Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Botão do Pânico

Gasol está entrando em pânico


Quem acompanha as mídias esportivas americanas aqui já deve ter ouvido falar no 'botão do pânico', ou "panic button" no original. É uma gíria usada para quando um time, por conta dos maus resultados, entra naquele estado de desespero. Muita gente, quando o Lakers estava naquela fase fraca pré-All Star Break e muita gente se perguntava se o time iria fazer alguma troca pra reforçar o elenco, disse que o Lakers estava na beira de apertar o botão do pânico e fazer trocas levado pelo desespero.

Para dar mais um exemplo prático, meu querido Boston Red Sox, que começou a temporada perdendo oito jogos seguidos, toda a torcida começou a entrar em desespero, achar que o time nunca mais ia ganhar um jogo, de que já era pra dar adeus aos playoffs (162 jogos, gente, 162 jogos!), trocar todo mundo e chorar ouvindo Simple Plan.

Mas as vezes, o panic button é um aviso real de que alguma coisa estáe errada na hora errada. E essa 'hora errada', pros times grandes da NBA, significa 'playoffs'. O Boston Celtics está numa situação complicada e está começando a flertar com esse botão. O time está 2-0 e está sendo superado em todos os quesitos possíveis pelo Miami Heat. Ainda assim, o Boston não está definitivamente ferrado a ponto de tacar tudo pra cima e desistir da vida, porque segundo consta o Shaq pode voltar já na próxima partida (Se o Shaq que vai jogar vai conseguir contribuir como contribuiu na temporada regular depois de uma lesão e um bom tempo parado é outra história) e também porque o Celtics perdeu dois jogos fora de casa, ainda tem dois seguidos em casa pra tentar empatar. O Celtics ainda não apertou o botão do pânico, mas um time nesses playoffs já apertou. E, pra alegria do Boston, foi o Los Angeles Lakers.

O Lakers teve um ano, digamos, peculiar. Começou muito bem, só não disparou na frente do Oeste porque o Spurs teve um começo surreal, e isso tudo sem Andrew Bynum. Mas o time começou a capengar, não se encontrava, amargou algumas sequências de derrotas e chegou no All Star Game desacreditado. Depois do All Star Weekend, o Lakers não perdia mais, estava jogando muito, Bynum na melhor fase da carreira, Kobe Bryant metendo mais de 30 pontos por jogo, e o Lakers massacrou todo mundo só pra, nos últimos jogos, perder mais alguns jogos e todo mundo de repente esquecer a ótima sequência anterior e falar que o Lakers estava acabado, típica memória curta de torcedor. Na primeira rodada dos playoffs, depois de quatro jogos trombados e difíceis contra o Hornets e assistindo em primeira mão ao Chris Paul destruir todo o sistema defensivo do Lakers jogada após jogada, o Lakers finalmente impôs seu estilo de jogo nos últimos dois, usou seu garrafão e dominou o adversário dos dois lados da quadra, lembrando todo mundo da primeira rodada do ano passado, quando o Lakers também só engrenou nos dois últimos jogos da primeira rodada contra o Thunder e acabou embalado pra ser bicampeão.

Só que agora o Lakers não parece mais o bicho papão do ano passado, nem o do pós-All Star Game, nem o dos dois últimos jogos contra o Thunder. O Lakers parece um time perdido, que não consegue saber o que está dando errado enquanto são comidos vivos pelo Dirk Nowitzki e pelo - acreditem - JJ Barea.

A gente falou no preview dessa série de como o Lakers tem uma desvantagem contra armadores rápidos que não poderia ser explorada pelo Jason Kidd e que teria que ser explorada pelo JJ Barea ou pelo Roddy Beaubois e que o garrafão do time de Los Angeles tinha que ser neutralizado pelos grandalhões Tyson Chandler e Brandon Haywood (até pra provar que a grana zilhonária que o Marc Cuban gasta em pivôs não é - toda - em vão) e o Lakers, nesse caso, teria que buscar uma opção capaz de infiltrar no garrafão adversário e desmontar a defesa por zona e liberar a região próxima ao aro, como o Brandon Roy fez nos dois jogos que o Blazers ganhou contra Dallas.

Essa foi a previsão que eu fiz para o confronto, tenho provas concretas, e é exatamente o que está acontecendo. O Lakers não está conseguindo ficar confortável com o seu jogo de garrafão, principalmente porque o Dallas está usando seus pivôs para neutralizar o Bynum dentro da área pintada, eu acho que não vi no ano todo nenhum jogador dar tanto trabalho ao Bynum na defesa como o Haywood, e está também tendo problemas porque o Pau Gasol está jogando muito mal, além de estar sendo muito bem marcado e pressionado toda vez que pega na bola (Se alguém me falasse, quando Gasol foi pro Lakers, que em três anos o irmão dele não só estaria jogando melhor que ele numa pós temporada mas também teria mais chances de ir para as Finais nesse momento, eu provavelmente infartaria de dar risada) e não estar acertando muita coisa quando tem a chance. Além disso, ele está tomando um baile deprimente do Nowitzki, embora esse seja mais mérito do alemão e seus arremessos tortos (sério, é um enigma como alguém que só arremessa bolas caindo, torto, pulando pra trás, marcado e de um ângulo impossível consegue ter um aproveitamento maior que 50% nos arremessos).

