Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Palpites para a semana 7 da NFL

Para os que não sabem, eu estou no momento no último semestre da faculdade. E portanto, estou prestes a entregar o meu TCC e, se tudo der certo, me formar. Acontece que alguém na faculdade pensou que era uma boa ideia antecipar em 40 dias a data de entrega do TCC, e avisar todo mundo faltando um mês. Ou seja, estou totalmente sem tempo até depois do feriado do dia 15 porque vou ter que correr demais com esse projeto. 

Por isso, até acabar o TCC, o blog só vai ter um post por semanas, justamente os palpites pra NFL quinta ou sexta. Foi mal, mas eu tenho que me formar, então o blog vai ficar nesse estado nas próximas semanas.

E btw, eu sei que não postei os palpites aqui semana passada, mas meu record (8-6) da semana passada veio do Pick'em do site da NFL (que sao iguais aos que eu coloco aqui sempre). Vamos a isto, time da casa em caixa alta...




NINERS ganha do Seahawks

Eu geralmente sou um pouco... Hmm... Extremista quando lido com meu Niners, então leiam isso tudo com um grão de sal. Mas será que o Niners não está sendo um pouco overrated essa temporada? Será que não tomamos as vitórias contra Packers e Lions como maiores do que foram de verdade por conta das boas temporadas dos dois no passado, e acabaram sendo um pouco enganosas? Ou será que o Niners só teve um jogo onde tudo deu errado (e deu) contra um grande time? Não me perguntem, eu não sei e talvez não queira saber. Mas a forma como o Niners foi fisicamente dominado contra o Giants surpreendeu e preocupou, ainda mais com outro time físico como o Seahawks chegando na cidade. O Pass rush do Niners está mais fraco, a secundária está cedendo muitos passes, e pela segunda vez o Niners não pareceu o time de 2011 que deu tão certo. Eu estou pessimista pro resto da temporada.

Mas também jogamos em casa com um "Eff-You" edge, e em quatro jogos de temporada regular depois da uma derrota sob Jim Harbaugh, o Niners cedeu apenas 11 pontos... Totais. Então acho que sobrevivemos a esse jogo. Por pouco.


BILLS ganha do Titans

Sim, eu não confio no Titans nem um pouco. Não, eu não confio no Bills apesar deles, do Jets, do Patriots e do Dophins estarem empatados com 3-3 na liderança da divisão. Then again, depois que o Bengals mostrou mais uma vez que estão bem mais fracos que ano passado e o posto de "Bom time ruim" ficou oficialmente vago, pra mim os três da AFC East (Jets, Bills e Dolphins) estão na briga por esse título duvidoso. Meu dinheiro ultimamente está no Dolphins, especialmente depois da semana passada, mas o Bills tem feito um bom trabalho contra times ruins... E o Titans é um time ruim.

(Dito isso, tem adversário melhor que o Bills pro Chris Johnson jogar bem? Jets, talvez? Escale ele no seu time de fantasy... Tipo, agora!)


Cowboys ganha do PANTHERS

Lembra quando o Ryan Kahil, C do Panthers, disse na offseason que o time ia ao Super Bowl? Bom, o time fede e o Kahil está no IR com uma lesão no pé. A única dúvida aqui é porque o Kahil não foi parar no IR quando disse essa besteira com uma lesão no cérebro, mas enfim.

Eu não sou fã desse time do Dallas, acho que eles ainda se autodestroem um pouco demais pro meu gosto, o Jason Garrett é um técnico bem meia boca (com um tempo pra pedir e na linha de 34 jardas - um FG de 51 - porque não tentar uma jogada rapida pra tornar a tarefa mais fácil pro seu Kicker??) mas eles tem talento dos dois lados da bola e o Panthers tem mostrado enorme imaturidade nessa temporada (a começar pelo Cam Newton, grande decepção até aqui). Mesmo com o Demarco Murray com uma lesão no pé, acho que o Dallas consegue atropelar o Panthers fora de casa. Se o Tony Romo ajudar...


TEXANS ganha do Ravens

O Texans ganha a vantagem nesse duelo de favoritos por três simples motivos. Primeiro, eles são muito mais consistentes que o Ravens, que contou com a sorte e a incompetência do Cowboys pra vencer essa semana um jogo que tentaram repetidamente jogar fora. Segundo, o Ravens não consegue parar o ataque terrestre e o ataque do Texans começa pelo chão com Arian Foster. E terceiro, o Ravens está sem Lardarius Webb e Ray Lewis pra temporada, tem Terrell Suggs ainda voltando de lesão (dizem que pode voltar já essa semana, mas não consigo imaginar ele voltando 100% ou perto disso), e Haloti Ngata e Ed Reed baleados por lesōes menores recentes. Acho que ter seus cinco melhores defensores fora ou limitados por lesōes no lado do Ravens vai pesar mais que o Texans sem Brian Cushing. Some isso ao fator casa, e aposto no Texans. Por pouco.

Btw, será que o Ravens vai sentir tanta falta do Ray Lewis dentro de campo como falam? Tirando a parte de liderança, o Lewis não vinha bem no ano: Depois de um 2011 onde sofreu cobrindo passes, Lewis passou a offseason perdendo peso e ficando mais leve pra conseguir voltar a realizar esse papel. Mas acontece que ele tem 37 anos, e mesmo mais magro ele ainda está penando pra acompanhar o jogo aéreo... Só que agora ele também, com menos massa, está tendo problemas pra passar por cima de bloqueios e não está sendo tão eficiente no jogo terrestre. Alguns até reportam uma certa insatisfação por parte de alguns jogadores de defesa do Ravens com a insistência do Ray Lewis em jogar terceiras descidas de passe mesmo o veterano sendo uma fraqueza nessas situaçōes. Nunca queremos ver grandes jogadores, especialmente quando são a cara de uma franquia como Lewis, acabando a carreira assim com uma lesão grave, mas talvez seja a hora de Lewis parar... E talvez, dentro de quadra, o Ravens não perca tanto assim quanto dizem. 

Com Webb?? Ai é outra história...


COLTS ganha do Browns

Depois de uma vitória emocionante de virada sobre o Packers, dedicada para seu técnico diagnosticado com leucemia, eu tava apostando pesado no Colts pra ser o time que ia aproveitar uma tabela fácil e arrancar uma vaga nos playoffs aproveitando-se da fraqueza na AFC (já disse, 9 vitórias possivelmente da playoffs). Bom, eles perderam muito feio do Jets, e meu entusiasmo esfriou consideravelmente. E o Browns não é TÃO ruim como parece, eles agora tem Joe Haden de volta pra reforçar a secundária, vem de uma boa vitória e deram trabalho recentemente contra os fortes times do Ravens e do Giants. Dito isso, eu ainda acho que o Colts ganha porque joga em casa, mas não me surpreenderia absolutamente ver o Joe Haden trancando o Reggie Wayne e o Colts tendo problemas porque o resto do ataque é uma droga, e com o Brandon Weeden melhorando a cada semana, a secundária do Colts dificilmente vai ser capaz de segurar as pontas por muito tempo. Pressão pro ataque do Colts produzir... Contra uma boa defesa aérea... Vamos em frente antes que eu mude de ideia.


VIKINGS ganha do Cardinals

O colapso do Viks semana passada foi tão previsível que eu nem precisei pensar antes de apostar no Redskins. Mas não se enganem, o Viks ainda é um bom time com uma defesa sólida, um dos melhores pass rushers da Liga no Jared Allen, e um ataque conservador mas eficiente... E por falar nisso, o Cardinals talvez tenha a pior linha ofensiva da NFL, nenhum jogo terrestre e com Kevin Kolb fora, se preparem pra altas doses de John Skelton no Metrodome. Depois de começar 4-0, o Cards vai voltando ao mundo real.


GIANTS ganha do Redskins

O Giants jogou o melhor jogo de qualquer time da Liga na temporada 2012, vem de uma boa sequência, joga em casa contra um time com uma defesa fraca, está com muita confiança e muito hype... Então exatamente por tudo isso eu estou muito - MUITO - descrente quanto a esse jogo.

Todo mundo sabe como o Giants funciona. Quando ninguém acredita neles, todos os desprezam, eles aparecem como zebra... Aí podem fechar o Giants pra um tremendo jogo "Eff-You" e uma vitória convincente. Quando eles são favoritos e tem tudo a seu favor? Hmm... Eu não confio. Simples assim. Então pra variar, estamos na encruzilhada que eu odeio: Ir pela lógica e pegar Giants (um time melhor, jogando em casa, contra uma secundária esburacada e uma defesa que teve vida nova semana passada) ou ir pelo feeling e pela história do Giants e apostar no Redskins?

Eu fui de Giants. E estou quase mudando de ideia. Droga, eu odeio essa pick. Pode pular palpite?

(Ou será que esse cenário de repente faz todo mundo desconfiar do Giants, e por isso eles vão mandar uma performance excelente em casa antes de perder na proxima rodada? Damn, eu odeio o Giants nessas colunas, eles confundem minha cabeça)


Packers ganha do RAMS

Como um time cuja linha ofensiva foi massacrada semana após semana para um inicio de 2-3 (desculpe, 2-2-WTF), e de repente esse time consegue segurar eficientemente JJ Watt e a agressiva defesa do Texans rumo a uma convincente vitória fora de casa? Eu ainda preciso ver mais dessa linha ofensiva antes de acreditar que o Packers sejam pra valer, mas eles ganharam o benefício da dúvida. Mesmo contra uma boa defesa do Rams, eu não confio o suficiente no ataque do Rams pra marcar mais de 14 pontos, e contra Aaron Rodgers apostar num time de placar baixo não é uma boa ideia.


Saints ganha do BUCS

Aos que leram meus palpites do começo do ano, uma nova regra: Não apostar mais no Bucs contra um time decente (especialmente vindo de um bom jogo), especialmente fora de casa. Eu ainda odeio o Saints com seu técnico interino ao quadrado, mas mesmo com a boa vitória sobre Kansas City, eu ainda não consigo me livrar da desconfiança depois de ver o Bucs ferrando dois ou três palpites meus feitos neles. E eles tem a segunda pior defesa aérea da Liga enfrentando Drew Brees. So there.


PATRIOTS ganha do Jets

O Patriots perdeu três jogos por um ou dois pontos de diferença, então me permitam alguma incredulidade quanto ao record de 3-3 do Pats - deveria ser melhor. Dito isso, o time TEM mostrado alguma fraqueza contra adversários medianos (Cards e Hawks, embora Seattle tenha jogado muito bem) no jogo aéreo quando o jogo terrestre não engrena, e eu confio muito pouco na O-Line do Patriots seja pra correr ou proteger o QB. E o Jets tem surpreendido com seu record 3-3 e a liderança da divisão (não, sério, estão 2-0 dentro da divisão!), então eles tem algum momento. Mas a defesa tem melhorado  contra o jogo terrestre, embora contra o jogo aéreo continue bem fraca, e o Jets é um time que fica perigoso quando consegue correr com a bola e libera o Mark Sanchez pra lançamentos em conversōes curtas e play actions. E btw, o Jets tem uma das piores defesas terrestres da NFL. Então o Pats tem a vantagem do confronto e joga em casa. E ainda tem Tom Brady.

Comentario rapido sobre o Jets: Sou só eu, ou eles estão perdidos com Tim Tebow? Cada vez que vejo ele jogando de WR, RB ou ST, eu não consigo deixar de pensar que o Jets está simplesmente fazendo jeitos escrotos pra colocar ele em campo. Não preciso dizer o quanto eles estão usando mal o Tebow, mas isso me irrita: Não quer colocar ele de titular, ótimo... Mas então deixa ele no banco e pronto, no máximo usando em alguns wildcats. Precisa dessa brincadeira idiota de usar ele de qualquer forma possível só pra colocar ele em campo?


