Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Os gigantes da baía

Nenhuma foto retrata melhor a temporada do San Francisco Giants como essa (Jogo 7, NLDS)


Reproduzo abaixo uma parte do texto que eu publiquei na coluna do dia 02/11/2010, um dia depois do San Francisco Giants vencer sua primeira World Series em 56 anos.



Noite de 26 de dezembro de 2009, um Toyota alugado atravessa a Bay Bridge pra entrar em San Francisco. Dentro do carro, dois torcedores do San Francisco 49ers fanáticos chegavam com a familia à cidade onde, dia seguinte, realizariam o sonho de ver seu time jogar ao vivo. Passando perto da baía pra ver melhor a cidade no escuro, uma construção aberta que emitia forte iluminação chamou a atenção do carro. Era um estádio onde se podia ler num letreiro luminoso "AT&T Park". Chegando ao hotel e acessando o Wi-Fi de la, descobriram que era o estádio era do San Francisco Giants, um time fraco da MLB que ha anos nao obtinha sucesso.

No dia seguinte, indo pro Candlestick Park pra ver Niners vs Lions, os dois passaram em frente a uma interessante e bonita construção de tijolos, com duas estátuas (Que depois descobriram ser cinco no total) na frente, estilo antigo. O motorista do carro informou que era o AT&T Park, e avisou que o time era um fracasso desde que se mudou de New York e que nao ganhava um titulo desde 1954. Um deles, o mais velho, virou para o outro e brincou falando que agora que tinhamos passado por ali, seria a hora do Giants se reerguer e ser campeão, e que quando começasse a temporada da MLB os dois iriam acompanhar aquele time. San Francisco é a cidade americada favorita dos dois, os dois sao fanáticos por outro time da cidade (49ers) e o estádio era extremamente simpatico, e os dois prometeram que acompanhariam a temporada do Giants.

Um desses torcedores era meu pai. O outro, eu. Naquele dia, de volta do jogo (Niners venceram 20 a 6), fiz questão de passar pelo AT&T Park denovo. Vi a parte que estava aberta, a estátua do Willie Mays, a homenagem ao Jackie Robinson, e comprei um boné do time. Aprendi mais sobre a franquia e decidi que, se os Red Sox nao fossem ser campeões, eu iria torcer pro Giants. Eu prometi que em caso de titulo do Giants eu iria contar um pouco da minha historia com o time, e ai está ela. Pode parecer idiota, gostar do time só porque simpatizei com o estádio, mas nao é só isso. Ja estive em estadios ou ginásios de cinco esportes diferentes em sete países e nao achei nenhum que eu gostasse tanto quanto esse alem do Morumbi. San Francisco sempre foi minha cidade favorita dos EUA e eu senti muito bem, na viagem, o clima que a cidade tinha com o baseball, e caso algum dia voces forem pra la e sentirem o baseball na alma da cidade, é dificil nao se apaixonar. E agora estou aqui, vendo MNF e escrevendo sobre o título do Giants que meu pai falou ha dez meses de brincadeira enquanto passavamos na frente do estádio que hoje estará lotado pra receber os campeões.


Yeah, a história é velha, e pode parecer engraçado, mas foi daí que meu pai começou a torcer pro Giants, e dai que eu comecei a acompanhar a franquia mais de perto que qualquer outra, tirando claro meu Red Sox. E bem, foi emocionante ver o time ganhar um título, ficar fora dos playoffs, e dar a volta por cima e ganhar um segundo título com um time totalmente diferente do primeiro. Não sei exatamente porque aquela passada pelo AT&T Park me marcou tanto, mas eu não ligo. Porque esportes não precisam seguir uma lógica ou serem racionais, certo? 

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Veja de novo a foto que começa o post, Marco Scutaro aproveitando a chuva que caiu nas ultimas duas entradas do Jogo 7 da NLDS, com o Giants terminando sua impressionante recuperação sobre o Cardinals, liderando por 8 a 0 um jogo já ganho, virando uma série que parecia perdida em 1-3... Só para ganhar três jogos seguidos e fechar a série em casa. Essa talvez seja minha foto favorita em tantos anos de baseball, porque ela reflete tudo que tem pra se dizer e se saber sobre o espetacular título do San Francisco Giants. Não é a toa que essa foto lembra tanto a famosa cena da chuva do Andy Dufresne em Shawnshank Redemption, porque de certa forma as duas tratam da mesma coisa: A vitória do Giants foi sobre redenção, foi sobre dar a volta por cima, sobre acreditar em si mesmo, acreditar que um milagre ia acontecer... E saber que, no fundo, esse milagre só acontece porque voce fez ele acontecer. 

Acreditem, eu acompanho esportes de modo geral desde que eu tinha dois anos. E em todo esse tempo, muitos jogos, muitas séries, muitos sucessos e muitas decepçōes, eu aprendi muitas coisas sobre os esportes em geral. E uma delas, uma das mais importantes coisas que eu aprendi sobre esportes, é a seguinte: Milagres não simplesmente acontecem. Eles dependem de uma sequência de pequenos milagres ao longo do caminho, cada pequeno evento tem que fazer sua parte.

Quando em 2004 o Red Sox se tornou o primeiro time da história da MLB a virar uma desvantagem de 3-0 numa série melhor de sete pra cima dos seus grandes rivais Yankees, apagando 86 anos de fracassos e decepçōes, muita gente falou que tinha sido um milagre, e talvez tivesse sido... Mas o Sox não ganhou quatro jogos de uma vez em uma partida só, ou com um golpe de sorte. Foram precisos quatro jogos cheio de pequenos milagres: Dave Roberts roubando a segunda base na nona entrada do Jogo 4, com dois eliminados, por uma fração de segundos; o Home Run de David Ortiz na prorrogação; Mariano Rivera, o maior closer da história, perdendo dois saves em jogos consecutivos; as três passed balls na prorrogação do Jogo 5 do Jason Varitek de alguma forma não rendendo nenhuma corrida; Joe Torre decidindo que era melhor arremessar pra um Ortiz pegando fogo com dois em base na parte de baixo da 14th entrada, com dois eliminados, ao invés de dar o walk intencional; Curt Schilling arremessando sete excelentes entradas no Jogo 6 com o tendão rompido; a chuva no Jogo 4 que permitiu ao Schilling jogar o Jogo 6; os juizes eliminando A-Fraud (foi mal, nao resisti) por interferência depois de inicialmente dá-lo como salvo quando ele claramente acertou o braço do jogador do Sox; o double de  Belhorn virando (corretamente) um HR depois da discussão dos juizes; e Johnny Damon rebatendo dois HRs (inclusive um Grand Slam) no Jogo 7 depois de não acertar nada a série inteira. Então não aconteceu um milagre e o Red Sox simplesmente virou a série: Foram acontecendo vários pequenos milagres ao longo de quatro jogos que levaram o Red Sox a conseguir a virada, e eles só aconteceram porque o time se recusou a desistir, continuou acreditando e se colocou em posição pra fazer esses milagres acontecerem. E eles recompensaram o esforço do time que simplesmente queria mais a vitória.

Com o Giants foi a mesma coisa. Sim, eles se tornaram o primeiro time da história da NL a reverter uma vantagem de 2-0 numa melhor de cinco, e o primeiro time de toda a história da MLB a reverter essa vantagem fora de casa. Eles se tornaram apenas o segundo time da história (junto com o Royals de 1985) a ganhar seis jogos eliminatórios seguidos, voltando pra ganhar do Cardinals depois de estar perdendo de 3-1. Mas nada disso veio fácil e nada disso aconteceu... bem, do nada. Esse final histórico simplesmente foi a parte final de uma história que começou logo na primeira semana da temporada regular.

Voltando um pouco pro começo da temporada regular, vale lembrar que o time do Giants em muito pouco lembrava esse. O time tinha Aubrey Huff na primeira base no lugar de Brandon Belt, Freddy Sanchez na segunda base, Hector Sanchez de Catcher no lugar do voltando-de-lesão Buster Posey, Pat Burrell e Nate Schierholtz disputando um lugar no OF, e Melky Cabrera (recém-chegado em uma ótima troca pelo fraco Jonathan Sanchez) no LF no lugar de Gregor Blanco. Tim Lincecum ainda era o principal pitcher do time, e Brian Wilson o closer. E francamente, vindo de uma campanha decepcionante em 2011 depois de perder seu melhor jogador em Buster Posey, ainda era um time sem identidade que buscava se reencontrar.

O primeiro golpe veio logo na primeira semana, quando o excelente closer Brian Wilson machucou o cotovelo e teve que fazer cirurgia, tirando Wilson da temporada. O Giants promoveu Santiago Casilla pro papel de closer, mas ele jogou muito mal nessa função antes de acabar voltando a ser um reliever normal. Além disso, desde o primeiro dia, ficou claro que o físico de Tim Lincecum finalmente estava dando mostras de desacelerar, e o duas vezes Cy Young teve um começo de temporada péssimo, ficando acima dos 6.00 de ERA. E com um lineup muito confuso, cheio de velhos pouco produtivos, o Giants logo ficou pra trás na divisão atrás de um quente time do Dodgers

Aos poucos, as coisas começaram a entrar em foco. O trio de arremessadores de Ryan Vogelsong, Madison Bumgarner e Matt Cain começou muito bem o ano, e o ataque encontrou nova vida nas costas de Melky Cabrera, que melhorou ainda mais sua forte campanha de 2011 pra rebater 37,5% nos primeiros meses de temporada, e de Pablo Sandoval. Com o tempo, o time reforçou sua defesa com a entrada do excelente Brandon Crawford de Shortstop e Brandon Belt na primeira base, muito mais produtivo do que o velho Huff. Ainda que o time não tivesse encontrado sua identidade (especialmente depois que o Panda machucou e com Posey ainda devagar por causa da lesão), o time conseguiu o suficiente nas costas do seu trio de arremessadores (apesar do péssimo desempenho de Lincecum e Barry Zito) e de Melky pra se manter na caça ao Dodgers pela divisão.

Passado o All-Star Game (onde Cain foi o vencedor, Melky o MVP e Sandoval rebateu um 3-run triple), o Giants recebeu um novo golpe: Melky Cabrera, mais forte candidato a MVP da Liga e lider em aproveitamento com 34,5%, foi pego no antidoping pelo uso de testosterona sintética e foi suspenso por 50 jogos, tirando do Giants o seu melhor jogador ofensivo. Já sem Wilson, e com Lincecum em péssima temporada, parecia que seria o fim do Giants. Pra piorar, o Dodgers, que estava brigando pau a pau com o Giants pelo tiítulo da NL West, decidiu que estava disposto a gastar na Trade Deadline e trouxe CINCO ex-All Stars em contratos milionarios: Hanley Ramirez, Shane Victorino, Josh Beckett, Adrian Gonzales e Carl Crawford. Parecia que ia ser a hora do Dodgers disparar e do Giants implodir com tantos jogadores chave caindo fora.

