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domingo, 14 de agosto de 2011

Algumas contratações, parte II


PANIC MOVE!

Quinta a gente comentou três Free Agents importantes que assinaram com times que buscavam o título, no caso Aubrayo Franklin em New Orleans, Ray Edwards em Atlanta e Plaxico Burress em New York. Pedindo desculpas pelo fim de semana sem posts, hoje a gente continua falando de outros três Free Agents importantes: Stephen Tulloch indo pro Detroit Lions, Johnathan Joseph indo pro Houston Texans e... Bem, Steve Smith indo para o Philadelphia Eagles. Eu sei que a gente já falou do Eagles antes, o Steve Smith trollou a gente e assinou com o Eagles logo depois que posso post saiu e a gente acabou não falando dele naquele post. De certa forma, até foi bom, porque naquele post meu objetivo era mostrar como os Free Agents que o Eagles assinou mudariam a forma do time de encarar seus adversários, enquanto que o Steve Smith é uma excelente adição mas não vai ter o mesmo papel de mudança do Nnamdi Asomugha, por exemplo.

A gente também não vai comentar algumas mudanças como por exemplo o Olin Kreutz indo para o Saints, porque apesar de ser um ex-Pro Bowler indo para um time que briga pelo título, não altera em nada, ele está lá indo simplesmente pra tapar o buraco que o Jonathan Goodwin deixou indo pro 49ers. Algumas mudanças menores - em especial o projeto bizarro do Seahawks - vão ganhar destaque mais pra frente, mas tudo a seu tempo.


Stephen Tullock, MLB, Detroit Lions

O projeto de reconstrução do Detroit Lions, depois de anos amargando a fama de franquia fracassada, seguiu aos trancos e barrancos. O time teve a pior campanha de um time na história da Liga (0-16), pegou um WR (Calvin Johnson) antes de conseguir um QB que lançasse para ele (Matthew Stafford) e ainda deu sorte algumas vezes por jogadores como o Ndamukong Suh cairem no colo deles. Mas depois de alguns anos e muito sufoco, o Lions finalmente já pode ser levado a sério. E mais importante, o time já pode SE levar a sério. Agora o time de Detroit tem um núcleo de ataque (QB, RB e WR) jovem, talentoso e promissor, um DT que apesar de ser sophomore já é um dos melhores jogadores de defesa da Liga, um calouro que apesar de problemático tem muito futuro e bons complementos a esses jogadores centrais, veteranos ou jovens. O time sabe que apesar de poder brigar por uma vaga nos playoffs essa temporada se o Stafford ficar saudável, o Lions não tem que se preocupar com esse ano e sim com o que vai vir pela frente. O essencial é conseguir jogadores que sejam habilidosos, mas também que possam acompanhar a garotada do time por vários anos, de preferencia jogadores jovens. Nessa situação o mais comum é via Draft, mas isso não quer dizer que de vez em quando um time desses não consiga achar algo assim na Free Agency. E ajudado pelo lockout, o Lions achou um no Stephen Tulloch.

O Tulloch é um MLB que jogava no Titans. Ele foi o líder do time em sacks mesmo após a saída do Albert Haynesworth e é um jogador que não só é habilidoso, atlético, muito rápido e que se tiver espaço vai ser muito perigoso como também tem só 26 anos. Como toda a defesa (jogadores e técnicos) se mandaram e o time aceitou que agora vai ter que recomeçar tudo de novo, o Stephen Tulloch, que virou Free Agent irrestrito por causa do CBA, seguiu o coordenador defensivo Jim Schwartz (atual Head Coach) para o Detroit Lions. O Lions tem uma linha defensiva monstruosa - Nick Fairley, Kyle Vanden Bosch e Suh - que pode e provavelmente vai manter os bloqueadores muito ocupados e isso vai criar muito espaço para o Tulloch atuar voando em direção ao jogador com a bola como ele sabe fazer. O Lions já tem uma boa dupla jovem na linha (Suh e Fairley), tem no Louis Delmas um safety muito promissor, assinou o também jovem Michael Johnson, SS que era titular do Giants mas virou Free Agent e o Giants não pode assinar por causa do teto salarial, pra formar uma boa dupla na secundária. Apesar de ainda faltar um bom Cornerback pro time, o Tulloch chega pra reforçar uma das poucas áreas da equipe que ainda não tinha um jogador jovem e talentoso para ser o líder da posição. Acabou de conseguir um. Excelente trabalho!


