Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

sábado, 16 de abril de 2011

Preview - Los Angeles Lakers vs New Orleans Hornets


"Não da pra fazer milagre com o joelho dele desse jeito, professor"

Com David West e sem Andrew Bynum, essa série seria muito interessante. O Lakers não teria uma vantagem no garrafão, o Hornets podia colocar o Emeka Okafor no Pau Gasol e deixar o Chris Paul fazer sua mágica pra cima do vovô Derek Fisher, já que o Lakers sempre tem problemas com armadores velozes. Mas o fato é, West está fora e o Andrew Bynum vai jogar. E por isso, não temos uma série disputada. Vale a pena assistir os jogos, o Hornets tá jogando pela vida (No caso, pra provar pro Chris Paul que o time tem futuro), vai dificultar os jogos, o Chris Paul ainda é um armador sensacional e que deixa qualquer jogo divertido, mas infelizmente não dá pra esperar muito do Hornets nessa série.

No caso do Hornets, o time vai até onde o Chris Paul levar. O Paul é um dos melhores armadores da Liga, tem no seu passe e na visão de jogo suas principais características e é um armador que funciona tornando todos ao seu redor em jogadores melhores, como por exemplo o Steve Nash ou até o Rajon Rondo. O time não tem outras estrelas (No máximo o David West, que eu pelo menos acho um ótimo jogador) e é outro recheado de Role Players: O Okafor e sua defesa de garrafão, Trevor Ariza e sua defesa de perímetro, Marco Bellinelli e suas bolas de três, e por aí vai. Por isso esse time sempre contou com o Chris Paul pra tornar cada um deles melhor. O Paul consegue fazer 30 pontos quando quiser, mas o time ganha quando ele faz só 15 e da outras 12 assistências. Em outras palavras, o time depende demais dele e se ele jogar em alto nível e fazer o que ele faz de melhor, o Hornets é um time a ser temido se estiver completo, como aconteceu em 2008, quando o Paul surtou e o Hornets só foi parar num jogo sete de playoffs contra o Spurs.

O problema é que o Chris Paul, alguns anos atrás, era um armador extremamente explosivo, tinha um primeiro passo rápido demais e em um segundo colocava qualquer defensor pra trás pra atacar a cesta, o que abria ainda mais as defesas para seu ótimo passe e visão de jogo e fazia o time funcionar. Mas o Paul teve muitos problemas nos joelhos, passou por muitas cirurgias e foi perdendo essa explosão que lhe era característica. O Paul de repente começou a jogar como um veterano, passando primeiro e depois infiltrando, e arremessando mais do que nunca. Parecia um velho jogando, não um jogador que deveria estar no auge da forma. Mas de repente o Paul engata um jogo em que ele volta a correr feito um animal, pontua feito maluco no garrafão, pega rebotes e lidera as transições como ninguém na Liga, como foi contra o Rockets recentemente. Dependendo de qual Chris Paul estiver jogando essa série de playoffs, o Hornets pode até ganhar uns dois jogos e apertar um pouco o Lakers, porque o Paul é rápido demais pra qualquer jogador da Liga assim, ainda mais para um vovô como o Derek Fisher.

Ainda assim, o problema do Hornets vai muito além disso, e é na lesão do David West que o bicho pega. Eu escrevi um post quando ele se machucou sobre o impacto disso dentro e fora de quadra para o Hornets, só clicar aqui, e embora o Carl Landry tenha jogado muito bem sem ele, não é a mesma coisa. O Landry funciona melhor vindo do banco, entrando nos momentos chaves pra pegar alguns rebotes de ataque e pontuando embaixo da cesta, mas ele não é um bom defensor pra defender o Gasol nem forte e alto o suficiente pra defender o Bynum. A altura do garrafão do Lakers é maior, o tamanho do time todo do Lakers é maior, e a chance do Hornets seria se o Bynum não se recuperasse da lesão e aí tirasse a grande vantagem do Lakers no garrafão ou então, em último caso, se o David West conseguisse pegar alguns rebotes e usar sua agilidade pra defender o Pau Gasol e no ataque usasse seu ótimo jogo de meia distância pra tirar um dos dois do garrafão de Los Angeles de perto da cesta. Mas sem West e com Bynum, o Lakers tem tamanho demais no garrafão pra desequilibrar a série.

A chance do Hornets, que pra mim agora é mínima, depende do Chris Paul fazer miséria com o Derek Fisher. Ele fez o Jason Kidd parecer esse blogueiro marcando alguns anos atrás, e na temporada regular o Lakers sofreu demais com armadores rápidos que passavam como queriam pelo Fisher. Foi também o que o Russell Westbrook fez naquela série do ano passado entre Thunder e Lakers e que levou aquela série mais longe do que seria esperado. O problema é que, logo depois, o Fisher fez um ótimo trabalho marcando o Deron Williams contra o Jazz e também o Steve Nash contra o Suns, então não da pra falar que o velhinho não tem gasolina sobrando. O Fisher sempre jogou muito melhor nos playoffs, então se ele conseguir achar sua defesa mais uma vez e dar trabalho pro Paul, a única chance do Hornets vai ralo abaixo. Se ele não estiver naqueles dias que ele parece 10 anos mais novos, o Paul vai ter a chance de, se jogar com a explosão e infiltração que muita gente duvida que ele ainda tenha, levar o Hornets nas costas pra eventualmente roubar uns jogos. Mas até fazer disso uma série muito disputada... Não creio.

