Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Um rápido lembrete do quão bom é o Spurs

(Esse é um texto bem curto, diferente do que costumo fazer, que eu escrevi hoje cedo no facebook sobre o ataque de San Antonio. Acabei postando aqui a pedido de alguns leitores, que achavam mais fácil visualizar em formato de blog. Se quer uma leitura diferente sobre San Antonio e o que faz deles tão bons, eu recomendo imensamente que leiam uma coluna de 2013 sobre o assunto. Uma das minhas cinco melhores colunas, sem dúvida)

Quando eu assisto o Spurs jogando basquete hoje em dia, eu não consigo deixar de achar uma das coisas mais bonitas desse mundo. O ataque de San Antonio é uma máquina de perfeição ofensiva, o ápice do basquete coletivo e bem jogado. Vejam por exemplo essa jogada (Gif via Grantland):





Maravilhoso, não é? Um dos passes mais bonitos desses playoffs (e dessa temporada).

Quando você conseguir parar de salivar com o passe do Manu, e eu entendo que pode demorar um pouco, assista de novo o Gif. Mas agora ao invés de se focar no passe (fruto do talento maravilhoso do Ginobili), preste atenção em outras coisas:

1) Quando o Thunder faz a blitz no Manu no pick and roll, Diaw ameaça um corte para a cesta aproveitando do espaço aberto. Isso imediatamente atrai a atenção de Steven Adams, marcando Duncan, que corre para bloquear o caminho de Diaw até a cesta.

2) Percebendo que Adams vai abandonar sua posição para ir em direção ao garrafão, e que isso deixa a zona morta completamente aberta (além de abrir uma possível linha de passe), Danny Green imediatamente faz um corte rápido em direção a ela. Quando Manu acha o espaço virando a esquina com Butler, Green já está em posição de receber um passe.

3) Quando Green corta em direção a zona morta, Duncan imediatamente percebe a jogada e, aproveitando que seu marcador (Adams) correu para o garrafão, corre para fazer uma screen no marcador de Green (Durant). Quando Durant pensa em acompanhar Green e evitar que ele receba a bola (e ele tem a velocidade para isso), ele tenta girar mas Duncan já está em posição para impedir que KD faça isso. E ele não consegue acompanhar o SG de San Antonio, que sai sem marcação para seu lugar favorito.

O resultado dessas três coisas é que Green está livre na zona morta, com seu defensor longe e preso em uma screen de um ser humano bem grande, pronto para receber um passe e anotar mais três pontos para San Antonio completamente livre. O resultado da execução toda dessa jogada, em tempo real:





E é por isso, mais do que tudo, que o Spurs é tão bom. Sim, você precisa de talento para executar uma jogada dessas, desde o passe de Manu ao arremesso de Green. É verdade.

Mas mais do que isso, essa jogada mostra a essência de San Antonio: cada jogador executou a perfeição seu papel na jogada, cada jogador estava na mesma sintonia e fez sua parte para tornar a vida dos companheiros mais fáceis e permitir a execução final da jogada. A screen de Duncan não aparece nas estatísticas, nem a movimentação de Diaw, mas ambas foram cruciais para a jogada acontecer. Não é sobre os números, é sobre cada jogador fazer sua pequena parte, na hora certa e do jeito certo, para que o ataque funcione. Sacrificando seu destaque pelo bem coletivo e sempre fazendo a jogada inteligente. Literalmente, o ataque do Spurs é uma máquina extremamente bem ajustada, cada peça conhecendo e executando seu papel a perfeição para que o todo funcione da melhor forma possível.

Eu já escrevi um dos meus melhores textos sobre a questão conceitual do que faz Duncan, Pop e o Spurs tão bons por tanto tempo: o texto é do ano passado, mas cada palavra ainda é extremamente verdadeira. (Recomendo muito a leitura) Essa jogada é um exemplo prático, dentro de quadra, que mostra tudo isso em ação, a coletividade e precisão do jogo de San Antonio, cada jogador executando seu papel. É por isso que, depois de  16 anos de Tim Duncan, o Spurs continua ganhando 50+ jogos todo ano e causando estrago nos playoffs.

Torcendo ou não para San Antonio, não tem como não admirar isso. É basquete sendo jogado do jeito certo, e o basquete que todo time deveria tentar imitar.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pseudo-preview/post-view (?) do Jogo 1 das Finais

Ja foi um, faltam três


Quando Miami terminou sua surra pra cima do Pacers no Jogo 7 das Finais do Leste, eu pensei em dois textos diferentes pra fazer durante essa semana. O primeiro era sobre o próprio Pacers e o caminho duro que trilharam pra chegar à relevância de novo na NBA, porque esse time ainda enfrenta muita desconfiança dentro mesmo de Indiana, e porque, embora promissor, seja errado -ou pelo menos precipitado -  projetar muita grandeza no futuro desse time. Essa era minha primeira ideia.

Eu acabei descartando essa ideia por um simples motivo: Já me falta tempo, as Finais são mais importantes, e eu sempre posso fazer meu texto sobre o Pacers na offseason. Então o ideal era me dedicar a um preview Spurs-Miami dividido em varios pontos e com um palpite no final. Mas o tempo apertou, passei quinta feira me dedicando a assuntos - e uma pessoa - mais importantes, e acabou não saindo a tempo nosso preview. Então como o Jogo 1 já passou, vou mudar um pouco a ideia: Vamos pegar alguns aspectos que chamaram minha atenção no Jogo 1, analisá-los, e ver a importancia disso pro resto da série. Entao ao mesmo tempo analisamos o jogo 1 e fazemos um preview do resto da serie. Faz sentido? Não? Bom, vamos tentar mesmo assim.


Pop, o gênio estatístico

Eu sempre defendi isso e vou defender mais uma vez: Quando estamos falando de uma posse de bola, basquete é um jogo de probabilidades. É impossível, contra um bom ataque, forçar 24s violations ou turnovers toda posse de bola: O adversário vai conseguir um monte de bons arremessos e você tem que lidar com isso. A questão é que uma boa defesa sabe lidar com as probabilidades: Eles sabem que um arremesso de meia distância do Dwyane Wade é melhor do que uma bola de três da zona morta do Ray Allen, por exemplo. As boas defesas sabem direcionar os arremessos do advesário para onde eles são menos eficientes e aumentar o foco da defesa aonde eles arremessam com maior eficiência. 

Greg Popovich entende isso melhor do que qualquer técnico da NBA. Se voce assistiu a varrida do Spurs contra o forte Grizzlies, provavelmente viu Pop dando uma amostra disso: A defesa do Spurs consistiu principalmente em ignorar Tony Allen e Tyshaun Prince pra dificultar o passe pra Marc Gasol e Zach Randolph e dificultar a movimentação de ambos. Allen e Prince não eram ameaças em arremessos, e se alguns jumpers livres pra ambos era o preço a pagar pra tirar o low-post game do Grizzlies, Pop estava mais satisfeito em pagar esse preço. Por esse motivo o Grizzlies foi perigoso quando colocou Pondexter, um bom arremessador de três que forçava um marcador do Spurs a sempre estar atento a ele na zona morta. Ainda que não fosse defendido como Ray Allen, essa atenção extra a Pondexter abriu um pouco de espaço a mais no garrafão e o Grizzlies jogou como gostava.

Até agora, o Spurs está fazendo mais do mesmo. O time mais inteligente da NBA sabe perfeitamente que deixar Ray Allen livre na linha de três é perigoso mas que deixar, digamos, Chris Bosh é aceitavel se é para defender Lebron James perto do aro. O Spurs esteve muito satisfeito dando a Wade e até mesmo Mario Chalmers espaço pra arremessos de média e longa distância, sabendo que mesmo que eles acertassem alguns desses arremessos, cada posse de bola de Miami que terminasse assim era uma vitória. Enquanto os coadjuvantes do Miami não fizerem o Spurs pagar - seja por melhor posicionamento, jogadas mais inteligentes ou lineups diferentes - San Antonio vai continuar fazendo a mesma coisa. Mais nisso daqui a pouco.


Defendendo Lebron James

Uma coisa que eu sempre acho muito interessante nos playoffs é como os times se preparam defensivamente pra parar jogadores como Lebron ou Kevin Durant. Ao contrário da temporada regular, onde o tempo de preparação pra cada adversário é muito menor, nos playoffs você tem muito mais tempo para preparar multiplos jogos contra um mesmo adversário. E é ai que as estratégias ficam mais interessantes e podemos ver como cada time se vira com o que tem nas mãos. O Pacers, por exemplo, confiou na defesa mano-a-mano de Paul George e na simples ajuda de Roy Hibbert atrás protegendo o aro. 

Ainda que Tim Duncan seja um brilhante defensor, entendendo perfeitamente espaçamento, movimentaçōes ofensivas e defensivas e tendo um  QI maior que o time inteiro do Kings junto, Duncan não é mais a máquina de tocos de braços enormes que é Hibbert, e Duncan é mais eficiente bloqueando  seu próprio jogador do que voando numa help defense. Por isso, o Spurs decidiu não usar a mesma tática que usou o Pacers e mudou um pouco sua estratégia: Quando Lebron ia pra cima de Kawhi Leonard, o Spurs abandonava alguns jogadores do Miami (que, como ditos acima, são os que ofereciam menos risco cmo arremessadores) pra fechar o garrafão e colocar simplesmente jogadores no caminho entre James e a cesta, obrigando o ala do Miami a passar por não um, mas dois ou três jogadores no caminho até a cesta. Isso lembrou um pouco o que o Celtics fez em 2010 contra o Cavs de Lebron, colocando sempre um jogador atrás do marcador de Lebron mas tendo sempre um terceiro jogador pronto pra vir ajudar em velocidade e congestionando o espaço pra forçar Lebron a passar a bola ao invés de buscar a cesta.

E foi assim que o Spurs fez Lebron jogar como o que muitas pessoas estão chamando (erroneamente, a meu ver) de passivo. A ideia do Spurs desde o começo era forçar Lebron ao passe, e foi o que ele fez. Foi assim que ele terminou com 9 assistências em três quartos e um triple double, mas também foi assim que o Spurs limitou ele a 18 pontos e 44% de aproveitamento. E ai que se manifesta o brilhantismo do Spurs: Eles sabiam perfeitamente onde ajudar pra cima de Lebron. NUNCA quem ajudou a fechar o garrafão foi o marcador de alguem como Ray Allen ou Mike Miller, e sim quem estava em Wade, Chalmers, Norris Cole ou Bosh. É muito simples no papel, identificar o arremessador menos perigoso e usar seu jogador pra adicionar um corpo a mais no caminho de Lebron, mas extremamente dificil pra um time sincronizar isso em alta velocidade, fazer o reconhecimento, enviar a ajuda na hora certa e, quando necessário, rodar a defesa em volta disso. Lembro de um lance no terceiro quarto onde Lebron foi pra cesta e o defensor mais perto e apto de ajudar no garrafão era Danny Green, estacionado em um arremessador de três (nao lembro se Ray ou Miller) na zona morta. O que o Spurs fez foi brilhantemente sincronizado: Green deslizou para o garrafão pra entrar no caminho de Lebron enquanto Gary Neal, marcando um armador (acho que Cole) no topo do arco, correu pra zona morta, cobrindo assim a melhor opção de passe. É o tipo de jogada extremamente dificil de se fazer, que exige inteligencia, pensamento rapido e um entrosamento fora do comum, mas que o Spurs fez varias vezes ontem a noite.

