Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A festa dos Packers

E assim chegou ao fim a temporada 2010 da NFL

O Super Bowl sempre é um evento importante. Importantíssimo. É o maior evento esportivo nos EUA, e é também o que mais movimenta dinheiro. Ingressos caríssimos (Só o estacionamento do estádio custava de 500 a 900 patacas), comerciais a preço de ouro (A maior parte vale muito a pena conferir, por falar nisso) e transmissões milionárias pra todo mundo (Dos dez programas mais assistidos da história da TV americana, nove foram Super Bowls, e o desse ano está em primeiro. O outro foi o episódio final de M.A.S.H.), sem falar nos shows de artistas famosos, como Paul McCartney, Michael Jackson, The Who e Rolling Stones, entre tantos outros que passaram por lá nos últimos anos. E pra um evento desses, a gente sempre espera um grande jogo. E temos tido grandes jogos nos últimos anos: como esquecer os Giants derrubando os invictos Patriots em 2007? Ou a mágica de Kurt Warner e Larry Fitzgerald sendo superada pela de Ben Roethlisberger e Santonio Holmes um ano depois? Jogos lendários, históricos, e que terminaram como a gente gosta, com viradas no final da partida. O que nós vimos nesse Super Bowl XLV foi um grande jogo entre dois grandes times, mas que infelizmente corre o risco de ter decepcionado alguns justamente por causa do seu final anticlimático. O Packers tinha seis pontos de vantagem, o relógio marcava dois minutos e Big Ben tinha a bola. Era o palco perfeito pra termos uma virada histórica conduzida por um QB que já tem várias viradas históricas no currículo - inclusive uma sobre esses mesmos Packers em 2009 com um touchdown no último segundo - pra terminar a partida um ponto na frente, vencendo pela sétima vez o Super Bowl e coroando uma das melhores franquias da última década. Mas isso não aconteceu, e algumas pessoas ficaram decepcionadas. Uma virada seria mais emocionante, sim, seria, mas só porque ela não aconteceu não quer dizer que a gente deva descartar todo o resto.



O jogo começou difícil e, principalmente, nervoso. Os ataques se mostravam conservadores demais, os QBs passavam a bola com excesso de força ou altura, e vimos erros infantis de ambos os lados. Jordy Nelson dropou um passe lindo, apesar de um tanto forte, que teria sido um ganho de pelo menos 40 jardas, um erro comum pra um jogador jovem, apenas em seu terceiro ano na Liga, no jogo mais importante de sua vida. Esse nervosismo, no entanto, começou a passar, e o mesmo Jordy Nelson que dropou esse passe pegou outro passe de 29 jardas, absolutamente perfeito, pra entrar na end zone e terminar a sétima campanha do Packers nesses playoffs de mais de 80 jardas, um recorde da NFL. Estava aberto o placar e estava, mais uma vez, começando o jogo tático do Packers, aquele time que gosta de abrir uma vantagem rapidamente, contar com sua defesa pra recuperar a bola em boa posição de campo, anotar outro TD, abrir uma vantagem considerável e deixar o ataque adversário à mercê da sua defesa. Porque quando o Steelers recuperou a bola e o Big Ben lançou um passe longo, o DT reserva, Howard Green, acertou o braço do QB e fez a bola sair do seu curso, caindo nas mãos do Nick Collins, que não desperdiçou e levou a bola pra end zone. O Packers começou a impor seu jogo, e abriu 14 a 0 no placar.


O Steelers então começou a tentar impor o seu jogo, até como forma de escapar do jogo que o Packers queria. O time correu bastante com a bola, aproveitou a ótima fase do Rashard Mendenhall, e viveu dos passes curtos. O time, lentamente, foi subindo o campo em direção ao touchdown. Gastou mais de sete minutos na sua campanha e manteve o Aaron Rodgers sentado no banco. O problema foi que, ao final da campanha, Nick Collins fez um excelente tackle evitando a primeira descida, e ai o Steelers teve que se contentar com um field goal do Shaun Suisham. E eu sempre bato nessa tecla: Quando você tem uma defesa boa e enfrenta um ataque forte, controlar o relógio e manter o ataque adversário sentado no banco é uma boa estratégia, mas ela não funciona se a cada posse de bola você anota três pontos e o adversário sete. Por isso, perdendo de 14 a 0, não desesperar, jogar pelo chão e controlar o relógio, confiando na sua defesa, é uma boa idéia, mas pra isso você precisa anotar os sete pontos, e não três. Mas a defesa do Steelers apareceu, e deu um problema pro Packers: Donald Driver, o experiente WR do time, sofreu uma lesão e teve que sair de campo. Alem disso, deu uma nova chance pro Big Ben anotar um touchdown. Mas uma jogada sensacional do cornerback reserva Jarrett Bush resultou numa linda interceptação, e o Rodgers fez questão de levar essa dentro da end zone para mais um touchdown, dessa vez com Greg Jennings, em menos de dois minutos. Mas o Steelers sempre foi um time que respondeu bem à pressão, e Big Ben conduziu ótima campanha campo acima para o touchdown de Hines Ward no finalzinho do primeiro tempo, aproximando o placar. 21 a 10 no intervalo.
O Packers fez, no primeiro tempo, o que sabe fazer de melhor: Pontuou rapidamente, usou e abusou do braço do Rodgers, usou sua defesa pra forçar punts e principalmente turnovers, e transformou esses turnovers em pontos. Foram 14 pontos de turnovers pro Packers, que fizeram a diferença no primeiro tempo. O Steelers teve mais dificuldade por causa da fortíssima defesa do Packers. Apesar da linha ofensiva do Steelers ter segurado bem o pass rush, a cobertura foi muito boa na secundária e os passes longos não saíram. O Big Ben trabalhou menos do que contra o RAvens e o Jets os passes curtos e isso foi problemático, até porque a cobertura próxima da linha de scrimmage - em especial do Charles Woodson - foi sensacional. A defesa do Steelers é boa, mas teve um problema que não é de hoje. O Troy Polamalu está jogando desde o começo dos playoffs no sacrifício, a lesão ainda não deixa ele jogar 100%, e o Steelers sem o Polamalu é outra defesa. Ele foi bem, deu tackles próximo à linha de scrimmage, fez a cobertura e tudo mais, mas a presença dele em campo não foi a de sempre, que lhe rendeu o prêmio de Defensive Player of the Year. Mas o Packers também teve uma séria baixa: O melhor jogador da secundária, Charles Woodson, um monstro no primeiro tempo, quebrou a clavícula e teve que sair de campo no intervalo. E mesmo para os mais fanáticos pelos Packers, aquele jogo do Steelers contra o Ravens ainda tava fresco na cabeça.



E não é a toa, porque o Steelers voltou um time totalmente diferente pro segundo tempo. A defesa foi bem, e contou com outro drop, dessa vez do James Jones, em mais um passe perfeito do Rodgers que, se o WR segurasse, levaria mais umas 30 jardas. O ataque entrou em campo e, sem o Big Ben ter que lançar a bola uma vez sequer, colocou a bola dentro da end zone na marra com o Mendenhall. Foram 50 jardas corridas entre o Mendenhall, Big Ben e Isaac Redman nessa campanha. O Packers voltou pra campo e, com mais um drop do Jordy Nelson, devolveu a bola pra Pittsburgh. O Steelers recebeu a bola e continuou marchando campo acima rumo à end zone. O momento do jogo era do Steelers, que novamente começou a jogar com calma, controlar o relógio e manter a defesa do Packers confusa, explorando muito melhor os passes curtos no espaço que o Woodson fez a cobertura tão bem no primeiro tempo. No entanto, quando o Steelers já estava dentro da linha de 30 jardas do Packers, o momento do jogo mudou novamente, pra um estado neutro. Clay Matthews, discreto o jogo todo, passou como quis pela linha de scrimmage e correu atrás de Big Ben. Ben soltou um passe rápido, mas Matthews desviou e quase interceptou. A jogada terminou como um passe incompleto, mas deu novo ânimo ao time do Packers, que conseguiu mais duas jogadas importantíssimas: um tackle pra perda de 3 jardas e um sack, tirando o Steelers do alcance do Suisham, que tentou o FG mesmo assim e errou.