O Dallas ganhou as primeiras partidas em Los Angeles porque neutralizou a vantagem do Lakers no garrafão e está contando com os pontuadores certas nas horas certas, além do fato bizarro do Lakers não ter uma resposta ao JJ Barea. O Kidd não tem mais idade, fôlego ou velocidade para ficar driblando e bater pra dentro do garrafão a cada posse de bola, então o técnico do Mavs está colocando o JJ Barea pra fazer isso, e o Steve Blake e o Derek Fisher não sabem mais o que fazer pra parar o portoriquenho, Los Angeles não está conseguindo defender nenhum simples pick and roll e o Barea está fazendo exatamente o que o Lakers deveria estar tentando fazer, infiltrar e desmontar a defesa pra abrir o garrafão ou o perímetro. O Dallas está controlando cada fator importante da série e o Nowitzki está sendo o melhor jogador em quadra. Sinto muito, Kobe, mas é a verdade.

E o botão do pânico está apertado, ao contrário do do Boston (Por muito pouco, é verdade), porque a situação do Lakers é mais preocupante: Eles não tem um jogador voltando de lesão pra depositar as esperanças, eles jogam dois jogos fora de casa, e ainda não vão ter o Ron Artest pro jogo três, suspenso por uma tentativa de assassinato no JJ Barea. O Lakers ainda não achou uma forma de envolver seu garrafão no jogo e acordar o Gasol, muito menos de chegar perto de marcar o Nowitzki. E o que mais preocupa, a meu ver, é o Kobe e como ele tem jogado.

Eu falei que pro Lakers abrir o garrafão do Mavs, alguém precisaria infiltrar e atacar a cesta, e esse papel, claro, caberia ao Kobe ou ao Lamar Odom. Mas depois de dois jogos, o Kobe tentou 49 arremessos e apenas um (UM!!) foi uma bandeja! O Kobe não está atacando a cesta, está vivendo dos arremessos, e muitos arremessos. Eu acho o Lakers um time melhor quando o Kobe arremessa 20 bolas do que quando arremessa 30, mas o problema nessa série não é o quanto de arremessos ele dá e sim quais arremessos ele dá. O Mavericks pode tranquilamente viver com o Kobe dando 25 jumpers de meia distância por jogo desde que ele só ataque a cesta uma ou duas vezes e mantenha a defesa de garrafão do time intacta. O garrafão do Hornets só caiu por terra quando o Kobe deu duas enterradas monstruosas e fez o jogo atacando a cesta e jogando dentro do garrafão. E se o Kobe não fizer isso agora, ninguém no Lakers vai fazer - e a pós temporada pode acabar daqui a dois jogos para Los Angeles. Em Dallas. Em quatro jogos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O previsível

Solução para o Celtics: colocar esse paredão na frente do Lebron e do Wade


O Boston, sem Shaq, perdendo do Miami Heat, não é imprevisível. O Memphis Grizzlies estar disputando uma série apertada contra o Oklahoma City Thunder decidida jogo a jogo por quem é capaz de controlar o garrafão, não é imprevisível, por mais que o Thunder fosse o time favorito com suas superestrelas e o Grizzlies um time classificado apenas em oitavo lugar no Oeste. Nada disso foi algo que ninguém era capaz de esperar - não só isso como muitos estavam esperando.

Na verdade, essas duas séries são as mais previsíveis até aqui. Eu já tinha deixado avisado no nosso preview sobre várias coisas que, de fato, estão acontecendo nesses jogos, começando pela série entre Celtics e Heat. Sim, o Celtics está levando um cacete, mas a verdade é que só não esperava uma coisa dessas era um torcedor otimista do Celtics tipo eu, ou pelo menos enquanto o Shaq não voltasse. Eu falei no preview da série que o Celtics precisaria mais do que nunca impor o seu garrafão grande pra ter uma vantagem nos dois lados da quadra, mas até agora nada. O Miami Heat não tem um garrafão forte ou alto e isso ao mesmo tempo era a chance do Celtics de conseguir uma forma de pontuação de porcentagem mais alta perto do aro e de impedir que o Heat jogasse perto do garrafão. Na temporada regular, o Celtics ganhou congestionando o garrafão, não deixando o Heat se aproximar do aro e forçando Lebron James e Dwyane Wade a viverem do perímetro, onde eles são muito menos perigosos.

Só que, nessa série, isso não está acontecendo, o Boston não tem o tamanho nem a força no garrafão pra manter esses dois craques no perímetro, e o Heat tá fazendo a festa com infiltrações e passe de dentro pra fora. Não da pra segurar os dois no perímetro sempre e o time não tem garrafão pra segurá-los perto do aro. Ou seja, o Boston está condenado. Shaq machucado, Kendrick Perkins em Oklahoma City e o Jermaine O'Neal não é mais capaz de fazer esse papel. Pra piorar, o outro jogador que poderia fazer parcialmente esse papel pra pelo menos atenuar as coisas e contar com boas atuações no ataque pra tentar ganhar alguns jogos, o Kevin Garnett, está tendo uma série horrível. Ele não se acha no ataque, parece perdido na defesa, e não está conseguindo levar a melhor sobre quem quer que seja, Chris Bosh, Joel Anthony ou Zydrunas Ilgauskas.

