Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Resumo das Semifinais de Conferência: Domingo

Ta atrasado mas chegou. Depois do que rolou no sábado, hora de falar do que aconteceu no domingo. Pra mim a maior decepção da temporada aconteceu no domingo, em pleno Gillete Stadium, mas vamos falar com calma. Amanha vou realizar meus desejos e voltar a falar de NBA, pra aqueles que gostam. Mas a NFL terá prioridade até o fim dos playoffs, ja que a NBA só entra na sua fase decisiva depois disso. E se preparem, que o post de hoje ficou bem longo.

O jogo dessa semana foi tão facil que vale mais a pena
 começar a ficar animado pro da semana que vem

 
Seattle Seahawks 24 at 35 Chicago Bears
O preview desse jogo pode ser visto aqui

Depois do que o Seattle aprontou na rodada de Wild Card pra cima dos atuais campeões Saints, ninguem mais se atrevia a duvidar que o Seattle seria capaz de ganhar do desacreditado Bears. Matt Hasselback e Marshawn Lynch saiam de um jogo sensacional de ambos e pareciam no ritmo pra talvez assustar o Bears. Algumas pessoas apostavam no Seahawks, outras apostavam no Bears mas não se surpreenderiam em caso de derrota. Mas no final, esse foi o jogo mais facil dos playoffs até aqui, incluindo Packers vs Falcons. Se semana passada o jogo que parecia o pior foi excelente, essa rodada o jogo que parecia o pior FOI o pior.

O Seahawks, desde o começo, mostrou que não era o mesmo time que tinha derrotado o Saints. O time entrou naquela partida sem pressão, disposto a surpreender, com o apoio da torcida. Mas nessa rodada, o time pareceu sentir a pressão depois da vitória espetacular de sabado passado, e ainda teve que jogar em frente a uma torcida hostil. O Seahawks não conseguiu lidar com isso, teve medo de arriscar quartas descidas pra uma jarda, por exemplo, que com certeza teria arriscado semana passada, viu seus jogadores secundários desaparecerem dentro de campo (as vezes eu ficava olhando se nenhum juiz ia dar uma falta por 'sete homens em campo' ou algo assim) e ainda foi simplesmente destruido psicologicamente por um infeliz incidente logo no começo da partida, quando após uma boa recepção do John Carlson pra uma primeira descida o Danieal Manning deu um tranco que o mandou pra fora de campo. Mas Carlson caiu de cabeça no chão de muito mau jeito e apagou dentro de campo. Entraram os médicos, e ainda imovel Carlson saiu de campo direto para o hospital, e isso não só tirou o Tight End titular do time como tambem deixou o time muito abalado. Os jogadores pareciam com medo de irem pra trombadas, sem falar que ver um colega de time tombar dessa forma e poder correr até risco de vida (A informação que chega é que tanto ele como Marcus Trufant, que tambem saiu mais tarde do jogo depois de cair imovel em campo e correr risco de uma lesão cervical, não correm mais riscos, ja estão bem e voltarão pra Seattle ainda hoje).

E o Seattle desabou. Atrás no placar, extremamente nervoso com a situação e atrás no placar, o Hasselback parecia incapaz de acertar passes, os recebedores incapazes de se desmarcarem (e as vezes até de receber bons passes!), a linha ofensiva não conseguia ganhar tempo como fez contra o Saints, a defesa foi completamente destruida e a diferença só foi abrindo. O Seattle tambem abandonou de vez o jogo terrestre e passou a jogar só pelo ar, e deu totalmente errado, a defesa botou pressão no QB e cobriu os recebedores sem esforço, e o Seattle não foi a lugar nenhum.

E o Bears aproveitou de um jogo estilo Aaron Rodgers do Jay Cutler pra abrir o placar ainda no começo: Trabalhando pelo chão com Matt Forte e Chester Taylor e abusando do play action, ele acertou um passe lindo pro Greg Olsen de quase 60 jardas pra TD, depois Taylor e o próprio Cutler anotaram mais pontos pelo chão pra fechar o primeiro tempo 21 a 0, e Cutler ainda notou mais um TD terrestre no terceiro quarto. 28 a 3 era o placar no final do terceiro periodo. No final, Hasselback acertou tres TDs quando tudo ja estava perdido ha muito tempo. O problema do Seahawks nem é a eliminação ou o jogo fraquissimo que teve. O problema é que o time tem jogadores novos, jogadores velhos, jogadores medianos, e não parece ter um plano de reconstrução mas tambem não tem um núcleo velho em torno do qual de pra colocar peças chave. Hasselback está velho e destruido por lesões mas ainda é capaz de bons jogos, e o reserva Charlie Whitehurst, apesar de um bom jogo contra o Rams pra chegar aos playoffs, nunca foi nada alem do terceiro reserva em San Diego e não acho que seja o QB do futuro da Franquia. E com o Rams ficando mais forte e com o 49ers finalmente fazendo juz ao seu elenco (torcedor é uma desgraça!), não vejo muito futuro imediato pra essa Franquia. E agora o Bears recebe o Packers na final de conferência num jogo da maior rivalidade histórica da NFL.

Os melhores momentos da partida estão aqui


'"Meu nome é Rex Ryan e eu estava ha 17 semanas sem ganhar do Patriots"

New York Jets 28 vs 21 New England Patriots
O preview desse jogo pode ser visto aqui

Esse jogo foi falado, falado e falado antes de acontecer de verdade. O Patriots foi o time que escancarou todas as fraquezas do Jets que muita gente (tipo eu) insistia ja fazia muito tempo que existiam, e que ficaram muito óbvias quando tomaram uma surra histórica em Foxborough na temporada regular. Mas como todo mundo que acompanha esportes americanos sabe, o que conta não é a temporada regular e sim a pós temporada. E nos playoffs, o vencedor foi outro.

Eu falei bastante no preview sobre o que o Pats deveria fazer pra ter a vantagem na partida, na pratica fazer tudo que fez quando massacrou o Jets, que explorou tão bem as falhas do Jets e camuflou tao bem as deficiencias do próprio time. Isso envolvia correr bem com a bola, controlar o relógio, deixar o ataque do Jets atrás no placar e abusar da genialidade e da fase do Tom Brady, que conseguiu explorar muito bem a defesa do Jets. Ou seja, o time sabia o que fazer, e o Jets sabia que eles iam fazer isso. A questão era simplesmente quem ia fazer melhor. Eu achava, pelo maior talento e pela fase memoravel, que o Patriots, e em especial o Brady, iam conseguir ir encurralando o Jets, um time que é pessimo jogando atrás no placar. Mas o fato é que o Patriots absolutamente não conseguiu colocar seu plano de jogo pra funcionar. E isso acabou jogando contra eles.

No começo do jogo, o Patriots até conseguiu fazer parte do que tinha se proposto a fazer: correr bem com a bola, viver dos passes curtos e explorar os tight ends calouros. A defesa fez bem seu papel no começo e Brady gastou o relógio liderando boa campanha campo acima, mas foi interceptado num dos passes mais ridiculos que eu vi nesses playoffs, foi um screen pass que voou uns dois metros mais pra frente de onde tava o Benjarvus Green-Ellis e direitinho nas mãos do Devin Harris que só não levou pra touchdown porque a beluga do Augie Crumpler veio correndo la do campo de ataque pra dar o tackle. Novamente a incompetencia do ataque do Jets - inclusive do kicker que errou um FG - deixou o jogo empatado finda essa campanha, mas o Patriots pegou a bola e levou campo acima pra chegar na linha de 7 jardas. Brady até acertou um passe perfeito pra Crumpler dentro da end zone, mas o gordinho deixou a bola cair e o Pats se contentou com um FG.

