Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Novas regras, velha discussão


Alguém aí tem dúvidas de que o Hester vai
continuar marcando TDs mesmo com a nova regra?

Já há alguns dias era assunto na NFL uma possível mudança nas regras para essa temporada. A Liga se reuniu com os donos dos 32 times (Que estão sem nada pra fazer já que o CBA não vai avançar até no mínimo dia 6) para votar uma série de medidas que gerariam essas alterações no regulamento. Algumas passaram, outras não, mas em geral a maior parte das mudanças foram aprovadas, e a maior parte delas - inclusive a principal - tem a ver com o Kickoff.

O Kickoff é o chute inicial de uma posse de bola, onde o time que recebe o chute tenta avançar o máximo possível a bola e se possível conseguir até um touchdown. Os Kickoffs eram feitos da linha de 30 jardas, e caso a bola saia pela End Zone (ou caso o retornador decida de dentro dela que não vai retornar) acontece um touchback, o time não retorna a bola e começa sua próxima campanha da linha de 20 jardas do próprio campo. E é exatamente isso que vai mudar. A partir da temporada 2011, os Kickoffs serão feitos da linha de 35 jardas, não mais da linha de 30, como eram feitos desde 1994.

Embora a princípio isso pareça muito simples e até tosco - 5 jardas? O que são 5 jardas em um campo de 100? - a mudança que essas míseras cinco jardas causa é bem grande no que diz respeito aos retornos. Eu pelo menos acho os retornos de kickoff uma das jogadas mais divertidas num jogo de futebol americano. É uma jogada com muita velocidade, que muitas vezes é totalmente surpreendente e que é capaz de mudar uma partida em apenas uma jogada. Essa mudança vai atrapalhar em muito os retornos, os jogadores vão ter que pegar a bola muito mais atrás e isso vai dar muito mais tempo pra defesa chegar nele antes que ele possa engatar a corrida.

Isso logicamente vai atrapalhar em muito os TDs de retorno ou até mesmo os retornos mais longos, que são bem legais de assistir, mas também vai levar a um número muito maior de touchbacks, já que muitas vezes a situação do retornador será tão complicada que valeria mais a pena ajoelhar logo na End Zone e sair da linha de 20. Isso vai atrapalhar em muito as posições de campo, vai forçar os times a começar mais de trás ainda e portanto vão levar a uma redução nas pontuações. Se você pode começar duas vezes a campanha na linha de 40 jardas com bons retornos, é muito mais provável que você pontue do que com dois touchbacks, forçando duas campanhas maiores. E embora a gente não esteja desesperado por pontuações no nível NCAA (65x52, por exemplo) reduzir o número de touchdowns não vai tornar o jogo mais divertido. Vai deixar o jogo mais lento e mais truncado, o que não é de se surpreender que desagradou muita gente, além é claro de muitos jogadores que se destacam pelos retornos, como Devin Hester, Joshua Cribbs e Leon Washington, que mais criticaram as regras. Técnicos de times como Chicago, que possuem nos seus retornos uma arma muito forte, já manifestaram seu desagrado com esse tipo de mudança, que tira uma arma do seu time e ao mesmo tempo tira um ponto fraco de equipes como... adivinhem... o Chargers.

Se vocês não estão convencidos, vamos comparar os dados de duas temporadas: A de 1993, última a ter Kickoffs da linha de 35 jardas, e a de 2010, última a ter da linha de 30. Ano passado, tivemos 23 TDs de retorno de Kickoff, 113 retornos maiores de 40 jardas e 416 touchbacks apenas. No ano de 1993 foram 520 touchbacks, 57 retornos maiores de 40 jardas e... Pois é, quatro touchdowns apenas. A diferença é bem clara.

Mas se todos os analistas, torcedores e jogadores reclamaram tanto, porque diabos a NFL aprovou esse tipo de medida?

