Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador Los Angeles Clippers. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Los Angeles Clippers. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Hack a Cast - Conferência Oeste




Tem Hack a Cast novo no ar!!

Nessa edição, eu e o Vinicius Veiga continuamos nosso especial de duas partes e falamos da Conferência Oeste.

Falamos do momento do Warriors, da mudança que não é bem uma mudança do Spurs, da "pouca" atenção recebida pelo Thunder, os demais times de playoffs, e muito mais!! Confiram!!

Tabela de assuntos:

Minuto 2 – Warriors
Minuto 11 – Spurs
Minuto 26 – Thunder
Minuto 35 – Clippers
Minuto 43 – Rockets
Minuto 53 – Mavericks
Minuto 58 – Grizzlies
1h2 – Jazz
1h7 – Kings
1h14 – Blazers
1h19 – Nuggets
1h23 – Pelicans
1h27 – Suns
1h30 – Wolves
1h41 – Lakers

A coluna sobre o Warriors citada no podcast, da Revista Timeout Brasil, pode ser encontrada aqui

(Se você veio atrás do meu Team All-Two Minute Warning da NFL, é só clicar aqui!)


terça-feira, 15 de abril de 2014

Pedra, papel, tesoura, bandeja

"... e se ele abrir a mão você joga tesoura, que não tem erro!"


Na NBA - e francamente, em qualquer outro esporte - a questão do "matchup" é sempre muito importante quando falamos sobre o resultado esperado de um determinado confronto. E claro, faz todo o sentido: qualquer time, em especial os bons times, tem um estilo de jogo preferido, um estilo ao qual eles estão mais acostumados, que tira o máximo de suas habilidades e esconde ao máximo seus defeitos, o que eles treinam mais... em resumo, um tipo de jogo no qual o time é melhor e mais eficiente. E eventualmente algum adversário pode ter um outro estilo de jogo que seja favorável a esse: ele tem condições de explorar melhor algum defeito que o time tenha, ou pode ser particularmente bom em uma determinada área que neutralize ou dificulte o estilo de jogo da equipe. Isso te força a mudar a forma como você joga para tentar compensar as deficiências, mas não é o ideal: você vai tentar jogar de outra forma que não está habituado, que cria novas forças e fraquezas que você não está tão acostumado a explorar ou esconder, te tira da sua zona de conforto. E naturalmente, isso diminui sua eficiência e, consequentemente, suas chances de sucesso.

Isso é particularmente relevante na NBA, onde todo mundo em quadra precisa executar esse plano em conjunto por causa da natureza pouco-especializada do jogo, e vai ser ainda mais importante para os playoffs de 2014. Para usar uma expressão do Bill Simmons, o Oeste desse ano é um gigantesco jogo de pedra-papel-tesoura: todos os times tem alguém contra quem são um péssimo matchup, e todos os times tem um adversário que eles absolutamente não querem enfrentar por gerar todo tipo de problema para seu estilo de jogo. Então tem uma boa chance do campeão da conferência Oeste ser decidido simplesmente por esse grande jogo de quem enfrenta quem.

Claro, matchups são sempre importantes, mas eles são especialmente importantes no Oeste esse ano porque a conferência é extremamente equilibrada. No Leste, o Miami Heat (grande favorito) tem alguns times que são matchups ruins para ele, em especial Charlotte Bobcats (defesa forte, ataque focado em um jogador que ninguém em Miami é capaz de defender) e Brooklyn Nets (que varreu a série na temporada regular), mas a diferença de nível entre Miami (e, se estiverem jogando como no começo do ano, Indiana) e o resto dos times é tão grande que o impacto dos matchups é muito menor (francamente, apenas dois times tem condições realistas de ganhar o Leste sem uma lesão acontecendo). Mas o Oeste é muito mais equilibrado, com muitos times de alto nível - o 9th colocado do Oeste seria 3rd seed no Leste. Nenhum dos times seria improvável de chegar a uma final de conferência, e uns cinco times podem muito bem vir a ser campeões. Então além de jogar seu melhor basquete, no Oeste se torna ainda mais importante evitar os determinados adversários que tem uma vantagem contra você. E se um ou dois times maiores forem eliminados por conta de um problema de matchups, isso muda toda a dinâmica da conferência, algo que não ocorre do outro lado (o que não quer dizer que um time não possa vencer um outro que seja um matchup desfavorável, claro. Só dificulta a questão).

Então isso nos deixa com a tarefa de identificar qual - ou quais - matchups apresentam um problema para cada time, e quais podem eventualmente decidir essa conferência. Quais são então os estilos de jogo que mais dão problemas para cada um dos 9 candidatos aos playoffs pelo Oeste, e quais times eles querem evitar a todo custo??

San Antonio Spurs

Mais uma vez, San Antonio foi o melhor time da temporada regular da NBA. Até o dia 14, eles lideravam a NBA em vitórias (62, quatro a mais que o segundo), saldo por 100 posses de bola (8.6, 1.1 a mais que o segundo) e foram o único time da temporada no Top5 tanto em ataque como defesa. E fizeram isso mesmo sem nenhum jogador ter mais de 30 minutos por jogo, e com praticamente todo se time titular perdendo jogos com lesões em algum ponto na temporada. Eles ainda conseguiram ter um time bom a esse ponto, e isso é impressionante.

Mas mesmo sendo o melhor time da NBA por uma boa margem, tem um time que San Antonio absolutamente TEM que evitar se quiser ter boas chances de voltar as finais. Estou falando, é claro, do Oklahoma City Thunder. Se existe um time na NBA que aperfeiçoou ao extremo a forma de enfrentar San Antonio, foi esse: desde que San Antonio abriu 2-0 contra OKC nas Finais de Conferência de 2012, os times se enfrentaram 12 vezes diferentes, e o Thunder venceu 10 desses jogos. Essa temporada, OKC venceu os quatro jogos entre as equipes por 37 pontos no total, e o -11.8 de saldo por 100 posses foi o pior do Spurs contra qualquer time no ano. Esse é o calcanhar de Aquiles de San Antonio, e o maior obstáculo entre eles e as Finais.

A verdade é que o time do Thunder foi colocado nessa Terra para vencer o Spurs. O ataque de San Antonio é uma máquina perfeita de destruição, que se baseia muito na movimentação de bola, passes rápidos, e arremessos de três livres. Mas o Thunder tem exatamente o que é preciso para parar essa máquina: seus jogadores possuem uma combinação alucinante de wingspan (com os braços gigantes dos seus jogadores congestionando linhas de passe, gerando roubos de bola, fazendo os jogadores de San Antonio pensarem duas vezes e diminuindo a velocidade do ataque em geral) e habilidade atlética, que lhes permite atacar pick and rolls, rodar através de screens e ainda ter força física suficiente para recuperar e defender os arremessadores. É um pesadelo para San Antonio enfrentar um time assim, um que consegue atrapalhar todos os fundamentos no qual seu ataque são baseados - apenas um time segurou o Spurs a uma eficiência ofensiva menor, e nenhum (com pelo menos três jogos) causou impacto maior na relação assistência/turnover de SA. O Thunder, para piorar, ainda tem a velocidade e habilidade atlética para transformar isso para problemas do outro lado da quadra, usando os erros e turnovers do Spurs para acelerar o ritmo e conseguir pontos em transição.

Então ainda que o Spurs seja o melhor time da NBA no momento, o Thunder é perfeitamente equipado para derrotá-lo por ser um matchup vindo direto do inferno. San Antonio deve torcer todas as noites para que OKC não chegue nas Finais de conferência.


