Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

terça-feira, 22 de março de 2011

Reta final

Stoudamire ficou confuso tentando entender quanto falta para seu time classificar


Agora que faltam pouco menos de três semanas para o fim da temporada regular da NBA, nós entramos na fase que pode ser a mais interessante ou a mais chata de toda a NBA. Por um lado, é agora quando cada jogo adquire uma importância ainda maior para vários times, os jogos que vão decidir posições, mando de campo, quem entra e quem cai fora, etc. São os jogos decisivos e muitas vezes essas disputas vão até o último dia.

Por outro lado, para os principais times da Liga, esses jogos são os que menos valem. Os times já se garantiram na pós temporada, não precisam ficar se dando ao luxo de escolher em que lugar classificar e estão muito mais preocupados apenas em ficar saudáveis para os playoffs do que em ganhar. A encarnação dessa postura é o Boston Celtics, que é um time que já faz algum tempo que leva essas últimas semanas nas coxas, sem vontade, perdendo para o Nets ou o Clippers aqui e ali, e só aparecendo pra jogar de vez em quando, quando está afim, como foi o caso do quarto período de ontem ou o quarto período contra New Orleans. Mas em geral essas semanas são o ápice da chata temporada regular da NBA, que é longa demais, demorada demais, enrolada demais, e chega num momento onde os principais times da Liga só querem evitar contusões. De certa forma, ser bom ou ruim depende principalmente dos times envolvidos. No Oeste do ano passado, onde todos os times eram fortíssimos e até o oitavo colocado (Thunder) passou das 50 vitórias, as últimas semanas foi uma coisa absurda, times cairam da terceira para a sexta posição em questão de dias, e cada jogo estava sendo de vida ou morte. Esse ano, onde as diferenças entre os times fortes e os médios aumentou, está bem sem graça.

Apesar de eu achar um exagero e até um saco essas últimas semanas, ainda existem algumas brigas por posições, algumas mais importantes e outras menos, mas de qualquer forma são disputas que valem a pena dar uma conferida. Pra isso eu estou aqui hoje, pra falar um pouco sobre quais as disputas ainda em aberto, começando pela Conferência Leste, a conferência mais deprimente da NBA.

A Conferência Leste ainda possui três posições em disputa: A primeira, a sexta e a oitava seed. Na disputa pela primeira seed temos Celtics e Bulls empatados com 50 vitórias e 19 derrotas, com Boston na frente por estar 2-1 no confronto direto e possuir um record melhor dentro da conferência. Essa disputa, embora valha um eventual mando de campo na final e o direito de fugir do Miami Heat (Afinal, todo mundo zoa o time de Miami mas fica com medo na hora de enfrentar) nas semifinais, não está sendo lá muito levado em consideração. O Boston está no mesmo ritmo de tédio que estava no final da última temporada, ganhou apenas 6 das últimas 10, e perdeu jogos ridículos como o massacre para o Rockets, além dos já citados (E não menos vergonhosos) confrontos contra Nets e Clippers. O Boston sabe que a maior importância para o time é dar minutos para os reservas (Carlos Arroyo, Sasha Pavlovic, Jeff Green, Troy Murphy e Nenad Krstic: um time inteiro que até um mês atrás não jogava em Boston) ganharem entrosamento e principalmente manter seus titulares inteiros até os playoffs. Como o Boston não está ligando em perder uns jogos e o Bulls está num momento absurdo (9-1 nos últimos 10 jogos), além de ter uma tabela mais fácil, deve ficar com a vaga, mas nenhum dos dois vai ficar muito preocupado caso não termine em primeiro. O Miami Heat não está longe dos dois e tem uma tabela fácil, pode acabar incomodando, mas acho difícil que fique em primeiro, no máximo rouba a número 2 do Boston.

E por mais que as outras brigas pareçam mais interessantes, não são. A primeira é pela sexta colocação entre o atual sexto colocado 76ers e o Knicks. Philadelphia tem uma vitória a mais no mesmo número de jogos que o Knicks, mas o Philadelphia é um time em ascensão desde que teve um começo de temporada patético e o Knicks ainda é um time que está aprendendo a jogar junto e lamentando o fato de que não se pode jogar com duas bolas em quadra pra facilitar a vida, perdeu seis dos últimos 10 jogos e ainda não encontrou seu melhor estilo de jogo desde a troca que trouxe o Carmelo Anthony. O Knicks ainda pode demorar um pouco, mas também pouco deve ligar pra isso, porque todo mundo sabe que o Knicks está se montando para o futuro.

Por fim, temos a briga feroz entre três das maiores potências do Leste pela oitava vaga: Pacers, Bobcats e Bucks. Enquanto o Pacers está 2 jogos na frente dos rivais, ninguém realmente imagina que eles percam essa vaga. O Pacers está se achando ultimamente, o Tyler Hansbrough finalmente está jogando o basquete que jogou na NCAA e eles até arrancaram a série invicta do Bulls, enquanto que o Bobcats já desistiu da temporada faz tempo e foi jogar Pokemon e o Bucks é uma mistura sem lógica nem ataque. O Bucks até não tem jogado mal ultimamente, mas eu realmente duvido que tenhamos surpresas aqui. O Heat em terceiro, o Magic em quarto e o Hawks em quinto são três times que não tem expectativas nem de subir nem de cair na tabela.

Por outro lado, na Conferência Oeste, as disputas são bem mais interessantes, assim como o Oeste é mais interessante que o Leste desde que o Michael Jordan se aposentou (Do Bulls, ninguém considera realmente a passagem dele no Wizards uma volta da aposentadoria). Tirando o Spurs isolado em primeiro lugar, o Thunder isolado (para mais e para menos) em quarto e a batalha desinteressada entre Lakers e Mavericks pelo segundo lugar (Aquela que vale mais orgulho que outra coisa e deve ficar para o Lakers mesmo), as outras cinco vagas ainda estão em aberto. Tudo bem, a distância de Denver (5º) para Houston (9º) é de 5 jogos, mas se você levar em consideração que tem quatro vagas ai pra serem disputadas e que dentro dessa margem nenhum time tem mais de 2 jogos de vantagem em relação ao seguinte, vira tudo uma grande zona, que engloba até o 10º colocado Suns.

Dentro dessa zona estão, em ordem e com o número de jogos atrás do líder Spurs: Nuggets (15,5), Blazers (17), Hornets (17,5), Grizzlies (18,5), Rockets (20.5) e Suns (21), sendo que só quatro irão se classificar. Tirando o Nuggets, que está numa situação mais confortável, todos os times aí no bolo tem chances de playoffs e também tem chances de cair fora, alguns mais outros menos, claro. O Nuggets é um dos times mais interessantes da Liga, mais metamorfoseados e que, desde a saída do Carmelo Anthony, começou a jogar um basquete mais coletivo, com defesa (Sim, defesa!!) e muitas bolas de três pontos que faria o Rick Adelman chorar de orgulho. Todo mundo está mais envolvido no ataque, o time não depende mais de um ou dois jogadores como antes e é um time que eu definitivamente não iria querer enfrentar nos playoffs. Talvez sintam a falta de uma estrela nos playoffs, mas em geral eles assustam, e muito.