Ah sim, o Lakers também tem aquele tal de Kobe Bryant...

Palpite: O Paul vai ganhar um jogo sozinho, mas o garrafão do Lakers é mil vezes superior ao do Hornets. Lakers em cinco jogos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Preview - Boston Celtics vs New York Knicks


A grande (enorme!) esperança do Celtics de esquecer o Perkins

Agora que a gente cobriu as séries dos quatro jogos de sábado, vamos começar com os de domingo, e vamos começar com o Leste pra acabar logo com isso, ainda que essa série deva ser bem interessante. O Boston Celtics tenta fazer uma (talvez) última tentativa desesperada para o título com seu asilo e o adversário é o mais novo time com várias estrelas (?) da Liga, o New York Knicks.

O fato é que Boston é mais time. O Boston tem mais entrosamento, tem mais história, sabe jogar os playoffs e tem uma defesa muito perigosa. Mas talvez o principal problema dessa série seja como o Bill Simmons (eu sei que falo demais dele, mas o cara manda demais, fazer o que?) resumiu: Nunca é bom jogar uma série de playoffs quando o melhor jogador em quadra joga no outro time. E o Carmelo Anthony realmente tem jogado muito bem desde que chegou a New York, é um dos melhores pontuadores da Liga e pode muito bem se o melhor jogador em quadra nessa série. Isso é... Se o Rajon Rondo não conseguir retomar seu basquete do começo da temporada.

E se o problema da série para o Boston é essa possibilidade de não ter o melhor jogador, o problema com o time do Boston é exatamente o quanto ele está cheio de "se". SE o Rondo conseguir jogar o basquete que jogava no começo da temporada, ele pode ser o melhor jogador da série. Se o Big Three conseguir ficar saudável até o final da pós temporada, o Boston tem um dos melhores grupos da NBA. Se o Shaquille O'Neal e o Jermaine O'Neal conseguirem ficar saudáveis até o fim, o Boston é um favorito ao título muito sério. Se o Boston conseguir repetir o que fez ano passado, isso é, engatar a quinta marca nos playoffs depois de um final pífio de temporada, talvez seja o melhor time da Liga. Mas tudo isso no final se resume a isso: "Se" isso, "se" aquilo, "se" tudo!

O Boston é, de certa forma, uma incógnita. Apesar do grande nível de talento que tem lá e do fato de ter sido um dos times mais dominantes da NBA na primeira metade da temporada, o Boston Celtics teve um final de temporada muito ruim, viu seu garrafão sucumbir a lesões (Boatos de que o Boston trocou uma escolha de segunda rodada pela maldição do Blazers, aquela que afetava os pivôs) e sentiu muito a falta do Kendrick Perkins, que foi pro Thunder tornar aquele time de pirralhos num dos grandes favoritos ao título. De certa forma, isso não é novo, ano passado foi exatamente a mesma coisa, e de repente o Boston massacrou o Heat, o Cavs, o Orlando e só foi parar no jogo sete das Finais contra o Lakers. Mas não da pra saber se o Boston vai ter o pique essa temporada pra fazer o mesmo. Eu acho que sim, que o Boston ta só esperando os playoffs, o Celtics sabe que o que importa é o que acontece em Abril e Maio, não é a toa que eles não joguem com tanta vontade no final da enorme e chatíssima temporada regular. Mas ainda é uma incógnita, o Boston precisa mostrar que ainda tem perna pra conseguir fazer isso, e até mostrar a dúvida vai continuar.

E se isso envolve todo mundo jogando melhor, pra mim isso passa principalmente por dois jogadores, e o primeiro é o Rajon Rondo. O Rondo, que no título de 2008 era só um armador pirralho que tinha como função não atrapalhar ninguém, já faz mais de um ano que é o líder do time, quem comanda as ações, chama as jogadas e decide quem acionar - o que faz bem demais. Ele começou o ano arrasando, motivado, dando 20 assistências por jogo e comendo todas as defesas da Liga - em especial a do Miami Heat - com farinha. O Rondo deu uma desacelerada preocupante, parou de atacar a cesta, tava jogando de forma meio passiva e até sua defesa parecia pior. E o Rondo é responsável direto pela produção da equipe, quando ele está bem a equipe funciona à perfeição porque ele é o maestro, mas quando ele está num dia ruim o Boston tem muitas dificuldades pra entrar em ritmo. Ele, mais do que qualquer outro, vai ter que recuperar sua melhor forma do começo da temporada. Ele é aqueles armadores que torna todos ao seu redor melhores, e num time com quatro futuros Hall of Famers, isso é dizer alguma coisa.