A partir dai, o jogo acalmou. Os ataques tentavam e não conseguiam converter, e as defesas apertavam o cerco. Foi ai que o que tinha tudo pra ser uma grande polêmica aconteceu. Numa terceira descida, Rodgers lançou a bola pro WR Brett Swain. Swain pegou a bola e virou para correr, quando foi atingido por dois tackles. A bola escapou de sua mão e caiu no chão, onde Jennings a recuperou. Os juízes deram passe incompleto, e o Packers desafiou. No replay, Swain claramente tem controle da bola e coloca seus dois pés no campo, antes de virar e sofrer o tackle. A bola sai do seu controle quando ele estava caindo, e fiquei indeciso quanto a dizer que a bola saiu ao seu controle antes ou depois do seu joelho tocar no chão. Para mim era passe completou ou fumble recuperado por Green Bay. Mas, mesmo depois de ver o replay, os juizes deram passe incompleto. Eu achei a chamada um absurdo, da pra ver claramente no vídeo que o jogador tem controle da bola quando é atingido, e foi um erro grotesco da arbitragem que poderia ter mudado o jogo. Pra piorar, o excelente punt do Packers foi anulado por falta, foi repetido, saiu muito ruim na segunda tentativa e ainda teve uma falta que colocou a bola ainda mais pra frente para o Steelers. O erro da arbitragem parecia que teria sérias conseqüências, quando Clay Matthews, sempre ele, apareceu muito bem pra fazer um tackle em Rashard Mendenhall e atingir, com o capacete, a bola, forçando um fumble que foi recuperado por Desmond Bishop. Pela terceira vez, o Packers aproveitou o turnover e anotou mais um touchdown com Jennings.

Mas, como de costume, era cedo demais pra descartar o Steelers. Big Ben jogou uma excelente campanha com passes curtos e médios, fugindo da pressão, ganhando tempo e explorando a área logo atrás da linha de scrimmage do Packers. Até que, quando a defesa se aproximou demais da linha de scrimmage, ele lançou a bomba de 25 jardas pro Mike Wallace fazer a recepção dentro da end zone. A tentativa de dois pontos foi um sucesso numa linda jogada de option com o Antwan Randle El e ai a diferença estava em apenas 28 a 25 com sete minutos e meio no relógio. Mas a bola era de Green Bay, e o que fez a diferença nesse momento foi a postura do Green Bay de ser dentro de quadra. Ao invés de gastar o relógio, o time fez o que sempre faz: jogou pra fazer o touchdown. O time não tentou correr e confiou no braço do Rodgers, que converteu dificílimas terceiras descidas sempre com passes longos, precisos e arriscados pra Jennings e Nelson, e chegou até a red zone do adversário, não só chegando em condições de marcar pontos como tirando tempo do relógio em conseqüência dessa campanha  longa, e não o contrário, tentar uma campanha longa tendo como conseqüência do controle do relógio. No entanto, a defesa do Steelers apareceu muito bem, as chamadas do técnico do Packers foram conservadoras, e o time não conseguiu o touchdown, e o Field Goal deixou a diferença em apenas seis pontos, uma posse de bola.


Era o cenário que todo mundo sonhava: Big Ben, o grande QB dos momentos decisivos, com dois minutos no relógio, no maior jogo da temporada, e seis pontos atrás, perfeito pra um final dramático por um ponto em caso de touchdown. Mas, infelizmente, veio o anticlímax, e a defesa do Packers foi mais forte que o ataque do Steelers, forçou o Big Ben a lançar a bola rapidamente pra evitar a pressão, cobriu muito bem os recebedores e conseguiu dar os tackles certos nas horas certas. Até que, com um passe incompleto numa 4th and 5, sacramentou o título de Green Bay.



Com 304 jardas, 3 TDs e um Rating de 111, o MVP do jogo foi, merecidamente, Aaron Rodgers, que na minha opinião também foi o MVP desses playoffs como um todo. Ele fez os passes certos nas horas certas, foi imparável quando precisou ser e contou com um excelente conjunto de apoio pra brilhar no maior estágio dos esportes americanos, o Super Bowl. No final das contas, entre dois times tão equilibrados e talentosos, ambos tentaram impor seu estilo de jogo e cada um conseguiu durante algum tempo, quando foi capaz de pontuar e trazer o jogo a seu favor. Quando o outro time começava a impor o seu estilo de jogo, a balança do jogo começava a mudar. Ambos os times tiveram suas lesões, Polamalu sem estar 100% faz uma falta tremenda, o Charles Woodson machucando abriu toda uma nova área do campo pro Steelers, e ambos tiveram que jogar por cima disso. Times que perderam peças importantes e que repuseram como deu, times com defesas fortes e grandes Quarterbacks. No final das contas, o que fez a grande diferença foi simplesmente o fato do Packers ter sido capaz de aproveitar os erros do Steelers. O Steelers, seja por mérito do oponente ou demérito próprio, cometeu três turnovers, e o Packers soube transformar isso em pontos, que no final fizeram toda a diferença da partida. Se ganhou o melhor, eu não sei dizer. Os dois times são excelentes, muito equilibrados e, embora eu apostasse no Packers, era um jogo sem um favorito claro. E, como geralmente acontece nesses casos, o jogo foi decidido nos detalhes.


O Packers foi um time que mereceu muito essa conquista, até por tudo que o time superou recentemente. Desde a derrota para o Giants na prorrogação em 2007, com Brett Favre, o time passou por um período turbulento. Favre quis voltar em 2008 para um contrato de um ano, mas esse também era o último ano do contrato do reserva Aaron Rodgers, e Rodgers disse que queria ser titular e que, se fosse pra ser reserva, não renovaria seu contrato. Assim, o GM do time não quis a volta de Favre, que já tinha provado que gasolina no tanque não era o que faltava, e apostou no garoto Rodgers. Favre não levou o Jets aos playoffs por lesão, e em 2009 transformou o Vikings num timaço, e o GM do Packers teve que escutar muitos gritos de 'burro' daqueles que o David Kahn escuta todo dia. Mas aos poucos Rodgers foi assumindo a liderança do time, foi evoluindo, ganhando confiança, e em 2009 levou os Packers àquele jogo histórico dos playoffs, onde foram eliminados pelo Cardinals, e agora com uma temporada regular muito boa e uma pós temporada sensacional, o Rodgers levou o Packers não só ao Super Bowl como ao seu título, superando muitas dificuldades e obstáculos, como os que eu citei aqui. A aposta que o Packers fez em 2008, e que no começo pareceu loucura, agora tá mostrando seus resultados, e não só deu ao time um título como tem condições de dar muito mais. O time é jovem, talentoso e o Rodgers ainda tem 26 anos apenas, tem muito o que jogar ainda. Alem disso, é assustador pensar que esse time do Packers ainda vai ser melhor ano que vem: Com as voltas de Jermichael Finley, Nick Barnett, Morgan Burnett e Ryan Grant, o time tem tudo pra ser ainda melhor no ano que vem e, como conta com um núcleo de estrelas jovens, como Matthews, Jennings, Nelson, Finley, Trammon Williams e claro, Aaron Rodgers, não vejo porque o Packers não possa não só voltar a ser campeão em breve, como também começar a sua dinastia nessa década. E, por fim, o Vince Lombardi Trophy volta para sua casa. Para Green Bay.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Calouro ofensivo, calouro defensivo,comeback player of the year e MVP

Continuando os posts sobre os prêmios, foram divulgados mais três: Calouro ofensivo do ano, calouro defensivo do ano e comeback player of the year, o intraduzível prêmio pro jogador que melhor deu a volta por cima. O prêmio mais importante, de MVP, ainda não saiu, mas quando sair eu venho aqui e complemento o post. Mas tudo bem, hoje ninguém liga pra isso, o que importa é o que vai começar hoje às 9:30 da noite, o Super Bowl XLV. Mas enquanto a gente espera ansiosamente por isso, vamos falar um pouquinho desses três prêmios. Que, aliás, foram prêmios problemáticos para esse blog. Para quem não lembra, eu fiz um post falando dos meus palpites pra cada um dos prêmios da temporada, e não só falando sobre o que são os prêmios e quem eu achava que deveria ganhá-los como também disse porque eu achava que eles deveriam (ou iriam) ganhar o prêmio. Acontece que, para esses três prêmios, eu acertei os vencedores, e ai eu já disse nesse post acima todos os motivos sobre porque eles deveriam ganhar e não tenho muito mais pra falar. Mas tudo bem, vamos aproveitar pra falar um pouco melhor.

