Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Saindo do fundo do poço (ou tentando)

Kevin Kolb dançando "Na boquinha da garrafa"


A NFC West é - e isso não é de hoje - a divisão mais fraca de toda a NFL. De longe. A divisão não tem sequer um time competitivo (Qualquer uma das outras sete tem pelo menos um), a maior parte dos times tem sérios problemas em diversas partes e, mesmo com a vitória do Seahawks nos playoffs de 2010 em cima do Saints, ninguém realmente leva nenhum time dela a sério. Faltam QBs, faltam boas defesas, alguns casos também faltam técnicos. Não que a divisão tenha sido um completo fiasco nos últimos anos, o Rams foi um dos grandes times do começo da década (O famoso Greatest Show on Turf), o Seahawks foi um time forte durante o meio da década (chegou ao Super Bowl em 2005 e deu trabalho pro Packers em 2007 nos playoffs) e o Cardinals teve um dos melhores ataques da década em 2008 (quando foi vice do Super Bowl) e 2009, liderados pelo Kurt Warner. Ou seja, a divisão teve seus bons momentos recentemente. Mas desde 2007 o Seahawks não consegue se manter relevante (Graças, em grande parte, às sucessivas lesões do Matt Hasselback), o Rams foi um dos piores times da Liga por anos a fio, o Cardinals mostrou que é horroroso quando o Kurt Warner se aposentou e deixou o time nas mãos dos QBs Derek Anderson e Max Hall, e o 49ers amargou anos de desgraça, pareceu que ia melhorar mas só pra voltar a regredir tudo de novo.

Falando em história mais recente, o time que parecia em 2010 estar caminhando para um bom futuro era o Rams. O time draftou o ótimo Sam Bradford pra ser seu Franchise QB e, apesar de um elenco muito fraco e cheio de buracos, pelo menos tem um jogador jovem e bom o suficiente pra ser o centro de uma reconstrução. Mas ainda falta muita coisa pro time ficar bom, afinal de contas eles ficaram de fora dos playoffs por causa do Seattle Seahawks, um time velho e decadente, mas eu vou falar mais deles um pouco mais pra frente. O mesmo vale para o Cardinals, que apesar do seu record de 2010 não mostrar, era disparado o pior time da Liga em 2010. O 49ers deveria ter clamado o topo da divisão para si em 2010, era o melhor time, mas o time foi uma grande decepção e ficou em terceiro, em meio a trocas de técnico e mudanças de QBs. Atualmente, o Rams é um time que conseguiu sua pedra angular e está se montando em cima disso, enquanto o 49ers é um time que busca desesperadamente achar o problema e finalmente se colocar no caminho do sucesso. Enquanto a diretoria tem fracassado nisso recentemente, pelo menos trouxeram um técnico competente e vencedor para o time. Mas ainda vai ter que suar pra brigar pelo título da divisão.

E como ficam os outros dois times? Bom, o Cardinals era o time mais divertido dos últimos anos em 2008, quando finalmente deixaram o Matt Leinart de lado pra colocar o Warner de titular. O resultado foi que o Warner teve um ano de MVP, três WRs do time passaram de 1000 jardas, foi o ataque mais assustador dos últimos anos (tirando o Patriots de 2007) e merecia ter ganho o Super Bowl que perdeu para o Steelers. Um Cardinals mais fraco teve outra boa campanha em 2009, ganhou do Packers nos playoffs por 51 a 45 em um dos melhores jogos de playoffs de todos os tempos e com uma das melhores atuações de um QB em uma partida em todos os tempos. Infelizmente esse time não aguentou a rodada seguinte, e Kurt Warner decidiu se aposentar. O Cardinals também perdeu vários titulares, especialmente na defesa, mas o que mais fez falta foi o QB. O time tentou o veterano Derek Anderson, tentou calouros como Max Hall ou John Skelton, mas foi tudo um fiasco e o time foi uma desgraça completa. O time então chegou à decisão (Absolutamente genial) de que precisava de um QB, e eu comentei do interessante dilema do Cardinals quando analisei o Draft da NFC West, disse que o time teve a chance de pegar um bom QB mas preferiu pegar o melhor jogador disponível e apostar na Free Agency para conseguir seu QB. É um risco, claro, mas um risco calculado: O Kevin Kolb queria jogar em Arizona desde antes do lockout, o Cardinals estava interessado e parecia mais uma questão de acertar os valores com o Eagles do que outra coisa. Mesmo sem o Kolb, o time ainda era atraente para os QBs do mercado, o time apostou que sairia pelo menos com um. No final, como podemos ver, a confiança do time não era infundada, já que o Kolb realmente foi pra lá. Mas será que o Kolb realmente é o salvador da pátria?

Eu acho engraçado que o Kevin Kolb, que passou a ser visto como a solução a longo prazo para times em busca de um QB, recebeu esse 'título' tendo jogado apenas sete (!!) jogos como titulares em toda a sua vida (E mais alguns quebrados que ele entrou na metade, mas nesses sete que ele começou saiu na metade de dois)! Tudo bem, ele teve boas partidas entre elas, tem um bom braço e é habilidoso de forma geral, mas ele também teve partidas medianas mesmo contando com um execlente corpo de WRs. Ele é bom, jogou bem em jogos razoavelmente difíceis e pode ser um titular consistente na NFL, mas basear toda a premissa de 'grande QB do futuro' ou "novo Aaron Rodgers" em um jogador que jogou apenas sete partidas na vida de titular é um grande exagero! Teve boas partidas, outras nem tanto. E de repente ele aparece como um grande QB jovem disperdiçado no banco do Eagles que vai ser a solução pra uma franquia que apresenta problemas em quase todas as suas áreas. Algo não parece um pouco estranho?

Eu não questiono a necessidade do time por um QB. Eles precisam de alguem pra jogar com o Larry Fitzgerald e um QB jovem (Kolb tem só 26 anos) pode ser exatamente a peça que eles precisavam pra voltarem a ser relevantes. O Kolb teve bons jogos e tem talento, inquestionável, com um grande WR talvez ele nem precise ser um Rodgers da vida para dar certo por lá. Mas eu acho que colocar tanta confiança em um QB que ainda não se provou na Liga, tem pouca experiência é arriscado demais. Além disso, o preço foi altíssimo. Um dos melhores CBs da Liga E uma escolha de segunda rodada por ele? Eu não pagaria. Pra mim o Kolb poderia até valer uma escolha de primeira rodada, mas um jogador (Dominique Rodgers-Cromartie) que vale sozinho mais do que uma escolha de primeira rodada e MAIS uma escolha de segunda? A contratação do Kolb foi inteligente, a leitura da situação foi perfeita (e obvia), mas talvez tenham pago um pouco demais para um jogador que tem muito pouco provado. Foi de certa forma um grande risco a um preço muito alto que o time assumiu. Além disso, o time tem um problema que não tinha no passado. O único WR acima da média que tem no time é o Fitz (BEM acima da média, mas vocês entenderam), o Anquan Boldin e o Steve Breaston saíram e o time vai ter que contar com o Early Doucet realmente jogando bem, o que é muito mais fácil fazer com o Kurt Warner de QB. O movimento do time foi sem dúvida na direção certa - eu acho até que o Kolb era a melhor opção pro time mesmo - mas o time está colocando esperança e pressão demais nas costas do Kolb, que veio a um preço mais alto do que ele vale por enquanto.

E enquanto o Cardinals está com um corpo de recebedores destruido e rezando para o Beanie Wells resolver o problema dos RBs pra aliviar a barra, mas pelo menos conseguiu um QB talentoso e jovem, o Seahawks fez o caminho oposto. O time ganhou a divisão ano passado porque o Matt Hasselback ganhou jogos importantes e, sinceramente, porque o resto da divisão era horrível. A grande surpresa da temporada foi que o time ainda ganhou do Saints nos playoffs, com atuação vintage do Hasselback e uma corrida épica do Marshawn Lynch, mas ficou claro no jogo seguinte que aquilo realmente não deveria ter acontecido. O time era muito fraco no geral, a defesa era razoavel mas nada demais, e o grupo de WRs do time era um absurdo de ruim (tirando talvez o Mike Williams, que machucou). Nessa Free Agency, então, o time gastou as calças para trazer bons alvos para seu QB. Trouxe dois dos recebedores mais importantes da Free Agency, o Sidney Rice (que ganhou um contrato milhonário graças a um excelente ano recebendo bombas do Brett Favre) e o Zach Miller. O Rice foi o WR que, quando o Favre foi pra Minnesota, foi o principal alvo dele, fez o diabo e teve uma temporada absolutamente espetacular. Em 2010 ele machucou e não jogou, mas as lembranças de 2009 garantiram a ele um gordo cheque. O Miller é um dos melhores TEs recebendo da Liga, mas como joga no Raiders ninguém lembra dele e nem ele tem um QB que preste pra lançar pra ele. São dois jogadores de alto nível, excelentes recebedores que dariam um upgrade ao ataque aéreo do time imediatamente.

