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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Distribuindo prêmios para a temporada 2015 da MLB

Ele não aparece na coluna, mas o prêmio "Pedro Martinez de
Jogador Mais Carismático do Ano" vai para Bartolo Colón!


Apesar do triste fato de que meu Red Sox foi um fiasco desde o primeiro dia da temporada e pagou 205 milhões de dólares (algo como 392 bilhões de reais no câmbio atual) na offseason para dois jogadores que totalizaram -3.7 fWAR (entre jogadores com 400+ passagens pelo bastão, Sandoval é o segundo pior e Hanley o terceiro pior em fWAR, atrás apenas de Victor Martinez) 2015 foi uma das minhas temporadas favoritas da MLB que eu lembro de ter assistido.

Teve de tudo: performances históricas de múltiplos jogadores, trocas bombásticas, grandes surpresas, grandes decepções, uma safra histórica de calouros, grandes jogos, e tudo que você poderia pedir em uma temporada. E, enquanto os playoffs não chegam, não consigo pensar em uma forma melhor de terminar a temporada regular com uma fantástica disputa pelos prêmios individuais da temporada. Ainda que a MLB seja péssima em dar esses prêmios de forma inteligente, eu ainda tenho um estranho fascínio por eles. E, todo final de temporada, não consigo deixar de fazer minha lista pessoal de quem iria no meu ballot que nunca terei.

E eu pessoalmente não lembro de ter visto uma disputa melhor pelos prêmios individuais, de modo geral, do que está acontecendo em 2015. Dos 6 prêmios principais da temporada (e eu estou excluindo Manager of the Year por ser o pior prêmio dos esportes), TRÊS são disputas extremamente parelhas sem um claro favorito, QUATRO ainda estão bem abertas, e duas ou três envolvem performances históricas de pelo menos um jogador. Isso obviamente gera muito chorume na internet, mas também abre espaço para debates muito interessantes. Então vamos fazer nosso giro tradicional pelos prêmios individuais da MLB, começando com o menos disputado.

Colunas escritas e estatísticas válidas até 03/10, exceto a parte do MVP da AL e quando mais for avisado o contrário. 


National League MVP

É, esse é bem óbvio.

Absurdamente, a verdade é que existe uma chance real de Bryce Harper não vencer esse prêmio, o que seria um dos maiores roubos da história da MLB. Infelizmente, alguns dinossauros ainda acham que para ser o MVP seu time precisa ter ido aos playoffs, o que é patético porque você está usando um fator coletivo (vitórias do time) para julgar um prêmio individual. Sim, o Nationals não vai para os playoffs, mas que culpa Bryce Harper tem que seus companheiros não foram bem durante o ano, que o time foi assolado por lesões, e que a troca do Jonathan Papelbon falhou miseravelmente? Ao mesmo tempo, outro grande craque, Andrew McCutchen, teve uma temporada muito boa, ainda que muito inferior à de Harper... só que seu time foi aos playoffs. O fato de Cutchen ter ido aos playoffs e Harper não não tem NADA a ver com suas performances individuais, e sim com a performance do resto da equipe - porque deveria então premiar individualmente McCutchen sobre Harper sendo que a diferença foi ter companheiros melhores?

Claro, eu não digo que não se deve NUNCA olhar a performance da equipe. Entendo o conceito de valor relativo, e não sou contra se considerar tal fator em escalas menores, ou mesmo como critério de desempate entre dois jogadores muito próximos (vejam o próximo prêmio). Mas quando você tem um jogador sendo CLARAMENTE superior por uma grande margem aos demais, você não pode me dizer que ele não é o MVP. E esse é o caso de Bryce Harper.

Então vamos aos números. Harper lidera com folga a NL (e toda a MLB) em fWAR, com 9.5 - duas vitórias inteiras acima do segundo colocado. Harper também está rebatendo ridículos .331/.461/.646 na temporada com 41 HRs (líder da NL), o que da um wRC+ de 197 (ou seja, ajustando para estádio, a produção por at bat de Harper é 97% superior a de um jogador médio da MLB), com folga a melhor marca da liga (Votto é o segundo com 175). Deixe eu tentar colocar isso em contexto...

Bryce Harper: .331/.461/.646, 197 wRC+, 41 HRs.
Jogador B: .356/.499/.648, 209 wRC+, 36 HRs.

Sim, eu sei que o jogador B foi melhor, mas olhe um pouco para esses números. Um pouco mais. Deixe entrar o quão absurdos eles são. Pronto?

Bem, o primeiro obviamente é de Bryce Harper na temporada 2015, com 22 anos. O Jogador B, por outro lado, é ninguém menos que o segundo melhor rebatedor da história do esporte, Ted Williams, na sua temporada 1942 - com 24 anos. Em outras palavras, aos 22 anos Harper acabou de ter uma temporada comparável a uma temporada do auge de Teddy fucking Ballgame!! Eu já mencionei que Harper tem 22 anos? Isso é insano. Legitimamente surreal.

Espere ai, ainda não terminei de falar do quão ridícula está sendo a temporada de Bryce Harper. Desconsiderando o fato de que nenhum jogador em atividade na MLB teve uma temporada com wRC+ que chegue no nível dos 197 de Harper - nem Trout, nem Miguel Cabrera, nem Albert Pujols, nem Joey Votto, nem Alex Rodriguez - porque ele é pouco para o que o canhoto fez essa temporada, vamos tentar olhar um contexto um pouco mais histórico:

1. O único jogador da HISTÓRIA do baseball com wRC+ melhor que o de Bryce Harper em 2015 com 22 anos ou menos foi Ted Williams (221 no ano que rebateu .400). Ninguém mais.

2. Harper está com 9.5 de fWAR na temporada. Com um restinho de temporada pela frente, ainda pode chegar a 10.0 de fWAR em 2015. Os únicos jogadores da Live Ball Era a atingir esse feito com 22 anos ou menos foram Ted Williams e Mike Trout... que é tão ridículo que fez isso DUAS vezes. Se acabar com 9.5 mesmo, fica atrás apenas de Ted, Trout e Stan Musial. Excelente companhia.

Nota: Harper terminou o ano com 9.6 fWAR

3. Ted Ballgame se aposentou em 1960. Desde então, os únicos jogadores a terminarem uma temporada completa com wRC+ superior aos 197 de Harper foram Barry Bonds, Mike Schmidt, George Brett, Mark McGwire e Dick Allen. Ainda é possível que Bryce Harper termine 2015 com a melhor temporada ofensiva não-PEDs de um jogador desde 1960. Leia isso de novo. Eu já disse que Harper tem 22 anos?

Nota: Harper terminou o ano com 198 wRC+, a segunda melhor temporada ofensiva completa sem PEDs desde 1960 atrás apenas de Dick Allen em 1972.

4. Nenhum jogador com 22 anos da história do esporte teve taxa de walks melhor que os 19.2% de Harper. Nunca aconteceu. 

A temporada do Bryce Harper foi tão ridícula que eu não dei conta de compilar fatos suficientes sobre o quão ridículo ele é e/ou tem sido. Então pedi ajuda do mestre das estatísticas históricas de baseball, o fantástico Ryan Spaeder (sigam ele no twitter, sério. Agora!), para me mandar algumas estatísticas divertidas sobre esse monstro mitológico. Eis o que ele tinha a dizer:

1. Bryce Harper agora detém o recorde de bWAR para temporadas de jogadores com 19 anos (5.1) e 22 anos (10.2) na história do esporte

2. Em 2015, Bryce Harper se tornou o jogador mais jovem da história do esporte com 40 HRs e 120 walks em uma temporada. O recordista anterior? Babe Ruth. Com 25 anos. 

3. Bryce Harper tem 10.2 bWAR em 2015. Isso é mais que as melhores temporadas da CARREIRA de Albert Pujols (9.7), Ken Griffey Jr (9.7) e Hank Aaron (9.4). Você sabia que Br... pensando bem, sabe sim.

4. Bryce Harper tem 124 walks essa temporada. Isso é mais que a melhor marca da carreira de Sammy Sosa (116), Albert Pujols (115), Willie Mays (112), A-Fraud (100), Ken Griffen Jr (96) e Hank Aaron (92).

5. Em 114 jogos entre 6 de maio e 21 de setembro, Bryce Harper rebateu .376/.486/.726.

6. Dia 11 de Agosto, Bryce Harper atingiu a marca de 7.2 bWAR na temporada. Isso é igual ao TOTAL que Miguel Cabrera teve na temporada toda no ano que ganhou a tríplice coroa. 

7. Bryce Harper em 2015 lidera a NL em WAR, oWAR, wRC+, OBP, SLG, ISO, OPS, OPS+, wOBA, BB%, R, TB, HR, OffW%, RE24, WPA/LI, REW, WAA e Rbat.

Então a verdade é que Bryce Harper está tendo uma temporada tão superior a todo o resto do baseball que compará-lo com seus colegas não é mais suficiente - para uma comparação justa, precisamos recorrer às maiores ofensivas da história do baseball e seus maiores jogadores. Ele tem sido bom a esse ponto. Bryce Harper fez história em 2015, com uma das melhores temporadas da história do esporte. E qualquer jogador bom a esse ponto é o MVP, não importa se o seu time foi para os playoffs ou não. 

E antes de passar para a próxima categoria, deixo vocês com meu fato favorito, mais uma vez cortesia do grande Ryan Spaeder.

Slash line na carreira depois de 500 jogos:

Jogador A: .255/.345/.465
Jogador B: .299/.365/.488
Jogador C: .296/.385/.507
Jogador D: .291/.386/.521

Jogador A é Barry Bonds. Jogador B é Ken Griffey Jr. Jogador C é Willie Mays.

E o jogador D é Bryce Harper.

NL MVP Ballot: 1. Bryce Harper; 2. Joey Votto; 3. Arremessador A; 4. Arremessador B (Hold that thought...); 5. Paul Goldschmidt 6. Buster Posey; 7. Kris Bryant; 8. AJ Pollock; 9. Andrew McCutchen; 10. Jason Heyward.


