Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Culpado por ser um craque


Tebow provavelmente quebrou o recorde de jardas
para um QB sangrando. Tanto correndo como passando.


Enquanto esperamos o início do nosso "Especial: NFL", que começa amanhã e o qual eu já expliquei e pedi ajuda logo abaixo (por favor leiam!), vamos falar um pouco de um assunto que está chamando alguma atenção nessa pré-temporada de NFL, que é a situação do Tim Tebow e do Denver Broncos.

Se você pegar uma pessoa que só assista e acompanhe NCAA, que se trancou numa caixa de vidro ao final da temporada 2009 da NCAA e que não teve contato com ninguém nesse período e mencionar o nome do Tim Tebow, os olhos dela provavelmente vão se encher de lágrimas, e ele falará sobre como o Tebow é um dos melhores (Se não o melhor, um dos dez melhores) jogadores de College Football de todos os tempos, de como ele tem saudade de ve-lo jogar e vai ficar meia hora rasgando elogios ao moleque. Se você fizer o mesmo com alguém que só veja NFL e que nunca tenha lido ou escutado nada sobre NCAA, ele provavelmente vai perguntar o que o Tebow tem de demais, já que ele não sai da reserva do Denver Broncos. Porque por mais estranho que seja, um dos melhores jogadores da história da NCAA está atualmente encostado na NFL, sendo o terceiro QB de um dos times mais fracos da Liga e recebendo ataques e mais ataques da imprensa.

Quando jogava no Florida Gators, o Tebow chamou a atenção de todo o mundo pelo seu talento inquestionável. Ele era extremamente competitivo, muito bom se movimentando e saindo do pocket, tinha ótima habilidade pra fazer jogadas e foi a sensação da Liga por três anos, entre os quais conquistou um Heissman Trophy (Algo como o MVP da NCAA), um título do Sugar Bowl e dois títulos nacionais (BCS). Ele quebrou mais de 50 recordes diferentes (Ele CORREU para 23 Touchdowns em 2007, por exemplo) e teve alguns jogos que estão entre os grandes de todos os tempos, como as 533 jardas totais de ataque que ele teve no seu último jogo, o Sugar Bowl (Que é um recorde de jardas para um jogador em Bowls oficiais). Na NCAA, ele foi sem dúvida uma lenda, e não é exagero falar que ele é um dos 10 melhores QBs da história do College Football. Portanto também não é de se estranhar que sua ida para a NFL tenha sido tão comentada.

Essa foi também a primeira vez que o inquestionável Tim Tebow era questionado em suas habilidades. Muitos diziam que ele era perfeito para jogar a NCAA (que é um jogo totalmente diferente), mas que não poderia fazer essa transição para a NFL. Ele sempre tinha jogado na Florida num sistema shotgun, um sistema que privilegia passes rápidos e a mobilidade do QB, mas não necessita tanto de habilidades essenciais na NFL como a capacidade de jogar under center, jogo de pés na hora de recuar e, principalmente, precisão nos passes de dentro do pocket. A capacidade do Tebow de passar correndo era impressionante, mas na NFL ele não teria o mesmo tipo de vantagem física sobre os defensores que tinha no College. Além disso, a mecânica de arremessos do Tebow era muito ruim para a NFL, e depois de ser tão bom com a mecânica "errada" muitos duvidavam que ele fosse capaz de mudá-la de forma natural. Mas apesar disso, a pressão que se criou em torno do Tebow foi algo sobre humano, como se ele, por ter sido genial no College, também tivesse a obrigação de ser genial na NFL.

Nas semanas que antecederam o Draft, muita especulação foi feita em torno de em que rodada e para onde Tebow sairia. Apesar de ser quase consenso que o um QB com tantas "falhas" no seu jogo não valesse uma escolha de segunda rodada, a terceira rodada e até a segunda eram as opiniões mais frequentes. Todo mundo sabia do que ele era capaz, mas a sua capacidade de se adaptar à NFL era uma aposta.

No final, a gente sabe como a história acabou. O Denver Broncos trocou para entrar no final da primeira rodada do Draft e pegou o Tebow, numa decisão muito questionada por muitos. O Tebow foi reserva durante boa parte do ano, mas teve sua chance no final da temporada regular, quando foi titular em três jogos e teve boas atuações, com vários touchdowns terrestres e alguns aéreos. Foram bons jogos, mas parece que não convenceram os homens fortes de Denver, já que agora ele é o terceiro QB do time, atrás de Kyle Orton e Brady Quinn.

Agora, a pressão da imprensa sobre ele e sobre o time está maior do que nunca. Tebow foi draftado para ser a solução na posição a médio prazo pelo então técnico Josh McDaniels, que pretendia treiná-lo durante algum tempo antes de colocá-lo para jogar. Mas McDaniels foi mandado embora, e parece que o plano foi por água abaixo. O Broncos quis colocar o garoto pra ser a solução agora enquanto ficariam livres para trocar o Orton (Miami?), mas ele não está pronto para isso, e o Broncos não quer esperar. Existe uma certa má vontade com ele em Denver, talvez porque o Head Coach de lá (John Fox) vê o Tebow como uma 'herança' do antigo HC, e parece que o time não está mais disposto a apostar no futuro do garoto. A imprensa e a torcida continuam cobrando grandes coisas dele mesmo num ambiente totalmente impróprio para o cara, tudo isso porque ele foi bom demais no College pra ser um reserva na NFL, ou pelo menos para a imprensa ou a torcida.

A verdade é que, em esportes, a gente gosta de odiar alguns jogadores, mesmo que sem confessar. Nós odiamos o Lebron James porque ele é arrogante, gosta demais de aparecer, quebrou o coração de Cleveland em rede nacional, foi jogar com seu maior rival na Liga e, embora ninguém admita, simplesmente porque ele é bom demais e a imprensa encheu a bola dele desde que ele tinha 13 anos de forma que ninguém aguenta mais ouvir falar dele e muitas vezes gosta de ver ele se dando mal só pra ver todo aquele hype indo por água abaixo por meia hora. Eu já bati nessa tecla antes, que essa aura de grandeza em torno do Lebron não foi uma criação dele e sim da imprensa e de todo mundo que vivia ao redor nele, ele era bom demais e simplesmente aceitou essa criação dos outros como sendo a realidade. E uma boa parte das críticas que o Tebow hoje recebe é justamente por causa de uma imagem que se criou dele como um QB que tem que ser vitorioso em todos os lugares por onde passar, não pode nem perder no poker ou no truco que já é um tremendo fracasso.

O Tebow, ao contrário do Lebron, nunca gostou de chamar a atenção pra si, sempre foi um cara discreto, simpático, humilde e extremamente atencioso com os fãs. (Tem até uma história famosa sobre isso, quando um cara que estava andando na rua viu Tebow e mais dois amigos passeando. Fã do QB de Florida, pediu para tirar uma foto, mas sua câmera estava sem pilhas. O fã correu para comprar pilhas, não achou e teve que dar 400 voltas até achar uma compatível, o que demorou um tempão. Quando voltou, achou que Tebow já teria ido embora por causa da demora, mas encontrou o QB sentado lá esperando, sozinho. Seus amigos tinham ido embora mas ele esperou o fã para tirar aquela foto e autografar, sem esperar nada em troca, apenas porque o cara pediu.) Na NCAA ele não era apenas famoso, ele era simplesmente idolatrado. Sua camisa 15 de Denver quebrou recorde de vendas para o dia do Draft, e foi a camisa mais vendida em toda a NFL durante TODOS OS MESES após o Draft, sem pular nenhum. Muitos times cogitaram draftar o Tebow só para atrair a torcida para o estádio, tamanha era sua popularidade. Mas quando Tebow ficou no banco, começou a perder espaço no Broncos e parecia que estava condenado a ficar no banco pro resto da vida, muita gente começou a ficar irritada com ele, especialmente a imprensa. Muita gente condenava o Tebow simplesmente porque ele não era tão espetacular na NFL como na NCAA, como se isso fosse culpa dele ou do time. Cada vez mais parecia que ele estava perdendo espaço na NFL, mas que isso era um absurdo para alguém que tinha sido tão bom quanto ele.

