Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 14 de junho de 2011

Como se fez um campeão


Uma comemoração mais do que merecida

Ontem eu infelizmente estava sem tempo e fiz um post apenas exaltando a conquista do Dallas Mavericks: Seus jogadores, o que significa essa conquista, a difícil temporada pela qual o time passou e idolatrei o Dirk Nowitzki mais um pouco. Mas hoje, é hora de falar com mais calma sobre  assunto. Ainda amanhã eu vou tentar dar uma passada pra comenta sobre os rumos do blog agora que a NBA acabou - não deve mudar nada, mas só pra esclarecer aos leitores mais novos mesmo. E sim, esse post ficou imenso, peço desculpas.

Primeiro de tudo, essa temporada da NBA foi simplesmente sensacional. A quantidade absurda de histórias que nós tivemos ao longo do ano e a quantidade de emoções (A raiva também é uma emoção) que elas geraram garantiram que essa temporada fosse, sob alguns aspectos, muito melhor do que as últimas, ou pelo menos muito mais comentada, com muito mais cobertura e mídia. Só pra citar algumas, a chegada da maior máquina de vídeos no Youtube que a Liga teve em algum tempo com o Blake Griffin, o Derrick Rose evoluindo de pirralho talentoso pra MVP em questão de meses, as trocas de grandes estrelas como Carmelo Anthony e Deron Williams, o Danny Ainge realizando a troca mais doente da história recente da Liga e sozinho assassinando as chances do seu time ser campeão (Depois de ver o Grizzlies liderado por Marc Gasol e Zach Randolph quase chegar na Final do Oeste, alguém ainda tem coragem de afirmar que a troca do Pau Gasol pro Lakers foi mais idiota do que a do Danny Ainge?), a evolução do Thunder de 'time do futuro' pro 'time que pode ganhar quando o Russell Westbrook aprender a armar mais e arremessar menos' e, claro, a existência de um vilão como não se via no esporte talvez desde sempre (Pistons do final dos anos 80, talvez?) que foi a versão 2011 do Miami Heat. E essa última foi a linha mestra através da qual gravitaram todas as atenções da NBA ao longo de grande parte da temporada.

E tudo isso começou com o show de Free Agents do último verão e, claro, com o The Decision. Agora que já se passaram onze meses desde aquele dia, a gente pode sentar e pensar com calma no efeito daquela decisão. A idéia de juntar três dos melhores jogadores da Liga em Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh em Miami era ao mesmo tempo fascinante e assustadora. Sempre é bom ver grandes craques jogando juntos, Wade e Lebron talvez sejam os dois melhores jogadores do mundo na atualidade, mas por outro lado, muita gente viu isso como uma "trapaça", uma forma fácil de tentar ganhar títulos. O medo de um time que seria tão supremo também tomou conta da Liga e, como o Heat continha o Lebron James, todas essas coisas se transformaram em ódio. Assassinando o Salary Cap pra assinar seu Big Three e mais Udonis Haslem e Mike Miller, o Heat completou seu time com restolhos (Aqueles que NUNCA são escolhidos pro seu time de futebol no colegial) e logicamente confiou no talento de suas grandes estrelas pra ganhar um título, a ponto de até comemorar muito antes da temporada começar. Não é a toa que eles eram tão odiados: Era um time com muito talento, uma boa dose de arrogância, e o jogador mais odiado do mundo.

Eu pessoalmente não gostei da troca por três motivos: Primeiro, porque achei que o Lebron estava escolhendo o "caminho fácil" para um título, que era se juntando a outras estrelas em seu auge. Não precisava necessariamente ficar em Cleveland, mas eu confesso que prefiro ver grandes jogadores desenvolvendo seu jogo e seus times ao seu redor ao invés de sair e se juntar a um mais forte. Talvez mais velhos, em busca de um título desesperado, mas o Lebron tem 26 anos e está no auge de suas forças! Não que seja errado ou proibido, eu só não gosto. Em segundo lugar, porque eu fiquei com medo que, se a combinação Wade-Lebron desse certo demais, a gente podia ter um campeonato chato e previsível com um time apelão demais, tipo aqueles que você montava no NBA Live ao trocar o JR Smith pelo Pau Gasol. E por fim, porque eu adorava a rivalidade Wade/Lebron e com os dois no mesmo time a gente não veria mais jogos épicos de rivalidade entre os dois, como aconteceram vários nos últimos anos.

Mas o motivo pra eu torcer contra o Heat era outro. O Heat contrariava tudo que eu acredito em esportes. Era a representação da idéia de que você só precisa juntar muito talento pra vencer. Eu sempre acreditei que havia muito mais para um time ser campeão do que simplesmente colocar bons jogadores juntos, que existia muito mais coisa por trás, a própria ideia de 'time', de que existem coisas que não podem ser mensuradas em números ou estatísticas, que existia aquele coletivo que torna cada um dos seus componentes tão melhores que só pode ser alcançado por times que evoluem juntos, jogam juntos, conhecem suas falhas e conhecem um ao outro. O Heat era exatamente o contrário disso, e eu queria ver o Heat derrotado pelo menos nesse seu ano de estreia para que eu pudesse ver que eu não estava errado.

Mas o Celtics mandou o Kendrick Perkins embora e trouxe de repente uma cacetada de jogadores que nunca tinham jogado juntos, e o Chicago Bulls não foi páreo para o Miami no Leste. O Heat foi um time que cresceu muito ao longo da temporada, passou cada vez mais do jogo individual para o coletivo, mas ainda era um time sem um grupo, eram três estrelas e um bando de descartados em volta. Mas o time parecia imparável e suas estrelas, de fato, eram grandes estrelas. O Heat chegou na Final da NBA com status de favorito.

E enfrenteram, na Final, um time que era exatamente o oposto desse time cheio de grandes craques e mais 12 jogadores descartáveis. O time de uma única estrela e mais uma cacetada de Role Players que sabiam exatamente sua função em quadra, um time que era arquitetado não como um conjunto de três ou de cinco, mas sim de oito ou nove jogadores. Um time que jogava um basquete tão coletivo a ponto de sua grande estrela se sentir extremamente confortável como uma peça do time como outra qualquer, um jogador que não jogava só como o grande pontuador que é mas como parte do todo, atraindo marcações duplas, distribuindo a bola e confiando nos seus parceiros. As vezes ele passava jogos inteiros só arremessando oito ou nove vezes porque preferia achar seus companheiros em boas condições com uma ótima rotação de bola - marca registrada da equipe - a forçar arremessos. Um time veterano com uma grande defesa coletiva, ótima rotação de bola, que chegou onde chegou do "jeito antigo", montando um núcleo, trazendo jogadores, evoluindo seu jogo, refinando o esquema tático e superando todo o tipo de adversidade juntos.

A questão aqui não e quem está certo e quem está errado, qual é o melhor e qual é o pior. São dois times com formações totalmente diferentes, um baseado no talento individual e que ganhava porque tinha três grandes craques, e outro baseado no jogo coletivo, em cada jogador desempenhando seu papel e que ganhava por causa disso. O fato de um ter ganho não quer dizer que seu caminho seja certo ou melhor, só que DEU certo dessa vez.

