Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O rico que ficou mais rico


Uma imagem vale mais que mil palavras

 

Quando falamos em um 'vencedor' da offseason, eu imediatamente penso no Philadelphia Eagles. O motivo eu expliquem ontem no post abaixo, foi um time que adicionou muitos jogadores talentosos para áreas chaves do elenco e transformou fraquezas em forças só se aproveitando do teto salarial que o time tinha aberto recentemente. Ainda assim, eu acho que falar em 'um vencedor' é uma coisa difícil. Nenhum time se destacou tanto quanto o Eagles, pelo menos no papel, mas isso não quer dizer que outros times não tenham tido um grande sucesso em adereçar as áreas carentes do time usando a Free Agency ou o mercado de trocas. E embora não tenha tido tanta pompa como o Eagles, tem mais um time que pode dizer que teve grande sucesso nessa offseason, sem dúvida um dos dois grandes vencedores dela, que se reforçou bastante e, embora ainda tenha algum risco pendente, se fortaleceu bastante do ano passado pra cá. Curiosamente, isso aconteceu justamente com o melhor time da temporada regular em 2010, o New England Patriots.

O Patriots foi o time com melhor campanha, melhor ataque e melhor jogador da temporada 2010 da NFL. Eles deram surras épicas em times que chegaram longe nos playoffs, como Jets e Bears, e jogaram um futebol ofensivo extremamente bonito. Mas como eu expliquei exaustivamente na época, o grande sucesso do time aconteceu principalmente por causa das mudanças que o Bill Belichick implementou na forma de jogar do time, que explorou os pontos fortes e principalmente camuflou os pontos fracos da equipe. Esse sucesso ficou fácil depois porque, além dessas mudanças, o Tom Brady começou a pegar fogo, voltou à sua forma de antes da lesão, foi o melhor jogador da Liga disparado e o ataque do Patriots virou uma máquina imparável. Isso é, até os playoffs chegarem.

A verdade é que o genial plano de jogo do Bill Belichick e a fase estelar do Tom Brady serviram pra camuflar vários problemas que a equipe tinha, mas esses problemas ficaram evidentes quando chegou a pós temporada. Um craque e um bom plano de jogo podem fazer você ganhar muito em Outubro, mas quando chega Janeiro a coisa é diferente, é quando as fraquezas tão bem camufladas aparecem mais e se confrontam com as forças. O Patriots, apesar do melhor ataque aéreo da Liga nas costas do Tom Brady, conseguiu isso com um corpo de recebedores composto por um grande WR muito longe da forma física ideal, se recuperando de uma cirurgia no joelho (Wes Welker); um veterano decente mas que mesmo no seu auge não era um dos melhores da Liga e que chegou no meio da temporada (Deion Branch), dois Tight Ends calouros e mais um punhado de WRs sophomores sem experiência. Essa unidade funcionou por causa do bom jogo terrestre do Patriots e do Tom Brady, mas que teve problemas nos playoffs quando o Branch foi anulado pelo Darrelle Revis e o Welker não conseguiu levar o time nas costas, o que tirou as chances do Brady de fazer sua mágica com mais frequencia.

Além disso, tinha o problema da defesa. O Patriots camuflou suas falhas na defesa mantendo a bola no ataque, como eu comentei mais detalhadamente no link acima, mas a defesa ainda era muito complicada, cheia de calouros e sophomores. O problema do time, principalmente, era a secundária, que embora tenha tido um bom número de turnovers forçados graças ao ótimo calouro Devin McCourty ainda era frágil, sem profundidade e incapaz de manter um placar apertado contra um bom ataque. Uma grande parte desses problemas na secundária, também, se davam pela falta de pressão no QB adversário. O time não possuia praticamente nenhum jogador que fosse atrás do QB adversário, o melhor pass rusher do time era o Tully Banta-Cain, que está muito longe de ser uma força vinda da lateral. Essa incapacidade de colocar pressão no adversário expunha ainda mais a secundária jovem e frágil do Pats, e foi uma das causas da derrota do Patriots para o Jets nos playoffs, o Mark Sanchez pode ser limitado mas com tempo ele eventualmente vai achar seus bons alvos, e o Patriots deu muito mais tempo do que poderia pro garoto. Todos esses problemas - tanto no ataque como defesa - eram sérios empencilhos a um novo título, apesar da força do time, e ninguém realmente esperava que o time fosse ficar parado só esperando os jogadores melhorarem (o que também vai acontecer, dada a idade de 80% da defesa).

Quem acompanhou a nossa análise do Draft deve lembrar que, quando eu falei da AFC East, eu elogiei muito o Draft do Patriots, sua capacidade de mover suas escolhas e conseguir mais escolhas futuras, a adição do promissor Ryan Mallett e, principalmente, as adições do Nate Soldier e Ras-I Dowling. Mas também critiquei a falta de um pass rusher nesse grupo, que pra mim era o grande problema do time. Lembrando que como a Free Agency ainda não tinha acontecido e era uma incógnita, niguém tinha como saber o que ia conseguir ou não nesse período, não deixava de ser um grande risco, o time corria o risco de sair sem ninguém no final das contas.

Mas o Patriots causou barulho na offseason, não por contratar Pro Bowlers no auge da forma como o Eagles fez, mas por assinar com veteranos e trocar por dois jogadores que, apesar de apostas, podem render e muito nesse esquema.

Primeiro de tudo, o time trocou pelo Chad Ochocinco, o polêmico e hilário WR do Cincinnati Bengals. O Bengals foi uma decepção em 2010 e o Ochocinco já não está no seu auge, e acabou vindo praticamente de graça. O Ochocinco, apesar de grande jogador, sempre atraiu muita atenção pelas polêmicas fora de campo, possíveis desentendimentos com o então Quarterback Carson Palmer, e pelas comemorações extravagentes que lhe rendiam uma multa por semana praticamente (O que também tem um lado besta da NFL, uma vez ele foi multado por vestir um sombrero na lateral do campo depois de um touchdown...). Ele também estrelou Reallity Shows, tem uma conta muito movimentada no twitter e é um cara que sempre quer chamar atenção, lembra um pouco o Gilbert Arenas. A troca do Patriots por ele causou certa estranheza, já que o time se livrou do Randy Moss em 2010 e o Ochocinco tem a mesma fama de 'diva' que o ex-camisa 81. Mas como veio praticamente de graça (uma escolha de quinta rodada), é difícil imaginar que o Patriots vá se arrepender muito do negócio. A imposição do time a ele foi simples: Ficar longe da mídia. Isso queria dizer twitter, TVs, e qualquer uma das trezentas formas de aparecer que o Chad usava. Ochocinco aceitou, recebeu sua amada camisa 85 de presente do Aaron Hernandez e apareceu para os treinos em forma. O Ochocinco não está, como eu disse, no auge, mas ainda tem gasolina no tanque, é o Receiver nº1 que o time precisa pra liberar o Welker pro Slot( onde ele rende muito mais), aubda e vem de temporadas produtivas mesmo com um QB que jogou muito mal. Dentro de campo ele ainda pode render muito, tem a característica de possession receiver que o time precisa e com o Tom Brady ele tem tudo pra voltar aos bons tempos se conseguir ficar longe de polêmicas e se dedicar ao jogo.

Existe um risco nisso? Claro que sim. A troca foi um risco, mas o Patriots parece disposto a aceitar as consequencias. O Bill Belichick sempre soube como lidar com atletas de ego forte, o Ochocinco respeita muito tanto ele como o Tom Brady e sabe que é a grande chance de dar a volta por cima na carreira e ganhar um anel. Os problemas com o Randy Moss foram por causa da falta de vontade e dedicação dele, que só corria se a jogada fosse desenhada pra ele, não se esforçava, não bloqueava e isso fez com que o Brady chegasse pro seu técnico e falasse "Não quer mandar ele embora, não manda, mas eu não passo mais pra ele" (Sim, ele tem culhões). Moss foi mandado embora antes que alguém pudesse argumentar. O Ochocinco é problemático, chamativo e expressivo, mas ele é um jogador que chega com uma motivação muito grande, que pelo menos por enquanto está disposto a abrir mão de toda a exposição que ele tanto gosta por essa chance e eu acredito que pelo menos tentar ele vai. O risco não é tão grande, e a recompensa que pode vir faz dessa uma excelente troca para o Patriots.

Mas como o time não estivesse satisfeito, ainda correu atrás e adquiriu outro veterano problemático a preço de banana (duas escolhas de quinta rodada), o Albert Haynesworth. Depois de dominar a Liga de forma absurda no Tennessee Titans, ele assinou um contrato bilhonário (mais de 100 milhões) com o Redskins. No entanto, o Redskins queria mudar para uma defesa 3-4 ao invés da 4-3 que eles (e o Titans) usavam, e o Haynesworth que estava acostumado a destruir o miolo da linha ofensiva adversária e ir atrás do QB não quis jogar de Nose Tackle numa defesa 3-4, onde ele iria ficar recebendo double teams a vida toda e não teria a chance de aparecer com sacks e tackles, um papel extremamente importante para a defesa funcionar mas que não agradou o ego inflado do Haynesworth. Ele então só deu problema,  aparecia fora de forma pra treinar, fingia lesões, não se esforçava e acabou afundando no banco porque o técnico não estava afim de lidar com um adolescente de 30 anos e 140 quilos. O time estava querendo se livrar dele e do seu contrato imediatamente, e duas escolhas de quinta rodada já é mais do que eles esperavam conseguir.