A outra pessoa é o Shaq. O Boston, quando trocou o Perkins, estava declarando que achava que precisava mais de um jogador de perímetro pra dar versatilidade e pra poder aliviar o Paul Pierce na posição três, defender bem e acertar eventuais bolas de três, do que do tamanho, defesa e rebotes que o Perkins trazia pro time. A mensagem é clara: Eles estavam contando com a saúde dos seus pivôs, os irmãos O'Neal (Mentira, eles não são irmãos). O problema óbvio é que eles não conseguiram ficar saudáveis a maior parte da temporada, então porque o Danny Ainge de repente achou que magicamente eles iam ficar bem agora? Enquanto o Perkins se recuperava de lesão e o Shaq foi o titular do Boston, o time foi excelente. O Shaq era uma presença ofensiva importante, dava seus tocos, pegava rebotes e trazia um tamanho pro garrafão do Boston que pouquíssimos times na Liga podiam rivalizar (Na verdade, só o Lakers podia). Assim, o Boston massacrou todo mundo, o Shaq parecia de volta aos bons dias (dadas as devidas proporções!) e ninguém duvidava que esse time era sensacional. Sem o Shaq e sem o Perkins, o time sofreu demais no garrafão e na defesa, e todo mundo deve lembrar que o Celtics só não foi campeão em 2010 porque não conseguia pegar rebotes no jogo sete das Finais.

Ou seja, o Boston precisa do seu garrafão pra ser o grande diferencial em relação aos outros times, e pra isso eles precisam do Shaq. O Shaq é esperado no jogo de domingo, não treinou hoje mas deve treinar amanhã, e aparentemente está bem. Mas tem que ver se ele consegue continuar assim e também se ele está com o ritmo necessário para ser o diferencial nos playoffs. E contra um time como o Knicks, que não tem garrafão, essa altura é o mais importante aliado do time.

Já o Knicks sabe que não tem a menor chance nos playoffs, que o time está mais fraco e vulnerável do que antes da troca e que eles precisam de tempo pra arrumar muitas coisas. Sim, o Knicks emplacou uma boa seqüência de vitórias, ta jogando melhor, etc e tal, mas o Knicks não tem praticamente ninguém alé do Amare Stoudamire, Melo e Chauncey Billups e também não tem garrafão. Quando trocou até a mãe pelo Melo, o Knicks tava pensando no que iria conseguir daqui a dois ou três anos, em quem poderia atrair com as suas estrelas, e então seria a hora do time brigar de verdade. A hora não é essa, essa é a verdade.

Por outro lado, isso também quer dizer que o Knicks tem menos responsabilidades que o Celtics. O Knicks tem o Melo, tem suas duas estrelas em plena forma, mas seria uma zebra se eles vencessem de verdade. O Knicks não precisa ter medo de perder, ao contrário do Boston, e por isso o Knicks pode ser mais perigoso. E pra ganhar, o Knicks tem que aproveitar o embalo e correr como se sua vida dependesse disso. Um jogo mais lento favorece o garrafão maior do Celtics (Supondo que o Shaq jogue) e o Celtics costuma apresentar algumas dificuldades contra times mais rápidos, o Celtics não é exatamente um time jovem. Correr, arremessar, explorar ao máximo suas duas estrelas e se precisar deixar o Carmelo se virar. Não acho que o Knicks aguenta a série toda assim, vai cometer muitos turnovers e isso vai fazer o Celtics um time feliz se o Rondo estiver inspirado, mas é a melhor chance deles e também pode ser uma forma de cansar o Celtics e fazer eles recorrerem ao banco que tem um entrosamento bem fraco. Ah é, o banco do Knicks é ainda pior, falha minha.

Palpite: O Celtics vai ganhar, o Knicks vai ganhar um ou dois jogos mas não vai realmente assustar. Isso é, se o Celtics for pra valer nesses playoffs e vir com aquela vontade e basquete do começo da temporada. Celtics em cinco jogos.

Preview - Dallas Mavericks vs Portland Trail Blazers

Dirk Nowitzki surta ao perceber a fria que se meteu ao ficar em Dallas

O Dallas Mavericks era mais um dos times sensações do começo da temporada: Muita defesa, Dirk Nowitzki jogando em nível MVP, o time ganhava de todo mundo e chegou a ficar longos períodos invicto, e parecia que o Mavs ia escapar do eterno rótulo de time que morre na praia. O Mavs ficou brigando pela maior parte da temporada com o Lakers pelo posto de segundo melhor time do fortíssimo Oeste e conseguiu ficar com a terceira seed, além de que o alemão continua jogando o fino da bola. Então porque eu não consigo realmente acreditar no Dallas?

Bom, a razão é simples: Caron Butler. O Butler machucou o joelho feio durante a temporada regular e, se retornar, deve retornar apenas após o fim da série contra o Blazers. Ou seja, ele não vai jogar essa série então o Mavs vai ter que se virar com o que tem. E quando eu digo o que tem, eu digo Jason Kidd, Jason Terry, Shawn Marion, Roddy Beaubois e Tyson Chandler. Não é o pior grupo de jogadores do mundo, são todos bons Role Players, algo que de certa forma o Butler também era. Então porque todo o circo por causa do Butler?

