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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

David Price no Red Sox

Deal with it!



Para quem não sabe, alguns anos atrás eu sofri um sério acidente envolvendo um DeLorean, um cavaleiro medieval, uma cruz de massaranduba (o relatório da polícia diz mogno, mas não acreditem nele) e uma jacuzzi. O trauma me deixou com sérios problemas psicológicos, e entre eles está o surgimento de duas novas personalidades alternativas: Jean, a otimista; e Javert, a pessimista. 

Normalmente, as duas ficam controladas, mas devido ao choque que sofri hoje ao descobrir que meu amado Red Sox ofereceu 217 M de patacas para David Price meu sistema nervoso central achou mais seguro desligar-se por algumas horas. Nesse momento de fraqueza psicológica, meus alter-egos decidiram tomar controle do meu corpo, e aproveitaram para discutir essa contratação tão bombástica antes que eu acordasse. Por sorte, meu assistente Igor escutou todo o diálogo e registrou o dito-cujo aqui. Então descubram o que Jean e Javert tem a dizer sobre David Price no Red Sox.

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Javert: Alguém ai?

Jean: Eu. E holy crap, essa foi feia. Eu não via o chefe apagando assim desde que o 49ers decidiu mandar o Jim Harbaugh embora.

Javert: Melhor, assim não fala besteira. 

Jean: Ei, pelo que eu entendi aqui, parece que o motivo foi uma contratação do Red Sox. Deixa eu ver aqui... DAVID PRICE?!?! YESS!!!!!

Javert: Por 217 milhões de dólares em 7 anos! Porque diabos você está animado com isso?!

Jean: Bem, para começar, por que se o Red Sox teve uma franqueza particularmente gritante no ano passado, foi na rotação titular. O ataque também decepcionou em 2015, mas pelo menos acordou pós-All Star Game e foi um dos 10 melhores da liga na reta final da temporada. O grande problema foi no montinho: o Sox teve a terceira pior rotação da AL em 2015 e nona pior da MLB. E não é como se isso melhorasse ao longo do ano: pós All Star Game foi a quarta pior da AL e de novo nona pior da MLB. O time até tinha vários braços decentes de fim de rotação - o problema foi encher a rotação inteira com eles. Buchholz foi ótimo em meio a lesões (apenas 113 IP), mas entre arremessadores com mais entradas o melhorzinho foi Wade Miley e seu WAR de 2.6. Sólido para o fundo da rotação, mas se esse é seu ás, você não vai muito longe. Boston tem alguma profundidade, mas o que falta é realmente um ás, alguém capaz de ancorar o topo da rotação.

E David Price realmente se encaixa nessa definição. O canhoto é, sem dúvida, um dos melhores arremessadores da MLB faz um bom tempo: nas últimas 3 temporadas, apenas Clayton Kershaw e Max Scherzer tem mais WAR do que o ex-arremessador do Jays. Expandindo o número para cinco anos, apenas Kershaw aparece na frente de Price. Ele consegue mais de um strikeout por entrada, raramente cede walks, e teve 200+ IP em 5 dos últimos 6 anos que jogou. Ficou bem próximo de ganhar o Cy Young desse ano, e teria sido merecido se ganhasse. Então para um time que precisava de um arremessado de topo, é difícil conseguir alguém melhor do que David Price. É a peça que o Sox tanto precisava.

Javert: Acho que ninguém discute que o Sox precisa urgente de um bom arremessador para o topo da rotação, e que o David Price é um excelente pitcher... na temporada regular. Mas ele também é um SP de 30 anos que tem 5.4 de ERA nos playoffs. Então tem isso.

Jean: É verdade, mas eu não estou convencido de que exista alguma evidência sustentável para dizer que Price não pode arremessar bem nos playoffs. Seus números superficiais podem ser ruins - 5.4 ERA, 4.21 FIP - mas a maior parte disso é ruído causado por uma amostra muito pequena (apenas 63 entradas). NADA no baseball é mais perigoso do que tirar conclusões a partir de uma amostra pequena.

Além disso, não existe nenhum parâmetro para indicar que exista uma queda de performance por parte do canhoto: seus strikeouts caem um pouco (23.2% para 22.2%), mas seus walks também diminuem e em proporção ainda maior (6.3% para 4.6%) e nada indica que ele ceda mais rebatidas fortes nos playoffs. Na verdade, sua taxa de ground balls é quase 2 pontos percentuais maior na pós-temporada (44.2% para 46%). A diferença em performance é quase toda resultado de uma variação em HR/FB Ratio (9% para 15.5%), uma estatística que sabemos ser extremamente volátil em amostras pequenas. Então os números não sustentam que Price piore significativamente nos playoffs. É uma amostra pequena. E mesmo que exista alguma pequena piora (seu xFIP nos offs é de 3.45, na regular 3.35), isso é mais do que compensado pela sua capacidade de ajudar o time a chegar nos playoffs. Não da pra vencer na pós-temporada sem chegar lá primeiro, afinal.

Javert: Tudo isso é muito bonito, mas você está só tratando de David Price o jogador em um vácuo. Mas os jogadores não existem em um vácuo - eles custam dinheiro ou ativos para trazer. E Price custou muito, muito caro. 217 milhões de dólares (por 7 anos) é muito dinheiro - na verdade, a figura anual de 31M é a mais alta da história do baseball, empatada com Miguel Cabrera... que também foi um contrato dado pelo mesmo GM, Dave Dombrowski. 

Para colocar isso em contexto, o valor médio de uma "vitória" extra no mercado é de pouco mais de 6M de dólares. Para valer seu contrato, Price teria que ter uma média de 5 WAR por temporada durante os 7 anos do seu contrato, o que é absurdo. Nos últimos 5 anos, Price tem média de 5.2 WAR por temporada, então não é absurdo esperar que ele vá conseguir atingir essa marca nos primeiros anos de seu contrato... mas é ridículo imaginar que ele consiga chegar perto disso nos últimos anos. Nesse tipo de contrato longo e caro, o normal é que jogador supere essa média nos primeiros anos do seu contrato para "compensar" os anos de declínio no final, mas muito dificilmente será o caso de Price. E o Red Sox vai acabar preso a um contrato de 30M por ano para um arremessador de 37 anos de idade. Péssimo contrato.

Jean: O valor realmente é absurdo, mas é errado tratar o contrato como uma coisa só. Embora na superfície ele seja de 7y/217M, ele tem uma peculiaridade: David Price pode sair do contrato depois de apenas três anos, que totalizam 93M. Então é um contrato de 3y/93M com uma opção para Price de mais 4y/124M no final.

Em outras palavras, não está garantido que Price ficará até o final do seu contrato e que o Sox ficará pagando o que sobrar dele 31M ao ano em 2022. Existe um melhor-cenário possível para Boston no qual Price tem três ótimos anos - três anos onde ele é bastante capaz e talvez até provável de fazer jus ao seu valor anual, tendo 6+ de fWAR nos seus dois últimos anos - e depois opta por sair do seu contrato. Price terá apenas 33 anos em 2016, e se estiver jogando em alto nível pode querer garantir sua segurança financeira em um contrato mais longo. É possível.

Javert: É um cenário possível, mas improvável. Pense assim: porque um jogador iria aceitar esse tipo de contrato? Por que ele oferece nenhum risco e toda a segurança do mundo. O time todo assume o risco. Se Price jogar bem, ele pode realmente optar por sair do seu contrato em troca da segurança de um contrato mais longo, mas ele terá 33 anos então, e como eu já disse esse é o contrato com maior valor por ano da história da MLB. É bastante possível que mesmo jogando bem, Price ainda não ache um contrato que pague mais que os 124M que o Sox lhe deveria. 

E claro, tem o reverso da moeda: se por qualquer motivo Price não tiver sucesso, ou pior, sofrer uma lesão (lembrando que arremessadores são bem mais vulneráveis a lesões, ainda mais nessa época de Tommy John Surgery) ele está garantido de qualquer forma. Tudo que tem que fazer é aceitar sua opção que ele tem garantia de 31M por ano até sua possível aposentadoria. Existe sim um cenário positivo para Boston, mas a grande probabilidade é que Price aceite sua opção e Boston acabe com um albatroz na mão.

Ah sim, e fica pior. Boston não acabou de se queimar por sair no mercado e pagar grande dinheiro pelos jogadores errados? Que eu me lembre, na última offseason Boston também botou a mão no cofre e desembolsou 200 milhões em Sandoval e Hanley Ramirez... que combinaram para -3.8 fWAR em 2015, dois dos três piores jogadores da temporada. Agora o time está comprometendo contratos imensos para Hanley, Sandoval, Price e Pedroia, sendo que os dois últimos ainda são bons jogadores mas cujos contratos devem durar até depois do seu valor em campo ser aproveitado. Boston está seguindo por um perigosíssimo caminho, que é o de encher seu elenco de veteranos improdutivos mas que recebem demais e ocupam toda a folha salarial da equipe no longo prazo... que aliás foi EXATAMENTE o que acabou com o Tigers de Dombrowski. 

Jean: Vale a pena apontar, no entanto, que em 3 anos - quando Price tem a sua opt out - acaba o contrato de Ramirez, e Sandoval só tem mais um. Ou seja, é possível que o time limpe dois enormes contratos de uma vez só em 2018, e mesmo se Price ficar, o final dos contratos de Hanley e Sandoval coincide com a parte do contrato de Price que deve começar a ficar problemática. Nesse ponto, a folha salarial de Boston deve dar uma limpada para trazer os novos reforços e assumir o futuro da equipe.