Eu tava falando com o Celo ontem depois do jogo e ele comentou que achava que o Boston tinha que jogar um small ball com o Garnett de pivô e uma defesa por zona pra dificultar as infiltrações, enquanto eu defendia obstinadamente que o único jeito de vencer a série era com um garrafão forte que dificultasse as infiltrações. A gente discutiu por uma hora até eu finalmente perceber o que ele queria dizer: Eu pensava no que o Boston TERIA que fazer pra vencer a série, e ele falando no que o Boston PODERIA fazer. Ele sabia que o Boston precisava de um garrafão, mas também sabia que o Perkins tava bem de vida no Thunder e que o Shaq provavelmente não voltava, e por isso a melhor forma de jogar seria usar outra forma de impedir o Miami de jogar perto do aro de outra forma: Ao invés de não deixar arremessar perto dele com tamanho, impedir os jogadores de se aproximarem dele com a zona. Achei uma boa forma de tapar o buraco, talvez a melhor que tenha sobrado pro time, mas não deixa de ser isso - uma forma de tapar o buraco. Porque ele sabe, assim como eu sabia, que a forma do Boston realmente ter a vantagem nessa série seria com um garrafão enorme. Eu sabia, ele sabia, todo mundo sabia. Menos, aparentemente, o Danny Ainge.

Do outro lado, o Memphis ganhar o jogo 1 chocou muita gente. O Memphis ganhar o jogo 1 não era algo previsível. No entanto, a gente sabia que, entre todas as muitas abordagens de análise nessa série, a principal questão era se o garrafão ultra-entrosado e enorme do Grizzlies ia conseguir se impor contra o garrafão ultra-defensivo e enorme do Thunder já que na ausência do Rudy Gay, o time não tinha jogadores capazes de criar o próprio arremesso do perímetro e então o garrafão teria que funcionar pra desafogar o ataque. E foi isso que decidiu os jogos. Os dois jogos.

No primeiro jogo, o garrafão do Grizzlies foi impossível. O Zach Randolph jogou muito bem desde o começo e acabou com a marcação do Serge Ibaka perto da cesta, fez o ataque jogar por ele e, por incrível que pareça, não foi tão fominha e também soltou bem a bola pro ataque rodar. Quando o Scott Brooks colocou o Perkins pra marcar o Z-Bo, ele começou a viver dos seus arremessos de meia distância, por cima do Perks, do Kevin Durant, do Ibaka ou de quem quer que fosse. E ainda contou com o fato do Marc Gasol estar lá pra fazer o trabalho sujo, trombar no garrafão, pegar rebotes, além de acertar uns arremessos altíssimos de meia distância e até uns ganchinhos achando que era o irmão com um pouco a mais de músculo (E barba, mas pergunte para qualquer um de San Francisco se ela não traz poder. Fear the beard!). Esses dois dominaram o adversário, o garrafão do Thunder não conseguiu marcar nenhum dos dois e muito menos o entrosamento deles, e eles ditaram o ritmo para os jogadores de perímetro, principalmente usando e abusando dos pick and rolls. O garrafão do Memphis dominou, e o Memphis dominou o jogo.

No jogo dois, o Scott Brooks mais uma vez mostrou seu talento pra ler o adversário e fazer ajustes - ou alguém já esqueceu o que ele fez com o Lakers no jogo três dos playoffs no ano passado? Na verdade, de certa forma foi o mesmo ajuste que ele fez ano passado contra o Lakers, um time de garrafão maior e mais forte que tava acabando com o então baixo e frágil na área pintada Thunder. O que ele fez foi congestionar o garrafão, mandar todo mundo apertar os pivôs do Grizzlies toda vez que eles pegassem na bola e não deixou eles terem espaço pra jogar ou arremessar, o que gerou alguns arremessos apressados, tirou os jogadores de garrafão de uma situação confortável e, mais importante, forçou a bola a voltar ao perímetro, onde estavam os jogadores que não tem um arremesso tão confiável, como Tony Allen ou Sam Young, e onde a falta de um bom arremessador de três realmente afeta a equipe. Randolph e Gasol não conseguiram conduzir o ataque de Memphis e o Thunder aproveitou a vantagem individual de Durant e Russell Westbrook pra abrir e manter a vantagem, e quando o Memphis começou a tirar a vantagem acelerando o jogo, já era tarde. Agora a série volta pra Memphis e vamos ver como o Lionel Hollins e seus homens de garrafão respondem a esse ajuste do Brooks, porque eles precisam voltar a dominar o garrafão se querem avançar.

E por falar em coisas previsíveis, o Hawks finalmente está perdendo do Bulls num jogo que faz algum sentido. Porque de boa, o Hawks ter passado do Magic já foi sorte o suficiente, imagina agora que eles ganharam do Bulls em Chicago e ameaçavam mais!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Preview - Miami Heat vs Boston Celtics


"Ih, não olhe agora, mas aquele cara ali ta olhando pra gente"

Mais um preview atrasado, já ta virando rotina aqui no TM Warning, né? Mas pra essa série, eu tinha dois bons motivos pra não fazer o preview antes, além do fato óbvio de que eu estou postando sozinho nessa budega (O Celo agora só colabora via twitter, aparentemente) e tenho uma vida social. O primeiro motivo é simples: eu estou morrendo de medo do que o Miami Heat pode fazer com o meu Celtics se o Shaq não voltar e não escrever sobre isso, de alguma forma, parece menos doloroso. Sim, somos um blog (que tenta ser) imparcial, mas eu também sou torcedor quando o Celtics está envolvido e não da pra encarar uma série dessas sem emoção (Lembrando que a raiva também é uma emoção).