O Seahawks adicionou dois grandes recebedores mas, em troca, perdeu o Matt Hasselback. Tudo bem, o Hasselback ta velho e lesionado, por isso eu comentei no link alí de cima que esperava ver o time gastando a sua escolha numero 25 da primeira rodada em um QB como Ryan Mallett, Andy Dalton ou Colin Kaepernick, um QB que fosse promissor mas que precisasse passar um ou dois anos treinando sob um veterano. Aí renovava com o Hasselback, que ama Seattle, pra ficar dois anos na frente do calouro, e quando o calouro estivesse pronto você colocava ele com suas boas armas ofensivas pra jogar. Básico projeto de reconstrução, mas o Seattle não fez isso: Trouxe suas grandes armas, trouxe um bom jogador de linha ofensiva (Robert Gallery) pra reforçar ainda mais o ataque, mas ao invés de pegar um bom QB jovem para desenvolver com calma à sombra do velho mas ainda bom Hasselback, o time deixou o Hasselback ir embora (nem tentou segurá-lo) não para buscar um QB jovem como Kolb, não para draftar alguém, e sim pra ir buscar o Tarvaris Jackson no Vikings!! O Tarvaris Jackson não é bem velho, tem 28 anos, mas ele simplesmente não é bom! Ele é móvel, sai bem do pocket, mas ele toma decisões ruins, não improvisa bem e sua precisão é muito abaixo da média. Ele não é horroroso, mas não é bom o suficiente pra nenhuma Franquia se comprometer com ele como o QB nº1 e encher o elenco de recebedores talentosos e caros para dar opções para ele. É como contratar um excelente atacante sem ninguém capaz de levar a bola pro ataque.

Alguém pode até argumentar que o time está estruturando seu corpo de recebedores para o futuro, para pegar um QB nas próximas temporadas via Draft ou troca. Mas se era pra fazer isso, pegassem logo nesse Draft, cacete! Eles adoraram o Mallett e não tentaram pegar o dito cujo, só posso imaginar que eles acreditaram que pegariam alguem bom na Free Agency, mesmo sabendo que o unico jogador realmente interessante para eles estava namorando com o Cardinals, sem falar que o Hasselback ainda era melhor do que qualquer outro QB disponível. Não consigo entender o raciocinio do time, o melhor que eles tinham a fazer era justamente pegar um QB no Draft. Talvez a ideia seja pegar um QB na boa classe de 2012, mas isso é um grande risco. Existe times piores que o Hawks pra conseguir os melhores jogadores. Ou seja, leitura totalmente errada da situação, talvez no medio prazo traga algum benefício mas não vejo um beneficio real nessas decisões.

Nessa divisão, o Rams continua no caminho certo, o Niners ainda está tentando descobrir em que caminho está. O Cardinals, me arrisco a dizer, está no caminho certo, embora tenha pago um preço exagerado pra isso. E o Seahawks está mais perdido do que qualquer outro time, e nessa divisão, isso quer dizer muita coisa...

domingo, 14 de agosto de 2011

Algumas contratações, parte II


PANIC MOVE!

Quinta a gente comentou três Free Agents importantes que assinaram com times que buscavam o título, no caso Aubrayo Franklin em New Orleans, Ray Edwards em Atlanta e Plaxico Burress em New York. Pedindo desculpas pelo fim de semana sem posts, hoje a gente continua falando de outros três Free Agents importantes: Stephen Tulloch indo pro Detroit Lions, Johnathan Joseph indo pro Houston Texans e... Bem, Steve Smith indo para o Philadelphia Eagles. Eu sei que a gente já falou do Eagles antes, o Steve Smith trollou a gente e assinou com o Eagles logo depois que posso post saiu e a gente acabou não falando dele naquele post. De certa forma, até foi bom, porque naquele post meu objetivo era mostrar como os Free Agents que o Eagles assinou mudariam a forma do time de encarar seus adversários, enquanto que o Steve Smith é uma excelente adição mas não vai ter o mesmo papel de mudança do Nnamdi Asomugha, por exemplo.

A gente também não vai comentar algumas mudanças como por exemplo o Olin Kreutz indo para o Saints, porque apesar de ser um ex-Pro Bowler indo para um time que briga pelo título, não altera em nada, ele está lá indo simplesmente pra tapar o buraco que o Jonathan Goodwin deixou indo pro 49ers. Algumas mudanças menores - em especial o projeto bizarro do Seahawks - vão ganhar destaque mais pra frente, mas tudo a seu tempo.


Stephen Tullock, MLB, Detroit Lions

O projeto de reconstrução do Detroit Lions, depois de anos amargando a fama de franquia fracassada, seguiu aos trancos e barrancos. O time teve a pior campanha de um time na história da Liga (0-16), pegou um WR (Calvin Johnson) antes de conseguir um QB que lançasse para ele (Matthew Stafford) e ainda deu sorte algumas vezes por jogadores como o Ndamukong Suh cairem no colo deles. Mas depois de alguns anos e muito sufoco, o Lions finalmente já pode ser levado a sério. E mais importante, o time já pode SE levar a sério. Agora o time de Detroit tem um núcleo de ataque (QB, RB e WR) jovem, talentoso e promissor, um DT que apesar de ser sophomore já é um dos melhores jogadores de defesa da Liga, um calouro que apesar de problemático tem muito futuro e bons complementos a esses jogadores centrais, veteranos ou jovens. O time sabe que apesar de poder brigar por uma vaga nos playoffs essa temporada se o Stafford ficar saudável, o Lions não tem que se preocupar com esse ano e sim com o que vai vir pela frente. O essencial é conseguir jogadores que sejam habilidosos, mas também que possam acompanhar a garotada do time por vários anos, de preferencia jogadores jovens. Nessa situação o mais comum é via Draft, mas isso não quer dizer que de vez em quando um time desses não consiga achar algo assim na Free Agency. E ajudado pelo lockout, o Lions achou um no Stephen Tulloch.

O Tulloch é um MLB que jogava no Titans. Ele foi o líder do time em sacks mesmo após a saída do Albert Haynesworth e é um jogador que não só é habilidoso, atlético, muito rápido e que se tiver espaço vai ser muito perigoso como também tem só 26 anos. Como toda a defesa (jogadores e técnicos) se mandaram e o time aceitou que agora vai ter que recomeçar tudo de novo, o Stephen Tulloch, que virou Free Agent irrestrito por causa do CBA, seguiu o coordenador defensivo Jim Schwartz (atual Head Coach) para o Detroit Lions. O Lions tem uma linha defensiva monstruosa - Nick Fairley, Kyle Vanden Bosch e Suh - que pode e provavelmente vai manter os bloqueadores muito ocupados e isso vai criar muito espaço para o Tulloch atuar voando em direção ao jogador com a bola como ele sabe fazer. O Lions já tem uma boa dupla jovem na linha (Suh e Fairley), tem no Louis Delmas um safety muito promissor, assinou o também jovem Michael Johnson, SS que era titular do Giants mas virou Free Agent e o Giants não pode assinar por causa do teto salarial, pra formar uma boa dupla na secundária. Apesar de ainda faltar um bom Cornerback pro time, o Tulloch chega pra reforçar uma das poucas áreas da equipe que ainda não tinha um jogador jovem e talentoso para ser o líder da posição. Acabou de conseguir um. Excelente trabalho!


Johnathan Joseph, CB, Houston Texans

Toda vez que alguém usar alguma expressão como "Panic move", ela deveria por lei vir com uma foto do Johnathan Joseph. Como vocês viram, eu já tentei começar essa tradição, agora vamos ver se ela pega.

O Houston Texans é o famoso "time queridinho" da torcida, aquele time que todo mundo gosta, ninguém detesta, que tem bons jogadores, um timinho bacana e grandes expectativas mas que nunca as alcança. Depois que o Texans juntou o ótimo Matt Schaub com o genial Andre Johnson e montou um dos ataques aéreos mais explosivos da Liga, todo mundo achou que seria uma questão de tempo e maturidade pro time ser figura registrada nos playoffs da AFC. Mas o tempo passou e o Texans continuou no "quase". Mesmo depois de juntar sua dupla premiada com a surpresa Arian Foster, lider em jardas terrestres de 2010, o time não só não engrenou como regrediu pela primeira vez em algum tempo. Isso se deu, em grande parte, pela grande queda de produção da defesa. O Brian Cushing não repetiu em 2010 as boas atuações de 2009 depois de ser pego por uso de esteroides, e principalmente a perda do Dunta Robinson expos a secundária do Texans como uma das secundárias mais fracas de toda a Liga. Portanto, não era de se estranhar que o Texans entrasse no mercado em busca de um grande Cornerback pra sua secundária que mais parece a do time daqui da rua.

O grande nome no mercado de Free Agents era, naturalmente, o Nnamdi Asomugha, que como vocês deveriam saber acabou no Eagles. Mas antes de assinar com o Eagles, o Asomugha esteve sendo disputado principalmente por quatro times: Jets, 49ers, Cowboys e Texans. Quando Cowboys e Niners caíram fora, o Asomugha praticamente estava fechado com o Texans. Era apenas uma questão de tempo até fecharem negócio e acertarem os detalhes, a oferta era enorme e o Nnamdi tinha interesse em jogar lá (e na grana). Mas o Texans, que não queria sair de mãos abanando, também negociou com outro grande nome, o Joseph, ao mesmo tempo. E aí aconteceu o que causou o panic move do Texans: O Joseph disse que estava pronto pra assinar com o time.

Ou seja, o time estava quase conseguindo o Asomugha, o melhor CB da Free Agency e pra mim de toda a NFL, quando o Joseph já estava pronto pra assinar. Como o Texans estava disposto a abrir o cofre e tinha um time bem montado, acabou conquistando os dois cornerbacks. Mas o problema era o que fazer: Deixar passar o Joseph para ficar com o Asomugha - perderia o Joseph e tinha uma grande chance de assinar com o melhor CB, mas não estava garantido - ou então assinar o Joseph, perder a chance de sair com o Asomugha, mas pelo menos garantir um CB de elite sem a menor chance de erro. Apesar de que era quase certo que iriam assinar o Asomugha, o time morreu de medo de sair de lá sem ninguém e fechou com o Joseph na hora. Foi, pura e simplesmente, um panic move, o time entrou em pânico e assinou a primeira opção que apareceu de CB, ainda que uma melhor estivesse muito próxima.