American League MVP

Eu não sei o que foi mais difícil nesse prêmio: decidir quem foi o MVP entre Mike Trout e Josh Donaldson, ou decidir o resto do meu ballot. Sério, tente fazer esse exercício: como ficaria o resto do Top10 para AL MVP? É impossível. Por isso eu trapaceei e, diferente do NL MVP (que tem pelo menos uns 15 caras que eu queria citar e acabei colocando 10), vou fazer só um Top6. Minha coluna, minhas regras. Me processem.

De volta ao MVP da AL, acho que é óbvio para qualquer ser humano normal que a disputa só pode ser entre dois jogadores, Trout e Donaldson. Eles tem sido consideravelmente superiores a todos os demais jogadores da liga, com ambos no Top4 em wRC+ na AL (1st e 4th, respectivamente) e  Trout a 2 vitórias inteiras acima do terceiro colocado da AL em fWAR (Manny Machado). Não existe nenhuma alternativa realista ao prêmio de MVP que não esses dois.

Decidir entre Trout e Donaldson, por outro lado, é uma tarefa bastante difícil, pois os dois estão bastante próximos. No bastão, Trout tem uma vantagem considerável sobre Donaldson e qualquer jogador da AL: o OF do Angels tem uma slash line impressionante de .298/.400/.588 que é bastante superior aos (também ótimos) .298/.373/.571, e isso antes de lembrar que Trout joga em um dos estádios mais desfavoráveis para rebatedores da liga, e Donaldson em um dos mais favoráveis. Juntando tudo, Trout tem um wRC+ de 171 (ou seja, foi 71% melhor que um rebatedor médio da MLB por at bat) - a melhor marca da AL - e Donaldson de 155. Incluir baserunning na equação não tira a vantagem de Trout: o OF roubou mais bases mas também foi mais vezes eliminado, e Donaldson é um corredor bastante inteligente, mas a diferença é mínima: BsR diz que Trout gerou 3.3 corridas com as pernas acima da média, e Donaldson 3.9. Diferença pequena.

Do lado defensivo da bola, por outro lado, é que Donaldson tira essa diferença (ou pelo menos uma parte dela). Trout é um sólido defensor no campo externo - +0,4 UZR, +5 DRS e +2.3 Defensive Rating - mas Donaldson (um ex-catcher, btw) é um defensor de elite no canto do infield: +7.9 UZR, +11 DRS, e +9.4 Defensive Rating, a terceira melhor marca entre 3Bs qualificados da American League (Beltre e Machado). Se Trout tem vantagem no ataque, Donaldson tem vantagem na defesa.

Então se queremos decidir quem foi o jogador que mais gerou valor para seu time em 2015, Trout ou Donaldson, tem a questão importante é a seguinte: a vantagem de Donaldson do lado defensivo é o suficiente para compensar a vantagem de Trout no ataque? Eu acho que não, e as estatísticas concordam comigo: Trout tem uma vantagem tanto em fWAR (8.9 a 8.7) como bWAR (9.3 a 8.9), ainda que pequena. Se você me obrigar a dizer quem foi o melhor jogador da AL em 2015, eu direi que foi Mike Trout.

Nota: Trout terminou o ano com 9.0 de fWAR, e Donaldson com 8.6.

Ainda assim, pelo fato de que as estatísticas defensivas ainda não tem uma precisão perfeita, não é uma boa idéia levar WAR de forma absoluta para pequenas diferenças - uma pequena mudança em DRS ou UZR já seria suficiente para cobrir essa diferença. Por mais que eu acredite que Trout tenha sido o melhor jogador em 2015, não acho que essa diferença pequena em WAR (especialmente em fWAR, que eu confio muito mais) seja suficiente para dizer que Trout foi comprovadamente melhor. Pode-se dizer que os dois estão quase em empate técnico - com a diferença entre eles dentro da margem de erro.

Então se o valor absoluto dos dois foi igual - ou pelo menos muito próximo - precisamos procurar novas formas de decidir nosso MVP. Não existe escolha errada entre esses dois, é uma questão de opinião. E então podemos começar a usar alguns fatores mais abrangentes para separar os dois - como por exemplo, o contexto dos times nos quais jogam.

Eu acho ridículo, absurdo e patético - como eu disse acima - a idéia de que a campanha da equipe tem que ter um peso grande na votação para MVP. Sendo um prêmio individual, essa idéia de que você só pode vencer o prêmio se seu time foi para os playoffs é de um nível de mente pequena assustador. Não existe um esporte coletivo mais individual que baseball, e a performance coletiva não deveria ser usada quase que como uma "condição" para um jogador disputar o MVP: se seu time foi, está dentro, se não foi, está fora. Eu sei que o prêmio é para o mais "valioso", não para o "melhor" jogador, mas que valor um jogador tem pelo nível dos seus companheiros?!

No entanto, isso não quer dizer que você não possa aplicar um pouco de análise contextual - ou seja, falar um pouco do time - como um critério menor, por exemplo como desempate entre dois jogadores praticamente empatados, como é o caso em questão. Então se você quiser me falar que seu voto vai para Donaldson porque sua temporada fantástica veio para um time melhor e que vai aos playoffs, e portanto o valor adicionado pelo jogador teve um peso mais significativo na big picture da temporada... eu não tenho um problema com isso. Na verdade, é o que eu acho que vai acontecer, e se for verdade, eu estarei tranquilo. Donaldson seria um vencedor merecedor do prêmio de MVP.

Mas eu olho por outro ponto de vista. Hoje (domingo) é o último dia da temporada regular da MLB, e o Angels ainda está jogando para chegar aos playoffs - ou seja, mesmo se acabarem fora dos offs, definitivamente, não é como se a temporada do Angels não tivesse sido competitiva, ou não tivesse valor no big picture da temporada. Eles chegaram até o último dia com chances. Só você já viu o resto do time do Angels ao redor de Mike Trout?! É um milagre que tenham chegado até aqui tão próximos ainda com chances!!

O rebatedor de leadoff do Angels, Erick Aybar, teve OBP de .303 na temporada. Seu rebatedor de cleanup, Albert Pujols, rebateu 40 HRs, mas também perdeu tempo com lesões e teve OBP de .310. O único jogador do time além de Trout com fWAR acima de 2.5 foi Kole Calhoum... que você não vai acreditar nisso, mas teve OBP de .310. O Angels até jogou com Matt Joyce por incríveis 93 jogos (!!) pela falta de opção melhor. Mike Trout tem 8.9 de fWAR - todo o resto dos rebatedores do time SOMADOS tem 11.2 fWAR. Leia isso de novo. É um desastre de lineup, um dos piores da MLB uma vez que se tira Trout da equação.

E não é como se as coisas ficassem melhores do outro lado da bola. O melhor arremessador do time em 2015 foi Garrett Richards, que teve um FIP abaixo da média (ajustando por estádio) para titulares da AL com 3.83 (2.5 fWAR). Dois três pitchers seguintes com mais entradas arremessadas pelo Angels em 2015 (Hector Santiago, Matt Shoemaker, e notório lançador de pudim Jered Weaver), NENHUM DELES teve fWAR acima de 1. UM! O Angels termina a temporada com a terceira PIOR rotação titular de toda a American League. Nenhuma ajuda desse lado da bola também.

Então é, Donaldson teve a chance de brilhar por um Blue Jays que vai aos playoffs com certeza e foi o melhor time da AL em 2015. Mas o Jays também teve Edwin Encarnacion (12h em fWAR na AL), Jose Bautista (16th), Kevin Pillar (19h), Russell Martin (30th, com ótima defesa e bom pitch framing) e David Price (provável Cy Young da AL), enquanto o Angels não teve ninguém além de Trout. Tire Donaldson do Jays e eles certamente perdem muito, mas provavelmente ainda é um time que vai aos playoffs. Tire Trout do Angels e o time de Anaheim se torna um time abaixo de .500, que não chegaria nem PERTO dos playoffs e teria trocado seus principais jogadores muito tempo atrás pensando no futuro. Só por causa de Trout eles se mantiveram o ano todo na briga, e chegam nesse último dia de temporada regular com chances de playoffs. Você não vai encontrar outro jogador com maior impacto nesse sentido do que Mike Trout.

Junte isso ao fato de que, a meu ver ele, foi melhor do que Donaldson - por muito pouco, mas foi -  e você tem que Trout não foi só o melhor jogador da AL em 2015, mas também o mais valioso. Mike Trout é o meu AL MVP de 2015.

(Só para não deixar batido, mas Kevin Kiermaier, CF do Rays, teve possivelmente a melhor temporada defensiva de um OF na era das estatísticas defensivas, desde 2002: 41 DRS - o recorde anterior era 35 do Franklin Gutierrez em 2009 em 200 entradas a mais - e 29.3 UZR com 40.2 UZR por 150 jogos - melhor marca para um mínimo de 1000 entradas antes era 32 (!!!) do Brett Gardner em 2011. Esses 41 DRS também são a melhor marca para QUALQUER posição em uma temporada desde que a estatística foi criada. Adicione a essa defesa histórica um bastão médio e sólido baserunning, e Kiermaier é um muito merecido candidato a entrar em qualquer ballot de MVP. Ele não vai, porque ninguém presta atenção na defesa na hora de dar esses prêmios, mas ele merece.)

NL MVP Ballot: 1. Mike Trout; 2. Josh Donaldson; 3. Manny Machado; 4. Lorenzo Cain; 5. Kevin Kiermaier; 6. Chris Davis.


National League Cy Young

Uma das melhores corridas para Cy Young que eu lembro nos últimos anos. Entre Clayton Kershaw, Jake Arrieta e Zack Greinke, temos três arremessadores com temporadas fantásticas que disputam esse prêmio a unhas e dentes.