RAIDERS ganha do Jaguars

Esse jogo vai ser péssimo. Aconteça o que acontecer, fujam dele. Não vou gastar mais do que algumas palavras aqui: Fedem. Corridas. Defesas ruins. Fator casa.


Steelers ganha do BENGALS

O jogo secretamente ruim da semana: O Steelers nem de longe é o bom time que já foi, estando 2-3 e vindo de derrotas pra Raiders e Titans. Ao mesmo tempo, o Bengals teve um 3-3 motivado por jogos muito favoráveis, mas foram expostos em sua fragilidade pelo Dolphins (que por ora herda o título de "Bom time ruim" da NFL) e pelo Browns. Mas acreditem quando eu falo que eu acho que esse jogo vai ser bem fraquinho e feio. Acho que o Steelers ganha porque tem uma defesa um pouco melhor (a do Bengals é uma peneira) e porque eles devem vir motivados pra partida.


BEARS ganha do Lions

Talvez o Lions seja UM POUCO melhor do que a gente tenha falado recentemente depois de começar o ano 1-3, o que não faz deles um time bom. Enquanto isso, o Bears tem tido muita sorte na defesa com todos esses turnovers, recuperaçōes de fumble e touchdowns, e está fadado a regredir cedo ou tarde, mas ainda tem uma defesa forte e muito agressiva que está sempre buscando a bola... E digamos que o Lions tem ajudado um pouco as defesas adversárias a fazerem isso recentemente. O Bears teve, em cinco jogos, uma vitória muito feia (Rams), uma derrota mais feia ainda (PAckers), e três vitórias massacrantes sobre adversários mais fracos graças principalmente a sua defesa. Então eu ainda não me sinto seguro pra cravar qual é o verdadeiro Bears que vamos ver daqui pra frente, se eles são mesmo um favorito ao título com forte defesa e ataque sólido ou se sua inconsistência vai ser a marca registrada da temporada. Por enquanto, eles ganham o benefício da dúvida, e sinceramente pode cair pra qualquer lado. 


Week 6: 8-6
12' Season: 52-39-WTF

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pseudo - Mailbag: O que faz um MVP

"Erguei as mãos e dai a glória a Deus!"

Pra quem acompanha o blog já faz algum tempo, eu já tentei fazer algumas vezes Mailbags, quando vocês mandam email pro tmwarning@hotmail.com e eu respondia aqui no blog pra dar opiniōes ou tirar dúvidas. O primeiro até deu certo, mas depois não pegou e toda vez que eu sugeria um mailbag, tinha email de menos pra fazer um inteiro. Então eu acabei desistindo e me acostumei a responder os emails que nos enviavam pelo próprio email e pronto.

Até que eu recebi um email recentemente do leitor Luciano Diaz perguntando o seguinte:

"Comecei a assistir baseball ano passado, e fiquei impressionado com a temporada que o Mike Trout teve esse ano. Mas toda vez que eu vejo algum comentário sobre o MVP da temporada, todo mundo fala que o Trout não pode ganhar o prêmio pois seu time não foi aos Playoffs. Isso não é injusto com o jogador que joga em um time ruim?"

Perfeito, era exatamente a desculpa que eu precisava pra fazer um post de 5000 palavras sobre quem foi o MVP da MLB essa temporada. E sim, vamos falar da AL como foco, mas não nasci com o dom da síntese, então tambem vou dar rapidos comentarios pro MVP da NL. 

Mas sobre a excelente pergunta do Luciano, eu achei interessante porque é um tema de intenso debate nas discussōes sobre MVP não só na MLB, como em todas as outras. Colocando a pergunta em outras palavras, "Até que ponto a performance do time deve afetar um prêmio individual?".

Eu não sei porque, mas eu sempre gostei do prêmio de MVP. Não acho tão legal na NFL, onde você tem uma posição que claramente é mais importante que as outras (Quarterback) e isso sozinho já cria um viés para toda a votação... E pra mim, a NBA é de longe a mais legal e mais interessante por parte do prêmio de MVP: Cinco jogadores em quadra, todos jogam contra todos ao mesmo tempo, todos jogam ataque e defesa, todos afetam o jogo de diversas formas, e em geral é fácil identificar o jogador mais valioso. E como o basquete é um jogo tão subjetivo, muitas vezes o jogador mais valioso não é o melhor, e essa diferença eu acho muito interessante. Em 2011, por exemplo, eu votei (e ainda voto) no Derrick Rose pra MVP por causa do seu impacto no time que ia muito além de estatiísticas ou jogo individual. O melhor jogador da NBA provavelmente foi Lebron James de novo, mas ele não era mais importante subjetivamente, em liderança e tudo mais, pro Heat do que Wade - tire Lebron do Heat 2011, coloque um ala mediano (Caron Butler?) no lugar e o time não perderia o ritmo. Troque Derrick Rose por Raymond Felton e o Bulls não passaria de 40 vitórias.

Pra MLB, o prêmio de MVP pode ser muito interessante ou muito chato. Afinal, o esporte todo pode ser medido e capturado em estatísticas fáceis de entender que nos dão muito aproximadamente o valor de cada jogador em cada aspecto do jogo (e sim, no geral também), o que ao mesmo tempo pode acabar com qualquer conversa ou começar uma nova. E a que fica, dessa vez (e ano passado também) é a do Luciano: Até que ponto a performance coletiva da equipe deve afetar um prêmio individual no esporte coletivo mais individual do mundo?

Pra conhecer melhor as estatísticas que usamos nesse post, recomendo ler esse aqui antes


Major League Baseball 2012 MVPs

Antes de nos perguntarmos "Até que ponto o desempenho do time deve afetar o julgamento da performance individual de um jogador num prêmio de MVP", a primeira pergunta que vem é... O desempenho do time DEVERIA afetar o valor individual de um candidato a MVP?

A minha resposta particular e curta: Sim. Porque o prêmio não se chama "Melhor jogador", e sim "Jogador mais valioso". Propositalmente, a interpretação de "Mais valioso" é deixada para quem vota, de forma a estimular discussōes na mídia e afins por parte dos votantes, e não existe nenhuma determinação "oficial" de como deve ser conduzida a votação. Mas pra mim, existe uma diferença entre aquele que é o melhor jogador, o que mais se destacou e produziu individualmente, e aquele que foi o mais valioso para o seu time.

Claro, esse tipo de diferença é mais fácil de notar em um jogo como basquete, que depende muito mais da influência que cada jogador tem nos seus companheiros. Por exemplo, Wilt Chamberlain tinha uma produção individual acima de qualquer jogador da Liga, mas Bill Russell tinha um efeito um milhão de vezes maior nos seus companheiros e nos seus times, e por isso ganhava o MVP todo ano (e sim, o título também). No baseball, um esporte individual disfarçado como esporte coletivo, esse efeito nos companheiros é muito menor e, quando existe (raro), difícil de observar.

E aí que entra minha interpretação pessoal de mais valioso. Porque o problema são essas duas palavras... "mais valioso". Não melhor, mas mais valioso... Pro seu time, acredito. Pra mim, o mais valioso é aquele que mais adiciona valor a alguma coisa que TENHA um valor próprio relevante. Por exemplo, vamos pegar a temporada passada da MLB como exemplo. Os dois melhores jogadores da temporada individualmente foram Jacoby Ellsbury e Jose Bautista, mas tanto Red Sox como Blue Jays perderam os playoffs (O Red Sox depois de um colapso nos jogos finais da temporada regular, o Jays ficou nos 50% a temporada toda). Enquanto isso, você tinha Justin Verlander tendo uma temporada ligeiramente inferior a esses dois, mas sendo o melhor e mais importante jogador de um time do Tigers que arrancou uma vaga na AL Central e chegou nos playoffs com status de candidato ao título. Então individualmente, Bautista e Ellsb foram melhores que Verlander. Mas se tirassemos Ellsb e Bautista dos seus times antes da temporada (ou na metade), o destino de Sox e Jays não teria mudado (e o Red Sox provavelmente não teria sido tão bom a temporada inteira pra ter um colapso histórico pra sofrer em Setembro) e ambos os times continuariam de fora dos playoffs. Mas sem Verlander, o Tigers estaria condenado ao quarto lugar na AL Central e total esquecimento. Por causa de Verlander, o Tigers ganhou a divisão, chamou a atenção da Liga inteira e virou o time que ninguém queria enfrentar em uma série. Pra mim, isso significa que ele foi mais valioso pro Tigers do que Ellsb e Bautista pra Sox e Jays - A presença dele teve um efeito muito maior no destino do seu time na temporada.

Por esse motivo, eu votei em Verlander pra MVP em primeiro, Ellsbury em segundo, e Evan Longoria em terceiro (perdeu boa parte da temporada, mas quando voltou foi o maior responsável por levar o Rays aos playoffs). O que não significa que as temporadas de Ellsbury e Bautista não foram valiosas ou não tiveram valor, é claro. As duas tiveram um grande valor, com certeza, mas a presença de Bautista fazendo o Jays ser 81-81 ao invés de 72-90 fez uma diferença muito menor do que Verlander levando o Tigers de 81-81 a 92-70, ganhando a divisão e transformando o Tigers em uma força na AL. Por mais que dois jogadores valham, digamos, 9 vitórias a mais pros seus respectivos times, essas 9 vitórias fazem uma diferença muito maior em um time que vai de 85 vitórias pra 94 e um que vai de 71 pra 80 vitórias. Por isso pra mim a diferença entre "melhor" e "mais valioso". É injusto "penalizar" um jogador pela performance do seu time, mas essa é minha interpretação, e afinal o que vale no final é aonde o time chegou: Ellsbury foi o "Melhor Jogador da MLB" em 2011... Mas Verlander foi o Jogador Mais Valioso da MLB em 2011.

Nesse contexto, e ainda de acordo com minha opinião, o MVP pode ir para um jogador de um time que não foi aos playoffs (afinal, sua temporada também teve seu valor) ou um time inferior de acordo com duas situaçōes: a) caso esse jogador tenha sido claramente muito superior  a todo o resto; e b) caso não haja um claro candidato num time que foi aos playoffs e que possa reclamar o prêmio. O peso de cada um desses pontos depende, claro, da situação em questão e é subjetivo a cada pessoa.

O que nos leva a Mike Trout. Trout, CF calouro do Los Angeles Angels (89-73, 4 jogos atrás do Wild Card de Rangers e Orioles), foi o melhor jogador dessa temporada por qualquer critério, na AL ou na MLB inteira. Na AL, ele foi o segundo em aproveitamento (.326) e terceiro em OBP (.399) e slugging (.564). Ele também liderou a MLB inteira em roubos de base (49) e foi o jogador que mais criou corridas com suas pernas (12.1, contra 8.0 do segundo colocado) na Liga, e foi um dos 20 melhores defensores de toda a MLB em UZR (10.6) mesmo jogando menos de 140 jogos (Trout também foi o líder em Home Runs roubados na MLB, com quatro, empatado com Coco Crisp). Ele se tornou o primeiro jogador na história da Liga a rebater 30 HRs, roubar 45 bases e anotar 125 corridas na mesma temporada... E ele fez tudo isso como calouro aos 21 anos. Mesmo jogando o começo do ano na Triple-A e jogando 139 jogos no total, Mike Trout terminou com o maior WAR de toda a MLB, 10.0, muito acima do segundo melhor (Buster Posey, na NL, com 8.0) e do segundo melhor da AL (7.8 - segure essa mais um pouco).