O Giants fez apenas dois movimentos pouco divulgados na trade deadline: Trouxe Marco Scutaro do Rockies pra jogar no lugar de Ryan Theriot na 2B, e trouxe Hunter Pence do Phillies pela necessidade de um rebatedor destro de força no meio do lineup (Posey ainda estava num ritmo baixo). Fora isso, o Giants não quis repetir o erro do ano passado (quando trocou o bom prospect Zach Wheeler por Carlos Beltran, que deu o fora no final da temporada) de trocar muitos ativos pro futuro, e ficou por isso mesmo, contando numa evolução dos seus rebatedores, que Zito e Vogelsong voltassem à boa forma.

E foi ai que, improvavelmente, tudo começou a se encaixar pro Giants. Com a saída de Melky, o time parou de gravitar em torno dele e cada jogador assumiu um papel maior na equipe, que aproveitou para se focar mais em torno da sua excelente defesa. Sem o melhor jogador ofensivo do time, Posey acordou e assumiu o papel de responsabilidade no ataque do time, rebatendo 41% (!!!!) depois do All-Star Game até o final da temporada, terminando como o melhor jogador ofensivo E o melhor jogador da NL, jogando praticamente apenas metade da temporada ou menos a força total. Além disso, no lugar de Cabrera no LF entrou Gregor Blanco, que estava jogando na Venezuela a essa altura do ano passado em busca de um contrato. Blanco, que tava rebatendo .224 na temporada, rebateu .286 até o final da temporada e foi o melhor LF defensivo da MLB nesse período final da temporada. Marco Scutaro, rebatendo .262 no Rockies, rebateu .364 (!!!!) ate o final da temporada com o Giants e foi um dos melhores jogadores da equipe rebatendo em segundo. Mesmo nos arremessadores, Vogelson e Zito de repente encaixaram, com Vogelsong colocando um ERA de 2.10 nos seus últimos jogos na temporada regular, e com o Giants ganhando os ultimos seis jogos que Zito começou. No Bullpen, Sergio Romo levou seu slider a um novo nível e assumiu com tranquilidade o papel de closer da equipe, com um ERA de 1.79 na temporada inteira. Isso liberou Bruce Bochy pra usar Jeremy Afeldt e Casilla de acordo com os matchups em cada jogo, sem se preocupar com a nona entrada. Com o Dodgers ainda mostrando grande inconsistência, o Giants ligou o turbo, Posey jogou como MVP, a defesa do time se tornou a segunda melhor da Liga (depois do Braves) nesse final de temporada, os arremessadores elevaram seu jogo, e o Giants ganhou facilmente a divisão antes de enfrentar o Reds nos playoffs.

Claro, estava apenas começando. Depois de perder seu Closer e o melhor jogador dos primeiros 110 jogos do time, o Giants chegou nos playoffs com um grupo unido e momento, mas esbarrou talvez no melhor time da MLB, Cincinatti Reds. Nos dois jogos iniciais em San Francisco, o time teve problemas e perdeu os dois jogos. Assim, foi pra Cincinatti jogar os ultimos três possiveis jogos da série jogando também contra a história: Nenhum time da história da NL conseguiu reverter uma desvantagem de 2-0 numa melhor de cinco, e os três unicos times da AL a consegui-lo o fizeram com os tres jogos finais em casa. E pra piorar, o Reds não tinha perdido três jogos seguidos em casa em toda a temporada.

Mas o Giants não estava disposto a voltar mais cedo. Pence, um dos jogadores mais intensos da MLB, se não fez estrago com o bastão logo foi aceito como um lider vocal no vestiário, alguem que todos ouviam e respeitavam, se levantou antes do jogo 3 e fez um discurso inflamado antes da partida, que contagiou a equipe. Horas mais tarde, Vogelsong arremessou um grande jogo, o Bullpen do Giants segurou o resto, e conseguiram levar o jogo pra entradas extras. Lá, o Giants anotou sua segunda e decisiva corrida do jogo graças a um erro do bom e velho Scott Rolen, que permitiu ao Buster Posey anotar corrida com dois eliminados antes de Romo fechar o jogo. No Jogo 4, Bochy optou por Barry Zito sobre Lincecum, mas Zito durou menos de três entradas... E claro que Lincecum entrou como middle reliever, cedeu uma corrida em 4.1 entradas, e viu o Giants rebater três HRs pra ganhar a partida. E no Jogo 5, com um Matt Cain pouco eficiente (3 ER em 5.2 IP), Buster Posey se recuperou de uma série fraca com um Grand Slam pra dar a vitória ao Giants. Fazendo história pela primeira vez, o Giants avançou pra enfrentar os atuais campeōes Cardinals.

Mas a série começou mal pro Giants. Madison Bumgarner continuou sua sequência de jogos ruins com uma péssima partida que permitiu ao Cardinals anotar seis corridas em menos de quatro entradas. Bumgarner acabou saindo da rotação titular pra Lincecum jogar o jogo 4 e Zito jogar o jogo 5, mas com Lincecum ainda incapaz de produzir começando de titular, o Giants logo se viu num buraco de 3-1.

E ai veio o turning point da pós-temporada do Giants. Eles tiveram as costas contra a parede no Jogo 3 contra o Reds, mas pelo menos eles tinham seu titular mais consistente nos ultimos jogos (Vogelsong) indo pro montinho. Contra o Cardinals? Era Barry Zito, o veterano que assinou um contrato de 120M em 2004, mas nunca jogou nem perto disso pelo Giants. Barry Zito, que não tinha durado três entradas na sua ultima partida de pós-temporada (Jogo 4 da NLDS). Barry Zito, o veterano de 34 anos cuja bola rápida não passa de 88 MPH. Ou seja, se o Giants pudesse escolher um titular pra NÃO jogar nesse jogo, seria o Zito. E aí Zito entrou com sua calma e pose de sempre, e jogou possivelmente o jogo de sua vida, o que não é pouco pra um ex-Cy Young: 7.2 IP, nenhuma corrida cedida, e manteve o controle do jogo durante o tempo todo até entregar o jogo e a vantagem pro Bullpen. Foi talvez a atuação mais improvável desses Playoffs, Zito voltando a sua forma de 10 anos atrás pra arremessar um brilhante jogo de pós-temporada, fora de casa, em um jogo de eliminação. Foi realmente inspirador ver um jogador muito amado no vestiário, mas muito criticado pela torcida e pela mídia em virtude do seu contrato, aparecendo quando sue time mais precisou e entregando uma vitória na bandeja pra continuar vivo na série. Com Scutaro rebatendo tudo que passava perto dele (.500 na série), um erro crucial do pitcher Lance Lynn num arremesso pra segunda base, e até mesmo Zito conseguindo uma rebatida e um RBI, o Giants se inspirou na performance do seu pitcher, e não olhou mais pra trás.

Ainda tinha mais dois jogos pro Giants ganhar, e o Giants ainda precisava contar com toda ajuda que pudesse. Mas atrás de mais um excelente jogo de Ryan Vogelson, que até rebateu um RBI além de seus 9 Ks, e de Marco Scutaro, que continuou fazendo sua melhor interpretação de Roy Hobbs, o Giants levou a série pro jogo 7 decisivo. E aí que o destino, a sorte, um milagre ou como quiser chamar apareceu de novo: Com bases lotadas e nenhum eliminado, Hunter Pence - que inspirou o time na NLDS antes do jogo 3, mas que tava com muitos problemas no bastão - foi para uma rebatida contra Kyle Lohse: A rebatida foi tão forte que quebrou o bastão, mas isso fez a bola bater três vezes no bastão quebrado antes de ser colocada em jogo, pegando um efeito ridiculo que enganou o Shortstop Pete Kozma e transformou o que devia ser uma queimada dupla num double que limpou as bases. Não, é sério, veja o vídeo. Foi o equivalente a colocar uma faca nas costas do Cardinals, o golpe que acabou de vez com o time. E o Giants não pode fazer nada senão continuar aproveitando o momento: Matt Cain arremessou um grande jogo e ainda adicionou outro RBI - o terceiro jogo consecutivo que um pitcher do Giants conseguiu um RBI single - e o Giants logo abriu 8-0. Foi quando começou a chover, e os juizes optaram por continuar o jogo (senão teriam que adiar as entradas que faltavam para outro dia, e francamente, o jogo já estava decidido). Foi ai que Scutaro não resistiu e aconteceu a foto que ilustra o post. Com a chuva caindo, ele não resistiu e abriu os braços, deixando a chuva cair. Ele sabia que o jogo estava decidido e que eles tinham feito o que parecia impossível.

Ele estava simplesmente aproveitando o momento, saboreando tudo que o time tinha feito, todos os milagres que cairam no lugar certo pra levar o Giants até ali. Eles fizeram o que parecia impossível, ganhar três seguidas fora de casa do Reds, depois ganhar mais três jogos de eliminação contra os atuais campeōes. Foi a cena mais sincera desses playoffs, um jogador extremamente intenso que viveu dias muito ruins em termos de baseball com o Red Sox ano passado e com o Rockies esse ano, um veterano de 37 anos em busca de uma última chance de ganhar um título simplesmente reconhecendo tudo que o time estava lavando junto com aquela chuva e aquela virada, quase como se agradecesse a uma ajuda superior por tudo que estava indo da melhor forma possível pro Giants. E isso continuou na World Series, mesmo com uma certa facilidade pro Giants na varrida: No Jogo 1 entre Zito e Justin Verlander, no papel um dos duelos menos equilibrados da história da World Series, Zito arremessou mais um excelente jogo (5.2 IP, 1 ER) e viu Verlander saiu na terceira entrada após ceder quatro corridas e dois HRs. Além disso, Pablo Sandoval ainda rebateu um terceiro HR e o time viu Gregor Blanco fazer duas lindas defesas no OF com jogadores em base. No Jogo 2, Madison Bumgarner voltou depois de 10 dias fora, relegado ao Bullpen para arrumar seu arremesso após péssimos playoffs, sem controle nem velcidade... E claro, Bumgarner continuou de onde parou na sua última World Series (8 IP, 3H, 0 ER contra o Rangers) para arremessar mais um jogo sensacional (7IP, 2H, 0 ER), mas não sem antes o Giants conseguir mais uma espetacular jogada defensiva, quando Blanco, Scutaro e Posey fizeram uma jogada perfeita pra eliminar Prince Fielder no home plate depois de um double de Delmon Young que poderia ter mudado o rumo da série se anotasse a corrida, e mais um milagre ofensivo (um bunt do Blanco parar a milimetros da linha de foul). No Jogo 3, mais uma performance espetacular de Vogelsong e mais um grande jogo de Blanco (RBI triple, anotou corrida depois), com Pablo Sandoval fazendo espetacular defesa num liner do Cabrera que teria sido um double. E no Jogo 4, com Matt Cain em um jogo bom, mas não ótimo, Posey recuperou sua forma da temporada com um 2-run HR, e Scutaro acertou a rebatida da vitória (impulsionando Ryan Theriot, jogador de quem Scutaro roubou a vaga no time!) na décima entrada, o final perfeito pra um playoff perfeito.

