Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Primeira fase dos playoffs: As pedreiras

Antes de anunciar um novo parceiro para o TW Warning, vamos correr pra recuperar o que ficou pra trás no assunto playoffs da NBA, e passar de uma vez por todas pras Finais de Conferencia, quando a coisa começa a ficar realmente interessante. Portanto, depois de falar das mamatas da primeira rodada dos playoffs, falaremos das pedreiras... E, infelizmente, das lesōes.

Infelizmente, essa imagem vai marcar os playoffs de 2012 pra sempre



Lakers vs Nuggets (4-3)
Odeio me gabar quando eu acerto alguma coisa (mentira, eu adoro), mas eu avisei que essa série tinha tudo pra ser muito emocionante e decidida em sete jogos. Veja só como meus poderes proféticos andam afiados:


Apesar de parecer um absurdo a primeira vista, pra mim esse confronto tem tudo pra ser um duelo muito interessante. O Nuggets tem três coisas que incomodam muito o Lakers: Um armador muito rápido no Ty Lawson, um jogador de garrafão extremamente energético e que defende muito bem, e tem um excelente defensor de periímetro pra colar no Kobe (Aaron Afflalo). Somando essas três coisas com a depth de Denver e um dia onde as bolas de três estejam caindo, e de repente podemos ter uma série



Pois é, foi exatamente isso que deu o tom da série, em especial o primeiro item. Depois de usar sua força e seu garrafão pra abrir logo uma vantagem de 2 a 0 na série, o Lakers passou a ter muito trabalho pra segurar o Ty Lawson. O armador deu um baile no Ramon Sessions e no Steve Blake, costurou a defesa do Lakers e achou seus companheiros. O Lakers tem problemas com armadores velozes desde... O que, a década de 80 (Sleepy Floyd, alguém?)? Bom, o Lawson não foi exceção, ele pintou o diabo com o Lakers quando o Nuggets encostou na série.

Isso também teve uma ajuda do garrafão do Nuggets, que com energia e atleticismo conseguiu se impor pra cima do garrafão forte de Los Angeles. O que, Kenneth Faried? Um pouco, mas nem tanto. Quem realmente fez a diferença no garrafão do Nuggets (Além da depth e versatilidade geral dos big man de Denver) foi o JaValle McGee. Durmam com essa, o mesmo McGee que não sabe qual é o lado que ataca e defende. Mas a verdade é que a energia e atleticismo do McGee e do Faried serviu muito bem pra incomodar os pivôs de LA, evitar que eles controlassem o jogo na área pintada e forçar o Lakers a rodar mais a bola e confiar nos chutes de três. O que foi importantíssimo pra Denver, porque as bolas de três do Lakers não estavam caindo e isso impediu que o Lakers conseguisse desacelerar em muito o ritmo do jogo. Isso favoreceu o Lawson e o ataque mais rápido do Denver, tirou o Lakers da sua zona de conforto e colocou o time de LA contra a parede com um jogo 7.

No entanto, no Jogo 7 aconteceram duas coisas muito importantes pro Lakers, que não tinham acontecido até ali. Primeiro, as bolas de três de Metta World Peace e Steve Blake começaram a cair, o que abriu demais o jogo para o Lakers, deu espaço para Andrew Bynum e Pau Gasol trabalharem no garrafão (especialmente nos rebotes) e, principalmente, serviu para desacelerar o jogo. O jogo mais lento era tudo que o Lakers queria pra evitar que o Nuggets saisse correndo e pontuando na transição, como fez a série toda, mas isso só foi possível porque as bolas de três caíram e o garrafão se aproveitou disso pra funcionar. Além disso, no segundo tempo do jogo 7, Kobe pediu pessoalmente pra marcar o Ty Lawson. Lawson não fez mais nada, foi engolido pelo camisa 24 e isso tirou demais o poder de fogo de Denver, que não conseguiu acompanhar o Lakers. Ainda assim, uma boa performance do Nuggets com seu elenco ainda muito jovem (e sem Wilson Chandler).


Clippers vs Grizzlies (4-3)
Ok, essa é complicada. Juro que não sei realmente explicar o que aconteceu nessa série. Mas eu tenho CERTEZA que fomos eu e o Zeca que zicamos o Grizzlies no nosso podcast (Pros preguiçosos, a gente apontou o Grizzlies como nosso candidato ao tiítulo. Eu sou um homem de honra, também lembro meus erros grosseiros). Aos torcedores do Grizzlies, sentimos muito. Se eu soubesse que era tão fácil assim tinha aproveitado pra secar também o Heat e o Lakers. 

Ok, vamos ver o que a gente tem... Primeiro, o Grizzlies tava dominando o jogo, abriu 27 pontos de vantagem, e entregou tudo no segundo tempo. Claro que o Clippers tem mérito, mas o Grizzlies simplesmente dormiu na partida: Parou de correr pra defender contra ataques, nao rodou a marcação direito, ficou preguiçoso no ataque... Em resumo, achou que o jogo tava ganho, naão se esforçou pra manter o placar, e ai quando o Clippers veio pra cima o time não teve capacidade de se recuperar e reagir. O Clippers abriu o placar da série e tirou todo e qualquer momento que o Grizzlies tivesse.

O problema do Grizzlies foi a dificuldade que o time teve em envolver no jogo seus dois jogadores de garrafão, Marc Gasol e Zach Randolph. Ao invés disso, o time insistiu com o Rudy Gay no perímetro, que teve médias muito ruins de 19 pontos e 42%, o que não seria tããão ruim se, sabe, ele não estivesse sendo marcado pelo Caron Butler, que tava com uma fucking mão quebrada! Quando o Grizzlies finalmente usou seu garrafão do jeito certo, Marc Gasol engoliu o Clippers com farinha e finalmente explorou o garrafão fraco e vulnerável do seu adversário, ganhando os jogos 5 e 6 (Esse ultimo em Los Angeles). Mas ai chegamos ao jogo 7, que fo bizarro: Gasol foi muito bem, mas Zach Randolph acertou apenas 3 de 12 arremessos, ningueém além de Gasol e Gay (que desapareceu no quarto periodo, com um turnover e nenhum Field Goal) anotou mais de 10 pontos, e o Chris Paul fez o seu papel para o Clippers fechar a série num jogo marcado por muito nervosismos e ataques muito ruins: 82 a 72 pro Clippers, que chutou 38% no jogo. O Grizzlies? 32%. Ta explicado?


Celtics vs Hawks (4-2)
Uma série bizarra, e eu nem sei por onde começar. Primeiro, no jogo 1, Joe Johnson e Josh Smith jogam muito bem, Rajon Rondo tromba de proposito em um juiz e é expulso (e suspenso), e o Hawks não só ganha o jogo 1 como sabia que ia jogar o jogo 2 contra um Celtics sem seu melhor jogador. No jogo 2, no entanto, o Celtics venceu mesmo sem Rondo, graças a um jogo histórico do Paul Pierce (jogando com uma perna só): 36-14-4 e todas as cestas importantes do time no segundo tempo pra tirar a diferença de 12 pontos, naqueles jogos onde ele parece imparável e acerta todo tipo de arremesso. Isso também com a pequena ajuda do Josh Smith ter se machucado perto do final do jogo (embora duvido que isso fosse mudar o jogo com o Pierce nesse estado). 

O jogo 3, sem Smith, foi mais difícil do que todo mundo esperava, mas o Celtics ganhou com um triple double do Rondo. O jogo 4, mesmo com as voltas de Smith e Al Horford, foi uma lavada do Celtics que parecia que ia empolgar nos playoffs, que tava achando seu melhor jogo, com Rondo voando, Pierce e Ray Allen afiados de longe, e Kevin Garnett voltando uns anos no tempo. Parecia então que o Celtics ia jogar essa série pras mamatas.

Mas não, no jogo 5 o Hawks assumiu o controle e chegou a abrir vantagem de dois dígitos no final do terceiro período, só pra ver o Celtics anotar 10 seguidos antes do fim do terceiro quarto. Ai o Al Horford esqueceu que tinha ficado quatro meses parado, tomou conta do jogo e abriu 4 pontos de vantagem... Pra ver o Pierce acertar uma bola ninja de três e o Rondo roubar o inbound pass faltando 10 segundos. Ai o Rondo, famoso por passar bolas ate quando tem caminho livre pra cesta, esqueceu de passar a bola, quis resolver sozinho, errou o drible e nem arremessou antes do tempo acabar. E claro que no jogo 6 o Hawks jogou melhor, abriu boa vantagem, viu o Garnett meter um 28-14 e o Celtics virar o jogo nos segundos finais, dai o Horford errar um lance livre decisivo (depois de ter dominado o periodo todo) e o Celtics sair com uma vitória bizarra. Ufa.

Ou seja, foi muito esquisito, e o pior: Eu assisti a todos os jogos dessa série, e não consigo explicar quase nada do que aconteceu. Foi aleatorio demais, os jogadores foram de lua demais e foi justamente isso que determinou cada jogo. Ou seja, imprevisível. O melhor time venceu, mas suou demais e não convenceu. E o saldo de baixas do Celtics acabou sendo o mais importante dessa rodada: Pierce sem uma perna indo pra Philadelphia, Avery Bradley sem um braço (O que claramente ta limitando o garoto e fazendo ele perder importantes jogos) e o Ray Allen incapaz de correr normalmente. Esse Celtics provavelmente é, quando consideramos as lesōes do Chris Wilcox e do Jeff Green, o time do Celtics mais zicado de lesōes desde 1987 (quando tinha Robert Parish e Danny Ainge com lesōes sérias na perna - especialmente Parish - e seu segundo melhor jogador, Kevin McHale, jogando com um fucking pé quebrado... E mesmo assim levou a série contra o Lakers a seis jogos. E sim, o McHale daria o toco no baby hook do Magic Johnson no jogo 4 se estivesse saudável. Vamos em frente antes que eu jogue o notebook pela janela). Uma pena, porque era o time mais embalado do Leste antes do fim da temporada e das lesōes. Espero que consiga se reencontrar caso passe pelo Sixers a tempo de enfrentar Heat ou Pacers. E por falar em lesōes...


Sixers vs Bulls (4-2)
Sinto muito, não tem o que falar dessa série a não ser a lesão que tirou o Derrick Rose dos playoffs, das olimpíadas e, talvez, até mesmo da temporada do ano que vem. Se era necessário ou não manter o Rose naquele momento de um jogo já ganho de playoffs, não é a questão: Ao mesmo tempo que o Rose voltava de uma lesão séria e seria melhor poupá-lo com o jogo já ganho, também era fato de que o armador estava sem ritmo de jogo e precisava jogar para poder voltar a estar entrosado com a equipe e o jogo em si. Nao vou entrar nessa questão.

A questão que importa é que isso tirou de cena o melhor time do Leste ao longo de toda a temporada regular, com uma defesa forte, um superstar pra controlar o jogo e, mais importante, uma identidade. O Bulls tinha falhas, podia não dar em nada, mas o fato é que tirar dos playoffs o time de melhor campanha de uma conferência sempre vai causar um desequilibrio importante, o que o Bill Simmons chamou de "Título com uma nota de rodapé", um título legítimo mas influenciado por algo que sempre vai fazer as pessoas falarem "Ah, mas naquele ano teve...", como por exemplo o título do Lakers de 87 (Veja acima), do Rockets de 94 (Aposentadoria de Michael Jordan no auge dos seus poderes), do Spurs de 1999 (Lockout que fez mais de metade da liga chegar totalmente despreparada na temporada, o que levou o Knicks a chegar às Finais graças a uma jogada duvidosa e sem seu melhor jogador no Patrick Ewing, machucado, que definitivamente teve importancia quando seu time foi massacrado por Tim Duncan - David Robinson), Hawks em 1958 (perna quebrada do Bill Russell), Lakers em 1988 (Isiah Thomas machucando seriamente o pé no jogo 6 das Finais com Detroit liderando 3-2 e indo fechar a série)... E por ai vai. Voces entendem a idéia, uma nota de rodapé indicando que o tiítulo foi legiítimo, mas teve ajuda de um fator de sorte que não pode ser deixado de lado. Diferente de um asterisco, que indicaria algo claramente falso e ilegítimo, como os Home Runs do Barry Bonds (socado até o pescoço de esteroides), o final da carreira do Roger Clemens (idem), e por ai vai.