Historicamente, a temporada de Trout foi tão dominante que o último jogador a conseguir um WAR tão alto como o de Trout foi... Wait for it... O rei dos esteróides, Barry Bonds, que conseguiu 11.9 em 2004 (Btw, não tem como não achar algo errado aqui. Bonds rebateu .365/.609/.812 com 45 Home Runs... Aos 40 anos. Parece legítimo!). Descontando as temporadas obviamente dopadas de Bonds e Sammy Sosa, o único jogador desde 2000 a conseguir um WAR acima do de Trout foi Albert Pujols em 2003 com 10.1 (a melhor temporada da carreira de um jogador que muitos dizem que estará entre os melhores de todos os tempos quando se aposentar). Se você está contando, nessa temporada Trout foi a) O melhor jogador ofensivo da MLB (já chego lá); b) O jogador que mais diferença fez com as pernas; c) Um dos melhores defensores da sua posição na Liga; e d) Teve o maior WAR de toda a MLB por muito... E teve a temporada individual mais dominante da década (sem esteróides) depois de Pujols em 2003 (que jogou mais jogos, se normalizar por jogos Trout passa aquela marca). Pra mim qualifica como "Uma temporada claramente muito superior a todos os outros".

Agora vamos olhar pro jogador que muitos colocam como o MVP da temporada no lugar de Trout, Miguel Cabrera. Miggy virou a história do final da temporada, quando seus números permitiram que ele brigasse pra conquistar a Triple Crown, ou Tríplice Coroa (quando um rebatedor consegue a melhor marca da AL/NL nas três categorias estatísticas tradicionais, aproveitamento, Home Runs e RBIs), algo que não acontecia desde o lendário Carl Yastrzemski, AKA Yaz, do Red Sox, em 1967 (também conhecido como os Red Sox do Impossible Dream, ou Sonho Impossível). Muitos dizem não só que o Miggy merece o MVP pelos seus números ofensivos (.330/.393/.606, 44 HRs, 139 RBIs) e por jogar em um time de playoffs, mas alguns até chegam ao limite herético de dizer que ele foi melhor que o Mike Trout! Seu WAR? 7.1... Terceiro na AL depois de Trout e... Wait for it... Robinson Cano, com 7.8!

Eu já passei um post inteiro falando de estatísticas no baseball, e acho que não preciso repetir aqui porque a Triple Crown se baseia em estatísticas muito primitivas, e como HR e aproveitamento são duas medidas extremamente limitadas para medir o impacto de um jogador no bastão (OBP e SLG são muito melhores), e especialmente em como RBI é a estatística mais estúpida do Baseball e que não serve pra absolutamente nada por ser muito mais determinada pelo time que pelo jogador. Então por mais que simbolicamente a Triple Crown seja impressionante e um feito que não era alcançado em 45 anos, ela não pode ser usada pra justificar Miggy como MVP ou como melhor rebatedor da AL. Pra isso, vamos recorrer às estatísticas corretas pra verificar se Miggy foi mesmo, como se clama, o melhor rebatedor da Liga.

Na AL, Miggy foi o primeiro em aproveitamento (.330, logo acima dos .326 do Trout), quarto em OBP (.393, logo atrás dos .399 do Trout) e primeiro em Slugging (.606, dois acima do Trout, com .564). Comparativamente com Trout, sua stat line indica que ele teve uma temporada rebatendo, estatísticamente, UM POUCO superior, .330/.393/.606 contra .326/.399/.564. Como a mais importante das três é OBP, essa distância entre os dois é bem próxima nos números brutos, mas Cabrera seria um rebatedor um pouco melhor, certo?

Até que lembramos que, por mais que Cabrera jogue metade dos seus jogos num estádio mais favorável a arremessadores, ele ainda é consideravelmente mais favorável aos rebatedores do que o estádio do Angels, onde Trout jogou metade dos seus jogos. E como sabemos, o estádio influencia bastante, seja por clima, dimensōes, aberto ou fechado, etc. Enquanto o Comerica Park do Tigres é um estádio ligeramente abaixo da média para rebatedores, o Angels Stadium é o quarto pior estádio para rebatedores. E se você não pensa que isso influenciou os números brutos de Cabrera e Trout... bem, pense de novo. Usando duas estatísticas avançadas que levam em conta o estádio (OPS+, que eu já expliquei no outro post; e wRC+, Weighted Runs Created Plus, uma estatística que mede produtividade ajustada por estádio que é pouco intuitiva e por isso ficou de fora do post sobre estatísticas), o resultado é interessante: Trout lidera a Liga em OPS+ com 169, logo na frente do segundo colocado Cabrera, com 167. Em wRC+, Trout é o primeiro da Liga com 166, e Cabrera o segundo com 165. Até em wOBA (Weighted On Base Average) temos Trout em primeiro (.421) contra Cabrera (.417) em segundo. Então quando consideramos todos os fatores, incluindo estádio, temos que Trout foi o melhor rebatedor de toda a MLB, melhor que Cabrera ou qualquer outro. Por pouco... Mas melhor. Junte a isso o fato de que Trout é o sexto melhor defensor da AL (enquanto Miggy, com -10.0, é o pior 3B defensivo de toda a MLB) e o fato de que Trout foi o melhor jogador em bases da MLB (12.0) enquanto Miggy foi bem abaixo da média (-2,8)... E não tem a menor dúvida de quem foi o melhor jogador, por muito. Trout foi o melhor rebatedor por pouco, e aniquila Miggy com suas pernas e sua luva. Não tem - ou não deveria ter - conversa sobre quem foi o melhor.

E aí entra o fator time. Trout foi de longe o melhor jogador da MLB nessa temporada, mas o Angels caiu antes dos playoffs, enquanto o Tigers ganhou a divisão e foi aos playoffs (curiosamente, ganhando um jogo a menos que o Angels, 88 a 89). Isso é suficiente pra tirar o MVP de Trout e dar pra Cabrera?

E eis porque eu não aceito dar o MVP pro Cabrera: A meu ver, Cabrera não foi nem o principal jogador do seu próprio time. Pra ser um MVP (especialmente sobre um ano excepcional como o de Trout sob o argumento de que ele jogou num time de playoffs), você tem que fazer uma absoluta diferença no seu time acima de todos os outros na equipe, você tem que ser o jogador mais indispensável do time... Mas não foi o caso com Miggy. O jogador mais indispensável da equipe era Verlander, e é difícil falar que Miggy foi tão mais importante do que seus companheiros quando Prince Fielder (lider da MLB em OBP) e Austin Jackson (5.5 WAR, .377 OBP) também tiveram temporadas memoráveis. Não tão boas como Miggy, mas suficientemente boas pra justificar quando eu digo que Cabrera teve muita ajuda do seu time.

Inclusive, a temporada ofensiva do Miggy não foi tão boa quanto ela pareceu a primeira vista: Na verdade, foi a pior das suas últimas três temporadas (seu wRC+ de 165 foi menor que o 171 de 2010 e o 177 de 2011), ele teve o seu pior OBP em três anos (.420 e .448 em 2010 e 2011), seu aproveitamento caiu de 2011 (.344) e seu SLG caiu de 2010 (.622). Então a sua Triple Crown não veio  às custas de um salto de produtividade no bastão, pelo contrário, seu desempenho foi ligeiramente inferior ao dos dois ultimos anos (quando não entrou no top3 na votação pra MVP), com sua TC vindo mais do desempenho dos demais jogadores. E Cabrera não levou exatamente nas costas um time inferior, ele teve muita ajuda dos seus companheiros e não foi nem o jogador mais importante do seu próprio time. Ainda que indiscutivelmente Cabrera tenha tido uma ótima temporada, não consigo dizer que ele foi o MVP nessas circunstâncias. Mesmo raciocinio para o Cano, segundo melhor WAR da AL... Ele foi o melhor jogador do melhor time da AL, mas o Yankees é um time tão cheio de grandes jogadores e todos eles contribuem de forma tão importante e variada pra equipe que é difícil apontar um jogador só como sendo o mais valioso ou mais indispensável pro time. O Yankees poderia sobreviver a uma lesão de um mês do Cano? Hmm... Yeah, na verdade sim, porque tem muitos outros jogadores pra compensar sua ausência. Ele era o melhor, mas não indispensável.

Por isso tudo, pela absoluta dominância e números históricos do Trout, e pela falta de outro candidato claro nos demais times de playoffs da AL, eu tenho que ignorar aqui os times que foram aos playoffs e quais não foram e dar o prêmio pro jogador que foi de longe o melhor da MLB em 2012: Mike Trout, você é meu 2012' AL MVP.

Rapidamente, pra terminar, na NL não tem nem discussão pro MVP a meu ver. Entre os cinco candidatos (Buster Posey, Ryan Braun, David Wright, Chase Headley e Andrew McClutchen), apenas Posey jogou em um time que foi aos playoffs. Posey lidera a NL em aproveitamento, OBP e é o terceiro em SLG. Ele lidera a NL em wRC+ junto com Braun (162) e tem o maior wOBA. Ele também lidera a NL em WAR (8.0, contra 7.9 de Braun). Ou seja, Posey é o melhor jogador ofensivo da NL junto com Braun, e o melhor catcher defensivo da Liga não chamado Yadier Molina. Além disso, ele é o único candidato aos playoffs da NL que levou o time aos playoffs, pegando fogo quando o Giants mais precisou: Quando o time perdeu Melky Cabrera pra suspensão, Posey assumiu a liderança do time, rebateu mais de .400 AVG. e .450 OBP no final do ano (pós-All Star Game) e levou o ataque da equipe nas costas pra um título de divisão. Então Posey foi o melhor jogador da NL, melhor jogador ofensivo, excelente jogador defensivo, jogou num time de playoffs e ainda pegou fogo quando seu time mais precisou... E ainda joga no time do meu pai! Tem alguma discussão aqui? Buster Posey, 2012' NL MVP.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Palpites para a Semana 5 da NFL

Para quem não esteve ligado, o TM Warning viveu alguns dias agitados. Ontem mesmo tivemos um novo capítulo do Especial NBA - Isiah Thomas e Magic Johnson. E hoje cedo, colocamos no ar um podcast sobre os playoffs da MLB, com um pequeno preview das primeiras rodadas e palpites pro resto dos playoffs.

Bom, mas hoje também é sexta, o que significa que vamos ter três posts em dois dias, porque ta na hora dos palpites da rodada.

Como o tempo ta um pouco curto e eu já trabalhei muito no blog nesses últimos dias, não vou gastar mais do que o necessário em cada jogo, até pra ficar uma leitura mais ágil e dinâmica. Semana que vem a gente retoma o formato absurdamente longo habitual.

Entao vamos aos palpites, time da casa em caixa alta...


RAMS ganha do Cardinals

Esse palpite foi feito quinta feira antes do jogo via twitter (se não acreditam, só olhar meu pick'em no site da NFL), e escolhi Rams por uma série de pequenos motivos: Jogava em casa; a defesa do Cardinals estava desfalcada; a defesa aérea do Cards vinha de ceder mais de 400 jardas pro Ryan Tanehill; o Rams vinha de um bom jogo; e o Rams tem uma boa secundária, somado ao fato de que Kevin Kolb ainda não tinha sido Kevin Kolb na temporada, achei que era o jogo ideal pro Kolb ser ruim e o Rams ganhar por conta dos turnovers.

Bom, Kolb não lançou um monte de interceptaçōes como eu achei que iria, mas jogou mal, a linha ofensiva do Cardinals foi patética, o time de Arizona chamou uma péssima jogada numa 4th down crucial, e basicamente jogou muito mal o jogo todo. Nao que o Rams tenha jogado muito bem, mas uma bomba do Sam Bradford (que tambem nao foi bem) e a boa atuação da defesa selaram o jogo. Acho que todo mundo viu que o Cards é ok, mas não é tudo isso, né? E pensar que teve gente na NFL.com que disse que o Cardinals ia pro Super Bowl.

Btw, nenhum ataque passou das 280 jardas TOTAIS na partida, e o melhor jogador do ataque do Rams (Danny Amendoala) quebrou a clavícula. Numa nota relacionada, o jogo foi péssimo. Quem diria?