Ainda que inegavelmente tenha sido uma decisão motivada por puro pânico de sair de mãos abanando, não da pra falar que o Texans se saiu mal. O Joseph não é tão absurdo como o Asomugha, mas é um CB de elite, e também é quatro anos mais novo que o Nnamdi. O Texans conseguiu seu CB de elite, acabou optando por pegar um mais garantido do que um melhor mas com uma mínima (mas existente) chance de dar errado. Panic move total, mas não foi tão ruim como pagar 35 milhões pro Travis Outlaw. Saíram com um grande jogador, embora com mais calma provavelmente sairiam com um melhor.


Steve Smith, WR, Philadelphia Eagles

Antes que as pessoas confundam, esse é o Steve Smith que era do Giants, e não o que era do Panthers. Se fosse o do Panthers, mandassem logo o Lombardi Trophy pra Philadelphia (se ele conseguisse ficar saudável).

Mas mesmo sendo o Steve Smith menos bom, ainda foi uma adição sensacional para o ataque do Eagles, e eu explico porque. Como eu falei quando comentei as aquisições anteriores do Eagles, o time usou o seu baixíssimo teto salarial (fruto da renovação) para contratar Free Agents em profusão que complementem o excelente núcleo jovem da equipe (mais o Michael Vick, que não é tão jovem assim). O Giants, que estava muito acima do novo teto salarial, se viu obrigado a abrir mão de alguns jogadores, e um deles foi o machucado Steve Smith. O Eagles aproveitou e adicionou o jovem receiver.

O Smith é talentoso por si só. Depois da prisão do Plaxico Burress, que a gente comentou no útlimo post, o Giants se comprometeu com seus WRs jovens para tomar o lugar da sua antiga estrela, entre eles Mario Manningham, Smith e Hakeem Nicks. O Smith foi o segundo jogador com mais recepções em 2009 (Wes Welker foi o primeiro), bateu o recorde da história do Giants pra mais recepções em uma temporada e foi ao Pro Bowl naquele ano. Tudo isso na sua primeira temporada como titular, dividindo as atenções com outros WRs (O nº1 do time era o Nicks) e com o Eli Manning de QB. Ano passado ele começou bem, mas teve problemas com lesões e acabou perdendo vários jogos. Na verdade ele ainda está lesionado, mas a expectativa é de que ele volte a tempo para começar a temporada.

O que eu mais gostei nessa contratação é que ele é um tipo de WR que o time não tinha. Os dois WRs titulares do time, DeSean Jackson e Jeremy Maclin, são jogadores de velocidade, de jogadas longas. O Smith é o contrário, um WR de possession, para rotas mais curtas e para jogadas de segurança. Sem um TE de elite (eu gosto do Brent Celek, mas ele ainda não é tão confiável a esse ponto) a presença de um WR desse tipo é muito importante, ele da uma opção mais rápida, fácil e garantida para um QB. O ganho geralmente não é muito grande - pra isso existem Maclin e Jackson - mas é um alvo diferente do que o time costuma oferecer e que vai deixar o ataque aéreo muito mais rico, especialmente se o Maclin demorar para voltar. Ótima contratação, ótimo jogador. A versatilidade que ele vai oferecer ao ataque vai deixar o Vick ainda mais confortável pra continuar desenvolvendo suas habilidades de passador de dentro do pocket.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Algumas contratações, parte I


Burress argumenta, sem sucesso, que não era uma arma e sim uma tesoura



Em um surto recente de megalomania provocado pelo período insano de Free Agency pelo qual a NFL acabou de passar com o fim do lockout, o TM Warning aproveitou pra discorrer enormemente sobre as contratações, trocas e mudanças promovidas por dois dos grandes canditatos ao título da temporada, o Philadelphia Eagles e o New England Patriots. Esses dois times ganharam um espaço especial aqui no blog - leia-se ganharam dois posts completos e exclusivos - não só porque são dois dos times mais fortes, candidatos ao título e que provavelmente vão ser dos mais relevantes para a temporada. Eles também ganharam porque entre as muitas mudanças promovidas, entre trocas e contratações, eles mudaram o elenco de forma interessante de comentar, e na maioria das vezes de forma a promover mudanças interessantes no seu estilo de jogar. Hoje nós vamos comentar de outras três contratações feitas por times que disputam o título e que sem dúvida foram importantes, mas nem de longe tiveram o impacto que tiveram as contratações de Pats e Eagles. Quais são elas? Bem...


Aubrayo Franklin, NT, New Orleans Saints

O Saints foi um time que esteve mais ativo na noite do Draft do que na Free Agency, onde pegou dois jogadores que eu disse que deveriam ser adições importantes para a equipe, Cameron Jordan e Mark Ingram. Comentei também que o Saints sabe que seu tempo para ganhar um título (com esse núcleo de hoje) está acabando e que portanto o time está disposto a adicionar o máximo possível de talentos "imediatos" na equipe para aproveitar melhor esses últimos anos. Portanto, não é de se espantar quando o time adicionou dois veteranos para sua defesa: Shaun Rogers, a Beluga Negra, e Aubrayo Franklin, ambos DTs.

O Saints, quando foi campeão em 2009, ouviu erroneamente que isso se devia ao seu grande ataque liderado pelo Drew Brees. Enquanto aquele ataque era realmente fantástico e o Brees realmente era espetacular, a defesa do Saints, que teve um papel igualmente importante, ficou esquecida. Eu sempre bato nessa tecla quando comento aquele título, porque a defesa do Saints foi a melhor da Liga em forçar turnovers, o Darren Sharper teve uma temporada digna dos seus melhores dias, o corpo de linebackers jogou muito bem e a linha de frente, ainda que pouco comentada, foi fundamental pro assunto. Apesar da queda de produção do ataque em 2010, a grande causa do rendimento abaixo do esperado do time temporada passada foi o fato da defesa não ter sido tão confiável. A defesa ainda foi a quarta melhor da Liga, falar que ela não foi boa é um exagero enorme, mas a secundária se mostrou vulnerável em alguns momentos importantes e, acima de tudo, a unidade teve muita dificuldade em forçar turnovers. Enquanto isso teve influencia da lesão do Sharper, outro motivo importante foi a queda de efienciencia da linha defensiva. O Saints tinha sido muito eficiente parando o jogo corrido em 2009, e essa necessidade do jogo aéreo em descidas longas pelos adversários - combinada a um pass rush eficiente - foi uma das fontes de turnovers em massa pela secundária do time. Mas a alta idade da linha defensiva, combinada aos altos salários que ela ganhava, fizeram com que o Saints acabasse mudando quase toda sua linha de frente pra temporada passada. Os novos jogadores - especiamente os DTs - não deram conta da mesma forma eficiente e o time não só sofreu um pouco com o jogo terrestre como isso tirou a pressão que o Saints usava tão eficientemente pra criar turnovers.

Portanto, não surpreenda que o Saints tenha ido atrás de dois DTs veteranos. O Rogers eu já comentei, ele é um grande DT desacelerado por lesões mas que ainda tem algo pra contribuir, na pior das hipoteses ele já chega adicionando bife à linha defensiva. E, claro, o Aubrayo Franklin também veio. O Franklin era o NT do meu 49ers, recebeu a Franchise Tag em 2010 e era um dos pilares daquela excelente defesa terrestre do Niners. Como eu sempre digo, o NT raramente recebe créditos numa defesa 3-4, mas ainda assim tem um papel extremamente importante. O Franklin é uma parede de pedra, enorme e muito forte, e sua função em San Francisco era basicamente criar uma parade intransponivel para o jogo terrestre - o que forçava os corredores a irem para o lado que a defesa queria - e mantinha os bloqueadores longe do genial Patrick Willis. Ele fazia esse papel extremamente bem e o Saints definitivamente pode usar o tamanho e a força do Franklin. Mesmo numa defesa 4-3 como é a do Saints, o Franklin facilmente pode ocupar dois bloqueadores na linha além, o que liberaria o bom e veloz corpo de linebackers do time para voar em direção à bola (ou ao QB adversário). Ele tem tudo pra voltar a fechar o miolo da linha defensiva e liberar o Will Smith (DE) e o calouro Cameron Jordan para irem para o rush ao invés de ficarem se preocupando em impedir as passagens pelo meio, o que liberava os adversários de alguma pressão e de rotas curtas. O Saints perdeu o mais jovem e talentoso Anthony Hargrove para o Eagles, mas adicionou um jogador que é exatamente o que eles procuram: Mais velho, mais experiente, e mais pronto para contribuir no curto prazo.



