Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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domingo, 15 de maio de 2011

A série que não quer acabar


Randolph e Durant num momento de união para secar a torcedora

Se alguém me falasse, dois anos atrás, que eu estaria vendo uma série fantástica de playoffs entre Thunder e Grizzlies, com direito a prorrogações, vários jogos com viradas espetaculares e sete jogos valendo vaga na final do Oeste, eu provavelmente teria achado que a pessoa bebeu demais, e não me refiro a simples cervejas. Dois anos atrás, Grizzlies tava tentando explicar a troca do Pau Gasol enquanto perdia tudo quanto era jogo, o Thunder foi um dos piores times da Liga, e ninguém imaginava que em apenas dois anos seriam dois dos mais temidos times do Oeste. E agora, apenas dois anos depois, estamos num jogo sete de uma série intensa entre esses dois.

E realmente, já tivemos de tudo. No começo, eu disse que os dois primeiros jogos foram previsíveis porque, conforme eu tinha dito no preview da série, a chave para vencer era dominar o garrafão, porque foi assim que o Grizzlies eliminou o Spurs e era sua principal arma, enquanto o Thunder tinha um fortíssimo garrafão defensivo. Eu disse que a série iria para quem conseguisse se impor nesse duelo: o ataque do Grizzlies ou a defesa do Thunder, sempre dentro da área pintada.

Mas nessa série, não só nenhum time tem sido capaz de dominar a região próxima ao aro por muito tempo como cada vez mais um jogador aleatório, um fator aleatório, surge para dominar um certo jogo. Ou pra atrapalhar, afinal tivemos três vezes nessa série um time mais de 10 pontos na frente tomando a virada no final. A série ta alucinante, vai acabar hoje no jogo sete e, realmente, não deve nada a nenhuma outra série.

E cada vez que parece que um time vai engrenar, vai tomar a vantagem da série pra si, o outro time vai lá e impede, empata a série e voltamos pra estaca zero. É uma série entre dois times jovens e obstinados, as vezes decidida mais na vontade do que na técnica e as vezes, na imaturidade de ambos os times, que chegam pela primeira vez numa semifinal de conferência e de vez em quando parecem perdidos em quadra, como quem chega num lugar e se pergunta "Que diabos é pra eu fazer??"

Um exemplo disso é o jogo três, em Memphis. A série estava empatada em 1 a 1 e o Thunder precisava ganhar um dos dois jogos fora de casa pra recuperar o mando de quadra. O Thunder fez ótima partida e abriu 16 pontos de vantagem no final do terceiro período, entrando no quarto  13 pontos na frente. Mas no quarto período, o Thunder simplesmente sofreu uma pane, só marcou 10 pontos em TODO o período, uma coisa ridícula pro time que tem o cestinha da Liga, e tomou o empate do Grizzlies pra perder em overtime. O time começou a sofrer pressão do Grizzlies em contra ataques rápidos e foi incapaz de desacelerar o seu jogo e criar boas oportunidades. O Russell Westbrook não achou o Kevin Durant na hora de decidir, um demérito dos dois, já que o Durant não conseguiu se livrar da marcação do Tony Allen a não ser muito atrás da linha de três pontos (de onde ele até tentou um arremesso, errado) e o Westbrook não conseguiu achar nenhum companheiro e ficou forçando arremessos idiotas até o Grizz finalmente empatar. O Scott Brooks também não ajudou mantendo o Thabo Sefolosha em quadra e o James Harden no banco, e um exemplo disso é que no overtime, assim que entrou, Harden infiltrou na defesa e deu duas assistências pro Nick Collison embaixo da cesta, nas duas primeiras posses de bola do Thunder. O Thunder não soube o que fazer, se viu pressionado e permitiu que isso atrapalhasse o time na hora de jogar com calma, típico de times inexperientes.

Pra exemplificar com o meu técnico preferido em todo o universo, é o tipo de coisa que os times do Phil Jackson aprendem na marra. O Jackson, quando vê seu time acuado, pressionado, numa sequência ruim, NUNCA pede tempo, nunca para o jogo. Na sua filosofia - que se reflete no esquema de triângulos que, embora não seja criação dele, representa muito bem toda a filosofia de basquete dele - os jogadores são capazes de reagir a qualquer tipo de situação no jogo, seja uma mudança no posicionamento da defesa (O esquema de triângulos não tem muitas jogadas desenhadas, é uma forma de movimentação na qual o ataque reage às movimentações da defesa) seja uma sequencia ruim, e por isso ele não pede tempo para que os jogadores saiam dessa sozinhos. E quando saem, a confiança e capacidade dos jogadores de enfrentar essas situações cresce absurdamente. O Thunder não passou por uma coisa dessas, não superou uma coisa dessas, e não sabia como fazer.

