e Tisdale - que faleceu em 2009 vítima de câncer - provavelmente teve mais sucesso em sua carreira posterior como músico de jazz do que como jogador de basquete.


Len Bias (Foto: Sports Illustrated)


1986 Draft: Len Bias (Boston Celtics)

Se você conhece esse nome, você provavelmente conhece a história daquela que é provavelmente a maior tragédia da história da NBA.

Len Bias foi selecionado #2 em 1986 por um Boston Celtics que acabava de sair de mais um título extremamente dominante, e isso graças a uma troca maluca dois anos antes - alguém em Seattle achou uma boa ideia enviar uma escolha futura de primeira rodada por Gerald Henderson pai (Henderson durou dois anos em Seattle com 13 ppg de média). Bias, um dos mais físicos e explosivos jogadores da NCAA, iria começar sua carreira no melhor time da NBA, na posição que o Celtics mais precisava de profundidade (ala/ala de força). Uma combinação rara de força, habilidade e atitude, Bias parecia ser a futura estrela para ajudar o time no curto prazo e pegar a tocha de Bird e McHale no futuro. O melhor time da história do basquete estava ADICIONANDO esse jogador - aonde esse time chegaria então parecia impossível de prever.

Mas nunca aconteceu, e nunca teve a chance de acontecer - Bias morreu dois dias depois do Draft por uma overdose de cocaína. A NBA perdeu uma das suas mais empolgantes jovens estrelas, e o Celtics perdeu o jogador que no curto prazo teria tirado minutos de Bird e McHale e ajudado a estender suas carreiras, antes de virar a estrela do time. Sem um bom reserva, McHale e Bird tiveram que continuar jogando minutos hercúleos, e a carreira dos dois nunca mais foi a mesma depois de 1987, com o corpo de ambos quebrando pouco tempo depois. O futuro de Boston sumiu em um instante, e demorou mais de 20 anos até que o Celtics se reerguesse novamente.

(Trivia: Gerald Henderson pai foi trocado pelo Sonics junto com uma escolha de primeira rodada futura - eventualmente Mark Jackson - para o Knicks por outra escolha de primeira rodada futura, que acabou sendo #5 em 1987. O Sonics trocou essa escolha para o Bulls por Olden Polynice e uma 1st round pick de 1989 que acabou sendo BJ Armstrong. O Bulls usou a escolha para escolher Scottie Pippen).


1987 Draft: Armen Gilliam (Phoenix Suns)

Outro bust famoso, Gilliam teve uma carreira de 13 anos de NBA mas nunca foi mais do que um role player mediano, decente na pontuação e nos rebotes mas incapaz de fazer nada a mais. Phoenix desistiu de Gilliam depois de apenas dois anos, mandando o ala para o Lakers em troca de um Kurt Rambis de 31 anos que teve 4.2 pontos por jogo de média na sua carreira em Phoenix. Aos 31 anos e com oito de NBA, dois times já tinham dispensado o ala, e dois tinham trocado por migalhas (a segunda vez por Mike Gminski) só para se livrar de Gilliam. Resume bem o que foi sua carreira.


1988 Draft: Rik Smits (Indiana Pacers)

O holandês Rik Smits nunca foi um jogador de destaque, mas foi um dos melhores casos de sucesso para o time com a escolha em questão nessa lista - o que diz bastante sobre ela. Um jogador extremamente alto (2,24 m), Smits podia ser perigoso no garrafão jogando de costas para a cesta contra adversários menores e deu trabalho para o Bulls de Michael Jordan na sua segunda passagem pela NBA, indo até mesmo para um All-Star Game em 1998 (foi o mesmo ano que Jayson Williams foi um All Star, então leve isso com trinta grãos de sal).

Smits nunca foi particularmente dominante - nunca teve mais que 18.5 pontos ou 7.7 rebotes por jogo de média, jogou mais de 30 minutos por jogo, ou teve uma grande temporada defensiva - mas foi um titular consistente para o Pacers por 12 anos, alguns deles na época que o time chegou a disputar títulos. Não é exatamente que você quer de uma escolha #2 do Draft, mas poderia ser bem pior.


1989 Draft: Danny Ferry (Los Angeles Clippers)

Mais conhecido por sua carreira como executivo no Hawks, Ferry nunca chegou a jogar pelo Clippers - foi trocado antes da temporada começar para o Cavs por Ron Harper (que eventualmente estourou o joelho, afinal é o Clippers) e escolhas de Draft futuras. Um ala de força extremamente lento e pouco atlético que não defendia sem ponto de vista, Ferry jogou 10 anos em Cleveland e nunca pegou mais do que 4.1 rebotes por jogo e só passou de 10 pontos por jogo duas vezes, sendo até hoje lembrado com um dos grandes busts da NBA.

Foi um daqueles casos que a liga ainda estava apegada a um estereótipo que funcionou no passado (o ala de garrafão branco, lento, que joga abaixo do aro, não defendia e pontuava bastante no colegial) e que não tinha lugar em uma NBA cada vez mais atlética e explosiva, especialmente no garrafão.


Gary Payton (Foto: USA Today)


1990 Draft: Gary Payton (Seattle Supersonics)

Finalmente um jogador realmente bom escolhido com a escolha #2!

Uma das duas exceções da lista (segure essa ideia...), Payton foi escolhido pelo Sonics e, apesar de seus problemas de vestiário e com os colegas, foi a estrela do time por 12 anos de bastante sucesso, anos esses que incluíram uma passagem para as Finais da NBA em 1996 (perdendo para Jordan e o 72-10 Bulls). Um dos maiores armadores da história da liga, Payton é até hoje lembrado pela sua dominação dos dois lados da quadra, sua defesa de perímetro sem igual (apelidado de The Glove, ou A Luva), e por ter singularmente destruído John Stockton nos playoffs de 1996. Se Shawn Kemp não tivesse se autodestruído a partir de 1997, possivelmente teria ganho um anel ainda no seu auge (acabou ganhando um como role player no final da sua carreira por Miami, em 2006), um legítimo Franchise Player apesar de todos os problemas que causava.

Quanto a essa exceção para a Maldição... aguarde um pouco mais.


1991 Draft: Kenny Anderson (New Jersey Nets)

Um jogador talentoso mas muito problemático vindo dos playgrounds de New York, Anderson pelo menos deu ao Nets três bons anos, nos quais teve média de 18 pontos e 9 assistências por jogo (apesar da baixíssima eficiência) e foi a um All Star Game (1994). Mas problemas pessoais e familiares fora das quadras acabaram submergindo o talento, com o Nets eventualmente chutando Anderson para o Blazers por Kendall Gill. Anderson acabou virando um nômade na NBA depois disso, não durando em nenhum time mais do que um ano e meio (o Celtics sendo a única exceção, onde perdeu dois anos quase inteiros para lesões), se recusando a ser trocado para o Raptors por não querer jogar no Canadá, e passando por 9 times diferentes (!!) durante os seus 14 anos de carreira. Um final melancólico para um grande talento.


1992 Draft: Alonzo Mourning (Charlotte Hornets)

Um Hall of Famer, Alonzo Mourning deu ao Hornets três anos muito bons e foi a dois All Stars em 1994 e 1995 por Charlotte, mas não foi até ser trocado para o Miami Heat que enfim atingiu seu auge. Uma doença nos rins terminou atrapalhando e quase acabando com a carreira de Alonzo, mas nos seis anos que jogou em Miami (mais um sétimo destruído por lesões e a doença) Mouring teve média de 20 pontos, 10 rebotes e 3 tocos por jogo, e foi a 5 All Star Games. Foi por Miami que Mourning foi eleito duas vezes o Melhor Defensor da Temporada (1999 e 2000), foi a um 1st e um 2nd Team All NBA, e terminou #2 (1999) e #3 (2000) na corrida pelo MVP.

