Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A falta de cérebro do Thunder finalmente alcança o time

Essa situação tem acontecido um pouco demais pro gosto do Thunder


Quem acompanha NBA sabe que numa série de playoff de sete jogos - especialmente se for a Final - o vencedor não é determinado apenas por qualidade do elenco e dos jogadores dois dois times. Esse ano, por exemplo, os dois times são muito parelhos em termos de talento, dificilmente seria o fator determinante num título. O que muitas vezes acaba determinando o rumo de uma série é a capacidade dos times de se adaptar a cada jogo e a cada nova situação, bem como a capacidade psicológica de cada time.

Por esse motivo, antes da série, eu acreditei que o Thunder tinha uma pequeeeena vantagem sobre o Heat. Nem tanto contra o Lakers (um time inferior), mas principalmente contra o Spurs o time de Oklahoma mostrou muita força psicológica e muita confiança, o tipo de time que não se desesperava quando seu jogo não estava funcionando, usava seu talento individual para se manter no jogo, até que seu basquete emplacava, o time se impunha no jogo e usava esse bom momento pra dominar o adversário. O tipo de postura que times veteranos como o Spurs demonstram, mas nem sempre vemos em times mais jovens. O Thunder mostrou isso contra San Antonio (Um excelente time) e eu achei que eles estavam prontos. Ainda que tivessem um excesso de jogadores sem cérebro como Russell Westbrook e Serge Ibaka, achei que como um time eles poderiam ter encontrado um equilíbrio, uma mentalidade que camuflasse os problemas individuais. Ainda que o Heat fosse um excelente time, ele ainda não tinha encontrado esse equilíbrio nesses playoffs, o time parecia flutuar um pouco demais durante os jogos, as vezes exagerar nas jogadas de isolação quando ficava atrás no placar, querer responder a uma boa sequencia do adversário de forma precipitada, e isso acabava virando uma bola de neve, especialmente contra um time eficiente como o Thunder.

Veio o jogo 1, e eu fiquei bastante satisfeito com minha análise, porque basicamente tudo que eu pensava tinha acontecido no jogo 1: O Heat tomou a dianteira no primeiro tempo e manteve o controle do jogo, jogando com calma e eficientemente, e isso foi possivel principalmente porque Mario Chalmers e Shane Battier estava acertando suas bolas livres. Com Lebron partindo pra dentro do garrafão e as bolas longas caindo, o Heat rodou bastante a bola, achou jogadores livres e conseguiu vários pontos em arremessos desmarcados. O time de Miami é infinitamente mais perigoso quando joga assim ao invés de insistir nas isolaçōes.

E mesmo com o controle do jogo do lado do Miami, o Thunder não se exaltou. Claro, o Westbrook tomou decisōes idiotas, o time ficou estagnado, mas em nenhum momento o time pareceu se descontrolar. Continuou com seu jogo, manteve a diferença no placar num nível aceitável, e não deixou o Heat disparar. No segundo tempo, a situação inverteu: O Thunder apertou a defesa no perímetro acelerando as rotações, as bolas longas do Heat pararam de cair, e o ataque do time começou a estagnar. O Thunder aproveitou o mau momento do ataque do Heat e começou a cortar a diferença, impor seu estilo de jogo e apertar ainda mais na defesa. Isso resultou em muitos ataques apressados e isolaçōes que o Thunder aproveitou para transformar em pontos fáceis do outro lado da quadra. Ou seja, as bolas longas do Heat pararam de cair, Dwyane Wade não estava inspirado e o jogo caiu demais nas costas do Lebron, e o Thunder aproveitou pra impor seu jogo. E foi aí que o Heat começou a ficar nervoso. Tentou responder as sequências de OKC com jogadas apressadas (gerando mais turnovers e rebotes longos, mais contra ataques e mais pontos pro Thunder), carregou esse nervosismo pra defesa, e o Thunder aproveitou isso pra abrir uma vantagem confortável atrás de Kevin Durant. Foi exatamente o que eu esperava pro começo da série, a questão era como os times iriam se adaptar dai pra frente.

No jogo 2, o Miami voltou com uma postura um pouco mais agressiva. Atacando mais no pick and roll com o Wade jogando bastante tempo de armador principal, o Heat jogou com uma formação de Chalmers-Wade-Battier-Lebron-Chris Bosh praticamente o jogo todo, com Udonis Haslem sendo o principal jogador vindo do banco. Apesar da formação baixa, o Heat aproveitou isso com muita movimentação sem bola e cortes em direção à cesta (duas coisas que eu cobro do Heat desde sempre). Isso, mais o fato do Wade ter entrado em um dia inspirado, fizeram o Heat assumir novamente o controle do jogo desde o começo, abrindo boa vantagem no primeiro tempo. De novo, o Thunder não se desesperou, e contou com James Harden pra manter o time no jogo, ainda que a formação mais baixa do Heat tenha se mostrado rápida demais pro lento Kendrick Perkins e pro estabanado Ibaka jogarem juntos, o que o Scott Brooks ainda não pareceu entender. 

No segundo tempo, o Thunder apertou, Durant fez sua mágica e o Thunder começou a pontuar com consistência, se encontrando de forma confortável no ataque, assim como aconteceu no jogo 1. A diferença do jogo 2, no entanto, foi que dessa vez as bolas longas não pararam de cair - pelo contrário, Battier continuou acertando, acertou 5 de 7 bolas de três para 17 pontos. Mesmo que o Thunder estivesse jogando bem e cortando a diferença ocasionalmente, o Heat continuou fazendo o que sabia fazer de melhor, usando Wade e Lebron para infiltraçōes e punindo a defesa do Thunder quando eles dobravam a marcação. A diferença continuava na casa dos 10, o Thunder não conseguia parar o Heat, e ai pra piorar o Durant cometeu sua quarta falta em Lebron e foi pro banco. O Heat chegou a aproveitar para abrir 14, mas Russell Westbrook tomou conta do final do terceiro quarto e, na marra, manteve a diferença mais ou menos constante. E lógico que começando o quarto periodo, Durant fez uma falta besta sem bola, sua quinta. E a diferença foi para 13 pontos, com o melhor jogador do Thunder com cinco faltas, marcando um Lebron que ele não conseguia parar sem falta. 

E aí aconteceu o tipo de coisa que se espera que aconteça num duelo de tão alto nível. Durant acertou uma bola de três. No ataque seguinte, uma enterrada. Dois minutos depois, outra bola de três. Um jumper. Uma bandeja. Ele começou a arremessar e a não errar mais. Ainda que Bosh, Wade e Lebron estivessem se virando, do outro lado tinha Durant acertando arremessos impossiveis, improvaveis, sem errar. Faltando 1 minuto e meio, Lebron acertou um arremesso - seu unico de meia distancia no jogo - que pareceu ter matado o jogo, colocando a diferença em 5 e matando o momento do Thunder depois de dois turnovers do Heat. No lance seguinte, a típica falta de cérebro do Thunder atrapalhou, pela primeira vez mostrando um certo pânico: Durant chutou uma bola extremamente forçada de 3 com 18 segundos no relogio pra arremessar, que errou. Westbrook pegou o rebote, mas ao invés de trabalhar a jogada novamente, tentou forçar um arremesso apertado, que errou. Mas Thabo Sefolosha conseguiu pegar o rebote dentro do garrafão entre Bosh e Haslem... E por algum motivo, achou que era uma boa ideia tentar levantar o braço e fazer a bandeja entre dois alas de força com 20cm de altura a mais. Não foi, o Bosh deu o toco, e no lance seguinte o HEat fez 98 a 91, faltando 55 segundos. Game over.

Ou pelo menos foi o que todo mundo pensou. Mas Durant fez uma bandeja linda, o Thunder apertou a saida de bola e forçou o Heat a pedir tempo pra não estourar os cinco segundos. Depois do tempo, o Thunder continuou apertando a saida de bola, dobrou a marcação em Wade, e Derek Fisher conseguiu tirar a bola das mãos do camisa 3. A bola foi parar em Durant, que parou na linha de três, e arremessou. Swish.

E a coisa mais impressionante não foi que ele acertou: Foi que todo mundo assistindo sabia que ele ia acertar. As vezes, com grandes jogadores, você tem a sensação de que algo especial vai acontecer antes que ele realmente faça. Uma vez li alguem dizendo que a melhor coisa do ultimo arremesso do Michael Jordan no Bulls não foi que ele entrou, mas sim que a gente sabia que ia entrar! Isso que faz deles jogadores especiais. E ontem, o arremesso do Durant foi um desses. Quando ele arremessou, todo mundo sabia que ia cair. O arco foi perfeito, a bola nem tocou no aro, e de repente eram 37 segundos e apenas dois pontos para o Thunder. Um novo jogo.

Claro, o Heat teve a chance e matar o jogo com Lebron, mas inexplicavelmente ele preferiu forçar uma bola de três da cabeça do garrafão ao partir pra cima e tentar uma bandeja (lembrando que Lebron acertou UM arremesso de fora o jogo todo), que tinha mais chance de cair e ainda de rebote de ataque. Ele errou, e o  Thunder teve a chance para um ultimo arremesso. Fisher bateu rapido o lateral pra Durant no garrafão, Lebron foi pego de surpresa, e Durant pulou livre para o arremesso. E de novo, tivemos a mesma certeza: Essa bola vai entrar!

Mas vocês sabem o que aconteceu. Lebron fez falta em Durant no arremesso (Se não acreditam, vejam o vídeo), a arbitragem não marcou nada, e o Lebron (amarelão, claro) bateu dois lances livres pra matar o jogo. Nada de milagre de Durant, e nada de prorrogação.

Eu tenho evitado falar da arbitragem nas colunas, simplesmente porque acho que ela é ruim pra todos os lados igualmente e não da pra falar que ela influenciou no resultado como aceonteceu, por exemplo, no jogo 6 entre Lakers e Kings em 2002 e nas Finais de 2006. Entao queria deixar isso claro sobre o jogo 2: Sinto muito, entendo a indignação pela falta não marcada no Durant, ninguem queria mais que eu ver o Durant empatando o jogo e mais 5 minutos desse espetáculo de jogo, mas não da pra falar que o Thunder perdeu por causa da arbitragem. O Thunder perdeu porque o Heat ajustou seu ataque depois do jogo 1 para envolver mais finalizaçōes perto do aro (pick and roll, cortes para a cesta, menos bolas longas), porque Wade teve um jogo inspirado nos dois lados da quadra, porque as bolas longas do Battier cairam o jogo todo, porque a defesa do Heat fechou o garrafão e obrigou o Thunder a jogar mais de longe, e porque em nenhum momento perdeu a cabeça ou tentou forçar o jogo. O juiz errou no lance final no Durant, mas também errou em diversos outros momentos ao longo de todo o jogo a favor de ambos os times, resumir o jogo a apenas UM lance é impossivel (inclusive teve um momento que o Durant cometeu uma possivel sexta falta no jogo e a arbitragem fez vista grossa), então não vamos simplificar. O jogo 1 seguiu conforme o roteiro, o Thunder aproveitou sua mentalidade mais estavel pra abrir vantagem. No jogo 2, o Miami contou com as bolas longas do Battier, um bom jogo do Wade e fez os ajustes necessários pra ganhar. Nenhuma surpresa, nada incomum.

Mas era isso que eu queria ver desde o começo: Jogos disputados, times se ajustando após cada jogo, Durant e Lebron fazendo a gente ter aqueles momentos de ESP quando a gente sabe o que vai acontecer antes de acontecer, grandes quartos períodos e, basicamente, dois grandes times com vários grandes jogadores jogando basquete de alto nível.