Tirando o Denver Nuggets, que está numa ótima fase e com uma vantagem confortável sobre o Rockets e o Suns, os outros três times estão em situação mais delicada, simplesmente porque o Rockets também está num ótimo momento e com o Kyle Lowry destruindo quem estiver pela frente, conduzindo o time e até acertando bolas de três. Aliás, esses dois times estão tão interessantes que até merecem um post, mas fica pra outro dia. O Rockets ganhou quatro seguidas e 7 das últimas 10 partidas, é um time embalado e que não tem nada a perder, e esse é o maior motivo de medo nos outros times do bolo. O Suns é claramente o time que corre por fora, deve ficar de fora mesmo, mas ainda não pode ser descartado simplesmente porque volta e meia o Steve Nash fica oito anos mais novo e o Suns começa a ganhar de todo mundo, mas claramente é um time mais fraco que os outros, com um garrafão inconsistente (Aposto que o Channing Frye nem sabe que existe uma regra que impede um jogador de ficar três segundos no garrafão) e que deve levar um choque de realidade ao final da temporada que finalmente pode fazer os engravatados perceberem que é hora de tacar tudo no lixo, fazer uma estátua para o Nash e começar de novo.

Entre esses times, o meu favorito era, como vocês talvez lembrem de tanto que eu falo deles no Twitter e até mesmo aqui no blog, o Memphis Grizzlies. Acho o Grizzlies um time jovem, talentoso, com uma ótima defesa e que tem crescido de produtividade nos últimos tempos. Eu não só coloquei o Grizzlies nos playoffs como disse que era um time que poderia eventualmente aprontar alguma surpresa com sua defesa forte e grande número de jogadores capazes de surpreender quem menos espera. Acontece que hoje chegou a notícia de que o melhor jogador do time, o Rudy Gay, vai ter que operar o ombro e perder o resto da temporada. O Grizzlies agora vai ter que juntar os cacos, pensar se vai mesmo trocar o OJ Mayo e por quem (A minha resposta é SIM, DEVEM) e se preparar para a temporada que vem. Ainda acho que o time deve se classificar, mas acho difícil aprontarem nos playoffs como eu apostava sem o seu melhor jogador. Agora o time tem mais é que se preocupar em renovar com o Zach Randolph (Parece que a renovação está encaminhada) e segurar o Shane Battier a um custo baixo pra poder fazer estrago ano que vem. O Grizzlies ainda tem time pra segurar sua vaga, mas talvez essa noticia desanime os jogadores e o time escorregue.

Já o Hornets está muito mais preocupado com o Chris Paul do que outra coisa, e a NBA está louca pra vender logo o Hornets antes que outro Mark Cuban reclame (Para quem não sabe, ele reclamou que a troca que trouxe o Carl Landry vai fazer o time - e logo, os seus donos, os 29 donos de outros times da NBA - pagar mais dinheiro de salário). O time tem uma defesa forte, é bem estruturado e conta com um dos melhores jogadores da NBA, mas o time está tendo uma temporada cheia de autos e baixos e parece que eles vão continuar. O time tem jogadores que arremessam bem, infiltram, jogam no garrafão, mas nenhum deles (Alem do Paul) parece ser bom o suficiente. Mesmo assim, é imperativo para eles que consigam deixar o Paul satisfeito com o que ele viu pra impedir que ele vá jogar Magic com seus amigos em New York. Com essa urgência nas mãos, o Paul talvez tenha que ser mais agressivo no quesito pontuação (O que não é bom para o time em geral), mas a tabela deve ajudar. O problema do Hornets é que se o Rockets continuar com sua fase e continuar ganhando, ser um time mediano talvez não seja suficiente para impedir que seja ultrapassado.

Por fim, o último time da briga, o Blazers. O Blazers está confiante na classificação a ponto de manter o Brandon Roy com minutos muito limitados por causa dos seus joelhos. O time tem um garrafão forte, Lamarcus Aldridge está jogando o melhor basquete de sua vida e o time ainda pode apelar para escalações mais baixas com o Aldridge de pivô e o Gerald Wallace de ala de força. O Brandon Roy não deve ganhar maiores minutos até os playoffs a não ser que a coisa realmente aperte, mas com o Wes Matthews segurando a onda por lá eles não devem passar esse susto. Vão ter mais trabalho achando a melhor forma de jogar e as melhores escalações do que pra classificar propriamente dito.

Dito tudo isso, eu acho que o Grizzlies e o Hornets correm o maior risco de cairem fora, não pela menor distância para o Rockets, e sim porque são dois times que perderam momento. O Grizzlies sabe que o Gay não voltar significa uma eliminação na primeira rodada e o Hornets é um time que parece que tenta se achar a cada jogo. Desses times, quem joga com a maior obrigação agora é o Hornets, que precisa dar ao Chris Paul motivos para ele querer ficar no time o fim do contrato. Tanto o Rockets, com seu projeto de reconstrução em andamento, quanto o Grizzlies sem seu melhor jogador, gostariam de ir para os playoffs mas sabem que por lá não farão nada de especial. Ah, bons tempos em que o último classificado do Oeste dava um susto no primeiro colocado. Parece que foi ontem. Mas na verdade foi ano passado mesmo.

sábado, 19 de março de 2011

Sobre o Draft - Avaliação de jogadores


Mais uma prova de que o Combine pode enganar. E muito.

Infelizmente esse fim de semana vai ser corrido e eu não vou poder postar direito, então vim trazer um resumo mais rápido de como os times fazem pra avaliar os prospects do Draft.

Eu falei no post de anteontem (está logo aí embaixo) sobre como funciona a forma de avaliação dos jogadores que entram no Draft para se montar uma lista dos melhores e para montar sua ordem de Draft, ou seja, como separar os melhores, que tipo de jogador ganha e perde valor, como os times montam sua estratégia com base nisso, etc. E eu também falei que os olheiros dos times da NFL não estão preocupados em olhar só a produção de um jogador no nível universitário, mas também o quanto eles vão conseguir adaptar seu jogo e contribuir num estilo de jogo muito diferente que o da NCAA, que é o da NFL, mais rápido, físico e com defesas muito mais fortes. E como eu também disse, a produção de um jogador é algo muito fácil de se medir em números e de se observar, enquanto que puramente as habilidades e capacidade de adaptação de um jogador para o jogo da NFL não é fácil de observar e muito menos de medir. Então, como os olheiros fazem esse tipo de separação?

Bom, primeiro, tem que olhar o quão bem o jogador joga no nível universitário. Sim, eu disse que são jogos totalmente diferentes e que sucesso em um não garante sucesso em outro e vice versa, não estou mudando o que disse. Só tou falando que em 90% dos jogadores de sucesso na NFL tiveram pelo menos algum destaque na NCAA, é um jogo mais fácil de dominar e por isso jogadores que não conseguiam se impor na NCAA dificilmente vão conseguir se impor na NFL (Tom Brady em algum lugar acabou de me mandar calar a boca). Claro que isso não é uma regra absoluta, mas é um parâmetro que tem que ser usado, ainda que com muita cautela. E olhando o jogador jogando jogos normalmente, você começa a ter uma noção do tipo de habilidade que ele tem, os fundamentos, capacidade física e tudo mais. É apenas o começo, mas tudo começa olhando um jogador jogando diariamente. Como vocês devem imaginar, aqui você geralmente tem uma boa noção nos jogadores bons. A questão que pega daqui pra frente é: como separar os bons da NCAA dos bons na NFL?