De certa forma, foi ironico que logo esses dois times chegassem à Final. Não só eles representavam duas mentalidades de basquete totalmente opostas, como também eram opostos em mais um monte de coisa. Eu falei, nas Finais de Conferência, que os times velhos que polarizaram a NBA recentemente (Lakers, Spurs e Celtics) estavam perdendo espaço para times jovens como Heat, Bulls e Thunder. A excessão era, justamente, o Dallas Mavericks, time veteraníssimo. E claro, não vamos esquecer que foi esse mesmo Miami Heat liderado por esse mesmo Dwyane Wade quem destruiu o sonho do Mavs seis anos atrás, quando mesmo ganhando por 15 pontos no jogo 3 em Miami e com a série 2-0 em seu favor viu o Wade sozinho virar para 2-4 as Finais e levantar o troféu com ajuda do Shaq. Se vocês não acreditam em Destino, ver logo esses dois times chegarem nas Finais - a revanche de 2006, o último representante vivo da velha geração contra os dois melhores jogadores da nova (atualmente), um time baseado no individual outro no coletivo, um time montado com base no talento outro com base no time, a possível última chance de jogadores como Nowitzki e Jason Kidd ganharem um título contra a primeira chance do Big Three do Heat - talvez faça algumas pessoas mudarem de ideia. Não podia ser mais simbólico.

O que torna a vitória do Dallas tão interessante. Talvez a velha guarda esteja indo embora levando com ela o estilo antigo de se vencer e de se montar um campeão, como fez o Mavericks. Talvez na nova geração a moda seja times como o Heat ou o Knicks (E estamos no aguardo ainda de Deron, Chris Paul e Dwight Howard fazerem seus movimentos) que são montados se pegando um monte de grandes estrelas em seu auge e colocando juntas cercadas por um banco de restolhos que não devem atrapalhar. O Bulls é um time que escapa um pouco a isso, talvez um motivo de eu ter torcido tanto pra eles. Mas nessas Finais, nesse momento, vimos esse time cheio de jogadores com famas de amarelões, jogadores que supostamente não seriam vencedores - em resumo, jogadores sem um anel - ganhar, com base na força do seu grupo, sobre o time mais baladado dos últimos anos, sobre as grandes estrelas da NBA. E sim, eu sei, eu falo que nem velho.

E olhando a série agora, nós podemos dizer que o Mavericks jogou melhor que o Heat tirando, digamos, os dois últimos jogos? Pra mim não. Mas pra mim, o único jogo que o Heat dominou foi o jogo 1, quando Wade e Lebron dominaram o Mavs no segundo tempo, conseguiram impor seu jogo e fizeram todos acreditarem que eles iriam levar essa com facilidade. No jogo 2, apesar do Heat ainda ter jogado melhor a maior parte do jogo, a dominação foi menor porque, no final do jogo, o Mavs usou sua grande estrela para mudar o panorama da partida, ganhar o jogo sozinha e empatar a série. E se o Dirk quase fez o mesmo no jogo 3 - outro jogo onde o Heat jogou melhor, mas não dominou - nos últimos três jogos o Mavs sobrou. E sobrou porque, finalmente, apareceu o jogo do Mavs. Nos três primeiros jogos, o duelo foi entre as estrelas, como eu disse nesse post sobre o jogo 3. Sim, o Nowitzki ganhou um deles sozinho, mas se ele as Finais continuassem se resumindo a disputas entre estrelas, o Dallas não tinha a menor chance, nenhum time da Liga tem. E foi aí que o Dallas percebeu isso e voltou a jogar seu basquete, um basquete coletivo cheio de bolas de três, que ganhou os jogos 4 e 5. E isso a gente notou de uma forma absurda principalmente no jogo 6, que pra mim foi o símbolo dessa série.

No jogo seis, o Dirk Nowitzki estava mal. Muito mal. Ele acertou apenas um de 12 arremessos no primeiro tempo e só foi para o banco com três pontos porque o Mario Chalmers foi uma besta de cometer uma falta técnica desnecessária. Ele não fugiu do jogo, não desistiu de arremessar, continuou jogando seu jogo, mas ele estava descalibrado. A bola batia dentro e saia, o aro atrapalhava, qualquer coisa que fosse, mas ele não acertaria nem pra salvar a vida no primeiro tempo. E mesmo assim, o Dallas foi pro intervalo ganhando! Sim, foi porque o Jason Terry teve uma noite transcendental, mas isso não conta toda a história. O DeShawn Stevenson acertou duas bolas lindas de três. O Tyson Chandler fez o que quis no garrafão. O JJ Barea continuou forçando e acertando todo tipo de arremesso. Que diabos, até o Ian Manhimi e o Brian Cardinal foram úteis para o Mavs! Quando os coadjuvantes estavam mal, o Dirk levou o time nas costas. Quando o Dirk estava mal, o time todo ajudou o alemão, e ele sabia que estavam lhe dando cobertura, por isso continuou arremessando e errando até entrar num ritmo assassino no quarto período. Isso é jogo em equipe. Um jogador pode estar mal, mas o resto do time dava apoio e contornava o problema, fosse o JJ Barea ou o Nowitzki. E no final do jogo 6 - como em todos os jogos - quem colocou a bola embaixo do braço e fez cesta atrás de cesta sem ligar pra coisas mundanas como as leis da física foi o alemão, mesmo tendo tido um jogo péssimo no primeiro tempo, foram mais 10 pontos decisivos para o Dallas nos quartos períodos - ele teve 62 somando os seis quartos periodos da série. E o Heat nunca conseguiu superar os problemas que o Lebron teve nos últimos cinco jogos das Finais. A responsabilidade caiu demais no Wade, que sabia que não tinha ninguém pra lhe dar cobertura. Quando o Wade se machucou no jogo 5 e o Lebron não assumiu a responsabilidade dentro de quadra, o time se perdeu. O time não conseguiu achar uma forma de dividir a responsabilidade, como o Mavs tanto fez. O Mavs mostrou que não se ganha um título com três, e sim com 10!

Não acredita? Então conte comigo. Dirk Nowitzki, MVP da Finais, MVP dos playoffs, o jogador mais imparável da pós temporada. Jason Kidd, que não é o mesmo armador de antes mas que manteve sua inteligência em quadra e ainda adicionou um arremesso de três pontos certeiro, e fez cestas de três quando seu time mais precisou - foi uma no jogo quatro, uma no cinco e duas no seis. Jason Terry, que foi o principal coadjuvante do alemão, e quando ele começou a aparecer pro jogo o Dallas começou a ganhar, foi fundamental para manter o time no jogo quando o alemão esteve fora de ritmo e ainda acertou bolas de três decisivas em toda a série. Shawn Marion, que fez um trabalho defensivo absurdo no Lebron James e ainda foi o terceiro melhor jogador ofensivo do time. Tyson Chandler, um monstro na defesa, que foi o responsável por dominar o garrafão (Fator importantíssimo para a série) e manter o Heat longe do aro e dos rebotes. JJ Barea, o anão branco vindo do banco que jogou mal os quatro primeiros jogos pra depois chutar a bunda do Heat nos dois últimos com infiltrações malucas e bolas de três forçadas. DeShawn Stevenson, que acertou bolas de três importantes nas últimas vitórias da equipe. E sim, Brian Cardinal - que foi responsável por um dos momentos decisivos do último jogo, quando desmontou a defesa do Heat (!!!) partindo pra cima antes de achar o Dirk livre no perímetro pra três e depois antecipando a bandeja do Wade (!!!!!!!!!) e cavando uma falta de ataque, duas jogadas que tiraram de vez o Heat do jogo. Até o Peja Stojakovic - que não foi bem nas Finais mas que foi importantíssimo pra vencer Lakers e Thunder - e o Brandon Haywood (Machucado nas Finais) tiveram um papel fundamental ao longo dos playoffs. Contou? Foram 10. Claro que nem todos foram essenciais para o título, mas todos tiveram seu papel e todos contribuiam. O Heat no máximo pode falar, além do seu Big Three, de Mario Chalmers e Haslem. Cinco.