Oklahoma City Thunder

O grande problema do Thunder em termos de matchups é o seu técnico. Não que Scott Brooks seja um técnico horrível, mas ele tem uma mania que pode colocar tudo a perder: ele é extremamente conservador com seus times, mantendo a mesma base sempre que pode com Perkins e Ibaka no garrafão (ou dois jogadores de garrafão em geral), e isso pode gerar alguns problemas. Quem viu os jogos entre Miami e OKC nos últimos anos sabe do que estou falando: times que jogam com garrafões baixo são um problema constante para o Thunder. Brooks se recusa 90% do tempo a mudar sua formação "ideal" com o garrafão alto, então contra times capazes de espaçar a quadra com algum homem de garrafão na linha de três pontos (como é o caso de Chris Bosh), o time se ve forçado a tomar uma decisão difícil: usar Ibaka na defesa desse jogador longe do garrafão, tirando de perto da cesta o melhor (talvez único) protetor de aro do time (e Ibaka não tem a manha para defender esse tipo de jogador por muito tempo), ou deixar Ibaka perto do aro e mandar Perkins perseguir um jogador mais veloz pelo perímetro da quadra - uma péssima decisão porque ele não tem a menor capacidade de fazer isso. E como Perkins é um péssimo jogador ofensivo, qualquer time pode fazer isso sem maiores repercussões defensivas, especialmente se não precisar tirar um jogador de garrafão natural para causar esse espaçamento de quadra.

Dois times na briga pelos playoffs do Oeste se enquadram nessa descrição e ainda possuem um PG que pode atacar a cesta a partir do drible e do pick and roll (outra coisa que o Thunder odeia - eles são apenas o 18th time mais eficiente defendendo pick and rolls finalizados pelo ballhandler na temporada). Um é o Phoenix Suns, um time que tem dois armadores diferentes atacando o aro (Goran Dragic e Eric Bledsoe) e tem tido muito sucesso usando Channing Frye, um dos melhores PFs arremessadores da liga que forma com Dragic o combo de pick and roll/pick and pop mais eficiente da NBA. O outro é o Dallas Mavericks, que tem o melhor big man arremessador da história da NBA em Dirk Nowitzki. E não é então de se surpreender que, entre os três times que mais deram problemas para OKC essa temporada, Dallas é o adversário contra quem eles tem a pior eficiência (-7.9), e Phoenix o terceiro (-4.3).

A causa desses problemas é a mesma em ambos os casos. A defesa do Thunder, quarta melhor da NBA cedendo 100.8 pontos a cada 100 posses de bola, mas simplesmente é destruída por esses dois. Ela cedeu 108.1 pontos por 100 posses contra Dallas (equivalente a defesa do Lakers, terceira pior da NBA) e incríveis 115.1 pontos por 100 posses contra o Suns, seis pontos pior do que a pior defesa da NBA (do Jazz). OKC simplesmente não consegue defender Channing Frye, Dirk Nowitzki ou qualquer outro arremessador grandalhão com Perkins e Ibaka (ou qualquer outra combinação de big men), e não só Scott Brooks odeia mudar o estilo de jogo da equipe usando lineups mais baixas e flexíveis, como o time também não está habituado a isso: apenas uma lineup de OKC que não tem dois homens de garrafão jogou mais que 55 minutos TOTAIS essa temporada, e mesmo essa jogou apenas 83. Vai ser interessante ver como OKC se desdobra para enfrentar um time assim, se Brooks vai ser rápido para tirar Perkins e confiar no talento de seus jogadores para compensar a falta de entrosamento e prática das lineups mais baixas (só fez uma vez o ano todo) ou se vai insistir nisso e arriscar uma surpresa.

Um rápido comentário: O Warriors aparece como um sleeper nesse quesito para OKC. O fraco Mark Jackson, apesar de ter alguns dos melhores arremessadores do mundo no seu time, também tem uma enorme relutância em usar lineups baixas que espaçam a quadra, insistindo com dois homens de garrafão mais do que devia - algo que limita em muito o talento e potencial desse time. Mas com David Lee e Andrew Bogut lidando com lesões, é possível que Jackson não tenha escolha senão improvisar um pouco e usar um time mais baixo que arremesse muito de três, e nesse caso vai ser interessante ver se o Warriors - que teve muito sucesso ofensivamente contra OKC na temporada regular - consegue emular esse tipo de problema para o Thunder.


Los Angeles Clippers

O Clippers é um time que, apesar de boa defesa, se baseia principalmente em seu ataque para vencer jogos, terminando a temporada regular como o melhor ataque da competição. E esse ataque tem três principais focos: as jogadas de contra-ataque (#1 na NBA), Chris Paul atacando a cesta e distribuindo depois do pick and roll (#1 na NBA) e concentrando o ataque no seu grande garrafão de Blake Griffin e DeAndre Jordan, que tem a força, tamanho e habilidade atlética para desmontar as melhores defesas adversárias.  Então se você quer ser um matchup ruim, a primeira coisa que você tem que ter é um garrafão com tamanho e força o suficiente para contra-balancear Blake e DeAndre lá dentro, neutralizar seus espaços e evitar que o Clippers ataque a partir de post ups (foram #5 na temporada regular em post ups) - de preferência um que possa devolver na mesma moeda do outro lado da quadra, já que LAC teve todo tipo de problema na temporada defendendo homens de garrafão. Não foi a toa que o time que mais abusou do Clippers na temporada regular foi o Pacers.

Para sorte do Clippers, o Oeste não tem muitos times assim. Mas acontece que ele tem UM time exatamente assim, o seu nêmesis recente que não só tem um garrafão físico e perfeitamente equipado para bater de frente com Griffin e Jordan, como também tem um dos melhores defensores de perímetro individuais para cutucar e atrapalhar CP3 o dia todo: o Memphis Grizzlies.

Os times se enfrentaram três vezes na temporada, com Memphis vencendo as duas partidas na qual ambos os times estavam completos, e Clippers vencendo a partida na qual Marc Gasol não jogou, machucado. Memphis também foi o time que venceu Los Angeles nos playoffs de 2013, então estão 6-3 contra o Clippers nos últimos 9 jogos (6-1 se contar os últimos 7). Podem ter certeza que se tem um time que o Clippers quer evitar a todo custo é esse.

O que faz do Memphis um carrasco tão grande para o Clippers não é só a forma de jogar. Claro, essa ajuda demais: Gasol e Randolph formam um dos garrafões mais físicos e fortes da NBA, algo que incomoda e atrapalha demais o garrafão do Clippers, tirando a liberdade e a forma inside-out da equipe jogar e forçando ajustes. Assim a bola tem que passar mais tempo nas mãos de CP3, mas Tony Allen é de longe o marcador que mais incomoda Paul, e passar uma série de seis ou sete jogos sendo incomodado por Allen é um cenário péssimo para o Clippers. Então a forma de jogar do Grizzlies afeta as duas principais armas da equipe sim. Mas além disso, o Memphis tem uma atitude mental que bate de frente com a do adversário. O Clippers é um time com uma certa atitude de bad boys, um time mais forte e mais rápido que vai enterrar na sua cabeça, te olhar feio, te provocar e fazer de tudo para tirar do sério. Isso incomoda muita gente, mas não o Grizzlies, um time extremamente físico que devolve tudo isso, que não para de dar trombadas e incomodar os adversários, e que acaba tendo no Clippers o mesmo efeito que o Clippers tem nos demais times: os jogadores começam a ficar nervosos, a sair do seu jogo e se preocupar demais com o adversário - especialmente quando o seu jogo de garrafão começa a não funcionar. É uma combinação péssima para Los Angeles, e eles farão o possível para evitar o Grizzlies.


Houston Rockets

O Rockets é um time que se remontou muito em 2014, então não tem tanto tempo para tirarmos conclusões sobre o seu modo de jogar e os times que mais tem lhe dado trabalho até então. Mas o que sabemos sobre eles até agora é o seguinte: Rockets é um time que gosta de jogar baixo e veloz no ataque, espaçando bem a quadra em torno do seu pivô (seja ele Dwight Howard ou Omer Asik). Para isso, eles gostam sempre de usar jogadores baixos na posição 4, seja ele Terrence Jones, Omri Casspi ou mesmo Chandler Parsons. Eles não possuem um verdadeiro stretch-4 no time, então se sentem mais confortáveis com formações mais baixas que lhes permitam manter seu estilo ofensivo.