A lesão do Rose faz do título de 2012 um título assim? Sim, com certeza. Nao significa que o Bulls ia ganhar e deixou de ganhar por causa disso, mas indica que, quem quer que tenha ganho o título, teve caminho facilitado por uma lesão que tirou da briga um dos times mais fortes do ano. Ninguém garante que o Spurs não ia ser campeão em 2005, mas ele teve caminho muito facilitado pelas lesōes de Joe Johnson (Suns), Dwyane Wade (Heat) e a confusão do Ron Artest (Pacers) no Palace of Auburn Hills terem tirado do páreo três dos cinco melhores times do ano. O mesmo vai acontecer esse ano. Seja Heat, Celtics (Amem!), Spurs ou Thunder a ganhar o título, todo mundo vai lembrar que o Bulls não disputou o título porque o Rose machucou. É cruel, mas é assim que funcionam os esportes, todo mundo pensa demais no "E se...". E afinal de contas, o Rose PODIA levar o Bulls ao título. A gente não sabe. E nunca vai saber. Só sabemos que os playoffs perderam um dos seus jogadores mais interessantes, um dos melhores times e a chance de sete jogos de Heat e Bulls se matando depois de tanta animosidade na temporada regular. O Bulls jogou a temporada regular muito bem sem Rose porque jogou confiante, sabendo que quando importasse, o camisa 1 estaria la dentro com eles. Nos playoffs, quando a lesão do Rose deixou claro que ele NAO ia voltar mais e que o Bulls estava sozinho até o final, o time desanimou (especialmente quando o Joakim Noah também machucou). O time foi capaz de jogar com intensidade quando Rose estava fora quando sabiam que ele voltaria, mas sem a esperança de uma volta, o Bulls simplesmente não teve forças pra continuar, e o Sixers passou por cima. Uma pena imensa...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Confrontos de primeira rodada dos playoffs (Parte II)

Ok, ainda estamos numa pequena correria, então vamos terminar logo com os confrontos de primeira rodada dos playoffs desse domingo. Alias, Bulls perdeu Derrick Rose (Ainda acho que ganha do Sixers, mas não do Celtics) e o Knicks perdeu Iman Shumpert e um jogo humilhante pro Heat, então parece que a série que eu mais queria ver foi estragada pela arbitragem, pela lesão do Shumpert e pelo camisa 6 do Heat, que quis justificar porque vai ganhar o prêmio de MVP e fez miséria em quadra, e se continuar assim, esquece competição nesses playoffs. Ou pelo menos até a final.

Vamos aos jogos de domingo, do mais chato pro melhor (lembrando que esses previews foram escritos antes da rodada do domingo, mas só conseguimos postar agora)...


Boston Celtics (4th seed) at Atlanta Hawks (5th seed)

Antes que alguém pergunte, o Boston é 4th seed porque foi campeão de divisão, e o Hawks ainda tem mando de quadra porque teve uma campanha melhor.

Bom, o Hawks poderia ser um time interessante se o Al Horford estivesse saudável, mas agora o time vai depender de Joe Johnson e Josh Smith. Eu gosto de um ponto que o Bill Simmons fez semana passada, quando disse que o Joe Johnson foi tão chamado de overpaid e overrated que ele acabou ficando underrated, porque ele ainda é um dos melhores 2-guards da NBA, ótimo jogador nos finais de partida e vai ter que estar inspirado pro Atlanta sonhar com a classificação. O Josh Smith é excelente quando fica perto do garrafão e usa sua habilidade atlética pra dominar um jogo, mas de repente ele decide que quer chutar bolas de três e erra tudo, muita habilidade pra pouco cérebro. O time fora os dois é esforçado, mas limitado, não tem um bom banco desde que o Jamal Crawford se mandou, e o time é inconsistente demais. Enquanto isso, o Celtics é um time que ninguém tem muita certeza sobre como vai chegar. Depois da entrada do Avery Bradley na equipe ressuscitar o espirito de defesa e intensidade do time, o Celtics embalou uma excelente sequencia, engoliu o Heat com farinha duas ou tres vezes, e era o time que estava jogando melhor em todo o Leste. Ai o Rajon Rondo machucou, o time poupou os titulares pro resto da temporada, e ninguém sabe como eles vão voltar pros playoffs. 

Pra mim? Vai ser o Celtics insano-intenso-ultradefensivo que vimos antes, simplesmente porque eles sabem a hora de jogar pra valer e a hora de se segurar, e também porque eles sabem que, passando pelo Hawks, a única coisa entre eles e um confronto com o Heat (Um time que eles não tem medo de bater de frente e ja venceram duas vezes recentemente - três se contar um jogo que o Sasha Pavlovic foi o cestinha) é um Bulls sem Derrick Rose. O Celtics tem o Avery Bradley pra marcar o Johnson (Unico problema aqui é a diferença de altura) e o garrafão vai fechar em cima do Smith e, em outras palavras, obrigar o resto do time do Hawks a vencer o jogo, e eu não confio em Marvin Williams, Ivan Johnson e Jeff Teague. O que não aconteceria se o Horford estivesse saudável, mas depender demais de dois jogadores contra essa defesa não vai dar muito certo. Pergunte ao Heat. 

No entanto, se Rondo (Voltando de lesão, vale lembrar) e Garnett não começarem a série a todo gás - Rondo por ser o centro de todas as açōes ofensivas da equipe, e Garnett porque ele é o termômetro da equipe - a série muda. O Hawks pode aproveitar esse começo fraco pra abrir vantagem em casa, e forçar o Celtics a tirar a vantagem. Jogar na frente é muito importante pro Hawks nessa série, especialmente se o Ray Allen demorar pra voltar. A chance do Hawks é essa.

Atualização: Garnett não estava nos seus dias no primeiro confronto, o time sentiu falta das bolas longas do Ray Allen, e Rondo conseguiu ser expulso por trombar num juiz (o que deve render suspensão de um jogo). O Hawks tem tudo pra conseguir levar pra Boston uma vantagem de 2 a 0... É, começou com o melhor cenário pra Atlanta.


Los Angeles Clippers (5th seed) at Memphis Grizzlies (4th seed)

Esses dias, em um grupo do Facebook, a galera montou um bolão pra primeira rodada dos playoffs, e eu fiquei surpreso que tirando uma pessoa, todo mundo apostava em uma vitória (em alguns casos até fácil, tipo 4-1) do Clippers. Clippers sobre Memphis? Sério??

Parece que as pessoas ficam maravilhadas com o Blake Griffin e o Chris Paul e esquecem que o Grizzlies eé um tremendo Juggernault que engole vivo times que não são capazes de igualar sua força no garrafão e/ou que dependem demais de um jogador só pra criar jogadas. Parece familiar? Ainda que o Griffin seja um grande jogador, ele ainda tem alguns instantes que mostra como a falta de um treinador pra orientá-lo tem atrapalhado um pouco seu jogo, ele as vezes depende demais das enterradas e do seu giro, e não é também um grande defensor. Mesmo o DeAndre Jordan naão tem tido um bom ano, tem errado muito e não tem conseguido se impor. Enfim, o Clippers tem um garrafão que tem se mostrado muito vulnerável na defesa, e o Grizzlies é o time capaz de usar isso pra engolir o adversário. Aleém disso, tirando quando o Chris Paul comanda o show (E podem esperar que ele vai jogar ainda melhor nesses playoffs e ganhar um jogo sozinho), o Clippers não consegue criar jogadas, depende demais do individualismo, e contra um time tão defensivo como o Grizzlies (que tem Mike Conley e especialmente Tony Allen pra grudarem no Paul e tornarem sua vida um inferno) isso vai ser mortal. O Grizzlies é o pior matchup possível pra esse Clippers, e a não ser que o Chris Paul jogue com o capeta no corpo, encarne o Isiah Thomas nos seus melhores dias e destrua a marcação especial que o Grizzlies vai jogar pra cima dele, essa série não vai ter ne graça.

Alem disso, o Grizzlies é um time espetacular. SE - eu disse SE - o Zach Randolph aceitar um papel menor na equipe, o Grizzlies talvez seja o time mais assustador do Oeste. Ele pode ir grande (Marc Gasol e Z-Bo), pode ir pequeno (Conley, Allen, OJ Mayo, Rudy Gay, Gasol), tem depth (Mayo, Mareese Speights, Gilbert Arenas), e é capaz de dominar qualquer time da NFL (Tirando TALVEZ o Lakers) no garrafão com rebotes, defesa e pontos próximos ao aro. Esse é o tipo de basquete que da resultado nos playoffs, e nenhum time faz isso melhor que o Grizzlies na atualidade. Pra mim, o Clippers ainda está a um ano (e outro técnico) de ser um sério competidor no Oeste. Especialmente por ter batido contra o Grizzlies de cara.


Utah Jazz (8th Seed) at San Antonio Spurs (1st seed)

Sinceramente, uma das séries mais interessantes dessa primeira rodada. Não acredito que o Spurs - com um Manu Ginobili saudável, o que naão tinham ano passado - perderão mais uma vez para uma 8th seed, mas acho que o Jazz tem tudo pra tornar essa série uma boa série, de repente seis ou sete jogos disputados.

O Spurs foi o time mais impressionante da temporada regular, mesmo descansando longamente seus veteranos (e seus melhores jogadores) ainda emendou sequencias de vitórias maiores de 10 jogos, teve a melhor campanha do Oeste e foi dominante o ano todo, sua eficiencia ofensiva foi de assustar e seu point diferential foi o maior em toda a Liga. Mas se o Spurs tem uma fraqueza, é que o seu garrafão não tem se mostrado dos mais dominantes, ainda que tenha sido capaz de ter excelentes jogos contra times de garrafão forte ainda teve alguns problemas ao longo do ano, como por exemplo os 30 rebotes de Andrew Bynum (Que teve só 2 no confronto seguinte, btw). Ainda que muito talentoso, o garrafão do Spurs sente falta de uma certa força física la dentro. Ou seja, um time de garrafão forte pode dar problema pro Spurs, e o Jazz tem um excelente garrafão com Al Jefferson e Paul Millsap.

O Jazz tem, portanto, um garrafão forte que pode incomodar o Spurs e tem Devin Harris e Gordon Hayward em fase espetacular, e está embalado o suficiente pra não deixar essa série ser tão fácil assim. Mesmo assim, tem três coisas que me fazem duvidar da capacidade do Jazz de vencer o Spurs. Primeiro, que o Spurs agora é o itme do Tony Parker, e ele é o melhor PG da atualidade infiltrando e finalizando no garrafão. Devin Harris nem ninguém no Jazz consegue marcar o Parker no mano a mano, e ai fica dependendo demais da cobertura do garrafão pra impedir que o armador do Spurs faça a festa lá dentro... E o JAzz não tem jogadores (tirando talvez o Derrick Favors) pra fazer essa cobertura na marcação bem o suficiente pra deixar o Parker preocupado na hora de infiltrar, e ai o Parker vai tomar conta do jogo. Segundo, que um dos fatores que fazem um garrafão como o do Jazz tão fortes é sua capacidade de pegar rebotes ofensivos e pontuar nas segundas chances, mas ai bati de frente numa estatística: O Spurs é o time que menos cede rebotes ofensivos na NBA. E terceiro, porque não tem nenhum time em toda a Liga que saiba melhor o que está fazendo do que o Spurs: Eles sabem exatamente sua identidade, sabem o que fazer em cada situação, tem uma rotação estabelecida e conhecem bem demais todas as forças e fraquezas do seu time. E se tem um treinador que saiba usar isso a favor do time eé o Greg Popovich. E isso conta nos playoffs... Muito.