E mais um personagem que merece muitos créditos aqui é o Rick Carlisle. Ele foi responsável direto pela vitória do Mavs na série. Ele fez todos os ajustes importantes nas horas certas pra fazer seu time vencer, como por exemplo deixar a zona de lado após o jogo 1 e reservá-la pra confudir o Heat em momentos chave da partida, colocar o JJ Barea de titular pra deixar o DeShawn Stevenson vindo do banco pra marcar o Lebron na ausência do Marion e colocar uma pulga branca de titular pra confudir a defesa de Miami, as mudanças nas jogadas ofensivas pra furar a marcação ninja de Miami nos pick and rolls, afundar o Peja Stojakovic no banco pra dar mais minutos ao Brian Cardinal... Ele fez tudo certinho, manejou o time com perfeição, leu o Heat como ninguém tinha lido até aqui e foi infinitamente melhor que o Eric Spolestra.

O Spolestra fez ajustes sensacionais contra o Bulls e explorou muito bem as fraquezas do adversário (as más linguas dizem que quem mandou ele fazer tudo isso foi o Pat Riley) mas ficou completamente perdido nas Finais. Aliás, chega a ser engraçado como as coisas deram errado pra ele. Ele notou o problema do coletivo do Miami e implementou o ano todo um sistema ofensivo coletivo, que envolvia todos os jogadores e diminuia as jogadas individuais. Mas foi exatamente isso que tirou a bola das mãos do quentíssimo Wade no jogo 2 e tentou envolver Bosh e Haslem quando o Mavs estava voltando a apertar no placar, o que deu muito errado, o time não conseguiu pontuar e quando o Wade pode finalmente receber a bola já tinha esfriado. Ele também mandou o Lebron fazer mais o papel de facilitador do que de pontuador para achar o buracos na zona do Mavs, o que ele aliás fez bem, mas quando o Mavs se acostumou e se adaptou a isso, o Heat não conseguiu se adaptar mais. O time não conseguiu defender as variações ofensivas criadas pelo Carlisle e nem achar uma forma eficiente de pontuar no quarto período, muito em parte pela passividade do Lebron também. E por fim, um técnico que tenta implementar um jogo coletivo não pode chegar até a Final sem ter uma rotação e um plano de jogo definido. O Mike Bibby jogou 20 minutos por jogo nos cinco primeiros e não entrou em quadra no último. O Eddie House jogou 15 minutos em TODOS os jogos desses playoffs combinados até o jogo 6, quando jogou 21. Se você na Final não tem uma rotação, sinto muito, mas você vacilou.

E não da pra falar disso sem falar de Wade e Lebron, até porque essa conversa toda começou com o The Decision. A postura do Lebron James nos últimos cinco jogos das Finais foi um grande enigma pra muitos. Muita gente vai chamar ele de amarelão, muita gente vai falar que ele não gosta de jogos decisivos, mas pra mim não é o caso. Ele já provou pra gente muitas vezes que sabe decidir quando precisa - Contra o Pistons em 2007, contra o Magic em 2009, contra o Celtics e o Bulls esse ano mesmo. Só porque ele foi mal em UMA série decisiva (A de 2010 não conta, ele tava claramente jogando esperando a hora de ir embora) não quer dizer que ele não consiga jogá-las. Aliás, é engraçado como o fenômeno de mídia que é o Lebron cria uma faca de dois gumes. Existiam tantos haters, tantas críticas ao Lebron sem fundamento que não mereciam atenção (ao mesmo de outras que eram justificadas, claro) que agora que ele realmente jogou mal e vacilou num momento importante a gente não pode críticar sem ouvir gente falando que é ódio contra o Lebron. Pra mim, ele realmente foi mal, merece as críticas que vai ouvir, mas a gente tem que saber diferenciar uma coisa: Não foi o Lebron que perdeu a Final. Foi o Miami Heat. Um indivíduo não ganha sozinho nem perde sozinho. Wade, Bosh e todo mundo lá também perdeu a Final pra um conjunto que foi superior.

Dito isso, eu acho que o Lebron foi mal sim. Não por ter armado mais e pontuado menos, ele prefere assim e diga-se de passagem é excelente armando o jogo, mas por não ter conseguido sair disso. Ele começou assim pra destruir a defesa por zona do Mavs no jogo 1, depois assumiu esse papel nos outros jogos, mas não fez mais nada. E quando você só tem três jogadores no elenco que sabem criar o próprio arremesso e o Chris Bosh é bem mal aproveitado, é de se esperar que o Lebron seja mais agressivo. O Heat chegou até aqui por era impossível marcar Wade e Lebron indo pra cima e infiltrando. Mas quando o Heat precisou das infiltrações e do pontos do Lebron, ele simplesmente foi passivo, preferiu passar a bola de lado - e muitas vezes isso não envolvia criar uma situação de assistência, simplesment pegar a bola e soltar. Revejam o terceiro período do jogo 6 e vocês verão uma hora em que duas vezes o Lebron ficou com medo de jogar de costas em cima do JJ Barea, preferindo primeiro voltar a jogada até o meio da quadra com o Wade e depois dar um empurrão grotesco pra uma falta de ataque. Ele muitas vezes pareceu desconfortável em quadra e até sem confiança. Não foi o Lebron que usa seu físico e controle de bola de outro mundo pra infiltrar, desmontar todas as defesas do universo e conseguir pontos fáceis em bandejas, enterradas ou lances livres, foi um Lebron que parecia com medo de pisar no garrafão, que preferiu insistir nos arremessos longos que não caíram a série toda. E, claro, sumiu completamente dos quartos períodos. Muitas vezes nem fazia o papel da armação, parecia que ele só queria sair de cena e ficar longe da ação, pegando a bola e tocando rápido quando acontecia e evitando chamar o jogo. Desculpa Lebron, mas se você é tão bom (e ele é!) você não pode ficar se escondendo atrás do Wade o tempo todo e esperar que o Haslem apareça pra aliviar a carga do camisa 3. O Heat chegou até aqui porque vocês dois eram espetaculares, porque agora você preferiu ficar na sua e deixar tudo nas mãos dele?

Não sei o que aconteceu em Miami. O Wade era o líder do time, era a sua mentalidade competitiva que o time assumiu ao longo da temporada, mas dentro de quadra o Lebron era o jogador consistente. O Wade estava jogando mais fora da bola (Orientação do Spolestra) pra variar o repertório ofensivo do time e o Lebron era o centro das ações de ataque de Miami, seja criando ou finalizando. O Wade era decisivo pro Heat - sempre foi, mais que o Lebron - mas o Lebron sempre esteve lá, pra combinarem seus jogos e fazerem um ao outro melhor. Mas o Wade, principalmente durante os quartos períodos, teve que carregar o time nas costas. Pontuar sozinho, armar todas as bolas, porque ninguém mais no time fazia isso - o que não teria grandes problemas se um cara que foi duas vezes MVP não estivesse do outro lado da quadra. O Wade jogou seu melhor jogo na Final, apareceu e jogou muito basquete, e o Lebron se escondeu durante boa parte. Não falemos que o Lebron é amarelão - ele não é - mas não tenhamos medo de falar que sim, ele jogou mal, foi passivo demais e não é a toa que o Wade se enfezou com ele e deu uma tremenda bronca no companheiro no final do jogo três.

No final, o Mavs finalmente foi campeão e Terry, Kidd, Marion e Dirk finalmente conseguiram o anel que mereciam há anos. Finalmente podem se livrar daquelas idiotices de que quem não foi campeão tem menos valor do que alguém que foi. E agora o Kidd pode se aposentar em paz e o Dirk pode finalmente relaxar sabendo que seu nome está entre os maiores de todos os tempos. O Dallas vai querer mais, claro, mas não sabemos se o time velho vai conseguir. E não tem problema, eles fizeram a história aqui.