Então sim, o Giants deu sorte em diversas jogadas, e escapou do buraco graças a pequenas coisas que foram acontecendo na hora certa e no lugar certo. Mas é assim que funciona: Nenhum milagre vai fazer um time ganhar três jogos de uma vez. Você precisa de vários pequenos milagres ao longo do caminho, e mais importante, você precisa continuar se colocando numa posição favorável a isso. E o Giants fez isso se recusando a perder, continuando lutando, jogando como um time e nunca desistindo. O time pegou fogo quando precisou e mais uma vez se superou quando precisou.

Sabe aquela cena de MIB3 quando um personagen fala sobre como ele gosta do tiítulo de 1967 do Miracle Mets por causa de todas as pequenas coisas que precisaram acontecer pra esse título acontecer? "Está vendo o LF? Ele só virou jogador de baseball porque seu pai não tinha dinheiro pra lhe comprar uma bola de futebol americano, e ao invés disso lhe deu uma luva de baseball quando ele tinha quatro anos...". Foi mais ou menos isso que aconteceu nessa temporada do Giants. O time perdeu seu closer logo na primeira temporada e ficou quase 100 jogos com dificuldades pra estabilizar o Bullpen, mas que achou um novo closer de elite em Sergio Romo, um jogador que entrou nas minor Leagues com 24 anos depois de terminar a faculdade pra seguir o sonho do seu pai; o time perdeu seu melhor rebatedor pra um caso de dopping na reta final da temporada... E claro, foi o que faltava pro time se encaixar e se unir, cada jogador cumprir seu papel e o time assumir sua identidade como um time de excelente defesa e excelente baserunning atrás do poder de Posey e Panda no bastão; Pence e Scutaro chegaram na reta final da Liga, mas logo deram a um time um pouco frio demais dois jogadores intensos que contagiaram todos os outros e assumiram o papel de líderes (com Scutaro rebatendo .364); teve Posey se recuperando de uma assustadora lesão pra ter o melhor final da temporada dos ultimos anos na MLB e provavelmente um NL MVP. E tudo isso antes do final da temporada regular.

Nos playoffs continuou: Com as costas contra a parede enfrentando o Reds em OT, o Giants anotou a corrida da vitória graças a um erro do Scott Rolen; O Giants viu seu duas vezes Cy Young, incapaz de continuar eficiente como titular, aceitando com naturalidade um novo papel no bullpen, e se reinventando como o melhor homem de relief da MLB; viu Ryan Vogelson, que chegou ao time ano passado com 35 anos depois de passar toda sua carreira nas Ligas menores e no Japão como um arremessador mediano, ter duas temporadas de All-Star e se tornar o primeiro pitcher desde 1966 a ter quatro jogos nos playoffs e um ERA abaixo de 1.00 (0.73), sem falar em ganhar três jogos cruciais; viu Barry Zito, o jogador mais criticado de San Francisco, ressuscitar em Outubro, arremessar o maior jogo do Giants na temporada (Jogo 5, NLCS) e repetir a dose contra Justin Verlander e o Tigers no Jogo 1 da WS; viu Madison Bumgarner, retirado da rotação titular pra passar 10 dias consertando seu arremesso, voltar na World Series e arremessar sete shutout innings brilhantes; viu o Cardinals cometer uma série de erros importantes nos jogos decisivos, em especial Kozma; viu Marco Scutaro surtar na NLDS e rebater .500, especialmente nos jogos decisivos; viu a bola milagrosa do Hunter Pence no Jogo 7 que tinha 99% de chance de virar uma queimada dupla virar tres corridas; viu Pablo Sandoval, rebater tres HRs num jogo de WS, algo que só Babe Ruth, Reggie JAckson e Albert Pujols tinham feito na historia; viu no Jogo 1 da WS uma eliminação de rotina na 3B que virou uma rebatida dupla porque a bola do Angel Pagan acertou a base e mudou de direção (e começou uma rally de 3 corridas); viu Gregor Blanco, um jogador que a essa época do ano passado estava jogando na Venezuela ainda em busca de um contrato na MLB, jogar a melhor defesa no LF de toda a MLB, rebater uma bola de sacrifício que ia sair de campo e parou MILIMETROS antes, lotando as bases para o RBI que venceu o jogo do Brandon Crawford (e depois uma rebatida tripla no Jogo 3 pra anotar a corrida da vitória); e por fim, viu um time que superou todos os problemas que poderia ter tido durante grande parte da temporada prevalecer contra um time muito mais favorito do Detroit, com Miggy Cabrera, Fielder e Verlander ficando em segundo plano contra Posey, Sandoval, Zito, Lincecum e todo o resto do time do Giants. Então sim, foi um título extremamente improvável, um time que superou todo o tipo de adversidades e situaçōes pra chegar aonde esteve. E, assim como o Miracle Mets, foi um time que dependeu de diversas pequenas situaçōes improváveis sem as quais esse time não teria chegado até aqui. Diversos golpes de sorte, erros dos adversários, bolas que acabaram caindo no lugar certo no momento certo. Vendo o resultado, parece um milagre. Mas um milagre que aconteceu porque o Giants continuou se colocando na posição pra esses milagres acontecerem, se recusou a desistir, e continuou brigando até o final.

Um último ingrediente que não pode ser deixado de lado nesse título do Giants, though. Eu sempre insisto nisso, que esportes envolvem mais do que está no papel, que existe mais do que juntar um monte de jogadores talentosos... Basicamente, que existe um conceito de "time" que não pode ser copiado. O que Isiah Thomas chamou de "O Segredo" do basquete, e que pode ser aplicado de diferentes formas a qualquer esporte no mundo. Sinceramente, em tantos anos de baseball, eu nunca vi um grupo que represente tão fortemente essa noção de time e que pratique tanto o "Segredo". Eles simplesmente adoram jogar juntos! Adoram dar risada, comemorar e dar apelidos entre si, adoram viver como um grupo. E mais importante, e talvez consequência, os jogadores não demonstram ego algum e só se medem pelo sucesso do grupo, não o individual. Ninguém liga pros próprios numeros, ninguém reclama de ir pro banco e cada um deles e todos conhecem exatamente seu papel na equipe. Quando o Giants ganhou cada um dos três jogos contra o Reds, todo mundo na equipe que dava entrevistas só sabia falar do Hunter Pence, que teve uma série muito fraca, e como ele inflamou todo mundo no vestiário, como sua energia e competitividade tinha contagiado todo mundo e inspirado todos eles a correrem até o ultimo segundo. Quando Alex Rodriguez foi pro banco no Yankees, ele só se preocupou em ficar parado no canto olhando tudo de longe e xavecando modelos na torcida, mas quando Lincecum foi pro banco incapaz de continuar de titular, ele continuou buscando ajudar o time da melhor forma como pode, torcendo feito louco pelos companheiros, e se reinventou como o melhor relief pitcher da MLB com numeros Mariano Riverescos (14 IP, 1 ER, 3H, 17 K... Are you fucking kidding me?!). Veja de novo os jogos 5 (NLDS) e 2 (WS), quando Lincecum ficou no banco em favor de Zito e Bumgarner enquanto os dois demoliam os adversários: Ninguem estava mais feliz e vibrante por eles e pelo time do que Timmy! Quando Ryan Theriot foi impulsionado no Jogo 4 pelo jogador que tirou seu lugar no time, ele só queria saber de gritar e comemorar com seus companheiros. Esse foi o principal motivo do Giants não querer reintegrar Melky nos playoffs, porque ninguem no time queria ele por lá, ele era um outsider que não fazia parte daquele grupo que se formou de vez quando ele saiu da equipe. Eles podiam usar seu bastão jogando de DH na World Series ou pinch-hitting, mas Bochy optou por perder talento pra ganhar em chemestry. E isso fez toda a diferença!

Todo esporte precisa de talento, mas também precisa que os jogadores aceitem o seu papel num time. Você precisa de uma hierarquia determinada e que todos os jogadores se combinem de alguma fora. Esse foi o grande papel, por acaso ou não, das trocas que o Giants fez na trade deadline: O Giants tinha jogadores demais como Posey, Cain e Zito, jogadores extremamente coletivos e focados, mas muito frios e concentrados. Ou então jogadores como Panda e Blanco, jogadores carismáticos e amigos de todos, mas que não assumem um papel de liderança. Faltava ao time um líder um pouco mais intenso, alguem com aquele fogo que contagiasse os companheiros, aquele jogador que grita quando o time faz uma boa jogada (pense Kevin Garnett quando chegou ao Celtics). Por isso a chegada de Scutaro e Pence foi tão fundamental, ela trouxe dois líderes vocais e extremamente intensos, dois caras que falam fora de campo e se matam dentro dele, torcem feito loucos pelos companheiros e sempre estão motivando os companheiros. Os dois, em especial Pence, logo se integraram ao time e ao vestiário, msa também - e talvez mais importante - adicionaram um ingrediente a mais à mistura de personalidades ao time. Quando o Giants precisava de uma cabeça fria e calma, eles tinham Posey e Cain liderando. Quando precisavam de energia e de forças extras, Pence e Scutaro faziam as jogadas de energia e agitavam todos os companheiros. E logo, todo o time seguia a deixa. A quantidade de infield singles do Giants nesses playoffs diz muito sobre essa mentalidade do time, que nunca deixava de correr uma base nem que as chances de chegar fossem mínimas, estavam sempre mergulhando pelo campo atrás de bolas e não desistiam de nenhuma jogada. Por isso, contra Reds e Cardinals, quando o time precisou de motivação e intensidade, foram Pence e depois Scutaro que deram a deixa, e o time seguiu. Quando o time abriu vantagem contra o Tigers, foi o jogo tranquilo e eficiente de Posey, Pagan, Vogelsong e Cain que fez o time manter o foco. Quando o time precisava que um jogador fosse pro banco ou exercesse um papel diferente pelo time, ele fazia, e todo o grupo o apoiava. Quando um jogador errava, o time todo tinha suas costas. E num time com vários jogadores que cresceram juntos dentro da organização, tantas histórias inspiradoras de superação (Zito, Vogelsong, Blanco, Posey), e tantos jogadores que estavam dispostos a se matar pela vitória, isso fez um bom time se elevar a um novo nível quando precisou. Eu não lembro de outro time (tirando o Sox de 2004) que tivesse isso em tão alto nível, gostasse tanto de jogar junto e onde os jogadores elevassem uns aos outros a um novo nível. Entre todos os times que vi na minha vida, talvez esse fosse meu favorito tirando aquele Sox.