Ray Edwards, DE, Atlanta Falcons

Ainda quando falei do Draft da NFC South, eu comentei que a decisão do Falcons de trocar trocentas escolhas de Draft pelo Julio Jones era, a meu ver, acertada, mas que ela tinha um preço, que era o fato do time perder várias escolhas de Draft de valor alto. Em outras palavras, o time estava adicionando um grande jogador que ia suprir uma das carências do time (A falta de um segundo WR) mas ao custo de escolhas que permitiriam ao time conseguir outros jogadores de bom nível para as outras posições carentes do time, como a secundária e o pass rush. E eu preciso bater nessa tecla mais uma vez, para deixar claro exatamente qual foi o risco do Falcons, mas isso foi antes do contato entre jogadores e times ser liberado, e portanto o Falcons não sabia o que esperar da Free Agency, podiam sair com grandes nomes ou podiam sair sem ninguém. O fato do time ter pego o Ray Edwards não muda em absolutamente nada o peso do risco que o time assumiu, apenas o fato de que o risco valeu a pena - o que eles não tinham como saber quando realizaram a troca.

Eu comentei extensivamente sobre o que o Falcons tinha de defeito no ataque, no caso a falta de um segundo WR confiável, o que eles adereçaram no Draft. O que eu não comentei com calma - justamente porque o Falcons abdicou da chance de pegar um bom no Draft - foi o problema da defesa. O Falcons não tinha uma defesa ruim, a secundária recebeu um bom reforço no Dunta Robinson, que apesar de ter tido alguns problemas deve melhorar bastante depois de um ano estudando o novo sistema, e o John Abraham voltou de lesão em ótima forma pra passar da marca de 10 sacks na temporada. O time tem alguns role players na defesa, não era exatamente uma peneira, mas o time mostrou quando enfrentou ataques aéreos mais fortes - Saints, Packers - que ainda faltava muito pro time ficar confortável na defesa. O Abraham foi ótimo, mas faltava mais alguem que o ajudasse, ele é um grande pass rusher mas não consegue fazer milagres sozinho. A defesa do Falcons tem buracos e precisaria de um Safety (Se eles conseguiram um saudável Darren Sharper, tenham muito medo) pra ser realmente confiável, mas a falta de grandes jogadores na posição fez o time concentrar os esforços na outra forma de ajudar a secundária, tirando o tempo dos QBs adversários. E trouxe o Ray Edwards, DE que era do Vikings e é um cara pra conseguir uns 9-10 sacks por temporada num esquema 4-3 como o do Falcons.

Isso altera o esquema de jogo do time? Não. Mas ele da um grande upgrade em uma área deficiente do time simplesmente porque troca um jogador pouco eficiente por um que pode conseguir 10 sacks por temporada, não tem histórico de lesões e vai deixar o John Abraham ainda mais efetivo, da pra imaginar essa dupla (Se o Abraham ficar saudável) conseguindo uns 23 sacks na temporada sozinha. O Falcons se posicionou no Draft numa posição incrivelmente boa pra ganhar jogos apenas no ataque, mesmo que a defesa ficasse em segundo plano. Ainda existem questões quanto à linha ofensiva, que perdeu um titular importante, mas o time reforçou sua defesa de forma importante. Um bom pass rush - e com dois pass rushers de alto nível já podemos dizer que o Falcons tem um - camulha as falhas da secundária. Não torna a defesa do Falcons uma unidade forte como o Eagles fez, por exemplo, mas supre uma necessidade urgente - o pass rush - e ajuda a camuflar uma outra falha. Contratação importante pra um time que tinha apostado alto no Draft - e agora podemos falar que saiu vencedor.


Plaxico Burress, WR, New York Jets

O Plaxico Burress pode não ser conhecido de quem assiste NFL a uma ou duas temporadas, mas com certeza é de quem assiste a quatro. Isso porque foi ele, em um dos maiores Super Bowls da história, que pegou o touchdown da vitória, foi ele que em 1º de Fevereiro de 2008 pegou o passe pro Touchdown que selou a vitória por 17 a 14 do Giants em cima do até então invicto Patriots, uma das maiores zebras de todos os tempos, provavelmente a maior desde o Super Bowl III (Oh, Joe Namath...).

Mas desde então, o que deveria ser sucesso ganhou um capítulo bizarro: Depois de um excelente começo na temporada 2008, o então campeão Giants tinha a segunda melhor campanha da NFL e a melhor da NFC. Até que um dia Burress, seu principal Receiver, acidentalmente disparou na própria perna uma arma ilegal que estava em seu bolso. Foi preso por porte ilegal de arma, passou os dois anos seguintes na cadeia e o time perdeu seis dois oito jogos seguintes sem seu principal WR, e acabou caindo fora dos playoffs. Sucesso!

Burress saiu da cadeia na metade do ano passado, tendo sua pena encurtada e sido solto em liberdade condicional. Ele sempre esteve em forma, continuou treinando na cadeia e segundo consta saiu em ótima condição física. Ele já é um veterano, tem 33 anos, mas não passou os últimos dois anos e meio levando porradas e seu corpo ainda talvez tenha a boa condição de antes. Vários times tiveram algum interesse nele, mesmo saindo da cadeia: a condição física do sujeito era boa, ele era um grande talento e as vezes a cadeia faz bem para as pessoas. Veja o caso do Michael Vick, que desde que saiu da cadeia não só estava em ótima forma física como começou a levar o jogo muito mais a sério, a treinar feito doido, buscar sempre evoluir e parou de arrumar encrencas. Ou seja, saiu de lá muito mais maduro, e vários times estavam curiosos pra saber se teria o mesmo efeito no Plaxico. O Jets nem precisa contar com isso, o Rex Ryan sempre gostou de jogadores talentosos e problemáticos e parece que esses jogadores (Antonio Cromartie, Santonio Holmes) adoram jogar no Jets, mas se ele realmente maturar ninguém por lá vai reclamar. Eu sempre defendi que a aposta era válida, desde que não oferecessem a ele - o que eu duvidava, anyway - um contrato longo e garantido. Um contrato curto, com opções de renovação, para primeiro ver como ele se saia era o ideal, e foi o que o Jets ofereceu. O Jets renovou com o Santonio Holmes e agora está contando com uma boa volta do Plaxico Burress pra ser o nº2 do time. Se o Burress maturar, seria uma boa aposta em qualquer lugar. Sem maturar, se existe um lugar pra ele dar certo, o Jets com certeza está entre os favoritos.

Eu gostei da aposta do Burress, acho que ele caiu no time certo, mas não da pra deixar de criticar o Jets na forma como o time comandou seus WRs nessa offseason. O time renovou com o Holmes, sua prioridade, e trouxe o Burress, que apesar de um pouco arriscado pelo tempo fora dos campos e a idade avançada pode dar muito certo. Só que o time simplesmente deixou ir embora três outros WRs que eram muito importantes para o time, nem tentando renovar com Brad Smith nem Braylon Edwards e ainda dispensando (!!!) o Jericho Cotchery! O Burress pode dar certo, é um bom jogador, mas como toda aposta pode dar errado, portanto é bom ter um plano B. Mas o Jets mandou embora seu deep threath (Edwards), seu go-to guy em terceiras descidas (Cotchery teve mais de 80% das suas recepções para primeiras descidas em 2009!) e o jogador que dava versatilidade ao ataque com retornos, wildcats e tricky plays (Smith). E as saídas desses três jogadores importantíssimos pra um ataque liderado por um QB jovem e questionável foi compensada com a adição de um WR de 33 anos que é, acima de tudo, uma aposta, e com o Derrick Mason, que já tem 37 anos e ta vendo a produtividade caindo a cada ano mesmo jogando com um QB muito melhor que o Mark Sanchez? Sinto muito, eu gostei do Burress, mas não da pra falar que o Jets esteja com um bom planejamento, ainda mais de um time que está contando com uma evolução do QB pra dar o próximo passo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O rico que ficou mais rico


Uma imagem vale mais que mil palavras

 

Quando falamos em um 'vencedor' da offseason, eu imediatamente penso no Philadelphia Eagles. O motivo eu expliquem ontem no post abaixo, foi um time que adicionou muitos jogadores talentosos para áreas chaves do elenco e transformou fraquezas em forças só se aproveitando do teto salarial que o time tinha aberto recentemente. Ainda assim, eu acho que falar em 'um vencedor' é uma coisa difícil. Nenhum time se destacou tanto quanto o Eagles, pelo menos no papel, mas isso não quer dizer que outros times não tenham tido um grande sucesso em adereçar as áreas carentes do time usando a Free Agency ou o mercado de trocas. E embora não tenha tido tanta pompa como o Eagles, tem mais um time que pode dizer que teve grande sucesso nessa offseason, sem dúvida um dos dois grandes vencedores dela, que se reforçou bastante e, embora ainda tenha algum risco pendente, se fortaleceu bastante do ano passado pra cá. Curiosamente, isso aconteceu justamente com o melhor time da temporada regular em 2010, o New England Patriots.

O Patriots foi o time com melhor campanha, melhor ataque e melhor jogador da temporada 2010 da NFL. Eles deram surras épicas em times que chegaram longe nos playoffs, como Jets e Bears, e jogaram um futebol ofensivo extremamente bonito. Mas como eu expliquei exaustivamente na época, o grande sucesso do time aconteceu principalmente por causa das mudanças que o Bill Belichick implementou na forma de jogar do time, que explorou os pontos fortes e principalmente camuflou os pontos fracos da equipe. Esse sucesso ficou fácil depois porque, além dessas mudanças, o Tom Brady começou a pegar fogo, voltou à sua forma de antes da lesão, foi o melhor jogador da Liga disparado e o ataque do Patriots virou uma máquina imparável. Isso é, até os playoffs chegarem.