Daí tivemos o já clássico jogo quatro, com o Memphis (que ainda não tinha perdido em casa na pós temporada) querendo abrir 3 a 1 e deixar sua situação mais confortável. Nesse jogo, com três prorrogações, o Grizzlies jogava desesperadamente pra ficar confortável na série e o Thunder jogava desesperadamente pra evitar que isso acontecesse e recuperar o mando de quadra. O Thunder jogou como pode com Durant, Westbrook e Harden, mas foi totalmente dominado no garrafão por Zach Randolph e Marc Gasol, que pontuaram feito malucos, pegaram quatrocentos rebotes (37 no total, sendo 18 de ataque) juntos, mas mesmo assim o Thunder chegou no final da partida vencendo por três, até que uma bola muito forçada de três do Mike Conley mandou o jogo pra prorrogação, outra do Greivez Vasquez (Que ta mostrando que tem basquete pra ser reserva do Conley) mais forçada ainda mandou o jogo pra seguinda prorrogação, mas o Thunder mostrou que aprendeu a lição do jogo três, não perdeu o ímpeto nem se deixou abalar e continuou pontuando consistentemente.

O Thunder também contou com o fato de que no final da partida nem o Z-Bo nem o Gasol conseguiam sequer levantar os braços, tavam tão cansados de pontuarem na trombada e pegarem rebotes de ataque que estavam totalmente esgotados e incapazes de pontuar ou pegar rebotes na terceira prorrogação. O jogo físico do garrafão, a movimentação e trombadas pra pegar rebotes ofensivos, desgasta demais um jogador, e esses dois não conseguiam fazer mais nada no final, e como o Grizzlies sem Rudy Gay depende demais do seu garrafão pra criar os arremessos, o time ficou sem conseguir pontuar direito. O jogo cinco também foi decidido assim, porque o garrafão do Grizzlies ainda não estava recuperado, não conseguiu iniciar os ataques nem ser a bola de segurança do time e o Thunder passeou, Memphis fez só 72 pontos.

E no jogo seis, de volta pra Memphis e a chance do Thunder de fechar a série, o Grizzlies simplesmente não foi capaz de perder. O time tava tomando um passeio do Durant, até que uma falta de ataque cavada inteligentemente pelo Conley fez o ala sair com duas faltas e numa mais recuperou seu ritmo. Mas o Thunder aproveitou o bom momento de Harden e Westbrook pra abrir vantagem, e já tinha aberto 13 pontos de vantagem a segundos do final do segundo quarto e estava com o momento a seu favor, até que o Shane Battier acertou uma bola de três no estouro do cronômetro pra trazer a diferença pra 10 e o momento de volta pro Grizzlies. No segundo tempo, o Grizzlies voltou com sangue nos olhos, roubou bolas, acertou os contra ataques e o Zach Randolph mais uma vez comeu o garrafão do Thunder com farinha e água e acertou tudo no segundo tempo pra terminar o jogo com 30 pontos. O Thunder não se recuperou, o Memphis continuou sufocando o adversário e no final administrou a vantagem pra levar o jogo pro jogo sete decisivo, hoje, 4:30 da tarde.

Não da pra simplesmente falar do quanto esse jogo é importante. Se por um lado são duas franquias jovens, com dois times jovens e que tem muitas chances de chegarem novamente longe nos playoffs nos anos que estão por vir (Não duvido nem um pouco de ver esses dois times reeditando essa série numa final de conferência), também não da pra negar que esse é o jogo mais importante das duas franquias até aqui em sua curta vida. O time que vencer o jogo sete vai pra final de conferência com totais condições de derrotar o Mavericks (ainda que não seja o favorito), e pode até ter uma chance real de título. Jogadores como Durant, Westbrook, Conley, Harden, Serge Ibaka, Marc Gasol e OJ Mayo estão prestes a jogar o jogo mais importante de suas jovens carreiras, enquanto outros mais veteranos como Randolph e até o Shane Battier também tem o jogo mais importante hoje a tarde. E pela vontade que ambos os times tão demonstrando, esse jogo sete vai pegar fogo, porque por mais que o futuro seja brilhante pra esses dois times, os dois sabem que tem time pra vencer agora.