Por isso eu gosto tanto daquela foto do Scutaro. No fundo, ela reflete tudo isso, um jogador genuinamente feliz de estar ali e de ter feito o que o Giants fez, um jogador que superou muita coisa pra finalmente realizar seu sonho de jogar uma World Series, alguém que estava se divertindo e aproveitando cada momento daquele massacre pra cima dos eventuais campeōes... E que não esperava estar ali, quase agradecendo a um poder superior por todas as pequenas coisas que caíram no lugar certo na hora certa para que esse time pudesse ter superado todos os obstáculos até aquele ponto. Seja Zito renascendo quando o time mais precisou, seja a rebatida dupla mais esquisita da história do baseball de Pence, ou simplesmente por todos eles puderem estar ali, juntos, fazendo história e ganhando seu direito de disputar o título. E assim como Andy Dufresne, posso garantir - e ele também - que Scutaro nunca vai esquecer o momento daquela foto, sob a chuva gelada outubro em San Francisco, ou da temporada 2012 do San Francisco Giants.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que ficar de olho na MLB - Parte II (NL)


O Giants pode não ser favorito ao bi,
mas ainda temos que temer essa barba

Ontem a gente falou sobre os times de maior interesse nesse início de temporada do lado da AL: Os renovados e favoritos Red Sox, o Yankees e a descendente dos seus principais jogadores, o finalista de 2010 Rangers, a aposta do Twins na saúde de seus principais jogadores e no melhor time de 2010 mas que perdeu jogadores importantes, o Rays. Hoje, a gente vai falar dos times interessantes do lado da NL e o que eles esperam pra essa temporada.

1. O San Francisco Giants não é favorito ao bi
O San Francisco Giants de 2010 foi uma das grandes zebras campeãs na MLB em muito tempo, é a minha história de Cinderela (como os americanos chamam esses times desacreditados que vão longe) favorita da MLB que não envolva o Red Sox, e eu sou um fã assumido do time de San Francisco. Mas a verdade é que como eu falei muito ao longo dos playoffs, e principalmente no post do título do Giants (Que é um dos meus posts favoritos no blog e vale a leitura), o Giants não tinha de forma alguma a formação de um time campeão. O time contava com uma rotação titular fantástica, um dos melhores arremessadores da Liga e um dos melhores closers da Liga (Ou pelo menos o com a barba mais legal), mas que as vezes sofria com inconsistência e que tinha problemas graves rebatendo. O lineup era uma mistura de veteranos em decadência, jogadores secundários ao longo de toda a vida e algumas jovens esperanças, mas o time sequer deveria ter ído à pos-temporada, só conseguiu porque a entrada do Buster Posey no time titular impulsionou o time a uma chegada espetacular e contou ainda com uma chegada ruim do seu rival direto, San Diego Padres. Nos playoffs, o Giants mudou completamente, elevou seu jogo de uma forma que eu nunca vi antes, todos os pitchers jogaram demais, Tim Lincecum foi Deus, Cody Ross encarnou o Baby Ruth, o Aubrey Huff mostrou pro Mark Teixeira que é um defensor melhor que ele, veteranos como Juan Uribe e Edgar Renteria de repente reviveram seus dias de glória, e o time jogou uma pós-temporada perfeita pra ser campeão.

O título foi sensacional, mas ele não pode cegar um simples fato: O Giants não parece que vai em busca do bi. O Giants manteve a rotação jovem e talentosa dos playoffs, deve ter uma evolução ainda maior do Jonathan Sanchez e do Madisom Bumgarner, e por isso já é um time que mete medo nos adversários. No entanto, os problemas do time do ano passado ainda estão lá: Os veteranos estão ainda mais veteranos, os jogadores secundários que jogaram monstruosamente nos playoffs são uma incógnita quanto a repetir essas performances, e ninguém tem certeza do que esperar desse time. Um time com uma rotação tão forte sempre é candidato a ir aos playoffs e, se chegando lá o time conseguir reviver aquele espírito de luta monstruoso do ano passado, pode até sonhar com o bi. Mas agora, no começo da temporada, ele parece ser novamente o que era ano passado: Um time bom, mas com muitas falhas que, até que sejam superadas - seja por mudanças no elenco ou por força de vontade sobre-humana, que nem ano passado - parecem impedir que o time possa sonhar mais alto.

2. O Philadelphia Phillies está vindo com tudo, mais uma vez
Eu disse que o Rays era o melhor time da MLB em 2010, e realmente o foi, mas tinha um time que talvez fosse ainda melhor, e era o Phiilies. A famosa rotação H20 (Cole Hammels, Roy Halladay e Roy Oswalt) era uma das mais fortes da MLB, o ataque do time era infernal e era um time completo, cheio de estrelas e jogadores capazes de alterar um jogo. O time chegou muito bem à pós temporada e varreu com uma facilidade assustadora o Cincinnati Reds, e só não foi campeão (Ou alguém realmente acha que o Rangers tinha chances numa eventual final?) porque foi vencido numa série espetacular pelo fenômeno que foi o Giants desses playoffs, com o Cody Ross isolando toda bola que via pela frente e com uma atuação histórica do Brian Wilson.

Mas o Phillies está de volta esse ano, e pronto pra mais. Eles trouxeram ninguém menos que Cliff Lee, um dos melhores arremessadores de pós temporada de todos os tempos (As suas únicas derrotas em pós temporadas foram para Lincecum na World Series, mas depois do que ele fez com Rays e Yankees, os Rangers ainda deviam fazer uma estátua dele) pra se juntar ao seu já espetacular trio de arremessadores, e eu não estou exagerando quando digo que essa talvez seja a melhor rotação titular da história do baseball. E com essa rotação, qualquer time é um candidato forte.

O problema do Phillies é o seu ataque, e principalmente lidar com as lesões nele. O time perdeu Jayson Werth na free agency para o Washington Nationals, um dos seus principais rebatedores e o melhor destro de um elenco de canhotos, e agora ainda vai ter que lidar com a lesão no joelho do Chase Utley e no cotovelo (já cirurgicamente reconstruído) do Placido Polanco. As duas causam preocupação e vão forçar os jogadores a ficarem de fora do time por algum tempo, além de serem lesões que preocupam pelo risco de re-incidencia. Além disso, o calouro promissor e favorito pra substituir Werth, Domonic Brown, quebrou a mão e também vai passar um tempo de molho. Isso não só faz com que o time fique absurdamente desfalcado no ataque como também preocupa a médio prazo, principalmente com a aspiração ao título da MLB.

Com a nova rotação titular e se esses jogadores conseguirem se recuperar ao longo da temporada, é difícil duvidar do Phillies, mas não vai ser fácil superar todos esses problemas. Muitos especialistas dizem que essas lesões e incertezas (até o closer Brad Lidge se machucou! Estamos falando do Phillies ou do Clippers?), é a chance do Atlanta Braves pra tomar o título da divisão pra si. E o Braves é um time bem interessante, especialmente se o Jason Heyward continuar jogando o que jogou ano passado.

3. Um minuto de silêncio pelo Cardinals
Num post de curtinhas recente, eu falei (Na verdade quem falou foi o Paulo Antunes, eu só comentei mesmo) sobre a lesão do Adam Wainwright, pitcher do Saint Louis Cardinals, que vai fazer a temida Tommy John Surgery e vai perder o resto da temporada. Isso coloca o Cardinals numa situação bem desagradável, porque o Wainwright é de longe o melhor pitcher do time, um dos melhores da MLB e só não ganhou o prêmio Cy Young de melhor arremessador da NL ano passado porque existe um cara por aí conhecido como The Doc. A perda do Wainwright afeta demais a equipe e com certeza vai ficar mais difícil ainda pro time superar o Reds como campeão da divisão, mas os problemas do Cardinals não param por aí.

Albert Pujols, pra mim o melhor rebatedor da MLB na atualidade e que caminha pra aposentar como um dos maiores de todos os tempos, está no último ano do seu contrato e ele e o clube não conseguiram chegar a um acordo para uma extensão bilhonária (125 milhões de patacas), o que quer dizer que é possível que Pujols saia do clube ao final dessa temporada. Perder o pitcher titular pra temporada, e ainda correr o risco de perder seu melhor jogar ao final do ano, não é agradável para ninguém. Agora que tinham trazido o Matt Holliday e parecia que iam desbancar o Reds. Pobre Cardinals...

4. O Reds não assusta ninguém
O Reds, sem o Adam Wainwright no caminho, tem tudo para conseguir mais um título de divisão em cima dos rivais Cardinals. Mas assim como ano passado o Phillies não tomou conhecimento deles nos playoffs, esse ano o Reds não começa assustando ninguém a não ser que algo de novo aconteça por lá ao longo do ano.

O Reds tem um ataque muito forte, o Joey Votto foi o MVP da NL em 2010 e o time é fortíssimo quando o assunto é anotar corridas, tiveram o melhor ataque ano passado e não tem motivos para desacelerar agora. O problema é que o time não tem arremessadores confiáveis. Aliás, o time mal tem bons arremessadores. É uma tendência do time do Reds já faz algum tempo, como se eles fossem o Phoenix Suns da MLB: Divertidíssimos de assistir, capazes de explodir no ataque pra superar os adversários, mas que quando precisam apertar na defesa eles não conseguem e acabam perdendo o jogo. E esse é o futuro do Reds a não ser que de repente eles comecem a jogar bem, com regularidade, e descubram um pitcher capaz de decidir jogos importantes pro time. Porque assim como na NBA, você não pode depender apenas do seu ataque. O Suns, infelizmente, é a prova viva disso.

5. Os candidatos a surpreender: Atlanta Braves e Milwalkee Brewers
O Brewers é uma versão genérica do Reds, mais ou menos o que o Braves era ano passado para o Giants. O ataque do Brewers é sensacional, o Corey Hart é um monstro, e o time possui pelo menos mais três ou quatro titulares que assustam qualquer arremessador. O time anota muitas corridas e não cansa de isolar as bolinhas, mas o time também sofre demais na defesa, a rotação titular do time ano passado era patética e por isso o time não conseguiu ir bem. Esse ano, no entanto, trouxe dois pitchers relativamente desacreditados mas que eu acho que são muito bons, Zach Greinke e Shaun Marcum. Greinke teve um 2009 fantástico, um ERA de menos de 2.20, mas ano passado teve a infelicidade de jogar em um dos piores times da Liga no Kansas City Royals, e aí ficou meio esquecido num cantinho escuro, ganhando só 10 jogos (Pro Royals, isso é muito!) e sem atrair muita atenção de ninguém. O Marcum voltou de lesão ano passado e jogou muito bem pelo Blue Jays mesmo ainda fora de ritmo. Agora os dois fazem parte da rotação titular do Brewers, e eles precisam desesperadamente produzir no alto nível que nós sabemos que eles podem para que o ataque do time tenha suporte pra tentar levar o time longe. Mas eu acho que foram ótimas contratações e que elas tornam o Brewers um time de verdade, que de repente pode surpreender o Reds na divisão.