BENGALS ganha do Dolphins

O Dolphins é melhor do que muita gente esperava antes da temporada começar, mas ta longe de ser um bom time, Ryan Tanehill provavelmente vai exagerar na confiança e fazer um monte de besteiras, e o Bengals depende pouco do seu jogo terrestre (o que significa que a forte defesa terrestre de Miami naão vai ter tanta utilidade). Ao mesmo tempo, o Bengals é o "bom time ruim" da temporada 2012 da NFL: Aquele time que não é um grande time, mas que é consistente e consegue uma boa temporada vencendo todos os times inferiores do calendário. A defesa do Bengals sentiu demais a perda do seu Coordenador defensivo do ano passado e anda muito problemática, e o ataque terrestre não mostrou muita força, mas com um bom ataque aéreo e alguma consistência, eles tem aproveitado um calendário fraco pra começar bem a temporada. Enquanto o calendário continuar favorável, espero que o Bengals continue ganhando.


Packers ganha do COLTS

O Packers deu mostra de ser o velho ataque sobrenatural contra o Saints, mas infelizmente, era contra o Saints, então ainda é pouco pra ter alguma confiança na volta desse ataque. Numa nota relacionada, o Packers ainda tem Aaron Rodgers, então Green Bay não vai entrar em desespero tão cedo. Espero o Packers bom o suficiente pra vencer um fraco time do Colts, embora seja o tipo de jogo que eu odiaria apostar contra um Spread de, digamos, 7 pontos a favor de Green Bay, acho que o Lucas Oil Stadium e  Andrew Luck contra uma defesa suspeita podem manter esse jogo mais apertado do que deveria. 


Ravens ganha do CHIEFS

Então... O Chiefs meio que fede. E o Ravens, apesar das dificuldades contra o Browns semana passada e de uma defesa aérea que tem jogado muito mal, ainda é um excelente time com um bom ataque e uma boa defesa terrestre... E o Ravens não vai perder seu sono por causa dos passes do Matt Cassell tão cedo por mais que tenham visto Mick Vick e Brandon Weeden ter grandes jogos pelo ar contra suas defesas. Hmm, pensando bem, isso é um mau sinal. Mas não o suficiente pra me fazer mudar de ideia, ainda acho o Ravens o segundo melhor time da AFC atrás do Texans até o momento. E o Chiefs um dos três piores.


GIANTS ganha do Browns

Outra chance interessante pro Brandon Weeden causar estrago, dessa vez contra uma secundária muito desfalcada do Giants, especialmente se a decepcionante-até-aqui linha de frente do Giants (que no papel devia ser uma das melhores da NFL) continuar sem se achar dentro de campo. Ainda assim, o jogo é no MetLife Stadium e o Giants tem muito mais talento que o pobre Browns, que ainda estará sem o ótimo Joe Haden, suspenso. Não acho que o Giants vai ter dificuldades aqui.


STEELERS ganha do Eagles

Ainda não gosto muito do Steelers, ainda acho que a idade e as lesōes vão atrasar muito esse time, e acho que o ataque vai ser bem atrapalhado pela falta de uma linha ofensiva ou jogo terrestre (ou seja, mais um ano deitado na grama para o Big Ben). E eu sei que o Eagles está 3-1, mas não tem mostrado futebol americano pra isso, pelo contrário, tem perdido a bola muito ultimamente. Contra o Giants, uma vitória apertada às custas da incompetência do Tou Coughlin e de um erro de field goal no ultimo segundo, eles conseguiram passar o jogo todo sem cometer turnovers e isso ajudou em muito o Eagles a sair com a vitória, mas ainda parece a exceção e não a regra. 

Mas mais importante, o Eagles precisa dar um jeito (AKA um cérebro pro Andy Reid) de dar mais toques na bola pro LeSean McCoy. Nos três primeiros jogos do time, ele encostou menos de 20 vezes na bola, o que é ridiculamente pouco pra um dos melhores RBs da Liga. Contra o Giants, ele foi o principal jogador do time no segundo tempo passando de 100 jardas (só no segundo tempo) e fazendo várias jogadas explosivas. Além disso, a bola nas mãos de McCoy tira a pressão do Vick e pode ajudar o time a controlar os turnovers. Será que a vitória sobre o Giants ensinou a lição ao time?

*pensando*

Naah, eu duvido. O Andy Reid é teimoso demais. Por isso e pelo fato do Steelers jogar em casa, e pelo fato de que o Eagles é bem mais frágil do que seu 3-1 indica, eu vou com os metaleiros.


REDSKINS ganha do Falcons

Bom, meu amigo Bells palpitou essa semana que os três invictos iam cair. Eu não sou tão ousado, especialmente porque não vejo o Jets ganhando do Texans, mas acertei com Rams e acho que o Redskins tem uma chance.

O Falcons não pegou grande dificuldade até aqui, mas pegou times decentes com vitórias sobre o Chargers e talvez o Broncos. Mas eles mostraram fragilidade contra QBs atléticos (especialmente pela falta de pass rush) semana passada e só ganharam porque o Ron Rivera tomou uma péssima decisão de dar um punt numa 4th and 1 no final da partida passada. Acho que o Falcons é melhor do que aquilo, mas contra outro time com um QB atlético, fora de casa, e depois de Robert Griffin me impressionar mais uma vez... Acho que é hora da invencibilidade do Falcons cair nas mãos de Bob Griffin. Ei, eu fui 11-4 semana passada, tenho algum moral para arriscar, certo?? Pelo menos até eu terminar a semana 5-9 e voltar à realidade. Oh well...


PANTHERS ganha do Seahawks

O Hawks tem uma boa defesa, mas eles tem um problema: Nao conseguem fazer pontos. Ainda que ele seja carismático, inteligente e um grande lider de vestiário, o Russell Wilson não tem conseguido muito sucesso na NFL passando a bola. O Hawks disse que ia começar devagar no ataque para Russell conseguir assimilar melhor as coisas e crescer com mais calma, mas o time precisa pontuar mais e se Russell não está pronto pra dar o próximo passo no ataque, esse time não vai a lugar nenhum por mais que eu goste da defesa. Como Matt Flynn está supostamente machucado (embora não tenha sido limitado em nenhum treino, é o que diz o técnico Pete Carroll) e não deve entrar ainda, o Hawks vai continuar tendo problemas pra pontuar... Especialmente fora de casa, e contra um ataque dinâmico como o do Panthers, vai ser difícil ganhar se Russell não conseguir colocar pontos no placar.


Bears ganha do JAGUARS

Sim, Jay Cutler e o Bears são bipolares a ponto de dar raiva, um dia não conseguem produzir nada ofensivamente, e no outro estão dominando o Dallas em rede nacional. Btw, acho que eu não preciso falar de como o Bears deu sorte no meio da semana, e eu ainda estou desconfiado demais desse time no longo prazo... Mas contra o Jaguars e com a boa (e oportunista) defesa que tem mostrado até agora, esse é daqueles jogos que o Bears não vai precisar de um bom jogo de Cutler pra ganhar. Pense em Bears e Rams, que o Cutler nao passou das 200 jardas e teve só uma INT contra nenhum TD e mesmo assim o BEars ganhou com alguma tranquilidade. 


VIKINGS ganha do Titans

Os surpreendentes Vikings não são um time de elite, mas também não são um acaso: É um bom time, inteligente e bem montado que conhece suas forças e suas limitaçōes, e tem sabido usá-las com inteligência. Contra o Lions semana passada, o time não jogou bem e Christian Ponder pareceu mais o calouro confuso do ano passado do que o Quarterback eficiente das primeiras semanas, e ganhou principalmente por causa do PÉSSIMO time de especialistas do Lions. Sabia que o ST do Lions é o primeiro da historia da NFL a ceder um retorno pra TD de punt E kickoff em duas partidas consecutivas? Numa nota relacionada, eles perderam os dois jogos. Vai entender.

Mesmo assim, o Vikings jogou muito bem defensivamente e fez o que me faz ter confiança neles: O básico. Não tentou fazer o que estava fora do seu alcance e priorizou eficiência. O Vikings não vai perder para si mesmo, ponto. E contra um Titans sem Jake Locker e Kenny Britt... Em casa... Voces entenderam.

(Tava discutindo a teoria do "Bom time ruim" com um amigo meu essa semana, e ele acha que o BTR desse ano é o Viks. Eu acho o Viks melhor do que isso, mas está em jogo. Aguardemos...)


PATRIOTS ganha do Broncos

Não, eu ainda não confio em Peyton Manning: Seus passes não tem rotação, força nem parecem atingir o ponto que o QB quer. Seu braço está bem mais fraco do que antes e parece que seus passes flutuam muito mais do que deveriam. Então eu ainda estou descrente que Manning consiga realmente levar o Broncos a um novo nível e a ser um candidato real ao título (embora numa divisão bem fraca e numa AFC horrível onde 9-7 tem boas chances de te classificar pros playoffs, o Broncos tenha uma boa chance).

Agora você está pensando: "Se é assim,  como Manning passou pra 338 jardas e 3 TDs semana passada? Ta louco!? ". Bom, eu te digo como: O Raiders é um dos piores times com uma das piores defesas da NFL, e que em nenhum momento acharam uma boa ideia tirar os passes curtos de Manning e obrigá-lo a jogar com força. Assista os highlights, e Manning ganhou o jogo com passes de 8 jardas, e o Raiders nunca percebeu isso e ajustou. Em Denver, o braço fraco de Manning importa menos pelo ar rarefeito, mas... E em New England? Com essa defesa contra um time do Patriots que está vindo de uma linda "Eff-You!" performance semana passada? Não vejo Manning ganhando um shootout fora de Denver num time que provavelmente será inteligente pra obrigar Manning a lançar pro fundo. At all.


NINERS ganha do Bills

Lembra quando Mario Williams foi a primeira escolha do Draft na frente do Reggie Bush e todo mundo disse que o Texans estava louco, e que Williams nunca valeria essa pick? Foi a melhor coisa que aconteceu a ele: Ele se matou de treinar pra provar pra todo mundo que estavam errados e virou uma força na NFL. Mas pelo visto o contrato bilionário que o Bills ofereceu a ele ano passado teve o efeito contrário: Bem pago e firmado na Liga, parece que ele não tem mais interesse em jogar, e passou desapercebido em três dos quatro jogos do Bills na temporada até aqui. 

Aliás, sou só eu, ou tem algo errado com a linha defensiva do Bills? Eles tinham o DT All Pro Kyle Williams, draftaram ano passado o bom DT Marcell Dareus, e agora investiram pesado na offseason em dois DEs pra completar sua linha... E até aqui tem uma das piores linhas da NFL, que nao para a corrida nem coloca pressão no QB. Alguém percebeu que eles acabaram de tomar mais de 200 jardas terrestres do PATRIOTS?? Numa nota relacionada, o Niners acabou de vir de um jogo de 245 jardas terrestres contra o Jets fora de casa. So there!


SAINTS ganha do Chargers

Não acho esse time do Chargers horrível, mas tambem não acho confiável. Com uma boa defesa e numa divisão horrível, diria até que o Chargers tem boas chances de levar a divisão. Mas uma hora o Saints vai conseguir uma vitória nem que seja nas costas de Drew Brees... E em casa, com Sean Payton na torcida e Drew Brees prestes a quebrar o recorde de Johnny Unitas de mais jogos consecutivos com um TD (48, mais uma prova de que as estatísticas de passe estão fora de controle com as novas regras), acho que o Saints vai ter inspiração suficiente pra forçar o Chargers a um shootout, capitalizar nos erros do Phillip Rivers, e ganhar a partida. E tava na hora, 0-4 é osso.


Texans ganha do JETS

Nao vou perder o meu tempo nem o seu tentando justificar essa pick. Mas tem algo que me incomoda: Qual era mesmo o argumento contra o Tim Tebow como um QB titular na NFL, mesmo? Se não me engano, era que seus passes eram tortos e sem precisão, e que ele tinha dificuldade em ler a defesa na secundária, o que resultava num aproveitamento ruim e posses e bola desperdiçadas pela dificuldade de completar passes. E ele compensaria isso com improviso, suas pernas, tricky plays, liderança e tomando conta da bola, certo?