domingo, 1 de maio de 2011

Preview - Oklahoma City Thunder vs Memphis Grizzlies

Nos últimos dias a gente ficou sem posts porque estavamos ocupados mesmo e porque preferimos fazer a cobertura do Draft da NFL pelo nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning , para poder comentar ao vivo o que saia, achamos mais dinâmico e tudo mais. A gente ainda pretende fazer uma analise do Draft por time, mas por enquanto vamos esperar um pouco, já que o recurso da NFL foi aceito na Oitava Corte e durante processo o lockout foi colocado de volta no lugar, e como muitas trocas tem impacto na Free Agency a gente prefere esperar um pouco pra ver que rumo isso realmente vai tomar. O que também é péssimo pra todos os calouros, que agora não podem assinar contratos nem começar a treinar com o time, conhecer o playbook (apenas alguns da primeira rodada puderam) e tudo mais, e esse atraso vai ter um impacto negativo muito grande, estou começando a achar que o Roger Goodell realmente mereceu as vaias que recebeu. Mas não se preocupem, cedo ou tarde sai o post comentando as escolhas.
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Tudo bem, eu já disse mil vezes que sou apaixonado pelo time do Memphis Grizzlies, mas não esperava que eles fossem tão dominantes na série contra o Spurs sem o Rudy Gay. Eu apostei Spurs em sete, o que quer dizer que eu esperava uma série muito difícil e com certeza não ficaria surpreso com uma vitória do Grizzlies, mas a questão não é só que Memphis venceu, foi a forma como venceu, dominou a série do começo ao fim, impôs seu jogo ao time com melhor campanha do Oeste e expôs cada falha, cada buraco no jogo do time de San Antonio com o ótimo plano de jogo do Lionel Hollins e uma enorme dedicação dos seus jogadores, e sim, isso inclui o Zach Randolph.

E o Grizzlies ganhou essa série com, antes de mais nada, defesa, e principalmente por causa do seu garrafão mais forte. O Marc Gasol pode não ser tão talentoso e finesse como o seu irmão, mas ele é maior, mais forte e não tem medo de trombar no garrafão e fazer o serviço sujo, e isso foi importante pra, junto com o excesso de corpo do Randolph, fechar o garrafão e impedir que o Spurs jogasse lá dentro, seja com o Tim Duncan ou com as infiltrações de Tony Parker ou do Manu Ginobili. O Grizzlies, que tinha uma defesa boa mas que atingiu um nível totalmente diferente quando o Tony Allen começou a ganhar mais e mais minutos e quando trouxe de volta o Shane Battier, levou o Spurs à loucura principalmente porque o time não deixou o Spurs movimentar a bola, o Grizzlies mostrou porque é o melhor da NBA forçando turnovers e não deu sossego marcando as linhas de passe e jogou sua vida porque sabia - e tinha razão - que podia ganhar essa série. O Spurs não conseguiu jogar pelo garrafão porque foi superado no tamanho e na força lá dentro, o Tim Duncan não pareceu ele mesmo ao longo de toda a série (Pelo menos o Duncan que a gente ta acostumado a ver destruir todo mundo nos playoffs) e o Spurs foi forçado a recorrer ao seu novo melhor amigo, as bolas de três pontos, pra tentar igualar a série, mas o trabalho de rotação do Grizzlies foi fantástico, o time não conseguiu atrair mais marcação para o garrafão pra liberar o perímetro, e os passes de dentro pra fora eram quase todos roubados ou desviados pela incansável defesa de Memphis, gerando mais e mais contra ataques.

O resultado é que o Spurs não conseguiu jogar no garrafão, não conseguiu recorrer às bolas de três pontos e foi totalmente destruído pelo Zach Randolph na defesa, principalmente porque muitas vezes ele acaba marcado pelo Matt Bonner, e no final das partidas o time simplesmente foi frio demais, colocou as bolas na mão de sua estrela em quadra (Randolph) e ele foi um closer muito melhor do que muitos outros consagrados pela Liga ao longo da temporada regular, simplesmente não errou, e por mais ridículo que seja falar que o Grizzlies é um time frio que joga como veteranos confiantes (O que o Spurs deveria ser mas não foi), é o que aconteceu nessa série.