O Patriots adicionou mais um jogador problemático, mas ele conta com dois trunfos: O primeiro é o fato de o Haynesworth precisar de alguém de personalidade forte junto dele para conseguir controlá-lo, se não tiver uma pessoa assim ele não vai fazer nada do que for necessário. Ele tinha no Titans o Jeff Fisher e sua comissão de coordenadores linha dura, sem falar no Kyle Vanden Bosch, que era um tremendo líder no vestiário (um dos motivos de eu apostar no sucesso do Nick Fairley em Detroit). No Redskins não tinha nenhum líder de verdade nem no elenco nem na comissão técnica, o que significava ninguém para controlá-lo e fazê-lo andar na linha. No Patriots ele tem o Bill Belichick, o Tom Brady e o Vince Wilfork, ele tem gente para fazê-lo andar na linha, o que aumenta as chances de sucesso. A adição do Haynesworth significa que o time se sente em condições de fazê-lo render, então o Patriots está confiante na sua capacidade de mantê-lo sob controle. Mas mais importante, o segundo trunfo, é que isso deve significar que o Patriots está voltando a usar a defesa 4-3, depois de usar a 3-4 por anos. O Patriots sabe que o Haynesworth não quer jogar na 3-4, e voltar pra 4-3 significa que o time terá um miolo de linha absurdo em Wilfork e Haynesworth. Provavelmente a segunda vai acontecer cedo do que tarde, manter o Haynesworth satisfeito é essencial. Em troca disso, o time ganha um dos melhores DTs da Liga (se estiver afim de jogar), o tipo de jogador que é capaz de colocar pressão no QB sem precisar de blitz e que iria sozinho aumentar o poder de fogo da defesa do Patriots. Ele também é uma parede contra a corrida e a linha de frente da defesa do Patriots ia ficar monstruosa. Se o Patriots controlá-lo, conseguir que ele se mantenha em forma e jogue a sério, o time acabou de conseguir um dos melhores jogadores de defesa da Liga.

Essas duas trocas foram a um custo baixo (três escolhas de quinta rodada por dois Pro Bowlers? Parece bom), um risco razoavelmente alto e com uma possível recompensa muito alta. Os dois são problemáticos, podem causar problemas no vestiário, podem não se dedicar ou não jogarem direito, pode acontecer, fazia parte do pacote e o Patriots sabia disso. Mas em caso de sucesso - funcionou com o Randy Moss por dois anos - o Patriots adicionou muito talento que vai dar um alvo nº1 pro ataque aéreo do Patriots e um jogador pra ser a âncora defensiva do time, o Wilfork é muito bom mas o Haynesworth, quando quer, é muito melhor.

Só o Haynesworth sozinho (Se jogar sério e blá blá blá, isso está implícito sempre que eu elogio o Haynesworth, ok?) já seria importante pra melhorar o pass rush do time, mas o Patriots levou a coisa a sério e aproveitou a Free Agency pra pegar o Andre Carter e o Shaun Ellis, ambos sem contrato. O Carter é um DE/OLB híbrido e o Shaun Ellis é o ótimo DE que jogava no Jets e foi o pesadelo do Brady nos últimos dois anos. Isso significa que o time levou a sério essa necessidade de melhorar o pass rush. Se o Dowling conseguir ser o parceiro do McCourty e o Brandon Marryweather ficar saudável, o time conseguiria usar um bom pass rush pra tornar sua defesa muito mais atraente. Tanto o Ellis como o Carter já são veteranos, caminhando para o final da carreira, mas ainda são capazes de boas temporadas. Em 2009 o Carter teve 11 sacks, por exemplo, e só foi dispensado pelo seu enorme contrato. O Ellis não só é um bom pass rusher, muito forte, como também é excepcional parando o jogo terrestre. O Carter deve jogar de DE se o Patriots realmente voltar ao 4-3, o que dará uma linha de frente ao time com Carter, Haynesworth, Wilfork e Ellis. A linha é muito boa, tem força e explosão pra chegar no QB adversário e ainda vai ser um pesadelo em relação ao jogo terrestre. Isso tira um pouco da pressão da secundária, que também deve se reforçar.

É legal ver que o Patriots, apesar da ótima campanha ano passado, entende a posição em que se encontra. O Belichick entendeu que o time ainda tinha buracos, e que tapando esses buracos o time seria muito melhor. Talvez isso não se reflita tanto na temporada regular, mas com certeza terá um enorme impacto na pós temporada, o time está muito mais completo, tem uma defesa muito mais confiável e voltou a ter um time equilibrado no quesito ataque/defesa. Não trouxe tantos jogadores de impacto e mídia como o Eagles, mas trouxe jogadores muito bons, experientes e para cobrir áreas deficientes do time. É assustador, mas o melhor time de 2010 acabou de ficar ainda melhor. E bem melhor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O grande vencedor


DeSean Jackson mostrando sua nova arma para o jogo aéreo do Eagles


Depois de um fim de semana parado, e depois de termos analisado o Draft de cada um dos 32 times da NFL com notas e tudo mais, ficou faltando comentarmos sobre a semana insana de Free Agency que tivemos. Como o CBA novo entrou no lugar pouco mais de uma semana antes do começo da pré-temporada, a correria pra assinar Free Agents foi enorme, todo o geralmente longo período de trocas, renovações de contrato e assinatura de Free Agencys teve que ser feito em mais ou menos duas semanas, e como a gente ainda tava voltando de viagem e atolado com o Draft, tivemos que deixar pra depois. Agora, finalmente, podemos comentar a movimentação na Free Agency, lembrando que semana passada oficialmente foi colocado em vigor o novo CBA. O acordo já estava acertado desde muito tempo atrás, e regras temporárias pra Free Agency foram estabelecidas até a votação final, que aconteceu, aprovou o CBA e então temos NFL garantida nos próximos 10 anos. Essa quinta feira começa a pré-temporada da NFL, e agora é hora de comentar os times que se reforçaram e se enfraqueceram nessa Offseason alucinada, começando pelos times que sairam vencedores dessa zona, e nenhum saiu tão vencedor (ou pelo menos com tanta pompa)como o Philadelphia Eagles.

O Eagles montou nos últimos anos um time jovem e habilidoso, se desfazendo dos seus veteranos mais caros e fazendo um processo de reformulação a médio prazo. O time mandou embora o até então soberano no time Donovan McNabb e quem deveria assumir a posição de QB seria o pirralho Kevin Kolb, acompanhado de um núcleo jovem de jogadores como DeSean Jackson, LeSean McCoy e Jeremy Maclin. Uma consequencia desse processo foi que o time acabou liberando muito espaço salarial, muitos jogadores ainda tinham contratos de novatos ou então tinham renovado a custos baixos. Mas o que aconteceu pra "estragar" a reconstrução a médio prazo do Eagles foi que os jovens jogadores acabaram se desenvolvendo muito rápido e, após uma lesão do Kolb, o time achou um QB mais pronto e muito melhor no Michael Vick, que até alí só jogava em pacotes Wildcat. Mas o Vick não é exatamente tão novo como o Kolb, os jogadores que deveriam demorar para frutificar acabaram virando jogadores consolidados muito cedo e de repente o Eagles se viu com um novo dilema: insistir na sua reconstrução, correr o risco de perder os melhores anos do Vick e até alguns jogadores na Free Agency, ou então mudar o foco, entender que o elenco está numa boa posição pra disputar o título imediatamente e aí reforçar o time com esse objetivo.

O Eagles optou pela segunda opção. Mandou o Kevin Kolb pro Arizona Cardinals num assalto a mão armada, ofereceu contratos longos pras principais estrelas do time e tratou de usar o teto salarial do time para trazer vários Free Agents veteranos para completar o time em busca de um título, numa clara mostra de que o time está se preparando para disputar e vencer os campeonatos agora. E quando eu digo que o time trouxe vários, quero dizer vários mesmo, foram oito ao todo (Mais o Dominique Rodgers-Cromartie que veio na troca do Kolb)! E não foi só na quantidade que o Eagles se destacou, e sim na qualidade, trazendo o grande prêmio dessa Free Agency, o CB Nnamdi Asomugha, sem falar nos DEs Cullen Jenkins e Jason Babin, outros dois grandes nomes, no promissor DT Anthony Hargrove, e em jogadores veteranos para compor elenco e dar profundidade como o RB Ronnie Brown, o FS Jarrad Page, o OT Ryan Harris e, claro, o Vince Young.

Em termos de talento, esses jogadores dispensam comentários. Quem acompanhou jogos do Raiders (seja torcedor ou masoquista) sabe que o Asomugha é o melhor cornerback da Liga (Eu coloco ele um pouco acima do Darrelle Revis, tanto no subjetivo como no objetivo, ou seja, estatísticas), e tanto o Cullen Jenkins como o Jason Babin são jogadores de nível Pro Bowler se se mantiverem saudáveis. Em termos de talento, o Eagles saiu com o melhor jogador da Free Agency, e mais três grandes outros jogadores, com a possibilidade de subir esse número pra cinco dependendo de como Brown e Young se portarem na Philadelphia com um papel limitado. Mas e na prática, o quanto esses jogadores vão mudar no esquema de jogo do Eagles?

A verdade é, muito. O Eagles de 2010 era um bom time, com um ataque explosivo e um candidato a MVP no Vick, mas o time tinha buracos demais, que foram explorados à exaustão na derrota para o Packers nos playoffs, especialmente na defesa e na linha ofensiva. A linha ofensiva não sofreu grandes alterações, o Danny Watkins (calouro) vai reforçar o miolo e o Ryan Harris vai adicionar profundidade pra unidade. Nesse ponto de vista, o time está apenas adicionando exatamente isso, profundidade, seja com o Harris, seja com Ronnie Brown, que deve ser reserva do McCoy usado mais em wildcats ou terceiras descidas, ou o Vince Young. Depois que o time trocou o Kolb, ficou sem um reserva para o Vick, que não é exatamente um modelo de solidez física, se machuca um pouco demais. Por isso tratou de pegar o Young, que apesar do bom currículo não era desejado por quase ninguém, pra tapar o buraco numa eventual lesão. Mas esses três jogadores serão basicamente reservas, usados em ocasiões específicas de rotação ou em caso de lesões. Não vão alterar o esquema de jogo do time, não vão levar o ataque nas costas e nem vão revolucionar nada por lá.