Vale sempre lembrar que muito disso não é só talento. Grande parte do sucesso de jogadores recém draftados, especialmente QBs, depende demais do time que os drafta. Por exemplo, muita gente hoje ri, dizendo que se o 49ers tivesse draftado Aaron Rodgers com a primeira escolha do Draft ao invés do Alex Smith hoje seria um dos melhores times com um Franchise QB pelo resto da década, mas isso é uma enorme falácia. Talvez o Aaron Rodgers seja simplesmente melhor que ele desde o começo, mas não da pra negar que a situação na NFL dos dois jogadores fez uma diferença brutal na carreira. Os dois saíram um tanto crus, sem todas as habilidades exigidas na NFL, mais ou menos na situação do Tebow, mas o Alex Smith foi para um time que estava desesperado por uma solução na posição, teve que entrar e jogar desde o começo, jogou num time com péssimos alvos e uma horrorosa linha ofensiva, nunca teve ninguém para lhe ensinar os macetes da posição. Ele simplesmente teve que entrar e jogar, com uma pressão enorme para produzir, mudando de coordenador ofensivo a cada ano que passava (o que significava que ele tinha que aprender um ataque diferente a cada ano, e isso é algo que demora e essa mudança atrapalha demais). Ele disperdiçou os anos que ele usaria para desenvolver com calma suas habilidades, seu jogo under center, sua precisão no pocket correndo para fugir de sacks, tentando achar algum jogador livre e tendo que jogar sabendo que tinha um enorme peso nas costas. Enquanto isso Rodgers foi para Green Bay, onde encontrou um excelente time com excelentes recebedores já montados. Treinou durante anos sem nenhuma pressão, à sombra do grande Brett Favre, que pode lhe ensinar e guiá-lo por todo o processo de aprendizado, aprendendo apenas um esquema ofensivo que se manteve inalterado por anos a fio. Depois de quatro anos treinando nessa situação extremamente favorável, desenvolvendo suas habilidades com calma, tempo e sem nenhuma pressão, ele pode entrar, mostrar seu talento e liderar seu time ao título. Situações totalmente opostas que influenciaram imensamente a carreira dos dois QBs, talvez se Rodgers tivesse ido para o 49ers e Smith para o Packers hoje o camisa 12 seria um fracasso num time mediocre e o camisa 11 seria um sólido titular num ótimo time.

Por esse motivo eu achei a ida para Denver péssima para o Tebow. O ideal para ele era ir para algum lugar onde não precisasse jogar logo de cara, onde tivesse tempo para treinar e refinar seu jogo, corrigir as falhas com algum veterano lhe guiando e jogando, e um bom técnico lhe passando tudo sobre um esquema ofensivo que ele teria muito tempo para aprender e dominar. Por exemplo, o Patriots (que estava louco para pegá-lo na segunda rodada) teria sido o lugar ideal. Mas o Broncos não tinha um QB estável, não tinha um QB veterano para mentorá-lo, possivalmente teria que recorrer a ele como salvador da pátria e ele recebeu muita pressão da imprensa para ser um astro desde o começo. Até o técnico mudou, o que significa um novo esquema ofensivo para ele aprender e um técnico pouco disposto a lhe dar uma chance. Nada deu certo pra ele lá, e por isso eu torço para que Tebow saia de Denver o quanto antes. O Denver não enxerga mais o Tebow como um projeto a longo prazo (talvez nunca tenha enxergado assim realmente), estão querendo que ele seja titular desde já e isso ele não vai ser, o que só aumenta a pressão da imprensa. Espero que ele possa sair de lá e ir para um time que possa treiná-lo decentemente, dar a ele tranquilidade, estabilidade e um preparo ideal.

É nessa situação que o Tebow pode vir a ser um grande QB na Liga, porque ele tem muitos talentos. Se continuar como está, pode acabar disperdiçando os anos mais importantes do seu aprendizado em um time que não o quer e que é péssimo para ele. E infelizmente, ele vai continuar recebendo atenção e críticas da imprensa enquanto não for pra um time que mantenha o garoto na situação correta, ao invés de expô-lo querendo que ele seja uma coisa que ele não tem como ser no momento. Alguns dizem que o Broncos está querendo trocá-lo ou dispensá-lo, o que eu acho possível, mas isso vai ser muito melhor para o Tebow. Sair de Denver, recomeçar no time certo, que tenha condições de escondê-lo da pressão da imprensa com uma situação estável e um projeto adequado à longo prazo. Até lá, ele vai continuar sofrendo as consequencias do seu incrível talento no College.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Quinta feira começa o nosso novo especial

Para quem não lembra, eu comentei algumas vezes aqui que tinha um "projeto" para o blog, que ia depender da proximidade da temporada regular, de tempo suficiente e de verba do Governo. Bom, a temporada regular está a apenas duas semanas de distância, a gente já desistiu dos incentivos do BNDES e agora dependemos apenas de tempo para realizar esse projeto.

Como quem tem entrado aqui deve ter reparado, a gente teve muito menos tempo do que gostaria nos últimos dias pra postar. A gente acabou deixando quieto porque sabia que agora tava tudo muito parado, é muito difícil postar sobre a pré-temporada do jeito que a gente gosta (Analisando com calma, falando de aspectos técnicos, etc), até porque a gente sabe que não vale muita coisa. E deixou chegar mais perto (e as coisas acalmarem) para poder trabalhar direito no nosso projeto especial, e agora a ideia é tocar a todo vapor. E pra isso, conto com a ajuda de vocês.

Bom, o projeto é simples. É uma série de posts que tem como objetivo apresentar o futebol americano a quem não conhece ou então está começando a conhecer. A gente costuma, por opção, fazer posts com análises mais complexas que na maioria acabam servindo melhor a pessoas que já entendem e acompanham o esporte há mais tempo. Mas como um dos objetivos (megalômanos, eu sei) do blog é ajudar a divulgação do esporte aqui no país na medida do possível, a gente está preparando isso também para as pessoas novas no negócio.

Os posts vão explicar o básico: História do esporte e da Liga, funcionamento do jogo, situação de cada um dos times. Alguns desses também podem ter interesse para os veteranos no assunto, mas de forma geral a série é voltada para os novatos no assunto mesmo. Devemos começar quinta feira agora com os posts da série (Amanhã teremos um post sobre o Tim Tebow antes) e não posso garantir com que frequencia eles vão sair. Mas de forma geral, a ideia é terminar até o dia 8 de Agosto, que é quando começa a temporada regular (Talvez não dê, mas enfim, atrasar uns dias não vai matar ninguém além de mim).

E pra isso, conto com a ajuda de vocês, leitores. Eu mandei email pra algumas pessoas importantes do mundo do esporte, para sites do assunto, blogues e tudo mais pedindo ajuda para divulgar a série, porque acho uma oportunidade legal pra tentar divulgar o futebol americano nem que seja pra mais meia duzia de pessoas. Mas além deles (Até porque não sei quantos deles vão atender ao pedido) também peço ajuda a todos vocês que estão lendo isso. Aos que puderem e tiverem interesse, peço que por favor ajudem a divulgar essa série que vamos começar para amigos, conhecidos e etc que tenham interesse em assistir (ou que vocês tenham interesse que assistam, minha namorada será a primeira a receber um email).

A série não começa hoje, só quinta, mas já queria deixar avisado pra vocês saberem que a gente não abandonou o blog e que quinta feira a gente vai começar a série nova com tudo. Além disso, já deixo avisado a data de inicio pra quem puder ajudar a divulgação. Espero que mais gente comece a acompanhar o futebol americano com isso. Também é uma boa oportunidade pros que liam o blog por causa da parte de basquete, pra achar um outro esporte para acompanhar nessa greve que só deus sabe quando acaba (meu palpite, infelizmente, é perder boa parte da temporada na melhor das hipóteses), porque um esporte é muito melhor aproveitado quando se conhece não só as regras, mas o funcionamento.

Bom, por hoje é isso. Amanhã temos Tim Tebow e quinta feira temos o começo da nossa série. Por favor (eu raramente peço coisas além de empregos e doações!) ajudem com a divulgação da série se puderem. Abraço e obrigado a todos.