Charlotte conseguiu bom retorno na troca de Mourning, em especial o ótimo Glen Rice, então não foi uma troca ruim para o Hornets, mas é um caso (teremos outros) nessa lista do time que escolheu um bom jogador no #2 viu esse jogador ter seu auge e seus anos dominantes defendendo outra franquia.


1993 Draft: Shawn Bradley (Philadelphia 76ers)

Um dos jogadores mais altos da história da NBA com 2,29 m (7'6), Bradley era um protetor de aro decente que ficou mais famoso por ser um dos maiores alvos de cravadas na cabeça da história da NBA, o que diz tudo sobre sua carreira.



Pode procurar no YouTube por Shawn Bradley + enterradas, e você vai achar vários exemplos - o mais famoso provavelmente sendo a de Tracy McGrady. Bradley simplesmente não tinha a mobilidade e coordenação motora para fazer uso da sua altura, e em seus 12 anos de NBA foi principalmente marcados pelas enterradas, lesões menores e ineficiência geral. O ponto alto da sua carreira foi provavelmente ter tido seu talento roubado pelos Monstars no filme Space Jam (que completou 21 anos quarta-feira passada, dia 15/11!).

Trivia: Khalid Reeves, um jogador totalmente irrelevante que jogou apenas 277 jogos em seus 6 anos de carreira na NBA, de alguma forma conseguiu entrar nessa coluna por um fato curioso - ele foi envolvido em trocas pelos 3 últimos jogadores dessa lista em algum momento da sua carreira. Fez parte do pacote que o Heat mandou por Mourning em 1995; foi com Kendall Gill para o Nets em 1996 por Kenny Anderson; e em 1997 fez parte do pacote que o Nets enviou para o Dallas junto de Shawn Bradley em uma troca por por Sam Cassell e Jim Jackson - uma troca que, ainda mais curiosamente, também está ligada ao próximo jogador da lista.


Jason Kidd (Foto: eBay)


1994 Draft: Jason Kidd (Dallas Mavericks)

Outro grande jogador, Jason Kidd foi selecionado pelo Mavs em 1994 e fazia parte de um empolgante e promissor trio de Dallas junto de outros grandes talentos em Jim Jackson e Jamal Mashburn, os famosos "Três Js". Mas antes que esse talentoso trio de personalidades difíceis pudesse dar frutos em quadra (Dallas venceu 13, 36 e 26 jogos entre 94 e 96) o vestiário implodiu. Kidd e Jim Jackson brigaram por causa de um triângulo amoroso com a cantora Toni Braxton (não, sério!), os três começaram a brigar por causa de salários, minutos, arremessos e papel no vestiário, e a situação se deteriorou de forma tão grande e tão rápida que Dallas precisou se livrar dos três o mais rápido possível: Kidd foi mandado para Phoenix por Sam Cassell, Michael Finley e AC Green; Cassell foi usado para despachar Jim Jackson para o Nets em troca de Shawn Bradley e do agora onipresente Khalid Reeves; e Mashburn foi despachado para o Heat por Sasha Danilovic e Kurt Thomas.

Em um piscar de olhos, o "time do futuro" de Dallas tinha ido para o chão e o tormento da franquia não acabaria até serem salvos por Dirk e Nash seis anos depois. Dallas viu de longe Kidd se desenvolver em um perene All Star e um dos melhores armadores da história da NBA em Phoenix e New Jersey antes dessa história enfim terminar em um final feliz: Kidd eventualmente voltou para Dallas e fez parte do time campeão de 2011.


1995 Draft: Antonio McDyess (Los Angeles Clippers)

Um ótimo jogador de garrafão, McDyess teve médias de 19 pontos, 9 rebotes e 2 tocos por jogo (e foi a um All Star Game) durante um ótimo período de 5 anos antes que lesões no joelho acabassem prematuramente com sua carreira. No entanto, nada disso foi feito pelo time que o selecionou no Draft, o Los Angeles Clippers: o Clippers trocou McDyess no dia seguinte ao Draft por Rodney Rodgers e Brent Berry, dois jogadores medianos que não ajudaram muito enquanto o Clippers continuou sendo um dos piores times da NBA durante anos a fio, enquanto assistiam McDyess chutando bundas - enquanto saudável - em outros times.

Trivia: Lembra a famosa saga do DeAndre Jordan reassinando com o Clippers depois de ser trancado numa casa com Chris Paul, Doc Rivers e mais alguém para "romper" seu compromisso com Dallas? McDyess viveu uma situação bizarramente semelhante em 1998, e que teria sido uma história muito maior e melhor hoje em dia na era da internet. Depois de defender o Suns em 1998 e virar Free Agent antes da temporada 1999 (do locaute), McDyess chegou a um acordo verbal com o Denver Nuggets antes de receber uma proposta do Suns que o fez balançar.

Na esperança de convencer McDyess, três companheiros de Suns - incluindo Jason Kidd - pegaram um avião e voaram para Denver para encontrar o pivô, possivelmente para fazer com ele o que o Clippers fez com DeAndre Jordan. McDyess estava então vendo um jogo do Colorado Avalanche com o GM do Nuggets, Dan Issel, que ao saber da aproximação dos três jogadores de Phoenix deu ordens para os seguranças do prédio barrarem a entrada deles no prédio enquanto Issel imediatamente levava McDyess para sua sala a fim de assinar seu contrato antes que algo mais pudesse acontecer. A saga só seria melhor se Paul Pierce estivesse lá twittando fotos de emojis de foguetes.


1996 Draft: Marcus Camby (Toronto Raptors)

Depois de dois anos sólidos mas não espetaculares, o Raptors estupidamente trocou Camby para o Knicks pelo fraco Sean Marks e um Charles Oakley de 35 anos. Camby eventualmente se desenvolveu em um excelente defensor e reboteiro fora de Toronto, sendo parte crucial do Knicks que foi às Finais em 1999 mesmo após a lesão de Patrick Ewing, e eventualmente tendo seu auge em Denver, onde foi eleito quatro vezes para o time de defesa ideal da temporada e ganhou o prêmio de Melhor Defensor da Temporada em 2007. Nunca uma estrela, mas um jogador bem sólido que novamente só foi ter seu auge depois de trocado pelo seu time de origem.


1997 Draft: Keith Van Horn (Philadelphia 76ers)

Mais famoso por ser um cover do Tintim, Van Horn foi trocado pelo time que o escolheu (o Sixers) pouco após o Draft por Jim Jackson, Eric Montross e Tim Thomas, e embora nunca tenha sido uma estrela (e tenha tido uma carreira estranhamente curta de 9 anos), Van Horn foi durante um bom tempo um jogador muito útil que tinha a estranha tendência de aparecer como um jogador importante para bons times. Teve média de 18 pontos e 8 rebotes para os bons times do Nets de Jason Kidd (eventualmente chegando nas Finais com o time em 2002), e voltando para as Finais com sexto homem do Dallas de 2006.

Van Horn também merece crédito por ser um pioneiro do basquete moderno: em sua carreira como ala de força, Van Horn chutou 3 bolas de 3 por jogo e acertou 36% delas.


1998 Draft: Mike Bibby (Vancouver Grizzlies)

Outro exemplo de um útil, mas nada espetacular jogador que só se encontrou depois de ser trocado (por Jason Williams - aquele - e um Nick Anderson decrépito). Útil no Grizzlies mas carregando uma carga excessiva em times horríveis no Canadá, Bibby teve seu auge como armador secundário dos famosos times do Kings dos anos 2000 que deveriam ter ido às Finais em 2002. Vancouver trocou Bibby em 2002 e perdeu seu time meses depois para Memphis. A Maldição de Sam Bowie, além de tudo, é criativa.