A verdade é que o genial plano de jogo do Bill Belichick e a fase estelar do Tom Brady serviram pra camuflar vários problemas que a equipe tinha, mas esses problemas ficaram evidentes quando chegou a pós temporada. Um craque e um bom plano de jogo podem fazer você ganhar muito em Outubro, mas quando chega Janeiro a coisa é diferente, é quando as fraquezas tão bem camufladas aparecem mais e se confrontam com as forças. O Patriots, apesar do melhor ataque aéreo da Liga nas costas do Tom Brady, conseguiu isso com um corpo de recebedores composto por um grande WR muito longe da forma física ideal, se recuperando de uma cirurgia no joelho (Wes Welker); um veterano decente mas que mesmo no seu auge não era um dos melhores da Liga e que chegou no meio da temporada (Deion Branch), dois Tight Ends calouros e mais um punhado de WRs sophomores sem experiência. Essa unidade funcionou por causa do bom jogo terrestre do Patriots e do Tom Brady, mas que teve problemas nos playoffs quando o Branch foi anulado pelo Darrelle Revis e o Welker não conseguiu levar o time nas costas, o que tirou as chances do Brady de fazer sua mágica com mais frequencia.

Além disso, tinha o problema da defesa. O Patriots camuflou suas falhas na defesa mantendo a bola no ataque, como eu comentei mais detalhadamente no link acima, mas a defesa ainda era muito complicada, cheia de calouros e sophomores. O problema do time, principalmente, era a secundária, que embora tenha tido um bom número de turnovers forçados graças ao ótimo calouro Devin McCourty ainda era frágil, sem profundidade e incapaz de manter um placar apertado contra um bom ataque. Uma grande parte desses problemas na secundária, também, se davam pela falta de pressão no QB adversário. O time não possuia praticamente nenhum jogador que fosse atrás do QB adversário, o melhor pass rusher do time era o Tully Banta-Cain, que está muito longe de ser uma força vinda da lateral. Essa incapacidade de colocar pressão no adversário expunha ainda mais a secundária jovem e frágil do Pats, e foi uma das causas da derrota do Patriots para o Jets nos playoffs, o Mark Sanchez pode ser limitado mas com tempo ele eventualmente vai achar seus bons alvos, e o Patriots deu muito mais tempo do que poderia pro garoto. Todos esses problemas - tanto no ataque como defesa - eram sérios empencilhos a um novo título, apesar da força do time, e ninguém realmente esperava que o time fosse ficar parado só esperando os jogadores melhorarem (o que também vai acontecer, dada a idade de 80% da defesa).

Quem acompanhou a nossa análise do Draft deve lembrar que, quando eu falei da AFC East, eu elogiei muito o Draft do Patriots, sua capacidade de mover suas escolhas e conseguir mais escolhas futuras, a adição do promissor Ryan Mallett e, principalmente, as adições do Nate Soldier e Ras-I Dowling. Mas também critiquei a falta de um pass rusher nesse grupo, que pra mim era o grande problema do time. Lembrando que como a Free Agency ainda não tinha acontecido e era uma incógnita, niguém tinha como saber o que ia conseguir ou não nesse período, não deixava de ser um grande risco, o time corria o risco de sair sem ninguém no final das contas.

Mas o Patriots causou barulho na offseason, não por contratar Pro Bowlers no auge da forma como o Eagles fez, mas por assinar com veteranos e trocar por dois jogadores que, apesar de apostas, podem render e muito nesse esquema.

Primeiro de tudo, o time trocou pelo Chad Ochocinco, o polêmico e hilário WR do Cincinnati Bengals. O Bengals foi uma decepção em 2010 e o Ochocinco já não está no seu auge, e acabou vindo praticamente de graça. O Ochocinco, apesar de grande jogador, sempre atraiu muita atenção pelas polêmicas fora de campo, possíveis desentendimentos com o então Quarterback Carson Palmer, e pelas comemorações extravagentes que lhe rendiam uma multa por semana praticamente (O que também tem um lado besta da NFL, uma vez ele foi multado por vestir um sombrero na lateral do campo depois de um touchdown...). Ele também estrelou Reallity Shows, tem uma conta muito movimentada no twitter e é um cara que sempre quer chamar atenção, lembra um pouco o Gilbert Arenas. A troca do Patriots por ele causou certa estranheza, já que o time se livrou do Randy Moss em 2010 e o Ochocinco tem a mesma fama de 'diva' que o ex-camisa 81. Mas como veio praticamente de graça (uma escolha de quinta rodada), é difícil imaginar que o Patriots vá se arrepender muito do negócio. A imposição do time a ele foi simples: Ficar longe da mídia. Isso queria dizer twitter, TVs, e qualquer uma das trezentas formas de aparecer que o Chad usava. Ochocinco aceitou, recebeu sua amada camisa 85 de presente do Aaron Hernandez e apareceu para os treinos em forma. O Ochocinco não está, como eu disse, no auge, mas ainda tem gasolina no tanque, é o Receiver nº1 que o time precisa pra liberar o Welker pro Slot( onde ele rende muito mais), aubda e vem de temporadas produtivas mesmo com um QB que jogou muito mal. Dentro de campo ele ainda pode render muito, tem a característica de possession receiver que o time precisa e com o Tom Brady ele tem tudo pra voltar aos bons tempos se conseguir ficar longe de polêmicas e se dedicar ao jogo.

Existe um risco nisso? Claro que sim. A troca foi um risco, mas o Patriots parece disposto a aceitar as consequencias. O Bill Belichick sempre soube como lidar com atletas de ego forte, o Ochocinco respeita muito tanto ele como o Tom Brady e sabe que é a grande chance de dar a volta por cima na carreira e ganhar um anel. Os problemas com o Randy Moss foram por causa da falta de vontade e dedicação dele, que só corria se a jogada fosse desenhada pra ele, não se esforçava, não bloqueava e isso fez com que o Brady chegasse pro seu técnico e falasse "Não quer mandar ele embora, não manda, mas eu não passo mais pra ele" (Sim, ele tem culhões). Moss foi mandado embora antes que alguém pudesse argumentar. O Ochocinco é problemático, chamativo e expressivo, mas ele é um jogador que chega com uma motivação muito grande, que pelo menos por enquanto está disposto a abrir mão de toda a exposição que ele tanto gosta por essa chance e eu acredito que pelo menos tentar ele vai. O risco não é tão grande, e a recompensa que pode vir faz dessa uma excelente troca para o Patriots.

Mas como o time não estivesse satisfeito, ainda correu atrás e adquiriu outro veterano problemático a preço de banana (duas escolhas de quinta rodada), o Albert Haynesworth. Depois de dominar a Liga de forma absurda no Tennessee Titans, ele assinou um contrato bilhonário (mais de 100 milhões) com o Redskins. No entanto, o Redskins queria mudar para uma defesa 3-4 ao invés da 4-3 que eles (e o Titans) usavam, e o Haynesworth que estava acostumado a destruir o miolo da linha ofensiva adversária e ir atrás do QB não quis jogar de Nose Tackle numa defesa 3-4, onde ele iria ficar recebendo double teams a vida toda e não teria a chance de aparecer com sacks e tackles, um papel extremamente importante para a defesa funcionar mas que não agradou o ego inflado do Haynesworth. Ele então só deu problema,  aparecia fora de forma pra treinar, fingia lesões, não se esforçava e acabou afundando no banco porque o técnico não estava afim de lidar com um adolescente de 30 anos e 140 quilos. O time estava querendo se livrar dele e do seu contrato imediatamente, e duas escolhas de quinta rodada já é mais do que eles esperavam conseguir.

O Patriots adicionou mais um jogador problemático, mas ele conta com dois trunfos: O primeiro é o fato de o Haynesworth precisar de alguém de personalidade forte junto dele para conseguir controlá-lo, se não tiver uma pessoa assim ele não vai fazer nada do que for necessário. Ele tinha no Titans o Jeff Fisher e sua comissão de coordenadores linha dura, sem falar no Kyle Vanden Bosch, que era um tremendo líder no vestiário (um dos motivos de eu apostar no sucesso do Nick Fairley em Detroit). No Redskins não tinha nenhum líder de verdade nem no elenco nem na comissão técnica, o que significava ninguém para controlá-lo e fazê-lo andar na linha. No Patriots ele tem o Bill Belichick, o Tom Brady e o Vince Wilfork, ele tem gente para fazê-lo andar na linha, o que aumenta as chances de sucesso. A adição do Haynesworth significa que o time se sente em condições de fazê-lo render, então o Patriots está confiante na sua capacidade de mantê-lo sob controle. Mas mais importante, o segundo trunfo, é que isso deve significar que o Patriots está voltando a usar a defesa 4-3, depois de usar a 3-4 por anos. O Patriots sabe que o Haynesworth não quer jogar na 3-4, e voltar pra 4-3 significa que o time terá um miolo de linha absurdo em Wilfork e Haynesworth. Provavelmente a segunda vai acontecer cedo do que tarde, manter o Haynesworth satisfeito é essencial. Em troca disso, o time ganha um dos melhores DTs da Liga (se estiver afim de jogar), o tipo de jogador que é capaz de colocar pressão no QB sem precisar de blitz e que iria sozinho aumentar o poder de fogo da defesa do Patriots. Ele também é uma parede contra a corrida e a linha de frente da defesa do Patriots ia ficar monstruosa. Se o Patriots controlá-lo, conseguir que ele se mantenha em forma e jogue a sério, o time acabou de conseguir um dos melhores jogadores de defesa da Liga.