Mas se por um lado o Spurs, com sua rotação de bolas, arremessos de três e um garrafão frágil porque eles tinham o Matt Bonner era o melhor adversário possível para o Grizzlies, a situação com o Thunder é totalmente diferente. O Grizzlies gosta de jogar na velocidade principalmente depois de forçar um turnover, mas quando o time tem que desacelerar e jogar um jogo mais cadenciado, o time recorre ao seu garrafão, que joga muito bem de costas pra cesta, onde o Zach pode criar o próprio arremesso e onde o entrosamento da sua dupla titular faz a diferença. Contra o Spurs isso deu certo demais, mas contra o Thunder não vai ser tão fácil: Se o garrafão do Spurs era frágil, o do Thunder é grande, forte, tem cara de mau, não tem medo de ser físico e conta com dois ótimos defensores no Kendrick Perkins e no Serge Ibaka, que daqui a pouco vai ganhar um apelido bizarro como 'O Congolês Voador'. O Grizz não vai conseguir jogar tudo pelo garrafão, não vai ter vida fácil por lá e vai precisar mais ainda da produção dos seus jogadores de perímetro, e aí mais do que na série contra o Spurs o time vai sentir falta de alguém capaz de bater pra dentro do perímetro e criar o próprio arremesso ou ir pra linha do lance livre, ou seja, o time vai sentir falta do Rudy Gay. Para ganhar essa série, o Grizzlies vai ter que achar alguém capaz de pontuar contra essa defesa ou então vai ter que contar com o Mike Conley conseguindo bater pra dentro pra desmontar a formação defensiva do Thunder e conseguir destribuir o jogo, mas aí a falta de arremessadores do time de Memphis (Um minuto de silêncio para o Tony Allen) sem -adivinhe - Gay pode pesar demais contra o time.

Mas se a defesa do Thunder vai dificultar em muito a vida do Grizzlies, o contrário também acontece. O garrafão do Thunder não é um garrafão presente no ataque e que cria seu próprio arremesso, muito menos de costas para a cesta. O Ibaka vai pontuar um pouco com contra ataques, recebendo passes embaixo da cesta ou com arremessos de meia distância, mas não vai ser o centro do ataque do Thunder (Pelo menos por enquanto, do jeito que esse cara anda evoluindo...) e nem vai criar seu próprio arremesso, e sem um jogo de garrafão o Thunder também prefere jogar na correria com o Russell Westbrook controlando a bola ou então, quando joga na meia quadra, isolando ele ou o Kevin Durant, e contra o Nuggets foi isso que resolveu a série: Ou você marca esses dois e vê o Ibaka fazendo 22 pontos e pegando 16 rebotes, ou então marca todo mundo e toma 72 deles na fuça. Mas o Grizzlies tem ótimos defensores individuais no Allen e no Battier pra atrapalharem a vida do Durant e tem a melhor defesa de transição da NBA, o que vai tirar uma das armas do Thunder e forçá-los a jogar mais no jogo de meia quadra isolando o Durant e esperando os dois (ou três) pontos acontecerem de alguma forma, o que vai acontecer bastante mas não vai ser fácil e nem vai resolver todos os problemas. O Durant não pode jogar 48 minutos com a marcação forte que ele vai receber e o time vai ter que deixar as bolas um pouco nas mãos do Westbrook, mas o Westbrook não tem o arremesso mais confiável do mundo e gosta de partir pra cima, o que não vai ser fácil contra o garrafão do Grizzlies e com o Mike Conley pronto pra roubar a bola com qualquer descuido, e isso geraria contra ataques onde o Grizzlies conseguiria seus pontos mais fáceis na partida.

Ou seja, tudo nessa série parece uma faca de dois gumes: Se o Thunder jogar tudo com o Kevin Durant, ele vai morrer mais ou menos no final do jogo 2. Mas se o Thunder tirar a bola da mão dele pra colocar nas mãos do Westbrook, isso vai gerar muitos contra ataques de turnovers, que vão gerar pontos fáceis para o Grizzlies que eles provavelmente não conseguiriam num ataque de meia quadra. Por isso, pra mim o duelo mais importante desse jogo é o duelo Westbrook vs Conley. O Z-Bo vai ter suas dificuldades, mas também vai pontuar, pegar rebotes e ser decisivo, o Durant vai jogar muito não importa como ele seja marcado. Mas o Conley e o Westbrook vão ser os responsáveis por fazer o ataque de ambos os lados funcionar, o Westbrook pra acionar os jogadores secundários do ataque e liderar os contra ataques tirando a pressão do Durant, e o Conley pra conseguir roubos de bola nessa situação e no ataque para partir pra cima do garrafão e desmontar a defesa do Thunder pra conseguir missmatches ou até bolas longas com o OJ Mayo ou o Battier. E claro, vamos ver que técnico vai ser melhor lendo os jogos e fazendo os ajustes: Hollins, que dissecou tão bem o Spurs na primeira rodada, ou o Scott Brooks, que ano passado fez o mesmo com o Lakers.

Palpite: Ainda gosto muito do Grizzlies, mas acho que a diferença vai ser ter um jogador capaz de criar o próprio arremesso. O Thunder tem o Durant e o Grizzlies não tem o Rudy Gay. Se o Zach Randolph conseguir se impor contra o Ibaka e pontuar feito doido, a série pode mudar, mas por enquanto, meu palpite é Thunder em seis jogos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Preview - San Antonio Spurs vs Memphis Grizzlies

Não é o gordinho mais boa pinta da NBA?