Bom, mas aqui está o meu problema: Sabia que o Mark Sanchez tem o pior aproveitando de toda a NFL e ta completando menos de 50% dos seus passes? Eu sei que não é só culpa dele, que o time acabou de perder seu único bom WR pro resto da temporada e que o time não tem jogo terrestre... Mas 49% fica difícil, especialmente juntando sua dificuldade de concluir jogadas e o numero de turnovers. Não da pra usar mais a justificativa do "Tebow tem um aproveitamento ruim nos passes!" pra deixar ele no banco, certo? Então porque não tentar? O Jets ta ferrado mesmo, perdeu seus dois melhores jogadores pra lesōes, o time não tem jogo terrestre, a defesa terrestre do time é péssima e não tem perspectiva de melhora. Tebow não vai salvar o Jets e levar o time ao Super Bowl (Será que... hmm... Naaaah), mas QB com aproveitamento ruim por QB com aproveitamento ruim, não vale a pena assumir o risco com o QB que pelo menos trás outras coisas pra mesa (mobilidade, improviso, liderança, protege bem a bola, e que ressuscitou o jogo terrestre do Broncos ano passado) e ver no que da? Pra mim Sanchez não dura mais duas semanas, especialmente com esse maldoso Monday Night à espreita. E btw, a tabela do Jets é muito fraca até o final da temporada, e como eu já disse, 9-7 pode dar um WC na AFC esse ano. Então... Porque não tentar? 


Week 3: 11-5
12' Season: 34-29-WTF

Baseball Podcast: Playoffs

Com os playoffs da MLB começando hoje com a rodada de Wild Card, e sem tempo pra fazer um post detalhado e completo sobre os Wild Cards e as Division Series, acabamos optando por uma abordagem diferente: Juntar três amigos que entendessem de MLB pra fazer um podcast, revisando rapidamente o que cada time tem de favorável ou vulnerável e pra dar alguns palpites sobre esses playoffs (ainda que eles sejam muito aleatorios e acertar seja mais sorte que outra coisa), e até comentar um pouco sobre os premios individuais da temporada.

Os participantes do Podcast fomos eu; o Vinicius do blog Spinballnet, que já participou de outros podcasts; o João, do MLB Brasil; e o Lucas, que as vezes posta no Blog do Lukita e participa do Podcast Sports of America.

O podcast só teve um problema: No final do podcast, a fonte do meu computador queimou e ele desligou forçadamente, sem salvar o podcast. Isso significa que a) eu perdi tudo que tinha gravado do podcast; e b) eu não participei do final dele. Por sorte, o Lucas estava gravando junto e conseguimos salvar o podcast, e os três continuarem muito bem sem mi, mas infelizmente na gravação do Lucas minha voz fica muito cortada e difícil de entender em alguns momentos. Realmente peço desculpas por isso.

Pra terminar, um agradecimento especial ao Vini, ao Lucas e ao João, que mandaram muito nesse podcast.

Pra escutar o podcast online ou achar o arquivo para Download, é só clicar aqui

Se querem o novo Especial NBA - Isiah Thomas e Magic Johnson, cliquem aqui

Se querem os palpites pra semana 5 da NFL, ele virá hoje mais tarde (mas ainda hoje)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Especial NBA - Isiah Thomas e Magic Johnson





Pra quem não sabe que Especial é esse e pra que ele serve, leiam esse post antes.

Posts anteriores:

 - Bill Russell e Wilt Chamberlain
 - Jerry West e Oscar Robertson
 - Julius Erving
 - Larry Bird e Kareem Abdul-Jabaar


Isiah Thomas (Detroit Pistons, 1989)
Magic Johnson (Los Angeles Lakers, 1991)


Depois de algum tempo sem posts, vamos retomar de onde terminamos da última parada: Os anos 1980-1987, que pode ser melhor representado pela rivalidade entre as duas maiores estrelas da NBA na época, Larry Bird e Magic Johnson. Agora que sabemos a história desse período, vamos avançar um pouco na história da NBA, fazendo a ponte entre o fim da Era Bird/Magic (Com o último grande momento da rivalidade em 1987) e o começo da Era Jordan, em 1991 (não se preocupem, chegaremos lá). E pra tratar desses quatro anos entre 1987 e 1991, eu preciso de dois jogadores, dois dos melhores jogadores de todos os tempos a jogar a posição de armador e dois dos maiores líderes da história da NBA e da sua geração: Magic e Isiah Thomas.

Vocês já sabem agora de como as carreiras de Magic Johnson e Larry Bird foram, desde o momento que entraram na NBA, muito entrelaçadas e muito semelhantes. Ambos os jogadores entraram na NBA em 1980 e atingiram sucesso imediato (Bird calouro do ano, Magic MVP das Finais) e logo se tornaram a nova face da NBA. Ao longo da década (não vou entrar em detalhes porque já o fiz no post de Bird e Kareem) ambos foram os dois jogadores mais polarizadores e mais interessantes da Liga, chegaram a múltiplas finais e jogaram num nível tão alto que nenhum outro jogador individualmente conseguiu atingir nesse período entre 80 e 87. Ambos ganharam 3 MVPs e definiram o padrão de excelência das suas respectivas posiçōes, dominando a Liga e com pelo menos um dos dois chegando em TODAS as Finais da NBA entre 1980 e 1989. Ambos eram grandes líderes, passadores altruístas que elevavam o nível de toda a equipe e dois dos jogadores mais amados da época. E, claro, foram dois dos jogadores mais importantes da história do basqeute. Os dois até aposentaram muito próximos, Magic em 91 (pela primeira vez) e Bird em 92. Então sim, as carreiras de Magic e Bird foram extremamente semelhantes sob praticamente qualquer ponto de vista.

Mesmo assim, a carreira dos dois jogadores apresenta duas diferentes importantes. O primeiro detalhe é um pouco mais insignificante, que é o fato de que Bird foi o Alpha Dog do Celtics desde o momento que pisou em Boston até o momento da sua aposentadoria, enquanto Magic apenas tomou o controle da equipe de Kareem (um dos maiores jogadores da história) em 1987, conforme já cobrimos no post anterior. Mas a segunda diferença é mais importante, e pode ser melhor ilustrada quando olhamos para os anos entre a última final Bird-Magic em 1987, até o primeiro título de Michael Jordan, em 1991. Em outras palavras, a segunda e mais importante diferença entre as carreiras de Magic e Bird foram como esses jogadores atingiram o final de carreira, passado seu auge em 1987.

Depois de levar um baleadíssimo Celtics nas costas nos playoffs de 1987 em um banho de sangue extremamente físico de sete jogos contra Detroit, e de quase levar o Celtics por cima de um sensacional time do Lakers nas Finais, Bird (agora com 31 anos) começou a ter problemas físicos, especialmente nas costas. Não é a toa que, depois de jogar 4000 minutos (41 por jogo na temporada regular e 44 por jogo os playoffs) só na temporada 1987, encarando durante boa parte do tempo times físicos como Detroit ou Atlanta, e tendo que quebrar por muito tempo um galho no garrafão com Bill Walton fora e Kevin McHale e Robert Parish limitados por sérias lesōes, o corpo de Bird tenha começado a traí-lo. Ainda que tenha conseguido terminar a temporada de 88 em altíssimo nível (30-9-6, 53% FG), Bird perdeu sete jogos por lesão e, por algum motivo, o técnico KC Jones continuou jogando Bird 39 minutos por jogo, até que chegando nos playoffs seu corpo quebrou de vez. Jogando limitado por fortíssimas dores nas costas, Bird não chegou nem a 25 ppg e chutou 45% do campo, jogando absurdos 45 minutos. Com McHale incapaz de se recuperar (nunca mais recuperou, na verdade) de ter jogado os playoffs de 87 com um pé quebrado, e Bird lidando com lesōes nas costas, o Celtics foi presa fácil para o Detroit nos playoffs, sendo eliminado.

O resto da carreira de Bird foi marcado pela mesmas lesōes nas costas que o limitaram em 1988. Jogou apenas 6 jogos em 89, e até o final da sua carreira em 1992 apenas uma vez jogou mais de 60 jogos (1990). Apesar de ter tido bons momentos, e até tido médias de 24-10-8 em 1990, nunca mais foi o mesmo Bird, sempre parecia com dor e sempre chegando no final da temporada com mais milhagem do que seu corpo aguentava. Quando finalmente aposentou em 1992, a triste verdade era que seus últimos anos tinham sido jogando em um nível muito inferior ao que ele seria capaz se seu corpo aguentasse. Aliás, Bird era o tipo de jogador que poderia ter mantido um excelente nível durante muito tempo se seu corpo não o traísse. Ainda que fosse ficando mais lento e menos capaz de seu jogo físico com a idade, ele ainda poderia ter ido até o final dos seus 30 anos sendo um facilitador: Conseguindo roubos, dando passes da entrada do garrafão, rodando a bola com inteligência e arremessando de três. Ele mesmo disse que gostaria de ter feito isso se fosse possível, mas seu corpo não permitiu. Então a carreira de Bird acabou sendo de nove temporadas transcendentais e mais quatro anos nos quais seu corpo não permitiu que ele jogasse naquele nível.

Do outro lado, Magic nunca teve uma lesão pra atrapalhar o fim da sua carreira, tirando obviamente o HVI (chegaremos lá). Se a carreira de Bird foi composta por 9 anos transcendentais e mais quatro anos decadentes, a carreira de Magic foi composta de 12 anos transcendentais, praticamente sem quedas no rendimento e continuamente se reinventando (se HVI não tivesse tirado Magic das quadras em 91, ele teria virado um Power Foward no final da carreira e jogado até uns 38 anos). Depois de tomar o controle do Lakers de Kareem e se estabelecer como o Alpha Dog do time em 1987 e levar o Lakers ao título (vencendo o Celtics de Bird nas finais), Magic continuou liderando o time por mais duas finais com Kareem ainda no time (tambem chegaremos lá) em 88 e 89. Quando Kareem se aposentou após a derrota nas Finais de 89, Magic continuou levando o time sem perder o ritmo por mais dois anos com o combo Vlade Divac/Mychael Thompson no lugar de Kareem, mesmo com a falta de um pontuador de elite no garrafão. Não vou entrar nesses detalhes agora porque vamos falar deles mais pra frente, mas o importante é que Magic conseguiu levar mais três anos de elite na sua carreira, enquanto o corpo de Bird impediu que ele fizesse o mesmo.

Alem disso, existe algum jogador na história da NBA que se reinventou mais com o passar dos anos do que Magic? Quando entrou na NBA em 1980, Magic era o calouro sorridente, rápido e com pensamento ágil que tinha uma habilidade no passe igualada na NBA somente por Bird. Esse Magic extremamente carismático e contagiante foi o responsável por dar vida nova ao Lakers e a Kareem, levando o time à final da NBA. Em 1982, Magic era um jogador mais maduro, mais versátil do que nenhum outro na história, capaz de jogar cinco posiçōes e também seu auge como defensor (quase 3 roubos por jogo). Os números comprovam essa versatilidade e capacidade de fazer tudo em uma quadra: Magic chegou mais perto do que nenhum outro pós-Merger de um triple double (19,6-9,6-9,5). Quando o Lakers trocou Norm Nixon (que dividia as funçōes de armador com Magic) e deu ao camisa 32 as chaves do Showtime em 84, Magic assumiu de vez o controle do time e atingiu seu alge como PG passador e altruísta que rodava a bola (seu auge nessa "fase" sendo 1985). Quando o Rockets destruiu o Lakers em 86 e a idade de Kareem deixou claro que ele não poderia carregar sozinho o ataque de meia quadra, Magic se reinventou como um grande pontuador e assassino nos finais de jogos, com um mortal jogo de costas pra cesta, e assumiu de vez o papel de Alpha Dog do time. E quando Kareem se aposentou em 89, ainda que Magic não tenha mudado seu jogo muito (apesar dele ter virado um bom chutador de três pontos, com 38% atrás do arco), a ausência do veterano fez Magic reforçar ainda mais sua postura de liderança e motivador dentro do elenco, tirando o máximo de jogadores em uma equipe em decadência e mantendo o Lakers relevante por três anos (89, 90 e 91) a mais do que devia. Tirando TALVEZ Steve Nash, nenhum outro jogador tirou mais de seus companheiros, sejam All-Stars, jogadores medianos ou role players, mais do que Magic. Nenhum, nem Nash nem Bob Cousy, era mais imparável puxando contra ataques. Ele foi um dos lideres mais inspiradores e queridos da história do esporte e um dos seus maiores ícones fora de quadra. E ele capturou três MVPs, três Finals MVPs, seis títulos e apareceu em nove Finais em doze anos, além de ser co-capitão do maor time de basquete jamais montado (Dream Team de 92). Isso, meus amigos, é uma carreira.