Até amanhã!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um apanhado do resto da Free Agency

Vontae Leach pode ser gordo, mas a conta bancária dele é muuuito mais



Sinto muito pela demora em postar, as coisas estão corridas e os textos infelizmente não estão saindo com a rapidez que a gente queria. Mas pelo menos a gente continua por aqui quando conseguimos, não desistam da gente!

Desde o final do lockout da NFL (ou melhor, desde que eu voltei de viagem), a gente já falou de muitas coisas. Analisamos o Draft dos 32 times da Liga por divisão, comentamos sobre as diferenças entre os lockouts da NFL e da NBA e dissemos porque o da NBA não deve ser resolvido tão cedo. Também falamos muito da Free Agency, comentamos sobre como o Eagles montou um excelente time, dissemos que o Patriots, melhor time da NFL, apostou em veteranos com algum risco mas com alta recompensa em caso de sucesso para complementar os jovens jogadores do time e tentar cobrir suas falhas. Comentamos a contratação de seis Free Agents em dois posts separados (Parte I e Parte II) e também falamos dos caminhos opostos tomados por Seahawks e Cardinals, esse último acompanhado de uma análise da famosa troca pelo Kevin Kolb. Agora ficamos apenas com contratações menores, jogadas de menor importância sobre as quais que eu não acho que valha a pena ficar falando muito ou dedicando posts inteiros a elas. Por isso, esse post vai ser pra falar rapidamente (juro, vai ser curto!) de alguns times que até podem ser citados de passagem, mas não merecem mais do que isso. Felizmente esse período complicado por aqui coincide com o período antes da NFL e sem NBA, então é realmente uma época meio parada (Eu sei que tem pré-temporada, mas a pré-temporada é pros técnicos observarem seus times e seus jogadores, tem muito pouca coisa que realmente se pode extrair desses jogos). Mais pra frente vamos voltar com algumas novidades, temos programado um especial pro Blog, o Celo pediu pra falar do Pré-Olimpico de basquete e quando chegar a NFL devemos voltar a intensificar a coisa por aqui. Mas por enquanto, fiquem com...


Os que tem motivos para comemorar

Baltimore Ravens
O Ravens ainda tem vários problemas - falta um RT, já que o time não queria mais o Jared Gaither - e a principal chance do Ravens ser campeão depende do Joe Flacco aumentar o nível do seu jogo, especialmente nos playoffs. Ou seja, o Ravens vai precisar dar esse salto de dentro pra fora. Ainda assim, o Ravens teve um sucesso moderado nessa Offseason: Reassinou seu Free Agent mais importante no Chris Carr, trouxe de volta Free Agents relativamente importantes em Tom Zbikowski Marshall Yanda e Bernard Pollack, e assinaram dois Free Agents interessantes no Ricky Williams, pra ser o reserva do Ray Rice, e principalmente no Vontae Leach (que vai ganhar um contrato kajilhonário). O Leach foi o melhor FB da Liga em 2010 e uma das causas da temporada absurda do Arian Foster, e agora vai ocupar a função que já foi do Lorenzo Neal nesse ataque de Baltimore, o que vai ajudar a intenção do técnico de jogar mais pelo chão com o Rice. Uma adição cara, mas extremamente valiosa.

O time também perdeu alguns alvos que já foram importantes - Derrick Mason, Todd Heap - mas nenhum deles realmente estava contribuindo muito. Esse é um time que deveria ter ido atrás do Steve Breaston, mas conseguiu o Lee Evans do Bills no final das contas, via troca. Pra quem não lembra - todo mundo que não tinha ele no Fantasy - ele foi o WR do Bills que teve três TDs numa única partida em 2010 contra esse mesmo Ravens. Ele nunca deu muito certo em Buffalo (também, quem conseguiria?) mas tem a chance de dar um rebound na carreira e ajudar um veterano Anquan Boldin (Sem falar que o time pegou o Torrey Smith no Draft). O Breaston seria melhor do que ele, mas já é melhor do que o Mason atualmente. O Heap não vai fazer tanta falta, agora os TEs mais jovens do elenco como Ed Dickson e Denis Pitta vão poder tomar conta - como já deveriam ter feito ano passado.


Kansas City Chiefs
Vai ser difícil o Chiefs repetir a temporada 2010 que teve, o time talvez tenha chegado mais longe do que deveria. Mas não foi por isso que o time deixou de trazer jogadores importantes, ambos citados no time acima: Jared Gaither e Steve Breaston, além do LeRon McClain. O Chiefs sabe que chegou mais longe do que deveria, mas também sabe que a divisão tem como melhor time os pouco-confiáveis Chargers e que uma vaga pode acabar sobrando pro time. Por isso foi atrás de jogadores que fossem adicionar ao time, especialmente ao ataque. Gaither é problemático mas é um bom OT, e não só ele protege o QB bem como também é forte no jogo terrestre. A grande força do Chiefs foi a dupla de RBs e adicionar um bom RT e um dos melhores FBs da Liga só vai adicionar a essa força. E mesmo deixando claro que a intenção do time é continuar levando o ataque nas costas do jogo terrestre, o time teve o bom senso de pegar um excelente WR pra fazer par com o Dwayne Bowe. O Matt Cassell tem se desenvolvido num bom QB, mas com um alvo só esse ataque fica extremamente dependente do jogo terrestre. Um outro bom alvo - aliado ao promissor Tony Moeaki e ao excelente grupo de RBs - já vai fazer maravilhas pelo ataque aéreo do Chiefs. E acreditem, o time precisa disso.


Carolina Panthers
Não, vocês não estão sonhando, o Carolina Panthers se deu bem nessa Free Agency. Eu já bati aqui na tecla de que o Panthers não é um time tão ruim como pareceu em 2010, o time só teve muitos problemas e tem fraqueza demais em áreas chaves (leia-se QB). O time tem um núcleo muito jovem e talentoso, e o Panthers fez o excelente trabalho (que muitas vezes passa batido) de segurar esse núcleo jovem: Renovou com o ótimo DE Charles Johnson, trouxe de volta o DeAngelo Williams e assinou um contrato longo com o sensacional LB Jon Beason. Segurou jogadores menores (James Anderson é um bom jogador e liderou o time em tackles em 2010) e trouxe alguns bons FAs (Ron Edwards, Jeremy Shockey antes do lockout e especialmente o bom TE Greg Olsen), mas o que realmente fez o Panthers se destacar foi a forma como manteve os jogadores talentosos que formam o núcleo do time para o futuro - Para uma franquia em reconstrução, isso é de extrema importancia.


Os que ainda não sabem se ganharam ou perderam

San Francisco 49ers
É difícil um time que não sabe muito bem que caminho tomar (E nem em que caminho está) conseguir acertar nesses momentos complicados, como uma Free Agency totalmente maluca que nem essa. Acho que a unica certeza do Niners agora é que eles finalmente conseguiram um bom técnico pra começar a recolocar o time no caminho certo. O Niners apostou no Draft e no bom núcleo que o time conseguiu pra ir pra frente. Mas isso não quer dizer que o time não tenha conseguido bons jogadores. O time resolveu uma das maiores carências que tinha ao trazer o Center Pro Bowler Jonathan Goodwin do Saints (Pra quem não lembra, o 49ers perdeu dois jogos porque o C antigo cometeu dois touchbacks fazendo snaps por cima da cabeça do QB), adicionou um bom WR no Braylon Edwards pra melhorar o estagnado ataque aéreo do time e reforçou em muito sua secundária (Outra área carente) com o CB Carlos Rodgers e os Safetys Madieu Williams e Donte Whitner.

Mas por outro lado, o time viu a principal força da sua equipe - a defesa - perder QUATRO titulares: O CB Nate Clements, os LBs Takeo Spikes e Manny Lawson e o NT Aubrayo Franklin. Enquanto o Spikes e o Lawson não devem fazer tanta falta (O time tem substituto pro primeiro e o Lawson era muito problemático em relação ao que produzia), o Clements e especialmente o Franklin vão fazer muita falta. O Clements teve um 2010 fraco mas ainda era o melhor CB do time, e o Rodgers jogaria melhor do lado oposto a ele ao invés de jogar com o Shawnte Spencer (que joga melhor de nickel). O time reforçou muito bem o ataque e adicionou profundidade à secundária, mas perdeu muitos jogadores da sua defesa e, talvez, o segundo jogador mais importante dela no Franklin. Dependendo de como o 49ers repuser esses jogadores, a Free Agency pode ter sido boa ou ruim pro time.