E dependendo do critério que você usar para definir seu Cy Young, você vai chegar em um resultado diferente. Se for por FIP, Kershaw é o claro favorito e líder da liga na categoria.. Se for por ERA, vai chegar em Greinke, líder da categoria que aliás também é o melhor rebatedor dos três. E se for por algum meio termo entre os dois, vai chegar em Jake Arrieta, que é #2 em ambos. Na verdade, eis a colocação dos três jogadores entre arremessadores da NL para diferentes categorias:


Bem parelho. Dependendo do ponto de vista, cada um tem um caso a ser feito.

Então como vamos escolher um sobre os demais? Bem, vamos por partes...

Embora ainda seja a estatística mais popular e mais usada, a verdade é que ERA é uma estatística útil, mas insuficiente. Já foi há muito provado que ERA é uma estatística influenciada por diversos fatores que estão além do controle de um arremessador, de forma que julgar um pitcher por ERA significa estar dando (ou tirando) crédito ao jogador por fatores externos a sua performance. Não que não possa existir nenhum mérito do arremessador em um ERA mais baixo, mas 95% (btw, não é figura de linguagem, esse é um número real de estudos sobre o assunto) da diferença entre o ERA e o FIP de um pitcher vem de BABIP e LOB% - duas estatísticas que os jogadores tem pouquíssimo controle sobre. FIP não é perfeito de modo algum, mas é uma forma melhor de avaliar sua performance.

Se você não acredita em mim, vamos dar uma olhada em Greinke, considerado por muitos o favorito ao prêmio. Seu ERA de 1.68 é ridículo e histórico, e Greinke merece ser celebrado por isso. Mas será que todo o mérito disso vem do arremessador? Usando FIP - que usa apenas elementos que o SP controla, como walks, strikeouts e HRs cedidos - Greinke tem 2.75, uma enorme diferença para seu ERA. E embora você possa argumentar que a diferença é mérito do jogador, é difícil sustentar esse argumento com fatos. Ao longo de sua carreira, Greinke nunca mostrou uma capacidade de gerar esse tipo de diferença entre ERA e FIP - na verdade, na sua carreira, Greinke tem um ERA MAIOR que seu FIP por 4 pontos (3.36 contra 3.32). Seu ERA extremamente baixo vem de dois fatores: um BABIP de .232 (média da liga é de .298) e um LOB% (porcentagem de jogadores que chegam em base e que não anotam corrida) de 86% (média da liga: 72.3%).

E, de novo, Greinke nunca foi capaz na sua carreira de controlar esses arremessos de forma diferenciada (nem nenhum arremessador da história, mas I digress): seu BABIP da carreira é de exatos .298, e seu LOB% de 74.9%. Então a não ser que o seu argumento seja que de repente, aos 31 anos, sem nunca ter mostrado nenhuma tendência disso na vida, Greinke descobriu uma forma milagrosa de controlar dois fatores que nenhum pitcher da história conseguiu controlar, é meio difícil argumentar que o ERA de Greinke seja realmente seu mérito e que isso faça dele o Cy Young. Não que o destro não esteja tendo uma temporada fantástica por seus próprios méritos, ele está... só não tão boa quanto parece a primeira vista.

Kershaw, por outro lado, tem um ERA de 2.16 mas sustentado por um FIP de 2.04, o melhor da liga de longe... e que aliás é o melhor da MLB para um arremessador com 200+ IP desde Pedro Martinez em 1999. Mesmo ajustando para o ambiente menos prolífico para rebatedores de hoje e as dimensões muito favoráveis do seu estádio, ainda é o quinto melhor FIP desde 2000, perdendo apenas para Pedro e Randy Johnson, os dois maiores SP da história do esporte.

E isso é fácil de identificar olhando para os números certos: Kershaw conseguiu strikeouts em 33.5% de seus confrontos (de novo, desde 2000 perdendo apenas para Pedro e Randy) - muito superior aos 23.6% de Greinke - e ainda cedeu walks em apenas 4.8%, o mesmo número do seu companheiro de time. Greinke tem obtido sucesso limitando o contato forte feito pelos rebatedores, cedendo bolas rebatidas classificadas como "forte" apenas em 27% das passagens pelo bastão... mas Kershaw cedeu em apenas 25.2%. Não importa onde você olhe, canhoto continua sendo o melhor arremessador do time. 

Mas se você quer achar uma disputa para Kershaw pelo prêmio, não é para Zack Greinke que deveria olhar. É para Jake Arrieta. 

O FIP do destro do Cubs é o segundo melhor da NL atrás apenas de Kershaw, com 2.35, e a diferença é menor do que parece quando lembramos que Kershaw joga em um dos estádios mais favoráveis da MLB. E, assim como Greinke, Arrieta tem um ERA superior ao astro do Dodgers, com 1.77. E se você quer argumentar que existe um arremessador na NL que poderia ter uma chance de ter um impacto real nessa diferença entre ERA e FIP, esse é Arrieta: o astro do Cubs tem cedido bolas rebatidas de forma "forte" à menor taxa da NL, e tem induzido contatos "fracos" com a terceira maior frequência da liga, estando em ambas as categorias melhor do que Greinke e Kershaw. 

Então vamos deixar ERA e FIP de lado por um instante e olhar uma terceira variável que tem se tornado cada vez mais usada no meio analítico para avaliar arremessadores: a performance dos rebatedores quando enfrentam-no. Não é um método perfeito, assim como FIP, mas é melhor do que ERA e um ponto de vista diferente. Para isso, vamos usar wOBA ajustado por estádio. E, para minha surpresa, quem lidera a NL com alguma folga é Jake Arrieta: rebatedores tem um wOBA ajustado de .225 quando enfrentam o destro do Cubs. Greinke (.234) e Kershaw (.242) tem ótimos números por mérito próprio que são inclusive inferiores aos do PIOR rebatedor qualificado da temporada (Chris Owings, com .258), mas Arrieta deixa os dois para trás na categoria. Claro, isso não é uma medida final: wOBA é mais interessante do que ERA por tirar LOB% da equação, mas ainda é influenciado por BABIP, ainda que em menor medida que ERA. Mas é um bom parâmetro para se olhar quando tentamos separar três arremessadores tão próximos.

E ainda tem o seguinte: Arrieta tem sido insano na segunda metade da temporada. Desde o All Star Game, Arrieta tem FIP de 2.00, ERA de 0.75 e um wOBA dos oponentes de .186 em 107.1 entradas arremessadas. Esse ERA de 0.75 na verdade é o melhor ERA da segunda metade de uma temporada na história do baseball. Entre Agosto, Setembro e Outubro, o destro tem 0.43 de ERA - isso da QUATRO corridas merecidas em dois meses e uma semana. Eu não sei o quanto isso deveria considerar na hora de avaliar o Cy Young - que afinal é um prêmio para a temporada inteira - mas os seres humanos tem um certo viés para eventos mais recentes, e acho que será algo que acabará mandando alguns votos na direção de Arrieta na hora de preencher os ballots.

No final, eu acabei chegando muito, muito perto de dar o Cy Young para Jake Arrieta. Mas no fundo, a questão Kershaw vs Arrieta se resumia à especulação e às possibilidades sobre o controle que Arrieta poderia ter sobre seu ERA contra os fatos que são os periféricos de outro mundo de Kershaw. E por mais que eu tenha adorado assistir Arrieta arremessando mais do que qualquer outro pitcher da MLB em 2015 e ache sua temporada fantástica, eu não consigo colocar a especulação na frente dos fatos. A diferença é muito, muito pequena e Arrieta será um vencedor digno se ficar com o prêmio. Mas meu voto vai para Clayton Kershaw. De novo.

NL Cy Young Ballot: 1. Clayton Kershaw; 2. Jake Arrieta; 3. Zack Greinke; 4. Madison Bumgarner; 5. Max Scherzer.


E, para deixar claro, Arremessadores A e B do meu Ballot para MVP são, naturalmente, Kershaw e Arrieta. Eu só não queria estragar a surpresa. Então oficializando:


NL MVP Ballot: 1. Bryce Harper; 2. Joey Votto; 3. Clayton Kershaw; 4. Jake Arrieta; 5. Paul Goldschmidt 6. Buster Posey; 7. Kris Bryant; 8. Andrew McCutchen; 9 Jason Heyward; 10. Anthony Rizzo.


American League Cy Young

A disputa Kershaw vs Arrieta pelo Cy Young da NL seja a melhor disputa desse prêmio que eu lembro de ter visto em anos. Mas embora a disputa pelo Cy Young da AL não envolva esses números e performances históricas, a disputa ainda está muito parelha e interessante.

Assim como na NL, a meu ver, a corrida pelo prêmio envolve três jogadores: David Price, Dallas Keuchel e Chris Sale. Cada um tem um caso diferente a ser feito, e bastante convincente. Então me permitam fazer rapidamente (ok, talvez nem tão rápido assim) o caso para cada um dos três canhotos.

Para David Price, que começou o ano no Tigers e encerrou no Blue Jays, o caso é bastante simples e direto: o canhoto lidera a liga americana tanto em ERA (2.45) como fWAR (6.4), é o segundo em entradas arremessadas (220.1), e ainda recebe pontos bônus por ter mantido sua dominância (e até melhorado, na verdade) mesmo trocando de time no meio do ano e tendo que se adaptar a um estádio novo e companheiros novos. Price é também o segundo da AL em FIP, oitavo em K% e sexto em BB%. Price é quem tem o caso mais fácil e mais claro para ser o Cy Young.