Denver Nuggets (6th seed) at Los Angeles Lakers

Apesar de parecer um absurdo a primeira vista, pra mim esse confronto tem tudo pra ser um duelo muito interessante. O Nuggets tem três coisas que incomodam muito o Lakers: Um armador muito rápido no Ty Lawson, um jogador de garrafão extremamente energético e que defende muito bem, e tem um excelente defensor de periímetro pra colar no Kobe (Aaron Afflalo). Somando essas três coisas com a depth de Denver e um dia onde as bolas de três estejam caindo, e de repente podemos ter uma série. O Lakers tem problemas com armadores velozes e se o Afflalo conseguir tirar o Kobe do jogo (30 pontos em 31 arremessos e 5 turnovers, e por ai vai), o Lakers vai ter que depender demais o garrafão pra manter o time no jogo, e o Kenneth Faried pode incomodar o Lakers por causa dos rebotes. Novamente, isso é um SE, uma situação favorável pro Nuggets, mas que da ao time uma legitima chance de vencer o Lakers se as bolas de três estiverem caindo, especialmente em casa (O Lakers tem tido problemas fora de casa).

Ainda assim, o Lakers é o favorito por outros três motivos: Primeiro, a falta de um pivô pra bater com o Andrew Bynum, você realmente tem problemas se a sua melhor defesa a isso é Kosta Koufos e JaValle McGee. Aliaás, o Bynum é o x-factor do Lakers nesses playoffs, porque no Oeste só o Grizzlies e o Thunder possuem um garrafão capaz de defendê-lo. Se o Bynum conseguir impor sua força no garrafão dos dois lados da quadra, isso da ao Lakers uma dimensão totalmente diferente em ambos e o torna um time muito mais perigoso.

Segundo, que o Lakers sabe vencer jogos, e o Nuggets não. Parece besta e subjetivo, mas o Lakers tem vencido jogos de diferentes maneiras, apertados, feios, defensivos, ofensivos, enquanto que o Nuggets não tem a experiência e a confiança pra jogar jogos de diferentes estilos numa série de sete jogos contra um time superior que está acostumado a essas coisas. E por fim, o Lakers e o Nuggets são dois times que jogam muito melhor em casa: e o Lakers joga um jogo a mais em seus domiínios. Mas pra mim essa série esta bem aberta, e o Nuggets - ainda que azarão -pode derrubar o Lakers se conseguir impor seu jogo e com um pouco de sorte.

domingo, 15 de maio de 2011

A série que não quer acabar


Randolph e Durant num momento de união para secar a torcedora

Se alguém me falasse, dois anos atrás, que eu estaria vendo uma série fantástica de playoffs entre Thunder e Grizzlies, com direito a prorrogações, vários jogos com viradas espetaculares e sete jogos valendo vaga na final do Oeste, eu provavelmente teria achado que a pessoa bebeu demais, e não me refiro a simples cervejas. Dois anos atrás, Grizzlies tava tentando explicar a troca do Pau Gasol enquanto perdia tudo quanto era jogo, o Thunder foi um dos piores times da Liga, e ninguém imaginava que em apenas dois anos seriam dois dos mais temidos times do Oeste. E agora, apenas dois anos depois, estamos num jogo sete de uma série intensa entre esses dois.

E realmente, já tivemos de tudo. No começo, eu disse que os dois primeiros jogos foram previsíveis porque, conforme eu tinha dito no preview da série, a chave para vencer era dominar o garrafão, porque foi assim que o Grizzlies eliminou o Spurs e era sua principal arma, enquanto o Thunder tinha um fortíssimo garrafão defensivo. Eu disse que a série iria para quem conseguisse se impor nesse duelo: o ataque do Grizzlies ou a defesa do Thunder, sempre dentro da área pintada.

Mas nessa série, não só nenhum time tem sido capaz de dominar a região próxima ao aro por muito tempo como cada vez mais um jogador aleatório, um fator aleatório, surge para dominar um certo jogo. Ou pra atrapalhar, afinal tivemos três vezes nessa série um time mais de 10 pontos na frente tomando a virada no final. A série ta alucinante, vai acabar hoje no jogo sete e, realmente, não deve nada a nenhuma outra série.

E cada vez que parece que um time vai engrenar, vai tomar a vantagem da série pra si, o outro time vai lá e impede, empata a série e voltamos pra estaca zero. É uma série entre dois times jovens e obstinados, as vezes decidida mais na vontade do que na técnica e as vezes, na imaturidade de ambos os times, que chegam pela primeira vez numa semifinal de conferência e de vez em quando parecem perdidos em quadra, como quem chega num lugar e se pergunta "Que diabos é pra eu fazer??"

Um exemplo disso é o jogo três, em Memphis. A série estava empatada em 1 a 1 e o Thunder precisava ganhar um dos dois jogos fora de casa pra recuperar o mando de quadra. O Thunder fez ótima partida e abriu 16 pontos de vantagem no final do terceiro período, entrando no quarto  13 pontos na frente. Mas no quarto período, o Thunder simplesmente sofreu uma pane, só marcou 10 pontos em TODO o período, uma coisa ridícula pro time que tem o cestinha da Liga, e tomou o empate do Grizzlies pra perder em overtime. O time começou a sofrer pressão do Grizzlies em contra ataques rápidos e foi incapaz de desacelerar o seu jogo e criar boas oportunidades. O Russell Westbrook não achou o Kevin Durant na hora de decidir, um demérito dos dois, já que o Durant não conseguiu se livrar da marcação do Tony Allen a não ser muito atrás da linha de três pontos (de onde ele até tentou um arremesso, errado) e o Westbrook não conseguiu achar nenhum companheiro e ficou forçando arremessos idiotas até o Grizz finalmente empatar. O Scott Brooks também não ajudou mantendo o Thabo Sefolosha em quadra e o James Harden no banco, e um exemplo disso é que no overtime, assim que entrou, Harden infiltrou na defesa e deu duas assistências pro Nick Collison embaixo da cesta, nas duas primeiras posses de bola do Thunder. O Thunder não soube o que fazer, se viu pressionado e permitiu que isso atrapalhasse o time na hora de jogar com calma, típico de times inexperientes.

Pra exemplificar com o meu técnico preferido em todo o universo, é o tipo de coisa que os times do Phil Jackson aprendem na marra. O Jackson, quando vê seu time acuado, pressionado, numa sequência ruim, NUNCA pede tempo, nunca para o jogo. Na sua filosofia - que se reflete no esquema de triângulos que, embora não seja criação dele, representa muito bem toda a filosofia de basquete dele - os jogadores são capazes de reagir a qualquer tipo de situação no jogo, seja uma mudança no posicionamento da defesa (O esquema de triângulos não tem muitas jogadas desenhadas, é uma forma de movimentação na qual o ataque reage às movimentações da defesa) seja uma sequencia ruim, e por isso ele não pede tempo para que os jogadores saiam dessa sozinhos. E quando saem, a confiança e capacidade dos jogadores de enfrentar essas situações cresce absurdamente. O Thunder não passou por uma coisa dessas, não superou uma coisa dessas, e não sabia como fazer.

Daí tivemos o já clássico jogo quatro, com o Memphis (que ainda não tinha perdido em casa na pós temporada) querendo abrir 3 a 1 e deixar sua situação mais confortável. Nesse jogo, com três prorrogações, o Grizzlies jogava desesperadamente pra ficar confortável na série e o Thunder jogava desesperadamente pra evitar que isso acontecesse e recuperar o mando de quadra. O Thunder jogou como pode com Durant, Westbrook e Harden, mas foi totalmente dominado no garrafão por Zach Randolph e Marc Gasol, que pontuaram feito malucos, pegaram quatrocentos rebotes (37 no total, sendo 18 de ataque) juntos, mas mesmo assim o Thunder chegou no final da partida vencendo por três, até que uma bola muito forçada de três do Mike Conley mandou o jogo pra prorrogação, outra do Greivez Vasquez (Que ta mostrando que tem basquete pra ser reserva do Conley) mais forçada ainda mandou o jogo pra seguinda prorrogação, mas o Thunder mostrou que aprendeu a lição do jogo três, não perdeu o ímpeto nem se deixou abalar e continuou pontuando consistentemente.

O Thunder também contou com o fato de que no final da partida nem o Z-Bo nem o Gasol conseguiam sequer levantar os braços, tavam tão cansados de pontuarem na trombada e pegarem rebotes de ataque que estavam totalmente esgotados e incapazes de pontuar ou pegar rebotes na terceira prorrogação. O jogo físico do garrafão, a movimentação e trombadas pra pegar rebotes ofensivos, desgasta demais um jogador, e esses dois não conseguiam fazer mais nada no final, e como o Grizzlies sem Rudy Gay depende demais do seu garrafão pra criar os arremessos, o time ficou sem conseguir pontuar direito. O jogo cinco também foi decidido assim, porque o garrafão do Grizzlies ainda não estava recuperado, não conseguiu iniciar os ataques nem ser a bola de segurança do time e o Thunder passeou, Memphis fez só 72 pontos.

E no jogo seis, de volta pra Memphis e a chance do Thunder de fechar a série, o Grizzlies simplesmente não foi capaz de perder. O time tava tomando um passeio do Durant, até que uma falta de ataque cavada inteligentemente pelo Conley fez o ala sair com duas faltas e numa mais recuperou seu ritmo. Mas o Thunder aproveitou o bom momento de Harden e Westbrook pra abrir vantagem, e já tinha aberto 13 pontos de vantagem a segundos do final do segundo quarto e estava com o momento a seu favor, até que o Shane Battier acertou uma bola de três no estouro do cronômetro pra trazer a diferença pra 10 e o momento de volta pro Grizzlies. No segundo tempo, o Grizzlies voltou com sangue nos olhos, roubou bolas, acertou os contra ataques e o Zach Randolph mais uma vez comeu o garrafão do Thunder com farinha e água e acertou tudo no segundo tempo pra terminar o jogo com 30 pontos. O Thunder não se recuperou, o Memphis continuou sufocando o adversário e no final administrou a vantagem pra levar o jogo pro jogo sete decisivo, hoje, 4:30 da tarde.

Não da pra simplesmente falar do quanto esse jogo é importante. Se por um lado são duas franquias jovens, com dois times jovens e que tem muitas chances de chegarem novamente longe nos playoffs nos anos que estão por vir (Não duvido nem um pouco de ver esses dois times reeditando essa série numa final de conferência), também não da pra negar que esse é o jogo mais importante das duas franquias até aqui em sua curta vida. O time que vencer o jogo sete vai pra final de conferência com totais condições de derrotar o Mavericks (ainda que não seja o favorito), e pode até ter uma chance real de título. Jogadores como Durant, Westbrook, Conley, Harden, Serge Ibaka, Marc Gasol e OJ Mayo estão prestes a jogar o jogo mais importante de suas jovens carreiras, enquanto outros mais veteranos como Randolph e até o Shane Battier também tem o jogo mais importante hoje a tarde. E pela vontade que ambos os times tão demonstrando, esse jogo sete vai pegar fogo, porque por mais que o futuro seja brilhante pra esses dois times, os dois sabem que tem time pra vencer agora.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O previsível

Solução para o Celtics: colocar esse paredão na frente do Lebron e do Wade


O Boston, sem Shaq, perdendo do Miami Heat, não é imprevisível. O Memphis Grizzlies estar disputando uma série apertada contra o Oklahoma City Thunder decidida jogo a jogo por quem é capaz de controlar o garrafão, não é imprevisível, por mais que o Thunder fosse o time favorito com suas superestrelas e o Grizzlies um time classificado apenas em oitavo lugar no Oeste. Nada disso foi algo que ninguém era capaz de esperar - não só isso como muitos estavam esperando.

Na verdade, essas duas séries são as mais previsíveis até aqui. Eu já tinha deixado avisado no nosso preview sobre várias coisas que, de fato, estão acontecendo nesses jogos, começando pela série entre Celtics e Heat. Sim, o Celtics está levando um cacete, mas a verdade é que só não esperava uma coisa dessas era um torcedor otimista do Celtics tipo eu, ou pelo menos enquanto o Shaq não voltasse. Eu falei no preview da série que o Celtics precisaria mais do que nunca impor o seu garrafão grande pra ter uma vantagem nos dois lados da quadra, mas até agora nada. O Miami Heat não tem um garrafão forte ou alto e isso ao mesmo tempo era a chance do Celtics de conseguir uma forma de pontuação de porcentagem mais alta perto do aro e de impedir que o Heat jogasse perto do garrafão. Na temporada regular, o Celtics ganhou congestionando o garrafão, não deixando o Heat se aproximar do aro e forçando Lebron James e Dwyane Wade a viverem do perímetro, onde eles são muito menos perigosos.