E até agora, isso tem sido também um problema para a equipe. Analisando seus jogos na temporada, é fácil reparar em um padrão para os problemas da equipe. Seis equipes diferentes tem um saldo positivo contra Houston na temporada, e cinco delas são equipes famosas pelo jogo de garrafão e por ter um time alto que protege o aro na defesa e ataca o aro ofensivamente: Clippers, Thunder, Pacers, Bulls e Memphis (o Heat é a exceção). Houston tem problemas quando enfrenta uma presença mais sólida no garrafão pois isso da menos liberdade a Dwight Howard  e dificulta o ataque do time ao aro, e o segundo jogador alto no garrafão pode explorar a falta de um marcador, já que Jones não consegue marcar jogadores muito alto e fortes no garrafão e Casspi e Parsons não tem a menor chance contra um Zach Randolph ou Blake Griffin da vida - não a toa quatro desses seis times absolutamente trucidaram Houston atacando esse missmatch.

É difícil para Houston contra-atacar esse tipo de coisa porque eles não possuem uma alternativa. Apenas duas lineups do time jogaram mais de 50 minutos juntas com dois big men de verdade: uma com Dwight Howard e Donatas Motiejunas que foi até bastante eficiente, e uma com Dwight e Asik juntos que foi um desastre completo ofensivamente. Não sei se McHale confia em Motiejunas o suficiente para usá-lo por muito tempo contra times mais fortes nos playoffs, e é um time ainda não testado nesse tipo de situação.

OKC e Clippers seriam os problemas lógicos de matchups para Houston - os dois combinaram para ganhar 7 de 8 jogos na temporada regular, com Houston tendo -11.3 de saldo por 100 posses contra ambos. Mas Memphis é um sleeper interessante: eles dividiram a série na temporada regular, com cada um vencendo dois jogos, mas as duas vitórias do Rockets vieram quando Marc Gasol esteve machucado, e mesmo assim Memphis ainda tem saldo positivo nos quatro jogos. Eles possuem um DPOY para jogar em Dwight Howard, um excelente defensor para James Harden, e Houston não tem ninguém para defender Z-Bo a não ser que McHale arrisque jogar Howard e Asik juntos. Um confronto encomendado do inferno para o Houston.


E bom, esses são os quatro melhores times e as quatro maiores seeds do Oeste, os times que seriam favoritos contra os demais mas que podem ver os matchups mudar totalmente sua história para bem ou para mal. Os outros times também tem matchups ruins, mas eles influenciam menos porque eles já são zebras para avançar. Claro, Golden State vai querer evitar San Antonio o máximo possível, Dallas sabe que não tem pernas para acompanhar Phoenix ou Golden State, Memphis tem trabalhos contra times que espaçam a quadra sem precisar abaixar de tamanho (AKA Dallas), e Portland não consegue contar a penetração de times como Phoenix ou Houston. Todo mundo no Oeste tem um matchup que adoraria evitar e faz parte desse jogo de pedra-papel-tesoura. Mas esses quatro e suas fraquezas são os que tem mais condições de alterar o panorama geral da conferência Oeste nesses playoffs.

Vamos ver quais times acabam sendo favorecidos pelos cruzamentos, e qual vai ser o impacto real desse tipo de coisa na hora de decidir uma conferência historicamente forte.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Primeira fase dos playoffs: As pedreiras

Antes de anunciar um novo parceiro para o TW Warning, vamos correr pra recuperar o que ficou pra trás no assunto playoffs da NBA, e passar de uma vez por todas pras Finais de Conferencia, quando a coisa começa a ficar realmente interessante. Portanto, depois de falar das mamatas da primeira rodada dos playoffs, falaremos das pedreiras... E, infelizmente, das lesōes.

Infelizmente, essa imagem vai marcar os playoffs de 2012 pra sempre



Lakers vs Nuggets (4-3)
Odeio me gabar quando eu acerto alguma coisa (mentira, eu adoro), mas eu avisei que essa série tinha tudo pra ser muito emocionante e decidida em sete jogos. Veja só como meus poderes proféticos andam afiados:


Apesar de parecer um absurdo a primeira vista, pra mim esse confronto tem tudo pra ser um duelo muito interessante. O Nuggets tem três coisas que incomodam muito o Lakers: Um armador muito rápido no Ty Lawson, um jogador de garrafão extremamente energético e que defende muito bem, e tem um excelente defensor de periímetro pra colar no Kobe (Aaron Afflalo). Somando essas três coisas com a depth de Denver e um dia onde as bolas de três estejam caindo, e de repente podemos ter uma série



Pois é, foi exatamente isso que deu o tom da série, em especial o primeiro item. Depois de usar sua força e seu garrafão pra abrir logo uma vantagem de 2 a 0 na série, o Lakers passou a ter muito trabalho pra segurar o Ty Lawson. O armador deu um baile no Ramon Sessions e no Steve Blake, costurou a defesa do Lakers e achou seus companheiros. O Lakers tem problemas com armadores velozes desde... O que, a década de 80 (Sleepy Floyd, alguém?)? Bom, o Lawson não foi exceção, ele pintou o diabo com o Lakers quando o Nuggets encostou na série.

Isso também teve uma ajuda do garrafão do Nuggets, que com energia e atleticismo conseguiu se impor pra cima do garrafão forte de Los Angeles. O que, Kenneth Faried? Um pouco, mas nem tanto. Quem realmente fez a diferença no garrafão do Nuggets (Além da depth e versatilidade geral dos big man de Denver) foi o JaValle McGee. Durmam com essa, o mesmo McGee que não sabe qual é o lado que ataca e defende. Mas a verdade é que a energia e atleticismo do McGee e do Faried serviu muito bem pra incomodar os pivôs de LA, evitar que eles controlassem o jogo na área pintada e forçar o Lakers a rodar mais a bola e confiar nos chutes de três. O que foi importantíssimo pra Denver, porque as bolas de três do Lakers não estavam caindo e isso impediu que o Lakers conseguisse desacelerar em muito o ritmo do jogo. Isso favoreceu o Lawson e o ataque mais rápido do Denver, tirou o Lakers da sua zona de conforto e colocou o time de LA contra a parede com um jogo 7.

No entanto, no Jogo 7 aconteceram duas coisas muito importantes pro Lakers, que não tinham acontecido até ali. Primeiro, as bolas de três de Metta World Peace e Steve Blake começaram a cair, o que abriu demais o jogo para o Lakers, deu espaço para Andrew Bynum e Pau Gasol trabalharem no garrafão (especialmente nos rebotes) e, principalmente, serviu para desacelerar o jogo. O jogo mais lento era tudo que o Lakers queria pra evitar que o Nuggets saisse correndo e pontuando na transição, como fez a série toda, mas isso só foi possível porque as bolas de três caíram e o garrafão se aproveitou disso pra funcionar. Além disso, no segundo tempo do jogo 7, Kobe pediu pessoalmente pra marcar o Ty Lawson. Lawson não fez mais nada, foi engolido pelo camisa 24 e isso tirou demais o poder de fogo de Denver, que não conseguiu acompanhar o Lakers. Ainda assim, uma boa performance do Nuggets com seu elenco ainda muito jovem (e sem Wilson Chandler).


Clippers vs Grizzlies (4-3)
Ok, essa é complicada. Juro que não sei realmente explicar o que aconteceu nessa série. Mas eu tenho CERTEZA que fomos eu e o Zeca que zicamos o Grizzlies no nosso podcast (Pros preguiçosos, a gente apontou o Grizzlies como nosso candidato ao tiítulo. Eu sou um homem de honra, também lembro meus erros grosseiros). Aos torcedores do Grizzlies, sentimos muito. Se eu soubesse que era tão fácil assim tinha aproveitado pra secar também o Heat e o Lakers. 