Offensive Rookie of the Year (Calouro ofensivo do ano)
E não tivemos nenhuma surpresa nessa votação novamente, o vencedor foi o Sam Bradford, Quarterback do Saint Louis Rams e primeira escolha no draft de 2010. E, como não poderia deixar de ser, a votação foi quase unânime: foram 44 de 50 votos pro Bradford, a maior vantagem até então nas votações pra essa temporada. O segundo colocado foi o Mike Williams, WR do Bucs, com seis, e o Maurkice Pouncey, Center do Pittsburgh Steelers e que está fora do Super Bowl dessa noite, foi o outro que recebeu votos, dois. O que eu escrevi naquele post, pra quem tem preguiça de ler, sobre o Bradford foi o seguinte:

"Essa temporada o Mike Williams do Bucs até merecia menção honrosa, mas não da pra negar tudo que o Sam Bradford, primeira escolha do draft, fez. Ele estabeleceu um novo recorde de calouros numa temporada pra passes completos e tentados (Não teve o de melhor porcentagem, mas já ta bom) e teve marcas impressionantes pra um calouro: 3500 jardas, 18 touchdowns e 15 interceptações, um saldo positivo. Quando Peyton Manning entrou na Liga como calouro, estabeleceu novos recordes de QBs calouros pra TDs (26) e interceptações (28), saldo negativo. Também vale a pena lembrar que o Bradford joga num time ridículo, não conta com WRs confiáveis e o melhor jogador do time é o seu RB, que pelo menos ajuda a aproximar a defesa da linha de scrimmage. Ele fez muito com um elenco muito limitado e quase levou o time, que tinha sido o pior da temporada em 2009, pros playoffs."

Acho que isso resume a maior parte dos motivos pro cara ser eleito o OROY, até porque a posição de QB é a posição mais importante dentro de um campo de futebol americano, o líder do ataque, e é normal que os jogadores dessa posição tenham em suas ações um peso maior, tanto quando acertam como quando erram. E o Bradford acertou muito essa temporada, revolucionou o seu time e mostrou muita maturidade pra um calouro. Para quem perdeu esse moleque jogando, aqui está uma pequena mostra do talento docara:



Defensive Rookie of the Year (Calouro defensivo do ano)
A primeira regra do draft da NFL é a seguinte: Nunca deixe passar um grande Quarterback. Foi essa máxima que levou o Rams a escolher o Bradford em primeiro no draft, acertadamente. No entanto, antes do draft muitos falavam que o melhor jogador disponível desse draft não era um Quarterback. E eu disse que o Bradford foi o jogador que ganhou um prêmio esse fim de ano com a maior unanimidade até então, mas essa honra durou pouco. Minutos depois de terem anunciado que o Bradford levou o prêmio pra casa com 44 de 50 votos, a segunda escolha do draft e cotado como o melhor jogador disponível aquela noite, o Defensive Tackle Ndamukong Suh levou o prêmio de calouro defensivo do ano com incríveis 48 votos, enquanto o Cornerback Devin McCourty, do Patriots, ficou com os outros dois votos. Como eu disse no outro post:

"Mas é difícil fugir do Ndamukong Suh nesse ano. Ele liderou TODOS os DTs da Liga essa temporada em sacks com 10, liderou também todos os calouros nesse quesito, foi o líder de calouros DTs em tackles, teve um fumble retornado pra TD, uma interceptação e foi uma força dominante no interior da linha defensiva do Lions e o principal responsável pela melhora da defesa do time de Detroit. Sua velocidade e força motora é incrível, tem muita força e um grande controle do corpo e não é incomum vermos ele passando por dois marcadores juntos pra continuar em cima do QB."

Ou seja, por mais que o McCourty tenha sido um tremendo achado pelo Patriots e seja um excelente jogador, não dava mesmo pra não votar no Suh. Existem jogadores de vários tipos, bons, ruins, muito bons, mas o Suh é diferente, é um jogador que está num nível completamente diferente de qualquer outro calouro que tenha jogado essa temporada. A habilidade física desse cara é absurda, ele é muito talentoso, sabe usar seu corpo e tem uma força motora assustadora, ele é o tipo de jogador que é capaz de mudar toda uma defesa só estando por lá, não era incomum ver defesas colocando dois ou até três jogadores só para bloqueá-lo na linha de scrimmage, e também não era incomum ver ele passando por cima de dois jogadores como se eles não existissem e ainda chegar no Quarterback. No seu primeiro ano da Liga ele ja foi eleito pro All-Pro, o time da Liga formado pelos melhores jogadores de cada posição após uma votação dentro da própria Liga (não sendo voto popular, como no Pro Bowl), e na minha opinião ele já o melhor DT de toda a NFL. Como você vota contra um cara desses??
Aqui vai uma pequena amostra do que esse cara é capaz de fazer:





Comeback Player of the Year (Intraduzível, seria algo como 'Jogador que deu a volta por cima do ano')
Apesar de não ter sido tão unânime como foram as votações pra calouro do ano, em nenhum momento o Michael Vick teve esse prêmio ameaçado. E nem poderia. Se é um prêmio pra um jogador que esteve mal, por qualquer motivo que seja, e deu a volta por cima, não existe nenhum jogador que mereça mais do que o Michael Vick. Nas minhas palavras, em outro post:

"Mas nenhuma história chamou mais a atenção do que a do Michael Vick. Era um bom QB da Liga quando jogava até 2007, dinâmico e divertido, mas não estava na Elite. Foi preso por promover brigas de cachorros em sua residência, condenado a dois anos de cadeia, ficou um ano e meio preso, saiu, foi contratado pra ser o TERCEIRO QB de uma Franquia em decadência e começou o ano na reserva de um QB que só começou dois jogos na sua carreira. Mas Kevin Kolb machucou e ele assumiu a titularidade, levou o Eagles aos playoffs, foi um dos melhores jogadores da NFL e vai receber muitos votos pra MVP. Acho que entre todos os jogadores que 'deram a volta por cima' ele não só foi o que jogou melhor essa temporada como também foi o que saiu do buraco mais baixo pro ponto mais alto. "

Como um cara que vai preso, passa quase dois anos na cadeia e consegue voltar pra NFL e ainda ser um dos três melhores QBs da temporada não foi o cara que mais ou melhor deu a volta por cima essa temporada? O cara saiu do ponto mais baixo pro ponto mais alto (caso ganhe o MVP hoje a tarde), ou pra um dos pontos mais altos, em altíssimo nível e revolucionando totalmente o ataque do Eagles, um time que ja estava preparado pra encarar um processo de reformulação e transição. O cara foi sensacional o ano todo, ainda pode coroar isso com um título de MVP (Embora eu duvide) e isso depois de três anos praticamente fora da Liga, ano passado ele jogou só em formações wildcat como terceiro reserva do time. Independentemente de você gostar ou não do cara, achar que ele é bom ou mau caráter, que o que ele fez extra campo é isso ou aquilo, dentro de campo ele mereceu o prêmio como ninguém. Com 29,5 votos, ele ficou ainda muito à frente do Mike Williams do Seahawks, com oito votos apenas. Quer ver mais do que ele andou fazendo esse ano? Só ver o vídeo abaixo.