O Braves era uma versão genérica do Giants, mas isso é um pouco distorcido, porque o Braves era um pouco melhor no ataque e pior na defesa em relação ao Giants. Mas a principal semelhança é porque muitas vezes a gente via o time perder jogos mesmo com os pitchers segurando o adversário a uma ou duas corridas, e as vezes a dificuldade de anotar corridas nos momentos importantes pesava demais pras aspirações do time. Ano passado, quem deu o boost que o time precisou no ataque foi o calouro Jason Heyward, que só não foi calouro do ano por causa do Buster Posey. Heyward jogou bem demais, acertou 18 Home Runs (Ontem, na abertura da MLB, ele conseguiu um já) e levou o time praticamente nas costas até a pós temporada. A rotação titular era fantástica (Mais uma semelhança com o Giants) e por isso o time conseguiu segurar as pontas, até chegar nos playoffs e perder para - adivinhem! - o Giants, numa pequena surra com direito a jogo histórico do Tim Lincecum (14 strikeouts). Esse ano, portanto, o Braves se preocupou em reforçar o ataque e trouxe Dan Uggla. Ele tem nome de homem das cavernas, mas não deixe isso enganar vocês, ele realmente é um homem das cavernas, pelo menos no que diz respeito a isolar bolinhas de baseball com muita força. Ele teve 33 Home Runs no fraco Marlins ano passado e junto com o Heyward é bem capaz do Braves ter um ataque mil vezes melhor que o do ano passado, o que torna a rotação titular do time ainda mais perigosa. Uma boa rotação titular e dois monstros no ataque, não é a toa que tanta gente coloca o Braves tirando o Phillies do topo da divisão depois de tantas lesões. Mas eu, pelo menos, duvido. Mas ainda assim, é um time perigoso, bem perigoso.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os Campeões do Mundo

Pela primeira vez, esse troféu vai pra San Francisco

Sei que ficou gigante denovo o post, mas é um post sério sobre um título de MLB. Pra quem tiver paciencia de ler, eu recomendo, achei que ficou muito bom. Pra quem nao tiver, amanha volto a falar sobre NFL. Obrigado pela compreensão.
Noite de 26 de dezembro de 2009, um Toyota alugado atravessa a Bay Bridge pra entrar em San Francisco. Dentro do carro, dois torcedores do San Francisco 49ers fanáticos chegavam com a familia à cidade onde, dia seguinte, realizariam o sonho de ver seu time jogar ao vivo. Passando perto da baía pra ver melhor a cidade no escuro, uma construção aberta que emitia forte iluminação chamou a atenção do carro. Era um estádio onde se podia ler num letreiro luminoso "AT&T Park". Chegando ao hotel e acessando o Wi-Fi de la, descobriram que era o estádio era do San Francisco Giants, um time fraco da MLB que ha anos nao obtinha sucesso.



No dia seguinte, indo pro Candlestick Park pra ver Niners vs Lions, os dois passaram em frente a uma interessante e bonita construção de tijolos, com duas estátuas (Que depois descobriram ser cinco no total) na frente, estilo antigo. O motorista do carro informou que era o AT&T Park, e avisou que o time era um fracasso desde que se mudou de New York e que nao ganhava um titulo desde 1954. Um deles, o mais velho, virou para o outro e brincou falando que agora que tinhamos passado por ali, seria a hora do Giants se reerguer e ser campeão, e que quando começasse a temporada da MLB os dois iriam acompanhar aquele time. San Francisco é a cidade americada favorita dos dois, os dois sao fanáticos por outro time da cidade (49ers) e o estádio era extremamente simpatico, e os dois prometeram que acompanhariam a temporada do Giants.



Um desses torcedores era meu pai. O outro, eu. Naquele dia, de volta do jogo (Niners venceram 20 a 6), fiz questão de passar pelo AT&T Park denovo. Vi a parte que estava aberta, a estátua do Willie Mays, a homenagem ao Jackie Robinson, e comprei um boné do time. Aprendi mais sobre a franquia e decidi que, se os Red Sox nao fossem ser campeões, eu iria torcer pro Giants. Eu prometi que em caso de titulo do Giants eu iria contar um pouco da minha historia com o time, e ai está ela. Pode parecer idiota, gostar do time só porque simpatizei com o estádio, mas nao é só isso. Ja estive em estadios ou ginásios de cinco esportes diferentes em sete países e nao achei nenhum que eu gostasse tanto quanto esse alem do Morumbi. San Francisco sempre foi minha cidade favorita dos EUA e eu senti muito bem, na viagem, o clima que a cidade tinha com o baseball, e caso algum dia voces forem pra la e sentirem o baseball na alma da cidade, é dificil nao se apaixonar. E agora estou aqui, vendo MNF e escrevendo sobre o título do Giants que meu pai falou ha dez meses de brincadeira enquanto passavamos na frente do estádio que hoje estará lotado pra receber os campeões.

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Algumas coisas parecem que são escritas pra acontecer. Nao importa se a lógica indicava o contrário, se as chances era pequenas. Na hora de acontecer, tudo acontece certo para esse fim, e pra quem ve do final parece que, desde o começo, os Giants estavam destinados a ganhar a World Series.

Para quem olhasse o time do Giants no começo da temporada, era dificil acreditar em alguma coisa vinda dali. Todos sabiam o que esperar de Tim Lincecum, bi campeão do Cy Young, premio de melhor pitcher, da NL, e do jovem mas talentoso corpo de arremessadores do time: Matt Cain, Barry Zito, Jonathan Sanchez. No entanto, não se podia esperar nada do resto do time. Era um grupo montado às pressas, com as sobras dos outros times, jogadores dispensados, velhos, sem perspectivas de um futuro na Major League.

Aubrey Huff estava sem time no meio de janeiro e assinou com o Giants um contrato condicional (dependendo de condições fisicas) de apenas um ano. Edgar Renteria sofreu com contusões durante todo o ano, jogou menos de metade da temporada, estava velho, com o corpo debilitado, desacreditado, e muitos - inclusive pessoas dentro do próprio Giants - acreditavam que ele deveria se aposentar, ou que o time deveria forçá-lo a isso. Cody Ross foi dispensado pelo Florida Marlins no meio da temporada (Agosto) e pego de ultima hora pelo Giants apenas pra evitar que seu rival San Diego Padres o pegasse. Buster Posey era um calouro que tinha passado dois anos nas Ligas menores e só foi chamado ao time no finalzinho e maio, e só virou titular no final de junho. Pat Burrell foi pego da Free Agency pelo Giants pra jogar pela sua franquia das Ligas menores e só foi chamado pro time em junho.

O Giants teve uma campanha bastante irregular, como a montagem desse elenco denunciava. Ganhava seus jogos com placares baixos, era um time varias vezes incapaz de anotar corridas e perdia mesmo quando um bom pitcher segurava o adversário a apenas uma corrida. O time rapidamente ficou pra trás do San Diego Padres na divisão e de Philadelphia Phillies e Saint Louis Cardinals pelo Wild Card. Era claro que o time, apesar de ter uma rotação sensacional, não tinha nenhum ataque, eram apenas pessoas esquecidas, velhas, desconhecidas que foram colocadas juntas com um bastão na mão. Chegado setembro, o Giants tinha 6,5 jogos de diferença pra tirar do Padres, e se conseguisse seria a quinta maior diferença tirada pra ganhar a divisão na história nesse periodo de tempo. Depois de um agosto sofrivel do time inteiro e principalmente do ace Tim Lincecum (jogando lesionado), o time se transfigurou em setembro. Lincecum foi um monstro, Buster Posey jogou mais do que qualquer outro jogador da MLB, o ataque encaixou suas rebatidas, o Padres inexplicavelmente parou de jogar bem, e no final o Giants acabou uma vitória à frente do rival Padres.

Mas na pós temporada o cenário da Major League muda totalmente. Não tem mais jogo facil. O Giants chegou cotado como um time que se superou para chegar ali, mas que nao tinha chances reais de título. Um bando de veteranos em decadencia e alguns jovens talentos foram o suficiente pra levar o time até os playoffs, mais nada.

Mas por sorte, o Giants enfrentou de cara um time que estava na mesma situação que ele e que tinha exatamente as mesmas armas: Uma rotação forte, bons arremessadores, mas um ataque deficiente liderado por um bom novato. Acontece que tanto a rotação como o ataque como o calouro não eram tao bons quanto os do Giants. Depois de Lincecum e Cain terem fechado os jogos 1 e 2 sem ceder corridas impulsionadas (Lincecum com uma atuação monstruosa de 2 hits e 14 strikeouts), o Giants fechou a série em quatro jogos (A semifinal de conferência é melhor de cinco). A série serviu pra mostrar as forças e fraquezas tanto faladas antes: Pitching excepcional e um ataque deficiente e as vezes incapaz de acertar as rebatidas quando era necessário.

O adversário seguinte era o temido Phillies, melhor time de MLB na temporada regular, com a rotação considerada a mais forte da MLB com Roy Halladay (Favorito ao premio Cy Young desse ano), Roy Oswalt e Cole Hammels e um ataque infernal liderado por Jayson Werth e Ryan Howard. A rotação titular do Giants era o ponto forte mas muito falaram que a do Phillies era tão forte quanto - se não mais forte. E o ataque não tinha comparação, o Phillies tinha um dos melhores ataques da Liga.

Foi ai que talvez aquele 'destino' começasse a aparecer. Cody Ross, dispensado no fim do campeonato sem cerimonia e pego apenas pra atrapalhar os planos do rival, acertou dois Home Runs em cima de Halladay e um em cima de Oswalt. O ataque do Giants destrinchou perfeitamente a chamada 'melhor rotação' da MLB. Aquele ataque anêmico e sem força pros playoffs estava destruindo Hammels, Oswalt, Halladay como se enfrentassem o Baltimore Orioles. A rotação do Giants e principalmente Brian Wilson foram sensacionais contra aquele poderoso ataque, e o time passou pelos Phillies mostrando uma clara superioridade dentro de campo, uma superioridade que nao existiria fora dele.

A World Series foi apenas uma repetição. O ataque do Giants subiu mais um nivel. As rebatidas vieram na hora certa. E os arremessadores do time foram absolutamente dominantes. Madison Bumgarner e Cain zeraram os Rangers. E Tim Lincecum venceu duas vezes o monstro Cliff Lee. Edgar Renteria., Aubrey Huff e Juan Uribe mandaram a bola pro outro lado do muro quando precisaram. E os Giants agora são os campeões!!

Pra mim, a jogada emblematica do título foi no jogo dois. O jogo estava zero a zero, e na parte de cima da quinta entrada, Ian Kinsler no bastão enfrentava Matt Cain. Kinsler mandou uma cacetada alta pro fundo do campo. A bola viajou, bateu na parte de cima do muro, subiu e... caiu do lado de dentro do campo! Por um centimetro essa bola não saiu do campo para um Home Run que possivelmente teria mudado o rumo da série. Mas não, a bola caprichosamente, como se realmente fosse o destino, bateu na parte de cima e não permitiu o Home Run, ficou apenas com uma rebatida dupla que Cain tratou de garantir que nao seria mais que isso.

