Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Preview - Oklahoma City Thunder vs Dallas Mavericks


O grande problema do Durant é não usar mais essa camisa verde

Parece que os técnicos de dois dos times mais baladados da Liga ao final da temporada regular, Tom Thibodeau e Scott Brooks, ligaram um para o outro antes do começo dos playoffs e tiveram o seguinte diálogo:

- Ei Thibs, acho que somos dois dos favoritos ao título.

- Graças ao Danny Ainge, não?

- Com certeza. Mas eu tava pensando, a gente não pode entregar o outro jogando muito bem logo de cara. Que tal deixar pra jogar pra valer só no último jogo da semifinal de conferência, e dai só continuar?

- Parece interessante. Aceito se você me trocar o Nate Robinson por uma escolha de segunda rodada.

- Feito

(Agora, se o Nate Robinson REALMENTE for trocado, vocês já sabem o que aconteceu).

Por mais idiota que isso seja, tanto Bulls como Thunder parece que realmente estavam guardando o ouro. Os times não jogaram MAL exatamente, principalmente o Thunder, mas nenhum mostrou consistentemente o basquete que fez desses dois times favoritos. Até que, no último jogo da segunda fase, o jogo que garantiu a classificação de ambos, foi uma aula de tudo que esses times são capazes de fazer, eles dominaram completamente seus adversários e o Bulls inclusive levou isso ao próximo nível com uma surra em cima do Miami Heat. A vitória do Thunder no jogo sete da série, sobre a qual eu falei no post imediatamente abaixo desse, foi uma mostra de tudo que a gente sabia que eles tinham de bom e perigoso e pareciam incapazes de demonstrar direito até agora: O Kevin Durant acertando arremessos de qualquer lugar, o Russell Westbrook mais armando e defendendo do que tentando forçar arremessos e pontuando quando a chance aparecesse, as bolas de três caindo e a defesa de garrafão fortíssima levando a pontos de transição. Foi um jogo fácil, o Thunder teve controle do começo ao fim e agora, cansado, vai pegar um time descansado e talvez com menos ritmo, o Dallas Mavericks, um time cujo maior trabalho nos últimos dias foi torcer por uma perna quebrada do Durant ou do Zach Randolph.

Essa classificação muito antecipada do Dallas Mavericks e o seu período de descanso levantam uma velha questão acerca das varridas: Um time que fica tanto tempo sem jogar acaba por perder o ritmo? Eu não sei, acho que depende muito de time pra time, mas acho que o mais importante pro Dallas é o seu período de descanso. O Mavs é um time vovô no meio dos pirralhos, sentiu muito o peso da idade no final da temporada regular, e esses dias de descanso com certeza vão ajudar o time a ter perna pra aguentar a correria do Thunder, um Thunder que está vindo de sete jogos e quatro prorrogações, apensar de ser bem mais jovem.

O engraçado dessa série é que as melhores características defensivas dessa série não vão ser utilizadas à sua máxima eficiência. Tanto Thunder como Mavericks chegaram até aqui com base na sua fortíssima defesa de garrafão, seja devido ao combo Serge Ibaka e Kendrick Perkins no caso do Thunder ou graças a uma defesa por zona e o Tyson Chandler cobrindo a cesta. O Thunder usou essa defesa pra segurar o mais forte garrafão do Grizzlies quando a coisa apertou e o Mavs massacrou o Lakers e passou pelo Blazers porque nenhum deles conseguiu jogar com segurança na área pintada. Mas nesse caso, nem o Thunder, que vive mais dos arremessos de meia e longa distância e não tem um pontuador consistente no garrafão, e muito menos o Mavs, que vive das suas bolas de três e seu melhor jogador de garrafão, o Dirk Nowitzki, prefere muito mais arremessar de fora dele e com o Caron Butler machucado o time não tem ninguém que parta pra dentro e cave muitas faltas com consistência. 

Claro que infiltrações fazem parte de qualquer jogo e qualquer equipe, haverá infiltrações, tocos e um time que consiga fazer isso vai ter uma certa vantagem, mas não vejo nenhum desses dois times com o jogo perto do aro como sua característica ofensiva de forma que essas defesas forcem o outro time a alterar drasticamente seu plano de jogo. O que pode pesar é se o Dallas começar a perder muitos rebotes pro garrafão do Thunder, o garrafão do Mavericks é forte defensivamente por causa da zona e as vezes deixa a desejar nos rebotes, enquanto o do Thunder é forte por puro bife e atleticismo (Serge 'Bill Russell' Ibaka é um bom exemplo disso) e pega mais rebotes, mas se o Dallas conseguir manter o controle dos rebotes defensivos, não deve ter maiores problemas.

Por isso, a série deve ser decidida por quem conseguir explorar melhor seus pontos fracos. Eu duvido que o Jason Kidd consiga marcar eficientemente o Westbrook por muito tempo, por exemplo, mas a questão é o que o Westbrook vai fazer com essa vantagem: O Kobe, que também foi marcado pelo Kidd, driblava pro lado e dava um arremesso de meia distância, o que foi péssimo pro Lakers na série. Se o Westbrook continuar jogando sem pensar como fez até demais contra Memphis, ele provavelmente vai querer decidir tudo sozinho e isso vai render um arremesso forçado ou vai forçar demais a infiltração até cometer um turnover. Se ele usar a sua vantagem sobre o Kidd pra abrir espaços e ai acionar seus companheiros como fez no jogo sete, então é o matchup a ser explorado pelo Thunder. Também tem o fato de que o Mavericks não tem um marcador para o Durant. Quem marcou o ala melhor na semifinal foi o Tony Allen, não o Shane Battier, simplesmente porque o Battier - assim como o melhor marcador individual do Dallas, o Shawn Marion - tem como característica colar em quem está marcando, não deixar ele se mexer, é um marcador muito técnico. Mas o Durant simplesmente vai pegar a bola contra um marcador assim, arremessar por cima usando sua altura e envergadura ou vai aproveitar da sua velocidade pra abrir espaço. O Tony Allen marcou o Durant de outra forma, usando seu atleticismo pra ser um tremendo pentelho que não deixou o Durant pegar na bola, quando ele finalmente tinha espaço pra pegar na bola ele estava muito atrás da linha dos três, onde não podia arremessar. E eu não sei se o Mavericks tem um marcador com essas características, talvez o Corey Brewer possa fazer esse papel.