Tudo começa com o chamado Senior Bowl. O Senior Bowl é um jogo amistoso entre dois times, do Norte e do Sul, e ambos os times são formados por jogadores da NCAA que já completaram sua elegibilidade para o Draft, ou seja, que entrarão no próximo Draft de qualquer forma. Os técnicos do Norte e do Sul são escolhidos entre os técnicos da NFL e eles escolhem os jogadores que vão jogar para seus times. Como são técnicos da NFL em busca de jogadores para draftarem, eles vão escolher os mais interessantes entre todos os prospects elegíveis que vão entrar no Draft. Por isso, em geral, o jogo é jogado pelos melhores prospects do Draft e é mais uma chance de técnicos, GMs e olheiros da NFL olharem de perto os jogadores. Mas bom, mais um jogo, grande coisa, a gente já não viu o suficiente de jogos desses caras? Sim, mas o atrativo do Senior Bowl não é o jogo, e sim a semana que vem antes. Uma vez escolhidos os jogadores dos dois times, eles vão passar por uma semana de treinamentos e de exercícios gerais antes de poderem jogar. E nesses treinamentos e exercícios têm técnicos, GMs e olheiros de todos os times da Liga olhando atentamente como os jogadores se portam, como reagem às situações e tudo mais. Em outras palavras, eles não estão lá para ver como os jogadores se portam jogando, e sim como eles realizam as atividades dos treinamentos, que dão uma idéia muito melhor de fundamentos e habilidades puras.

Passado o Senior Bowl, chegamos ao mais importante: O Scout Combine. Eu já falei sobre o Combine quando falei sobre o Draft, mas não custa repetir. O Scouting Combine é um evento que dura seis dias e os jogadores são convidados para participar(jogadores não convidados não podem participar. Em média 80% dos jogadores draftados passou pelo Combine). Nesse Combine, os jogadores realizam uma série de testes físicos, técnicos e mentais na frente de técnicos, GMs e olheiros (sim, sempre a mesma combinação, eles não tem nada de melhor pra fazer nas férias mesmo), incluindo aí testes como a corrida das 40 jardas, o bench press, o salto vertical, salto em distância, o "three cone drill" e muito mais. Claro que os jogadores não atendem a todos e eles podem até escolher a quais vão atender. De forma geral, os jogadores que estão buscando aumentar seu valor no Draft costumam fazer todos os que dizem respeito à sua posição (Você imagina um NT tentando fazer o salto vertical?), enquanto que os jogadores que já tem um valor alto consolidado costumam fazer apenas a que lhes interessam e que possam aumentar seu valor, enquanto não realizam outras que possam afetá-lo negativamente. Para um exemplo, os Quartebacks mais bem cotados no Draft raramente fazem lançamentos no Combine.  O Combine é uma melhor forma de se avaliar muitas coisas sobre um jogador, e em especial sua capacidade atlética combinada com sua coordenação motora. O Combine raramente é o que vai dizer se um jogador é bom ou não, mas é uma ótima forma de melhorar ou piorar o valor de um jogador baseado no que ele consegue realizar nesses testes.

Passando por isso chegamos ao chato Pro Day, que é quanto as Universidades realizam um evento com seus jogadores elegíveis. É basicamente um lugar onde cada Universidade recebe aquela famosa combinação de desocupados (técnicos, GMs e olheiros) para que eles possam avaliar de perto os jogadores que ela vai mandar para a NFL. Lá eles também fazem os eventos que eles quiserem e tudo mais, é como um Combine mais informal e separado por Universidades.

Uma vez que tudo isso passou, sobra a última opção dos times, os workouts individuais, que nada mais é do que chamar um jogador para uma sessão de testes fechada para o próprio time. Claro que o jogador não é obrigado a ir e os times não vão chamar todos os bons prospects para uma sessão dessas, mas é uma última forma de tirar suas dúvidas sobre os jogadores. Geralmente quando um jogador é chamado para um workout desses é porque ele realmente está nos planos de um time e portanto ele costuma fazer todos os testes que são pedidos, inclusive lançar a bola no caso de QBs. Para chegar nesses treinos individuais, você já passou por todas as etapas acima e portanto já tem muito claro os jogadores que quer e tudo mais. Esse último momento de avaliação é apenas para tirar suas dúvidas sobre jogadores individualmente e também para escolher quando se está em dúvida entre dois jogadores. Como os jogadores da NCAA não são atletas da NFL até o Draft, eles podem fazer os treinos individuais nos campos das equipes normalmente.

Passado tudo isso, só resta realmente o Draft. Cada time já tem pelo menos umas dez opções para cada escolha dependendo da posição de escolha e da rodada, porque sua estratégia pode ser diretamente afetada pela escolha dos times na sua frente e portanto você tem que ter a situação muito clara na sua frente sobre quais jogadores podem ser pegos caso os que você estava de olho já tenham saído. Para usar um exemplo, o Cardinals pode ir atrás de um QB com a quinta escolha, mas se Cam Newton e Blaine Gabbert já tiverem saído, eles não vão queimar sua quinta escolha com algum outro, e aí é necessário saber escolher outro (Von Miller!) jogador de outra posição. Mas fiquem de olho, que em breve sairá nosso primeiro Mock Draft!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sobre o Draft - Mock Drafts e considerações


Marcell Dareus já está fazendo as contas pro Draft

Ao longo da nossa história recente, eu falei muito do Draft da NFL, que está por vir. Falei sobre como ele funciona nesse post e também falei um pouco sobre ele quando falei do lockout pelo qual a NFL está passando. Mas conforme as coisas vão se aproximando, queria aproveitar e falar um pouco mais sobre o que acontece - e vai acontecer - no Draft. Para quem não gosta muito dos meus textos imensos, pode pular direto para a parte de baixo do texto, onde as considerações sobre o Draft estão divididas em tópicos menores. E não esqueçam de seguir nosso Twitter!