Keuchel, por outro lado, é um caso mais interessante e que precisa ser esmiuçado mais a fundo. Superficialmente, sua temporada já parece bem boa: terceiro em fWAR (6.1), segundo em ERA (2.48), sexto em FIP (2.91)... e, se você gosta dessa estatística imbecil, é o líder em vitórias (20). Mas tem outras duas estatísticas menos olhadas que falam mais sobre Keuchel: é o líder em entradas arremessadas (232) E em induzir groundballs (61.7%). Sobre a primeira, eu não preciso dizer a importância - se você arremessa mais entradas, você tem a chance de contribuir mais com seu time, manter seu bullpen mais fresco (melhorando sua performance), e por ai vai. A segunda é um ponto mais complicado, mas vamos começar com o seguinte: groundballs não viram home runs. Em outras palavras, se você está induzindo ground balls, você está limitando as oportunidades do adversário de mandar HRs. E ai você olha que Keuchel induz GBs 61.7% do tempo, e Price 40.4%... e ainda assim ambos estão quase empatados em HR/9 entradas: .66 para Keuchel, e .69 para Price.

O que acontece é que Price está cedendo HRs em 7.8% das suas fly balls, e Keuchel em 13.6%. Ainda que arremessadores tenham algum controle sobre essa proporção, fato é que a taxa de Price está bastante abaixo sua média da carreira (9.1%), e isso antes de considerar que o canhoto passou 2/3 da sua temporada arremessando em Detroit, um estádio muito mais favorável para conter HRs do que o Minute Maid Park onde Keuchel arremessou o ano todo. Em outras palavras, ainda que Price esteja sendo mais dominante em um nível per-inning, a dominância de Keuchel (especialmente no que tange aos Home Runs) é mais sustentável pelos parâmetros, e portanto mais mérito individual do arremessador e menos dependente de fatores externos. Some isso ao seu maior número de entradas arremessadas e o impacto que isso teve em preservar um dos bullpens mais eficientes da temporada, e o total da temporada de Keuchel pode muito bem ser superior à temporada de Price. Eu não gosto de bWAR para pitchers, mas é por essas e outras que ele lidera a AL com folga no quesito a 7.3.

Por fim, temos Chris Sale, que lamentavelmente está praticamente fora da discussão atualmente por Cy Young. O que é ridículo, porque Sale certamente tem as credenciais para isso. Lembra que Price é o segundo em FIP, sexto em K% e oitavo em BB% da liga? Acontece que Sale é o líder da AL em FIP (2.74), K% (32.1%, a segunda melhor marca na AL desde Pedro Martinez em 2000) e é segundo em BB% (4.9%), e isso tudo antes de considerar que Sale joga no terceiro pior estádio para arremessadores da AL. Sale tem sido mais dominante do que qualquer outro arremessador da AL essa temporada.

Então porque diabos Sale está sendo excluído das conversas para Cy Young? Por causa do seu ERA de 3.41, quase uma corrida inteira acima de Price e Keuchel. E isso é ridículo, porque o motivo para esse ERA alto é muito óbvio, e em nada culpa de Sale: o Chicago White Sox tem a pior defesa da temporada. De acordo com UZR, a defesa do White Sox custou ao time 39.9 corridas a mais que uma defesa média, a pior marca da temporada de longe, e DRS diz que foram 37 corridas - terceira pior marca da liga e segunda pior da AL. Do outro lado, as defesas de Astros, Tigers e Blue Jays foram a segunda, terceira e sexta melhores da AL na temporada (por DRS). Então por DRS, a diferença entre as defesas do time de Sale e dos de Keuchel e Price foi de 60 corridas. E ai, ficou mais fácil entender porque o ERA alto do Sale não é realmente um fator relevante para tirá-lo da disputa do prêmio, e sim um fator externo sobre o qual o canhoto não teve nenhum controle? E isso, claro, antes de entrar nos outros problemas de ERA, como impacto de fatores além do controle dos arremessadores. Então se você conseguir olhar além de ERA, vai enxergar que Sale foi por uma boa margem o mais dominante arremessador da MLB em 2015.

Em resumo, a verdade é que os três arremessadores tem excelentes argumentos para vencer esse prêmio, e estão separados por muito pouco. A questão é menos qual deles merece mais que os outros, e sim quais critérios cada pessoa decide olhar para tomar uma decisão. Se for olhar para os resultados, Price é a escolha fácil. Se olhar para a questão da dominância, então Sale é a melhor escolha. E se considerar sustentabilidade e impacto total para seu time, então Keuchel possivelmente tem o melhor caso dos três. No final do dia, depende muito mais do critério usado para avaliar. Eu pessoalmente valorizo mais dominação e uma performance individualmente superior para o prêmio de Cy Young, e por isso, fico com Chris Sale. Mas qualquer um dos três se ganhar o prêmio será um vencedor digno e terá feito por merecer. Excelente disputa.


AL Cy Young Ballot: 1. Chris Sale; 2. David Price; 3. Dallas Keuchel; 4. Corey Kluber; 5. Chris Archer.


National League Rookie of the Year

A segunda e última disputa sem muita graça da temporada, porque tem um claro vencedor. Kris Bryant não é só o melhor calouro da temporada, ele foi um dos melhores JOGADORES da temporada, ponto. Tanto que, se você prestou atenção, ele ficou em sétimo no meu ballot para MVP. 

O engraçado é que, no começo da temporada, parecia que essa seria a melhor disputa da temporada. Bryant e Joc Pederson chegaram tomando a liga de assalto e estavam pescoço a pescoço disputando o posto de melhor calouro do ano... até que Bryant começou a rebater HRs monstruosos e Pederson esqueceu de como se acertar uma bola de baseball. Bryant termina a temporada com 26 HRs (melhor marca entre calouros), uma slash line de .277/.368/.492 e um wRC+ que é segundo entre calouros (só Grichuk foi melhor, por 1 ponto, mas com 45 jogos a menos), sólida defesa e excelente produção nas bases. Isso tudo totalizou um fWAR de 6.3 que não só é 1.4 vitórias acima do segundo melhor calouro da temporada, como também é 10th entre TODOS os rebatedores do baseball. Kris Bryant é um monstro. Eu não posso resumir isso de forma mais direta. E como essa coluna já é longa o suficiente, vamos parar por aqui nesse prêmio, porque sinceramente acho que não tem muito a justificar nessa escolha.

NL Rookie of the Year Ballot: 1. Kris Bryant; 2. Matt Duffy; 3. Jung-ho Kang; 4. Noah Syndergaard; 5. Randal Grichuk.


American League Rookie of the Year

Outra disputa muito boa entre dois jogadores muito parecidos. Carlos Correa e Francisco Lindor são ambos shortstops, ambos tem 21 anos e fazem 22 ainda esse ano e jogaram exatamente 97 jogos nas grandes lidas. Ambos foram draftados no Top10 (Lindor #8 em 2011, Correa #1 em 2012), estrearam na MLB em um espaço de uma semana (08/06 para Correa, 14/06 para Lindor), e inclusive estiveram em colocações muito próximas na nossa lista dos Top100 prospectos do baseball (Correa era #3, e Lindor #5) antes da temporada começar.

Dentro de campo, no entanto, os estilos dos dois são bem diferentes. Leia a nossa coluna e você vai ver as diferenças: Corrêa é um rebatedor de grande potência, com um físico impressionante e que deve acabar jogando na 3B com o tempo, enquanto Lindor é um jogador mais ágil, um excelente defensor e um rebatedor mais "leve". 

E até agora na MLB a maior parte dessas afirmações parecem ter acertado em cheio. Corrêa tem 22 HRs em apenas 97 jogos, uma slash line de .282/.348/.520 (136 wRC+) e um controle surreal da zona de strike, mas também tem tido algumas dificuldades na defesa (-5.2 UZR) principalmente pela falta de alcance, mas mostrou boa inteligência e um bom braço que me fazem acreditar que um dia será um defensor acima da média na 3B. Do outro lado, a defesa de Lindor - seu principal atrativo como prospecto - brilhou na MLB também, já se estabelecendo como um defensor de elite e eterno candidato a Gold Gloves: apesar de ter jogado apenas 97 jogos, seu UZR de +9.6 já é o sexto melhor da AL inteira e melhor entre shortstops, seu rating defensivo de +14 é quarto entre jogadores e segundo entre shortstops, e seu UZR por 150 jogos de 17.9 está no nível de jogadores como Adam Hechavarria e Andrelton Simmons. 

O único quesito que na prática tem destoado das previsões até agora tem sido o bastão de Lindor. Um jogador de muito contato mas pouta potência nas ligas menores, Lindor tem rebatido excepcionalmente bem na sua curta carreira nas grandes ligas, com 12 HRs e uma slash line de .317/.357/.487, bom para um wRC+ de 131. E isso tem sido uma grande surpresa, não só pela boa potência demonstrada como pelo alto OBP, cortesia de um ótimo aproveitamento no bastão (cortesia, por sua vez, de um BABIP de .353. Mais sobre isso daqui a pouco). A idéia de Correa e Lindor era que Correa era um defensor aceitável que produziria muito com seu bastão, e Lindor um rebatedor aceitável que produziria muito na defesa. Mas até agora na temporada, Lindor tem produzido muito no bastão E na defesa, e por isso seu WAR é superior ao do calouro do Astros por uma boa margem (4.7 a 3.5). Corrêa é o melhor rebatedor, sem dúvida, mas não está sendo TÃO melhor assim, e defensivamente Lindor tem sido consideravelmente superior, mais do que suficiente para tirar a pequena diferença da produção ofensiva.

Mas como estamos falando de calouros, sempre estamos pensando no futuro, e por isso acho que vale a pena pegar um parágrafo aqui para dizer que, embora Lindor esteja jogando melhor que Correa em 2015, isso não significa que ele seja um jogador melhor ou o será no futuro. E eu digo isso porque a performance de Lindor não me parece muito sustentável. Seus números esse ano dependem de um BABIP de .353 que me parece alto demais para o tipo de rebatidas que Lindor da. Não que jogadores com seu perfil - boa velocidade e boa quantidade de rebatidas em linha - não costumem ter bons BABIPs, mas .353 é algo nível Joey Votto. Meu modelo pessoal para xBABIP estima, dado a distribuição de rebatidas do calouro, que esse número deveria estar muito mais próximo dos .335 (que já é bom, by the way), quase 20 pontos abaixo e que naturalmente derrubaria bastante seus números.