Por outro lado, por melhor que seja a defesa de garrafão do Thunder, eles não tem um marcador para o Nowitzki. O Perkins é ótimo marcando jogadores próximos à cesta, mas se for marcar os arremessos impossíveis de meia distância do alemão ele é um inútil e ainda vai dar a chance do Chandler pegar rebotes de ataque. Já o Ibaka é ótimo defensor próximo do aro, mas não tem a experiência pra marcar o alemão fora do garrafão no 1 a 1. A melhor forma de marcar o Dirk é colar nele, não dar espaço pra ele arremessar e forçar ele a bater pra dentro, onde o Ibaka ou o Perkins estaria esperando, ou a passar a bola pra alguém menos perigoso. Mas o Thunder não tem um marcador assim, como o Bruce Bowen tanto fez, por exemplo, e o Ron Artest poderia eventualmente fazer. A melhor opção aqui deve ser o Nick Collison e depois trocar de marcador o tempo todo pra confundir o alemão. Tirar ele do seu jogo é a melhor forma de segurar o Mavericks. Mas se fosse fácil, já teriam feito isso a anos, e atualmente talvez ele tenha o arremesso mais imparável da Liga.

Em resumo, são dois times que vão ter condições de explorar seus pontos fortes e não vão ter que, num primeiro momento, alterar o plano de jogo drasticamente. Essa é uma série que vai exigir muitos ajustes jogo a jogo e realmente não tem um favorito. Talvez, no final das contas, tudo se resuma ao seguinte: Quem vai ser melhor na série: Durant ou Nowitzki? Meu voto, por tudo que fez até aqui, vai pro alemão. Mas por pouco...

domingo, 15 de maio de 2011

A série que não quer acabar


Randolph e Durant num momento de união para secar a torcedora

Se alguém me falasse, dois anos atrás, que eu estaria vendo uma série fantástica de playoffs entre Thunder e Grizzlies, com direito a prorrogações, vários jogos com viradas espetaculares e sete jogos valendo vaga na final do Oeste, eu provavelmente teria achado que a pessoa bebeu demais, e não me refiro a simples cervejas. Dois anos atrás, Grizzlies tava tentando explicar a troca do Pau Gasol enquanto perdia tudo quanto era jogo, o Thunder foi um dos piores times da Liga, e ninguém imaginava que em apenas dois anos seriam dois dos mais temidos times do Oeste. E agora, apenas dois anos depois, estamos num jogo sete de uma série intensa entre esses dois.

E realmente, já tivemos de tudo. No começo, eu disse que os dois primeiros jogos foram previsíveis porque, conforme eu tinha dito no preview da série, a chave para vencer era dominar o garrafão, porque foi assim que o Grizzlies eliminou o Spurs e era sua principal arma, enquanto o Thunder tinha um fortíssimo garrafão defensivo. Eu disse que a série iria para quem conseguisse se impor nesse duelo: o ataque do Grizzlies ou a defesa do Thunder, sempre dentro da área pintada.

Mas nessa série, não só nenhum time tem sido capaz de dominar a região próxima ao aro por muito tempo como cada vez mais um jogador aleatório, um fator aleatório, surge para dominar um certo jogo. Ou pra atrapalhar, afinal tivemos três vezes nessa série um time mais de 10 pontos na frente tomando a virada no final. A série ta alucinante, vai acabar hoje no jogo sete e, realmente, não deve nada a nenhuma outra série.

E cada vez que parece que um time vai engrenar, vai tomar a vantagem da série pra si, o outro time vai lá e impede, empata a série e voltamos pra estaca zero. É uma série entre dois times jovens e obstinados, as vezes decidida mais na vontade do que na técnica e as vezes, na imaturidade de ambos os times, que chegam pela primeira vez numa semifinal de conferência e de vez em quando parecem perdidos em quadra, como quem chega num lugar e se pergunta "Que diabos é pra eu fazer??"

Um exemplo disso é o jogo três, em Memphis. A série estava empatada em 1 a 1 e o Thunder precisava ganhar um dos dois jogos fora de casa pra recuperar o mando de quadra. O Thunder fez ótima partida e abriu 16 pontos de vantagem no final do terceiro período, entrando no quarto  13 pontos na frente. Mas no quarto período, o Thunder simplesmente sofreu uma pane, só marcou 10 pontos em TODO o período, uma coisa ridícula pro time que tem o cestinha da Liga, e tomou o empate do Grizzlies pra perder em overtime. O time começou a sofrer pressão do Grizzlies em contra ataques rápidos e foi incapaz de desacelerar o seu jogo e criar boas oportunidades. O Russell Westbrook não achou o Kevin Durant na hora de decidir, um demérito dos dois, já que o Durant não conseguiu se livrar da marcação do Tony Allen a não ser muito atrás da linha de três pontos (de onde ele até tentou um arremesso, errado) e o Westbrook não conseguiu achar nenhum companheiro e ficou forçando arremessos idiotas até o Grizz finalmente empatar. O Scott Brooks também não ajudou mantendo o Thabo Sefolosha em quadra e o James Harden no banco, e um exemplo disso é que no overtime, assim que entrou, Harden infiltrou na defesa e deu duas assistências pro Nick Collison embaixo da cesta, nas duas primeiras posses de bola do Thunder. O Thunder não soube o que fazer, se viu pressionado e permitiu que isso atrapalhasse o time na hora de jogar com calma, típico de times inexperientes.

Pra exemplificar com o meu técnico preferido em todo o universo, é o tipo de coisa que os times do Phil Jackson aprendem na marra. O Jackson, quando vê seu time acuado, pressionado, numa sequência ruim, NUNCA pede tempo, nunca para o jogo. Na sua filosofia - que se reflete no esquema de triângulos que, embora não seja criação dele, representa muito bem toda a filosofia de basquete dele - os jogadores são capazes de reagir a qualquer tipo de situação no jogo, seja uma mudança no posicionamento da defesa (O esquema de triângulos não tem muitas jogadas desenhadas, é uma forma de movimentação na qual o ataque reage às movimentações da defesa) seja uma sequencia ruim, e por isso ele não pede tempo para que os jogadores saiam dessa sozinhos. E quando saem, a confiança e capacidade dos jogadores de enfrentar essas situações cresce absurdamente. O Thunder não passou por uma coisa dessas, não superou uma coisa dessas, e não sabia como fazer.