Importante lembrar também que 2018-2019 - esse período onde os contratos de Sandoval, Hanley e talvez Price acabam - é quando os principais jovens talentos do time como Bogaerts e Mookie Betts estarão entrando na free agency, então não é como esses contratos ruins estariam impedindo a renovação dos jovens craques do time. Essa inclusive é a vantagem de montar um bom time pelas minor leagues: como várias posições importantes do time estão ocupadas por jogadores ganhando um mínimo, você tem mais dinheiro sobrando para direcionar a nomes maiores. Os contratos podem ser ruins, mas a timeline da equipe bate. 

Javert: Acabei de escutar um ronco, acho que o chefe está acordando. Alguma consideração final?

Jean: Queria lembrar que, apesar dos contratos ruins em um vácuo, precisa ser lembrado que Boston está querendo vencer agora. E nesse contexto, a chegada de Price faz sentido, um talento de elite que cobre a maior fraqueza do time e reforça as chances da franquia de competir logo - especialmente antes de Ortiz aposentar. 2015 foi um ano péssimo pro Red Sox, mas também foi um ano onde muita coisa deu errado. O time sabe que tem mais talento que isso, tem um núcleo bastante jovem que deve evoluir a alta velocidade, ainda tem boas peças veteranas... é uma boa combinação, tanto que muita gente apostava em Boston como um forte candidato a dar a volta por cima em 2016. E agora eles adicionaram David Price para a mistura. Em contexto, o plano me parece bastante claro, e Price encaixa nessa visão. Mesmo se o contrato, em um vácuo, for bastante... erm... polêmico.

Javert: Sempre habilidoso com as palavras. Eu teria mais fé no Dombrowski se ele não tivesse trocado quatro prospectos, inclusive dois Top50, por um closer semanas depois de chegar em Boston. Mas I digress.

Jean: Bem, acho que nosso tempo acabou. Vou ligar o Netflix e maratonar Jessica Jones. E você?

Javert: Lakers e Sixers está rolando. Preciso me lembrar que existe algo pior no mundo dos esportes nesse momento do que a folha salarial do Red Sox.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Ranking das categorias de base do beisebol em 2015



Na semana passada, nós - Vitor Camargo, do TM Warning, e Vinicius Veiga, do Spinballnet - divulgamos nosso especial com os Top100 Melhores Prospectos do Beisebol. Você pode ler mais detalhes sobre o que é essa lista clicando aqui, mas em resumo, é uma lista que trás os 100 melhores jogadores do esporte que ainda estão nas ligas menores, que ainda estão esperando para chegar à MLB, jogadores que ainda não são tão conhecidos do público e possuem menos visibilidade, mas que logo devem brilhar nos grandes palcos do baseball. Você pode conferir a lista e a introdução ao especial clicando nos links abaixo.

- Introdução ao Top100 Prospectos do Beisebol
- Top100 Prospectos do Beisebol

Esses são os 100 jogadores que, na nossa avaliação, são os mais valiosos de modo geral do esporte. Mas isso cobrindo o lado individual de cada um deles. A pergunta que resta então é: que franquia possui a melhor categoria de base, no sentido coletivo?

Essa é a pergunta que respondemos nessa segunda parte do Especial MLB de 2015. Olhando além de quem são os melhores jogadores, a ideia é olhar para todas as categorias de base dos 30 times da MLB e analisar quais possuem as melhores (ou as piores) do esporte, quais franquias estão mais bem servidas em relação aos seus jovens jogadores.

Obviamente, essa é uma pergunta subjetiva. Tentamos avaliar todas as bases - os famosos farm systems - usando critérios semelhantes aos usados para os jogadores, ou seja, uma combinação entre o potencial dos jogadores, o risco que eles apresentam, e a proximidade desses jogadores de contribuir nas ligas principais. No entanto, quando olhamos o conjunto de jogadores das divisões de base de uma franquia, existe um ponto extra a ser considerado: a profundidade.

Por definição, prospectos são jogadores de alta variância. Alguns seguirão as previsões ao longo de suas carreiras, enquanto outros irão produzir muito acima do seu valor projetado inicialmente, e ainda mais prospectos irão fracassar em busca de um lugar na MLB. Isso acontece mesmo entre os melhores prospectos - ou seja, aqueles que estão no Top100. Então é muito importante ter uma base com considerável profundidade atrás de seus principais prospectos, mais jogadores jovens que dão mais opções para o time, seja para conseguir trocas, seja como plano B, ou simplesmente tendo uma maior variedade de opções para procurar futuros jogadores de divisão principal. Por exemplo, um time com um prospecto Top10, mas sem nenhuma profundidade atrás dele, não vai querer trocar seu futuro craque por uma série de prospectos de menor expressão... mas se algo acontecer e essa futura estrela não despontar como esperado, o time não tem nada para "compensar" esse fracasso, enquanto um time com várias opções está mais bem equipado para lidar com uma decepção com um ou dois jogadores. É uma variável bastante importante.

Por isso é bom, nessas horas, entender que os jogadores no Top100 são individualmente os mais importantes, mas não são os únicos que importam. Jogadores sem tanto potencial ainda podem ter um papel sólido no revezamento de um time, nem que seja como um reserva de luxo ou um jogador sem posição fixa, talvez um especialista, e esses jogadores ainda são importantes para times da MLB, mesmo que com menor valor individual. É importante considerar a profundidade das divisões de base além de seus principais prospectos, aqueles que entrara na lista Top100 nesse ano. Um exemplo bom seria Matt Barnes, arremessador do Boston Red Sox e #86 da lista do ano passado. Esse ano, Barnes passou longe da lista já que está claro que será um jogador de bullpen na MLB, e portanto oferece menos valor individual do que um futuro arremessador titular. Mas por outro lado, bons braços vindos do bullpen também são importantes para qualquer time, então mesmo que o valor individual de Barnes seja comparativamente menor ao de outros prospectos, ainda é algo que adiciona um bom valor para a franquia. Quanto mais dessas opções, melhor. Isso importa também.

Então sim, é muito bom ter os melhores prospectos, aqueles que tem maiores chances de se tornarem bons jogadores de baseball no futuro. São esses os mais valioso e que toda base quer ter, e os mais importantes. Mas ao mesmo tempo, é importante ter uma profundidade, boas segundas opções, mais oportunidades de achar um futuro jogador do time titular mesmo que não de tanto destaque. Como equilibrar essas duas coisas - a importância dos grandes prospectos e a importância de uma base profunda em talento - é o grande desafio desse ranking.


Apresentação das bases

É bastante simples a forma como decidimos apresentar essas bases. Além de rankear todas as 30 categorias de base dos times da MLB, achamos que era importante dar alguma perspectiva de como nós vemos cada uma delas em comparação às demais, para facilitar o entendimento dos leitores. Então além do ranking individual de cada uma delas e da nossa breve descrição sobre seus pontos fortes e fracos, adicionamos três fatores nas cartas:

- Número de estrelas. Na hora de avaliar cada franquia, demos uma "nota" para cada uma delas na forma de estrelas, indo de 0.5 até 5. Obviamente, quanto maior a nota melhor, mas é uma forma de se observar como vemos o nível de uma franquia em comparação com as demais. Se colocamos uma franquia como #5 e outra como #7, obviamente consideramos que a primeira é melhor, mas se ambas possuem o mesmo número de estrelas, é porque consideramos que ambas as bases estão em um nível bastante semelhante - enquanto que se você tem duas bases com classificações consecutivas mas diferente número de estrelas, é porque consideramos que existe um desnível maior entre elas, que pertencem a patamares ligeiramente diferentes.

- Melhor prospecto. No baseball, o maior valor vem das suas estrelas, então é importante ter o melhor jogador possível que possa, eventualmente, se transformar em uma. É importante para as franquias que tenham esse tipo de jogador para causar grande impacto no futuro, então indicamos quem é o melhor prospecto de cada time para dar uma noção do quão forte ele é no topo.

- Número de jogadores no Top100. Como o próprio nome explica, é a quantidade de jogadores pertencente àquela franquia no nosso Top100. Considerando como eles são os melhores prospectos das ligas menores, é uma boa forma de ver o quão forte é a base de uma franquia. Embora nem todos os jogadores do Top100 tenham o mesmo valor, e embora seja importante os valores FORA do Top100, é um bom parâmetro para avaliação - afinal, são eles os jogadores mais valiosos.

E é isso. Enfim, chegou a hora de conhecer as melhores categorias de base do beisebol em 2015:


Ranking das Categorias de Base do Beisebol



































































Agradecimentos especiais: Marcelo Mazzini (@maecomazzini)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

World Series Breakdown: Cardinals vs Red Sox


Jonny Gomes treinando a largada nos 100m borboleta


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Finalmente, depois de uma longa espera e de uma temporada mais longa ainda, chegou a hora que todos aguardávamos. A World Series chegou, e agora são só mais uns seis ou sete jogos (esperamos!) até sabermos quem vai ser o campeão da temporada 2013 da MLB e vai ter o direito de contar vantagem até o ano que vem. Red Sox e Cardinals, dois dos times mais interessantes da MLB, vão se enfrentar nesse Fall Classic, e quem ganhar vai assumir a pole position em "melhor time do século 21" conquistando sua terceira World Series nesse período (o Giants também tem dois títulos nesse século).

Em meio a isso, porque não fazer um Dr. Jack Breakdown sobre esses dois times? Dr. Jack Breakdown foi um formato de coluna popularizado uns anos atrás pelo meu escritor favorito, Bill Simmons, onde ele criava uma série de categorias (algumas sérias e algumas mais aleatória e descontraídas) e via quando dos dois (podiam ser times, pessoas, filmes, whatever) tinha a vantagem naquele quesito. Achei um formato interessante para testar, e esse parecia ser o cenário ideal. Então vamos dar uma olhada no que Boston Red Sox e Saint Louis Cardinals tem a oferecer!