1999 Draft: Steve Francis (Vancouver Grizzlies)

Mais uma escolha #2 que não deu certo para o Grizzlies, mas dessa vez não foi totalmente culpa da franquia. Uma vez escolhido, Steve Francis declarou publicamente que não queria jogar pelo Grizzlies e exigindo uma troca, chegando até a dizer que era a vontade de Deus. Depois de diversos conflitos extra-quadra, a franquia enfim mandou o armador para Houston em uma troca imensa de 11 jogadores que eu não vou reviver aqui mas que não envolveu nada de espetacular.

Um estilo de jogo individualista, lesões e problemas extra-quadra acabaram por fazer Francis ser trocado de Houston e acabar fora da NBA aos 29 anos, mas durante seus cinco anos no Rockets foi um dos mais explosivos e promissores armadores da NBA, um All-Star por 3 vezes que atacava a cesta feito louco e enterrava na cabeça de todo mundo, mas que nunca atingiu todo o potencial que prometia.


2000 Draft: Stromile Swift (Vancouver Grizzlies)
Três seguidas para o Grizzlies, e mais um fracasso - dessa vez totalmente por culpa da franquia. Swift foi um enorme bust que jogou 5 anos na franquia (em Vancouver e Memphis) antes de ser dispensado e não deixar saudades algumas, e aos 29 anos já estava fora da NBA sendo titular em menos de 100 jogos durante sua carreira. Em defesa do Grizzlies, o Draft de 2000 foi um dos piores de todos os tempos, então não tinha muito o que fazer com essa escolha que não teria sido um grande fracasso.

Diga-se de passagem, Swift foi também um pioneiro - após sair da NBA em 2009, foi jogar na Liga Chinesa antes de ser moda.


Tyson Chandler (Foto: Bleacher Report)


2001 Draft: Tyson Chandler (Los Angeles Clippers)

Com uma classe de calouros MUITO hypeada que incluia Chandler, Pau Gasol, Eddy Curry e Kwame Brown (!!!!), o Bulls - que já tinha a escolha #4 - trocou seu melhor jogador e Franchise Player, Elton Brand, para o Clippers em busca de outra escolha Top4 para ficar com dois desse jovens extremamente promissores (irch!).

E se hoje lembramos do Tyson Chandler grande defensor, finalizando pontes aéreas, ajudando Dirk a ganhar um anel e ganhando prêmios de Defensor do Ano, o Chandler adolescente que chegou em Chicago era tudo menos isso. Chandler teve inúmeros problemas de adaptação e leitura de jogo, sofreu para ganhar minutos, e apesar das inúmeras chances que teve nunca correspondeu em Chicago. Chandler só foi se encontrar como parceiro de pick and roll de Chris Paul em New Orleans e depois explodiu como o defensor de elite que conhecemos em Dallas. Chandler acabou dando bem certo na NBA, mas foi uma longa jornada até chegar lá.


2002 Draft: Jay Williams (Chicago Bulls)

Outra escolha do Bulls que deu errado, por um motivo bizarro. Depois de um ano bastante fraco como calouro, Williams se envolveu em um acidente horrível de moto durante a offseason que o deixou extremamente machucado no joelho, nos nervos da perna e no quadril, uma lesão que encerrou sua carreira no basquete depois de apenas um ano de NBA.


2003 Draft: Darko Milicic (Detroit Pistons)

Em um dos melhores Drafts da história da NBA, o Pistons decidiu pegar Darko Milicic #2 ao invés de Carmelo Anthony, Dwyane Wade e Chris Bosh. E, o pior de tudo, a decisão até fazia sentido na época: Darko era um prospecto bastante bem cotado, o Pistons tinha uma carência no garrafão (Rasheed Wallace só chegaria meses depois), o time já tinha um ala perfeito para seu esquema em Tayshaun Prince, e LeBron-Darko-Melo era o claro Top3 daquele Draft na época.

Ainda assim, Darko entra para a história como um dos maiores busts da história da NBA. Um adolescente que chegou na hora errada, com as expectativas erradas e para o time errado, Milicic nunca mostrou qualquer tipo de produção de bom nível na NBA e estava fora da liga aos 27 anos, seu desenvolvimento e sua confiança destruídos ao longo do tempo. Seu maior legado provavelmente é inspirar um dos melhores blogs de NBA da história, o hoje falecido FreeDarko.

E sabe o que é curioso? Se o Pistons pega Melo (a outra opção plausível à época), eu não acho que o time venceria o título. Melo não se encaixava em nada no esquema, teria comido minutos do ótimo Tayshaun Prince, e ele e o técnico Larry Brown se odiaram quando conviveram pela seleção americana. Em um ano apertado, esse elemento imprevisível e destoante teria implodido a cuidadosa dinâmica em cima do qual esse time foi concluído, e o Pistons talvez nunca chegasse ao seu objetivo. As vezes há males que vem para o bem.


2004 Draft: Emeka Okafor (Charlotte Bobcats)

Okafor não foi ruim como jogador, um bom reboteiro e defensor que acabou ganhando de Dwight Howard o prêmio de calouro do ano. O principal problema é que foi só isso que Okafor foi - o Bobcats e a NBA continuaram esperando que o pivô se desenvolvesse, e isso nunca aconteceu. Os anos passavam, e Okafor continuava sendo o mesmo jogador: 14 pontos, 10 rebotes, 1.5 tocos, boa defesa, mais nada, durante toda sua estadia em Charlotte. Okafor eventualmente foi trocado por Tyson Chandler e viu lesões encerrarem sua carreira. Não foi um bust, mas também não foi nada mais do que um jogador médio e um tanto quanto decepcionante.


2005 Draft: Marvin Williams (Atlanta Hawks)

Outro jogador que ficará marcado para sempre pelos jogadores escolhidos depois dele. No caso, a decisão inexplicável e horrível do Hawks de passar Chris Paul e Deron Williams para pegar Marvin Williams, que sequer fora titular em Syracuse na NCAA. Conforme Paul e Williams se desenvolviam em dois dos melhores armadores da NBA, Marvin foi um contribuidor estável mas extremamente decepcionante para uma série de times sólidos mas esquecíveis de Atlanta, com 11 pontos por jogo de média na Georgia e absolutamente nenhuma evolução ao longo da sua carreira por lá.

Williams eventualmente se reinventou com stretch-four na NBA moderna em Utah e depois Charlotte com bom chute de três pontos e sólida proteção de aro, e achou um bom nicho para si na liga, mas eternamente será lembrado como um dos jogadores mais decepcionantes da NBA - embora apenas em partes por motivos que estavam sob o seu controle.


2006 Draft: LaMarcus Aldridge (Chicago Bulls)

Outra grande estrela e perene All-Star que caiu no colo do Chicago Bulls... só que o Bulls optou por trocar Aldridge pela escolha #4 do Draft (Tyrus Thomas) e o ala ucraniano Viktor Khryapa em uma das piores decisões do século 21.

Tyrus Thomas foi um enorme bust que estava fora da NBA aos 26 anos enquanto LaMarcus Aldridge - agora em Portland - se tornou um dos mais consistentes e dominantes alas de força da NBA, uma garantia de 22 pontos, 9 rebotes, e boa defesa todas as noites por uma série de muito divertidos times do Blazers que nunca atingiram seu potencial por causa de lesões (Brandon Roy, Greg Oden, Wes Matthews... a lista é longa). Chicago ainda conseguiu alguns anos depois se remontar em um contender ao redor de Rose, Deng e Joakim Noah - todos grandes acertos no Draft - mas imagina como seria esse time de Chicago se fosse Aldridge e não Carlos Boozer jogando de PF. Mesmo que seria difícil concretizar essa visão devido aos múltiplos cenários possíveis, ainda foi um erro grotesco de Chicago.