Sobre os Mock Drafts
Uma coisa comum que as pessoas me perguntam é como fazer pra saber quais são os jogadores bons do Draft e como ter uma noção de que jogador vai para que time. Bom, isso é difícil pra cacete. Se fosse fácil teríamos muito menos busts e também teríamos muito menos graça nesse evento. Não é facíl saber quem é o melhor jogador, e também não é fácil saber qual jogador será pego por que time. Por mais que o esporte seja o mesmo, as regras sejam praticamente as mesmas e tudo mais, o jogo da NFL e da NCAA são bem diferentes. O jogo da NCAA é muito menos físico, muito mais lento e geralmente com defesas muito mais fracas que na NFL. Por isso é muito difícil você medir um jogador apenas pelo que ele faz ou não faz na NFL, grandes QBs da NCAA nunca deram em nada na NFL, o mesmo vale para qualquer outra posição, principalmente de ataque. Ser do ataque é muito mais fácil no nível universitário. Por isso você tem que olhar não só para o quanto o jogador produz, algo facilmente mensurável, mas também para algo que é praticamente imensurável, que é o quanto aquele jogador, com as habilidades que demonstrou, pode ser bom jogando o jogo da NFL. Essa diferença nos dois jogos é o que faz do Draft uma ciência tão inexata, o Raiders e o Jamarcus Russel que o digam. Além disso, existe também o fato de que muitos jogadores jogam apenas um ano, ou então tem um ano bom depois de um ou dois fracos e daí já querem entrar no Draft, o que levanta duvidas sobre a capacidade desses jogadores de repetirem o que os tornou atraentes, os chamados 'One-year wonders'. Isso faz com que alguns jogadores piores subam e alguns melhores caiam no Draft.

Existe também outra dificuldade na avaliação de qual jogador é melhor. Eu já falei nesse post antigo de como é difícil você comparar jogadores de posições diferentes, já que o futebol americano é um jogo muito especializado. Muito difícil você dizer se o melhor jogador é um RB ou um DE, são posições muito diferentes. As vezes o critério usado para determinar o melhor jogador do Draft é simplesmente o jogador que, dentro da sua posição, é o melhor, mais dominante. Só que isso também não vai refletir necessariamente na sua posição no Draft. Ano passado, todo mundo sabia que o Ndamukong Suh era o melhor jogador, porque dentre todos os jogadores do Draft nenhum era tão dominante na sua posição quanto Suh.  No entanto, a primeira escolha foi Sam Bradford, simplesmente porque ele era um QB, e o Rams considerou que ter um QB capaz de decidir jogos tinha um impacto maior. Para dar um exemplo atual, o jogador considerado o melhor do Draft desse ano é o CB Patrick Peterson, mas poucas pessoas esperam que ele vá sair entre as primeiras cinco escolhas simplesmente porque o impacto que um CB tem no jogo geralmente não é tão grande quanto o de um QB ou mesmo de um DT/DE.

E isso torna o Draft mais imprevisível ainda, porque jogadores podem ter valores diferentes dependendo do time que estiver observando. Se a primeira escolha do Draft fosse do Chargers, por exemplo, podem ter certeza de que eles nunca iriam olhar duas vezes para o Blaine Gabbert, considerado o melhor QB dessa classe mas que pra mim não é nada demais mas ganha um valor adicional pela sua posição e pelo fato de ser considerado 'pronto pra jogar' (alguns dizem que ele ganha valor também porque parece o Encantado do Shrek). E não só cada time valora os jogadores de uma forma diferente de acordo com a posição como também podem estar buscando coisas diferentes. Alguns times buscam adicionar o melhor jogador possível para começar a reconstruir, para ter um ativo no seu elenco ou apenas para ganhar uma moeda de troca mais valiosa. Outros, buscam um jogador que traga melhorias para uma área que considera deficiente. E não existe um padrão para esse tipo de coisa, a decisão é de cada time. Geralmente times em reconstrução buscam tender mais para o 'melhor atleta disponível' do que por posição (Tirando aquela velha máxima: nunca deixe passar um Franchise Quarterback), enquanto que times com uma base mais montada geralmente buscam jogadores para as posições nas quais apresenta deficiência ou falta de profundidade. Mas é lógico que isso nem sempre é regra, depende muito de fatores demais.

Dito isso tudo, posso finalmente chegar aonde queria. A melhor forma de acompanhar os jogadores e as movimentações dos clubes é através dos chamados Mock Drafts. Mock Draft é, como o nome diz, uma simulação do Draft. O autor coloca na ordem as 32 escolhas da primeira rodada (Geralmente, podem ser quantas rodadas quiser) e aí vai colocando as escolhas que ele acha provável que sejam as feitas pelo time em questão. É claro que por diversas razões, algumas delas as que eu citei acima, você raramente vai ver dois Mock Drafts iguais ou certos. Também tem o fato de que os Mock Drafts são feitos de acordo com a ordem pré-estabelecida das escolhas, mas chegando na hora do Draft acontecem muitas trocas que fazem os times subirem ou descerem de posição, o que obviamente altera o panorama do Draft. Mas de forma geral, é uma boa forma de ter uma noção de quais jogadores devem sair antes e que times buscam o que. Claro que pra isso é melhor procurar um Mock Draft de qualidade, na ESPN.com ou na NFL.com vocês acham vários, com várias opiniões. Nós mesmos vamos fazer os nossos e postar aqui, chegando mais perto do Draft.



Mas além dos Mock Drafts, também não é ruim ter acesso a outros tipos de comentários. Eu vou deixar aqui os que eu acho de mais interesse para ter uma noção boa do que esperar no Draft. Quem quiser complementar ou perguntar alguma coisa, só usar os comentários ou mandar um email pra gente. Então vamos às considerações:

1. O problema da Free Agency
Geralmente a primeira forma das equipes de melhorarem o seu elenco, principalmente em posições específicas, é a Free Agency, ou mesmo via trocas. A Free Agency acontece antes do Draft geralmente e muitos times que têm uma posição muito carente buscam uma alternativa aí antes de se aventurarem no Draft, até porque escolhas de Draft são uma boa moeda de troca. Alguns times também se aproveitam disso para trocar seus jogadores que estão sobrando (não temos um exemplo melhor hoje do que o Kevin Kolb) para times que não vão ter a paciência de Draftar alguém da posição e evoluí-lo com calma, ou então que não querem arriscar com um calouro e buscam uma situação mais segura com um veterano. Geralmente em troca os times recebem escolhas de Draft,  ou alterações nas ordens de escolha. Como a CBA não deve sair antes do meio de Abril, possivelmente veremos os times Draftando primeiro para depois endereçar as falhas que sobraram pela Free Agency, o que pode levar a mudanças na estratégia de vários times.

2. Uma boa classe de defensive linemans
Ao contrário do Draft de 2010, onde a posição mais bem servida era a linha ofensiva, no Draft desse ano parece que quem está melhor é a linha defensiva. E não só em quantidade, mas também em qualidade. Das primeiras oito ou nove escolhas do Draft, possivelmente quatro serão da linha defensiva. Além disso, muitos estão cotando o Marcell Dareus, DT de Alabama, como a primeira escolha do Draft, e se não for a primeira não deve passar da terceira. Além dele, talvez o melhor jogador no Draft também seja um DT, Nick Fairley de Auburn, um jogador muito atlético, talentoso e que tem muito potencial ainda, mas que provavelmente vai cair algumas posições no Draft por só ter tido um ano pra se usar de base(one-year wonder) e ter problemas com sua personalidade e ética de trabalho. Mas fora eles, o Draft ainda está muito bem servido tanto em DTs como em DEs, e é com certeza a posição (ou as posições) que mais tem jogadores capazes de vingarem na Liga.