Essas duas trocas foram a um custo baixo (três escolhas de quinta rodada por dois Pro Bowlers? Parece bom), um risco razoavelmente alto e com uma possível recompensa muito alta. Os dois são problemáticos, podem causar problemas no vestiário, podem não se dedicar ou não jogarem direito, pode acontecer, fazia parte do pacote e o Patriots sabia disso. Mas em caso de sucesso - funcionou com o Randy Moss por dois anos - o Patriots adicionou muito talento que vai dar um alvo nº1 pro ataque aéreo do Patriots e um jogador pra ser a âncora defensiva do time, o Wilfork é muito bom mas o Haynesworth, quando quer, é muito melhor.

Só o Haynesworth sozinho (Se jogar sério e blá blá blá, isso está implícito sempre que eu elogio o Haynesworth, ok?) já seria importante pra melhorar o pass rush do time, mas o Patriots levou a coisa a sério e aproveitou a Free Agency pra pegar o Andre Carter e o Shaun Ellis, ambos sem contrato. O Carter é um DE/OLB híbrido e o Shaun Ellis é o ótimo DE que jogava no Jets e foi o pesadelo do Brady nos últimos dois anos. Isso significa que o time levou a sério essa necessidade de melhorar o pass rush. Se o Dowling conseguir ser o parceiro do McCourty e o Brandon Marryweather ficar saudável, o time conseguiria usar um bom pass rush pra tornar sua defesa muito mais atraente. Tanto o Ellis como o Carter já são veteranos, caminhando para o final da carreira, mas ainda são capazes de boas temporadas. Em 2009 o Carter teve 11 sacks, por exemplo, e só foi dispensado pelo seu enorme contrato. O Ellis não só é um bom pass rusher, muito forte, como também é excepcional parando o jogo terrestre. O Carter deve jogar de DE se o Patriots realmente voltar ao 4-3, o que dará uma linha de frente ao time com Carter, Haynesworth, Wilfork e Ellis. A linha é muito boa, tem força e explosão pra chegar no QB adversário e ainda vai ser um pesadelo em relação ao jogo terrestre. Isso tira um pouco da pressão da secundária, que também deve se reforçar.

É legal ver que o Patriots, apesar da ótima campanha ano passado, entende a posição em que se encontra. O Belichick entendeu que o time ainda tinha buracos, e que tapando esses buracos o time seria muito melhor. Talvez isso não se reflita tanto na temporada regular, mas com certeza terá um enorme impacto na pós temporada, o time está muito mais completo, tem uma defesa muito mais confiável e voltou a ter um time equilibrado no quesito ataque/defesa. Não trouxe tantos jogadores de impacto e mídia como o Eagles, mas trouxe jogadores muito bons, experientes e para cobrir áreas deficientes do time. É assustador, mas o melhor time de 2010 acabou de ficar ainda melhor. E bem melhor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O grande vencedor


DeSean Jackson mostrando sua nova arma para o jogo aéreo do Eagles


Depois de um fim de semana parado, e depois de termos analisado o Draft de cada um dos 32 times da NFL com notas e tudo mais, ficou faltando comentarmos sobre a semana insana de Free Agency que tivemos. Como o CBA novo entrou no lugar pouco mais de uma semana antes do começo da pré-temporada, a correria pra assinar Free Agents foi enorme, todo o geralmente longo período de trocas, renovações de contrato e assinatura de Free Agencys teve que ser feito em mais ou menos duas semanas, e como a gente ainda tava voltando de viagem e atolado com o Draft, tivemos que deixar pra depois. Agora, finalmente, podemos comentar a movimentação na Free Agency, lembrando que semana passada oficialmente foi colocado em vigor o novo CBA. O acordo já estava acertado desde muito tempo atrás, e regras temporárias pra Free Agency foram estabelecidas até a votação final, que aconteceu, aprovou o CBA e então temos NFL garantida nos próximos 10 anos. Essa quinta feira começa a pré-temporada da NFL, e agora é hora de comentar os times que se reforçaram e se enfraqueceram nessa Offseason alucinada, começando pelos times que sairam vencedores dessa zona, e nenhum saiu tão vencedor (ou pelo menos com tanta pompa)como o Philadelphia Eagles.

O Eagles montou nos últimos anos um time jovem e habilidoso, se desfazendo dos seus veteranos mais caros e fazendo um processo de reformulação a médio prazo. O time mandou embora o até então soberano no time Donovan McNabb e quem deveria assumir a posição de QB seria o pirralho Kevin Kolb, acompanhado de um núcleo jovem de jogadores como DeSean Jackson, LeSean McCoy e Jeremy Maclin. Uma consequencia desse processo foi que o time acabou liberando muito espaço salarial, muitos jogadores ainda tinham contratos de novatos ou então tinham renovado a custos baixos. Mas o que aconteceu pra "estragar" a reconstrução a médio prazo do Eagles foi que os jovens jogadores acabaram se desenvolvendo muito rápido e, após uma lesão do Kolb, o time achou um QB mais pronto e muito melhor no Michael Vick, que até alí só jogava em pacotes Wildcat. Mas o Vick não é exatamente tão novo como o Kolb, os jogadores que deveriam demorar para frutificar acabaram virando jogadores consolidados muito cedo e de repente o Eagles se viu com um novo dilema: insistir na sua reconstrução, correr o risco de perder os melhores anos do Vick e até alguns jogadores na Free Agency, ou então mudar o foco, entender que o elenco está numa boa posição pra disputar o título imediatamente e aí reforçar o time com esse objetivo.

O Eagles optou pela segunda opção. Mandou o Kevin Kolb pro Arizona Cardinals num assalto a mão armada, ofereceu contratos longos pras principais estrelas do time e tratou de usar o teto salarial do time para trazer vários Free Agents veteranos para completar o time em busca de um título, numa clara mostra de que o time está se preparando para disputar e vencer os campeonatos agora. E quando eu digo que o time trouxe vários, quero dizer vários mesmo, foram oito ao todo (Mais o Dominique Rodgers-Cromartie que veio na troca do Kolb)! E não foi só na quantidade que o Eagles se destacou, e sim na qualidade, trazendo o grande prêmio dessa Free Agency, o CB Nnamdi Asomugha, sem falar nos DEs Cullen Jenkins e Jason Babin, outros dois grandes nomes, no promissor DT Anthony Hargrove, e em jogadores veteranos para compor elenco e dar profundidade como o RB Ronnie Brown, o FS Jarrad Page, o OT Ryan Harris e, claro, o Vince Young.

Em termos de talento, esses jogadores dispensam comentários. Quem acompanhou jogos do Raiders (seja torcedor ou masoquista) sabe que o Asomugha é o melhor cornerback da Liga (Eu coloco ele um pouco acima do Darrelle Revis, tanto no subjetivo como no objetivo, ou seja, estatísticas), e tanto o Cullen Jenkins como o Jason Babin são jogadores de nível Pro Bowler se se mantiverem saudáveis. Em termos de talento, o Eagles saiu com o melhor jogador da Free Agency, e mais três grandes outros jogadores, com a possibilidade de subir esse número pra cinco dependendo de como Brown e Young se portarem na Philadelphia com um papel limitado. Mas e na prática, o quanto esses jogadores vão mudar no esquema de jogo do Eagles?

A verdade é, muito. O Eagles de 2010 era um bom time, com um ataque explosivo e um candidato a MVP no Vick, mas o time tinha buracos demais, que foram explorados à exaustão na derrota para o Packers nos playoffs, especialmente na defesa e na linha ofensiva. A linha ofensiva não sofreu grandes alterações, o Danny Watkins (calouro) vai reforçar o miolo e o Ryan Harris vai adicionar profundidade pra unidade. Nesse ponto de vista, o time está apenas adicionando exatamente isso, profundidade, seja com o Harris, seja com Ronnie Brown, que deve ser reserva do McCoy usado mais em wildcats ou terceiras descidas, ou o Vince Young. Depois que o time trocou o Kolb, ficou sem um reserva para o Vick, que não é exatamente um modelo de solidez física, se machuca um pouco demais. Por isso tratou de pegar o Young, que apesar do bom currículo não era desejado por quase ninguém, pra tapar o buraco numa eventual lesão. Mas esses três jogadores serão basicamente reservas, usados em ocasiões específicas de rotação ou em caso de lesões. Não vão alterar o esquema de jogo do time, não vão levar o ataque nas costas e nem vão revolucionar nada por lá.

O que não é o caso da defesa. A defesa do Eagles não foi uma peneira em 2010, mas de longe era uma unidade mais fraca que o ataque. A linha defensiva não conseguia vencer as batalhas em primeiras descidas, a secundária dependia demais das interceptações do Assante Samuel pra conseguir ser relevante e o time tinha uma grande dificuldade em pressionar o QB adversário, na prática o jogo entre Eagles e Packers foi decidido porque o Packers conseguiu colocar muita pressão no Vick e o Eagles não conseguiu sequer chegar perto do Aaron Rodgers. O time dependia demais dos flashes de brilhantismo do Trent Cole pra conseguir alguma coisa na linha de scrimmage, a linha defensiva era uma unidade fraca e que não só não era uma força como as vezes se tornava uma fraqueza a ser explorada, o que é péssimo porque você bota mais pressão numa secundária frágil que dependia demais do Samuel e de um safety calouro que acabou machucando.