O que não é o caso da defesa. A defesa do Eagles não foi uma peneira em 2010, mas de longe era uma unidade mais fraca que o ataque. A linha defensiva não conseguia vencer as batalhas em primeiras descidas, a secundária dependia demais das interceptações do Assante Samuel pra conseguir ser relevante e o time tinha uma grande dificuldade em pressionar o QB adversário, na prática o jogo entre Eagles e Packers foi decidido porque o Packers conseguiu colocar muita pressão no Vick e o Eagles não conseguiu sequer chegar perto do Aaron Rodgers. O time dependia demais dos flashes de brilhantismo do Trent Cole pra conseguir alguma coisa na linha de scrimmage, a linha defensiva era uma unidade fraca e que não só não era uma força como as vezes se tornava uma fraqueza a ser explorada, o que é péssimo porque você bota mais pressão numa secundária frágil que dependia demais do Samuel e de um safety calouro que acabou machucando.

Não foi a toa, portanto, que essa foi a unidade que o time mais adereçou na Free Agency. Trouxe o Jason Babin, que teve 12,5 sacks e que é uma força dominante vindo da lateral da linha defensiva, para fazer par com o Trent Cole ou então liberar o Cole de vez para jogar de OLB colocando o Juqua Parker (que já era do time) ou o recém chegado Cullen Jenkins para jogar do outro lado. O Jenkins tem outra grande vantagem, porque ele é capaz de jogar tanto na lateral de DE como no meio de DT, tem força, tamanho e velocidade para ambas as funções, o que vai dar ao Andy Reid uma variedade enorme na linha defensiva, que também teve uma adição importante no Anthony Hargrove, uma pequena âncora no meio da linha defensiva que é excelente segurando a corrida. Uma unidade que dependia exclusivamente de um jogador de repente virou uma unidade forte, profunda e com muita versatilidade para implementar diferentes movimentações e formações, uma unidade que tem ao mesmo tempo ótimos jogadores para chegarem no QB adversário como também fortaleceram o meio pra evitar as corridas em primeiras descidas ou as escapadas dos QBs mais rápidos como Rodgers.

Geralmente melhorar a linha defensiva, e em especial o pass rush, como foi o caso do Eagles, é algo que já tira muita pressão da sua secundária, porque você tira tempo do QB, diminui o número de passes que sua secundária vai ver, os passes são mais apressados e menos precisos e isso faz com que uma secundária fraca possa ser eficiente o suficiente para não comprometer. Mas o time ainda adicionou o melhor CB do jogo no Asomugha, trouxe o ótimo Dominique Rodgers-Cromartie no assalto a mão armada na troca do Kolb e, em questão de dois dias, montou uma das melhores (talvez a melhor) dupla de cornerbacks da Liga. O Asomugha é um shutdown corner, aquele estilo Revis que gruda em um jogador e tira ele do jogo completamente. Como ele não ficava fixo em um jogador e muitas vezes deixava a marcação individual para cobrir a zona na defesa do Raiders, ele não chama tanta atenção como o Revis, mas os números do Asomugha são ainda mais assustadores e quem já viu ele jogar sabe que é impossível acertar um passe contra ele. O Rodgers-Cromartie é mais um playmaker, o jogador que intercepta passes e corre pelo campo, é uma dupla que se completa perfeitamente e vai tornar a secundária do time uma unidade ridicula. Lembrando que, enquanto ele não for trocado (se for), o time ainda tem o Samuel, que foi um dos líderes do ano passado em interceptações, também é um playmaker e se ficar no time vai acabar achando espaço em jogadas de nickel ou pacotes diferenciados.

Em resumo, a linha defensiva era fraca e não conseguia chegar no QB, agora é forte, profunda e tem um pass rush muito mais forte. A secundária era fraca e dependia demais de um jogador, agora tem a melhor dupla de cornerbacks da Liga e um RESERVA que é um Pro Bowler que seria titular em qualquer outro time da Liga. Não é a toa que esse time ta recebendo tanto hype na offseason, o time montou uma defesa inteira praticamente só com Pro Bowlers da Free Agency juntando aos poucos bons jogadores que já tinha. O ataque, que era de outro mundo, ficou mais profundo, e a defesa que era o ponto fraco agora é forte demais, tem mais Pro Bowlers do que qualquer outra e ainda tem uma moeda de troca muito valiosa no Assante Samuel (Sem falar no Nate Allen um ano mais maduro e recuperado da lesão). Se é pra falar de um time que não perdeu jogadores importantes e ainda adicionou talento o suficiente pra ter uma defesa tão pentelha como essa, esse time é um dos grandes vencedores do Draft.

Isso quer dizer que o time vai ser campeão do Super Bowl, conseguir 19 vitórias e o Michael Vick vai pegar a Kim Kardashian? Claro que não. O time mudou seu coordenador defensivo, a defesa é praticamente toda composta de jogadores que nunca jogaram juntos, o que vai fazer com que o time demore pra se achar, demore pra se entrosar e tenha alguns problemas na hora de usar todo o talento que juntou. Além disso, o time depende muito de jogadores com saúde questionável, a começar pelo Vick (Algum torcedor do Eagles ficaria confortável vendo o Vince Young entrando num jogo de playoff perdendo por cinco faltando dois minutos?). E claro, futebol americano é tão imprevisível como qualquer outro esporte, monter um time cheio de estrelas não garante vitória antecipada, o Miami Heat descobriu isso a duras penas esse ano. Mas que pelo menos no papel, na quantidade de talento que o time adicionou e no fato do time ter transformado sua defesa anêmina numa unidade profunda, forte e com uma das melhores secundárias na Liga, o Eagles foi o grande vencedor dessa offseason.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC South


Sim, Cam Newton, você vai jogar NESSE time


Finalmente chegamos ao final da nossa análise do Draft. Sim, ela foi longa, extensa e os textos foram ainda mais longos e extensos (Acho que ninguém aqui tinha esperanças do contrário), mas a NFC South realmente vai ser a última. Na verdade era pra ter sido a NFC West, só que como vocês talvez lembrem o blogger avacalhou duas vezes meu post sobre a NFC South, de forma que decidi deletar o 'post' antigo e começar outro do zero. Mas tudo bem, vamos ver afinal o que teve de tão interessante na NFC South, que não foi pouco.



Carolina Panthers
Nota: C+
Escolhas:
1st round, 1st pick:  Cam Newton, QB, Auburn
3rd round, 65th pick: Terrell McClain, DT, South Florida
3rd round, 97th pick: Sione Fua, DT, Stanford
4th round, 98th pick: Brandon Hogan, CB, West Virginia
5th round, 132nd pick, Kealoha Pilares, WR, Hawaii
6th round, 166th pick, Lawrence Wilson, LB, Connecticut
6th round, 203rd pick, Zachary Williams, C, Washington State
7th round, 244th pick, Lee Ziemba, OT, Auburn
Análise: Finalmente o time com a primeira escolha em todo o Draft, Carolina Panthers. Com essa escolha, o Panthers podia seguir por vários caminhos, mas acabou seguindo a primeira regra não escrita do Draft da NFL: Nunca deixar passar um Franchise Quarterback. O Panthers não tinha um, e quis usar sua primeira escolha pra pegar o seu Franchise QB no Cam Newton. A pergunta que fica aqui, portanto, é simples: O Cam Newton é realmente um Franchise QB?

Essa pergunta a gente não pode responder de cara, pelo menos não até ele ter algum tempo de Liga. O Cam Newton não é um jogador polido e refinado com o Sam Bradford ou até mesmo o Andrew Luck, ele é um jogador muito talentoso, tem um físico incrível e tem potencial saindo pelo teto, mas que ainda é um pouco cru demais e que tem algumas questões quanto à sua personalidade e sua dedicação. Existem muitos jogadores que entram assim na NFL que dão errado, cheios de talento e potencial mas muito crus que não se dedicam o suficiente, não treinam, não tem uma boa ética de trabalho, nunca desenvolvem suas habilidades e não dão em nada, talvez o melhor exemplo disso seja o Jamarcus Russell. Eu acho que o Newton parece mais o Vince Young que o Jamarcão, o que não é uma boa comparação se você olhar os resultados. O Young era incrível no College, muito talentoso, na NFL teve algum sucesso porque era muito bom, mas brigou com técnico, não treinou tanto quanto devia, nunca foi o líder que deveria ser e agora é um reserva no Eagles. O Cam Newton tem chance de seguir por esse caminho, está longe de ser um cara confiável e eu acho que ele não valia uma primeira escolha de Draft. O time precisa desesperadamente reforçar o miolo da sua defesa (e da sua linha defensiva), tanto que pegou dois DTs nas rodadas seguintes, podia facilmente ter pego o Marcell Dareus, uma escolha mil vezes mais segura.

Ainda assim, o time também pode ter se dado bem no Draft. Existem também vários QBs com essas características que acabaram evoluindo e dando muito certo na Liga, se tornando jogadores de destaque e etc. O Newton pode dar certo, pode realizar seu potencial e ser um Franchise QB, e aí o Panthers vai ter feito a escolha certa. A gente realmente só vai poder dar nota pra essa escolha quando ver o que o Newton vai fazer nos profissionais. Tudo que a gente pode fazer agora é palpitar sobre se o risco que o Panthers assumiu gastando sua escolha numero 1 no Cam Newton valeu a pena. Pra mim, não valia a pena, e por isso a nota baixa. Pode me fazer queimar a lingua em uns dois anos...