Daí tivemos o já clássico jogo quatro, com o Memphis (que ainda não tinha perdido em casa na pós temporada) querendo abrir 3 a 1 e deixar sua situação mais confortável. Nesse jogo, com três prorrogações, o Grizzlies jogava desesperadamente pra ficar confortável na série e o Thunder jogava desesperadamente pra evitar que isso acontecesse e recuperar o mando de quadra. O Thunder jogou como pode com Durant, Westbrook e Harden, mas foi totalmente dominado no garrafão por Zach Randolph e Marc Gasol, que pontuaram feito malucos, pegaram quatrocentos rebotes (37 no total, sendo 18 de ataque) juntos, mas mesmo assim o Thunder chegou no final da partida vencendo por três, até que uma bola muito forçada de três do Mike Conley mandou o jogo pra prorrogação, outra do Greivez Vasquez (Que ta mostrando que tem basquete pra ser reserva do Conley) mais forçada ainda mandou o jogo pra seguinda prorrogação, mas o Thunder mostrou que aprendeu a lição do jogo três, não perdeu o ímpeto nem se deixou abalar e continuou pontuando consistentemente.

O Thunder também contou com o fato de que no final da partida nem o Z-Bo nem o Gasol conseguiam sequer levantar os braços, tavam tão cansados de pontuarem na trombada e pegarem rebotes de ataque que estavam totalmente esgotados e incapazes de pontuar ou pegar rebotes na terceira prorrogação. O jogo físico do garrafão, a movimentação e trombadas pra pegar rebotes ofensivos, desgasta demais um jogador, e esses dois não conseguiam fazer mais nada no final, e como o Grizzlies sem Rudy Gay depende demais do seu garrafão pra criar os arremessos, o time ficou sem conseguir pontuar direito. O jogo cinco também foi decidido assim, porque o garrafão do Grizzlies ainda não estava recuperado, não conseguiu iniciar os ataques nem ser a bola de segurança do time e o Thunder passeou, Memphis fez só 72 pontos.

E no jogo seis, de volta pra Memphis e a chance do Thunder de fechar a série, o Grizzlies simplesmente não foi capaz de perder. O time tava tomando um passeio do Durant, até que uma falta de ataque cavada inteligentemente pelo Conley fez o ala sair com duas faltas e numa mais recuperou seu ritmo. Mas o Thunder aproveitou o bom momento de Harden e Westbrook pra abrir vantagem, e já tinha aberto 13 pontos de vantagem a segundos do final do segundo quarto e estava com o momento a seu favor, até que o Shane Battier acertou uma bola de três no estouro do cronômetro pra trazer a diferença pra 10 e o momento de volta pro Grizzlies. No segundo tempo, o Grizzlies voltou com sangue nos olhos, roubou bolas, acertou os contra ataques e o Zach Randolph mais uma vez comeu o garrafão do Thunder com farinha e água e acertou tudo no segundo tempo pra terminar o jogo com 30 pontos. O Thunder não se recuperou, o Memphis continuou sufocando o adversário e no final administrou a vantagem pra levar o jogo pro jogo sete decisivo, hoje, 4:30 da tarde.

Não da pra simplesmente falar do quanto esse jogo é importante. Se por um lado são duas franquias jovens, com dois times jovens e que tem muitas chances de chegarem novamente longe nos playoffs nos anos que estão por vir (Não duvido nem um pouco de ver esses dois times reeditando essa série numa final de conferência), também não da pra negar que esse é o jogo mais importante das duas franquias até aqui em sua curta vida. O time que vencer o jogo sete vai pra final de conferência com totais condições de derrotar o Mavericks (ainda que não seja o favorito), e pode até ter uma chance real de título. Jogadores como Durant, Westbrook, Conley, Harden, Serge Ibaka, Marc Gasol e OJ Mayo estão prestes a jogar o jogo mais importante de suas jovens carreiras, enquanto outros mais veteranos como Randolph e até o Shane Battier também tem o jogo mais importante hoje a tarde. E pela vontade que ambos os times tão demonstrando, esse jogo sete vai pegar fogo, porque por mais que o futuro seja brilhante pra esses dois times, os dois sabem que tem time pra vencer agora.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Preview - Chicago Bulls vs Miami Heat


Lebron está querendo vingança pelo atropelo até hoje

Ontem, de uma vez por todas, o Chicago Bulls terminou de despachar o Atlanta Hawks em seis jogos. E apesar do Bulls ser mais time do que o Hawks, eles tiveram muitos problemas pra fechar a série - assim como tiveram contra o Pacers. E por mais que o Hawks tenha feito um bom playoff e não seja um time horrível, Atlanta não era um time pra ter dado toda essa canseira no Bulls, nem o Hawks, nem o Pacers e nem nenhum time do Leste não chamado 'Heat' ou 'Celtics'.

Mas então, porque diabos essa série foi tão difícil e disputada?

Bom, primeiro porque o Bulls não foi o Bulls a temporada toda. O time da temporada regular era um time com um garrafão muito forte, defesa sufocante, com o Derrick Rose infiltrando e pontuando feito um maluco pra abrir tudo pros chutes de meia distância de Luol Deng e Carlos Boozer e eventuais bolas de três do Kyle Korver ou até mesmo do Keith Bogans (toc toc toc!). Mas nessa série o Bulls não foi o Bulls defensivamente falando. Não é coincidência que as duas únicas vezes que o Hawks venceu foi quando passou dos 100 pontos, nas quatro derrotas o maior placar foi 83 pontos no jogo 5, que sim, foi um massacre. O Bulls foi inconsistente demais, em alguns jogos tomava um sufoco do Josh Smith indo pra cima do Boozer, que aliás jogou muito mal os cinco primeiros jogos, e no outro não deixava o Hawks respirar, forçava turnovers e mantinha o adversário abaixo dos 80 pontos.