3. Problemas com Quarterbacks
Um Draft como o desse ano sempre apresenta o mesmo problema, mas esse ano essa situação está mais agravada ainda pela questão 1 acima. Existem muitos QBs que estariam no mercado, como Kevin Kolb, Vince Young e Kyle Orton, mas como é possível que a Free Agency só comece muito em cima do Draft ou até depois, é pouco provável que os muitos times que precisam de um QB consigam resolver esse problema antes do Draft começar, e por isso a procura esse ano por Quarterbacks será ainda maior. Mas acontece que a classe desse ano de QBs é muito pobre, não possui um grande talento como o Sam Bradford por exemplo, e além de não possuir um jogador de maior qualidade também está fraco na quantidade. O Blaine Gabbert é considerado o melhor QB e também o mais pronto pra jogar essa temporada, seguido pelo Cam Newton, vencedor do Heissman Trophy e do BCS com Auburn. Mas nenhum deles é espetacular para a NFL, os dois podem dar certo tanto quanto podem não dar, e além deles tem poucos QBs para suprir a grande quantidade de times buscando um. Muitos dizem até que o melhor jogador ofensivo do Draft é o WR AJ Green ou até mesmo o RB Mark Ingram.

Para mim o mais interessante entre os QBs é o Jake Locker, de Washington, que era cotado antes da temporada como uma primeira escolha mas que sofreu o ano todo com lesões e por isso despencou nas tabelas. Ele é muito talentoso e pode ser um achado, mas tem um problema, que é lançar de dentro do pocket. Ele é excelente saindo do pocket e lançando em movimento, mas as vezes deixa a desejar na sua precisão quando lança de dentro dele. Não é o tipo de coisa que impede que ele seja um bom QB e pode ser corrigido com um ou dois anos de treinos e boa instrução na NFL, mas isso iria requerer um time que tem condições de manter ele de fora por esse tempo. Um QB que deve cair pra segunda ou até terceira rodada e que seria perfeito para times como meu 49ers ou o Tennessee Titans, com um titular capaz de agüentar um ou dois anos e um técnico conhecido por saber desenvolver QBs.

4. Falta de uma clara primeira escolha no Draft
Geralmente, chegando perto de Abril, todo mundo já sabe quem vai ser a primeira escolha no Draft, ou pelo menos quais os dois ou três jogadores na disputa, até porque o time que tem a primeira escolha no Draft tem o direito de negociar um contrato com um jogador mesmo antes do Draft em si. Em 2010 todo mundo sabia que ia ser o Sam Bradford, com alguma chance ainda para o Suh. Em 2009, o Matthew Stafford. Em 2008, era o Jake Long. Em 2007, Jamarcus Russell. E por aí vai.  Como eu já disse, uma das regras não-escritas do Draft é 'Nunca deixar passar um Franchise QB', e tirando o Dolphins que tinha na época o Chad Pennington, todos esses times eram times que tinham sofrido pela falta de um QB nos últimos anos e que precisavam de uma peça central pra reconstrução. O Panthers tem problemas de QB e quer reconstruir com um técnico novo, mas o problema é que não tem nenhum QB que mereça ser escolhido na primeira escolha pra assumir o comando do time. Todo mundo sabe que o Panthers estava sonhando toda noite em Draftar o Andrew Luck, de Stanford, mas desde que ele disse que não vai entrar no Draft ainda, ninguém sabe qual será a abordagem do time. Alguns dizem que será o Gabbert, outros o Cam Newton, porque Panthers precisa de um QB. Outros dizem que esperar o Luck e começar a arrumar a defesa com o Farley ou o Dareus é a ordem da casa. Além deles, já vi gente citando o OLB de Texas A&M Von Miller, o CB de LSU Peterson e até o DE de Clemson, Da'Quan Bowers. Ninguém sabe quem deve ser escolhido antes ou qual será o tipo de abordagem do Panthers. Muita gente até fala que o Panthers vai tentar trocar sua escolha.

5. Pouca variedade na linha ofensiva
Os jogadores mais draftados nas escolhas altas e de maior valor, geralmente, são os Offensive Tackles ou QBs. Ano passado era uma classe muito profunda de OLs e muitos times buscaram se aprimorar nessas áreas (Uma pena que os principais, Trent Williams e Russell Okung, tenham batalhado o ano todo com lesões). Esse ano, no entanto, a pouca oferta disponível pode fazer o valor desses poucos disparar e até tentar uma vaguinha no top 10, ainda que nenhum tenha o talento para tanto. Anthony Castonzo, de Boston College, e Tyron Smith, de USC, são os principais Tackles disponíveis, Castonzo uma escolha baseada no quanto ele já está pronto para jogar e Smith mais pelo seu enorme potencial. Também vale destacar o Mike Pouncey, irmão gêmeo do Center do Steelers, Maurkice Pouncey, que não só joga muito como revolucionou a linha ofensiva do Steelers ano passado. É um jogador que joga no centro da linha, como seu irmão, e Guards/Centers geralmente tendem a ser escolhidos bem depois no Draft. Ainda assim, pode ser o melhor jogador de linha ofensiva disponível.

6. Nenhum safety que preste
Entre todas as posições, algumas estão melhores representadas que outras, mas nenhuma está tão mal representada como a de Safety. Ano passado tínhamos Eric Berry, Nate Allen e Earl Thomas, além de TJ Ward e Taylor Mays, vários safetys talentosos e sendo que os três primeiros já foram titulares e foram muito bem na temporada passada. No entanto, enquanto dois dos melhores jogadores do Draft são Defensive Backs (Peterson e Prince Amukamara, ambos CBs), não existe nenhum safety digno de uma primeira rodada (talvez o Aaron Williams, mas pra mim ele é um cornerback também). O melhor safety pra mim é o Jimmy Smith de Colorado, mas ele é muito inconsistente e que vigora mais pela incrível habilidade atlética do que outra coisa, não sei se conseguiria ser um safety de alto nível na NFL. Com vários times como Cowboys e Texans procurando um safety para a defesa, essa classe é uma decepção. Vão ter que tentar a sorte na Free Agency mesmo.



Bom, por hoje é isso. De forma geral, são as considerações mais importantes de forma coletiva acerca desse Draft. As considerações individuais vão ficar pra quando a gente fizer o Mock Draft. Fiquem de olho e mandem qualquer tipo de comentário que quiserem, a gente sempre tenta responder.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Entenda a greve e o lockout da NFL

Como prometido, eu vou hoje explicar tudo sobre a greve que está rolando na NFL. Peço desculpas pela demora, infelizmente eu tinha um projeto de faculdade importante para o final de semana e só agora eu tenho tempo pra escrever com calma. Mas espero que vocês entendam. Já aviso que o post está bem grande, mas está também subdividido. Espero que vocês tenham paciência de ler, caso se interessem. É uma questão muito difícil, complexa e ramificada. Se não tiverem paciência, podem tentar se localizar pelas perguntas ou palavras chave em negrito para ler um tema específico. Me digam depois o que acharam, e boa leitura. Se tiverem dúvidas, comentários ou qualquer coisa, podem deixar nos comentários no fim do post ou mandar um email pra gente em tmwarning@hotmail.com

Eu falei aqui recentemente sobre o que é o CBA que estava causando tanta comoção na NFL. Falei também que ele iria expirar em breve e que se a NFL e a NFLPA não chegassem a um acordo para um novo CBA, poderíamos ter uma greve e um lockout. Também falei algumas vezes aqui e no nosso twitter que ambas as partes tinham acertado, por duas vezes, prorrogar as negociações, primeiro em um dia e depois em uma semana. Acontece que a data limite era essa sexta feira que passou, e nenhum acordo foi fixado, as negociações pararam e temos oficialmente uma greve na NFL. Como a situação é muito complicada, eu vou aproveitar e explicar direitinho o que aconteceu, o que está acontecendo e o que deve ou pode acontecer.