E a internet finalmente deu uma trégua então posso vir aqui postar o último preview (aleluia!). Foi mal pela demora, mas realmente não tive escolha, a internet só voltou agora.

Eu falei ontem, quando comentei dos resultados surpreendentes até agora, que eu deveria ter feito esse post antes da partida de domingo pra pagar de profeta, porque eu claramente disse pra dois amigos (Que serão chamados a testemunhar aqui) que o Grizzlies tinha uma chance real de vencer o Spurs e para isso era importante vencer o jogo 1 sem o Manu Ginobili, que por uma lesão no cotovelo não entrou em quadra. Aí quando vemos o jogo, o Manu não jogou, o Grizzlies ganhou e tirou a vantagem de quadra do Spurs. E eu me mordendo por não ter postado isso antes!

Quem acompanha o nosso twitter ou mesmo leu nossos posts que tratavam do time (No caso, esse e esse) sabe que eu sou completamente apaixonado por esse time do Grizzlies, acho um time jovem, talentoso, com uma defesa forte e que sabe jogar tanto na correria como na meia quadra e que tinha uma estrela no Rudy Gay. Ainda não cheguei ao ponto de mandar uma cartinha de amor para o Zach Randolph, mas minha paixão por esse time era tão grande que eu até comentei com o Celo (Meu "parceiro" de blog que só aparece pra reclamar) que se o Rudy Gay estivesse saudável eu apostaria minhas fichas que o Grizzlies ia derrotar o Spurs, o que vocês podem encarar como sendo porque o Grizzlies é muito bom ou porque o Spurs tem algumas falhas que são exatamente as que o Grizzlies pode explorar pra ter a vantagem no confronto, ou simplesmente porque eu sou maluco.

Primeiro de tudo, temos que lembrar que o Spurs dessa temporada não lembra em nada o Spurs que foi campeão tantas vezes nos últimos 12 anos. Aquele Spurs era um time extremamente meticuloso, lento, calculado, que contava com o Tim Duncan pra fazer a festa no garrafão até atrair dobras na marcação para que a bola fosse para o perímetro, tudo isso enquanto o time gastava os 24 segundos, desacelerava até a mãe, tomava um cafezinho, e na defesa só faltava colocarem alguém sentado em cima da cesta, porque de resto tudo que era humanamente possível fazer pra evitar uma cesta era feito. Era um esquema de jogo extremamente meticuloso e calculado (e, de certa forma, chato) e que dava resultados, tanto que o time foi tetracampeão e acabou com muitos times fortíssimos como o Lakers de Shaq e Kobe Bryant, o Suns Run n'Gun do Mike D'Anthony, o igualmente lento e defensivo Pistons do Larry Brown e o Mavericks porra-louca do Don Nelson. Mas o time envelheceu, o esquema do Greg Popovich parou de funcionar e o time de repente lembra muito mais os times de correria que eles mesmos cansaram de eliminar. O Spurs agora é um time que joga na velocidade, usando muitos pirralhos, chutando muitas bolas de três e que tem problemas defensivos, exatamente o oposto da fórmula que fez o time tantas vezes ser campeão.

Isso é ruim? Não. O Greg Popovich foi capaz de reinventar o time quando a fórmula que antes funcionava parou de dar certo, estava claro que o esquema de jogo antigo do Spurs tinha ido por água abaixo quando eles tomaram uma varrida do Suns nos playoffs e essa mudança no padrão de jogo do time fez não só com que o time evitasse uma grande queda no disputado Oeste como fez o time terminar com a segunda melhor campanha da NBA. Agora o Tim Duncan pode sair do modo automático que ele jogou a temporada toda, ganhar os minutos por jogo que ele merece e o time sem dúvida deve se beneficiar disso. O Spurs ainda é um time bom o suficiente, com bons jogadores e um técnico competente, pra assustar nesses playoffs.

Mas do outro lado, tem o Grizzlies. O Grizzlies é um time, a meu ver, muito mais completo do que o Spurs. O que não necessariamente o qualifica como melhor, apenas mais completo. O Grizzlies gosta de jogar na velocidade, é o melhor time na Liga forçando turnovers e na correria o time se beneficia do Mike Conley e do atleticismo do Tony Allen, além de ser quando o OJ Mayo rende mais. Mas por outro lado, é um time com uma defesa muito forte, que como eu já disse força muitos turnovers, e que tem um garrafão muito forte e que sabe render muito bem quando o time precisa desacelerar e jogar na meia quadra. Essa série, desconsiderando os talentos individuais envolvidos, lembra um pouco as séries entre Spurs e Suns/Mavericks, que o Spurs ganhava porque tinha uma defesa muito melhor e muito mais flexibilidade, era um time que sabia jogar na correria em alto nível mas que era capaz de desacelerar e jogar em meia quadra quando necessário, além de contar com um garrafão mais forte e mais capaz de dominar uma série próxima à cesta. E se o Spurs é um time no papel melhor, com jogadores melhores, o Grizzlies é um time mais flexível, com uma defesa melhor e com um garrafão mais forte próximo à cesta.