Segundo, por questões individuais imprevisíveis e inexplicáveis, leia-se Boozer e Jeff Teague. O Boozer jogou muito mal, não fez nada no ataque, foi um cone na defesa e chegou a perder minutos em quartos períodos para o Taj Gibson, que defende bem melhor e faz o trabalho sujo embaixo da cesta. Ele só jogou bem no jogo seis, quando reboteou muito bem, acertou seus arremessos altíssimos de meia distância, pontuou no garrafão e fez a vida do Derrick Rose muito mais fácil - e vice versa. Mas nos outro cinco jogos, o Boozer foi um peso morto em quadra, não serviu pra tirar a necessidade de pontuar das costas do Rose e foi um buraco na defesa do time, e o Joakim Noah nem sempre foi capaz de cobrir o buraco, já que também teve uma série bem inconstante. E também o Hawks ganhou uma bela adição com o Teague, que só jogou pela lesão do Kirk Hinrich mas foi um dos melhores jogadores de Atlanta na série, jogou bem no ataque, infiltrou, e foi responsável direto pela vitória do Hawks no jogo quatro depois de acabar com o Rose.

E por fim, o maior problema do Bulls: Nenhum dos jogadores - em especial o Boozer - apareceu pro jogo pra aliviar o Rose de forma consistente, e o Rose não é o melhor armador do mundo quando a questão é envolver seus companheiros. Isso forçou o Rose a ficar mais com a bola do que deveria, o que as vezes gerava 44 pontos e outras gerava 8 turnovers. Mas no final, o maior talento do Bulls prevaleceu, o Rose era o melhor jogador da série, e o Bulls jogou seu melhor jogo na pós temporada até o momento pra fechar no jogo seis: Defesa muito forte, Boozer e Deng aliviando a vida do Rose, que pontuou e distribuiu como quis, desmontou a defesa e dominou o jogo. Esse é o Bulls da temporada regular que a gente tava esperando.

Dito isso, eu meu principal palpite para essa série é simples: Vai ser uma série de placares baixos, não nos moldes de Pistons vs Pacers do começo da década passada, mas não espero times frequentemente passando dos 95 pontos. São dois times de defesa muito truncada, e a série vai ser decidida nos detalhes. O Heat tem que explorar as falhas que Hawks e Pacers expuseram para o mundo, algumas delas eu citei acima, para tirar o Bulls do seu jogo, e isso pode ser feito de duas formas: Parando o Derrick Rose ou parando todo o resto.

Lembro que num post do Bill Simmons ele comenta sobre a Lei dos Caras em Excesso (Law of Too Many Guys, a tradução tosca é de minha autoria). Resumidissimamente, e tendo em mente que isso é uma situação genérica e hipotética, ela diz que um time deve ser composto de cinco jogadores: Um jogador pra controlar a bola (ball handler), dois pontuadores, um defensor de perímetro e um reboteiro. O exemplo que ele usa é o Rockets que ganhou 22 jogos seguidos: Rafer Alston era o ball handler, Tracy McGrady e Luis Scola os pontuadores, Shane Battier o defensor de perímetro e Dikembe Mutombo o reboteiro. O que à primeira vista pode parecer bom para o Bulls, já que eles teriam um ball handler no Rose, pontuadores no Boozer e no Deng, um defensor de perímetro no Bogans e um reboteiro no Noah, na verdade engana: O Rose não é um ball handler, ele é um pontuador, e pra isso funcionar melhor o time precisaria de outro jogador que assumisse o papel de ball handler quando o Rose fosse fazer mais o papel de pontuador, mais ou menos como o Brandon Roy volta e meia fazia no Blazers. E essa falta - a maior fraqueza do Bulls - é o que o Heat tem que explorar. Ou você tira a bola das mãos do Rose, ou voce deixa com ele o tempo todo. Ele vai fazer 40 pontos, mas se ele não tiver pra quem passar ele também vai cometer muitos turnovers e o Heat vai ter o controle do jogo.

Já o Bulls tem uma vantagem que nenhum adversário do Heat teve nos playoffs até aqui, que é um garrafão forte. A principal forma de pontuação do Heat ao longo dos playoffs são os pontos no garrafão com Dwyane Wade e Lebron James, e a incapacidade de Boston e Sixers em parar esse tipo de jogada foi o que os levou à derrota. Quando um time congestiona o garrafão com força bruta e boa defesa (por zona, por exemplo, funciona muito bem) e força o Miami Heat a chutar de fora, ele ainda é perigoso, mas muito menos do que se o Wade e o Lebron tiverem caminho livre até a cesta o dia todo. Na temporada regular, isso funcionou e muito bem pro Bulls, que ganhou os três confrontos, mas por outro lado o Heat é um time que cresceu nos playoffs e o Bulls não, então não da pra garantir que o Bulls consiga fechar o garrafão daquela forma novamente.

No final, o Bulls parece ter uma leve vantagem se conseguir jogar seu melhor basquete: Tem um garrafão forte e um armador, pra tirar vantagem da falta de um jogador da posição em Miami. Provavelmente o Wade vai ser encarregado de marcar o Rose, mas isso pode ter outro efeito, se o Wade se cansar demais ele pode perder eficiência no ataque e o Miami está dependendo absurdamente da sua dupla de ouro, então isso pode comprometer o ataque do Miami. Por outro lado, se o Mike Bibby for encarregado de marcar o armador do Bulls, a chance dele dominar a série é enorme, até porque o Heat não tem uma grande presença no garrafão pra parar o Rose quando ele chegar lá dentro, o Joel Anthony tem jogado bem, mas... é o Joel Anthony. Vamos ver o que o Eric Spolestra vai tentar aqui, eu começaria com o Mario Chalmers.

Ou seja, vai ser uma série parelha, de muita defesa, com três dos melhores jogadores do mundo em quadra com dois times jovens que estão tentando começar sua história. Foram os dois melhores times do Leste durante a temporada regular, e vale vaga na final. Precisa de mais alguma coisa?? Série imperdível, sem palpite pra ela, apenas assistam a todos os jogos que puderem e torçam para sete jogos e 14 prorrogações!!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

New Power Generation

Antes que alguém entenda errado, o título do post de hoje é uma apologia ao mangá de basquete Slam Dunk, e não ao cantor Prince.

Troco uma camisa do TM Warning por essa da foto

E o inevitável aconteceu, o Boston Celtics foi eliminado pelo Miami Heat no que muita gente tá chamando de o fim do Celtics. Eu falei muito (muito mesmo) dessa série ao longo da dita cuja porque era a que atraia mais interesse, mais grandes nomes do basquete e também mais rivalidade. Eu falei muito já sobre como o Celtics perdeu essa série, por exemplo aqui e aqui, dos problemas que o Celtics vinha enfrentando e de como o Heat tirou vantagem disso.