Primeiro de tudo, o que aconteceu foi que nenhum acordo foi fixado até a data limite - sexta feira - e que portanto o CBA antigo oficialmente expirou. Nos últimos 15 dias, negociações aconteceram dia e noite entre ambas as partes, a NFL e a NFLPA, que como vocês podem ler no link ali de cima é uma união dos jogadores. Mas no fim, nenhum acordo foi fixado. A primeira pergunta é: porque não se chegou a um acordo? Na prática, foi por todos os motivos que eu falei no post sobre a CBA dali de cima, as divergências continuavam acerca de teto salarial, salário dos calouros, extensão da temporada regular, etc. Tirando o último desses itens, a gente pode olhar pra situação de outra forma, onde a questão na mesa passa a ser: como distribuir os 9 bilhões anuais de receita que a NFL recebe. Pra uma questão que já é difícil, ela ainda ganhou um agravante, que foi a questão da informação. A NFL afirma que foi afetada pela crise e que portanto é necessário conter certos gastos (Um argumento bem parecido com o da NBA), reduzindo coisas como teto salarial, salário de calouros e mais 95% dos problemas que estavam na mesa. A NFLPA teria pedido à NFL dados detalhados das finanças da NFL e dos times da Liga nos últimos 10 anos como forma de sustentar o seu argumento. E aqui vem a complicação, em quem acreditar? A NFL afirma que deu vários dados diversos para a NFLPA, inclusive alguns dados que não são disponibilizados nem para as franquias. Já a NFLPA afirma que não recebeu dados o suficiente e que a NFL fazia seus argumentos com base em um simples 'Confiem na gente'. Como nenhum dos lados quis ceder - nem a NFL disponibilizar mais dados nem a NFLPA se contentar com menos - esse foi um entrave fundamental nas negociações, porque ela trava tudo que deriva dessas finanças - ou seja, 99% das negociações que estavam na pauta.

Uma vez que, por tudo isso que aconteceu, a gente começa a entrar na parte mais complexa do assunto. O que aconteceu uma vez que não foi possível chegar a um novo acordo ao final da data limite? Primeiro de tudo, a NFLPA entrou com um pedido de dissolução. Ou seja, a NFLPA entrou com um pedido na justiça para deixar de existir como existia antes. Ao pedir essa dissolução, a NFLPA não mais funciona como uma união que representa os jogadores nas negociações desse CBA. Os jogadores, portanto, não estão mais sendo representados por ninguém além deles próprios. A primeira vista parece loucura que a NFLPA tenha feito isso, afinal ela parece perder força nas negociações já que não existe uma união para falar em nome dos jogadores. Mas na verdade essa dissociação tem alguns pontos interessantes.

Primeiro de tudo, ela não é definitiva. A NFLPA ainda existe, apenas como uma associação de trocas, mas essa dissociação pode ser revertida muito facilmente e a NFLPA, em questão de horas, pode voltar a existir pronta para negociar um acordo com a NFL. Portanto, não existe um enfraquecimento da sua posição, afinal ela pode retomar as negociações assim que a NFL estiver disposta a ceder algumas coisas. E segundo e mais importante, agora que os jogadores não são mais representados por uma união, eles estão livres pra tomarem atitudes como indivíduos na Justiça. E era exatamente esse o objetivo da dissociação. Imediatamente após o pedido ser aceito, dez jogadores entraram na justiça de Minnesota com uma ação antitruste contra a NFL. Esse pedido prevê que a Liga deve, entre outras coisas, pagar ao queixoso três vezes os prejuízos totais que lhes incorra por causa de um eventual lockout. Antes de falar mais sobre o que é um lockout, vou terminar de esclarecer essa questão. Entre os jogadores que entraram na justiça estão Tom Brady, Peyton Manning e Drew Brees. Como são jogadores que ganham salários ou franchise tanders muito altos, caso a Liga perca ela pode ser obrigada a pagar alguma coisa em torno das centenas de milhões de patacas.

Eu não vou entrar no detalhes sobre as ações movidas pelos jogadores, envolve muita coisa desnecessária pra entender a ação, por isso vou direto ao ponto. Os jogadores clamam que a NFL está prejudicando suas carreiras com suas práticas de truste, porque um lockout iria impedir que os jogadores trabalhassem aos preços de mercado, já que ela é tem o monopólio do futebol americano. A razão dessas ações - e portanto da dissolução da NFLPA - é impedir justamente que aconteça esse lockout.

Mas afinal, o que é esse lockout? Entender o lockout é necessário para entender o que está acontecendo nesse exato momento na NFL. Uma vez que não existe um CBA, e portanto as negociações foram interrompidas, a NFL tem o direito de decretar esse lockout - o que ela fez na madrugada de sexta para sábado. Uma vez decretado o lockout, os jogadores estão oficialmente separados da Liga, eles não podem ter nenhum tipo de contato com nenhum time, mesmo que ainda estejam sob contrato. Isso inclui que os jogadores façam treinos táticos, físicos e jogos, mas também impede que os jogadores sequer usem as dependências dos times para treinar, se tratar, etc. Isso no momento não tem grande importância, mas conforme formos nos aproximando das datas que os times começam a chamar seus jogadores para entrar em forma, fazer treinos físicos e os OTA - Obrigatory Teams Activities, ou atividades obrigatórias do time - a coisa complica porque os jogadores e os times não podem ter esse contato, e portanto essas atividades vão ser canceladas. Mas como é um cancelamento 'forçado', os jogadores naturalmente não vão receber o salário relativo à esse período (O salário de um jogador não engloba apenas as 17 semanas da temporada regular, e sim todo o período de atividades de um time), o que por si só já é muito ruim para eles, mas também eles não podem usar as instalações nem para entrar em forma e tampouco para cuidar de lesões, o que é ainda mais sério. Conforme a coisa for avançando, se esse lockout começar a comer cada vez mais o período de treinos e tudo mais, mais salário será descontado. Também é importante destacar que uma vez que está tudo parado, não são só os jogadores que deixam de receber salário: todos os ajudantes, coordenadores e funcionários também não vão trabalhar e não vão receber dinheiro nesse período.

E é exatamente isso que a ação que aqueles 10 jogadores moveram - vocês podem ter certeza que três dos maiores salários da NFL estarem entre os 10 não é uma coincidência, foi uma jogada anteriormente planejada com a NFLPA - estão querendo evitar. Entre as muitas coisas que a ação pede, a que deve ser mais rapidamente julgada é justamente um pedido para evitar o lockout, e portanto o jogador pode treinar normalmente, se tratar, e tudo mais junto ao clube enquanto espera um CBA novo ser assinado a tempo da coisa ficar mais séria.