Não foi a toa, portanto, que essa foi a unidade que o time mais adereçou na Free Agency. Trouxe o Jason Babin, que teve 12,5 sacks e que é uma força dominante vindo da lateral da linha defensiva, para fazer par com o Trent Cole ou então liberar o Cole de vez para jogar de OLB colocando o Juqua Parker (que já era do time) ou o recém chegado Cullen Jenkins para jogar do outro lado. O Jenkins tem outra grande vantagem, porque ele é capaz de jogar tanto na lateral de DE como no meio de DT, tem força, tamanho e velocidade para ambas as funções, o que vai dar ao Andy Reid uma variedade enorme na linha defensiva, que também teve uma adição importante no Anthony Hargrove, uma pequena âncora no meio da linha defensiva que é excelente segurando a corrida. Uma unidade que dependia exclusivamente de um jogador de repente virou uma unidade forte, profunda e com muita versatilidade para implementar diferentes movimentações e formações, uma unidade que tem ao mesmo tempo ótimos jogadores para chegarem no QB adversário como também fortaleceram o meio pra evitar as corridas em primeiras descidas ou as escapadas dos QBs mais rápidos como Rodgers.

Geralmente melhorar a linha defensiva, e em especial o pass rush, como foi o caso do Eagles, é algo que já tira muita pressão da sua secundária, porque você tira tempo do QB, diminui o número de passes que sua secundária vai ver, os passes são mais apressados e menos precisos e isso faz com que uma secundária fraca possa ser eficiente o suficiente para não comprometer. Mas o time ainda adicionou o melhor CB do jogo no Asomugha, trouxe o ótimo Dominique Rodgers-Cromartie no assalto a mão armada na troca do Kolb e, em questão de dois dias, montou uma das melhores (talvez a melhor) dupla de cornerbacks da Liga. O Asomugha é um shutdown corner, aquele estilo Revis que gruda em um jogador e tira ele do jogo completamente. Como ele não ficava fixo em um jogador e muitas vezes deixava a marcação individual para cobrir a zona na defesa do Raiders, ele não chama tanta atenção como o Revis, mas os números do Asomugha são ainda mais assustadores e quem já viu ele jogar sabe que é impossível acertar um passe contra ele. O Rodgers-Cromartie é mais um playmaker, o jogador que intercepta passes e corre pelo campo, é uma dupla que se completa perfeitamente e vai tornar a secundária do time uma unidade ridicula. Lembrando que, enquanto ele não for trocado (se for), o time ainda tem o Samuel, que foi um dos líderes do ano passado em interceptações, também é um playmaker e se ficar no time vai acabar achando espaço em jogadas de nickel ou pacotes diferenciados.

Em resumo, a linha defensiva era fraca e não conseguia chegar no QB, agora é forte, profunda e tem um pass rush muito mais forte. A secundária era fraca e dependia demais de um jogador, agora tem a melhor dupla de cornerbacks da Liga e um RESERVA que é um Pro Bowler que seria titular em qualquer outro time da Liga. Não é a toa que esse time ta recebendo tanto hype na offseason, o time montou uma defesa inteira praticamente só com Pro Bowlers da Free Agency juntando aos poucos bons jogadores que já tinha. O ataque, que era de outro mundo, ficou mais profundo, e a defesa que era o ponto fraco agora é forte demais, tem mais Pro Bowlers do que qualquer outra e ainda tem uma moeda de troca muito valiosa no Assante Samuel (Sem falar no Nate Allen um ano mais maduro e recuperado da lesão). Se é pra falar de um time que não perdeu jogadores importantes e ainda adicionou talento o suficiente pra ter uma defesa tão pentelha como essa, esse time é um dos grandes vencedores do Draft.

Isso quer dizer que o time vai ser campeão do Super Bowl, conseguir 19 vitórias e o Michael Vick vai pegar a Kim Kardashian? Claro que não. O time mudou seu coordenador defensivo, a defesa é praticamente toda composta de jogadores que nunca jogaram juntos, o que vai fazer com que o time demore pra se achar, demore pra se entrosar e tenha alguns problemas na hora de usar todo o talento que juntou. Além disso, o time depende muito de jogadores com saúde questionável, a começar pelo Vick (Algum torcedor do Eagles ficaria confortável vendo o Vince Young entrando num jogo de playoff perdendo por cinco faltando dois minutos?). E claro, futebol americano é tão imprevisível como qualquer outro esporte, monter um time cheio de estrelas não garante vitória antecipada, o Miami Heat descobriu isso a duras penas esse ano. Mas que pelo menos no papel, na quantidade de talento que o time adicionou e no fato do time ter transformado sua defesa anêmina numa unidade profunda, forte e com uma das melhores secundárias na Liga, o Eagles foi o grande vencedor dessa offseason.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC South


Sim, Cam Newton, você vai jogar NESSE time


Finalmente chegamos ao final da nossa análise do Draft. Sim, ela foi longa, extensa e os textos foram ainda mais longos e extensos (Acho que ninguém aqui tinha esperanças do contrário), mas a NFC South realmente vai ser a última. Na verdade era pra ter sido a NFC West, só que como vocês talvez lembrem o blogger avacalhou duas vezes meu post sobre a NFC South, de forma que decidi deletar o 'post' antigo e começar outro do zero. Mas tudo bem, vamos ver afinal o que teve de tão interessante na NFC South, que não foi pouco.



Carolina Panthers
Nota: C+
Escolhas:
1st round, 1st pick:  Cam Newton, QB, Auburn
3rd round, 65th pick: Terrell McClain, DT, South Florida
3rd round, 97th pick: Sione Fua, DT, Stanford
4th round, 98th pick: Brandon Hogan, CB, West Virginia
5th round, 132nd pick, Kealoha Pilares, WR, Hawaii
6th round, 166th pick, Lawrence Wilson, LB, Connecticut
6th round, 203rd pick, Zachary Williams, C, Washington State
7th round, 244th pick, Lee Ziemba, OT, Auburn
Análise: Finalmente o time com a primeira escolha em todo o Draft, Carolina Panthers. Com essa escolha, o Panthers podia seguir por vários caminhos, mas acabou seguindo a primeira regra não escrita do Draft da NFL: Nunca deixar passar um Franchise Quarterback. O Panthers não tinha um, e quis usar sua primeira escolha pra pegar o seu Franchise QB no Cam Newton. A pergunta que fica aqui, portanto, é simples: O Cam Newton é realmente um Franchise QB?

Essa pergunta a gente não pode responder de cara, pelo menos não até ele ter algum tempo de Liga. O Cam Newton não é um jogador polido e refinado com o Sam Bradford ou até mesmo o Andrew Luck, ele é um jogador muito talentoso, tem um físico incrível e tem potencial saindo pelo teto, mas que ainda é um pouco cru demais e que tem algumas questões quanto à sua personalidade e sua dedicação. Existem muitos jogadores que entram assim na NFL que dão errado, cheios de talento e potencial mas muito crus que não se dedicam o suficiente, não treinam, não tem uma boa ética de trabalho, nunca desenvolvem suas habilidades e não dão em nada, talvez o melhor exemplo disso seja o Jamarcus Russell. Eu acho que o Newton parece mais o Vince Young que o Jamarcão, o que não é uma boa comparação se você olhar os resultados. O Young era incrível no College, muito talentoso, na NFL teve algum sucesso porque era muito bom, mas brigou com técnico, não treinou tanto quanto devia, nunca foi o líder que deveria ser e agora é um reserva no Eagles. O Cam Newton tem chance de seguir por esse caminho, está longe de ser um cara confiável e eu acho que ele não valia uma primeira escolha de Draft. O time precisa desesperadamente reforçar o miolo da sua defesa (e da sua linha defensiva), tanto que pegou dois DTs nas rodadas seguintes, podia facilmente ter pego o Marcell Dareus, uma escolha mil vezes mais segura.

Ainda assim, o time também pode ter se dado bem no Draft. Existem também vários QBs com essas características que acabaram evoluindo e dando muito certo na Liga, se tornando jogadores de destaque e etc. O Newton pode dar certo, pode realizar seu potencial e ser um Franchise QB, e aí o Panthers vai ter feito a escolha certa. A gente realmente só vai poder dar nota pra essa escolha quando ver o que o Newton vai fazer nos profissionais. Tudo que a gente pode fazer agora é palpitar sobre se o risco que o Panthers assumiu gastando sua escolha numero 1 no Cam Newton valeu a pena. Pra mim, não valia a pena, e por isso a nota baixa. Pode me fazer queimar a lingua em uns dois anos...



Atlanta Falcons
Nota: B
Escolhas:
1st round, 6th pick:  Julio Jones, WR, Alabama
3rd round, 91st pick: Akeem Dent, LB, Georgia
5th round, 145th pick, Jacquizz Rodgers, RB, Oregon State
6th round, 192nd pick, Matt Bosher, K, Miami
7th round, 210th pick, Andrew Jackson, OG, Fresno State
7th round, 230th pick,  Cliff Matthews, DE, South Carolina 

Análise: O Falcons é o típico time que foi bem na temporada passada, tem um time completo, bem montado, e que por conta da sua boa campanha não tem escolhas altas de Draft. Mas ao invés de usar suas escolhas de forma segura para reforçar o elenco, o Falcons preferiu arriscar e realizar uma troca bombástica: Trocou suas escolhas de primeira, segunda e quarta rodadas desse ano, mais as de primeira e quarta rodadas do ano que vem com o Browns pela escolha de primeira rodada deles, a sexta no geral, e draftar o WR Julio Jones.