Para o Heat, ao contrário, a história está só começando. Se não houver (ou estiver tendo) um conflito de egos dentro do time, esse Big Three deve durar mais quatro ou cinco anos. É tempo de sobra pra ganhar títulos, fazer história e dominar a Liga. O time deve aproveitar agora a offseason pra trazer jogadores pra melhorar o elenco de apoio, um bom pivô, renovar com o Chalmers e tudo mais. O Heat - e o Lebron - tem agora a sua chance de crescer, de aprenderem com os erros, de reconhecerem as próprias falhas e evoluirem juntos. Eles provavelmente vão voltar mais fortes ano que vem e eventualmente podem sair campeões. Mas eu confesso que, pelo Dirk, pelo Mavs e por tudo que eu acredito no basquete, eu fiquei feliz que esse título do Heat não tenha saído de primeira. Talvez de segunda...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Apenas sobre o Dallas Mavericks

Os três jogadores que mais mereciam esse título


Quem entrar nesse blog, amanhã a tarde, vai encontrar um texto longo e analitico sobre o jogo seis das Finais, a série como um todo, os dois times envolvidos e até sobre tudo que aconteceu na temporada regular. Quem acompanha o blog a mais tempo sabe que os posts analíticos são a minha especialidade e o que eu mais gosto de fazer. Mas hoje é o primeiro dia após o título. Não é dia de pensar, e sim de comemorar ou de chorar (dependendo do seu time). E até porque eu infelizmente estou sem tempo e não vou conseguir fazer um post como gostaria hoje, aqui fica apenas um espaço pra comentar mais sobre esse título, o primeiro da carreira do Dallas Mavericks. Amanhã a gente volta a falar de tática, da temporada regular, do Miami Heat. Amahã a gente vai falar sobre os erros e acertos do Rick Carlisle, do Eric Spolestra, e claro, do Lebron James. Mas hoje a gente vai deixar a razão um pouco de lado. Hoje é apenas sobre o Dallas Mavericks.

Porque esse título foi saboroso. Saboro demais para o Dallas Mavericks. O Mavs começou muito bem o ano e tudo mais, mas desde a lesão do Caron Butler, o time oscilou muito entre um grande time e um time capenga, apenas esperando a hora de cair. O Dirk Nowitzki levou o time nas costas durante grande parte da temporada regular, compensou totalmente a falta de outros pontuadores no time (Tirando o Jason Terry, os únicos dois outros jogadores do time que realmente sabiam criar o próprio arremesso passaram o ano machucados, Butler e Roddy Beaubois) mas muita gente - e eu estava entre eles - achou que o time não ia longe assim nos playoffs. Eu apostei no Blazers passando por eles. Nuggets e Hornets estavam rezando para caírem contra o Mavs na primeira rodada dos playoffs. A aposta de muita gente pra zebra da primeira rodada era justamente a derrota do Mavs contra qualquer adversário que fosse.

Mas o Mavs passou pelo Blazers com relativa facilidade -  não fosse um jogo inspirado e um histórico de um cara sem cartilagem nos joelhos, Brandon Roy, teria sido uma varrida - e enfrentou os temidos Lakers, um time que essencialmente é o mesmo que foi bicampeão e que vinha de duas vitórias embaladas sobre o Hornets. E todo mundo pensou: Como eles podem sobreviver a essa? Mas Dallas foi superior do começo ao fim, impôs seu jogo, não deixou o Lakers confortável e viu o Dirk comer com farinha quem estivesse pela frente. Nas Finais, o Dallas não era mais o azarão depois do que tinha feito, mesmo contra o time sensação da 'Nova Geração', o Thunder, que em nenhum momento foi realmente páreo pro Mavs. Sim, dominou alguns jogos, sim, foi melhor em algumas partidas, mas o Dallas teve a resposta pra tudo que o Thunder fez, e o Thuder não. E na Final, contra um time com Dwyane Wade, Lebron James e Chris Bosh, o Mavs não era e nunca foi o favorito. O Heat tinha os melhores talentos, mas na hora de decidir, quem tinha o melhor coletivo era o Mavs. Foi o jogo de equipe do Mavs, com todo mundo se matando para conseguir o título que Dirk e Jason Kidd tanto mereciam, pra se vingar do algoz do Mavs em 2006, que superou o talento de Lebron e Wade. Nowitzki levou os seus companheiros nas costas quando eles não apareceram. E quando o alemão esteve mal, Jason Terry, JJ Barea e tantos outros apareceram pra ajudar o seu craque. Um time, em todos os sentidos da palavra.

E claro que não da pra falar desse título sem falar do Nowitzki. Ele é ja faz algum tempo um dos maiores jogadores da história da NBA, mas sempre era acompanhado pelo fardo de não ter um título. Pela fama de amarelar nas decisões, um rótulo injusto que ele carregava desde as Finais de 2006, quando seu Mavs estava ganhando de 2-0 e com uma boa vantagem no final do jogo 3, só pra ver o Wade virar o jogo e a série, incapazes de reagir. E não ajudado pela traumática eliminação em 2007, quando eram disparado o melhor time, para a 8th seed daquele ano, o Golden State Warriors, e pelos fiascos nos playoffs nos anos seguintes. Ninguém ligava se, em 2009, ele foi o único jogador do time que jogou bem na eliminação para o Nuggets. Que ele sozinho tenha duelado pau a pau com Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Nenê e companhia e ainda tenha conseguido ganhar um jogo e levar tantos outros pros momentos finais. Ninguém ligava que, quando o Spurs surpreendeu todo mundo ao eliminar Dallas ano passado, foi apesar do Nowitzki continuar colocando a bola na cesta e fazendo 30 pontos por dia esperando alguém aparecer pra ajudar. Ele era sempre chamado das mesmas coisas: amarelão, soft, etc.

E nesses playoffs ele calou a boca de todo mundo dentro de quadra. Ele foi o jogador mais imparável, mais dominante e também o melhor jogador durante todos os playoffs. Ele desmontou a defesa do Lakers, abriu espaços, fez as cestas importantes e comeu o Pau Gasol com farinha. Ele teve uma das séries mais fantásticas de todos os tempos contra o Thunder, quando apesar de uma marcação sensacional do Nick Collison e de ter pelo menos umas cinco faltas por jogo não marcadas naquela marcação insana do Collison ele foi totalmente dominante, levou o time nas costas quando precisou, dominou o final dos jogos e continuou mostrando que ninguém na Liga era capaz de pará-lo. E nas Finais, bom, eu só posso dizer que seus 62 pontos nos seis quartos períodos que a série teve são mais pontos do que Wade e Lebron tiveram juntos nesses quartos períodos. Ele levou o Dallas nas costas três jogos, ganhando um praticamente sozinho, enquanto esperava seus colegas. Quando eles chegaram pra jogar, o Dirk fez seu papel de jogador de equipe, de passar a bola, atrair a marcação e pontuar quando necessário. Foram bolas de três, bolas de dois, lances livres, e duas coisas que vão passar desapercebidas por muitos, mas rebotes e defesa. Seus rebotes foram fundamentais pra evitar que o Heat dominasse os rebotes ofensivos. E mais do que isso, ele foi o cara dominante nos quartos períodos. Quando o time precisou de uma cesta, ele tava lá. Quando o time precisou de um passe pra achar o Terry livre, ele tava lá. E mesmo quando o time estava jogando bem e ele não, foi nas mãos dele que o time confiou as bolas importantes, e ele acertou todas, uma atrás da outra. Ele superou Kobe Bryant, Wade, Kevin Durant, Lebron e qualquer outro jogador que tenha cruzado o caminho do Dallas nessas Finais. O seu time teve méritos sem a menor dúvida, fizeram grandes jogos pra fechar a série, mas o Dallas não teria sido campeão nunca sem seu alemão, e talvez não tivesse sido campeão com qualquer outro jogador da NBA no lugar dele.

