Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um jogo seis pra história

Eles conseguiram o que queriam - e a gente também


Quando acabou o jogo 6 da World Series de 2011 entre Texas Rangers e Saint Louis Cardinals, 10 a 9 para o Cardinals, eu só consegui ficar sentado em estado de choque olhando para a TV. Eu vi David Freese correr as bases e atravessar o Home Plate, seus companheiros esperando para fazer festa, arrancar sua camisa e tudo mais, sem conseguir mover um músculo. Quando terminou a transmissão, entrei na internet e procurei os lances da partida. Assisti uma vez. Assisti duas vezes. Mais ou menos na quinta vez que eu vi o Freese anotar a corrida da vitória, eu finalmente entendi o siginficado daquilo.

Esse foi o melhor jogo de baseball de todos os tempos!

Talvez esse pensamento fosse um exagero. Mas com certeza foi o melhor jogo de baseball da minha vida. Tudo que eu conseguia pensar no dia seguinte era esse jogo. Tudo que me interessava era rever esse jogo. Pouco me importava quem ganharia o jogo 7, se o Cardinals ou o Rangers. Só o que importava era aquele jogo seis e a lendária performance do David Freese e do Saint Louis Cardinals.

Na verdade, esse jogo pode ser encarado como um resumo da temporada do Cardinals. O Cardinals começou o ano muito mal, com seu melhor arremessador Adam Wainwright fora pela temporada com uma lesão no cotovelo, seu melhor jogador Albert Pujols jogando no machucado (e chegou a perder um bom tempo depois), problemas com sua rotação titular e seu bullpen e sem achar seu melhor jogo em campo. A temporada começou, e o Cardinals caiu pra trás na briga pela sua divisão, atrás de Brewers e até mesmo do Pirates. Quando Pujols e o Cardinals - que fizeram ótima troca ao mandar Colby Rasmus em troca de 91 pitchers - finalmente se acharam, o time estava 10,5 jogos atrás do Atlanta Braves na briga pelo Wild Card no final de agosto. Uma classificação parecia impossível e o time já era dado como morto, mas o time nunca desistiu. A liderança de Tony LaRussa e Pujols, a ascenção de Freese e boas atuações de veteranos como Lance Berkman e Chris Carpenter manteve o time unido e competindo, e ajudado por um colapso histórico do Braves, o time chegou à pós temporada vencendo sua última partida, e como prêmio ganhou um duelo contra os favoritíssimos Phillies e sua rotação titular. O Cardinals levou a série até um jogo 5, onde viu Carpenter enfrentar o melhor pitcher da MLB, Roy Halladay.  Halladay foi brilhante, cedendo só uma corrida em um jogo completo, mas Carpenter foi ainda melhor e não cedeu nenhuma corrida na partida inteira. Dai para a World Series foi fácil passar pelo Brewers. Um time que teve uma chegada extremamente difícil e improvável mas que nunca desistiu e achou força nas horas que mais precisou. Parece história de cinema, mas que aconteceu na vida real.

A própria World Series em si foi excelente, apesar do excesso de erros de ambos os times. Um jogo 1 decidido pelo Pinch Hitter Allan Craig, depois no jogo dois o Rangers virando o jogo contra o ótimo Bullpen do Cards com duas rebatidas de sacrifício na nona entrada. Depois o jogo três com a melhor performance da história da World Series, com cinco rebatidas, três Home Runs e 6 RBIs do Albert Pujols. Depois a vitória do jogo 4 e o problema com o telefone do Bullpen (Quando LaRussa ligou para o Bullpen pedindo Jason Motte, e o bullpen entendeu Lance Lynn) colocando finalmente o Rangers na frente, a um passo do título. Aí o jogo 6, lendário, e por fim o jogo 7 com ótima atuação do Carpenter com três dias de descanso e mais um ótimo jogo do Freese pra levar o título. Jogos divertidíssimos, atuações históricas, um bilhão de sub-histórias interessantes (possível última temporada do Pujols em St. Louis, Josh Hamilton jogando lesionado, o duelo entre os técnicos, a ascenção do David Freese, os recordes do Nelson Cruz, etc) fizeram dessa uma das World Series mais divertidas dos últimos anos. Melhor série de playoff da minha vida? Com certeza não, esse título está reservado pra sempre para aquela ALCS de 2004 entre Red Sox e Yankees, NUNCA que ela será superada. Mas melhor World Series da minha vida? Com certeza.

E mesmo assim, eu só conseguia pensar naquele jogo seis. Nem o roteirista mais dramático e clichê escreveria algo semelhante para um roteiro de cinema. Primeiro, a situação: Perdendo de 7 a 5 na nona entrada, enfrentando o excelente closer Naftali Feliz. Dois homens em base, mas também dois eliminados e dois strikes com Freese - segundo anista - no bastão. Mais um strike do seu closer e o Rangers seria campeão da World Series. Mas Freese acertou uma rebatida tripla pro lado direito, anotou duas corridas e mandou o jogo para a prorrogação. Lá, Josh Hamilton, jogando no sacrifício com três lesões diferentes e com visível dor a cada rebatida, acertou um Home Run de duas corridas - segundo ele, Deus disse que ele iria rebater esse Home Run - para recolocar o Rangers na frente, 9 a 7. Mas na parte de baixo, depois de eliminar dois jogadores e conseguir dois strikes novamente contra o Cards, uma rebatida simples do Lance Berkman - espetacular durante toda a temporada - empatou novamente o jogo em 9 a 9. E dai na parte de baixo da 11ª entrada, David Freese, sempre ele, acertou um Home Run pra vencer o jogo de forma espetacular. O Rangers esteve duas vezes a um strike do título, separados por duas corridas,  mas nas duas o Cardinals voltou, anotou as corridas que precisava e saiu com a vitória com um jogo histórico. Tudo que o Cardinals apresentou nessa corrida pro título - vontade, capacidade de superação, nunca desistir... - esteve à prova no mais alto grau. E o time se superou.

Na verdade, o que fez desse jogo tão especial, tão lendário a ponto de me fazer esquecer completamente da importância do jogo 7 e de um título foi justamente que o jogo ao mesmo tempo destrói tudo que você espera e satisfaz seu subconsciente. Nós temos heróis ou batalhas lendárias na TV, em livros e nos filmes, e esperamos ver esse tipo de coisa no nosso dia a dia, o que não acontece sempre. Aquele herói que faz coisas impossíveis, inimagináveis, supera os problemas no último segundo e nos faz pensar "Ufa, eu sabia que ele ia conseguir" está sempre presente na ficção, mas o que nós queremos ver é alguém fazer isso na vida real. Porque vocês acham que os torcedores do Red Sox idolatram tanto o Curt Schilling mesmo ele tendo jogado só quatro temporadas lá? Não é porque ele ajudou o Sox a ganhar dois títulos e reverter a famosa "Maldição do Bambino", mas principalmente por causa de outro jogo 6 lendário, o da ALCS de 2004. O Schilling tinha estourado o tendão do tornozelo na série anterior e não tinha condições de jogo, mas o Red Sox não tinha NENHUM pitcher disponível para o jogo 6 (tanto que no jogo 7 quem jogou foi o Derek Lowe com dois dias de descanso, e de alguma forma ele conseguiu 7 innings e cedeu só uma rebatida) e precisava vencer para manter a série viva (tava 3-2 pro Yankees). Schilling então teve uma operação de emergência e, horas antes do jogo, os médicos do Red Sox abriram a perna de Schilling, amarraram seu tendão com linha e fecharam de novo. Schilling simplesmente entrou em campo assim, arremessou sete entradas, dominou o adversário, cedeu apenas uma corrida e venceu o jogo apesar da dor inimaginável no seu pé e do fato de sua meia estar encharcada do sangue que seu pé não conseguiu segurar. Ele não hesitou um segundo em fazer isso, colocar o resto da sua carreira e até sua capacidade de andar na linha, entrou em campo com um maldito ponto prendendo seu tendão e arremessou um dos jogos mais importantes da sua carreira assim simplesmente porque só ele poderia ter feito aquilo naquele momento! Por isso idolatramos tanto o Curt Schilling. Heróis fazem esse tipo de coisa nos filmes. Schilling fez isso na vida real.