Mas depois da derrota do jogo 2, era hora do Thunder fazer os ajustes necessários para o jogo 3 e evitar os mesmos erros. Mas o que se viu foi exatamente o contrário, o Heat continuando com sua estratégia de jogar com o time baixo, usando sua velocidade pra cortar constantemente em direção à cesta, e um Thunder olhando incapaz de fazer nada para pará-los. Enquanto o Thunder jogou com sua lineup titular, o Heat dominou as açōes ofensivas com os cortes em direção à cesta que o Thunder não foi capaz de evitar pela falta de velocidade no garrafão. Quando o Thunder foi pra Small Ball pra igualar a velocidade do Heat, o time de Miami massacrou o de Oklahoma nos rebotes, pegando 9 rebotes de ataque só no primeiro tempo. Mas bizarramente, apesar da dominação do jogo por parte do Miami, o Thunder continuou perto do placar no primeiro tempo graças a duas coisas: Ao jogo individual do Russell Westbrook, que acertou todos seus arremessos idiotas de meia distância, e ao fato de que o Heat não acertou nada de fora. Ficou barato pro Thunder, mas o que importava era o placar, e o Heat estava apenas um ponto na frente.

E no terceiro quarto, tivemos - como sempre - o Thunder engatando a quinta marcha, impondo seu jogo e jogando seu melhor basquete. Durant abusou do seu talento na meia quadra, o Thunder foi muito eficiente no contra ataque, e o Heat teve um começo de quarto bem descuidado, cheio de turnovers e bolas longas (merito também da defesa do Thunder, que voltou mais forte no garrafão), e com Lebron apagado. Do outro lado, o Thunder começou a movimentar a bola, cortar para a cesta e abusar da capacidade atlética nos contra ataques pra abrir vantagem, controlar totalmente o momento do jogo, e o Heat voltou a cometer o erro do jogo 1: Exagerou na pressa, forçou o jogo, e basicamente fez o jogo do Thunder. Em certo ponto, o Thunder abriu 9 pontos. 

Mas aï o grande problema do Thunder no jogo 3 (E em boa parte do jogo 2) apareceu de novo, logo depois que o Westbrook se empolgou, esqueceu o cérebro em casa e cometeu um turnover estupido por tentar fazer demais e errou uma bola de três que nunca devia ter sido arremessada: Depois de cometer sua terceira falta num lance totalmente desnecessário logo no começo do terceiro periodo, Durant cometeu sua quarta falta num contra ataque mano a mano contra Wade. De novo, desnecessário. Tudo bem, eu entendo que o Durant teja marcando o Lebron, que é rapido e forte demais pra ele marcar tempo demais sem falta, mas algumas dessas faltas são totalmente desnecessárias, sem a bola, tentando fazer algo que ele não precisava sabendo que precisa ficar em quadra. E ai, com o Thunder 6 pontos na frente (depois de uma cesta e um lance livre certo do Wade), sua estrela, melhor jogador e quem tava liderando o show do Thunder no terceiro periodo vai pro banco por problemas de faltas idiotas, e praticamente mata o momento do time.

Nesse momento, sem sua estrela em quadra e depois de ver o Russell Westbrook cometer uma sequencia de jogadas idiotas por falta de cérebro (que pararam o bom momento do time e geraram dois contra ataques - um deles forçando a quarta falta do Durant), o Scott Brooks entra em pânico e toma a pior decisão do jogo: Tirar Westbrook de quadra. 

Francamente, porque ele faria isso? James Harden não está na sua melhor série, o time tinha acabado de perder o momento do jogo e sua estrela pelo resto do quarto... Você vai "punir" seu segundo melhor jogador com uma ida pro banco nesse momento crucial porque ele fez o que sempre fez e ninguem no time disse a ele para não fazer? No jogo 2, o Westbrook teve longas sequencias nas quais forçou o jogo, exagerou no individualismo sem pensar nas consequencias e custou caro ao time. E depois do jogo, o Westbrook declarou que não ia mudar nada, o Brooks disse que ele é assim mesmo e que é assim que ele quer... E dai quando ele faz exatamente isso e compromete o bom momento do time, você tira o armador num momento crucial do jogo? Brooks fez o Eric Spolestra parecer o Red Auerbach nessa.

E sim, essa decisão gritou "estou entrando em pânico porque o Westbrook está fazendo o que sempre fez". E ai tudo que o Thunder tinha de vantagem - sua confiança, mentalidade focada, capacidade de jogar num periodo dificil sem entrar em pânico e esperar pelo momento que eu jogo de sempre iria encaixar e o time iria embalar - foi por água abaixo. E ai, depois de uma four-point play do Fisher (que aliás forçou a bola de três), o Thunder embalou essa sequencia que está abaixo. Se você tem estômago fraco, nao leia.

Ibaka forçando um arremesso de meia distância. Ele errou, mas Perks pegou o rebote e sofreu falta. Errou os dois lances livres, mas Sefolosha pegou o rebote. Ai Ibaka forçou outro arremesso de meia distância, Perks pegou rebote, Ibaka forçou um terceiro arremesso de meia distância, mas sofreu falta e acertou apenas um lance livre.

No ataque do Heat, Ibaka faz uma falta num arremesso de três do Battier que ele não tinha como desviar. Totalmente estabanado. Battier acerta os tres.

Sefolosha força um arremesso de três quando tinha mais oito segundos no relógio. Air ball.

Fisher faz uma falta num arremesso de três do James Jones que ele não tinha a menor chance de evitar. Jones acerta os três.

Harden cava duas faltas seguidas (com um turnover do Wade no meio), mas acerta apenas dois lances livres.

Harden força um arremesso com 16 segundos no shot clock, de longe, e erra.

Fisher força uma infiltração e tenta um floater da linha do lance livre, que se tivesse sido do Westbrook,ele teria sido dissecado na internet por isso. Era uma vez o argumento de "São imaturos, ainda são jovens e inexperientes!".

Daequan Cook força pra três, marcado, com 15 segundos faltando no shot clock.

Harden tem duas chances de fechar o quarto, da dois arremessos forçados de três marcados, e erra os dois.

Pronto, você já pode parar de vomitar. Se conseguir. Sinceramente, foram os piores quatro minutos de basquete que eu vi EM TODOS OS PLAYOFFS. Foi pra mim um tapa na cara, depois de tanto jogo bom e basquete bem jogado, ser obrigado a assistir esses quatro minutos que violam tudo de bom que o basquete tem: Jogadores fazendo o que não sabem, arremessando individualmente ao invés de trabalhar a bola, um monte de faltas desnecessárias (duas em bolas de três), enquanto Durant e Westbrook mofavam no banco. Quando acabou essa sequencia, a vantagem de 8 do Thunder tinha virado 2 para Miami. Essa sequencia de basquete foi tão ruim, com um time tão nervoso, com tantas decisōes ruins, com tanta coisa errada junta que eu tive que ir pro Youtube ver um clipe do Blazers de 77 antes de conseguir prosseguir em paz pro quarto periodo. Me chamaram de hater no twitter, mas é a mais pura verdade: O Thunder entregou essa sua boa vantagem e seu bom momento por falta de cérebro e de inteligência. Westbrook forçou o jogo quando não devia, tentou resolver sozinho quando o time estava excelente coletivamente, Durant exagerou nas faltas fora de hora, e o Brooks decidiu que o melhor era colocar os dois no banco e jogar com Fisher-Cook-Sefolosha-Ibaka-Perkins. Sensacional.

O quarto período também não foi exatamente uma beleza. O Heat entrou nervoso pra fechar o jogo, e o Thunder não conseguiu retomar seu controle anterior, continuou jogando de forma afobada e pouco inteligente. Ao invés de aproveitar a defesa forte pra jogar nos contra ataques e evitar erros na meia quadra, o Thunder exagerou nas jogadas de isolaçōes e parou de rodar a bola, colocou a bola nas mãos de Durant (marcado à perfeição por Lebron ao longo de todo o quarto período) e Westbrook, para que eles fizessem o que fizeram no jogo 1 (ou no caso do Durant, ainda mais o jogo 2). Mas não deu certo, o Heat identificou perfeitamente a estratégia do Thunder, fechou o garrafão pro Westbrook e forçou a ele a ficar com arremessos de fora - que não caíram - ou infiltraçōes estabanadas (aliás, méritos pro Bosh, defendeu muito bem o garrafão) e deixou o Durant se virar no mano a mano contra Lebron. O camisa 6 do Heat marcou o ala de Oklahoma muito de perto, não deu espaço pro arremesso e obrigou o Durant a tentar o drible (o que ele não se sente tão confortável fazendo) ou a arremessar contestado. E Durant jogou muito mal no quarto periodo, com 2-5, um rebote, dois turnovers e errando os dois lances livres cruciais que o Thunder teve. Não foi um quarto de grande basquete como no jogo 2, e ganhou o time que errou menos e aproveitou melhor as chances que teve e, em geral, se controlou melhor. 

Agora, o jogo 4 é um must-win para Oklahoma, já que nenhum time nunca voltou nas Finais de uma desvantagem de 3-1 e eu realmente não vejo esse Heat perdendo três jogos seguidos (Antes que alguem fale que eles perderam três seguidos pro Mavs ano passado, a chance de acontecer com o Lebron esse ano o que quer que tenha acontecido com ele ano passado nas Finais é zero). E pra isso o Thunder vai ter a sua vez de ajustar: Jogar com uma lineup mais baixa é bom pra evitar a velocidade do Heat, mas não podem jogar só com um jogador no garrafão porque isso compromete os rebotes (pra mim devia jogar com Ibaka e Nick Collison juntos um pouco mais, Collison é mais versatil e melhor reboteiro). O Thunder não pode ter Durant com problemas de falta, e ele já mostrou que não ta pronto pra marcar Lebron (melhor solução seria Sefolosha no mano a mano à distância, e alguém na cobertura) , então porque a demora pra deixar Durant em um jogador menos perigoso que lhe permita naão só evitar as faltas, mas usar seu atleticismo e alcance para voar pela quadra atrás de steals? 

E mais importante, o Thunder não pode entrar em pânico. O West não tem cérebro, isso já é dado, mas alguem (Brooks ou Durant) tem que saber controlar isso de fora, evitar que West tenha demais a bola na mão nos momentos errados, e que tenha liberdade pra ser agressivo nas horas certas (sou pró-West, Thunder é pior sem ele, ele só não pode ficar tanto tempo sem pensar dentro de quadra). E ficar deixando o Westbrook fazer o que quer, e dai "punindo" ele por isso quando o time mais precisava dele, não é o caminho. Thunder precisa se achar de novo nessas séries, voltar ao seu estilo frio de levar o jogo, e saber a hora de ir pra matar o jogo. O Thunder teve a chance no jogo 1 de se impor pra cima do HEat, e conseguiu - e venceu. No jogo 2, o Heat não deu essa chance pro Thunder, e venceu. No jogo 3, o Thunder teve o Heat sob controle... Mas deixou escapar a vitória por causa de uma sequência horrivel do Westbrook, duas faltas desnecessárias do Durant, e da decisão pavorosa do Brooks que nos rendeu o pior momento de basquete desses playoffs (pelo lado do Thunder). Não tem nada ganho, mas agora o Thunder tem que se adaptar antes que seja tarde pro jogo 4. Se perder, pode não ter uma terceira chance.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Preview (atrasado) das Finais da NBA

Um resumo do quarto período do Jogo 1


Ok, era pra ter saido terça, mas um dia dos namorados e uma prova atrapalharam. Então acabou saindo um pouco depois do que eu pretendia. Mas vamos a isto.

Bom, agora vocês já sabem o que eu acho do Boston Celtics, e do que ele significou pra NBA de 2008 até a derrota pro Heat na semana passada. E vocês sabem exatamente o que eu penso do Thunder e da forma como eles lidaram com o Spurs, que eu acreditava ser um dos melhores times da NBA desde 2001 mas que foram engolidos por um time do Thunder que finalmente encontrou a forma certa de jogar. Então sem prolongar muito, o que eu penso do Miami Heat?