Só que, nessa série, isso não está acontecendo, o Boston não tem o tamanho nem a força no garrafão pra manter esses dois craques no perímetro, e o Heat tá fazendo a festa com infiltrações e passe de dentro pra fora. Não da pra segurar os dois no perímetro sempre e o time não tem garrafão pra segurá-los perto do aro. Ou seja, o Boston está condenado. Shaq machucado, Kendrick Perkins em Oklahoma City e o Jermaine O'Neal não é mais capaz de fazer esse papel. Pra piorar, o outro jogador que poderia fazer parcialmente esse papel pra pelo menos atenuar as coisas e contar com boas atuações no ataque pra tentar ganhar alguns jogos, o Kevin Garnett, está tendo uma série horrível. Ele não se acha no ataque, parece perdido na defesa, e não está conseguindo levar a melhor sobre quem quer que seja, Chris Bosh, Joel Anthony ou Zydrunas Ilgauskas.

Eu tava falando com o Celo ontem depois do jogo e ele comentou que achava que o Boston tinha que jogar um small ball com o Garnett de pivô e uma defesa por zona pra dificultar as infiltrações, enquanto eu defendia obstinadamente que o único jeito de vencer a série era com um garrafão forte que dificultasse as infiltrações. A gente discutiu por uma hora até eu finalmente perceber o que ele queria dizer: Eu pensava no que o Boston TERIA que fazer pra vencer a série, e ele falando no que o Boston PODERIA fazer. Ele sabia que o Boston precisava de um garrafão, mas também sabia que o Perkins tava bem de vida no Thunder e que o Shaq provavelmente não voltava, e por isso a melhor forma de jogar seria usar outra forma de impedir o Miami de jogar perto do aro de outra forma: Ao invés de não deixar arremessar perto dele com tamanho, impedir os jogadores de se aproximarem dele com a zona. Achei uma boa forma de tapar o buraco, talvez a melhor que tenha sobrado pro time, mas não deixa de ser isso - uma forma de tapar o buraco. Porque ele sabe, assim como eu sabia, que a forma do Boston realmente ter a vantagem nessa série seria com um garrafão enorme. Eu sabia, ele sabia, todo mundo sabia. Menos, aparentemente, o Danny Ainge.

Do outro lado, o Memphis ganhar o jogo 1 chocou muita gente. O Memphis ganhar o jogo 1 não era algo previsível. No entanto, a gente sabia que, entre todas as muitas abordagens de análise nessa série, a principal questão era se o garrafão ultra-entrosado e enorme do Grizzlies ia conseguir se impor contra o garrafão ultra-defensivo e enorme do Thunder já que na ausência do Rudy Gay, o time não tinha jogadores capazes de criar o próprio arremesso do perímetro e então o garrafão teria que funcionar pra desafogar o ataque. E foi isso que decidiu os jogos. Os dois jogos.

No primeiro jogo, o garrafão do Grizzlies foi impossível. O Zach Randolph jogou muito bem desde o começo e acabou com a marcação do Serge Ibaka perto da cesta, fez o ataque jogar por ele e, por incrível que pareça, não foi tão fominha e também soltou bem a bola pro ataque rodar. Quando o Scott Brooks colocou o Perkins pra marcar o Z-Bo, ele começou a viver dos seus arremessos de meia distância, por cima do Perks, do Kevin Durant, do Ibaka ou de quem quer que fosse. E ainda contou com o fato do Marc Gasol estar lá pra fazer o trabalho sujo, trombar no garrafão, pegar rebotes, além de acertar uns arremessos altíssimos de meia distância e até uns ganchinhos achando que era o irmão com um pouco a mais de músculo (E barba, mas pergunte para qualquer um de San Francisco se ela não traz poder. Fear the beard!). Esses dois dominaram o adversário, o garrafão do Thunder não conseguiu marcar nenhum dos dois e muito menos o entrosamento deles, e eles ditaram o ritmo para os jogadores de perímetro, principalmente usando e abusando dos pick and rolls. O garrafão do Memphis dominou, e o Memphis dominou o jogo.

No jogo dois, o Scott Brooks mais uma vez mostrou seu talento pra ler o adversário e fazer ajustes - ou alguém já esqueceu o que ele fez com o Lakers no jogo três dos playoffs no ano passado? Na verdade, de certa forma foi o mesmo ajuste que ele fez ano passado contra o Lakers, um time de garrafão maior e mais forte que tava acabando com o então baixo e frágil na área pintada Thunder. O que ele fez foi congestionar o garrafão, mandar todo mundo apertar os pivôs do Grizzlies toda vez que eles pegassem na bola e não deixou eles terem espaço pra jogar ou arremessar, o que gerou alguns arremessos apressados, tirou os jogadores de garrafão de uma situação confortável e, mais importante, forçou a bola a voltar ao perímetro, onde estavam os jogadores que não tem um arremesso tão confiável, como Tony Allen ou Sam Young, e onde a falta de um bom arremessador de três realmente afeta a equipe. Randolph e Gasol não conseguiram conduzir o ataque de Memphis e o Thunder aproveitou a vantagem individual de Durant e Russell Westbrook pra abrir e manter a vantagem, e quando o Memphis começou a tirar a vantagem acelerando o jogo, já era tarde. Agora a série volta pra Memphis e vamos ver como o Lionel Hollins e seus homens de garrafão respondem a esse ajuste do Brooks, porque eles precisam voltar a dominar o garrafão se querem avançar.

E por falar em coisas previsíveis, o Hawks finalmente está perdendo do Bulls num jogo que faz algum sentido. Porque de boa, o Hawks ter passado do Magic já foi sorte o suficiente, imagina agora que eles ganharam do Bulls em Chicago e ameaçavam mais!

domingo, 1 de maio de 2011

Preview - Oklahoma City Thunder vs Memphis Grizzlies

Nos últimos dias a gente ficou sem posts porque estavamos ocupados mesmo e porque preferimos fazer a cobertura do Draft da NFL pelo nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning , para poder comentar ao vivo o que saia, achamos mais dinâmico e tudo mais. A gente ainda pretende fazer uma analise do Draft por time, mas por enquanto vamos esperar um pouco, já que o recurso da NFL foi aceito na Oitava Corte e durante processo o lockout foi colocado de volta no lugar, e como muitas trocas tem impacto na Free Agency a gente prefere esperar um pouco pra ver que rumo isso realmente vai tomar. O que também é péssimo pra todos os calouros, que agora não podem assinar contratos nem começar a treinar com o time, conhecer o playbook (apenas alguns da primeira rodada puderam) e tudo mais, e esse atraso vai ter um impacto negativo muito grande, estou começando a achar que o Roger Goodell realmente mereceu as vaias que recebeu. Mas não se preocupem, cedo ou tarde sai o post comentando as escolhas.
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Tudo bem, eu já disse mil vezes que sou apaixonado pelo time do Memphis Grizzlies, mas não esperava que eles fossem tão dominantes na série contra o Spurs sem o Rudy Gay. Eu apostei Spurs em sete, o que quer dizer que eu esperava uma série muito difícil e com certeza não ficaria surpreso com uma vitória do Grizzlies, mas a questão não é só que Memphis venceu, foi a forma como venceu, dominou a série do começo ao fim, impôs seu jogo ao time com melhor campanha do Oeste e expôs cada falha, cada buraco no jogo do time de San Antonio com o ótimo plano de jogo do Lionel Hollins e uma enorme dedicação dos seus jogadores, e sim, isso inclui o Zach Randolph.

E o Grizzlies ganhou essa série com, antes de mais nada, defesa, e principalmente por causa do seu garrafão mais forte. O Marc Gasol pode não ser tão talentoso e finesse como o seu irmão, mas ele é maior, mais forte e não tem medo de trombar no garrafão e fazer o serviço sujo, e isso foi importante pra, junto com o excesso de corpo do Randolph, fechar o garrafão e impedir que o Spurs jogasse lá dentro, seja com o Tim Duncan ou com as infiltrações de Tony Parker ou do Manu Ginobili. O Grizzlies, que tinha uma defesa boa mas que atingiu um nível totalmente diferente quando o Tony Allen começou a ganhar mais e mais minutos e quando trouxe de volta o Shane Battier, levou o Spurs à loucura principalmente porque o time não deixou o Spurs movimentar a bola, o Grizzlies mostrou porque é o melhor da NBA forçando turnovers e não deu sossego marcando as linhas de passe e jogou sua vida porque sabia - e tinha razão - que podia ganhar essa série. O Spurs não conseguiu jogar pelo garrafão porque foi superado no tamanho e na força lá dentro, o Tim Duncan não pareceu ele mesmo ao longo de toda a série (Pelo menos o Duncan que a gente ta acostumado a ver destruir todo mundo nos playoffs) e o Spurs foi forçado a recorrer ao seu novo melhor amigo, as bolas de três pontos, pra tentar igualar a série, mas o trabalho de rotação do Grizzlies foi fantástico, o time não conseguiu atrair mais marcação para o garrafão pra liberar o perímetro, e os passes de dentro pra fora eram quase todos roubados ou desviados pela incansável defesa de Memphis, gerando mais e mais contra ataques.

O resultado é que o Spurs não conseguiu jogar no garrafão, não conseguiu recorrer às bolas de três pontos e foi totalmente destruído pelo Zach Randolph na defesa, principalmente porque muitas vezes ele acaba marcado pelo Matt Bonner, e no final das partidas o time simplesmente foi frio demais, colocou as bolas na mão de sua estrela em quadra (Randolph) e ele foi um closer muito melhor do que muitos outros consagrados pela Liga ao longo da temporada regular, simplesmente não errou, e por mais ridículo que seja falar que o Grizzlies é um time frio que joga como veteranos confiantes (O que o Spurs deveria ser mas não foi), é o que aconteceu nessa série.

Mas se por um lado o Spurs, com sua rotação de bolas, arremessos de três e um garrafão frágil porque eles tinham o Matt Bonner era o melhor adversário possível para o Grizzlies, a situação com o Thunder é totalmente diferente. O Grizzlies gosta de jogar na velocidade principalmente depois de forçar um turnover, mas quando o time tem que desacelerar e jogar um jogo mais cadenciado, o time recorre ao seu garrafão, que joga muito bem de costas pra cesta, onde o Zach pode criar o próprio arremesso e onde o entrosamento da sua dupla titular faz a diferença. Contra o Spurs isso deu certo demais, mas contra o Thunder não vai ser tão fácil: Se o garrafão do Spurs era frágil, o do Thunder é grande, forte, tem cara de mau, não tem medo de ser físico e conta com dois ótimos defensores no Kendrick Perkins e no Serge Ibaka, que daqui a pouco vai ganhar um apelido bizarro como 'O Congolês Voador'. O Grizz não vai conseguir jogar tudo pelo garrafão, não vai ter vida fácil por lá e vai precisar mais ainda da produção dos seus jogadores de perímetro, e aí mais do que na série contra o Spurs o time vai sentir falta de alguém capaz de bater pra dentro do perímetro e criar o próprio arremesso ou ir pra linha do lance livre, ou seja, o time vai sentir falta do Rudy Gay. Para ganhar essa série, o Grizzlies vai ter que achar alguém capaz de pontuar contra essa defesa ou então vai ter que contar com o Mike Conley conseguindo bater pra dentro pra desmontar a formação defensiva do Thunder e conseguir destribuir o jogo, mas aí a falta de arremessadores do time de Memphis (Um minuto de silêncio para o Tony Allen) sem -adivinhe - Gay pode pesar demais contra o time.