Esse tipo de coisa é rara, mas acontece. O jogo 6 da ALCS de 2004 foi um exemplo. O jogo 6 da World Series desse ano foi outra. Jogos onde nós nos sentimos assistindo a um filme, onde temos trezentas reviravoltas e momentos heróicos até o final, que nos fazem ficar parados nos perguntando se estamos mesmo vendo isso, são jogos que nos levam a um lugar maior como fãs de esportes. Esse tipo de jogo não acontece com frequência, mas quando acontece em qualquer esporte... Não é exatamente pra isso que nós assistimos esportes? Um outro exemplo recente, foi o jogo 4 entre Dallas e Portland na NBA em 2011, quando Brandon Roy - um Superstar em seu auge, que infelizmente teve sua carreira destruida por lesões sérias nos joelhos que lhe tiraram a capacidade de jogar muito tempo em alto nível - fez 21 pontos nos últimos 12:03 minutos de partida (inclusive a cesta da vitória) para ajudar seu time a superar uma desvantagem de 20 pontos. Sua carreira pode estar numa descendente inevitavelmente, mas para sempre sua carreira vai ficar marcada por esse jogo. Um exemplo extremo? O último jogo de Michael Jordan pelo Bulls. Seu último arremesso não foi sensacional porque entrou, mas porque todo mundo sabia que ia entrar, era o final perfeito para o melhor jogador de todos os tempos. A história não poderia acabar de outra forma. Isso acontece com os heróis nas histórias, e Jordan fez isso na vida real. Nós adoramos isso, nós queremos ver esses momentos.

Foi por isso que eu me senti satisfeito ao ver o jogo seis, independentemente do que acontecesse no definitivo jogo 7. O jogo sete era irrelevante, eu queria mesmo era saborear tudo que aconteceu no jogo seis. Eu senti naquele momento que valeu a pena ter assistido todo o resto da temporada só pra assistir aquela partida. Jogos assim são raros, mas cada um nos recompensa, cada um nos leva a um lugar maior. Por isso que nós assistimos esportes. Jogos assim acontecem a cada 10, 100, mil jogos, e nós temos que assistir a todo os outros 999 jogos normais só pra podermos assistir a UM desses jogos. E quando acontece, ele nos recompensa por todo o resto. São jogos que vamos levar pro resto de nossas vidas. E esse jogo 6 da World Series foi um deles. Em 20 anos, eu posso não lembrar dessa pós temporada, posso não lembrar do jogo 7 dessa WS, posso até não lembrar da incrível reação do Cardinals rumo ao título, mas eu com certeza vou lembrar desse jogo 6 e contar para os meus filhos (Se eles gostarem de baseball) que vi esse jogo, assim como vou contar que vi o Curt Schilling jogando sem tendão. Porque esses são os jogos que nós queremos ver como fãs de esporte. Esses são os jogos que nos definem.

Parabéns ao Saint Louis Cardinals pelo título. Parabéns ao Saint Louis Cardinals pela vitória no melhor jogo que eu vi na minha vida. E espero que Albert Pujols volte para tentar fazer tudo isso de novo em 2012.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Preview - American League Divisional Series

Antes de começar, vamos escalrecer algumas coisas.

1. Eu interrompi (mais uma vez) meu resumo das divisões da NFL pra tratar de um assunto totalmente diferente (playoffs da MLB). Sim, é um saco, mas os playoffs da MLB estão extremamente interessantes e a temporada regular da NFL ainda dura. Tem material pra escrever meus artigos favoritos e estou juntando pra quando tivermos tempo. Eu as vezes dou essas viajadas e mudo de assunto pra depois voltar sem prévio aviso pro assunto anterior - acreditem, meu médico disse que é normal.

2. Eu sofri pra escrever esse post. Eu tive vontade de parar umas treze vezes, vontade de sair pela casa gritando umas seis, de tacar fogo na minha camisa favorita do Red Sox pelo menos quatro e de pular da janela duas vezes. Com muita força de vontade, eu consegui sobreviver e escrever esse post. Mas um combinado: Não vou escrever mais uma linha do Red Sox até o Yankees ser eliminado. Eu odeio todo o mundo.

3. O assunto agora vai virar Baseball, e essa é a hora perfeita para começar a assistir o esporte. A temporada regular é enorme e cansativa em 80% do tempo, mas os playoffs são outra história: Séries de cinco jogos (Sete para as duas fases seguintes), mata-mata, valendo o título. Agora é pra valer, não tem mais chance de se recuperar de uma semana ruim, e eu recomendo a todos que tiverem interesse que aproveitem agora para assistir baseball. Não conhece as regras? Calma que o TM Warning já cuidou disso para vocês, é só clicar aqui pra saber como funciona um jogo de baseball.

Por hoje, vamos falar dos duelos pela American League, cujos jogos 1 serão amanhã. Amanhã voltamos para falar dos jogos da National League, que acontecem sábado. E depois a gente tenta de alguma forma terminar logo os resumos por divisão da NFL. Tenham fé que uma hora vai dar certo!


O primeiro pitcher titular MVP desde 1986? Pode apostar que sim!

Detroit Tigers at New York Yankees
Jogo 1: 30/09 (Sexta), 21:37 - Justin Verlander (24-5) vs CC Sabathia (19-8)

Durante a temporada regular, um time normalmente tem uma rotação titular de cinco pitchers, além do Bullpen. Como na pós-temporada não tem jogo todo dia e cada jogo vale mais, essa rotação é reduzida para quatro pitchers, sendo que geralmente (caso eles tenham tido o tempo adequado de descanso) o melhor pitcher de cada time começa arremessando o primeiro jogo (e eventualmente também arremessa o quinto jogo, caso aconteça). Nessa série, a situação é exatamente essa, com Justin Verlander enfrentando CC Sabathia.

Antes de mais nada, quero deixar bem claro: Pra mim, o Justin Verlander é não só o Cy Young da AL (Prêmio dado ao melhor arremessador da AL) como também o AL MVP. Os números do Verlander são impressionantes e comparáveis aos do Roger Clemens em 1986 (último arremessador titular a ganhar o prêmio de Cy Young E MVP, o que é bastante raro e só aconteceu três vezes na história), mas os números só contam metade da história. Outros jogadores também tiveram números impressionantes e dignos de MVP - Jose Bautista, Jacoby Ellsbury, Curtis Granderson e Robinson Cano - mas nenhum deles teve o impacto do Verlander: Granderson e Cano tiveram grandes temporadas, mas o Yankees teria sobrevivivo um mês sem qualquer um jogador do seu time, inclusive esses dois.

Já Ellsbury e Bautista foram fundamentais para seus times, mas nenhum deles chegou à pós-temporada, o que nos leva de volta à minha interpretação para o prêmio. Se Bautista e Ellsbury tivessem sido jogadores medianos essa temporada, ambos os seus times continuariam fora dos playoffs. Se Verlander não tivesse arremessado tão acima da média, o Tigers teria passado muito longe da pós temporada. Pra mim um MVP não pode ser medido só em números, existe muita coisa por trás que também conta. Pense em Verlander como o ás do time por cinco meses seguidos, sendo a única coisa entre uma vaga nos playoffs e uma temporada medíocre. Pense na pressão que ele tinha que enfrentar jogo após jogo após jogo, TENDO que ganhar todos os seus jogos, TENDO que arremessar pelo menos sete entradas e não podendo ter uma sequencia ruim porque sabia que isso iria afundar seu time. Não só ele passou por cima de tudo isso como virou o jogador mais temido da Liga - ninguém realmente quer enfrentar o Verlander numa série de playoffs, por mais que o time do Tigers não seja tão assustador sem ele. Números contam apenas parte da história, a outra depende de tudo que a gente não mede, mas vê. Por isso os esportes são tão emocionantes, eles possuem uma parte objetiva E uma subjetiva. O Justin Verlander tem números pra bater de frente com qualquer Fielder e foi o jogador mais indispensável para qualquer time em toda a Liga. Por isso ele é meu MVP.

Eu cito o Verlander porque ele é a chave de toda a série. Sempre que numa série de playoffs você tem o melhor pitcher, você tem uma vantagem. Claro que um pitcher sozinho não ganha um título - Na World Series de 2008, o melhor pitcher era o Cliff Lee, do Phillies. O Lee arremessou dois jogos, fez história nos dois e ganhou os dois, mas o time não conseguiu ganhar outros dois dos cinco restantes e o Yankees foi campeão - mas pode fazer muito estrago, especialmente numa série de cinco jogos. Ano passado, o Rays era o melhor time da American League, mas perdeu do Texas Rangers na Divisional Series simplesmente porque o Cliff Lee arremessou dois jogos quase perfeitos e ganhou os dois jogos que o time precisou. O Tigers tem um ataque bom, mas não de elite, e uma rotação fraca (Tirando Verlander e Doug Fister). Por isso é fundamental que o Justin Verlander domine e ganhe os seus jogos - especialmente se ele jogar o jogo cinco decisivo. A chave para o Tigers ganhar é arremessando, Verlander é o melhor pitcher da série e precisa obrigatoriamente vencer o primeiro duelo com o Sabathia. Se fizer isso, tudo que o Tigers precisa é vencer mais um jogo contra a fraca rotação do Yankees (Fister é melhor do que qualquer outro titular do Yankees que não seja Sabathia) nos três jogos seguintes para forçar o jogo cinco de desempate, novamente com o Verlander. Eu não queria ver o Verlander pela frente numa série de cinco jogos, e esse é o grande motivo.