Depois de mostras de incompetencia de ambos os lados, o Jets acalmou: colocou a bola no chão e contou com um belo passe de Mark Sanchez e uma recepção ainda melhor do Braylon Edwards pra chegar bem perto da end zone adversária, e converteu o TD com Sanchez passando pra Ladainian Tomlinson. Mas o Patriots não conseguiu mais reagir, nem mesmo recuperar aqueles bons momentos do primeiro quarto: Não conseguiu correr a bola, a linha ofensiva do Patriots foi completamente massacrada pelo pass rush do Jets e o Brady teve dificuldade pra se livrar da bola, e o Jets assumiu o controle do jogo. E aproveitou pra fazer o que o Patriots não conseguia: Controlar a bola. Cuidou bem da bola, gastou o relógio e deixou o ataque adversário quieto no banco enquanto explorava a defesa fraca do Patriots com corridas e passes curtos. Mesmo não convertendo o TD, o Jets foi capaz de evitar que o Patriots controlasse o jogo e a bola, que era fundamental pra não deixar o ataque de New England ganhar ritmo e confiança. O time continuou incapaz de converter e de sequer incomodar a defesa do Jets, os recebedores estavam bem cobertos, Brady estava tendo dificuldades lendo a marcação e a proteção não era confiavel. O Patriots tentou então surpreender o Jets, com um snap direto pro safety Patrick Chung, posicionado perto do punter numa 4th pra 4 jardas. Ele tinha espaço livre e provavelmente teria conseguido o first down, mas os problemas do Patriots eram maiores do que parecia. Chung não conseguiu dominar a bola, sofreu o fumble e o Jets recuperou a bola ja no campo do Patriots. LT e Edwards fizeram o serviço sujo pra anotar mais um TD. Ou seja, o Jets fez o serviço que o Patriots deveria ter entrado pra fazer: Controlar a bola, manter o ataque adversário no banco e avançar usando corridas e passes curtos, ocasionalmente explorando passes longos quando o QB achasse que a cobertura permitia e protegeu bem o QB pra que ele tivesse tempo pra pensar. Na defesa, o Jets misturou uma boa defesa, boa cobertura e bons talentos com a incompetencia do ataque do Pats como um todo. E saiu pro intervalo com 14 a 3 no placar.

Mas o segundo tempo trouxe mais do mesmo pro time de Foxborough, pelo menos no ataque: Brady incapaz de completar passes mais dificeis, a linha ofensiva tendo muito trabalho pra conseguir ganhar tempo e cedendo sacks, e tambem não sendo ajudada por um Tom Brady que estava segurando demais a bola. O ataque do Pats vivia de migalhas, corridas e passes curtos, o que eu e muita gente esperava do ataque do Jets, um ataque que conta com um QB que tem dificuldade em conversões longas, não do ataque liderado pelo provavel MVP da Liga. E tambem um ataque que consome o relógio, o que nao é bom quando voce perde por mais de uma posse de bola. No entanto, a defesa do Patriots começou a endurecer a partida: Começou a parar melhor o jogo terrestre e colocou o Sanchez em mais situações de terceiras descidas pra seis ou mais jardas. Tambem era um ataque que não conseguia gerar pontos, mas pelo menos gastava o relógio, que era o que eles queriam, ao contrário do Patriots.

Mas o ataque do Patriots, de repente, acordou, e Brady fez o que tinha que ter começado a fazer desde o primeiro quarto: contou com boas corridas, acertou passes curtos nas horas certas, mas soltou o braço mesmo com cobertura, conseguiu passes longos e de média distancia, e anotou um TD com Crumpler dessa vez sem consumir o relógio mais que o necessário. Era a hora do Patriots viver do braço do Brady, de jogadas explosivas, que não ficassem gastando o relógio pra ganhar quatro jardas, e sim jogadas longas que pudessem virar pontos rápidos, deixar tempo no relógio pra forçar o Jets a chutar a bola e ai poder anotar mais pontos. O Patriots acertou a estratégia e acertou a execução, pelo menos por essa campanha. O problema foi que o Jets respondeu com um TD depois que um passe curto e despretensioso pro Jericho Cotchery pelo meio do campo se transformou numa jogada de 58 jardas depois que Cotchery correu, correu e ninguem sequer deu uma fungada no cangote dele, e depois Santonio Holmes só teve o trabalho de colocar a bola na end zone.

Nesse momento, o Jets liderava o jogo 21 a 10. O quarto quarto tinha 13 minutos no relógio, e o Patriots tinha tres tempos pra pedir. A situação era clara e simples, voce tem um dos melhores QBs de todos os tempos, tem um bom corpo de recebedores, é hora de colocar isso pra funcionar, conseguir jardas rapidamente pelo jogo aéreo, anotar um touchdown o mais rapido possivel e devolver a bola pro Jets, sem pedir nenhum tempo. O Jets logicamente ia querer gastar o relogio, voce queimava seus tres tempos e tinha uma ultima chance de empatar ou virar a partida. Simples. E o que o Patriots fez? Exatamente o contrário. Correu muito com a bola, usou bastante os passes curtos, converteu terceiras descidas curtas em consequencia disso. O Patriots, nessa campanha, correu mais com a bola (7 vezes) do que passou (seis). Só que, chegando na linha de 31 do Jets, um sack voltou o Pats pra linha de 34, onde não conseguiu converter uma terceira descida. Era um FG de 51 jardas, mas o Patriots tentou converter a jogada e Deion Branch deixou a bola cair. O tempo no relógio? 5 minutos.

Voces conseguem perceber a imbecilidade que foi essa campanha do Patriots? Perdendo por duas posses de bola, com bastante tempo no relógio e com um dos melhores QBs da Liga, voce joga curto, usa os RBs, consegue conversões curtas e gasta bastante o relógio pra sair sem sequer pontuar?? Voce fez exatamente tudo que o Jets queria estar fazendo, gastando oito relógios pra nao ir a lugar nenhum, nem nos sonhos mais bizarros do Rex Ryan ele imaginava que o Patriots ia dar um presentão desses pra ele, e olha que os sonhos bizarros do Rex Ryan devem envolver o Bill Belichick de minisaia. Até entendo que o Belichick queria gastar o relógio pra forçar o Jets, se recebesse a bola com 4 minutos por exemplo, a correr tres vezes com a bola, o Pats queimaria seus tres tempos e receberia a bola pra uma campanha final, mas é arriscado demais e deu errado demais!! Voce entrar no alcance do FG e começar a gastar o relógio, jogar curto e tudo mais é uma coisa, mas voce fazer isso desde o campo de defesa, desde onde recebeu a bola é loucura! Podia dar absurdamente errado, e deu, o time gastou mais de metade do quarto pra não sair nem com um field goal! Resultado que a bola voltou pro Jets, o Patriots perdeu um tempo e dois minutos nessa brincadeira. Ainda tinha tres minutos e meio no relógio e dois tempos pra pedir, portanto o time tinha que anotar pelo menos um FG e devolver a bola pro Jets ANTES do two-minute warning, porque ai o Pats poderia parar o jogo com os dois tempos e uma pararia automaticamente com o two-minute. Mas o time continuou com alguns passes curtos desnecessários, gastou o relógio o menos que pode apesar disso e, numa 3ª pra 10 na red zone faltando 2:21 (Logo, 21 segundos pro two-minute warning), a pressão chegou no Brady e ele, pra se livrar da bola, faz um passe curto, inutil pra primeira descida, e longe da lateral, ou seja, voce não ganhou nada com o passe, manteve o relógio correndo e o two-minute warning soou antes que o Pats pudesse chutar o field goal.

O jogo realmente morreu ai. O Patriots foi péssimo pra manejar o cronometro, absolutamente ridiculo, e pagou o preço. Não soube gastar na hora certa, e quando esteve atrás no placar no final da partida quis gastar demais o relógio pra ganhar de menos, e ainda teve aquela pessima decisão do Brady no final. O Patriots tentou um onside kick, sua unica saida, mas não só o Jets recuperou como o Antonio Cromartie, de novo ele, levou até quase a end zone - onde a bola foi parar duas jogadas depois. O Patriots até anotou um TD depois, mas ja era tarde demais e o Jets ganhou, ajudado pelo tempo que o Pats disperdiçou.

No final, o Jets aproveitou pra fazer a festa. Falaram, provocaram, e ganharam dentro de quadra. A atitude de superioridade do Patriots fora de quadra, de não se arrastar pro joguinho psicologico do Jets, acabou não se traduzindo dentro de campo, onde o time foi nervoso e muito abaixo do seu potencial. O ataque não conseguiu de forma alguma se impor como fez em todos os jogos da temporada regular, não teve em Brady o jogador que teve o ano todo, e o elenco de apoio do ataque - ou seja, todo o resto do ataque tirando Mr Bunchen - tambem não conseguiu corresponder à altura. A defesa do Patriots sempre foi fragil e o time estava cobrindo isso com um ataque que pontuava muito e controlava a bola, mas a partir do momento que o ataque não fez a parte dele, a defesa mostrou suas limitações e não conseguiu forçar os turnovers de costume, e acabou vencida por um ataque terrestre forte e um QB que, quando a defesa abriu, aproveitou pra encaixar os passes certos. O Jets foi eficiente, contou com uma defesa e um técnico que souberam se aproveitar do futebol americano abaixo da media apresentado pelo rival e, apesar do time pior, saiu com uma vitória merecida. O Jets foi melhor dentro e fora de quadra, e embora Rex Ryan provavelmente nunca chegará ao nivel do Belichick dentro da NFL, nesse jogo ele foi muito superior ao Mestre.