O Grizzlies rende muito bem quando decide correr, usa muitos roubos de bola pra isso e conta com uma defesa muito forte pra iniciar os contra ataques, mas isso tudo o Spurs também sabe fazer, o que as vezes vai transformar a série num jogo de pega-pega (como, aliás, aconteceu domingo em alguns momentos). Mas o Grizzlies tem a capacidade de desacelerar o jogo e confiar no seu garrafão, o que eu não tenho muita certeza se o Spurs é capaz de fazer.  O Tim Duncan é o melhor ala de força de todos os tempos e com certeza ainda tem lenha pra queimar nos playoffs, mas o garrafão do Grizzlies consegue dominar melhor a área ao redor da cesta, e conta com dois ótimos jogadores de garrafão pra isso, o Zach Randolph, que desde que foi pra Memphis deixou pra trás a fama de gordinho (essa continua) fominha destruidor de times e se estabeleceu como um dos melhores pontuadores no garrafão em toda a Liga, e o Marc Gasol, que se não é tão habilidoso e finesse como seu irmão é maior, mais físico e não tem problema em fazer o trabalho sujo dentro do garrafão, trombando com todo mundo e até mesmo fazendo ótimos passes. E é esse domínio no garrafão e a flexibilidade que o time tem de alterar seu plano de jogo conforme a partida for se desenvolvendo que me faz imaginar que vencer o Spurs seja possível mesmo sem Rudy Gay, ainda que bem difícil se o Ginobili voltar já na próxima partida. O Ginobili trás duas coisas que o Spurs vai precisar, a imprevisibilidade que surge da sua criatividade e dos seus movimentos desengonçados e sua capacidade de pontuar feito um maluco mesmo num ataque de meia quadra e mesmo contra uma defesa que conta com Tony Allen e Shanne Battier, dois dos melhores defensores de perímetro da Liga. E pro Spurs passar pra próxima rodada, o Manu vai ter que fazer tudo isso.

Palpite: Voltando no próximo jogo, o talento do Spurs talvez seja demais para o Grizzlies sem Gay, ainda que com um garrafão maior. Mas como o Grizzlies roubou o primeiro jogo que eu tanto preguei que eles precisavam, essa série vai ser muito mais difícil do que o Spurs imaginava. Ainda assim, aposto em Spurs em sete jogos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Deem atenção ao Grizzlies!

Zach Randolph acena para o vendedor de cachorro quente do ginásio

Desde que foi criado, em 1995, o então Vancouver Grizzlies é um dos times mais esquecidos da NBA. Aquele time que não fede nem cheira, que não incomoda ninguém, naquela cidade sem destaque nem poder econômico. Ninguém da a menor atenção pro agora Memphis Grizzlies. Mas a verdade é, já passou da hora de dar alguma atenção pra esse time.

O Grizzlies era um time apagado de Vancouver, na expansão que a NBA fez para o Canadá e que também criou o Toronto Raptors, e que se mudou em 2001 para Memphis, mesmo ano em que o time draftou com a terceira escolha do Draft Pau Gasol. Junto com jogadores como Shanne Battier e Mike Miller, Gasol levou o Memphis aos playoffs por vários anos consecutivos, mas o Grizzlies sempre foi varrido na primeira rodada. Era um time que tinha atingido seu limite de crescimento, e que tava naquele horrível impasse onde seu time não é bom o suficiente para brigar por nada com pequenos ajustes nem tão ruim para conseguir boas escolhas no draft e dar um upgrade enorme no seu time. A escolha que o Memphis fez foi jogar tudo fora em 2007 e começar de novo, quando trocou o Pau Gasol para o Los Angeles Lakers por Marc Gasol, Javarris Crittenton, Kwame Brown (Que foi a primeira escolha no Draft de 2001, por sinal!) e duas escolhas de Draft. Todo mundo chamou a troca de rematada loucura na época, como você troca um dos melhores big mans da Liga por dois contratos expirantes, um pirralho e duas escolhas de draft? A troca desequilibrou a Liga, nem o Phil Jackson acreditou, elevou o Lakers à elite da NBA mais uma vez e deixou o Memphis sem sua principal estrela. Mas o Memphis teve sua calma, esperou os contratos do Brown e do Crittenton terminarem, limpou sua folha salarial, algo importantíssimo pra um time de um mercado pequeno como Memphis, draftou seus jogadores e colocou os pirralhos pra jogar.