(Um lembrete: obviamente nem todas essas categorias tem alguma importância na hora de fazer algum tipo de preview da World Series - o Cardinals ganha vantagem no quesito "Sucesso recente", mas isso quer dizer absolutamente zero sobre suas chances nessa WS. Então não levem tudo ao pé da letra e tenham senso crítico na hora de olhar para as categorias que realmente indicam vantagens dentro desses sete jogos)


Temporada regular

Uma categoria extremamente equilibrada, principalmente porque Red Sox e Cardinals foram os melhores times de suas respectivas conferências e os melhores times da temporada regular. Cada time venceu 97 partidas, garantiu a 1st seed na liga, e fizeram isso jogando nas duas divisões mais fortes da MLB: a AL East teve QUATRO times acima de 50% - única divisão em 2013 a conseguir tal feito - e a NL Central teve três times que foram aos playoffs vencendo pelo menos 90 jogos. O Cardinals liderou a MLB em Pythagorean Wins com 101 e o Red Sox foi segundo com 100, também. Essa vai ser a primeira vez desde 1999 que os dois times com melhor record de cada conferência se enfrentam na World Series.
Vantagem: Empate


Sucesso recente

O Cardinals é possivelmente a franquia que mais teve sucesso nos últimos anos, chegando aos playoffs múltiplas vezes nos últimos anos, vencendo a World Series de forma milagrosa em 2011 com um dos jogos mais famosos da história da World Series (David Freese incorporando Ted Williams no G6 da WS) e um dos jogos mais underrateds dos últimos anos (G5 da ALDS, quando venceram os invencíveis 102-60 Phillies por 1-0, com Roy Halladay arremessando 8 entradas e cedendo apenas uma corrida e Chris Carpenter conseguindo um shutout para avançar o time). Um ano depois, o Cardinals chegou muito perto de voltar as Finais mas se tornou mais uma vítima em uma das pós temporadas mais milagrosas que eu já vi depois de 2004 (e que rendeu um dos meus melhores textos, só clicar no link). Enquanto isso, o Red Sox sofreu um dos maiores e mais vergonhosos colapsos da história da MLB em 2011 e teve uma das suas piores temporadas em 50 anos em 2012, então... yeah.
Grande vantagem: Cardinals


Capacidade no bastão

Apenas dois times anotaram mais corridas que o Cardinals na temporada regular. Um deles foi o Red Sox, que anotou logo 70 a mais mesmo com o Cardinals tendo jogado mais entradas na temporada. Mas olhar corridas anotadas é uma forma muito primitiva de olhar para ataques, pois ela está sujeita a todo tipo de fatores além do controle da equipe: clusterluck, aproveitamento com RISP (o segredo do Cardinals na temporada regular e que caiu quase 60 pontos nos playoffs, btw), sorte, estádios favoráveis, uma liga tem DH e a outra não, etc. Então é melhor olhar estatísticas que ajustam por fatores externos e que usam apenas aquilo que está sob o controle de um time quando ele sobe ao bastão, minha favorita sendo wRC+. Por wRC+, o Red Sox continua com o melhor ataque da MLB com 115 (ou seja, ajustando para sorte e estádios, ele gera 15% a mais de corridas que a média da liga), enquanto o Cardinals continua com um bom-mas-não-tanto 106, bom para sétimo lugar. Boston também lidera a MLB nas duas categorias mais importantes que envolvem passagens no bastão- OBP e SLG - mesmo ajustando para a presença do DH. Então a não ser que o Cardinals tenha descoberto um segredo milenar chinês para rebater com RISP - e talvez mesmo se tiver - o Red Sox tem o melhor ataque.
Vantagem: Red Sox


Baserunning

A outra parte de qualquer ataque, além do que os times fazem com o bastão, envolve correr as bases. Por correr as bases você deve entender tanto a capacidade de um time de roubar bases (e não ser pego roubando, claro) como de avançar bases extras nas rebatidas dos seus companheiros quando alguém está em base. O Red Sox terminou a temporada regular em quinto nesse quesito, gerando 11.3 corridas a mais com as pernas, e teve também o mais valioso corredor da MLB em Jacoby Ellsbury. O Cardinals foi um time basicamente medíocre nesse quesito: 17th, perdendo 0.9 corridas em 162 jogos por causa de baserunning. Então o Red Sox foi melhor, mas não é como se o Cardinals fosse uma atrocidade como o Detroit Tigers (que aliás se complicou muitas vezes na ALCS por conta disso): O Tigers terminou a temporada com -19.4 BsR (estatística que mede quantas corridas um time gerou correndo as bases), não só a pior marca da MLB em 2013 como a quarta pior marca dos últimos 70 anos. (O pior time desses 70 anos? 2004 Red Sox, é claro, um time cuja jogada mais famosa e mais emblemática foi... wait for it... exatamente um roubo de base, a famosa roubada de Dave Roberts contra Mariano Rivera no G4 que mudou os rumos da série! Ah, a ironia...)
Vantagem: Red Sox


Melhor jogador

Para o Cardinals, é ou Matt Carpenter (.318/.392/.481, 147 wRC+, 7.0 WAR) ou Yadier Molina (.319/.359/.477, 134 wRC+, 5.6 WAR), dependendo do quanto você gosta de creditar o sucesso dos arremessadores do Cardinals a capacidade de Molina chamando o jogo atrás do home plate. Nenhum dos dois tem jogado muito bem nos playoffs, mas essa é uma amostra pequena para tirar qualquer tipo de conclusão, e Carpenter possivelmente seria o MVP da NL se não fosse Andrew McCutchen. Para o Red Sox, você tem uma boa variedade para escolher, entre Jacoby Ellsbury (.298/.355/.426, 113 wRC+, lider em BsR, 5.8 WAR), Dustin Pedroia (.301/.372/.415, 115 wRC+, 5.4 WAR) ou até mesmo David Ortiz (.309/.395/.564, 153 wRC+, 3.8 WAR) pelo bastão. Red Sox tem mais profundidade (poderia ter incluído ai Shane Victorino e seu 5.6 WAR ainda), mas Carpenter teve o melhor 2013 entre todos os rebatedores dessa série.
Vantagem: Cardinals


Defesa

Aqui depende um pouco de que estatística você quer usar (se você quer usar "erros", eu sugiro que você vá ler um pouco mais sobre UzR antes de continuar, porque erros é uma estatística estúpida). Tradicionalmente eu gosto de usar UzR - ele mede quantas corridas um jogador de uma certa posição evitou (ou cedeu a mais) em relação a um jogador mediano da sua própria posição - porque é simples e eficiente. Mas ultimamente o fangraphs criou uma estatística que seria basicamente um UzR ajustado: ele considera que um SS que tem UzR de -1 é um defensor muito melhor que um 1B que tem o mesmo UzR, já que jogar de SS é muito mais difícil, então ele ajusta isso de acordo. É interessante na teoria, mas pensando em uma série curta, o que importa são as corridas a mais ou a menos que o time cede em um vácuo, independente de onde essa corrida veio. Então deixo a seu critério saber qual delas usar: em UzR, o Red Sox é 10th com 21.6 e o Cardinals é o quarto pior com -49.4; e em UzR ajustado, o Red Sox é 17th (6.5) e o Cardinals 20th (-8.3). Dividindo a diferença, e lembrando que o Red Sox pode usar o Papi de 1B nos jogos em Saint Louis, vantagem Red Sox mas não tão grande.
Vantegem: Red Sox


Mando de campo

A AL ganhou o All-Star Game, ironicamente com Mariano Rivera de MVP, o que significa que o Red Sox tem o mando de campo nessa World Series. Então o Red Sox tem a vantagem de jogar quatro jogos em casa - com as regras da AL - e jogar um eventual jogo 7 decisivo em seus domínios.
Vantagem: Red Sox


Adaptabilidade as regras

No baseball, a AL e a NL tem algumas regras diferentes, principalmente a do Designated Hitter. Então essa bagunça, na World Series, significa que nos jogos com mando do time da AL ambos os times jogam com DH, e nos jogos com mando da NL nenhum usa. Isso obviamente gera uma distorção - o time da AL perde um bom rebatedor e o da NL ganha um, quando jogam fora de casa - mas depende também de qual time está mais pronto para fazer essa adaptação.

No caso do Red Sox, o time vai ter que sacrificar Ortiz ou Mike Napoli nos jogos na NL. Considerando que a rotação inteira do Cardinals é de destros, provavelmente Papi que vai jogar esses jogos (embora talvez não todos - meu palpite é que ele joga dois e Napoli um), o que enfraquece o time na defesa e fortalece o ataque. Mas o Red Sox de modo geral tem uma vantagem interessante jogando na NL: uma legião de pinch hitters, perfeito para explorar matchups nos finais das partidas. O time também tem jogadores velozes (Victorino, Ellsbury, Quentin Berry) que são excelentes "manufaturando" corridas, e embora alguém possa dizer que o Sox não é um time bom fazendo bunt, isso é uma coisa boa porque (tirando algumas situações específicas) o bunt é uma jogada que diminui sua chance de anotar corridas em uma dada entrada ao invés de aumentar (de novo, depende do contexto, mas no geral funciona assim). Não me parece o ideal para o Red Sox, mas pelo menos seu banco profundo vai ser uma vantagem. Para o Cardinals, eles ativaram o único rebatedor que poderiam para o DH, Allen Craig, que não joga faz mais de um mês... mas isso me parece um pouco uma medida de último recurso. Craig não joga faz muito tempo, e provavelmente só foi ativado para a WS porque não tinha mais ninguém para fazer a função. Não confio que Craig esteja 100%, mas se estiver perto disso, é uma boa vantagem especialmente contra o canhoto Jon Lester no G1.
Pequena vantagem: Red Sox