Os melhores momentos desse jogo estão aqui

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Resumo das Semifinais de Conferência: Sábado

Finalmente acabou a correria, agora são só dois jogos e dois preview, um resumo só a partir da semana que vem, e mais sossego pra mim que posso até voltar a falar de basquete. Mas a gente teve uma rodada movimentada, com surpresas e, pra minha infelicidade, foi uma rodada mais chocha e com menos jogos disputados e emocionantes que o Wild Card, quando os times mais fracos ainda deveriam ser eliminados com mais facilidade. Mas só um jogo realmente foi disputado até o final, do Ravens e do Steelers, e mesmo assim ninguem acreditava que o Ravens poderia reverter o seu segundo tempo. Alem disso, vimos muitos times que tem muito talento e não usaram nem metade, como Patriots, Falcons e o Ravens no segundo tempo, grandes decepções, não pelas eliminações mas pela forma como aconteceram. Mas vamos falar com calma de cada um, começando pelo sábado.


Isso sim é um sack. Aprendam com as rivalidades mais doces da NFL, crianças

Baltimore Ravens 24 vs 31 Pittsburgh Steelers
O preview dessa partida está aqui

Essa partida me deixou surpreso, porque ninguem tinha me avisado do novo formado dos playoffs, jogos de ida e volta com gol fora de casa valendo dois. Porque sinceramente, o que nós vimos no sábado pela AFC foram dois jogos completamente diferentes, cada um de 30 minutos e cada um dominado por um time. Só não entendi porque foram no mesmo estádio.

Como eu disse no preview, todo mundo sabia que ia ser um confronto, alem de muito fisico e até violento as vezes, um jogo de muita defesa, mais fortes que os ataques, e que a chave era forçar turnovers, evitar erros e não disperdiçar as chances. Foi exatamente o que aconteceu e foi exatamente o que definiu o vencedor. No começo do jogo, o Steelers logo na primeira campanha ofensiva conseguiu um touchdown depois de dois vacilos da defesa do Ravens: Deixaram Mike Wallace completamente livre numa 3 pra 12 que deu primeira descida e depois cederam um pass interference de 37 jardas num passe longo. Rashard Mendenhall completou a campanha entrando na end zone. E o Ravens respondeu com sua própria campanha longa com pass interference, esse de 33 jardas, alem de uma primeira descida automatica por falta numa 2 pra 15, que terminou numa ótima corrida do Ray Rice de 14 jardas com direito a deixar o Troy Polamalu no chão. A primeira impressão que tinha ficado, portanto, era a de que os ataques que estavam controlando a partida, e que as defesas estavam errando demais, principalmente cometendo faltas bestas.

Mas logo quando o Steelers recebeu a bola todo mundo viu que o mundo tinha voltado a rodar de forma normal, numa jogada um tanto bizarra. Perto de sua end zone, Big Ben Roethlisberger recebeu o snap e foi sackado por Terrell Suggs, seu nêmesis, adora fungar no seu cangote. A bola foi derrubada de sua mão por trás e, num primeiro momento, pareceu que a bola estava indo pra frente quando saiu de sua mão, o que configurava passe incompleto. O ataque do Steelers parou e a defesa do Ravens tambem, só que o juiz nunca apitou. Mas o Chris Redding, percebendo que o juiz não tinha apitado, pegou a bola e entrou na end zone com ela, com todo o ataque do Steelers olhando e dando tchauzinho. Apesar do desafio do técnico do Steelers, no replay ficou claro que a bola foi tirada da mão de Big Ben com ela ainda pra trás no movimento, ou seja, fumble recuperado pra touchdown. No segundo quarto, o novo panorama continuou: As defesas jogando melhor e os ataques incapazes de conseguir muita coisa. Pra reforçar o andar da partida, Mendenhall sofreu um fumble numa corrida e foi recuperado por Ed Reed dentro da red zone do Steelers. Só 16 jardas separavam Joe Flacco do TD, e eles aproveitaram a chance com corridas e principalmente os passes curtos que eu tinha destacado como essenciais, e ai o Ravens abriu 21 a 7. O Steelers ainda teve uma boa campanha e a chance de diminuir, mas Shaun Suisham errou um FG curto. Até aqui a história era simples: As duas defesas superiores aos dois ataques, mas com a defesa do Ravens tendo forçado dois turnovers e o ataque se aproveitando disso pra gerar 14 pontos.

No segundo tempo, foi exatamente o contrário. Embora a defesa do Ravens tenha começado sufocando o ataque do Steelers e recuperando a bola, o ataque do Ravens nada conseguiu fazer e se viu numa 3 pra 14 depois de um sack e uma corrida inutil. O Ravens tentou um passe curto pro Ray Rice, muito longe do first down, mas ele tentou brigar inutilmente e isso resultou nele perdendo o controle da bola num fumble que foi recuperado pela defesa. Uma boa corrida do Mendenhall e um passe curto trouxeram o Steelers de volta ao jogo. Depois de dois ataques inuteis, a bola voltou ao RAvens. Dessa vez foi Joe Flacco que lançou um passe ridiculo e desnecessario para Todd Heap, muito longe, que foi interceptado por Ryan Clark. Tres passes curtos depois, o Steelers anotava mais um touchdown e empatava o jogo.

Ou pelo menos empatou no placar, porque a verdade é que o jogo ja estava ganho. O Ravens estava destruido e perdido em campo. A prova foi logo que o RAvens recuperou a bola, um snap errado do Center resultou em mais um fumble, que por sua vez virou mais 3 pontos pro Steelers. O Ravens até chegou a empatar mais tarde, com um retorno excelente de Ladarius Webb quase pra red zone, mas o ataque nao conseguiu colocar a bola na end zone, Anquan Boldin, sumido, deixou cair uma bola perfeita la dentro, e o Ravens chutou o FG. O Steelers recuperou a bola próximo do fim do jogo e foi vivendo de passes curtos até o grande vacilo da defesa do RAvens na partida. Uma 3ª descida pra 19 jardas atrás do meio do campo, até minha avó sabia que o Steelers ia tentar um passe longo. Mas a defesa do Steelers deixou o Antonio Brown completamente livre receber um passe de 54 jardas do Big Ben, quando a unica coisa que precisava fazer era deixar todo mundo la atrás esperando esse tipo de jogada. Mas não, Brown apareceu livre, fez a recepção, e o Steelers logo anotou o TD da virada. O Ravens até tentou reagir no finalzinho, mas o ataque nao conseguiu nem mesmo uma primeira descida.

A questão é que o Ravens fez tudo certo no primeiro quarto e o Steelers fez tudo certo no segundo. O jogo foi decidido nos turnovers e nos erros individuais: Foram 17 pontos vindos de tres turnovers pro Steelers, 14 de dois pro Ravens, mais sete pontos pra cada lado depois de uma pass interference de mais de 30 jardas pra cada lado, e o Steelers no final ainda aproveitou de um erro de marcação grotesco da defesa do Steelers pra converter uma terceira descida impossivel que resultou num touchdown. O Steelers tambem foi o unico time que conseguiu impor seu plano de jogo no ataque, e essa foi a diferença: Apesar de nao ter sido espetacular, Mendenhall conseguiu boas corridas, dois touchdowns, e serviu pra incomodar a defesa. Ray Rice, embora tenha funcionado bem nas screens, nao teve boas corridas, nao chamou a atenção e ainda sofreu um fumble extremamente besta numa jogada que ja estava perdida e onde de nada adiantaria o esforço por mais duas jardas que lhe custou a bola. Alem disso, a linha ofensiva dos dois times foi completamente destruida pelos pass rushes: James Harrison e Terrell Suggs somaram seis sacks na partida, um absurdo, e o tempo todo tinhamos sacks, um QB sendo obrigado a se livrar da bola ou até um passe rapido pra evitar essa situação. Eu achei que o Flacco, que ja mostrou varias vezes - inclusive semana passada - que sabe jogar curto e se livrar da bola com velocidade pra evitar um pass rush, ia conseguir fazer esse esquema rapido com mais naturalidade do Big Ben, que gosta de lançar com tempo e pra alvos longos, mas o QB que conseguiu impor esse estilo de jogo foi o Big Ben. Ele conseguiu conversões na marra, ele conseguiu achar os WRs em rotas curtas, e quando precisou soltar o braço, independentemente de erro ou não da defesa do Ravens, ele soltou como gosta de soltar, com precisão. E no fim, isso fez toda a diferença. O placar alto não reflete o que o jogo realmente foi: Uma partida decidida na defesa.