Most Valuable Player (Jogador mais valioso)
E finalmente saiu o prêmio de MVP, o prêmio mais importante e polêmico da temporada. O vencedor foi, lógico, Tom Brady, como todo mundo já esperava depois da brilhante temporada do QB e do seu time, que teve a melhor campanha da NFL com 14 vitórias e 2 derrotas enquanto ganhou de times fortes como Colts, Steelers e Jets, esse último um massacre épico. Mas pra ter uma noção melhor de como esse prêmio foi merecido, vale a pena falar que dos 50 votos, Brady recebeu nada menos que todos os 50! Foi unânime, nada que eu falasse sobre o Quarterback poderia falar mais alto do que isso, a primeira vez que essa unanimidade ocorre no prêmio de MVP desde que o atual formato foi instituido. Ele se tornou apenas o oitavo jogador da história da NFL a ganhar mais de um MVP, se juntando a grandes jogadores e até lendas, como Joe Montana, Johnny Unitas, Brett Favre, Peyton Manning, Steve Young, Jim Brown e Kurt Warner. Quem quiser saber mais detalhadamente o porque desse prêmio vale a pena conferir o que eu escrevi no post linkado la em cima. Não vou colar aqui porque iria ficar grande demais, mas quem quiser, vale a pena. O outro MVP de Brady foi em 2007, quando ele bateu o recorde de mais passes pra touchdown, com 50, e liderou o maior ataque da história da NFL e recebeu 49 dos 50 votos pro prêmio. Vale ressaltar que o MVP é um prêmio que leva em conta apenas a temporada regular, e não os playoffs.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Jogador de ataque, de defesa e melhor técnico do ano

 A NFL decidiu novamente inovar em seu formato. Dessa vez foi algo até bem simples e que é bem difícil você dizer se foi um erro, um acerto ou qualquer coisa do tipo, afinal é uma coisa bem simples. Agora os premiados da temporada são anunciados na semana entre o Pro Bowl e o Super Bowl. São sete prêmios, e eu falei um pouco de cada um deles junto com meu voto pra cada um deles nesse post aqui, mas vale relembrar quais são os prêmios: Técnico do ano, jogador ofensivo do ano, jogador defensivo do ano, comeback player of the year (Que é meio intraduzível, mas algo como 'jogador que deu a volta por cima do ano', que fica feio pra caramba e eu prefiro deixar no original), calouro ofensivo do ano, calouro defensivo do ano e MVP, o jogador mais valioso. Até agora já foram anunciados cinco, e amanhã devem ser anunciados o MVP e o Comeback Player pra fechar os sete prêmios. Como eu já falei bastante dos dois times que tão no Super Bowl e a gente ta esperando ansiosamente que chegue logo o grande dia, vou falar hoje e amanhã dos prêmios que forem saindo. Ah, como de costume, eu errei a maioria com esse meu pé frio.

Todos se rendem ao charme das madeixas de Troy Polamalu

Defensive Player of the Year (Jogador defensivo do ano)

Dos 50 votos disponíveis pra decidir o jogador de defesa do ano, 40 foram para jogadores que estarão em campo domingo disputando o Super Bowl. E melhor, foram 40 para apenas três jogadores. Mas no final, quem ganhou o prêmio foi o Troy Polamalu, com 17 votos, terminando logo à frente do Clay Matthews com 15. James Harrison fecha o trio com oito votos. Coincidência ou não, o fato é que os jogadores considerados os melhores defensores da pós temporada são os destaques defensivos dos dois times que chegaram ao Super Bowl, sendo que o quarto e o quinto colocados (Julius Peppers e Brian Urlatchers) são do Bears, que quase eliminou o Packers na final de conferência. Pros que acham que é só coincidência, eu estou preparando um post sobre o assunto, mas fica a dica que os quatro finalistas da NFL essa temporada (Jets, Bears, Packs, Steelers) eram os donos de quatro das seis melhores defesas da NFL.

Mas o Polamalu foi, indiscutivelmente, uma peça importantíssima do Steelers em toda sua temporada. O mais impressionante é que a gente vê o que ele faz, as interceptações, os sacks, tackles e tudo mais, são estatísticas mensuráveis e impressionantes, mas o mais assustador dele é o impacto que não pode ser medido. Quem viu os jogos do Steelers ano passado viu que a defesa de Pittsburgh era extremamente diferente com ele dentro e fora de campo. Quando ele está em campo, a defesa do Steelers é excelente, pressiona o QB, da sacks, força turnovers e não da espaço pra ninguém conseguir jogar. Quando ele foi forçado ano passado a perder vários jogos por causa de lesão, a defesa foi totalmente destruída por times como Raiders e Chiefs (Uma desgraça ano passado), sofreu demais em todos os aspectos, pass rush, defesa terrestre, secundária, e perdeu jogos contra esses times que no final fizeram muita falta e deixou o time, recém campeão do Super Bowl, fora da pós temporada. Pra quem gosta de números, dos 39 jogos que o Polamalu jogou nas últimas três temporadas, o Steelers ganhou 31. Dos 13 que ele não jogou, o Steelers ganhou seis. O cara é um jogador extremamente completo, é um dos melhores da Liga reconhecendo as jogadas na linha de scrimmage, é muito atlético e super inteligente, sabe exatamente onde estar em cada jogada e até por causa disso ele é um jogador que influencia tanto a defesa como um todo, a defesa sabe que a função que ele vai executar está em boas mãos e por isso pode se concentrar em outras áreas. Mas mais que outra coisa, o Polamalu é muito bom fazendo grandes jogadas nas horas certas, forçando turnovers, dando sacks e tudo mais. Nesse mix que eu achei dele de 2010 da pra ver bem isso. Um prêmio muito merecido, como da pra ver no mix ele foi responsável por várias vitórias da equipe, inclusive contra o rival de divisão Ravens.




 
"O que, eu ganhei mais um prêmio??"

Offensive Player of the Year (Jogador ofensivo do ano)

Como o prêmio de MVP é praticamente uma certeza, eu confesso que não gostei desse prêmio. Na verdade, eu tenho uma certa raiva desse prêmio. O prêmio de MVP é dado, geralmente, pra um jogador de ataque. Em toda a história do prêmio, apenas duas vezes o vencedor foi um jogador de defesa, e uma um kicker (sim, um kicker!), e nas outras vezes o vencedor foi um jogador de ataque. Ta bom que o prêmio de MVP é um prêmio que não tem muito critério e teoricamente premiaria o jogador mais 'valioso' e não o 'melhor', mas de certa forma o MVP acaba sendo o jogador de ataque que jogou melhor e traduziu isso em vitórias. Como muitas vezes o vencedor é um QB, e um grande QB eventualmente vai traduzir grandes jogos em vitórias, o MVP acabaria sendo também o jogador ofensivo do ano. Existem exceções, claro, ano passado o MVP foi o Peyton Manning e o jogador ofensivo foi o RB que correu pra mais de duas mil jardas e triturou o recorde da Liga pra jardas totais de scrimmage (correndo e recebendo), Chris Johnson. Mas em geral, o melhor jogador ofensivo e o MVP são a mesma pessoa, na prática. Por isso, as vezes, os que votam nesse prêmio escolhem jogadores de outras posições que não o QB, ou então outro QB que não o MVP. Ninguém nega que o melhor jogador ofensivo da temporada foi o Tom Brady, ele destruiu tudo e todos, mas mesmo assim ele só teve 21 dos 50 votos possíveis, e embora eu não tenha gostado dele ter ganho (se ganhar mesmo o MVP, claro) pelo menos mais da metade dos votantes achou que esse prêmio não devia ir para quem ia ganhar o outro. Eu pessoalmente acho que esse prêmio não poderia ser dado pro mesmo cara que o MVP, como por exemplo em 2008, quando o MVP foi o Manning e o Offensive Player o Drew Brees. Se o Brees foi o melhor jogador ofensivo, porque não foi o MVP? Porque o Manning teve uma campanha melhor? Não faz sentido. Se é pra dar esse e o MVP pra mesma pessoa, porque não elimina logo um dos dois prêmios?