 Ontem, no jogo cinco, o Boston jogou bem, dominou a maior parte do jogo, conseguiu superar quase todas suas dificuldades tirando aquelas além do seu controle (Leia-se a perna do Shaq e o braço do Rajon Rondo) e perdeu, simplesmente, porque um time tem Lebron James e Dwyane Wade e o outro não. Mais do que outra coisa, talento individual decidiu essa partida: No final do jogo, sem o seu armador, o Boston não conseguiu armar jogadas, forçou arremessos e não conseguiu cestas. O Heat, que não tem um armador, não conseguiu criar jogadas, colocou a bola na mão do Lebron, que também forçou arremessos... que cairam, foram 10 pontos seguidos pra ele e junto à performance incrível do Wade os dois levaram o Heat à vitória. O Boston vai falar que teve a troca do Kendrick Perkins, que o Shaq e o Rondo estiveram machucados, mas lesões e trocas idiotas fazem parte do jogo, todo time está sujeito a elas quando entra em quadra. As lesões, a troca, essas coisas aconteceram e atrapalharam, mas como um time que está sujeito a isso ele tem que saber extrair o melhor do que lhes sobra para um jogo. E nessas circunstâncias, o Miami Heat foi o melhor time da série, jogou muito bem, contou com ótimas atuações das suas duas estrelas e mereceu avançar à final.

E com esse, o trio de times idosos que dominaram a NBA em tempos recentes está fora do campeonato: San Antonio Spurs, Los Angeles Lakers e, claro, Boston Celtics.

Pra se ter uma ideia melhor de como esses times foram dominantes, basta citar que, à excessão de 2006, esse é o primeiro ano desde 1999 (!!) que o campeão do Oeste não vai ser nenhuma das duas equipes! O Spurs ganhou em 99, 2003, 2005 e 2007,  e o Lakers em 2000, 2001, 2002, 2004, 2008, 2009 e 2010. Nesse período, o Spurs ganhou quatro títulos e o Lakers cinco. É inegável que esses foram os dois maiores bichos papões da década, times sólidos, com uma base semelhante e que com o tempo foram fazendo da sua experiencia mais uma arma mortal. O Celtics é novo nesse patamar, o time só foi montado em 2008, mas duas Finais, um título e um playoff sem Kevin Garnett onde deram muito trabalho pro eventual campeão de Conferência Magic não é um resumo que deixe de colocar medo, até porque o time pode jogar junto há pouco tempo mas seu núcleo, o Big Three, era formado por jogadores rodados e experientes.

Mas em 2011, as coisas parecem diferentes. O Grizzlies, nova força do Oeste (é sério!), eliminou o Spurs com autoridade na primeira rodada. O Lakers foi varrido na segunda. E o Celtics acabou de tomar 4-1, sendo dominado a maior parte da série, contra o Miami Heat. A experiencia pareceu estar distante desses times ao longo das séries: pelo contrário, em muitos momentos pareciam um bando de pirralhos perdidos, sem achar uma solução pros problemas. E como muitos viam as temporadas de Celtics e Spurs como as últimas chances dos seus elencos de um título, e como o Phil Jackson talvez aposente, muitos estão falando (com algum exagero) que esses três times veteranos, com jogadores veteranos e históricos como Tim Duncan, Manu Ginobili, Kobe Bryant, Kevin Garnett e Shaquille O'Neal, estão saindo do topo das suas conferências, sem grandes chances de uma volta por cima. E, simbolicamente, a eliminação desses times representa a passagem de tocha da geração antiga para a geração atual.

Claro que descartar esses três times é um exagero, mas o fato é que eles estão em decadência a cada ano pela sua idade e de repente a NBA parece estar começando a ser dominada por uma geração mais nova. O Miami Heat, que tratorizou o Celtics, é liderado por duas superestrelas no seu auge, Lebron e Wade. O Grizzlies é um time jovem, em evolução, e que se o Zach Randolph mantiver a boa forma pode brigar por título seriamente por mais vários anos. O Thunder é uma aberração cujo quarteto principal tirando o Perkins tem média de 22 anos de idade. O Bulls é outro time jovem com o MVP mais jovem da história da Liga e que ainda tem muito a evoluir. O Hawks não é necessariamente um time novo, mas também não é velho, ainda tem bons jogadores jovens se desenvolvendo como Al Horford e Jeff Teague. Ou seja, os principais times dos playoffs dessa temporada são times jovens, com estrelas ainda em evolução ou no seu auge, e que podem dominar a Liga por anos a fio (tirando o Hawks... foi mal, mas não da pra levar esse time a sério).

Curiosamente, o time veterano que está estragando a brincadeira dos pirralhos é justamente o Dallas Mavericks, único time do Oeste a quebrar a hegemonia Lakers-Spurs desde 1999 (No caso, em 2006, quando perdeu a final para o... Heat). Tirando o Dirk Nowitzki (Cujo auge parece que não vai passar nunca), o Roddy Beaubois (Que ta só começando) e talvez o Tyson Chandler, todo mundo no time já passou entre dois a dez anos do seu auge. É um time cheio de velhotes, que as vezes deixam a desejar na parte física, mas também é o time que mais tem conseguido fazer uso da sua experiencia contra os outros times. A defesa do time é muito forte, o Dirk Nowitzki é uma superestrela, o time teve tempo pra descansar desde a varrida sobre Los Angeles e vem forte pra tentar chegar a mais uma final.