O Tigers tem poder de fogo, Miguel Cabrera e Victor Martinez vem tendo temporadas espetaculares e o resto da rotação não só é sólida como pode explodir a qualquer instante, mas não é tão explosiva como o Yankees. O Yankees teve três jogadores que passaram dos 110 RBIs (Cano, Granderson e Mark Teixeira), tem quatro jogadores que podem explodir um Home Run a qualquer instante, tem bons rebatedores de contato e muita velocidade nas bases com a dupla Granderson e Brett Gardner. O Yankees teve o segundo melhor ataque da Liga, excede em todas as áreas do ataque (rebatida por contato, rebatida por força, velocidade, etc) e tem vários jogadores perigosos, basta um deles estar inspirado pra ver o que acontece. Se o Yankees conseguir romper o duelo de pitchers e levar o jogo pra uma disputa de ataques, New York leva a melhor.

Mas o calcanhar de Aquiles do time, que é justamente a rotação titular, é o que pode afundar tudo. O time tem um pitcher titular absoluto - Sabathia - mas não possui mas nenhum jogador seguro pra arremessar um jogo. O melhor candidato ao jogo número 2 é o Ivan Nova, mas ele é um calouro que nunca jogou um jogo de pós temporada na vida, não é a situação ideal para arremessar um jogo 2 para você contra o Doug Fister. Além de Nova (3.7) e Sabathia (3.0), o Yankees não tem nenhum pitcher titular com ERA abaixo de 4 além do Freddy Garcia (3.64). As outras duas vagas da rotação vão ser divididas entre Bartolo Colon (4.0, pode lançar um two-hitter ou ceder duas corridas na primeira entrada só com walks dependendo de que lado da cama ele acordar), AJ Burnett (5.15, tendo a pior temporada da carreira e tendo ficado dois meses sem ganhar um jogo), Garcia (Um bom ERA, mas quando você assiste dois jogos dele você percebe porque criamos estatísticas mais precisas para medir a temporada de um pitcher) e Phil Hughes (5.79, não desejo isso nem para o Yankees). Se o Sabathia realmente não conseguir dar conta do Verlander, o Yankees precisa contar com três vitórias desse meio de rotação para evitar um novo confronto contra o Verlander. No papel, o time do Yankees é melhor, mas numa série tão curta a presença do Justin Verlander pesa muito. Em todo caso, a chave dessa série é se o Verlander consegue dominar o Sabathia no jogo 1. E eu acredito no Justin Verlander. Tigers em cinco jogos.

Hi-Five!!


Tampa Bay Rays at Texas Rangers
Jogo 1: 30/09 (Sexta), 18:07 - CJ Wilson (16-7) vs Indefinido

Os Rays tiveram uma temporada absurda em 2011: Depois de terem tido ótimos anos em 2009 e 2010, como time de mercado pequeno que é o Rays não conseguiu renovar com uma porrada de Free Agents caros que saíram do time (alguns nem tentaram renovar), como Carl Crawford, Carlos Pena, Matt Garza e Rafael Soriano. Esse êxodo de jogadores deixou o time um pouco depenado e desacreditado, e ainda que tenha uma das melhores rotações titulares da AL (James Shields, David Price, Jeremy Hellickerson, Jeff Niemann, Wade Davis e, porque não, o calouro com mais culhões do que metade da Liga, Matt Moore) o time sofreu a temporada toda para conseguir anotar corridas que apoiassem esses arremessadores. O time contou com antigos jogadores do seu elenco como Evan Longoria (que passou boa parte do começo da temporada machucado mas foi fundamental para o Rays e, se o Verlander não for MVP, tem que ser o Longoria), Johnny Damon (GRAND SLAM!) e BJ Upton para formar o elenco, trouxe prospects como Desmond Jennings e apostou em jogadores pouco acreditados como Ben Zobrist e John Jaso.

Depois de uma primeira metade da temporada cheia de problemas - na data limite de trocas o Rays era um dos times mais citados, especialmente quando envolvia o Upton - o Rays se encontrou, Evan Longoria pegou fogo e não apagou nunca mais, BJ Upton acertou tudo que tentou, Desmond Jennings teve uma temporada espetacular e, com a ajuda do seu forte grupo de arremessadores, o grupo nunca mais olhou pra trás, apagou uma diferença de 10 jogos no Wild Card e foi para os playoffs com uma história virada de 8 a 7 contra o Yankees depois de estar perdendo por 7 a 0 na oitava entrada e por 7 a 6 com dois eliminados na nona (Tudo bem que o Yankees entregou o jogo, mas isso não muda o fato de que foi espetacular). E agora o Rays está de volta à pós temporada, embalado como nenhum outro time da Liga (Tirando talvez o Saint Louis Cardinals) e crente que pode derrotar qualquer adversário pela frente.

Confiança em execesso? Talvez, mas o embalo do Rays justifica isso. O malfadado ataque está anotando mais corridas, o time achou um equilíbrio com sua lineup, o time é profundo o suficiente pra aguentar entradas extras (O que não é o caso, por exemplo, do Tigers) e tem uma rotação titular muito boa. Mas na verdade sua rotação titular causou um problema sério para o time para essa série. O time tem dois áses na rotação - Shields e Price - e outros quatro sólidos jogadores, mas sem a mesma qualidade de decisão desses dois. Mas como o Rays teve que suas contra o Yankees para ganhar, o time se viu obrigado a usar os dois nessa série, inclusive o Price no jogo de quarta. Ou seja, Shields não vai jogar o jogo 1 porque jogaria com apenas três dias de descanso (Deve jogar o jogo 2) e o Price só vai jogar o jogo quatro ou três, e no caso de um eventual jogo cinco o Rays corre o risco de ter que escalar o Shields com três dias de descanso novamente ou arriscar com algum outro pitcher, enquanto que o Rangers - que se classificou com antecedência - pode manipular sua rotação titular com calma para que seu melhor pitcher, CJ Wilson, fosse começar o jogo 1 com um bom descanso.

O Texans, aliás, é um time muito equilibrado. Não tem um ás do nível de Shields, Verlander ou Sabathia, mas possui uma rotação de quatro nomes muito equilibrada, se não tem nenhum que se destaca por ser muito acima dos demais, também não tem ninguém que se destaca por ser menos. Essa diferença nos arremessadores podia ser decisiva no caso de três jogos da dupla Shields-Price, mas sem isso, o Rangers tira uma vantagem do adversário. Além disso, o ataque do Rangers é mais poderoso: Adrian Beltre está tendo uma das melhores temporadas da carreira, Josh Hamilton está oscilante mas ainda é um jogador extremamente perigoso, Mike Napoli está rebatendo Home Runs a torto e a direito e o Rangers é um time extremamente perigoso com homens em base justamente porque o time é excelente em extra-base hits. O Longoria é o jogador do Rays que pode ir pau a pau (pra mim, até um pouco acima...) com esses rebatedores do Rangers, mas coloque Ian Kinsler e Michael Young e eu acho que é poder de fogo demais para o Rays. O ataque do Rays vai mandar bolas longas, vai roubar muitas bases e vai anotar pontos, mas o ataque do Rangers, ainda que menos equilibrado, é mais potente do que o do Rays. O Rays vai precisar de toda a ajuda que puder dos seus pitchers, mas como eu já disse, a necessidade de escalar Shields E Price contra o Yankees os colocou em desvantagem. Não vejo eles derrotando o ataque dos atuais campeões da AL. Rangers em quatro.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os Campeões do Mundo

Pela primeira vez, esse troféu vai pra San Francisco

Sei que ficou gigante denovo o post, mas é um post sério sobre um título de MLB. Pra quem tiver paciencia de ler, eu recomendo, achei que ficou muito bom. Pra quem nao tiver, amanha volto a falar sobre NFL. Obrigado pela compreensão.
Noite de 26 de dezembro de 2009, um Toyota alugado atravessa a Bay Bridge pra entrar em San Francisco. Dentro do carro, dois torcedores do San Francisco 49ers fanáticos chegavam com a familia à cidade onde, dia seguinte, realizariam o sonho de ver seu time jogar ao vivo. Passando perto da baía pra ver melhor a cidade no escuro, uma construção aberta que emitia forte iluminação chamou a atenção do carro. Era um estádio onde se podia ler num letreiro luminoso "AT&T Park". Chegando ao hotel e acessando o Wi-Fi de la, descobriram que era o estádio era do San Francisco Giants, um time fraco da MLB que ha anos nao obtinha sucesso.



No dia seguinte, indo pro Candlestick Park pra ver Niners vs Lions, os dois passaram em frente a uma interessante e bonita construção de tijolos, com duas estátuas (Que depois descobriram ser cinco no total) na frente, estilo antigo. O motorista do carro informou que era o AT&T Park, e avisou que o time era um fracasso desde que se mudou de New York e que nao ganhava um titulo desde 1954. Um deles, o mais velho, virou para o outro e brincou falando que agora que tinhamos passado por ali, seria a hora do Giants se reerguer e ser campeão, e que quando começasse a temporada da MLB os dois iriam acompanhar aquele time. San Francisco é a cidade americada favorita dos dois, os dois sao fanáticos por outro time da cidade (49ers) e o estádio era extremamente simpatico, e os dois prometeram que acompanhariam a temporada do Giants.