Johnathan Joseph, CB, Houston Texans

Toda vez que alguém usar alguma expressão como "Panic move", ela deveria por lei vir com uma foto do Johnathan Joseph. Como vocês viram, eu já tentei começar essa tradição, agora vamos ver se ela pega.

O Houston Texans é o famoso "time queridinho" da torcida, aquele time que todo mundo gosta, ninguém detesta, que tem bons jogadores, um timinho bacana e grandes expectativas mas que nunca as alcança. Depois que o Texans juntou o ótimo Matt Schaub com o genial Andre Johnson e montou um dos ataques aéreos mais explosivos da Liga, todo mundo achou que seria uma questão de tempo e maturidade pro time ser figura registrada nos playoffs da AFC. Mas o tempo passou e o Texans continuou no "quase". Mesmo depois de juntar sua dupla premiada com a surpresa Arian Foster, lider em jardas terrestres de 2010, o time não só não engrenou como regrediu pela primeira vez em algum tempo. Isso se deu, em grande parte, pela grande queda de produção da defesa. O Brian Cushing não repetiu em 2010 as boas atuações de 2009 depois de ser pego por uso de esteroides, e principalmente a perda do Dunta Robinson expos a secundária do Texans como uma das secundárias mais fracas de toda a Liga. Portanto, não era de se estranhar que o Texans entrasse no mercado em busca de um grande Cornerback pra sua secundária que mais parece a do time daqui da rua.

O grande nome no mercado de Free Agents era, naturalmente, o Nnamdi Asomugha, que como vocês deveriam saber acabou no Eagles. Mas antes de assinar com o Eagles, o Asomugha esteve sendo disputado principalmente por quatro times: Jets, 49ers, Cowboys e Texans. Quando Cowboys e Niners caíram fora, o Asomugha praticamente estava fechado com o Texans. Era apenas uma questão de tempo até fecharem negócio e acertarem os detalhes, a oferta era enorme e o Nnamdi tinha interesse em jogar lá (e na grana). Mas o Texans, que não queria sair de mãos abanando, também negociou com outro grande nome, o Joseph, ao mesmo tempo. E aí aconteceu o que causou o panic move do Texans: O Joseph disse que estava pronto pra assinar com o time.

Ou seja, o time estava quase conseguindo o Asomugha, o melhor CB da Free Agency e pra mim de toda a NFL, quando o Joseph já estava pronto pra assinar. Como o Texans estava disposto a abrir o cofre e tinha um time bem montado, acabou conquistando os dois cornerbacks. Mas o problema era o que fazer: Deixar passar o Joseph para ficar com o Asomugha - perderia o Joseph e tinha uma grande chance de assinar com o melhor CB, mas não estava garantido - ou então assinar o Joseph, perder a chance de sair com o Asomugha, mas pelo menos garantir um CB de elite sem a menor chance de erro. Apesar de que era quase certo que iriam assinar o Asomugha, o time morreu de medo de sair de lá sem ninguém e fechou com o Joseph na hora. Foi, pura e simplesmente, um panic move, o time entrou em pânico e assinou a primeira opção que apareceu de CB, ainda que uma melhor estivesse muito próxima.

Ainda que inegavelmente tenha sido uma decisão motivada por puro pânico de sair de mãos abanando, não da pra falar que o Texans se saiu mal. O Joseph não é tão absurdo como o Asomugha, mas é um CB de elite, e também é quatro anos mais novo que o Nnamdi. O Texans conseguiu seu CB de elite, acabou optando por pegar um mais garantido do que um melhor mas com uma mínima (mas existente) chance de dar errado. Panic move total, mas não foi tão ruim como pagar 35 milhões pro Travis Outlaw. Saíram com um grande jogador, embora com mais calma provavelmente sairiam com um melhor.


Steve Smith, WR, Philadelphia Eagles

Antes que as pessoas confundam, esse é o Steve Smith que era do Giants, e não o que era do Panthers. Se fosse o do Panthers, mandassem logo o Lombardi Trophy pra Philadelphia (se ele conseguisse ficar saudável).

Mas mesmo sendo o Steve Smith menos bom, ainda foi uma adição sensacional para o ataque do Eagles, e eu explico porque. Como eu falei quando comentei as aquisições anteriores do Eagles, o time usou o seu baixíssimo teto salarial (fruto da renovação) para contratar Free Agents em profusão que complementem o excelente núcleo jovem da equipe (mais o Michael Vick, que não é tão jovem assim). O Giants, que estava muito acima do novo teto salarial, se viu obrigado a abrir mão de alguns jogadores, e um deles foi o machucado Steve Smith. O Eagles aproveitou e adicionou o jovem receiver.