Em resumo, o que aconteceu foi exatamente isso: A dissolução da NFLPA, o lockout e as ações movidas pelos jogadores como forma de evitar esse lockout. Cada um está tentando tirar as armas de barganha do outro: A NFL quer o lockout para forçar os jogadores a negociar para que possam treinar e ganhar seu salário, e os jogadores estão tentando ganhar na Justiça que a NFL fique impossibilitada de usar esse recurso.

Uma vez que tudo isso aconteceu ao longo do final de semana, a gente precisa entender também em que pé está a situação agora. De certa forma, ambos os lados estão esperando. A NFL está freqüentemente dizendo que quer retomar as negociações e para isso pede que a dissolução da NFLPA seja revertida, inclusive entrando com uma ação na Justiça. Mas a NFL também não está disposta a ceder terreno, ela apenas quer que as negociações sejam retomadas de onde pararam. Já a NFLPA disse que não vai retomar as negociações, que ela quer garantias antes que possam voltar a conversar. Como nenhum dos dois está disposto a ceder, ainda que possam retomar a negociação caso bem entendam, agora a batalha foi transferida para a Justiça.

Antes de mais nada, quero esclarecer que essa entrada na Justiça não precisa ir até o seu amargo final para que a solução seja resolvida. Uma ação completa de ambos os lados demoraria tempo demais e seria de certa forma prejudicial para os dois lados, e ambos estão cientes disso. Uma possibilidade, ainda que remota, é de agora que a NFLPA tomou um passo maior, que os donos dos times da NFL - e portanto a NFL em si -  decidam que não vale a pena esperar o resultado das ações, o risco de perder muito dinheiro tanto na Justiça como com um possível problema com a temporada, e que portanto é preferível ceder em algum ponto nas negociações. Se for assim, o problema pode se resolver em algumas semanas, não precisando esperar um processo judiciário que pode demorar um mês, três meses, seis meses.

Enquanto eu acho essa situação muito improvável, o fato também é que nenhuma das duas partes realmente pretende levar o assunto até o final na Justiça. Quando digo até o final é uma ação completa, com recurso, etc, que pode demorar meses e comprometer a temporada desse ano da NFL. A primeira audiência do processo está marcada para o dia 6 de Abril e possivelmente não será necessário mais do que um passo para resolver a situação. Como eu disse, ninguém realmente pretende que esse lockout e as audiências se estendam por um tempo que prejudicaria ambos os lados. O andamento da situação provavelmente vai caminhar de acordo com quem ganhar a primeira batalha. Se o Juiz David Doty declarar que não deve haver um lockout - ou seja, der um parecer favorável aos jogadores - a NFL perde sua maior arma, o lockout, e aí teria que escolher entre levar em frente uma ação judicial contra a NFLPA, que vai consumir tempo e dinheiro demais, ou então começar a ceder nas negociações, já que sua posição fica enfraquecida. Por outro lado, se o Juiz Doty der o parecer favorável à NFL e reverter a dissolução da NFLPA, dessa vez quem perde sua maior arma são os jogadores, e aí eles vão ter que começar a ceder aos interesses da NFL porque estarão num lockout indeterminado com a NFLPA ainda existente, incapaz de mover mais ações individuais.

Diz-se que o parecer provavelmente será favorável aos jogadores. O Juiz Doty é um juiz que desde os anos 90 trabalha em questões trabalhistas ligadas à NFL e que geralmente da o parecer favorável aos jogadores. No entanto, as vezes a Liga também ganha, e portanto não é nada garantido. Além disso, o juiz na ação de Brady foi trocado, não sendo mais Doty e sim o Juiz Nelson, e portanto isso pode causar uma pequena reviravolta nos eventos.

Por fim, resta falar de como serão as coisas daqui para a frente. A Free Agency não pode começar de forma alguma, já que os clubes e os jogadores não podem mais se relacionar, e portanto isso fica congelado. Caso até 28 de abril, noite do Draft, não tenhamos um CBA, o Draft ocorrerá normalmente, mas está virando alvo de controvérsia: A NFLPA está pentelhando todos os jogadores do Draft para não comparecerem ao Draft e nem darem entrevistas para os parceiros da NFL, como a ESPN, como forma de pressionar a Liga. Mas mesmo que tenha sucesso e ninguém apareça no Draft, o Draft prosseguirá normalmente. O problema é que, primeiro, os jogadores não vão conseguir assinar Free Agents, e ai a estratégia de alguns times de draftar jogadores para completar as posições carentes do time fica comprometida, porque você estaria draftando sem ter a chance de ver quais posições você conseguiria melhorar via Free Agency. Segundo porque a transição da NCAA para a NFL é dificílima, e os jogadores precisam do máximo de treino que puderem antes da temporada começar. Eles estão praticamente perdidos uma vez que entram no mundo da NFL, e precisam de orientação, aprender os modelos do time, pegar o ritmo de jogo, etc, e para um novato cada minuto é importante. Por isso, caso o lockout ainda esteja vigorando, os calouros vão ter seu aprendizado seriamente comprometido por não poderem interagir com seus times, vão simplesmente ter sido draftados e ficar sentados esperando que o CBA saia para assinar um contrato e começar a treinar. É uma situação bem difícil e eu - e muita gente - espera que o CBA possa sair até lá para que isso não aconteça. Mas nada de diferente deve acontecer até o dia 6 de Abril. A partir daí, vamos ver que rumos a situação vai tomar.

sábado, 12 de março de 2011

Galera, terminou o prazo limite para as negociações e um novo CBA não foi assinado. A NFLPA se dissolveu - portanto não vai mais representar os jogadores como uma união - e a NFL tem o direito de decretar um lockout. Isso é um tema extenso e complexo, e infelizmente talvez o post não saia até amanha a tarde porque estarei impossibilitado de postar. Espero que voces entendam, prometo assim que possivel explicar a situação toda. Abraço e obrigado pela compreensao!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Curitinhas

Para quem não conhece, esse é o nosso post de pensamentos curtos e rápidos, quando a gente aproveita pra colocar pra fora tudo que a gente pensa e gostaria de comentar mas que não vale um post inteiro, sobre qualquer assunto que seja.


- "Ei, Barber!"
- "Quem, eu ou ele?"

- Antes de mais nada, hoje é o último dia da última extensão que a NFL e a NFLPA fecharam para negociar a nova CBA. Segundo dizem, as negociações se intensificaram bastante nessa semana, mais donos e mediadores participaram e as negociações avançaram. No entanto, ainda não existe um acordo fechado e ambas as partes não estão satisfeitas com as propostas da outra. Ou seja, o mesmo discurso que a gente escuta desde que a negociação começou. Ainda não é hora de entrar em pânico, porque mesmo em caso de greve ainda existe a chance de um acordo antes do começo da temporada, mas que a situação parece mais incerta a cada minuto, ela parece.