Jacksonville Jaguars
O time Draftou muito bem e tem um grupo muito jovem e promissor pra acompanhar o calouro Blaine Gabbert. O time está conseguindo manter esse grupo - perdeu o Mike Sims-Walker, mas acho que ninguém por lá está infeliz de vê-lo pelas costas - e tratou de ir atrás de alguns jogadores jovens que ficaram livres graças ao novo CBA - ou seja, jogadores de quartas ou quintas temporadas, normalmente Free Agents restritos. Nesses caso foram o SS Dawan Landry, o ILB Paul Posluszny e o OLB Clint Sessions (Landry está indo pra sexta temporada, os outros indo pra quinta). Todos são jogadores com talento, que tiveram boas temporadas e eram titulares em times de playoffs (Tirando o Paul, que jogava no Bills). Sem dúvida o Jaguars reforçou seu elenco e adicionou ainda mais valor ao seu grupo. O problema aqui é que como o Jaguars não é exatamente o time mais atraente do mundo, eles acabaram pagando para esses jogadores contratos enormes, muito acima do que eles deveriam ganhar. Todos são bons jogadores, já disse, mas nenhum deles está entre os melhores da posição e estão ganhando como se fossem. Pra um time que daqui a pouco vai ter que começar a reassinar seus Free Agents e contratar os jogadores para fechar o elenco, essa manobra salarial ousada pode voltar pra assombrar daqui a uns anos.


Os times que saíram perdendo, seja mais ou seja menos


Chicago Bears
O Chicago Bears foi o rei dos times overachieving na temporada 2010, chegando até a final de conferência onde perderam para o Packers. O time não era ruim, era até bom, mas nem de longe tão bom assim. Um QB talentoso mas nem um pouco confiável, um grupo de WRs muito jovem, imaturo, com características repetidas, uma secundária questionável e uma linha ofensiva muito fraca acabaram sendo levadas nas costas por uma excelente defesa e uma linha de frente absolutamente sensacional (além de um ótimo ano do Matt Forte). O Bears precisava fazer as coisas bem feitas nessa offseason pra sonhar com uma final de conferência de novo, mas o time fez quase tudo errado.

Primeiro de tudo, deixou o seu melhor jogador da linha ofensiva, o Center Ex-Pro Bowl Olin Kreutz ir embora na Free Agency porque o time estava gastando demais e queria pagar menos por ele, e dai substituiu por outro C muito mais fraco que vai custar 500 mil a menos apenas. Depois não reassinou seu WR mais promissor (Devin Aromashodu) e trocou seu melhor recebedor (Greg Olsen) para pegar em troca Roy Williams e Marion Barber (Sem falar que o time apostou no Vernon Goldshon, um dos piores top10 draft picks dos últimos anos). Ou seja, o time acabou ficando sem NENHUM recebedor acima da média pra jogar com um QB não-confiável, enfraqueceu a já horrível linha defensiva e está contando com Roy Williams (que nos últimos dois anos jogou num ataque bem melhor e mesmo assim não fez nada) e Marion Barber (Um RB explosivo e forte que perdeu boa parte da sua força e explosão e que, embora ainda possa funcionar com um RB de curtas distâncias, está jogando no time com o ginásio de PIOR GRAMADO para esse tipo de jogada) pra se recuperar. Qual a chance disso dar certo?


New York Giants
O Giants, que joga na divisão do chamativo Eagles, está comemorando o fato de não chamar atenção da imprensa e estar, nas próprias palavras do elenco, "flying under the radar" (Tradução livre "Voando sob o radar", quando um time está indo bem mas sem chamar atenção). O time teve um Draft que eu gostei muito, tem um bom elenco, uma boa defesa e um time bem montado. Tem alguns problemas de consistência e atitude, mas o elenco é bom. Mas o Giants saiu da Free Agent sem nenhum reforço de peso (Mas com aquele famoso C do 49ers, o David Bass, que fez os dois snaps por cima do QB) e ainda perdeu dois dos seus alvos mais importantes, o líder em recepções Steve Smith e a válvula de escape Kevin Boss, sem adicionar nenhum recebedor melhor que o Michael Clayton. Pra um time que tinha um ataque funcional, mas sem ser ótimo, perder dois jogadores tão importantes assim faz uma grande diferença. Talvez o Giants não tenha tanto a comemorar assim.


Minnesota Vikings
Não vou nem comentar o fato do time ter perdido o Sidney Rice. Mas pense no seguinte: O Vikings acabou de ficar sete anos mais novo na posição de QB contratando um cara de 34 anos. Isso é tudo, Meritíssimo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Saindo do fundo do poço (ou tentando)

Kevin Kolb dançando "Na boquinha da garrafa"


A NFC West é - e isso não é de hoje - a divisão mais fraca de toda a NFL. De longe. A divisão não tem sequer um time competitivo (Qualquer uma das outras sete tem pelo menos um), a maior parte dos times tem sérios problemas em diversas partes e, mesmo com a vitória do Seahawks nos playoffs de 2010 em cima do Saints, ninguém realmente leva nenhum time dela a sério. Faltam QBs, faltam boas defesas, alguns casos também faltam técnicos. Não que a divisão tenha sido um completo fiasco nos últimos anos, o Rams foi um dos grandes times do começo da década (O famoso Greatest Show on Turf), o Seahawks foi um time forte durante o meio da década (chegou ao Super Bowl em 2005 e deu trabalho pro Packers em 2007 nos playoffs) e o Cardinals teve um dos melhores ataques da década em 2008 (quando foi vice do Super Bowl) e 2009, liderados pelo Kurt Warner. Ou seja, a divisão teve seus bons momentos recentemente. Mas desde 2007 o Seahawks não consegue se manter relevante (Graças, em grande parte, às sucessivas lesões do Matt Hasselback), o Rams foi um dos piores times da Liga por anos a fio, o Cardinals mostrou que é horroroso quando o Kurt Warner se aposentou e deixou o time nas mãos dos QBs Derek Anderson e Max Hall, e o 49ers amargou anos de desgraça, pareceu que ia melhorar mas só pra voltar a regredir tudo de novo.

Falando em história mais recente, o time que parecia em 2010 estar caminhando para um bom futuro era o Rams. O time draftou o ótimo Sam Bradford pra ser seu Franchise QB e, apesar de um elenco muito fraco e cheio de buracos, pelo menos tem um jogador jovem e bom o suficiente pra ser o centro de uma reconstrução. Mas ainda falta muita coisa pro time ficar bom, afinal de contas eles ficaram de fora dos playoffs por causa do Seattle Seahawks, um time velho e decadente, mas eu vou falar mais deles um pouco mais pra frente. O mesmo vale para o Cardinals, que apesar do seu record de 2010 não mostrar, era disparado o pior time da Liga em 2010. O 49ers deveria ter clamado o topo da divisão para si em 2010, era o melhor time, mas o time foi uma grande decepção e ficou em terceiro, em meio a trocas de técnico e mudanças de QBs. Atualmente, o Rams é um time que conseguiu sua pedra angular e está se montando em cima disso, enquanto o 49ers é um time que busca desesperadamente achar o problema e finalmente se colocar no caminho do sucesso. Enquanto a diretoria tem fracassado nisso recentemente, pelo menos trouxeram um técnico competente e vencedor para o time. Mas ainda vai ter que suar pra brigar pelo título da divisão.