Mas, de toda forma, o Offensive Player of the Year foi o Tom Brady, que realmente foi o melhor jogador ofensivo da temporada. 14 vitórias e duas derrotas com um time recheado de calouros e novatos, ele liderou um ataque cheio de jogadores novos, velhos, voltando de lesão e tudo mais pra ser o ataque mais assustador da NFL e massacrou times que comprovaram sua força nos playoffs, como Steelers e Jets. Não vou esgotar tudo que tenho pra falar dele aqui, até porque já falei bastante naquele link ali em cima e vou falar mais quando ele for MVP. Por isso deixo ai um vídeo com vários lances da temporada do Patriots. E, só para deixar claro, eu nunca achei que não foi merecido o Tom Brady ser eleito o melhor jogador ofensivo da temporada, porque ele foi. Só acho que, já que ele vai ganhar o MVP, esse prêmio poderia ser dado pra outra pessoa.




Rex Ryan está revoltado que o Belichick ganhou mais um prêmio e ele não

Coach of the Year (Técnico do ano)
Antes de falar mais sobre isso, eu quero deixar duas coisas claras. Primeiro, se eu tivesse um voto nesse prêmio, eu não teria votado no vencedor, que foi o Bill Belichick. Segundo, isso não quer dizer que eu ache que o prêmio não foi merecido. Pronto, agora posso falar com calma.

O Bill Belichick, eu disse aqui o ano todo, fez um trabalho incrível no Patriots, foi o grande responsável pela arrancada inicial do Patriots, reformulou um time de forma brilhante, é um gênio, dos maiores técnicos da história da NFL e coloquei nesse link lá de cima sobre meus palpites que se ele ganhasse ia ser muito merecido (Embora, com meu costumeiro pé frio, tenha dito que ele não ia ganhar). Eu apenas votaria no Raheem Morris porque, como eu sempre insisto, esse prêmio é muito subjetivo e não tem um critério definido, cada um pode usar o seu, e usando o meu eu acho que o que o Morris fez é mais impressionante e mais digno de prêmio do que o Belichick fez. Os dois foram incríveis de formas diferentes, um remontando muito bem um time em torno do MVP e levando esse time aos playoffs com a melhor campanha, e o outro elevou o nível de um time em plena reconstrução ao ponto de eles quase chegarem aos playoffs. Cada um pode valorizar um deles, e ai cada um escolhe o seu. Por isso, a eleição do Belichick não foi nem remotamente injusta.

Aparentemente mais gente achou que o feito do Belichick, montar um time cheio de moleques e de jogadores mais experientes em baixa em torno de um pilar central, Brady, de forma a fazer o time seguir ganhando de forma dominante depois de perder a grande maioria de um time que foi dominante ao longo de toda a década, mais difícil, que revelou mais habilidade e por ai vai. Eu pessoalmente fiquei impressionado com o fato de um time que está no meio de um processo de claríssima reconstrução, um time que já foi campeão essa década (2002), que ficou velho demais, que provou que o time velho não iria a lugar nenhum em 2008 quando perdeu os últimos quatro jogos e ficou fora dos playoffs, jogou tudo fora e começou de novo em 2009 e de repente começa a jogar bem demais, se acertar como uma luva, desenvolver os jogadores numa velocidade impressionante e de repente só não ir para os playoffs - tirando a vaga do Packers - porque perdeu em casa pro Lions. Verdade que perder em casa pro Lions é uma prova de imaturidade, o time claramente ficou nervoso, mas esse time não era pra brigar por playoffs por mais uns dois ou três anos. E isso foi sensacional, se esse time seguir nesse ritmo, vai ser um time muito forte na década que estamos entrando. Por isso, o técnico do Tampa Bay Buccaneerss teria meu voto. Mas, repito, foi um prêmio justo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Green Bay Packers


Aaron Rodgers é bom porque sabe usar a Força

O Green Bay Packers foi o time sensação do ano passado. Aaron Rodgers, o substituto do eterno ídolo Brett Favre, evoluiu feito doido, jogou muito futebol americano e virou queridinho de muita gente. O então calouro Clay Matthews e os veteranos Nick Collins e Charles Woodson fizeram parte de uma defesa fortíssima e que forçava muitos turnovers, cheia de playmakers, muito dinâmica. E o corpo de WR era recheado de jogadores jovens, dinâmicos e muito talentosos, como Greg Jennings, Jermichael Finley e James Jones. Ou seja, era um time jovem, muito promissor e muito divertido de assistir. Além disso, ganhou atenção especial por causa da ida do Brett Favre pra Minnesota. O vovô revolucionou o time de Minneapolis, transformou um time mediano num dos mais fortes da Liga, e fez isso logo no segundo maior rival do Packers que o consagrou e um dia vai aposentar sua camisa número 4. E, lógico, o confronto entre Packers e Vikings não poderia deixar de ser um jogo muito esperado, a lá Miami vs Cleveland na NBA esse ano. E acontece que o vovô deu duas surras no seu ex-time e mostrou muita superioridade dentro de campo mesmo sobre o Rodgers. E isso trouxe muita atenção pro time de Green Bay que, mesmo assim, ganhou vários jogos, teve o Rodgers jogando muito bem, e conseguiu na marra uma vaga na pós temporada. E na pós temporada teve um dos duelos mais épicos que eu consigo lembrar de cabeça nos playoffs contra o Cardinals de Kurt Warner, um jogo onde cada vez que um ataque pegava na bola era touchdown, Rodgers e Warner duelaram de forma espetacular, cada um anotando 45 pontos no tempo normal, com o ataque do Packs e o Rodgers tendo uma partida fenomenal e o Warner tendo uma das maiores atuações da história dos playoffs. O jogo só foi decidido num fumble controverso na prorrogação, e mesmo derrotado o Packers teve um jogo fantástico e que fez muito mais gente começar a olhar pro time com outros olhos.

Esse ano, o Packers não era mais o time que foi derrotado pelo 'traíra' Brett Favre. Era um time perigoso, liderado por um jovem QB que subia cada vez mais rumo à elite da NFL, que tinha perna pra chegar até o Super Bowl e ver Rodgers ser coroado MVP. Mas os golpes a essas pretensões chegaram: Primeiro, o Nose Tackle, Johnny Jolly, foi suspenso por um ano por uso de substâncias proibidas. Depois, logo na estréia da temporada, o time perdeu o RB Ryan Grant, que além de ótimo corredor também era um alvo importante do Rodgers no jogo aéreo. O time também perdeu o promissor TE Jermichael Finley pro resto da temporada, e perdeu jogadores como Nick Barnett e Atari Bigby ao longo do ano. O time que era cotado como favorito e tinha tudo pra fazer valer seu favoritismo foi devastado por lesões e suspensões, teve seu plano de crescimento ao longo da temporada destruído por conta disso. E o time sofreu um pouco no começo: Uma derrota para o Bears, vitórias sofridas sobre Eagles e Lions. Mas o time foi achando as peças pra remontar seu time: BJ Raji, a beluga, tomou o lugar de Jolly com muita eficiência (e barriga) no meio da linha defensiva. Trammon Williams virou um monstro jogando do lado oposto ao Woodson, e o AJ Hawk tem tido uma ótima temporada no miolo da defesa. É verdade que o jogo terrestre não conseguiu achar um substituto confiável, o John Kuhn e o James Starks tiveram bons jogos mas nenhum produziu com a consistência do Grant.

E o time que foi montado ao longo da temporada pra repor tantas perdas começou a engrenar, começou a ganhar e principalmente começou a convencer. O time ainda sofreu um grande susto com a derrota para o Lions vinda da concussão do Aaron Rodgers, que ainda perdeu o jogo seguinte e colocou seu time numa situação delicada pra classificar para os playoffs, precisando ganhar do Giants fora de casa pra conseguir reverter a vantagem do time de New York. Mas ai o Rodgers respondeu com um dos melhores jogos da sua carreira, massacrou o Giants e o time foi pros playoffs, pra eliminar os favoritos Bears, Falcons e Eagles, com o Aaron Rodgers dando show e a defesa mostrando porque é uma das melhores da NFL, e com destaque também para o Trammon Williams, que elevou demais seu jogo nos playoffs.