E foi assim que o Spurs decidiu que ia marcar o melhor jogador do mundo. Kawhi fez um trabalho brilhante na marcação individualmente, mas sempre que James conseguia um espaço, o que ele via entre a cesta e ele eram mais corpos e mais braços atacando a bola e dificultando sua vida. Lebron sempre foi um passador excepcional e achou muitos bons companheiros nessa jogada, mas as opçōes de passe sempre eram as menos eficientes possíveis. E chegou em um ponto no quarto periodo que a defesa simplesmente entrou na cabeça de Lebron: Ele ja atacava pensando no passe e esperando esse momento, muitas vezes apressando um passe quando a defesa inteligentemente limitou a ajuda. Isso resultou em algumas cestas de Lebron mas também em passes apressados que pegaram a defesa já montada, algumas vezes resultando em turnovers. Ao invés de apostar na capacidade do Lebron de bater sua defesa com bons e dificeis passes, eles assumiram a capacidade dele de fazer isso e focaram em oferecer a ele as piores opçōes possiveis. Algumas cestas livres são o resultado inevitável dessa estratégia, especialmente nos momentos que o Heat cercar Lebron de um maior numero de opçōes de longa distância, mas o Spurs está satisfeitissimo cedendo essas cestas pra podar o caminho do melhor jogador no planeta. E ai chegamos ao terceiro ponto desse tema...


O elefante na sala de Miami



Por favor prestem atenção ao GIF acima da fatítida bola de três que o Bosh errou nos minutos decisivos da partida de ontem. Prestem atenção nessa sequência: Lebron atacando a cesta atrai Duncan (no garrafão) e seu marcador original (Leonard) quando percebe a dificuldade da cesta que vai ter que fazer com Duncan fechando seu caminho e os longos braços de Leonard o atacando pelas costas. Assim, ele faz um passe perfeito pro jogador que Duncan abandonou completamente, Bosh, na linha de três. Bosh arremessa sem NENHUM jogador do Spurs sequer chegar perto dele pra incomodar seu arremesso.

Repare agora em outra coisa. Primeiro, que Duncan abandona totalmente Bosh - ele não pensa duas vezes antes de atacar Lebron e nem sequer faz menção de retornar a Bosh uma vez que o passe é feito. Igualmente, Leonard não tenta rodar pra cima de Bosh mesmo com Duncan indo defender seu marcado original, ao invés disso continua indo até James pra incomodar um possível arremesso. E quando a bola está no ar, Danny Green (no canto direito, marcando Mike Miller) nunca abandona seu jogador pra tentar incomodar o arremesso de Bosh (e oferecendo a mais interessante opção de três pontos em Miller na zona morta), apenas ameaçando e logo voltando à posição incial. O resultado é uma bola de três totalmente livre.

Acreditem no seguinte: Isso não foi um erro da defesa ou um exagero de Leonard e Duncan tentando defender James - foi um abandono totalmente calculado. Não acreditam? Então chequem esse shot chart de Chris Bosh feito pelo grande Kirk Goldsberry, do Grantland.

E eis o que o Spurs sabe: Bosh não arremessa bola de três daquele lugar específico da quadra. Nesses playoffs, ele está 6-14 em bolas de três da zona morta e um total fracasso no resto das bolas de três, e mesmo na temporada regular ele evitou arremessar bolas de três da wing. Popovich sabe disso com certeza e passou aos seus jogadores: Se precisar, abandonem Bosh na linha de 3 se não for na zona morta. De volta ao que eu disse sobre identificar as melhores oportunidades e viver com as chances a partir dai, Bosh ofereceu uma enorme chance de um arremesso errado daquela posição quando as outras opçōes (Lebron atacando o aro, Ray Allen e Miller livres pra uma bola de três) eram muito mais perigosas.

E eis onde eu quero chegar: Bosh está jogando muito mal ultimamente e sendo, pra muitos, o elefante na sala pro Miami. Apesar de não estar 100% fisicamente por causa de um tornozelo torcido, Bosh tem sido um jogador muito pouco eficiente: Tendo dificuldade pra atacar o aro vindo de fora do garrafão ou mesmo aproveitar suas chances perto do aro (onde foi extremamente eficiente durante toda a temporada, Bosh tem seu valor ainda mais limitado se não conseguir acertar seus arremessos de fora. Mas pior ainda, Bosh NUNCA deveria estar posicionado naquele lugar se a intenção era espaçar a quadra - ele devia estar na zona morta, onde ele ainda exige mais atenção, e deixando o melhor arremessador Mike Miller na posição menos eficiente de três pontos. Se Bosh não funcionar como arremessador de fora, especialmente se o Heat continuar deixando ele nas wings e não nos cantos, ele vai comprometer ainda mais o espaçamento do Miami e facilitar pro Spurs continuar descendo o sarrafo pra cima do Lebron no garrafão.

Mas por incrível que pareça, Bosh não tem sido o verdadeiro elefante na sala pro Miami. Esse tem sido Dwyane Wade. Se você acredita que Wade está machucado ou simplesmente envelhecendo e sentindo o peso dos anos levando pancada atrás de pancada no garrafão pelo seu estilo de jogo (escrevi isso dois anos atrás: Wade joga como Iverson, só que nunca foi a aberração física que Iverson era. Uma hora o corpo dele não vai aguentar), não importa enquanto ele continuar tendo jogos assim. Wade não consegue acertar bolas de três e tem tido cada vez mais dificuldades com arremessos longos de dois pontos, de tal forma que toda posse de bola de Miami que acabe assim é uma vitória pro adversário. Mesmo atacando a cesta - seu maior trunfo ao longo da carreira - Wade tem tido cada vez mais dificuldades, praticamente abandonando de vez seu bom post game e sofrendo pra finalizar por cima de help defenders. Se o suposto segundo melhor jogador do Miami vai marcar 17 pontos em 15 arremessos, com 2 rebotes e 2 assistências, 1 turnover e pessima defesa, essa série vai ficar muito mais dificil pro Heat vencer.

E isso vai além dos numeros. O Spurs já mostrou que está confortável ignorando jogadores no perímetro pra colocar jogadores no caminho de Lebron, e Wade, com sua incapacidade de acertar arremessos longos a essa altura, tem se tornado um alvo muito fácil. Ter Wade em quadra compromete ainda mais o espaçamento de quadra de Miami, e se ele não conseguir fazer o Spurs pagar por deixá-lo livre (seja acertando jumpers ou atacando a cesta em velocidade se aproveitando desses espaços) San Antonio vai estar muito feliz ignorando ele quando Lebron está com a bola. E além disso, Wade tem sido uma fraqueza em quase qualquer outra área do jogo: Ele não está pegando rebotes e tem sido muito mole boxing out jogadores (Leonard fez um put back crucial em cima dele no quarto periodo ontem), e mesmo que sempre tenha sido preguiçoso pra voltar na transição, Wade tem sido REALMENTE horrivel defensivamente fora da bola na meia quadra. Ontem, Pop usou Gary Neal por longos períodos em quadra (mais do que de costume) por dois motivos: Primeiro, porque ele podia usar Neal correndo através de picks e forçando Wade a acompanhá-lo, o que ele fez pessimamente gerando cestas fáceis ou trocas de marcação que favoreciam Spurs; e segundo porque ele estava confortável "escondendo" Neal em Wade defensivamente. Não foi uma coincidência que Wade terminou o jogo de ontem -11, a pior marca da partida. 

Em resumo, o que aconteceu foi que o Heat saiu de uma série contra um excelente time defensivo cuja defesa era ultra-agressiva nas ajudas - e o Heat demorou MUITO a se adaptar a isso - e agora caiu nas mãos de uma defesa que não tem o mesmo atleticismo e alcance defensivamente mas que compensa com um esquema ultra-inteligente, muito mais seletivo nas ajudas e que está expondo alguns jogadores de Miami. E o Heat, em espcial Wade e Bosh, tem que fazê-los pagar pra mudar isso e forçar San Antonio a respeitar mais seu espaçamento. Mas segurem essa idéia, vamos voltar a ela daqui a pouco.


Defendendo Tony Parker

O outro lado da quadra oferecia uma questão igualmente interessante: Como Miami ia defender Tony Parker, uma peste durante todos esses playoffs? Em termos de matchup, Miami não tinha alguém como Kawhi-em-Lebron pra manter na frente de Parker nesses playoffs. Chalmers é um bom defensor, mas não tem como acompanhar Parker com todos seus dribles e screens. A questão era se Spolestra ia inventar uma maneira diferente de manter Parker sob controle ou se iria manter a forma normal do Heat de defender esses jogadores.

E no final, Miami defendeu Parker exatamente como eu e muita gente esperava. A base da defesa de pick and roll de Miami é simples: Usar seus jogadores uber-atléticos pra "Trap" o armador encarregado da bola, ou seja, tanto o defensor do armador como o defensor do jogador que fez a screen pula pra frente dela e atacam juntos quem está com a bola em alta velocidade, enquanto um terceiro jogador da equipe desliza pro garrafão pra tirar a opção fácil de passe para o jogador que ficou livre no pick and roll. Com o enorme atleticismo e excelente defesa coletiva de Miami, a equipe em geral consegue executar esse esquema com grande sucesso - com o objetivo principal de forçar turnovers e atrapalhar o ritmo ofensivo da equipe - e ainda recuperar em tempo de evitar cestas fáceis. E foi basicamente o que o Heat fez ontem: Atacou agressivamente Parker no pick and roll e tentou usar seu enorme atleticismo e velocidade pra atrapalhar linhas de passe e forçar turnovers, ou pelo menos tirar o ritmo ofensivo de Miami.

Em geral, a segunda parte funcionou: O time de San Antonio não teve facilidade pra rodar a bola saindo das suas jogadas tradicionais, precisou gastar mais tempo do relógio pra reestabelecer seu ritmo e rodar a bola como gosta - o time pontuou bem, mas não no nível que estava acostumado na temporada regular e mesmo no resto dos playoffs (102.3 pontos por 100 posses de bola, uma marca bem próxima da média da NBA na temporada). Mas o Spurs estava preparado pra isso, sabia da preferência de Miami por essas blitz nos armadores e do perigo que o Heat oferece nos contra ataques, então mudou um pouco seu plano ofensivo: Ao invés do ataque super agressivo, o Spurs fez Tony Parker atacar menos a cesta e procurou rodar mais a bola, usando pequenos truques de direcionamento pra confundir a defesa de Miami antes dos pick and rolls e basicamente fazendo seus armadores correrem através de 305 picks antes de receberem a bola. O resultado foi que o Spurs conseguiu menos grandes aremessos que de costume (e mesmo assim conseguiu um bom numero de 3pts livres que não converteu) mas ganhou por muito a batalha dos turnovers, cometendo apenas quatro o jogo todo e nenhum deles de Tony Parker, menos agressivo em direção à cesta com um ataque um pouco mais conservador. Isso foi especialmente útil quando consideramos que os 4 turnovers do Spurs geraram 8 pontos pra Miami: San Antonio nao consegue acompanhar Lebron em transição e sua defesa em meia quadra tem feito um excelente trabalho, então esse ritmo mais lento favorece o Spurs por enquanto.

Outra coisa interessante que aconteceu foi ver Lebron em Parker no quarto periodo. Isso também já era esperado: Apesar de não ter sido tão bom defensivamente nesses playoffs como de costume (especialmente quando tentou marcar pivôs), Lebron ainda é um defensor muito bom e capaz de colocar muita pressão no ball handler, então se o jogo chegasse apertado no final, todos esperavam ver esse matchup. E foi o que aconteceu, com Parker levando a melhor no lance decisivo por uma fração de fração de segundos (apesar da ótima defesa de James). O problema é que não tem como Lebron marcar Parker por um jogo inteiro: Hoje, Miami depende muito mais de Lebron do que dependeu dele na temporada regular, e marcar Parker é um trabalho extremamente inglório: Significa que você vai ter que correr o tempo todo e pra todos os lados, passar por 349 screens, correr 5km todo jogo e não dar nenhum espaço pro mortal arremesso do francês. É um trabalho extremamente exaustivo e pode ter certeza que se Pop vir Lebron em Parker mais cedo na partida, vai chamar ainda mais screens e movimentaçōes pra cansar ainda mais seu marcador. E com Lebron esgotando suas energias na defesa, o ataque de Miami não vai conseguir ganhar nada, então essa é realmente uma opção apenas pra momentos criticos.

Outra coisa que o Spurs explorou pra evitar as dobras em Parker foi deixar o francês iniciar o ataque sem nenhuma screen, direto do drible, pra depois movimentar a bola ou chamar uma screen quando os jogadores já estavam em movimento e em velocidade, fazendo o "trap" do Miami muito mais dificil. Embora não seja a melhor estratégia em um vácuo, vai ser bem importante continuar usando essa tática contra Miami.

