Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Os times - AFC East

Não, vocês não estão sonhando, nós realmente estamos postando!!

Eu prometi e infelizmente demorei para cumprir, mas agora trago a vocês um pequeno preview dos times para essa temporada. Como vocês talvez tenham notado, ta faltando tempo e por isso estão faltando posts, então a gente não ta podendo fazer aqueles posts enormes com análises que vocês tanto gostam (?), pelo menos por enquanto (Prometemos que assim que aparecer uma brecha, faremos!).

Mas esses previews tem uma função um pouco diferente dessa vez. Como muita gente nova começou a ler o blog depois do nosso Especial NFL (em sua maioria gente que não acompanhava tanto a NFL antes), nós estamos fazendo esses previews para que elas saibam a situação de cada time, como jogam, os pontos fracos e fortes, para que possam acompanhar com mais informação a temporada. Aos veteranos do site e de NFL, peço calma que as análises complicadas e quilométricas virão. Sem mais enrolação, começamos com a AFC East (lembrando que o número entre parênteses depois do nome da equipe é o record do time em 2010).



Wes Welker se recusa a soltar a carne


New England Patriots (14-2)
O Patriots é o time de grande parte das pessoas que começou a assistir NFL recentemente. O que não é de surpreender, já que o time foi um dos maiores - se não o maior - da década passada. O time levantou o troféu três vezes (2001, 2003 e 2004) e teve a primeira temporada regular invicta  (16-0) da Liga desde o Dolphins de 1972 (14-0) numa das melhores temporadas regulares de todos os tempos em 2007, quando o time bateu recorde de jardas aéreas, jardas totais, pontos marcados, TDs por um só Quarterback  e TDs recebidos por um só Wide Receiver (que, ironicamente, terminou com o invicto Patriots sendo derrotado em pleno Super Bowl). O time foi competitivo ao longo de praticamente toda a década e apresentou figuras importantes, como o excelente técnico Bill Belichick e o Quarterback Tom Brady, um dos melhores de todos os tempos, sem falar em outros como Randy Moss, Ted Bruschi e companhia. Não é a toa, portanto, que o Patriots é um time que marcou muitos dos torcedores dessa última década.

O excelente núcleo da equipe do começo da década se desmontou após a temporada 2008, e o Patrios teve então o desafio de reconstruir nas costas de Brady. O resto do time era quase todo muito jovem, inexperiênte e imaturo, e reconstruir a partir disso foi um desafio. Até que em 2010 o time teve a melhor temporada da Liga e... bom... pois é.

A questão é o quanto o time ainda pode crescer. O time de 2010 era um time mediano, ainda que promissor, e só chegou longe por causa de uma temporada espetacular do Tom Brady e do seu ataque. Eu fiz um bom post na temporada passada que mostrava como o Belichick e o Brady montaram uma forma de jogar no ataque que não só era eficiente pela pontuação como também camuflava muitas das deficiências do time. Funcionou durante a temporada regular, mas acabou sendo exposto nos playoffs, e agora o Patriots trabalha pra evoluir seu núcleo jovem de forma a se tornar um time com cada vez menos falhas e lideradas pelo gênio do Brady.

A defesa tem uma secundária cheia de gente jovem em evolução, muitos já mostraram que tem talento pra jogar no time, a linha de frente com Vince Wilfork e Albert Haynesworth tem tudo pra ser muito forte e o time tem um pass rush que, apesar de fraco nas últimas temporadas, deu sinal de vida no primeiro jogo da temporada. Mas o carro chefe da equipe ainda é o ataque, e vai ser enquanto o número 12 continuar por lá. O time aprendeu em 2010 a correr com a bola, os bons Benjarvus Green-Ellis e Danny Woodhead tem feito um bom papel pelo chão, o que é importante pra liberar o ar para o Brady. O ataque do Patriots é muito completo e um show pra assistir: Uma ótima linha ofensiva, um jogo terrestre eficiente e um show no jogo aéreo. Jogadores como Wes Welker (Um dos melhores WRs da NFL em rotas curtas) são talentosos, mas jogar com Brady faz de todos eles melhores, é só ver a obra de arte que esses dois fizeram ontem a noite. O time também tem dois Tight Ends apenas no segundo ano mas que já são uma das combinações mais mortais da Liga. Não tem como não babar em cima desse time, especialmente desse ataque. Enquanto seu QB continuar jogando do jeito que joga, o Patriots sempre será um candidato ao título e um time divertidíssimo de acompanhar.


Corrida com obstáculos: Você está fazendo errado.


Miami Dolphins (7-9)
O Miami Dolphins teve altos e baixos nas últimas temporadas. E quando eu digo altos e baixos, é pra vocês levarem a sério: Depois de terem conseguido um pífio record de 1-15 em 2007, o time deu a volta por cima, ganhou 11 jogos em 2008 e foi para os playoffs. Em 2009, o time começou bem, chegou a ter um record de 7-6 faltando três rodadas, mas perdeu as três últimas partidas e ficou de fora nos playoffs, situação que se repetiu em 2010.

Apesar do resultado abaixo da média em 2009, o Dolphins é um time bom e com futuro. Apesar do massacre de ontem a noite contra um monstro chamado Brady, a defesa que o time montou está cheia de jovens talentos - O CB Vontae Davis, o OLB Cameron Wake - e é sólida como uma unidade. Eu comentei no post anterir, que se essa defesa não vai levar o time nas costas sozinha como faz a do Jets, por exemplo, ela não vai entregar, e vai ser sólida o bastante (na maioria dos casos) para que o ataque tenha boas condições de conseguir uma vitória.

O problema é que o ataque em 2010 foi pífio. O time tinha em 2008/2009 um excelente jogo terrestre, que era o foco do ataque, o jogo terrestre aparecia menos e era mais em situações funcionais, mas o que levava o ataque pra frente era o jogo terrestre com a dupla Ronnie Brown e Ricky Williams (Quando, aliás, o Dolphins inovou e trouxe a jogada Wildcat para a NFL, uma Tricky Play na qual o Running Back, posicionado como Quarterback, recebe o Snap para enganar a defesa). Esse ataque terrestre, bizarramente, desapareceu em 2010, foi um dos piores da Liga, e aí o Chad Henne - QB jovem em sua primeira temporada como titular - foi obrigado a resolver tudo com o braço. Ele até ganhou uns jogos com a ajuda da defesa, mas era muito mais responsabilidade do que ele deveria receber nessa altura do campeonato. O time não resistiu, ficou fora dos playoffs. O ataque terrestre do Dolphins em 2011 é totalmente diferente: os dois veteranos foram embora (ao contrário do que disse sábado, falha minha), e o time trouxe Reggie "Esqueleto de vidro" Bush pra assumir um papel mais importante no jogo terrestre (e também recebendo passes curtos), dividindo as corridas com o calouro Daniel Thomas.

Mas mesmo com o jogo terrestre, se o Dolphins quer ser levado a sério, o Chad Henne vai ter que assumir um papel central no time. Em 2010 ele foi empurrado para esse papel pela ineficiência do jogo terrestre, o plano era deixá-lo um pouco mais em segundo plano ganhando experiência e rodagem, mas agora está na hora dele assumir o ataque do time. O ataque terrestre ainda está se arrumando, e pra esse time ganhar o Henne vai ter que usar seu braço forte pra avançar o time por cima. Ele não precisa ser Brady, mas ele precisa pelo menos ser capaz de ganhar jogos com alguma regularidade para poder fazer o ataque ser realmente eficiente. Como ele se desenvolve - especialmente a relação dentro de campo com o ótimo WR Brandon Marshall - vai ser a grande história a se acompanhar da temporada 2011 do Dolphins.


Tentando tirar uma casquinha do Leon Washington


New York Jets (11-5)
Uma velha máxima da NFL diz que ataques ganham jogos, mas defesas ganham campeonatos. Se é verdade ou não eu não sei, mas os Jets levam essa frase bem a sério. Ao ponto de que o próprio time do Jets é montado para vencer nas costas de sua defesa.

Quem viu o jogo domingo a noite entre Jets e Cowboys sabe do que eu falo. A vitória foi pro currículo do Mark Sanchez, mas quem virou o jogo foi a defesa. O técnico do Jets, Rex Ryan, é um coordenador defensivo de muito sucesso na Liga, montou a defesa do Ravens do começo da década que foi uma das melhores de todos os tempos, e quando virou Head Coach levou consigo sua mentalidade defensiva. A defesa do Jets é um ferrolho muito interessante, porque apesar de jogar no esquema 3-4, ela não segue o padrão básico dessa defesa (três homens de linha e os dois OLBs indo para a pressão), a esquema usa um número infinito de variações de movimentação, de blitz e de cobertura que deixam qualquer QB doido. Uma hora os cinco homens padrão do esquema estão indo pra pressão, na jogada seguinte quem vai é o ILB e o OLB faz a cobertura do meio, na outra o ILB vai pra blitz mas o DE volta para cobrir, na outra tem um safety na blitz... É uma enorme variação, a defesa do Jets tem muitos jogadores capazes de chegar no QB e eles usam todos eles com uma criatividade e inteligência absurda.

E essa loucura só funciona porque o time confia na capacidade do CB Darrelle Revis de anular o melhor WR adversário numa marcação homem a homem. Os Cornerbacks costumam defender contra o passe de duas formas, marcações individuais e por zona, mas o Revis no Jets SÓ joga na marcação individual. A ideia do time é que ele vai ser capaz de totalmente anular aquele jogador, de forma que todos os esquemas de cobertura são pensados para proteger o resto da defesa, nunca o jogador pelo qual o Revis fica responsável. Uma responsabilidade tremenda, mas ele é tão bom que parece fácil.

Já no ataque, o time tem alguns problemas. O Ravens de 2000 (que tinha o Rex Ryan como coordenador defensivo) provou que você não precisa de um grande ataque pra ganhar se tiver uma defesa sólida e um bom corredor para tirar seu QB de situações apertadas. O Jets também segue esse modelo ao pé da letra, confiando em um ataque terrestre que foi muito sólido nas últimas duas temporadas e deixando os passes do Mark Sanchez para as situações mais necessárias. Em 2009 o veterano Thomas Jones teve uma temporada espetacular correndo com a bola, e em 2010 o time mandou Jones embora pra se dedicar ao então calouro Shonne Greene. Greene não correspondeu tão bem como esperado, mas o veteraníssimo Ladainiam Tomlinson reviveu sua carreira em NY e o ataque terrestre do time mais uma vez levou o Jets para frente. Mas em 2011, Greene ainda tem que se mostrar um RB titular e muitos (eu incluso) não acreditam que LT tenha mais uma temporada dessas pela frente, então o ataque do Jets - que sempre foi fraco mas sempre conseguiu ganhar os jogos com avanços lentos e passes curtos para conversões curtas - corre o risco de afundar ainda mais e atrapalhar o time.