Alias, antes de responder, queria deixar registrado o absurdo que foi o Pat Rilley ganhando o prêmio de "Executivo do Ano" em 2011. Sim, ele juntou Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh no mesmo time... Mas ele não teve nenhuma influência nisso! Os três já tinham decidido jogar juntos em 2010 muito antes da Free Agency e que seria em Miami, que convenientemente passou o ano todo fazendo trocas absurdas pra limpar teto salarial para a Free Agency (o suficiente pra assinar três dos cinco mais cobiçados Free Agents do ano, quando podiam ter seriamente brigado pelo título daquele ano caso tivessem tentado e que se não tivessem assinado com ninguém além doWade eles teriam um time fraquíssimo pelos próximos anos... Eles agiriam assim se não tivessem alguma garantia de que sairiam com algo grande da Free Agency? Hmm...). Uma vez que Wade, Lebron e Bosh assinaram com o Heat (Sinto muito, eu preciso colocar esse link aqui), eles foram atrás de Role Players pra colocarem em volta  do seu Big Three. Esse era o verdadeiro trabalho do Rilley ano passado, colocar ao redor do Big Three (que se montou sozinho) um elenco de apoio bom o suficiente pra ganhar o título. Ele acabou assinando Udonis Haslem, Zydrunas Ilgauskas, Mike Miller, James Jones, Eddie House e Joel Anthony... Por 20 milhōes por ano, sendo que os contratos de Haslem (4,6 milhōes), Miller (6,4 milhōes) e Anthony (3,8 milhōes) vão até 2015. Em outras palavras, o Rilley teve um único trabalho em 2010 - montar um elenco em volta do Big Three - e saiu pagando 20 milhōes por ano pra cinco jogadores que dificilmlente jogariam mais de 15 minutos por jogo (juntos) em outros times da Liga. E ganhou o Executivo do Ano. As vezes, eu não entendo a NBA.

Mas enfim, o Heat montou seu novo time em volta do Big Three de Wade, Lebron e Bosh seguindo o molde do Celtics de 2008: Um trio de estrelas cercadas de role players e veteranos, com uma defesa muito forte e cujo ataque era baseado no talento individual de suas estrelas e improvisação. Mas o Heat tinha duas diferenças muito importantes pro Celtics de 2008. A primeira, e mais óbvia, era que as tres estrelas do Celtics eram jogadores que já tinham passado do auge, acima dos 30 anos, caminhando pro final de carreira. O Heat tinha seus três jogadores no auge da carreira e da capacidade física, o que obviamente era uma grande vantagem. Mas o que acabou sendo o mais problemático pro Heat era outra coisa: Enquanto Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett tinham jogos com características diferentes que se complementavam e tornavam mais fácil a tarefa de montar um time em volta deles, o Big Three do Heat é composto por tres jogadores muito parecidos e com as mesmas características, tornando muito mais dificil montar um time em volta deles.

Tanto Wade como Lebron e Bosh eram jogadores que gostavam de jogar com a bola nas mãos o tempo todo, criarem o próprio arremesso e jogarem próximo do aro. Não eram grande chutadores, não eram grandes defensores de garrafão, e a montagem desastrada do resto do elenco pelo Rilley deixou o time com algumas lacunas importantes: Falta de chutadores de três pontos confiáveis (os melhores, Miller e Jones, não podem jogar longos períodos sem comprometer em diversas outras áreas), faltava defesa de garrafão, era um time muito baixo e que tinha uma certa dificuldade pra pegar rebotes. Enquanto o Heat teve alguns problemas durante sua primeira temporada pra achar a melhor forma de jogar em volta dos seus craques (não achou até agora, embora tenha ajudado que o Bosh tenha se transformado num excelente arremessador de meia distância), o time chegou nas Finais simplesmente porque tinha talento demais no seu time - e perdeu justamente porque não tinha uma identidade nas Finais, porque foi dominado no garrafão pelo Tyson Chandler e porque os role players não apareceram para jogar (e sim, porque Lebron sumiu da face da terra e preferiu tocar de lado todas as bolas ao invés de ir pra cima do JJ Barea).

No segundo ano do Big Three, o Heat pouco mexeu no seu elenco além e trazer o Shane Battier (Bom jogador, ajudou, mas não era exatamente o que o Heat mais precisava), ficou claro que a preocupação não era arrumar o elenco ao redor do Big Three, e sim achar a melhor forma de jogar com as peças que tinham e tirar o máximo de Wade e Lebron. E pra mim, essa foi a grande questão do Heat desde o começo: Todo grande time na NBA tem uma identidade e uma hierarquia estabelecida. O Heat não tem nenhuma.

Em 2011, o Heat era um time mais perigoso quando Wade era o alpha dog do time, tinha mais tempo com a bola nas mãos e era o principal jogador do time, enquanto o Lebron era o facilitador, fazia todo o trabalho sujo. Naquele verão, Lebron se reinventou como um Pippen 2.0, defendendo quatro posiçōes, fazendo o trabalho sujo, voando pela quadra pra roubar bolas e jogando com uma intensidade impar. Lebron era o melhor jogador do time (e da NBA), mas o time era do Wade. Wade era o líder, era o Wade que os jogadores respeitavam mais, era ele quem ditava o ritmo do jogo, era o exemplo dele que eles seguiam. A enorme competitividade do Wade foi o que contagiou o time, e era ele quem os jogadores esperavam que tomasse conta do jogo. Por exemplo: Em Janeiro, estava em Miami e, por milagre, consegui ingressos pra ver Heat vs Bucks. E o que mais me impressionou foi como a torcida idolatrava o Wade! Era impossivel achar uma camisa do Wade na loja do estádio - estavam todas esgotadas. Toda vez que o Wade tocava na bola, a torcida levantava. Toda vez que o Wade fazia uma jogada, a torcida ia à loucura. Por mais que o Lebron fosse o melhor jogador (e terminou com 30-8-7 aquele jogo), aquele time claramente era do Wade (28-6-6). E adequadamente, Lebron foi quem dominou o jogo todo, mas foi Wade quem assumiu o controle do jogo quando o Bucks virou no quarto periodo. Foi pra ele que a torcida gritou MVP (Esse me surpreendeu, confesso) quando foi cobrar lances livres. Esse era, inclusive, meu maior argumento contra Lebron pra MVP em 2011: Ele era o melhor jogador da Liga, ok, mas como ele podia ser o jogador mais valioso da Liga quando nao era nem o melhor jogador do seu próprio time?

Mas ai chegou os playoffs, e Lebron assumiu o comando do time pelas primeiras rodadas. Ele quem engoliu o Celtics e o Bulls (sua série contra o Bulls foi fantástica, ele destruiu o MVP da Liga defensivamente e fez o que quis ofensivamente), acertou bolas de três de onde quis e levou o time nas costas. Ai chegamos na Final, Wade subiu uma marcha e Lebron desapareceu da face da terra... E o Mavs venceu o Heat, ainda que Miami fosse mais time e provavelmente nunca teria vencido se não tivesse acontecido com Lebron o que aconteceu (e até hoje não tem explicação - não foi que ele jogou mal, ele simplesmente se escondeu do jogo, se recusou a atacar a cesta e preferiu ficar tocando de lado pra companheiros mediocres e pra um Wade cada vez mais sobrecarregado).

Ai chegamos em 2012, e o Wade começou o ano machucado (Alias, ele não tem sido o mesmo desde que se machucou no jogo 5 das Finais)... E o Lebron assumiu o papel de Alpha Dog da equipe, teve um começo de temporada absolutamente fantastico considerando que estamos numa temporada de 66 jogos em 120 dias, levou o time nas costas e pela primeira vez foi um lider dentro do Heat. Mesmo quando Wade voltou, limitado, Lebron continuou a ser o principal jogador do time, liderou por exemplo e acabou jogando ainda melhor no ataque do Heat de 2012 (Menos jogadas, mais improviso), e ganhou o MVP com toda justiça.

Mas ainda assim, o Heat não se mostrou em nenhum momento um time definido. Eles tem muito talento, tem um jogador historicamente bom que está no seu auge e parece finalmente estar abraçando o papel de lider da equipe, mas não parece um time que está com a mindset definida. Se o Thunder não tem a confiança e experiência de quem já foi campeão uma vez e conhece o caminho das pedras, o HEat também não. Mas o Thunder é um time que já tem uma identidade, sabe exatamente quem é, qual sua melhor forma de jogar, o que fazer quando não está conseguindo se impor e que confia no seu jogo. É um time sólido psicologicamente, que aceita momentos ruins e confia no seu jogo, e que sabe aproveitar quando está quente. Ao contrário do Heat, eles tem uma mentalidade definida e sabem como reagir a cada situação dentro do jogo, favorável ou não. O Heat não, eles ainda parecem perdidos dentro de um jogo. Quando focados e quando as bolas dos coadjuvantes caem, o Heat aproveita o momento e sabe dominar a partida. Mas quando as coisas começam a sair do plano e o adversário começa a se impor, o Heat parece perdido, abandona seu plano de jogo, para de fazer o que estava funcionando e começa a jogar de forma precipitada, forçando o jogo. Ou seja, ainda não está com aquele nível de confiança e autocontrole que o Thunder atingiu contra o Spurs. E pra mim, isso pode fazer toda a diferença.

Na verdade, pra mim, Thunder e Heat estão, em termos de basquete, em um nível muito próximo. Tem Lebron de um lado e Kevin Durant do outro, Wade contra James Harden, Chris Bosh contra Serge Ibaka e o Russell Westbrook de coringa. Ok, o Thunder talvez seja um pouco melhor por ter um time mais completo e um banco melhor, mas o Heat tem um teto mais alto com Wade/Bosh/Lebron. Se vão ser capazes de aproveitar isso ao máximo, não da pra saber. Mas na média, não vejo esses times com uma diferença significante a ponto da diferença de qualidade ser o fator decisivo da série. Pra mim, o que vai ser decisivo nessa série vai ser qual time será capaz de lidar com a pressão, com o palco das Finais,  com as inevitáveis mudanças de momento que esses jogos vão sofrer e especialmente com as derrotas e vitórias. Ou seja, o mais importante pra mim vai ser como cada time responde às adversidades, qual time consegue jogar seu melhor basquete consistentemente, aproveitar os melhores momentos e manter a calma quando estiver num momento desfavorável. Na verdade, esse foi o determinante do jogo 1: O Thunder não perdeu a calma quando estava atrás (tirando meia dúzia de jogadas sem cérebro do Westbrook, mas isso faz parte do pacote, você aprende a viver com elas quando ele faz 27-8-11 num jogo de Finais), continuou pressionando, até que conseguiu impor seu estilo de jogo, as bolas do Westbrook começaram a cair e o time apertou na defesa. Ou seja, conseguiu mudar o estilo do jogo e transformá-lo a seu favor. E nesse momento, o Heat perdeu a calma. Parou de se movimentar sem a bola ofensivamente, começou a insistir ainda mais em isolaçōes e com isso errou mais, e o Thunder aproveitou isso pra calma e eficientemente abrir vantagem. Ano passado, o Bill Simmons nas Finais comparou o Heat ao Mike Tyson: Enorme, fiscamente intimidante, capaz de se impor facilmente, ou pelo menos até que o adversário ficasse sob controle e o acertasse um soco na boca. Foi exatamente isso que o Thunder fez, acertou um soco no Heat quando assumiu o controle do jogo e o Heat se acuou. 

Taticamente, não sei exatamente dizer pra onde essa série vai do jogo 1, especialmente porque muitas coisas que aconteceram dificilmente vão se repetir. Thabo Sefolosha dificilmente vai repetir o jogo ofensivo que teve no segundo tempo do Jogo 1(embora sua defesa espetacular em Wade e Lebron não seja novidade pra quem veio acompanhando os playoffs e viu o que ele fez com Tony Parker e Kobe Bryant). James Harden dificilmente vai ter um impacto tão pequeno. Wade tem jogado mal a pós-temporada inteira (tirando dois jogos contra o Pacers) e ta chutando menos de 40%, mas sempre pode explodir a qualquer minuto. Battier não vai acertar tantas bolas longas como no primeiro tempo, e talvez não erre tanto como no segundo tempo. Alias, esse foi o segredo do Jogo 1: O Heat dominou o primeiro tempo porque Mario Chalmers e Battier tavam engolindo o Thunder de fora do garrafão, com muito espaço. O Thunder travou o Heat no segundo tempo porque diminuiu esses espaços, mas também porque as bolas longas do Heat simplesmente pararam de cair, e ai o time não soube adaptar a nenhum plano B além de isolar Wade e Lebron sem sucesso. 