Em resumo, Miami pode não ter forçado os turnovers que gosta, mas conseguiu segurar o potente ataque de San Antonio a um patamar aceitavel. Ao mesmo tempo, San Antonio conseguiu uma boa pontuação contra uma otima defesa sem se complicar na transição. Basicamente, no duelo entre ataque de SA vs defesa de Miami no primeiro jogo, tivemos quase um empate. A questão é pra quem isso é uma vantagem: No primeiro jogo, isso foi uma vantagem pra San Antonio, que nao deixou o Heat conseguir pontos fáceis e conseguiu segurar a vitória. Se o ataque de Miami ajustar e conseguir melhorar sua pontuação, esse empate pode deixar de ser suficiente pra San Antonio, e Pop terá de ajustar.


Mudanças da temporada regular

Pra quem viu o Spurs jogando na temporada regular, provavelmente viu um time muito semelhante nos playoffs em termos de lineups, esquema de jogo e tudo mais. O time pouco mudou exceto em uma coisa: Os veteranos do Spurs sabem perfeitamente a diferença entre um jogo contra o Kings em janeiro e um Jogo 1 de Finais, sabendo quando poupar suas energias e quando ir all-out. Então nesses playoffs vemos mais Duncan, mais Parker e mais Manu Ginobili jogando com mais energia e de forma mais fisica, mas tirando isso, o Spurs é essencialmente o mesmo time da temporada regular.

O mesmo não pode ser dito de Miami. Depois de se reinventar esse ano de forma brilhante em torno de Lebron e sua nova identidade small ball baseada em movimentação de bola, bolas longas e um Behemoth que não pode ser marcado no mano a mano e que tem uma visão de jogo de armador (e mantendo a fortíssima defesa), Miami varreu a segunda metade da temporada e chegou aos playoffs voando. Desde então, em particular, a série de Indiana, as coisas não tem funcionado da mesma maneira. Miami tem tido produção muito inferior de Wade e Bosh, e isso tem sobrecarregado Lebron em excesso, o que dificulta pra Miami mover seu ala sem a bola já que ele tem que iniciar boa parte dos ataques da equipe.

Um ponto que passou de certa forma desapercebido, no entanto, mas foi extremamente crucial foi o desaparecimento de Shane Battier. Battier foi um elemento chave pra identidade small ball do Heat, um bom arremessador que permitia espaçamento de quadra ofensivamente com Lebron de Power Foward no ataque e que podia defender os melhores alas adversários na defesa e manter James descansado. De certa forma, Battier foi um termômetro do Heat nessa temporada: Quando ele estava acertando suas bolas de três, o Heat era imparável, a opção perfeita pra defesa E pro ataque de Miami pela sua excelente defesa e suas bolas longas, que permitia manter seu small ball funcionando dos dois lados da quadra. Mas nos playoffs, Battier não tem sido o mesmo. Talvez uma temporada inteira batalhando PFs maiores e mais fortes que ele (no small feat, só nos playoffs foram cinco jogos de Boozer e mais cinco de David West) tenha finalmente cobrado seu preço no corpo velho de Battier, incapaz de manter esse nível de fisicalidade por mais tempo. Talvez a idade esteja pesando. Não importa, o fato é que Battier era a pedra angular dessa nova identidade de Miami e agora que ele está incapaz de manter o ritmo, Miami teve que achar uma identidade totalmente nova: Usar um segundo big man como Haslem ou Birdman, que não oferecem o mesmo espaçamento de quadra, ou manter o small ball com Ray Allen, Miller ou Norris Cole, bons arremessadores que tiram muito do time em tamanho, inteligencia e defesa em relação ao cerebral Battier.

E essa necessidade de reinventar sua identidade sempre é péssimo chegando nos playoffs, especialmente se seu segundo melhor jogador está tendo sua pior pós-temporada da carreira e seu terceiro melhor jogador está com um tornozelo machucado. Eu não estou dizendo que o Heat não seja mais um bom time, que deva ser varrido pelo Spurs e que eles não tem a menor chance, nem de longe. O Heat ainda é um excelente time com um dos 10 melhores jogadores da história no seu auge, duas estrelas "coadjuvantes" que podem pegar fogo a qualquer hora e um bom elenco de apoio, capaz de se adaptar a diferentes estilos de jogo. O problema é que o Heat está tendo que se adaptar a isso em muito menos tempo do que um time normalmente teria, sem uma temporada regular ou offseason. Spolestra está tendo que mudar e improvisar suas lineups totalmente de improviso desde que Battier caiu fora, com Mike Miller jogando 3 minutos praticamente nos playoffs inteiros antes do Jogo 6 contra Indiana, desde quando já jogou quase 50 minutos. Eles ainda são um grande time com totais condiçōes de virar essa série e ganhar o título, mas eles não são nem de longe o time da temporada regular.

Um exemplo rápido: Pegue um vídeo do Miami executando posses ofensivas que dependiam do pick and roll durante a sequencia de 29 vitorias. Grande parte delas não envolvia apenas um pick and roll com jogadores estacionados ao redor: Envolvia algum missdirection, uma screen vinda em movimento ou por trás, jogadores cortando pra confundir a defesa e, em geral, muito movimento aliado a um otimo arsenal de jogadas com as quais os jogadores se sentiam muitos confortáveis. Ontem? O Heat parecia um time que tava tentando voltar ao básico, com PnR simples, poucos adicionais pra confundir a defesa e confiando mais no talento dos jogadores do que outra coisa. Parecia um time desconfortável taticamente.


Ajustes

Em jogos decididos por quatro pontos, nas Finais da NBA ainda, é dificilimo apontar um ou dois fatores que levaram a uma vitória ou uma derrota: Um arremesso dois centimetros pro lado, uma bola que esbarra um centimetro pro lado do dedo de um defensor, 0,00001 segundos pro Tony Parker soltar seu arremesso... E tudo poderia ser diferente. Então nunca se prenda a UM motivo pelo qual o jogo foi assim ou assado. That said, um dos motivos pelos quais eu acho que o Spurs se saiu vencedor foi o seguinte: O time entrou melhor preparado em quadra. O Heat entrou com seu esquema habitual e como veio jogando na série contra o Pacers, mas o Spurs - talvez pelo maior tempo pra treinar - entrou com pequenas mudanças no seu jogo que fizeram a equipe bater melhor de frente contra o estilo do Miami. É o tipo de série onde essas pequenas coisas podem fazer a diferença.

Eu realmente acho que esse Jogo 1 não vai exigir grandes ajustes dos técnicos: Foi um jogo extremamente equilibrado, decidido nos detalhes, e quaisquer ajustes pro Jogo 2 serão menores. Dos dois, eu acho que Pop tem mais motivos pra tranquilidade que Spolestra: Já tendo roubado um jogo em Miami, o Jogo 2 é mais crucial pra Miami que San Antonio, e eu achei que San Antonio conseguiu impor mais seu estilo ao jogo do que Miami - o time errou um monte de 3pts livres e ainda ganhou a partida. Mas Lebron não vai fazer 18 pontos todo jogo, vai ter mais momentos no garrafão, e tenho certeza que Pop sabe disso e não vai ficar parado. Se ele ganhou a partida de xadrez no Jogo 1, ele sabe que Spolestra vai contra atacar e eu acredito que ele terá um novo truque na manga se necessario.

Spolestra é quem tem mais trabalho aqui, pensando não no Jogo 2 mas nos jogos 3, 4, 5 e por ai vai. Embora não seja nada absurdo sugerir que Wade e Bosh podem simplesmente jogar melhor (dado todo seu talento) nos próximos jogos, Spolestra tem que achar uma forma melhor de integrar esses dois jogadores ao ataque. Wade, em particular, parece o mais dificil: Completamente perdido defensivamente e incapaz de arremessar, se Wade não começar a pontuar mais e fazer sua presença mais sentida em quadra o Heat vai se ver com um jogador onde Pop vai se sentir confortável escondendo um jogador fraco defensivamente como Gary Neal (como fez no Jogo 1 alguns momentos) e/ou usando seu marcador como ajuda em um ataque do Lebron. Espere que o Heat incorpore algumas jogadas desenhadas pra fazer Wade receber a bola mais perto da cesta, ou correr algumas screens pra receber passes em velocidade ou em matchups que ele possa explorar. Mesmo que ele não exploda pra 29-7-7 como nos velhos tempos, se ele conseguir marcar presença ofensivamente já vai forçar o Spurs a ajustar sua defesa.

O mesmo vale pra Bosh. Nos ultimos dois jogos, Spolestra tem feito algumas jogadas com o intuito de dar a bola a Bosh mais perto da cesta pra ele poder usar seu talento finalizando e seu bom jogo de costas pra cesta pra tentar alguns pontos fáceis, embora Bosh tenha desperdiçado um bom número dessas oportunidades. Talvez o tornozelo ainda esteja incomodando e continuará assim, mas se for o caso, Spo tem que fazer o máximo pra manter seu big man em quadra sem se tornar um alvo fácil pra defesa do Spurs como foi naquela jogada lá em cima, seja estacionando ele na zona morta quando for pra chutar de três, ou mesmo se resignando aos mais ineficientes (embora ele os acerte a um nivel espetacular) chutes de meia distância pra oferecer algum espaçamento maior de quadra. Sem Bosh e Wade funcionando efetivamente dos dois lados da quadra, especialmente no ataque, Heat terá problemas.

Mas acho que a chave pro Miami pro Jogo 2 em particular é não exagerar na reação ao anterior. O Jogo 1 foi muito apertado, Lebron não vai continuar marcando só 18 pontos por jogo e o Heat não teve uma partida ruim como um todo. O Heat foi muito bem com Ray Allen e Mike Miller em quadra e deve continuar usando formaçōes com um ou até os dois em quadra pra manter o espaçamento que eles tanto gostam e liberar Lebron pra ter mais espaço pra jogar. Nada no Jogo 1 indicou que o Spurs (ou, da mesma forma, o Heat) seja um time superior nesse momento, então é um erro exagerar nos "problemas" do Miami: Eles existem, eles jogaram muito competitivamente mesmo com eles, agora é uma questão de quem da o próximo passo na série e quem executa melhor.


Um ultimo pensamento sobre os jogos

Antes da série, meu palpite seria Heat em 6 ou 7. Em parte porque eu assisti muito Miami na temporada regular e acreditei que o Heat poderia seguir aquele padrão em um detalhe crucial: poderia ganhar alguns jogos mesmo com Lebron assumindo mais o papel de facilitador e sem ser obrigado a passar boa parte do jogo atacando repetidamente o aro pra fazer o ataque funcionar. Quantas vezes, na temporada regular, Lebron não terminou com algo como 25-10-9 com cada um dos seu pontos vindo dentro do ritmo do jogo, aproveitando espaços e passes pra pontuar sem esforço? Inumeras, e eu esperava mais disso. Mas o que o Pop percebeu antes do Jogo 1 foi que esse Miami não é mais o mesmo nesse sentido; o ataque perdeu sua característica de espaçamento sem Battier e Wade continua sem fazer estragos, então o Miami começou a depender mais e mais de centralizar o ataque em Lebron e deixar ele jogar sozinho num primeiro momento, pra dai se ajustar em torno disso. E embora Lebron seja um monstro capaz de fazer tudo isso e ainda continuar ganhando e fazer seu time funcionar muito bem, pra um grande time (e um grande técnico) parar um jogador é muito mais fácil do que parar cinco funcionando em harmonia.

Eu ainda não vi o suficiente pra acreditar que Lebron vá de fato ser parado (ainda mantenho Heat em 7 por ora), é claro, acho totalmente possivel que ele simplesmente coloque o time nas costas quatro vezes e ganhe quatro jogos sozinho porque ele é uma aberração, mas vindo de uma série extremamente física e exaustiva de sete jogos contra o Pacers, a vida de Miami vai ser muito mais difícil se Lebron for obrigado a jogar jogo atrás de jogo dessa maneira. Até mesmo Lebron vai chegar no seu limite uma hora e quando isso acontecer, adeus pras chances do Heat. Então acho importante que o Heat comece a funcionar de forma a tirar um pouco essa responsabilidade do Lebron de carregar o time toda santa posse de bola.