E como ficam os outros dois times? Bom, o Cardinals era o time mais divertido dos últimos anos em 2008, quando finalmente deixaram o Matt Leinart de lado pra colocar o Warner de titular. O resultado foi que o Warner teve um ano de MVP, três WRs do time passaram de 1000 jardas, foi o ataque mais assustador dos últimos anos (tirando o Patriots de 2007) e merecia ter ganho o Super Bowl que perdeu para o Steelers. Um Cardinals mais fraco teve outra boa campanha em 2009, ganhou do Packers nos playoffs por 51 a 45 em um dos melhores jogos de playoffs de todos os tempos e com uma das melhores atuações de um QB em uma partida em todos os tempos. Infelizmente esse time não aguentou a rodada seguinte, e Kurt Warner decidiu se aposentar. O Cardinals também perdeu vários titulares, especialmente na defesa, mas o que mais fez falta foi o QB. O time tentou o veterano Derek Anderson, tentou calouros como Max Hall ou John Skelton, mas foi tudo um fiasco e o time foi uma desgraça completa. O time então chegou à decisão (Absolutamente genial) de que precisava de um QB, e eu comentei do interessante dilema do Cardinals quando analisei o Draft da NFC West, disse que o time teve a chance de pegar um bom QB mas preferiu pegar o melhor jogador disponível e apostar na Free Agency para conseguir seu QB. É um risco, claro, mas um risco calculado: O Kevin Kolb queria jogar em Arizona desde antes do lockout, o Cardinals estava interessado e parecia mais uma questão de acertar os valores com o Eagles do que outra coisa. Mesmo sem o Kolb, o time ainda era atraente para os QBs do mercado, o time apostou que sairia pelo menos com um. No final, como podemos ver, a confiança do time não era infundada, já que o Kolb realmente foi pra lá. Mas será que o Kolb realmente é o salvador da pátria?

Eu acho engraçado que o Kevin Kolb, que passou a ser visto como a solução a longo prazo para times em busca de um QB, recebeu esse 'título' tendo jogado apenas sete (!!) jogos como titulares em toda a sua vida (E mais alguns quebrados que ele entrou na metade, mas nesses sete que ele começou saiu na metade de dois)! Tudo bem, ele teve boas partidas entre elas, tem um bom braço e é habilidoso de forma geral, mas ele também teve partidas medianas mesmo contando com um execlente corpo de WRs. Ele é bom, jogou bem em jogos razoavelmente difíceis e pode ser um titular consistente na NFL, mas basear toda a premissa de 'grande QB do futuro' ou "novo Aaron Rodgers" em um jogador que jogou apenas sete partidas na vida de titular é um grande exagero! Teve boas partidas, outras nem tanto. E de repente ele aparece como um grande QB jovem disperdiçado no banco do Eagles que vai ser a solução pra uma franquia que apresenta problemas em quase todas as suas áreas. Algo não parece um pouco estranho?

Eu não questiono a necessidade do time por um QB. Eles precisam de alguem pra jogar com o Larry Fitzgerald e um QB jovem (Kolb tem só 26 anos) pode ser exatamente a peça que eles precisavam pra voltarem a ser relevantes. O Kolb teve bons jogos e tem talento, inquestionável, com um grande WR talvez ele nem precise ser um Rodgers da vida para dar certo por lá. Mas eu acho que colocar tanta confiança em um QB que ainda não se provou na Liga, tem pouca experiência é arriscado demais. Além disso, o preço foi altíssimo. Um dos melhores CBs da Liga E uma escolha de segunda rodada por ele? Eu não pagaria. Pra mim o Kolb poderia até valer uma escolha de primeira rodada, mas um jogador (Dominique Rodgers-Cromartie) que vale sozinho mais do que uma escolha de primeira rodada e MAIS uma escolha de segunda? A contratação do Kolb foi inteligente, a leitura da situação foi perfeita (e obvia), mas talvez tenham pago um pouco demais para um jogador que tem muito pouco provado. Foi de certa forma um grande risco a um preço muito alto que o time assumiu. Além disso, o time tem um problema que não tinha no passado. O único WR acima da média que tem no time é o Fitz (BEM acima da média, mas vocês entenderam), o Anquan Boldin e o Steve Breaston saíram e o time vai ter que contar com o Early Doucet realmente jogando bem, o que é muito mais fácil fazer com o Kurt Warner de QB. O movimento do time foi sem dúvida na direção certa - eu acho até que o Kolb era a melhor opção pro time mesmo - mas o time está colocando esperança e pressão demais nas costas do Kolb, que veio a um preço mais alto do que ele vale por enquanto.

E enquanto o Cardinals está com um corpo de recebedores destruido e rezando para o Beanie Wells resolver o problema dos RBs pra aliviar a barra, mas pelo menos conseguiu um QB talentoso e jovem, o Seahawks fez o caminho oposto. O time ganhou a divisão ano passado porque o Matt Hasselback ganhou jogos importantes e, sinceramente, porque o resto da divisão era horrível. A grande surpresa da temporada foi que o time ainda ganhou do Saints nos playoffs, com atuação vintage do Hasselback e uma corrida épica do Marshawn Lynch, mas ficou claro no jogo seguinte que aquilo realmente não deveria ter acontecido. O time era muito fraco no geral, a defesa era razoavel mas nada demais, e o grupo de WRs do time era um absurdo de ruim (tirando talvez o Mike Williams, que machucou). Nessa Free Agency, então, o time gastou as calças para trazer bons alvos para seu QB. Trouxe dois dos recebedores mais importantes da Free Agency, o Sidney Rice (que ganhou um contrato milhonário graças a um excelente ano recebendo bombas do Brett Favre) e o Zach Miller. O Rice foi o WR que, quando o Favre foi pra Minnesota, foi o principal alvo dele, fez o diabo e teve uma temporada absolutamente espetacular. Em 2010 ele machucou e não jogou, mas as lembranças de 2009 garantiram a ele um gordo cheque. O Miller é um dos melhores TEs recebendo da Liga, mas como joga no Raiders ninguém lembra dele e nem ele tem um QB que preste pra lançar pra ele. São dois jogadores de alto nível, excelentes recebedores que dariam um upgrade ao ataque aéreo do time imediatamente.

O Seahawks adicionou dois grandes recebedores mas, em troca, perdeu o Matt Hasselback. Tudo bem, o Hasselback ta velho e lesionado, por isso eu comentei no link alí de cima que esperava ver o time gastando a sua escolha numero 25 da primeira rodada em um QB como Ryan Mallett, Andy Dalton ou Colin Kaepernick, um QB que fosse promissor mas que precisasse passar um ou dois anos treinando sob um veterano. Aí renovava com o Hasselback, que ama Seattle, pra ficar dois anos na frente do calouro, e quando o calouro estivesse pronto você colocava ele com suas boas armas ofensivas pra jogar. Básico projeto de reconstrução, mas o Seattle não fez isso: Trouxe suas grandes armas, trouxe um bom jogador de linha ofensiva (Robert Gallery) pra reforçar ainda mais o ataque, mas ao invés de pegar um bom QB jovem para desenvolver com calma à sombra do velho mas ainda bom Hasselback, o time deixou o Hasselback ir embora (nem tentou segurá-lo) não para buscar um QB jovem como Kolb, não para draftar alguém, e sim pra ir buscar o Tarvaris Jackson no Vikings!! O Tarvaris Jackson não é bem velho, tem 28 anos, mas ele simplesmente não é bom! Ele é móvel, sai bem do pocket, mas ele toma decisões ruins, não improvisa bem e sua precisão é muito abaixo da média. Ele não é horroroso, mas não é bom o suficiente pra nenhuma Franquia se comprometer com ele como o QB nº1 e encher o elenco de recebedores talentosos e caros para dar opções para ele. É como contratar um excelente atacante sem ninguém capaz de levar a bola pro ataque.

Alguém pode até argumentar que o time está estruturando seu corpo de recebedores para o futuro, para pegar um QB nas próximas temporadas via Draft ou troca. Mas se era pra fazer isso, pegassem logo nesse Draft, cacete! Eles adoraram o Mallett e não tentaram pegar o dito cujo, só posso imaginar que eles acreditaram que pegariam alguem bom na Free Agency, mesmo sabendo que o unico jogador realmente interessante para eles estava namorando com o Cardinals, sem falar que o Hasselback ainda era melhor do que qualquer outro QB disponível. Não consigo entender o raciocinio do time, o melhor que eles tinham a fazer era justamente pegar um QB no Draft. Talvez a ideia seja pegar um QB na boa classe de 2012, mas isso é um grande risco. Existe times piores que o Hawks pra conseguir os melhores jogadores. Ou seja, leitura totalmente errada da situação, talvez no medio prazo traga algum benefício mas não vejo um beneficio real nessas decisões.