Kevin Durant (Foto: USA Today)


2007 Draft: Kevin Durant (Seattle Supersonics)

Ai está, nosso segundo grande sucesso! Um dos maiores cestinhas de todos os tempos, MVP e atual MVP das Finais, alguém que já está no Panteão dos grandes jogadores de todos os tempos, Kevin Durant é o segundo e último grande acerto dessa lista no quesito "Tenha a escolha #2, selecione um Franchise Player, tenha grande sucesso com ele por muitos anos, aposente sua camisa", o primeiro sendo Gary Payton.

Agora me diga... o que os dois, as duas exceções da lista, tem em comum?

As duas foram pegas pelo Seattle Supersonics... uma franquia que NÃO EXISTE MAIS!!

Não mexa com a Maldição de Sam Bowie se não quer pagar o preço!! Ela tarda, ela pega caminhos tortuosos, mas ela nunca falha!


2008 Draft: Michael Beasley (Miami Heat)

Outro bust famoso. Beasley foi um MONSTRO na NCAA - 26 pontos, 12 rebotes por jogo em Kansas State - mas na NBA teve que lidar com problemas de condicionamento, desinteresse total por coisas como "defesa" e em geral um estilo muito ineficiente e egoísta de jogar. Depois de dois anos decepcionantes em Miami, foi enviado para Minnesota a fim de abrir espaço salarial para a vinda de LeBron James, e passou lá mais dois anos nos quais seus números foram razoáveis mas suas atuações, péssimas. Desde então tem flutuado entre times da NBA (e a liga chinesa), misturando alguns momentos bons no currículo com muito mais momentos de banco e falta de minutos.

(As escolhas #2 e #3 desse draft foram Beasley e OJ Mayo. As #4 e #5 do Draft? Russell Westbrook e Kevin Love).


2009 Draft: Hasheem Thabeet (Memphis Grizzlies)

Em um dos melhores Drafts da história da NBA que incluiu Blake Griffin (#1), James Harden (#3), Ricky Rubio (#5), Stephen Curry (#7) e DeMar DeRozan (#9), de alguma forma o Grizzlies conseguiu fracassar DE NOVO com a escolha #2 escolhendo Hasheem Thabeet, de longe o pior jogador de toda essa lista. Um pivô enorme e comprido que não fazia ideia de como jogar basquete, Thabeet teve média de 3.1 pontos por jogo como calouro e nunca mais conseguiu chegar perto de atingir essa marca. O desenvolvimento nunca veio, a vontade de evoluir também não, e aos 26 anos Thabeet já não tinha mais chances na NBA. Uma das piores escolhas da história da NBA.


2010 Draft: Evan Turner (Philadelphia 76ers)

Outro grande fracasso do topo do Draft. Chegando com status de salvador e dividindo o topo do Draft com John Wall, Turner foi selecionado por um bom time de Philadelphia mas nunca conseguiu se adaptar e adicionar nada a um time sólido que precisava desesperadamente de um brilho individual. Seu estilo de jogo baseado na meia distância começava a virar passado na liga, e sua falta de explosão e agilidade impediram que suas habilidades como playmaker se traduzissem para a NBA. Turner acabou cavando um lugar na NBA como reserva de defesa/post ups/playmaking secundário, mas muito aquém do que se esperava quando chegou à NBA com tanta expectativa.


2011 Draft: Derrick Williams (Minnesota Timberwolves)

Oh boy, que sequência impressionante de busts temos aqui.

Elogiado à época por muitos (inclusive por mim, que cheguei a dizer que o Cavs deveria pegá-lo na escolha #1) como o PF perfeito para a nova era que a NBA estava se encaminhando, Williams na NBA se mostrou lento demais para jogar de SF, fraco e pouco físico demais para jogar de PF. Seu arremesso nunca veio, sua defesa também não, e basicamente viveu dos passe de Ricky Rubio e de algumas pontes aéreas durante muito mais tempo do que deveria. Atualmente está sem clube apesar de ter ainda 25 anos, uma casca do que acharam que ele seria.


2012 Draft: Michael Kidd-Gilchrist (Charlotte Bobcats)

Um jogador cru mas com ótimo físico e de enorme potencial, Kidd-Gilchrist não só nunca se desenvolveu como esperado como também não consegue de forma alguma ficar dentro de quadra. Seu péssimo arremesso - que nunca se desenvolveu - faz dele um encaixe complicado na NBA de hoje, e embora sua ótima defesa compense isso até certo ponto, MKG nunca teve a continuidade necessária para se estabelecer na NBA e acabou ficando para trás no desenvolvimento do atual Hornets. Kidd-Gilchrist ainda não é um bust completo, mas dadas as dificuldades de desenvolvimento e a dificuldade ainda maior de ficar saudável e em quadra, pode ser apenas questão de tempo para ser reconhecido como tal.


2013 Draft: Victor Oladipo (Orlando Magic)

Em um Draft reconhecidamente fraco (que parece um pouco menos fraco hoje que Giannis se tornou um candidato a MVP e Gobert um candidato eterno a DPOY), Oladipo - que muitos tinham como o melhor jogador do Draft - acabou caindo para o Magic no #2 e de modo geral se mostrou um jogador... ok. Seu físico impressionava e sua agilidade também, mas a situação ao seu redor era péssima para seu desenvolvimento: com um técnico retrógrado durante boa parte da estadia, jogando fora de posição, com um time sem nenhum tipo de espaçamento para Oladipo atacar a cesta (sua maior virtude), Oladipo pareceu estagnado em Orlando durante seus três anos antes de ser trocado para o Thunder, onde virou um dos reféns de Russell Westbrook em sua campanha pelo MVP.

Em seu terceiro time, o Pacers, Oladipo enfim parece estar realizando seu potencial. Ainda que seu aproveitamento esteja fora da realidade e deva normalizar com o tempo, o ritmo de jogo e o espaçamento do Pacers ajudou Dipo a maximizar sua velocidade, tornando-se uma força da natureza na transição ofensiva. Talvez Oladipo esteja começando a mostrar seu talento, e que realmente duas situações péssimas em Orlando e OKC eram o que estava impedindo sua carreira. Ainda é possível que um dia adicionemos Victor Oladipo na lista dos jogadores #2 que explodiram depois de serem trocados.


2014 Draft: Jabari Parker (Milwaukee Bucks)

Quanto mais no presente chegamos com essa lista, mais difícil é dizer onde esses jogadores se enquadram e qual seu futuro como escolhas amaldiçoadas por uma escolha feita muitos anos antes deles sequer nascerem. Jabari estaria hoje no seu quarto ano de NBA - mas só vimos basicamente fragmentos de um ano e meio de Jabari Parker em meio a lesões. Das 3 temporadas de Jabari na NBA, duas foram encerradas prematuramente por ligamentos rompidos (sempre um farol vermelho) e a outra foi uma temporada VOLTANDO dessa lesão grave, de forma que é difícil realmente avaliar o que Jabari Parker é como jogador - uma pergunta que Milwaukee deve se fazer com certa frequência. Ele é um 3 ou um 4? Ele é capaz de jogar junto de Giannis e Middleton? É capaz de defender o suficiente? Ainda não sabemos essas coisas.