O Smith é talentoso por si só. Depois da prisão do Plaxico Burress, que a gente comentou no útlimo post, o Giants se comprometeu com seus WRs jovens para tomar o lugar da sua antiga estrela, entre eles Mario Manningham, Smith e Hakeem Nicks. O Smith foi o segundo jogador com mais recepções em 2009 (Wes Welker foi o primeiro), bateu o recorde da história do Giants pra mais recepções em uma temporada e foi ao Pro Bowl naquele ano. Tudo isso na sua primeira temporada como titular, dividindo as atenções com outros WRs (O nº1 do time era o Nicks) e com o Eli Manning de QB. Ano passado ele começou bem, mas teve problemas com lesões e acabou perdendo vários jogos. Na verdade ele ainda está lesionado, mas a expectativa é de que ele volte a tempo para começar a temporada.

O que eu mais gostei nessa contratação é que ele é um tipo de WR que o time não tinha. Os dois WRs titulares do time, DeSean Jackson e Jeremy Maclin, são jogadores de velocidade, de jogadas longas. O Smith é o contrário, um WR de possession, para rotas mais curtas e para jogadas de segurança. Sem um TE de elite (eu gosto do Brent Celek, mas ele ainda não é tão confiável a esse ponto) a presença de um WR desse tipo é muito importante, ele da uma opção mais rápida, fácil e garantida para um QB. O ganho geralmente não é muito grande - pra isso existem Maclin e Jackson - mas é um alvo diferente do que o time costuma oferecer e que vai deixar o ataque aéreo muito mais rico, especialmente se o Maclin demorar para voltar. Ótima contratação, ótimo jogador. A versatilidade que ele vai oferecer ao ataque vai deixar o Vick ainda mais confortável pra continuar desenvolvendo suas habilidades de passador de dentro do pocket.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O grande vencedor


DeSean Jackson mostrando sua nova arma para o jogo aéreo do Eagles


Depois de um fim de semana parado, e depois de termos analisado o Draft de cada um dos 32 times da NFL com notas e tudo mais, ficou faltando comentarmos sobre a semana insana de Free Agency que tivemos. Como o CBA novo entrou no lugar pouco mais de uma semana antes do começo da pré-temporada, a correria pra assinar Free Agents foi enorme, todo o geralmente longo período de trocas, renovações de contrato e assinatura de Free Agencys teve que ser feito em mais ou menos duas semanas, e como a gente ainda tava voltando de viagem e atolado com o Draft, tivemos que deixar pra depois. Agora, finalmente, podemos comentar a movimentação na Free Agency, lembrando que semana passada oficialmente foi colocado em vigor o novo CBA. O acordo já estava acertado desde muito tempo atrás, e regras temporárias pra Free Agency foram estabelecidas até a votação final, que aconteceu, aprovou o CBA e então temos NFL garantida nos próximos 10 anos. Essa quinta feira começa a pré-temporada da NFL, e agora é hora de comentar os times que se reforçaram e se enfraqueceram nessa Offseason alucinada, começando pelos times que sairam vencedores dessa zona, e nenhum saiu tão vencedor (ou pelo menos com tanta pompa)como o Philadelphia Eagles.

O Eagles montou nos últimos anos um time jovem e habilidoso, se desfazendo dos seus veteranos mais caros e fazendo um processo de reformulação a médio prazo. O time mandou embora o até então soberano no time Donovan McNabb e quem deveria assumir a posição de QB seria o pirralho Kevin Kolb, acompanhado de um núcleo jovem de jogadores como DeSean Jackson, LeSean McCoy e Jeremy Maclin. Uma consequencia desse processo foi que o time acabou liberando muito espaço salarial, muitos jogadores ainda tinham contratos de novatos ou então tinham renovado a custos baixos. Mas o que aconteceu pra "estragar" a reconstrução a médio prazo do Eagles foi que os jovens jogadores acabaram se desenvolvendo muito rápido e, após uma lesão do Kolb, o time achou um QB mais pronto e muito melhor no Michael Vick, que até alí só jogava em pacotes Wildcat. Mas o Vick não é exatamente tão novo como o Kolb, os jogadores que deveriam demorar para frutificar acabaram virando jogadores consolidados muito cedo e de repente o Eagles se viu com um novo dilema: insistir na sua reconstrução, correr o risco de perder os melhores anos do Vick e até alguns jogadores na Free Agency, ou então mudar o foco, entender que o elenco está numa boa posição pra disputar o título imediatamente e aí reforçar o time com esse objetivo.