Voce pode ver os melhores momentos desse jogo aqui


- "Garoto, acho que vou sair daqui a tentar ser campeão em outro lugar..."
- "Vai la vovô, eu assumo seu lugar, acho que eu tou pronto"

Green Bay Packers 48 vs 21 Atlanta Falcons
O preview dessa partida está aqui

Plano de jogo, jogadores secundários, explorar perto da linha de scrimmage o jogo aéreo, jogar com o Tight End, jogo terrestre, ou qualquer outra coisa dita em preview, inclusive no nosso, foi inutil. No final, o placar simplesmente foi assim porque de um lado tinha Aaron Rodgers e do outro não.

Apesar disso, o jogo começou equilibrado e apertado. As defesas levaram as melhores sobre o ataque no começo e a defesa do Falcons forçou um fumble. O Falcons levou a bola pro touchdown aproveitando a chance, e Michael Turner levou ela até a End Zone numa corrida de 12 jardas. O Packers respondeu com uma campanha longa e impecavel que terminou com o touchdown de Jordy Nelson em belo passe de Rodgers. O Falcons logo voltou a abrir o placar num retorno de kickoff pra TD, lindo, e o Packers novamente respondeu com um TD, dessa vez de John Kuhn, correndo. A bola voltou pro Falcons, que a levou de novo até a red zone com um ataque bom e balanceado.

Até ai, tudo estava equilibrado. O jogo aéreo de ambos os times estava funcionando, as linhas ofensivas tavam fazendo um bom trabalho, o jogo terrestre atraindo a atenção das defesas e parecia que iamos ter um duelo de pontos que nem o lendário Packers vs Cardinals dos playoffs do ano passado, que o Cardinals venceu por 51 a 45 na prorrogação, e o Kurt Warner teve uma das maiores performances da história dos playoffs num duelo de altissimo nivel com esse mesmo Aaron Rodgers. Mas o jogo mudou quando a defesa do Packers finalmente apareceu com Charles Woodson sackando Matt Ryan logo depois de uma falta false start, gerando uma 3ª pra 19 jardas na linha de 26. Ryan lançou a bola na end zone na direção de Michael Jenkins, aquele mesmo Michael Jenkins que eu tinha dito no preview que precisava aparecer bem pra conseguir variar o jogo aéreo do Falcons e tirar a pressão do super marcado Roddy White, que alias não fez nada na partida. Mas Jenkins escorregou no gramado e a bola ficou limpa pro Trammon Williams, um dos melhroes jogadores desses playoffs, fazer a interceptação. Não se se Jenkins teria condições de pegar a bola se estivesse de pé, mas o passe foi bom e Jenkins é bem mais alto que Williams, poderia conseguir pegar a bola num nivel mais alto. Mas pelo menos teria sido capaz de impedir a interceptação e deixar o Falcons chutar um field goal. Mas a interceptação aconteceu e do outro lado Rodgers acertou mais um TD para James Jones no final do segundo quarto, impecavel. Ryan tentou conduzir uma campanha pra reduzir a diferença, contou com duas pass interferences relativamente longas pra isso, mas quando foi tentar um passe curto pra posicionar o chute, o mesmo Trammon Williams interceptou o passe pra White e levou pra touchdown, deixando em 28 a 14 a diferença no intervalo.

E ai acabou a partida. Foi um baile completo do Packers, em ambos os lados da bola. Logo na posse de bola inicial do segundo tempo, mais um TD de Rodgers, dessa vez correndo. A defesa do Packers novamente parou o ataque do Falcons, e Rodgers acertou mais um TD, 42 a 14. Ryan até acertou White num TD no começo do quarto periodo, mas a fartura ja estava liquidada fazia muito tempo, e dois FGs de Mason Crosby deram numeros finais à partida. Rodgers terminou acertando 31 de 36 passes pra 366 jardas e 3 TDs, alem de outro TD pelo chão, numa das performances em playoffs mais memoraveis da década e num massacre sobre a 1st seed da NFC.

Num massacre desses, nunca é só o ataque que jogou bem nem só a defesa que jogou mal, é geralmetne uma combinação das duas coisas. E foi o que aconteceu. A defesa do Falcons ficou completamente perdida na cobertura de um dos melhores grupos de recebedores da NFL (Mesmo sem Jermichael Finley), o pass rush do Falcons não conseguiu chegar perto dele, em mais uma excelente partida da linha ofensiva de Green Bay, e o Rodgers foi capaz de ler a defesa denovo e denovo, achar falhas nas tentativas desesperadas do time de pará-lo, no começo com auxilio do jogo terrestre, depois fazendo simplesmente o que queria pelo ar, sozinho. E não da pra negar tambem que o Rodgers é um monstro. Ele acertou passes em movimento, ele acertou passes no pocket, ele acertou passes fora do pocket, ele acertou passes curtos, ele acertou passes longos, ele correu quando necessário, ele acertou simplesmente tudo que tentou, dominou a defesa do Falcons do começo ao fim e provou, de uma vez por todas, que é um dos grandes QBs do planeta. Uma grande partida de Rodgers e uma partida muito fraca da defesa do Falcons resultou numa das maiores humilhações dos ultimos anos em playoffs.

Do outro lado, o Falcons começou o jogo em controle do ataque, Michael Turner correu muito bem e Ryan teve ajuda dos seus recebedores e tempo da sua linha ofensiva. Mas depois daquela azarada interceptação do Jenkins, tudo desandou: Os jogadores secundários, que eu destaquei como sendo importantissimos, sumiram, a marcação em Roddy White estava muito pesada e ele pouco fez, e a linha ofensiva começou a cansar e tomar cada vez um vareio maior do pass rush dos cabeças de queijo, o que fez com que o Ryan ficasse desconfortavel e sem alvos, forçando ele a lançar bolas ruins ou perigosas. Atrás no placar, o time ainda abandonou o jogo terrestre de vez (Turner só teve 10 carregadas) que era sua melhro chance de auxiliar o jogo aéreo fraco e foi completamente destruido pela melhor secundária da NFL, sem nenhuma chance de reação, até porque o jogo ficou fora de alcance cedo demais. E Rodgers nos brindou com mais uma atuação de gala pra colocar de vez o Packers como favoritos ao título.

E os melhores momentos desse jogo voce encontra aqui

domingo, 16 de janeiro de 2011

Preview: Seattle Seahawks at Chicago Bears

Isso nao me agrada, mas infelizmente esse preview só vai sair agora. O Celo (Meu parceiro de blog) tinha me prometido que ia fazer esse porque ele torce pro Bears e acompanhou o time muito mais que eu ao longo do ano, e eu nao sei porque acreditei que ele realmente ia postar. Não postou, e agora eu vou ter que fazer o preview correndo. Eu odeio fazer preview sem antes pesquisar e sentar pra pensar um pouco sobre os times, mas como o jogo é as 4h hoje eu nao vou ter tmepo de fazer isso direito. Peço desculpas aos leitores, infelizmente o meu parceiro de blog deu mais um vacilo e vamos ter que corrigir isso na pressa. Por outro lado, agora que o sufoco ta passando, pelo menos vamos voltar a falar um pouco de NBA, estou com a mão coçando pra falar sobre o Timberwolves.

Esse jogo coloca frente a frente duas surpresas da temporada. Depois de uma NFC South dominada por Vikings e Packers em 2009, eram pouquissimos (E o Celo era um deles) os que acreditavam que o Bears pudesse ir aos playoffs. Mas menos ainda, se é que tinha alguem mesmo, acreditavam que Chicago podia desbancar os dois e ganhar a divisão. Eu confesso que nunca gostei das chances do Bears, a frente da defesa era forte mas a secundária é muito vulnerável, e o ataque inconsistente. O Jay Cutler, que teve ótimas temporadas em Denver, não vniha jogando nada no Bears e o jogo terrestre praticamente não existia. A chegada do Mike Martz pra coordenador ofensivo, no entanto, ajudou tanto Cutler como Matt Forte a voltarem a jogar o bom futebol americano que demonstraram mais cedo na carreira, a defesa jogou muito bem e o time seguiu ganhando os jogos. Acho que o Bears nunca convenceu muita gente por causa principalmente do Cutler, que é um QB capaz de um jogo genial de quatro TDs e no fim de semana seguinte ser interceptado cinco contra times igualmente fortes na defesa. Um time é medido em primeira instancia pelo seu QB, e o Cutler não é o que a gente chama de confiavel.