E agora o Packers tenta fazer o que, ironicamente, só o Steelers fez antes na história: Ganhar o Super Bowl tendo se classificado com a 6th seed, ou a pior campanha entre os Wild Cards classificados. Mas, pelo menos pra mim, o Packers é o favorito pra esse jogo. O time se classificou com uma campanha muito abaixo do que poderia se estivesse saudável, ou pelo menos com o time atual montado desde o começo. O time perdeu jogos quando ainda se remontava, perdeu jogos com a concussão do Rodgers, mas se reestruturou, evoluiu pra fechar a temporada nos playoffs e, mais importante, elevou o nível do seu jogo quando chegaram à pós temporada. O time massacrou o melhor time da conferência, Atlanta, eliminou os ótimos Eagles, e apesar das dificuldades, ganhou do Bears em Chicago. Aaron Rodgers vem jogado num nível realmente excelente, a defesa tem tido uma excelente atuação não só coletiva mas também dos seus talentos individuais, em especial do Trammon Williams e do Clay Matthews, a minha maior preocupação com o time, a linha ofensiva, tem jogado muito melhor do que a encomenda e os recebedores tão facilitando em muito a vida do Rodgers. É um time completo, muito bem montado e que conta com brilhantes talentos.

Mas, mais importante que isso, o Packers tem conseguido impor com sucesso seu estilo de jogo para os adversários. Eu falei, quando falava ontem sobre o Steelers, que apesar do formato das equipes ser parecida, o estilo é diferente. Que o Steelers gosta de usar seu ataque pra pontuar de forma lenta e cadenciada e usar sua defesa pra segurar o jogo e ai controlar o resultado, embora seja capaz de jogar de forma bem aberta e rápida quando quer, claro. Mas que o Packers prefere usar tanto o ataque como defesa de forma bem agressiva, pontuar de forma rápida e eficiente, usar sua forte defesa sufocante pra forçar turnovers ou um punt e ai correr campo acima e anotar mais um TD, criando um buraco que força o adversário a jogar de forma unidimensional e previsível, incapaz de acompanhar o ritmo do time. Não funcionou tão bem contra o Bears porque a defesa do Bears foi sufocante e jogou de forma praticamente perfeita, mas foi o que esmagou o Falcons e que derrotou o Eagles, e é esse estilo de jogo que o Packers vai ter que impor novamente se quiser ser vencedor. Eu disse ontem que uma briga fundamental vai ser a briga na linha de scrimmage, e repito agora. A linha ofensiva do Packers foi muito fraca ano passado, foi bastante vulnerável durante a temporada regular, mas nesses playoffs ela tem jogado muito bem, tem dado bastante tempo pro Rodgers e também tem feito um bom trabalho abrindo espaço pros corredores do time. E a linha vai ter que fazer isso de novo. O pass rush do Steelers é excelente e a linha ofensiva do Packers não pode deixar eles chegarem no Rodgers como chegou o pass rush do Bears, e isso é a única coisa que tem parado o QB de Green Bay nesses playoffs. O grupo de recebedores do Packers é incrível e o Aaron Rodgers é de outro mundo, esse grupo vai conseguir fazer grandes coisas com tempo e o QB é excelente tomando decisões rapidamente, mas pra isso o Rodgers tem que desenvolver um ritmo bom, tem que ter tempo pra acertar alguns passes médios e longos e abrir a defesa, e ai a linha ofensiva vai ter que ser capaz de dar a ele pelo menos tempo pra saber pra que lado correr, a habilidade de lançar a bola correndo do Rodgers é excelente. Mas pra isso a linha ofensiva não pode sofrer os colapsos pra dentro do pocket que sofreu contra o Bears, forçando o Rodgers a ir pra trás e não ter tempo de ler a defesa e lançar a bola. No ataque, a linha ofensiva do Packers é a chave pra conseguir manter o ritmo.

Já na defesa, o Packers vai - surpresa! - ter que dominar a linha. Mas não só a linha de scrimmage, e sim toda a linha de frente. O time tem que fechar os espaços pro Rashard Mendenhall no muque, dominando fisicamente e tecnicamente a linha ofensiva e não deixando ela abrir espaços, mas também tem que colocar bife em volta do Big Ben Roethlisberger, não deixar ele se mover livremente pra fazer aqueles passes roubados em movimento, ou até mesmo correr pra um first down. Esse é o trabalho da linha de frente e do pass rush, onde o BJ Raji vai ter um papel importantíssimo se o Maurkice Pouncey realmente não jogar. Mas também tem um papel muito importante a cobertura próxima à linha de scrimmage, o que o Woodson tem feito muito bem, pra evitar os passes laterais ou passes curtos em velocidade, você tem que evitar ao máximo que o Big Ben tenha alvos pra soltar a bola rapidamente, ou pelo menos garantir que assim que eles pegarem a bola eles vão cair, ao invés de ganhar jardas após a recepção. O Packers vai ter que abusar das zone blitzes, das coberturas por zona e das blitzes incomuns, como cornerbacks por exemplo, e também vai ter que acertar os tackles, não pode perder tackles de jeito nenhum porque o Steelers é um time muito físico que é ótimo bloqueando como um time, se você errar um tackle e der espaço pro cara com a bola ele vai achar o que fazer. Por isso a defesa do Packers tem que jogar muito fisicamente próxima à linha de scrimmage e acertar o Big Ben sempre que der, não dar espaço. E também vai ser importantíssimo o trabalho do Trammon Williams. Ele tem sido o responsável por cobrir no mano a mano os WRs do adversário e tem feito um trabalho brilhante transformando isso em interceptações. Ele provavelmente vai ser o responsável por acompanhar o Mike Wallace quando ele correr pro fundo do campo nas rotas longas, e ele vai ter que trabalhar bem pra evitar que o Steelers consiga produzir pontos no ritmo rápido que eles podem precisar ao longo do jogo. O trabalho de cobertura do Nick Collins também é importante, mas o Williams vai ter que acompanhar direito o seu cara no mano a mano e, se possível, fazer sua parte pra sair com as interceptações. Forçar turnovers em geral é importantíssimo pro Packers, assim como é pro Steelers, e por isso não vou bater nessa tecla. Mas se o Packers fizer o trabalho defensivo que vinha fazendo, colocando pressão no QB e dando tempo pro Rodgers lançar a bola, eu acho difícil bater os cabeças de queijo nessa partida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pittsburgh Steelers


Agora nós sabemos o resultado da mistura do Hines Ward com o Troy Polamalu

O Pittsburgh Steelers é a franquia mais vitoriosa da história da NFL, ou pelo menos o é na Era Super Bowl, contabilizando seis títulos, um a mais que Cowboys e 49ers. Desses seis títulos, dois vieram na última década, em 2005 e 2008. O Steelers tem sido um dos grandes times da AFC nessa década, junto com Patriots e Colts, e não só chegou a esses dois Super Bowls como chegou a uma castanhada de finais de conferência e quase sempre aos playoffs. Curiosamente, aliás, nas duas vezes que não foi aos playoffs foi justamente quando tinha acabado de ser campeão, em 2006 e 2009. Mas o que mais impressiona nessa dominação do Steelers ao longo da década é a defesa que o time tem. Desde o time de 2005, que tinha como astros no ataque Jerome Betts em fim de carreira, o RB mais forte que eu vi jogar, e o Willie Parker, além de contar com o Hines Ward e dois jogadores muito jovens, Ben Roethlisberger e Heath Miller, o time tinha como principal âncora a defesa, liderada por Troy Polamalu, James Farrior e Joey Porter. Era uma defesa sufocante, que vivia dando sacks e forçando turnovers, colocando pressão no QB adversário e colocando seu jovem QB em boas situações de campo. Foi assim que o time se tornou o primeiro time da história a ser 6th seed (Pior time do wild card a se classificar) nos playoffs e ser campeão do Super Bowl. Em 2008, mais do mesmo: classificando com uma defesa fortíssima e tendo o Defensive Player of the Year do ano, James Harrison, o Steelers forçou com aquela defesa sufocante seu caminho até o Super Bowl contra o Cardinals. Apesar de ter sido um jogo ofensivo de ambos os lados, a jogada que definiu a partida veio na defesa, e justamente de Harrison, que interceptou um passe dentro da end zone de Kurt Warner no final do primeiro tempo pra levar pra touchdown do outro lado, uma jogada de no mínimo 10 pontos e que fez toda a diferença no final, e também foi o retorno de TD mais longo da história do Super Bowl.