Atlanta Falcons
Nota: B
Escolhas:
1st round, 6th pick:  Julio Jones, WR, Alabama
3rd round, 91st pick: Akeem Dent, LB, Georgia
5th round, 145th pick, Jacquizz Rodgers, RB, Oregon State
6th round, 192nd pick, Matt Bosher, K, Miami
7th round, 210th pick, Andrew Jackson, OG, Fresno State
7th round, 230th pick,  Cliff Matthews, DE, South Carolina 

Análise: O Falcons é o típico time que foi bem na temporada passada, tem um time completo, bem montado, e que por conta da sua boa campanha não tem escolhas altas de Draft. Mas ao invés de usar suas escolhas de forma segura para reforçar o elenco, o Falcons preferiu arriscar e realizar uma troca bombástica: Trocou suas escolhas de primeira, segunda e quarta rodadas desse ano, mais as de primeira e quarta rodadas do ano que vem com o Browns pela escolha de primeira rodada deles, a sexta no geral, e draftar o WR Julio Jones.

O Falcons arriscou bastante e teve que pagar um preço alto por isso, cinco escolhas é bastante coisa. O Falcons foi um bom time, muito arrumado, mas que tem algumas deficiencias, como a secundária e o pass rush, além do problema com a profundidade do grupo de WRs. Cinco escolhas - sendo duas de primeira rodada - é muita coisa, da pra pegar jogadores titulares que entrariam e melhorariam várias áreas carentes desse time, trocar a chance de corrigir todas as fraquezas do time por uma escolha alta é um grande risco, ainda mais com a Free Agency sendo posterior ao Draft. Mas nesse caso em particular, eu achei que foi um risco muito bom.

O Falcons teve um problema sério com seus WRs na temporada passada. O ataque era muito bom, tem um QB jovem e promissor, um dos melhores WRs da Liga, um RB fora de série e o melhor TE da história da Liga (Velho, mas tudo bem), mas o ataque esbarrou na falta de outro WR pra tirar a pressão do Roddy White. O time perdeu a chance de adicionar alguns role players, mas a recompensa foi um tremendo WR, explosivo, atlético e que tem tudo pra ser um excelente nº2 pra tirar a pressão do Roddy White e do Tony Gonzales nas rotas curtas. O preço foi muito alto, sim, mas o Falcons entendeu que podia ser um time muito mais forte se elevasse seu ataque a um outro nível e confiasse na sua defesa do que se simplesmente colocasse alguns role players, corrigisse as falhas em menor nível e esperasse alguns anos até que seus jogadores tenham se desenvolvido. O time sabe que pode ganhar agora e quer ganhar agora, e eu achei que nessa perspectiva valeu o risco da escolha do Julio Jones.

Além disso, o Akeem Dent também é um jogador pronto pra entrar e jogar, que tem um bom físico e ainda pode se desenvolver mais. Ele vai trazer mais profundidade e atleticismo pro corpo de linebackers do time, é um híbrido que faz bem as duas funções e provavelmente vai ter espaço no time. O time arriscou e se saiu muito bem, nesse caso valeu a aposta.



New Orleans Saints
Nota: A
Escolhas:
1st round, 24th pick:  Cameron Jordan, DE, California
1st round, 28th pick:  Mark Ingram, RB, Alabama
3rd round, 72nd pick: Martez Wilson, LB Illinois
3rd round, 88th pick: Johnny Patrick, CB, Louisville
7th round, 226th pick, Greg Romeus, DE, Pittsburgh
7th round, 243th pick, Nate Bussey, LB, Illinois
 
Análise: Numa divisão onde os outros times decidiram apostar nesse Draft, o Saints não foi excessão. Ainda que não tenha sido uma aposta tão alta nem tão arriscada, o Saints trocou sua escolha de segunda rodada desse ano e a de primeira rodada de 2012 com o Patriots por uma das suas escolhas de primeira rodada, e com ela pegou o Mark Ingram. O preço foi relativamente alto, praticamente uma escolha de segunda rodada, mas o Saints não se importou, e fez bem. A abordagem do Saints é simples, o time sabe que vários dos seus jogadores importantes - em especial o Darren Sharper, que possivelmente vai retornar essa Free Agency, e o Drew Brees, MVP do Super Bowl - estão ficando velhos e caminhando para o final da carreira. Ainda jogam em alto nível, mas talvez a janela para um título do Saints com esse grupo esteja fechando. O Saints então quer trazer o máximo possível de talento (de preferência talento pronto pra contribuir desde já) o quanto antes pra aproveitar enquanto essa geração ainda está jogando em alto nível.
 
Por isso uma escolha de primeira rodada no ano que vem não preocupa o Saints, que adicionou ao elenco um RB vencedor do Heissman Trophy pronto pra entrar e jogar. O Mark Ingram é um excelente jogador, muito bom em achar um espaço pequeno e atravessar na força e velocidade, vai complementar bem o veloz Pierre Thomas no backcourt de New Orleans. É o tipo de corredor forçudo que funciona muito bem achando espaços e que vai tornar o backcourt do Saints ainda mais forte. E o Cameron Jordan, escolha de primeira rodada do próprio Saints, foi uma tremenda sorte, porque não era pra ter caído até aqui. O Jordan era um talento top 15, alguns diziam até top 10, e acabou passando por todo mundo e chegou no Saints. Não só ele era o melhor jogador disponível como vai melhorar muito o deficiente pass rush do Saints, ele é muito forte e difícil de conter vindo da lateral, muito técnico e atlético ao mesmo tempo, dificílimo de conter. Ele é bom e lapidado o suficiente pra entrar e jogar, e provavelmente vai do lado da nova aquisição do time, Aubrayo Franklin.
 
Pra melhorar, o Saints ainda achou na terceira rodada dois jogadores que deveriam ter saido antes e que, talvez por oferecerem mais uma melhora imediata do que um potencial maior de crescimento, caíram até a terceira rodada. O Martez Wilson é um LB híbrido que marca pela sua versatilidade e pela sua postura agressiva dentro de campo, vai poder ser usado de duzentas maneiras diferentes no esquema criativo de defesa do Saints. Apesar de não ser uma posição carente, o jogador trás versatilidade e profundidade à defesa. Caso parecido com o Johnny Patrick, ainda que ele tenha potencial a médio prazo e ainda possa aperfeiçoar suas habilidades eu não duvido que ele acabe conseguindo a vaga de nickel corner até o final do ano. Talvez não seja o jogador imediato que o Saints queria, mas com certeza é um bom jogador que vai contribuir pra esse time. Boa troca, boa abordagem, ótimo Draft.
 
 
 
Tampa Bay Buccaneers
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 20th pick:  Adrian Clayborn, DE, Iowa
2nd round, 51st pick: Da’Quan Bowers, DE, Clemson
3rd round, 84th pick: Mason Foster, OLB, Washington
4th round, 104th pick: Luke Stocker, TE, Tennessee
5th round, 151st pick, Ahmad Black, SS, Florida
6th round, 187th pick, Allen Bradford, RB, USC 
7th round, 222nd pick, Anthony Gaitor, DB, Florida International
7th round, 238th pick, Daniel Hardy, TE, Idaho
 
Análise: Com o resto da divisão arriscando, apostando e pegando bons jogadores, vocês realmente não achavam que o Bucs ia ficar de fora, né? O Raheem Morris continua com sua abordagem arrojada no Draft e seu comprometimento de transformar o Bucs numa potência defensiva, como foi no começo da década. Mas o tipo de risco que o Bucs assumiu foi diferente dos seus companheiros de divisão, que assumiram riscos com trocas arrojadas e usando escolhas altíssimas para draftar jogadores com alto potencial e capacidade de realização questionável. O Bucs arriscou no tipo de jogadores que ele escolheu. Tanto o Adrian Clayborn como o Da'Quan Bowers são jogadores com muito talento, mas que caíram consideravelmente no Draft por questões médicas, dúvidas sobre a capacidade dos dois de se manterem saudáveis.
 
O Bucs tem um núcleo jovem e extremamente promissor, mas a defesa ainda tem um problema sério, que são os sacks. Com o miolo da linha defensiva fixado no Draft do ano passado com os ótimos Brian Price e Gerald McCoy, nada mais natural que o Bucs ir atrás de DEs para completar a linha e aumentar a pressão que o time é capaz de colocar no QB adversário. O Clayborn e o Bowers são DEs que se encaixam perfeitamente no esquema do time, vão ser titulares desde o primeiro dia e ainda tem capacidade de se tornarem grandes jogadores na posição, o Clayborn tem tudo pra ser um jogador de dois dígitos em sacks jogando no esquema Tampa 2 e é tremendamente explosivo, e com o resto da linha defensiva como está (Price, Bowers e McCoy) o Bucs pode se encontrar naquela ótima situação de colocar pressão no QB adversário sem ter que recorrer a blitzes. O caso do Bowers é ainda mais impressionante, ele era cotado como um jogador Top 5 no Draft (Muitos colocavam ele como o melhor jogador ou a primeira escolha) mas uma lesão grave no joelho e dúvidas sobre a possibilidade de uma nova lesão fizeram com que o valor dele despencasse bizarramente, alguns até diziam que ele não conseguiria jogar futebol americano por mais que uns poucos anos. O Bucs apostou  na capacidade dos dois de ficarem saudáveis, mas os dois são talentosíssimos e se ficarem saudáveis o Bucs possivelmente vai sair desse Draft como o grande vencedor e com uma das melhores linhas defensivas da Liga.
 
O Bucs também, muito pro meu agrado porque eu gosto do time, também conseguiu achar bons valores mais tarde no Draft. O Mason Foster devia ter saido na segunda rodada, também é um pass rusher (OLB) que joga dos dois lados e tem condições de ser titular desde o começo, ele tem boa mobilidade e boa visão pra reconhecer jogadas e cobrir o jogo terrestre. Além disso, eu adoro o Ahmad Black, ele era o melhor jogador disponível e embora ainda não tenha condições de entrar e jogar de titular vai adicionar profundidade à unidade, tem tudo pra evoluir num bom jogador e pode acabar ajudando em algumas formações de nickel ou Cover 3. Eu não duvidaria do time que achou o Cody Grimm na sétima rodada do ano passado por essa mesma abordagem.
 