Analogamente, Carlos Correa é alguém que faz muito contato sólido e rebate uma tonelada de line drives, mas que tem um BABIP relativamente baixo de .298. Olhando seu perfil de rebatidas, esse número deveria ser bem melhor, e meu modelo corrobora essa idéia: ele aponta um xBABIP (ou seja, BABIP estimado) de .340 para Correa. Alguns parâmetros não devem se manter tão altos, claro, mas mostra como Correa tem sido ainda melhor do que os números mostram.

Eu também questiono essa repentina força de Lindor (12 HRs e .170 de ISO), um tanto quanto destoantes do que mostrou nas ligas menores. Mais especificamente, muitos de seus HRs tem cruzado por muito pouco as cercas do campo externo, e metade deles foram extremamente rentes à linha de foul ball, onde a cerca é ainda mais próxima do home plate. Pode ser que Lindor tenha apenas excelente mira, mas mostra que a força do jogador não é tão grande assim, e que seus números devem regredir conforme esses HRs mais "fáceis" param de encaixar. Só um de seus HRs viajou mais de 400 feet, apenas dois deles teriam sido HRs em qualquer estádio da MLB, e sua distância média de HR foi de 372 feet - para efeito de comparação, a média da AL é de 394,6 e nenhum rebatedor com 18+ HRs (sua projeção para uma temporada de 150 jogos) teve média inferior a essa. E não é como se Lindor rebatesse a bola com força frequentemente: sua taxa de bolas rebatidas classificadas como "fortes" é de 25.7%, o que seria a 25h pior marca da MLB entre rebatedores qualificados e igual ao número de notórios rebatedores sem potência como Yadier Molina e Nick Markakis (ambos .080 de ISO). Isso não é para dizer que Lindor não é um bom rebatedor, mas é muito provável que não será capaz de sustentar seus números atuais em uma amostra maior.  

Considerando que o prêmio de Rookie of the Year é um prêmio para a produção na temporada 2015 apenas, eu estou tranquilo entregando o prêmio a Lindor - sua produção no bastão foi ótima e sua defesa é de outro mundo, e a combinação dessas duas coisas fez dele o melhor calouro de 2015. Mas isso não quer dizer que ele vá manter esse nível nos próximos anos, ou mesmo que seja um jogador melhor do que Correa.

AL Rookie of the Year Ballot: 1. Francisco Lindor; 2. Carlos Correa; 3. Lance McCullers; 4. Miguel Sano; 5. Billy Burns


As estatísticas nessa coluna vieram de Fangraphs, Baseball-Reference, Baseball Prospectus, Elias Sports Bureal, ESPN Stats & Info, Hit Tracker Online e Brooks Baseball. Agradecimento especial ao Mark Simon, da ESPN, pela ajuda com os dados sobre os HRs do Francisco Lindor. 

E um grande agradecimento especial a Ryan Spaeder pelas estatísticas do Bryce Harper que ele tão gentilmente separou e compartilhou comigo para essa coluna. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Distribuindo prêmios na MLB


Clayton Kershaw comemora o prêmio ganho no nosso post


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Com a temporada regular da MLB finalmente no passado e enquanto os playoffs começam a esquentar, é hora de olhar para uma ótima temporada regular e distribuir alguns prêmios. Eu particularmente adoro esses prêmios, especialmente no baseball, porque eles são ao mesmo tempo simples e complexos: temos estatísticas e métricas extremamente avançadas a nossa disposição, mas tem muita gente que insiste em olhar para os números errados e superficiais sem olhar para os que realmente nos trazem a verdadeira performance. Então vamos dar uma passada pelos três prêmios principais da MLB e ver quem deveria (e quem provavelmente vai) levar cada um deles: MVP, Cy Young e Rookie of the Year. Deixo de fora Manager of the Year porque é o prêmio mais subjetivo de todos os tempos e depende demais de termos que não podemos observar e normalmente vai para o time que deu a melhor mudança de record de um ano para outro.

Antes de começarmos, aviso que vamos falar bastante de estatísticas por aqui. Então se não as conhece e quer conhecê-las, recomendo uma passada por esse post antes, onde eu explico praticamente todas as sabermetrics mais usadas (e que usaremos aqui hoje) de forma bastante longa e didática. Então vamos começar, por...

AL MVP: Miguel Cabrera


O AL MVP é um prêmio bastante complicado e polêmico que coloca em debate exatamente o que significa isso de "Mais valioso". O melhor jogador da AL (e da MLB inteira), de longe, é Mike Trout. Vamos chegar nisso, mas basta saber que Trout está jogando em um nível que o último jogador a atingir nessa idade... hm, verdade, ninguém nunca fez isso antes aos 21/22 anos. Mas enquanto Mike Trout é claramente o melhor jogador da MLB, seu time como um todo é um lixo e não vai a lugar nenhum, enquanto que outro jogador tendo uma temporada histórica, Miguel Cabrera, joga em um time que ganhou a sua divisão e foi aos playoffs. Então o debate furioso que acontece a partir dai é: o MVP tem que ser o melhor jogador, ou tem que ser o melhor jogador que conseguiu levar o time aos playoffs? Em outras palavras, quando escolhemos o MVP, deveria importar a campanha coletiva do time em um jogo tão individual?

A diretriz oficial para escolher o prêmio de MVP não nos ajuda em nada. Segundo as regras oficiais da MLB, a interpretação de "mais valioso" depende exclusivamente de quem for votar e não existe uma recomendação clara sobre como interpretar isso. Por esse motivo, acaba sendo algo totalmente pessoal. Você pode acreditar que Trout foi o MVP porque ninguém adicionou mais vitórias ao seu time do que ele, ou você pode acreditar que foi Miguel Cabrera ou Josh Donaldson porque adicionaram menos vitórias mas elas tiveram um impacto maior no resultado final de seus respectivos times. É totalmente aberto a interpretações.

A minha interpretação: o contexto de time deve importar, mas não deve ser absoluto. Existe um conceito de valor absoluto (o total que um jogador contribui para seu time, ou seja, o melhor jogador) e um de valor relativo (aquela contribuição que teve um impacto maior no resultado) que precisam ser levado em conta. Eis o que eu escrevi ano passado sobre isso, justificando meu voto de 2011 para Justin Verlander como MVP da MLB:

Por exemplo, vamos pegar a temporada passada da MLB como exemplo. Os dois melhores jogadores da temporada individualmente foram Jacoby Ellsbury e Jose Bautista, mas tanto Red Sox como Blue Jays perderam os playoffs (O Red Sox depois de um colapso nos jogos finais da temporada regular, o Jays ficou nos 50% a temporada toda). Enquanto isso, você tinha Justin Verlander tendo uma temporada ligeiramente inferior a esses dois, mas sendo o melhor e mais importante jogador de um time do Tigers que arrancou uma vaga na AL Central e chegou nos playoffs com status de candidato ao título. Então individualmente, Bautista e Ellsb foram melhores que Verlander. Mas se tirassemos Ellsb e Bautista dos seus times antes da temporada (ou na metade), o destino de Sox e Jays não teria mudado (e o Red Sox provavelmente não teria sido tão bom a temporada inteira pra ter um colapso histórico pra sofrer em Setembro) e ambos os times continuariam de fora dos playoffs. Mas sem Verlander, o Tigers estaria condenado ao quarto lugar na AL Central e total esquecimento. Por causa de Verlander, o Tigers ganhou a divisão, chamou a atenção da Liga inteira e virou o time que ninguém queria enfrentar em uma série. Pra mim, isso significa que ele foi mais valioso pro Tigers do que Ellsb e Bautista pra Sox e Jays - A presença dele teve um efeito muito maior no destino do seu time na temporada.

Por esse motivo, eu votei em Verlander pra MVP em primeiro, Ellsbury em segundo, e Evan Longoria em terceiro (perdeu boa parte da temporada, mas quando voltou foi o maior responsável por levar o Rays aos playoffs). O que não significa que as temporadas de Ellsbury e Bautista não foram valiosas ou não tiveram valor, é claro. As duas tiveram um grande valor, com certeza, mas a presença de Bautista fazendo o Jays ser 81-81 ao invés de 72-90 fez uma diferença muito menor do que Verlander levando o Tigers de 81-81 a 92-70, ganhando a divisão e transformando o Tigers em uma força na AL. Por mais que dois jogadores valham, digamos, 9 vitórias a mais pros seus respectivos times, essas 9 vitórias fazem uma diferença muito maior em um time que vai de 85 vitórias pra 94 e um que vai de 71 pra 80 vitórias. Por isso pra mim a diferença entre "melhor" e "mais valioso". É injusto "penalizar" um jogador pela performance do seu time, mas essa é minha interpretação, e afinal o que vale no final é aonde o time chegou: Ellsbury foi o "Melhor Jogador da MLB" em 2011... Mas Verlander foi o Jogador Mais Valioso da MLB em 2011.

Em outras palavras, Ellsbury adicionou 9 vitórias (em WAR) ao Red Sox em 2011, enquanto Verlander adicionou pouco mais de sete a Detroit. Mas as sete vitórias de Verlander significaram para o  Tigers a diferença entre o primeiro lugar na conferência e o ostracismo, e as nove de Jacoby Ellsbury só mudariam o número de vitórias mas não o resultado da temporada do Red Sox, e então eu me vi forçado a concluir que as sete vitórias de Verlander tiveram um valor maior para sua equipe que as 9 de Ellsbury.