A situação, esse ano, também é muito parecida. O Steelers também conta com o atual Defensive Player of the Year, Troy Polamalu, e também com o terceiro colocado na votação, Harrison, além de possuir a melhor defesa da temporada regular e que tem sido excelente nos playoffs, uma defesa que coloca muita pressão no QB adversário, da sacks, força turnovers e é ótima colocando o ataque em boas posições de campo. E o ataque, embora secundário, é uma unidade bem forte, com um jogo terrestre liderado pelo Rashard Mendenhall e com o Big Ben controlando o jogo nas horas decisivas. O time perdeu seu melhor WR de 2008, o MVP do Super Bowl Santonio Holmes, mas achou no Mike Wallace um ótimo substituto, rápido, inteligente e excelente em abrir espaços rapidamente. O Hines Ward ta mais velho, é verdade, mas ainda é um excelente WR, o jogador de confiança do Ben e que ainda é muito bom achando espaços pelo meio e bloqueando para corridas ou jardas após a recepção. É uma unidade que conta com a incrível mobilidade e inteligência do Big Ben Roethlisberger e com seu braço de canhão pra conseguir mesclar bolas longas com jogadas curtas, corridas que controlam o relógio e mantém o jogo com o placar baixo, como eles fizeram tão bem contra o Jets no primeiro tempo.

Acontece que o adversário é, novamente, um time muito parecido com o  Steelers. Não tão parecido como o Baltimore Ravens, eles parecem cópias roxas e amarelas um do outro, é incrível, mas ainda assim são dois times que tem como âncora uma excelente defesa, que coloca muita pressão no quarterback e que tem um ataque competente pra ganhar as partidas. Analisando mais de perto, percebemos várias pequenas diferenças, mas a silhueta é a mesma: uma defesa fortíssima, mais de um jogador que é capaz de desequilibrar uma partida a qualquer momento (Clay Matthews também ficou em segundo na votação pra Defensive Player of the Year, Charles Woodson ganhou ano passado) que lidera e um ataque que também é capaz de colocar pontos no placar rapidamente pra depois segurar a vantagem. A diferença principal é que enquanto o Steelers usa seu ataque como um complemento pra sua defesa, pra colocar pontos no placar e ai segurar o ataque adversário na sua defesa e administrar o relógio quando tiver a bola, o Packers usa os dois de forma cooperativa, ele pontua rapidamente, abre o placar, usa sua defesa pra forçar turnovers ou chutes rápidos, usa seu poder de fogo pra pontuar novamente, e ai você vai colocando o adversário num buraco do qual ele vão ter que escapar jogando com mais pressa e unidimensionalmente, tornando-se ai uma presa mais fácil pra forte defesa de Green Bay. 

O que o Steelers tem que fazer, portanto, é impor o seu estilo de jogo e limitar ao máximo o do Packers.  E pra isso ele tem que, antes de tudo, evitar turnovers. A secundária do Packers é excelente em interceptações e o Steelers pode contar ainda a ausência do C calouro Maurkice Pouncey, que tava tendo uma ótima temporada. Além disso, a dupla de tackles do Steelers é a reserva, os titulares ambos lesionados. Ou seja, o Steelers ta jogando praticamente com uma linha ofensiva reserva, e se a titular já não era muito confiável, a atual está totalmente vulnerável ao BJ Raji pelo meio da defesa e ao Matthews pelas laterais. E o Big Ben é excelente fugindo do sacks, mas até ele é humano e tem um limite, e evitar sacks e lançamentos apressados que possam acabar em interceptações é fundamental. A linha ofensiva vai ter que jogar o melhor que puder, dados os desfalques, mas é importantíssimo que o Big Ben se livre rápido da bola. Às vezes ele segura a bola demais esperando os WRs se desmarcarem, porque o time tem vários jogadores que conseguem abrir distância bem rápido, mas nesse jogo é importantíssimo que o Big Ben solte a bola rápido, em rotas curtas, de preferência com os alvos ainda em movimento pra aproveitar a velocidade do Wallace e os bloqueios do Hines Ward. Isso é essencial pra evitar que o Big Ben apanhe mais do que já vem apanhando e acabe soltando a bola ou force o passe e acabe nas mãos da perigosíssima secundária do Packers. Também é importante estabelecer o jogo terrestre, se o Mendenhall correr o que correu contra o Jets será ótimo, porque como eu já disse o Steelers gosta de usar o ataque pra pontuar lentamente e controlar o relógio pra deixar sua defesa fazendo o trabalho sujo, e usando ele com mais força quando necessário, e pra isso é importante que o jogo terrestre funcione. Mas o próprio Mendenhall vai ter trabalho, ele que vem sofrendo com fumbles já faz algum tempo, é fundamental que ele tome cuidado e segure a bola. Executando esses dois com eficiência, o Steelers já faz uma parte do que se propõe: Controlar a bola, evitar turnovers e avançar lentamente pra converter pontos e contar com sua defesa.

O problema é que o ataque do Packers é infernal e o Aaron Rodgers é um dos melhores QBs do mundo. A defesa do Steelers é excelente, conta com um número enorme de grandes jogadores, e é excelente em todas as áreas do jogo, mas parar o Aaron Rodgers é algo impossível. O Steelers vai, lógico, evitar ao máximo levar pontos, tentar fazer o que puder pra parar o QB de Green Bay e forçar turnovers, mas pontos vão acontecer. O Packers não tem um jogo terrestre confiável, mas sua linha ofensiva tem jogado bem nesses playoffs e é melhor do que a desfalcada linha do Steelers. É ai que a defesa do Steelers vai jogar, colocando pressão de todos os lados possíveis, forçar o Rodgers a ficar no pocket ao invés de fazer o bootleg e tentar caçar ao máximo o QB de Green Bay pra deixar ele preocupado e desconfortável dentro do pocket. Nesses playoffs foi a única coisa que deu resultado, e foi o que limitou a produção dele contra o Bears, com o Jullius Peppers fungando na nuca dele o jogo todo. E o que da certo, você tenta imitar. Não é só uma questão de sackar o Rodgers sempre, você tem que fazer ele ter medo, se preocupar com a pressão, não conseguir se concentrar no passe tão bem como gostaria, e pra isso você tem que constantemente colocar alguém pra forçar um deslocamento ou apressar o seu passe. É um jogo onde as linhas vão ter um papel fundamental, e como a linha ofensiva do Steelers deve vir mais desfalcada e fraca do que no resto dos playoffs, a linha defensiva vai ter que equilibrar essa balança, também parando a corrida, mas mais do que tudo impedir que o Rodgers entre no seu modo assassino, porque ai ninguém consegue segurar.

Mas caso o plano não funcione tão bem, ou até se funcionar na medida do possível, o Rodgers e o ataque do Packers vai conseguir anotar pontos, vários pontos, e ai o ataque do Steelers, além de proteger a bola, vai ter que correr atrás. De nada adianta você controlar o relógio se a cada posse de bola você anota três pontos e o adversário anota sete. Por isso que o Steelers tem que evitar ao máximo que a vantagem do Packers se abra, porque ai você vai ter que começar a acelerar o ataque, jogar mais pesado pelo ar, e vai tornar o Big Ben um alvo muito mais fácil pro sistema criativo de blitzes do Dom Capers, e jogar dessa forma contra a defesa do Packers é pedir pra perder o jogo. Por isso o ataque do Steelers vai ter que se preparar pra jogar de forma mais agressiva, pra campanhas sem se preocupar com relógio ou outra coisa alem do touchdown. Você não pode abandonar o jogo terrestre, mas você tem que contar com a inteligência do Big Ben pra achar, quando tiver tempo pra isso, um passe longo, uma corrida pela lateral ou até um passe na velocidade pro Mendenhall quando a defesa não tiver esperando. O time tem que estar pronto pra variar seu repertório antes que a situação chegue num ponto crítico, controlar o relógio mas não pode perder a chance pra uma jogada longa quando a oportunidade aparecer. O problema é saber identificar essas situações, e saber diferenciar das situações onde jogar com segurança, passes curtos e rápidos ou corridas. E ai, está nas suas mãos, Big Ben. De certa forma, você é a chave da partida para o Steelers.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Como assistir ao Super Bowl?