Primeiro, vamos analisar o time que sobrou. Kidd já foi um tremendo armador, um dos melhores passadores da Liga por anos a fio, mas ele não consegue criar um arremesso para si mesmo mais, não é uma garantia defensiva e parece perder um osso a cada jogo que ele joga desde o All-Star Game. Ele não tem mais o pique pra jogar, é um vovô que joga muito mais pela inteligencia e pela habilidade com as mãos, mas ele não aguenta mais uma série física como o Blazers tem condições de fazer. Marion e Chandler são ótimos defensores, o Marion individualmente marca muito bem jogadores de várias posições e o Chandler é perfeito e essencial para a defesa por znoa do Mavericks defendendo perto da cesta, mas também são dois jogadores incapazes de criar uma cesta. O Beaubois é um bom pirralho, mas talvez ele fosse mais valioso ao time se tivesse sido trocado por alguém antes da deadline, mas o Mavs confundiu ele com o Michael Jordan e acabou não trocando o pirralho. Ele é bom, sabe arremessar e tem um bom controle de bola, mas não é um grande jogador e também não vai resolver o problema do Mavs. E o Terry é basicamente um arremessador, é ótimo pontuando nos quartos períodos mas não aparece muito nos outros três quartos e já deixou de ser confiável a muito tempo.

Em outras palavras, o Mavericks tem, tirando o Nowitzki, um bando de role players, sendo que o único deles realmente capaz de criar um arremesso é o Terry, que parece funcionar a pilha e ela não dura mais do que oito minutos. O Mavericks lidou com isso durante toda a temporada rodando muito bem a bola, tendo muita paciência e fazendo o jogo passar pelo Nowitzki, que muitas vezes preferia continuar a rotação da bola ao invés de finalizar a jogada, o que ajudou muito o Mavs pela atenção extra que ele atraia da defesa e ajudou também o alemão a ter o melhor aproveitamento em arremessos da sua carreira.

O problema é que o time do Dallas tinha apenas três jogadores que criavam o próprio arremesso, e com eu já disse o Terry não funciona com Duracell. O Nowitzki é um, e o outro era o Caron Butler. O Butler não era o jogador mais habilidoso do mundo, ele é outro role player do time, mas a função dele era uma das mais importantes desse ataque. As vezes ele exagerava nos arremessos de três pontos, mas o fato é que o Butler era o único jogador desse ataque que era capaz de atacar a cesta quando o ataque estava estacionado. Isso dava uma dimensão diferente ao time porque ele era o único jogador que fazia isso com freqüência, o Nowitzki também faz as vezes mas não é o jogo dele, e o Nowitzki de meia distância e o Butler partindo pra cima e cavando faltas eram as válvulas de escape pra desafogar o ataque do Mavericks quando ele estagnava na partida. Desde a lesão do Butler, no entanto, o Mavericks não tem ninguém que faz eficientemente essa função, e então quando o ataque enguiça e a rotação de bola não funciona, ou quando o time precisa de uma cesta, só tem uma pessoa em todo o time capaz disso, e é lógico que é o alemão. Isso coloca pressão e responsabilidade demais em cima do Nowitzki, que tem que levar o ataque nas costas muito mais do que ele gostaria ou do que é saudável para o ataque do Mavs. Ele é a única opção nessas horas, o que também torna esse ataque ainda mais previsível.

Em resumo, o Nowitzki leva esse time do Dallas nas costas, com ou sem Caron Butler. O problema é que nos playoffs o Nowitzki não vai poder fazer isso pra sempre e o Mavs corre o risco de não conseguir arrumar uma solução para esse problema e apodrecer logo na primeira rodada dos playoffs pela milésima vez. O Dallas só não está condenado porque o Dirk é um monstro ridículo que realmente consegue levar um time nas costas, e ele vai ter que jogar melhor do que nunca pra fazer esse time continuar ganhando sem o Butler. O Mavs tem uma boa defesa, uma superestrela que coloca a bola dentro da cesta talvez como ninguém na Liga, e uma coleção de bons jogadores, tem potencial pra vencer o seu confronto, mas o excesso de dependência do Dirk - não apenas para pontuar, mas para colocar ordem em todo o ataque - é preocupante. A não ser que alguém no time consiga aparecer como uma válvula de escape pro alemão, o Dallas está condenado. Pode ser agora ou nas semifinais, mas está condenado.

E também não ajuda o fato do adversário do Dallas ser um time forte, entrosado, embalado e que tem um jogo físico e uma coleção de talentos, e talvez seja o time mais perigoso da primeira rodada dos playoffs já que o Grizzlies está sem o Rudy Gay. O Blazers é um time que chegou até os playoffs meio aos trancos e barrancos: Brandon Roy está com problemas sérios no joelho e o time parecia sem um padrão sem seu melhor jogador, mas o Lamarcus Aldridge aprendeu a jogar no garrafão, está atacando a cesta muito mais, e está pontuando muito mais também, virou um jogador muito mais perigoso e levou o Blazers nas costas por todo o tempo que o time esteve perto de jogar a toalha. E aí o Blazers aproveitou do Bobcats ter desistido do mundo pra pegar o Gerald Wallace numa troca, o Wesley Matthews está fazendo jus ao seu contrato que antes parecia absurdo e o time de repente ressurgiu como um novo time: mais físico, mais versátil (Várias vezes o time usa um small ball com o Aldridge de pivô, Wallace na 4 e o Nicolas Batum na 3) e muito mais preparado para a pós temporada.