O jogo final, o jogo cinco, não poderia ser diferente. O duelo sensacional entre Cliff Lee e Tim Lincecum foi absurdo e durante seis entradas não tivemos nenhuma corrida. Os dois foram brilhantes eliminando jogadores, controlando os rebatedores e usando o braço quando necessário. Mas os pitchers cansaram e, na sétima entrada, com Cody Ross e Juan Uribe nas duas ultimas bases, Edgar Renteria, que teve a rebatida que deu ao Florida Marlins o título da World Series de 1997, que antes do jogo disse a Aubrey Huff que ia mandar a bola do outro lado do muro, pegou uma bola baixa de Cliff Lee e mandou a bola longe, do outro lado do campo. A bola caprichosamente bateu no topo do muro. E saiu.

Home Run para Renteria, e 3 a 0 no placar pro Giants. Nelson Cruz até assustou ao acertar um Home Run contra Lincecum, sua unica falha na partida quase perfeita, mas de nada adiantou. Lincecum eliminou quem veio depois, Brian Wilson fechou com maestria sua sexta partida com um save nos playoffs e os Giants se sagraram campeões.

O Giants foi o time que mais mudou na pós temporada. O calouro as vezes pouco confiavel Bumgarner foi perfeito na final, Tim Lincecum derrotou jogadores como Derek Lowe, Roy Halladay e Cliff Lee (Duas vezes), e tanto Matt Cain como Brian Wilson nao cederam uma corrida sequer em varias atuações dominantes. O Giants foi o time que cresceu na hora de decidir, o time que acertou suas rebatidas, cujo ataque cresceu, evoluiu e funcionou como uma equipe. O time deixou de lado sua identidade 'eu' que tanto aparece no baseball pra se unir em um grupo. Aubrey Huff, que em 11 anos nunca tinha tido uma rebatida de sacrifício, fez uma perfeita pra poder impulsionar Ross e Uribe uma base pra Renteria depois fechar o caixão, e saiu vibrando, batendo no ombro de Renteria e cobrando sua promessa de acertar a arquibancada com a bolinha. E se aquele bando de restos de outras equipes se uniu em torno de uma equipe de forma perfeita, individualmente não foram menos brilhantes. Huff acertou o Home Run que colocou o Giants na frente no jogo 4 - e eventualmente lhe deu a vitória - alem de ter sido o jogador com as rebatidas mais importantes, nas horas mais importantes. Cody Ross, sem time em Agosto, entrou nos playoffs pra conseguir quatro Home Runs importantissimos contra o Phillies e levar o time à World Series, nomeado o MVP da NLCS. Buster Posey, aquele calouro um tanto obscuro, foi um monstro acertando rebatidas com dois eliminados ou com alguem em base, alem de ter sido perfeito defensivamente, com quatro eliminações em tentativas de roubo importantissimas. E Edgar Renteria, velho, machucado, que deveria se aposentar e não tinha mais gasolina pra queimar, foi o MVP da World Series, onde acertou dois Home Runs importantissimos e impulsionou seis corridas, sendo uma delas a corrida que eventualmente deu o primeiro título da World Series à cidade de San Francisco. Ele, que ja tinha sido o responsavel pela rebatida que deu o título ao Marlins em 1997, agora se junta a um grupo que conta com Joe DiMaggio, Yogi Berra e Lou Gehrig, tres dos maiores jogadores de todos os tempos, como os unicos jogadores da história a terem rebatidas que deram a vitória ao seu time em duas World Series diferentes.

Se a pós temporada é a hora de cada time elevar seu jogo, buscar dentro de si a força pra ir mais longe do que poderiam até então, de individualmente e coletivamente alcançar um novo nivel e acreditar em cada partida até o final, ninguem fez isso melhor do que o San Francisco Giants. Foi o time que mais acreditou, o time que mais evoluiu, o time que mais lutou e o time que, apesar de ser considerado zebra durante todo o ano, sempre jogou com confiança e disposição, apoiado por uma torcida fanática que transformou o AT&T Park no estádio mais temido da pós temporada de 2010 e contando com o brilhantismo de jogadores como Lincecum e Wilson, alcançou um objetivo que nem o mais fanático torcedor do Giants acreditava quando começou a temporada. A cada rebatida com jogadores em base, a cada Changeup de Lincecum que passava a milimetros do bastão do rebatedor, a cada vez que a barba de Wilson virava para a segunda base e fazia seu tradicional gesto de saves, a cada hora que um novo herói improvavel aparecia pra dar a rebatida quando o time mais precisava - Ross, Posey, Huff, Renteria, Uribe - e a cada hora que um Home Run nao acontecia por um capricho do destino ao trombar com o topo do muro ou, em contrapartida, uma rebatida dupla se tornava num Home Run porque caprichosamente a bola igualmente bateu no topo do muro mas saiu, não dava pra discordar do óbvio. O Giants era o time destinado ao título da World Series em 2010.

E agora, San Francisco, pode festejar. Voces são os campeões do mundo! E merecidamente!

domingo, 31 de outubro de 2010

Clássico de Outono

Fall Classic. World Series. A grande final.

Tenha o nome que tiver, a série de sete jogos entre o campeão da AL e NL, na Major League Baseball, é a série que determina o campeão da temporada e quem ganha leva para casa o prepotente título de 'Campeões do Mundo'. Eu falei mais sobre a final da MLB num post antes de viajar, a trajetória de Giants e Rangers até esse lugar, o que cada time tinha de força, fraqueza e onde estavam as chances de cada time. Pois bem, tres jogos ja foram, e os Giants lideram a série por 2 a 1. Antes do jogo quatro, hoje a noite, vou contar um pouco sobre os tres jogos que tivemos até aqui. A partir de amanha corro pra botar em dia os assuntos que eu perdi quando estava na praia.


Willie Mays aprova essa série

Jogo 1: Tim Lincecum vs Cliff Lee
A foto acima é do lendário Willie Mays, grande jogador do passado e responsavel por uma das maiores jogadas da história da MLB, chamada 'The Catch'. Mays tem uma estátua na frente do AT&T Park (Um dos estadios mais legais que eu ja vi na vida e um dos motivos da minha relação com o Giants. Não sou torcedor do Giants, torço pro Red Sox, mas prometo contar minha relação com o time caso eles vençam a World Series) assim como outras lendas como Willie McCovey Juan Marichal, todos Hall of Famers. Mas quem está merecendo ganhar a sexta estátua do AT&T Park é o Juan Uribe.

Se contra o Phillies Uribe decidiu duas partidas, uma com uma rebatida de sacrificio pra impulsionar a corrida da vitória e outra um Home Run pra quebrar o empate em 2 a 2 que persistia no jogo 6, no jogo 1 da World Series foi novamente a vez de brilhar a estrela de Uribe. Se antes do jogo o duelo entre os pitchers Cliff Lee e Tim Lincecum era a atração do jogo, pro qual era esperado um placar baixo, na hora da partida os ataques que se mostraram dispostos a aparecer. Logo nos dois primeiros Innings, o Texas anotou duas corridas (uma em cada) com Vladimir Guerrero, jogando no Right Field ja que nao podia jogar de Designated Hitter, onde alias teve muitas dificuldades, cometeu tres erros e mostrou que realmente vai enfraquecer a defesa do time, e Elvis Andrus impulsionando. Mas o ataque do Giants voltou com sangue nos olhos pra terceira entrada pra tirar uma casquinha do Lee. Depois de colocar dois jogadores em base com um erro e um hit by pitch, Freddy Sanchez e Buster Posey impulsionaram corridas pra empatar a partida.

No quinto inning, depois de duas rebatidas duplas (Uma impulsionando corrida) e um walk, o Giants conseguiu duas rebatidas simples consecutivas pra anotar mais duas corridas e abrir 5 a 2 no placar e deixar dois homens em base. O técnico do time Rangers deve ter pensado algo como "Puxa, o Cliff Lee está mal, vou botar outro cara pra arremessar". Mas o que ele descobriu de cara é que o problema NÃO era o Cliff Lee. Na primeira bola que Darren O'Day arremessou pra Juan Uribe, uma rebatida mandou ela pra arquibancada num Home Run triplo pra abrir 8 a 2 e selar de vez a vitória do Giants. O time ainda amplicou pra 11 e o Rangers anotou mais cinco corridas contra os reservas do Giants, mas o jogo ja tinha sido decidido por Uribe.

"Na boa, eu jogo muito"

Jogo 2: Matt Cain joga muito e o resto é história
Matt Cain começou o jogo dois para o Giants contra CJ Wilson, do Rangers. Começou seu terceiro jogo na pós temporada e, incrivelmente, pela terceira vez não cedeu nenhuma corrida, seu ERA é um zero perfeito  (A unica corrida anotada contra Cain veio de um erro de Aubrey Huff)! Foram quase oito entradas cedendo apenas quatro rebatidas e dois walks. O massacre do Giants, contudo, nao foi facil. Ele começou apenas na quinta entrada com Edgar Renteria, que com o Florida Marlins em 1997 foi o responsavel pelo título com uma rebatida impulsionada no final da partida. Renteria mandou a bola pro outro lado do muro contra o até então perfeito Wilson. Na sétima entrada - adivinhe quem! - Juan Uribe impulsionou mais uma corrida pra deixar 2 a 0 o placar. Com Cain jogando a barbaridade que estava, o Giants nao corria muitos riscos, até porque Brian Wilson estava no bullpen, mas o ataque nao quis cometer erros: Após ter dois eliminados na oitava entrada, Buster Posey conseguiu um single e os pitchers do Rangers cederam quatro Walks consecutivos pros Giants. Renteria impulsionou mais duas corridas, Aaron Rowand mais duas, Andres Torres outra, e o Giants acabou o inning ganhando de 9 a 0 do Rangers!! Um massacre vindo de um ataque bastante desacreditado antes da pré temporada.


"Não estou chorando, entrou um cisco no meu olho"

Jogo 3: Colby Lewis e a sobrevida do Rangers
O medo de alguns (inclusive eu) pra essa partida do lado do Giants era quem iria começa-la: Jonathan Sanchez. Sanchez é um pitcher jovem e promissor, e teve uma temporada regular boa com 13 vitórias e um ERA de 3.07. Nos playoffs, contudo, está 0-2 com 4.05 de ERA e só nao perdeu todos os jogos que começou porque o ataque conseguiu se virar de alguma forma. Ou seja, o Sanchez está jogando mal demais na pós temporada, ainda nao encontrou seu jogo e nao acho que a torcida do Giants se sinta muito segura com ele no montinho. Foi exatamente essa a história contra o Rangers: Sanchez jogou apenas 4.2 entradas (Quatro entradas completas e duas eliminações da quinta), cedeu seis rebatidas e quatro corridas em dois Home Runs (Mitch Moreland triplo na segunda entrada e Josh Hamilton na quinta) e logo saiu do jogo pra evitar que afundasse mais o time. Curioso notar que depois que ele saiu o Bullpen cedeu só duas rebatidas e nenhuma corrida. Mas o ataque, dessa vez, nao conseguiu produzir em peso, principalmente devido a Colby Lewis. Lewis foi bastante sólido, arremessou 7.2 entradas e cedeu apenas duas corridas em cinco rebatidas, em Home Runs de Cody Ross e Andres Torres, ambos simples. Fora isso foram seis strikeouts e o ataque do Giants, ainda que tenha dado sinais de vida com esses dois HRs no final,  o fez tarde demais e nao conseguiu superar Naftali Feliz, o closer do Rangers.