Por fim, o Dallas pode enterrar seus fantasmas da Final de 2006. Dirk e Terry, os únicos que sobraram daquele time (Sem falar no Mark Cuban, que parou de dar suas declarações polêmicas, apoiou o time sem causar problemas e que teve uma demonstração surpreendente de classe ao dar ao primeiro dono do Mavs o troféu para ser levantado), foram os líderes do time em quadra que derrotou o mesmo Miami Heat, mas muito mais badalado, muito mais cheio de estrelas e, sinceramente, muito mais arrogante. Apagaram de vez a fama de amarelões e agora, depois de uma longa espera, são merecidamente campeões.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A festa dos Packers

E assim chegou ao fim a temporada 2010 da NFL

O Super Bowl sempre é um evento importante. Importantíssimo. É o maior evento esportivo nos EUA, e é também o que mais movimenta dinheiro. Ingressos caríssimos (Só o estacionamento do estádio custava de 500 a 900 patacas), comerciais a preço de ouro (A maior parte vale muito a pena conferir, por falar nisso) e transmissões milionárias pra todo mundo (Dos dez programas mais assistidos da história da TV americana, nove foram Super Bowls, e o desse ano está em primeiro. O outro foi o episódio final de M.A.S.H.), sem falar nos shows de artistas famosos, como Paul McCartney, Michael Jackson, The Who e Rolling Stones, entre tantos outros que passaram por lá nos últimos anos. E pra um evento desses, a gente sempre espera um grande jogo. E temos tido grandes jogos nos últimos anos: como esquecer os Giants derrubando os invictos Patriots em 2007? Ou a mágica de Kurt Warner e Larry Fitzgerald sendo superada pela de Ben Roethlisberger e Santonio Holmes um ano depois? Jogos lendários, históricos, e que terminaram como a gente gosta, com viradas no final da partida. O que nós vimos nesse Super Bowl XLV foi um grande jogo entre dois grandes times, mas que infelizmente corre o risco de ter decepcionado alguns justamente por causa do seu final anticlimático. O Packers tinha seis pontos de vantagem, o relógio marcava dois minutos e Big Ben tinha a bola. Era o palco perfeito pra termos uma virada histórica conduzida por um QB que já tem várias viradas históricas no currículo - inclusive uma sobre esses mesmos Packers em 2009 com um touchdown no último segundo - pra terminar a partida um ponto na frente, vencendo pela sétima vez o Super Bowl e coroando uma das melhores franquias da última década. Mas isso não aconteceu, e algumas pessoas ficaram decepcionadas. Uma virada seria mais emocionante, sim, seria, mas só porque ela não aconteceu não quer dizer que a gente deva descartar todo o resto.



O jogo começou difícil e, principalmente, nervoso. Os ataques se mostravam conservadores demais, os QBs passavam a bola com excesso de força ou altura, e vimos erros infantis de ambos os lados. Jordy Nelson dropou um passe lindo, apesar de um tanto forte, que teria sido um ganho de pelo menos 40 jardas, um erro comum pra um jogador jovem, apenas em seu terceiro ano na Liga, no jogo mais importante de sua vida. Esse nervosismo, no entanto, começou a passar, e o mesmo Jordy Nelson que dropou esse passe pegou outro passe de 29 jardas, absolutamente perfeito, pra entrar na end zone e terminar a sétima campanha do Packers nesses playoffs de mais de 80 jardas, um recorde da NFL. Estava aberto o placar e estava, mais uma vez, começando o jogo tático do Packers, aquele time que gosta de abrir uma vantagem rapidamente, contar com sua defesa pra recuperar a bola em boa posição de campo, anotar outro TD, abrir uma vantagem considerável e deixar o ataque adversário à mercê da sua defesa. Porque quando o Steelers recuperou a bola e o Big Ben lançou um passe longo, o DT reserva, Howard Green, acertou o braço do QB e fez a bola sair do seu curso, caindo nas mãos do Nick Collins, que não desperdiçou e levou a bola pra end zone. O Packers começou a impor seu jogo, e abriu 14 a 0 no placar.


O Steelers então começou a tentar impor o seu jogo, até como forma de escapar do jogo que o Packers queria. O time correu bastante com a bola, aproveitou a ótima fase do Rashard Mendenhall, e viveu dos passes curtos. O time, lentamente, foi subindo o campo em direção ao touchdown. Gastou mais de sete minutos na sua campanha e manteve o Aaron Rodgers sentado no banco. O problema foi que, ao final da campanha, Nick Collins fez um excelente tackle evitando a primeira descida, e ai o Steelers teve que se contentar com um field goal do Shaun Suisham. E eu sempre bato nessa tecla: Quando você tem uma defesa boa e enfrenta um ataque forte, controlar o relógio e manter o ataque adversário sentado no banco é uma boa estratégia, mas ela não funciona se a cada posse de bola você anota três pontos e o adversário sete. Por isso, perdendo de 14 a 0, não desesperar, jogar pelo chão e controlar o relógio, confiando na sua defesa, é uma boa idéia, mas pra isso você precisa anotar os sete pontos, e não três. Mas a defesa do Steelers apareceu, e deu um problema pro Packers: Donald Driver, o experiente WR do time, sofreu uma lesão e teve que sair de campo. Alem disso, deu uma nova chance pro Big Ben anotar um touchdown. Mas uma jogada sensacional do cornerback reserva Jarrett Bush resultou numa linda interceptação, e o Rodgers fez questão de levar essa dentro da end zone para mais um touchdown, dessa vez com Greg Jennings, em menos de dois minutos. Mas o Steelers sempre foi um time que respondeu bem à pressão, e Big Ben conduziu ótima campanha campo acima para o touchdown de Hines Ward no finalzinho do primeiro tempo, aproximando o placar. 21 a 10 no intervalo.
O Packers fez, no primeiro tempo, o que sabe fazer de melhor: Pontuou rapidamente, usou e abusou do braço do Rodgers, usou sua defesa pra forçar punts e principalmente turnovers, e transformou esses turnovers em pontos. Foram 14 pontos de turnovers pro Packers, que fizeram a diferença no primeiro tempo. O Steelers teve mais dificuldade por causa da fortíssima defesa do Packers. Apesar da linha ofensiva do Steelers ter segurado bem o pass rush, a cobertura foi muito boa na secundária e os passes longos não saíram. O Big Ben trabalhou menos do que contra o RAvens e o Jets os passes curtos e isso foi problemático, até porque a cobertura próxima da linha de scrimmage - em especial do Charles Woodson - foi sensacional. A defesa do Steelers é boa, mas teve um problema que não é de hoje. O Troy Polamalu está jogando desde o começo dos playoffs no sacrifício, a lesão ainda não deixa ele jogar 100%, e o Steelers sem o Polamalu é outra defesa. Ele foi bem, deu tackles próximo à linha de scrimmage, fez a cobertura e tudo mais, mas a presença dele em campo não foi a de sempre, que lhe rendeu o prêmio de Defensive Player of the Year. Mas o Packers também teve uma séria baixa: O melhor jogador da secundária, Charles Woodson, um monstro no primeiro tempo, quebrou a clavícula e teve que sair de campo no intervalo. E mesmo para os mais fanáticos pelos Packers, aquele jogo do Steelers contra o Ravens ainda tava fresco na cabeça.