Um desses torcedores era meu pai. O outro, eu. Naquele dia, de volta do jogo (Niners venceram 20 a 6), fiz questão de passar pelo AT&T Park denovo. Vi a parte que estava aberta, a estátua do Willie Mays, a homenagem ao Jackie Robinson, e comprei um boné do time. Aprendi mais sobre a franquia e decidi que, se os Red Sox nao fossem ser campeões, eu iria torcer pro Giants. Eu prometi que em caso de titulo do Giants eu iria contar um pouco da minha historia com o time, e ai está ela. Pode parecer idiota, gostar do time só porque simpatizei com o estádio, mas nao é só isso. Ja estive em estadios ou ginásios de cinco esportes diferentes em sete países e nao achei nenhum que eu gostasse tanto quanto esse alem do Morumbi. San Francisco sempre foi minha cidade favorita dos EUA e eu senti muito bem, na viagem, o clima que a cidade tinha com o baseball, e caso algum dia voces forem pra la e sentirem o baseball na alma da cidade, é dificil nao se apaixonar. E agora estou aqui, vendo MNF e escrevendo sobre o título do Giants que meu pai falou ha dez meses de brincadeira enquanto passavamos na frente do estádio que hoje estará lotado pra receber os campeões.

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Algumas coisas parecem que são escritas pra acontecer. Nao importa se a lógica indicava o contrário, se as chances era pequenas. Na hora de acontecer, tudo acontece certo para esse fim, e pra quem ve do final parece que, desde o começo, os Giants estavam destinados a ganhar a World Series.

Para quem olhasse o time do Giants no começo da temporada, era dificil acreditar em alguma coisa vinda dali. Todos sabiam o que esperar de Tim Lincecum, bi campeão do Cy Young, premio de melhor pitcher, da NL, e do jovem mas talentoso corpo de arremessadores do time: Matt Cain, Barry Zito, Jonathan Sanchez. No entanto, não se podia esperar nada do resto do time. Era um grupo montado às pressas, com as sobras dos outros times, jogadores dispensados, velhos, sem perspectivas de um futuro na Major League.

Aubrey Huff estava sem time no meio de janeiro e assinou com o Giants um contrato condicional (dependendo de condições fisicas) de apenas um ano. Edgar Renteria sofreu com contusões durante todo o ano, jogou menos de metade da temporada, estava velho, com o corpo debilitado, desacreditado, e muitos - inclusive pessoas dentro do próprio Giants - acreditavam que ele deveria se aposentar, ou que o time deveria forçá-lo a isso. Cody Ross foi dispensado pelo Florida Marlins no meio da temporada (Agosto) e pego de ultima hora pelo Giants apenas pra evitar que seu rival San Diego Padres o pegasse. Buster Posey era um calouro que tinha passado dois anos nas Ligas menores e só foi chamado ao time no finalzinho e maio, e só virou titular no final de junho. Pat Burrell foi pego da Free Agency pelo Giants pra jogar pela sua franquia das Ligas menores e só foi chamado pro time em junho.

O Giants teve uma campanha bastante irregular, como a montagem desse elenco denunciava. Ganhava seus jogos com placares baixos, era um time varias vezes incapaz de anotar corridas e perdia mesmo quando um bom pitcher segurava o adversário a apenas uma corrida. O time rapidamente ficou pra trás do San Diego Padres na divisão e de Philadelphia Phillies e Saint Louis Cardinals pelo Wild Card. Era claro que o time, apesar de ter uma rotação sensacional, não tinha nenhum ataque, eram apenas pessoas esquecidas, velhas, desconhecidas que foram colocadas juntas com um bastão na mão. Chegado setembro, o Giants tinha 6,5 jogos de diferença pra tirar do Padres, e se conseguisse seria a quinta maior diferença tirada pra ganhar a divisão na história nesse periodo de tempo. Depois de um agosto sofrivel do time inteiro e principalmente do ace Tim Lincecum (jogando lesionado), o time se transfigurou em setembro. Lincecum foi um monstro, Buster Posey jogou mais do que qualquer outro jogador da MLB, o ataque encaixou suas rebatidas, o Padres inexplicavelmente parou de jogar bem, e no final o Giants acabou uma vitória à frente do rival Padres.

Mas na pós temporada o cenário da Major League muda totalmente. Não tem mais jogo facil. O Giants chegou cotado como um time que se superou para chegar ali, mas que nao tinha chances reais de título. Um bando de veteranos em decadencia e alguns jovens talentos foram o suficiente pra levar o time até os playoffs, mais nada.

Mas por sorte, o Giants enfrentou de cara um time que estava na mesma situação que ele e que tinha exatamente as mesmas armas: Uma rotação forte, bons arremessadores, mas um ataque deficiente liderado por um bom novato. Acontece que tanto a rotação como o ataque como o calouro não eram tao bons quanto os do Giants. Depois de Lincecum e Cain terem fechado os jogos 1 e 2 sem ceder corridas impulsionadas (Lincecum com uma atuação monstruosa de 2 hits e 14 strikeouts), o Giants fechou a série em quatro jogos (A semifinal de conferência é melhor de cinco). A série serviu pra mostrar as forças e fraquezas tanto faladas antes: Pitching excepcional e um ataque deficiente e as vezes incapaz de acertar as rebatidas quando era necessário.

O adversário seguinte era o temido Phillies, melhor time de MLB na temporada regular, com a rotação considerada a mais forte da MLB com Roy Halladay (Favorito ao premio Cy Young desse ano), Roy Oswalt e Cole Hammels e um ataque infernal liderado por Jayson Werth e Ryan Howard. A rotação titular do Giants era o ponto forte mas muito falaram que a do Phillies era tão forte quanto - se não mais forte. E o ataque não tinha comparação, o Phillies tinha um dos melhores ataques da Liga.

Foi ai que talvez aquele 'destino' começasse a aparecer. Cody Ross, dispensado no fim do campeonato sem cerimonia e pego apenas pra atrapalhar os planos do rival, acertou dois Home Runs em cima de Halladay e um em cima de Oswalt. O ataque do Giants destrinchou perfeitamente a chamada 'melhor rotação' da MLB. Aquele ataque anêmico e sem força pros playoffs estava destruindo Hammels, Oswalt, Halladay como se enfrentassem o Baltimore Orioles. A rotação do Giants e principalmente Brian Wilson foram sensacionais contra aquele poderoso ataque, e o time passou pelos Phillies mostrando uma clara superioridade dentro de campo, uma superioridade que nao existiria fora dele.

A World Series foi apenas uma repetição. O ataque do Giants subiu mais um nivel. As rebatidas vieram na hora certa. E os arremessadores do time foram absolutamente dominantes. Madison Bumgarner e Cain zeraram os Rangers. E Tim Lincecum venceu duas vezes o monstro Cliff Lee. Edgar Renteria., Aubrey Huff e Juan Uribe mandaram a bola pro outro lado do muro quando precisaram. E os Giants agora são os campeões!!

Pra mim, a jogada emblematica do título foi no jogo dois. O jogo estava zero a zero, e na parte de cima da quinta entrada, Ian Kinsler no bastão enfrentava Matt Cain. Kinsler mandou uma cacetada alta pro fundo do campo. A bola viajou, bateu na parte de cima do muro, subiu e... caiu do lado de dentro do campo! Por um centimetro essa bola não saiu do campo para um Home Run que possivelmente teria mudado o rumo da série. Mas não, a bola caprichosamente, como se realmente fosse o destino, bateu na parte de cima e não permitiu o Home Run, ficou apenas com uma rebatida dupla que Cain tratou de garantir que nao seria mais que isso.

O jogo final, o jogo cinco, não poderia ser diferente. O duelo sensacional entre Cliff Lee e Tim Lincecum foi absurdo e durante seis entradas não tivemos nenhuma corrida. Os dois foram brilhantes eliminando jogadores, controlando os rebatedores e usando o braço quando necessário. Mas os pitchers cansaram e, na sétima entrada, com Cody Ross e Juan Uribe nas duas ultimas bases, Edgar Renteria, que teve a rebatida que deu ao Florida Marlins o título da World Series de 1997, que antes do jogo disse a Aubrey Huff que ia mandar a bola do outro lado do muro, pegou uma bola baixa de Cliff Lee e mandou a bola longe, do outro lado do campo. A bola caprichosamente bateu no topo do muro. E saiu.

Home Run para Renteria, e 3 a 0 no placar pro Giants. Nelson Cruz até assustou ao acertar um Home Run contra Lincecum, sua unica falha na partida quase perfeita, mas de nada adiantou. Lincecum eliminou quem veio depois, Brian Wilson fechou com maestria sua sexta partida com um save nos playoffs e os Giants se sagraram campeões.