Mas se a defesa do Thunder vai dificultar em muito a vida do Grizzlies, o contrário também acontece. O garrafão do Thunder não é um garrafão presente no ataque e que cria seu próprio arremesso, muito menos de costas para a cesta. O Ibaka vai pontuar um pouco com contra ataques, recebendo passes embaixo da cesta ou com arremessos de meia distância, mas não vai ser o centro do ataque do Thunder (Pelo menos por enquanto, do jeito que esse cara anda evoluindo...) e nem vai criar seu próprio arremesso, e sem um jogo de garrafão o Thunder também prefere jogar na correria com o Russell Westbrook controlando a bola ou então, quando joga na meia quadra, isolando ele ou o Kevin Durant, e contra o Nuggets foi isso que resolveu a série: Ou você marca esses dois e vê o Ibaka fazendo 22 pontos e pegando 16 rebotes, ou então marca todo mundo e toma 72 deles na fuça. Mas o Grizzlies tem ótimos defensores individuais no Allen e no Battier pra atrapalharem a vida do Durant e tem a melhor defesa de transição da NBA, o que vai tirar uma das armas do Thunder e forçá-los a jogar mais no jogo de meia quadra isolando o Durant e esperando os dois (ou três) pontos acontecerem de alguma forma, o que vai acontecer bastante mas não vai ser fácil e nem vai resolver todos os problemas. O Durant não pode jogar 48 minutos com a marcação forte que ele vai receber e o time vai ter que deixar as bolas um pouco nas mãos do Westbrook, mas o Westbrook não tem o arremesso mais confiável do mundo e gosta de partir pra cima, o que não vai ser fácil contra o garrafão do Grizzlies e com o Mike Conley pronto pra roubar a bola com qualquer descuido, e isso geraria contra ataques onde o Grizzlies conseguiria seus pontos mais fáceis na partida.

Ou seja, tudo nessa série parece uma faca de dois gumes: Se o Thunder jogar tudo com o Kevin Durant, ele vai morrer mais ou menos no final do jogo 2. Mas se o Thunder tirar a bola da mão dele pra colocar nas mãos do Westbrook, isso vai gerar muitos contra ataques de turnovers, que vão gerar pontos fáceis para o Grizzlies que eles provavelmente não conseguiriam num ataque de meia quadra. Por isso, pra mim o duelo mais importante desse jogo é o duelo Westbrook vs Conley. O Z-Bo vai ter suas dificuldades, mas também vai pontuar, pegar rebotes e ser decisivo, o Durant vai jogar muito não importa como ele seja marcado. Mas o Conley e o Westbrook vão ser os responsáveis por fazer o ataque de ambos os lados funcionar, o Westbrook pra acionar os jogadores secundários do ataque e liderar os contra ataques tirando a pressão do Durant, e o Conley pra conseguir roubos de bola nessa situação e no ataque para partir pra cima do garrafão e desmontar a defesa do Thunder pra conseguir missmatches ou até bolas longas com o OJ Mayo ou o Battier. E claro, vamos ver que técnico vai ser melhor lendo os jogos e fazendo os ajustes: Hollins, que dissecou tão bem o Spurs na primeira rodada, ou o Scott Brooks, que ano passado fez o mesmo com o Lakers.

Palpite: Ainda gosto muito do Grizzlies, mas acho que a diferença vai ser ter um jogador capaz de criar o próprio arremesso. O Thunder tem o Durant e o Grizzlies não tem o Rudy Gay. Se o Zach Randolph conseguir se impor contra o Ibaka e pontuar feito doido, a série pode mudar, mas por enquanto, meu palpite é Thunder em seis jogos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Preview - San Antonio Spurs vs Memphis Grizzlies

Não é o gordinho mais boa pinta da NBA?

E a internet finalmente deu uma trégua então posso vir aqui postar o último preview (aleluia!). Foi mal pela demora, mas realmente não tive escolha, a internet só voltou agora.

Eu falei ontem, quando comentei dos resultados surpreendentes até agora, que eu deveria ter feito esse post antes da partida de domingo pra pagar de profeta, porque eu claramente disse pra dois amigos (Que serão chamados a testemunhar aqui) que o Grizzlies tinha uma chance real de vencer o Spurs e para isso era importante vencer o jogo 1 sem o Manu Ginobili, que por uma lesão no cotovelo não entrou em quadra. Aí quando vemos o jogo, o Manu não jogou, o Grizzlies ganhou e tirou a vantagem de quadra do Spurs. E eu me mordendo por não ter postado isso antes!

Quem acompanha o nosso twitter ou mesmo leu nossos posts que tratavam do time (No caso, esse e esse) sabe que eu sou completamente apaixonado por esse time do Grizzlies, acho um time jovem, talentoso, com uma defesa forte e que sabe jogar tanto na correria como na meia quadra e que tinha uma estrela no Rudy Gay. Ainda não cheguei ao ponto de mandar uma cartinha de amor para o Zach Randolph, mas minha paixão por esse time era tão grande que eu até comentei com o Celo (Meu "parceiro" de blog que só aparece pra reclamar) que se o Rudy Gay estivesse saudável eu apostaria minhas fichas que o Grizzlies ia derrotar o Spurs, o que vocês podem encarar como sendo porque o Grizzlies é muito bom ou porque o Spurs tem algumas falhas que são exatamente as que o Grizzlies pode explorar pra ter a vantagem no confronto, ou simplesmente porque eu sou maluco.

Primeiro de tudo, temos que lembrar que o Spurs dessa temporada não lembra em nada o Spurs que foi campeão tantas vezes nos últimos 12 anos. Aquele Spurs era um time extremamente meticuloso, lento, calculado, que contava com o Tim Duncan pra fazer a festa no garrafão até atrair dobras na marcação para que a bola fosse para o perímetro, tudo isso enquanto o time gastava os 24 segundos, desacelerava até a mãe, tomava um cafezinho, e na defesa só faltava colocarem alguém sentado em cima da cesta, porque de resto tudo que era humanamente possível fazer pra evitar uma cesta era feito. Era um esquema de jogo extremamente meticuloso e calculado (e, de certa forma, chato) e que dava resultados, tanto que o time foi tetracampeão e acabou com muitos times fortíssimos como o Lakers de Shaq e Kobe Bryant, o Suns Run n'Gun do Mike D'Anthony, o igualmente lento e defensivo Pistons do Larry Brown e o Mavericks porra-louca do Don Nelson. Mas o time envelheceu, o esquema do Greg Popovich parou de funcionar e o time de repente lembra muito mais os times de correria que eles mesmos cansaram de eliminar. O Spurs agora é um time que joga na velocidade, usando muitos pirralhos, chutando muitas bolas de três e que tem problemas defensivos, exatamente o oposto da fórmula que fez o time tantas vezes ser campeão.

Isso é ruim? Não. O Greg Popovich foi capaz de reinventar o time quando a fórmula que antes funcionava parou de dar certo, estava claro que o esquema de jogo antigo do Spurs tinha ido por água abaixo quando eles tomaram uma varrida do Suns nos playoffs e essa mudança no padrão de jogo do time fez não só com que o time evitasse uma grande queda no disputado Oeste como fez o time terminar com a segunda melhor campanha da NBA. Agora o Tim Duncan pode sair do modo automático que ele jogou a temporada toda, ganhar os minutos por jogo que ele merece e o time sem dúvida deve se beneficiar disso. O Spurs ainda é um time bom o suficiente, com bons jogadores e um técnico competente, pra assustar nesses playoffs.

Mas do outro lado, tem o Grizzlies. O Grizzlies é um time, a meu ver, muito mais completo do que o Spurs. O que não necessariamente o qualifica como melhor, apenas mais completo. O Grizzlies gosta de jogar na velocidade, é o melhor time na Liga forçando turnovers e na correria o time se beneficia do Mike Conley e do atleticismo do Tony Allen, além de ser quando o OJ Mayo rende mais. Mas por outro lado, é um time com uma defesa muito forte, que como eu já disse força muitos turnovers, e que tem um garrafão muito forte e que sabe render muito bem quando o time precisa desacelerar e jogar na meia quadra. Essa série, desconsiderando os talentos individuais envolvidos, lembra um pouco as séries entre Spurs e Suns/Mavericks, que o Spurs ganhava porque tinha uma defesa muito melhor e muito mais flexibilidade, era um time que sabia jogar na correria em alto nível mas que era capaz de desacelerar e jogar em meia quadra quando necessário, além de contar com um garrafão mais forte e mais capaz de dominar uma série próxima à cesta. E se o Spurs é um time no papel melhor, com jogadores melhores, o Grizzlies é um time mais flexível, com uma defesa melhor e com um garrafão mais forte próximo à cesta.

O Grizzlies rende muito bem quando decide correr, usa muitos roubos de bola pra isso e conta com uma defesa muito forte pra iniciar os contra ataques, mas isso tudo o Spurs também sabe fazer, o que as vezes vai transformar a série num jogo de pega-pega (como, aliás, aconteceu domingo em alguns momentos). Mas o Grizzlies tem a capacidade de desacelerar o jogo e confiar no seu garrafão, o que eu não tenho muita certeza se o Spurs é capaz de fazer.  O Tim Duncan é o melhor ala de força de todos os tempos e com certeza ainda tem lenha pra queimar nos playoffs, mas o garrafão do Grizzlies consegue dominar melhor a área ao redor da cesta, e conta com dois ótimos jogadores de garrafão pra isso, o Zach Randolph, que desde que foi pra Memphis deixou pra trás a fama de gordinho (essa continua) fominha destruidor de times e se estabeleceu como um dos melhores pontuadores no garrafão em toda a Liga, e o Marc Gasol, que se não é tão habilidoso e finesse como seu irmão é maior, mais físico e não tem problema em fazer o trabalho sujo dentro do garrafão, trombando com todo mundo e até mesmo fazendo ótimos passes. E é esse domínio no garrafão e a flexibilidade que o time tem de alterar seu plano de jogo conforme a partida for se desenvolvendo que me faz imaginar que vencer o Spurs seja possível mesmo sem Rudy Gay, ainda que bem difícil se o Ginobili voltar já na próxima partida. O Ginobili trás duas coisas que o Spurs vai precisar, a imprevisibilidade que surge da sua criatividade e dos seus movimentos desengonçados e sua capacidade de pontuar feito um maluco mesmo num ataque de meia quadra e mesmo contra uma defesa que conta com Tony Allen e Shanne Battier, dois dos melhores defensores de perímetro da Liga. E pro Spurs passar pra próxima rodada, o Manu vai ter que fazer tudo isso.

Palpite: Voltando no próximo jogo, o talento do Spurs talvez seja demais para o Grizzlies sem Gay, ainda que com um garrafão maior. Mas como o Grizzlies roubou o primeiro jogo que eu tanto preguei que eles precisavam, essa série vai ser muito mais difícil do que o Spurs imaginava. Ainda assim, aposto em Spurs em sete jogos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Reta final

Stoudamire ficou confuso tentando entender quanto falta para seu time classificar


Agora que faltam pouco menos de três semanas para o fim da temporada regular da NBA, nós entramos na fase que pode ser a mais interessante ou a mais chata de toda a NBA. Por um lado, é agora quando cada jogo adquire uma importância ainda maior para vários times, os jogos que vão decidir posições, mando de campo, quem entra e quem cai fora, etc. São os jogos decisivos e muitas vezes essas disputas vão até o último dia.

Por outro lado, para os principais times da Liga, esses jogos são os que menos valem. Os times já se garantiram na pós temporada, não precisam ficar se dando ao luxo de escolher em que lugar classificar e estão muito mais preocupados apenas em ficar saudáveis para os playoffs do que em ganhar. A encarnação dessa postura é o Boston Celtics, que é um time que já faz algum tempo que leva essas últimas semanas nas coxas, sem vontade, perdendo para o Nets ou o Clippers aqui e ali, e só aparecendo pra jogar de vez em quando, quando está afim, como foi o caso do quarto período de ontem ou o quarto período contra New Orleans. Mas em geral essas semanas são o ápice da chata temporada regular da NBA, que é longa demais, demorada demais, enrolada demais, e chega num momento onde os principais times da Liga só querem evitar contusões. De certa forma, ser bom ou ruim depende principalmente dos times envolvidos. No Oeste do ano passado, onde todos os times eram fortíssimos e até o oitavo colocado (Thunder) passou das 50 vitórias, as últimas semanas foi uma coisa absurda, times cairam da terceira para a sexta posição em questão de dias, e cada jogo estava sendo de vida ou morte. Esse ano, onde as diferenças entre os times fortes e os médios aumentou, está bem sem graça.

Apesar de eu achar um exagero e até um saco essas últimas semanas, ainda existem algumas brigas por posições, algumas mais importantes e outras menos, mas de qualquer forma são disputas que valem a pena dar uma conferida. Pra isso eu estou aqui hoje, pra falar um pouco sobre quais as disputas ainda em aberto, começando pela Conferência Leste, a conferência mais deprimente da NBA.