E não é a toa, porque o Steelers voltou um time totalmente diferente pro segundo tempo. A defesa foi bem, e contou com outro drop, dessa vez do James Jones, em mais um passe perfeito do Rodgers que, se o WR segurasse, levaria mais umas 30 jardas. O ataque entrou em campo e, sem o Big Ben ter que lançar a bola uma vez sequer, colocou a bola dentro da end zone na marra com o Mendenhall. Foram 50 jardas corridas entre o Mendenhall, Big Ben e Isaac Redman nessa campanha. O Packers voltou pra campo e, com mais um drop do Jordy Nelson, devolveu a bola pra Pittsburgh. O Steelers recebeu a bola e continuou marchando campo acima rumo à end zone. O momento do jogo era do Steelers, que novamente começou a jogar com calma, controlar o relógio e manter a defesa do Packers confusa, explorando muito melhor os passes curtos no espaço que o Woodson fez a cobertura tão bem no primeiro tempo. No entanto, quando o Steelers já estava dentro da linha de 30 jardas do Packers, o momento do jogo mudou novamente, pra um estado neutro. Clay Matthews, discreto o jogo todo, passou como quis pela linha de scrimmage e correu atrás de Big Ben. Ben soltou um passe rápido, mas Matthews desviou e quase interceptou. A jogada terminou como um passe incompleto, mas deu novo ânimo ao time do Packers, que conseguiu mais duas jogadas importantíssimas: um tackle pra perda de 3 jardas e um sack, tirando o Steelers do alcance do Suisham, que tentou o FG mesmo assim e errou.

A partir dai, o jogo acalmou. Os ataques tentavam e não conseguiam converter, e as defesas apertavam o cerco. Foi ai que o que tinha tudo pra ser uma grande polêmica aconteceu. Numa terceira descida, Rodgers lançou a bola pro WR Brett Swain. Swain pegou a bola e virou para correr, quando foi atingido por dois tackles. A bola escapou de sua mão e caiu no chão, onde Jennings a recuperou. Os juízes deram passe incompleto, e o Packers desafiou. No replay, Swain claramente tem controle da bola e coloca seus dois pés no campo, antes de virar e sofrer o tackle. A bola sai do seu controle quando ele estava caindo, e fiquei indeciso quanto a dizer que a bola saiu ao seu controle antes ou depois do seu joelho tocar no chão. Para mim era passe completou ou fumble recuperado por Green Bay. Mas, mesmo depois de ver o replay, os juizes deram passe incompleto. Eu achei a chamada um absurdo, da pra ver claramente no vídeo que o jogador tem controle da bola quando é atingido, e foi um erro grotesco da arbitragem que poderia ter mudado o jogo. Pra piorar, o excelente punt do Packers foi anulado por falta, foi repetido, saiu muito ruim na segunda tentativa e ainda teve uma falta que colocou a bola ainda mais pra frente para o Steelers. O erro da arbitragem parecia que teria sérias conseqüências, quando Clay Matthews, sempre ele, apareceu muito bem pra fazer um tackle em Rashard Mendenhall e atingir, com o capacete, a bola, forçando um fumble que foi recuperado por Desmond Bishop. Pela terceira vez, o Packers aproveitou o turnover e anotou mais um touchdown com Jennings.

Mas, como de costume, era cedo demais pra descartar o Steelers. Big Ben jogou uma excelente campanha com passes curtos e médios, fugindo da pressão, ganhando tempo e explorando a área logo atrás da linha de scrimmage do Packers. Até que, quando a defesa se aproximou demais da linha de scrimmage, ele lançou a bomba de 25 jardas pro Mike Wallace fazer a recepção dentro da end zone. A tentativa de dois pontos foi um sucesso numa linda jogada de option com o Antwan Randle El e ai a diferença estava em apenas 28 a 25 com sete minutos e meio no relógio. Mas a bola era de Green Bay, e o que fez a diferença nesse momento foi a postura do Green Bay de ser dentro de quadra. Ao invés de gastar o relógio, o time fez o que sempre faz: jogou pra fazer o touchdown. O time não tentou correr e confiou no braço do Rodgers, que converteu dificílimas terceiras descidas sempre com passes longos, precisos e arriscados pra Jennings e Nelson, e chegou até a red zone do adversário, não só chegando em condições de marcar pontos como tirando tempo do relógio em conseqüência dessa campanha  longa, e não o contrário, tentar uma campanha longa tendo como conseqüência do controle do relógio. No entanto, a defesa do Steelers apareceu muito bem, as chamadas do técnico do Packers foram conservadoras, e o time não conseguiu o touchdown, e o Field Goal deixou a diferença em apenas seis pontos, uma posse de bola.


Era o cenário que todo mundo sonhava: Big Ben, o grande QB dos momentos decisivos, com dois minutos no relógio, no maior jogo da temporada, e seis pontos atrás, perfeito pra um final dramático por um ponto em caso de touchdown. Mas, infelizmente, veio o anticlímax, e a defesa do Packers foi mais forte que o ataque do Steelers, forçou o Big Ben a lançar a bola rapidamente pra evitar a pressão, cobriu muito bem os recebedores e conseguiu dar os tackles certos nas horas certas. Até que, com um passe incompleto numa 4th and 5, sacramentou o título de Green Bay.



Com 304 jardas, 3 TDs e um Rating de 111, o MVP do jogo foi, merecidamente, Aaron Rodgers, que na minha opinião também foi o MVP desses playoffs como um todo. Ele fez os passes certos nas horas certas, foi imparável quando precisou ser e contou com um excelente conjunto de apoio pra brilhar no maior estágio dos esportes americanos, o Super Bowl. No final das contas, entre dois times tão equilibrados e talentosos, ambos tentaram impor seu estilo de jogo e cada um conseguiu durante algum tempo, quando foi capaz de pontuar e trazer o jogo a seu favor. Quando o outro time começava a impor o seu estilo de jogo, a balança do jogo começava a mudar. Ambos os times tiveram suas lesões, Polamalu sem estar 100% faz uma falta tremenda, o Charles Woodson machucando abriu toda uma nova área do campo pro Steelers, e ambos tiveram que jogar por cima disso. Times que perderam peças importantes e que repuseram como deu, times com defesas fortes e grandes Quarterbacks. No final das contas, o que fez a grande diferença foi simplesmente o fato do Packers ter sido capaz de aproveitar os erros do Steelers. O Steelers, seja por mérito do oponente ou demérito próprio, cometeu três turnovers, e o Packers soube transformar isso em pontos, que no final fizeram toda a diferença da partida. Se ganhou o melhor, eu não sei dizer. Os dois times são excelentes, muito equilibrados e, embora eu apostasse no Packers, era um jogo sem um favorito claro. E, como geralmente acontece nesses casos, o jogo foi decidido nos detalhes.