O Giants foi o time que mais mudou na pós temporada. O calouro as vezes pouco confiavel Bumgarner foi perfeito na final, Tim Lincecum derrotou jogadores como Derek Lowe, Roy Halladay e Cliff Lee (Duas vezes), e tanto Matt Cain como Brian Wilson nao cederam uma corrida sequer em varias atuações dominantes. O Giants foi o time que cresceu na hora de decidir, o time que acertou suas rebatidas, cujo ataque cresceu, evoluiu e funcionou como uma equipe. O time deixou de lado sua identidade 'eu' que tanto aparece no baseball pra se unir em um grupo. Aubrey Huff, que em 11 anos nunca tinha tido uma rebatida de sacrifício, fez uma perfeita pra poder impulsionar Ross e Uribe uma base pra Renteria depois fechar o caixão, e saiu vibrando, batendo no ombro de Renteria e cobrando sua promessa de acertar a arquibancada com a bolinha. E se aquele bando de restos de outras equipes se uniu em torno de uma equipe de forma perfeita, individualmente não foram menos brilhantes. Huff acertou o Home Run que colocou o Giants na frente no jogo 4 - e eventualmente lhe deu a vitória - alem de ter sido o jogador com as rebatidas mais importantes, nas horas mais importantes. Cody Ross, sem time em Agosto, entrou nos playoffs pra conseguir quatro Home Runs importantissimos contra o Phillies e levar o time à World Series, nomeado o MVP da NLCS. Buster Posey, aquele calouro um tanto obscuro, foi um monstro acertando rebatidas com dois eliminados ou com alguem em base, alem de ter sido perfeito defensivamente, com quatro eliminações em tentativas de roubo importantissimas. E Edgar Renteria, velho, machucado, que deveria se aposentar e não tinha mais gasolina pra queimar, foi o MVP da World Series, onde acertou dois Home Runs importantissimos e impulsionou seis corridas, sendo uma delas a corrida que eventualmente deu o primeiro título da World Series à cidade de San Francisco. Ele, que ja tinha sido o responsavel pela rebatida que deu o título ao Marlins em 1997, agora se junta a um grupo que conta com Joe DiMaggio, Yogi Berra e Lou Gehrig, tres dos maiores jogadores de todos os tempos, como os unicos jogadores da história a terem rebatidas que deram a vitória ao seu time em duas World Series diferentes.

Se a pós temporada é a hora de cada time elevar seu jogo, buscar dentro de si a força pra ir mais longe do que poderiam até então, de individualmente e coletivamente alcançar um novo nivel e acreditar em cada partida até o final, ninguem fez isso melhor do que o San Francisco Giants. Foi o time que mais acreditou, o time que mais evoluiu, o time que mais lutou e o time que, apesar de ser considerado zebra durante todo o ano, sempre jogou com confiança e disposição, apoiado por uma torcida fanática que transformou o AT&T Park no estádio mais temido da pós temporada de 2010 e contando com o brilhantismo de jogadores como Lincecum e Wilson, alcançou um objetivo que nem o mais fanático torcedor do Giants acreditava quando começou a temporada. A cada rebatida com jogadores em base, a cada Changeup de Lincecum que passava a milimetros do bastão do rebatedor, a cada vez que a barba de Wilson virava para a segunda base e fazia seu tradicional gesto de saves, a cada hora que um novo herói improvavel aparecia pra dar a rebatida quando o time mais precisava - Ross, Posey, Huff, Renteria, Uribe - e a cada hora que um Home Run nao acontecia por um capricho do destino ao trombar com o topo do muro ou, em contrapartida, uma rebatida dupla se tornava num Home Run porque caprichosamente a bola igualmente bateu no topo do muro mas saiu, não dava pra discordar do óbvio. O Giants era o time destinado ao título da World Series em 2010.

E agora, San Francisco, pode festejar. Voces são os campeões do mundo! E merecidamente!

domingo, 31 de outubro de 2010

Clássico de Outono

Fall Classic. World Series. A grande final.

Tenha o nome que tiver, a série de sete jogos entre o campeão da AL e NL, na Major League Baseball, é a série que determina o campeão da temporada e quem ganha leva para casa o prepotente título de 'Campeões do Mundo'. Eu falei mais sobre a final da MLB num post antes de viajar, a trajetória de Giants e Rangers até esse lugar, o que cada time tinha de força, fraqueza e onde estavam as chances de cada time. Pois bem, tres jogos ja foram, e os Giants lideram a série por 2 a 1. Antes do jogo quatro, hoje a noite, vou contar um pouco sobre os tres jogos que tivemos até aqui. A partir de amanha corro pra botar em dia os assuntos que eu perdi quando estava na praia.


Willie Mays aprova essa série

Jogo 1: Tim Lincecum vs Cliff Lee
A foto acima é do lendário Willie Mays, grande jogador do passado e responsavel por uma das maiores jogadas da história da MLB, chamada 'The Catch'. Mays tem uma estátua na frente do AT&T Park (Um dos estadios mais legais que eu ja vi na vida e um dos motivos da minha relação com o Giants. Não sou torcedor do Giants, torço pro Red Sox, mas prometo contar minha relação com o time caso eles vençam a World Series) assim como outras lendas como Willie McCovey Juan Marichal, todos Hall of Famers. Mas quem está merecendo ganhar a sexta estátua do AT&T Park é o Juan Uribe.

Se contra o Phillies Uribe decidiu duas partidas, uma com uma rebatida de sacrificio pra impulsionar a corrida da vitória e outra um Home Run pra quebrar o empate em 2 a 2 que persistia no jogo 6, no jogo 1 da World Series foi novamente a vez de brilhar a estrela de Uribe. Se antes do jogo o duelo entre os pitchers Cliff Lee e Tim Lincecum era a atração do jogo, pro qual era esperado um placar baixo, na hora da partida os ataques que se mostraram dispostos a aparecer. Logo nos dois primeiros Innings, o Texas anotou duas corridas (uma em cada) com Vladimir Guerrero, jogando no Right Field ja que nao podia jogar de Designated Hitter, onde alias teve muitas dificuldades, cometeu tres erros e mostrou que realmente vai enfraquecer a defesa do time, e Elvis Andrus impulsionando. Mas o ataque do Giants voltou com sangue nos olhos pra terceira entrada pra tirar uma casquinha do Lee. Depois de colocar dois jogadores em base com um erro e um hit by pitch, Freddy Sanchez e Buster Posey impulsionaram corridas pra empatar a partida.

No quinto inning, depois de duas rebatidas duplas (Uma impulsionando corrida) e um walk, o Giants conseguiu duas rebatidas simples consecutivas pra anotar mais duas corridas e abrir 5 a 2 no placar e deixar dois homens em base. O técnico do time Rangers deve ter pensado algo como "Puxa, o Cliff Lee está mal, vou botar outro cara pra arremessar". Mas o que ele descobriu de cara é que o problema NÃO era o Cliff Lee. Na primeira bola que Darren O'Day arremessou pra Juan Uribe, uma rebatida mandou ela pra arquibancada num Home Run triplo pra abrir 8 a 2 e selar de vez a vitória do Giants. O time ainda amplicou pra 11 e o Rangers anotou mais cinco corridas contra os reservas do Giants, mas o jogo ja tinha sido decidido por Uribe.

"Na boa, eu jogo muito"

Jogo 2: Matt Cain joga muito e o resto é história
Matt Cain começou o jogo dois para o Giants contra CJ Wilson, do Rangers. Começou seu terceiro jogo na pós temporada e, incrivelmente, pela terceira vez não cedeu nenhuma corrida, seu ERA é um zero perfeito  (A unica corrida anotada contra Cain veio de um erro de Aubrey Huff)! Foram quase oito entradas cedendo apenas quatro rebatidas e dois walks. O massacre do Giants, contudo, nao foi facil. Ele começou apenas na quinta entrada com Edgar Renteria, que com o Florida Marlins em 1997 foi o responsavel pelo título com uma rebatida impulsionada no final da partida. Renteria mandou a bola pro outro lado do muro contra o até então perfeito Wilson. Na sétima entrada - adivinhe quem! - Juan Uribe impulsionou mais uma corrida pra deixar 2 a 0 o placar. Com Cain jogando a barbaridade que estava, o Giants nao corria muitos riscos, até porque Brian Wilson estava no bullpen, mas o ataque nao quis cometer erros: Após ter dois eliminados na oitava entrada, Buster Posey conseguiu um single e os pitchers do Rangers cederam quatro Walks consecutivos pros Giants. Renteria impulsionou mais duas corridas, Aaron Rowand mais duas, Andres Torres outra, e o Giants acabou o inning ganhando de 9 a 0 do Rangers!! Um massacre vindo de um ataque bastante desacreditado antes da pré temporada.