O melhor parâmetro para Jabari que temos provavelmente é seu 2017 pré-lesão, seus jogos mais saudáveis até o momento. Se for, Jabari parece ser um ótimo pontuador com um arremesso em evolução, mas com uma defesa furada que torna difícil jogar certas lineups com ele, e um jogador preso entre posições. Seu potencial como pontuador ainda é muito intrigante e pode ser que Jabari ainda acabe sendo uma boa escolha #2, como mostrou flashes ano passado, especialmente se o loooongo time de Milwaukee conseguir cobrir sua defesa. Mas também é bastante fácil enxergar uma situação onde o Bucks, com problemas salariais e prestes a dar uma extensão cara para Jabari (que não deu nenhuma mostra de ficar saudável), simplesmente decida que ele é quem precisa ir embora. A ser definido.


2015 Draft: D'Angelo Russell (Los Angels Lakers)

Acaba sendo muito ignorado uma coisa quando falamos do desenvolvimento de jovens é a situação onde eles vão parar, e isso pode ser crítico entre um jogador talentoso acabar como uma revelação ou um fracasso. E D'Angelo Russell é alguém que teve uma das piores situações possíveis, e o Lakers não fez nada para ajudar: basicamente perdeu seu primeiro ano formativo (de calouro) atrás de uma péssima diretoria, o pior técnico da NBA que constantemente estava em conflito público com Russell, e o show de despedida do Kobe que deu a Russell zero espaço para desenvolver. No seu segundo ano, Russell teve seus problemas mas mostrou uma boa evolução sob um novo técnico e uma nova situação... só para ser jogado debaixo do ônibus pela nova diretoria e trocado para o Nets.

Russell tem potencial como passador e chutador, sendo bom em ambas as funções, mas ainda não entendendo como usar as duas dentro de quadra de forma a maximizar seu jogo e seus companheiros. Russell vinha fazendo grandes avanços nesse sentido no começo do ano sob o competente Kenny Atkinson no Nets antes de sofrer a lesão, então resta aguardar para ver o que acontece com o armador quando voltar. Pelo Lakers, ele já foi um fracasso - embora muito por culpa de outros.


2016 Draft: Brandon Ingram (Los Angeles Lakers)

Brandon Ingram foi horrível como calouro, parecendo totalmente perdido dos dois lados da quadra, incapaz de usar seus dotes físicos em quadra e sendo jogado de um lado para o outro como uma boneca de pano. Mas as pessoas esquecem que Ingram era um dos jogadores mais novos do Draft, e ainda é mais novo do que boa parte dos jogadores do Draft de 2017. Por exemplo, Ingram é só dois meses mais velho que Lonzo Ball. É preciso dar tempo a Ingram.

Na sua segunda temporada os progressos foram muito mais animadores. A falta de arremesso ainda é preocupante e será um problema enquanto continuar - Ingram parece muito mais confortável usando seus longos braços para atacar a cesta e finalizar, mas ele não é explosivo, forte ou ágil como Giannis (que, convenhamos, é um ponto fora da curva) para chegar na cesta quando quer, e o arremesso precisará vir para evitar que a quadra fique estrangulada. Ainda assim, Ingram parece um jogador bem diferente no seu segundo ano, e sua combinação de potencial defensivo, criação, passe e pontuação para um jogador do seu tamanho é bem atraente para qualquer time.


2017 Draft: Lonzo Ball (Los Angeles Lakers)

Vamos tirar isso do caminho: eu acho que Lonzo ficará bem. É cedo demais pra julgar demais, muito menos declarar o garoto Ball um bust. As pressões criadas ao seu redor - por um pai maluco, uma mídia ávida por cliques e um Lakers megalômano que já mostrou não ter nenhum tato para lidar com seus jovens jogadores - estão atrapalhando nossa percepção, e incentivando as conclusões precipitadas. Seu QI de basquete e seu passe são bons demais para não darem certo na NBA.

Dito isso, Lonzo tem sido simplesmente péssimo na NBA. Seu arremesso não está funcionado, e Lonzo parece incapaz de finalizar qualquer tipo de jogada que não seja livre. O arremesso ruim de 3 tem chamado mais atenção, mas os 35% de aproveitamento em bolas de dois é muito mais preocupante, a meu ver (em defesa de Lonzo, eu acho que ele tem sido muito mal usado pelo Lakers e teria se beneficiado de jogar ao lado de... D'Angelo Russell). E muito disso não teria importância - apenas os percalços de um calouro - se não fosse Lonzo sendo jogado totalmente no fogo por uma diretoria do Lakers que vendeu cedo demais Ball como seu salvador, o novo Magic, e que precisava que Lonzo fosse dominante logo de cara para vender seu projeto e sua imagem, ao invés de deixar isso se desenvolver naturalmente. Para mim, a situação ao seu redor - familiar, midiática, e a péssima condução do Lakers - é muito mais preocupante para o futuro de Lonzo do que seu arremesso torto.


Conclusão

Ok, agora que chegamos ao fim... HOLY SHIT, que lista horrível. É de doer o coração. Um número enorme de busts, tragédias com lesões, potenciais desperdiçados, e trocas ruins. Não foi fácil escrever essa coluna.

Olhando os números e estabelecendo 2012 como o último ano que podemos dar um veredito parcial (depois disso é cedo demais), eis os resultados em 29 anos de escolhas #2 de Draft entre Sam Bowie (1984) e Michael Kidd-Gilchrist (2012):

- Dessas 29 escolhas, 13 (!!!!!) foram busts, incluindo problemas com lesões (Bowie, Tisdale, Gilliam, Danny Ferry, Shawn Bradley, Stromile Swift, Jay Williams, Darko, Marvin Williams, Beasley, Hasheem Thabeet, Evan Turner e Derrick Williams). Ou seja, incríveis 45% das escolhas #2 desde Bowie foram busts.

- Dessas 29 escolhas, um morreu antes de sequer jogar um jogo de NBA (Lenny Bias).

- Das 29 escolhas, 5 (17%) tiveram uma carreira entre "Decepcionante" e "Abaixo do esperado para uma pick #2" (Smits, Kenny Anderson, Mike Bibby, Emeka Okafor e MKG)

- Das 29 escolhas, 8 (28%) delas acabaram virando realmente bons jogadores ou até estrelas... mas só depois de terem sido trocado pelos seus times de origem (Kidd, Aldridge, Camby, Van Horn, Tyson Chandler, McDyess, Alonzo Mourning e Steve Francis), e eu estou sendo generoso com alguns desse nomes (poderia ser limitada a Chandler, Kidd, Aldridge e Mourning, jogando o resto na categoria baixo).

- E apenas DOIS viraram realmente estrelas para os times que os draftaram, Payton e Durant.

Em outras palavras, 19 de 29 (incríveis 65%) dessas escolhas falharam em se tornar um grande jogador, sendo que 13 foram completamente inúteis para seus times no médio prazo. Olhando mais a fundo, apenas CINCO dessas 29 escolhas (Payton, KD, Aldridge, Kidd e Mourning - 17%) viraram estrelas de fato na NBA (para efeito de comparação, a escolha #3 teve 8 no período e isso sem contar Joel Embiid), e apenas dois, três (contando Smits) ou quatro (se quiser contar como sucesso Glen Rice como retorno de Alonzo) times REALMENTE podem dizer que tiveram sucesso escolhendo na posição #2 durante VINTE E NOVE ANOS.

E no final, chegamos nisso: apenas dois times que tinham a escolha #2, a segunda posição mais valiosa do Draft inteiro, conseguiram obter um Franchise Player para seu futuro e construir todo um futuro vencedor (mesmo que sem títulos) ao seu redor. Ambos foram draftados pelo Seattle Supersonics, a franquia que foi roubada da forma mais cruel da história da NBA.