E um último pensamento sobre a arbitragem

Quem acompanha nosso twitter (www.twitter.com/tmwarning) sabe que eu fui muito crítico da arbitragem nesses playoffs. Reclamei muito de incompetência e de juizes que mais queriam aparecer do que apitar um jogo (Cof Joey Crawford cof), e reclamei muito dos flops que alguns jogadores faziam com tanta insistência.

Mas queria esclarecer duas coisas. Primeiro, eu não acredito em nenhuma "Teoria da conspiração" da arbitragem a favor do time de Miami pra ajudar o Heat a ser campeão. Se eu reclamo constantemente da arbitragem favorecendo Miami em alguns lances, não é porque eles querem que o Heat ganhe, e sim por outro motivo que acontece em qualquer esporte: Na dúvida, os juizes sempre dão o beneficio da dúvida pro time mais "importante". E como o Heat é melhor, mais chamativo, mais "importante" do ponto de vista de mídia e tem mais estrelas, é normal que eles recebam mais chamadas que a grande maioria dos times, mas não porque os juizes querem que o Heat ganhe e sim porque é muito mais dificil, muito mais pressão apitar contra o maior dos dois times (mais ou menos o que acontece quando um juiz apita diante de uma torcida particularmente ensandecida). Então sim, o Heat foi beneficiado algumas vezes pela arbitragem, mas também foi prejudicado outras simplesmente porque a arbitragem na NBA é ruim por definição e, na duvida, a corda estoura pro lado mais fraco. E se em algum momento insinuarem que o Heat está nas finais só por causa da arbitragem, sinto muito mas você está se iludindo.

Segundo: Depois da polêmica declaração de Lebron sobre floppar e de um jogo Heat-Pacers onde três jogadores (Lebron, West e Lance Stephenson) foram multados por flopping, eu notei um comportamento diferente dos juizes nas partidas. Claro, foram apenas três jogos (Jogos 6 e 7 do Leste, Jogo 1 das Finais) que não servem de amostra pra absolutamente nada, mas nesses jogos eu reparei que a postura foi diferente: Os juizes pareciam que não estavam dando o beneficio da dúvida pros jogadores nas faltas. Se ficavam em dúvida, deixavam o contato seguir e não marcavam a falta. Claro, com essa postura algumas faltas legítimas não foram marcadas, mas eu prefiro isso do que um jogo onde qualquer contato é falta e jogadores se jogam como se levassem um tiro com qualquer contato. Como disse o Ken Berger, da CBS americana, se os juizes passam tanto tempo fingindo pra enganar a arbitragem e forçar erros, como querem poder reclamar depois que os juizes erraram em outros lances? 

Não sei se foi uma orientação da NBA por causa do impacto extremamente negativo dos flops nesses playoffs, se foram os juizes que se encheram o saco, ou se foi simples coincidência, mas eu achei que houve essa mudança de postura dos juizes. O jogo passou a ter menos falta, mais contato e, consequência ou não, começou a ter menos flops: Nos ultimos dois jogos, eu posso contar em uma mão as jogadas que eu achei que foram flops. E mesmo que ainda alguns erros aconteçam, eu prefiro esses erros com um basquete físico e bem jogado - como deveria ser - do que erros porque toda hora existe uma falta. Não sei se é uma tendência da arbitragem mesmo, mas espero que continue assim.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Tim Duncan e o conceito de time

Tim Duncan aprova essa coluna


Algum tempo atrás, eu fiz um dos post mais populares da história do TM Warning, no qual eu usava a Premissa Marciana (Aliens atacaram a Terra e nos desafiaram pra uma série de basquete de 7 jogos pelo controle do planeta) pra montar um time de jogadores da história da NBA que eu usaria pra enfrentar os Marcianos (eu sei, eu sei, bizarro. Mas vale a lida, garanto!). Um pouco depois, por diversão, eu comecei a postar aleatoriamente no twitter "times" que eu ocasionalmente formava, como meus All-White NBA Team, por exemplo (Rubio, Thompson, Kirilenko, David Lee, Marc Gasol), sem nenhum motivo aparente além de ser divertdo.

Um dos resultados dessas duas coisas foi que algumas pessoas começaram a me mandar emails pedindo pra eu fazer algumas outras "versōes" de times. Alguns eram previsíveis e repetitivos, mas alguns eram muito interessantes e me faziam ficar um bom tempo pensando antes de responder e geravam conversas bem interessantes. Até que um leitor identificado apenas como "Vinicius" me pediu pra fazer um time de jogadores mais underrateds da história da NBA, jogadores que por algum motivo nunca receberam o devido crédito. Depois de pensar um pouco, me empolgar e limitar meu time apenas a estrelas ou superestrelas da história da NBA, eu finalmente cheguei no seguinte time:


Titulares: Dennis Johnson, David Thompson, Elgin Baylor, Tim Duncan, Nate Thurmond
6th Man: Sam Jones
Reservas: Paul Westphal, John Havlicek, Bernard King, Billy Cunningham, Dave Cowens, Earl Monroe
Injury Reserve: Kevin McHale
Técnico: Al Attles; GM: Jerry West


A primeira coisa que me chamou a atenção quando eu terminei de montar esse time foi como ele era composto predominantemente de jogadores mais antigos: Baylor e Sam Jones jogaram nos anos 50/60; Monroe, Havlicek, Cunningham e Thurmond nos anos 60/70; Westphal, Cowens e Thompson nos anos 70; DJ nos anos 70/80; 'Nard nos anos 80; e McHale nos anos 80/90. Quanto mais pra trás vamos na história da NBA, mais jogadores underrateds vamos encontrando, e quanto mais recentes, mais dificil é encontrar esses tipos de jogadores, especialmente estrelas.

Isso acontece por um motivo bem simples: Cobertura da mídia. Elgin Baylor mudou o jogo quando entrou na NBA em 58, trouxe à Liga a explosão e o hang time que faltava numa NBA entediante composta predominantemente de jogadores brancos e não atléticos, mas essa "mensagem" era dificil de se espalhar na época: A cobertura de TV/rádio era quase nula e não tinhamos coisas como Sportscenter e Pre-Game Shows pra transmitir pro resto dos EUA as jogadas sensacionais e as atuaçōes brilhantes. Basicamente, era muito dificil pra grandeza de alguns jogadores (em especial um que nunca ganhou um titulo como Elgin) chegar aos ouvidos do grande público -  a única publicação de alcance nacional na época era a Sports Illustrated. Conforme o tempo foi passando e as comunicaçōes foram se aperfeiçoando, o alcance desses jogadores foi aumentando: TVs começaram a transmitir mais jogos, mais programas se dedicaram a mostrar e racionalizar o sucesso de alguns times ou jogadores, e a visibilidade desses jogadores foi aumentando. Hoje chegamos ao maximo nesse aspecto: Com tantos canais de esporte, cobertura 24h, blogs e tanta cobertura especializada e inteligente, estatisticas avançadas e facilidade de acesso a tudo isso, é praticamente impossível ter algum jogador rated impropriamente. Por isso é cada vez mais dificil achar jogadores assim hoje em dia, especialmente uma estrela que receba tanto destaque.

Tim Duncan é a exceção. Ele é o unico jogador desde 2000 que eu sequer CONSIDEREI pra esse time. Numa época de tanto acesso a informaçōes e opiniōes inteligentes, Duncan continua sendo o Superstar mais underrated da história da NBA (tirando talvez David Thompson). Depois de 16 anos, 2 MVPs, 3 Finals MVPs, 4 títulos e de ter acabado de garantir sua quinta participação em Finais (um numero que poderia facilmente ser sete se não fosse o milagre de Derek Fisher em 2004 e uma burrada de Ginobili em 2006), Duncan deveria ser um no-brainer como o melhor Power Foward de todos os tempos e um dos 10 melhores jogadores da história, alguém capaz de ancorar um time por anos e anos. Mas tem gente que ainda acha que Karl Malone foi melhor, ou que Kevin Garnett, ou qualquer outro PF. Tem gente que ainda acha que Shaq foi um jogador melhor que Duncan. Tem gente que acha um absurdo que Duncan esteja na conversa pra "Melhor jogador da sua geração" junto com Kobe (e eu acho que Duncan foi o melhor da sua geração, mas ai é opinião). Apesar de Duncan ser o Superstar mais consistente da historia da NBA, ainda tem gente que acha que ele nunca foi dominante o suficiente pra merecer o respeito que outras estrelas recebem.

Eu realmente não deveria ter que gastar dois parágrafos defendendo os méritos de Duncan, mas whatever. Depois de um 21-12 como calouro e levar um decadente Spurs a 56 vitórias (1st Team All-NBA, ROY), Timmy liderou o Spurs ao título de 99 sendo MVP das Finais depois de varrer Shaq e o Lakers (terminando a série com um 37-14-4 e praticamente devorando Shaq) e depois dominar o Knicks nas Finais (27-14), se tornando o segundo jogador mais jovem da história a ser MVP das Finais depois de Magic. Com David Robinson em rápida decadência, Duncan manteve o Spurs como uma força, levando um time muito fraco em 2002 a 58 vitórias e a 2nd Seed num Oeste ridiculamente forte com médias absurdas de 25-13-4 com mais de 200 tocos e ancorando toda a defesa da equipe E sendo o foco ofensivo do time; o Spurs foi eliminado dos playoffs pelo Lakers em cinco mesmo com Duncan dominando a série (29-17-5 e segurando Shaq a 21-12-3 com 42 FG%). No ano seguinte, Duncan levou o Spurs a um segundo título com uma das melhores pós-temporadas da história da NBA: Duas surras contra otimos Lakers e Mavs (com médias de 31-17-6 em um ponto e eliminando o Lakers com um 37-16-4),  fechou as Finais contra o Nets com um lendário 21-20-10-8 recebendo quase nenhuma ajuda de Robinson (8-6 nos playoffs) e do perímetro da equipe (Parker, Manu e Stephen Jackson combinaram pra 37 FG% nos playoffs); essa pós-temporada de Duncan tem até hoje o maior Win Share da história dos playoffs (5.98) demolindo dois dos seus maiores rivais (Shaq e Dirk Nowitzki).

Depois do Spurs quase ir pras Finais em 2004 se não fosse pelo milagre de Fisher (a famosa cesta em 0.4 segundos), Duncan se reagrupou com um time superior aos seus de 99 e 2003 e chegou a mais uma Final, levando pra casa mais um MVP. Depois de outro golpe doloroso em 2006 (Spurs liderava o jogo decisivo por três pontos nos segundos finais quando Dirk foi fazer uma bandeja e Manu estupidamente fez uma falta no alemão, que converteu a cesta e os lances livres pra empatar), o Spurs novamente se reagrupou em 2007 e varreu o Cavs nas Finais, com Duncan se tornando o melhor/mais valioso jogador em quatro times campeōes diferentes (se voce acha que Parker era melhor/mais valioso pro Spurs em 2007 porque ganhou MVP das Finais, sinto muito, mas voce nao entende de basquete). Isso é maior do que parece: Apenas Bill Russell e Jordan podem dizer o mesmo (Talvez Magic ou Kareem dependendo da sua opinião sobre os titulos de 80 e 82) na história da NBA. E mesmo que lesōes a ele e Ginobili tenham dificuldado a vida do Spurs entre 2008 e 2011, eles continuam se reagrupando com Tim Duncan continuamente se reinventando: Esse ano, com 36 anos, na sua 16th temporada e com 1384 jogos no seu odômetro (contando playoffs), Duncan submeteu uma das suas melhores temporadas com 18-10-3 e 2,7 tocos em apenas 30 minutos por jogo e tendo um impacto defensivo maior do que qualquer jogador da NBA não chamado Marc Gasol, indo pro 1st Team All-NBA e sendo o melhor ou segundo melhor jogador em um time que acabou de ir pras Finais. Se o Spurs for campeão, Duncan pode se juntar a Kareem como os unicos jogadores a ganhar Finals MVP 14 anos separados (71' e 85' pra Kareem, 99' e 13' pra Duncan). E ele é a estrela mais consistente da história da NBA (ver as médias por 36 minutos da carreira do Duncan é bizarro, são quase identicas todo ano), um dos três melhores defensores da sua geração (junto com KG e Ben Wallace) e um dos mais queridos e melhores líderes da história desse jogo, um vencedor capaz de elevar seu jogo quando seu time precisa e o jogador mais inteligente que eu vi jogar. A winning percentage dele com o Spurs é de .700 - apenas Magic, Larry Bird e Russell podem dizer o mesmo. Em 2010 mesmo, Bill Simmons colocou Duncan como o sétimo melhor jogador da história no seu brilhante The Book of Basketball. Não deveria ter nenhuma dúvida quanto aos méritos de Duncan a esse ponto. Nenhuma.