O time levou umas pancadas, sofreu, teve vários problemas, mas depois de um tempo a reconstrução começou a dar frutos. Jogadores como Rudy Gay e Marc Gasol começaram a jogar em alto nível, o time contava com a promessa do OJ Mayo e enfim trouxe o Zach Randolph, que estava encostado no Clippers. E o time começou a finalmente se acertar, a carreira do Zach Randolph reviveu em Memphis, a pirralhada começou a jogar e o time começou a se levar a sério. Essa offseason, no entanto, as coisas apertaram para um time de mercado pequeno, porque o Rudy Gay virou Free Agent. O Memphis ofereceu um contrato máximo de 80 milhões pra segurar o seu melhor jogador e viu sua folha salarial subir bastante. Não bastasse, ofereceu uma extensão salarial de 45 milhões em cinco anos para o Mike Conley, um absurdo para um armador que era secundário no time e não merecia nem de longe 9 milhões por ano. Com Zach Randolph e Marc Gasol caminhando para se tornarem Free Agents ao final desse ano, aumentar tanto assim sua folha salarial parecia - e era - uma má idéia. Mas o Grizzlies fez uma troca genial na data limite, que você pode ler com mais detalhes aqui, mas em resumo o time mandou o pivô de 2m20 Hasheem Thabeet e uma escolha de draft em troca do Shanne Battier e do Ish Smith. A troca é genial porque ela manda embora o contrato e o fracasso do Thabeet, que nunca merecia ter sido escolhido tão alto no Draft (Imagina se o Grizzlies tivesse pego o Tyreke Evans) e recebe não só um jogador que tem tudo pra ajudar o time como também tem um contrato expirante, ou seja, ele vai abrir espaço salarial no final da temporada para reassinar com Gasol e Randolph!

Com isso em vista, o Grizzlies percebeu que eles são um time muito negligenciado mas muito bom. Tudo bem, eu talvez goste um pouco demais do time do Grizzles e as vezes exagere, mas se num período de tempo relativamente curto você derrota Spurs, Mavericks e Thunder sem o Rudy Gay, que é um dos seus dois melhores jogadores, é porque alguma coisa boa está acontecendo com você. E hoje, vendo os resultados, podemos falar que o Grizzlies fez um bom negócio quando trocou o Pau Gasol! É sério! Demorou, o time sofreu, mas o time finalmente achou um núcleo que funcionava no começo da temporada. O Mike Conley pelo visto levou a sério seu novo contrato e começou a jogar muito melhor do que nunca jogou na carreira, está pontuando bem, arremessando e dando assistências, além de aparecer nos momentos decisivos do jogo, como quando fez as duas cestas que decretaram o fim da partida contra o Thunder. O Rudy Gay é outro, era bom mas ficou ainda melhor depois do novo contrato. Ele é daqueles que faz de tudo um pouco, defende muito bem, ataca a cesta e é muito efetivo nos contra ataques, mas além disso o arremesso dele melhorou e ele já acertou duas cestas da vitória para o Grizzlies, uma delas na cara do Lebron James. E o Zach Randolph continua mostrando que quando quer ele é um All Star ao lado do Gasol, que é um ótimo passador e que volta e meia acha que é o irmão e começa a acertar todo tipo de ganchinho de canhota.

Mas nem tudo deu tão certo pro Grizzlies. OJ Mayo - que foi draftado pelo Wolves e trocado no dia do Draft por um branquelo chamado Kevin Love - que chegou a ser considerado o melhor jogador do Draft de 2008, e acabou sendo escolhido atrás de Derrick Rose e Michael Beasley, nunca rendeu o esperado dele. Não só isso, também encheu o saco de todo mundo fora de campo, arrumou problemas, acabou suspenso e somando tudo isso às suas performances inconstantes dentro de quadra, acabou virando dispensável para o time, até porque não defende grandes coisas. No final o Mayo acabou sendo encostado em favor do Tony Allen, que não arremessa nem bolinha de papel na lixeira mas que defende bem demais e está jogando muito bem principalmente atacando a cesta em velocidade, e do calouro Xavier Henry, que não é grandes coisas mas quebra um galho vindo do banco junto com o Mayo. No final das contas, o OJ Mayo virou um jogador dispensável e que da mais dor de cabeça do que resultados.