Do outro lado, o Seahawks, um time que não sabe se ta em reconstrução ou não, e que se classificou no melhor estilo bumba meu boi na NFC West, a divisão mais fraca da história da NFL, com um recorde negativo de 7-9, primeira vez na história da NFL que um time com record negativo ganha a conferência. Mas o Seahawks recebeu o Saints na primeira rodada dos playoffs no Qwest Field e todo mundo saiu de la boquiaberto: O Seahawks se impôs do primeiro ao último minuto, controlou as ações do jogo, o Matt Hasselback fez uma leitura da defesa do Saints de dar inveja ao Peyton Manning e o Marshawn Lynch finalmente explodiu numa das corridas mais sensacionais que eu ja vi e ganhou de um time que tinha quatro vitórias a mais que eles, sem falar que eram os atuais campeões. Ou seja, dois times que ao longo da temporada todo mundo imaginava varios motivos pelos quais eles não estariam aqui, mas que estão. E depois do Wild Card, eu nunca mais digo que um jogo de playoffs da NFL vai ser sem graça.

As chaves da partida para o Seahawks:
O Seahawks ja ganhou do Bears uma vez no Soldier Field essa temporada, e tem que repetir o feito sob pressão. Agora que o Hawks ganhou dos atuais campeões com atuação de gala do seu ataque, ninguem vai mais duvidar deles, e ja vi muita gente apostando no Hawks pra essa partida. Isso vai gerar uma pressão que eles não tinham quando enfrentaram o Saints, e que pode ser perigoso. Mas o Seahawks tambme tem todos os motivos do mundo pra estar confiante na própria competencia, principalmente porque o Matt Hasselback mostrou que ainda é capaz de jogar como jogava antigamente, antes das milhões de lesões. O Marshawn Lynch tambem tem que aparecer bem, como apareceu contra o Saints mesmo antes daquela corrida histórica no final da partida, arrancando jardas na marra e atraindo a atenção. Mas a linha de frente do Bears é excelente, talvez uma das melhores da NFL, e portanto não avi ser nada facil isso. O Matt Hasselback tambem tem que estar inspirado pra distribuir o jogo e lançar bolas longas com a maestria que msotrou contra o Saints, mas agora ele tem tambem que contar muito com jogadas rapidas pra se livrar logo da bola, porque o pass rush do Bears não deixa a desejar pra ninguem e o Julius Peppers está numa ótima temporada. Slants rápidos com o Mike Williams e screen passes tem que estar ali pelo menos como uma opção, caso a linha do Seattle nao aguente e eles tenham que se livrar rapido da bola.

O Seattle tambem tem que contar com alguns turnovers da sua defesa, e a melhor forma pra isso acontecer é botando o máximo de pressão possivel no Jay Cutler. A linha ofensiva de Chicago é horrivel e o Cutler não é um dos jogadores mais inteligentes da posição, ele costuma ficar nervoso, perder a cabeça e fazer alguma besteira quando nao tem tempo pra trabalhar e geralmente isso resulta numa jogada forçada que gera turnovers. Ajuda o fato do Bears não ter nenhum WR muito confiavel. Tem WRs decentes, mas nenhum realmente confiavel, e por isso talvez valha a pena sacrificar um pouco a secundária pra mandar a casa atrás do Cutler. O Hawks tambem tem que ficar esperto e deixar o Lofa Tatupu pra cobrir o passe rápido lateral pro Matt Forte, que o Bears tanto gosta. Não é uma tarefa facil, mas o melhor jeito de se vencer é o Bears é dando sacks e forçando o Cutler a gerar turnovers.

As chaves da partida pro Bears:
Muito jogo terrestre, pra tirar a pressão de cima do Cutler, é um começo. O Seahawks vai pressionar o Cutler o jogo todo como fez com o Drew Brees, e a linha ofensiva do Bears é bem pior que a do Saints. O Matt Forte e até o Chester Taylor vão ter que correr bastante pra não deixar a responsabilidade nas mãos do Cutler, e tambem pra que o Cutler possa usar mais o play action em bolas longas, o que ele faz melhor. O Cutler não é o Mark Sanchez, é um QB mais competente e experiente, mas tambem um que tende a perder a cabeça mais facilmente. Se, e somente se, ele conseguir controlar isso, ai o jogo fica muito mais agradavel pro Bears, mas é um enorme se. Ele tambem é meio bipolar, tme dias que joga rápido fugindo da pressão antes que ela chegue e acertando os alvos rapidos e dinamicos que ele tem, mas tambem tem dias que ele segura demais a bola, espera a pressao chegar pra tentar se livrar da bola e acaba forçando uma jogada idiota. Dependendo de qual Cutler aparecer, o plano de jogo pode ser diferente. Mas em ambos os casos, estabelecer o jogo terrestre e deixar o play action mais funcional é o que daria mais certo.

Na defesa, o Bears não deve fazer nada alem do que costuma fazer: usar a forte linha de frente pra colocar pressão no QB e tapar o jogo corrido e tentar atrapalhar que o jogo aéreo explore sua secundária vulnerável. O Seahawks não exige nenhuma mudança de plano, nao por ser fraco ou forte mas por sua característica, que ja bate com as caracteristicas de defesa do Bears. O que o Bears tem que parar de bichisse e fazer logo é botar o Devin Hester pra retornar tudo que ele puder, punts, kickoffs, bandeiras, etc. É ridiculo voce ter o melhor retornador da história da NFL e não usá-lo pra retornar por causa dessa vontade idiota de colocá-lo como WR. Tudo bem, sua velocidade e agilidade são uteis como WR, mas ele ainda é uma arma muito maior como retornador, e boas posições de campo podem ser cruciais no começo da partida quando o time buscar o jogo terrestre.

Palpite: Tou quase desistindo de dar palpites, mas vamos de Bears. Engraçado que se eu errar esse, o Seahawks 7-9 vai jogar a final de conferência em casa.

Galera, desculpa, ficou curto e apressado, mas foi o quedeu pra fazer em cima da hora assim. Aproveitem os jogos de hoje, e fiquem ligados que amanha e depois vamos trazer os resumos.

Preview: New York Jets at New England Patriots


"Mas eu já não ganhei desses caras antes??"

Esse é o jogo mais comentado do mundo nos ultimos dias, mas não pelo que acontece dentro de campo. Esse jogo começou, na verdade, no momento que o Nick Folk acertou um FG no ultimo segundo contra o Colts pra classificar o Jets com a 6th seed, que automaticamente enfrenta a 1st. Em outras palavras, quando foi determinado que o Jets iria enfrentar o Patriots nos playoffs. Foi quando o Jets começou a provocar e fazer seu famoso jogo psicologico contra o Patriots. Eu falei aqui algumas vezes (Essa por exemplo) de como o Rex Ryan, técnico do Jets, gosta de avacalhar verbalmente seus adversarios antes da partida, mexer com o adersário e deixá-los desconfortaveis, e como o time do Jets abraçou isso como uma identidade. As vezes é de forma sutil, como no post ali em cima, as vezes de forma descarada, como foi o caso agora. O fato é que o Ryan tem uma rivalidade muito forte com o Bill Belichick, ou pelo menos pelo lado dele. O Belichick é o melhor técnico da NFL ha anos, e acho que o Ryan tem vontade de tomar esse posto pra ele, por isso tanta vontade de vencer o time do Belichick. Ele montou, nas suas palavras, um time pra vencer o Patriots e que tinha isso como objetivo. O time realmente teve algum sucesso contra o time de Foxborough, principalmente no segund jogo ad temporada. Parecia que a defesa do Jets ia relamenet ser superior ao ataque do Pats, ainda mais depois da saida de Randy Moss. Mas o Pats respondeu como o Belichick gosta: na bola. O time massacrou totalmente o Jets, foi a surra mais humilhante da NFL em tempos recentes, e o time expos as fraquezas do Jets que eles vinham camuflando recentemente com vitórias, e mostrou o Jets como um time vulnerável pro resto da Liga.

Agora o Jets tem mais uma chance de se vingar e finalmente derrotar o time que tanto rivaliza. E o Rex Ryan ja disse que vai vencer, o Antonio Cromartie ja falou mal do Tom Brady, e voce nao ouviu uma palavra de protesto ou de reclação do time do Pats, no máximo o Deion Branch falando que nao tinha ouvido antes a trash talk do Jets e que nao ligava pra isso. Em outras palavras, o primeiro round entre os dois teve vitória do Patriots. Não respondeu ao Jets, nao deixou se levar pra uma briga de palavras, simplesmente se fechou e deixou o Jets falando sozinho e se queimando com a midia. O Jets gosta de provocar mas gosta de ouvir uma resposta, de sentir que acertuo a ferida, mas o Pats não deu esse gostinho a eles. Mas não se enganem, o QB mais competitivo da NFL com certeza vai entrar em campo mais empolgado que nunca. E ninguem segura Tom Brady quando ele quer.