Eu sei que no mundo do basquete existe muito saudosismo. Muita gente que viu jogadores com Larry Bird, Magic Johnson, Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Karl Malone, ou mesmo Shaq, Kobe, Duncan e Garnett no auge, as vezes prefere ficar lembrando desses jogadores do que aproveitar o que a gente tem hoje. Talvez as décadas de 80/90 tenham sido as décadas de ouro do basquete, mas isso não quer dizer que a gente não tenha jogadores interessantes hoje em dia, empolgantes, que valha a pena acompanhar e torcer. Esses playoffs estão tentando jogar na nossa cara (talvez eles estejam errados, talvez não...) justamente que esses times de velhotes estão ficando pra trás, que a nova geração ta tomando conta da NBA. Estrelas como Kevin Durant, Lebron, Chris Paul, Derrick Rose, Rudy Gay, Deron Williams, Dwight Howard, Dwyane Wade, estão tomando seu lugar na Liga, os times montados com jogadores jovens estão crescendo, enquanto os times velhos e experientes que por tanto tempo dominaram a Liga estão começando a sentir o peso da idade. Não tem nada de errado em ficar triste pela aposentadoria do Shaq, pelo fim da Era Phil Jackson em Los Angeles, pela decadência dos times de craques como os que eu citei antes, eu mesmo sei que vou chorar feito uma mocinha quando o Steve Nash aposentar. Mas o que a gente não pode é deixar esse saudosismo impedir a gente de aproveitar as coisas boas que temos agora: Os arremessos do Durant, as enterradas do Blake Griffin, o Rose fazendo miséria, etc. Porque a verdade é que essa geração já ta aí, batendo na porta, pronta pra entrar e assumir seu lugar. E depois de ver Grizzlies e Thunder, duas novas potencias, jogando três prorrogações insanas, eu garanto que vocês não vão querer perder isso.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Manual de como perder do Miami Heat


Lebron está todo pimpão por ganhar menção
 num blog brasileiro desconhecido de basquete

Ontem tivemos uma noite sensacional de playoffs: Primeiro um jogão de Heat e Celtics com direito a prorrogação (E um post do TM Warning) e depois outro jogo de primeira com Thunder e Grizzlies com direito não a uma, nem a duas, mas TRÊS prorrogações. Infelizmente eu ainda não assisti ao jogo entre Thunder e Grizz, isso será trabalho pro meu League Pass daqui a algumas horinhas, mas acompanhei Celtics e Heat até o final e posso falar que foi um jogo excelente, emocionante, disputado e com grandes jogadas e jogadores de ambos os lados. E ganhando o jogo quatro em Boston, contra um Celtics empolgado pela vitória do jogo três, provavelmente foi o determinante dessa série. Agora o Boston precisa ganhar os próximos três jogos - dois em Miami - pra avançar para a final, tarefa muito difícil para o que o Boston apresentou em três dos quatro jogos da série até aqui.

Mas como dizem que você aprende melhor na derrota do que na vitória, vamos entender o que aconteceu para o Boston perder o jogo de ontem. Fiz uma listagem dos vários fatores que foram os principais responsáveis pela derrota do Celtics ontem e vamos ver se o Boston tem condições de dar a volta por cima de alguma forma milagrosa e digna dos campeões que eles são. E antes de começar, quero deixar uma coisa clara: Não estou, por essa lista relacionada ao Boston, tirando o mérito do Heat. O Boston não jogou mal, pelo contrário, até jogou bem, mas não venceu porque não foi capaz de controlar uma série de fatores relativos ao seu time ou ao jogo. Eu não achei que o Heat, tirando um carinha fraco lá com as iniciais LBJ, tenha jogado um grande jogo, ou pelo menos não acima da média do grande time que ele é. Foi acima da média da NBA, lógico, e o jogo do Heat contribuiu para os resultados abaixo, mas depois de ver o jogo e um compacto, o Boston que precisa corrigir os defeitos do seu jogo, não o Heat.

Entre essas causas da derrota do Boston abaixo, tem de tudo: Alguns méritos do Heat, problemas do Celtics e também azar ou sorte de algum dos lados. Cabe a cada um separar o que acha que é mérito de um, demérito do outro ou simplesmente azar. Mas bom, vamos a isso.


Armação das jogadas
18 turnovers não é um número absurdo de turnovers pra um jogo de playoff entre dois times com defesas tão fortes e uma prorrogação. O número que assusta daí são os quatro turnovers SÓ na prorrogação, quando o Heat fechou o jogo na marra. Esse número reflete bem um problema sério para o Boston, que foi na hora de armar as jogadas.

O Celtics tem, normalmente, dois modos de conduzir seu ataque. Um deles, o mais eficiente, é deixar o Rajon Rondo com a bola na mão o tempo todo, tomando decisões, chamando as jogadas e acionando os ótimos pontuadores que o time tem. Esse é o mais eficiente porque o Rondo é o melhor ball handler do time, melhor passador, tem a melhor visão de jogo e bate pra dentro do garrafão muito bem pra abrir espaços, é quando o time funciona melhor, o Rondo trabalhando com a bola e o resto se movimentando só esperando um passe pra finalizar. O outro é quando o Paul Pierce é o encarregado de levar a bola pro ataque e tomar as decisões. Nesse caso a eficiencia do ataque cai absurdamente, o Pierce não é tão ágil como antigamente e muitas vezes acaba gerando turnovers com passes ou infiltrações apressadas ou então a posse de bola acaba num arremesso forçado na cabeça do garrafão (que as vezes cai porque ele é bom). Embora o primeiro seja mais eficiente, as vezes o Pierce tem uns acessos de querer ser o herói e fazer tudo sozinho e começa a querer armar todas as posses de bola, que geralmente tem resultados desastrosos a médio prazo e tiram o time de ritmo, já que quando começa assim geralmente só ele arremessa.

Ontem, o Pierce armou o jogo muito mais do que eu gostaria ou do que seria aceitável. Mas o Pierce não tem culpa, porque ele não armou querendo dar de herói, e sim porque o Rondo não estava em condições de armar o jogo o tempo todo. Ele jogou muito menos tempo do que qualquer um do Big Three, e muitas vezes sem a bola. Seu braço ainda não melhorou a ponto de permitir que o Rondo faça o papel de armador em tempo integral, e aí a bola sobrou pro Pierce, pro Delonte West ou até pro Ray Allen, que nem de longe são planos tão eficientes e não só geraram turnovers como também arremessos forçados, com pouco tempo ou simplesmente idiotas. O time não conseguiu achar bons arremessos e pagou o preço.

Garrafão
Sim, eu vou bater nessa tecla de novo, de novo e de novo até o Danny Ainge cometer harakiri no garrafão do TD Garden usando a camisa 43 em penitência. Não preciso repetir o conteúdo, vocês já devem ter lido o suficiente, mas o resultado foi simples: O Heat pegou 13 rebotes a mais que o Boston, sendo 10 ofensivos contra apenas três dos Celtas. Ano passado, o Boston perdeu o jogo 7 das Finais justamente porque foi dominado perto do aro e não conseguiu pegar rebotes. Agora aconteceu o mesmo, mas para um time com um garrafão mil vezes mais baixo e mais fraco. Um pouco mais de altura, um pouco mais de força, um pouco mais de rebotes teriam sido suficientes pra ganhar essa partida. Mas ao invés disso, o Miami fez o que quis: Pegou rebotes e converteu cestas fáceis de segunda chance perto do aro.