A aposta na saúde dos DEs é delicada, mas o time adicionou uma quantidade absurda de talento com escolhas moderadas. O time podia ter ido atrás de outro WR, o Luke Stocker pode se desenvolver num bom alvo mas deve ter papel primário como bloqueador, mas seguiu a sua política de pegar o melhor jogador disponível e pegou bons valores. Apostou como todos da sua divisão, mas talvez tenha sido a melhor de todas no quesito risco/benefício, ainda que não seja a aposta mais segura.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC West

Colin Kaepernick de peixinho!


Era pra ser a última, mas a penúltima vai ser a NFC West, a divisão mais fraca da NFL em 2010. O impacto dessa offseason na divisão só vai poder ser totalmente explicado quando a gente parar pra analisar a Free Agency, principalmente a troca do Cardinals pelo Kevin Kolb e o fato do 49ers ter perdido metade da sua defesa, além das muitas adições do Seahawks. Mas por enquanto, vamos ver como esses times se saíram no Draft.



Arizona Cardinals
Nota: B+
Escolhas:
1st round, 5th pick:  Patrick Peterson, CB, LSU
2nd round, 38th pick: Ryan Williams, RB, Virginia Tech
3rd round, 69th pick: Rob Housler, TE, Florida Atlantic
4th round, 103rd pick: Sam Acho, OLB, Texas
5th round, 136th pick, Anthony Sherman, FB, Connecticut
6th round, 171st pick, Quan Sturdivant, LB, North Carolina
6th round, 184th pick, David Carter, DE, UCLA
7th round, 249th pick, DeMarco Sampson, WR, San Diego State

Análise: O Cardinals foi ao Super Bowl em 2008, perdeu pro eventual campeão Saints nos playoffs de 2009 e foi um dos piores times do mundo em 2010. Essa queda absurda de produção na última temporada se deu pela perda de vários jogadores chaves, como Antrell Rolle e Karlos Dansby, mas principalmente pela aposentadoria do QB idoso Kurt Warner. O Warner foi monstruoso nas suas últimas temporadas, o time se montou bem em torno dele e deu certo, mas quando ele saiu o time recorreu ao Derek Anderson pra voltar a ganhar, mas... Bom, não deu muito certo.

Ou seja, o Cardinals precisava de um QB pra voltar a ganhar. O Blaine Gabbert estava disponivel pro time, e pra mim a quinta escolha do Draft, apesar de um pouco alta, não era um exagero pra pegar o QB do Missouri. Pela falta da Free Agency, o Cardinals não saberia se conseguiria o seu preferido Kevin Kolb ou se teria que se contentar com um plano B, ele só tinha certeza de que não sairia com mãos abanando porque tava disposto a pagar caro por um. Pegar o Gabbert era a escolha lógica, mas o Cardinals jogou essa lógica no lixo, confiou na sua capacidade de pegar alguem quando acabasse o lockout (o Kevin Kolb queria ir pra lá) e pegou o melhor jogador disponível, o Patrick Peterson. O Peterson é um dos melhores jogadores do Draft, um cornerback excelente tanto na cobertura como fazendo jogadas na secundária, muito inteligente e que tem tudo pra ser um dos melhores jogadores da Liga. Eu achei uma boa escolha, o Cardinals sabia que ia conseguir algum QB e tratou de pegar um jogador que de a esse QB a chance de ganhar algumas partidas na defesa, já que ela foi uma peneira ano passado.

Além dele, o time tratou de reforçar o ataque. O time reforçou o inexistente ataque terrestre do ano passado colocando o Ryan Williams, que também é muito bom, muito explosivo, sabe jogar com pouco espaço e vai fazer um belo combo com o Beanie Wells se algum dia na vida ele voltar de lesão. Além disso, é bom recebendo passes, e ele e o Rob Housler vão ser alvos importantes, já que o time não tem nenhum alvo confiável além do Larry Fitzgerald com a provável (e agora oficial) saída do Steve Breaston pela Free Agency. Qualquer coisa que melhore o corpo de recebedores do time já é um avanço. Também tratou de pegar jogadores de defesa que melhoram as áreas carentes (pass rush e o corpo de LBs) que não devem contribuir logo de cara mas tem muito talento e potencial pra evoluirem em algo especial.

No longo prazo, o Cardinals vai olhar pra trás e se arrepender ou não dependendo da produção do Kevin Kolb e do Blaine Gabbert, já que a escolha do Cardinals foi passar o Gabbert e pegar o Peterson. Mas o time adicionou talento e atitude de ambos os lados da bola, conseguiu jogadores explosivos e vai brigar pelo topo da divião, aí é difícil criticar o Draft do Cardinals de uma forma geral. Só o preço do Kevin Kolb que eu não gostei, mas isso comentamos depois.



San Francisco 49ers
Nota: B-
Escolhas:
1st round, 7th pick:  Aldon Smith, DE, Missouri
2nd round, 36th pick: Colin Kaepernick, QB, Nevada
3rd round, 80th pick: Chris Culliver, CB, South Carolina
4th round, 115th pick: Kendall Hunter, RB, Oklahoma State
5th round, 163th pick, Daniel Kilgore, OG, Appalachian State
6th round, 182nd pick, Ronald Johnson, WR, USC
6th round, 190th pick, Colin Jones, DB, TCU
7th round, 211th pick, Bruce Miller, DE, Central Florida
7th round, 239th pick, Michael Person, OT, Montana State
7th round, 250th pick, Curtis Holcomb, CB, Florida A&M
Análise: Técnico novo, vida nova para o 49ers. Depois que contratou o bom Jim Harbaugh pra vaga de Head Coach, a direção deixou bem claro que o Draft seria a primeira oportunidade pro Harbaugh começar seu trabalho, draftando os jogadores que lhe interessassem e servissem ao seu estilo. E o 49ers levou isso ao pé da letra nesse Draft. O técnico Harbaugh é um ótimo técnico desenvolvendo Quarterbacks e que sempre pregou o esforço e o trabalho duro, e por esse Draft deu pra ver que o time priorizou jogadores que tem boa ética de trabalho, levam o jogo a sério e que vão competir até o último segundo. 
Mas o time deu azar, porque seu grande alvo da primeira rodada saiu para o Cardinals duas escolhas antes. Aí o Niners tentou uma das jogadas mais arriscadas da primeira rodada ao pegar o Aldon Smith. Smith tem talento pra ser uma escolha top 5, sem dúvida, mas ainda é um jogador que tem mais potencial do que realização. Ele jogou pouco na NCAA por causa de lesões, talvez tenha que jogar de OLB ao invés de DE nos profissionais e essa transição pode demorar um pouco, mas ele tem muita velocidade e força, é extreamamente explosivo e tem tudo pra se desenvolver em um excelente pass rusher, uma deficiencia do time. O recado é claro: O time está pegando a fundação do seu time, jogadores pra se desenvolverem com calma, e não jogadores prontos.
Isso ficou claro em boa parte do Draft. Principalmente nas últimas rodadas, o time quis pegar jogadores com mais potencial e que podem se desenvolver ao invés de jogadores para carências imediatas. E principalmente na escolha do Colin Kaepernick, QB jovem, com um braço forte e extremamente atlético, que trabalha duro, a cara do técnico Harbaugh. Ele jogou no bizarro esquema Pistol na universidade, vai demorar um ou dois anos até fazer a transição pra NFL e por isso o Niners renovou (sempre soube que ia renovar) com o Alex Smith, que deve ser titular por enquanto. O time também pegou jogadores talentosos como o Chris Culliver, rápido e forte pro diabo mas que joga mais de Safety do que de Cornerback, posição mais carente do time, e também o Kendall Hunter, que é um excelente recebedor, muito rápido e que vai adicionar mais velocidade ao corpo de RBs que conta com os fortes Anthony Dixon e Frank Gore.
No geral, o Niners não saiu muito reforçado pra essa temporada. Pegou muitos jogadores talentosos, que devem se desenvolver em algum tempo e com algum treino, mas todos são jogadores que tem potencial e que estão dispostos a trabalharem pra desenvolvê-lo. O novo técnico começa a colocar sua mentalidade no time, e só vamos saber se deu certo ou não em algum tempo. Não foi um Draft brilhante, mas deu ao time uma boa base pra trabalhar nos próximos e profundidade para essa temporada.



Seattle Seahawks
Nota: C-
Escolhas:
1st round, 25th pick:  James Carpenter, OL, Alabama
3rd round, 75th pick: John Moffitt, OG, Wisconsin
3rd round, 81st pick: Demarcus Van Dyke, DB, Miami
4th round, 101st pick: K.J. Wright, LB, Mississippi State
4th round, 101st pick: Kris Durham, WR, Georgia
5th round, 134th pick,  Richard Sherman, CB, Stanford
5th round, 134th pick, Mark Legree, DB, Appalachian State
6th round, 167th pick, Byron Maxwell, CB, Clemson
7th round, 207th pick, Lazarius Levingston, DE, LSU
7th round, 246th pick, Malcolm Smith, OLB, USC
 
Análise: Eu gosto muito do técnico Pete Carroll, mas eu confesso que não entendi a análise dele pra esse Draft. Sim, o Seattle ganhou a divisão ano passado, e parece que o Seattle draftou achando que era um time com uma boa base, que tava num processo de evolução e tudo mais. O Seattle do ano passado era um time fraco, foi pros playoffs porque o time jogou bem na hora certa e porque nenhum outro time da divisão era forte pra ganhar nove jogos. Mas o time de repente começou a Draftar pra impor o estilo de jogo físico de corridas do técnico Carroll como se tivesse o resto montado.
 