As chaves da partida para o Patriots:
Explorar tudo que eles mostraram ao mundo sobre as fraquezas do Jets no segundo confronto entre os dois: a defesa enfraquecida em relação à do ano passado, a inconsistencia do ataque tanto no jogo terrestre como no aéreo, e a incapacidade de jogar atrás no placar. O Patriots nesse jogo, por exemplo, destruiu completamente o Darrelle Revis, as vezes pelo Branch outras pelo Wes Welker. E, em primeiro lugar, o Patriots tem que se estabelecer no ataque. O time ja provou que a defesa do Jets, apesar de muito forte, é vulnerável, especialmente se o Revis nao conseguir fechar seu homem no 1x1. Com a saida do Kerry Rhodes, e o  Jim Leohnard machucado, a cobertura do Jets é muito falha e tem problemas em bola intermediárias. O Patriots tem que estabelecer o jogo terrestre e o fato do Jets nao ter nenhum jogador capaz de marcar o Wes Welker se ele tiver 100% (Quem tem?) pra controlar o relógio e manter a posse de bola, alem de explorar os passes curtos pro Danny Woodhead de forma a manter a defesa mais vulneravel do PAts fora de campo. Se o Pats executar isso direito, pode  sair na frent n placar, o que tambem é importante, o Jets não sabe jogar atrás no placar e tem um ataque inconsistente demais. Mantendo a defesa jovem no banco e pouco tempo em quadra e o fraco Mark Sanchez sem ritmo, voce tem muito mais chance de deixar o Jets sem pontuar a desesperado, como aconteceu no jogo 1. Mas acontece que, apesar de controlar o relógio e manter sua defesa fora do campo, o Pats não pode ter medo de explorar o jogo aéreo. Brady é o melhor QB da NFL no momento, e ele ja mostrou que a defesa do Jets é vulneravel, até porque o Patriots tem muitos alvos perigosos no jogo aéreo em todo o campo. Se o Brady achar uma vulnerabilidade, ele tem que explorar, porque quanto mais ele abrir o placar mais o Jets tem que abandonar o jogo aéreo, sua melhor chance, pra deixar o Sanchez se virar.

Na defesa, o time tem que ir atrás do Sanchez. Ele ja é nervoso, ja nao gosta de jogar atrás no placar e é fraco tendo que conseguir descidas longas sozinho, entao quanto mais pressão voce botar nele maior a chance dele se desesperar e forçar um turnover. O ataque tem que fazer sua parte pra controlar o tempo que a defesa fica em quadra e principalmente colocar a bola na mao do Sanchez pra correr atrás no placar, mas enquanto isso nao acontece, a defesa tem que fechar o jogo terrestre, mesmo que às custas de algumas primeiras descidas. É importante voce fazer o Sanchez assumir a responsabilidade, até porque a defesa aérea do Patriots, que conta com o fantástico calouro Devin McCourty, é melhor que a defesa terrestre, ainda que ambas tenham evoluido loucamente ao longo da temporada. O jogo terrestre ainda é a melhor arma do Jets contra essa defesa, e o PAts tem que fazer o Jets assumir o jogo aéreo como maior arma, nem que isso seja colocando sete negos na frente da linha ofensiva. Se o plano funcionar e o placar abrir, o time do Jets vai ter que continuar jogando com a arma que tinha, mas agora com o Patriots sabendo o que enfrentar. Se não funcionar, ainda é a melhor chande do Pats de forçar turnovers. Mas eu acredito em Tom Brady.

As chaves da partida para o Jets:
Precisa que o esquema de blitzes do Rex Ryan funcione como funcionou contra o Peyton Manning, mas tem tres problemas nisso. Primeiro que Pats e Jets se enfrentam 2x durante a temporada regular. Isso quer dizer que o Tom Brady ja jogou muito mais contra esse esquema e ja o viu muito mais vezes, está muito mais acostumado a enfrentá-lo do que o Manning. Segundo que o Patriots tem um jogo terrestre muito mais confiavel e variado do que o Colts, o que evita que as jogadas fiquem viciadas, e com uma linha ofensiva mais perigosa que exige mais defensores tanto pra parar a corrida como pra chegar no QB. E terceiro é que o Brady está muito mais confortavel com seus alvos do que o Manning com os dele, e assim fica muito mais facil voce acertar uma jogada rapida ou improvisada, voce tem uma jogada de segurança que não depende do Reggie Wayne marcado pelo Revis, porque como eu ja disse o Patriots tem alvos demais com caracteristicas variadas demais e o Revis é menos efetivo do que contra o Colts. O Jets é muito mais familiar pro Brady do que par qualquer outro QB da Liga, e isso torna a tarefa do Jets ainda mais dificil.

Outra coisa que o Jets tem que fazer é algo que eles tiveram dificuldades em fazer contra o Colts e por isso teve tantos problemas naquela partida. Estabelecer o jogo terrestre, encurtar as descidas e deixar o Sanchez trabalhar só em jogadas curtas, de preferencia laterais pro Dustin Keller. Quanto menos o Sanchez tiver a bola na mão, melhor, por isso quanto mais o Ladainian Tomlinson, Shonne Greene e até o Brad Smith sejam capazes de arrancar boas jardas e primeiras descidas antes que o Sanchez tenha que resolver algo com os braços. Contra o Colts o Jets deixou o Sanchez lançar bolas longas, trabalhou os RBs menos do que devia pra tentar que o Sanchez entrasse num ritmo bom, mas deu muito errado, o QB mais atrapalhou do que ajudou e o time só teve sucesso no ataque quando colocou nos ombros do LT a responsabilidade. O Sanchez fez boas jogadas no final, mas foi uma excessão e não a regra durante todo o jogo, e portanto quanto menso ele tiver que resolver melhor. Pra isso a linha ofensiva tambem tem que fazer a parte dela, nao só protegendo o Sanchez como protegendo as corridas. Ai a perda do Alan Faneca tambem pode pesar, ele e o Nick Mangold eram de longe os dois melhores jogadores da linha ofensiva, e quem costumava abrir os caminhos pelo meio. Por melhor que o Mangold seja, ele nao vai sozinho conseguir abrir o espaço, mas ele temq ue fazer pelo menos a parte dele. O Brad Smith tambem pode aparecer em pacotes de wild cat, até mesmo pra lançar a bola, o que confundiria a defesa inexperiente do PAtriots e pode ser mais efetivo mesmo pelo ar. Mas de certa forma, o Jetss tem que fazer um jogo perfeito dos dois lados da bola se quiser ganhar.

Palpite: Não vou colocar meu palpite pra nao secar ninguem, até agora só acerte um palpite nos playoffs!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Preview: Green Bay Packers at Atlanta Falcons


"E ai, quando é a nossa vez?"

Ano passado, eu coloquei o Falcons como meu candidato ao Super Bowl pela NFC, seguido de perto pelo Saints. Achava que o time tava pronto pra dar um passo alem do que tinha feito em 2008, quando foram aos playoffs liderados pelo calouro Matt Ryan. Mas o ano nao deu muito certo pra eles: A defesa não ficou saudavel, a secundária teve problemas, Michael Turner perdeu boa parte da temporada machucado e o próprio Matt Ryan perdeu alguns jogos por lesão, e ai eu esqueci que tinha apostado no Falcons em primeiro lugar e lembrei a todos que eu tinha falado no Saints tambem. Mas esse ano o Falcons mostrou uma evolução enorme em relação ao passado: Matt Ryan virou um dos QBs mais decisivos da NFL, Michael Turner voltou a jogar como antes, Roddy White mostrou pra todo mundo que ta pronto pra entrar na conversa do melhor WR da Liga, e a defesa tambem melhorou muito seu jogo em relação ao ano passado, principalmente com a chegada de Dunta Robinson. Tudo bem, o time ainda poderia usar um outro WR confiavel ou um safety mais intimidador, mas ja ta bom, bom o suficiente pra terminar a temporada com a melhor campanha da NFC. Mas como todo mundo que acompanha NFL sabe - ou deveria saber- temporada regular é uma coisa e pós temporada é outra. Esses dois times se enfrentaram na temporada regular e o Falcons levou a melhor, mas foi um jogo apertado e decidido só no final. Espero que seja mais um desses.