A solução pra essa estagnação é confiar mais no Sanchez para lançar a bola. O problema é que até agora ele não se mostrou confiável. Conseguia convertar jogadas curtas - ajudado pelas jardas do seu jogo terrestre - aproveitando dos seus bons alvos, mas não era capaz de controlar o ritmo de jogo, distribuir as jogadas, fazer o ataque render de forma explosiva e, principalmente, cuidar da bola evitando turnovers. Se ele não conseguir dar esse salto, o ataque pode afundar a temporada 2011 do Jets. Se ele conseguir dar um salto de verdade, o Jets pode até chegar a ser campeão do Super Bowl. Ou seja, pode ir até o topo ou pode cair pra fora dos playoffs. Tem uma aposta mais legal do que essa? Só esse teste dos culhões do Mark Sanchez já devem valer a temporada 2011 do Jets.


Montinhos nem sempre são amigáveis na NFL
Buffalo Bills (4-12)
Algumas pessoas simplesmente gostam de times ruins, acham divertido acompanhar seu crescimento e torcem para que eles surpreendam os times bons. Outras não tem paciência pra isso, acham um saco assistir ao jogo feio de um time sem graça e sem aspirações pra temporada e evitam esses times. Se você se enquadra no segundo grupo, portanto, recomendo que não leia o resto dessa coluna, porque o Bills simplesmente é ruim.

O Bills é um time irrelevante na Liga desde a aposentadoria do grande Jim Kelly, e nos últimos anos o Bills colecionou fracassos em todas as formas possíveis, pelo Draft, pela Free Agency, dentro de campo. O time, portanto, estava passando por mais um dos seus muitos processos de reformulação (o famoso "taca tudo no lixo e começa do zero") quando o time conseguiu algo inesperado: Um Quarterback.

O Quarterback é a peça central de qualquer ataque, e o jeito mais fácil de melhorar um time é melhorando o seu Quarterback. O time acabou trazendo Ryan Fitzpatrick para o time, e colocando o moleque de titular. Fitzpatrick começou devagar, mas foi melhorando, melhorando e acabou terminando muito bem a temporada 2010, e começou ainda melhor a temporada 2011. Ou seja, o Bills está convencido de que achou seu Franchise Quarterback no Fitzpatrick e que ele é bom o bastante pra aguentar a reconstrução do time. Mas o ouro que o time achou está no fato (caso ele seja mesmo um Franchise QB) é muito jovem, e pode acompanhar o processo de reconstrução. Aos trancos e barrancos, o time está juntando um bom nível de talento: O WR Steve Johnson, o RB CJ Spiller, os DTs Kyle Williams e Marcell Dareus, e o Safety Jairus Byrd. O time está num processo de reconstrução, o que significa que eles ainda vão ser ruins por mais algum tempo antes de terem a chance de serem realmente bons. Times como Lions e Bucs tiveram saltos grandes com seus novatos, então o Bills pode sonhar, mas a probabilidade é que o time demore ainda uns anos antes de voltar aos playoffs. Ou seja, jovem e interessante por um lado, fraco e cansativo por outro. Escolha o seu!

sábado, 10 de setembro de 2011

Preview dos jogos da ESPN

Nosso Especial NFL já acabou, mas não nossa abordagem NFL 2011 mais voltada aos iniciantes no esporte. Eu disse no post anterior os horários dos jogos que passam na TV aqui no Brasil, em especial a ESPN. Agora, antes de começarmos nossos preview contando mais sobre cada time (serão oito, vai dar trabalho, mas a gente chega lá!) achamos legal fazer um post comentando os dois jogos que passarão na ESPN domingo e segunda a noite: Dallas Cowboys at NY Jets e New England Patriots at Miami Dolphins (Na verdade segunda 11h da noite também teremos Oakland Raiders at Denver Broncos, mas esse jogo é tão ruim que nem vale a pena comentar). A ideia é simples, informar um pouco sobre os times para facilitar quem está assistindo ao jogo ainda sem muita "experiência". Assim quem assistir aos jogos vai poder ficar sabendo quais os pontos fortes de cada time, qual defesa cada um usa, e em geral saber o que esperar e no que ficar de olho. Sem mais delongas, então....


Mark Sanchez em um momento desagradável

Domingo, 21:20, ESPN: Dallas Cowboys at New York Jets
No primeiro Sunday Night Football da temporada, o New York Jets (11-5 em 2010) recebe o Dallas Cowboys (6-10) no New Meadowlands Stadium. Em 2010, o Jets chegou na final de Conferência, onde perdeu para o Steelers, e o Cowboys decepcionou todo mundo ao ficar em terceiro na divisão.

Na verdade, o Dallas foi um time com um 2010 bizarro. Com um bom time, uma boa defesa e um bom Quarterback, o Dallas é sempre cotado como um time de playoffs. No entanto, ano passado, nada deu certo: O então técnico Wade Phillips não conseguiu controlar a equipe, o QB titular Tony Romo machucou para o resto da temporada, perdeu o ótimo Tight End Jason Witten, o time acabou perdendo a grande maioria dos seus jogos para começar a temporada e de repente a temporada estava terminada antes mesmo da metade para o Dallas Cowboys. Desde então, o time passou por uma mudança considerável: Mandou embora o técnico embora, promoveu o antigo coordenador ofensivo Jason Garrett para a vaga de Head Coach, demitiu os titulares Marion Barber (RB) e Roy Williams (WR)  e conseguiu fazer uma segunda metade de temporada respeitável com seu novo técnico. Com um Tony Romo saudável, um time unido em torno de um novo técnico (que tem o controle do grupo) e a mesma base dos últimos anos, o time tem confiança de que pode finalmente valer seu favoritismo.

Mas infelizmente para nossos propósitos, por ser um time que passou por uma mudança importante de comando e de mentalidade, é difícil saber qual será a abordagem do Dallas em 2011. O time dos últimos anos era um time com um forte jogo terrestre (o que deve ser mantido nas costas do ótimo Felix Jones) e uma boa combinação QB-WR com Romo e Miles Austin, que usava muito as rotas curtas para o Witten e as bolas em velocidade pro Austin (um dos melhores da Liga em correr após receber o passe). Acredito que o ataque mantenha suas características, mas será interessante ver como o Garrett conduz esse ataque. Já a defesa, que joga na formação 3-4, tem uma linha de frente muito forte, com o ótimo NT Jay Ratliff e um dos melhores OLBs da Liga no DeMarcus Ware, que lidera a Liga em sacks ano sim, ano não, e é um monstro colocando pressão no QB adversário. Em compensação, a secundária do time é fraca (ainda mais sem seu melhor Cornerback, Terrence Newman, machucado) e o time conta com seu pass rush (geralmente vindo da pressão natural da defesa 3-4, não costuma usar muitos esquemas de blitz) para evitar que os QBs adversários explorem sua fraca secundária.

Talvez por esse motivo o New York Jets seja o time perfeito pro Dallas enfrentar. O Jets é um time que tem uma abordagem simples: Ganhar pela sua defesa. O time não liga de ter um ataque fraco, desde que ele seja suficiente. O ataque do Jets nos últimos dois anos foi levado para frente com seu ótimo jogo terrestre. Em 2009 nas costas do ótimo Thomas Jones, e em 2010 nas costas da dupla Shonne Greene/Ladainian Tomlinson. Se o time mantiver o padrão, terão que contar novamente com esses dois para impor sua vontade pelo chão, ainda que eu não confie na capacidade do LT de fazer outra temporada como a do ano passado. O LT é um dos maiores RBs de todos os tempos, mas nas últimas temporadas as lesões tinham acabado com a explosão dele. Ano passado, nas costas de uma ótima linha ofensiva, conseguiu se reerguer, mas sentiu a idade no final da temporada e foi menos efetivo.

A alternativa que o time tem é esperar um salto de produção do QB terceiro-anista Mark Sanchez. Desde que entrou na Liga, o Mark Sanchez foi um QB no máximo regular, levado para frente por um forte ataque terrestre e uma defesa fora de série. Ele tem bons momentos, mas também tem sequencias nas quais comete muitos turnovers, o tipo de QB que pode jogar num bom time sem comprometer mas que não vai ser o fato decisivo numa arrancada para o título. O Jets sabe que seus RBs dificilmente repetirão a temporada 2010 e seu corpo de Wide Receivers está mais fraco (Por estar acima do teto salarial perdeu Braylon Edwards e Jericho Cotchery, dois dos principais alvos do time, e as adições Plaxico Burress e Derrick Mason ainda estão sendo encaradas com muita desconfiança - com razão, Burress não joga há três anos e Mason tem 60 anos de idade). A esperança do time é que o Sanchez faça um salto no seu jogo e passe a ser um QB capaz de decidir jogos com alguma regularidade, vamos ver como ele lida com essa pressão que ele nunca enfrentou antes.

A defesa do time é a parte interessante de verdade do time. Assim como o Dallas, o Jets usa uma defesa 3-4, mas ao contrário do Dallas, o Jets não confia na atuação padrão dessa defesa. Pelo contrário, o Jets usa trocentos tipos diferentes de variações e blizes, o que é extremamente útil para confundir os adversários, que nunca sabe de onde a blitz vai vir, ou até mesmo se vai ter blitz. Vale a pena reparar nas diferentes movimentações defensivas que o time de NY usa, mas principalmente vale a pena ficar de olho no camisa 24 do time, o Cornerback Darrelle Revis. O Revis é um dos dois melhores CBs da Liga e tem uma função extremamente importante nesse time, que é grudar no melhor Wide Receiver do adversário e tirá-lo do jogo com uma marcação mano a mano. Ele costuma ter sucesso, mas vai ser interessante ver como ele enfrenta um Wide Receiver com boa velocidade lateral como o Miles Austin. Vale a pena ficar de olho nesse duelo.

No final, eu acredito que o Dallas vença. O Jets foi longe nos dois últimos anos com um forte jogo terrestre e uma defesa sufocante, mas o jogo terrestre deve ficar mais fraco, o ataque aéreo perdeu dois alvos importantes e só a defesa também perdeu alguns titulares importantes, especialmente na linha defensiva. O Jets chegou longe nos últimos anos, mais longe do que deveria, mas acho que é a hora do gás acabar. Mas deve ser um jogo equilibrado, com o ataque do Dallas batendo de frente com a defesa do Jets.