Rotação titular

O Cardinals tem os dois melhores arremessadores titulares da série, Adam Wainwright e Michael Wacha (NLCS MVP), então isso sozinho já faz o time ter uma vantagem nessa categoria. Embora seja interessante mencionar que Wacha, escalado para começar os jogos 2 e 6 (ambos no Fenway Park), tem uma brutal diferença jogando dentro e fora de casa (2.4 FIP em casa e 4.06 fora), enquanto Jon Lester foi um dos melhores arremessadores da MLB em Setembro (2.28 de FIP - melhor que Wainwright no mesmo período). E apesar de Wacha/Wainwright serem a melhor dupla da série, o Red Sox tem vantagem no duelo Joe Kelly/John Lackey ou Clay Buchholz (inclusive um eventual G7). O Cardinals ainda tem a vantagem porque tem mais talento no topo da rotação, mas Wacha jogando apenas fora de casa e a emergência de Lester em Setembro (especialmente considerando a dificuldade do Cardinals contra LHP), a diferença é menor do que parece a primeira vista.
Vantagem: Cardinals


Bullpen

O Cardinals teve um sólido Bullpen em 2013, terminando com o terceiro melhor FIP da MLB, enquanto o do Red Sox caiu no meio da tabela. Mas nos playoffs, você não precisa de todos seu bullpen, precisa de apenas uns poucos escolhidos. O Cardinals tem alguns jogadores interessantes, entre eles o especialista em groundballs Seth Maness e o 0.45 de ERA do Kevin Siegrist, e o canhoto Randy Choate vai cair bem para enfrentar os canhotos do Red Sox. Enquanto isso, Boston tem apenas dois relievers confiáveis: o canhoto Craig Breslow e o destro Junichi Tazawa, ambos tem jogado muito bem nos playoffs, mas fora os dois ninguém inspira confiança, e isso pode custar o Red Sox nos jogos mais táticos da NL que envolvem muitas mudanças de arremessador, ou mesmo nos jogos de Buchholz, que está sem a mesma energia desde que se machucou. O Cardinals tem mais depth, e por isso leva a categoria.
Vantagem: Cardinals

Closer

O closer calouro do Cardinals, Trevor Rosenthal, teve uma temporada muito boa, sétimo na MLB entre RPs com 2.2 de WAR, um FIP de 1.96, e tem sido ainda melhor nesses playoffs com sua bola rápida dançando em torno de 98 MPH. Um top prospect da organização, Rosenthal me lembra outro closer calouro da organização, que conseguiu o save final na World Series de 2006 e eventualmente virou titular um ano depois. Esse closer, Adam Wainwright, hoje é um dos melhores pitchers da MLB, e me pergunto se o mesmo pode acontecer com Rosenthal em breve: embora seja principalmente um pitcher de fastballs, ele tem uma curveball e um changeup em desenvolvimento e algo que lembra um slider ou cutter, então ele parece estar caminhando na direção da titularidade mesmo. Mas por melhor que Rosenthal tenha sido, o Red Sox tem um jogador que terminou uma das melhores temporadas por um relief pitcher na história da MLB e que teve a sequência mais dominante por um closer na história do jogo. Então tem isso. 
Vantagem: Red Sox


Carisma e estilo

O Red Sox vence sobre o Cardinals e qualquer time da MLB. Quer dizer, olha essas barbas!! Como não gostar desse time?! Eu não gosto muito desses times "Somos guardiões da honra do jogo e ninguém pode demonstrar emoção" que nem o Cardinals, e agora eles encontraram um prato cheio em Boston. 
Grande vantagem: Red Sox


Manager

Avaliar um manager é difícil demais, porque nós só temos acesso a uma parte de ser um manager: suas decisões e estratégias dentro de campo. A parte contínua - cuidar do vestiário, conduzir a carreira e o ego dos seus jogadores, promover mudanças na sua equipe para tirar o máximo dos jogadores, etc - é algo que não temos como medir, estão incorporadas em todos os números que já falamos. Então quando pensamos no impacto que um manager pode ter em uma série de 7 jogos, estamos pensando principalmente nas decisões dentro de campo.

Eu vejo muitos torcedores do Cardinals criticando muito o Mike Matheny, mas não acho ele tão ruim - ou pelo menos não é pior do que o grande número de managers tradicionais que pensam demais em seguir as "diretrizes corretas" do baseball ao invés de tomar as decisões que maximizam suas chances de vencer. Mas ele não tem medo de confiar nos seus jogadores calouros como Rosenthal, e em geral sabe conduzir bem sua equipe com um lineup um pouco limitado (mais sobre isso daqui a pouco). Do outro lado, Farrell absolutamente se recusa a seguir lógicas simples, como por exemplo o que fez no G6 e quase custou ao time a vitória (trazendo seu pior reliever, famoso pelos walks, para enfrentar o meio da ordem do Tigers com 2 em base e nenhum eliminado quando tinha Breslow, Tazawa ou Koji Uehara ainda no bullpen. Franklin Morales cedeu um walk e uma deveria-ter-sido-double que só não teve mais estragos porque o Prince Fielder é um dos piores baserunners da história do mundo) ou mesmo não usar o canhoto Daniel Nava (146 wRC+) contra RHP para usar o destro Jonny Gomes (103 wRC+ contra RHP). Eu prefiro o cara convencional do que o cara que não faz sentido.
Vantagem: Cardinals



Vantagem em caso de briga

O Cardinals é um time que gosta de manter suas emoções sob controle, e em uma briga, é sempre importante ter os jogadores mais ensandecidos. O Red Sox tem Victorino, Napoli, Jonny Gomes, Dustin Pedroia e mais uma meia dúzia de malucos que eu odiaria ver pela frente em um dia de fúria. E btw, eu não sei se o Cardinals tem uma resposta a altura do David Ortiz.
Vantagem: Red Sox


Banco de reservas

Uma das maiores fraquezas do Cardinals nesses playoffs. Com Craig fora, seus melhores pinch hitters eram Shane Robinson, Daniel Descanso ou o calouro Kolten Wong, horríveis opções para enfrentar jogadores como Kelly Jansen, Craig Kimbrel ou Uehara. Com Craig isso melhora um pouco, mas se ele jogar de DH o time fica absolutamente sem ninguém competente para trazer do banco nos jogos em Boston, e mesmo com ele (a menos de 100%) faltam opções para o time em St Louis. Enquanto isso, o Red Sox pode ter o melhor banco da NFL: se Gomes continuar jogando de titular, o time tem dois excelentes canhotos (Mike Carp e Nava) e mais Will Middlebrooks de destro, um dos melhores corredores da MLB em Quentin Berry, e talvez até Jarrod Saltalamacchia se David Ross começar de titular alguns jogos. O que não falta são opções.
Grande vantagem: Red Sox


Organização como um todo

O Cardinals vence qualquer time dos últimos 15 anos na MLB nesse critério. O trabalho que o Cardinals - 15th maior folha de pagamento da MLB apenas - tem feito com seu time é espetacular: suas ligas menores são uma fábrica de grandes jogadores (sai Albert Pujols, entra Matt Carpenter, Allen Craig, Matt Adams; machuca Chris Carpenter, sobem Wacha e Shelby Miller), o time sabe muito bem como evitar contratos imensos que entopem a folha salarial do time (Pujols alert!) e maximizar cada um dos seus ativos, e eles tem feito isso por quase 10 anos agora. Não é uma coincidência que o time está tão consistentemente entre os melhores da MLB mesmo sem uma folha de gastos tão grande. Ano que vem, o Cardinals pode ter uma rotação titular com Wainwright, Lynn, Wacha, Miller E Rosenthal - todos produtos da casa - e ainda tem o melhor prospect das ligas menores (Oscar Taveras) esperando na AAA. Invejável o que essa organização faz, e merece o sucesso que tem.
Grande vantagem: Cardinals


Matchup direto

Em outras palavras, como as forças e fraquezas de cada time combinam entre si, e qual time tem vantagem nisso?

A maior força do Boston Red Sox é algo que é frequentemente negligenciado mas que foi um fator chave na sua vitória na ALCS: o lineup do Red Sox simplesmente pune o braço dos arremessadores. O time trabalha cada bola, cada at bat, cada arremesso em busca da bola ideal, forçam o adversário a arremessar muitas vezes por confronto, e no final da sexta ou sétima entrada mesmo o arremessador mais dominante tem que sair do jogo porque está fisicamente esgotado. Muita gente apontou para o bullpen do Tigers sendo ruim como o fator decisivo da série, mas eles tiveram que ser tão usados porque os arremessadores do Tigers não conseguiam terminar as partidas tendo lançado tantos arremessos, mesmo sendo o grupo mais durável da MLB. Então entrou o bullpen - sempre pior que a rotação titular - e o Red Sox cansou de castigar essas figuras. Considerando que entre todas as áreas do confronto a grande vantagem que o Cardinals vai precisar explorar para ganhar são seus arremessadores titulares, essa capacidade do Sox de eliminar cedo na partida os SPs é crucial para assegurar que Wacha e Wainwright joguem o mínimo possível. Se Boston tiver sucesso nisso, tem a série nas mãos.