Por falar nisso, Magic também foi uma pessoa extremamente importante em algo que nada tinha a ver com basquete: AIDS. Seu anúncio em Novembro de 1991 de que ele tinha sido diagnosticado com HIV foi uma das transmissōes mais chocantes da história da televisão, um dos momentos definitivos daquela geração. Mesmo quem não era fã de basquete sabia quem era Magic Johnson e sabia o peso daquelas palavras. Como a AIDS ainda era uma doença da qual pouco se sabia, muitas vezes era tratada de forma um pouco obscura, e muitos acreditavam ainda que só era contraída em casos de relaçōes homossexuais ou por uso de drogas, algo distante de sua realidade. O anúncio de Magic foi um choque não só por ser uma pessoa famosa, mas por mostrar que até um atleta, heterossexual e que não usava drogas podia contrair essa doença sem fazer nada fora da "realidade" das pessoas que se diziam longe da doença. Isso mostrou como a doença era muito mais presente do que as pessoas imaginavam e sabiam. Mesmo a reação coletiva, que perguntava que "Magic vai morrer!?", mostrava como as pessoas eram ignorantes a respeito do virus, e não sabiam sequer a diferença entre HVI e AIDS totalmente desenvolvida. A verdade era que grande parte da população sabia muito pouco sobre essa "nova" doença, e elas precisavam de alguém famoso que pudesse alertá-las e educá-las sobre esssa doença. E Magic assumiu esse papel, dedicando boa parte da sua vida pós-NBA a campanhas de prevenção e conscientização sobre AIDS. Claro que ele não foi o único, mas ele teve um papel importantíssimo no aumento da identificação e conscientização mundial sobre HIV. O seu anúncio (sobre o qual recomendo o excelente documentário da ESPN, "The Announcement") foi um dos momentos mais importantes da época. Some a isso o fato de que Magic foi também um dos ex-jogadores mais bem-sucedidos como investidores fora das quadras (especialmente com cadeias de cinemas na costa Oeste americana) que conseguiu aumentar em muito seus ganhos com basquete (inclusive sendo o principal representante de um grupo que recentemente adquiriu o time de baseball Los Angeles Dodgers), e tudo que nós sabemos sobre sua carreira na NBA, e é difícil achar um jogador de basquete mais importante  e que teve mais sucesso do que Magic. E ele continua aí, vivo e saudável, o que de certa forma talvez seja seu maior sucesso.

Mas voltando a falar de basquete, embora a década de 80 conforme cobrimos no post anterior tenha sido marcada pela rivalidade Bird vs Magic, o período que estamos cobrindo no momento precisa que falemos de um outro time, o Detroit Pistons de Isiah Thomas. E na verdade, só a forma como o GM Jack McCloskey montou esse time em torno de Isiah (2nd pick do Draft de 1982) já valeria um post separado, porque foi uma das montagens mais criativas e mais geniais da NBA até onde eu lembro.

Voltemos um momento para os anos 84/85 da NBA, onde sabemos que tivemos duas finais entre os invencíveis  na época Celtics e Lakers. Nessa época, o Pistons ainda estava tentando juntar talento em torno do seu melhor jogador Isiah numa tentativa frustrada de desafiar o Celtics no Leste. Mas em 1985, depois de tomar mais uma surra de Bird e companhia, McCloskey entendeu que estava fazendo isso errado. Ele entendeu que nunca iria superar o Lakers e o Celtics simplesmente juntando jogadores talentosos, era uma tarefa grande demais superar times com Bird, McHale, Parish, Dennis Johnson, Magic, Kareem, James Worthy e companhia. Além disso, o que Isiah e McCloskey perceberam assistindo esses dois times e que era muito mais importante, era de que esse sucesso ia muito além de basquete: O segredo do basquete é que não é sobre basquete, como descobriu Isiah (nas suas próprias palavras). O enorme talento de Celtics e Lakers ajudavam, mas Isiah percebeu que isso não era o mais importante. O mais importante era que essas duas equipes realmente funcionavam como um time: Ambos os times tinham uma hierarquia estabelecida, com todos os jogadores sabendo exatamente seu papel na equipe e nenhum tentando desafiar essa ordem. Todo mundo no time jogava pro time, sem se preocupar com seus números ou minutos, e todos sabiam que a forma de vencer era exatamente assim. Jogadores que se preocupassem não em como se destacarem individualmente, e sim jogadores que se preocupassem em fazer o que podia ajudar o time e aos seus companheiros. O time e a vitória vinha sempre acima das preocupaçōes individuais, e não era apenas um ou dois jogadores que deveria saber disso... Era o time todo. Isso foi o que Isiah mais tarde chamou de o "Segredo" do basquete. E é a mais pura verdade.

Sabendo dessas duas coisas, Isiah e McCluskey decidiram montar um time baseado não no talento dos seus jogadores, e sim no "Segredo". Jogadores que se complementasse, jogassem pro time, ajudassem uns aos outros e que sacrificassem seus numeros e minutos pelo time. Um time que não necessariamente fosse o melhor no papel... Mas Isiah sabia que não é no papel que se ganham títulos, e sim na forma como os jogadores interagem e se complementam. E ele estava certo.

Depois da derrota pro Celtics em 1985, McCluskey chegou à conclusão de que apenas três jogadores do seu elenco poderiam fazer parte de um time construído dessa maneira: Isiah, Vinnie Johnson, e Bill Laimbeer. Todo o resto seria dispensável por não ser capaz de se ajustar a um time construido com base em entrosamento e altruísmo ou então por não possuir a flexibilidade e atleticismo que Detroit procurava pra poder bater de frente com Celtics e Lakers. Sabendo que nunca iria ganhar desses times no ataque, Detroit focou também em pegar jogadores versáteis, físicos e capazes de não só defender como cansar fisicamente seus adversários, uma defesa profunda e que estivesse o tempo todo em cima dos oponentes, não dando nenhuma cesta fácil. Assim, McCluskey usou sua escolha de primeira rodada naquele Draft (17th) pra pegar o ótimo defensor Joe Dumars, e trocou Dan Roundfield por Rick Mahorn, um ala mais físico capaz de complementar o lento mas eficiente Laimbeer. Como não foi possível conseguir um jogador de garrafão clássico pra pontuar de costas pra cesta pra fazer a dupla ofensivamente com Isiah, McCluskey optou por cercar seu armador de arremessadores e jogadores mais baixos capazes de pontuar no garrafão: Trocou Kelly Tripucka e Kent Benson (dois pontuadores lentos que não defendiam ninguém) por Adrian Dantley (um swingman cujo poder ofensivo vinha do seu jogo de costas pra cesta e sua capacidade de cavar faltas) e draftou no ano seguinte John Sally (11th pick), um PF para dar flexibildade ao garrafão e cavar pontos perto do aro. Também usou uma escolha de segunda rodada nesse Draft em Dennis Rodman (32nd pick), um combo foward extremamente atlético para ajudar a cansar seus adversários, tornar o time mais forte fisicamente e aumentar a qualidade dos rebotes defensivos da equipe. Em 18 meses, sem nenhuma escolha de Draft no top 10 ou nenhuma troca bombástica, McCluskey montou um time muito sólido e com entrosamento fantástico em torno de Isiah, um time que iria ganhar dois títulos e chegar dolorosamente perto de outros dois nos quatro anos seguintes.

Claro, a chave aqui são as palavras "em torno de Isiah". Esse time de Detroit era espetacular dentro de quadra, mas não o era no papel. Tirando Isiah, o time era composto basicamente de Role Players, pontuadores unidimensionais, jogadores incapazes de criar o próprio arremesso e arremessadores. Ainda que tivessem todos os intangíveis que McCluskey tanto queria depois de assistir Celtics e Lakers dominando a NBA, todos jogadores que jogavam pro time, não se importavam com seus números e que viviam completando uns aos outros em quadra, o time não era exatamente um modelo de pontuação e eficiência, e esses jogadores não teriam sobrevivido se ninguém fizesse eles pontuarem na marra, se tivesse um líder capaz de envolver todos eles e achar os companheiros certos nas horas certas. E aí que entra Isiah Thomas.

Apesar de ter acabado sendo uma das estrelas menos apreciadas da história da NBA (e talvez uma das mais odiadas, tirando talvez Ricky Barry), Isiah Thomas era o modelo do armador puro e um dos melhores jogadores da sua geração. Com um jogo mais completo do que talvez qualquer armador na história da NBA (Isiah era um exímio passador, infiltrador, pontuador, defensor e crunch-time scorer, a única coisa que ele não tinha era um arremesso de três), Isiah percebeu que a melhor forma de maximizar seus talentos na equipe era jogando para ela. Ele dominou a arte de envolver seus companheiros, distribuir o jogo, manter todo mundo no jogo durante os primeiros 45 minutos, para depois resolver sozinho nos minutos finais da partida (hoje, Chris Paul é o mestre dessa arte na NBA). Um grande líder e o tipo de jogador que lidera por exemplo, se mata dentro de quadra, joga pro time e não se importa com seus próprios números, Isiah acabou sendo o jogador perfeito pra implementar e manter o "Segredo" no seu time do Pistons. E no que tange a basquete, tudo centrava em torno dele: Isiah era responsável por infiltrar, distribuir o jogo, desmontar a defesa, achar arremessadores livres, dar pontos fáceis pra jogadores incapazes de criar o próprio arremesso, pontuar quando o time estancava, e ser o responsável pelos pontos nos momentos decisivos dos jogos. Tudo rodava em torno de Isiah, sua capacidade de jogar basquete e sua compreensão do "Segredo", e de passar isso para os demais.

Eu sempre disse que a temporada 2007 do Steve Nash no Phoenix Suns foi uma das mais impressionantes da história do universo no quesito "nível de dificuldade" para um armador: O time era composto de forma a rodar totalmente em torno dele, da sua capacidade de conduzir um contra ataque e o pick and roll, da sua visão de jogos e seus arremessos... Basicamente, o time era construído de forma a utilizar o talento de Nash pra tirar o máximo de bons mas muitas vezes unidimensionais jogadores. Era construído de forma que um e apenas um armador na história da Liga poderia ter conduzido esse time aonde conduziu: Nash. O único rival de Nash nesse quesito? Isiah nesses times do Pistons de 87-90. Eles também eram construídos com jogadores unidimensionais em torno de um único armador e suas capacidades, e Isiah tinha que fazer tudo de uma forma extremamente difícil: Tinha que envolver todos os jogadores, saber quem acionar a cada momento, aproveitar quem estava com a mão quente, dar pontos fáceis para os que estavam frios, acionar cada jogador na melhor situação possível pra maximizar a eficiência dos arremessos, e saber quando insistir nos companheiros e saber quando ficar com a bola nas mãos pra resolver sozinho. O nível de dificuldade é absurdo.