Alguns jogadores para ficar de olho: Tony Romo (QB, Dallas); Miles Austin (WR, Dallas); Jason Witten (TE, Dallas); Demarcus Ware (OLB, Dallas); Darrelle Revis (CB, Jets); Santonio Holmes (WR, Jets); Shonne Greene (RB, Jets); Jim Lehonard (Safety, Jets); David Harris (ILB, Jets)



Além de ser o melhor da Liga, ainda tem essa namorada...

Segunda, 20h, ESPN: New England Patriots at Miami Dolphins
No primeiro jogo de segunda a noite, o New England Patriots (14-2 em 2010) vai até o Sunlife Stadium enfrentar o Miami Dolphins (7-9). E se o jogo de domingo a noite tem tudo para ser muito equilibrado, esse não deve ser tanto, e tem um claro favorito: O New England Patriots.

Apesar de ter tido um pouco de sorte em 2010 para terminar 14-2, o fato é que existem poucos times tão divertidos de se assistir na NFL como o Patriots. O time tem um ataque aéreo espetacular liderado pelo melhor QB da atualidade, Tom Brady, com vários alvos interessantes, mas talvez nenhum mais interessante do que o recém-chegado Chad Ochocinco. Ochocinco foi um Pro Bowler durante boa parte da sua polêmica carreira, mas vem de duas temporadas fracas, vamos ver como ele vai se portar junto do grande Brady. O ataque do Patriots sofreu uma grande metamorfosa na temproada passada (Sobre a qual eu comentei num excelente post da época), e agora o ataque do Patriots é uma máquina imparável que mistura muito bem corridas e passes, sempre lideradas pelo Brady. O time fez isso porque sua defesa é um pouco fraca, cheia de jogadores jovens que ainda estão se desenvolvendo. Ver como essa defesa evolui em mais uma temporada (em especial o Devin McCourty, que foi o segundo melhor calouro defensivo de 2010 com sete interceptações) vai ser interessante, sem dúvida. Infelizmente parece que o DT Albert Haynesworth não vai jogar ainda, vai ter que ficar para a próxima. Mas o Patriots é excelente para ver jogar pelo seu ataque mesmo, reparem nas movimentações ofensivas e na grande variedade de jogadas, desde passes curtos para os Running Backs, passando pelas formações com dois Tight Ends e chegando nos passes longos para o Ochocinco.

Já o Dolphins não é um time ruim. Mas é um time funcional, sem nada de espetacular. Ao contrário do Jets, que é bom o suficiente pra ser competitivo sem um QB que decida, o Dolphins é um time sólido que só vai ser competitivo quando o seu QB elevar seu jogo. A defesa do Dolphins é muito boa com jogadores como Cameron Wake (OLB) e Vontae Davis (CB), é muito melhor do que recebe crédito, e é uma unidade muito jovem, que está em constante evolução.

Mas o ataque foi problemático em 2010. Em 2011, o time tem um novo RB, o explosivo Reggie Bush, excelente em rotas laterais e recebendo passes curtos mas que não tem o físico para trombar pelo meio da defesa, e o veterano Ronnie Brown, que joga melhor por dentro da linha. O time tem bons alvos, em especial o ótimo WR Brandon Marshall, um dos melhores da Liga. Mas falta o Chad Henne, QB que está entrando apenas no seu segundo ano como titular desde o começo, melhorar seu jogo. Dois anos atrás, ele entrou na metade da temporada e jogou bem, mas ano passado - titular desde o começo - ele jogou mal, chegou a ir pro banco e agora voltou a ser titular pra essa temporada. Ver como ele reage vai ser importante, e o jogo terrestre voltar a funcionar vai ajudar a tirar a pressão dos ombros dele. Esse ano, ele deve passar a olhar mais para seu melhor alvo - Marshall - e usar sue braço forte em rotas mais longas, o que ele fez pouco ano passado. Se o Henne evoluir como esperado e conseguir jogar com consistencia, o Dolphins pode tentar roubar uma vaga nos playoffs via Wild Card.

Sobre o jogo, ainda acredito na vitória do Patriots. O Dolphins deve ser um bom time em 2011, mas o ataque do Patriots é simplesmente bom demais. Vamos ver se o jogo terrestre do Dolphins consegue se impor de forma a queimar o relógio e manter a defesa do Patriots em campo e o Brady sentado no banco. Mas é uma ótima chance para verem o melhor ataque - e o melhor jogador - da Liga jogando.

Alguns jogadores para ficar de olho: Tom Brady (QB, New England); Wes Welker (WR, New England); Chad Ochocinco (WR, New England); Devin McCourty (CB, New England); Chad Henne (QB, Miami); Brandon Marshal (WR, Miami); Reggie Bush (RB, Miami); Cameron Wake (OLB, Miami); Vontae Davis (CB, Miami).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Especial NFL - A NFL na mídia

Essa é a sexta e última parte do nosso Especial NFL, quando vamos falar um pouco mais da NFL na mídia: Filmes, livros, jogos e, claro, vamos dar indicações para vocês assistirem à temporada da NFL que começa hoje. Depois de termos explciado o que exatamente é esse especial, termos contado um pouco mais sobre a história do futebol americano e depois comentamos mais sobre o esporte e a Liga nos dias de hoje, junto com a estrutura financeira e administrativa da NFL, e explicado de forma específica qual é o papel de cada uma das posições de ataque e o papel de cada uma das posições de defesa de um jogo de futebol americano, terminamos nosso giro falando de como é um jogo de futebol americano.

Esse é o final do nosso Especial, mas vocês sempre podem entrar em contato conosco mandando emails para tmwarning@hotmail.com ou através do nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem!


Finalmente chegamos à última parte do nosso Especial NFL. Desculpem mais uma vez a demora nos posts, faltou tempo e acesso à internet mais uma vez. Vamos tentar trazer o máximo possível de posts e informações pra vocês, porque nossa cobertura voltada para quem está começando ainda não acabou. Para o jogo de hoje infelizmente não deu tempo, mas vamos tentar fazer um pequeno preview sobre os dois jogos que a ESPN transmite nas segundas e domingos a noite, indicando o que tem de interessante, dando dicas para observar no jogo, etc. É só ficarem ligados que esses posts vai saindo sempre.

Mas aí vocês me perguntam: Mas como vamos fazer para assistir aos jogos? Onde passa? Como vamos fazer para poder observar tudo isso que você nos disse nos últimos posts? Bom, esse é o objetivo do post de hoje, então começamos falando onde vocês podem assistir à NFL.

1. Como fazer para assistir à NFL
A forma mais básica de aprender o jogo depois de ler os nossos posts do Especial e tendo uma noção decente das posições e funcionamento do jogo em si, é pegando um jogo e assistindo. Tente ver se consegue identificar as posições antes da jogada, pegue jogadas para reparar como cada uma delas se movimenta individualmente, e tente ver se consegue enxergar cada jogada no ataque e na defesa como fazendo parte de algo maior, pré-determinado, ensaiado até. É uma boa forma de conseguir assimilar o jogo de uma vez por todas. E claro, se divertir, porque um bom jogo de NFL é bom demais!!

Primeiro, para esclarecer os horários dos jogos: Cada rodada da NFL acontece ao longo de dois (e futuramente três) dias, primeiro apenas domingo e segunda, depois quinta feira também.

De domingo acontece a grande maioria dos jogos, em dois horários: 13h e 16h no horário da costa Leste americana. Domingo 20h da noite (Sempre no horário Eastern Time, ou ET, americano) temos o Sunday Night Football. Por fim, segunda 20h da noite (ET) temos o Monday Night Football. Mais para o final da tempoarda, 20h da noite de quinta feira temos o Thursday Night Football.

Eu deixo o horário dos jogos pelo horário americano porque é mais fácil se guiar por eles. No momento, o fuso horário entre EUA e Brasil é de apenas uma hora. No entanto, quando acabar o horário de verão nos EUA o fuso passa para duas horas, e quando começa o nosso horário de verão o fuso passa para três horas. Por isso é mais fácil manter o horário americano, que é fixo, e nós nos ajustamos pelo horário de verão.

E para assistir aos jogos, vocês tem quatro opções:

1.1 Televisão
Em 2011, apenas uma emissora vai transmitir NFL no Brasil, que será a ESPN. Graças a Deus, porque o pessoal que cobre futebol americano na ESPN é espetacular e dá de 10 em qualquer outro que já transmitiu NFL no Brasil!! A ESPN assinou um contrato de exclusividade mundial (fora dos EUA) para transmitir NFL, então teremos 90 (!!!) jogos na ESPN essa temporada!! Isso quer dizer que além dos antigos Monday Night e Sunday Nights, que já eram transmitidos, a NFL vai transmitir todos os jogos de quinta feira (Quando acontecerem) e mais dois jogos todos os domingos a tarde!! Ou seja, um dos jogos do primeiro horário (13h) e um do segundo horário (16h), sendo que um será ao vivo e o outro VT. São pelo menos quatro jogos por semana na ESPN, vale muito a pena ficar de olho!

Em resumo, 13 ou 16h  de domingo teremos um jogo ao vivo na ESPN. 20h teremos de domingo e segunda mais dois jogos, e eventualmente 20h de quinta feiras quando tivermos jogos, sem falar em TODOS os jogos de playoff. Overdose de NFL!!

1.2 Game Pass
O Game Pass é o equivalente da NFL.com do League Pass, da NBA. Para quem não conhece, é muito simples, é um pacote que você compra que te permite assistir aos jogos pela internet. O Game Pass pode ser comprado em dois formatos: Você pode  comprar a temporada toda (U$ 129,96), o que te permite assistir a qualquer jogo em qualquer dia que te der na cabeça. Você pode pagar também U$ 49,99 para comprar apenas os jogos de um certo mês na temporada.

No ano passado, o Game Pass oferecia também um que te permitia assistir a todos os jogos de um determinado time apenas, foi o que eu comprei ano passado pro meu 49ers. Esse eu não achei no site e acho que não oferecem mais, mas se por acaso aparecer por lá eu aviso vocês. O site é esse aqui https://gamepass.nfl.com/nflgp/secure/packages e vocês podem ver por lá as diferentes opções de pagamento. O serviço funciona muito bem, apenas com um pequeno delay, e te permite ver jogos que já acabaram (até jogos das últimas temporadas) e até jogos simultâneos. É um pacote muito completo, e eu não acho 200 reais muito por cinco meses de futebol americano 24/7 em HD!!

1.3 Links alternativos
A famosa pergunta "Como assistir à NFL na internet" vai achar sua resposta aqui, nos links alternativos. Existe uma cacetada de sites nos quais vocês podem achar um stream para assistir sem pagar nada. Desses, o melhor é o ATDHE, pelo link http://atdhenet.tv/. Mas também da pra acessar os sites P2P (http://myp2p.bz/), o Rojadirecta (http://rojadirecta.es/) e o Channel Feed (http://chanfeed.com/am-football). Para quem tem o Veetle instalado no computador, é só acessar o site http://veetle.com/ que ele também costuma ser muito bom (Para quem não tem da pra baixar pelo próprio site).