A Conferência Leste ainda possui três posições em disputa: A primeira, a sexta e a oitava seed. Na disputa pela primeira seed temos Celtics e Bulls empatados com 50 vitórias e 19 derrotas, com Boston na frente por estar 2-1 no confronto direto e possuir um record melhor dentro da conferência. Essa disputa, embora valha um eventual mando de campo na final e o direito de fugir do Miami Heat (Afinal, todo mundo zoa o time de Miami mas fica com medo na hora de enfrentar) nas semifinais, não está sendo lá muito levado em consideração. O Boston está no mesmo ritmo de tédio que estava no final da última temporada, ganhou apenas 6 das últimas 10, e perdeu jogos ridículos como o massacre para o Rockets, além dos já citados (E não menos vergonhosos) confrontos contra Nets e Clippers. O Boston sabe que a maior importância para o time é dar minutos para os reservas (Carlos Arroyo, Sasha Pavlovic, Jeff Green, Troy Murphy e Nenad Krstic: um time inteiro que até um mês atrás não jogava em Boston) ganharem entrosamento e principalmente manter seus titulares inteiros até os playoffs. Como o Boston não está ligando em perder uns jogos e o Bulls está num momento absurdo (9-1 nos últimos 10 jogos), além de ter uma tabela mais fácil, deve ficar com a vaga, mas nenhum dos dois vai ficar muito preocupado caso não termine em primeiro. O Miami Heat não está longe dos dois e tem uma tabela fácil, pode acabar incomodando, mas acho difícil que fique em primeiro, no máximo rouba a número 2 do Boston.

E por mais que as outras brigas pareçam mais interessantes, não são. A primeira é pela sexta colocação entre o atual sexto colocado 76ers e o Knicks. Philadelphia tem uma vitória a mais no mesmo número de jogos que o Knicks, mas o Philadelphia é um time em ascensão desde que teve um começo de temporada patético e o Knicks ainda é um time que está aprendendo a jogar junto e lamentando o fato de que não se pode jogar com duas bolas em quadra pra facilitar a vida, perdeu seis dos últimos 10 jogos e ainda não encontrou seu melhor estilo de jogo desde a troca que trouxe o Carmelo Anthony. O Knicks ainda pode demorar um pouco, mas também pouco deve ligar pra isso, porque todo mundo sabe que o Knicks está se montando para o futuro.

Por fim, temos a briga feroz entre três das maiores potências do Leste pela oitava vaga: Pacers, Bobcats e Bucks. Enquanto o Pacers está 2 jogos na frente dos rivais, ninguém realmente imagina que eles percam essa vaga. O Pacers está se achando ultimamente, o Tyler Hansbrough finalmente está jogando o basquete que jogou na NCAA e eles até arrancaram a série invicta do Bulls, enquanto que o Bobcats já desistiu da temporada faz tempo e foi jogar Pokemon e o Bucks é uma mistura sem lógica nem ataque. O Bucks até não tem jogado mal ultimamente, mas eu realmente duvido que tenhamos surpresas aqui. O Heat em terceiro, o Magic em quarto e o Hawks em quinto são três times que não tem expectativas nem de subir nem de cair na tabela.

Por outro lado, na Conferência Oeste, as disputas são bem mais interessantes, assim como o Oeste é mais interessante que o Leste desde que o Michael Jordan se aposentou (Do Bulls, ninguém considera realmente a passagem dele no Wizards uma volta da aposentadoria). Tirando o Spurs isolado em primeiro lugar, o Thunder isolado (para mais e para menos) em quarto e a batalha desinteressada entre Lakers e Mavericks pelo segundo lugar (Aquela que vale mais orgulho que outra coisa e deve ficar para o Lakers mesmo), as outras cinco vagas ainda estão em aberto. Tudo bem, a distância de Denver (5º) para Houston (9º) é de 5 jogos, mas se você levar em consideração que tem quatro vagas ai pra serem disputadas e que dentro dessa margem nenhum time tem mais de 2 jogos de vantagem em relação ao seguinte, vira tudo uma grande zona, que engloba até o 10º colocado Suns.

Dentro dessa zona estão, em ordem e com o número de jogos atrás do líder Spurs: Nuggets (15,5), Blazers (17), Hornets (17,5), Grizzlies (18,5), Rockets (20.5) e Suns (21), sendo que só quatro irão se classificar. Tirando o Nuggets, que está numa situação mais confortável, todos os times aí no bolo tem chances de playoffs e também tem chances de cair fora, alguns mais outros menos, claro. O Nuggets é um dos times mais interessantes da Liga, mais metamorfoseados e que, desde a saída do Carmelo Anthony, começou a jogar um basquete mais coletivo, com defesa (Sim, defesa!!) e muitas bolas de três pontos que faria o Rick Adelman chorar de orgulho. Todo mundo está mais envolvido no ataque, o time não depende mais de um ou dois jogadores como antes e é um time que eu definitivamente não iria querer enfrentar nos playoffs. Talvez sintam a falta de uma estrela nos playoffs, mas em geral eles assustam, e muito.

Tirando o Denver Nuggets, que está numa ótima fase e com uma vantagem confortável sobre o Rockets e o Suns, os outros três times estão em situação mais delicada, simplesmente porque o Rockets também está num ótimo momento e com o Kyle Lowry destruindo quem estiver pela frente, conduzindo o time e até acertando bolas de três. Aliás, esses dois times estão tão interessantes que até merecem um post, mas fica pra outro dia. O Rockets ganhou quatro seguidas e 7 das últimas 10 partidas, é um time embalado e que não tem nada a perder, e esse é o maior motivo de medo nos outros times do bolo. O Suns é claramente o time que corre por fora, deve ficar de fora mesmo, mas ainda não pode ser descartado simplesmente porque volta e meia o Steve Nash fica oito anos mais novo e o Suns começa a ganhar de todo mundo, mas claramente é um time mais fraco que os outros, com um garrafão inconsistente (Aposto que o Channing Frye nem sabe que existe uma regra que impede um jogador de ficar três segundos no garrafão) e que deve levar um choque de realidade ao final da temporada que finalmente pode fazer os engravatados perceberem que é hora de tacar tudo no lixo, fazer uma estátua para o Nash e começar de novo.

Entre esses times, o meu favorito era, como vocês talvez lembrem de tanto que eu falo deles no Twitter e até mesmo aqui no blog, o Memphis Grizzlies. Acho o Grizzlies um time jovem, talentoso, com uma ótima defesa e que tem crescido de produtividade nos últimos tempos. Eu não só coloquei o Grizzlies nos playoffs como disse que era um time que poderia eventualmente aprontar alguma surpresa com sua defesa forte e grande número de jogadores capazes de surpreender quem menos espera. Acontece que hoje chegou a notícia de que o melhor jogador do time, o Rudy Gay, vai ter que operar o ombro e perder o resto da temporada. O Grizzlies agora vai ter que juntar os cacos, pensar se vai mesmo trocar o OJ Mayo e por quem (A minha resposta é SIM, DEVEM) e se preparar para a temporada que vem. Ainda acho que o time deve se classificar, mas acho difícil aprontarem nos playoffs como eu apostava sem o seu melhor jogador. Agora o time tem mais é que se preocupar em renovar com o Zach Randolph (Parece que a renovação está encaminhada) e segurar o Shane Battier a um custo baixo pra poder fazer estrago ano que vem. O Grizzlies ainda tem time pra segurar sua vaga, mas talvez essa noticia desanime os jogadores e o time escorregue.

Já o Hornets está muito mais preocupado com o Chris Paul do que outra coisa, e a NBA está louca pra vender logo o Hornets antes que outro Mark Cuban reclame (Para quem não sabe, ele reclamou que a troca que trouxe o Carl Landry vai fazer o time - e logo, os seus donos, os 29 donos de outros times da NBA - pagar mais dinheiro de salário). O time tem uma defesa forte, é bem estruturado e conta com um dos melhores jogadores da NBA, mas o time está tendo uma temporada cheia de autos e baixos e parece que eles vão continuar. O time tem jogadores que arremessam bem, infiltram, jogam no garrafão, mas nenhum deles (Alem do Paul) parece ser bom o suficiente. Mesmo assim, é imperativo para eles que consigam deixar o Paul satisfeito com o que ele viu pra impedir que ele vá jogar Magic com seus amigos em New York. Com essa urgência nas mãos, o Paul talvez tenha que ser mais agressivo no quesito pontuação (O que não é bom para o time em geral), mas a tabela deve ajudar. O problema do Hornets é que se o Rockets continuar com sua fase e continuar ganhando, ser um time mediano talvez não seja suficiente para impedir que seja ultrapassado.

Por fim, o último time da briga, o Blazers. O Blazers está confiante na classificação a ponto de manter o Brandon Roy com minutos muito limitados por causa dos seus joelhos. O time tem um garrafão forte, Lamarcus Aldridge está jogando o melhor basquete de sua vida e o time ainda pode apelar para escalações mais baixas com o Aldridge de pivô e o Gerald Wallace de ala de força. O Brandon Roy não deve ganhar maiores minutos até os playoffs a não ser que a coisa realmente aperte, mas com o Wes Matthews segurando a onda por lá eles não devem passar esse susto. Vão ter mais trabalho achando a melhor forma de jogar e as melhores escalações do que pra classificar propriamente dito.

Dito tudo isso, eu acho que o Grizzlies e o Hornets correm o maior risco de cairem fora, não pela menor distância para o Rockets, e sim porque são dois times que perderam momento. O Grizzlies sabe que o Gay não voltar significa uma eliminação na primeira rodada e o Hornets é um time que parece que tenta se achar a cada jogo. Desses times, quem joga com a maior obrigação agora é o Hornets, que precisa dar ao Chris Paul motivos para ele querer ficar no time o fim do contrato. Tanto o Rockets, com seu projeto de reconstrução em andamento, quanto o Grizzlies sem seu melhor jogador, gostariam de ir para os playoffs mas sabem que por lá não farão nada de especial. Ah, bons tempos em que o último classificado do Oeste dava um susto no primeiro colocado. Parece que foi ontem. Mas na verdade foi ano passado mesmo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Deem atenção ao Grizzlies!

Zach Randolph acena para o vendedor de cachorro quente do ginásio

Desde que foi criado, em 1995, o então Vancouver Grizzlies é um dos times mais esquecidos da NBA. Aquele time que não fede nem cheira, que não incomoda ninguém, naquela cidade sem destaque nem poder econômico. Ninguém da a menor atenção pro agora Memphis Grizzlies. Mas a verdade é, já passou da hora de dar alguma atenção pra esse time.

O Grizzlies era um time apagado de Vancouver, na expansão que a NBA fez para o Canadá e que também criou o Toronto Raptors, e que se mudou em 2001 para Memphis, mesmo ano em que o time draftou com a terceira escolha do Draft Pau Gasol. Junto com jogadores como Shanne Battier e Mike Miller, Gasol levou o Memphis aos playoffs por vários anos consecutivos, mas o Grizzlies sempre foi varrido na primeira rodada. Era um time que tinha atingido seu limite de crescimento, e que tava naquele horrível impasse onde seu time não é bom o suficiente para brigar por nada com pequenos ajustes nem tão ruim para conseguir boas escolhas no draft e dar um upgrade enorme no seu time. A escolha que o Memphis fez foi jogar tudo fora em 2007 e começar de novo, quando trocou o Pau Gasol para o Los Angeles Lakers por Marc Gasol, Javarris Crittenton, Kwame Brown (Que foi a primeira escolha no Draft de 2001, por sinal!) e duas escolhas de Draft. Todo mundo chamou a troca de rematada loucura na época, como você troca um dos melhores big mans da Liga por dois contratos expirantes, um pirralho e duas escolhas de draft? A troca desequilibrou a Liga, nem o Phil Jackson acreditou, elevou o Lakers à elite da NBA mais uma vez e deixou o Memphis sem sua principal estrela. Mas o Memphis teve sua calma, esperou os contratos do Brown e do Crittenton terminarem, limpou sua folha salarial, algo importantíssimo pra um time de um mercado pequeno como Memphis, draftou seus jogadores e colocou os pirralhos pra jogar.