O que a gente pode dizer é o panorama geral das séries. Muita gente achou (ate certo ponto, corretamente) que o Heat deveria acelerar o ritmo do jogo pra evitar colocar seu ataque estagnado de  meia quadra contra a boa defesa do Thunder e seu forte garrafão defensivo. Isso deu certo durante algum tempo, mas depois começou a jogar contra Miami por um simples motivo: O Thunder é o unico time talvez em todos esses playoffs capaz de bater de frente com o Heat (talvez até superá-lo) em capacidade atlética. O Heat sempre foi dominante quando conseguiu acelerar o jogo e ganhar dos adversário nas pernas (especialmente usando sua agilidade e força fisica na defesa pra conseguir roubos), mas o Thunder sabe fazer isso quase tão bem quanto. O Thunder no segundo tempo apertou a defesa, usou a capacidade física dos jogadores pra conseguires roubos e demoliu o Miami em contra ataques, especialmente quando o Heat começou a aumentar a velocidade e também aumentou seu numero de erros. Então ainda que o Heat não possa aceitar um ritmo lento demais que faça seu ataque estagnado enfrentar a defesa forte do Thunder, o Heat tem que tomar cuidado pra saber a hora certa de forçar o ritmo (especialmente jogando nos contra ataques vindos de roubos de bola, não transformando qualquer posse num contra ataque com pura velocidade. O Heat fez isso muito bem contra os velhotes do Celtics, mas o Thunder tem capacidade pra acompanhar).

Além disso, o maior problema pro Heat são os matchups e as diferentes lineups que esse confronto vai exigir. O Heat é relativamente flexível, pode jogar diferentes estilos, mas não tem depth suficiente pra ser tão efetivo quando varia tanto. O Thunder gosta muito de usar um small-ball com Westbrook, Harden, Derek Fisher ou Sefolosha, Durant e Ibaka/Nick Collison, abusar do pick and roll e impor sua força ofensiva. O Heat tentou contra-atacar essa lineup com o seu proprio Small Ball, as vezes com Bosh ou Haslem de pivô, outras com os dois juntos... E foi um desastre. Bosh e Haslem não conseguiram fazer frente ao Thunder no garrafão fisicamente, foram dominados nos rebotes e ambos erraram mais rotaçōes defensivas nesse jogo do que o Bobcats, o que facilitou demais o Westbrook a usar suas infiltraçōes pra achar companheiros livres (Isso pode parecer um understatment, mas o Thunder MASSACROU o Heat dentro do garrafão, e o principal motivo foi a incompetencia defensiva do Heat la dentro). Quando o Thunder cresceu, o Heat tentou usar Wade de PG e Battier mais tempo em quadra, mas ele tomou uma surra do Durant. Se tentar reforçar o garrafão defensivo com Anthony, o Thunder praticamente ganha um Ibaka livre pra cobrir Wade e Lebron. Em outras palavras, o Heat tem a flexibilidade suficiente em Wade e Lebron pra jogar qualquer estilo de jogo, mas todos eles possuem algumas falhas que o Thunder pode ser capaz de explorar por ter maior qualidade nos reservas. Foi assim com Collison dominando o Heat no garrafão (vai ser um fator importante na série, btw), Sefolosha se movimentando sem a bola e ninguém acompanhando, e por ai vai. 

Em outras palavras, o Heat não pode ganhar do Thunder em profundidade do elenco, e nem qualidade dos coadjuvantes. Se o Heat quiser ganhar, tem que ser na qualidade individual das suas estrelas. Wade precisa sair da sua má fase e voltar a ser dominante criando para si mesmo e os outros. Lebron tem que continuar a sequência dominante que terminou a série contra o Celtics - não foi tão bem no jogo 1 como seus 30-9-4 indicam, embora isso seja mais mérito da defesa do Thunder e do Sefolosha e da incapacidade dos seus companheiros de aproveitarem as chances livres de cesta que ele cria com suas infiltraçōes (embora ele tenha tido alguns pontos quando o jogo ja tava decidido, só fez uma cesta em todo o quarto período e tenha errado quase todos seus arremessos de media ou longa distancia). Bosh não pode viver das bolas de três como ele pegou mania nos ultimos jogos, tem que abrir espaço com seu arremesso de meia distância e jogar de costas pra cesta em cima do Ibaka (Um dos jogadores que mais cai em pump fakes em toda a NBA), usar seu arsenal todo e se impor de tal forma que o garrafão do Heat pense duas vezes antes de correr pra ajuda quando Lebron e Wade infiltrarem.

Mas infelizmente pro Heat, eles não podem fazer isso sozinhos. Ok, as vezes podem, como no Jogo 5 contra Boston, mas não vai ser sempre, muito menos 4 vezes em 6 jogos. Mas eles PODEM ser dominantes a ponto de controlarem a série por causa do seu imenso talento - se receberem a ajuda necessária. Pra Wade e Lebron terem espaço e tranquilidade pra abusarem das suas infiltraçōes (especialmente se os arremessos não estiverem caindo - não tem caido) que geram muitos pontos, faltas e passes para companheiros livres, os coadjuvantes do Heat tem que acertar suas bolas, partir pra cima, e causar preocupação suficiente pra defesa do Thunder pra que eles não possam congestionar o garrafão e dobrar a marcação. E esse é o maior problema do Heat (E um dos principais motivos pra eles ainda não terem uma identidade e uma mindset definitiva pra quem quer brigar pelo titulo): Como Wade e Lebron tem estilos muito iguais, eles dependem um pouco demais de Role Players medíocres. Se você tem Battier, Haslem, Chalmers, Miller e esperar deles uma boa defesa, poucos erros e que eles saiam do caminho dos seus craques (e no caso do Miller, algumas bolas de três quando estiver jogando em casa), você espera exatamente o que eles tem a oferecer todas as noites. Mas se está esperando arremessos de fora num alto nivel, roubos de bola frequentes, cobertura no garrafão pra Durant e Westbrook e 25-30 pontos por noite, então você está pedindo um pouco demais de um grupo tão limitado. Lebron e Wade precisam que esse grupo acerte arremessos de meia e longa distância (contra um time que tem capacidade atletica suficiente pra evitar que os arremessadores tenham tempo demais antes de alguem fechar a marcação) e cubram o altissimo numero de jogadores capazes de pontuarem em bom nivel do Thunder (Que Wade e Lebron nao podem marcar sozinhos), então você ta com problemas. Eventualmente, eles podem ter jogos que façam tudo isso e o Heat seja imbatível (primeiro tempo do jogo 1), mas essa é a questão: Você não pode contar com isso toda as noites (especialmente fora de casa num lugar tão intenso como OKC). É um bônus além do que eles oferecem, e o Heat precisa desse bonus.

Por outro lado, o Thunder quer dos seus role players EXATAMENTE o que eles oferecem: Boa defesa (Sefolosha e Collison são dois dos defensores mais underrateds de toda a NBA e serão dois fatores muito importantes), que se movimentem sem a bola (um dos maiores problemas do Heat quando o time fica nervoso: eles param de se movimentar sem a bola, o que tira demais o poder de fogo do ataque) pra perto da cesta, espacem a quadra, um jogo físico (especialmente no garrafão, e que possam executar mais de uma função dentro de quadra. Se eles tem jogos ofensivos superiores, acertam muitas bolas longas, criam seus próprios arremessos... Isso tudo é um lucro. Mas a questão é que o Thunder não precisa disso pra executar seu plano de jogo. Ajuda, sem dúvida (ontem por exemplo eles tiveram alguns bônus, embora o Harden não vá jogar tão mal a série toda), mas nao é tão necessário, eles são capazes de aproveitar o que eles efetivamente tem de forma muito mais eficiente. Talvez por isso eles tenham uma identidade e um padrão definidos, e possam se controlar tão bem em quadra. Quando o Heat ganha o "bonus" dos seus role players, isso permite que Wade e Lebron liberem ainda mais suas habilidades, e nesse caso o teto do Heat é ainda maior que o do Oklahoma City (também acho que o Heat tem uma capacidade de ter um jogador com um jogo monstro que transcende estratégias ou defesas maior que o Thunder), o Thunder consegue aproveitar melhor suas capacidades com maior frequencia porque depende menos de fatores mais inconstantes e imprevisíveis. E por isso eles tem uma pequena vantagem sobre o Heat, dai meu palpite - Thunder em 6 ou 7.

Ainda assim, não da pra exagerar o que aconteceu no jogo 1. O Heat tem muito que pode adaptar pra um próximo jogo - Lebron marcando Durant, embora essa seja uma faca de dois gumes (Durant é muito menos eficiente marcado por Lebron, mas se Wade continuar nessa má fase, o Heat não pode se dar ao luxo de ter um Lebron esgotado no final dos jogos, e não tem mais ninguém no Heat capaz de marcar KD) e deva ser usada apenas em certos momentos das partidas, mudar as formas de defender o Pick and Roll, maior proteção no garrafão (Sefolosha e Collison tiveram facilidade demais), entre outras. O Thunder também tem que envolver melhor Harden na partida e se preocupar mais com o Westbrook forçando arremessos de meia distância quando eles não estão caindo. Ou seja, ainda tem muita coisa pra acontecer, e eu realmente espero que tenhamos 7 jogos nessa série simplesmente pra ver Lebron e Durant jogando um contra o outro.

Um último parênteses sobre essa série. Pra quem ela é mais importante, Durant ou Lebron? Depois que foi pra Miami, Lebron tem enfrentando mais criticismo que provavelmente qualquer outro atleta da história graças à Internet. Ele foi criticado por ir pra Miami jogar com seu maior rival e um dos melhores jogadores do mudo ao invés de tentar vencê-lo e consolidar seu status como o melhor jogador e Alpha Dog da Liga (não tem nada de errado com essa decisão, mas eu como fã de basquete não consigo perdoar. Ele basicamente tinha três escolhas em 2010: Lealdade (Cleveland), dinastia (Chicago) ou imortalidade (New York)... E escolheu "ajuda". De um certo ponto de vista, não tem nada de errado com isso, ele não é obrigado a nada. Do meu como fã de basquete, eu não consigo perdoar que ele nunca vá realmente impor todo seu talento e dominar a Liga. No fundo, quem perde somos nós, especialmemte porque Wade x Lebron era uma das rivalidades mais legais da NBA). Ele teve que sofrer com a fama de amarelão depois das Finais de 2011 (Indefensáveis) e ao longo de toda a temporada 2012, mesmo ele tendo no currículo performances clutch sensacionais nos playoffs (E uma que está entre as maiores de todos os tempos na NBA, seu jogo 5 contra Detroit em 2007), por exemplo destruindo o Bulls e o Celtics em 2010 e levar um time medíocre de Cleveland nas costas por cinco ou seis anos. E embora tenha três MVPs e tenha dominado a Liga por tanto tempo, ele continua sofrendo com críticas por seu desempenho porque ele não tem um anel, simplesmente porque é divertido ter vilōes em esportes e principalmente porque ele não corresponde às espectativas que todos tinham pra ele por conta do seu incrivel talento, de ser o centro de uma dinastia, ganhar vários títulos e dominar a Liga sem deixar nenhuma margem pra dúvida - como nós esperamos que ele faça, mesmo que ele não queira ou naão tenha o DNA pra isso. Ele precisa de um anel em grande estilo pra conseguir o respeito que merece e calar os críticos, e ganhar aqui contra seu maior adversário dos ultimos anos seria o melhor para ele finalmente firmar seu status no topo da NBA. Ele nunca vai atingir as espectativas que criamos pra ele, mas ele não precisa - ele só precisa de respeito. Mas mais uma derrota aqui, e ele vai receber ainda mais críticas, vai ser pintado ainda mais de amarelão e não decisivo... E isso só vai parar quando ele ganhar um título.