Mas ainda assim, as pessoas não estão convencidas. E isso acontece por dois motivos. O primeiro é mais simples: Duncan não é um jogador que chama a atenção. Seu jogo não é explosivo, cheio de jogadas de efeito e highlights como por exemplo Nash - pelo contrário, seu jogo é repetitivo, consistente e perfeito técnica e taticamente. Ele não tem uma personalidade ou intensidade marcante em quadra como Kobe ou Garnett, nunca mudando sua postura ou sua lendária Poker Face. Ele não é um jogador divertido que gosta de chamar a atenção fora dela em entrevistas e apariçōes como Shaq (embora se voce já tiver visto o Duncan fora da NBA, em especial seus comerciais e a série da HEB com o Spurs, sabe que ele é muito bem humorado). Em outras palavras, ele não se destaca nem atrai a atenção do público, só se preocupa em jogar e fazer seu time vencer, e acaba "sumido" por causa disso.

O segundo problema é muito mais profundo e complicado, e afeta toda a NBA na atualidade: As maiores virtudes de Tim Duncan não acontecem individualmente, mas sim dentro do contexto do seu time. Como disse certa vez Bill Russell, a melhor forma de se avaliar um jogador é ver como ele afeta não o jogo diretamente com pontos ou rebotes, mas sim como ele afeta seus companheiros. Ou seja, como ele faz o jogo mais fácil pra eles, como ele adapta seus talentos pra complementar os dos companheiros, como ele lidera por exemplo e todo mundo se encaixa sob sua supervisão. É saber onde ir, o que fazer e onde estar pra tornar o jogo mais fácil pro seu time, não ligar pra estatísticas ou glórias individuais, se dedicar apenas a fazer o time ganhar, apoiar os colegas e basicamente fazer todas as pequenas coisas que não aparecem num Box Score mas que são fundamentais pra construir um time de basquete do começo ao fim. E nisso Tim Duncan supera qualquer jogador que eu já tenha visto jogar. Ninguém fazia mais pelos companheiros do que Duncan... Nem mesmo Steve Nash.

Acontece que a grande parte do universo da NBA - torcedores, jornalistas, até profissionais - simplesmente não entendem ou preferem ignorar o conceito de time, a forma como os jogadores afetam uns aos outros e o plano da equipe. Preferem focar sua atenção em conquistas individuais, numeros individuais e como alguns jogadores se destacam individualmente em momentos decisivos ou coisa assim e ignoram que o basquete não é vencido por um jogador e sim por um time. Quando o líder de um time é um fominha que se preocupa mais com seus numeros e suas jogadas do que em ajudar os companheiros, como você pode esperar que seus coadjuvantes se matem defensivamente, se joguem em toda posse de bola e aceitem ficar em terceiro plano? Se o melhor jogador e líder de um time é um jogador transcendental mas que culpa os demais por não estarem no mesmo nível, como pode esperar que eles tenham confiança pra contribuir quando necessario? E não é o exato oposto se o seu lider e melhor jogador é alguém que naão liga a mínima pra si mesmo, que não se importa de ficar em segundo plano e fazer o trabalho sujo e que coloca o time e a vitória acima de tudo, que lidera por exemplo, sempre tem as costas dos companheiros? Esse time não vai ter um entrosamento maior, uma confiança maior uns nos outros? Essa postura do líder não encoraja os coadjuvantes a fazerem o mesmo ao ponto de que todo mundo segue o exemplo e colocam o time na frente dos próprios objetivos? É claro que sim!

Isso é o que o grande Bill Simmons chama de "O Segredo" do basquete: O Segredo do basquete é que o mais importante não tem nada a ver com basquete. Tem a ver com as pessoas que jogam, tem a ver com a forma como essas pessoas se relacionam e se unem em busca de um objetivo comum, como o time estabelece uma hierarquia, como cada jogador sabe o seu lugar e coloca o time à frente dos interesses pessoais e, principalmente, como as pessoas no time conseguem tirar glória pessoal da glória coletiva. Infelizmente, 90% das pessoas que acompanham basquete ignoram totalmente a importância disso e se focam no que os jogadores conseguem realizar individualmente. E não tem nenhuma estatística pra medir isso além de uma primitiva chamada "vitórias". Por isso um numero alarmante de fãs de NBA ainda acham que Wilt Chamberlain era melhor do que Bill Rusell. Por isso ninguém entende como o Celtics de Russell ganhou 11 titulos em 13 anos (e pra justificar ficam criando mitos como "Wilt só jogou em times fracos e Russell jogava com 15 Hall of Famers por ano!"). Por isso ninguém entende porque Bill Walton foi um dos melhores jogadores da história da NBA. Por isso que qualquer jogador dos anos 80 teria cometido um homicidio pra jogar com Magic ou Bird. Por isso que o Lakers de 2000 só ganhou três titulos quando deveria ter ganho oito. E é por isso que Duncan foi o melhor jogador da sua geração: Nenhum jogador desde 1991 entendeu e praticou o Segredo melhor do que Duncan, nenhum jogador (tirando talvez Nash) era mais adorado pelos seus companheiros, nenhum time tinha melhor chemistry e jogava melhor em conjunto, e nenhum jogador elevou tanto o nível de seus times quanto Timmy. Mas ainda que seja o aspecto mais importante pra uma estrela e pra se montar uma fundação de um campeão, ainda é o aspecto mais overlooked que existe no basquete, e é por isso que Duncan não recebe a apreciação que merece.

(Procure em algum momento o Steve Kerr Game de 2003, quando Kerr saiu do banco de reservas contra o Mavs nos playoffs e começou a acertar bola de três atrás de bola de três: Como todo mundo adorava Kerr, o banco do Spurs estava alucinado com cada bola que ele acertava, quase como um time no March Madness derrubando uma 1st Seed. E no meio disso estava Duncan, gritando e pulando feito um maluco, comemorando junto com todo mundo. Ele estava genuinamente feliz por Kerr. Ele realmente estava. Nenhum time na NBA desde os anos 90 tinha melhor Chemistry do que o Spurs. Nenhum)

E realmente, isso vai além de Duncan e para o que o Spurs procurou fazer como uma Franquia desde que Timmy chegou a bordo. O Spurs, e em particular Greg Popovich, sempre entenderam a importância disso tudo melhor do que qualquer Franquia nos ultimos 15 anos e sempre buscaram construir times que se encaixassem perfeitamente nesse perfil. Mais do que ter um bom grupo de scouts (e eles sempre tiveram um excelente), o grande trunfo do Spurs foi ir sempre atrás de jogadores de grupo e de caráter vencedor que aceitassem o papel que fosse no time, treinassem à exaustão tudo que o Spurs precisava que eles fizessem e não ligassem pro que isso significasse individualmente pra eles em termos de destaque, minutos, arremesso, etc: Tony Parker, Bruce Bowen, Manu Ginobili, George Hill, Danny Green, Kawhi Leonard... É uma lista mais longa do que vocês imaginam. As pessoas dão crédito pro Spurs por  achar jogadores onde ninguém mais via o mesmo valor, mas não entendem o porque isso acontece: Porque o Spurs criou o ambiente ideal pra esses jogadores, ensinando em detalhes o complicado esquema tatico que é muito dificil pra jogadores que não sejam muito dedicados e inteligentes em quadra, treinando repetidamente os fundamentos que esses jogadores não tinham e que o Spurs precisava, e acima de tudo, um ambiente onde esses jogadores entrasse e assimilassem logo a cultura de treinar muito e prezando o funcionamento coletivo acima de tudo. O Spurs entendeu que é mais facil ensinar um jogador a arremessar, a pegar rebotes ou a defender do que pegar um jogador talentoso que não tem o mesmo caráter e ensinar ele a se importar mais, treinar mais, se comprometer com o grupo, colocar o funcionamento do time acima do individual e se integrar a essa hierarquia que o time sempre possuiu (procurem no Grantland.com um artigo do Zach Lowe sobre o Kawhi Leonard - o Spurs levou o Leonard pra treinar com seu especialista pra mudar seu arremesso ANTES do Draft). Mas claro, ninguém da ao Spurs o devido crédito por isso, assim como ninguém o da a Duncan.

E o Spurs pode colocar isso em prática porque tinha as duas coisas fundamentais pra isso: Tim Duncan, conforme já cobrimos exaustivamente, e Greg Popovich. Eu sou da teoria de que a grande maioria dos técnicos não realmente importa, exceto alguns poucos. Em geral, técnicos são demitidos com tanta frequencia que só reforça o ponto de que eles não importam: Eles chegam, implementam seu esquema, dependendo de como ele se encaixa com os jogadores (dentro e fora de quadra) ele dura mais ou menos, tem mais ou menos sucesso, e quando para de funcionar ele é demitido. Não tou falando que técnicos não tem influencia, claro que tem, mas estou falando que no grande esquema das coisas, um técnico normalmente só é tão bom quanto seu elenco (e como esse elenco se encaixa com seu estilo) permitir: Eu não acho que o Pacers estaria nas Finais de Conferência com Vinny Del Negro no lugar de Frank Vogel, por exemplo, mas também não acho que Vogel seria capaz de pegar o Kings e levar eles até as Semifinais do Oeste, por exemplo. Eles tem uma importância pontual, mas no grande esquema das coisas, apenas uma minoria realmente importa: Jerry Sloan, Phil Jackson, Pat Rilley, pra citar alguns.

E claro, Greg Popovich. Olha, Pop é um estrategista brilhante, tem um excelente modelo de jogo e sabe muito bem como adaptar esse modelo a um particular adversário ou a um particular grupo de jogadores melhor do que qualquer técnico na Liga. Mas Pop é realmente o técnico histórico que é porque ele sabe lidar com o que vai além disso junto da sua estrela: Ele sabe criar o ambiente ideal pra praticar o Segredo, sabe achar os jogadores que vão funcionar, sabe que eles vão aceitar as funçōes. E ele tem o seu esquema montado em volta de Duncan, sua fundação, e sabe que pode achar ao redor da NBA os jogadores para encaixar no seu estilo de jogo ao invés de ficar tentando incluir nele jogadores que ele já sabe que podem comprometer a dinâmica do time: Por isso Stephen Jackson foi trocado em 2003 logo depois do título apesar de ser perfeito pro esquema do Pop, simplesmente porque ele não tinha o caráter pra aceitar fazer parte desse grupo nos termos do time e não nos seus. Os melhores técnicos, no grande esquema das coisas, não são os que sabem fazer os Xs e Os numa prancheta, são aqueles que conseguem passar o Segredo para seus jogadores, fazê-los se encaixar no grupo, fazê-los sacrificar numeros, minutos e glória pessoal em busca da vitória e da glória coletiva. Pode parecer pouca coisa, mas são poucos os que conseguem fazê-lo. Phil Jackson não é um dos maiores técnicos da história da NBA por causa do Triângulo, e sim porque ele conseguiu pegar um dos supestars mais difíceis e individualistas da historia da NBA (Kobe) e fazê-lo dedicar suas energias ao time, convencê-lo de que ele pode derivar grandeza dentro do conceito de time e, principalmente, de que o seu time teria uma maior chance de vencer se ele não tivesse tão preocupado com ele mesmo. Não foi fácil, o time teve vários momentos de recaida, mas no final, ele conseguiu, sempre controlando tudo como um puppetmaster, nunca entrando em pânico, sempre ajeitando o navio quando necessário. E é por isso que Phil Jackson, no final, importa.