Ok, vamos ver o que a gente tem... Primeiro, o Grizzlies tava dominando o jogo, abriu 27 pontos de vantagem, e entregou tudo no segundo tempo. Claro que o Clippers tem mérito, mas o Grizzlies simplesmente dormiu na partida: Parou de correr pra defender contra ataques, nao rodou a marcação direito, ficou preguiçoso no ataque... Em resumo, achou que o jogo tava ganho, naão se esforçou pra manter o placar, e ai quando o Clippers veio pra cima o time não teve capacidade de se recuperar e reagir. O Clippers abriu o placar da série e tirou todo e qualquer momento que o Grizzlies tivesse.

O problema do Grizzlies foi a dificuldade que o time teve em envolver no jogo seus dois jogadores de garrafão, Marc Gasol e Zach Randolph. Ao invés disso, o time insistiu com o Rudy Gay no perímetro, que teve médias muito ruins de 19 pontos e 42%, o que não seria tããão ruim se, sabe, ele não estivesse sendo marcado pelo Caron Butler, que tava com uma fucking mão quebrada! Quando o Grizzlies finalmente usou seu garrafão do jeito certo, Marc Gasol engoliu o Clippers com farinha e finalmente explorou o garrafão fraco e vulnerável do seu adversário, ganhando os jogos 5 e 6 (Esse ultimo em Los Angeles). Mas ai chegamos ao jogo 7, que fo bizarro: Gasol foi muito bem, mas Zach Randolph acertou apenas 3 de 12 arremessos, ningueém além de Gasol e Gay (que desapareceu no quarto periodo, com um turnover e nenhum Field Goal) anotou mais de 10 pontos, e o Chris Paul fez o seu papel para o Clippers fechar a série num jogo marcado por muito nervosismos e ataques muito ruins: 82 a 72 pro Clippers, que chutou 38% no jogo. O Grizzlies? 32%. Ta explicado?


Celtics vs Hawks (4-2)
Uma série bizarra, e eu nem sei por onde começar. Primeiro, no jogo 1, Joe Johnson e Josh Smith jogam muito bem, Rajon Rondo tromba de proposito em um juiz e é expulso (e suspenso), e o Hawks não só ganha o jogo 1 como sabia que ia jogar o jogo 2 contra um Celtics sem seu melhor jogador. No jogo 2, no entanto, o Celtics venceu mesmo sem Rondo, graças a um jogo histórico do Paul Pierce (jogando com uma perna só): 36-14-4 e todas as cestas importantes do time no segundo tempo pra tirar a diferença de 12 pontos, naqueles jogos onde ele parece imparável e acerta todo tipo de arremesso. Isso também com a pequena ajuda do Josh Smith ter se machucado perto do final do jogo (embora duvido que isso fosse mudar o jogo com o Pierce nesse estado). 

O jogo 3, sem Smith, foi mais difícil do que todo mundo esperava, mas o Celtics ganhou com um triple double do Rondo. O jogo 4, mesmo com as voltas de Smith e Al Horford, foi uma lavada do Celtics que parecia que ia empolgar nos playoffs, que tava achando seu melhor jogo, com Rondo voando, Pierce e Ray Allen afiados de longe, e Kevin Garnett voltando uns anos no tempo. Parecia então que o Celtics ia jogar essa série pras mamatas.

Mas não, no jogo 5 o Hawks assumiu o controle e chegou a abrir vantagem de dois dígitos no final do terceiro período, só pra ver o Celtics anotar 10 seguidos antes do fim do terceiro quarto. Ai o Al Horford esqueceu que tinha ficado quatro meses parado, tomou conta do jogo e abriu 4 pontos de vantagem... Pra ver o Pierce acertar uma bola ninja de três e o Rondo roubar o inbound pass faltando 10 segundos. Ai o Rondo, famoso por passar bolas ate quando tem caminho livre pra cesta, esqueceu de passar a bola, quis resolver sozinho, errou o drible e nem arremessou antes do tempo acabar. E claro que no jogo 6 o Hawks jogou melhor, abriu boa vantagem, viu o Garnett meter um 28-14 e o Celtics virar o jogo nos segundos finais, dai o Horford errar um lance livre decisivo (depois de ter dominado o periodo todo) e o Celtics sair com uma vitória bizarra. Ufa.

Ou seja, foi muito esquisito, e o pior: Eu assisti a todos os jogos dessa série, e não consigo explicar quase nada do que aconteceu. Foi aleatorio demais, os jogadores foram de lua demais e foi justamente isso que determinou cada jogo. Ou seja, imprevisível. O melhor time venceu, mas suou demais e não convenceu. E o saldo de baixas do Celtics acabou sendo o mais importante dessa rodada: Pierce sem uma perna indo pra Philadelphia, Avery Bradley sem um braço (O que claramente ta limitando o garoto e fazendo ele perder importantes jogos) e o Ray Allen incapaz de correr normalmente. Esse Celtics provavelmente é, quando consideramos as lesōes do Chris Wilcox e do Jeff Green, o time do Celtics mais zicado de lesōes desde 1987 (quando tinha Robert Parish e Danny Ainge com lesōes sérias na perna - especialmente Parish - e seu segundo melhor jogador, Kevin McHale, jogando com um fucking pé quebrado... E mesmo assim levou a série contra o Lakers a seis jogos. E sim, o McHale daria o toco no baby hook do Magic Johnson no jogo 4 se estivesse saudável. Vamos em frente antes que eu jogue o notebook pela janela). Uma pena, porque era o time mais embalado do Leste antes do fim da temporada e das lesōes. Espero que consiga se reencontrar caso passe pelo Sixers a tempo de enfrentar Heat ou Pacers. E por falar em lesōes...


Sixers vs Bulls (4-2)
Sinto muito, não tem o que falar dessa série a não ser a lesão que tirou o Derrick Rose dos playoffs, das olimpíadas e, talvez, até mesmo da temporada do ano que vem. Se era necessário ou não manter o Rose naquele momento de um jogo já ganho de playoffs, não é a questão: Ao mesmo tempo que o Rose voltava de uma lesão séria e seria melhor poupá-lo com o jogo já ganho, também era fato de que o armador estava sem ritmo de jogo e precisava jogar para poder voltar a estar entrosado com a equipe e o jogo em si. Nao vou entrar nessa questão.

A questão que importa é que isso tirou de cena o melhor time do Leste ao longo de toda a temporada regular, com uma defesa forte, um superstar pra controlar o jogo e, mais importante, uma identidade. O Bulls tinha falhas, podia não dar em nada, mas o fato é que tirar dos playoffs o time de melhor campanha de uma conferência sempre vai causar um desequilibrio importante, o que o Bill Simmons chamou de "Título com uma nota de rodapé", um título legítimo mas influenciado por algo que sempre vai fazer as pessoas falarem "Ah, mas naquele ano teve...", como por exemplo o título do Lakers de 87 (Veja acima), do Rockets de 94 (Aposentadoria de Michael Jordan no auge dos seus poderes), do Spurs de 1999 (Lockout que fez mais de metade da liga chegar totalmente despreparada na temporada, o que levou o Knicks a chegar às Finais graças a uma jogada duvidosa e sem seu melhor jogador no Patrick Ewing, machucado, que definitivamente teve importancia quando seu time foi massacrado por Tim Duncan - David Robinson), Hawks em 1958 (perna quebrada do Bill Russell), Lakers em 1988 (Isiah Thomas machucando seriamente o pé no jogo 6 das Finais com Detroit liderando 3-2 e indo fechar a série)... E por ai vai. Voces entendem a idéia, uma nota de rodapé indicando que o tiítulo foi legiítimo, mas teve ajuda de um fator de sorte que não pode ser deixado de lado. Diferente de um asterisco, que indicaria algo claramente falso e ilegítimo, como os Home Runs do Barry Bonds (socado até o pescoço de esteroides), o final da carreira do Roger Clemens (idem), e por ai vai.