E se isso tudo não é suficiente pra te convencer da Maldição de Sam Bowie, eu não sei o que é.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Pensamentos sobre Kyrie Irving e Isaiah Thomas


Obrigado por tudo, Isaiah


Caso vocês morem em uma bolha, terça feira Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ontem acertaram uma troca bombástica envolvendo Kyrie Irving, Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e a escolha de 2018 desprotegida do Brooklyn Nets.

Eu ainda estou em choque demais para escrever um texto coerente, mas queria discutir rapidamente alguns pontos sobre a troca que acho que merecem destaque, ou então que não tem recebido o suficiente.

(Nota: Um número surpreendentemente alto de pessoas não entendeu o objetivo da coluna, então deixa eu deixar mais claro ainda. A ideia NÃO é analisar a troca, apenas passar por alguns pontos que a meu ver não receberam a atenção devida, ou que eu gostaria de expandir!)

- Lealdade

Toda vez que um jogador importante muda de time os torcedores trazem a questão da lealdade à tona. Gordon Hayward foi para Boston, e torcedores queimaram a sua camisa. Por algum motivo, as pessoas são muito, muito fanáticas quando se trata desse conceito esquisito.

E o problema é que, quando os papeis estão invertidos, os times são elogiados por deixar de lado o subjetivo e tomar as melhores decisões racionais, a melhor decisão "para a franquia". É uma questão de dois pesos, duas medidas, nas quais os jogadores sempre saem perdendo. Hayward é um traidor ingrato por ter saído do time que apostou e investiu nele em Utah. Mas quando Hayward virou free agent em 2014, o Jazz não ofereceu ao ala um contrato máximo - ao invés disso o Jazz deixou Hayward livre para negociar com outros times um contrato que Utah poderia igualar, na esperança de economizar. O Jazz fez o que era melhor para si próprio, no que estava certo, mas o mesmo fez Hayward quando foi para Boston. Um é elogiado, o outro tem sua camisa queimada.

E a troca de Isaiah é mais um exemplo do quão idiotas somos de ficar chorando sobre a falta de lealdade dos jogadores. Isaiah sempre foi um jogador menosprezado por causa do tamanho, e que enfim tinha encontrado seu lugar em Boston. Isaiah logo vestiu a camisa da franquia, assumiu a identidade da cidade, e se tornou um embaixador do Celtics. Esteve envolvido no recrutamento de Durant e Gordon Hayward, escreveu um texto para o Player Tribune sobre o quanto amava Boston e o quão bom era enfim ter achado um lugar onde era valorizado, jogou nos playoffs pelo Celtics em meio a uma situação extremamente emotiva da morte da sua irmã... e foi trocado dois meses depois do final da temporada.

Da próxima vez que for reclamar da falta de lealdade de um jogador, lembre-se de Isaiah Thomas.


- Subjetividade

Objetivamente, foi uma boa troca para Boston. O time ficou mais jovem, mais alto (mais nisso daqui a pouco), trouxe uma opção de mais alto potencial, e evitou o problema de pagar um contrato máximo a um PG de 5-9 de 29 anos vindo de uma cirurgia grave no quadril daqui a um ano. Você pode argumentar que o custo foi muito alto (e foi), e quanto à forma como o time maximizou seus ativos (hold that thought), mas foi uma troca que fez bastante sentido e tornou Boston um time melhor.

Isso do ponto de vista de basquete. Do pessoal? Eu confesso que estou muito triste. Isaiah não merecia isso depois de tudo que fez pela franquia, e do o time e a torcida significavam para ele. Boston perdeu seu jogador mais amado, e três jogadores (Isaiah, Crowder, e o anteriormente trocado Bradley) que constituíam boa parte da identidade da franquia. O time de 2018 pode ser melhor que antes, mas não tem mais o sentimento familiar daquele grupo de jogadores que você se apegou e viu crescer.

Talvez mude de ideia com o tempo, mas mais do que gostar ou não da troca, eu admito que hoje estou triste.


- LeBron James

Um dos pontos mais crítcos da temporada 2017/18 do Cleveland Cavaliers é a permanência ou não de LeBron James mais um ano. E embora seja impossível dizer, a impressão é que essa troca aumenta as chances de LeBron ficar em Cleveland pelo menos mais um ano - o que já seria uma grande vitória do Cavs.

Um dos pontos de preocupação de LeBron supostamente seria a saída de David Griffin, GM do Cavs. Mas o novo GM, Koby Altman, se saiu muito bem em uma situação extremamente difícil com Kyrie Irving, e agora pode ser um novo foco de estabilidade na franquia. E em um bom cenário, o Cavs pode estar adicionando um role player perfeito para LeBron (Crowder), um PG semelhante a Kyrie para substituí-lo (Isaiah) e AINDA tem a chance de adquirir uma nova estrela para seu futuro dependendo de onde a escolha do Nets cair.

Claro, ainda tem muita coisa que poderia dar errado para o Cavs (mais daqui a pouco). Mas em um cenário onde parecia cada vez mais provável uma saída do King James, uma boa troca dessas pode dar vida nova para Cleveland com o melhor jogador da sua história.


- Golden State Warriors

Deixando de lado a questão do futuro por um momento, e pensando apenas em 2018, eu acho que para o Cavs existe apenas uma pergunta que importa: como essa troca me ajuda a enfrentar o Golden State Warriors?

E a resposta me parece ter duas faces. Por um lado, Jae Crowder é exatamente o tipo de jogador que você quer ao seu lado (e ao lado de LeBron) se você vai enfrentar o Warriors. Apesar da inconsistência, Crowder é um ala capaz de defender três posições, trocar a marcação e espaçar a quadra com seus arremessos. É alguém que te ajuda a enfrentar a altura e versatilidade de Golden State, oferece uma opção para tentar defender Durant sem sobrecarregar LeBron, e pode fazer tudo isso ainda ajudando do lado ofensivo da quadra. No papel, é o jogador que você quer do seu lado.

Mas por outro lado, Isaiah no lugar de Kyrie é uma considerável piora. É possível argumentar que, se Isaiah estiver saudável e conseguir reproduzir seu nível de 2017 (ambas dúvidas razoáveis), a diferença entre os dois jogadores é pequena, se existir. Mas basquete não se joga no papel, se joga em um contexto, e no contexto de enfrentar Golden State ter Kyrie é uma grande vantagem sobre Isaiah por dois motivos.

O primeiro é que Irving é um pesadelo de matchup para a defesa de Golden State. A defesa do Warriors é uma das melhores da história do jogo, e sua principal força vem do quão bem a defesa trabalha em conjunto, trocando marcação, fechando espaços coletivamente, negando a formação da jogada adversária. É talvez o ápice do que uma defesa moderna de basquete deveria ser. No entanto, o jogo mano-a-mano de Irving é quase uma kriptonita para essa defesa, pois ela tira o coletivo da equação e coloca apenas um defensor individual no confronto, que Irving é capaz de fazer valer por conta da sua habilidade surreal de criar arremessos. Isaiah é um bom pontuador em isolação, mas não está no nível de Kyrie (em parte porque talvez ninguém na NBA está) nesse quesito, e essa é uma jogada que realmente precisa ser de outro nível de eficiência para fazer valer. Isaiah dificilmente seria capaz de reproduzir esse nível de produção no mano a mano, e com isso Cleveland perde uma arma de extrema importância e que, repito, Golden State simplesmente não consegue marcar durante alguns momentos.