Mas o fato é que o time não está em evolução, pelo contrário, está se desmontando. O time tem que começar a reconstruir, porque ficou pouca gente de valor no time. O time até pegou bons jogadores na Free Agency, mas o Draft foi antes, ninguém poderia saber o que ia conseguir. Você podia fazer uma análise controlada, como o Cardinals fez com o Kolb, mas o Hawks não tinha esse tipo de confiança pra ninguém. A 25ª escolha era a posição perfeita pra pegar um QB como o Ryan Mallett, o Andy Dalton ou até o Colin Kaepernick, era um pouco alto talvez mas não era alto demais e ainda tinha várias opções. Você deixa o seu QB treinando um ou dois anos atrás do Matt Hasselback (Eu sei que ele saiu, mas só saiu porque o Seahawks quis, achou que o Tarvaris Jackson era a solução e... Ah, deixa isso pra lá. Não quero me traumatizar). Mas o time deixou de pegar isso, deixou de pegar um OT puro (O James Carpenter ta mais pra um Guard), ou seja, pegou jogadores complementares pra um time que tem desandado por anos a fio!
 
Em resumo, depois de um ótimo Draft em 2010, o time andou pra trás nesse. Talvez tenha se iludido com a boa campanha, mas foi um fiasco pra esquecer.
 
 
 
Saint Louis Rams
Nota: B-
Escolhas:
1st round, 14th pick:  Robert Quinn, DE, North Carolina
2nd round, 47th pick: Lance Kendricks, TE, Wisconsin
3rd round, 78th pick: Austin Pettis, WR, Boise State
4th round, 112th pick: Greg Salas, WR, Hawaii
5th round, 158th pick, Jermale Hines, S, Ohio State
7th round, 216th pick, Mikail Baker, CB, Baylor
7th round, 228th pick, Jabara Williams, OLB, Stephen F. Austin
7th round, 229th pick, Jonathan Nelson, S, Oklahoma
 
Análise: O Rams deu muita sorte no começo quando o problemático e talentoso Robert Quinn caiu no colo deles na 14th pick. O Quinn é um bom rusher, tem tamanho e explosão pra virar um jogador de destaque na Liga e era pra ter saído no top10. O fato dele não ter jogado em 2010 na NCAA por suspensão com certeza pesou contra ele, mas o Rams sabe que pegou um bom jogador com essa escolha que tem potencial pra ser um Steal no Draft.
 
Se fosse por aí o Rams estaria bem, mas a sequencia do Draft deixou um pouco a desejar. O Rams adicionou o TE super atlético de Wisconsin, Lance Kendricks, que vai melhorar o corpo de recebedores do time e provavelmente ser titular desde o começo. O time também aproveitou pra trazer mais dois WRs pro seu corpo de recebedores. A questão é: por que? O Rams tem na sua estrela e futuro o Sam Bradford, beleza, e pra ele continuar evoluindo ele precisa de bons alvos, que lhe deem opções de passe. Mas o time não pegou nenhuma opção número 1 de passe pro Bradford, apenas trouxe alguns jogadores medianos pra dar profundidade ao grupo de WRs, mas isso o Rams tem, o que falta é um nº1 Receiver como o Julio Jones. Não tinha nenhum disponivel no Draft a essa altura, tudo bem, mas se era assim, era muito melhor aproveitar e ir buscar jogadores pra reforçar a defesa, o miolo da linha defensiva tem setecentos anos e vai aposentar logo, ou então uma boa dupla de OLBs. Ao invés disso o Rams gastou duas escolhas decentes em jogadores que vão fazer número numa posição já recheada.
 
Pelo Quinn, o Rams se saiu muito bem, o valor dele é muito maior do que eles esperavam conseguir a essa altura. Mesmo não sendo uma posição carente a de DE, era de longe o melhor jogador, foi uma boa escolha sem dúvida. Mas o Rams se atrapalhou com suas outras escolhas - especialmente os dois WRs - e perdeu chance de continuar adicionando jovens talentosos pro seu elenco. Vamos ver se só o Quinn vai ser suficiente para ir aos playoffs essa temporada.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - AFC West


E o troféu de GM muso do ano vai para... Al Davis, do Oakland Raiders!


Apenas mais três divisões pra terminar de falar do Draft (já que vou ter que refazer a NFC South mais uma vez), e agora a gente risca mais uma delas pra falar da AFC West. A AFC West é uma divisão de gosto duvidoso (Alguém realmente consegue gostar do time do Raiders, por exemplo?) e que, apesar de ter tido um time competitivo nos últimos anos no Chargers, não tem produzido grandes coisas além dele, o Raiders não ganha nada desde que o Rich Gannon saiu do time (Por "ganhar" não entenda títulos, entenda jogos), o Broncos amarelou por anos a fio na hora de decidir até que ficou com a segunda pior campanha em 2010 e o Chiefs só agora montou um timinho simpático pra fazer a gente assistir os jogos do time. Vamos ver como os times da AFC West, dois dos quais não tem um QB definido pra começar jogando, se saíram nesse Draft.


Denver Broncos
Nota: B+
Escolhas:
1st round, 2nd pick:  Von Miller, OLB, Texas A&M
2nd round, 45th pick: Rahim Moore, FS, UCLA
2nd round, 46th pick: Orlando Franklin, OG, Miami
3rd round, 67th pick: Nate Irving, LB, North Carolina State
4th round, 108th pick: Quinton Carter, DB, Oklahoma
4th round, 129th pick: Julius Thomas, TE, Portland State
6th round, 189th pick, Mike Mohamed, LB, California
7th round, 204th pick, Virgil Green, TE, Nevada
7th round, 247th pick, Jeremy Beal, DE, Oklahoma
 
Análise: O Broncos definitivamente não tem um time tão ruim pra ter a segunda pior escolha do Draft, mas deu muito azar em 2010, com a lesão do Elvis Dumervil. O time virou a página e ta se remontando, seus WRs até foram bem em 2011 e o Demetrius Thomas ainda não mostrou a que veio, e o time tem bons RBs. Portanto, o Broncos priorizou a defesa nesse Draft, a maior fraqueza do time, e pegou o Von Miller, o melhor pass rusher desse Draft, um OLB extremamente atlético e rápido que pode formar com o Dumevil uma das mais fortes duplas de pass rushers da Liga.
 
Eu não questiono nem um pouco o talento do Von Miller e nem que ele valha uma segunda escolha, mas o Broncos perdeu a chance de pegar o Marcell Dareus, que se encaixa muito melhor no time (O pass rush do Broncos foi horrivel em 2010, mas com a volta do Dumervil e um trator no meio da linha defensiva isso mudaria bastante) e no esquema do novo técnico John Fox. O Broncos não tem nenhum DT decente para fazer o esquema funcionar e o time também não pegou ninguém na Free Agent pra esse papel, então essa fraqueza do time vai continuar e pode acabar atrapalhando o futuro da dupla Elvis-Miller. Pra mim não foi a melhor decisão que eles poderiam ter tomado, mas também não da pra errar muito com o Von Miller, pelo que eu vi dele no mínimo vai ser um bom jogador, principalmente se ganhar um pouco mais de músculo.
 
Tirando isso, o time soube escolher bem suas outras escolhas. O Rahim Moore é um ótimo FS, com muito potencial e que não só deve contribuir logo de cara como tem tudo pra evoluir ainda mais jogando junto do Brian Dawkins, e a adição do Orlando Franklin coloca um pouco de músculo no meio da linha ofensiva pra fortalecer o jogo terrestre do time. O time ainda buscou um MLB na terceira rodada pra tapar o buraco deixado atrás da linha de scrimmage, e com a volta do Champ Bayley, do Dawkins de lesão e a entrada do Moore, a secundária não vai ser um problema mais, não fosse a escolha do Miller sobre o Dareus o Draft seria quase perfeito. O maior problema do time no momento não tem nada a ver com o Draft, que é a situação dos QBs. Mas isso a gente vai ter que esperar pra ver.
 
 
San Diego Chargers
Nota: B
Escolhas:
1st round, 18th pick:  Corey Liuget, DT, Illinois
2nd round, 50th pick: Marcus Gilchrist, DB, Clemson
2nd round, 61st pick: Jonas Mouton, LB, Michigan
3rd round, 82nd pick: Vincent Brown, WR, San Diego State
3rd round, 89th pick: Shareece Wright, CB, Southern California
6th round, 183rd pick, Jordan Todman, RB, Connecticut
6th round, 201st pick, Steve Schilling, OL, Michigan
7th round, 234th pick, Andrew Gachkar, LB, Missouri
 
Análise: O Chargers foi beneficiado por ter cinco escolhas nas primeiras três rodadas, e o GM AJ Smith seguiu a abordagem que vem usando há anos, com sucesso: Pegar os jogadores que cobrem as necessidades do time. Foi pensando nisso que o time foi atrás do Corey Liuget. O Liuget não é um DT fora de série como o Dareus e o Nick Fairley, mas é um jogador muito sólido e que tem força, velocidade e habiliade pra jogar em mais de uma posição se necessário. A linha defensiva do Chargers ganhou um jogador que eles não tinham e que é vital na defesa five-tech que eles usam, e o Liuget além de ser ótimo parando o jogo terrestre e segurando os bloqueadores também é capaz de usar sua versatilidade no mano a mano pra chegar nos QBs de vez em quando.
 
Melhorada a linha defensiva, o Chargers foi atrás do seu grande problema de 2010, o special teams. O Chargers teve, em 2010, o segundo melhor ataque e a melhor defesa da Liga, mas mesmo assim ficou de fora dos playoffs porque perdeu vários jogos ao sofrer TDs por causa do time de especialistas. Eu até fiz um post na época falando sobre como o Chargers estava sofrendo com os especialistas após perder o Kassim Osgood e como eles poderiam ser importantes, ou pelo menos como estavam fazendo falta pra San Diego. O time então pegou uma cacetada de jogadores (Sério, cinco ou seis) jogadores pensando principalmente em compor novamente o special teams, especialmente o Shareece Wright e o Jonas Mouton.
 