A lesão do Rose faz do título de 2012 um título assim? Sim, com certeza. Nao significa que o Bulls ia ganhar e deixou de ganhar por causa disso, mas indica que, quem quer que tenha ganho o título, teve caminho facilitado por uma lesão que tirou da briga um dos times mais fortes do ano. Ninguém garante que o Spurs não ia ser campeão em 2005, mas ele teve caminho muito facilitado pelas lesōes de Joe Johnson (Suns), Dwyane Wade (Heat) e a confusão do Ron Artest (Pacers) no Palace of Auburn Hills terem tirado do páreo três dos cinco melhores times do ano. O mesmo vai acontecer esse ano. Seja Heat, Celtics (Amem!), Spurs ou Thunder a ganhar o título, todo mundo vai lembrar que o Bulls não disputou o título porque o Rose machucou. É cruel, mas é assim que funcionam os esportes, todo mundo pensa demais no "E se...". E afinal de contas, o Rose PODIA levar o Bulls ao título. A gente não sabe. E nunca vai saber. Só sabemos que os playoffs perderam um dos seus jogadores mais interessantes, um dos melhores times e a chance de sete jogos de Heat e Bulls se matando depois de tanta animosidade na temporada regular. O Bulls jogou a temporada regular muito bem sem Rose porque jogou confiante, sabendo que quando importasse, o camisa 1 estaria la dentro com eles. Nos playoffs, quando a lesão do Rose deixou claro que ele NAO ia voltar mais e que o Bulls estava sozinho até o final, o time desanimou (especialmente quando o Joakim Noah também machucou). O time foi capaz de jogar com intensidade quando Rose estava fora quando sabiam que ele voltaria, mas sem a esperança de uma volta, o Bulls simplesmente não teve forças pra continuar, e o Sixers passou por cima. Uma pena imensa...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Confrontos de primeira rodada dos playoffs (Parte II)

Ok, ainda estamos numa pequena correria, então vamos terminar logo com os confrontos de primeira rodada dos playoffs desse domingo. Alias, Bulls perdeu Derrick Rose (Ainda acho que ganha do Sixers, mas não do Celtics) e o Knicks perdeu Iman Shumpert e um jogo humilhante pro Heat, então parece que a série que eu mais queria ver foi estragada pela arbitragem, pela lesão do Shumpert e pelo camisa 6 do Heat, que quis justificar porque vai ganhar o prêmio de MVP e fez miséria em quadra, e se continuar assim, esquece competição nesses playoffs. Ou pelo menos até a final.

Vamos aos jogos de domingo, do mais chato pro melhor (lembrando que esses previews foram escritos antes da rodada do domingo, mas só conseguimos postar agora)...


Boston Celtics (4th seed) at Atlanta Hawks (5th seed)

Antes que alguém pergunte, o Boston é 4th seed porque foi campeão de divisão, e o Hawks ainda tem mando de quadra porque teve uma campanha melhor.

Bom, o Hawks poderia ser um time interessante se o Al Horford estivesse saudável, mas agora o time vai depender de Joe Johnson e Josh Smith. Eu gosto de um ponto que o Bill Simmons fez semana passada, quando disse que o Joe Johnson foi tão chamado de overpaid e overrated que ele acabou ficando underrated, porque ele ainda é um dos melhores 2-guards da NBA, ótimo jogador nos finais de partida e vai ter que estar inspirado pro Atlanta sonhar com a classificação. O Josh Smith é excelente quando fica perto do garrafão e usa sua habilidade atlética pra dominar um jogo, mas de repente ele decide que quer chutar bolas de três e erra tudo, muita habilidade pra pouco cérebro. O time fora os dois é esforçado, mas limitado, não tem um bom banco desde que o Jamal Crawford se mandou, e o time é inconsistente demais. Enquanto isso, o Celtics é um time que ninguém tem muita certeza sobre como vai chegar. Depois da entrada do Avery Bradley na equipe ressuscitar o espirito de defesa e intensidade do time, o Celtics embalou uma excelente sequencia, engoliu o Heat com farinha duas ou tres vezes, e era o time que estava jogando melhor em todo o Leste. Ai o Rajon Rondo machucou, o time poupou os titulares pro resto da temporada, e ninguém sabe como eles vão voltar pros playoffs. 

Pra mim? Vai ser o Celtics insano-intenso-ultradefensivo que vimos antes, simplesmente porque eles sabem a hora de jogar pra valer e a hora de se segurar, e também porque eles sabem que, passando pelo Hawks, a única coisa entre eles e um confronto com o Heat (Um time que eles não tem medo de bater de frente e ja venceram duas vezes recentemente - três se contar um jogo que o Sasha Pavlovic foi o cestinha) é um Bulls sem Derrick Rose. O Celtics tem o Avery Bradley pra marcar o Johnson (Unico problema aqui é a diferença de altura) e o garrafão vai fechar em cima do Smith e, em outras palavras, obrigar o resto do time do Hawks a vencer o jogo, e eu não confio em Marvin Williams, Ivan Johnson e Jeff Teague. O que não aconteceria se o Horford estivesse saudável, mas depender demais de dois jogadores contra essa defesa não vai dar muito certo. Pergunte ao Heat. 

No entanto, se Rondo (Voltando de lesão, vale lembrar) e Garnett não começarem a série a todo gás - Rondo por ser o centro de todas as açōes ofensivas da equipe, e Garnett porque ele é o termômetro da equipe - a série muda. O Hawks pode aproveitar esse começo fraco pra abrir vantagem em casa, e forçar o Celtics a tirar a vantagem. Jogar na frente é muito importante pro Hawks nessa série, especialmente se o Ray Allen demorar pra voltar. A chance do Hawks é essa.

Atualização: Garnett não estava nos seus dias no primeiro confronto, o time sentiu falta das bolas longas do Ray Allen, e Rondo conseguiu ser expulso por trombar num juiz (o que deve render suspensão de um jogo). O Hawks tem tudo pra conseguir levar pra Boston uma vantagem de 2 a 0... É, começou com o melhor cenário pra Atlanta.


Los Angeles Clippers (5th seed) at Memphis Grizzlies (4th seed)

Esses dias, em um grupo do Facebook, a galera montou um bolão pra primeira rodada dos playoffs, e eu fiquei surpreso que tirando uma pessoa, todo mundo apostava em uma vitória (em alguns casos até fácil, tipo 4-1) do Clippers. Clippers sobre Memphis? Sério??

Parece que as pessoas ficam maravilhadas com o Blake Griffin e o Chris Paul e esquecem que o Grizzlies eé um tremendo Juggernault que engole vivo times que não são capazes de igualar sua força no garrafão e/ou que dependem demais de um jogador só pra criar jogadas. Parece familiar? Ainda que o Griffin seja um grande jogador, ele ainda tem alguns instantes que mostra como a falta de um treinador pra orientá-lo tem atrapalhado um pouco seu jogo, ele as vezes depende demais das enterradas e do seu giro, e não é também um grande defensor. Mesmo o DeAndre Jordan naão tem tido um bom ano, tem errado muito e não tem conseguido se impor. Enfim, o Clippers tem um garrafão que tem se mostrado muito vulnerável na defesa, e o Grizzlies é o time capaz de usar isso pra engolir o adversário. Aleém disso, tirando quando o Chris Paul comanda o show (E podem esperar que ele vai jogar ainda melhor nesses playoffs e ganhar um jogo sozinho), o Clippers não consegue criar jogadas, depende demais do individualismo, e contra um time tão defensivo como o Grizzlies (que tem Mike Conley e especialmente Tony Allen pra grudarem no Paul e tornarem sua vida um inferno) isso vai ser mortal. O Grizzlies é o pior matchup possível pra esse Clippers, e a não ser que o Chris Paul jogue com o capeta no corpo, encarne o Isiah Thomas nos seus melhores dias e destrua a marcação especial que o Grizzlies vai jogar pra cima dele, essa série não vai ter ne graça.