E segundo pela questão defensiva. Tanto Irving como Isaiah são péssimos defensores, mas esconder o primeiro na defesa é muito mais fácil. Kyrie é um defensor até decente no mano a mano, e muito ruim defendendo fora da bola, se perdendo com facilidade, mas isso em geral é mais fácil de se esconder em um bom time em um bom esquema - para atacá-lo você precisa envolver ele na jogada, e envolver outros jogadores. Kyrie vai errar bastante, claro, mas é mais difícil atacar um jogador assim. Você vai atacá-lo dentro do seu ataque, mas não vai ser um alvo a ser atacado individualmente de novo e de novo.

Isaiah é diferente. Além dos problemas fora da bola (E em screens), a falta de altura de Isaiah faz dele praticamente um missmatch ambulante para o adversário atacar, especialmente um time com tantas armas como o Warriors. Ele pode ser atacado de várias maneiras simplesmente pela sua limitação física que um jogador mais atlético e alto como Kyrie, por pior defensor que seja, não sofre tanto. Isso obriga seu time a se desdobrar muito mais para escondê-lo defensivamente, e não precisa voltar muito no tempo para lembrar o quanto Boston sofreu com suas lineups e formações para escondê-lo contra times como Bulls e Wizards.

Em geral, claro, Isaiah compensa isso com seu ataque fabuloso. Mas dentro do contexto desse duelo, o ataque de Isaiah é uma piora para o Cavs, e sua defesa também, fazendo dele um jogador muito menos efetivo do que Kyrie seria contra o adversário mais importante do ano.

Entre a piora (relativa!) com Isaiah e a melhora com Crowder, como o Cavs fica no matchup é difícil dizer. Em geral, eu diria que o Cavs se torna um time mais estável e com melhor piso na hora de enfrentar Golden State, mas com um teto menor, e contra um time superior esse teto pode fazer mais falta.


- Altura

Querendo ou não, altura importa - e muito - no basquete. E um dos pontos chave que não tem sido levantado o suficiente quando discutindo o Celtics de 2017 e sua projeção para 2018 é como a altura dos jogadores impactou o coletivo do time.

Em especial, o fato de que Boston jogou 2017 com Isaiah Thomas (5-9, jogador mais baixo da NBA) e Avery Bradley (6-2, baixo para um SG) cobrou mais do time do que se imaginaria. Eu já falei sobre como é difícil esconder as limitações defensivas de Isaiah por causa do tamanho, mas esse foi um problema que acabou composto com as limitações de altura de Bradley: um dos melhores defensores mano a mano da NBA, a falta de altura limita não só sua capacidade de ajudar na defesa trocando a marcação e cobrindo os demais companheiros, mas o fato de que ele já tem que fazer isso enquanto cobre a defesa de Isaiah - que não pode ser movido ao redor do alinhamento adversário por causa da altura - limita muito o que Bradley pode contribuir do lado defensivo, e força o time inteiro a ter que compensar por isso.

Esse déficit de altura foi um dos problemas por trás da defesa do Celtics ano passado, e também dos rebotes. A série contra o Bulls quando Rondo estava saudável: Chicago atacava Isaiah individualmente na defesa e nos rebotes, isso gerava uma quebra coletiva para ajudar, e Chicago conseguia mais rebotes de ataque em cima de jogadores fora de posição ou cestas fáceis. E, acima de tudo, um dos fatores que motivou algumas das trocas de Boston, em especial a de Avery Bradley por Marcus Morris, que tinha um objetivo claro de cercar Isaiah (na época) com tamanho para que esse problema ficasse muito menos evidente, e mais fácil de ser coberto. A montagem atual do time teve o foco de aumentar seu tamanho mantendo a flexibilidade e mobilidade de jogadores menores, e é um aspecto subestimado da evolução do time entre 2017 e 2018 e da chegada de Kyrie. Apesar de perder dois dos seus principais defensores, a defesa do time para 2018 pode ter uma evolução devido a ter resolvido aquele que foi secretamente um dos seus principais problemas do ano passado.


- Custo de oportunidade

Eu acho que foi uma troca boa para Boston. O Celtics (corretamente) estava bastante receoso de pagar um contrato máximo ano que vem para um Isaiah Thomas de 29 anos após uma lesão séria no quadril, e Crowder era mais dispensável após as aquisições de Tatum e Morris. A troca por Kyrie da ao time um jogador de maior potencial, mais jovem, e cuja linha do tempo encaixa melhor com o resto desse ainda bem jovem elenco. Você pode argumentar que o preço foi muito alto por causa da escolha desprotegida do Nets, e sem dúvida foi - dado o mercado frio, eu não sei com quem Boston estava competindo por essa troca de forma que o preço tenha subido tanto assim. Mas tornou Boston um time melhor no curto prazo, e manteve a perspectiva ainda mais favorável no médio/longo prazo.

O que eu acho que é um motivo mais complicado, e que merecem mais críticas, foi a forma como o time lidou com seus (muitos) ativos na busca de uma troca. O que é irônico, já que a grande crítica ao Danny Ainge é que ele era apegado demais aos seus ativos na hora de acordar trocas. Mas se era a hora de trocar a escolha do Nets, não poderia ter dado a ela um uso melhor, quando jogadores como Jimmy Butler e Paul George foram trocados por retornos muito menores? Irving é um upgrade sobre Isaiah, mas trocando por esses jogadores você manteria Isaiah, Hayward, Horford e adicionaria mais uma estrela.

Para mim essa é a grande crítica à forma como Boston conduziu sua offseason, e uma bastante válida. É possível que isso tenha sido mais relacionado à avaliação pessoal dos jogadores em questão por parte de Ainge, que é alguém muito confiante em sua avaliação de talentos. Mas de todo modo, não me parece que todo o processo dos últimos meses extraiu o máximo dos ativos que Boston tinha (por sorte eram, e ainda são, muitos), e com a chance de refazer essa offseason, Boston possivelmente teria como sair ainda melhor. E, justo ou não, fica a sensação de que o time pagou caro demais agora depois de se arrepender dos acordos que perdeu mais cedo na offseason. 

Dito isso...


- Big picture

É possível criticar o preço pago por Kyrie Irving. É ainda mais válido criticar a forma como Boston lidou com seus ativos, como descrito acima, e o custo de oportunidade que a franquia incorreu ao usar sua escolha mais valiosa em Irving quando outros jogadores talvez melhores poderiam ter sido adquiridos pela mesma escolha, sem perder Isaiah.

Mas a questão que também não pode ser perdida de vista é a seguinte: nessa offseason, Boston trouxe duas estrelas legítimas, montando assim um trio de All Stars em Kyrie, Hayward e Horford, mantendo também junto um excelente promissor núcleo jovem (Smart, Jaylen Brown, Jayson Tatum) E com ainda mais uma escolha valiosíssima do Draft de 2018 nas mangas para adquirir outro jovem talento. O resultado, sem a menor dúvida, ainda é excelente: Boston saiu dessa offseason melhor no presente, e melhor posicionado para o futuro. Esse é um excelente resultado para qualquer offseason.

E parte do motivo pelo qual Ainge pode pagar a mais por Irving é porque os passo anteriores permitiram. Trocar a escolha #1 foi criticada, mas gerou uma escolha Top5 extra, que por sua vez permitiu trocar a escolha do Nets e adquiri uma estrela na posição de PG para o futuro. Perder Crowder não vai doer tanto por causa das aquisições de Brown, Morris e Hayward. Boston passou um bom tempo valorizando os ganhos marginais de cada negociação e cada troca justamente para chegar no ponto onde poderia fazer uma troca podendo pagar a mais sem grandes perdas, e foi o que aconteceu aqui.