Algumas pessoas têm me perguntado, outras têm perguntado a outras pessoas, em redes sociais, em fóruns e tudo mais, sobre como fazer para assistir ao Super Bowl. Pensando nelas, fiz esse post com várias formas de se assistir ao jogão de domingo, pra quem ninguém tenha que perder esse jogo por falta de informação, porque esse jogo você não vai querer perder por nada. Pelo que eu tenho lido, o principal problema é que nessa temporada a ESPN não vai transmitir o Super Bowl aqui para o Brasil, e a ESPN é a principal fonte de NFL pra boa parte dos brasileiros. Infelizmente a ESPN tem um contrato pra transmitir o Super Bowl por aqui que diz que a emissora tem os direitos de transmissão para cá duas vezes a cada três anos, e esse ano é o que a gente vai ter que ficar sem acompanhar com o Everaldo Marques e o Paulo Antunes esse fim de temporada que promete ser espetacular. Por outro lado, isso significa que os próximos dois pelo menos estão garantidos. Mas como na ESPN não vai passar, onde é possível assistir ao jogo?

A - TV a cabo
Foi-se o tempo que a Band transmitia a NFL aqui pro Brasil. Hoje em dia, o máximo que passa é um compacto de madrugada do Super Bowl, o que é bom pra ver os lances e tudo mais, mas não é nem de longe tão divertido como ver o jogo ao vivo. E na TV aberta não temos alternativas, o jeito é apelar pra TV a cabo. Mas como eu já disse que a ESPN não vai transmitir, a última corte de apelação é o canal Bandsports. A Bandsports passa NFL há muito tempo, todo domingo a tarde e toda quinta a noite (pelo menos quando tem jogos) e também transmite metade dos jogos dos playoffs (A outra metade é da ESPN). Infelizmente, a Bandsports não está disponível em todas as operadoras de TV a cabo e nem faz parte dos pacotes mais simples das que tem o canal. Eu sei que a Net tem a Bandsports, canal 98, mas também faz parte de um pacote especial e nem todos possuem, e também não sei dizer quanto às outras operadoras. O jeito é pegar a lista de canais da sua, verificar se tem a Bandsports, e tentar ver se consegue descolar o canal por um dia que seja, só precisa disso mesmo. Eu não sou o maior fã da Bandsports, eu gosto do narrador Ivan Zimmermman mas acho os comentaristas muito fracos, e as vezes a transmissão fica um pouco chata por causa disso. Mas de qualquer forma o que importa é a partida, e pra essas e outras que serve a tecla SAP.

Outra solução que envolve TV a cabo é se a sua tiver aquela penca de canais americanos. Se no meio deles a sua televisão pegar a Fox Sports dos EUA, lá você pode assistir ao jogo ao vivo e com o Troy Aikman comentando. Se por acaso pegar a BBC Sports ou a Sky Sports, do Reino Unido, você também tirou a sorte grande porque ambas irão transmitir a partida. Só não garanto que os ingleses entendam alguma coisa de NFL.

B - Links alternativos
Extremamente original essa idéia. A internet é um poço de respostas se você souber aonde procurar as respostas que você procura e 99% das vezes vai acabar achando alguma coisa que te ajude. Mas isso também serve pra muito mais que respostas, e transmissões também podem ser facilmente encontradas se você souber aonde ir. Sempre que você quer assistir a uma partida que não vai passar na televisão, você acaba recorrendo aos links alternativos, os streams que a galera bota na internet e que não são tão difíceis de achar. O site que mais gente me disse que usa pra assistir a jogos é o http://www.atdhenet.tv/ (O endereço antigo, www.atdhe.net , saiu temporariamente do ar, mas pode voltar a qualquer momento), um site que redireciona você pra vários streams diferentes de acordo como que você quer assistir. Outro que as vezes tem programas úteis mas que é mais chato de usar e nem sempre tem algo que preste é o http://www.veetle.com/ , mas eu recomendo tentar o ATDHE antes, mais variado e confiável. Esses streams são um pouco instáveis e podem acreditar que muita gente vai estar atrás desses links alternativos pra assistir ao jogo, e por isso eles podem acabar ficando um pouco sobrecarregados. As vezes o ATDHE tem um limite pra usuários de um mesmo país e embora o próprio site ofereça um programa pra burlar isso, as vezes é um pouco cansativo e não seria de estranhar que as transmissões ficassem caindo bastante por causa do grande número de pessoas assistindo à mesma coisa. Entre esses métodos, ele é o único totalmente gratuito, mas ele também é o mais instável e o menos confiável. Embora, é claro, possa dar certo.

Atualizando: O Bola Presa lembrou hoje do site Rojadireta, que também é ótimo pra assistir a essas transmissões. O endereço é  http://rojadirecta.me e vale a pena confefir.

Atualizando²: http://www.tvpc.com/Channel.php?ChannelID=1730 ja está acompanhando o Super Bowl
C - Bares, restaurantes ou afins.
Em várias cidades do país, as pessoas tem se juntado para assistir ao futebol americano, principalmente nesses playoffs. Bares e restaurantes tem passado as transmissões e as pessoas vão lá para assistir, se reunir, festar e curtir umas bebidas ou salgados enquanto assiste à NFL. Sei que durante várias partidas a galera se reuniu aqui em Sampa no O'Malleys, por exemplo. Tenho lido vários comentários, das mais diversas cidades, sobre algum bar ou restaurante que está tomando essa iniciativa pro Super Bowl, e até algumas festas com esse tema. Não sei muitas, só sei do O'Malleys aqui em São Paulo mesmo, mas se vocês procurarem na cidade de vocês devem achar algum lugar onde vai ser transmitida a partida. Se alguém souber de algum na cidade que mora e quiser divulgar, pode colocar nos comentários ou mandar um email pra tmwarning@hotmail.com que eu publico aqui no blog.

D - Game Access
Esse é o que ninguém quer, todo mundo acha horrível a idéia e acaba jogando ela fora sem perceber que, de certa forma, ela é a mais confiável, ainda que não tenha o melhor custo benefício. E a mais cara, é verdade. O Game Access da NFL.com funciona que nem o League Pass da NBA.com, ou seja, um tipo de canal online que você compra e onde se pode ver os jogos que estão acontecendo no campeonato (As vezes mais de um ou os que já terminaram, depende do tipo de pacote que você comprou). Você tem que pagar pela internet pelo serviço que comprou, e não é bem barato, mas você tem direito a assistir online os jogos pelos quais pagou, em altíssima qualidade (dependendo da velocidade da sua internet, claro) e ao vivo. O Game Access também funciona assim, e eles têm um pacote especial para os playoffs, e esse pacote poderia ter sido comprado no início dos playoffs pra assistir a todos os jogos. Infelizmente pra quem não comprou a maior parte dos playoffs já passou, mas você ainda pode comprar o pacote e usá-lo pra assistir ao Super Bowl, o problema é que o preço é feito com base em todos os playoffs, não pra um único jogo. Também tem outro pacote que oferece o Super Bowl e acesso total a toda a offseason da NFL, incluindo draft, combine, e muitas outras coisas dessa offseason. O endereço é www.nfl.com/gameaccess para quem quiser conferir os pacotes e os preços. 

Vale a pena? Bom, é bem caro, se você for pensar que é pra assistir a um único jogo. Tudo bem, é O jogo, Super Bowl e tudo mais, mas talvez seja um pouco caro demais pra grande maioria das pessoas normais. Mas tem suas vantagens, e a primeira e mais clara é que é uma forma de assistir à partida ao vivo da sua casa. Eu comprei o Game Access pra essa temporada e o serviço é excelente, não cai nunca, a qualidade é muito boa e você tem algumas opções enquanto assiste à partida, como ver o box score da partida. Se a sua internet não cair durante o jogo, você não vai ter problema nenhum pra assistir a toda a partida, o que vem antes e o que vem depois, é uma cobertura muito bem feita. Mas como eu disse, é o mais caro de todos e realmente eu coloquei aqui apenas como uma última opção.