O Packers foi um time que mereceu muito essa conquista, até por tudo que o time superou recentemente. Desde a derrota para o Giants na prorrogação em 2007, com Brett Favre, o time passou por um período turbulento. Favre quis voltar em 2008 para um contrato de um ano, mas esse também era o último ano do contrato do reserva Aaron Rodgers, e Rodgers disse que queria ser titular e que, se fosse pra ser reserva, não renovaria seu contrato. Assim, o GM do time não quis a volta de Favre, que já tinha provado que gasolina no tanque não era o que faltava, e apostou no garoto Rodgers. Favre não levou o Jets aos playoffs por lesão, e em 2009 transformou o Vikings num timaço, e o GM do Packers teve que escutar muitos gritos de 'burro' daqueles que o David Kahn escuta todo dia. Mas aos poucos Rodgers foi assumindo a liderança do time, foi evoluindo, ganhando confiança, e em 2009 levou os Packers àquele jogo histórico dos playoffs, onde foram eliminados pelo Cardinals, e agora com uma temporada regular muito boa e uma pós temporada sensacional, o Rodgers levou o Packers não só ao Super Bowl como ao seu título, superando muitas dificuldades e obstáculos, como os que eu citei aqui. A aposta que o Packers fez em 2008, e que no começo pareceu loucura, agora tá mostrando seus resultados, e não só deu ao time um título como tem condições de dar muito mais. O time é jovem, talentoso e o Rodgers ainda tem 26 anos apenas, tem muito o que jogar ainda. Alem disso, é assustador pensar que esse time do Packers ainda vai ser melhor ano que vem: Com as voltas de Jermichael Finley, Nick Barnett, Morgan Burnett e Ryan Grant, o time tem tudo pra ser ainda melhor no ano que vem e, como conta com um núcleo de estrelas jovens, como Matthews, Jennings, Nelson, Finley, Trammon Williams e claro, Aaron Rodgers, não vejo porque o Packers não possa não só voltar a ser campeão em breve, como também começar a sua dinastia nessa década. E, por fim, o Vince Lombardi Trophy volta para sua casa. Para Green Bay.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os Campeões do Mundo

Pela primeira vez, esse troféu vai pra San Francisco

Sei que ficou gigante denovo o post, mas é um post sério sobre um título de MLB. Pra quem tiver paciencia de ler, eu recomendo, achei que ficou muito bom. Pra quem nao tiver, amanha volto a falar sobre NFL. Obrigado pela compreensão.
Noite de 26 de dezembro de 2009, um Toyota alugado atravessa a Bay Bridge pra entrar em San Francisco. Dentro do carro, dois torcedores do San Francisco 49ers fanáticos chegavam com a familia à cidade onde, dia seguinte, realizariam o sonho de ver seu time jogar ao vivo. Passando perto da baía pra ver melhor a cidade no escuro, uma construção aberta que emitia forte iluminação chamou a atenção do carro. Era um estádio onde se podia ler num letreiro luminoso "AT&T Park". Chegando ao hotel e acessando o Wi-Fi de la, descobriram que era o estádio era do San Francisco Giants, um time fraco da MLB que ha anos nao obtinha sucesso.



No dia seguinte, indo pro Candlestick Park pra ver Niners vs Lions, os dois passaram em frente a uma interessante e bonita construção de tijolos, com duas estátuas (Que depois descobriram ser cinco no total) na frente, estilo antigo. O motorista do carro informou que era o AT&T Park, e avisou que o time era um fracasso desde que se mudou de New York e que nao ganhava um titulo desde 1954. Um deles, o mais velho, virou para o outro e brincou falando que agora que tinhamos passado por ali, seria a hora do Giants se reerguer e ser campeão, e que quando começasse a temporada da MLB os dois iriam acompanhar aquele time. San Francisco é a cidade americada favorita dos dois, os dois sao fanáticos por outro time da cidade (49ers) e o estádio era extremamente simpatico, e os dois prometeram que acompanhariam a temporada do Giants.



Um desses torcedores era meu pai. O outro, eu. Naquele dia, de volta do jogo (Niners venceram 20 a 6), fiz questão de passar pelo AT&T Park denovo. Vi a parte que estava aberta, a estátua do Willie Mays, a homenagem ao Jackie Robinson, e comprei um boné do time. Aprendi mais sobre a franquia e decidi que, se os Red Sox nao fossem ser campeões, eu iria torcer pro Giants. Eu prometi que em caso de titulo do Giants eu iria contar um pouco da minha historia com o time, e ai está ela. Pode parecer idiota, gostar do time só porque simpatizei com o estádio, mas nao é só isso. Ja estive em estadios ou ginásios de cinco esportes diferentes em sete países e nao achei nenhum que eu gostasse tanto quanto esse alem do Morumbi. San Francisco sempre foi minha cidade favorita dos EUA e eu senti muito bem, na viagem, o clima que a cidade tinha com o baseball, e caso algum dia voces forem pra la e sentirem o baseball na alma da cidade, é dificil nao se apaixonar. E agora estou aqui, vendo MNF e escrevendo sobre o título do Giants que meu pai falou ha dez meses de brincadeira enquanto passavamos na frente do estádio que hoje estará lotado pra receber os campeões.

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Algumas coisas parecem que são escritas pra acontecer. Nao importa se a lógica indicava o contrário, se as chances era pequenas. Na hora de acontecer, tudo acontece certo para esse fim, e pra quem ve do final parece que, desde o começo, os Giants estavam destinados a ganhar a World Series.

Para quem olhasse o time do Giants no começo da temporada, era dificil acreditar em alguma coisa vinda dali. Todos sabiam o que esperar de Tim Lincecum, bi campeão do Cy Young, premio de melhor pitcher, da NL, e do jovem mas talentoso corpo de arremessadores do time: Matt Cain, Barry Zito, Jonathan Sanchez. No entanto, não se podia esperar nada do resto do time. Era um grupo montado às pressas, com as sobras dos outros times, jogadores dispensados, velhos, sem perspectivas de um futuro na Major League.

Aubrey Huff estava sem time no meio de janeiro e assinou com o Giants um contrato condicional (dependendo de condições fisicas) de apenas um ano. Edgar Renteria sofreu com contusões durante todo o ano, jogou menos de metade da temporada, estava velho, com o corpo debilitado, desacreditado, e muitos - inclusive pessoas dentro do próprio Giants - acreditavam que ele deveria se aposentar, ou que o time deveria forçá-lo a isso. Cody Ross foi dispensado pelo Florida Marlins no meio da temporada (Agosto) e pego de ultima hora pelo Giants apenas pra evitar que seu rival San Diego Padres o pegasse. Buster Posey era um calouro que tinha passado dois anos nas Ligas menores e só foi chamado ao time no finalzinho e maio, e só virou titular no final de junho. Pat Burrell foi pego da Free Agency pelo Giants pra jogar pela sua franquia das Ligas menores e só foi chamado pro time em junho.

O Giants teve uma campanha bastante irregular, como a montagem desse elenco denunciava. Ganhava seus jogos com placares baixos, era um time varias vezes incapaz de anotar corridas e perdia mesmo quando um bom pitcher segurava o adversário a apenas uma corrida. O time rapidamente ficou pra trás do San Diego Padres na divisão e de Philadelphia Phillies e Saint Louis Cardinals pelo Wild Card. Era claro que o time, apesar de ter uma rotação sensacional, não tinha nenhum ataque, eram apenas pessoas esquecidas, velhas, desconhecidas que foram colocadas juntas com um bastão na mão. Chegado setembro, o Giants tinha 6,5 jogos de diferença pra tirar do Padres, e se conseguisse seria a quinta maior diferença tirada pra ganhar a divisão na história nesse periodo de tempo. Depois de um agosto sofrivel do time inteiro e principalmente do ace Tim Lincecum (jogando lesionado), o time se transfigurou em setembro. Lincecum foi um monstro, Buster Posey jogou mais do que qualquer outro jogador da MLB, o ataque encaixou suas rebatidas, o Padres inexplicavelmente parou de jogar bem, e no final o Giants acabou uma vitória à frente do rival Padres.

Mas na pós temporada o cenário da Major League muda totalmente. Não tem mais jogo facil. O Giants chegou cotado como um time que se superou para chegar ali, mas que nao tinha chances reais de título. Um bando de veteranos em decadencia e alguns jovens talentos foram o suficiente pra levar o time até os playoffs, mais nada.

Mas por sorte, o Giants enfrentou de cara um time que estava na mesma situação que ele e que tinha exatamente as mesmas armas: Uma rotação forte, bons arremessadores, mas um ataque deficiente liderado por um bom novato. Acontece que tanto a rotação como o ataque como o calouro não eram tao bons quanto os do Giants. Depois de Lincecum e Cain terem fechado os jogos 1 e 2 sem ceder corridas impulsionadas (Lincecum com uma atuação monstruosa de 2 hits e 14 strikeouts), o Giants fechou a série em quatro jogos (A semifinal de conferência é melhor de cinco). A série serviu pra mostrar as forças e fraquezas tanto faladas antes: Pitching excepcional e um ataque deficiente e as vezes incapaz de acertar as rebatidas quando era necessário.