As chaves da partida para o Falcons:
O Falcons tem um time muito completo, mas que sabe jogar como um time, o que eu as vezes cobro de outros times muito completos, como o Ravens. O Falcons soube entregar a bola pro Ryan, soube dosar as corridas do Turner, e assim o time ganhou sete das oito partidas que disputou na temporada. Esse equilibrio é algo fundamental pra um time que tenta furar uma grande defesa como a do Packers, uma defesa que não só tem grandes jogadores como tambem joga muito bem coletivamente sob a tutela do Dom Carpers, o genial coordenador defensivo de Green Bay. Tornar o ataque imprevisivel, mesclar bem as jogadas e cuidar bem da bola vai ser fundamental. O Falcons fez isso muito bem essa temporada, possivelmente só o Patriots fez melhor, e o problema não é o que eles são capazes de fazer, e sim o que eles vão conseguir fazer. Ninguem questiona o falor do trio Ryan - Turner - White, mas o Packers tem uma defesa muito completa e que vai vir montada pra fechar justamente esses jogadores, as corridas do Turner e os passes medios e longos pro White. O Falcons vai ter que contar, pra conseguir superar esse ferrolho defensivo, com os jogadores secundários do ataque. Não é incomum voce ter os jogadores secundários de um ataque sumindo contra uma defesa forte e os astros terem que se virar, mas isso é péssimo porque força o time a ganhar com o que a defesa vai estar montada pra contra-atacar. E isso significa que o Michael Jenkins vai ter que jogar bem o suficiente pra causar alguma modificação defensiva do Packers ou pelo menos atrair a marcação do safety pra abrir um pouco pro Roddy White e pro Tony Gonzales em rotas mais curtas ou medias, senão vai ter marcação dupla no White e alguem sempre fungando no cangote do Gonzalez. Outro que vai ter que aparecer vai ser o Jason Snelling. O Snelling é o reserva do Turner, jogou muito bem quando ele se machucou (tanto esse ano como ano passado) e é muito bom arrancando jardas na marra da defesa. Ele tambem trabalha bem em conversões curtas, então ele é outro que vai ter que confundir a defesa do Packers, especialmente se o técnico Mike Smith (Mais conhecido como Steve Martin) quiser usar formações com dois RBs.

O Falcons tambem pode usar a mesma estratégia que eles usaram no jogo da temporada regular e que deu certo, apesar de que por pouco: Deixar Aaron Rodgers no banco. E pra isso o Michael Turner vai ter que aparecer e a linha ofensiva vai ter que fazer a parte dela. Nenhum dos dois é o problema ai, o problema é que a secundária do Falcons, apesar de contar com o Robinson, não conta com um grande safety. E portanto, a bola longa pode se tornar um problema. Lembro que um jogo na temporada passada entre Phins e Colts terminou com o Phins tendo posse de bola durante 45 minutos contra 15 do Colts, mas mesmo assim o Colts ganhou porque toda vez que o Peyton Manning entrava em quadra ele acertava um passe de 40 jardas pra touchdown. E isso voce não pode deixar, voce tem que deixar o QB ter que se virar com os alvos curtos em velocidade, de preferencia com pressão, o que tambem vai exigir uma boa partida da linha defensiva e dos OLBs do time. Esse tambem foi um problema do time ano passado, o pass rush era quase inexistente com o John Abraham machucado, e esse ano ele ainda tem sido inconsistente. A linha ofensiva do Packers tem melhorado, mas ainda é vulnerável e precisa ser explorada pra evitar que o Rodgers consiga ter tempo pra pensar e passar, porque se tiver ele vai acertar o alvo, simples assim, fim. E ai vale tudo, vale usar só a linha defensiva com os OLBs, mandar o safety, usar o MLB pra tentar furar pelo meio e até mandar o técnico entrar la e tentar alguma coisa. Outra coisa que pode dar resultado é usar o calouro Sean Weatherspoon pra fazer o papel de cobrir o meio do campo, ele tem muita velocidade e pode confundir o Rodgers indo pra blitz uma hora e ficando pra cobrir a rota curta ou o TE pelo meno na outra.

Por fim, outra coisa que tambem pode pesar é o estádio. O fato de jogar em casa vai ser fundamental pro Falcons, um time que foi absolutamente dominante jogando em casa mas um time menos confiavel jogando fora. Eu até fiz uma brincadeira um tempo atrás falando que o sonho do Falcons era que o Super Bowl mudasse pro Georgia Dome, porque o Falcons claramente se sente mais confortavel de frente  pra sua torcida. Claro que isso é comum, mas o Falcons é um time totalmente diferente jogando dentro e fora de casa. E mesmo assim eles ganharam seis jogos fora de casa, nada a criticar nesse Falcons mais fraco.

As chaves da partida para o Packers:
Tudo que o Packers quer é que o James Starks consiga repetir o que fez contra o Eagles. O calouro é rápido, tem uma boa leitura de jogo, mas ele só teve um jogo bom, nas outras vezes que esteve em campo não fez nada digno de nota. Tudo bem, isso é até comum entre calouros, mas antes de sair achando que ele pode ser um RB que faça isso todo dia a gente tem primeiro ver se ele consegue fazer pelo menos mais uma vez. Ta cedo demais pra falar muita coisa ainda, o moleque parece ter talento, mas um jogo nao vai colocar ele de titular. E o Packers pode até estar contando com isso, alias deve estar e tambem deve dar chances pro moleque, mas nao pode focar o plano de jogo em volta dele. É importante que ele tenha algumas carregadas, receba alguns passes curtos pra usar sua velocidade, e se conseguir fazer isso bem ja vai ser uma grande ajuda pra abrir pro Rodgers. O Packers pode até não conseguir, mas tem que tentar algumas vezes. Tambem tem que usar um pouco o John Kuhn recebendo passes curtos pelas laterais, onde ele pode usar seu corpo e força fisica pra conseguir quebrar o tackle de algum cornerback. E tem que deixar o Rodgers a vontade pra soltar o braço, porque é assim que eles vão ganhar a partida. Os WRs do Packers são excelentes, e o Rodgers faz o time dele parecer ainda melhor, ele é ótimo escapando da pressão e achando os jogadores espalhados pelo ataque. Por isso o Packers tem que deixar tambem o Rodgers confortavel, estabelecendo seu ritmo e tendo a chance de identificar as defesas adversárias. Claro que nao adianta deixar o Rodgers lançar todas as bolas, mas eu acho preferivel voce acionar o RB num passe curto do que numa corrida, principalmente se o Falcons começar a mandar muita blitz.

Na defesa, o Packers tem que explorar sua secundária. Trammon Williams é um excelente cornerback, Charles Woodson é um dos melhores da Liga e o safety Nick Collins é excelente tanto na cobertura como dando tackles, então essa unidade versátil e talentosa pode ser usada de varias formas: se aproximando da linha de scrimmage, jogando em profundidade ou forçando turnovers. O pass rush do Packers é excelente e tem que fazer sua parte como sempre, mas talvez a secundária seja a chave pro Packers aqui. Eu falei ali em cima que o Falcons precisa ter uma boa partida do Jenkins, mas se não tiver, o Green Bay tem tudo pra explorar isso. Charles Woodson e um safety ou até um nickel back são capazes de segurar o White e o Williams pode ficar mano a mano em cima do Jenkins, liberando o Collins pra jgoar perto da linha de scrimmage e dividir blitzes e coberturas de zona atras da linha com o AJ Hawk, o que tambem seria importantissimo pra parar o forte jogo terrestre do Packers. A linha defensiva do Packers tme feito um bom trabalho pressionando os QBs adversários, e isso faz com que eles tenham que apelar pra uma valvula de escape pelo chão ou nos passes curtos, mas se o Collins estiver livre pra jogar pelo meio do campo, ele vai conseguir chegar muito rápido nessas jogadas evitando maiores ganhos ou até first downs importantes.

Palpite: Acho que o fator casa vai ser muito importante pro Falcons, e apesar de achar que a inexperiencia em playoffs possa pesar, o Rodgers tambem nunca tinha ganho um jogo de playoffs até domingo passado. Vou de Falcons, mas acho que vai ser tudo menos facil.