Sobre o jogo 4 e o resto da série:
Hoje a noite tem o jogo quatro, com Madison Bumgarner contra Tommy Hunter. Bumgarner ainda é calouro, mas tem mostrado que é um bom pitcher e que tem maturidade pra arremessar nos playoffs, está 1-0 com ERA de 3.55 e tem se saido bem mesmo contra times fortes como Phillies. Do outro lado o inconstante Hunter, que depois de boa temporada regular está 0-1 com 6.14 de ERA na pós temporada  e tambem tem sofrido bastante. Acho que o Rangers nao está muito feliz com ele no montinho e ele deve sair de lá o quanto antes, o que não é bom porque o bullpen do Rangers não é confiavel. Se o Giants conseguir ganhar o jogo quatro, duvido muito que percam a série. O jogo cinco deve ficar nas mãos de Lincecum e o seis de Cain, e um eventual jogo sete pode voltar a Lincecum. Portanto acho dificilimo que o Giants nao consiga ganhar pelo menos um desses tres jogos. O Rangers tem que ganhar hoje a todo custo pra deixar Cliff Lee subir no montinho no jogo cinco sem a corda no pescoço e pra tentar levar a vantagem de uma partida pra San Francisco. Mas Hunter nao está tendo boas partidas e o ataque do Giants vem crescendo incrivelmente nos playoffs, a situação nao está facil pros texanos.
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Voltei de feriado, e portanto agora vou retomar o ritmo normal. O Celo me mandou mensagem ontem avisando que tinha postado, e tambem nao vou reclamar, pra quem nao viu está logo abaixo e fala sobre o Pro Bowl da NFL. Vou tentar apressar um pouco essa semana pra cobrir o que tiver ficado acumulado. Valeu o apoio e bom domingo!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Two-Minute Warning: NFL e MLB

Aproveitar que o Marcelo arrumou um PC e prometeu (Dessa vez sai?) um resumo da rodada pra amanha e falarei um pouco dos playoffs da MLB e tambem de alguns dados interessantes desse fim de semana da bola oval.

"Vai buscar a bolinha ali, ó!"

San Francisco Giants vs Philadelphia Phillies

Na primeira rodada dos playoffs, Tim Lincecum teve 14 strikeouts, e Roy Halladay um no hitter. Após essas duas perfomances históricas, ambos os pitchers se enfrentaram no jogo 1 da final. Todos naturalmente esperavam um jogo de placar baixo. Mas apesar disso, o jogo foi bastante disputado pelos ataques. Ainda assim Lincecum e Halladay tiveram boas partidas, cada um arremessando por sete entradas, Lincecum tendo cedendo tres corridas em seis rebatidas com oitro strikeouts, enquanto Halladay teve quatro corridas em oito rebatidas e sete strikeouts. A emoção começou logo na primeira parte da terceira entrada quando, após dois innings quase perfeitos de ambos os pitchers, Cody Ross mandou a bola pro outro lado do muro pra abrir a contagem a favor do Giants. Mas na segunda parte Carlos Ruiz devolveu o Home Run para deixar tudo igual. Na quinta entrada Cody Ross mandou sua segunda basebola(Hello, Paulo Antunes!) pro outro lado do muro, e no começo da sexta entrada, com dois eliminados em ninguem em base, Buster Posey rebateu simples pra manter os Giants vivos e começar uma sequencia de rebatidas que contou tambem com Pat Burrell e Juan Uribe pra conseguir 4 a 1. Mas o jogo nao ia ficar assim, pois Jayson Werth conseguiu um home run duplo pra recolocar o Phillies na partida. Mas Brian Wilson entrou bem para o bullpen do Giants e fechou a partida, uma importantissima vitória fora de casa.

A segunda partida colocou frente a frente Roy Oswalt e Jonathan Sanchez. Os problemas começaram cedo para o Giants, quando logo na primeira entrada a defesa permitiu uim erro para deixar um jogador em base, e depois Sanchez arremessou TRES WALKS para dar uma corrida de graça para o Phillies. Mas na quinta entrada Cody Ross mandou seu terceiro home run na série para empatar tudo. No entanto, uma rebatida de sacrificio Placido Polanco recolocou o Phillies na frente. Na sétima entrada, o bullpen do Giants que vinha jogando muito bem na temporada regular e está pessimo nos playoffs, cedeu dois walks intencionais para Werth e Chase Utley, o que se mostrou um erro: Jimmy Rollins mandou uma rebatida dupla pra impulsionar tres corridas para o Phillies fechar o caixão.

Eu havia dito que a chave para o Giants ia ser o Tim Lincecum ganhar o jogo sempre quie subisse no morrinho. E foi o que ele fez no jogo 1, apesar de ter cedido tres corridas. Para grata surpresa, o ataque do Giants (Em especial nosso querido Cody Ross) respondeu muito bem garantindo a vitória. Parece idiota, mas é simples: Lincecum tem que ceder menos corridas do que seu time marcar. Contra o Phillies, Lincecum nunca deixou seu time em desvantagem, cedeu as corridas que poderia ceder e sairam com a vitória. Lincecum com certeza volta mais duas vezes até o final da série se tivermos um jogo 7, e é essencial que ele continue ganhando. Mas o Giants precisa conseguir ganhar jogos sem ele, e o jogo 2 era uma ótima chance, ainda que fora de casa, para trazer de vez a vantagem para San Francisco. O Phillies tem mais volume de ataque e o Giants precisa ser impecavel pra vencer sem Lincecum no montinho.


"E ai Yankees, lembram de mim?"

New York Yankees vs Texas Rangers

Por mais tenso que seja, esse série deveria estar 2 a 0. No jogo 1, no Texas, o Rangers tinha aberto 5 a 0 de vantagem sobre o Yankees no final do sexto inning, impulsionados pelo Home Run triplo de Josh Hamilton. A corrida dos Yankees na sétima entrada, anotada num Home Run do brilhante Robinson Cano, nao arrefeceu o ânimo do Rangers, que parecia encaminhado pra abrir a série com uma vitória fora de casa. Mas na oitava entrada, Brett Gardner e Derek Jeter(Impulsionando Gardner) conseguiram rebatidas válidas, e o bullpen Darren Oliver do Rangers cedeu dois walks consecutivos, deixando Alex Rodriguez pegar o bastão com bases lotadas. Meu querido Darren Oliver, esse foi o maior engano que voce poderia cometer. Alex Rodriguez conseguiu uma rebatida válida pra impulsionar duas corridas, e em seguida Cano e Marcus Thames conseguiram dois singles pra impulsionar mais duas corridas, virando o placar para 6 a 5. Os Rangers se mostraram completametne sem forças para reagir e os Yankees conseguiram uma virada histórica.

O jogo dois foi um festival de bases roubadas para o Rangers. No entanto, a história do jogo 1 parecia fadada a se repetir: Na primeira entrada, Elvis Andrus roubou a terceira base, e em seguida roubou o Home Plate para abrir 1 a 0 na contagem (Na mesma jogada, Josh Hamilton roubou a segunda base). Um roubo de home plate é algo extremamente raro de acontecer, e eu nao lembro de ter visto isso na pós temporada recentemente. Na segunda entrada, um home run de David Murphy e uma corrida impulsionada abriram ainda mais o placar, e o mesmo Murphy impulsionou uma corrida e anotou outra na terceira entrada pra abrir 5 a 0. Mas na quarta entrada, o mesmo Robinson Cano anotou uma corrida para deixar 5 a 1. Mas o Rangers não ia repetir a bobeada, e logo na entrada seguinte anotou mais duas corridas pra fechar o caixão do Yankees. Cano até conseguiu mais um Home Run, mas não foi suficiente. Josh Hamilton ainda quase anotou mais uma corrida após o quarto roubo de base do time na partida.

O Rangers com certeza não está satisfeito, tendo perdido um jogo em casa da forma como perdeu o jogo 1. Ainda assim, eles tem esperança. Cliff Lee vai subir ao montinho hoje a noite e ele nunca perdeu em pós temporadas, é o quinto pitcher da história com melhor ERA nos playoffs tendo jogado ao menos seis jogos (Dos quatro à sua frente, tres estão no Hall da Fama) e tem um histórico bastante favoravel contra o Yankees. Na World Series de 2009, ele foi o responsavel pelas duas vitórias do Phillies comendo o Yankees com farofa e acabou com o melhor time da AL na semifinal de conferência. Do outro lado, o lendário Andy Pettite, com 19 vitórias e apenas uma derrota, maior número de vitórias na história dos playoffs para um pitcher. Pettite terá que resolver o problema com os pitchers do Yankees: CC Sabathia no jogo 1 e Phil Hughes no jogo 2 cederam juntos 13 corridas, e o Yankees não pode ceder tantos pontos assim sempre pra tentar correr atrás no final. Robinson Cano está pegando fogo e pode ser o diferencial pra esse time.


Curiosidadades da NFL

"Avisa o Lovie Smith que eu sou o número 1!"

- Na derrota do Bears para o Seahawks, Devin Hester fez história. Com um retorno de punt de 89 jardas pra touchdown, Hester conseguiu seu nono retorno de punt para touchdown, empatando Brian Mitchel com a segunda maior marca da história só ficando atrás de Eric Metcalf, com 10. Hester tambem combinou ja para 14 retornos para touchdown com punts e kickoffs, empatando Mitchel no recorde da NFL. Ah, mas aposto que o Hester é velho e ja deve tar no fim da carreira. Ah não, espera, o Devin Hester está só na quinta temporada como profissional! E lembrando que essas marcas são apenas para temporada regular, e Hester tem um retorno pra touchdown de kickoff no... Super Bowl! Alguem duvida que ele vá quebrar ambas as marcas? Eu com certeza não! A pergunta que fica é: Porque diabos a besta quadrada do Lovie Smith parou de usar ele como retornador de punts por tanto tempo e ainda não voltou a usá-lo como retornador de kickoff?? Hester teve temporadas geniais retornando ambos em 2006, como calouro, e 2007. De repente, Hester parou de retornar tanto kickoffs como punts! Faz sentido voce ter possivelmente o melhor retornador da história e não usá-lo para retornar?? Pra mim não faz nenhum! Se em 2008, 2009 e agora em 2010 o Hester tivesse retornado kickoffs e punts (Hester voltou a retornar punts com frequencia no fim da temporada passada), eu tenho certeza que ele teria estourado essas marcas ha muito tempo!