Se Boston estava certo em usar essa abertura com Kyrie Irving e não com jogadores com Butler ou George é questionável, mas não muda o fato de que Boston se reconstruiu com uma rapidez única na história da NBA, se estabelecendo como legítima força no Leste, enquanto ainda se mantém muitíssimo bem preparado para o futuro. Na big picture, a trajetória de Boston não é nada além de um grande sucesso.


- Riscos

Desnecessário dizer, essa foi uma troca excelente para Cleveland. Em uma situação difícil com a demanda de troca de Kyrie, em um momento onde o mercado da offseason já estava se fechando e os times estavam com os elencos quase prontos - e com a free agency de LeBron como uma sombra por cima de tudo isso - o novo GM Koby Altman conseguiu uma proeza de primeira ordem. O retorno que conseguiram de Boston é de longe o melhor que conseguiriam no mercado a esse ponto, e atinge três pontos importantes: Conseguem um PG pontuador All Star (e 2nd Team All-NBA) para o lugar de Kyrie, bem como um role player de alto nível, para ajudar a repor sua perda e continuar sendo um forte candidato ao título no curto prazo; adicionaram um jovem talento (Ante Zizic, não esqueçam dele) que teria sido uma escolha de loteria se estivesse nesse draft e mais uma escolha de Draft bastante valiosa, como base para seu futuro; e ainda impressionaram LeBron com essa troca. Cleveland saiu MUITO bem.

Mas o que me incomoda é que toda troca tem prós e contras, ganhos e riscos... mas de modo geral ninguém está comentando dos riscos que essa troca envolve para o Cavs. Todo mundo está assumindo o melhor cenário e avaliando a troca de acordo, esquecendo os pontos que ainda podem agir contra Cleveland na troca.

O primeiro e mais significativo é a saúde de Isaiah Thomas. Isaiah está vindo de uma lesão séria no quadril, e seu jogo depende muito do físico e da sua capacidade de explosão e agilidade. Qualquer lesão que tenha consequências pode afetar bastante seu jogo daqui para frente, e supostamente a lesão foi um dos motivos que levou Boston a fazer essa troca. Pode ser que não seja nada sério, mas com um PG de 5-9 vindo de uma lesão dessas e a um ano de um contrato milionário, a margem para erro é bem menor.

Outro risco é a escolha de Draft do Nets. Embora seja ainda uma escolha bastante valiosa, ela também carrega algum risco. Em um Draft que é considerado muito forte no topo (top4-5) e com uma grande queda depois, o Nets talvez não seja tão ruim quanto em 2017, e quanto se espera. O time foi surpreendentemente competitivo ano passado quando Jeremy Lin esteve saudável, e Brooklyn conseguiu bons reforços que não só melhoram o nível de talento da equipe, mas que encaixam bem no esquema que o seu bom técnico (Kenny Atkinson) quer implementar. Ano passado, o Nets jogou com um estilo divertido e veloz que gerou uma tonelada de boas bolas de três pontos, só não tinha quem as acertasse. Agora com DeMarree Carroll (37% 3PT  nos últimos 3 anos), D'Angelo Russell (35%) e Allen Crabbe (41%) a bordo, essas bolas de três vão começar a cair mais, e isso pode tornar esse time razoavelmente perigoso. É um time reforçado, com um bom técnico, e mais importante um que não tem qualquer incentivo para tankar em meio a uma queda no nível geral da NBA e do Leste. O time ainda vai ser ruim, mas isso pode ser a diferença entre uma escolha #3 e uma #6, e nesse Draft essa é uma diferença enorme.

É claro que a troca ainda é ótima, e a melhor que o Cavs poderia conseguir. Conseguiram um All-Star, um bom role player, um jovem jogador com potencial e uma escolha valiosa. Existe um cenário possível onde o time consegue se reforçar contra GSW, vence um título, o time ganha a escolha #1 (de novo!) e LeBron decide ficar em Cleveland. Mais realista, também existe um cenário possível onde o time se mantém bom o suficiente para desafiar GSW de novo esse ano, sem grandes perdas no curto prazo, e mesmo com a saída de LeBron o time se reconstrói em torno de uma escolha Top5 (Bagley, Bamba, Doncic, Ayton ou Michael Porter) de Draft e mais talentos sob contrato.

Mas também existe um cenário onde as lesões de Isaiah prejudicam seu futuro e a temporada 2017 do Cavs, LeBron sai, e a escolha do Nets não rende um dos cinco grandes nomes desse Draft, deixando o time pior no curto prazo e sem uma grande fundação para uma reconstrução. É uma possibilidade real.

Ainda vale a pena? Sem a menor dúvida - a recompensa supera os riscos, e é um excelente retorno mesmo por um jogador do nível de Kyrie. Mas os riscos existem, e não podemos ignorá-los quando discutimos a troca.


- Técnicos importam

Trocas não acontecem no vácuo. Novos jogadores precisam ser incorporados a novos esquemas táticos, e novas funções. Trocas são feitas pensando não no que jogadores fizeram, mas no que farão no futuro para seus novos times, e isso passa sempre por um contexto e uma adaptação difícil de antecipar. Por exemplo, Isaiah Thomas foi melhor que Kyrie em 2017, mas fez isso em um esquema tático montado ao seu redor, tendo como objetivo maximizar suas forças, enquanto Kyrie era  segunda opção em um sistema montado ao redor de LeBron James. Em 2018, as funções serão opostas: Kyrie será o foco do ataque, enquanto Isaiah precisará se adaptar a um jogador que gosta de segura a bola. Como cada um será nesse contexto, e quem será melhor? Não sabemos, e isso faz com que analisar trocas seja uma ciência bastante inexata.

Essa adaptação é um trabalho difícil e que muitas vezes vai depender do técnico em questão, o que é uma coisa boa para Boston: o Celtics tem Brad Stevens, um dos melhores técnicos da NBA e um mestre estrategista. E, por acaso, o esquema ofensivo que ele implementa é perfeito para Kyrie Irving: a movimentação de bola e a presença de playmakers como Hayward e Horford vai tira de Irving a necessidade de jogar tanto como criador de jogadas (o que não faz tão bem), e as movimentações usadas para abrir espaços para Isaiah funcionariam ainda melhor para liberar Kyrie para pontuar. Ainda é incerto se Kyrie - alguém que gosta de segurar a bola, jogar em isolação, e que supostamente quer ser a estrela do time - vai aceitar ou conseguir se adaptar ao esquema mais coletivo e a jogar sem a bola como Boston requer, mas sem dúvida jogar com um técnico criativo e um elenco versátil ajuda as chances de sucesso.

Do outro lado, isso é algo que me preocupa um pouco em Cleveland. Isaiah atingiu seu potencial em Boston através de um esquema voltado para sua movimentação sem bola, corta luzes para abri caminho, e uma série de jogadas desenhadas como hand-off. Dificilmente terá a mesma liberdade e atenção do ataque em Cleveland, onde LeBron controla muito mais o jogo. Integrar Isaiah e sua movimentação fora da bola ao ataque que costuma ficar concentrado nas mãos de um jogador só será um desafio, especialmente por causa dos problemas defensivos que Isaiah causa do outro lado.

A troca, em geral, foi boa para ambos os times, mas com isso se refletirá na corrida pelo Leste em 2018 vai depender do quão bem e quão rápido os times conseguem incorporar suas novas aquisições na sua rotação. Tanto Isaiah como Kyrie são jogadores com forças e deficiências bastante específicas, que não são fáceis de se maximizar, especialmente com pouco tempo. E aqui a falta de um grande técnico pode pesar para o Cavs, e Boston pode colher mais um benefício de ter começado sua reconstrução com Brad Stevens.