Vocês talvez se lembrem desse post aqui, onde eu comentei a postura da NFL em multar pesadamente e ameaçar suspender jogadores que dessem os famosos Helmet to Helmets por causa das muitas lesões que isso causava. A postura da NFL está inalterada, eles deram um tempo para os jogadores se adaptarem melhor à nova diretriz da Liga e já avisaram que essa temporada vão começar a suspender de fato os jogadores (James Harrison depois de duas semanas não vai mais poder jogar, aposto). Embora eu apóie uma iniciativa como essa, de evitar um tipo de jogada desnecessário e que causa um dano muito grande aos envolvidos, a razão por trás dessa súbita preocupação era um pouco menos altruísta. Ao aprovar a mudança, a NFL queria dar aos atletas um exemplo de como eles estavam tomando medidas para proteger seus corpos do desgaste e dos riscos que um jogo trás para poder aprovar na nova CBA um aumento da temporada regular para 18 jogos, o que eu acho extremamente idiota. Bom, a nova regra tem como fundamento o mesmo argumento: Estamos fazendo isso para a segurança de vocês! Estamos pensando em vocês, não queremos que vocês se machuquem! Aceitem nossa proposta!  Sim, a cara de pau está inalterada e ainda existe o argumento com a saúde dos jogadores.

Tudo bem, um retorno realmente pode causar muitas lesões, tanto nos tackles como nos bloqueios, como no simples fato de estar no meio de 22 mamutes que podem cair em cima de você a qualquer momento. Mas o próprio jogo de futebol americano não é assim? Não é uma constante briga física no meio de um monte de brutamontes que só querem arrancar seu cérebro na qual você está constantemente em risco de se machucar? E não é exatamente pelo jogo ser assim que a temporada não deveria ter mais de 16 jogos?? Para mudar essa realidade você teria que mudar todo o jogo, simples assim. Uma coisa é proibir um tipo de jogada em especial que é desnecessária para o jogo (Sério, por mais que uma bela cacetada no capacete possa ser emocionante, ela pode ser facilmente substituída por um tackle na cintura que não vai mudar nada na prática do jogo), outra é tentar mudar uma parte do jogo sob o argumento de que ela 'oferece muitos riscos à saúde dos jogadores'. Nesse momento de negociação da nova CBA, parece mais uma hipocrisia pra tentar forçar um aumento no calendário uma vez retomadas as negociações. E que, infelizmente, está nos tirando uma das partes mais legais de um jogo de futebol americano. A importância de jogadores como Cribbs e Hester, jogadores que são excepcionais como retornadores mas que não são acima da média em outras posições, vai sofrer uma grande queda, o que também é péssimo para jovens jogadores. E tudo isso sob o argumento de 'preservar a saúde dos jogadores' tendo em vista os interesses financeiros de uma temporada maior.

Não é a toa que tantas pessoas estão irritadas com esse posicionamento, mas eu preciso tirar o chapéu para a 'resposta' à regra que o Devin Hester mandou no twitter ontem a noite. Não existe outro tipo de resposta que eu iria querer ouvir de um dos meus ídolos na NFL!

"@D_Hest23 Hey hey fans don't get mad about the new rule, my run back just going 2 be over a 100 yards now. I hate them 90 something yards anyway!!!!!! "

Se você matou as aulas de inglês, ele disse algo como 'Hey fãs, não fiquem putos com a nova regra, agora meu retorno só vai ter que ser de mais de 100 jardas. Eu odiava eles sendo de 90 e alguma coisa mesmo!'

E aí, o que vocês acham dessa 'nova regra'? São a favor ou contra?? Deixem a opinião de vocês e não esqueçam de seguir nosso twitter, @tmwarning!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os dois lados do helmet to helmet


É tudo pelo bem do esporte, gente. Ou pelo menos da grana do esporte...

Tava pensando hoje, vendo meu Niners ser destruido pelo Chargers numa das piores partidas do time no ano, uma coisa. A regra do Helmet to Helmet, que causou tanta polemica na NFL no começo da temporada, é uma regra bastante injusta e hipocrita. Sim, é isso mesmo que voce leu, a regra nao é boa. Ou pelo menos no que diz respeito ao que ela propõe e à forma como ela aborda isso.