Nessa divisão, o Rams continua no caminho certo, o Niners ainda está tentando descobrir em que caminho está. O Cardinals, me arrisco a dizer, está no caminho certo, embora tenha pago um preço exagerado pra isso. E o Seahawks está mais perdido do que qualquer outro time, e nessa divisão, isso quer dizer muita coisa...

domingo, 14 de agosto de 2011

Algumas contratações, parte II


PANIC MOVE!

Quinta a gente comentou três Free Agents importantes que assinaram com times que buscavam o título, no caso Aubrayo Franklin em New Orleans, Ray Edwards em Atlanta e Plaxico Burress em New York. Pedindo desculpas pelo fim de semana sem posts, hoje a gente continua falando de outros três Free Agents importantes: Stephen Tulloch indo pro Detroit Lions, Johnathan Joseph indo pro Houston Texans e... Bem, Steve Smith indo para o Philadelphia Eagles. Eu sei que a gente já falou do Eagles antes, o Steve Smith trollou a gente e assinou com o Eagles logo depois que posso post saiu e a gente acabou não falando dele naquele post. De certa forma, até foi bom, porque naquele post meu objetivo era mostrar como os Free Agents que o Eagles assinou mudariam a forma do time de encarar seus adversários, enquanto que o Steve Smith é uma excelente adição mas não vai ter o mesmo papel de mudança do Nnamdi Asomugha, por exemplo.

A gente também não vai comentar algumas mudanças como por exemplo o Olin Kreutz indo para o Saints, porque apesar de ser um ex-Pro Bowler indo para um time que briga pelo título, não altera em nada, ele está lá indo simplesmente pra tapar o buraco que o Jonathan Goodwin deixou indo pro 49ers. Algumas mudanças menores - em especial o projeto bizarro do Seahawks - vão ganhar destaque mais pra frente, mas tudo a seu tempo.


Stephen Tullock, MLB, Detroit Lions

O projeto de reconstrução do Detroit Lions, depois de anos amargando a fama de franquia fracassada, seguiu aos trancos e barrancos. O time teve a pior campanha de um time na história da Liga (0-16), pegou um WR (Calvin Johnson) antes de conseguir um QB que lançasse para ele (Matthew Stafford) e ainda deu sorte algumas vezes por jogadores como o Ndamukong Suh cairem no colo deles. Mas depois de alguns anos e muito sufoco, o Lions finalmente já pode ser levado a sério. E mais importante, o time já pode SE levar a sério. Agora o time de Detroit tem um núcleo de ataque (QB, RB e WR) jovem, talentoso e promissor, um DT que apesar de ser sophomore já é um dos melhores jogadores de defesa da Liga, um calouro que apesar de problemático tem muito futuro e bons complementos a esses jogadores centrais, veteranos ou jovens. O time sabe que apesar de poder brigar por uma vaga nos playoffs essa temporada se o Stafford ficar saudável, o Lions não tem que se preocupar com esse ano e sim com o que vai vir pela frente. O essencial é conseguir jogadores que sejam habilidosos, mas também que possam acompanhar a garotada do time por vários anos, de preferencia jogadores jovens. Nessa situação o mais comum é via Draft, mas isso não quer dizer que de vez em quando um time desses não consiga achar algo assim na Free Agency. E ajudado pelo lockout, o Lions achou um no Stephen Tulloch.

O Tulloch é um MLB que jogava no Titans. Ele foi o líder do time em sacks mesmo após a saída do Albert Haynesworth e é um jogador que não só é habilidoso, atlético, muito rápido e que se tiver espaço vai ser muito perigoso como também tem só 26 anos. Como toda a defesa (jogadores e técnicos) se mandaram e o time aceitou que agora vai ter que recomeçar tudo de novo, o Stephen Tulloch, que virou Free Agent irrestrito por causa do CBA, seguiu o coordenador defensivo Jim Schwartz (atual Head Coach) para o Detroit Lions. O Lions tem uma linha defensiva monstruosa - Nick Fairley, Kyle Vanden Bosch e Suh - que pode e provavelmente vai manter os bloqueadores muito ocupados e isso vai criar muito espaço para o Tulloch atuar voando em direção ao jogador com a bola como ele sabe fazer. O Lions já tem uma boa dupla jovem na linha (Suh e Fairley), tem no Louis Delmas um safety muito promissor, assinou o também jovem Michael Johnson, SS que era titular do Giants mas virou Free Agent e o Giants não pode assinar por causa do teto salarial, pra formar uma boa dupla na secundária. Apesar de ainda faltar um bom Cornerback pro time, o Tulloch chega pra reforçar uma das poucas áreas da equipe que ainda não tinha um jogador jovem e talentoso para ser o líder da posição. Acabou de conseguir um. Excelente trabalho!


Johnathan Joseph, CB, Houston Texans

Toda vez que alguém usar alguma expressão como "Panic move", ela deveria por lei vir com uma foto do Johnathan Joseph. Como vocês viram, eu já tentei começar essa tradição, agora vamos ver se ela pega.

O Houston Texans é o famoso "time queridinho" da torcida, aquele time que todo mundo gosta, ninguém detesta, que tem bons jogadores, um timinho bacana e grandes expectativas mas que nunca as alcança. Depois que o Texans juntou o ótimo Matt Schaub com o genial Andre Johnson e montou um dos ataques aéreos mais explosivos da Liga, todo mundo achou que seria uma questão de tempo e maturidade pro time ser figura registrada nos playoffs da AFC. Mas o tempo passou e o Texans continuou no "quase". Mesmo depois de juntar sua dupla premiada com a surpresa Arian Foster, lider em jardas terrestres de 2010, o time não só não engrenou como regrediu pela primeira vez em algum tempo. Isso se deu, em grande parte, pela grande queda de produção da defesa. O Brian Cushing não repetiu em 2010 as boas atuações de 2009 depois de ser pego por uso de esteroides, e principalmente a perda do Dunta Robinson expos a secundária do Texans como uma das secundárias mais fracas de toda a Liga. Portanto, não era de se estranhar que o Texans entrasse no mercado em busca de um grande Cornerback pra sua secundária que mais parece a do time daqui da rua.

O grande nome no mercado de Free Agents era, naturalmente, o Nnamdi Asomugha, que como vocês deveriam saber acabou no Eagles. Mas antes de assinar com o Eagles, o Asomugha esteve sendo disputado principalmente por quatro times: Jets, 49ers, Cowboys e Texans. Quando Cowboys e Niners caíram fora, o Asomugha praticamente estava fechado com o Texans. Era apenas uma questão de tempo até fecharem negócio e acertarem os detalhes, a oferta era enorme e o Nnamdi tinha interesse em jogar lá (e na grana). Mas o Texans, que não queria sair de mãos abanando, também negociou com outro grande nome, o Joseph, ao mesmo tempo. E aí aconteceu o que causou o panic move do Texans: O Joseph disse que estava pronto pra assinar com o time.

Ou seja, o time estava quase conseguindo o Asomugha, o melhor CB da Free Agency e pra mim de toda a NFL, quando o Joseph já estava pronto pra assinar. Como o Texans estava disposto a abrir o cofre e tinha um time bem montado, acabou conquistando os dois cornerbacks. Mas o problema era o que fazer: Deixar passar o Joseph para ficar com o Asomugha - perderia o Joseph e tinha uma grande chance de assinar com o melhor CB, mas não estava garantido - ou então assinar o Joseph, perder a chance de sair com o Asomugha, mas pelo menos garantir um CB de elite sem a menor chance de erro. Apesar de que era quase certo que iriam assinar o Asomugha, o time morreu de medo de sair de lá sem ninguém e fechou com o Joseph na hora. Foi, pura e simplesmente, um panic move, o time entrou em pânico e assinou a primeira opção que apareceu de CB, ainda que uma melhor estivesse muito próxima.