Segundo que eu não sei se tenho algo a adicionar sobre essa série. O duelo entre Heat e Celtics está na mídia desde que o Lebron James fez o seu 'The Decision'. Esse confronto foi altamente explorado ao longo da pré-temporada, tivemos três (o quarto não contou) jogos na temporada regular onde tudo que podia ser dito sobre a série ficou muito exposto, todas as vantagens de ambos os lados ficaram muito claras, e todo mundo sabia onde cada time tinha suas chances de vencer: O Boston ganharia se fosse capaz de dominar o matchup entre Rajon Rondo e quem quer que estivesse jogando contra ele (No jogo três ele chegou a dominar o duelo contra o próprio Lebron até o Erik Spolestra tirar seu ala de perto do armador do Celtics) e dominasse o garrafão, pegasse a maior parte dos rebotes e controlasse a área em volta da cesta, no ataque ou na defesa, e que o Heat ganharia se pudesse explorar os contra ataques e explorasse o talento do Lebron e do Dwyane Wade. O diferencial entre os dois times, nos três primeiros jogos vencidos pelo Boston, foi simples: O garrafão. Shaq e Kevin Garnett, e depois o Garnett e o Kendrick Perkins, dominaram fisicamente o garrafão, não deixaram ninguém pontuar lá perto com facilidade, dominaram os rebotes e explodiram a defesa de Miami de dentro pra fora. Enquanto o Boston tivesse Rondo e um garrafão forte o suficiente pra dominar os garrafões, o Boston era um time que era mais do que páreo para o Heat.

Até que aconteceu a troca do Perkins, e o Danny Ainge mandou seu pivozão titular, querido por todos no elenco, que tinha 'defesa' escrito na testa e formava a melhor dupla defensiva de garrafão da Liga com o Garnett pro Thunder sonhar com vôos mais altos (O Zach Randolph comeu um pedaço desse sonho domingo) em troca de um ala que cubrisse as duas necessidades fundamentais do Celtics, defesa e bolas de três pontos vindo do banco para não deixar o Paul Pierce sobrecarregado na hora de marcar Carmelo Anthony, Lebron, Luol Deng e, quem sabe, Kevin Durant. Quem veio foi o Jeff Green, que, curiosamente, não supre nenhuma dessas necessidades: É um bom jogador, sabe jogar perto da cesta, tem um arremesso decente, mas não é um defensor muito acima da média e nem um especialista em bolas de três pontos. O Boston supunha que os irmãos O'Neal conseguiriam ficar saudáveis para o Boston não sentir falta do tamanho do Perks e a versatilidade do Green tornaria o Celtics um time mais atlético, capaz de jogar um basquete mais baixo e mudar sua formação de acordo com o adversário.

Acontece que, como todo mundo previu, o Shaq não está saudável e a série começou com uma vitória convincente do Heat, 99 a 90. O Boston viu seu garrafão ser uma piada, não conseguiu dominar esse lado do duelo e ainda viu o Rondo jogar muito mal e passar o dia com problemas de faltas. Sem dominar o confronto dos armadores e o garrafão, o time foi destruído pelo Wade, Lebron e pelas bolas longas do James Jones, que inexplicavelmente ficava sem marcação porque todo mundo aparentemente tem mais medo das bolas de três do Wade, que acerta 13% a menos dos seus arremessos de três que o Jones. Ou seja, a questão aqui é só interpretar o que todo mundo já sabe de acordo com as circunstâncias: O Boston, pra vencer, vai precisar do Shaq saudável, mas ninguém sabe quando (se?) isso vai acontecer, e até lá o Boston vai precisar contar com o Garnett voltando alguns anos no tempo e boas partidas do Jermaine O'Neal, além de torcer para o Rondo voltar a aniquilar a marcação de quem quer que esteja pela frente. Mas pra ganhar quatro dos próximos seis jogos da série, o Boston vai precisar do seu garrafão - e do Shaq, a não ser que o Garnett e o O'Neal realmente consigam dominar essa série fisicamente no garrafão.

Palpite: Não vou arriscar palpite pra essa, não da pra saber quando ou se o Shaq volta e eu prefiro deixar os chutes de lado nessa série. Vou só assistir, comentar e, eventualmente, pedir a cabeça do Danny Ainge em uma bandeja.

Preview - Los Angeles Lakers vs Dallas Mavericks


Dirk se assusta com a cara de troglodita do Gasol

Briga de cachorro grande digna da segunda rodada dos playoffs do Oeste, com dois times que tomaram seus sustos mas que passaram pelas suas primeiras rodadas em seis jogos: O Mavericks eliminou o forte Blazers e o Lakers demorou pra se achar contra o fraco Hornets.