Alem disso, o Grizzlies é um time espetacular. SE - eu disse SE - o Zach Randolph aceitar um papel menor na equipe, o Grizzlies talvez seja o time mais assustador do Oeste. Ele pode ir grande (Marc Gasol e Z-Bo), pode ir pequeno (Conley, Allen, OJ Mayo, Rudy Gay, Gasol), tem depth (Mayo, Mareese Speights, Gilbert Arenas), e é capaz de dominar qualquer time da NFL (Tirando TALVEZ o Lakers) no garrafão com rebotes, defesa e pontos próximos ao aro. Esse é o tipo de basquete que da resultado nos playoffs, e nenhum time faz isso melhor que o Grizzlies na atualidade. Pra mim, o Clippers ainda está a um ano (e outro técnico) de ser um sério competidor no Oeste. Especialmente por ter batido contra o Grizzlies de cara.


Utah Jazz (8th Seed) at San Antonio Spurs (1st seed)

Sinceramente, uma das séries mais interessantes dessa primeira rodada. Não acredito que o Spurs - com um Manu Ginobili saudável, o que naão tinham ano passado - perderão mais uma vez para uma 8th seed, mas acho que o Jazz tem tudo pra tornar essa série uma boa série, de repente seis ou sete jogos disputados.

O Spurs foi o time mais impressionante da temporada regular, mesmo descansando longamente seus veteranos (e seus melhores jogadores) ainda emendou sequencias de vitórias maiores de 10 jogos, teve a melhor campanha do Oeste e foi dominante o ano todo, sua eficiencia ofensiva foi de assustar e seu point diferential foi o maior em toda a Liga. Mas se o Spurs tem uma fraqueza, é que o seu garrafão não tem se mostrado dos mais dominantes, ainda que tenha sido capaz de ter excelentes jogos contra times de garrafão forte ainda teve alguns problemas ao longo do ano, como por exemplo os 30 rebotes de Andrew Bynum (Que teve só 2 no confronto seguinte, btw). Ainda que muito talentoso, o garrafão do Spurs sente falta de uma certa força física la dentro. Ou seja, um time de garrafão forte pode dar problema pro Spurs, e o Jazz tem um excelente garrafão com Al Jefferson e Paul Millsap.

O Jazz tem, portanto, um garrafão forte que pode incomodar o Spurs e tem Devin Harris e Gordon Hayward em fase espetacular, e está embalado o suficiente pra não deixar essa série ser tão fácil assim. Mesmo assim, tem três coisas que me fazem duvidar da capacidade do Jazz de vencer o Spurs. Primeiro, que o Spurs agora é o itme do Tony Parker, e ele é o melhor PG da atualidade infiltrando e finalizando no garrafão. Devin Harris nem ninguém no Jazz consegue marcar o Parker no mano a mano, e ai fica dependendo demais da cobertura do garrafão pra impedir que o armador do Spurs faça a festa lá dentro... E o JAzz não tem jogadores (tirando talvez o Derrick Favors) pra fazer essa cobertura na marcação bem o suficiente pra deixar o Parker preocupado na hora de infiltrar, e ai o Parker vai tomar conta do jogo. Segundo, que um dos fatores que fazem um garrafão como o do Jazz tão fortes é sua capacidade de pegar rebotes ofensivos e pontuar nas segundas chances, mas ai bati de frente numa estatística: O Spurs é o time que menos cede rebotes ofensivos na NBA. E terceiro, porque não tem nenhum time em toda a Liga que saiba melhor o que está fazendo do que o Spurs: Eles sabem exatamente sua identidade, sabem o que fazer em cada situação, tem uma rotação estabelecida e conhecem bem demais todas as forças e fraquezas do seu time. E se tem um treinador que saiba usar isso a favor do time eé o Greg Popovich. E isso conta nos playoffs... Muito.


Denver Nuggets (6th seed) at Los Angeles Lakers

Apesar de parecer um absurdo a primeira vista, pra mim esse confronto tem tudo pra ser um duelo muito interessante. O Nuggets tem três coisas que incomodam muito o Lakers: Um armador muito rápido no Ty Lawson, um jogador de garrafão extremamente energético e que defende muito bem, e tem um excelente defensor de periímetro pra colar no Kobe (Aaron Afflalo). Somando essas três coisas com a depth de Denver e um dia onde as bolas de três estejam caindo, e de repente podemos ter uma série. O Lakers tem problemas com armadores velozes e se o Afflalo conseguir tirar o Kobe do jogo (30 pontos em 31 arremessos e 5 turnovers, e por ai vai), o Lakers vai ter que depender demais o garrafão pra manter o time no jogo, e o Kenneth Faried pode incomodar o Lakers por causa dos rebotes. Novamente, isso é um SE, uma situação favorável pro Nuggets, mas que da ao time uma legitima chance de vencer o Lakers se as bolas de três estiverem caindo, especialmente em casa (O Lakers tem tido problemas fora de casa).

Ainda assim, o Lakers é o favorito por outros três motivos: Primeiro, a falta de um pivô pra bater com o Andrew Bynum, você realmente tem problemas se a sua melhor defesa a isso é Kosta Koufos e JaValle McGee. Aliaás, o Bynum é o x-factor do Lakers nesses playoffs, porque no Oeste só o Grizzlies e o Thunder possuem um garrafão capaz de defendê-lo. Se o Bynum conseguir impor sua força no garrafão dos dois lados da quadra, isso da ao Lakers uma dimensão totalmente diferente em ambos e o torna um time muito mais perigoso.

Segundo, que o Lakers sabe vencer jogos, e o Nuggets não. Parece besta e subjetivo, mas o Lakers tem vencido jogos de diferentes maneiras, apertados, feios, defensivos, ofensivos, enquanto que o Nuggets não tem a experiência e a confiança pra jogar jogos de diferentes estilos numa série de sete jogos contra um time superior que está acostumado a essas coisas. E por fim, o Lakers e o Nuggets são dois times que jogam muito melhor em casa: e o Lakers joga um jogo a mais em seus domiínios. Mas pra mim essa série esta bem aberta, e o Nuggets - ainda que azarão -pode derrubar o Lakers se conseguir impor seu jogo e com um pouco de sorte.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Chris Paul, Los Angeles Clippers e o NBA Hornets


"Eu gostava do Hornets antes dele virar mainstream"


Calma fãs de NFL, eu sei que a temporada está na reta decisiva, mas esse assunto é importante e bombástico demais pra não falar no momento. Deixemos a NFL quieta por enquanto, até porque só temos quatro vagas de playoffs realmente em disputa no momento por lá. Vamos nos concentrar no enorme rolo que foi a questão do Chris Paul e sua saída de New Orleans. Essa questão começou, na verdade muito tempo atrás, e não foi nada além de um grande resumo de várias histórias que já vinham desenvolvendo.

A primeira foi a compra do Hornets pela NBA quando o antigo dono quis se desfazer do time. A NBA era uma entidade um pouco desgastada pelo fiasco que aconteceu com o Seattle Supersonics, e quando o dono antigo do time anunciou sua intenção de vender o time pela dificuldade financeira da equipe de jogar num mercado pequeno e devastado pelo Furacão Katrina, a NBA não achou nenhum comprador que estivesse disposto a comprar o time E manter o Hornets em New Orleans. Eu já bati nessa tecla antes, mas a NBA é um modelo de gestão brutal com os times de mercado pequeno, que não ganham tanto dinheiro com cotas de televisão, venda de ingressos e receitas com suas arenas e ainda jogam em cidades pouco atraente para os grandes jogadores da Liga. Como a NBA não queria outra franquia mudando de cidade, eles decidiram comprar o Hornets até que outro comprador - disposto a manter o time por lá - aparecesse.

Claro que isso era um desastre esperando pra acontecer, afinal o Hornets agora era um time com 29 donos, os 29 donos dos mesmos times que disputam com o Hornets títulos, vagas nos playoffs e, claro, jogadores. Lembram de quando o Hornets trocou o Marcus Thornton pelo Carl Landry, o que aumentou a folha salarial do time? Os outros donos - em especial o Mark Cuban - cairam matando em cima, dizendo que estavam pagando mais dinheiro por um jogador que estava jogando em outro time, o que também não deixava de ser verdade. A sorte é que o Hornets era um time pouco expressivo na NBA para ter grandes problemas envolvendo os donos. Ou pelo menos até outra história cruzar com essa, que é um dos novos grandes problemas dos times de mercado pequeno.