Da mesma forma, a maior fraqueza do Cardinals é (além do banco horrível) sua dificuldade rebatendo contra canhotos. Por sorte, o Red Sox só tem um canhoto, Lester, na sua rotação, mas ele é o melhor pitcher do time e pode jogar até um terceiro jogo em caso de chuva. Craig é uma peça importante contra Lester, considerando que ele é muito melhor contra canhotos do que Matt Adams, mas ainda não é sua especialidade (ele é melhor contra destros) e Craig não deve estar 100%, então o matchup Lester-lineup do CArds é favorável a Boston.
Vantagem: Red Sox


X-Factor

A variável que determina de fato as chances do Cardinals é Allen Craig. Craig foi o terceiro melhor rebatedor do time em 2013, é um jogador muito eficiente no bastão e foi o melhor jogador do time rebatendo com jogadores em posição de anotar corrida, o único jogador ativo cuja diferença rebatendo com RISP é significativa (ao contrário do time do Cardinals em 2013 como um todo, btw, que não é). Craig foi ativado para servir como DH na AL e dar proteção ao banco do time, mas como eu disse, ele não joga faz um mês e meio e, se não foi ativado sequer para ficar no banco como jogador de emergência na NLCS, é porque deve estar longe de 100%. Sua lesão no pé também vai afetar consideravelmente sua já fraca defesa e baserunning, então ele deve ter um papel maior como DH e pinch hitter mesmo - talvez começando de titular um eventual G5 contra Lester em casa. Se Craig estiver 100% ou perto disso, ele pode mudar essa série pois "tapa" a grande fraqueza desse banco e é um excelente rebatedor de modo geral, oferece um DH para tirar vantegem da posição na AL (imagina se fosse Descalso ou Robinson? Yeekes!) e uma opção ao canhoto Adams. Mas novamente, vai depender do quanto ele estiver bem e produzindo, talvez não seja mais do que uma tentativa infrutífera.

Do lado do Red Sox, o X-Factor é o X-Man, Xander Bogaerts. Nas listas de "prospects" do baseball (como a que colocou Wil Myers #1 em 2013), o que eles consideram não é apenas o nível do prospect mas o quão perto de produzir nas ligas maiores ele está. Mas se considerarmos apenas o valor dos jogadores nas Minor Leagues (ou seja, qual deles teria mais valor caso o time decidisse trocar ou mesmo o valor esperado total que o jogador deve produzir), então Bogaerts e Byron Buxton seriam 1-2 em alguma ordem em qualquer lista do mundo. Apesar dos 21 anos, Bogaerts assumiu a titularidade na metade da ALCS e foi o jogador mais impressionante do time, conseguindo walks em 45.5% das suas passagens no bastão e rebatendo apenas doubles. Amostra pequena, obviamente, mas é só assistir o moleque para perceber que ele é especial: seu olho no bastão é uma coisa fora de série (trabalhou a contagem para 3-2 em todos seus ABs na ALCS contra Max Scherzer saindo de 0-2 e 1-2, terminando com dois walks e um double) e ele tem se destacado muito também na defesa. Considerando a falta de canhotos no lineup titular do Cardinals, ele provavelmente vai jogar na 3B no lugar de Middlebrooks e não na sua posição de origem de SS, mas ele rebateu muito bem quando teve a chance e deveria subir no lineup para essa série. Xander é o jogador que, se subir no bastão (talvez para 6th, um lugar onde o time sofre muitos Ks) e produzir, pode mudar essa série pro Sox.

Veredito final: Red Sox em 7.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Considerações sobre as LCS


This is October baseball


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Normalmente eu nem iria escrever essa coluna sobre a ALCS e a NLCS, apesar de todo meu amor pelos playoffs da MLB. Infelizmente, é NFL e não MLB/NBA que eu tenho que produzir semanalmente para o Esporte Interativo, então falta tempo para sentar e escrever direito de baseball. Mas como um número surpreendentemente grande de leitores veio pedir essa coluna e falar que gostam do que eu escrevo de baseball, então acabei escrevendo esse post para falar um pouco sobre alguns fatores interessantes dessas finais de liga na MLB. Considerando que peguei o bonde andando, não vou fazer um preview ou uma previsão, só comentar alguns pontos interessantes e como eles podem ou não influenciar a série daqui para frente. Então vamos começar pela ALCS, onde o Red Sox abriu 2-1 de vantagem na série ontem.


ALCS: Boston Red Sox vs Detroit Tigers


- O show de strikeouts do Detroit Tigers
Nesses três primeiros jogos da ALCS, uma das coisas que mais chamou a atenção foi o show de strikeouts que os titulares do Detroit Tigers estavam conseguindo. Em três jogos, os três principais arremessadores do Tigers (Justin Verlander, Max Scherzer e Anibal Sanchez) arremessaram juntos 21 entradas e conseguiram 35 strikeouts, um números basicamente absurdo e impossível que deveria ser proibido. Basicamente, os titulares do Tigers enfrentaram 77 batedores e conseguiram 35 strikeouts, um índice de strikeouts de 45.4%. O recorde de uma única temporada para um arremessador é 37.5%, Pedro Martinez em sua lendária temporada de 1999. Então por ai da para ver o quão dominante tem sido esse trio na série, e também o quão é absurdo o que eles estão fazendo, especialmente contra um time que teve o melhor ataque da MLB durante a temporada regular.

Como geralmente acontece nesses casos, algumas pessoas perguntaram se isso mostrava uma grande performance dos arremessadores de Detroit ou uma sequência muito ruim dos rebatedores de Boston, que não conseguiriam acertar uma pinhata a essa altura. E como normalmente é o caso, a resposta é que um pouco dos dois casos. Quando você tem uma dominação muito grande, geralmente é uma história de dois lados. Yu Darvish é um arremessador espetacular, mas não é uma coincidência que alguns de seus melhores resultados na carreira vieram contra os horríveis Astros, por exemplo. Também não é uma coincidência que o Seattle Mariners tenha sido uma fonte constante de no-hitters nos últimos anos para seus adversários.

Essa série não tem sido diferente. O Tigers tem um conjunto de arremessadores que é monstruoso com Scherzer, Verlander e Sanchez, três pitchers que conseguem uma tonelada de strikeouts e que possuem um repertório devastador. Durante a temporada regular, Scherzer foi o segundo colocado na MLB em K% com 28.7% (atrás dos 32.4% de Darvish) e Sanchez foi o quinto colocado com 27.1%, enquanto que Verlander vinha na 15th posição (23.5%) mas subia para o Top5 pegando apenas no mês de Setembro. Scherzer também possuía a quarta melhor fastball de 2013 (atrás de atrás de Harvey, Kershaw e Cliff Lee) e o terceiro melhor slider (atrás de Darvish e Jose Fernandez), enquanto Sanchez aparece no Top10 com seu changeup e seu slider e Verlander é Justin freaking Verlander, 2011 MVP e o melhor pitcher da MLB entre 2009 e 2012. Então não é nenhuma surpresa ver esse trio conseguindo dominar adversários, acumulando strikeouts e usando seus arremessos dominantes em situações favoráveis (mais sobre isso daqui a pouco). O problema é que essa dominação é um pouco absurda demais mesmo para os altos padrões dessa rotação, e para isso é só olhar do outro lado, para os at bats que o Red Sox está tendo nessa série, e eles tem sido realmente atrozes: tirando os seis walks conseguidos contra o Anibal Sanchez, o que temos visto é uma sequência enorme de jogadores indo para swings fora da zona de strike, com pouco controle sobre a zona e que estão tendo dificuldades em fazer contato de maneira geral. 

Algumas pessoas se perguntam se essa sequência realmente muito ruim do Red Sox no bastão tem a ver  com o tipo de abordagem da equipe durante toda a temporada. Ao longo do ano, o Red Sox foi de longe o melhor time da MLB trabalhando as contagens e os at bats em seu favor, um time extremamente paciente, que via muitos arremessos a cada passagem pelo bastão e via, como consequência, um grande número de contagens altas. Uma das consequências desse tipo de abordagem, naturalmente, é que você vai cometer muitos strikeouts, já que vai se ver muito em situações de dois strikes - e de fato, o REd Sox foi o nono time que mais sofreu strikeouts em 2013, 20.5%. Mas esse tipo de abordagem também trás outras vantagens. A primeira é que você tamb ém vai conseguir muitos walks, já que vai se colocar em muitas contagens de três bolas, e de fato o Red Sox foi o quarto melhor time conseguindo walks, 9.1% das passagens no bastão. E segundo e talvez mais importante, ver um grande número de arremessos significa que tem mais chances, a cada passagem no bastão, de receber aquele arremesso que você mais gosta ou é mais eficiente rebatendo, aquele arremesso sob o qual você tem o maior controle, e isso o Red Sox fez a perfeição: apenas dois times rebateram mais LDs do que o Red Sox, e Boston terminou o ano com o maior BABIP e o maior xBABIP de toda a liga, uma mostra de que eles realmente controlaram muito bem as bolas que colocavam em jogo. Mas nessa série, isso pode estar atuando contra a equipe: os rebatedores do Sox estão se colocando muito cedo em situações de 1-2 ou 0-2, mas dessa vez estão fazendo isso contra uma equipe que tem arremessadores com arremessos muito mais perigosos do que o comum para conseguir esse strikeout. Esse trio do Tigers foi particularmente brutal enfrentando arremessadores em contagens de dois strikes, pois podiam usar seus melhores arremessos nesses momentos, e é muito mais complicado sobreviver quando jogadores desse calibre estão usando suas melhores bolas. E isso é um dos fatores que tem levado tanto aos strikeouts.