Palpite atrasado: Esqueci meu palpite ontem, mas acho que o RAvens vai conseguir ganhar a partida.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Preview: Baltimore Ravens at Pittsburgh Steelers


Ravens e Steelers se preparam para o choque de sábado

Tudo que precisava ser dito pra alguem precisar assistir esse jogo ja foi dito. Dito por Ray Lewis, MLB do Ravens, após a vitória sobre o Chiefs: Vai ser a Terceira Guerra Mundial! Por uma brincadeira do destino, as duas semifinais da AFC vão ser entre times da mesma divisão, no caso Ravens e Steelers da AFC North e Pats e Jets da East. Mas muito mais legal do que isso, são times que tem uma rivalidade muito forte recentemente (Os recentementes dos dois times são diferentes) e que se odeiam. O Ravens e o Steelers ja faz varios anos que não se suportam, dois times que jogam muito fisicamente e sempre saem umas pancadas geniais nesses confrontos, muitas brigas, xingamentos e confusão, e o que é legal é que por causa disso tudo todo mundo entra tres vezes mais ligado num jogo desses, não querem perder a todo custo, nem que percam o braço pra isso. Ja sobre a rivalidade Pats-Jets eu falo mais no preview desse jogo, mas tambem é divertida e ninguem no Jets cala a boca, ja levaram até bronca da NFL de tanto que tão falando antes desse jogo. MAs o que importa é que esse jogo vai ser um dos mais fisicos, brigados e até violentos dos playoffs, e vai ser em Pittsburgh, um dos estadios mais hostis de toda a Liga, o Pote de Mostarda, Heinze Field. Alem disso, são dois times com um estilo muito parecido: Defesas muito fortes e um ataque mais instavel, vai ser interessante ver como esse confronto via acabar. Na temporada regular se enfrentaram duas vezes, e as duas tiveram viradas no final ad partida: Na primeira, sem Ben Roethlisberger, o Steelers tomou a virada no ultimo minuto. No segundo, com Big Ben, um fumble forçado por Troy Polamalu virou o touchdown da vitória no finalzinho.

As chaves da partida para o Ravens:
O Ravens passou pelo Chiefs com uma defesa muito forte e um ataque equilibrado, inteligente e eficiente, controlou o relógio e forçou a defesa mais fraca do Chiefs a ficar em campo. Essa estratégia, porem, tem um problema para ser usada contra o Steelers: Os metaleiros tem uma defesa tão forte quanto, se não mais forte ainda, que a do Ravens. E ambas as defesas são excelentes, estão entre as melhores da NFL, na questão de forçar turnovers, tanto na secundária como na linha de scrimmage. De certa forma, dois times tão simétricos vão adotar planos de jogos possivelmente muito parecidos, e ai quem vai vencer é quem executar melhor dentro das quatro linhas. Vai ser um jogo com muita defesa, porque ambas as defesas são melhores que os ataques, e possivelmente vai ser um jogo de placar baixo. Mas isso a gente ja sabia. Como o Ravens pode melhorar suas chances na partida?

Primeiro que tudo, o time tem que cuidar bem da bola. A derrota que o Ravens sofreu pro Steelers no final da temporada no Heinze Field veio num fumble forçado pelo Polamalu, que veio livre da linha de scrimmage pra dar o sack no Joe Flacco e recuperar a bola ja no campo de ataque. O Polamalu foi, como eu disse mais cedo, um dos lideres em interceptações da NFL com sete, e por isso o Flacco vai ter que cuidar muito bem da bola. E a primeira chave pro jogo está aqui: a linha ofensiva de Baltimore. A linha ofensiva do Ravens é muito boa, mas o ótimo segundo anista Michael Oher sofreu  ano todo com uma lesão no tornozelo e teve sua mobilidade muito comprometida (Foi em cima dele que o Polamalu deu o sack no Flacco) e passou por momentos dificeis na temporada. Ele vai precisar estar em forma sabado, e o resto da linha tambem. O pass rush do Steelers é excelente, o James Harrison é um jogador extremamente perigoso (Em uns quinze sentidos diferentes) e a linha do Ravens não vai ter vida facil, mas se ela quer ganhar o jogo a primeira providencia que tem que tomar é dar um jeito de manter ao máximo a pressão longe do Joe Flacco, primeiro pra evitar possiveis fumbles ou até contusões no Flacco, e segundo pra evitar que o Flacco tenha que soltar a bola correndo. A defesa do Steelers é muito boa e cada primeira descida é crucial contra ela, e por isso voce tem que deixar seu QB tomar decisões com tempo, e tambem pra evitar um arremesso apressado e torto que acabe numa interceptação. Outra coisa importante da linha ofensiva é que o Ravens precisa forçar o jogo terrestre pelo meio. O Ray Rice é um RB que trabalha melhor escapando pelos lados e recebendo passes curtos, outra coisa que o Ravens deve explorar bastante, mas tambem é importantissimo que essa linha ofensiva consiga ajudar o Willis McGahee a arrancar umas jardas correndo pelo meio da linha pra reduzir as distancias que o Flacco vai ter que passar. É muito mais facil converter uma 3 pra 5 do que uma terceira pra dez, e contra uma defesa tão forte, quanto mais facil o ataque jogar, melhor. O Flacco viveu de passes curtos contra o Chiefs e fez isso muito bem, então a gente ja sabe que ele pode. Boa hora pro Todd Heap aparecer novamente.

Na defesa, eu acho que o Ravens não deve fazer nada alem do que costuma. Pressão no QB, deixar o Ray Lewis tomando conta da linha de scrimmage, e o Ed Reed voando na secundária como sempre. Alias, como o Ed Reed vai jogar vai ser importante: o irmão dele continua desaparecido e ele disse que vai jogar de qualquer jeito. Contra o Chiefs ele foi bem, mas vamos ver contra o Ravens. O Ravens tme que colocar pressão no QB pelo meio, porque o jogo terrestre ja é deficiente em vista das lesões multiplas na linha ofensiva do Steelers e assim voce evita que eles consigam fazer o mesmo com voce, isso é, abrir caminho pelo meio. Fora isso, o Ravens tem simplesmente que fazer bem o que eles fazem sempre. Defender, forçar turnovers, e de forma eficiente e equilibrada.

As chaves da partida para o Steelers:
O panorama da partida para o Steelers é exatamente o mesmo que pro Ravens: Jogo muito defensivo, muito pegado, placar baixo e cuidar bem da bola. As duas defesas são muito fortes e os ataques tem muito talento mas tem algumas dificuldades. Num jogo desses, o importante é explorar os pontos fortes do seu time e os pontos fracos do adversário. Eu dei sugestores pro Ravens ali em cima, e agora é a vez do Steelers, mas de forma geral o mesmo segue: Cuidar bem da bola, evitar turnovers, e nao disperdiçar chances. Isso inclui tambem o kicker e os especialistas, cada punt bem dado é uma redução na chance do outro time de pontuar. No entanto, só defender não vai adiantar de nada. O Steelers tem a mesma situação do Ravens: Não precisa fazer nada de muito diferente na defesa, apenas fazer o que sempre faz o melhor possivel: pressionar o adversário, fechar as saidas na linha de scrimmage e tentar forçar seus turnovers. O Steelers vai ter que tomar cuidado é quando estiver no ataque, porque como eu ja disse sua linha ofensiva é mais vulnerável devido às lesões. Corridas laterais, como jogadas de toss, ou passes laterais curtos podem ajudar a abrir um pouco a defesa do RAvens, mas pra isso funcionar eles vão ter que tirar o Ed Reed da linha de scrimmage, senão o time vai levar tackles e fumbles o jogo todo. A melhor jogada pra forçar o Reed a ficar na secundária é o slant rapido para o Mike Wallace pegar e sair correndo, o que ele tem feito muito bem recentemente. Se voce faz o Reed ficar preocupad com a cobertura do rapidinho do Wallace, voce impede que ele chegue tão rápido à linha de scrimmage para esses tackles.

Outra coisa que o Steelers tem que ter em mente é que ele é um QB que, apesar de ser capaz de jogar cadenciado e curto, tem como principal caracteristica a bola longa. Tudo bem, o Flacco tambem tem um canhão no braço, mas o Big Ben se sente muito mais confortavel lançando uma bomba do que um passe curto. O Heath Miller anda meio inconsistente e vai ser um alvo importante pro Big Ben nessas conversões curtas, mas o Ravens sabe que o Roethlisberger adora mandar foguetes e vai ficar esperto. Se o Big Ben insistir nos foguetes e jogar curto apenas como ultimo recurso, não como algo natural, vai virar um alvo facil demais pra defesa de Baltimore, principalmente porque desde que o Santonio Holmes saiu eles não tem um jogador que seja realmente uma grande ameaça nas bolas longas. O Wallace faz esse papel quando preciso, mas ele rende mais recebendo a bola em velocidade. Por isso é melhor que o Big Ben não insista nisso e aceite que ele vai ter que jogar a bola em media distancia - especialidade do Hines Ward - e com passes curtos. As vezes ele não se sente confortavel com isso, mas ele precisa entrar tendo isso em mente. Não é unico jeito de ganhar, o Big Ben é ótimo lendo defesas e se reparar que o SS do RAvens está vacilando ele pode acertar uma ou duas bolas nas costas dele, mas isso é um ajuste que voce tem que fazer durante o jogo. Antes do jogo começar, o que ele tem que ter em mente é que a base são os passes medios e curtos.



O Celo vai trazer assim que der o jogo do Bears e dos Seahawks, e eu volto mais tarde com Falcons vs Packers. Fiquem ligados!