Se alguém souber de mais algum bom, é só mandar pra cá que a gente coloca aqui.

1.4 Bares ou restaurantes
Mais difícil, mas sempre tem algum restaurante que se arrisca a colocar na ESPN nesses horários, especialmente bares ou restaurantes com temática americana. Ouvi dizer que os restaurantes da cadeia Applebees costumam colocar, se vocês fuçarem com certeza acham. Eu não sei muitos, ams se alguem souber avise a gente que a gente atualiza isso aqui!



Essas são as formas mais simples de se acompanhar à NFL no dia a dia. No entanto, também da pra achar futebol americano em diferentes mídias, que podem acabar ajudando na hora de entender o esporte e o jogo em si.

Na verdade, acho que a melhor forma de entender em detalhes o jogo na parte tática é jogando o ótimo jogo Madden NFL, que vocês vão achar pra Wii, Xbox ou Play Station. O Madden é muito bom na parte tática, o desenho das jogadas é muito bem feito e da pra entender direito a movimentação dos jogadores de uma forma geral. Ele também trás playbooks separados por formações que são ótimas para compreender as variações, tanto no ataque como defesa. Quem tiver a oportunidade procure esse jogo que é excelente pra se colocar em prática tudo que você aprendeu nos últimos posts do TM Warning.

No cinema, temos naturalmente muitos filmes bons sobre o assunto, se vocês procurarem vão achar vários - Somos Marshall (We Are Marshall), sobre a um acidente aéreo com o time da Universidade de Marshall, por exemplo, é um dos meus favoritos, e outro famoso é o The Blind Side, inspirado no livro de mesmo nome que vamos comentar mais embaixo. Os filmes da série 30 por 30, da ESPN, também merecem destaque. Mas eu destaco principalmente dois aqui: O brilhante documentário The Band That Wouldn't Die, da série 30 por 30, que conta a história da banda do time Baltimore Colts, que saiu de Baltimore e foi pra Indianapolis deixando uma cidade inteira orfã, e a banda serve de pano de fundo para mostrar o que acontece com uma cidade que perde seu time, excelente. A outra indicação é o filme Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday), um excelente filme com o Al Pacino que conta a história de um QB reserva que assume o time após a lesão do titular e começa a guiar o time a vitórias, e tem um dos melhores discursos motivacionais de todos os tempos, vale a pena demais.

Para quem gosta da mídia escrita, recomendo o livro The Blind Side, que conta a comovente história do OT Michael Oher, do Baltimore Ravens, que foi adotado por uma familia rica depois de viver a infância na miséria, e um outro chamado Ernie Davis: The Elmira Express, que conta a história de Ernie Davis, o primeiro atleta negro a ganhar o Heissman Trophy, prêmio dado ao melhor jogador de futebol americano universitário.

Por fim, para quem gosta de mangás, recomendo o ótimo Eyeshield 21. É no estilo mangá clássico, com algumas coisas pouco críveis e portanto tem que ser lido com a cabeça aberta (ainda que a maior parte "estilizada" tenha uma base real muito sólida, mesmo as "habilidades especiais" dos jogadores são jogadas reais graficamente estilizadas), mas é muito divertido, a história é bem legal, tem personagens extremamente interessantes (um dos protagonistas, o Quarterback, é um dos melhores personagens que eu já vi em qualquer tipo de mídia) e é muito bom em explicar o jogo, porque o protagonista não conhece nada do esporte no começo e vai tendo que aprender aos poucos, e como o time começa praticamente do zero ele vai explicando posição por posição. Bem legal, para quem gosta eu recomendo.


Galera, o Especial fica por aqui, mas sempre vai estar aí na barra lateral do blog para quem quiser acessar mais tarde. Continuem espalhando para quem se interessar, e vamos trabalhar para que o esporte continue se difundindo no país. Agora finalmente a temporada começou, e podemos curtir a NFL em toda sua glória - e espero que isso fique mais fácil depois desse Especial. Agora fiquem ligados que nossa cobertura clássica, mais avançada, vai continuar aparecendo, mas também com alguns posts voltados para os novos no esporte. Grande abraço e obrigado pelo apoio durante o Especial!

domingo, 4 de setembro de 2011

Especial NFL - O Jogo

Finalmente chegamos na quinta e mais aguardada parte do nosso Especial NFL. Depois de termos explciado o que exatamente é esse especial, termos contado um pouco mais sobre a história do futebol americano e depois comentamos mais sobre o esporte e a Liga nos dias de hoje, junto com a estrutura financeira e administrativa da NFL, e explicado de forma específica qual é o papel de cada uma das posições de ataque e o papel de cada uma das posições de defesa de um jogo de futebol americano, finalmente chegou a hora de falarmos do talvez mais importante: O jogo em si.

Nós estamos finalmente chegando ao final do nosso Especial, teoricamente só temos mais um post, mas vocês ainda podem mandar ainda sugestões ou dúvidas para nosso email tmwarning@hotmail.com ou para nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem!

Como já virou rotina, antes de começar a explicar o jogo em si eu queria deixar algumas coisas claras. Quem não leu os posts sobre as posições de ataque e as posições de defesa (Nossos dois últimos posts, os links estão logo aí em cima), eu recomendo fortemente que leia. Como vamos explicar o jogo em si agora, vou assumir que tudo que eu expliquei anteriormente é do conhecimento de quem ler esse texto, e portanto vou explicar o jogo dessa forma. No caso de alguma dúvida sobre as posições, é só deixar um comentário lá mesmo ou aqui que a gente responde assim que der.

Também, para melhor ilustrar o que eu vou explicar, deixo aqui um diagrama do campo de jogo em si.

Diagrama 1: O Campo de Futebol Americano


Sobre esse campo, alguns esclarecimentos:
- As regiões em vermelho e azul são as chamadas End Zones. No futebol americano, o Touchdown acontece quando um time leva a bola até a End Zone do time adversário. Vamos explicar isso com calma, mas só avisando que o objetivo do jogo é levar a bola até a End Zone do adversário.

- Como eu já deixei implícito acima, sempre que eu me referir à "End Zone" ou ao "campo" de algum time, é o que ele defende, sempre. Quando eu digo "O time X está no campo do adversário" quer dizer que ele está na metade do campo que o outro time defende.

- Como vocês devem ter reparado, o campo de futebol americano (tirando as End Zones) tem 100 jardas, todas elas marcadas. Cada End Zone tem mais 10 jardas de comprimento. Essa marcação para cada jarda será muito importante mais pra frente.

- Quando eu falar "A jogada começou da linha de tantas jardas", eu quero dizer que o Snap foi feito com a bola naquela linha. Como o snap é feito para trás, naturalmente a bola vai voltar um pouco na jogada, especialmente nos chutes que vocês já verão.

- Colocado exatamente no final de cada End Zone (logo depois que ela acaba) aquele famoso Y gigante, que eu chamarei aqui de Goal Posts, que é por onde os times podem chutar a bola em algumas ocasiões. Novamente, vou explicar mais na frente, mas por enquanto basta lembrarem que ele fica logo após o término da End Zone.

Agora vocês já sabem das posições de ataque e defesa, e do campo de jogo em si. Estamos prontos para o principal do dia.


O Jogo

Para começar o jogo, primeiro se decide num emocionante cara ou coroa que time começa com a bola. O time que ganhou pode escolher entre chutar ou receber (ou então escolher o campo). O time que começar recebendo naturalmente vai começar chutando no segundo tempo. O jogo de futebol americano tem quatro quartos de 15 minutos cada, sendo que o relógio para sempre que o jogador que estiver com a bola sair de campo ou então tivermos um passe incompleto. A posse de bola só vai mudar automaticamente no final do segundo quarto. Quando passamos do primeiro pro segundo e do terceiro para o quarto quartos, não temos nenhuma realocação da posse de bola.

O jogo efetivamente começa com um Kickoff, ou seja, o time que não começa (escolheu chutar) com a posse de bola vai pedir ao seu Kicker (K, o jogador encarregado dos chutes do time, que você vai ver muito ao longo desse post) que chute a bola da linha de 35 jardas do seu campo até o outro lado do campo. O time que vai ter a posse da bola vai ter um jogador, chamado de Kickoff Returner (KR, que geralmente é um WR, S ou CB, ou seja, algum jogador rápido), posicionado no fundo do seu campo esperando a bola que vai ser chutada. Quando essa bola for chutada, ela provavelmente vai ser chutada o mais longe possível para o campo do adversário, e então o KR vai ser o encarregado de pegar o chute quando ele for cair (normalmente próximo da sua própria End Zone) e aí ele tem duas opções: Primeiro, se ele receber a bola dentro da própria End Zone, ele pode optar por não tentar fazer nada e ajoelhar, o que configura um "Touchback" e aí esse time irá começar sua campanha ofensiva da sua linha de 20 jardas. Segundo, ele pode segurar a bola e correr em direção à End Zone adversária, e aí seus companheiros de time vão ter a função de bloquear os jogadores adversários para abrir espaço para o KR correr. Se ele conseguir chegar até a End Zone, temos um Touchdown, caso não consiga a campanha ofensiva vai começar do ponto em que ele foi derrubado. (Um parênteses aqui: Até o final da temporada passada, o Kickoff era dado da linha de 30 jardas, o que fazia com que os Retornadores (KR) pegassem a bola numa condição melhor de correr. Com a nova regra das 35 jardas, o número de touchbacks aumentou e o número de jogadas caiu bastante). Vejam abaixo um Kickoff no qual o KR optou por fazer o retorno e conseguiu o Touchdown em pleno Super Bowl. Se ele fosse derrubado em algum momento, a jogada seguinte começaria daquele ponto.



Reparem no vídeo que, depois que o Touchdown foi anotado, o time ganhou seis pontos e chutou uma bola da linha de duas jardas para anotar um sétimo ponto. O que acontece é o seguinte: O Touchdown SEMPRE vale seis pontos, mas além dos pontos você tem a chance de fazer um Extra Point, no qual você vai ter uma única jogada começando da linha de duas jardas (ou seja, muito próximo da linha da End Zone novamente) e pode fazer duas coisas: Primeiro e muito mais comum, você pode chutar a bola lá dentro para conseguir um ponto extra, totalizando sete. É de longe a mais comum, e o que acontece é que uma vez feito o snap alguém vai pegar a bola e colocar no chão para o Kicker (de novo ele) chutar a bola entre os Goal Posts, e se a bola passar no meio dele, é válido o chamad Extra Point. A segunda alternativa e muito menos comum é que você pode usar essa jogada como uma jogada normal (Passe ou corrida) para tentar colocar a bola novamente dentro da End Zone. Se você conseguir, você ganha dois pontos ao invés de um (e não tem a chance de chutar depois), totalizando oito. É mais raro porque é mais difícil, é muito mais prático ficar com o um ponto do chute que tem um aproveitamento infinitamente maior, geralmente só se usa essa Two-Point Conversion em jogos apertados nos momentos importantes da partida. Esclarecido isso, voltamos ao jogo.