Qual é a proposta da NFL? Evitar pancadas da defesa com o capacete em outros capacetes de forma a evitar concussões. Mas a NFL expandiu essa regra, e agora está ao critério do juiz julgar quaisquer pancadas com o capacete, podendo resultar numa falta por violencia desnecessaria. Ou seja, se eu der uma capacetada no seu peito, ainda pode ser falta se foi considerado que foi desnecessário o uso do capacete. O capacete é extremamente duro e se dado de forma desavisada, pode causar uma lesão séria. A NFL alega que é pra evitar, principamlente, concussões - tanto que por esse tipo de golpe a NFL está aplicando mais multas e com mais rigor. As concussões são um problema sério na NFL desde sempre e foram responsaveis pelo fim de carreiras de jogadores como Steve Young e Troy Aikman, por exemplo. Recentemente a NFL começou a pegar mais no pé das concussões, com algumas medidas de punição, como essas multas, faltas e até suspensões, mas tambem com medidas de contenção. Agora, um jogador que sofreu uma concussão tem que passar por uma série de exames pra poder ser declarado eligivel pro próximo jogo, e esses exames ficaram muito mais rigidos.

Antes de tudo, eu quero declarar que ainda sou a favor da regra. Sempre fui. Eu acho que é muito importante evitar esse tipo de contato porque, afinal, estamos lidando com seres humanos aqui. Esse tipo de lesão pode parecer uma coisa passageira agora, mas pode ter consequencias sérias pro agora e pro futuro pros jogadores, e não só pra quem recebe a pancada. Rodney Harrison, ex-safety do Patriots e famoso por seus big hits com o capacete, até hoje tem muitos problemas com sensibilidade à luz por causa das pancadas que ELE dava. E da muito bem pra evitar isso, um tackle com o ombro é suficiente pra derrubar o adversário. Nao mudei de ideia quanto à regra, só que estou começando a ver ela por outro prisma - um prisma que em nada altera o fato de ser uma regra necessária e importante pra proteger os jogadores.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi um comentário do Kurt Warner (Se ele ja era bom como QB, ele ta sendo tao bom quanto como comentarista) sobre a regra. Essa subita preocupação da Liga com a saude dos jogadores nao é algo tão inocente quanto parece, disse ele. E nao é coincidencia que eles estejam implementando essas politicas com a questão do acordo trabalhista tão proxima. Eu confesso que adorei o comentario e me fez pensar bastante. Pra quem nao está por dentro, está chegando ao fim o acordo trabalhista firmado entre a NFL e a NFLPA (Players Association). Uma nova negociação está rolando, mas nao teve muitos progressos até recentemente e isso levanta a possibilidade até de uma greve dos jogadores da NFL. Esse acordo trabalhista passa por uma renegociação do teto salarial e tambem pela proposta feita pela NFL de expandir a temporada de 16 pra 18 jogos, reduzindo a pré-temporada pra dois jogos apenas. Sobre esse ajuste eu ainda vou fazer um post mais extenso e detalhado quando chegarmos mais perto do acordo. Recentemente, após extensas negociações, a questão parece ter avançado, o risco de uma greve diminuiu e dizem que podemos ter um acordo ja pro Super Bowl. Complicado? Sim, mas nada que fuja da rotina da NFL, parece que o que é facil é chato pra eles. 