O Lakers, em busca do seu terceiro título consecutivo, teve problemas pra passar pelos Hornets por dois motivos. Primeiro, porque o Hornets tem o Chris Paul, que é um dos melhores armadores do mundo e o Lakers sempre tem problemas quando enfrenta armadores velozes, e nesse caso viu o Paul colocar dois jogos nas costas, arremessando por cima dos seus homens de garrafão, fazendo miséria com o vovô Derek Fisher e distribuindo as bolas até o ponto que o Aaron Gray conseguiu jogar bem. O segundo motivo foi que o Lakers foi incapaz de explorar sua maior arma nos três primeiros jogos da série, que é o seu garrafão, muito maior do que o do adversário. Foi incapaz primeiro porque as vezes parecia que o time preferia jogar pelo perímetro, com o Kobe Bryant forçando meia dúzia de bolas e sem acionar seus homens de garrafão perto da cesta, e depois por causa da forte marcação do Hornets, tanto no perímetro como no garrafão, onde o time de New Orleans buscou congestionar o garrafão (o que explica os minutos do Gray, por exemplo) pra dificultar os passes. Nos últimos dois jogos, o Lakers conseguiu usar melhor seu garrafão, o Kobe partiu mais pra cima da defesa pra abrir caminho pro resto do time, e acabaram vencendo sem maiores dificuldades.

Pro Dallas, portanto, será essencial evitar que o Lakers consiga estebelecer esse jogo de garrafão no qual eles são tão bons e se sentem tão confortáveis. Não é uma tarefa fácil, mas o Mavericks tem um precedente em menor escala, que foi a vitória contra o Blazers. O Dallas perdeu dois jogos, sim, mas nos outros o Dallas ganhou porque na defesa o Tyson Chandler marcou perfeitamente o LaMarcus Aldridge e impediu que o time de Portland usasse o garrafão pra ditar o ritmo da partida, segurando o Aldridge la dentro e mantendo sua forte defesa por zona pra dificultar a vida do Blazers fora dele. As derrotas só vieram nos dois jogos em que o Brandon Roy colocou a bola embaixo do braço e partiu pra dentro da defesa, costurou todo mundo, deixou o Shawn Marion comendo poeira e liberou todo o time pra jogar com espaço. Eu falei num post que pro Blazers ganhar ele ia ter que continuar fazendo aquilo, mas não foi possível e o Dallas saiu vitorioso.

Portanto, já da pra ver as chaves para os dois times: O Lakers tem que estabelecer seu jogo de garrafão, impedir a marcação do Dallas de se concentrar demais no perímetro e achar alguém pra fazer o serviço de partir pra dentro e abrir a defesa, trabalho principalmente para o Kobe e pro Lamar Odom. E o Dallas vai ter que usar o Chandler ao máximo pra evitar os pontos perto da cesta e contar com um bom trabalho do Dirk Nowitzki marcando o Pau Gasol, o que não é tão fácil porque o Dirk nunca foi um grande defensor mas pelo menos ele está enfrentando alguém que não é tão físico, deixa o trabalho de marcar o trator do Andrew Bynum pro Chander e pro Brandon Haywood, que deve ganhar mais minutos nessa série pra bater com o garrafão de Los Angeles.

O problema pro Dallas é que, se eles não tem a vantagem no garrafão, a força do Lakers, eles não tem a vantagem de explorar a maior fraqueza do rival, que é o problema com armadores rápidos e a falta de capacida de do Derek Fisher de marcar algum desses armadores. A não ser que alguém aqui acredite que o Jason Kidd seja capaz de ser rápido o suficiente pra deixar o Derek Fisher na saudade (Matchup que é mais provável que acabe numa casa de chá ou num asilo), o Mavericks vai ter que achar um jeito de explorar essa deficiência de Los Angeles se quiser ter uma melhor chance. O time venceu o Blazers porque o Nowitzki conseguiu se impor no ataque, o time rodou muito bem a bola e contou com muitas cestas de três do Kidd e até do Peja Stojakovic, mas contra o Lakers o armador do Dallas precisaria ser mais um infiltrador do que um arremessador e passador (muito mal utilizado) como o Kidd. Talvez seja interessante o time dar mais minutos ao Roddy Beaubois ou até ao JJ Barea pra explorar mais esse matchup.

Ah sim, e o Dirk vai ter que fazer mais 30 pontos por jogo, mas isso já tava implícito, tudo que eu disse sobre o time sem Caron Butler no último preview ainda está valendo, mas o time conseguiu vencer o Blazers com sua boa rotação e arremessos de três pontos e contando com o alemão. Contra o Lakers, o time vai precisar de alguém que parta pra cima e tape o buraco do Butler, mas seria melhor se o responsável por isso fosse o armador do time em cima do Fisher.