A pergunta que isso levanta, naturalmente, é se o Red Sox deveria mudar sua abordagem, indo para o swing mais cedo nas contagens ao invés de se colocar nessas situações favoráveis aos arremessadores adversários. Essa é uma questão mais difícil do que parece a primeira vista. Fazer isso provavelmente vai diminuir os strikeouts e vai levar o time a colocar mais bolas em jogo, sem dúvida, mas também possui alguns poréns. Primeiro, porque torna mais difícil para o time chegar em base através de walks (uma das suas grandes forças) e ver os arremessos mais favoráveis para rebater. Mas segundo e talvez mais importante, porque não gasta o braço dos arremessadores. Esse é um benefício menos comentado de trabalhar muito a contagem, mas quando você obriga o pitcher a arremessar mais vezes, você encurta o tempo que ele fica em campo e as entradas que ele arremessa, forçando o titular (e provavelmente um jogador melhor) a sair e entrar o bullpen (e seus jogadores inferiores). Isso é particularmente importante em uma série onde os titulares de Detroit estão sendo tão dominantes, porque obriga eles a saírem mais cedo da partida e colocar os relievers, que estão sendo muito pouco confiáveis nesses playoffs (a começar pelo Grand Slam de David Ortiz no G2, com cinco relievers diferente colocando um jogador em base). Então é uma faca de dois gumes ir para o swing antes: você diminui os strikeouts, mas você se arrisca a ver jogadores como Scherzer e Verlander - jogadores que você normalmente iria querer ver o mínimo possível - por mais entradas. Achar esse balanço - o time tentou contra Justin Verlander e não teve muito sucesso, apesar da vitória - vai ser chave quando Sanchez e Scherzer voltarem ao montinho para uma segunda chance.


- Historicamente bom
Claro, você está lendo isso numa quarta feira a tarde sabendo que o Red Sox está vencendo a série por 2-1 nesse momento. E isso aconteceu por dois motivos, principalmente: porque o Red Sox possui David Ortiz, e porque eles conseguiram vencer Detroit em seu próprio jogo no G3.

A história do G2, passando um instante pelo final histórico e mais um home run monumental nos playoffs de David Ortiz (uma mistura de Dave Henderson e Roy Hobbes a esse momento), é de algo que eu já falei dois parágrafos atrás. Contra Scherzer, o provável Cy Young da AL, o Red Sox foi, novamente, inútil: em sete entradas, o time conseguiu duas rebatidas e dois walks, mas sofreu 13 (!!) strikeouts e anotou apenas uma corrida, números muito ruins para um ataque tão potente. Mas pelo menos, a abordagem de muitos arremessos e trabalhar contagens fez com que Scherzer chegasse aos 108 arremessos nesse ponto, fazendo Jim Leyland tirá-lo e confiar no seu bullpen, muito menos confiável desde a série contra Oakland. O resto foi história: Jose Veras cedeu um double para Will Middlebrooks e saiu para a entrada de Drew Smily com o canhoto Jacoby Ellsbury indo ao bastão. Smily cedeu o walk para Ellsbury e foi tirado por Al Albuquerque, que conseguiu o strikeout em cima de Shane Victorino mas cedeu a rebatida simples para Dustin Pedroia para lotar as bases. Leyland trouxe então seu closer Joaquin Benoit para enfrentar David Hobbes Ortiz, que imediatamente mandou o primeiro arremesso que ele viu (83 MPH changeup) para o outro lado do muro empatando o jogo com um grand slam. Uma entrada depois, contra um confuso Rick Porcello, Jarod Salty venceu a partida com um walk-off single no que deveria ter sido uma confortável vitória do Tigers para praticamente selar a série. Então é fácil se maravilhar com David Ortiz aparecendo em um momento crucial em Outubro mais uma vez - ele possivelmente vai entrar no Hall da Fama pelo seu currículo de playoffs sozinho - e possivelmente salvando a temporada de Boston com um dos HRs mais importantes e incríveis dos últimos anos, mas não foi nada fácil, e precisou de Scherzer sentado no banco e um improvável rally contra o fraco bullpen de Detroit para chegar nesse ponto... e digamos que ter um dos maiores monstros em playoffs da história recente (deixando de lado o inútil debate sobre clutchness ou não, você vai ter trabalho achando um jogador que teve mais desses momentos em playoffs nos últimos anos do que Ortiz) ajuda.

No G3, o Sox bateu o Tigers no seu próprio jogo: pitching. Justin Verlander foi magistral com 8IP, 10K, 1 BB e 1 ER, mas de alguma forma John Lackey - experimentando uma temporada de volta por cima absolutamente assombrosa - conseguiu ser ainda melhor, striking out 8 em 6.2 entradas sem ceder walks ou corridas. De fato, a vitória veio por um quesito em que o Tigers tinha chamado mais a atenção: strikeouts. Entre Verlander e o bullpen, o Tigers conseguiu 11 strikeouts na partida, um bom número... mas entre Lackey e o bullpen do Sox, o time combinou para 12 Ks na partida. Se o Tigers estava vencendo por conta de seus arremessadores, dessa vez Boston deu o troco, dominando do começo ao fim o bom (mas baleado) lineup de Detroit. Mas mais importante do que a quantidade de strikeouts, foi como os arremessadores conseguiram esses strikeouts em momentos cruciais da partida. O primeiro aconteceu na quinta entrada, quando Jhonny Peralta começou a entrada com uma rebatida dupla e avançou para a terceira base no groundout de Alex Avila. Era uma situação clara de sac fly, e com Lackey e Verlander jogando como estavam, uma corrida poderia se provar decisiva (como aconteceu)... mas Lackey trabalhou a contagem completa contra Omar Infante, conseguindo o strikeout com um cutter obsceno que Infante não chegou nem perto de rebater.

O segundo momento de perigo - e um perigo bem maior - aconteceu na oitava entrada, pouco depois do HR de Mike Napoli dar a vantagem ao Sox. Depois de uma série de decisões questionáveis de John Farrell (chegaremos nela) fez o Tigers colocar homens na primeira e terceira base com apenas ume liminado, e o que era pior, com o coração da ordem do time vindo para o bastão - Miguel Cabrera, Prince Fielder e, eventualmente, Victor Martinez. Junichi Tazawa enfrentou o provável MVP da MLB com artilharia pesada: quatro fastballs, 94, 95, 94 e 94 MPH, todas altas desafiando Cabrera a ir para o swing... e ele foi em todas, somando três swinging strikes e um foul ball, sendo enfim eliminado por strikeout. Tazawa nunca teria feito isso se Cabrera tivesse 100% - durante a temporada regular ele foi obsceno rebatendo fastballs, especialmente altas ou na parte de dentro da zona - mas ele está claramente limitado até aqui e não está conseguindo gerar o mesmo tipo de poder com seu swing, então Tazawa aproveitou isso (e o fato de que Cabrera foi um dos jogadores da MLB que mais rebateu em DPs) para atacar o 3B, e conseguiu o strikeout. Fielder subiu ao bastão ainda em uma situação delicada, mas Farrell trouxe Koji Uehara para enfrentar o gordinho: Fastball, fastball, splitter, strikeout, e o resto é história, com Boston assumindo a vantagem 2-1 na série apesar de suas dificuldades contra os titulares de Detroit.

Uehara, inclusive, é um personagem extremamente importante nesse time do Red Sox que não tem recebido o devido crédito por seu brilhantismo em 2013. Quando Uehara conseguiu o strikeout para cima de Prince Fielder, eu coloquei no twitter do blog que "Não vou mais chamar Koji Uehara de Mariano Rivera japonês. Agora Rivera é o Koji Uehara latino". Era obviamente uma brincadeira, mas um número surpreendentemente grande de pessoas achou que eu estava falando sério e me criticou por dizer isso. Então só para ser do contra, que tal isso...

2013 Koji Uehara: 1.09 ERA, 1.61 FIP, 2.08 xFIP, 0.57 WHIP
Melhores marcas da carreira de Mariano Rivera: 1.38 ERA (2005), 1.88 FIP (1996), 2.28 xFIP (2008), 0.67 WHIP (2008)

Impressionante, não é mesmo? E isso sem nem falar que esse 0.57 de WHIP é a melhor marca da história da MLB para um jogador com pelo menos 50 IP. Então em nenhum momento eu acho que Koji Uehara chega perto de Mariano Rivera - o maior closer da história do baseball - como jogador, mas o fato é que 2013 Koji Uehara foi mais dominante do que Rivera, Joe Nathan, Joakim Soria ou qualquer outro grande closer moderno (tirando TALVEZ 2012 Craig Kimbrel) foram em algum ponto específico de suas carreiras. E sinceramente, isso é mais do que suficiente.


- Decisões de um técnico
Um dos momentos mais polêmicos da partida de ontem foi a decisão do John Farrell de tirar Lackey - que estava espetacular - depois de 6.2 entradas e colocar Craig Breslow para enfrentar Alex Avila. O narrador da partida, Romulo Mendonça (de quem eu gosto) disse que era uma decisão controversa e difícil, e que só saberiam se ela foi certa ou não dependendo do resultado da entrada. Com todo o respeito, essa é a PIOR forma de se avaliar qualquer tipo de decisão durante o jogo. O resultado de qualquer decisão é influenciado por inúmeros fatores além do controle ou do conhecimento do técnico, fatores esses que muitas vezes são aleatórios, em particular em um esporte como baseball. Avaliar uma decisão com base no resultado final é a forma mais pobre possível. Ontem eu comentei sobre um caso semelhante na NFL e expliquei, passo a passo, como devemos olhar para o processo da tomada de decisão na hora de julgar um técnico, e não o resultado final. Embora o esporte seja outro, o raciocínio ainda vale: o técnico não tem como saber qual vai ser o resultado de sua ação, está além do seu controle muitas vezes, a questão é que ele precisa tomar a decisão que de ao seu time a melhor chance de sucesso, ainda que as vezes a melhor decisão nem sempre de no melhor resultado, e vice versa. Então ignorando essa besteira de "a decisão foi boa se o resultado foi bom", vamos olhar o processo de tomada de decisões de Farrell e ver aonde ele acertou e aonde ele errou.