O adversário seguinte era o temido Phillies, melhor time de MLB na temporada regular, com a rotação considerada a mais forte da MLB com Roy Halladay (Favorito ao premio Cy Young desse ano), Roy Oswalt e Cole Hammels e um ataque infernal liderado por Jayson Werth e Ryan Howard. A rotação titular do Giants era o ponto forte mas muito falaram que a do Phillies era tão forte quanto - se não mais forte. E o ataque não tinha comparação, o Phillies tinha um dos melhores ataques da Liga.

Foi ai que talvez aquele 'destino' começasse a aparecer. Cody Ross, dispensado no fim do campeonato sem cerimonia e pego apenas pra atrapalhar os planos do rival, acertou dois Home Runs em cima de Halladay e um em cima de Oswalt. O ataque do Giants destrinchou perfeitamente a chamada 'melhor rotação' da MLB. Aquele ataque anêmico e sem força pros playoffs estava destruindo Hammels, Oswalt, Halladay como se enfrentassem o Baltimore Orioles. A rotação do Giants e principalmente Brian Wilson foram sensacionais contra aquele poderoso ataque, e o time passou pelos Phillies mostrando uma clara superioridade dentro de campo, uma superioridade que nao existiria fora dele.

A World Series foi apenas uma repetição. O ataque do Giants subiu mais um nivel. As rebatidas vieram na hora certa. E os arremessadores do time foram absolutamente dominantes. Madison Bumgarner e Cain zeraram os Rangers. E Tim Lincecum venceu duas vezes o monstro Cliff Lee. Edgar Renteria., Aubrey Huff e Juan Uribe mandaram a bola pro outro lado do muro quando precisaram. E os Giants agora são os campeões!!

Pra mim, a jogada emblematica do título foi no jogo dois. O jogo estava zero a zero, e na parte de cima da quinta entrada, Ian Kinsler no bastão enfrentava Matt Cain. Kinsler mandou uma cacetada alta pro fundo do campo. A bola viajou, bateu na parte de cima do muro, subiu e... caiu do lado de dentro do campo! Por um centimetro essa bola não saiu do campo para um Home Run que possivelmente teria mudado o rumo da série. Mas não, a bola caprichosamente, como se realmente fosse o destino, bateu na parte de cima e não permitiu o Home Run, ficou apenas com uma rebatida dupla que Cain tratou de garantir que nao seria mais que isso.

O jogo final, o jogo cinco, não poderia ser diferente. O duelo sensacional entre Cliff Lee e Tim Lincecum foi absurdo e durante seis entradas não tivemos nenhuma corrida. Os dois foram brilhantes eliminando jogadores, controlando os rebatedores e usando o braço quando necessário. Mas os pitchers cansaram e, na sétima entrada, com Cody Ross e Juan Uribe nas duas ultimas bases, Edgar Renteria, que teve a rebatida que deu ao Florida Marlins o título da World Series de 1997, que antes do jogo disse a Aubrey Huff que ia mandar a bola do outro lado do muro, pegou uma bola baixa de Cliff Lee e mandou a bola longe, do outro lado do campo. A bola caprichosamente bateu no topo do muro. E saiu.

Home Run para Renteria, e 3 a 0 no placar pro Giants. Nelson Cruz até assustou ao acertar um Home Run contra Lincecum, sua unica falha na partida quase perfeita, mas de nada adiantou. Lincecum eliminou quem veio depois, Brian Wilson fechou com maestria sua sexta partida com um save nos playoffs e os Giants se sagraram campeões.

O Giants foi o time que mais mudou na pós temporada. O calouro as vezes pouco confiavel Bumgarner foi perfeito na final, Tim Lincecum derrotou jogadores como Derek Lowe, Roy Halladay e Cliff Lee (Duas vezes), e tanto Matt Cain como Brian Wilson nao cederam uma corrida sequer em varias atuações dominantes. O Giants foi o time que cresceu na hora de decidir, o time que acertou suas rebatidas, cujo ataque cresceu, evoluiu e funcionou como uma equipe. O time deixou de lado sua identidade 'eu' que tanto aparece no baseball pra se unir em um grupo. Aubrey Huff, que em 11 anos nunca tinha tido uma rebatida de sacrifício, fez uma perfeita pra poder impulsionar Ross e Uribe uma base pra Renteria depois fechar o caixão, e saiu vibrando, batendo no ombro de Renteria e cobrando sua promessa de acertar a arquibancada com a bolinha. E se aquele bando de restos de outras equipes se uniu em torno de uma equipe de forma perfeita, individualmente não foram menos brilhantes. Huff acertou o Home Run que colocou o Giants na frente no jogo 4 - e eventualmente lhe deu a vitória - alem de ter sido o jogador com as rebatidas mais importantes, nas horas mais importantes. Cody Ross, sem time em Agosto, entrou nos playoffs pra conseguir quatro Home Runs importantissimos contra o Phillies e levar o time à World Series, nomeado o MVP da NLCS. Buster Posey, aquele calouro um tanto obscuro, foi um monstro acertando rebatidas com dois eliminados ou com alguem em base, alem de ter sido perfeito defensivamente, com quatro eliminações em tentativas de roubo importantissimas. E Edgar Renteria, velho, machucado, que deveria se aposentar e não tinha mais gasolina pra queimar, foi o MVP da World Series, onde acertou dois Home Runs importantissimos e impulsionou seis corridas, sendo uma delas a corrida que eventualmente deu o primeiro título da World Series à cidade de San Francisco. Ele, que ja tinha sido o responsavel pela rebatida que deu o título ao Marlins em 1997, agora se junta a um grupo que conta com Joe DiMaggio, Yogi Berra e Lou Gehrig, tres dos maiores jogadores de todos os tempos, como os unicos jogadores da história a terem rebatidas que deram a vitória ao seu time em duas World Series diferentes.

Se a pós temporada é a hora de cada time elevar seu jogo, buscar dentro de si a força pra ir mais longe do que poderiam até então, de individualmente e coletivamente alcançar um novo nivel e acreditar em cada partida até o final, ninguem fez isso melhor do que o San Francisco Giants. Foi o time que mais acreditou, o time que mais evoluiu, o time que mais lutou e o time que, apesar de ser considerado zebra durante todo o ano, sempre jogou com confiança e disposição, apoiado por uma torcida fanática que transformou o AT&T Park no estádio mais temido da pós temporada de 2010 e contando com o brilhantismo de jogadores como Lincecum e Wilson, alcançou um objetivo que nem o mais fanático torcedor do Giants acreditava quando começou a temporada. A cada rebatida com jogadores em base, a cada Changeup de Lincecum que passava a milimetros do bastão do rebatedor, a cada vez que a barba de Wilson virava para a segunda base e fazia seu tradicional gesto de saves, a cada hora que um novo herói improvavel aparecia pra dar a rebatida quando o time mais precisava - Ross, Posey, Huff, Renteria, Uribe - e a cada hora que um Home Run nao acontecia por um capricho do destino ao trombar com o topo do muro ou, em contrapartida, uma rebatida dupla se tornava num Home Run porque caprichosamente a bola igualmente bateu no topo do muro mas saiu, não dava pra discordar do óbvio. O Giants era o time destinado ao título da World Series em 2010.

E agora, San Francisco, pode festejar. Voces são os campeões do mundo! E merecidamente!