Palpite: Talvez o Mavericks tenha mais lenha pra queimar do que eu supunha, mas acho que ainda dá LA. Lakers em seis jogos. 

domingo, 1 de maio de 2011

Preview - Chicago Bulls vs Atlanta Hawks


Marcação apertada no Derrick Rose: Hinrich sabe fazer

E não é que o Atlanta Hawks, o time que sofreu ao longo de toda a temporada regular, conseguiu passar pelo time que tem o melhor pivô da NBA na atualidade no que pode ter marcado os últimos jogos do Super Mario (conhecido em alguns lugares por Stan Van Gundy) no comando do Magic? Eu confesso que estava esperando que o Magic conseguisse vencer essa série, ainda que com alguma dificuldade, mas Orlando estava perdido ao longo de toda a série: O time começou concentrando demais o ataque no Dwight Howard (Comentei sobre isso nesse post), que teve uma média incrível de mais de cinco turnovers por jogo na série, o que fez com que o resto do time - em especial os jogadores que chutam de três no perímetro - ficassem totalmente fora do jogo e incapazes de aparecer no final da partida, quando ninguém tem culhões pra acionar o Dwight, o que resultou na maior parte das vitórias do Hawks, que por sua vez contou com as jogadas individuais do Joe Johnson e principalmente das bolas longas do Jamal Crawford pra evitar o garrafão o máximo possível e deixar o Magic se afundar tentando fazer o Dwight responder sozinho no ataque. Não é coincidência, portanto, que as duas vitórias do Magic vieram justamente no jogo 2, quando as bolas de longe do Hawks não caíram, e no jogo cinco, onde o Dwight foi muito menos acionado (8 pts, 8 rebotes) e os jogadores de perímetro do time entraram num bom ritmo desde o começo do jogo. O Van Gundy não soube adequar seu time, e agora o Hawks conseguiu sua vingança e avançou.

Mas outro fato que contribuiu - e muito - para o resultado dessa série foi o fator psicológico. O Hawks entrou na série mordido, com sede de vingança, porque depois da varrida do ano passado o Magic tratou essa primeira rodada contra o Hawks como uma série fácil e garantida, o Jameer Nelson chegou a falar que iria encontrar o Bulls na segunda rodada dos playoffs, e o Hawks entrou em quadra com muito mais vontade que o Magic.

Mas agora eles vão ter que se superar, e é bom que consigam tirar muita motivação daquele massacre por 33 pontos que eles sofreram nas mãos de Chicago no final da temporada regular, porque o Chicago tem tudo pra ter vida fácil nessa série de playoffs, porque pra vencer o Chicago um time precisa de pelo menos fazer bem feita uma dessas duas coisas: Parar o Derrick Rose ou vencer a defesa sufocante do Bulls. E a verdade é que o Hawks não parece pronto pra fazer nenhuma dessas duas nem em um milhão de anos.

O Hawks tem, pra fazer o matchup com o Rose, o Kirk Hinrich, antigo companheiro de time do provável MVP da temporada e que sempre se destacou pela sua defesa. O Hinrich está mais velho, não é mais o defensor que já foi e é bem mais lento que o Rose para os contra ataques, então ele vai ter que se limitar a dificultar a vida do armador quando estiver no jogo de meia quadra. O problema é que por melhor que o Hinrich seja, ele não vai conseguir parar o Derrick Rose muitas vezes e pro trabalho do Hinrich ser melhor aproveitado o Hawks tem que contar com uma boa rotação defensiva pra fazer a cobertura, mas a defesa do Hawks é muito fraca quando tem que fazer esse tipo de coisa, o Josh Smith é capaz de dar uns tocos sensacionais mas compensa isso errando a maioria das vezes que tem que trocar o marcador. Além disso, os jogadores de garrafão liderados pelo Jason Collins que tanto encheram o saco do Dwight Howard podem ser bons em marcarem pivôs de força no homem a homem e não deixarem eles pontuarem fazendo faltas, mas se você for contar com eles para desafiar o Rose quando ele chegar perto da cesta, você está condenado.

Por outro lado, o Hawks é um time que tem problemas de criar jogadas no ataque e muitas vezes recorre a isolações do Joe Johnson ou do Jamal Crawford, o que é tudo que o Bulls mais quer que eles façam. Eles não vão conseguir vencer isolando o JJ a toda posse de bola, isso só vai gerar mais rebotes longos e turnovers que o Rose vai enfiar garganta abaixo de Atlanta, é tudo que eles menos querem. Eles vão ter que rodar a bola com mais freqüência, acionar o Johnson mais em situações de pontuar do que de armar e explorar o matchup que estiver no Carlos Boozer, mas não vai ser fácil superar a defesa do Bulls e a rotação de bola do Hawks não tem sido o ponto forte do time até aqui. A rotação defensiva e a marcação de perímetro do Bulls é muito melhor que a do Magic e o time vai ter que atacar bem mais a cesta pra conseguir cavar faltas e tentar algum resultado. Talvez uma boa forma de jogar seja voltar para o small ball com o Al Horford de pivô e o Marvin Williams de ala, já que o Bulls mostrou alguns problemas com times mais baixos e rápidos, mas ainda não vai ser fácil de entrar na defesa de Chicago e isso pode deixar o time ainda mais vulnerável às infiltrações do Rose, principalmente se o Boozer resolver jogar.