Mas a questão é que essa subita preocupação com a saude dos jogadores, como o Warner sugeriu, realmente passa por essa proposta trabalhista. Reduzindo as lesões causadas por helmets to helmets, voce propoe aos jogadores que será menos arriscado jogar uma temproada maior, que as lesões vao diminuir mesmo com mais jogos. O que é uma besteira, porque as concussões são responsaveis por uma parte apenas das lesões dos jogadores, tem muito mais coisas que se deve levar em consideração. Mas parece tar surtindo efeito, pelo menos um efeito moral, de fazer as pessoas acreditarem nisso. Realmente as lesões por concussões podem diminuir, mas isso nao muda o risco fisico que é uma temporade de 18 jogos - Vejam Packers, Colts e Bucs, por exemplo, e vejam os jogadores que eles jha perderam numa temporada de 16 jogos, imagina com 18. Claro que sao propostas algumas condições pra contornar isso, como aumentar o numero de jogadores no plantel e até uma semana extra de bye, mas ainda parece muito pouco perto do desgaste fisico que duas rodadas a mais vao trazer. E agora a motivação da regra parece um pouco mais interesseira.

Alem disso, uma outra questão, dessa vez pratica, me chamou a atenção. Vendo o jogo a noite, eu percebi uma pequena contradição na regra. Acho justo que o defensor nao possa usar o capacete de forma a dar um tackle, mas a Liga ainda permite que um running back use o capacete pra acertar o defensor adversário. Se o Runningback ta correndo e ve um defensor, ele tem o direito de colocar o capacete pra frente e acertar o adversário - mesmo no capacete, como hoje aconteceu tantas vezes e ninguem pareceu se importar. De certa forma, é um meio do RB se proteger, mas nao deixa de ser perigoso, afinal como o RB coloca o capacete pra frente quando faz isso, é inevitavel um contato com o capacete do seu adversário, afinal ele está vindo dar o tackle de frente e nao tem como ele tirar a cabeça. Eu me perguntei - e queria saber a opiniao de voces - se, como a ideia é evitar lesões e proteger a segurança dos jogadores, nao seria bom proibir tambem esse contato por parte do RB? O contato as vezes é tão helmet to helmet como na defesa e tem o mesmo proposito: intimidar e ganhar alguma vantagem se dispondo do capacete. Lembro que quando foi anunciado o aumento no rigor às punições desse tipo, algum jogador de defesa fez justamente essa ressalva, de o jogador de ataque ainda poder usar o capacete como forma tnto de defesa como de ataque e o de defesa não, colocando o jogador de defesa claramente em desvantagem. Eu na época nao dei muita atenção a isso, mas agora vendo o Mike Tolbert fazer isso 2x seguidas e forçando o Dashon Goldson a sair de campo lesionado, eu tou realmente começando a entender o ponto ai.

Não é tanto uma questão de lesões, e embora isso aconteça não são tao comuns, tao perigosas e tao frequentes como do lado defensivo. Acontece que  o Roger Goodell (Que apesar de eu criticar as vezes, eu acho o melhor dos comissários das tres maiores Ligas dos EUA) não vai mexer no assunto porque não tem nenhum apelo midiático. Proibir esse tipo de contato nao vai trazer nenhuma vantagem pra ele, não vai ajudar a passar nenhum aumento na temporada e nem de contratos publicitarios, nada. E portanto, mesmo sendo algo que tambem está ligado à questão das concussões, nao vai sofrer nenhum tipo de vigilancia severa. Agora eu realmetne começo a entender - em parte - algumas das reclamações acerca dessa regra do H to H. Claro que eu ainda acho necessaria, mas ela de certa forma desequilibra o jogo entre ataque e defesa. Eu pelo menos estou considerando a ideia - e me inclinando favoravelmente - de que realmente deveriam banir qualquer tipo de H to H, nao só da defesa. Pelo menos, ai voce pode fazer uma causa mais completa e equilibrada, pensando realmente no equilibrio do jogo e na segurança dos jogadores, e nao só em maiores contratos publicitarios.
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Galera, ta ai do lado a nossa enquete sobre hockey, em especial a NHL. Peço a todos os leitores que por favor votem, mas uma vez só. Obrigado e bom dia!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Necessary Roughness, versão NFL

"Então se tirar o capacete dele pode, professor?"