Não que nenhum desses jogadores possa evoluir em um titular regular ou que não tenham pensado além dos special teams, não é isso, o Marcus Gilchrist é um DB híbrido que pode jogar de CB ou Safety e que vai dar versatilidade e profundidade pra secundária do time logo de cara e o Vincent Brown é um ótimo slot receiver que vai ser uma adição importante num time que já tinha um corpo de recebedores fraco ano passado e ainda perdeu alguns WRs pra Free Agency. Os dois tem potencial e podem vir a contribuir para o time titular num futuro não tão distante. Mas o impacto imediato e mais importante - e o principal motivo das escolhas - será nos esburacados especialistas do time. Típico Draft que não tem grandes estrelas ou grandes jogadores de impacto, mas um Draft muito sólido pra reforçar as carências de um time que já é um dos melhores da NFL.
 
 
 
Kansas City Chiefs
Nota: B-
Escolhas:
1st round, 4th pick:  Jonathan Baldwin, WR, Pittsburgh
2nd round, 35th pick: Rodney Hudson, OL, Florida St.
3rd round, 66th pick: Justin Houston, OLB, Georgia
3rd round, 66th pick: Allen Bailey, DL, Miami
4th round, 101st pick: Jalil Brown, DB, Colorado
5th round, 134th pick, Ricky Stanzi, QB, Iowa
5th round, 134th pick, Gabe Miller, OLB, Oregon St.
6th round, 167th pick, Jerrell Powe, DL, Mississippi
7th round, 207th pick, Shane Bannon, RB, Yale
 
Análise: O Chiefs foi um time que talvez tenha ido um pouco mais longe do que deveria, graças ao seu jogo terrestre absurdo e uma defesa emergente. O time sentiu nos playoffs o quanto ainda falta pro time poder brigar em alto nível. Ainda assim, o talento está lá, o núcleo do time (Tirando o Thomas Jones) é bem jovem e muitos jogadores despontaram em 2010. O Chiefs então buscou continuar adicionando talento, e começou por um WR, Jonathan Baldwin. O WR Dwyane Bowe teve um ótimo 2010, mas o Ravens explorou a falta de um outro recebedor decente nos playoffs e limitou o jogo aéreo do Chiefs de forma humilhante. Indo atrás do Baldwin, o Chiefs conseguiu um jogador grande, talentoso e com muito potencial pra ajudar o Bowe no jogo aéreo.
 
Deixando de lado o fato de que o Chiefs já conseguiu isso antes mesmo de assinar com sua escolha de primeira rodada ao pegar o Steve Breaston na Free Agency, já que o fato da Free Agent ser depois do Draft atrapalhou os planos de todo mundo, eu achei que o Chiefs foi um pouco precipitado nessa escolha. Eles conseguiram um jogador pra uma das posições mais carentes (talvez a mais carente) do time, mas eu não gostei da escolha mesmo assim. O Baldwin é talentoso e atlético, mas foi muito inconsistente no College e ainda precisa realizar seu imenso potencial. Tem a habilidade atlética pra ser um grande WR, sem dúvida, mas ainda precisa mostrar que tem mais do que só atleticismo antes de valer uma escolha de primeira rodada.
 
As outras escolhas do Chiefs foram melhores. O Justin Houston talvez tenha sido um pouco arriscado, o talento dele é real, ele é um pass rusher muito explosivo e pode dar muito certo com o Tamba Hali por lá atraindo a marcação, mas é um cara que tem muitos problemas fora de campo, alguns questionam sua dedicação e tudo que você não quer é arrumar um cara problemático quando um dos seus melhores jogadores (Bowe) já é um problema. Mas acho dificil um calouro causar algum tipo de racha no elenco e o talento dele é real, pra terceira rodada foi uma boa aposta. O Rodney Hudson é um jogador do miolo da linha ofensiva que é especialista no jogo terrestre, vai tonar a dupla Jones/Jamaal Charles ainda mais apelativa, e o Allen Bailey é outro que vai encaixar muito bem na five-tech do time, joga nas duas posições da linha defensiva e, embora talvez ainda não consiga entrar e jogar com regularidade, vai adicionar profundidade e versatilidade pra uma área que foi um tanto fraca ano passado.
 
Apesar de ter exagerado um pouco na primeira rodada - a escolha mais importante - o time conseguiu pegar bons jogadores pra posições importantes. Talvez poderia ter pego um DT melhor no começo e se preocupado com o WR depois, mas pelo menos conseguiu tapar as posições de carência imediata do time.
 
 
 
Oakland Raiders
Nota: C+
Escolhas:
2nd round, 48th pick: Stefen Wisniewski, OL, Penn St
3rd round, 81st pick: Demarcus Van Dyke, DB, Miami
3rd round, 92nd pick: Joseph Barksdale, OL, LSU
4th round, 113th pick: Chimdi Chekwa, CB, Ohio St
4th round, 125th pick: Taiwan Jones, RB, Eastern Washington
5th round, 148th pick, Denarius Moore, WR, Tennessee
6th round, 181st pick, Richard Gordon, TE, Miami
7th round, 241st pick, David Ausberry, WR, USC
 
Análise: Existem poucas coisas mais desastrosas pra uma Franquia em reconstrução (ainda mais uma reconstrução capenga como a do Raiders) do que não ter escolhas de primeira rodada. Pior ainda se essa escolha de primeira rodada foi gasta em um veterano que provavelmente não vai estar aí quando você finalmente conseguir montar algo decente. (Pra quem não lembra, o Raiders trocou essa escolha com o Patriots pelo Richard Seymour, um DT boladão que ta com 32 anos).
 
Com um time fraco, sem Quarterback e com poucos jogadores realmente bons, ainda mais depois da saída do Nnamdi Asomugha pro Eagles via Free Agency (Imagina como estaria esse time se o Darren McFadden não tivesse surtado ano passado e tido uma temporada de Pro Bowl?), o Raiders realmente estava numa situação ruim sem essa escolha de primeira rodada. O time tentou se virar com o que tinha, mas... bom... o resultado foi o de costume.
 
Tudo bem, o Stefen Wisniewski tem tudo pra ser um bom jogador, seja jogando de Center no lugar do Samson Satele ou de Guard em qualquer um dos lados, ele tem boa habilidade no bloqueio e a força física pra ser um titular pelos próximos 10 anos, e o Joseph Barksdale é uma boa aposta pra OT, muito forçudo e pouco técnico mas é melhor do que o Raiders tem por lá . Mas o Raiders foi mais uma vez vítima da eterna tara do Al Davis por caras rapidos que não sabem fazer mais muita coisa. Há anos que o Raiders ignora o fato de que no futebol americano você não pode ser apenas rápido, tem que ter muito mais coisa no seu jogo, lembrando que esse é o time que pegou o Jason Heyward-Bey na frente do Michael Crabtree no Draft só porque o Bey tinha um tempo de 40 jardas melhor!!! O Demarcus Van Dyke foi o ápice dessa tara nesse Draft, ele é o cornerback mais rápido no tempo das 40 jardas, mas o tempo dele correndo de costas e girando o corpo é muito abaixo. Ele foi Draftado pura e simplesmente porque faz 4,28 segundos nas 40 jardas, isso é rápido pra burro, mas ele não tem nenhuma das outras qualidades básicas que um cornerback profissional tem que ter. E não pensem que acabou por aí, o time ainda pegou o segundo cornerback com melhor tempo nas 40 jardas, pegou também o WR e o RB com melhor tempo nesse drill!! Tudo bem, algum deles pode desenvolver mais habilidades pra tornar essa velocidade útil, mas é uma forma muito primitiva de draftar!
 
O Raiders tem draftado com base na velocidade pura dos seus jogadores faz muito tempo, e faz muito tempo que o time é horrível. Incrível como o time não aprende com os erros, não fosse o acerto na mosca com o Stefen Wisniewski esse Draft teria sido ainda mais patético.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC North


"Ãããããã.... Não sei"


Faltam apenas três divisões da NFL pra gente discutir e analisar aqui, e hoje a gente diminui o número pra dois falando da NFC North, uma das divisões mais interessantes da Liga e que possui o atual campeão e um dos times jovens mais divertidos e promissores da Liga, o Lions. Além disso, o time tem uma franquia em decadência que busca se reerguer, o Vikings, e uma Franquia que chegou na Final da NFC ano passado e que quer provar que não foi apenas um golpe de sorte, o Bears. Vamos ver agora como esses times sairam do Draft.

(O Blogger zuou pela milésima vez o meu post sobre a NFC South. Prometo que arrumo isso outra hora, desculpem o transtorno.)

Detroit Lions
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 13th pick:  Nick Fairley, DT, Auburn
2nd round, 44th pick: Titus Young, WR, Boise State
2nd round, 57th pick: Mikel Leshoure, RB, Illinois
5th round, 157th pick, Doug Hogue, OLB, Syracuse
7th round, 209th pick, Johnny Culbreath, OT, South Carolina State
 
Análise: O Lions é um dos meus times preferidos da NFL no momento, porque ele é um time cheio de jogadores jovens, extremamente talentosos e o que é mais importante, o time continua evoluindo e pegando novos talentos. Seguindo essa diretriz, o time não teve vergonha de pegar o Nick Fairley quando ele sobrou até a 13th pick. Alguns times seguem a estratégia de pegar o melhor jogador disponível naquela escolha. O Lions pode ter pego o melhor jogador disponível em todo o Draft!
 