O Boozer, aliás, é um jogador que precisa entrar na pós-temporada o quanto antes. Ele teve uma série contra Indiana muito fraca, foi explorado extensivamente pelo garrafão mais alto do adversário e ficou com problemas de faltas demais, o que acabou fazendo com que ele ficasse demais no banco de reservas e foi muito mais importante na série pela sua deficiência defensiva do que pelo seu poderoso ataque. O ala de força do Bulls precisa achar um jeito (E o Tom Thibodeau, Coach of the Year, tem que ajudar) de se envolver mais no ataque, ser mais eficiente na hora de se posicionar e receber mais bolas em condições de usar seu ótimo arremesso de meia distância. Se o Joakim Noah continuar com seu bom aproveitamento embaixo da cesta (conhece suas limitações, o que é importante) e usando sua altura pra pegar vários rebotes de ataque, e o Boozer conseguir retomar um pouco da sua forma do Jazz, o garrafão do Bulls tem tudo pra dar uma surra no garrafão do Hawks, e aí o Bulls vai ter não só uma vida mais fácil como também já vai se preparando para a Final de Conferência.

Palpite: Me segurei pra não chamar uma varrida do Bulls, mas ainda acredito que o Bulls leva fácil. Chicago em cinco jogos.

Preview - Oklahoma City Thunder vs Memphis Grizzlies

Nos últimos dias a gente ficou sem posts porque estavamos ocupados mesmo e porque preferimos fazer a cobertura do Draft da NFL pelo nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning , para poder comentar ao vivo o que saia, achamos mais dinâmico e tudo mais. A gente ainda pretende fazer uma analise do Draft por time, mas por enquanto vamos esperar um pouco, já que o recurso da NFL foi aceito na Oitava Corte e durante processo o lockout foi colocado de volta no lugar, e como muitas trocas tem impacto na Free Agency a gente prefere esperar um pouco pra ver que rumo isso realmente vai tomar. O que também é péssimo pra todos os calouros, que agora não podem assinar contratos nem começar a treinar com o time, conhecer o playbook (apenas alguns da primeira rodada puderam) e tudo mais, e esse atraso vai ter um impacto negativo muito grande, estou começando a achar que o Roger Goodell realmente mereceu as vaias que recebeu. Mas não se preocupem, cedo ou tarde sai o post comentando as escolhas.
-----------------------------------------------------------------------------------------------

Tudo bem, eu já disse mil vezes que sou apaixonado pelo time do Memphis Grizzlies, mas não esperava que eles fossem tão dominantes na série contra o Spurs sem o Rudy Gay. Eu apostei Spurs em sete, o que quer dizer que eu esperava uma série muito difícil e com certeza não ficaria surpreso com uma vitória do Grizzlies, mas a questão não é só que Memphis venceu, foi a forma como venceu, dominou a série do começo ao fim, impôs seu jogo ao time com melhor campanha do Oeste e expôs cada falha, cada buraco no jogo do time de San Antonio com o ótimo plano de jogo do Lionel Hollins e uma enorme dedicação dos seus jogadores, e sim, isso inclui o Zach Randolph.

E o Grizzlies ganhou essa série com, antes de mais nada, defesa, e principalmente por causa do seu garrafão mais forte. O Marc Gasol pode não ser tão talentoso e finesse como o seu irmão, mas ele é maior, mais forte e não tem medo de trombar no garrafão e fazer o serviço sujo, e isso foi importante pra, junto com o excesso de corpo do Randolph, fechar o garrafão e impedir que o Spurs jogasse lá dentro, seja com o Tim Duncan ou com as infiltrações de Tony Parker ou do Manu Ginobili. O Grizzlies, que tinha uma defesa boa mas que atingiu um nível totalmente diferente quando o Tony Allen começou a ganhar mais e mais minutos e quando trouxe de volta o Shane Battier, levou o Spurs à loucura principalmente porque o time não deixou o Spurs movimentar a bola, o Grizzlies mostrou porque é o melhor da NBA forçando turnovers e não deu sossego marcando as linhas de passe e jogou sua vida porque sabia - e tinha razão - que podia ganhar essa série. O Spurs não conseguiu jogar pelo garrafão porque foi superado no tamanho e na força lá dentro, o Tim Duncan não pareceu ele mesmo ao longo de toda a série (Pelo menos o Duncan que a gente ta acostumado a ver destruir todo mundo nos playoffs) e o Spurs foi forçado a recorrer ao seu novo melhor amigo, as bolas de três pontos, pra tentar igualar a série, mas o trabalho de rotação do Grizzlies foi fantástico, o time não conseguiu atrair mais marcação para o garrafão pra liberar o perímetro, e os passes de dentro pra fora eram quase todos roubados ou desviados pela incansável defesa de Memphis, gerando mais e mais contra ataques.

O resultado é que o Spurs não conseguiu jogar no garrafão, não conseguiu recorrer às bolas de três pontos e foi totalmente destruído pelo Zach Randolph na defesa, principalmente porque muitas vezes ele acaba marcado pelo Matt Bonner, e no final das partidas o time simplesmente foi frio demais, colocou as bolas na mão de sua estrela em quadra (Randolph) e ele foi um closer muito melhor do que muitos outros consagrados pela Liga ao longo da temporada regular, simplesmente não errou, e por mais ridículo que seja falar que o Grizzlies é um time frio que joga como veteranos confiantes (O que o Spurs deveria ser mas não foi), é o que aconteceu nessa série.