O Blazers tem uma defesa forte no garrafão, tem ótimos marcadores individuais e tem como bater de frente com o Blazers, mas o Nowitzki ainda é o melhor jogador da série e isso pode ser problemático para o Blazers. Portland precisa estabelecer o jogo físico no garrafão, não dar espaço para as bolas longas e principalmente colocar alguém no Nowitzki capaz de incomodar, e acho que a melhor pedida aqui é o Wallace. O Dirk é ótimo, mas não é muito físico, e o Wallace já marcou muitos jogadores maiores que ele. A questão aqui é se o Wallace é capaz de tirar o Nowitzki da sua situação de conforto, de frente ou de costas para a cesta. Se ele incomodar o Nowitzki e conseguir evitar que o alemão carregue o time nas costas, o Blazers tem o jogo ganho. Mas também tem que ver como o Roy vai jogar essa série.

O Roy teve problemas no joelho, não consegue mais jogar tanto e parece que o tempo dele na NBA está contado (O do Grant Hill também estava, então isso não necessariamente é definitivo), e desde então o Roy tem saído do banco de reservas, tem tido minutos e produção limitada e não tem causado realmente um impacto na maioria dos jogos. Ainda assim, ele tem tido alguns bons jogos, ele comeu o Mavs com farinha no final do jogo de um encontro anterior e também acertou bolas importantes quando seu time venceu o Miami Heat. Ou seja, tem que ver se o Roy vai fazer apenas esse papel - entrar, acertar meia duzia de jumpers, e de repente jogar os minutos finais - ou se o Roy estava sendo poupado para os playoffs e agora que chegou ele vai ganhar mais minutos e jogar com mais agressividade. Não da pra saber, joelhos são uma coisa problemática, mas se a segunda for o caso o Blazers ganha um reforço importante não só pra série como pra toda a pós temporada, porque o Roy com força total é um dos melhores jogadores da Liga.

Palpite: Eu adoro o Dirk Nowitzki, mas acho que o Dallas não vai conseguir superar a ausência do Butler. Não por ele ser um craque - ele não é - mas porque isso faz com que o ataque do Dallas fique muito estagnado. Ainda assim, o alemão leva um par de jogos sozinho. Portland em seis jogos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preview - Orlando Magic vs Atlanta Hawks


"Você ta ligado que a gente vai acabar com vocês de novo, né?"

Finalmente o terceiro jogo do Leste, a conferência mais chata da NBA em termos de quartas de final, que acontece no sábado. Além desse e dos outros dois postados abaixo, só tem mais um, que é Dallas e Portland. Que deve vir amanhã, ninguém é de ferro, eu preciso comer e dormir, além de assistir um pouco de baseball de vez em quando.

O Atlanta Hawks ganhou três dos quatro jogos que fez contra o Orlando Magic essa temporada. O Atlanta Hawks tem bons jogadores, se manteve em quinto lugar da conferência mais fraca da NBA, enquanto o Orlando Magic passou por muitas mudanças no elenco, não se encontrou até agora na temporada e todo mundo aponta o Magic como morto. Mas não se enganem crianças, o Hawks não vai conseguir passar por cima do Magic e ir brigar com o Bulls, o que aliás seria uma surra homérica por parte do Derrick Rose.

Não é a primeira vez que ao final da temporada o Hawks parece um time que vai fazer páreo para o Magic, o time tem bons jogadores, chega embalado e todo mundo se pergunta "Se esse time sempre está entre os melhores do Leste, então é porque eles tem um bom time". Bom, o Leste é bem fraco depois do seu Big Three (Afinal, Big Threes estão na moda) e se jogasse no Oeste o Hawks seria tão relevante para a NBA como o Warriors, com a diferença de que o Warriors continua sendo legal de assistir no League Pass. O Hawks tem bons jogadores, mas tem 'medíocre' na parte de trás da camiseta e depois que assinou o Joe Johnson um contrato digno do Kobe Bryant que o Johnson não é mas queria ser (120 milhões? Seis anos? E voce realmente tem esperanças de ser alguém na vida?), o time vai estar estacionado com o teto salarial travado por anos a fio. Além disso, o Josh Smith vai ganhar mais de 12 milhões de patacas por mais dois anos e o Al Horford por mais cinco. Até o Zaza Pachulia vai ganhar 5 milhões pelos próximos dois anos! Alguém ta começando a entender porque o Hawks é irrelevante para a Liga... para o mundo... pra gente? E sim, da última vez que isso aconteceu, eles foram varridos sem dó nem piedade pelo Magic.

E o pior é que o Hawks não está pronto pra sair disso e muito menos de ganhar do Magic em alguma coisa além da temporada regular. E é simples: O Hawks não tem garrafão. O Josh Smith é um bom jogador, o Al Horford é um bom jogador, mas eles juntos não formam o garrafão, o Josh Smith joga melhor como um ala ou até um ala de força mais baixo, e o Horford como ala de força, nenhum é realmente um pivô e os dois juntos estão muito longe de terem o tamanho suficiente pra bater de frente com um garrafão com o Dwight Howard versão 2011, ou seja, um Dwight Howard que realmente sabe atacar. Por isso o segredo para o Hawks vencer o Magic é... Jason Collins!!