Primeiro, Lackey estava dominando a lineup do Tigers, como já dissemos: 8Ks, nenhum walk e apenas uma rebatida multibase (o double de Peralta). Até que Farrell decidiu, com 2 outs, nenhum homem em base e Alex Avila no bastão, tirar Lackey e trazer Craig Breslow para enfrentar o catcher de Detroit. Bom, para avaliar essa decisão, primeiro precisamos partir de um simples fato: Lackey não iria voltar para a oitava entrada de qualquer forma. O RHP já estava se aproximando dos 100 arremessos, e Farrell disse que não queria exagerar na carga de seu titular de um eventual G7, então ele não iria voltar de qualquer forma. Nesse caso, a única questão que fica na sétima entrada é simples: quem teria maior chance de conseguir a eliminação sobre o canhoto Avila, Lackey ou Breslow?

A resposta para essa questão é fácil. Avila é um rebatedor muito bom contra destros, na verdade. Em 2013, ele rebateu .255/.345/.422 contra destros, para um wRC+ de 112 (ou seja, rebatendo contra destros ele gera 12% a mais de corridas que um jogador médio). Enquanto isso, contra canhotos Avila rebateu apenas .139/.227/.228 para um wRC+ de 25 (ou seja, 75% pior do que um jogador médio rebatendo contra canhotos). Mesmo com alguma influência de BABIP, os periféricos sustentam essa visão: Avila consegue walks a uma taxa 3.1 pontos percentuais maior contra destros e comete strikeouts a uma taxa 9 pontos percentuais maior contra canhotos, sem falar nas diferenças rebatendo por força (20% FB/HR ratio contra destros, 6.4% contra canhotos). Então me diga, considerando a enorme diferença de Avila rebatendo contra destros e canhotos, e que Lackey iria sair ao final da entrada de qualquer forma, me diga: quem você acha que, enfrentando Avila, teria maior chance de eliminá-lo, o destro ou o canhoto? Claro que o canhoto, e por isso foi uma decisão inteligente trazer Breslow.

Mas ai chegou a oitava entrada, com Jose Iglesias (pinch hitting no lugar do Andy Dirks por algum motivo obscuro) e o começo da ordem de Detroit (Austin Jackson, Tori Hunter e Miguel Cabrera) logo depois. Bom, antes de mais nada, sabe o que esses quatro jogadores tem em comum? Eles são todos destros, e Farrell tinha a sua disposição Junichi Tazawa - um destro - aquecendo no bullpen e que poderia entrar e enfrentar essa sequência de RHH. Ao invés disso, Farrell optou por manter Breslow. Então vamos olhar o que tem por trás dessa decisão.

Vocês provavelmente já ouviram ou ainda ouvirão um comentarista profissional de MLB falar que Breslow é mais eficiente contra destros do que contra canhoto apesar de ser um LHP, o que justificaria a decisão de Farrell de usar Breslow contra uma sequência de destros. Mas isso está totalmente errado. É o tipo de conclusão superficial que você vai chegar se olhar somente os números dos jogadores rebatendo contra Breslow: .205 quando são destros, e .253 quando são canhotos. Mas ai você começa a olhar mais a fundo, e você vai perceber que isso não vem da capacidade de Breslow e sim do puro acaso. Em baseball, existe uma estatística chamada BABIP, que significa Batting Average for Ball In Play. Em outras palavras, ela mede quantas das bolas que foram colocadas em jogo contra um dado arremessador viram rebatidas válidas. E a questão é a seguinte: arremessadores não tem quase NENHUM controle sobre seus BABIPs, é uma estatística que depende totalmente do acaso e da defesa, e que tende a um patamar próximo de .295 para todos os arremessadores quando colocados em uma amostra grande o suficiente. Por isso que quando analisamos um arremessador, o certo é olhar apenas para os fatores que ele controla diretamente: strikeouts, walks, e home runs. A diferença em aproveitamento dos rebatedores contra Breslow vem do fato de que seu BABIP contra canhotos está EXATAMENTE em .295 e contra canhotos está em .225, algo totalmente aleatório e fora do seu controle. Olhando para os valores que Breslow de fato controla, vemos que ele consegue mais strikeouts contra canhotos (1.35 por 9IP a mais) e cede muito mais walks (1 por 9IP a mais) e HRs (0.2 por 9IP a mais) contra destros - de fato, seu FIP contra canhotos é de 3.1 e seu FIP contra destros é de 4.01. Infelizmente algumas pessoas só sabem olhar nos dados superficiais ao invés de analisar a fundo cada aspecto do baseball, mas o fato é que Breslow não é e nunca foi um arremessador melhor contra destros, então não mencionem isso mais como sendo verdade... porque não é.

Por isso Farrell cometeu um erro ao deixar Breslow para enfrentar o topo destro da ordem do Tigers, espcialmente Jackson (que consegue 4.3% a mais de walks contra canhotos e strike out 1.4% a mais contra destros) e Tori Hunter (127 wRC+ contra canhotos, 112 wRC+ contra destros), dois jogadores que rebatem melhor ainda contra LHP. Breslow eliminou Iglesias mas logo andou Jackson em cinco arremessos, e Farrell enfim tirou seu arremessador, que não deveria ter começado arremessando em primeiro lugar com um destro como Tazawa pronto para entrar. Eu também questionei a decisão de trazer Tazawa e não Uehara para tentar um save de 5 outs, pois como já dissemos Uehara teve uma temporada absurdamente dominante e já tinha tido quatro 5-out saves e diversos 4-out saves na temporada, então não é como se estivesse fazendo algo novo para ele. Mas isso provavelmente envolve uma questão um pouco mais relacionada a rotina de bullpen que Farrell sabe melhor que eu, então não tem como avaliar qual dos dois deveria ter entrado: Uehara era o melhor jogador e me parecia mais indicado para entrar e tirar o time de uma encrenca, mas ai os dados ficam mais difíceis. Tazawa cedeu a rebatida para Hunter mas depois conseguiu um strikeout crucial em Cabrera (btw, preciso defender Farrell aqui: inteligente da parte dele deixar Tazawa e sua fastball mais veloz para enfrentar Cabrera, que está com dificuldades para rebater bolas muito rápidas desde a lesão) e Uehara entrou para começar seu 4-out save com um K em cima de Prince Fielder. No final tudo deu certo para Sox e Farrell, mas não quer dizer que ele tenha tomado as decisões corretas: ele acertou na sétima entrada, e errou no começo da oitava. 


NLCS: Saint Louis Cardinals vs Los Angeles Dodgers


- O segredo do Saint Louis Cardinals
Na temporada regular, depois de 162 excruciantes jogos, o Cardinals tinha anotado o terceiro maior número de corridas de qualquer time da MLB, com 183 - 13 corridas atrás do Tigers e 70 atrás do Red Sox. Considerando que o Cardinals joga na National League, onde não existe a figura do rebatedor designado e portanto os placares costumam ser menores, a expectativa inicial era que usando uma ferramenta como wRC+ - que ajusta pela diferença de regras entre as duas ligas - o ataque do Cardinals parecesse ainda melhor, certo?

Acontece que esse não é o caso. Utilizando as estatísticas avançadas, mesmo as que ajustam pela diferença entre as ligas, o Cardinals cai um pouco na tabela para o sétimo lugar, pouco a frente de Dodgers e Braves. Isso pode parecer um pouco contra-senso, já que o Cardinals foi tão bom anotando corridas em uma liga menos favorável a isso, então esperava-se que o ataque do time fosse melhor do que os da AL. Mas esse não é o caso por um simples motivo: as estatísticas avançadas para times desconsideram alguns fatores de sorte ou acaso, considerando apenas o mérito individual dos rebatedores e suas slash lines (average, OBP e slugging) para ver um valor mais "preciso" do quão bom é o ataque de um time sem as influências aleatórias. Então qual era o fator que contribuiu para o Cardinals anotar tantas corridas mas cair quando desconsideramos influências externas?

E esse é o segredo do Cardinals: seu ataque foi impulsionado demais pelos seus números extraordinários rebatendo com jogadores em posição de anotar corridas. Como um time durante toda a temporada, o Saint Louis rebateu .269 (desconsiderando por um momento OBP e SLG), mas quando tinha jogadores na segunda e/ou terceira base, o time rebateu .330, a melhor marca da liga por uma milha. Naturalmente, quando você rebate mais com RISP (Runner In Scoring Position, ou jogadores em posição de anotar corridas), você vai anotar mais corridas, um raciocínio bem simples. Isso, é claro, levou um número enorme de pessoas a concluir (erroneamente) que isso acontecia porque o Cardinals "sabia rebater com RISP", que o forte deles era sua "habilidade de rebater com RISP", ou mesmo que o Cardinals era um time "clutch" cujos jogadores misticamente ficavam melhores quando tinha um companheiro pisando na segunda ou na terceira base.

Claro, isso é um monte de besteira. Times que rebatem melhor em geral vão rebater melhor com RISP por uma simples questão de lógica, mas não existe, nos 130 anos de história da Major League Baseball, nenhum tipo de evidência de que alguns times tenham uma habilidade ou talento especial para fazer isso (ano passado o Cardinals foi nono no quesito, btw). Isso acontece porque a amostra de rebatidas com RISP em uma dada temporada é uma amostra pequena, e como toda amostra pequena, sujeita a todo tipo de viés ou influências aleatórias, e portanto não são estatisticamente significativas. Colocando isso em uma amostra maior ao longo da história, NENHUM TIME mostrou um desvio significativo entre sua média de rebatidas e sua média de rebatidas com RISP, e entre as dezenas de milhares de jogadores que já jogaram na MLB, um número ridiculamente pequeno deles (algo como nove) podem dizer que nas suas médias na carreira foram melhores (de forma significante) com RISP em relação ao resto, e nenhum deles é uma grande estrela - todos são jogadores menores com uma amostra relativamente pequena, e apenas um em atividade. Então não, essa habilidade de rebater com RISP do Cardinals não existe, é um mito vindo dos números insustentáveis da equipe. E caso já tenha esquecido, o Cardinals tem a quarta pior marca dos playoffs rebatendo com RISP com 0.196. So there.