Com isso, o Grizzlies se montou em torno de Conley, Allen, Gay (Atualmente está jogando o Sam Young, com a lesão do Rudy), Randolph e Gasol. O time começou a jogar mais dentro do garrafão, o Randolph teve um mês com quase 25-12 de média, e a apertar a defesa. A defesa do Grizzlies é atualmente a nona na Liga mas se levar em conta que eles começaram mal a temporada e que recentemente eles começaram a colocar o Allen e o Battier na rotação, eu não hesitaria em colocar a defesa do Grizzlies como uma das sete melhores da Liga. O banco de reservas, que era um problema, agora conta com Jason Williams, Darrelle Arthur e Leon Powe para pontuar quando necessário, além do Mayo e do meu preferido, o Shane Battier, inteligentíssimo, ótimo defensor, muito obediente taticamente e um líder dentro e fora de quadra, perfeito para um time que busca o título. O Grizzlies percebeu que era hora de parar de investir só no futuro simplesmente porque percebeu que tem time pra brigar nos playoffs agora.

Eu não acho que o Grizzlies tenha time para ser campeão essa temporada. Acho que falta arremessadores de três pontos e um jogador de perímetro no banco de reservas, pode até ser um jogador pras duas funções, além de ser um time ainda inexperiente em pós temporadas. Mas o Grizzlies é o time que eu acho que mais tem chances de surpreender nos playoffs e derrubar um favorito, a defesa desse time está insana, o time está jogando bem demais mesmo sem o Rudy Gay e acho que quando ele voltar esse time vai melhorar ainda mais. O time tem no Gay e no Conley dois jogadores que tem servido bem como closers (até o Randolph acertou um buzzer beater da vitória contra o Mavs esses dias!), um garrafão muito forte que funciona perfeitamente no jogo de meia quadra e que pega muitos rebotes de ataque, e uma defesa fortíssima, bem montada e com ótimos marcadores individuais. Ou seja, tem todos os elementos que um time que queira ir longe na pós temporada precisa ter. A presença do Battier, nesse cenário, é ainda mais significativa, porque é um jogador veterano e com experiência em pós temporadas. O Battier mais do que nunca tem que exercer o papel de liderança que ele sempre exerceu para acalmar os ânimos, controlar o time e passar o que puder para esse grupo que não está acostumado aos playoffs. Se o Grizzlies conseguir controlar isso, eu não duvido de ver o Grizzlies passando da primeira rodada dos playoffs. Eles tem time - e defesa - para bater de frente com qualquer time da Liga.

Também é legal ver que o Grizzlies, assim como o Thunder de certa forma, está se preparando pra tentar vencer agora sem esquecer o amanhã. O Grizzlies ainda é um time jovem, e tem espaço para evoluir. Com a saída do Thabeet e o fim do contrato do Battier, o Grizzlies abriu espaço pra reassinar com o Gasol - um free agent restrito - e o Randolph. Nenhum dos dois deve ser um problema, Gasol até por ser restrito, e no caso do Randolph o problema deve ser dinheiro mesmo, porque ele adora Memphis, agora jogar pelo Grizzlies, nunca se sentiu tão confortável e não quer sair do time, mas também se acha um gênio e gosta de contratos muito caros. Se o Grizzlies conseguir equacionar os dois - e eu não duvido disso - o time ainda provavelmente vai tentar trazer de volta o Battier. O contrato do Battier acaba no final do ano e para não comprometer a folha salarial o Grizzlies não ofereceu uma extensão contratual, mas o Battier gosta de Memphis, a torcida do Grizzlies o adora desde sua primeira passagem pelo time, e disse que quer ficar, o que eu não duvido que aconteça por um salário bem menor do que o atual, que permita ao time conservar suas grandes armas.

O Grizzlies também tem uma última carta na manga, tanto na questão de montar o time como na questão salarial, o OJ Mayo. Mayo recebe um salário alto demais pra fazer muito pouco no time, e é uma ótima moeda de troca, um jogador talentoso e jovem. Provavelmente vai acabar sendo trocado no final do ano, liberando assim espaço salarial e funcionando como moeda de troca para atrair jogadores para suprir as carências do time, como um arremessador.

A reconstrução do Grizzlies foi aos trancos e barrancos, um pouco de sorte, um pouco de azar, mas ela finalmente está chegando ao final. O Grizzlies tem um time competitivo, com vários bons jogadores e com uma defesa muito forte. O Grizzlies tem como encher o saco dos times grandes nos playoffs essa temporada, mas se o Grizzlies tiver paciência e continuar adicionando as peças certas como vem fazendo, em uns dois anos pode ser que chegue ainda mais longe, até porque times como Spurs, Mavericks e Lakers estão cada vez mais velhos. Duas reconstruções diferentes, Grizzlies e Thunder, mas que levaram a resultados semelhantes. Não ficaria surpreso em ver, em dois ou três anos, esses times brigando pela final do Oeste.