Ainda que inegavelmente tenha sido uma decisão motivada por puro pânico de sair de mãos abanando, não da pra falar que o Texans se saiu mal. O Joseph não é tão absurdo como o Asomugha, mas é um CB de elite, e também é quatro anos mais novo que o Nnamdi. O Texans conseguiu seu CB de elite, acabou optando por pegar um mais garantido do que um melhor mas com uma mínima (mas existente) chance de dar errado. Panic move total, mas não foi tão ruim como pagar 35 milhões pro Travis Outlaw. Saíram com um grande jogador, embora com mais calma provavelmente sairiam com um melhor.


Steve Smith, WR, Philadelphia Eagles

Antes que as pessoas confundam, esse é o Steve Smith que era do Giants, e não o que era do Panthers. Se fosse o do Panthers, mandassem logo o Lombardi Trophy pra Philadelphia (se ele conseguisse ficar saudável).

Mas mesmo sendo o Steve Smith menos bom, ainda foi uma adição sensacional para o ataque do Eagles, e eu explico porque. Como eu falei quando comentei as aquisições anteriores do Eagles, o time usou o seu baixíssimo teto salarial (fruto da renovação) para contratar Free Agents em profusão que complementem o excelente núcleo jovem da equipe (mais o Michael Vick, que não é tão jovem assim). O Giants, que estava muito acima do novo teto salarial, se viu obrigado a abrir mão de alguns jogadores, e um deles foi o machucado Steve Smith. O Eagles aproveitou e adicionou o jovem receiver.

O Smith é talentoso por si só. Depois da prisão do Plaxico Burress, que a gente comentou no útlimo post, o Giants se comprometeu com seus WRs jovens para tomar o lugar da sua antiga estrela, entre eles Mario Manningham, Smith e Hakeem Nicks. O Smith foi o segundo jogador com mais recepções em 2009 (Wes Welker foi o primeiro), bateu o recorde da história do Giants pra mais recepções em uma temporada e foi ao Pro Bowl naquele ano. Tudo isso na sua primeira temporada como titular, dividindo as atenções com outros WRs (O nº1 do time era o Nicks) e com o Eli Manning de QB. Ano passado ele começou bem, mas teve problemas com lesões e acabou perdendo vários jogos. Na verdade ele ainda está lesionado, mas a expectativa é de que ele volte a tempo para começar a temporada.

O que eu mais gostei nessa contratação é que ele é um tipo de WR que o time não tinha. Os dois WRs titulares do time, DeSean Jackson e Jeremy Maclin, são jogadores de velocidade, de jogadas longas. O Smith é o contrário, um WR de possession, para rotas mais curtas e para jogadas de segurança. Sem um TE de elite (eu gosto do Brent Celek, mas ele ainda não é tão confiável a esse ponto) a presença de um WR desse tipo é muito importante, ele da uma opção mais rápida, fácil e garantida para um QB. O ganho geralmente não é muito grande - pra isso existem Maclin e Jackson - mas é um alvo diferente do que o time costuma oferecer e que vai deixar o ataque aéreo muito mais rico, especialmente se o Maclin demorar para voltar. Ótima contratação, ótimo jogador. A versatilidade que ele vai oferecer ao ataque vai deixar o Vick ainda mais confortável pra continuar desenvolvendo suas habilidades de passador de dentro do pocket.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Algumas contratações, parte I


Burress argumenta, sem sucesso, que não era uma arma e sim uma tesoura



Em um surto recente de megalomania provocado pelo período insano de Free Agency pelo qual a NFL acabou de passar com o fim do lockout, o TM Warning aproveitou pra discorrer enormemente sobre as contratações, trocas e mudanças promovidas por dois dos grandes canditatos ao título da temporada, o Philadelphia Eagles e o New England Patriots. Esses dois times ganharam um espaço especial aqui no blog - leia-se ganharam dois posts completos e exclusivos - não só porque são dois dos times mais fortes, candidatos ao título e que provavelmente vão ser dos mais relevantes para a temporada. Eles também ganharam porque entre as muitas mudanças promovidas, entre trocas e contratações, eles mudaram o elenco de forma interessante de comentar, e na maioria das vezes de forma a promover mudanças interessantes no seu estilo de jogar. Hoje nós vamos comentar de outras três contratações feitas por times que disputam o título e que sem dúvida foram importantes, mas nem de longe tiveram o impacto que tiveram as contratações de Pats e Eagles. Quais são elas? Bem...


Aubrayo Franklin, NT, New Orleans Saints

O Saints foi um time que esteve mais ativo na noite do Draft do que na Free Agency, onde pegou dois jogadores que eu disse que deveriam ser adições importantes para a equipe, Cameron Jordan e Mark Ingram. Comentei também que o Saints sabe que seu tempo para ganhar um título (com esse núcleo de hoje) está acabando e que portanto o time está disposto a adicionar o máximo possível de talentos "imediatos" na equipe para aproveitar melhor esses últimos anos. Portanto, não é de se espantar quando o time adicionou dois veteranos para sua defesa: Shaun Rogers, a Beluga Negra, e Aubrayo Franklin, ambos DTs.

O Saints, quando foi campeão em 2009, ouviu erroneamente que isso se devia ao seu grande ataque liderado pelo Drew Brees. Enquanto aquele ataque era realmente fantástico e o Brees realmente era espetacular, a defesa do Saints, que teve um papel igualmente importante, ficou esquecida. Eu sempre bato nessa tecla quando comento aquele título, porque a defesa do Saints foi a melhor da Liga em forçar turnovers, o Darren Sharper teve uma temporada digna dos seus melhores dias, o corpo de linebackers jogou muito bem e a linha de frente, ainda que pouco comentada, foi fundamental pro assunto. Apesar da queda de produção do ataque em 2010, a grande causa do rendimento abaixo do esperado do time temporada passada foi o fato da defesa não ter sido tão confiável. A defesa ainda foi a quarta melhor da Liga, falar que ela não foi boa é um exagero enorme, mas a secundária se mostrou vulnerável em alguns momentos importantes e, acima de tudo, a unidade teve muita dificuldade em forçar turnovers. Enquanto isso teve influencia da lesão do Sharper, outro motivo importante foi a queda de efienciencia da linha defensiva. O Saints tinha sido muito eficiente parando o jogo corrido em 2009, e essa necessidade do jogo aéreo em descidas longas pelos adversários - combinada a um pass rush eficiente - foi uma das fontes de turnovers em massa pela secundária do time. Mas a alta idade da linha defensiva, combinada aos altos salários que ela ganhava, fizeram com que o Saints acabasse mudando quase toda sua linha de frente pra temporada passada. Os novos jogadores - especiamente os DTs - não deram conta da mesma forma eficiente e o time não só sofreu um pouco com o jogo terrestre como isso tirou a pressão que o Saints usava tão eficientemente pra criar turnovers.

Portanto, não surpreenda que o Saints tenha ido atrás de dois DTs veteranos. O Rogers eu já comentei, ele é um grande DT desacelerado por lesões mas que ainda tem algo pra contribuir, na pior das hipoteses ele já chega adicionando bife à linha defensiva. E, claro, o Aubrayo Franklin também veio. O Franklin era o NT do meu 49ers, recebeu a Franchise Tag em 2010 e era um dos pilares daquela excelente defesa terrestre do Niners. Como eu sempre digo, o NT raramente recebe créditos numa defesa 3-4, mas ainda assim tem um papel extremamente importante. O Franklin é uma parede de pedra, enorme e muito forte, e sua função em San Francisco era basicamente criar uma parade intransponivel para o jogo terrestre - o que forçava os corredores a irem para o lado que a defesa queria - e mantinha os bloqueadores longe do genial Patrick Willis. Ele fazia esse papel extremamente bem e o Saints definitivamente pode usar o tamanho e a força do Franklin. Mesmo numa defesa 4-3 como é a do Saints, o Franklin facilmente pode ocupar dois bloqueadores na linha além, o que liberaria o bom e veloz corpo de linebackers do time para voar em direção à bola (ou ao QB adversário). Ele tem tudo pra voltar a fechar o miolo da linha defensiva e liberar o Will Smith (DE) e o calouro Cameron Jordan para irem para o rush ao invés de ficarem se preocupando em impedir as passagens pelo meio, o que liberava os adversários de alguma pressão e de rotas curtas. O Saints perdeu o mais jovem e talentoso Anthony Hargrove para o Eagles, mas adicionou um jogador que é exatamente o que eles procuram: Mais velho, mais experiente, e mais pronto para contribuir no curto prazo.