Eslcarecido isso, minha lógica não quer dizer que um jogador que não foi aos playoffs não possa ganhar o MVP. Ano passado, respondendo a um email do leitor Luciano Diaz, escrevi uma coluna inteira sobre o prêmio de MVP, suas dificuldades e sobre quem deveria ganhar em 2012. Nessa coluna, eu escolhi Mike Trout para ganhar o prêmio de MVP sobre Miguel Cabrera, mesmo Cabrera tendo ido aos playoffs e Trout não. Minha justificativa foi a seguinte: 

Nesse contexto, e ainda de acordo com minha opinião, o MVP pode ir para um jogador de um time que não foi aos playoffs (afinal, sua temporada também teve seu valor) ou um time inferior de acordo com duas situaçōes: a) caso esse jogador tenha sido claramente muito superior  a todo o resto; e b) caso não haja um claro candidato num time que foi aos playoffs e que possa reclamar o prêmio. O peso de cada um desses pontos depende, claro, da situação em questão e é subjetivo a cada pessoa.

E isso definitivamente aconteceu em 2012. Mike Trout foi tão superior a Cabrera, Robinson Cano e ao resto dos candidatos ao prêmio, especialmente considerando que seus dois concorrentes jogavam em times extremamente lotados de talento que poderiam sobreviver com uma lesão a um deles, que não via como não votar no cara que tinha acabado de submeter uma das melhores temporadas da história da MLB... sendo um calouro. 

Mas em 2013, em uma situação bastante semelhante, eu optei por votar em Cabrera e não em Trout dessa vez. O que mudou entre 2012 e 2013 para fazer meu voto mudar?

Em primeiro lugar, Trout continua o melhor jogador da MLB inteira por uma LARGA margem. Isso definitivamente não mudou. Considere o seguinte sobre Mike Trout: ao terminar 2013 com um fWAR de 10.4, ele se tornou o quarto jogador dos últimos 70 anos a ter duas temporadas consecutivas com WAR acima de 10. Os outros três? Willie Mays, Mickey Mantle e Barry Bonds. Trout conseguiu isso com 22 anos. Nenhum jogador na história da MLB chegou aos 22 anos com temporadas melhores, e nenhum jogador estreou na MLB com duas temporadas melhores do que o OF do Angels. Seu WAR de 10.4 também liderou a liga por uma larga margem, com 2.2 de vantagem para o segundo colocado (Andrew McCutchen) e 2.7 e 2.8 sobre os segundo e terceiro colocados na AL (Donaldson e Cabrera, respectivamente).

Hmm, você não gosta ou não confia em WAR? Certo, vamos olhar por outro ângulo então. A slash line de Mike Trout esse ano foi de .323/.432/.557, e ajustando isso para as dimensões favoráveis a arremessadores (e não rebatedores) do estádio onde jogou metade de suas partidas, isso nos dá um wRC+ de 178 - em outras palavras, isso significa que ajustando pelo estádio onde joga, Trout criou 78% a mais de corridas do que um jogador médio da MLB com suas rebatidas. Essa marca é, na verdade, a segunda melhor da liga em 2013, atrás apenas de Miguel Cabrera (e na frente de Chris Davis, Paul Goldschmidt, Joey Votto e companhia). Expandindo o contexto, desde 2000 apenas dois OFs tiveram uma temporada mais produtiva no bastão do que Trout sem a ajuda de esteróides pesados (cof Barry Bonds cof cof): Manny Ramirez em 2000 e 2002, e Jose Bautista em 2011. E isso é apenas considerando o que fez com o seu bastão em mãos, mas Trout também é um dos melhores corredores da MLB, roubando 33 bases em 40 tentativas na temporada. Juntando então sua produtividade incrível no bastão com o estrago que Trout faz com as pernas (roubando bases e conseguindo bases extras em rebatidas de colegas), suas 69.6 corridas geradas no total ofensivamente são a melhor marca de um OF nos últimos 33 anos não chamado Bonds, 0.5 corridas na frente do lendário Rickey Henderson em 1980. 

Sinceramente, não tem nada que Trout não seja praticamente perfeito fazendo. Ele possui incrível disciplina no bastão e chega com facilidade em base, conseguindo walks 15.4% de suas idas ao bastão, terceira melhor marca da MLB depois de Joey Votto e Shin-Soo Choo. Seus HRs caíram em relação a 2012, mas ele rebateu mais doubles e triples do que antes, mantendo sua força no bastão alta. Suas rebatidas tem um grande aproveitamento porque ele consegue um enorme número de line drives e infield singles. Seu tempo correndo do home plate até a primeira base (não oficial) é o menor da MLB, o que é incrível considerando que ele é destro e rebate do lado esquerdo do home plate (e portanto tem caminho maior a percorrer que um canhoto), e ele é um dos mais prolíficos base runners da liga. Sua defesa desceu em relação aos níveis históricos de 2012 mas ainda é acima da média da MLB. O garoto é a coisa mais próxima de um jogador perfeito que você vai ver na MLB, e os números refletem isso: nas suas duas primeiras temporadas de MLB, ele conseguiu um feito que lendas como Mays e Mantle só conseguiram no auge absoluto de suas carreiras. E eu já disse que Trout fez 22 anos DURANTE a temporada? Me parece relevante. Então não é como se Mike Trout fosse apenas um pouco melhor que seus contemporâneos: ele é significantemente melhor do que qualquer outro jogador na Terra nesse momento, e sinceramente, possivelmente melhor do que qualquer jogador da história da MLB foi nessa idade.

Então porque dar o prêmio para Cabrera e não para Trout, se ano passado eu defendi os méritos de Trout? Porque a temporada 2013 de Cabrera foi muito melhor do que a 2012. As pessoas se perdem olhando para estatísticas inúteis como a Triple Crown que Miggy ganhou ano passado e assumem que isso faz dela a melhor temporada do slugger, mas isso passa muito longe da verdade. A temporada 2012 de Cabrera (.330/.393/.606, 166 wRC+) foi inferior, por exemplo, a sua temporada 2011 (.344/.448/.586, 177 wRC+), mas ninguém percebeu porque só ele ganhou a TC um ano depois. E em 2013, Miguelito subiu ainda mais um nível em relação a um patamar já bastante elevado: .348/.442/.638 e um wRC+ de 192 que é absolutamente IMPOSSÍVEL! E isso porque depois da lesão ele não tem sido o mesmo jogador, em Setembro conseguiu apensa duas rebatidas extra-base no mês inteiro, e mesmo assim terminou com um wRC+ de 192, o melhor da MLB de longe (chegou a ter 201 de wRC+ antes de machucar). Colocando em contexto, os únicos jogadores que chegaram a 200 wRC+ sem a ajuda de esteróides foram Ted Williams e Mickey Mantle, e mesmo o seu 192 coloca Miguel Cabrera na companhia de temporadas como 1967 Carl Yaztremski (seu triple crown) e 1980 George Brett, alguma das melhores e mais famosas temporadas de todos os tempos. Desconsiderando as temporadas de 81 e 94 porque não foram jogadas até o final por motivos de greve, esse número é o 20th maior de uma temporada na história da MLB desde 1950, e isso considerando que sete das que estão na sua frente foram de Bonds ou Mark McGwire em seu auge de esteróides. Chamar a temporada do Cabrera de "histórica" não lhe faz justiça.

Claro, Cabrera não tem como ser melhor do que Mike Trout considerando que é um dos piores defensores e um dos piores corredores da MLB, enquanto Trout é um sólido defensor e um dos melhores corredores. E mesmo assim, a diferença entre o bastão dos dois (pelo menos ao final da temporada) não era tão grande assim porque Trout ainda teve uma temporada história ele mesmo, e considerando o tempo perdido com lesões de Miggy e a diferença entre ambos como corredores, Trout acabou tendo uma temporada ofensiva total ainda melhor do que Cabrera gerando corridas (69.6 contra 63.5). Mas eu acho que dessa vez Cabrera é um vencedor digno do prêmio de MVP porque, ao contrário do ano passado, individualmente Cabrera TEVE uma temporada historicamente boa. Trout ainda é o melhor jogador, Cabrera teve um impacto maior no resultado final da temporada por ter ajudado seu time a ir aos playoffs... mas mais importante, a temporada de Cabrera FOI espetacular o suficiente para bater de frente com a de Trout e se manter de pé. Trout é o melhor jogador da MLB, e não é por pouco, mas Cabrera foi o MVP dessa temporada.

Uma última menção honrosa antes de irmos para as menções honrosas: Josh Donaldson, a única estrela de Oakland Athletics. Donaldson acabou a temporada, na verdade, a frente de Cabrera em WAR (7.7 contra 7.6) e jogou em um time que precisava ainda mais de uma estrela (que não tinha um Mark Scherzer). Donaldson definitivamente seria um vencedor merecido desse prêmio, embora eu o coloque em terceiro porque a) seu WAR acima de Cabrera veio por causa de 10 jogos a mais e da grande diferença em defesa, mesmo que Donaldson nunca tenha tido um histórico como um grande defensor e seu UZR provavelmente foi um pequeno outlier; e b) Donaldson não tem os números históricos de Cabrera para justificar ficar a frente de Trout. Mas ainda assim, foi uma temporada brilhante e espetacular sobre todos os aspectos que merece ser reconhecida.

Menções honrosas, em ordem: Mike Trout; Josh Donaldson; Evan Longoria; Chris Davis.


NL MVP: Andrew McCutchen


Se Mike Trout é o jogador mais completo da MLB, Cutch é o segundo colocado. Não tem nada que McCutchen não consiga fazer em um campo de baseball: ele rebate por contato (.317 de AVG) e por força (.508 de SLG), ele chega em base a um ótimo nível (11.5 das idas ao bastão acabando em walk e um OBP de .404), é um baserunner acima da média (5.1 corridas geradas com as pernas, top20 na MLB) e um sólido defensor (6.9 em UZR). O resultado é que, juntando tudo isso, você tem um jogador espetacular: 155 wRC+ (7th na MLB, 4th na NL) já seriam ótimos pelo seu bastão, mas juntando ainda com defesa e baserunning superiores (algo que poucos jogadores possuem junto de um bom bastão) você chega a 8.2 de WAR (segundo na MLB, primeiro na NL) e 46.9 corridas totais geradas ofensivamente, quarto na MLB e primeiro na NL. Em resumo, você não vai encontrar um jogador all-around melhor na NL do que Andrew McCutchen nesse momento.