Mas se por um lado o Spurs, com sua rotação de bolas, arremessos de três e um garrafão frágil porque eles tinham o Matt Bonner era o melhor adversário possível para o Grizzlies, a situação com o Thunder é totalmente diferente. O Grizzlies gosta de jogar na velocidade principalmente depois de forçar um turnover, mas quando o time tem que desacelerar e jogar um jogo mais cadenciado, o time recorre ao seu garrafão, que joga muito bem de costas pra cesta, onde o Zach pode criar o próprio arremesso e onde o entrosamento da sua dupla titular faz a diferença. Contra o Spurs isso deu certo demais, mas contra o Thunder não vai ser tão fácil: Se o garrafão do Spurs era frágil, o do Thunder é grande, forte, tem cara de mau, não tem medo de ser físico e conta com dois ótimos defensores no Kendrick Perkins e no Serge Ibaka, que daqui a pouco vai ganhar um apelido bizarro como 'O Congolês Voador'. O Grizz não vai conseguir jogar tudo pelo garrafão, não vai ter vida fácil por lá e vai precisar mais ainda da produção dos seus jogadores de perímetro, e aí mais do que na série contra o Spurs o time vai sentir falta de alguém capaz de bater pra dentro do perímetro e criar o próprio arremesso ou ir pra linha do lance livre, ou seja, o time vai sentir falta do Rudy Gay. Para ganhar essa série, o Grizzlies vai ter que achar alguém capaz de pontuar contra essa defesa ou então vai ter que contar com o Mike Conley conseguindo bater pra dentro pra desmontar a formação defensiva do Thunder e conseguir destribuir o jogo, mas aí a falta de arremessadores do time de Memphis (Um minuto de silêncio para o Tony Allen) sem -adivinhe - Gay pode pesar demais contra o time.

Mas se a defesa do Thunder vai dificultar em muito a vida do Grizzlies, o contrário também acontece. O garrafão do Thunder não é um garrafão presente no ataque e que cria seu próprio arremesso, muito menos de costas para a cesta. O Ibaka vai pontuar um pouco com contra ataques, recebendo passes embaixo da cesta ou com arremessos de meia distância, mas não vai ser o centro do ataque do Thunder (Pelo menos por enquanto, do jeito que esse cara anda evoluindo...) e nem vai criar seu próprio arremesso, e sem um jogo de garrafão o Thunder também prefere jogar na correria com o Russell Westbrook controlando a bola ou então, quando joga na meia quadra, isolando ele ou o Kevin Durant, e contra o Nuggets foi isso que resolveu a série: Ou você marca esses dois e vê o Ibaka fazendo 22 pontos e pegando 16 rebotes, ou então marca todo mundo e toma 72 deles na fuça. Mas o Grizzlies tem ótimos defensores individuais no Allen e no Battier pra atrapalharem a vida do Durant e tem a melhor defesa de transição da NBA, o que vai tirar uma das armas do Thunder e forçá-los a jogar mais no jogo de meia quadra isolando o Durant e esperando os dois (ou três) pontos acontecerem de alguma forma, o que vai acontecer bastante mas não vai ser fácil e nem vai resolver todos os problemas. O Durant não pode jogar 48 minutos com a marcação forte que ele vai receber e o time vai ter que deixar as bolas um pouco nas mãos do Westbrook, mas o Westbrook não tem o arremesso mais confiável do mundo e gosta de partir pra cima, o que não vai ser fácil contra o garrafão do Grizzlies e com o Mike Conley pronto pra roubar a bola com qualquer descuido, e isso geraria contra ataques onde o Grizzlies conseguiria seus pontos mais fáceis na partida.

Ou seja, tudo nessa série parece uma faca de dois gumes: Se o Thunder jogar tudo com o Kevin Durant, ele vai morrer mais ou menos no final do jogo 2. Mas se o Thunder tirar a bola da mão dele pra colocar nas mãos do Westbrook, isso vai gerar muitos contra ataques de turnovers, que vão gerar pontos fáceis para o Grizzlies que eles provavelmente não conseguiriam num ataque de meia quadra. Por isso, pra mim o duelo mais importante desse jogo é o duelo Westbrook vs Conley. O Z-Bo vai ter suas dificuldades, mas também vai pontuar, pegar rebotes e ser decisivo, o Durant vai jogar muito não importa como ele seja marcado. Mas o Conley e o Westbrook vão ser os responsáveis por fazer o ataque de ambos os lados funcionar, o Westbrook pra acionar os jogadores secundários do ataque e liderar os contra ataques tirando a pressão do Durant, e o Conley pra conseguir roubos de bola nessa situação e no ataque para partir pra cima do garrafão e desmontar a defesa do Thunder pra conseguir missmatches ou até bolas longas com o OJ Mayo ou o Battier. E claro, vamos ver que técnico vai ser melhor lendo os jogos e fazendo os ajustes: Hollins, que dissecou tão bem o Spurs na primeira rodada, ou o Scott Brooks, que ano passado fez o mesmo com o Lakers.

Palpite: Ainda gosto muito do Grizzlies, mas acho que a diferença vai ser ter um jogador capaz de criar o próprio arremesso. O Thunder tem o Durant e o Grizzlies não tem o Rudy Gay. Se o Zach Randolph conseguir se impor contra o Ibaka e pontuar feito doido, a série pode mudar, mas por enquanto, meu palpite é Thunder em seis jogos.