O time levou umas pancadas, sofreu, teve vários problemas, mas depois de um tempo a reconstrução começou a dar frutos. Jogadores como Rudy Gay e Marc Gasol começaram a jogar em alto nível, o time contava com a promessa do OJ Mayo e enfim trouxe o Zach Randolph, que estava encostado no Clippers. E o time começou a finalmente se acertar, a carreira do Zach Randolph reviveu em Memphis, a pirralhada começou a jogar e o time começou a se levar a sério. Essa offseason, no entanto, as coisas apertaram para um time de mercado pequeno, porque o Rudy Gay virou Free Agent. O Memphis ofereceu um contrato máximo de 80 milhões pra segurar o seu melhor jogador e viu sua folha salarial subir bastante. Não bastasse, ofereceu uma extensão salarial de 45 milhões em cinco anos para o Mike Conley, um absurdo para um armador que era secundário no time e não merecia nem de longe 9 milhões por ano. Com Zach Randolph e Marc Gasol caminhando para se tornarem Free Agents ao final desse ano, aumentar tanto assim sua folha salarial parecia - e era - uma má idéia. Mas o Grizzlies fez uma troca genial na data limite, que você pode ler com mais detalhes aqui, mas em resumo o time mandou o pivô de 2m20 Hasheem Thabeet e uma escolha de draft em troca do Shanne Battier e do Ish Smith. A troca é genial porque ela manda embora o contrato e o fracasso do Thabeet, que nunca merecia ter sido escolhido tão alto no Draft (Imagina se o Grizzlies tivesse pego o Tyreke Evans) e recebe não só um jogador que tem tudo pra ajudar o time como também tem um contrato expirante, ou seja, ele vai abrir espaço salarial no final da temporada para reassinar com Gasol e Randolph!

Com isso em vista, o Grizzlies percebeu que eles são um time muito negligenciado mas muito bom. Tudo bem, eu talvez goste um pouco demais do time do Grizzles e as vezes exagere, mas se num período de tempo relativamente curto você derrota Spurs, Mavericks e Thunder sem o Rudy Gay, que é um dos seus dois melhores jogadores, é porque alguma coisa boa está acontecendo com você. E hoje, vendo os resultados, podemos falar que o Grizzlies fez um bom negócio quando trocou o Pau Gasol! É sério! Demorou, o time sofreu, mas o time finalmente achou um núcleo que funcionava no começo da temporada. O Mike Conley pelo visto levou a sério seu novo contrato e começou a jogar muito melhor do que nunca jogou na carreira, está pontuando bem, arremessando e dando assistências, além de aparecer nos momentos decisivos do jogo, como quando fez as duas cestas que decretaram o fim da partida contra o Thunder. O Rudy Gay é outro, era bom mas ficou ainda melhor depois do novo contrato. Ele é daqueles que faz de tudo um pouco, defende muito bem, ataca a cesta e é muito efetivo nos contra ataques, mas além disso o arremesso dele melhorou e ele já acertou duas cestas da vitória para o Grizzlies, uma delas na cara do Lebron James. E o Zach Randolph continua mostrando que quando quer ele é um All Star ao lado do Gasol, que é um ótimo passador e que volta e meia acha que é o irmão e começa a acertar todo tipo de ganchinho de canhota.

Mas nem tudo deu tão certo pro Grizzlies. OJ Mayo - que foi draftado pelo Wolves e trocado no dia do Draft por um branquelo chamado Kevin Love - que chegou a ser considerado o melhor jogador do Draft de 2008, e acabou sendo escolhido atrás de Derrick Rose e Michael Beasley, nunca rendeu o esperado dele. Não só isso, também encheu o saco de todo mundo fora de campo, arrumou problemas, acabou suspenso e somando tudo isso às suas performances inconstantes dentro de quadra, acabou virando dispensável para o time, até porque não defende grandes coisas. No final o Mayo acabou sendo encostado em favor do Tony Allen, que não arremessa nem bolinha de papel na lixeira mas que defende bem demais e está jogando muito bem principalmente atacando a cesta em velocidade, e do calouro Xavier Henry, que não é grandes coisas mas quebra um galho vindo do banco junto com o Mayo. No final das contas, o OJ Mayo virou um jogador dispensável e que da mais dor de cabeça do que resultados.

Com isso, o Grizzlies se montou em torno de Conley, Allen, Gay (Atualmente está jogando o Sam Young, com a lesão do Rudy), Randolph e Gasol. O time começou a jogar mais dentro do garrafão, o Randolph teve um mês com quase 25-12 de média, e a apertar a defesa. A defesa do Grizzlies é atualmente a nona na Liga mas se levar em conta que eles começaram mal a temporada e que recentemente eles começaram a colocar o Allen e o Battier na rotação, eu não hesitaria em colocar a defesa do Grizzlies como uma das sete melhores da Liga. O banco de reservas, que era um problema, agora conta com Jason Williams, Darrelle Arthur e Leon Powe para pontuar quando necessário, além do Mayo e do meu preferido, o Shane Battier, inteligentíssimo, ótimo defensor, muito obediente taticamente e um líder dentro e fora de quadra, perfeito para um time que busca o título. O Grizzlies percebeu que era hora de parar de investir só no futuro simplesmente porque percebeu que tem time pra brigar nos playoffs agora.

Eu não acho que o Grizzlies tenha time para ser campeão essa temporada. Acho que falta arremessadores de três pontos e um jogador de perímetro no banco de reservas, pode até ser um jogador pras duas funções, além de ser um time ainda inexperiente em pós temporadas. Mas o Grizzlies é o time que eu acho que mais tem chances de surpreender nos playoffs e derrubar um favorito, a defesa desse time está insana, o time está jogando bem demais mesmo sem o Rudy Gay e acho que quando ele voltar esse time vai melhorar ainda mais. O time tem no Gay e no Conley dois jogadores que tem servido bem como closers (até o Randolph acertou um buzzer beater da vitória contra o Mavs esses dias!), um garrafão muito forte que funciona perfeitamente no jogo de meia quadra e que pega muitos rebotes de ataque, e uma defesa fortíssima, bem montada e com ótimos marcadores individuais. Ou seja, tem todos os elementos que um time que queira ir longe na pós temporada precisa ter. A presença do Battier, nesse cenário, é ainda mais significativa, porque é um jogador veterano e com experiência em pós temporadas. O Battier mais do que nunca tem que exercer o papel de liderança que ele sempre exerceu para acalmar os ânimos, controlar o time e passar o que puder para esse grupo que não está acostumado aos playoffs. Se o Grizzlies conseguir controlar isso, eu não duvido de ver o Grizzlies passando da primeira rodada dos playoffs. Eles tem time - e defesa - para bater de frente com qualquer time da Liga.

Também é legal ver que o Grizzlies, assim como o Thunder de certa forma, está se preparando pra tentar vencer agora sem esquecer o amanhã. O Grizzlies ainda é um time jovem, e tem espaço para evoluir. Com a saída do Thabeet e o fim do contrato do Battier, o Grizzlies abriu espaço pra reassinar com o Gasol - um free agent restrito - e o Randolph. Nenhum dos dois deve ser um problema, Gasol até por ser restrito, e no caso do Randolph o problema deve ser dinheiro mesmo, porque ele adora Memphis, agora jogar pelo Grizzlies, nunca se sentiu tão confortável e não quer sair do time, mas também se acha um gênio e gosta de contratos muito caros. Se o Grizzlies conseguir equacionar os dois - e eu não duvido disso - o time ainda provavelmente vai tentar trazer de volta o Battier. O contrato do Battier acaba no final do ano e para não comprometer a folha salarial o Grizzlies não ofereceu uma extensão contratual, mas o Battier gosta de Memphis, a torcida do Grizzlies o adora desde sua primeira passagem pelo time, e disse que quer ficar, o que eu não duvido que aconteça por um salário bem menor do que o atual, que permita ao time conservar suas grandes armas.

O Grizzlies também tem uma última carta na manga, tanto na questão de montar o time como na questão salarial, o OJ Mayo. Mayo recebe um salário alto demais pra fazer muito pouco no time, e é uma ótima moeda de troca, um jogador talentoso e jovem. Provavelmente vai acabar sendo trocado no final do ano, liberando assim espaço salarial e funcionando como moeda de troca para atrair jogadores para suprir as carências do time, como um arremessador.

A reconstrução do Grizzlies foi aos trancos e barrancos, um pouco de sorte, um pouco de azar, mas ela finalmente está chegando ao final. O Grizzlies tem um time competitivo, com vários bons jogadores e com uma defesa muito forte. O Grizzlies tem como encher o saco dos times grandes nos playoffs essa temporada, mas se o Grizzlies tiver paciência e continuar adicionando as peças certas como vem fazendo, em uns dois anos pode ser que chegue ainda mais longe, até porque times como Spurs, Mavericks e Lakers estão cada vez mais velhos. Duas reconstruções diferentes, Grizzlies e Thunder, mas que levaram a resultados semelhantes. Não ficaria surpreso em ver, em dois ou três anos, esses times brigando pela final do Oeste.

terça-feira, 1 de março de 2011

Para a NBA que eu quero descer! - Final

Ufa! Finalmente vamos terminar de analisar todas as trocas que aconteceram no deadline. Ficaram duas trocas pra hoje, mas as duas tem um interesse especial e uma delas é a minha preferida da noite. Então vamos acabar logo com elas. Ah sim, não esqueçam de seguir nosso recém criado twitter, que vamos usar a partir de hoje pra anunciar posts, trocas, novidades e comentar os jogos.
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Lebron gostou que finalmente terminamos de falar sobre as trocas

Os Bobcats mandam Gerald Wallace para o Blazers em troca de Sean Marks, Joel Przybilla, Dante Cunningham, duas escolhas de primeira rodada do Draft (Uma do Blazers em 2013 e uma do Hornets em 2011)

Eu ja falei nesse blog, muitas vezes, sobre a idéia de reconstruir um time da basquete, em especial nesse post sobre o Wolves, que fala exatamente das reconstruções que o time sofreu nos útlimos anos, sem resultado. A idéia por trás disso é você pegar um time que está estagnado, não é bom o suficiente pra brigar por título e que também não é tão ruim para ter escolhas altas de draft, e aí trocar os principais jogadores, limpar a folha salarial, acumular pirralhos e escolhas de draft e ai desenvolver todo mundo. Os times que passam por esse tipo de processo geralmente são aqueles que tem dificuldades financeiras ou que estão acima do teto salarial mas que sempre chegam na primeira rodada dos playoffs pra então perder. Ou seja, num estado estacionário, onde você não é bom pra brigar por nada nem pode sonhar com um bom draft. É a idéia de começar tudo de novo e, de preferência, economizar enquanto isso.

Mas nem por isso é um projeto facil de se executar, e por vários motivos. Primeiro que aceitar um processo de reconstrução significa desmontar seu time todo, aceitar que você vai ser saco de pancadas por algum tempo, e que não vai ter resultados animadores. Não é todo mundo que tem esse tipo de culhão, muitos preferem continuar sendo um time acima da média mas sem chances do que jogar tudo fora. Segundo porque é um projeto que depende demais de algo que você não pode prever. Geralmente um time que faz isso está pensando em arrumar boas escolhas de draft, draftar bons jogadores, desenvolver seus jogadores jovens e dai contratar uns veteranos pra tentar o título. Mas o Draft é uma ciência extremamente inexata, ninguém pode prever o que vai sair em 95% dos casos, e nem como seus jogadores novos vão render. As vezes não rendem juntos, as vezes demoram muito pra engrenar, etc. Por isso, não só voce joga tudo fora como corre o risco de acontecer como aconteceu com o Wolves, de dar errado e ter que recomeçar a reconstrução mais uma vez.