"Não estou chorando, entrou um cisco no meu olho"

Jogo 3: Colby Lewis e a sobrevida do Rangers
O medo de alguns (inclusive eu) pra essa partida do lado do Giants era quem iria começa-la: Jonathan Sanchez. Sanchez é um pitcher jovem e promissor, e teve uma temporada regular boa com 13 vitórias e um ERA de 3.07. Nos playoffs, contudo, está 0-2 com 4.05 de ERA e só nao perdeu todos os jogos que começou porque o ataque conseguiu se virar de alguma forma. Ou seja, o Sanchez está jogando mal demais na pós temporada, ainda nao encontrou seu jogo e nao acho que a torcida do Giants se sinta muito segura com ele no montinho. Foi exatamente essa a história contra o Rangers: Sanchez jogou apenas 4.2 entradas (Quatro entradas completas e duas eliminações da quinta), cedeu seis rebatidas e quatro corridas em dois Home Runs (Mitch Moreland triplo na segunda entrada e Josh Hamilton na quinta) e logo saiu do jogo pra evitar que afundasse mais o time. Curioso notar que depois que ele saiu o Bullpen cedeu só duas rebatidas e nenhuma corrida. Mas o ataque, dessa vez, nao conseguiu produzir em peso, principalmente devido a Colby Lewis. Lewis foi bastante sólido, arremessou 7.2 entradas e cedeu apenas duas corridas em cinco rebatidas, em Home Runs de Cody Ross e Andres Torres, ambos simples. Fora isso foram seis strikeouts e o ataque do Giants, ainda que tenha dado sinais de vida com esses dois HRs no final,  o fez tarde demais e nao conseguiu superar Naftali Feliz, o closer do Rangers.


Sobre o jogo 4 e o resto da série:
Hoje a noite tem o jogo quatro, com Madison Bumgarner contra Tommy Hunter. Bumgarner ainda é calouro, mas tem mostrado que é um bom pitcher e que tem maturidade pra arremessar nos playoffs, está 1-0 com ERA de 3.55 e tem se saido bem mesmo contra times fortes como Phillies. Do outro lado o inconstante Hunter, que depois de boa temporada regular está 0-1 com 6.14 de ERA na pós temporada  e tambem tem sofrido bastante. Acho que o Rangers nao está muito feliz com ele no montinho e ele deve sair de lá o quanto antes, o que não é bom porque o bullpen do Rangers não é confiavel. Se o Giants conseguir ganhar o jogo quatro, duvido muito que percam a série. O jogo cinco deve ficar nas mãos de Lincecum e o seis de Cain, e um eventual jogo sete pode voltar a Lincecum. Portanto acho dificilimo que o Giants nao consiga ganhar pelo menos um desses tres jogos. O Rangers tem que ganhar hoje a todo custo pra deixar Cliff Lee subir no montinho no jogo cinco sem a corda no pescoço e pra tentar levar a vantagem de uma partida pra San Francisco. Mas Hunter nao está tendo boas partidas e o ataque do Giants vem crescendo incrivelmente nos playoffs, a situação nao está facil pros texanos.
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Voltei de feriado, e portanto agora vou retomar o ritmo normal. O Celo me mandou mensagem ontem avisando que tinha postado, e tambem nao vou reclamar, pra quem nao viu está logo abaixo e fala sobre o Pro Bowl da NFL. Vou tentar apressar um pouco essa semana pra cobrir o que tiver ficado acumulado. Valeu o apoio e bom domingo!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Por um fio

Como prometido, vou falar hoje de baseball. Como expliquei ontem, eu deixei o post da MLB pra hoje pra poder comentar dos jogos 3, 4 e 5 das duas séries (O jogo 5 da NLCS foi ontem). Se voce está procurando o post sobre as punições que a NFL quer dar pra pancadas violentas, ele está logo abaixo.
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Rays, Yankees e Phillies entraram na pós temporada como favoritos. Melhores campanhas, ataques fortes, rotações talentosas, boa defesa e um bom bullpen, nada menos que se possa pedir de um time de baseball com aspirações ao título. O Rays, como todo mundo sabe (Sabe?), perdeu pros Rangers logo na primeira rodada numa ótima série de cinco jogos, com o Cliff Lee comendo eles com farinha nos jogos 1 e 5. Yankees e Phillies, por outro lado, varreram Twins e Reds e chegaram com bastante folga na segunda rodada para enfrentar duas zebras: O Rangers, e o Giants, que só foi pros playoffs porque o Padres perdeu tudo e o Giants ganhou tudo em setembro. Mas acontece que agora tanto Phiilies como Yankees tão perdendo de 3 a 2 e estao desesperadamente precisando de vitórias!


Provavelmente foi um strikeout

New York Yankees vs Texas Rangers

Jogo 3: Cliff Lee vs Andy Pettite
Um é o maior ganhador da história dos playoffs, com 19 vitórias e 10 derrotas, uma lenda na MLB, Andy Pettite. O outro é um pitcher que tem apenas oito jogos de pós temporada e, desde que foi pro Rangers, perdeu seis jogos e ganhou só quatro, Cliff Lee. Antes do jogo, havia todo um hype em cima de um desses pitchers, como se o seu time ja houvesse assegurado a vitória. Mas incrivelmente, esse pitcher era Cliff Lee!
Isso pode ser explicado por sua performance em playoffs. Cliff Lee começou oito jogos e ganhou sete (O outro nao foi uma derrota) e nunca foi derrotado. Seu ERA é de 1.26 (Um dos cinco maiores da história) em playoffs. Ano passado comeu o Yankees na World Series duas vezes e essa temporada massacrou sem dó nem piedade os pobres Rays, tambem duas vezes. Muitas pessoas reclamaram desse hype, afinal Pettite tem muito mais história que Lee, é um pitcher campeão, consagrado.

Mas na hora do vamos ver, quem mostrou que domina completamente a pós temporada não é o seu maior ganhador, e sim o cara que surge como o novo rei dos playoffs, Lee. Cliff Lee arremessou as primeiras oito entradas, cedeu duas rebatidas, nenhuma corrida e TREZE Strikeouts, dominou completamente a rotação do Yankees e nessas oito entradas o Rangers abriu 2 a 0 com um Home Run do Josh Hamilton logo na primeira entrada. Se nao fosse o fato de que na primeira parte da nona entrada o Rangers anotou SEIS corridas e abriu 8 a 0 no placar, com certeza Lee voltaria na nona entrada pra fechar seu fantástico jogo. Lee dominou totalmente o Yankees, se tornou o primeiro pitcher da história da pós temporada a conseguir tres jogos consecutivos com mais de 10 strikeouts e está escalado pro jogo 7, caso ele aconteça. Aposto que o Alex Rodriguez ta embaixo da coberta pensando nisso desde ja. Lee quase foi pro Yankees na trade deadline, ja estava quase tudo acertado entre o time e o pitcher (Lee chegou até a ligar pro CC Sabathia pra pedir dicas sobre a cidade) quando o Yankees não quis pagar o preço alto que o Marines pedia, alegando que não valia a pena por ele. Assim, Lee caiu no colo do Yankees e está mostrando pro seu quase time que sim, ele vale muito a pena!

Jogo 4: Joe Girardi entregando o ouro
A.J. Burnett, que jogou muito mal o final da temporada regular, foi escalado (pra minha surpresa) pra arremessar esse jogo. E começou bem. Nos primeiros cinco innings, cedeu duas corridas no segundo e só, enquanto Robinson Cano (com um home run), Curtis Granderson e Brett Gardner conseguiram impulsionar corridas e deixar a partida 3 a 2. No entanto, no sexto inning e os Texans no bastão, Joe Girardi, o técnico de longa data do Yankees, entregou a mortadela. Nelson Cruz estava em base e Burnett ja tinha duas eliminações quando David Murphy, que nao vinha jogando bem, pegou o bastão. Mas Girardi mandou Burnett andar intencionalmente Murphy para enfrentar Bengie Molina. Claro que Molina meteu um Home Run pra impulsionar tres corridas e virar a partida. Josh Hamilton (duas vezes) e Nelson Cruz ainda anotaram Home Runs pra terminar 10 a 3 a partida.

Jogo 5: CC Sabathia salva o Yankees... Temporariamente
A situação do Yankees era extremamente desconfortavel. Eles precisavam ganhar do Rangers pra levar a série de volta pra casa do adversário, onde eles teriam que vencer dois jogos, um deles contra Cliff Lee. No seu montinho, CC Sabathia, que teve uma pessima primeira partida enfrentava uma rotação que estava adorando mandar bolinhas pro outro lado do muro e com CJ Wilson arremessando.Sabathia jogou até que bem, cedendo 11 rebatidas e 2 corridas em 6 innings, mas quem realmente fez a diferença foi o ataque. Na segunda entrada, Granderson(2) e Jorge Posada impulsionaram corridas e deixaram Sabathia trabalhar com uma vantagem de 3 pontos no montinho, o que é perigosissimo. Pra completar, no terceiro inning, Nick Swisher foi o leadoff e mandou um Home Run na fuça de Wilson, e quem veio depois foi Robinson Cano, que mandou OUTRO Home Run pra dar esperanças pro Yankees. Os Rangers não conseguiram se reencontrar e perderam a partida

Situação da série: Os Yankees ainda estão em maus lençois. Evitaram o pior, mas ainda tem que ganhar dois jogos, no Texas, sem seu melhor pitcher (CC Sabathia) e ainda terá que ganhar do Cliff Lee, sendo que o Yankees tem se mostrado muito inconstante na série até aqui e o ataque do Rangers está excelente. Eu apostaria minhas fichas todas que o Yankees será eliminado e o Rangers avança pela primeira vez na sua história pra World Series.