Também atrapalhou o fato do Shaq não estar em condições de jogo, mas eu ainda acho que ele poderia ter jogado mais. O Shaq entrou, jogou 3 minutos, fez duas faltas (Uma delas não foi nada) e foi afundado no banco para o resto do jogo, enquanto o Boston era dominado no garrafão insistindo num small ball. O Shaq não vai ser o Shaq da temporada regular que eu esperava que fosse pra aumentar o garrafão do Boston, mas mesmo esse Shaq já é um bife muito melhor do que o Big Baby!

Kevin Garnett
Como você não tem um pivô que possa aumentar a altura e dar a vantagem para o seu time contra um adversário de garrafão fraco, pelo menos o seu ala de força tem que dominar seu matchup, como o Garnett dominou no jogo três. Mas o Garnett foi muito mal, errou nove dos dez arremessos que tentou, não conseguiu pegar muitos rebotes e só não foi dominado o jogo todo porque o Chris Bosh jogou ainda pior no primeiro tempo e o Garnett conseguiu dominar os rebotes e a defesa em cima dele. No segundo tempo, Bosh acordou e o resultado foi um massacre vergonhoso pra cima do Garnett, que foi totalmente destruido no garrafão. Pra ganhar, o Boston precisava que o Garnett elevasse seu jogo novamente e ganhasse do Bosh, mas isso não aconteceu. Pela terceira vez. Em três derrotas.

Lebron James e Dwyane Wade
Eu falei, quando comentei da série entre Boston e Knicks, que é péssimo para um time uma série onde ele não tem o melhor jogador, ainda que tenha o melhor time. O Boston sentiu o peso disso com os 42 pontos do Carmelo Anthony na primeira rodada, antes do Rondo acordar e assumir o papel de melhor jogador da série. Nesse jogo, isso fez mais uma vez a diferença: Quando o jogo apertou, eram esses dois que conseguiam um roubo de bola pra colocar o Miami de volta na partida. Quando o time precisou de uma cesta, esses dois fizeram. Quando o Ray Allen colocou uma bola espetacular de três pontos no finalzinho da partida, foi o Lebron James que foi lá e devolveu mesmo bem marcado pelo Pierce. Logo depois, foi ele mesmo que fez outra cesta e que no final mandou o jogo pra prorrogação. E quando o Boston, depois do Lebron ter feito o Heat abrir vantagem na prorrogação, começou a se aproximar, foi o Wade quem foi lá e acertou uma bola ninja com uma marcação perfeita do Delonte West pra acalmar os ânimos. O talento individual desses dois - a maior arma do Heat desde o começo - acabou decidindo o jogo.

Quem quer que tenha desenhado a última jogada do tempo regular
Mais um quesito onde a culpa aparentemente é do Paul Pierce, mas tenho quase certeza de que não é. O Boston, depois de um turnover do Lebron, tinha a bola com o jogo empatado e 18 segundos no relógio, e pediu tempo. Ou seja, o Boston teve tempo o suficiente pra montar uma jogada para fazer a cesta e ganhar a partida sem dar ao Heat a chance de tentar a sua cesta. O Boston perdeu a chance de ganhar o jogo no tempo normal, quando eles ainda tinham perna, por causa dessa jogada. Até entendo que o Rondo, que normalmente ficaria com a bola numa ocasião dessas, poderia não estar em condições, mas também não acho que tenha sido iniciativa do próprio Pierce. Observem como na jogada primeiro a bola vai pro Ray Allen, o melhor chutador de lance livre, pro caso do Heat tentar uma falta. Como ela não veio, a bola vai pro Pierce, que gasta o relógio e tenta um arremesso difícil, longe da cesta, pulando pra trás, forçado e muito bem marcado do lado esquerdo da quadra. Não foi aleatório, foi combinado, e quem desenha esse tipo de jogada é o técnico, Doc Rivers. E você me desculpe, Rivers, mas se com 19 segundos no relógio e Rondo, Allen, Pierce e Garnett em quadra você não consegue desenhar uma jogada melhor do que 'isolar o Pierce no mano a mano com o Lebron pra um arremesso forçado do canto da quadra' e mesmo assim tem um prêmio de 'Técnico do Ano', é porque tem alguma coisa muito, muito errada!


Bom, dito tudo isso, da pra ver que a vitória do Heat veio de quatro fontes: Méritos do Heat, alguns deméritos do Celtics, o azar que o Boston teve com o cotovelo do Rajon Rondo, e do Danny Ainge. Mas eu não consigo ver o Boston revertendo a grande maioria desses fatores citados acima num jogo cinco, a não ser que o Rondo milagrosamente se recupere até lá. Mas a gente assiste e torce, porque uma virada épica não é novidade na NBA e, pelo menos pessoalmente, espero que tenhamos mais uma.

domingo, 8 de maio de 2011

Intimidação vence jogos

A jogada que garantiu a vitória do Celtics no jogo 3

Pegando emprestada uma das frases clássicas do meu personagem preferido de todos os tempos em qualquer mídia pra ilustrar o jogo três de ontem entre Boston e Miami. Tudo bem, a frase do Hiruma é sobre futebol americano, mas para o Boston Celtics, ela serve - e muito - para basquete.

Para quem perdeu, ontem, faltando sete minutos no terceiro quarto, Rajon Rondo e Dwyane Wade se engancharam e cairam no chão. Rondo, tentando aparar a queda, acabou deslocando seu cotovelo (veja a foto que ilustra o post) em uma imagem realmente assustadora. Rondo saiu de quadra, o próprio Doc Rivers achou que ele não voltava mais, e o Boston jogou com sangue nos olhos pelo seu armador. Mas o que realmente selou a vitória do Boston foi, ao final do quarto, olhar para o canto do ginásio e ver o mesmo Rajon Rondo voltando do vestiário, o cotovelo enfaixado e pronto para jogar. O ginásio pegou fogo, o time do Boston pegou fogo, e a pergunta estampada no rosto de cada jogador do Miami Heat era clara: O que diabos está acontecendo aqui?? Esse cara não tinha perdido um cotovelo??