(Eu sei que havia dito que postaria sobre MLB hoje, mas como o jogo 5 entre Yankees e Rangers foi ontem e o jogo 5 de Phillies e Giants é só hoje, preferi postar sobre esse assunto. Se achar o texto longo demais para ser lido, leia apenas as palavras em cinza no final do post, onde eu explico o porque de um post tão longo.)

O capacete na NFL serve como a maior medida de proteção de um esporte com muito contato fisico. Mas faz muito tempo que todo mundo sabe que ele não só serve como defesa, como tambem pode ser usado como arma. O capacete é uma parte extremamente dura do equipamento e portanto é excelente para dar um tackle nas pernas do oponente, por exemplo. Com o tempo, essas hits foram se expandindo para peito, barriga, ombros e, claro, outro capacete.

Na NFL sempre foi bastante comum se ver tackles durissimos sendo dados  com o capacete. Jogadores ficaram famosos pelos big hits (a popular cacetada) que eles davam quando iam para um tackle, e esses tackles (e esses jogadores) ficaram bastante populares. Embora algumas vezes fosse usada com maldade (Alguem ai conseguiu imaginar o Bruce Bowen jogando futebol americano agora?) esse tipo de tackle era usado principalmente como um recurso pra dar um tackle mais duro, dificil de quebrar e tambem que podia causar um fumble. Alem, claro, de intimidar e de ser uma jogada plasticamente interessante de se ver. Mas claro que tinha o reverso da moeda. Pancadas com o capacete foram responsaveis, por exemplo, pelo fim das carreiras de jogadores como Joe Montana ou Dan Marino (Ombro e joelho, respectivamente). Mas afinal, isso faz parte do futebol americano. Todo mundo que entra num campo sabe que está sujeito a ver um negao voando na sua direção, mudar isso é mudar o futebol americano, não se cogitava mudar. Até que começaram a surgir problemas com concussões.

A concussão é um trauma na cabeça, e que pode ter vários efeitos colaterais. Era (e ainda é) comum ver jogadores velhos, em especial wide receivers, com problemas cérebrais graves, demência, em consequencia das porradas que tomavam na cabeça. Dois dos maiores quarterbacks da história, pra citar apenas um exemplo, Steve Young e Troy Aikman, se aposentaram devido a sequencias de graves concussões (Se nao me engano o Aikman se aposentou depois de 11). Recentemente, o problema de concussões vinha se agravando na NFL, até que ano passado a Liga criou uma nova regra, que tornava ilegal que um tackle com o capacete fosse na direção do capacete (e logo da cabeça) de outro jogador, se esse jogador estava recebendo a bola. Esse tipo de jogada seria uma falta de 15 jardas e os jogadores poderiam ser multados. Esse tipo de regra  não é novidade na NFL, só ver a regra do Horse Collar Tackle, ou aquele tackle que se da puxando o oponente pelo colarinho. Uma falta de 15 jardas e dependendo da situação pode levar a uma multa ou até, em casos mais graves, uma suspensão (Lembro que o Julius Peppers ja foi suspenso por dar um sack assim no Donovan McNabb). Depois de alguns problemas ano passado com jogadores voltando de concussão sem estarem realmente curados (concussão é mais dificil de se recuperar do que parece) e se machucando denovo, a NFL tambem estabeleceu novas regras para o retorno de jogadores que sofreram concussões.

Apesar de ilegal, continuam acontecendo esses helmets to helmets, como são chamados. Varias vezes, entretanto, não sao dadas faltas. E varias vezes, infelizmente, acabam acontecendo lesões. Essa rodada foi o ápice: James Harrison do Steelers deu dois hits pesados em Joshua Cribbs (Esse, por regra, foi legal, ja que Cribbs estava posicionado como um corredor no Wild Cat e nao um recebedor) e Mohamed Massaquoi fazendo os dois sairem de campo lesionados, Brandon Merryweather do Patriots deu uma pancada extremamente desnecessaria com o capacete no tight end Todd Heap, e a trombada entre Dunta Robinson do Falcons e Desean Jackson do Eagles fez os dois sairem de campo, Jackson com uma concussão bem mais preocupante que chegou a causar perda de memória de curto prazo e não jogará domingo, no mínimo.