"Opa, eliminei voces? Foi mal"

San Francisco Giants vs Philadelphia Phillies

Jogo 3: Matt Cain dominante
Os Giants foram pra San Francisco (Pro lindo AT&T Park) empatados em 1 a 1 com o fortissimo Phillies. Matt Cain, do Giants, iria enfrentar Cole Hammels, dois jogadores que tiveram boas atuações nas semifinais. No entanto, quem brilhou mais nessa partida foi Cain. Nos sete innings que arremessou, Cain cedeu apenas dois hits e nenhuma corrida, com cinco strikeouts, e variou muito bem os pitches, deixando os rebatedores do Yankees desconfortáveis. Não que Hammels tenha jogado mal, foram seis innings com cinco rebatidas cedidas apenas e oito strikeouts. O problema foi que foram tres rebatidas no mesmo inning (intercaladas com um walk e 2 eliminações), o que permitiu ao Giants anotar duas corridas. Cain continuou dominando o Phillies até dar lugar a Brian Wilson e sua barba para mais um save.

Jogo 4: Jogo mais emocionante da série
Antes da partida, duas decisões polêmicas: o Phillies escalou para a partida Joe Blanton, que nao começava uma partida ha 21 dias, enquanto que os Giants optaram por deixar Tim Lincecum descansar e escalaram o calouro Madison Bumgarner. O que logo causou problemas ao Phillies: Após uma rebatida simples de Freddy Sanchez, Blanton acabou lançando dois wild pitches (Quando o pitch nao tem controle e o catcher nao consegue pegar a bola, o que permite um avanço de qualquer jogador em base ou do cara no bastão) para levar Sanchez para a terceira base. Uma rebatida simples de Buster Posey colocou os Giants em vantagem. Na terceira entrada, Posey lançou uma rebatida dupla pra impulsionar Aubrey Huff para o home plate e abrir 2 a 0.

No entanto, o jogo virou na quinta entrada. Ben Francisco e Carlos Ruiz, do Phillies, conseguiram rebatidas validas pra chegar em base, e Blanton numa rebatida de sacrifício impulsionou os dois pra posições de anotar corridas (3ª e 2ª bases). Shane Victorino, subindo ao bastão, conseguiu uma forte rebatida simples, que impulsionaria os dois homens em base. Mas foi ai que brilhou a estrela de Buster Posey. Francisco anotou sua corrida com facilidade, mas Aaron Rowand, o Centerfield do Giants, lançou a bola  perfeitamente na direção do homeplate. Posey conseguiu agarrar a bola e fez uma eliminação absolutamente sensacional em Ruiz, que corria pra empatar a partida, por muitissimo pouco. Foi uma linda jogada, que voce pode ver no video abaixo, aos 0:52.

Ainda assim, Placido Polanco conseguiu uma rebatida dupla pra impulsionar duas corridas e deixar o placar em 4 a 2. Na parte de baixo da entrada, Huff conseguiu impulsionar uma corrida e deixar 4 a 3.

O sexto inning quase se tornou alvo de grande polemica. Com dois homens em base (2ª e 3ª), Pablo Sandoval foi ao bastão e conseguiu uma rebatida dupla pro lado direito do campo, impulsionando as duas corridas pra virar a partida. No entanto, o juiz deu bola fora (foul ball) e nao valeram as corridas, ainda que o replay mostre que a bola foi boa. Mas por sorte do juiz, Sandoval conseguiu rebater outra bola dupla, dessa vez válida, para virar a partida para 5 a 4. Os Phillies nao deixaram barato e responderam na oitava entrada, com Jayson Werth impulsionando mais uma corrida pra empatar a partida. Mas na parte de baixo da nona entrada, uma rebatida simples de Buster Posey mandou Huff para a terceira base, e em seguida Juan Uribe mandou uma rebatida de sacrifício pra Huff marcar e abrir a vantagem de 3 a 1 na série

Jogo 5: The Freak vs The Doc
Os aces Tim Lincecum e Roy Halladay entraram em campo depois de um belo duelo no jogo 1, onde Lincecum saiu vencedor. Dessa vez, em termos de performances, nenhum dos dois teve uma vantagem clara. Halladay jogou seis entradas, cedeu seis hits e duas corridas impulsionadas, com dois walks e cinco strikeouts. Lincecum arremessou sete entradas, com quatro hits e duas corridas impulsionadas, um walk um hit by pitch e sete strikeouts. Mas se no duelo particular dos dois tivemos um empate, no jogo tivemos um vencedor, e ele foi Roy Halladay.

Após sofrer na primeira entrada e ceder uma corrida, Halladay se recuperou e entrou em modo berserk, cedendo uma outra corrida na quarta entrada e mais nada, jogando muito bem e com eliminações importantes. Lincecum jogou bem mas teve problemas na terceira entrada. Cedeu um single e um hit by pitch pra colocar dois jogadores em base. Depois, numa jogada bastante polemica, Roy Halladay errou a rebatida de sacrificio, que claramente foi rpa trás, e logo uma foul ball, o que congelou a defesa do Giants e o próprio Halladay. No entanto, o juiz inexplicavelmente consederou a bola boa, e os corredores em base do Phillies se aproveitaram da confusão da defesa pra roubar as bases 3 e 2, enquanto Halladay foi eliminado. Em seguida, o grande problema pros Giants: Shane Victorino rebateu uma bola pro chão que seria uma rebatida simples, e com Carlos Ruiz indo para o homeplate anotar a segunda corrida da jogada (Raul Ibanez ja tinha marcado a sua) havia tempo suficiente para Aubrey Huff lançar a bola para eliminá-lo. No entanto, Huff deu uma furada grotesca, o que permitiu que Ruiz anotasse sua corrida em um erro da defesa. Victorino anotou outra corrida depois pra deixar 3 a 1. O Giants até conseguiu reagir, anotando uma corrida na quarta, mas o ataque não mostrou nenhuma força no resto da partida, e Werth selou a vitória com um Home Run na nona.

Situação da série: Ao contrário do Yankees, acho que o Phillies tem boas chances aqui. O seu ataque é muito superior ao do Giants e joga as duas partidas em casa. Apesar de não contar mais com Halladay, o Gaints tambem não contará mais com Lincecum por causa da decisão de deixar Bumgarner jogar o jogo 4. Ainda assim, a situação não é de toda agradavel. Matt Cain, que destroçou os Phillies na sua aparição na série, deve jogar o jogo 7, e o duelo entre Roy Oswalt e Jonathan Sanchez no jogo 6 será bastante equilibrado. O Giants tem uma rotação muito forte e mostrou força fora de casa, e só precisa contar com um dia ruim do Phillies pra ir buscar seu primeiro título em San Francisco.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Two-Minute Warning: NFL e MLB

Aproveitar que o Marcelo arrumou um PC e prometeu (Dessa vez sai?) um resumo da rodada pra amanha e falarei um pouco dos playoffs da MLB e tambem de alguns dados interessantes desse fim de semana da bola oval.

"Vai buscar a bolinha ali, ó!"

San Francisco Giants vs Philadelphia Phillies

Na primeira rodada dos playoffs, Tim Lincecum teve 14 strikeouts, e Roy Halladay um no hitter. Após essas duas perfomances históricas, ambos os pitchers se enfrentaram no jogo 1 da final. Todos naturalmente esperavam um jogo de placar baixo. Mas apesar disso, o jogo foi bastante disputado pelos ataques. Ainda assim Lincecum e Halladay tiveram boas partidas, cada um arremessando por sete entradas, Lincecum tendo cedendo tres corridas em seis rebatidas com oitro strikeouts, enquanto Halladay teve quatro corridas em oito rebatidas e sete strikeouts. A emoção começou logo na primeira parte da terceira entrada quando, após dois innings quase perfeitos de ambos os pitchers, Cody Ross mandou a bola pro outro lado do muro pra abrir a contagem a favor do Giants. Mas na segunda parte Carlos Ruiz devolveu o Home Run para deixar tudo igual. Na quinta entrada Cody Ross mandou sua segunda basebola(Hello, Paulo Antunes!) pro outro lado do muro, e no começo da sexta entrada, com dois eliminados em ninguem em base, Buster Posey rebateu simples pra manter os Giants vivos e começar uma sequencia de rebatidas que contou tambem com Pat Burrell e Juan Uribe pra conseguir 4 a 1. Mas o jogo nao ia ficar assim, pois Jayson Werth conseguiu um home run duplo pra recolocar o Phillies na partida. Mas Brian Wilson entrou bem para o bullpen do Giants e fechou a partida, uma importantissima vitória fora de casa.