O Eagles optou pela segunda opção. Mandou o Kevin Kolb pro Arizona Cardinals num assalto a mão armada, ofereceu contratos longos pras principais estrelas do time e tratou de usar o teto salarial do time para trazer vários Free Agents veteranos para completar o time em busca de um título, numa clara mostra de que o time está se preparando para disputar e vencer os campeonatos agora. E quando eu digo que o time trouxe vários, quero dizer vários mesmo, foram oito ao todo (Mais o Dominique Rodgers-Cromartie que veio na troca do Kolb)! E não foi só na quantidade que o Eagles se destacou, e sim na qualidade, trazendo o grande prêmio dessa Free Agency, o CB Nnamdi Asomugha, sem falar nos DEs Cullen Jenkins e Jason Babin, outros dois grandes nomes, no promissor DT Anthony Hargrove, e em jogadores veteranos para compor elenco e dar profundidade como o RB Ronnie Brown, o FS Jarrad Page, o OT Ryan Harris e, claro, o Vince Young.

Em termos de talento, esses jogadores dispensam comentários. Quem acompanhou jogos do Raiders (seja torcedor ou masoquista) sabe que o Asomugha é o melhor cornerback da Liga (Eu coloco ele um pouco acima do Darrelle Revis, tanto no subjetivo como no objetivo, ou seja, estatísticas), e tanto o Cullen Jenkins como o Jason Babin são jogadores de nível Pro Bowler se se mantiverem saudáveis. Em termos de talento, o Eagles saiu com o melhor jogador da Free Agency, e mais três grandes outros jogadores, com a possibilidade de subir esse número pra cinco dependendo de como Brown e Young se portarem na Philadelphia com um papel limitado. Mas e na prática, o quanto esses jogadores vão mudar no esquema de jogo do Eagles?

A verdade é, muito. O Eagles de 2010 era um bom time, com um ataque explosivo e um candidato a MVP no Vick, mas o time tinha buracos demais, que foram explorados à exaustão na derrota para o Packers nos playoffs, especialmente na defesa e na linha ofensiva. A linha ofensiva não sofreu grandes alterações, o Danny Watkins (calouro) vai reforçar o miolo e o Ryan Harris vai adicionar profundidade pra unidade. Nesse ponto de vista, o time está apenas adicionando exatamente isso, profundidade, seja com o Harris, seja com Ronnie Brown, que deve ser reserva do McCoy usado mais em wildcats ou terceiras descidas, ou o Vince Young. Depois que o time trocou o Kolb, ficou sem um reserva para o Vick, que não é exatamente um modelo de solidez física, se machuca um pouco demais. Por isso tratou de pegar o Young, que apesar do bom currículo não era desejado por quase ninguém, pra tapar o buraco numa eventual lesão. Mas esses três jogadores serão basicamente reservas, usados em ocasiões específicas de rotação ou em caso de lesões. Não vão alterar o esquema de jogo do time, não vão levar o ataque nas costas e nem vão revolucionar nada por lá.

O que não é o caso da defesa. A defesa do Eagles não foi uma peneira em 2010, mas de longe era uma unidade mais fraca que o ataque. A linha defensiva não conseguia vencer as batalhas em primeiras descidas, a secundária dependia demais das interceptações do Assante Samuel pra conseguir ser relevante e o time tinha uma grande dificuldade em pressionar o QB adversário, na prática o jogo entre Eagles e Packers foi decidido porque o Packers conseguiu colocar muita pressão no Vick e o Eagles não conseguiu sequer chegar perto do Aaron Rodgers. O time dependia demais dos flashes de brilhantismo do Trent Cole pra conseguir alguma coisa na linha de scrimmage, a linha defensiva era uma unidade fraca e que não só não era uma força como as vezes se tornava uma fraqueza a ser explorada, o que é péssimo porque você bota mais pressão numa secundária frágil que dependia demais do Samuel e de um safety calouro que acabou machucando.