Então uma vez tirado essa influência do acaso que não se sustenta em uma amostra maior, o que sobra é um ataque ainda bom, mas nem de longe tão devastador como se parecia olhando apenas suas corridas anotadas, o que explica um pouco suas dificuldades de anotar corridas nesses playoffs. Isso é particularmente preocupante contra canhotos, contra os quais o Cardinals rebateu apenas .238/.301/.371 na temporada, um número horrível... e isso era COM Allen Craig (um cara que eu descobri que não sei escrever o nome quando fui procurar seus dados) na lineup, um bom RHP e um dos melhores jogadores do time. Então se um ataque dominante é exposto com apenas um ataque bom quando tiramos a influência do acaso nesses números com RISP (e tiramos Craig do lineup), esses números ficam genuinamente preocupantes contra arremessadores canhotos, especialmente com o LHH Matt Adams na 1B. Considerando que o Dodgers, se vencer hoje, tem dois canhotos para fechar a série (Kershaw e Ryu) e eventualmente o Boston Red Sox pode jogar duas vezes com Jon Lester nos playoffs, é algo a ser observado (para sorte do Cardinals, o Detroit usa quatro destros na rotação, embora seu melhor jogador de bullpen seja o canhoto Drew Smyly). Claro que as forças do Cardinals vão muito além disso - Adam Wainwright e Michael Wacha, alguém? - mas ainda é algo que precisa ser monitorado.


-As lesões que afetam a NLCS
E não foram poucas! O Dodgers em particular foi um time que sofreu bastante com lesões ao longo de toda a temporada, e embora a boa fase do time na segunda metade da temporada tenha sido amplamente atribuída a chegada de Yasiel Puig, na verdade outros fatores contribuiram até mais do que o cubano, e muitos deles tiveram a ver com lesões, em especial as voltas de Hanley Ramirez (que foi melhor do que Puig na temporada regular, inclusive) e Zack Greinke do DL. O Dodgers ainda sofreu bastante com lesões mesmo depois disso, com Chad Billingsley indo fazer Tommy John, Andre Eithier batalhando todo tipo de lesão (mas sendo efetivo no final da temporada) e Matt Kemp tendo uma temporada decepcionante e marcada por lesões. Ainda assim, o time conseguiu se estabelecer mesmo apesar de tudo isso e ter um excelente final de temporada, chegando nos playoffs com grande favoritismo e derrubando o Braves em quatro jogos na NLDS.

Agora, contra o poderoso Cardinals na ALCS, o problema das lesões tem voltado para assombrar o Dodgers mais uma vez. Tirando os jogadores que já estão fora dos playoffs como Billigsley e Kemp, o time viu uma série de lesões afetar as opções da equipe para enfrentar a boa rotação de St Louis. Um deles acontece no CF, onde o titular (com Kemp fora) deveria ser Andre Ethier. No entanto, Ethier está batalhando algumas lesões, o que tiram sua mobilidade e velocidade no OF, comprometendo a equipe defensivamente (especialmente sendo um jogador que já não era tão bom nesse aspecto). Idealmente, Ethier - um especialista rebatendo contra RHP (140 wRC+ contra canhotos e 77 wRC+ contra destros) - seria a escolha, especialmente considerando o problema do Dodgers com seu lineup (já chego lá), mas sua eficiência reduzida e falta de valor defensivo fazem ele ser um risco, com algumas pessoas pedindo Skip Schumaker no seu lugar, um defensor melhor mas que tem um bastão muito fraco. Então enquanto o ideal seria ter o abaixo da média defendendo/ótimo rebatedor Ethier jogando ali, agora a decisão é o horrível defendendo/acima da média rebatendo Ethier ou o bom defensor/rebatedor ruim Schumaker. 

Se esse fosse o único grande problema em termos de saúde do Dodgers, não seria o maior problema, mas infelizmente um muito mais significativo apareceu. Esse outro problema aconteceu no G1, quando logo na primeira entrada Joe Kelly acertou uma fastball de 95 MPH nas costelas de Hanley Ramirez. Hanley terminou o jogo, mas a lesão piorou com o tempo e Hanley acabou perdendo o jogo dois, e não tem sido nem sombra do mesmo Hanley nas últimas duas partidas. O quão prejudicial isso é para o Dodgers? Para começar, o time perdeu seu melhor jogador: Ramirez teve um wRC+ de 191 (sim, com muitos fatores totalmente insustentáveis desde BABIP até HR%, mas enfim) que teria sido o segundo melhor da MLB atrás de Cabrera se Hanley tivesse partidas suficientes, e foi de longe o melhor rebatedor das LDS com uma tonelada de rebatidas multibase. Ele também é o jogador que rebatia atrás do fraco Mark Ellis, que rebate no #2 só porque é bom fazendo bunts, então o rebatedor #3 desse time tem que ser alguém que tenha boas chances de impulsionar o corredor em uma eventual RISP - ou seja, o rebatedor mais capacitado do seu time - ou pelo menos alguém capaz de atrair um walk intencional e colocar um homem a mais em base para o perigoso Adrian Gonzales, mas agora que Hanley está jogando no sacrifício e não é nem um rebatedor tão perigoso para impulsionar a corrida nem para atrair um walk intencional, é uma arma perigosa (a mais perigosa de todas) que o Dodgers está perdendo para talvez o resto dos playoffs.

Isso é particularmente problemático considerando o funcionamento do lineup do Dodgers. Atualmente, o Dodgers é um time cujo lineup depende demais da produção do seu topo, já que falta a profundidade é um pouco escassa. Então o time tem para produzir consistentemente Carl Crawford, Adrian Gonzales, Ramirez e Puig, mas também usa AJ Ellis, Mark Ellis, Juan Uribe (bom poder, mas fraco no resto) e Ethier-no-sacrifício/Schumaker, então não é como o Red Sox, onde o lineup é recheado de bons rebatedores e qualquer um pode te castigar. É um time que conta com a ocasional produção da base do seu lineup, mas que depende muito desse topo e de seus quatro melhores rebatedores produzindo o máximo possível. Não ajuda o fato de que Don Mattingly, inexplicavelmente, usa o horrível Ellis (92 wRC+, .323 OBP) como rebatedor número dois porque ele é bom fazendo bunts, apesar das estatísticas indicarem que o #2 é o lugar onde você deveria usar seu melhor rebatedor. Então a existência de um peso morto no começo do seu lineup, ainda mais em uma posição tão importante quanto a #2, torna ainda mais importante que os demais jogadores desse topo produzam em alto nível para compensar esas burrice. Então a lesão de Hanley, que prejudica o melhor rebatedor dessa equipe, pode ser o golpe final nesse ataque do Dodgers que tinha tudo para ser muito melhor.

Mas claro, não é só o Dodgers que viu uma lesão atrapalhar seus planos para a NLCS. No caso do Cardinals, a lesão não é tão grande como Ramirez, mas é bastante significante por outro motivo. Allen Craig, que teve um 135 wRC+ durante a temporada regular, foi o terceiro melhor jogador ofensivo da equipe (depois de Matt Carpenter e Matt Holiday - curiosamente o quarto também foi um Matt, Matt Adams), mas talvez mais do que isso, Craig é um daqueles nove jogadores da história da MLB cuja diferença rebatendo com RISP é significativa (embora sua base amostral seja pequena ainda). Então se existe um jogador nesse time que pode se gabar de (amostra pequena, mas enfim) ajudar nesses dados do time rebatendo com RISP por habilidade e não por sorte, é Craig, mas ele possivelmente não vai jogar (e se jogar, não estará 100%) mesmo em caso de World Series. Então para um time que depende tanto das rebatidas com RISP, jogar sem o único jogador que realmente fez uma diferença consistente ao longo de sua curta carreira nesse aspecto é um golpe importante. A ausência de Craig também é importante enfrentando LHP, que como já dissemos é um problema desse lineup: ainda que Craig seja melhor rebatendo contra RHP do que LHP, seu substituto na 1B é Matt Adams, que rebate 79 wRC+ contra canhotos, então é um downgrade significativo.

Mas talvez ainda mais importante, a lesão de Craig força Adams a entrar na lineup titular, o que é um problema considerando que Adams era o único pinch hitter decente do elenco do time para usar ao longo do jogo. Com Adams fora (ou melhor, dentro), o time fica sem nenhuma boa opção para trazer do banco e rebater em um momento chave, com seus melhores PHs sendo Daniel Descalso (um mau rebatedor), Shane Robinson (que conseguiu HR no G4 mas teve um wRC+ de 93 na temporada) e Kolten Wong, um calouro promissor mas no qual o manager não confia para entrar e rebater. Então essa falta de banco e a desconfiança do time nos calouros Wong e Oscar Taveras (que passou o ano todo nas ligas menores e não chegou a subir apesar de ser o #1 prospect que sobrou na AAA) deixa o time sem opções estratégicas para vir do banco e rebater, o que é um problema ainda maior na NL onde você precisa que seu rebatedor rebata. 

Claro, que desses dois, quem perde mais é o Dodgers com Ramirez - ele é (ou tem sido) um rebatedor melhor, e tem uma importância maior nesse time que depende muito de seus quatro melhores jogadores ofensivos. Mas pensando nos últimos (talvez no último) jogo dessa série e também em uma eventual World Series, são dois problemas significativos que o campeão da NL vai ter que enfrentar indo para frente.



(Infelizmente tinha muito mais coisas que eu queria escrever, mas fiquei sem tempo. Se alguém quiser me procure no twitter ou mande email para tmwarning@hotmail.com e conversamos mais sobre o assunto. Aproveitem!)