Não, é sério, pode parar de rir. O Jason Collins é o único jogador do Hawks que consegue evitar que o Dwight Howard coma o garrafão do Hawks com farofa (e isso de certa forma é um indicador de como esse garrafão é triste). O Collins é uma parede, mas uma parede que tem feito um trabalho bom mantendo o Dwight afastado da cesta e, mesmo que o Dwight ainda seja bom o bastante pra pontuar por cima dele, isso evita que o Magic tenha o controle total do garrafão, libera o Horford pra jogar de ala de força, onde ele rende muito mais, e evita que o Hawks tenha que dobrar a marcação no Howard e abra espaço pra uma bola de três. Se o Collins conseguir evitar o problema de faltas e se manter em quadra pra diminuir a vantagem no garrafão, o Horford pode fazer estrago de ala de força em cima do Brandon Bass ou do Ryan Anderson e o time pode viver um pouco mais longe da cesta pra não tomar tocos do Dwight o dia todo. Mas pra vencer o time também vai precisar pontuar dentro do garrafão com consistência, e aí eles vão ter que torcer... Muito.

Pro Magic, o importante é deixar o Howard confortável lá no garrafão. Pra isso, o Magic vai ter que ver os outros quatro jogadores jogando bem. O Magic do ano passado, quando o Dwight não conseguia jogar com tanta liberdade e não precisava atrair um double team, só funcionava quando o Jameer Nelson colocava a bola embaixo do braço e partia pra cima da cesta pra abrir espaços. Ou o Jameer ou alguém vai ter que fazer esse papel, mas se o Hawks conseguir travar o Dwight de certa forma com o Collins, o Magic vai ter que encontrar esse jeito de abrir espaços. Uma boa forma de fazer funcionar é se o Gilbert Arenas se motivar pelo menos um pouco, o Arenas que jogava algum tempo atrás era um monstro que era um dos melhores pontuadores da NBA e partia pra dentro e arremessava pra três quando queria. Ninguém espera que ele realmente jogue nesse nível, mas se começar a jogar com vontade já é o suficiente pra desafogar o jogo do Magic. O Hedo Turkoglu também vai ter que revezar com o Nelson quem vai ficar com a bola, o Nelson infiltrando mas com o Turkoglu colocando a bola nas mãos do Dwight Howard em condições melhores de pontuar, principalmente de frente pra cesta. Também era melhor que o Brandon Bass jogasse, ele aumenta a altura do Magic e se o Howard conseguir dominar o Collins ou então quando o Collins não estiver em quadra - ele é um cone no ataque, não da pra manter ele tempo demais - a altura dessa dupla vai ser demais pro Hawks.

Palpite: O Collins não vai segurar o Dwight pra sempre e o Hawks não pode viver só de arremessos de fora e de contra ataques, e não vai conseguir pontuar no garrafão consistentemente. Esse ano não vai ser de varrida... Mas ainda vai ser em cinco jogos. Magic em cinco jogos.

Preview - Miami Heat vs Philadelphia 76ers


Pra que impedir o James Jones de infiltrar? Ele não pontua no garrafão mesmo.

Sim, estamos soltando isso mais rápido do que a gente imaginava. Esperamos até sábado soltar todos os oito previews. O primeiro já está aí embaixo (Bulls vs Pacers), e agora a gente volta com outro, bem mais interessante: Miami Heat vs Philadelphia 76ers.

Eu sei que muita gente preferia ver o Heat enfrentar o Knicks na primeira rodada para ver uma treta generalizada de All-Stars, e realmente seria bem divertido, mas esse jogo não é desinteressante. Pelo contrário, tem tudo pra ser uma das melhores séries do Leste e talvez até das duas conferências.

O Heat e o Sixers, embora tenham muitas diferenças principalmente na configuração do elenco, são times bem parecidos. Embora o Heat seja o time com mais atenção da mídia na NBA e o Sixers seja um time meio deixado de lado, ambos são times que começaram a temporada com seus tropeços e depois engranaram. O Heat começou perdendo alguns jogos pro Boston mas mostrando força contra times mais fracos, até pegar uma sequência mais complicada e perdendo muitos jogos. Aí o time começou a se acertar, o Dwyane Wade começou a jogar mais sem a bola, o Erik Spolestra começou a encontrar as melhores formas de utilizar suas estrelas, e o time começou a render, rendeu tanto que ficou invicto por 12 jogos antes de perder pro Mavericks e depois ficou mais uma cacetada sem perder. Depois alguns deslizes, algumas boas seqüências e tudo pareceu superado.

O Sixers também teve uma temporada de autos e baixos, e começou muito por baixo: O calouro Evan Turner, segundo do Draft, não jogou bem, o time parecia perdido, o técnico Doug Collins não sabia mais o que fazer e o time começou com uma das piores campanhas da Liga. Até que o time foi se acertando, o Andre Iguodala passou a ser menos acionado no ataque, o Lou Williams ficou com o papel de sexto homem, o Evan Turner apodreceu no banco, o Thaddeus Young entrou muito bem, o Elton Brand aparentemente reviveu, o Jodie Meeks de repente virou o Ray Allen e o Jrue Holiday evoluiu bastante e tem sido um dos melhores do time. Com isso, o Sixers passou a ganhar vários jogos, apertou contra equipes fortes e chegou a flertar com o quinto lugar do Leste, até que o Knicks começou a ganhar tudo e o Sixers caiu pro sétimo lugar. Tudo bem, dadas as devidas proporções, mas até que são trajetórias parecidas.