O Pistons também se equipou de uma outra arma, uma arma mais suja e mais psicológica, que era a de perturbar o máximo possível o adversário como o time pudesse. Isso era feito explorando ao máximo o que era permitido pelo escopo de regras da NBA. O time do Pistons frequentemente abusava de faltas duras e violentas quando algum adversário chegava perto do aro, pra intimidar e fazer o oponente pensar duas vezes quando fosse pra uma bandeja ou enterrada (sem bandejas ou enterradas fáceis era a regra do Pistons, eles IAM fazer uma falta feia em voce). Como na época a NBA tinha uma política muito pouco rígida sobre brigas, xingamentos e faltas duras, os jogadores estavam sempre provocando, xingando, fazendo contatos desnecessários fora do lance, dando cotoveladas e basicamente tirando o adversário do sério. A idéia não era machucar o adversário (embora eles não ligassem de fazer isso e até fizessem quando tinham a chance, como Rick Mahorn pisando repetidamente no pé quebrado de McHale nos playoffs de 87), e sim tirar o seu foco do jogo, fazê-nos ficar com medo de tomar uma falta dura ao entrar no garrafão, fazê-los ficarem com raiva e saírem do seu jogo... Em resumo, o objetivo disso tudo era entrar na cabeça do adversário e desconcentrá-los. Quando o adversário parava de focar no jogo pra se preocupar em como bater em alguem ou como se vingar, então o Pistons tinha atingido seu objetivo. Eles acharam uma falha no sistema da NBA, e o exploraram de forma até suja, mas muito eficiente. Quando Pat Rilley levou isso a um nível ainda maior com seu Knicks nos anos 90, a NBA finalmente deu um basta nisso e estabeleceu regras muito mais rígidas pra faltas técnicas, brigas e aumentou as suspensōes que poderiam ser dadas aos jogadores, tirando essa "falha no sistema" da Liga (mais um motivo para odiar Pat Rilley). Mas mesmo assim, sem essa arma, o Pistons dessa época ainda era um time que daria certo em qualquer época. Eles eram o time perfeito pra era do Salary Cap (epenas uma estrela e varios role players, poucos contratos muito caros), e eles tinham uma característica especial de flexibilidade, atleticismo e toughness, sem falar numa imensa competitividade e instinto assassino especialmente do Isiah, que se transferiria para qualquer época.

E foi com essa identidade que o Pistons se lançou em 1987 para desafiar os soberanos Celtics: Um time extremamente flexível e profundo, que poderia se adaptar a qualquer time ou estilo e tinha resposta pra tudo, um time muito físico e com uma defesa muito feroz, um time que era melhor do que qualquer outro em entrar na cabeça do adversário e tirá-lo do seu jogo. Seu ataque era extremamente coletivo e centrado no seu astro, Isiah, e no seu famoso "Segredo". Ninguém no time tinha média de mais de 15 pontos por jogo, e era assim que o Pistons queria: Qualquer um poderia estar num dia bom e ser o cestinha, mas ninguém se preocupava em ser um. E com seu estilo de jogo, o Pistons logo se firmou como uma nova potência no Leste e varreu a conferência até o esperado confronto contra o baleado Celtics, nas Finais de Conferência. E o Pistons aproveitou a chance: Dividiu os quatro primeiros jogos contra o Celtics, e foi pra Boston no Jogo 5 pronto pra roubar um jogo e fechar em casa no Jogo 6. E quase conseguiu: O Pistons abriu 1 ponto de vantagem faltando 15 segundos pro final da partida. E aí que veio o castigo: O Celtics, sabendo que o ideal era virar a partida com o cronômetro zerado, deixou a bola com Bird pra criar seu arremesso. Bird entrou no garrafão e tentou uma bandeja, mas foi rejeitado pelo calouro Rodman, que ainda fez a bola bater em Danny Ainge antes de sair para a lateral. Com apenas alguns segundos no relógio e a posse da bola, parecia que o Pistons tinha o jogo liquidado... Mas Isiah teve uma pane cerebral e lançou a bola na direção da própria cesta para Lambeer, num passe que Bird antecipou a voou para conseguir o roubo, fazendo um passe sensacional para um Dennis Johnson que corria desesperadamente em direção à cesta fazer a bandeja da vitória pro Celtics. Enquanto o Pistons realmente venceu o jogo 6 em casa, o Celtics fechou a série em casa no Jogo 7 pra ir às Finais contra o Lakers. Abaixo, o vídeo da jogada.




(Fato mais underrated dessa jogada: A velocidade de reação de DJ ao cortar para a cesta quando Bird conseguiu o roubo, receber um passe lindo e fazer uma bandeja extremamente difícil por cima de Joe Dumars. Se ele não tivesse percebido a tempo e corrido pra cesta, Bird teria que fazer um  arremesso turnaround por cima da tabela pra virar a partida... E o pior, ele provavelmente teria acertado. Mas foi melhor com DJ ali facilitando as coisas pra ele)

Essa derrota acabou sendo muito difícil pro Pistons digerir: Eles tinham o controle da série, tinham o controle da partida e a vantagem, e a bola nas mãos do seu melhor jogador, e estiveram a uma pane cerebral inexplicável de ir às Finais aquele ano. Mas a derrota acabou fortalecendo o Pistons, que teve sua revanche contra o Celtics no ano seguinte, com McHale e Bird machucados, em uma vitória fácil pra levar Detroit às Finais, contra o fortíssimo time do Lakers.

Nas Finais, Detroit conseguiu abrir 3-2 na série, e com um jogo 6 em Los Angeles, o Pistons começou a sentir cheiro de sangue no terceiro quarto: O Lakers não conseguia conter armadores infiltradores, e Isiah sabia que estava a mais dois quartos do seu primeiro título. Ele começou a pontuar. Uma bandeja. Um arremesso curto. Um floater. Quando todo mundo viu, Isiah tinha 14 pontos consecutivos no quarto... Até que, ao cair de um salto, Isiah pisou violentamente no pé de Michael Cooper e torceu fortemente o tornozelo. Carregado pra fora de campo visivelmente com dor, Isiah não conseguiu ficar fora de quadra. Sem conseguir apoiar o pé, Isiah voltou pra quadra e recomeçou a jogar. Um floater. Uma cesta-e-falta sobre Cooper. Uma bola de três. E, nos segundos finais do quarto, outra bola de três pra fechar o quarto com 25 pontos, recorde das Finais, mesmo jogando em um pé só. Mas o Pistons não conseguiu segurar, mesmo com tres pontos de vantagem a um minuto do final: Byron Scott fez uma cesta, Isiah errou um arremesso em uma perna só, os juizes deram uma falta fantasma em Kareem (que converteu os lances livres), e Dumars errou o arremesso da vitória no segundo final da partida. O Lakers venceu o Jogo 7 em casa com Isiah claramente sem condiçōes de jogo, e mais uma vez o Pistons chegou muito perto de um título pra morrer na praia de forma traumatizante. E realmente, o título devia ter sido do Pistons se Isiah não machuca o tornozelo: Eles eram físicos demais no garrafão pro Lakers, e ninguém lá conseguia marcar Isiah. Mesmo com Magic e James Worthy no auge, o time menos talentoso do Pistons era forte, flexível e entrosado demais pra aquele Lakers. Mas com a torção no tornozelo do centro do seu time, acabou sendo demais pro Pistons superar, e a segunda derrota traumatizante em dois anos pra Detroit se confirmou.

Começando 1989, duas coisas importantes aconteceram para Detroit: Primeiro, o time estava extremamente endurecido e irritado vindo de duas derrotas traumáticas nos playoffs, e pronto pra mostrar pro mundo quem eles eram, o que normalmente prenuncia uma temporada Keyser Soze de nível "Holy Hell!" (o que acabou acontecendo). E segundo, ao final dos playoffs de 1988, Dantley começou a reclamar dos seus minutos, em especial por estar ficando no banco nos finais de partida pra dar lugar a Rodman. E aí que a essência do próprio time do Pistons ficou em xeque: O Pistons não era o time mais talentoso da NBA, mas chegou aonde chegou graças à coletividade dos seus jogadores, colocando o time sempre em primeiro lugar em relação aos números pessoais. Chegou aonde estava graças ao equilíbrio e coletividade do seu time. E Dantley, um dos jogadores chaves do time, estava ameaçando implodir tudo isso porque não queria perder minutos para Rodman, o que era importante para o time já que Rodman deixava o Pistons melhor defensivamente e mais atlético. Com essa ameaça, McCluskey e Isiah decidiram que o melhor a fazer era se livrarem de Dantley, mandando ele para o Mavericks em troca de Mark Aguirre (1st pick do Draft de 1982, cuja 2nd pick foi - wait for it... - Isiah Thomas!), um ala com um eficiente jogo de costas pra cesta, mas inferior a Dantley. A troca aconteceu... E empurrou o Pistons a um nível ainda superior. Por quê? Porque a troca não tinha nada a ver com basquete! E essa era exatamente a fundação desse time do Pistons: Não é sobre basquete. Dantley ameaçou o entrosamento e mentalidade altruísta do Pistons, e foi trocado por Aguirre, um jogador inferior mas que aceitou seu lugar no time, continuou fazendo sua parte e nunca reclamou de minutos. A troca tirou poder de fogo do Pistons, mas deu a ela mais flexibilidade, defesa e rebotes (pelo aumento de minutos de Rodman) e, principalmente, melhorou o entrosamento e o ambiente do Pistons. Times não ficam grandes pelo que fazem uma fez, e sim pelo que continuam fazendo uma vez que tem sucesso ou uma grande queda. Dantley ameaçou esse equilíbrio, e o Pistons se livrou dele. Não foi uma troca de basquete, foi uma troca pessoal, mas que resultou no Pistons elevando seu nível e liberando uma temporada Keyser Soze em 1988, que terminou com uma varrida do Lakers nas Finais sem a menor dificuldade (Lakers esse que não tinha perdido nenhum jogo até as Finais). E tudo porque Detroit "piorou" no papel com Aguirre no lugar de Dantley.

Essa normalmente é a parte que eu dou alguns números pra mostrar como a temporada de 1989 do Pistons foi sensacional, como eles massacraram todo mundo e jogara com aquela atitude "Eff-You" que caracteriza os grandes times como Celtics de 86 e o Bulls de 96. Mas eu não vou fazer isso. Assim como não é possível captar o quão bom esse time era apenas no papel, é impossível capturar apenas em estatísticas e números o poder do Pistons dessa temporada. Esse Pistons foi construído em cima de uma coisa que transcende qualquer estatística, o "Segredo", e temos que ir muito além pra podermos compreender o poder disso nesse time. Saiba apenas que, se pudessemos organizar um mega torneio eliminatório com todos os times a serem campeōes da NBA, recriando não apenas seu jogo como sua atitude, o Pistons de 1989 provavelmente seria minha escolha depois de Celtics 86, Lakers 87 e Bulls 96. E isso é um tremendo de um elogio. Nenhum outro time misturava atleticismo, defesa, intensidade, competitividade e toughness que nem esse time de Detroit. E poucos times entendiam e praticavam tão bem o "Segredo".

O Pistons ainda teve mais um ano de sucesso em 1990, quando venceu o Blazers nas Finais, antes de sumir em 1991, quando Michael Jordan enfiou uma estaca no coração do Pistons com a famosa varrida que terminou com os jogadores de Detroit saindo de quadra antes do final da partida. No fundo, era assim que a NBA queria que eles fossem embora: Silenciosamente, talvez sem deixar saudades. Eles deram golpes baixos demais pra serem bem recebidos, e talvez por isso pouca gente lembre deles com respeito pelo grande time que eram, mas com ressentimento. Talvez com razão. Mas eles foram um dos grandes times da história da NBA, um dos que melhor praticou o "Segredo", e o time que fez a ponte entre o fim da era Magic/Bird e o começo da era Jordan. Foram um time tão competitivo e tough que Celtics e Lakers nunca mais foram os mesmos depois de gastar tanta energia pra segurá-los. Você pode não gostar ou até odiar os Bad Boy Pistons - e acredite, eu talvez odeie como torcedor do Celtics- mas tem que respeitar o que eles conseguiram. E se tem uma coisa que eu acredito sobre basquete, é que o esporte transcende em muito o que podemos medir e o que acontece "no papel", que tem muito mais por trás disso tudo, e que o mais importante é como você afeta seus companheiros. E o Pistons se construiu em cima disso.