Se o Touchdown acontecer - e isso vai se repetir toda vez que algum time pontuar, exceto por Safetys, que vamos explicar mais tarde - o time que pontuou vai fazer um novo Kickoff, e aí tudo que eu disse acima vai se repetir, só que quem vai estar recebendo o Kickoff para um eventual retorno dessa vez vai ser o time que sofreu os pontos.

Quando tivermos um Touchback ou então um retornador for derrubado, digamos, na linha de 20 jardas (mas pode ser em qualquer outra), começa uma nova série ofensiva para o time em posse de bola. O time então tem quatro jogadas para avançar 10 jardas. Ou seja, nessas quatro jogadas, o time tem que conseguir avançar 10 jardas no campo, anotar o chamado First Down. Quando o time consegue avançar 10 jardas e anotar um First Down, o time vai ganhar mais quatro jogadas para avançar 10 jardas do lugar onde parou a jogada anterior. Por exemplo, a primeira jogada será uma 1st and 10, o que significa que é a primeira tentativa (das quatro) e ele precisa avançar 10 jardas. Suponhamos que a primeira jogada seja uma corrida e o corredor ganha três jardas. Nesse caso, a jogada seguinte será uma 2nd (indicando que é a segunda tentativa das quatro) and 7 (o número de jardas restantes para completar as 10). Se nessa jogada o Quarterback acerta um passe de 10 jardas, então a jogada seguinte será uma nova 1st and 10 começando do ponto onde a última jogada acabou. Uma jogada vai acabar com um passe incompleto encostando no chão, com um turnover (Vamos explicar mais abaixo) ou então quando o jogador que está em posse da bola encosta alguma parte do corpo entre o joelho e o cotovelo no chão.


Como eu já disse quando falei das posições de ataque, cada jogada vai ser combinada antes pelo técnico, o Quarterback e os demais jogadores de ataque. Esse time pode chamar uma jogada de corrida ou de passe (Novamente vou deixar as Tricky Plays pro final), com o objetivo de ganhar essas 10 jardas. Na jogada de corrida, após o Snap, o Quarterback pode correr ele mesmo ou, mais comum, deixar a bola para o Running Back, fazendo o chamado Hand Off (Que é quando o QB coloca a bola nas mãos do RB que está vindo correndo de trás) e então ele será encarregado de correr. Ou então o Quarterback irá receber o Snap, andar alguns passos para trás e escanear o campo à procura de um alvo livre. Geralmente nas jogadas desenhadas de passe, a jogada é desenhada para um certo Wide Receiver receber a bola, mas os outros também devem seguir suas rotas não só para confundir a defesa mas também para dar a opção de um outro passe caso o WR designado esteja marcardo. O trabalho do QB, então, é identificar qual é a melhor opção de passe e realizar esse passe com precisão, de forma que a bola chegue ao seu alvo sem risco de ser interceptada pela defesa e sem tocar no chão, porque quando um passe toca no chão ele é dado como incompleto e a jogada acaba. Naturalmente ele pode ser um passe de três jardas ou um passe de oitenta, vai depender dos jogadores, da ousadia do técnico e também da jogada. Numa 1st and 10 você pode tentar um passe de cinco jardas porque terá mais duas tentativas para uma distância mais curta, mas numa 3rd and 13 você precisa desesperadamente de jardas, então o passe terá que ser mais longo.

Reparem como na jogada abaixo, numa 3rd and 18 (o que é muita coisa), como o ataque tem que recorrer a um passe longo e a defesa, sabendo disso, mantém oito jogadores no fundo do campo (e mesmo assim o passe é completo).




 
Aliás, queria aproveitar pra esclarecer uma questão acerca dos passes no futebol americano. Em cada jogada, o ataque tem direito a realizar um único passe para a frente. Ele pode ser executado por qualquer jogador (exceto um da linha ofensiva), mas para que ele possa acontecer naturalmente não pode ter acontecido nenhum outro passe para a frente na mesma jogada E a bola não pode ter ultrapassado a Linha de Scrimmage, que é a linha do campo onde a jogada começou. Se a bola não atravessou essa linha, o time ainda pode realizar um passe para a frente não importa quanto tempo se passou desde o início da jogada. Além disso, um time pode realizar quantos passes laterais ou para trás o time quiser, como no Rugby, tanto antes como depois da linha de Scrimmage, não importa, o número é ilimitado. Pra melhor ilustrar, reparem na Tricky Play abaixa: O Patriots realiza dois passes para trás (ou para o lado) antes de passar da linha de scrimmage, portanto o Tom Brady fica livre para acertar o passe longo.



Tentar chegar à End Zone adversária pode ser com passes e corridas mais curtas ou então bolas longas, não existe um padrão, vai depender muito de inúmeros fatores como momento do jogo, característica dos seus jogadores, características da defesa do adversário, etc. No entanto, existem algumas coisas a serem consideradas. Se o seu time não consegue estabelecer um jogo de corrida decente e só joga pelo ar, uma hora a defesa adversária vai ficar de saco cheio e vai começar a jogar só com Nickel e Dimes contra você. Mesmo que você não tenha um RB de elite no seu time que consiga carregar o seu ataque, você vai precisar em 95% dos casos de estabelecer pelo menos um jogo terrestre decente de forma a não viciar seu ataque, de fazer a defesa se preocupar também em defender pelo chão e abrir mais os espaços aéreos. Da mesma forma, um time que depende só de um grande RB, por melhor que seja, não vai conseguir nada sem um QB que consiga pelo menos completar alguns passes de 10 jardas para manter a defesa esperta, caso contrário a defesa vai colocar nove caras perto da linha e aí não tem RB que consiga se virar. De forma geral, um Quarterback de elite vai conseguir levar nas costas um ataque sem jogo terrestre melhor do que um RB de elite na situação oposta, mas mesmo grandes QBs como Peyton Manning e Tom Brady (Dois futuros Hall of Famers que estão entre os 15 melhores QBs de todos os tempos) tiveram problemas recentemente pela falta de jogo terrestre das suas equipes.

Outra coisa a se considerar é o tempo. Eu disse lá em cima sobre o relógio parar ou não após uma jogada, mas vou explicar direito agora: Eu já citei isso, mas após o fim de uma jogada, o ataque tem exatos 40 segundos para começar a jogada seguinte (pode começar em menos, mas nunca pode passar de 40, senão o time é penalizado). E quando algum jogador tem a posse de bola (Pode ser porque ele pegou a bola para correr, um Quarterback que foi derrubado ou até mesmo um recebedor depois que recebeu o passe) e ele é derrubado dentro do campo, o relógio da partida continua correndo durante esses 40 segundos. No entanto, caso seja tentado um passe e o passe acabe incompleto (tocou no chão antes de alguem segurá-lo), o relógio da partida vai parar e só vai voltar a correr quando a jogada seguinte começar (mas ela ainda deve obedecer o limite de 40 segundos, claro). O fator "relógio", portanto, é muito usado pelos times na hora de montar uma estratégia. Um time que tem uma defesa fraca ou que enfrenta um adversário com um ataque muito forte muitas vezes vai optar por usar mais o jogo terrestre para gastar mais o relógio, de forma que sua defesa fraca ou o forte ataque adversário tenha menos tempo pra ficar em campo, se você abusar das corridas e dos passes curtos e gastar 10 minutos do relógio, são 10 minutos a menos pra uma situação na qual você estaria em desvantagem (defesa fraca ou contra um ataque forte). Também é muito comum vermos, no final das partidas, o time que está na frente no placar usando mais o jogo terrestre e os passes curtos para gastar mais tempo do relógio e terminar a partida mais rapidamente, dando menos tempo para o adversário reagir. Isso tudo vai ser levado em consideração na hora de combinar o estilo de ataque.

E qual vai ser o papel da defesa durante tudo isso que o ataque vai fazer? Naturalmente, a função básica da defesa é impedir que o ataque consiga avançar as 10 jardas e portanto perca a posse de bola. Uma coisa muito importante que eu preciso destacar antes é que o ataque raramente vai utilizar as quatro jogadas que tem direito para tentar avançar as 10 jardas. Pense na seguinte situação: O ataque está começando sua campanha da linha de 20 jardas do seu campo. Depois de três passes incompletos, o time está numa 4th and 10. Se o time tentar converter o First Down nessa jogada e falhar, digamos, com outro passe incompleto, o ataque adversário vai começar sua campanha da linha de 20 jardas do campo de ataque! Quando um time falha uma quarta descida, o adversário começa sua campanha exatamente do ponto onde a última parou, o que obviamente é uma desgraça para o time que perdeu a posse de bola. A alternativa que o time tem na quarta descida (4th Down, ou quarta tentativa), portanto, é dar um Punt. No Punt, um jogador chamado de Punter (P, que tem como dar o Punt sua única função) vai receber um snap longo e chutar a bola em direção ao campo do adversário para afastar a bola o máximo que ele conseguir.

Ao dar um Punt numa quarta descida, o time abdica de usar sua quarta tentativa para conseguir o First Down mas ele impede que o adversário de começar sua campanha numa boa posição de campo, mais perto da End Zone. O Punt, ao contrário do Kickoff, pode ser chutado para fora do campo e aí a campanha ofensiva do outro time começa aonde a bola saiu, mas caso ele fique dentro de campo, o outro time designa um Punt Returner (PR, que geralmente é o mesmo jogador que o Kickoff Returner, ainda que isso não seja sempre) que pode optar por retornar o chute até onde ele conseguir, mais ou menos como no Kickoff. Um bom Punt tem que ficar no ar por muito tempo para dar tempo o suficiente para que o time que chutou a bola consiga chegar perto do PR e impedir assim que ele retorne a bola, fazendo com que ele peça um Fair Catch (Quando o Fair Catch é pedido, nenhum jogador do time que chutou pode encostar no PR, mas ele também perde o direito de tentar o retorno. Será pedido quando ele não tem chances de retornar o Punt e não quer levar uma pancada desnecessária). Veja nesse vídeo como o Punt, faltando 14 segundos pra acabar um jogo empatado, faz o erro de não chutar para fora de campo a bola, da a possibilidade do retorno para o DeSean Jackson e paga o preço (Sem falar que esse punt foi em linha reta, não foi alto, o que deu ao Jackson tempo o suficiente para se recuperar do seu erro).