No jeito de jogar, também são parecidos. São times que tem uma defesa muito forte, forçam muitos turnovers e que jogam muito bem no contra ataque. Mas também são times que as vezes sofrem pra jogar um basquete de meia quadra, tão utilizado nos playoffs. Claro que tem muitas diferenças, o Sixers chuta mais de três pontos com o Meeks e sua dupla de armadores e o Miami vive das jogadas individuais do Wade e do Lebron James, mas a base de jogo é a mesma. E como quem tem a clara vantagem no talento individual é o Miami Heat, quem vai ter que suar sangue pra conseguir alguma coisa vai ser o Sixers, e isso quer dizer que eles tem justamente que jogar nos pontos fracos do Miami o máximo possível.

Para isso, o Sixers vai ter que, antes de mais nada, desacelerar o jogo o máximo possível quando estiver jogando em meia quadra. Isso quer dizer que o time deve rodar bem a bola, trabalhar os 24 segundos e não sair chutando logo que achar uma abertura, tem que conseguir as melhores oportunidades possíveis e trabalhar no garrafão com o Elton Brand. Talvez não seja o melhor estilo de jogo do Sixers, mas é uma forma de evitar turnovers e rebotes longos dos arremessos errados de três pontos e terminar as posses de bola com uma cesta ou com um rebote próximo à cesta do Miami, de preferência com aqueles tapinhas na disputa pelo rebote, o que impede que o Heat saia desabalado na correria e tenha que apelar para um jogo de meia quadra, que é quando o Heat mais tem dificuldades.

Pra isso vai ser importante estabelecer o Elton Brand perto da cesta, até pra explorar o garrafão fraco de Miami, mas o Sixers não tem o tamanho pra fazer com o Heat o que o Boston fez três vezes já na temporada, então eles vão ter que se contentar com o jogo lento mesmo, e evitar que o Lebron e o Wade possam sair correndo e improvisando. Na defesa, o Iguodala, que é um dos melhores (pra mim o melhor) defensores de perímetro da Liga, vai ter que colar no Lebron e não deixar ele abrir espaço na defesa. Em contra partida, sempre que o Sixers roubar a bola, eles tem que ter liberdade para correr para o ataque, porque isso eles fazem muito bem com o Iguodala e o Young, mas não podem perder a cabeça, tem que saber reconhecer a situação e parar se estiverem em desvantagens, forçar bolas pode ser mortal pro Sixers.

Já pro Heat, els tem que fazer o contrário, que é explorar seus pontos fortes. O time tem vantagem em talento, tem dois dos melhores jogadores do planeta e se conseguir impor seu estilo de jogo não deve ter muito que ter medo. Eu disse aqui que o Heat não era um time montado para os playoffs, o que aliás gerou a fúria do Celo, porque o Heat é um time que prefere jogar nos contra ataques, tem dificuldades com o jogo de meia quadra, arremessa demais de meia distância, pontua pouco no garrafão e vinha tendo dificuldade pra decidir jogos apertados, o que é uma conseqüência de todas as outras. No Sixers, eles vão encontrar um adversário que vai colocar tudo isso à prova contra o Heat, porque é um time que já tem uma defesa forte e vive da sua defesa de meia quadra e que deve vir preparado para desacelerar tudo pra evitar que o Heat jogue como gosta. O Heat precisa pontuar mais no garrafão, continuar acionando o Chris Bosh perto da cesta e aproveitar os arremessos de três pontos que o Mike Bibby trouxe ao time para não depender tanto das bolas de meia distância. Se o Lebron for marcado pelo Iguodala, isso vai deixar o Wade com mais liberdade e por isso o Wade pode fazer o papel de armador com menos preocupações que o Lebron, já que ele não vai ter um grande marcador na frente. E com isso o Lebron deveria se posicionar mais perto da cesta pra aproveitar a falta de um pivozão do Sixers, que é um time que gosta de jogar mais baixo, e jogar um pouco mais dentro do garrafão, até pra abrir espaço pras bolas de três do Mike Bibby e, com sorte, do Mike Miller, que não jogou bem até aqui mas pode fazer a diferença com meia dúzia de bolas longas.

O Heat é claramente o favorito, mas talvez preferisse pegar um time que jogasse um pouco mais aberto do que o Sixers, mas pelo menos o Sixers não consegue levar uma vantagem clara no ponto fraco do Heat, o garrafão, pela falta de um bom pivô que jogue lá dentro. O Sixers pode tentar explorar o Jrue Holiday indo pra cima do Mike Bibby, mas se começar a virar um padrão o Heat deve colocar o Wade pra marcar o Holiday e o Bibby correndo atrás do Meeks.

Palpite: Embora o Heat seja o melhor time, o Sixers tem menos a perder e tem uma defesa que pode endurecer para o Miami. Acho que o Sixers leva um ou dois jogos antes do Miami finalmente entender como despachar o time da Philadelphia. Ou isso, ou o Heat vai virar uma máquina de jogar pós temporada e varrer Philadelphia. O Heat é meio imprevisível. Miami Heat em seis jogos.