No ano que passou, Lebron James, Deron Williams e Carmelo Anthony nos mostraram uma simples verdade: Superstars, na maioria, não querem jogar em times de mercado pequeno. Eles querem jogar em cidades grandes, ganhar dinheiro e jogar juntos de outros grandes jogadores, não ficar em times pequenos de cidades pequenas que não tem dinheiro pra contratar jogadores milionários. É uma triste verdade, mas tem acontecido cada vez mais, e os times de mercado pequeno tem que torcer pra montar uma boa base em volta do seu Superstar (San Antonio) antes que eles saiam ao final dos seus contratos pra times mais caros em cidades maiores. E vimos também que a alternativa que essas franquias tem é trocar seus Franchise Players. Raptors e Cavs não trocaram seus jogadores e perderam os dois a preço de nada, enquanto Denver e Jazz trocaram Deron e Carmelo antes do final dos seus contratos, juntaram vários ativos e estão numa reconstrução muito mais interessante do que times que perderam seus superstars de graça. Ou seja, nesses casos, ou o time pequeno troca seu All-Star, ou então recomeça do zero.

E ai que chegamos ao problema: O contrato do Chris Paul pode acabar ao final da temporada, ele não quer renovar de jeito nenhum (Não da pra culpá-lo. Ele é um dos jogadores mais leais da NBA, mas jogar num time sem dono, cujo melhor teammate acabou de ir pra Indiana, sem dinheiro  nem perspectivas de futuro... Não rola) e portanto a única alternativa pro Hornets é trocá-lo pra tentar juntar os ativos e começar de novo. E aí o Hornets, que era um time pouco importante, de repente se ve com a necessidade de trocar o melhor armador da NBA, talvez o melhor armador puro de todos os tempos. Em um segundo, o Hornets passou de time irrelevante para time que pode definir os próximos anos da NBA.

Quando a NBA comprou o Hornets, o David Stern deixou claro que as decisões de basquete do time estavam totalmente a cargo do GM Dell Demps, que as decisões dele seriam imediatamente acatadas e que a Liga não ia se envolver nas decisões, que seu papel era somente achar um novo dono para a franquia. Mas ai, ao final do CBA e assim que foram liberadas as trocas, o Demps e o Hornets fecharam uma troca de três times com Lakers e Rockets que mandaria CP3 pro Lakers, Pau Gasol para o Rockets e Lamar Odom, Luis Scola, Kevin Martin, Goran Dragic e uma escolha futura do de primeira rodada do Knicks pro Hornets.  O Hornets precisava trocar seu Superstar pra não perdê-lo por nada, e o Dell Demps costurou um acordo com outros dois times, ao ponto que a troca foi anunciada. Só que ela ainda precisava passar pela aprovação do dono do Hornets. Ou seja, a NBA. E daí ela não passou, porque o David Stern vetou a troca alegando "razões de basquete' para tal.

Primeiro, eu queria deixar bem claro que não gostava dessa troca pra quase ninguém. Pra mim, só um time sairia em vantagem dessa troca, que era o Rockets. O Rockets acumulou talentos jovens por muito tempo pra fazer um movimento grande, e conseguiria um dos melhores da Liga no Gasol, alguém que de repente poderia ser colocado para fazer par com o Nenê (Rockets estava pesado atrás dele e não tenho dúvidas de que jogar ao lado do Gasol teria sido um motivo forte pro Nenê ir pra lá) e complementado com os jovens que já estavam no time, Kyle Lowry, Courtney Lee, etc, para montar um time muito competitivo. O Rockets perderia dois bons jogadores, mas levaria para casa um superstar e ainda seria um lugar atraente para um dos melhors FAs do mercado. Mas o Lakers, pra mim, é um time que saia perdendo porque perdia sua grande força do garrafão. Chris Paul e Kobe Bryant no mesmo time, dois jogadores que gostam de jogar com a bola, não iam ser tão efetivos como separados e o Lakers se tornaria um time com um garrafão fraco, especialmente se o Andrew Bynum machucasse o joelho num jogo de Janeiro contra o Grizzlies... Sabe, como ia acontecer de qualquer jeito. Mas pro Hornets, eu também não gostava da troca. O time que o Hornets ia montar era muito interessante, com Dragic, Martin, Trevor Ariza, Scola e Emeka Okafor com Odom vindo do banco, um time bem equilibrado que podia até mesmo ir aos playoffs, mas isso é tudo que o time ia ganhar. O time ia ser bom por algum tempo, mas Scola e Odom já estão do lado errado dos 30 anos e o Kevin Martin também já tem 29. O Hornets ia montar um time bom que logo ia se desmontar e não ia ganhar nenhum tipo de ativo de longo prazo que pudesse auxiliar o time na sua reconstrução. Em dois anos, esse time estaria acabado e o Hornets ia ter que recomeçar do zero do mesmo jeito, e mesmo nesses dois anos não seria um time capaz de brigar seriamente pelo título. Era bom no curto prazo, mas não no médio/longo prazo. Mas de qualquer forma, podia não ser a melhor troca do mundo e ter muitos riscos envolvidos, mas ao mesmo tempo era uma troca 100% defensável e todos tinham assumido um risco por uma recompensa, não era assalto à mão armada nos moldes de Gasol-para-o-Lakers.

Acontece que foi uma troca que foi fechada entre os três GMs e anunciada para a mídia. E foi só depois que o David Stern vetou, alegando que não era boa pro Hornets. Pra mim até não era tão boa como o time poderia conseguir de outra forma, mas não foi esse o verdadeiro motivo. O verdadeiro motivo foi que alguns dos outros donos, em especial o Cuban, foram ao Stern chiar que o Lakers estava pegando mais um Superstar e bla bla bla. Eles nem se preocuparam em pensar se o Lakers seria mesmo um time melhor com o CP3 (Pra mim não), só começaram a reclamar de que o Lakers estava polarizando a Liga e etc e tal, e aí o Stern se viu pressionado por alguns dos donos e vetou a troca pra agradá-los. Não foi uma decisão pensando no time ou mesmo na ética, ela foi apenas política pra satisfazer meia dúzia de donos que chiaram. Passaram por cima da decisão do Demps (que o Stern tinha prometido que seria definitiva) e destruíram os planos de dois times no processo de forma covarde. 

Pra mim não tem desculpa, foi um abuso de poder do Stern pra agradar esses donos da nova geração que ficam de mimimi porque não entendem que certos times - Lakers, Knicks, Celtics - simplesmente TEM mais apelo aos jogadores do que Mavericks, Hornets ou Suns. História conta no basquete, mas parece que muitos desses donos novos querem que  não aconteça. O CP3 querer jogar no Lakers é algo comum, qualquer jogador de basquete quer jogar em times tão grandes e com tanta história assim. E o problema é que isso destruiu totalmente os planos de Rockets e Lakers. O Rockets, como eu disse, vinha acumulando jovens pra gastar num movimento grande, e quando apareceu a chance, Stern vetou. O Rockets perdeu a chance de conseguir seu superstar e agora Scola e Martin vão jogar sabendo que o time estava tentando trocá-los, não é todo jogador que tem a cabeça pra jogar da mesma forma. Esse veto pode ter acabado com a chance do Houston de conseguir um Superstar, o que atrasaria o planejamento do time em dois ou três anos... Mas isso ninguém se importou. O mesmo vale para o Lakers, que envolveu dois dos seus principais jogadores na troca, dois jogadores que sempre tiveram algumas questões sobre seu foco, e que uma vez que a troca foi vetada depois de anunciada, podia gerar nos dois uma certa má vontade para continuar num time que quase trocou os dois (O que aconteceu com o Odom, que exigiu uma troca e acabou indo pro Mavs em troca de jububas - uma troca que, como o Kobe fez questão de frisar, o Cuban não reclamou...). O Hornets pode simplesmente buscar uma alternativa na troca, mas tanto Lakers como Houston tiveram seu planejamento muito danificado por causa do veto, o Lakers foi obrigado a trocar um dos seus melhores jogadores (Embora o Denis do Bola Presa ache que a trade exception que o time ganhou na troca faça parte de um plano maior) e pode ver o outro perder um pouco do seu foco, enquanto que vetou ao Rockets a chance que eles estavam esperando desde que começaram a juntar esse banco de pirralhos talentosos (E embora seja de uma forma indireta, ele também afetou o planejamento de um outro time, o Knicks. O Knicks não tinha ninguém pra trocar por Paul agora, mas se ele virasse FA ao final da temporada, NY seria o destino do armador. Mas quando a troca foi anunciada, com Paul indo para um time onde ele sem dúvidas assinaria uma extensão ao final da temporada, o time decidiu que não ia mais assinar ocm ele e assinou o Tyson Chandler por um preço astronômico que comeu todo o resto do teto salarial. Horas depois, a troca foi vetada, o Paul continuou em New Orleans com risco de virar FA ao final da temporada, mas o Knicks já tinha feito uma troca que iria fazer com quem ele não pudesse assinar o armador ao final da temporada).