Popovich também. Qualquer time pode conseguir atingir grandeza em um ano ou dois, mas só uma pequena parte deles ao longo da história consegue fazer isso e continuar mantendo a mesma dinâmica e a mesma fome, voltando pra mais e mais, defendendo seu território sem nunca perder de vista a importância de sacrificar a glória individual pelo bem maior. É por isso que Popovich importa, e é por isso que Tim Duncan importa tanto. E é justamente porque não podemos ver ou medir isso tudo que continuamos subestimando Tim Duncan e o Spurs, mas é também por isso que eles tiveram tanto sucesso. E agora, no décimo sexto ano da era Duncan-Popovich, eles finalmente estão começando a receber o crédito que merecem chegando na sua quinta final. Já estava mais do que na hora.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os desafiantes e os soberanos

Um breve resumo do Spurs de 2012


Tem tanta coisa interessante nessa Final de Conferência que eu nem sei por onde começar. O Big Three idoso de San Antonio (Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker), detentor de quatro títulos (três juntos, um com Duncan sozinho) e que dominou a NBA ao longo de uma década, contra o novo Big Three de Oklahoma (Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden), que possuem JUNTOS 67 anos, só agora estão adquirindo a maturidade adequada e estão apenas começando a se impor como uma força na NBA. O confronto Big Three vs Big Three, o confronto de velha guarda vs nova guarda, etc e tal, vai dar um monte de manchetes divertidas pra mídia ao longo da semana, todas clichês e lugares comuns pra explicar porque essa série é interessante.

Mas porque eu estou ansioso para essa série? Porque é uma série de sete jogos entre os dois melhores times da temporada 2012 da NBA, por isso! Tanto Thunder como Spurs jogaram muito bem na temporada toda, possuem depth, possuem superestrelas, e simplesmente tratorizaram toda a competição nesses playoffs (Três varridas e um 4-1). O que tem pra não gostar desse duelo entre as duas suporpotências do Oeste??

O Thunder, de certa forma, é um time que vem crescendo alucinadamente nos últimos anos. Depois de ganhar 23 jogos em 2009, o time ganhou 50 em 2010 e foi pros playoffs, onde perdeu dos eventuais campeōes Lakers graças a um rebote de ataque do Pau Gasol nos segundos finais do jogo 5. Ano passado, depois de maturar e com Harden um pouco mais preparado, ganharam uma série épica do Grizzlies em sete jogos e perderam nas Finais de Conferencia pros eventuais campeōes Mavericks, principalmente por conta da sua dificuldade em jogar no final de jogos apertados e das dificuldades do Westbrook de criar para os demais jogadores.

Em 2012, o Thunder passou por cima de tudo isso. O Thunder ganhou dois jogos do Lakers quando estava perdendo por 9 pontos faltando dois minutos, simplesmente porque executou tudo da forma certa: Apertou a defesa, forçou roubos de bola (especialmente no Kobe, que ficou com a bola durante quase todo o crunch time no Lakers) fechou o garrafão, obrigou o Lakers a viver das bolas medias e longas ao invés de pontos fáceis no garrafão, tomou conta da bola, e contou com Durant decidindo o jogo com arremessos roubados e semi-impossiveis. Ano passado, o Thunder perdeu porque não sabia (ou não conseguia) fazer tudo isso, o Westbrook acabava cometendo turnovers, o time tomava pontos no contra ataque, e não conseguia pontuar.

Ah, eu não sou ingênuo. Não acho que o Thunder tenha deixado pra trás tudo que fez de errado na hora de fechar jogos na temporada regular. O Scott Brooks ainda tem sua dificuldade em desenhar jogadas, e o ataque do Thunder no final dos jogos ainda depende demais de isolaçōes e arremessos forçados do Durant. Isso não mudou, o que mudou nessa parte foi que os arremessos, dessa vez, caíram. Mas não foi isso que mudou pro Thunder conseguir dominar o Lakers nos finais de jogos. Saber construir jogadas no ataque é apenas uma parte de um final de jogo apertado. O que aconteceu é que o Thunder tirou 10 em todo o resto. Com uma defesa apertada e agressiva eles tiraram o Lakers da zona de conforto e forçaram o time de LA a arremessos difíceis e a rodar a bola mais do que gostariam, o que gerou muitos roubos de bola, que por sua vez geraram pontos fáceis de contra ataque. Se o Thunder ainda tem dificuldade pra construir posses de bola no final na meia quadra, eles compensaram isso conseguindo muitos pontos fáceis de contra ataque e evitando que o Lakers pudesse usar seu melhor jogo. E o que é mais importante, eles tão jogando com a confiança e a atitude não mais de um time jovem que quer roubar algo dos mais velhos, e sim como um time que sabe seu lugar e ta jogando pra chegar lá. 

E especialmente, o Thunder ficou mais perigoso quando o Westbrook e o Durant passaram a entender melhor o tipo de papel que eles devem ter dentro de quadra ao longo de um jogo. No começo do ano, a relação dentro de quadra entre os dois pareceu que ia tomar uma direção de Stringer/Avon (Que os que assistiram The Wire saboreiem a genialidade da comparação, que obviamente não fui eu que fiz, mas eu adorei), com uma certa ajuda da mídia: Se o Thunder perdesse, era por culpa do Westbrook, e se ganhasse era por causa do Durant. Nao era a toa que o Westbrook (Que genuinamente acredita que ele seja tão valioso quanto o Durant - e talvez esteja certo) se sentia tão desvalorizado e estivesse jogando com tanta raiva e necessida de se provar. Acontece que o Durant e o Sam Priesti perceberam isso: Priesti ofereceu ao West uma extensão máxima pra colocar um fim aos rumores de troca, e o Durant aceitou que o Westbrook arremessasse mais e controlasse a bola mais ao longo do jogo porque ele precisa disso pra ser eficiente dentro de campo. Ainda que o Durant pudesse meter 35 ppg se quisesse, ele prefere marcar 28 sabendo que seu time fica mais perigoso quando ele arremessa menos. Isso fez o Westbrook acalmar, parar de jogar nervoso e confiar mais nos seus companheiros.

O que o Westbrook demorou pra perceber - e finalmente parece ter percebido nesses playoffs, tornando o Thunder um time muito mais perigoso - é que o não tem problema ele controlar a bola ao longo do jogo (Ele precisa só criar um pouco mais, mas enfim), mas que quando o jogo começa a ficar apertado, quem tem que ficar com a bola é o Durant. Em outras palavras, o problema não é o West arremessar MAIS que o Durant, e sim QUANDO ele arremessa na frente do Durant. Por conta da inconsistencia no arremesso, o Westbrook prefere atacar a cesta quando o jogo está apertado e o ataque de meia quadra ta sendo necessário, mas por conta do seu dominio de bola mais ou menos ele acaba sofrendo muitos turnovers e sendo menos eficiente, gerando pontos faceis para o adversário. Ao invés disso, Durant são os dois pontos mais automáticos da Liga. E o Westbrook percebeu isso, soube a hora de atacar e a hora de deixar a bola com Durant. Ainda que o Thunder não devesse confiar apenas em jogadas de isolação fora do garrafão, só com o Westbrook compreendendo a importância de deixar essas bolas com Durant e Harden, evitar turnovers e apostar nos melhores criadores. Nessas horas, a eficiência é o mais importante. E o Westbrook, nos playoffs, tem sabido reconhecer o valor disso.

Alias, o crescimento do Harden foi um fator importantíssimo também, especialmente porque ele tem a habilidade de criar pros companheiros que o Westbrook não tem. Na temporada, o Thunder não tinha plano B pra quando West e Durant não estivessem bem. Agora, eles simplesmente sabem que podem tocar pro Harden e esperar ele criar jogadas, seja pra ele ou pros outros. O crescimento do Harden acabou sendo um fator importantíssimo pro Thunder conseguir um grupo que não fosse levado só por dois jogadores que criam para si mesmos antes dos demais.

Ou seja, o Thunder realmente é um time perigoso, muito mais maduro e que tem uma identidade muito mais definida do que ano passado. Durant está em excelente fase, Harden cresceu a ponto de virar um excelente jogador que seria titular em uns 27 times da Liga, o time sabe proteger o garrafão (Algo muito importante nos playoffs) e está embalado. E mesmo assim, eu não vejo o Thunder chegando nas Finais, simplesmente porque o Spurs de 2012 é o melhor time de playoffs na NBA desde o Lakers de 2001 (Que tinha Shaq no auge, Kobe se firmando como um Superstar que perdeu apenas um jogo em toda a pós-temporada... E sim, foi o jogo 1 das Finais que o Allen Iverson ficou louco e meteu 48 pontos).

O Spurs tem pelo menos 10 jogadores que podem entrar e contribuir nos playoffs. O Spurs protege os rebotes. O Spurs tem mais opçōes ofensivas que qualquer time da NBA. O Spurs pode jogar grande, pode jogar pequeno, pode jogar meia quadra, pode jogar no contra ataque. É o time que melhor chuta de três, é o time que melhor roda a bola e que pode pontuar de um bilhão de jeitos diferentes. O Spurs tem um armador que ta jogando fora de controle (Tony Parker) e que eé capaz de marcar 28 pontos e dar 9 assistências a qualquer minuto (nenhum PG jogou melhor no ano. Ponto), tem Tim Duncan seis anos mais novo dominando no garrafão e simplesmente fazendo toda hora a coisa certa ao ponto que chega a ficar até sem graça, tem um jogador que está um pouco apagado mas pode vir do banco e mudar o jogo (Manu), e tem mais seis ou sete role players capazes de rodar a bola, chutar de três, defender o garrafão, defender o perímetro... Jogadores que absolutamente não ligam pros seus números, fazem o que o técnico mandar, jogam para o time e só estão preocupados em achar a melhor forma de vencer (o que inclui suas três estrelas). Como se isso não bastasse, eles também possuem o melhor técnico da Liga. So there.

Eu sempre desconfio um pouco de times que não perdem jogos. Como dizia meu pai, times que naão perdem não conhecem seus defeitos. Mas o fato é que o Spurs não está só vencendo seus oponentes, está massacrando todos eles, passando por cima e ganhando com uma eficiência assustadora. O Spurs é uma máquina de jogar basquete, erram pouco e fazem tudo certo. Não fossem dois jogos que o Spurs perdeu descansando seus três astros, o time poderia estar numa sequencia de 30 VITORIAS, sendo grande parte delas por duplos dígitos. Nenhum time está jogando, nem de longe, o que o Spurs está jogando nesse momento.

E tem também a parte subjetiva que eu tanto insisto. O Spurs é um time que tem uma identidade perfeitamente definida e que sabe exatamente o que seus companheiros podem ou não fazer. Cada jogador está muito mais preocupado com a vitória do time do que com o que ele vai fazer individualmente. Cada jogador sabe exatamente o que seus companheiros vão fazer, e o que eles esperam que eles façam. Cada jogador confia no outro. E os jogadores são mais que companheiros, são amigos. Quem viu o Duncan todo feliz quando o Danny Green deu um baile no Chris Paul no jogo 4 percebeu isso perfeitamente. Duncan não tava feliz porque seu time tava ganhando, ele tava feliz porque o Green tava pulando de felicidade por ter dado uma surra em um dos melhores jogadores do mundo. Esse tipo de quimica entre os jogadores é muito underrated mas também muito importante, faz com que os jogadores sempre busquem jogar pelos companheiros. O Spurs é um time Old School que se construiu sobre entrosamento, um grupo de jogadores que sabem o seu papel, sabem o que fazer e que só se importam com a vitória. O Mavericks de 2011 era assim. E o Spurs de 2012 é um time muito melhor que o Mavericks de 2011. Nessa época onde times como Heat e Knicks tentam ganhar deixando de lado todo o conceito de "time" pra pegar vários superstars e colocando pra jogarem juntos, ver um time cuja força vai muito além do "talento", vem dos conceitos mais básicos de "time", jogando nesse nível é uma grande coisa.