A vantagem de McCutchen em relação a Mike Trout é que Cutch também é apoiado pela narrativa. Cutchen é o melhor jogador de um time que vai aos playoffs assim como Cabrera, mas não só isso como ele também é o melhor jogador de um time que vai aos playoffs pela primeira vez em 21 fucking anos!!! As pessoas adoram narrativas quando olham para esses jogadores, e o Pirates sem dúvida foi a história mais legal da MLB em 2013. Então não apenas Cutchen foi o melhor jogador da NL em 2013, como jogou em um time que foi aos playoffs E fez parte da melhor história da temporada? Existe alguma chance dele NÃO ganhar esse MVP?

Quando olhamos para sua competição, fica ainda mais fácil lhe dar esse prêmio. Seu perseguidor mais próximo é Carlos Gomes, que explodiu nessa temporada com uma excelente performance ofensiva (24 HRs, 130 de wRC+) para juntar a sua já conhecida capacidade na defesa (24.4 em UZR, terceiro da NL atrás de Gerardo Parra e Andrelton Simmons - créditos do GIF a Michael Baumann da Grantland) e roubando bases (40, sétimo na MLB), de forma que seu valor correndo e na defesa superam até mesmo de McCutchen rumo a um WAR de 7.6. Mas Gomes não tem chance considerando que jogou em um dos piores times da NL. Goldschmidt e Joey Votto tiveram temporadas ofensivas ligeiramente superiores a Cutchen no bastão, mas não conseguem igualar o impacto do OF do Pirates com suas pernas ou na defesa. E embora Matt Carpenter tenha tido uma excelente temporada all-around, ele não foi melhor do que Cutch em um quesito sequer e jogou em um time mais lotado de grandes talentos, não tendo a importância individual de um jogador como Cutch para seu time. Então esse aqui é o mais fácil da coluna.

Menções honrosas, em ordem: Matt Carpenter; Carlos Gomes; Clayton Kershaw; Joey Votto; Paul Goldschmidt.

AL Rookie of the Year: Wil Myers


A corrida para ROY da AL esse ano foi surpreendentemente fraca. Meu candidato durante parte da temporada foi o brasileiro Yan Gomes, que tinha feito menos do que as 130 idas ao bastão para deixar ser considerado rookie pelo Blue Jays e foi listado pelo Fangraphs como calouro o ano inteiro. Mas acontece que, como o Thiago Kayano me lembrou ontem, ele também deixa de ser calouro se tiver passado 45 dias no plantel principal da MLB, e isso de fato aconteceu em 2012. Sem o meu favorito, tive que me voltar para os demais candidatos, e Myers foi o que mais se destacou.

Wil Myers, considerado pela Baseball America o melhor prospect da MLB em 2012, virou notícia quando seu time (Kansas City Royals) decidiu trocá-lo para o Tampa Bay Rays por James Shields, em busca de um arremessador para âncorar sua nova rotação, desastrosa um ano antes. Eu achei que era uma troca ruim na época e ainda acho agora: Myers era considerado um dos melhores prospects da MLB dos últimos anos, um jovem que ainda iria ficar muitos e muitos anos sob o controle da equipe... e o pior, que entraria na posição mais carente (RF) do time em 2012! Em troca, o time ganhou um muito bom mas não espetacular arremessador de 31 anos que estaria sob controle do time por apenas duas temporadas, o que me pareceu um preço alto demais a pagar por um OF que tinha tudo para dominar a AL por mais 10 anos. 

Deixando de lado por um instante os efeitos da troca para o Kansas City Chiefs (que funcionou bem por enquanto, com Shields ancorando uma boa rotação e tendo sua primeira temporada com record positivo em muitos anos), o fato é que Myers tem jogado muito bem desde que subiu, embora por apenas 88 jogos, tendo sido chamado quase na metade da temporada. O que acontece é o seguinte: quando um prospect normal (ou seja, que foi escolhido no draft e assinou um contrato como calouro recém-draftado) sobe para a MLB, seu contrato dura cerca de sete anos a um valor muito pequeno anualmente, um contrato de calouro. No entanto, depois de algum tempo de serviço na MLB, esse jogador pode pedir "arbitration", ou seja, ele pede uma revisão do seu contrato e um mediator independente vai olhar para seus números e determinar qual seria seu novo salário pelo resto da duração do contrato vigente. Claro que um time pode (e muitas vezes de fato o faz) assinar o jogador para um novo contrato antes de chegar até a arbitration, e certamente é o plano do Rays, mas a questão é que o Rays é um time pobre e que quer aproveitar ao máximo esses anos de mão de obra barata antes de chegar na arbitration. Por isso o Rays tinha uma escolha: como Myers era um prospect considerado "Super Two" e com sete anos de contrato pela frente, se ele jogasse mais do que um determinado tempo na MLB esse ano ele teria três anos do seu salário normal e mais quatro após a arbitration, enquanto se ele jogasse menos do que esse certo tempo, ele só entraria em arbitration após quatro anos de salário normal. Por isso o Rays optou por deixá-lo mais tempo nas ligas menores e aproveitar apenas metade da temporada com  Myers, já que isso lhes dava um ano a mais de controle sobre o jogador antes de seu salário subir.

Desde que subiu, Myers tem feito juz ao hype: defesa um pouco abaixo da média (já que a mudança do infield pra RF ainda é recente e está se adaptando a nova posição), mas um ótimo desempenho no bastão, rebatendo .293/.353/.478 e um wRC+ de 131 com 13 HRs em 88 jogos, liderando todos os calouros da AL em OBP, SLG e OPS ( e wRC+). Ele ainda comete muitos strikeouts (24.8%) e seu BABIP certamente vai cair em relação aos .364 dessa temporada, mas foi um começo promissor para um talento promissor que ainda deve se desenvolver com o tempo. Não foi uma grande temporada, foi apenas uma boa e em pouco tempo, mas que lhe gerou um WAR de 2.4. Essa é a melhor marca em um grupo de calouros bastante decepcionante da AL, onde apenas David Lough passou dos 2.0 (os mesmos 2.4 de Myers) mas com mais jogos (96). Não foi uma temporada individualmente brilhante e que talvez não lhe rendesse o ROY em outro ano ou mesmo se ele jogasse na NL, mas esse ano não tem opção melhor.

Mençoes honrosas, em ordem: Jose Iglesias, David Lough, Dan Strailey.

NL Rookie of the Year: Jose Fernandez


Primeiro eu queria tirar logo isso das minhas costas: não tem a menor chance de Yasiel Puig continuar rebatendo .319/.391/.534 (160 wRC+) por muito tempo. Esse número absurdamente alto vem nas costas de um BABIP também absurdamente alto de .383, uma figura que é praticamente impossível de se sustentar. Seu HR/FB Ratio também está na casa dos 21.8% e vai decair muito possivelmente, já que é um nível quase Miguel Cabrera de produção. Desconsiderando por um momento esse provável declínio no seu HR/FB Ratio (ou seja, supondo que mantenha), me parece uma boa hora para usar um modelo que eu desenvolvi a algum tempo. Ele utiliza o perfil de rebatidas de cada jogador (ou seja, pega quantas bolas rebatidas por ele são line drive, fly balls, ground balls ou infield fly balls) e cruza com a com a probabilidade de cada uma dessas rebatidas resultar em uma rebatida válida para projetar um xBABIP, ou Expected BABIP (BABIP esperado), de acordo com a forma calculada pelo ótimo Frangraphs. A partir desse xBABIP meu modelo ajusta a slash line para refletir um cenário mais preciso e menos dependente do acaso, usando o xBABIP para criar um cenário mais "preciso" da habilidade real do jogador e separar o que é sua performance real e do que está sendo influenciado por fatores além do seu controle. Eis o resultado desse modelo para Puig:


Meu modelo ajusta slugging por três fórmulas diferentes, por isso SLG aparece três vezes no modelo. Não vou entrar nos detalhes sobre cada um, mas o meu favorito é o SLGc - sintam-se a vontade para usar o que preferirem. Então a slash line ficaria:

2013 Puig: .319/.391/534
xBABIP Puig: .290/.365/.498

Ainda são bons números, mas nem de longe tão sobre-humanos como os atuais - seu wRC+ estaria na casa dos 130, 132. Isso faz de Puig ainda um bom jogador, especialmente considerando que ele chegou na MLB jovem e cru e ainda tem muito espaço para evoluir (um defensor abaixo da média e corredor muito abaixo dela, duas coisas que provavelmente vão melhorar com tempo e experiência já que as ferramentas estão lá para tal). Isso é só uma maneira de dizer que, mesmo que Puig seja realmente um jogador muito bom e divertido (e ele é), os números dele em 2013 não refletem adequadamente o jogador que ele é pois tiveram influência de fatores que não devem se repetir em uma amostra maior.

Mas não foi por isso que Puig não ganha meu voto para ROY. Influenciado pelo acaso ou não, Puig ainda teve uma temporada espetacular e totalmente vindo do nada, que colocou a MLB em fogo e logo elevou o cubano ao status de "não se atreva a mudar o canal quando ele está no bastão ou em base!". Quando consideramos esse tipo de prêmio, é muito mais importante olhar para o que o jogador fez no passado, não o que vai acontecer no futuro. Em qualquer ano normal, Puig seria não só meu candidato ao ROY, como um candidato sem a menor sombra de dúvida a ganhar o prêmio. A temporada dele foi boa demais, e merece ser reconhecida.