No ataque, também, um time dificilmente vai converter uma quarta descida. Isso porque ele corre o risco de perder a bola e sair sem nenhum ponto da campanha quando ele tem a opção de chutar um Field Goal. O Field Goal é quando o ataque opta por gastar sua jogada tentando chutar a bola entre os Goal Posts. Nesse caso, o time vai fazer o Snap, alguém vai segurar a bola e o Kicker vai chutar para anotar três pontos se a bola passar entre os Posts. É igual ao Extra Point, só que é numa jogada normal e não depois de um Touchdown, vale três pontos e não um e pode ser de qualquer linha do campo, não da linha de duas jardas. Em geral, um bom Kicker consegue acertar com bom aproveitamento chutes de até 50 jardas (A "distância" do chute será a distância que resta até a End Zone e mais 17 jardas. Se um time tiver a bola na linha de 33 jardas, portanto, o Field Goal será de 50 jardas: 33 que faltam até a End Zone, mais 10 que são o comprimento da própria End Zone, mais 7 que é o quanto a bola recua com o Snap). O Field Goal é uma forma de não sair de uma campanha ofensiva sem pontos mesmo quando se chega numa quarta descida. Caso o Field Goal seja errado, o time perde a posse de bola e o adversário começará sua campanha ofensiva do ponto onde foi realizado o chute. Veja um exemplo de Field Goal de 50 jardas abaixo.



De forma geral, um ataque só irá tentar uma quarta descida se a distância for muito pequena (4th and 1, 4th and inches), e mesmo assim só de vez em quando, ou então se for num momento importante no final da partida, quando o time não pode se dar ao luxo de devolver a bola para o adversário. Tirando essas ocasiões, 99% das vezes os times optarão por um chute nas quartas descidas, e se vai ser um Punt ou um Field Goal vai depender da posição de campo na qual os times se enfrentam.

Voltando agora ao papel da defesa, a defesa vai ter que basicamente impedir o avanço das 10 jardas nas três tentativas para que o ataque seja forçado a chutar a bola, e aí a defesa cumpriu seu papel de recuperar a posse de bola. Para isso, o time vai ter que naturalmente impedir que o adversário avance com a bola, seja parando as corridas como impedindo os passes. Mas uma forma muito importante de impedir um First Down é colocando pressão no Quarterback e conseguindo um Sack. Eu disse quando falei das defesas que alguns jogadores estão encarregados de fazer pressão no QB adversário. Essa pressão é importantíssima para impedir que o Quarterback tenha muito tempo para fazer um passe, se ele tiver tempo demais uma hora alguém vai se desmarcar e ele vai atingir o alvo sem dúvida. A pressão tem que forçar ele a se decidir rapidamente na pior das hipóteses, mas quando possível a pressão tem que chegar até o QB, forçar ele a fugir dos jogadores ou então apressar um passe ruim para se livrar da bola. No melhor caso, o time vai conseguir um Sack, que é quando a defesa derruba o QB antes que ele consiga lançar a bola. Nesse caso, o ataque perde jardas dependendo do lugar onde o QB foi derrubado, pois a jogada seguinte vai começar daquele ponto. As defesas nem sempre vão contar só com o Pass Rush (a pressão no Quarterback) padrão das defesas (Linha defensiva nas defesas 4-3 e também dos OLBs nas defesas 3-4) e muitas vezes vão apelar para Blitzes, que é quando um jogador que não tem como função padrão ir atrás do QB abandona sua posição para fazê-lo, o que muitas vezes vai confundir a defesa. Veja na jogada abaixo como o Cornerback abandona sua posição e consegue atacar o QB com sucesso, roubando a bola e fazendo o Touchdown.



O Sack e as pressões/blitzes são a forma mais básica de se desmontar um ataque, porque vai forçar conversões mais longas. Por exemplo, um sack de oito jardas numa 1st and 10 vai obrigar o ataque a conseguir 18 jardas nas próximas duas tentativas, provavelmente por passe, e aí a defesa vai estar esperando as bolas longas e vai se posicionar melhor pra evitar. No entanto, se a defesa simplesmente evitar conversões de First Downs, o ataque vai chutar a bola e a nova campanha ofensiva vai começar mais perto do seu campo de defesa. Por isso a defesa tem uma outra função, que é a de forçar Turnovers.

Ainda que a principal função da defesa (impedir pontos e recuperar a posse da bola) seja conseguida impedindo First Downs e forçando chutes, uma boa defesa sempre vai aproveitar as oportunidades para forçar Turnovers. Um Turnover é quando um time perde a posse de bola para o outro, mais ou menos como no basquete. Punts não são considerados Turnovers porque você está fazendo isso de propósito, ainda que seja para evitar uma desgraça maior. A grande vantagem dos Turnovers (Além do fato de que a defesa pode retorná-los para Touchdown) é que eles vão dar a posse de bola à defesa no ponto onde o turnover aconteceu, tirando a oportunidade do ataque de dar um Punt ou até de continuar sua campanha ofensiva que eventualmente faria a próxima posse de bola ofensiva do time começar mais atrás.Existem dois tipos de turnovers que ocorrem nas campanhas ofensivas: Interceptações e fumbles.

Interceptações são simples, que é quando um passe do QB (que obviamente vai ter como alvo algum dos seus recebedores) é pego pela defesa antes que toque no chão. Nesse caso, a posse de bola vai mudar de dono imediatamente após o passe ser pego e então o jogador em posse da bola, antes um defensor, vai tentar correr o máximo possível para o campo de ataque para dar ao seu time uma melhor posição de campo ou até conseguir um Touchdown, e os jogadores que antes eram do ataque agora tem como função derrubar esse jogador para encerrar a jogada. Naturalmente quando isso acontece a posse de bola muda de time e o time que antes estava na defesa, ao final da jogada (Se não for um Touchdown), vai trazer seu ataque para campo. Quando o assunto é interceptação, vale dar mais uma olhada nesse lindo Touchdown do Ed Reed.



O Fumble também é simples, é quando algum jogador que está em posse da bola (um Wide Receiver que agarra um passe só vai estar em posse da bola se ele tiver total controle sobre ela E colocar ambos os pés no campo. Caso ele segure a bola no ar com total controle, mas solte antes de colocar os dois pés, ele nunca teve controle da bola), seja um QB esperando para dar um passe, um RB correndo, um recebedor após receber um passe e até mesmo um defensor após uma interceptação perde o controle da bola e a deixa cair no chão. Quando isso acontece, a bola está viva e é de quem pegar primeiro. Um exemplo prático: Suponha uma 1st and 10 na qual o ataque joga com o Running Back para uma corrida, mas ele sofre um tackle duro e solta a bola, que cai no chão. Se algum jogador do ataque recuperar a bola, a jogada para nesse exato instante (ele não tem a possibilidade de continuar correndo) e o ataque terá uma 2nd Down, dependendo de onde a bola foi recuperada para mais ou menos do que 10 jardas (caso ela seja recuperada depois da marca do First Down, então será uma 1st and 10). No entanto, caso algum jogador da defesa recupere essa bola, aí ele tem o direito de correr até onde ele conseguir e aonde ele for derrubado começará a nova campanha ofensiva do time que recuperou a bola. O Fumble só será um turnover se o time adversário recuperar a posse da bola. Um bom exemplo de fumble está naquele vídeo logo acima do Sack do Antoine Winfield.

A defesa também tem mais uma forma de pontuar mesmo sem o ataque entrar em campo, que é através do chamado Safety. Eu disse que, quando um jogador de ataque é derrubado para acabar uma jogada, a jogada seguinte se inicia daquele ponto. No entanto, se a defesa de alguma forma conseguir derrubar um jogador do ataque dentro da sua própria End Zone desse jogador, acontece um Safety. Nesse caso, o time da defesa ganha dois pontos no placar e o time que antes estava no ataque vai ser obrigado a dar um Punt (não um Kickoff, o que faz com que a bola viaje menos) da linha de 30 jardas do seu campo. Ou seja, ao conseguir o Safety, a defesa vai anotar dois pontos e ainda vai recuperar a posse de bola para uma campanha ofensiva

De certa forma, é isso que acontece em um jogo de futebol americano. Eu sei que é muito confuso explicar, mas acredito que se vocês leram os últimos três posts com atenção, e daí assistirem a um jogo de NFL, vão conseguir entender o que está acontecendo em pouco tempo. Naturalmente isso vai se repetir ao longo de todo o jogo, e situações diferentes (como por exemplo ao final do segundo quarto, quando a posse de bola vai mudar de dono para começar o terceiro) vão exigir adaptações, mas com esse nosso resumo (se é que se pode chamar isso de resumo!) vocês já tem acesso ao básico: First Downs, Turnovers, Touchdowns, Extra Points e Two-Points Conversion, Field Goals, Punts e o funcionamento, de modo geral, de uma partida de futebol americano. Eu só queria esclarecer mais quatro coisas antes de acabar.

Primeiro, cada time tem três pedidos de tempo por tempo. Um pedido de tempo para o jogo e da tempo para o ataque ou a defesa conversarem com calma com seus técnicos e coordenadores e estruturarem melhor suas próximas jogadas, já que eles vão ter muito mais tempo que os 40 segundos normais. Mas mais importante, um pedido de tempo faz o relógio da partida parar. Por exemplo, time X está ganhando do time Y no final da partida e está com a posse de bola. O time X vai correr com a bola três vezes para ter 40 segundos entre cada jogada e assim queimar dois minutos do relógio. No entanto, se após cada jogada o time Y pedir um tempo, o relógio congela e só vai voltar a correr quando a jogada seguinte começar. Ou seja, o time que está perdendo vai evitar perder dois minutos do tempo de jogo pedindo esses tempos. Eles não tem muita importancia com 10 minutos faltando no primeiro quarto, mas nos finais dos dois tempos eles serão muito importantes.

Segundo, cada time tem direito a dois Challenges, ou desafios, por tempo. O Challenge é quando o técnico de um time discorda da marcação dos juizes para uma jogada e pede esse "desafio". Quando ele é pedido, o técnico explica o que ele acha que aconteceu e que os juizes não marcaram e aí os juizes vão analisar o vídeo da jogada para ver se o certo é o que foi marcado ou o que o técnico está pedindo. Se os juizes, analisando o vídeo, concluirem que o pedido do técnico estava certo, a jogada é mudada. Se os juizes não mudarem de ideia, a jogada se mantém e o técnico é penalizado com a perda de um pedido de tempo. Cada técnico só tem dois Challenges por tempo, mas se ele pedir os dois e ambos estiverem corretos, ele ganha um terceiro Challenge para pedir.