E enquanto o Pistons fazia sua história com os títulos de 89 e 90, o Lakers passava por um período possivelmente conturbado após a derrota em 1989 com a aposentadoria do seis vezes campeão, seis vezes MVP e três vezes MVP das Finais, Kareem Abdul-Jabaar. Apesar da idade (42 anos), Kareem ainda era importante pro Lakers a ponto do time ter chamado para ele a jogada decisiva das Finais de 1988 no Jogo 6 (quando ele sofreu uma falta inexistente do Laimbeer e acertou os FTs). Quando Kareem aposentou, o time perdeu seu líder veterano e pontuador de garrafão, e muita gente  apostou que seria a derrocada do Lakers. Mas Magic assumiu de vez a liderança emocional da equipe, se reinventou como um bom chutador de três pontos, e manteve o time vivo após a saída de Kareem com Vlade Divac e Mychael Thompson no garrafão e Worthy assumindo um papel maior ofensivamente na equipe. A adição de Divac tornou o Lakers o time um pouco mais ágil e que rodava melhor a bola a partir do garrafão, enquanto os minutos de Thompson e AC Green no lugar de Kareem tornaram o time mais flexível e forte fisicamente no garrafão, numa tentativa de compensar a grande perda de poder de fogo e um pontuador nato no garrafão. Depois de perder pra um muito bom time do Suns em 1990, o Lakers deu a volta por cima e chegou forte em 91, se classificando em terceiro no Oeste. Ainda que não fosse mais a potência que era com Kareem, o Lakers conseguiu se reinventar nas costas de Magic o suficiente pra continuar relevante. Nos playoffs, o Lakers varreu um bom time de Houston e ganhou com propriedade de bons times do Warriors e do Blazers antes de chegarem nas Finais como favoritos pra ganhar do Bulls de Jordan e Scottie Pippen. Depois de uma vitória no Jogo 1, com Magic voando, Pippen pediu pessoalmente a Phil Jackson pra marcar o armador do Lakers... E o resto foi história. Pippen marcou Magic com perfeição, o Bulls arremessou 61% de quadra no Jogo 2, Jordan fez isso aqui  e Chicago tomou de vez o controle da série, ganhando com tranquilidade os jogos restantes até o título (Apesar das 20 assistências de Magic no Jogo 5, o famoso jogo do "Jordan, who's open??" que vai ganhar o devido crédito quando falarmos de Jordan).

No fundo, Magic nunca ganhou o devido crédito por essas duas temporadas por um problema de percepção. O fato do Lakers não ter chegado às Finais em 90 e ter sumido em 92 acabou passando a impressão de que era um time fraco tentando desesperadamente se manter vivo antes do fim... E talvez fosse de certa forma, mas na verdade também era a história de um time se reinventando depois de perder um dos seus pilares em Kareem. E Magic nunca recebeu crédito por conseguir realizar esse feito com sucesso no comando do time e recolocar o Lakers no topo do Oeste, e possivelmente teria mantido o Lakers ainda mais alguns anos entre o topo do Oeste caso o HIV não o tivesse tirado de vez das quadras (Nenhuma chance desse Lakers envelhecido ganhar do Suns em 1993, mas tinha uma boa chance de ganhar do Blazers de 92 e chegar a mais uma final). Mas foi um feito e tanto, e por isso eu entendo a escolha do ano de 1991 pro Magic: Por mais que eu ainda preferia Magic em 87 e um post apenas de Magic/Bird, o ano de 1991 personificou a longevidade e a capacidade de Magic de manter um time decadente do Lakers relevante e no topo da Liga, depois de aguentar anos de "Ele não consegue fazer sem Kareem!". Mesmo curto e muitas vezes desprezado, esse período da carreira de Magic sem Kareem cimentou seu legado na Liga como líder de uma equipe. O que poderia ter acontecido depois de 1991, só podemos imaginar pois o HIV o tirou das quadras, mas provavelmente teria mantido o Lakers mais alguns anos em boa forma, e se reinventado (pra bem ou pra mal - possivelmente mal) como um Power Foward no final da carreira.

Por outro lado, por mais que o Lakers pudesse se manter mais alguns anos no topo da Liga com mais alguns anos de Magic, tem algo poético com Magic se aposentando no momento que Jordan assumiu de vez seu lugar no topo da Liga. Como o próprio Magic disse sobre as Finais: "Chega um momento em que o jogador que estava no topo da Liga tem que passar a tocha para o próximo que está chegando. Eu nunca passei a tocha pro Jordan. Ele veio e arrancou ela das minhas mãos nas Finais!". Então por mais que eu nunca desejasse Magic aposentando por algo sério como HIV, talvez tenha sido melhor que ele parasse quando estava por cima, no momento que aparecia alguem ainda superior pra lhe tomar a coroa.

Dois últimos comentários um pouco relacionados a Magic: Primeiro, a disputa pelo MVP da temporada 1987 deve ter sido de longe a melhor da história. Não sei porque eu gosto tanto de MVPs na NBA, mas esse é especialmente saboroso: Tivemos Magic ganhando seu primeiro MVP ao se reinventar como um pontuador mortal e tomando o controle do Lakers de Kareem, com médias de 24-12-6. Em segundo lugar, ficou Jordan, com sua temporada gritando "Cheguei!" e sendo o cestinha da Liga com 37 pontos por jogo. E em terceiro porque todo mundo tava cansado de votar nele (tinha sido MVP três vezes seguidas antes dessa temporada), Bird com sua melhor temporada, 28-9-8 (!!!) e chutando 53-40-90. Olhe de novo essas três temporadas e lembre que o cara que quase teve um Triple Double de média ficou em terceiro e que esse foi o melhor ano estatístico de Bird e Magic... Bom, isso que eu chamo de uma corrida pra MVP, certo??

Pra terminar, eu sempre acho engraçado como a história da NBA seria muito diferente se não fosse por um golpe de sorte e uma tremenda burrice de um GM. Claro, sempre podemos argumentar "Ei, se o Blazers pega o Jordan na 2nd pick do Draft ao invés do Sam Bowie, também seria diferente"... E claro, é verdade, mas a história de Magic e Bird indo parar nos seus respectivos times, pra mim, foi a mais engraçada desse ponto de vista porque foram causadas por coisas decisōes que pouco (na verdade nada) tinham a ver com eles. Pois bem, voltemos para 1975. A NBA realizou um Draft de dispersão para alguns jogadores que estavam saindo da ABA e não tinham sido draftados anteriormente por times da NBA, e entre os jogadores draftados, o New Orleans Jazz usou sua escolha em um pivô chamado Moses Malone (sim, AQUELE Moses que foi três vezes MVP e chutou o traseiro do Kareem a vida toda). No entanto, Malone machucou o pé e pouco jogou em 76, e em 77 o Jazz se apaixonou pelo SG que iria virar Free Agent do Lakers, Gail Goodrich. Como naquela época os times tinham que pagar "compensação" ao assinarem um Free Agent, o Jazz decidiu trocar Moses por uma escolha de primeira rodada, juntar com duas escolhas de primeiras rodadas próprias de outros anos (79 e 80), e mandar por compensação pelo Goodrich (Porque, sabe, aparentemente é uma boa ideia trocar duas 1st rounders e um pivô jovem e talentoso por um SG de 33 anos que não defendia ninguém. Btw, vocês não vão acreditar nisso, mas Goodrich rompeu o tendão depois de apenas 27 jogos na temporada e se aposentou. So there!). Uma dessas picks que o Jazz trocou era a de 1980... E claro que o Jazz teve a pior campanha em 1979 e essa escolha nas mãos do Lakers acabou virando a primeira de todo o Draft. Isso aí... Magic Johnson!! De uma tacada, o Jazz perdeu Moses E uma chance de pegar Magic... E o Lakers nunca teria acabado com Magic se não fosse a estupidez do GM do Jazz que decidiu pagar tudo aquilo por Goodrich. O Lakers simplesmente aceitou o presente. Me diga a última vez que uma única troca estúpida mudou tanto o destino de três ou quatro times e diversos títulos.

Com Bird, foi ainda mais esquisito (embora não tão inexplicável como essa troca por Goodrich). De alguma forma, Red Auerbach teve uma pequena pane cerebral antes da temporada de 76 e achou que era uma boa ideia trocar Paul Westphal e Paul Silas por Charlie Scott, Sidney Wicks e Curtis Rowe. Não só Westphal deu vida nova ao Suns (que chegou nas Finais aquele ano) e Silas era um dos favoritos da torcida, os recém-chegados não adicionaram em nada, jogaram mal e irritaram toda a torcida por não se importarem e não darem tudo de si, o que acabou matando o entrosamento do time em 77/78. Em 1978, quando a temporada do time ia pro saco graças a essa falta de ambiente na equipe, Red percebeu a besteira que tinha feito e se livrou dos três. Em particular, Scott foi trocado para o Lakers por Kermit Washington e uma escolha de primeira rodada. No Draft seguinte, a escolha do Celtics foi a número 6, e a recebida do Lakers (via New Orleans ainda na troca do Goodrich) foi a número 8. O Celtics acabou usando sua 6th pick num Junior de Indiana State que só viria pra NBA na temporada de 80 (passando mais um ano no College) chamado Larry Bird, e a 8th pick num ala pontuador chamado Freeman Williams pra substituir John Havlicek. Bom, até ai tudo bem, certo? Acontece que o próprio Red admitiu que o Celtics precisava urgentemente de um ala pontuador e que só pegou Bird pra esperar um ano porque sabiam que tinham outra escolha pra suprir a necessidade mais urgente (o ala pontuador), e portanto podiam se dar ao luxo do tempo com Bird. Em outras palavras, se o Celtics não tivesse a 8th pick vinda da troca de Scott,  eles teriam pego Williams com a 6th Pick e não Bird. Ou seja, se Red Auerbach não tivesse cometido o erro de trocar Silas e Westphal, o Celtics provavelmente teria tido uma boa chance de ganhar as temporadas 77 e 78 da NBA (especialmente 78, acho que ninguém tirava do Blazers em 77), mas ao mesmo tempo não teria pego Bird em 79 e nunca teria tido a década de 80 que teve. E depois não entendem porque Red foi o GM de mais sucesso da história: até quando ele errava, dava certo.

A parte mais engraçada? Se o Celtics não tivesse trocado Westphal, provavelmente teria pego Williams na 6th pick e perdido Bird, mas... Aonde Bird iria parar? A 7th pick era do Blazers, que dificilmente teria pego um jogador para esperar um ano dadas as lesōes de Bill Walton e a necessidade de ajuda imediata para um time que queria brigar pelo título pelas ultimas vezes, e a 8th pick teria sido de... Wait for it... Los Angeles Lakers, via Jazz! Como o Lakers tava passando por um período de reconstrução (por isso a troca de Washington), era bem capaz de LA ter acabado apostando em Bird, esperado um ano, e juntado com sua futura 1st rounder do Jazz em 1980 (o próprio GM Jerry West admitiu que queria pegar Bird se tivesse a chance em 1979). Em outras palavras, se Red não troca Westphal por Scott, o Lakers provavelmente iria pegar Bird em 79 e acabar com Bird, Magic E Kareem no mesmo time pelos próximos nove ou dez anos. Holy smokes!! Entendem agora o que eu quis dizer com "pequenas decisōes que nada tinham a ver com Bird e Magic mudando a história da NBA"? Quantos títulos esse time teria ganho pro Lakers? Sete? Oito? Gosto do jeito como as coisas acabaram, muito obrigado!