Preview - Chicago Bulls vs Indiana Pacers


Um excelente resumo do que eu espero para essa série

Agora que nós já demos o nosso palpite pros principais prêmios da temporada e pro MVP, e agora está na hora de falar sobre os oito confrontos das oitavas de final, um por um, e a gente vai começar com a série mais chata porque a gente prefere começar pelo pior e ir melhorando aos poucos. E acho que o fato do Pacers ter classificado (nada contra o TIME do Pacers, mas o time tem menos de 40 vitórias, o Leste é uma droga!) é uma das coisas mais bizarras desses playoffs. Mas enfim, vamos à série entre Bulls e Pacers antes que eu me arrependa, e fiquem ligados que provavelmente ainda hoje sai mais um preview.

Essa é, provavelmente, a série mais fácil, previsível e inútil de toda a primeira rodada. De um lado o Bulls, melhor record da NBA, com o provável MVP, a melhor defesa da Liga e embaladíssimos pelo final de temporada de outro mundo do time e do Derrick Rose. Do outro, um time que perdeu oito jogos a mais do que ganhou, que teve uma troca de técnicos no meio da temporada e que em nenhum momento apresentou um basquete consistente. O esporte é imprevisível, claro, mas acho que a chance de uma grande zebra aqui é tão pequena como a do JR Smith ser o jogador de defesa do ano. O Pacers tem um elenco jovem e talentoso, não tem motivos pra ficar triste com uma uma eliminação aqui, tem é que pensar no futuro e em continuar construindo em torno dessa base.

Eu realmente acho que essa série, além de a mais fácil e previsível, vai ser também a melhor chance do Bulls de entrar no clima de pós temporada. O time do Bulls é jovem, se montou praticamente essa temporada, e tirando o Carlos Boozer ninguém no time titular está muito acostumado a jogar playoffs. Essa série é uma ótima chance do time começar a se aclimatar com os playoffs, sentir a torcida, e jogar uma série mais pegada e com defesa mais forte como é comum nos playoffs. Se o Bulls conseguir usar isso pra ficar ligadão, é muito mais importante do que uma vitória por 4-0, por exemplo. Um ou dois jogos mais difíceis, como aquele jogo que o Pacers ganhou em OT que o Rose levou o time nas costas e só não fez chover (Se tivesse feito, teriam ganho), também podem ser bons pro time perceber os ajustes que tem que fazer para os playoffs, e pra isso eu confio no gênio do Tom Thibodeau.

A série também vai ser boa pro garrafão do Bulls ter a chance de se entrosar um pouco mais, ele sofreu demais com lesões e as vezes parece sem ritmo. Boa chance do Rose trabalhar mais com o Carlos Boozer em pick and rolls como o Deron Williams fazia no Jazz. TA bom, não é exatamente o estilo do Rose nem como ele rende mais, mas é um tipo de jogada que é importante desenvolver nos playoffs e o time, mais pra frente, vai precisar de um bom ataque de garrafão. A defesa do Pacers não é das melhores da Liga, mas melhorou recentemente e pode ser um bom teste pro que bom pro Bulls se esquentar pro que vai enfrentar pela frente (Celtics, Heat, Magic). Mas não vejo o Bulls se desdobrando muito pra precisar vencer a série.

Já o Pacers não tem muito a perder, mas também não vai querer cair fora de graça. O mais importante pra eles é parar o Derrick Rose, mas nem uma parede de concreto consegue fazer isso atualmente, então a melhor chance deles é colocar o máximo de gente possível na frente do Rose pra evitar que ele fique com a bola nas mãos muito tempo e explore a falta de outro jogador pra segurar a bola além dele no Bulls. O time não pode dar espaço pra ele arremessar e forçar ele a partir pra cima, e aí o Roy Hibbert vai ter que jogar que nem no começo da temporada e evitar que o Rose consiga jogar perto do aro com seu tamanho e braços longos. Não vai parar o Rose por muito tempo, ele já é versátil e simplesmente bom demais pra isso, mas limitando o Rose é uma boa forma de começar a limitar o Bulls.

Além disso, o time vai precisar conseguir superar a defesa do Chicago de alguma forma. Nos confrontos entre esses times na temporada regular, o Pacers acertou apenas 38% dos seus arremessos, e não deve esperar vida fácil de um time que está com sangue nos olhos e tem por definição uma defesa doentia. O Danny Granger, que foi tudo menos constante na temporada regular, vai precisar jogar bem e acertar seus arremessos de longe pra abrir a defesa pras infiltrações do Darren Collison e do Paul George, além de ter que contar com o Tyler Hansbrough e o Hibbert dentro do garrafão. Eu normalmente falaria que o Hansbrough tem o matchup mais fácil porque o Boozer não defende grandes coisas, mas contra o Bulls isso não funciona porque a defesa do Bulls é montada de forma muito mais coletiva do que individual. A forma de superar isso é rodando bem a bola, de preferência com velocidade (O que deixa seu ataque, por outro lado, mais vulnerável a turnovers)  e atacar a cesta sempre que achar uma abertura para tentar cavar faltas, que rendem pontos bem mais fáceis. Mesmo assim, não da pra cobrar muito do Pacers.

Palpite: O Bulls tem defesa demais, talento demais e o Derrick Rose. O Pacers não tem a menor chance, no máximo consegue roubar uma partida em casa, mas nada além disso. Bulls em cinco jogos.