O Falcons arriscou bastante e teve que pagar um preço alto por isso, cinco escolhas é bastante coisa. O Falcons foi um bom time, muito arrumado, mas que tem algumas deficiencias, como a secundária e o pass rush, além do problema com a profundidade do grupo de WRs. Cinco escolhas - sendo duas de primeira rodada - é muita coisa, da pra pegar jogadores titulares que entrariam e melhorariam várias áreas carentes desse time, trocar a chance de corrigir todas as fraquezas do time por uma escolha alta é um grande risco, ainda mais com a Free Agency sendo posterior ao Draft. Mas nesse caso em particular, eu achei que foi um risco muito bom.

O Falcons teve um problema sério com seus WRs na temporada passada. O ataque era muito bom, tem um QB jovem e promissor, um dos melhores WRs da Liga, um RB fora de série e o melhor TE da história da Liga (Velho, mas tudo bem), mas o ataque esbarrou na falta de outro WR pra tirar a pressão do Roddy White. O time perdeu a chance de adicionar alguns role players, mas a recompensa foi um tremendo WR, explosivo, atlético e que tem tudo pra ser um excelente nº2 pra tirar a pressão do Roddy White e do Tony Gonzales nas rotas curtas. O preço foi muito alto, sim, mas o Falcons entendeu que podia ser um time muito mais forte se elevasse seu ataque a um outro nível e confiasse na sua defesa do que se simplesmente colocasse alguns role players, corrigisse as falhas em menor nível e esperasse alguns anos até que seus jogadores tenham se desenvolvido. O time sabe que pode ganhar agora e quer ganhar agora, e eu achei que nessa perspectiva valeu o risco da escolha do Julio Jones.

Além disso, o Akeem Dent também é um jogador pronto pra entrar e jogar, que tem um bom físico e ainda pode se desenvolver mais. Ele vai trazer mais profundidade e atleticismo pro corpo de linebackers do time, é um híbrido que faz bem as duas funções e provavelmente vai ter espaço no time. O time arriscou e se saiu muito bem, nesse caso valeu a aposta.



New Orleans Saints
Nota: A
Escolhas:
1st round, 24th pick:  Cameron Jordan, DE, California
1st round, 28th pick:  Mark Ingram, RB, Alabama
3rd round, 72nd pick: Martez Wilson, LB Illinois
3rd round, 88th pick: Johnny Patrick, CB, Louisville
7th round, 226th pick, Greg Romeus, DE, Pittsburgh
7th round, 243th pick, Nate Bussey, LB, Illinois
 
Análise: Numa divisão onde os outros times decidiram apostar nesse Draft, o Saints não foi excessão. Ainda que não tenha sido uma aposta tão alta nem tão arriscada, o Saints trocou sua escolha de segunda rodada desse ano e a de primeira rodada de 2012 com o Patriots por uma das suas escolhas de primeira rodada, e com ela pegou o Mark Ingram. O preço foi relativamente alto, praticamente uma escolha de segunda rodada, mas o Saints não se importou, e fez bem. A abordagem do Saints é simples, o time sabe que vários dos seus jogadores importantes - em especial o Darren Sharper, que possivelmente vai retornar essa Free Agency, e o Drew Brees, MVP do Super Bowl - estão ficando velhos e caminhando para o final da carreira. Ainda jogam em alto nível, mas talvez a janela para um título do Saints com esse grupo esteja fechando. O Saints então quer trazer o máximo possível de talento (de preferência talento pronto pra contribuir desde já) o quanto antes pra aproveitar enquanto essa geração ainda está jogando em alto nível.
 
Por isso uma escolha de primeira rodada no ano que vem não preocupa o Saints, que adicionou ao elenco um RB vencedor do Heissman Trophy pronto pra entrar e jogar. O Mark Ingram é um excelente jogador, muito bom em achar um espaço pequeno e atravessar na força e velocidade, vai complementar bem o veloz Pierre Thomas no backcourt de New Orleans. É o tipo de corredor forçudo que funciona muito bem achando espaços e que vai tornar o backcourt do Saints ainda mais forte. E o Cameron Jordan, escolha de primeira rodada do próprio Saints, foi uma tremenda sorte, porque não era pra ter caído até aqui. O Jordan era um talento top 15, alguns diziam até top 10, e acabou passando por todo mundo e chegou no Saints. Não só ele era o melhor jogador disponível como vai melhorar muito o deficiente pass rush do Saints, ele é muito forte e difícil de conter vindo da lateral, muito técnico e atlético ao mesmo tempo, dificílimo de conter. Ele é bom e lapidado o suficiente pra entrar e jogar, e provavelmente vai do lado da nova aquisição do time, Aubrayo Franklin.
 
Pra melhorar, o Saints ainda achou na terceira rodada dois jogadores que deveriam ter saido antes e que, talvez por oferecerem mais uma melhora imediata do que um potencial maior de crescimento, caíram até a terceira rodada. O Martez Wilson é um LB híbrido que marca pela sua versatilidade e pela sua postura agressiva dentro de campo, vai poder ser usado de duzentas maneiras diferentes no esquema criativo de defesa do Saints. Apesar de não ser uma posição carente, o jogador trás versatilidade e profundidade à defesa. Caso parecido com o Johnny Patrick, ainda que ele tenha potencial a médio prazo e ainda possa aperfeiçoar suas habilidades eu não duvido que ele acabe conseguindo a vaga de nickel corner até o final do ano. Talvez não seja o jogador imediato que o Saints queria, mas com certeza é um bom jogador que vai contribuir pra esse time. Boa troca, boa abordagem, ótimo Draft.
 
 
 
Tampa Bay Buccaneers
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 20th pick:  Adrian Clayborn, DE, Iowa
2nd round, 51st pick: Da’Quan Bowers, DE, Clemson
3rd round, 84th pick: Mason Foster, OLB, Washington
4th round, 104th pick: Luke Stocker, TE, Tennessee
5th round, 151st pick, Ahmad Black, SS, Florida
6th round, 187th pick, Allen Bradford, RB, USC 
7th round, 222nd pick, Anthony Gaitor, DB, Florida International
7th round, 238th pick, Daniel Hardy, TE, Idaho
 
Análise: Com o resto da divisão arriscando, apostando e pegando bons jogadores, vocês realmente não achavam que o Bucs ia ficar de fora, né? O Raheem Morris continua com sua abordagem arrojada no Draft e seu comprometimento de transformar o Bucs numa potência defensiva, como foi no começo da década. Mas o tipo de risco que o Bucs assumiu foi diferente dos seus companheiros de divisão, que assumiram riscos com trocas arrojadas e usando escolhas altíssimas para draftar jogadores com alto potencial e capacidade de realização questionável. O Bucs arriscou no tipo de jogadores que ele escolheu. Tanto o Adrian Clayborn como o Da'Quan Bowers são jogadores com muito talento, mas que caíram consideravelmente no Draft por questões médicas, dúvidas sobre a capacidade dos dois de se manterem saudáveis.
 
O Bucs tem um núcleo jovem e extremamente promissor, mas a defesa ainda tem um problema sério, que são os sacks. Com o miolo da linha defensiva fixado no Draft do ano passado com os ótimos Brian Price e Gerald McCoy, nada mais natural que o Bucs ir atrás de DEs para completar a linha e aumentar a pressão que o time é capaz de colocar no QB adversário. O Clayborn e o Bowers são DEs que se encaixam perfeitamente no esquema do time, vão ser titulares desde o primeiro dia e ainda tem capacidade de se tornarem grandes jogadores na posição, o Clayborn tem tudo pra ser um jogador de dois dígitos em sacks jogando no esquema Tampa 2 e é tremendamente explosivo, e com o resto da linha defensiva como está (Price, Bowers e McCoy) o Bucs pode se encontrar naquela ótima situação de colocar pressão no QB adversário sem ter que recorrer a blitzes. O caso do Bowers é ainda mais impressionante, ele era cotado como um jogador Top 5 no Draft (Muitos colocavam ele como o melhor jogador ou a primeira escolha) mas uma lesão grave no joelho e dúvidas sobre a possibilidade de uma nova lesão fizeram com que o valor dele despencasse bizarramente, alguns até diziam que ele não conseguiria jogar futebol americano por mais que uns poucos anos. O Bucs apostou  na capacidade dos dois de ficarem saudáveis, mas os dois são talentosíssimos e se ficarem saudáveis o Bucs possivelmente vai sair desse Draft como o grande vencedor e com uma das melhores linhas defensivas da Liga.
 
O Bucs também, muito pro meu agrado porque eu gosto do time, também conseguiu achar bons valores mais tarde no Draft. O Mason Foster devia ter saido na segunda rodada, também é um pass rusher (OLB) que joga dos dois lados e tem condições de ser titular desde o começo, ele tem boa mobilidade e boa visão pra reconhecer jogadas e cobrir o jogo terrestre. Além disso, eu adoro o Ahmad Black, ele era o melhor jogador disponível e embora ainda não tenha condições de entrar e jogar de titular vai adicionar profundidade à unidade, tem tudo pra evoluir num bom jogador e pode acabar ajudando em algumas formações de nickel ou Cover 3. Eu não duvidaria do time que achou o Cody Grimm na sétima rodada do ano passado por essa mesma abordagem.
 
A aposta na saúde dos DEs é delicada, mas o time adicionou uma quantidade absurda de talento com escolhas moderadas. O time podia ter ido atrás de outro WR, o Luke Stocker pode se desenvolver num bom alvo mas deve ter papel primário como bloqueador, mas seguiu a sua política de pegar o melhor jogador disponível e pegou bons valores. Apostou como todos da sua divisão, mas talvez tenha sido a melhor de todas no quesito risco/benefício, ainda que não seja a aposta mais segura.