Ray Edwards, DE, Atlanta Falcons

Ainda quando falei do Draft da NFC South, eu comentei que a decisão do Falcons de trocar trocentas escolhas de Draft pelo Julio Jones era, a meu ver, acertada, mas que ela tinha um preço, que era o fato do time perder várias escolhas de Draft de valor alto. Em outras palavras, o time estava adicionando um grande jogador que ia suprir uma das carências do time (A falta de um segundo WR) mas ao custo de escolhas que permitiriam ao time conseguir outros jogadores de bom nível para as outras posições carentes do time, como a secundária e o pass rush. E eu preciso bater nessa tecla mais uma vez, para deixar claro exatamente qual foi o risco do Falcons, mas isso foi antes do contato entre jogadores e times ser liberado, e portanto o Falcons não sabia o que esperar da Free Agency, podiam sair com grandes nomes ou podiam sair sem ninguém. O fato do time ter pego o Ray Edwards não muda em absolutamente nada o peso do risco que o time assumiu, apenas o fato de que o risco valeu a pena - o que eles não tinham como saber quando realizaram a troca.

Eu comentei extensivamente sobre o que o Falcons tinha de defeito no ataque, no caso a falta de um segundo WR confiável, o que eles adereçaram no Draft. O que eu não comentei com calma - justamente porque o Falcons abdicou da chance de pegar um bom no Draft - foi o problema da defesa. O Falcons não tinha uma defesa ruim, a secundária recebeu um bom reforço no Dunta Robinson, que apesar de ter tido alguns problemas deve melhorar bastante depois de um ano estudando o novo sistema, e o John Abraham voltou de lesão em ótima forma pra passar da marca de 10 sacks na temporada. O time tem alguns role players na defesa, não era exatamente uma peneira, mas o time mostrou quando enfrentou ataques aéreos mais fortes - Saints, Packers - que ainda faltava muito pro time ficar confortável na defesa. O Abraham foi ótimo, mas faltava mais alguem que o ajudasse, ele é um grande pass rusher mas não consegue fazer milagres sozinho. A defesa do Falcons tem buracos e precisaria de um Safety (Se eles conseguiram um saudável Darren Sharper, tenham muito medo) pra ser realmente confiável, mas a falta de grandes jogadores na posição fez o time concentrar os esforços na outra forma de ajudar a secundária, tirando o tempo dos QBs adversários. E trouxe o Ray Edwards, DE que era do Vikings e é um cara pra conseguir uns 9-10 sacks por temporada num esquema 4-3 como o do Falcons.

Isso altera o esquema de jogo do time? Não. Mas ele da um grande upgrade em uma área deficiente do time simplesmente porque troca um jogador pouco eficiente por um que pode conseguir 10 sacks por temporada, não tem histórico de lesões e vai deixar o John Abraham ainda mais efetivo, da pra imaginar essa dupla (Se o Abraham ficar saudável) conseguindo uns 23 sacks na temporada sozinha. O Falcons se posicionou no Draft numa posição incrivelmente boa pra ganhar jogos apenas no ataque, mesmo que a defesa ficasse em segundo plano. Ainda existem questões quanto à linha ofensiva, que perdeu um titular importante, mas o time reforçou sua defesa de forma importante. Um bom pass rush - e com dois pass rushers de alto nível já podemos dizer que o Falcons tem um - camulha as falhas da secundária. Não torna a defesa do Falcons uma unidade forte como o Eagles fez, por exemplo, mas supre uma necessidade urgente - o pass rush - e ajuda a camuflar uma outra falha. Contratação importante pra um time que tinha apostado alto no Draft - e agora podemos falar que saiu vencedor.


Plaxico Burress, WR, New York Jets

O Plaxico Burress pode não ser conhecido de quem assiste NFL a uma ou duas temporadas, mas com certeza é de quem assiste a quatro. Isso porque foi ele, em um dos maiores Super Bowls da história, que pegou o touchdown da vitória, foi ele que em 1º de Fevereiro de 2008 pegou o passe pro Touchdown que selou a vitória por 17 a 14 do Giants em cima do até então invicto Patriots, uma das maiores zebras de todos os tempos, provavelmente a maior desde o Super Bowl III (Oh, Joe Namath...).

Mas desde então, o que deveria ser sucesso ganhou um capítulo bizarro: Depois de um excelente começo na temporada 2008, o então campeão Giants tinha a segunda melhor campanha da NFL e a melhor da NFC. Até que um dia Burress, seu principal Receiver, acidentalmente disparou na própria perna uma arma ilegal que estava em seu bolso. Foi preso por porte ilegal de arma, passou os dois anos seguintes na cadeia e o time perdeu seis dois oito jogos seguintes sem seu principal WR, e acabou caindo fora dos playoffs. Sucesso!

Burress saiu da cadeia na metade do ano passado, tendo sua pena encurtada e sido solto em liberdade condicional. Ele sempre esteve em forma, continuou treinando na cadeia e segundo consta saiu em ótima condição física. Ele já é um veterano, tem 33 anos, mas não passou os últimos dois anos e meio levando porradas e seu corpo ainda talvez tenha a boa condição de antes. Vários times tiveram algum interesse nele, mesmo saindo da cadeia: a condição física do sujeito era boa, ele era um grande talento e as vezes a cadeia faz bem para as pessoas. Veja o caso do Michael Vick, que desde que saiu da cadeia não só estava em ótima forma física como começou a levar o jogo muito mais a sério, a treinar feito doido, buscar sempre evoluir e parou de arrumar encrencas. Ou seja, saiu de lá muito mais maduro, e vários times estavam curiosos pra saber se teria o mesmo efeito no Plaxico. O Jets nem precisa contar com isso, o Rex Ryan sempre gostou de jogadores talentosos e problemáticos e parece que esses jogadores (Antonio Cromartie, Santonio Holmes) adoram jogar no Jets, mas se ele realmente maturar ninguém por lá vai reclamar. Eu sempre defendi que a aposta era válida, desde que não oferecessem a ele - o que eu duvidava, anyway - um contrato longo e garantido. Um contrato curto, com opções de renovação, para primeiro ver como ele se saia era o ideal, e foi o que o Jets ofereceu. O Jets renovou com o Santonio Holmes e agora está contando com uma boa volta do Plaxico Burress pra ser o nº2 do time. Se o Burress maturar, seria uma boa aposta em qualquer lugar. Sem maturar, se existe um lugar pra ele dar certo, o Jets com certeza está entre os favoritos.

Eu gostei da aposta do Burress, acho que ele caiu no time certo, mas não da pra deixar de criticar o Jets na forma como o time comandou seus WRs nessa offseason. O time renovou com o Holmes, sua prioridade, e trouxe o Burress, que apesar de um pouco arriscado pelo tempo fora dos campos e a idade avançada pode dar muito certo. Só que o time simplesmente deixou ir embora três outros WRs que eram muito importantes para o time, nem tentando renovar com Brad Smith nem Braylon Edwards e ainda dispensando (!!!) o Jericho Cotchery! O Burress pode dar certo, é um bom jogador, mas como toda aposta pode dar errado, portanto é bom ter um plano B. Mas o Jets mandou embora seu deep threath (Edwards), seu go-to guy em terceiras descidas (Cotchery teve mais de 80% das suas recepções para primeiras descidas em 2009!) e o jogador que dava versatilidade ao ataque com retornos, wildcats e tricky plays (Smith). E as saídas desses três jogadores importantíssimos pra um ataque liderado por um QB jovem e questionável foi compensada com a adição de um WR de 33 anos que é, acima de tudo, uma aposta, e com o Derrick Mason, que já tem 37 anos e ta vendo a produtividade caindo a cada ano mesmo jogando com um QB muito melhor que o Mark Sanchez? Sinto muito, eu gostei do Burress, mas não da pra falar que o Jets esteja com um bom planejamento, ainda mais de um time que está contando com uma evolução do QB pra dar o próximo passo.