Tangente rápida: Na história da NBA, apenas Larry Bird, Magic Johnson, Michael Jordan, Kareem Abdul-Jabaar, Bill Russell, Wilt Chamberlein e Moses Malone (e agora Lebron) ganharam três MVPs em quatro ou cinco anos anos (no caso do Moses). Excelente companhia, já que eles estão entre os 15 maiores jogadores da história da NBA (E na minha opinião, Jordan, Russell, Magic, Bird e Kareem são os cinco maiores em alguma ordem - essa é a minha). E todos eles - sem excessão - ganharam pelo menos um título nesse tempo. Sem querer colocar mais pressão nem comparar Lebron com nenhum desses jogadores, mas é verdade.

Ja Durant, ao contrário de Lebron, não tem nada a perder se não conseguir o título... Mas e se ganhar? Ele foi vice-MVP dois anos seguidos, foi cestinha da Liga três anos seguidos e tem tudo pra ser pelos próximos cinco, está desenvolvendo seu jogo numa velocidade alucinante (Esse ano ele começou a defender melhor do que nunca, evoluiu como reboteiro e ainda se tornou muito bom em achar companheiros livres quando a marcação aperta), se tornou um monstro em quartos períodos nesses playoffs e, se ganhar aqui, vai ter também um título sobre um time do Heat muito bom (e com Lebron no seu auge), um possível MVP das Finais e vai ser a âncora de possivelmente a próxima dinastia da NBA... E ele tem apenas 23 anos. Com 23 anos, se ele mantiver o nível do Jogo 1 pelo resto da série e terminar com algo como 35-8-4, 52% FG, dominar quartos periodos, vencer o duelo com Lebron e ganhar um título... Ele praticamente já é um dos 50 maiores jogadores da história da NBA por qualquer cálculo. Como eu disse, ele tem muito menos a perder que o Lebron, mas dada sua idade, adversário e potencial desse time do Thunder pelos próximos anos, um título do Durant aqui pode ter um peso historicamente para sua carreira ainda maior que um do Lebron. Como se o duelo Lebron-Durant precisasse ficar mais interessante...

terça-feira, 12 de junho de 2012

O fim (?) do Big Three de Boston

RED - (quase) Aposentados e Perigosos


Sim, as Finais começam amanhã. Sim, eu sei que ela é a prioridade. Mas não consigo fazer um preview sem antes esclarecer tudo sobre o Celtics e o que significou o jogo 7 das Finais do Leste, quando o Heat eliminou o Celtics dos playoffs. Vou guardar as grandes análises táticas pra amanhã no preview, então vou tentar encurtar um pouco mais esse post e ser um pouco mais direto.

O Celtics é, junto com o Lakers, a Franquia com mais história de toda a Liga. São 17 títulos, vários Hall of Famers, jogadores do calibre de Bill Russell (11 títulos em 13 anos, melhor defensor de todos os tempos, maior vencedor da historia dos esportes americanos), Larry Bird (3 MVPs, 3 títulos, um dos cinco maiores jogadores da história), Bob Cousy (dono do meu apelido preferido da NBA - Houdini of the Hardwood) e John Havlicek (Top20 All-Time, 5 títulos), sem falar em Red Auerbach e companhia. Enfim, a Franquia tem mais história do que qualquer time de basquete não chamado Lakers (curiosidade do dia: Sabia que em 1960, o time do Lakers esteve envolvido em um acidente aéreo, quando o avião no qual o time viajava não tinha mais condiçōes de completar o voo por conta de uma falha mecânica e não estava suficientemente perto de nenhuma estação de pouso? O piloto não conseguia um pouso de emergência por causa do grande número de fios elétricos no local, até que enfim conseguiu pousar numa plantação coberta de neve enquanto os bombeiros e funerários locais (sério!) cercavam o avião. Ou seja, por muito pouco não chegamos a ter uma tragédia que possivelmente teria feito o Lakers nunca mais se recuperar. Voce sabia disso? Imaginei que não. Ainda bem que estou aqui!), e é o time mais vitorioso da NBA. Kevin

No entanto, o Celtics chegou a passar anos muito ruins entre os anos 80 e o final dos anos 2000. Depois da geração de Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parish ter perdido sua competitividade no final dos anos 80 (Kevin McHale nunca foi o mesmo depois de jogar os playoffs de 1987 com um freaking pé quebrado - uma das histórias mais underrateds da Liga, porque ele estava com uma droga de um pé quebrado os playoffs inteiros! - e o corpo de Larry Bird começou a se quebrar por volta de 88/89), o time do Celtics passou por um periodo de times muito ruins: Depois da aposentadoria de Bird (92) e McHale (93), uns bons tres ou quatro anos depois da dupla parar de ter sido realmente eficiente em quadra por conta das lesōes, o time tentou se montar em torno do ala Reggie Lewis, que infelizmente morreu por conta de problemas cardíacos (vale aqui o parênteses: Em 1987, o Celtics - campeão no ano anterior com aquele que era, pra mim, o maior time de todos os tempos da NBA - tinha a secunda escolha do Draft, e escolheu o ala Lenny Bias. Lenny era um combo-foward muito talentoso, atlético, bom pontuador e reboteiro, e que jogava com muita atitude. Ou seja, um jogador que tinha tudo pra ser a nova cara da Franquia e pegar a tocha de Bird... Se não tivesse morrido de overdose de cocaína dois dias depois do Draft. E assim o Celtics perdeu o jogador que daria a proteção para Bird/McHale em 87 e 88 e seria seu Franchise Player indo pra frente). O Celtics então tentou se remontar com uma cacetada de movimentos pouco inteligentes, como por exemplo assinar com um Dominique Wilkins que estava uns oito anos passado do seu auge pra ser o go-to guy do time, trocar o então calouro Chauncey Billups porque ele não jogou bem nos seus primeiros CINQUENTA jogos como profissional (Nao foi nem uma temporada completa!), e se montar com escolhas fracassadas de Draft e veteranos pouco uteis.

Ainda que o Celtics tenha melhorado com as chegadas de Paul Pierce e Antoine Walker (O famoso "Cabeça-de-Lego - via Bola Presa), e tenha se remontado em cima da sua nova estrela Pierce com um bando de Role Players em volta dele , e mesmo que tenha chegado até a Finais de Conferência, isso se deveu muito mais aà falta de bons times no Leste do que a um time realmente bem montado, e o Celtics em nenhum momento se viu como um grande time na NBA.

Afinal, em 2007, o Celtics estava começando a montar um núcleo jovem em torno de Pierce: Rajon Rondo (muito antes de virar o monstro que é hoje), Sebastian Telfair (na época era considerado uma grande promessa), Ryan Gomes, Gerald Green (Sim, aquele que ta no Nets, na época também era considerado uma promessa vinda do High School), Tony Allen (Apelidado de Trick or Treat Tony. Voces imaginam o porque) e Al Jefferson. Ainda assim, o time ia se desenvolvendo lentamente, sem grandes progressos pra um time que queria tanto voltar ao topo. E acreditem, pra uma franquia tão acostumada a vencer como o Celtics (11 títulos com Russell entre 1957 e 1969, mais dois com Havlicek e Dave Cowens em 74 e 76 - deveria ter ganho em 73 se o Hondo nao machuca, mas enfim - depois mais três com Bird nos anos 80, com times dominantes em todas essas eras), não foi fácil aguentar quase 20 anos de times medíocres, jogadores que não se interessavam em ir jogar na franquia, jogadores jovens sendo trocados por veteranos inuteis só para depois nos assombrarem (Billups e Joe Johnson, alguem?) e estar em um segundo plano no mundo do basquete, sem um time carismático ou capaz de representar algo mais. Não foi fácil pra Boston.

Em 2008, após um começo de ano ruim principalmente por causa do impacto da morte do Red Auerbach no time, o Celtics aproveitou uma pequena lesão do Pierce pra afundá-lo no banco, deixou tempo demais os jogadores jovens pra levarem pancada e, em poucas palavras, fez de tudo pra perder o máximo possível pra ter uma boa posição no Draft e pegar os dois jogadores muito cobiçados daquele draft. Ou seja, Greg Oden e Kevin Durant. Era a chance do Celtics conseguir um jogador que alterasse o destino da Franquia (engraçado como pensavam isso do Oden na época, muito mais do que do Durant). Bom, vocês sabem o que aconteceu depois: O Celtics não só ficou sem Oden e Durant, como terminou com a quinta escolha, alta demais pra pegar um jogador que pudesse mudar o time. Ai o time decidiu jogar tudo pra cima e fingir um ataque cardíaco, e desmontar todo seu estabanado projeto de reconstrução em troca de ajuda imediata enquanto Paul Pierce estava nos seus melhores anos pra tentar uma arrancada rumo a um título.

Assim, o GM Danny Ainge foi atrás de veteranos, caminhando para o final da carreira, que estavam em busca de um título e que jogassem em times medíocres que estivessem prestes a começar uma reconstrução. Então mandou sua quinta escolha do Draft (eventualmente, Jeff Green) junto com Wally Szczerbiak e Delonte West para o então Seattle Supersonics, que nas mãos do genial GM Sam Priesti começava seu processo de reconstrução e já tinha a secunda escolha do Draft, em troca do veterano arremessador Ray Allen. Encorajados com a troca (importantíssima pra Seattle, mas ainda assim desequilibrada em favor do Celtics), e de repente com duas estrelas no time, o Celtics começou a se tornar um local atraente pra mais um All-Star. E o Wolves, que deixou o Kevin Garnett puto ao tentar trocá-lo antes do Draft (ele nunca quis sair), de repente viu um cenário muito mais tentador pro KG com Allen em Boston, e enfim Ainge conseguiu pegar o KG pro Celtics num assalto que eu tenho 99% de certeza que só aconteceu porque o GM do Wolves era, claro, Kevin McHale, que sangrava verde até o ultimo segundo. A troca foi o KG por Al Jefferson (Um legitimo futuro All-Star), Green, Theo Ratliff (Contrato expirante), Ryan Gomes e Sebastian Telfair, mais uma escolha de primeira rodada. Ao final das trocas, o Celtics tinha se livrado de todo seu núcleo jovem e promissor, sobrando apenas Glen Davis (veio junto com Ray), Rondo e Kendrick Perkins pra cercar o seu Big Three. Nos meses seguintes, Ainge tratou de assinar veteranos sem contrato em busca de um título e role players baratos pra cercar o Big Three, e ai o Celtics estava pronto pra 2008.