Terceiro, queria explicar o que significa Two-Minute Warning, que da nome ao nosso blog. O Two-Minute Warning é um "aviso" que é dado dois minutos antes do final de cada tempo (não quarto, tempo), ou então assim que alguma jogada terminar caso a marca de dois minutos seja atingida durante uma jogada. Quando esse "aviso" acontece, o relógio imediatamente para e dentro desses dois minutos nenhum técnico pode pedir Challenge, mas os juizes tem o poder de analisar em vídeo qualquer jogada que considerarem difícil ou duvidosa. Ele também tem um significado bem simbólico, por serem os minutos decisivos.

E quarto queria explicar um conceito importante e raro que é o do Onside Kick. Imagine que seu time está perdendo por 11 pontos e fez um Touchdown faltando dois minutos e sem tempos para pedir. Primeiro de tudo, você tenta uma Two-Point Conversion. Se você chutar o Extra Point, sua diferença cai para quatro e você ainda precisaria de um Touchdown para ganhar o jogo. Ao tentar uma Two-Point Conversion e dar certo, no entanto, a diferença cai para três pontos e aí com um Field Goal você vai poder empatar o jogo, sem a necessidade do Touchdown. Se falhar, não tem problema, a diferença de cinco pontos não vai ser pior pra você do que a diferença de quatro, ainda vai precisar de um Touchdown. Isso é irrelevante pro conceito de Onside Kick, é só pra ilustrar essa questãod o Extra Point/Two-Point Conversion mesmo. Mas suponha que sua Two-Point deu certo e você está perdendo por 3 pontos apenas. Mas você tem que fazer o Kickoff para recomeçar o jogo, mas com dois minutos e sem tempos para pedir, tudo que seu adversário tem que fazer é ajoelhar com a bola três vezes (o que encerra a jogada e faz o relógio continuar correndo) e esperar esgotar o tempo. Ou seja, você perdeu no momento que a bola cair nas mãos do adversário.

O que você faz então? Simples, um Onside Kick. Num Kickoff, você geralmente chuta a bola o mais longe possível pra que o adversário comece o mais perto que der da sua própria End Zone. No entanto, como nesse caso você absolutamente não pode deixar a bola cair nas mãos do outro time, o que você faz é chutar o kickoff para bem perto dos seus jogadores para que um deles recupere a bola e então o seu time mantém a posse da bola. No entanto, isso é bem difícil de fazer. Primeiro porque nenhum jogador da defesa (o time que está chutando) pode tocar na bola antes de um de ataque antes que a bola viaje 10 jardas, ou seja, passe da marca de 45 jardas. Isso da uma enorme vantagem ao ataque, especialmente se ele já estiver esperando o Onside Kick. Além de muito difícil de se recuperar um Onside Kick, o risco é grande: em caso de falha, o ataque do outro time já vai começar a campanha no seu campo, o que é uma posição muito boa para pelo menos chutar um Field Goal. Veja por exemplo no vídeo abaixo como o Saints faz um Onside Kick sem o Colts esperar, o que deixa o time de Indianapolis confuso e faz com que o Saints consiga recuperar o chute e portanto manter a posse da bola. Quando a defesa adversária já está esperando, é mil vezes mais difícil.



Bom, eu acho que por hoje está bom. Eu sei, é muito confuso num primeiro momento, mas assistindo aos jogos eu acho que vai ficar mais fácil para todo mundo. Se vocês não entenderam alguma coisa, por favor perguntem, por email ou deixando nos comentários. Entender o funcionamento do jogo é um passo importantíssimo para gostar do esporte, e eu quero fazer com que o máximo possível de pessoas consigam, depois de ler ao Especial NFL, possam entender o que está acontecendo no meio dessa aparente bagunça. Espero realmente que isso tenha tornado mais fácil para todos vocês, por mais difícil que seja, assistir a um jogo de futebol americano com consciência total do que está acontecendo lá dentro.

Grande abraço a todos e até o nosso próximo post!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Especial NFL - Os Jogadores de Defesa

Essa é a quarta parte do nosso Especial NFL. Eu já expliquei o que exatamente é esse especial, um especial que vai explicar um pouco mais da NFL e do futebol americano para quem não conhece ou conhece pouco. Já pedi também ajuda para divulgação, pedi a todos que soubessem de alguém interessado para que espalhassem sobre o Especial. Nós começamos o Especial falando sobre a história do futebol americano e depois comentamos mais sobre o esporte e a Liga nos dias de hoje, junto com a estrutura financeira e administrativa da NFL. Depois, começamos a explicar melhor o que acontece dentro de campo quando falamos da função de cada uma das posições de ataque. Agora vamos continuar falando de posições, mas vamos falar sobre posições de defesa.

Nos próximos dias vamos continuar desenvolvendo o Especial explicando o funcionamento do jogo em si, e mais formas de acompanhar o esporte em diversas mídias, mas estamos abertos a sugestões e palpites, que vocês podem enviar para nosso email tmwarning@hotmail.com ou no nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem.

Aproveitando para pedir desculpas pela demora para soltar esse post, mas infelizmente o tempo foi muito curto nos últimos dias e só agora ele pode sair com a qualidade que a gente queria.



 
Antes de começar a falar de fato sobre as posições defensivas, queria esclarecer algumas coisas. Primeiro, recomendo a todos que leiam antes o nosso post sobre as posições de ataque, porque as posições de defesa se baseiam nelas e eu vou tar o tempo todo comentando as posições de defesa de acordo com o que eu disse sobre o ataque.

Segundo, quando eu comentei sobre as posições de ataque, eu disse que numa jogada todo o ataque é combinado antes - o tipo de jogada, a formação, a movimentação dos jogadores e tudo mais. Tudo é combinado, cronometrado e executado até que algo obrigue algum tipo de improvisação ou mudança de planos. Na defesa, você também vai combinar a formação antes: O tipo de blitz (Quando algum jogador abandona sua posição original na defesa para ir atrás do QB adversário), o tipo de cobertura, quem vai enfrentar quem no mano a mano, etc. No entanto, a defesa está posicionada pra reagir a uma jogada que ela não sabe qual vai ser! Ela pode ter uma ideia pela formação usada, pelo momento do jogo, estudando os padrões do adversário e tudo mais, mas ela smepre vai ter que estar montada e preparada para enfrentar qualquer tipo de jogada. O jogo de defesa da NFL - ao contrário do ataque - se baseia muito mais em reação do que outra coisa. Não a toa existe uma velha brincadeira do futebol americano, que dizem que para se jogar no ataque o importante é ser preciso, capaz de executar uma estratégia e uma movimentação ao pé da letra, enquanto na defesa o importante são seus instintos pra reagir ao que você vai encontrar pela frente.

E assim como quando comentamos sobre o ataque, nós também vamos ter vários tipos diferentes de formação: Nickel, Dime, etc, que eu vou comentar mais pro final. No entanto, existem duas estratégias básicas para a montagem de defesas, ao contrário da NFL que podemos tomar a I como ponto de partida para todas as outras. Na defesa, as formações vão variar a partir dos esquemas 3-4 e 4-3, e em cada uma delas algumas posições terão um papel diferente. Por isso vamos explicar o papel dos defensores em cada uma das defesas. A gente sabe que é confuso, mas hoje em dia mais ou menos metade da Liga usa uma defeas 3-4 e a outra metade uma 4-3, então é importante explicar as duas. Rapidamente:

Diagrama 1: Defesa 4-3

A defesa 4-3 tem esse nome por causa da sua linha de frente, que possui quatro jogadores na linha defensiva (calma, vamos explicar daqui a pouco) e três Linebackers logo atrás. A defesa 4-3 é a defesa mais tradicional da NFL, mais equilibrada, e que em geral é uma defesa mais "conservadora".

Diagrama 2: Defesa 3-4

A defesa 3-4, por sua vez, tem três jogadores na linha defensiva e quatro Linebackers, logo 3-4. Ela é uma formação que tem ganho espaço mais recentemente, e é uma defesa mais agressiva em relação a atacar o Quarterback. Sua formação mais versátil permite esquemas mais variados de blitz, mas mesmo na sua formação "padrão' ela já é mais agressiva, mas vamos explicar mais abaixo. Quando formos explicar algumas posições, vamos indicar especificamente qual a função em cada defesa. Nas outras, a função é a mesma independentemente da formação. Mas tenham sempre em mente que cada uma tem suas diferenças (para enxergar melhor o posicionamento defensivo, talvez fosse melhor comparar com as imagens do post anterior).

Linha defensiva
A linha defensiva é a primeira parede da defesa, composta pelos Defensive Tackles (DT) e pelos Defensive Ends (DE). Ela vai ficar, naturalmente, de frente para a linha ofensiva do time adversário. A função dela é dupla: Primeiro, evitar o jogo terrestre. No caso de uma jogada corrida do ataque, os jogadores da linha ofensiva terão como função abrir caminho para que o RB passe. Portanto, a função da linha defensiva nesse caso é justamente impedir que a linha ofensiva consiga abrir muito espaço, seja fechando diretamente no corredor e derrubando ele logo no começo ou então mantendo os bloqueadores ocupados para que os outros jogadores da defesa tenham caminho livre para derrubar o jogador. No caso de jogada aérea, os jogadores da linha ofensiva tem que simplesmente chegar no QB adversário e derrubá-lo antes que ele lance a bola, o chamado Sack. Mas vamos esclarecer melhor falando de cada posição:

Defensive Tackle (DT)/Nose Tackle (NT): Pra esclarecer a mudança de nome, Nose Tackle é o nome que se dá ao Defensive Tackle em uma formação 3-4. Os jogadores dessa posição costumam ser os mais pesados e mais fortes de toda a Liga, já que dependem muito da sua capacidade de derrubar os adversários e manter posição. Na defesa 4-3, que conta com dois DTs, a função é mais ou menos a que eu expliquei acima. Evitar a abertura de espaços para o jogo corrido, dar tackles se possível e tentar chegar ao QB o mais rapidamente possível para que ele não tenha tempo de pensar e achar um alvo. Claro que depende muito do estilo e da habilidade do jogador, tem jogadores que são especialistas em ficar segurando os bloqueadores e evitando que eles abram espaços e tem alguns (geralmente os melhores DTs) que tem força e velocidade suficiente para romper o bloqueio da linha ofensiva e chegar ao QB com mais velocidade (Veja um bom exemplo nesse sack do genial Ndamukong Suh).