Além disso, o Spurs tem algo que é importante demais a essa altura dos playoffs, que é a mentalidade. Quem viu os jogos 3 e 4 viu um time que sabe perfeitamente como jogar seu basquete, e que sabe que esse basquete é o melhor. O Clippers abriu 24 pontos de vantagem sobre o Clippers no jogo 3, e em nenhum momento o Spurs entrou em pânico, ou mudou a sua forma de jogar. Pelo contrário, continuou jogando como sempre sabendo que era o melhor time e que ia alcançar o adversário. E não só o fez como conseguiu abrir uma vantagem de dois dígitos no terceiro quarto marcando 24 pontos seguidos, algo que remete aos bons tempos do Celtics de 1986 (possivelmente o melhor time da NBA de todos os tempos) marcando 25 seguidos contra o Hawks na Final de Conferência. No jogo 4, quando o Clippers ameaçou uma reação no final do jogo, o Spurs continuou absolutamente calmo, sabendo que bastava fazer o que sempre faziam pra ganhar, sem nenhum grama de nervosismo ou medo. E eles ganharam.

Então por mais que eu ache o Thunder um grande time, eu não acho que eles vão ser capazes de vencer o Spurs com Parker e Duncan jogando a barbaridade que tão. Se o Spurs tem uma fraqueza, é um garrafão um pouco frágil, mas o Thunder não tem nenhum jogador de garrafão pra explorar isso ofensivamente. O Thunder gosta de usar seu garrafão pra pegar rebotes ofensivos - o Spurs é o time que menos os cede na Liga. Ainda que o Spurs não deva explorar muito a principal fraqueza do Thunder (O Thunder foi o pior time cedendo turnovers na temporada regular, mas teve um excelente numero contra o Lakers... Que é o time que menos força turnovers na Liga. Mas como o Spurs é o terceiro que menos os força...), o Thunder também não deve conseguir explorar a do Spurs (Se é que um garrafão com Duncan pode ser fraco), e o Spurs conhece muito mais seus pontos fortes que o Thunder. O Spurs depende muito menos de um ou dois jogadores do que o Thunder, mas também tem jogadores capazes de assumir o controle do jogo.

Em outras palavras, o Thunder tem o talento pra bater de frente. Durant e Westbrook são dois dos melhores jogadores da Liga, e Harden tem sido um valioso bench player. Não espero o Spurs vencendo facilmente essa série. Mas pra mim o Thunder vai ter mais dificuldades de impor seu jogo porque sua defesa está muito mais baseada no garrafão do que nas bolas longas. Essa é a grande vantagem do Spurs sobre o Thunder: O Spurs tem uma capacidade de adaptação muito grande, pode jogar com Duncan e Tiago Splitter pra explorar o garrafão, pode colocar o Boris Diaw no perímetro pra chutar de três e passar a bola da cabeça do garrafão, pode jogar baixo com Parker-Gary Neal/Green- Ginobili -Kawhi Leonard-Duncan pra explorar a velocidade e as bolas longas... Enfim, com um técnico como Gregg Popovich ele eé mais do que capaz de montar um esquema de jogo nos quais eles são bons e que seja um bom encaixe para o adversário. E o pior, o estilo preferido do Spurs (velocidade, espaçamento, rotação de bola e bolas longas) é exatamente o que o Thunder não gosta de enfrentar, eles preferem mil vezes times que não tem bolas longas e que usem seu garrafão (sabe, como o Lakers) de forma física. Mesmo o principal jogador de garrafão do Spurs (Duncan) é o tipo de jogador que o Thunder não gosta, a dupla Serge Ibaka e Kendrick Perkins lida muito melhor com jogadores físicos que gostam de trombar, mas muitas vezes tomam bailes de jogadores mais habilidosos, capazes de se afastar da cesta e que possuem uma grande variedade de jogadas de costas pra cesta. Ainda que a presença do Ibaka deva atrapalhar o Tony Parker com seus tocos vindos do nada, a rotação de bola do Spurs e a capacidade dele e do Manu de finalizar por cima de marcadores mais altos deve dar ao Spurs uma vantagem sobre o garrafão do Thunder. E como eu já disse, o Spurs tem uma capacidade muito maior de adaptação do que o Thunder, tanto pela profundidade do elenco como pelo seu técnico. 

Então sim, eu espero que essa série seja absolutamente espetacular. Os dois times estão embalados, tem jogadores espetaculares e são os dois melhores times da Liga. Mas confesso que, no fundo, eu quero ver o Spurs ganhando a série e o título, simplesmente porque eu adoro ver basquete bem jogado, basquete coletivo de um time que vive de entrosamento e chemestry, que não tem egoismo e que coloca a vitória na frente de tudo. Não é sempre que vemos times assim, não só pela dominância mas pela forma como eles fazem, lembrando muito aqueles times mágicos dos anos 80 como Lakers e Celtics pela forma como tocam a bola e como jogam com velocidade e em equipe (Exemplos mais recentes, Kings do começo do século e Suns de 2005-2007, 2010). Esses times são raros, e mais raro ainda que sejam tão bons como o Spurs de 2012. Infelizmente, esses times tendem a ficar para trás, esquecidos ou considerados fracassados, se não sairem com um título. E eu não quero que isso aconteça com esse Spurs. Eu quero que eles sejam recompensados por me levarem a um lugar mais alto como fã de esportes e do basquete bem jogado, do basquete de equipe, cada vez mais raro nos dias de hoje..

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Metendo a espora


Se o Duncan aceitar o hi-five, o Manu cai no chão e pede falta


No começo da temporada, comprei todo feliz o ótimo League Pass da NBA.com. A definição é excelente, a conexão muito boa, e tirando um certo delay em relação ao original é impecavel. Alem disso, nunca tive paciencia de ficar caçando na internet aqueles streams que sempre caiam, e portanto o League Pass é um grande alivio. Tambem não sai caro, tava em promoção, e ainda vou ter os playoffs completos sem esse maldito horario de verão, vai Brasil!! Mas em todo caso, eu ando me divertindo com esse negocio, assistindo jogos de varios times, claro que do meu Boston principalmente, mas as vezes eu acabo priorizando os melhores jogos OU os jogos dos times mais divertidos de assistir. E com o tempo voce acaba tendo times preferidos pra assistir. Golden State é um time muito divertido, por exemplo. O Thunder tambem. Até o Detroit Pistons é, as vezes. Mas por incrivel que pareça, um dos meus times preferidos de assistir no League Pass tem sido o San Antonio Spurs.

Pra quem nao pegou a época, o Spurs era um time conhecido como uma potência defensiva (E realmente o era!) e tambem um time bem chato de assistir. Antes da NBA mudar as regras que facilitaram em muito a marcação de faltas no garrafão, o Spurs e o Pistons disputavam o posto de defesa mais pentelha da NBA. Quando os dois se enfrentaram na final de 2005, foi um festival de placares baixos, varios jogos com ambos os times abaixo dos 80 pontos (e uma cesta no ultimo segundo do Robert Horry, CLARO). Era um time que tinha como base defensiva o eternamente odiado Bruce Bowen (Nao conhece? Deveria, nao odiar o Bowen é um desperdicio), que apesar de tudo era um excelente (E extremamente sujo) marcador individual, e o Tim Duncan, que é um dos jogadores mais completos que eu ja vi jogar e ótimo defensor. Alem disso, era uma defesa extremamente eficiente montada pelo doente do Greg Popovich. Do outro lado da quadra, era um ataque extremamente disciplinado, milimetricamente montado, alem de muito lento e cadenciado. Alem disso, o Tim Duncan, astro do time, não é o jogador mais carismatico nem explosivo que voce ja viu jogar, até porque cresceu sendo comparado ao Kevin Garnett, que era super intenso, carismatico e com um estilo de jogo fisico e explosivo. Duncan sempre foi muito técnico e habilidoso, o que é ótimo, mas as vezes não atrai tanta atenção. Ou seja, o Spurs tem um timaço ha mais de 10 anos, mas nunca foram times divertidos ou empolgantes de se ver jogar.

Mas agora, pra minha enorme surpresa, o time está muito diferente. Pra começar, o time não está ganhando jogos na defesa, ele os está ganhando no ataque! O Spurs tem o segundo melhor ataque da NBA atrás só do Lakers, são 107.6 pontos por jogo. O Spurs começou a jogar no ataque com mais (UM POUCO, mas ja é alguma coisa) liberdade e ao invés daquele ataque chato e controlado de antes. Alem disso, o principal jogador do ataque não é mais o Tim Duncan (ou pelo menos não vai ser na temporada regular) e sua regularidade, dominio completo dos fundamentos e téncica. Agora quem está liderando o ataque são Tony Parker e Manu Ginobili, jogadores explosivos, que atacam a cesta e fazem jogadas que fazem a gente vibrar - não o ataque só eficiente de outrora, e sim um ataque empolgante! Agora que esses jogadores tem mais liberdade pra jogar, o time está muito mais divertido de acompanhar. Talvez até porque eu acabo torcendo pra ver o Tiago Splitter se dando bem la tambem, mas cada vez mais eu vejo jogos do time e cada vez mais eu quero ver jogos do time. Alem do ataque forte, sempre é divertido acompanhar jogadores que individualmente são interessantes. Vi muitos jogos do Jazz só pra ver o Deron Williams jogar, por exemplo. O mesmo com o Bulls do Derrick Rose. E o Spurs tem um dos meus jogadores preferidos no Manu Ginobili, um dos melhores infiltradores da Liga em Tony Parker, e tambem Richard Jefferson, que tem jogado muito melhor essa temporada. O San Antonio tambem tem chutado bastante de tres pontos essa temporada (Ponto fraco na temporada passada) e é o time que mais acerta bolas de tres, com um aproveitamento de 0.444%. Ironicamente em segundo vem o Los Angeles Lakers, outro time que tambem teve problema nas bolas de tres temporada passada.

E a questão é, está funcionando! Mudou o estilo, o foco (ou pelo menos o ponto forte) tem sido outro, mas tem dados resultados! Depois de treze partidas, o Spurs tem o melhor record da Liga com 12-1. Se voces lembram bem, ano passado eles estavam 7-6 depois de treze jogos. O que tambem é bom, considerando que o Manu Ginobili começou o ano machucado, mas 12-1 é de outro mundo. É o melhor começo da história da franquia e o time está numa sequencia de 11 vitórias consecutivas. E ainda que o time tenha enfrentado muitos times fracos (2x o Clippers, por exemplo) tambem venceu Jazz, Thunder, Bulls e Magic com propriedade, portanto não é como o Hawks, que começou 6-0 tendo só vencido restolhos e agora ta apanhando dos times fortes.

Porque o Spurs está dando certo agora? Bom, de certa forma, é um atraso. Quando o Spurs trouxe Richard Jefferson e Antonio McDyess ano passado, muita gente achou que era hora do Spurs voltar a ganhar um título. Mas Jefferson não se adaptou ao time, McDyess justificou o apelido de 'Cone',o time não conseguiu ficar saudavel e parecia que ia ser um fiasco. Mas o time foi pros playoffs, achou em George Hill um bom marcador individual que chuta de tres, em Dejuan Blair um bom reboteiro, ganhou do Dallas... E tomou uma surra do Suns. A maior vantagem do time talvez tenha sido achar duas peças que faltavam pro time: Um marcador individual capaz de chutar de tres (Uma versão baixa e menos suja do Bowen) e um jogador de garrafão pra fazer companhia ao Duncan. Pra essa temporada, o time finalmente trouxe o Splitter da Europa, draftou James Anderson e trouxe o calouro Gary Neal. Ou seja, o time se encheu de peças diferentes com as caracteristicas que precisava: Um bom marcador, um chutador de tres e outro jogador de garrafão - um confiavel, pelo menos na teoria.