- Tom Brady conseguiu, com a vitória sobre o Ravens, sua 23ª vitória consecutiva em casa na temporada regular. Assim, ele empatou a marca de John Elway e está apenas atrás de Brett Favre, que entre 95 e 98 teve 25 com os Packers. Os próximos jogos de Brady em casa serão contra Vikings, Colts e Jets. Será que ele consegue bater a marca de Favre com essa tabela?? Eu acredito que sim! E voces?

- Randy Moss agora tem 944 recepções em sua carreira e passou Art Monk como quarto maior recebedor da história. Os tres jogadores na sua frente são os tres integrantes do 'Clube dos 1000'. Terrell Owens (1,037), Marvin Harrison (1,102) o último é tão absurdo que eu tenho até vergonha de falar, mas ja que voces insistem, é claro que é o Jerry Rice, com apenas 1,549. Calma, que tem mais Jerry Rice vindo ai.

- Hines Ward, o nosso querido Risadinha, conseguiu registrar seu 183º jogo consecutivo com uma recepção, empatando com Art Monk para a quarta maior seqüencia desse gênero na história da NFL. À sua frente estão Terrell Owens com 185, Marvin Harrison com 190 e... Perai, produção, ta certo esse número aqui?? Cacete! Então acompanhe comigo. Ward, empatado com Monk, tem 183 jogos consecutivos com pelo menos uma recepção. Se conseguir mais dois jogos assim, ele empata com o terceiro lugar. Pra empatar com o segundo lugar, ele precisa de mais sete. E pra empatar com o primeiro lugar, ele precisa de apenas mais NOVENTA E UM jogos com pelo menos uma recepção!! É isso ai, o líder da lista é novamente Jerry Rice, com 274 jogos consecutivos! O cara é ou não é um monstro?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Boletim MLB versão Playoffs

Estou quase tendo um ataque cardiaco aqui após o Sunday Night Football que tivemos e se eu escrevesse sobre NFL eu despejaria uma cacetada de reclamações, declarações de amor ao meu time, e considerações sobre o Alex Smith que fariam voces olharem e falarem algo como "Ahã, Claudia, senta lá" ou entao rissem da minha desgraça, porque cheguei à conclusão que ver o 49ers perder me dói mais que ver o São Paulo perder, juro que estou passando mal de nervosismo. Assim, para quem vier a acessar o blog segunda feira e quiser ler um post sobre NFL, recomendo o post logo abaixo desse sobre o Monday Night, achei bem interessante e como bônus vocês podem rir dos meus palpites pra rodada recheado de fails. Vou aproveitar aqui pra falar sobre os playoffs da MLB que tão bem adiantadinhos até e com jogos bem interessantes.


Sergio Romo bem que tentou, mas os Giants tem a vantagem

San Francisco Giants 2 x 1 Atlanta Braves

Depois do jogo 1, o qual ja comentei num post anterior, o Giants entrou com bastante moral no jogo 2. Depois da performance assustadora de Tim Lincecum, Matt Cain estava tambem num bom jogo, cedendo apenas 7 hits e nenhuma corrida (A corrida anotada pelo Braves veio num erro do Giants), com seis strikeouts. O ataque do San Francisco tinha funcionado bem e o time abriu 4 a 1 na oitava entrada. Na oitava entrada entrou o bullpen Sergio Romo... Que cedeu duas rebatidas seguidas, sendo a segunda um home run. Assim entrou Brian Wilson, que foi o melhor fechador da MLB na temporada regular... Mas que assim que entrou cedeu mais uma corrida pra empatar o jogo em 4 a 4. O jogo foi pra prorrogação onde os Braves conseguiram, na 11ª entrada, a vitória. Uma das grandes forças do Giants na temporada regular, o bullpen, acabou causando uma derrota dura em casa.

No jogo 3, em Atlanta, a história quase se repetiu. O ataque do Giants abriu 1 a 0 rapidamente num erro da defesa. Jonathan Sanchez começou o jogo jogando muito bem durante 7 innings sem ceder rebatidas! No entanto, na oitava entrada, cedeu um walk e duas rebatidas com uma corrida, empatando o jogo. Assim novamente Romo entrou... E entrou cedendo - quem diria - um home run, virando o jogo para 2 a 1. O bullpen do San Francisco parecia destinado a perder mais uma partida quando, na nona entrada, o ataque do San Francisco funcionou, forçou o Braves a trocar de pitcher sucessivamente e empatou o jogo numa corrida impulsionada por Aubrey Huff. Logo em seguida, um erro da defesa numa rebatida de Buster Posey deu ao Giants a corrida da virada, e novamente Brian Wilson entrou em campo, dessa vez conseguindo salvar o time. Do lado do Braves, o pitcher Tim Hudson teve uma excelente partida, jogou 7 innings e cedeu apenas 4 hits e nenhuma corrida (A corrida do Giants foi anotada num erro). Uma pena pro Braves que ele tenha jogado o ultimo jogo da temporada regular, quando os Braves precisavam ganhar do Phillies correndo o risco de ficar fora dos playoffs, e por isso só tenha podido jogar na terceira partida. Tim Lincecum ainda deve voltar ao montinho nessa série em caso de necessidade, então acredito que o Giants consiga fechar a série mesmo num eventual jogo cinco.


Saiam da frente Reds, os Phillies tão passando

Philadelphia Phillies 3 x 0 Cincinnati Reds

Essa série foi uma varrida, mas não foi facil como pareceu. Depois do no hitter do Roy Halladay no primeiro jogo (ver o link ali em cima) os Reds vieram com muita força pra cima do Phillies no jogo 2. Os Reds conseguiram quatro corridas (tres ganhas, uma por erro) em cinco hits nos cinco primeiros innings contra o titular Roy Oswalt. Até que o Phillies acordou e começou a acertar as bolinhas. Mas isso nao seria suficiente. Mas foi porque contaram com uma ajuda de quem eles menos esperavam: do Reds! Os Reds cometeram quatro erros nos tres innings seguintes (5º, 6º e 7º) e permitiram que os Phillies colocassem dois homens em base sem rebatidas validas e cedessem duas corridas não ganhas (Vindas de erro) sendo que uma das que foram ganhas veio de um home run onde o homem que estava na primeira base veio de um erro! Ou seja, foram duas corridas na quinta entrada, uma na sexta e tres na sétima (Uma na oitava quando o Reds ja parecia abatido demais pra reagir) com uma GRANDE ajuda do Reds e assim os Phillies ganharam o jogo dois em casa.

No jogo três o Reds ja entrou parecendo abatido, mas causou dificuldades. Foi um duelo defensivo bastante dificil, com ótima atuação dos pitchers. Destaque para Cole Hammels, do Phillies, que arremessou durante o jogo inteiro decendo apenas cinco hits sem nenhuma corrida e com nove strikeouts. Johnny Cueto tambem teve boa atuação, mas o Reds cedeu uma corrida no primeiro inning através de - adivinhem! - um erro da defesa! Cueto continuou jogando bem até a quinta entrada, quando cedeu um home run solo (Sem ninguem em bases) para Chase Utley e foi substituido. O Bullpen do Reds conseguiu ceder apenas mais duas rebatidas, mas o ataque nao conseguiu superar Hammels e os Phillies varreram os Reds numa série dificil apesar do placar final.



Rays e Rangers tendo uma série muito brigada

Tampa Bay Rays 2 x 2 Texas Rangers

Como voces talvez lembrem (Se nao lembram, é só acessar o link do começo do post) o Rays começou essa série perdendo os dois primeiros jogos em casa! Mas parece que o Rays sentiu a água bater na bunda, porque eles foram pro Texas com sangue nos olhos. No jogo 3, Colby Lewis teve um ótimo começo de jogo, cedendo duas rebatidas e nenhuma corrida em cinco entradas fazendo o Texas abrir 1 a 0 na partida com um erro da defesa do Rays. Foi quando o Rangers decidiu usar o Bullpen. Eu nao entendi porque, Lewis nao estava arremessando muitas bolas, eliminando rapidamente os adversarios e ele aguentaria mais innings. O fato é que começou a botar o bullpen pra jogar e o Rays aproveitou para anotar uma corrida e empatar a partida. Na sétima entrada, Matt Garza, titular do Rays, cedeu um home run para Ian Kisnler e parecia que novamente o Texas iria levar o jogo varrendo o melhor time da AL. Mas o Rays voltou pra oitava entrada pegando fogo: foi uma corrida e tres hits pro Rays anotar duas corridas e virar o jogo. Na nona entrada, o Rays terminou o que todos ja esperavam, com um home Run de Carlos Pena e outro de Carl Crawford(duplo) pra abrir 6 a 2. O fechador do Rays Rafael Soriano ainda cedeu um Home Run, mas o jogo terminou com 6 a 3 para o Rays.

Nesse domingo o Texas teve a chance de fechar a série novamente: Tommy Hunter começou o jogo, o estádio estava lotado com 50 mil torcedores e Evan Longoria, principal jogador ofensivo do Rays na temporada regular, estava jogando com muitas dores. Mas Carlos Pena começou a brilhar logo na segunda entrada com um triple pra depois anotar a corrida num erro da defesa. Na quarta entrada, Longoria, Pena e BJ Upton mandaram doubles pra anotar mais duas corridas. O jogo realmente era do lesionado Longoria, que na quinta entrada rebateu um home run duplo pra abrir uma vantagem de cinco pontos. O Texas até tentou reagir com duas corridas e um home run de Nelson Cruz na sexta entrada, mas Joaquin Benoit e Rafael Soriano entraram pra fechar o jogo definitivamente pro Rays. O jogo cinco será terça em Tampa Bay e eu nao me arrisco a dar um palpite. Os dois times foram extremamente inconstantes jogando em casa. O Rays tem mais time, mas se Cliff Lee vier de titular jogando o que jogou no primeiro jogo, o Rangers pode ser a primeira zebra dos playoffs. Tirando o jogo 1, quem tem feito mais diferença nos jogos da série foram sido os ataques e não as defesas. Talvez quebrar esse paradigma seja a chave para o vencedor do jogo 5.


"A gente precisava mesmo ter entrado em campo?"

New York Yankees 3 x 0 Minnesota Twins

Eu ja tinha avisado no preview dos playoffs que essa série nao era de verdade e que o Twins ia tomar uma surra do Yankees. E bom, foi o que aconteceu. O Yankees arrasou o Twins nos tres jogos, o ataque do Yankees foi muito superior ao do Twins e como eu ja tinha avisado, o Twins ia precisar de volume de ataque pra vencer, nao ia conseguir fazer isso na defesa. E bom, não teve volume de ataque, não venceu, tomou uma varrida e volta pro hospital pra levar flores pro Justin Morneau se recuperar logo pra próxima temporada, ele fez muita falta.