Claro que não é fácil assim, senão ele teria saido lá em cima. O Fairley é talentoso pra cacete, tem tudo pra ser um monstro no miolo da linha defensiva e talvez, em puro talento, seja o melhor jogador do Draft. Mas ele tem problemas fora de campo, alguns dizem que ele não é muito esforçado e portanto o medo de selecionar um Albert Haynesworth que mais daria problemas do que soluções fez muitas pessoas desistirem dele. Sorte do Lions, que aproveitou e pegou o cara pra quem sabe formar com o Ndamukong Suh a melhor linha defensiva da NFL pelos próximos 15 anos. Eu acho que a escolha foi boa porque o Fairley vai jogar na linha junto com dois líderes de personalidade forte, o Kyle Vanden Bosch e o próprio Suh, e se existem dois jogadores capazes de manter o Fairley na linha são esses dois. Eu acho que o ambiente é propício, o talento é imenso e tem tudo pra dar certo até demais. Esse tipo de jogador precisa estar junto de alguém capaz de mantê-los na linha, e no Lions ele terá.
 
Outra coisa que eu adorei no Draft do Lions é que eles não disperdiçaram nenhuma escolha. Na segunda rodada, duas escolhas para o ataque, o Titus Young, que caiu bastante no Draft porque acham que ele é baixo demais pra posição (O Steve Smith do Panthers também teve que ouvir isso, e deu no que deu) mas que é muito bom e jogando com o Calvin Johnson vai se destacar, e o Mikel Leshoure, que é um tremendo RB pra combinar sua força com a explosão do Jahvid Best pra dar ao Lions uma bela dupla de RBs. O time também apostou no Johnny Culbreath, que é meio cru mas que é enorme e tem muita força e potencial, pra uma sétima rodada é uma aposta muito interessante, risco quase zero e com possibilidade de achar um bom Left Tackle.
 
O problema do Draft fica por conta da secundária, que não recebeu nenhum jogador que faça melhorar essa área. Mas se o Fairley der certo a pressão só da linha defensiva do Lions já vai ser tão abusiva que alivia pro resto do time, então o time fez muito bem ao ir com o Fairley. O time mais interessante da Liga.
 
 
 
Chicago Bears
Nota: C+
Escolhas:
1st round, 29th pick:  Gabe Carimi, OT, Wisconsin
2nd round, 53rd pick: Stephen Paea, DT, Oregon State
3rd round, 93rd pick: Chris Conte, DB, California
5th round, 160th pick, Nathan Enderle, QB, Idaho
6th round, 195th pick, J.T. Thomas, OLB, West Virginia
 
Análise: O Bears conseguiu um jogador importante pra área mais carente do time, a linha ofensiva, e adicionou um sólido DT pra sua fortíssima linha de frente na defesa. Se é assim, porque a nota baixa?
 
A nota que eu dei pro Bears não foi pelo talento e pelos jogadores que eles conseguiram. O talento do Gabe Carimi é real, ele melhora a fraquíssima linha ofensiva do Bears (que ainda perdeu o Olin Kreutz, C seis vezes Pro Bowler), e o Stephen Paea é um cara enorme, bateu o recorde de repetições no combine e vai ser um jogador importante na linha defensiva. O Bears é um time melhor com esses dois no elenco, sem dúvida, ambos provavelmente vão ser titulares logo de cara em busca de um título. Meu problema com o Bears é a abordagem do time no Draft. O Paea é um bom jogador, ok, ele melhora a defesa do Bears, mas o impacto marginal de adicionar um defensor na já fortíssima linha de frente do Bears é muito menor do que o impacto marginal de adicionar alguém de uma área carente do time. O Bears não tem nenhum recebedor acima da média agora que trocou o Greg Olsen e a secundária só não é uma peneira porque seria desrespeito com a peneira. Não tenho dúvidas de que adicionar um jogador nessas áreas teria um impacto marginal muito maior do que um DT.
 
Além disso, o Bears pra mim jogou fora suas outras três escolhas do Draft. O Chris Conte é esforçado pra burro, o que sempre é bom, mas foi escolhido umas três rodadas acima do que deveria, e as outras duas escolhas foram jogadas no lixo, dois jogadores que provavelmente nunca vão adicionar em nada na Franquia. O Paea vai ser útil e a adição do Carimi é muito boa, mas o Bears saiu com um Draft muito abaixo do que podia ter conseguido.
 
 
 
Green Bay Packers
Nota: B
Escolhas:
1st round, 32nd pick:  Derek Sherrod, OT, Mississippi State
2nd round, 64th pick: Randall Cobb, WR, Kentucky
3rd round, 96th pick: Alexander Green, RB, Hawaii
4th round, 131st pick: Davon House, CB, New Mexico State
5th round, 141st pick, D.J. Williams, TE, Arkansas
6th round, 179th pick, Caleb Schlauderaff, OG, Utah
6th round, 186th pick, D.J. Smith, OLB, Appalachian State
6th round, 197th pick, Rick Elmore, DE, Arizona
7th round, 218th pick, Ryan Taylor, TE, North Carolina
7th round, 233rd pick, Lawrence Guy, DT, Arizona State

Análise: O Packers está naquela posição invejável onde seu time já está muito bem montado, e por isso o time pode se dar ao luxo de arriscar um pouco nas suas escolhas, pegar projetos de prazo maior e simplesmente fazer o que quer. Não tem grandes escolhas, então o custo é baixo, e a recompensa as vezes pode ser maior sem a pressão por resultados. O que não impediu o Packers de endereçar algumas áreas carentes do seu time, reforçar outras já boas e ainda pegar bons jogadores com um bom futuro.
 
Por exemplo, o time pegou o Derek Sherrod, um Left Tackle com muito talento e potencial, mas que precisa de rodagem e experiencia antes de entrar e jogar. Provavelmente não vai entrar e jogar essa temporada muito, adiciona alguma profundidade para a posição mas dificilmente vai roubar a posição do Chad Clifton, que jogou bem em 2010 e ainda é o dono da posição. Mas o Clifton já tem 36 anos e não vai jogar mais muito tempo, e o Packers vai treinando o Sherrod pra entrar e assumir a posição daqui a algum tempo. A falta de necessidade de resultados imediatos faz com que o Packers possa gastar sua escolha e seu tempo para treinar tranquilamente o potencial desse jogador.
 
E por outro lado, o time pode gastar duas escolhas em Randall Cobb e Alexander Green, dois jogadores de ataque que deve contribuir desde já, o Cobb deve aproveitar e ganhar minutos com o fim de carreira do Donald Driver conforme o veterano for caindo de produção, enquanto o Green é um bom Third Down back, algo que o Packers não tem depois da saída do Brandon Jackson.
 
Entre jogadores pro futuro e jogadores pro agora, o Packers fez um ótimo trabalho em adicionar talento ao time. Usou bem as escolhas que tinha, e continuou draftando bem. Depois ainda perguntam porque o Packers está no topo da Liga.
 
 
 
Minnesota Vikings
Nota: C-
Escolhas:
1st round, 12th pick:  Christian Ponder, QB, Florida State
2nd round, 43rd pick: Kyle Rudolph, TE, Notre Dame
4th round, 106th pick: Christian Ballard, DL, Iowa
5th round, 139th pick, Brandon Burton, CB, Utah
6th round, 168th pick, DeMarcus Love, OT, Arkansas
6th round, 170th pick, Mistral Raymond, DB, South Florida
6th round, 172nd pick, Brandon Fusco, OG, Slippery Rock
6th round, 200th pick, Ross Homan, OLB, Ohio State
7th round, 215th pick, D’Aundre Reed, DE, Arizona
7th round, 236th pick, Stephen Burton, WR, West Texas A&M
 
Análise: Fiasco. Essa é a palavra que resume o Draft do Vikings. Não que eu ache que ele foi 100% horrível, mas ele foi um desastre em termos de planejamento e execução. Toda vez que você gasta uma escolha do top15 num Draft fraco de QBs num QB que dificilmente está entre os cinco melhores dessa classe no papel (Se estiver está em quinto) é porque você esta fazendo alguma coisa errado. E muito errado.
 
Não que o Vikings não tenha saido com bons jogadores, eu pessoalmente adoro o Kyle Rudolph e o Christian Ballard, e o time ainda deu azar de não ter uma escolha de terceira rodada. Mas o Draft foi uma bagunça completa, e o Vikings foi o resumo desse Draft: Quando, numa classe de QBs fraca, você vê quatro QBs saindo na primeira rodada, é porque o desespero está batendo forte. Tudo bem, vários times estavam precisando desesperadamente de QBs e o fato da Free Agency não ter acontecido deixou os times ainda mais preocupados sobre o que poderiam conseguir (ou não conseguir, no caso). O Vikings foi a personificação desse desespero e gastou sua 12ª escolha em um QB que não deveria nem ter saido na primeira rodada.
 
Claro, pode ser que de certo. O Christian Ponder tem bons intangíveis, é habilidoso, atlético e pode desenvolver bem sob a tutela do Donovan McNabb (Lembrando que quando Draftaram não tinham garantias de que poderiam pegar um QB desses. Se soubessem, talvez nem tivesse Draftado o Ponder...) em uns dois anos, o que seria o melhor cenário para o time. Agora, supondo que isso aconteça (melhor cenário, repito), o que o Vikings está fazendo é basicamente condenando o Adrian Peterson a ir embora do time assim que tiver a chance. Ele não vai querer disperdiçar seus melhores anos jogando num time fraco que ainda está preocupado em desenvolver o seu QB jovem, inexperiente e de alto risco. O time também não se ajudou, o Rudolph é um ótimo jogador mas o time já tem o Visante Shiancoe pra jogar de TE, será que dadas as condições do time não valeria mais ter apostado em um OT? Mesmo o Ballard também é um projeto pro futuro, já que o paredão Williams ainda ta de pé e o calouro provavelmente só vai jogar com regularidade daqui a um tempo. Se o Vikings estava tão desesperado por um QB deveria ter trocado pra subir no Draft e pego um cara pronto como o Blaine Gabbert. Pegar um QB que não merece a 12th pick e que ainda vai provavelmente fazer você perder seu melhor jogador dos últimos 13 anos? Mau negócio!