Dentro de quadra, o impacto dessa troca é relativamente fácil de entender: O Celtics montou um time em torno do Big Three, cercando-os com role players com papel limitado e diversos veteranos em busca de um título, um time com uma defesa fortíssima ancorada pelo intenso Kevin Garnett e ataque baseado em isolaçōes, improvisos e no talento individual dos seus três craques. Um time ultra-competitivo, intenso e com muita atitude, ele basicamente adquiriu as características do seu líder emocional (o recem-chegado  Garnett) e tudo se encaixou em torno disso. O Celtics logo engrenou, tomou a Liga de assalto e, depois de playoffs dificeis, fechou as Finais contra o Lakers com um jogo 6 no qual ganhou por 39 pontos. No ano seguinte (2009), o Celtics viu Rondo evoluir em uma máquina de Triple-Doubles capaz de carregar o time nas costas por longos períodos, mas perdeu a chance de repetir (E provavelmente teria repetido porque era mais time que Lakers e Magic naquele ano) o título do ano passado quando KG estourou o joelho e perdeu os playoffs. Em 2010, depois de uma temporada regular lenta, cheia de jogadores um pouco velhos e lentos, o Celtics pareceu que tinha perdido seu fogo... Quando chegou nos playoffs, engatou a quinta marcha, atropelou Magic e Cavaliers (os favoritos) e levou a Final contra o Lakers a 7 jogos antes de perder mesmo depois de controlar todo o jogo 7 (e ter tomado 28 rebotes ofensivos, algo assim), o que dificilmente teria acontecido se Perkins não se machucasse no Jogo 6 ou se Ron Artest não acerta o mais imbecil arremesso de toda a série (que, lógico, caiu pra três nos minutos decisivos do jogo 7). O resumo do Big Three nos seus primeiros anos, portanto, foi o seguinte: Título em 2008; Deveria ter ganho em 2009 não fosse a lesão do KG; e um vice-campeonato em 2010 contra um bom time do Lakers (sim, com seu pivô titular machucado no jogo 7, no qual tomou mais rebotes ofensivos do que pegou na defesa. Algo me diz que um Perkins saudavel teria ajudado, mas enfim). E ai chegamos a 2011, quando o Danny Ainge entrou em pânico com a falta de um SF para dar descanso ao Pierce e trocou Kendrick Perkins por Jeff Green e apostou que Shaq ia conseguir ficar saudável o suficiente para jogar 30 minutos por jogo nos playoffs. Não só isso deu errado, porque o Shaq machucou e o Celtics perdeu a vantagem da sua altura de garrafão (maior força na temporada) como também destruiu o time psicologicamente ao pisar em tudo que o time acreditava (lealdade, amizade, entrosamento...)  e mandar embora um jogador que servia como a âncora emocional de toda a equipe.  O Celtics não se recuperou, foi massacrado pelo Heat e parecia acabado (Sim, estou deixando a temporada 2012 de fora por enquanto. Segurem um pouco).

Como eu disse, é fácil entender qual foi o impacto que as trocas de Ainge em 2008 tiveram no time e na NBA dentro de quadra: Um titulo, um vice e uma grande chance perdida por lesão. Também nos deram um dos melhores times defensivos de todos os tempos e a chance de ver três (Talvez quatro, dependendo de como a carreira do Rondo continuar) futuros Hall of Famers jogando juntos, em um time histórico. Mas o impacto que esse time teve sobre os torcedores de Boston? Não da pra quantificar isso de jeito nenhum. A chegada de Allen e especialmente Kevin Garnett ressuscitaram o basquete em Boston, e mais importante, ressuscitaram Boston no cenário do basquete nacional. Transformou uma Franquia que tinha amargado quase 20 anos de mediocridade em um Juggernault, extremamente interessante e que jogava com o tipo de atitude, intensidade e paixão pelo jogo e pela vitória que faria Russell, Auerbach, Bird e Dave Cowens sorrirem orgulhosos. Pra uma Franquia e uma fan base tão acostumada a estar sempre brigando, sempre com um time para se orgulharem e com jogadores com os quais a torcida realmente se identificava, era uma tortura ver um time tão insignificante, com jogadores como Antonie Walker e Bassy Telfair, que nunca se identificariam com nenhuma fan base. A chegada do Big Three deu vida nova à cidade (em termos de basquete), deu vida nova à Franquia e se tornou um time extremamente identificado com a torcida. Talvez por esse motivo tenha sido tão dificil aceitar que esse núcleo estava velho e não conseguiria mais brigar por um título. Ate...

Que chegou a segunda metade da temporada 2012 da NBA! O Celtics passou uma primeira metade com jogadores veteranos totalmente sem perna, um time sem nenhuma vibração pós-Perkins e que parecia realmente o quinto ano de um projeto de três destinado a se desmontar (KG e Allen são Free Agents ao final da temporada). Até que passou a Trade Deadline e ninguém foi trocado, o Avery Bradley entrou no time e deu nova vida à equipe com sua defesa e intensidade, Garnett ressuscitou e o time se reinventou como um time veloz, muito agressivo no perímetro que jogava sem um pivô de origem (KG era o Center da equipe) e que acabou se fortalecendo dentro do grupo a cada contratempo que sofria (Os problemas sérios de saúde que acabaram com a temporada de Green e Chris Wilcox, a saída do Jermaine O'Neal, etc) e que, no final da temporada, estava jogando o melhor basquete da NBA de qualquer time que não chamasse Spurs. O time tinha criado uma nova identidade, tinha retomado sua intensidade e competitividade anterior, e estava novamente acreditando no grupo, nos companheiros.

Infelizmente, isso não durou muito. Antes dos playoffs, três dos principais jogadores do Celtics (Bradley, Allen e Pierce) sofreram lesōes importantes, e isso afetou demais a equipe chegando nos playoffs. Ray Allen estava incapacidado de jogar no começo dos playoffs, mas se sacrificou jogando com pedaços de ossos nos fucking tornozelos simplesmente porque o Celtics tinha perdido o Avery Bradley pro resto da temporada com uma séria lesão no ombro (seu melhor defensor de perímetro e as pernas jovens que tanto fizeram falta no jogo 7 das Finais de Conferencia), e Pierce jogou praticamente em uma perna só os playoffs inteiros porque não teve tempo de tratar ou de descansar uma lesão na perna. Pierce jogou no sacrifício e não foi nem de longe o jogador que é, Bradley machucou pra temporada no momento que o Celtics mais precisava dele, e Ray Allen jogou no sacrifício simplesmente porque não tinha mais ninguem pra jogar no seu lugar, ainda que não conseguisse correr, pular ou simplesmente pisar com segurança. O Celtics se arrastou pelos playoffs passando em sete jogos por Hawks e Sixers, depois encontrou uma última reserva de energia pra jogar contra o Heat e colocá-lo contra a parede mesmo com tudo contra Boston... Só que Lebron James teve um jogo épico em Boston pra ganhar o jogo 6 (e o pior, eu não posso dizer que tenha ficado surpreso), e ai no jogo 7 faltou perna, faltou gente pra ajudar vindo do banco e faltou um Pierce ou um Allen saudável pra carregar o ataque do time quando ele estagnou, incapaz de criar nada com Rondo ou acertar arremessos em isolaçōes ou jogadas rápidas. Os destroçados Celtics lutaram até o fim, usaram cada recurso e cada jogada, mas naão foram capazes de parar um time mais atlético, mais saudável e que tem Lebron James no seu auge.

A verdade é que eu, como torcedor do Boston, não podia ficar mais orgulhoso desse time. Mesmo com tantas lesōes, tantos problemas e tantos jogadores no sacrifício, o Celtics chegou a uma vitória das Finais na pura raça, vontade e experiência. Tudo que esse time representava - vontade, fome de vencer, confiança, jogadores se sacrificando pelo time - foi o que levou esse time muito mais longe do que deveria ter ido com tantos jogadores importantes machucados e tantos buracos no elenco. Eu não poderia respeitar mais esse time e esses jogadores, que conseguiram ir muito longe mesmo com tudo contra. Esse foi meu time do Celtics favorito da era do Big Three, simplesmente pela intensidade, pelo entrosament, pela confiança e pela forma como esse time sempre buscou dentro do proprio grupo a força pra superar adversidades, além da forma como Rondo jogou os playoffs todos. Não ver esse time jogar mais vai ser a pior coisa após a derrota pro Heat. Era um time com o qual nos identificavamos e que era muito bom de ver jogar.

Agora, ninguém sabe que rumo as coisas vão tomar com KG e Allen indo pra Free Agency. Garnett termina um contrato de 21 milhōes, e Allen um de 10. Em outras palavras, 31 milhōes estão saindo do Cap do Celtics. O Celtics pode reassinar os dois por muita grana, pode deixar os dois saírem e reconstruir de novo em torno do Rondo, pode tentar convencer os dois a reassinarem por valores muito mais baixos, de forma que o time possa ir atrás de Free Agents e Role Players pra completar o elenco em torno do Big Four. Eu pessoalmente acredito que Garnett volta por um salário baixo, mas não tenho muita certeza quanto ao Allen, especialmente porque arremessadores como ele sempre terão grande demanda e  Allen sabe que pode ir para um time, ganhar mais dinheiro por mais tempo e jogar por mais um título. Eu confio que a lealdade e teimosia do Garnett irão mantê-lo um Celtic, mas o Allen vai ter propostas muito melhores e mais interessantes (especialmente se os boatos dele e do Rondo não estarem nos melhores termos forem verdadeiros). Saudável, ele é o tipo de jogador capaz de dar um grande boost a times como Bulls ou Clippers mesmo nessa idade. E isso significa que o Celtics pode estar muito perto de dar adeus ao seu Big Three. Se Garnett ficar, mesmo sem Allen, o Celtics ainda tem cap space (e Bradley) e jogadores bons o suficiente pra tentar brigar mais uma vez com alguma criatividade na Free Agency (Como eu disse, vai ter cap para tal se Garnett aceitar ganhar pouco). Mas se Garnett e Allen sairem ambos, a coisa complica, porque aí o Celtics fica com pouca base pra se organizar pra tentar algo ainda com Pierce em bom nível. Nesse caso, faria mais sentido trocar Pierce e reconstruir em torno de Rondo... não fosse o fato de que você estaria apunhalando pelas costas um dos maiores Celtics de todos os tempos. Então tudo depende de como KG e Allen vão reagir. Pra mim, KG fica, Allen sai, o Celtics taca tudo que tem pra cima de Eric Gordon e Nicolas Batum na Free Agency, pega meia duzia de role players (chutador de três, defensor de garrafão), talvez até fique criativo com suas duas escolhas de primeira rodada (21 e 22, via Clippers)... Mas pra isso precisa manter Garnett.

Mas mais do que o tiítulo dos proximos anos em jogo, o fim do Big Three (e especialmente de Garnett) seria o fim de uma era do Celtics que trouxe de volta o orgulho da equipe (Celtic Pride), que recolocou o Celtics no cenário da NBA e que finalmente reaproximou a torcida do time. O time pode continuar competitivo, pode vir a ser campeão, mas independente disso tudo eu vou sentir falta do que Garnett, Pierce e Allen trouxeram pra mim como torcedor do Celtics. Tem times que simplesmente conectam com a torcida de uma maneira diferente. Esse era um desses times. Sou grato por ter visto esse time jogar, vou contar para meus filhos. E ainda que eu preferia que acabasse de forma diferente (com um título), a era Big Three do Celtics não poderia acabar de forma mais emblemática: Um time lutando até o final, usando toda a sua força de vontade e garra pra superar a enorme quantidade de adversidades que teve que enfrentar pra chegar mais alto do que deveria... Mesmo que chegasse perto e não atingisse seu objetivo. A imagem que os Celtics de 2008-2012 deixaram é a do time jogando com mais vontade e fome de vencer do que nenhum outro. E foi assim que essa era pode ter terminado.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Thunder está pronto

Harden ensina Durant a arte do flop


Eu sei que sempre bato nessa tecla, e vou continuar batendo nela até o fim, mas um time de basquete (E provavelmente de qualquer outro esporte) é uma composição de várias partes que vão muito além do talento, da habilidade dos jogadores que jogam nele. Essa parte é importante, claro, quando você tem jogadores muito bons você tem muito mais facilidade para fazer as coisas acontecerem dentro de quadra. Mas não é só isso. Um time depende muito também de como esses jogadores e suas habilidades se encaixam dentro de quadra. Depende da forma como os jogadores interagem uns com os outros durante o jogo. De como os jogadores abraçam seu papel no time. De como eles influenciam seus companheiros (dentro e fora de quadra) com coisas que vão além de estatísticas (dois exemplos, bom e ruim: Tim Duncan e Wilt Chamberlein). E, também, qual é a motivação desse time, qual é o objetivo que faz eles brigarem pelo título com tanta vontade (ou não).

Não venham falar que a motivação de qualquer time é "ganhar o título", porque não é isso. Um título não tem o mesmo peso pra todos os times, e nem todos os times tem as mesmas razōes pra querer ganhar. Na verdade, existem basicamente três tipos principais e diferentes de motivaçōes, na falta de uma palavra melhor (Confesso que não gosto dela, prefiro em ingles "Driving force", mas enfim), para os times que brigam pra conquistar um título, com suas variações.