Após muita preocupação com essas jogadas, que são frequentemente recorrentes, Ryan Anderson, vice presidente de operações da NFL, anunciou nessa segunda feira que a Liga está estudando não só multar (A multa de US$ 5,000 a 15,000 não é nada pra esses caras, como varios ex-jogadores ja declararam) mas tambem suspender esses jogadores, e não apenas em casos extremos ou recorrentes. Quarta feira sairam multas pesadas para Robinson, Merryweather e Harrison, de US$ 50,000, US$ 50,000 e US$ 75,000 respectivamente, multas mais altas que de costume, mostrando que a NFL não está para brincadeiras. Os juizes tambem serão instruidos a excluir imediatamente jogadores que deem um helmet to helmet muito violento, podendo pegar ainda a futura suspensão. Anderson tambem disse que a ideia não é mudar as regras, apenas reforçar seu cumprimento, já que as multas não estao fazendo esse papel eficientemente. Ainda assim, é possivel que haja uma pequena adaptação, ja que a atual falta do helmet to helmet se aplica somente e a jogadores que tenham pego a bola no ar, e portanto são permitidos tais hits em jogadas terrestres, como no caso de Cribbs.

Pra mim, parece uma medida de bom senso. Os helmets to helmets que vemos hoje são muitas vezes desnecessários, como uma medida mais de intimidação e com o intuito de machucar (Como o próprio Harrison declarou "Eu espero que meu tackle machuque, mas não contunda, os adversários, porque isso aumenta nossas chances de vencer") do que como um recurso simplesmente pra parar a jogada. Dê um tackle, ainda que com o capacete, na bola, na lateral do jogador, no joelho. O helmet to helmet é um hit bastante sério e que não só pode levar não só ao oponente perder um jogo, mas tambem pode causar problemas sérios pro resto da sua vida. Um jogador de Rutgers, da NCAA, quebrou o pescoço num jogo dessa semana num contato capacete a capacete e está paraplégico, por exemplo. Pode ser que se suspendendo os jogadores que deem hits mais fortes seja uma medida que tire um pouco da intensidade da partida, mas é uma medida pra garantir a saude dos jogadores, não só de quem leva mas de quem dá a paulada. As multas nunca serviram pra coibir essas jogadas. Pra citar o ex-jogador de futebol americano Rodney Harrison, que ja levou cerca de US$ 200,000 em multas ao longo da carreira, nenhuma delas teve qualquer efeito coibitivo nele, nao significaram nada. Helmet to Helmet é uma das jogadas mais perigosas da NFL e eu apoio qualquer tipo de iniciativa que vá impedir que mais gente se machuque desnecessariamente. Tudo bem, é meio extremo e vai causar polêmica, afinal as vezes voce realmente nao teve a intenção de acertar o capacete do adversário, o que vai deixar margem pra interpretações (Que nem a velha e pentelha história do 'bola na mão', no futebol) e com certeza pessoas diferentes vão ter interpretações diferentes. Por exemplo, para mim (e vários outros) o tackle do Dunta Robinson no Jackson foi violento e teve um contato capacete com capatece, o que causou a concussão, mas ele foi dado principalmente com o ombro. O capacete acertou porque não causa da velocidade e da posição dos jogadores, mas Robinson bota o ombro no peito de Jackson, a cabeça acerta por uma infelicidade. A NFL considerou a trombada digna de multa, mas muita gente não consideraria.