O Blazers fez isso ano passado, e chocou a NBA. Trocou todo mundo, trouxe bons jogadores, e montou um time muito forte que deveria ter começado a brigar pra valer nos playoffs. O time draftou muito bem, trouxe seus veteranos, desenvolveu todo mundo e tinha um elenco muito bom e contava com uma grande estrela no Brandon Roy. Mas infelizmente, o projeto não deu certo porque o time se implodiu antes disso. O Roy machucou muito, o Greg Oden, escolhido na frente do Kevin Durant no draft de 2007, que deveria ser a força defensiva no garrafão não conseguiu ficar saudável de jeito nenhum (Se machucou levantando do sofá!), e os jogadores começaram a bater a cabeça por causa de minutos, em especial o Roy e o Andre Miller, um dos veteranos contratados pra fechar o elenco. O time acumulou gente demais nas mesmas posições, fazendo as mesmas funções, e ainda contou com um azar digno dos piores dias do Clippers pra machucar o elenco todo do time. E a bomba veio essa temporada, quando o time descobriu que seu astro, Brandon Roy, não vai conseguir jogar basquete por muito tempo. Ele não tem menisco em nenhum dos dois joelhos e segundo os médicos ele teria que jogar sendo muito poupado e mesmo assim não aguentaria mais de duas temporadas. Ou seja, o craque do time está com os dias contados, ninguém sabe se até lá ele vai conseguir jogar em alto nível e por isso o plano de longa data do Blazers ficou seriamente ameaçado. Além, claro, do Oden nunca ter consguido jogar nada.

E o Blazers, sentindo os dias contados do Roy e vendo o crescimento do LaMarcus Aldridge de "pirralho com medo do garrafão" pra "ala-pivô que comeu o Tim Duncan na farinha", o time mandou a paciência que foi marca registrada da Franquia nesse tempo pro espaço pra tentar desesperadamente faturar um anel agora. Mandou um monte de restos e duas escolhas de draft pra trazer o Gerald Wallace. O Wallace é um ala atlético, ótimo defensor e que sabe pontuar, joga nas duas posições de ala e é um ótimo jogador. Não é, nunca foi e nunca vai ser uma estrela, mas é um excelente role player que ataca a cesta, defende muito bem e pega rebotes, além de ser ótimo em contra ataques. O Blazers já tinha o promissor pirralho Nicolas Batum pra jogar de ala, que deve agora ser a primeira opção vindo do banco de reservas junto com o Wesley Matthews enquanto o Wallace faz o trabalho sujo dentro de quadra. Ele com certeza é um jogador, hoje, melhor que o Batum e se o Roy conseguir voltar a jogar em alto nível e com o Aldridge destruindo quem vê pela frente o Blazers se torna um time bem interessante capaz de assustar muita gente nos playoffs. Por outro lado, o time só tem o vovô Marcus Camby no garrafão pra dar tocos e pegar rebotes, agora que o Joel Przybilla saiu e o Oden ta de muletas. O time pode até colocar o Wallace na posição 4, o Batum de ala e o Aldridge de pivô, mas é uma escalação baixa que pode ser problemática contra os times fortes do Oeste para ser usada por muito tempo. O time tem talento, pode ganhar de quase qualquer time na Liga, mas em séries de melhor de sete no ainda disputado Oeste, acho que o título - ainda que possível - é um sonho ainda bem distante.

E para isso você deixa no banco o Batum e o Matthews, dois pirralhos muito promissores. O Blazers sentiu o perigo de sair dessa reconstrução sem nada concreto devido às inúmeras lesões do elenco e não teve os culhões de tacar tudo fora e começar denovo, ao invés disso mandou várias escolhas de draft que poderiam render bons jogadores por um veterano que tem mania de se machucar semana sim, semana não. O Blazers, se percebesse que não ia ganhar nada e que sem o Roy o projeto ia fracassar, tinha como opção tacar tudo fora e recomeçar, faz parte, paciência. Tem o Batum, o Matthews e o Aldridge pra segurar as pontas, e se o Aldridge continuar evoluindo como tem evoluido pode ser o núcleo de um time em construção. A opção que o Blazers fez foi sacrificar isso pela chance de vencer agora, chance essa que ainda é bem pequena.

Já o Bobcats, ao trocar o Wallace e o Nazr Mohammed para o Thunder, deixa bem claro que quer começar sua própria reconstrução. O Sean Marks, o Mo Peterson e o Przybilla são contratos expirantes, o Dante Cunningham é um pirralho com algum potêncial, o DJ White também é um bom jogador jovem que não tinha minutos e o time acumulou várias escolhas de draft. O Michael Jordan faz uma sábia jogada de jogar tudo no lixo e tentar montar algo de um time sem tradição e sem a menor chance de dar em alguma coisa. O Stephen Jackson e o Boris Diaw correm o risco de serem os proximos a irem embora, e ai o Bobcats vai ser muito ruim - o que não vai surpreender ninguém -  e pode sonhar com calouros, futuras estrelas e em uma reconstrução que tenha um final feliz - diferente do do Blazers, de preferência.
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Os Grizzlies mandam Hasheem Thabeet e uma escolha da primeira rodada do Draft para o Rockets em troca de Shane Battier e Ish Smith.

Finalmente, a minha troca preferida!

Eu falei sobre duas coisas esses dias que são temas bastante recorrentes na NFL e que estão por trás de muitas decisões. Quando o Jazz mandou o Deron Williams para o Nets, eu falei um pouco sobre a questão dos mercados, dos times que estão dispostos a gastar toda sua grana pra assinar grandes contratos e dos times que tem medo de pensar em pagar 20 milhões por ano pra um jogador. E hoje ou naquele post sobre o Wolves, falei sobre os times em reconstrução. E essas duas coisas são fundamentais para entender essa genial troca que o Grizzlies tirou do chapéu.

O Grizzlies, alguns anos atrás, era um bom time, liderado pelo Pau Gasol, e que ia aos playoffs todos os anos. No entanto, chegando nos playoffs, o time sempre era varrido na primeira rodada. Era um time estacionado na mediocridade, nesse limbo que eu falei ali em cima, o time sem perspectivas. Aí, o Grizzlies fez o que muita gente chamou de loucura  na época: Trocou o Gasol por Kwame Brown, Javarris Crittenton, Marc Gasol e duas escolhas de draft com o Lakers. O Lakers saiu ganhando por muito, o Gasol lá desequilibrou a Liga e levou o Lakers três anos consecutivos aos playoffs, mas olhando agora, o Grizzlies sabia o que estava fazendo: jogando tudo no lixo e começando do zero. Os contratos expirantes acabaram, o Grizzlies limpou sua folha salarial, deu minutos pros pirralhos sem a obrigação de vencer e usou suas escolhas de draft pra montar um time jovem e talentoso. Então trouxe veteranos como o Zach Randolph, que ressurgiu jogando em Memphis, e mesmo em um mercado pequeno o Grizzlies conseguiu montar um bom time. Só que o time ainda não era bom o suficiente quando para ir para os playoffs no fortíssimo Oeste. O time era ótimo, mas o banco de reservas era bem ruim e faltava muitas peças para o time.

Nessa offseason, o Rudy Gay e o Mike Conley viraram free agents, e o Grizzlies ofereceu salários exorbitantes para os dois: 80 milhões para o Gay e 45 para o Conley, mais do que os dois valem. Mas foi o preço que o time achou justo pagar para evitar regredir uma etapa. O problema, no entanto, vem a seguir, quando Zach Randolph e Marc Gasol virarão Free Agents, e sendo um time de um mercado pequeno talvez não fosse possível cobrir os salários. O Z-Bo é um excelente jogador e que deu uma volta por cima espetacular na sua carreira desde que chegou em Memphis. Ele adora a cidade, gosta de jogar no time e quer ficar no time. Mas ele também se acha um craque e sempre cobra salários exorbitantes (geralmente baseados nos do Pau Gasol, vai entender). O Marc não vai querer tanto, mas os dois juntos talvez seja demais para o Grizzlies. Por isso, o time fez a manobra que precisava: mandou o Hasheem Thabeet embora. O Thabeet foi a segunda escolha do draft e era pra ser o pivôzão do futuro. Mas ele chegou cru demais, não tinha nenhuma habilidade ofensiva e fazia faltas demais, e aos poucos o time foi perdendo a paciência e afundou o gigante no banco de reservas. Apesar disso, seu contrato era vigente e altíssimo, principalmente levando em consideração que o moleque não era utilizado.

A solução encontrada pelo Grizzlies foi mandar o Thabeet embora junto com seu contrato. Em troca veio o Ish Smith, um armador jovem e talentoso, e o Shane Battier, que tem um contrato que acaba ao final da temporada. O Grizzlies, mandando o Thabeet embora, liberou uma enorme parcela na sua folha salarial que o time vai - e deve - usar pra renovar com o Z-Bo e com o Marc Gasol, mantendo assim o time titular intacto. Ainda existe a chance do time negociar o OJ Mayo no final da temporada, ele que tem mais atrapalhado do que ajudado,  liberando mais ainda a folha salarial. Só por isso, a jogada já foi excelente, já que voce abre espaço pra renovar com dois jogadores importantíssimos pro seu time. Mas não foi só isso.

Ja faz algum tempo que o Grizzlies é um dos times mais sólidos do Oeste, só sendo superado por Lakers e Spurs, sendo portanto o terceiro time que menos perdeu recentemente. E isso com Rudy Gay machucado e OJ Mayo suspenso. O Grizzlies tem um time titular muito bom, os jogadores jovens parecem melhorar a cada dia e o Randolph está eficiente como nunca. O time ainda tem uma moeda de troca bem valiosa no OJ Mayo, que está cada dia afundando mais no banco atrás do Tony Allen e do Xavier Henry e que pode ser trocado pra abrir espaço salarial e trazer outros jogadores assim que possível. Ou seja, o time tem potêncial, é jovem e está muito entrosado, e com o Oeste perdendo força por causa de times como o Jazz e o Nuggets, o Grizzlies tem uma chance real de ir aos playoffs. A defesa é boa e o time é muito eficiente no ataque. No entanto, ainda sentia falta de um defensor mais versátil e de bolas de três pontos. E aí, enquanto se livra do Thabeet, o time trouxe um veterano que faz tudo isso e ainda tem uma vantagem: é um jogador experiente, inteligente e que sabe manter sua cabeça fria. O time do Grizzlies peca as vezes por falta de calma, excesso de ânimo, e o Battier é um jogador que é excelente justamente em ficar calmo e controlar seu time, além de ser extremamente eficiente em tudo que faz. Foi uma jogada de mestre do Grizzlies, que solidifica seu banco, adiciona tudo que seu time precisava, e como o contrato do Battier é expirante, eles podem simplesmente deixá-lo ir embora ao final do ano ou reassiná-lo por menos dinheiro. O Grizzlies é um time sólido e jovem, se conseguir segurar Z-Bo e Marc com o espaço que eles abriram - e devem abrir ainda mais sem o Mayo - eles podem até sonhar com algo a mais nos próximos anos. Pra esse ano, eles fizeram o que precisavam para pelo menos sonhar: liberaram teto salarial, melhoraram sua defesa (Que já é a 10ª melhor da NBA) com um dos melhores defensores da Liga, e mantiveram junto a parte mais importante do grupo. Pensar em título esse ano é demais, mas o time é capaz de assustar os favoritos na pós temporada porque conta com as chaves para se vencer na pós temporada: um garrafão forte e uma boa defesa. Ainda vão sentir falta de um pontuador nato vindo do banco de reservas, mas é capaz de tirar uma casquinha de muito time forte por aí.

Já o Rockets continua o que começou: Adiciona uma escolha de draft e um jogador jovem em troca do contrato expirante do Battier. Com o time tendo problemas sérios no garrafão com um pivô de 1,98m, o Houston adiciona um jogador jovem, alto e cru. Agora o time deve fazer um intensivão no moleque pra ver se ele consegue aprender alguma coisa, pra ver se ele consegue ser pelo menos um jogador capaz de ser titular sem comprometer e ajudar o time com sua altura. O contrato do Yao Ming termina no final do ano também, e o Rockets ta preocupado em montar um novo time em torno do talento que já está lá. Uma peça alta no garrafão e uma escolha de draft, até que foi um bom começo. A perda do Ish Smith não vai ser sentida porque o time tinha gente demais pra posição, mas o Battier talvez faça mais falta. Agora o Chase Buddinger vai ter mais tempo de jogo e possívelmente o Rockets vai usar formações mais baixas com Courtney Lee ou Terrence Willliams em quadra, enquanto se prepara pro que vem pela frente. Que sempre é uma incógnita.