A primeira, é a do time (note bem, time, não franquia) que está jogando pra conquistar seu primeiro título. Aquele time que é bom no papel, sabe disso, mas que ainda não chegou lá, que ainda não se sacramentou como o melhor time da NBA com um título. Um time que está perto, mas ainda falta aquele know-how de como chegar lá, aquela confiança de quem já fez uma vez e sabe o que tem que fazer pra chegar lá. Entre os grandes times da NBA que se enquadraram nessa categoria (e obviamente foram campeōes), o melhor exemplo é o Bulls de 1991, que finalmente conquistou seu primeiro título (outros exemplos: Sixers de 83, Lakers de 2000, e por ai vai).

O segundo é o time que já foi campeão e está tentando defender o título. É uma motivação um pouco mais baseada em orgulho, do time que chegou no topo e agora está tentando enfrentar os que tentam desafiar sua posição. Esse tipo de time as vezes sofre com sonolência em alguns momentos da temporada, mas que liga o turbo quando importa, quando tem algum time ameaçando roubar a posição. Geralmente tem um pouco mais de experiência do que o do tipo anterior, como quem já esteve lá recentemente e sabe o que fazer. Historicamente, podemos citar times como o Bulls de 92/97, Lakers de 88 e de 2001, 90% dos times da carreira do Bill Russell, e por ai vai.

E por fim, meu tipo favorito de motivação: O grande time que ta puto, que ta jogando como se fosse algo pessoal. Se aplica particularmente a um caso, o de um grande time que já foi campeão, esteve no topo, mas foi derrubado e agora ta lutando pra recuperar seu lugar no topo, e dai entra em modo de "Eff-You" e não quer só ganhar de todo mundo, mas massacrar todo mundo pra provar um ponto. Curiosamente ou não, é o time que gerou meus times favoritos de todos, em particular os três times que eu considero os maiores de todos os tempos, e fizeram justamente essa rotina de "Não temos só que ganhar, temos que massacrar todo mundo": O Bulls de 96, o Lakers de 87 e, claro, o Celtics de 86 (Bird, Parish, McHale, Dennis Johnson, Bill Walton, Danny Ainge e Scott Weldman.. Serio?? SERIO??).

O Thunder se encaixa, naturalmente, na primeira. E, embora seja impossível dizer qual das três "motivaçōes" é a que melhor motiva um time, a primeira tem uma desvantagem, que é a falta de experiência. Não necessariamente experiência em jogos ou mesmo playoffs, e sim experiência em vencer títulos, saber o que fazer pra chegar lá, ter a vantagem de ter vivido isso uma vez. Pode parecer besteira, mas isso pesa. Essa foi, por exemplo, o maior motivo de eu achar que o Thunder fez muito bem em trazer o Derek Fisher. Ainda que dificilmente o Fisher vá adicionar ao time (Eu sei que ele acerta umas bolas longas, e o Thunder precisa disso, mas NADA justifica ele jogar 38 minutos num jogo de playoffs. Nada) muita coisa dentro de quadra, ele é um jogador que já passou por cinco campeōes, e que poderia passar esse tipo de experiencia pros seus companheiros.

Se o resultado foi por causa do Fisher, não da pra saber. Mas o fato é que o Thunder - aquele time que ano passado perdeu do Mavs justamente por falta de know-how e de experiência - agora ta mostrando muito mais maturidade e muito mais compostura do que nunca. E isso se ilustra muito bem na evolução do Thunder fechando jogos. Se ano passado os finais de jogos apertados eram um tormento para o Thunder por causa da insistência do Russell Westbrook em arremessar todas as bolas e cometendo turnover atrás de turnovers, e também pela falta de uma segunda opção ofensiva para o time quando as bolas do West e do Kevin Durant não estavam caindo. Faltava calma pra fazer a jogada certa, faltava saber qual era a jogada certa. O time queria responder rápido demais, queria fazer tudo do jeito mais fácil. Normal pra quem não tem experiência, mas era o que separava o Thunder dos grandes times, o passo que faltava pro Thunder ser um favorito ao título.

Nessa temporada, o Thunder está diferente. Contra o Lakers, o Thunder já mostrou uma postura muito diferente, e eu até comentei que precisava fazer isso mais vezes pra provar que tinha realmente aprendido, e não que tinha sido apenas um ou dois dias bons. Bom, aconteceu de novo. Mas não foi só isso que mudou no Thunder. Enfrentando um adversário muito difícil como o Spurs, perdendo de 1-0, o Thunder tava tomando uma surra no jogo 2 com o Spurs jogando um dos basquetes mais bonitos que eu vi em toda a temporada, cheio de contra ataques, bolas de três e passes maravilhosos. A vantagem passou dos 20 pontos. E entrando no quarto periodo, mesmo depois de um Hack-a-Splitter (Que só tirou um ponto da vantagem do Spurs, mas tirou o time do Texas do seu ritmo ofensivo), a desvantagem era de 18 pontos. E o Thunder continuou atacando, continuou martelando, continuou brigando, até que o Spurs teve que apelar pras bolas individuais do Manu Ginobili pra conseguir ganhar o jogo com tranquilidade. Mesmo que, com a vantagem caindo pra 5 e tudo, eu nunca tivesse realmente sentido que o Spurs ia perder o jogo, eu lembro de ficar muito impressionado com o modo como o Thunder continuava atacando, continuava lutando, incapaz de aceitar a derrota. Eu lembro de ter comentado com meu amigo que estava vendo o jogo comigo "Esse time está realmente com vontade...". E era verdade.

Mas o teste pro Thunder foram os dois jogos em casa, perdendo de 2-0 e o Spurs jogando o fino da bola. Embora boa parte das reviravoltas do jogo 3 tenham sido graças a dois fatores externos a isso tudo (A excelente e ganhadora do prêmio "Porque diabos demorou três jogos pra ele fazer ESSA mudança??" (Também conhecida como prêmio "Porque diabos demorou quatro jogos pro Dennis Johnson marcar o Magic Johnson em 1984??")  mudança do Scott Brooks de colocar o Thabo Sefolosha pra marcar o Tony Parker - importantissima porque obrigou o Spurs a rodar a bola sem um infiltrador, tirando o famoso slash-and-kick do Spurs que era a alma do seu ataque de meia quadra - e o fato de que os role players do Thunder - em especial o Serge Ibaka - começaram a acertar seus arremessos, tornando o Thunder um time mais perigoso quando a bola saia das mãos do seu Big Three.

E ai chegamos ao jogo quatro. Ainda que o jogo de 26 pontos, 11-11 arremessos do Ibaka tenha sido espetacular e provavelmente o grande motivo do Thunder ter ganho, nem de longe foi isso que me chamou a atenção. Na verdade, o que realmente ficou desse jogo foram os 18 pontos do Durant no quarto período. O Thunder alí estava fazendo o obvio: Colocando a bola na mão do seu craque, e deixando ele decidir. E ele decidiu. Foram bandejas, enterradas, bolas longas, bolas curtas, lances livres, bolas de três, você pode pedir o que quiser, ele chegou a estar 7-8 de arremessos em certo ponto. E ele fez isso sobre marcação dupla, tripla, troca de marcação, Kawhi Leonard, Stephen Jackson, Ginobili, Tim Duncan... E continuou pontuando, mesmo com o Spurs respondendo tudo do outro lado com lindas jogadas. O Spurs ameaçou, e o Durant - e o seu time - continuou calmo como se estivesse treinando. Confiou no que tava dando certo. No que deu certo contra o Lakers. E o Thunder venceu.

O Thunder venceu e foi pro jogo 5 tentando quebrar, pela primeira vez em todos os playoffs, o mando de quadra do Spurs, que tava 6-0 em casa nos playoffs. E o Spurs fez o que se esperava, jogou bem, abriu vantagem, teve sequencias de pontos... E nenhuma vez o Thunder pareceu desanimar ou perder o foco. Manteve o foco, não se autodestruiu (sua marca registrada), confiou no seu plano de jogo e continuou executando seu estilo. Esse era exatamente o que eu mais elogiava no Spurs: Sua capacidade de manter a calma e a confiança mesmo quando as coisas davam errado, mesmo quando seu estilo de jogo não estava funcionando. Faziam os ajustes necessários, claro, mas sabiam onde estavam suas maiores forças, e continuavam usando-as, sem tentar fazer grandes mudanças no seu estilo de jogo. O Thunder não tinha isso ano passado. Mas esse ano, eles fizeram isso contra o forte Lakers, e agora contra os fortíssimos Spurs. Eles tinham o talento, os jogadores pra serem campeōes, mas eles não tinham a cabeça pronta pra isso. Não sei se faltava um campeão como Fisher no elenco, se faltava uma derrota dolorida como pro Mavs ano passado, ou se simplesmente tempo jogando junto, mas o fato é que o Thunder finalmente adquiriu a mentalidade certa. A confiança, a calma e até uma certa experiência. Ta jogando cada vez mais como um time que achou o jeito de vencer, e ta indo com vontade. Sabe a hora de confiar em Durant, sabe a hora de envolver os coadjuvantes, sabe a hora de deixar o James Harden armando tudo. E tudo se encaixou em torno disso.

Ainda que eu esteja um pouco decepcionado pela forma como o Spurs respondeu ao Thuder depois dos jogos 3 e 4 (Não conseguiu voltar ao seu jogo com o Parker bem marcado pelo Sefolosha, exagerou nas isolaçōes, viu varios jogadores perderem a calma, e basicamente deixou de lado a calma e eficiência que eu tanto idolatrava), o Spurs ainda é um tremendo time que merece muito respeito. O trio de Manu, Parker e Duncan ainda eé capaz de jogar muito bem, e o Spurs tem mais depth que qualquer time na NBA. Eles tem um estilo de jogo que foi muito eficiente, já mostraram que sabem se adaptar e podem jogar qualquer estilo. Mas a verdade é que tudo que eles fazem, o Thunder ta respondendo melhor, mesmo com um elenco não tão completo, mesmo com um tecnico bem mais limitado. Mesmo o Spurs sendo um time que já esteve no topo, sabe o que tem que fazer pra chegar la... Eles simplesmente não conseguiram nos ultimos jogos, porque o Thunder tem respondido cada tentativa deles, com Durant liderando o show.

O Thunder agora está focado, está confiante e encontrou o seu melhor jogo. Times novos costumam demorar pra atingir esse nível, mas Oklahoma conseguiu bem na nossa frente. E sim, seus três melhores jogadores somam 67 anos. Chega a ser injusto. Durant tem 23 anos e está jogando com uma maturidade e resolução de um veterano. Não lembro qual foi o último Hall of Famer certo aos 23 anos (Lebron, provavelmente), mas Durant está chegando lá. Todo grande Superstar tem um momento que define sua chega na Liga, como quem diz "Cheguei, podem se preparar, porque eu sou pra valer". Jordan teve seu jogo de 69 pontos no TD Garden. Dwyane Wade teve as Finais de 2006. Lebron teve os 29 pontos contra Detroit em 2007. E Durant deixou seu aviso no jogo 4 das Finais do Oeste de 2012, uma obra prima de quarto período de 18 pontos sem forçar nada, acertando arremessos como se brincasse, contra um dos melhores times que vimos nos ultimos anos no meio de um furioso rally no 4th quarter pra tentar virar a partida. Esse tipo de calma, de confiança e de execução não é a marca do time imaturo e inexperiênte que o Thunder era ano passado. É a marca de um time com a mentalidade certa pra ser campeão. E o Thunder chegou lá. Sem querer comparar os jogadores ou mesmo os times dentro de quadra, é o Bulls de 91 tudo de novo, com um Superstar tendo seu momento de grandeza nos playoffs e o resto do time encaixando em torno dele. Agora que o Thunder finalmente atingiu o estado ideal de equilíbrio psicológico, ele é um time extremamente perigoso. Pra esse ano e para muitos outros por vir.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Celtics com problemas

Resumindo muito bem o ataque do Miami Heat


O que mais me deixou frustrado na série entre Heat e Pacers é que, após a lesão do Chris Bosh, essa série tinha tudo pra ir numa certa direção, com o Pacers tendo caminho livre pra explorar cada vez mais suas forças (depth e força no garrafão) e explorar as fraquezas do Heat (falta de reboteiros, falta de opçōes ofensivas, etc). Mas depois de dois jogos onde isso efetivamente funcionou, o que se viu foi exatamente o contrário: Uma série que mostrou as maiores forças do Heat (dois dos melhores jogadores do mundo nos respectivos auges) e expos totalmente (a tal ponto que chegou a ser ridiculo) todas as fraquezas do Pacers (falta de um jogador capaz de levar o ataque quando ele fica estagnado, imaturidade, inexperiência, etc). O que é bizarro, porque mesmo com todos os méritos do Heat nessa série (e não foram poucos), o Pacers teve TUDO pra sair com a vitória, mas tropeçou nas próprias pernas o suficiente pra permitir que Wade e Lebron tomassem controle da série. Ganhou o melhor time (pelo menos completo), mas o Pacers sabe que poderia ter ganho essa série.