Mas como não poderia deixar de ser, a decisão causou alguma controversia na Liga. Muitos se colocaram a favor, muitos contra, e alguns não se posicionaram mas deram bons argumentos. Citando Ryan Grant, RB lesionado do Packers "Eles querem suspender por essas pancadas por causa do alto numero de lesões que elas causam, e ainda assim querem uma temporada de 18 jogos". Grant se refere à proposta da qual falarei mais pra frente de extender a Liga de 16 para 18 jogos por time. Muitos jogadores, na grande maioria da defesa, mas tambem alguns de ataque, se revoltaram, dizendo que isso é acabar com o que é o futebol americano, coibir seu estilo de jogo, mudar algo que existe ha quase um século, que faz parte do jogo, etc. James Harrison ficou bastante revoltado com a medida (E sua multa) e declarou que pode até se aposentar, dizendo que ja que não pode continuar jogando como sempre jogou, talvez seja a hora de parar e que iria conversar com o técnico Mike Tomlin (Que é a cara do Omar Epps) para ver qual seria a melhor postura a adotar. Karlos Dansby, hoje no Dolphins, disse que está vendo a hora que a NFL irá se transformar em uma liga de Flag. Brian Urlatcher e Nick Barnett tambem alegaram que se estaria 'jogando outro esporte'. Outro argumento bastante comum é que isso acontece ha muitos anos e se fazia isso sempre, porque agora querem mudar como se fosse algo fora do comum? Alguns ainda argumentam que a Liga vai perder popularidade sem essas trombadas, algo que segundo eles atraem publico.

Alguns, entretanto, entendem o lado da NFL. Enquanto Harrison declarou que é ridicula a multa que ele recebeu, Merryweather pediu desculpas publicamente a Heap e disse que "jogará dentro das regras" como aprendeu a jogar, e que entende a postura da Liga de se preocupar com a saude dos jogadores. Os jogadores de ataque (e até alguns de defesa) estão se posicionando favoravelmente à medida, mas com ressalvas. Jogadores de times envolvidos nos problemas desse final de semana, como Ben Watson (Browns) e o próprio Todd Heap se manifestaram com bastante veemencia contra as jogadas polemicas desse domingo, após o jogo. Rodney Harrison, de quem ja falei ali em cima e foi um safety conhecido por suas trombadas fortissimas, disse que ficou preocupadissimo ao ver os helmets to helmets acontecendo nessa rodada, e em rede nacional (ele é comentarista da NBC) declarou que as multas nao bastavam pra essas situações, e que a NFL deveria começar a suspender os jogadores (ao que primeiro Tony Dungy e depois a própria NFL fez coro). Declarou que era imaturo quando jogava, que nao se preocupava com as multas que recebia, e que se arrepende de nao ter pensado nisso tudo antes, no perigo que isso causa a ele e aos outros.

Como todo mundo aqui sabe, a NFL nao gosta de mudar sem uma razão forte. O formato da prorrogação, um problema que existe faz mto tempo na NFL, só foi modificado PARCIALMENTE quando uma final de conferência foi decidida no cara ou coroa e o medo de que o mesmo acontecesse no Super Bowl assolou geral, depois de muito tempo sendo discutida. O tamanho da temporada começou a ser discutido com mais afinco essa temporada mas pelo visto vai muuuito longe. E agora, de uma rodada pra outra, a NFL ja propoe uma medida importante e até radical. As multas ja foram altas e, ainda que dificilmente vão suspender esses jogadores, parece que nas proximas rodadas esse vai ser o caso.Assim talvez de pra perceber melhor a importância que isso tem dentro da Liga. E fora dela.

E ai, o que voces acham? Um exagero da NFL, ou como eu coloquei no titulo, uma necessary roughness?

Peço desculpas a voces leitores pelo post de hoje, está excepcionalmente enorme e um tanto denso. Trata-se de um tema polêmico e dificil e eu optei por abordar todos os aspectos, ainda que às custas de um texto mais longo e dificil. Espero que voces tenham vontade de ler, o leiam e sintam que entenderam o tema, as polêmicas em torno dele e as motivações de ambos os lados e acabem com uma opinião de voces. E quem quiser, por favor de sua opinião. Obrigado.