O problema de Puig é que ele deu azar de concorrer a esse prêmio logo na mesma temporada que um calouro chamado Jose Fernandez começou a arremessar pelo Miami Marlins. O calouro de (alegados) 20 anos que surgiu do nada depois de chegar a Miami em uma balsa clandestina - e tendo que voltar e arriscar sua vida nadando para salvar sua mãe que se afogava - logo se estabeleceu como um dos melhores arremessadores - não calouros, arremessadores - da MLB. Ao final da temporada, mesmo com um limite de entradas e não arremessando tanto quanto poderia, Fernandez termina a temporada com o sexto melhor FIP e o segundo melhor ERA de toda a liga. Ele termina a temporada 2013 com o arremesso mais devastador lançado por qualquer arremessador essa temporada (per PITCH f/x), um arremesso bastante particular que parece uma mistura de slider com slurve e que foi simplesmente impossível de se rebater na temporada inteira. Meu tidbit favorito de Jose Fernandez: nos jogos em casa da temporada 2013, Jose Fernandez teve mais strikeouts (108) do que bases totais cedidas MAIS WALKS (105). Nao rebatidas cedidas... bases totais mais walks!! Isso é impossível.

Se você nao acredita, tente isso. Desde 1940, a data que meu computador para de travar para compilar os dados, sabe qual o arremessador que teve o MENOR ERA- da MLB (uma estatística que ajusta o ERA por época, estádio, liga e afins) como calouro? Não foi Hideo Nomo, não foi Dwight Gooden, não foi Fernando Valenzuela. Foi Jose Fernandez. Se você preferir usar -FIP como estatística, ótimo: Gooden assume o topo e Fernandez aparece em quinto na lista, virtualmente empatado com o segundo colocado (mas a uma distância grande de Gooden). E isso considerando apenas calouros, o que é um pouco injusto com Fernandez já que isso aconteceu não apenas como um calouro, mas como um de apenas 20 anos. Considerando apenas arremessadores com 20 anos ou menos (calouros ou não), a única temporada que chega perto de 2013 Jose Fernandez foi a de 1985 por Dwight Gooden... e considerando que essa foi possivelmente a melhor temporada da história de um arremessador não chamado Pedro Martinez, eu diria que Fernandez está em excelente companhia. Ajustando por -FIP ao invés de -ERA, Fernandez cai para terceiro... atrás das temporadas 84 e 85 de Gooden apenas e mais nada. E Gooden nunca gerou um gif tão bom como esse aqui. Acho que deu para ter uma noção do absurdo que foi esse ano do garoto, especialmente quando a única comparação histórica possível é um dos arremessadores mais lendários da MLB.

Colocando de forma mais simples e direta: Puig teve uma temporada espetacular, mas Jose Fernandez teve uma das melhores (talvez a melhor) temporada de um calouro E de um arremessador da sua idade na história da MLB. Não vamos ver outra temporada como essa tão cedo. Tenho certeza disso.

Menções honrosas, em ordem: Yasiel Puig, Shelby Miller, Hyun-Jin Ryu.

AL Cy Young: Felix Hernandez


Max Scherzer provavelmente vai ganhar tranquilamente esse prêmio porque as pessoas, por algum motivo obscuro, ainda valorizam demais a segunda estatística mais estúpida do baseball, "wins". Ela é uma estatística extremamente estúpida por uma diversidade de motivos, mas principalmente porque ela é uma das que mais dependem do contexto do time e menos dizem sobre um jogador individual. Então vamos ver como isso funciona olhando para estatísticas de verdade e que dizem mais sobre o jogador.

Em uma situação normal, Anibal Sanchez seria a escolha fácil desse prêmio. Sanchez lidera a AL em ERA, em FIP e é terceiro em strikeouts por entrada. Quando arremessou, Sanchez foi o arremessador mais dominante da liga e isso deveria ser suficiente para vencer o Cy Young. Eu digo em situações normais porque Sanchez foi para o departamento médico cedo na temporada e passou lá parte do ano, não o suficiente para tirá-lo da disputa mas o suficiente para reduzir seu impacto na temporada. Nas 170 entradas que arremessou, Sanchez foi o melhor da AL, mas eu prefiro um jogador que tenha sido 90% tão dominante quanto mas tenha arremessado 30 entradas a mais, e portanto teve maior impacto no seu time. Sanchez merece ser lembrado, mas é difícil dar o prêmio para alguém que perdeu tanto tempo.

Olhando então em outra direção, e olhando por FIP e não por ERA, só tem quatro candidatos lógicos a esse prêmio: Scherzer, Chris Sale, Yu Darvish, e Felix Hernandez.

Entre eles, meu voto vai para Felix por três motivos. Primeiro, porque ele foi o arremessador individualmente mais dominante dos quatro: seu FIP (2.61) e -FIP (66) são os melhores da AL depois de Sanchez, e seu -xFIP é de longe o melhor da conferência (67), arremessando 30 entradas a mais que Sanchez. Segundo, porque existe no baseball uma estatística chamada SIERA que eu gosto bastante, que é basicamente uma tentativa de criar um FIP menos extremo (FIP considera apenas Ks, walks e HRs cedidos e mais nada) associando algumas jogadas a diferentes efeitos dentro de campo (por exemplo, pitchers com muitos Ks tendem a gerar contato mais fraco e SLG menor, ou groundball pitchers que geral mais queimadas duplas) - eu considero menos confiável do que FIP porque é uma estatística ainda em evolução, mas gosto dela para uma segunda opinião... e depois de Darvish, o SIERA de Felix é o menor da AL. E terceiro porque, junto de Sale, Felix enfrentou o calendário mais difícil desse grupo: Felix joga em uma divisão que lhe fez enfrentar diversas vezes Angels, Athletics e Rangers, três bons ataques, e Chris Sale teve que enfrentar dois dos três melhores da MLB em uma base regular com Tigers e Cleveland na divisão. Enquanto isso, Scherzer substituiu todos os jogos de Sale contra o forte Tigers por jogos contra os horríveis White Sox e Darvish não precisou, naturalmente, enfrentar o ataque do Ragers na divisão. Os adversários enfrentados por Felix somam um OPS de .751, enquanto os de Sanchez e Scherzer somam .730. 

Por isso meu voto vai para Felix. Mas em uma corrida tão apertada e cheia de jogadores dignos e interessantes, qualquer um deles pode fazer um bom caso para o prêmio. 

Menções honrosas, em ordem: Yu Darvish, Max Scherzer, Chris Sale, Anibal Sanchez, Bartolo Colon, Hisashi Iwakuma

NL Cy Young: Clayton Kershaw


Para mim Clayton Kershaw é o melhor arremessador da MLB na atualidade e um jogador historicamente bom. Quando o Vinicius, do Spinballnet, me pediu para fazer meu Top10 de arremessadores da história da MLB, eu terminei com uma nota que dizia "Tem uma boa chance de adicionarmos Clayton Kershaw a essa lista em alguns anos" (eu fiz um adendo na dos Top10 rebatedores também que dizia "tem uma chance de 95% de adicionarmos Mike Trout a ela algum dia"). Eu ADORO Kershaw, ele é a perfeita mistura de eficiência e dominação que eu tanto gostava no auge de Roy "Doc" Halladay, e as comparações com os lendários Sandy Koufax e Greg Maddux parecem menos absurdas a cada dia. 

Dito isso, Kershaw não foi o arremessador mais dominante dessa temporada. Foi Matt Harvey. Harvey terminou o ano com um FIP de exatamente 2.0, se juntando a uma seleta lista de arremessadores que conseguiram terminar uma temporada com 2.0 de FIP ou menos: Pedro Martinez, Sandy Koufax (2x), Doc Gooden, Bob Gibson, Tom Seaver e Tom Newhouser (com Steve Carlton abaixo com 2.01). Brilhante companhia para Harvey, hein? Colocando em termos de -FIP, a temporada de Harvey é a 16th melhor de todos os tempos e virtualmente empatado com até o 11th lugar. Entre os jogadores na frente de Harvey estão Pedro, Randy Johnson, Roger Clemens, Gooden, Curt Schilling e Zach Greinke: dois locks para o Hall da Fama (Pedro e Randy), um que deveria estar não fossem os problemas com PEDs (Clemens), um que algum dia estará lá (Schilling) e um que pode não entrar pela curta duração da carreira mas teve o maior auge de um pitcher fora Pedro Martinez (Gooden). Eu sei que o ERA de Kershaw foi menor (1.83 a 2.27), mas isso se deveu principalmente a uma diferença em BABIP de 3.5% (algo além do controle de ambos) e de um 80% de LOB para Kershaw que nao só é de longe a maior marca da sua carreira como é totalmente insustentável. Os fatores aleatórios favorecem Kershaw na disputa de ERA, mas em termos de pura dominância, ninguém foi mais do que Harvey essa temporada. Eu só não me sinto bem votando em Harvey pelo menos motivo de Sanchez: Harvey machucou e perdeu uma boa parte da temporada e arremessou 60 entradas a menos que Kershaw, então meu voto vai para o fenômeno do Dodgers.

O que não quer dizer, de jeito nenhum, que Kershaw não seja um vencedor digno ou que tenha recebido um prêmio apenas porque alguém melhor não estava na briga. O fato é que a temporada de Kershaw foi também um ano espetacular, que viu o fenômeno arremessar quase 240 IP, liderar a liga com um ERA de 1.83 (com ajuda de fatores aleatórios, mas que seja), terminar com o melhor WAR entre arremessadores com 6.5 e ficar atrás apenas de Harvey em FIP, tudo isso com um repertório de arremessos que inclui a mais valiosa fastball E a mais dominante curveball de toda a MLB. Matt Harvey pode ter sido o arremessador mais dominante de 2013 e ganharia meu voto se jogasse a temporada completa, mas Clayton Kershaw é o melhor arremessador na Terra.

(Gif cortesia do Estefano Souza e SB Nation)

Menções honrosas, em ordem: Adam Wainwright, Matt Harvey, Jose Fernandez, Cliff Lee