Mas eu confesso que, no inicio da temporada, eu estava um pouco cético com o Spurs. Tony Parker teve uma offseason meio turbulenta, com rumores de troca de todos os lados, alem de ter passado as ferias se recuperando de uma lesão. Tim Duncan e Ginobili estavam, claro, um ano mais velho. E eu não tinha muitas razões pra acreditar que o Richard Jefferson iria melhorar muito da temporada passada. A temporada começou e o Spurs começou 1-1 depois de perder do Hornets. Mesmo algumas vitórias subsequentes contra times fracos (Clippers, Suns, Bobcats) não serviu pra aliviar muito essa desconfiança. Tiago Splitter estava fora com uma lesão desde a pré temporada. Tim Duncan não vinha jogando bem, e está tendo sua pior temporada em termos de pontos e rebotes (13.8 ppg, 9.2 rpg), alem de tar vendo cada vez menos minutos (29.1 por jogo). A idade e algumas lesões tem pesado e eu achava até normal que o Greg Popovich quisesse poupar seu principal jogador - apesar de velho ele ainda é o melhor PF de todos os tempos - para os playoffs. E apesar de tar jogando menos, ele estava sendo menos eficiente que de costume dentro de quadra. Como o Popovich, mesmo tendo reduzido um pouco seus minutos, não poupa ninguem, o Duncan continuava entrando e jogando. Mas eu via o Duncan incapaz de pontuar, como se ele não fosse mais um fator importante dentro de quadra. Me passou pela cabeça, nao só uma vez, se isso era a idade ou se era o próprio Duncan se poupando um pouco. Parker e Ginobili, por outro lado, estavam jogando muito bem. Acho que foi uma combinação desses fatores, inclusive o Splitter estar no time, que me levou a ver mais jogos do Spurs.

E eu vejo o time engrenando cada vez mais, e isso seu deu por diversos fatores. Primeiro, ajuda que Richard Jefferson está jogando seu melhor basquete desde que chegou ao time. Sua média de pontos está só 3 pontos por jogo maior que ano passado, mas seu aproveitamento está bem maior, principalmetne nas bolas de tres (de 31% para 46%) e seu numero de turnovers diminuiu. Ele nao precisa ter as bolas nas mãos pra pontuar, mas ele está fazendo quando o time precisa, ele tira um pouco da pressão dos outros jogadores - e sua mira está bem calibrada depois de passar todas as ferias treinando com Popovich. Por falar em mira calibrada, o calouro Gary Neal e o veterano Matt Bonner estão chutando muito bem de longe. Neal tem media de 5.6 pontos por jogo e tem chutado 43% de longe. E o Bonner? 9.1 pontos por jogo e absurdos 69% em bolas de tres pontos!! Se ano passado o Spurs sentiu falta dessas bolas longas, agora está acertando muitas dessas bolas, até porque tem criado espaços do lado de dentro. O calouro Anderson, antes de machucar, tambem estava chutando seus 50% de tres em 7ppg. Por falar em bolas de três, Tony Parker acertou as duas que tentou e Manu tem 39,5% de longe. Ou seja, o negocio realmente está jogando a favor do Spurs agora, e não contra, como foi o caso dos playoffs do ano passado. Ataque que marca muitos pontos, contra ataques, e muitas bolas de tres pontos. Alguem alem de mim acha que o Spurs aprendeu algumas coisinhas com o Suns na temporada passada??
Mas talvez o mais importante seja o trio Duncan-Manu-Parker. Falei ali em cima do Duncan, mas quanto mais eu via os jogos, mais eu chegava a duas conclusões: A primeira é que eu estava muito mais certo quando pensava nele se poupando. E a segunda é que ele realmente demorou um pouco, mas agora está entrando mais no jogo do seu time, só ver que tem produzido mais a cada jogo que passa. Ele sabe quando tem que entrar no jogo - só ver a aula que ele deu no Dwight Howard essa semana - e quando pode se limitar em quadra, quando pode deixar seu time tomar conta da partida e fazer só a função de um role player. O Duncan sempre foi a cara do Spurs - Discreto, mas muito eficiente. Aquele que faz tudo certo, tudo pra melhorar as chances do time, mas nao chama a atenção. Por exemplo o Spurs, que sem nenhum auê extendeu o contrato do Ginobili nas férias, e depois de tantos rumores de troca, calmamente, sem alarde, assinou uma extensão de cinco anos com o Tony Parker. Ninguem prestou atenção, não foi noticia, mas o Spurs ta fazendo o certo pra garantir a chance de um título esse ano - e até mais, dependendo do fôlego dos velhos Manu (que ta jogando como se tivesse 25) e Duncan. E o Duncan é aquele cara que um dia voce vai ver e está com 18 pontos e 10 rebotes - números bons, mas não espetaculares. Mas quando voce vai ver o jogo, o Duncan é aquele cara que atrai a marcação, que deixa os companheiros livres, que num passe da cabeça do garrafão desmonta a defesa adversária, que da a assistencia pra assistencia - em outras palavras, eficiente. No Hockey, se voce tem a seguinte situação de contra ataque: um jogador está com o disco avançando pelo meio da quadra. Dois companheiros de time o acompanham, um pela direita e um pela esquerda. O do meio toca o disco pro da direita, mas pra enganar o goleiro, esse jogador toca o disco pro outro jogador, da esquerda, e ele faz o gol. O gol vai para o jogador da esquerda, e a assistencia? Pros dois outros jogadores, uma pra cada. Se a assistencia no basquete fosse contada da mesma forma, o Duncan com certeza teria uma media muito maior de assistencias. É só um exemplo, pra mostrar o papel dele em quadra, though.

Eu sempre gostei muito tambem do Tony Parker, acho ele um ótimo armador, muito divertido de assistir, mas ele nunca se destacou por dar assistencias. O esquema de jogo do Spurs muitas vezes fazia o Parker infiltrar, a defesa fechava nele, ele tocava pro Duncan, que com sua visão de jogo e ótimo passe achava o Bowen livre na zona morte e pronto - tres pontos. Ou seja, o Parker era muito importante pro time, mas ele armava a bola num time que sempre ia girar ela mais um pouco, e assim ele ficava com menos assistencias. Até, tambem, por ser um ótimo finalizador na infiltração. A melhor marca de sua carreira em uma temporada foi na de 2004-2005, de 6.1 por jogo. Nessa temporada, ele ta com 7.8 por jogo. Pois é, acho que o Popovich se tocou, depois da temporada passada, que ficar com o mesmo esquema de jogo que ele usava antes rigidamente não ia funcionar. Agora podemos ver o Parker fazer o papel de armador puro algumas vezes - dribla o seu marcador, entra no garrafão e toca pra alguem que ficou livre finalizar. Sem mais rotações, direto assim. Pra quem viu o jogo contra o Cavs, que o Splitter teve 18 pontos, a grande maioria veio nessas jogadas: Parker infiltra, atrai a marcação, toca pro Splitter finalizar. Dois pontos, uma assistencia. O que, pra mim, torna o Parker mais util ainda. Se ele dribla o marcador e a defesa não fecha nele, ele tem mais do que competencia suficiente pra finalizar - com uma bandeija, um arremesso de meia distancia ou o seu classico tear drop. Se a defesa fecha, ele pode passar pra alguem proximo finalizar. Assim, está com media de 19.7 ppg e 7.8 apg.

E pra finalizar esses dois jogadores, temos o meu preferido (apesar de argentino), Manu Ginobili. Ginobili é, desde a temporada 2006, o sexto homem do time. O Popovich botou ele de sexto homem durante os playoffs de 2005 pra botar o Brent Barry de SG pra chutar de tres, e deu muito certo, o Barry acertaria até bola de boliche, e o Manu destruiu vindo do banco. Desde então, ele tradicionalmente vem do banco nos jogos do Spurs. Mas esse ano, não só está de titular como está tendo o maior numero de minutos por jogo (O Manu teve um estilo de jogo bem agressivo, entao deixa-lo no banco no começo tambem era uma forma de poupá-lo de maiores contusoes) de sua carreira, e está correspondendo como era esperado depois do final de ano de MVP que ele teve ano passado - Maior media da carreira em pontos e steals, e segunda maior da carreira em assistencias (perdendo por 0.1 pro ano passado). O Manu está infiltrando, chutando 39.5% de tres pontos (isso porque ele geralmente chuta marcado) alem de ser o terceiro jogador que mais fez cestas de tres na temporada, e ta sendo o principal jogador desse time. É ele quem tem a bola nas mãos nos finais de jogos e é ele que vai pra cima quando o time precisa mais de uma cesta. Ele ta sendo o líder do melhor time da NBA - não da pra exigir mais nada dele.

Daqui pra frente, por mais assustador que seja, se conseguir ficar longe de lesões o Spurs deve melhorar ainda mais. Duncan está pegando seu ritmo, e o time ainda tem James Anderson pra voltar de lesão. Alem disso, Splitter, que perdeu a pré temporada e varios jogos até aqui, ainda está pra ganhar mais tempo em quadra. Ele tem jogado alguns jogos, fica outros de fora, e ainda não entrou na rotação. O Manu até disse pra ele depois de um jogo pra nao esquentar, que o Popovich era assim mesmo, que um dia ele ia jogar 25 minutos e no outro nao ia nem entrar. O Splitter não vai ter vida facil, ele tem concorrencia de Matt Bonner, Dejuan Blair e Antonio McDyess no garrafão, alem do Duncan. Vai ser dificil pra ele conseguir bons minutos nessa rotação mesmo com o Duncan sendo poupado um pouco mais pro final da temporada. Mas eu acho que o Splitter deve ganhar mais e mais minutos com o tempo, conforme vai se ajustando ao esquema tático rigido (ta MENOS rigido, o que nao quer dizer que não seja rigido!) e complicado do Popovich e recuperando a forma fisica. Eu acho que o Popovich vai querer dar cada vez mais tempo de jogo ao Spliter até os playoffs pra ele pegar na raça o estilo de jogo mais trombado da NBA. Um amigo meu disse que o Splitter faz faltas demais, mas se ele nao for jogando pra aprender a defender mais eficientemente ele não vai aprender nunca. O Splitter tem experiencia na Europa, foi MVP lá, e eu acho que ele vai ser muito util pro Spurs até por outro motivo: Ele é o jogador do elenco do Spurs que melhor renderia ao lado do Duncan. O Duncan é um ótimo pivô, deu um banho no Howard (Que sempre sofre com jogadores técnicos), mas eu acho que ele rende mais de ala de força, jogando fora do garrafão. Nao que ele NAO POSSA jogar no garrafão, mas eu acho melhor deixar ele pegar a bola do lado de fora e decidir o que fazer com ela - passar, infiltrar ou usar seu arremesso mortal usando a tabela. Ele tem um recurso muito grande no ataque e voce explora eles melhor deixando o Duncan epgar a bola proxima da cesta. E pro Duncan jogar de PF, a melhor solução é deixar o Splitter no garrafão de pivô. O McDyess é ala de força tambem, daqueles que chutam de meia distancia. O Dejuan Blair fica no garrafão e pega muito rebote ofensivo, mas ele é bem mais baixo e talvez o Popovich prefira uma dupla mais alta nos playoffs. E o Bonner ta jogando muito bem, mas ele nao fica no garrafão, ele fica chutando de tres do perimetro. Por isso eu aposto que, com os playoffs em vista, o Popovich vai querer desenvolver o Splitter o maximo que ele conseguir agora, e portando ele deve começar a jogar mais e mais. E se o Splitter se encaixar direito nesse elenco, sai de baixo, porque vai ser muito dificil ganhar deles nos playoffs. Nao que ninguem tenha condições, varios times tem, mas é um candidato ao título. Vamos ver só se o Spurs consegue ficar livre de lesões, volta e meia um jogador importante la se machuca, o que pode estragar bastante o plano de jogo deles.
E se voce ainda não tiver convencido, saiba que o San Antonio Spurs tem quatro títulos em sua história. Eles foram nas temporadas 1999, 2003, 2005 e 2007, todos anos ímpares. Nessa temporada de 2011, o Spurs começou 12-1. Como diria a ótima propaganda da Topper... Coincidencia? Não... Não