Quando o mundo da NBA ainda estava em choque pelo veto, entra na história o Clippers, outro dos times que estavam na briga pelo armador de New Orleans e primo pobre do Lakers. O Clippers é um dos times mais interessantes da Liga por causa do seu bom núcleo de Blake Griffin, Eric Gordon e DeAndre Jordan, e conseguiu fechar com Demps uma troca por Paul. A troca enviaria Eric Bledsoe (Armador pirralho muito talentoso), Al-Farouq Aminu (Bom ala, também no segundo ano), o contrato expirante do Chris Kaman e a escolha de primeira rodada de 2012 do Minnesota Timberwolves, que não deve ser das três primeiras mas deve ser alta o suficiente num Draft muito bom, e em troca o Hornets mandaria o Paul. A troca foi anunciada e bombou no twitter, mas dessa vez todo mundo preferiu esperar pelo parecer do David Stern, que também vetou a troca e pediu um valor muito alto pelo armador (Queria tudo isso MAIS Gordon) e esfriou a conversa.

E aqui está a questão: Ao contrário do primeiro veto - um veto que ocorreu exclusivamente por pressão dos outros donos e que é 100% indefensável - nesse veto o Stern fez uma jogada brilhante pensando exclusivamente em termos técnicos. Para a NBA, é interessante que o Hornets seja um time o mais atraente possível para atrair possiveis compradores, e portanto ele tem que ter as melhores perspectivas possível. Pra mim, o veto ainda foi antiético porque passou novamente por cima da promessa de que o Demps teria total autonomia nas decisões, mas foi brilhante porque o Stern percebeu que o Clippers era uma franquia desesperada atrás do Chris Paul e que estava disposta a oferecer ainda mais para juntar o combo Paul/Blake. Com esse veto, ele conseguiu fazer o Clippers oferecer ainda mais, e o Clippers - ao invés de manter sua posição e jogar com o desespero do Hornets em fazer essa troca, o que seria o jogo inteligente já que não tinha nenhuma outra troca possível pra New Orleans - mordeu a isca e aumentou ainda mais a proposta, tornando uma proposta que já era boa ainda melhor pro Hornets, que dessa vez aceitou. Agora o time de NO ganhou a 1st pick de Minny, Aminu, Gordon e Kaman, o que é muito melhor do que qualquer uma das propostas anteriores. Agora o time vai possivelmente ser muito ruim em 2011, mas pelo menos tem uma ótima perspectiva de futuro: O time ganhou um ótimo armador muito jovem (23 anos) e com potencial para ser um All Star, um ótimo arremessador que sabe armar, atacar a cesta e é bom defensor. Também ganhou um ala promissor, um bom center com contrato expirante (O que pode render ao time mais uma troca inteligente pois esses são os jogadores mais procurados do mercado) e uma escolha de primeira rodada do Wolves que possivelmente não vai ser top 5 (Temos mais de cinco times piores que o Wolves), mas provavelmente também estará no top 12 de um Draft muito bom. E aí que está a questão: O Hornets será uma droga em 2012, e provavelmente terminará com uma escolha muito alta no Draft, que repito, é um Draft muito bom. Se o Hornets for a desgraça que todo mundo espera, o time pode sair desse Draft com duas escolhas altas, digamos... Austin Rivers (12th pick) e Anthony Davis (3rd pick), pra juntar com Gordon e formar um EXCELENTE núcleo pro futuro!! Essa troca faz do Hornets um time muito ruim agora, mas da ao time muito potencial pra começar sua reconstrução com tudo em 2013 e juntar um ótimo núcleo pra recomeçar. Foi uma excelente troca, e o Hornets agora realmente tem chance de ter uma boa reconstrução.

Pro Clippers, eu achei que ela foi mal conduzida (se tivessem forçado teriam conseguido manter o Gordon e ainda realizar a troca, talvez incluindo o Mo Williams nela ou uma escolha de Draft futura), pois se tivessem feito o certo - esperado, tido paciência e usado sua posição mais forte pra não deixar o preço aumentar - teriam um time de Chris Paul (26 anos), Eric Gordon (23), Caron Butler (Bom veterano, defende bem e sabe pontuar), Blake Griffin (22 anos) e DeAndre Jordan (23) anos, ainda com Chauncey Billups (excelente veterano, bom líder) no banco, era um excelente time, time pra pensar em título logo de cara e um time que tinha tudo pra só evoluir nos próximos anos, especialmente com boas adições para o banco, um pontuador e um homem de garrafão pra se juntarem ao Billups e ao Randy Foye. Mesmo assim, a troca não foi ruim - mas ela foi arriscada. O Gordon tinha potencial imenso e em três anos podia ser o melhor SG da NBA dependendo de como o corpo do Dwyane Wade (não) aguentasse os próximos anos, e trocar ele pelo Chris Paul junto da escolha do Wolves foi um preço talvez alto demais a se pagar por um jogador que talvez saia do seu time em dois anos (não há garantias de que ele vá renovar) e também tem problemas sérios nos joelhos, ainda que seja o melhor armador da NBA. Foi um preço alto, talvez alto demais dependendo de como os joelhos e o fim do contrato do Paul acabarem se desenrolando. Mas o fato é que pra um time que vive há tanto tempo na mediocridade, uma medida arriscada e ousada dessas é importante pra dar ao time outra cara, pra colocar o time de vez entre os grandes pra todo mundo ver. Se tivessem mantido o Gordon, talvez tivessem até o um time melhor, mas a recompensa que eles podem ganhar aqui é ainda maior, e a troca do CP3 não só deu ao Clippers um time, e sim todo um respeito e importancia ao redor da Liga. Foi um risco alto, mas a recompensa também pode ser alta.

E o David Stern, o grande vilão dos bastidores, acabou conseguindo o que queria, deu ao Hornets uma excelente base cheia de valor que é atrativa para um dono que entenda de basquete e veja o potencial do lugar. A forma como ele lidou com a troca com Lakers e Rockets foi inaceitável, com uma incrível falta de ética para agradar donos mimados e chorões que simplesmente não queriam ver Chris Paul no Lakers sem nem se perguntar se o Lakers seria um time mais forte. Todos saíram perdendo com esse veto, inclusive a Liga, que viu sua credibilidade ainda mais afetada. Mas na segunda troca, com o Clippers, o Stern jogou suas cartas perfeitamente e conseguiu realmente o maior valor que o Hornets conseguiria numa troca. O que não justifica a forma como tratou Lakers e Rockets, mas agora ele pelo menos pode admitir que já cumpriu sua função como GM do NBA Hornets, um time que tem um futuro muito interessante.