Falar que a vitória do Boston aconteceu apenas por causa desse retorno a lá Willis Reed é um exagero enorme. Apesar de um primeiro tempo duvidoso, no qual o Boston foi massacrado pelo grande Joel Anthony no garrafão, o Boston jogou com outra postura. Foi agressivo na defesa, congestionou o caminho de Wade e Lebron James até o aro e forçou o Heat a jogar mais do perímetro (Pelo menos até o Anthony pegar um rebote ofensivo). Paul Pierce e Kevin Garnett vieram pro jogo muito mais ligados do que tinham jogado na pós temporada até aqui, Pierce marcou 10 dos primeiros 14 pontos do time no jogo e Garnett teve um jogo digno dos seus melhores anos na Liga, com 28 pontos e 18 rebotes, o que foi fundamental. Eu falei muitas vezes que o Boston ganhou do Heat três vezes porque dominou o garrafão com Shaq e Kendrick Perkins. Como Perkins está em Oklahoma e Shaq - já vamos falar dele - estava machucado, o Garnett precisaria dominar seu duelo com Chris Bosh de forma a compensar a falta de um pivô enorme e trazer novamente a vantagem do garrafão pro seu time. E o Bosh não conseguiu jogar o jogo todo ontem, Garnett comeu ele com chilli, e se o garrafão do Boston não conseguiu dominar o primeiro tempo foi por causa do Joel Anthony.

E por falar em garrafão, eu insisti aqui 300 vezes que a chave para o Celtics virar a série era a volta do Shaq, recuperado da lesão, para aumentar a altura e a força do garrafão do Boston, impedir os pontos fáceis perto da cesta e dominar o garrafão no ataque. E o Shaq realmente voltou, mas ficou muito claro que ele nunca se recuperou da lesão. A entrada do Shaq foi um movimento desesperado de um time desesperado, o Shaq entrou em campo mancando, claramente sentindo, incapaz de jogar 25 minutos que fossem em alto nível, como fez em boa parte da temporada regular. O Shaq recuperado de lesão, jogando 25-30 minutos por jogo, era a chave para o Boston avançar. O Shaq machucado, no sacrifício, jogando menos de 10 minutos por jogo, não vai fazer milagre. O que não quer dizer, também, que ele não vá ajudar o Boston. Mesmo no sacrifício, o Shaq teve um impacto positivo no time do Celtics: A defesa de perímetro ficou mais agressiva sabendo que tinha uma parede no garrafão. Os jogadores do Miami pensavam duas vezes antes de infiltrar. E o Boston ganhou uma presensa de garrafão que não precisa fazer 25 pontos pra se fazer sentida, com apenas uma ou duas cestas, bom posicionamento e bons passes,  ele já fez mais do que o Boston esperava e teve um papel ativo no jogo, mesmo que mais pelo que ele representa do que pelo que ele fez.

Mas não da pra negar que, no final do terceiro período, pronto pra entrar com uma vantagem considerável no quarto período - o que causou muitas dores de cabeça aos torcedores celtas ao longo do ano, inclusive contra o Knicks - a volta do Rajon Rondo, sem um cotovelo, foi o que terminou de definir a partida. Para lembrar de outro momento parecido, temos que voltar ao jogo 1 das Finais de 2008, quando em Boston, contra um time do Lakers que estava endurecendo - e muito - a partida, o Pierce fez a sua famosa e polêmica saida do ginásio em cadeiras de rodas depois de uma queda feia, para voltar à quadra algum tempo depois, levantando o ginásio, acertando duas bolas de três e iniciando uma sequência incrível do Boston que terminou numa vitória. Tudo bem, foi mais um teatro do que uma lesão séria de verdade, mas a volta do seu capitão mudou totalmente o ritmo do Boston na partida, impulsionado por uma torcida pegando fogo.

A lesão do Rondo ontem foi mais séria que a do Pierce, mas teve um efeito parecido e, ao mesmo tempo, diferente. A volta do Rondo fez com a torcida o que a volta do Pierce fez três anos atrás, e o time se energizou da mesma forma que fez em 2008. Mas a volta do Rondo não teve um impacto só nos seus colegas, também teve no Heat. Lembrando mais um momento clássico do grande Hiruma, a volta de um Rondo praticamente sem um braço, entrando em quadra depois de todos acreditarem que ele não tinha mais condições de jogo quem sabe por quanto tempo, não só deu novo ânimo aos seus colegas como abalou psicologicamente os adversários. O Miami Heat não ficou confortável durante todo o quarto período com o Rondo por lá, eles não sabiam como deveriam tratá-lo, como ele iria jogar, o que ele seria capaz de fazer, e isso abriu o caminho pro Boston não só garantir a vitória como garantí-la de forma definitiva, deixando claro que o time ainda tem gás para bater de frente com Miami. Não foram só os quatro pontos, uma assistência, um rebote e um roubo de bola do Rondo no quarto período que fizeram a diferença, foi tudo que ele significou para ambos os times ao fazer seu dramático retorno que definiu a partida no quarto período.

Agora, depois de uma vitória convincente na qual o Heat ficou claramente abalado, o Boston tem que se preocupar. É incerto o quanto dessas performances o Pierce e o Garnett vão ser capazes de repetir no jogo quatro, onde principalmente o Garnett vai ter que se impor no garrafão como fez nessa partida para anular o Chris Bosh e manter os jogadores de Miami afastados do aro. A volta do Shaq - baleado, machucado, no sacrifício, por 10 minutos - da um certo alívio pro Boston, ele jogando assim já torna o garrafão do Boston bem melhor do que o Glen Davis ou o Nenad Krstic, mas eles também tem que ver como o Rondo vai ser capaz de jogar daqui pra frente. Ele é durão o suficiente pra jogar os próximos jogos, mas tem que ver o quanto da sua capacidade de armação vai ser comprometida pelo seu braço esquerdo depois de só 48h de descanso. Se ele conseguir entrar, dar assistências, incomodar qualquer marcador e fazer seu time funcionar como ele sempre faz, o Miami pode se encontrar na mesma situação de ontem - abalado, tentando entender o que estava acontecendo e vendo um time totalmente diferente do Boston dominar o jogo. Ele é, mais do que ninguém, a chave para ganhar o jogo 4 e equilibrar novamente a série.