Na defesa 3-4, o então Nose Tackle tem uma função muito mais simples e única: Ocupar dois jogadores da linha ofensiva. Sim, parece idiota, mas é uma função extremamente importante: ele tem que ser um jogador grande e forte o suficiente pra exigir que a linha ofensiva dobre a marcação nele, o que libera seus companheiros de time. Como na defesa 3-4 padrão você tem cinco jogadores indo pra cima do QB (Três da linha defensiva e dois OLBs, que já explicaremos), ter um jogador que ocupa dois marcadores faz com que a defesa tenha um jogador sem marcação para atacar o QB. De qualquer forma, ele manter dois bloqueadores ocupados já favorece em muito uma defesa agressiva como a 3-4.

Defensive End (DE): O Defensive End tem uma função igual na defesa 3-4 e na 4-3, que é de partir pra cima do Quarterback. Eu comentei quando falei sobre a linha ofensiva que a maior parte das pressões vem pela lateral da linha, e isso porque quem geralmente é mais rápido e ágil da linha defensiva (além da força física necessária para enfrentar um lineman) e portanto tem mais perigo de correr até o QB é o Defensive End. A diferença entre o Defensive End na 3-4 e na 4-3 é que na 4-3 ele é a principal fonte de pressão no Quarterback, enquanto que na defesa 3-4 esse papel será dos OLBs (ainda que o DE também tenha um papel fundamental nisso). Naturalmente eles terão como tarefa darem tackles nos jogadores que estiverem eventualmente correndo com a bola, mas a função primária deles é dar a volta e atacar o QB. Um bom exemplo de DE que ataca o QB é o Julius Peppers.


Linebackers
O corpo de Linebackers é a principal defesa contra o jogo terrestre do adversário e costumam ficar logo atrás da linha defensiva. Ainda que a linha defensiva tenha como papel evitar que os bloqueadores do ataque abram espaço, geralmente isso se limita a tirar os bloqueadores do caminho. Nesse caso, aqueles que estão logo atrás - os Linebackers - serão os encarregados de derrubar os corredores. No entanto, eles tem um papel bem mais versátil: Muitas vezes são encarregados de proteger a região atrás da linha ofensiva contra o jogo aéreo (especialmente contra Tight Ends, que não são tão rápidos e geralmente usam rotas mais curtas) e também muitas vezes são envolvidos em blitzes (No esquema 3-4, o OLB tem como função padrão ir atrás do QB). Ainda que sua função principal seja dar tackles e usar da sua força, essa é uma das posições mais versáteis da defesa já que podem assumir muitas funções.


Middle Linebacker (MLB), Inside Linebacker (ILB): Dois nomes para a mesma coisa, novamente vai depender apenas da formação em que eles se encontram, sendo MLB na 4-3 e ILB na 3-4. A função desse jogador vai mudar muito pouco com a mudança de formação, eles são os responsáveis de uma forma geral pelos tackles que vão ocorrer em jogadas curtas (Em especial corridas, mas também passes curtos) e cobertura do miolo da defesa (A área logo atrás da linha de scrimmage, numa distância de no máximo 10 jardas dela) de uma forma geral. A diferença é que na formação 4-3, como só temos um MLB, ele acaba acumulando funções e agindo mais pela área central, enquanto na defesa 3-4 temos dois que costumam se deslocar um pouco mais lateralmente para cobrir áreas maiores. Veja aqui um ótimo exemplo de um Linebacker que identifica a jogada e se antecipa ao corredor para derrubá-lo.

Outside Linebacker (OLB): Esse jogador é, provavelmente, o que mais vai mudar suas funções nas defesas 3-4 e 4-3. Apesar de ser umas das primeiras opções de blitz nas defesas 4-3, a função padrão do OLB é proteger a área atrás da linha de scrimmage, só que nas laterais ao invés do meio. Ele vai ter também que dar muitos tackles e vai cobrir os passes curtos, de certa forma ele funciona como um MLB que joga mais pelos lados do que pelo meio, mas com a função basicamente igual. O que vai mudar vai ser na defesa 3-4, quando você costuma deixar os ILBs tomando conta do território, os OLBs vão ter como função padrão atacar o QB adversário pela lateral da linha defensiva, muitas vezes saindo até de bem perto da sua lateral. Eles são a principal causa de pressão no QB nas defesas 3-4 (Ao contrário das defesas 4-3, que é o Defensive End) e geralmente estão menos encarregados de dar tackles. Veja nesse exemplo como a defesa do Steelers coloca seus dois OLBs praticamente na linha defensiva, e um deles acaba por dar o sack.


Cornerbacks (CB)
Os Cornerbacks tem uma função simples em qualquer defesa, seja 3-4 ou 4-3: Defender contra os passes, marcando os alvos, ou seja, os Wide Receivers (Em alguns casos também Tight Ends, mas geralmente eles serão marcados por Linebackes mesmo. Estão acompanhando?). Se vocês compararem os Diagramas 1 e 2 com as formações ofensivas do último post, vão ver que o Cornerback começa a jogada em frente ao Wide Receiver adversário. O Cornerback pode ter como função na jogada defender o Receiver tanto através de uma marcação individual (Quando o Corner simplesmente gruda no WR e fica seguindo ele pra evitar que ele consiga receber o passe) ou através de uma marcação por zona (quando o jogador fica encarregado de defender os passes em um certo território do campo), mas ele vai ter que defender passes e, se possível, interceptar um passe. Como precisam reagir aos movimentos do adversário e correr muito atrás dos jogadores, geralmente os cornerbacks são jogadores baixos, rápidos e ágeis. Naturalmente eles vão assumir funções diferentes dependendo da jogada, as vezes vemos CBs até indo pra blitz, mas a função primária deles é defender os Wide Receivers do adversário.

Pra dar um exemplo, vejam o Darrelle Revis, famoso por marcar individualmente grandes jogadores e tirá-los totalmente do jogo por não ceder espaços para um passe passar, marcando o Chad Ochocinco. Reparem como ele sempre está colado no Ochocinco, não dando nenhum espaço para ele jogar.


Strong Safety (SS), Free Safety (FS)
Como o nome indica, o Safety é o segurança do time. Ele é a última linha de defesa, e ele vai ser responsável por parar muitas jogadas antes que elas virem touchdowns. Essa é na verdade a própria função do Safety em um time. Seja jogo terrestre ou jogo aéreo, ele vai ter que guardar a área atrás do resto da defesa. Se um jogador passar pelo Safety, isso provavelmente vai ser fatal para a defesa, porque não vai ter ninguém para segurá-lo. Ele tem que ser um jogador versátil capaz de dar tackles, mas também tem que ser rápido para cobrir Wide Receivers e conseguir interceptações (Como o Safety joga a uma distância maior da linha, ele costuma jogar em velocidade, o que lhe favorece para conseguir ir em direção à bola).

A distinção entre Strong e Free Safety é quase supérflua, porque isso não é de forma alguma definitivo e os jogadores costumam jogar nas duas, mas eu acho interessante porque ilustra bem as funções que um Safety tem na partida. O Strong Safety (Que tem esse nome porque joga do lado "Strong", ou seja, o lado que tem o Tight End) geralmente é um pouco maior e mais forte, e costuma jogar mais próximo da linha defensiva para ter a opção de chegar até ela em velocidade para parar um eventual corredor, como o Bob Sanders sabe fazer tão bem.

Já o Free Safety (que tem esse nome porque, se você designar marcações individuais para a defesa, o Free Safety ficaria com o Quarterback, mas como o QB raramente sai do pocket o FS ficaria "Free", livre) costuma ser mais leve e mais rápido, jogando mais atrás e dando maior ênfase ao jogo aéreo, usando sua velocidade para atacar linhas de passe e conseguir coisas lindas como essa. Na verdade o Safety tem que fazer essas duas coisas, tanto atacar o corredor perto da linha como usar sua velocidade para voar pela secundária cortando passes, essa diferenciação é muito superficial, mas fica bom pra ilustrar os muitos deveres de um Safety. Basicamente ele tem que proteger tudo que ameaçe passar pela defesa.



De certa forma, a defesa é muito mais complicada que o ataque. O ataque é algo definido e executado de acordo com o plano. A defesa tem um plano que pode dar certo e se adaptar muito bem ao que o ataque ofereceu mas também pode ir por água abaixo forçando todo mundo a improvisar pra se adaptar, além de complicar nossas vidas com as defesas 3-4 e 4-3. Espero que vocês tenham conseguido entender a diferença, e recomendo que voltem aos Diagramas 1 e 2 e vejam se conseguem enxergar o que eu citei sobre as duas. Na defesa 4-3, o padrão (Claro que vão incluir duzentas blizes, tou falando da formação padrão só) é usar os quatro jogadores da linha pra pressionar o adversário, uma defesa mais conservadora. A defesa 3-4 usa cinco jogadores (três da linha e os dois OLBs) para ir atrás do adversário, o que aumenta o seu poder e chance de sucesso mas também tira um defensor da área de cobertura, o que é mais arriscado. Qual é a base de uma defesa vai depender muito dos jogadores disponíveis e suas características.

Antes de acabarmos (Eu sei que disse que ia falar do Special Teams hoje, mas achei melhor deixar pra próxima) vou falar mais de algumas formações defensivas.

Nickelback

Como vocês podem ver, na defesa Nickelback você tira um jogador da parte da frente (Geralmente é um Middle Linebacker, mas podem ser outros, em especial um DT) para colocar mais um jogador na secundária, o Nickel Back, que pode ser um Safety (como mostra na imagem) ou, mais comum, outro cornerback. É uma defesa que tem como principal função proteger como passe, e portando adiciona mais um jogador da secundária para defender um eventual Wide Receiver extra.

Dime

A defesa Dime é uma defesa mais extrema contra o passe, na qual você troca dois jogadores da linha de frente (geralmente os dois OLBs, mas também pode ser o MLB e um DT) para colocar dois Nickel Backs para defender contra o jogo aéreo.

Goal Line Formation

Pra terminar, a defesa extrema contra a corrida, quando você está pertissimo da linha da end zone e quer impedir a todo custo uma corrida pelo meio. Você nesse caso coloca todos os pesadões na linha de frente pra evitar que atravessem pela força, e mantém alguns jogadores de segurança mais atrás caso o ataque tente uma corrida pelo lado ou até um passe. Mas essa função é desenhada principalmente para evitar uma corrida forçada pelo meio para ganhar uma ou duas jardas.


É isso galera, espero que tenha ficado claro. Acho que não ficou porque defesas são muito mais complicadas, mas espero ter contribuido para esclarecer nem que seja um pouco e acho que o resto você acaba adquirindo assistindo às partidas. Vamos voltar no final de semana explicando como funciona o jogo em si e também com vários lugares pra vocês acompanharem as partidas e se integrarem nesse monte de coisa.

Grande abraço e até sábado!