A segunda partida colocou frente a frente Roy Oswalt e Jonathan Sanchez. Os problemas começaram cedo para o Giants, quando logo na primeira entrada a defesa permitiu uim erro para deixar um jogador em base, e depois Sanchez arremessou TRES WALKS para dar uma corrida de graça para o Phillies. Mas na quinta entrada Cody Ross mandou seu terceiro home run na série para empatar tudo. No entanto, uma rebatida de sacrificio Placido Polanco recolocou o Phillies na frente. Na sétima entrada, o bullpen do Giants que vinha jogando muito bem na temporada regular e está pessimo nos playoffs, cedeu dois walks intencionais para Werth e Chase Utley, o que se mostrou um erro: Jimmy Rollins mandou uma rebatida dupla pra impulsionar tres corridas para o Phillies fechar o caixão.

Eu havia dito que a chave para o Giants ia ser o Tim Lincecum ganhar o jogo sempre quie subisse no morrinho. E foi o que ele fez no jogo 1, apesar de ter cedido tres corridas. Para grata surpresa, o ataque do Giants (Em especial nosso querido Cody Ross) respondeu muito bem garantindo a vitória. Parece idiota, mas é simples: Lincecum tem que ceder menos corridas do que seu time marcar. Contra o Phillies, Lincecum nunca deixou seu time em desvantagem, cedeu as corridas que poderia ceder e sairam com a vitória. Lincecum com certeza volta mais duas vezes até o final da série se tivermos um jogo 7, e é essencial que ele continue ganhando. Mas o Giants precisa conseguir ganhar jogos sem ele, e o jogo 2 era uma ótima chance, ainda que fora de casa, para trazer de vez a vantagem para San Francisco. O Phillies tem mais volume de ataque e o Giants precisa ser impecavel pra vencer sem Lincecum no montinho.


"E ai Yankees, lembram de mim?"

New York Yankees vs Texas Rangers

Por mais tenso que seja, esse série deveria estar 2 a 0. No jogo 1, no Texas, o Rangers tinha aberto 5 a 0 de vantagem sobre o Yankees no final do sexto inning, impulsionados pelo Home Run triplo de Josh Hamilton. A corrida dos Yankees na sétima entrada, anotada num Home Run do brilhante Robinson Cano, nao arrefeceu o ânimo do Rangers, que parecia encaminhado pra abrir a série com uma vitória fora de casa. Mas na oitava entrada, Brett Gardner e Derek Jeter(Impulsionando Gardner) conseguiram rebatidas válidas, e o bullpen Darren Oliver do Rangers cedeu dois walks consecutivos, deixando Alex Rodriguez pegar o bastão com bases lotadas. Meu querido Darren Oliver, esse foi o maior engano que voce poderia cometer. Alex Rodriguez conseguiu uma rebatida válida pra impulsionar duas corridas, e em seguida Cano e Marcus Thames conseguiram dois singles pra impulsionar mais duas corridas, virando o placar para 6 a 5. Os Rangers se mostraram completametne sem forças para reagir e os Yankees conseguiram uma virada histórica.

O jogo dois foi um festival de bases roubadas para o Rangers. No entanto, a história do jogo 1 parecia fadada a se repetir: Na primeira entrada, Elvis Andrus roubou a terceira base, e em seguida roubou o Home Plate para abrir 1 a 0 na contagem (Na mesma jogada, Josh Hamilton roubou a segunda base). Um roubo de home plate é algo extremamente raro de acontecer, e eu nao lembro de ter visto isso na pós temporada recentemente. Na segunda entrada, um home run de David Murphy e uma corrida impulsionada abriram ainda mais o placar, e o mesmo Murphy impulsionou uma corrida e anotou outra na terceira entrada pra abrir 5 a 0. Mas na quarta entrada, o mesmo Robinson Cano anotou uma corrida para deixar 5 a 1. Mas o Rangers não ia repetir a bobeada, e logo na entrada seguinte anotou mais duas corridas pra fechar o caixão do Yankees. Cano até conseguiu mais um Home Run, mas não foi suficiente. Josh Hamilton ainda quase anotou mais uma corrida após o quarto roubo de base do time na partida.

O Rangers com certeza não está satisfeito, tendo perdido um jogo em casa da forma como perdeu o jogo 1. Ainda assim, eles tem esperança. Cliff Lee vai subir ao montinho hoje a noite e ele nunca perdeu em pós temporadas, é o quinto pitcher da história com melhor ERA nos playoffs tendo jogado ao menos seis jogos (Dos quatro à sua frente, tres estão no Hall da Fama) e tem um histórico bastante favoravel contra o Yankees. Na World Series de 2009, ele foi o responsavel pelas duas vitórias do Phillies comendo o Yankees com farofa e acabou com o melhor time da AL na semifinal de conferência. Do outro lado, o lendário Andy Pettite, com 19 vitórias e apenas uma derrota, maior número de vitórias na história dos playoffs para um pitcher. Pettite terá que resolver o problema com os pitchers do Yankees: CC Sabathia no jogo 1 e Phil Hughes no jogo 2 cederam juntos 13 corridas, e o Yankees não pode ceder tantos pontos assim sempre pra tentar correr atrás no final. Robinson Cano está pegando fogo e pode ser o diferencial pra esse time.


Curiosidadades da NFL

"Avisa o Lovie Smith que eu sou o número 1!"

- Na derrota do Bears para o Seahawks, Devin Hester fez história. Com um retorno de punt de 89 jardas pra touchdown, Hester conseguiu seu nono retorno de punt para touchdown, empatando Brian Mitchel com a segunda maior marca da história só ficando atrás de Eric Metcalf, com 10. Hester tambem combinou ja para 14 retornos para touchdown com punts e kickoffs, empatando Mitchel no recorde da NFL. Ah, mas aposto que o Hester é velho e ja deve tar no fim da carreira. Ah não, espera, o Devin Hester está só na quinta temporada como profissional! E lembrando que essas marcas são apenas para temporada regular, e Hester tem um retorno pra touchdown de kickoff no... Super Bowl! Alguem duvida que ele vá quebrar ambas as marcas? Eu com certeza não! A pergunta que fica é: Porque diabos a besta quadrada do Lovie Smith parou de usar ele como retornador de punts por tanto tempo e ainda não voltou a usá-lo como retornador de kickoff?? Hester teve temporadas geniais retornando ambos em 2006, como calouro, e 2007. De repente, Hester parou de retornar tanto kickoffs como punts! Faz sentido voce ter possivelmente o melhor retornador da história e não usá-lo para retornar?? Pra mim não faz nenhum! Se em 2008, 2009 e agora em 2010 o Hester tivesse retornado kickoffs e punts (Hester voltou a retornar punts com frequencia no fim da temporada passada), eu tenho certeza que ele teria estourado essas marcas ha muito tempo!

- Tom Brady conseguiu, com a vitória sobre o Ravens, sua 23ª vitória consecutiva em casa na temporada regular. Assim, ele empatou a marca de John Elway e está apenas atrás de Brett Favre, que entre 95 e 98 teve 25 com os Packers. Os próximos jogos de Brady em casa serão contra Vikings, Colts e Jets. Será que ele consegue bater a marca de Favre com essa tabela?? Eu acredito que sim! E voces?

- Randy Moss agora tem 944 recepções em sua carreira e passou Art Monk como quarto maior recebedor da história. Os tres jogadores na sua frente são os tres integrantes do 'Clube dos 1000'. Terrell Owens (1,037), Marvin Harrison (1,102) o último é tão absurdo que eu tenho até vergonha de falar, mas ja que voces insistem, é claro que é o Jerry Rice, com apenas 1,549. Calma, que tem mais Jerry Rice vindo ai.

- Hines Ward, o nosso querido Risadinha, conseguiu registrar seu 183º jogo consecutivo com uma recepção, empatando com Art Monk para a quarta maior seqüencia desse gênero na história da NFL. À sua frente estão Terrell Owens com 185, Marvin Harrison com 190 e... Perai, produção, ta certo esse número aqui?? Cacete! Então acompanhe comigo. Ward, empatado com Monk, tem 183 jogos consecutivos com pelo menos uma recepção. Se conseguir mais dois jogos assim, ele empata com o terceiro lugar. Pra empatar com o segundo lugar, ele precisa de mais sete. E pra empatar com o primeiro lugar, ele precisa de apenas mais NOVENTA E UM jogos com pelo menos uma recepção!! É isso ai, o líder da lista é novamente Jerry Rice, com 274 jogos consecutivos! O cara é ou não é um monstro?