- O Tiki Barber, ex-RB do Giants e irmão gêmeo do Ronde Barber que estava aposentado desde 2006, anunciou que pretende voltar à NFL. Ele, que se aposentou por causa de lesões e do desgaste que seu corpo vinha sofrendo com o jogo, já preencheu a papelada necessária e deve voltar a competir em 2011. Segundo ele, o que motivou sua decisão foi ver como seu irmão gêmeo ainda joga em alto nível e se diverte, e isso acendeu nele a vontade de jogar novamente. Como Barber tinha contrato com o Giants quando se aposentou, ele está oficialmente ligado ao Giants, que pode optar por contar com o atleta - e pagar o seu salário - ou dispensá-lo, que deve ser a alternativa provável. Deixando de lado a questão sobre se seu corpo ainda aguenta competir em alto nível na posição que mais apanha da NFL, outra questão mais importante pode impedir que esse retorno seja viável. Será que tem algum time disposto a apostar num RB que foi excelente no seu auge mas que ficou quatro anos parado e já tem 36 anos?

O único time que eu consigo pensar - e na minha opinião seria uma ótima contratação se o custo fosse baixo - seria o Tampa Bay Bucs. Juntar os irmãos Barber, dois atletas conhecidos não só pelo talento mas pela liderança e dedicação fora de campo, num time extremamente jovem, inexperiente e imaturo (Ta bom, o Josh Freeman tem mais culhões que 95% do resto da Liga, mas fora ele) como o Bucs pode ser uma jogada muito boa pra ajudar o desenvolvimento do time. Além disso, o time com certeza poderia usar um RB mais experiente para fazer dupla com o pirralho e muito talentoso LeGarrete Blount. O Bucs disse que está estudando a possibilidade, mas eu acho que o Bucs deveria ir atrás dele o quanto antes. Ou o assim que acertarem a droga da CBA!


Kevin Love pega um rebote. Parece tão facil quando ele faz...

- O Phoenix Suns é o time mais bizarro da NBA, não importa quantas vezes eu pense no assunto. O Suns perdeu Amare Stoudamire, perdeu Jason Richardson, perdeu as esperanças, trocou o time todo e parecia que ia finalmente jogar tudo fora e começar a reconstruir quando o time simplesmente não para de ganhar. Era pra perder, era pra recomeçar, era pra cairem na real de que o time está fraco e não vai longe pra finalmente libertarem o Steve Nash pra tentar ganhar um título, mas o Suns simplesmente continua ganhando, com o Channing Frye acertando cestas no último segundo, com o Vince Carter arremessando tudo que passa na mão dele (até a garrafa de água) e com um banco que defende! Tudo bem que o Nash é daqueles famosos armadores que tem o talento de melhorar todo mundo que joga ao redor deles, mas isso é ridículo. Só pelo fato de um time que depende de Carter e Frye estar brigando seriamente pelos playoffs o Nash já merece o MVP!

- Kevin Love bateu o recorde de doubles doubles da história 'moderna' da NBA, ou seja, desde que a NBA e a ABA se fundiram em 1976. Love conseguiu seu 52º double double contra o Pacers essa quarta feira com 16 pontos e 21 rebotes em apenas 27 minutos de jogo. O Love parece aqueles jogadores do NBA Live onde a bola simplesmente voa da cesta direto pra mão dele. O Love é lento, nada atlético e não é um grande defensor, mas o talento desse cara pra rebotes é uma coisa do outro mundo, e olha que ele é, como eu disse, lento e nada atlético! Além disso, ele arremessa de qualquer lugar da quadra bem demais. Uma pena que ele esteja no time de jogadores como Eddy Curry e Michael Beasley. Agora o Love pode simplesmente querer curtir com a cara de todo mundo e tentar bater os recordes de double doubles consecutivos de antes da fusão das Ligas: Elvin Hayes com 55 e Wilt Chamberlein com modestos 243 double doubles consecutivos.

- Que tipo de talento o Mavericks tem pra perder jogos por apenas um ponto??

- Não vamos misturar as coisas: O Heat ganhou e o Lakers perdeu. O Lakers vinha de oito vitórias e o Heat de cinco derrotas. A vitória foi ótima, o Dwyane Wade destruiu todos os marcadores que viu pela frente, foi uma vitória importante principalmente porque superou alguns dos problemas que o Heat vinha apresentando, mas o time de Miami ainda é um time que busca se achar e o Lakers é um time pronto que ta esperando começar os playoffs. Foi ótimo para o Miami conseguir vencer o jogo contra uma potência, principalmente um jogo definido no final, mas foi apenas um jogo, contra vários outros onde não conseguiu. O Heat pode estar se achando - pode até ter se achado - mas não da pra tirar conclusões como essa depois de um único jogo. O mesmo vale para o Lakers. O garrafão não se achou, o time não conseguia pegar rebotes, a marcação de todo mundo que não se chamava Ron Artest foi muito fraca, mas o Lakers vinha de uma sequência onde tudo isso - garrafão, rebotes e defesa - foi a força da equipe. Não da pra achar que tudo mudou por causa de um jogo apenas. Contra o Heat o time jogou mal e não se achou, mas não da pra usar esse um jogo de parâmetro pra falar que o Lakers está em decadência. Se tiverem dúvidas, perguntem ao Spurs. Sobre os dois.


Não é dificil entender porque chamam de "Inverted W"

- Não fui eu que fiz o texto, não é meu estilo também, mas definitivamente vale uma lida para quem gosta de baseball ou até mesmo de esporte como um todo. O texto é do Paulo Antunes, e fala sobre a lesão que o pitcher do Saint Louis Cardinals, Adam Wainwright, sofreu e que o tirará do resto da temporada e de boa parte da próxima, e de como o fato dele ser um dos melhores e mais constantes arremessadores da MLB pode ter contribuido para isso. O texto está aqui e eu recomendo.

O texto me fez lembrar do Stephen Strasburg, pitcher que temporada passada era calouro do Washington Nationals depois de ter sido a primeira escolha do Draft de 2009. O moleque era um gênio, na sua estreia ele conseguiu 14 strikeouts em apenas 7 entradas sem ceder nenhum walk e cedendo duas corridas. Tinha um hype imenso em torno dele mas o hype era justificado, ele tinha tudo pra ser o cara (Nos seus segundo e terceiro jogos ele conseguiu mais 18 strikeouts somados). Acontece que por causa da sua mecânica de arremesso - o chamado 'Inverted W', o 'W invertido', ou pros chatos simplesmente o "M" - seus arremessos colocavam muita pressão no seu ombro e cotovelo, e isso levou a uma série de lesões que culminou no rompimento de um ligamento no cotovelo e que vai forçar o garoto à - adivinhe! - Tommy John Surgery, a mesma que o Paulo Antunes explica no texto sobre o Adam Wainwright. Agora o garoto, que tava arrebentando desde sua estreia, vai ter que ficar cerca de 15 meses parado. Uma pena que ele tenha que interromper o seu momento na carreira dessa forma e tão cedo. Para quem quer entender mais sobre o que é o "Inverted W" e como isso leva a lesões, recomendo esse texto aqui.