Não foi a toa, portanto, que essa foi a unidade que o time mais adereçou na Free Agency. Trouxe o Jason Babin, que teve 12,5 sacks e que é uma força dominante vindo da lateral da linha defensiva, para fazer par com o Trent Cole ou então liberar o Cole de vez para jogar de OLB colocando o Juqua Parker (que já era do time) ou o recém chegado Cullen Jenkins para jogar do outro lado. O Jenkins tem outra grande vantagem, porque ele é capaz de jogar tanto na lateral de DE como no meio de DT, tem força, tamanho e velocidade para ambas as funções, o que vai dar ao Andy Reid uma variedade enorme na linha defensiva, que também teve uma adição importante no Anthony Hargrove, uma pequena âncora no meio da linha defensiva que é excelente segurando a corrida. Uma unidade que dependia exclusivamente de um jogador de repente virou uma unidade forte, profunda e com muita versatilidade para implementar diferentes movimentações e formações, uma unidade que tem ao mesmo tempo ótimos jogadores para chegarem no QB adversário como também fortaleceram o meio pra evitar as corridas em primeiras descidas ou as escapadas dos QBs mais rápidos como Rodgers.

Geralmente melhorar a linha defensiva, e em especial o pass rush, como foi o caso do Eagles, é algo que já tira muita pressão da sua secundária, porque você tira tempo do QB, diminui o número de passes que sua secundária vai ver, os passes são mais apressados e menos precisos e isso faz com que uma secundária fraca possa ser eficiente o suficiente para não comprometer. Mas o time ainda adicionou o melhor CB do jogo no Asomugha, trouxe o ótimo Dominique Rodgers-Cromartie no assalto a mão armada na troca do Kolb e, em questão de dois dias, montou uma das melhores (talvez a melhor) dupla de cornerbacks da Liga. O Asomugha é um shutdown corner, aquele estilo Revis que gruda em um jogador e tira ele do jogo completamente. Como ele não ficava fixo em um jogador e muitas vezes deixava a marcação individual para cobrir a zona na defesa do Raiders, ele não chama tanta atenção como o Revis, mas os números do Asomugha são ainda mais assustadores e quem já viu ele jogar sabe que é impossível acertar um passe contra ele. O Rodgers-Cromartie é mais um playmaker, o jogador que intercepta passes e corre pelo campo, é uma dupla que se completa perfeitamente e vai tornar a secundária do time uma unidade ridicula. Lembrando que, enquanto ele não for trocado (se for), o time ainda tem o Samuel, que foi um dos líderes do ano passado em interceptações, também é um playmaker e se ficar no time vai acabar achando espaço em jogadas de nickel ou pacotes diferenciados.

Em resumo, a linha defensiva era fraca e não conseguia chegar no QB, agora é forte, profunda e tem um pass rush muito mais forte. A secundária era fraca e dependia demais de um jogador, agora tem a melhor dupla de cornerbacks da Liga e um RESERVA que é um Pro Bowler que seria titular em qualquer outro time da Liga. Não é a toa que esse time ta recebendo tanto hype na offseason, o time montou uma defesa inteira praticamente só com Pro Bowlers da Free Agency juntando aos poucos bons jogadores que já tinha. O ataque, que era de outro mundo, ficou mais profundo, e a defesa que era o ponto fraco agora é forte demais, tem mais Pro Bowlers do que qualquer outra e ainda tem uma moeda de troca muito valiosa no Assante Samuel (Sem falar no Nate Allen um ano mais maduro e recuperado da lesão). Se é pra falar de um time que não perdeu jogadores importantes e ainda adicionou talento o suficiente pra ter uma defesa tão pentelha como essa, esse time é um dos grandes vencedores do Draft.

Isso quer dizer que o time vai ser campeão do Super Bowl, conseguir 19 vitórias e o Michael Vick vai pegar a Kim Kardashian? Claro que não. O time mudou seu coordenador defensivo, a defesa é praticamente toda composta de jogadores que nunca jogaram juntos, o que vai fazer com que o time demore pra se achar, demore pra se entrosar e tenha alguns problemas na hora de usar todo o talento que juntou. Além disso, o time depende muito de jogadores com saúde questionável, a começar pelo Vick (Algum torcedor do Eagles ficaria confortável vendo o Vince Young entrando num jogo de playoff perdendo por cinco faltando dois minutos?). E claro, futebol americano é tão imprevisível como qualquer outro esporte, monter um time cheio de estrelas não garante vitória antecipada, o Miami Heat descobriu isso a duras penas esse ano. Mas que pelo menos no papel, na quantidade de talento que o time adicionou e no fato do time ter transformado sua defesa anêmina numa unidade profunda, forte e com uma das melhores secundárias na Liga, o Eagles foi o grande vencedor dessa offseason.