Como aconteceu? Bem, a lesão do Chris Bosh afetou o Heat muito mais do que todo mundo que falava mal do dinossauro imaginava. Ainda que o Bosh fosse muito secundário nesse time e estivesse desperdiçando boa parte do seu talento jogando tanto fora das suas características, ele ainda tinha duas coisas que eram muito importantes pro Heat. A primeira é que o Bosh é o único homem de garrafão decente do elenco, e portanto sua presença la dentro é diferente da de qualquer outro grandalhão do time, seja pra rebotes, seja pra impor respeito na defesa. O segundo motivo é que o Bosh foi o melhor jogador em toda a NBA em aproveitamento de arremessos de meia distância. O Bosh sempre teve bom arremesso, mas essa temporada ele realmente se especializou nisso, tava automático. Isso forçava os homens de garrafão do adversário a acompanhá-lo fora do garrafão, o que gerava mais espaços para Lebron e Wade infiltrarem. Se o marcador do Bosh deixasse ele livre por um segundo pra fechar o caminho pro aro, eram dois pontos praticamente garantidos. Isso foi um fator muito importante do Miami no final da temporada e nesses playoffs.

Quando o Bosh machucou, portanto, o garrafão do Heat, que já é bem fraco (um dos principais motivos do Heat ter perdido as finais pro Mavs foi porque foi dominado no garrafão por Tyson Chandler), perdeu seu melhor finalizador, arremessador e reboteiro dentro esses jogadores de garrafão. E mais importante, perdeu aquele arremesso de meia distância automático que fazia todos os jogadores de garrafão pensarem duas vezes antes de ir fechar o aro pro Wade e pro Lebron. Essa opção de passe pro Bosh era algo que mantinha os defensores com medo, e que desapareceu com a sua saída. Sem Bosh, os defensores não precisvam realmente pensar duas vezes no que era melhor, apertar Wade e Lebron ou sair pra marcar Udonis Haslem ou Ronny Turiaf.

Além disso, o Pacers tinha um garrafão bem forte, com o grandalhão Roy Hibbert e o ótimo David West. É um garrafão bem alto que pega rebotes, sabe finalizar perto do aro, acerta bolas de meia distância e, especialmente o Hibbert, tinham tudo pra conseguir controlar a série se impondo pra cima do garrafão patético do Heat.

O caminho para o Pacers, portanto, estava traçado. O Heat não tinha mais Bosh, o que permitia ao Hibbert se preocupar muito menos em marcar seu homem pra estar sempre na cobertura de quem quer que estivesse marcando Wade e Lebron. Com essa cobertura do Hibbert, que é muito bom dando tocos, Paul George e Danny Granger (marcadores do Wade e Lebron) podiam se dar ao luxo de serem eventualmente mais agressivos. No entanto, o que realmente faria efeito era um esforço conjunto. Como Wade e Lebron não são grandes chutadores de longe, voce tem muito mais chances de ter uma vantagem se marcá-los a uma distância, tirando espaço pra infiltraçōes, ainda que ao custo de alguns jumpers. Tudo bem, você vai tomar ums arremessos na cara, Wade e Lebron vão fazes passes para companheiros livres acertarem bolas importantes, e claro que mesmo com a marcação e a cobertura do garrafão os dois ainda vão fazer algumas infiltraçōes ninjas e cestas miraculosas, mas de modo geral, sua chance é muito maior do que se tentar marcar os dois de perto. Deixem Wade e Lebron fazerem seus milagres, mas obrigue o resto do time do Heat a te vencer junto, que sua chance aumenta. Facil, claro que não, mas aumenta suas chances.

E a questão é, defensivamente o Pacers fez seu trabalho muito bem, principalmente nos três primeiros jogos. Ainda que com alguns vacilos de modo geral (naturais), o Pacers defendeu bem o Heat na meia quadra. Algumas bolas longas dos coadjuvantes (inevitáveis, mas num nível bem aceitável) e partidas monstruosas de Wade e Lebron faziam parte do pacote. Ainda que isso tenha ficado menos eficiente a partir do quarto jogo (Especialmente porque Wade e Lebron tavam pegando fogo - faz parte, acredite), o problema do Pacers não foi seu jogo no lado defensivo. Fizeram tudo corretamente, e obrigaram o Heat a jogarem muita bola. O Heat jogou. Nao tem nada de errado ai (Com uma excessão, mas chegaremos lá).

O problema, que matou o Pacers nos tres ultimos jogos (e mesmo em alguns periodos dos demais jogos), foi o ataque do time. Com um garrafão maior, mais habilidoso e um time mais completo de maneira geral, o Pacers tinha que começar seus ataques pelo garrafão e explorar a vantagem na altura, atacar os rebotes ofensivos e forçar o Heat a abrir o espaço com dobras na marcação. Mas o Pacers tentou fazer o que tinha dado certo contra o Magic, de combater um time baixo com outro time baixo e veloz, o que nos levou a muitas lineups com LEandrinho, George Hill, Darren Collison e George juntos em quadra. Contra o Magic, que não tinha um time veloz, isso funcionou. Contra o Heat, foi suicídio.

O Heat da temporada regular teve muitos problemas com ataques de meia quadra. O ataque do time dependia demais da individualidade de seus dois craques, e isso muitas vezes resultava em um ataque previsível e estagnado. O que realmente tornava o Heat perigoso era sua capacidade defensiva, e especlmente sua capacidade de sair nos contra ataques. Normalmente, contra ataques são resultados de turnovers, que fazem seu ataque sair em vantagem numérica e em velocidade. No entanto, times como o Heat (por causa da habilidade e capacidade física de Lebron e Wade) conseguem puxar contra ataques mortais simplesmente de rebotes mais longos que peguem a defesa voltando. Quando um dos dois pega um rebote mais longe do aro, o outro já esta disparando pra cesta, e ai é impossivel parar a capacidade de passe e a explosão fisica da dupla. As vezes, uma boa defesa de transição consegue voltar a ponto de evitar a cesta imediata no contra ataque, mas mesmo assim volta muitas vezes desorganizada, o que resulta em matchups desfavoráveis, e o Heat sabe muito bem usar isso a seu favor.

Em outras palavras, o Pacers tinha um plano de defesa na meia quadra baseado na ausência do Bosh, mas pra evitar o estrago que o HEat era capaz de causar, ele também teria que jogar no ataque de forma a evitar o jogo de transição de Miami. E nisso que o Pacers falhou miseravelmente. Ao invés de focar seu jogo no garrafão (West tava fazendo o que queria), explorar sua vantagem na altura pra abrir as bolas longas, brigar nos rebotes ofensivos próximos ao aro e, mais importante, evitar rebotes longos que fariam o Heat sair nos contra ataques. Mas ao invés disso, ao insistir com sua lineup mais baixa (e portanto numa maior rotação de bola - que eles não são bons - e/ou arremessos forçados individualmente) e mesmo quando tinham seu garrafão alto em quadra, preferiram ficar rodando a bola no perímetro e forçando bolas longas sem o menor propósito. E o Heat aproveitou dos rebotes longos e do excesso de erro do Pacers pra sair na transição e conseguir os pontos fáceis que não iriam conseguir na meia quadra sem Bosh. A diferença começou a aumentar, e o Pacers cada vez mais forçava o jogo de fora ao invés de levar para o garrafão.

E ai o Pacers esbarrou na sua imaturidade, sua falta de know-how de playoffs. O time ficou assustado com a intensidade do Heat e começou a ficar nervoso, errar muito e viver de bolas longas, o que só aumentava a vantagem do Heat. Ao invés de explorar a vantagem que tinham no garrafão, eles deixaram transparecer sua imaturidade e falta de um jogador capaz de organizar o jogo. O Pacers perdeu o controle da série quando Lebron (Jogo 4) e Wade (Jogos 5 e 6) começaram a pegar fogo, e o Pacers tentou contraatacar com bolas longas e uma velocidade que favorecia muito mais o Heat. Faltou alguem pra colocar a bola embaixo do braço e tomar as decisōes certas, mas o Pacers não tem esse jogador, e então se limitou a ver George e Granger chutando bolas imbecis muito bem marcados pela excelente defesa de Miami, pro Lebron pegar os rebotes longos e levar pro outro lado e enterrar como se estivesse jogando em casa, enquanto o garrafão do Pacers era totalmente ignorado.


Chegamos, então, ao ponto que o Heat venceu a série e enfrentou o Celtics. O Celtics, ainda que tivesse suas diferenças pro Pacers, tinha que seguir o mesmo padrão: Evitar infiltraçōes, proteger o aro, e evitar os contra ataques. Pra isso, com um time tão velho e sem perna, o essencial era que o Rajon Rondo tivesse inspirado pra achar os companheiros em boas condiçōes de finalizar, pra evitar aquele ataque estagnado do Boston que geralmente termina com um arremesso longo e forçado do Pierce.

No jogo 1, o que se viu foi exatamente o contrário. Um Rondo pouco inspirado, um Celtics que não tinha como achar outras opçōes ofensivas eficientes (O unico momento que o Celtics ameaçou o Heat - segundo quarto - foi quando o Rondo jogou bem pela unica vez no jogo) e deixou o Heat deitar e rolar. Por mais estranho que pareça, tanto Celtics como Pacers tem boas condiçōes de enfrentar o ataque do Heat quando está na defesa, mas pecou pelo fato de que a forma como executou ofensivamente permite que o HEat explore sua maior força, os contra ataques. Se o Celtics quer ganhar o jogo 3 hoje a noite, vai ter que jogar como jogou o primeiro tempo (e mais alguns periodos do quarto periodo) do Jogo 2: Fechando o garrafão defensivamente, evitando turnovers e com o Rondo costurando a defesa do Heat pra achar os companheiros livres, evitando assim os chutes longos. O Jogo 2 fugiu do controle do Celtics no terceiro periodo, quando um cansado Rondo (que jogou TODOS os minutos do primeiro tempo) preferiu se segurar um pouco e o ataque do Celtics começou a viver demais de jogadas de isolação do Paul Pierce, que facilitaram em muito a vida do Heat porque terminavam em arremessos longos, contestados, que viravam rebotes longos e contra ataques.

Sim, o Celtics está limitadíssimo por causa das lesōes, e por isso depende demais do Rondo em um bom dia. O banco não é bom, seu melhor chutador de longe (Ray Allen) está jogando com um fucking pedaço de osso no tornozelo, o time não tem outro armador pra criar as jogadas além do Rondo... A gente sabe de tudo isso. Mas se quiser uma última chance com o Big Three (Allen e Kevin Garnett são Free Agents após essa temporada), o jogo de hoje é crucial, e o Celtics vai ter não só que defender muito bem e fechar o garrafão, como vai ter que executar o seu ataque de forma correta e eficiente. Contra o Heat, não adianta só defender bem, você precisa de boa execução ofensiva. O Pacers não conseguiu, e o Celtics teve problemas por causa disso. Hoje, vai ter que ser diferente se quiser ganhar esse crucial jogo 3.